Edição Agosto de 2012 - Versão em PDF - Revista Anônimos

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Edição Agosto de 2012 - Versão em PDF - Revista Anônimos

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SUMÁRIO

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EDITORIAL

Caros Leitores,

Estamos contentes com a visibilidade que a

Anônimos virtual está ganhando. Muitas pessoas, pela

internet, podem agora conhecer um pouco de nosso

trabalho, que é usar a informação no combate à

dependência de àlcool e outras drogas, seja para auxiliar

o tratamento do dependente, do familiar ou a prevenção.

Isso é possível graças à boa-vontade de nossos parceiros,

apoiadores e colaboradores, que juntos, fazem

a força para chegarmos cada vez mais longe.

Além dos artigos, reflexões e vivências desta edição,

você vai conhecer os dados sobre o perfil do usuário

da maconha no Brasil, divulgados no II Levantamento

Nacional de Álcool e Drogas. Nossos jovens estão

usando a droga cada vez mais e mais cedo. E o pior:

grande parte deles estão tornando-se dependentes da

droga que desencadeia a esquizofrenia, entre outros

males. E ainda assim existem pessoas que pensam na

legalização. E você, o que pensa sobre isso?

Boa reflexão.

Com carinho,

A redação

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COLUNA DO MARCO

Quantas vezes

CAPA

Levantamento Nacional revela dados

sobre o uso da maconha no Brasil

COLUNA DO PADRE HAROLDO

O Tempo

COLUNA DO CARLOS

Fazer diferente

COLUNA DA MARÍLIA

Pessoas tóxicas e pessoas nutritivas

associadas às dependências e codependências

EXPEDIENTE

Diretora de Redação: Romina Miranda

Cerchiaro

Direção de Arte: Butterfly Publicações

Jornalista Responsável: Romina Miranda

Cerchiaro - MTb 49.130

Gerente de Negócios: Humberto Fröhls

Fotos - Microfoto

Anônimos é uma publicação da Butterfly Publicações Ltda

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Redação, Administração e Publicidade:

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informações sobre os produtos e serviços aqui

anunciados.

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12 PRINCÍPIOS

Novo caminho

REFLEXÕES

Será que existe recuperação?

12 PASSOS

O passo do perdão

VIVÊNCIAS

Ser capaz ou incapaz

PALAVRA DE AMOR

O encontro


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Por Marco Leite

Meu cinquentenário chega em um momento de renovação

e provações. Como tenho falado em artigos anteriores,

sou um vencedor e um vencido ao mesmo tempo,

vivo em conflitos. Isso é coisa de minha bipolaridade, e

como optei por não tomar remédios (drogas também)

para combater minha dependência química e alcoólica,

pago um preço por isso. São as nuances de meu humor e

de meu temperamento.

Quantas vezes passou pela minha cabeça deixar de

lado meus ideais e meus sonhos... Mas, jamais, em

momento algum, eu pensei em sair do meu rumo - a sonhada

sobriedade. Ela é o maior de meus objetivos. Nada

e nem ninguém fará eu voltar para um passado, que teve

seus momentos bons, mas que na grande maioria dos dias

foi muito ruim.

Lembro de quantas vezes voltei para casa com o

coração amargurado e arrependido do que tinha feito, ou

pior, com a preocupação de nem lembrar o que havia

ocorrido devido aos apagões que tive e nem poder rever

os meus erros.

Quantas vezes estive em completa solidão, mesmo

estando com muitas pessoas a minha volta, o medo de

dividir e de partilhar meus problemas não me levava a

lugar algum. Ainda hoje mantenho uma capa de proteção

em meu silêncio. Esperando ajuda, me calo, e quero que o

outro adivinhe o que estou pensando. Isso nunca vai

acontecer, é preciso quebrar este vício que, às vezes, é

muito maior que uma ofensa ou uma discussão. O silêncio

exagerado é um descaso para com a pessoa com quem

se divide uma vida.

Quantas vezes eu tenho procurado transpor esta barreira

do silêncio e ter a coragem de realmente mudar e ser

Quantas vezes...

o mais verdadeiro possível. Algumas pessoas dizem que

escrevo com o coração e me comporto como um menino

imaturo na hora do diálogo.

Quantas vezes falhei no agir por me calar e deixei as

oportunidades passarem em branco. Quero parar com

isso, mas tenho sido falho. Parece que cresço e vou

subindo degraus, mas costumo bater em obstáculos e

voltar ao começo, novamente.

O melhor disso tudo é que sou um lutador e não desisto,

pois mesmo que tenha que repetir quantas vezes for

preciso, eu vou insistir. Já ultrapassei o maior dos obstáculos

que foi a guerra contra minha dependência.

Passei minha vida sem luta e hoje sou um lutador, não

me entrego e não acredito em causas perdidas, sou forte e

vou continuar em minha missão e acreditando em Deus.

Com Ele e minha força de vontade sei que vou chegar lá.

Quantas vezes me foi dito que Deus está no comando

de minha vida, e isso é uma verdade, mas Ele não resolve

meus problemas, apenas me mostra as oportunidades. É

como se Ele fosse apenas o navegador, e a direção a seguir

cabe a mim decidir.

E eu já decidi... resolvi acreditar no amor à vida, e sei

que só o amor pode me transformar em uma pessoa melhor.

Eu acredito nisso!

E vou atrás de meus sonhos quantas vezes for

necessário!

Marco Antônio Machado Leite

Jornalista

http://lampiaogaucho.blogspot.com/

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Coluna do Marco


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Capa

Levantamento Nacional revela dados

sobre o uso da maconha no Brasil

A maconha é a substância ilícita mais consumida no

mundo. No Brasil, o Segundo Levantamento Nacional de

Álcool e Drogas (LENAD,) concluído em março deste ano,

investigou o padrão de uso de maconha e pela primeira vez

detectou os índices de dependência da droga em uma amostra

que representa a população brasileira.

O LENAD foi realizado pelo INPAD (Instituto Nacional

de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas) da UNIFE-

SP (Universidade Federal de São Paulo) e financiado pelo

CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e

Tecnológico) e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do

Estado de São Paulo (FAPESP). Entrevistas em domicílio

foram realizadas em 149 municípios de todo território nacional,

com 4607 indivíduos de 14 anos de idade ou mais.

A pesquisa aponta que no Brasil 7% da população adulta já

experimentou maconha.

Na vida, representando 8 milhões de pessoas. Três por

cento da população adulta, que equivale a mais de 3 milhões de

pessoas, fez uso frequente no último ano.

Quanto ao uso na adolescência, o estudo mostra que quase

600 mil adolescentes (4% da população) já usou maconha pelo

menos uma vez na vida, enquanto a taxa de uso no último ano

foi idêntica a dos adultos (3% equivalente a mais de 470 mil

adolescentes). Mais de 60% dos usuários de maconha experimentaram

a droga pela primeira vez antes dos 18 anos de idade.

Um dado relevante apontado no Levantamento é que mais

da metade dos usuários, tanto adultos quanto adolescentes

consomem maconha diariamente (1.5 milhões de pessoas).

Embora a quantidade de usuários relatados no Brasil (3%)

seja relativamente pequena se comparada a países como

Canadá (14%), Nova Zelândia (13%) ou Estados Unidos

(10%), a percentagem de dependentes de maconha entre

usuários é a mesma encontrada em países com maior prevalência

de uso. Mais de um terço dos usuários adultos foram identificados

como dependentes no estudo. Na adolescência os

índices de dependência alcançam 10% entre usuários. Vale

ressaltar que o estudo mostrou um aumento de usuários adolescentes

entre 2006 e 2012. Ou seja, em 2006, existia menos

de 1 adolescente para cada adulto usuário de maconha; em

2012 foram encontrados 1.4 adolescentes para cada adulto

usuário.

O levantamento mostra que a dependência de maconha

existe e é bastante comum entre os usuários. A identificação

de dependência de maconha usada pelo estudo não leva em

consideração a quantidade ou frequência de uso da droga, mas

sim aspectos comportamentais comuns da dependência. São

avaliados: ansiedade e preocupação por não ter droga, a sensação

de perda de controle sobre o uso, a preocupação com o

próprio uso, o fato de ter tentado parar, de achar difícil ficar

sem a droga.

Além disso, também foi detectado que um terço dos adultos

usuários já tentaram parar e não conseguiram, enquanto

27% já apresentaram sintomas de abstinência ao tentar parar.

Tendo em vista o contexto atual de discussão da legislação

referente à maconha, a opinião pública sobre a legalização da

maconha foi investigada na população de 14 anos de idade ou

mais. A maioria (75%) da população abordada não concorda,

11% concorda com a legalização da maconha enquanto 14%

não tem uma opinião formada.


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foto


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Coluna do Padre Haroldo

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Por Padre Haroldo J. Rahm, SJ

O que significa o tempo para você?

Como viver o tempo da melhor maneira, e fazer da

vida uma passagem intensa... Aproveitar o nosso tempo

com sabedoria... Nossas oportunidades, escolhas... E as

dádivas Divinas que nos são concedidas a todo o momento,

a todo tempo.

Esperar o tempo correto para tudo e agir com o tempo

em todas nossas decisões, confiando e acreditando que

Jesus Cristo está agindo no seu tempo a favor de nossas

vidas.

O passado passou, o futuro é incerto, mas podemos

construí-lo através do presente... Somente o presente é

eterno; é agora, é este momento que tem o verdadeiro

valor e energia de vida. É este momento que faz a diferença.

Vivendo do passado e do futuro, estamos perdendo

tempo, e este segundo não volta mais.

Faça agora do seu tempo a verdade e a vida em Jesus

Cristo. Aprenda a concentrar-se neste momento, pensando

no passado como experiência e no futuro como esperança.

Viva o presente, pois a vida é o presente.

A globalização do mundo moderno faz com que a

humanidade esqueça de viver pausadamente cada situação,

no seu devido tempo. Aceleramos tudo, não temos paciência,

nos tornamos imediatistas, e daí construímos sobre

erros, pois desta maneira nos expomos mais e nos

arriscamos mais. Falta tempo para a afetividade e para os

diálogos. Perdemo-nos como pessoas!

A droga é só um paliativo para a solução imediata que

procuramos para nossas emoções e problemas. Ela parece

resolver tudo rapidamente. Porém são apenas ilusões, nos

sentimos mais fortes, inibe nossa tristeza, proporciona

uma coragem aparente. Tudo perda de tempo, as consequências

são destruição e somatizam dores e desilusões.

Mas, Jesus Cristo não perde tempo. No tempo Dele,

vidas são salvas. Em algum momento o tempo de alguém

O tempo

é o mesmo de Cristo; estando no mesmo tempo Dele, faznos

despertar. É o tempo de salvar e perdoar, de viver, de

apreciar o que Ele nos deu de melhor. Com Ele, passamos

a nos conscientizar mais da necessidade de nos despir de

nós mesmos quando não estamos dando certo. No

Caminho da Luz temos todas as chances de reconstruímonos.

Você já deve ter feito algo maléfico. Poderia pensar

nisto? Algo que não vai ao encontro da Palavra de Deus,

de seus Mandamentos e do exercício do Amor. Algo que

foi conduzido pelos defeitos de caráter. Um momento de

egoísmo, de furor, de orgulho! Perdemos demais nosso

tempo. Nestes momentos difíceis temos que ter consciência

e não permitir que nossos defeitos de caráter falem

mais alto em nós. Sentir raiva ou ciúme é humano; a diferença

está no que fazemos com eles, as nossas reações e

comportamentos. Um ato negativo acarretará uma reação

destrutiva, e estaremos colaborando para o mal vencer.

Atingimos o cosmos e o tempo fará de nós a principal vítima.

Se estivermos no tempo Divino, deixamos de ser a

vítima para sermos guerreiros na luta pelo bem.

E você, o que faria com seu tempo se soubesse que o

mundo acabaria amanhã?

Haroldo J Rahm, SJ – Fundador da APOT –

Instituição Padre Haroldo

Para pessoas com síndrome de dependência

alcoólica e química de ambos os sexos

Tel. (19) 3794-2500

Campinas – São Paulo – Brasil

Fundador do Amor Exigente, Yoga Cristã e TLC

hrahmsj@yahoo.com

padreharoldo.blogspot.com


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Por Carlos Alberto Rocha Ferreira

A recuperação da dependência de drogas e álcool é

acima de tudo a busca de um novo estilo de vida.

Todo mundo na vida passa por fases. Há situações

muito fáceis de mudar. Por exemplo, um novo corte de

cabelo, basta procurar um profissional e pronto: novo

visual. Agora há coisas na vida que são vistas como

impossíveis. Para essas há sempre aquelas respostas:

"Sou assim e pronto";

"Estou velho demais para mudar";

“A vida é minha”;

Sem dúvida, mudança requer: o querer, coragem e disposição.

Ninguém muda se não quer.

O querer mudar nunca é o mesmo o tempo todo. Há

momentos de desânimo, desesperança, falta de sentido no

desejo da mudança. É preciso ter um objetivo muito claro

e saber a vantagem que essa mudança trará (elas serão

maiores que as perdas?). Sobretudo, é preciso apoio e pessoas

que saibam colaborar para o processo de mudança.

Tudo isso tem relação com a recuperação.

Qualquer pessoa tem que mudar um comportamento.

Por exemplo, alguém com medo de viajar de avião.

Devido a esse medo, por muitos anos recusou empregos

vantajosos e viagens com amigos para não ter que pegar

avião. De repente conheceu alguém, que vivia distante e o

namoro só seria possível se pegasse avião frequentemente.

Rapidamente procurou ajuda e superou esse medo.

Portanto, as situações fazem com que a pessoa busque

ajuda justamente porque ela quer motivação para viver.

Não dá para saber quando e o que vai motivar alguém. É

preciso estar atento: a motivação para a mudança está em

toda a parte, mas pode aparecer e desaparecer com grande

rapidez. Por isso, quando o desejo de abandonar o consumo

de drogas aparece, a melhor coisa é procurar ajuda

imediatamente para que esse desejo possa ser estimulado

cada vez mais.

Ser nós mesmos é tomar decisões, não para agradar os

outros que nos observam ou vivem com a gente, mas

porque estamos usando conscientemente e com responsabilidade

a nossa capacidade de querer viver.

Para poder nos libertar do álcool e drogas sabemos

que através do programa sugerido dos 12 passos podemos

encontrar esperança em uma vida melhor, mas para que

isso aconteça temos que realmente ter coragem e querer

mudar. É justamente querer “fazer diferente” do que

fazíamos vinte e quatro horas atrás!

A mente preocupada com fatos, acontecimentos e pes-

Fazer diferente

soas da ativa é incapaz de perceber a sua verdadeira essência

na mudança. Aquele que está agarrado ao egocentrismo

está vazio por dentro e cego por fora. Agora aquele

que se liberta do egocentrismo descobre que sempre

esteve repleto de oportunidades a sua volta, mas nunca

soube enxergá-las.

Enquanto a pessoa em recuperação não se livrar de

certas atitudes e comportamentos da ativa, certamente o

caminho será no mínimo triste e doloroso.

Mesmo em recuperação o adicto insiste em continuar

usando o “se” nas suas explicações e desculpas:

“Se” tivesse conseguido dormir;

“Se” minha visita tivesse vindo;

“Se” não fosse ele/ela isso não aconteceria;

“Se” não fosse por falta de dinheiro eu teria conseguido;

“Se” pudesse telefonar estaria melhor;

“Se” não fossem os problemas de saúde;

“Se” não tivesse demorado;

“Se” me escutassem mais;

“Se” eu não estivesse sob tanta pressão;

“Se” prestassem mais atenção em mim;

“Se” este mundo não fosse tão nojento;

“Se” as pessoas me entendessem;

“Se” ele/ ela tivesse me pedido;

“Se” ele/ ela tivesse me agradecido...

Seja lá qual for o “se”, fica claro que deixamos que circunstâncias

controlem nossas vidas. A doença da adicção

não respeita “se” nenhum! Ela não se afasta de nós nem

por uma semana, por um dia ou por uma hora, fazendo

com que sejamos NÃO ADICTOS e capazes de usar

álcool e drogas em alguma ocasião especial ou por qualquer

motivo. Nem mesmo somos capazes a uma única

comemoração em toda vida, ou mesmo “se” estivermos

presos por uma enorme dor. Nem “se” chover canivetes

ou “se” estrelas caírem. Na doença da adicção não existem

condições, ela não respeita nenhum “se”.

As experiências vividas no passado nos dão sabedoria

para viver o hoje, influenciando em nossas decisões naquilo

que é bom ou não, pois já conhecemos os caminhos e

os resultados. Algumas pessoas deixam que o passado as

mantenham presas naquilo que simplesmente já foi.

Presas por infelizes “se”, atolam-se na culpa e não conseguem

nem olhar o agora.

Cuidado! Em algum lugar escondido num cantinho da

nossa massa cinzenta podemos conservar um pequenino

“se” que pode estar acompanhado de uma pequenina

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Coluna do Carlos


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10 restrição: “Se” tudo acontecer como eu quero!

Temos que trabalhar nossos defeitos de caráter, nossa

maneira de pensar e agir. Não importa como me tratem,

não importa o que aconteça, não depende de quaisquer

circunstâncias ou condições.

Transferir as nossas responsabilidades e limitações aos

outros é impedir e acabar com a recuperação. Devido o

adicto não entender bem do seu interior e ter o costume

de na ativa não assumir responsabilidades, acaba se comparando

aos outros, esquecendo que ninguém é obrigado

ou tem o dever de fazer por ele.

Quem se compara com os outros acaba se sentindo

uma pessoa superior ou inferior, melhor ou pior. Não

encontra o seu verdadeiro valor, não se conhece, não se

aceita. Quem se compara acaba se defendendo dizendo:

“Faço isso porque estou tentando ajudar”. Força situações

e inventa histórias, fazendo com que os outros sejam os

responsáveis, NUNCA ELE. Acabam achando até que

seu dever é “salvar almas”, quando só podem é salvar a si

próprios!

Praticando o programa dos 12 passos quando encontramos

uma situação difícil ou sentimos a chegada de um

problema, aprendemos a procurar ajuda antes de tomarmos

uma decisão. Sendo humildes, honestos e pedindo

ajuda, podemos atravessar os momentos mais duros. Eu

não posso, nós podemos!!!

Em recuperação aprendemos que não temos todas as

respostas ou soluções, mas que podemos aprender a viver

sem drogas e termos um novo modo de vida. Podemos

nos manter “limpos” e apreciar a vida como ela é.

Quando nos amamos somos capazes de amar verdadeiramente

os outros. O amor é o que dá a vontade de

crescermos espiritualmente. As pessoas genuinamente

amorosas são por definição pessoas que crescem.

Aproveitem o momento! Se não formos bons conosco

agora mesmo, certamente não poderemos ter respeito e

consideração dos outros.

Fazer diferente a partir de agora significa ter uma vida

diferente da que tínhamos. Requer um pouco de prática,

mas vale a pena o esforço!

“Se você faz o que sempre fez, conseguirá o que sempre

conseguiu”

Portanto, vamos FAZER DIFERENTE!!!

Só por hoje!!!

Carlos Alberto Rocha Ferreira

Psicoterapeuta Holístico e Delegado Ambiental. Atua na área

de dependência química. Atua no Grupo Carpe Diem - Clínicas de

Recuperação de Drogas e Álcool. É palestrante em empresas, clínicas

de recuperação e grupos de ajuda.

www.clinicascarpediem.com.br

carlosrocha.terapeutaholistico.com.br

carlosrocha@terapeutaholistico.com.br

Tel: (11) 2861-3842 / cel: (11) 9866-2673

cel: (11) 7779-0959 ID: 92*112636


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Coluna da Marilia

Por Marília Teixeira Martins

Ao iniciar este artigo, faz-se necessário primeiramente

definir o que é um alimento considerado tóxico e o que

difere do alimento considerado nutritivo para o desenvolvimento

saudável do ser humano.

Substâncias ou alimentos tóxicos, segundo os estudiosos

em saúde e nutrição, são aqueles que além de

causarem danos, não fornecem nenhum valor positivo ao

organismo, interferindo nos processos de conservação da

vida. São considerados altamente nocivos ao ser humano,

demorando muitas vezes a manifestar sua toxidez.

Por outro lado, substâncias ou alimentos nutritivos são

benéficos, tornando o organismo dos seres humanos

saudáveis, atuantes e dispostos. Eles ajudam no desenvolvimento,

levando nutrientes necessários à conservação

da vida.

Definidos estes dois tipos de alimentos e substâncias,

me reporto agora aos estudos de Dr. Jerry Greenwald,

estudioso do comportamento humano, que descreveu em

1973 dois tipos de pessoas exatamente iguais aos exemplos

que citei acima, ou seja, pessoas tóxicas que adoecem

seus relacionamentos e pessoas nutritivas, que alimentam

seus relacionamentos.

A pessoa tóxica é aquela que depende do outro e duvida

de sua capacidade de se atender e se nutrir individualmente.

Busca incessantemente alguém que possa alimentar

sua vida, chegando a sugá-lo de tal forma que o relacionamento

torna-se completamente dependente, caótico

e doentio. Costuma perder a noção de limites quando

alguém próximo lhe dá atenção, exaurindo-o, sugando-o, e

sufocando-o, sob o risco de acusá-lo de rejeição, caso ele

não consiga atender suas expectativas. Normalmente são

pessoas controladoras e manipuladoras. Seu foco de vida

está na vida do outro, distanciando-se cada vez mais de si

ao longo da vida.

Por outro lado, a pessoa nutritiva é capaz de se autosustentar,

como também se nutrir de forma saudável alimentando

também suas relações. Procura incessantemente

por seu autoconhecimento e por caminhos que a levem às

mudanças necessárias para sua própria evolução. Tem boa

autoestima, entra facilmente em contato com seus sentimentos,

conhece bem seu valor, suas habilidades, sendo

clara e objetiva ao avaliar quando deve dizer sim e quando

precisa dizer não. Por isso é uma pessoa que contribui

efetivamente àquele que precisa de sua ajuda.

Pessoas tóxicas e pessoas nutritivas associadas

às dependências e codependências

No caso da dependência química, costumo associar

estes dois tipos de comportamentos tão bem descritos

pelo Dr. Jerry Greenwald aos comportamentos apresentados

pelos dependentes e pelos codependentes.

Penso que se não houver mudanças efetivas, se não

houver uma busca no processo de autoconhecimento e a

determinação em se reconstruírem, possivelmente irão

perpetuar seus comportamentos doentios, sob o risco de

contaminar todas suas relações com suas toxidez.

Por isso, nós profissionais da saúde, insistimos em sugerir

e indicar a necessidade do processo de recuperação,

tanto para o dependente como também para seus familiares

(codependentes). Só assim acredito que é possível

minimizar ou extinguir comportamentos tão destrutivos.

Minha sugestão então é que ousem arriscar e acreditar

na recuperação, em si mesmos, na capacidade de auto-resgate

e em descobrir um Poder Superior, capaz de ajudá-los

a remover os defeitos de caráter tão presentes na doença.

Que ousem arriscar e acreditar que é possível alcançar

e navegar em direção à serenidade, sobriedade e à paz.

Que sejam suficientemente fortes para buscar e caminhar

em direção à luz; suficientemente corajosos para

darem o primeiro passo a favor de suas próprias recuperações,

humildes para buscar informações e pedirem ajuda

e ousados para dizer "NÃO", se preciso for, sem nenhuma

culpa.

E por fim, que não deixem de sorrir por mais difícil

que possa parecer, que não deixem de cantar, ainda que

seja um pequeno trecho de uma música preferida e, principalmente,

que não deixem de acreditar na vida, na recuperação

e em Deus, apesar de toda a dor e sofrimento.

Só a luz consegue penetrar nas sombras e com seu brilho

ser capaz de transformar dor em amor.

E agora, diante disto, de que forma você quer se reconstruir:

de forma tóxica ou de forma nutritiva?

Marilia Teixeira Martins é Psicóloga Clínica

Especializada em Dependência Químca e autora do

livro Universo Adicto: Dependência Química:

O Caminho da Recuperação

www.universoadicto.com.br

psi.mtm@terra.com.br


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Novo caminho

Este é o 8º Princípio de Amor-Exigente, aquele que

realiza grandes mudanças no sistema familiar. No

Princípio anterior, somos impulsionados a tomar uma atitude,

porém , bem planejada. Nos preparamos para agir de

forma que possamos sustentar as consequências de nossas

ações.

Agora, enfrentamos a crise e todo o vendaval de ela

traz consigo. Brigas, discussões, conflitos, separações.

Tudo isso faz parte de uma crise, o movimento que geramos

para desestabilizar as coisas no sentido de fazer

com que elas sejam diferentes, afinal, como estavam não

funcionavam.

Muitas vezes, somos impulsionados a voltar atrás, não

temos coragem de seguir em frente nas promessas que

fizemos, nas ameaças, não queremos que nosso ente querido

sofra as consequências de seus , muitas vezes, extremamente

dolorosas.Porém, a única forma de realizarmos

mudanças em determinados momentos é através da crise,

portanto, precisamos deixar que ela se estenda até o fim,

não podemos querer voltar ao que não funcionava antes.

Não é fácil. Como pais, cônjuges, filhos, amamos nosso

dependente químico e queremos o seu bem, porém, infelizmente,

muitas vezes o seu bem está em passar pelo mal,

pelas trevas, pelas perdas e dificuldades.

Este Princípio, se bem vivenciado em Amor-Exigente,

com o apoio dos companheiros do grupo, nos levará até o

final da meta estabelecida antes da crise ser gerada. Ele nos

fortalecerá para que possamos entender que é no meio do

caos que existe a chance de voltarmos à ordem, ou de criar

uma nova ordem.

O fato é que depois da crise nada será como antes, portanto,

é preciso arriscar, com confiança, segurança e com

a certeza de que as coisas irão mudar para melhor.

Para conhecer os 12 Princípios Básicos e os 12

Princípios Éticos de Amor-Exigente, acesso site da entidade:

www.amorexigente.org.br

A leitura do livro “ O que é Amor-Exigente”, de Mara

Silvia Carvalho de Menezes também é imprescindível para

quem deseja praticar a programação.

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12 Princípios


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Reflexões

14

Por Polyanna P.

Será que existe recuperação?

Hoje faz dez meses que meu esposo está limpo, graças

a Deus. São 305 dias! Confesso que pareço estar sonhando.

A confiança, o diálogo, a paz, a compreensão, o companheirismo

e a cumplicidade são itens que foram sendo

reconstruídos, pouco a pouco, entre nós dois. E hoje

posso dizer que não existem mais tantas marcas do seu

tempo de ativa.Ele vai quase que diariamente às reuniões

de Narcóticos Anônimos. Está se tratando com Psiquiatra,

inclusive toma medicações diárias por ele receitadas, além

da terapia com psicólogo. O segredo é que ele QUER se

recuperar, e por isso tem dado tudo certo. Ele engordou

14 quilos nesse período e está com uma aparência muito

boa!

Então recebi um e-mail de uma jovem, nova leitora do

blog Amando um Dependente Químico, com as seguintes

perguntas: “Existe mesmo recuperação de dependentes

químicos? Qual é o índice de pessoas que se tratam e

voltam a usar drogas? Existe algum motivo que faça com

que a pessoa volte a se drogar?”. Quando amamos um

adicto, são tantas as dúvidas e as angustias que nos cercam

e assombram, não é mesmo? Isso acontece porque buscamos

certezas em um mundo totalmente incerto, queremos

garantias onde não há. Então quando decidimos amar

um dependente químico, devemos apenas amar, sabendo

dos riscos e das consequências, e assumindo-os. Vamos às

respostas?

Sim, existe recuperação para os dependentes químicos,

mas infelizmente não há cura para a dependência química.

Assim como o diabético que até o fim de sua vida deverá

ter uma alimentação regrada e outros cuidados, o dependente

químico também precisa de cuidados especiais, dentre

eles, manter-se longe da primeira dose e buscar um

tratamento continuado.Conheço pessoas que estão limpas

há dois, quatro, onze anos, ou seja, em recuperação.

Entretanto, se falarmos em estatísticas, nos entristeceremos.

Os números são baixos. Meu esposo saiu de sua ultima

internação há cinco meses, e todos os que saíram com

ele já recaíram. É preciso muita vontade e força. É uma

luta constante contra si mesmo. Não é fácil, mas é possível.

Na verdade, prefiro me apegar a outra porcentagem: se

nossos amados realmente quiserem se recuperar, buscarem

tratamento, e cumprirem o que é sugerido no programa

dos Narcóticos Anônimos, a chance de se recuperarem

é de 100%. Mas, como pode perceber, isso não

depende de mim nem de você.

Quanto aos motivos que os levam a recair são muito

subjetivos. Posso afirmar que se eles buscarem pessoas,

hábitos e lugares da época de ativa, facilmente recairão. E

também se tomarem bebidas alcoólicas, provavelmente

buscarão as drogas. Entretanto, alguns recaem sem precisarem

disso. Recaem porque estão tristes, ou porque estão

felizes. Recaem por não saberem lidar com sentimentos e

emoções. Recaem porque caiu uma folha da árvore,

porque choveu ou porque fez sol... Infelizmente não existem

porquês concretos.

Nós, familiares de dependentes químicos, precisamos

entender que não está em nossas mãos a chave para fazer

com que eles se recuperem. Por um lado, isso nos dá um

sentimento de tristeza e impotência, mas, por outro,

podemos nos livrar do peso desse fardo. Não cabe a você

nem a mim, somente a eles. Eles não são culpados nem

responsáveis pela doença que têm, mas, são responsáveis

por sua própria recuperação.Se meu esposo está limpo só

por hoje, é porque ele, enfim, após chegar ao fundo do

poço, conseguiu despertar o querer sincero de recuperarse.

Gostaria de relatar a história de um senhor, a fim de alimentar

a nossa esperança. Esse senhor faleceu há poucos

anos numa queda de um helicóptero. Morreu dignamente

e amado por muitos. Ele fez um trabalho lindo de ajuda a

dependentes químicos, durante vinte e cinco anos. Ele era

dependente químico e alcoólatra. Sua esposa e filhos não

aguentaram a dor e o colocaram para fora de casa. Ele foi

mendigar. Chegou a vender o próprio sangue (anos 70)

para comprar drogas e bebidas. Fez coisas inimagináveis

para obter drogas e sob o seu efeito.

Entretanto, um dia, no Rio de Janeiro, com seus pensamentos

totalmente confusos, ele olhou para o Cristo

Redentor, e falou para ele: “Se tu realmente existes, me dê

um sinal hoje!” Ali mesmo na rua ele adormeceu. Ao acordar,

desesperado para usar mais, começou a apalpar seus

bolsos em busca de algo que pudesse trocar por mais drogas.

E o que ele encontrou foi um cartãozinho dizendo:

“Se você quiser continuar bebendo, o problema será seu,

mas, se você quiser parar, o problema será nosso!” Era dos

Alcoólicos Anônimos. De imediato ele se recordou das

palavras que tinha dito em oração, e cruzou a cidade para

buscar ajuda naquele endereço do papelzinho. Ele questionava

muitas coisas do A.A., era resistente, e não parou

com as drogas instantaneamente, mas continuou voltando.

Até que um dia, tomado por uma força maior do que a sua

doença, ele disse a si mesmo: “a partir de hoje, nunca mais

usarei droga nenhuma!” E ele cumpriu.

Sabe por quê? Porque a vontade de parar foi maior do

que qualquer outra vontade. Ele recuperou sua dignidade,

sua família, sua vida profissional e ainda ajudou a muitas

pessoas que sofriam do mal que ele conhecia tão bem. Se

ele pôde, qualquer um pode, basta querer.


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12 Passos

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O passo do perdão

“Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado

e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.

De quantas pessoas passamos por cima durante a fase

de abuso de álcool ou de outras drogas? Quantos foram

enganados, traídos, abandonados, machucados, lesionados?

Fizemos tudo isso influenciados pela extrema necessidade

do uso, pela compulsividade exacerbada. Tivemos

culpa? Muitas vezes não, mas temos a responsabilidade de

reparar estes erros com estas pessoas. Por que? Porque isto

é praticar o perdão e ele é libertador.

Já vivenciamos tantas fases ao longo da programação

dos 12 Passos. Aceitação, rendição, entrega, autoconhecimento,

busca da confiança, mas não podemos seguir adiante

sem nos libertamos das amarras da culpa, dos erros,

dos mal-entendidos, sem praticarmos o auto-perdão e

pedir perdão aos que afetamos, mesmo que estes não tenham

condições de nos perdoar.

Neste passo, a proposta é fazer uma relação destas pessoas

para, no passo seguinte, agirmos efetivamente no sentido

da reparação.

Mas por que esta relação de pessoas, por que esta

preparação? Porque é preciso relembrar, trazer à tona as

lembranças das pessoas, dos erros cometidos, das situações

danosas para que possamos, agora em sã consciência, ter a

real dimensão da necessidade da reparação e da forma que

cada uma deverá ser feita.

As reparações não são somente por parte do dependente

para com seus familiares, mas também destes, quando

percebem o seu papel na dinâmica da doença e também

buscam recuperação através dos 12 Passos.

E mais: se todos nós, independente do que somos ou

dos erros cometidos, fizéssemos uma relação das pessoas

que prejudicamos e nos propuséssemos a fazer reparações

a todas elas, o mundo seria melhor, as relações mais sólidas,

tudo em virtude da prática do perdão.

Para conhecer os 12 passos na íntegra acesse os sites:

www.aa.org.br

www.na.org.br

www.alanon.org.br

www.naranon.org.br


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Vivências

Ser capaz ou incapaz

Por Rubens Rainho

Conselheiro em Dependência Química

Sou um adicto cruzado capaz de admitir minha doença

que está comigo há 42 anos. Desde minha infância fui me

tornando capaz de algumas proezas. Posso relatar que fui

capaz de desenvolver habilidades da vida,como de engatinhar,

depois andar e, mais tarde falar. Assim, fui me acostumando

com a sensação de ser capaz

Ao longos dos dias, semanas, meses e anos fui me tornando

cada vez mais capaz de coisas como ler, escrever,

andar de bicicleta,fazer amigos.Fui também me sentindo

capaz de amar, de querer bem os outros, ter bons sentimentos,ter

empregos,condições financeiras mais favoráveis

e assim fui me sentindo cada vez mais valorizado.

Também fui capaz de beber,usar drogas,enganar,mentir,manipular,roubar

enfim de causar danos irreparáveis.Fui

capaz de reclamar,caluniar,culpar os outros,transferir todas

as responsabilidades,com isso fui me tornando uma pessoa

incapaz de ser eu mesmo, o que me impedia de ter responsabilidade

e sentimentos. Fui me tornando cada vez mais

incapaz de pedir ajuda, de pedir “por favor”, de amar,

respeitar, de ser bondoso,humilde,carinhoso, de ter afeto.

Fui principalmente incapaz de ter compaixão, de me colocar

no lugar do outro ser humano e sentir o que os outros

sentiam.

Fui incapaz de assumir minhas responsabilidades,de ver

que eu estava me matando e aos outros também.

Consumido no meu egoísmo, arrogância, prepotência,

auto-suficiência, fui incapaz de ter fé acreditar em um

Poder Superior (Deus).

Tive que chegar lá no fundo do poço, na angústia mais

profunda da alma, para ser capaz de enxergar que tudo em

minha volta estava certo e somente eu que estava

errado,que precisava mudar algo dentro de mim, precisava

ser capaz de novo.

Busquei uma capacidade onde eu nunca havia imaginado

que seria possível.Me tornei capaz de acreditar em um

Poder Superior.

Foi esse Poder Superior que me presenteou com o

poder de ser capaz de olhar para dentro de mim mesmo e

encontrar a esperança, resgatar a chama da vida, e me

tornar responsável. Ele me capacitou a ter uma mente

aberta e me auto examinar, ter boa vontade e me modificar,me

amar,me respeitar, me valorizar. Pude tornar-me

humilde e amar incondicionalmente os outros, ter interesse,paciência,enfim,finalmente

fui capaz de me colocar

no lugar do meu próximo num ato de compaixão e perdoar

e me sentir perdoado.

Só por hoje sou capaz de ser eu mesmo, de acreditar e

confiar num Poder Superior. Sou capaz de tomar decisões

certas, pois sou capaz de pedir ajuda.Sou capaz de amar e

me sentir amado,de respeitar e me sentir respeitado. Sou

capaz de reconher meus limites e saber reconhecer o limite

do meu próximo. Enfim hoje eu sou capaz de viver e

deixar os outros viverem. Hoje eu sou capaz de ser feliz e

aproveitar a vida, meus familiares,amigos verdadeiros.

Então hoje eu sou um ser humano capaz, pois encontrei

um Deus amoroso e sou grato ao programa de 12 passos

que me apresentou a Ele, que me tirou da posição de

incapaz e me devolveu o lugar de ser capaz.


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O encontro

Por Pedro Joaquim Machado

Em uma luminosa manhã de domingo, eu estava sentado

no banco de um praça.

Era um dia de festa, as pessoas estavam por todos os

lados; havia barracas, bandeirinhas, comida, prendas e

muita música.

Do nada surge uma criança; devia ter uns sete anos e

me perguntou:

Posso me sentar?

Prontamente respondi:

É claro que sim; fique à vontade.

Ela sentou-se; era uma menina; vestia um delicado

vestido branco e tinha um candido lacinho nos cabelos;

estava descalço.

Com o queixo entre as mãos e os cotovelos sobre os

joelhos ela virou lentamente o rosto para mim e sorriu.

Aquele meigo sorriso emudeceu o rumor da praça,

cegou-me para tudo que acontecia à nossa volta; senti que

o tempo havia parado.

Ela disse:

Estou muito feliz; amanhã é meu aniversário e vou ganhar

muitos presentes.

Que bom ! Exclamei contagiado pela sua felicidade.

Posso te dar um presente?Perguntei.

É claro respondeu a menina.

Sai e trouxe-lhe um par de sapatos; era da cor do seu

vestido e tinham cada um um laço igual ao do seu cabelo.

Com o lenço limpei uns poucos grão de areia que grudara

em seus pés e calcei-lhe os sapatinhos.

Cheia de alegria ela saltou do banco ; sapateou no chão

dando algumas voltinhas em torno de si mesma e disse:

Não estou linda?

Encantado eu só pude dizer a verdade: muito linda.

Ela sentou-se novamente no banco e calada olhou-me

nos olhos e vi que aquele silencioso olhar era a janela aberta

de uma alma pacificada por saber-se habitante da Eterna

Mansão; aquela que nos permeia e perpassa; mais uma vez

ela sorriu.

Atônito e quase sem fôlego perguntei:

Quem é você?

Ainda sorrindo ela disse:

Eu Sou Aquela Que Sou, mas você pode me chamar de

menininha.

E você?Quem és?Perguntou a menina.

E eu lhe respondi: desde que você chegou, aqui eu

descobri quem eu sou. E quem é você insistiu a menina.

Eu sou a capacidade de amar, lhe respondi. Saltando

do banco ela deu uma grande gargalhada dizendo: Eu já

sabia; por isso Eu vim, para que você soubesse quem você

é. E correndo desapareceu entre as pessoas e a grande alegria

que ocupava aquela luminosa manhã de domingo.

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Palavra de Amor


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