1 INTRODUÇÃO 1.1 O Problema
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1 <strong>INTRODUÇÃO</strong><br />
<strong>1.1</strong> O <strong>Problema</strong><br />
A história da avaliação fisiológica do sono encontra-se em fase de infância<br />
quando comparada às outras especialidades médicas, visto que há pouco mais de<br />
60 anos o sono era considerado um estado simples, homogêneo e de pequeno<br />
significado de interesse clínico.<br />
Os primeiros estudos relativos aos distúrbios do sono datam de<br />
aproximadamente 1860 (Slutzky, 1997) e continuaram, a passos lentos, até o<br />
desenvolvimento do eletroencefalograma, em 1935. No período póseletroencefalograma<br />
pôde-se colher, com maior clareza e riqueza, informações<br />
clínicas que têm ajudado no entendimento mais amplo do sono. Dentre as doenças<br />
relacionadas ao sono cita–se a Apnéia Obstrutiva do Sono - SASO (Gastault et<br />
al.,1965), como uma das maiores causadoras de déficits de memória, transtornos de<br />
concentração e alterações da personalidade, devido a noites mal dormidas.<br />
As complicações orgânicas, já bastante conhecidas no portador da doença,<br />
adquirem maior amplitude quando esses transtornos afetam diretamente as<br />
atividades laborais, pois a má qualidade de sono aliada a complicações de saúde<br />
das mais distintas, leva o indivíduo a um baixo rendimento em todas as suas<br />
atividades de vida diária. A estreita relação entre o sono e saúde pode ser<br />
observada no dia a dia. Quem não conhece um estudante que passou noites sem<br />
dormir estudando para o vestibular e , após 3 ou 4 dias, inicia um processo gripal? E<br />
um executivo que não dorme direito devido ao fechamento de um grande negócio e,<br />
no dia da reunião decisiva, desperta com uma dor de garganta? O que acontece,<br />
nesses casos, é uma baixa da imunidade, deixando o corpo à mercê de doenças<br />
oportunistas. As conseqüências mais evidentes serão: baixa produtividade,<br />
diminuição nos lucros e a propensão a acidentes de trabalho, cujos custos poderão<br />
ser incalculáveis.<br />
Isso pode ser comprovado no relatório sobre acidentes que o pesquisador<br />
francês Dr. Damien Léger (apud Coren, 1998, p.140) preparou para a comissão de<br />
distúrbios do sono, publicado em 1994, utilizando dados coletados nos Estados<br />
Unidos. Segundo Léger, os acidentes automobilísticos causados pela privação do<br />
1
sono custaram U$ 37,9 bilhões em 1998. Se a cifra impressiona, tem-se mais a<br />
lamentar as perdas de vidas nesse processo: 24.318 mortos e quase 2,5 milhões de<br />
feridos, com seqüelas físicas ou mentais permanentes. Dos acidentes de trabalho,<br />
resultam 29,2 milhões de dias perdidos.<br />
Tais números são um pesadelo para a economia de qualquer país. E estão<br />
subestimados, porque os cálculos só envolveram custos com médicos, hospitais,<br />
medicamentos, reabilitação e perdas por dias parados ou por morte prematura dos<br />
trabalhadores. A SASO está diretamente ligada ao estresse, à obesidade, ao<br />
sedentarismo, ao uso de álcool, dentre outros fatores que atingem um número cada<br />
vez maior de trabalhadores das mais diversas áreas do conhecimento. Profissionais<br />
atingidos pela SASO põem em risco as empresas, quer pela baixa produção, quer<br />
pela exposição da vida em atividades periculosas que exigem concentração e<br />
raciocínio rápido.<br />
Todos esses fatores podem ser detectados de forma preventiva, evitando-se<br />
tratamentos de alto custo. Em sua fase inicial, uma simples mudança nos hábitos de<br />
vida bastaria para propiciar ao ser humano melhor qualidade de vida em suas<br />
relações familiares e profissionais.<br />
1.2 Objetivos<br />
1.2.1 Objetivo geral<br />
Analisar a correlação da Apnéia Obstrutiva do Sono e o tipo de atividade<br />
laboral exercida pelo indivíduo residente na cidade de Curitiiba, estado do Paraná.<br />
1.2.2. Objetivos específicos<br />
- Eleger fatores indicativos de Apnéia e avaliá-los na amostra populacional<br />
recolhida.<br />
- Cotejar esses fatores com atividades laborais que exijam maior e menor<br />
empenho.<br />
2
- Concluir qual modalidade laboral pode levar o indivíduo a desenvolver a<br />
Apnéia Obstrutiva do Sono.<br />
1.3 Questões investigadas<br />
A avaliação da amostra populacional através de uma primeira fase de<br />
questionamentos objetivos, está centralizada em um fator característico de<br />
portadores de SASO, que é o ronco. A partir desse fator considerado clássico,<br />
buscaram-se outros sintomas que, quando associados ao ronco, fornecem o perfil da<br />
doença descrita neste trabalho, tais como: hipersonolência diurna, cefaléia matinal,<br />
irritabilidade, agressividade e baixo poder de concentração. Esses fatores são<br />
característicos de noites mal dormidas e quando associados à obstrução de vias<br />
aéreas superiores e sedentarismo, praticamente nos fazem delimitar o diagnóstico<br />
da patologia.<br />
Uma segunda fase de avaliação realizada com análise direta do biótipo do<br />
indivíduo, em dados colhidos como peso, sexo, idade e altura, permite-nos analisar<br />
exames mais específicos como o de Saturação de Oxigênio, Freqüência Cardíaca,<br />
Pressão Arterial, Perimetria Cervical e Relação C/Q – cintura/quadril. Todos esses<br />
dados fornecerão indícios, ou seja, um caminho mais seguro para realizar uma<br />
pesquisa que mostra a relação da atividade laboral com possíveis portadores de<br />
Apnéia Obstrutiva do Sono.<br />
1.4 Justificativa e relevância do assunto<br />
Estresse, sedentarismo, obesidade e abuso alcoólico são palavras que<br />
freqüentam usualmente o vocabulário do homem moderno, esse indivíduo, sujeito às<br />
pressões e aos hábitos do mundo globalizado. Esses fatores, associados à<br />
obstrução das vias aéreas superiores ocasionadas pela poluição ambiental, podem<br />
desencadear a Apnéia Obstrutiva do Sono – SASO, uma moléstia que vem<br />
ganhando notoriedade à medida em que se conhecem suas causas e efeitos.<br />
A SASO afeta cerca de 9% da população masculina e 4% da feminina acima<br />
de 40 anos, levando ao desenvolvimento silencioso de hipertensão arterial (Fletcher<br />
3
et al, 1985), aumento do trabalho cardíaco, deficiente mecânica ventilatória,<br />
alterações contínuas da personalidade, deterioração intelectual, depressão e<br />
diminuição da libido e dessaturação de oxigênio.<br />
Todos esses episódios levam o trabalhador a desenvolver baixo rendimento<br />
psico-social, visto que a qualidade de vida nos aspectos familiar, social e profissional<br />
encontra-se prejudicada.<br />
Embora seja uma doença considerada nos EUA extremamente alarmante,<br />
no Brasil não há estudos suficientes, levando a patologia a ser encarada como<br />
sintomas isolados, e não como conjunto de fatores que levam a uma baixa qualidade<br />
de vida e também baixa produtividade no trabalho. As grandes empresas têm<br />
dificuldade em identificar o futuro trabalhador, como um possível portador ,<br />
principalmente no âmbito da contratação. Por outro lado, se diagnosticada<br />
precocemente e com a devida mudança dos hábitos de vida, poder-se-á, não<br />
somente a salvação do empregado, mas principalmente de um ser humano exposto<br />
aos males da vida moderna.<br />
1.5 Delimitação do estudo<br />
O universo selecionado para este estudo diz respeito a características de<br />
apnéia obstrutiva do sono e a relação da patologia com as suas atividades laborais,<br />
na população curitibana.<br />
1.6 Limitações do Estudo<br />
A maior dificuldade foi na veracidade das respostas e no tempo dispendido<br />
pelos transeuntes para responderem ao questionário e realizarem os testes, o que<br />
lhes tomou um tempo em torno de cinco minutos. Outro problema foi o da divisão<br />
das atividades laborais, nas quais pudemos observar a existência de uma gama<br />
muito grande de profissões com os mais distintos nomes.<br />
4
1.7 Organização do trabalho<br />
O presente trabalho é constituído de cinco capítulos.<br />
O capítulo um conta com a Introdução, objetivos gerais e específicos,<br />
justificativa e relevância do assunto, organização do estudo, delimitação e limitação<br />
do estudo e descrição dos capítulos.<br />
O capítulo dois traz a revisão bibliográfica, constituída por amplo acervo<br />
científico e publicações concernentes ao tema proposto.<br />
O capítulo três contempla a metodologia de pesquisa e análise, composta<br />
pelo tipo de estudo, aspectos éticos da pesquisa, os sujeitos e local da pesquisa,<br />
além de estratégias para levantamento, registro e análise de dados.<br />
O capítulo quatro traz a representação e análise dos dados, com a<br />
discussão e interpretação dos resultados encontrados e a confirmação da proposta<br />
de pesquisa.<br />
O capítulo cinco, relativo a conclusões e sugestões, apresenta os resultados<br />
deste estudo, uma possível contribuição para o alargamento das pesquisas e<br />
trabalhos futuros na área da apnéia obstrutiva do sono.<br />
5
2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA<br />
Em 1837, Charles Dickens descreveu o primeiro possível paciente de apnéia<br />
do sono em "Os Escritos Póstumos do Clube de Pickwick". Um de seus<br />
personagens (Joe) era descrito como segue: "... e no caixote sentou-se um garoto<br />
gordo e de rosto vermelho em estado de sonolência" (p.35) Há diversas outras<br />
referências no livro de Dickens a este personagem sugerindo que ele sofria de<br />
apnéia do sono:<br />
"Joe – que droga aquele garoto, ele foi dormir novamente".<br />
... "todas as pessoas estavam excitadas exceto o garoto gordo, e ele dormia<br />
profundamente como se o barulho do canhão fosse a sua usual canção de ninar...<br />
senhor, será que é possível beliscá-lo na sua perna, nada mais o acorda".<br />
Em 1918, Sir William Osler utilizou o termo "Pickwickian" para referir-se a<br />
paciente obeso e sonolento. O Dr. Browman e col. (1956), descrevendo paciente<br />
severamente obeso, hipersonolento e com insuficiência cardiorespiratória, utilizaram<br />
o termo "Síndrome de Pickwickian".<br />
Segundo Reimão (1996, p.295):<br />
“Apnéia Obstrutiva do Sono foi tratada durante muito tempo como uma<br />
doença exclusivamente dos obesos. Após o desenvolvimento dos estudos<br />
na área, pôde-se observar que essa doença não afeta somente aos obesos<br />
como as crianças, adolescentes e adultos, entre eles homens e mulheres.”<br />
Na década de 50, um grupo de Chicago, nos Estados Unidos, deu inicio<br />
nas pesquisas sobre o sono. Na época, não existia a polissonografia e os<br />
pesquisadores tinham como única aliada sua capacidade de observação. Tudo<br />
começou em 1953, quando Aserinsky e colaboradores perceberam que os olhos das<br />
crianças se movimentavam várias vezes durante o sono. Mas, Dement e<br />
colaboradores, notaram que o fenômeno era cíclico (Dement et al, 1957). Os três,<br />
então, resolveram investigar se a causa residia no fato de as pessoas estarem<br />
sonhando.<br />
Observaram pessoas dormindo em laboratório (Dement et al, 1957). Na hora<br />
que um indivíduo começava a movimentar os olhos, o grupo o acordava e<br />
perguntava se ele estava sonhando. Cerca de 85% responderam afirmativamente.<br />
Pela primeira vez ficou evidente que o sonho não é aleatório, tem uma ligação com o<br />
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cérebro e acontece em um determinado estágio do sono - o REM, que denominaram<br />
Rapid Eye Movement. A partir daí, desenvolveram-se outras pesquisas sobre o sono<br />
no mundo inteiro.<br />
Na França o Dr. Gastault e colaboradores fizeram a importante observação<br />
de que pacientes tidos como "Pickwickian" apresentavam repetidos episódios de<br />
apnéia durante o sono. Em 1978, Dr. John Remmers descreveu a interação entre<br />
sono, músculo da caixa torácica e da via aérea superior, a qual elucidou<br />
grandemente a razão do colapso da via aérea superior durante o sono, ocasionando<br />
o que atualmente denomina-se Apnéia Obstrutiva do Sono (AOS).<br />
Em 1981, os Drs. Sullivan, Berthon-Jones e Issa , da Universidade de<br />
Sidney, Austrália, publicaram os resultados de pacientes portadores de Apnéia<br />
Obstrutiva do Sono tratados com uma prótese ventilatória denominada CPAP<br />
(Pressão Positiva Contínua da Via Aérea), iniciando assim o método mais comum e<br />
eficiente para o tratamento desta doença.<br />
2.1. Os estados do sono<br />
Durante o sonho, a atividade do cérebro é semelhante àquela que existe em<br />
vigília, durante o dia (Corner, 1984). Há apenas uma diferença básica: perdem-se os<br />
parâmetros diurnos. Ou seja, não há noção de tempo (as coisas acontecem muito<br />
rápido ou muito devagar durante o sonho), o espaço se modifica (fica grande ou<br />
pequeno demais) e não existe uma lógica (a história não tem começo, meio e fim, e<br />
os objetos podem flutuar). Mesmo sem se recordar, todos os seres humanos<br />
sonham várias vezes por noite.<br />
Segundo McCarley et al (1977) sonhar é uma forma de reavaliar as<br />
informações da memória e fazer uma faxina geral, livrando-se daquilo que não<br />
interessa. Daí, a repetição de alguns sonhos e imagens antigas. É como se<br />
estivéssemos sempre arrumando e limpando um arquivo de escritório. Nesse<br />
momento do sono REM, observamos o que podemos ou não esquecer. Tal teoria<br />
não elimina, é claro, todos os estudos realizados pelo pai da psicanálise sobre<br />
sonhos. Em linhas gerais, Sigmund Freud acreditava que os sonhos eram realização<br />
dos desejos inconscientes.<br />
No homem, uma noite de sono é uma sucessão de diferentes fases<br />
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geralmente numeradas de 1 a 4 e que correspondem a atividades elétricas<br />
progressivamente mais lentas. Os diferentes estágios do sono lento não são<br />
acompanhados por movimentos oculares e, em relação à vigília, subsiste um certo<br />
tônus postural (Dement et al, 1957). Além disso, quando somos acordados durante o<br />
sono lento, é raro lembrarmo-nos de termos sonhado (Jouvet, 1979).<br />
O ser humano passa aproximadamente 1/3 de sua existência dormindo. Mas<br />
o sono não é um processo passivo, ao contrário, durante este sucedem, de modo<br />
cíclico, uma série de diferentes estágios caracterizados por padrões<br />
cardiorespiratórios e neurofisiológicos definidos (Orem et Barnes, 1980).<br />
Para uma melhor compreensão do processo do sono, pode-se compará-lo a<br />
uma descida em degraus de uma escada. Ao se fechar os olhos seria o primeiro<br />
passo para a fase 1 do sono. Nesta fase, o corpo inicia a distensão muscular, a<br />
respiração torna-se uniforme e no eletroencefalograma observa-se uma atividade<br />
cerebral mais lenta do que no estado de vigília, aparecendo algumas ondas típicas<br />
denominadas "ondas agudas do vértex". Após esta fase, seguindo a descida em<br />
direção à fase 2, na qual as ondas cerebrais são mais lentas, aparecem figuras<br />
típicas tais como "fusos do sono" e "complexo K" (Halasz et al, 1986).<br />
Posteriormente, continuando a descida para o sono mais profundo, aparece<br />
o sono delta ou fase 3 e 4, pois as ondas cerebrais são bastante lentas,<br />
necessitando assim de fortes estímulos acústicos ou táteis para o despertar. Este<br />
processo dura aproximadamente 60-70 minutos voltando-se novamente à fase 2<br />
para entrar numa nova situação fisiológica denominada fase REM por se caracterizar<br />
pelos movimentos rápidos dos olhos (Miyauchi et al, 1987). Em conjunto, estas<br />
quatro fases (1,2,3,4 e REM) denominam-se ciclo e possuem uma duração total de<br />
90-100 minutos. Estes ciclos se repetem em 4 a 5 ocasiões durante a noite. Durante<br />
o sono, ocorrem modificações fisiológicas no eletroencefalograma, eletromiograma,<br />
eletrooculograma, ritmo cardíaco, temperatura do corpo e outras que caracterizam<br />
distintamente cada etapa do sono (Carskadon et Rechstschafen, 1989).<br />
A fase REM é aquela em que habitualmente se sonha e pode ser definida<br />
como uma fase de grande atividade cerebral e paralisia do corpo, diferente da fase<br />
Não – REM, caracterizada por um período de relativa tranqüilidade cerebral e<br />
corporal. Na fase REM ocorre uma atonia de todos os músculos do organismo,<br />
exceto do diafragma e dos músculos oculares. Nesta fase ocorrem também<br />
complexas modificações, tais como o inadequado controle da temperatura corporal e<br />
8
a diminuição das respostas ventilatórias a hipóxia e hipercapnia (Parmeggiani,<br />
1982).<br />
Para que o sono seja reparador, as distintas fases anteriormente descritas<br />
devem repetir-se ciclicamente durante a noite. O sono profundo (fase 3 / 4) ocupa<br />
geralmente a primeira metade da noite enquanto o sono superficial (fase 1 e 2) e o<br />
sono REM predominam na segunda metade.<br />
A representação das distintas fases do sono são assim ilustradas: a fase 1<br />
ocupa entre 2 a 5% do total do sono. A fase 2, entre 45 e 50% e a fase 3/4, 18 a<br />
25% do total do sono. Portanto, as fases 1, 2 e 3/4, também denominadas sono<br />
Não-REM, ocupam entre 75-80% do total do sono. O sono REM ocorre em<br />
aproximadamente 20 a 25% do total do período de sono (Slutzky, 1997).<br />
2.2. O sono paradoxal<br />
O sono lento distingue-se do sono paradoxal e da vigília graças aos registros<br />
das atividades cerebral e muscular. No conjunto dos sinais, que traduzem o estado<br />
de sono paradoxal, distinguem-se os sinais tônicos (persistentes) e os sinais físicos<br />
(episódicos).<br />
Os sinais tônicos caracterizam-se por uma ativação cortical semelhante à da<br />
vigília atenta e por uma atonia postural generalizada (Jouvet, 1965). Os sinais físicos<br />
distinguem-se por uma atividade elétrica particular do cérebro, inicialmente recolhida<br />
ao nível da ponte, do núcleo geniculado externo (ou lateral) e do córtex occipital, daí<br />
derivando o nome de atividade "ponto-geniculo-occipital" (Sakai, 1980). Essa<br />
atividade é responsável por fenômenos físicos periféricos, como os movimentos<br />
rápidos dos olhos, da língua, e por vezes, dos dedos.<br />
Quando se individualizou o sono paradoxal no fim dos anos 50, a situação<br />
era a seguinte: tudo indicava que, no homem, o sonho ocorre durante o sono<br />
paradoxal.<br />
2.2.1 Mecanismos que preparam o sonho<br />
Em condições habituais, o sono paradoxal nunca ocorre durante a vigília,<br />
devendo, pois, ser preparado ou iniciado por uma fase prévia de sono de ondas<br />
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lentas. Os mecanismos desta "etapa preparatória" são complexos, mas são<br />
conhecidas as suas grandes linhas. Em primeiro lugar, é preciso que a vigília cesse,<br />
ou seja, que o cérebro, o sistema de vigília, deixe de estar excitado. Isso supõe, em<br />
primeiro lugar, que não exista perigo imediato e, por conseguinte, que os telereceptores<br />
auditivos, olfativos e visuais não sejam alertados por sinais provenientes<br />
de predadores eventuais e que os próprio-receptores da dor não estejam excitados<br />
(Nielsen et al, 1993).<br />
Por fim, supõe que o período de adormecimento se situe na fase de<br />
inatividade do ritmo circadiano: sabe-se que, no rato, o sono ocorre<br />
espontaneamente com mais facilidade durante o dia. Quando estas condições<br />
estiverem satisfeitas, o sistema de vigília deixa de estar excitado e os mecanismos<br />
ativos do adormecimento podem entrar em ação.<br />
Anatomicamente, o sistema de vigília é constituído por uma rede de<br />
neurônios situada na formação reticulada mesencefálica: durante a vigília, esses<br />
neurônios excitam o córtex por intermédio de neurotransmissores, em particular a<br />
acetilcolina; eles próprios recebem uma inervação noradrenérgica proveniente,<br />
sobretudo, do locus coeruleus (Aghajanin et al, 1982). Mas a lista de<br />
neurotransmissores ativados durante a vigília está longe de se limitar ao par<br />
acetilcolina-noradrenalina. A serotonina e certos péptidos também são libertados<br />
durante a vigília (Inoue, 1989).<br />
O adormecimento e as fases preparatórias do sono paradoxal que ocorrem<br />
durante o sono lento ativam outras estruturas do tronco cerebral, sobretudo aquelas<br />
que se situam na parte caudal do sistema do rafe; o papel desempenhado no<br />
adormecimento pelos neurônios que contém serotonina (5-hidroxitriptamina ou 5HT)<br />
foi demonstrado por uma série convergente de experiências cuja interpretação é<br />
ainda delicada (Inoue, 1989).<br />
Tudo se passa como se numerosos mecanismos de controle impedissem o<br />
sono paradoxal de se produzir durante a vigília e no início do sono. Os dois<br />
mecanismos de controle mais importantes situam-se ou na parte do sistema de<br />
vigília (locus coeruleus), ou ao nível do sistema do rafe dorsalis (que está ativo<br />
durante a vigília, o adormecimento e o sono leve). O sono paradoxal só pode surgir<br />
quando cessa toda a atividade dessas duas estruturas.<br />
Assim, o sonho só é possível depois da verificação de numerosos sistemas<br />
de segurança: essa proteção parece muito adaptada, porque o sonho é<br />
10
acompanhado por um aumento importante do limiar de vigília e por uma paralisia<br />
quase total. Surdo, cego e paralisado, o animal torna-se muito vulnerável e só pode<br />
sonhar se estiver em segurança; só então é que mergulha num sono profundo.<br />
Essa noção de segurança é vital e explica em parte as variações na duração<br />
do sonho entre as diferentes espécies: os animais perseguidos, que raramente estão<br />
em segurança, dormem pouco, com um sono muito leve, e a duração total dos<br />
períodos de sono paradoxal não excede 15 a 20 minutos em 24 horas; em<br />
contrapartida, os caçadores (carnívoros) e o gato doméstico, perfeitamente em<br />
segurança e que não tem de caçar para encontrar alimentação, dormem muito,<br />
podendo a duração do sono paradoxal exceder 200 minutos em 24 horas.<br />
A transição direta da vigília para o sono paradoxal só se observa no decurso<br />
de uma doença: a narcolepsia. Esta afecção, traduz-se por um desaparecimento<br />
brutal do tônus muscular que pode levar à queda do indivíduo (acessos<br />
catalépticos). É muito freqüente que esses acessos catalépticos sejam<br />
acompanhados por sonho e o sujeito perder o contato com o mundo exterior; em<br />
casos mais raros, o sujeito mantém a consciência, pois só o sistema de atonia<br />
postural é envolvido (Hublin et al, 1994). Percebe-se que a maior parte das drogas<br />
que suprimem os acessos de narcolepsia impedem a chegada do sono paradoxal,<br />
ao agirem sobre os mecanismos de segurança que protegem o sonho. É o caso dos<br />
inibidores das monoamina-oxidases ou dos antidepressivos tricíclicos (imipraminaclorimipramina)<br />
que, ao aumentarem a concentração de 5HT ou de catecolamina,<br />
excitam os receptores que bloqueiam o aparecimento do sono paradoxal (Inoue,<br />
1989).<br />
2.2.2 A organização do sono paradoxal<br />
Sabe-se, hoje, que essas atividades dependem da integridade de estruturas<br />
situadas no tronco cerebral inferior (Jouvet, 1965). A delimitação exata das<br />
estruturas implicadas no controlo da atonia postural e da atividade PGO foi longa e<br />
difícil, porque a organização anatômica das formações reticulares pônticas e<br />
bulbares é complexa; ela progride todos os anos graças às novas técnicas<br />
histoquímicas e anatômicas.<br />
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2.2.3 Necessidades de sono<br />
Quantas horas devemos dormir por noite? Reza a lenda que bastam oito.<br />
Mas nem todo mundo acorda feliz e saltitante depois de dormir esse tempo. Ao<br />
contrário: muita gente se levanta cansada e passa o dia sonolenta. Por quê? É<br />
simples. A quantidade de sono varia de pessoa para pessoa, de acordo com o sexo,<br />
a idade e a constituição biológica. As mulheres, por exemplo, dormem 40 a 50<br />
minutos a mais do que os homens e têm maior quantidade de sono profundo. Em<br />
relação à idade, o sono diminui ao longo da vida. Enquanto um recém-nascido<br />
chega a dormir 18 horas (Da Costa et al, 1991), um adulto jovem atinge a marca das<br />
sete ou oito horas e um idoso se satisfaz com apenas cinco horas (Albert, 1981).<br />
Os short sleepers (dormidores curtos) necessitam de apenas cinco a seis<br />
horas para se sentirem livres, leves e soltos no dia seguinte. No mundo moderno,<br />
em que as pessoas valorizam mais a produção do que o descanso, os dormidores<br />
curtos são invejados, e os longos têm mais dificuldade para se adaptar socialmente.<br />
Geralmente, os primeiros apresentam uma grande disposição e um desempenho<br />
melhor no trabalho.<br />
Já os "dorminhocos" não conseguem trabalhar ou estudar tantas horas. Se<br />
eles são obrigados a dormir pouco e não conseguem repor o sono, ficam muito<br />
cansados e com uma vontade incontrolável de cochilar em qualquer canto.<br />
Resultado: produzem menos, são malvistos e chamados de preguiçosos. Uma<br />
injustiça, já que na turma dos "sonecas" encontram-se personalidades geniais, como<br />
Albert Einstein, descobridor da Lei da Relatividade, apesar de passar 10 horas ou<br />
mais do seu dia dormindo. Winston Chuchill também valorizava demais as horas de<br />
sono. Até mesmo durante a II Guerra Mundial, quando a defesa da Inglaterra estava<br />
em suas mãos, ele detestava ser acordado cedo.<br />
2.2.4 Sonolência e agressividade<br />
Dormir é tão importante quanto comer e beber. O sono repõe energias,<br />
ajuda o metabolismo e o nosso desenvolvimento físico e mental, mas, como o<br />
mundo não funciona de acordo com as necessidades reais do ser humano, existe<br />
muita gente que passa dias sem dormir. São as vítimas da privação do sono. É o<br />
12
caso dos médicos, jornalistas e outros profissionais que fazem plantões de<br />
madrugada ou trabalham em horários irregulares (Reimão, 1996).<br />
Desde da década de 50, vários cientistas, no mundo todo, vêm realizando<br />
experiências sobre essa privação aguda, deixando jovens voluntários e saudáveis<br />
sem dormir durante 24 horas. No dia seguinte, os voluntários se apresentam<br />
desatentos e desconcentrados.<br />
Figura 1 - Necessidades de Sono de Acordo com a Idade.<br />
Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbpt/apsonIIIhtml. Acesso em 19/03/99<br />
Quando eles repetem a experiência na noite seguinte, os sintomas iniciais<br />
aumentam e a pessoa apresenta sinais de falta de memória e irritabilidade. Numa<br />
terceira noite, a sonolência torna-se insuportável e a pessoa fica agressiva<br />
(Isaacson, 1974). Portanto, é mais do que comprovado: o sono é necessário e<br />
ninguém pode passar sem ele.<br />
Para aprofundar as pesquisas, os cientistas resolveram fazer outros tipos de<br />
privação em laboratório: com o sono REM e o sono 3 e 4. No momento em que a<br />
pessoa analisada começava a mexer os olhos e entrar no sono REM, os cientistas o<br />
acordavam. Verificava-se que os voluntários apresentavam todos os sintomas<br />
psicológicos da falta de sono (irritabilidade, falta de memória e de concentração),<br />
ainda que menos sonolentos e cansados do que se passassem a noite em claro. Daí<br />
13
concluírem que o sono REM está relacionado com a recuperação de funções como<br />
memória e raciocínio.<br />
Por outro lado, a privação de sono 3 e 4 faz a pessoa ficar exausta (Horne et<br />
al, 1984). No dia-a-dia, essas privações agudas não são tão comuns. A maioria das<br />
pessoas sofre uma privação parcial e crônica do sono. Ou seja, trabalham muito,<br />
chegam tarde em casa, acordam cedo e acabam dormindo pouco. Nestes casos, os<br />
sintomas são os mesmos da privação total. A diferença é que elas ficam cansadas,<br />
irritadas e sonolentas todo dia, de forma menos intensa. Mas quem consegue mudar<br />
o ritmo de vida, melhora o padrão do sono depois de alguns dias. A sonolência pode<br />
ainda provocar acidentes de trabalho ou de trânsito, já que os reflexos ficam mais<br />
lentos.<br />
Algumas pessoas, como os guardas - noturnos, trabalham à noite e não<br />
conseguem sequer repor o sono durante o dia. É difícil para alguns deles conseguir<br />
dormir sete ou oito horas seguidas durante o dia, pois ruídos urbanos, temperatura e<br />
ambientes não propícios, quando não tarefas executáveis somente durante o dia,<br />
podem impedi-los de ter as horas ideais de sono. Além disso, a produção de<br />
melatonina (hormônio que provoca o sono) só acontece à noite (Arendt et al, 1985).<br />
E mais: seu relógio biológico não está adaptado para dormir de dia e ficar acordado<br />
de noite (Aschoff, 1965). A explicação é simples: quando chega o final de semana,<br />
ele tenta mudar esses horários para conseguir conviver com os amigos e parentes e<br />
não consegue estabilizar seu relógio biológico. Daí muitos deles cochilarem durante<br />
o trabalho, prejudicando o desempenho.<br />
O ideal seria ninguém trabalhar à noite. Na sociedade moderna, entretanto,<br />
é impossível dispensar o serviço de algumas categorias à noite. A solução para os<br />
trabalhadores noturnos é fixar um horário para dormir e melhorar as condições do<br />
ambiente. E o mais importante: fazer a família compreender que ele precisa<br />
descansar durante o dia da mesma forma que ela repousa à noite. O apoio familiar é<br />
fundamental para a pessoa conseguir dormir sem culpas durante o dia, com direito a<br />
estágio 1, 2, 3, 4 e REM.<br />
Outra categoria que tem problemas para dormir é a dos trabalhadores em<br />
turnos. De maneira geral, a situação é parecida com a dos trabalhadores noturnos.<br />
Só que para eles é mais difícil ainda estabelecer regras para dormir, já que cada dia<br />
ou semana fazem isso em horários diferentes. No Brasil, algumas empresas dividem<br />
os turnos de forma arbitrária e aleatória, sem levar em conta a saúde do trabalhador<br />
14
e sua capacidade de adaptação. Na Europa e nos Estados Unidos, algumas firmas<br />
fazem um planejamento racional do trabalho em turno, tornando-o menos penoso e<br />
prejudicial à saúde. E há uma boa razão para isso. Antigamente, só profissionais da<br />
área de saúde e de segurança trabalhavam dessa forma. Hoje digitadores,<br />
metalúrgicos e operários de indústrias químicas fazem parte dos 8% da população<br />
das grandes cidades que trabalha em turnos.<br />
De maneira geral, esse tipo de trabalhador falta mais porque está mais<br />
sujeito sujeitos a mal-estares físicos e psíquicos. Ele corre o risco de sofrer doenças<br />
ou problemas provocados pelo estresse: úlcera, infarto e acidentes (Dinges et al,<br />
1989). Só para ilustrar, dois acidentes nucleares (Chernobyl, na Rússia, e Three Mile<br />
Island, nos Estados Unidos) aconteceram por volta das quatro horas, no final da<br />
jornada de trabalho, com equipes que estavam completamente exaustas. Em<br />
ambos, a causa apontada foi erro humano, provocado pela privação de sono. Uma<br />
pesquisa realizada por Akersted, em 1988, com trabalhadores de turnos, mostrou<br />
que 20% cochilavam durante o turno da noite, justificando os maiores índices de<br />
acidentes registrados com esses profissionais.<br />
Para efeito de prevenção, é necessário melhorar as condições ambientais e<br />
diminuir as mudanças (Sanvito, 1991). Para que essas mudanças ocorram, é preciso<br />
que os trabalhadores questionem seus horários de turno, reivindicando uma divisão<br />
de trabalho mais humana.<br />
Algumas categorias mais esclarecidas, como a dos médicos, são as que<br />
mais cometem erros nesse sentido (Sanvito, 1991). Ao contrário dos metalúrgicos,<br />
que buscam melhores condições de trabalho, alguns profissionais da área de saúde<br />
acreditam que são super-homens, capazes de passar dias sem dormir ou trocando<br />
os horários sem o menor problema. O que acontece é que, como todo mortal, eles<br />
acabam ficando exaustos e adoecem. O ideal para todas as categorias, portanto, é<br />
evitar esse tipo de trabalho. Dormir durante o dia não é pecado para quem trabalha<br />
à noite ou em horários irregulares. Ao contrário: é, acima de tudo, uma necessidade<br />
do corpo e da mente.<br />
Por parte da empresa, um planejamento "inteligente" inclui ainda a seleção<br />
de jovens que normalmente têm mais facilidade de adaptação. Ao longo dos anos,<br />
esse mesmo trabalhador deve passar para os turnos fixos. É importante também<br />
evitar pessoas com insônia, com antecedentes de úlcera, gastrite ou infarto, ou<br />
muito estressadas, que não suportarão um trabalho tão desgastante. Muitos<br />
15
empresários ainda não levam em consideração que a saúde do trabalhador é muito<br />
importante para o bom desenvolvimento de sua empresa. Prevenir doenças e<br />
acidentes é uma investimento tão importante quanto qualquer aplicação financeira.<br />
Infelizmente, na prática, não é isso o que acontece. Na Europa, o operário de turno<br />
que se acidenta por fadiga, processa a empresa; no Brasil, esse operário é julgado<br />
displicente e acaba demitido pela "falha".<br />
2.2.5 Sono, fenômeno biológico essencial<br />
Durante o sono, o organismo é sede de uma atividade metabólica energética<br />
particular, própria a todos os mamíferos, que se aplica a todos os níveis do<br />
organismo; é ela a responsável por sua ação regeneradora.<br />
Os conhecimentos adquiridos mostraram particularmente que o<br />
balanceamento da composição do meio interior, do qual depende nosso equilíbrio<br />
vital, exigia a alternância entre o sono e a vigília, para que fosse possível renovar a<br />
harmonia osmótica. É também o caso do equilíbrio energético e óxido-redutor de<br />
nossas células.<br />
Uma simples verificação tátil, embasada na observação, mostrará um<br />
relaxamento das estruturas musculares e segmentares, próximo às vezes da<br />
lassidão e da atonia, que pode ser percorrida por movimentos espontâneos,<br />
descontínuos e desordenados, que traduzem uma solicitação episódica do sistema<br />
nervoso central (Orem et al, 1980).<br />
Além do estado de torpor e da dissociação da consciência, é preciso<br />
considerar a posição daquele que dorme, seu relaxamento neuromuscular, suas<br />
atitudes de introjeção e de alheamento. Plínio já dizia que durante o sono "nos<br />
voltamos sobre nós mesmos".<br />
Assim, temos de considerar um evento sua totalidade e para melhor<br />
entendê-lo não poderemos dissociar essa investigação do seu contexto histórico e<br />
biológico.<br />
Em 1937, foram descritos os primeiros estágios do sono em função de sua<br />
intensidade ou profundidade (Reimão, 1996). Foi necessário esperar cerca de vinte<br />
anos para que o segundo aspecto do sono, aquele que permite a emissão do sonho,<br />
fosse enfim identificado. Estávamos apenas em 1953. Entre Galeno, que na<br />
16
Antigüidade assinalou as anomalias respiratórias e cardíacas durante o sono, e os<br />
fisiologistas do século XVIII, nada houve de essencial, a não ser a manifestação de<br />
sinais oculares em diversos momentos do sono. As características de ligação do<br />
sono com a psicologia foram evidenciadas, a propósito do adormecimento e do<br />
sonho, por Maury no século XIX.<br />
Mas a verdadeira ofensiva fisiológica só data realmente do começo deste<br />
século, onde foi descrita a influência do sono sobre o organismo e as adaptações<br />
do sistema neurovegetativo e de seus reflexos durante esse estado. Foi, de fato,<br />
após a II Guerra Mundial que o estudo do sono seria empreendido e que o estudo de<br />
sua dualidade diferenciaria dois estados fundamentalmente desiguais ao longo de<br />
seu desenvolvimento: o sono regular, profundo e lento, que nós chamaríamos<br />
"metabólico e vegetativo", e o sono rápido, de atividade cerebral intensa, tão<br />
desconcertante que seria chamado sono paradoxal<br />
Foram muitas as definições dadas ao sono. Para Piéron, tratava-se "de um<br />
estado periodicamente necessário, relativamente independente das circunstâncias<br />
exteriores e caracterizado pela suspensão das relações que unem o ser a seu<br />
meios". Essa definição geral, ainda que exata, emitida no começo do século, não<br />
podia apoiar-se sobre os dados experimentais atuais, Em 1936, demonstraram a<br />
partir de uma experiência com o cérebro isolado, a existência de uma atividade<br />
cortical permanente e lenta (Reimão,1996) análoga aquela observada durante o<br />
sono. Esse fato pôs fim a séculos de interrogação, a despeito dos ensinamentos<br />
hipocráticos e das tentativas de Aristóteles e Galeno para relacionar a qualidade do<br />
sono a certas modificações funcionais respiratórias e circulatórias.<br />
A eletrofisiologia foi o fator indutor de todo o progresso no estudo do tema. A<br />
determinação dos traços do sono pelo eletroencefalograma e o registro simultâneo<br />
por poligrafia dos potenciais elétricos cerebrais, musculares e oculares permitiram<br />
rapidamente descrever e codificar as etapas e as fases do sono e da vigília, suas<br />
características normais, rítmicas, episódicas ou anormais, as ligações que se<br />
poderia estabelecer entre eles e o estado funcional dos outros aparelhos, sistemas<br />
ou grupos de órgãos (Flloh et al, 1986).<br />
Mas apenas a eletrofisiologia não podia explicar a natureza do sono, nem<br />
muito menos suas reposições ou a famosa "ressaca", cujos efeitos se estendem por<br />
vários dias após experiências ou provas de supressão.<br />
Assim, após a última guerra mundial, vários investigadores estabeleceram<br />
17
uma relação de correspondência entre o desencadeamento do sono e as estruturas<br />
caudais do tronco cerebral (territórios da rafe anterior), ao mesmo tempo em que<br />
elegeram o sistema ascendente reticular ativador como o lugar de origem do<br />
despertar comportamental .<br />
Este sistema, verdadeiro cruzamento sensitivo-sensorial e cortical, integra<br />
todas as informações do corpo, sejam elas orgânicas, funcionais ou metabólicas<br />
(Cambier et al, 1988). Tudo se passa como se um verdadeiro sistema de<br />
embreagem permitisse, em função da presença de substâncias-limiares, o início ou<br />
a interrupção do sono, assim como da atividade dinamogênica cortical ou motora.<br />
Esse território particular constitui o conjunto diencefálico que se prolonga pela epífise<br />
e pela hipófise. Por essa razão, a zona ependimária do terceiro ventrículo participa<br />
ativamente dos fenômenos endócrinos do diencéfalo.<br />
As fibras brancas vindas do tronco cerebral insinuam-se entre as formações<br />
celulares densas da parede do terceiro ventrículo, os núcleos cinzentos centrais,<br />
para desenvolver uma estrutura brilhante chamada cápsula interna (Ranson et al,<br />
1955).<br />
Encontraremos essas estruturas na origem da vigília e do sono e da<br />
regulação homeostática do organismo, condicionado pela alternância vigília-sono.<br />
O córtex cerebral aparece tardiamente na filogênese e na ontogênse,<br />
enquanto que todos os outros componentes do cérebro estão completamente<br />
desenvolvidos. O arquecéfalo deve, portanto, ser interpretado como o verdadeiro<br />
cérebro que conserva as funções essenciais da vida genética e vegetativa. É<br />
somente durante um desenvolvimento recente é que ele será enriquecido pelo<br />
neoencéfalo, a fim de criar o neocórtex (Patten, 1953).<br />
Voltando ao córtex, o território mesencéfalo inclui as estruturas da<br />
motricidade espontânea, chamado de sistema piramidal. Essas estruturas<br />
comportam os núcleos cinzentos centrais (núcleo caudado, pallidum, putamen) ou<br />
"stratum". Herdeiros do cérebro arcaico e extremamente importantes nos pássaros<br />
e nas aves de rapina, em razão da coordenação motora de que precisam para o<br />
vôo, essas estruturas são responsáveis pelos movimentos involuntários e pelo tônus<br />
muscular.<br />
Os reflexos vitais e automáticos mesencefálicos, os movimentos<br />
espontâneos mesencefálicos devem ser condicionados e regulados segundo as<br />
adaptações exigidas pelos comportamentos induzidos.<br />
18
Tal será o papel do diencéfalo juntamente com as estruturas bastante<br />
caracterizadas e diferenciadas que são o tálamo e o sistema hipotálamo-hipofisário,<br />
não é errado afirmar que o tálamo constitui o verdadeiro diencéfalo. É para esse<br />
ponto que convergem os influxos sensoriais, auditivos, visuais, táteis, antes de<br />
serem projetados, de um lado, para o neocórtex e, na volta, para o "striatum". É a<br />
esse nível que a FR, formação reticular, difunde suas redes terminais em direção<br />
aos núcleos intralaminares (Gorney, 1973).<br />
O tálamo controla o hipotálamo, mas diferentemente daquele, o hipotálamo<br />
participa do sistema límbico. Trata-se do cérebro endocraniano. Ele está ligado aos<br />
núcleos talâmicos anteriores e à formação reticular. Integra, ao mesmo tempo, as<br />
expressões emocionais e os comportamentos víscero-somáticos. Todos os<br />
comportamentos elementares, tais como a fome, o desejo, a sede, o medo, o prazer<br />
e a raiva, que resultam, a um só tempo, dos metabolismos, das pulsões e dos<br />
instintos primários ou secundários, têm aqui sua indução.<br />
2.2.6 O córtex límbico<br />
O córtex límbico representa o conjunto das estruturas que reúnem o sistema<br />
límbico.<br />
Os estudos do sistema límbico revelaram os mecanismos de<br />
interdependência e de harmonização funcional que impõem, ao mesmo tempo, a<br />
distribuição neocortical em dois hemisférios e os processos de lateralização<br />
somática. Essas estruturas apresentam-se com dois arcos anelados, um superior,<br />
outro inferior, separados pelos bulbos olfativos. A primeira via inferior ou segmento<br />
inferior do anel, está sob o comando do núcleo amigdalóide (Bloom, 1988); trata-se<br />
da via dos "afetos" e do comportamento da autoconservação por meio dos circuitos<br />
de necessidades egoístas (alimentares, agressão, proteção).<br />
A segunda via ou parte superior do anel, que a via septada liga ao septo,<br />
governa os estados de expressão e de sentimento. Trata-se da zona que comanda<br />
os comportamentos de conservação da espécie, de procriação, de sociabilidade e<br />
de orientação.<br />
O anel límbico, articulado ao núcleo dorsal mediano do tálamo, desenvolve<br />
projeções em direção ao neocórtex frontal, participando, assim, da função de<br />
19
previsão. Em suma, todos os sistemas sensoriais convergem para os circuitos<br />
reverberantes do córtex límbico, que gera vias de influxo para as outra estruturas,<br />
tais como o hipocampo, o hipotálamo, o tálamo e para formação reticular, sem<br />
esquecer o neocórtex.<br />
Essas estruturas vão intervir principalmente no sonho, através do sono, em<br />
razão de seu papel determinante no comportamento do sujeito (Sanvito, 1991).<br />
O córtex límbico é, portanto, responsável pelo aparecimento de um estado<br />
de motivação que provoca, ao mesmo tempo, uma situação de vigilância e atenção,<br />
uma estratégia de sobrevivência e um conjunto de condutas sociais que modulam as<br />
induções hipotálamo-mesencefálicas, em função de um determinado relacionamento<br />
à adaptação e ao desenvolvimento da personalidade (Cambier et al, 1988).<br />
Essa adaptação será resultante das informações analisadas, selecionadas,<br />
classificadas e memorizadas pelas estruturas específicas do sistema.<br />
Assim, a amígdala intervém na percepção de informação de um estímulo e<br />
no processo de habituação progressiva a essa informação, participando também do<br />
sistema de inibição comportamental.<br />
O hipocampo controla os processos ligados à memória e desenvolve a<br />
experiência afetiva. Ele está apto a avaliar as mensagens do hipotálamo, as<br />
mensagens neocorticais das informações sensoriais com traços de fracasso e de<br />
sucesso, permite indexar as informações, a supressão das interferências e autoriza<br />
as adaptações comportamentais e emocionais. Ativa, igualmente, os circuitos de<br />
reforço, permitindo a seleção posterior e a indexação consecutiva da informação.<br />
A região septada, sob o impulso do hipocampo, torna-se, em particular, uma<br />
zona de inibição e de ativação essencial, a fim de engendrar os estados de atenção,<br />
de consciência, de sono e participar dos conteúdos do sonho (Kelly et al, 1991).<br />
A FR intervém no controle das principais funções vegetativas, tais como a<br />
micção, a saudação, as variações da pressão arterial e do ritmo cardíaco, e na<br />
regulação dos mecanismos ventilatórios, graças ao centro "pneumotáxico".<br />
2.2.6.1 A relação com o sono<br />
O neocórtex, estruturado em dois hemisférios cerebrais, é a sede da<br />
discriminação fina, do pensamento, da consciência. Contudo, ao contrário daquilo<br />
20
que se acreditou durante muito tempo, ele não desempenha um papel essencial no<br />
sono. O sono existia antes dele.<br />
Os principais mecanismos do sono recorrem a estruturas antigas, que<br />
bloqueiam as estruturas mais recentes a fim de assegurar a estabilidade e a<br />
diferenciação do sono, em particular durante o sonho.<br />
O arquencéfalo reveste-se, portanto, de uma grande importância na<br />
organização do sono. Ele desempenha o papel de centro coordenador e regulador<br />
das fibras aferentes e eferentes, exceto no sistema cortical dos mamíferos (Patten,<br />
1953).<br />
As paredes do terceiro ventrículo são, evidentemente, um lugar privilegiado<br />
de reunião de centros neurovegetativos para os comandos nervosos e secretores.<br />
Elas são essenciais à vida dos tecidos e ao equilíbrio bionergético. A peça principal<br />
desse território inventariado sob o termo diencéfalo é o hipotálamo, tendo acima a<br />
epífise (pineal) e abaixo a hipófise (Ranson, 1955).<br />
Atrás do diencéfalo, a zona insular mesencefálica, irá, juntamente com a<br />
região da ponte e do bulbo, desempenhar um papel importante, até mesmo capital,<br />
no funcionamento do sono. Essa região, bastante complexa, merece atenção.<br />
Portanto, o mesencéfalo é uma zona de passagem e, como tal, veicula as<br />
vias ascendentes, mas assegura também o trânsito das expansões da formação<br />
reticular (FR).<br />
2.2.6.2 Hipóteses sobre os mecanismos do sono<br />
As estruturas anatômicas dessas áreas apresentam um interesse tanto<br />
maior quanto é a sua interferência direta na produção do sono, ou mais exatamente<br />
na determinação do equilíbrio sono-vigília.<br />
Van Economo (1930) chamou a atenção dos pesquisadores sobre essas<br />
estruturas. Nos anos 30, a exploração das informações do surto de encefalite<br />
epidêmica conduziu-o a relacionar o fenômeno da hipersonolência a lesões no<br />
hipotálamo. Conhece-se, já há bastante tempo, o fenômeno da sonolência<br />
persistente após a exérese de tumor da região meso-diencefálica. Ora, Van<br />
Economo propôs que o dano na substância cinzenta na junção mesodiencefálica<br />
seria o responsável pela doença letárgica. Quer se trate dos "sonolentos<br />
21
patológicos" ou dos "letárgicos" de Van Economo, o mecanismo de hipersonolência<br />
resulta de lesões mesodiencefálicas.<br />
Van Economo formulou, portanto, a hipótese sobre um controle do estado de<br />
vigília e de sono, garantido por um "centro de vigília" mesodiencefálico, compensado<br />
por um "centro hipnótico", situado diante dele.<br />
Assim, o arquencéfalo, além de suas funções de regulação vegetativa<br />
secretora, tornava-se também responsável por duas atitudes essenciais, a regulação<br />
da vigília e do sono, associada às atividades corticais.<br />
Desde então, o mecanismo do sono pode ser interpretado como um<br />
processo de inibição, evoluindo por analogia da região interpeduncular<br />
mesencefálica para os centros nervosos sobre e subjacentes.<br />
Existe, portanto, uma ligação estreita entre a existência de tais centros e o<br />
funcionamento dos centros neurovegetativos, entendendo-se que, durante o sono,<br />
os sistemas simpático e cérebro-espinhal encontram-se em repouso, enquanto o<br />
sistema parassimpático ocupa-se plenamente em contribuir para a reparação tissular<br />
e para a restauração energética.<br />
Michael (1996) anulou a vigília e o ritmo circadiano através da supressão de<br />
todas as vias de estimulação sensorial e vegetativa até as primeiras cervicais.<br />
2.3 Síndrome de apnéia obstrutiva do sono: quadro clínico e<br />
diagnóstico<br />
A palavra Apnéia provém do latim e significa “ausência de entrada de ar”. A<br />
Apnéia Obstrutiva do Sono é a condição definida por paradas repetidas e<br />
temporárias da respiração durante o sono. Esse distúrbio freqüentemente se associa<br />
a roncos. O ronco é causado pelo relaxamento excessivo dos músculos da garganta<br />
durante o sono, de modo que o fluxo de ar se torna parcialmente bloqueado. A<br />
vibração de estruturas da garganta (palato mole) na passagem estreitada resulta em<br />
ronco sonoro (Megirian et al, 1980).<br />
As pessoas são mais propensas a roncar quando dormem de costas e<br />
respiram pela boca. Pessoas obesas são mais propensas ao ronco porque têm mais<br />
tecido adiposo no pescoço. Perda de tônus muscular também pode contribuir para o<br />
transtorno. O tônus muscular diminui com doenças, uso de álcool ou outras drogas<br />
22
(tais como tranqüilizantes e anti-histamínicos), ou simplesmente com a idade.<br />
Pessoas com nariz obstruído ou congestionado precisam fazer mais esforço para<br />
inalar, o que ocasiona maior pressão para empurrar os músculos da garganta e os<br />
fazem vibrar mais. É por isto que muitas pessoas roncam quando têm um resfriado<br />
ou alergia nasal, mas não em outras situações.<br />
Transcorreu mais de um século desde que o novelista Charles Dickens<br />
descreveu, (em 1837), em The Posthumous Papers of the Pickwick Club, Joe, um<br />
criado de Mister Pickwick, como um jovem obeso, roncador e portador de uma<br />
incrível sonolência diurna. Sem sequer imaginar, estava realizando a primeira<br />
contribuição para a descrição de uma síndrome até este momento ainda não<br />
relatada na literatura médica.<br />
O caminho transcorrido desde então nem sempre foi tranqüilo e fluido no<br />
esclarecimento da síndrome que hoje conhecemos como síndrome de apnéia do<br />
sono tipo obstrutivo (SASO).<br />
Em 1918, Sir William Osler utilizou o termo “síndrome de Pickwick” para<br />
descrever um quadro clínico de obesidade e sonolência excessiva diurna. Burwel e<br />
col. completaram, em 1956, a descrição de tal síndrome, consistindo de obesidade,<br />
sonolência diurna excessiva, respiração periódica com hipoventilação alveolar,<br />
cianose, poliglobulina e cor pulmonale.<br />
A associação entre síndrome de Pickwick e apnéia do sono só foi<br />
reconhecida quando Gastaut e col. (1965) observaram o aparecimento de episódios<br />
repetitivos de apnéias obstrutivas durante o sono nestes pacientes. Pouco tempo<br />
depois, Schwarts e col. (1967), utilizando a cinerradiologia, demonstraram o colapso<br />
da orofaringe durante as apnéias. Até aqui todas as investigações estavam<br />
focalizadas no estudo de pacientes com obesidade mórbida. Em 1972, Saloul e<br />
Lugaresi descreveram pela primeira vez episódios de apnéia do sono na ausência<br />
da síndrome típica de Pickwick.<br />
Fujta e col. (1981) introduziram a uvulopalatofaringoplastia (UPFP), uma<br />
nova técnica cirúrgica para correção de anormalidades anatômicas da orofaringe<br />
nesses pacientes; e Sullivan (1981) abriu uma nova luz com a utilização de<br />
máscaras nasais de pressão positiva contínua de ar durante o sono, deixando de<br />
lado a traqueostomia, único tratamento efetivo até aquele momento.<br />
A SASO é caracterizada por episódios repetitivos de obstrução da via aérea<br />
superior que ocorrem durante o sono, geralmente acompanhados da redução da<br />
23
saturação de oxiemoglobina. O ponto de colapso pode encontrar-se em níveis<br />
distintos que vão desde as fossas nasais até a porção inferior da hipofaringe.<br />
Os critérios propostos para o diagnóstico da SASO requerem o mínimo de<br />
cinco apnéicos por hora de sono (10 nos idosos) e uma queda de saturação de<br />
oxiemoglobina que deverá ser superior a 4% (Gould, 1990).<br />
De acordo com diversas estatísticas populacionais, a SASO tem uma<br />
prevalência situada entre 1% e 10%. Esta diferença se deve ao fato de a SASO<br />
aumentar consideravelmente com a idade. O pico de maior incidência se situa entre<br />
40 e 60 anos, apesar de também ser encontrada em crianças e idosos (Bearpark,<br />
1991; Lavie, 1983b).<br />
A obstrução das vias aéreas superiores pode ser total (apnéia) ou parcial<br />
(hipopnéia). Convencionalmente, define-se apnéia do sono como uma parada na<br />
ventilação, maior ou igual a 10s de duração, e a hipopnéia como uma diminuição da<br />
ventilação até 50%, de igual duração que a anterior (Langevin et al, 1992). Ambas<br />
se acompanham de dessaturação de oxigênio e culminam com um microdespertar<br />
eletroencefalográfico, que definimos como "despertar breve” (Rechtschaffen et al,<br />
1968).<br />
O número de apnéias adicionado às hipopnéias por hora de sono,<br />
denominado índice de distúrbio respiratório (IDR), nos dá o total de eventos<br />
respiratórios, e é um bom preditor da severidade do quadro.<br />
2.3.1 Classificação de apnéias do sono<br />
Quadro 1 - Divisão dos Tipos de Apnéia<br />
Obstrutivas<br />
Parada do fluxo aéreo<br />
buconasal com persistência do<br />
esforço ventilatório<br />
(diafragmático). Manifesta a<br />
existência de componente<br />
obstrutivo das vias aéreas<br />
superiores.<br />
Centrais<br />
Ausência total de fluxo aéreo<br />
buconasal e de esforço<br />
ventilatório por inibição do<br />
centro respiratório.<br />
Mistas<br />
Apnéia que começa com o<br />
padrão central, que logo muda<br />
para o padrão obstrutivo.<br />
Fonte: Slutzky, L.C. Fisioterapia respiratória nas enfermidades neuromusculares. Revinter,1997<br />
24
2.3.<strong>1.1</strong> Apnéia do Sono Obstrutiva<br />
A Apnéia do Sono Obstrutiva é caracterizada por repetidas pausas na<br />
respiração durante o sono, devido à obstrução e/ou colapso da via respiratória<br />
superior (garganta), normalmente acompanhada da redução da saturação de<br />
oxigênio no sangue e seguido por um despertar para respirar (Adair et al, 1991). Isto<br />
é chamado de um evento de Apnéia. O esforço respiratório continua durante o<br />
episódio de Apnéia. Uma analogia pode ajudar a entendê-la: ASO é semelhante a<br />
pôr sua mão sobre o tubo do aspirador de pó. Sua mão bloqueia todo o ar que entra<br />
(colapso da via aérea superior), muito embora o aspirador continue aplicando sucção<br />
(esforço respiratório continua). O aspirador normalmente é exigido um pouco mais<br />
neste momento, e assim faz o corpo humano.<br />
2.3.1.2 Apnéia do Sono Central<br />
A Apnéia do Sono Central é definida como uma condição neurológica que<br />
causa a parada de todo o esforço respiratório durante o sono, normalmente com o<br />
decréscimo da saturação de oxigênio no sangue (Greenberg et al, 1987). Voltando à<br />
analogia do aspirador de pó: Apnéia do Sono Central pode se comparar ao puxar o<br />
plug do aspirador da tomada. Sem energia, sem sucção. Se o centro de comando<br />
que controla a respiração "desliga" não há esforço respiratório nem respiração. A<br />
pessoa é despertada por um reflexo automático de respiração e no final acaba<br />
dormindo muito mal. Note que a ASC, que é uma desordem neurológica, é muito<br />
diferente na causa da ASO, que é um bloqueio físico, ainda que os efeitos sejam<br />
muito similares.<br />
2.3.1.3 Apnéia do Sono Mista<br />
Apnéia do Sono Mista, como o nome sugere, é uma combinação dos outros<br />
dois tipos de Apnéia. Um episódio de Apnéia Mista normalmente inicia-se com um<br />
componente central, para depois tornar-se obstrutiva. Geralmente o componente<br />
central da Apnéia torna-se menos problemático, uma vez tratada a Apnéia<br />
25
obstrutiva. .<br />
O ronco é um dos principais sintomas dos pacientes com síndrome de<br />
apnéia do sono tipo obstrutiva, ocorrendo em 95% dos casos. É mais freqüente no<br />
sexo masculino e sua intensidade aumenta com a idade e com o peso excessivo<br />
(Partiner et al, 1988).<br />
A sintomatologia clínica que se observa nos pacientes com síndrome de<br />
apnéia do sono tipo obstrutiva tem a particularidade de mostrar alguns sintomas que<br />
se manifestarão exclusivamente durante o sono (por exemplo, apnéia, ronco), além<br />
da sonolência diurna com o paciente em vigília.<br />
A sonolência excessiva diurna é outro importante sintoma dos pacientes com<br />
síndrome de apnéia do sono tipo obstrutiva. A sonolência excessiva diurna ou<br />
hipersenia manifesta-se no início como uma tendência fácil a adormecer em<br />
situações monótonas, como ler ou ver televisão; os pacientes costumam referi-la<br />
como um "esgotamento" ou "cansaço" raramente como sonolência. Em casos mais<br />
graves, o indivíduo pode dormir enquanto dirige ou trabalha, podendo provocar<br />
graves acidentes.<br />
A Polissonografia - PSG, método ideal para o diagnóstico dos distúrbios do<br />
sono, utiliza-se da análise do registro gráfico dos sinais captados pelos diversos<br />
sensores usados para este exame (Nunes, 1994):<br />
EEG - Eletrencefalograma,<br />
ECG - Eletrocardiograma,<br />
EOG - Eletrooculograma,<br />
EMG - Eletromiograma,<br />
FAN - Fluxo Aéreo Nasal,<br />
SO2 - Saturação de Oxigênio, Movimentos Respiratórios (cinta torácica) e<br />
movimentos Periódicos dos Membros.<br />
A Polissonografia - PSG, além de permitir o diagnóstico preciso dos<br />
distúrbios do sono, auxilia ainda a instituir uma terapêutica adequada (Carskadon et<br />
al.1989).<br />
Além de uma certa predisposição hereditária, a SASO atinge com maior<br />
intensidade a população masculina na relação de 10:1. Relação que se iguala<br />
quando comparada com mulheres pós-menopausa.<br />
A SASO ocorre em aproximadamente 30% das patologias estudadas em<br />
laboratórios do sono (Coleman et al, 1982).<br />
26
Estudos com fluoroscopia, fibra óptica e tomografia axial computadorizada<br />
(TAC) mostram orofaringe e a hipofaringe como lugares mais freqüentes de<br />
obstrução a. (Hudgel, 1988. Surrat, 1983). Esses métodos permitiram comparar<br />
indivíduos normais com pacientes com SASO, encontrando-se nos últimos uma clara<br />
diminuição do calibre orofaríngeo em comparação aos controles normais.<br />
A oclusão das vias aéreas superiores se agrava, na maioria dos casos, por<br />
alterações anatômicas locais. Elas somam-se nesses pacientes, a fatores dinâmicos,<br />
como o colapso das paredes laterais da orofaringe, a descida da língua sobre o véu<br />
palatino e a faringe e o fechamento concêntrico da hipofaringe, durante o sono,<br />
diminuindo ainda mais a luz do espaço aéreo (Rajewski et al, 1982).<br />
Figura 2 - Entrada Normal de Ar<br />
Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbp7/apneiasompq.html Acesso em 19/03/99<br />
Figura 3 - Obstrução na Entrada do Ar<br />
Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbp7/apneiasompq.html Acesso em 19/03/99<br />
O bom funcionamento da via aérea superior depende, normalmente, do<br />
equilíbrio dinâmico entre as forças de dilatação, a atividade tônica e fásica dos<br />
dilatadores faríngeos e as forças de colapso (Remmers, 1978).<br />
A oclusão ocorre quando as forças tendentes ao colapso das vias aéreas<br />
27
superiores, ou seja, a pressão intraluminal negativa produzida pela cintração<br />
diafragmática, supera a dos músculos dilatadores orofaríngeos. O esforço<br />
respiratório realizado para vencer a obstrução somente consegue agravar a oclusão,<br />
ao aumentar a pressão de sucção. A pressão de sucção é diretamente proporcional<br />
à velocidade do fluxo aéreo (determinado perlo calibre das vias aéreas superiores e<br />
o esforço inspiratório) e inversamente proporcional ao calibre das vias aéreas<br />
superiores (Block et al, 1984).<br />
A cada parada de entrada do ar (apnéia), se produz hipoxemia, hipercapnia<br />
e acidose, a qual provoca por estimulação central um despertar breve. Esse breve<br />
despertar traz junto, a abertura da orofaringe e a volta da respiração, voltando aos<br />
valores basais a gasometria no sangue e a pressão arterial.<br />
Quando volta o sono, os músculos da orofaringe mais uma vez relaxam, e<br />
todo o processo inicia novamente, podendo repetir-se centenas de vezes por noite.<br />
Deduz-se do exposto uma baixa eficiência do sono, que terá como conseqüência<br />
direta a sonolência diurna.<br />
O aumento da resistência das vias aéreas superiores durante o sono é mais<br />
importante quando existe uma obstrução anatômica. Todas as causas que reduzem<br />
a atividade das vias aéreas superiores poderão produzir apnéias (Lavie, 1983a).<br />
A sintomatologia clínica que se observa nos pacientes com SASO tem a<br />
particularidade de mostrar alguns sintomas que se manifestarão exclusivamente<br />
durante o sono (por exemplo, apnéia, ronco) e outros, em troca, como a sonolência,<br />
aparecerão alterando o comportamento diurno.<br />
2.3.2 Sintomas noturnos<br />
O ronco é um ruído predominantemente inspiratório causado pela vibração<br />
dos tecidos moles da orofaringe; traduz a existência de uma obstrução da via aérea<br />
superior (VAS) (Lugaresi et al, 1989). O importante é diferenciar o ronco suave e<br />
contínuo do ronco pesado e cíclico. O primeiro corresponde a um ruído inspiratório<br />
de igual amplitude para cada ciclo (40-60 ciclos/s) e, em geral, não representa<br />
demasiado risco. Em pacientes com SASO, por outro lado, o ronco é cíclico e<br />
intermitente, podendo alcançar 85 dB (1.000 a 3.000 ciclos/s) (Millman, 1987). A<br />
elevada intensidade do nível de ruído é o principal responsável pela utilização de<br />
28
dormitórios separados entre os cônjuges.<br />
Uma série de roncos seguidos por um silêncio respiratório (apnéia ou<br />
hipopnéia) terminando com uma expiração explosiva e, por vezes, com vocalização<br />
e um despertar breve com movimento do corpo é a clara descrição do ronco de um<br />
paciente com SASO.<br />
Estudos epidemiológicos demonstram que os roncadores habituais sofrem<br />
mais freqüentemente de hipertensão arterial sistêmica, (Koskenvuo,1985. Mondini,<br />
1983) apresentando maior predisposição para a isquemia cardíaca e cerebral. Em<br />
pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, a SASO pode alterar<br />
dramaticamente o equilíbrio ventilatório noturno (Perez-Padilla et al, 1985).<br />
2.3.2.1 Sono noturno<br />
O sono noturno do paciente com SASO se acompanha, em geral, de uma<br />
atividade motora normal, a qual dá a característica de um sono inquieto. Esta<br />
atividade pode incluir movimentos periódicos das pernas, movimentos bruscos,<br />
abalos das mãos ou dos pés.<br />
É freqüente que os pacientes com SASO refiram vários despertares<br />
noturnos, em alguns casos com sensação de asfixia ou afogamento, criando<br />
angústia. Outros sintomas descritos com freqüência nítida incluem comportamento<br />
automático, enurese (mais comum em crianças), noctúria,, transpiração excessiva,<br />
saliva sanguinolenta, refluxo gastroesofágico. Este último é associado ao esforço e<br />
ao aumento da pressão intra-abdominal necessários para restabelecer a respiração<br />
(Guilleminault et al, 1976).<br />
2.3.3 Sintomas diurnos<br />
2.3.3.1 Sonolência excessiva diurna<br />
A sonolência excessiva diurna, junto com o ronco, é o sintoma principal dos<br />
pacientes com SASO. A sonolência excessiva diurna ou hipersônia se manifesta no<br />
início como uma tendência fácil a adormecer em situações monótonas, como ler ou<br />
29
ver televisão; os pacientes costumam referi-la como um "esgotamento" ou<br />
"cansaço", raramente como sonolência. Em casos mais graves, podem dormir sobre<br />
o volante enquanto dirigem ou no trabalho, provocando acidentes de importância<br />
(Findley, 1988. Lavie,1983b).<br />
A sonolência excessiva diurna, presente em 80% dos pacientes com SASO,<br />
é a conseqüência de um sono noturno fragmentado e interrompido constantemente<br />
pelas apnéias ou microdespertares. Tais eventos impedem que se consolide o sono,<br />
sendo freqüente encontrar ausência de sono lento profundo (estágios 3 e 4) e<br />
alterações de REM. É por isso que os pacientes sentem, ao despertar pela manhã,<br />
que não descansaram adequadamente, pois o sono não foi reparador (Bradley et al,<br />
1992).<br />
A sonolência excessiva diurna pode ser acompanhada de comportamentos<br />
automáticos, principalmente pela manhã, tais como: amnésia retrógrada, dificuldade<br />
na concentração, deterioração da memória e, por vezes, do raciocínio (Greenberg et<br />
al,1987; Scheltens et al, 1991). Também foram descritas mudanças de<br />
personalidade, como agressividade, ataques de ira, irritabilidade, ansiedade e<br />
depressão. As cefaléias matinais de predomínio frontal estão presentes na metade<br />
dos pacientes. Há uma diminuição da libido e até a impotência apresenta-se em 20%<br />
a 40% dos pacientes com SASO (Guilleminault, 1989b). Recentemente tem-se<br />
descrito a presença da sonolência excessiva diurna em roncadores sem apnéias, na<br />
síndrome de resistência das vias aéreas superiores (Guilleminault et al, 1977).<br />
2.3.4 Conseqüências hemodinâmicas da SASO<br />
A resposta hemodinâmica à asfixia (apnéia) é muito complexa e a sobrevida<br />
dependerá da capacidade da reação cardíaca e cerebral à hipóxia, hipercapnia e<br />
acidose.<br />
2.3.4.1 Hipoxemia associada à apnéia<br />
Cada episódio apnéico está associado a uma queda transitória da saturação<br />
arterial de oxiemoglobina (SatO2).<br />
Como conseqüência do colapso das vias aéreas superiores, interrompe-se<br />
30
a ventilação, desencadeando uma asfixia progressiva. Observa-se, então, uma<br />
queda rápida da SatO2 com aumento da tensão de dióxido de carbono, que voltará<br />
aos níveis basais ao finalizar a apnéia. O grau de hipoxemia dependerá da pressão<br />
de oxigênio basal e da capacidade funcional residual (CFR) de cada indivíduo<br />
(Shepard et al, 1985). Em pacientes obesos, a CFR diminui ao se adotar o decúbito<br />
dorsal e isso faz com que a hipoxemia ocorra com maior rapidez. As maiores<br />
hipoxemias estão associadas ao sono REM, coincidindo com as apnéias mais<br />
prolongadas. Pacientes com índice de peso normal raramente apresentam<br />
dessaturações abaixo de 85%.<br />
2.3.4.2 Arritmias cardíacas<br />
A associação das arritmias cardíacas às apnéias do sono são freqüentes<br />
(Tilkian et al, 1977). Durante a apnéia, se produz um incremento da atividade<br />
eferente parassimpática vagal, a qual se traduz em uma bradicardia que pode<br />
descer até 50% do nível pré-apnéia. Ao finalizar a apnéia e restaurar a ventilação se<br />
produz uma taquicardia compensatória (Guilleminault et al, 1986).<br />
Dois tipos diferentes de arritmias cardíacas costumam acompanhar as<br />
apnéias (Bradley et al, 1990). As mais freqüentes são a braditaquicardia, bloqueio<br />
atrioventricular de segundo grau, parada sinusal de 2, 3 a 13s de duração, fibrilação<br />
auricular e taquicardia ventricular (Guilleminaul et al, 1983).<br />
As extra-sístoles ventriculares (PVC) se manifestam quando a dessaturação<br />
de oxiemoglobina desce abaixo de 70%. Pode haver prolongamento do intervalo Q-<br />
T, especialmente durante a bradicardia (Guilis et al,1991; Shepard, 1985).<br />
Pelo fato de as apnéias se associarem com as arritmias de graus variados<br />
de severidade, os pacientes com SASO têm risco maior de mortalidade<br />
cardiovascular (Shepard, 1990).<br />
2.3.4.3 Hipertensão arterial sistêmica e pulmonar<br />
Durante o sono normal, a pressão arterial sistêmica desce entre 10% e 15%;<br />
a maior redução ocorre durante o sono não-Rem (NREM, estágios 3 e 4) (Khatri et<br />
al, 1967). As flutuações do estado ácido-básico durante as apnéias provocam<br />
31
importantes mudanças hemodinâmicas.<br />
As pressões arterial sistêmica e pulmonar sobem simultaneamente a cada<br />
apnéia, dependendo do nível de incremento do grau de dessaturação da<br />
oxiemoglobina (Tilkian et al, 1976). Quando se restaura a ventilação, as pressões<br />
voltam, em geral, aos níveis basais. Sem dúvida, se os episódios apnéicos se<br />
sucedem um após o outro, ambas as pressões aumentam rapidamente, sem poder<br />
retornar à linha de base, já que os intervalos entre as apnéias não são suficientes.<br />
A repetição cíclica de tais episódios de hipertensão arterial sistêmica e<br />
pulmonar contribui para a hipertrofia ventricular e levam à insuficiência cardíaca. Dos<br />
pacientes com SASO, 50% desenvolvem hipertensão arterial sistêmica em vigília;<br />
em 30% dos pacientes diagnosticados como hipertensos essenciais tem sido<br />
encontrada apnéia do sono (Fletcher et al, 1985).<br />
Não se sabe ao certo a patogênese da hipertensão arterial sistêmica nos<br />
pacientes com SASO, mas provavelmente é secundária à interação de múltiplos<br />
fatores. A obesidade, o sexo masculino e o aumento da atividade simpática são<br />
fatores contribuintes. Recentemente, foi descrito o aumento de catecolaminas<br />
plasmáticas e urinárias em pacientes com SASO e hipertensão arterial sistêmica,<br />
cujos valores se normalizam logo após a traqueostomia (Guilleminault et al, 1981).<br />
2.3.7 Avaliação do paciente com SASO<br />
Por ser esta síndrome polissintomática e comprometer diferentes órgãos da<br />
economia, o paciente com SASO deve ser submetido a um exame clínico geral que<br />
inclua a avaliação da via aérea superior, provas pneumológicas, exames<br />
cardiológico, neurológico e hematológico. O paciente com SASO será avaliado tanto<br />
desperto como dormindo.<br />
A obesidade é um dos principais fatores agravantes da enfermidade e por<br />
isso deverá ser avaliada a distribuição do tecido adiposo, prestando especial<br />
atenção a infiltração no pescoço, abdome e tórax (Horner et al, 1989). Também é<br />
útil a avaliação do índice de massa corporal (IMC). Em 75% dos pacientes com<br />
SASO encontra-se peso acima de 20% do ideal (Walsh et al, 1972). A mulher com<br />
SASO tende a apresentar um excesso de peso maior do que o homem. Observa-se,<br />
com freqüência, que pequenas reduções do peso corporal trazem grandes<br />
32
mudanças na sintomatologia, principalmente a reversão da sonolência diurna.<br />
2.3.7.1 Avaliação da Região Oronasomaxilofacial<br />
Realiza-se, em primeiro lugar, um exame do maciço craniofacial em busca<br />
de micrognatia ou retrognatia. São utilizadas as mediações cefalométricas. Deve-se<br />
fazer, também, a exploração exaustiva das cavidades orofaríngea e nasal, com o<br />
objetivo de avaliar consistência e tamanho da língua (macroglossia), comprimento e<br />
coloração da úvula, hipertrofia de adenóide ou de amígdala, aspecto e consistência<br />
do palato mole, obstrução de cavidade nasal, podendo haver desvio de septo<br />
(Guilleminault, 1989a).<br />
Pode-se complementar a exploração das vias aéreas superiores com a<br />
visualização endoscópica com fibroscopia óptica, reflexão acústica, TAC ou<br />
ressonância nuclear magnética (RNM), que dão dados sobre o local de obstrução.<br />
2.3.7.2 Álcool e Sedativos<br />
A ingestão de álcool, horas antes do adormecer, pode desencadear apnéia<br />
em roncadores benignos e provocar um aumento na duração e freqüência das<br />
apnéias com pacientes com SASO. As benzodiazepinas apresentam um efeito<br />
semelhante. Ambos os fatores atuam produzindo uma depressão da atividade dos<br />
músculos de vias aéreas superiores (Scrima et al, 1982).<br />
Devemos sempre buscar as etiologias específicas que predispõem ou<br />
contribuem para o aparecimento de SASO.<br />
Obstrução das vias aéreas superiores:<br />
a) Nasal: desvio de septo, hipertrofia de cornetos, rinite, hipertrofia adenóide;<br />
b) Orofaringe: úvula larga e pendular, hipertrofia amigdaliana, hipertrofia<br />
celopalatina, macroglossia, tumores ou cistos faríngeos;<br />
c) Anomalias craniofaciais e esqueléticas: Micrognatia, retrognatia, Síndrome<br />
de Pierre Robin Arnod-Chiari, Cifoescoliose.<br />
Alterações neurológicas e musculares: Siringomielia-seringobulbia,<br />
Enfermidade de motoneurônios, Miastenia grave, Distrofia muscular, Miopatias.<br />
Alterações metabólicas: hipotiroidismo, acromegalia, síndrome de Prader<br />
33
Willy, amiloidose, obesidade.<br />
Figura 4 - Remodelamento do Palato Mole<br />
Figura mostrando o remodelamento do palato mole através dos raios laser de CO2.<br />
2.3.8 Avaliação do paciente dormindo<br />
2.3.8.1 Polissonografia Noturna<br />
Quando se suspeita de SASO, a única confirmação diagnóstica se dará<br />
através do registro polissonográfico noturno. Além dos parâmetros poligráficos<br />
habituais (eletroencefalograma, eletrooculograma, eletromiografia), (Guilleminault et<br />
al, 1976) se deve incluir no registro: eletrocardiograma (ECG), termistores que<br />
determinarão o fluxo aéreo buco-nasal, cinturão toracoabdominal, que marcará a<br />
presença ou ausência do esforço ventilatório, monitorização oximétrica e atividade<br />
eletromiográfica (RMG) dos músculos tibiais anteriores, que colocarão em evidência<br />
os movimentos periódicos das pernas (Rechtschaffen et al, 1968).<br />
É importante verificar o decúbito em que se produzem as apnéias, já que a<br />
posição supina aumenta o índice de apnéias e esse dado pode ser de valor para o<br />
tratamento.<br />
O registro polissonográfico noturno permitirá avaliar: tipo, freqüência e<br />
duração das apnéias e/ou hipopnéias; características do ronco; grau de<br />
34
dessaturação de oxigênio; avaliação das arritmias cardíacas; fragmentação do sono;<br />
severidade do quadro.<br />
As apnéias são encontradas com maior freqüência nos estágios 1 e 2 do<br />
sono NREM e durante o sono REM. Em alguns casos, serão manifestas somente<br />
durante o sono REM, e é neste estágio que as apnéias obstrutivas são mais severas<br />
e a SatO2 chega aos níveis mais baixos (Greenberg et al, 1987). Não se aconselha<br />
avaliar o estágio da sesta, pois o REM predomina ao final da noite, entre as 3 e 6<br />
horas, correndo o risco de perder seu registro, e consequentemente, um dado de<br />
valor.<br />
Os pacientes apnéicos dificilmente alcançam os estágios profundos de sono<br />
(estágios 3 e 4, devido aos despertares breves ou longos que freqüentemente<br />
acompanham as apnéias).<br />
A determinação do grau de severidade da SASO se dará pelos índices<br />
obtidos na polissonografia junto à avaliação clínica do paciente.<br />
2.3.9 Curso da enfermidade<br />
O término espontâneo da SASO pode ocorrer algumas vezes com a<br />
diminuição do peso, mas geralmente segue um curso progressivo e pode ser causa<br />
de morte prematura (Browman et al, 1984). O estudo de seguimento de pacientes<br />
com SASO durante cinco anos mostra uma taxa de mortalidade de 11% e 13% para<br />
os não tratados.<br />
2.3.9.1 Perfil do portador<br />
Esta doença tem uma certa predisposição familiar, sendo mais freqüente no<br />
sexo masculino e em indivíduos com excesso de peso. O ronco geralmente se<br />
associa com elevada prevalência; contudo, em algumas ocasiões, pode estar<br />
ausente. Acredita-se que a apnéia do sono afeta mais de 5% das mulheres e 15%<br />
dos homens na faixa etária entre 30 e 60 anos e que 19% das mulheres e 34 % dos<br />
homens que habitualmente roncam padecem deste distúrbio. A apnéia obstrutiva do<br />
sono é tão prevalente quanto a asma no adulto, contudo, aproximadamente 95% dos<br />
pacientes não são adequadamente diagnosticados e tratados.<br />
35
As principais características clínicas da apnéia do sono são: sonolência<br />
diurna excessiva - hipersonolência, roncos noturnos (podendo ultrapassar a mais de<br />
60 decibéis), obesidade, apnéias, enurese, refluxo gastroesofágico, fadiga diurna<br />
excessiva, sono não reparador, despertares freqüentes durante a noite, perda<br />
progressiva da memória e dificuldade de concentração, sudorese noturna,<br />
diminuição da libido, cefaléia matutina, micrognatia ou retrognatia, depressão,<br />
irritabilidade, modificação da personalidade e da voz<br />
Cardiopatias associadas: arritmias (extrassístoles, taquicardia ventricular,<br />
pausa sinusal e bloqueio A-V), hipertensão arterial do tipo dipper e principalmente<br />
non-dipper, angina, infarto do miocárdio, cor pulmonale e insuficiência cardíaca<br />
(Guilleminault et al,1983).<br />
A sonolência diurna excessiva é as vezes difícil de se identificar, pois,<br />
especialmente se for discreta, o paciente pode não dar a devida importância ou<br />
mesmo minimizá-la. Ao contrário, pode ser supervalorizada por alguns indivíduos.<br />
Resulta, portanto, importante precisar em que situações aparece a hipersônia. No<br />
laboratório do sono, a hipersônia pode ser quantificada mediante o teste de latência<br />
múltipla do sono (MSLT)<br />
Pacientes com hipersônia extrema e incapacitante: dormem continuamente<br />
(Akersted, 1988) a não ser que estejam estimulados contínua e ativamente. O<br />
estado de sonolência aparece no trabalho, nas refeições, dirigindo um automóvel e<br />
até durante uma conversa. Este tipo de paciente apresenta um risco para si mesmo,<br />
no ambiente de trabalho e principalmente no trânsito devido ao grande risco de<br />
acidentes. Um número significativo de acidentes de tráfego nas estradas está<br />
associado a uma importante prevalência de SAOS entre caminhoneiros e motoristas<br />
de ônibus (Findley et al, 1988).<br />
Pacientes com hipersônia evidente dormem habitualmente durante a leitura,<br />
vendo televisão, trabalhando e dirigindo. Podem manter-se em alerta enquanto<br />
realizam uma atividade física.<br />
Pacientes com hipersônia leve geralmente são o tipo mais difícil de se<br />
identificar, a começar pela negação do próprio enfermo. Dormem geralmente<br />
durante a leitura e vendo televisão.<br />
O aparecimento da hipersônia em qualquer grau está diretamente<br />
relacionado com a desorganização do sono em conseqüência das apnéias. Ao se<br />
finalizar a apnéia produz-se um despertar transitório, que permitirá a abertura da via<br />
36
aérea superior, e com ela, a recuperação da saturação da oxihemoglobina que havia<br />
diminuído como conseqüência de interrupção da respiração (Horne, 1983).<br />
Os repetidos episódios de despertares ocasionam uma fragmentação do<br />
sono além de impedir que o sono progrida para as fases profundas (fases 3 e 4) e<br />
fase REM, convertendo-se em um sono não reparador. Provavelmente existem<br />
outros fatores que influem sobre a hipersônia, como a própria hipoxemia.<br />
O ronco consiste na emissão de um ruído que pode ultrapassar a 70<br />
decibéis e é produzido pela vibração da úvula e do palato mole. Fatores anatômicos<br />
podem influenciar, tais como: obstrução nasal por hipertrofia de cornetos e desvio de<br />
septo, hipertrofia de amígdalas e adenóides (Block et al, 1984). A ingestão de<br />
bebidas alcoólicas ocasionam relaxamento da musculatura aumentando o nível do<br />
ruído. Igualmente a postura durante o sono (decúbito dorsal) incrementa o nível do<br />
ronco.<br />
O ronco é, com freqüência, o motivo da consulta médica, em parte como<br />
conseqüência da divulgação pelos meios de comunicação. Em algumas ocasiões o<br />
ronco pode ser pouco valorizado pelo paciente, pelo fato do mesmo ocorrer há<br />
vários anos. Em razão disto, é fundamental entrevistar o(a) companheiro(a) ou<br />
familiares, que com freqüência descreverão que o ronco se interrompe<br />
periodicamente, seguindo de uma parada da respiração (apnéia) que acaba com um<br />
ronco forte seguido de uns quantos mais (fase de hiperventilação pós-apnéia)<br />
voltando novamente ao silêncio.<br />
A enurese é mais freqüente nas crianças com SASO (Hjalmas, 1992),<br />
podendo também aparecer em 5% dos adultos. Acredita-se que pode interferir em<br />
sua fisiopatologia o aumento da pressão intra-abdominal, incremento de excreção de<br />
água e sal durante a noite em relação ao aumento do fator natriurético. O refluxo<br />
gastroesofágico decorre da modificação da pressão abdominal e torácica secundária<br />
à obstrução da via aérea, que modificam funcionalmente o esfíncter esofagiano<br />
inferior (cárdia).<br />
A cefaléia geralmente é frontal e matutina. Sua etiologia tem sido atribuída a<br />
um efeito vasodilatador da hipercapnia que pode ocorrer durante o sono. Igualmente<br />
a hipertensão arterial que afeta estes pacientes pode também contribuir.<br />
Aproximadamente ¼ destes pacientes referem impotência sexual ou<br />
diminuição da libido. Habitualmente trata-se de uma impotência funcional. Tem-se<br />
demonstrado sua relação com uma diminuição dos níveis de testosterona por<br />
37
inibição do sistema hipotálamo-hipofisário .<br />
Os transtornos psiquiátricos se expressam por diminuição da capacidade de<br />
concentração, deterioração da memória, ansiedade, síndrome depressiva,<br />
transtornos da personalidade em forma de maior irritabilidade, inapetência e<br />
desinteresse (Barthlen et al, 1994). As crianças com SASO apresentam um baixo<br />
rendimento escolar. Essas alterações estão relacionadas com a fragmentação do<br />
sono e a hipoxemia .<br />
A qualidade da voz pode modificar-se e aparecer transtornos em sua<br />
ressonância, articulação e/ou fonação em decorrência de tecido hipertrófico no<br />
palato mole. As crianças apresentam uma voz anasalada em conseqüência de<br />
hipertrofia da adenóide e das amígdalas (Remmers, 1978).<br />
2.4. Síndrome de apnéia obstrutiva do sono - tratamento clínico e<br />
CPAP<br />
Em princípio, sempre que existir sintomatologia diurna evidente, deve-se<br />
considerar a instauração do tratamento. Independente disso, a terapêutica deverá<br />
ser iniciada quando se objetivar um IAH superior a 20 dado que, apesar de poucas,<br />
existem algumas evidências que demonstram que a sobrevida destes pacientes<br />
diminui a partir desta cifra, basicamente pelo aparecimento de complicações<br />
cardiovasculares.<br />
2.4.1 Medidas gerais<br />
As recomendações tidas como medidas gerais incluem a instituição de dieta<br />
hipocalórica nos casos de obesidade, abandono de ingestão de bebidas alcoólicas,<br />
de sedativos, em especial antes de dormir, manter uma boa higiene do sono, assim<br />
como tratar as doenças de base que se associam com SAOS (hipotireoidismo,<br />
acromegalia). A terapêutica medicamentosa tem um modesto papel na abordagem<br />
da apnéia obstrutiva (Lombard et al, 1985). A utilização dos anti-depressivos<br />
tricíclicos podem ter um efeito inibidor do sono REM, dificultando a identificação de<br />
apnéias que ocorram predominantemente nesta fase.<br />
38
Na presença de anomalias anatômicas específicas tais como hipertrofia de<br />
amígdalas e adenóides, micrognatia, etc, estará indicada a cirurgia dirigida a corrigir<br />
estes defeitos.<br />
O tratamento atual se divide em 3 modalidades, tendo como base a<br />
freqüência das apnéias (IAH), a presença ou não das anomalias anatômicas<br />
referidas, a fragmentação do sono, obesidade e idade entre outras. O tratamento<br />
mais indicado numa grande parte dos pacientes é a prótese ventilatória – CPAP ou<br />
BIPAP (Strohl et al,1989) que consiste na aplicação de uma pressão positiva<br />
contínua (mediante um compressor de ar e máscara nasal) que mantém permeável<br />
a via aérea superior, impedindo seu colapso principalmente na fase inspiratória. O<br />
nível ideal de pressão de CPAP entre 6-12 cm H2O costuma ser suficiente para a<br />
maioria dos pacientes. Em casos onde se necessitam pressões muito elevadas<br />
estaria indicada a utilização do BIPAP. A órtese dentária representa outra<br />
modalidade de tratamento, geralmente utilizada em indivíduos portadores de SASO<br />
leve a moderado.<br />
Figura 5 - Compressor de Ar e Máscara Nasal<br />
Fonte: http:/www.nib.unicamp.br/sbpt/apneiatptrat.html Acesso em 19/03/99<br />
39
A escolha do tratamento mais eficaz da síndrome de apnéia do sono do tipo<br />
obstrutivo (SASO) depende dos resultados da polissonografia, da severidade dos<br />
sintomas, das condições anatômicas e/ou médicas que precipitam ou favorecem o<br />
quadro, e sobretudo da colaboração por parte do paciente.<br />
Nos casos leves, nos quais o índice de apnéia e hipopnéia costuma estar<br />
entre 5 a 10h, com dessaturações não superiores a 5% e peso acima do normal, as<br />
medidas de higiene e hábitos corretos continuam sendo o primeiro ponto a se ter em<br />
conta. Para estes pacientes, deve-se propor as seguintes recomendações: perda de<br />
peso, eliminar a ingestão de álcool, não utilizar depressores do sistema nervoso<br />
central (sedativos, ansiolíticos, hipnóticos etc.), dormir no mínimo oito horas diárias e<br />
manter horários regulares, procurar evitar a posição supina durante o sono (Block et<br />
al, 1984), utilizar betabloqueadores e diuréticos com precaução e sob controle<br />
médico.<br />
2.4.2 Redução do peso excessivo<br />
O excesso de peso é considerado por todos os autores como um fator<br />
agravante da SASO e, portanto, perder peso deve ser a primeira recomendação que<br />
se faz aos pacientes.<br />
A obesidade nos pacientes com SASO pode oscilar entre um peso excessivo<br />
moderado (5% a 10%) a um peso excessivo importante (20% a 40%). O tecido<br />
adiposo se acumula na musculatura que configura a orofaringe, tornando-se mais<br />
flácida e dando ao pescoço um aspecto de aumento de volume (Burwel et al, 1956).<br />
Embora transtornos metabólicos de ordem hídrica ou lipídica possam<br />
oferecer um falso quadro de obesidade, o certo é que ultimamente, diversos estudos<br />
têm apontado para possível relação entre a hipoxemia noturna e a dificuldade em<br />
perder peso.<br />
Block et al (1984) encontraram que perdas moderadas de peso (10kg)<br />
reduziam a severidade da SASO, melhoravam a continuidade do sono e diminuíam a<br />
sonolência excessiva diurna. Verificou-se que a eficácia da perda de peso nos<br />
pacientes com SASO, determinou uma queda no índice de apnéia e hipopnéia,<br />
inclusive naqueles que tinham um grau leve de obesidade (entre 5% e 10% de peso<br />
excessivo).<br />
40
2.4.3 Supressão de álcool e da medicação sedativa ou relaxante<br />
O consumo de álcool, pois, produz um relaxamento natural da musculatura<br />
orofaríngea estriada (Scrima et al, 1982). Todas as companheiras de cama dos<br />
pacientes que sofrem de SASO informam que eles roncam mais e têm mais apnéias<br />
nos dias em que beberam "além da conta". Está evidenciado também que o<br />
consumo de álcool em pacientes com SASO varia segundo hábitos culturais, fato<br />
facilmente verificável junto à concentração de povos mediterrâneos.<br />
A utilização de sedativos, hipnóticos e relaxantes musculares também é<br />
contra-indicada, pois desencadeia hipotonia muscular e conseqüente aumento o<br />
número de apnéias e a intensidade do ronco (Lakshminarayan et al, 1976). Alguns<br />
pacientes confundem seus despertares noturnos secundários com uma insônia e<br />
utilizam hipnóticos, os quais pioram o quadro clínico, potencializando toda sua<br />
sintomatologia.<br />
2.4.4 Tratamento postural<br />
Nos pacientes com SASO, as apnéias ocorrem em sua maior parte durante<br />
o estágio REM (Orem, 1980) e em decúbito supino (Cartwright, 1984).<br />
Consequentemente, vêm sendo utilizados alguns dispositivos para manter o<br />
paciente na posição de decúbito lateral prono, conseguindo-se uma diminuição das<br />
apnéias e da intensidade do ronco.<br />
Apesar de o paciente iniciar voluntariamente seu sono em posição lateral, a<br />
dificuldade persiste porque ele não consegue manter essa postura de forma<br />
voluntária; enquanto dorme, ele modifica sua posição. Um dos dispositivos utilizados<br />
consiste de um cinturão com uma pequena bolsa onde se introduz uma bola de golfe<br />
ou de tênis e que, colocado nas costas do paciente entre as escápulas, torna a<br />
posição supina incômoda e, portanto, o forçarão a se manter em posição lateral. É<br />
especialmente útil naqueles pacientes com SASO leve devida a desvios nítidos do<br />
septo nasal.<br />
41
2.4.5 Próteses nasais ou bucais<br />
Deve-se desaconselhar todos os artigos destinados a abrir as fossas nasais<br />
que são comercializados como solução para o ronco. São totalmente inúteis já que a<br />
origem da disfunção que leva ao ronco não está ao nível das fossas nasais senão<br />
mais baixo, ao nível da faringe. Alguns mecanismos consistem em prótese que<br />
tentam evitar a queda da língua durante o sono e manter as vias aéreas (Adair et al,<br />
1991). Sem dúvida, não tem recebido um apoio geral devido a seu preço elevado, ao<br />
desconforto que produz e à sua ineficácia nos casos de SASO moderada ou grave.<br />
2.4.6 Tratamento farmacológico<br />
2.4.6.1 Protriptilina<br />
Diversos tratamentos farmacológicos foram tentados com resultados<br />
contraditórios em pacientes com SASO. A protriptilina tem sido utilizada em<br />
pequenas séries de pacientes, reduzindo-se ligeiramente o número de apnéias<br />
obstrutivas e melhorando-se o nível de saturação de oxigênio (Conway et al, 1979).<br />
A pequena queda no número de apnéias é, em parte, devida à redução da<br />
porcentagem de estágio REM que esse medicamento produz, assim como à duração<br />
das apnéias neste estágio, que também se reduz.<br />
2.4.6.2 Progesterona<br />
A progesterona também tem sido utilizada no tratamento de SASO, apesar<br />
de sua experiência ser limitada e os resultados pouco replicados. Em um estudo<br />
com nove pacientes acometidos de SASO a progesterona melhorou o quadro clinico,<br />
com queda no número de apnéias e desaparecimento da sonolência diurna<br />
(Brandenberger, 1993). Os que melhoraram eram pacientes com hipoxemia e<br />
retenção de dióxido de carbono e a melhora pode ser atribuída ao estímulo<br />
hormonal ao centro respiratório troncoencefálico (Strohl et al, 1981).<br />
42
2.4.6.3 Oxigênio<br />
Também o oxigênio tem sido utilizado como meio terapêutico. Tem-se<br />
observado melhoras transitórias no número de apnéias nos estágios de sono de<br />
ondas lentas (estágios 3 e 4). Entretanto, não se tem registro da melhora da<br />
sonolência diurna. Outros autores descreveram que a administração de oxigênio<br />
diminuiria as apnéias centrais e mistas, mas aumentaria as obstrutivas. Esses<br />
resultados pouco consistentes tornam desaconselhável o tratamento habitual da<br />
SASO com oxigênio.<br />
2.4.7 Equipamento de CPAP<br />
O maior avanço no tratamento não cirúrgico da SASO foi conseguido por<br />
Colin Sullivan, do Hospital Royal Prince Alfred de Sidney, Austrália, ao desenvolver<br />
um equipamento terapêutico que mantinha aberta a musculatura faríngea, evitando<br />
o colapso durante o sono (Bradley et al, 1990), com isso estabelecendo a<br />
normalidade da respiração com o conseqüente desaparecimento dos sintomas.<br />
O aparelho denominado CPAP (do inglês Continous Positive Airway<br />
Pressure) consiste em elevar a pressão na via aérea orofaríngea até inverter o<br />
gradiente de pressão transmural através da via aérea ao nível da faringe. O<br />
mecanismo consiste em fazer chegar por via nasal o ar com maior pressão que a<br />
ambiental, ou seja, a pressão positiva contínua. Para tal, se utiliza um pequeno<br />
compressor que envia ar através de um tubo finalizado em uma máscara nasal. A<br />
pequena máscara se fixa ao nível nasal com tiras auto-adesivas que permitem seu<br />
ajuste preciso na cabeça de cada indivíduo, evitando os escapes de ar. Atualmente,<br />
o peso do compressor não é superior a 2 ou 3kg e é totalmente portátil. Funciona<br />
com corrente elétrica e pode produzir pressões positivas contínuas de ar que<br />
oscilam entre 2,5 e 20cm de água, com o nível de ruído ambiental similar ao de um<br />
aparelho de ar condicionado.<br />
43
2.4.7.1 Determinação da pressão necessária<br />
Uma vez realizado e confirmado o diagnóstico de SASO mediante a<br />
polissonografia e decidido que o CPAP será o tratamento escolhido, o paciente deve<br />
ser novamente avaliado com outra polissonografia, durante a qual se utilizará o<br />
CPAP. A finalidade deste segundo estudo de sono, é determinar, durante cada um<br />
dos estágios de sono, a pressão necessária para o desaparecimento das apnéias,<br />
do ronco e dos demais sintomas associados (Strohl et al, 1989). A oximetria deve<br />
normalizar-se.<br />
Depois de determinar o tipo de máscara nasal, o pessoal técnico que segue<br />
a polissonografia durante a noite administrará ar com pressão positiva através da<br />
máscara nasal, aumentando ou diminuindo, dependendo do estágio de sono em que<br />
se encontra, conseguindo em cada momento suprimiras apnéias e o ronco (Bradley<br />
et al, 1990). Desta maneira, conseguirá determinar a pressão média necessária, que<br />
será a indicada como tratamento a domicílio.<br />
Posteriormente, o paciente utilizará o equipamento de CPAP em seu<br />
domicílio e com a pressão adequada fixa do aparelho. O paciente somente terá que<br />
colocar a máscara nasal no momento em que decidir iniciar o sono e depois respirar<br />
suavemente pelo nariz. Durante um curto período do tempo preestabelecido, a<br />
pressão aérea chegará lentamente, aumentando automaticamente até um valor<br />
determinado. Este tempo se denomina "tempo de rampa" e pode oscilar entre três e<br />
10 minutos, dependendo do quanto o paciente demore para dormir (Strohl et al,<br />
1989).<br />
As polissonografias de sesta realizadas durante cochilo diurno não estão<br />
indicadas para determinar o nível de pressão de CPAP. Isto se deve ao fato de não<br />
serem encontrados sempre na sesta todos os estágios de sono, em especial o sono<br />
REM, podendo haver modificações distintas de pressão.<br />
Somente em alguns casos, nos quais a gravidade o indique, pode ser<br />
realizada a aplicação rápida de CPAP em uma única polissonografia noturna. Na<br />
primeira metade desta se avalia o índice de apnéias e o grau de hipoxia, e na<br />
segunda se adapta o CPAP, determinando a pressão necessária para suprimir as<br />
apnéias e o ronco.<br />
A determinação de pressão do CPAP pode ser um pouco difícil em pacientes<br />
44
que consomem quantidades significativas de álcool (Scrima et al, 1982). A melhor<br />
sugestão é pedir ao paciente que faça a polissonografia tendo bebido a quantidade<br />
de álcool que consome normalmente em seu domicílio.<br />
2.4.7.2 Efeito da primeira noite com CPAP<br />
Os técnicos responsáveis pela polissonografia devem reconhecer que na<br />
primeira noite em que o paciente utiliza o CPAP pode-se observar uma redução<br />
brusca do nível de oxigênio no sangue, sem que saibamos exatamente a razão<br />
dessa dessaturação. Para normalizar a oximetria, deverá apenas despertar<br />
brevemente o paciente. Também se pode produzir hipotensão postural na manhã<br />
seguinte ao uso de CPAP em pacientes que recebem medicação anti-hipertensiva<br />
(Sullivan et al, 1984).<br />
É comum aparecer um rebote acentuado de sono de ondas lentas (estágios<br />
3 e 4) e de estágio REM. Os pacientes podem apresentar longos episódios de sono<br />
REM, que costumam durar de uma a duas horas. Da mesma maneira, os estágios<br />
de sono lento profundo podem chegar a porcentagens de até 50% do total da noite<br />
(McMvoy et al, 1984). Presume-se que ocorram mudanças neuroquímicas<br />
importantes determinantes de uma melhora muito evidente que o paciente relata<br />
durante o dia seguinte, sobretudo no referente à diminuição da severa sonolência<br />
excessiva diurna que apresenta. Depois de uma semana de uso se restabelece a<br />
estrutura normal do sono com percentagens adequadas de cada um dos estágios, e<br />
esta melhora que se observa é o melhor argumento e o reforço para que o paciente<br />
continue utilizando o CPAP.<br />
2.4.7.3 Adaptação<br />
O CPAP soluciona totalmente o problema mecânico que ocasiona a SASO e<br />
com isso sua sintomatologia (McMvoy et al, 1984), mas é imprescindível conseguir<br />
boa adaptação e aceitação por parte do paciente. Normalmente, o paciente pergunta<br />
pela duração do tratamento. É importante que ele entenda que o CPAP não cura<br />
sua enfermidade mas sim, corrige-a como fazem as lentes com a miopia. Deve<br />
saber que sempre deverá utilizá-lo se quiser sentir-se bem na manhã seguinte.<br />
45
Se não seguirmos este processo e prescrevermos o tratamento sem dar as<br />
necessárias explicações, como se faz na maioria dos centros onde não se tem<br />
tempo necessário, somente se conseguirá aceitação de 50% a 60% das prescrições.<br />
Recomenda-se o uso progressivo de CPAP durante as primeiras noites,<br />
aumentando lentamente as horas de uso (duas a três horas no primeiro dia, três a<br />
quatro horas no segundo dia etc.). Normalmente, a adaptação é mais rápida quanto<br />
mais grave é a SASO, pois o paciente pode, por si só, avaliar os benefícios de uma<br />
noite bem dormida. Isso faz com que se converta em um dependente do CPAP e<br />
sob hipótese nenhuma desistirá do tratamento.<br />
É importante cuidar dos aspectos psicológicos que acompanham o uso de<br />
um mecanismo terapêutico por toda a vida, sobretudo em indivíduos jovens<br />
(Barthelen et al, 1994). É interessante ressaltar ao paciente que o mecanismo<br />
utilizado é um equipamento externo e que ele pode deixar de usar quando seja<br />
necessário e que não deve sentir-se obrigado a empregá-lo. É bom aconselhar que<br />
tente durante alguns dias e quando este já estiver adaptado, durma uma noite sem<br />
CPAP. Assim, ele mesmo se dará conta do efeito benéfico que obtém quando o usa.<br />
2.4.7.4 Efeitos secundários transitórios do CPAP<br />
a) Irritação da pele: Devido à hipersensibilidade da pele do paciente aos<br />
materiais de que é feita essa máscara nasal, geralmente é observada<br />
em 10% dos usuários de CPAP (McMvoy et al, 1984). A irritação<br />
costuma desaparecer espontaneamente com aplicação de algum<br />
antiinflamatório ou anti-histamínico de uso tópico.<br />
b) Obstrução nasal e secura das mucosas: são observados em 15% a 45%<br />
dos pacientes com CPAP (McMvoy et al, 1984). Costuma remitir<br />
espontaneamente ou com uso de umidificação que o equipamento<br />
administra.<br />
2.4.7.5.Outros efeitos secundários transitórios descritos na literatura<br />
São descritos também casos de irritação ocular (1% a 15%) (Stauffer et al,<br />
1984), normalmente por escape de ar ao mudar-se a máscara nasal; "enxaqueca ao<br />
46
despertar" (McMvoy et al, 1986) (16%); "tinido" (12%); "despertares" (46%);<br />
"claustrofobia" (5%). Em nossa experiência pessoal, tratamos de um paciente no<br />
intuito de melhorar sua sonolência diurna, desconhecendo que além da SASO<br />
utilizava cocaína. Esse paciente apresentou claustrofobia severa ao uso de CPAP e<br />
não conseguiu adaptar-se. Também são descritos casos de rinite vasomotora<br />
solucionados com o uso de umidificador (Sanders et al, 1986).<br />
2.5 Tratamento cirúrgico<br />
O tratamento cirúrgico da síndrome de apnéia do sono tipo obstrutivo<br />
(SASO) visa reduzir a obstrução das vias aéreas e, portanto, varia de acordo com os<br />
sítios de obstrução. Pode focalizar a cavidade nasal, orofaringe ou a rinofaringe ou<br />
mesmo visar ultrapassar a obstrução. Engloba, entre outros, a traqueostomia,<br />
septoplastia, uvulopalatofaringoplastia (UPFP), adenotonsilectomia, avanço de<br />
maxila, de mandíbula, de osso hióide, glossectomia (Adair et al, 1991).<br />
A nasofaringoscopia pode ser útil para observar a obstrução. Na manobra de<br />
Müller costuma-se separar de acordo com a taxa de obstrução da orofaringe e<br />
nasofaringe em quatro grupos: 1+, colabamento mínimo ou discreto; 2+, 50% de<br />
obstrução; 3+, 75% de obstrução; 4+, 100% de obstrução.<br />
Podemos dividir o sítio de obstrução de acordo com os critérios de Fujita em:<br />
tipo I, obstrução de orofaringe; tipo II, obstrução de orofaringe e hipofaringe; tipo III,<br />
obstrução de hipofaringe.<br />
2.5.1 Uvulopalatofaringoplastia<br />
A UPFP foi descrita inicialmente em 1963, indicada para o ronco por<br />
Ikematsu, e posteriormente descrita para o uso na SASO por Fujita e col., (1981).<br />
Em nosso meio, começamos a utilizar a UPFP desde 1985, tendo atualmente 105<br />
casos submetidos a esta cirurgia, com avaliação sistemática clínica e polissonografia<br />
A indicação da UPFP visa principalmente aos casos de SASO cuja úvula e<br />
palato mole alongados ou volumosos tenham papel crucial no mecanismo obstrutivo<br />
da apnéia. A UPFP é basicamente a excisão de tecido redundante de palato mole,<br />
47
úvula, amígdala e mucosa faríngea. Ela beneficia principalmente pacientes com<br />
ronco intenso e socialmente inaceitável ou com SASO limitada à orofaringe<br />
(Gislason et al, 1988).<br />
Considerando-se a melhora como o decréscimo em 50% do número de<br />
apnéias e hipopnéias, é observada em cerca de 87% dos casos (Gislason et al,<br />
1988). Entretanto, muitos apresentam melhora parcial ou subjetiva, mesmo sem<br />
alcançar tais parâmetros propostos. A melhora subjetiva geralmente é maior quando<br />
comparada aos dados objetivos, os quais por vezes mostram a persistência da<br />
patologia em menor intensidade.<br />
A melhora com a UPFP varia em função do tempo de observação, a médio e<br />
longo prazos. Ryan e col.(1991), em um estudo com reavaliação, três meses após a<br />
cirurgia, verificaram melhora em 83% dos casos. Gislason e col. (1998) detectaram<br />
melhora em 67% dos casos após seguimento de seis meses, considerando como<br />
melhora a redução de 50% do índice de apnéias e hipopnéias. Os pacientes com<br />
melhor resposta eram os menos afetados em relação a apnéias e hipopnéias no préoperatório<br />
e tinham índice de massa corpórea (IMC) menor quando comparados aos<br />
não responsivos à cirurgia. Larson e col.(1991) obtiveram melhora em 60% dos<br />
casos após seis meses e 39% após dois anos. Os pacientes cuja resposta fora boa<br />
após seis meses e tiveram aumento das apnéias aos dois anos de seguimento<br />
haviam ganho peso.<br />
Após seguimento de quatro anos, os casos com aumento do número de<br />
apnéias estavam associados a ganho de peso. Casos cuja avaliação pré-cirúrgica<br />
apresentava maior dessaturação de oxigênio durante as apnéias tiveram pior<br />
prognóstico. Maior obesidade e maior queda de saturação de O2 são dois<br />
parâmetros simples sugestivos de pior prognóstico da UPFP a longo prazo.<br />
Complicações da UPFP incluem a insuficiência velofaríngea transitória com<br />
regurgitação nasal de líquidos, detectada em 20% dos casos e usualmente<br />
persistindo por três semanas após cirurgia (Macaluso et al, 1989). Diversas outras<br />
complicações, embora relativamente raras, como a infecção, sangramento, estenose<br />
nasofaríngea, são relatadas e a incompetência palatina, que permanece, pode ser<br />
reduzida se o paciente deglute lentamente. Óbito é raro na UPFP. De maneira geral,<br />
pacientes com SASO se mostram muito sensíveis à depressão respiratória induzida<br />
por sedação, devendo ser administrados neurolépticos com cautela.<br />
A UPFP é atualmente a cirurgia mais utilizada para a SASO, havendo<br />
48
melhora progressiva no prognóstico, nos últimos anos, tanto na literatura como em<br />
nossa própria casuística. Tal melhora deve-se, cremos, à escolha mais restrita dos<br />
casos com esta indicação cirúrgica. Polissonografia e cefalometria são realizadas<br />
em todos os casos (Series, et al, 1992), permitindo excluir, entre outros, aqueles<br />
com obstrução na orofaringe acompanhada decréscimo do espaço aéreo posterior<br />
pelo dorso lingual. De maneira análoga, casos de obesidade mórbida não são mais<br />
submetidos a UPFP, pela possibilidade de recorrência de sintomatologia. Em tais<br />
pacientes utilizamos aparelhos de pressão aérea nasal positiva contínua (Continous<br />
Positive Airway Pressure, CPAP) e indicamos programa para perda de peso, a fim<br />
de lançarmos mão da UPFP em um segundo passo.<br />
Polissonografia de controle deve ser realizada rotineiramente, cerca de três<br />
a cinco meses após a cirurgia. Se persistirem índices elevados de apnéias, pode-se<br />
utilizar tratamentos adicionais, clínicos ou cirúrgicos. Ocasionalmente, os roncos são<br />
reduzidos pela UPFP, embora apnéias com pouco ronco se mantenham.<br />
Sonolência excessiva diurna é evidente na SASO em situações monótonas,<br />
em especial ao dirigir veículos (Findley et al, 1988). É verificada, principalmente,<br />
causando acidentes de trânsito com um único veículo, ocorrendo cinco a 10 vezes<br />
mais freqüentemente em pacientes com SASO do que na população normal. Isto<br />
aumenta consideravelmente a mortalidade da SASO. Há melhora destes sintomas<br />
em dois terços dos pacientes tratados com UPFP.<br />
Sobrevida a longo prazo é igual nos pacientes tratados com UPFP e nos<br />
com CPAP. As duas formas de tratamento mostram prognósticos significadamente<br />
melhores do que a mortalidade esperada para SASO.<br />
2.5.2 Amígdalas e adenóides<br />
A principal causa de SASO na infância é a hiperplasia de amígdalas e,<br />
menos usualmente, de adenóides (Ariago et al, 1985). A utilização da<br />
amigdalectomia e de adenoidectomia está bem indicada nestes casos, quando há<br />
SASO constatada pela polissonografia. Tais cirurgias permitem o decréscimo das<br />
apnéias, da hipoxia e da intensa movimentação corpórea durante o sono, do ronco e<br />
dos numerosos despertares breves, características destes pacientes. Tal melhora<br />
usualmente persiste no seguimento a longo prazo.<br />
49
Déficit de crescimento pôndero-estatural é característico de SASO na<br />
infância (Reimão et al, 1985), verificando-se tendência à recuperação do peso e<br />
altura no seguimento pós-adenotonsilectomia.<br />
As características típicas destas crianças com hiperplasia adenotonsilar<br />
incluem face alongada, obstrução nasal, respiração bucal, infecções repetidas de<br />
vias aéreas superiores complicadas por patologia de ouvido médio e perda auditiva<br />
de condução (Lind et al, 1982). Nas crianças, ao contrário do observado em adultos,<br />
a sonolência excessiva diurna pode ser encontrada, mas não é o quadro usual.<br />
Mais comumente há agitação, hiperatividade, irritabilidade, agressividade e<br />
lentidão no aprendizado escolar. Ao contrário dos adultos com SASO, que amiúde<br />
são obesos, estas crianças apresentam déficit pônder-estrutural. Nos casos severos,<br />
hipertensão pulmonar, cor pulmonale e finalmente óbito podem ocorrer em um<br />
pequeno número de crianças (He et al, 1988). O sono é descrito como tendo<br />
movimentação excessiva e sonilóquios freqüentes, respiração bucal ruidosa,<br />
acompanhada de diversas posições incomuns de dormir, com hiperextensão cervical<br />
(Brovillette et al, 1982. Enurese noturna é também relatada como manifestação<br />
destas crianças com SASO (Hjalmas, 1992).<br />
Após adenotonsilectomia, a respiração nasal passa a predominar, havendo<br />
melhora nas características de movimentação durante o sono e das apnéias<br />
obstrutivas. Há redução de episódios de decréscimo da saturação de O2 e de<br />
aumento da pCO2.<br />
Uma vez realizado o diagnóstico de SASO por hiperplasia de amígdalas e<br />
adenóides, a cirurgia não deve ser protelada, pois o comprometimento pela apnéias<br />
é certamente mais deletério comparado às possíveis conseqüências imunológicas<br />
da cirurgia. Adolescentes podem apresentar quadro semelhante a esse observado<br />
na primeira década de vida, com hipertrofia de adenóides levando à obstrução de<br />
vias aéreas; desta feita, é útil a indicação cirúrgica. A hipertrofia de adenóides na<br />
adolescência leva a alterações da estrutura craniofacial observável na cefalometria<br />
com aumento na angulação craniocervical, redução das dimensões da mandíbula,<br />
retrognatia e maior inclinação vertical do plano mandibular (Guilleminault et al,<br />
1989a).<br />
No adulto, a SASO moderada ou severa devida a hiperplasia amigdaliana e<br />
adenóidea é incomum em nossa amostra de 105 casos operados, exceção de um<br />
caso. Embora incomum no adulto, esta etiologia deve ser considerada, pois a<br />
50
terapêutica cirúrgica mostra prognóstico favorável de imediato (Joo et al, 1993).<br />
2.5.3 Cirurgias de avanço mandibular<br />
Os casos de SASO cuja obstrução está em nasofaringe e orofaringe, os<br />
denominados tipo II, usualmente não melhoram o suficiente com UPFP<br />
isoladamente. Está indicada a associação de UPFP com avanço mandibular e<br />
suspensão supero-anterior do osso hióide. Pode ser realizada com avanço do<br />
tubérculo geniano. As osteotomias são feitas abaixo das raízes dos dentes incisivos<br />
mandibulares, incluindo tubérculo geniano. O tubérculo é avançado na largura da<br />
mandíbula e o córtex medial do osso lingual fixado no córtex lateral da mandíbula<br />
(Adair, 1991).<br />
A base da língua é avançada com o tubérculo geniano, resultado no<br />
aumento do espaço posterior da via aérea. Tal procedimento é complementado com<br />
a miotomia inferior do hióide, suspendendo o osso hióide em direção à borda inferior<br />
da mandíbula (Chabole et al, 1991).<br />
Nesta associação de cirurgias pode ser observada melhora em 80% dos<br />
casos, tornando-se como critério de melhora a redução de 50% do índice de apnéias<br />
+ hipopnéias. Tal resultado foi verificado com avanço de gênio-hióide e suspensão<br />
do hióide com UPFP - SASO tipo II ou sem UPFP SASO tipo III- (Dickson et al,<br />
1987).<br />
Dentre outras opções cirúrgicas, o avanço maxilar pode acompanhar o<br />
mandibular e do osso hióide. Casos de retrognatia submetidos a avanço mandibular<br />
e maxilar apresentam um aumento considerável (em média 10mm) do espaço aéreo<br />
posterior (Chabole et al, 1991). Em casuística numerosa, observou-se a média do<br />
índice de apnéia pré-cirúrgica de 68/h, enquanto a média pós-cirúrgica foi 9/h.<br />
complicações relatadas são de pequena monta, a mais comum das quais é a paresia<br />
transitória do nervo alveolar inferior.<br />
Nos últimos anos, diversos protocolos estabelecendo etapas cirúrgicas têm<br />
sido utilizados, no intuito de solucionar, passo a passo, os pontos de obstrução em<br />
SASO. Riley e col. (1996) indicam protocolo em duas fases cirúrgicas. Na primeira, é<br />
realizada UPFP associada a avanço do genioglosso com miotomia e suspensão do<br />
hióide, focalizando a obstrução palatina e lingual, respectivamente. Casos cuja<br />
51
primeira fase se mostre ineficaz, realiza-se a fase 2, a saber, osteotomia com<br />
avanço maxilar e mandibular. Tais autores referem melhora em 76,5% dos casos na<br />
primeira fase, e em 95% após a segunda fase.<br />
Há um subgrupo de pacientes com SASO tipo II ou tipo III não responsivos à<br />
UPFP e/ou avanço de tubérculo geniano e avanço do hióide. Tal grupo é em grande<br />
parte composto de indivíduos com obesidade mórbida (maior que 30kg/m²), com<br />
deficiência mandibular severa ou com doença pulmonar obstrutiva crônica (Findley,<br />
1987). Avanço mandibular, maxilar e de osso hióide, por vezes, é útil a estes<br />
pacientes.<br />
A denominada cirurgia ortognática, no intuito de avançar a mandíbula, pode<br />
mostrar resultados satisfatórios em pacientes com retrognatia. O objetivo da cirurgia<br />
ortognática é avançar a mandíbula para obter cirurgia ortognátia é avançar a<br />
mandíbula para obter oclusão normal em paciente com retrognatia. Entretanto a<br />
maxila é amiúde da mesma maneira avançada a fim de permitir maior mobilidade da<br />
mandíbula e, portanto, maior avanço do tubérculo geniano e da base da língua.<br />
Tal avanço como um todo incrementa o espaço posterior das vias aéreas.<br />
Nesse caso, foi verificada melhora do ronco e da sonolência excessiva diurna em<br />
quase todos os pacientes; a hipertensão arterial foi controlada em 67% (Fletcher et<br />
al, 1985), não necessitando mais de anti-hipertensivos; os episódios de<br />
dessaturação de O2 abaixo de 90% foram reduzidos de 277 para 13 após a cirurgia<br />
(Fletcher et al, 1985). Houve melhora dos níveis mínimos de SatO2, durante as<br />
apnéias de 66% no pré-operatório para 87% no pós-operatório.<br />
Os protocolos cirúrgicos variam de acordo com as diferentes escolas, sendo<br />
o seguinte proposto por Lydiatt e col. (1991): adenoidectomia, septoplastia e<br />
redução dos cornetos.<br />
2.5.4 Traqueostomia<br />
A traqueostomia foi a primeira cirurgia utilizada, desde 1969, na terapêutica<br />
de SASO severa (Guilleminault et al, 1981). É o tratamento mais eficaz nestes<br />
casos, suprimindo as apnéias independentemente do sítio de obstrução acima do<br />
nível de traqueostomia. A melhora é observada imediatamente no pós-operatório e<br />
mantém-se a longo prazo na quase totalidade dos casos.<br />
52
A ampla casuística de Guilleminault e col. evidenciou melhora com<br />
traqueostomia na quase totalidade dos pacientes, no tangente à sonolência<br />
excessiva e fadiga diurnas. Polissonografia realizada para controle a longo prazo<br />
confirma ausência de apnéias, de ronco e de alterações patológicas da medida<br />
transcutânea da saturação de O2 (SatO2).<br />
Eficácia a longo prazo é próxima à totalidade dos casos, e os índices de<br />
sobrevida são compatíveis com grupos-controle. Cefaléia matinal, enurese noturna,<br />
automatismos durante o sono, movimentação excessiva ao dormir e redução da<br />
libido, usuais na SASO, foram eliminados quase totalmente com a traqueostomia.<br />
Nos pacientes hipertensos, esta cirurgia se acompanha de redução da pressão<br />
arterial, permitindo a diminuição dos medicamentos anti-hipertensivos em 40% dos<br />
casos (Guilleminault et al, 1981).<br />
Por outro lado, a traqueostomia caiu em desuso na SASO, principalmente<br />
pelas complicações nos cuidados do estômago e seu peso psicossocial, aliado ao<br />
surgimento de cirurgias mais bem aceitas pelo paciente, como a UPFP, e do maior<br />
emprego de CPAP nos pacientes obesos com SASO severa. Nos últimos oito anos,<br />
em nossa experiência, não realizamos nenhuma traqueostomia em casos de SASO.<br />
2.5.5 Cirurgia nasal<br />
As cirurgias nasais têm papel limitado, mas reconhecido, na fisiopatologia da<br />
SASO. Em indivíduos, assintomáticos, obstrução nasal provocada induz ou exacerba<br />
apnéias. Desta forma, o aumento agudo da resistência da via aérea nasal leva à<br />
oclusão das vias aéreas superiores em indivíduos predispostos (Atkins et al, 1994),<br />
embora a importância do aumento crônico de resistência nasal na SASO seja ainda<br />
controversa.<br />
A indução ou exacerbação das apnéias em indivíduos assintomáticos por<br />
ocasião da obstrução nasal aguda está na dependência de dois fatores principais:<br />
falta de fluxo aéreo leva ao decréscimo da atividade muscular faríngea e de<br />
genioglosso vistas à eletromiografia; a simples oclusão mecânica nasal pode levar a<br />
aumento da resistência faríngea (Svanborg et al, 1993). Em conseqüência, provoca<br />
aumento da negatividade da pressão na luz das vias aéreas e incremento na relação<br />
entre a pressão e a atividade eletromiográfica.<br />
53
Embora postulado que o aumento de resistência nasal esteja associado a<br />
aumento do ronco e dos episódios apnéicos durante o sono, amiúde a correção<br />
cirúrgica nasal não leva isoladamente à correção da SASO. A obstrução nasal não<br />
deve ser considerada como o fator principal na gênese da SASO.<br />
Rinomanometria com curva fluxo-volume nasal utilizada para observação do<br />
fluxo aéreo nasal mostra ser a resistência nasal ao fluxo aéreo em indivíduos<br />
normais quase totalmente produzida aos 2 e 3cm anteriores e evidencia que<br />
reduzindo a resistência nas narinas há efeito favorável ao fluxo aéreo (Atkins et al,<br />
1994). Em clínica, pacientes comumente relatam piora da respiração quando têm<br />
obstrução nasal, por rinopatia hipertrófica, rinites alérgicas, vasomotoras, gravídicas,<br />
medicamentosas.<br />
Na escolha dos candidatos à cirurgia devemos ponderar os fatores de<br />
contra-indicação relativa. Assim, casos com cefalometria evidenciando redução do<br />
espaço posterior das vias aéreas ou alterações da distância do plano mandibular ao<br />
osso hióide tendem a não melhorar as apnéias após cirurgias nasais, incluindo<br />
septoplastia, turbinectonia e polipectonia.<br />
2.5.6 Cirurgia lingual<br />
A glossectomia parcial, no intuito de reduzir o volume lingual na SASO<br />
secundária a macroglossia, foi introduzida há poucos anos e seus resultados ainda<br />
estão por vir. Visa aumentar o espaço faríngeo posterior à base da língua (Maisels et<br />
al, 1986).<br />
Inicialmente, esta cirurgia foi realizada para remover um terço da base da<br />
língua em paciente acromegálico com SASO. Em 1981, Fujita e col realizaram a<br />
glossectomia com uso de laser, com excisão prolongando-se até a porção livre da<br />
epiglote. Resultados favoráveis foram encontrados em 77% de uma casuística de<br />
22 pacientes com apnéia severa, os quais não haviam melhorando com UPFP. As<br />
principais complicações desta técnica são hemorragia, edema e déficit da deglutição,<br />
caso haja comprometimento do 12º par craniano. Há necessidade de traqueostomia<br />
temporária, aumentando o tempo de hospitalização.<br />
Outra técnica de utilização recente opta pela via de entrada cervical com<br />
dissecção dos pedículos linguais. A ressecção é feita extramucosa para reduzir o<br />
54
isco de hemorragia. Usando a mesma via de acesso cervical é simultaneamente<br />
realizada a suspensão do osso hióide (Chabole et al, 1991).<br />
As cirurgias linguais, embora promissoras, são ainda de uso recente no<br />
tratamento da SASO, com casuísticas reduzidas, carecendo de seguimento a longo<br />
prazo.<br />
2.5.7 Terapêutica combinada<br />
Além da união de diversas cirurgias, pode-se lançar mão de tratamentos<br />
clínicos, do uso de aparelhos dentários, no intuito de melhorar a eficácia<br />
terapêutica. Tais condutas são utilizadas em seqüência ou concomitantemente.<br />
Medidas gerais, clínicas, incluem reduzir peso, evitar álcool, sedativos e<br />
fumo, não dormir em decúbito dorsal horizontal (Coren, 1998). Essas diretrizes<br />
gerais são empregadas, via de regra, nos pacientes submetidos à cirurgia ou ao uso<br />
de aparelhos. Devem ser mantidas a longo prazo, pois do contrário pode haver piora<br />
das apnéias nos pacientes controlados parcialmente pela cirurgia. A hipertensão<br />
arterial observada neste casos deve-se à SASO, estando da mesma forma<br />
associada à obesidade e ao sexo masculino, havendo melhora com a terapêutica<br />
da SASO (Fletcher et al, 1985).<br />
Em pacientes obesos, por vezes é utilizado aparelhos de CPAP por vários<br />
meses, antecedendo a cirurgia (Findley, 1987). Este uso permite anular o risco das<br />
apnéias nos meses antecedendo a cirurgia, reduzir peso e realizar controle<br />
hemodinâmico e de outras afecções clínicas, colocando-o em condições cirúrgicas,<br />
Malformações complexas craniofaciais acompanhadas de micrognatia, como<br />
na seqüência de Pierre Robin, podem necessitar de mais de uma cirurgia, em<br />
períodos de meses ou anos. Nestes, o uso CPAP é útil prevenindo as apnéias até a<br />
conclusão das cirurgias. Alguns casos de micrognatia e retrognatia se beneficiam de<br />
cirurgias e uso crônico de aparelhos dentários, em seqüência.<br />
A SASO é, pois, uma afecção crônica e sua terapêutica, seja clínica ou<br />
cirúrgica, requer seguimento regular prolongado, incluindo reavaliações periódicas,<br />
por vezes multidisciplinares, polissonografia e ocasionalmente cefalometria. É<br />
reconhecido que a melhora exclusivamente subjetiva do ronco ou da sonolência<br />
diurna não espelha as apnéias e seu comprometimento sistêmico. Torna-se<br />
55
necessário utilizar medidas objetivas como polissonografia e cefalometria para<br />
avaliação a longo prazo.<br />
Além de atrapalhar a vida social, a apnéia pode provocar déficit de<br />
memória. E o pior: coloca a vida da pessoa em risco. A vítima não percebe que está<br />
com dificuldades para respirar e, quando fica mais velha (por volta dos 60 anos)<br />
pode até se sufocar. A falta de oxigênio pode causar arritmia cardíaca (Miller, 1982).<br />
Estudos americanos mostram que 30% das pessoas com apnéia forte morrem<br />
depois de 10 anos que a doença foi detectada. Outro dado importante: 60% dos<br />
pacientes que têm apnéia sofrem um aumento na pressão arterial. Se a apnéia for<br />
diagnosticada e tratada corretamente, a pressão baixa.<br />
2.5 Tratamentos<br />
Cirurgia - Algumas pessoas têm a úvula e o céu da boca muito longos e com<br />
gordura, o que provoca o fechamento da faringe. Para esses casos, é indicada uma<br />
cirurgia que retira o excesso de gordura ou de tecidos.<br />
CPAP - Trata-se de um aparelho, criado em 1981 pelo australiano Colin<br />
Sullivan, para injetar ar comprimido com pressão no nariz e abrir a faringe<br />
mecanicamente (Sanders et al, 1986).<br />
Aparelho dentário - com aparelhos específicos, puxa-se o queixo cerca de<br />
6mm à frente, provocando o deslocamento da língua para frente e permitindo uma<br />
passagem de ar maior pela faringe.<br />
Cuidados - Além dos tratamentos médicos, existem algumas medidas que<br />
podem ser realizadas em casa para combater a apnéia:<br />
- Reduzir o peso - Os obesos são sérios candidatos à apnéia, já que<br />
possuem um volume maior de gordura, inclusive na faringe (Browman et al, 1984) .<br />
- Mudar a posição - Dormir de barriga para cima é a pior posição para quem<br />
sofre de apnéia (Cartwright, 1984). O melhor é dormir de lado ou de bruços.<br />
- Evitar álcool (Scrima, 1982) ou sedativos - Essas substâncias deixam a<br />
musculatura da faringe mais flácida, provocando seu fechamento (Lakshminarayan<br />
et al, 1976).<br />
- Comer pouco antes de dormir - Refeições paradas dificultam a digestão<br />
atrapalhar a respiração durante o sono (Coren, 1998).<br />
56
3 METODOLOGIA<br />
No presente capítulo apresenta-se a trajetória metodológica da pesquisa, no<br />
que se refere à descrição do local, população de estudo e todos os detalhes sobre a<br />
coleta e análise dos dados.<br />
Levantamentos bibliográficos foram realizados durante todo o processo de<br />
desenvolvimento do estudo. Os resultados da busca literária pertinente ao tema<br />
revelaram relativa escassez de conteúdo de referência sobre o relacionamento entre<br />
a apnéia e as atividades laborais. O levantamento das informações, que deram<br />
amparo a este estudo (livros, periódicos, dissertações), foi realizado nas Bibliotecas<br />
da Universidade Federal (UFSC) e Estadual (UDESC) de Santa Catarina, da<br />
Universidade Federal do Paraná (UFPR), na Internet e por meio dos eficientes<br />
serviços de comutação bibliográfica oferecidos pelas universidades<br />
supramencionadas.<br />
3.1 Metodologia de Análise<br />
O estudo foi idealizado a partir da intenção de compreender como a<br />
atividade laboral pode estar relacionada às características de um portador de Apnéia<br />
do Sono. Para este fim, optou-se por realizar estudo por método quantitativo de<br />
levantamento de dados, por meio de inferências baseadas em amostra probabilística<br />
(Toledo et al., 1985).<br />
3.2 População estudada e local da pesquisa<br />
Não há critérios específicos para a definição da população de pesquisa, uma<br />
vez que a apnéia pode atingir qualquer pessoa, independente de sexo ou idade.<br />
Inicialmente, não houve restrições evidentes para que indivíduos participassem da<br />
amostra da pesquisa, porém, duas razões fizeram com que não se tomassem<br />
observações de crianças e menores de 18 anos. A primeira, por questão de ética e a<br />
segunda, pelas próprias características físicas destes indivíduos, que poderiam<br />
distorcer os resultados finais.<br />
57
O cuidado em se obter dados aleatórios remeteu à definição do local onde<br />
se pudessem sortear indivíduos que seriam procedentes de todas as partes da<br />
cidade, sem distinção de sexo, idade ou profissão. Estabeleceu-se a “Boca Maldita”,<br />
na Praça Osório – Centro da Cidade de Curitiba/PR - por ser, reconhecidamente, o<br />
ponto de passagem de quantidade elevada de pessoas, das mais variadas classes<br />
sociais e oriundas de diversos bairros da cidade de Curitiba.<br />
3.2 Aspectos Éticos da Pesquisa<br />
Em todos os momentos, as pessoas foram esclarecidas sobre os objetivos<br />
da pesquisa e lhes foram solicitadas autorizações que nos permitissem utilizar os<br />
resultados dos seus exames neste estudo.<br />
Desse modo, todas as recomendações sobre ética de pesquisas foram<br />
adotadas, como se pode comprovar abaixo:<br />
Contar com o consentimento livre e esclarecido do sujeito da pesquisa e/ou<br />
seu representante legal. Exigir que os esclarecimentos se façam em linguagem clara<br />
e acessível, e nela incluídos necessariamente os seguintes aspectos:<br />
a) a justificativa, os objetivos e os procedimentos que serão utilizados na<br />
pesquisa;<br />
b) os desconfortos e riscos possíveis e os benefícios esperados;<br />
c) os métodos alternativos existentes;<br />
d) a forma de acompanhamento e assistência, assim como a aquiescência<br />
de seus responsáveis.<br />
Prever procedimentos que assegurem a confidencialidade e a privacidade, a<br />
proteção da imagem, a não estigmatização, garantindo a não utilização das<br />
informações, em prejuízo das pessoas e/ou comunidade, inclusive em termos de<br />
auto-estima, de prestígio e/ou econômico-financeiro.<br />
Assegurar aos sujeitos da pesquisa os benefícios resultantes do projeto, seja<br />
em termos de retorno social, bem como o acesso aos procedimentos, produtos ou<br />
agentes da pesquisa.<br />
Dar liberdade ao sujeito de se recusar a participar ou retirar seu<br />
consentimento, em qualquer fase da pesquisa sem penalização alguma e sem<br />
prejuízo ao seu cuidado.<br />
58
3.4 Projeto Operacional da Pesquisa<br />
3.4.1 Estrutura para levantamento de dados<br />
Os dados da pesquisa foram coletados pelo pesquisador, contando com a<br />
ajuda de um grupo de 20 acadêmicos do Curso de Fisioterapia do Centro<br />
Universitário Campos de Andrade – Uniandrade, em parceria com voluntários da<br />
Universidade Tuiuti do Paraná, nos dias 04 e 05 de setembro de 2000, no horário<br />
das 07:00 às 13:00 horas.<br />
Indivíduos, abordados em praça pública, eram encaminhados a uma<br />
estrutura similar a um ambulatório, montada no local, onde recebiam folheto com<br />
informações detalhadas sobre apnéia obstrutiva do sono, como por exemplo, seus<br />
sintomas, diagnósticos, tratamentos clínicos e cirúrgicos.<br />
Inicialmente, os indivíduos respondiam a um questionário e, em seguida,<br />
eram encaminhados para a realização dos testes, no mesmo local.<br />
3.4.2 Criação de Folder Explicativo<br />
O primeiro incentivo ao início da pesquisa se deu através do contato que<br />
todos os envolvidos tiveram com a campanha de divulgação e conscientização da<br />
patologia, denominada: “I Semana de Fisioterapia na Prevenção e Atuação na<br />
Apnéia do Sono”. Realizada nas dependências da Uniandrade, contou com a<br />
participação de médicos, fisioterapeutas, cirurgiões dentistas, psicólogos e<br />
nutricionistas, autoridades em doenças do sono, que através de palestras,<br />
apresentaram temas relacionados à apnéia do sono.<br />
O acompanhamento do pesquisador junto aos trabalhos dos seminários<br />
ajudou na coleta de informações, que foram somadas às teorias relacionadas e<br />
possibilitaram elaboração de folder para divulgação da patologia. Assim, o folder<br />
continha explicações e detalhamento sobre características de um indivíduo portador<br />
da doença.<br />
Após a realização de bateria de testes, básicos para a obtenção de dados<br />
para a análise (Anexo 7.3), os resultados foram anotados no banco de dados da<br />
59
pesquisa e também nos próprios folders, que ficavam em poder do entrevistado para<br />
que ele tomasse conhecimento de sua condição de saúde em relação às avaliações.<br />
3.4.3 Instrumentos para obtenção de dados<br />
Os instrumentos da pesquisa constituíram-se de questionários para<br />
investigação de comportamento e os exames ou testes, que geraram medições para<br />
análise (Meyer, 1984). Obtiveram-se, então, avaliações objetivas (medições) e<br />
subjetivas (dados sobre comportamento de rotina dos entrevistados).<br />
O questionário (Anexo 7.3) continha perguntas como:<br />
Você ronca? Tem muito sono ? Tem dores de cabeça freqüentes? Anda<br />
irritado ou agressivo? Tem pouco poder de concentração? Dificuldade em respirar<br />
pelo nariz? Faz algum tipo de atividade física?<br />
Os testes e exames apuraram medições de:<br />
Peso, altura, saturação de oxigênio, freqüência cardíaca, pressão arterial,<br />
perimetria cervical, relação C/Q – cintura-quadril.<br />
Além dessas informações, o cadastramento dos indivíduos foi completado<br />
com informações sobre suas atividades laborais, sexo e idade, para compor a<br />
análise de perfil. Posteriormente, as informações foram associadas às atividades<br />
laborais exercidas e características da patologia.<br />
3.4.4 Pré-testes dos instrumentos de pesquisa<br />
Os trabalhos foram iniciados através da coleta parcial de amostra para<br />
verificar possíveis falhas de medição ou condutas incorretas dos colaboradores<br />
(Spiegel, 1978). Não foram constatadas divergências de procedimentos e, assim, o<br />
levantamento de dados foi continuado até que se chegasse a um número mínimo<br />
necessário de observações da amostra (Toledo, 1985).<br />
Quando se verificou que não havia divergência de procedimentos entre os<br />
colaboradores, garantiu-se que os resultados não seriam observados sob a<br />
influência de fatores externos.<br />
A obtenção do melhor padrão de aferição de medidas foi alcançado<br />
mediante treinamento, para que todos agissem de forma igualmente corretas, no que<br />
60
se refere ao manuseio de equipamentos, quantidade de vezes necessárias para<br />
definições dos números aferidos, tempo que o entrevistado levou para preencher<br />
questionário, e outros.<br />
Neste aspecto, o conceito básico evidente é que os resultados foram obtidos<br />
para expressar as verdadeiras condições físicas do entrevistado quanto às variáveis<br />
desejadas. Por exemplo, os dados de batidas do coração estariam comprometidos<br />
se fossem tomados antes que o indivíduo ficasse em repouso, respondendo ao<br />
questionário. Ele podia estar caminhando rapidamente, com a freqüência cardíaca<br />
acelerada, o que alteraria os resultados quando se comparasse com outro, que<br />
estava caminhando calmamente.<br />
3.4.5 Determinação do tamanho da amostra<br />
Utilizando teoria de amostragem aleatória simples e não levando em conta a<br />
natureza probabilística das variáveis em questão, tem-se um número mínimo de<br />
amostra definido por:<br />
1<br />
n 0 =<br />
e<br />
2<br />
0<br />
onde: n0 = primeira aproximação do tamanho da amostra e e0 = erro<br />
amostral tolerável.<br />
Adotando margem de erro e0 de 3,5 %, temos:<br />
correção<br />
n<br />
0<br />
1<br />
=<br />
e<br />
2<br />
0<br />
=<br />
1<br />
0,<br />
035<br />
2<br />
= 816<br />
Caso se tome o tamanho populacional hipotético de 1.000.000 pessoas, a<br />
n<br />
N.<br />
n<br />
N + n<br />
0<br />
= é desnecessária, pois conduzirá a número de amostra<br />
0<br />
aproximadamente igual ao calculado acima, ou seja, de 816 indivíduos (Morettin,<br />
1999).<br />
Na prática, foi obtida a quantidade de 919 observações na coleta de dados,<br />
número maior que o mínimo recomendado para alcançar a margem de erro aceitável<br />
de resposta.<br />
61
3.4.6 Metodologia de análise estatística<br />
3.4.6.1 Análise descritiva dos dados<br />
A análise dos dados ocorreu através de leituras repetitivas dos<br />
questionários, tendo como guias particulares os objetivos específicos do estudo<br />
(Toledo, 1985).<br />
Em seguida, os dados foram lidos novamente, com o objetivo de identificar<br />
as categorias de freqüências para análise e discussão, possibilitando síntese<br />
compreensiva dos dados.<br />
A necessidade em responder ao objetivo geral do estudo fez com que se<br />
buscasse tais identificações, destacando proporções de ocorrências em relação ao<br />
total numérico da amostra especificada, detalhando o perfil dos indivíduos.<br />
Fez parte da análise o cálculo de medidas de tendência central e de<br />
dispersão, elaboração de gráficos e outros métodos que auxiliaram o entendimento<br />
do comportamento dos dados e foi objeto da análise descritiva (Morettin, 1999).<br />
3.4.6.2 Teste de hipóteses - proporções<br />
Nos casos em que as leituras simples das proporções não foram suficientes<br />
ao melhor entendimento das respostas, em geral quando há necessidade de<br />
comprovação de significância estatística, foi utilizado o Teste paramétrico de<br />
Hipóteses específico para diferenciar Proporções, que é estruturado da seguinte<br />
forma:<br />
Hipótese nula e alternativa: H0: p1 = p2 x H1: p1 ≠ p2<br />
Estatística do Teste:<br />
Z<br />
Calc<br />
=<br />
( f − f ) − ( p − p )<br />
1<br />
p<br />
1<br />
2<br />
× q<br />
n<br />
j<br />
j<br />
+<br />
1<br />
2<br />
2<br />
j<br />
p × q<br />
n<br />
j<br />
62
onde :<br />
p j<br />
=<br />
p<br />
1<br />
× n<br />
n<br />
1<br />
1<br />
+<br />
p<br />
+ n<br />
2<br />
2<br />
× n<br />
Conclusão do Teste<br />
A comparação entre valores calculados pelas quantidades acima e os<br />
valores definidos pela distribuição teórica de proporções indicou resposta ao teste.<br />
Como está especificado Teste bilateral (duas caudas), tem-se:<br />
Rejeita-se H0 quando: |zcalculado| > zα (tabela)<br />
Adotando-se o nível de 95% de confiança ao teste tem-se os valores<br />
tabelados:<br />
zα ± 1,96.<br />
Outra metodologia de resposta baseou-se somente na probabilidade de<br />
rejeição estabelecida para o teste, a qual se pode comparar com o resultado prático<br />
de probabilidade (p-valor).<br />
De ambas formas, o teste será dito significativo quando se rejeita H0 em<br />
favor de H1, ao nível considerado.<br />
3.5. Coleta de dados<br />
Os dados objetivos eram coletados e repassados para um folheto explicativo<br />
da campanha, com o paciente repousando por um período mínimo de 5 minutos,<br />
para que os exames clínicos e dados vitais, que foram realizados posteriormente,<br />
não tivessem comprometimento, visto que esses indivíduos estavam caminhando<br />
pelo calçadão.<br />
As perguntas objetivas seguiram o questionário do folheto explicativo<br />
(Anexos 7.3). O peso e altura (kilograma e em centímetros) foram verificados em<br />
uma balança digital, modelo Filizola, ano 1999, com o indivíduo sem o calçado,<br />
jaquetas ou blusões de frio. Na análise de Massa Corpórea, considerou-se obeso, o<br />
homem com valor a 27 kg/m 2 e a mulher com valor superior a 26 Kg/m 2 .<br />
2<br />
63
PESO (KG) = P (KG)<br />
________ _______<br />
ALTURA H 2<br />
Em seguida, foram verificadas a saturação de oxigênio e freqüência cardíaca<br />
em um oxímetro digital, marca Nonin, modelo de bolso, ano 1999, a partir do dedo<br />
indicador, na polpa digital do mesmo, e em uma temperatura externa que variou<br />
(durante os dois dias), com uma mínima de 17 O C e máxima de 27 O C.<br />
A pressão arterial foi analisada com esfigmomanômetro do tipo Aneróides,<br />
marca Becton Dickison, modelo básico, ano 1998, mensurado em mmhg e<br />
estetoscópio adulto, marca Becton Dickison, modelo Duosonic, ano 1998.<br />
A perimetria cervical foi mensurada com fita métrica em centímetros, a partir<br />
do processo cricóide, seguindo toda a circunferência cervical. A composição<br />
corpórea, foi analisada pelo Índice cintura-quadril (relação C/Q), onde é mensurada<br />
a circunferência da cintura e a divide pela circunferência do quadril (Anexo 7.3). A<br />
partir dessa divisão, obteve-se a leitura do risco estimado de doenças<br />
cardiovasculares em baixo, moderado, alto e muito alto (Applied Body Composition<br />
Assessment, p. 82, 1996).<br />
64
4 REPRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS<br />
4.1 Segmentação da amostra<br />
Após amostragem, os indivíduos foram divididos em dois grupos, distintos,<br />
pela maior ou menor necessidade de empenho físico na realização de suas<br />
atividades.<br />
Grupo 1: Maior empenho físico. Ex.: vendedores de rua, trabalhadores<br />
braçais, donas de casa e etc.<br />
Grupo 2: Menor empenho físico. Ex.: trabalhadores em escritórios,<br />
profissionais de ensino, aposentados, etc.<br />
Por esse critério, a amostra se divide da seguinte forma:<br />
Quadro2 - Divisão da amostra em grupos<br />
Divisão da amostra Indivíduos<br />
Grupo 1 – Maior empenho físico 456<br />
Grupo 2 – Menor empenho físico 463<br />
Total 919<br />
4.2 PERFIL DOS INDIVÍDUOS<br />
4.2.1 Sexo<br />
Na tabela 1, pode-se verificar que de um total de 999 indivíduos, 497 (54%)<br />
são do sexo masculino e 422 (46%) do sexo feminino, dados que conferem<br />
homogeneidade e imparcialidade quanto a resultados no item de divisão por sexo.<br />
65
Tabela 1 - Divisão dos grupos segundo o sexo<br />
SEXO<br />
Divisão de Grupo Segundo o Sexo dos Indivíduos<br />
46%<br />
54%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Masculino 497 54% 200 44% 297 64%<br />
Feminino 422 46% 256 56% 166 36%<br />
Total 919 100% 456 100% 463 100%<br />
Figura 6 – Percentuais dos grupos segundo o sexo dos indivíduos<br />
56%<br />
44%<br />
36%<br />
64%<br />
GERAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Masculino Feminino<br />
A figura 6 leva-nos a observar que não há diferença significativa quanto à<br />
divisão por sexo, no grupo 1, que é o dos trabalhadores de maior empenho físico. A<br />
análise do grupo 2, trabalhadores com menor empenho físico, revela a<br />
predominância do grupo masculino (64%) sobre o feminino (36%)<br />
4.2.2 Idade<br />
Temos para o Grupo 1 a média de 52 anos e para o Grupo 2 a média de 56<br />
anos de idade. A tabela 2, com os dados agrupados em classes, fornece a<br />
66
distribuição das freqüências de idade.<br />
A partir da análise da figura 7, pode-se observar que o público predominante<br />
de pessoas que paravam para a realização dos testes, na praça Osório, centro de<br />
Curitiba, estado do Paraná, são indivíduos com idade entre 60 e 69 anos, resultando<br />
um total de 196 pessoas, 21% do público total avaliado.<br />
A tabela 2 e a figura 7 revelam que a média de idade para o grupo 1 é de 52<br />
anos e para o grupo 2, 56 anos.<br />
Tabela 2 - Freqüência de idade<br />
Idade (anos)<br />
De 70 em diante<br />
De 60 a 69<br />
De 50 a 59<br />
De 40 a 49<br />
De 30 a 39<br />
De 20 a 29<br />
Abaixo de 20<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Abaixo de 20 13 1% 4 1% 9 2%<br />
De 20 a 29 86 9% 40 9% 46 10%<br />
De 30 a 39 140 15% 79 17% 61 13%<br />
De 40 a 49 180 20% 111 24% 69 15%<br />
De 50 a 59 192 21% 111 24% 81 17%<br />
De 60 a 69 196 21% 79 17% 117 25%<br />
De 70 em diante 112 12% 32 7% 80 17%<br />
Total 919 100% 456 100% 463 100%<br />
Figura 7 - Percentual de idade dos indivíduos por grupo<br />
Idade dos Indivíduos - Divisão por Grupo<br />
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
67
Ainda pode-se detectar que é nesta faixa de idade que se encontram os<br />
indivíduos que desenvolvem atividade laboral que exigem maior empenho físico,<br />
com 111 pessoas (21%), contra 81 indivíduos, ou seja (17%) do grupo 2,<br />
desenvolvendo atividades com menor empenho físico.<br />
4.3 Fatores indicativos de Apnéia<br />
Dos dois grupos referidos ao nível de empenho físico, foram separados para<br />
análise, os indivíduos que apresentam os dois principais indicadores de Apnéia,<br />
quais sejam: Ronco e Obesidade.<br />
O que se deseja verificar é se os percentuais dos outros fatores, também<br />
indicadores de Apnéia, diferem suas ocorrências para estes dois novos grupos,<br />
aproximando perfil de indivíduos que possuem a doença. Temos então, a primeira<br />
divisão da amostra que se refere ao desempenho físico e, agora, uma outra, que<br />
define as duas características mencionadas acima. Todos os cruzamentos de<br />
informações, portanto, são apresentados considerando nova base, com 373<br />
indivíduos, conforme a tabela 3:<br />
Tabela 3 - Percentual de ronco e obesidade<br />
Ronco e<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Obesidade<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 373 41% 209 46% 164 35%<br />
Não 546 59% 247 54% 299 65%<br />
Total 919 100% 456 100% 463 100%<br />
Do número inicial de 919 pessoas analisadas, foram eleitos 373 indivíduos,<br />
com características indicadoras de Apnéia Obstrutiva do Sono, como ronco,<br />
ocasionado por uma hipotônia da musculatura das vias aéreas superiores, cuja<br />
flacidez, levando à oclusão das vias aéreas superiores no período de sono, provoca<br />
paradas respiratórias.<br />
68
Figura 8 - Representação do percentual de ronco e obesidade<br />
Indivíduos que roncam e estão acima do peso - divisão por grupo<br />
Indivíduos que Roncam e estão Acima do Peso<br />
Divisão por Grupo<br />
59%<br />
41%<br />
54%<br />
46%<br />
65%<br />
35%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
Todos os estudiosos da SASO são unânimes em afirmar que o excesso de<br />
peso é um fator agravante da doença. Explica-se: os indivíduos que estão acima do<br />
peso, tendem a concentrar uma maior quantidade de adiposidade ao nível do<br />
pescoço e região abdominal, gerando um maior desconforto e deficiente mecânica<br />
ventilatória. A tabela 3 e a figura 8 apontam 46% de pessoas do grupo 1 e 35% das<br />
do Grupo 2, que roncam e são obesos.<br />
4.3.1 Fator: Freqüência Cardíaca<br />
A tabela 4 revela que 59% das pessoas tanto do grupo 1 quanto do grupo 2<br />
apresentam freqüência cardíaca maior ou igual a 80 batimentos por minuto em<br />
repouso, e fazem, portanto, parte de um grupo de risco quanto a doenças<br />
cardíacas segundo Burwell (Slutsky, 1997). Este aumento se dá principalmente<br />
devido ao esforço respiratório contínuo que os portadores de Apnéia do sono<br />
realizam durante as suas paradas respiratórias noturnas, levando a um quadro de<br />
alargamento ventricular direito aos traçados eletrocardiográficos , descrevendo ainda<br />
69
uma falência ventricular direita não secundária a falência ventricular esquerda.<br />
Tabela 4 - Controle de freqüência cardíaca<br />
FC maior ou<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Igual a 80 bpm<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 220 59% 124 59% 96 59%<br />
Não 153 41% 85 41% 68 41%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
A figura 9 ratifica os índices da tabela 4: a população curitibana, mesmo em<br />
repouso, apresenta um aumento da freqüência cardíaca, que confirma os fatores de<br />
risco cardiovascular e sedentarismo. São situações clássicas dos portadores de<br />
Apnéia do Sono, devido às associações contínuas de arritmia cardíaca<br />
compensatória, gerada pelas apnéias noturnas. O incremento da freqüência<br />
cardíaca, predispõe os pacientes portadores de SASO a um maior risco e<br />
mortalidade cardiovasculares (Shepard, 1990).<br />
Figura 9 - Relação do percentual de freqüência cardíaca<br />
Indivíduos com Frequencia Cardiaca<br />
Maior ou Igual a 80 bpm - Divisão por Grupo<br />
41% 41% 41%<br />
59% 59% 59%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
70
4.3.2 Fator: Risco Cardiovascular<br />
Os riscos cardiovasculares altos e muito altos estão diretamente ligados à<br />
obesidade, visto que este é um dos fatores mais agravantes da enfermidade e por<br />
isso deverá ser avaliada a distribuição do tecido adiposo, prestando atenção<br />
especial a infiltração no pescoço, abdome e tórax . Devido a estes fatores foi<br />
avaliado a relação C/Q (Abdome/ Quadril), dado bastante relevante para indicação<br />
de Apnéia do sono, visto a existência de um tipo específico chamado de “Joe”,<br />
caracterizada principalmente pela obesidade, relatado por Alexander J K (Slutzky ,<br />
1997).<br />
Tabela 5 - Apresentação do risco cardiovascular<br />
Risco Cardio<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Vascular<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Alto + Muito alto 261 70% 151 72% 110 67%<br />
Baixo + Moderado 112 30% 58 28% 54 33%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
Os riscos cardiovasculares, analisados através do IMC (Índice de massa<br />
corpórea) em indivíduos que roncam e que são obesos, demonstram as<br />
características da população da cidade de Curitiba, onde o clima frio propicia o<br />
sedentarismo e a ingestão de alimentos ricos em gorduras. O excesso de peso é<br />
praticamente unânime a todos os autores como principal fator predisponente para a<br />
SASO, visto que pacientes com redução de peso, mesmo leve, em torno de 10% a<br />
20% do peso excessivo, já apresentam quedas nas apnéias e hipopnéias (Block et<br />
al., 1984).<br />
A tabela 5 indica dados preocupantes, pois 72% dos indivíduos do grupo 1 e<br />
67% do grupo 2 apresentam índices de risco cardio vascular de alto a muito alto.<br />
Esses dados são mais preocupantes ainda quando da análise global, segundo a<br />
figura 10, pois o índice de alta muito alto salta para 70% contra 30% de indivíduos<br />
portadores de risco cardiovascular de baixo a moderado.<br />
71
Figura 10 - Percentual quanto ao risco cardiovascular do entrevistado<br />
Quanto ao Risco Cardio-Vascular do Entrevistado<br />
30%<br />
70%<br />
4.3.3 Fator: Hipertensão<br />
28%<br />
72%<br />
33%<br />
67%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Alto+ Muito Alto Baixo + Moderado<br />
As flutuações do estado ácido – básico durante as apnéias provocam<br />
importantes mudanças hemodinâmicas, onde a pressão arterial sistêmica sobe a<br />
cada parada respiratória, dependendo do nível de incremento do grau de<br />
dessaturação da oxiemoglobina. A repetição cíclica de tais episódios de hipertensão<br />
arterial sistêmica contribuem para hipertrofia ventricular esquerda e levam a<br />
insuficiência cardíaca. Dos pacientes com Apnéia do sono, 50% desenvolvem<br />
hipertensão e 30% dos pacientes diagnosticados são hipertensos (Fletcher &<br />
Reimão, 1996).<br />
72
Tabela 6 - Análise do fator hipertensão<br />
Hipertensão<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 50 13% 22 11% 28 17%<br />
Não 323 87% 187 89% 136 83%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
A relação da hipertensão com o ronco e a obesidade, segundo a tabela 6,<br />
contraria a literatura afim que relata o desenvolvimento da hipertensão em pacientes<br />
portadores de SASO. A esmagadora maioria, 89% do grupo 1 e 83% do grupo 2 não<br />
apresentam características de hipertensão mensurada através de pressão arterial,<br />
conforme observado na figura 11.<br />
Figura 11 - Incidência de hipertensão nos entrevistados<br />
Quanto ao Entrevistado Apresentar Característica de<br />
Hipertensão através da Mensuração de Pressão Arterial<br />
87% 89%<br />
13%<br />
11%<br />
83%<br />
17%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
4.3.4 Fator: prática de atividades físicas<br />
A prática de atividades físicas habitualmente, leva a uma manutenção ou<br />
diminuição do peso, controle da pressão arterial e melhora do condicionamento<br />
73
cardiorrespiratório, fatores estes, importantes para a não instalação da Apnéia do<br />
sono.<br />
Tabela 7 - Demonstrativo da prática de atividade física<br />
Prática de<br />
Atividades físicas<br />
Quanto ao Entrevistado Praticar Exercícios<br />
Físicos Habitualmente<br />
55% 57%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 167 45% 90 43% 77 47%<br />
Não 206 55% 119 57% 87 53%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
Considera-se como atividade física, os tipos de exercício que utilizam<br />
grandes grupos musculares, e mantidos por um período mínimo de 20-30 minutos e<br />
que seja de natureza rítmica e aeróbica, como por exemplo, marcha ou caminhadas<br />
rápidas (Froelicher, 1983).<br />
Segundo a tabela 7 e a figura 12, observa-se que mais da metade dos<br />
entrevistados , 57% do grupo 1 e 53% do grupo 2 ainda não se conscientizou dos<br />
benefícios da atividade física como fator de aumento da qualidade de vida.<br />
Figura 12 - Percentual do hábito da prática do exercício físico<br />
53%<br />
45% 43%<br />
47%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
74
4.3.5 Fator: Sonolência<br />
A sonolência excessiva diurna, junto com o ronco, é o sintoma principal dos<br />
pacientes portadores de SASO, presente em 80% dos pacientes, como<br />
conseqüência do sono noturno fragmentado e interrompido constantemente pelas<br />
apnéias ou microdespertares (Greenberg & Reimão, 1996).<br />
Tabela 8 - Presença de sonolência excessiva diurna<br />
Sono durante<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
o dia<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 169 45% 92 44% 77 47%<br />
Não 204 55% 117 56% 87 53%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
A tabela 8 e a figura 13 revelam que uma parcela significativa do universo<br />
analisado – 44% do grupo 1 e 47% do grupo 2 - acusam hipersonolência diurna.<br />
Figura 13 - Percentual de hipersonolência nos entrevistados<br />
Quanto ao Entrevistado sentir Muito Sono<br />
durante o Dia<br />
55% 56%<br />
53%<br />
45% 44%<br />
47%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
75
Os quadros de narcolepsia, nos dias atuais, estão aumentando<br />
gradativamente. Normalmente são desencadeados por situação de estresse, que<br />
não são aliviados com grandes quantidades de sono à noite. O estresse noturno,<br />
aumenta o estresse diurno, levando a hipersonolência, agravando os sintomas da<br />
SASO.<br />
4.3.6 Fator: Dor de Cabeça<br />
Cefaléia ou enxaqueca ao despertar é um sintoma geralmente inespecífico,<br />
observado geralmente em pacientes com privação da fase REM do sono e com<br />
hipertensão sistêmica e, que desaparecem entre 30 e 60 minutos após o despertar,<br />
a qual responde com resultados satisfatórios frente ao tratamento da SASO (Aldrich<br />
& Reimão, 1996) .<br />
Tabela 9 - Indicativo da presença de cefaléia<br />
Dor de cabeça<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 153 41% 89 43% 64 39%<br />
Não 220 59% 120 57% 100 61%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
A tabela 9 e a figura 14 evidenciam que 43% das pessoas do grupo 1 e 39%<br />
das do grupo 2 sofrem de cefaléia, um indicativo marcante da SASO, provocado pelo<br />
bruxismo (ranger dos dentes noturno). A cefaléia também pode ser desencadeada<br />
pelo estresse que atinge, principalmente, os executivos, pessoas submetidas<br />
geralmente a fortes pressões e escassos hábitos de vida saudável.<br />
76
4.3.7 Fator: Irritação<br />
As alterações da personalidade e do intelecto são comuns em pacientes<br />
portadores de SASO, pela fragmentação e privação do sono, levando a<br />
anormalidades gasométricas. Mais recentemente, novos estudos do estágio REM do<br />
sono associaram-no com distúrbios comportamentais (Slutzky, 1997).<br />
Tabela 10 - Demonstrativo do fator irritabilidade<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Irritabilidade<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 214 57% 123 59% 91 55%<br />
Não 159 43% 86 41% 73 45%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
A tabela 10 e a figura 15 registram altos índices do fator irritabilidade: 59%<br />
no grupo 1 e 55% no grupo 2.<br />
O aumento da irritabilidade e a liberação de cortisol e hormônios<br />
relacionados ao estresse levam significativa parcela da população entrevistada a<br />
diminuir suas horas de sono. Como num círculo vicioso, a privação de horas e sono<br />
gera mais estresse e, em seguida, maiores distúrbios comportamentais, dentre eles,<br />
a irritabilidade.<br />
Figura 15 - Percentual de presença do fator irritabilidade<br />
Quanto ao Entrevistado sentir Irritação Nervosa<br />
com alguma frequencia<br />
43%<br />
41%<br />
45%<br />
57% 59%<br />
55%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
77
4.3.8 Fator: pouca concentração<br />
A sonolência diurna excessiva é acompanhada de amnésia retrógrada,<br />
deterioração da memória e principalmente dificuldade na concentração, incluindo<br />
também, pacientes roncadores não portadores de SASO, como na síndrome de<br />
resistência da vias aéreas superiores (Reimão, 1996).<br />
Tabela 11 - Demonstrativo do fator concentração<br />
Falta de<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Concentração<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 217 58% 128 61% 89 54%<br />
Não 156 42% 81 39% 75 46%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
Observando a tabela 11 e a figura 16, das 373 pessoas estudadas, salta aos<br />
olhos os índices daquelas que ainda detêm o poder de concentração: 81 pessoas<br />
(39%) no grupo 1 e 75 pessoas (46%) no grupo 2. Se ao demonstrado acima por<br />
(Reimão, 1996) acrescentarmos que a fragmentação e privação do sono podem<br />
provocar mudanças comportamentais severas em indivíduos portadores de SASO, o<br />
quadro é preocupante, visto que a maioria é atingida pela falta de concentração:<br />
61% do grupo 1 e 54% do grupo 2.<br />
Figura 16 - Representação do fator concentração<br />
Quanto ao Entrevistado sentir Dificuldade de Concentração<br />
42%<br />
39%<br />
46%<br />
58% 61%<br />
54%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
78
4.3.9 Fator: dificuldade em respirar pelo nariz<br />
A resistência das vias aéreas superiores, incluindo principalmente o nariz<br />
aumenta durante o sono NREM, levando a uma sobrecarga de trabalho da<br />
musculatura diafragmática e intercostal, com conseqüente má mecânica ventilatória<br />
e baixa concentração de oxigênio, predispondo este indivíduo a Apnéia obstrutiva do<br />
sono.<br />
A tabela 12 e a figura 17 apresentam 41% de pessoas do grupo 1 e 45% das<br />
do grupo 2 com dificuldades em respirar pelo nariz.<br />
Tabela 12 - Demonstração de dificuldade na respiração nasal<br />
Dificuldade em TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Respirar pelo<br />
Nariz<br />
N. Abs % N. Abs % N. Abs %<br />
Sim 160 43% 86 41% 74 45%<br />
Não 213 57% 123 59% 90 55%<br />
Total 373 100% 209 100% 164 100%<br />
Geralmente, os pacientes portadores de Apnéia do sono, apresentam uma<br />
diminuição do calibre naso e orofaríngeo em relação aos indivíduos normais, o que<br />
dificulta ainda mais, o retorno de suas apnéias, promovendo um incremento do<br />
trabalho da musculatura respiratória, levando a mesma, a uma fadiga precoce com<br />
conseqüente agravamento do quadro da SASO<br />
79
Figura 17 - Percentual da dificuldade na respiração nasal<br />
4.4 Análise dos fatores<br />
Quanto ao Entrevistado sentir Dificuldade na<br />
Respiração pelo Nariz<br />
57% 59%<br />
55%<br />
43% 41%<br />
45%<br />
TOTAL GRUPO 1 GRUPO 2<br />
Sim Não<br />
4.4.1 Testes de significância das respostas<br />
Para determinar se as respostas dos indivíduos de cada grupo de atividades<br />
físicas, considerando os fatores, diferem significativamente ao nível de 3,5%, são<br />
procedidos os testes estatísticos de diferenças de proporções, conforme teoria<br />
presente no Capítulo 3.<br />
Questão geral do teste: As diferenças entre as proporções de respostas dos<br />
grupos podem ser consideradas significativas?<br />
Hipótese de Nulidade: As proporções não diferem.<br />
Hipótese Alternativa: As proporções diferem.<br />
Resultados:<br />
80
Quadro 3 - Diferença de proporções de resposta<br />
Fator de Influência Valores-p<br />
Freqüência Cardíaca 0,954<br />
Risco Cardiovascular 0,279<br />
Hipertensão 0,065<br />
Praticar Atividades Físicas 0,453<br />
Sonolência 0,572<br />
Dor de Cabeça 0,488<br />
Irritação 0,514<br />
Pouca Concentração 0,175<br />
Dificuldade em Respirar pelo Nariz 0,442<br />
Conclusão estatística dos testes: Não há diferenças significativas ao nível de<br />
3,5%. Portanto, há indicativos estatísticos de que as respostas dadas, segundo os<br />
dois grupos e para cada fator investigado, não diferem estatisticamente.<br />
Indicações para análise: Pelos resultados dos testes, o agrupamento das<br />
respostas segundo o empenho de atividades físicas laborais não nos leva a atribuir<br />
que seja esta considerada fator causador da ocorrência do mal, assim sendo,<br />
podemos ler os percentuais de respostas conjuntamente e verificar se os níveis<br />
apresentados são aceitáveis no sentido clínico.<br />
4.4.2 Ordenação dos Fatores<br />
Nesta pesquisa não houve casos de indivíduos que apresentem todas<br />
características favoráveis à doença e de forma simultânea.<br />
Separando os obesos que roncam temos 373 indivíduos, cerca de 40% da<br />
amostra e neste grupo podemos destacar as freqüências percentuais de incidências<br />
positivas aos fatores tidos como indicativos da Apnéia.<br />
81
Quadro 4 - Análise dos fatores indicativos de Apnéia<br />
Fator de Influência % Ocorrência<br />
Risco Cardio – Vascular 70%<br />
Pouca Concentração 58%<br />
Irritação 57%<br />
Freqüência Cardíaca Imprópria 56%<br />
Praticar Atividades Físicas 45%<br />
Sonolência 45%<br />
Dificuldade em Respirar pelo Nariz 43%<br />
Dor de Cabeça 41%<br />
Hipertensão 13%<br />
82
5. CONCLUSÕES E SUGESTÕES<br />
As pesquisas relacionadas à apnéia obstrutiva do sono tornam-se cada vez<br />
mais necessárias em todos os âmbitos da sociedade, visto o caráter deletério e<br />
silencioso dessa patologia, que se insinua na população, principalmente devido aos<br />
hábitos e pressões da vida moderna.<br />
A relação entre a SASO e as atividades laborais estimulam as pesquisas em<br />
torno do tema, devido à baixa produtividade dos funcionários com os sintomas da<br />
doença, ocasionando vultosos gastos anuais às empresas que não avaliam esses<br />
aspectos antes da contratação.<br />
Ao se pretender analisar a população curitibana, tencionando correlacionar<br />
portadores de SASO à sua atividade laboral, defrontamo-nos com um inesperado<br />
problema: a enorme variedade de profissões e suas denominações. Tal fato , veio<br />
alterar os procedimentos que se pretendia seguir. De uma população com 999<br />
indivíduos, houve-se por bem dividi-la em dois seguimentos de atividades laborais: o<br />
grupo 1, englobando trabalhadores cujo fazer envolvia maior empenho físico. E o<br />
grupo 2, com trabalhadores cuja atividade dependia de menor empenho.<br />
Após esta etapa, ainda não era possível atingir o objetivo proposto, pois as<br />
possíveis características de SASO eram compartilhadas por ambos os grupos. A<br />
SASO se manifestava tanto em trabalhadores braçais quanto intelectuais, e em<br />
indivíduos com tipologia de obeso ou não.<br />
Resolveu-se, por fim, selecionar dessa população, segundo critérios de<br />
indivíduos portadores de obesidade e ronco, o que reduziu o universo de<br />
pesquisados para 313 pessoas.<br />
Pôde-se concluir que, um número significativo da população apresenta<br />
fatores de risco para SASO, tais como obesidade, ronco, aumento da freqüência<br />
cardíaca, sedentarismo, hipersonolência diurna, irritabilidade, pouco poder de<br />
concentração e obstrução nasal. Apenas 13% desta população analisada<br />
apresentou hipertensão, dado bastante característico de portadores da doença,<br />
contrariando toda a literatura especializada em SASO. Desta forma, foi possível<br />
observar os dois extremos do público avaliado, tendo 70% apresentando risco<br />
cardio – vascular e 58% com baixo poder de concentração, dados indicativos de<br />
apnéia e um falso negativo, com apenas 13% de hipertensos. As diferenças entre as<br />
83
proporções de respostas dos dois grupos analisados (3,5%) não foram consideradas<br />
estatisticamente significativas.<br />
No presente trabalho não foi possível demonstrar diferença significante entre<br />
o empenho físico na atividade laboral e SASO, porém pôde-se evidenciar o grande<br />
número de indivíduos com fatores de risco para apnéia do sono em nossa<br />
sociedade, o que coloca essa população em um grupo de risco exposto para as<br />
mais diversas patologias .<br />
5.1 Sugestões para trabalhos futuros<br />
Ao tomar conhecimento destes resultados, as autoridades de saúde<br />
deveriam intensificar as campanhas para conscientização da população em relação<br />
à higiene do sono, para que desta forma tenhamos indivíduos mais saudáveis e com<br />
melhor rendimento psico-social e laboral.<br />
O crescente número de trabalhadores com características de apnéia<br />
obstrutiva do sono, dentro das empresas, proporciona à fisioterapia, um campo de<br />
pesquisa inexplorado cientificamente. As autoridades sanitárias, governamentais, as<br />
universidades e as ONGs, poderiam propor e mesmo organizar um programa de<br />
fisioterapia pública e empresarial para identificar e tratar os portadores da doença.<br />
Ao identificar precocemente a doença, ao estabelecer programas de prevenção e<br />
tratamento aos portadores de SASO, tanto governo quanto empresários teriam muito<br />
a ganhar: empregados mais criativos e produtivos em todos os setores.<br />
Um quadro de pessoal saudável física, mental e psicologicamente continua<br />
sendo sinônimo de maior eficiência e rentabilidade.<br />
84
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92
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719, 1976.<br />
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6.1 Referências Internet<br />
Figura 1 disponível em: http://www.nib.unicamp.br/sbpt/apson III.html. Acesso em<br />
19/03/99.<br />
Figuras 2 e 3 disponíveis em: http://www.nib.unicamp.br/sbpt/apneiasonpq.html<br />
Acesso 19/03/99.<br />
Figura 5 disponível em: http://www.nib.unicamp.br/sbpt/apneiatptrat.html. Acesso<br />
19/03/99.<br />
93
7 - ANEXOS<br />
94
7.1 Anexo I - Folder da campanha<br />
95
7.2 Anexo II - Folheto explicativo sobre Apnéia do Sono<br />
96
7.3 Anexo III - Questionário para levantamento de dados<br />
97
7.4 Anexo IV - Lista de Patrocínios<br />
98
7.5 Anexo V - Mensuração relação C/Q, peso corporal<br />
Os acadêmicos do Curso de Fisioterapia, mensurando a Relação C/Q –<br />
Abdômen Quadril e Perimetria Cervical dos indívíduos que se submeteram a bateria<br />
de testes.<br />
Mensuração de Peso Corporal, Freqüência Cardíaca e Saturação de Oxigênio, após<br />
repouso de cinco minutos.<br />
99
7.6 Anexo VI - Fase de entrevistas e triagem<br />
Os acadêmicos realizando a primeira fase de abordagem aos transeuntes,<br />
com as perguntas objetivas como idade, profissão, ronco, hipersonolência diurna,<br />
irritabilidade, sedentarismo, entre outras.<br />
Setor de Triagem da I Semana de Fisioterapia na Prevenção e Atuação na Apnéia<br />
Obstrutiva do Sono.<br />
100
7.7 Anexo VII - Fotos ilustrativas sobre o evento<br />
Vista da Fila gerada na Praça Osório, centro da cidade de Curitiba, estado<br />
do Paraná, para a bateria de testes da I Semana de Fisioterapia na Prevenção e<br />
Atuação na Apnéia Obstrutiva do Sono.<br />
101
SUMÁRIO<br />
1 <strong>INTRODUÇÃO</strong>................................................................................................1<br />
<strong>1.1</strong> O <strong>Problema</strong>....................................................................................................1<br />
1.2 Objetivos .......................................................................................................2<br />
1.2.1 Objetivo geral..................................................................................................2<br />
1.2.2 Objetivos específicos......................................................................................2<br />
1.3 Questões investigadas.................................................................................3<br />
1.4 Justificativa e relevância do assunto .........................................................3<br />
1.5 Delimitação do estudo .................................................................................4<br />
1.6 Limitações do Estudo ..................................................................................4<br />
1.7 Organização do trabalho..............................................................................5<br />
2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA ..........................................................................6<br />
2.1. Os estados do sono .....................................................................................7<br />
2.2. O sono paradoxal .........................................................................................9<br />
2.2.1 Mecanismos que preparam o sonho...............................................................9<br />
2.2.2 A organização do sono paradoxal ................................................................11<br />
2.2.3 Necessidades de sono .................................................................................12<br />
2.2.4 Sonolência e agressividade.........................................................................12<br />
2.2.5 Sono, fenômeno biológico essencial ............................................................16<br />
2.2.6 O córtex límbico............................................................................................19<br />
2.2.6.1 A relação com o sono ...................................................................................20<br />
2.2.6.2 Hipóteses sobre os mecanismos do sono ....................................................21<br />
2.3 Síndrome de apnéia obstrutiva do sono: quadro clínico e<br />
diagnóstico..................................................................................................22<br />
2.3.1 Classificação de apnéias do sono ................................................................24<br />
2.3.<strong>1.1</strong> Apnéia do Sono Obstrutiva...........................................................................25<br />
2.3.1.2 Apnéia do Sono Central................................................................................25<br />
2.3.1.3 Apnéia do Sono Mista...................................................................................25<br />
2.3.2 Sintomas noturnos........................................................................................28<br />
2.3.2.1 Sono noturno ................................................................................................29<br />
2.3.3 Sintomas diurnos..........................................................................................29<br />
2.3.3.1 Sonolência excessiva diurna ........................................................................29<br />
2.3.4 Conseqüências hemodinâmicas da SASO ...................................................30<br />
2.3.4.1 Hipoxemia associada à apnéia.....................................................................30<br />
2.3.4.2 Arritmias cardíacas .......................................................................................31<br />
2.3.4.3 Hipertensão arterial sistêmica e pulmonar....................................................31<br />
2.3.7 Avaliação do paciente com SASO................................................................32<br />
2.3.7.1 Avaliação da Região Oronasomaxilofacial ...................................................33<br />
2.3.7.2 Álcool e Sedativos ........................................................................................33<br />
2.3.8 Avaliação do paciente dormindo...................................................................34<br />
2.3.8.1 Polissonografia Noturna ................................................................................34<br />
2.3.9 Curso da enfermidade ...................................................................................35<br />
2.3.9.1 Perfil do portador ...........................................................................................35<br />
2.4 Síndrome de apnéia obstrutiva do sono - tratamento clínico e CPAP..38<br />
2.4.1 Medidas gerais ...............................................................................................38<br />
2.4.2 Redução do peso excessivo..........................................................................40<br />
2.4.3 Supressão de álcool e da medicação sedativa ou relaxante .........................41<br />
2.4.4 Tratamento postural.......................................................................................41<br />
v
2.4.5 Próteses nasais ou bucais.............................................................................42<br />
2.4.6 Tratamento farmacológico .............................................................................42<br />
2.4.6.1 Protriptilina.....................................................................................................42<br />
2.4.6.2 Progesterona .................................................................................................42<br />
2.4.6.3 Oxigênio ........................................................................................................43<br />
2.4.7 Equipamento de CPAP..................................................................................43<br />
2.4.7.1 Determinação da pressão necessária ...........................................................44<br />
2.4.7.2 Efeito da primeira noite com CPAP ...............................................................45<br />
2.4.7.3 Adaptação .....................................................................................................45<br />
2.4.7.4 Efeitos secundários transitórios do CPAP .....................................................46<br />
2.4.7.5.Outros efeitos secundários transitórios descritos na literatura ......................46<br />
2.5 Tratamento cirúrgico...................................................................................47<br />
2.5.1 Uvulopalatofaringoplastia ..............................................................................47<br />
2.5.2 Amígdalas e adenóides .................................................................................49<br />
2.5.3 Cirurgias de avanço mandibular ....................................................................51<br />
2.5.4 Traqueostomia...............................................................................................52<br />
2.5.5 Cirurgia nasal.................................................................................................53<br />
2.5.6 Cirurgia lingual...............................................................................................54<br />
2.5.7 Terapêutica combinada .................................................................................55<br />
2.5 Tratamentos .................................................................................................56<br />
3 METODOLOGIA............................................................................................57<br />
3.1 Metodologia de Análise...............................................................................57<br />
3.2 População estudada e local da pesquisa ..................................................57<br />
3.2 Aspectos Éticos da Pesquisa......................................................................58<br />
3.4 Projeto Operacional da Pesquisa................................................................59<br />
3.4.1 Estrutura para levantamento de dados............................................................59<br />
3.4.2 Criação de Folder Explicativo ..........................................................................59<br />
3.4.3 Instrumentos para Obtenção de dados............................................................60<br />
3.4.4 Pré-testes dos instrumentos de pesquisa........................................................60<br />
3.4.5 Determinação do tamanho da amostra............................................................61<br />
3.4.6 Metodologia de análise estatística...................................................................62<br />
3.4.6.1 Análise descritiva dos dados .........................................................................62<br />
3.4.6.2 Teste de hipóteses - proporções ...................................................................62<br />
3.5 Coleta de dados ...........................................................................................63<br />
4 REPRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS............................................65<br />
4.1 Segmentação da amostra ...........................................................................65<br />
4.2 PERFIL DOS INDIVÍDUOS ...........................................................................65<br />
4.2.1 Sexo ...............................................................................................................65<br />
4.2.2 Idade...............................................................................................................66<br />
4.3 Fatores indicativos de Apnéia......................................................................68<br />
4.3.1 Fator: Freqüência Cardíaca.............................................................................69<br />
4.3.2 Fator: Risco Cardiovascular ............................................................................71<br />
4.3.3 Fator: Hipertensão...........................................................................................72<br />
4.3.4 Fator: prática de atividades físicas ..................................................................73<br />
4.3.5 Fator: Sonolência.............................................................................................75<br />
4.3.6 Fator: Dor de Cabeça ....................................................................................76<br />
4.3.7 Fator: Irritação ...............................................................................................77<br />
4.3.8 Fator: pouca concentração ............................................................................78<br />
4.3.9 Fator: dificuldade em respirar pelo nariz........................................................79<br />
4.4 Análise dos fatores......................................................................................80<br />
vi
4.4.1 Testes de significância das respostas ............................................................80<br />
4.4.2 Ordenação dos Fatores ..................................................................................81<br />
5. CONCLUSÕES E SUGESTÕES....................................................................83<br />
5.1 Sugestões para trabalhos futuros...............................................................84<br />
6. BIBLIOGRAFIA..............................................................................................85<br />
6.1 Referências Internet .....................................................................................93<br />
7 ANEXOS ........................................................................................................94<br />
7.1 Anexo I - Folder da campanha.....................................................................95<br />
7.2 Anexo II - Folheto explicativo sobre Apnéia do Sono ...............................96<br />
7.3 Anexo III - Questionário para levantamento de dados ..............................97<br />
7.4 Anexo IV - Lista de Patrocínios ...................................................................98<br />
7.5 Anexo V - Mensuração relação C/Q, peso corporal...................................99<br />
7.6 Anexo VI - Fase de entrevistas e triagem .................................................100<br />
7.7 Anexo VII - Fotos ilustrativas sobre o evento ..........................................101<br />
vii
Universidade Federal de Santa Catarina<br />
Programa de Pós-graduação em<br />
Engenharia de Produção<br />
AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />
APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />
NA POPULAÇÃO CURITIBANA<br />
Dissertação de Mestrado<br />
Marcelo Márcio Xavier<br />
Florianópolis<br />
2001
AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />
APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />
NA POPULAÇÃO CURITIBANA
Universidade Federal de Santa Catarina<br />
Programa de Pós-graduação em<br />
Engenharia de Produção<br />
AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />
APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />
NA POPULAÇÃO CURITIBANA<br />
Marcelo Márcio Xavier<br />
Dissertação apresentada ao<br />
Programa de Pós-Graduação em Engenharia<br />
de Produção da Universidade Federal de<br />
SantaCatarina como requisito parcial para<br />
obtenção<br />
do título de Mestre em<br />
Engenharia de Produção<br />
Florianópolis<br />
2001
Marcelo Márcio Xavier<br />
AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA PARA<br />
APNÉIA OBSTRUTIVA DO SONO<br />
NA POPULAÇÃO CURITIBANA<br />
Esta dissertação foi julgada e aprovada para a<br />
obtenção do título de Mestre em Engenharia de<br />
Produção no Programa de Pós-graduação em<br />
Engenharia de Produção da<br />
Universidade de Santa Catarina<br />
Florianópolis, 21 de setembro de 2001.<br />
Prof. Dr. Ricardo Miranda Barcia, Ph.D<br />
Coordenador do Curso<br />
BANCA EXAMINADORA<br />
_____________________________<br />
Prof. Glaycon Michels, Dr.<br />
______________________________ _____________________________<br />
Prof. Gilsée Ivan Régis Filho, Dr Profª. Suely Groessman, Drª.<br />
______________________________<br />
Profª. Monica Cristina Lopes, Msc.<br />
ii
Este trabalho é dedicado a Almerinda Viana Barbosa “Mira”, pessoa pura, anjo,<br />
amiga, mãe espiritual, alimentadora dos meus sonhos...<br />
Aos meus pais Xavier e Anirce pela força, carinho e dedicação incansável, aos quais<br />
devo minha eterna gratidão.<br />
A minha esposa Cybelle, por todos os momentos de paciência, e principalmente por<br />
me mostrar o verdadeiro significado da palavra Amor.<br />
Ao meu filho Marcelo, por me mostrar qual é o verdadeiro sentido da vida.<br />
E ao Fisioterapeuta Dr. Esperidião Elias Aquim, meu amigo, espelho e pai<br />
profissional.<br />
iii
iv<br />
Agradecimentos<br />
À Deus, por tudo que me proporcionou e tem me proporcionado.<br />
Aos a acadêmicos do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário<br />
Campos de Andrade – Uniandrade e da Universidade Tuiuti do Paraná.<br />
Ao meu orientador Dr. Glaycon Michels e Prof. Maurício Guimarães,<br />
pelas incansáveis correções e paciência durante<br />
toda a orientação deste trabalho.<br />
À Professora Renata Rothenbühler pela amizade,<br />
compreensão e incentivo nos momentos mais difíceis.<br />
À Professora Regina Maria Camargo Ferrari, pela amizade e exemplo de luta.<br />
Aos professores Eduardo Barbosa, Regina Mazepa e Solange Bittencourt,<br />
pelo suporte técnico seguro nas suas distintas especialidades.<br />
E a todos os supervisores e funcionários da Clínica Escola de Fisioterapia<br />
da Universidade Tuiuti do Paraná, pela contribuição direta ou indireta<br />
para a realização deste trabalho.
Lista de Figuras<br />
Figura 1 - Necessidades de Sono de Acordo com a Idade.....................................13<br />
Figura 2 - Entrada Normal de Ar.............................................................................27<br />
Figura 3 - Obstrução na Entrada do Ar...................................................................27<br />
Figura 4 - Remodelamento do Palato Mole ............................................................34<br />
Figura 5 - Compressor de Ar e Máscara Nasal ......................................................39<br />
Figura 6 - Percentuais dos grupos segundo o sexo dos indivíduos........................66<br />
Figura 7 - Percentual de Idade dos indivíduos por grupo .......................................67<br />
Figura 8 - Representação do percentual de ronco e obesidade.............................69<br />
Figura 9 - Relação do percentual de freqüência cardíaca ......................................70<br />
Figura 10 - Percentual quanto ao risco cardiovascular do entrevistado ...................72<br />
Figura 11 - Incidência de hipertensão nos entrevistados..........................................73<br />
Figura 12 - Percentual do hábito da prática do exercício físico ................................74<br />
Figura 13 - Percentual de hipersonolência nos entrevistados ..................................75<br />
Figura 15 - Percentual de presença do fator irritabilidade ........................................77<br />
Figura 16 - Representação do fator concentração ...................................................78<br />
Figura 17 - Percentual da dificuldade na respiração nasal.......................................80<br />
viii
Lista de Quadros<br />
Quadro 1 - Divisão dos Tipos de Apnéia ...................................................................24<br />
Quadro2 - Divisão da amostra em grupos................................................................65<br />
Quadro 3 - Diferença de proporções de resposta......................................................81<br />
Quadro 4 - Análise dos fatores indicativos de Apnéia ...............................................82<br />
ix
Lista de Tabelas<br />
Tabela 1 - Divisão dos grupos segundo o sexo.......................................................66<br />
Tabela 2 - Freqüência de idade...............................................................................67<br />
Tabela 3 - Percentual de ronco e obesidade...........................................................68<br />
Tabela 4 - Controle de freqüência cardíaca.............................................................70<br />
Tabela 5 - Apresentação do risco cardiovascular....................................................71<br />
Tabela 6 - Análise do fator hipertensão...................................................................73<br />
Tabela 7 - Demonstrativo da prática de atividade física ..........................................74<br />
Tabela 8 - Presença de sonolência excessiva diurna..............................................75<br />
Tabela 9 - Indicativo da presença de cefaléia .........................................................76<br />
Tabela 10 - Demonstrativo do fator irritabilidade .......................................................77<br />
Tabela 11 - Demonstrativo do fator concentração.....................................................78<br />
Tabela 12 - Demonstração de dificuldade na respiração nasal .................................79<br />
x
Lista de Reduções<br />
BiPAP Pressão positiva continua nas vias aéreas em dois níveis<br />
CO2 Gás carbônico<br />
CPAP Pressão positiva continua na via aérea<br />
ECG Eletrocardiograma<br />
EEG Eletroencefalograma<br />
EMG Eletromiograma<br />
EOG Eletrooculograma<br />
FAN Fluxo aéreo nasal<br />
FR Formação reticular, substancia reticular<br />
IAH Índice apnéia – hipopnéia<br />
IDR Índice de distúrbio respiratório<br />
IMC Índice de massa corpórea<br />
MSLT Teste de latência múltipla do sono<br />
NREM Sono sem movimentos oculares rápidos<br />
SASO Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono<br />
PCO2 Pressão parcial de gás carbônico<br />
PGO Ponto - genículo - occipital<br />
PSG Polissonografia<br />
PVC Extra sístole ventricular<br />
Relação C/Q Relação cintura-quadril<br />
REM Sono com movimentos oculares rápidos<br />
RNM Ressonância nuclear magnética<br />
SATO2 Saturação de oxigênio<br />
TAC Tomografia axial computadorizada<br />
UPFP Uvulopalatofaringoplastia<br />
VAS Vias aéreas superiores<br />
xi
Resumo<br />
XAVIER, Marcelo Márcio. Avaliação Fisioterapêutica para apnéia obstrutiva<br />
do sono na população curitibana. Florianópolis, 2001. 128f. Dissertação<br />
(Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-graduação em<br />
Engenharia de Produção, UFSC, 2001.<br />
O presente estudo tem como proposta estabelecer possíveis ligações entre a<br />
incidência de apnéia obstrutiva do sono com a atividade laboral, exercida por<br />
habitantes da cidade de Curitiba, estado do Paraná. Foram avaliados 919<br />
transeuntes da “Boca Maldita”, Praça Osório – Centro da cidade, por ser<br />
reconhecidamente um local, com alto fluxo de pessoas, oriundas das mais distintas<br />
classes sociais e bairros da cidade. Os dados da pesquisa foram coletados pelo<br />
pesquisador e por um grupo de acadêmicos do curso de fisioterapia da Uniandrade<br />
e Universidade Tuiuti do Paraná, em um ambulatório, montado no local. Os<br />
transeuntes recebiam um folheto explicativo sobre a doença e, em seguida,<br />
passavam por um questionário, sendo abordados com perguntas objetivas,<br />
relacionadas a sintomas de portadores de apnéia do sono, aliado a mensurações,<br />
tais como: peso, altura, saturação de oxigênio, freqüência cardíaca, pressão arterial,<br />
perimetria cervical e relação C/Q. Essas avaliações foram completadas com<br />
informações como sexo, idade, e atividade laboral, para que se pudesse traçar um<br />
perfil desses trabalhadores e a relação com a apnéia obstrutiva do sono. A escassa<br />
margem diferencial de 3,5%, detectada para correlacionar a incidência de SASO e a<br />
atividade laboral com maior e menor empenho físico, permite-nos concluir que, a<br />
ocorrência de SASO, não pode ser vinculada, em um primeiro momento a qualquer<br />
natureza de trabalho.<br />
Palavras-chave: SASO, laboral, apnéia do sono.<br />
xii
ABSTRACT<br />
XAVIER, Marcelo Márcio. Avaliação Fisioterapêutica para apnéia obstrutiva<br />
do sono na população curitibana. Florianópolis, 2001. 128f. Dissertação<br />
(Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-graduação em<br />
Engenharia de Produção, UFSC, 2001.<br />
The present study proposes the understanding of the frequency of possible<br />
carriers of obstructive sleep apnea and their relation with the labor activity, in the<br />
population of the city of Curitiba, state of the Paraná. Evaluated, were 919 bypassers<br />
of the “Boca Maldita”, Osório Square, at the Center of the City, for being<br />
admittedly a place, with a high stream of people, of the most distinct social classes<br />
and diverse neighborhoods of the city. A researcher and a group of academics of the<br />
course of physical therapy from Uniandrade and Universidade Tuiuti do Paraná, in a<br />
clinic, assembled at this place, collected the data of the research. The by-passers<br />
received a explanatory brochure on the illness, and after that, they answered a<br />
questionnaire, being approached with objective questions, related to the symptoms of<br />
sleep apnea carriers, and with it measurements, such as: weight, height, oxygen<br />
saturation, cardiac frequency, arterial pressure, cervical perimetry and relação C/Q.<br />
These evaluations had been completed with information such as sex, age, and labor<br />
activity so that a profile could be traced of these workers and their relation with<br />
obstructive sleep apnea. The quantitative data between the occurrence of SASO and<br />
some kind of labor activity was so narrow (3,5%) that allows to conclude initially that<br />
SASO can not be linked to any kind of labor activity.<br />
Key-words: SASO, labor, sleep apnea.<br />
xiii