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enunciação midiática: das gramáticas às 'zonas de ... - Unisinos

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Midiatização e Processos Sociais - Aspectos Metodológicos<br />

Estrutura do Evento<br />

Primeiro dia: 19/11/2008 Segundo dia: 20/11/2008 Terceiro dia: 21/11/2008<br />

Manhã: 8h30 <strong>às</strong> 12h30 Manhã: 8h30 <strong>às</strong> 12h30 Manhã: 8h30 <strong>às</strong> 12h30<br />

8h30 ABERTURA<br />

9h00 EL TERRITORIO COMO<br />

MEDIATIZADOR EM<br />

PROCESOS DE DESARROLLO<br />

LOCAL<br />

ENUNCIAÇÃO MIDIÁTICA: DAS<br />

GRAMÁTICAS ÀS ‘ZONAS DE<br />

PREGNÂNCIAS’<br />

Eduardo Rebollo Antônio Fausto Neto Stella Martini<br />

CRÓNICA ROJA: APORTES PARA EL<br />

ABORDAJE METODOLÓGICO EN LA<br />

PRENSA ARGENTINA<br />

Relator: Paulo Gasparetto Relatora: Ana Paula Rosa Relator: Paulo Gasparetto<br />

10h30 INTERVALO: 10H30 ÀS 11H INTERVALO: 10H30 ÀS 11H INTERVALO: 10H30 ÀS 11H<br />

11h MUNDOS DE LA VIDA<br />

MEDIATIZADOS<br />

ESTUDIOS DE INTERFAZ:<br />

HACIA UNA METODOLOGÍA<br />

COMO “SENSIBILIDAD” A “LA<br />

PAUTA QUE CONECTA”<br />

INVESTIGACIÓN EN MEDIOS -<br />

APUNTES SOBRE EL DISEÑO<br />

METODOLÓGICO<br />

Eduardo Vizer Sandra Val<strong>de</strong>ttaro Beatriz Quiñones<br />

Relatora: Carmen Silva Relator: Ricardo Fiegenbaum Relatora: Ana Paula Rosa<br />

1


Midiatização e Processos Sociais - Aspectos Metodológicos<br />

Estrutura do Evento<br />

Primeiro dia: 19/11/2008 Segundo dia: 20/11/2008 Terceiro dia: 21/11/2008<br />

Tar<strong>de</strong>: 14h <strong>às</strong> 18h Tar<strong>de</strong>: 14h <strong>às</strong> 18h Tar<strong>de</strong>: 14h <strong>às</strong> 18h<br />

14h O MÉTODO COMO MEDIADOR E<br />

O LUGAR DA MIDIATIZAÇÃO<br />

A METODOLOGIA COMO<br />

PROBLEMA PARA A PESQUISA DE<br />

MÍDIA E RELIGIÃO<br />

Jairo Ferreira Pedro Gilberto Gomes Neyla Pardo<br />

EL ANÁLISIS CRÍTICO DEL<br />

DISCURSO – PERSPECTIVAS<br />

METODOLÓGICAS PARA ABORDAR<br />

EL DISCURSO MULTIMODAL EN<br />

YOU TUBE<br />

Relatora: Eloísa Klein Relator: Ricardo Fiegenbaum Relatora: Carmen Silva<br />

15h30 INTERVALO: 15H30 ÀS 16H INTERVALO: 15H30 ÀS 16H INTERVALO: 15H30 ÀS 16H<br />

16h PESQUISANDO PERGUNTAS TRANSDISCIPLINA Y<br />

MULTIMETODOLOGÍA: CLAVES<br />

PARA EL ABORDAJE DE LA<br />

MEDIATIZACIÓN EN CULTURAS<br />

HIPERMEDIATIZADAS<br />

José Luiz Braga Lila Luchessi<br />

Relatora: Eloísa Klein Relatora: Eloísa Klein<br />

REUNIÃO DA REDE<br />

2


SUMÁRIO<br />

ENUNCIAÇÃO MIDIÁTICA: DAS GRAMÁTICAS ÀS ‘ZONAS DE PREGNÂNCIAS’.................. 4<br />

Antônio Fausto Neto ................................................................................................ 4<br />

INVESTIGACIÓN EN MEDIOS - APUNTES SOBRE EL DISEÑO METODOLÓGICO ............. 16<br />

Beatriz Quiñones Cely............................................................................................ 16<br />

MUNDOS DE LA VIDA MEDIATIZADOS........................................................................ 23<br />

Eduardo Andrés Vizer ............................................................................................ 23<br />

EL TERRITORIO COMO MEDIATIZADOR EN PROCESOS DE DESARROLLO LOCAL.......... 34<br />

Eduardo Rebollo..................................................................................................... 34<br />

O MÉTODO COMO MEDIADOR E O LUGAR DA MIDIATIZAÇÃO..................................... 43<br />

Jairo Ferreira.......................................................................................................... 43<br />

PESQUISANDO PERGUNTAS (um programa <strong>de</strong> ação no <strong>de</strong>sentranhamento do<br />

comunicacional)......................................................................................................... 52<br />

José Luiz Braga ...................................................................................................... 52<br />

TRANSDISCIPLINA Y MULTIMETODOLOGÍA: CLAVES PARA EL ABORDAJE DE LA<br />

MEDIATIZACIÓN EN CULTURAS HIPERMEDIATIZADAS................................................ 63<br />

Lila Luchessi ........................................................................................................... 63<br />

EL ANÁLISIS CRÍTICO DEL DISCURSO – PERSPECTIVAS METODOLÓGICAS PARA<br />

ABORDAR EL DISCURSO MULTIMODAL EN YOU TUBE................................................. 73<br />

Neyla Pardo ............................................................................................................ 73<br />

A METODOLOGIA COMO PROBLEMA PARA A PESQUISA DE MÍDIA E RELIGIÃO .......... 104<br />

Pedro Gilberto Gomes.......................................................................................... 104<br />

ESTUDIOS DE INTERFAZ: HACIA UNA METODOLOGÍA COMO “SENSIBILIDAD” A “LA<br />

PAUTA QUE CONECTA” ............................................................................................ 113<br />

Sandra Val<strong>de</strong>ttaro................................................................................................ 113<br />

CRÓNICA ROJA: APORTES PARA EL ABORDAJE METODOLÓGICO EN LA PRENSA<br />

ARGENTINA ............................................................................................................ 124<br />

Stella Martini........................................................................................................ 124<br />

3


ENUNCIAÇÃO MIDIÁTICA: DAS GRAMÁTICAS ÀS ‘ZONAS DE<br />

PREGNÂNCIAS’<br />

Antônio Fausto Neto ∗<br />

Permitimo-nos, formular algumas conjecturas sobre princípios e operações que envolvem<br />

questões relaciona<strong>das</strong> com o conceito <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> situado no funcionamento discursivo<br />

midiático.<br />

Tal formulação impõe a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> se visitar textos nos quais este conceito se<br />

constituiu num elemento central <strong>de</strong> um trabalho investigativo, ao longo <strong>de</strong> algumas déca<strong>das</strong>.<br />

Falar sobre ela implica evocar um modo <strong>de</strong> lidar com objetos complexos atravessados por<br />

problematizações que são situa<strong>das</strong> <strong>de</strong> modo distante <strong>de</strong> princípios consciencialistas e que segundo<br />

<strong>de</strong>termina<strong>das</strong> angulações estão presentes nas reflexões sobre o estatuto da linguagem e os<br />

processos <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> sentidos. Para tanto, elege-se a <strong>enunciação</strong> como uma ativida<strong>de</strong>,<br />

enquanto um trabalho que envolve processos e operações <strong>de</strong>senca<strong>de</strong>a<strong>das</strong> por sujeitos a partir da<br />

matéria significante, visando a sua inscrição e a constituição <strong>de</strong> lugares sobre os quais se estabelece<br />

o vinculo sócio-simbólico.<br />

Refletir sobre uma certa processualida<strong>de</strong> <strong>de</strong> investigação não significa fazer incursão<br />

teórica-analítica sobre o conceito <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong>. Propõe-se <strong>de</strong>stacar operações e formulações<br />

metodológicas no âmbito mesmo do processo investigativo midiático, segundo trajetória que<br />

envolve tempos e cenários diferentes. Reflete-se sobre o “atravessamento <strong>das</strong> fronteiras” que o<br />

conceito <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> faz para constituir e fazer funcionar práticas enunciativas <strong>midiática</strong>s.<br />

Segundo este entendimento, o conceito abandona fronteiras on<strong>de</strong> teria sido edificado, constituindo,<br />

através <strong>de</strong> contato e tensionamento, “zonas <strong>de</strong> pregnâncias” e presentificando-se noutros tipos <strong>de</strong><br />

práticas discursivas ― como as <strong>midiática</strong>s ― on<strong>de</strong> toma e dá forma noutros processos <strong>de</strong> produção<br />

<strong>de</strong> sentidos.<br />

∗ Graduado em Jornalismo pela Universida<strong>de</strong> Fe<strong>de</strong>ral <strong>de</strong> Juiz <strong>de</strong> Fora (1972), mestre em Comunicação pela<br />

Universida<strong>de</strong> <strong>de</strong> Brasília (1977), doutor em Sciences <strong>de</strong> La Comunication Et <strong>de</strong> L'information - École <strong>de</strong>s Hautes<br />

Étu<strong>de</strong>s en Sciences Sociales (1982) e estudos <strong>de</strong> pós-doutorado na UFRJ. Atualmente é consultor ad hoc da CAPES,<br />

do CNPq, da Fundação Carlos Chagas. Professor titular da Universida<strong>de</strong> do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS, exprofessor<br />

<strong>das</strong> universida<strong>de</strong>s UFRJ, UFPB, UnB e PUC Minas. Co-fundador da Associação Nacional <strong>de</strong> Programas <strong>de</strong><br />

Pós-Graduação em Comunicação - COMPÓS. Tem experiência na área <strong>de</strong> Comunicação, com ênfase em Teoria da<br />

Comunicação, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação, discursos, mídia e televisão. Autor dos<br />

livros Mortes em <strong>de</strong>rrapagem (1991), O impeachment da televisão (1995), Ensinando à TV Escola (2001),<br />

Desconstruindo os sentidos (2001), Lula Presi<strong>de</strong>nte - Televisão e política na campanha eleitoral (2003).<br />

4


Examinar tal processualida<strong>de</strong> significa trabalhar dois “eixos <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong>”. O primeiro,<br />

caracterizado pela <strong>enunciação</strong> transformando a matéria significante em um certo tipo <strong>de</strong> discurso<br />

social. O segundo, no qual uma modalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> (a metodológica) organiza<br />

procedimentos para examinar o funcionamento <strong>de</strong> uma outra na qual se <strong>de</strong>senvolve uma<br />

modalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> pratica enunciativa, a <strong>de</strong> caráter midiático. Duas dimensões <strong>de</strong> estratégias: na<br />

primeira a <strong>enunciação</strong> engendrando discursos, dando-lhes existência. Na segunda, o discurso ao ser<br />

convertido numa espécie <strong>de</strong> ‘discurso paciente’, é transformado em objeto <strong>de</strong> análise <strong>de</strong> um outro<br />

trabalho enunciativo, que é o <strong>de</strong> caráter metodológico. Separados por temporalida<strong>de</strong>s e práticas<br />

distintas, ambos têm na ativida<strong>de</strong> enunciativa uma espécie <strong>de</strong> elo <strong>de</strong> contato que é o trabalho <strong>de</strong><br />

constituir as discursivida<strong>de</strong>s bem como produzir e analisar efeitos sobre suas manifestações. Se um<br />

faz funcionar discursos, segundo complexas operações, o outro chama atenção para modos <strong>de</strong><br />

engendramentos <strong>de</strong> estratégias muito peculiares e que tratam <strong>de</strong> constituir contatos entre<br />

produtores e receptores no âmbito <strong>de</strong> uma or<strong>de</strong>m interdiscursiva. Trata-se <strong>de</strong> um ‘jogo’ que chama<br />

atenção para as transformações suscita<strong>das</strong> por estas práticas enunciativas e <strong>das</strong> quais resultam,<br />

inclusive, novos objetos. Pensar elementos <strong>de</strong>sta processualida<strong>de</strong> implica um ato <strong>de</strong> enunciar, ou<br />

seja, explicitá-la por meios <strong>de</strong> uma certa escrita que diz respeito ao trabalho do observador.<br />

Nestas condições, o ato <strong>de</strong> trabalhar do analista ― os processos e os produtos ― se refere a um<br />

certo processo <strong>de</strong> produção sobre o funcionamento da <strong>enunciação</strong> no âmbito <strong>das</strong> estratégias<br />

discursivas estratégias <strong>midiática</strong>s.<br />

Situaremos, em primeiro lugar a hipótese <strong>de</strong> trabalho para orientar as formulações que<br />

seguem. A interrupção do contato entre atores sociais provocada pela interposição da técnica<br />

(Luhmann, 2005), gera, <strong>de</strong>ntre outras coisas, várias possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> interação, segundo práticas<br />

enunciativas que, <strong>de</strong> modo crescente, se engendram e tomam forma no âmbito midiático<br />

propriamente dito. Tal interposição complexifica o ato enunciativo uma vez que o mesmo se<br />

<strong>de</strong>sloca <strong>de</strong> âmbitos estáveis, para, ao serem permeados por novos elementos (socios-técnicos-<br />

discursivos), passando a funcionar em ambientes complexos, e segundo regras e operações<br />

atravessa<strong>das</strong> por múltiplas estratégias, envolvendo instituições e atores distintos. Tal hipótese reúne<br />

pelo menos, duas observações metodológicas. A primeira suscitada por Benveniste ao falar sobre<br />

as condições sobre e constituição e funcionamento da <strong>enunciação</strong>. Quando nos diz que a<br />

<strong>enunciação</strong> envolve “sucessivamente [do sujeito] em transformar a língua em discurso, as situações<br />

on<strong>de</strong> ela se realiza, os instrumentos <strong>de</strong> sua realização” (Benveniste, 1974:81). Destaca-se o que<br />

indica a <strong>enunciação</strong> subordinada <strong>às</strong> situações, em torno <strong>das</strong> quais se estrutura. Não se trata <strong>de</strong> um<br />

ato isolado do sujeito, mas permeado pela relação que tem como ‘condições para sua produção’. O<br />

5


segundo elemento <strong>de</strong>riva <strong>de</strong>sta observação e que diz respeito sobre as transformações que a<br />

<strong>enunciação</strong> sofre nos contextos da ‘socieda<strong>de</strong> dos meios’ e ‘da socieda<strong>de</strong> midiatizada’,<br />

propriamente ditas. Em ambas, temos “a incorporação progressiva <strong>de</strong> novos registros significantes<br />

(...) ensejando que a questão da discursivida<strong>de</strong> na socieda<strong>de</strong> submete-se à uma complexida<strong>de</strong><br />

crescente” (Verón, 2004:85). Estrutura-se um novo modo <strong>de</strong> organização social que se transforma,<br />

e cujo funcionamento ocorre tendo como referência a força da existência dos meios, fazendo com<br />

que suas práticas significantes afetem to<strong>das</strong> as suas práticas sociais, ainda que <strong>de</strong> modos distintos.<br />

O modo que este texto preten<strong>de</strong> ver as relações entre a <strong>enunciação</strong> e a metodologia passa<br />

pela processualida<strong>de</strong> nas quais diferentes modos <strong>de</strong> enunciar <strong>das</strong> mídias caracterizam seu trabalho<br />

discursivo, ao longo <strong>de</strong>, pelo menos quatro déca<strong>das</strong>. É o momento em que o conceito <strong>de</strong><br />

<strong>enunciação</strong> é retirado do ‘casulo da Lingüística’ e passa também a tensionar os primeiros estudos<br />

cujos objetos são as manifestações <strong>midiática</strong>s, em seu caráter discursivo.<br />

Situamos três registros nos quais se <strong>de</strong>stacam aspectos metodológicos sobre os estudos <strong>de</strong><br />

práticas enunciativas <strong>de</strong> caráter midiático: a) o papel <strong>das</strong> ‘<strong>gramáticas</strong>’ como categoria explicativa<br />

para a <strong>de</strong>scrição <strong>de</strong> operações <strong>de</strong> sentido; b) o <strong>de</strong>slocamento da ênfase sobre as ‘<strong>gramáticas</strong>’ para as<br />

operações <strong>de</strong> co-<strong>enunciação</strong>, enquanto ‘feixes <strong>de</strong> relações’; e c) a complexificação da <strong>enunciação</strong><br />

mediante a emergência <strong>de</strong> estratégias processualida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> apropriação e <strong>de</strong> afetação <strong>de</strong> discursos.<br />

O primeiro, prioriza aspectos metodológicos com os quais se examinou o status da<br />

<strong>enunciação</strong> <strong>midiática</strong> voltada para a produção da referência, enquanto operação voltada para<br />

‘construção da realida<strong>de</strong>’. O segundo, examina operações <strong>de</strong> co-<strong>enunciação</strong> pelas quais regras e<br />

operações <strong>midiática</strong>s são ‘condições <strong>de</strong> produção’ para outros discursos, trazendo-se à baila a<br />

problemática da co-referência enunciativa; e o terceiro, <strong>de</strong>staca procedimentos que <strong>de</strong>screvem as<br />

operações enunciativas <strong>de</strong> caráter auto-referencial, pelas quais a ativida<strong>de</strong> discursiva <strong>midiática</strong><br />

chama atenção para suas próprias operações volta<strong>das</strong> para seu lugar, enquanto dispositivo que se<br />

<strong>de</strong>staca como a própria ‘realida<strong>de</strong> da construção’. Tais dimensões são leva<strong>das</strong> em conta em uma<br />

trajetória <strong>de</strong> pesquisa sobre o funcionamento da <strong>enunciação</strong> nos âmbitos dos discursos midiáticos,<br />

<strong>de</strong> caráter jornalístico.<br />

1. Produzindo a referência: primeiras conjecturas<br />

Parte-se da conjectura <strong>de</strong> que o acontecimento resulta sempre <strong>de</strong> um trabalho <strong>de</strong> natureza<br />

discursiva, que se faz no interior da matéria significante. Esta hipótese orienta as escolhas<br />

observacionais do analista ao pressupor que a conversão dos fatos em notícias ou “acontecimentos<br />

jornalísticos”, resulta sempre <strong>de</strong> um complexo trabalho <strong>de</strong> narrativas e <strong>de</strong> processos discursivos<br />

6


ealizados no âmbito da matéria significante, levando-se em conta um certo conjunto <strong>de</strong> regras <strong>de</strong><br />

processos produtivos. Por outras palavras: não há acontecimento sem <strong>enunciação</strong>, o que permite<br />

dizer também que a <strong>enunciação</strong> é a condição para existência do acontecimento.<br />

Lembramos primeiras aproximações do conceito <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> com as construções<br />

discursivas jornalísticas (Fausto Neto, 1998), em torno <strong>de</strong> alguns objetos que ensejam ver tal<br />

produção jornalística fora dos ‘cânones’ <strong>das</strong> teorias consciencialistas. Esta exame recebe<br />

contributos sobre a problemática da produção dos sentidos que não estão situados nas fronteiras<br />

<strong>das</strong> disciplinas e teorias que alicerçam o modo <strong>de</strong> enunciar dos discursos jornalísticos. A partir <strong>de</strong><br />

um corpus da cobertura jornalística sobre a doença e morte do presi<strong>de</strong>nte Tancredo Neves,<br />

<strong>de</strong>screve-se as ‘leis’ da <strong>enunciação</strong> engendrando o acontecimento, mostrando que o acontecimento<br />

e técnicas narrativas caminham <strong>de</strong> mãos da<strong>das</strong>” (Fausto Neto, 1988: 13). Somente foi possível<br />

instituir esta doença e morte, ao longo <strong>de</strong> quarenta dias, mediante as operações enunciativas<br />

<strong>de</strong>senvolvi<strong>das</strong> na cobertura <strong>midiática</strong>, cuja ênfase esteve centrada na noção <strong>de</strong> testemunhalida<strong>de</strong>.<br />

Ao invés <strong>de</strong> operações enunciativas que não apagam as marcas da existência do dispositivo<br />

enunciador, viu-se ali evi<strong>de</strong>nciar a existência <strong>de</strong> um dispositivo <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> que chamava<br />

atenção para a problemática da existência e presença discursiva do ‘sujeito falante’. Este manejaria<br />

a matéria significante a serviço da intencionalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma estratégia. As operações <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong><br />

produzem um caráter referencial ao <strong>de</strong>stacar o efeito <strong>de</strong> testemunhalida<strong>de</strong> que ela promove, ao<br />

mesmo tempo. Ou seja, a <strong>enunciação</strong> diz que “nós estivemos lá, no centro do acontecimento, como<br />

personagens que vivenciaram as cenas, <strong>de</strong> on<strong>de</strong> lhe falamos provando que lá estivemos e pedindo<br />

a sua atenção para o que enunciamos”. Assim, ao se recuperar <strong>de</strong>termina<strong>das</strong> operações, visa-se<br />

indicar como tal estratégia põe em movimento certas regras da ‘gramática’ a serviço <strong>de</strong> um certo<br />

mo<strong>de</strong>lo, para quem a noção <strong>de</strong> verda<strong>de</strong> estaria associada à sua capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> mostrá-la, pelos<br />

efeitos <strong>de</strong> linguagens. Tal processo <strong>de</strong> leitura ao <strong>de</strong>screver operações <strong>de</strong> sentido realiza<strong>das</strong> pelo<br />

âmbito da produção jornalística, permitiria a reconstituição <strong>das</strong> ‘leis’ e ‘fundamentos’ <strong>de</strong>ste modo<br />

<strong>de</strong> dizer, mostrando também o modo como o acontecimento toma existência (Verón, 1978).<br />

2. Feixes <strong>de</strong> sentidos: segun<strong>das</strong> conjecturas<br />

Se as <strong>gramáticas</strong> permitiam que se explicitassem as marcas e presença do próprio<br />

dispositivo <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong>, temos que a <strong>enunciação</strong> <strong>midiática</strong> apresenta uma segunda característica<br />

que, grosso modo, consiste em <strong>de</strong>stacar o seu po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> “fazer falar” outros campos sociais.<br />

Também <strong>de</strong> estruturar processos dialógicos entre mídias, ensejando a existência, no seu próprio<br />

7


âmbito, <strong>de</strong> um conjunto <strong>de</strong> falas a apontar a questão da produção do sentido situada em “feixes <strong>de</strong><br />

relações”.<br />

Pesquisas mostram a <strong>enunciação</strong> <strong>midiática</strong> instituindo um certo lugar sobre o qual<br />

repousaria a própria centralida<strong>de</strong> <strong>de</strong>ste dispositivo <strong>de</strong> produção do sentido. Através <strong>de</strong><br />

acoplamentos com enunciações <strong>de</strong> outros campos, sustenta suas existência, ao organizá-las e<br />

enunciá-las a partir <strong>de</strong> suas próprias ‘leis’. Isso se dá quando a tematização <strong>de</strong> problemáticas <strong>de</strong><br />

outras campos são submeti<strong>das</strong> aos regimes <strong>de</strong> semantização que funcionam, como possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

co-referí-las. A problemática <strong>das</strong> fronteiras enunciativas entre as estratégias discursivas distintas<br />

parece se refazer com uma possível dissolução entre elas. Dão lugar à formação <strong>de</strong> ‘zonas <strong>de</strong><br />

pregnâncias’, resultantes <strong>de</strong> contatos entre regime enunciativos. Nasce um novo território, cuja<br />

transformação e funcionamento <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>m, contudo, da força da especificida<strong>de</strong> da <strong>enunciação</strong><br />

<strong>midiática</strong>. Em última análise, é ela quem tem, neste modo <strong>de</strong> dizer, o po<strong>de</strong>r <strong>de</strong> selecionar e<br />

organizar temáticas, e dar as mesmas inteligibilida<strong>de</strong>s e sobre as quais a socieda<strong>de</strong> <strong>de</strong>ve<br />

acompanhar seus modos <strong>de</strong> propor compreensão. Também a capacida<strong>de</strong> <strong>de</strong> organizar discussões no<br />

âmbito do próprio espaço enunciativo midiático. Faz falar atores <strong>de</strong> diferentes campos, segundo<br />

problemáticas eleitas pelo campo midiático, e segundo ainda, os ditames e as regras dos seus<br />

contratos <strong>de</strong> leitura. Um outro tipo <strong>de</strong> acoplamento, também já <strong>de</strong> natureza auto-referencial, é<br />

aquele no qual operações enunciativas <strong>midiática</strong>s produzem entre si envios discursivos, segundo<br />

por <strong>de</strong>termina<strong>das</strong> estratégias e que assim formalizariam a <strong>enunciação</strong> <strong>de</strong> co-referência. Trata-se <strong>de</strong><br />

‘envios interdiscursivos’ entre mídias, apontando para o funcionamento <strong>de</strong> um certo tipo <strong>de</strong><br />

conversação que as mídias <strong>de</strong>senvolvem entre si. Elegendo objetos comuns <strong>às</strong> suas coberturas.<br />

Por exemplo, sobre as novelas, on<strong>de</strong> revistas chamam atenção para a emissão <strong>de</strong> programas<br />

televisivos, como que preparando o ‘olhar da recepção’ ou orientando-o para o funcionamento <strong>de</strong><br />

estratégias <strong>de</strong> ficcionalização, no âmbito televisivo. Debatem, entre si e segundo gêneros<br />

diferentes, a morte dos ‘olimpianos’ (Cazuza, Corona) resenhando as suas causas segundo mo<strong>de</strong>los<br />

inerentes aos seus contratos. É sob a chancela <strong>de</strong> operações <strong>midiática</strong>s que temas como o da AIDS,<br />

se explicitam em termos <strong>de</strong> construção discursiva. É através <strong>de</strong>sta modalida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> que<br />

os <strong>de</strong>mais campos sociais conseguem co-enunciar sobre tal problemática. Porém, o fazem pela<br />

submissão dos seus sentidos aos parâmetros e <strong>de</strong>finições estabelecidos por um modo <strong>de</strong> dizer que<br />

os prece<strong>de</strong>, no caso o mo<strong>de</strong>lo enunciativo midiático. Ou seja, “nós sustentamos a possibilida<strong>de</strong> que<br />

você diga também, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> aceite as condições pelas quais você po<strong>de</strong> dizer”. Assim, problemáticas<br />

complexas, como a da AIDS, como também a longa cobertura do impeachment do presi<strong>de</strong>nte<br />

Collor, têm suas possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> inteligibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>fini<strong>das</strong> por operações especificas <strong>de</strong> políticas<br />

8


discursivas editoriais, uma vez que os acontecimentos estão, em última análise, submetidos à<br />

regras priva<strong>das</strong> <strong>de</strong> cada dispositivo <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> midiático” (Fausto Neto, 1991-1999).<br />

Um outro tipo <strong>de</strong> acoplamento e que aponta para a <strong>enunciação</strong> em situação <strong>de</strong> co-referência,<br />

apresenta-se <strong>de</strong> modo mais complexo. Trata-se daquele em que práticas sociais <strong>de</strong> outros campos<br />

recorrem <strong>às</strong> lógicas e operações <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> sentido (extração, classificação, hierarquização,<br />

tematização e semantização <strong>midiática</strong>s), como possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> engendrar seu funcionamento<br />

enunciativo. Nas análises sobre a cobertura <strong>das</strong> eleições presi<strong>de</strong>nciais <strong>de</strong> 1989 e 1994, e<br />

principalmente 2002 e 2006, mostra-se que a problemática da co-<strong>enunciação</strong> já se faz presente e<br />

uma <strong>das</strong> causas do seu aparecimento é a complexificação <strong>das</strong> re<strong>de</strong>s discursivas pelas manifestações<br />

<strong>de</strong> interdiscursivida<strong>de</strong>s e que vão se tornar dominante nos tempos da ‘socieda<strong>de</strong> da midiatização’.<br />

As <strong>gramáticas</strong> <strong>de</strong> produção <strong>de</strong>ixam <strong>de</strong> ser a zona central do trabalho <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> sentido.<br />

Embora <strong>de</strong>screva que a ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> do referente ainda singulariza-se no âmbito do<br />

dispositivo midiático, e pela força <strong>de</strong> suas regras próprias, ele está atravessado pelas marcas e co-<br />

operações <strong>de</strong> outras enunciações. Indica-se assim, a complexificação da ativida<strong>de</strong> enunciativa, na<br />

medida em que ela passa a se constituir e a funcionar no âmbito <strong>de</strong> uma re<strong>de</strong> interdiscursiva, e não<br />

apenas por força do trabalho exclusivo <strong>de</strong> um ‘sujeito falante’.<br />

O intenso funcionamento <strong>das</strong> transformações <strong>de</strong> tecnologias em meios, em situação <strong>de</strong><br />

produção e recepção <strong>de</strong> mensagens, gera<strong>das</strong> cada vez mais por instâncias mais complexas,<br />

reformula as condições <strong>de</strong> produção enunciativa. Gera-se novas possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> comunicação e<br />

lida-se também com as implicações que esta nova complexida<strong>de</strong> sócio-técnica-discursiva tem<br />

sobre as práticas discursivas. Uma <strong>das</strong> conseqüências <strong>de</strong>sta complexificação é o fato <strong>de</strong> que a vida<br />

da socieda<strong>de</strong>, em suas diferentes dimensões, se transforma não só pela existência dos meios, mas<br />

também porque os regimes e suas práticas significantes afetam, praticamente, to<strong>das</strong> as práticas<br />

sociais ainda que <strong>de</strong> modo e, segundo efeitos distintos. Isso “leva-nos, provavelmente, a<br />

funcionamentos significantes mais complexos” (Verón, 2004: 85). Não só novas relações emergem<br />

<strong>de</strong>stes processos, mas as formas <strong>de</strong> vincular as instituições entre si; entre estas e os indivíduo; e<br />

entre os próprios, passam por re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> complexas operações enunciativas <strong>midiática</strong>s, que<br />

atravessam suas práticas discursivas. Práticas sociais, como a da política, levam em conta <strong>de</strong> modo<br />

intenso a existência dos processos <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> sentido <strong>de</strong> caráter midiático. Em to<strong>das</strong> as<br />

campanhas, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a primeira, pós ditadura, principalmente aquele na qual Lula se elege pela<br />

primeira vez, observa-se a manifestação <strong>de</strong> intensos processos <strong>de</strong> investimentos <strong>de</strong> sentido que<br />

tomam operações <strong>midiática</strong>s como condição <strong>de</strong> produção. Observa-se a presença <strong>de</strong> outras lógicas<br />

que transcen<strong>de</strong>m aos imperativos partidários. A campanha trata <strong>de</strong> apagar a diferenciação entre<br />

9


espaços políticos e midiáticos, o que aponta para a dimensão <strong>de</strong> interiorida<strong>de</strong> da classe política, no<br />

que diz respeito ao campo da comunicação (Fausto Neto & Verón, 2003). Outros campos, a<br />

exemplo da política, dão existência <strong>às</strong> suas práticas segundo os contornos da <strong>enunciação</strong> <strong>midiática</strong>,<br />

como é o caso do campo religioso. São operações que fazer emergir um novo modo <strong>de</strong> ‘fazer<br />

religião’ e que, por processos diversos <strong>de</strong> acoplamentos discursivos, reformulam <strong>de</strong> modo<br />

complexo a questão da crença, enquanto fenômeno cultural, teológico e discursivo. Práticas<br />

criminais como policiais apropriam-se largamente <strong>de</strong> práticas, tecnologias e linguagens <strong>midiática</strong>s<br />

para garantir o acesso <strong>de</strong> suas versões na esfera pública, transformando o acesso do seu<br />

acontecimento a esfera pública, <strong>de</strong> uma problemática política para aquela <strong>de</strong> natureza estratégica e<br />

discursiva (Fausto Neto, 2006 e 2007).<br />

3. Auto-referencialida<strong>de</strong>s: terceiras conjecturas (escrever para não apagar-se?)<br />

A intensa interposição <strong>de</strong> fenômenos técnicos sobre as interações sociais radicaliza<br />

<strong>de</strong>fasagens entre produtores e receptores <strong>de</strong> mensagens, impossibilitando que se reduza a or<strong>de</strong>m do<br />

sentido à intenção <strong>de</strong> um <strong>de</strong>terminado dizer, e complexificando a prática enunciativa <strong>midiática</strong>.<br />

Estas <strong>de</strong>fasagens, transformam em um momento a mídia por sua capacida<strong>de</strong> enunciativa, em<br />

espécie <strong>de</strong> ‘sujeito falante’. Para tanto, <strong>de</strong>ve exercer uma espécie <strong>de</strong> ativida<strong>de</strong> <strong>de</strong> interação<br />

complementar, ao “fechar estes buracos <strong>de</strong> sentidos”, <strong>de</strong> algo, porém, inevitável, pelo uso <strong>de</strong> certas<br />

regras, estratégias e protocolos <strong>das</strong> interações. Entretanto, o processo crescente <strong>de</strong> midiatização<br />

passa a apontar <strong>de</strong> modo claro para o <strong>de</strong>sajuste que caracteriza, hoje, produtores e receptores em<br />

processos <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> sentidos e, ao mesmo tempo, para emergência <strong>de</strong> outros protocolos<br />

enunciativos que visariam sanar tal <strong>de</strong>sajuste.<br />

A intensificação <strong>de</strong>stes <strong>de</strong>sajustes entre produtores e receptores <strong>de</strong> mensagens, produzida<br />

pela interrupação do contato e pela crescente complexificação <strong>das</strong> práticas digitais, complexifica<br />

também as práticas enunciativas <strong>midiática</strong>s, colocando-as sobre outras condições no centro <strong>de</strong><br />

problemáticas, como <strong>de</strong>ntre outras, a da investigação. As transformações dos mercados discursivos<br />

reúnem, sob outras formas produtores e receptores midiáticos. Os primeiros constatam a dissolução<br />

<strong>de</strong> operações <strong>de</strong> processos produtivos, enfraqueci<strong>das</strong> pelo fato <strong>de</strong> um maior numero <strong>de</strong> pessoas ver<br />

e/ou consumir cada vez menos as mesmas mensagens, ao mesmo tempo. Os segundo são, por força<br />

dos ventos digitais, alçados à situação <strong>de</strong> sujeitos produtores do seu próprio consumo, submetendo-<br />

se cada vez menos ao “diktat” <strong>de</strong> estruturas <strong>de</strong> produção <strong>de</strong> mensagens. Tais questões fazem<br />

emergir novas interações, novos tipos <strong>de</strong> acoplamentos que põem em contato, mas transformam<br />

também o status <strong>de</strong> produtores e <strong>de</strong> receptores. Estruturam-se em torno <strong>de</strong> novas lógicas e<br />

10


operações enunciativas sobre as quais funcionam “zonas <strong>de</strong> pregnâncias” on<strong>de</strong> a problemática da<br />

regulação dos sentidos é, porém incerta e problemática. As mídias emprestam seus ‘saberes’ para a<br />

organização <strong>das</strong> novas interdiscursivida<strong>de</strong>s, e através <strong>de</strong> processos <strong>de</strong> acoplamentos, convertem<br />

receptores em co-produtores <strong>de</strong> sua <strong>enunciação</strong>. Mas a origem <strong>de</strong>sta ‘zona <strong>de</strong> pregnâncias’ não tira<br />

<strong>de</strong>la ― da <strong>enunciação</strong> <strong>midiática</strong> ― as condições <strong>de</strong> <strong>de</strong>finição do acesso e através <strong>das</strong> quais a<br />

recepção jogará o jogo <strong>de</strong> sua inserção no processo produtivo propriamente dito. O que se percebe<br />

na plataforma circulatória são processos <strong>de</strong> negociação sobre os quais repousam (ainda) as lógicas<br />

dos ‘contratos <strong>de</strong> leitura’ os quais, ainda que tensionados por estas novas lógicas relacionais, são<br />

construídos pelo nicho produtivo. Por outro lado, a fragmentação e dispersão dos receptores,<br />

migrando para novos meios, produz a emergência <strong>de</strong> um outro tipo <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> jornalística e que<br />

está calcada em operações <strong>de</strong> auto-referencialida<strong>de</strong>. Uma vez que estando todos ― produtores e<br />

receptores ― na ambiência da midiatização, inseridos e afetados uns pelos outros, a prática<br />

enunciativa chama atenção para o seu lugar <strong>de</strong> produção, para sua existência, para o trabalho <strong>de</strong><br />

suas próprias operações e que se voltam para construção <strong>de</strong> uma realida<strong>de</strong> para a qual goza, sem<br />

dúvida, <strong>de</strong> autonomia. Desloca-se o dispositivo <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> <strong>de</strong> suas operações referenciais e co-<br />

referenciais, para escrever a realida<strong>de</strong> da construção (Luhman, 2005). Ou seja, “como eu faço para<br />

lhe ofertar os sentidos que você tem diante <strong>de</strong> si?” Estas novas problematizações são examina<strong>das</strong><br />

em pesquisas nas quais chamamos atenção para o que seria uma espécie <strong>de</strong> ‘escritura da<br />

<strong>enunciação</strong>’. Ou seja, este novo mo<strong>de</strong>lo que aponta para dois sintomas: <strong>de</strong> um lado, aquele que<br />

indica um novo tipo <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong> <strong>de</strong> completu<strong>de</strong>, pela qual nada sobraria do real <strong>às</strong> manobras do<br />

seu trabalho enunciativo da mídia (Fausto Neto, 2006 e 2007). Por outro lado, o fato da mídia<br />

escrever em tempo real sobre o seu próprio modo <strong>de</strong> fazer as operações sobre as quais engendra<br />

sentidos, até que ponto isso não estaria apontando suas inquietu<strong>de</strong>s relaciona<strong>das</strong> com o possível<br />

<strong>de</strong>saparecimento <strong>de</strong> uma <strong>de</strong>terminada prática social (o jornalismo), enquanto ator que pleitea para<br />

si a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> construir o acontecimento? (Fausto Neto, 2008). Sem dúvida, trata-se <strong>de</strong> uma<br />

manifestação permeada pela autonomia <strong>de</strong> um campo em po<strong>de</strong>r falar sobre si próprio, mas que traz<br />

consigo ― com esta nova prática enunciativa ― os “fantasmas” que representam as possibilida<strong>de</strong>s<br />

<strong>de</strong> sua dissolução. Ou por outra, ao chamar atenção para suas operações, não <strong>de</strong>ixar que os<br />

receptores flutuem noutras plagas <strong>de</strong> sentidos...<br />

Notas em conclusão<br />

A repercussão <strong>de</strong>stas questões sobre a problemática metodológica é o fato <strong>de</strong> que “a<br />

unida<strong>de</strong> mínima da análise não po<strong>de</strong> ser outra se não aquela da interdiscursivida<strong>de</strong>, ou seja aquela<br />

11


da re<strong>de</strong>” (Verón, 1996: 182), pois os fenômenos <strong>de</strong> discursivida<strong>de</strong>s apresentam-se envoltos em<br />

realida<strong>de</strong> muito complexa tranversal, e, por natureza, in<strong>de</strong>terminada. Descrever operações <strong>de</strong><br />

sentidos se faz, nestas condições, em meio <strong>às</strong> complexida<strong>de</strong>s e não a partir <strong>de</strong> pressupostos<br />

<strong>de</strong>terminísticos, conforme preveriam mo<strong>de</strong>los pragmáticos <strong>de</strong> estudos voltados para a questão do<br />

enunciado.<br />

Desloca-se o foco <strong>das</strong> “fronteiras” para as “zonas <strong>de</strong> pregnâncias”, pois a midiatização<br />

converte práticas <strong>midiática</strong>s em si, em macro-processos <strong>de</strong> funcionamentos discursivos, operando<br />

em transversalida<strong>de</strong>s e complexas operações significantes.<br />

Novos objetos aparecem, assim, na forma <strong>de</strong> macro-funcionamentos discursivos, chamando<br />

atenção para várias injunções enunciativas <strong>midiática</strong>s, especialmente sobre suas práticas afetando,<br />

mas sendo também afeta<strong>das</strong> por outras enunciações. Privilegia-se processualida<strong>de</strong>s, estratégias nas<br />

quais complexas operações <strong>de</strong> co-<strong>enunciação</strong> se mesclam ou ainda: práticas <strong>de</strong> campos sociais<br />

distintos <strong>às</strong> mídias, levam em consi<strong>de</strong>ração na montagem <strong>de</strong> suas estratégias àquelas <strong>de</strong> natureza.<br />

Possivelmente, a midiatização instaura uma nova ‘or<strong>de</strong>m dos discursos’. Os processos<br />

enunciativos que se produzem na sua ambiência já não contemplam a existência <strong>de</strong> sujeitos,<br />

enquanto supostos ‘lugares vazios’. Nem suas estratégias enunciativas permanecem em ‘zonas <strong>de</strong><br />

apagamento’. Os receptores também não são entida<strong>de</strong>s abstratas ou apenas qualificados por estudos<br />

<strong>de</strong> ‘sondagem <strong>de</strong> opinião’. São atores que estão na re<strong>de</strong> interdiscursiva, na forma <strong>de</strong> práticas , <strong>de</strong><br />

estratégias, em suma <strong>de</strong> construções enunciativas. As estratégias <strong>de</strong>stes lugares ― produção e<br />

recepção ― se processam via relações, segundo operações <strong>de</strong> complexos dispositivos. Não se trata<br />

apenas <strong>de</strong> novos processos <strong>de</strong> articulação que serviriam apenas para vincular produtores e<br />

receptores, mas para realizar um certo tipo <strong>de</strong> trabalho discursivo estruturado por diferenças,<br />

intervalos e <strong>de</strong>fasagens. Estas se relacionam <strong>às</strong> lógicas que marcam as várias condições <strong>de</strong><br />

produção discursiva nas diferentes instâncias, gerando efeitos <strong>de</strong> sentidos, consi<strong>de</strong>rando os<br />

intervalos entre produtores e receptores, especialmente dos fundamentos sobre as quais se assentam<br />

suas operações enunciativas (Fausto Neto, 2008). Para tanto, o conceito <strong>de</strong> ‘zona <strong>de</strong> pregnância’<br />

não <strong>de</strong>ve ser visto como uma região <strong>de</strong> ajuste entre produtores e receptores, mas segundo outra<br />

perspectiva na qual os discursos se afetam e são transformados pelas relações que travam resultante<br />

<strong>das</strong> operações dos dispositivos <strong>de</strong> <strong>enunciação</strong>. Por outras palavras: “a produção <strong>de</strong> uma<br />

<strong>enunciação</strong> sempre é o reconhecimento <strong>de</strong> outra, e todo reconhecimento se materializa na<br />

produção <strong>de</strong> uma <strong>enunciação</strong>” (Verón, 1996: 193)<br />

Estes fenômenos <strong>de</strong>scritos <strong>de</strong> modo resumido, con<strong>de</strong>nsam atos <strong>de</strong> observação sobre a<br />

evolução do modo midiático <strong>de</strong> enunciar realida<strong>de</strong>s. Propõem, metodologicamente, que a<br />

12


<strong>enunciação</strong> é um tema e uma questão que não po<strong>de</strong> permanecer concebida como algo a lembrar o<br />

funcionamento da linguagem paralisado em fronteiras. Este conceito <strong>de</strong>ve ser complexificado na<br />

medida em que sua própria ativida<strong>de</strong>, enquanto ato <strong>de</strong> construir vínculos sócio-simbólicos sofre<br />

injunções dos efeitos <strong>das</strong> transformações dos <strong>de</strong> processos sócio-técnico-discursivos sobre a<br />

organização da matéria significante. Enfatiza-se <strong>de</strong>sta maneira, a problemática com que a<br />

metodologia se <strong>de</strong>para, se levarmos em conta que não a enten<strong>de</strong>mos como fundamentos e<br />

procedimentos que operam sem ser atravessada pelos tensionamentos que emanariam dos objetos,<br />

especialmente aqueles dotados <strong>de</strong> complexida<strong>de</strong>s como os processos e produtos midiáticos.<br />

Lembremos que, nestas condições, a <strong>enunciação</strong> é uma categoria teórica e analítica que não<br />

seria cativa <strong>de</strong> uma formulação interna <strong>às</strong> fronteiras da Lingüística. Trata-se <strong>de</strong> uma problemática<br />

que transcen<strong>de</strong> disciplinas, se levarmos em conta a condição social do ato enunciativo e o fato <strong>de</strong><br />

que este se encontra, inevitavelmente, atravessado por condições <strong>de</strong> produção e <strong>de</strong> manifestações<br />

<strong>de</strong> natureza societárias. É em função <strong>de</strong>stes parâmetros, que Antoine Culioli faz uma formulação<br />

metodológica voltada para estudos sobre fenômenos discursivos complexos, como os que<br />

envolvem os <strong>de</strong> natureza <strong>midiática</strong>, e sua presença em outras manifestações discursivas. Para ele,<br />

tais fenômenos <strong>de</strong> produção e <strong>de</strong> operações enunciativas <strong>de</strong>slocam-se <strong>das</strong> fronteiras para ‘zonas <strong>de</strong><br />

pregnância’, ou seja, aponta para a problemática da co-<strong>enunciação</strong>: “Fronteira é um espaço que<br />

reúne seu interior, seu exterior, um externo, mas também uma zona <strong>de</strong> alteração, <strong>de</strong><br />

transformação, em zona <strong>de</strong> pregnância” (Culioli, 1990: 90). Estas consi<strong>de</strong>rações parecem falar <strong>de</strong><br />

nossos objetos, na medida em que remetem a fenômenos discursivos heterogêneos e que se gestam<br />

em realida<strong>de</strong>s marca<strong>das</strong> por enunciações que se processam e se afetam, funcionando em<br />

disposições transversais, ou seja, instaurando e originando objetos macros e complexos. Nestas<br />

condições, as manifestações da <strong>enunciação</strong> <strong>midiática</strong> já não se fixam apenas nas fronteiras do seu<br />

próprio campo, mas revestidos <strong>de</strong> complexida<strong>de</strong>s e têm como cenário ― ou horizontes ― espécie<br />

<strong>de</strong> ‘espaços <strong>de</strong> in<strong>de</strong>terminação’, ou ‘novos espaços potenciais’.<br />

A <strong>enunciação</strong> é um fenômeno que, <strong>de</strong> um lado, atravessa as mídias, pois estas estão<br />

subordina<strong>das</strong> ao funcionamento <strong>das</strong> linguagens e suas manifestações. Mas dos seus modos <strong>de</strong><br />

funcionamentos no interior <strong>de</strong> uma prática social resulta a existência <strong>de</strong> uma prática enunciativa<br />

que se distingue <strong>das</strong> <strong>de</strong>mais, tratando-se, neste caso, do modo <strong>de</strong> dizer <strong>das</strong> mídias, enquanto<br />

trabalho enunciativo.<br />

Entendida como uma ‘forma <strong>de</strong> ação’ (Fabbri, 1997) a <strong>enunciação</strong> [<strong>midiática</strong>] impõe novos<br />

<strong>de</strong>safios ao trabalho metodológico indagando-o e, por vezes, contaminando a natureza do seu<br />

próprio fazer.<br />

13


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14


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_______. Fragmentos <strong>de</strong> um tecido. São Leopoldo: <strong>Unisinos</strong>, 2004.<br />

_______. La Semiosis Social. Buenos Aire<br />

15


INVESTIGACIÓN EN MEDIOS - APUNTES SOBRE EL DISEÑO<br />

METODOLÓGICO<br />

Beatriz Quiñones Cely ∗<br />

Resumen: Este trabajo propone una aproximación a la “Investigación en Medios” y, específicamente, al<br />

“Diseño metodológico” aplicado en los proyectos: “Violencia Colombiana y series <strong>de</strong> ficción <strong>de</strong> los<br />

noventa: Imaginarios <strong>de</strong> la representación mediática <strong>de</strong> la violencia colombiana: series <strong>de</strong> ficción<br />

televisiva <strong>de</strong> los 90. (1989-1999) y “Representaciones sociales, pobreza e imagen visual, en la fotografía y<br />

la caricatura en la prensa colombiana: 1991-2005” realizados en el marco <strong>de</strong> la Red PROSUL.<br />

El Diseñó metodológico se entien<strong>de</strong>, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la perspectiva enunciada, como un acto creativo y crítico, en<br />

continuo movimiento (sujeto a las particularida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> la problemática abordada) y, por lo tanto, sometido<br />

a permanente ajuste y re-visión.<br />

Palabras Claves: Acontecimiento, mediatización, imaginarios.<br />

“La mediatización <strong>de</strong> la cultura es así <strong>de</strong>terminante para compren<strong>de</strong>r el<br />

ejercicio <strong>de</strong> la legitimación en el capitalismo avanzado, puesto que ésta<br />

<strong>de</strong>scansa en la construcción persuasiva <strong>de</strong> realidad que explota los medios<br />

propios <strong>de</strong> la retórica para generar evi<strong>de</strong>ncias sociales consistentes e<br />

incuestionables para los individuos…La noción <strong>de</strong> imaginario social nos<br />

<strong>de</strong>scubre que la percepción y asunción <strong>de</strong> aquello consi<strong>de</strong>rado como real es<br />

una construcción <strong>de</strong>l imaginario social en cuanto instrumento configurador<br />

<strong>de</strong> un <strong>de</strong>terminado modo <strong>de</strong> inteligibilidad social” 1<br />

Este trabajo propone una aproximación a la “Investigación en Medios” y, específicamente,<br />

al “Diseño metodológico” aplicado en los proyectos: “Violencia Colombiana y series <strong>de</strong> ficción <strong>de</strong><br />

los noventa: Imaginarios <strong>de</strong> la representación mediática <strong>de</strong> la violencia colombiana: series <strong>de</strong><br />

ficción televisiva <strong>de</strong> los 90. (1989-1999) ∗ y “Representaciones sociales, pobreza e imagen visual,<br />

en la fotografía y la caricatura en la prensa colombiana: 1991-2005” realizados en el marco <strong>de</strong> la<br />

Red PROSUL.<br />

La reflexión sobre el diseño metodológico <strong>de</strong> las investigaciones menciona<strong>das</strong> tiene por<br />

objetivo evi<strong>de</strong>nciar la productividad <strong>de</strong> abordar la representación mediática <strong>de</strong>s<strong>de</strong> un modo <strong>de</strong><br />

visualización particular, que opera mediante la <strong>de</strong>finición <strong>de</strong>l encuadre –posicionamiento <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el<br />

∗<br />

Profesora Asociada, Instituto <strong>de</strong> Estudios en Comunicación y Cultura. Universidad Nacional <strong>de</strong> Colombia. Doctora<br />

en Ciencias <strong>de</strong> la Información y Comunicación <strong>de</strong> la Universidad <strong>de</strong> Paris 8. Miembro <strong>de</strong>l Grupo Colombiano <strong>de</strong><br />

Análisis <strong>de</strong>l Discurso Mediático. Miembro <strong>de</strong> SOCESCO.<br />

1<br />

CARRETERO PASÍN Ángel Enrique. “Imaginarios sociales y crítica i<strong>de</strong>ológica. Una perspectiva para la<br />

comprensión <strong>de</strong> la legitimación <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n social” Tesis <strong>de</strong> doctorado –Sociología y Ciencias Políticas. (texto inédito<br />

suministrado por el autor). Pág. 357<br />

∗<br />

Los avances <strong>de</strong> esta investigación fueron presentados en los distintos eventos organizados por la RED PROSUL<br />

entre 2006-2008:“Mediatización <strong>de</strong> la violencia colombiana: el acontecimiento <strong>de</strong> los 90” (Seminario<br />

“Mediatización”, Bogotá, Febrero 20-21 <strong>de</strong> 2006); “Violencia colombiana y ficción televisiva <strong>de</strong> los 90s” (Seminario<br />

“Mediatización: Interfaces <strong>de</strong> sentido entre los medios y la sociedad” Rosario-Argentina. Diciembre 13-15 <strong>de</strong> 2006) y<br />

“Ficción televisiva <strong>de</strong> los noventas: Tres puntos <strong>de</strong> vista sobre la violencia colombiana” (Seminário Comunicação:<br />

sentido e socieda<strong>de</strong>, São Leopoldo, Brasil, Diciembre 10-12 <strong>de</strong> 2007).<br />

16


cual se mira-; <strong>de</strong> los trazos que configuran lo mirado -las dimensiones a visibilizar- y <strong>de</strong> los<br />

<strong>de</strong>splazamientos –recorrido imaginario entre realida<strong>de</strong>s- que <strong>de</strong>be realizar el que mira.<br />

El Diseñó metodológico se entien<strong>de</strong>, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> esta perspectiva, como un acto creativo, crítico,<br />

en continuo movimiento (sujeto a las particularida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> la problemática abordada) y, por lo tanto,<br />

sometido a permanente ajuste y re-visión.<br />

Se trata <strong>de</strong> enfatizar la pertinencia <strong>de</strong> aproximarse a la sociedad <strong>de</strong>s<strong>de</strong> los estudios en<br />

comunicación mediante la observación sistemática y la lectura <strong>de</strong>tenida y contextualizada <strong>de</strong>l<br />

acontecimiento- entendido como proceso <strong>de</strong> construcción mediática <strong>de</strong> realida<strong>de</strong>s-. Una postura<br />

que exige poner a prueba un diseño metodológico que combine diferentes estrategias <strong>de</strong><br />

observación y análisis y el uso paralelo y simultáneo <strong>de</strong> varios instrumentos.<br />

1. Fisuras<br />

En nuestra perspectiva la primera <strong>de</strong>claración que el investigador en comunicación <strong>de</strong>be<br />

realizar -en una tentativa <strong>de</strong> explicación <strong>de</strong> su forma <strong>de</strong> abordar la esfera mediática- es su<br />

convicción <strong>de</strong> la necesidad (¿urgencia?) <strong>de</strong> <strong>de</strong>smarcarse <strong>de</strong> las visiones convencionales que<br />

configuran la representación mediática, pues el principal reto al que se enfrenta consiste en intentar<br />

“esclarecer aquellas dimensiones <strong>de</strong> la realidad configura<strong>das</strong> <strong>de</strong>s<strong>de</strong> interpretaciones interesa<strong>das</strong>,<br />

vincula<strong>das</strong> al po<strong>de</strong>r, que colonizan su percepción social” 2 .<br />

Desmarcarse <strong>de</strong> las visiones convencionales permite <strong>de</strong>s<strong>de</strong> nuestro punto <strong>de</strong> vista, fracturar<br />

el acontecimiento, observar por las fisuras <strong>de</strong> la representación, con el objetivo <strong>de</strong> sacar a la luz<br />

aquellas dimensiones invisibiliza<strong>das</strong> pero <strong>de</strong>terminantes para la comprensión <strong>de</strong> realida<strong>de</strong>s.<br />

Este reconocimiento enfatiza la necesidad <strong>de</strong> <strong>de</strong>linear una cartografía paralela <strong>de</strong>l objeto<br />

<strong>de</strong> estudio (la violencia, la pobreza, la misma esfera mediática) mediante la crítica <strong>de</strong> las evi<strong>de</strong>ncias<br />

que soportan y posibilitan los enfoques tradicionales y apostarle a intentar esclarecer aquellas<br />

zonas <strong>de</strong>l territorio imaginario <strong>de</strong> la realidad (convenientemente) opaca<strong>das</strong> a través <strong>de</strong> la<br />

instrumentalización <strong>de</strong> imaginarios sociales legitimadores <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n social existente, propaga<strong>das</strong> y<br />

fija<strong>das</strong> por los medios <strong>de</strong> comunicación.<br />

Para Raymond Ledrut “en toda sociedad se alberga una dialéctica permanente y nunca<br />

acabada entre imaginarios con una función estática, es <strong>de</strong>cir que busca reafirmar el or<strong>de</strong>n social,<br />

2 Ibid p. 32<br />

17


e imaginarios dinámicos que tratan <strong>de</strong> cuestionarlo” 3 , <strong>de</strong> allí que, el autor francés otorgue a la<br />

noción una doble funcionalidad (<strong>de</strong>sequilibraje-realización/equilibraje-<strong>de</strong>srealización).<br />

Dicho <strong>de</strong>sdoblamiento (<strong>de</strong>sarrollado productivamente por Enrique Carretero) permite<br />

reconocer en la dimensión imaginaria su potencialidad crítica para “dislocar la i<strong>de</strong>ntificación<br />

uniformizadora <strong>de</strong> lo real establecido como posible” 4 y su potencialidad creativa para abrir<br />

“nuevas posibilida<strong>de</strong>s plausibles <strong>de</strong> realidad enfrenta<strong>das</strong> a la socialmente <strong>de</strong>finida” 5 .<br />

Esta doble funcionalidad, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> nuestro punto <strong>de</strong> vista, explica la <strong>de</strong>cisión <strong>de</strong> asumir a la<br />

noción <strong>de</strong> imaginarios sociales como modo <strong>de</strong> visualización productivo para mirar la esfera<br />

mediática, pues opera <strong>de</strong>s<strong>de</strong> un posicionamiento que permite fracturar el acontecimiento al<br />

<strong>de</strong>smarcarse <strong>de</strong> lo convencional.<br />

En el caso <strong>de</strong> los proyectos realizados en el marco <strong>de</strong> PROSUL, la <strong>de</strong>cisión <strong>de</strong> <strong>de</strong>slindarse<br />

<strong>de</strong> las visiones convencionales permitió i<strong>de</strong>ntificar el núcleo <strong>de</strong> la representación mediática <strong>de</strong> los<br />

fenómenos objeto <strong>de</strong> estudio; tomar distancia (<strong>de</strong>subicarse), posicionarse en otros lugares<br />

(perspectivas), y dar luz a dimensiones opacas pero también <strong>de</strong>terminantes cuando <strong>de</strong> analizar el<br />

acontecimiento se trata.<br />

Es así como, en el caso <strong>de</strong> la investigación sobre la Representación Mediática <strong>de</strong> la<br />

Violencia Colombiana, el modo <strong>de</strong> visualización utilizado permitió evi<strong>de</strong>nciar, <strong>de</strong> forma plausible,<br />

la centralidad <strong>de</strong>l conflicto armado en la configuración <strong>de</strong>l acontecimiento violento. De forma<br />

similar, en el caso <strong>de</strong> la representación <strong>de</strong> la pobreza en la prensa colombiana permitió visibilizar<br />

que la fotografía usada por los dos periódicos observados, representaba al pobre como un<br />

individuo carente y necesitado <strong>de</strong> ayuda, alimentando la confusión entre pobreza y miseria al<br />

<strong>de</strong>finir la i<strong>de</strong>ntidad <strong>de</strong>l pobre <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el exterior.<br />

2. Operaciones<br />

Se afirma en el primer apartado que <strong>de</strong>finir un modo <strong>de</strong> visualización para abordar el<br />

objeto <strong>de</strong> estudio exige precisar su operatividad (el encuadre y la cartografía <strong>de</strong>l fenómeno<br />

observado y los <strong>de</strong>splazamientos a realizar por el que mira) y permite orientar las herramientas<br />

utiliza<strong>das</strong> para mirar, es <strong>de</strong>cir, la configuración <strong>de</strong>l diseño metodológico <strong>de</strong> la investigación.<br />

3 CARRETERO PASÍN Ángel Enrique. “Imaginarios sociales y crítica i<strong>de</strong>ológica. Una perspectiva para la<br />

comprensión <strong>de</strong> la legitimación <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n social” Tesis <strong>de</strong> doctorado –Sociología y Ciencias Políticas. (texto inédito<br />

suministrado por el autor). P. 7<br />

4 Ibid, p. 382<br />

5 Ibi<strong>de</strong>m<br />

18


Lo anterior subraya la centralidad <strong>de</strong> la <strong>de</strong>finición <strong>de</strong>l “punto <strong>de</strong> vista” <strong>de</strong>l observador<br />

(punto <strong>de</strong> vista entendido como una operación <strong>de</strong> mediación e intervención, en los términos <strong>de</strong><br />

Armando Silva) y suscribe la afirmación <strong>de</strong> la investigadora brasilera María I. Vasallo <strong>de</strong> López,<br />

en el sentido <strong>de</strong> que “la reflexión epistemológica opera internamente a la práctica <strong>de</strong><br />

investigación” 6 .<br />

La <strong>de</strong>finición <strong>de</strong> un modo <strong>de</strong> visualización particular para abordar la representación<br />

mediática permite mirar globalmente el proceso <strong>de</strong> investigación: objeto, corpus, metodología. En<br />

el plano <strong>de</strong> la práctica posibilita, así mismo, establecer las etapas y las fases <strong>de</strong> la investigación; el<br />

carácter y las cualida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> las herramientas a utilizar en su <strong>de</strong>sarrollo; las formas <strong>de</strong> evaluación <strong>de</strong><br />

resultados; los tiempos y movimientos necesarios para intervenir en el proceso a fin <strong>de</strong> revisar y<br />

afinar lo producido y <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminar el alcances <strong>de</strong> los resultados.<br />

En el caso <strong>de</strong> las investigaciones en comento, la <strong>de</strong>cisión <strong>de</strong> abordar la Violencia<br />

Colombiana <strong>de</strong>s<strong>de</strong> sus dimensiones cotidianas (<strong>de</strong>smarcándose <strong>de</strong> los análisis que privilegiaban la<br />

dimensión política) permitió enfatizar las dimensiones subjetivas y sociales <strong>de</strong>l fenómeno; <strong>de</strong>finir<br />

la naturaleza <strong>de</strong>l corpus a observar: la ficción televisiva (un material inusual para mirar la<br />

violencia); admitir la posibilidad <strong>de</strong> combinar herramientas cualitativas y cuantitativas (lectura<br />

<strong>de</strong>tenida <strong>de</strong>l guión, análisis estadístico <strong>de</strong>l texto, observación sistemática <strong>de</strong>l acontecimiento etc.) y<br />

reconstruir el significado <strong>de</strong> las series analiza<strong>das</strong> a la manera <strong>de</strong> J.B. Thompson y su<br />

“hermenéutica profunda” 7 .<br />

De igual modo, la distinción entre pobreza y miseria y entre i<strong>de</strong>ntidad <strong>de</strong>l pobre <strong>de</strong>finida<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> el interior e i<strong>de</strong>ntidad <strong>de</strong>l pobre <strong>de</strong>finida <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el exterior; orientó la <strong>de</strong>cisión <strong>de</strong> revisar las<br />

fotografías periodísticas selecciona<strong>das</strong> como corpus <strong>de</strong> la investigación en fases sucesivas;<br />

suscribir que la fotografía usada en la prensa <strong>de</strong>bía compren<strong>de</strong>rse como la imagen acompañada <strong>de</strong><br />

palabras: artículo, titular, pie <strong>de</strong> foto, créditos, etc. y evi<strong>de</strong>nciar que, en general, la foto periodística<br />

constituía una fotografía <strong>de</strong> la miseria al <strong>de</strong>spojar al fenómeno <strong>de</strong> cualquier vestigio <strong>de</strong> dignidad.<br />

3. Reconstrucciones<br />

“…para compren<strong>de</strong>r caso por caso aquello a lo que nos enfrentamos o, si se<br />

trata <strong>de</strong> prácticas, para captar ‘lo que suce<strong>de</strong>’, el único medio es, lisa y<br />

llanamente, <strong>de</strong>scribir y analizar el material <strong>de</strong>l que se dispone, es <strong>de</strong>cir,<br />

6 VASALLO DE LOPEZ, María I. “La investigación <strong>de</strong> la Comunicación: cuestiones epistemológicas, teóricas y<br />

metodológicas” Diálogos <strong>de</strong> la Comunicación. Ps. 12-27<br />

7 THOMPSON Jhon B. “La comunicación masiva y la cultura mo<strong>de</strong>rna. Contribución a una teoría crítica <strong>de</strong> la<br />

i<strong>de</strong>ología” Revista Versión. Estudios <strong>de</strong> comunicación y política, número 1, Universidad Autónoma Metropolitana-<br />

Unidad Xochimilco, México, octubre <strong>de</strong> 1991.<br />

19


procurar poner <strong>de</strong> manifiesto, en su singularidad y su especificidad, los<br />

efectos <strong>de</strong> sentido susceptibles <strong>de</strong> resultar <strong>de</strong> la misma organización<br />

estructural <strong>de</strong>l objeto o <strong>de</strong> la práctica consi<strong>de</strong>rados” 8 .<br />

La productividad <strong>de</strong> aproximarse a la sociedad <strong>de</strong>s<strong>de</strong> los estudios en comunicación<br />

mediante la observación sistemática y la lectura <strong>de</strong>tenida y contextualizada <strong>de</strong>l acontecimiento-<br />

entendido como proceso <strong>de</strong> construcción mediática <strong>de</strong> realida<strong>de</strong>s- está subordinada, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> esta<br />

perspectiva, a la capacidad crítica y creativa <strong>de</strong>l investigador para abordar el material <strong>de</strong> origen<br />

mediático seleccionado y proponer un diseño metodológico que combine diferentes estrategias <strong>de</strong><br />

observación y análisis y el uso paralelo y simultáneo <strong>de</strong> varios instrumentos.<br />

El Diseñó metodológico se entien<strong>de</strong>, por esta razón, como un acto creativo, crítico, en<br />

continuo movimiento (sujeto a las particularida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> la problemática abordada) y, por lo tanto,<br />

sometido a permanente ajuste y re-visión<br />

Esta postura suscribe lo expresado por Eric Landowski 9 cuando afirma que el único recurso<br />

disponible para aquellos “que se niegan por principio a plantar sobre lo real cualquier esquema<br />

<strong>de</strong> reconocimiento y <strong>de</strong> clasificación preestablecidos” es interrogar al objeto mismo para “sacar a<br />

la luz” aquellos elementos que permiten “reconstruirlo” y “transformarlo en objeto <strong>de</strong><br />

conocimiento”.<br />

Ahora bien, es indispensable no per<strong>de</strong>r <strong>de</strong> vista otra exigencia que, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> nuestra<br />

perspectiva, se impone al investigador en medios: el interés <strong>de</strong> avanzar hacía la búsqueda <strong>de</strong>l<br />

sentido <strong>de</strong>l acontecimiento resi<strong>de</strong> en la aspiración <strong>de</strong> lograr anticiparse, reconstruir su significado<br />

posible, evaluar lo encontrado, volver a tomar posición y arriesgarse a proponer una interpretación<br />

particular:“Al explicar lo que se dice o se representa, el proceso <strong>de</strong> interpretación trascien<strong>de</strong> el<br />

dominio <strong>de</strong> la construcción simbólica: formula un significado probable y ofrece una versión que<br />

pue<strong>de</strong> ser arriesgada y estar abierta a la discusión” 10 .<br />

La comprensión <strong>de</strong>l quehacer <strong>de</strong>l investigador en medios como la búsqueda <strong>de</strong> una especial<br />

mirada sobre la sociedad y <strong>de</strong>l diseño metodológico como la expresión operativa <strong>de</strong> su<br />

posicionamiento crítico y creativo frente al acontecimiento, implica, como consecuencia, el<br />

reconocimiento <strong>de</strong> la aspiración <strong>de</strong> contribuir a la construcción <strong>de</strong> visiones alternativas. Una<br />

aspiración que, en <strong>de</strong>finitiva, al orientar el proceso en su totalidad, lo complejiza pues tien<strong>de</strong> a<br />

8<br />

ibi<strong>de</strong>m<br />

9<br />

LANDOWSKI Eric, “La mirada implicada”, Revista ANTHROPOS, 186, Proyecto A Ediciones, Barcelona,<br />

septiembre-octubre 1999, P. 39<br />

10<br />

THOMPSON Jhon B. “La comunicación masiva y la cultura mo<strong>de</strong>rna. Contribución a una teoría crítica <strong>de</strong> la<br />

i<strong>de</strong>ología” Revista Versión. Estudios <strong>de</strong> comunicación y política, No. 1. Universidad Autónoma Metropolitana <strong>de</strong><br />

Xochimilco, México, octubre <strong>de</strong> 1991.<br />

20


ajustar, cada vez con mayor precisión, el régimen <strong>de</strong> mirada, ampliando el nivel <strong>de</strong> exigencia <strong>de</strong> la<br />

observación.<br />

4. Implicaciones<br />

Nuestra perspectiva, al admitir -con Michel <strong>de</strong> Certeau- la confusión entre verdad y<br />

representación (pulsión óptica 11 ), suscribe no solamente la necesaria toma <strong>de</strong> posición <strong>de</strong>l<br />

investigador frente al po<strong>de</strong>r (la mediatización <strong>de</strong> la cultura 12 ) sino la urgencia <strong>de</strong> asumir un<br />

particular modo <strong>de</strong> visualización (mirada semiótica 13 ) re<strong>de</strong>finiendo, <strong>de</strong> paso, los objetivos<br />

estratégicos <strong>de</strong> la investigación <strong>de</strong> tal manera que se privilegie una mirada que reconozca que la<br />

potencialidad política <strong>de</strong> la noción <strong>de</strong> imaginarios sociales resi<strong>de</strong> en su función estética.<br />

Las afirmaciones anteriores subrayan, por último, una perspectiva cercana a lo expresado<br />

por Landowski en “La Mirada implicada” (mencionada en párrafos anteriores):<br />

“…la necesidad <strong>de</strong> asumir en el plano epistemológico, una posición también<br />

‘compleja’ en la cual sujeto y objeto se interpenetran…Para nosotros, la<br />

semiótica sería más bien, efectivamente, una especial mirada sobre las cosas:<br />

una mirada que se quiere tanto más rigurosa cuando que quien mira (y<br />

construye) sabe bien que en realidad sus pretendidos objetos no tienen<br />

sentido, para él, más que en la medida en que él sabe reconocer allí sujetos<br />

que, a su vez, lo miran.” 14<br />

Las investigaciones <strong>de</strong>sarrolla<strong>das</strong> en el marco <strong>de</strong> PROSUL, creemos, expresan un<br />

posicionamiento (si se quiere político) frente al quehacer <strong>de</strong>l investigador y la convicción <strong>de</strong> la<br />

productividad <strong>de</strong> una intervención <strong>de</strong>l investigador en medios apegada a los materiales, mediante<br />

un diseño que reconozca la especificidad <strong>de</strong> la esfera mediática y que, por lo tanto, privilegie una<br />

observación sistemática y contextualizada, susceptible <strong>de</strong> ser continuamente reformulada.<br />

En síntesis, en el caso <strong>de</strong> las investigaciones sobre la representación mediática<br />

menciona<strong>das</strong> 15 la configuración <strong>de</strong> nuestra particular forma <strong>de</strong> mirar implica:<br />

“Compren<strong>de</strong>r la recepción <strong>de</strong> los productos mediáticos como una actividad <strong>de</strong><br />

apropiación, autoaprendizaje y <strong>de</strong> autoformación…”<br />

11<br />

IMBERT Gérard. “Por una semiótica figurativa <strong>de</strong> los discursos sociales (Imágenes/Imaginarios <strong>de</strong> la<br />

postmo<strong>de</strong>rnidad)” Revista ANTHROPOS, 186, Proyecto A Ediciones, Barcelona, septiembre-octubre 1999, P.75<br />

12<br />

CARRETERO PASÍN Ángel Enrique. “Imaginarios sociales y crítica i<strong>de</strong>ológica. Una perspectiva para la<br />

comprensión <strong>de</strong> la legitimación <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n social” Tesis <strong>de</strong> doctorado –Sociología y Ciencias Políticas. (texto inédito<br />

suministrado por el autor).<br />

13<br />

IMBERT Gérard. “Por una semiótica figurativa <strong>de</strong> los discursos sociales (Imágenes/Imaginarios <strong>de</strong> la<br />

postmo<strong>de</strong>rnidad)” Revista ANTHROPOS, 186, Proyecto A Ediciones, Barcelona, septiembre-octubre 1999, P.75<br />

14<br />

LANDOWSKI Eric, “La mirada implicada”, Revista ANTHROPOS, 186, Proyecto A Ediciones, Barcelona,<br />

septiembre-octubre 1999, P.<br />

15<br />

QUIÑONES BEATRIZ. “Violencia colombiana y series <strong>de</strong> ficción televisiva <strong>de</strong> los noventas”(En imprenta).<br />

21


“Admitir que la presencia <strong>de</strong> fisuras en la representación mediática pue<strong>de</strong>n ser<br />

interpretados como el síntoma <strong>de</strong> la existencia <strong>de</strong> espacios <strong>de</strong> resistencia…”<br />

“Reconocer la presencia <strong>de</strong> públicos activos, potencialmente capaces <strong>de</strong> reformular la<br />

realidad, es <strong>de</strong>cir <strong>de</strong> imaginar posibilida<strong>de</strong>s alternativas…”<br />

“Declarar que la potencialidad política <strong>de</strong> la noción <strong>de</strong> imaginario social resi<strong>de</strong>,<br />

precisamente, en su función estética…”<br />

5. Entre-re<strong>de</strong>s<br />

Debatir el quehacer <strong>de</strong>l investigador en el marco <strong>de</strong> la red PROSUL (“Mediatización:<br />

sociedad y sentido”) permitió, en última instancia, intercambiar el resultado <strong>de</strong> la experiencia <strong>de</strong><br />

los investigadores miembros, específicamente, alre<strong>de</strong>dor <strong>de</strong> la manera como las visiones<br />

particulares se expresaban en el nivel operatorio, es <strong>de</strong>cir, sobre las consecuencias <strong>de</strong> asumir un<br />

punto <strong>de</strong> vista epistemológico en el nivel <strong>de</strong> la práctica metodológica.<br />

La reflexión entre re<strong>de</strong>s permitió, al expresar la postura <strong>de</strong> cada investigador en los<br />

diferentes encuentros organizados por PROSUL, profundizar –por contraste- en la comprensión <strong>de</strong><br />

las conexiones entre quehaceres, precisar las diferencias y, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el punto <strong>de</strong> vista metodológico,<br />

enten<strong>de</strong>r el sentido y la productividad que cada investigador le otorga al tipo <strong>de</strong> herramienta<br />

utilizada en <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> sus proyectos respectivos.<br />

Al preparar el primer encuentro en Bogotá, coordinado por el Instituto <strong>de</strong> Estudios en<br />

Comunicación y Cultura <strong>de</strong> la Universidad Nacional <strong>de</strong> Colombia, coincidimos en la pertinencia <strong>de</strong><br />

una reflexión sobre el proceso <strong>de</strong> construcción mediática <strong>de</strong> la realidad a partir <strong>de</strong> nuestras<br />

investigaciones particulares y/o temas <strong>de</strong> interés en ese momento. Lo anterior nos permitió<br />

reflexionar sobre medios e imaginarios, mediatización y discursividad contemporánea, campos y<br />

dispositivos mediáticos, en fin, sobre “La mediatización y los procesos sociales en América<br />

Latina” 16<br />

Esta coinci<strong>de</strong>ncia hizo posible que la red Prosul, en cada uno <strong>de</strong> los países miembros,<br />

estableciera contactos, conexiones productivas, que hicieron madurar los trabajos <strong>de</strong> investigación<br />

personales y, en nuestro caso, avanzar hacia la formulación <strong>de</strong> un programa <strong>de</strong> postgrado en<br />

Comunicación y Medios cuyas líneas <strong>de</strong> investigación: Comunicación visual y Culturas<br />

Mediáticas, garantizarán la continuidad <strong>de</strong>l trabajo <strong>de</strong>l nodo Colombia y estrechar la relación con<br />

los colegas investigadores <strong>de</strong> Brasil, Uruguay y Argentina.<br />

16 Ver obra colectiva “Mediatizaçao e processos sociais na América Latina”. São Paulo: Paulus, 2008.<br />

Bogotá, Octubre <strong>de</strong> 2008<br />

22


MUNDOS DE LA VIDA MEDIATIZADOS<br />

Eduardo Andrés Vizer<br />

Resúmen: Este trabajo se propone explorar las posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> aplicación <strong>de</strong> un mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> análisis<br />

sociocomunicacional y un marco conceptual <strong>de</strong> dimensiones y categorías teóricas “sociosimbólicas”. La<br />

intención es realizar una comparación entre los procesos <strong>de</strong> recepción televisiva y el uso <strong>de</strong> TIC’s -en<br />

especial Internet-, aplicando las categorías teóricas que se presentarán. En una primera instancia expondré<br />

un esquema (o mo<strong>de</strong>lo sociocomunicativo) intentando interpretar fenomenológicamente las relaciones entre<br />

sentido y comunicación. Y en segunda instancia pretendo comparar el “funcionamiento” <strong>de</strong> ambos procesos<br />

–<strong>de</strong> comunicación y <strong>de</strong> construcción <strong>de</strong> sentido- utilizando las categorías teóricas presenta<strong>das</strong> en un<br />

contexto <strong>de</strong> relaciones “sujeto-televisión”, comparado con un contexto <strong>de</strong> relaciones “sujeto-internet”.<br />

Palabras clave: mediatización; mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> comunicación sociocomunicacional; construcciones <strong>de</strong> sentido;<br />

comunicación y producción <strong>de</strong> sentido.<br />

a) Exploraré las posibilida<strong>de</strong>s heurísticas <strong>de</strong> un esquema (o mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> análisis)<br />

tridimensional que he presentado en trabajos anteriores (Vizer 1983, 2003, 2007).<br />

Mostraré una estrategia <strong>de</strong> análisis aplicando ciertas propieda<strong>de</strong>s y dimensiones teóricas y<br />

metodológicas <strong>de</strong>l mo<strong>de</strong>lo propuesto, esperando aportar a un análisis mutidimensional<br />

sobre los procesos <strong>de</strong> producción <strong>de</strong> sentido.<br />

b) Me propongo abordar un análisis comparativo entre la televisión e Internet<br />

como diferentes formas <strong>de</strong> producción <strong>de</strong> sentido <strong>de</strong> acuerdo a tecnologías y contextos<br />

comunicativos diferentes y comparados: en las relaciones cara a cara; en el contexto <strong>de</strong><br />

consumo televisivo, y en el contexto <strong>de</strong> uso <strong>de</strong> Internet.<br />

Si bien la noción <strong>de</strong> sentido guarda una relación intrínseca con la <strong>de</strong> semiosis, el sentido no<br />

<strong>de</strong>be reducirse teórica ni metodológicamente a las disciplinas semióticas (lingüística, semiología,<br />

análisis <strong>de</strong>l discurso). P. Chara<strong>de</strong>au afirma que “esta problemática <strong>de</strong> construcción <strong>de</strong> sentido<br />

reposa simultáneamente sobre fenómenos <strong>de</strong> or<strong>de</strong>n psicosocial (simbólica social e influencia), a<br />

través <strong>de</strong> la construcción <strong>de</strong> “imaginarios sociales”, y sobre fenómenos <strong>de</strong> or<strong>de</strong>n <strong>de</strong>l lenguaje, ya<br />

que estas construcciones <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>n <strong>de</strong> su configuración discursiva” (p.5-25). Po<strong>de</strong>mos<br />

preguntarnos si efectivamente los fenómenos <strong>de</strong> or<strong>de</strong>n psicosocial <strong>de</strong>bieran reducirse estrictamente<br />

a una “configuración discursiva” o si la capacidad <strong>de</strong> generar sentido va más allá <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n<br />

discursivo. Hace falta producir un esquema teórico “sintético” que permita su mo<strong>de</strong>lización y<br />

aplicación en estudios integrados (ni puramente psicosociales ni puramente semióticos). Esta<br />

“mo<strong>de</strong>lización” <strong>de</strong>berá cubrir las perspectivas <strong>de</strong> un proceso transversal entre varias disciplinas, en<br />

23


el sentido que Chara<strong>de</strong>au llama “interdisciplinaridad focalizada”. Este autor agrupa estas nociones<br />

en pares: lenguaje y acción, estructura y sujeto, representaciones e i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>s.<br />

En realidad, Chara<strong>de</strong>au no nos presenta disciplinas, sino conjuntos diversos <strong>de</strong> problemas<br />

que guardan una resonancia <strong>de</strong> familia fuerte con la noción <strong>de</strong> sentido. El objeto problema que<br />

intentamos <strong>de</strong>finir y trabajar se nutre <strong>de</strong> los aportes <strong>de</strong> los saberes producidos sobre los problemas<br />

<strong>de</strong>l lenguaje y <strong>de</strong> la acción social, <strong>de</strong>l sujeto y <strong>de</strong> las <strong>de</strong>terminaciones <strong>de</strong> las estructuras (ya sean<br />

estas físicas, biológicas, sociales o psíquicas). Las investigaciones sobre comunicación y cultura se<br />

han nutrido fundamentalmente <strong>de</strong> los problemas <strong>de</strong> construcción y <strong>de</strong>fensa <strong>de</strong> las i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>s y las<br />

representaciones sociales, culturales, e imaginarias.<br />

Des<strong>de</strong> el célebre texto <strong>de</strong> Berger y Lukhmann, (La construcción social <strong>de</strong> la realidad) las<br />

concepciones constructivistas y las fenomenológicas implican el funcionamiento dinámico e<br />

intencional <strong>de</strong>l mundo psíquico (valorizando por en<strong>de</strong> los procesos <strong>de</strong> recepción).<br />

1. Un mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> comunicación tridimensional<br />

En diferentes trabajos (1983, 2003, 2007), he presentado un mo<strong>de</strong>lo “sintético” que articule<br />

diferentes dimensiones <strong>de</strong> la comunicación social como un emergente manifiesto <strong>de</strong> las múltiples<br />

condiciones y expresiones <strong>de</strong> los procesos <strong>de</strong> construcción <strong>de</strong> sentido. Condiciones materiales,<br />

sociales, psicológicas –cognitivas y emotivas-, culturales, técnicas, semióticas y hasta imaginarias.<br />

El mundo <strong>de</strong> la vida como un mundo <strong>de</strong> universos <strong>de</strong> sentido.<br />

En principio se pue<strong>de</strong>n consi<strong>de</strong>rar tres dimensiones diferencia<strong>das</strong> constituyentes <strong>de</strong> toda<br />

acción <strong>de</strong> comunicación: referencial, inter-referencial y autoreferencial (Vizer 1983). La primera<br />

como dispositivo <strong>de</strong> construcción discursiva <strong>de</strong> “realida<strong>de</strong>s objetales” (los “contenidos” <strong>de</strong> lo que<br />

se habla); la segunda como construcción <strong>de</strong> relaciones entre actores sociales que se “referencian” y<br />

contextualizan mutuamente entre sí como agentes en situación (crean en común un contexto <strong>de</strong><br />

relaciones e interacciones sociales <strong>de</strong> inter<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ncia). Finalmente la tercera dimensión<br />

(autoreferencial) alu<strong>de</strong> a procesos eminentemente sociosubjetivos <strong>de</strong> conciencia <strong>de</strong>l sí mismo<br />

observado por un “otro”. Pue<strong>de</strong> ser una auto-observación (más o menos reflexiva) <strong>de</strong> presentación<br />

<strong>de</strong>l sí mismo en sociedad. Las acciones, los gestos, las posturas, la voz y la vestimenta como<br />

marcas <strong>de</strong>l “yo” en tanto sujeto y actor social en el lenguaje y en la interacción (la “presencia” y la<br />

imagen <strong>de</strong> la persona en tanto individuo ante la sociedad y ante sí mismo)” (Vizer, p.13).<br />

Des<strong>de</strong> la perspectiva <strong>de</strong> un análisis estrictamente sociocomunicacional, la dimensión<br />

referencial, generalmente expresada por medio <strong>de</strong>l lenguaje, gestos, dibujos, uso <strong>de</strong> símbolos,<br />

alu<strong>de</strong> a los dispositivos <strong>de</strong> construcción discursiva y conciente <strong>de</strong> “representaciones objetales” (<strong>de</strong><br />

24


qué se habla). La segunda dimensión como un proceso <strong>de</strong> construcción <strong>de</strong>l contexto común <strong>de</strong><br />

relaciones y vínculos entre agentes sociales (cuando se habla, se habla con alguien, con un<br />

interlocutor que pue<strong>de</strong> o no estar presente físicamente en la comunicación, como en el caso <strong>de</strong> la<br />

comunicación mediada tecnológicamente: teléfono, e-mail, etc.). Es a esta dimensión que se alu<strong>de</strong><br />

cuando se habla <strong>de</strong> la comunicación como “relación dialógica”, y prefiero el uso <strong>de</strong> la noción <strong>de</strong><br />

inter-referenciación a la noción clásica y empirista <strong>de</strong> “interacción”. Mientras esta última es<br />

equivalente a la <strong>de</strong> “conectividad” cuando los ingenieros equiparan la sociedad mediatizada a una<br />

red conectada, la primera acentúa la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> un sujeto integral, como actor y como observador-<br />

observado, como agente activo <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> una relación <strong>de</strong> co-construcción <strong>de</strong> un habitus (Bourdieu)<br />

cultivado y compartido.<br />

Finalmente la tercera dimensión alu<strong>de</strong> a un proceso <strong>de</strong> presentación <strong>de</strong>l sí mismo en<br />

sociedad, y como marcas <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntidad –e i<strong>de</strong>ntificación- <strong>de</strong> pertenencia a una organización, una<br />

clase social, o una jerarquía. Es la construcción social <strong>de</strong> la persona en tanto sujeto y actor social<br />

(quién es el que habla), ya que el reconocimiento social implica la re-presentación <strong>de</strong>l sí mismo en<br />

tanto sujeto social, o miembro <strong>de</strong> un colectivo social, como los actores y las jóvenes que dicen que<br />

se “producen” a sí mismas cuando salen a la calle como los actores en el escenario ante un público.<br />

A seguir, intentaré explorar como operan las dimensiones <strong>de</strong>scriptas en este mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong><br />

“comunicación humana cara a cara”, en un contexto <strong>de</strong> recepción televisiva así como en el uso <strong>de</strong><br />

las TIC’s. Pero antes <strong>de</strong> hacerlo, quiero aclarar que al asumir una perspectiva subjetiva, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la<br />

posición <strong>de</strong>l receptor, ésta perspectiva <strong>de</strong> análisis separa en forma explícita los procesos <strong>de</strong><br />

producción <strong>de</strong> los <strong>de</strong> consumo. La industria cultural está constituida por empresas económicas con<br />

fines y lógicas económicas, tecnológicas y financieras. Para tener éxito comercial, en tanto su<br />

producción exige consumo simbólico, en sus condiciones <strong>de</strong> producción <strong>de</strong>be presuponer<br />

diferentes mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> sujetos consumidores. Debe conocer tanto características socioculturales<br />

como las reglas semiodiscursivas que emplean sus públicos.<br />

2. Tecnologías y mediatización subjetiva<br />

Intentaré explorar las posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> “aplicar” el mo<strong>de</strong>lo para analizar lo que se ha dado<br />

en llamar mediatización <strong>de</strong> las prácticas sociales.<br />

Mostraré que los medios <strong>de</strong> comunicación y las (TIC’s) no rompen con las tres<br />

dimensiones, sino que las mediatizan. Si bien utilizo la noción <strong>de</strong> “referencia” en un contexto <strong>de</strong><br />

prácticas sociales po<strong>de</strong>mos argumentar que, siguiendo a Peirce: “las tres concepciones <strong>de</strong> la<br />

referencia: a un fundamento, la referencia a un objeto y la referencia a un interpretante son las<br />

25


fundamentales <strong>de</strong> al menos una ciencia universal, la <strong>de</strong> la lógica. Se dice que la lógica trata <strong>de</strong> las<br />

segun<strong>das</strong> intenciones en cuanto aplica<strong>das</strong> a las primeras” (1) (Peirce, 27. 2001). Así es que<br />

po<strong>de</strong>mos preguntarnos si no solamente en las relaciones interpersonales sino también en el uso <strong>de</strong><br />

la televisión y <strong>de</strong> Internet (y posiblemente <strong>de</strong> cualquier tecnología TIC) no se obe<strong>de</strong>ce también a<br />

una lógica social y comunicacional compartida. En los procesos <strong>de</strong> comunicación y <strong>de</strong> formación<br />

<strong>de</strong> sentido en contextos sociotécnicos (o en el uso <strong>de</strong> tecnologías <strong>de</strong> información y comunicación),<br />

también se produce auto e interreferencia entre actores sociales, en tanto estos generan y<br />

reproducen lógicas sociales y se hallan inevitablemente sujetos a la interpretación <strong>de</strong> segun<strong>das</strong><br />

intenciones, <strong>de</strong> búsqueda <strong>de</strong> claves <strong>de</strong> interpretación. La abducción es la esencia <strong>de</strong> los procesos <strong>de</strong><br />

interpretación y construcción <strong>de</strong> sentido en la comunicación y por en<strong>de</strong> en las relaciones sociales.<br />

Ningún discurso ni menos aún las relaciones sociales pue<strong>de</strong>n ser “transparentes”. En la vida<br />

cotidiana operamos con una lógica <strong>de</strong> indicios, <strong>de</strong> inducciones débiles, <strong>de</strong> segun<strong>das</strong> intenciones (no<br />

confundir con “malas” intenciones), <strong>de</strong> imaginarios, <strong>de</strong> lógicas inductivas o bien abductivas, y <strong>de</strong><br />

posibilida<strong>de</strong>s abiertas. Tanto la función <strong>de</strong> la referencia como la inter-referencia operan en<br />

cualquier relación <strong>de</strong> comunicación (ya sean media<strong>das</strong> tecnológicamente o no), y respon<strong>de</strong>n a una<br />

lógica <strong>de</strong> construcción permanente y reflexiva sobre a) el “mundo <strong>de</strong> los objetos”, b) el mundo <strong>de</strong><br />

las relaciones interpersonales, y c) un mayor o menor grado <strong>de</strong> reflexividad intencional.<br />

Los dispositivos expresivos <strong>de</strong> los medios tradicionales como la radio, el cine y la televisión<br />

permitieron el <strong>de</strong>sarrollo global <strong>de</strong> una expansión espacial <strong>de</strong> la tecnología y <strong>de</strong> los mundos<br />

imaginarios. Estos mundos imaginarios se alimentaron <strong>de</strong> imágenes e íconos en movimiento como<br />

nunca antes en la historia humana. En este sentido, po<strong>de</strong>mos hablar <strong>de</strong> procesos <strong>de</strong> mediatización<br />

tecnológica, marcando una revolución imaginaria en relación a medios anteriores como el libro, la<br />

pintura o aún la fotografía. A esta expansión espacial <strong>de</strong> los medios audiovisuales, las TIC’s<br />

agregaron la posibilidad <strong>de</strong> proyección <strong>de</strong>l propio sujeto en nuevos espacios y tiempos (ahora<br />

digitalizados y virtualizados). Las TIC’s revolucionaron la posibilidad <strong>de</strong> control <strong>de</strong>l tiempo y la<br />

multiplicación <strong>de</strong> los dispositivos <strong>de</strong> producción y acceso a la información (Internet como una<br />

cyberbiblioteca que expan<strong>de</strong> la dimensión referencial <strong>de</strong>l texto a una dimensión cybereferencial).<br />

Las TIC’s potenciaron y mediatizaron también los dispositivos <strong>de</strong> intercomunicación (como inter-<br />

referenciación, o “interacción mediada por computador” en el e-mail, los chat’s y la convergencia<br />

digital entre las re<strong>de</strong>s y las múltiples terminales interconecta<strong>das</strong>).<br />

Por último, las TIC’s permitieron la emergencia <strong>de</strong> nuevos dispositivos <strong>de</strong> expresión<br />

autoreferencial (como los blogs, los diarios íntimos, las imágenes priva<strong>das</strong> volca<strong>das</strong> a internet,<br />

etc.). Hemos entrado entonces a un mundo <strong>de</strong> cyberinformación y cybercomunicación don<strong>de</strong> la<br />

26


propia aceleración <strong>de</strong> la velocidad <strong>de</strong> la circulación <strong>de</strong> las palabras, los datos y las imágenes en la<br />

Red, expan<strong>de</strong> en forma cuantitativa y cualitativa la producción, la circulación y el consumo <strong>de</strong><br />

información, creando formas <strong>de</strong> valor y <strong>de</strong> sentido antes inexistentes. Otro tanto suce<strong>de</strong> con las<br />

nuevas modalida<strong>de</strong>s interactivas <strong>de</strong> intercomunicación y autoexpresión personal en el espacio<br />

digital. Las tres dimensiones tien<strong>de</strong>n a intermezclarse entre sí en los procesos <strong>de</strong> circulación <strong>de</strong>ntro<br />

<strong>de</strong> las nuevas ecologías virtuales, don<strong>de</strong> se articula la información con la intercomunicación y la<br />

expresión personal. La mediatización instituye literalmente el “espíritu <strong>de</strong> época” <strong>de</strong> nuestra<br />

cultura tecnológica. Objetiva nuevos imaginarios y (trans)subjetivida<strong>de</strong>s que –parafraseando a<br />

Lacan- circulan entre “lo real, lo simbólico y lo imaginario”.<br />

3. La televisión y la construcción mediatizada <strong>de</strong> la realidad<br />

La televisión y el cine inventan historias, crean actores, construyen situaciones y las<br />

dramatizan. La televisión cumple en el mundo actual la función <strong>de</strong> los trovadores y contadores <strong>de</strong><br />

historias (reproductores <strong>de</strong> la tradición en el mundo antiguo, los story tellers concebidos como<br />

“stories we live by and stories we tell”, historias que vivimos e historias que contamos). Des<strong>de</strong> la<br />

perspectiva que planteo aquí, po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>cir que en principio operan como un tipo <strong>de</strong><br />

comunicación tanto primaria como secundaria: construyen y presentan imágenes, sonidos y<br />

paisajes “<strong>de</strong> fondo” sobre los que se resaltan los personajes y sus acciones. Hay efectivamente<br />

figura y fondo, sin cuya distinción sería imposible para nosotros construir un reconocimiento <strong>de</strong> un<br />

fondo y <strong>de</strong>l rol y el juego <strong>de</strong> las figuras (o sea los actores). En este interjuego <strong>de</strong> señales y <strong>de</strong><br />

signos, <strong>de</strong> relaciones entre lo conocido y lo reconocible, vamos construyendo interpretaciones y<br />

sentido; o sea, vamos recreando subjetivamente el sentido <strong>de</strong> la trama <strong>de</strong> una historia.<br />

Recapitulando, la comunicación es un proceso “abierto” y creativo, una (auto)construcción<br />

permanente y dinámica <strong>de</strong> autoreferenciación e interreferenciación entre seres humanos. Es la<br />

creación significativa <strong>de</strong> nuestros mundos <strong>de</strong> la vida, en la forma <strong>de</strong> un cultivo social, simbólico e<br />

imaginario, recreado actualmente <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> contextos sociotécnicos (o sea mediatizados por<br />

tecnologías <strong>de</strong> información y comunicación). La comunicación se pue<strong>de</strong> concebir <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> esta<br />

perspectiva, como un proceso integral <strong>de</strong> movilización dinámica y expresiva <strong>de</strong> la acción humana<br />

(actos, gestos, palabras, rituales, mira<strong>das</strong>, vestimenta, etc.). La comunicación como reconstrucción<br />

temporal <strong>de</strong>l sujeto en un proceso a dos puntas: <strong>de</strong> afirmación vital y autoreferente <strong>de</strong>l si mismo y<br />

la propia existencia, a la par <strong>de</strong> la necesidad absolutamente imperiosa <strong>de</strong> recurrir al Otro que<br />

confirma la certeza <strong>de</strong> la realidad”, <strong>de</strong> “ser y estar en el mundo”. Esta confirmación <strong>de</strong>l “yo”<br />

autoreferencial (conciencia <strong>de</strong> si) para si mismo, solo pue<strong>de</strong> darse a través <strong>de</strong> una relación<br />

27


interreferencial con el Otro (la mirada, la palabra, el gesto, el abrazo y a veces hasta la violencia <strong>de</strong><br />

un otro que nos llena <strong>de</strong> inquietud o hasta miedo por la subsistencia <strong>de</strong> nuestra propia temporalidad<br />

amenazada súbitamente y puesta en peligro).<br />

Mediatización pasiva versus mediatización activa. Comunicación humana.<br />

Mediatización televisiva y mediatización digital<br />

Ahora estamos en condiciones <strong>de</strong> “aplicar” las reflexiones anteriores a fin <strong>de</strong> hacer una<br />

comparación entre la comunicación humana no mediatizada por tecnologías, y los procesos <strong>de</strong><br />

comunicación tecnológicamente mediatizados, en especial entre la televisión e Internet.<br />

4. Comunicación humana no mediatizada<br />

Comienzo por aclarar que una <strong>de</strong> las dificulta<strong>de</strong>s se halla en <strong>de</strong>finir la frontera entre un<br />

proceso mediatizado <strong>de</strong> uno que no lo es. Si se utiliza a nuestro cuerpo como medio <strong>de</strong><br />

comunicación, el cuerpo humano pasa a ser el soporte <strong>de</strong> la comunicación y el sentido (como en la<br />

danza, el teatro, las prácticas rituales o la moda). De modo que <strong>de</strong>bemos establecer una frontera<br />

arbitraria, que en principio estableceré en el uso <strong>de</strong> tecnologías en contextos <strong>de</strong> interfase hombre<br />

máquina.<br />

La fuente y el proceso fundamental <strong>de</strong>l “cultivo” <strong>de</strong> la vida en sociedad se encuentra<br />

expresada en las tres dimensiones <strong>de</strong> los procesos <strong>de</strong> comunicación. La categoría referencial remite<br />

al mundo <strong>de</strong> los objetos, <strong>de</strong> lo Otro. La categoría inter-referencial remite al mundo <strong>de</strong> los Otros, <strong>de</strong><br />

los intercambios, <strong>de</strong> la emergencia <strong>de</strong> lo social (no confundir con la sociedad que es un concepto<br />

abstracto). Por último, la categoría o dimensión auto-referencial remite al sujeto, al sujeto como<br />

centro <strong>de</strong> referencia en relación al mundo, a los otros, al contexto que cada uno <strong>de</strong> nosotros cultiva<br />

como un mundo <strong>de</strong> la vida propio (subjetividad, conciencia, sentido, etc.).<br />

Este esquema –o mo<strong>de</strong>lo- <strong>de</strong> comunicación, solo tiene sentido <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> contextos y lógicas<br />

que po<strong>de</strong>mos llamar sociocomunicacionales. Toman existencia en relación dialéctica con espacios<br />

(tanto físicos como simbólicos), con diferentes escalas <strong>de</strong> tiempo, con las re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> vínculos que los<br />

seres humanos cultivamos. Toman existencia con el mundo <strong>de</strong> la cultura y las formas simbólicas, y<br />

también con el macro mundo social y las instituciones en que estamos insertos y con las diferentes<br />

formas y escalas <strong>de</strong> ejercicio <strong>de</strong>l po<strong>de</strong>r (macro y micro po<strong>de</strong>res).<br />

Por último, incluyo como instrumentos <strong>de</strong> análisis dos categorías complementarias <strong>de</strong><br />

relaciones: a) técnicas (instrumentales) y b) <strong>de</strong> sentido. (“Mo<strong>de</strong>lización <strong>de</strong>l conocimiento social: la<br />

comunicación como estrategia <strong>de</strong> apropiación expresiva <strong>de</strong> los mundos sociales”. Vizer, Famecos<br />

28


2007). Estas dos categorías <strong>de</strong> análisis cobran enorme relevancia en los procesos <strong>de</strong> comunicación<br />

mediatizada, ya que la información y los procesos técnicos exigen la creación y el dominio <strong>de</strong><br />

técnicas y dispositivos instrumentales y operativos. En cambio las relaciones <strong>de</strong> sentido solo se<br />

construyen a partir <strong>de</strong> la capacidad <strong>de</strong> interpretar los dispositivos, los códigos y lenguajes <strong>de</strong> los<br />

soportes técnicos <strong>de</strong> cada medio en particular (cine, televisión, celular, computadora, etc.). Es a la<br />

universalización <strong>de</strong> estos procesos a lo que <strong>de</strong>nominamos mediatización social.<br />

5. Comunicación mediada por televisión (analógica o digital)<br />

Que diferencia la “comunicación humana” <strong>de</strong> la comunicación por tele-visión ? Que tiene<br />

<strong>de</strong> específico el “uso <strong>de</strong> tecnologías en contextos <strong>de</strong> interfase hombre máquina”?<br />

En primer lugar hay que consi<strong>de</strong>rar el <strong>de</strong>sarrollo histórico y omnipresente <strong>de</strong> la Cultura<br />

Tecnológica (Vizer 1983, 2003, 2007), en especial <strong>de</strong> los medios <strong>de</strong> comunicación y las TIC’s. El<br />

estado, la sociedad, las organizaciones y las relaciones sociales se hacen absolutamente<br />

<strong>de</strong>pendientes <strong>de</strong> la construcción <strong>de</strong> dispositivos <strong>de</strong> interfase inteligentes (sistemas expertos <strong>de</strong><br />

procesamiento <strong>de</strong> la información). Cuatro siglos <strong>de</strong>spués <strong>de</strong> la imprenta, los medios <strong>de</strong><br />

comunicación <strong>de</strong>l siglo XX revolucionaron la sociedad y la cultura al crear los primeros<br />

dispositivos masivos <strong>de</strong> interfase dinámicos (capaces <strong>de</strong> imitar técnicamente tiempos y espacios en<br />

movimiento). La ilusión <strong>de</strong> realidad se instaló como una nueva realidad <strong>de</strong> la Cultura<br />

Tecnológica. Y esta ilusión modificó las formas <strong>de</strong> percepción humana, tanto a nivel colectivo<br />

como individual. Los medios <strong>de</strong> comunicación audiovisuales (en primer lugar la televisión)<br />

potenciaron las capacida<strong>de</strong>s perceptivas <strong>de</strong> ser humano, instalando nuevas formas <strong>de</strong> a-percibir el<br />

espacio y el tiempo en ilusión <strong>de</strong> movimiento (el movimiento se construye en nuestra mentes al<br />

organizar los estímulos que provienen <strong>de</strong> nuestros sentidos).<br />

Que pasa ahora con nuestro mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> comunicación? En primer lugar po<strong>de</strong>mos notar que<br />

el proceso referencial es absolutamente hegemónico, y coinci<strong>de</strong> con el producto mensaje-<br />

mediático que estamos percibiendo (un film, un noticiero o una novela). El proceso <strong>de</strong><br />

referenciación se construye a través <strong>de</strong> lenguajes icónicos y sonoros que “construyen” a través <strong>de</strong><br />

indicios (2), una simulación <strong>de</strong> espacios físicos (horizonte, sol, luna, casa, etc.). Una simulación <strong>de</strong>l<br />

tiempo, <strong>de</strong> personajes y situaciones arquetípicas reconocibles, <strong>de</strong> gestos, <strong>de</strong> acciones y rituales, <strong>de</strong><br />

signos y <strong>de</strong> símbolos.<br />

Para dar “sentido” y verosimilitud a lo que observamos como televi<strong>de</strong>ntes, generalmente<br />

“trasladamos” (o bien proyectamos) nuestras categorías perceptivas <strong>de</strong> la vida real (como el ícono<br />

“reloj” representando “tiempo”, índices sonoros que se asocian a voces humanas, a truenos, al<br />

29


agua). Las categorías <strong>de</strong> la vida cotidiana son inconscientemente “aplica<strong>das</strong>” a las situaciones que<br />

nos presentan las escenas <strong>de</strong> televisión o el cine, porque es el modo “natural” <strong>de</strong> organizar las<br />

percepciones <strong>de</strong>l mundo en que hemos sido socializados durante generaciones. Este proceso <strong>de</strong><br />

inteligibilidad ancestral <strong>de</strong>l mundo <strong>de</strong> la vida es el que se ve amenazado en las jóvenes<br />

generaciones que viven “plugged” (enchufados) al computador y a sus dispositivos y lógicas<br />

operativas <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la primera infancia (este será el tema <strong>de</strong>l próximo punto a tratar). Volviendo a la<br />

televisión, <strong>de</strong>scubrimos que para llegar a asombrarnos, para imaginar, para enten<strong>de</strong>r, para llorar y<br />

reír, lo hacemos solo porque hemos proyectado en la pantalla (en sus imágenes y en sus sonidos),<br />

las categorías <strong>de</strong> a-percepción <strong>de</strong>l mundo <strong>de</strong> la vida: espacios, contextos, situaciones humanas,<br />

personajes, símbolos y emociones que hemos experimentado en uno u otro momento <strong>de</strong> la vida.<br />

El mensaje televisivo exige e impacta sobre nuestros procesos <strong>de</strong> auto-referenciación<br />

subjetiva. Es como si inconscientemente el teleespectador imaginara que los actores y las<br />

situaciones fueran presenta<strong>das</strong> “para mí”. Tanto los actores como los presentadores <strong>de</strong> televisión<br />

utilizan este “efecto imaginario” <strong>de</strong> subjetivación <strong>de</strong> manera totalmente profesional y conciente.<br />

Este efecto se monta sobre una simulación <strong>de</strong> inter-referenciación con el espectador. Un efecto <strong>de</strong><br />

diálogo simulado:“le estoy hablando a usted, míreme, escúcheme, hablo con mi boca, con mis<br />

gestos, mis ojos y hasta con mis manos.. no <strong>de</strong>je <strong>de</strong> hacerlo, no cambie <strong>de</strong> canal”. Ningún<br />

profesional <strong>de</strong> la televisión lo dice con palabras. Pero lo hace <strong>de</strong> mil maneras, con signos y señales<br />

que aprendió en el oficio.<br />

La televisión es antidialógica. Desarrolla dispositivos referenciales y auto-referenciales, y<br />

solo consigue enganchar nuestro interés cuando es capaz <strong>de</strong> generar la ilusión <strong>de</strong> inter-<br />

referencialidad. Pero es un diálogo entre dos autistas: el que está “<strong>de</strong>trás” <strong>de</strong> la pantalla y el que<br />

está frente a la pantalla. La tecnología opera como mediación entre ambos. Las otras categorías que<br />

presenté (construcción <strong>de</strong> tiempos, espacios, vínculos, relaciones <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r, imágenes y símbolos<br />

culturales), operan semióticamente como dispositivos capaces <strong>de</strong> generar inteligibilidad y<br />

verosimilitud. Como efectos <strong>de</strong>l discurso audiovisual. En este sentido, hay una realidad semiótica<br />

real, sobre la que se monta un proceso psicosocial, <strong>de</strong> naturaleza abductiva, autoreferente y<br />

subjetiva. Un mundo imaginario <strong>de</strong> la vida.<br />

6. Comunicación mediada por Internet (absolutamente digital)<br />

La <strong>de</strong>scripción hecha anteriormente correspon<strong>de</strong> en forma específica a la tradicional<br />

televisión analógica. La televisión digital gradualmente irá mudando aspectos <strong>de</strong> este proceso,<br />

porque la digitalización genera paradigmas y dispositivos <strong>de</strong> permutación entre objetos “reales” y<br />

30


su formulación matemática digitalizada. Algunos argumentarán que se trata <strong>de</strong> nuevas<br />

“realida<strong>de</strong>s”, y los mas críticos dirán que se trata <strong>de</strong> realida<strong>de</strong>s totalmente artificiales.<br />

Veamos ahora que suce<strong>de</strong> con nuestras tres dimensiones <strong>de</strong>l mo<strong>de</strong>lo en el Laberinto <strong>de</strong> los<br />

hipertextos y los hipermedia que se construye en Internet. En primer lugar, nuestras tres<br />

dimensiones se recuperan y potencian cuando se compara Internet con los medios audiovisuales<br />

clásicos como la televisión. En la televisión el proceso <strong>de</strong> mediatización exige el divorcio material<br />

entre el medio y el receptor: el programa ha sido elaborado como un producto a ser consumido en<br />

forma físicamente pasiva. El procesamiento perceptivo e interpretativo se realiza a través <strong>de</strong> los<br />

sentidos y la interpretación subjetiva <strong>de</strong>l televi<strong>de</strong>nte. El proceso subjetivo se realimenta con una<br />

interreferenciación imaginaria con el equipo (como ser miembro <strong>de</strong> y participar <strong>de</strong>l juego con el<br />

equipo <strong>de</strong> nuestros sueños). Esto se percibe claramente tanto en los estadios <strong>de</strong>portivos como frente<br />

a la pantalla <strong>de</strong> televisión, a través <strong>de</strong> los gestos, los gritos <strong>de</strong> aliento a los jugadores.<br />

El proceso <strong>de</strong> referenciación coinci<strong>de</strong> con una realidad virtual, don<strong>de</strong> todo se ve y todo se<br />

oye por cualquiera <strong>de</strong> los jugadores o partícipes <strong>de</strong> una red establecida por acuerdo mutuo. Las<br />

TIC’s han logrado una auténtica y revolucionaria mediatización <strong>de</strong> las relaciones sociales.<br />

Respecto a las categorías diferencia<strong>das</strong> entre proceso técnico y proceso <strong>de</strong> sentido, vemos que los<br />

dispositivos técnicos y operativos han tomado un lugar prepon<strong>de</strong>rante, y el proceso <strong>de</strong> construcción<br />

<strong>de</strong> sentido <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>de</strong>l uso <strong>de</strong> los códigos y lenguajes operativos apropiados y compartidos (o sea<br />

el manejo <strong>de</strong> códigos, lenguajes y operaciones aprendi<strong>das</strong>). La Cultura Tecnológica se ha asentado<br />

como un sistema <strong>de</strong> relaciones sociales hegemónicas.<br />

Conclusiones<br />

Comencé este trabajo mencionando los argumentos <strong>de</strong> Chara<strong>de</strong>au sobre la necesidad <strong>de</strong><br />

tomar en cuenta tanto los aspectos psicosociales como los semiodiscursivos. Es importante hacer<br />

notar que el concepto <strong>de</strong> autoreferencia señala fundamentalmente a los procesos psíquicos,<br />

mientras el <strong>de</strong> inter-referencia (evitando la noción empirista <strong>de</strong> interacción) apunta a los aspectos<br />

<strong>de</strong>l contexto y el intercambio social, la comunicación dialógica, la construcción <strong>de</strong>l yo (ego) en<br />

relación al Otro. Por fin, el concepto <strong>de</strong> referencia implica la materia (textual, icónica, audiovisual)<br />

y a los procesos semióticos que acompañan su interpretación.<br />

El proceso <strong>de</strong> convergencia creciente entre las TIC’s pue<strong>de</strong> <strong>de</strong>volver parte <strong>de</strong> la magia <strong>de</strong><br />

los “mundos perdidos” <strong>de</strong> la infancia, con sus héroes y sus monstruos <strong>de</strong> cuento. Para finalizar,<br />

retomando el esquema tridimensional <strong>de</strong> la comunicación y los conceptos teóricos sobre las<br />

diferentes dimensiones –o categorías- sociocomunicativas <strong>de</strong> la vida social, po<strong>de</strong>mos afirmar que<br />

31


cada medio que históricamente se ha ido instalando en la sociedad (escritura, fotografía, imágenes<br />

en movimiento, televisión y ahora las TIC’s), modifica y recrea la forma <strong>de</strong> existencia <strong>de</strong> las<br />

categorías sociosimbólicas <strong>de</strong> construcción <strong>de</strong>l mundo <strong>de</strong> la vida. Se transforman y recrean<br />

nuestros sentidos, la percepción y las posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> acción e intervención sobre las relaciones<br />

espaciales y temporales, las formas <strong>de</strong> relación y vínculo social, las formas <strong>de</strong> generar y reconocer<br />

nuevos lenguajes y símbolos, los dispositivos <strong>de</strong> ejercicio y control <strong>de</strong>l po<strong>de</strong>r en las instituciones y<br />

los sistemas sociales. Po<strong>de</strong>mos reconocer finalmente que Mac Luhan no estaba tan errado.<br />

* * *<br />

(1) “Tenemos allí la primeridad, que es la cualidad que se percibe; la segundidad, que es<br />

la substancia individual a la que es inherente esa cualidad, y la terceridad, que es la relación que<br />

se pue<strong>de</strong> establecer entre esa substancia y otros sujetos <strong>de</strong> inherencia”( M. G. Murphey, pp. 77-<br />

78, citado por Mauricio Beuchot, Razón y Palabra Número 21. Febrero 2001).<br />

Si el “procesamiento” mental <strong>de</strong> la información presupone operaciones cognitivas asocia<strong>das</strong><br />

a una lógica inductiva/<strong>de</strong>ductiva, el proceso <strong>de</strong> comunicación presenta asociaciones estrechas con<br />

una construcción perceptiva indicial y una “lógica” abductiva que “construye imaginariamente” el<br />

sentido <strong>de</strong> una frase, una imagen o una situación, a partir <strong>de</strong> señales que cumplen la función <strong>de</strong><br />

índices <strong>de</strong> un objeto o <strong>de</strong> un contexto, permitiendo así un proceso <strong>de</strong> interpretación y adjudicación<br />

<strong>de</strong> sentido. La hipótesis que sostengo aquí es que la comunicación, en tanto proceso <strong>de</strong><br />

construcción <strong>de</strong> sentido, se constituye en base a una conjunción <strong>de</strong> procesos tanto corporales como<br />

cognitivos y afectivos. La vida psíquica mas elaborada se manifiesta sobre todo en un or<strong>de</strong>n<br />

simbólico e imaginario, que en relación a los procesos mediáticos tien<strong>de</strong> a proyectar e introyectar<br />

<strong>de</strong> la pantalla y hacia la pantalla, formas <strong>de</strong> construcción <strong>de</strong> sentido culturalmente estableci<strong>das</strong>. Las<br />

operaciones intelectuales (como lógicas perceptivas y <strong>de</strong> interpretación cognitiva) se asientan en<br />

dispositivos simbólicos e imaginarios <strong>de</strong> interpretación <strong>de</strong> índices relacionados entre sí, y <strong>de</strong><br />

procesos <strong>de</strong> abducción e iconicidad, no solamente “racionales” sino emotivos, alimentados por la<br />

percepción y aún las sensaciones y la memoria corporal (o sea, en base a procesos <strong>de</strong> “primeridad”<br />

para Peirce, mientras que la creencia mas generalizada asume el “sentido” como un proceso casi<br />

puramente mental y <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n <strong>de</strong> la “terceridad” Peirceana).<br />

(2) El indicio se basa en una relación diádica existencial en que “la relación existencial no<br />

pue<strong>de</strong> ser <strong>de</strong>finida. Es existente en cuanto a que su ser no consiste en cualida<strong>de</strong>s, sino en sus<br />

32


efectos – en su realmente actuar y ser actuado, en la medida que esta acción dure” .Y “qué es un<br />

índice, o verda<strong>de</strong>ro síntoma ? (Peirce CP 6.318, y CP 2.338,); mencionado por Fernando Andacht<br />

en “Representación televisiva <strong>de</strong> lo real y la semiótica triádica <strong>de</strong> Peirce”. Instituto <strong>de</strong> Estudios en<br />

Comunicación y Cultura – IECO. Univ. Nacional <strong>de</strong> Colombia (compil.). “Proyectar<br />

imaginarios”. Edit. IECO Soc. Cultural la Balsa S.A. 2006.<br />

Referencias<br />

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Nathan, 1997. p.5-25<br />

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MIÈGE, Bernard. O pensamento comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2000.<br />

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_____. Principles of Philosophy. On a New List of Categories [27] (1867 y 1893). In: CP, 1.559.<br />

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VIZER, Eduardo. La trama (in)visible <strong>de</strong> la vida social: comunicación, sentido y realidad. 2ed. Buenos<br />

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Iberoamericana en Teorías <strong>de</strong> la Com.) Univ. <strong>de</strong> Guadalajara, y Asoc. Latinoam. <strong>de</strong> Investigadores <strong>de</strong> la<br />

Com. (ALAIC). México, 1994. ISBN 968-895-577-9<br />

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capitalismo informacional. In: Perspectiva Latinoamericana. N1. Public. <strong>de</strong> la Asociación<br />

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los mundos sociales. Proposiciones para un Programa <strong>de</strong> Investigación sociocomunicacional. In:<br />

Famecos. N32. abril/maio. Porto Alegre: PUCRS, 2007.<br />

_____. Interfases y líneas <strong>de</strong> investigación entre procesos sociales y procesos <strong>de</strong> comunicación. In:<br />

Cenários, teorías e epistemologías da Comunicação, Jairo Ferreira (org.). Rio <strong>de</strong> Janeiro: E-papers,<br />

2007.<br />

33


EL TERRITORIO COMO MEDIATIZADOR EN PROCESOS DE<br />

DESARROLLO LOCAL<br />

Eduardo Rebollo<br />

Resumen: En este artículo se reflexiona sobre el rol mediatizador <strong>de</strong> un territorio en un proceso <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>sarrollo local. Se parte <strong>de</strong>l concepto <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo local como mo<strong>de</strong>lo y <strong>de</strong> cómo lo territorial inci<strong>de</strong> en un<br />

proceso <strong>de</strong> generación <strong>de</strong> riqueza genuina y sostenible para una localidad. Se investigan los actores<br />

socio/territoriales locales y las categorías con las que un lugar pue<strong>de</strong> lograr una imagen reputada y<br />

competitiva para convocar públicos que contribuyan a la mejora <strong>de</strong> la calidad <strong>de</strong> vida <strong>de</strong>l lugar. Se intenta<br />

mostrar la potencialidad mediatizadora <strong>de</strong>l territorio para que el mismo pueda convertirse en sujeto y<br />

centralidad en el proceso <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo. Mediar a<strong>de</strong>cuadamente opera como oportunidad en una coyuntura<br />

en que es imperativo ser creativos en el diseño <strong>de</strong> dinámicas sociales y económicas.<br />

Palabras clave: territorio, mediatización, <strong>de</strong>sarrollo local, imagen <strong>de</strong>l territorio<br />

Presentación<br />

Este trabajo plantea una reflexión en torno a la gestión <strong>de</strong> la imagen <strong>de</strong> marca <strong>de</strong> un<br />

territorio y su utilidad en un proceso <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo local. Conceptualmente lo “local” se vincula a la<br />

territorialidad, pero más que un espacio en el que ocurren las cosas, consi<strong>de</strong>ramos que el territorio<br />

es un significante textual cuyas representaciones en los imaginarios colectivos van a ser en gran<br />

medida <strong>de</strong>terminantes en dicho proceso <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo.<br />

Nos proponemos analizar aquí los mecanismos mediante los que un lugar logra percepción<br />

positiva, reputación y un posicionamiento <strong>de</strong>seado en el imaginario <strong>de</strong> públicos. El objetivo <strong>de</strong><br />

estas acciones es mediar entre actores intra y extraterritoriales <strong>de</strong> forma <strong>de</strong> lograr y posicionar el<br />

territorio como un lugar <strong>de</strong> oportunida<strong>de</strong>s para la captación <strong>de</strong> públicos inversores, visitantes o<br />

nuevos resi<strong>de</strong>ntes.<br />

La inquietud que subyace a estos propósitos es que una vez superados algunos <strong>de</strong> los temas<br />

fundamentales internos <strong>de</strong> una localidad – como la articulación <strong>de</strong> actores para abordar<br />

conjuntamente las problemáticas locales; la generación <strong>de</strong> un ámbito <strong>de</strong> <strong>de</strong>bate para el tratamiento<br />

colectivo <strong>de</strong> asuntos; el alcance <strong>de</strong> consensos sobre el futuro <strong>de</strong>seado para la localidad etc. – el<br />

territorio se encuentre encerrado en sí mismo, con escasos vínculos con el entorno o sin las<br />

interacciones necesarias para la negociación y generación <strong>de</strong> riqueza local.<br />

Esto supone explorar los procesos <strong>de</strong> gestión para la creación, mantenimiento,<br />

consolidación o modificación <strong>de</strong> la imagen territorial e implica estudiar los mecanismos que<br />

permiten incidir sobre los elementos que la conforman, así como analizar sus funciones y alcances.<br />

34


Estos asuntos centran los propósitos <strong>de</strong>l artículo, que <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la perspectiva <strong>de</strong> la comunicación<br />

social, busca contribuir conceptualmente en el <strong>de</strong>bate <strong>de</strong> mediación y <strong>de</strong>sarrollo social.<br />

1. Distintos enfoques sobre el <strong>de</strong>sarrollo<br />

La historia <strong>de</strong>l <strong>de</strong>sarrollo evi<strong>de</strong>ncia constantes cambios <strong>de</strong> enfoque en los que según<br />

momentos y circunstancias, se han colocado acentos sobre diferentes protagonistas y roles. Frente<br />

al mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo característico <strong>de</strong> la segunda posguerra, don<strong>de</strong> se buscaba atraer empresas e<br />

inversionistas externos y se i<strong>de</strong>aban sistemas y alianzas <strong>de</strong> cooperación internacional para<br />

favorecer el progreso y el crecimiento, a partir <strong>de</strong> los años setenta se abrió paso a nuevas políticas<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo que revaloraron el potencial endógeno y resaltaron el papel <strong>de</strong>l territorio como algo<br />

más que un soporte <strong>de</strong> activida<strong>de</strong>s económicas inconexas.<br />

La i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo como un camino único perdió sentido y “en esta nueva mirada hacia<br />

la problemática <strong>de</strong>l <strong>de</strong>sarrollo, las ten<strong>de</strong>ncias a la <strong>de</strong>scentralización y a la valoración <strong>de</strong> la<br />

iniciativa local han cobrado una fuerza especial.” 17 Así, en medio <strong>de</strong> un ámbito <strong>de</strong> crisis, en los<br />

finales <strong>de</strong> los años setenta comenzó a hablarse <strong>de</strong> “<strong>de</strong>sarrollo local” basado en el concepto <strong>de</strong> “la<br />

iniciativa local”. Volvió a cobrar valor la pequeña dimensión y hasta “cierta i<strong>de</strong>ología <strong>de</strong> lo<br />

pequeño y lo local sustituyó las viejas creencias en las macrodinámicas, en los gran<strong>de</strong>s proyectos,<br />

en los gigantescos polos industriales” 18<br />

Lo local tomó fuerza en relación a espacios con i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>s culturales <strong>de</strong>fini<strong>das</strong> y hasta se<br />

volvió difícil, si no imposible, pensar en claves <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo económico al margen <strong>de</strong> la categoría<br />

<strong>de</strong> lo cultural. Las iniciativas individuales y colectivas cobraron valor en la creación <strong>de</strong> pequeñas<br />

empresas que impulsaron proyectos innovadores y dinamizaron los tejidos socioeconómicos<br />

locales. Así, se volvió inevitable referirse a socieda<strong>de</strong>s locales, concepto que, según Arocena<br />

(2001), sólo pue<strong>de</strong> aplicarse si existen condiciones mínimas imprescindibles que se expresan en<br />

dos niveles: el <strong>de</strong> lo socioeconómico y el <strong>de</strong> lo cultural.<br />

En los años ochenta los procesos <strong>de</strong> <strong>de</strong>scentralización y <strong>de</strong>sarrollo local comenzaron a<br />

instalarse en la escena para aportar nuevas mira<strong>das</strong> y formas originales <strong>de</strong> enten<strong>de</strong>r aquellos<br />

procesos. El <strong>de</strong>sarrollo endógeno como estrategia se transformó en un proyecto activo <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>sarrollo local en la medida que los gobiernos locales fueron incorporando funciones <strong>de</strong> diseño y<br />

ejecución <strong>de</strong> políticas <strong>de</strong> largo aliento para resolver sus problemas y protegerse <strong>de</strong> los cambios<br />

ocurridos a escala planetaria.<br />

17 El <strong>de</strong>sarrollo local: un <strong>de</strong>safío contemporáneo. José Arocena. Ed. Taurus, Montevi<strong>de</strong>o, 2001, pág. 18.<br />

18 Op. cit. pág. 20<br />

35


La propuesta <strong>de</strong>l modo <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo local no surgió entonces como producto <strong>de</strong> un cambio<br />

<strong>de</strong> estrategia <strong>de</strong> los estados, sino como consecuencia <strong>de</strong> las medi<strong>das</strong> <strong>de</strong> algunos gobiernos locales y<br />

regionales que optaron por intervenir en su <strong>de</strong>finición ante los cambios operados en el contexto. La<br />

i<strong>de</strong>ntidad <strong>de</strong>l territorio cobró protagonismo como diferencial básico con capacidad mediadora para<br />

generar conciencia <strong>de</strong> que sus propias singularida<strong>de</strong>s pue<strong>de</strong>n ser elementos <strong>de</strong> gran potencialidad<br />

para tomar medi<strong>das</strong> con que alcanzar las mejoras pretendi<strong>das</strong>.<br />

2. Desarrollo local y mediación territorial<br />

Los factores básicos <strong>de</strong> esta forma <strong>de</strong> enten<strong>de</strong>r el rol <strong>de</strong>l territorio no son sólo materiales ni<br />

se refieren a aspectos puramente económicos 19 , sino que parte <strong>de</strong> su centralidad está ocupada por<br />

ejemplo, por asegurar la sostenibilidad <strong>de</strong> los emprendimientos, los asuntos medioambientales,<br />

sociales, culturales, temas en los que la innovación y el aporte <strong>de</strong> las nuevas tecnologías juegan<br />

roles fundamentales. La i<strong>de</strong>a es que cada territorio cuenta con atributos que, puestos en valor,<br />

resultan esenciales en la articulación <strong>de</strong> un proceso <strong>de</strong> crecimiento, <strong>de</strong> transformación económica<br />

local y <strong>de</strong> mejora <strong>de</strong> las condiciones <strong>de</strong> vida <strong>de</strong> sus habitantes (Hernando, M., 2007).<br />

Los distintos aspectos <strong>de</strong> los procesos <strong>de</strong> mediación intra y extraterritoriales a que nos<br />

referimos, existen en forma material e inmaterial, por lo que se componen <strong>de</strong> asuntos simbólicos,<br />

tangibles e intangibles. En un lugar se pue<strong>de</strong>n hacer exenciones tributarias por ejemplo, pero el<br />

territorio también conforma imágenes, constructos mentales entre quienes se vinculan con él en<br />

tanto espacio <strong>de</strong> mediación.<br />

Las imágenes son resultado <strong>de</strong> las influencias recíprocas ocurri<strong>das</strong> entre el medio ambiente<br />

y el observador. Así el medio ambiente proporciona relaciones y distinciones en tanto el<br />

observador incluye, excluye y jerarquiza lo que observa <strong>de</strong>s<strong>de</strong> sus conocimientos e intereses. De<br />

modo que cada cual crea sus propios significados, lo que hace que la imagen <strong>de</strong> un “realidad”<br />

territorial cambie <strong>de</strong> un sujeto a otro.<br />

Un fenómeno que es potenciado por la globalización y por el ritmo acelerado <strong>de</strong> los<br />

cambios tecnológicos y económicos, las fortalezas y atributos <strong>de</strong> una localidad pue<strong>de</strong>n <strong>de</strong>jar <strong>de</strong><br />

serlo en poco tiempo y ello obligará a modificar rumbos. El territorio es cada vez más un escenario<br />

inestable y ello obliga lleva a ser cautos con los diagnósticos y las medi<strong>das</strong> que se propongan.<br />

19 “La propuesta <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo local implica necesariamente consi<strong>de</strong>rar múltiples dimensiones interactuando en un territorio:<br />

económicas, sociales políticas, institucionales y cultural-i<strong>de</strong>ntitarias. Son dimensiones que se condicionan mutuamente. Si bien sin<br />

<strong>de</strong>sarrollo económico local no pue<strong>de</strong> haber <strong>de</strong>sarrollo, no estamos subrayado lo económico como única variable interviniente.”<br />

Javier Marsiglia y Graciela Pintos, La construcción <strong>de</strong>l <strong>de</strong>sarrollo como <strong>de</strong>safío metodológico, en Desarrollo local en la<br />

globalización, Javier Marsiglia compilador. Ed. Claeh, Montevi<strong>de</strong>o 1999.<br />

36


Lo experimentado en diversos lugares permite consi<strong>de</strong>rar las relaciones entre territorio y<br />

<strong>de</strong>sarrollo local y sacar partido a asuntos que hasta hace poco no habían sido tenidos en cuenta<br />

suficientemente. Un marco teórico multidisciplinario amplio va a permitir analizar y compren<strong>de</strong>r<br />

cuestiones presentes en cualquier región y que muestran los vínculos entre lo territorial como<br />

medio <strong>de</strong> comunicación social en un proyecto <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo local. Según B. Kosacoff (2004) existe<br />

3. El territorio media<br />

“una dimensión poco explorada en el medio académico<br />

local <strong>de</strong>dicado a la gestión metropolitana…. Los estudios<br />

basados en la imagen <strong>de</strong> la ciudad no ocuparon el espacio<br />

que merecían si se los compara con el lugar al que accedían<br />

otros factores <strong>de</strong> la competitividad territorial. (…) las<br />

experiencias acumula<strong>das</strong> en las últimas déca<strong>das</strong> reclaman<br />

la generación <strong>de</strong> marcos conceptuales con fuerte vocación<br />

transdiciplinaria que evi<strong>de</strong>ncien la complejidad estructural<br />

y vivencial <strong>de</strong> las ciuda<strong>de</strong>s (…). En el contexto <strong>de</strong> una<br />

economía cada vez más globalizada, las ciuda<strong>de</strong>s y las<br />

regiones se están convirtiendo <strong>de</strong> forma creciente en agentes<br />

<strong>de</strong>cisivos <strong>de</strong>l <strong>de</strong>sarrollo económico” 20<br />

Nos encontramos ante un nuevo escenario socioeconómico don<strong>de</strong> el territorio se revela<br />

como mucho más que un espacio geográfico, don<strong>de</strong> adquiere un papel fundamental en una<br />

estrategia para el <strong>de</strong>sarrollo local sostenible. Es preciso diseñar políticas innovadoras y que los<br />

atributos <strong>de</strong>l lugar sean productos útiles a un plan estratégico.<br />

Los territorios, igual que las empresas y organizaciones, compiten cada vez más por<br />

convocar públicos que emprendan algún tipo <strong>de</strong> negociación con el lugar. G. Fernán<strong>de</strong>z y G. Leva<br />

(2004) señalan al respecto que “existe un mercado global <strong>de</strong> capitales al que las ciuda<strong>de</strong>s tienen<br />

que acce<strong>de</strong>r y la forma <strong>de</strong> hacerlo es potenciando sus ventajas competitivas.” 21<br />

Aunque hay algunas ten<strong>de</strong>ncias promisorias, lo cierto es que la conciencia <strong>de</strong> los gobiernos<br />

locales no está aún lo suficientemente <strong>de</strong>sarrollada como para encarar políticas al respecto. Se trata<br />

<strong>de</strong> diseñar mecanismos que permitan trabajar sobre el posicionamiento <strong>de</strong>l territorio como<br />

mediador entre ofertas y <strong>de</strong>man<strong>das</strong>, pero trascendiendo lo puramente mercantil para centrarse en<br />

aspectos <strong>de</strong>l <strong>de</strong>sarrollo social.<br />

20 Lecturas <strong>de</strong> economía, gestión y ciudad. Bernardo Kosacoff, pág. 10, Ed. Universidad Nacional <strong>de</strong> Quilmas, Buenos Aires, 2004.<br />

21 Lecturas <strong>de</strong> economía, gestión y ciudad. Gabriel Fernán<strong>de</strong>z y Germán Leva, pág. 15, Ed. Universidad Nacional <strong>de</strong> Quilmes,<br />

Buenos Aires, 2004.<br />

37


4. Las localida<strong>de</strong>s y su entorno<br />

Los estados latinoamericanos <strong>de</strong> fuerte impronta centralista tuvieron hasta hace poco<br />

mo<strong>de</strong>los con una visión y un enfoque para la gestión <strong>de</strong> su territorio acor<strong>de</strong> con sus modos <strong>de</strong><br />

enten<strong>de</strong>rse como organizaciones. Pero si miramos esa realidad hoy, vemos que eso está proceso <strong>de</strong><br />

cambio. Muchas localida<strong>de</strong>s (aunque en términos cuantitativos las cifras son todavía irrelevantes)<br />

repiensan sus políticas e intervienen más directamente en la administración y el diseño <strong>de</strong> planes<br />

para la generación <strong>de</strong> riqueza. Aparecen nuevas maneras <strong>de</strong> gobernabilidad y agen<strong>das</strong> con nuevos<br />

contenidos.<br />

Algunos gobiernos locales <strong>de</strong>scubren la importancia y el valor <strong>de</strong> los territorios para<br />

encontrar y explotar su competitividad. Buscan crear o realzar una imagen territorial reputada para<br />

proyectarse a nivel regional, nacional e internacional. Esto hace que en los proyectos <strong>de</strong> gestión <strong>de</strong><br />

esos lugares se conciba a las localida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> manera parecida a que un empresario pue<strong>de</strong> enten<strong>de</strong>r a<br />

sus empresa.<br />

El territorio <strong>de</strong>be atraer capitales y conseguir públicos para sus productos y servicios. Una<br />

ciudad se pue<strong>de</strong> promocionar y posicionar. En tanto hoy asistimos a una suerte <strong>de</strong> saturación <strong>de</strong><br />

ofertas <strong>de</strong> lugares para visitar, habitar, invertir e infinidad <strong>de</strong> productos y servicios, en medio <strong>de</strong><br />

una explosión <strong>de</strong> canales en los que se apela a los públicos con promesas que hacen imposible que<br />

la gente pueda compren<strong>de</strong>r las diferencias entre todo lo que está disponible, se diseñan estrategias<br />

para aprovechar estas ten<strong>de</strong>ncias.<br />

Como cada vez es más difícil distinguir los atributos y ventajas objetivas <strong>de</strong> lo que se<br />

promete, la imagen <strong>de</strong> los sujetos productores, lugares y condiciones <strong>de</strong> producción se ha<br />

transformado en una enorme oportunidad <strong>de</strong> diferenciación que oficia como diferencial clave en el<br />

momento en que los consumidores tienen que elegir. El territorio ha pasado a ser un sujeto y un<br />

pilar que respalda a productos y servicios y esto está haciendo <strong>de</strong>splazar los acentos que antes se<br />

colocaban sobre productos y servicios hacia los contextos y maneras <strong>de</strong> producir.<br />

5. Imagen <strong>de</strong>l territorio como medio <strong>de</strong> comunicación<br />

La imagen 22 es una representación virtual que un sujeto construye en su mente a partir <strong>de</strong><br />

estímulos y señales que genera y emite otro. Así, es una construcción mental, una i<strong>de</strong>a, que como<br />

tal es intangible. Los estímulos que la conforman surgen <strong>de</strong> acciones voluntarias e involuntarias y<br />

22 La imagen <strong>de</strong> una localidad es un conjunto <strong>de</strong> i<strong>de</strong>as y convicciones que un individuo se crea sobre cómo es un lugar, a partir <strong>de</strong><br />

experiencias propias o <strong>de</strong> otras transmiti<strong>das</strong> por terceros. La importancia <strong>de</strong> esto es que es en base a esas convicciones que se toman<br />

<strong>de</strong>cisiones y se actúa.<br />

38


cualquier territorio está siempre generando y enviando mensajes a quienes <strong>de</strong> algún modo se<br />

vinculan con él.<br />

La imagen <strong>de</strong> un territorio surge <strong>de</strong> experiencias propias, in situ; a través <strong>de</strong> lecturas;<br />

informaciones o <strong>de</strong> lo que otros cuentan. Atributos, singularida<strong>de</strong>s geográficas, formas <strong>de</strong> relación<br />

humana… pero también <strong>de</strong> la forma en que sus habitantes se perciben a sí mismos, <strong>de</strong> cómo se<br />

autovaloran; <strong>de</strong> la manera en que tratan a otros; <strong>de</strong> lo que dice su cultura, que se refleja en sus<br />

pensamientos, sentimientos y formas <strong>de</strong> comportamiento. Así, <strong>de</strong> un territorio surgen mensajes a<br />

partir <strong>de</strong> elementos tangibles e intangibles. Datos materiales y simbólicos que <strong>de</strong>liberadamente o<br />

<strong>de</strong> forma involuntaria, dan pistas para que en procesos individuales, cada cual construya su imagen<br />

<strong>de</strong>l territorio.<br />

Como se crea a partir <strong>de</strong> las variables referi<strong>das</strong> antes (lo visual, lo cultural y lo<br />

comunicacional) es posible incidir sobre ellas y alterarlas. Para ello se <strong>de</strong>be consi<strong>de</strong>rar que esas<br />

variables son factores <strong>de</strong> carácter recursivo, parte <strong>de</strong> una trama constitutiva <strong>de</strong> un sistema don<strong>de</strong> si<br />

se modifica una, se afectará directa o indirectamente a las <strong>de</strong>más con lo que mediante la alteración<br />

se estará generando una nueva trama que transformará la percepción general <strong>de</strong>l territorio. 23<br />

6. Posicionamiento <strong>de</strong>l territorio<br />

Un territorio que intente captar públicos, compite en una lógica <strong>de</strong> mercado <strong>de</strong> territorios,<br />

igual que un producto o servicio. En tanto los mercados <strong>de</strong> hoy están en permanente<br />

transformación, hay que plantear procesos <strong>de</strong> planificación estratégicos con visión prospectiva 24 .<br />

Eso pue<strong>de</strong> contribuir a evitar acciones por reacción ante situaciones complejas o <strong>de</strong> crisis.<br />

En momentos <strong>de</strong> proliferación <strong>de</strong> productos y servicios, como los actuales, cuando para los<br />

consumidores se vuelve difícil diferenciar entre propuestas casi idénticas, los sujetos, los<br />

escenarios y las condiciones <strong>de</strong> producción se han vuelto una oportunidad para las localida<strong>de</strong>s. La<br />

atención que antes se ponía sobre las características <strong>de</strong> los productos, se ha trasladado a los sujetos<br />

23 Estos conceptos que muy sintéticamente aparecen aquí, nos sitúan ante dos líneas metodológicas que están presentes en todo este<br />

trabajo: la perspectiva sistémica propuesta por Von Bertalanffy y la teoría <strong>de</strong> la complejidad <strong>de</strong>sarrollada por E. Morin. Para ampliar<br />

perspectivas pue<strong>de</strong> consultarse Teoría general <strong>de</strong> los sistemas: fundamentos, <strong>de</strong>sarrollo, aplicaciones, Ludwing von Bertalanffy, Ed.<br />

Fondo <strong>de</strong> la Cultura Económica, Buenos Aires, 2007; Introducción al pensamiento complejo. Edgar Morin, Ed. Gedisa, Barcelona,<br />

2001.<br />

24 En “Prospectiva y planificación estratégica”, Michel Go<strong>de</strong>t (1991), sostiene que la prospectiva es una reflexión para planificar<br />

acciones. No es futurología ni simple previsión. Ante la incertidumbre y los cambios bruscos <strong>de</strong> cualquier ten<strong>de</strong>ncia, la prospectiva<br />

razona sobre los escenarios más probables, consi<strong>de</strong>rando variables cuanti y cualitativas. Así, es preciso consi<strong>de</strong>rar la aparición <strong>de</strong><br />

nuevas ten<strong>de</strong>ncias y la evolución <strong>de</strong> las coyunturas dominantes trascendiendo las tentaciones <strong>de</strong> trazar extrapolaciones simples. El<br />

futuro <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>de</strong> circunstancias y la interacción <strong>de</strong> actores diversos. Es plural y múltiple y resultará <strong>de</strong> un cierto grado <strong>de</strong><br />

<strong>de</strong>terminismo y mucho <strong>de</strong> la libertad <strong>de</strong> imaginarlo <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el presente. Este apunte parece fundamental si se consi<strong>de</strong>ran los<br />

diagnósticos simplistas realizados con frecuencia y que llevan a conclusiones circunstanciales o erróneas.<br />

39


y lugares don<strong>de</strong> se producen (J.F. Valls: 1992). Aquí es don<strong>de</strong> lo territorial actúa como un medio<br />

<strong>de</strong> valor.<br />

Como aquí indagamos en torno a las relaciones entre un lugar y las respuestas <strong>de</strong> los<br />

públicos, vale la pena señalar otros asuntos apuntados por otros autores. K. Lynch (2006) se refiere<br />

a la transmisibilidad <strong>de</strong> impresiones y otras maneras <strong>de</strong> hacer promoción <strong>de</strong> imagen. Sostiene el<br />

autor:<br />

“(…) la imagen <strong>de</strong>be ser comunicable en cierta medida a<br />

otros individuos. La importancia relativa <strong>de</strong> estos criterios <strong>de</strong><br />

imagen ‘buena’ variará en los casos <strong>de</strong> diferentes personas en<br />

diferentes situaciones; uno apreciará un sistema económico y<br />

suficiente en tanto que otro preferirá un sistema <strong>de</strong> extremos<br />

abierto y comunicable” 25 .<br />

A su vez, K. Lynch introduce el concepto <strong>de</strong> imaginabilidad, como cualidad <strong>de</strong> un objeto<br />

físico para suscitar una imagen vigorosa en cualquier observador. Ello ocurre porque el autor<br />

centra su búsqueda en las cualida<strong>de</strong>s físicas que se relacionan con los atributos <strong>de</strong> la i<strong>de</strong>ntidad<br />

visual y la estructura <strong>de</strong> la imagen mental.<br />

A ese fenómeno <strong>de</strong> “imaginabilidad” podría dársele el nombre <strong>de</strong> legibilidad – que <strong>de</strong> cara<br />

a las necesida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> una localidad es útil ya que en ella no sólo es posible ver los objetos sino que<br />

se hace necesario apreciarlos con todos los <strong>de</strong>más sentidos. Según Valls (1992), el territorio ofrece<br />

un soporte adicional a lo que se produce en sus organizaciones o instituciones, en tanto los dota <strong>de</strong><br />

“un soporte estable <strong>de</strong> alta sensibilidad, cual es la imagen<br />

<strong>de</strong> marca <strong>de</strong>l país, la imagen <strong>de</strong> marca <strong>de</strong> la ciudad. De<br />

otra forma, la infinidad <strong>de</strong> productos, <strong>de</strong> sectores, <strong>de</strong><br />

servicios, <strong>de</strong> i<strong>de</strong>as corren el riesgo <strong>de</strong> per<strong>de</strong>rse en medio<br />

<strong>de</strong> la jungla comunicativa. La marca <strong>de</strong> país, a modo <strong>de</strong><br />

paraguas, los personaliza, los i<strong>de</strong>ntifica.” 26<br />

En La imagen <strong>de</strong> la ciudad, Kevin Lynch (2006) se refiere a la imagen <strong>de</strong> un lugar, habla <strong>de</strong><br />

“i<strong>de</strong>ntidad, estructura y significado” y sostiene que la relación <strong>de</strong>l objeto (territorio) con el<br />

observador tiene consecuencias emotivas y prácticas. A partir <strong>de</strong> los conceptos y <strong>de</strong> las emociones<br />

genera<strong>das</strong> por un sujeto mediador sobre otro, se toman <strong>de</strong>cisiones y se <strong>de</strong>terminan diversos efectos<br />

conductuales.<br />

25 La imagen <strong>de</strong> la ciudad. Kevin Lynch, The Massachussets Institute of Technology, Cambridge, Massachussets. Para<br />

la versión castellana, Editorial Gustavo Gili, p. 19. Barcelona, 2006.<br />

26 La imagen <strong>de</strong> marca <strong>de</strong> los países. Josep Francesc Valls, Ed. McGraw-Hill, Madrid, 1992.<br />

40


Un territorio como el que nos interesa aquí tiene geografía in<strong>de</strong>finida que no se mi<strong>de</strong> en<br />

habitantes ni cantidad <strong>de</strong> kilómetros cuadrados. Quizá su riqueza radique precisamente en esa<br />

posibilidad <strong>de</strong> actuación en red, <strong>de</strong> espacio complejo y complementario. Son interesantes los<br />

conceptos <strong>de</strong> “Comunida<strong>de</strong>s Territoriales” y <strong>de</strong> “Ciuda<strong>de</strong>s Difusas”, <strong>de</strong> A. Precedo (2004) quien<br />

tras el prisma <strong>de</strong> la complejidad, vincula territorio e i<strong>de</strong>ntidad y propone que:<br />

“la i<strong>de</strong>ntidad, soporte <strong>de</strong> las I<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>s Locales, es un<br />

principio estructurante que aporta una referencia (…) a un<br />

individuo (…). I<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong>s Locales y Comunida<strong>de</strong>s<br />

Territoriales, que por serlo son autososteni<strong>das</strong> y pue<strong>de</strong>n ser<br />

autogestiona<strong>das</strong>, y que conforman espacios multicéntricos<br />

<strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo, integrados mediante la formación <strong>de</strong> Re<strong>de</strong>s<br />

Territoriales, (…) que al actuar en estructuras espaciales<br />

dispersas lleva a la formulación <strong>de</strong> un mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> Desarrollo<br />

Regional Difuso.” (A. Precedo, 2004: 10)<br />

Esto es interesante porque rompe con la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> que nos encaminamos inexorablemente<br />

hacia un mo<strong>de</strong>lo único <strong>de</strong> crecimiento por agregación en las localida<strong>de</strong>s y que en algunos lugares<br />

han constituido verda<strong>de</strong>ras megalópolis. El crecimiento pue<strong>de</strong> darse en otras direcciones, en<br />

ciuda<strong>de</strong>s en red, <strong>de</strong> dimensiones reduci<strong>das</strong> y no en urbes que se redimensionan generalmente<br />

aumentando sus cinturones <strong>de</strong> pobreza. Es posible pensar el territorio en otras claves. En palabras<br />

<strong>de</strong> A. Precedo:<br />

“Es cierto que caminamos aceleradamente hacia un mundo<br />

<strong>de</strong> ciuda<strong>de</strong>s, hacia un mundo urbano, pero (…) po<strong>de</strong>mos<br />

pensar que la urbanización mundial no tiene por qué estar<br />

asociada al incremento <strong>de</strong> las gran<strong>de</strong>s concentraciones<br />

urbanas. La ciudad <strong>de</strong>l siglo XXI pue<strong>de</strong> ser una Ciudad<br />

Difusa.” (A. Precedo, 2004: 10)<br />

De manera que al pensar en el territorio como sujeto <strong>de</strong> mediación, <strong>de</strong>bemos pensar en<br />

claves <strong>de</strong> localida<strong>de</strong>s y entornos <strong>de</strong> influencia, radios <strong>de</strong> acción, otros ámbitos geográficos que<br />

pue<strong>de</strong>n actuar en red por tener intereses y asuntos en común. Con estos asuntos actuando como<br />

disparadores en un <strong>de</strong>bate, podrán comenzar a perfilarse líneas <strong>de</strong> un plan territorial cuyo fin sea la<br />

consi<strong>de</strong>ración <strong>de</strong>l espacio <strong>de</strong> la localidad como fundamento para la mejora <strong>de</strong> la calidad <strong>de</strong> vida <strong>de</strong><br />

sus habitantes. Esta tarea será posible sí y sólo sí cada comunidad se involucra con un plan y logra<br />

consensuar un futuro común sobre un área mediadora que resguar<strong>de</strong> <strong>de</strong> manera sostenible los<br />

intereses <strong>de</strong> toda la sociedad local.<br />

41


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42


O MÉTODO COMO MEDIADOR E O LUGAR DA MIDIATIZAÇÃO<br />

Jairo Ferreira 27<br />

Resumo: Neste artigo, <strong>de</strong>senvolvemos três proposições em torno <strong>das</strong> relações entre método e midiatização.<br />

Primeira, a concepção triádica <strong>de</strong> método (abrangendo a abdução, a indução e a <strong>de</strong>dução) inserida numa<br />

proposição matricial, como elo central <strong>de</strong> uma epistemologia <strong>de</strong> uma dupla superação: a) da separação<br />

sujeito e objeto, natureza e cultura; b) da superação dialética do método mo<strong>de</strong>rno (<strong>de</strong>dução e indução).<br />

Segunda, que a abdução enquanto categoria <strong>de</strong> "método" emerge na esfera nas teorias do signo, e daí<br />

retroage sobre os campos epistemológicos vinculados a estudos da cultura e da natureza, percorrendo o<br />

caminho inverso da separação produzida no âmbito <strong>das</strong> epistemologias funda<strong>das</strong> pelas ciências da natureza.<br />

Terceira, que a midiatização como objeto-problema singular <strong>de</strong>manda uma i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> matricial <strong>de</strong> método<br />

em funcionamento, com ancoragem em referências <strong>de</strong>dutivas (esquemas interpretativos), que regule os<br />

procedimentos metodológicos.<br />

Palavras-chave: método, campos epistemológicos, midiatização.<br />

Introdução<br />

Partimos <strong>de</strong> uma concepção triádica <strong>de</strong> método integrada a uma perspectiva matricial,<br />

mobilizando os conceitos <strong>de</strong> abdução, indução e <strong>de</strong>dução, sem comprometimento com a<br />

epistemologia peirceana em suas diversas formulações . A idéia <strong>de</strong> matrizes triádicas remete a um<br />

sistema lógico proposicional <strong>de</strong> relações <strong>de</strong> mútua <strong>de</strong>terminação (ou hiper<strong>de</strong>terminação<br />

exponencial) em que cada uma <strong>das</strong> dimensões em jogo aciona a outra a partir <strong>de</strong> suas lógicas,<br />

resultando em relações <strong>de</strong> mútuo condicionanemto <strong>de</strong> diversos níveis <strong>de</strong> complexida<strong>de</strong>.<br />

Conforme Peirce (2006, página 220), a abdução – primeirida<strong>de</strong> – é o po<strong>de</strong> ser; a <strong>de</strong>dução, o<br />

<strong>de</strong>ve ser; a indução, o é. A literatura é convergente com essas <strong>de</strong>finições simples. Há divergência,<br />

entretanto, sobre as <strong>de</strong>finições <strong>de</strong> cada uma <strong>de</strong>las e <strong>das</strong> relações entre elas quando se discute o<br />

método. A <strong>de</strong>finição que adotamos, por consi<strong>de</strong>rar a mais pertinente com nossa formulação, é <strong>de</strong><br />

Nino (2008). Diz ele que, conforme Peirce, as:<br />

"tres proposiciones que se relacionan entre sí como premisa<br />

mayor, premisa menor y la conclusión <strong>de</strong>l silogismo <strong>de</strong> la<br />

primera figura se les pue<strong>de</strong> llamar respectivamente, Regla, Caso<br />

y Resultado” (W2: 29, 1867). Esto pue<strong>de</strong> verse mejor con su<br />

conocido ejemplo <strong>de</strong> las judías (W3: 325-326, 1877): a)<br />

DEDUCCIÓN: Regla To<strong>das</strong> las judías <strong>de</strong> este saco son blancas;<br />

Caso Estas judías son <strong>de</strong> este saco; > Resultado Estas judías son<br />

27<br />

Pesquisador e Prof. Dr. Do Programa <strong>de</strong> Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universida<strong>de</strong> do Vale do<br />

Rio dos Sinos. Essas reflexões se <strong>de</strong>senvolvem no âmbito <strong>de</strong> investigações com que conduzimos com apoio do CNPq e<br />

CAPES, com a colaboração dos bolsistas <strong>de</strong> iniciação científica Eduardo Araújo (UNIBIC) e Carine Ferreira (PIBIC).<br />

43


lancas; b) INDUCCIÓN: Caso Estas judías son <strong>de</strong> este saco;<br />

Resultado Estas judías son blancas; > Regla To<strong>das</strong> las judías <strong>de</strong><br />

este saco son blancas. HIPOTESIS [ABDUCCIÓN] : Regla<br />

To<strong>das</strong> las judías <strong>de</strong> este saco son blancas; Resultado Estas judías<br />

son blancas. > Caso Estas judías son <strong>de</strong> este saco.<br />

A opção por essa formulação <strong>de</strong>corre da possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> operações <strong>de</strong> superação<br />

(integração, negação e elevação) do que consi<strong>de</strong>ramos as gran<strong>de</strong>s heranças mo<strong>de</strong>rnas <strong>de</strong> método<br />

em ciências sociais (funda<strong>das</strong> nos métodos <strong>de</strong>dutivos e indutivos).A importância <strong>de</strong>sta superação<br />

<strong>de</strong>corre da lógica dualista subjacentes a essa partição do método, incidindo em outras separações<br />

(sujeito e objeto, cultura e natureza, e, no nosso caso, mídia e socieda<strong>de</strong>).<br />

A formulação peirceana sugere que o processo <strong>de</strong>dutivo correspon<strong>de</strong>, no método mo<strong>de</strong>rno,<br />

a construção <strong>de</strong> regras em intersecção com o estudo <strong>de</strong> caso:<br />

“Na <strong>de</strong>dução, ou raciocínio necessário, partimos <strong>de</strong> estado <strong>de</strong><br />

coisas hipotético que <strong>de</strong>finimos sob certos aspectos abstratos.<br />

Entre os caracteres aos quais não prestamos nenhuma atenção<br />

neste modo <strong>de</strong> argumento está o seguinte: se a hipótese <strong>de</strong><br />

nossas premissas a<strong>de</strong>quou ou não, mais ou menos, ao estado <strong>de</strong><br />

coisas no mundo externo. Consi<strong>de</strong>ramos este estado <strong>de</strong> coisas e<br />

somos levados a concluir que, não importa como ele possa estar<br />

com o universo sob outros aspectos, on<strong>de</strong> quer que e quando<br />

quer que a hipótese possa realizar-se, alguma outra coisas não<br />

explicitamente suposta nessa hipótese será invariavelmente<br />

verda<strong>de</strong>ira... Todo o raciocínio necessário, sem exceção, é<br />

diagramático. Isto é, construímos um ícone <strong>de</strong> nosso estado <strong>de</strong><br />

coisas hipotético. Esta observação leva-nos a suspeitar que algo<br />

é verda<strong>de</strong>iro, algo que po<strong>de</strong>mos ou não ser capazes <strong>de</strong> formular<br />

com precisão, e passamos a indagar se é ou não verda<strong>de</strong>iro. Para<br />

realizar-se este objetivo é necessário formar um plano <strong>de</strong><br />

investigação, e esta é a parte mais difícil da operação... A<br />

habilida<strong>de</strong> maior consiste na introdução <strong>de</strong> abstrações<br />

a<strong>de</strong>qua<strong>das</strong>. Com isso quero dizer que uma tal transformação <strong>de</strong><br />

nossos diagramas <strong>de</strong> modo que caracteres <strong>de</strong> um diagrama<br />

possam aparecer em outro diagrama como sendo coisas”<br />

(Peirce, 2003, páginas 215-216).<br />

Ilustramos esse percurso do discurso científico na teoria sobre o modo <strong>de</strong> produção em O<br />

Capital <strong>de</strong> Marx. No Capital, o discurso se organizar a partir <strong>de</strong> conexões lógico-proposicionais,<br />

numa dialética ascen<strong>de</strong>nte que vai do mais abstrato (o valor) <strong>às</strong> categorias mais concretas (o<br />

conceito <strong>de</strong> modo <strong>de</strong> produção): valor <strong>de</strong> uso/ valor, processos <strong>de</strong> produção/ valorização, forças<br />

produtivas/relações sociais, e assim por diante, concluindo no conceito <strong>de</strong> modo <strong>de</strong> produção, e,<br />

posteriormente (com Lênin), no conceito <strong>de</strong> formações sociais históricas. Esse recorte lógico se<br />

44


organiza em outros níveis <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>ntes, que se aproximam <strong>de</strong> categorias e indicadores observáveis<br />

(preços, salários, condições <strong>de</strong> existência, etc.). O caso “i<strong>de</strong>al” <strong>de</strong>ssa formulação, em Marx, é a<br />

Inglaterra, tomado como revolução burguesa clássica na esfera econômica.<br />

É o que também po<strong>de</strong> ser observado em Lacan (em O Sintoma). A partir <strong>de</strong> uma proposição<br />

<strong>de</strong> base – a (<strong>de</strong>s) articulação do imaginário, do real e do simbólico pelo sintoma -, Lacan <strong>de</strong>duz<br />

diversos casos já observados em clínica, e sobre outros ainda não observados, mas logicamente<br />

possíveis, os quais, portanto, passam a se constituir em objeto <strong>de</strong> investigação.<br />

Vários autores já afirmaram a dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> consolidar esse percurso <strong>de</strong>dutivo “puro” no<br />

campo acadêmico da comunicação, com exceção em heranças específicas (assim, a semiótica<br />

peirceana propicia formalizações lógico-proposicionais complexas como po<strong>de</strong> ser visto em Walter-<br />

Bensen, 2000). Essa crítica é, entretanto, muitas vezes feita no sentido <strong>de</strong> favorecer abordagens <strong>de</strong><br />

método que prescindiriam dos processos <strong>de</strong>dutivos, apagando as diferenças entre campo<br />

epistemológico e campo estético. Sugerimos, entretanto, o inverso: a integração da categoria<br />

i<strong>de</strong>ntitária do campo estético (a abdução criativa) à herança do campo epistemológico, o que<br />

significa colocá-la em relação com os processos <strong>de</strong>dutivos e indutivos (inspirados aqui na proposta<br />

<strong>de</strong> Peirce).<br />

O processo indutivo parte <strong>das</strong> relações casos e indícios, mas nas epistemologias críticas só<br />

têm valor se integrado dialeticamente aos processos <strong>de</strong>dutivos. Marre (......) falará em dialética<br />

<strong>de</strong>scen<strong>de</strong>nte, on<strong>de</strong> o que está em jogo, partindo-se do objeto-problema construído, são as<br />

<strong>de</strong>limitações <strong>de</strong> corpus, <strong>de</strong> categorias operacionais, <strong>de</strong> índices e indicadores, no sentido <strong>de</strong><br />

verificar-construir relações entre eventos estudados, visando confirmar ou falsificar as hipóteses<br />

formula<strong>das</strong> nos processos dialéticos ascen<strong>de</strong>ntes. Peirce dirá que “a indução consiste em partir <strong>de</strong><br />

uma teoria, <strong>de</strong>la <strong>de</strong>duzir predições <strong>de</strong> fenômenos, e observar esses fenômenos, a fim <strong>de</strong> ver quão <strong>de</strong><br />

perto concordam com a teoria”. Não observamos entre os dois um antagonismo conceitual.<br />

Esses dois movimentos sintetizam a herança do método nas ciências sociais mo<strong>de</strong>rnas.<br />

Sabe-se, em teoria e na prática, <strong>das</strong> dificulda<strong>de</strong>s <strong>de</strong> realizar os dois movimentos <strong>de</strong> forma<br />

coor<strong>de</strong>nada entre si. Muitas teses, dissertações, monografias, projetos e investigações são<br />

<strong>de</strong>monstrações <strong>de</strong> que os processos <strong>de</strong>dutivos estão dissociados dos processos indutivos. Nossa<br />

proposição é <strong>de</strong> que tal dissociação <strong>de</strong>corre da perspectiva dualista que separa sujeito e objeto,<br />

cultura e natureza, mídia e socieda<strong>de</strong>.<br />

O conceito <strong>de</strong> abdução nos permite não só superar a perspectiva dual, como inserir um<br />

terceiro elemento <strong>de</strong> intersecção entre sujeito e objeto como <strong>de</strong>corrente da própria intersecção entre<br />

natureza e cultura. Cito aqui artigo <strong>de</strong> Pimenta (2008) para subsidiar essa formulação:<br />

45


"A saída que Peirce encontrou para estes e outros dilemas<br />

gerados pelo fato dos fenômenos da Primeirida<strong>de</strong> constituírem o<br />

fundamento <strong>de</strong> processos envolvendo as <strong>de</strong>mais categorias, ou<br />

seja, a existência e o pensamento, foi se apoiar na idéia <strong>de</strong> Lume<br />

Naturale, a exemplo <strong>de</strong> Galileu. Para Peirce, <strong>de</strong>ve existir alguma<br />

tendência natural que leve a um acordo entre estas idéias que se<br />

sugerem à mente e aquelas relaciona<strong>das</strong> a leis da natureza, ou<br />

seja, “é mais do que uma mera figura <strong>de</strong> linguagem dizer que a<br />

natureza fecunda a mente do homem com idéias que, quando se<br />

<strong>de</strong>senvolvem, parecem com seu gerador, a Natureza” (CP. 1.80-<br />

1, 5.591). Em outro ponto <strong>de</strong> seus Collected Papers, Peirce se<br />

refere ao Lume Naturale com as seguintes palavras: Desta<br />

forma, consi<strong>de</strong>rações gerais relativas ao universo, consi<strong>de</strong>rações<br />

estritamente filosóficas, quase <strong>de</strong>monstram que se o universo se<br />

conforma, com algum grau <strong>de</strong> precisão, a certas leis altamente<br />

pervasivas, e se a mente humana tem se <strong>de</strong>senvolvido sob a<br />

influência <strong>de</strong>stas leis, é <strong>de</strong> se esperar que ela <strong>de</strong>va ter uma luz<br />

natural, ou luz da natureza, ou insights instintivos, ou inclinação<br />

ten<strong>de</strong>ndo a fazê-la adivinhar estas leis acertadamente. Esta<br />

conclusão é confirmada quando <strong>de</strong>scobrimos que to<strong>das</strong> as<br />

espécies animais são dota<strong>das</strong> <strong>de</strong> inclinações similares. (Peirce,<br />

1931-58, CP 5.604).<br />

Nesse sentido, enten<strong>de</strong>mos que a abdução enquanto processo <strong>de</strong> formação <strong>de</strong> uma hipótese<br />

explanatória (Peirce, 2003, página. 220), fundada em insight, “uma introvisão da terceirida<strong>de</strong>”, em<br />

relação com o indicial (os resultados), que conclui-se na <strong>de</strong>finição provisória do caso, é lugar <strong>de</strong><br />

regulação/integração entre procedimentos <strong>de</strong>dutivos e indutivos, que po<strong>de</strong>m, em nossa perspectiva,<br />

serem pensados em termos <strong>de</strong> dialética ascen<strong>de</strong>nte e <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>nte <strong>de</strong>s<strong>de</strong> que em uma nova matriz.<br />

Ou seja, nem mente (ponto <strong>de</strong> partida da <strong>de</strong>dução) nem objeto (ponto <strong>de</strong> partida da<br />

indução), a abdução está entre os dois, ou é o entre-dois. Afirmamos que esse entre-dois<br />

<strong>de</strong>senvolve-se nas interações em diversos níveis. Primeiro nível, macro social, on<strong>de</strong> as interações<br />

produzem proliferações <strong>de</strong> processos abdutivos em tensão com os processos <strong>de</strong><br />

distinção/reprodução social (habitus). Segundo nível, nos campos institucionais especializados,<br />

cujo fluxo não <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ria apenas apenas do conflito/consenso em torno dos sistemas<br />

classificatórios, mas também da competência endógena e exógena <strong>de</strong> superar-se através <strong>de</strong><br />

processos abdutivos. Terceiro, dos campos científicos mo<strong>de</strong>rnos, on<strong>de</strong> a abdução po<strong>de</strong> se integrar<br />

aos métodos <strong>de</strong>dutivos e indutivos, produzindo intepretações criativas. Nos campos científicos, há<br />

os processos <strong>de</strong> interações nos laboratórios dos indivíduos com os objetos-problema em<br />

construção, e com os pares, que possibilitam os insights, indissociáveis dos processos críticos e<br />

auto-críticos que configuram o habitus estético-criativo da ciência. Portanto, a abdução não é inata,<br />

biológica, mas "construída" em processos interacionais.<br />

46


1. Em que medida um objeto empírico - no caso, a midiatização - <strong>de</strong>termina o método?<br />

A supremacia da abdução sobre os processos <strong>de</strong>dutivos e indutivos seria um processo<br />

<strong>de</strong>corrente <strong>de</strong> um objeto-problema específico - a comunicação, os processos midiáticos e a<br />

midiatização? Essa parece ser a tese <strong>de</strong> alguns autores do campo da comunicação. Santaella (2001)<br />

afirma (a partir <strong>de</strong> Peirce) que o conhecimento se diferencia pelo método. “Assim, há ciências mais<br />

teoréticas, outras mais classificatórias, outras mais <strong>de</strong>scritivas, enquanto outras são mais<br />

dominantemente aplica<strong>das</strong>” (i<strong>de</strong>m, p. 129). O acento sobre uma <strong>de</strong>finição <strong>de</strong> campo a partir do<br />

método po<strong>de</strong> ser vista também em Braga, que vem <strong>de</strong>senvolvendo a tese <strong>de</strong> que a comunicação<br />

po<strong>de</strong> ser trabalhada em abordagem abdutiva (Braga, 2007). Essa sua formulação é convergente<br />

com o que afirma sobre a tese que Muniz Sodré <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>u em palestra na PUC-SP em 2002<br />

(Santaella, 2001). Mas, ali, conforme o texto <strong>de</strong> Santaella (2001), Sodré afirma que “a<br />

comunicação <strong>de</strong>ve ser” dominantemente abdutiva, enquanto Braga infere a dominância da abdução<br />

da leitura <strong>de</strong> documentos (investigações) <strong>de</strong> área. O que há <strong>de</strong> comum entre esses autores é a idéia<br />

do método como lugar <strong>de</strong> diferenciação e/ou i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> da área.<br />

A questão que se coloca é verificar, nas investigações sobre a midiatização, em que medida<br />

as configurações <strong>de</strong> método se relacionam com objetos-problema específicos. Nossa reflexão<br />

avança no sentido <strong>de</strong> afirmar uma perspectiva transversal, ou seja, o método pertence ao núcleo <strong>das</strong><br />

heranças epistemológicas, e passa a ser central na mediação <strong>das</strong> relações sujeito-objeto,<br />

configurando um dos aspectos centrais <strong>das</strong> formações histórico-cognitivas. Sendo assim, não<br />

haveria uma problemática sujeito-objeto nas ciências da natureza, e outra, nas ciências sociais, e<br />

outras, ainda no “campo psi”, no campo semio-lingüístico, no da comunicação, etc. Todos campos<br />

científicos seriam atravessados pela intersecção natureza e cultura, e, portanto, sujeito e objeto,<br />

sendo que a separação fundada pelas ciências da natureza (criticada por Marcuse) só seria<br />

paulatinamente superada pela história do pensamento epistemológico e <strong>de</strong> método. O conceito <strong>de</strong><br />

abdução, na filosofia e semiótica peircianas, ou seja, numa teoria dos signos específica, seria o<br />

ponto <strong>de</strong>ssa inflexão.<br />

A partir <strong>de</strong>sse ponto <strong>de</strong> chegada po<strong>de</strong>-se realizar o percurso inverso, ou seja, verificar como<br />

essa intersecção, <strong>de</strong>scoberta no conceito <strong>de</strong> abdução, vai surgindo na história dos métodos em<br />

vigor conforme cada campo que se suce<strong>de</strong> na histórica da ciência mo<strong>de</strong>rna. Ou seja, o problema da<br />

gênese é <strong>de</strong> como, na história <strong>das</strong> formações histórico-cognitivas, a abdução aparece na psicologia,<br />

nas ciências sociais e nas ciências da natureza, como lugar que indica a interseção entre sujeito e<br />

objeto, cultura e natureza, e possibilita a ultrapassagem a diferença formal instalada pelas ciências<br />

47


da natureza. Sendo assim, a abdução não remete diretamente a midiatização mas a uma <strong>de</strong><br />

dimensões constitutivas – o signo.<br />

No campo acadêmico da comunicação, o problema epistemológico da impossibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong><br />

um recorte nas relações entre sujeito e objeto herda questões <strong>das</strong> ciências sociais. Primeiramente,<br />

herda posições epistemológicas já clássicas, do <strong>de</strong>slocamento promovido pelas ciências sociais<br />

<strong>de</strong>corrente <strong>de</strong> uma dialética entre neutrabalida<strong>de</strong> e os valores do pesquisador implicados na<br />

pesquisa sobre a socieda<strong>de</strong> (<strong>de</strong> Marx a Bourdieu, passando por Weber). Segundo, herda as<br />

reflexões que acentuam a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um projeto tecnológico que parta (re) incorporação da<br />

cultura à natureza (Marcuse). A terceira herança é a reflexão sobre o discurso entendido não só<br />

como estrutura estruturante, mas também estruturado nas interações sociais. Essas três dimensões –<br />

interações, tecnologias e discursos – se constituem, em nossa perspectiva, centrais para a<br />

compreensão dos processos <strong>de</strong> midiatização da socieda<strong>de</strong>, na medida em que se materializam em<br />

dispositivos midiáticos (Ferreira, 2006, 2007), e, por isso, os problemas epistemológicos que<br />

gravitam em torno <strong>das</strong> análises <strong>das</strong> ações, interações, tecnologia e discursos se con<strong>de</strong>nsam nos<br />

estudos da comunicação <strong>midiática</strong>.<br />

A separação entre sujeito e objeto po<strong>de</strong>, entretanto, incidir sobre cada uma <strong>de</strong>ssas três<br />

dimensões (interações, tecnologia e discurso), ou sobre cada uma em particular, ou ainda sobre a<br />

reflexão em torno <strong>das</strong> relações entre duas a duas <strong>das</strong> dimensões (exemplo: análise <strong>das</strong> relações<br />

entre discurso e tecnologia; socieda<strong>de</strong> e tecnologia; etc.). Assim, po<strong>de</strong>-se afirmar, hipoteticamente,<br />

que parte dos estudos <strong>de</strong> comunicação pensa a ação <strong>midiática</strong> separada da ação social, ou do<br />

discurso como fato separado do sujeito que o produz, ou da tecnologia reificada (objeto com vida<br />

própria). To<strong>das</strong> essas separações po<strong>de</strong>m ser credita<strong>das</strong> ao mesmo processo <strong>de</strong> “fetichização”<br />

observado na análise da mercadoria. Seriam, portanto, “fetiches” vinculados a outras economias do<br />

simbólico. Suas incidências sobre as epistemologias po<strong>de</strong>m ser dividi<strong>das</strong> em duas vertentes que<br />

observamos no campo da comunicação na análise <strong>das</strong> relações entre mídia e socieda<strong>de</strong>: a mídia<br />

constitui o sujeito; a subjetivida<strong>de</strong> ultrapassa os limites da mídia.<br />

2. Fluxo matricial e o midiático como objeto-problema<br />

Na medida em que é transversal, com a gênese na teoria do signo, seu pertencimento <strong>às</strong><br />

investigações sobre a midiatização pertence a própria circulação da reflexão do método, que é<br />

apropriada conforme nossa singularida<strong>de</strong>. Ou seja, a proposição <strong>de</strong> que a i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um campo<br />

<strong>de</strong> investigação sobre <strong>de</strong>terminados objetos-problema se faz a partir do método consi<strong>de</strong>rado<br />

abstratamente <strong>de</strong>ve ser pon<strong>de</strong>rada, em <strong>de</strong>corrência da própria transversalida<strong>de</strong>/abrangência dos<br />

48


métodos <strong>de</strong> investigação, mesmo quando fundados em <strong>de</strong>terminada prática socialmente especifica<br />

<strong>de</strong> busca <strong>de</strong> explicações e resultados.<br />

Essa pon<strong>de</strong>ração <strong>de</strong>ve consi<strong>de</strong>rar que o método abstrato (mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong> características gerais<br />

relativamente aos usos efetivos do método em diversos campos <strong>de</strong> investigação) está, na<br />

investigação, singularizado conforme objetos-problemas <strong>de</strong> investigação. Vamos ilustrar isso<br />

<strong>de</strong>monstrando através do seguinte argumento: se a abdução é a intersecção da regra (provisória) em<br />

relação com índices (resultados) na configuração <strong>de</strong> um caso em investigação, temos algumas<br />

possibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> relações entre esses termos: a) polarizada pela regra; b) polarizada pelos<br />

resultados; c) se inscreve nas relações entre regra e resultados, produzindo uma tensão dialética<br />

entre ambos, evitando assim as “fugas” pelas tangentes (movimentos <strong>de</strong>dutivos e/ou indutivos fora<br />

<strong>de</strong> conexões um com o outro).<br />

Ilustramos isso com alguns casos. Nos referimos a processos <strong>de</strong> abdução mesmo quando o<br />

investigador não nomina um <strong>de</strong>terminado processo como abdutivo (ou hipótese explanatória), mas<br />

nos quais po<strong>de</strong>mos i<strong>de</strong>ntificar que essa dimensão ingressa na investigação como central, é possível<br />

conectar regras e resultados em direção ao caso em estudo. Alguns exemplos que servem ao nosso<br />

argumento, sumariamente:<br />

a) Micelli (MICELLI, Sergio. A noite da madrinha. São Paulo: Perspectiva: 1979).<br />

Hipótese: consi<strong>de</strong>ra que “o êxito duradouro dos programas <strong>de</strong> auditório... serve <strong>de</strong> reforço à<br />

hipótese <strong>de</strong> sua rentabilida<strong>de</strong> e eficácia simbólica e, portanto, i<strong>de</strong>ológica, estarem respon<strong>de</strong>ndo as<br />

<strong>de</strong>man<strong>das</strong> culturais <strong>de</strong> públicos cuja composição social <strong>de</strong>veria ser examinada” (p. 21). Essa<br />

hipótese esta fundada em mo<strong>de</strong>los <strong>de</strong>dutivos e interpretativos ancorados na explicação sociológica<br />

(conceitos <strong>de</strong> classe, campo e indústria cultural, <strong>de</strong>pendência e periferia) e dados (resultados)<br />

preliminares (no caso, pesquisas <strong>de</strong> mercado sobre o programa <strong>de</strong> auditório). O encaminhamento<br />

da investigação percorre o caminho <strong>de</strong> uma dialética <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>nte que passa pela <strong>de</strong>scrição do<br />

produto cultural, mobilizando conceitos e categorias <strong>de</strong> análise semiológica. O conceito <strong>de</strong><br />

i<strong>de</strong>ologia é compreendido a partir <strong>das</strong> relações entre <strong>de</strong>scrição semiológica e explicação<br />

sociológica. Ou seja, os movimentos indutivos (dialética <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>nte) são indissociados dos<br />

movimentos <strong>de</strong>dutivos (dialética ascen<strong>de</strong>nte que remete a interpretação sociológica).<br />

b) Braga (A socieda<strong>de</strong> enfrenta sua mídia, 2006): Parte <strong>de</strong> hipótese que chama <strong>de</strong><br />

prospectiva. Afirma que subordina/exclui o processo <strong>de</strong>dutivo-abstrato como caminho <strong>de</strong> entrada.<br />

Porém, parte <strong>de</strong> esquemas <strong>de</strong>dutivos próprios (“sistema social <strong>de</strong> interação social com a mídia – e<br />

sua potencialida<strong>de</strong> como mo<strong>de</strong>lo organizado <strong>de</strong> processos midiáticos”, página 69). A heurística<br />

que or<strong>de</strong>na a busca <strong>de</strong> resultados está mediada por uma dialética <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>nte (corpus, categorias<br />

49


<strong>de</strong> análise, etc.). Recusa tanto a “elaboração teórica abstrata” como o “mapeamento” (que teria um<br />

custo metodológico elevado e estaria sendo feito sem processos <strong>de</strong>dutivos e classificatórios claros).<br />

c) Verón (1983, Ethnographie <strong>de</strong> l´exposition. L´espace, le corps et le sens): A hipótese <strong>de</strong> base<br />

‘e ponto <strong>de</strong> partida da investigação (página 22). Imediatamente seguem-se mo<strong>de</strong>los teóricos<br />

(próprios e tomados <strong>de</strong> outros), num conjunto <strong>de</strong> conexões 28 entre eles, na perspectiva do “estudo<br />

<strong>de</strong> caso”. Esses mo<strong>de</strong>los conformam um processo <strong>de</strong> dialético ascen<strong>de</strong>nte que se conecta com uma<br />

dialética <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>nte - um conjunto <strong>de</strong> andaimes para <strong>de</strong>scrições categoriais (tipos <strong>de</strong> interação<br />

com a exposição; diferentes discursos sobre; diferenças entre discursos e ações; diferenças entre<br />

<strong>gramáticas</strong> <strong>de</strong> reconhecimento e <strong>gramáticas</strong> <strong>de</strong> produção, analisa<strong>das</strong> na perspectiva da<br />

primeirida<strong>de</strong>, secundida<strong>de</strong> e terceirida<strong>de</strong>).<br />

Esses três exemplos indicam que o método abstrato (no caso, o uso recorrente da <strong>de</strong>dução,<br />

indução e <strong>de</strong> abduções) não <strong>de</strong>fine a i<strong>de</strong>ntida<strong>de</strong> <strong>de</strong> um campo. Esses casos indicam ainda que não é<br />

o produto cultural em jogo que produz análise do midiático (programa televisivo <strong>de</strong> auditório<br />

aparentemente é mais midiático do que uma exposição); o que constitui o diferencialmente o<br />

objeto-problema <strong>de</strong> investigação é’ a interseção entre este produto cultural e <strong>de</strong>terminado campo <strong>de</strong><br />

esquemas e sistemas interpretativos que compõem um manancial <strong>de</strong> investigação aproximado,<br />

paralelo e convergente (problemática da circulação integrando a questão do consumo e produção<br />

cultural; a subordinação da problemática sócio-antropológica a análise dos dispositivos e interações<br />

em jogo). Assim, Braga e Verón estão mais próximos <strong>das</strong> investigações sobre processos<br />

midiáticos, e entre eles, do que Micelli <strong>de</strong> nosso objeto-problema e dos dois.<br />

Nossa formulação para respon<strong>de</strong>r essa <strong>de</strong>fasagem é <strong>de</strong> que “o método está em<br />

funcionamento” conforme <strong>de</strong>terminados campos <strong>de</strong> investigação <strong>de</strong> objetos-problemas singulares.<br />

Isso implica num retorno (reconstruído) a dupla heranças do método: a importância da<br />

mobilização <strong>de</strong> conjuntos <strong>de</strong> esquemas-constructos teóricos que ingressam nos processos <strong>de</strong>dutivos<br />

propicia observar “algo” ininteligível fora <strong>de</strong> seus marcos. Mas não se trata, na perspectiva<br />

abdutiva, na reprodução <strong>de</strong>sses mo<strong>de</strong>los, mas na configuração <strong>de</strong> <strong>de</strong>termina<strong>das</strong> regras provisórias<br />

<strong>de</strong> interpretação em interseção com resultados preliminares, investigados em direção a casos<br />

<strong>de</strong>terminados (programa <strong>de</strong> auditório, exposição, comentários críticos sobre a mídia). Retornamos<br />

28<br />

Repetimos aqui que conforme Peice: “Todo o raciocínio necessário, sem exceção, é diagramático. Isto é,<br />

construímos um ícone <strong>de</strong> nosso estado <strong>de</strong> coisas hipotético. Esta observação leva-nos a suspeitar que algo é verda<strong>de</strong>iro,<br />

algo que po<strong>de</strong>mos ou não ser capazes <strong>de</strong> formular com precisão, e passamos a indagar se é ou não verda<strong>de</strong>iro. Para<br />

realizar-se este objetivo é necessário formar um plano <strong>de</strong> investigação, e esta é a parte mais difícil da operação... A<br />

habilida<strong>de</strong> maior consiste na introdução <strong>de</strong> abstrações a<strong>de</strong>qua<strong>das</strong>. Com isso quero dizer que uma tal transformação <strong>de</strong><br />

nossos diagramas <strong>de</strong> modo que caracteres <strong>de</strong> um diagrama possam aparecer em outro diagrama como sendo coisas”<br />

(Peirce, 2003, páginas 215-216)” .<br />

50


aqui à nossa formulação inicial: o método, na perspectiva triadica, <strong>de</strong>ve ser pensado<br />

matricialmente. Nessa matriz, a ancoragem interpretativa em pertinência com os resultados<br />

(índices) materializa o ponto <strong>de</strong> partida dos processos abdutivos, configurando o estudo <strong>de</strong> caso.<br />

Em Veron e Braga, os estudos <strong>de</strong> caso citados estão voltados para análise <strong>de</strong> focos absolutamente<br />

“cegos” para as ciências sociais: a circulação e os dispositivos como lugares <strong>de</strong><br />

inscrição/interpretação dos textos e <strong>das</strong> interações (e/ou ações), apesar <strong>das</strong> diferentes abordagens<br />

<strong>de</strong>senvolvi<strong>das</strong> pelos dois.<br />

Para finalizar, o que não foi discutido neste artigo: o lugar da metodologia. Os<br />

procedimentos metodológicos <strong>de</strong> uma investigação <strong>de</strong>vem estar regulados, na perspectiva que<br />

<strong>de</strong>senvolvemos aqui, pelo método. O método se coloca como um mediador entre as questões<br />

epistemológicas transversais e singulares e os procedimentos metodológicos. Isso significa os<br />

procedimentos (ler, entrevistas, analisar, comparar, diferenciar, etc.) <strong>de</strong>vem estar integrados a<br />

dialéticas ascen<strong>de</strong>ntes e <strong>de</strong>scen<strong>de</strong>ntes, as quais, por sua vez, são produtoras <strong>de</strong> saí<strong>das</strong> tangenciais,<br />

improdutivas, quando não regula<strong>das</strong> pela atualização permanente <strong>das</strong> integrações abdutivas.<br />

Bibliografia<br />

BERGER, Peter; LUCKMAN, Thomas. A construção social da realida<strong>de</strong>. Petrópolis: Vozes, 1998.<br />

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Compós, na UNIP, São Paulo, SP, em junho <strong>de</strong> 2008.<br />

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Centre Georges Pompidou. 1873. páginas 21-35/61-75.<br />

VERÓN, Eliséo e LEVASSEUR, Martine. Ethnographie <strong>de</strong> l´exposition. L´espace, le corps et le sens. Paris:<br />

Centre Georges Pompidou. 1983. páginas 21-35/61-75.<br />

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NINO, Douglas. Peirce, abdução y práctica médica. Disponível em www.unav.es/gep/AF69/AF69Ninio.pdf.<br />

2008.<br />

51


PESQUISANDO PERGUNTAS (um programa <strong>de</strong> ação no<br />

<strong>de</strong>sentranhamento do comunicacional)<br />

José Luiz Braga 29<br />

Resumo: O artigo observa algumas características do campo <strong>de</strong> pesquisa em comunicação, no Brasil,<br />

sublinhando a importância, para a disciplina em vias <strong>de</strong> constituição, <strong>de</strong> seu <strong>de</strong>sentranhamento <strong>das</strong> <strong>de</strong>mais<br />

CHS. Propõe um programa <strong>de</strong> participação nesse trabalho, que é o <strong>de</strong> investigar perguntas que têm sido<br />

elabora<strong>das</strong> sobre o fenômeno comunicacional; e tentar ir além <strong>de</strong>ssas perguntas, procurando <strong>de</strong>senvolver<br />

questões não elabora<strong>das</strong> nas <strong>de</strong>mais disciplinas. A busca <strong>de</strong> perguntas po<strong>de</strong>ndo ser feita tanto junto <strong>às</strong><br />

teorias como em pesquisas, mais próximas do fenômeno empírico, justifica a escolha <strong>de</strong>sse segundo âmbito.<br />

O corpus da pesquisa é constituído por uma centena <strong>de</strong> artigos, apresentados na Compós, que relatam<br />

investigações sobre objetos empíricos. Expõe a abordagem metodológica para a análise <strong>de</strong>sse material.<br />

Finalmente, assinalando o risco <strong>de</strong> dispersão resultante da observação <strong>de</strong> estudos empíricos muito<br />

diferenciados, faz previsões para superação da diversida<strong>de</strong>, em favor <strong>de</strong> inferências transversais sobre o<br />

campo.<br />

Palavras-Chave: Campo da Comunicação, Metodologia, Estudos Empíricos<br />

O campo<br />

Des<strong>de</strong> a segunda meta<strong>de</strong> dos anos 90, ganhou acuida<strong>de</strong> nos PPGs <strong>de</strong> Comunicação do<br />

Brasil uma preocupação com o foco comunicacional <strong>de</strong> nossas pesquisas. Em contraste com uma<br />

aceitação dita “interdisciplinarista”, mas na verda<strong>de</strong> dispersiva – em que pesquisas <strong>das</strong> mais<br />

diferentes origens disciplinares eram acolhi<strong>das</strong> – passamos a nos preocupar com a questão: o que<br />

caracteriza uma disciplina <strong>de</strong> conhecimento em Comunicação?<br />

Na ausência <strong>de</strong> critérios <strong>de</strong>finidos e com uma certa multiplicida<strong>de</strong> <strong>de</strong> enfoques, o que po<strong>de</strong><br />

ser <strong>de</strong>fendido, atualmente, é que pelo menos <strong>de</strong>vemos ter claras, em cada pesquisa, as bases <strong>de</strong> sua<br />

própria <strong>de</strong>finição <strong>de</strong> pertinência ao campo (ver Braga, 2002).<br />

A linha <strong>de</strong> pesquisa “Midiatização e Processos Sociais”, do PPG em Comunicação da<br />

<strong>Unisinos</strong>, se inscreve expressamente nessa preocupação. Não se trata apenas <strong>de</strong> “estudar a mídia”,<br />

pois ângulos diversos <strong>de</strong> investigação assumem no país esse objeto; mas também <strong>de</strong> apreen<strong>de</strong>r os<br />

processos comunicacionais em que a mídia se envolve – <strong>de</strong>vendo, portanto, estabelecer que<br />

processos são estes.<br />

29 Agra<strong>de</strong>ço e procuro levar em conta objeções e comentários apresentados por Luiz Cláudio Martino e Vera Regina<br />

Veiga França sobre o artigo “Comunicação, disciplina indiciária”, apresentado na XVIII Compós (2007); e por Vera<br />

França em <strong>de</strong>bates no âmbito da supervisão <strong>de</strong>ssa pesquisa.<br />

52


Dentro <strong>de</strong>sse âmbito, minha pesquisa atual se volta para uma observação <strong>de</strong> diversos<br />

ângulos que pesquisadores têm adotado ou produzido, no espaço da Compós, para construir e<br />

investigar seus objetos. Não será uma pesquisa <strong>de</strong>scritiva, da qual resultasse um levantamento<br />

classificatório <strong>de</strong> tipos <strong>de</strong> objeto e modos <strong>de</strong> abordagem. Para além da percepção <strong>de</strong>ssa<br />

diversida<strong>de</strong>, pretendo contribuir para o trabalho <strong>de</strong> <strong>de</strong>sentranhamento <strong>de</strong> instâncias e<br />

características do “comunicacional”, buscando distingui-las do que fazem as disciplinas vizinhas,<br />

entre as Ciências Humanas e Sociais (CHS).<br />

Enquanto processo específico para a distinção do comunicacional, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>mos esse<br />

<strong>de</strong>sentranhamento em duas perspectivas. Como utilizamos teorias e métodos <strong>de</strong> áreas vizinhas que<br />

procuram, em seu próprio campo, apreen<strong>de</strong>r problemas comunicacionais relacionados a seus<br />

objetos, uma necessida<strong>de</strong> que se impõe é a <strong>de</strong> distinguir entre o que é próprio da comunicação e o<br />

que <strong>de</strong>corre dos objetivos que outras disciplinas estabelecem para examinar esse fenômeno. Nessa<br />

primeira perspectiva, trata-se <strong>de</strong> articular os ângulos postos por várias disciplinas inferindo, em sua<br />

transversalida<strong>de</strong>, características próprias do fenômeno comunicacional. Os enfoques específicos<br />

<strong>de</strong>sta ou daquela disciplina seriam como “modulações” conjunturais <strong>de</strong> processos comunicacionais<br />

mais abrangentes.<br />

Além disso, os fenômenos comunicacionais são complexos e envolvem aspectos sócio-<br />

culturais muito diversos. Não parece viável “separar” as variáveis puramente “comunicacionais” <strong>de</strong><br />

tais situações sociais complexas, com abstração <strong>das</strong> <strong>de</strong>mais. Mantendo o estudo dos fenômenos na<br />

sua inteireza contextual, a segunda perspectiva visa o <strong>de</strong>sentranhamento reflexivo dos aspectos<br />

pelos quais <strong>de</strong>vemos enfatizar as questões comunicacionais que as situações comportam.<br />

Para esse trabalho, a situação brasileira dos estudos em comunicação é historicamente<br />

interessante. Antes mesmo <strong>de</strong> constituirmos um âmbito teórico ou <strong>de</strong> pesquisas bem articulado,<br />

<strong>de</strong>senvolvemos um espaço acadêmico organizacionalmente distinto para acolher os estudos em<br />

comunicação. Ocuparam este espaço não só os estudos referentes <strong>às</strong> profissões da comunicação<br />

(tipicamente mediáticas), mas também as pesquisas <strong>de</strong> estudiosos originários <strong>das</strong> diversas CHS,<br />

preocupados com questões comunicacionais relativas aos objetos próprios <strong>de</strong> suas disciplinas.<br />

Esse quadro levou, durante certo tempo, ao argumento <strong>de</strong> que as preocupações com o<br />

comunicacional seriam estruturalmente interdisciplinares 30 . Atualmente, creio que po<strong>de</strong>mos<br />

consi<strong>de</strong>rar este período superado. Ainda que, na prática, os pesquisadores nem sempre explicitem<br />

30 Uma crítica diversificada contra tal argumento tem sido apresentada. Ver Martino (2007; 2001); e Braga (2004;<br />

2001). O trabalho interdisciplinar pe<strong>de</strong> um esforço <strong>de</strong> articulação – logo, <strong>de</strong> transferências e tensionamentos mútuos<br />

entre as disciplinas. Mas aquele argumento recobria na verda<strong>de</strong> uma dispersão e um <strong>de</strong>sconhecimento mútuo entre<br />

especialistas meramente agregados em um espaço internamente <strong>de</strong>sarticulado.<br />

53


seus enfoques preferenciais, encontramos algum esforço <strong>de</strong> articulação e <strong>de</strong>bate entre as diversas<br />

visa<strong>das</strong> 31 – que <strong>de</strong>ve ainda ser ampliado e aprofundado.<br />

Dispondo <strong>de</strong> um âmbito acadêmico estruturado, com uma pós-graduação em bom<br />

<strong>de</strong>senvolvimento, a área não precisou enfrentar, em posição marginal, uma ciência estabelecida<br />

outra, que nos submetesse ao controle do já estabelecido ou a rigores restritivos sobre nossas<br />

preferências <strong>de</strong> abordagem. Enten<strong>de</strong>mos que <strong>de</strong>corre daí um compromisso <strong>de</strong> uso produtivo <strong>de</strong>ssa<br />

oportunida<strong>de</strong> para, com a flexibilida<strong>de</strong> da situação, produzir avanços na constituição <strong>das</strong><br />

especificida<strong>de</strong>s da disciplina.<br />

Uma disciplina em constituição<br />

Não se constitui uma disciplina apenas com base nas teorias explicativas que <strong>de</strong>screvem<br />

seus objetos e fenômenos; mas também, e talvez sobretudo, a partir <strong>de</strong> questões que, volta<strong>das</strong> sobre<br />

o mundo, buscam suprir um certo tipo <strong>de</strong> dúvi<strong>das</strong> consistentemente articula<strong>das</strong>. Um novo campo<br />

<strong>de</strong> estudos se <strong>de</strong>senvolve mais provavelmente a partir <strong>de</strong> perguntas que não encontram respostas<br />

nas disciplinas estabeleci<strong>das</strong>, do que com base em teorias explicativas abrangentes. Consi<strong>de</strong>ramos,<br />

em todo caso, que no estado atual do conhecimento sobre Comunicação, dificilmente po<strong>de</strong>ríamos<br />

estabelecer uma teoria geral capaz <strong>de</strong> aten<strong>de</strong>r a três requisitos: <strong>de</strong>finir o campo <strong>de</strong> estudos <strong>de</strong> modo<br />

terminante; estabelecer fronteiras com as disciplinas vizinhas, que igualmente se interessam por<br />

fenômenos comunicacionais; e, particularmente, estabelecer critérios <strong>de</strong> pertinência para distinguir<br />

o que efetivamente <strong>de</strong>ve “constituir” a disciplina 32 .<br />

Nessas condições, nossa perspectiva é <strong>de</strong> que uma disciplina da Comunicação se<br />

<strong>de</strong>senvolverá sobretudo a partir do conjunto <strong>de</strong> perguntas que estejam sendo ou que venham a ser<br />

elabora<strong>das</strong> sobre fenômenos comunicacionais.<br />

Uma perspectiva instigante no que se refere à geração <strong>de</strong> perguntas sobre a realida<strong>de</strong>, é<br />

oferecida por Auguste Comte 33 . O autor propõe que as primeiras perguntas e hipóteses sobre uma<br />

<strong>de</strong>terminada or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> fenômenos, ainda não constituí<strong>das</strong> em disciplina <strong>de</strong> conhecimento, são<br />

feitas no âmbito <strong>de</strong> uma disciplina estabelecida. Na medida em que as respostas ofereci<strong>das</strong> no<br />

31 É o caso, por exemplo, <strong>de</strong> grupos <strong>de</strong> trabalho no âmbito da Compós e no da Intercom, em que tal diversida<strong>de</strong> se<br />

encontra para <strong>de</strong>bates, articulações e objeções mútuas.<br />

32 Martino (2007, 135) apresenta o <strong>de</strong>safio <strong>de</strong>ssa questão: como po<strong>de</strong>mos “produzir teorias da comunicação se não<br />

<strong>de</strong>ixamos claro, nem para nós mesmos, o que faz <strong>de</strong> uma teoria uma teoria da comunicação?”<br />

33 Conforme estudo do filósofo francês Alain (1947, 295-304) sobre as propostas do fundador da Sociologia. Ver<br />

também Braga, 2007, p. 5 e seguintes.<br />

54


âmbito <strong>de</strong>ssa ciência anterior se evi<strong>de</strong>nciam insuficientes para o <strong>de</strong>sejo <strong>de</strong> <strong>de</strong>scoberta, começa a se<br />

<strong>de</strong>senvolver uma nova disciplina.<br />

O que temos constatado, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> pelo menos o início do século XX, é um <strong>de</strong>senvolvimento<br />

crescente <strong>de</strong> questões sobre o fenômeno comunicacional – postas por várias disciplinas <strong>de</strong><br />

conhecimento humano e social.<br />

Dispomos, portanto, <strong>de</strong> um acervo diversificado <strong>de</strong> teorizações e <strong>de</strong> pesquisas empíricas<br />

que se voltam para reflexões e <strong>de</strong>scobertas sobre os fenômenos comunicacionais, ainda que a maior<br />

parte tenha se <strong>de</strong>senvolvido a partir <strong>de</strong> outras disciplinas <strong>das</strong> CHS 34 . Como é <strong>de</strong> conhecimento<br />

geral, utilizamos corriqueiramente, como base para nossos estudos, teorias elabora<strong>das</strong> no âmbito da<br />

sociologia, da lingüística, da psicologia, da educação, entre outras.<br />

Adotamos como premissa, <strong>de</strong>ntro da posição expressa acima, que as hipóteses e as<br />

perguntas ofereci<strong>das</strong> por aquelas teorias correspon<strong>de</strong>m a uma preparação que viabiliza <strong>de</strong>rivações<br />

disciplinares através da busca <strong>de</strong> novas perguntas para além <strong>de</strong>las. Isso nos oferece a possibilida<strong>de</strong><br />

<strong>de</strong> um programa <strong>de</strong> ação no esforço <strong>de</strong> <strong>de</strong>sentranhamento – que é justamente o <strong>de</strong> gerar questões<br />

mais próximas do fenômeno comunicacional, tentando <strong>de</strong>sentranhá-lo <strong>das</strong> preocupações que<br />

<strong>de</strong>terminam o olhar nas <strong>de</strong>mais disciplinas, estabeleci<strong>das</strong>.<br />

O <strong>de</strong>sentranhamento não implica afastar questões sociológicas, lingüísticas, psicológicas ou<br />

outras, eventualmente percebi<strong>das</strong> como relevantes para a apreensão do fenômeno comunicacional<br />

“em situação <strong>de</strong> realida<strong>de</strong>”. Mas não significa, também, abordagem interdisciplinar. Trata-se, em<br />

vez disso, <strong>de</strong> perceber os fenômenos (mesmo fazendo referência a elementos <strong>de</strong>stas outras or<strong>de</strong>ns)<br />

pelos ângulos em que po<strong>de</strong>m fornecer aportes significativos para questões propriamente<br />

comunicacionais.<br />

Tais questões po<strong>de</strong>m abrir percepções que não seriam do interesse daquelas disciplinas.<br />

Nossa preocupação não será constituir distinções formais entre a Comunicação e outras disciplinas<br />

– mas sim buscar visa<strong>das</strong> <strong>de</strong> conhecimento sem as quais aspectos centrais (e transversais) do<br />

fenômeno não seriam estudados ou sequer percebidos<br />

Essa abordagem parece interessante, na medida em que não exige, como “estaca zero”, uma<br />

constituição reflexiva rigorosa a partir <strong>de</strong> um gesto solitário <strong>de</strong> “criação teórica”. A geração <strong>de</strong><br />

perguntas se faz tanto no nível <strong>das</strong> teorias como <strong>das</strong> pesquisas empíricas; e correspon<strong>de</strong> a uma<br />

diversida<strong>de</strong> muito gran<strong>de</strong> <strong>de</strong> iniciativas, em ângulos variados, com múltiplas origens e<br />

perspectivas.<br />

34 Como assinala Martino (2007, 36), é preciso “não confundir ‘teoria sobre comunicação’ com ‘teoria da<br />

comunicação’”.<br />

55


Uma dificulda<strong>de</strong> inerente a essa abordagem é a da articulação <strong>de</strong>ssa diversida<strong>de</strong>. Este é um<br />

problema a ser expressamente refletido como parte estrutural <strong>das</strong> tentativas <strong>de</strong> <strong>de</strong>sentranhamento.<br />

Ver adiante as previsões para superar esse risco em nossa pesquisa..<br />

A pesquisa<br />

Estamos <strong>de</strong>senvolvendo a presente pesquisa com o objetivo <strong>de</strong> investigar o que a área tem<br />

feito no país, quanto a essa geração <strong>de</strong> perguntas; e o <strong>de</strong> examinar a potencialida<strong>de</strong> <strong>das</strong> questões<br />

trabalha<strong>das</strong> para estimular avanços <strong>de</strong> <strong>de</strong>sentranhamento. Não se trata <strong>de</strong> oferecer imediatamente<br />

perguntas “inaugurais”, ainda não pensa<strong>das</strong>, que tivessem a pretensão <strong>de</strong> constituir o perfil da<br />

disciplina por sua originalida<strong>de</strong>. Até porque, não dispondo <strong>de</strong> critérios, como po<strong>de</strong>ríamos atestar<br />

sua pertinência? Trata-se antes <strong>de</strong> refletir sobre um conjunto, razoavelmente diversificado, <strong>de</strong><br />

perguntas elabora<strong>das</strong> pela área, para <strong>de</strong>rivar tentativamente outras perguntas a partir do que aquelas<br />

não parecem apreen<strong>de</strong>r.<br />

Se estou buscando pistas e perspectivas epistemológicas sobre o campo, por que não buscá-<br />

las, justamente, nas teorias que se oferecem – diretamente em nosso campo, ou em outras<br />

disciplinas, mas se dando como “teorias comunicacionais”, volta<strong>das</strong> para fenômenos percebidos<br />

como <strong>de</strong> comunicação, na disciplina <strong>de</strong> origem? É claro que uma teoria já estabelece (ou implicita)<br />

a or<strong>de</strong>m <strong>de</strong> questões que consi<strong>de</strong>ra relevantes sobre seu objeto. Uma boa abordagem seria, assim,<br />

uma análise dos ângulos postos por tais teorias, in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte da origem disciplinar <strong>de</strong>stas.<br />

Entretanto, as teorias, em sua abstração, ten<strong>de</strong>m à “perfeição” – isto é, se <strong>de</strong>senvolvem<br />

maximizando sua coerência interna; “esquecem” (na verda<strong>de</strong>, não vêem, mesmo) os âmbitos <strong>de</strong><br />

realida<strong>de</strong> que não se ajustam e aos quais não estão ajusta<strong>das</strong>. Não sofrem, em si mesmas, o embate<br />

dos “restos” – sua visada disciplinar ou sua falseabilida<strong>de</strong> têm que ser maneja<strong>das</strong> “<strong>de</strong> fora”, por<br />

uma crítica propriamente epistemológica. Como estamos interessados em ir além <strong>das</strong> perguntas que<br />

já se apresentam, não somos favorecidos por sua “completu<strong>de</strong>”: será mais produtivo buscar<br />

espaços com maior tensionamento interno.<br />

Paralelamente, assumimos que os fenômenos empíricos “em situação”, por guardar sua<br />

complexida<strong>de</strong> interacional, sem reduções apriorísticas, <strong>de</strong>vem ser um âmbito privilegiado para<br />

buscar questões comunicacionais – perguntas que fazem avançar os conhecimentos específicos<br />

sobre o objeto; e por abdução, inferências teórico-metodológicas.<br />

A proximida<strong>de</strong> do fenômeno, em sua ocorrência social, apresenta a vantagem <strong>de</strong> não ter<br />

sido aí realizada, ainda, uma triagem prévia <strong>de</strong> variáveis – o que possibilita a geração <strong>de</strong> perguntas<br />

mais concretas e diversifica<strong>das</strong>. Além disso, a presença <strong>de</strong> elementos <strong>de</strong> contextualização, pela<br />

56


própria dificulda<strong>de</strong> <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntificação dos indícios mais relevantes, ajuda a manter a atenção sobre<br />

aspectos variados, estimulando a geração <strong>de</strong> dúvi<strong>das</strong>. Os elementos <strong>de</strong> concretu<strong>de</strong> e complexida<strong>de</strong><br />

sugerem, então, que po<strong>de</strong>mos, probabilisticamente, encontrar aí melhores tensionamentos e maior<br />

diversida<strong>de</strong> <strong>de</strong> indícios sobre questões comunicacionais que possam estimular inferências<br />

abdutivas 35 .<br />

Os fenômenos empíricos, no âmbito <strong>de</strong>sta pesquisa, nos interessam através da construção<br />

investigativa realizada por pesquisadores da área. Nosso projeto se volta para a observação <strong>de</strong><br />

hipóteses e perguntas conforme expostas em relatos <strong>de</strong> pesquisas empíricas <strong>de</strong>senvolvi<strong>das</strong> na área.<br />

Dentre estas, pensamos em dar especial atenção a estudos <strong>de</strong> caso.<br />

O corpus é composto por uma centena <strong>de</strong> artigos selecionados <strong>de</strong>ntre os apresentados em<br />

três encontros anuais da Compós (2006, 2007 e 2008, com provável incursão em 2009); e que<br />

abordam objetos empíricos bastante singularizados. O congresso da Compós oferece uma<br />

quantida<strong>de</strong> e uma diversida<strong>de</strong> a<strong>de</strong>quada <strong>de</strong> exemplares <strong>de</strong> tais investigações. Além disso, os GTs<br />

da entida<strong>de</strong> apresentam uma boa abrangência <strong>de</strong> ângulos <strong>de</strong>ntro do Campo da Comunicação – o<br />

que assegura varieda<strong>de</strong>, pertinência e boa seletivida<strong>de</strong>, <strong>de</strong>vido ao gran<strong>de</strong> número <strong>de</strong><br />

encaminhamentos para a seleção <strong>de</strong> cada GT, enfatizando a acuida<strong>de</strong> analítico-interpretativa dos<br />

artigos. A forte predominância <strong>de</strong> pesquisas relaciona<strong>das</strong> à pós-graduação promete proximida<strong>de</strong><br />

com as linhas <strong>de</strong> pesquisa mais atuantes.<br />

Entretanto, não é só o fenômeno empírico que nos interessa no relato; nem apenas os gestos<br />

metodológicos do autor. Os relatos <strong>de</strong> investigação empírica não se limitam a observar, <strong>de</strong>screver e<br />

questionar, por problematização específica, seus objetos. Para fazê-lo, acionam questões <strong>de</strong><br />

horizonte teórico que estão igualmente presentes em seus textos, mesmo que <strong>de</strong> modo implícito.<br />

Devo encontrar, portanto, nos artigos, a presença <strong>de</strong>stes dois objetos <strong>de</strong> reflexão –<br />

teorias/conceitos; e referências empíricas – já articulados pelo estudo que resultou no artigo. Mais<br />

exatamente que observar as teorias aciona<strong>das</strong>, queremos apreen<strong>de</strong>r o acionamento <strong>das</strong> teorias.<br />

Estas são leva<strong>das</strong> pelos pesquisadores a uma ação prática sobre materiais e fenômenos que resistem<br />

(e por isso mesmo são investigados). Ao viabilizar <strong>de</strong>scobertas, <strong>de</strong>scrições, inferências e<br />

proposições mais gerais, esse acionamento po<strong>de</strong> mostrar a teoria na ação que nos interessa – que<br />

não é a <strong>de</strong> “explicar a realida<strong>de</strong>”, mas sim a <strong>de</strong> fazer-lhe perguntas, dirigir o olhar indagador.<br />

35 Em “Comunicação, disciplina indiciária” (Braga, 2008) <strong>de</strong>senvolvemos reflexões sobre a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> realização<br />

<strong>de</strong> inferências abdutivas, em um paradigma indiciário, como aproximação epistemológica para o <strong>de</strong>sentranhamento<br />

<strong>de</strong> questões propriamente comunicacionais.<br />

57


O fato <strong>de</strong> que eu examine tais questões no aspecto <strong>de</strong> “teoria em ação” e já não <strong>de</strong> “teoria<br />

abstrata” não exclui o aporte teórico – apenas o relaciona ao empírico. Posso consi<strong>de</strong>rar então que<br />

as questões <strong>de</strong> horizonte (embora não busca<strong>das</strong> diretamente nas teorias e sim no uso <strong>das</strong> teorias)<br />

também aparecem como aporte para inferências, complementando os elementos empíricos dos<br />

casos estudados.<br />

Com o tensionamento inerente ao esforço <strong>de</strong> ajuste do ponto <strong>de</strong> vista teórico ao objeto<br />

empírico; e prevendo a possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> “restos” não apreendidos pela teoria, no conjunto <strong>de</strong><br />

aspectos do fenômeno observado; esperamos encontrar indícios estimuladores da percepção. O<br />

âmbito promissor para as inferências pretendi<strong>das</strong> é antes o da reverberação iterativa entre os dois<br />

níveis, o mais concreto e o mais abstrato – do que um <strong>de</strong>les ou o outro, isolados.<br />

O acionamento <strong>de</strong> teorias pelos estudos empíricos nos artigos a serem analisados as faz<br />

funcionar a serviço <strong>de</strong> que ângulos comunicacionais?<br />

Se as primeiras perguntas e hipóteses <strong>de</strong> uma disciplina em constituição são <strong>de</strong>senvolvi<strong>das</strong><br />

no âmbito <strong>de</strong> uma ciência “anterior”, vê-las sendo concretamente postas em pauta em relação<br />

prática com um <strong>de</strong>terminado fenômeno comunicacional singular po<strong>de</strong> liberar percepções, viabilizar<br />

inferências sobre on<strong>de</strong> se encontram perguntas e hipóteses mais pertinentes ao campo; sobre um<br />

encaminhamento eventual “para além” <strong>das</strong> perguntas mais típicas <strong>das</strong> disciplinas “<strong>de</strong> origem”; e<br />

sobre direções para continuar <strong>de</strong>sentranhando e constituindo visa<strong>das</strong> mais especificadamente<br />

comunicacionais 36 .<br />

A abordagem<br />

Para atingir os enfoques estabelecidos acima, será preciso trabalhar o material empírico<br />

(“artigos” e “coleção”) fazendo observações e inferências sobre três aspectos: as ações textuais<br />

organiza<strong>das</strong> no artigo (e assim ofereci<strong>das</strong> à leitura como algo mais que seu teor informacional); da<br />

estrutura do artigo para sua construção, a montante, a investigação realizada e seus<br />

questionamentos; e a jusante dos artigos, procurando pistas para gerar hipóteses abdutivas sobre o<br />

campo em que suas percepções se articulam.<br />

Po<strong>de</strong>mos, então, em função <strong>de</strong>stes três ângulos <strong>de</strong> abordagem (o texto na sua materialida<strong>de</strong>;<br />

investigação <strong>de</strong> elementos a montante; e <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> elementos a jusante), organizar o<br />

36 Naturalmente, não temos a pretensão <strong>de</strong> um <strong>de</strong>sentranhamento terminante do comunicacional. Em coerência com as<br />

premissas expostas, esse é um trabalho coletivo e <strong>de</strong> longo fôlego, que <strong>de</strong>pen<strong>de</strong> <strong>de</strong> aportes muitos distintos e –<br />

sobretudo – dos <strong>de</strong>bates e articulações entre diferentes perspectivas sobre o objeto. O que envolve a participação <strong>de</strong><br />

pesquisadores da área, <strong>de</strong> modo diversificado.<br />

58


tratamento metodológico igualmente em três instâncias: análise performativa; metodologia reversa;<br />

e inferências abdutivas.<br />

Essas três táticas, como metodologia <strong>de</strong> abordagem dos artigos, são resumi<strong>das</strong> a seguir.<br />

Assinalamos que, embora se caracterizem como táticas interpretativas gerais, são adapta<strong>das</strong> aos<br />

objetivos específicos do projeto <strong>de</strong> pesquisa e ao tipo <strong>de</strong> objeto com que estamos trabalhando 37 .<br />

Para a <strong>de</strong>scrição dos artigos, no que se refere a sua percepção do objeto empírico estudado e<br />

do contexto, faremos uma análise performativa dos artigos – observação <strong>das</strong> ações opera<strong>das</strong> pelo<br />

texto e seus parágrafos, em termos <strong>de</strong> <strong>de</strong>finição <strong>de</strong> tema, <strong>de</strong>scrição do objeto, apresentação <strong>de</strong> foco,<br />

seleções, estabelecimento <strong>de</strong> premissas e hipóteses, argumento, encaminhamento <strong>das</strong> idéias e<br />

construção <strong>de</strong> inferências. Em síntese, a observação correspon<strong>de</strong> a examinar analítica e<br />

criticamente o que o artigo, por sua estrutura e apresentação <strong>de</strong> proposições, faz <strong>de</strong> seu objeto,<br />

como o constrói e como direciona a leitura.<br />

Para uma percepção <strong>das</strong> premissas, perguntas e hipóteses não explicita<strong>das</strong> no artigo,<br />

faremos um exercício <strong>de</strong> metodologia reversa. Trata-se, na análise do artigo, <strong>de</strong> usar as<br />

proposições referentes aos elementos substantivos e temáticos da pesquisa como pistas para fazer<br />

inferências sobre questões metodológicas da investigação.<br />

Essa aproximação, observando o texto como sintoma <strong>de</strong> ocorrências na abordagem <strong>de</strong> seu<br />

objeto, é aparentada ao procedimento <strong>de</strong> Zadig (no conto <strong>de</strong> Voltaire referido por Ginzburg; 1989,<br />

168-169). A metodologia reversa envolve, portanto, uma aproximação indiciária. Trata-se <strong>de</strong><br />

inferir procedimentos <strong>de</strong> pesquisa, a partir do artigo, para além do que este expressamente<br />

apresenta, tomando o texto e seus parágrafos como indícios e observando o que fazem, com relação<br />

ao material ou situação pesquisada; e enquanto argumento <strong>de</strong> construção <strong>de</strong> caso (<strong>de</strong>scrição e<br />

inferências) – ou seja, perceber que investigação foi esta, a montante.<br />

Para a elaboração do terceiro nível <strong>de</strong> inferências, trata-se <strong>de</strong> tomar as perguntas e<br />

respostas apresenta<strong>das</strong> pelos artigos, assim como sua aproximação teórica, como pistas e indícios<br />

para <strong>de</strong>senvolver reflexões sobre o fenômeno não diretamente acessível, correspon<strong>de</strong>nte ao campo<br />

<strong>de</strong> estudo em vias <strong>de</strong> constituição. Cada artigo da coleção <strong>de</strong>ve ser tomado como um núcleo <strong>de</strong><br />

indícios, buscando-se articular esses núcleos para fazer inferências movi<strong>das</strong> por questões<br />

transversais – <strong>das</strong> quais a mais geral seria referente <strong>às</strong> perspectivas <strong>de</strong> interesse na constituição do<br />

campo da Comunicação.<br />

37 Como parte dos resultados previstos para o Projeto, <strong>de</strong>vemos elaborar reflexões sobre estes procedimentos<br />

metodológicos, sua visada e seus âmbitos <strong>de</strong> aplicação em perspectivas mais abrangentes.<br />

59


Tal procedimento correspon<strong>de</strong> <strong>de</strong> perto ao mo<strong>de</strong>lo epistemológico <strong>de</strong> inferências abdutivas<br />

(Peirce, apud Ginzburg, 1989, nota 38, 264) ou “paradigma indiciário” (Ginzburg, 1989, 143-179)<br />

ou, ainda, <strong>de</strong> uma busca <strong>de</strong> “conclusões mais ricas” a jusante (Hintikka e Hintikka, 2004, 182). As<br />

inferências serão feitas – como, aliás, é o caso em todo processo interacional – pelo esforço <strong>de</strong><br />

articulação e <strong>de</strong> tensionamento entre o “texto”, por um lado; e os repertórios e objetivos da<br />

“leitura” por outro. No nosso caso, buscando inferências centra<strong>das</strong> na construção <strong>de</strong> perspectivas<br />

sobre o fenômeno comunicacional.<br />

Enfrentar a dispersão<br />

Uma <strong>das</strong> dificulda<strong>de</strong>s a serem enfrenta<strong>das</strong>, em um trabalho <strong>de</strong> observação <strong>de</strong> pesquisas<br />

empíricas na área, é a facilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> dispersão dos resultados. Cada estudo sobre objetos singulares<br />

e fenômenos específicos <strong>de</strong> comunicação observa um tipo diferenciado <strong>de</strong> matérias e <strong>de</strong> contextos,<br />

encontrando aí uma varieda<strong>de</strong> ampla <strong>de</strong> problemas <strong>de</strong> investigação. Além disso, as teorias<br />

aciona<strong>das</strong> são diversas – e são, como sabemos, importa<strong>das</strong> <strong>de</strong> múltiplos horizontes.<br />

Para apreen<strong>de</strong>r fenômenos comunicacionais em sua complexida<strong>de</strong> contextual, nossa<br />

pesquisa se dispõe a estudar cada relato <strong>de</strong> pesquisa selecionado, <strong>de</strong>screvendo empiricamente seus<br />

processos e suas lógicas singulares. Isso é necessário, uma vez que é a varieda<strong>de</strong> <strong>de</strong> “lógicas<br />

locais” que <strong>de</strong>ve nos oferecer pistas. Entretanto, se ficássemos apenas nesse nível, nos limitaríamos<br />

a referendar a diversida<strong>de</strong> e a dispersão; ou a produzir alguma organização classificatória <strong>de</strong> “tipos<br />

<strong>de</strong> objetos” (perguntas e ângulos comunicacionais trabalhados).<br />

Enten<strong>de</strong>mos que observar o que um âmbito <strong>de</strong> pesquisa vem concretamente trabalhando é<br />

uma aproximação interessante, na perspectiva da sociologia do conhecimento, como um dos<br />

caminhos para apreensão <strong>de</strong> suas características históricas. Entretanto, isso não correspon<strong>de</strong> a<br />

consi<strong>de</strong>rar que o que <strong>de</strong>fine uma disciplina seja simplesmente o agregado do que os pesquisadores<br />

<strong>de</strong>ssa disciplina fazem. Diversamente, este <strong>de</strong>ve ser apenas um passo para uma ativida<strong>de</strong> reflexiva<br />

mais ampla.<br />

Como assinalamos no item “Abordagem”, preten<strong>de</strong>mos esquadrinhar os artigos em função<br />

<strong>de</strong> nosso interesse, referente ao <strong>de</strong>sentranhamento do “comunicacional”, que funciona como eixo<br />

da pesquisa. Isso nos leva a questões <strong>de</strong> horizonte como as seguintes: Como os artigos acionam as<br />

teorias (do campo ou vizinhas) a serviço <strong>de</strong> seus objetivos? Que tratamento é dado ao fenômeno<br />

singular analisado no artigo? Que questões são postas pelo artigo a seus objetos? Que ângulo<br />

comunicacional é trabalhado?<br />

60


Do exame <strong>das</strong> articulações entre teorias e referências ao empírico, em cada artigo, <strong>de</strong>vo<br />

perceber pelo menos uma <strong>de</strong> duas coisas ou, esperançosamente, ambas:<br />

- o próprio artigo já oferece pistas para maiores precisões – perguntas dirigi<strong>das</strong> ao processo<br />

concreto investigado; modos <strong>de</strong> tratamento; articulações interessantes ou promissoras entre os<br />

fenômenos e as teorias (ainda que circunscritas ao fenômeno singular estudado);<br />

- o “encontro” produzido pelo artigo entre os conceitos acionados e o fenômeno observado<br />

<strong>de</strong>ixa restos não abordados ou parcialmente elaborados (no que diz respeito aos nossos objetivos, e<br />

não aos <strong>de</strong> seu autor). Nesse caso, <strong>de</strong>ve ser possível selecionar índices a partir dos quais se possam<br />

inferir, por abdução, outros encaminhamentos na busca daquelas precisões, outras perguntas.<br />

Especificando: temos o objetivo <strong>de</strong> encontrar tensionamentos entre teorias e fenômenos<br />

(trabalho inferencial possível: propor encaminhamentos para superar tais tensionamentos); e <strong>de</strong><br />

encontrar uma oferta diversificada <strong>de</strong> indícios no tratamento <strong>das</strong> questões interacionais (trabalho<br />

inferencial possível: articular estes indícios).<br />

Através do cotejo entre artigos, <strong>de</strong>vemos então procurar o patamar mais abrangente no qual<br />

incidências e tensionamentos mútuos possam se resolver. É claro que em <strong>de</strong>terminados âmbitos<br />

encontraremos “núcleos” distintos <strong>de</strong> preocupação com fenômenos comunicacionais, que serão<br />

in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ntes entre si. Não po<strong>de</strong>rão, portanto, ser articulados em uma perspectiva comum, pois<br />

estão situados em linhas <strong>de</strong> apreensão com visa<strong>das</strong> diferentes.<br />

Po<strong>de</strong>mos assumir que, <strong>de</strong>stas linhas preferenciais, historicamente da<strong>das</strong> (ou seja: que estão<br />

sendo efetivamente tenta<strong>das</strong>), algumas são mais promissoras com relação a nossos objetivos, outras<br />

menos. Para inferir as melhores promessas e superar a dispersão, é preciso fazer sua crítica – mas<br />

aí, uma crítica da teoria em uso na pesquisa relatada pelo artigo.<br />

Assim, se temos algumas idéias (mesmo vagas) sobre a constituição do campo <strong>de</strong> estudos,<br />

uma observação <strong>de</strong>stas linhas preferenciais oferece várias possibilida<strong>de</strong>s:<br />

- tensionar as idéias abrangentes assumi<strong>das</strong> sobre a constituição do campo para obter<br />

ajustes, superações, aprofundamento, precisões, substituição;<br />

- <strong>de</strong>senvolver compreensão, por via indireta, sobre as próprias teorias aciona<strong>das</strong>;<br />

- finalmente, propor outras questões, talvez não percebi<strong>das</strong> pelos artigos, mas que possam<br />

ser inferi<strong>das</strong> <strong>de</strong> modo transversal à coleção, a partir <strong>de</strong> um redirecionamento <strong>de</strong> enfoque em busca<br />

<strong>de</strong> ângulos propriamente comunicacionais.<br />

* * *<br />

Paralelamente ao trabalho <strong>de</strong> investigação exploratória, sobre os estudos empíricos<br />

apresentados na Compós, estamos elaborando reflexões preliminares mais abstratas. Esse<br />

61


<strong>de</strong>senvolvimento não preten<strong>de</strong> construir um ponto <strong>de</strong> vista teórico prévio – o que seria<br />

contraditório com as premissas da investigação indiciária. Trata-se antes <strong>de</strong> refletir sobre o âmbito<br />

em que preten<strong>de</strong>mos circunscrever nossas análises – <strong>de</strong> certo modo, a arena à qual preten<strong>de</strong>mos<br />

levar nossos objetos.<br />

Trabalhamos sobre umas poucas perspectivas sociológicas e lingüísticas, fazendo sua<br />

“crítica”, no sentido <strong>de</strong> tentar perceber o que estas não explicam para além dos ângulos segundo os<br />

quais apreen<strong>de</strong>m a realida<strong>de</strong> – enten<strong>de</strong>ndo que estes aspectos, aí não abordados, po<strong>de</strong>m ser fonte<br />

<strong>de</strong> outras perguntas. Como tática exploratória, <strong>de</strong>vem ser produzi<strong>das</strong>, assim, algumas hipóteses<br />

prospectivas para a abordagem do corpus.<br />

Esse trabalho <strong>de</strong>ve gerar dois artigos preliminares, que serão utilizados para tensionar os<br />

artigos a serem analisados. Por sua vez, essas reflexões iniciais serão tensiona<strong>das</strong> pelas <strong>de</strong>scobertas<br />

e inferências feitas sobre os relatos <strong>de</strong> estudos empíricos. É através <strong>de</strong>sse tensionamento mútuo que<br />

<strong>de</strong>vemos encontrar indícios para o trabalho da inferência abdutiva.<br />

Bibliografia<br />

ALAIN. Idées. Introduction à la philosophie – Platon, Descartes, Hegel, Auguste Comte, [1939] Paris, Paul<br />

Hartmann, 1947.<br />

BRAGA, José Luiz. “Comunicação, disciplina indiciária”, São Paulo, ECA/USP, Matrizes, nº 2, p. 73-88,<br />

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Comunicação, São Paulo, E-Papers, p. 7-21, 2007.<br />

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Sérgio Dayrell Porto (orgs.), Campo da Comunicação – caracterização, problematizações e<br />

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GINZBURG, Carlo. “Sinais: raízes <strong>de</strong> um paradigma indiciário”, in Mitos, emblemas, sinais – morfologia e<br />

história [1986], São Paulo, Companhia da Letras, 1989.<br />

HINTIKKA, Jaakko e Merril B. Hintikka. “Sherlock Holmes em confronto com a lógica mo<strong>de</strong>rna: para uma<br />

teoria da obtenção <strong>de</strong> informação através do questionamento”, Umberto Eco e Thomas A. Sebeok<br />

(orgs.), O signo <strong>de</strong> três [1983], São Paulo, Perspectiva, 2004.<br />

MARTINO, Luiz Cláudio. Teorias da Comunicação – muitas ou poucas?, Cotia, SP, Ateliê Editorial, 2007.<br />

__________. “Interdisciplinarida<strong>de</strong> e objeto <strong>de</strong> estudo da Comunicação”, in A. Fausto Neto, J. L. Aidar<br />

Prado e Sérgio Dayrell Porto (orgs.), Campo da Comunicação – caracterização, problematizações e<br />

perspectivas, João Pessoa, Editora Universitária UFPB, p. 77-90, 2001.<br />

SEBEOK, Thomas A. e Jean Umiker-Sebeok. “Você conhece o meu método: uma justaposição <strong>de</strong> Charles S.<br />

Peirce e Sherlock Holmes”, Umberto Eco e Thomas A. Sebeok (orgs.), O signo <strong>de</strong> três [1983], São<br />

Paulo, Perspectiva, 2004.<br />

62


TRANSDISCIPLINA Y MULTIMETODOLOGÍA: CLAVES PARA<br />

EL ABORDAJE DE LA MEDIATIZACIÓN EN CULTURAS<br />

HIPERMEDIATIZADAS<br />

Lila Luchessi ∗<br />

Resumen: Los cambios en el sistema mediático generan nuevas formas <strong>de</strong> consumir e interactuar por parte<br />

<strong>de</strong> los sujetos receptores. Las nuevas prácticas impactan en la sociedad y las posibilida<strong>de</strong>s tecnológicas<br />

generan una instancia <strong>de</strong> hipermediatización. Los estudios sobre el campo requieren rediscusiones y la<br />

ten<strong>de</strong>ncia a las mira<strong>das</strong> transdisciplinares <strong>de</strong>be ser profundizada para dar cuenta <strong>de</strong> la nueva complejidad.<br />

En este sentido, resulta crucial compren<strong>de</strong>r el contexto, entendido como nodos <strong>de</strong> producción cultural global<br />

a través <strong>de</strong> re<strong>de</strong>s digitales <strong>de</strong> comunicación en las que la espacialidad y la temporalidad cobran nuevos<br />

valores. Es el objetivo <strong>de</strong> este trabajo proponer una ten<strong>de</strong>ncia hacia la multimetodología, entendida como<br />

herramienta central para analizar los fenómenos sociales <strong>de</strong> las culturas atravesa<strong>das</strong> por la mediatización.<br />

Palabras clave: transdisciplinariedad, hipermediatización, métodos<br />

“No solo los medios cambian. Los sujetos receptores<br />

también y mucho. Ambos se transforman y su apreciación<br />

dinámica en contínuo movimiento, constituye un <strong>de</strong>safio<br />

para la investigación <strong>de</strong> la comunicación.” Guillermo<br />

Orozco Gomés (2002: 23)<br />

El escenario mediático actual genera una ruptura con las lógicas industriales <strong>de</strong> producción<br />

informativa. Si seguimos a Scott Lash, “El proceso productivo <strong>de</strong> uso intensivo <strong>de</strong>l conocimiento<br />

<strong>de</strong>splaza el proceso <strong>de</strong> trabajo <strong>de</strong> uso intensivo <strong>de</strong> mano <strong>de</strong> obra” (2005: 242). Así, el<br />

conocimiento es el eje central a partir <strong>de</strong>l cual la sociedad establece sus relaciones y acciones<br />

políticas y cotidianas. En este contexto, la sensación <strong>de</strong> hiperinformación “margina u oculta los<br />

procesos <strong>de</strong> hipoinformación” (Ford, 2005: 21). Entonces, el procedimiento se sostiene en la<br />

abundante oferta <strong>de</strong> soportes y canales para la puesta en público <strong>de</strong> datos, inquietu<strong>de</strong>s, experiencias<br />

y sucesos, aunque la ten<strong>de</strong>ncia sea a la <strong>de</strong> la amplificación <strong>de</strong> tópicos poco diversos a través <strong>de</strong><br />

gran cantidad <strong>de</strong> canales <strong>de</strong> comunicación tradicionales, que encontrarán amplificaciones a través<br />

<strong>de</strong> los nuevos medios. En este sentido, podría pensarse que se está más cerca <strong>de</strong> un fenómeno <strong>de</strong><br />

hipermediatización que <strong>de</strong> hiperinformación. Para explicarlo, diremos que se entien<strong>de</strong> por<br />

hipermediatización a la posibilidad que tienen las audiencias <strong>de</strong> estar expuestas a un fenómeno <strong>de</strong><br />

mediatización constante, aunque ello no implique -necesariamente- tener contacto con los medios.<br />

∗ Profesora – Investigadora (CCC - IEALC - FSOC - UBA).<br />

63


Las posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> reenvíos que ofrece el sistema mediático -y sus articulaciones con la sociedad-<br />

permiten que, en las gran<strong>de</strong>s ciuda<strong>de</strong>s, los consumidores <strong>de</strong> información puedan acce<strong>de</strong>r a los<br />

tópicos <strong>de</strong> las agen<strong>das</strong> mediáticas a través <strong>de</strong> sus participaciones en distintas re<strong>de</strong>s sociales, tengan<br />

estas sustento o no en los medios masivos <strong>de</strong> comunicación.<br />

Por supuesto que la abundancia <strong>de</strong> medios -tradicionales y digitales- permite un acceso<br />

mucho más rápido a los acontecimientos sociales. La potencial diversidad <strong>de</strong> contenidos es un<br />

hecho en la sociedad <strong>de</strong> la información ya que las estructuras necesarias que hacen falta para la<br />

puesta en público <strong>de</strong> nuevos temas o acontecimientos es más amigable y sencilla. No obstante, el<br />

procedimiento <strong>de</strong> selección y jerarquización que realizan los gran<strong>de</strong>s medios <strong>de</strong> comunicación es el<br />

que fija la mirada, los acontecimientos relevantes para la vida cotidiana y los elementos <strong>de</strong><br />

comprensión <strong>de</strong>l funcionamiento social.<br />

Los soportes y canales disponibles para los consumidores -en tanto tales o en interacción<br />

con los productores o entre ellos mismos- pue<strong>de</strong>n encuadrarse <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> la tipología que realiza<br />

Roberto Igarza y <strong>de</strong> la que tomaremos las categorías que elabora ya que las consi<strong>de</strong>ramos<br />

a<strong>de</strong>cua<strong>das</strong> para sistematizar el escenario mediático actual (2008: 176). Al <strong>de</strong>cir <strong>de</strong> este autor, los<br />

medios digitales pue<strong>de</strong>n sistematizarse en cuatro tipos claramente diferenciados.<br />

A. Medios tradicionales con versiones on line<br />

B. Medios Nativos, aquellos que fueron concebidos para las nuevas herramientas digitales<br />

C. Medios Sociales, a los que categoriza como <strong>de</strong> expresión y permiten la participación <strong>de</strong><br />

otros usuarios a través <strong>de</strong> comentarios que dialogan con el productor y horizontales, que permiten<br />

la interacción <strong>de</strong> usuarios a través <strong>de</strong> plataformas diseña<strong>das</strong> a tal fin como los foros.<br />

D. Medios Agregadores, que realizan dos acciones básicas. Por un lado, pue<strong>de</strong>n redifundir<br />

contenidos <strong>de</strong> otros medios y por otro, pue<strong>de</strong>n conectar al usuario con más información a través <strong>de</strong>l<br />

uso <strong>de</strong> links.<br />

Esta nueva tipología <strong>de</strong> medios que caracterizan a la sociedad <strong>de</strong> la información, sus<br />

particularida<strong>de</strong>s y similitu<strong>de</strong>s con las instancias previas, permiten una rediscusión acerca <strong>de</strong> las<br />

herramientas para el análisis <strong>de</strong> la mediatización, los actores que intervienen en ella y los medios a<br />

través <strong>de</strong> los que se produce. También, abre la posibilidad <strong>de</strong> estudiar sus interrelaciones con los<br />

medios electrónicos y gráficos, sus consecuentes cruces, reenvíos y construcciones concretas <strong>de</strong>ntro<br />

<strong>de</strong>l sistema <strong>de</strong> significaciones y su retroalimentación, aunque <strong>de</strong> modo paradojal, a través <strong>de</strong><br />

infinidad <strong>de</strong> canales para sostener una información que pue<strong>de</strong> categorizarse -casi- como unívoca<br />

(Mattelart; 2002: 135).<br />

En este sentido, compartimos con Antonio Fausto Neto (2007; 101) que la mediatización no<br />

solo afecta a la estructuración social, sino también a las prácticas productivas (mediáticas e<br />

64


informativas) en la medida en que organiza las operaciones referenciales (y autorreferenciales) que<br />

se establecen en la sociedad. A<strong>de</strong>más, da<strong>das</strong> las condiciones tecnológicas, las apropiaciones<br />

sociales <strong>de</strong> las tecnologías y sus usos, la posibilidad <strong>de</strong> mira<strong>das</strong> críticas que estos suponen<br />

(Burbules y Callister; 2001:121) y las a<strong>de</strong>cuaciones <strong>de</strong> los medios <strong>de</strong> comunicación -en sus<br />

diferentes categorías- a las nuevas producciones sociales <strong>de</strong> sentido (Wiñazki; 2004: 9), pondremos<br />

en discusión la pertinencia <strong>de</strong> las mira<strong>das</strong> disciplinares y los métodos <strong>de</strong> investigación tradicionales<br />

para dar cuenta <strong>de</strong>l nuevo escenario comunicacional - social.<br />

En este sentido, haremos foco en los estudios sobre la información que circula socialmente,<br />

en los consumos y las retroalimentaciones que las audiencias hacen -<strong>de</strong> y con la información- con<br />

los medios <strong>de</strong> comunicación y en las prácticas profesionales que se realizan para ponerla en<br />

circulación.<br />

En primera instancia, vemos que las investigaciones disciplinares tien<strong>de</strong>n a aplicar las<br />

categorías que, según la <strong>de</strong>nominación <strong>de</strong> Neto, dan cuenta <strong>de</strong> socieda<strong>de</strong>s “<strong>de</strong> los medios” cuando<br />

intentan indagar sobre socieda<strong>de</strong>s claramente atravesa<strong>das</strong> por la “mediatización” (Op. Cit; 102).<br />

La información que circula por los medios es el resultado <strong>de</strong> la construcción articulada <strong>de</strong>l<br />

sistema mediático, como productor y articulador omnipresente <strong>de</strong> las significaciones y las<br />

relaciones sociales, la irrupción <strong>de</strong> nuevos medios y nuevos públicos, que coinci<strong>de</strong>n con la cuarta<br />

categoría <strong>de</strong> Igarza (Ib), en la medida en que son claramente activos en cuanto a sus producciones<br />

pero tien<strong>de</strong>n a tomar <strong>de</strong>l sistema mediático hegemónico sus contenidos y encuadres.<br />

En este sentido, creemos que los métodos a tener en cuenta para realizar estudios sobre<br />

información social mediatizada <strong>de</strong>ben a<strong>de</strong>cuarse al nuevo escenario. Las mira<strong>das</strong> disciplinares no<br />

son operacionales a las nuevas formas (productivas - discursivas y <strong>de</strong> consumo) si no tienen en<br />

cuenta las articulaciones que se dan <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong>l proceso <strong>de</strong> circulación que, a partir <strong>de</strong>l<br />

procedimiento <strong>de</strong> framing (Sababa; 2008), pone en juego nuevos modos cognitivos para percibir y<br />

producir en sociedad. Tampoco, si sus objetivos coinci<strong>de</strong>n con el mero estudio <strong>de</strong> las producciones<br />

sociales, aisla<strong>das</strong> <strong>de</strong> sus productores y consumidores.<br />

Un punto aparte merecen estos últimos. En la medida en que su rol actual es activo, es<br />

necesario problematizar si este aporta nuevas mira<strong>das</strong>, datos y enfoques sobre la información que<br />

producen los medios tradicionales <strong>de</strong> comunicación. De qué modo se producen las apropiaciones<br />

<strong>de</strong> ellos y qué aportes realiza en la articulación que da cuenta <strong>de</strong> la nueva significación social.<br />

mediatización.<br />

Es el objetivo <strong>de</strong> este trabajo proponer una metodología transdisciplinar para abordar la<br />

Circulación y significaciones sociales (en la dictadura <strong>de</strong>l instante)<br />

65


El estudio sobre el proceso por el cual los medios masivos <strong>de</strong> comunicación elaboran<br />

aceleraciones en los tiempos sociales no es nuevo. El análisis <strong>de</strong>l impacto <strong>de</strong> la irrupción <strong>de</strong> los<br />

medios gráficos en el ritmo <strong>de</strong> la vida social tampoco. En relación con él, los resultados son vastos<br />

y diversos. Sin embargo, la sofisticación <strong>de</strong> las tecnologías audiovisuales permitió generar la<br />

sensación <strong>de</strong> “sincronización <strong>de</strong>l mundo” (Lochard y Boyer; 2004:160), imprimiendole a la<br />

cotidianidad <strong>de</strong> las culturas un ritmo acor<strong>de</strong> con las formas productivas <strong>de</strong> los medios televisivos.<br />

A partir <strong>de</strong> este procedimiento, se instaló la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> homogeneización en los consumos culturales,<br />

informativos e industriales, sin que medien diferencias espaciales o geográficas.<br />

En ese momento, la tecnología seguía sosteniendo una barrera entre productores y<br />

consumidores, relegando a estos últimos a la situación <strong>de</strong> sujetos espectadores. La relación <strong>de</strong><br />

fuerza, a pesar <strong>de</strong> la generalización <strong>de</strong> los consumos, se mantuvo en la producción con la<br />

posibilidad <strong>de</strong> las audiencias <strong>de</strong> acce<strong>de</strong>r a puntos <strong>de</strong> vista consensuados en las lógicas productivas,<br />

industriales y comerciales que rigieron al mercado <strong>de</strong> las déca<strong>das</strong> <strong>de</strong> los ochenta y noventas. Sin<br />

embargo, a medida en que la visión digital se hizo más cotidiana, la mediatización fue <strong>de</strong>jando su<br />

espacio <strong>de</strong> canal <strong>de</strong> difusión para cobrar una centralidad “no solamente cultural, sino también<br />

económica y política” (Luchessi y Cetkovich Bakmas; 2007: 255). En este sentido, la<br />

mediatización permitió conocer ten<strong>de</strong>ncias, prácticas, sistemas <strong>de</strong> institucionalización y <strong>de</strong>man<strong>das</strong><br />

en lugares diversos a tiempo sincronizado. Pero a pesar <strong>de</strong> esto, las potenciales relaciones entre<br />

actores diferenciados recién fueron posibles con el crecimiento <strong>de</strong> las <strong>de</strong>man<strong>das</strong> y apropiaciones <strong>de</strong><br />

las tecnologías digitales. Ellas hicieron posibles las relaciones entre consumidores y productores,<br />

consumidores entre ellos y productores en general, reenviando sus distintas producciones <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong><br />

un sistema signado por la instantaneidad.<br />

En este sentido, coincidimos con Saskia Sassen en que la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> contexto que rigió a la<br />

sociedad ya no pue<strong>de</strong> pensarse en los mismos términos. Al <strong>de</strong>cir <strong>de</strong> la autora, el contexto “ya no<br />

hace referencia solo al entorno inmediato, sino que es la geografía global estratégica compuesta<br />

<strong>de</strong> múltiples nodos lo que se transforma en el contexto principal, si no dominante” (2007: 287).<br />

Con este marco, las posibilida<strong>de</strong>s tecnológicas que brindan los nuevos medios son centrales para la<br />

construcción <strong>de</strong> la nueva mediatización, en la medida en que es a través <strong>de</strong> las superficies<br />

mediáticas en las que las nuevas relaciones sociales, económicas y culturales se transforman en<br />

acto <strong>de</strong> modo inmediato.<br />

Si seguimos la <strong>de</strong>finición <strong>de</strong> Règis Debray en cuanto a qué se entien<strong>de</strong> por Medio en un<br />

escenario <strong>de</strong> Mediología, coincidimos en que estos son “un conjunto <strong>de</strong> los vectores inertes y<br />

animados necesarios, para una época o una sociedad dada, a una propulsión <strong>de</strong> sentido, o<br />

incluso; a todo aquello que contribuye a escoltar el símbolo (lo que equivale a <strong>de</strong>cir: a<br />

66


<strong>de</strong>scarriarlo)” (2001: 170). Claro que esta i<strong>de</strong>a es operacional en un escenario analítico en el que<br />

la centralidad <strong>de</strong> las preocupaciones científicas no está puesta en los objetos <strong>de</strong> estudio sino en las<br />

relaciones que permiten el cruce que, al <strong>de</strong>cir <strong>de</strong>l autor: “nunca es evi<strong>de</strong>nte y hay que construirlo a<br />

cada ocasión a través <strong>de</strong> la observación a pesar <strong>de</strong> las conveniencias y las verosimilitu<strong>de</strong>s” (Ib.<br />

101).<br />

Entonces, la pregunta es cómo estudiar la mediatización si las relaciones que componen al<br />

medio presentan la complejidad <strong>de</strong> cambiar acor<strong>de</strong> con contextos que, como plantea Sassen, se<br />

establecen a partir <strong>de</strong> nodos interrelacionados en los que las categorías tradicionales -asenta<strong>das</strong> en<br />

mira<strong>das</strong> disciplinares- no dan cuenta <strong>de</strong> esas relaciones.<br />

Si tratamos <strong>de</strong> respon<strong>de</strong>r a la pregunta, vemos que es en la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> transdisciplinariedad en<br />

la que pue<strong>de</strong>n establecerse las relaciones esenciales para compren<strong>de</strong>r las mejores formas <strong>de</strong><br />

estudiar la mediatización, su impacto en la vida cotidiana <strong>de</strong> la sociedad y sus préstamos y reenvíos<br />

con las prácticas no mediatiza<strong>das</strong> <strong>de</strong> los actores que interactúan <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong>l sistema mediático,<br />

aunque no puedan evitar tomar <strong>de</strong> él sus temas, encuadres, jerarquizaciones y tiempos <strong>de</strong><br />

producción social.<br />

Con el interés puesto en el abordaje <strong>de</strong> estas relaciones, <strong>de</strong>bemos hacer un punto en los<br />

intereses <strong>de</strong> la sociedad, los saberes necesarios para estudiarlos y las dificulta<strong>de</strong>s que -en tanto<br />

participantes <strong>de</strong> la sociedad mediatizada- tienen los investigadores para tomar distancia<br />

epistemológica <strong>de</strong> los procesos que estudian.<br />

En este sentido, los estudios que se proponen <strong>de</strong>ben dar cuenta <strong>de</strong> los condicionamientos<br />

que se establecen a partir <strong>de</strong> las necesida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> la ciencia <strong>de</strong> divulgar sus resultados a través <strong>de</strong>l<br />

sistema mediático tradicional, las posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> acceso que tienen las audiencias a las<br />

publicaciones científicas y los reenvíos que se producen entre las investigaciones relacionales y las<br />

opiniones <strong>de</strong> productores, usuarios y críticos <strong>de</strong> medios.<br />

Con una pseudohorizontalidad en el uso <strong>de</strong> las herramientas y el acceso a la información, el<br />

problema para los productores mediáticos radica en la imposibilidad <strong>de</strong> establecer asimetrías <strong>de</strong><br />

saber con sus audiencias. En el caso <strong>de</strong> los investigadores, la asimetría se establece por la crítica y<br />

la construcción <strong>de</strong> los marcos teóricos, aunque en los usos y producciones se ven condicionados,<br />

fundamentalmente, por la necesidad <strong>de</strong> a<strong>de</strong>cuarse a los tiempos signados por la lógica <strong>de</strong> la<br />

mediatización.<br />

Transdisciplinas<br />

“Podríamos hacer un paralelo entre las formas en que la noticia <strong>de</strong><br />

interés general explota, rota hacia diferentes secciones, y las formas<br />

67


en que se acrecientan las mira<strong>das</strong> hacia los medios <strong>de</strong>s<strong>de</strong> diferentes<br />

disciplinas” (Ford; 1994:131).<br />

Con la profundización <strong>de</strong> la mediatización esta relación es cada vez más evi<strong>de</strong>nte. A<br />

medida en que los medios se corren <strong>de</strong>l espacio <strong>de</strong> las mediaciones para instalarse en la centralidad<br />

nodal <strong>de</strong> las relaciones sociales, las mira<strong>das</strong> científicas sobre esas relaciones ya no son suficientes<br />

si intentan dar cuenta <strong>de</strong> las economías <strong>de</strong> los medios, los discursos que circulan por ellos o las<br />

preferencias <strong>de</strong> las audiencias en cuanto al consumo y las posibilida<strong>de</strong>s que estas presentan a los<br />

productores para acomodar sus managements.<br />

Sin embargo, es primordial enten<strong>de</strong>r que el abordaje requiere <strong>de</strong>l análisis <strong>de</strong> to<strong>das</strong> las fases<br />

que componen el proceso para construir las relaciones <strong>de</strong> las que habla Dèbray y elaborar, a partir<br />

<strong>de</strong> ellas, una metodología a<strong>de</strong>cuada para compren<strong>de</strong>r la mediatización.<br />

En tanto instancia que atraviesa a las socieda<strong>de</strong>s y las relaciona y las conecta y las impacta<br />

en sus formas <strong>de</strong> producir, pensar y encuadrar los fenómenos que en ellas se producen; la<br />

mediatización es -en ella misma- un campo transdisciplinar en el que los estudios sobre la cultura,<br />

el urbanismo, el consumo, el arte, la economía, las producciones sociales y sus impactos políticos<br />

<strong>de</strong>ben ser abordados en toda sus complejidad para dar respuesta a los interrogantes más<br />

fundamentales <strong>de</strong>l campo <strong>de</strong> la comunicación. De este modo, coincidimos con Ford: “El territorio<br />

<strong>de</strong> los medios, y especialmente el <strong>de</strong> sus «contenidos», no se recorta con tanta claridad <strong>de</strong> lo que<br />

suce<strong>de</strong> afuera” (1994; 130).<br />

Las herramientas tecnológicas acercan las producciones mediáticas a las <strong>de</strong> los<br />

consumidores, las críticas a los estudios comunicacionales, difuminando las fronteras entre la<br />

producción y el consumo; la industria y la ciencia. Es a partir <strong>de</strong> esta complejidad en la que los<br />

estudios sobre mediatización <strong>de</strong>ben tener en cuenta no solamente las categorías relaciona<strong>das</strong> con<br />

los medios si el objetivo es dar cuenta <strong>de</strong>l funcionamiento y la producción social.<br />

En este sentido, y tal como lo plantea Sassen para los estudios sobre globalización, “el<br />

cruce entre múltiples formas <strong>de</strong> conocer y <strong>de</strong> técnicas disciplinarias <strong>de</strong> investigación e<br />

interpretación” (Op.Cit. 22) no <strong>de</strong>ben excluir a otras que “atraviesan” los distintos puntos que<br />

constituyen los nodos <strong>de</strong> conocimiento que dan cuenta <strong>de</strong> las relaciones actuales también<br />

atravesa<strong>das</strong> por las lógicas <strong>de</strong> la mediatización.<br />

Multimetodologías: una propuesta para el abordaje <strong>de</strong> un escenario complejo<br />

Una propuesta para el estudio <strong>de</strong> la mediatización requiere poner el foco en la circulación<br />

<strong>de</strong> la comunicación social. De este modo, los reenvíos entre las <strong>de</strong>man<strong>das</strong> sociales y las<br />

producciones mediáticas -ajusta<strong>das</strong> a modos mercantiles <strong>de</strong> producción cultural- ponen <strong>de</strong><br />

68


manifiesto que es necesario estudiar a los consumidores, los productos que consumen, las<br />

interacciones que establecen a partir <strong>de</strong>l conocimiento <strong>de</strong> ellos y los modos en que estas formas<br />

accionan en los productores industriales <strong>de</strong> comunicación. También, las formas con las que, luego<br />

<strong>de</strong> estos impactos, los productores volverán a interactuar con sus públicos.<br />

Los modos más habituales <strong>de</strong> investigar en comunicación entran en crisis a medida en que<br />

se producen rupturas en los modos <strong>de</strong> producir y consumir productos mediáticos. Sin embargo,<br />

estas rupturas no están solamente relaciona<strong>das</strong> con el circuito <strong>de</strong> consumo <strong>de</strong> medios sino, también,<br />

con las otras formas <strong>de</strong> expresión cultural que producen las prácticas <strong>de</strong> la sociedad. El uso<br />

tecnológico, las nuevas formas <strong>de</strong> concepción temporal y los modos <strong>de</strong> concebir el espacio social<br />

replantean el modo <strong>de</strong> compren<strong>de</strong>r las instituciones, la autoridad y la presencia misma <strong>de</strong>l estado<br />

como regulador <strong>de</strong> la vida social y las prácticas culturales. A<strong>de</strong>más, la construcción i<strong>de</strong>ntitaria -<br />

atravesada por la posibilidad <strong>de</strong> acceso a conocimientos que estaban vedados antes <strong>de</strong> la<br />

generalización <strong>de</strong> la sociedad hipermediatizada- permite nuevas configuraciones culturales por<br />

fuera <strong>de</strong> los medios masivos <strong>de</strong> comunicación.<br />

En este marco, la propuesta se <strong>de</strong>fine por la utilización <strong>de</strong> construcciones matriciales que<br />

<strong>de</strong>n cuenta <strong>de</strong> todo el proceso que articula las prácticas <strong>de</strong> la sociedad. Para ello, se plantean<br />

estudios en planos relacionados con tres esferas fundamentales <strong>de</strong> las relaciones entre el proceso <strong>de</strong><br />

mediatización y la sociedad:<br />

consumos)<br />

1. Estudio <strong>de</strong> las agen<strong>das</strong> sociales (<strong>de</strong>man<strong>das</strong>, intereses, producciones y<br />

2. Estudio <strong>de</strong> los productos mediáticos (agen<strong>das</strong>, interacciones y<br />

reacomodamientos)<br />

3. Estudios en producción (economía <strong>de</strong> medios, convergencia, rutinas <strong>de</strong> trabajo<br />

profesional, management <strong>de</strong> contenidos, branding)<br />

Para la primera <strong>de</strong> las dimensiones, se cree fundamental establecer estudios cuantitativos<br />

respecto <strong>de</strong> las categorías propuestas. De este modo, la encuesta y el análisis <strong>de</strong> las agen<strong>das</strong><br />

sociales permiten establecer un segundo paso en el estudio <strong>de</strong> audiencias: focus groups que<br />

profundicen las motivaciones en recepción acerca <strong>de</strong> las articulaciones que se establecen respecto<br />

<strong>de</strong> los contenidos y encuadres que se presentan en los medios. También es importante realizar<br />

etnografía <strong>de</strong> audiencias, siempre que el método permita a los investigadores interactuar con los<br />

usuarios para completar el instrumento <strong>de</strong> indagación, reforzarlo y corregirlo, a medida en que las<br />

variables <strong>de</strong> análisis contemplen elementos cuya relación con las prácticas sociales <strong>de</strong>n como<br />

69


esultado el conocimiento <strong>de</strong> ciertos nodos que verifiquen las implicancias <strong>de</strong> la mediatización en<br />

la vida cotidiana y las <strong>de</strong> esta última en la mediatización.<br />

En segunda instancia, se cree central elaborar indagaciones sobre las superficies<br />

mediáticas. En este sentido, se propone realizar estudios cuantitativos <strong>de</strong> los productos a partir <strong>de</strong><br />

los cuales se buscan las relevancias en relación con los abordajes que allí se establecen y las<br />

selecciones y jerarquizaciones que realizan los medios respecto <strong>de</strong> sus contenidos. De esta forma,<br />

un estudio sobre framing es central para contemplar las a<strong>de</strong>cuaciones <strong>de</strong> las agen<strong>das</strong> (sociales y<br />

mediáticas) y los reenvíos que se producen entre ambas. Finalmente, los análisis discursivos<br />

establecerán las regularida<strong>de</strong>s y rupturas en las superficies <strong>de</strong> los medios, con sus consecuentes<br />

impactos en los modos <strong>de</strong> enunciación social y la construcción i<strong>de</strong>ntitaria <strong>de</strong> los grupos nodales a<br />

los que los sujetos <strong>de</strong> estudio pertenezcan.<br />

Finalmente, en el tercer plano <strong>de</strong> análisis se propone un trabajo exhaustivo sobre las<br />

economías <strong>de</strong> los medios. La presencia o no <strong>de</strong> convergencia permitirá establecer regularida<strong>de</strong>s al<br />

interior <strong>de</strong>l sistema mediático y sus cruces con otros elementos <strong>de</strong>l mismo sistema. Las rutinas <strong>de</strong><br />

trabajo profesional -que <strong>de</strong>n cuenta <strong>de</strong> los relatos <strong>de</strong> productores y gerenciadores <strong>de</strong> medios-<br />

permitirán el uso <strong>de</strong> observaciones (participantes y no participantes) <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> las empresas<br />

mediáticas para verificar o rufutar las relaciones y a<strong>de</strong>cuaciones a las <strong>de</strong>man<strong>das</strong> <strong>de</strong> la recepción, las<br />

ofertas <strong>de</strong> contenidos y los usos y apropiaciones que se hacen <strong>de</strong> ellos. El estudio <strong>de</strong>l branding<br />

otorgará elementos para analizar los reenvíos entre los distintos actores en interacción y dará lugar<br />

a la posibilidad <strong>de</strong> analizar las intencionalida<strong>de</strong>s, planificaciones, reacomodamientos y<br />

motivaciones <strong>de</strong>l sector productivo que, no se pue<strong>de</strong> soslayar, se presenta en tensión con otros<br />

grupos que integran los li<strong>de</strong>razgos <strong>de</strong> la sociedad.<br />

Realizados estos trabajos en los distintos sectores <strong>de</strong>l campo <strong>de</strong> estudios, se hace<br />

fundamental la construcción <strong>de</strong> diferentes matrices. En primera instancia, se plantea la necesidad <strong>de</strong><br />

cruzar las categorías al interior <strong>de</strong> cada subcampo <strong>de</strong> análisis. Luego, la i<strong>de</strong>a es poner en juego los<br />

resultados <strong>de</strong> cada uno <strong>de</strong> esos estudios para llegar a una matriz sintética, cuya finalidad última es<br />

analizar las relaciones e interacciones <strong>de</strong> cada subcampo entre si.<br />

Por supuesto que para planificar estudios <strong>de</strong> esta envergadura es necesario contar con<br />

equipos transdisciplinares que integren profesionales <strong>de</strong>l campo <strong>de</strong> la comunicación, la sociología<br />

<strong>de</strong> la cultura, la economía, la etnografía, analistas <strong>de</strong>l discurso especialistas en marketing<br />

mediático.<br />

De este modo, el abordaje es mucho más complejo porque requiere <strong>de</strong> interacciones y<br />

formaciones vincula<strong>das</strong> a mira<strong>das</strong> múltiples que, al <strong>de</strong>cir <strong>de</strong> Marshall y Eric McLuhan, rompen con<br />

la preeminencia <strong>de</strong> los históricos estudios vinculados con la supremacía <strong>de</strong> la racionalidad letrada, a<br />

70


la que relacionan con la supremacía <strong>de</strong>l “hemisferio izquierdo” y la mirada occi<strong>de</strong>ntal, aún vigente<br />

en las ciencias sociales. Sin embargo: “Hoy, la paradoja es que el campo <strong>de</strong> las más avanza<strong>das</strong><br />

tecnologías occi<strong>de</strong>ntales es electrónico y simultáneo y por tanto es, estructuralmente, <strong>de</strong>l<br />

hemisferio <strong>de</strong>recho y «oriental», y es oral en su naturaleza y sus efectos” (McLuhan; 1990: 93).<br />

De este modo, los estudios sobre mediatización <strong>de</strong>ben dar cuenta <strong>de</strong> ese pasaje. De las<br />

lógicas <strong>de</strong> la cultura letrada a las lógicas <strong>de</strong> la cultura digital. De las prácticas sociales<br />

institucionaliza<strong>das</strong> a partir <strong>de</strong>l estado como regulador y controlador <strong>de</strong> fronteras físicas a las que<br />

dan cuenta <strong>de</strong> un nuevo confinamiento sustentado en el conocimiento y en la formación <strong>de</strong> nodos<br />

culturales cuya interacción circula socialmente <strong>de</strong> manera instantánea. De las metodologías<br />

disciplinares a la conformación <strong>de</strong> equipos transdisciplinares, en los que los conocimientos se<br />

reformulen entre si para provocar síntesis herramentales y analíticas.<br />

También, en los que la multiplicidad <strong>de</strong> perspectivas <strong>de</strong> investigación puedan establecer<br />

multiplicidad <strong>de</strong> perspectivas culturales, en las que la mediatización tiene un rol central en la<br />

medida en que conlleva modos específicos <strong>de</strong> producir y vivir en la sociedad. En este sentido, la<br />

lógica <strong>de</strong> la hipermediatización permite romper con la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> hiperinformación, sostenida en la<br />

abundancia <strong>de</strong> canales y soportes pero sin dar cuenta <strong>de</strong> la diversidad <strong>de</strong> las concepciones, mira<strong>das</strong><br />

y expresiones <strong>de</strong> grupos que -aún insertos en las interpelaciones mediáticas cotidianas- no son<br />

interpelados <strong>de</strong>s<strong>de</strong> sus preocupaciones, intereses y motivaciones sociales, culturales, políticas y<br />

económicas.<br />

Una metodología para el abordaje <strong>de</strong> la mediatización <strong>de</strong>ber tener en cuenta las<br />

interacciones <strong>de</strong> la sociedad y, a partir <strong>de</strong> ellas, construir las relaciones, análisis y conclusiones que<br />

el nuevo escenario amerita.<br />

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72


EL ANÁLISIS CRÍTICO DEL DISCURSO – PERSPECTIVAS<br />

METODOLÓGICAS PARA ABORDAR EL DISCURSO<br />

MULTIMODAL EN YOU TUBE<br />

Neyla Pardo ∗<br />

Resumen: Este documento recoge las primeras reflexiones <strong>de</strong> la investigación en curso “El análisis crítico<br />

<strong>de</strong>l discurso en el estudio integral <strong>de</strong>l texto: hacia una comprensión <strong>de</strong>l discurso mass-mediático”, la cual<br />

forma parte <strong>de</strong> las re<strong>de</strong>s PROSUL, REDLAD y PRO.TEX.TO. En primer lugar, se propone aportar a la<br />

reflexión que se realiza <strong>de</strong>s<strong>de</strong> hace varios años sobre la mediatización, el análisis crítico <strong>de</strong>l discurso sobre<br />

la pobreza y la construcción <strong>de</strong> una teoría <strong>de</strong>l discurso cada vez más integral y multidisciplinar. Este estudio<br />

aborda la relación entre la mediatización y el discurso multimodal, propio <strong>de</strong> los medios masivos, mediados<br />

por tecnologías <strong>de</strong> la información. En este apartado se propone reconocer el papel en la construcción <strong>de</strong><br />

significado que se <strong>de</strong>riva <strong>de</strong> amalgamar múltiples códigos, para hacerlos circular como contenido específico<br />

en sitios web. Se trata, por lo tanto, <strong>de</strong> <strong>de</strong>sentrañar el papel <strong>de</strong> la mediatización y la multimodalidad en la<br />

construcción <strong>de</strong> significados y, en consecuencia, <strong>de</strong>l conocimiento social. En segundo lugar, se aborda el<br />

discurso <strong>de</strong> YouTube a propósito <strong>de</strong> la pobreza, para tipificar las categorías <strong>de</strong> análisis que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong> las<br />

reflexiones teóricas <strong>de</strong> Gunter Kress y Theo van Leeuwen (1996), Theo van Leeuwen y Jewitt (2001), y van<br />

Leuween (2008) que hagan posible la formulación <strong>de</strong> una perspectiva analítica a partir <strong>de</strong> un corpus<br />

concreto. Finalmente, se presenta el esquema que orienta el proceso metodológico, en el cual se recogen<br />

algunas categorías y principios que se estudian en la perspectiva <strong>de</strong> O’Halloran (2006). El análisis, con<br />

carácter exploratorio, se aplica al vi<strong>de</strong>o “La Rutina” http://es.youtube.com/watch?v=BF8HZTGzz28 el<br />

cual hace parte <strong>de</strong>l corpus objeto <strong>de</strong> esta investigación, y proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> explorar en YouTube a través <strong>de</strong>l<br />

<strong>de</strong>scriptor ‘pobreza en Colombia’, o sus palabras asocia<strong>das</strong> ‘miseria’, ‘indigente’, ‘pobre’, ‘indigencia’,<br />

‘miserable’, ‘ruina’, entre otras.<br />

Abstract: This document sets out the first reflections of the ongoing investigation "Critical Discourse<br />

Analysis in the Integral Study of the Text: un<strong>de</strong>rstanding discourse of mass-media ," which is part of<br />

networks PROSUL, REDLAD and PRO.TEX.TO. Firstly, it is proposed to contribute to reflections that for<br />

several years has been carried out on the media, critical analysis of the speech on poverty and building a<br />

theory of discourse increasingly comprehensive and multidisciplinary. This study addresses the relationship<br />

between the media and multimodal discourse, typical of the mass media, mediated by information<br />

technology. This section intends to recognize the role in the construction of the meaning, that <strong>de</strong>rives from<br />

fix multiple co<strong>de</strong>s, to make them circulate as specific content on websites. In addtion, the purpose of this<br />

paper is unravel the role of the media and multimodality in the construction of meanings and, consequently,<br />

of social knowledge. Secondly, it addresses the YouTube speech about poverty, to <strong>de</strong>fine the categories of<br />

analysis that come from theoretical reflections of Gunter Kress, and Theo van Leeuwen (1996), Theo van<br />

Leeuwen and Jewitt (2001), and van Leuwen (2008) that make possible formulation of an analytical<br />

perspective from a particular corpus. Finally, we ma<strong>de</strong> an outline to gui<strong>de</strong> the methodology, for this purpose<br />

we reviewed some categories and principles in the perspective of O'Halloran (2006), this enables to make<br />

Critical Discourse Analysis of poverty in YouTube, for it is applies in a specific case. This exploratory<br />

analysis, applies to the vi<strong>de</strong>o "La Rutina" http://es.youtube.com/watch?v=BF8HZTGzz28, which is part of<br />

the corpus subject of this investigation, and proceeds of explore on YouTube by the <strong>de</strong>scriptor 'pobreza en<br />

Colombia’ , or its associated words ‘indigente’, ‘pobre’, ‘miserable’, ‘indigencia’, ‘ruina’, among others.<br />

∗ Profesora Titular Universidad Nacional <strong>de</strong> Colombia.<br />

73


1. Mediatización y multimodalidad<br />

Es ya clásica la afirmación, originada en el estructuralismo funcionalista y que arraigó en<br />

las primeras escuelas <strong>de</strong> análisis <strong>de</strong>l discurso (AD) que todo discurso es multimodal. Este<br />

reconocimiento, que podría remontarse incluso a la antigüedad, cobra importancia en la segunda<br />

mitad <strong>de</strong>l siglo XVIII, pues la estética se incorpora a la disciplina filosófica, en tanto reflexión<br />

sobre las producciones artísticas. Hay en este siglo un creciente interés por abordar las artes, en<br />

particular la pintura, la escultura y la poesía, más allá <strong>de</strong> su evi<strong>de</strong>nte materialidad, para reconocer<br />

el potencial semiótico que constituye la obra en sí y que la dimensiona en más <strong>de</strong> un código (véase<br />

el trabajo <strong>de</strong> Martin Kaltenbacher, 2004). Esto significa que en los estudios multimodales se<br />

reconoce que los discursos están constituidos por una diversidad <strong>de</strong> códigos (verbal, pictórico,<br />

kinésico, gráfico, sonoro, entre otros, esto es, los sistemas semióticos), y que a<strong>de</strong>más, estos<br />

diversos códigos se pue<strong>de</strong>n combinar en formatos diferentes, que originan múltiples formas <strong>de</strong><br />

significación.<br />

Dada la variedad <strong>de</strong> códigos es posible hacer una tipología y caracterización <strong>de</strong> los<br />

mismos, sin que ello implique la primacía <strong>de</strong> un código sobre otro. Suele consi<strong>de</strong>rarse en los<br />

estudios lingüísticos clásicos que el código verbal se impone sobre los <strong>de</strong>más códigos disponibles<br />

en la sociedad; no obstante el análisis crítico <strong>de</strong>l discurso (ACD) y las teorías multimodales más<br />

recientes, plantean que la significación proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> la fusión <strong>de</strong> las múltiples modalida<strong>de</strong>s que se<br />

constituyen a través <strong>de</strong> las formas <strong>de</strong> representar la realidad que son moviliza<strong>das</strong> discursivamente.<br />

Así, aunque un discurso sea un tejido <strong>de</strong> múltiples códigos que podrían <strong>de</strong>slindarse o <strong>de</strong>limitarse<br />

para efectos metodológicos, es en su fusión don<strong>de</strong> se convierten en un discurso y en don<strong>de</strong> cobran<br />

significado y portan i<strong>de</strong>ologías.<br />

En los trabajos <strong>de</strong> Kress y van Leeuwen (2001), la multimodalidad se refiere a los procesos<br />

que combinan el uso <strong>de</strong> los distintos sistemas <strong>de</strong> signos actualizados en el discurso (modos), así<br />

como a los mecanismos comunicativos <strong>de</strong> producción y comprensión que los interlocutores<br />

relacionan para generar cierta significación.<br />

En esta perspectiva, el discurso multimodal es susceptible <strong>de</strong> ser analizado en los distintos<br />

niveles que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong> compren<strong>de</strong>r al signo en uso y, en consecuencia, al signo como gestor <strong>de</strong><br />

acción social, lo cual implica necesariamente, la relevancia <strong>de</strong> las funciones semántico-<br />

pragmáticas. Si se siguen los planteamiento <strong>de</strong> Kress y van Leuween, el análisis <strong>de</strong>l discurso<br />

multimodal incluye por lo menos la <strong>de</strong>scripción y comprensión <strong>de</strong> sus recursos semióticos, los<br />

modos implicados, los medios en que circula y significa el discurso, y el conjunto <strong>de</strong> prácticas<br />

comunicativas que se constituyen cuando se estabilizan significados sociales y se configuran<br />

74


formas <strong>de</strong> proce<strong>de</strong>r social, que dan cuenta <strong>de</strong> la manera como un discurso dado, e históricamente<br />

situado, construye saberes colectivos.<br />

Así como se afirmó que todo discurso es multimodal, pue<strong>de</strong> <strong>de</strong>cirse que los discursos han<br />

sido siempre multimodales. Es <strong>de</strong>cir, la comunicación humana siempre ha implicado el uso <strong>de</strong> más<br />

<strong>de</strong> un código, tecnologías, conocimientos múltiples, tanto en lo que se refiere a la producción<br />

discursiva como a su comprensión. A medida que los procesos comunicativos han incorporado<br />

nuevas tecnologías, la multimodalidad discursiva ha requerido nuevas formas <strong>de</strong> producción,<br />

distribución y comprensión <strong>de</strong> los contenidos. En la <strong>de</strong>nominada era <strong>de</strong> las tecnologías <strong>de</strong> la<br />

información, los diferentes modos se han transformado técnicamente, esto es, su producción y<br />

comprensión ha sido modificada por la apropiación y el <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> habilida<strong>de</strong>s en un sólo<br />

individuo. Así, en el proceso <strong>de</strong> comunicación, estos elementos constitutivos -no siempre visibles y<br />

explícitos- constituyen parte esencial <strong>de</strong>l proceso representacional, tanto <strong>de</strong> quien produce como <strong>de</strong><br />

quien compren<strong>de</strong> los discursos; en este sentido el carácter mediatizado <strong>de</strong> los discursos produce<br />

significado.<br />

La mediatización se entien<strong>de</strong> como el efecto <strong>de</strong> significado con impacto en la cultura, que<br />

<strong>de</strong>riva <strong>de</strong> la producción y reproducción <strong>de</strong> contenidos a través <strong>de</strong> las tecnologías <strong>de</strong> la información,<br />

gesta<strong>das</strong> en la misma cultura. Este hecho, aunque en apariencia paradójico, pue<strong>de</strong> enten<strong>de</strong>rse mejor<br />

si se piensa que la interacción humana comporta una constante co-elaboración <strong>de</strong> contenidos y<br />

significados y que, a<strong>de</strong>más, se mol<strong>de</strong>an a través <strong>de</strong> las tecnologías <strong>de</strong> la comunicación y la<br />

información, origina<strong>das</strong> en la cultura y expresión <strong>de</strong> la misma. Pardo, (2008)<br />

Mediatización y multimodalidad son conceptos que se relacionan estrechamente y que<br />

cobran todo su significado en la expresión <strong>de</strong> los medios masivos <strong>de</strong> comunicación, pues<br />

involucran diferentes elementos que son relevantes en la construcción <strong>de</strong> significado: tecnologías,<br />

escenarios e instituciones. Ahora bien, la mediatización y la multimodalidad, así entendi<strong>das</strong>,<br />

cobran sentido en primer lugar, en la relación entre los sistemas <strong>de</strong> signos involucrados en la<br />

comunicación, y los recursos usados y mezclados en la construcción <strong>de</strong> lo que se expresa. En<br />

segundo lugar, estos conceptos se articulan al jugar un papel prepon<strong>de</strong>rante en la orientación<br />

cognitiva e i<strong>de</strong>ológica <strong>de</strong> los diversos contenidos circulantes sobre los fenómenos sociales y así, es<br />

plausible pensar que a través <strong>de</strong>l discurso, encauzan las perspectivas <strong>de</strong> conocimiento, la<br />

percepción <strong>de</strong> lo expresado y, en consecuencia, las maneras <strong>de</strong>l hacer social.<br />

En este sentido, la multimodalidad es la multipresencia <strong>de</strong> sistemas semióticos, que pue<strong>de</strong>n<br />

ser inherentes al discurso, o pue<strong>de</strong>n ser concomitantes al proceso <strong>de</strong> su producción, comprensión y<br />

circulación. Si se observa internet, a primera vista el sistema verbal sigue jugando un papel central<br />

en la construcción <strong>de</strong>l significado, pero aunque el discurso verbal digitalizado pueda tener una<br />

75


cierta preeminencia, es inevitable reconocer que hay un medio y un recurso tecnológico que<br />

privilegian otros modos, a través <strong>de</strong> los cuales se proponen nuevas maneras <strong>de</strong> representar<br />

realida<strong>de</strong>s y <strong>de</strong> ser percibi<strong>das</strong>. Así, el modo visual pue<strong>de</strong> ser verbal, pero también pictórico y<br />

gráfico; el modo auditivo pue<strong>de</strong> ser verbal, pero a<strong>de</strong>más implica el código musical y otros recursos<br />

sonoros como los sistemas <strong>de</strong> ruidos convencionalizados o no; un modo táctil, que para el caso <strong>de</strong><br />

internet, está constituido por un metalenguaje, como lo que ocurre con JAWS 38 y, en ocasiones el<br />

olfativo y hasta el gusto.<br />

Des<strong>de</strong> este punto <strong>de</strong> vista, el recurso mediático se hace sensible a los sistemas semióticos y<br />

a los modos disponibles, y al hacerlo, posibilita a los interlocutores la representación <strong>de</strong> otros<br />

sistemas en la construcción <strong>de</strong>l significado formulado en la interacción y, por tanto, pue<strong>de</strong> ser<br />

constitutivo <strong>de</strong>l contexto 39 . Si se sigue la argumentación <strong>de</strong> Kress y van Leeuwen (2001), es<br />

posible que en la interacción el olor, el color y otros códigos puedan ser tratados como sistemas<br />

semióticos, y puedan ser representados estableciendo relaciones con códigos con los que coexiste,<br />

y que <strong>de</strong>terminan y <strong>de</strong>sempeñan funciones <strong>de</strong>fini<strong>das</strong> en la construcción <strong>de</strong>l significado <strong>de</strong>l<br />

discurso.<br />

2. La web: el lugar <strong>de</strong> la multimodalidad y la mediatización<br />

El fenómeno comunicativo más relevante en el mundo contemporáneo está centrado en la<br />

web. Se pue<strong>de</strong> afirmar que esta red <strong>de</strong> información tejida con hipervínculos, recursos semióticos y<br />

los modos visual, verbal, auditivo, entre otros, constituye un lugar privilegiado para analizar los<br />

significados sociales que circulan, con aparente libertad, para ciertos sectores <strong>de</strong> la sociedad, sobre<br />

todo cuando hablamos <strong>de</strong> Colombia y América Latina.<br />

En el intento <strong>de</strong> <strong>de</strong>scribir la web, en principio podría señalarse que ésta es el lugar en el<br />

que hay una creciente producción y distribución <strong>de</strong> textos multimodales, caracterizados por<br />

integrar una multiplicidad <strong>de</strong> medios y recursos tecnológicos, que ha apropiado y generalizado el<br />

uso <strong>de</strong>l hipertexto. Este último, siguiendo a Levy (2000), se entien<strong>de</strong> como el conjunto <strong>de</strong> textos no<br />

secuenciales, enlazados y relacionados por links, que se integran a las tecnologías <strong>de</strong> la<br />

información con la creatividad y capacidad <strong>de</strong> reflexión <strong>de</strong>l hombre, y que contribuye a <strong>de</strong>finir una<br />

38 JAWS es el lector <strong>de</strong> pantalla que permite a personas ciegas acce<strong>de</strong>r a los contenidos <strong>de</strong> la salida visual <strong>de</strong> un<br />

or<strong>de</strong>nador personal mediante voz y/o el alfabeto Braille; para la emisión hablada se emplean por lo general programas<br />

sintetizadores <strong>de</strong> voz aunque también es posible utilizar dispositivos externos diseñados para tal fin, y la salida en<br />

Braille se realiza siempre a través <strong>de</strong> terminales generadores <strong>de</strong> este código.<br />

39 Los contextos son constructos participativos, que se expresan como <strong>de</strong>finiciones subjetivas <strong>de</strong> todos los factores <strong>de</strong><br />

la situación comunicativa o <strong>de</strong> la interacción. En esta perspectiva, el medio, esto es, el recurso tecnológico implicado,<br />

los sistemas semióticos selectivamente apropiados, y en general, todos los elementos que son capaces <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminar en<br />

alguna medida el significado <strong>de</strong> lo que se expresa y que <strong>de</strong>terminan en algún sentido la acción humana, son elementos<br />

<strong>de</strong>l contexto. Veáse Dijk, T.A. van, (2008) “Discourse and Context”. Cambridge University Press.<br />

76


cultura que se propone colaborativa, instalada en el uso digital. Esta conceptualización <strong>de</strong><br />

hipertexto, con clara vinculación a la manera como estos discursos digitales circulan en la cultura,<br />

<strong>de</strong>sempeña un papel constitutivo y constituyente <strong>de</strong> la sociedad, y en últimas construye su<br />

significación. Pue<strong>de</strong> enten<strong>de</strong>rse que, en la medida en que el hipertexto sintetiza y recupera lo más<br />

relevante <strong>de</strong> la expresión <strong>de</strong> la sociedad informatizada, potencia la posibilidad <strong>de</strong> analizar y<br />

explicar sus estéticas y su cultura.<br />

El hipertexto en la cultura digital ha abierto la posibilidad <strong>de</strong> que las tramas narrativas sean<br />

<strong>de</strong>splega<strong>das</strong> en múltiples dimensiones, proveyendo también infinitas posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> rutas para<br />

seguir en la construcción <strong>de</strong> información. Esta coexistencia <strong>de</strong> sistemas sígnicos se caracteriza<br />

también por articular géneros y propósitos híbridos; es <strong>de</strong>cir, los hipertextos se diseñan para<br />

<strong>de</strong>sempeñar funciones distintas, complejas y complementarias que asocian convenciones<br />

relaciona<strong>das</strong> culturalmente, con diferentes géneros textuales, y hacen cada vez más invisibles las<br />

fronteras entre los géneros discursivos.<br />

Aunque como se afirmó en la sección prece<strong>de</strong>nte, la multimodalidad es un recurso<br />

comunicativo antiguo, en el mundo contemporáneo se evi<strong>de</strong>ncia a través <strong>de</strong> los avances<br />

tecnológicos, <strong>de</strong> la digitalización, <strong>de</strong> los procesos <strong>de</strong> distribución acelerados y en masa<br />

posibilitados por el <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> internet. El soporte proporcionado por la infraestructura <strong>de</strong> la<br />

internet, es el recurso tecnológico que posibilita la interacción y fusión <strong>de</strong> los múltiples modos, y<br />

en don<strong>de</strong> los medios se combinan para la construcción <strong>de</strong> textos hipermediales y multimodales<br />

propios <strong>de</strong> los sitios web. La coexistencia y <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> estos factores redunda en la aparición <strong>de</strong><br />

nuevas prácticas constructoras <strong>de</strong> significado, que se pue<strong>de</strong>n explorar en los elementos<br />

constitutivos <strong>de</strong> la multimodalidad, cada uno <strong>de</strong> los cuales <strong>de</strong>sempeña funciones distintivas.<br />

La relación que se establece entre la multimodalidad y la mediatización pue<strong>de</strong> inferirse<br />

<strong>de</strong>s<strong>de</strong> los planteamientos <strong>de</strong> Kress y van Leeuwen (2001), en relación con lo que es posible<br />

discernir <strong>de</strong>l proceso <strong>de</strong> producción, comprensión y distribución <strong>de</strong>l discurso que circula a través<br />

<strong>de</strong> las tecnologías.<br />

Así, el discurso contemporáneo fusiona los sistemas semióticos y mezcla diversos recursos<br />

tecnológicos en la construcción <strong>de</strong> lo que se quiere expresar, por una parte, y por otra, construye<br />

nuevas formas <strong>de</strong> representar discursivamente fenómenos sociales, <strong>de</strong>terminados por los recursos y<br />

los sistemas sígnicos involucrados. Así, al establecer la relación entre mediatización y<br />

multimodalidad lo que queda en evi<strong>de</strong>ncia es la función orientadora <strong>de</strong>l discurso, las perspectivas<br />

y las maneras como se propone un tipo <strong>de</strong> conocimiento social. Des<strong>de</strong> este punto <strong>de</strong> vista, todo lo<br />

que involucra dicha relación, <strong>de</strong>termina lo que se expresa en el discurso, y hace posible reconocer<br />

que las tecnologías que han permitido masificar saberes individuales y colectivos, involucran en la<br />

77


construcción <strong>de</strong>l significado, las tecnologías, los escenarios o condicionamientos espacio<br />

temporales y, las instancias reguladoras <strong>de</strong> la vida social, esto es, las instituciones.<br />

La mediatización es el conjunto <strong>de</strong> significados que se <strong>de</strong>rivan <strong>de</strong> la interacción humana<br />

que se realiza con las tecnologías <strong>de</strong> la comunicación y la información; es por lo tanto el conjunto<br />

<strong>de</strong> efectos <strong>de</strong> significado con impacto en la cultura en que se originan, cuando los seres humanos se<br />

comunican y, para ello, apropian recursos tecnológicos, condiciones espacio temporales, prácticas<br />

comunicativas nuevas o en transformación, así como las instancias <strong>de</strong> socialización disponibles<br />

culturalmente. De esta manera, se entretejen sistemas semióticos y sus formas <strong>de</strong> actualización,<br />

junto con los procesos <strong>de</strong> producción, distribución y comprensión, Pardo (2008).<br />

El carácter multimodal <strong>de</strong>l discurso proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> los recursos semióticos involucrados en la<br />

comunicación, los modos y medios, y las prácticas comunicativas en las cuales se <strong>de</strong>sarrollan esos<br />

modos y medios (Kress y van Leeuwen, 2001). Los recursos semióticos hacen referencia a los<br />

sistemas <strong>de</strong> signos disponibles en la sociedad (verbales, kinésicos, musicales, sonoros, gráficos,<br />

pictóricos, etc…), que subyacen a los procesos <strong>de</strong> construcción <strong>de</strong> significado. En esta perspectiva,<br />

cuando se usa internet y el usuario acce<strong>de</strong> a un <strong>de</strong>terminado sitio web, por ejemplo, ya sea para<br />

visualizar un texto, escuchar una pieza musical, ver un vi<strong>de</strong>o, una película, una fotografía, una<br />

pintura, un dibujo o un conjunto <strong>de</strong> emotíconos, lo que ocurre es que entra en contacto con un<br />

código o conjunto <strong>de</strong> códigos que por su propia naturaleza no son sistemas neutrales. Es <strong>de</strong>cir, que<br />

la selección <strong>de</strong>l código en sí mismo afecta la construcción <strong>de</strong>l sentido propuesto en el mensaje que<br />

se transmite y <strong>de</strong>termina maneras <strong>de</strong> concebir la realidad allí representada, a<strong>de</strong>más <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminar<br />

grados <strong>de</strong> accesibilidad. El código, por lo tanto, sugiere un mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> mundo, una manera <strong>de</strong><br />

percibir la realidad, una perspectiva, una lógica que se asocia i<strong>de</strong>ológicamente al significado. Así,<br />

los sistemas semióticos a<strong>de</strong>más <strong>de</strong> contribuir a la solución <strong>de</strong> la necesidad <strong>de</strong> generar significados,<br />

son la consolidación convencionalizada <strong>de</strong> procesos sociales y culturales cuya vigencia y<br />

permanencia contribuye a compren<strong>de</strong>r los hechos sociales, y a adoptarlos y compren<strong>de</strong>rlos <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />

un punto <strong>de</strong> vista.<br />

La ineludible relación entre el modo y el código que lo soporta, así como el medio en el que<br />

se distribuye y cobra existencia, constituye un asunto nuclear para la comprensión <strong>de</strong> la relación<br />

mediatización y multimodalidad que se ha venido <strong>de</strong>sarrollando. Uno <strong>de</strong> los hechos más evi<strong>de</strong>ntes<br />

cuando se analiza un sitio web, es que se involucra <strong>de</strong> inmediato el sistema semiótico<br />

predominante y su vinculación con otros sistemas. Así, el texto digital que tematiza un<br />

acontecimiento en un sitio web se reconoce <strong>de</strong>s<strong>de</strong> una tipografía, con unas características tales<br />

78


como fuentes, color, formas que aspiran a dar sentido <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntidad, entre otras. En esta<br />

perspectiva, se pue<strong>de</strong> afirmar que el texto verbal digital es multimodal 40 .<br />

En sentido similar se pue<strong>de</strong> pensar que los diferentes modos se vinculan <strong>de</strong> manera directa<br />

con un conjunto <strong>de</strong> propósitos comunicativos y elecciones cognitivas por parte <strong>de</strong> quien produce el<br />

mensaje, esto es, si un artista ubica su pintura en una página web, el significado global <strong>de</strong> su obra<br />

proce<strong>de</strong> directamente <strong>de</strong> las posibilida<strong>de</strong>s que el medio digital le proporciona, para que el color<br />

concentre la significación y otros modos <strong>de</strong> los que pueda hacer uso se articulen coherentemente en<br />

el proceso <strong>de</strong> su comprensión, por ejemplo. Así, el significado, el recurso tecnológico y los modos<br />

implicados <strong>de</strong>terminan y son <strong>de</strong>terminados en sus diferentes interacciones.<br />

En otra perspectiva, la relación modos-recursos y sistemas sígnicos, se articula a funciones<br />

comunicativas. De esta forma, cuando acce<strong>de</strong>mos a un sitio web los modos y el sistema sígnico<br />

garantizan los grados <strong>de</strong> usabilidad; dicho <strong>de</strong> otro modo, el texto, la imagen, el color y el sonido<br />

soportados digitalmente se proponen para que el usuario alcance un grado <strong>de</strong> comprensión y<br />

participe en el proceso <strong>de</strong> significación que allí se elabora. Adicionalmente, <strong>de</strong>sempeñan la función<br />

<strong>de</strong> garantizar una navegación fácil, la cual, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> luego, se vincula con los grados <strong>de</strong> comprensión<br />

en relación con la accesibilidad. Hay una función pragmática y una función cognitiva en estrecha<br />

relación.<br />

La articulación y coherencia entre los modos, los medios y las prácticas comunicativas no<br />

constituye un simple apoyo a la construcción <strong>de</strong>l hipertexto. Se podría afirmar que la existencia <strong>de</strong><br />

los medios potencia la capacidad <strong>de</strong> transformar profundamente los significados <strong>de</strong> los discursos<br />

que porta y, que ellos mismos tienen un potencial <strong>de</strong> sentidos. Por eso la función básica <strong>de</strong> los<br />

recursos tecnológicos es la <strong>de</strong> garantizar la conjunción <strong>de</strong> los recursos semióticos y los modos, para<br />

dar lugar a la constitución <strong>de</strong> nuevas prácticas. En el intento <strong>de</strong> exten<strong>de</strong>r estos conceptos al análisis<br />

<strong>de</strong> la multimodalidad en la web, podría pensarse que el medio -es <strong>de</strong>cir, la tecnología así como la<br />

infraestructura que permite la navegación- está provisto en esencia por el soporte <strong>de</strong> internet y por<br />

la interacción entre la máquina (el hardware), los programas (software) y un ser humano. Esta<br />

articulación <strong>de</strong> recursos y acciones facilita el uso <strong>de</strong> múltiples formatos para crear contenidos, en<br />

los que coexisten los sistemas semióticos, los modos, los medios y las prácticas que se <strong>de</strong>rivan <strong>de</strong>l<br />

uso <strong>de</strong> esas tecnologías.<br />

En la actualidad, el diseño especializado <strong>de</strong> la interfaz <strong>de</strong> usuario como uno <strong>de</strong> los recursos<br />

principales para potenciar múltiples formas <strong>de</strong> interacción, ofrece a los usuarios la posibilidad <strong>de</strong><br />

usar la voz o diferentes dispositivos para introducir datos como el teclado, el ratón, el lápiz digital,<br />

40 Sobre este punto van Leuween (2001, 2008) ha <strong>de</strong>sarrollado i<strong>de</strong>as muy interesantes que incluyen características<br />

como la textura, perspectiva y movimiento.<br />

79


que permiten el acceso a formatos <strong>de</strong> audio, vi<strong>de</strong>o, juegos, archivos, aplicaciones, libros<br />

electrónicos, entre otras posibilida<strong>de</strong>s; así, en la multimodalidad se <strong>de</strong>sarrollan estándares abiertos<br />

que posibilitan un uso amplio <strong>de</strong> la web y facilitan diferentes formas <strong>de</strong> interacción.<br />

Estos cambios en las formas <strong>de</strong> producción, <strong>de</strong> acceso y representación <strong>de</strong> la información<br />

propician modificaciones culturales que se han instalado en la web. Así, resulta razonable pensar<br />

que la representación tradicional <strong>de</strong> los hechos sociales ha cambiado, y ello en virtud <strong>de</strong>l cambio en<br />

las formas <strong>de</strong> representación <strong>de</strong>sarrolla<strong>das</strong> por los medios masivos <strong>de</strong> comunicación, no menos que<br />

<strong>de</strong> los cambios en el acceso a la información que ha supuesto la aparición <strong>de</strong> Internet.<br />

Específicamente, es <strong>de</strong> gran interés el análisis <strong>de</strong>l portal <strong>de</strong> Internet www.YouTube.com, creado en<br />

2005, cuyo objetivo básico es permitir a los usuarios ver, publicar y compartir vi<strong>de</strong>os <strong>de</strong> casi<br />

cualquier temática, <strong>de</strong> forma gratuita. Tales características han garantizado niveles interesantes <strong>de</strong><br />

tráfico en el portal, entre los usuarios frecuentes <strong>de</strong> internet 41 .<br />

Interesa en esta investigación hacer una primera exploración <strong>de</strong> las características<br />

multimodales que dan cuenta <strong>de</strong> un fenómeno <strong>de</strong> mediatización, a propósito <strong>de</strong> un problema social<br />

estructural como es la pobreza. Para estos efectos, en el apartado que sigue, se propone una<br />

<strong>de</strong>scripción general <strong>de</strong>l sitio, con el propósito <strong>de</strong> reconocer algunas <strong>de</strong> las características <strong>de</strong> los<br />

discursos típicamente hipermediales y multimodales que circulan por el portal YouTube.<br />

3. YouTube. Una aproximación al sitio<br />

El portal <strong>de</strong> internet YouTube permite a los usuarios ver, compartir y crear sus vi<strong>de</strong>os. Esto<br />

es posible por la facilidad para usar formatos comunes y asequibles, como WMV, AVI, MOV, EG<br />

o MP4, mientras que el audio se graba y reproduce en formato MP3, lo cual permite subir vi<strong>de</strong>os<br />

hechos por cualquier persona que tenga una cámara y que pueda transferirlos a cualquiera <strong>de</strong> los<br />

formatos digitales enumerados. De manera más reciente el sitio ha introducido mejoras, tendientes<br />

a exten<strong>de</strong>r aún más el tráfico en el portal, a saber, la ampliación <strong>de</strong>l tamaño <strong>de</strong> los archivos que<br />

pue<strong>de</strong>n subirse, <strong>de</strong> 100 MB a 1GB, y <strong>de</strong> hasta 10 archivos <strong>de</strong> este tamaño a la vez, sin el uso <strong>de</strong><br />

programas o complementos. A<strong>de</strong>más la implementación <strong>de</strong> la tecnología Ajax, permite completar<br />

la información sobre los vi<strong>de</strong>os que están siendo gestionados, en paralelo.<br />

Así, la calidad en los vi<strong>de</strong>os, no tiene condiciones técnicas específicas, no existen los<br />

requerimientos <strong>de</strong> las gran<strong>de</strong>s producciones en cuanto a recursos tecnológicos que aseguren niveles<br />

altos <strong>de</strong> calidad en audio y vi<strong>de</strong>o -como niti<strong>de</strong>z <strong>de</strong> la imagen, velocidad <strong>de</strong> reproducción, claridad<br />

41 Si se tienen en cuenta los estudios <strong>de</strong> medición <strong>de</strong> tráfico en internet, según los datos <strong>de</strong> Alexa (febrero <strong>de</strong> 2008),<br />

YouTube es la segunda página <strong>de</strong>l mundo que más tráfico mueve (http://www.dosbit.com/2008/02/20-YouTube-yaes-la-segunda-pagina-<strong>de</strong>l-mundo).<br />

De otra parte, el sitio Hitwise (junio 2008) señala que YouTube es lí<strong>de</strong>r <strong>de</strong>l tráfico<br />

en su clase con el 75.43% ( http://www.neoteo.com/YouTube-li<strong>de</strong>r-<strong>de</strong>l-trafico).<br />

80


<strong>de</strong>l audio, entre muchas otras exigencias técnicas- y permite una participación ‘masiva’ <strong>de</strong> los<br />

usuarios como creadores <strong>de</strong> sus propios vi<strong>de</strong>os.<br />

En cuanto a la posibilidad <strong>de</strong> visualizar los vi<strong>de</strong>os, el portal no exige ningún registro previo<br />

<strong>de</strong>l usuario, éste es opcional, <strong>de</strong> modo que el acceso a la información es libre 42 . Los i<strong>de</strong>ntificadores<br />

o etiquetas (tags) que pue<strong>de</strong> llevar todo vi<strong>de</strong>o, permiten al usuario ubicar los contenidos que <strong>de</strong>see<br />

ver, al escribir en el buscador las palabras o <strong>de</strong>scriptores <strong>de</strong> su interés. Sin embargo, el etiquetado y<br />

la búsqueda por <strong>de</strong>scriptores no asegura la accesibilidad a un vi<strong>de</strong>o, dado que sólo tiene la<br />

posibilidad <strong>de</strong> etiquetarlo quien lo ha subido, <strong>de</strong> tal forma que pue<strong>de</strong>n quedar muchos contenidos<br />

ocultos, si no hay un etiquetado colaborativo.<br />

Las características básicas <strong>de</strong>l portal están bajo el concepto web 2.0, es <strong>de</strong>cir, se basa en la<br />

i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> la construcción colaborativa <strong>de</strong> contenidos. El usuario pue<strong>de</strong> compartir los vi<strong>de</strong>os <strong>de</strong> su<br />

preferencia, o los que ha producido, enviándolos con un mensaje adjunto, valorar o calificar los<br />

contenidos disponibles, visualizar contenidos relacionados, enviarlos a cualquier otro usuario, o a<br />

través <strong>de</strong> enlaces. Así, aunque está permitida una circulación y una visualización libre, en cierto<br />

sentido es una comunidad restringida. Esta primera aproximación permite dar cuenta <strong>de</strong> las<br />

transformaciones en las prácticas comunicativas que se <strong>de</strong>rivan <strong>de</strong> entrar a un sitio como YouTube:<br />

i<strong>de</strong>ntificar secciones y jerarquizarlas, crear grupos, crear y ver canales <strong>de</strong> televisión, tomar<br />

<strong>de</strong>cisiones en relación con las propuestas <strong>de</strong> jerarquización que hace el propio sitio y crear <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />

allí conexiones con otras tecnologías, como cuando se pue<strong>de</strong>n observar contenidos <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />

dispositivos móviles.<br />

En este sentido los recursos materiales disponibles y las acciones humanas involucra<strong>das</strong><br />

contribuyen en la elaboración y <strong>de</strong>terminación en doble vía, requeri<strong>das</strong> para la configuración <strong>de</strong> los<br />

significados que se construyen en ese espacio interactivo. El potencial <strong>de</strong> significación que se<br />

<strong>de</strong>riva <strong>de</strong> la <strong>de</strong>scripción que proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> la herramienta tecnológica conduce a reconocer los<br />

significados que <strong>de</strong> ella proce<strong>de</strong>n, esto es, la mediatización se articula al recurso tecnológico, en<br />

tanto al <strong>de</strong>scribir las características <strong>de</strong>l recurso se <strong>de</strong>sentrañan significados adheridos, no siempre<br />

explícitos, como cuando al mirar los tipos <strong>de</strong> páginas y sus características se reconoce la dirección<br />

<strong>de</strong>l dominio, el in<strong>de</strong>x, la página <strong>de</strong> inicio, todo lo cual permite conectar sentidos <strong>de</strong> i<strong>de</strong>ntidad, que<br />

para el caso <strong>de</strong> YouTube es el concepto <strong>de</strong> una pantalla que evoca la antigua televisión <strong>de</strong> tubo,<br />

cuyos orígenes tecnológicos se ubican a finales <strong>de</strong>l siglo XIX, y que se materializa en las primeras<br />

déca<strong>das</strong> <strong>de</strong>l siglo XX.<br />

42 Se entien<strong>de</strong> por “acceso libre”, en este contexto, a la posibilidad <strong>de</strong> ingresar y hacer uso <strong>de</strong>l portal <strong>de</strong> YouTube y, a<br />

través <strong>de</strong> los links conectarse con otras páginas <strong>de</strong> forma irrestricta ya que no hay impedimentos a la visualización <strong>de</strong><br />

los vi<strong>de</strong>os es posible consultar todos los contenidos disponibles, sin límites <strong>de</strong> tiempo o cantidad.<br />

81


El mensaje verbal que acompaña al ícono que i<strong>de</strong>ntifica el sitio se propone en dos sentidos:<br />

por una parte, el usuario se asume poseedor <strong>de</strong> una vía que convoca el carácter creador y dinámico<br />

<strong>de</strong> quien se apropia <strong>de</strong> la misión <strong>de</strong>l sitio “Broadcast yourself”; y por otra, sintetiza el principio<br />

orientador y <strong>de</strong>finidor <strong>de</strong> la existencia <strong>de</strong>l sitio web, crear y compartir vi<strong>de</strong>os originales, y<br />

participar interactivamente <strong>de</strong> las potencialida<strong>de</strong>s y servicios disponibles. El origen <strong>de</strong>l sitio se<br />

rastrea <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el carácter intransformable <strong>de</strong> su i<strong>de</strong>ntificación en inglés; aunque el sitio cuenta con<br />

interfaz en diversos idiomas, el ícono y el mensaje verbal, se mantienen siempre en la lengua <strong>de</strong><br />

origen.<br />

Adicionalmente el reconocimiento <strong>de</strong> las herramientas conduce a verificar las partes que lo<br />

constituyen y el carácter unitario <strong>de</strong>l sitio, así como su accesibilidad y actualización. En el caso que<br />

se analiza se verifica la jerarquía <strong>de</strong> los temas y los efectos <strong>de</strong>l diseño, los cuales constituyen las<br />

categorías a través <strong>de</strong> las que se constata la coherencia 43 . En referencia a la jerarquía <strong>de</strong> los temas<br />

es plausible pensar una relación complementaria entre la página <strong>de</strong> inicio, las secciones y las<br />

páginas intermedias. En YouTube se corrobora que la página <strong>de</strong> inicio provee el acceso a las<br />

páginas intermedias y <strong>de</strong> contenido, a las secciones y, en general, estabiliza una manera frecuente y<br />

tradicional <strong>de</strong> presentar contenidos en la web. Así, se reconocen vínculos, íconos y títulos lo cual<br />

contribuye a que el usuario pueda formular algunas predicciones en relación con los contenidos <strong>de</strong>l<br />

sitio.<br />

Des<strong>de</strong> el punto <strong>de</strong> vista semántico, se pue<strong>de</strong> proponer, tentativamente, que YouTube no<br />

tematiza sus contenidos, aunque en la página <strong>de</strong> inicio se proponga una cierta jerarquización, que<br />

prioriza los vi<strong>de</strong>os que están siendo observados al momento <strong>de</strong> ingresar al sitio, los vi<strong>de</strong>os<br />

promocionales y, finalmente, con un criterio no <strong>de</strong>finido con claridad, se i<strong>de</strong>ntifican vi<strong>de</strong>os<br />

<strong>de</strong>stacados. La propuesta <strong>de</strong> YouTube en relación con la jerarquización <strong>de</strong> los temas es típicamente<br />

catafórica; es <strong>de</strong> notar que la barra <strong>de</strong> búsqueda está jerárquicamente priorizada en el diseño <strong>de</strong><br />

interfaz <strong>de</strong> usuario, <strong>de</strong> manera que la concentración semántica por jerarquía temática es, en<br />

principio, una elección <strong>de</strong>l internauta. Nótese, sin embargo, que asumido el tema como tópico, la<br />

página propone una jerarquización que respon<strong>de</strong>, por una parte, a criterios que el sitio marca como<br />

‘relevancia’, ‘fecha’, ‘volumen <strong>de</strong> reproducciones’ y ‘puntuación’, y a un criterio <strong>de</strong> temporalidad<br />

relacionado con la fecha <strong>de</strong> aparición <strong>de</strong> los contenidos; por otra, a las opciones <strong>de</strong> selección<br />

sugeri<strong>das</strong> por el buscador.<br />

La organización y jerarquización <strong>de</strong> temas cumple no sólo una función interactiva sino,<br />

a<strong>de</strong>más, una función cognitiva, en tanto activa un conjunto <strong>de</strong> conocimientos que conducen<br />

43 La coherencia es, entendida en este documento, como el conjunto <strong>de</strong> relaciones semánticas y estrategias que dan<br />

cuenta <strong>de</strong> la unidad conceptual <strong>de</strong> un discurso.<br />

82


pragmáticamente a reconocer fuentes, asignar grados <strong>de</strong> confiabilidad, i<strong>de</strong>ntificar selecciones con<br />

más alta probabilidad <strong>de</strong> aten<strong>de</strong>r las necesida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> contenido requeri<strong>das</strong>, alcanzar propósitos<br />

comunicativos, entre otras. Sin embargo esta hipótesis se <strong>de</strong>sestructura cuando se verifica la<br />

coherencia <strong>de</strong> YouTube no proce<strong>de</strong> completamente <strong>de</strong> <strong>de</strong>velar los macrotemas expresados en<br />

vi<strong>de</strong>os. Así, por ejemplo una vez que el usuario toma la <strong>de</strong>cisión <strong>de</strong> adoptar un <strong>de</strong>scriptor, la<br />

página <strong>de</strong> contenido <strong>de</strong>spliega el macrotema y, en consecuencia, el consumidor, al contrario <strong>de</strong> lo<br />

que se espera recorre parcialmente una organización conceptual en apariencia articulada<br />

semánticamente.<br />

La jerarquización <strong>de</strong>l sitio constituye por sí misma una herramienta para el análisis<br />

semántico que pue<strong>de</strong> <strong>de</strong>splegarse a través <strong>de</strong> los hipervínculos articulados a los recursos<br />

semióticos, y a los modos propuestos en la web, y que se conectan generando una suerte <strong>de</strong><br />

relaciones intertextuales las cuales, en el caso <strong>de</strong> YouTube, se expresan en los hipervínculos. En<br />

este sentido, esos hipervínculos conectan internamente la página y permiten verificar, aunque<br />

fragmentariamente la organización conceptual <strong>de</strong>l sitio.<br />

Aunque en apariencia la circulación <strong>de</strong> los contenidos es libre y sin restricciones, la<br />

accesibilidad no siempre está garantizada por una asociación semántica directa con el tag o<br />

etiqueta. Dado que la información parece no estar fijada en algún punto específico, <strong>de</strong> hecho los<br />

contenidos se encuentran “flotando” en el medio, no se garantiza que la accesibilidad sea la misma<br />

para cualquier contenido ni para cualquier usuario, por lo cual se infiere que en el medio hay<br />

contenidos <strong>de</strong> más difícil acceso, que incluso pue<strong>de</strong>n resultar invisibilizados. Esto pue<strong>de</strong> explicarse<br />

si se tiene en cuenta que los tags y las categorías en la que se ubica un vi<strong>de</strong>o en particular, es<br />

marcado exclusivamente por el usuario que lo sube (y que en consecuencia se encuentra registrado<br />

en el sitio) lo cual da cuenta <strong>de</strong> criterios subjetivos, en ocasiones poco especializados, como<br />

cuando un vi<strong>de</strong>o musical se categoriza en música. La consecuencia <strong>de</strong> or<strong>de</strong>n semántico es que no<br />

siempre pue<strong>de</strong> establecerse la relación entre los diversos aspectos <strong>de</strong>l contenido efectivo <strong>de</strong>l<br />

documento, y la manera como se categoriza o se <strong>de</strong>scribe.<br />

Este rasgo resulta importante en el funcionamiento <strong>de</strong> YouTube, y en general <strong>de</strong> internet; es<br />

la <strong>de</strong>nominada <strong>de</strong>slocalización <strong>de</strong> la información que está estrechamente articulada con su carácter<br />

relacional, es así que al escribir “pobreza” o “poverty” en el buscador, éste se encarga <strong>de</strong> poner a<br />

disposición <strong>de</strong>l usuario algunos vi<strong>de</strong>os en los que se encuentre el <strong>de</strong>scriptor, ya sea en el tag, en la<br />

<strong>de</strong>scripción, o en el enlace (link). Estos dos elementos son claves en el propósito <strong>de</strong> conectar<br />

algunos contenidos disponibles, con el objetivo <strong>de</strong> construir re<strong>de</strong>s <strong>de</strong> información en las que<br />

siempre se encuentran enlaces adicionales que lleven a otros vi<strong>de</strong>os, que a su vez estarán enlazados<br />

83


con otros. La interfaz gráfica <strong>de</strong> usuario 44 <strong>de</strong> YouTube permite acce<strong>de</strong>r a esta forma <strong>de</strong><br />

conocimiento relacional <strong>de</strong> los contenidos, pues al ponerse un vi<strong>de</strong>o a disposición <strong>de</strong>l usuario,<br />

también aparecen hipervínculos 45 relacionando este vi<strong>de</strong>o con otros.<br />

De igual forma, se encuentra la opción <strong>de</strong> ver y reproducir los <strong>de</strong>más vi<strong>de</strong>os <strong>de</strong> un mismo<br />

autor, los cuales ya no tienen que ver necesariamente con el tema buscado, lo que abre la<br />

posibilidad <strong>de</strong> acce<strong>de</strong>r a contenidos distintos, <strong>de</strong> modo que, por ejemplo, al hacer una búsqueda <strong>de</strong><br />

un vi<strong>de</strong>o sobre pobreza y <strong>de</strong>lincuencia colombiana, un usuario pue<strong>de</strong> terminar accediendo no sólo<br />

al tema <strong>de</strong> la búsqueda original, sino a especificida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>l tema como “estafas en Colombia” o<br />

“más ladrones en cajeros automáticos”, que dan cuenta <strong>de</strong> un aspecto <strong>de</strong>l problema, conducir luego<br />

a aspectos específicos <strong>de</strong> la <strong>de</strong>lincuencia y la pobreza fuera <strong>de</strong>l país en don<strong>de</strong> los vi<strong>de</strong>os<br />

relacionales pue<strong>de</strong>n tematizar asuntos <strong>de</strong>sarticulados <strong>de</strong>l tema inicial como “no se va la nata gris<br />

<strong>de</strong>l cielo <strong>de</strong> Beijing”.<br />

En suma, cada unidad constitutiva <strong>de</strong> la información global siempre aparecerá en relación<br />

con otros, la estrecha interconexión entre los elementos individuales hace que la búsqueda, por<br />

parte <strong>de</strong>l consumidor, no esté dirigida tanto hacia éstos, como sí hacia cúmulos <strong>de</strong> información,<br />

nodos <strong>de</strong> re<strong>de</strong>s gigantescas, <strong>de</strong> modo que, por ejemplo, al cambiar el título <strong>de</strong> un vi<strong>de</strong>o, se cambia<br />

la información que lo relaciona directamente con otros vi<strong>de</strong>os, y gran parte <strong>de</strong> sus enlaces son<br />

reajustados. Este tipo <strong>de</strong> cambios hacen que toda la red se reacomo<strong>de</strong>.<br />

Lo que se ha afirmado en relación con las potencialida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> las que se dispone cuando se<br />

reconocen los avances en la digitalización, con to<strong>das</strong> las prácticas constructoras <strong>de</strong> significado que<br />

ellos comportan, permite intuir que sitios como YouTube y la internet en general, están<br />

transformando la cultura. Si se observa YouTube, por ejemplo, se pue<strong>de</strong> verificar la presencia <strong>de</strong><br />

una nueva economía sustentada en un comercio <strong>de</strong> potenciales consumidores, que contribuyen a<br />

constituir la empresa virtual, un nuevo mo<strong>de</strong>lo que se basa en la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> explorar gustos y<br />

ten<strong>de</strong>ncias <strong>de</strong> los usuarios. Por ejemplo, si entramos al vi<strong>de</strong>o promocional “life? on mars?”<br />

http://www.YouTube.com/watch?v=WgGR6DC2YJs&feature=dir, la página <strong>de</strong>spliega, entre otros<br />

contenidos que se proponen para el consumo, el acceso a “free planetary chakra”<br />

44 “En el contexto <strong>de</strong>l proceso <strong>de</strong> interacción persona-or<strong>de</strong>nador, la interfaz gráfica <strong>de</strong> usuario es el artefacto<br />

tecnológico <strong>de</strong> un sistema interactivo que posibilita, a través <strong>de</strong>l uso y la representación <strong>de</strong>l lenguaje visual, una<br />

interacción amigable con un sistema informático. La interfaz gráfica <strong>de</strong> usuario (en inglés Graphical User Interface,<br />

GUI) es un tipo <strong>de</strong> interfaz <strong>de</strong> usuario que utiliza un conjunto <strong>de</strong> imágenes y objetos gráficos para representar la<br />

información y acciones disponibles en la interfaz. Habitualmente las acciones se realizan mediante manipulación<br />

directa para facilitar la interacción <strong>de</strong>l usuario con la computadora”. Tomado <strong>de</strong>:<br />

http://es.wikipedia.org/wiki/Interfaz_gr<br />

45 El hipervínculo es el texto o ícono que enlaza la información <strong>de</strong> una ventana con información <strong>de</strong> otra ventana, o<br />

<strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> la misma.<br />

84


http://www.aboutastro.com/cgi-bin/reg2008.cgi?r=plgj5-rc&a=2006-12-12 un servicio on-line que<br />

es una empresa virtual.<br />

Un portal como YouTube, uno <strong>de</strong> los más visitados en el mundo, abre enormes<br />

posibilida<strong>de</strong>s comerciales para los anunciantes, no sólo porque permite <strong>de</strong>splegar banners<br />

relacionados con los temas <strong>de</strong> las búsque<strong>das</strong> hechas por los usuarios, que enlazan con sus<br />

respectivos sitios web, sino también porque permite obtener información acerca <strong>de</strong> sus gustos,<br />

ten<strong>de</strong>ncias, búsque<strong>das</strong> frecuentes, a<strong>de</strong>más <strong>de</strong> su dirección IP y eventualmente sus cuentas <strong>de</strong> correo<br />

y así utilizar los servicios <strong>de</strong> spam 46 para comercializar a través <strong>de</strong> la publicidad.<br />

La potencialidad <strong>de</strong>l sitio es aún mayor, ya que no sólo las gran<strong>de</strong>s compañías pue<strong>de</strong>n<br />

pautar, sino que la pequeña y mediana empresa, inclui<strong>das</strong> aquellas que se constituyen con una<br />

persona, pue<strong>de</strong>n subir contenidos para promocionar sus productos o servicios. Los ejemplos son<br />

ilimitados, pero vale la pena rescatar la i<strong>de</strong>a expuesta por Castells (2003) según la cual otra <strong>de</strong> las<br />

enormes posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> esta clase <strong>de</strong> sitios es la <strong>de</strong> evaluar la recepción y acogida <strong>de</strong> un prototipo<br />

<strong>de</strong> producto en el público objetivo. Así es que el mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> funcionamiento <strong>de</strong>l capital está siendo<br />

reemplazado por un mo<strong>de</strong>lo en el cual es posible anticiparse a la respuesta <strong>de</strong>l mercado, evitando<br />

gran<strong>de</strong>s inversiones en los costos <strong>de</strong> producción.<br />

Un sitio como YouTube, abre la posibilidad <strong>de</strong> hacer estudios <strong>de</strong> mercado más consistentes,<br />

reales y sobre todo útiles para los inversionistas, pues algunas <strong>de</strong> las herramientas <strong>de</strong> las que<br />

dispone el sitio (comentar los vi<strong>de</strong>os, por ejemplo) permiten un contacto más rápido y efectivo con<br />

los potenciales clientes. Uno <strong>de</strong> los ejemplos más sobresalientes <strong>de</strong> la forma como las prácticas<br />

económicas están siendo mol<strong>de</strong>a<strong>das</strong> y reajusta<strong>das</strong> en YouTube, es el caso <strong>de</strong> la industria<br />

discográfica. Resulta interesante observar la modificación <strong>de</strong> las prácticas sociales que se <strong>de</strong>riva<br />

<strong>de</strong>l uso <strong>de</strong> la red en fenómenos <strong>de</strong> mercado, como cuando se vendió al “precio que quieras pagar”<br />

-incluso gratis- el álbum In Rainbows <strong>de</strong> la banda británica Radiohead. En este caso, se abre un<br />

nuevo mo<strong>de</strong>lo <strong>de</strong> mercado, pero en paralelo se produce una actitud <strong>de</strong> resistencia, un sentido que<br />

aspira a romper las reglas propuestas en el sitio y la búsqueda <strong>de</strong> posicionarse en los límites <strong>de</strong> la<br />

legalidad. En el caso que se observa, aunque hubo una significativa cantidad <strong>de</strong> usuarios que en<br />

efecto <strong>de</strong>scargaron el álbum en el sitio oficial y que pagaron alguna cifra por él o no pagaron, la<br />

cantidad <strong>de</strong> internautas que optaron por <strong>de</strong>scargas a través <strong>de</strong> torrents fue consi<strong>de</strong>rablemente<br />

mayor. Se instala por lo tanto, una nueva ética en la que se preten<strong>de</strong> hacer <strong>de</strong>l bien cultural un bien<br />

46 El <strong>de</strong>nominado spam, correo basura o sms son mensajes no solicitados, autorizados o provenientes <strong>de</strong>l círculo social<br />

habitual, mediante los cuales se remite información <strong>de</strong> tipo publicitario, en gran<strong>de</strong>s cantida<strong>de</strong>s -por lo que también<br />

suele i<strong>de</strong>ntificárseles con el correo masivo- que se consi<strong>de</strong>ra pue<strong>de</strong>n perjudicar al receptor <strong>de</strong> éstos. Aunque el correo<br />

basura tiene varios fines, uno <strong>de</strong> los más extendidos es el marketing, que ha crecido a niveles impensados <strong>de</strong>s<strong>de</strong> su<br />

creación.<br />

85


común, que <strong>de</strong>sestructura completamente la lógica <strong>de</strong>l mercado, y que aspira a hacer <strong>de</strong> los bienes<br />

simbólicos el lugar <strong>de</strong> convergencia <strong>de</strong> una nueva i<strong>de</strong>ología frente al valor <strong>de</strong> lo simbólico.<br />

YouTube es un portal creado en la era <strong>de</strong> las re<strong>de</strong>s sociales, concepto que introdujo un<br />

importante cambio en la forma <strong>de</strong> concebir la red y <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollar todo su potencial. Las<br />

<strong>de</strong>nomina<strong>das</strong> comunida<strong>de</strong>s virtuales, crea<strong>das</strong> con el fin particular <strong>de</strong> aglutinar grupos humanos con<br />

intereses comunes, han repercutido en las formas <strong>de</strong> interacción humana, dando lugar a una re-<br />

invención <strong>de</strong> prácticas que permiten que seres humanos, que no interactúan cara a cara, da<strong>das</strong><br />

ciertas condiciones espaciales, temporales o lingüísticas, puedan interactuar en torno a un interés<br />

común. Esa interacción en red implica la capacidad <strong>de</strong> intercambiar contenidos u opiniones en<br />

tiempo real, acomodando la acción social a los condicionamientos <strong>de</strong> acceso a la red y <strong>de</strong><br />

accesibilidad a los contenidos. Por eso se implican recursos tecnológicos y capacida<strong>de</strong>s cognitivas.<br />

Esta clase <strong>de</strong> análisis -<strong>de</strong> la <strong>de</strong>nominada sociabilidad en Internet- impone en la actualidad<br />

una fuerte carga i<strong>de</strong>ológica a la red, articulada por una parte, a las nuevas prácticas comunicativas -<br />

los chats, los servicios <strong>de</strong> blog y microblog, los servicios <strong>de</strong> RSS, los lectores <strong>de</strong> feeds, los torrents,<br />

los servicios P2P- que no sólo permiten un <strong>de</strong>bate abierto y anónimo -si se quiere- en torno a casi<br />

cualquier cuestión tematizada en red, sino que a<strong>de</strong>más, permiten a los usuarios acopiar enormes<br />

cantida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> información, que para ser aprehendida, acopiada, utilizada eficientemente requiere el<br />

<strong>de</strong>sarrollo cada vez más especializado <strong>de</strong> procesos cognitivos como la atención. En YouTube se<br />

concreta esta nueva forma <strong>de</strong> construir significados, que se articula a la manera como se construye<br />

la i<strong>de</strong>ntidad <strong>de</strong>l usuario en el sitio, elaborando significados sociales que dan cuenta <strong>de</strong>l proceso <strong>de</strong><br />

mediatización.<br />

Así, la capacidad <strong>de</strong>l sujeto para elaborar productos mediáticos, sin que se imponga <strong>de</strong><br />

manera <strong>de</strong>finitoria el recurso tecnológico o la institucionalidad mediática, construye una<br />

individualidad que se manifiesta en la posibilidad <strong>de</strong> crear y socializar contenidos con facilidad y,<br />

al hacerlo relevar la propia i<strong>de</strong>ntidad, proponerse como un hacedor social, lo cual transforma<br />

también en algún sentido la propia percepción, y la autoestima. A esto se refiere Gauntlett (2008)<br />

cuando habla <strong>de</strong>l argumento <strong>de</strong>l “artesano en red”.<br />

De otra parte, un sitio como YouTube, en el que es posible encontrar contenidos asociados<br />

a casi cualquier búsqueda introducida en la barra <strong>de</strong> navegación, requiere que el internauta<br />

adquiera habilida<strong>de</strong>s para dirigir su búsqueda, que el sitio esté diseñado <strong>de</strong> una forma que permita<br />

y facilite su acceso a contenidos. Pero también posibilita que individuos se agrupen y establezcan<br />

<strong>de</strong>bates abiertos, no mediados por la materialidad, en don<strong>de</strong> tanto el anonimato como la<br />

individualidad cobran sentido y valor, permiten opiniones abiertas, <strong>de</strong>bates poco usuales o<br />

agrupaciones en torno a causas raciales, étnicas, <strong>de</strong> género, entre otras, como es el caso <strong>de</strong>l sitio<br />

86


Rockthevote, una comunidad <strong>de</strong> YouTube creada con el fin <strong>de</strong> promover y dar valor y sentido al<br />

voto hispano, en pleno <strong>de</strong>bate electoral entre los candidatos Barack Obama y Jhon McCain. Más<br />

allá <strong>de</strong> la función política y pragmática que pueda <strong>de</strong>rivarse <strong>de</strong>l sitio, lo que cobra importancia es la<br />

construcción <strong>de</strong> la propia i<strong>de</strong>ntidad en el or<strong>de</strong>n <strong>de</strong> lo individual y <strong>de</strong> lo colectivo, que se <strong>de</strong>riva <strong>de</strong><br />

proponerse como sujetos capaces <strong>de</strong> ejercer po<strong>de</strong>r civil e intervenir la escena social.<br />

Así como las esferas culturales <strong>de</strong> la economía, la política, las formas <strong>de</strong> socialización<br />

humana están siendo resignifica<strong>das</strong>, esto es que generan un proceso <strong>de</strong> mediatización que se<br />

articula al uso <strong>de</strong> la red, también las expresiones simbólicas <strong>de</strong> la cultura, sobre todo el arte, están<br />

siendo modifica<strong>das</strong> tanto en sus formas <strong>de</strong> producción, como en los procesos <strong>de</strong> distribución y<br />

apropiación cuando circulan en la red. Como se señala, los cambios confluyen en las implicaciones<br />

que tienen las tecnologías, pero también en las modificaciones que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong> la lógica<br />

comunicativa que se impone. Brea (2002) señala un cambio esencial que implica no sólo su<br />

significado, sino también la acción social que gira en torno al arte, es el paso que se impone <strong>de</strong>s<strong>de</strong><br />

la obra <strong>de</strong> arte “singular e irrepetible” a una obra que “está en transcurso”, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> su<br />

institucionalización como producto excelso <strong>de</strong> la cultura que imponía un ritual para su observación<br />

y reflexión crítica, a una expresión más filtrada en la vida cotidiana y que se ve compelida a<br />

encontrar un lugar entre enormes y efímeros flujos <strong>de</strong> información.<br />

Cuando se observa este fenómeno en YouTube es evi<strong>de</strong>nte que la obra <strong>de</strong> arte pier<strong>de</strong> su<br />

carácter intemporal, para concentrar el potencial simbólico disponible en la expresión artística,<br />

convirtiéndose en otro hecho artístico portador <strong>de</strong> nuevos significados y nuevos usos. En<br />

http://es.YouTube.com/watch?v=40VAh8pRbjI titulado “Fragmentos <strong>de</strong> la historia <strong>de</strong> la pintura”,<br />

se sintetiza el carácter efímero <strong>de</strong>l arte y su <strong>de</strong>sinstitucionalización, así:<br />

“toda su promesa <strong>de</strong> eternidad, <strong>de</strong> duración, frente a la experiencia <strong>de</strong><br />

efimeridad <strong>de</strong>l acontecimiento, se ve en profundidad <strong>de</strong>sbaratada. Sometida a<br />

un tiempo interno, expandida en una duración propia, la nueva imagen se<br />

hace testigo y conciencia <strong>de</strong> su propio “estar en transcurso”, un durar breve<br />

que es el propio <strong>de</strong>l acontecimiento (y no <strong>de</strong> la tradición <strong>de</strong> la<br />

representación): su nuevo horizonte no es ya la eternidad, sino lo efímero <strong>de</strong>l<br />

tiempo-real, ese “está pasando, lo estás viendo” que caracteriza el propio<br />

<strong>de</strong>safío <strong>de</strong> los media, <strong>de</strong> la vida diaria, <strong>de</strong> los flujos <strong>de</strong> la información, <strong>de</strong> la<br />

experiencia cotidiana” (Brea, 2002).<br />

La obra <strong>de</strong> arte en cuanto producto no sólo cambia su ontología, sino que la praxis misma<br />

<strong>de</strong> la actividad artística se transforma, en tanto se originan nuevas rutinas sociales en las que se<br />

empiezan a diluir las fronteras entre lo “culto”, lo “popular”, lo “individual”, lo “masivo”,<br />

gestándose un mestizaje que se <strong>de</strong>termina en una interacción en la que el internauta es el sujeto que<br />

participa activamente, no sólo en su eventual rol <strong>de</strong> productor, sino también en el rol potencial <strong>de</strong><br />

87


quien elabora, crítica y expresa juicios <strong>de</strong> valor. En este sentido se construye una nueva ritualidad<br />

en la lectura y comprensión <strong>de</strong>l arte.<br />

4. YouTube: la construcción <strong>de</strong>l discurso <strong>de</strong> la pobreza<br />

Los <strong>de</strong>sarrollos conceptuales que se han presentado están en el marco <strong>de</strong> la teoría <strong>de</strong> la<br />

multimodalidad planteada por Kress & van Leeuwen (2001). Se propone por lo tanto una mirada<br />

<strong>de</strong>l discurso multimodal <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el proceso <strong>de</strong> su producción, como práctica comunicativa 47 , <strong>de</strong> su<br />

diseño, en tanto condición <strong>de</strong> selección y apropiación <strong>de</strong> los recursos y los medios semióticos, y <strong>de</strong><br />

su distribución en tanto práctica social en la que los significados no sólo se preservan y transmiten<br />

a través <strong>de</strong> los usos <strong>de</strong> las tecnologías, sino que fundamentalmente contribuye a la transformación<br />

y creación <strong>de</strong> nuevas representaciones e interacciones.<br />

Uno <strong>de</strong> los aspectos fundamentales <strong>de</strong> la teoría multimodal es el énfasis puesto en la<br />

potencialidad <strong>de</strong> los múltiples recursos semióticos <strong>de</strong> los que dispone quien elabora un mensaje. El<br />

primero <strong>de</strong> estos recursos es el acceso a los discursos preexistentes, entendidos éstos como un<br />

conjunto <strong>de</strong> saberes socialmente construidos, que quien produce el mensaje pue<strong>de</strong> integrar en<br />

virtud <strong>de</strong> las posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> diseño, una operación cognitiva que consiste en or<strong>de</strong>nar diferentes<br />

elementos constitutivos <strong>de</strong>l mensaje, <strong>de</strong> acuerdo con un propósito comunicativo <strong>de</strong>terminado.<br />

La práctica comunicativa <strong>de</strong>sarrollada en el proceso <strong>de</strong> producción que se examina consiste<br />

en apropiar unos modos <strong>de</strong> realización para alcanzar propósitos comunicativos concretos con los<br />

interlocutores: el visual, el sonoro -música y ruidos- el verbal, y herramientas tecnológicas<br />

mediáticas caracteriza<strong>das</strong> por apropiar el código digital, ser modulares, por disponer <strong>de</strong> una<br />

estructura en la que cada parte es idéntica al todo -fractal-, ser automáticas y variables, dando como<br />

resultado un discurso que respon<strong>de</strong> a la lógica <strong>de</strong> producción inmediata insertada en re<strong>de</strong>s y<br />

articula<strong>das</strong> al computador. Para este análisis se ha seleccionado con carácter exploratorio “La<br />

rutina” 48 , hay en este vi<strong>de</strong>o clip recursos, modos, razones históricas y culturales, proce<strong>de</strong>ncias,<br />

historias individuales y colectivas, que se entretejen para construir con el interlocutor un discurso,<br />

en este caso tematizando la exclusión social anclada en representaciones que apuntan a evi<strong>de</strong>nciar<br />

condiciones <strong>de</strong> indignidad <strong>de</strong>l ser humano.<br />

47 Siguiendo los planteamientos <strong>de</strong> van Leuween (2001) las prácticas comunicativas se refieren a los<br />

condicionamientos y disposiciones que se implican en un proceso <strong>de</strong> interacción comunicativa, en el que se proponen<br />

representaciones <strong>de</strong>l mundo con propósitos específicos. En este sentido, los discursos constituyentes <strong>de</strong> las prácticas<br />

comunicativas, son tipos <strong>de</strong> conocimientos acerca <strong>de</strong> haceres sociales, cognitivos, y <strong>de</strong> producción <strong>de</strong> significado,<br />

articulados a las maneras como representamos los acontecimientos en los que se instala la práctica o la interacción en<br />

curso (contexto).<br />

48 http://es.YouTube.com/watch?v=BF8HZTGzz28<br />

88


El uso comunicativo -la producción- que hace <strong>de</strong> los medios “La rutina” se entien<strong>de</strong> en dos<br />

perspectivas. En primer lugar, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la óptica <strong>de</strong> los medios expresivos <strong>de</strong> los que dispone todo ser<br />

humano para comunicarse (los movimientos corporales, la voz, la gestualidad); en segunda<br />

instancia, los materiales disponibles que se apropian para el montaje <strong>de</strong>l discurso. Así, en el<br />

propósito <strong>de</strong> transmitir un significado, a<strong>de</strong>más <strong>de</strong> que se eligen unos canales o modos <strong>de</strong> expresión<br />

(el verbal, el auditivo, el visual), hay ciertas características que se asocian significativamente a<br />

cada modo produciendo también significado.<br />

El diseño en YouTube, a propósito <strong>de</strong> los vi<strong>de</strong>os sobre temáticas sociales como la pobreza,<br />

pue<strong>de</strong> ser estudiado en dos perspectivas, la cultural y la material. En esta primera aproximación se<br />

hace un acercamiento al contenido <strong>de</strong> “La Rutina”, tratando <strong>de</strong> reconocer los múltiples recursos y<br />

modos semióticos involucrados en el proceso <strong>de</strong> producción <strong>de</strong> significado y la manera como se<br />

propone para su producción y distribución. En el proceso <strong>de</strong> reconocer algunos <strong>de</strong> los efectos <strong>de</strong><br />

diseño propuestos, se observa en primer lugar que el vi<strong>de</strong>o es una puesta en escena experimental,<br />

en la que se mezclan algunos elementos ficcionales con elementos que típicamente <strong>de</strong>scriben un<br />

hacer social cotidiano.<br />

El vi<strong>de</strong>o hace una mirada subjetiva y contemporánea <strong>de</strong> un problema social. “La rutina” es<br />

un formato <strong>de</strong> vi<strong>de</strong>o clip, <strong>de</strong>l género musical perteneciente al movimiento hip hop, caracterizado<br />

por su <strong>de</strong>nsidad semántica, que superpone texto verbal, sonidos e imágenes que se acumulan en la<br />

brevedad temporal, construyendo una mirada alternativa y <strong>de</strong> resistencia, en torno a una manera <strong>de</strong><br />

vivir la cotidianidad, marcada por unos condicionamientos sociales que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong> lo que<br />

tradicionalmente se conceptualiza como pobreza. Hay en este vi<strong>de</strong>o clip una narrativa cíclica y<br />

asociativa, en estrecha relación con su título, en don<strong>de</strong> se articulan fotogramas y tomas en escenas,<br />

que permiten reconocer emocionalidad, pero también posicionamientos frente a lo que se<br />

representa, que están no sólo <strong>de</strong> acuerdo con lo que se quiere transmitir, sino también con lo que se<br />

quiere instituir como conocimiento social, en busca <strong>de</strong> la transformación <strong>de</strong> una situación socio-<br />

política in<strong>de</strong>seable. En este sentido, se podría afirmar que es un vi<strong>de</strong>o clip típicamente <strong>de</strong> <strong>de</strong>nuncia<br />

social.<br />

La articulación <strong>de</strong>l diseño en “La Rutina”, proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> la simultaneidad <strong>de</strong> tres discursos<br />

sonoros en el que hacen presencia el modo verbal, no verbal y el musical amalgamados al discurso<br />

visual que proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> la imagen soportada en blancos, negros y grises, por una parte. Por otra, la<br />

articulación proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> la manera como coexisten los discursos soportados en los modos señalados<br />

y la manera particular como se jerarquizan produciendo la coherencia interna <strong>de</strong>l texto.<br />

Las combinaciones sonoras proveen coherencia al vi<strong>de</strong>o, pues sitúan <strong>de</strong> inmediato al<br />

espectador en un género musical específico: el rap, que consiste básicamente en contar una historia<br />

89


con rima y ritmo, en el que movimientos juveniles marginales se apropian <strong>de</strong> la herramienta<br />

musical, lingüística y corporal para proponer una mirada crítica sobre los problemas cotidianos<br />

como la pobreza, la exclusión y la discriminación. El género se propone integrar en la formulación<br />

<strong>de</strong> su expresión artística recursos como la aliteración, la asonancia y la rima a través <strong>de</strong> los cuales<br />

se propone construir sentido. En “La rutina” el discurso verbal se <strong>de</strong>spliega en usos concretos <strong>de</strong>l<br />

lenguaje; la conversación cotidiana, la narración rítmica propia <strong>de</strong>l género con voz masculina, un<br />

coro que rompe con esta estructura típica introduciendo un lenguaje más poético y musical con voz<br />

femenina, un interludio en el que se inserta fragmentariamente un noticiero en la voz <strong>de</strong> dos<br />

conoci<strong>das</strong> presentadoras <strong>de</strong> noticias en Colombia, y la voz masculina que a través <strong>de</strong> actos<br />

directivos, moviliza la condición <strong>de</strong> subordinado <strong>de</strong> su interlocutor.<br />

La combinación <strong>de</strong> los modos semióticos incluye sonidos mecánicos convencionalizados,<br />

como los sonidos <strong>de</strong> las manecillas <strong>de</strong>l reloj, la alarma <strong>de</strong> un reloj digital, los ruidos metálicos<br />

producto <strong>de</strong> activida<strong>de</strong>s rutinarias -puertas, ducha, objetos metálicos, ruidos <strong>de</strong> máquinas y ruidos<br />

urbanos-, que se articulan con la voz <strong>de</strong> una mujer que construye actos <strong>de</strong> habla directivos <strong>de</strong><br />

petición, seguidos <strong>de</strong> un acto <strong>de</strong> reproche, que proce<strong>de</strong> <strong>de</strong>l rol <strong>de</strong>sempeñado, en este caso el<br />

materno, en cuya interacción se produce un acto expresivo que da cuenta <strong>de</strong> una actitud y un<br />

comportamiento, al que se adicionan un conjunto <strong>de</strong> interjecciones. En este caso la puesta en<br />

escena reconstruye una manera tradicional y local <strong>de</strong> afrontar la acción cotidiana, en especial en lo<br />

referido a la actividad laboral <strong>de</strong> cierto sector social con clara proce<strong>de</strong>ncia campesina, y <strong>de</strong> la zona<br />

norocci<strong>de</strong>ntal <strong>de</strong>l país.<br />

La letra <strong>de</strong> la canción es una enumeración <strong>de</strong> rutinas sociales, como la referencia a<br />

condiciones espacio-temporales, la narración <strong>de</strong> percepciones sobre acontecimientos que dan<br />

cuenta <strong>de</strong> acciones sociales relaciona<strong>das</strong> con la cotidianidad. En general, se reconocen estereotipos<br />

que recuperan la experiencia <strong>de</strong> la pobreza, la violencia, el barrio marginal, para visibilizar<br />

expresiones culturales que recogen ciertos rasgos <strong>de</strong> autenticidad inherentes al grupo social que se<br />

representa. La música es claramente el intertexto que proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> las mezclas culturales que dieron<br />

origen al movimiento musical, <strong>de</strong> su articulación posterior a procesos migratorios, sobre todo <strong>de</strong><br />

grupos latinos, y en la actualidad, <strong>de</strong> la estabilización <strong>de</strong> estereotipos que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong>l mercado <strong>de</strong><br />

la música. Así, el rap es la representación que el sistema sígnico musical consolida <strong>de</strong> los<br />

problemas cotidianos con el propósito <strong>de</strong> constituirse en un mecanismo <strong>de</strong> afirmación i<strong>de</strong>ntitaria y<br />

cultural. En este sentido, la pieza musical en la que se amalgama la música y el discurso verbal y<br />

no verbal, construye una narrativa que hace posible la comprensión que se elabora <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la<br />

experiencia <strong>de</strong> la marginalidad.<br />

90


La visualidad <strong>de</strong> este vi<strong>de</strong>o clip está constituida, en este caso, por la imagen <strong>de</strong> los objetos y<br />

los seres, sus movimientos y el color. Esta manera <strong>de</strong> enten<strong>de</strong>r la configuración <strong>de</strong>l discurso es<br />

esencial en el <strong>de</strong>sentrañamiento <strong>de</strong> su carácter multimodal, por lo que para el análisis que se viene<br />

realizando <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong>l diseño, interesa reconocer las regularida<strong>de</strong>s que contribuyen a dar coherencia<br />

al discurso. “La rutina” se percibe a través <strong>de</strong> una escala <strong>de</strong> colores acromáticos o escala <strong>de</strong> grises,<br />

cuyos intervalos se polarizan entre el blanco y el negro.<br />

En el vi<strong>de</strong>o se observa una gestualidad característica y propia <strong>de</strong>l género musical (en este<br />

caso el modo comunicativo), que le imprime un significado que no es inherente al diseño, sino que<br />

pertenece al conjunto <strong>de</strong> actos propios <strong>de</strong>l intérprete <strong>de</strong>l tema musical, quien con su voz plasma lo<br />

que previamente se ha diseñado como escritura o canta lo que ha sido pensado como una<br />

composición musical. Esta expresión corporal <strong>de</strong>l intérprete se comunica directamente,<br />

adicionando significados al discurso, que no pue<strong>de</strong>n ser anticipados en el diseño y que por su<br />

naturaleza no pue<strong>de</strong>n explicarse verbalmente, pero que no obstante se perciben en el nivel<br />

cognitivo y en el afectivo.<br />

En “La rutina” a partir <strong>de</strong> la gestualidad <strong>de</strong>l intérprete pue<strong>de</strong> captarse con facilidad la<br />

intención <strong>de</strong> transmitir su mensaje como una cierta clase <strong>de</strong> <strong>de</strong>nuncia social, ligada a un nivel <strong>de</strong><br />

agresividad e inconformidad que se hace patente en la forma directa <strong>de</strong> observar a la cámara, en la<br />

entonación <strong>de</strong> la voz y en el movimiento <strong>de</strong> sus brazos. Nótese que uno <strong>de</strong> los movimientos más<br />

reiterativos pue<strong>de</strong> asociarse con el significado <strong>de</strong> <strong>de</strong>sesperación, cuando el personaje ubica sus<br />

manos a la altura <strong>de</strong> los hombros, las manos completamente abiertas, siguiendo el golpe musical<br />

con los <strong>de</strong>dos extendidos y frontalmente separados, este movimiento con frecuencia también se<br />

asocia al sentido <strong>de</strong>l llamado a <strong>de</strong>spertarse, es entonces una convocatoria, con lo cual se formula<br />

una manera <strong>de</strong> comunicarse.<br />

En contraste, la gestualidad femenina se vincula al sentido <strong>de</strong> cansancio, expresado<br />

mediante una posición en la que el codo se apoya en la mesa, la frente se apoya en la mano,<br />

mientras que el pulgar, el índice y el <strong>de</strong>do medio están entreabiertos, sosteniendo la sien, y los ojos<br />

están entrecerrados. El <strong>de</strong>saliento se expresa en un caminar en el que los brazos están<br />

completamente caídos contra el tronco, mientras que la cabeza está inclinada ligeramente, el<br />

transitar por cerca <strong>de</strong> la valla crea la sensación <strong>de</strong> estar vencido, <strong>de</strong> tener la guardia abajo, y en<br />

cierto sentido vivir en medio <strong>de</strong> la sensación <strong>de</strong> disgusto.<br />

Las características <strong>de</strong> personalidad <strong>de</strong> los dos actores-cantantes centrales, se ligan a su<br />

gestualidad y corporalidad, <strong>de</strong> un lado una mujer resignada, pero soñadora, que cuestiona el sentido<br />

<strong>de</strong> su existencia, en contraste con la figura <strong>de</strong> un hombre contestatario, agobiado por la<br />

cotidianidad, que enfrenta y <strong>de</strong>nuncia las condiciones <strong>de</strong> su diario vivir. La narrativa reconstruye<br />

91


una autobiografía, que supera los límites <strong>de</strong> lo individual, articulando en lo representado una masa<br />

humana informe que eventualmente tiene rostro en Milton, pero que representa a todos los seres<br />

anónimos cuya historia podría ser la misma.<br />

Los elementos narrativos, en sus distintos modos y medios, constituyen la unidad y la<br />

coherencia <strong>de</strong> la historia. “La rutina” es un vi<strong>de</strong>o dirigido por Lucas Perro, seudónimo <strong>de</strong> Germán<br />

Arango, antropólogo <strong>de</strong> la Universidad <strong>de</strong> Antioquia. El personaje central ‘Milton’, inicia y cierra<br />

su recorrido vital en el transcurrir temporal y espacial que impone el cada día, que se inicia con el<br />

llamado <strong>de</strong> la madre para que se levante a trabajar, y así producir una mirada etnográfica <strong>de</strong> la<br />

práctica urbana, en la que se cruzan anónimos los personajes conminados a ser los obreros <strong>de</strong> la<br />

ciudad. Esta información que se obtiene, en primer lugar, a través <strong>de</strong> la simultaneidad <strong>de</strong> tres<br />

discursos sonoros y la puesta en escena visual, alcanza relevancia semántica en la elección <strong>de</strong> los<br />

escenarios -lugares siempre periféricos, en los que se incluye el reloj como el leitmotiv- por los que<br />

transcurren seres anónimos que transitan a un ritmo marcado por los golpes que dan lugar a la frase<br />

musical en el rap, en el cual con frecuencia se intuye una pista que en este caso contribuye a<br />

mantener el sentido <strong>de</strong> la monotonía, que sustenta la voz y proporciona la plataforma para los<br />

ritmos <strong>de</strong>l maestro <strong>de</strong> ceremonias (MC).<br />

Otro leitmotiv lo constituye la presencia reiterada <strong>de</strong> charcos, el primero <strong>de</strong> los cuales se<br />

representa en una <strong>de</strong> las acciones cotidianas -el baño-, y luego se hace visible en las calles por las<br />

que transita Milton; las acciones cotidianas se impregnan así <strong>de</strong> un cierto sentido <strong>de</strong> precariedad<br />

que se recupera en el saber popular mediante expresiones como ‘tener el agua al cuello’ o ‘pasar el<br />

charco’ asocia<strong>das</strong> con la necesidad <strong>de</strong> superar las circunstancias que <strong>de</strong>terminan una forma <strong>de</strong> vida.<br />

A través <strong>de</strong> los encuadres, que en el vi<strong>de</strong>o clip tiene como eje el universo sonoro, se pue<strong>de</strong><br />

penetrar la atmósfera <strong>de</strong> la narrativa. Se percibe, articulado al carácter cíclico <strong>de</strong> lo que se cuenta,<br />

un sonido mezclado con el espacio que caracteriza seres, objetos y escenarios que dan la sensación<br />

<strong>de</strong> distancia espacial, pero que simultáneamente localizan y dan profundidad a lo que se representa.<br />

Es el caso <strong>de</strong> la puesta en escena que va <strong>de</strong> la oscuridad y la insinuación <strong>de</strong> las luces propias <strong>de</strong>l<br />

amanecer, para lo cual se apropia el recurso <strong>de</strong>l plano-secuencia exterior y <strong>de</strong>s<strong>de</strong> un lugar alto,<br />

caracterizado por conservar la unidad espacial y temporal que se estructura en el encuadre; luego se<br />

penetra la intimidad <strong>de</strong> la casa a través, hipotéticamente, <strong>de</strong>l recurso <strong>de</strong> la cámara escondida, a<br />

través <strong>de</strong>l cual se formula la relación intimidad - escenario público, en este conjunto <strong>de</strong> escenas se<br />

estructura una secuencia caracterizada por mostrar al personaje en un plano en el que se recortan<br />

los pies y cabeza, en algunos casos, en otros, el plano capta lateralmente una parte <strong>de</strong>l cuerpo. El<br />

escenario permite reconstruir las condiciones <strong>de</strong> la vivienda y recuperar sentidos articulados a las<br />

condiciones socioeconómicas; luego el encuadre, el sonido y las maneras <strong>de</strong> mirar -incluido el<br />

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mirar que proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> los recursos tecnológicos, la cámara- potencian la sensación <strong>de</strong> un lugar<br />

extenso, continuo, <strong>de</strong> ir y venir que se prolonga más allá <strong>de</strong> lo que se narra, <strong>de</strong> manera que evoca y<br />

sugiere más <strong>de</strong> lo que se expresa y <strong>de</strong> lo que se implica. La coexistencia en el encuadre, <strong>de</strong>l espacio<br />

y el tiempo, proporciona el efecto <strong>de</strong> continuidad sin límite que se vuelve sobre sí, para elaborar un<br />

sentido <strong>de</strong> monotonía y cansancio, resultado <strong>de</strong> las pulsaciones rítmicas que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong> la<br />

imposibilidad <strong>de</strong> evolucionar. En consecuencia, se activa un sentido <strong>de</strong> búsqueda <strong>de</strong> cambio, <strong>de</strong><br />

metamorfosis. Así, aunque el vi<strong>de</strong>o clip se apropia <strong>de</strong> planos y distancias distintas, se proponen dos<br />

<strong>de</strong> manera reiterativa: el general, en el que se capta la masa urbana en un transcurrir sin fin, y el<br />

primer plano que recupera el microcosmos <strong>de</strong> los personajes centrales.<br />

Los ángulos son el otro recurso <strong>de</strong>l encuadre, que da expresividad al vi<strong>de</strong>o clip, en este caso<br />

el contrapicado acentúa la percepción <strong>de</strong> un espacio reductor aunque inmenso, en el que se resalta<br />

y amplifica al personaje, al proponerlo <strong>de</strong>s<strong>de</strong> un punto <strong>de</strong> vista que lo dimensiona como un<br />

luchador en una condición que físicamente parece encerrarlo. A<strong>de</strong>más, es a través <strong>de</strong>l uso <strong>de</strong> los<br />

ángulos que se reconocen las relaciones <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r. Así, se pue<strong>de</strong>n i<strong>de</strong>ntificar ángulos que revelan la<br />

fuerza <strong>de</strong>l personaje y ángulos que dan cuenta <strong>de</strong> la impotencia y el aburrimiento. En general, se<br />

pue<strong>de</strong> afirmar que el vi<strong>de</strong>o clip se caracteriza por estructurar encuadres recargados, en los que se<br />

perciben simultáneamente muchos elementos fijos y móviles dando la sensación <strong>de</strong> <strong>de</strong>nsidad. Esta<br />

manera <strong>de</strong> elaborar la composición da cuenta <strong>de</strong> la necesidad <strong>de</strong> representar un mundo caótico,<br />

como el lugar típico <strong>de</strong> la convivencia urbana para un sector específico <strong>de</strong> su población.<br />

En este punto, interesa resaltar el papel <strong>de</strong> la escala monocromática; el blanco es, por una<br />

parte, el color homogenizador que visibiliza a los seres <strong>de</strong> la acción, a través <strong>de</strong> parte <strong>de</strong> su<br />

vestimenta, pero simultáneamente es el color <strong>de</strong> las pare<strong>de</strong>s, don<strong>de</strong> se produce la sensación <strong>de</strong><br />

encierro, en el caso <strong>de</strong>l taller <strong>de</strong> costura. El negro por su parte refuerza el sentido <strong>de</strong> la<br />

invisibilidad, el anonimato, la imposibilidad. De esta manera el encuadre articula en forma<br />

coherente el ritmo <strong>de</strong>l rap con sonidos por lo general metálicos, murmullos imperceptibles y gritos<br />

que crean una atmósfera <strong>de</strong>nsa, continua y atrapada. En este sentido, se pue<strong>de</strong> afirmar que el<br />

encuadre otorga unidad temática y que el vi<strong>de</strong>o clip integra en su reflexión crítica una narrativa, un<br />

drama, una ética y una estética que otorga un nuevo significado a lo que expresa.<br />

La puesta en escena elegida en “La rutina” es fundamentalmente exterior, uniforme y se<br />

propone un juego visual que a pesar <strong>de</strong> ser un transcurrir en espacios abiertos y públicos, construye<br />

la sensación <strong>de</strong> encierro, marginalidad, segregación. El suce<strong>de</strong>r <strong>de</strong> la acción narrativa se liga a<br />

elementos materiales como pare<strong>de</strong>s, rejas, vías interminables y agobiantes, arquitecturas que<br />

reflejan hacinamiento, vivien<strong>das</strong> en obra negra, signos sistemáticos <strong>de</strong> lo prohibido, espacios<br />

encerrados vinculados al trabajo que proponen al interlocutor una percepción más centrada en las<br />

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siluetas o imágenes <strong>de</strong>l personaje principal, que alternan con las <strong>de</strong> la mujer trabajadora. Se<br />

concentra la atención en los seres que dirigen la acción narrativa.<br />

En “La Rutina” los fotogramas se caracterizan por construir una estética <strong>de</strong> lo cotidiano, en<br />

la que se percibe una manera <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminar los objetos y acciones en la vida diaria, centrada en las<br />

formas <strong>de</strong> producción <strong>de</strong> capital y generadora <strong>de</strong> una estética <strong>de</strong> la marginalidad. Así, la<br />

cosificación <strong>de</strong>l ser humano se percibe en las formas <strong>de</strong> proponer y revelar ciertas imágenes a<br />

través <strong>de</strong> la luz; por ejemplo, en el caso <strong>de</strong> la muñeca sobre la bicicleta, en la cual se pone <strong>de</strong><br />

relieve un punto <strong>de</strong> ésta -las piernas-, lo cual articulado a la velocidad <strong>de</strong>l fotograma, crea la<br />

sensación <strong>de</strong> movimiento y construye una imagen que enfatiza la narrativa introduciendo un<br />

sentido <strong>de</strong> esfuerzo no compensado, pues lo que se observa específicamente es un pedaleo que no<br />

genera movimiento, y que a<strong>de</strong>más muestra el girar <strong>de</strong> las rue<strong>das</strong> <strong>de</strong> la bicicleta en sentido inverso.<br />

A<strong>de</strong>más el sentido objetual y mecánico <strong>de</strong>l trabajo se expresa en la presencia <strong>de</strong> objetos que<br />

simulan la acción humana y en cierto sentido suplantan lo que le es inherente, creando un sentido<br />

<strong>de</strong> objetualización y mecanización, al proponer acciones repetitivas capaces <strong>de</strong> generar productos;<br />

es el caso <strong>de</strong> la muñeca en el taller que ocupa un espacio, tiempo y rol que son idénticos al <strong>de</strong> las<br />

mujeres trabajadoras.<br />

Otro aspecto <strong>de</strong> la construcción narrativa objeto <strong>de</strong> observación lo constituye el discurso<br />

verbal, en sus distintas manifestaciones y formas <strong>de</strong> coexistir en el vi<strong>de</strong>o clip, el cual constituye<br />

por sí mismo un diálogo en el sentido indicado por Bajtin (1982). Interesa resaltar que lo que se<br />

dice como canción proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> una rima asonántica <strong>de</strong>l tipo ‘como parte <strong>de</strong> la rutina empezar un<br />

nuevo día me ilumina ... se me avecina … mi madre me persina’, conjugada con una aliteración<br />

centrada en los sonidos ‘r’ ‘s’ que conjugados con el golpe propio <strong>de</strong>l rap, contribuyen a la<br />

constitución <strong>de</strong>l sentido <strong>de</strong> un ruido sostenido, mecánico, pesado. Hay a<strong>de</strong>más índices <strong>de</strong> oralidad<br />

articulados a lo largo <strong>de</strong>l texto constituidos por interjecciones ‘ahhh’, ‘ay’ , ‘ay juemadre’, ‘pues’,<br />

con función claramente expresiva, y que en la conversación construyen parte <strong>de</strong>l contexto, en tanto<br />

se representa un estilo <strong>de</strong> vida en el que se recuperan, localmente, maneras <strong>de</strong> relacionarse en la<br />

vida familiar y que <strong>de</strong>marca roles. Nótese que los sonidos no verbales junto con la conversación<br />

introductoria abren y cierran la puesta en escena.<br />

Una característica interesante en “La Rutina” es la presencia <strong>de</strong> ruidos que en tanto indicios<br />

son portadores <strong>de</strong> significado, que implican no sólo efectos fisiológicos, cómo el estado <strong>de</strong> alerta<br />

en el que se introduce el personaje principal cuando suena el reloj, sino a<strong>de</strong>más sicológicos, como<br />

cuando el reloj aparece reitera<strong>das</strong> veces y permite reconstruir sentido <strong>de</strong> intranquilidad, ansiedad,<br />

cansancio o tedio. De esta manera, los sonidos no verbales que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong> mecanismos<br />

puramente físicos o mecánicos, contribuyen en la puesta en escena a articular, por una parte, la<br />

94


temporalidad y, por otra, las actitu<strong>de</strong>s que se formulan en la acción cotidiana, no sólo relaciona<strong>das</strong><br />

con el trabajo sino también con el transitar por el espacio público, como cuando se escucha el ruido<br />

<strong>de</strong>l tránsito, las máquinas, los ruidos metálicos.<br />

El manejo espacio temporal también proce<strong>de</strong> <strong>de</strong> índices <strong>de</strong> oralidad y teatralidad en los que<br />

no sólo se articula con fuerza el cuerpo, sino también los recursos <strong>de</strong> la tecnología a través <strong>de</strong> los<br />

cuales se escucha, por ejemplo, a los mass media. La noticia en este caso, ubica socio-<br />

históricamente la puesta en escena, y contribuye a tener una mirada más <strong>de</strong> la problemática social.<br />

Se elabora, entonces, la representación <strong>de</strong> lo que ‘oficialmente’ son las acciones <strong>de</strong> la política <strong>de</strong><br />

seguridad <strong>de</strong>l Estado, y permite una percepción <strong>de</strong> la manera como cierto sector juvenil femenino<br />

enfrenta su sexualidad. La presencia <strong>de</strong> <strong>de</strong>ícticos también mantiene una relación espacio-temporal<br />

articulada a la corporalidad “en ese momento me doy cuenta”, “quien va a creer que ese tipo envió<br />

una mercancía fina … ya sabemos quien es el que más domina, el que más asesina, un pequeño<br />

<strong>de</strong>scuido y a usted también lo fulminan…”<br />

Muchos otros elementos que conforman lo que podríamos llamar el sistema retórico visual<br />

lo constituyen las señales propias <strong>de</strong> la vida urbana; por una parte aquella señalización que <strong>de</strong><br />

manera expresa disua<strong>de</strong> en relación con la acción social y aquellas señales que regulan<br />

convencionalmente el transitar por los espacios públicos. La puesta en escena en “La rutina” <strong>de</strong><br />

estos elementos <strong>de</strong> la escenografía urbana se caracteriza por remarcar el sentido <strong>de</strong> lo prohibido, el<br />

límite <strong>de</strong> lo espacialmente posible, regulando una manera <strong>de</strong> hacer social que da cuenta <strong>de</strong> las<br />

condiciones <strong>de</strong> in<strong>de</strong>fensión y miedo <strong>de</strong> los seres humanos en los conglomerados urbanos. Aunque<br />

‘<strong>de</strong>saparece’ la cromaticidad convencionalizada culturalmente para este tipo <strong>de</strong> señales -el blanco,<br />

el negro, el rojo y el amarillo-, permiten representar y recuperar la sensación visual propuesta por<br />

el signo. En esta perspectiva, aunque el carácter monocromático <strong>de</strong>l vi<strong>de</strong>o clip se articule<br />

primariamente al sentido <strong>de</strong> lo inquietante, <strong>de</strong>sapacible, peligroso, agobiante, mortífero, se impone<br />

una persuasión en la que se recupera por completo el impacto visual y argumentativo <strong>de</strong> la<br />

cromaticidad original <strong>de</strong> la señalización, que convencionalmente incluye el sentido <strong>de</strong>l bien<br />

público.<br />

Teniendo como punto <strong>de</strong> referencia la oralidad que se <strong>de</strong>sarrolla en este tipo <strong>de</strong><br />

comunicación audiovisual es frecuente i<strong>de</strong>ntificar frases hechas y en ocasiones refranes y<br />

aforismos. En “La Rutina” expresiones como “Quien dijo que existe un hada madrina cuando hay<br />

que sudar para po<strong>de</strong>r salir <strong>de</strong> la ruina”, “Colombia es famosa por café y por cocaína” o “por no<br />

pasar en las calles como gallina”, insertan en el discurso verbal maneras estandariza<strong>das</strong> <strong>de</strong><br />

relacionarse con la vida y el mundo, <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> un grupo social específico, en este caso, la clase<br />

trabajadora, obrera, <strong>de</strong> origen campesino y marginada en las ciuda<strong>de</strong>s. En “La Rutina” también se<br />

95


observa la búsqueda por insertarse en la tradición poética, en este sentido el discurso verbal se<br />

propone hábil y con capacidad <strong>de</strong> escenificar la creatividad lingüística propia <strong>de</strong>l poeta: ‘esto es mi<br />

cansancio, mi pantomima’ o ‘mi mente peregrina’ u otro tipo <strong>de</strong> expresiones que lo posicionan en<br />

un rol que le permite el uso sistemático <strong>de</strong> imperativos <strong>de</strong>l tipo ‘no olvi<strong>de</strong>s lo espiritual’, así como<br />

un manejo fuerte <strong>de</strong>l estilo <strong>de</strong>scriptivo ‘las mismas aveni<strong>das</strong> frías … el asfalto… el conductor en su<br />

cabina … suena la bocina’.<br />

Esta primera aproximación al estudio <strong>de</strong> las representaciones <strong>de</strong> la pobreza en YouTube<br />

permite concluir preliminarmente que el vi<strong>de</strong>o clip musical propuesto para el análisis elabora un<br />

universo temático complejo en el que se propone no sólo presentar una realidad socio-política y<br />

cultural, sino que sintetiza la cultura popular. Es una puesta en escena que preten<strong>de</strong><br />

internacionalizarse en la medida en que el sitio y la internet proporcionan el lugar para proponer<br />

una estética y una mirada ciudadana por fuera <strong>de</strong> los cánones <strong>de</strong>l <strong>de</strong>nominado ‘arte culto’, gestando<br />

así una clara ruptura con la cultura <strong>de</strong> elite, adicionalmente se logra evi<strong>de</strong>nciar la ten<strong>de</strong>ncia a la<br />

recuperación <strong>de</strong> la oralidad en el mundo contemporáneo.<br />

Como se ha señalado, los sitios web provistos por internet son uno <strong>de</strong> los medios <strong>de</strong><br />

comunicación que han llegado a popularizarse en muy poco tiempo y proporcionan niveles cada<br />

vez más refinados <strong>de</strong> accesibilidad y usabilidad. Aunque no llegan a toda la sociedad, están<br />

proponiendo que los medios masivos consi<strong>de</strong>rados tradicionales y dominantes, se vean conminados<br />

a actualizarse y tengan que asumir la nueva realidad que internet provoca. La huella que <strong>de</strong>jan las<br />

nuevas tecnologías en la historia <strong>de</strong> los medios masivos es la línea divisoria que fractura tiempos,<br />

espacios y formatos obligando a reconocer un nuevo mercado y a modificar los hábitos <strong>de</strong><br />

consumo <strong>de</strong> la sociedad, <strong>de</strong> suerte que se transforman las maneras <strong>de</strong> apropiar conocimientos, <strong>de</strong><br />

transcurrir por la política, <strong>de</strong> disfrutar <strong>de</strong>l ocio y, en general, <strong>de</strong> construir cultura e i<strong>de</strong>ntidad, como<br />

se señaló en el apartado anterior. Estos condicionamientos que están articulados a la manera como<br />

se distribuyen los nuevos saberes y haceres sociales, también constituyen parte <strong>de</strong> la nueva<br />

significación. Esto se <strong>de</strong>be fundamentalmente a que la red permite la circulación <strong>de</strong> enormes<br />

cantida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> información proveniente <strong>de</strong> muy diversas fuentes, en lapsos <strong>de</strong> tiempo cada vez más<br />

reducidos, alterando en forma significativa las prácticas sociales relaciona<strong>das</strong> con la adquisición <strong>de</strong><br />

información.<br />

En el caso específico <strong>de</strong> YouTube la distribución <strong>de</strong> los contenidos semióticos disponibles<br />

incluyen, como lo señala van Leuween, la potencialidad <strong>de</strong> preservar, difundir y transformar<br />

contenidos que crean nuevas representaciones e interacciones, produciendo una nueva manera <strong>de</strong><br />

concebir la originalidad, que en últimas da paso a nuevos potenciales estéticos y semióticos. Así,<br />

por ejemplo, la cámara no es un objeto neutro, lo que se dice ya ha sido dicho, y se actualiza, la<br />

96


ausencia <strong>de</strong>l color otorga nuevo sentido a lo que se visualiza y todos aquellos elementos en<br />

apariencia no <strong>de</strong>seados o intencionados se constituyen en unida<strong>de</strong>s significativas. Esto explica que<br />

los contenidos se codifiquen una y otra vez y se pase <strong>de</strong> la trascripción al copiado, a la simulación,<br />

y a la reconstrucción a través <strong>de</strong> tareas simples que adaptan y redimensionan lo que se representa.<br />

En “La Rutina” la tecnología hace posible adoptar una posición en la que lo que se expresa se<br />

elabora incluyendo materiales preexistentes, que no requieren ser referenciados y que se articulan<br />

produciendo una fragmentación coherente que se percibe y se reconoce original, con lo cual se<br />

genera esa nueva significación.<br />

En el <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> la investigación macro, la comprensión <strong>de</strong> los procesos <strong>de</strong> preservación,<br />

difusión, y trascripción, entre otros, que gracias a la tecnología permiten reconocer factores que<br />

<strong>de</strong>terminan el significado <strong>de</strong> la interacción, que contribuyen a configurar nuevas representaciones y<br />

que garantizan las formas <strong>de</strong> relacionarnos con las herramientas en la exploración y constitución<br />

interactiva <strong>de</strong> significados, es un apartado que requerirá <strong>de</strong> una exploración más fina. En este<br />

trabajo sólo se quiere señalar que “La rutina” recodifica contenidos, establece nuevas formas <strong>de</strong><br />

proponer semióticamente su contenido y se apropia <strong>de</strong> los recursos <strong>de</strong>l sitio para que el producto<br />

semiótico se articule muchas veces al significado social.<br />

5. Diseño preliminar para la exploración <strong>de</strong>l discurso <strong>de</strong> la pobreza en YouTube<br />

Los esquemas que se proponen en este apartado aspiran a recuperar el conjunto <strong>de</strong><br />

categorías y relaciones que pue<strong>de</strong>n ser punto <strong>de</strong> partida para la formulación <strong>de</strong> un análisis<br />

sistemático <strong>de</strong> los discursos propios <strong>de</strong> un sitio como YouTube y, en general, <strong>de</strong> los discursos<br />

multimodales típicos <strong>de</strong> la internet. Por su carácter exploratorio es una <strong>de</strong>scripción preliminar<br />

aplicada al análisis <strong>de</strong>l vi<strong>de</strong>o clip “La Rutina” y con el propósito <strong>de</strong> servir <strong>de</strong> insumo teórico para<br />

el procedimiento <strong>de</strong> anotación que se hace con el software seleccionado, a saber ELAN 3.6.0.<br />

Este apartado tiene como objetivo fundamentar una reflexión en la que se preten<strong>de</strong> poner<br />

en relación las maneras como se perciben los significados en textos propios <strong>de</strong> la producción<br />

multimedia. Para el logro <strong>de</strong> éste propósito se articulan dos propuestas teóricas, por una parte los<br />

<strong>de</strong>sarrollos que se han elaborado en la teoría <strong>de</strong>l discurso multimodal en la que los significados se<br />

dimensionan en los múltiples sentidos que proce<strong>de</strong>n <strong>de</strong> apropiar en la práctica comunicativa<br />

recursos y modos semióticos. Por otra parte, a partir <strong>de</strong>l ejercicio exploratorio<br />

propuesto <strong>de</strong>l vi<strong>de</strong>o "La Rutina" se utiliza el programa <strong>de</strong> anotación sobre audio y vi<strong>de</strong>o ELAN<br />

3.6.0. Este recurso se utiliza, en este caso, para el análisis <strong>de</strong>l discurso multimodal, dado que<br />

permite sistematizar los modos semióticos implicados, y las categorías analíticas que conducen a<br />

un análisis sistemático <strong>de</strong> los elementos que se amalgaman en la construcción <strong>de</strong> significado.<br />

97


ELAN fue creado por el Instituto Max Planck para Psicolingística y su función principal es<br />

permitir al investigador la introducción <strong>de</strong> datos en forma <strong>de</strong> texto plano, vinculados con el<br />

<strong>de</strong>sarrollo temporal <strong>de</strong>l texto audiovisual. En este caso, se opta por la utilización <strong>de</strong> este programa,<br />

teniendo en cuenta que, aunque existen otras herramientas integra<strong>das</strong> <strong>de</strong> sistematización y análisis,<br />

como ATLAS.ti sus interfaces no están <strong>de</strong>l todo adapta<strong>das</strong> para el trabajo con audiovisuales.<br />

Por su parte, ELAN permite anotar y sistematizar los datos a partir <strong>de</strong> categorías <strong>de</strong> análisis<br />

<strong>de</strong>fini<strong>das</strong> por el investigador, es posible también sincronizar hasta cuatro vi<strong>de</strong>os simultáneamente,<br />

variar la velocidad <strong>de</strong> reproducción entre 0 y el doble <strong>de</strong> la velocidad original, avanzar y retroce<strong>de</strong>r<br />

cuadro por cuadro, segundo por segundo o en fracciones selecciona<strong>das</strong> por el usuario, y a<strong>de</strong>más la<br />

visualización <strong>de</strong> onda en los archivos <strong>de</strong> audio para i<strong>de</strong>ntificar sonidos y silencios en la línea <strong>de</strong><br />

tiempo.<br />

Aunque fue pensado principalmente para anotación lingüística, su técnica simple <strong>de</strong> interlineado<br />

heredada <strong>de</strong> Toolbox, permite anotar cualquier tópico, relación o categoría que interese al<br />

investigador, en este caso para reconocer y sistematizar los aspectos analíticos relacionados con el<br />

modo visual, sonoro y verbal, y sus recursos semióticos.<br />

En ELAN una anotación pue<strong>de</strong> ser una frase, palabra o glosa, un comentario, una<br />

traducción o <strong>de</strong>scripción <strong>de</strong> cualquier característica observada en los materiales audiovisuales. Las<br />

anotaciones se organizan en líneas, cada una <strong>de</strong> las cuales tiene un nombre, un vínculo con la línea<br />

<strong>de</strong> tiempo, un vocabulario relacionado y una relación con otras líneas.<br />

La ventaja <strong>de</strong> ELAN y Toolbox resi<strong>de</strong> en que permiten a los usuarios asignar libremente los<br />

nombres y las relaciones entre las líneas, garantizando que cada investigador adapte el programa a<br />

sus categorías <strong>de</strong> análisis. La interfaz está adaptada para que el analista vea al tiempo tantas líneas<br />

como <strong>de</strong>see, <strong>de</strong> manera que es muy fácil i<strong>de</strong>ntificar la simultaneidad <strong>de</strong> los fenómenos anotados,<br />

aún cuando cada uno <strong>de</strong> ellos haya sido <strong>de</strong>scrito por investigadores diferentes. Cada anotación está<br />

relacionada con la línea <strong>de</strong> tiempo <strong>de</strong>l medio analizado o pue<strong>de</strong> referirse a otras anotaciones<br />

previamente elabora<strong>das</strong>. A partir <strong>de</strong> las anotaciones se formulan distintos puntos <strong>de</strong> vista en<br />

relación con el corpus que se analiza, <strong>de</strong> manera que el proceso <strong>de</strong>scriptivo sirve al trabajo<br />

analítico-interpretativo. Si se tiene en cuenta que a<strong>de</strong>más ELAN pue<strong>de</strong> exportar sus datos a<br />

formatos compatibles con otros programas (Toolbox, Excel), o incluso bases <strong>de</strong> datos (Access,<br />

Mysql), se pue<strong>de</strong> consi<strong>de</strong>rar que gran parte <strong>de</strong>l análisis estadístico necesario está garantizado.<br />

En esta perspectiva se aspira a construir el equilibro que requiere un procedimiento<br />

analítico instalado en una perspectiva multidisciplinar, una mirada <strong>de</strong>l hecho audiovisual con sus<br />

implicaciones semióticas y una estrategia metodológica que recupere los aspectos fundamentales<br />

<strong>de</strong> un objeto que es esencialmente cultural y simbólico.<br />

98


Los esquemas metodológicos que se presentan correspon<strong>de</strong>n a cada uno <strong>de</strong> los modos<br />

semióticos que se quieren explorar –en la perspectiva teórica <strong>de</strong> Kress y van Leuween (2001). El<br />

<strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> estas categorías implica un proceso <strong>de</strong>scriptivo exhaustivo, <strong>de</strong> cada uno <strong>de</strong> los niveles<br />

y subniveles sobre los que se hace la anotación en ELAN. Este paso metodológico se impone al<br />

investigador como etapa previa a la utilización <strong>de</strong> la herramienta tecnológica ya que es en rigor,<br />

una síntesis conceptual, la guía misma <strong>de</strong>l proceso analítico.<br />

Cuadro 1<br />

Pieza<br />

Unidad <strong>de</strong><br />

análisis<br />

Cuadro 2<br />

Unidad <strong>de</strong><br />

análisis<br />

Recursos<br />

semióticos<br />

Musicales<br />

Ruido<br />

Gestalt<br />

Recursos<br />

semióticos<br />

Escena Cinematográficos<br />

MODO SONORO<br />

Subcategorías teóricas Recursos y estrategias<br />

sonoras<br />

Armonía<br />

Acompañamiento / Melodía<br />

Rítmica<br />

Género<br />

Instrumentación<br />

Sonido real<br />

Sonido subjetivo<br />

Ruidos sin asociación<br />

Forma<br />

Fondo<br />

Estrategia perceptual<br />

MODO VISUAL<br />

Orquestación<br />

Subcategorías teóricas Recursos y Estrategias<br />

Visuales<br />

Toma/plano División temporal /<br />

Descripción global<br />

Encuadre Plano panorámico, Plano<br />

general, Plano <strong>de</strong> conjunto,<br />

Plano entero, Plano<br />

americano, Plano medio,<br />

Primer plano, Primerísimo<br />

primer plano, Plano <strong>de</strong>talle<br />

Ángulo Picado, Contrapicado, Nodal,<br />

Cenital, Aberrante, Normal,<br />

Usos <strong>de</strong>l color/ Estilos <strong>de</strong><br />

iluminación /Gamas<br />

cromáticas<br />

Imposible<br />

Pictórico, histórico, simbólico,<br />

psicológico<br />

Manchas, Zonas, Masas<br />

Color perceptualmente<br />

dominante<br />

Transición Corte, Fundido, Enca<strong>de</strong>nado,<br />

Cortina, Barrido<br />

99


Cuadro 3<br />

Unidad<br />

análisis<br />

DISCURSO<br />

Composición Según posición <strong>de</strong>l personaje<br />

o elemento dominante <strong>de</strong> la<br />

toma. Primer tercio, segundo<br />

tercio, tercer tercio, Dos<br />

primeros, Dos últimos, todos<br />

Panorámico Horizontal, horizontal <strong>de</strong><br />

seguimiento, horizontal <strong>de</strong><br />

Movimiento<br />

<strong>de</strong> cámara<br />

reconocimiento, horizontal<br />

interrumpido, horizontal en<br />

barrido, vertical, balanceo.<br />

Traveling Avance, retroceso<br />

Zoom In, Out<br />

Ojos<br />

Cara<br />

Gestos<br />

Kinésicos Manos<br />

Cuerpo<br />

Acción / Estado<br />

Relación con el escenario Relaciones objeto/ ser /<br />

Proxémicos Relación con otros actores<br />

Relación con objetos<br />

Forma<br />

espacio<br />

Gestálticos Fondo<br />

Estrategia perceptual<br />

Retóricos Recursos retóricos Metáfora, símil, metonimia,<br />

hipérboles, eufemismos, otros<br />

Narrativos Estructura Narrativa Estructura narrativa<br />

Recursos<br />

semióticos<br />

MODO VERBAL<br />

Subcategorías teóricas Recursos y<br />

estrategias<br />

lingüísticas<br />

Nivel <strong>de</strong> uso Nivel <strong>de</strong> uso<br />

Lista <strong>de</strong> palabras/Frecuencias<br />

Oral, Escrito<br />

Palabras clave / Asociaciones / Análisis estadístico,<br />

Clases<br />

basado en comparación<br />

con base <strong>de</strong> palabras,<br />

(frecuencia,<br />

Léxico<br />

distribuciones,<br />

relaciones<br />

sintagmáticas y<br />

paradigmáticas.<br />

Asociaciones<br />

semántica y clases <strong>de</strong><br />

palabras)<br />

Categorías Categoría gramatical (Nombre, Verbo,<br />

gramaticales<br />

Adverbio, Adjetivo)<br />

Semántica Relaciones Sinonimia-antonimia<br />

semánticas meronimia-holonimia<br />

100


Cuadro 4<br />

hiperonimiaheponimia<br />

Re<strong>de</strong>s semánticas<br />

Tematización Tema/Tópico<br />

Topicalización<br />

Voces discursivas Tipo <strong>de</strong> hablante,<br />

(Estrategias <strong>de</strong><br />

citación)<br />

Atribución ser / estar / parecer<br />

Coherencia Tema/Tópico/Voces :<br />

relaciones<br />

Consistencia Segmentación/<br />

Ambivalencia /<br />

Retórica Recursos retóricos<br />

Función<br />

sociocomunicativa<br />

Poética<br />

Pragmática<br />

Relación<br />

productorconsumidor<br />

Integración<br />

Metáfora, símil,<br />

metonimia, hipérboles,<br />

eufemismos, otros<br />

Función Representativa,<br />

Interactiva, Expresiva<br />

Rima Asonante, consonante<br />

Ritmo Grave, Agudo,<br />

Esdrújulo<br />

Métrica bisílabos, trisílabos,<br />

tetrasílabos,<br />

pentasílabo,<br />

hexasílabos,<br />

heptasílabos,<br />

octosílabos,<br />

eneasílabos,<br />

<strong>de</strong>casílabos,<br />

en<strong>de</strong>casílabos,<br />

do<strong>de</strong>casílabos,<br />

tri<strong>de</strong>casílabos,<br />

alejandrinos<br />

Relación pragmática Práctica comunicativa<br />

Funciones<br />

MEDIO WEB 2.0<br />

Género<br />

Ubicación espacial<br />

Interactividad<br />

Visto<br />

Comentado<br />

Contestado<br />

Vinculado<br />

Valoración<br />

101


Tag<br />

Categoría<br />

Función<br />

Comentarios<br />

Palabras Clave<br />

Ámbitos culturales<br />

Social/ Mercantil /<br />

Educativa<br />

I<strong>de</strong>ntidad /<br />

pertenencia /<br />

activida<strong>de</strong>s / objetivos<br />

/ valores / relaciones<br />

con otros grupos /<br />

recursos<br />

Relaciones Ví<strong>de</strong>os relacionados<br />

Comentarios Aplicar criterios <strong>de</strong>l modo verbal<br />

Arte Política Noticias Educación<br />

Comedia Música Cine Animación<br />

Viajes Eventos…<br />

Finalmente, una propuesta metodológica como ésta, en etapa <strong>de</strong> <strong>de</strong>sarrollo, constituye<br />

apenas un bosquejo en el que se preten<strong>de</strong> sintetizar los resultados <strong>de</strong> la exploración teórica con la<br />

a<strong>de</strong>cuación <strong>de</strong>l recurso tecnológico, aplicado provisionalmente a un discurso multimodal concreto,<br />

en este caso, <strong>de</strong>l vi<strong>de</strong>o “La Rutina”. Se preten<strong>de</strong> <strong>de</strong>scribir y agrupar las dimensiones propias <strong>de</strong> los<br />

procesos <strong>de</strong> producción, diseño y distribución con sus dimensiones funcionales, con el propósito <strong>de</strong><br />

i<strong>de</strong>ntificar las complejas relaciones que se establecen en la producción y comprensión <strong>de</strong><br />

significado.<br />

En otra perspectiva, es necesario señalar que en este trabajo se proponen solo algunas <strong>de</strong> las<br />

opciones que pue<strong>de</strong>n llegar a constituir un sistema más riguroso en la construcción <strong>de</strong> una matriz<br />

que <strong>de</strong> cuenta exhaustiva y sistemáticamente <strong>de</strong>l discurso multimodal en to<strong>das</strong> y cada una <strong>de</strong> sus<br />

dimensiones.<br />

Aunque es clara, en el nivel teórico, la importancia <strong>de</strong> dar cuenta <strong>de</strong>l contexto en sus<br />

distintos niveles y expresiones, las matrices propuestas no lo ubican completamente para su<br />

<strong>de</strong>scripción. Sin embargo, sabemos que una propuesta metodológica que aspire a la comprensión<br />

<strong>de</strong>l significado discursivo, no pue<strong>de</strong> eludir el tipo <strong>de</strong> saberes y representaciones que se implican en<br />

el contexto, tanto el nivel microdiscursivo, como en el or<strong>de</strong>n <strong>de</strong> lo macrodiscursivo.<br />

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Latina. São Paulo: Paulus, 2008.<br />

Piscitelli , A. En su curso online sobre periodismo digital para la Universidad <strong>de</strong> Tucumán. 2003.<br />

103


A METODOLOGIA COMO PROBLEMA PARA A PESQUISA DE<br />

MÍDIA E RELIGIÃO<br />

1. Introdução<br />

Pedro Gilberto Gomes<br />

Em qualquer estudo que se empreenda, o tema da metodologia é fundamental. No caso dos<br />

estudos sobre mídia e religião, o estabelecimento <strong>de</strong> pressupostos metodológicos torna-se<br />

fundamental. Devido à complexida<strong>de</strong> do problema que tais estudos encerram, a clareza<br />

metodológica é condição primordial para a sua interpretação. Não se po<strong>de</strong> limitar-se apenas à<br />

<strong>de</strong>scrição do fenômeno ou a constatação empírica do mesmo. O registro <strong>de</strong> sensações e opiniões<br />

esparsas bloqueia o acesso ao objeto, impedindo a sua compreensão para além <strong>das</strong> aparências.<br />

A relação mídia e religião não é nova na história, remontando ao surgimento do rádio nos<br />

inícios do século XX e da televisão em meados do mesmo século. À medida que os estudos<br />

comunicacionais foram se <strong>de</strong>senvolvendo e adquirindo status <strong>de</strong> cientificida<strong>de</strong>, a questão<br />

metodológica impôs-se na sua radicalida<strong>de</strong>.<br />

A busca <strong>de</strong> um método a<strong>de</strong>quado para abordar esse objeto complexo, fluido e arredio, tem<br />

<strong>de</strong>safiado o trabalho <strong>de</strong>senvolvido pelos pesquisadores <strong>de</strong> mídia e religião, cujos métodos são<br />

<strong>de</strong>vedores daqueles utilizados pelas Ciências da Comunicação em geral para estudar seus objetos<br />

específicos. Entretanto, no caso específico da relação da mídia com a religião, o trabalho vai da<br />

metodologia quantitativa à qualitativa. Contudo, quanto o trabalho avança, mais se sedimenta a<br />

consciência <strong>de</strong> que não existe uma abordagem única. O compartilhamento e a fusão <strong>de</strong><br />

metodologias estão se tornando comuns na área.<br />

A problemática da midiatização da socieda<strong>de</strong>, além do compartilhamento <strong>de</strong> metodologias e<br />

conceitos entre as diversas ciências, exige uma aproximação diferente. A situação atual não mais<br />

permite uma contemplação externa, com conceitos adre<strong>de</strong> formulados. Ao contrário, o pesquisador<br />

que objetiva interpretar o momento presente <strong>de</strong>ve <strong>de</strong>ixar-se tocar e <strong>de</strong>safiar na explicitação <strong>de</strong><br />

metodologia que emirjam do próprio objeto. Essa exigência assume uma premência quando se trata<br />

da midiatização do discurso religioso. A análise a partir <strong>de</strong> campos e dos dispositivos tecnológicos<br />

fica aquém do <strong>de</strong>sejado e cria problemas (quando não torna impossível) para um correto<br />

dimensionamento dos <strong>de</strong>safios colocado <strong>às</strong> Igrejas pela ambiência midiatizada gerada.<br />

O dilema hoje vivido, <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong> uma visão sistêmica e complexa, é superar as abordagens<br />

setoriza<strong>das</strong>, fragmenta<strong>das</strong> e parcializa<strong>das</strong> para compreen<strong>de</strong>r a realida<strong>de</strong>. Nessa dimensão, a soma<br />

104


<strong>das</strong> diversas partes não fornece o conhecimento do todo. A totalida<strong>de</strong> social não é alcançada pela<br />

soma da visão <strong>das</strong> diversas áreas isola<strong>das</strong>.<br />

Desse modo, o processo <strong>de</strong> midiatização da socieda<strong>de</strong> <strong>de</strong>safia aos pesquisadores <strong>das</strong><br />

diversas ciências para a estruturação <strong>de</strong> um esquema interpretativo, fruto do trabalho em conjunto.<br />

Claro que, no momento, encontramos o <strong>de</strong>safio, não as respostas. O que preten<strong>de</strong>mos com a<br />

pesquisa que estamos <strong>de</strong>senvolvendo é encontrar elementos novos que aju<strong>de</strong>m nesse projeto-<br />

construção da metodologia a<strong>de</strong>quada.<br />

2. O percurso seguido<br />

Esse percurso foi observado por este pesquisador nos seus estudos. Começou com uma<br />

abordagem quantitativa. Vale recordar que, naquele momento, a pesquisa em comunicação estava<br />

ainda tateando em busca <strong>de</strong> uma metodologia a<strong>de</strong>quada. Devedora <strong>das</strong> outras ciências, ela assumia<br />

os postulados <strong>das</strong> ciências sociais que, para a compreensão da realida<strong>de</strong>, baseava-se em dados<br />

quantitativos. Aqui se <strong>de</strong>ve registrar que se tinha uma influência muito gran<strong>de</strong> <strong>das</strong> ciências exatas.<br />

Exigia-se um universo gran<strong>de</strong> <strong>de</strong> pesquisa que permitisse a generalização para o todo. Era a busca<br />

pela representativida<strong>de</strong> na pesquisa,<br />

Em seguida, o aspecto qualitativo foi observado. Fiel à sua dívida com as ciências sociais, a<br />

pesquisa em comunicação assumiu a dimensão dos estudos qualitativos. Vale recordar que, naquele<br />

momento, aos poucos as ciências sociais <strong>de</strong>scobriam e valorizavam os estudos qualitativos, dada a<br />

peculiarida<strong>de</strong> do objeto pesquisado.<br />

Outra dimensão, também comum aos estudos comunicacionais, diz respeito à abordagem<br />

via a técnica do estudo <strong>de</strong> casos. As primeiras pesquisas privilegiaram o estudo <strong>de</strong> casos.<br />

Posteriormente, pela própria natureza da proposta <strong>de</strong> pesquisa, foi contemplada a pesquisa<br />

bibliográfica, revisitando-se o que os atuais pesquisadores registraram sobre o fenômeno em tela.<br />

Nesse particular, a questão dos processos midiáticos e construção <strong>de</strong> novas religiosida<strong>de</strong>s exigiu<br />

três movimentos. De um lado, a análise do discurso realizado pelos diversos pregadores e distintos<br />

programas 49 ; <strong>de</strong> outro, o recenseamento dos diversos atores sociais, representados pelas figuras<br />

mais proeminentes <strong>das</strong> Igrejas que se tornavam estrelas da mídia 50 . Entretanto, tanto os programas<br />

quanto os seus agentes não começaram no presente. Ao contrário, existe uma história e um<br />

processo do qual os tele-evangelistas mo<strong>de</strong>rnos são <strong>de</strong>vedores. Por isso a exigência <strong>de</strong> um terceiro<br />

49<br />

Este foi o percurso pelo Prof. Dr. Antonio Fausto Neto, que estudou as dimensões discursivas atuais <strong>das</strong> Igrejas na<br />

mídia.<br />

50<br />

Trabalho realizado pelo Dr. Attilio Ignácio Hartmann, que levantou os principais atores <strong>das</strong> Igrejas na mídia.<br />

105


movimento, representado pela análise <strong>das</strong> dimensões históricas disso que se conhece hoje como<br />

Igreja Eletrônica.<br />

A visita à história trouxe a questão da comunicação como problemática para as Igrejas. A<br />

metodologia empregada perseguia o levantamento dos motivos explicitados por cada Confissão<br />

Religiosa para a sua atuação na mídia. O objetivo, mais que um estudo <strong>de</strong> caso, era ver como elas<br />

tematizavam o seu agir. O método, reflexivo, punha em questão a visita aos diversos textos<br />

teóricos produzido pelas distintas Igrejas.<br />

Agora, quando a pesquisa em comunicação alarga os seus horizontes para contemplar o<br />

processo <strong>de</strong> midiatização para além dos limites restritos dos dispositivos tecnológicos, ela encontra<br />

a necessida<strong>de</strong> <strong>de</strong> dialogar, com mais profundida<strong>de</strong>, com as diversas ciências. As perguntas que<br />

brotam nesse momento indagam sobre os fundamentos históricos e filosóficos para o fenômeno<br />

que recoloca a discussão sobre uma visão <strong>de</strong> totalida<strong>de</strong> para o mundo.<br />

Conseqüentemente, realizo um percurso que envolve duas abordagens: <strong>de</strong> um lado, uma<br />

volta à história; <strong>de</strong> outro, uma releitura dos clássicos da filosofia. A primeira se justifica porque a<br />

incursão pelos meandros da história fornece as pistas para a compreensão do presente. Santo<br />

Agostinha dizia que o passado é a memória presente, enquanto que o futuro é a expectativa<br />

presente. Portanto, o presente <strong>de</strong>ve ser compreendido. Para <strong>de</strong>cifrá-lo necessitamos chaves <strong>de</strong><br />

leituras que, na maioria <strong>das</strong> vezes, localizam-se na história. Luhmann, ao falar da feitura do<br />

romance, diz o seu<br />

planejamento exige uma reflexão sobre o tempo no tempo. A<br />

perspectiva é orientada ao futuro e por isso carregada <strong>de</strong> tensão. Ao<br />

mesmo tempo, contudo, é preciso que se cui<strong>de</strong> <strong>de</strong> provê-la <strong>de</strong><br />

passando a<strong>de</strong>quado (... 51 ).<br />

Para enten<strong>de</strong>r a trama que se esboça, é necessária que a pessoa retorne (ou possa retornar) a<br />

algo passado que a permita fechar o círculo 52 . Citando Jeabn-Paul, conclui: os nós se <strong>de</strong>sfazem<br />

apenas pelo passado, não pelo futuro. (...) A unida<strong>de</strong> <strong>de</strong> uma obra é a unida<strong>de</strong> da diferença entre<br />

futuro e passa nela inserida 53 .<br />

Estamos convencidos que os nós da história presente serão <strong>de</strong>satados pela re-leitura criativa<br />

dos acontecimentos que lhe antece<strong>de</strong>ram no tempo. É o que Luhmann chama acima <strong>de</strong> reflexão<br />

sobre o tempo no tempo.<br />

A segunda encontra a sua pertinência no fato <strong>de</strong> que a ciência da comunicação, sendo<br />

extremamente recente, necessita tomar emprestados <strong>de</strong> outras, mais sedimenta<strong>das</strong>, conceitos que<br />

51 LUHMANN, Niklas. A realida<strong>de</strong> dos meios <strong>de</strong> comunicação. São Paulo: Paulus, 2005, p.100.<br />

52 I<strong>de</strong>m, ibi<strong>de</strong>m,<br />

53 I<strong>de</strong>m, p. 100-101.<br />

106


não foram gerados no seu interior. Para se evitar o perigo da <strong>de</strong>fasagem epistemológica 54 , que<br />

comprometeria todo o trabalho, é necessário conhecer-se profundamente o contexto no qual tais<br />

conceitos foram estruturados e criados.<br />

No caso da pesquisa ora em <strong>de</strong>senvolvimento, a revisitação dos clássicos da antiguida<strong>de</strong><br />

filosófica impõe-se como exigência metodológica fundamental. Daí a importância <strong>de</strong> se voltar aos<br />

filósofos gregos, antigos e medievais, para recuperar a visão <strong>de</strong> unida<strong>de</strong> e <strong>de</strong> totalida<strong>de</strong> para o<br />

mundo. Se <strong>de</strong>sejamos compreen<strong>de</strong>r o fenômeno da midiatização como um projeto <strong>de</strong> totalida<strong>de</strong> e<br />

unida<strong>de</strong> social, é importante conversar com os filósofos que anteriormente pensaram esses<br />

conceitos. Evi<strong>de</strong>ntemente, seus conceitos não são auto-aplicáveis aos problemas contemporâneos.<br />

Mas, conhecendo a sua gênese e origem, po<strong>de</strong>-se estabelecê-los para encontrar pistas que aju<strong>de</strong>m a<br />

interpretar a realida<strong>de</strong> atual. A a<strong>de</strong>quada gramática para o <strong>de</strong>svelamento da realida<strong>de</strong> da<br />

midiatização passa, imperiosamente pela revisitação dos clássicos.<br />

Os estudos sobre mídia e religião, até agora, não fizeram tal percurso. Mesmo quando as<br />

Igrejas procuram compreen<strong>de</strong>r o problema da mídia, esse <strong>de</strong>slocamento não acontece. Ou se parte<br />

<strong>de</strong> uma visão teológica ou moral, com julgamentos exteriores ao fenômeno, ou se apropria a-<br />

criticamente do que as ciências sociais produzem sobre o mesmo. Falta-lhe uma postura autônoma<br />

e própria sobre essa realida<strong>de</strong>, superando os juízos morais e religiosos. Noutras palavras, falta-lhe<br />

perceber a realida<strong>de</strong> da midiatização <strong>de</strong>s<strong>de</strong> <strong>de</strong>ntro, como um ambiente que tudo engloba, inclusive<br />

a religião.<br />

Por certo, tal afirmação exclui as pesquisas realiza<strong>das</strong> fora do âmbito dos processos<br />

midiáticos. Isto é, as abordagens sociológicas, políticas, filosóficas da comunicação. Entretanto,<br />

tais estudos e pesquisas restringiram-se à contemplação do problema a partir da consi<strong>de</strong>ração e<br />

análise dos meios apenas como dispositivos tecnológicos, <strong>de</strong> um lado, e como instrumentos da<br />

i<strong>de</strong>ologia dominante, <strong>de</strong> outro.<br />

Aqueles pesquisadores que se <strong>de</strong>bruçaram sobre a mídia e religião <strong>de</strong>s<strong>de</strong> a perspectiva dos<br />

dispositivos tecnológicos privilegiaram a metodologia quantitativa, predominantemente.<br />

Atualmente, nos estudos <strong>de</strong> caso, emerge a abordagem qualitativa e os estudos da recepção.<br />

Essas são abordagens interessantes ao problema, mas permitem conhecer e interpretar o<br />

objeto apenas parcialmente. Não se utiliza hermeneuticamente uma aproximação sistêmica ao<br />

problema em questão.<br />

54 Expressão que significa utilizar, sem a <strong>de</strong>vida fundamentação nem o acurado cuidado, conceitos gerados noutro<br />

contexto, <strong>de</strong>sconhecendo as reais conseqüências para a compreensão da comunicação. Muitas vezes, toca-se <strong>de</strong> ouvido<br />

e se comete verda<strong>de</strong>iras barbarida<strong>de</strong>s epistemológicas.<br />

107


3. Achados e perdidos<br />

Quando iniciamos a pesquisa sobre as dimensões históricas dos processos midiáticos com a<br />

construção <strong>de</strong> novas religiosida<strong>de</strong>s, objetivávamos garimpar os primórdios do uso que as religiões<br />

cristãs faziam da mídia. Nossa abordagem foi através <strong>de</strong> uma revisão bibliográfica, procurando<br />

i<strong>de</strong>ntificar como se <strong>de</strong>senvolveu essa relação. Mais ainda, procurávamos no passado (dimensão<br />

histórica) elementos que permitissem compreen<strong>de</strong>r o fenômeno no momento presente. Sabedores<br />

<strong>de</strong> que o uso da mídia pelas religiões não é invenção da atualida<strong>de</strong>, <strong>de</strong>sejávamos vislumbrar as<br />

pincela<strong>das</strong> do processo religioso midiático hodierno. Entretanto, a primeira constatação que<br />

fizemos foi que não bastava indagar sobre o uso que as religiões faziam da mídia. Tampouco se<br />

podia limitar a estudar a ascensão e queda da chamada “Igreja Eletrônica”. Ao contrário. Era<br />

necessário perguntar sobre que religião estava emergindo da mídia. Isso mudava substancialmente<br />

o processo. O método exigiu um <strong>de</strong>bruçar-se sobre as <strong>de</strong>scrições que vários pastores e historiadores<br />

faziam do problema para dali extrair o modo <strong>de</strong> fazer religião, para além da vonta<strong>de</strong> dos tele-<br />

evangelistas, que tais práticas dinamizavam. Portanto, o método foi mais garimpador, <strong>de</strong>cantador<br />

<strong>de</strong> práticas e discursos.<br />

Ao realizar esse processo, alguns pontos essenciais foram perdidos no caminho. Perdido no<br />

sentido <strong>de</strong> que não foram contemplados ou não receberam uma resposta a<strong>de</strong>quada para si. O<br />

principal ponto perdido dizia respeito à comunicação como problemática para o campo religioso.<br />

Isto é, como ele se relaciona teoricamente com a comunicação. Isto é, como o campo religioso lida<br />

com a questão da comunicação enquanto uma dimensão estratégica para o funcionamento <strong>de</strong> sua<br />

prática. A comunicação, hoje, amplia-se para a consi<strong>de</strong>ração dos processos midiáticos e criadores<br />

<strong>de</strong> uma nova ambiência, entendida como midiatização da socieda<strong>de</strong>.<br />

Esta questão tentou ser respondida, por um lado, pela realização do mapeamento <strong>das</strong><br />

matrizes teóricas que subjazem na produção do campo religioso quando pensa a questão<br />

comunicacional como um elemento <strong>de</strong> suas práticas; por outro, pela análise <strong>de</strong> documentos ditos<br />

canônicos, clássicos, on<strong>de</strong> as Igrejas Cristãs refletem sobre a comunicação e sua importância para<br />

suas missões, no sentido <strong>de</strong> recuperar as questões teóricas <strong>de</strong> fundo que cimentaram ou nortearam<br />

os fundamentos <strong>de</strong>stas reflexões. Além disso, visitamos algumas teses acadêmicas e outros<br />

documentos similares produzidos pelo campo religioso e seus intelectuais. Tal visita possibilitou o<br />

conhecimento <strong>das</strong> bases e matrizes que fundamentam tal questão.<br />

O objetivo principal do projeto, nessa perspectiva, foi ver quais são as percepções<br />

subjacentes, enquanto mo<strong>de</strong>los, escolas teóricas e conceitos estratégicos. Ou seja, como evoluiu o<br />

conceito <strong>de</strong> comunicação (teórico e prático) para os setores que <strong>de</strong>finem as políticas <strong>de</strong><br />

comunicação <strong>das</strong> Igrejas?<br />

108


Noutras palavras, no agir cotidiano <strong>das</strong> Igrejas, como se dá o <strong>de</strong>bate entre as correntes que<br />

<strong>de</strong>fen<strong>de</strong>m uma Igreja Midiatizada, via protocolos do espetáculo, daquelas outras fiéis <strong>às</strong> dimensões<br />

dos conteúdos e dos próprios rituais <strong>de</strong> comunicação interna, portanto, sem as contaminações com<br />

as lógicas <strong>midiática</strong>s?<br />

Associado ao que foi dito acima, o objeto <strong>de</strong> análise foi constituído pelos documentos<br />

funcionais, históricos, <strong>das</strong> Igrejas Cristãs. Exemplo <strong>de</strong>sses são as encíclicas e os documentos que<br />

recolhem os resultados dos diversos encontros mundiais, continentais e nacionais <strong>das</strong> diversas<br />

confissões religiosas.<br />

O que estava em jogo, fundamentalmente, era a relação estabelecida pelas Igrejas Cristãs<br />

com a comunicação. Quando nos propúnhamos a estudar a comunicação como problemática para o<br />

campo religioso, estávamos levantando a hipótese <strong>de</strong> que ela não é vista como problemática, mas<br />

como uma solução. O importante não são os meios mais a transmissão da mensagem.<br />

Outra vez, aqui, impunha-se a reflexão teórica, bibliográfica, porque o importante era<br />

<strong>de</strong>tectar nos textos produzidos os fundamentos teóricos e metodológicos da opção <strong>das</strong> Igrejas pela<br />

utilização da mídia. Mais uma vez, encontramos achados e perdidos no caminho. Os achados<br />

diziam respeito ao modo como as Igrejas encaravam a mídia. Para to<strong>das</strong> as confissões estuda<strong>das</strong>, os<br />

meios <strong>de</strong> comunicação eram vistos como meros dispositivos tecnológicos. Para chegar a esses<br />

achados, estudamos a evolução do conceito <strong>de</strong> comunicação segundo a perspectiva <strong>das</strong> construções<br />

do campo religioso. Vimos que o que está em jogo, fundamentalmente, é a relação estabelecida<br />

pelas Igrejas Cristãs com a comunicação. Os fatos levantados conformaram a hipótese <strong>de</strong> que a<br />

comunicação não é vista como problemática, mas como uma solução. Aqui está em jogo um <strong>de</strong>bate<br />

teórico mais <strong>de</strong> fundo que se expressa na midiatização da técnica versus a processualida<strong>de</strong> da<br />

técnica, via protocolo <strong>das</strong> mediações. Este <strong>de</strong>bate perva<strong>de</strong> a realida<strong>de</strong> contemporânea. De um lado<br />

estão aqueles que propugnam a utilização da técnica como instrumento capaz <strong>de</strong> transformar a<br />

socieda<strong>de</strong>; <strong>de</strong> outro estão os que, <strong>de</strong>fen<strong>de</strong>ndo a processualida<strong>de</strong>, acentuam as mediações<br />

individuais, situacionais, familiares e sociais. Na discussão proposta por Jesús Martin Barbero, é<br />

necessário passar dos meios <strong>às</strong> mediações. Ou então, é necessário per<strong>de</strong>r o objeto para ganhar o<br />

processo 55 .<br />

Com essa constatação, entramos nos perdidos do processo. Ao consi<strong>de</strong>rar apenas os<br />

dispositivos tecnológicos, as Igrejas perdiam a dimensão do conjunto e <strong>de</strong>ixavam <strong>de</strong> perceber o<br />

fenômeno mais amplo da midiatização da socieda<strong>de</strong>. Permaneciam (e permanecem) na antiga<br />

ambiência e lhes escapava a interpretação do novo que estava surgindo.<br />

55 MARTIN BARBERO, Jesús. “De la comunicación a la cultura. Per<strong>de</strong>r el objeto para ganar el proceso”. Signo y<br />

Pensamiento, no.5, vol. 3, ano 3, segdo. Semestre <strong>de</strong> 1984. Bogotá: Universidad Javeriana, 1984.<br />

109


Ao entrar no mundo da mídia, as Igrejas não levam em conta que o processo mudou. Os<br />

dispositivos tecnológicos são apenas uma mínima parcela, a ponta do iceberg, <strong>de</strong> um novo mundo,<br />

configurado pelo processo <strong>de</strong> midiatização da socieda<strong>de</strong>. Estamos vivendo hoje uma mudança<br />

epocal, com a criação <strong>de</strong> um bios midiático que inci<strong>de</strong> profundamente no tecido social. Surge uma<br />

nova ecologia comunicacional 56 . É um bios virtual. Entendo que mais do que uma tecno-interação,<br />

está surgindo um novo modo <strong>de</strong> ser no mundo, representado pela midiatização da socieda<strong>de</strong>. Isso<br />

faz com que figuras televisivas, na maioria <strong>das</strong> vezes, tornem-se personagens <strong>de</strong> si mesma,<br />

enquanto que a socieda<strong>de</strong> exercita uma participação vicária. Esse modo <strong>de</strong> ser no mundo assume o<br />

<strong>de</strong>slocamento <strong>das</strong> pessoas do palco (on<strong>de</strong> são sujeitos e atores) à platéia (on<strong>de</strong> sua atitu<strong>de</strong> é<br />

passiva).<br />

Assumindo-se a midiatização como um novo modo <strong>de</strong> ser no mundo, supera-se, no meu<br />

entendimento, a mediação como categoria para se pensar a televisão hoje. Estamos numa nova<br />

ambiência que, se bem tenha fundamento no processo <strong>de</strong>senvolvido até aqui, significa um salto<br />

qualitativo, uma viragem fundamental no modo <strong>de</strong> ser e atuar.<br />

Esse aspecto supera o conceito <strong>de</strong> mediação, mesmo sendo esse mais do que um terceiro<br />

elemento que faz a ligação entre a realida<strong>de</strong> e o indivíduo, via mídia. Ele é a forma como o<br />

receptor se relaciona com a mídia e o modo como ele justifica e tematiza essa mesma relação. Por<br />

isso, estrutura-se como um processo social mais complexo que traz no seu bojo os mecanismos <strong>de</strong><br />

produção <strong>de</strong> sentido social.<br />

O trabalho até aqui realizado <strong>de</strong>spertou para um aspecto <strong>de</strong>scurado na reflexão, tanto <strong>das</strong><br />

Igrejas quanto, em certa medida, <strong>das</strong> ciências sociais: a consi<strong>de</strong>ração da midiatização como um<br />

processo sistêmico, mais abrangente e que está possibilitando uma visão <strong>de</strong> totalida<strong>de</strong> da<br />

socieda<strong>de</strong>.<br />

Como afirmamos, o projeto unificador coloca em tela conceitos que possuem a sua gênese<br />

nos primórdios da história do pensamento humano. Des<strong>de</strong> Platão até os dias atuais, a consi<strong>de</strong>ração<br />

do Uno e da Unida<strong>de</strong> esteve presente na reflexão filosófica e fornecia elementos para a<br />

inteligibilida<strong>de</strong> social. De maneira análoga, rever a midiatização como projeto unificador é dar-lhe<br />

um status <strong>de</strong> inteligibilida<strong>de</strong>, <strong>de</strong> hermenêutica social que engloba privilegiar a complexida<strong>de</strong> no<br />

processo.<br />

56 As idéias que seguem e embasam a reflexão foram <strong>de</strong>senvolvi<strong>das</strong> em: GOMES, Pedro Gilberto. A filosofia e a ética<br />

da comunicação no processo <strong>de</strong> midiatização da socieda<strong>de</strong>. São Leopoldo: Ed. <strong>Unisinos</strong>, 2006. Ver, principalmente, o<br />

capítulo 6.<br />

110


Questionar a história e a filosofia, em busca <strong>de</strong> ajuda, recuperando conceitos caros para a<br />

reflexão humana, é o <strong>de</strong>safio que nos impele para fora do campo midiático, sem per<strong>de</strong>r a dimensão<br />

da midiatização.<br />

4. Conclusão<br />

Ora, essa problemática remete-nos para um projeto <strong>de</strong> totalida<strong>de</strong>, <strong>de</strong> unificação, que, como<br />

dissemos acima, questiona a argúcia do pesquisador. Traz, por isso, a obrigação <strong>de</strong> se mergulhar<br />

nas dimensões da história e da filosofia para encontrar os fundamentos dos conceitos<br />

contemporâneos.<br />

Mais uma vez, o método é o da pesquisa bibliográfica e da reflexão sobre o que foi dito e<br />

escrito. Ciência em <strong>de</strong>senvolvimento, a comunicação, como afirmamos acima, haure <strong>de</strong> outras<br />

ciências mais sedimenta<strong>das</strong> conceitos que permitam compreen<strong>de</strong>r o seu objeto <strong>de</strong> estudo.<br />

O estudo da comunicação como problemática para o campo religioso levou-nos à<br />

contemplação do discurso <strong>de</strong> quatro Igrejas Cristãs: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja<br />

Evangélica <strong>de</strong> Confissão Luterana do Brasil, Igreja Metodista e Igreja Universal do Reino <strong>de</strong> Deus.<br />

As três primeiras, chama<strong>das</strong> Igrejas Históricas, possuem uma longa tradição do discurso e<br />

da escrita. A utilização da palavra escrita as leva a valorizar sobremaneira a imprensa. São Igrejas<br />

que se movem com <strong>de</strong>senvoltura na produção <strong>de</strong> documentos que expressam a sua doutrina e o seu<br />

pensamento. Nesse particular, <strong>de</strong>staca-se a produção teórica da Igreja Católica. Pelo mesmo<br />

motivo, sentem-se pouco à vonta<strong>de</strong> com os meios eletrônicos. A mídia eletrônica é um fenômeno<br />

que, ao <strong>de</strong>senvolver-se, encontra essas Igrejas já estabeleci<strong>das</strong>. Por isso, elas têm dificulda<strong>de</strong> em se<br />

adaptar e a<strong>de</strong>quar a sua mensagem <strong>às</strong> lógicas dos processos midiáticos.<br />

Por outro lado, a Igreja Universal do Reino <strong>de</strong> Deus é uma nativa <strong>midiática</strong>. Isto é, ela<br />

nasce já sob o signo da mídia. Para ela, tanto faz a escrita, a imprensa quanto a mídia. Tudo é novo.<br />

O mundo da mídia já estava aqui quando ela surgiu. Logo, esse é apenas dado a mais que essa<br />

Igreja possui para transmitir a sua mensagem. Ela não escreve sobre os meios porque usa os meios.<br />

O uso torna <strong>de</strong>snecessário o discurso.<br />

Entretanto, não importa a postura que cada Igreja assuma, a dimensão da midiatização da<br />

socieda<strong>de</strong> coloca-lhes por igual <strong>de</strong>safios. Na realida<strong>de</strong>, assim como indagávamos sobre que tipo <strong>de</strong><br />

religião estava emergindo da mídia, é necessário inquirir sobre que socieda<strong>de</strong> e que religião emerge<br />

da midiatização da socieda<strong>de</strong>.<br />

O <strong>de</strong>safio metodológico, tanto para as Igrejas quanto para os pesquisadores, é compreen<strong>de</strong>r<br />

o projeto social <strong>de</strong> unificação que impregna o processo <strong>de</strong> midiatização da socieda<strong>de</strong>. Esse<br />

processo coloca o imperativo <strong>de</strong> novos olhares sobre ele, com metodologias e conceitos que<br />

111


transcendam à dimensão particular <strong>de</strong> cada ciência para dirigir-se à contemplação da totalida<strong>de</strong>. No<br />

caso dos olhares religiosos, as ferramentas metodológicas, para consi<strong>de</strong>rar a totalida<strong>de</strong> dos eventos,<br />

<strong>de</strong>vem abranger as dimensões unifica<strong>das</strong> do sagrado e do profano. O humano e a socieda<strong>de</strong>, nesse<br />

momento presente, implicam uma abordagem <strong>de</strong> totalida<strong>de</strong> sistêmica envolvendo o sagrado e o<br />

profano, imbricados umbilicalmente. A midiatização da socieda<strong>de</strong> foge, escapa, escorrega por entre<br />

os <strong>de</strong>dos quando vista <strong>de</strong> maneira dualística. A ancoragem será sempre sistêmica e complexa. Nem<br />

o religioso é só religioso, nem o profano é só profano. As religiões que afirmam uma postura<br />

monocular na realida<strong>de</strong> fecham para si as condições <strong>de</strong> possibilida<strong>de</strong> <strong>de</strong> falar para o homem<br />

mo<strong>de</strong>rno e para dimensionar corretamente a socieda<strong>de</strong> que emerge nesse início <strong>de</strong> milênio.<br />

Sintetizando o percurso proposto, a opção metodológica para elaborar uma gramática que<br />

dê conta do processo <strong>de</strong> midiatização da socieda<strong>de</strong> implica no diálogo com as <strong>de</strong>mais ciências,<br />

principalmente a história e a filosofia. A partir do diálogo, buscar-se-á produzir ferramentas<br />

a<strong>de</strong>qua<strong>das</strong> para trabalhar, sistemicamente, esse objeto complexo que <strong>de</strong>safia a argúcia dos<br />

pesquisadores <strong>das</strong> ciências da comunicação e da relação da mídia com a religião hoje,<br />

São Leopoldo, primavera <strong>de</strong> 2008.<br />

112


ESTUDIOS DE INTERFAZ: HACIA UNA METODOLOGÍA COMO<br />

“SENSIBILIDAD” A “LA PAUTA QUE CONECTA”<br />

Sandra Val<strong>de</strong>ttaro<br />

Resumen: En el siguiente texto se presentan algunas reflexiones tendientes al abordaje metodológico <strong>de</strong> los<br />

estudios situados en recepción teniendo en cuenta la complejidad creciente <strong>de</strong> la mediatización actual, que, a<br />

partir <strong>de</strong> la consolidación <strong>de</strong> los dispositivos basados en la digitalización, torna radicalmente asimétrica y<br />

conflictiva la relación entre producción y reconocimiento. A partir <strong>de</strong> la recuperación <strong>de</strong> conceptos <strong>de</strong><br />

Bateson ya trabajados en otros textos, se proponen nuevas articulaciones epistemológicas y se intenta<br />

avanzar en la <strong>de</strong>limitación teórico-metodológica <strong>de</strong> la cuestión <strong>de</strong> la “interfaz”.<br />

Palabras-clave: Sociosemiótica, Interfaz, Metodología<br />

Introducción<br />

Las investigaciones socio-semióticas se encuentran, en la actualidad, en una nueva<br />

búsqueda <strong>de</strong>l sujeto 57 que requiere una particular configuración epistemológica. En tanto objeto<br />

técnico y social, la complejidad creciente <strong>de</strong> la comunicación social plantea continuos <strong>de</strong>safíos a la<br />

investigación <strong>de</strong> la mediatización, caracterizada, hoy, por un creciente <strong>de</strong>sajuste entre producción y<br />

reconocimiento que implica articular <strong>de</strong> un modo diferente las hipótesis tradicionales con nuevas<br />

conjeturas.<br />

Los <strong>de</strong>bates acerca <strong>de</strong>l “fin <strong>de</strong> los medios masivos” pue<strong>de</strong>n consi<strong>de</strong>rarse como un síntoma<br />

<strong>de</strong> cierta perplejidad atravesando el campo <strong>de</strong> la comunicación en tanto disciplina. Los datos duros<br />

<strong>de</strong> la mediatización configuran un escenario que, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> su evaluación cualitativa, producen no<br />

pocas vacilaciones e incertidumbres, <strong>de</strong>splegando diagnósticos que intentan a<strong>de</strong>ntrarse en las<br />

relaciones entre la eficacia <strong>de</strong> ciertas lógicas ritualísticas todavía operantes en un espacio <strong>de</strong><br />

comunicación social <strong>de</strong> masas, que actúan en simultaneidad con itinerarios <strong>de</strong> consumo y usos <strong>de</strong><br />

medios crecientemente autónomos via la convergencia en producción que supone la digitalización.<br />

Bajo el supuesto <strong>de</strong> la radical asimetría entre procesos <strong>de</strong> producción y <strong>de</strong> reconocimiento,<br />

se vuelve necesario diseñar abordajes empíricos <strong>de</strong> la recepción situados en experiencias <strong>de</strong><br />

consumo específicas, bajo la presunción, <strong>de</strong> cuño etnográfico-antropológico, <strong>de</strong> colocarnos “en la<br />

57 Cfr., entre otros, Fernán<strong>de</strong>z, J. L., “Hacia los efectos <strong>de</strong> lo radiofónico. Fragmentos una tesis”; Carlon, M., “Sobre la<br />

<strong>de</strong>satención <strong>de</strong>l dispositivo: estudios culturales”; Cingolani, G., “Juicios <strong>de</strong> gusto sobre canales <strong>de</strong> noticias. Un análisis<br />

discursivo”, todos en www.<strong>de</strong>s<strong>de</strong>lasemiotica.blogspot.com; Maestri, M., “Tácticas y estrategias <strong>de</strong> la recepción en la<br />

divergencia” en www.interfacesypantallas.wordpress.com; Verón, E., Cap. 8, « Du sujet aux acteurs. La sémiotique<br />

ouverte aux interfaces » (Del sujeto a los actores. La semiótica abierta las interfaces), en Boutaud, J.J. y Verón, E.,<br />

Sémiotique ouverte. Itinéraires sémiotiques en communication, Paris, Lavoisier, Hermès Science, 2007 (Traducción:<br />

Gastón Cingolani, para la cátedra <strong>de</strong> Medios y Políticas <strong>de</strong> la Comunicación, Área Trans<strong>de</strong>partamental <strong>de</strong> Crítica <strong>de</strong><br />

Artes, Instituto Universitario Nacional <strong>de</strong>l Arte, 2008).<br />

113


perspectiva <strong>de</strong> los actores sociales” para po<strong>de</strong>r acercarnos, <strong>de</strong> este modo, a las modalida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>l<br />

carácter concreto, práxico, <strong>de</strong> la acción y el discurso sociales, esto es, a las peculiares <strong>gramáticas</strong><br />

<strong>de</strong>l reconocimiento y la producción <strong>de</strong> imaginarios sociales.<br />

La articulación entre hipótesis generales y construcción <strong>de</strong> abordajes metodológicos<br />

supone, entonces, asumir la complejidad creciente <strong>de</strong> la mediatización.<br />

A estos fines, algunos tópicos clásicos, <strong>de</strong> la física y la termodinámica, son recuperados en<br />

términos <strong>de</strong> una noción específica <strong>de</strong> información, central en el <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> la cibernética y la<br />

teoría <strong>de</strong> los sistemas. Ligados al componente “complejo” <strong>de</strong> los sistemas, los <strong>de</strong>sarrollos <strong>de</strong> la<br />

Escuela <strong>de</strong> Palo Alto (Bateson, Watzlawick, Birdwhistell, etc) y sus <strong>de</strong>rivaciones en el llamado<br />

“paradigma <strong>de</strong> la complejidad”, pue<strong>de</strong>n encontrarse también en la teoría funcionalista-sistémica <strong>de</strong><br />

Niklas Luhmann, un corpus que no sólo apunta a la específica productividad <strong>de</strong> lo social y sus<br />

sistemas, sino a la <strong>de</strong>terminación peculiar que el propio sistema <strong>de</strong> la comunicación mediática<br />

adquiere en tal contexto 58 . Creemos que estos tipos <strong>de</strong> abordajes proponen un significativo cambio<br />

<strong>de</strong> escala en el intento <strong>de</strong> entendimiento <strong>de</strong> los procesos comunicacionales.<br />

Se trata <strong>de</strong> potenciar una actitud metodológica <strong>de</strong> sensibilización en torno a aquello que<br />

conecta ambas instancias -producción y reconocimiento- y que, al conectar, produce diferencias.<br />

Creo que, en tal sentido, Bateson hace una diferencia.<br />

Bateson como “diferencia”<br />

La vigencia <strong>de</strong> la obra <strong>de</strong> Gregory Bateson, <strong>de</strong>dicada a la “exploración” <strong>de</strong> la “ecología <strong>de</strong><br />

la mente” 59 , continúa <strong>de</strong>s<strong>de</strong> hace más <strong>de</strong> cinco déca<strong>das</strong>. El tratamiento otorgado a su gran objeto <strong>de</strong><br />

estudio, el mundo <strong>de</strong> la Creatura, se <strong>de</strong>smarca <strong>de</strong> cualquier funcionalismo o intento <strong>de</strong> humanismo.<br />

A pesar <strong>de</strong> la aparente dispersión temática, los “objetos” por Bateson convocados -y su ubicación<br />

en las fronteras <strong>de</strong> la filosofía, la religión y la ciencia- conforman una especie <strong>de</strong> “inventario” que<br />

incluye “asuntos tales como…”: “la simetría bilateral <strong>de</strong> un animal”, “la distribución <strong>de</strong> acuerdo<br />

con un patrón <strong>de</strong> las hojas en una planta”, “la escalada en una carrera armamentista”, “los procesos<br />

<strong>de</strong>l cortejar”, “la naturaleza <strong>de</strong>l juego”, “la gramática <strong>de</strong> una oración”, etc. En síntesis, es en “el<br />

misterio <strong>de</strong> la evolución biológica y las crisis contemporáneas en la relación <strong>de</strong>l hombre con su<br />

ambiente” 60 don<strong>de</strong> se está ubicando Bateson. Una lista <strong>de</strong> cuestiones siempre abierta sobre la cual<br />

58 Cfr los <strong>de</strong>sarrollos <strong>de</strong>s<strong>de</strong> esta perspectiva en Verón, E., « Du sujet aux acteurs. La sémiotique ouverte aux<br />

interfaces. », op cit., pag 11. Para una mirada sobre la especificidad <strong>de</strong>l sistema <strong>de</strong> medios, cfr. Luhmann, N., La<br />

realidad <strong>de</strong> los medios <strong>de</strong> masas, México, Anthropos, 2000.<br />

59 Bateson, G., Una Unidad Sagrada. Pasos ulteriores hacia una ecologia <strong>de</strong> la mente, Barcelona, Gedisa, 1993. Cfr<br />

Pakman, M., “Prólogo a la edición española”, en Ibi<strong>de</strong>m.<br />

60 Bateson, G., Pasos hacia una ecologia <strong>de</strong> la mente. Una aproximación revolucionaria a la autocomprensión <strong>de</strong>l<br />

hombre, Bs As, Lohlé-Lumen, 1998, pág. 15.<br />

114


se pregunta por la naturaleza <strong>de</strong> los enca<strong>de</strong>namientos formales. En tal sentido, plantea Bateson la<br />

pertinencia <strong>de</strong> un enfoque que nombra como “enumeración contrastante”, y que permitiría, <strong>de</strong><br />

manera “abductiva”, indagar las modalida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> la “pauta” que conecta “el mundo <strong>de</strong> lo<br />

viviente” 61 , <strong>de</strong>struyendo “i<strong>de</strong>as” para explorar nuevas “diferencias” 62 .<br />

De la psiquiatría y la psicoterapia familiar a la comunicación animal y la organización<br />

social, la cibernética y la teoría <strong>de</strong> los sistemas, y rescatando la productividad <strong>de</strong> los tipos lógicos,<br />

en Pasos hacia una ecología <strong>de</strong> la mente Bateson logra, según Donaldson, “la integración <strong>de</strong> todos<br />

los niveles <strong>de</strong> comunicación biológica: el genético, el individual, el cultural y el ecológico”, en una<br />

“nueva epistemología” 63 capaz <strong>de</strong> pensar a la bioesfera como emergiendo “en y a través <strong>de</strong> los<br />

procesos mentales”, cuyos presupuestos generales son: “… las pautas <strong>de</strong> cambio progresivo en las<br />

relaciones humanas; la aplicación <strong>de</strong> la teoría <strong>de</strong> Russell <strong>de</strong> los tipos lógicos a la historia natural<br />

humana y a la teoría <strong>de</strong>l aprendizaje; la función <strong>de</strong>l cambio somático en la evolución; la naturaleza<br />

<strong>de</strong>l juego; la teoría <strong>de</strong>l doble vínculo en la esquizofrenia; los efectos <strong>de</strong>l propósito consciente sobre<br />

la adaptación humana; la naturaleza <strong>de</strong> la adicción; la relación entre conciencia y estética; los<br />

criterios <strong>de</strong> proceso mental; la metapauta que elimina la supuesta dicotomía entre mente y<br />

naturaleza” 64 . Un abandono <strong>de</strong> la lógica por lo eco-lógico temporal hace <strong>de</strong>splegar el juego <strong>de</strong> las<br />

mentes -para Bateson, las “mentes” son, vale aclararlo, “agregados <strong>de</strong> i<strong>de</strong>as”, es <strong>de</strong>cir, <strong>de</strong> “toda<br />

diferencia que hace a una diferencia” 65 -. Dicha operación se realiza no según una secuencia formal,<br />

sino en virtud <strong>de</strong> una historia natural operativa (no-prescriptiva) que supone una “unidad sagrada<br />

<strong>de</strong> la bioesfera” 66 .<br />

El método -exploratorio, abductivo- implica una <strong>de</strong>scripción doble o múltiple <strong>de</strong> procesos<br />

mentales (en tanto “agregados <strong>de</strong> i<strong>de</strong>as”, es <strong>de</strong>cir, <strong>de</strong> diferencias que producen diferencias) con el<br />

propósito <strong>de</strong> inferir las pautas subyacentes y la gramática <strong>de</strong> su formación, porque, como dice<br />

Bateson, “el proceso evolutivo (<strong>de</strong> cualquier clase) <strong>de</strong>be <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>r <strong>de</strong> esos incrementos dobles <strong>de</strong><br />

información. Todo paso evolutivo es una adición <strong>de</strong> información a un sistema ya existente. Como<br />

esto es así, las combinaciones, las armonías y los <strong>de</strong>sacuerdos entre sucesivas porciones y capas <strong>de</strong><br />

información presentarán múltiples problemas <strong>de</strong> supervivencia y <strong>de</strong>terminarán múltiples<br />

61<br />

Pakman, M., “Prólogo a la edición española” en Bateson, G., Una Unidad Sagrada. Pasos ulteriores hacia una<br />

ecologia <strong>de</strong> la mente, op cit, pag. 10.<br />

62<br />

Retomo acá consi<strong>de</strong>raciones ya expuestas en Val<strong>de</strong>ttaro, S., “Notas sobre la diferencia: aproximaciones a la<br />

interfaz”, en Dossier <strong>de</strong> Estudios Semióticos, La Trama <strong>de</strong> la Comunicación, Volumen 12, Anuario <strong>de</strong>l Departamento<br />

<strong>de</strong> Ciencias <strong>de</strong> la Comunicación, Rosario, UNR Editora, 2007.pags 218/221.<br />

63<br />

Cfr. Donaldson, “Introducción”, en Bateson, G., Una unidad sagrada .. op cit.<br />

64<br />

Ibi<strong>de</strong>m, págs. 17/18.<br />

65<br />

Ibi<strong>de</strong>m, pág. 19.<br />

66<br />

Entiendo que las constantes alusiones <strong>de</strong> tonalidad religiosa <strong>de</strong> Bateson alu<strong>de</strong>n a su sentido general <strong>de</strong> re-ligar, <strong>de</strong> re-<br />

unir.<br />

115


direcciones <strong>de</strong> cambio” 67 . El fenómeno <strong>de</strong>l contexto y <strong>de</strong>l significado <strong>de</strong>finía, dice Bateson, “una<br />

división entre las ciencias duras y el tipo <strong>de</strong> creencia que yo estaba intentando construir” 68 . Es <strong>de</strong>cir<br />

que, por lo que Bateson está abogando es por un “tipo” <strong>de</strong> “creencia” -la ciencia no es más que<br />

eso- que fluya transdisciplinarmente entre los conceptos cibernéticos (<strong>de</strong> ahí provienen, en<br />

Bateson, las nociones <strong>de</strong> “significado” y <strong>de</strong> “contexto”) y los datos antropológicos.<br />

Des<strong>de</strong> un punto <strong>de</strong> vista técnico, metodológico, su propuesta <strong>de</strong> un “diagrama <strong>de</strong> tres<br />

columnas” 69 se ofrece como una posibilidad <strong>de</strong> <strong>de</strong>scripción investigativa que podría compararse<br />

con la tríada propuesta por Peirce. La propuesta <strong>de</strong> Bateson se me ocurre muy cercana a la<br />

acepción <strong>de</strong>l aprendizaje -<strong>de</strong> inspiración peirceana- que brinda Verón: “… apren<strong>de</strong>r supone activar<br />

emociones, datos y reglas” 70 . Una indicación que resulta fecunda a la hora <strong>de</strong> encarar el estudio <strong>de</strong><br />

las tecnologías. En palabras <strong>de</strong> Verón: “Cada tecnología hace posibles modalida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> articulación<br />

que le son propias entre la primeridad, la secundidad y la terceridad, es <strong>de</strong>cir, entre las impresiones<br />

y afectos, los hechos y relatos, las reglas y normas” 71 . Des<strong>de</strong> un punto <strong>de</strong> vista lógico, y tal como lo<br />

<strong>de</strong>sarrolla Verón en otro lugar, se trataría <strong>de</strong> “términos, proposiciones y argumentos” 72 .<br />

La columna <strong>de</strong> la izquierda <strong>de</strong>l diagrama <strong>de</strong> Bateson correspon<strong>de</strong> a “una lista <strong>de</strong> distintos<br />

tipos <strong>de</strong> datos no acompañados por ninguna interpretación (película, <strong>de</strong>scripción, fotografía,<br />

enunciación humana grabada)”, entendiendo por “datos”, obviamente, no “sucesos ni objetos” sino<br />

“registros o <strong>de</strong>scripciones o recuerdos <strong>de</strong> sucesos u objetos”. El modo en que Bateson <strong>de</strong>scribe los<br />

contenidos <strong>de</strong> esta primera columna -insistimos: “… datos no acompañados por ninguna<br />

interpretación” (…) “registros, <strong>de</strong>scripciones, recuerdos ..”- nos parece que lo acerca, como <strong>de</strong>cía,<br />

a aquello que Peirce <strong>de</strong>finía como la primeridad en términos <strong>de</strong> “fondo” o “ground” como<br />

momento inicial <strong>de</strong>l conocimiento y a partir <strong>de</strong>l cual las cosas toman un <strong>de</strong>terminado perfil, y que<br />

remite, <strong>de</strong> manera general, a la primera impresión o sentimiento que recibimos <strong>de</strong> las cosas 73 :<br />

emociones, impresiones, afectos. Es preciso aclarar una cuestión central en la epistemología<br />

batesoniana con respecto a la cuestión <strong>de</strong>l estatuto <strong>de</strong> lo que nombra como “datos”. Bateson nos<br />

recuerda, contínuamente, que siempre hay una transformación <strong>de</strong>l suceso bruto, que<br />

inevitablemente existe un proceso selectivo, ya que “el universo total, pasado y presente, no está<br />

67 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 20.<br />

68 Bateson, G., Pasos hacia una ecologia <strong>de</strong> la mente. Una aproximación revolucionaria a la autocomprensión <strong>de</strong>l<br />

hombre, op cit, pág. 17.<br />

69 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 18.<br />

70 Verón, E., Espacios Mentales. Efectos <strong>de</strong> Agenda 2, Barcelona, Gedisa, 2001, pag 71.<br />

71 Ibi<strong>de</strong>m, pags 74/75.<br />

72 Veron, E., Conferencia <strong>de</strong> Clausura <strong>de</strong>l II Congreso Internacional y VI Congreso Nacional <strong>de</strong> Semiótica, AAS<br />

(Asociación Argentina <strong>de</strong> Semiótica), Rosario, 9/11/2007. Desgrabación propia, pag. 3.<br />

73 Cfr. Zechetto, V., “Capítulo 2: Charles San<strong>de</strong>rs Peirce 1839/1914”, en Zecchetto, V. (coordinador), Seis semiólogos<br />

en busca <strong>de</strong>l lector. Saussure, Peirce, Barthes, Greimas, Eco, Verón, Bs As, La Crujía, 2005, pag 50.<br />

116


sujeto a observación <strong>de</strong>s<strong>de</strong> ninguna posición dada <strong>de</strong>l observador” 74 , pero, a pesar <strong>de</strong> ello, aclara<br />

que la única posibilidad <strong>de</strong> confiabilidad a mano <strong>de</strong> los científicos siguen siendo los “datos”. A<br />

pesar <strong>de</strong> ciertos matices, entonces, los “datos” batesonianos pue<strong>de</strong>n enten<strong>de</strong>rse, según mi punto <strong>de</strong><br />

vista, como los “primeros” peirceanos, o, en términos lógicos, los “términos”.<br />

La columna <strong>de</strong>l medio <strong>de</strong>l diagrama <strong>de</strong> Bateson se <strong>de</strong>dica a un compendio <strong>de</strong> “nociones<br />

explicativas comunes en las ciencias <strong>de</strong> la conducta”. Por ejemplo, según el propio Bateson,<br />

nociones como “yo”, “angustia”, “instinto”, “propósito”, “mente”, “sí-mismo”, “patrón <strong>de</strong> acción<br />

fija”, etc. Son, si se quiere, “categorías relacionales” como las <strong>de</strong> la segundidad peirceana, a las<br />

cuales es posible atribuir, justamente por dicho carácter relacional, un componente <strong>de</strong> “combate<br />

(struggle) <strong>de</strong> un fenómeno <strong>de</strong> primeridad con otro” 75 . Resulta interesante asociar dicha<br />

caracterización con lo que apunta Bateson. Este ámbito, correspondiente, en el nivel <strong>de</strong> la lógica<br />

peirceana, a las “proposiciones”, es presentado por Bateson como un “conjunto posible” con<br />

“escasa articulación interna” y “formulación poco estricta”, que conformaría una especie <strong>de</strong><br />

“bruma conceptual” y podría <strong>de</strong>rivar en efectos nocivos para la ciencia, no progresivos 76 .<br />

Por ello, en la columna <strong>de</strong> la <strong>de</strong>recha aparecería lo que <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la epistemología lakatosiana<br />

podría nombrarse como el “núcleo duro”: un conjunto <strong>de</strong> “elementos fundamentales” <strong>de</strong> dos tipos:<br />

“proposiciones y sistemas <strong>de</strong> proposiciones truísticas, y proposiciones o leyes que son<br />

generalmente verda<strong>de</strong>ras”. Entre las primeras estarían las “verda<strong>de</strong>s eternas <strong>de</strong> la matemática”<br />

(verda<strong>de</strong>s tautológicamente <strong>de</strong>termina<strong>das</strong>), y, entre las segun<strong>das</strong>, por un lado, las “empíricamente<br />

verda<strong>de</strong>ras” (como las leyes <strong>de</strong> la conservación <strong>de</strong> la masa y la energía, la segunda ley <strong>de</strong> la<br />

termodinámica, etc), y, por otro lado, “otras que no pue<strong>de</strong>n clasificarse como tautológicas o<br />

empíricas”: leyes <strong>de</strong> la probabilidad, teoremas <strong>de</strong> Shannon <strong>de</strong> la teoría <strong>de</strong> la información, etc 77 . Del<br />

mismo modo, la terceridad está conformada por leyes, reglas y normas que rigen el funcionamiento<br />

<strong>de</strong> los fenómenos. Se trata <strong>de</strong> categorías generales que otorgan vali<strong>de</strong>z lógica y or<strong>de</strong>nan lo real<br />

estableciendo síntesis: “La terceridad realiza el enlace lógico entre primeridad y secundidad, o sea,<br />

establece las condiciones hipotéticas para que algo ocurra” 78 . Es el ámbito <strong>de</strong> los argumentos.<br />

A partir <strong>de</strong> este diagrama, Bateson propone una <strong>de</strong>finición <strong>de</strong> “explicación” como “la<br />

distribución cartográfica <strong>de</strong> los datos sobre los elementos fundamentales”, que actúa como una<br />

74<br />

Bateson, G., Pasos hacia una ecologia <strong>de</strong> la mente.., op cit, págs. 18/19.<br />

75<br />

Zechetto, V., op cit, pag 50.<br />

76<br />

Bateson, G., Pasos hacia una ecologia <strong>de</strong> la mente.., op cit, pags 18/19.<br />

77 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 19.<br />

78 Zechetto, V., op cit., pag 51.<br />

117


“maniobra <strong>de</strong> pinzas”: “las observaciones no pue<strong>de</strong>n negarse y los elementos fundamentales tienen<br />

que a<strong>de</strong>cuarse entre sí” 79 .<br />

La búsqueda <strong>de</strong> este “puente” entre datos y leyes aleja a Bateson <strong>de</strong> la ciencia <strong>de</strong>l siglo<br />

XIX, que lo situaba en la “energía”. Por eso apunta que “las leyes <strong>de</strong> la conservación <strong>de</strong> la materia<br />

y la energía siguen aun separa<strong>das</strong> <strong>de</strong> las leyes <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n … (<strong>de</strong> la) entropía e información .. el<br />

or<strong>de</strong>n se concibe como un asunto <strong>de</strong> seleccionar y dividir. Pero la noción esencial en toda selección<br />

es que alguna diferencia ocasionará alguna otra diferencia en un momento ulterior ...” 80 . La<br />

referencia <strong>de</strong> las leyes <strong>de</strong> la conservación <strong>de</strong> la energía y la materia es la “sustancia” más que la<br />

“forma”; sin embargo, “los procesos mentales, las i<strong>de</strong>as, la comunicación, organización,<br />

diferenciación, patrón, etc, son asuntos <strong>de</strong> forma y no <strong>de</strong> sustancia” 81 .<br />

La cibernética y la teoría <strong>de</strong> los sistemas proveen los elementos fundamentales para el<br />

tratamiento <strong>de</strong> la forma. A ellos acu<strong>de</strong> Bateson en su intento <strong>de</strong> ten<strong>de</strong>r dicho “puente” entre la<br />

“vida” y el “or<strong>de</strong>n”.<br />

batesoniana:<br />

Los “elementos fundamentales” <strong>de</strong> Bateson<br />

Pue<strong>de</strong>n <strong>de</strong>terminarse los siguientes “elementos fundamentales” en la epistemología<br />

- La ciencia entendida como un método <strong>de</strong> percepción e indagación -no <strong>de</strong> comprobación-,<br />

<strong>de</strong> naturaleza exploratoria y abductiva 82 : “… la ciencia es una manera <strong>de</strong> percibir y <strong>de</strong> conferir<br />

‘sentido’ … a nuestros preceptos. Pero la percepción sólo opera sobre la base <strong>de</strong> la diferencia.<br />

Toda recepción <strong>de</strong> información es forzosamente la recepción <strong>de</strong> noticias acerca <strong>de</strong> una diferencia, y<br />

toda percepción <strong>de</strong> diferencia está limitada por un umbral ..” 83 .<br />

- La necesidad <strong>de</strong> distinguir, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> un punto <strong>de</strong> vista lógico, el “nombre” y la “cosa<br />

nombrada”, el “mapa” y el “territorio”, como guía <strong>de</strong> las clasificaciones: “.. en todo pensamiento, o<br />

percepción, o comunicación <strong>de</strong> una percepción, hay una transformación, una codificación, entre la<br />

cosa sobre la cual se informa, la Ding an sich, y lo que se informa sobre ella. En especial, la<br />

relación entre esa cosa misteriosa y el informe sobre ella suele tener la índole <strong>de</strong> una clasificación,<br />

la asignación <strong>de</strong> una cosa a una clase. Poner un nombre es siempre clasificar, y trazar un mapa es<br />

en esencia lo mismo que poner un nombre” 84 . A los fines <strong>de</strong> ampliar estos argumentos, presento<br />

algunos <strong>de</strong> los ejemplos que Bateson da en su Glosario sobre los “tipos lógicos”: “1. El nombre no<br />

79<br />

Bateson, Pasos hacia una ecologia <strong>de</strong> la mente ..., op cit, pág. 20.<br />

80<br />

Ibi<strong>de</strong>m, pág. 24.<br />

81<br />

Ibi<strong>de</strong>m, pág. 25.<br />

82<br />

Bateson, G., Espíritu y Naturaleza, Bs As, Amorrortu, 1997, págs. 37/40.<br />

83 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 40.<br />

84 Ibi<strong>de</strong>m, págs. 40/41.<br />

118


es la cosa nombrada sino que pertenece a un tipo lógico diferente, superior al <strong>de</strong> la cosa nombrada.<br />

2. La clase es <strong>de</strong> un tipo lógico superior que el <strong>de</strong> los miembros que la integran …etc” 85 .<br />

- Los “contextos” entendidos como “pautas” que se repiten a lo largo <strong>de</strong>l tiempo 86 .<br />

- La inter<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>ncia entre “contexto”, “comunicación” y “significado”, y la hipótesis<br />

según la cual “los contextos confieren significado porque hay una clasificación <strong>de</strong> los contextos”<br />

según <strong>de</strong>termina<strong>das</strong> configuraciones o <strong>gramáticas</strong> contextuales 87<br />

- La recuperación <strong>de</strong> la i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> “ecología” como “impulso a unificar, y así a santificar, el<br />

mundo natural total <strong>de</strong>l que formamos parte” 88 .<br />

- La naturaleza impre<strong>de</strong>cible <strong>de</strong> las secuencias divergentes 89 , que se refieren siempre a<br />

individuos -a moléculas individuales-, y remiten a la diferencia entre los enunciados acerca <strong>de</strong> un<br />

individuo i<strong>de</strong>ntificado y los enunciados acerca <strong>de</strong> una clase, que son <strong>de</strong> diferente tipo lógico. Las<br />

secuencias divergentes son estocásticas: “ ..combina(n) un componente aleatorio con un proceso<br />

selectivo, <strong>de</strong> manera tal que sólo le sea dable perdurar a ciertos resultados <strong>de</strong>l componente<br />

aleatorio” 90<br />

- La naturaleza pre<strong>de</strong>cible <strong>de</strong> las secuencias convergentes 91 , <strong>de</strong>bido a que la <strong>de</strong>scripción, en<br />

este caso, se refiere al comportamiento <strong>de</strong> inmensas multitu<strong>de</strong>s o clases <strong>de</strong> individuos.<br />

- La consi<strong>de</strong>ración <strong>de</strong> los sucesos sociales como divergentes, ya que involucran a seres<br />

humanos y únicos 92 .<br />

- Los procesos “espirituales” (es <strong>de</strong>cir, las “cosas vivas”) como ca<strong>de</strong>nas circulares<br />

complejas <strong>de</strong> <strong>de</strong>terminación 93 , como sistemas con aumento positivo, llamados círculos viciosos o<br />

escalantes 94 . Escribe Bateson: “En mi propio trabajo con la tribu Iatmul <strong>de</strong>l río Sepik (Nueva<br />

Guinea), comprobé que diversas relaciones entre los grupos y entre distintos tipos <strong>de</strong> parientes se<br />

caracterizaban por intercambios <strong>de</strong> conducta tales que cuanto más exhibía A una cierta conducta,<br />

más probable era que B exhibiese esa misma conducta. A estos intercambios los llamé simétricos.<br />

A la inversa, había también estilizados intercambios en los cuales la conducta <strong>de</strong> B era diferente <strong>de</strong><br />

la <strong>de</strong> A, pero complementaria. En uno y otro caso las relaciones estaban potencialmente sujetas a<br />

una escalada progresiva, y a esto lo <strong>de</strong>nominé cismogénesis” (…) “ .. la cismogénesis, ya sea<br />

85 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 245.<br />

86 Ibi<strong>de</strong>m, pág 25.<br />

87 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 28.<br />

88 Ibi<strong>de</strong>m, pág 29.<br />

89 Ibi<strong>de</strong>m, págs. 51/54.<br />

90 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 242.<br />

91 Ibi<strong>de</strong>m, págs. 55/56.<br />

92 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 56.<br />

93 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 115.<br />

94 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 117.<br />

119


simétrica o complementaria, pue<strong>de</strong> verosímilmente conducir al <strong>de</strong>senfreno o colapso <strong>de</strong>l<br />

sistema” 95 . La cuestión <strong>de</strong>l <strong>de</strong>senfreno, sus distintas especies y posibles combinaciones, se<br />

encuentra matizada, en Bateson, por el hecho <strong>de</strong> que “… pudiera haber circuitos <strong>de</strong> causación que<br />

contuvieran uno o más eslabones negativos, y que por en<strong>de</strong> pudieran autocorregirse”; por lo tanto<br />

“… los sistemas <strong>de</strong> <strong>de</strong>senfreno, como el crecimiento <strong>de</strong>mográfico, pue<strong>de</strong>n contener los gérmenes<br />

<strong>de</strong> su propia autocorrección en la forma <strong>de</strong> epi<strong>de</strong>mias, guerras y programas <strong>de</strong> gobierno” 96 .<br />

- La <strong>de</strong>finición <strong>de</strong> la naturaleza <strong>de</strong> los sistemas autocorrectivos tomada por Bateson <strong>de</strong>l<br />

planteo realizado por Rosenblueth, Wiener y Bigelow en un artículo <strong>de</strong> la revista Philosophy of<br />

Science <strong>de</strong> 1943, en el cual postulaban que “el circuito autocorrectivo y sus numerosas variantes<br />

suministraban posibilida<strong>de</strong>s para mo<strong>de</strong>lar las conductas adaptativas <strong>de</strong> los organismos” 97 , y su<br />

propio concepto <strong>de</strong> “adaptación” como la “característica <strong>de</strong> un organismo mediante la cual parece<br />

ajustarse mejor a su ambiente y modo <strong>de</strong> vida”, o como “el proceso <strong>de</strong> lograr ese ajuste” 98 .<br />

Hacia una metodología como “sensibilidad” a “la pauta que conecta”<br />

La naturaleza estocástica, divergente, <strong>de</strong>l sistema-mundo -la Creatura batesoniana- torna<br />

complicada la captación <strong>de</strong>l umbral <strong>de</strong> percepción <strong>de</strong> esta nueva diferencia: mapas y territorios se<br />

encuentran, hoy, en un estado <strong>de</strong> creciente complejidad. En relación con la mediatización actual,<br />

cruzada por múltiples dispositivos y medios que actualizan diversas modalizaciones <strong>de</strong>l espacio y<br />

<strong>de</strong>l tiempo produciendo nuevas subjetivida<strong>de</strong>s sociales y generando, así, condiciones para la<br />

consolidación <strong>de</strong> construcciones peculiares <strong>de</strong>l lazo social, la perspectiva analítica y la actitud<br />

metodológica <strong>de</strong>ben, necesariamente, lograr un refinamiento <strong>de</strong> la sensibilidad investigativa que<br />

tienda a captar las fisonomías <strong>de</strong> las pautas que conectan: una actitud honesta y atenta a las<br />

diferencias.<br />

La preeminencia <strong>de</strong> las tecnologías <strong>de</strong>l contacto impone la inevitabilidad <strong>de</strong> una vigilancia<br />

constante como cualidad investigativa que pueda articular, en el abordaje empírico, la inducción<br />

con la abducción. La generación <strong>de</strong> nuevas hipótesis podrá apoyarse, <strong>de</strong> este modo, en un estilo<br />

“contrastante” en el cual la autorreflexión acerca <strong>de</strong> nuestra propia experiencia <strong>de</strong> contacto con las<br />

“texturas” <strong>de</strong> la mediatización discurra or<strong>de</strong>nando los diagramas y las cartografías y tienda, a partir<br />

<strong>de</strong> ello, a lograr cierta sutileza en las tipificaciones.<br />

95 Ibi<strong>de</strong>m pág 118. Ver también el capítulo “Contacto cultural y esquismogénesis” en Bateson, G., Pasos hacia una<br />

ecología <strong>de</strong> la mente. Una aproximación revolucionaria a la autocomprensión <strong>de</strong>l hombre, op cit.<br />

96 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 118.<br />

97 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 119.<br />

98 Ibi<strong>de</strong>m, pág. 241.<br />

120


Lo que propongo, en <strong>de</strong>finitiva, es estar atentos a nuestra propia experiencia con la<br />

diferencia -o, por <strong>de</strong>cirlo <strong>de</strong> otra manera, con la novedad 99 - consi<strong>de</strong>rando que ello constituye una<br />

base a partir <strong>de</strong> la cual construir conocimiento fiable.<br />

Nuestra condición <strong>de</strong> investigadores-nativos hace <strong>de</strong> nuestros propios goces rituales<br />

motivos <strong>de</strong> exploración, porque es también en ellos don<strong>de</strong> se encarna, inexorablemente, la filigrana<br />

<strong>de</strong> lo social. Creo que algo <strong>de</strong> esto es lo que produce Bateson con sus metálogos 100 como una<br />

particular forma <strong>de</strong> producción <strong>de</strong> conocimiento.<br />

Intentando emular dicha rutina <strong>de</strong> investigación, propusimos, en otro lugar 101 , algunas<br />

reflexiones preliminares acerca <strong>de</strong> las múltiples configuraciones <strong>de</strong> sentido que habilitan ciertos<br />

usos <strong>de</strong> los celulares, específicamente los ligados a los intercambios <strong>de</strong> mensajes <strong>de</strong> textos. La<br />

textura <strong>de</strong> esas pequeñas pantallas, y su inmediatez, permiten -<strong>de</strong>cíamos- la inscripción <strong>de</strong>l<br />

<strong>de</strong>sarrollo temporal <strong>de</strong> los contactos y <strong>de</strong> las subjetivida<strong>de</strong>s implica<strong>das</strong>. Detenerse en las huellas <strong>de</strong><br />

dichos intercambios -en la celeridad o el retardo <strong>de</strong> las réplicas, en las formulaciones huidizas o<br />

categóricas, en las distintas modalizaciones subjetivas, etc- nos hacían suponer la posibilidad <strong>de</strong><br />

una reconstrucción <strong>de</strong> microhistorias que, por la marcación precisa <strong>de</strong> la economía entre cercanía y<br />

distancia que la materialidad <strong>de</strong>l soporte habilita, suponíamos incluso más <strong>de</strong>veladoras que los<br />

abordajes <strong>de</strong>l face-to-face, siempre riesgosos <strong>de</strong> ser contaminados por los equívocos <strong>de</strong> la<br />

proximidad.<br />

En tal ocasión, apelando a un corpus aleatorio <strong>de</strong> intercambio privado <strong>de</strong> mensajes <strong>de</strong><br />

textos, constatábamos la reproducción, en dichos intercambios, <strong>de</strong> la lógica asignada a los lugares<br />

<strong>de</strong>l diálogo en los metálogos <strong>de</strong> Bateson. Sólo que el par hija/padre tendía a transmutarse, en<br />

nuestro corpus, en el más genérico <strong>de</strong> lo femenino/lo masculino bajo una lógica <strong>de</strong> preeminencia<br />

<strong>de</strong> la complementariedad 102 . En este caso, y mediante este tipo <strong>de</strong> abordaje, el dispositivo<br />

funcionaba como inscripción material <strong>de</strong> los intercambios pasionales, es <strong>de</strong>cir, como una fuente <strong>de</strong><br />

indagación <strong>de</strong> ciertas lógicas <strong>de</strong> los lazos afectivos en la actualidad. Nuestra percepción era que, en<br />

<strong>de</strong>finitiva, ese específico espacio creado por las pequeñas pantallas <strong>de</strong> los móviles parecía ser “uno<br />

<strong>de</strong> los lugares privilegiados, actualmente, <strong>de</strong> la circulación <strong>de</strong>l <strong>de</strong>seo” 103 .<br />

99<br />

Cfr las reflexiones sobre la “novedad” que realiza Fernán<strong>de</strong>z, J. L., en La construcción <strong>de</strong> lo radiofónico, Bs As, La<br />

Crujía, 2008.<br />

100<br />

Cfr Bateson, G., Pasos hacia una ecología <strong>de</strong> la mente, Bs As, Lohlé-Lumen, 1998.<br />

101<br />

Diviani, R. y Val<strong>de</strong>ttaro, S., “Celulares: metálogos y espacios mentales”, en CD Ponencias <strong>de</strong> las XI Jorna<strong>das</strong> <strong>de</strong><br />

Investigadores en Comunicación “Tramas <strong>de</strong> la comunicación en América Latina Contemporánea. Tensiones sociales,<br />

políticas y económicas”, Red <strong>de</strong> Investigadores en Comunicación, Universidad Nacional <strong>de</strong> Cuyo, Mendoza, 2007.<br />

102<br />

Cfr los conceptos <strong>de</strong> relaciones simétricas y complementarias, en Bateson, G., Pasos …, op cit.<br />

103<br />

Diviani, R. y Val<strong>de</strong>ttaro, S., “Celulares: metálogos y espacios mentales”, op cit.<br />

121


Dicho ejercicio investigativo es sólo un ejemplo <strong>de</strong> que lo que queríamos <strong>de</strong>tectar era, en<br />

<strong>de</strong>finitiva, cierto funcionamiento <strong>de</strong> la interfaz, es <strong>de</strong>cir, <strong>de</strong> la pauta que conecta.<br />

Lejos <strong>de</strong> haberlo logrado, pero avanzando en las reflexiones acerca <strong>de</strong> la interfaz ya<br />

publica<strong>das</strong> 104 , parece apropiado ir completando su abordaje teniendo en cuenta la epistemología<br />

batesoniana que, junto a las “razones teóricas” expuestas por Verón acerca <strong>de</strong> “la interfaz<br />

producción/reconocimiento” 105 , brindan un andamiaje teórico que posibilitaría construir hipótesis<br />

plausibles.<br />

Dado que el mundo <strong>de</strong> la Creatura es “.. un nicho alejado <strong>de</strong>l equilibrio” 106 , dicha<br />

plausibilidad <strong>de</strong>pen<strong>de</strong>rá, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> mi punto <strong>de</strong> vista, <strong>de</strong>l <strong>de</strong>sarrollo <strong>de</strong> una metodología capaz <strong>de</strong><br />

articular los términos, las proposiciones y los argumentos con un impulso estético y una<br />

sensibilidad atenta a “la pauta que conecta” 107 , es <strong>de</strong>cir, a la interfaz.<br />

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104 Val<strong>de</strong>ttaro, S., “Notas sobre la diferencia: aproximaciones a la interfaz”, op cit.<br />

105 Verón se <strong>de</strong>tiene, en « Du sujet aux acteurs. La sémiotique ouverte aux interfaces », apelando a Luhmann, en “los<br />

sistemas complejos auto-organizantes” en términos <strong>de</strong> abordar los fenómenos <strong>de</strong> interfaz: “El observador situado en la<br />

interfaz producción/reconocimiento está activando procesos auto-poiéticos <strong>de</strong> dos sistemas autónomos: el sistema <strong>de</strong><br />

los medios y el sistema que Luhmann llama psíquico”, o, en sus palabras, “el sistema <strong>de</strong>l actor”, op cit, pag 11.<br />

106 Verón, E., Espacios Mentales. Efectos <strong>de</strong> Agenda 2, op cit, pag. 76.<br />

107 Bateson, G., Espíritu y Naturaleza, op cit., pag 19.<br />

122


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Trans<strong>de</strong>partamental <strong>de</strong> Crítica <strong>de</strong> Artes, Instituto Universitario Nacional <strong>de</strong>l Arte, 2008).<br />

VERÓN, E. Conferencia <strong>de</strong> Clausura <strong>de</strong>l II Congreso Internacional y VI Congreso Nacional <strong>de</strong><br />

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VERÓN, E. Espacios Mentales. Efectos <strong>de</strong> Agenda 2. Barcelona: Gedisa, 2001.<br />

123


CRÓNICA ROJA: APORTES PARA EL ABORDAJE<br />

METODOLÓGICO EN LA PRENSA ARGENTINA<br />

Palabras-clave: <strong>de</strong>lito, sensacionalismo, pertinencia metodológica<br />

Entrando en tema, o la problemática <strong>de</strong> las premisas a<strong>de</strong>cua<strong>das</strong><br />

Stella Martini<br />

La vigilancia epistemológica se impone particularmente en el<br />

caso <strong>de</strong> las ciencias <strong>de</strong>l hombre, en las que la separación entre la<br />

opinión común y el discurso científico es más impreciso que en<br />

otras. (Pierre Bourdieu, Jean-Clau<strong>de</strong> Chamboredon y Jean-<br />

Clau<strong>de</strong> Passeron, 1973)<br />

Si, como afirma Verón, la construcción social <strong>de</strong> la realidad pasa por la acción <strong>de</strong> los medios,<br />

resulta inevitable que las preocupaciones <strong>de</strong> los investigadores <strong>de</strong>l campo estén centra<strong>das</strong> en la<br />

relación entre los mensajes <strong>de</strong> los medios y la sociedad. ¿Los medios manipulan a la opinión pública<br />

o respon<strong>de</strong>n a sus exigencias?; ¿la sociedad se reconoce en las agen<strong>das</strong> periodísticas?; ¿cómo se<br />

instala la imagen mediática <strong>de</strong>l conflicto como presente continuo?; ¿la percepción social <strong>de</strong> la<br />

inseguridad se <strong>de</strong>riva <strong>de</strong> su relevancia mediática?; ¿las noticias vuelven a victimizar a las víctimas?; y<br />

en el camino a estas respuestas, ¿los resultados <strong>de</strong> las técnicas cuantitativas ofrecen más certeza que<br />

aquellos <strong>de</strong> las cualitativas, o viceversa? Estas son algunos <strong>de</strong> los interrogantes posibles en la<br />

reflexión <strong>de</strong> los aspectos metodológicos <strong>de</strong> la mediatización <strong>de</strong> las socieda<strong>de</strong>s, y sobre el caso <strong>de</strong> las<br />

agen<strong>das</strong> periodísticas policiales en especial. Cada uno <strong>de</strong> ellos admite diferentes enfoques<br />

metodológicos según lo que la investigación se propone interpretar. Parece casi fuera <strong>de</strong> discusión<br />

afirmar la necesidad <strong>de</strong> un enfoque metodológico a<strong>de</strong>cuado a cada fenómeno singular que se nos<br />

impone en la investigación, pero el caso es que, a veces, los medios masivos son objeto <strong>de</strong> una<br />

generalización riesgosa o una parcialización reduccionista (problemas <strong>de</strong> análisis meramente macro o<br />

micro y <strong>de</strong>sconocimiento <strong>de</strong> la <strong>de</strong>nsidad <strong>de</strong>l fenómeno). Las teorías que tematizan la comunicación<br />

humana, y por tanto sus técnicas metodológicas, tienen una larga y rica historia y son sin lugar a<br />

du<strong>das</strong> referentes obligados y aportes imprescindibles a los que recurrimos 108 . La especificidad <strong>de</strong>l<br />

discurso científicos y la ubicación <strong>de</strong>l investigador frente a su objeto no admite equivocaciones 109 .<br />

108 Pero lo cierto es que aún hoy, cuando las socieda<strong>de</strong>s enfrentan variaciones y cambios políticos, culturales y<br />

tecnológicos profundos, casi con la naturalidad con que el no lego habla <strong>de</strong> los medios <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el sentido común, hay<br />

quienes reflexionan <strong>de</strong>s<strong>de</strong> lo que po<strong>de</strong>mos <strong>de</strong>nominar “un sentido común científico”. Este error suele estar alimentado<br />

124


Ante versiones poco científicas sobre los medios, se pue<strong>de</strong> reconocer que el hecho <strong>de</strong> su<br />

misma circulación masiva autorizaría un sentido instalado <strong>de</strong> que “cualquiera pue<strong>de</strong> hablar <strong>de</strong> ellos”,<br />

con lo que ciertos especialistas <strong>de</strong> diferentes áreas <strong>de</strong>l conocimiento los abordan confundiendo la<br />

interpretación científica con la opinión ciudadana. En cualquier caso, esta realidad advierte sobre la<br />

urgencia <strong>de</strong> elaborar una reflexión seria y <strong>de</strong>nsa, insistiendo en el significado <strong>de</strong>l primer paso <strong>de</strong> toda<br />

tarea tal, la construcción <strong>de</strong>l problema y <strong>de</strong>l corpus o los corpora <strong>de</strong> estudio, para luego revisar y<br />

elegir entre el amplio conjunto <strong>de</strong> los materiales técnicos y construir las herramientas metodológicas<br />

que el problema exige, tal como se preten<strong>de</strong> focalizar, y que permitirán su explicación a partir <strong>de</strong> la<br />

exigencia <strong>de</strong> extrañamiento 110 . Son las preguntas las que marcan la pertinencia <strong>de</strong> las técnicas<br />

a<strong>de</strong>cua<strong>das</strong>. Y si es el conjunto sociedad- medios el fenómeno en estudio, al entrar al campo <strong>de</strong> la<br />

mediatización, como señala Aníbal Ford, “…la comunicación es inseparable tanto <strong>de</strong> la noción <strong>de</strong><br />

discurso como <strong>de</strong> su inserción sociocultural” (2005: 120). Todo estudio en comunicación está regido<br />

por el tiempo <strong>de</strong> ocurrencia, que incluye los ejes <strong>de</strong> la diacronía y <strong>de</strong> la sincronía.<br />

La <strong>de</strong>cisión sobre las técnicas metodológicas merece una reflexión que no haré extensa: en los<br />

últimos años se asiste a una cierta crisis <strong>de</strong> los mo<strong>de</strong>los metodológicos en las Ciencias Sociales, crisis<br />

que es propia <strong>de</strong> los Estudios Culturales en general, y que llegó al estatuto <strong>de</strong>l fundamentalismo,<br />

como una equivocada “herencia” <strong>de</strong>l paradigma <strong>de</strong> las ciencias exactas y naturales. Pensada la<br />

metodología solamente como una herramienta al servicio <strong>de</strong>l análisis, hemos asistido en los últimos<br />

50 años a disputas inoperantes y estériles- apoya<strong>das</strong> muchas veces en tradiciones que parece difícil<br />

mover- sobre la mayor o menor legitimidad <strong>de</strong>l cualitativismo o el cuantitativismo. Sostengo que esa<br />

discusión está fuera <strong>de</strong> agenda en este trabajo. En la investigación sobre la relación entre<br />

construcciones <strong>de</strong> los medios y construcciones interpretativas <strong>de</strong> la sociedad, si la pregunta es por el<br />

significado resultante, la metodología a<strong>de</strong>cuada es la cualitativa. Sin embargo, resulta fundamental,<br />

no complementario sino necesario, apelar al análisis cuantitativo que posibilita la i<strong>de</strong>ntificación y<br />

verificación <strong>de</strong> los datos duros <strong>de</strong> la realidad, variables en juego y modos <strong>de</strong> serialización. La<br />

por el prejuicio <strong>de</strong>l investigador, que tanto estigmatiza o celebra las cualida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> su fenómeno abordado (el tema <strong>de</strong> la<br />

narrativización <strong>de</strong> la crónica ha dado trabajos que “<strong>de</strong>fien<strong>de</strong>n” su ocurrencia como modo i<strong>de</strong>al <strong>de</strong> explicar un caso a un<br />

público consternado, o el amarillismo se simplifica en explicaciones que hablan <strong>de</strong> las modalida<strong>de</strong>s “basura” <strong>de</strong>l<br />

periodismo policial): toda simplificación implica emitir resultados antes <strong>de</strong> investigar. Mucho se ha escrito sobre esta<br />

restricción real que impi<strong>de</strong> explicaciones científicamente aceptables<br />

109 Des<strong>de</strong> la primera Communication Research y sus formulaciones críticas posteriores; la semiótica; el análisis crítico<br />

<strong>de</strong>l discurso y las teorías sobre la noticia, la cultura y aquellas sobre la opinión pública y los imaginarios sociales,<br />

aportando en diferentes niveles al estudio <strong>de</strong> los medios masivos, es <strong>de</strong>cir, el conjunto <strong>de</strong>nso teórico- metodológico <strong>de</strong>l<br />

que nos servimos no permitiría <strong>de</strong>svíos simplificadores y errados.<br />

110 El primer paso, la i<strong>de</strong>ntificación <strong>de</strong>l fenómeno a estudiar, requiere tanto <strong>de</strong> ese extrañamiento <strong>de</strong>l investigador<br />

como <strong>de</strong> la capacidad para acotarlo, <strong>de</strong>limitarlo en función <strong>de</strong>l propósito <strong>de</strong> la investigación y <strong>de</strong> los tiempos<br />

disponibles. Hay siempre un paso hacia atrás, hacia las competencias <strong>de</strong>l investigador en el tema que aborda, y que<br />

permite avanzar hacia <strong>de</strong>lante, porque <strong>de</strong>s<strong>de</strong> ese saber se van formulando las preguntas coherentes.<br />

125


articulación <strong>de</strong> técnicas cualitativas y cuantitativas <strong>de</strong>bería regir todo estudio <strong>de</strong> un fenómeno<br />

complejo como la información periodística, que permite la percepción <strong>de</strong>l mundo.<br />

En el caso <strong>de</strong> nuestra investigación sobre las agen<strong>das</strong> <strong>de</strong>lictivas <strong>de</strong> los medios en la<br />

Argentina, y sobre las retóricas <strong>de</strong>l sensacionalismo, los años <strong>de</strong> trabajo muestran la necesidad <strong>de</strong><br />

articular las variables relativas a los actores <strong>de</strong> la recepción y <strong>de</strong> la producción, el estado <strong>de</strong> la opinión<br />

pública, y la <strong>de</strong> periodistas especializados. La propuesta es cruzar, en el análisis <strong>de</strong>l producto<br />

noticioso, datos sobre las condiciones productivas y datos <strong>de</strong> los públicos (con cuidado, por la<br />

imposibilidad <strong>de</strong> hablar <strong>de</strong> un único público masivo y homogéneo para cada tipo <strong>de</strong> agenda temática<br />

<strong>de</strong> los medios informativos), consensos y disensos <strong>de</strong> ciertos sectores <strong>de</strong> opinión, representaciones <strong>de</strong><br />

la sociedad, a través <strong>de</strong>l trabajo etnográfico, junto con la actualización <strong>de</strong> los registros estadísticos,<br />

las propuestas institucionales <strong>de</strong> políticas públicas 111 .<br />

Para estudiar la noticia policial<br />

El “<strong>de</strong>lito” es un instrumento conceptual particular; no es<br />

abstracto sino visible, representable; cuantificable;<br />

personalizable; subjetivable; no se somete a regímenes binarios;<br />

tiene historicidad y se abre a una constelación <strong>de</strong> relaciones y<br />

series. (Josefina Ludmer. El cuerpo <strong>de</strong>l <strong>de</strong>lito. Un manua, 1999)<br />

Todo estudio <strong>de</strong> la noticia pues por su peculiar complejidad implica “un trabajo que articule<br />

tres niveles”, el <strong>de</strong> la producción, el <strong>de</strong>l producto- el discurso periodístico- y el <strong>de</strong> la recepción: “Los<br />

dos primeros niveles se articulan con el tercero- en términos <strong>de</strong> interpretación y <strong>de</strong> necesidad<br />

epistemológica-, por lo que la categoría <strong>de</strong>l receptor se encuentra también presente en todos ellos”<br />

(Martini, 2000: 27 y 28). Y a la triple relación producción- producto- recepción o consumo, que es <strong>de</strong><br />

mutua implicancia y necesidad, inevitablemente se suma la sociocultura que los reúne y atraviesa y<br />

otorga sentido. Como observa Ford: “… este campo, el <strong>de</strong> ‘comunicación y cultura’, <strong>de</strong>ntro <strong>de</strong>l cual<br />

ubicamos el estudio <strong>de</strong> los medios, implica diversos niveles <strong>de</strong> análisis, y no lo digo en el sentido<br />

estratigráfico, porque se trata <strong>de</strong> procesos simultáneos, sino buscando un mínimo or<strong>de</strong>n” (1994a: 132<br />

y 133). Es preciso <strong>de</strong>sagregar los diversos niveles como paso metodológico, para luego llegar a ese<br />

“mínimo or<strong>de</strong>n” al que alu<strong>de</strong> Ford. Así, esta primera <strong>de</strong>scripción metodológica, general y exhaustiva,<br />

exige el abordaje <strong>de</strong> tres áreas fuertes y muy amplias <strong>de</strong> investigación, tres agen<strong>das</strong>, las <strong>de</strong>l mundo<br />

periodístico; las <strong>de</strong> los medios; y las <strong>de</strong> la sociedad.<br />

111 La puesta en común <strong>de</strong> estos datos permiten un análisis en <strong>de</strong>nsidad <strong>de</strong> la noticia sobre el <strong>de</strong>lito, tal como lo han<br />

planteado Geertz (1973), para la antropología, y Ford, para la comunicación (1994a).<br />

126


implica<strong>das</strong>:<br />

El Cuadro I i<strong>de</strong>ntifica los niveles antes anotados y su relación con las cuestiones culturales<br />

PRODUCCIÓN CULTURA PRODUCTO CULTURA RECEPCIÓN CULTURA<br />

Empresa <strong>de</strong> medios<br />

Periodismo<br />

Fuentes<br />

Marco<br />

metacomunicativo<br />

Fabricación <strong>de</strong> la<br />

información<br />

(newsmaking)<br />

<strong>de</strong>l mercado;<br />

<strong>de</strong>l trabajo;<br />

<strong>de</strong>l po<strong>de</strong>r<br />

<strong>de</strong> la propia<br />

comunidad<br />

Discurso<br />

hegemónico<br />

Del control<br />

social<br />

Noticias;<br />

Agen<strong>das</strong>;<br />

Unidad <strong>de</strong> las<br />

crónicas<br />

Marco<br />

metacomunicativo<br />

Relato <strong>de</strong> la<br />

realidad social<br />

Reactualización Público en Concepción mundo<br />

<strong>de</strong> los géneros; general La nación “imaginada”<br />

Series;<br />

Concepción <strong>de</strong>l Marco<br />

en una visión cultural;<br />

mundo metacomunica-tivo<br />

De la historia <strong>de</strong>l<br />

<strong>de</strong> la gestión pública<br />

género Instituciones búsqueda <strong>de</strong> consensos<br />

oficiales reconoci-<br />

Sociedad civil miento <strong>de</strong>l momento<br />

sociocultural<br />

Naturalización<br />

<strong>de</strong>l sentido<br />

De la <strong>de</strong>nuncia<br />

Marco<br />

metacomunicativo<br />

Público: Consenso y disenso<br />

Representaciones Alarma<br />

<strong>de</strong> y para la vida Desconfianza<br />

cotidiana Exigencia <strong>de</strong> control<br />

Interpretación <strong>de</strong><br />

los datos para la<br />

participación<br />

ciudadana Políticas públicas<br />

Instituciones:<br />

reconocimiento <strong>de</strong>l<br />

estado <strong>de</strong> la<br />

opinión<br />

En cada uno <strong>de</strong> los niveles <strong>de</strong> análisis, se i<strong>de</strong>ntifican las invariantes (la producción y sus<br />

aspectos; la noticia como producto que es público; la recepción o públicos <strong>de</strong> una agenda periodística<br />

<strong>de</strong>terminada) y las variables centrales (modos y condiciones <strong>de</strong> producción; recursos <strong>de</strong> género y<br />

estilo; estado <strong>de</strong> la sociocultura contemporánea y marco metacomunicativo) junto a las<br />

manifestaciones <strong>de</strong> la cultura correspondientes (entendiendo para este análisis, la cultura como<br />

formas <strong>de</strong>riva<strong>das</strong> <strong>de</strong> una práctica concreta) en la que se inscriben la producción, el producto y la<br />

recepción y según la cual cobran sentido, teniendo en cuenta que “las personas tienen opiniones sobre<br />

un montón <strong>de</strong> cosas, pero sólo unas pocas les importan <strong>de</strong> verdad” (McCombs, 2006: 25).<br />

Las condiciones <strong>de</strong> producción incluyen el sistema <strong>de</strong> medios y los efectos <strong>de</strong> la<br />

concentración empresaria (en el caso <strong>de</strong> los gran<strong>de</strong>s grupos <strong>de</strong> medios); la situación laboral <strong>de</strong>l<br />

periodismo, sus imaginarios y competencias para las tareas, sus formas <strong>de</strong> legitimación, inclusiones y<br />

exclusiones, riesgos y oportunida<strong>de</strong>s; y las peculiarida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>l newsmaking y sus rutinas según el<br />

medio, el soporte, las áreas laborales y los tiempos- los <strong>de</strong>l trabajo concreto y los <strong>de</strong> los<br />

acontecimientos-, consi<strong>de</strong>rando que “la credibilidad es el valor fundamental para la actividad<br />

periodística” (Amado Suárez, 2007: 17). Las condiciones <strong>de</strong> recepción implican el registro <strong>de</strong> las<br />

127


expectativas y necesida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> información i<strong>de</strong>ntificables en la sociedad y en los diferentes grupos <strong>de</strong><br />

interés, según situaciones <strong>de</strong> clase, género, pertenencia i<strong>de</strong>ntitaria, eda<strong>de</strong>s y geografías <strong>de</strong> resi<strong>de</strong>ncia.<br />

Al investigar la información periodística, hacemos un recorte entre los diferentes géneros discursivos<br />

massmediáticos y <strong>de</strong>l vasto conjunto <strong>de</strong> informaciones al que acce<strong>de</strong> el individuo en su vida cotidiana<br />

por fuera <strong>de</strong> los medios 112 . La producción <strong>de</strong> la noticia en general y <strong>de</strong> la noticia policial en particular<br />

articula cuestiones <strong>de</strong> los intereses político- financieros y la línea editorial <strong>de</strong> las empresas mediáticas<br />

que enmarcan las noticias cuyos hacedores, a su vez, pa<strong>de</strong>cen, en diferentes grados, presiones por las<br />

condiciones laborales y hasta por la compleja relación con las fuentes <strong>de</strong> información. Los periodistas<br />

que se <strong>de</strong>dican a la agenda <strong>de</strong>l crimen tienen difíciles relaciones con las fuentes, porque la primera y<br />

oficial es tanto la policía como la justicia, que suelen ampararse en el secreto <strong>de</strong>l sumario, o que<br />

<strong>de</strong>svían la atención ante la ausencia <strong>de</strong> pistas 113 . Esta <strong>de</strong>scripción entra en relación con formas<br />

acepta<strong>das</strong> y naturaliza<strong>das</strong> sobre la cultura <strong>de</strong>l mercado informativo, la cultura <strong>de</strong>l trabajo y la cultura<br />

<strong>de</strong>l po<strong>de</strong>r. En tanto, las rutinas productivas <strong>de</strong> la noticia (newsmaking) entran en contacto con una<br />

forma cultural <strong>de</strong> hacer la noticia policial, que es el género periodístico <strong>de</strong> más larga tradición, tal<br />

como lo señala Bajtin (1979) y que arrastra en cada nueva crónica las modalida<strong>de</strong>s habituales e<br />

históricas <strong>de</strong> trabajo. Por ello y por las necesida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> los tiempos productivos, la noticia sobre el<br />

crimen suele cubrirse <strong>de</strong> modo similar cuando se trata <strong>de</strong> hechos <strong>de</strong> índole similar. Y a la vez, se<br />

relacionan e inscriben en un discurso hegemónico que reproduce, con diversas variaciones en el caso<br />

<strong>de</strong> la noticia policial, estereotipos <strong>de</strong> hechos <strong>de</strong>lictivos, <strong>de</strong>lincuentes y víctimas, y una cultura <strong>de</strong>l<br />

control basado en el or<strong>de</strong>n social. El producto informativo respon<strong>de</strong> y está regido por las tradiciones<br />

culturales <strong>de</strong>l género, la construcción <strong>de</strong> la noticia en series temáticas que apelan y reproducen una<br />

concepción <strong>de</strong>l mundo naturalizado (el eje <strong>de</strong>l bien y el mal, lo legal y lo ilegal, el crimen y el<br />

castigo, el or<strong>de</strong>n y el <strong>de</strong>sor<strong>de</strong>n) y son conoci<strong>das</strong> y están en el horizonte <strong>de</strong> expectativas <strong>de</strong>l consumo.<br />

Cada una <strong>de</strong> las noticias, como relato que propone una visión <strong>de</strong>l mundo, se legitima en muchas otras<br />

series noticiosas, en el conocimiento y la memoria sobre la seguridad <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el imaginario social y la<br />

opinión pública y en que la información que difun<strong>de</strong> (aun parcial, incompleta, suspendida parece<br />

reor<strong>de</strong>nar el mundo <strong>de</strong>sarticulado por la irrupción <strong>de</strong> un hecho criminal). El público acce<strong>de</strong> al<br />

conocimiento <strong>de</strong> la realidad y ajusta su i<strong>de</strong>a <strong>de</strong> pertenencia a un colectivo, una ciudad, una nación<br />

como “imaginada”, tal como la <strong>de</strong>finiera An<strong>de</strong>rson (1983). Construyendo representaciones <strong>de</strong> y para<br />

112 Los datos sobre el riesgo <strong>de</strong> sufrir un <strong>de</strong>lito circulan como discursos <strong>de</strong> segundo y tercer ór<strong>de</strong>nes también por fuera<br />

<strong>de</strong> los medios y constituyendo discursos legitimados aun cuando no se sostengan sobre datos reales: en la vida<br />

cotidiana, mitos y leyen<strong>das</strong> son también nodos conceptuales <strong>de</strong> fuerte valor social que entran en relación con las<br />

noticias y con las memorias culturales.<br />

113 En el caso <strong>de</strong> hechos <strong>de</strong> narcotráfico o <strong>de</strong> corrupción la búsqueda <strong>de</strong> fuentes secundarias, no oficiales u off the<br />

record pone en peligro la vida <strong>de</strong> los reporteros, como ocurre en Colombia o en México, o como ocurriera en la<br />

Argentina en el caso Yabrán y el alevoso asesinato <strong>de</strong>l reportero gráfico José Luis Cabezas (1995).<br />

128


la vida cotidiana y para la participación ciudadana, los diferentes segmentos que constituyen la<br />

recepción <strong>de</strong> estas agen<strong>das</strong> reactualizan y reafirman la exigencia <strong>de</strong> vigilancia y control ante<br />

verda<strong>de</strong>ras crónicas <strong>de</strong> espacios alterados.<br />

De este modo la circulación <strong>de</strong> la información sobre el <strong>de</strong>lito se abre y se cierra en la<br />

sociedad, pero queda abierta en ella, fuente y receptora, no sólo <strong>de</strong> la noticia sobre un hecho puntual<br />

sino especialmente sobre imágenes <strong>de</strong> la amenaza constante, el miedo y lo que aparece como formas<br />

<strong>de</strong>l <strong>de</strong>scontrol 114 . Las instituciones, oficiales, gubernamentales y civiles, ponen en relación las<br />

noticias con los niveles e incumbencias <strong>de</strong> la cultura <strong>de</strong> la gestión pública que les es pertinente, y<br />

cuando el caso es relevante o presentado como grave respon<strong>de</strong> a través <strong>de</strong> comunicados, discursos o<br />

medi<strong>das</strong> coyunturales, en muchos casos en diálogo con aquellos discursos que apelan a la<br />

ingobernabilidad.<br />

Como toda mo<strong>de</strong>lización, es sólo una propuesta para la tarea <strong>de</strong> análisis y la puesta en relación<br />

a partir <strong>de</strong> datos confiables 115 . Tiene que incluir a la sociedad que la produce y consume recogiendo<br />

la tradición <strong>de</strong>l género, porque las agen<strong>das</strong> periodísticas y las agen<strong>das</strong> sociales se construyen<br />

interrelacionadamente y <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el pasado que se reactualiza <strong>de</strong>s<strong>de</strong> el presente, tal como lo observa<br />

Wallerstein (1991). Aunque este requisito es necesario en caso <strong>de</strong> estudiar cualquier otro mensaje<br />

mediático, la relevancia <strong>de</strong> la información periodística y especialmente en agen<strong>das</strong> urgentes, lo obliga<br />

más aún entendiendo la crónica roja como difusora <strong>de</strong> historias y problemas que tematizan la vida y<br />

la muerte, el pa<strong>de</strong>cimiento y la privación. Como proveedora <strong>de</strong> la información para organizar la vida<br />

cotidiana y aportar a la opinión pública, la noticia posibilita el acceso a los datos para la participación<br />

ciudadana y el control <strong>de</strong> la administración y gestión <strong>de</strong> la res publica.<br />

El sensacionalismo como problema metodológico<br />

(…) lo real no se manifiesta directamente al sujeto sino<br />

mediatizado por una construcción teórica, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> don<strong>de</strong> se<br />

interroga. Ello permite al investigador <strong>de</strong>linear una estrategia<br />

general reinvestigación que incluye pautas <strong>de</strong> análisis y<br />

procedimientos <strong>de</strong> la ciencia en general, a<strong>de</strong>cuados y<br />

reformulados a la luz <strong>de</strong> la investigación sobre un objeto en<br />

particular”. (Rosana Guber. El salvaje metropolitano.<br />

Reconstrucción <strong>de</strong>l conocimiento social en el trabajo <strong>de</strong> campo -<br />

1991).<br />

114 Se i<strong>de</strong>ntifica pues el concepto <strong>de</strong> violencia circunscripto a la violencia <strong>de</strong>lictiva, <strong>de</strong>jando <strong>de</strong> lado la consi<strong>de</strong>ración<br />

las violencias <strong>de</strong> la injusticia social, la <strong>de</strong>privación y las <strong>de</strong>sigualda<strong>de</strong>s, en el sentido <strong>de</strong> muchas noticias sobre <strong>de</strong>litos,<br />

el caso (micro) prima sobre la situación general (macro).<br />

115 . La metodología para investigar la noticia periodística exige- como toda tarea investigativa- la distancia y la<br />

suspensión <strong>de</strong>l prejuicio <strong>de</strong>l investigador, y no pue<strong>de</strong> restringirse a los contenidos y modalida<strong>de</strong>s <strong>de</strong>l texto, pensado en<br />

forma aislada.<br />

129


La pregunta es, siguiendo la cita <strong>de</strong> Guber, cómo acce<strong>de</strong>r a la <strong>de</strong>nsidad <strong>de</strong> las mediaciones. En<br />

el caso <strong>de</strong> la noticia sobre crímenes y <strong>de</strong>litos, las posibilida<strong>de</strong>s<br />

metodológicas <strong>de</strong> abordar los registros <strong>de</strong> ocurrencia, las modalida<strong>de</strong>s y el significado <strong>de</strong>l<br />

sensacionalismo como su retórica privilegiada <strong>de</strong>ben incluir 116 las indagaciones en los ejes <strong>de</strong> la<br />

diacronía y <strong>de</strong> la sincronía: la historia <strong>de</strong>l género periodístico policial en la prensa occi<strong>de</strong>ntal y en la<br />

prensa argentina <strong>de</strong>s<strong>de</strong> la instauración <strong>de</strong> la prensa mo<strong>de</strong>rna a comienzos <strong>de</strong>l siglo XX; algunos casos<br />

singulares y series temáticas en la historia y en la actualidad; y se suman, en el presente, la<br />

discriminación entre agen<strong>das</strong> temáticas y agen<strong>das</strong> atributivas; las rutinas productivas <strong>de</strong>l periodismo<br />

y opiniones <strong>de</strong> periodistas especializados en el área; el estado <strong>de</strong> la opinión pública sobre el tema a<br />

partir <strong>de</strong> encuestas propias y otras realiza<strong>das</strong> por diferentes consultoras y difundi<strong>das</strong> en los medios; el<br />

relevamiento <strong>de</strong> representaciones <strong>de</strong> actores sociales en organizaciones no gubernamentales sobre<br />

prevención <strong>de</strong>l <strong>de</strong>lito o por <strong>de</strong>manda <strong>de</strong> justicia, o conversaciones informales con vecinos <strong>de</strong> la<br />

ciudad <strong>de</strong> Buenos Aires.<br />

Como señalé en trabajos anteriores, el sensacionalismo es la retórica dominante, junto a la<br />

hipérbole narrativa, y la narrativa <strong>de</strong> pseudorrevelación. No constituyen una novedad genérica, y se<br />

las encuentra en la ficción <strong>de</strong> misterio y <strong>de</strong> horror. Los resultados <strong>de</strong> trabajos ya realizados permiten<br />

focalizar metodológicamente la explicación <strong>de</strong>l problema <strong>de</strong>l sensacionalismo según su ocurrencia e<br />

implicancia cuantitativas; y su recurrencia y significados cualitativos.<br />

El Cuadro II muestra los aspectos <strong>de</strong>l sensacionalismo i<strong>de</strong>ntificados según las diferentes<br />

técnicas (el or<strong>de</strong>namiento <strong>de</strong> cada una <strong>de</strong> las columnas no guarda correspon<strong>de</strong>ncia entre los datos<br />

enlistados en ambas):<br />

I<strong>de</strong>ntificación <strong>de</strong> ocurrencia cuantitativa I<strong>de</strong>ntificación <strong>de</strong> recurrencia cualitativa<br />

En tapas <strong>de</strong> periódicos y tipografía<br />

En cabezas <strong>de</strong> noticieros televisivos<br />

En serialización<br />

En imágenes<br />

En tropos y expresiones ad hoc<br />

Reiteraciones que apelan a un presente continuo <strong>de</strong><br />

amenaza<br />

Uso <strong>de</strong> hipérboles<br />

Reiteración <strong>de</strong> adjetivos <strong>de</strong>l or<strong>de</strong>n <strong>de</strong> la crueldad; la<br />

sangre; el dolor; la humillación<br />

Instalación <strong>de</strong> metáforas que cristalizan un estado <strong>de</strong><br />

la vida cotidiana<br />

Construcción <strong>de</strong> un contexto siniestro<br />

Apelación al impacto emotivo, el escándalo<br />

Construcción <strong>de</strong> series sobre el <strong>de</strong>sor<strong>de</strong>n social Construcción <strong>de</strong> crónicas sobre una nación alterada<br />

Hiperinformación y consecuente <strong>de</strong>sinformación Acumulación <strong>de</strong> sensaciones, metáforas, casos que<br />

dificultan el procesamiento <strong>de</strong> la información<br />

116 El planteo respon<strong>de</strong> al trabajo realizado por la autora <strong>de</strong> este trabajo, en una serie <strong>de</strong> investigaciones previas durante<br />

10 años.<br />

130


Efectos sobre el individuo (ámbito privado) y sobre el Efectos sobre el individuo (ámbito privado) y sobre el<br />

ciudadano (ámbito público)<br />

ciudadano (ámbito público)<br />

Des<strong>de</strong> el plano cuantitativo, el sensacionalismo se i<strong>de</strong>ntifica según su valor como invariante<br />

en el sistema: toda noticia policial está cargada <strong>de</strong> construcciones que se dirigen al impacto, la<br />

emoción y el escándalo. El sensacionalismo se mi<strong>de</strong> por la reiteración habitual con que se presenta en<br />

tapas y cabezas <strong>de</strong> noticias; el número <strong>de</strong> imágenes- en general muy similares- <strong>de</strong> cuerpos<br />

<strong>de</strong>strozados o <strong>de</strong> los lugares <strong>de</strong>l hecho; los registros diarios y en vivo (televisión) <strong>de</strong> la cotidianeidad<br />

alterada por el crimen; la serialización que es el procedimiento que asegura la existencia <strong>de</strong>l peligro<br />

(las series se mi<strong>de</strong>n según su ocurrencia, pero en relación con el tipo <strong>de</strong> <strong>de</strong>lito que or<strong>de</strong>nan, series <strong>de</strong><br />

“robos <strong>de</strong> bebés”; <strong>de</strong> “asaltos a ancianos”; <strong>de</strong> “homicidios en ocasión <strong>de</strong> robo”, por ejemplo, y la<br />

inscripción <strong>de</strong> cada nueva noticia en alguna <strong>de</strong> ellas). Las reiteraciones aseguran la presencia habitual<br />

<strong>de</strong> situaciones trágicas y/o amenazantes, y construyen el efecto <strong>de</strong> un presente continuo y continuado,<br />

acechado por el <strong>de</strong>lito, sin posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> solución.<br />

Des<strong>de</strong> el plano cualitativo, el sensacionalismo es una retórica, propia <strong>de</strong> la prensa popular que<br />

se resignifica en el transcurso <strong>de</strong>l tiempo en la prensa argentina, por tanto hay operaciones <strong>de</strong> cambio<br />

que es necesario registrar en su historia y en su transformación hasta la incorporación natural en<br />

contratos <strong>de</strong> lectura que se extien<strong>de</strong>n al periodismo <strong>de</strong> referencia, y se han constituido en modos<br />

autorizados para hablar <strong>de</strong>l <strong>de</strong>lito. Zelizer advierte que “las narrativas en el discurso público pue<strong>de</strong>n<br />

concernir tanto a la auto- legitimación <strong>de</strong> <strong>de</strong> sus narradores como a la redifusión <strong>de</strong> la información<br />

que ellos contienen” (1997: 266).<br />

Se i<strong>de</strong>ntifica una modalidad <strong>de</strong> exponer narrativa y abiertamente el hecho y sus<br />

consecuencias, con el uso <strong>de</strong> la morbosidad y emotividad, con imágenes sobre el peligro y apelando<br />

al escándalo, en términos asociados al dolor <strong>de</strong> la víctima y su familia, la crueldad y violencia <strong>de</strong>l<br />

<strong>de</strong>lincuente; la <strong>de</strong>scripción <strong>de</strong>tallada <strong>de</strong> la normalidad previa a la situación don<strong>de</strong> el crimen instaló la<br />

ruptura y el consiguiente efecto <strong>de</strong> lo siniestro- la <strong>de</strong>ixis espacio- temporal es fundamental en la<br />

crónica policial, sitúa el hecho en “un barrio tranquilo, en horas <strong>de</strong>l día” y las víctimas eran “personas<br />

<strong>de</strong> trabajo, como usted o yo”-. La hipérbole es la retórica <strong>de</strong> la serialización: las “olas”; “estallidos”;<br />

“escala<strong>das</strong>” <strong>de</strong>l <strong>de</strong>lito son construcciones mediáticas, y la violencia criminal que marca la producción<br />

<strong>de</strong> la noticia permite fórmulas plenas <strong>de</strong> tremendismo y pietismo, imagen <strong>de</strong>l llanto en cámaras <strong>de</strong> las<br />

familias <strong>de</strong> la víctima y exposición obscena <strong>de</strong> los cuerpos victimizados en la prensa gráfica. Según<br />

sus modos <strong>de</strong> recurrencia, es habitual que a mayor carga noticiable <strong>de</strong>l hecho periodístico (a mayor<br />

graduación en la violencia) mayor reiteración <strong>de</strong> las modalida<strong>de</strong>s señala<strong>das</strong> que resultan en crónicas<br />

131


<strong>de</strong> estados alterados. Amarillismo, hipérbole, pietismo, <strong>de</strong>nuncia que se hace fácilmente <strong>de</strong>nuncismo,<br />

escándalo están al servicio <strong>de</strong> un nuevo modo <strong>de</strong> retórica: el sensacionalismo argumentativo,<br />

peligrosa construcción que <strong>de</strong>valúa la condición ciudadana. Para interpretarlo, es necesario leer las<br />

construcciones sobre las víctimas, los <strong>de</strong>lincuentes, los efectos y los modos criminales, los estilos<br />

genéricos, la apelación a metáforas <strong>de</strong> la vida cotidiana y a fórmulas tradicionales <strong>de</strong> la nota policial.<br />

Medida en términos cuantitativos, la hiperinformación habitual sobre el <strong>de</strong>lito ocasionaría<br />

efectos <strong>de</strong> <strong>de</strong>sinformación por acumulación, fenómeno que se i<strong>de</strong>ntifica también en el análisis<br />

cualitativo: la sangre vertida en la tinta <strong>de</strong> las crónicas dificulta su percepción y procesamiento<br />

a<strong>de</strong>cuados. En encuestas que dirigí, realiza<strong>das</strong> en 2005 y 2008 en la ciudad <strong>de</strong> Buenos Aires, se<br />

verifica un alto porcentaje <strong>de</strong> dificultad para recordar, <strong>de</strong>s<strong>de</strong> las noticias mediáticas, casos policiales<br />

recientes - muchos <strong>de</strong> los encuestados se disculparon diciendo que “son tantos que no recuerdo<br />

ninguno”-. Sin embargo, el 57% <strong>de</strong> ellos afirman haber cambiado sus hábitos cotidianos por efectos<br />

<strong>de</strong> la lectura <strong>de</strong> la información sobre el crimen, y aunque exigen mayor presencia policial como forma<br />

<strong>de</strong> vigilancia en las calles, sólo el 22% reconoce la efectividad <strong>de</strong> la fuerzas <strong>de</strong> seguridad en la<br />

prevención <strong>de</strong> hechos <strong>de</strong>lictivos, y suman a esta afirmación el reconocimiento <strong>de</strong> no haber realizado<br />

la <strong>de</strong>nuncia correspondiente cuando han sufrido un <strong>de</strong>lito porque “la policía es ineficiente”. Teniendo<br />

en cuenta que el 84% <strong>de</strong> los informantes <strong>de</strong>claran enterarse <strong>de</strong> los hechos <strong>de</strong>lictivos a través <strong>de</strong> los<br />

medios, mayoritariamente por la televisión, es posible interpretar el papel relevante que estos tienen<br />

en la información. Pero también que esa información pública es objeto <strong>de</strong> procesamientos e<br />

interpretaciones diversas, que producen representaciones, datos y actitu<strong>de</strong>s contradictorias. Des<strong>de</strong> ese<br />

dato, el análisis cuantitativo y cualitativo tiene que interpretarlas para enten<strong>de</strong>r el valor <strong>de</strong> la<br />

información y su efecto sobre la vida cotidiana.<br />

La metodología es una creación permanente, datos para continuar la exploración<br />

Todo abordaje <strong>de</strong> la noticia exige un trabajo en <strong>de</strong>nsidad, que articule y ponga en relación<br />

producción y recepción <strong>de</strong>l producto noticioso, entendiendo los modos en que se construye sentido en<br />

la vida cotidiana, aspecto cultural específico <strong>de</strong> cada sociedad y comunidad a la que el periodista<br />

también pertenece; las competencias <strong>de</strong> la sociedad para la interpretación y <strong>de</strong>codificación <strong>de</strong> la<br />

información; la construcción <strong>de</strong> los verosímiles que nos envuelven y que es tanto cuestión <strong>de</strong>l<br />

periodismo cuanto <strong>de</strong> los públicos; los discursos en su aspecto <strong>de</strong> superficie y en su estructura<br />

profunda; sumados a la especificidad <strong>de</strong>l soporte tecnológico. Finalmente, aunque no cerrando las<br />

132


posibilida<strong>de</strong>s <strong>de</strong> abordaje, está la cuestión <strong>de</strong> los niveles micro y macro <strong>de</strong> estudio, siempre en<br />

tensión, como lo observan Morley (1993); Ford (1999), Muñoz (2001), entre muchos otros 117 .<br />

Cualquier reflexión sobre los aspectos metodológicos <strong>de</strong> la investigación es en realidad un<br />

work in progress, porque la comunicación, que es una disciplina y una práctica transversal es <strong>de</strong>l<br />

or<strong>de</strong>n <strong>de</strong> lo social y cultural, <strong>de</strong> la historia, y por tanto su dinamismo <strong>de</strong>manda la atención constante<br />

<strong>de</strong>l investigador. En el caso <strong>de</strong> la noticia policial, que pertenece al circuito <strong>de</strong> la comunicación<br />

política, el marco metacomunicativo se completa <strong>de</strong> modo ineludible con el día a día <strong>de</strong> las prácticas<br />

gubernamentales, políticas y sociales, que suman elementos para el análisis.<br />

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Buenos Aires, Norma.<br />

117 Ford advierte: “El peligro obvio, pero real, es cuando un polo excluye al otro, cuando <strong>de</strong>jan <strong>de</strong> ser vistos como<br />

lugares en una escala, cada uno con sus propias lógicas, pero pertenecientes en fin s una misma escala o a la visión <strong>de</strong> un<br />

mismo objeto”, por lo que hay que tener en cuenta “el tema <strong>de</strong> la pertinencia, tanto metodológica como histórica, <strong>de</strong> los<br />

análisis micro o macro, globales o locales” (1994a: 138).<br />

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