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Semana Global de Empreendedorismo

A importância da

reestruturação fi nanceira

por Simone Ramos - entrevistadora Educa Virtual

Simone: Nos anos 90 o Brasil passou por mudanças

signifi cativas, principalmente advindas da abertura da

economia e da implantação do Plano Real. A abertura

da economia resultou no aumento da competitividade

devido à entrada de novos concorrentes, e o Plano Real

aumentou o poder de compra da população. Esse dois

fatores mudaram o cenário econômico e social brasileiro.

Diante dessas mudanças, qual foi o impacto mais

signifi cativo para as empresas e como elas se adequaram

a esse novo cenário?

Rinaldi: O impacto principal foi na concorrência. Antes

da globalização, as empresas nacionais tinham um sistema

de proteção, contra os concorrentes externos. Mas

o processo de globalização acabou com esse protecionismo.

E os concorrentes internos entraram no mercado

nacional com melhor qualidade, com um custo inferior e

o Brasil se viu despreparado para enfrentar esses novos

concorrentes. Isso causou um forte impacto na questão

da competitividade. O Brasil perdeu competitividade. E

o processo para se adequar a essa nova realidade foi

traumático no país. Eles entenderam que para diminuir

custos tinham que demitir funcionários e isso prejudicou

o desempenho das empresas. Mas, aos poucos, elas

foram se adequando.

Ser competitivo signifi ca pensar nos seus custos, na sua

qualidade e no atendimento das necessidades do consumidor,

dos funcionários, dos investidores, fornecedores

e da comunidade. Hoje, as empresas se igualaram em

relação a esses itens e o que pode diferenciá-las dos

concorrentes é a capacidade de inovação.

Simone: As pessoas esperam por isso.

Rinaldi: Sim. Os clientes esperam por isso. E a empresa

que consegue descobrir um nicho da sociedade

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Educa News | Edição 7

Para o empreendedor e seu negócio

que ainda não foi atendido ou não está satisfeito, sai

na frente. Nós sabemos que são as pessoas que fazem

a diferença. Então, a empresa deve ter pessoas motivadas,

preparadas, qualifi cadas, com capacidade para

atender os vários públicos.

Simone: O brasileiro estava preparado para consumir

corretamente?

Rinaldi: Não. Nós não estávamos preparados para isso.

Nós nos limitávamos a alguns produtos de marca e não

tínhamos muita opção de compra. Pagávamos o preço

que pediam e nas condições impostas. Hoje você vai a

um supermercado e encontra numa gôndola produtos

de várias marcas diferentes, opções de preço e qualidade

também diferentes. Então, com essas mudanças,

com a melhora do poder aquisitivo do brasileiro, tivemos

uma melhora no consumo, nos produtos e nos serviços.

Estamos protegidos, há 21 anos, pelo Código de Defesa

do Consumidor. Estamos mais atentos e exigentes.

E o novo perfi l do consumidor acabou com a fi delidade a

uma marca, por questão de preço, qualidade ou atendimento.

Nós vemos empresas grandes perdendo mercado

para empresas menores, acirrando a concorrência, o

que é bom para nós consumidores.

Simone: Segundo dados do SEBRAE 92% das empresas

no Brasil são Micro e Pequenas; empregam 60%

da mão de obra do país; contribuem com 20% do PIB e

28% das exportações. Porém, a taxa de mortalidade das

Pequenas e Médias Empresas ainda é muito elevada.

Por que isso acontece, Rinaldi?

Rinaldi: Existem alguns fatores. Algumas empresas fecham

por falta de planejamento, por não fazerem um estudo

de mercado. Fecham porque não têm clientes. Por

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