MOdeLOs dIGItAIs eM ORtOdOntIA - Compass3d.com.br

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MOdeLOs dIGItAIs eM ORtOdOntIA - Compass3d.com.br

MOdeLOs dIGItAIs<br />

eM ORtOdOntIA<br />

Araci Malagodi de Almeida<br />

Rita de Cássia Moura Carvalho Lauris<br />

Adriano Porto Peixoto<br />

Bruno Frazão Gribel<br />

Guilherme Janson<br />

Daniela Gamba Garib<br />

INTRODUÇÃO<br />

A informação e a comunicação são, nos dias atuais, características vitais em qualquer área do<br />

conhecimento, e a prática da Ortodontia deve ser incluída nessa realidade.<br />

A tecnologia digital tornou-se uma ferramenta essencial em muitas atividades clínicas e,<br />

neste contexto, a Ortodontia transformou-se perante a revolução digital iniciada a partir da<br />

década de 1970. A linguagem digital tornou mais versátil à captura, à manipulação e ao<br />

armazenamento tanto da documentação ortodôntica fornecida pelos centros de radiologia<br />

quanto da documentação produzida em clínica.<br />

A introdução de imagens tridimensionais na rotina dos consultórios ortodônticos por<br />

meio de softwares de cefalometria em terceira dimensão (3D) enriqueceu, sobremaneira,<br />

os conceitos tradicionais da célebre cefalometria idealizada por Broadbent, 1 em<br />

1931. Os avanços na área de tomografia computadorizada (TC) e de ultrassom 3D<br />

também são notórios. A Ortodontia digital, incluindo as fotografias, as radiografias,<br />

os registros de tratamento e os modelos de estudo tridimensionais, criou um novo<br />

paradigma na clínica. 2<br />

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Na atualidade, objetiva-se a redução volumétrica de arquivos físicos no consultório<br />

odontológico, considerando que a incorporação de fotos e radiografias digitais em arquivos<br />

eletrônicos constitui uma realidade. Portanto, a necessidade de um substituto para os modelos<br />

tradicionais de gesso faz-se presente.<br />

ObjeTIvOs<br />

Ao final da leitura deste artigo, espera-se que o leitor possa<br />

entender os benefícios dos modelos de documentação em Ortodontia;<br />

rever os mecanismos de obtenção da imagem;<br />

entender a aplicabilidade clínica dos modelos digitais em Ortodontia.<br />

esqUema cONceITUal<br />

34 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

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ImPORTÂNcIa DOs mODelOs De DOcUmeNTaÇÃO<br />

em ORTODONTIa<br />

Os modelos, assim como cada elemento da documentação ortodôntica, perpetuam,<br />

ao longo do tempo, as condições morfológicas do sistema estomatognático captadas<br />

em um determinado momento. Isto possibilita, além do diagnóstico e do plano de<br />

tratamento inicial, infinitas comparações, estabelecendo uma análise dinâmica da<br />

evolução dos casos clínicos.<br />

Diferentemente das outras especialidades odontológicas, o ortodontista necessita avaliar<br />

todas as estruturas que compõem a face e o sistema estomatognático: os tecidos moles,<br />

o esqueleto e os dentes. Somente a partir dessa avaliação global é possível diagnosticar e<br />

planificar o tratamento que visa ao bom relacionamento dos arcos dentários e a uma relação<br />

harmoniosa com a face. 3<br />

Previamente à introdução da TC cone-beam na odontologia, os modelos de gesso<br />

constituíam os únicos elementos tridimensionais da documentação ortodôntica. Esses<br />

modelos permitem mostrar, em um único exame, as alterações interarcos sagitais,<br />

verticais e transversais, além das alterações intra-arcos, como o apinhamento ou<br />

o espaçamento dentário.<br />

Os modelos de gesso são utilizados, de forma tradicional, como parte essencial do processo de<br />

documentação e de planejamento ortodôntico, 4,5 cumprindo basicamente duas funções principais:<br />

prover informações sobre o diagnóstico e o plano de tratamento;<br />

prover um registro tridimensional da maloclusão original e dos diferentes estágios de<br />

evolução do tratamento, bem como uma análise dos resultados obtidos ao término da<br />

terapia; estes ainda são muito valorizados para os fins legais.<br />

Embora os modelos de gesso tradicionais sejam indispensáveis ao ortodontista, apresentam<br />

algumas desvantagens importantes:<br />

necessidade de espaço físico significativo para o armazenamento;<br />

possibilidade de quebras e danos;<br />

possibilidade de perdas e extravios;<br />

dificuldade de troca de informações a distância com outros profissionais;<br />

possibilidade de acúmulo de fungos e bactérias quando armazenados a longo prazo.<br />

Recentemente, avaliou-se a presença de bactérias e fungos em modelos de gesso armazenados<br />

desde 1980. Em 25% dos modelos, ocorreu o crescimento bacteriano de estafilococos<br />

coagulase negativa, Micrococcus sp., Bacillus sp. e bacilos Gram-negativos não fermentadores;<br />

e em 5,7% o crescimento fúngico de Cladophialophora sp., Trichosporon beigelii, Aspergillus<br />

flavus e Aureobasidium pullulans. 6<br />

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mODelOs DIGITaIs<br />

Atualmente, os modelos digitais tridimensionais vêm sendo utilizados para propósitos<br />

clínicos e de pesquisa, e o seu uso para análises quantitativas foi validado após evidências da<br />

grande acurácia e reprodutibilidade de mensurações. 4,7-22<br />

Uma das maiores vantagens da utilização dos modelos digitais é, sem dúvida, a<br />

racionalização de espaço, aliada à facilidade de acesso e comunicação a distância<br />

que a tecnologia permite.<br />

Tanto a moldagem como os modelos de gesso podem ser escaneados a lêiser para<br />

a obtenção dos modelos virtuais.<br />

Nos Estados Unidos, duas empresas reproduzem os modelos digitais mediante o envio da<br />

moldagem pelo profissional: a OrthoCAD® (Cadent Inc, Fairview, NJ) e a eModel® (GeoDigm<br />

Corp, Chanhassen, MN). No entanto, o custo deste serviço terceirizado é alto e cada par de<br />

modelo digital custa, aproximadamente, 30 € (EUR). 4 O mercado também disponibiliza escâneres<br />

específicos para a obtenção de modelos dentários tridimensionais, de tamanho compacto<br />

e com um custo mais compensador (Figuras 1 A-C).<br />

A B C<br />

Figura 1 – A-C) Escâner de modelos 3Shape ® (Copenhagen, Dinamarca): realiza o escaneamento a lêiser de<br />

superfície, no modo não destrutivo.<br />

Fonte: Arquivo de imagens dos autores.<br />

36 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

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O sistema OrthoCAD® (Cadent Inc, Fairview, NJ) foi introduzido em 1999 e o seu software<br />

pode ser baixado diretamente da Internet ou enviado por CD. Além de ocupar pouco espaço<br />

(o tamanho do arquivo do conjunto de modelos é menor do que 1MB), o programa permite<br />

cinco visualizações básicas, como as fotos intrabucais, oferecendo ferramentas com recursos<br />

de giro e recorte dos modelos, de forma horizontal ou vertical, para a análise do overjet e<br />

overbite. O sistema ainda é capaz de simular setup e colocação de brackets. As imagens ficam<br />

arquivadas na empresa por 10 anos e o profissional pode optar pelo envio dos modelos de<br />

gesso em vez das moldagens. 19<br />

Já o sistema Emoldels (GeoDigm Corp, Chanhassen, MN), fundado em 1996, permite seis<br />

visualizações, introduzindo a vista posterior. Para facilitar os ajustes oclusais, o programa<br />

mostra os pontos de contato entre os dentes. Esse sistema dispõe de todos os recursos do<br />

OrthoCAD® (setup, rotações, cortes transversais), além de disponibilizar uma ferramenta para<br />

colagem de brackets virtualmente, confecção de moldeira virtual e o seu envio, para que o<br />

profissional realize a colagem indireta. Segundo Joffe, 4 os custos da utilização do OrthoCAD®<br />

ficavam em torno de 28 a 30 € em 2004.<br />

MecAnIsMOs de ObtençãO dA IMAGeM<br />

Atualmente, existem dois métodos para a obtenção de modelos ortodônticos digitais. 23 O primeiro<br />

é conhecido como escaneameno a lêiser destrutivo, processo descrito por Baumrind 24<br />

como uma análise física destrutiva. O modelo de estudo é revestido em uma matriz sólida e<br />

de cor contrastante.<br />

A superfície do bloco é cortada paralelamente ao plano oclusal até que o primeiro<br />

traço do modelo de gesso se torne aparente. Em seguida, um escaneamento a lêiser<br />

da superfície bidimensional é realizado, e os seus dados são armazenados como<br />

uma camada em um arquivo digital. Em seguida, outra fatia de 0,003’ do bloco é<br />

cortada, um novo escaneamento é realizado e as suas informações são novamente<br />

armazenadas. O processo se repete até que toda a dentição tenha sido mapeada<br />

em uma sequência de camadas sucessivas.<br />

Com o escaneamento a lêiser destrutivo, obtém-se um mapa tridimensional, consistindo<br />

de camadas bidimensionais empilhadas. Esse processo é o utilizado pela companhia Cadent<br />

para a obtenção de seus modelos digitais. 2,23 O segundo método para a obtenção de modelos<br />

ortodônticos digitais é o escaneamento a lêiser não destrutivo.<br />

O procedimento envolve o escaneamento do modelo de gesso como um todo, girando-o<br />

nos três planos do espaço, obtendo, com isso, uma cópia do modelo original.<br />

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O escaneamento a lêiser não destrutivo é o método empregado pela empresa Geodigm, que<br />

fornece o programa para o processamento das imagens computadorizadas, chamado de<br />

eModel®, assim como por grande parte dos escâneres disponíveis comercialmente.<br />

VAntAGens<br />

Os modelos ortodônticos digitais apresentam uma série de vantagens em termos de armazenamento,<br />

recuperação, versatilidade de diagnóstico, transmissibilidade e durabilidade. 4<br />

Indubitavelmente, a questão do espaço para o armazenamento dos modelos de gesso na<br />

prática cotidiana do ortodontista tornou-se um grande problema, gerando discussões sobre<br />

a possibilidade de o próprio paciente ser responsável pela guarda de sua documentação.<br />

Além disso, aspectos no tocante à praticidade e à velocidade na troca de informações<br />

interprofissionais ou intercentros diagnósticos pontuam favoravelmente no quesito qualidade.<br />

Os softwares específicos para os modelos digitais disponibilizam a visão dos modelos<br />

isoladamente ou articulados sob quaisquer perspectivas 19 (Figuras 2 A-F).<br />

A<br />

D<br />

38 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

B<br />

E<br />

Figura 2 – Os modelos digitais podem ser visualizados sob diferentes perspectivas. A) Vista lateral direita da<br />

oclusão. B) Vista frontal da oclusão. C) Vista lateral esquerda da oclusão. D) Vista posterior da oclusão. E) Vista<br />

oclusal superior e inferior. F)<br />

Fonte: Software OrthoAnalyser 3Shape® (Copenhagem, Dinamarca).<br />

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C<br />

F


Os softwares específicos para os modelos digitais realizam mensurações digitais acuradas<br />

e precisas da largura e do comprimento do arco dentário, do overjet e do overbite, assim<br />

como do tamanho dentário, 9,11 e simulam os resultados terapêuticos mediante a movimentação<br />

dentária 19 (Figuras 3 A-F).<br />

A<br />

D<br />

B<br />

E<br />

Figura 3 – Recursos de mensuração dos modelos digitais. A-C) Mensuração da largura dos arcos dentários.<br />

D-F) Mensuração do tamanho dentário.<br />

Fonte: Arquivo de imagens dos autores.<br />

Os softwares específicos para os modelos digitais ainda permitem mensurar os aspectos<br />

impossíveis de avaliar em modelos de gesso convencionais, como a altura e a largura<br />

do rebordo alveolar, a inclinação vestibulolingual dos dentes individualmente, o comprimento<br />

e a inclinação dos processos palatinos, assim como o delineamento externo da região do<br />

rebordo alveolar (Figuras 4 A-D). 9,11 Essas características podem ser avaliadas, uma vez que<br />

os softwares permitem cortar os modelos dentários de forma transversal, no sentido vertical<br />

ou horizontal, para se obter seções ou fatias.<br />

C<br />

F<br />

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PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 39 11/05/2011 12:26:28


A<br />

C<br />

Figura 4 – Os modelos digitais apresentam a vantagem de permitir a obtenção da visão em coortes ou segmentos<br />

virtuais. Essa ferramenta mostra-se muito útil para a avaliação das inclinações dentárias vestibulolinguais,<br />

assim como para delinear o contorno do rebordo alveolar e do palato. A-B) Coorte frontal no modelo superior,<br />

passando pelas pontas de cúspide dos caninos. C-D) Coorte frontal no modelo superior, passando pelas pontas<br />

de cúspide mesiovestibular dos primeiros molares superiores.<br />

Fonte: Arquivo de imagens dos autores.<br />

Outra grande vantagem dos modelos digitais consiste na possibilidade de sobreposição<br />

das imagens de dois tempos distintos, permitindo a visualização de alterações ocasionadas<br />

pelo crescimento ou pela movimentação dentária ou cirúrgica. O escaneamento a lêiser<br />

pode ser utilizado para a mensuração de movimentos dentários individuais nas imagens 3D<br />

com grande acurácia. 10<br />

Os modelos digitais podem, ainda, ser visualizados com diferentes texturas para a<br />

região da gengiva (rosa) e dos dentes (brancos).<br />

Dois modelos realizados em momentos diferentes podem ser sobrepostos e analisados por<br />

meio de uma escala de cores, que descreve a magnitude das alterações entre eles. Atualmente,<br />

a produção de software tem aplicado esforços no sentido de integrar os modelos digitais<br />

com as informações das tomografias computadorizadas, de forma a tornar esse registro<br />

tridimensional ainda mais preciso.<br />

40 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 40 11/05/2011 12:26:29<br />

B<br />

D


APLIcAbILIdAde cLínIcA<br />

Além da Ortodontia, outras especialidades da Odontologia obtiveram grande benefício com<br />

o advento da tecnologia digital. O leque de possibilidades no manuseio da imagem 3D, que<br />

se abriu diante da Ciência, é praticamente infinito. Uma rápida análise do Quadro 1 mostra<br />

algumas das opções de análises digitais, incluindo os modelos tridimensionais, ao alcance do<br />

profissional.<br />

Quadro 1<br />

Importantes IndIcações para a solIcItação de exames dIgItaIs<br />

nas dIversas áreas da odontologIa<br />

Especialidade<br />

odontológica<br />

Indicação<br />

ATM Avaliação da posição do côndilo mandibular dentro<br />

da fossa, a sua integridade anatômica e as patologias<br />

(anquilose, artrite/artrose, cistos e outras).<br />

Implantodontia Localização e simulação cirúrgica de mini-implantes;<br />

Guia para os implantes e mini-implantes.<br />

Cirurgia ortognática Prototipagem de modelos para a confecção de guias<br />

cirúrgicos;<br />

Simulação de planejamentos visualizando oclusão e<br />

bases apicais.<br />

Diagnóstico Localização e identificação de patologias;<br />

Visualização e cálculo volumétrico das vias aéreas.<br />

Prótese Prototipagem;<br />

Simulação de planejamentos visualizando oclusão e<br />

bases apicais.<br />

Cirurgia oral menor Localização e identificação de patologias;<br />

Localização de dentes inclusos.<br />

Ortodontia Cefalometria 3D;<br />

Fotografia 3D;<br />

Setup de modelos;<br />

VTO*;<br />

Sobreposição;<br />

Modelos digitais.<br />

Fonte: http://www.compass3d.com.br/pt/index.html.<br />

*ATM – articulação temporomandibular; VTO – visualização dos objetivos do tratamento.<br />

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Embora ocorra um aumento na utilização de modelos digitais tridimensionais pelos<br />

ortodontistas, ainda existem estudos sendo conduzidos para verificar a acurácia<br />

dos sistemas de avaliação dos resultados do tratamento ortodôntico por meio de<br />

modelos digitais.<br />

Os modelos ortodônticos digitais permitem inúmeras aplicabilidades, como<br />

o planejamento do tratamento; 4,5,11,16,19<br />

a sobreposição de imagens e avaliação dos resultados obtidos, 10,12,17 facilitando o desenvolvimento<br />

de pesquisas; 25<br />

a comunicação com o paciente, com o laboratório e outros profissionais; 9<br />

a confecção de aparelhos ortodônticos customizados;<br />

a facilitação da reprodução da forma do arco ideal para ser utilizada na diagramação<br />

de arcos de nivelamento ortodônticos.<br />

Exemplos de aplicabilidade clínica dos modelos digitais para a realização de planejamentos<br />

ortodônticos foram citados por Rheude e colaboradores 16 em 2005, que selecionaram 30<br />

documentações ortodônticas iniciais e distribuíram para sete professores de departamento,<br />

para que diagnosticassem e planejassem, primeiramente com modelo digital, e, depois,<br />

com modelo de gesso convencional. Em seguida, foram calculadas as diferenças entre estes<br />

planejamentos. Os resultados analisados mostraram que houve aproximadamente 12% de<br />

alterações nos diagnósticos, 12%, na mecânica e 6%, nos planos de tratamento.<br />

Rheude e colaboradores concluíram que o índice de mudança diminui à medida<br />

que os ortodontistas ficam mais familiarizados com a nova tecnologia; portanto,<br />

recomendam que, no início, o profissional trabalhe com os dois modelos, o convencional<br />

e o digital.<br />

Macchi e colaboradores, 15 em 2006, utilizando o software Mimics®, da Materialise (Leuven,<br />

Bélgica), descreveram uma interessante técnica que consistia no isolamento dos dentes no<br />

exame da TC, substituindo as suas coroas por imagens escaneadas a lêiser, com o intuito de<br />

realizar o setup para, posteriormente, introduzir o conjunto de dentes nos maxilares novamente.<br />

Este estudo apontou os locais onde as deiscências ósseas podem ocorrer.<br />

VALIdAçãO PARA As PesquIsAs<br />

Muito se tem estudado para medir a acurácia e a reprodutibilidade das medidas obtidas por<br />

meio de modelos digitais. 4,5,7-21,25 Embora, na clínica, se possa conviver com as discrepâncias<br />

milimétricas possíveis, no campo da pesquisa científica prima-se pelo rigor na metodologia<br />

empregada. Em Ortodontia, a mensuração das dimensões dentárias, do apinhamento ou<br />

42 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

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do espaçamento, do overjet, do overbite e das discrepâncias de tamanho dentário tradicionalmente<br />

realiza-se nos modelos de gesso de forma manual.<br />

Diversos outros métodos de medidas têm sido propostos ao longo dos anos, como nos trabalhos<br />

de Champagne 26 e de Schimer e Wiltshire, 27 que compararam as medições realizadas<br />

manualmente nos modelos com medidas obtidas em modelos digitalizados a partir de fotocópias.<br />

Os autores concluíram que, embora as fotocópias sejam de fácil medição, as medidas<br />

produzidas manualmente nos modelos de gesso com um paquímetro bem calibrado<br />

são mais precisas, confiáveis e reprodutíveis.<br />

A precisão de medidas realizadas convencionalmente utilizando-se o compasso digital também<br />

foi avaliada por Zilberman e colaboradores, 22 em 2003, e comparada ao sistema OrthoCAD®. Os<br />

autores concluíram que os resultados obtidos por meio de compassos digitais são mais adequados a<br />

trabalhos científicos, e que a precisão obtida com o uso do sistema OrthoCAD® é clinicamente<br />

aceitável, abrindo futuras possibilidades para o desenvolvimento de sistemas de digitalização.<br />

Em fevereiro de 1999, a American Board of Orthdontics (ABO) desenvolveu um sistema para<br />

avaliar a qualidade da finalização do tratamento ortodôntico por meio de oito critérios<br />

de avaliação (sete avaliados nos modelos de gesso e um em radiografias). Com base neste<br />

critério, Costalos e colaboradores, 17 em 2005, realizaram um estudo para determinar se os<br />

modelos digitais poderiam ser utilizados com razoável precisão e confiabilidade para avaliar<br />

a oclusão de pacientes ao término do tratamento ortodôntico. Os autores encontraram valores<br />

similares para cinco dos sete critérios nos grupos avaliados, sugerindo que os modelos<br />

digitais podem ser um método aceitável no exame dos modelos pelos critérios da<br />

ABO, segundo os quais a calibração dos examinadores é um fator essencial na obtenção da<br />

repetibilidade de ambos os métodos.<br />

Em 2007, outro estudo foi conduzido por Okunami 12 para determinar se a utilização de modelos<br />

digitais poderia ser considerada precisa pela American Board of Orthodontics Objective<br />

Grading System (ABO OGS). O autor concluiu que o sistema OrthoCAD® (versão 2.2) não foi<br />

adequado para avaliar todos os parâmetros requeridos pela ABO.<br />

O índice PAR (Peer Assessment Rating) é uma ferramenta válida e confiável para a mensuração<br />

de maloclusões em modelos de gesso. Mayers e colaboradores, 18 em 2005, testaram a validação<br />

destas medidas em modelos digitais. Não foram encontradas diferenças estatisticamente<br />

significativas paras os escores obtidos por meio de modelos de gesso ou modelos digitais;<br />

portanto, os escores PAR derivados de modelos digitais foram considerados medidas<br />

de grande acurácia e reprodutibilidade.<br />

A tradicional cefalometria se beneficiou, uma vez mais, com a tecnologia digital. Esses benefícios<br />

traduzem-se em um número maior de ferramentas para a melhora da qualidade<br />

dos planejamentos, bem como da economia de tempo e espaço por ela gerados.<br />

Thiruvenkatachari e colaboradores, 10 em 2009, avaliaram a acurácia de modelos digitais<br />

utilizando o equipamento Vivid 910i® – Konica Minolta Sensing (Tokio, Japão) e o software<br />

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Rapidform 2006 – INUS Technology® e Rapidform® (Seul, Korea) para mensurar os movimentos<br />

dentários e os compararam com a cefalometria.<br />

Essa tecnologia permitiu as sobreposições de imagem pré e pós-tratamento com cores<br />

distintas. Os autores concluíram que o escaneamento a lêiser em 3D é acurado e pode<br />

substituir a cefalometria com duas vantagens: elimina a exposição ao raio X e possibilita<br />

a mensuração de movimentos dentários individuais nas imagens 3D com grande acurácia.<br />

Além disso, apresenta uma vantagem irrefutável: economia de espaço para a estocagem. Em<br />

contrapartida, uma desvantagem citada refere-se ao tempo de escaneamento (30 minutos)<br />

e ao custo do escâner e do software, em torno de US$40 mil.<br />

De uma forma geral, embora a precisão das medidas digitais prime em determinadas<br />

superfícies em detrimento de outras, quando comparados os modelos de gesso convencionais<br />

com modelos digitais (como nos trabalhos de Sohmura e colaboradores, 21<br />

Kusnoto e colaboradores, 25 Santoro e colaboradores, 5 Stevens e colaboradores, 28<br />

Choi e colaboradores 29 e Asquith), 30 as medidas obtidas por meio de tecnologia<br />

digital foram consideradas adequadas para os propósitos científicos e de pesquisa.<br />

1. Quais as principais vantagens dos modelos digitais sobre os modelos convencionais de<br />

gesso para a documentação ortodôntica?<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

2. Entre os constituintes da documentação ortodôntica de rotina, os modelos de gesso<br />

possibilitam<br />

A) avaliar a inclinação vestibulolingual dos dentes.<br />

B) perpetuar, no tempo, as condições iniciais da maloclusão original.<br />

C) detectar a presença de alterações morfológicas dos arcos dentários associadas a<br />

desconfortos articulares.<br />

D) estabelecer critérios de diagnóstico do padrão facial.<br />

Respostas no final do artigo<br />

44 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 44 11/05/2011 12:26:30


3. Entre as desvantagens dos modelos de gesso tradicionais, pode-se listar<br />

A) o alto custo de obtenção.<br />

B) a imprecisão das superfícies registradas.<br />

C) a dificuldade de obtenção, além do desconforto proporcionado ao momento do<br />

registro.<br />

D) o espaço físico para o armazenamento.<br />

4. Assinale a alternativa que aponta as características dos modelos digitais.<br />

A) São fundamentais para o diagnóstico e o planejamento individualizados, a fragilidade<br />

do material e a visão tridimensional; permitem a medição da inclinação<br />

vestibulolingual dos dentes de forma individual; possibilitam a sobreposição das<br />

imagens.<br />

B) Permitem a visão tridimensional e, portanto, a medição da inclinação vestibulolingual<br />

dos dentes individualmente; a possível contaminação por microrganismos<br />

se armazenados por longo prazo; a mensuração de altura e largura do rebordo<br />

alveolar; a possibilidade de sobreposição de imagens.<br />

C) São de fácil acesso a distância, permitem a troca de informações entre os profissionais;<br />

precisão e rapidez no registro do diagnóstico do paciente; mensuração<br />

de altura e largura do rebordo alveolar.<br />

D) Permitem as medições acuradas da largura e do comprimento do arco, do overjet<br />

e do overbite, bem como do tamanho dentário; dificuldade de espaço para o<br />

armazenamento; visão tridimensional; possibilidade de sobreposição de imagens.<br />

5. Nos Estados Unidos, duas empresas reproduzem modelos digitais mediante o envio<br />

da moldagem pelo profissional, a OrthoCAD® e a eModel®. Embora os custos destes<br />

dois procedimentos sejam equivalentes, uma vantagem do sistema eModel® sobre<br />

o sistema OrthoCAD® é<br />

A) o tamanho do arquivo obtido após a digitalização (800KB x 3.000KB).<br />

B) permitir a realização da análise de Bolton mediante o índice PAR.<br />

C) apresentar uma alta precisão e reprodutibilidade, porém inferior às medidas<br />

obtidas nos modelos de gesso com a utilização dos compassos digitais.<br />

D) as medições são realizadas por meio de paquímetros digitais.<br />

Respostas no final do artigo<br />

PRO-OdOntO | ORtOdOntIA | sescAd 45<br />

PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 45 11/05/2011 12:26:30


6. Por meio deste método de construção de modelo digital, o modelo de estudo é<br />

revestido em uma matriz sólida e de cor contrastante. Em seguida, a superfície do<br />

bloco é cortada paralelamente ao plano oclusal até que o primeiro traço do modelo<br />

de gesso se torne aparente. A partir de então, um escaneamento a lêiser da superfície<br />

bidimensional é feito e os seus dados são armazenados como uma camada em um<br />

arquivo de computador. Posteriormente, outra fatia do bloco é cortada, um novo<br />

escaneamento é feito e as suas informações novamente armazenadas. Esse processo<br />

é repetido até que toda a dentição já irrompida tenha sido mapeada em uma série<br />

de camadas sucessivas. Consequentemente, um mapa tridimensional, consistindo<br />

de camadas bidimensionais empilhadas, é obtido. Este método é conhecido por<br />

A) escaneamento a lêiser não destrutivo.<br />

B) escaneamento a lêiser destrutivo.<br />

C) escaneamento tridimensional.<br />

D) escaneamento a lêiser de superfície.<br />

Resposta no final do artigo<br />

7. Cite três aplicabilidades dos modelos ortodônticos digitais.<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

8. Com relação aos estudos que comprovam a acurácia e a reprodutibilidade do método<br />

digital em relação aos modelos de gesso convencionais, pode-se afirmar que<br />

A) os resultados demonstraram que as medidas obtidas por meio do modelo em 3D<br />

apresentam uma menor precisão em altura e largura.<br />

B) os resultados não demonstraram uma diferença estatisticamente significativa na<br />

largura dentária e no overbite entre os dois métodos.<br />

C) os resultados demonstraram que as medidas obtidas pelo OrthoCAD®, apresentam<br />

uma alta precisão e reprodutibilidade, porém são inferiores às medidas<br />

obtidas nos modelos de gesso com a utilização dos compassos digitais.<br />

D) muitos ortodontistas ainda resistem ao uso de modelos digitais porque os trabalhos<br />

realizados não conseguiram comprovar a boa acurácia e reprodutibilidade<br />

no método digital.<br />

Resposta no final do artigo<br />

46 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 46 11/05/2011 12:26:30


9. De que forma a tradicional cefalometria foi beneficiada com a tecnologia digital?<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

casO clíNIcO<br />

M.C.T., 24 anos de idade, sexo masculino, apresentava-se inicialmente com uma maloclusão<br />

de classe III com prognatismo mandibular, retrognatismo maxilar, apinhamento<br />

moderado/grave em ambos os arcos (Figuras 5 A-F) e uma queixa principal: “Gostaria<br />

de mastigar bem”.<br />

A B C<br />

D E F<br />

Figura 5 – A-F) Fotografias intraorais e extraorais iniciais.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

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Os modelos de gesso foram escaneados e o tratamento ortodôntico foi simulado por<br />

meio de um setup virtual no software OrthoAnalyser® (3Shape®). Em seguida, os modelos<br />

foram sobrepostos na TC de feixes cônicos e a cirurgia ortognática foi simulada,<br />

utilizando o software Vistadent 3D® (GAC Dentisply).<br />

Após várias simulações, optou-se pelo avanço de 7mm da maxila com impactação de<br />

3mm, em virtude da maior estabilidade e menor morbidade da cirurgia, que ainda oferecia<br />

um boa estética facial, conforme observado na avaliação tridimensional da simulação da<br />

repercussão do tecido mole e da fotografia 3D após a cirurgia virtual (Figuras 6 a 12).<br />

Figura 6 – Reconstrução: panorâmica inicial.<br />

Fonte: Arquivo pessoal do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

Figura 8 – Cefalometria 3D.<br />

Fonte: Arquivo pessoal do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

48 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

Figura 7 – Reconstrução: telerradiografia inicial.<br />

Fonte: Arquivo pessoal do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

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A B C<br />

Figura 9 – A) Fotografia de perfil pré-cirúrgico. B) Simulação da cirurgia em 3D.<br />

C) Fotografia de perfil final.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

A<br />

D<br />

G<br />

B<br />

E<br />

h<br />

Figura 10 – A-I) Fotografias intraorais oclusais inicial e final e sobreposição de modelos digitais<br />

inicial e final.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

C<br />

F<br />

I<br />

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PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 49 11/05/2011 12:26:32


A<br />

50 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

B C<br />

D E F<br />

Figura 11 – A-F) Fotografias intraorais e extraorais pré-cirúrgicas.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

A B<br />

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C D<br />

Figura 12 – A) Modelo digital inicial preparado para o setup. B) Setup virtual. C) Fusão de modelos<br />

digitais com TC inicial. D) Oclusão ideal após o setup e cirurgia virtual.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

Assim, o plano de tratamento proposto e antecipadamente visualizado pelo paciente foi<br />

o alinhamento e o nivelamento dos arcos superior e inferior sem extrações dentárias, a<br />

cirurgia de avanço e impactação maxilar, e a finalização ortodôntica (Figuras 13 e 14).<br />

Figura 13 – Reconstrução: panorâmica final.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

Figura 14 – Reconstrução: telerradiografia final.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão<br />

Gribel.<br />

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Ao final do tratamento, o paciente apresentava a relação de classe I de caninos e molares<br />

bilateral, guias canino direita e esquerda, um bom perfil e sorriso, com exposição de<br />

incisivos adequada (Figuras 15 A-F).<br />

A B C<br />

D E F<br />

Figura 15 – A-F) Fotografias intraorais e extraorais finais.<br />

Fonte: Arquivo de imagens do autor Bruno Frazão Gribel.<br />

52 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 52 11/05/2011 12:26:34


10. Quais observações podem ser feitas a partir do caso clínico apresentado?<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

__________________________________________________________________________<br />

cONclUsÃO<br />

Embora as vantagens da utilização desta tecnologia sejam irrefutáveis, a principal dificuldade<br />

da incorporação do uso de modelos virtuais na prática clínica por ortodontistas não americanos<br />

é a ausência de centros de documentação em seus países de origem, fora dos Estados<br />

Unidos, para a conversão dos modelos de gesso tradicionais em modelos em 3D, elevando,<br />

assim, os custos do processo.<br />

Diante dessa realidade, surge a necessidade do desenvolvimento de um sistema nacional que<br />

viabilize a utilização dessa nova ferramenta na Ortodontia clínica e na pesquisa científica,<br />

visto que os sistemas mais utilizados e citados atualmente na literatura demandam o envio<br />

do material para fora do Brasil, gerando maiores custos e um maior tempo para a obtenção<br />

de informações, tão essenciais ao diagnóstico e à elaboração do plano de tratamento.<br />

Alguns centros de documentação no Brasil, assim como os centros de pesquisa nacionais,<br />

começam a disponibilizar a tecnologia dos modelos digitais obtidos por meio de escaneamento<br />

a lêiser não destrutivo. A difusão dessa tecnologia entre ortodontistas pesquisadores<br />

e clínicos viabilizará, ao longo do tempo, uma diminuição dos custos operacionais, gerando<br />

grande impacto na melhoria da qualidade dos planejamentos e, em consequência, na<br />

finalização dos casos ortodônticos. Em qualquer das situações, os profissionais e os pacientes<br />

serão grandemente beneficiados.<br />

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ResPOsTas às aTIvIDaDes e cOmeNTáRIOs<br />

Atividade 1<br />

Resposta: Os modelos digitais realizam mensurações digitais acuradas e precisas da largura e<br />

do comprimento do arco dentário, do overjet e do overbite, assim como do tamanho dentário;<br />

simulam os resultados terapêuticos mediante a movimentação dentária e, ainda, permitem<br />

mensurar os aspectos impossíveis de avaliar em modelos de gesso convencionais, como a altura<br />

e a largura do rebordo alveolar, a inclinação vestibulolingual dos dentes individualmente, o<br />

comprimento e a inclinação dos processos palatinos. Outra grande vantagem dos modelos<br />

digitais consiste na possibilidade de sobreposição das imagens de dois tempos distintos, permitindo<br />

a visualização de alterações ocasionadas pelo crescimento ou pela movimentação<br />

dentária ou cirúrgica (setup).<br />

Atividade 2<br />

Resposta: B<br />

Comentário: Os modelos, assim como cada elemento da documentação ortodôntica, perpetuam,<br />

ao longo do tempo, as condições morfológicas do sistema estomatognático. Isso<br />

possibilita, além do diagnóstico e do plano de tratamento inicial, infinitas comparações,<br />

estabelecendo uma análise dinâmica da evolução dos casos clínicos.<br />

Atividade 3<br />

Resposta: D<br />

Comentário: Ao longo do tempo, o acúmulo dos modelos de gesso gera um grande inconveniente<br />

na prática clínica ortodôntica, que é o espaço físico para o armazenamento, criando,<br />

com isso, a necessidade de um espaço substancial a ser reservado para o arquivo de casos<br />

tratados (obrigação legal) e em tratamento.<br />

Atividade 4<br />

Resposta: C<br />

Comentário: Os modelos digitais tridimensionais vêm sendo utilizados para propósitos clínicos<br />

e de pesquisa, e o seu uso para as análises quantitativas foi validado após evidências da grande<br />

acurácia e reprodutibilidade de mensurações. Uma das maiores vantagens da utilização dos<br />

modelos digitais é, sem dúvida, a racionalização de espaço, aliada à facilidade de acesso e<br />

inclusão que a tecnologia permite. Tanto a moldagem como os modelos de gesso podem ser<br />

escaneados a lêiser para a obtenção dos modelos virtuais.<br />

Atividade 5<br />

Resposta: A<br />

Comentário: Enquanto o arquivo obtido pelo OrthoCAD® é de aproximadamente 3.000KB<br />

(3MB) em virtude dos aspectos internos do modelo que é escaneado e registrado, o arquivo<br />

gerado pelo eModel® ocupa, em média, 800KB. Para o armazenamento e a transferência de<br />

dados, o reduzido tamanho do arquivo do eModel® representa uma vantagem.<br />

54 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 54 11/05/2011 12:26:34


Atividade 6<br />

Resposta: B<br />

Comentário: O escaneameno a lêiser destrutivo é um processo descrito por Baumrind como<br />

uma análise física destrutiva. Obtém-se, assim, um mapa tridimensional, consistindo de camadas<br />

bidimensionais empilhadas. Esse processo é o utilizado pela companhia Cadent para<br />

a obtenção de seus modelos digitais.<br />

Atividade 8<br />

Resposta: C<br />

Comentário: Zilberman e colaboradores, em 2003, avaliaram a precisão de medidas realizadas<br />

de forma convencional utilizando-se o compasso digital, e comparam com as medidas<br />

obtidas pelo sistema OrthoCAD®. Vinte setups simulando vários tipos de maloclusões foram<br />

construídos. O tamanho dentário e a largura intercaninos e intermolares foram examinados.<br />

Os resultados demonstraram que as medidas obtidas pelo sistema OrthoCAD® apresentaram<br />

uma alta precisão e reprodutibilidade, porém foram inferiores às medidas obtidas nos modelos<br />

de gesso com a utilização dos compassos digitais. Os autores concluíram que os resultados<br />

obtidos por meio de compassos digitais são mais adequados a trabalhos científicos, e que a<br />

precisão obtida com o uso do sistema OrthoCAD® é clinicamente aceitável, abrindo futuras<br />

possibilidades para o desenvolvimento de sistemas de digitalização.<br />

RefeRêNcIas<br />

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PRO-ODONTO Orto c4m4 - 4.indd 55 11/05/2011 12:26:34


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56 MODELOS DIGITAIS EM ORTODONTIA<br />

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