Ilustração

livrariadavila

VilaCultural_141

Edição 141 ● Ano 12 ● Seu Jeito de Ler ● Janeiro 2016

ABRACE

ESSA CAUSA

A programação

especial do

Férias na Vila

convida as crianças

a entender, refletir

e se divertir com a

ideia e o conceito de

sustentabilidade

ENTREVISTA

Fernando Morais

fala sobre sucesso

e projetos

TRADUÇÃO

Os desafios da

“transcriação” do

texto literário

RETRATO

Os 150 anos do

nascimento de

Euclides da Cunha

Ilustração Jonas Ribeiro


2


Foto: Divulgação

Ilustração: Jonas Ribeiro

ÍNDICE | janeiro_2016

5editorial

Por Samuel Seibel

6entrevista

O escritor Fernando Morais fala

sobre livros, política e projetos

ABRACE

ESSA CAUSA

Ilustração Jonas Ribeiro

A programação

especial do

Férias na Vila

convida as crianças

a entender, refletir

e se divertir com a

ideia e o conceito de

sustentabilidade

10capa

Edição 141 ● Ano 12 ● Seu Jeito de Ler ● Janeiro 2016

A sustentabilidade é o

tema da programação

especial do Férias na Vila

16debate

Os desafios e dilemas na

tradução do texto literário

ENTREVISTA

Fernando Morais

fala sobre sucesso

e projetos

TRADUÇÃO

Os desafios da

“transcriação” do

texto literário

RETRATO

Os 150 anos do

nascimento de

Euclides da Cunha

20lembrança

A Flip 2016 homenageia e celebra

a obra de Ana Cristina Cesar

21pesquisa

A urbanista Raquel Rolnik

lança o livro Guerra dos lugares

22novidade

Temas de cidadania marcam

estreia do selo infantojuvenil Boitatá

23curso

A Escola São Paulo e a Livraria da

Vila promovem cursos de verão

24retrato

Os 150 anos de nascimento

de Euclides da Cunha

26aconteceu

Os lançamentos que encerraram

a temporada 2015 na Vila

27programação

Cursos, teatro, lançamentos

e outras atrações da

agenda de janeiro

35nossas dicas

Sugestões para ver, ouvir e ler

NOSSAS LOJAS

FRADIQUE COUTINHO

R. Fradique Coutinho, 915

11 3814-5811

...............................................................

LORENA

Alameda Lorena, 1731

11 3062-1063

...............................................................

MOEMA

Av. Moema, 493

11 5052-3540

...............................................................

SHOPPING

PÁTIO HIGIENÓPOLIS

Av. Higienópolis, 618

11 3660-0230

...............................................................

SHOPPING JK IGUATEMI

Av. Juscelino Kubitscheck,

2041

11 5180-4790

...............................................................

SHOPPING CIDADE JARDIM

Av. Magalhães de Castro,

12000

11 3755-5811

...............................................................

Campinas

GALLERIA SHOPPING

Rod. Dom Pedro I, s/nº

19 3706-1200

...............................................................

Curitiba

PÁTIO BATEL

Av. do Batel, 1868

41 3020-3500

...............................................................

Guarulhos

PARQUE SHOPPING MAIA

Avenida Bartholomeu de

Carlos, 230

11 2459-8285

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A Revista Vila Cultural é uma publicação mensal da Livraria da Vila • Editor-chefe: Samuel Seibel

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e Wilson Junior wilson@livrariadavila.com.br • Estagiária de eventos: Mariana Ramiro • Revisão:

Valéria Palma • Colaboraram: Kaio César e Jonas Ribeiro • Estagiária de criação: Fernanda Oliveira •

Capa & Diagramação: Jonas Ribeiro jonas@livrariadavila.com.br

3


4


EDITORIAL | por Samuel Seibel

Força e foco

Bem-vindo a 2016, ano olímpico em

nossas terras. Vamos precisar de

muita resistência, força, velocidade,

foco, disciplina, treinamento e superação

para terminar cada prova, cada etapa, cada

desafio. Não são nem as medalhas que temos

de mirar, mas simplesmente a ambição

de não tropeçar, seguir firme na batalha do

dia a dia. Incansáveis, sem deixar a peteca

cair. Até porque “peteca” ainda não faz parte

dos Jogos.

Mudando de assunto, a reunião do clima

em Paris, a COP-21, foi um dos destaques no

final de 2015. Seus participantes ressaltaram

a importante decisão de limitar a 1,5ºC o

aumento da temperatura no planeta até 2100.

Entendo que o resultado poderia ser pior se

não houvesse o comprometimento formal

assumido pelos países no encontro. Seria

catastrófico, mas poderia ocorrer. Acordo

histórico! Assim foi definida a meta aprovada.

A que ponto chegamos: ter que comemorar

o que para muita gente era invenção dos

“ecochatos”, que era tudo mentira, que não

havia risco de um aquecimento global. Bom,

risco não há mesmo, agora é certeza absoluta.

Isso se todos os governos colocarem a

mão na massa, se os desmatadores pararem

de desmatar e se for dada às florestas a

oportunidade de cumprir a sua missão, que

é produzir oxigênio. Simples assim.

As pessoas finalmente terão de entender

a importância de cuidar para valer de nossos

recursos naturais. Que andar de bicicleta talvez

não seja uma “frescura” de um pequeno

grupo de ambientalistas, mas uma alternativa

ao automóvel. As cidades não poderão mais

crescer sem critérios ou compromisso com

o bem comum. Criar praças e conservar as

poucas que existem são decisões óbvias,

que nem deveriam fazer parte de campanha

eleitoral.

A conexão do Homem com a Natureza

é fundamental para seguirmos em frente.

Não adianta apenas observar a magnitude

e beleza de uma montanha, de um rio ou

do mar e ficar indiferente ao processo de

devastação destes ambientes. Não adianta

voltar a falar do assunto daqui a 85 anos.

Estamos atrasados, mas ainda dá tempo.

Como sempre, depende só de nós.

Abraços.

Boa leitura.

Samuel.

5


ENTREVISTA | Fernando Morais

Um autor em ação

Convidado do Navegar é Preciso,

o escritor Fernando Morais diz que a escolha

do tema, a pesquisa exaustiva e o texto sedutor

são determinantes na construção de sua obra

Autor de livros incontornáveis

na história recente da literatura

e do mercado editorial

brasileiro, o escritor Fernando

Morais faz 70 anos em 2016. Além

do alcance, da importância e da influência

de uma obra singular, que

ele constrói combinando a “escolha

do tema, a pesquisa exaustiva

e o texto sedutor”, conforme diz em

entrevista exclusiva à Vila Cultural,

Morais tem outros motivos para

comemorar. E, mais importante,

fôlego e disposição de sobra para

manter as convicções, as opiniões

e a atuação política ao defender

as causas, os valores e os ideais

nos quais investe ao longo de sua

trajetória pessoal ou profissional.

No mês passado, em plena

efervescência do debate em torno

de um eventual impeachment da

presidente do país, Morais veio a

público, nas redes sociais, para

liderar, divulgar e mobilizar audiências

a partir da opinião de

um grupo de artistas favoráveis

à manutenção do mandato de

Dilma Rousseff. “Independente

de opiniões políticas, filiação

ou preferências, a democracia

representativa não admite retrocessos.

A institucionalidade e a

observância do preceito de que o

Presidente da República somente

poderá ser destituído do seu cargo

mediante o cometimento de crime

de responsabilidade é condição

para a manutenção desse processo

democrático. Consideramos

inadmissível que o país perca as

conquistas resultantes da luta de

muitos que aí estão, ou já se foram.

E não admitiremos, nem aceitaremos

passivamente qualquer prática

que não respeite integralmente

este preceito”, publicou, na web,

no documento intitulado Carta ao

Brasil.

Também em 2015, o escritor

manifestou seu repúdio às atitudes

dos usuários das redes sociais

depois de viajar a Caracas, na Venezuela,

e ter criticado parlamentares

do Brasil que estavam no país

fazendo uma visita aos opositores

do presidente Nicolás Maduro.

“Abro a internet e descubro que

sou um lixo humano que deve ser

morto. O nível está subindo”, argumentou,

ao perceber mais uma das

ondas de intolerância banalizadas

na web. Muito antes do advento da

internet e dos enfrentamentos virtuais

típicos da era digital, Morais

chegou a atuar na vida pública

como deputado estadual e secretário

de Cultura e de Educação

do Estado de São Paulo, entre as

décadas de 1980 e 1990.

Para além das diferenças, discussões

e embates políticos, o

escritor construiu uma credibilidade

literária acima de qualquer

suspeita dando forma e relevância

a livros que o colocam entre os

mais respeitados autores do país.

Morais, que é mineiro, nascido em

Mariana, experimentou o sucesso

editorial ainda nos anos de 1970,

quando publicou A ilha, relato de

uma viagem a Cuba. A repercussão

foi tamanha que serviu como

incentivo para que, mais tarde, ele

deixasse as redações de jornais,

onde diz ter aprendido tudo, para

se dedicar prioritariamente aos

livros. Pesquisador rigoroso, viu,

nos anos de 1980, a biografia Olga

transformar-se num autêntico best-

-seller. No livro, levado ao cinema

pelo diretor Jayme Monjardim,

Morais conta a história de Olga

Benário Prestes, judia e comunista,

que foi companheira de Luiz Carlos

Prestes. Olga foi entregue a Hitler

pelo governo Vargas e acabou

assassinada nos campos nazistas.

Nos anos de 1990, Morais publicou

Chatô, o rei do Brasil, a biografia

de Assis Chateaubriand que,

no fim do ano passado, depois de

uma “saga” para ser produzido,

virou filme pelas mãos do diretor

Guilherme Fontes. Corações sujos

(2000), Cem quilos de ouro (2003),

No toca dos leões (2005), Montenegro:

As aventuras do Marechal

que fez uma revolução nos céus

do Brasil (2006), O mago (2008), a

biografia do escritor Paulo Coelho,

e Os últimos soldados da Guerra

Fria (2011), um “thriller policial”

que trata de um grupo de cubanos

infiltrado nas organizações anticastristas

dos Estados Unidos, são

outros títulos com os quais Morais

acumula leitores e admiradores.

“Todos os meus livros são grandes

reportagens. É curioso porque

acabei identificado como biógrafo,

quando, na verdade, dos livros

que publiquei, apenas quatro são

biografias. Mas não me importo

com isso, apesar da imprecisão.

No fundo, faço o que todo jornalista

Foto: Divulgação

6


O escritor Fernando Morais, que participa

da edição 2016 do projeto Navegar é Preciso,

promovido pela Livraria da Vila em parceria

com a agência Auroraeco


ENTREVISTA | Fernando Morais

gostaria de fazer no cotidiano das

redações. Apurar com exaustão o

assunto, dispor de tempo, para escrever

da melhor maneira possível,

e de espaço para publicar”, disse

Fernando Morais ao participar do

projeto Um escritor na biblioteca,

na Biblioteca Pública do Paraná.

Convidado do Navegar é Preciso, a

viagem ecoliterária promovida pela

Livraria da Vila e pela Auroraeco ao

Rio Negro, na Amazônia, o escritor

concedeu a seguinte entrevista à

Vila Cultural:

Vila Cultural. Como alguém que

sempre acreditou e confiou no

diretor Guilherme Fontes, qual

é o sentimento que prevaleceu

com o lançamento de Chatô?

Por quê?

Fernando Morais. A exibição do

filme, ainda que com vinte anos de

atraso, mostra que eu tinha razão

em confiar no Guilherme. Nosso

contrato é de cinco anos de duração

e foi, portanto, renovado em

2005, 2010 e em 2015. Se ele não

tinha recursos para tocar o filme,

menos ainda teria para me pagar

as renovações. Mesmo precisando

de dinheiro – eu vivo de direitos

autorais – decidi renovar com ele,

deixando os acertos para quando

o filme ficasse pronto. O fato de

ter confiado nele esse tempo todo

acabou nos aproximando, ao ponto

de termos nos tornado, mais que

amigos, compadres: sou padrinho

da Carolina, a filha mais velha dele.

Chatô é um prêmio à obstinação do

Guilherme Fontes.

VC. Que avaliação faz do filme?

FM. O filme é ótimo, mas filme é

filme, livro é livro. O Guilherme

optou por criar uma fantasia tropicalista

em cima da vida do personagem

– algo a que Chateaubriand

se prestava muito bem. Como já

disse a alguém, o Chatô que tentei

exumar em 600 páginas de

livro está lá, autêntico, na obra de

Guilherme. Chatô, o rei do Brasil

é um filme divertido, inteligente,

ousado, atrevido. Como foi em

vida o fascinante Francisco de

Assis Chateaubriand Bandeira

de Melo.

É um milagre que eu possa

viver de livros em um país

que lê tão pouco.

VC. Com a atual evidência do

personagem no cinema e de toda

a história que envolve a produção

do filme, quais são, na sua

opinião, as perspectivas para o

livro lançado há duas décadas?

FM. A minha experiência como

autor de livros adaptados para

o cinema é animadora. Tanto no

caso de Olga, dirigido por Jayme

Monjardim, como em Corações

sujos, com direção do Vicente

Amorim, quando os filmes foram

exibidos os livros já tinham alguns

anos de estrada. Olga estreou em

2005, trinta anos depois do lançamento

do livro. Ainda assim, nos

dois casos os livros retornaram às

listas de mais vendidos enquanto

os respectivos filmes estavam em

cartaz. Oxalá o fenômeno se repita

com Chatô.

VC. Como descobriu e a que

atribui a sua competência-

-habilidade-excelência como

pesquisador?

FM. Meus 11 livros são todos, sem

exceção, reportagens de fôlego,

de longo curso. Qualquer um deles

poderia, teoricamente, ser publicado

em capítulos em jornais ou

revistas. A escolha do tema/personagem,

o rigor na pesquisa e a

tentativa de dar ao texto uma forma

elegante e sedutora – tudo isso eu

aprendi nas redações de jornais e

revistas em que trabalhei ao longo

da minha carreira. Ressalto, sobretudo,

os nove anos que passei

na redação do falecido Jornal da

Tarde. Ali aprendi tudo o que sei.

VC. E a que atribui o seu sucesso

como autor?

FM. Se eu soubesse o segredo do

sucesso de um livro, estaria rico.

Mas acredito que os ingredientes

que citei antes – escolha do tema,

pesquisa exaustiva e texto sedutor

– devem contribuir para que

os leitores apreciem meus livros.

O cuidado quase obsessivo com

esses pré-requisitos talvez explique

o fato de que, embora quase

toda minha produção editorial (à

exceção de A ilha e Os últimos

soldados da Guerra Fria) trate de

temas ou personagens brasileiros,

meus livros estejam publicados em

mais de quarenta países.

VC. Como está o projeto do livro

sobre Lula e por que decidiu se

dedicar a este “personagem”?

FM. Penso em escrever um livro

sobre o Lula desde que ele se elegeu

presidente pela primeira vez,

mas ele não topou. Tentei de novo

quando ele se reelegeu e de novo

ele recusou. Tempos depois de ter

deixado a presidência, acabamos

nos entendendo. Não será uma

biografia, mas um recorte que vai

da prisão dele, em 1980, até o fim

da presidência.

VC. Que critérios usou para definir

este “recorte”?

FM. Ele e eu chegamos à conclusão

de que o período que vai da

infância à vida adulta já tinha sido

muito explorado. Além do livro do

Audálio Dantas, havia o filme do

Barretão. Decidimos por um corte

que mostra a conversão dele de

dirigente sindical em líder de massas.

Será também uma forma de

revelar os bastidores do governo

que o transformou em um personagem

planetário.

VC. Para um autor de best-sellers,

elogiados igualmente pela crítica

e por leitores muito fiéis, como

percebe o mercado editorial brasileiro

atualmente?

FM. É um milagre que eu possa

viver de livros em um país que lê

tão pouco. Alguém haverá de perguntar:

mas então por que grandes

grupos editoriais estrangeiros

8


Costumo dizer que gosto

muito de campanha, mas

mandato é uma chatice.

estão se instalando no Brasil, se

nossos índices de leitura são tão

baixos? Há duas respostas para

essa questão. Se cada brasileiro

lê, em média, 1,5 livros por ano

(excluídos os didáticos, técnicos e

religiosos), isso transforma o Brasil

num mercado de 300 milhões de

leitores regulares. Não é um nicho,

é um megamercado. Mas acredito

que os editores estrangeiros miram

no futuro. Na hora que consertarem

a educação no país – e uma

hora terão que consertar – passaremos

a níveis estratosféricos.

Uma das gigantes internacionais

de e-books faz um cálculo que

dá a dimensão desses números.

Segundo essa empresa, na hora

em que se puder vender no Brasil

um leitor de e-books por cerca de

R$ 100, esse índice de 1,5 livro/

ano por habitante saltará para seis

livros anuais. Isso significa vender

1,2 bilhão de livros/ano – repito:

excluídos os didáticos, técnicos

e religiosos.

VC. Como alguém que trocou as

redações pela literatura muito

antes da revolução digital na

imprensa, o que pensa sobre o

jornalismo praticado no Brasil

atualmente?

FM. Muito ruim, muito burocrático,

muito opiniático e pouco informativo.

Na minha opinião, a imprensa

de papel, tal como a conhecemos

hoje, está com os dias contados.

Ler um jornal hoje, diante do fenômeno

da internet, me faz lembrar

os proféticos versos de Gilberto Gil

na canção Domingou, de 1967: “O

jornal de manhã chega cedo/ Mas

não traz o que eu quero saber/

As notícias que leio, conheço/ Já

sabia antes mesmo de ler.”

VC. O que tem aprendido com

sua atuação política ou ocupando

cargos públicos importantes?

FM. Sempre gostei de política.

Distribuí santinhos para o Tancredo

Neves, em 1960, quando ele

disputou o governo de Minas pela

primeira vez. Eu tinha 13 anos.

Continuo sendo um ativista político

com atuação no Brasil e na América

Latina, mas pessoalmente não

quero mais ter cargos nem disputar

eleições. Eu costumo dizer que

gosto muito de campanha, mas

mandato é uma chatice.

VC. Como alguém que nasceu

na cidade, o que pensa sobre o

“desastre-acidente” em Mariana

e o que o Brasil tem que aprender

com esse episódio?

FM. Um crime cometido pelas

mineradoras Vale e Samarco. Na

minha opinião, a imprensa tem

sido muito complacente com os

responsáveis pela tragédia – o

que talvez se explique pelo fato

de que a Vale é um dos maiores

anunciantes do país...

VC. De maneira geral, com um

país imerso num noticiário

“pesado” – de corrupção, impunidade,

economia frágil –, que

percepção tem do atual panorama

político do Brasil?

FM. Apesar de tudo, sou otimista.

Um país que tirou 40 milhões de

pessoas da situação de miséria

sem dar um tiro tem evidentemente

um futuro radioso pela frente.

VC. Como alguém que já declarou

sentir saudades do Celso

Amorim, o que pensa sobre os

rumos da política externa brasileira

adotada pelo atual governo?

FM. Na minha opinião, o embaixador

Celso Amorim foi o maior

chanceler da história do Brasil.

O presidente Lula fazia com ele

uma dobradinha afinadíssima – o

que resultou no período em que o

Brasil desfrutou do maior prestígio

internacional. Esse ânimo que

moveu nossa política externa no

governo Lula foi muito mitigado nos

governos da Dilma.

VC. O que, na sua opinião, pode

acontecer, no médio e longo

prazo, com a reaproximação de

Cuba e Estados Unidos?

FM. É bom para todos – salvo,

claro, para a extrema-direita

cubano-americana de Miami. O

isolamento imposto pelos EUA a

Cuba durante meio século é algo

anacrônico, cruel e que fere todas

as leis e códigos de boa convivência

internacional. Que medo

pode ter o país mais poderoso do

mundo de uma ilhota de 11 milhões

de habitantes? Mas é importante

deixar claro que ainda há contas

a acertar: os Estados Unidos precisam

devolver a Cuba a enclave

de Guantánamo; têm que por fim

ao bloqueio econômico, o que depende

do Congresso; e têm que

indenizar Cuba em US$ 286 bilhões

pelos prejuízos causados por

50 anos de bloqueio e agressões

econômicas e militares. Aí, como

no samba, “podemos ser amigos,

simplesmente. Coisas do amor,

nunca mais.”

VC. Em que outros projetos trabalha

atualmente?

FM. Além do livro sobre o ex-

-presidente Lula, faço free-lances

como argumentista de cinema

e dou palestras por todo o país.

Tem supermercado, condomínio,

açougue... Se eu parar de pedalar

a bicicleta cai.

VC. Qual a expectativa de participar

da viagem do projeto Navegar

é Preciso 2016, da Livraria da

Vila?

FM. Estou animadíssimo. Sou um

velho frequentador da Amazônia

– desde 1970, quando isso ainda

não era moda. Pretendo fazer um

diário com imagens da viagem e

das palestras para ir postando nas

redes sociais. Acho ótima a ideia

de levar autores para conhecer

essa região maravilhosa, que muitos

de nós, aqui do sul-sudeste, só

conhecemos pela televisão.

9


CAPA

Férias na Vila

Com oficinas, palestras e atividades especiais, a

agenda de janeiro propõe aprendizado e diversão

ao convidar as crianças a entender e refletir sobre a

importância de um mundo sustentável

Ilustrações Jonas Ribeiro

Sustentabilidade é a palavra-

-chave na agenda especial

do projeto Férias na Vila,

edição janeiro de 2016. Uma tradição

nas lojas da Livraria da Vila,

a programação pensada para as

crianças – de todas as idades –

tem a intenção de aproveitar os

dias de verão e as férias escolares

(ou do trabalho) para conciliar descanso,

interesse cultural e muita

diversão, tudo ao mesmo tempo.

Em plena evidência, inclusive

por causa da 21ª Conferência do

Clima, a COP-21, no mês passado,

em Paris, o conceito, a ideia e o esforço

para um mundo sustentável

inspiram o Férias na Vila deste ano.

Nos dias 23 e 31, respectivamentenas

lojas da Fradique e da Lorena,

o Projeto Escola, do Greenpeace,

marca presença na Vila com palestras

que têm o intuito de criar

uma consciência de respeito ao

meio ambiente entre crianças e

jovens. Tornar possível um mundo

mais verde e sustentável é o grande

desafio e a maior inspiração

dos voluntários que participam do

projeto. Uma pequena história do

Greenpeace e de suas campanhas

no Brasil e no mundo, as mudanças

do clima – com o aquecimento

global, os gases do efeito estufa e

demais temas relacionados – e os

conceitos de sustentabilidade e de

cidadania são alguns dos temas

abordados para deixar clara a importância

e a urgência de uma vida

mais sustentável e a relevância nas

ações para a preservação de toda

a biodiversidade do planeta.

As oficinas Ruas completas e

Desenhando você são destaques

na loja da Vila em Higienópolis, nos

dias 28 e 29 de janeiro. As oficinas

integram o repertório da Red OCA-

RA (redocara.com), uma influente

rede latino-americana de experiências

e projetos sobre cidade, arte,

arquitetura, mobilidade urbana e

10


espaço público. Na primeira oficina,

a prioridade é a conversa

sobre a cidade e sobre a possibilidade

de construir opções sustentáveis

para espaços urbanos

mais saudáveis. Em Desenhando

você, a convivência e o respeito

entre os habitantes das cidades

é o foco principal para que as

crianças compreendam o contexto

do convívio urbano como algo

que pode ser harmonioso.

As duas oficinas serão

comandadas pela arquiteta

e urbanista

Irene Quintáns, que

já trabalhou nas prefeituras

de Barcelona,

na Espanha, e

de São Paulo, onde

atuou em obras de

urbanização na comunidade

de Paraisópolis.

Irene é fundadora

e diretora da Red

OCARA e vice-presidente

da IPA Brasil – Associação

Brasileira pelo Direito de Brincar

(ipabrasil.org).

Nas lojas do Shopping JK Iguatemi,

dia 16, e da Fradique, dia

17, o biólogo e escritor Guilherme

Domenichelli comanda atividades

especiais com a garotada. Autor

de Girafa tem torcicolo?, Mistério

na Floresta Amazônica e O resgate

da tartaruga, Domenichelli sabe

muito sobre o reino animal e tem

toda a habilidade e os recursos

lúdicos para compartilhar conhecimento

com os pequenos. No

formato de um bate-papo, a ideia é

que as crianças tirem suas dúvidas

sobre animais que, muitas vezes,

ainda surpreendem quem vive nas

grandes cidades.

Nos dias 16 e 17 de janeiro,

sábado e domingo, respectivamente

nas lojas de Moema e da

alameda Lorena, Renato Renda

comanda a oficina DescArte com

arte, para crianças com idade entre

5 e 12 anos. Conforme sugere

o nome do projeto, a ideia é usar

“matéria-prima” que, em tese, seria

descartada, para transformá-la

em novos objetos. Apostando nas

atividades de um ateliê artístico,

Renda diz que o objetivo é mobilizar

pais e filhos para a questão do

descarte consciente de resíduos.

De forma lúdica e colaborativa,

os participantes aprendem

técnicas que

valorizam a criatividade,

com pressuposto

de que

é possível e viável

aprender

e se divertir

com todo o

respeito à

natureza.

11


CAPA

Leitura com cães

Com histórias que fazem refletir

sobre cidadania e sustentabilidade,

atividade inclui interação com cão que consegue

distinguir brinquedos de materiais recicláveis

Pioneira no trabalho de terapias

e educação assistidas

por cães, com práticas que

utilizam a interação entre homem

e cão para potencializar os processos

de aprendizagem, auxiliar

no desenvolvimento social e gerar

melhorias no bem-estar e na autoestima

das pessoas, a Humanimais

faz participação especial no

Férias na Vila com uma atividade

que promete encantar as crianças

dia 22, às 16h, na loja do Shopping

Pátio Higienópolis, e dia 30 de janeiro,

às 16h, na loja da Fradique.

Além da roda de leitura, que

terá a sustentabilidade como tema,

os pequenos leitores/ouvintes

serão convidados a interagir

com a cadela Zoah. Graças a

um treinamento especial, ela

consegue separar os brinquedos

dos materiais reciclados.

A roda de leitura

e a “brincadeira” querem

estimular o gosto pelos

livros, inclusive na companhia

circunstancial

dos cães, mantendo o

propósito principal de

ser um momento de lazer

e aprendizagem.

A utilização do cão é o

grande diferencial nos métodos

de aprendizado propostos pela

Humanimais. Por oferecer afeto

e amor incondicionais, o cão habitualmente

melhora o humor das

pessoas e contribui para o relaxamento

e a socialização. Por serem

incapazes de julgar ou qualificar o

ser humano, os cães também são

encarados como um canal aberto

de segurança emocional.

Além do auxílio à ONG TAC+,

que desenvolve projetos similares,

a Humanimais investe na metodologia

chamada Entre patas e letras,

que propõe o desenvolvimento da

cidadania e de valores humanos

em crianças e jovens estudantes

da rede pública através do incentivo

a leitura. Impactar diretamente

a melhoria de nossa

sociedade

utilizando os

cães como catalizadores de resultados

positivos na reabilitação

e desenvolvimento humano é um

dos objetivos da empresa. Entre

outras ações, promove oficinas em

educação assistida com temas que

variam de acordo com o projeto

pedagógico envolvido, e investe

em iniciativas como a intervenção

chamada Dogs in the office, cuja

ideia é propor a interação com

os cães para levar descontração

e reduzir o estresse de equipes

profissionais.

LEITURA COM CÃES

Atividade especial com a Humanimais.

Dia 22, às 16h, na loja do

Shopping Pátio Higienópolis, e dia

30 de janeiro, às 16h, na loja da

Fradique.

12


Convite à imaginação

Adoráveis tartarugas, lobos em extinção e os mistérios

e as surpresas da floresta são só alguns exemplos

de como o desejo de uma vida sustentável inspira a

literatura e os livros infantojuvenis

Um planeta que precisa ser

salvo, uma floresta cheia

de surpresas e mistérios,

mas carente de cuidados, adoráveis

tartarugas cujos resgates

dependem dos humanos, lobos

em extinção, outras tantas histórias

e personagens que reciclam

a imaginação. Cada tema, cada

citação para que se perceba a

vida como experiência que deve se

sustentar, tem inspirado, além de

estudos, pesquisas, mobilizações

globais, toda a atenção da literatura

infantojuvenil. O alcance das

histórias e dos livros que tratam de

sustentabilidade costuma ser tão

fascinante quanto incomensurável

na formação dos pequenos leitores

que, em pouco tempo, serão adultos

mais conscientes do que os de

outras gerações.

Convidado do Férias na Vila, o

escritor e biólogo Guilherme Domenichelli

conta, em Mistério na Floresta

Amazônica (Panda Books), a

história do esquilo Tino e do sagui-

-imperador Calú, quando eles são

surpreendidos por uma situação

nada agradável: uma montanha

de cocô bloqueia a saída da toca

em que eles moram. Suspeitando

ser uma estratégia de ataque de

algum predador, os dois amigos

saem pela Floresta Amazônica

para investigar quem teria feito

aquilo. Na expedição, enfrentam

perigos, encontram vários animais

e conhecem melhor a riqueza e a

biodiversidade da maior floresta do

planeta. Com toda sua expertise,

Domenichelli agrega, no fim da

história, um glossário explicando

ao pequeno leitor a fauna e a flora

citadas no livro.

Das mais conhecidas e admiradas

escritoras brasileiras, autora

de textos essenciais na formação

de diferentes gerações, Ana Maria

Machado conta, em Na praia e no

luar, tartaruga quer o mar (Ática),

a história de Pedro e Luísa, que

encontram uma tartaruga encalhada

na praia e se dão conta de

que a espécie precisa, afinal, ser

protegida. Mas para realizar a

missão, a dupla tem que enfrentar

os pescadores, que vendem as

tartarugas para sua subsistência.

Já em Procura-se Lobo, Ana Maria

usa toda sua habilidade, numa história

ilustrada por Laurent Cardon,

para contar a “saga” de Manuel

Lobo, que tem como missão alertar

o mundo sobre o risco de extinção

dos lobos da floresta. Mas a diversão

se configura quando, por

causa de um anúncio malfeito, um

bando de lobos dos mais intrometidos

aparece em cena tentando

desviar o rumo da história.

Outro título que as crianças

sempre gostam é O livro do planeta

Terra, de Todd Parr (Panda Books).

Simples e direto, mostra o que

todos, crianças e adultos, já sabemos:

que pequenos gestos podem

fazer a maior diferença quando o

assunto é preservação do planeta.

Não usar tantas sacolas plásticas,

sempre reciclar o lixo, economizar

água, não poluir o ar, apagar as

luzes e não desperdiçar alimentos,

iniciativas que as crianças

entendem e adotam quando bem-

-educadas, são fundamentais para

manter um planeta sustentável,

como mostra o livro, que traz ainda

um cartaz com “10 coisas que eu

posso fazer para salvar o planeta”.

13


CAPA

Todas as atrações

Confira os eventos especiais que acontecem

este mês nas lojas da Livraria da Vila

BATEL

14/1, QUINTA, das 16h às 17h

Contação de histórias: A maior

flor do mundo

Com Gizáh

Três anos após receber o Prêmio Nobel

da Literatura, José Saramago publicou

o conto infantil A maior flor do mundo.

Ilustrado por João Caetano, a história

narra a aventura ecológica e altruísta

de um jovem herói que não mediu esforços

para salvar uma flor que estava

para morrer.

Apoio: ContArte

22/1, SEXTA, das 16h às 17h

Contação de histórias: A árvore

generosa

Com Gizáh

Este clássico de 1964 comoveu

gerações com a história do amor entre

uma árvore e um menino.

Apoio: ContArte

28/1, QUINTA, das 16h às 17h

Contação de histórias: A galinha

que sabia ler

Com Gizáh

Como uma galinha que vive em uma

estante de livros pode ajudar o herdeiro

de um sítio a aprender a cuidar dos

rios e das florestas?

Apoio: ContArte

30/1, SÁBADO, das 15h às 16h

Contação de histórias:

Reciclagem – A aventura de uma

garrafa

Com Gizáh

Você sabe o que acontece quando

jogamos uma garrafa de vidro fora?

Para onde será que ela vai? Embarque

nessa história e descubra os caminhos

que nosso lixo pode percorrer pelo

mundo.

Apoio: ContArte

CIDADE JARDIM

14/1, QUINTA, das 16h às 17h

Oficina de fantoches: Faunativa

Com Planeta Vega

Apoio: Ed. Vergara & Riba

29/1, SEXTA, das 16h às 17h

Oficina musicada de colagem

Com Maluah Produções

FRADIQUE

15/1, SEXTA, das 16h às 17h

Oficina de fantoches: Faunativa

Com Jiboia

Apoio: Vergara & Riba

16/1, SÁBADO, das 14h às 18h

Festa de lançamento do selo

Boitatá

Com Kiara Terra

A Boitempo estreia seu selo infantil

Boitatá. Os primeiros livros do selo, A

ditadura é assim, de Mikel Casal, e A

democracia pode ser assim, de Marta

Pina, integram a coleção Livros para o

amanhã e serão apresentados ao público

pela contadora de histórias Kiara

Terra. A tarde incluirá também uma

programação musical e um bate-papo

com as editoras dos livros. Na compra

dos dois livros, os leitores ganharão

um jogo da memória da ditadura, com

caricaturas de ditadores extraídas de

A ditadura é assim.

Apoio: Ed. Boitatá

17/1, DOMINGO, das 16h às 17h

Atividades com o autor

Com Guilherme Domenichelli

Neste bate-papo com o público, as

crianças poderão aprender muito

tirando dúvidas sobre os animais e

conhecendo muitos bichos de perto,

como tartarugas, cobra e o simpático

lagarto chamado Liza.

Apoio: Ed. Panda Books

23/1, SÁBADO, das 16h às 17h

Palestra Greenpeace

Com Voluntários Greenpeace

30/1, SÁBADO, das 16h às 17h

Roda de leitura com cães

Apoio: Humanimais

31/1, DOMINGO, das 16h às 17h

Pocket show: Canções e histórias

Com Thais Conti e Celelê

O espetáculo interativo acontece em

ritmo de clipes musicais, com histórias

e canções educativas interpretadas

ao vivo enfatizando temas como a

reciclagem, a sustentabilidade e a

amizade, com hits como Sementinha

e Meu banho.

* Programação sujeita a alteração.

14


GALLERIA

14/1, QUINTA, das 16h às 17h

Oficina de enfeite: O livro do

Planeta Terra

Com Patrícia Meira

Apoio: Ed. Panda Books

15/1, SEXTA, das 16h às 17h

Oficina de decoração e plantação

de semente: O pote vazio

Com Patrícia Meira

Apoio: Ed. Martins Fontes

16/1, SÁBADO, das 15h às 16h

Oficina de árvore reciclada: O

coelhinho que não queria dormir

Com Patrícia Meira

Apoio: Ed. Companhia das Letras

17/1, DOMINGO, das 15h às 16h

Contação de histórias: Um

passeio na Floresta Amazônica

Com Samuca

Momento de contação de história dinâmico

e divertido, com oficina musical

em que as crianças confeccionam

brinquedos e instrumentos tendo como

base materiais recicláveis, buscando

a conscientização sobre a sustentabilidade,

criatividade e senso estético.

Apoio: SM Edições

21/1, QUINTA, das 16h às 17h

Oficina de confeitaria de muffins:

Não gosto de salada

Com Patrícia Meira

Apoio: WMF

22/1, SEXTA, das 16h às 17h

Oficina de recriação da floresta:

Livro selvagem

Com Patrícia Meira

Apoio: Ed. Jorge Zahar

23/1, SÁBADO, das 15h às 16h

Oficina de recriação do fundo do

mar: Barriga da baleia

Com Patrícia Meira

Apoio: Ed. MOVpalavras

29/1, SEXTA, das 16h às 17h

Oficina de criação de monstro de

argila: Minha professora é um

monstro

Com Patrícia Meira

Apoio: Ed. Intrínseca

Obs.: Vir com roupa que pode sujar.

31/1, DOMINGO, das 15h às 16h

Oficina de pintura: O urso

esfomeado

Com Patrícia Meira

Apoio: Ed. Brinque-Book

HIGIENÓPOLIS

21/1, QUINTA, das 16h às 17h

Oficina de fantoches: Faunativa

Com Jiboia

Apoio: Ed. Vergara & Riba

22/1, SEXTA, das 16h às 17h

Roda de leitura com cães

Apoio: Humanimais

28/1, QUINTA das 16h às 17h

Oficina: Ruas completas

Com Irene Quintáns

Vamos conversar sobre a cidade e

construir juntos uma rua com opções

sustentáveis para termos uma cidade

mais saudável.

Apoio: Rede OCARA

29/1, SEXTA, das 16h às 17h

Oficina: Desenhando você

Com Irene Quintáns

A partir de uma atividade muito divertida,

vamos refletir sobre a convivência

e o respeito entre os habitantes das

cidades.

Apoio: Rede OCARA

31/1, DOMINGO, das 15h às 16h

Contação de histórias: Papai

esteve na floresta

Com Marina Bastos

Um diário divertido com as impressões

de uma criança a partir dos relatos de

viagem de seu pai. A história é contada

por Marina Bastos utilizando música,

objetos lúdicos e interação com as

crianças.

Apoio: SM Edições

31/1, DOMINGO, das 17h às 18h

Fotografia com personagem:

Snoopy

Com Snoopy

Apoio: Ed. Companhia das Letras

JK IGUATEMI

16/1, SÁBADO, das 16h às 17h

Atividade com o autor

Com Guilherme Domenichelli

Apoio: Ed. Panda Books

22/1, SEXTA, das 16h às 17h

Oficina de fantoches: Faunativa

Com Planeta Vega

Apoio: Ed. Vergara & Riba

LORENA

16/1, SÁBADO, das 16h às 17h

Oficina de fantoches: Faunativa

Com Jiboia

Apoio: Ed. Vergara & Riba

17/1, DOMINGO, das 16h às 17h

Oficina: DescArte com arte

Com Renato Renda

DescArte com arte é um ateliê aberto à

família, ministrado pelo arte-educador

Renato Renda, com o objetivo de

mobilizar pais e filhos para a questão

do descarte consciente de resíduos.

De forma lúdica e colaborativa, os

participantes aprenderão técnicas artísticas

de criatividade, preservando a

natureza, aprendendo e se divertindo.

31/1, DOMINGO, das 16h às 17h

Palestra Greenpeace

Com Voluntários Greenpeace

MAIA

De 7 a 31/1, de QUINTA a DOMINGO,

das 16h às 17h

Hora da historinha

Com Espaço Sambalelê

Apoio: Colégio Mater Amabilis e O

Pequeno Príncipe Educação Infantil

MOEMA

16/1, SÁBADO, das 16h às 17h

Oficina: DescArte com Arte

Com Renato Renda

17/1, DOMINGO, das 16h às 17h

Oficina de fantoches: Faunativa

Com Planeta Vega

Apoio: Ed. Vergara & Riba

15


DEBATE

Na trilha da tradução

Para entender o desafio da “transcriação” dos textos

literários, que vão de um idioma a outro, Vila Cultural

conversou com alguns dos mais respeitados tradutores

do mercado editorial brasileiro. Veja o eles que dizem

Se a economia e a sociedade

global reduziram sabidamente

as diferenças entre

culturas – em especial a partir da

facilidade-banalidade na locomoção

entre grandes distâncias, da

informação online e da comunicação

digital –, o novo mapa geopolítico

mundial ainda preserva o que

há de mais essencial e intrínseco

na tradição da linguagem e dos

idiomas na história cultural e literária

de cada país. Foi seguindo

este raciocínio, em plena época

tecnológica, repleta de aplicativos

que prometem “tradução instantânea”,

que Vila Cultural conversou

com alguns dos mais dedicados e

meticulosos tradutores do mercado

editorial brasileiro para saber como

eles lidam, afinal, com o desafio

milenar da “transposição” de palavras

e/ou ideias de uma “língua de

partida” para outra, de “chegada”,

conforme costumam dizer.

“A tradução não existe. Na verdade,

o que existe é uma redação

aproximativa, uma ‘transcriação’.

Quando o tradutor é muito bom,

ele consegue ‘transcriar’ tanto no

‘espírito’ quanto nas letras. É uma

outra obra. A palavra tradução

supõe uma ‘transposição mecânica’

que não é real. O que existem

são grandes transposições – e

outras nem tanto. No primeiro caso,

há tradutores extraordinários que

acabam fazendo obras-primas. O

trabalho de Eça de Queirós ao traduzir

As minas do rei Salomão é um

ótimo exemplo. Ele transformou um

romance medíocre, originalmente

escrito em inglês, em uma obra-prima

da literatura portuguesa”, diz o

editor e tradutor Jacó Guinsburg,

da Editora Perspectiva, que acaba

de ganhar o Jabuti de melhor tradução

pelo trabalho (louvável) com

a publicação da obra completa do

pensador Baruch Spinoza (1632-

1677), um dos construtores da

chamada filosofia moderna (leia

nas próximas páginas). Publicado

originalmente em 1885, o livro do

inglês Henry Rider Haggard (1856-

1925) a que Guinsburg se refere

transformou-se numa referência

da língua portuguesa por causa

do talento e da habilidade de Queirós

(1845-1900), autor de O Primo

Basílio, outro clássico, este escrito

originalmente em português.

Para Guinsburg, só o acesso às

duas versões – no idioma original

e para o qual foi traduzido – dá a

noção mais clara sobre a qualidade

do trabalho do tradutor. “Ao observar

os dois idiomas, se terá uma

ideia por aproximação. É claro que

não se pode ter a sonoridade do

francês ou do russo em português,

por exemplo. Assim, há um universo

conotativo que inegavelmente

se perde. A questão central está

no fato de tanto estruturalmente

quanto formalmente, do ponto de

vista linguístico, conseguirem-

-se articulações que sugiram ao

leitor o universo, a atmosfera, a

orientação de ideias que o original

apresenta”, diz o editor.

“Para traduzir qualquer texto literário,

clássico ou moderno, o cuidado

deve ser sempre o mesmo:

não trair o texto original, principalmente

em sua linha de invenção.

Devemos sempre nos pautar pela

fidelidade ao ‘espírito’, ao ‘tom’ do

texto e do universo literário e cultural

do texto original. Sempre que

possível é necessário encontrar no

texto em português soluções de

transposição criativa, mas devemos

estar sempre atentos a efeitos

ou variantes no texto de chegada

que o texto original autoriza em

suas estruturas mais profundas

e em sua cosmogonia artística”,

afirma a professora Arlete Cavaliere,

da Faculdade de Filosofia,

Letras e Ciências Humanas da

Universidade de São Paulo. Arlete

integrou a equipe de tradução de

Clássicos do conto russo, do qual

ela assina a apresentação, num

título exclusivo da Editora 34 para

a Livraria da Vila.

“A delícia – e o tormento – de

fazer tradução literária é que se

impõe uma questão estilística. Se

estivéssemos traduzindo, digamos,

o manual de funcionamento de um

eletrodoméstico, a prioridade seria

puramente semântica: tem que se

fazer isso de um jeito que o usuário

entenda como a geringonça

funciona. Na literatura, espera-se

a recriação de algo do sabor que

o texto tem no original. Então, para

além de reproduzir o original,

espera-se que o tradutor –como

faz um ator de teatro, ou um músico

– interprete, em sentido amplo,

o texto original. Claro que sempre

devemos buscar ser fiéis ao texto,

e nos afastar dele o menos

16


17


possível. Mas a questão que às

vezes se coloca é no que consiste

essa fidelidade. Por vezes, isso

talvez leve a cometer pequenas

infidelidades à literalidade para

poder ser fiel ao espírito geral do

texto”, diz o tradutor Irineu Franco

Perpétuo, que também traduziu

contos clássicos russos.

“A maior dificuldade que enfrentamos

ao traduzir uma obra de

ficção reside na sintaxe das falas

das personagens, pois essa sintaxe

deriva do seu grau de escolaridade

e cultura, de sua pertença

a um universo sociocultural e também

do equilíbrio ou desequilíbrio

de seu sistema nervoso central,

espelho imediato de sua linguagem.

Toda obra objeto de tradução

apresenta dificuldades peculiares

às modalidades de discurso que

a enfeixam. Nesse Clássicos do

conto russo, há três obras traduzidas

por mim: Diário de um louco

e O nariz de Gógol, e O grande

inquisidor, capítulo do romance de

Dostoiévski Os irmãos Karamázov.

Cada uma dessas obras tem um

tipo de linguagem característica

do tipo de personagem objeto da

narrativa. Contudo, limito-me a um

breve comentário do Diário de um

louco de Gógol. O louco, personagem

central e narrador dessa

obra usa uma linguagem sinuosa,

uma sintaxe descontínua (típica

de um louco!) e um ritmo também

descontínuo, que traduz o estado

de seu sistema nervoso central no

qual os tempos de nossa existência

se sobrepõem, perdem sua

continuidade, março se mistura

com outubro, formando ‘martubro’

com oitenta e seis dias, abril tem

a data 43 etc. Essa circunstância

impõe ao tradutor o grande desafio

de recriar esse ritmo como

representação do modo de ser da

personagem, de sua maneira de

ver e apresentar os 'fatos' na descontinuidade

do funcionamento de

seu sistema nervoso. A estratégia

central da tradução é recriar os

sentidos que enfeixam uma obra

no contexto histórico, cultural, social,

psicológico etc. em que agem

as personagens, plasmando-os

numa linguagem consentânea com

o espírito da obra e das personagens

que a povoam e permitindo

que seus leitores sintam o espírito

dessa obra sem sentirem que estão

lendo tradução”, diz o tradutor

Paulo Bezerra, outro integrante

da equipe que traduziu o livro da

Editora 34.

A palavra tradução

supõe uma

‘transposição

mecânica’ que

não é real.

O que existem

são grandes

transposições – e

outras nem tanto.

Jacó Guinsburg

“É claro que para o trabalho de

tradução literária de textos clássicos

da prosa russa (como é o caso

das pequenas obras-primas da

literatura russa – e mesmo, eu diria,

da literatura mundial), a responsabilidade

do tradutor é imensa. O

tradutor deve sempre se lembrar

que a tradução é uma espécie

de modalidade da crítica literária

e, portanto, quando traduzimos

textos de escritores como Gógol,

Dostoiévski, Tchékhov, Bulgákov, e

tantos outros gigantes da literatura

russa, estamos incidindo uma nova

luz para a sua leitura no presente,

dando-lhes uma nova vida, mas,

ao mesmo tempo, sem desprezarmos

a sua vida no passado

literário, do qual fazem parte. A

tradução literária é uma leitura “ao

vivo” do autor e de seu passado

literário. Neste sentido, os dilemas

da tradução são muitos, mas um

desafio sempre muito estimulante”,

afirma a professora Arlete quando

perguntada especificamente sobre

os dilemas no trabalho recente.

Diante da mesma questão, o

tradutor Paulo Bezerra diz o seguinte:

“A característica principal

de um clássico é sua capacidade

de transcender seu espaço e seu

tempo, deixando-se ler em épocas

pósteras à luz de novas conquistas

da cultura, novas concepções filosóficas,

estéticas, linguísticas, de

uma nova psicologia da recepção.

O tradutor é um homem do seu

tempo, formado na linguagem do

seu tempo e por ela contagiado.

Mas, quando traduz diretamente

do original, é um mediador entre

seus leitores e o autor, entre a época

do autor e a época da recepção

de sua tradução. Se a época do

autor está distante, o tradutor deve

usar de um rigor: não pode arcaizar

muito a linguagem sob pena

de obrigar o leitor a frequentes

consultas ao dicionário– o que

atrapalharia a leitura e a tornaria

enfadonha –, mas tampouco pode

modernizar demais a linguagem a

ponto de desfigurar o contexto da

obra. Ele tem de se pautar pelo

velho e bom adágio: nem tanto ao

mar, nem tanto à terra. O cuidado

maior do tradutor é atingir o máximo

de fidelidade ao espírito da

obra. Nesse sentido, ele enfrenta

vários dilemas, entre eles a tradução

de provérbios, expressões

idiomáticas etc. Cito um exemplo.

Em Diário de um louco, o narrador

Popríschin caminha pela rua,

depara-se com duas cadelinhas

conversando, uma dizendo para

a outra que lhe escrevera, mas

não recebera resposta, ao que

ele exclama literalmente: “Que eu

fique sem todos os meus vencimentos,

mas nunca ouvi dizer que

cachorro escrevesse”. Trata-se de

mera expressão interjetiva, que

assim traduzi para o português:

“Macacos me mordam! Nunca

na vida ouvi dizer que cachorro

escrevesse”. Se eu optasse

pela tradução literal, criaria um

paradoxo: o autor teria pensado

uma coisa, eu teria traduzido outra

e o leitor não entenderia nada.

Optando pelo espírito do contexto,

resolvi o dilema da tradução,

deixando-a compreensível para o

leitor brasileiro.”

18


Uma tarefa de fôlego

A importância do filósofo e a ausência de

traduções de alguns textos originais foram

determinantes para a tradução premiada da

obra completa de Spinoza

A

publicação de Spinoza –

Obra completa (em quatro

volumes da editora Perspectiva),

que ganhou o Jabuti de

melhor tradução em 2015, leva

aos nomes de Jacó Guinsburg,

Newton Cunha e Roberto Romano,

que, junto com a equipe da editora,

trabalharam durante dois anos no

projeto. A importância do filósofo

como um dos construtores da filosofia

moderna e a ausência de traduções

em língua portuguesa de

certos textos foram determinantes

para a tarefa de fôlego que os editores

escolheram. “Nós achamos

que já era tempo de se apresentar

um conjunto como este, inclusive

devido às relações que Spinoza

tem com o mundo luso-hispânico,

diz o editor Jacó Guinsburg.

Leia a entrevista de Newton

Cunha, um dos tradutores do livro.

Vila Cultural. Qual é a maior dificuldade

ao traduzir Spinoza?

Newton Cunha. Quanto maior a

distância de uma obra no tempo,

maior a dificuldade de tradução

e, também por isso, cabe ao leitor

um esforço – que sempre se revela

enriquecedor – em se apropriar da

linguagem, de seus tropos, das

formas de cognição e do ambiente

cultural que caracteriza a obra

estrangeira e passada. Especificamente

na tradução de Spinoza,

o maior cuidado foi com o uso

correto de sua terminologia filosófica,

carregada de conceitos provenientes

não apenas de autores

do período helenístico (estoicos e

epicuristas, sobretudo), como de

filósofos já renascentistas – Marsilio

Ficino, Aben Ezra, Giordano

Bruno e Descartes.

VC. Poderia dar um exemplo de

“dilema” nesta tradução?

NC. Spinoza sempre deu nítida

preferência, em duas de suas

obras principais, A ética e o Tratado

político, ao termo potência

(potentia), mesmo quando, eventualmente,

pudesse ter utilizado a

palavra poder (potestas, ou ainda,

imperium). Ocorre que o vocábulo

potência tem um significado

particular para o filósofo, o que

nos pareceu ser conservado nas

traduções. A potência é aquilo que

define e manifesta o fato ontológico

de algo existir, de perseverar

em seu ser e agir. Considerando

inicialmente que “a potência

de Deus é sua própria essência”

(Dei potentia est ipsa ipsius essentia,

Ética I, XXXIV) e que pela

potência de Deus “todas as coisas

são e agem”, todos os modos

de existência, isto é, os entes

singulares, só podem manifestarse

por essa força constituinte

e natural. Por conseguinte,

tudo o que está relacionado à

existência, ao esforço contínuo

de preservação de si (conatus),

às afecções sofridas e ao agir se

congregam no conceito de potência.

Usar a palavra poder, nesse

caso em português, não cremos

que exprimisse o pensamento e

o propósito do autor. Optamos

ainda por utilizar o termo mente,

quando encontrado no original

(mens, mentis), em primeiro lugar

como tradução direta, tal como o

próprio filósofo o utiliza e entende,

ou seja, como coisa pensante:

“Entendo por ideia um conceito da

mente que a mente forma porque

é uma coisa pensante (Per ideam

intelligo mentis conceptum quem

mens format propterea quod res

est cogitans, Ética, II, definição

III). Com isso lembramos que, por

influência das traduções francesas

ou alemãs, já foi ele vertido entre

nós como alma (âme, Seele), o que

lhe dá uma conotação fortemente

teológica e improvável.

VC. Como decidiram pela inclusão

do compêndio da gramática

hebraica?

NC. O Compêndio de gramática foi

um passo decisivo para a elaboração

do Tratado teológico-político,

por sua vez um livro seminal na

interpretação do caráter histórico

e preferencialmente ético-moral

da Bíblia, em lugar de um livro

propriamente teológico. Na crítica

ou análise da Gramática nota-se

claramente o fato de que Spinoza

não entende a Torá como palavra

e livro sagrados, mas como língua

e necessidade de uma prescrição

de vida de uma comunidade

dispersa. As modificações fonéticas

no correr dos séculos em

que se deu a sua elaboração e as

intenções prático-morais da Bíblia

constituiriam sinais evidentes de

seu caráter humano, e não de uma

revelação divina.

19


HOMENAGEM

De tom confessional

A obra da poeta Ana Cristina Cesar, que vai ser

homenageada na edição 2016 da Flip, em de

junho, ganha evidência à altura do talento e da

importância da autora

A

14ª edição da Flip, entre

os dias 29 de junho

e 3 de julho, promete

garantir, em 2016, a justa

evidência e todo o prazer da

leitura e do “renascimento”

da obra da poeta Ana Cristina

Cesar (1952-1983), escolhida

como autora homenageada da

Festa Literária Internacional de

Paraty este ano.

Nome que se confunde

com a geração da Poesia Marginal,

que nos anos de 1970

se firmou distribuindo edições

caseiras no Rio de Janeiro – ao

largo do mercado editorial e

sob o peso da ditadura militar

–, Ana C., como ficou conhecida,

tem, entre outros méritos,

o de ter fundado uma vertente

marcante na poesia brasileira

contemporânea.

“A geração de Ana Cristina A poeta Ana Cristina Cesar

ajudou a redescobrir Paraty e

a despertar a vocação literária

da cidade”, disse Mauro Munhoz, 26 poetas hoje, publicada originalmente

em 1976 e organizada por

diretor-presidente da Associação

Casa Azul, que organiza a Flip. Heloísa Buarque de Hollanda, sua

Para o curador Paulo Werneck, “a ex-professora. O livro reunia alguns

obra de Ana C. é densa, pulsante, dos autores da Poesia Marginal,

e conquista leitores em todas as como Cacaso (Antônio Carlos de

partes do mundo”.

Brito), Chacal, Francisco Alvim,

“A homenagem vai poder iluminar

áreas menos conhecidas Waly Salomão, Eudoro Augusto.

Charles Peixoto, Geraldo Carneiro,

de sua obra e desfazer alguns Além da poesia, Ana Cristina

lugares-comuns a respeito de sua Cesar se dedicou à crítica e à

vida”, declarou Werneck. A Poesia tradução de autoras como Emily

Marginal, diz o curador, também Dickinson e Katherine Mansfield.

estará no foco da Flip.

Literatura não é documento, sua

Ana Cristina teve poemas incluídos

na importante antologia blicada em 1980. Uma

dissertação de mestrado, foi pu-

temporada

de estudos no exterior resultou

no volume de ensaios póstumo

Escritos da Inglaterra, lançado

em 1988.

O livro que projetou Ana

Cristina Cesar entre os leitores

brasileiros foi publicado em

1982, pela editora Brasiliense,

que deu um inédito sabor pop

e anárquico à literatura brasileira

ao revelar autores como

Caio Fernando Abreu, Marcelo

Rubens Paiva e Reinaldo Moraes.

Primeiro volume da célebre

coleção Cantadas literárias, A

teus pés reunia três livros publicados

em edição artesanal: os

versos de Cenas de abril, Correspondência

completa (longa

carta endereçada a “My dear”)

e o diário Luvas de pelica.

Ana Cristina Cesar morreu

no Rio, em 1983. O poeta Armando

Freitas Filho, indicado

pela família como curador

da obra, passou a organizar

edições póstumas, como Inéditos

e dispersos (1985). Mesmo nos

períodos em que seus livros estiveram

fora de catálogo, sua poesia

ganhou interesse crescente nas universidades

do Brasil e do exterior.

Em 2008, o Instituto Moreira

Salles, responsável pela conservação

do acervo literário de Ana C.,

lançou o volume Antigos & soltos,

como poemas inéditos em edição

fac-similar, com organização de

Viviana Bosi. Em 2013, sua poesia

foi reunida no volume Poética, da

Companhia das Letras, organizado

por Armando Freitas Filho.

Foto: Divulgação

20


LANÇAMENTO

Um direito básico

Depois de seis anos como relatora para

o Direito à Moradia Adequada da ONU, a urbanista

Raquel Rolnik compartilha reflexões e constatações

sobre o tema em Guerra dos lugares

Foto: Divulgação

Lançado no final do ano

passado, o livro Guerra

dos lugares (Boitempo),

da urbanista Raquel

Rolnik, é leitura obrigatória

entre os que se interessam

por uma das questões mais

relevantes neste começo

de século: o direito básico

de moradia do ser humano.

O subtítulo do livro é A

colonização da terra e da

moradia na era das finanças.

Fruto das reflexões que a

urbanista elaborou durante

e imediatamente após o término

de seu mandato como

relatora para o Direito à Moradia

Adequada da ONU, o

livro trata do processo global

de financeirização das

cidades e do seu impacto

sobre os direitos à terra e à

moradia dos mais pobres e

vulneráveis.

“Uma denúncia devastadora,

ancorada em um rol

impressionante de relatos

pessoais colhidos ao redor

do mundo, da incapacidade

de nossos sistemas político

e econômico atuais de oferecer

abrigo decente num ambiente e

em condições de vida adequados

para a maioria dos cidadãos do

mundo. (...) Ela (Raquel) adquiriu

um cabedal incrível de experiência

global relativa a questões de moradia,

ora materializado neste livro.

É uma obra fantástica”, escreve o

geógrafo David Harvey na quarta

capa de Guerra dos lugares.

Nas duas primeiras partes do

livro, Rolnik descreve e analisa

as transformações recentes nas

políticas habitacionais e fundiárias

em vários países do mundo,

no marco da expansão de uma

economia neoliberal globalizada,

controlada pelo sistema financeiro,

e que provocaram um processo

global de “insegurança da posse”.

Na terceira parte, a urbanista

explora a mesma questão

focalizando especialmente

o Brasil.

Outro destaque do

livro é a abordagem da

evolução recente das

políticas habitacionais e

urbanas no Brasil – inclusive

na era Lula – à luz de

processos globais, o que

ajuda a pensar as especificidades

e as diferenças

da crise urbana no país.

“O livro torna evidente a

produção política desses

processos, bem como os

campos de disputas que

se configuram nessa impressionante

máquina de

despossessão posta em

ação no capitalismo contemporâneo

e que faz da

‘colonização da moradia e

da terra na era das finanças’

o epicentro político

dos conflitos urbanos que

explodem em várias regiões

do planeta”, escreve

a socióloga Vera Telles,

professora livre-docente

do Departamento de Sociologia

da USP.

Professora da Faculdade de

Arquitetura e Urbanismo da USP,

urbanista especializada em política

habitacional, planejamento e

gestão da terra urbana, Raquel

Rolnik já publicou A cidade e a lei

(Fapesp/Studio Nobel), em 1997,

O que é cidade (Brasiliense), em

1988, e Folha Explica São Paulo

(Publifolha), em 2009, entre outros

livros.

21


COMEMORAÇÃO

Crianças de futuro

Os livros A democracia pode ser assim

e A ditadura é assim marcam a estreia do

selo infantojuvenil Boitatá, que faz festa de

lançamento dia 16 na loja da Fradique

Boitatá é o nome

do selo infantojuvenil

com o qual

a editora Boitempo, que

comemorou 20 anos em

2015, dá forma a um

“sonho antigo”: fazer

livros para crianças. A

editora acaba de lançar

a coleção Livros para o

Amanhã e aposta no momento

de efervescência

política e social no país

para introduzir, entre os

pequenos leitores, temas

de interesse social

e cidadania, como os

conceitos de democracia,

ditadura, diferenças

entre gêneros. Os dois

primeiros livros são A

democracia pode ser

assim, de Marta Pina, e

A ditadura é assim, de

Mikel Casal. A festa de

lançamento do Boitatá é

dia 16 às 15h na Livraria

da Vila da Fradique.

Intemporal, a nova coleção foi

lançada originalmente na Espanha,

em 1977, pela extinta editora catalã

La Gaya Ciencia, logo após o

fim do regime do ditador Francisco

Franco. Na época, a editora contratou

uma equipe multidisciplinar

de educadores para produzir os

livros. Foi um sucesso. Recentemente,

outra editora espanhola, a

Media Vaca, ressuscitou os livrinhos

em edições que preservam o

texto original, agora ilustrados por

artistas contemporâneos.

É esta versão, revitalizada pelas

imagens, que a Boitempo publica

em português. A democracia

pode ser assim trata do conceito

de democracia a partir de imagens

próximas do cotidiano das

crianças. Toma como exemplos a

hora do recreio e o jogo: atividades

em que todos que participam

têm de tomar decisões e assimilar

suas regras. O texto se propõe

a ser uma primeira abordagem

da cidadania e de questões sociais,

elucidando o que são as

eleições, o papel dos

partidos políticos e a

importância do voto,

dos direitos humanos

e da informação para a

manutenção das liberdades.

No final, foram

incluídos dois textos

informativos e um roteiro

com questões para

reflexão.

Em A ditadura é assim,

o propósito é mostrar

o funcionamento

e os perigos da ditadura

partindo também

de exemplos simples

para que as crianças

compreendam os problemas

existentes em

um sistema político que

privilegia uma única

corrente de pensamento

em detrimento

das outras. Pode haver

liberdade ou justiça

em uma ditadura?

Para quem? Partindo

de questões como essas, o texto

sugere a evidente falta de cidadania

quando o Estado não respeita

a diversidade do povo que representa.

Na edição da Boitatá, foram

acrescentadas duas ilustrações

dos ditadores brasileiros Emílio

Garrastazul Médici e Ernesto

Geisel, feitas especialmente pelo

artista por Mikel Casal.

As mulheres e os homens e O

que são classes sociais?, os dois

outros títulos da coleção, serão

lançados ainda este ano.

Fotos: Divulgação

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ESPECIAL

Aprendizado criativo

Parceria da Livraria da Vila com a Escola São Paulo

oferece cursos especiais de roteiro cinematográfico,

marketing digital e consultoria de moda este mês na

Lorena e em Higienópolis

Foto: Divulgação

A

Livraria da Vila e a Escola

São Paulo, que fez fama

com sua atuação focada na

formação de gestores, empreendedores

e especialistas nos setores

da economia criativa, aproveitam as

férias de verão para investir numa

parceria que garante a realização

de três cursos especiais este mês:

Roteiro cinematográfico: Teoria e

prática, com Thiago Fogaça, entre

os dias 11 e 15 de janeiro, e Marketing

digital para empreendedores,

com Keith Matsumoto, de 26 a 30

de janeiro, ambos na loja da Lorena,

e Consultoria de moda feminina e

masculina, com Manu Carvalho,

entre 11 e 15 de janeiro, na loja do

Shopping Pátio Higienópolis.

No curso comandado por Fogaça,

as cinco aulas acontecem

sempre entre 18h45 e 21h45. O

objetivo é ensinar teorias e dicas

práticas de análise, planejamento

e revisão de roteiro.

Expert no tema, Keith Matsumoto

compartilha conhecimento

sobre marketing digital em cinco

aulas programadas para a última

semana de janeiro, também no período

noturno, entre 18h45 e 21h45.

O propósito do curso é capacitar

empreendedores a planejar e implementar

um plano de marketing

digital, desde o posicionamento

estratégico até ações táticas.

Desenvolver as habilidades

necessárias para ser um consultor

de moda, identificando as

necessidades, objetivos, estilo e

características de cada cliente, é

a intenção do curso de consultoria

Alunos e professores da Escola São Paulo

de moda comandado por Manu

Carvalho, que há muito atua como

stylist e acumula prestígio no circuito

fashion. As aulas vão acontecer

entre 10h e 13h.

Fundada em 2006, a Escola

São Paulo completa sua primeira

década de atuação este ano.

Ficou conhecida também como

lugar de encontros entre pessoas

apaixonadas por criatividade e

inovação, que trocam experiências

para construir propostas sustentáveis

para empreendimentos,

projetos, negócios, contribuindo

de forma consciente e responsável

para o mundo à sua volta. Em uma

década, acumula a marca mais

de 20 mil alunos nos cursos que

realiza regularmente.

LANÇAMENTO

Inscrições e outras informações

sobre os cursos pelo telefone (11)

3060-3636, no site www.escolasao

paulo.org/cursos-verao-2016, ou

e-mail info@escolasaopaulo.org

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RETRATO | EUCLIDES DA CUNHA (1866-1909)

Antes de tudo,

um forte

Os 150 anos do nascimento do escritor Euclides da

Cunha evidenciam a importância e o alcance de

Os sertões, que causou impacto ao documentar um

episódio histórico em linguagem assumidamente literária

O

dia 20 de janeiro de 2016

marca os 150 anos do nascimento

do escritor Euclides

da Cunha (1866-1909), autor

de Os sertões, misto de relato não

ficcional, poesia e jornalismo que,

publicado em 1902, causou um

enorme impacto por motivos que

ainda hoje merecem atenção e

reflexão.

Ao documentar um fato histórico,

a Guerra de Canudos – que

confrontou, no interior da Bahia,

entre 1896 e 1897, um movimento

popular sertanejo de influência

religiosa e o exército republicano

–, Cunha escreveu um clássico

surpreendente para a época.

Ao mesmo tempo em que desfilava

toda a elegância de seu texto,

desconsiderando os rígidos limites

entre a linguagem da reportagem

e as formalidades literárias, foi um

porta-voz ousado por criticar o

massacre militar – no cumprimento

de ordens do governo republicano

– dos habitantes da comunidade

de Canudos.

De leitura intensa, e hoje

obrigatória entre estudantes no

“aprendizado oficial” da literatura

no Brasil, Os sertões é um livro fascinante,

inclusive pela luz que joga

sobre a ideia da miscigenação

ou sobre a “urgência” de se criar

uma visão crítica sobre a realidade

brasileira, tão influenciada e manipulada

historicamente por fatores

e interesses externos.

Entre outras, Os sertões rendeu

a famosa frase “o sertanejo é, antes

de tudo, um forte” (leia trecho

na página ao lado). A assertividade

de Cunha mereceu, desde

o século passado, incontáveis

estudos e ensaios dedicados à

investigação de sua obra e do que

ela representa na construção de

uma identidade nacional. O livro é

dividido em três partes – A terra, O

homem e A luta – focalizando, com

olhar humanista e muita habilidade

linguística, um panorama da realidade

sertaneja que, dependendo

do ponto de vista , ainda hoje pode

ser compreendida com precisão a

partir do olhar de Cunha.

Nascido em Cantagalo, no Rio

de Janeiro, Cunha atuava na imprensa

brasileira e, como repórter,

foi enviado especialmente à

cidade de Canudos para escrever

sobre as operações realizadas

pelo Exército no intuito de sufocar

a rebelião dos sertanejos. A guerra

foi o primeiro episódio histórico do

Brasil a merecer cobertura diária

pelos jornais do país. Cunha voltou

mais que inspirado da experiência

e, ao descrever o que viu,

interpretou, com propriedade, a teoria

do pensador francês Hippolyte

Taine (1828-1893) que, com seus

argumentos naturalistas, defendia,

na época, que o comportamento

humano é sempre influenciado

“pela raça, pelo meio e pelo momento

histórico”. A divisão do livro

de Euclides da Cunha já é uma

indicação desse raciocínio.

Além disso, o escritor revelou,

com a voz do repórter, que

o Brasil tinha, sim, enormes

contradições e muitas

diferenças étnicas

e culturais.

Ilustração: Jonas Ribeiro

24


Tudo para concluir que era fundamental que criássemos, afinal, a

nossa própria “raça”, já que, na visão dele, a noção de mestiçagem

enfraquecia o indivíduo e sugeria uma perda de identidade

nacional.

Euclides da Cunha publicou também Peru versus

Bolívia (1907), Contrastes e confrontos (1907), À margem

da história (1909) e Canudos – Diário de uma expedição

(obra póstuma, 1939). Ele morreu assassinado, aos 43

anos, por Dilermando de Assis, o jovem amante da

mulher de Cunha, Ana Emília Ribeiro, num episódio que

ficou conhecido como “A tragédia da Piedade” e que

inspirou, na televisão brasileira, a minissérie Desejo,

assinada por Gloria Perez nos anos de 1990,com o ator

Tarcísio Meira no papel do escritor.

O HOMEM

“O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem

o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastênicos do

litoral. A sua aparência, entretanto, ao primeiro lance

de vista, revela o contrário. Falta-lhe a plástica impecável,

o desempenho, a estrutura corretíssima das organizações

atléticas. É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-

Quasímodo, reflete no aspecto a fealdade típica dos fracos.

O andar sem firmeza, sem aprumo, quase gingante e

sinuoso, aparenta a translação de membros desarticulados.

Agrava-o a postura normalmente abatida, num manifestar

de displicência que lhe dá um caráter de

humildade deprimente. A pé, quando parado,

recosta-se invariavelmente ao primeiro umbral

ou parede que encontra; a cavalo,

se sofreia o animal para trocar duas

palavras com um conhecido,

cai logo sobre um dos estribos,

descansando sobre

a espenda da sela.

Caminhando, mesmo a

passo rápido, não traça

trajetória retilínea

e firme. Avança celeremente,

num bambolear

característico,

de que parecem

ser o traço geométrico

os meandros das

trilhas sertanejas. (...)

É o homem permanentemente

fatigado.”

Trecho de O homem, em

Os sertões, de Euclides da Cunha

25


ACONTECEU

Tempo de festejar

Para fechar 2015, uma agenda superconcorrida incluiu

lançamentos de novos livros dos jornalistas Xico Sá e

Joyce Pascowitch, o songbook de Sá & Guarabyra e a

biografia de Geraldo Vandré

Junto com toda a movimentação

típica do mês de dezembro,

sempre repleto de

compromissos e celebrações, a

agenda cultural da Livraria da

Vila também manteve a dinâmica

que virou sua marca registrada.

Logo no dia 1º, Joyce Pascowitch

recebeu amigos e convidados

para autografar Poder, estilo &

ócio (Intrínseca) na Livraria da

Vila da Lorena. O lançamento

foi um sucesso, demonstrando

uma vez mais todo o prestígio de

uma das jornalistas mais conhecidas

do país. No novo livro, só

com textos inéditos, Joyce volta

a alguns episódios marcantes de

sua vida profissional e pessoal. O

título é uma citação de três temas

indissociáveis na trajetória de

Pascowitch.

Na Livraria da Vila da Fradique,

Xico Sá autografou Os machões

dançaram (Record), cujo subtítulo

é Crônicas de amor & sexo em

tempos de homens vacilões. Com

o livro, ele diz encerrar a trilogia

de crônicas que tratam das mudanças

de comportamento nas

relações entre homens e mulheres

do final do século 20 até hoje. O

escritor apresenta agora uma galeria

de personagens que ilustram

as grandes transformações do homem.

Do “macho-jurubeba”– como

o autor define o homem à moda

antiga – aos sensíveis “macunaemos”

– garotos que têm a preguiça

sentimental de um Macunaíma e a

choradeira de um roqueiro estilo

emo. A fase alfa do macho e o

Joyce Pascowitch, Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli

metrossexualismo também são alvos

de crônicas, a exemplo do que

Xico publicou em Modos de macho

& modinhas de fêmea (2003) e

Chabadabadá – aventuras e desventuras

do macho perdido e da

fêmea que se acha (2010).

Também na Fradique, a dupla

Sá & Guarabyra fez pocket show

para lançar o CD e o songbook

que junta alguns clássicos do

repertório dos músicos, evidenciando

a parceria da gravadora

Kuarup, responsável pelo disco,

e da editora Irmãos Vitale, que

realizou o livro com as partituras.

O tom musical, com citações

políticas, marcou a sessão de autógrafos

em que o jornalista Vitor

Nuzzi autografou Geraldo Vandré:

Uma canção interrompida (Kuarup

Música), a biografia do cantor e

compositor que se transformou

numa figura lendária da música

brasileira na época da ditadura,

nos anos de 1960.

Foto: João Valério

26


PROGRAMAÇÃO | janeiro_2016*

Diversão em cena

Em tempos de férias e verão, a temporada teatral

na Vila tem atrações como o espetáculo infantil

Detetives da aventura na loja do Shopping JK Iguatemi

Foto: Divulgação

Entre os dias 9 e 31 de janeiro,

sempre aos sábados e domingos,

com sessões às 15h, a peça Detetives

da aventura, na loja do Shopping JK

Iguatemi, traz os personagens Pato

e Berê atrapalhados na investigação

de situações e história que fazem a

alegria da criançada

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PROGRAMAÇÃO | janeiro_2016*

Lançamentos

Lorena

9/1, SÁBADO, das 15h às 18h

Escrevendo nossa história

De Cybelle Santos

Ed. Autografia

Shopping

Pátio Higienópolis

28/1, QUINTA, das 19h às 21h30

Modelo do pensador

De Luiz Cláudio Binato

Ed. Alta Books

30/1, SÁBADO, das 15h às 18h

Crônicas da magia: As insígnias

do poder

De André Dessie

Editora Raízes da América

Pátio Batel

12/1, TERÇA, das 18h30 às 21h30

Vinhos da Borgonha – História,

tradição e cultura

De Jean Claude Cara e Ligia Maria

Salomão Cara

Ed. Melhoramentos

23/1, SÁBADO, das 16h às 19h

Alice no país do amor

De Lucila Guedes

Chiado Editora

28/1, QUINTA, das 18h30 às 21h30

2 p/ mim – Autoconhecimento

feminino em dois minutos por

dia

De Natália Leite

Ed. IBEP

Clube de leitura

22/1, SEXTA, das 19h30 às 21h30

Leitura compartilhada:

Americanah, de Chimamanda

Ngozi Adichie

Com Os Espanadores

Loja: Fradique

Palestras

20/1, QUARTA, das 19h às 21h30

Noites de gestão: Satisfação

garantida

Com Cristian Trentin

Evento Gratuito

Loja: Pátio Batel

Cursos e Workshops

Educacuca

O objetivo primordial do Educacuca

é promover o desenvolvimento, a

aprendizagem e a socialização das

crianças em seus primeiros anos de

vida, além de instrumentalizar o adulto

cuidador, orientando-o e enriquecendo

seu repertório de brincadeiras. Para

agendamento de aula experimental e

informações sobre horários para cada

grupo, consulte o site www.educacuca.

com.br

Idade Permitida: 3 a 30 meses.

Terças e quintas – Loja: Lorena

Quartas – Loja: Fradique

11/1 a 15/1, SEGUNDA a SEXTA, das

18h45 às 21h45

Curso Escola São Paulo

Roteiro cinematográfico: Teoria

e prática

Com Thiago Fogaça

O objetivo do curso é aprender sobre

storytelling, temáticas versus tema,

desenvolvimento de personagem,

estruturas clássicas e avançadas,

planejamento de trama e formatação

de mercado para roteiros de ficção.

O conteúdo apresenta teorias e dicas

práticas de análise, planejamento e

revisão de roteiro, desde a definição

do tema e caráter moral da história,

técnicas de criatividade, design de

personagem, escaleta e argumento,

planejamento de cenas e beats, diálogo

e subtexto, formatação de mercado,

até o processo de revisão e análise.

Valor: R$ 315 (entrada) + 2 parcelas

de R$ 315

Loja: Lorena

Mais informações:

www.escolasaopaulo.org

e-mail: info@escolasaopaulo.org

De 11/1 a 15/1, SEGUNDA a SEXTA,

das 10h às 13h

Curso Escola São Paulo

Consultoria de moda feminina e

masculina

Com Manu Carvalho

Com a crescente expansão do mercado

de moda e a infinidade de opções

existentes, aumenta a necessidade

de profissionais consultores de moda

para o público. O objetivo deste curso

é desenvolver as habilidades necessárias

para uma pessoa se tornar um

consultor de moda, identificando as

necessidades, objetivos, estilo e características

de cada cliente. Indicado

para aqueles que querem atuar diretamente

no mercado de consultoria de

moda e para profissionais dos setores

comerciais e relacionamento com o

cliente do setor de moda.

O conteúdo traz um panorama geral

sobre a história da moda, analisando

necessidades e comportamentos de

clientes e ensinando a elaborar projetos

individuais para satisfazer cada

tipo de consumidor.

Valor: R$ 400 (entrada) + 2 parcelas

de R$ 400

Loja: Shopping Pátio Higienópolis

Mais informações:

www.escolasaopaulo.org

e-mail info@escolasaopaulo.org

26/1 a 30/1, TERÇA a SEXTA das 18h45

às 21h45 e SÁBADO das 14h às 17h

Curso Escola São Paulo

Marketing digital para

empreendedores

Com Keith Matsumoto

O objetivo é capacitar empreendedores

a planejar e implementar um plano

de marketing digital desde o posicionamento

estratégico até as ações

táticas. Nos cinco dias de curso, com

conteúdo 50% teórico e 50% prático,

abordaremos teorias e ferramentas de

marketing digital, sendo que cada dia

o foco será em uma área específica,

como posicionamento, captação de

demanda e branding. Todos os aprendizados

serão praticados em empresas

que os próprios alunos sugerem.

Ao final do curso teremos um plano de

marketing digital completo.

Valor: R$350 (entrada) + 2 parcelas

de R$350

Loja: Lorena

Mais informações:

www.escolasaopaulo.org

e-mail info@escolasaopaulo.org

* Programação sujeita a alteração.

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PROGRAMAÇÃO | janeiro_2016*

Teatro Infantil

De 9/1 a 31/1, SÁBADOS e DOMINGOS, às 15h

O espetáculo Detetives da aventura tem formato de episódios.

Cada apresentação traz duas histórias para o público:

Detetives da aventura em: Para onde vai, de onde vem?

Em um dia de muito sol, Pato e Berê resolvem se refrescar na

pequenina piscina inflável que fica no quintal onde eles costumam

se divertir. Como não é bom ficar exposto no sol do meio-dia,

eles voltam lá pelas duas da tarde... e percebem que a água da

piscina sumiu!

Detetives da aventura em: Lápis cor da pele

Pato tem uma tarefa para realizar, a pedido da sua professora:

desenhar a sua vizinhança. Só depois de passar a tarde inteirinha

observando as pessoas do seu bairro é que ele descobriu que cada

uma tinha uma cor de pele diferente da outra. “Que incrível! As

pessoas são coloridas!”. E então ele entendeu por que Berê, sua

melhor amiga, deu para ele um montão de lápis de cor de todas

as cores que ele poderia imaginar!

Local: Shopping JK Iguatemi

Valor: R$ 30 inteira | R$ 15 meia-entrada

De 9/1 a 28/2, SÁBADOS e DOMINGOS, às 16h

Soldadinho de Chumbo e a Bailarina

A peça conta as aventuras do jovem soldadinho bravo e suas

desventuras com o seu primeiro amor, a Bailarina, e como

combater o preconceito num mundo onde a aparência é tudo.

Local: Shopping Pátio Higienópolis

Valor: R$ 30 inteira | R$ 15 meia-entrada

De 9/1 a 28/2, SÁBADOS E DOMINGOS, às 16h

A Cigarra e a Formiga

Conta a história que uma formiguinha muito esforçada trabalhou

o verão inteiro juntando alimentos e folhas para o terrível inverno,

enquanto sua vizinha, a Cigarra, apenas pensava em cantar.

Chegando o inverno, a Cigarra levou então um susto ao perceber

que estava despreparada para enfrentar o frio. Como a Dona

Cigarra sairá dessa? O objetivo da peça é mostrar que cada ação

tem consequências, sejam elas boas ou ruins, e que muitas vezes

perdoar e ensinar o caminho certo é a melhor escolha.

Local: Pátio Batel (Curitiba)

Valor: R$ 30 inteira | R$ 15 meia-entrada

Teatro Adulto

De 23/1 a 28/2, SÁBADOS às 20h e DOMINGOS às 18h

Los Lobos Bobos

A comédia, estrelada por Guilherme Uzeda, Marcelo Augusto

e Ricardo Arantes, é formada por esquetes que retratam o

cotidiano da cidade de São Paulo e números musicais, com

sambas do poeta popular Adoniran Barbosa, um dos mais

marcantes retratos desta metrópole.

Local: Shopping JK Iguatemi

Valor: R$ 60 inteira | R$ 30 meia-entrada

* Programação sujeita a alteração.

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Festival de Férias – Teatro Livraria da Vila do Galleria Shopping

Local: Galleria Shopping (Campinas)

Valor: R$ 30 inteira | R$ 15 meia-entrada

Dias 9 e 10/1, SÁBADO e DOMINGO, às 16h

Os Três Porquinhos

Era uma vez três porquinhos que, em um belo dia,

receberam algumas valiosas moedas para comprar

materiais e construir cada um a sua própria casa. Foi

uma alegria danada. Agora todos teriam um cantinho

para chamar de seu. Mas eis que na hora da construção

alguns materiais não chegaram... e foi aí que começou

a confusão!

Dias 16 e 17/1, SÁBADO e DOMINGO, às 16h

A Pequena Sereia

O encanto de Ariel por um príncipe humano representa

uma grande afronta ao pai da bela sereia, que sempre a

alertou sobre os perigos da vida fora das águas e sobre

a destruição da natureza provocada pelo homem. A partir

deste amor platônico da Pequena Sereia pelo lindo e

romântico príncipe, surge uma arriscada aventura e uma

prova de fogo com a rainha do mar Úrsula, uma bruxa

que promete transformar Ariel em humana em troca de

sua linda voz.

Dias 23 e 24/1, SÁBADO e DOMINGO, às 16h

O Mágico de Oz

Baseado no clássico do norte-americano Frank Baum, o

espetáculo conta a fantástica história de Dorothy, que tem

sua casa levada por um furacão até o incrível mundo de

Oz. Com seu inseparável cãozinho Totó, a garota segue

pelo caminho dos tijolos amarelos na tentativa de voltar

pra casa. Nesta trajetória fantástica, conhece novos e

bons amigos, como o Espantalho, que deseja ter um

cérebro, o Homem de Lata, que almeja um coração, e um

Leão que sonha em ser corajoso.

Dias 30 e 31/1, SÁBADO e DOMINGO, às 16h

A Bela e a Fera

Na história, o príncipe Adam recebe um feitiço: só terá

a sua beleza de volta quando alguém sentir por ele um

amor verdadeiro. Já sem esperanças, afinal não apenas

lhe tiraram a beleza como também o transformaram em

uma verdadeira Fera, eis que ele conhece uma linda

princesa, Bela.

Fotos: Divulgação

TEATRO DA LIVRARIA DA VILA

Mais informações e ingressos: www.ingressorapido.com.br

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PROGRAMAÇÃO | dezembro_2015*

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Navegar é Preciso 2016

Vem aí a 6ª edição: de 24 a 29 de Abril

Garanta sua cabine!

Rodrigo Lacerda Zeca Baleiro Clarice Niskier Mario Prata

Fernando Morais Noemi Jaffe Raphael Montes

idealização & realização:

Informações e reservas: tel.: 11 3086-1731

reservas@auroraeco.com.br

correalização & vendas:

33


Vila do Leitor

por Júlia Ciasca*

O palco de grama

Arte consegue fazer com que um lugar invisível

seja percebido por quem passa. Claro que tem

gente sem vontade, sem tempo. Marcha e nem

olha. Mas nós dois ficamos lá, de pé, olhando tudo

até o aplauso final. Paramos no meio do caminho

pra ver tanta gente reunida naquele gramado

normalmente abandonado. No meio do gramado

tinha uma moça metida em um collant de lantejoulas,

um coque negro preso à cabeça. Andava

sobre uma corda, presa

em duas peças compridas

de madeira. Um gaitista

acompanhava os passos

da moça. Havia também

uma caminhonete, cheia de

cones, fitas, caixas, tudo

colorido.

A moça era linda! Deslocando

o peso do corpo de

um pé para o outro, saltando

no ar e caindo sobre a

corda novamente. A plateia

sentia quando tudo se tornava

perigoso, exclamava

tensa e aplaudia em seguida, cortando a música.

A moça não parecia pensar no perigo, não se

atrapalhava com as palmas. Não transparecia

medo. Parecia improvisar, sorria e fazia tudo ficar

espontâneo e natural. A música da gaita envolvia

a moça, a saia curta pregada no collant rodava no

ar, o corpo brincava com a luz do sol, o ar passava

pelo seu pescoço úmido de suor. A moça parecia

não pensar em nada, só sentia o ar atravessando-

-lhe o corpo, tão leve, confundindo-se ela própria

com o ar. A saia era ar, a moça era ar, a gente

era ar, porque a gente nem parecia existir para a

A música da gaita

envolvia a moça, a saia

curta pregada no collant

rodava no ar, o corpo

brincava com a luz do

sol, o ar passava pelo seu

pescoço úmido de suor

moça. A única coisa que não era ar era a corda

que, firme, batia nos pés descalços e encardidos

da moça, sustentando o corpo, preparando outro

salto. E foi então que ela saltou e desceu. Pisou

na grama, agradeceu e, com um sorriso lindo e

natural estampado no rosto, curvou-se.

E então nós dois batemos palmas e toda a gente

bateu palma. Seus braços me envolviam, parecia

que eu tinha quatro mãos. Eu aplaudia o sorriso

da moça com dois pares de

mãos.

A moça entrou na caminhonete.

O gaitista também.

E partiram os dois pra algum

lugar no mundo, quiçá outro

gramado. E as pessoas também

foram embora. Algumas

sorrindo, outras olhando

o relógio, todas voltando

à marcha diária, ao caos

cotidiano. Não fosse por

nós dois, o gramado estaria

vazio. Depois do burburinho,

veio o silêncio.

E eu tinha dois braços de novo. Na verdade, eu

tinha apenas um braço e meio. Porque uma mão

era livre e a outra eu cedia ao abrigo da sua. Mãos

dadas num nó que atava o silêncio entre a gente.

Aquele era o mesmo gramado de antes?

Eu não sabia o que dizer. Você também não.

Porque tudo o que aconteceu aqui parece até

que nem aconteceu, podia não ter acontecido. Se

eu dissesse que foi a gente que mudou e que de

nada importa a grama você iria me achar piegas.

Aquele gramado na nossa frente era o mesmo

gramado de antes e era difícil acreditar nisso.

* Júlia Ciasca, 24 anos, é tradutora e faz mestrado em Teoria e História Literária na Unicamp, em Campinas. Ela diz que seus principais

temas de pesquisa são as utopias, as distopias e as viagens imaginárias. Leia outros textos de Júlia em http://j-preludio.blogspot.com.br/

A página Vila do Leitor é um espaço aberto para todos aqueles que gostam de escrever, ilustrar e fotografar. Os trabalhos devem ser enviados

para o e-mail: viladoleitor@livrariadavila.com.br

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NOSSAS DICAS

MAIS VENDIDOS |dezembro_2015

LI E GOSTEI

Kaio César

T.I.

VI E GOSTEI

Hellraiser – Renascido

do inferno

Clive Barker

Livro com um dos grandes

clássicos do terror, Hellraiser

– Renascido do inferno

conta a história que inspirou

o primeiro filme da série

homônima Hellraiser. A história se

ambienta principalmente na Configuração

de LeMarchand, uma caixa com um

segredo, que, ao ser descoberto, abre um

portal para outra dimensão onde habitam

os cenobitas, criaturas invocadas pelos

mortais porque prometem prazeres eternos

e fuga da trivialidade da “vida normal”, da

rotina que é ser humano. É interessante a

forma como a história mostra até onde o

homem pode ir em busca de experiências

novas, que o tire da monotonia de viver, a

qualquer custo. Clive Barker, autor do livro,

foi também roteirista e diretor do filme, e

pra quem viu o filme antes de ler o livro,

impressionam os detalhes incluídos na

história, além dos elementos não presentes

no filme que chocam e brincam com a

mente do leitor. Com certeza uma leitura

obrigatória para os fãs de um bom e velho

terror clássico.

Ed. Darkside

Jonas Ribeiro

Marketing & Comunicação Visual

Star Wars – A saga

completa

Um dos maiores fenômenos

da história do cinema

teve início em 1977 com o

lançamento do Star Wars

IV – Uma nova esperança,

dirigido por George Lucas.

Clássico da ficção científica, é ambientado

no espaço com naves, robôs, entre outros

elementos que alimentam a imaginação de

gerações desde então. A trilogia clássica

(episódios IV, V e VI) conta a saga de Luke

Skywalker e sua luta com os rebeldes contra

o impiedoso império galáctico de Darth

Vader. A origem deste vilão e a ascensão

do império são narrados nos episódios I, II

e III, lançados posteriormente. Com muitos

extras inéditos nesta edição de 2015, este

box é obrigatório para os cinéfilos amantes

da ficção científica.

Fox

CDs

1º 25

Adele (Sony Music)

2º Dois amigos, um século de música

– Ao vivo

Gilberto Gil e Caetano Veloso (Sony

Music)

3º Vidas pra contar

Djavan (Sony Music)

4º Sá & Guarabyra – Songbook

Sá & Guarabyra (Kuarup Discos)

5º Delírio

Roberta Sá (Som Livre)

Ficção

1º Mulheres de cinzas

Mia Couto (Companhia das Letras)

2º Clássicos do conto russo

(Editora 34)

3º A garota no trem

Paula Hawkins (Record)

4º Homens sem mulheres

Haruki Murakami (Alfaguara)

5º Hereges

Leonardo Padura (Boitempo)

Infantil

1º O coelhinho que queria dormir

Carl-Johan Forssén Ehrlin (Companhia

das Letrinhas)

2º O grande livro da Clara e do

Gabriel

Ilan Brenman (Brinque-Book)

3º Diário de um zumbi do Minecraft

1 – Um desafio assustador

Herobine Books (Sextante)

4º Star Wars – Academia Jedi

Jeffrey Brown (Aleph)

5º Darth Vader e filho

Jeffrey Brown (Aleph)

Importados | adulto

1º Perfume de sonho

Sebastião Salgado (Paisagem)

2º Say a little prayer

Giovanni Bianco (Taschen)

3º O livro dos símbolos

(Taschen)

4º Genesis

Sebastião Salgado (Taschen)

5º Alchemy & mysticism

Alexander Roob (Taschen)

DVDs

1º Divertida mente

(Disney Home)

2º Dois amigos, um século de

música – Ao vivo

(Sony Music)

3º O pequeno príncipe

(Paris filmes)

4º One

(EMIMusic)

5º Star Wars – A trilogia original

(Fox)

Não Ficção

1º Cozinha prática

Rita Lobo (Senac São Paulo)

2º Diários da presidência 1995-

1996

Fernando Henrique Cardoso

(Companhia das Letras)

3º Poder, estilo & ócio

Joyce Pascowitch (Intrínseca)

4º A noite do meu bem – A história

e as histórias do samba-canção

Ruy Castro (Companhia das Letras)

5º A mágica da arrumação

Marie Kondo (Sextante/GMT)

Juvenil

1º Diário de um Banana – Bons

tempos

Jeff Kiney (Vergara & Riba)

2º Dois mundos, um herói – Uma

aventura não oficial de Minecraft

(Suma de Letras)

3º Guinness world records 2016

(Agir)

4º A rainha vermelha

Victoria Aveyard (Seguinte)

5º Diário de uma garota nada

popular 8

Rachel Renée Russell (Verus)

Importados | infantojuvenil

1º Star Wars crochet

Lucy Collin (Thunder Bay Press)

2º Where's Wally – The magnificent

mini book box

Martin Handford (Walker Book)

3º Old Macdonald – A hand puppet

board book

Scholastic Books (Scholastic Books)

4º Star Wars origami

Christopher Alexander (Workman

Publishing)

5º Harry Potter – Golden snitch

sticker kit

(Running Press)

35


Volta às aulas

2016

na Livraria da Vila!

www.livrariadavila.com.br

36

* Exceto cartões AMEX (parcelamento em 6x).

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