A SAGA DO JORNALISMO LIVRE - Koosb

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são um grupo convencional. Eles não se apresentam no palco. Somente na mesa do bar.

Essa história começou na década de 40 e perdura até os dias de hoje. Atualmente, eles

engrandecem o Bar Duque, no bairro de Santa Rosa, sempre aos sábados, no fim da

tarde. O documentário versa sobre música popular, amizade, longevidade, e tudo isso

acompanhado de ―saudáveis‖ bebedeiras. O documentário deve estar disponível no

acervo do curso de Comunicação Social da Unipli (nós deixamos uma cópia lá). Quem

nos apoiou, na época, foram os professores Maurício Vasquez e Wilson Paraná.

Tem previsão para algum projeto novo dentro da área cinematográfica?

O audiovisual nunca vai sair da minha vida. É meu remédio contra o tédio da vida

contemporânea e urbana, onde a maioria das pessoas não se aprofunda. Onde vivemos

num culto à artificialidade e a superficialidade. Bom, atualmente estou morando em

Recife, produzindo um cineclube chamado Amoeda Digital e trabalhando com a

produtora ―nanoproduções‖ (assim mesmo com letra minúscula). Em breve

promoveremos o Cine Chinelo no Pé VIII. Uma mostra no meio da Rua da Moeda, no

Recife Antigo, e que funciona como uma ―tela livre‖. Não existe uma curadoria prévia,

quem chegar até 20 minutos antes da sessão começar, com seu trabalho em DVD, tem

seu filme exibido.

Qual a maior dificuldade para se trabalhar com cinema?

Eu creio que o problema número um de todos os profissionais de cinema no país é a

falta de integração. A desunião. Na Argentina, por exemplo, com toda dificuldade

econômica do país, existem cooperativas de audiovisual que incentivam diretores a

produzirem o primeiro longa-metragem ainda jovens, com vinte e poucos anos de idade.

O cinema nacional está descobrindo caminhos ou está sendo desencaminhado?

Depende da vertente. Eu acho que existem mais de duas vertentes, mas a grosso modo

podemos bi polarizar essa história. Existe a vertente retrógrada e conservadora, que cada

vez mais faz nosso cinema ser extremamente parecido com o estadunidense e com os

europeus ―holywoodianizados‖, nos afastando cada vez mais do audiovisual latinoamericano,

ou seja, nos deixa sem identidade própria. Existe outra vertente

experimentalista que dialoga com as novas tecnologias e as novas mídias, não temendo

dialogar também com outras expressões artísticas. Isso engrandece a linguagem.

É uma pena que as pessoas que não são do meio, não conheçam essa segunda vertente,

ou quando conhecem, têm um conhecimento superficial. Mas, uma coisa é certa, essa

segunda vertente é difícil de digerir pra quem está, ou foi acostumado com tudo

explícito e bem explicadinho, para ninguém ter trabalho de pensar. Tudo de

entretenimento fácil.

O que é um bom filme?

Depende do ponto de vista. Mas, pra ser objetivo e abrangente ao mesmo tempo, o bom

filme é aquele que te faz refletir sobre os temas abordados. Como esses assuntos são

trabalhados no cotidiano da vida real. E não falo só dos filmes de ficção ou

experimentais. Esse pensamento serve também para os documentários. O documentário

é uma história contada do ponto de vista de uma ou mais pessoas. E um questionamento

para reflexões seria, como é, ou como foi, a realidade plausível das pessoas que foram

documentadas, dos momentos documentados?

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