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Boletim BioPESB 2014 - Edição 16.pdf

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Boletim Biopesb

Ciência, meio ambiente e cidadania em suas mãos ISSN - 2316-6649 - Ano 4 - Nº 16 - 2014

ICMS Turístico beneficia municípios do entorno do PESB

Cidades mineiras, como

Muriaé e Araponga, têm

se beneficiado com recurso

do ICMS Turístico servindo

como incentivo financeiro

para a gestão turística municipal.

O critério turismo foi

inserido na Lei Estadual nº

18.030 no ano de 2009. O

recurso advém do Governo

de Minas, por meio da Setur

(Secretaria de Estado de Turismo).

Atualmente, dos 853

municípios de Minas Gerais,

apenas 155 foram habilitados

a recebê-lo em 2014.

O ICMS Turístico busca aumentar

os investimentos no

turismo local, promover melhorias

nos serviços, oferecer

mais atrações e, assim fortalecer

o turismo no interior do

estado oferecendo produtos

que estimulem aos viajantes

a permanecerem por mais

tempo nos destinos.

Pág. 3

Medicina popular: até quando a tradição do uso medicinal

de plantas sobreviverá?

O uso de plantas medicinais

faz parte da própria

história da medicina, sobrevivendo

entre as gerações

e sendo responsável pelo

desenvolvimento de vários

medicamentos que hoje fazem

parte do arsenal terapêutico.

A própria aspirina

tem sua descoberta associada

a pesquisa de uma

planta usada pela medicina

popular. Nesta edição, as

petianas Laisse e Graziela

foram ao povoado de Bom

Jesus da Madeira, no entorno

do PESB, para conversar

e entrevistar o Sr. Edson,

raizeiro de 88 anos, que

mantém viva a cultura da

medicina popular. Nas sábias

palavras do seu Edson

fica clara a preocupação

sobre a perda desse conhecimento

entre as futuras gerações.

Com certeza, uma

inestimável perda para o

país e a humanidade, mas

que pode ser evitada com o

devido respeito aos raizeiros

e resgate desse conhecimento

tradicional associado

às plantas medicinais.

Pág. 5

Meio ambiente

Serra do Brigadeiro

Turismo

Veja como a produção

de mudas colabora

para a recuperação de

áreas degradadas e comercialização.

Conheça as tradições e

festas religiosas do territorio

da Serra do Brigadeiro.

Saiba quais são os picos

e formações montanhosas

que oferecem espaço

parapara trekking e

caminhadas no PESB.

Página 5

Página 7

Página 8


Ciência

ICMS Turístico em números: os valores em Minas

e de cidades na região da Serra do Brigadeiro

No estado de Minas

Gerais, 25% do valor arrecadado

referente a cobrança

do ICMS total é

dividido e repassado aos

municípios. Nesse repasse,

existem regulamentações

que estabelecem critérios

para a distribuição desses

valores, os quais definem a

quantia recebida por cada

prefeitura, de modo que o

repasse seja feito de maneira

mais justa possível, de

acordo com quesitos como

a área geográfica, saúde,

população, meio ambiente,

unidades de conservação,

recursos hídricos, patrimônio

cultural e também o turismo.

De acordo com a Fundação

João Pinheiro, entidade

do governo do Estado de

Minas Gerais que realiza

estudos e pesquisas com a

finalidade de coordenar o

sistema estadual de estatísticas,

o total arrecadado de

ICMS referente ao turismo

no estado de Minas Gerais,

de janeiro à junho de 2014,

é de aproximadamente 4

milhões de reais. O valor

recebido por cada município

referente ao ICMS turístico

é baseado pelo índice

de investimento em turismo

(IIT) que é calculado levando

em consideração o índice

de organização turística

do município e sua receita

per capta em relação a todos

os municípios beneficiados

pelo imposto.

No território rural Serra

do Brigadeiro é possível

citar os valores de ICMS

Turístico arrecadado pelas

cidades de Araponga e

Muriaé, que em 2014, até o

Boletim Biopesb

Redação: Alunos do PET- Bioquímica da UFV

(Angélica Quimelato, Danilo Santos, Fernanda Araújo,

Graziela Paulino, Helaindo Júnior, Higor Sette,

Isabella Costa, Isabela Paes, Isabella Britto,

Laisse Lourenço, Joana Marchiori, Paula Sudré,

Raquel Santos, Renato Senra e Thaís Martins).

Projeto Gráfico : Thamara Pereira

Diagramação: Ana Paula Lopes

Revisão: Joana Marchiori

www.biopesb.ufv.br

mês de junho, foram de R$

27.986,88 e R$ 28.786,82,

respectivamente, segundo

dados da Fundação João

Pinheiro. Outras cidades

mineiras com grande fluxo

turístico, como Diamantina

e Tiradentes, arrecadaram

no mesmo período um valor

próximo ao das cidades do

entorno do PESB (Diamantina:

R$ 36.894,31 Tiradentes:

R$ 20.598,10).

Segundo Ana Gusmão,

Secretária do Núcleo de

ICMS Turístico da SETUR

(Secretaria de Estado de

Turismo de Minas Gerais),

estes valores são sempre

sendo atualizados e estão

disponíveis no site da Fundação

João Pinheiro, sendo

de fácil acesso à população.

Essa ferramenta pode

ser utilizada pelo cidadão

para acompanhar o valor

que está sendo repassado

ao seu município.

E você, leitor, poderá

com essas informações saber

se sua cidade recebe

ou pode receber este benefício,

assim como cobrar o

uso do mesmo entrando em

contato com a prefeitura de

sua cidade.

Helaindo Júnior

Higor Pereira

Editor-Chefe: João Paulo Viana Leite

Telefone: (31) 3899-3044

E-mail: biopesbufv@gmail.com

Endereço: Departamento de Bioquímica e Biologia

Molecular - UFV

CEP 36570-900, Viçosa - MG - Brasil

Tiragem: 1.000 exemplares

Apoio: Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PIBEX)-UFV

Apoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em

Interações Planta-Praga; Ministério da Educação.

Ano 4, n°16- Pág 2

Editorial

“O Senhor fez a terra produzir

os medicamentos: o

homem sensato não os despreza”.

A frase do Antigo

Testamento, encontrada no

Livro do Eclesiático 38:4, já

profetizava a importância

das plantas na medicina,

que hoje pode ser confirmada

pela descoberta de

importantes medicamentos

para tratamento de diversas

doenças. É sabido que

o Brasil além de ser detentor

de uma das maiores

biodiversidade do planeta,

também possui uma grande

sociodiversidade, com povos

que mantém viva a sua forte

tradição ligada ao meio

ambiente onde vive. Desde

cedo, em várias dessas

culturas é repassado para

os filhos o segredo da medicina

natural. Várias das

pesquisas que levaram ao

desenvolvimento de novos

fármacos tiveram seu início

na busca de informações

junto à raizeiros, como o

Sr. Edson, que gentilmente

recebeu estudantes do PET

Bioquímica, para falar sobre

seus saberes sobre o uso

de plantas. Em outra matéria

dessa edição, vemos que

na nossa biodiversidade

as serpentes também são

alvo de pesquisa científica

para o desenvolvimento de

novos fármacos. Estes são

apenas dois exemplos que

ilustram bem a importância

da conservação dos nossos

recursos naturais e de como

a pesquisa científica sobre a

diversidade pode contribuir

para a melhoria da qualidade

de vida na sociedade.

João Paulo Viana Leite

Editor Chefe


Ciência

Ano 4, n°16 - Pág 3

ICMS turístico é fonte de recurso para o incentivo ao turismo local

A inclusão do critério

turismo (ICMS Turístico) no

Imposto sobre Circulação

de Mercadorias e Serviços

(ICMS) surgiu com

base na alteração da Lei

18.030/2009 (nova Lei

Robin Hood), a fim de promover

o patrimônio turístico

das cidades de Minas

Gerais.

O ICMS Turístico é uma

forma de incentivar os municípios

ao investimento e

melhoria dos serviços, infraestrutura,

capacitação

de mão-de-obra local,

conservação do patrimônio

histórico, cultural e

ambiental, proporcionando

o desenvolvimento sustentável

da atividade. No

entanto, para que tudo

ocorra de maneira bem

sucedida e para que o

investimento seja de fato

realizado, é preciso que

haja organização das políticas

de turismo na localidade.

Um dos pontos importante

para o município

almejar o recebimento

desse recurso está na estruturação

e organização

do Conselho Municipal de

Turismo (COMTUR). Aliás,

é importante ressaltar que

outras fontes de recursos

também podem ser mobilizadas

e aplicadas na

promoção estruturada do

turismo local a partir da

constituição do COMTUR.

Atualmente, 155 municípios

mineiros estão

sendo contempladas com

parcela do ICMS Turístico.

A lista completa dos municípios

de Minas Gerais

que recebem ICMS Turístico

pode ser consultado

no site da SETUR (http://

www.turismo.mg.gov.br/).

Como o ICMS Turístico

está vinculado à arrecadação

estadual, é importante

que o cidadão exija

sempre a nota fiscal ou o

cupom fiscal e que esteja

atento para defender o

uso adequado dos recursos

públicos. Sendo assim,

fique de olho!

Municípios do entorno

do PESB podem se beneficiarem

por fazer parte do

Circuito Turístico Serra do

Brigadeiro visando receberem

incentivo do ICMS

Turístico. Com este recurso,

o município pode fomentar

projetos para melhor receberem

os turistas que desejam

conhecer a região

do Parque Estadual Serra

do Brigadeiro, considerada

um dos últimos redutos

protegidos de Mata Atlântica

que pertence ao conjunto

da Serra da Mantiqueira

e reúne belíssimos

exemplares da flora e da

fauna brasileira.

Angélica Quinelato

Thaís Martins

Critérios para o município mineiro ser contemplado com ICMS Turístico:

• Participar de um circuito turístico reconhecido pela Setur (Secretaria de Turismo),

• Implementar uma Política Municipal de Turismo;

• Possuir Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) - constituído e em funcionamento;

• Possuir Fundo Municipal de Turismo (FUMTUR) - constituído e em funcionamento;

• Ter participação no critério “patrimônio cultural” e “meio ambiente” desta lei.

• Apresentar cronograma anual com as ações turísticas desenvolvidas


MeioAmbiente

Ano 4, n°16 - Pág 4

Serpentes causam medo e fascínio na população e podem

gerar lucro para criadores

As serpentes, animais

vertebrados muito comuns

no Brasil, são répteis que

apresentam uma diversidade

enorme de espécies.

No Brasil foram registradas

aproximadamente 350 espécies,

mas estima-se que

30% dessa fauna ainda

permaneça desconhecida.

Odiadas por alguns e admiradas

por outros, as serpentes

levam essa fama, muitas

vezes, por serem venenosas

e perigosas, porém não são

todas as espécies que representam

perigo.

A maioria das pessoas

tem dificuldade em diferenciar

uma serpente peçonhenta

de outra não peçonhenta

e algumas vezes acaba matando

os animais que venham

a encontrar sem saber o potencial

risco. No Brasil, existem

basicamente dois tipos

de serpentes peçonhentas,

que são as víboras e as corais

verdadeiras. As víboras

(cascavel, surucucu, jararaca,

urutu, entre outras) apresentam

um órgão sensitivo chamado

de fosseta loreal, em

ambos os lados da cabeça,

entre os olhos e a narina. Já

as corais-verdadeiras (gêneros

Leptomicrurus e Micrurus)

possuem cauda pequena,

pois são adaptadas à vida

subterrânea, apresentam

olhos pequenos em relação

à cabeça, além anéis negros,

vermelhos, brancos ou amarelados

em volta do corpo.

As serpentes têm papel

importante na cadeia alimentar,

servindo de predadoras

e alimentos para

outros bichos. Isto explica a

necessidade de um equilíbrio

populacional de todos os

animais para que não aconteça

uma superpopulação

de alguma espécie, o que

poderia prejudicar o meio

ambiente.

Além disso, é importante

saber que o veneno não

traz apenas prejuízos ao ser

humano, uma vez que medicamentos

podem ser desenvolvidos

a partir dessa substância.

Medicamento para o

combate a hipertensão já foi

desenvolvido à partir do veneno

de cobras, estando sob

estudos o desenvolvimento

de analgésicos, cicatrizantes

e até mesmo fármacos para

o tratamento de alguns tipos

de câncer. Estas descobertas

têm aquecido o setor de criação

de serpentes em criatórios.

Os venenos de cobra

Como previnir um acidente com serpente?

Alguns cuidados podem ser tomados para

evitar que tais acidentes ofídicos aconteçam:

-O uso de botas evita em quase 80% dos

acidentes;

-Usar um pedaço de madeira para mexer em

buracos, folhas etc.;

-Manter os arredores da residência livres de

entulhos;

-Não manusear as serpentes com as mãos;

-Preservar o ambiente e os predadores.

estão entre as commodities

mais valiosas do mercado. A

indústria farmacêutica chega

a pagar até US$ 500 pelo

grama do veneno cristalizado

de jararaca, jararacuçu

ou cascavel, o que equivale

a 22 vezes o preço do grama

de ouro.

No mercado cosmético,

os venenos de cobra também

têm despertado o interesse

pela descoberta de

novos princípios ativos, como

o Syn®-Ake, um produto sintético,

mas que teve o seu

desenvolvimento ligado a

um peptídeo isolado do veneno

de uma serpente de

origem asiática. Syn®-Ake

é um produto anti-ruga de

última geração, que possui a

propriedade de bloquear a

contração neuromuscular diminuindo

as rugas da mímica.

Como proceder caso isto ocorra?

Se você for picado por uma serpente, existem

algumas medidas que devem ser tomadas

imediatamente para tentar solucionar o

problema:

-Lavar o local da picada com água corrente;

-Não amarrar ou fazer torniquete (garrote);

-Jamais faça cortes no local da picada;

- Nunca tentar chupar o veneno;

-Procurar ajuda médica imediatamente.

Cobra coral verdadeira

Assim como a Toxina Botulínica

(Botox®) age inibindo

a ação do neurotransmissor

acetilcolina. O Syn®-Ake é

produzido pela empresa suíça

Pentapharm, fabricante

de componentes biológicos

e bioquímicos e com serpentário

sediado no município

mineiro de Uberlândia, há

mais de 20 anos. São cerca

de cinco mil cobras, todas da

espécie jararacuçu (Bothrops

moojeni). Cada uma delas

produz, em média, cem miligramas

de veneno por mês,

tornando o maior serpentário

do mundo.

A demanda por serpentes

no Brasil também é estimulada

pelo fato das cobras

terem virado bichos de estimação.

Nos Estados Unidos

e na Europa, sobretudo na

Inglaterra, o convívio doméstico

com serpentes pets cresce

a passos largos, movimentando

um grande mercado.

Uma pesquisa realizada na

Alemanha, mostrou que uma

serpente adulta, de 6,5 metros

de comprimento, de espécie

brasileira, chega a ser

vendida por US$ 250.

Joana Marchiori

Isabella Alves

Iorrana Vieira


MeioAmbiente

Ano 4, n°16 - Pág 5

Produção de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica envolve

recuperação de áreas degradadas e comercialização

A produção de mudas

para reflorestamento, tanto

para recuperação de áreas

degradadas quanto para

arborização urbana e paisagismo

em espaço público,

vem sofrendo aumento em

sua demanda devido principalmente

à preocupação

mundial com a preservação

do meio ambiente, o contato

do indivíduo com a natureza

e o perfil comercial

rentável desse mercado.

Por sua vez, a preocupação

com a qualidade na produção

das mudas exige uma

série de conhecimentos básicos

por parte do produtor,

que vão desde a colheita

até a saída das mudas

para o local definitivo.

O processo de produção

de mudas em viveiros

inicia-se pela escolha das

espécies nativas e coleta

de sementes da planta

matriz da Mata Atlântica.

Importante atentar para

que estas plantas matrizes

estejam fisiologicamente

em bom estado para evitar

problemas futuros com

as sementes. Para o sucesso

no reflorestamento é preciso

ter informações sobre

cada espécie, como as necessidades

do tipo de solo,

condições climáticas, relevo,

altitude, entre outros fatores

ambientais e ecológicos das

espécies.

Segundo Danilo Sette

de Almeida, Engenheiro

Florestal, mestre em Ciências

Florestais pela Universidade

Federal de Viçosa,

os principais desafios e

obstáculos que a prática de

produção de mudas enfrenta

são: a falta de recursos

para executar tal operação,

burocracia na obtenção

de registros para os

viveiros, ausência de mão

de obra especializada e

a falta de sementes em

qualidade satisfatória. Há

também desafios quanto

à distribuição das mudas,

existindo uma deficiência

de comunicação. Através

da sua pesquisa com viveiros

de produção e mudas

nativas da Mata Atlântica,

o pesquisador ressalta a

importância sobre a maior

disseminação da recuperação

ambiental da Mata

Atlântica e o incentivo por

parte dos órgãos públicos

às iniciativas de comunidades

e ONG’s envolvidas.

Nesse processo faz-se

necessário o desenvolvimento

de planos de manejo

florestal, para que haja

transposição das mudas aos

locais de fragmentos florestais

e recuperação de áreas

degradadas. Também deve

estar atento à estruturação

de um viveiro, escolha das

sementes, confecção de um

sistema simples de irrigação

e, se possível, envolver

projetos com atividades de

educação ambiental nas

quais crianças e adultos

possam participar das etapas

de produção e plantio

das mudas.

Neste sentido, o processo

de produção de mudas

auxilia fortemente na restauração

da vegetação,

arborização urbana e rural,

geração de renda e emprego

e, também, na formação

do cidadão eco-consciente.

Isabella Brito

Paula Sudré

Fernanda Araújo

Dica: O Instituto

Terra, pelo seu Portal

Semear reúne informações

sobre todo o processo

de produção de

mudas florestais a partir

da semente. O banco

de dados já reúne

documentação técnica

de 80 espécies nativas

de Mata Atlântica, com

o passo a passo para a

produção de mudas. O

aceso gratuito às informações

pode ser feita

pelo endereço www.

portalsemear.org.


Entrevista Ano 4, n°16 - Pág 6

Sabedoria popular sobre o uso de plantas medicinais resiste com

raizeiros do Território Serra do Brigadeiro

Sr. Edson Antônio de Lima

Senhor Edson Antônio

de Lima é morador da comunidade

de Bom Jesus

do Madeiro, município de

Fervedouro, localizada no

entorno do PESB. Aos seus

88 anos, ele continua colocando

em prática o conhecimento

herdado pelos seus

pais sobre o uso de plantas

medicinais da região, propagando

a sabedoria da

medicina popular e mantendo

viva a figura dos raizeiros.

Nesta entrevista, o

Sr. Edson nos conta um pouco

da sua experiência com

o uso medicinal das plantas,

prática esta que vem

perdendo força entre as

novas gerações, colocando

em risco de perda este importante

conhecimento tradicional.

O senhor é dessa região?

Edson Lima: Eu sou nascido

e criado aqui. Nunca mudei,

fui criado nessa região.

De onde veio o interesse

pelos chás?

E.L: A minha mãe plantava,

fazia plantinha. Fazia

chazinho pra criança,

um hortelãnzinho, um poejo,

uma coisinha pra gripe.

Naquele tempo não se usava

muito remédio, mas ela

me ensinou alguns chás.

Aqui na região as pessoas

usam muito as plantas para

curar as doenças?

E.L: Naquele tempo

não se usava muito remédio.

Primeiro eles usavam

mais chás. Porque quando

tinha um farmacêutico, era

longe. Minha mãe tratava

muito com folhas, raiz de

salsa, folha de laranja, folha

de hortelã, de poejo,

sabugueiro, rosa branca,

entre outras plantas. Hoje

ninguém mexe com isso

mais. Minha mãe fazia um

chazinho quando a criancinha

estava gripada, torrava

sabugueira e botava uns

pingos de óleo.

O senhor cultiva algumas

dessas plantas?

E.L: A gente tem aí,

cultiva, tem hortelã e outra

uma planta pra pingar no

ouvido.

Os jovens têm se interessado

em aprender este conhecimento

sobre o uso das

plantas?

E.L: Mas quase que não

usa mais. Ninguém quer

tomar um chá mais não. É

muito difícil.

O senhor vê alguma vantagem

para os remédios preparados

a partir de plantas

daqueles vendidos nas farmácias?

E.L: Hoje é mais usado

o de farmácia, mas ainda

se usam alguns chás. Por

exemplo favaquinha roxa,

o médico mesmo indica.

A medicina caseira exige

alguns cuidados? Alguns

chás de plantas podem fazer

mal a saúde?

E.L: Não, só damos o

chá pra fazer bem, pra fazer

mal não. A folha a gente

só bebe aquela que a

gente vê que não faz mal.

Funcionários da região

nos disseram que o senhor

faz mais coisas além dos

chás. O que senhor faz nas

suas horas vagas?

Agora eu mexia com um

acordion, já mexi com máquina

de costura, fundia ferro,

consertava. Trabalhava

de ferreiro há muito tempo

e consertava sanfona. Já toquei

muita sanfona.

Seus filhos aprenderam

usar os chás?

E.L: Tenho seis filhos e

nenhum deles mexe com raízes.

Quais chás o pessoal tem

mais usado?

E.L: A planta que eles

usam mais em casa é o hortelã,

porque ali quem tomou

qualquer coisa que fez

mal, faz um chazinho e se

estiver mal, corta né? Porque

tem um homem ali no

Maiomirim que já morreu,

mas ele dizia que não tem

remédio igual hortelã, que

mexe com o corpo inteiro.

Tem o hortelã e agora

eles estão usando muito o

macaé que diz que é bom

demais. O macaé diz que é

bom contra derrame.

Laisse Lourenço

Graziela Paulino

Programa BIOPESB é reconhecido com prêmio oferecido ao seu coordenador

A UFV reserva uma das datas mais importantes, a do seu aniversário, para agradecer

àqueles que se dedicam durante anos à construção da sua história: professores

e técnicos administrativos. Este ano, a tradicional sessão solene do dia 28 de

agosto, comemorou os 88 anos da UFV, com homenagem aos funcionários que se

destacaram em suas áreas de atuação. O homenageado com a Medalha Peter

Henry Rolfs do Mérito em Extensão foi para o Coordenador e Editor do BioPESB,

o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFV, João

Paulo Viana Leite, pela destacada atuação em projetos de extensão universitária.

O Programa BioPESB, desde o ano 2007, tem promovido uma aproximação entre

pesquisadores e moradores do território rural Serra do Brigadeiro, principalmente

na área de popularização da ciência e no uso de plantas medicinais.

Reitora da UFV, Profa. Nilda Soares,

entrega Medalha ao prof. João Paulo

durante a cerimônia de comemoração

do aniversário da UFV


SerradoBrigadeiro Ano 4, n°16 - Pág 7

A religiosidade na Serra do Brigadeiro: festas e tradições

A fé e a devoção sempre

estiveram presentes no

cotidiano da população

que reside nas cidades do

entorno do Parque Estadual

da Serra do Brigadeiro.

Por isso, são muitas as datas

tradicionais e festividades

para comemorar e

reafirmar a crença de sua

população. Além das missas

que ocorrem aos finais

de semana nas igrejas, capelas

e grutas espalhadas

nas cidades e áreas rurais

do território Serra do Brigadeiro,

as festividades

religiosas são também bastante

conhecidas, atraindo

além de moradores da

região, turistas de diversos

locais.

A religiosidade do povo

inspirou o nome de algumas

cidades da região. É o

caso de São Sebastião da

Vargem Alegre, Divino, São

Francisco do Glória e Rosário

da Limeira, que remetem

de algum modo a nomes de

santos ou orações.

Cada cidade apresenta

um calendário com diferentes

festividades tradicionais.

A festa do padroeiro

acontece em todas elas,

sendo geralmente feriado

municipal nas datas que

homenageiam cada Santo,

ocorrendo missas e procissões,

onde são feitos pedidos

e agradecimentos ao

Santo de devoção.

As comemorações religiosas

que ocorrem ao

longo do ano são momentos

que resgatam tradições,

em que antigas crenças e

devoções são contadas e

passadas de uma geração

a outra, além de ser um

momento de celebrar a fé

junto com familiares e amigos

das vizinhanças.

Isabella Alves

Raquel Santos

Atrações associadas à crença religiosa que ocorrem nos municípios

do território Serra do Brigadeiro

• Folia de Reis: no período de 23 de dezembro a 20 de janeiro, época do ano dedicada à lembrança do nascimento

do menino Jesus, o grupo Folia do Boné percorre as casas de Araponga e proximidades, fazendo apresentações

de cantorias temáticas, em frente aos presépios montados em cada residência,o que representa a visita dos Reis Magos

ao menino Jesus.

• Água Santa: trata-se de uma nascente localizada na região dos Estouros (município de Araponga).Segundo a

crença popular, a água do local tem o poder de curar muitas enfermidades. Há mais de cem anos, durante a Semana

Santa, ocorrem romarias até a nascente, onde os devotos recolhem um pouco d’água para usá-la como remédio.

• Encomendação das Almas: durante as noites de quarta e sexta-feira, no período da quaresma, são feitas orações

nas casas da população, em intenção a alma daqueles que já morreram.

• Celebração de Corpus Christi: ocorre anualmente, sessenta dias após a Páscoa, no Pico do Cruzeiro, fiéis caminham

por trilhas até atingirem o topo da pedra localizada a 1684 m aproximadamente, acima do nível do mar, local

onde é celebrada uma missa ao pé da cruz, que ali, foi erguida. Os peregrinos aproveitam para cumprir promessas

feitas e agradecer por graças recebidas.

• Cavalgada de Nossa Senhora Aparecida: no dia

12 de outubro, sempre ocorre uma cavalgada no distrito

Estevão de Araújo (município de Araponga), na qual cavaleiros

e amazonas se reúnem para homenagear e pedir

proteção a Nossa Senhora Aparecida, comemorando

também o dia das crianças

• Jubileu do Senhor Bom Jesus: é uma tradição no

município de São Sebastião da Vargem Alegre e acontece

sempre nos dias 12, 13 e 14 do mês de setembro. Na

ocasião, a cidade recebe romeiros, devotos do Bom Jesus,

que participam de missas e orações que fazem parte do

Jubileu e pedem por causas especiais, fazendo seus agradecimentos.


Turismo

Ano 4, n°16 - Pág 8

Para os amantes de trekking e caminhadas, o PESB oferece variadas

opções pelo seu relevo de montanhas

O Parque Estadual da

Serra do Brigadeiro (PESB)

é um dos principais pontos

turísticos do grande complexo

da serra da Mantiqueira,

criado em 1996. Abrange

uma área de 14.984 hectares

onde predominam montanhas,

vales, chapadas,

encostas, diversos cursos

d’água, além de uma rica

biodiversidade caracterizada

pela Mata Atlântica. O

Parque apresenta diversas

opções de passeio, sendo

que uns dos seus principais

atrativos são as caminhadas

pelos picos e pedras.

Pico do Boné

O pico do Boné, que leva

esse nome por causa de sua

aparência quando contemplado

à distância, é um dos

picos mais altos do Parque,

encontrado a 1.870 metros

de altitude. Está situado

a 28 Km da sede do PESB

em Araponga. Em seu topo,

predomina uma vegetação

constituída por gramíneas,

pequenos arbustos e grande

número de bromélias de

flores vermelhas. Do alto do

Pico do Boné, tem-se uma

magnífica vista panorâmica,

de onde é possível avistar os

mares de morros, alguns distritos

e munícipios, além de

outros picos. O seu acesso

de carro pode ser feito pela

localidade rural do Estouro

até o Vale das Luas, situado

a 1290m de altitude, na divisa

com o Parque.

Serra das Cabeças

A Serra das Cabeças é

um conjunto de três elevações

rochosas, sendo uma

delas denominada Mamute,

a outra Índio (ou Chinês), e

a outra não possui nome. É

também considerada um

dos pontos mais elevados do

Parque, com 1.853 metros

de altitude. A serra possui

3 Km de percurso possível

ao visitante, totalizando 5

horas (ida e volta). Durante

a caminhada, encontram-se

espécies vegetais típicas de

Mata Atlântica, como muricis

e embaúbas.

Pedra do Pato

A Pedra do Pato, também

conhecida como Pedra

do Campestre, recebeu esse

nome devido à formação de

duas figuras esbranquiçadas

que se assemelham a um

Pedra do Pato - município de Fervedouro

Pico do Itajuru - município de Muriaé

pato ao longo de sua encosta.

É considerado o segundo

ponto mais alto do PESB, com

1.908 metros de altitude. A

Pedra do Pato está situada

a 2 km da sede, sendo necessários

3 km de caminhada

e um tempo de percurso

aproximado de 6 horas (ida

e volta). Apresenta uma trilha

classificada como perigosa,

pois o nível de dificuldade

vai aumentando ao

longo do percurso, visto que

encontra-se ora vegetação

densa, ora trechos íngremes,

estreitos e escorregadios.

Pico do Grama

O Pico do Grama é um

maciço rochoso granítico recoberto

por vegetação típica

de campo de altitude.

Encontra-se a 150 metros

da sede, sendo o ponto mais

elevado a 1.561 metros de

altitude, possibilitando que

se tenha uma ótima vista da

sede administrativa, rodeada

por morros e vegetação

densa. O tempo de percurso

é de 3 horas (ida e volta). Do

pico, avistam-se ainda os municípios

de Miradouro, Fervedouro

e Ervália, e os Picos do

Boné e do Soares, além das

redes de drenagem existentes

em toda a volta.

Pico do Itajuru

O Pico do Itajuru possui

1.590 metros de altitude,

sendo neste cume a divisão

do PESB com o Parque Municipal

Itajuru. A palavra Itajuru

tem o significado de “Pedra

Triste”. Conta a história que

há muitos anos atrás, os índios

que viviam nesta região,

ao ficarem velhos e doentes,

iam para este local, próximo

a pedra, devido a esse nome

e a semelhança que tem com

a face humana. O tempo de

percurso é de 2 horas até o

início da trilha (ida e volta) e

2 horas de caminhada.

Visitas

Importante ressaltar que

o PESB não possui área de

camping e a visitação deve

ser feita no período diurno,

sendo aconselhado o acompanhamento

de um guia conhecedor

da região.

Danilo Santos

Renato Senra

Isabela Paes

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