04.03.2013 Visualizações

1 INTRODUÇÃO 1.1 O Problema

1 INTRODUÇÃO 1.1 O Problema

1 INTRODUÇÃO 1.1 O Problema

SHOW MORE
SHOW LESS

Transforme seus PDFs em revista digital e aumente sua receita!

Otimize suas revistas digitais para SEO, use backlinks fortes e conteúdo multimídia para aumentar sua visibilidade e receita.

1 <strong>INTRODUÇÃO</strong><br />

<strong>1.1</strong> O <strong>Problema</strong><br />

A história da avaliação fisiológica do sono encontra-se em fase de infância<br />

quando comparada às outras especialidades médicas, visto que há pouco mais de<br />

60 anos o sono era considerado um estado simples, homogêneo e de pequeno<br />

significado de interesse clínico.<br />

Os primeiros estudos relativos aos distúrbios do sono datam de<br />

aproximadamente 1860 (Slutzky, 1997) e continuaram, a passos lentos, até o<br />

desenvolvimento do eletroencefalograma, em 1935. No período póseletroencefalograma<br />

pôde-se colher, com maior clareza e riqueza, informações<br />

clínicas que têm ajudado no entendimento mais amplo do sono. Dentre as doenças<br />

relacionadas ao sono cita–se a Apnéia Obstrutiva do Sono - SASO (Gastault et<br />

al.,1965), como uma das maiores causadoras de déficits de memória, transtornos de<br />

concentração e alterações da personalidade, devido a noites mal dormidas.<br />

As complicações orgânicas, já bastante conhecidas no portador da doença,<br />

adquirem maior amplitude quando esses transtornos afetam diretamente as<br />

atividades laborais, pois a má qualidade de sono aliada a complicações de saúde<br />

das mais distintas, leva o indivíduo a um baixo rendimento em todas as suas<br />

atividades de vida diária. A estreita relação entre o sono e saúde pode ser<br />

observada no dia a dia. Quem não conhece um estudante que passou noites sem<br />

dormir estudando para o vestibular e , após 3 ou 4 dias, inicia um processo gripal? E<br />

um executivo que não dorme direito devido ao fechamento de um grande negócio e,<br />

no dia da reunião decisiva, desperta com uma dor de garganta? O que acontece,<br />

nesses casos, é uma baixa da imunidade, deixando o corpo à mercê de doenças<br />

oportunistas. As conseqüências mais evidentes serão: baixa produtividade,<br />

diminuição nos lucros e a propensão a acidentes de trabalho, cujos custos poderão<br />

ser incalculáveis.<br />

Isso pode ser comprovado no relatório sobre acidentes que o pesquisador<br />

francês Dr. Damien Léger (apud Coren, 1998, p.140) preparou para a comissão de<br />

distúrbios do sono, publicado em 1994, utilizando dados coletados nos Estados<br />

Unidos. Segundo Léger, os acidentes automobilísticos causados pela privação do<br />

1


sono custaram U$ 37,9 bilhões em 1998. Se a cifra impressiona, tem-se mais a<br />

lamentar as perdas de vidas nesse processo: 24.318 mortos e quase 2,5 milhões de<br />

feridos, com seqüelas físicas ou mentais permanentes. Dos acidentes de trabalho,<br />

resultam 29,2 milhões de dias perdidos.<br />

Tais números são um pesadelo para a economia de qualquer país. E estão<br />

subestimados, porque os cálculos só envolveram custos com médicos, hospitais,<br />

medicamentos, reabilitação e perdas por dias parados ou por morte prematura dos<br />

trabalhadores. A SASO está diretamente ligada ao estresse, à obesidade, ao<br />

sedentarismo, ao uso de álcool, dentre outros fatores que atingem um número cada<br />

vez maior de trabalhadores das mais diversas áreas do conhecimento. Profissionais<br />

atingidos pela SASO põem em risco as empresas, quer pela baixa produção, quer<br />

pela exposição da vida em atividades periculosas que exigem concentração e<br />

raciocínio rápido.<br />

Todos esses fatores podem ser detectados de forma preventiva, evitando-se<br />

tratamentos de alto custo. Em sua fase inicial, uma simples mudança nos hábitos de<br />

vida bastaria para propiciar ao ser humano melhor qualidade de vida em suas<br />

relações familiares e profissionais.<br />

1.2 Objetivos<br />

1.2.1 Objetivo geral<br />

Analisar a correlação da Apnéia Obstrutiva do Sono e o tipo de atividade<br />

laboral exercida pelo indivíduo residente na cidade de Curitiiba, estado do Paraná.<br />

1.2.2. Objetivos específicos<br />

- Eleger fatores indicativos de Apnéia e avaliá-los na amostra populacional<br />

recolhida.<br />

- Cotejar esses fatores com atividades laborais que exijam maior e menor<br />

empenho.<br />

2


- Concluir qual modalidade laboral pode levar o indivíduo a desenvolver a<br />

Apnéia Obstrutiva do Sono.<br />

1.3 Questões investigadas<br />

A avaliação da amostra populacional através de uma primeira fase de<br />

questionamentos objetivos, está centralizada em um fator característico de<br />

portadores de SASO, que é o ronco. A partir desse fator considerado clássico,<br />

buscaram-se outros sintomas que, quando associados ao ronco, fornecem o perfil da<br />

doença descrita neste trabalho, tais como: hipersonolência diurna, cefaléia matinal,<br />

irritabilidade, agressividade e baixo poder de concentração. Esses fatores são<br />

característicos de noites mal dormidas e quando associados à obstrução de vias<br />

aéreas superiores e sedentarismo, praticamente nos fazem delimitar o diagnóstico<br />

da patologia.<br />

Uma segunda fase de avaliação realizada com análise direta do biótipo do<br />

indivíduo, em dados colhidos como peso, sexo, idade e altura, permite-nos analisar<br />

exames mais específicos como o de Saturação de Oxigênio, Freqüência Cardíaca,<br />

Pressão Arterial, Perimetria Cervical e Relação C/Q – cintura/quadril. Todos esses<br />

dados fornecerão indícios, ou seja, um caminho mais seguro para realizar uma<br />

pesquisa que mostra a relação da atividade laboral com possíveis portadores de<br />

Apnéia Obstrutiva do Sono.<br />

1.4 Justificativa e relevância do assunto<br />

Estresse, sedentarismo, obesidade e abuso alcoólico são palavras que<br />

freqüentam usualmente o vocabulário do homem moderno, esse indivíduo, sujeito às<br />

pressões e aos hábitos do mundo globalizado. Esses fatores, associados à<br />

obstrução das vias aéreas superiores ocasionadas pela poluição ambiental, podem<br />

desencadear a Apnéia Obstrutiva do Sono – SASO, uma moléstia que vem<br />

ganhando notoriedade à medida em que se conhecem suas causas e efeitos.<br />

A SASO afeta cerca de 9% da população masculina e 4% da feminina acima<br />

de 40 anos, levando ao desenvolvimento silencioso de hipertensão arterial (Fletcher<br />

3


et al, 1985), aumento do trabalho cardíaco, deficiente mecânica ventilatória,<br />

alterações contínuas da personalidade, deterioração intelectual, depressão e<br />

diminuição da libido e dessaturação de oxigênio.<br />

Todos esses episódios levam o trabalhador a desenvolver baixo rendimento<br />

psico-social, visto que a qualidade de vida nos aspectos familiar, social e profissional<br />

encontra-se prejudicada.<br />

Embora seja uma doença considerada nos EUA extremamente alarmante,<br />

no Brasil não há estudos suficientes, levando a patologia a ser encarada como<br />

sintomas isolados, e não como conjunto de fatores que levam a uma baixa qualidade<br />

de vida e também baixa produtividade no trabalho. As grandes empresas têm<br />

dificuldade em identificar o futuro trabalhador, como um possível portador ,<br />

principalmente no âmbito da contratação. Por outro lado, se diagnosticada<br />

precocemente e com a devida mudança dos hábitos de vida, poder-se-á, não<br />

somente a salvação do empregado, mas principalmente de um ser humano exposto<br />

aos males da vida moderna.<br />

1.5 Delimitação do estudo<br />

O universo selecionado para este estudo diz respeito a características de<br />

apnéia obstrutiva do sono e a relação da patologia com as suas atividades laborais,<br />

na população curitibana.<br />

1.6 Limitações do Estudo<br />

A maior dificuldade foi na veracidade das respostas e no tempo dispendido<br />

pelos transeuntes para responderem ao questionário e realizarem os testes, o que<br />

lhes tomou um tempo em torno de cinco minutos. Outro problema foi o da divisão<br />

das atividades laborais, nas quais pudemos observar a existência de uma gama<br />

muito grande de profissões com os mais distintos nomes.<br />

4


1.7 Organização do trabalho<br />

O presente trabalho é constituído de cinco capítulos.<br />

O capítulo um conta com a Introdução, objetivos gerais e específicos,<br />

justificativa e relevância do assunto, organização do estudo, delimitação e limitação<br />

do estudo e descrição dos capítulos.<br />

O capítulo dois traz a revisão bibliográfica, constituída por amplo acervo<br />

científico e publicações concernentes ao tema proposto.<br />

O capítulo três contempla a metodologia de pesquisa e análise, composta<br />

pelo tipo de estudo, aspectos éticos da pesquisa, os sujeitos e local da pesquisa,<br />

além de estratégias para levantamento, registro e análise de dados.<br />

O capítulo quatro traz a representação e análise dos dados, com a<br />

discussão e interpretação dos resultados encontrados e a confirmação da proposta<br />

de pesquisa.<br />

O capítulo cinco, relativo a conclusões e sugestões, apresenta os resultados<br />

deste estudo, uma possível contribuição para o alargamento das pesquisas e<br />

trabalhos futuros na área da apnéia obstrutiva do sono.<br />

5


2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA<br />

Em 1837, Charles Dickens descreveu o primeiro possível paciente de apnéia<br />

do sono em "Os Escritos Póstumos do Clube de Pickwick". Um de seus<br />

personagens (Joe) era descrito como segue: "... e no caixote sentou-se um garoto<br />

gordo e de rosto vermelho em estado de sonolência" (p.35) Há diversas outras<br />

referências no livro de Dickens a este personagem sugerindo que ele sofria de<br />

apnéia do sono:<br />

"Joe – que droga aquele garoto, ele foi dormir novamente".<br />

... "todas as pessoas estavam excitadas exceto o garoto gordo, e ele dormia<br />

profundamente como se o barulho do canhão fosse a sua usual canção de ninar...<br />

senhor, será que é possível beliscá-lo na sua perna, nada mais o acorda".<br />

Em 1918, Sir William Osler utilizou o termo "Pickwickian" para referir-se a<br />

paciente obeso e sonolento. O Dr. Browman e col. (1956), descrevendo paciente<br />

severamente obeso, hipersonolento e com insuficiência cardiorespiratória, utilizaram<br />

o termo "Síndrome de Pickwickian".<br />

Segundo Reimão (1996, p.295):<br />

“Apnéia Obstrutiva do Sono foi tratada durante muito tempo como uma<br />

doença exclusivamente dos obesos. Após o desenvolvimento dos estudos<br />

na área, pôde-se observar que essa doença não afeta somente aos obesos<br />

como as crianças, adolescentes e adultos, entre eles homens e mulheres.”<br />

Na década de 50, um grupo de Chicago, nos Estados Unidos, deu inicio<br />

nas pesquisas sobre o sono. Na época, não existia a polissonografia e os<br />

pesquisadores tinham como única aliada sua capacidade de observação. Tudo<br />

começou em 1953, quando Aserinsky e colaboradores perceberam que os olhos das<br />

crianças se movimentavam várias vezes durante o sono. Mas, Dement e<br />

colaboradores, notaram que o fenômeno era cíclico (Dement et al, 1957). Os três,<br />

então, resolveram investigar se a causa residia no fato de as pessoas estarem<br />

sonhando.<br />

Observaram pessoas dormindo em laboratório (Dement et al, 1957). Na hora<br />

que um indivíduo começava a movimentar os olhos, o grupo o acordava e<br />

perguntava se ele estava sonhando. Cerca de 85% responderam afirmativamente.<br />

Pela primeira vez ficou evidente que o sonho não é aleatório, tem uma ligação com o<br />

6


cérebro e acontece em um determinado estágio do sono - o REM, que denominaram<br />

Rapid Eye Movement. A partir daí, desenvolveram-se outras pesquisas sobre o sono<br />

no mundo inteiro.<br />

Na França o Dr. Gastault e colaboradores fizeram a importante observação<br />

de que pacientes tidos como "Pickwickian" apresentavam repetidos episódios de<br />

apnéia durante o sono. Em 1978, Dr. John Remmers descreveu a interação entre<br />

sono, músculo da caixa torácica e da via aérea superior, a qual elucidou<br />

grandemente a razão do colapso da via aérea superior durante o sono, ocasionando<br />

o que atualmente denomina-se Apnéia Obstrutiva do Sono (AOS).<br />

Em 1981, os Drs. Sullivan, Berthon-Jones e Issa , da Universidade de<br />

Sidney, Austrália, publicaram os resultados de pacientes portadores de Apnéia<br />

Obstrutiva do Sono tratados com uma prótese ventilatória denominada CPAP<br />

(Pressão Positiva Contínua da Via Aérea), iniciando assim o método mais comum e<br />

eficiente para o tratamento desta doença.<br />

2.1. Os estados do sono<br />

Durante o sonho, a atividade do cérebro é semelhante àquela que existe em<br />

vigília, durante o dia (Corner, 1984). Há apenas uma diferença básica: perdem-se os<br />

parâmetros diurnos. Ou seja, não há noção de tempo (as coisas acontecem muito<br />

rápido ou muito devagar durante o sonho), o espaço se modifica (fica grande ou<br />

pequeno demais) e não existe uma lógica (a história não tem começo, meio e fim, e<br />

os objetos podem flutuar). Mesmo sem se recordar, todos os seres humanos<br />

sonham várias vezes por noite.<br />

Segundo McCarley et al (1977) sonhar é uma forma de reavaliar as<br />

informações da memória e fazer uma faxina geral, livrando-se daquilo que não<br />

interessa. Daí, a repetição de alguns sonhos e imagens antigas. É como se<br />

estivéssemos sempre arrumando e limpando um arquivo de escritório. Nesse<br />

momento do sono REM, observamos o que podemos ou não esquecer. Tal teoria<br />

não elimina, é claro, todos os estudos realizados pelo pai da psicanálise sobre<br />

sonhos. Em linhas gerais, Sigmund Freud acreditava que os sonhos eram realização<br />

dos desejos inconscientes.<br />

No homem, uma noite de sono é uma sucessão de diferentes fases<br />

7


geralmente numeradas de 1 a 4 e que correspondem a atividades elétricas<br />

progressivamente mais lentas. Os diferentes estágios do sono lento não são<br />

acompanhados por movimentos oculares e, em relação à vigília, subsiste um certo<br />

tônus postural (Dement et al, 1957). Além disso, quando somos acordados durante o<br />

sono lento, é raro lembrarmo-nos de termos sonhado (Jouvet, 1979).<br />

O ser humano passa aproximadamente 1/3 de sua existência dormindo. Mas<br />

o sono não é um processo passivo, ao contrário, durante este sucedem, de modo<br />

cíclico, uma série de diferentes estágios caracterizados por padrões<br />

cardiorespiratórios e neurofisiológicos definidos (Orem et Barnes, 1980).<br />

Para uma melhor compreensão do processo do sono, pode-se compará-lo a<br />

uma descida em degraus de uma escada. Ao se fechar os olhos seria o primeiro<br />

passo para a fase 1 do sono. Nesta fase, o corpo inicia a distensão muscular, a<br />

respiração torna-se uniforme e no eletroencefalograma observa-se uma atividade<br />

cerebral mais lenta do que no estado de vigília, aparecendo algumas ondas típicas<br />

denominadas "ondas agudas do vértex". Após esta fase, seguindo a descida em<br />

direção à fase 2, na qual as ondas cerebrais são mais lentas, aparecem figuras<br />

típicas tais como "fusos do sono" e "complexo K" (Halasz et al, 1986).<br />

Posteriormente, continuando a descida para o sono mais profundo, aparece<br />

o sono delta ou fase 3 e 4, pois as ondas cerebrais são bastante lentas,<br />

necessitando assim de fortes estímulos acústicos ou táteis para o despertar. Este<br />

processo dura aproximadamente 60-70 minutos voltando-se novamente à fase 2<br />

para entrar numa nova situação fisiológica denominada fase REM por se caracterizar<br />

pelos movimentos rápidos dos olhos (Miyauchi et al, 1987). Em conjunto, estas<br />

quatro fases (1,2,3,4 e REM) denominam-se ciclo e possuem uma duração total de<br />

90-100 minutos. Estes ciclos se repetem em 4 a 5 ocasiões durante a noite. Durante<br />

o sono, ocorrem modificações fisiológicas no eletroencefalograma, eletromiograma,<br />

eletrooculograma, ritmo cardíaco, temperatura do corpo e outras que caracterizam<br />

distintamente cada etapa do sono (Carskadon et Rechstschafen, 1989).<br />

A fase REM é aquela em que habitualmente se sonha e pode ser definida<br />

como uma fase de grande atividade cerebral e paralisia do corpo, diferente da fase<br />

Não – REM, caracterizada por um período de relativa tranqüilidade cerebral e<br />

corporal. Na fase REM ocorre uma atonia de todos os músculos do organismo,<br />

exceto do diafragma e dos músculos oculares. Nesta fase ocorrem também<br />

complexas modificações, tais como o inadequado controle da temperatura corporal e<br />

8


a diminuição das respostas ventilatórias a hipóxia e hipercapnia (Parmeggiani,<br />

1982).<br />

Para que o sono seja reparador, as distintas fases anteriormente descritas<br />

devem repetir-se ciclicamente durante a noite. O sono profundo (fase 3 / 4) ocupa<br />

geralmente a primeira metade da noite enquanto o sono superficial (fase 1 e 2) e o<br />

sono REM predominam na segunda metade.<br />

A representação das distintas fases do sono são assim ilustradas: a fase 1<br />

ocupa entre 2 a 5% do total do sono. A fase 2, entre 45 e 50% e a fase 3/4, 18 a<br />

25% do total do sono. Portanto, as fases 1, 2 e 3/4, também denominadas sono<br />

Não-REM, ocupam entre 75-80% do total do sono. O sono REM ocorre em<br />

aproximadamente 20 a 25% do total do período de sono (Slutzky, 1997).<br />

2.2. O sono paradoxal<br />

O sono lento distingue-se do sono paradoxal e da vigília graças aos registros<br />

das atividades cerebral e muscular. No conjunto dos sinais, que traduzem o estado<br />

de sono paradoxal, distinguem-se os sinais tônicos (persistentes) e os sinais físicos<br />

(episódicos).<br />

Os sinais tônicos caracterizam-se por uma ativação cortical semelhante à da<br />

vigília atenta e por uma atonia postural generalizada (Jouvet, 1965). Os sinais físicos<br />

distinguem-se por uma atividade elétrica particular do cérebro, inicialmente recolhida<br />

ao nível da ponte, do núcleo geniculado externo (ou lateral) e do córtex occipital, daí<br />

derivando o nome de atividade "ponto-geniculo-occipital" (Sakai, 1980). Essa<br />

atividade é responsável por fenômenos físicos periféricos, como os movimentos<br />

rápidos dos olhos, da língua, e por vezes, dos dedos.<br />

Quando se individualizou o sono paradoxal no fim dos anos 50, a situação<br />

era a seguinte: tudo indicava que, no homem, o sonho ocorre durante o sono<br />

paradoxal.<br />

2.2.1 Mecanismos que preparam o sonho<br />

Em condições habituais, o sono paradoxal nunca ocorre durante a vigília,<br />

devendo, pois, ser preparado ou iniciado por uma fase prévia de sono de ondas<br />

9


lentas. Os mecanismos desta "etapa preparatória" são complexos, mas são<br />

conhecidas as suas grandes linhas. Em primeiro lugar, é preciso que a vigília cesse,<br />

ou seja, que o cérebro, o sistema de vigília, deixe de estar excitado. Isso supõe, em<br />

primeiro lugar, que não exista perigo imediato e, por conseguinte, que os telereceptores<br />

auditivos, olfativos e visuais não sejam alertados por sinais provenientes<br />

de predadores eventuais e que os próprio-receptores da dor não estejam excitados<br />

(Nielsen et al, 1993).<br />

Por fim, supõe que o período de adormecimento se situe na fase de<br />

inatividade do ritmo circadiano: sabe-se que, no rato, o sono ocorre<br />

espontaneamente com mais facilidade durante o dia. Quando estas condições<br />

estiverem satisfeitas, o sistema de vigília deixa de estar excitado e os mecanismos<br />

ativos do adormecimento podem entrar em ação.<br />

Anatomicamente, o sistema de vigília é constituído por uma rede de<br />

neurônios situada na formação reticulada mesencefálica: durante a vigília, esses<br />

neurônios excitam o córtex por intermédio de neurotransmissores, em particular a<br />

acetilcolina; eles próprios recebem uma inervação noradrenérgica proveniente,<br />

sobretudo, do locus coeruleus (Aghajanin et al, 1982). Mas a lista de<br />

neurotransmissores ativados durante a vigília está longe de se limitar ao par<br />

acetilcolina-noradrenalina. A serotonina e certos péptidos também são libertados<br />

durante a vigília (Inoue, 1989).<br />

O adormecimento e as fases preparatórias do sono paradoxal que ocorrem<br />

durante o sono lento ativam outras estruturas do tronco cerebral, sobretudo aquelas<br />

que se situam na parte caudal do sistema do rafe; o papel desempenhado no<br />

adormecimento pelos neurônios que contém serotonina (5-hidroxitriptamina ou 5HT)<br />

foi demonstrado por uma série convergente de experiências cuja interpretação é<br />

ainda delicada (Inoue, 1989).<br />

Tudo se passa como se numerosos mecanismos de controle impedissem o<br />

sono paradoxal de se produzir durante a vigília e no início do sono. Os dois<br />

mecanismos de controle mais importantes situam-se ou na parte do sistema de<br />

vigília (locus coeruleus), ou ao nível do sistema do rafe dorsalis (que está ativo<br />

durante a vigília, o adormecimento e o sono leve). O sono paradoxal só pode surgir<br />

quando cessa toda a atividade dessas duas estruturas.<br />

Assim, o sonho só é possível depois da verificação de numerosos sistemas<br />

de segurança: essa proteção parece muito adaptada, porque o sonho é<br />

10


acompanhado por um aumento importante do limiar de vigília e por uma paralisia<br />

quase total. Surdo, cego e paralisado, o animal torna-se muito vulnerável e só pode<br />

sonhar se estiver em segurança; só então é que mergulha num sono profundo.<br />

Essa noção de segurança é vital e explica em parte as variações na duração<br />

do sonho entre as diferentes espécies: os animais perseguidos, que raramente estão<br />

em segurança, dormem pouco, com um sono muito leve, e a duração total dos<br />

períodos de sono paradoxal não excede 15 a 20 minutos em 24 horas; em<br />

contrapartida, os caçadores (carnívoros) e o gato doméstico, perfeitamente em<br />

segurança e que não tem de caçar para encontrar alimentação, dormem muito,<br />

podendo a duração do sono paradoxal exceder 200 minutos em 24 horas.<br />

A transição direta da vigília para o sono paradoxal só se observa no decurso<br />

de uma doença: a narcolepsia. Esta afecção, traduz-se por um desaparecimento<br />

brutal do tônus muscular que pode levar à queda do indivíduo (acessos<br />

catalépticos). É muito freqüente que esses acessos catalépticos sejam<br />

acompanhados por sonho e o sujeito perder o contato com o mundo exterior; em<br />

casos mais raros, o sujeito mantém a consciência, pois só o sistema de atonia<br />

postural é envolvido (Hublin et al, 1994). Percebe-se que a maior parte das drogas<br />

que suprimem os acessos de narcolepsia impedem a chegada do sono paradoxal,<br />

ao agirem sobre os mecanismos de segurança que protegem o sonho. É o caso dos<br />

inibidores das monoamina-oxidases ou dos antidepressivos tricíclicos (imipraminaclorimipramina)<br />

que, ao aumentarem a concentração de 5HT ou de catecolamina,<br />

excitam os receptores que bloqueiam o aparecimento do sono paradoxal (Inoue,<br />

1989).<br />

2.2.2 A organização do sono paradoxal<br />

Sabe-se, hoje, que essas atividades dependem da integridade de estruturas<br />

situadas no tronco cerebral inferior (Jouvet, 1965). A delimitação exata das<br />

estruturas implicadas no controlo da atonia postural e da atividade PGO foi longa e<br />

difícil, porque a organização anatômica das formações reticulares pônticas e<br />

bulbares é complexa; ela progride todos os anos graças às novas técnicas<br />

histoquímicas e anatômicas.<br />

11


2.2.3 Necessidades de sono<br />

Quantas horas devemos dormir por noite? Reza a lenda que bastam oito.<br />

Mas nem todo mundo acorda feliz e saltitante depois de dormir esse tempo. Ao<br />

contrário: muita gente se levanta cansada e passa o dia sonolenta. Por quê? É<br />

simples. A quantidade de sono varia de pessoa para pessoa, de acordo com o sexo,<br />

a idade e a constituição biológica. As mulheres, por exemplo, dormem 40 a 50<br />

minutos a mais do que os homens e têm maior quantidade de sono profundo. Em<br />

relação à idade, o sono diminui ao longo da vida. Enquanto um recém-nascido<br />

chega a dormir 18 horas (Da Costa et al, 1991), um adulto jovem atinge a marca das<br />

sete ou oito horas e um idoso se satisfaz com apenas cinco horas (Albert, 1981).<br />

Os short sleepers (dormidores curtos) necessitam de apenas cinco a seis<br />

horas para se sentirem livres, leves e soltos no dia seguinte. No mundo moderno,<br />

em que as pessoas valorizam mais a produção do que o descanso, os dormidores<br />

curtos são invejados, e os longos têm mais dificuldade para se adaptar socialmente.<br />

Geralmente, os primeiros apresentam uma grande disposição e um desempenho<br />

melhor no trabalho.<br />

Já os "dorminhocos" não conseguem trabalhar ou estudar tantas horas. Se<br />

eles são obrigados a dormir pouco e não conseguem repor o sono, ficam muito<br />

cansados e com uma vontade incontrolável de cochilar em qualquer canto.<br />

Resultado: produzem menos, são malvistos e chamados de preguiçosos. Uma<br />

injustiça, já que na turma dos "sonecas" encontram-se personalidades geniais, como<br />

Albert Einstein, descobridor da Lei da Relatividade, apesar de passar 10 horas ou<br />

mais do seu dia dormindo. Winston Chuchill também valorizava demais as horas de<br />

sono. Até mesmo durante a II Guerra Mundial, quando a defesa da Inglaterra estava<br />

em suas mãos, ele detestava ser acordado cedo.<br />

2.2.4 Sonolência e agressividade<br />

Dormir é tão importante quanto comer e beber. O sono repõe energias,<br />

ajuda o metabolismo e o nosso desenvolvimento físico e mental, mas, como o<br />

mundo não funciona de acordo com as necessidades reais do ser humano, existe<br />

muita gente que passa dias sem dormir. São as vítimas da privação do sono. É o<br />

12


caso dos médicos, jornalistas e outros profissionais que fazem plantões de<br />

madrugada ou trabalham em horários irregulares (Reimão, 1996).<br />

Desde da década de 50, vários cientistas, no mundo todo, vêm realizando<br />

experiências sobre essa privação aguda, deixando jovens voluntários e saudáveis<br />

sem dormir durante 24 horas. No dia seguinte, os voluntários se apresentam<br />

desatentos e desconcentrados.<br />

Figura 1 - Necessidades de Sono de Acordo com a Idade.<br />

Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbpt/apsonIIIhtml. Acesso em 19/03/99<br />

Quando eles repetem a experiência na noite seguinte, os sintomas iniciais<br />

aumentam e a pessoa apresenta sinais de falta de memória e irritabilidade. Numa<br />

terceira noite, a sonolência torna-se insuportável e a pessoa fica agressiva<br />

(Isaacson, 1974). Portanto, é mais do que comprovado: o sono é necessário e<br />

ninguém pode passar sem ele.<br />

Para aprofundar as pesquisas, os cientistas resolveram fazer outros tipos de<br />

privação em laboratório: com o sono REM e o sono 3 e 4. No momento em que a<br />

pessoa analisada começava a mexer os olhos e entrar no sono REM, os cientistas o<br />

acordavam. Verificava-se que os voluntários apresentavam todos os sintomas<br />

psicológicos da falta de sono (irritabilidade, falta de memória e de concentração),<br />

ainda que menos sonolentos e cansados do que se passassem a noite em claro. Daí<br />

13


concluírem que o sono REM está relacionado com a recuperação de funções como<br />

memória e raciocínio.<br />

Por outro lado, a privação de sono 3 e 4 faz a pessoa ficar exausta (Horne et<br />

al, 1984). No dia-a-dia, essas privações agudas não são tão comuns. A maioria das<br />

pessoas sofre uma privação parcial e crônica do sono. Ou seja, trabalham muito,<br />

chegam tarde em casa, acordam cedo e acabam dormindo pouco. Nestes casos, os<br />

sintomas são os mesmos da privação total. A diferença é que elas ficam cansadas,<br />

irritadas e sonolentas todo dia, de forma menos intensa. Mas quem consegue mudar<br />

o ritmo de vida, melhora o padrão do sono depois de alguns dias. A sonolência pode<br />

ainda provocar acidentes de trabalho ou de trânsito, já que os reflexos ficam mais<br />

lentos.<br />

Algumas pessoas, como os guardas - noturnos, trabalham à noite e não<br />

conseguem sequer repor o sono durante o dia. É difícil para alguns deles conseguir<br />

dormir sete ou oito horas seguidas durante o dia, pois ruídos urbanos, temperatura e<br />

ambientes não propícios, quando não tarefas executáveis somente durante o dia,<br />

podem impedi-los de ter as horas ideais de sono. Além disso, a produção de<br />

melatonina (hormônio que provoca o sono) só acontece à noite (Arendt et al, 1985).<br />

E mais: seu relógio biológico não está adaptado para dormir de dia e ficar acordado<br />

de noite (Aschoff, 1965). A explicação é simples: quando chega o final de semana,<br />

ele tenta mudar esses horários para conseguir conviver com os amigos e parentes e<br />

não consegue estabilizar seu relógio biológico. Daí muitos deles cochilarem durante<br />

o trabalho, prejudicando o desempenho.<br />

O ideal seria ninguém trabalhar à noite. Na sociedade moderna, entretanto,<br />

é impossível dispensar o serviço de algumas categorias à noite. A solução para os<br />

trabalhadores noturnos é fixar um horário para dormir e melhorar as condições do<br />

ambiente. E o mais importante: fazer a família compreender que ele precisa<br />

descansar durante o dia da mesma forma que ela repousa à noite. O apoio familiar é<br />

fundamental para a pessoa conseguir dormir sem culpas durante o dia, com direito a<br />

estágio 1, 2, 3, 4 e REM.<br />

Outra categoria que tem problemas para dormir é a dos trabalhadores em<br />

turnos. De maneira geral, a situação é parecida com a dos trabalhadores noturnos.<br />

Só que para eles é mais difícil ainda estabelecer regras para dormir, já que cada dia<br />

ou semana fazem isso em horários diferentes. No Brasil, algumas empresas dividem<br />

os turnos de forma arbitrária e aleatória, sem levar em conta a saúde do trabalhador<br />

14


e sua capacidade de adaptação. Na Europa e nos Estados Unidos, algumas firmas<br />

fazem um planejamento racional do trabalho em turno, tornando-o menos penoso e<br />

prejudicial à saúde. E há uma boa razão para isso. Antigamente, só profissionais da<br />

área de saúde e de segurança trabalhavam dessa forma. Hoje digitadores,<br />

metalúrgicos e operários de indústrias químicas fazem parte dos 8% da população<br />

das grandes cidades que trabalha em turnos.<br />

De maneira geral, esse tipo de trabalhador falta mais porque está mais<br />

sujeito sujeitos a mal-estares físicos e psíquicos. Ele corre o risco de sofrer doenças<br />

ou problemas provocados pelo estresse: úlcera, infarto e acidentes (Dinges et al,<br />

1989). Só para ilustrar, dois acidentes nucleares (Chernobyl, na Rússia, e Three Mile<br />

Island, nos Estados Unidos) aconteceram por volta das quatro horas, no final da<br />

jornada de trabalho, com equipes que estavam completamente exaustas. Em<br />

ambos, a causa apontada foi erro humano, provocado pela privação de sono. Uma<br />

pesquisa realizada por Akersted, em 1988, com trabalhadores de turnos, mostrou<br />

que 20% cochilavam durante o turno da noite, justificando os maiores índices de<br />

acidentes registrados com esses profissionais.<br />

Para efeito de prevenção, é necessário melhorar as condições ambientais e<br />

diminuir as mudanças (Sanvito, 1991). Para que essas mudanças ocorram, é preciso<br />

que os trabalhadores questionem seus horários de turno, reivindicando uma divisão<br />

de trabalho mais humana.<br />

Algumas categorias mais esclarecidas, como a dos médicos, são as que<br />

mais cometem erros nesse sentido (Sanvito, 1991). Ao contrário dos metalúrgicos,<br />

que buscam melhores condições de trabalho, alguns profissionais da área de saúde<br />

acreditam que são super-homens, capazes de passar dias sem dormir ou trocando<br />

os horários sem o menor problema. O que acontece é que, como todo mortal, eles<br />

acabam ficando exaustos e adoecem. O ideal para todas as categorias, portanto, é<br />

evitar esse tipo de trabalho. Dormir durante o dia não é pecado para quem trabalha<br />

à noite ou em horários irregulares. Ao contrário: é, acima de tudo, uma necessidade<br />

do corpo e da mente.<br />

Por parte da empresa, um planejamento "inteligente" inclui ainda a seleção<br />

de jovens que normalmente têm mais facilidade de adaptação. Ao longo dos anos,<br />

esse mesmo trabalhador deve passar para os turnos fixos. É importante também<br />

evitar pessoas com insônia, com antecedentes de úlcera, gastrite ou infarto, ou<br />

muito estressadas, que não suportarão um trabalho tão desgastante. Muitos<br />

15


empresários ainda não levam em consideração que a saúde do trabalhador é muito<br />

importante para o bom desenvolvimento de sua empresa. Prevenir doenças e<br />

acidentes é uma investimento tão importante quanto qualquer aplicação financeira.<br />

Infelizmente, na prática, não é isso o que acontece. Na Europa, o operário de turno<br />

que se acidenta por fadiga, processa a empresa; no Brasil, esse operário é julgado<br />

displicente e acaba demitido pela "falha".<br />

2.2.5 Sono, fenômeno biológico essencial<br />

Durante o sono, o organismo é sede de uma atividade metabólica energética<br />

particular, própria a todos os mamíferos, que se aplica a todos os níveis do<br />

organismo; é ela a responsável por sua ação regeneradora.<br />

Os conhecimentos adquiridos mostraram particularmente que o<br />

balanceamento da composição do meio interior, do qual depende nosso equilíbrio<br />

vital, exigia a alternância entre o sono e a vigília, para que fosse possível renovar a<br />

harmonia osmótica. É também o caso do equilíbrio energético e óxido-redutor de<br />

nossas células.<br />

Uma simples verificação tátil, embasada na observação, mostrará um<br />

relaxamento das estruturas musculares e segmentares, próximo às vezes da<br />

lassidão e da atonia, que pode ser percorrida por movimentos espontâneos,<br />

descontínuos e desordenados, que traduzem uma solicitação episódica do sistema<br />

nervoso central (Orem et al, 1980).<br />

Além do estado de torpor e da dissociação da consciência, é preciso<br />

considerar a posição daquele que dorme, seu relaxamento neuromuscular, suas<br />

atitudes de introjeção e de alheamento. Plínio já dizia que durante o sono "nos<br />

voltamos sobre nós mesmos".<br />

Assim, temos de considerar um evento sua totalidade e para melhor<br />

entendê-lo não poderemos dissociar essa investigação do seu contexto histórico e<br />

biológico.<br />

Em 1937, foram descritos os primeiros estágios do sono em função de sua<br />

intensidade ou profundidade (Reimão, 1996). Foi necessário esperar cerca de vinte<br />

anos para que o segundo aspecto do sono, aquele que permite a emissão do sonho,<br />

fosse enfim identificado. Estávamos apenas em 1953. Entre Galeno, que na<br />

16


Antigüidade assinalou as anomalias respiratórias e cardíacas durante o sono, e os<br />

fisiologistas do século XVIII, nada houve de essencial, a não ser a manifestação de<br />

sinais oculares em diversos momentos do sono. As características de ligação do<br />

sono com a psicologia foram evidenciadas, a propósito do adormecimento e do<br />

sonho, por Maury no século XIX.<br />

Mas a verdadeira ofensiva fisiológica só data realmente do começo deste<br />

século, onde foi descrita a influência do sono sobre o organismo e as adaptações<br />

do sistema neurovegetativo e de seus reflexos durante esse estado. Foi, de fato,<br />

após a II Guerra Mundial que o estudo do sono seria empreendido e que o estudo de<br />

sua dualidade diferenciaria dois estados fundamentalmente desiguais ao longo de<br />

seu desenvolvimento: o sono regular, profundo e lento, que nós chamaríamos<br />

"metabólico e vegetativo", e o sono rápido, de atividade cerebral intensa, tão<br />

desconcertante que seria chamado sono paradoxal<br />

Foram muitas as definições dadas ao sono. Para Piéron, tratava-se "de um<br />

estado periodicamente necessário, relativamente independente das circunstâncias<br />

exteriores e caracterizado pela suspensão das relações que unem o ser a seu<br />

meios". Essa definição geral, ainda que exata, emitida no começo do século, não<br />

podia apoiar-se sobre os dados experimentais atuais, Em 1936, demonstraram a<br />

partir de uma experiência com o cérebro isolado, a existência de uma atividade<br />

cortical permanente e lenta (Reimão,1996) análoga aquela observada durante o<br />

sono. Esse fato pôs fim a séculos de interrogação, a despeito dos ensinamentos<br />

hipocráticos e das tentativas de Aristóteles e Galeno para relacionar a qualidade do<br />

sono a certas modificações funcionais respiratórias e circulatórias.<br />

A eletrofisiologia foi o fator indutor de todo o progresso no estudo do tema. A<br />

determinação dos traços do sono pelo eletroencefalograma e o registro simultâneo<br />

por poligrafia dos potenciais elétricos cerebrais, musculares e oculares permitiram<br />

rapidamente descrever e codificar as etapas e as fases do sono e da vigília, suas<br />

características normais, rítmicas, episódicas ou anormais, as ligações que se<br />

poderia estabelecer entre eles e o estado funcional dos outros aparelhos, sistemas<br />

ou grupos de órgãos (Flloh et al, 1986).<br />

Mas apenas a eletrofisiologia não podia explicar a natureza do sono, nem<br />

muito menos suas reposições ou a famosa "ressaca", cujos efeitos se estendem por<br />

vários dias após experiências ou provas de supressão.<br />

Assim, após a última guerra mundial, vários investigadores estabeleceram<br />

17


uma relação de correspondência entre o desencadeamento do sono e as estruturas<br />

caudais do tronco cerebral (territórios da rafe anterior), ao mesmo tempo em que<br />

elegeram o sistema ascendente reticular ativador como o lugar de origem do<br />

despertar comportamental .<br />

Este sistema, verdadeiro cruzamento sensitivo-sensorial e cortical, integra<br />

todas as informações do corpo, sejam elas orgânicas, funcionais ou metabólicas<br />

(Cambier et al, 1988). Tudo se passa como se um verdadeiro sistema de<br />

embreagem permitisse, em função da presença de substâncias-limiares, o início ou<br />

a interrupção do sono, assim como da atividade dinamogênica cortical ou motora.<br />

Esse território particular constitui o conjunto diencefálico que se prolonga pela epífise<br />

e pela hipófise. Por essa razão, a zona ependimária do terceiro ventrículo participa<br />

ativamente dos fenômenos endócrinos do diencéfalo.<br />

As fibras brancas vindas do tronco cerebral insinuam-se entre as formações<br />

celulares densas da parede do terceiro ventrículo, os núcleos cinzentos centrais,<br />

para desenvolver uma estrutura brilhante chamada cápsula interna (Ranson et al,<br />

1955).<br />

Encontraremos essas estruturas na origem da vigília e do sono e da<br />

regulação homeostática do organismo, condicionado pela alternância vigília-sono.<br />

O córtex cerebral aparece tardiamente na filogênese e na ontogênse,<br />

enquanto que todos os outros componentes do cérebro estão completamente<br />

desenvolvidos. O arquecéfalo deve, portanto, ser interpretado como o verdadeiro<br />

cérebro que conserva as funções essenciais da vida genética e vegetativa. É<br />

somente durante um desenvolvimento recente é que ele será enriquecido pelo<br />

neoencéfalo, a fim de criar o neocórtex (Patten, 1953).<br />

Voltando ao córtex, o território mesencéfalo inclui as estruturas da<br />

motricidade espontânea, chamado de sistema piramidal. Essas estruturas<br />

comportam os núcleos cinzentos centrais (núcleo caudado, pallidum, putamen) ou<br />

"stratum". Herdeiros do cérebro arcaico e extremamente importantes nos pássaros<br />

e nas aves de rapina, em razão da coordenação motora de que precisam para o<br />

vôo, essas estruturas são responsáveis pelos movimentos involuntários e pelo tônus<br />

muscular.<br />

Os reflexos vitais e automáticos mesencefálicos, os movimentos<br />

espontâneos mesencefálicos devem ser condicionados e regulados segundo as<br />

adaptações exigidas pelos comportamentos induzidos.<br />

18


Tal será o papel do diencéfalo juntamente com as estruturas bastante<br />

caracterizadas e diferenciadas que são o tálamo e o sistema hipotálamo-hipofisário,<br />

não é errado afirmar que o tálamo constitui o verdadeiro diencéfalo. É para esse<br />

ponto que convergem os influxos sensoriais, auditivos, visuais, táteis, antes de<br />

serem projetados, de um lado, para o neocórtex e, na volta, para o "striatum". É a<br />

esse nível que a FR, formação reticular, difunde suas redes terminais em direção<br />

aos núcleos intralaminares (Gorney, 1973).<br />

O tálamo controla o hipotálamo, mas diferentemente daquele, o hipotálamo<br />

participa do sistema límbico. Trata-se do cérebro endocraniano. Ele está ligado aos<br />

núcleos talâmicos anteriores e à formação reticular. Integra, ao mesmo tempo, as<br />

expressões emocionais e os comportamentos víscero-somáticos. Todos os<br />

comportamentos elementares, tais como a fome, o desejo, a sede, o medo, o prazer<br />

e a raiva, que resultam, a um só tempo, dos metabolismos, das pulsões e dos<br />

instintos primários ou secundários, têm aqui sua indução.<br />

2.2.6 O córtex límbico<br />

O córtex límbico representa o conjunto das estruturas que reúnem o sistema<br />

límbico.<br />

Os estudos do sistema límbico revelaram os mecanismos de<br />

interdependência e de harmonização funcional que impõem, ao mesmo tempo, a<br />

distribuição neocortical em dois hemisférios e os processos de lateralização<br />

somática. Essas estruturas apresentam-se com dois arcos anelados, um superior,<br />

outro inferior, separados pelos bulbos olfativos. A primeira via inferior ou segmento<br />

inferior do anel, está sob o comando do núcleo amigdalóide (Bloom, 1988); trata-se<br />

da via dos "afetos" e do comportamento da autoconservação por meio dos circuitos<br />

de necessidades egoístas (alimentares, agressão, proteção).<br />

A segunda via ou parte superior do anel, que a via septada liga ao septo,<br />

governa os estados de expressão e de sentimento. Trata-se da zona que comanda<br />

os comportamentos de conservação da espécie, de procriação, de sociabilidade e<br />

de orientação.<br />

O anel límbico, articulado ao núcleo dorsal mediano do tálamo, desenvolve<br />

projeções em direção ao neocórtex frontal, participando, assim, da função de<br />

19


previsão. Em suma, todos os sistemas sensoriais convergem para os circuitos<br />

reverberantes do córtex límbico, que gera vias de influxo para as outra estruturas,<br />

tais como o hipocampo, o hipotálamo, o tálamo e para formação reticular, sem<br />

esquecer o neocórtex.<br />

Essas estruturas vão intervir principalmente no sonho, através do sono, em<br />

razão de seu papel determinante no comportamento do sujeito (Sanvito, 1991).<br />

O córtex límbico é, portanto, responsável pelo aparecimento de um estado<br />

de motivação que provoca, ao mesmo tempo, uma situação de vigilância e atenção,<br />

uma estratégia de sobrevivência e um conjunto de condutas sociais que modulam as<br />

induções hipotálamo-mesencefálicas, em função de um determinado relacionamento<br />

à adaptação e ao desenvolvimento da personalidade (Cambier et al, 1988).<br />

Essa adaptação será resultante das informações analisadas, selecionadas,<br />

classificadas e memorizadas pelas estruturas específicas do sistema.<br />

Assim, a amígdala intervém na percepção de informação de um estímulo e<br />

no processo de habituação progressiva a essa informação, participando também do<br />

sistema de inibição comportamental.<br />

O hipocampo controla os processos ligados à memória e desenvolve a<br />

experiência afetiva. Ele está apto a avaliar as mensagens do hipotálamo, as<br />

mensagens neocorticais das informações sensoriais com traços de fracasso e de<br />

sucesso, permite indexar as informações, a supressão das interferências e autoriza<br />

as adaptações comportamentais e emocionais. Ativa, igualmente, os circuitos de<br />

reforço, permitindo a seleção posterior e a indexação consecutiva da informação.<br />

A região septada, sob o impulso do hipocampo, torna-se, em particular, uma<br />

zona de inibição e de ativação essencial, a fim de engendrar os estados de atenção,<br />

de consciência, de sono e participar dos conteúdos do sonho (Kelly et al, 1991).<br />

A FR intervém no controle das principais funções vegetativas, tais como a<br />

micção, a saudação, as variações da pressão arterial e do ritmo cardíaco, e na<br />

regulação dos mecanismos ventilatórios, graças ao centro "pneumotáxico".<br />

2.2.6.1 A relação com o sono<br />

O neocórtex, estruturado em dois hemisférios cerebrais, é a sede da<br />

discriminação fina, do pensamento, da consciência. Contudo, ao contrário daquilo<br />

20


que se acreditou durante muito tempo, ele não desempenha um papel essencial no<br />

sono. O sono existia antes dele.<br />

Os principais mecanismos do sono recorrem a estruturas antigas, que<br />

bloqueiam as estruturas mais recentes a fim de assegurar a estabilidade e a<br />

diferenciação do sono, em particular durante o sonho.<br />

O arquencéfalo reveste-se, portanto, de uma grande importância na<br />

organização do sono. Ele desempenha o papel de centro coordenador e regulador<br />

das fibras aferentes e eferentes, exceto no sistema cortical dos mamíferos (Patten,<br />

1953).<br />

As paredes do terceiro ventrículo são, evidentemente, um lugar privilegiado<br />

de reunião de centros neurovegetativos para os comandos nervosos e secretores.<br />

Elas são essenciais à vida dos tecidos e ao equilíbrio bionergético. A peça principal<br />

desse território inventariado sob o termo diencéfalo é o hipotálamo, tendo acima a<br />

epífise (pineal) e abaixo a hipófise (Ranson, 1955).<br />

Atrás do diencéfalo, a zona insular mesencefálica, irá, juntamente com a<br />

região da ponte e do bulbo, desempenhar um papel importante, até mesmo capital,<br />

no funcionamento do sono. Essa região, bastante complexa, merece atenção.<br />

Portanto, o mesencéfalo é uma zona de passagem e, como tal, veicula as<br />

vias ascendentes, mas assegura também o trânsito das expansões da formação<br />

reticular (FR).<br />

2.2.6.2 Hipóteses sobre os mecanismos do sono<br />

As estruturas anatômicas dessas áreas apresentam um interesse tanto<br />

maior quanto é a sua interferência direta na produção do sono, ou mais exatamente<br />

na determinação do equilíbrio sono-vigília.<br />

Van Economo (1930) chamou a atenção dos pesquisadores sobre essas<br />

estruturas. Nos anos 30, a exploração das informações do surto de encefalite<br />

epidêmica conduziu-o a relacionar o fenômeno da hipersonolência a lesões no<br />

hipotálamo. Conhece-se, já há bastante tempo, o fenômeno da sonolência<br />

persistente após a exérese de tumor da região meso-diencefálica. Ora, Van<br />

Economo propôs que o dano na substância cinzenta na junção mesodiencefálica<br />

seria o responsável pela doença letárgica. Quer se trate dos "sonolentos<br />

21


patológicos" ou dos "letárgicos" de Van Economo, o mecanismo de hipersonolência<br />

resulta de lesões mesodiencefálicas.<br />

Van Economo formulou, portanto, a hipótese sobre um controle do estado de<br />

vigília e de sono, garantido por um "centro de vigília" mesodiencefálico, compensado<br />

por um "centro hipnótico", situado diante dele.<br />

Assim, o arquencéfalo, além de suas funções de regulação vegetativa<br />

secretora, tornava-se também responsável por duas atitudes essenciais, a regulação<br />

da vigília e do sono, associada às atividades corticais.<br />

Desde então, o mecanismo do sono pode ser interpretado como um<br />

processo de inibição, evoluindo por analogia da região interpeduncular<br />

mesencefálica para os centros nervosos sobre e subjacentes.<br />

Existe, portanto, uma ligação estreita entre a existência de tais centros e o<br />

funcionamento dos centros neurovegetativos, entendendo-se que, durante o sono,<br />

os sistemas simpático e cérebro-espinhal encontram-se em repouso, enquanto o<br />

sistema parassimpático ocupa-se plenamente em contribuir para a reparação tissular<br />

e para a restauração energética.<br />

Michael (1996) anulou a vigília e o ritmo circadiano através da supressão de<br />

todas as vias de estimulação sensorial e vegetativa até as primeiras cervicais.<br />

2.3 Síndrome de apnéia obstrutiva do sono: quadro clínico e<br />

diagnóstico<br />

A palavra Apnéia provém do latim e significa “ausência de entrada de ar”. A<br />

Apnéia Obstrutiva do Sono é a condição definida por paradas repetidas e<br />

temporárias da respiração durante o sono. Esse distúrbio freqüentemente se associa<br />

a roncos. O ronco é causado pelo relaxamento excessivo dos músculos da garganta<br />

durante o sono, de modo que o fluxo de ar se torna parcialmente bloqueado. A<br />

vibração de estruturas da garganta (palato mole) na passagem estreitada resulta em<br />

ronco sonoro (Megirian et al, 1980).<br />

As pessoas são mais propensas a roncar quando dormem de costas e<br />

respiram pela boca. Pessoas obesas são mais propensas ao ronco porque têm mais<br />

tecido adiposo no pescoço. Perda de tônus muscular também pode contribuir para o<br />

transtorno. O tônus muscular diminui com doenças, uso de álcool ou outras drogas<br />

22


(tais como tranqüilizantes e anti-histamínicos), ou simplesmente com a idade.<br />

Pessoas com nariz obstruído ou congestionado precisam fazer mais esforço para<br />

inalar, o que ocasiona maior pressão para empurrar os músculos da garganta e os<br />

fazem vibrar mais. É por isto que muitas pessoas roncam quando têm um resfriado<br />

ou alergia nasal, mas não em outras situações.<br />

Transcorreu mais de um século desde que o novelista Charles Dickens<br />

descreveu, (em 1837), em The Posthumous Papers of the Pickwick Club, Joe, um<br />

criado de Mister Pickwick, como um jovem obeso, roncador e portador de uma<br />

incrível sonolência diurna. Sem sequer imaginar, estava realizando a primeira<br />

contribuição para a descrição de uma síndrome até este momento ainda não<br />

relatada na literatura médica.<br />

O caminho transcorrido desde então nem sempre foi tranqüilo e fluido no<br />

esclarecimento da síndrome que hoje conhecemos como síndrome de apnéia do<br />

sono tipo obstrutivo (SASO).<br />

Em 1918, Sir William Osler utilizou o termo “síndrome de Pickwick” para<br />

descrever um quadro clínico de obesidade e sonolência excessiva diurna. Burwel e<br />

col. completaram, em 1956, a descrição de tal síndrome, consistindo de obesidade,<br />

sonolência diurna excessiva, respiração periódica com hipoventilação alveolar,<br />

cianose, poliglobulina e cor pulmonale.<br />

A associação entre síndrome de Pickwick e apnéia do sono só foi<br />

reconhecida quando Gastaut e col. (1965) observaram o aparecimento de episódios<br />

repetitivos de apnéias obstrutivas durante o sono nestes pacientes. Pouco tempo<br />

depois, Schwarts e col. (1967), utilizando a cinerradiologia, demonstraram o colapso<br />

da orofaringe durante as apnéias. Até aqui todas as investigações estavam<br />

focalizadas no estudo de pacientes com obesidade mórbida. Em 1972, Saloul e<br />

Lugaresi descreveram pela primeira vez episódios de apnéia do sono na ausência<br />

da síndrome típica de Pickwick.<br />

Fujta e col. (1981) introduziram a uvulopalatofaringoplastia (UPFP), uma<br />

nova técnica cirúrgica para correção de anormalidades anatômicas da orofaringe<br />

nesses pacientes; e Sullivan (1981) abriu uma nova luz com a utilização de<br />

máscaras nasais de pressão positiva contínua de ar durante o sono, deixando de<br />

lado a traqueostomia, único tratamento efetivo até aquele momento.<br />

A SASO é caracterizada por episódios repetitivos de obstrução da via aérea<br />

superior que ocorrem durante o sono, geralmente acompanhados da redução da<br />

23


saturação de oxiemoglobina. O ponto de colapso pode encontrar-se em níveis<br />

distintos que vão desde as fossas nasais até a porção inferior da hipofaringe.<br />

Os critérios propostos para o diagnóstico da SASO requerem o mínimo de<br />

cinco apnéicos por hora de sono (10 nos idosos) e uma queda de saturação de<br />

oxiemoglobina que deverá ser superior a 4% (Gould, 1990).<br />

De acordo com diversas estatísticas populacionais, a SASO tem uma<br />

prevalência situada entre 1% e 10%. Esta diferença se deve ao fato de a SASO<br />

aumentar consideravelmente com a idade. O pico de maior incidência se situa entre<br />

40 e 60 anos, apesar de também ser encontrada em crianças e idosos (Bearpark,<br />

1991; Lavie, 1983b).<br />

A obstrução das vias aéreas superiores pode ser total (apnéia) ou parcial<br />

(hipopnéia). Convencionalmente, define-se apnéia do sono como uma parada na<br />

ventilação, maior ou igual a 10s de duração, e a hipopnéia como uma diminuição da<br />

ventilação até 50%, de igual duração que a anterior (Langevin et al, 1992). Ambas<br />

se acompanham de dessaturação de oxigênio e culminam com um microdespertar<br />

eletroencefalográfico, que definimos como "despertar breve” (Rechtschaffen et al,<br />

1968).<br />

O número de apnéias adicionado às hipopnéias por hora de sono,<br />

denominado índice de distúrbio respiratório (IDR), nos dá o total de eventos<br />

respiratórios, e é um bom preditor da severidade do quadro.<br />

2.3.1 Classificação de apnéias do sono<br />

Quadro 1 - Divisão dos Tipos de Apnéia<br />

Obstrutivas<br />

Parada do fluxo aéreo<br />

buconasal com persistência do<br />

esforço ventilatório<br />

(diafragmático). Manifesta a<br />

existência de componente<br />

obstrutivo das vias aéreas<br />

superiores.<br />

Centrais<br />

Ausência total de fluxo aéreo<br />

buconasal e de esforço<br />

ventilatório por inibição do<br />

centro respiratório.<br />

Mistas<br />

Apnéia que começa com o<br />

padrão central, que logo muda<br />

para o padrão obstrutivo.<br />

Fonte: Slutzky, L.C. Fisioterapia respiratória nas enfermidades neuromusculares. Revinter,1997<br />

24


2.3.<strong>1.1</strong> Apnéia do Sono Obstrutiva<br />

A Apnéia do Sono Obstrutiva é caracterizada por repetidas pausas na<br />

respiração durante o sono, devido à obstrução e/ou colapso da via respiratória<br />

superior (garganta), normalmente acompanhada da redução da saturação de<br />

oxigênio no sangue e seguido por um despertar para respirar (Adair et al, 1991). Isto<br />

é chamado de um evento de Apnéia. O esforço respiratório continua durante o<br />

episódio de Apnéia. Uma analogia pode ajudar a entendê-la: ASO é semelhante a<br />

pôr sua mão sobre o tubo do aspirador de pó. Sua mão bloqueia todo o ar que entra<br />

(colapso da via aérea superior), muito embora o aspirador continue aplicando sucção<br />

(esforço respiratório continua). O aspirador normalmente é exigido um pouco mais<br />

neste momento, e assim faz o corpo humano.<br />

2.3.1.2 Apnéia do Sono Central<br />

A Apnéia do Sono Central é definida como uma condição neurológica que<br />

causa a parada de todo o esforço respiratório durante o sono, normalmente com o<br />

decréscimo da saturação de oxigênio no sangue (Greenberg et al, 1987). Voltando à<br />

analogia do aspirador de pó: Apnéia do Sono Central pode se comparar ao puxar o<br />

plug do aspirador da tomada. Sem energia, sem sucção. Se o centro de comando<br />

que controla a respiração "desliga" não há esforço respiratório nem respiração. A<br />

pessoa é despertada por um reflexo automático de respiração e no final acaba<br />

dormindo muito mal. Note que a ASC, que é uma desordem neurológica, é muito<br />

diferente na causa da ASO, que é um bloqueio físico, ainda que os efeitos sejam<br />

muito similares.<br />

2.3.1.3 Apnéia do Sono Mista<br />

Apnéia do Sono Mista, como o nome sugere, é uma combinação dos outros<br />

dois tipos de Apnéia. Um episódio de Apnéia Mista normalmente inicia-se com um<br />

componente central, para depois tornar-se obstrutiva. Geralmente o componente<br />

central da Apnéia torna-se menos problemático, uma vez tratada a Apnéia<br />

25


obstrutiva. .<br />

O ronco é um dos principais sintomas dos pacientes com síndrome de<br />

apnéia do sono tipo obstrutiva, ocorrendo em 95% dos casos. É mais freqüente no<br />

sexo masculino e sua intensidade aumenta com a idade e com o peso excessivo<br />

(Partiner et al, 1988).<br />

A sintomatologia clínica que se observa nos pacientes com síndrome de<br />

apnéia do sono tipo obstrutiva tem a particularidade de mostrar alguns sintomas que<br />

se manifestarão exclusivamente durante o sono (por exemplo, apnéia, ronco), além<br />

da sonolência diurna com o paciente em vigília.<br />

A sonolência excessiva diurna é outro importante sintoma dos pacientes com<br />

síndrome de apnéia do sono tipo obstrutiva. A sonolência excessiva diurna ou<br />

hipersenia manifesta-se no início como uma tendência fácil a adormecer em<br />

situações monótonas, como ler ou ver televisão; os pacientes costumam referi-la<br />

como um "esgotamento" ou "cansaço" raramente como sonolência. Em casos mais<br />

graves, o indivíduo pode dormir enquanto dirige ou trabalha, podendo provocar<br />

graves acidentes.<br />

A Polissonografia - PSG, método ideal para o diagnóstico dos distúrbios do<br />

sono, utiliza-se da análise do registro gráfico dos sinais captados pelos diversos<br />

sensores usados para este exame (Nunes, 1994):<br />

EEG - Eletrencefalograma,<br />

ECG - Eletrocardiograma,<br />

EOG - Eletrooculograma,<br />

EMG - Eletromiograma,<br />

FAN - Fluxo Aéreo Nasal,<br />

SO2 - Saturação de Oxigênio, Movimentos Respiratórios (cinta torácica) e<br />

movimentos Periódicos dos Membros.<br />

A Polissonografia - PSG, além de permitir o diagnóstico preciso dos<br />

distúrbios do sono, auxilia ainda a instituir uma terapêutica adequada (Carskadon et<br />

al.1989).<br />

Além de uma certa predisposição hereditária, a SASO atinge com maior<br />

intensidade a população masculina na relação de 10:1. Relação que se iguala<br />

quando comparada com mulheres pós-menopausa.<br />

A SASO ocorre em aproximadamente 30% das patologias estudadas em<br />

laboratórios do sono (Coleman et al, 1982).<br />

26


Estudos com fluoroscopia, fibra óptica e tomografia axial computadorizada<br />

(TAC) mostram orofaringe e a hipofaringe como lugares mais freqüentes de<br />

obstrução a. (Hudgel, 1988. Surrat, 1983). Esses métodos permitiram comparar<br />

indivíduos normais com pacientes com SASO, encontrando-se nos últimos uma clara<br />

diminuição do calibre orofaríngeo em comparação aos controles normais.<br />

A oclusão das vias aéreas superiores se agrava, na maioria dos casos, por<br />

alterações anatômicas locais. Elas somam-se nesses pacientes, a fatores dinâmicos,<br />

como o colapso das paredes laterais da orofaringe, a descida da língua sobre o véu<br />

palatino e a faringe e o fechamento concêntrico da hipofaringe, durante o sono,<br />

diminuindo ainda mais a luz do espaço aéreo (Rajewski et al, 1982).<br />

Figura 2 - Entrada Normal de Ar<br />

Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbp7/apneiasompq.html Acesso em 19/03/99<br />

Figura 3 - Obstrução na Entrada do Ar<br />

Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbp7/apneiasompq.html Acesso em 19/03/99<br />

O bom funcionamento da via aérea superior depende, normalmente, do<br />

equilíbrio dinâmico entre as forças de dilatação, a atividade tônica e fásica dos<br />

dilatadores faríngeos e as forças de colapso (Remmers, 1978).<br />

A oclusão ocorre quando as forças tendentes ao colapso das vias aéreas<br />

27


superiores, ou seja, a pressão intraluminal negativa produzida pela cintração<br />

diafragmática, supera a dos músculos dilatadores orofaríngeos. O esforço<br />

respiratório realizado para vencer a obstrução somente consegue agravar a oclusão,<br />

ao aumentar a pressão de sucção. A pressão de sucção é diretamente proporcional<br />

à velocidade do fluxo aéreo (determinado perlo calibre das vias aéreas superiores e<br />

o esforço inspiratório) e inversamente proporcional ao calibre das vias aéreas<br />

superiores (Block et al, 1984).<br />

A cada parada de entrada do ar (apnéia), se produz hipoxemia, hipercapnia<br />

e acidose, a qual provoca por estimulação central um despertar breve. Esse breve<br />

despertar traz junto, a abertura da orofaringe e a volta da respiração, voltando aos<br />

valores basais a gasometria no sangue e a pressão arterial.<br />

Quando volta o sono, os músculos da orofaringe mais uma vez relaxam, e<br />

todo o processo inicia novamente, podendo repetir-se centenas de vezes por noite.<br />

Deduz-se do exposto uma baixa eficiência do sono, que terá como conseqüência<br />

direta a sonolência diurna.<br />

O aumento da resistência das vias aéreas superiores durante o sono é mais<br />

importante quando existe uma obstrução anatômica. Todas as causas que reduzem<br />

a atividade das vias aéreas superiores poderão produzir apnéias (Lavie, 1983a).<br />

A sintomatologia clínica que se observa nos pacientes com SASO tem a<br />

particularidade de mostrar alguns sintomas que se manifestarão exclusivamente<br />

durante o sono (por exemplo, apnéia, ronco) e outros, em troca, como a sonolência,<br />

aparecerão alterando o comportamento diurno.<br />

2.3.2 Sintomas noturnos<br />

O ronco é um ruído predominantemente inspiratório causado pela vibração<br />

dos tecidos moles da orofaringe; traduz a existência de uma obstrução da via aérea<br />

superior (VAS) (Lugaresi et al, 1989). O importante é diferenciar o ronco suave e<br />

contínuo do ronco pesado e cíclico. O primeiro corresponde a um ruído inspiratório<br />

de igual amplitude para cada ciclo (40-60 ciclos/s) e, em geral, não representa<br />

demasiado risco. Em pacientes com SASO, por outro lado, o ronco é cíclico e<br />

intermitente, podendo alcançar 85 dB (1.000 a 3.000 ciclos/s) (Millman, 1987). A<br />

elevada intensidade do nível de ruído é o principal responsável pela utilização de<br />

28


dormitórios separados entre os cônjuges.<br />

Uma série de roncos seguidos por um silêncio respiratório (apnéia ou<br />

hipopnéia) terminando com uma expiração explosiva e, por vezes, com vocalização<br />

e um despertar breve com movimento do corpo é a clara descrição do ronco de um<br />

paciente com SASO.<br />

Estudos epidemiológicos demonstram que os roncadores habituais sofrem<br />

mais freqüentemente de hipertensão arterial sistêmica, (Koskenvuo,1985. Mondini,<br />

1983) apresentando maior predisposição para a isquemia cardíaca e cerebral. Em<br />

pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, a SASO pode alterar<br />

dramaticamente o equilíbrio ventilatório noturno (Perez-Padilla et al, 1985).<br />

2.3.2.1 Sono noturno<br />

O sono noturno do paciente com SASO se acompanha, em geral, de uma<br />

atividade motora normal, a qual dá a característica de um sono inquieto. Esta<br />

atividade pode incluir movimentos periódicos das pernas, movimentos bruscos,<br />

abalos das mãos ou dos pés.<br />

É freqüente que os pacientes com SASO refiram vários despertares<br />

noturnos, em alguns casos com sensação de asfixia ou afogamento, criando<br />

angústia. Outros sintomas descritos com freqüência nítida incluem comportamento<br />

automático, enurese (mais comum em crianças), noctúria,, transpiração excessiva,<br />

saliva sanguinolenta, refluxo gastroesofágico. Este último é associado ao esforço e<br />

ao aumento da pressão intra-abdominal necessários para restabelecer a respiração<br />

(Guilleminault et al, 1976).<br />

2.3.3 Sintomas diurnos<br />

2.3.3.1 Sonolência excessiva diurna<br />

A sonolência excessiva diurna, junto com o ronco, é o sintoma principal dos<br />

pacientes com SASO. A sonolência excessiva diurna ou hipersônia se manifesta no<br />

início como uma tendência fácil a adormecer em situações monótonas, como ler ou<br />

29


ver televisão; os pacientes costumam referi-la como um "esgotamento" ou<br />

"cansaço", raramente como sonolência. Em casos mais graves, podem dormir sobre<br />

o volante enquanto dirigem ou no trabalho, provocando acidentes de importância<br />

(Findley, 1988. Lavie,1983b).<br />

A sonolência excessiva diurna, presente em 80% dos pacientes com SASO,<br />

é a conseqüência de um sono noturno fragmentado e interrompido constantemente<br />

pelas apnéias ou microdespertares. Tais eventos impedem que se consolide o sono,<br />

sendo freqüente encontrar ausência de sono lento profundo (estágios 3 e 4) e<br />

alterações de REM. É por isso que os pacientes sentem, ao despertar pela manhã,<br />

que não descansaram adequadamente, pois o sono não foi reparador (Bradley et al,<br />

1992).<br />

A sonolência excessiva diurna pode ser acompanhada de comportamentos<br />

automáticos, principalmente pela manhã, tais como: amnésia retrógrada, dificuldade<br />

na concentração, deterioração da memória e, por vezes, do raciocínio (Greenberg et<br />

al,1987; Scheltens et al, 1991). Também foram descritas mudanças de<br />

personalidade, como agressividade, ataques de ira, irritabilidade, ansiedade e<br />

depressão. As cefaléias matinais de predomínio frontal estão presentes na metade<br />

dos pacientes. Há uma diminuição da libido e até a impotência apresenta-se em 20%<br />

a 40% dos pacientes com SASO (Guilleminault, 1989b). Recentemente tem-se<br />

descrito a presença da sonolência excessiva diurna em roncadores sem apnéias, na<br />

síndrome de resistência das vias aéreas superiores (Guilleminault et al, 1977).<br />

2.3.4 Conseqüências hemodinâmicas da SASO<br />

A resposta hemodinâmica à asfixia (apnéia) é muito complexa e a sobrevida<br />

dependerá da capacidade da reação cardíaca e cerebral à hipóxia, hipercapnia e<br />

acidose.<br />

2.3.4.1 Hipoxemia associada à apnéia<br />

Cada episódio apnéico está associado a uma queda transitória da saturação<br />

arterial de oxiemoglobina (SatO2).<br />

Como conseqüência do colapso das vias aéreas superiores, interrompe-se<br />

30


a ventilação, desencadeando uma asfixia progressiva. Observa-se, então, uma<br />

queda rápida da SatO2 com aumento da tensão de dióxido de carbono, que voltará<br />

aos níveis basais ao finalizar a apnéia. O grau de hipoxemia dependerá da pressão<br />

de oxigênio basal e da capacidade funcional residual (CFR) de cada indivíduo<br />

(Shepard et al, 1985). Em pacientes obesos, a CFR diminui ao se adotar o decúbito<br />

dorsal e isso faz com que a hipoxemia ocorra com maior rapidez. As maiores<br />

hipoxemias estão associadas ao sono REM, coincidindo com as apnéias mais<br />

prolongadas. Pacientes com índice de peso normal raramente apresentam<br />

dessaturações abaixo de 85%.<br />

2.3.4.2 Arritmias cardíacas<br />

A associação das arritmias cardíacas às apnéias do sono são freqüentes<br />

(Tilkian et al, 1977). Durante a apnéia, se produz um incremento da atividade<br />

eferente parassimpática vagal, a qual se traduz em uma bradicardia que pode<br />

descer até 50% do nível pré-apnéia. Ao finalizar a apnéia e restaurar a ventilação se<br />

produz uma taquicardia compensatória (Guilleminault et al, 1986).<br />

Dois tipos diferentes de arritmias cardíacas costumam acompanhar as<br />

apnéias (Bradley et al, 1990). As mais freqüentes são a braditaquicardia, bloqueio<br />

atrioventricular de segundo grau, parada sinusal de 2, 3 a 13s de duração, fibrilação<br />

auricular e taquicardia ventricular (Guilleminaul et al, 1983).<br />

As extra-sístoles ventriculares (PVC) se manifestam quando a dessaturação<br />

de oxiemoglobina desce abaixo de 70%. Pode haver prolongamento do intervalo Q-<br />

T, especialmente durante a bradicardia (Guilis et al,1991; Shepard, 1985).<br />

Pelo fato de as apnéias se associarem com as arritmias de graus variados<br />

de severidade, os pacientes com SASO têm risco maior de mortalidade<br />

cardiovascular (Shepard, 1990).<br />

2.3.4.3 Hipertensão arterial sistêmica e pulmonar<br />

Durante o sono normal, a pressão arterial sistêmica desce entre 10% e 15%;<br />

a maior redução ocorre durante o sono não-Rem (NREM, estágios 3 e 4) (Khatri et<br />

al, 1967). As flutuações do estado ácido-básico durante as apnéias provocam<br />

31


importantes mudanças hemodinâmicas.<br />

As pressões arterial sistêmica e pulmonar sobem simultaneamente a cada<br />

apnéia, dependendo do nível de incremento do grau de dessaturação da<br />

oxiemoglobina (Tilkian et al, 1976). Quando se restaura a ventilação, as pressões<br />

voltam, em geral, aos níveis basais. Sem dúvida, se os episódios apnéicos se<br />

sucedem um após o outro, ambas as pressões aumentam rapidamente, sem poder<br />

retornar à linha de base, já que os intervalos entre as apnéias não são suficientes.<br />

A repetição cíclica de tais episódios de hipertensão arterial sistêmica e<br />

pulmonar contribui para a hipertrofia ventricular e levam à insuficiência cardíaca. Dos<br />

pacientes com SASO, 50% desenvolvem hipertensão arterial sistêmica em vigília;<br />

em 30% dos pacientes diagnosticados como hipertensos essenciais tem sido<br />

encontrada apnéia do sono (Fletcher et al, 1985).<br />

Não se sabe ao certo a patogênese da hipertensão arterial sistêmica nos<br />

pacientes com SASO, mas provavelmente é secundária à interação de múltiplos<br />

fatores. A obesidade, o sexo masculino e o aumento da atividade simpática são<br />

fatores contribuintes. Recentemente, foi descrito o aumento de catecolaminas<br />

plasmáticas e urinárias em pacientes com SASO e hipertensão arterial sistêmica,<br />

cujos valores se normalizam logo após a traqueostomia (Guilleminault et al, 1981).<br />

2.3.7 Avaliação do paciente com SASO<br />

Por ser esta síndrome polissintomática e comprometer diferentes órgãos da<br />

economia, o paciente com SASO deve ser submetido a um exame clínico geral que<br />

inclua a avaliação da via aérea superior, provas pneumológicas, exames<br />

cardiológico, neurológico e hematológico. O paciente com SASO será avaliado tanto<br />

desperto como dormindo.<br />

A obesidade é um dos principais fatores agravantes da enfermidade e por<br />

isso deverá ser avaliada a distribuição do tecido adiposo, prestando especial<br />

atenção a infiltração no pescoço, abdome e tórax (Horner et al, 1989). Também é<br />

útil a avaliação do índice de massa corporal (IMC). Em 75% dos pacientes com<br />

SASO encontra-se peso acima de 20% do ideal (Walsh et al, 1972). A mulher com<br />

SASO tende a apresentar um excesso de peso maior do que o homem. Observa-se,<br />

com freqüência, que pequenas reduções do peso corporal trazem grandes<br />

32


mudanças na sintomatologia, principalmente a reversão da sonolência diurna.<br />

2.3.7.1 Avaliação da Região Oronasomaxilofacial<br />

Realiza-se, em primeiro lugar, um exame do maciço craniofacial em busca<br />

de micrognatia ou retrognatia. São utilizadas as mediações cefalométricas. Deve-se<br />

fazer, também, a exploração exaustiva das cavidades orofaríngea e nasal, com o<br />

objetivo de avaliar consistência e tamanho da língua (macroglossia), comprimento e<br />

coloração da úvula, hipertrofia de adenóide ou de amígdala, aspecto e consistência<br />

do palato mole, obstrução de cavidade nasal, podendo haver desvio de septo<br />

(Guilleminault, 1989a).<br />

Pode-se complementar a exploração das vias aéreas superiores com a<br />

visualização endoscópica com fibroscopia óptica, reflexão acústica, TAC ou<br />

ressonância nuclear magnética (RNM), que dão dados sobre o local de obstrução.<br />

2.3.7.2 Álcool e Sedativos<br />

A ingestão de álcool, horas antes do adormecer, pode desencadear apnéia<br />

em roncadores benignos e provocar um aumento na duração e freqüência das<br />

apnéias com pacientes com SASO. As benzodiazepinas apresentam um efeito<br />

semelhante. Ambos os fatores atuam produzindo uma depressão da atividade dos<br />

músculos de vias aéreas superiores (Scrima et al, 1982).<br />

Devemos sempre buscar as etiologias específicas que predispõem ou<br />

contribuem para o aparecimento de SASO.<br />

Obstrução das vias aéreas superiores:<br />

a) Nasal: desvio de septo, hipertrofia de cornetos, rinite, hipertrofia adenóide;<br />

b) Orofaringe: úvula larga e pendular, hipertrofia amigdaliana, hipertrofia<br />

celopalatina, macroglossia, tumores ou cistos faríngeos;<br />

c) Anomalias craniofaciais e esqueléticas: Micrognatia, retrognatia, Síndrome<br />

de Pierre Robin Arnod-Chiari, Cifoescoliose.<br />

Alterações neurológicas e musculares: Siringomielia-seringobulbia,<br />

Enfermidade de motoneurônios, Miastenia grave, Distrofia muscular, Miopatias.<br />

Alterações metabólicas: hipotiroidismo, acromegalia, síndrome de Prader<br />

33


Willy, amiloidose, obesidade.<br />

Figura 4 - Remodelamento do Palato Mole<br />

Figura mostrando o remodelamento do palato mole através dos raios laser de CO2.<br />

2.3.8 Avaliação do paciente dormindo<br />

2.3.8.1 Polissonografia Noturna<br />

Quando se suspeita de SASO, a única confirmação diagnóstica se dará<br />

através do registro polissonográfico noturno. Além dos parâmetros poligráficos<br />

habituais (eletroencefalograma, eletrooculograma, eletromiografia), (Guilleminault et<br />

al, 1976) se deve incluir no registro: eletrocardiograma (ECG), termistores que<br />

determinarão o fluxo aéreo buco-nasal, cinturão toracoabdominal, que marcará a<br />

presença ou ausência do esforço ventilatório, monitorização oximétrica e atividade<br />

eletromiográfica (RMG) dos músculos tibiais anteriores, que colocarão em evidência<br />

os movimentos periódicos das pernas (Rechtschaffen et al, 1968).<br />

É importante verificar o decúbito em que se produzem as apnéias, já que a<br />

posição supina aumenta o índice de apnéias e esse dado pode ser de valor para o<br />

tratamento.<br />

O registro polissonográfico noturno permitirá avaliar: tipo, freqüência e<br />

duração das apnéias e/ou hipopnéias; características do ronco; grau de<br />

34


dessaturação de oxigênio; avaliação das arritmias cardíacas; fragmentação do sono;<br />

severidade do quadro.<br />

As apnéias são encontradas com maior freqüência nos estágios 1 e 2 do<br />

sono NREM e durante o sono REM. Em alguns casos, serão manifestas somente<br />

durante o sono REM, e é neste estágio que as apnéias obstrutivas são mais severas<br />

e a SatO2 chega aos níveis mais baixos (Greenberg et al, 1987). Não se aconselha<br />

avaliar o estágio da sesta, pois o REM predomina ao final da noite, entre as 3 e 6<br />

horas, correndo o risco de perder seu registro, e consequentemente, um dado de<br />

valor.<br />

Os pacientes apnéicos dificilmente alcançam os estágios profundos de sono<br />

(estágios 3 e 4, devido aos despertares breves ou longos que freqüentemente<br />

acompanham as apnéias).<br />

A determinação do grau de severidade da SASO se dará pelos índices<br />

obtidos na polissonografia junto à avaliação clínica do paciente.<br />

2.3.9 Curso da enfermidade<br />

O término espontâneo da SASO pode ocorrer algumas vezes com a<br />

diminuição do peso, mas geralmente segue um curso progressivo e pode ser causa<br />

de morte prematura (Browman et al, 1984). O estudo de seguimento de pacientes<br />

com SASO durante cinco anos mostra uma taxa de mortalidade de 11% e 13% para<br />

os não tratados.<br />

2.3.9.1 Perfil do portador<br />

Esta doença tem uma certa predisposição familiar, sendo mais freqüente no<br />

sexo masculino e em indivíduos com excesso de peso. O ronco geralmente se<br />

associa com elevada prevalência; contudo, em algumas ocasiões, pode estar<br />

ausente. Acredita-se que a apnéia do sono afeta mais de 5% das mulheres e 15%<br />

dos homens na faixa etária entre 30 e 60 anos e que 19% das mulheres e 34 % dos<br />

homens que habitualmente roncam padecem deste distúrbio. A apnéia obstrutiva do<br />

sono é tão prevalente quanto a asma no adulto, contudo, aproximadamente 95% dos<br />

pacientes não são adequadamente diagnosticados e tratados.<br />

35


As principais características clínicas da apnéia do sono são: sonolência<br />

diurna excessiva - hipersonolência, roncos noturnos (podendo ultrapassar a mais de<br />

60 decibéis), obesidade, apnéias, enurese, refluxo gastroesofágico, fadiga diurna<br />

excessiva, sono não reparador, despertares freqüentes durante a noite, perda<br />

progressiva da memória e dificuldade de concentração, sudorese noturna,<br />

diminuição da libido, cefaléia matutina, micrognatia ou retrognatia, depressão,<br />

irritabilidade, modificação da personalidade e da voz<br />

Cardiopatias associadas: arritmias (extrassístoles, taquicardia ventricular,<br />

pausa sinusal e bloqueio A-V), hipertensão arterial do tipo dipper e principalmente<br />

non-dipper, angina, infarto do miocárdio, cor pulmonale e insuficiência cardíaca<br />

(Guilleminault et al,1983).<br />

A sonolência diurna excessiva é as vezes difícil de se identificar, pois,<br />

especialmente se for discreta, o paciente pode não dar a devida importância ou<br />

mesmo minimizá-la. Ao contrário, pode ser supervalorizada por alguns indivíduos.<br />

Resulta, portanto, importante precisar em que situações aparece a hipersônia. No<br />

laboratório do sono, a hipersônia pode ser quantificada mediante o teste de latência<br />

múltipla do sono (MSLT)<br />

Pacientes com hipersônia extrema e incapacitante: dormem continuamente<br />

(Akersted, 1988) a não ser que estejam estimulados contínua e ativamente. O<br />

estado de sonolência aparece no trabalho, nas refeições, dirigindo um automóvel e<br />

até durante uma conversa. Este tipo de paciente apresenta um risco para si mesmo,<br />

no ambiente de trabalho e principalmente no trânsito devido ao grande risco de<br />

acidentes. Um número significativo de acidentes de tráfego nas estradas está<br />

associado a uma importante prevalência de SAOS entre caminhoneiros e motoristas<br />

de ônibus (Findley et al, 1988).<br />

Pacientes com hipersônia evidente dormem habitualmente durante a leitura,<br />

vendo televisão, trabalhando e dirigindo. Podem manter-se em alerta enquanto<br />

realizam uma atividade física.<br />

Pacientes com hipersônia leve geralmente são o tipo mais difícil de se<br />

identificar, a começar pela negação do próprio enfermo. Dormem geralmente<br />

durante a leitura e vendo televisão.<br />

O aparecimento da hipersônia em qualquer grau está diretamente<br />

relacionado com a desorganização do sono em conseqüência das apnéias. Ao se<br />

finalizar a apnéia produz-se um despertar transitório, que permitirá a abertura da via<br />

36


aérea superior, e com ela, a recuperação da saturação da oxihemoglobina que havia<br />

diminuído como conseqüência de interrupção da respiração (Horne, 1983).<br />

Os repetidos episódios de despertares ocasionam uma fragmentação do<br />

sono além de impedir que o sono progrida para as fases profundas (fases 3 e 4) e<br />

fase REM, convertendo-se em um sono não reparador. Provavelmente existem<br />

outros fatores que influem sobre a hipersônia, como a própria hipoxemia.<br />

O ronco consiste na emissão de um ruído que pode ultrapassar a 70<br />

decibéis e é produzido pela vibração da úvula e do palato mole. Fatores anatômicos<br />

podem influenciar, tais como: obstrução nasal por hipertrofia de cornetos e desvio de<br />

septo, hipertrofia de amígdalas e adenóides (Block et al, 1984). A ingestão de<br />

bebidas alcoólicas ocasionam relaxamento da musculatura aumentando o nível do<br />

ruído. Igualmente a postura durante o sono (decúbito dorsal) incrementa o nível do<br />

ronco.<br />

O ronco é, com freqüência, o motivo da consulta médica, em parte como<br />

conseqüência da divulgação pelos meios de comunicação. Em algumas ocasiões o<br />

ronco pode ser pouco valorizado pelo paciente, pelo fato do mesmo ocorrer há<br />

vários anos. Em razão disto, é fundamental entrevistar o(a) companheiro(a) ou<br />

familiares, que com freqüência descreverão que o ronco se interrompe<br />

periodicamente, seguindo de uma parada da respiração (apnéia) que acaba com um<br />

ronco forte seguido de uns quantos mais (fase de hiperventilação pós-apnéia)<br />

voltando novamente ao silêncio.<br />

A enurese é mais freqüente nas crianças com SASO (Hjalmas, 1992),<br />

podendo também aparecer em 5% dos adultos. Acredita-se que pode interferir em<br />

sua fisiopatologia o aumento da pressão intra-abdominal, incremento de excreção de<br />

água e sal durante a noite em relação ao aumento do fator natriurético. O refluxo<br />

gastroesofágico decorre da modificação da pressão abdominal e torácica secundária<br />

à obstrução da via aérea, que modificam funcionalmente o esfíncter esofagiano<br />

inferior (cárdia).<br />

A cefaléia geralmente é frontal e matutina. Sua etiologia tem sido atribuída a<br />

um efeito vasodilatador da hipercapnia que pode ocorrer durante o sono. Igualmente<br />

a hipertensão arterial que afeta estes pacientes pode também contribuir.<br />

Aproximadamente ¼ destes pacientes referem impotência sexual ou<br />

diminuição da libido. Habitualmente trata-se de uma impotência funcional. Tem-se<br />

demonstrado sua relação com uma diminuição dos níveis de testosterona por<br />

37


inibição do sistema hipotálamo-hipofisário .<br />

Os transtornos psiquiátricos se expressam por diminuição da capacidade de<br />

concentração, deterioração da memória, ansiedade, síndrome depressiva,<br />

transtornos da personalidade em forma de maior irritabilidade, inapetência e<br />

desinteresse (Barthlen et al, 1994). As crianças com SASO apresentam um baixo<br />

rendimento escolar. Essas alterações estão relacionadas com a fragmentação do<br />

sono e a hipoxemia .<br />

A qualidade da voz pode modificar-se e aparecer transtornos em sua<br />

ressonância, articulação e/ou fonação em decorrência de tecido hipertrófico no<br />

palato mole. As crianças apresentam uma voz anasalada em conseqüência de<br />

hipertrofia da adenóide e das amígdalas (Remmers, 1978).<br />

2.4. Síndrome de apnéia obstrutiva do sono - tratamento clínico e<br />

CPAP<br />

Em princípio, sempre que existir sintomatologia diurna evidente, deve-se<br />

considerar a instauração do tratamento. Independente disso, a terapêutica deverá<br />

ser iniciada quando se objetivar um IAH superior a 20 dado que, apesar de poucas,<br />

existem algumas evidências que demonstram que a sobrevida destes pacientes<br />

diminui a partir desta cifra, basicamente pelo aparecimento de complicações<br />

cardiovasculares.<br />

2.4.1 Medidas gerais<br />

As recomendações tidas como medidas gerais incluem a instituição de dieta<br />

hipocalórica nos casos de obesidade, abandono de ingestão de bebidas alcoólicas,<br />

de sedativos, em especial antes de dormir, manter uma boa higiene do sono, assim<br />

como tratar as doenças de base que se associam com SAOS (hipotireoidismo,<br />

acromegalia). A terapêutica medicamentosa tem um modesto papel na abordagem<br />

da apnéia obstrutiva (Lombard et al, 1985). A utilização dos anti-depressivos<br />

tricíclicos podem ter um efeito inibidor do sono REM, dificultando a identificação de<br />

apnéias que ocorram predominantemente nesta fase.<br />

38


Na presença de anomalias anatômicas específicas tais como hipertrofia de<br />

amígdalas e adenóides, micrognatia, etc, estará indicada a cirurgia dirigida a corrigir<br />

estes defeitos.<br />

O tratamento atual se divide em 3 modalidades, tendo como base a<br />

freqüência das apnéias (IAH), a presença ou não das anomalias anatômicas<br />

referidas, a fragmentação do sono, obesidade e idade entre outras. O tratamento<br />

mais indicado numa grande parte dos pacientes é a prótese ventilatória – CPAP ou<br />

BIPAP (Strohl et al,1989) que consiste na aplicação de uma pressão positiva<br />

contínua (mediante um compressor de ar e máscara nasal) que mantém permeável<br />

a via aérea superior, impedindo seu colapso principalmente na fase inspiratória. O<br />

nível ideal de pressão de CPAP entre 6-12 cm H2O costuma ser suficiente para a<br />

maioria dos pacientes. Em casos onde se necessitam pressões muito elevadas<br />

estaria indicada a utilização do BIPAP. A órtese dentária representa outra<br />

modalidade de tratamento, geralmente utilizada em indivíduos portadores de SASO<br />

leve a moderado.<br />

Figura 5 - Compressor de Ar e Máscara Nasal<br />

Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbpt/apneiatptrat.html Acesso em 19/03/99<br />

39


A escolha do tratamento mais eficaz da síndrome de apnéia do sono do tipo<br />

obstrutivo (SASO) depende dos resultados da polissonografia, da severidade dos<br />

sintomas, das condições anatômicas e/ou médicas que precipitam ou favorecem o<br />

quadro, e sobretudo da colaboração por parte do paciente.<br />

Nos casos leves, nos quais o índice de apnéia e hipopnéia costuma estar<br />

entre 5 a 10h, com dessaturações não superiores a 5% e peso acima do normal, as<br />

medidas de higiene e hábitos corretos continuam sendo o primeiro ponto a se ter em<br />

conta. Para estes pacientes, deve-se propor as seguintes recomendações: perda de<br />

peso, eliminar a ingestão de álcool, não utilizar depressores do sistema nervoso<br />

central (sedativos, ansiolíticos, hipnóticos etc.), dormir no mínimo oito horas diárias e<br />

manter horários regulares, procurar evitar a posição supina durante o sono (Block et<br />

al, 1984), utilizar betabloqueadores e diuréticos com precaução e sob controle<br />

médico.<br />

2.4.2 Redução do peso excessivo<br />

O excesso de peso é considerado por todos os autores como um fator<br />

agravante da SASO e, portanto, perder peso deve ser a primeira recomendação que<br />

se faz aos pacientes.<br />

A obesidade nos pacientes com SASO pode oscilar entre um peso excessivo<br />

moderado (5% a 10%) a um peso excessivo importante (20% a 40%). O tecido<br />

adiposo se acumula na musculatura que configura a orofaringe, tornando-se mais<br />

flácida e dando ao pescoço um aspecto de aumento de volume (Burwel et al, 1956).<br />

Embora transtornos metabólicos de ordem hídrica ou lipídica possam<br />

oferecer um falso quadro de obesidade, o certo é que ultimamente, diversos estudos<br />

têm apontado para possível relação entre a hipoxemia noturna e a dificuldade em<br />

perder peso.<br />

Block et al (1984) encontraram que perdas moderadas de peso (10kg)<br />

reduziam a severidade da SASO, melhoravam a continuidade do sono e diminuíam a<br />

sonolência excessiva diurna. Verificou-se que a eficácia da perda de peso nos<br />

pacientes com SASO, determinou uma queda no índice de apnéia e hipopnéia,<br />

inclusive naqueles que tinham um grau leve de obesidade (entre 5% e 10% de peso<br />

excessivo).<br />

40


2.4.3 Supressão de álcool e da medicação sedativa ou relaxante<br />

O consumo de álcool, pois, produz um relaxamento natural da musculatura<br />

orofaríngea estriada (Scrima et al, 1982). Todas as companheiras de cama dos<br />

pacientes que sofrem de SASO informam que eles roncam mais e têm mais apnéias<br />

nos dias em que beberam "além da conta". Está evidenciado também que o<br />

consumo de álcool em pacientes com SASO varia segundo hábitos culturais, fato<br />

facilmente verificável junto à concentração de povos mediterrâneos.<br />

A utilização de sedativos, hipnóticos e relaxantes musculares também é<br />

contra-indicada, pois desencadeia hipotonia muscular e conseqüente aumento o<br />

número de apnéias e a intensidade do ronco (Lakshminarayan et al, 1976). Alguns<br />

pacientes confundem seus despertares noturnos secundários com uma insônia e<br />

utilizam hipnóticos, os quais pioram o quadro clínico, potencializando toda sua<br />

sintomatologia.<br />

2.4.4 Tratamento postural<br />

Nos pacientes com SASO, as apnéias ocorrem em sua maior parte durante<br />

o estágio REM (Orem, 1980) e em decúbito supino (Cartwright, 1984).<br />

Consequentemente, vêm sendo utilizados alguns dispositivos para manter o<br />

paciente na posição de decúbito lateral prono, conseguindo-se uma diminuição das<br />

apnéias e da intensidade do ronco.<br />

Apesar de o paciente iniciar voluntariamente seu sono em posição lateral, a<br />

dificuldade persiste porque ele não consegue manter essa postura de forma<br />

voluntária; enquanto dorme, ele modifica sua posição. Um dos dispositivos utilizados<br />

consiste de um cinturão com uma pequena bolsa onde se introduz uma bola de golfe<br />

ou de tênis e que, colocado nas costas do paciente entre as escápulas, torna a<br />

posição supina incômoda e, portanto, o forçarão a se manter em posição lateral. É<br />

especialmente útil naqueles pacientes com SASO leve devida a desvios nítidos do<br />

septo nasal.<br />

41


2.4.5 Próteses nasais ou bucais<br />

Deve-se desaconselhar todos os artigos destinados a abrir as fossas nasais<br />

que são comercializados como solução para o ronco. São totalmente inúteis já que a<br />

origem da disfunção que leva ao ronco não está ao nível das fossas nasais senão<br />

mais baixo, ao nível da faringe. Alguns mecanismos consistem em prótese que<br />

tentam evitar a queda da língua durante o sono e manter as vias aéreas (Adair et al,<br />

1991). Sem dúvida, não tem recebido um apoio geral devido a seu preço elevado, ao<br />

desconforto que produz e à sua ineficácia nos casos de SASO moderada ou grave.<br />

2.4.6 Tratamento farmacológico<br />

2.4.6.1 Protriptilina<br />

Diversos tratamentos farmacológicos foram tentados com resultados<br />

contraditórios em pacientes com SASO. A protriptilina tem sido utilizada em<br />

pequenas séries de pacientes, reduzindo-se ligeiramente o número de apnéias<br />

obstrutivas e melhorando-se o nível de saturação de oxigênio (Conway et al, 1979).<br />

A pequena queda no número de apnéias é, em parte, devida à redução da<br />

porcentagem de estágio REM que esse medicamento produz, assim como à duração<br />

das apnéias neste estágio, que também se reduz.<br />

2.4.6.2 Progesterona<br />

A progesterona também tem sido utilizada no tratamento de SASO, apesar<br />

de sua experiência ser limitada e os resultados pouco replicados. Em um estudo<br />

com nove pacientes acometidos de SASO a progesterona melhorou o quadro clinico,<br />

com queda no número de apnéias e desaparecimento da sonolência diurna<br />

(Brandenberger, 1993). Os que melhoraram eram pacientes com hipoxemia e<br />

retenção de dióxido de carbono e a melhora pode ser atribuída ao estímulo<br />

hormonal ao centro respiratório troncoencefálico (Strohl et al, 1981).<br />

42


2.4.6.3 Oxigênio<br />

Também o oxigênio tem sido utilizado como meio terapêutico. Tem-se<br />

observado melhoras transitórias no número de apnéias nos estágios de sono de<br />

ondas lentas (estágios 3 e 4). Entretanto, não se tem registro da melhora da<br />

sonolência diurna. Outros autores descreveram que a administração de oxigênio<br />

diminuiria as apnéias centrais e mistas, mas aumentaria as obstrutivas. Esses<br />

resultados pouco consistentes tornam desaconselhável o tratamento habitual da<br />

SASO com oxigênio.<br />

2.4.7 Equipamento de CPAP<br />

O maior avanço no tratamento não cirúrgico da SASO foi conseguido por<br />

Colin Sullivan, do Hospital Royal Prince Alfred de Sidney, Austrália, ao desenvolver<br />

um equipamento terapêutico que mantinha aberta a musculatura faríngea, evitando<br />

o colapso durante o sono (Bradley et al, 1990), com isso estabelecendo a<br />

normalidade da respiração com o conseqüente desaparecimento dos sintomas.<br />

O aparelho denominado CPAP (do inglês Continous Positive Airway<br />

Pressure) consiste em elevar a pressão na via aérea orofaríngea até inverter o<br />

gradiente de pressão transmural através da via aérea ao nível da faringe. O<br />

mecanismo consiste em fazer chegar por via nasal o ar com maior pressão que a<br />

ambiental, ou seja, a pressão positiva contínua. Para tal, se utiliza um pequeno<br />

compressor que envia ar através de um tubo finalizado em uma máscara nasal. A<br />

pequena máscara se fixa ao nível nasal com tiras auto-adesivas que permitem seu<br />

ajuste preciso na cabeça de cada indivíduo, evitando os escapes de ar. Atualmente,<br />

o peso do compressor não é superior a 2 ou 3kg e é totalmente portátil. Funciona<br />

com corrente elétrica e pode produzir pressões positivas contínuas de ar que<br />

oscilam entre 2,5 e 20cm de água, com o nível de ruído ambiental similar ao de um<br />

aparelho de ar condicionado.<br />

43


2.4.7.1 Determinação da pressão necessária<br />

Uma vez realizado e confirmado o diagnóstico de SASO mediante a<br />

polissonografia e decidido que o CPAP será o tratamento escolhido, o paciente deve<br />

ser novamente avaliado com outra polissonografia, durante a qual se utilizará o<br />

CPAP. A finalidade deste segundo estudo de sono, é determinar, durante cada um<br />

dos estágios de sono, a pressão necessária para o desaparecimento das apnéias,<br />

do ronco e dos demais sintomas associados (Strohl et al, 1989). A oximetria deve<br />

normalizar-se.<br />

Depois de determinar o tipo de máscara nasal, o pessoal técnico que segue<br />

a polissonografia durante a noite administrará ar com pressão positiva através da<br />

máscara nasal, aumentando ou diminuindo, dependendo do estágio de sono em que<br />

se encontra, conseguindo em cada momento suprimiras apnéias e o ronco (Bradley<br />

et al, 1990). Desta maneira, conseguirá determinar a pressão média necessária, que<br />

será a indicada como tratamento a domicílio.<br />

Posteriormente, o paciente utilizará o equipamento de CPAP em seu<br />

domicílio e com a pressão adequada fixa do aparelho. O paciente somente terá que<br />

colocar a máscara nasal no momento em que decidir iniciar o sono e depois respirar<br />

suavemente pelo nariz. Durante um curto período do tempo preestabelecido, a<br />

pressão aérea chegará lentamente, aumentando automaticamente até um valor<br />

determinado. Este tempo se denomina "tempo de rampa" e pode oscilar entre três e<br />

10 minutos, dependendo do quanto o paciente demore para dormir (Strohl et al,<br />

1989).<br />

As polissonografias de sesta realizadas durante cochilo diurno não estão<br />

indicadas para determinar o nível de pressão de CPAP. Isto se deve ao fato de não<br />

serem encontrados sempre na sesta todos os estágios de sono, em especial o sono<br />

REM, podendo haver modificações distintas de pressão.<br />

Somente em alguns casos, nos quais a gravidade o indique, pode ser<br />

realizada a aplicação rápida de CPAP em uma única polissonografia noturna. Na<br />

primeira metade desta se avalia o índice de apnéias e o grau de hipoxia, e na<br />

segunda se adapta o CPAP, determinando a pressão necessária para suprimir as<br />

apnéias e o ronco.<br />

A determinação de pressão do CPAP pode ser um pouco difícil em pacientes<br />

44


que consomem quantidades significativas de álcool (Scrima et al, 1982). A melhor<br />

sugestão é pedir ao paciente que faça a polissonografia tendo bebido a quantidade<br />

de álcool que consome normalmente em seu domicílio.<br />

2.4.7.2 Efeito da primeira noite com CPAP<br />

Os técnicos responsáveis pela polissonografia devem reconhecer que na<br />

primeira noite em que o paciente utiliza o CPAP pode-se observar uma redução<br />

brusca do nível de oxigênio no sangue, sem que saibamos exatamente a razão<br />

dessa dessaturação. Para normalizar a oximetria, deverá apenas despertar<br />

brevemente o paciente. Também se pode produzir hipotensão postural na manhã<br />

seguinte ao uso de CPAP em pacientes que recebem medicação anti-hipertensiva<br />

(Sullivan et al, 1984).<br />

É comum aparecer um rebote acentuado de sono de ondas lentas (estágios<br />

3 e 4) e de estágio REM. Os pacientes podem apresentar longos episódios de sono<br />

REM, que costumam durar de uma a duas horas. Da mesma maneira, os estágios<br />

de sono lento profundo podem chegar a porcentagens de até 50% do total da noite<br />

(McMvoy et al, 1984). Presume-se que ocorram mudanças neuroquímicas<br />

importantes determinantes de uma melhora muito evidente que o paciente relata<br />

durante o dia seguinte, sobretudo no referente à diminuição da severa sonolência<br />

excessiva diurna que apresenta. Depois de uma semana de uso se restabelece a<br />

estrutura normal do sono com percentagens adequadas de cada um dos estágios, e<br />

esta melhora que se observa é o melhor argumento e o reforço para que o paciente<br />

continue utilizando o CPAP.<br />

2.4.7.3 Adaptação<br />

O CPAP soluciona totalmente o problema mecânico que ocasiona a SASO e<br />

com isso sua sintomatologia (McMvoy et al, 1984), mas é imprescindível conseguir<br />

boa adaptação e aceitação por parte do paciente. Normalmente, o paciente pergunta<br />

pela duração do tratamento. É importante que ele entenda que o CPAP não cura<br />

sua enfermidade mas sim, corrige-a como fazem as lentes com a miopia. Deve<br />

saber que sempre deverá utilizá-lo se quiser sentir-se bem na manhã seguinte.<br />

45


Se não seguirmos este processo e prescrevermos o tratamento sem dar as<br />

necessárias explicações, como se faz na maioria dos centros onde não se tem<br />

tempo necessário, somente se conseguirá aceitação de 50% a 60% das prescrições.<br />

Recomenda-se o uso progressivo de CPAP durante as primeiras noites,<br />

aumentando lentamente as horas de uso (duas a três horas no primeiro dia, três a<br />

quatro horas no segundo dia etc.). Normalmente, a adaptação é mais rápida quanto<br />

mais grave é a SASO, pois o paciente pode, por si só, avaliar os benefícios de uma<br />

noite bem dormida. Isso faz com que se converta em um dependente do CPAP e<br />

sob hipótese nenhuma desistirá do tratamento.<br />

É importante cuidar dos aspectos psicológicos que acompanham o uso de<br />

um mecanismo terapêutico por toda a vida, sobretudo em indivíduos jovens<br />

(Barthelen et al, 1994). É interessante ressaltar ao paciente que o mecanismo<br />

utilizado é um equipamento externo e que ele pode deixar de usar quando seja<br />

necessário e que não deve sentir-se obrigado a empregá-lo. É bom aconselhar que<br />

tente durante alguns dias e quando este já estiver adaptado, durma uma noite sem<br />

CPAP. Assim, ele mesmo se dará conta do efeito benéfico que obtém quando o usa.<br />

2.4.7.4 Efeitos secundários transitórios do CPAP<br />

a) Irritação da pele: Devido à hipersensibilidade da pele do paciente aos<br />

materiais de que é feita essa máscara nasal, geralmente é observada<br />

em 10% dos usuários de CPAP (McMvoy et al, 1984). A irritação<br />

costuma desaparecer espontaneamente com aplicação de algum<br />

antiinflamatório ou anti-histamínico de uso tópico.<br />

b) Obstrução nasal e secura das mucosas: são observados em 15% a 45%<br />

dos pacientes com CPAP (McMvoy et al, 1984). Costuma remitir<br />

espontaneamente ou com uso de umidificação que o equipamento<br />

administra.<br />

2.4.7.5.Outros efeitos secundários transitórios descritos na literatura<br />

São descritos também casos de irritação ocular (1% a 15%) (Stauffer et al,<br />

1984), normalmente por escape de ar ao mudar-se a máscara nasal; "enxaqueca ao<br />

46


despertar" (McMvoy et al, 1986) (16%); "tinido" (12%); "despertares" (46%);<br />

"claustrofobia" (5%). Em nossa experiência pessoal, tratamos de um paciente no<br />

intuito de melhorar sua sonolência diurna, desconhecendo que além da SASO<br />

utilizava cocaína. Esse paciente apresentou claustrofobia severa ao uso de CPAP e<br />

não conseguiu adaptar-se. Também são descritos casos de rinite vasomotora<br />

solucionados com o uso de umidificador (Sanders et al, 1986).<br />

2.5 Tratamento cirúrgico<br />

O tratamento cirúrgico da síndrome de apnéia do sono tipo obstrutivo<br />

(SASO) visa reduzir a obstrução das vias aéreas e, portanto, varia de acordo com os<br />

sítios de obstrução. Pode focalizar a cavidade nasal, orofaringe ou a rinofaringe ou<br />

mesmo visar ultrapassar a obstrução. Engloba, entre outros, a traqueostomia,<br />

septoplastia, uvulopalatofaringoplastia (UPFP), adenotonsilectomia, avanço de<br />

maxila, de mandíbula, de osso hióide, glossectomia (Adair et al, 1991).<br />

A nasofaringoscopia pode ser útil para observar a obstrução. Na manobra de<br />

Müller costuma-se separar de acordo com a taxa de obstrução da orofaringe e<br />

nasofaringe em quatro grupos: 1+, colabamento mínimo ou discreto; 2+, 50% de<br />

obstrução; 3+, 75% de obstrução; 4+, 100% de obstrução.<br />

Podemos dividir o sítio de obstrução de acordo com os critérios de Fujita em:<br />

tipo I, obstrução de orofaringe; tipo II, obstrução de orofaringe e hipofaringe; tipo III,<br />

obstrução de hipofaringe.<br />

2.5.1 Uvulopalatofaringoplastia<br />

A UPFP foi descrita inicialmente em 1963, indicada para o ronco por<br />

Ikematsu, e posteriormente descrita para o uso na SASO por Fujita e col., (1981).<br />

Em nosso meio, começamos a utilizar a UPFP desde 1985, tendo atualmente 105<br />

casos submetidos a esta cirurgia, com avaliação sistemática clínica e polissonografia<br />

A indicação da UPFP visa principalmente aos casos de SASO cuja úvula e<br />

palato mole alongados ou volumosos tenham papel crucial no mecanismo obstrutivo<br />

da apnéia. A UPFP é basicamente a excisão de tecido redundante de palato mole,<br />

47


úvula, amígdala e mucosa faríngea. Ela beneficia principalmente pacientes com<br />

ronco intenso e socialmente inaceitável ou com SASO limitada à orofaringe<br />

(Gislason et al, 1988).<br />

Considerando-se a melhora como o decréscimo em 50% do número de<br />

apnéias e hipopnéias, é observada em cerca de 87% dos casos (Gislason et al,<br />

1988). Entretanto, muitos apresentam melhora parcial ou subjetiva, mesmo sem<br />

alcançar tais parâmetros propostos. A melhora subjetiva geralmente é maior quando<br />

comparada aos dados objetivos, os quais por vezes mostram a persistência da<br />

patologia em menor intensidade.<br />

A melhora com a UPFP varia em função do tempo de observação, a médio e<br />

longo prazos. Ryan e col.(1991), em um estudo com reavaliação, três meses após a<br />

cirurgia, verificaram melhora em 83% dos casos. Gislason e col. (1998) detectaram<br />

melhora em 67% dos casos após seguimento de seis meses, considerando como<br />

melhora a redução de 50% do índice de apnéias e hipopnéias. Os pacientes com<br />

melhor resposta eram os menos afetados em relação a apnéias e hipopnéias no préoperatório<br />

e tinham índice de massa corpórea (IMC) menor quando comparados aos<br />

não responsivos à cirurgia. Larson e col.(1991) obtiveram melhora em 60% dos<br />

casos após seis meses e 39% após dois anos. Os pacientes cuja resposta fora boa<br />

após seis meses e tiveram aumento das apnéias aos dois anos de seguimento<br />

haviam ganho peso.<br />

Após seguimento de quatro anos, os casos com aumento do número de<br />

apnéias estavam associados a ganho de peso. Casos cuja avaliação pré-cirúrgica<br />

apresentava maior dessaturação de oxigênio durante as apnéias tiveram pior<br />

prognóstico. Maior obesidade e maior queda de saturação de O2 são dois<br />

parâmetros simples sugestivos de pior prognóstico da UPFP a longo prazo.<br />

Complicações da UPFP incluem a insuficiência velofaríngea transitória com<br />

regurgitação nasal de líquidos, detectada em 20% dos casos e usualmente<br />

persistindo por três semanas após cirurgia (Macaluso et al, 1989). Diversas outras<br />

complicações, embora relativamente raras, como a infecção, sangramento, estenose<br />

nasofaríngea, são relatadas e a incompetência palatina, que permanece, pode ser<br />

reduzida se o paciente deglute lentamente. Óbito é raro na UPFP. De maneira geral,<br />

pacientes com SASO se mostram muito sensíveis à depressão respiratória induzida<br />

por sedação, devendo ser administrados neurolépticos com cautela.<br />

A UPFP é atualmente a cirurgia mais utilizada para a SASO, havendo<br />

48


melhora progressiva no prognóstico, nos últimos anos, tanto na literatura como em<br />

nossa própria casuística. Tal melhora deve-se, cremos, à escolha mais restrita dos<br />

casos com esta indicação cirúrgica. Polissonografia e cefalometria são realizadas<br />

em todos os casos (Series, et al, 1992), permitindo excluir, entre outros, aqueles<br />

com obstrução na orofaringe acompanhada decréscimo do espaço aéreo posterior<br />

pelo dorso lingual. De maneira análoga, casos de obesidade mórbida não são mais<br />

submetidos a UPFP, pela possibilidade de recorrência de sintomatologia. Em tais<br />

pacientes utilizamos aparelhos de pressão aérea nasal positiva contínua (Continous<br />

Positive Airway Pressure, CPAP) e indicamos programa para perda de peso, a fim<br />

de lançarmos mão da UPFP em um segundo passo.<br />

Polissonografia de controle deve ser realizada rotineiramente, cerca de três<br />

a cinco meses após a cirurgia. Se persistirem índices elevados de apnéias, pode-se<br />

utilizar tratamentos adicionais, clínicos ou cirúrgicos. Ocasionalmente, os roncos são<br />

reduzidos pela UPFP, embora apnéias com pouco ronco se mantenham.<br />

Sonolência excessiva diurna é evidente na SASO em situações monótonas,<br />

em especial ao dirigir veículos (Findley et al, 1988). É verificada, principalmente,<br />

causando acidentes de trânsito com um único veículo, ocorrendo cinco a 10 vezes<br />

mais freqüentemente em pacientes com SASO do que na população normal. Isto<br />

aumenta consideravelmente a mortalidade da SASO. Há melhora destes sintomas<br />

em dois terços dos pacientes tratados com UPFP.<br />

Sobrevida a longo prazo é igual nos pacientes tratados com UPFP e nos<br />

com CPAP. As duas formas de tratamento mostram prognósticos significadamente<br />

melhores do que a mortalidade esperada para SASO.<br />

2.5.2 Amígdalas e adenóides<br />

A principal causa de SASO na infância é a hiperplasia de amígdalas e,<br />

menos usualmente, de adenóides (Ariago et al, 1985). A utilização da<br />

amigdalectomia e de adenoidectomia está bem indicada nestes casos, quando há<br />

SASO constatada pela polissonografia. Tais cirurgias permitem o decréscimo das<br />

apnéias, da hipoxia e da intensa movimentação corpórea durante o sono, do ronco e<br />

dos numerosos despertares breves, características destes pacientes. Tal melhora<br />

usualmente persiste no seguimento a longo prazo.<br />

49


Déficit de crescimento pôndero-estatural é característico de SASO na<br />

infância (Reimão et al, 1985), verificando-se tendência à recuperação do peso e<br />

altura no seguimento pós-adenotonsilectomia.<br />

As características típicas destas crianças com hiperplasia adenotonsilar<br />

incluem face alongada, obstrução nasal, respiração bucal, infecções repetidas de<br />

vias aéreas superiores complicadas por patologia de ouvido médio e perda auditiva<br />

de condução (Lind et al, 1982). Nas crianças, ao contrário do observado em adultos,<br />

a sonolência excessiva diurna pode ser encontrada, mas não é o quadro usual.<br />

Mais comumente há agitação, hiperatividade, irritabilidade, agressividade e<br />

lentidão no aprendizado escolar. Ao contrário dos adultos com SASO, que amiúde<br />

são obesos, estas crianças apresentam déficit pônder-estrutural. Nos casos severos,<br />

hipertensão pulmonar, cor pulmonale e finalmente óbito podem ocorrer em um<br />

pequeno número de crianças (He et al, 1988). O sono é descrito como tendo<br />

movimentação excessiva e sonilóquios freqüentes, respiração bucal ruidosa,<br />

acompanhada de diversas posições incomuns de dormir, com hiperextensão cervical<br />

(Brovillette et al, 1982. Enurese noturna é também relatada como manifestação<br />

destas crianças com SASO (Hjalmas, 1992).<br />

Após adenotonsilectomia, a respiração nasal passa a predominar, havendo<br />

melhora nas características de movimentação durante o sono e das apnéias<br />

obstrutivas. Há redução de episódios de decréscimo da saturação de O2 e de<br />

aumento da pCO2.<br />

Uma vez realizado o diagnóstico de SASO por hiperplasia de amígdalas e<br />

adenóides, a cirurgia não deve ser protelada, pois o comprometimento pela apnéias<br />

é certamente mais deletério comparado às possíveis conseqüências imunológicas<br />

da cirurgia. Adolescentes podem apresentar quadro semelhante a esse observado<br />

na primeira década de vida, com hipertrofia de adenóides levando à obstrução de<br />

vias aéreas; desta feita, é útil a indicação cirúrgica. A hipertrofia de adenóides na<br />

adolescência leva a alterações da estrutura craniofacial observável na cefalometria<br />

com aumento na angulação craniocervical, redução das dimensões da mandíbula,<br />

retrognatia e maior inclinação vertical do plano mandibular (Guilleminault et al,<br />

1989a).<br />

No adulto, a SASO moderada ou severa devida a hiperplasia amigdaliana e<br />

adenóidea é incomum em nossa amostra de 105 casos operados, exceção de um<br />

caso. Embora incomum no adulto, esta etiologia deve ser considerada, pois a<br />

50


terapêutica cirúrgica mostra prognóstico favorável de imediato (Joo et al, 1993).<br />

2.5.3 Cirurgias de avanço mandibular<br />

Os casos de SASO cuja obstrução está em nasofaringe e orofaringe, os<br />

denominados tipo II, usualmente não melhoram o suficiente com UPFP<br />

isoladamente. Está indicada a associação de UPFP com avanço mandibular e<br />

suspensão supero-anterior do osso hióide. Pode ser realizada com avanço do<br />

tubérculo geniano. As osteotomias são feitas abaixo das raízes dos dentes incisivos<br />

mandibulares, incluindo tubérculo geniano. O tubérculo é avançado na largura da<br />

mandíbula e o córtex medial do osso lingual fixado no córtex lateral da mandíbula<br />

(Adair, 1991).<br />

A base da língua é avançada com o tubérculo geniano, resultado no<br />

aumento do espaço posterior da via aérea. Tal procedimento é complementado com<br />

a miotomia inferior do hióide, suspendendo o osso hióide em direção à borda inferior<br />

da mandíbula (Chabole et al, 1991).<br />

Nesta associação de cirurgias pode ser observada melhora em 80% dos<br />

casos, tornando-se como critério de melhora a redução de 50% do índice de apnéias<br />

+ hipopnéias. Tal resultado foi verificado com avanço de gênio-hióide e suspensão<br />

do hióide com UPFP - SASO tipo II ou sem UPFP SASO tipo III- (Dickson et al,<br />

1987).<br />

Dentre outras opções cirúrgicas, o avanço maxilar pode acompanhar o<br />

mandibular e do osso hióide. Casos de retrognatia submetidos a avanço mandibular<br />

e maxilar apresentam um aumento considerável (em média 10mm) do espaço aéreo<br />

posterior (Chabole et al, 1991). Em casuística numerosa, observou-se a média do<br />

índice de apnéia pré-cirúrgica de 68/h, enquanto a média pós-cirúrgica foi 9/h.<br />

complicações relatadas são de pequena monta, a mais comum das quais é a paresia<br />

transitória do nervo alveolar inferior.<br />

Nos últimos anos, diversos protocolos estabelecendo etapas cirúrgicas têm<br />

sido utilizados, no intuito de solucionar, passo a passo, os pontos de obstrução em<br />

SASO. Riley e col. (1996) indicam protocolo em duas fases cirúrgicas. Na primeira, é<br />

realizada UPFP associada a avanço do genioglosso com miotomia e suspensão do<br />

hióide, focalizando a obstrução palatina e lingual, respectivamente. Casos cuja<br />

51


primeira fase se mostre ineficaz, realiza-se a fase 2, a saber, osteotomia com<br />

avanço maxilar e mandibular. Tais autores referem melhora em 76,5% dos casos na<br />

primeira fase, e em 95% após a segunda fase.<br />

Há um subgrupo de pacientes com SASO tipo II ou tipo III não responsivos à<br />

UPFP e/ou avanço de tubérculo geniano e avanço do hióide. Tal grupo é em grande<br />

parte composto de indivíduos com obesidade mórbida (maior que 30kg/m²), com<br />

deficiência mandibular severa ou com doença pulmonar obstrutiva crônica (Findley,<br />

1987). Avanço mandibular, maxilar e de osso hióide, por vezes, é útil a estes<br />

pacientes.<br />

A denominada cirurgia ortognática, no intuito de avançar a mandíbula, pode<br />

mostrar resultados satisfatórios em pacientes com retrognatia. O objetivo da cirurgia<br />

ortognática é avançar a mandíbula para obter cirurgia ortognátia é avançar a<br />

mandíbula para obter oclusão normal em paciente com retrognatia. Entretanto a<br />

maxila é amiúde da mesma maneira avançada a fim de permitir maior mobilidade da<br />

mandíbula e, portanto, maior avanço do tubérculo geniano e da base da língua.<br />

Tal avanço como um todo incrementa o espaço posterior das vias aéreas.<br />

Nesse caso, foi verificada melhora do ronco e da sonolência excessiva diurna em<br />

quase todos os pacientes; a hipertensão arterial foi controlada em 67% (Fletcher et<br />

al, 1985), não necessitando mais de anti-hipertensivos; os episódios de<br />

dessaturação de O2 abaixo de 90% foram reduzidos de 277 para 13 após a cirurgia<br />

(Fletcher et al, 1985). Houve melhora dos níveis mínimos de SatO2, durante as<br />

apnéias de 66% no pré-operatório para 87% no pós-operatório.<br />

Os protocolos cirúrgicos variam de acordo com as diferentes escolas, sendo<br />

o seguinte proposto por Lydiatt e col. (1991): adenoidectomia, septoplastia e<br />

redução dos cornetos.<br />

2.5.4 Traqueostomia<br />

A traqueostomia foi a primeira cirurgia utilizada, desde 1969, na terapêutica<br />

de SASO severa (Guilleminault et al, 1981). É o tratamento mais eficaz nestes<br />

casos, suprimindo as apnéias independentemente do sítio de obstrução acima do<br />

nível de traqueostomia. A melhora é observada imediatamente no pós-operatório e<br />

mantém-se a longo prazo na quase totalidade dos casos.<br />

52


A ampla casuística de Guilleminault e col. evidenciou melhora com<br />

traqueostomia na quase totalidade dos pacientes, no tangente à sonolência<br />

excessiva e fadiga diurnas. Polissonografia realizada para controle a longo prazo<br />

confirma ausência de apnéias, de ronco e de alterações patológicas da medida<br />

transcutânea da saturação de O2 (SatO2).<br />

Eficácia a longo prazo é próxima à totalidade dos casos, e os índices de<br />

sobrevida são compatíveis com grupos-controle. Cefaléia matinal, enurese noturna,<br />

automatismos durante o sono, movimentação excessiva ao dormir e redução da<br />

libido, usuais na SASO, foram eliminados quase totalmente com a traqueostomia.<br />

Nos pacientes hipertensos, esta cirurgia se acompanha de redução da pressão<br />

arterial, permitindo a diminuição dos medicamentos anti-hipertensivos em 40% dos<br />

casos (Guilleminault et al, 1981).<br />

Por outro lado, a traqueostomia caiu em desuso na SASO, principalmente<br />

pelas complicações nos cuidados do estômago e seu peso psicossocial, aliado ao<br />

surgimento de cirurgias mais bem aceitas pelo paciente, como a UPFP, e do maior<br />

emprego de CPAP nos pacientes obesos com SASO severa. Nos últimos oito anos,<br />

em nossa experiência, não realizamos nenhuma traqueostomia em casos de SASO.<br />

2.5.5 Cirurgia nasal<br />

As cirurgias nasais têm papel limitado, mas reconhecido, na fisiopatologia da<br />

SASO. Em indivíduos, assintomáticos, obstrução nasal provocada induz ou exacerba<br />

apnéias. Desta forma, o aumento agudo da resistência da via aérea nasal leva à<br />

oclusão das vias aéreas superiores em indivíduos predispostos (Atkins et al, 1994),<br />

embora a importância do aumento crônico de resistência nasal na SASO seja ainda<br />

controversa.<br />

A indução ou exacerbação das apnéias em indivíduos assintomáticos por<br />

ocasião da obstrução nasal aguda está na dependência de dois fatores principais:<br />

falta de fluxo aéreo leva ao decréscimo da atividade muscular faríngea e de<br />

genioglosso vistas à eletromiografia; a simples oclusão mecânica nasal pode levar a<br />

aumento da resistência faríngea (Svanborg et al, 1993). Em conseqüência, provoca<br />

aumento da negatividade da pressão na luz das vias aéreas e incremento na relação<br />

entre a pressão e a atividade eletromiográfica.<br />

53


Embora postulado que o aumento de resistência nasal esteja associado a<br />

aumento do ronco e dos episódios apnéicos durante o sono, amiúde a correção<br />

cirúrgica nasal não leva isoladamente à correção da SASO. A obstrução nasal não<br />

deve ser considerada como o fator principal na gênese da SASO.<br />

Rinomanometria com curva fluxo-volume nasal utilizada para observação do<br />

fluxo aéreo nasal mostra ser a resistência nasal ao fluxo aéreo em indivíduos<br />

normais quase totalmente produzida aos 2 e 3cm anteriores e evidencia que<br />

reduzindo a resistência nas narinas há efeito favorável ao fluxo aéreo (Atkins et al,<br />

1994). Em clínica, pacientes comumente relatam piora da respiração quando têm<br />

obstrução nasal, por rinopatia hipertrófica, rinites alérgicas, vasomotoras, gravídicas,<br />

medicamentosas.<br />

Na escolha dos candidatos à cirurgia devemos ponderar os fatores de<br />

contra-indicação relativa. Assim, casos com cefalometria evidenciando redução do<br />

espaço posterior das vias aéreas ou alterações da distância do plano mandibular ao<br />

osso hióide tendem a não melhorar as apnéias após cirurgias nasais, incluindo<br />

septoplastia, turbinectonia e polipectonia.<br />

2.5.6 Cirurgia lingual<br />

A glossectomia parcial, no intuito de reduzir o volume lingual na SASO<br />

secundária a macroglossia, foi introduzida há poucos anos e seus resultados ainda<br />

estão por vir. Visa aumentar o espaço faríngeo posterior à base da língua (Maisels et<br />

al, 1986).<br />

Inicialmente, esta cirurgia foi realizada para remover um terço da base da<br />

língua em paciente acromegálico com SASO. Em 1981, Fujita e col realizaram a<br />

glossectomia com uso de laser, com excisão prolongando-se até a porção livre da<br />

epiglote. Resultados favoráveis foram encontrados em 77% de uma casuística de<br />

22 pacientes com apnéia severa, os quais não haviam melhorando com UPFP. As<br />

principais complicações desta técnica são hemorragia, edema e déficit da deglutição,<br />

caso haja comprometimento do 12º par craniano. Há necessidade de traqueostomia<br />

temporária, aumentando o tempo de hospitalização.<br />

Outra técnica de utilização recente opta pela via de entrada cervical com<br />

dissecção dos pedículos linguais. A ressecção é feita extramucosa para reduzir o<br />

54


isco de hemorragia. Usando a mesma via de acesso cervical é simultaneamente<br />

realizada a suspensão do osso hióide (Chabole et al, 1991).<br />

As cirurgias linguais, embora promissoras, são ainda de uso recente no<br />

tratamento da SASO, com casuísticas reduzidas, carecendo de seguimento a longo<br />

prazo.<br />

2.5.7 Terapêutica combinada<br />

Além da união de diversas cirurgias, pode-se lançar mão de tratamentos<br />

clínicos, do uso de aparelhos dentários, no intuito de melhorar a eficácia<br />

terapêutica. Tais condutas são utilizadas em seqüência ou concomitantemente.<br />

Medidas gerais, clínicas, incluem reduzir peso, evitar álcool, sedativos e<br />

fumo, não dormir em decúbito dorsal horizontal (Coren, 1998). Essas diretrizes<br />

gerais são empregadas, via de regra, nos pacientes submetidos à cirurgia ou ao uso<br />

de aparelhos. Devem ser mantidas a longo prazo, pois do contrário pode haver piora<br />

das apnéias nos pacientes controlados parcialmente pela cirurgia. A hipertensão<br />

arterial observada neste casos deve-se à SASO, estando da mesma forma<br />

associada à obesidade e ao sexo masculino, havendo melhora com a terapêutica<br />

da SASO (Fletcher et al, 1985).<br />

Em pacientes obesos, por vezes é utilizado aparelhos de CPAP por vários<br />

meses, antecedendo a cirurgia (Findley, 1987). Este uso permite anular o risco das<br />

apnéias nos meses antecedendo a cirurgia, reduzir peso e realizar controle<br />

hemodinâmico e de outras afecções clínicas, colocando-o em condições cirúrgicas,<br />

Malformações complexas craniofaciais acompanhadas de micrognatia, como<br />

na seqüência de Pierre Robin, podem necessitar de mais de uma cirurgia, em<br />

períodos de meses ou anos. Nestes, o uso CPAP é útil prevenindo as apnéias até a<br />

conclusão das cirurgias. Alguns casos de micrognatia e retrognatia se beneficiam de<br />

cirurgias e uso crônico de aparelhos dentários, em seqüência.<br />

A SASO é, pois, uma afecção crônica e sua terapêutica, seja clínica ou<br />

cirúrgica, requer seguimento regular prolongado, incluindo reavaliações periódicas,<br />

por vezes multidisciplinares, polissonografia e ocasionalmente cefalometria. É<br />

reconhecido que a melhora exclusivamente subjetiva do ronco ou da sonolência<br />

diurna não espelha as apnéias e seu comprometimento sistêmico. Torna-se<br />

55


necessário utilizar medidas objetivas como polissonografia e cefalometria para<br />

avaliação a longo prazo.<br />

Além de atrapalhar a vida social, a apnéia pode provocar déficit de<br />

memória. E o pior: coloca a vida da pessoa em risco. A vítima não percebe que está<br />

com dificuldades para respirar e, quando fica mais velha (por volta dos 60 anos)<br />

pode até se sufocar. A falta de oxigênio pode causar arritmia cardíaca (Miller, 1982).<br />

Estudos americanos mostram que 30% das pessoas com apnéia forte morrem<br />

depois de 10 anos que a doença foi detectada. Outro dado importante: 60% dos<br />

pacientes que têm apnéia sofrem um aumento na pressão arterial. Se a apnéia for<br />

diagnosticada e tratada corretamente, a pressão baixa.<br />

2.5 Tratamentos<br />

Cirurgia - Algumas pessoas têm a úvula e o céu da boca muito longos e com<br />

gordura, o que provoca o fechamento da faringe. Para esses casos, é indicada uma<br />

cirurgia que retira o excesso de gordura ou de tecidos.<br />

CPAP - Trata-se de um aparelho, criado em 1981 pelo australiano Colin<br />

Sullivan, para injetar ar comprimido com pressão no nariz e abrir a faringe<br />

mecanicamente (Sanders et al, 1986).<br />

Aparelho dentário - com aparelhos específicos, puxa-se o queixo cerca de<br />

6mm à frente, provocando o deslocamento da língua para frente e permitindo uma<br />

passagem de ar maior pela faringe.<br />

Cuidados - Além dos tratamentos médicos, existem algumas medidas que<br />

podem ser realizadas em casa para combater a apnéia:<br />

- Reduzir o peso - Os obesos são sérios candidatos à apnéia, já que<br />

possuem um volume maior de gordura, inclusive na faringe (Browman et al, 1984) .<br />

- Mudar a posição - Dormir de barriga para cima é a pior posição para quem<br />

sofre de apnéia (Cartwright, 1984). O melhor é dormir de lado ou de bruços.<br />

- Evitar álcool (Scrima, 1982) ou sedativos - Essas substâncias deixam a<br />

musculatura da faringe mais flácida, provocando seu fechamento (Lakshminarayan<br />

et al, 1976).<br />

- Comer pouco antes de dormir - Refeições paradas dificultam a digestão<br />

atrapalhar a respiração durante o sono (Coren, 1998).<br />

56


3 METODOLOGIA<br />

No presente capítulo apresenta-se a trajetória metodológica da pesquisa, no<br />

que se refere à descrição do local, população de estudo e todos os detalhes sobre a<br />

coleta e análise dos dados.<br />

Levantamentos bibliográficos foram realizados durante todo o processo de<br />

desenvolvimento do estudo. Os resultados da busca literária pertinente ao tema<br />

revelaram relativa escassez de conteúdo de referência sobre o relacionamento entre<br />

a apnéia e as atividades laborais. O levantamento das informações, que deram<br />

amparo a este estudo (livros, periódicos, dissertações), foi realizado nas Bibliotecas<br />

da Universidade Federal (UFSC) e Estadual (UDESC) de Santa Catarina, da<br />

Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Internet e por meio dos eficientes<br />

serviços de comutação bibliográfica oferecidos pelas universidades<br />

supramencionadas.<br />

3.1 Metodologia de Análise<br />

O estudo foi idealizado a partir da intenção de compreender como a<br />

atividade laboral pode estar relacionada às características de um portador de Apnéia<br />

do Sono. Para este fim, optou-se por realizar estudo por método quantitativo de<br />

levantamento de dados, por meio de inferências baseadas em amostra probabilística<br />

(Toledo et al., 1985).<br />

3.2 População estudada e local da pesquisa<br />

Não há critérios específicos para a definição da população de pesquisa, uma<br />

vez que a apnéia pode atingir qualquer pessoa, independente de sexo ou idade.<br />

Inicialmente, não houve restrições evidentes para que indivíduos participassem da<br />

amostra da pesquisa, porém, duas razões fizeram com que não se tomassem<br />

observações de crianças e menores de 18 anos. A primeira, por questão de ética e a<br />

segunda, pelas próprias características físicas destes indivíduos, que poderiam<br />

distorcer os resultados finais.<br />

57


O cuidado em se obter dados aleatórios remeteu à definição do local onde<br />

se pudessem sortear indivíduos que seriam procedentes de todas as partes da<br />

cidade, sem distinção de sexo, idade ou profissão. Estabeleceu-se a “Boca Maldita”,<br />

na Praça Osório – Centro da Cidade de Curitiba/PR - por ser, reconhecidamente, o<br />

ponto de passagem de quantidade elevada de pessoas, das mais variadas classes<br />

sociais e oriundas de diversos bairros da cidade de Curitiba.<br />

3.2 Aspectos Éticos da Pesquisa<br />

Em todos os momentos, as pessoas foram esclarecidas sobre os objetivos<br />

da pesquisa e lhes foram solicitadas autorizações que nos permitissem utilizar os<br />

resultados dos seus exames neste estudo.<br />

Desse modo, todas as recomendações sobre ética de pesquisas foram<br />

adotadas, como se pode comprovar abaixo:<br />

Contar com o consentimento livre e esclarecido do sujeito da pesquisa e/ou<br />

seu representante legal. Exigir que os esclarecimentos se façam em linguagem clara<br />

e acessível, e nela incluídos necessariamente os seguintes aspectos:<br />

a) a justificativa, os objetivos e os procedimentos que serão utilizados na<br />

pesquisa;<br />

b) os desconfortos e riscos possíveis e os benefícios esperados;<br />

c) os métodos alternativos existentes;<br />

d) a forma de acompanhamento e assistência, assim como a aquiescência<br />

de seus responsáveis.<br />

Prever procedimentos que assegurem a confidencialidade e a privacidade, a<br />

proteção da imagem, a não estigmatização, garantindo a não utilização das<br />

informações, em prejuízo das pessoas e/ou comunidade, inclusive em termos de<br />

auto-estima, de prestígio e/ou econômico-financeiro.<br />

Assegurar aos sujeitos da pesquisa os benefícios resultantes do projeto, seja<br />

em termos de retorno social, bem como o acesso aos procedimentos, produtos ou<br />

agentes da pesquisa.<br />

Dar liberdade ao sujeito de se recusar a participar ou retirar seu<br />

consentimento, em qualquer fase da pesquisa sem penalização alguma e sem<br />

prejuízo ao seu cuidado.<br />

58


3.4 Projeto Operacional da Pesquisa<br />

3.4.1 Estrutura para levantamento de dados<br />

Os dados da pesquisa foram coletados pelo pesquisador, contando com a<br />

ajuda de um grupo de 20 acadêmicos do Curso de Fisioterapia do Centro<br />

Universitário Campos de Andrade – Uniandrade, em parceria com voluntários da<br />

Universidade Tuiuti do Paraná, nos dias 04 e 05 de setembro de 2000, no horário<br />

das 07:00 às 13:00 horas.<br />

Indivíduos, abordados em praça pública, eram encaminhados a uma<br />

estrutura similar a um ambulatório, montada no local, onde recebiam folheto com<br />

informações detalhadas sobre apnéia obstrutiva do sono, como por exemplo, seus<br />

sintomas, diagnósticos, tratamentos clínicos e cirúrgicos.<br />

Inicialmente, os indivíduos respondiam a um questionário e, em seguida,<br />

eram encaminhados para a realização dos testes, no mesmo local.<br />

3.4.2 Criação de Folder Explicativo<br />

O primeiro incentivo ao início da pesquisa se deu através do contato que<br />

todos os envolvidos tiveram com a campanha de divulgação e conscientização da<br />

patologia, denominada: “I Semana de Fisioterapia na Prevenção e Atuação na<br />

Apnéia do Sono”. Realizada nas dependências da Uniandrade, contou com a<br />

participação de médicos, fisioterapeutas, cirurgiões dentistas, psicólogos e<br />

nutricionistas, autoridades em doenças do sono, que através de palestras,<br />

apresentaram temas relacionados à apnéia do sono.<br />

O acompanhamento do pesquisador junto aos trabalhos dos seminários<br />

ajudou na coleta de informações, que foram somadas às teorias relacionadas e<br />

possibilitaram elaboração de folder para divulgação da patologia. Assim, o folder<br />

continha explicações e detalhamento sobre características de um indivíduo portador<br />

da doença.<br />

Após a realização de bateria de testes, básicos para a obtenção de dados<br />

para a análise (Anexo 7.3), os resultados foram anotados no banco de dados da<br />

59


pesquisa e também nos próprios folders, que ficavam em poder do entrevistado para<br />

que ele tomasse conhecimento de sua condição de saúde em relação às avaliações.<br />

3.4.3 Instrumentos para obtenção de dados<br />

Os instrumentos da pesquisa constituíram-se de questionários para<br />

investigação de comportamento e os exames ou testes, que geraram medições para<br />

análise (Meyer, 1984). Obtiveram-se, então, avaliações objetivas (medições) e<br />

subjetivas (dados sobre comportamento de rotina dos entrevistados).<br />

O questionário (Anexo 7.3) continha perguntas como:<br />

Você ronca? Tem muito sono ? Tem dores de cabeça freqüentes? Anda<br />

irritado ou agressivo? Tem pouco poder de concentração? Dificuldade em respirar<br />

pelo nariz? Faz algum tipo de atividade física?<br />

Os testes e exames apuraram medições de:<br />

Peso, altura, saturação de oxigênio, freqüência cardíaca, pressão arterial,<br />

perimetria cervical, relação C/Q – cintura-quadril.<br />

Além dessas informações, o cadastramento dos indivíduos foi completado<br />

com informações sobre suas atividades laborais, sexo e idade, para compor a<br />

análise de perfil. Posteriormente, as informações foram associadas às atividades<br />

laborais exercidas e características da patologia.<br />

3.4.4 Pré-testes dos instrumentos de pesquisa<br />

Os trabalhos foram iniciados através da coleta parcial de amostra para<br />

verificar possíveis falhas de medição ou condutas incorretas dos colaboradores<br />

(Spiegel, 1978). Não foram constatadas divergências de procedimentos e, assim, o<br />

levantamento de dados foi continuado até que se chegasse a um número mínimo<br />

necessário de observações da amostra (Toledo, 1985).<br />

Quando se verificou que não havia divergência de procedimentos entre os<br />

colaboradores, garantiu-se que os resultados não seriam observados sob a<br />

influência de fatores externos.<br />

A obtenção do melhor padrão de aferição de medidas foi alcançado<br />

mediante treinamento, para que todos agissem de forma igualmente corretas, no que<br />

60


se refere ao manuseio de equipamentos, quantidade de vezes necessárias para<br />

definições dos números aferidos, tempo que o entrevistado levou para preencher<br />

questionário, e outros.<br />

Neste aspecto, o conceito básico evidente é que os resultados foram obtidos<br />

para expressar as verdadeiras condições físicas do entrevistado quanto às variáveis<br />

desejadas. Por exemplo, os dados de batidas do coração estariam comprometidos<br />

se fossem tomados antes que o indivíduo ficasse em repouso, respondendo ao<br />

questionário. Ele podia estar caminhando rapidamente, com a freqüência cardíaca<br />

acelerada, o que alteraria os resultados quando se comparasse com outro, que<br />

estava caminhando calmamente.<br />

3.4.5 Determinação do tamanho da amostra<br />

Utilizando teoria de amostragem aleatória simples e não levando em conta a<br />

natureza probabilística das variáveis em questão, tem-se um número mínimo de<br />

amostra definido por:<br />

1<br />

n 0 =<br />

e<br />

2<br />

0<br />

onde: n0 = primeira aproximação do tamanho da amostra e e0 = erro<br />

amostral tolerável.<br />

Adotando margem de erro e0 de 3,5 %, temos:<br />

correção<br />

n<br />

0<br />

1<br />

=<br />

e<br />

2<br />

0<br />

=<br />

1<br />

0,<br />

035<br />

2<br />

= 816<br />

Caso se tome o tamanho populacional hipotético de 1.000.000 pessoas, a<br />

n<br />

N.<br />

n<br />

N + n<br />

0<br />

= é desnecessária, pois conduzirá a número de amostra<br />

0<br />

aproximadamente igual ao calculado acima, ou seja, de 816 indivíduos (Morettin,<br />

1999).<br />

Na prática, foi obtida a quantidade de 919 observações na coleta de dados,<br />

número maior que o mínimo recomendado para alcançar a margem de erro aceitável<br />

de resposta.<br />

61


3.4.6 Metodologia de análise estatística<br />

3.4.6.1 Análise descritiva dos dados<br />

A análise dos dados ocorreu através de leituras repetitivas dos<br />

questionários, tendo como guias particulares os objetivos específicos do estudo<br />

(Toledo, 1985).<br />

Em seguida, os dados foram lidos novamente, com o objetivo de identificar<br />

as categorias de freqüências para análise e discussão, possibilitando síntese<br />

compreensiva dos dados.<br />

A necessidade em responder ao objetivo geral do estudo fez com que se<br />

buscasse tais identificações, destacando proporções de ocorrências em relação ao<br />

total numérico da amostra especificada, detalhando o perfil dos indivíduos.<br />

Fez parte da análise o cálculo de medidas de tendência central e de<br />

dispersão, elaboração de gráficos e outros métodos que auxiliaram o entendimento<br />

do comportamento dos dados e foi objeto da análise descritiva (Morettin, 1999).<br />

3.4.6.2 Teste de hipóteses - proporções<br />

Nos casos em que as leituras simples das proporções não foram suficientes<br />

ao melhor entendimento das respostas, em geral quando há necessidade de<br />

comprovação de significância estatística, foi utilizado o Teste paramétrico de<br />

Hipóteses específico para diferenciar Proporções, que é estruturado da seguinte<br />

forma:<br />

Hipótese nula e alternativa: H0: p1 = p2 x H1: p1 ≠ p2<br />

Estatística do Teste:<br />

Z<br />

Calc<br />

=<br />

( f − f ) − ( p − p )<br />

1<br />

p<br />

1<br />

2<br />

× q<br />

n<br />

j<br />

j<br />

+<br />

1<br />

2<br />

2<br />

j<br />

p × q<br />

n<br />

j<br />

62


onde :<br />

p j<br />

=<br />

p<br />

1<br />

× n<br />

n<br />

1<br />

1<br />

+<br />

p<br />

+ n<br />

2<br />

2<br />

× n<br />

Conclusão do Teste<br />

A comparação entre valores calculados pelas quantidades acima e os<br />

valores definidos pela distribuição teórica de proporções indicou resposta ao teste.<br />

Como está especificado Teste bilateral (duas caudas), tem-se:<br />

Rejeita-se H0 quando: |zcalculado| > zα (tabela)<br />

Adotando-se o nível de 95% de confiança ao teste tem-se os valores<br />

tabelados:<br />

zα ± 1,96.<br />

Outra metodologia de resposta baseou-se somente na probabilidade de<br />

rejeição estabelecida para o teste, a qual se pode comparar com o resultado prático<br />

de probabilidade (p-valor).<br />

De ambas formas, o teste será dito significativo quando se rejeita H0 em<br />

favor de H1, ao nível considerado.<br />

3.5. Coleta de dados<br />

Os dados objetivos eram coletados e repassados para um folheto explicativo<br />

da campanha, com o paciente repousando por um período mínimo de 5 minutos,<br />

para que os exames clínicos e dados vitais, que foram realizados posteriormente,<br />

não tivessem comprometimento, visto que esses indivíduos estavam caminhando<br />

pelo calçadão.<br />

As perguntas objetivas seguiram o questionário do folheto explicativo<br />

(Anexos 7.3). O peso e altura (kilograma e em centímetros) foram verificados em<br />

uma balança digital, modelo Filizola, ano 1999, com o indivíduo sem o calçado,<br />

jaquetas ou blusões de frio. Na análise de Massa Corpórea, considerou-se obeso, o<br />

homem com valor a 27 kg/m 2 e a mulher com valor superior a 26 Kg/m 2 .<br />

2<br />

63


PESO (KG) = P (KG)<br />

________ _______<br />

ALTURA H 2<br />

Em seguida, foram verificadas a saturação de oxigênio e freqüência cardíaca<br />

em um oxímetro digital, marca Nonin, modelo de bolso, ano 1999, a partir do dedo<br />

indicador, na polpa digital do mesmo, e em uma temperatura externa que variou<br />

(durante os dois dias), com uma mínima de 17 O C e máxima de 27 O C.<br />

A pressão arterial foi analisada com esfigmomanômetro do tipo Aneróides,<br />

marca Becton Dickison, modelo básico, ano 1998, mensurado em mmhg e<br />

estetoscópio adulto, marca Becton Dickison, modelo Duosonic, ano 1998.<br />

A perimetria cervical foi mensurada com fita métrica em centímetros, a partir<br />

do processo cricóide, seguindo toda a circunferência cervical. A composição<br />

corpórea, foi analisada pelo Índice cintura-quadril (relação C/Q), onde é mensurada<br />

a circunferência da cintura e a divide pela circunferência do quadril (Anexo 7.3). A<br />

partir dessa divisão, obteve-se a leitura do risco estimado de doenças<br />

cardiovasculares em baixo, moderado, alto e muito alto (Applied Body Composition<br />

Assessment, p. 82, 1996).<br />

64


4 REPRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS<br />

4.1 Segmentação da amostra<br />

Após amostragem, os indivíduos foram divididos em dois grupos, distintos,<br />

pela maior ou menor necessidade de empenho físico na realização de suas<br />

atividades.<br />

Grupo 1: Maior empenho físico. Ex.: vendedores de rua, trabalhadores<br />

braçais, donas de casa e etc.<br />

Grupo 2: Menor empenho físico. Ex.: trabalhadores em escritórios,<br />

profissionais de ensino, aposentados, etc.<br />

Por esse critério, a amostra se divide da seguinte forma:<br />

Quadro2 - Divisão da amostra em grupos<br />

Divisão da amostra Indivíduos<br />

Grupo 1 – Maior empenho físico 456<br />

Grupo 2 – Menor empenho físico 463<br />

Total 919<br />

4.2 PERFIL DOS INDIVÍDUOS<br />

4.2.1 Sexo<br />

Na tabela 1, pode-se verificar que de um total de 999 indivíduos, 497 (54%)<br />

são do sexo masculino e 422 (46%) do sexo feminino, dados que conferem<br />

homogeneidade e imparcialidade quanto a resultados no item de divisão por sexo.<br />

65


Tabela 1 - Divisão dos grupos segundo o sexo<br />

SEXO<br />

Divisão de Grupo Segundo o Sexo dos Indivíduos<br />

46%<br />

54%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Masculino 497 54% 200 44% 297 64%<br />

Feminino 422 46% 256 56% 166 36%<br />

Total 919 100% 456 100% 463 100%<br />

Figura 6 – Percentuais dos grupos segundo o sexo dos indivíduos<br />

56%<br />

44%<br />

36%<br />

64%<br />

GERAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Masculino Feminino<br />

A figura 6 leva-nos a observar que não há diferença significativa quanto à<br />

divisão por sexo, no grupo 1, que é o dos trabalhadores de maior empenho físico. A<br />

análise do grupo 2, trabalhadores com menor empenho físico, revela a<br />

predominância do grupo masculino (64%) sobre o feminino (36%)<br />

4.2.2 Idade<br />

Temos para o Grupo 1 a média de 52 anos e para o Grupo 2 a média de 56<br />

anos de idade. A tabela 2, com os dados agrupados em classes, fornece a<br />

66


distribuição das freqüências de idade.<br />

A partir da análise da figura 7, pode-se observar que o público predominante<br />

de pessoas que paravam para a realização dos testes, na praça Osório, centro de<br />

Curitiba, estado do Paraná, são indivíduos com idade entre 60 e 69 anos, resultando<br />

um total de 196 pessoas, 21% do público total avaliado.<br />

A tabela 2 e a figura 7 revelam que a média de idade para o grupo 1 é de 52<br />

anos e para o grupo 2, 56 anos.<br />

Tabela 2 - Freqüência de idade<br />

Idade (anos)<br />

De 70 em diante<br />

De 60 a 69<br />

De 50 a 59<br />

De 40 a 49<br />

De 30 a 39<br />

De 20 a 29<br />

Abaixo de 20<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Abaixo de 20 13 1% 4 1% 9 2%<br />

De 20 a 29 86 9% 40 9% 46 10%<br />

De 30 a 39 140 15% 79 17% 61 13%<br />

De 40 a 49 180 20% 111 24% 69 15%<br />

De 50 a 59 192 21% 111 24% 81 17%<br />

De 60 a 69 196 21% 79 17% 117 25%<br />

De 70 em diante 112 12% 32 7% 80 17%<br />

Total 919 100% 456 100% 463 100%<br />

Figura 7 - Percentual de idade dos indivíduos por grupo<br />

Idade dos Indivíduos - Divisão por Grupo<br />

0% 5% 10% 15% 20% 25% 30%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

67


Ainda pode-se detectar que é nesta faixa de idade que se encontram os<br />

indivíduos que desenvolvem atividade laboral que exigem maior empenho físico,<br />

com 111 pessoas (21%), contra 81 indivíduos, ou seja (17%) do grupo 2,<br />

desenvolvendo atividades com menor empenho físico.<br />

4.3 Fatores indicativos de Apnéia<br />

Dos dois grupos referidos ao nível de empenho físico, foram separados para<br />

análise, os indivíduos que apresentam os dois principais indicadores de Apnéia,<br />

quais sejam: Ronco e Obesidade.<br />

O que se deseja verificar é se os percentuais dos outros fatores, também<br />

indicadores de Apnéia, diferem suas ocorrências para estes dois novos grupos,<br />

aproximando perfil de indivíduos que possuem a doença. Temos então, a primeira<br />

divisão da amostra que se refere ao desempenho físico e, agora, uma outra, que<br />

define as duas características mencionadas acima. Todos os cruzamentos de<br />

informações, portanto, são apresentados considerando nova base, com 373<br />

indivíduos, conforme a tabela 3:<br />

Tabela 3 - Percentual de ronco e obesidade<br />

Ronco e<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Obesidade<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 373 41% 209 46% 164 35%<br />

Não 546 59% 247 54% 299 65%<br />

Total 919 100% 456 100% 463 100%<br />

Do número inicial de 919 pessoas analisadas, foram eleitos 373 indivíduos,<br />

com características indicadoras de Apnéia Obstrutiva do Sono, como ronco,<br />

ocasionado por uma hipotônia da musculatura das vias aéreas superiores, cuja<br />

flacidez, levando à oclusão das vias aéreas superiores no período de sono, provoca<br />

paradas respiratórias.<br />

68


Figura 8 - Representação do percentual de ronco e obesidade<br />

Indivíduos que roncam e estão acima do peso - divisão por grupo<br />

Indivíduos que Roncam e estão Acima do Peso<br />

Divisão por Grupo<br />

59%<br />

41%<br />

54%<br />

46%<br />

65%<br />

35%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

Todos os estudiosos da SASO são unânimes em afirmar que o excesso de<br />

peso é um fator agravante da doença. Explica-se: os indivíduos que estão acima do<br />

peso, tendem a concentrar uma maior quantidade de adiposidade ao nível do<br />

pescoço e região abdominal, gerando um maior desconforto e deficiente mecânica<br />

ventilatória. A tabela 3 e a figura 8 apontam 46% de pessoas do grupo 1 e 35% das<br />

do Grupo 2, que roncam e são obesos.<br />

4.3.1 Fator: Freqüência Cardíaca<br />

A tabela 4 revela que 59% das pessoas tanto do grupo 1 quanto do grupo 2<br />

apresentam freqüência cardíaca maior ou igual a 80 batimentos por minuto em<br />

repouso, e fazem, portanto, parte de um grupo de risco quanto a doenças<br />

cardíacas segundo Burwell (Slutsky, 1997). Este aumento se dá principalmente<br />

devido ao esforço respiratório contínuo que os portadores de Apnéia do sono<br />

realizam durante as suas paradas respiratórias noturnas, levando a um quadro de<br />

alargamento ventricular direito aos traçados eletrocardiográficos , descrevendo ainda<br />

69


uma falência ventricular direita não secundária a falência ventricular esquerda.<br />

Tabela 4 - Controle de freqüência cardíaca<br />

FC maior ou<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Igual a 80 bpm<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 220 59% 124 59% 96 59%<br />

Não 153 41% 85 41% 68 41%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

A figura 9 ratifica os índices da tabela 4: a população curitibana, mesmo em<br />

repouso, apresenta um aumento da freqüência cardíaca, que confirma os fatores de<br />

risco cardiovascular e sedentarismo. São situações clássicas dos portadores de<br />

Apnéia do Sono, devido às associações contínuas de arritmia cardíaca<br />

compensatória, gerada pelas apnéias noturnas. O incremento da freqüência<br />

cardíaca, predispõe os pacientes portadores de SASO a um maior risco e<br />

mortalidade cardiovasculares (Shepard, 1990).<br />

Figura 9 - Relação do percentual de freqüência cardíaca<br />

Indivíduos com Frequencia Cardiaca<br />

Maior ou Igual a 80 bpm - Divisão por Grupo<br />

41% 41% 41%<br />

59% 59% 59%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

70


4.3.2 Fator: Risco Cardiovascular<br />

Os riscos cardiovasculares altos e muito altos estão diretamente ligados à<br />

obesidade, visto que este é um dos fatores mais agravantes da enfermidade e por<br />

isso deverá ser avaliada a distribuição do tecido adiposo, prestando atenção<br />

especial a infiltração no pescoço, abdome e tórax . Devido a estes fatores foi<br />

avaliado a relação C/Q (Abdome/ Quadril), dado bastante relevante para indicação<br />

de Apnéia do sono, visto a existência de um tipo específico chamado de “Joe”,<br />

caracterizada principalmente pela obesidade, relatado por Alexander J K (Slutzky ,<br />

1997).<br />

Tabela 5 - Apresentação do risco cardiovascular<br />

Risco Cardio<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Vascular<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Alto + Muito alto 261 70% 151 72% 110 67%<br />

Baixo + Moderado 112 30% 58 28% 54 33%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

Os riscos cardiovasculares, analisados através do IMC (Índice de massa<br />

corpórea) em indivíduos que roncam e que são obesos, demonstram as<br />

características da população da cidade de Curitiba, onde o clima frio propicia o<br />

sedentarismo e a ingestão de alimentos ricos em gorduras. O excesso de peso é<br />

praticamente unânime a todos os autores como principal fator predisponente para a<br />

SASO, visto que pacientes com redução de peso, mesmo leve, em torno de 10% a<br />

20% do peso excessivo, já apresentam quedas nas apnéias e hipopnéias (Block et<br />

al., 1984).<br />

A tabela 5 indica dados preocupantes, pois 72% dos indivíduos do grupo 1 e<br />

67% do grupo 2 apresentam índices de risco cardio vascular de alto a muito alto.<br />

Esses dados são mais preocupantes ainda quando da análise global, segundo a<br />

figura 10, pois o índice de alta muito alto salta para 70% contra 30% de indivíduos<br />

portadores de risco cardiovascular de baixo a moderado.<br />

71


Figura 10 - Percentual quanto ao risco cardiovascular do entrevistado<br />

Quanto ao Risco Cardio-Vascular do Entrevistado<br />

30%<br />

70%<br />

4.3.3 Fator: Hipertensão<br />

28%<br />

72%<br />

33%<br />

67%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Alto+ Muito Alto Baixo + Moderado<br />

As flutuações do estado ácido – básico durante as apnéias provocam<br />

importantes mudanças hemodinâmicas, onde a pressão arterial sistêmica sobe a<br />

cada parada respiratória, dependendo do nível de incremento do grau de<br />

dessaturação da oxiemoglobina. A repetição cíclica de tais episódios de hipertensão<br />

arterial sistêmica contribuem para hipertrofia ventricular esquerda e levam a<br />

insuficiência cardíaca. Dos pacientes com Apnéia do sono, 50% desenvolvem<br />

hipertensão e 30% dos pacientes diagnosticados são hipertensos (Fletcher &<br />

Reimão, 1996).<br />

72


Tabela 6 - Análise do fator hipertensão<br />

Hipertensão<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 50 13% 22 11% 28 17%<br />

Não 323 87% 187 89% 136 83%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

A relação da hipertensão com o ronco e a obesidade, segundo a tabela 6,<br />

contraria a literatura afim que relata o desenvolvimento da hipertensão em pacientes<br />

portadores de SASO. A esmagadora maioria, 89% do grupo 1 e 83% do grupo 2 não<br />

apresentam características de hipertensão mensurada através de pressão arterial,<br />

conforme observado na figura 11.<br />

Figura 11 - Incidência de hipertensão nos entrevistados<br />

Quanto ao Entrevistado Apresentar Característica de<br />

Hipertensão através da Mensuração de Pressão Arterial<br />

87% 89%<br />

13%<br />

11%<br />

83%<br />

17%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

4.3.4 Fator: prática de atividades físicas<br />

A prática de atividades físicas habitualmente, leva a uma manutenção ou<br />

diminuição do peso, controle da pressão arterial e melhora do condicionamento<br />

73


cardiorrespiratório, fatores estes, importantes para a não instalação da Apnéia do<br />

sono.<br />

Tabela 7 - Demonstrativo da prática de atividade física<br />

Prática de<br />

Atividades físicas<br />

Quanto ao Entrevistado Praticar Exercícios<br />

Físicos Habitualmente<br />

55% 57%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 167 45% 90 43% 77 47%<br />

Não 206 55% 119 57% 87 53%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

Considera-se como atividade física, os tipos de exercício que utilizam<br />

grandes grupos musculares, e mantidos por um período mínimo de 20-30 minutos e<br />

que seja de natureza rítmica e aeróbica, como por exemplo, marcha ou caminhadas<br />

rápidas (Froelicher, 1983).<br />

Segundo a tabela 7 e a figura 12, observa-se que mais da metade dos<br />

entrevistados , 57% do grupo 1 e 53% do grupo 2 ainda não se conscientizou dos<br />

benefícios da atividade física como fator de aumento da qualidade de vida.<br />

Figura 12 - Percentual do hábito da prática do exercício físico<br />

53%<br />

45% 43%<br />

47%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

74


4.3.5 Fator: Sonolência<br />

A sonolência excessiva diurna, junto com o ronco, é o sintoma principal dos<br />

pacientes portadores de SASO, presente em 80% dos pacientes, como<br />

conseqüência do sono noturno fragmentado e interrompido constantemente pelas<br />

apnéias ou microdespertares (Greenberg & Reimão, 1996).<br />

Tabela 8 - Presença de sonolência excessiva diurna<br />

Sono durante<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

o dia<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 169 45% 92 44% 77 47%<br />

Não 204 55% 117 56% 87 53%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

A tabela 8 e a figura 13 revelam que uma parcela significativa do universo<br />

analisado – 44% do grupo 1 e 47% do grupo 2 - acusam hipersonolência diurna.<br />

Figura 13 - Percentual de hipersonolência nos entrevistados<br />

Quanto ao Entrevistado sentir Muito Sono<br />

durante o Dia<br />

55% 56%<br />

53%<br />

45% 44%<br />

47%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

75


Os quadros de narcolepsia, nos dias atuais, estão aumentando<br />

gradativamente. Normalmente são desencadeados por situação de estresse, que<br />

não são aliviados com grandes quantidades de sono à noite. O estresse noturno,<br />

aumenta o estresse diurno, levando a hipersonolência, agravando os sintomas da<br />

SASO.<br />

4.3.6 Fator: Dor de Cabeça<br />

Cefaléia ou enxaqueca ao despertar é um sintoma geralmente inespecífico,<br />

observado geralmente em pacientes com privação da fase REM do sono e com<br />

hipertensão sistêmica e, que desaparecem entre 30 e 60 minutos após o despertar,<br />

a qual responde com resultados satisfatórios frente ao tratamento da SASO (Aldrich<br />

& Reimão, 1996) .<br />

Tabela 9 - Indicativo da presença de cefaléia<br />

Dor de cabeça<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 153 41% 89 43% 64 39%<br />

Não 220 59% 120 57% 100 61%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

A tabela 9 e a figura 14 evidenciam que 43% das pessoas do grupo 1 e 39%<br />

das do grupo 2 sofrem de cefaléia, um indicativo marcante da SASO, provocado pelo<br />

bruxismo (ranger dos dentes noturno). A cefaléia também pode ser desencadeada<br />

pelo estresse que atinge, principalmente, os executivos, pessoas submetidas<br />

geralmente a fortes pressões e escassos hábitos de vida saudável.<br />

76


4.3.7 Fator: Irritação<br />

As alterações da personalidade e do intelecto são comuns em pacientes<br />

portadores de SASO, pela fragmentação e privação do sono, levando a<br />

anormalidades gasométricas. Mais recentemente, novos estudos do estágio REM do<br />

sono associaram-no com distúrbios comportamentais (Slutzky, 1997).<br />

Tabela 10 - Demonstrativo do fator irritabilidade<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Irritabilidade<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 214 57% 123 59% 91 55%<br />

Não 159 43% 86 41% 73 45%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

A tabela 10 e a figura 15 registram altos índices do fator irritabilidade: 59%<br />

no grupo 1 e 55% no grupo 2.<br />

O aumento da irritabilidade e a liberação de cortisol e hormônios<br />

relacionados ao estresse levam significativa parcela da população entrevistada a<br />

diminuir suas horas de sono. Como num círculo vicioso, a privação de horas e sono<br />

gera mais estresse e, em seguida, maiores distúrbios comportamentais, dentre eles,<br />

a irritabilidade.<br />

Figura 15 - Percentual de presença do fator irritabilidade<br />

Quanto ao Entrevistado sentir Irritação Nervosa<br />

com alguma frequencia<br />

43%<br />

41%<br />

45%<br />

57% 59%<br />

55%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

77


4.3.8 Fator: pouca concentração<br />

A sonolência diurna excessiva é acompanhada de amnésia retrógrada,<br />

deterioração da memória e principalmente dificuldade na concentração, incluindo<br />

também, pacientes roncadores não portadores de SASO, como na síndrome de<br />

resistência da vias aéreas superiores (Reimão, 1996).<br />

Tabela 11 - Demonstrativo do fator concentração<br />

Falta de<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Concentração<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 217 58% 128 61% 89 54%<br />

Não 156 42% 81 39% 75 46%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

Observando a tabela 11 e a figura 16, das 373 pessoas estudadas, salta aos<br />

olhos os índices daquelas que ainda detêm o poder de concentração: 81 pessoas<br />

(39%) no grupo 1 e 75 pessoas (46%) no grupo 2. Se ao demonstrado acima por<br />

(Reimão, 1996) acrescentarmos que a fragmentação e privação do sono podem<br />

provocar mudanças comportamentais severas em indivíduos portadores de SASO, o<br />

quadro é preocupante, visto que a maioria é atingida pela falta de concentração:<br />

61% do grupo 1 e 54% do grupo 2.<br />

Figura 16 - Representação do fator concentração<br />

Quanto ao Entrevistado sentir Dificuldade de Concentração<br />

42%<br />

39%<br />

46%<br />

58% 61%<br />

54%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

78


4.3.9 Fator: dificuldade em respirar pelo nariz<br />

A resistência das vias aéreas superiores, incluindo principalmente o nariz<br />

aumenta durante o sono NREM, levando a uma sobrecarga de trabalho da<br />

musculatura diafragmática e intercostal, com conseqüente má mecânica ventilatória<br />

e baixa concentração de oxigênio, predispondo este indivíduo a Apnéia obstrutiva do<br />

sono.<br />

A tabela 12 e a figura 17 apresentam 41% de pessoas do grupo 1 e 45% das<br />

do grupo 2 com dificuldades em respirar pelo nariz.<br />

Tabela 12 - Demonstração de dificuldade na respiração nasal<br />

Dificuldade em TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Respirar pelo<br />

Nariz<br />

N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />

Sim 160 43% 86 41% 74 45%<br />

Não 213 57% 123 59% 90 55%<br />

Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />

Geralmente, os pacientes portadores de Apnéia do sono, apresentam uma<br />

diminuição do calibre naso e orofaríngeo em relação aos indivíduos normais, o que<br />

dificulta ainda mais, o retorno de suas apnéias, promovendo um incremento do<br />

trabalho da musculatura respiratória, levando a mesma, a uma fadiga precoce com<br />

conseqüente agravamento do quadro da SASO<br />

79


Figura 17 - Percentual da dificuldade na respiração nasal<br />

4.4 Análise dos fatores<br />

Quanto ao Entrevistado sentir Dificuldade na<br />

Respiração pelo Nariz<br />

57% 59%<br />

55%<br />

43% 41%<br />

45%<br />

TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />

Sim Não<br />

4.4.1 Testes de significância das respostas<br />

Para determinar se as respostas dos indivíduos de cada grupo de atividades<br />

físicas, considerando os fatores, diferem significativamente ao nível de 3,5%, são<br />

procedidos os testes estatísticos de diferenças de proporções, conforme teoria<br />

presente no Capítulo 3.<br />

Questão geral do teste: As diferenças entre as proporções de respostas dos<br />

grupos podem ser consideradas significativas?<br />

Hipótese de Nulidade: As proporções não diferem.<br />

Hipótese Alternativa: As proporções diferem.<br />

Resultados:<br />

80


Quadro 3 - Diferença de proporções de resposta<br />

Fator de Influência Valores-p<br />

Freqüência Cardíaca 0,954<br />

Risco Cardiovascular 0,279<br />

Hipertensão 0,065<br />

Praticar Atividades Físicas 0,453<br />

Sonolência 0,572<br />

Dor de Cabeça 0,488<br />

Irritação 0,514<br />

Pouca Concentração 0,175<br />

Dificuldade em Respirar pelo Nariz 0,442<br />

Conclusão estatística dos testes: Não há diferenças significativas ao nível de<br />

3,5%. Portanto, há indicativos estatísticos de que as respostas dadas, segundo os<br />

dois grupos e para cada fator investigado, não diferem estatisticamente.<br />

Indicações para análise: Pelos resultados dos testes, o agrupamento das<br />

respostas segundo o empenho de atividades físicas laborais não nos leva a atribuir<br />

que seja esta considerada fator causador da ocorrência do mal, assim sendo,<br />

podemos ler os percentuais de respostas conjuntamente e verificar se os níveis<br />

apresentados são aceitáveis no sentido clínico.<br />

4.4.2 Ordenação dos Fatores<br />

Nesta pesquisa não houve casos de indivíduos que apresentem todas<br />

características favoráveis à doença e de forma simultânea.<br />

Separando os obesos que roncam temos 373 indivíduos, cerca de 40% da<br />

amostra e neste grupo podemos destacar as freqüências percentuais de incidências<br />

positivas aos fatores tidos como indicativos da Apnéia.<br />

81


Quadro 4 - Análise dos fatores indicativos de Apnéia<br />

Fator de Influência % Ocorrência<br />

Risco Cardio – Vascular 70%<br />

Pouca Concentração 58%<br />

Irritação 57%<br />

Freqüência Cardíaca Imprópria 56%<br />

Praticar Atividades Físicas 45%<br />

Sonolência 45%<br />

Dificuldade em Respirar pelo Nariz 43%<br />

Dor de Cabeça 41%<br />

Hipertensão 13%<br />

82


5. CONCLUSÕES E SUGESTÕES<br />

As pesquisas relacionadas à apnéia obstrutiva do sono tornam-se cada vez<br />

mais necessárias em todos os âmbitos da sociedade, visto o caráter deletério e<br />

silencioso dessa patologia, que se insinua na população, principalmente devido aos<br />

hábitos e pressões da vida moderna.<br />

A relação entre a SASO e as atividades laborais estimulam as pesquisas em<br />

torno do tema, devido à baixa produtividade dos funcionários com os sintomas da<br />

doença, ocasionando vultosos gastos anuais às empresas que não avaliam esses<br />

aspectos antes da contratação.<br />

Ao se pretender analisar a população curitibana, tencionando correlacionar<br />

portadores de SASO à sua atividade laboral, defrontamo-nos com um inesperado<br />

problema: a enorme variedade de profissões e suas denominações. Tal fato , veio<br />

alterar os procedimentos que se pretendia seguir. De uma população com 999<br />

indivíduos, houve-se por bem dividi-la em dois seguimentos de atividades laborais: o<br />

grupo 1, englobando trabalhadores cujo fazer envolvia maior empenho físico. E o<br />

grupo 2, com trabalhadores cuja atividade dependia de menor empenho.<br />

Após esta etapa, ainda não era possível atingir o objetivo proposto, pois as<br />

possíveis características de SASO eram compartilhadas por ambos os grupos. A<br />

SASO se manifestava tanto em trabalhadores braçais quanto intelectuais, e em<br />

indivíduos com tipologia de obeso ou não.<br />

Resolveu-se, por fim, selecionar dessa população, segundo critérios de<br />

indivíduos portadores de obesidade e ronco, o que reduziu o universo de<br />

pesquisados para 313 pessoas.<br />

Pôde-se concluir que, um número significativo da população apresenta<br />

fatores de risco para SASO, tais como obesidade, ronco, aumento da freqüência<br />

cardíaca, sedentarismo, hipersonolência diurna, irritabilidade, pouco poder de<br />

concentração e obstrução nasal. Apenas 13% desta população analisada<br />

apresentou hipertensão, dado bastante característico de portadores da doença,<br />

contrariando toda a literatura especializada em SASO. Desta forma, foi possível<br />

observar os dois extremos do público avaliado, tendo 70% apresentando risco<br />

cardio – vascular e 58% com baixo poder de concentração, dados indicativos de<br />

apnéia e um falso negativo, com apenas 13% de hipertensos. As diferenças entre as<br />

83


proporções de respostas dos dois grupos analisados (3,5%) não foram consideradas<br />

estatisticamente significativas.<br />

No presente trabalho não foi possível demonstrar diferença significante entre<br />

o empenho físico na atividade laboral e SASO, porém pôde-se evidenciar o grande<br />

número de indivíduos com fatores de risco para apnéia do sono em nossa<br />

sociedade, o que coloca essa população em um grupo de risco exposto para as<br />

mais diversas patologias .<br />

5.1 Sugestões para trabalhos futuros<br />

Ao tomar conhecimento destes resultados, as autoridades de saúde<br />

deveriam intensificar as campanhas para conscientização da população em relação<br />

à higiene do sono, para que desta forma tenhamos indivíduos mais saudáveis e com<br />

melhor rendimento psico-social e laboral.<br />

O crescente número de trabalhadores com características de apnéia<br />

obstrutiva do sono, dentro das empresas, proporciona à fisioterapia, um campo de<br />

pesquisa inexplorado cientificamente. As autoridades sanitárias, governamentais, as<br />

universidades e as ONGs, poderiam propor e mesmo organizar um programa de<br />

fisioterapia pública e empresarial para identificar e tratar os portadores da doença.<br />

Ao identificar precocemente a doença, ao estabelecer programas de prevenção e<br />

tratamento aos portadores de SASO, tanto governo quanto empresários teriam muito<br />

a ganhar: empregados mais criativos e produtivos em todos os setores.<br />

Um quadro de pessoal saudável física, mental e psicologicamente continua<br />

sendo sinônimo de maior eficiência e rentabilidade.<br />

84


6. BIBLIOGRAFIA<br />

ADAIR, N.E.; MATHEWS, B.L.; HAPONIK, E.F. Techniques to asist selections of<br />

appropriate therapy for patients with obstructive sleep apnea. Oper.<br />

Tech.Otolaryngol. p. 281-286, 1991.<br />

AGHAJANIN, G.K.; VANDERMAELEN, C.P. Alpha-2-andrenoceptor-mediated<br />

hyperpolarization of locus coeruleus: intracelular studies in vivo. Science, p.<br />

215:1394-1396, 1982.<br />

AKERSTED, T. Sleepiness as a consequence of shift work. Sleep, 11:p. 17-34,<br />

1988.<br />

ALBERT, M.S. Geriatric neuropsychology. Consul.Clin.Psychol., 49:p. 835-850,<br />

1981.<br />

ARENDT, J. Mamalian pineal rhytms. Pineal Res. Rev 3:p. 161-214, 1985.<br />

ARIAGO, R.; GUILLEMINAUT, C. Apnea during sleep in the pediatric patient.<br />

Synposium on sleep disorders. Clin. Chest Medicine, 6:p. 679-690, 1985.<br />

ASCHOFF, J. Circadin rhytms in man. Science, 148:p. 1427-1432, 1965.<br />

ASERINSKY, E.; KLEITAMAN, N. Regularly occurring periods of eyes motility and<br />

concomitant phenomena during sleep. Science, 118:p. 273-274, 1953.<br />

ATKINS, M, TASKAR, V, CLAYTON, N. Nasal resistance in obstructive sleep apnea.<br />

Chest., 105: p. 1133-1135, 1994.<br />

BARTHELEN, G.M., STACY, C. Dyssomnias, parassomnias, and sleep disordes<br />

assiciated with psychiatric diseases. Mont Sinai. J. Med., 61:<br />

BEARPARK, H.; ELLIOT, L.; CULLEN, S. Home monitoring demostrates high<br />

ptrvalence of sleep disordered brating inmen in the Busselton population. Sleep Res,<br />

20A:p. 411-413.1991.<br />

BLOCK, AS.; FAULKNER, RL. Factors influencing upper airway closure. Chest,<br />

86:p. 114-118, 1984.<br />

BLOOM, F.E.; LAZERSON, A. Brain, mind and behavior. W.H. Freman Co. New<br />

York, 1988.<br />

BRADLEY, T.D.; PHILIPSON, E.A. (Eds.). Breathing Disorders in Sleep. Clin Chest<br />

Med, 13: p. 493-507.1992.<br />

BRADLEY, T.D.; TAKASAKI, Y.; ORR, D. Sleep apnea in patients with left ventricular<br />

dysfunction: beneficial effects of nasal CPAP. In: ISSA, F.G. (Ed.). Sleep and<br />

respiration. Wiley Liss Inc, Nova York, p. 363-370, 1990.<br />

85


BRANDENBERGER, G. Episodic hormone release in relation to REM sleep. J.<br />

Sleep.Res. 2:p. 193-198, 1993.<br />

BROVILLETTE, R.T.; FERNBACH, S.K.; HUNT, C.E. Obstructive sleep apnea in<br />

infants and childen. J. Pediatr. 100: p. 31-39, 1982.<br />

BROWMAN, C.P.; SAMPSON, M.G.;YOLLESS, F. Obstructive sleep apnea and<br />

body weight. Chest, 85:p. 435-436, 1984.<br />

BURWEL, C.; ROBIN, E.; WHALEY, D. Extreme obesity associated with alveolar<br />

hypo ventilation: a Pickwickian syndrome. Am. J. Med., 21: p. 811-818, 1956.<br />

CAMBIER, J.; MASSON, M. E.; DEHEN, H. Neurologia (edição brasileira) Atheneu.<br />

Rio de Janeiro, 1988.<br />

CARSKADON, M.A.; RECHSTSCHAFEN, F. Monitoring and staging human sleep.<br />

In: KRIEGER M.H.; ROTH T.; DEMENT W.C. (eds.) Principles and pratice of<br />

sleep medicine. Philadelfia: W.B. Saunders Company, p. 665-683, 1989.<br />

CARTWRIGHT, R.D. Effect of sleep position on sleep apnea severity. Sleep, 7. p.<br />

110-114, 1984.<br />

CHABOLE, F.; FLEURY, B.; CORBIERE, S.D. Traitment surgical du syndrome<br />

d´apnées du sommeil par basiglossectomie reductrice avec hyoideoplastic. Rev.<br />

Soc. Fr. ORL, 8:p. 33-37, 1991.<br />

COLEMAN, R.M.; ROFFWAR,G.; KENNEDY, S. Sleep-wake disorders based on a<br />

polysomnography diagnosis: a national cooperative study. JAMA, 247:p. 997-1003,<br />

1982.<br />

CONWAY, W.; ZORICK, F.; HARTSE, K. Protriptyline in the treatmen of sleep apnea.<br />

Chest, 76:p. 349, 1979.<br />

COREN, S. Ladrões do sono. São Paulo: Cultura, 1998.<br />

CORNER, M.A. Maturation os sleep mechanism in the nervous system. Exptl. Brain<br />

Res., 8 ( suppl 1):p. 50-66, 1984<br />

DA COSTA, J.C.; NUNES, M.L.; NORA, D.B. Apnéia com manifestação convulsiva<br />

sutil em neonatos. Investigação clínica e valor diagnóstico e prognóstico da<br />

polissonografia. J. Liga. Bras. de Epilep. 4:p. 17-21, 1991.<br />

DEMENT, W. Dormir, rêver. Paris, Seuil, 1981.<br />

DEMENT, W.; KLEITMANN, N. Cyclic variations in EEG during sleep and their<br />

relations to eye movements, body mobility and dreaming. EEG and Clinical<br />

Neurophysiology, (9), p. 673-690, 1957.<br />

DICKENS, C. The posthumous papers of the Pickwick Club. London: Chapman y<br />

Hall, 1837.<br />

86


DICKSON, R.I.; BLOKMANIS, A. Treatment of obstructive sleep apnea by<br />

uvulopalatopharryngoplasty. Laryngoscope, 97:p.1054-1059, 1987.<br />

DINGES, D.F.; BROUGHTON, R.J. Sleep and alertness: chronobiological,<br />

Behaviorel and Medical Aspects of napping. Nova York: Raven Press, 1989.<br />

FINDLEY, L.; UNVERZAGT, M.; SURATT, P. Automobile acidents involing patients<br />

with obstructive sleep apnea. Am. Rev. Pepir. Dis., 138:p. 337-340, 1988.<br />

FINDLEY, L.J. The close but mysterious ties between obstructive sleep apnea and<br />

obesity-hypoventilation syndrome. Chest, 92:p. 772-773, 1987.<br />

FLETCHER, E.; DEBEHNKE, R.D.; LOVOI, M.; GORIN, A. Undiagnosed sleep<br />

apnea in patients with essential hypertension. Ann. Intern. Med., 103:<br />

FLLOH, E.; KORNER, E.; LECHNER, H. Computer evaluation of sleep. Eur. Neuro.,<br />

25:p. 46-53, 1986.<br />

FROELICHER. V.F. Exercise testing & training. New York: LeJaq Publishing Co.,<br />

1983.<br />

FUJITA, S.; CONWAY, W.; SORICK, F. Surgical correction of anatomic abnormalities<br />

in obstructive sleep apnea syndrome: uvulopalatopharyngoplasty. Otolaryngol.<br />

Head Neck Surg., 89:p. 923-934, 1981.<br />

GASTAULT, H.; RASSINARI, C.A.; DURON, B. Polygraphic study of the episodic<br />

diurnal and nocturnal (hypnic and respiratory) manifestations of the Pickwickian<br />

syndrome. Brain Res., 2:p. 167-186, 1965.<br />

GISLASON, T.; LINDHOLM, C.E.; ALMQUIST, M. Uvulopalatophyryngoplast in the<br />

sleep apnea- predictors of results. Arch.Otolaryngo. p. 144-151, 1988.<br />

GORNEY, R. The human agenda. New York: Batam Books, 1973.<br />

GOULD, G.A.; WHYTE, K.F.; RHIND, G.B. The sleep hypopnea syndrome. Am. Ver.<br />

Resp. Dis., 142:p. 295-330, 1990.<br />

GREENBERG, G.; WATSON, R.; DEPTULA, D. Neuropsychological dysfunction in<br />

sleep apnea. Sleep, 10:p. 254-262, 1987.<br />

GUILLEMINAULT, C. Clinical features and evaluation of obstructive sleep. In:<br />

KRIGER, M.H.; ROTH, T.; DEMENT, W.C. (eds.) Principles and practice of sleep<br />

medicine. Philadelphia: WB Saunders Co, p. 552-558, 1989b.<br />

GUILLEMINAULT, C.; CONNOLLY, S.; WINKLE, R.A. Cardic arrythmia and<br />

conduction disturbances during sleep in 400 patients with sleep apnea syndrome.<br />

Am. J. Cardiol., 52:p. 490-494, 1983.<br />

GUILLEMINAULT, C.; ELDRIDGE, F.L.; TILKIAN, A. Sleep apnea syndrome due to<br />

upper airway obstruction. Arch. Int. Med., 137:p. 296-300, 1977.<br />

87


GUILLEMINAULT, C.; MOTTA, J.; MIHM, F. Obstructive sleep apnea and cardic<br />

index. Chest, 89:p. 331-334, 1986.<br />

GUILLEMINAULT, C.; MOTTA, J.; SIMMONS, B. Obstructive sleep apnea syndrome<br />

and tracheostomy. Arch. Intern. Med. 141:p. 985-988, 1981.<br />

GUILLEMINAULT, C.; PARTINEN, M.; PRAUD, J.P. Morphometric facial changes<br />

and obstructive sleep apnea in adolecents. J. Pediatr., 114:p. 997-999, 1989a.<br />

GUILLEMINAULT, C.; TILKIAN, A.; DEMENT W.C. The sleep apnea syndromes.<br />

Am. Rev. Med., 27:p. 465-484, 1976.<br />

GUILLIS, A.; STOOKS, R.; GUILLEMINAULT, C. Changes in the Q-T interval during<br />

obstrutive sleep apnea. Sleep, 14:p. 346-350, 1991.<br />

HALASZ, P.; UJSZASZI, J. A study of K-Complexes in humans: are they related<br />

information processing during sleep? In: KOELLA, W.P.; OBAL, F.; SHULZ, H. Sleep<br />

86. New York: Academic Press, p. 79-83, 1986.<br />

HE, J.; KRYGER, M.H.; ZORICK, F.J. Mortality and apnea index in obstructive sleep<br />

apnea. Chest, 94:p. 4-14, 1988.<br />

HJALMAS, K. Urinary incontinence: definitions, suggestions and epidemiology.<br />

Scan.J.Urol.Nephrol., 141:p. 39-44, 1992.<br />

HORNE, J.A. Mammalian sleep function with particular reference to man. IN:<br />

MAYES, A. (ed) Sleep mechanism and functions. London: Van Nostrans Reinhold<br />

Pub., p. 262-312, 1983.<br />

HORNER, R.L.; MOHIADDIN, R.H.; LOWEL, D.G. Sites and sizes of fat deposits<br />

around the plarynx in obese patients with obstructive sleep apnea and weight<br />

matched controls. Eur. Respir. J., 2:p. 613-622, 1989.<br />

HUBLIN, C.; MATIKAINEN, E.; PARTINEN, M. J. Autonomic nervous system function<br />

in narcolepsy. J. Sleep Res., 3:p. 131-137, 1994.<br />

HUDGEL, D.; HENDRICKS, C. Palate and hypofaringel sites of inspiratory narrowing<br />

of upper airway during sleep. Am. Ver. Respir. Dis., 138:p. 1542-1547, 1988.<br />

INOUE, S. Biology of sleep substances. Boca Ratton, Florida: CRC Press Inc,<br />

1989.<br />

ISAACSON, R.L. The limbis system. New York: Plenum Press, p. 1-292, 1974.<br />

JOO, S.H., REIMÃO, R., ELIZABETSKY, M. Severe sleep apnea syndrome and<br />

tonsillar hyperplasia in an adult. Neurobiol. 56:p. 137-142, 1993.<br />

JOUVET, M. Mémoires et cerveau dédoublé au cours du rêve. A propos de 2.525<br />

souvenirs de revês. L'année du praticien, RP, 29 (1), p. 27-32, 1979.<br />

88


JOUVET, M. Paradoxical sleep. A study of its nature and mechanisms. Progr. Brain<br />

Res.,18:p. 20-57,1965.<br />

JUNG, C. G. L'homme à la découverte de son âme. Paris, Payot, 1966.<br />

KELLY, J.P.; DODD, J. Anatomical organization of the nervous system. In: KANDEL,<br />

E.R. Principles of Neural Science. East Norwalk: Appleton & lange, 1991.<br />

KHATRI, I.M.; FREIS, F.D. Hemodynamic changes during sleep. J. Appl. Physio.,<br />

22:p. 867-873, 1967.<br />

KOSKENVUO, M.; KAPRIO, J.; PARTINER, M. Snoring as a risk factor for<br />

hypertension and angina pectoris. Lancet, 1:p. 893-896, 1985.<br />

LAKSHMINARAYAN, S.; SAHN, S.; HUDSON, L., Effects of diazepan on ventilatory<br />

responses. Clin. Pharmacol. Ther., 20:p. 178;183, 1976.<br />

LARSON, H.; CARLSSON, N.B.; SVANBORG, E. Long-time follow-up after UPPP for<br />

obstructive sleep apnea recordings and subjetive evaluation 6 months and 2 years<br />

afther sugery. Acta. Otolaryngol. (Stockh), 11:p. 582-590, 1991.<br />

LAVIE, P. Sleep apnea inindustrial workers. In: GUILLEMINAULT, C.; LUGARESI, E.<br />

(eds) Sleep/wake disorders: natural history, epidemiology, and long-term evolution.<br />

New York: Reven Press., p. 127-135, 1983a.<br />

LAVIE, P. Incidence of sleep apnea in a presumably halthy working population;<br />

significant relationship with excessive daitime sleepines. Sleep, 6:312-318, 1983b.<br />

LIND, M.G.; LUNDWLL, P.W. Tonsillar hyperplasia in children. Arch. Otolaryngol.<br />

108:p. 650-654, 1982.<br />

LOMBARD, R.M.; ZWILLCH, C.W. Medical therapy of obstructive sleep apnea.<br />

Med.Clin.North.Am., 69:p. 1317-1335, 1985.<br />

LUGARESI, E.; CIRIGNOTTA, F.; MONTAGNA, P. Snoring: pathogenic, clinical and<br />

therapeutic aspects. In: KRYGER, M.H.; ROTH, T.; DEMENT, W.C. (eds.) Principles<br />

and practice of sleep medicine. Philadelphia: WB Saunders Co., p. 494-500, 1989.<br />

LYDIATT, D.D.; HUERTER, J.V.J.; YONKERS, A.J. Surgical treatment of obstructive<br />

sleep apnea syndrome. Nebr. Med. J., 12:p. 63-66, 1991.<br />

MACALUSO, R.; REAMS, C.; GIBSON, W. Uvulopalatopharyngoplasty: posoperative<br />

management and evaluation of results. Ann. Otol. Rhino. Laryngo., 98:p. 502-507,<br />

1989.<br />

MAISELS, D.O.; KNOWLES, C.C. Spontaneous regression open bite following<br />

treatment of macroglossia. Brit.J.Plas: Surg. 94:p.56-69, 1986.<br />

MCCARLEY, R.W.; HOBSON, J.A. The neurobiological origins of psycoanalytic<br />

dream theory. Am.J.Psycat., 134, 11:p. 1211-1221, 1977.<br />

89


MCMVOY, R.D.; THORTON, A.T. Tratment of obstructive sleep apnea syndrome<br />

with nasal continuous positive airway pressure. Sleep, 7:p. 313-325, 1984.<br />

MCMVOY, R.D.; SHARP, D.J.; THORTON, A.T. The effect of posture on Obstructive<br />

Sleep Apnea. Am Review Repir Dis., 133:p. 662-668,1986.<br />

MEGIRIAN, D. Respiratory functions of the laringeal muscles during sleep. Sleep,<br />

3:p. 289-298, 1980.<br />

MEYER, P. L. Probabilidade: aplicações à estatística. Cap. 15, p. 370, 2ed.<br />

Tradução de Ruy de C. B. Lourenço Filho. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e<br />

Científicos, 1984.<br />

MICHAEL, A.S. Sleep disorders I. neurologic clinics. W.B. Saunders Company; p.<br />

493-839, 1996.<br />

MILLER, W.P. Cardiac arrhythmias and conduction disturbances in the sleep apnea<br />

syndrome: prevalence and significance. Am J Med.; 73:p. 317-321, 1982.<br />

MILLMAN, R.P. Snoring and apnea. Clin. Chest. Med., 8:p. 253-264, 1987.<br />

MIYAUCHI, S.; TAKINO, R.; FOKUDA, H.; TORII, S. Electrophysiolocal evidence of<br />

dreaming: human cerebral potentials associated with rapid eye movements during<br />

REM sleep. Electroenceph. Clin.Neurophysio., 66:p. 383-391, 1987.<br />

MONDINI, S.; ZUCCONI, M.; CIRIGNOTTA, F. Snorig as a risk factor for cardiac na<br />

circulatory problems: na epidemiological study. In: GUILLEMINAULT, C.; LUGARESI,<br />

E. (eds.) Sleep wake lution. New York: Raven Press, p. 99-105, 1983.<br />

MORETTIN, L.G. Estatística básica. vol II, Capítulo 9, pág. 99, 7ed, São Paulo:<br />

Makron Books, 1999.<br />

NIELSEN, T.A.; MCGREGOR, D.L.; ZADRA, A. Pain and dreams. Sleep, 16: p.<br />

490-498, 1993.<br />

NUNES, M.L. Avaliação da evolução da atividade elétrica cerebral em recémnascidos<br />

através da polissonografia. Tese de doutorado. Faculdade de Ciências<br />

Médicas da Unicamp. Campinas, 1994.<br />

OREM, J.; BARNES, C.D. Physiology in sleep. New York: Academic Press, 1980.<br />

OSLER, W. The principles and practice of medicine. New York: Appleton, 1918.<br />

PARMEGGIANI, P. L. Regulation of physiological functions during sleep.<br />

Expérientia, 38:p. 1405-1408, 1982.<br />

PARTINER, M.; JAINIESON, A. Longterm outcome for obstructive sleep apnea<br />

syndrome patients: mortality. Chest., 94:p. 1200-1204, 1988.<br />

PATTEN, B.M. Human Embriology. New York: The Blakiston Co. Inc. 1953.<br />

90


PEREZ-PADILLA, R.; WEST, P. Breathing during sleep in patient with interstitial ling<br />

disease, Am. Rev. Respir. Dis., 132:p. 224-229, 1985.<br />

PIERÓN, H. Le problème physiologique du sommeil. Paris: Masson, 1913.<br />

RAJEWSKI, T.; SCHULLER, D. Synchronous video recording of the pharyngeal<br />

airway and polysomnnography in patients with obstrutive sleep apnea.<br />

Laringoscope, 92:p. 246-250, 1982.<br />

RANSON, S.; CLARK, S.L. Anatomia do sistema nervoso. Rio de Janeiro:<br />

Atheneu, 1955.<br />

RECHTSCHAFFEN, A.; KALES, A. A manual of standardized terminology,<br />

techniques and scoring system for sleep stages of human subjects. Los<br />

Angeles: Brain Information Service/Brain. Research. Institute, UCLA, 1968.<br />

REIMAO, R. Sono – estudo abrangente. Rio de Janeiro: Atheneu, 1996.<br />

REIMÃO, R.; DIAMENT, A. Sono na infância. São Paulo: Sarvier, 1985.<br />

REMMERS, J.E. Pathogenesis of upper airway obstruction during sleep. J. Appl.<br />

Physiol., 44:p. 931-938, 1978.<br />

RILEY, R.W.; PWELL, N.B.; GUILLEMINAULT, C. Maxillary, mandibular and hyoid<br />

advancement: and alternative to treatment in obstructive sleep apnea syndrome.<br />

Otolaryngol. Head. Neck. Surg. 94:p. 584-588, 1996.<br />

RYAN, F.; LOWE, A.; LI, D.; FLEETHAM, J.A. Three-dimensional upper airway<br />

computed tomografy in obstructive sleep apnea syndrome. Am. Rev. Resp. Dis,<br />

144:p. 424-432, 1991.<br />

SADOUL, P.; LIGARERESI, E. Symposium on hypersomnia with periodic breathing.<br />

Bull. Eur. Physiopathol. Respir., 8:p. 967-1288, 1972.<br />

SAKAI, K. Some anatomical and phisiological porpeties of ponto-mesencephalic<br />

tegmental neurons with special reference to the PGO wawes and postural atony<br />

during paradoxical sleep. Raven Press, p. 427-447, 1980.<br />

SANDRES, M.H.; HOLZER, B.C.; PENNOCK, B.E. Patient compliance with nasal<br />

CPAP Therapy for sleep apnea. Chest, 90:p. 330-333, 1986.<br />

SANVITO, W.L. O cérebro e suas funções. São Paulo: Roca, 1991.<br />

SCHELTENS, P.H.; VISSCHER, F.; KEIMPEMA, ªR. Sleep apnea syndrome<br />

presenting with cognitive impairment. Neurology, 41:p. 155-156, 1991.<br />

SCHWARTZ, B.; ESCANDE, J. Étude cinéradiographique de la respiration hypnique<br />

Pieckwickienne. Rev. Neurol., 116:p. 677-678, 1967.<br />

SCRIMA, L.; BROUDY, M.; NAY, K. Increased severity of obstructive sleep apnea<br />

91


afhter bedtime alcohol ingestion: diagnostic potential and proposed mechanism of<br />

adictions. Sleep, 5:p. 318:328, 1982.<br />

SERIES, F.; PIERRE, S.T.; GARRIER, G. Surgical correction of nasal obstruction in<br />

the treatment of mild sleep apnea: importance of cephalometry in the predicting<br />

outcome. Thorax, 48:p. 360-363, 1993.<br />

SHEPARD, J.W. Cardiopulmonary consequences of obstructive sleep apnea. Mayo<br />

Clin. Proc., 65:p. 1250-1259, 1990.<br />

SHEPARD, J.W. Gas exchange and hemodinamics during sleep. Clin. Med. North.<br />

Amer., 69:p. 1243-1264, 1985.<br />

SHEPARD, J.W.; CARRISON, M.W.; GRITHER, B.S. Relationship of ventricular<br />

ectopy to oxyhemoglobin desaturation in patients with obstructive apnea. Chest,<br />

88:p. 335-337, 1985.<br />

SLUTZKY, L.C. Fisioterapia respiratória nas enfermidades neuromusculares.<br />

São Paulo: Revinter, 1997.<br />

SMOLENSKY, M.; DALONSO, G. Medical chornobiology: concepts and applications.<br />

Am. Ver. Respir. Dis., 147: p 2-19, 1993.<br />

SPIEGEL,M.R. Probabilidade e estatítica. Capítulo 7. Tradução de Alfredo Alves<br />

de Farias. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1978, p. 299.<br />

STROHL, K.P.; HENSLEY, M.J.; SAUNDERS, N.A. Progesterone administration and<br />

progressive sleep apneas. JAMA, 245:p. 1230-1232, 1981.<br />

STROHL, K.P.; REDLINE, S. Nasal CPAP therapy, upper airway pressure in sleep<br />

disordered breathing. In: KRYGER, M.H.; ROTH, T.; DEMENT, W.C. (eds)<br />

Principles and practice of sleep medicine. W.B. Philadelphia: Saunders Company,<br />

p. 559-570, 1989.<br />

SULLIVAN, C.E.; ISSA, F.G.; BERTHON, J. Reversal of obstructive sleep apnea by<br />

continuos positive airway pressure aplied through the nares. Lancet, 1:p. 862-865,<br />

1981.<br />

SULLLIVAN, C.E.; ISSA, F.G.; BERTHON-JONES, M. Home treatment of obstructive<br />

sleep apnea with continuous positive airway pressure applied through a nose mask.<br />

Bull Eur Physiopathol Respir., 20:p. 49-54, 1984.<br />

SURATT, P.M.; DEE, P.; RICHARD, L. Fluoroscopic and computed tomographic<br />

features of the pharingeal airway in obatrutive sleep apnea. Am. Rev. Respir. Dis.,<br />

127:p. 487-492, 1983.<br />

SVANBORG, E.; LARSSON, H. Natural hystory of obstructive sleep apnea. Sleep,<br />

16:p. 124-125, 1993.<br />

TILKIAN, A. ;GUILLEMINAULT, C.; SCHROEDER, J. Hemodynamics in sleep<br />

92


induced apnea: studies during wakefulness and sleep. Ann. Intern. Med., 85:p. 714-<br />

719, 1976.<br />

TILKIAN, A.; GUILLEMINAULT, C.; SCHROEDER, J. Sleep induced apnea<br />

syndrome: presence of cardic arrhytmia and their reversal after tracheostomy. Am. J.<br />

Med., 63:p. 348-358, 1977.<br />

TOLEDO, G.L.; OVALLE, I.I. Estatística básica. 2ed. São Paulo: Atlas, 1985.<br />

VAN ECONOMO, C. Sleep as a problem of localization. J. Nerv.Ment.Dis. 7:p 249-<br />

259,1930.<br />

WALSH, R.E.; MICHELSON, E.D. Upper airway obstruction in obese patients with<br />

sleep disturbance and somnolence. Ann. Intern. Med., 76:p.185-192, 1972.<br />

WILHOIT, S.C.; SURATT, P.M. Obstructive sleep apnea in premenopausal women: a<br />

camparison with men and with postmenopausal women. Chest, 91:p. 654-658, 1987.<br />

6.1 Referências Internet<br />

Figura 1 disponível em: http://www.nib.unicamp.br/sbpt/apson III.html. Acesso em<br />

19/03/99.<br />

Figuras 2 e 3 disponíveis em: http://www.nib.unicamp.br/sbpt/apneiasonpq.html<br />

Acesso 19/03/99.<br />

Figura 5 disponível em: http://www.nib.unicamp.br/sbpt/apneiatptrat.html. Acesso<br />

19/03/99.<br />

93


7 - ANEXOS<br />

94


7.1 Anexo I - Folder da campanha<br />

95


7.2 Anexo II - Folheto explicativo sobre Apnéia do Sono<br />

96


7.3 Anexo III - Questionário para levantamento de dados<br />

97


7.4 Anexo IV - Lista de Patrocínios<br />

98


7.5 Anexo V - Mensuração relação C/Q, peso corporal<br />

Os acadêmicos do Curso de Fisioterapia, mensurando a Relação C/Q –<br />

Abdômen Quadril e Perimetria Cervical dos indívíduos que se submeteram a bateria<br />

de testes.<br />

Mensuração de Peso Corporal, Freqüência Cardíaca e Saturação de Oxigênio, após<br />

repouso de cinco minutos.<br />

99


7.6 Anexo VI - Fase de entrevistas e triagem<br />

Os acadêmicos realizando a primeira fase de abordagem aos transeuntes,<br />

com as perguntas objetivas como idade, profissão, ronco, hipersonolência diurna,<br />

irritabilidade, sedentarismo, entre outras.<br />

Setor de Triagem da I Semana de Fisioterapia na Prevenção e Atuação na Apnéia<br />

Obstrutiva do Sono.<br />

100


7.7 Anexo VII - Fotos ilustrativas sobre o evento<br />

Vista da Fila gerada na Praça Osório, centro da cidade de Curitiba, estado<br />

do Paraná, para a bateria de testes da I Semana de Fisioterapia na Prevenção e<br />

Atuação na Apnéia Obstrutiva do Sono.<br />

101


SUMÁRIO<br />

1 <strong>INTRODUÇÃO</strong>................................................................................................1<br />

<strong>1.1</strong> O <strong>Problema</strong>....................................................................................................1<br />

1.2 Objetivos .......................................................................................................2<br />

1.2.1 Objetivo geral..................................................................................................2<br />

1.2.2 Objetivos específicos......................................................................................2<br />

1.3 Questões investigadas.................................................................................3<br />

1.4 Justificativa e relevância do assunto .........................................................3<br />

1.5 Delimitação do estudo .................................................................................4<br />

1.6 Limitações do Estudo ..................................................................................4<br />

1.7 Organização do trabalho..............................................................................5<br />

2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA ..........................................................................6<br />

2.1. Os estados do sono .....................................................................................7<br />

2.2. O sono paradoxal .........................................................................................9<br />

2.2.1 Mecanismos que preparam o sonho...............................................................9<br />

2.2.2 A organização do sono paradoxal ................................................................11<br />

2.2.3 Necessidades de sono .................................................................................12<br />

2.2.4 Sonolência e agressividade.........................................................................12<br />

2.2.5 Sono, fenômeno biológico essencial ............................................................16<br />

2.2.6 O córtex límbico............................................................................................19<br />

2.2.6.1 A relação com o sono ...................................................................................20<br />

2.2.6.2 Hipóteses sobre os mecanismos do sono ....................................................21<br />

2.3 Síndrome de apnéia obstrutiva do sono: quadro clínico e<br />

diagnóstico..................................................................................................22<br />

2.3.1 Classificação de apnéias do sono ................................................................24<br />

2.3.<strong>1.1</strong> Apnéia do Sono Obstrutiva...........................................................................25<br />

2.3.1.2 Apnéia do Sono Central................................................................................25<br />

2.3.1.3 Apnéia do Sono Mista...................................................................................25<br />

2.3.2 Sintomas noturnos........................................................................................28<br />

2.3.2.1 Sono noturno ................................................................................................29<br />

2.3.3 Sintomas diurnos..........................................................................................29<br />

2.3.3.1 Sonolência excessiva diurna ........................................................................29<br />

2.3.4 Conseqüências hemodinâmicas da SASO ...................................................30<br />

2.3.4.1 Hipoxemia associada à apnéia.....................................................................30<br />

2.3.4.2 Arritmias cardíacas .......................................................................................31<br />

2.3.4.3 Hipertensão arterial sistêmica e pulmonar....................................................31<br />

2.3.7 Avaliação do paciente com SASO................................................................32<br />

2.3.7.1 Avaliação da Região Oronasomaxilofacial ...................................................33<br />

2.3.7.2 Álcool e Sedativos ........................................................................................33<br />

2.3.8 Avaliação do paciente dormindo...................................................................34<br />

2.3.8.1 Polissonografia Noturna ................................................................................34<br />

2.3.9 Curso da enfermidade ...................................................................................35<br />

2.3.9.1 Perfil do portador ...........................................................................................35<br />

2.4 Síndrome de apnéia obstrutiva do sono - tratamento clínico e CPAP..38<br />

2.4.1 Medidas gerais ...............................................................................................38<br />

2.4.2 Redução do peso excessivo..........................................................................40<br />

2.4.3 Supressão de álcool e da medicação sedativa ou relaxante .........................41<br />

2.4.4 Tratamento postural.......................................................................................41<br />

v


2.4.5 Próteses nasais ou bucais.............................................................................42<br />

2.4.6 Tratamento farmacológico .............................................................................42<br />

2.4.6.1 Protriptilina.....................................................................................................42<br />

2.4.6.2 Progesterona .................................................................................................42<br />

2.4.6.3 Oxigênio ........................................................................................................43<br />

2.4.7 Equipamento de CPAP..................................................................................43<br />

2.4.7.1 Determinação da pressão necessária ...........................................................44<br />

2.4.7.2 Efeito da primeira noite com CPAP ...............................................................45<br />

2.4.7.3 Adaptação .....................................................................................................45<br />

2.4.7.4 Efeitos secundários transitórios do CPAP .....................................................46<br />

2.4.7.5.Outros efeitos secundários transitórios descritos na literatura ......................46<br />

2.5 Tratamento cirúrgico...................................................................................47<br />

2.5.1 Uvulopalatofaringoplastia ..............................................................................47<br />

2.5.2 Amígdalas e adenóides .................................................................................49<br />

2.5.3 Cirurgias de avanço mandibular ....................................................................51<br />

2.5.4 Traqueostomia...............................................................................................52<br />

2.5.5 Cirurgia nasal.................................................................................................53<br />

2.5.6 Cirurgia lingual...............................................................................................54<br />

2.5.7 Terapêutica combinada .................................................................................55<br />

2.5 Tratamentos .................................................................................................56<br />

3 METODOLOGIA............................................................................................57<br />

3.1 Metodologia de Análise...............................................................................57<br />

3.2 População estudada e local da pesquisa ..................................................57<br />

3.2 Aspectos Éticos da Pesquisa......................................................................58<br />

3.4 Projeto Operacional da Pesquisa................................................................59<br />

3.4.1 Estrutura para levantamento de dados............................................................59<br />

3.4.2 Criação de Folder Explicativo ..........................................................................59<br />

3.4.3 Instrumentos para Obtenção de dados............................................................60<br />

3.4.4 Pré-testes dos instrumentos de pesquisa........................................................60<br />

3.4.5 Determinação do tamanho da amostra............................................................61<br />

3.4.6 Metodologia de análise estatística...................................................................62<br />

3.4.6.1 Análise descritiva dos dados .........................................................................62<br />

3.4.6.2 Teste de hipóteses - proporções ...................................................................62<br />

3.5 Coleta de dados ...........................................................................................63<br />

4 REPRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS............................................65<br />

4.1 Segmentação da amostra ...........................................................................65<br />

4.2 PERFIL DOS INDIVÍDUOS ...........................................................................65<br />

4.2.1 Sexo ...............................................................................................................65<br />

4.2.2 Idade...............................................................................................................66<br />

4.3 Fatores indicativos de Apnéia......................................................................68<br />

4.3.1 Fator: Freqüência Cardíaca.............................................................................69<br />

4.3.2 Fator: Risco Cardiovascular ............................................................................71<br />

4.3.3 Fator: Hipertensão...........................................................................................72<br />

4.3.4 Fator: prática de atividades físicas ..................................................................73<br />

4.3.5 Fator: Sonolência.............................................................................................75<br />

4.3.6 Fator: Dor de Cabeça ....................................................................................76<br />

4.3.7 Fator: Irritação ...............................................................................................77<br />

4.3.8 Fator: pouca concentração ............................................................................78<br />

4.3.9 Fator: dificuldade em respirar pelo nariz........................................................79<br />

4.4 Análise dos fatores......................................................................................80<br />

vi


4.4.1 Testes de significância das respostas ............................................................80<br />

4.4.2 Ordenação dos Fatores ..................................................................................81<br />

5. CONCLUSÕES E SUGESTÕES....................................................................83<br />

5.1 Sugestões para trabalhos futuros...............................................................84<br />

6. BIBLIOGRAFIA..............................................................................................85<br />

6.1 Referências Internet .....................................................................................93<br />

7 ANEXOS ........................................................................................................94<br />

7.1 Anexo I - Folder da campanha.....................................................................95<br />

7.2 Anexo II - Folheto explicativo sobre Apnéia do Sono ...............................96<br />

7.3 Anexo III - Questionário para levantamento de dados ..............................97<br />

7.4 Anexo IV - Lista de Patrocínios ...................................................................98<br />

7.5 Anexo V - Mensuração relação C/Q, peso corporal...................................99<br />

7.6 Anexo VI - Fase de entrevistas e triagem .................................................100<br />

7.7 Anexo VII - Fotos ilustrativas sobre o evento ..........................................101<br />

vii


Universidade Federal de Santa Catarina<br />

Programa de Pós-graduação em<br />

Engenharia de Produção<br />

AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />

APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />

NA POPULAÇÃO CURITIBANA<br />

Dissertação de Mestrado<br />

Marcelo Márcio Xavier<br />

Florianópolis<br />

2001


AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />

APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />

NA POPULAÇÃO CURITIBANA


Universidade Federal de Santa Catarina<br />

Programa de Pós-graduação em<br />

Engenharia de Produção<br />

AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />

APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />

NA POPULAÇÃO CURITIBANA<br />

Marcelo Márcio Xavier<br />

Dissertação apresentada ao<br />

Programa de Pós-Graduação em Engenharia<br />

de Produção da Universidade Federal de<br />

SantaCatarina como requisito parcial para<br />

obtenção<br />

do título de Mestre em<br />

Engenharia de Produção<br />

Florianópolis<br />

2001


Marcelo Márcio Xavier<br />

AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />

APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />

NA POPULAÇÃO CURITIBANA<br />

Esta dissertação foi julgada e aprovada para a<br />

obtenção do título de Mestre em Engenharia de<br />

Produção no Programa de Pós-graduação em<br />

Engenharia de Produção da<br />

Universidade de Santa Catarina<br />

Florianópolis, 21 de setembro de 2001.<br />

Prof. Dr. Ricardo Miranda Barcia, Ph.D<br />

Coordenador do Curso<br />

BANCA EXAMINADORA<br />

_____________________________<br />

Prof. Glaycon Michels, Dr.<br />

______________________________ _____________________________<br />

Prof. Gilsée Ivan Régis Filho, Dr Profª. Suely Groessman, Drª.<br />

______________________________<br />

Profª. Monica Cristina Lopes, Msc.<br />

ii


Este trabalho é dedicado a Almerinda Viana Barbosa “Mira”, pessoa pura, anjo,<br />

amiga, mãe espiritual, alimentadora dos meus sonhos...<br />

Aos meus pais Xavier e Anirce pela força, carinho e dedicação incansável, aos quais<br />

devo minha eterna gratidão.<br />

A minha esposa Cybelle, por todos os momentos de paciência, e principalmente por<br />

me mostrar o verdadeiro significado da palavra Amor.<br />

Ao meu filho Marcelo, por me mostrar qual é o verdadeiro sentido da vida.<br />

E ao Fisioterapeuta Dr. Esperidião Elias Aquim, meu amigo, espelho e pai<br />

profissional.<br />

iii


iv<br />

Agradecimentos<br />

À Deus, por tudo que me proporcionou e tem me proporcionado.<br />

Aos a acadêmicos do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário<br />

Campos de Andrade – Uniandrade e da Universidade Tuiuti do Paraná.<br />

Ao meu orientador Dr. Glaycon Michels e Prof. Maurício Guimarães,<br />

pelas incansáveis correções e paciência durante<br />

toda a orientação deste trabalho.<br />

À Professora Renata Rothenbühler pela amizade,<br />

compreensão e incentivo nos momentos mais difíceis.<br />

À Professora Regina Maria Camargo Ferrari, pela amizade e exemplo de luta.<br />

Aos professores Eduardo Barbosa, Regina Mazepa e Solange Bittencourt,<br />

pelo suporte técnico seguro nas suas distintas especialidades.<br />

E a todos os supervisores e funcionários da Clínica Escola de Fisioterapia<br />

da Universidade Tuiuti do Paraná, pela contribuição direta ou indireta<br />

para a realização deste trabalho.


Lista de Figuras<br />

Figura 1 - Necessidades de Sono de Acordo com a Idade.....................................13<br />

Figura 2 - Entrada Normal de Ar.............................................................................27<br />

Figura 3 - Obstrução na Entrada do Ar...................................................................27<br />

Figura 4 - Remodelamento do Palato Mole ............................................................34<br />

Figura 5 - Compressor de Ar e Máscara Nasal ......................................................39<br />

Figura 6 - Percentuais dos grupos segundo o sexo dos indivíduos........................66<br />

Figura 7 - Percentual de Idade dos indivíduos por grupo .......................................67<br />

Figura 8 - Representação do percentual de ronco e obesidade.............................69<br />

Figura 9 - Relação do percentual de freqüência cardíaca ......................................70<br />

Figura 10 - Percentual quanto ao risco cardiovascular do entrevistado ...................72<br />

Figura 11 - Incidência de hipertensão nos entrevistados..........................................73<br />

Figura 12 - Percentual do hábito da prática do exercício físico ................................74<br />

Figura 13 - Percentual de hipersonolência nos entrevistados ..................................75<br />

Figura 15 - Percentual de presença do fator irritabilidade ........................................77<br />

Figura 16 - Representação do fator concentração ...................................................78<br />

Figura 17 - Percentual da dificuldade na respiração nasal.......................................80<br />

viii


Lista de Quadros<br />

Quadro 1 - Divisão dos Tipos de Apnéia ...................................................................24<br />

Quadro2 - Divisão da amostra em grupos................................................................65<br />

Quadro 3 - Diferença de proporções de resposta......................................................81<br />

Quadro 4 - Análise dos fatores indicativos de Apnéia ...............................................82<br />

ix


Lista de Tabelas<br />

Tabela 1 - Divisão dos grupos segundo o sexo.......................................................66<br />

Tabela 2 - Freqüência de idade...............................................................................67<br />

Tabela 3 - Percentual de ronco e obesidade...........................................................68<br />

Tabela 4 - Controle de freqüência cardíaca.............................................................70<br />

Tabela 5 - Apresentação do risco cardiovascular....................................................71<br />

Tabela 6 - Análise do fator hipertensão...................................................................73<br />

Tabela 7 - Demonstrativo da prática de atividade física ..........................................74<br />

Tabela 8 - Presença de sonolência excessiva diurna..............................................75<br />

Tabela 9 - Indicativo da presença de cefaléia .........................................................76<br />

Tabela 10 - Demonstrativo do fator irritabilidade .......................................................77<br />

Tabela 11 - Demonstrativo do fator concentração.....................................................78<br />

Tabela 12 - Demonstração de dificuldade na respiração nasal .................................79<br />

x


Lista de Reduções<br />

BiPAP Pressão positiva continua nas vias aéreas em dois níveis<br />

CO2 Gás carbônico<br />

CPAP Pressão positiva continua na via aérea<br />

ECG Eletrocardiograma<br />

EEG Eletroencefalograma<br />

EMG Eletromiograma<br />

EOG Eletrooculograma<br />

FAN Fluxo aéreo nasal<br />

FR Formação reticular, substancia reticular<br />

IAH Índice apnéia – hipopnéia<br />

IDR Índice de distúrbio respiratório<br />

IMC Índice de massa corpórea<br />

MSLT Teste de latência múltipla do sono<br />

NREM Sono sem movimentos oculares rápidos<br />

SASO Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono<br />

PCO2 Pressão parcial de gás carbônico<br />

PGO Ponto - genículo - occipital<br />

PSG Polissonografia<br />

PVC Extra sístole ventricular<br />

Relação C/Q Relação cintura-quadril<br />

REM Sono com movimentos oculares rápidos<br />

RNM Ressonância nuclear magnética<br />

SATO2 Saturação de oxigênio<br />

TAC Tomografia axial computadorizada<br />

UPFP Uvulopalatofaringoplastia<br />

VAS Vias aéreas superiores<br />

xi


Resumo<br />

XAVIER, Marcelo Márcio. Avaliação Fisioterapêutica para apnéia obstrutiva<br />

do sono na população curitibana. Florianópolis, 2001. 128f. Dissertação<br />

(Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-graduação em<br />

Engenharia de Produção, UFSC, 2001.<br />

O presente estudo tem como proposta estabelecer possíveis ligações entre a<br />

incidência de apnéia obstrutiva do sono com a atividade laboral, exercida por<br />

habitantes da cidade de Curitiba, estado do Paraná. Foram avaliados 919<br />

transeuntes da “Boca Maldita”, Praça Osório – Centro da cidade, por ser<br />

reconhecidamente um local, com alto fluxo de pessoas, oriundas das mais distintas<br />

classes sociais e bairros da cidade. Os dados da pesquisa foram coletados pelo<br />

pesquisador e por um grupo de acadêmicos do curso de fisioterapia da Uniandrade<br />

e Universidade Tuiuti do Paraná, em um ambulatório, montado no local. Os<br />

transeuntes recebiam um folheto explicativo sobre a doença e, em seguida,<br />

passavam por um questionário, sendo abordados com perguntas objetivas,<br />

relacionadas a sintomas de portadores de apnéia do sono, aliado a mensurações,<br />

tais como: peso, altura, saturação de oxigênio, freqüência cardíaca, pressão arterial,<br />

perimetria cervical e relação C/Q. Essas avaliações foram completadas com<br />

informações como sexo, idade, e atividade laboral, para que se pudesse traçar um<br />

perfil desses trabalhadores e a relação com a apnéia obstrutiva do sono. A escassa<br />

margem diferencial de 3,5%, detectada para correlacionar a incidência de SASO e a<br />

atividade laboral com maior e menor empenho físico, permite-nos concluir que, a<br />

ocorrência de SASO, não pode ser vinculada, em um primeiro momento a qualquer<br />

natureza de trabalho.<br />

Palavras-chave: SASO, laboral, apnéia do sono.<br />

xii


ABSTRACT<br />

XAVIER, Marcelo Márcio. Avaliação Fisioterapêutica para apnéia obstrutiva<br />

do sono na população curitibana. Florianópolis, 2001. 128f. Dissertação<br />

(Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-graduação em<br />

Engenharia de Produção, UFSC, 2001.<br />

The present study proposes the understanding of the frequency of possible<br />

carriers of obstructive sleep apnea and their relation with the labor activity, in the<br />

population of the city of Curitiba, state of the Paraná. Evaluated, were 919 bypassers<br />

of the “Boca Maldita”, Osório Square, at the Center of the City, for being<br />

admittedly a place, with a high stream of people, of the most distinct social classes<br />

and diverse neighborhoods of the city. A researcher and a group of academics of the<br />

course of physical therapy from Uniandrade and Universidade Tuiuti do Paraná, in a<br />

clinic, assembled at this place, collected the data of the research. The by-passers<br />

received a explanatory brochure on the illness, and after that, they answered a<br />

questionnaire, being approached with objective questions, related to the symptoms of<br />

sleep apnea carriers, and with it measurements, such as: weight, height, oxygen<br />

saturation, cardiac frequency, arterial pressure, cervical perimetry and relação C/Q.<br />

These evaluations had been completed with information such as sex, age, and labor<br />

activity so that a profile could be traced of these workers and their relation with<br />

obstructive sleep apnea. The quantitative data between the occurrence of SASO and<br />

some kind of labor activity was so narrow (3,5%) that allows to conclude initially that<br />

SASO can not be linked to any kind of labor activity.<br />

Key-words: SASO, labor, sleep apnea.<br />

xiii

Hooray! Your file is uploaded and ready to be published.

Saved successfully!

Ooh no, something went wrong!