Catálogo da exposição em PDF - Robotarium

robotarium.pt

Catálogo da exposição em PDF - Robotarium

EVOLUTION

A NEW KIND OF ART

LEONEL MOURA


Leonel Moura, 2013

arte@leonelmoura.com

Publisher

CPS

Published for the exhibition Evolution, at CPS Gallery, CCB, Lisbon

April 17 to May 19, 2013

contacto@cps.pt

Graphic Design

Robotarium

arte@robotarium.pt

Photography

Francisco Palma

Team

(Robotarium) Eduardo Henriques, Madalena Poppe, Telmo Alcobia

(CPS) João Prates, Alexandra Silvano, Catarina Restani

Under the following conditions:

You must give the original author credit

Furthermore no restrictions unless for credit images

The series Evolution was made with the 3d printer “Project 1500” from

3d Systems represented in Portugal by ISICOM.


EVOLUTION

A NEW KIND OF ART

Leonel Moura

Start with a mesh of a 3d sphere and let a mix of algorithms work on it freely. The initial

shape goes through a set of unexpected and radical changes. Holes and spikes may appear,

deformations occur. At a given moment, driven by a sense of rightness, you stop the process

and send the model to a 3d printing machine. A while after you have an original sculpture.

The essential of this new kind of art work is done by machines. Your role is to start

and finish the process. It may seem very important, depicted as the inspired touch, the

moment of “true” creation, but in fact it can easily be automated. We can imagine a

chain of machines creating and printing continuously original sculptures without human

intervention. (Actually this is one of my projects).

Why is this interesting?

Artists have always used machines. A sharp stone in the hands of the Paleolithic man

was a machine to engrave visions and launch the primordial abstract thought. The camera

obscura was a machine that helped renaissance artists to enhance realism and optical

effects in their paintings. Photography, cinema, video and computers are machines that

expand perception and create new realities. But today we have machines that are more

than just tools. Machines that can be creative on their own. Machines that generate

novelty.

My work, with machines and robots, is an announcement of the future. The process is

underway and unavoidable. It is prompted by need and imagination when will share the

planet with artificial species that are endowed with autonomy, intelligence, creativity and

consciousness. The association between man and machine is – and will keep on being for

a long while –, of a symbiotic kind. Both entities have much to gain from the cooperation

and, actually, once initiated, it becomes unbearably to function without it. Already today

we cannot live without a cellphone or a computer.

This symbiotic relationship liberates man from archaic tasks. Machines do things better

and have multitask skills, which are very limited in humans. More important, to recognize

machine creativity puts an end to human centrality and its putative exclusiveness in what

originality is concerned.

Art is a cultural concept. As such it did change over time and will keep on doing so. A

century ago abstract art was not yet recognized. Soon we may accept machine and robot

production as an original art form.


EVOLUÇÃO

UM NOVO TIPO DE ARTE

Leonel Moura

Comece com uma esfera 3d e deixe que uma combinação de algoritmos trabalhe nela

sem constrangimentos. A forma inicial sofre uma série de inesperadas e radicais mudanças.

Aparecem buracos e bicos, sucedem-se deformações. Num dado momento, motivado pelo

seu sentido estético, o processo é terminado e o modelo enviado para uma impressora 3d.

Pouco tempo depois emerge uma escultura original.

O essencial deste novo tipo de obra de arte é realizado por máquinas. O seu papel

resume-se a iniciar e terminar o processo. Isto, que pode parecer muito importante, visto

como o momento da inspiração ou da verdadeira criação, pode facilmente ser automatizado.

Podemos imaginar uma cadeia de máquinas a criar e imprimir continuamente esculturas

originais sem intervenção humana. (Na verdade esse é um dos meus projetos).

Porque é isto interessante?

Os artistas sempre usaram máquinas. Uma pedra bem afiada nas mãos do homem

paleolítico foi uma máquina para criar gravuras e desencadear o pensamento abstrato.

A camera obscura foi uma máquina que ajudou os artistas da renascença a aperfeiçoar o

realismo e os efeitos óticos das suas pinturas. Fotografia, cinema, vídeo, computadores são

máquinas que expandem a perceção e criam novas realidades. Mas hoje temos máquinas

que não são simples ferramentas. Máquinas que criam coisas por si mesmas. Máquinas

que geram novidade.

O meu trabalho, com máquinas e robôs, é um anúncio do futuro. O processo está em

marcha e é incontrolável. É impulsionado pela necessidade e pela imaginação de uma

partilha do planeta com uma nova espécie artificial dotada de autonomia, inteligência,

criatividade e conssciência. A associação entre homem e máquinas é – e continuará a

ser por muito tempo – de tipo simbiótico. Ambos têm tudo a ganhar com a cooperação

e, na realidade, uma vez iniciada torna-se insuportável funcionar sem ela. Já hoje não

conseguimos viver sem o telemóvel ou o computador.

Esta relação simbiótica liberta o homem de tarefas arcaicas. As máquinas fazem melhor

e são multifunções, capacidade muito limitada nos seres humanos. Mais importante,

reconhecer a criatividade das máquinas põe fim à centralidade do humano e à sua putativa

exclusividade no que concerne a originalidade.

A arte é um conceito cultural. Como tal tem evoluído ao longo do tempo e assim

continuará. Há um século a arte abstrata não era ainda reconhecida. Em breve estaremos

prontos para aceitar a produção de máquinas e robôs como uma forma de arte original.


Evolution of a 3d sphere


Evolution #5, 2013, plastic, 16 x 17 x 30 cm (edition of 3)


Evolution #4, 2013, plastic, 15 x 16 x 29 cm (edition of 3)


Evolution #15, 2013, plastic, 16 x 20 x 21 cm (edition of 3)


Evolution #12, 2013, plastic, 21 x 17 x 21 cm (edition of 3)


Evolution #22, 2013, plastic, 17 x 16 x 21 cm (edition of 3)


Evolution #7, 2013, plastic, 18 x 17 x 33 cm (edition of 3)


Evolution #24, 2013, plastic, 20 x 20 x 20 cm (edition of 3)


Evolution #36, 2013, plastic, 17 x 17 x 17 cm (unique)


Evolution #34, 2013, plastic, 17 x 17 x 17 cm (edition of 3)


Evolution #27, 2013, plastic, 13 x 14 x 20 cm (edition of 3)


Evolution #30, 2013, plastic, 14 x 14 x 19 cm (unique)


Evolution #28, 2013, plastic, 16 x 18 x 17 cm (unique)


Evolution #37, 2013, plastic, 14 x 15 x 13 cm (unique)


Natural and artificial realms seem to follow similar morphogenetic mechanisms. The

image reproduces a plate from Ernst Haeckel’s Kunstformen der Natur, showing several

radiolarians from the order Stephoidea. They can be found in zooplankton and are very

primitive, going back to the Cambrian period. The mix of algorithms used to produce

Evolution sculptures came up with the same solutions.

Os reinos do natural e do artificial tendem a seguir os mesmos mecanismos

morfogenéticos. A imagem reproduz uma ilustração do livro Kunstformen der Natur de

Ernst Haeckel, mostrando vários radiolários da ordem Stephoidea. Encontram-se no

zooplâncton e são muito primitivos, existindo pelo menos desde o Câmbrico. A combinação

de algoritmos que gerou as esculturas da série Evolução chegou às mesmas soluções.


The first work (2000) generate by an ant

algorithm casted in Plexiglas.

A set of virtual ants were launched on a

sphere. Peaks represent a higher deposition

of virtual pheromone.

Photo Isabel Pinto.

Symbiotic Art Manifesto

1) Machines can make art

2) Man and machine can make symbiotic art

3) Symbiotic art is a new paradigm that opens up

new ways for art

4) It involves totally relinquishing manufacture and

the reign of the hand in art

5) It involves totally relinquishing personal expression

and the centrality of the artist/human

6) It involves totally relinquishing any moralist or

spiritual ambition, or any purpose of representation

(Leonel Moura, Henrique Garcia Pereira, 2004)