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photo book

Hanna, Tangerina, Jacs e Aurora são os

modelos a fotografia é de Renato Abreu

e os textos retirados do Livro do

Desassossego

de Fernando Pessoa.


Publicar-se - socialização de si próprio. Que ignóbil necessidade!

Mas ainda assim que afastada de um ato - o editor ganha,

o tipógrafo produz. O mérito da incoerência ao menos.

Uma das preocupações maiores do homem, atingida a

idade lúcida, é talhar-se, agente e pensante, à imagem e

semelhança do seu ideal. Posto que nenhum ideal encarna

tanto como a inércia toda a lógica da nossa aristocracia de

alma ante as ruidosidades e exteriores modernas, o Inerte,

o Inativo deve ser o nosso ideal. Fútil? Talvez. Mas isso só

preocupará como um mal aqueles para quem a futilidade é

um atrativo.

To publish - the socialization of ones's self. A vile necessity!

But still not a real act, since it's the publisher who makes

money, the printer who produces. It at least has the merit of

being incoherent. When a man reachs the age of lucidity,

one of his main concerns is to actively and thoughtfully shape

himself into the image and likeness of his ideal. Since inertia

is the ideal that best embodies the logic of our soul´s aristocratic

attitude vis-à-vis the bustle and clamour of the modern

world, our ideal should be inert, the inative. Futile? Perhaps.

But this will only trouble those who feel attracted to futility.

(from the Book of Disquiet - Aesthetics of Discouragement

- Fernando Pessoa)


A vida que se vive é um desentendimento

fluido, uma média alegre entre a grandeza que

não há e a felicidade que não pode haver.

Somos contentes porque, até ao pensar e ao

sentir, somos capazes de não acreditar na

existência da alma. No baile de máscaras que

vivemos, basta-nos o agrado do traje, que no

baile é tudo. Somos servos das luzes e das

cores, vamos na dança como na verdade...

The life we live is a flexible, fluid

misunderstanding, a happy mean between the

greatness that doesn't exist and the happiness

that can´t exist. We are content thanks to our

capacity, even as we think and feel, for not

believing in the soul's existence. In the masked

ball which is our live, we're satisfied by the

agreable sensation of costumes, which are all

that really count for the ball. We're servants of

the lights and colours, moving in the dance as

if in the truth...

(from the Book of Disquiet - Fragments of an

Autobiography - Fernando Pessoa)


A imensa série de pessoas e de coisas que

forma o mundo é para mim uma galeria

intérmina de quadros, cujo interior me não

interessa. Não me interessa porque a alma é

monótoma e sempre a mesma em toda a

gente; difere apenas nas manifestações

pessoais, e o melhor de ela é o que transborda

para o rosto, para os modos, para os gestos, e

assim entra para o quadro que me prende, e a

que diversa mas constantemente me afeiçoou.

The vast succession of persons and things that

make up the world is for me an endless gallery

of paintings, whose inner dimension doesn't

interest me. It doesn't interest me, because the

soul is monotonous and always the some in

everybody; only its personal manifestations

change, and the best part of the soul spills over

into dreams, behaviour and gestures, thereby

entering the apinting which captivates me and

in which I see faces that are faithful to my

affection.

(from the Book of Disquiet -The Visual Lover (I)

- Fernando Pessoa)


Sinto e esqueço. Uma saudade, que é a de

toda a gente por tudo, invade-me como ópio

do ar frio. Há em mim um êxtase de ver, íntimo

e postiço.

I feel and forget. A nostalgia - the same one

that everyone feels for everything - invades me

as if it were an opium in the cold air. I have an

inner, pseudo-ectasy that comes from seeing.

(from the Book of Disquiet - Dolorous Interlude

- Fernando Pessoa)

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