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Outubro - Adventist World

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Ó r g ã o I n t e r n a c i o n a l d o s A d v e n t i s t a s d o S é t i m o D i a<br />

Ó r g ã o I n t e r n a c i o n a l d o s A d v e n t i s t a s d o S é t i m o D i a<br />

8 Por que<br />

Eles Saem?<br />

14 O Adventismo<br />

na Albânia<br />

<strong>Outubro</strong> 2009<br />

c e l e b r a n d o<br />

a<br />

Crıação<br />

27 A Igreja do<br />

Tempo do Fim no<br />

Apocalipse


<strong>Outubro</strong> 2009<br />

A R T I G O D E C A P A<br />

Celebrando a Criação<br />

Por George T. Javor ..................................................................... 16<br />

Quanto mais conhecemos sobre a Criação, tanto mais<br />

apreciamos seu Criador.<br />

D E V O C I O N A L<br />

Jornada à Nossa Frente Por Armon Tolentino .................. 12<br />

Nosso futuro está garantido pelo modo com que<br />

fomos guiados no passado.<br />

V I D A A D V E N T I S T A<br />

O Adventismo na Albânia Pós-Comunista ................ 14<br />

Claude Richli, editor associado, entrevista Sylvain Romain,<br />

presidente da Missão da Albânia.<br />

C R E N Ç A S F U N D A M E N T A I S<br />

Por que Não Bebo Bebida Alcoólica<br />

Por Tom Shepherd ...................................................................... 20<br />

A razão é tanto bíblica como social.<br />

N A S A / H U B B L E H E R I T A G E T E A M / M O D I F I C A D A D I G I T A L M E N T E<br />

E S P Í R I T O D E P R O F E C I A<br />

Entre as Nações e o Reino Por Ellen G. White .................. 22<br />

Construímos pontes ao derrubar barreiras.<br />

S E R V I Ç O A D V E N T I S T A<br />

Missão para Muitos Por Daniel Weber ............................... 24<br />

Os adventistas no Sul do Pacífico evangelizam<br />

diversas populações.<br />

<strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> (ISSN 1557-5519) é editada 12 vezes por ano, na primeira quinta-feira do mês, pela Review and Herald<br />

Publishing Association. Copyright (c) 2005. Vol. 5, nº 10, outubro de 2009.<br />

2 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

I G R E J A E M A Ç Ã O<br />

Editorial ............................. 3<br />

Notícias do Mundo<br />

3 Notícias & Imagens<br />

Janela<br />

7 A Dinamarca por Dentro<br />

Visão Mundial<br />

8 Por que Eles Saem?<br />

S A Ú D E<br />

Crescente<br />

Preocupação com<br />

Alergia a Alimentos ....11<br />

Por Allan R. Handysides e<br />

Peter N. Landless<br />

P E R G U N T A S B Í B L I C A S<br />

Salvação por Dar<br />

à Luz Filhos? ...................26<br />

Por Angel Manuel Rodríguez<br />

E S T U D O B Í B L I C O<br />

A Igreja do Tempo<br />

do Fim no<br />

Apocalipse ......................27<br />

Por Mark A. Finley<br />

I N T E R C Â M B I O M U N D I A L<br />

29 Cartas<br />

30 O Lugar de Oração<br />

31 Intercâmbio de Ideias<br />

O Lugar das<br />

Pessoas .............................32<br />

Tradução: Sonete Magalhães Costa<br />

www.portuguese.adventistworld.org


A Igreja em Ação<br />

E D I T O R I A L<br />

No Mundo Inteiro<br />

Todo mês, antes de escrever as palavras<br />

para esta página, paro e penso<br />

em alguns dos lugares onde, provavelmente,<br />

elas serão lidas.<br />

Em Bombaim, Índia, um jovem fatigado abre seu laptop,<br />

após doze horas de trabalho e entra no site da <strong>Adventist</strong><br />

<strong>World</strong>, ávido por uma mensagem e pela sensação de estar<br />

ligado a milhões de irmãos e irmãs que não pode ver.<br />

Em São Paulo, Brasil, uma dona de casa aposentada repete<br />

seu ritual de todas as sextas-feiras à noite: uma poltrona confortável,<br />

um CD com seus hinos preferidos, o gato ao seu lado,<br />

no sofá, uma cópia desta revista aberta no seu artigo favorito.<br />

Em algum lugar ao norte de Calgary, Canadá, uma<br />

professora adventista abre estas páginas procurando algo<br />

que unirá sua pequena comunidade de alunos da escola fundamental<br />

a um movimento que envolve o globo. Ela procura<br />

algo do interesse de seus alunos: geografia, estudo bíblico,<br />

história e fé.<br />

Num povoado a três horas de distância de Nairóbi, Quênia,<br />

o nono leitor destas palavras herda uma cópia amassada<br />

e marcada por muito manuseio. Mesmo embaixo das impressões<br />

digitais e das manchas, as palavras estão vivas e ainda se<br />

movem e reúnem o rebanho que está disperso.<br />

N O T Í C I A S D O M U N D O<br />

Governo Australiano<br />

Libera Expressiva Quantia<br />

de Dólares Para Escolas<br />

<strong>Adventist</strong>as<br />

Governo dá impulso inicial<br />

para projeto de construção<br />

■ As escolas adventistas do sétimo dia,<br />

na Austrália, receberam 83 milhões de<br />

dólares como parte do programa de<br />

modernização educacional do governo.<br />

“É de inestimável valor o que o<br />

sistema educacional recebeu”, disse<br />

John Hammond, diretor das escolas<br />

adventistas da Austrália, que pertencem<br />

à União/Associação Australiana. “É uma<br />

Mais de 1.500.000 cópias desta revista são distribuídas<br />

todos os meses e impressas em seis idiomas (inglês, coreano,<br />

francês, português, espanhol e bahasa/indonésio). Milhares de<br />

pessoas – e quem sabe ao certo quantas? – acessam cinco desses<br />

idiomas na Internet ou quatro outros idiomas só traduzidos<br />

para a Web (chinês, russo, alemão e, neste mês, vietnamita).<br />

Agora, no seu 160º aniversário, uma publicação adventista<br />

do sétimo dia alcança um marco sem precedentes entre as<br />

revistas de uma religião mundial. Cerca de dois terços dos<br />

17 milhões de adventistas do mundo são alcançados pelas<br />

notícias, inspiração, ensinos bíblicos e esperança transmitidos<br />

pela <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>. Desde a década de 1870 quando os<br />

membros da recém-nascida Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia<br />

não eram muito diferentes dos assinantes da revista Review<br />

and Herald (Revista <strong>Adventist</strong>a em inglês), que ajudou a<br />

consolidar o movimento, não houve tal oportunidade para a<br />

família adventista do sétimo dia mundial unir-se em estudo<br />

comum, devoção e foco na segunda vinda de Jesus.<br />

Querido amigo, você é parte vital dessa grande e unida<br />

família de leitores e crentes, para os quais esta revista existe. E<br />

por você, agora, levanto minha voz para agradecer ao Senhor<br />

a mensagem e a revista que nos unem.<br />

— Bill Knott<br />

RECURSOS DO GOVERNO: Início de novas construções no Colégio <strong>Adventist</strong>a<br />

Mountain View, a oeste de Sidnei, New South Wales, Austrália.<br />

F O T O : A R Q U I V O S D A D S P<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 3


A Igreja em Ação<br />

N O T Í C I A S D O M U N D O<br />

grande soma de dinheiro e estamos<br />

muito felizes de poder ajudar o governo<br />

a gastá-lo.”<br />

As escolas adventistas estão usando<br />

o dinheiro para financiar uma série<br />

de projetos que incluem a construção<br />

de bibliotecas, centros de aprendizado<br />

e centros multifuncionais; reformas<br />

em algumas áreas, assim como vários<br />

trabalhos de paisagismo e reparo.<br />

“Nossas escolas estão crescendo<br />

e não têm salas de reuniões, centros<br />

multifuncionais, ginásios de esportes<br />

ou um local para encenação. Tudo isso<br />

são ‘coisinhas’ que sempre deixamos<br />

para fazer ‘mais tarde’”, diz Hammond.<br />

“Esse recurso extra deu bom impulso<br />

ao sistema escolar.”<br />

O projeto Construindo a Revolução<br />

Educacional (CRE) – parte da<br />

estratégia de estímulo econômico do<br />

governo da Austrália – de 14,7 bilhões<br />

de dólares australianos por três anos,<br />

beneficiará todas as 9.540 escolas públicas<br />

e privadas do país.<br />

O CRE é composto de três elementos:<br />

“Escolas Primárias para o século<br />

XXI” (EP21), que oferece 12,4 bilhões<br />

de dólares americanos em financiamento<br />

para todas as escolas primárias<br />

australianas, do jardim à 12ª série de<br />

nível fundamental, e escolas especiais<br />

para construir novas instalações ou<br />

atualizar as que já existem; 1 bilhão<br />

de dólares para “Centros de Idiomas e<br />

Ciências para Escolas de Ensino Médio<br />

do Século XXI”; e 1,2 bilhão para o<br />

projeto “Orgulho da Escola Nacional”<br />

(OEN), que financiará pequenas<br />

obras e projetos de manutenção. Sob<br />

o programa OEN, algumas escolas<br />

4 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

serão elegíveis para receber até 200 mil<br />

dólares para manutenção e obras de<br />

construção.<br />

Há 55 escolas adventistas na Austrália,<br />

com um total de mais de onze<br />

mil alunos.<br />

Na Associação South Queensland,<br />

os projetos incluem um ginásio de<br />

esportes e a extensão da biblioteca,<br />

com um custo de 3 milhões de dólares,<br />

no Northpine Christian College; novas<br />

salas de aulas e renovação da biblioteca<br />

no Brisbane <strong>Adventist</strong> College<br />

e novas bibliotecas para as seguintes<br />

escolas: Noosa Christian College,<br />

Gold Coast Christian College, Darling<br />

Downs Christian School, Coral Coast<br />

Christian School e Escola <strong>Adventist</strong>a<br />

Ipswich.<br />

Todas as escolas receberão recursos<br />

adicionais para cobrir uma gama de<br />

pequenos projetos. Na Associação Australiana<br />

Ocidental, os projetos incluem<br />

a reforma da biblioteca do Carmel<br />

<strong>Adventist</strong> College (de ensino médio) e<br />

a extensão do playground do pré-primário<br />

da Escola <strong>Adventist</strong>a Brookdale,<br />

e Escola Primária Cristã Esperança.<br />

A Escola Secundária Carmel planeja<br />

enviar proposta para a construção de<br />

um centro de Idiomas e Ciências, segundo<br />

Hammond. A Escola Avondale,<br />

na Associação North New South Wales,<br />

construirá uma nova biblioteca para o<br />

fundamental e um centro de aprendizado<br />

para substituir a atual biblioteca.<br />

O Macquarie College também construirá<br />

uma nova biblioteca, bem como<br />

a Escola <strong>Adventist</strong>a Port Macquarie.<br />

Com o recurso que receberá, a Escola<br />

<strong>Adventist</strong>a Kempsey substituirá algumas<br />

de suas salas de aulas provisórias<br />

por estruturas definitivas.<br />

A Escola Primária Prescott do<br />

Norte, no sul da Austrália, obteve<br />

com sucesso o valor de 2,5 milhões, o<br />

que possibilitará a construção de um<br />

centro de informação tecnológica e o<br />

acréscimo de quatro salas de aulas.<br />

Um bom número de escolas das<br />

Associações da Grande Sydney e Nova<br />

Wales do Sul realizará vários projetos<br />

de manutenção. Em muitas escolas,<br />

serão construídos novos prédios e<br />

estão planejadas várias reformas em<br />

estruturas já existentes.<br />

—Reportagem de Melody Tan, da equipe<br />

de comunicação da Divisão do Sul<br />

do Pacífico; reeditado por cortesia dos<br />

arquivos da DSP.<br />

Israel: Primeiro Festival de Liberdade<br />

Religiosa Reúne Centenas de Pessoas<br />

■ Centenas de defensores da liberdade<br />

religiosa em Israel e nos territórios<br />

palestinos reuniram-se em Jerusalém,<br />

no dia 26 de julho, para o primeiro e já<br />

histórico festival de liberdade religiosa.<br />

O evento gerou um “bom clima de<br />

compreensão” que incentivará, esperam<br />

os organizadores, a tolerância na<br />

região, disse John Graz, secretário geral<br />

da Associação Internacional de Liberdade<br />

Religiosa (IRLA), que patrocina<br />

os festivais em todo o mundo, para<br />

incentivar a liberdade religiosa.<br />

Organizar o evento na cidade<br />

sagrada para as três principais religiões<br />

do mundo – judaísmo, islamismo e<br />

cristianismo − foi gratificante, disse<br />

Graz, que também dirige o Departamento<br />

de Relações Públicas e Liberdade<br />

Religiosa da Igreja <strong>Adventist</strong>a do<br />

Sétimo Dia (PARL).<br />

Embora os cristãos desfrutem de<br />

liberdade dentro de certos limites, a<br />

realização de evangelismo na maior<br />

parte da região judaico-ortodoxa de


LIBERDADE RELIGIOSA: Da esquerda para direita: Eugene Hsu, vice-presidente<br />

da Associação Geral dos <strong>Adventist</strong>as do Sétimo Dia; John Graz, diretor de<br />

Relações Públicas e Liberdade Religiosa; Richard Elofer, presidente da Igreja<br />

<strong>Adventist</strong>a em Israel; rabi James M. Lebeau, diretor do Centro de Judaísmo<br />

Conservador Fuchsberg e Harold Wollan, da Divisão Transeuropeia dos<br />

<strong>Adventist</strong>as do Sétimo Dia, durante o festival de liberdade religiosa realizado<br />

em Jerusalém, no dia 26 de julho de 2009.<br />

Israel, o tratamento com os muçulmanos<br />

é um assunto controvertido<br />

internacionalmente, segundo Relatório<br />

da Liberdade Religiosa Mundial, publicação<br />

da PARL.<br />

Os judeus conservadores, que abraçam<br />

a interpretação não fundamentalista<br />

da fé judaica, também enfrentam<br />

dificuldades com restrições à liberdade<br />

religiosa, disse o Rabi Yaacov Lebeau,<br />

que falou no evento. Devido à predominância<br />

do judaísmo ortodoxo, casamentos<br />

e outras cerimônias realizadas<br />

em sinagogas conservadoras não são<br />

plenamente reconhecidos, disse ele.<br />

“É muito fácil ser influenciado por<br />

grupos extremistas e cair no exclusivismo”,<br />

disse o presidente adventista<br />

F O T O : C O R T E S I A D O C A M P O E M I S R A E L<br />

da região, Richard Elofer. Devido à<br />

maquiagem “multicultural e multirregional”<br />

de Israel, defender liberdades<br />

inclusivas é prioridade para assegurar<br />

que isso não aconteça, acrescentou<br />

Richard Elofer.<br />

Cerca de 300 delegados de liberdade<br />

religiosa das comunidades judaicas<br />

e cristãs compareceram ao evento.<br />

—Equipe da Rede <strong>Adventist</strong>a de Notícias<br />

Suíça: Paulsen Dedica Novo Prédio<br />

de Escola <strong>Adventist</strong>a em Zurique<br />

■ Mais de 350 pessoas compareceram<br />

à cerimônia de dedicação da nova<br />

Escola Wolfswinkel e dos escritórios da<br />

Igreja em Zurique, Suíça, no dia 4 de<br />

julho de 2009. Os convidados gostaram<br />

do discurso do pastor Jan Paulsen,<br />

presidente da Associação Geral da Igreja<br />

<strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia, além de boa<br />

música, coquetel e outras festividades.<br />

Localizado perto do centro da cidade de<br />

Zurique, em área privilegiada, o novo<br />

Centro de Wolfswinkel abriga a escola<br />

particular “AZ”, a Igreja <strong>Adventist</strong>a do<br />

Sétimo Dia Oerlikon e os escritórios<br />

da Associação Suíço-Alemã da Igreja<br />

<strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia.<br />

A escola particular denominacional<br />

“A-Z” foi fundada em Zurique há 55<br />

anos. Entretanto, sua localização no<br />

centro da cidade não era mais condizente<br />

com o conceito da educação<br />

cristã adventista. Há vinte anos, a<br />

comissão diretiva da escola sentiu que<br />

ela deveria ser transferida para um<br />

ambiente mais natural, fora do ambiente<br />

urbano. Essa visão encorajou os<br />

pioneiros (Heinrich Walder, Ivan<br />

Fagioli e outros) a convencer a comissão<br />

executiva e as igrejas da União Suíça a<br />

apoiar a ideia da transferência.<br />

Ao longo dos últimos vinte anos,<br />

a comissão de planejamento visitou<br />

trinta locais com potencial. Entretanto,<br />

mesmo após encontrar um local ideal,<br />

fora da cidade, parecia que o sonho de<br />

uma nova escola teria de ser abandonado,<br />

pois começaram a surgir vários<br />

outros problemas. Dessa vez, os problemas<br />

vieram na forma de requisitos<br />

oficiais de construção e um vizinho<br />

que queria impedir a construção.<br />

Esses problemas permitiram que<br />

Deus realizasse um milagre. Primeiro,<br />

o departamento de construção do governo<br />

deu autorização para que a escola<br />

fosse construída numa área com 90%<br />

de ocupação. Segundo, conseguiram<br />

chegar a um consenso com as autoridades<br />

sobre a construção de um prédio<br />

com salas quadradas e multifuncionais.<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 5


A Igreja em Ação<br />

N O T Í C I A S D O M U N D O<br />

EDUQUE BEM SEUS FILHOS: O presidente da Associação Geral, Jan Paulsen,<br />

e o tradutor, Ivan Fagioli, em seu discurso na cerimônia de inauguração de<br />

uma nova escola adventista em Zurique, Suíça.<br />

Finalmente, fizeram um acordo com o<br />

vizinho. A construção foi concluída na<br />

primavera de 2009.<br />

Em seu discurso, o pastor Paulsen<br />

enfatizou que a humanidade tem problemas<br />

que só Deus pode solucionar.<br />

Todo aquele que se reconcilia com<br />

Deus é chamado para compartilhar<br />

essa mensagem com outros. “Fale sobre<br />

sua experiência com Deus para os seus<br />

filhos”, disse Paulsen, encorajando os<br />

presentes.<br />

—Reportagem de Michael Urbatzka,<br />

Divisão Euro-Africana<br />

6 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

F O T O : M I C H A E L U R B A T Z K A / C D D E A<br />

Gana: Igreja Realiza Primeiro<br />

Encontro Sobre Mordomia<br />

■ O primeiro encontro sobre mordomia<br />

da Divisão Africana Centro<br />

Ocidental foi realizado em Gana, na<br />

Universidade Valley View, campus<br />

de Techiman. A Divisão Africana<br />

Centro Ocidental, em colaboração<br />

com a União/Associação de Gana,<br />

organizou o evento, ao qual<br />

compareceram 300 pessoas.<br />

O objetivo foi apresentar aos<br />

delegados as novas estratégias de<br />

promoção da mordomia.<br />

Segundo Armando Miranda,<br />

vice-presidente mundial da Igreja<br />

<strong>Adventist</strong>a, “mordomia é o estilo de<br />

vida de quem tem uma relação viva<br />

com Jesus Cristo, aceita o Seu senhorio,<br />

vive uma parceria com Deus e<br />

atua como Seu agente na gestão de Sua<br />

obra na Terra. Isso transcende a gestão<br />

financeira, que (por muito tempo) foi<br />

nossa ênfase.”<br />

Para o diretor de mordomia da<br />

igreja mundial, Erika Puni, o encontro<br />

reuniu a liderança da igreja, pastores<br />

distritais e membros leigos para aprender<br />

juntos sobre mordomia integral.<br />

“Tem-se dado muita atenção à<br />

mordomia financeira na igreja, ao<br />

passo que a mordomia é total; deve<br />

haver um relacionamento com Cristo,<br />

o que gera uma resposta a Deus. Os<br />

delegados precisam compreender os<br />

princípios da nova abordagem para<br />

que, ao voltarem, sejam aplicados e<br />

adaptados à sua realidade,” disse Puni.<br />

O privilégio de sediar o encontro<br />

foi tanto uma oportunidade como<br />

um desafio para a União/Associação<br />

de Gana (UAG), disse seu presidente,<br />

Samuel A. Larmie. “Foi uma oportunidade<br />

ímpar sediar o evento,” ele disse.<br />

“Foi também um desafio, pois, após<br />

esse evento, a UAG deverá mostrar<br />

bons resultados”, acrescentou.<br />

Cerca de trezentos delegados,<br />

incluindo líderes da igreja, pastores<br />

e membros leigos, compareceram ao<br />

evento de cinco dias, com o tema:<br />

“Fidelidade na Missão de Esperança”.<br />

Segundo Emmanuel Odenke<br />

Abbey, diretor de mordomia da União/<br />

Associação de Gana, “a participação<br />

nas reuniões foi muito boa. Esse é o<br />

primeiro encontro de mordomia da<br />

divisão e estou grato a Deus pelo fato<br />

de ter sido realizado em Gana.”<br />

—Reportagem de Solace Asafo, da<br />

União de Gana, e de Gilbert Weeh, da<br />

Divisão Africana Centro Ocidental, com<br />

equipe da <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>.


J A N E L A<br />

ADinamarca, Mar<br />

por Dentro<br />

Embora pequeno em tamanho, o<br />

Reino da Dinamarca, durante sua<br />

longa história, tem criado um<br />

grande impacto na Europa e no resto<br />

do mundo. Conhecido na Idade Média<br />

como a terra dos guerreiros Vikings,<br />

que chegaram de várias partes da<br />

Europa, a Dinamarca de hoje usa seus<br />

militares para empreendimentos pacíficos.<br />

Como membro fundador tanto das<br />

Nações Unidas (ONU) como da North<br />

Atlantic Treaty Organization (NATO),<br />

a Dinamarca afirma ter enviado, desde<br />

1948, mais equipes para missões de paz<br />

que qualquer outro país do mundo.<br />

A Dinamarca é o país mais ao sul<br />

entre os países escandinavos do norte<br />

europeu. É constituída de um território<br />

principal, Jutlândia, que se estende desde<br />

o norte da Alemanha, e uma série de<br />

arquipélagos no lado oriental, no Mar<br />

Báltico. A Dinamarca também tem duas<br />

colônias principais, a Groenlândia e as<br />

Ilhas Faroé.<br />

Sua civilização data de pelo menos<br />

1800 a.C. Embora não haja nenhum<br />

registro desse período, incrustações nas<br />

rochas mostram que os antigos dinamarqueses<br />

eram agricultores e que adoravam<br />

o Sol. Durante o século XII d.C.,<br />

o cristianismo chegou à Dinamarca em<br />

parte pela influência de reis tribais que<br />

queriam fechar acordos comerciais com<br />

o Santo Império Romano.<br />

A Reforma Protestante Luterana<br />

causou grande impacto na Dinamarca.<br />

Quando o Novo Testamento foi<br />

publicado pela primeira vez na língua<br />

dinamarquesa em 1524, rapidamente<br />

tornou-se um best-seller. A essa altura, o<br />

catolicismo romano havia se integrado<br />

em muitos aspectos do cotidiano dos<br />

Por<br />

Hans Olson<br />

DINAMARCA<br />

Capital: Copenhagen<br />

ALEMANHA<br />

Língua Oficial: Dinamarquês<br />

Religião: Luterana, 95%; outras cristãs, 3% e muçulmana, 2%<br />

População: 5.45 milhões*<br />

<strong>Adventist</strong>as: 2.523*<br />

<strong>Adventist</strong>as per capta: 1:2.161*<br />

* 145° Relatório Estatístico Anual, Arquivos Estatísticos da Sede da Associação Geral<br />

dinamarqueses e impôs vários impostos<br />

sobre a população em geral.<br />

Os dinamarqueses acolheram a independência<br />

da ideologia católica romana.<br />

Em 1536, o rei dinamarquês Christian<br />

III fundou a Igreja Evangélica Luterana<br />

da Dinamarca. Hoje, quase todos os<br />

dinamarqueses são membros dessa fé,<br />

apoiada pelo estado. A monarca, atualmente<br />

a Rainha Margarete II, atua como<br />

chefe da igreja, tendo um ministro para<br />

assuntos eclesiásticos, que é a mais alta<br />

autoridade administrativa da igreja.<br />

<strong>Adventist</strong>as na Dinamarca<br />

O adventismo chegou à Dinamarca<br />

em 1872 por meio de uma revista<br />

dinamarquesa mensal chamada Advent<br />

Tidende, publicada por John Matteson,<br />

um dinamarquês, que a criou para<br />

alcançar os imigrantes escandinavos<br />

que moravam nos Estados Unidos.<br />

Matteson enviou a revista para a<br />

Dinamarca em resposta a cartas de<br />

pessoas interessadas na guarda do<br />

sábado. Lá por 1874, já haviam sido<br />

enviadas cerca de mil cópias da Advent<br />

Tidende. Em 1875 uma editora dinamarquesa,<br />

a M. A. Soomer, pediu permissão<br />

a Matteson para incluir os artigos da<br />

Advent Tidende em sua revista mensal.<br />

Matteson concordou prontamente.<br />

Como resultado, Matteson recebeu<br />

muito mais cartas vindas da Dinamarca<br />

do Norte<br />

DINAMARCA<br />

SUÉCIA<br />

Copenhagen<br />

em resposta às duas revistas. Em 1877<br />

ele escreveu para o presidente da Associação<br />

Geral, Tiago White, pedindo para<br />

ser enviado como missionário para o<br />

seu país. Assim, ele se tornou o primeiro<br />

missionário adventista a chegar ao norte<br />

europeu, apenas três anos após J. N. Andrews<br />

ter chegado à Suíça. Poucos meses<br />

depois de sua chegada, Matteson batizou<br />

nove pessoas. Um ano mais tarde ele<br />

organizou a Igreja <strong>Adventist</strong>a Alstrup,<br />

em Vendsyssel, com 27 membros. Em<br />

1880, Matteson ajudou a organizar a<br />

Associação da Dinamarca com sete igrejas<br />

e 120 adeptos – a primeira associação<br />

adventista fora da América do Norte.<br />

Embora a maioria dos dinamarqueses<br />

sejam membros da Igreja Luterana, não<br />

são necessariamente religiosos. A maior<br />

parte é secular e pós-moderna e tem<br />

pouca ou nenhuma experiência religiosa.<br />

Alguns registros mostram que menos de<br />

4% frequenta regularmente a igreja. Os<br />

jovens, especialmente, são seculares. O<br />

número de membros da Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />

na Dinamarca caiu 9% ao logo da década<br />

anterior até 2007. Por favor, ore pela<br />

Dinamarca e por aqueles que procuram<br />

maneiras criativas de falar aos outros<br />

sobre Jesus Cristo.<br />

Para saber mais sobre o trabalho<br />

da Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia<br />

na Dinamarca, visite www.<strong>Adventist</strong><br />

Mission.org.<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 7<br />

Baltic


A Igreja em Ação<br />

V I S Ã O M U N D I A L<br />

Por que<br />

Eles<br />

Manter adolescentes e jovens<br />

engajados na igreja deve<br />

ser uma de nossas prioridades<br />

Saem?<br />

8 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

Por<br />

Jan Paulsen


Quando consideramos o rumo que nossa vida tomou,<br />

é fácil olhar para trás e descobrir certo grau de “inevitabilidade”<br />

– o caminho que seguimos em nossos<br />

estudos e profissão, o companheiro que escolhemos para a<br />

vida, a família que formamos. Mesmo assim, essa sensação de<br />

inevitabilidade é uma ilusão. Nessa primeira fase crítica do<br />

processo de decisão – na adolescência e início da vida profissional<br />

– quando grande número de nossas decisões é de longa<br />

duração e as consequências desconhecidas, o que será nosso<br />

futuro é mais que incerto. Ele se equilibra precariamente<br />

sobre uma infinidade de variáveis, tomando seu rumo pelas<br />

circunstâncias, oportunidades ou escolhas.<br />

Olho para trás, para minha própria adolescência, e penso:<br />

Como os limites eram estreitos! Quão facilmente uma decisão<br />

errada, ou uma circunstância poderia ter empurrado as coisas<br />

para uma direção totalmente diferente.<br />

Olho para a família de nossa igreja – membros abaixo de<br />

35 – que estão no processo de fazer essas mesmas decisões<br />

para a vida. Eles não mais refletem meramente as atitudes e<br />

crenças de seus pais ou professores. Estão testando esses valores<br />

por eles mesmos – “provando se são para seu tamanho”,<br />

decidindo se vão mantê-los, modificá-los ou trocá-los por<br />

algo totalmente diferente.<br />

Considero, então, o êxodo dos jovens de nossa igreja e isso<br />

me angustia profundamente.<br />

Por que tantos deixam a igreja? Arriscando-me a simplificar<br />

demais algo de tão grave importância para a igreja,<br />

gostaria de apresentar algumas reflexões que tomaram forma<br />

em minha mente ao longo dos anos, mas que, recentemente,<br />

ganharam um crescente senso e peso de urgência.<br />

Falando sobre esse assunto, temos que diferenciar dois<br />

grupos extensos: adolescentes e jovens ou jovens profissionais.<br />

Embora algumas questões sobreponham entre si, suas lutas e<br />

experiências são essencialmente diferentes, pois as razões para<br />

abandonar a igreja também serão distintas.<br />

Adolescentes<br />

Há muitos anos, aconteceu algo com um jovem que era<br />

muito próximo de mim. Ele estava lutando contra várias<br />

coisas ao mesmo tempo e não era fácil para ele levantar e ir<br />

para a igreja todos os sábados. Certo sábado de manhã, ele<br />

chegou à porta da igreja um pouco atrasado, vestido com um<br />

jeans. O primeiro ancião, quando o viu, disse: “Você não está<br />

vestido apropriadamente. Vá para casa e troque de roupa.” Ele<br />

foi para casa e não voltou. Ali começou uma longa jornada<br />

pelo deserto em que ele gastou muito, muito tempo. Mais<br />

tarde, ele saiu daquele deserto, porém mais por uma questão<br />

de amor aos seus pais e pela certeza do imenso amor que eles<br />

tinham por ele.<br />

Foi esse incidente o único motivo para ele deixar a igreja?<br />

Não. Mas, para ele, foi o exato momento em que a igreja lhe<br />

disse: “Você, realmente, não se encaixa entre as pessoas que<br />

adoram aqui. Vá para casa e coloque roupas mais adequadas.”<br />

Muitos adolescentes decidem deixar a igreja por se sentirem<br />

“marcados”. Eles se sentem indignos; sentem-se inúteis;<br />

não se sentem à vontade dentro da igreja para abordar questões<br />

conflitantes de padrões e comportamento que eles e seus<br />

amigos estão enfrentando. Poderíamos fazer uma longa lista<br />

dessas questões: atividades sociais, escolhas musicais e entretenimento,<br />

relacionamentos e sexualidade, a necessidade<br />

que têm de expressar seu crescente senso de individualidade<br />

e independência. Eles falam sobre essas coisas entre si, em<br />

segredo, com o sentimento de que serão condenados se<br />

alguém ouvir.<br />

Como podemos compreender nossos adolescentes mais<br />

adequadamente?<br />

■ Faça-o de modo pessoal. Pense na sua própria família, em<br />

seus filhos. É difícil seu filho ou sua filha “merecerem” algo de<br />

você? Claro que não! Eles são sangue do seu sangue, carne de<br />

sua carne.<br />

Se tomarmos tempo para considerar cada jovem de nossa<br />

congregação como nossos próprios filhos e filhas, haveria<br />

uma incrível mudança de perspectiva. Somente quando o<br />

adolescente sente na comunidade da igreja o mesmo tipo de<br />

calor que uma criança sente na intimidade da família, poderemos<br />

oferecer direção e correção.<br />

■ Deve ser pessoal. Essa não é uma tarefa que deve ser<br />

delegada para o pastor dos jovens, Desbravadores ou Escola<br />

Sabatina. É a minha atitude para com os membros jovens de<br />

minha congregação que faz a diferença. Como eles reagem às<br />

minhas palavras e atitude para com eles?<br />

■ Contextualize. Os adolescentes falam e fazem loucuras;<br />

simplesmente fazem. São adolescentes e falar e fazer loucuras<br />

está dentro da normalidade. É da natureza dos adolescentes<br />

testar as águas, fazer escolhas, perturbar e abalar os “anciãos”.<br />

Pode ser pela pressão do grupo, por um ato de rebeldia ou<br />

simplesmente pelo fato de que cresceram em um mundo, o<br />

mundo adventista, e querem experimentar, sentir o cheiro<br />

e o sabor do “outro mundo”. Muito simples, os valores dos<br />

pais não são transmitidos geneticamente, o adolescente está<br />

ativamente testando e questionando – esse é um processo<br />

característico e natural a essa etapa da jornada. Portanto,<br />

vamos estender a tolerância e paciência e estar disposto a<br />

alargar a visão.<br />

■ Lembre-se: Eu já passei por isso e também cometi erros.<br />

Muitos erros! Você consegue se lembrar de quando era<br />

adolescente? Às vezes, você não estava satisfeito consigo<br />

mesmo. Você tinha consciência de tudo o que acontecia:<br />

percebia cada espinha no seu rosto, cada falha no modo de<br />

Jan Paulsen é presidente mundial da Igreja<br />

<strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia.<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 9


A Igreja em Ação<br />

V I S Ã O M U N D I A L<br />

agir, e que era excepcionalmente vulnerável à opinião<br />

dos outros.<br />

Uma palavra leviana falada por um membro mais velho<br />

da congregação pode ter enormes consequências para<br />

um jovem cuja autoimagem é facilmente danificada. Do<br />

mesmo modo, algumas palavras de incentivo podem ter um<br />

impacto positivo.<br />

Jovens Adultos e Jovens Profissionais<br />

Há os que sobrevivem à adolescência e ainda estão nos<br />

bancos da igreja, pelo menos na maioria dos sábados. Estão<br />

terminando os estudos, embarcando na carreira profissional<br />

e formando suas famílias. O que faz a diferença entre os que<br />

criam fortes e duradouras raízes em uma comunidade de<br />

crentes e os que derivam vagarosamente em direção à porta?<br />

■ Importância. Há um grupo de amigos, jovens profissionais<br />

que, ocasionalmente, se reúnem socialmente. Elem vêm<br />

de diferentes países, mas a profissão os trouxe, junto com a<br />

família, para a mesma cidade no oeste europeu. Alguns ainda<br />

têm fortes laços com a comunidade adventista; outros já perderam<br />

a conexão ao longo do caminho, mas todos galgaram<br />

basicamente o mesmo caminho de estudos e experiência de<br />

vida até ali. Às vezes, conversam sobre a igreja. Perguntam:<br />

Quão relevante é o adventismo? Será que tem algo importante a<br />

dizer sobre questões como a vida cotidiana, justiça social, pobreza<br />

e direitos humanos, meio ambiente, ética, economia ou sobre<br />

as comunidades nas quais vivemos? Na prática, que diferença<br />

realmente faz o rótulo de “adventista”?<br />

Para muitos jovens adultos, a percepção de quão bem<br />

essas perguntas são respondidas pela igreja pode determinar<br />

se eles ficam ou saem. Estão desencantados com a religião<br />

centralizada apenas no futuro e que negligencia completamente<br />

o presente. Não que eles tenham deixado de crer no<br />

que a igreja ensina, mas perderam a fé na sua habilidade de<br />

falar da vida com significado para sua experiência diária.<br />

Estão frustrados ao perceber a falta de vontade da igreja em<br />

dar o mesmo peso moral e teológico aos assuntos que mais<br />

afetam a sociedade.<br />

■ Comunidade. Ainda mais importante é que, para esse<br />

grupo etário, a igreja não propicia os laços comunitários<br />

apropriados à sua expectativa. Um jovem profissional me<br />

escreveu recentemente: “Quando alguém está enfrentando<br />

uma luta, será que pensa imediatamente em procurar a igreja<br />

porque sabe que será amado e compreendidos? Ou a igreja é<br />

o último lugar “seguro” para alguém se abrir e pedir ajuda?<br />

Geralmente, é a última opção.”<br />

Para gerações de jovens moldados por um mundo pósmoderno,<br />

estar “certo” vai levá-lo até certo ponto. Você pode<br />

falar a verdade sempre com eloquência, pode estar correto<br />

em cada detalhe, pode citar capítulos e versos, e mesmo assim<br />

eles vão sair da igreja se não sentirem uma profunda e calorosa<br />

aceitação.<br />

■ Propósito e confiança. Os jovens adultos e profissionais<br />

também deixam a igreja porque estão cheios de ideias,<br />

opiniões e energia, mas não encontram lugar para compartilhá-las<br />

dentro da igreja. Não que creiam que a igreja não seja<br />

importante para eles; ao contrário, creem que eles não são<br />

importantes para a igreja! Assim, podem permanecer dentro<br />

Na prática, que diferença realmente<br />

faz o rótulo de “adventista”?<br />

10 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

por um tempo, por uma questão familiar ou social, mas, no<br />

fundo, já estão “fora”.<br />

Chamado Para a Ação<br />

Não tenho palavras para expressar a profundidade de<br />

minha convicção de que devemos dar aos jovens adultos<br />

papéis significativos na igreja. Não deve ser apenas “mantêlos<br />

ocupados”, mas devemos votar cargos substanciais que<br />

signifiquem um alto nível de confiança, incluindo-os nos<br />

processos decisórios, procurar envolvê-los de um modo que<br />

soe: “Queremos ouvir sua voz.”<br />

Tanto para os adolescentes, como para os jovem profissionais,<br />

“confiança” é o pivô sobre o qual giram muitas dessas<br />

questões. Não o tipo de confiança que diz: “Vou lhe dar tal<br />

responsabilidade e, após um tempo, vamos avaliar sua capacidade.”<br />

Ao contrário, falo de um tipo de confiança que liberta e<br />

capacita os jovens a ser companheiros ativos no planejamento<br />

do culto e do testemunho de sua congregação; uma confiança<br />

que reconhece que alguém não precisa ter 40, 50 ou 60 anos<br />

de idade para ter um fervoroso desejo de servir a Deus; uma<br />

confiança que reconhece que seu amor pela igreja é tão<br />

profundo quanto o meu, e que eles, também, escolheram esse<br />

lugar como seu lar espiritual.<br />

Será que a atitude deles em relação a essas coisas, às vezes,<br />

pode ser diferente da minha expectativa? Sim, talvez. Corremos<br />

algum risco? Pode ser. Porém, o risco de não confiar em<br />

nossos jovens é muito maior, pois, se não confiarmos neles<br />

em algum nível, eles simplesmente irão embora.


Minha neta foi diagnosticada por seu<br />

médico como portadora de alergia a<br />

alimentos. Estou muito preocupada. O<br />

que isso significa? Ela já não gosta de<br />

se alimentar e minha preocupação é<br />

que fique desnutrida.<br />

A<br />

verdadeira alergia a alimentos,<br />

ao contrário da intolerância a<br />

alimentos, é uma resposta alérgica<br />

a certos alimentos (não a todos).<br />

Isso envolve uma ativação do sistema<br />

imunológico do corpo de tal forma<br />

que provoca uma reação inflamatória<br />

conhecida como imunoglobulina E<br />

mediana (IgE) por resposta imune.<br />

Dos mais de 25% dos adultos que<br />

reclamam de sintomas relacionados<br />

a certo tipo de alimento, apenas 3%<br />

realmente apresentam alergia a alimentos,<br />

que é mais frequente nas crianças.<br />

Calcula-se que de 6 a 8% das crianças<br />

do Reino Unido e dos Estados Unidos<br />

sofrem de alergia a alimentos. Leite<br />

de vaca, ovos de galinha, amendoim,<br />

castanhas e semente de gergelim estão<br />

entre as principais causas de alergia<br />

nas crianças, sendo o kiwi o mais novo<br />

membro do grupo. Alergias a ovos e<br />

amendoim são as mais frequentes na<br />

infância; no caso da alergia a ovos, cerca<br />

de 66% desaparece antes dos 5 anos de<br />

idade, e 75% entre os 7 e 8 anos.<br />

Os sintomas da alergia a alimentos<br />

varia de uma simples urticária (coceira,<br />

vermelhidão e vergões) à anafilaxia,<br />

colocando a vida em risco (constrição<br />

da garganta, dificuldade respiratória e<br />

colapso). Pessoas com alergia alimentar<br />

geralmente têm eczema, doença crônica<br />

da pele caracterizada pela inflamação<br />

R O B B I E O W E N - W A H L<br />

Alimentos<br />

Por Allan R. Handysides e Peter N. Landless<br />

e, às vezes, bolhas que, com frequência,<br />

afetam os cotovelos e os joelhos, sobre<br />

as superfícies flexoras.<br />

A asma e a rinite alérgica são mais<br />

comuns em crianças com alergia de<br />

alimentos.<br />

É óbvio que, ao evitar os alimentos<br />

específicos, os sintomas diminuem.<br />

O problema é quando se tem alergia<br />

a múltiplos tipos de alimentos. É<br />

aconselhável uma consulta com um<br />

nutricionista para obter ajuda. Os<br />

nutricionistas são treinados para orientar<br />

sobre o que assegurará nutrição<br />

adequada e para prevenir deficiências<br />

secundárias. Crianças com alergia<br />

alimentar múltipla, se tratadas por uma<br />

equipe de nutricionistas, enfermeiros<br />

e médicos, crescem e se desenvolvem<br />

satisfatoriamente. Problemas potenciais<br />

como o raquitismo, anemia, crescimento<br />

insuficiente e a osteoporose na fase<br />

adulta podem ser evitados.<br />

Ocasionalmente, podem surgir sintomas<br />

agudos. Se houver reação anafilática,<br />

é necessário o atendimento rápido e<br />

específico, que incluirá administração<br />

rápida de anti-histamínicos e epinefrina<br />

intramuscular; inalação de brônquio-<br />

dilatadores e corticóides. A anafilaxia<br />

não deve ser menosprezada, pois pode<br />

ser muito séria. A epinefrina intramuscular<br />

deve ser administrada na lateral da<br />

coxa. O retardo no uso da epinefrina tem<br />

sido fatal. Uma criança com história de<br />

anafilaxia deve ter acesso instantâneo à<br />

epinefrina, que está disponível em dose<br />

especial única, produzida especialmente<br />

para tais eventualidades.<br />

Embora seja interessante pensar que<br />

a amamentação exclusiva possa reduzir<br />

S A Ú D E N O M U N D O<br />

Crescente Preocupação<br />

Alergia a<br />

com<br />

a imunoglobulina E mediana, a alergia a<br />

alimento, isso não foi provado em estudos.<br />

Notou-se a redução de eczema, mas<br />

não da alergia ao alimento. Em contraste,<br />

em experiência com ratos, a exposição<br />

precoce a antígenos de alimentos reduziu<br />

a intolerância a alimentos.<br />

Felizmente, a maioria das crianças<br />

com tal alergia descobre que ela desaparece<br />

ou é reduzida quando alcançam<br />

idade adulta.<br />

O problema é delineado por um teste<br />

cutâneo e história detalhada; reações agudas<br />

são controladas por um kit de emergência,<br />

e o atendimento de uma equipe de<br />

saúde conseguirá bons resultados.<br />

Há recursos disponíveis online para<br />

quem lida com a alergia alimentar,<br />

tais como o da revista ABC da Saúde:<br />

(www.abcdasaude.com.br/artigo.<br />

php?679), da Enciclopédia Ilustrada<br />

da Saúde (adam.sertaoggi.com.br/<br />

encyclopedia/.../000844), da Associação<br />

Brasileira de Alergia e Imunopatologia<br />

do Rio de Janeiro (www.asbairj.org.<br />

br/comunidade/artigos/home.asp) e<br />

muitos outros.<br />

Allan R. Handysides, M.B.,<br />

Ch.B., FRCPC, FRCSC, FACOG,<br />

é diretor do Departamento de<br />

Saúde da Associação Geral.<br />

Peter N. Landless, M.B., B.Ch.,<br />

M.Med., F.C.P.(SA), F.A.C.C.,<br />

é diretor-executivo da ICPA e<br />

diretor-associado do<br />

Departamento de Saúde.<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 11


D E V O C I O N A L<br />

Já passei por muitas noites de angústia, sentindo-me como<br />

um Jó moderno. Desde meu batismo, até hoje, sou tentado<br />

a pensar que meu futuro promissor foi roubado. Se<br />

tudo isso for uma prova, por favor, “quando vai acabar?”<br />

Mesmo nas minhas mais determinadas tentativas de ser<br />

otimista, ainda me lembrava de como não tirei o primeiro<br />

lugar na escola fundamental, pelo qual tanto me esforcei; como<br />

comecei tão bem o ensino médio, para acabar fazendo os<br />

exames finais num hospital, tirando, talvez, a nota mais baixa<br />

na disciplina de pilotagem e perdendo a tão sonhada bolsa de<br />

estudos; ou como os meus sonhos de um futuro na faculdade<br />

se frustraram por causa de uma catástrofe financeira e questões<br />

familiares tão traumáticas que marcaram minha vida e prejudicaram<br />

minha coragem. Embora no íntimo estivesse totalmente<br />

perdido, em público eu exibia uma aura de compostura. Enquanto<br />

todos esperavam que eu recebesse a medalha de ouro,<br />

fui o único da diretoria da classe a me formar sem honras.<br />

Cheguei à conclusão de que não poderia cursar medicina.<br />

Embora tenha estudado com tanto afinco, no final faltaram<br />

cinco pontos para receber a bolsa, por conta de meus<br />

sintomas psicossomáticos de uma mente atribulada pelos<br />

problemas familiares. Em todos empregos que eu conseguia,<br />

era considerado como tendo grande potencial, para logo ser<br />

derrotado por políticas. Tentei voltar a estudar. Consegui uma<br />

bolsa de estudos para a faculdade de direito, que me foi negada<br />

assim que descobriram que eu era adventista do sétimo<br />

dia. Tentei outra escola e fui aceito, para logo descobrir que<br />

havia aulas aos sábados. Tentei e tentei, só para descobrir que<br />

as faculdades de direito, que não têm aulas aos sábados, eram<br />

muito caras em meu país e totalmente além de minhas possibilidades<br />

financeiras. Com meu sonho ficando mais e mais<br />

distante, perguntei a Deus: “Que plano o Senhor tem para<br />

minha vida?” Em outras palavras, que caminho o Senhor traçou<br />

para mim? Mas meu coração foi tocado com as palavras<br />

(como vindas de Deus): “O que você deveria ter percebido?”<br />

Foi quando aprendi que devo perceber quatro coisas:<br />

1. Necessitamos de um coração agradecido<br />

“Dando graças constantemente a Deus Pai por todas as<br />

coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5:20).*<br />

O ar que respiramos é um presente que somente o milagre de<br />

Deus pode conceder. E junto com o “não importa quão imenso<br />

seja o desafio”, há incontáveis bênçãos que não percebemos.<br />

O nosso problema é falta de gratidão.<br />

Quando aprendemos a apreciar as pequenas bênçãos,<br />

perceberemos como são frequentes e podemos ver o grande<br />

quadro da maravilhosa providência de Deus. Quando, porém,<br />

escolhemos ver o lado feio das coisas, morremos sem esperança,<br />

envoltos na escuridão do tipo de vida que escolhemos viver.<br />

Eu me lembro de Ronalyn, uma menina de 7 anos de<br />

idade, que não ia à escola, para quem dei aula no trabalho<br />

comunitário da minha universidade. Eu a vi comendo um<br />

punhado de arroz, que cabia na palma de sua mãozinha, e<br />

12 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

Jornada<br />

à Nossa Frente<br />

Aprendendo a confiar na<br />

direção de Deus<br />

Por<br />

Armon Perez<br />

Tolentino


ainda dividindo com seus irmãos. Ela veio para a aula com<br />

um uniforme da escola pública, muito maior do que ela (provavelmente<br />

doado), para que pudesse sentir que, finalmente,<br />

estava indo à escola. Pedi a ela que orasse e, apesar de sua<br />

situação, ela ainda disse claramente: “Muito obrigada, Senhor.<br />

O Senhor nunca Se esquece de nós.”<br />

Eu estava lá para ensiná-la, mas, ao contrário, eu aprendi<br />

com ela. Ela escolheu dar graças mesmo tendo tão pouco.<br />

Transmitia uma profunda alegria, calma e felicidade para<br />

todos naquele lugar.<br />

2. A pressão é frequentemente auto-imposta<br />

“Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois<br />

aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância” (Fl 4:11).<br />

cansada de viver, correndo em busca de cura para sua filha<br />

doente. Ela falava zangada com Deus, até que reconheceu que,<br />

“quando a noite era mais sombria, a alvorada chegava a tempo;<br />

e após as chuvas fortes ... as flores (sempre) começam a crescer”.<br />

4. Deus está no controle<br />

“Agora, eu os entrego a Deus e à palavra da Sua graça,<br />

que pode edificá-los e dar-lhes herança entre todos os que são<br />

santificados” (At 20:32).<br />

Por que nos afundar no pântano, preocupando-nos com o<br />

lugar em que estamos e a que altura chegamos, baseados em<br />

escalas terrenas? Se realmente confiamos em Deus, devemos<br />

compreender que Ele está no controle. Assim, podemos seguir<br />

em frente e viver em paz.<br />

Se realmente confiamos em Deus, devemos<br />

compreender que Ele está no controle. Assim,<br />

podemos ir em frente e viver em paz.<br />

As pessoas podem sofrer com pressões impostas por si<br />

mesmas. Contudo, não importa o que aconteça ao nosso<br />

redor, podemos decidir ser contentes.<br />

Isso é tão verdade que, embora meu círculo de amigos já<br />

tenha uma carreira profissional de sucesso e eu ainda esteja<br />

esperando por uma chance, não posso negar o fato do quanto<br />

sou abençoado. Por exemplo, estou vivo e ainda posso sonhar.<br />

Mas foi tentador pegar um “atalho” só para realizar meu sonho.<br />

Nosso problema é falta de contentamento. Quando não<br />

estamos contentes, falhamos em cumprir nosso dever do dia<br />

de hoje, ignorando a verdade de que isso nos prepara para o<br />

futuro. Quando nos concentramos demais no quadro geral<br />

do futuro, ignoramos a grandeza do presente. O segredo é<br />

aprender a aceitar o que acontece.<br />

3. Paciência vale a pena<br />

“Mas as que caíram em boa terra são os que, com coração<br />

bom e generoso, ouvem a palavra, a retêm e dão fruto, com<br />

perseverança” (Lc 8:15).<br />

Vivemos em uma sociedade imediatista. Gostamos de fast<br />

food, de ação rápida e de quase tudo que requer controle remoto.<br />

Queremos que tudo aconteça no estalar do dedo; e se não acontece,<br />

ficamos desapontados e começamos a reclamar. Não aprendemos<br />

com o que aconteceu com Abraão, quando foi à frente de<br />

Deus, na sua pressa para se tornar o pai de muitas nações?<br />

Nosso problema é falta de paciência.<br />

Certa vez, escrevi um artigo sobre uma mulher que estava<br />

Nosso problema é falta de fé na providência de Deus.<br />

Muitas histórias bíblicas atestam do cuidado de Deus. José<br />

tornou-se governador; os israelitas foram libertos; o mau tornou-se<br />

bom; o fraco tornou-se forte. Depois, há o fenômeno<br />

da profecia, cujo cumprimento não pode ser evitado por seres<br />

humanos. Do que mais precisamos em face das evidências da<br />

onipotência divina?<br />

Preciso apenas submeter-me à Sua vontade e ir aonde Ele<br />

me guiar, em Seu tempo e do Seu modo. É assim que alcanço<br />

a vitória sobre as provações da vida.<br />

Alegria – Porto de Inspiração<br />

Quando tudo isso vai acabar? Quando eu decidir que acabe.<br />

Que jornada Deus planejou para mim? Uma jornada de<br />

gratidão, contentamento, paciência e fé na Sua providência.<br />

Essa é uma emocionante viagem! A alegria está ao longo<br />

de todo o caminho – ela é porto de inspiração onde posso<br />

encontrar abrigo.<br />

*Todas as referências bíblicas são da Nova Versão Internacional.<br />

Armon Perez Tolentino é assistente do<br />

presidente e diretor do Departamento de<br />

Publicações da Associação Luzon Central,<br />

nas Filipinas.<br />

R Ø N N I N G A U S T A D / T H O M A S N O R S T E D / D I G I T A L M E N T E M O D I F I C A D A <strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 13


V I D A A D V E N T I S T A<br />

Sylvain Romain, ex-presidente da<br />

Missão Albanesa dos <strong>Adventist</strong>as do<br />

Sétimo Dia, conversou recentemente<br />

com o editor associado da <strong>Adventist</strong><br />

<strong>World</strong>, Claude Richli, sobre as alegrias e<br />

desafios da vida adventista na Albânia.<br />

RICHLI: Conte-me um pouco de sua<br />

história como adventista.<br />

ROMAIN: Sou a sexta geração de pastores<br />

adventistas e missionários em minha<br />

família. Por isso, fui criado com a Palavra<br />

de Deus, estudando as profecias sobre o<br />

tempo do fim e alimentando forte paixão<br />

por Jesus e Sua missão. Essa é uma<br />

imensa graça e privilégio. Morei e trabalhei<br />

em três continentes, e minha vida<br />

sempre foi impulsionada por um desejo<br />

ardente de compartilhar o evangelho.<br />

Você já morou e trabalhou em muitos<br />

países e , se não me engano, fala<br />

várias línguas. Sua última nomeação<br />

foi para dirigir a Missão Albanesa.<br />

Fale sobre os desafios que você<br />

enfrentou nessa região.<br />

A Albânia é um país europeu onde<br />

mulheres idosas, usando roupa preta,<br />

puxam suas vacas por estradas de terra,<br />

enquanto os homens ficam sentados,<br />

bebendo café. Por 45 anos, recebeu<br />

a fama de ser o país comunista mais<br />

restrito do globo. O povo era completamente<br />

isolado do resto do mundo<br />

e as proibições em relação à religião<br />

chegavam a tal ponto que o simples<br />

fato de desejar “Feliz Natal” a alguém<br />

poderia custar seis anos de prisão. Mas<br />

isso acabou há 18 anos, em 1991. Desde<br />

então, os albaneses sofrem de uma sede<br />

insaciável de se equiparar ao mundo<br />

ocidental. Rapidamente aprenderam as<br />

regras do mercado livre − e talvez rápido<br />

demais. Tirana, a cidade mais populosa<br />

da Europa, é a capital do estado<br />

cuja economia é baseada na corrupção,<br />

tráfico de droga e tráfico humano.<br />

Mesmo que a situação econômica<br />

tenha melhorado consideravelmente,<br />

os residentes ainda lutam contra a<br />

falta diária de energia elétrica e contra<br />

o tráfico caótico. O maior desafio,<br />

14 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

O Adventismo na<br />

Albânia<br />

Pós-Comunısta<br />

entretanto, é levar estrutura para a vida<br />

desse povo extremamente amigável,<br />

que começou a perder sua visão de fé<br />

e esperança numa vida melhor devido<br />

aos efeitos colaterais da liberdade e<br />

crescimento descontrolados. Anseiam<br />

por uma vida mais significativa e um<br />

estilo de vida melhor. Assim, a solução<br />

Os desafios são<br />

diferentes, mas<br />

ainda são desafios<br />

CENTRO EVANGELÍSTICO: Sylvain Romain, presidente da Missão Albanesa,<br />

auxilia alunas universitárias num projeto de pesquisa no Centro Evangelístico<br />

<strong>Adventist</strong>a, em Tirana.<br />

de seus dilemas é uma oportunidade e,<br />

ao mesmo tempo, um desafio.<br />

Descreva como está a situação religiosa.<br />

Setenta por cento dos albaneses são<br />

muçulmanos; do restante, a maior parte é<br />

greco-ortodoxa ou católico-romana, embora<br />

a maioria não tenha conexão alguma<br />

F O T O S : C O R T E S I A D E S Y L V A I N R O M A I N


com a religião de seus ancestrais. O período<br />

de duas gerações sem Deus resultou<br />

na falta de religião para ser ensinada aos<br />

seus filhos. Com a ausência de livros<br />

religiosos e prédios de igrejas, os valores<br />

da sociedade foram baseados em superstições<br />

e costumes antigos como feudos<br />

sanguíneos e casamentos forçados.<br />

Qual foi sua primeira ação assim<br />

que chegou?<br />

Cheguei a um país que, por 15 anos, estava<br />

desfrutando de completa liberdade religiosa.<br />

No início, essa liberdade e abertura<br />

geraram muita euforia. Todos queriam<br />

saber sobre Deus, sobre o ocidente e sobre<br />

o resto do mundo. As igrejas, inclusive as<br />

nossas, cresceram rapidamente.<br />

O problema é que, com o fim do<br />

comunismo, a necessidade de ajuda<br />

material do país era tal que os primeiros<br />

visitantes estrangeiros tinham que se<br />

concentrar nos cuidados básicos. Por isso,<br />

o cristianismo foi apresentado principalmente<br />

em sua dimensão social. Desse<br />

modo, tornou-se impossível pregar sobre<br />

Jesus sem prometer vantagens materiais.<br />

Assim, os grupos evangélicos que haviam<br />

chegado fazia pouco tempo apelavam<br />

para as classes sociais menos favorecidas.<br />

Todas as igrejas precisavam de<br />

membros. Havia também a necessidade<br />

de formar pastores locais, mas era<br />

difícil encontrar pessoas dispostas e<br />

qualificadas. Ao mesmo tempo, as circunstâncias<br />

tão favoráveis contribuíram<br />

para a chegada de estrangeiros que nem<br />

sempre tinham a melhor formação ou<br />

motivação. O resultado foi que muitos<br />

albaneses educados e influentes desprezaram<br />

o cristianismo como uma religião<br />

que tenta “comprar” as pessoas e ignora<br />

as verdadeiras razões de sua existência.<br />

A resposta da Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />

foi diferente?<br />

Em alguns aspectos, sim, devido principalmente<br />

às suas normas teológicas excepcionais.<br />

Desde o início, causou forte<br />

impressão, inclusive, nos funcionários<br />

do governo do mais alto escalão. Nossa<br />

igreja é conhecida por seu alto nível<br />

intelectual e tem atraído personalidades<br />

tanto políticas como sociais.<br />

Outra força da igreja é a ADRA<br />

(Agência <strong>Adventist</strong>a de Desenvolvimento<br />

e Recursos Assistenciais), que,<br />

como primeira ONG (organização não<br />

governamental) presente na Albânia,<br />

tem sido cuidadosa na distinção entre<br />

ajuda prática e evangelismo.<br />

Os adventistas na Albânia são também<br />

conhecidos pela coragem durante<br />

o tempo de perseguição.<br />

Em que aspectos?<br />

Antes da instalação do comunismo, em<br />

1944, um jovem albanês viajou para<br />

os Estados Unidos para estudar na<br />

Universidade Harvard. Lá, ele se tornou<br />

adventista e decidiu retornar ao seu<br />

país para proclamar as boas novas sobre<br />

Jesus, sabendo que teria de enfrentar<br />

dificuldades e perseguições. Ele se<br />

tornou um verdadeiro mártir. Até sua<br />

morte, como resultado de tortura, sua<br />

vida heróica na Albânia impressionou<br />

muitos de seus companheiros na prisão.<br />

Durante um tempo em que a maioria<br />

dos albaneses sonhava em ir para os<br />

Estados Unidos, ele se formou na<br />

Universidade de Harvard, deixou tudo e<br />

voltou para morrer por sua fé.<br />

Outro exemplo muito conhecido é o<br />

de uma mulher adventista que guardou<br />

seu dízimo em uma caixa por mais de<br />

quatro décadas, esperando pelo dia em<br />

que pudesse entregar o santo dinheiro<br />

para o corpo de Cristo mundial.<br />

Quer dizer que a Igreja <strong>Adventist</strong>a do<br />

Sétimo Dia é conhecida na Albânia?<br />

Bem, trezentos membros, cinco igrejas e<br />

uns poucos grupos, não é muito. Nossos<br />

pastores trabalham arduamente, mas<br />

ainda há muito que fazer. A Comissão<br />

da Missão <strong>Adventist</strong>a e os membros de<br />

igreja têm trabalhado numa estratégia<br />

para desenvolver uma imagem atrativa<br />

de nossa igreja na sociedade albanesa.<br />

Poderia explicar isso?<br />

Primeiro, tentamos criar um sentimento<br />

de apropriação entre os membros da<br />

igreja, para envolvê-los nos programas<br />

de testemunho. Depois, começamos a<br />

estabelecer contatos com autoridades,<br />

funcionários públicos, líderes religiosos<br />

e outras personalidades.<br />

E o que dizer da abordagem de totalidade<br />

defendida pelos adventistas?<br />

Esse tem sido um dos meus objetivos.<br />

Os albaneses estão pedindo cursos em<br />

estilo de vida saudável e vida familiar;<br />

estão dispostos a gastar muito dinheiro<br />

com isso. Assim, considero a Albânia<br />

um país de oportunidades ilimitadas<br />

para o evangelismo da saúde e para<br />

instituições educacionais. Há uma grande<br />

necessidade de obreiros dedicados<br />

nessas duas áreas.<br />

Meu sonho é dar aos albaneses<br />

adventistas a chance de desenvolver<br />

oportunidades de testemunhar em seu<br />

local de trabalho. Os albaneses não<br />

aceitam facilmente o conceito de que os<br />

missionários precisam receber dinheiro<br />

para pregar, mas respeitam os cidadãos<br />

com quem podem se relacionar no mesmo<br />

nível. Esse é um aspecto importante<br />

para alcançar tanto os pós-modernos<br />

como os albaneses de cultura islâmica.<br />

Ao olhar para trás, após três anos na<br />

Albânia, como o senhor analisa os<br />

resultados?<br />

Durante o primeiro ano, cortamos pela<br />

metade as despesas administrativas da<br />

Missão Albanesa e dobramos o orçamento<br />

para o evangelismo. Meu esforço<br />

para motivar os membros da igreja e<br />

pastores a fazer evangelismo resultou<br />

em um acréscimo de 47% nos dízimos<br />

no primeiro ano e, em dois anos, a<br />

frequência à igreja triplicou.<br />

E os batismos?<br />

Deus nos abençoou com um grande<br />

número de preciosas almas.<br />

Qual é a sua visão de futuro?<br />

Membros arraigados e dedicados, árduo<br />

trabalho da equipe pastoral, contínuo<br />

esforço nas relações públicas e foco na<br />

saúde e educação que certamente ajudará<br />

a tornar nossa igreja mais e mais<br />

forte até que a tarefa de compartilhar<br />

a mensagem do evangelho por toda a<br />

Albânia seja concluída. Contribuir<br />

para a realização do plano de Deus na<br />

Albânia é constante fonte de alegria,<br />

força e, certamente, uma motivação em<br />

minha nova função.<br />

Claude Richli é editor<br />

associado da <strong>Adventist</strong><br />

<strong>World</strong>.<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 15


A R T I G O D E C A PA<br />

c e l e b r a n d o<br />

As obras de Deus<br />

são fantásticas e<br />

incríveis<br />

Se Deus quisesse, poderia ter criado um universo virtual,<br />

seguro, habitado por seres virtuais; poderia ter gasto<br />

a eternidade observando as vidas virtuais de Sua<br />

criação virtual.<br />

Isso, porém, não aconteceu. Ao contrário, Deus criou um<br />

universo real, de incrível complexidade, tendo total conhecimento<br />

das possíveis consequências. Espaço, matéria e tempo<br />

foram trazidos à existência, juntamente (e mais surpreendente)<br />

com as criaturas vivas. O estudo sobre os propósitos de<br />

Deus ao criar o Universo é emocionante e gratificante, digno<br />

de contemplação por toda a eternidade. Contudo, algo fica<br />

em evidência: a manifestação do infinito amor levou a Divindade<br />

a compartilhar a felicidade e alegria da existência com<br />

os seres criados (Is 45:18).<br />

Energia de uma Mente Fantástica<br />

O assunto da Criação exigiu tremenda liberação de energia<br />

de uma mente fantástica e engenhosa, que, até hoje, vai<br />

além da capacidade de compreensão humana.<br />

Tudo que aconteceu no mundo físico, em seguida – a<br />

gravidade, a radiação eletromagnética, a eletricidade, as poderosas<br />

forças entre as partículas subatômicas, as leis da física<br />

e da química, a formação de estrelas e planetas, a criação de<br />

organismos vivos – tudo resultou do modo como a energia<br />

foi compactada, estabilizada e acondicionada em cerca de<br />

cem diferentes tipos de núcleos atômicos.<br />

16 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

Crıação Crıação<br />

a<br />

Por<br />

George T. Javor<br />

É estimado que haja entre 10 50 a 10 80 átomos no universo<br />

observável. Se houvesse apenas átomos de hidrogênio (o<br />

elemento mais leve da natureza), teria sido necessário um<br />

mínimo de 3,6 x 10 39 a 3,6 x 10 69 de energia calórica para<br />

sua criação. 1 (Em termos de comparação, o consumo de<br />

eletricidade total do mundo no ano de 2005 foi de 1,4 x 10 19<br />

calorias)<br />

Toda matéria veio das mãos do Criador e também é um<br />

presente para Suas criaturas. Deus não é matéria.<br />

O Criador, entretanto, conhece todos os aspectos de Sua<br />

criação, do nível microscópico ao subatômico. O Senhor sabe<br />

a localização e a função de cada um dos Seus 10 80 átomos. Isso<br />

pode muito bem inferir a menção que Jesus fez sobre Deus ter<br />

ciência das mais ínfimas entidades do reino físico.<br />

“Não se vendem dois pardais por uma moedinha?” disse<br />

Ele. “Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento<br />

do Pai de vocês. Até os cabelos da cabeça de vocês<br />

estão todos contados” (Mt 10:29, 30).*<br />

Após criar bilhões de galáxias diferentes, cada uma com<br />

bilhões de estrelas e um grande número de planetas habitados,<br />

Deus decidiu trazer à existência uma nova classe de seres,<br />

criados à Sua imagem e semelhança (Gn 1:26, 27). Tal semelhança,<br />

como Ellen G. White sugere, foi externa e de caráter. 2<br />

Com essa característica, os seres humanos podiam servir<br />

como nova ligação entre o Criador e Suas outras criaturas.<br />

O espaço para uma estrela (o Sol) e planetas foi determinado<br />

na galáxia denominada “Via Láctea”, onde cerca de 300<br />

bilhões de estrelas já giravam no formato de um disco chato,<br />

com 100 mil anos luz de diâmetro. Se fizéssemos uma réplica<br />

circular da Via Láctea, com 128 quilômetros de diâmetro, o<br />

sistema solar da Terra ocuparia meros dois milímetros.


Nossos Vizinhos<br />

No centro do sistema solar, o Criador colocou essa grande<br />

estrela a que chamamos Sol, formado de aproximadamente<br />

2 x 10 27 toneladas de hidrogênio aquecido, submetido<br />

à fusão termonuclear do hélio. Esse processo resulta numa<br />

perda de 685 toneladas de matéria por segundo, liberando<br />

energia luminosa e emitindo partículas carregadas. (Para<br />

comparação, a explosão atômica de Hiroshima foi o resultado<br />

da destruição de apenas 1 grama de plutônio.) Com a<br />

taxa de queima atual, o Sol tem combustível suficiente para<br />

durar bilhões de anos.<br />

Mais próximo ao Sol, Deus colocou quatro planetas<br />

“terrestres”: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, sendo a Terra o<br />

maior. Estes foram feitos, principalmente, de rocha de silicato.<br />

Os quatro planetas “exteriores”, muito maiores do que os<br />

terrestres, foram compostos principalmente de gases. Júpiter<br />

e Saturno foram formados principalmente de hidrogênio<br />

gelado e hélio, enquanto Netuno e Urânio foram formados<br />

de gelo, metano e amônia. Orbitando ao redor dos planetas<br />

externos, há cerca de 150 luas, sendo algumas quase do tamanho<br />

dos planetas terrestres.<br />

A soma da massa de todos os planetas e suas luas é menos<br />

de 1% da massa do Sol, que mantém todos esses corpos sob<br />

seu controle gravitacional.<br />

Quando o relato bíblico sobre a criação da Terra é associado<br />

aos dados astronômicos atuais, emerge um cenário<br />

plausível em que o Criador trouxe à existência todo o sistema<br />

solar durante a semana da Criação (junto com a Terra, Sol e<br />

Lua). Sendo assim, pode-se supor que o que aconteceu aqui,<br />

durante a semana da Criação, foi apenas o primeiro passo para<br />

tornar todo o sistema solar habitável para os seres humanos.<br />

O texto: “Assim foram concluídos os céus e a Terra,<br />

e tudo o que neles há” (Gn 2:1) refere-se provavelmente ao<br />

planeta Terra e suas imediações.<br />

A atmosfera da Terra recém-criada devia ser bem<br />

diferente do que é hoje (veja Gn 2:5, 6). Talvez fosse substancialmente<br />

mais rica em dióxido de carbono, para que o<br />

luxuoso verde que cobria o planeta antediluviano pudesse ser<br />

adequadamente mantido pela fotossíntese.<br />

A superfície da Terra recém-criada era diversificada com<br />

suaves colinas e montanhas, cortadas por rios e lagos. Não<br />

havia penhascos, pântanos ou desertos. A paisagem de todos<br />

os lugares da Terra se equiparava aos jardins dos palácios<br />

mais sofisticadamente decorados. 3<br />

De Tirar o Fôlego<br />

O que aconteceu após a formação da Terra é algo de tirar<br />

o fôlego. Usando principalmente elementos como hidrogênio,<br />

oxigênio, azoto, carbono, fósforo e enxofre, o Criador trouxe<br />

à existência estruturas de complexidade quase inimaginável,<br />

capazes de absorver energia solar ou outras formas de energia;<br />

que podiam crescer, dividir-se, mover-se ao seu redor e<br />

sentir o habitat. Em resumo: criou os organismos vivos.<br />

George T. Javor foi professor do Departamento<br />

de Bioquímica da Escola de Medicina da<br />

Universidade de Loma Linda até aposentar-se,<br />

em 2006. Atualmente mora em New Leipzig,<br />

Dakota do Norte, EUA.<br />

N A S A / H U B B L E H E R I T A G E T E A M / M O D I F I C A D A D I G I T A L M E N T E <strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 17


A engenhosidade, desenvoltura e pura<br />

elegância do funcionamento do mundo<br />

vivo é tal que o descrevê-lo está além<br />

da capacidade humana.<br />

Para criar a menor unidade viva, a célula, foi necessária a<br />

construção de milhares de diferentes tipos de requintados e<br />

gigantes conglomerados de átomos dentro das macromoléculas<br />

de proteína, ácidos nucleicos, polissacarídeos e lipídeos.<br />

Algumas dessas formações foram utilizadas como elementos<br />

estruturais, outras se tornaram máquinas especializadas,<br />

facilitando reações químicas específicas.<br />

O fenômeno da vida é o resultado de uma rede de centenas<br />

ou de até milhares de reações químicas dentro das células. A<br />

alteração química é o rearranjo de grupos específicos de átomos<br />

(moléculas) em novos grupos. Reações em cadeia de transformações<br />

químicas ocorrem continuamente nas células vivas. Isso é<br />

o que distingue a matéria viva das inertes, ou seres inanimados.<br />

Embora os cientistas sejam capazes de produzir algumas<br />

das macromoléculas indispensáveis à matéria viva, são incapazes<br />

de iniciar ou reiniciar as centenas de reações em cadeia,<br />

isoladas ou contínuas, que acontecem em cada célula. Esse<br />

fenômeno biológico é uma prova irrefutável de que a vida<br />

foi criada e nunca poderia começar espontaneamente. 4 As<br />

reações bioquímicas em cadeia, iniciadas em todas as células<br />

de cada organismo na Criação, continuam ininterruptas ao<br />

longo de centenas de gerações até os dias de hoje. Os biólogos<br />

identificaram essa lei declarando que “vida só vem da vida”.<br />

O Senhor criou dois reinos de organismos vivos. Algumas<br />

criaturas foram dotadas de um sistema nervoso, dando-lhes<br />

mobilidade e memória, permitindo-lhes sentir o seu habitat<br />

através da visão, som e toque. Além dos humanos, o Criador<br />

trouxe à existência inúmeros tipos de criaturas (animais<br />

grandes, pássaros, peixes, insetos, etc.).<br />

A segunda categoria de criaturas recém-criadas foi a biorobótica<br />

– isto é, sem um sistema nervoso e sem percepção da<br />

18 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

própria existência. Tais organismos servem como receptores<br />

de energia solar, alimento, material de construção e “decoração”.<br />

Eles também servem como elementos integrantes da<br />

biosfera e incluem plantas, flores, árvores e microorganismos.<br />

Interdependência<br />

Todos os organismos vivos na Terra pertencem a uma<br />

biosfera integrada. A relação entre os organismos pode ser<br />

mais bem caracterizada como de suporte mútuo. Nenhuma<br />

das criaturas foi projetada para viver independentemente.<br />

Para as plantas crescerem, precisam capturar o nitrogênio<br />

em estado gasoso do ar, auxiliado pelo nitrogênio, fixando os<br />

micro-organismos vivos em suas raízes.<br />

A abundante energia solar que banha a Terra é capturada<br />

pelas plantas e algas, por meio da fotossíntese. As plantas<br />

usam a energia solar para produzir carboidrato proveniente<br />

do dióxido de carbono do ar e da água. Essa interdependência<br />

entre os organismos é ilustrada na figura ao lado.<br />

O Jardim do Éden deveria ser um modelo a ser imitado<br />

pelas gerações que iriam povoar a Terra. Em lugar de cidades,<br />

a maior parte da porção habitável do planeta deveria ser<br />

coberta por jardins, onde a natureza falaria continuamente à<br />

humanidade sobre a sabedoria e amor de Deus. 5<br />

No centro do Éden, havia uma árvore muito especial,<br />

cujos frutos eram necessários para que a raça humana<br />

continuasse a existir. Nenhum organismo foi criado imortal<br />

(embora os micro-organismos se aproximem disso). Os seres<br />

humanos deveriam se alimentar ocasionalmente com o fruto<br />

da árvore da vida para manter a vida. A Bíblia não revela<br />

como os animais, peixes, pássaros e insetos se preveniam<br />

contra a morte.


Interdependência dos<br />

Organısmos na<br />

Biosfera<br />

Oxigênio,<br />

alimento<br />

Oxigênio,<br />

alimento,<br />

vitaminas<br />

Vitaminas<br />

Experiências realizadas com cultura de tecido indicam<br />

que células saudáveis, humanas e de animais, são capazes<br />

de se dividir apenas um determinado número de vezes. O<br />

número máximo de divisões de uma célula humana é o<br />

equivalente a aproximadamente 120 anos de vida. A razão<br />

para que o número de divisão celular seja finito está no<br />

encurtamento das extremidades dos cromossomos, chamada<br />

região telomérica, depois de cada divisão.<br />

Curiosamente, temos uma enzima chamada telomerase,<br />

que pode restaurar os telômeros para seu tamanho original.<br />

Infelizmente, essa enzima torna-se inativa pouco depois do<br />

nascimento. Apenas as células cancerígenas, que possuem a<br />

capacidade de divisão ilimitada, contêm a enzima telomerase<br />

ativa. A telomerase ativa não causa câncer, mas permite que<br />

o aparato genético corrompido da célula afetada seja reproduzido.<br />

Os micro-organismos contêm cromossomos circulares e<br />

suas divisões celulares não provocam nenhum encurtamento<br />

do material genético. Teoricamente podem se dividir<br />

um infinito número de vezes. Mas quando uma célula se<br />

divide em duas células filhas, estritamente falando, ao<br />

transformar-se na prole, a existência da célula-mãe acaba<br />

ali. A possível ação biológica do fruto da árvore da vida<br />

poderia ter sido a manutenção da atividade da telomerase<br />

indefinidamente nos adultos. A longevidade dos<br />

antediluvianos pode ter sido, em grande medida, devido a<br />

uma atividade residual da telomerase herdada de Adão<br />

e Eva.<br />

Uma lógica molecular semelhante acontece em incontáveis<br />

milhares de diferentes tipos de organismos vivos,<br />

contendo, no entanto, diferenças suficientes para preservar<br />

Nitrogênio do ar<br />

Micro-organismos<br />

Nitrato, amônia Dióxido de carbono<br />

Plantas<br />

Humanos, animais<br />

suas identidades individuais. Isso resulta da natureza estreitamente<br />

integrada da biosfera, como ilustrado na figura.<br />

Se fosse possível catalogar o número de invenções<br />

patenteáveis necessárias para a criação de nossa biosfera,<br />

excederia, em muitas ordens de grandeza, o número de todas<br />

as invenções já patenteadas em todas as agências de patentes<br />

do mundo.<br />

A engenhosidade, desenvoltura e pura elegância do<br />

funcionamento do mundo vivo é tal que o descrevê-lo está<br />

além da capacidade humana.<br />

Sua contemplação força o espectador a colocar a mão<br />

sobre a boca (Jó 40:4), pois qualquer coisa que possa ser dita<br />

seria indigna e resultaria em banalização desse importante<br />

assunto. Silêncio aqui é eloquência. 6<br />

É possível duvidar da bondade, amor e sabedoria do Ser<br />

responsável por tal criação vasta, magnificente e “muito boa”?<br />

A resposta só pode ser um sonoro NÃO!<br />

Unimo-nos ao salmista quando diz: “Como são grandes<br />

as Tuas obras, Senhor, como são profundos os Teus<br />

propósitos!”(Sl 92:5).<br />

“Senhor meu Deus! Quantas maravilhas tens feito! Não<br />

se pode relatar os planos que preparaste para nós! Eu queria<br />

proclamá-los e anunciá-los, mas são por demais numerosos!”<br />

(Sl 40:5).<br />

*Todas as referências bíblicas são da Nova Versão Internacional.<br />

Luz solar<br />

Dióxido de carbono<br />

1 39 3.6 x 10 é uma abreviação científica de 36 seguido de 38 zeros: 3.600.000.000.000.000.000.000.00<br />

0.000.000.000.000.000.Igualmente, 3.6 x 1069 é 36 seguido de 69 zeros.<br />

2 Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 45.<br />

3 Ibid., p. 44.<br />

4 G. Javor, Evidences for Creation (Hagerstown, Md.: Review and Herald, 2005).<br />

5 Ellen G. White, Educação, p. 22.<br />

6 Ellen G. White, Fundamentos da Educação Cristã, p. 179, 180.<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 19


C R E N Ç A S F U N D A M E N T A I S<br />

De tempos em tempos, a imprensa<br />

popular divulga que<br />

uma taça de vinho diariamente<br />

ajuda na prevenção de doenças.<br />

Para muitas pessoas, isso confirma a<br />

crença comum de que a Bíblia aprova<br />

o uso moderado de bebidas alcoólicas.<br />

Não entendem por que os adventistitas<br />

do sétimo dia são totalmente contra<br />

o seu uso. Escrevo para explicar o<br />

porquê, tanto da perspectiva bíblica<br />

como da saúde.<br />

Por que<br />

referências como a de Números 18:12:<br />

“Todo o melhor do azeite, do mosto e<br />

dos cereais, as suas primícias que derem<br />

ao Senhor, dei-as a ti.” Geralmente os<br />

comentários positivos sobre o vinho<br />

referem-se à abundância dos alimentos<br />

produzidos na Palestina – óleo de oliva,<br />

grãos e vinho (Dt 7:13; Jr 31:12).<br />

Mesmo assim, os comentários<br />

negativos persistem: “O vinho é escarnecedor,<br />

e a bebida forte, alvoroçadora;<br />

todo aquele que por eles é vencido não<br />

Por Tom Shepherd<br />

Não Bebo Bebida<br />

N Ú M E R O 2 2Alcoólica<br />

O Vinho e a Cerveja no<br />

Antigo Testamento<br />

Vários termos hebraicos e gregos<br />

que se referem ao vinho e à cerveja são<br />

usados nas Escrituras. Fazem-se comentários,<br />

tanto positivos como negativos,<br />

sobre essas bebidas. Grande parte das<br />

referências sobre o vinho no Gênesis<br />

fala sobre eventos negativos – Noé fica<br />

bêbado em Gênesis 9, as duas filhas de<br />

Ló praticam incesto com seu pai após<br />

embriagá-lo com vinho (Gn 19) e Jacó<br />

engana Isaque com comida e vinho<br />

(Gn 27). Entretanto, podem-se encontrar<br />

Tom Shepherd, Ph.D.,<br />

Dr.P.H., é professor de<br />

interpretação do<br />

Novo Testamento no<br />

Seminário Teológico <strong>Adventist</strong>a do Sétimo<br />

Dia na Universidade Andrews.<br />

20 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

é sábio” (Pv 20:1). Provérbios 23:29-35<br />

descreve as desgraças causadas pelo<br />

alcoolismo.<br />

O Que Dizer de Jesus em<br />

Relação ao Vinho?<br />

Alguns podem responder que isso<br />

é aplicável apenas nos casos de abuso<br />

do álcool. Jesus não produziu uma<br />

abundância de vinho no casamento de<br />

Caná?(João 2). Realmente, Ele fez cerca<br />

de 600 litros de vinho (do grego oinos)<br />

para a festa. Entretanto, como muitas<br />

referências positivas sobre o vinho no<br />

Antigo Testamento, a referência a oinos<br />

está num contexto em que descreve um<br />

evento festivo em que a abundância de<br />

comida e bebida é o ponto alto dessa<br />

alegre ocasião. Além disso, note que<br />

as palavras do mestre-sala soam como<br />

um provérbio: “Todos costumam pôr<br />

primeiro o bom vinho e, quando já beberam<br />

fartamente, servem o inferior.” E<br />

continua falando: “Tu, porém, guardaste<br />

o bom vinho até agora.” 1<br />

Esse “dito popular” é visto por<br />

muitos como um comentário astuto de<br />

alguém sob o efeito entorpecente do<br />

álcool. Quando as pessoas começam a<br />

beber, têm condições de perceber a qualidade<br />

do vinho. Porém, após ficarem<br />

bêbadas, tudo parece igual; assim, para<br />

que gastar o bom vinho com quem já<br />

está bêbado? 2<br />

Entretanto, omitem o elemento-chave<br />

do texto e interpretam<br />

erroneamente o significado da comida<br />

e da bebida num ambiente festivo. O<br />

elemento-chave ignorado é o fato de<br />

que o mestre-sala da festa ainda podia<br />

perceber a diferença entre o bom vinho<br />

e o inferior. Obviamente, ele não estava<br />

bêbado e era também óbvio que havia<br />

bebido o vinho servido anteriormente,<br />

de modo que percebeu a diferença. O<br />

significado de comida e bebida numa<br />

R E N E A L E A T H E R S / M A X W E L L D E A R A Ú J O R O D R I G U E S /<br />

J E A N S C H E I J E N / M O D I F I C A D A D I G I T A L M E N T E


festa é que a abundância fazia parte<br />

da alegria. Intimamente ligado a isso,<br />

estava a tradicional e profunda ênfase<br />

na hospitalidade. Em tal cenário de<br />

normas sociais, servir o “bom vinho”<br />

aos convidados no início da festa seria<br />

uma forma de honrá-los.<br />

Além disso, há ocasiões na literatura<br />

grega onde oinos é claramente de natureza<br />

não alcoólica, sendo razoável crer que,<br />

nesse contexto, esse foi exatamente o tipo<br />

de bebida providenciado por Jesus. 3<br />

Abstinência é um<br />

Imperativo Moral?<br />

Alguns podem admitir que, após<br />

essa explicação, pode-se apoiar o valor<br />

de uma vida sem bebidas alcoólicas.<br />

Mas isso é um imperativo moral? Várias<br />

linhas de evidências sugerem que sim.<br />

Primeiro, as estatísticas da Organização<br />

Mundial da Saúde (OMS) mostram<br />

as pesadas perdas provocadas pelo<br />

álcool. 4 Elas representam cerca de 1,8<br />

milhões de mortes, por ano, em todo<br />

o mundo (3,2% do total de mortes) e<br />

58,3 milhões de anos de vida, incluindo<br />

incapacidades (4,0 por cento do total).<br />

O álcool é responsável também, em<br />

todo o mundo, por 20 a 30% das mortes<br />

por câncer de esôfago, câncer de fígado,<br />

cirrose hepática, homicídio, epilepsia<br />

e acidentes automobilísticos. Seu consumo<br />

está aumentando nos países em<br />

desenvolvimento, com quase nenhuma<br />

infra-estrutura para prevenção e tratamento<br />

dos problemas associados aos<br />

efeitos do álcool. Se não for por outra<br />

razão, além da preocupação que devemos<br />

ter com o nosso semelhante, temos<br />

a responsabilidade de pregar e ensinar<br />

total abstinência do álcool.<br />

Estar Prontos para o<br />

Retorno de Jesus<br />

Há uma razão ainda mais importante<br />

que apoia a total abstinência. É o<br />

breve retorno de Jesus Cristo! O Novo<br />

Testamento está repleto de advertências<br />

para permanecermos sóbrios à luz do<br />

breve retorno do Senhor (Lc 21:34-36;<br />

1Pe 1:13). A esse conceito dou o nome<br />

de temperança escatológica. Em contraste,<br />

o álcool adormece a mente! Seu uso<br />

conflita com as instruções de Jesus para<br />

permanecermos alerta todo o tempo.<br />

Às vezes, as pessoas perguntam<br />

se esse ou aquele mandamento ainda<br />

se aplica a nós hoje. Com frequência,<br />

questionam se ainda é válido. Raramente<br />

consideram a possibilidade de<br />

que alguns mandamentos podem ser<br />

aplicados muito mais a nossos dias do<br />

que ao passado. Creio que é o caso da<br />

abstinência do álcool. No antigo mundo<br />

mediterrâneo, as bebidas alcoólicas já<br />

existiam, mas não eram disponíveis em<br />

abundância para a maioria do povo.<br />

Além disso, seu teor alcoólico não era<br />

maior que 10 a 15%, no caso do vinho<br />

(apenas 4 a 6% na cerveja), e o vinho,<br />

geralmente, era diluído em até três partes<br />

de água para uso normal. 5 A situação<br />

é completamente diferente no mundo<br />

de hoje, no qual o álcool é muito mais<br />

facilmente acessível e em concentrações<br />

muito mais altas nas bebidas destiladas<br />

Conduta<br />

(comumente 40 a 60%). As estatísticas<br />

da OMS mostram uma triste história de<br />

desgraças causadas pelo álcool e como<br />

sua sombra está se espalhando ao redor<br />

do globo.<br />

Sou um adventista do sétimo dia e<br />

aguardo a vinda de Jesus! À luz desse<br />

grande evento, creio que devo manter<br />

minha mente e corpo prontos e alerta<br />

para agir o tempo todo. Creio que<br />

tenho a responsabilidade de ajudar meu<br />

próximo a se preparar para o retorno<br />

do nosso Senhor e que um estilo de<br />

vida saudável é coerente com as Escrituras<br />

e um dever do cristão. É por isso<br />

que não uso bebida alcoólica.<br />

1 João 2:10.<br />

2 O verbo grego é methusko, que significa “ficar bêbado” ou<br />

“beber à vontade”.<br />

3 Veja Aristóteles, Meteorologica 384.a.4-5 e 388.b.9-13 para o<br />

uso genérico do termo oinos.<br />

4 Estatísticas do Web site da Organização Mundial de Saúde,<br />

www.who.int/substance_abuse/facts/alcohol/en/index.html.<br />

5 “Vinho sem mistura” de Apocalipse 14:10 seria o vinho sem<br />

a adição de água. Na dramática advertência de Apocalipse 14,<br />

a ira de Deus é revelada, sem misturar-se à misericórdia. Para<br />

referências sobre a diluição do vinho, veja David E. Aune,<br />

Revelation 6-16, Word Biblical Commentary, vol. 52b (Nashville:<br />

Thomas Nelson, 1998), p. 833.<br />

c r i s t ã<br />

Somos chamados para ser um povo piedoso, que pensa, sente e age de acordo<br />

com os princípios do Céu. Para que o Espírito recrie em nós o caráter de nosso<br />

Senhor, só nos envolvemos naquelas coisas que produzem em nossa vida pureza,<br />

saúde e alegria semelhantes às de Cristo. Isso significa que nossas diversões e<br />

entretenimentos devem corresponder aos mais altos padrões do gosto e beleza<br />

cristãos. Embora reconheçamos diferenças culturais, nosso vestuário deve ser<br />

simples, modesto e de bom gosto, apropriado àqueles cuja verdadeira beleza não<br />

consiste no adorno exterior, mas no ornamento imperecível de um espírito manso<br />

e tranquilo. Significa também que, sendo o nosso corpo o templo do Espírito Santo,<br />

devemos cuidar dele inteligentemente. Junto com adequado exercício e repouso,<br />

devemos adotar a alimentação mais saudável possível e abster-nos dos alimentos<br />

imundos identificados nas Escrituras. Visto que as bebidas alcoólicas, o fumo e o<br />

uso irresponsável de medicamentos e narcóticos são prejudiciais ao nosso corpo,<br />

também devemos abster-nos dessas coisas. Em vez disso, devemos empenhar-nos<br />

em tudo que submeta nossos pensamentos e nosso corpo à disciplina de Cristo,<br />

o qual deseja nossa integridade, alegria e bem-estar. (Rm 12:1, 2; 1Jo 2:6; Ef 5:1-21;<br />

Fl 4:8; 2Co 10:5; 6:14–7:1; 1Pe 3:1-4; 1Co 6:19, 20; 10:31; Lv 11:1-47; 3Jo 2.)<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 21


E S P Í R I T O D E P R O F E C I A<br />

Unidade, apesar<br />

das diferenças de<br />

nacionalidade e raça<br />

S<br />

“ e alguém tem sede, venha a Mim e<br />

beba.” “Aquele, porém, que beber<br />

da água que Eu lhe der nunca mais terá<br />

sede; pelo contrário, a água que Eu lhe<br />

der será nele uma fonte a jorrar para a<br />

vida eternal”(Jo 7:37; 4:14).<br />

Se, apesar dessas promessas, preferirmos<br />

permanecer abrasados e ressecados<br />

por falta da água viva, a culpa será tão<br />

somente nossa. Se formos a Cristo com<br />

a simplicidade da criança que se dirige<br />

aos pais terrestres, e Lhe pedirmos as<br />

coisas que nos prometeu, crendo que as<br />

receberemos, nós as teremos. Se todos<br />

exercêssemos fé como deveríamos, seríamos<br />

abençoados com o Espírito de Deus<br />

em medida muito maior do que a por<br />

nós recebida em nossas reuniões. Alegrame<br />

que ainda nos restam alguns dias<br />

para o término dessas reuniões. Porque<br />

esta é a pergunta que surge: Iremos nós<br />

à fonte para beber? Darão o exemplo os<br />

que ensinam a Verdade? Deus por nós<br />

fará grandes coisas se, com fé, nos apegarmos<br />

à Sua Palavra. Que possamos ver<br />

aqui todos os corações se humilhando<br />

perante Deus!<br />

Entre as<br />

Nações e o<br />

r e i n<br />

Por Ellen G. White<br />

22 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

Deus Compreende Diferentes<br />

Grupos de Pessoas<br />

Desde o início dessas reuniões,<br />

senti-me fortemente inclinada a<br />

abordar assuntos do amor e da fé.<br />

E procedo assim porque vocês<br />

necessitam desse testemunho. Alguns<br />

dos que foram trabalhar nesses<br />

territórios missionários dizem: “A<br />

senhora não compreende o povo<br />

francês; não compreende os alemães.<br />

Eles precisam ser tratados dessa ou<br />

daquela maneira.”<br />

Mas pergunto: Será que Deus não<br />

os entenderá? Não é Ele que a Seus<br />

servos dá uma mensagem destinada<br />

às pessoas? Ele sabe exatamente aquilo<br />

de que necessitam; e se a mensagem<br />

vem diretamente dEle, por intermédio<br />

de Seus servos para o povo, ela<br />

cumprirá a obra que lhe foi designada;<br />

todos serão unificados em Cristo.<br />

Embora alguns sejam arraigadamente<br />

franceses, outros entranhadamente<br />

alemães e outros profundamente<br />

americanos, todos chegarão a ser<br />

identicamente semelhantes a Cristo.<br />

Unidade na Diversidade<br />

O templo israelita foi construído de<br />

pedras lavradas e extraídas das montanhas;<br />

e cada pedra era preparada para<br />

seu respectivo lugar no templo, lavrada,<br />

polida e provada antes de ser transportada<br />

para Jerusalém. E quando todas<br />

estavam no terreno, a edificação foi<br />

erguida sem que houvesse ruído de um<br />

único machado ou martelo. Essa construção<br />

representa o templo espiritual de<br />

Deus, composto de material trazido de<br />

todas as nações, línguas, povos e classes<br />

sociais, elevadas e humildes, ricos e pobres,<br />

sábios e iletrados. Não se trata de<br />

substâncias inertes que devem ser trabalhadas<br />

com martelo e cinzel. São pedras<br />

vivas, tiradas da pedreira do mundo por<br />

meio da verdade, e o grande Arquiteto<br />

principal, o Senhor do templo, as está<br />

agora lavrando, polindo e preparando<br />

para seu respectivo lugar no templo<br />

espiritual. Uma vez terminado, esse<br />

templo será perfeito em todas as suas<br />

partes e causará a admiração dos anjos<br />

e dos homens; porque o seu arquiteto e<br />

construtor é Deus.


o“ Embora alguns sejam arraigadamente<br />

franceses, outros entranhadamente<br />

alemães e outros profundamente<br />

americanos, todos chegarão a ser<br />

identicamente semelhantes a Cristo.”<br />

Ninguém pense que não tem necessidade<br />

de correção alguma. Não existe<br />

pessoa nem nação que seja perfeita em<br />

todos os seus costumes e pensamentos.<br />

Uma precisa aprender da outra. Por<br />

isso, Deus quer que as diversas nacionalidades<br />

se coordenem para chegar a ser<br />

um só povo em sua visão e propósitos.<br />

Desse modo, será exemplificada a união<br />

que há em Cristo.<br />

Eu estava quase com medo de vir<br />

a esse país pelo muito que ouvira das<br />

peculiaridades das diferentes nacionalidades<br />

europeias e dos meios a serem<br />

empregados para alcançá-los. Mas a<br />

sabedoria divina é prometida aos que<br />

dela sentem necessidade e a pedem.<br />

Deus pode levar as pessoas aonde hão<br />

de receber a verdade. Permitamos que<br />

o Senhor Se aposse de nossa mente e a<br />

molde, assim como o barro é moldado<br />

pelas mãos do oleiro, e essas diferenças<br />

deixarão de existir.<br />

Irmãos, contemplem Jesus: imitem-Lhe<br />

as maneiras e o espírito, e<br />

não terão dificuldade alguma para<br />

alcançar esses diferentes tipos de<br />

pessoas. Não temos seis modelos para<br />

copiar, nem cinco, temos apenas um:<br />

Jesus Cristo. Se os irmãos italianos,<br />

franceses e alemães tentarem ser iguais<br />

a Ele, colocarão os pés sobre o mesmo<br />

fundamento da verdade; o mesmo<br />

espírito que anima um, animará o<br />

outro – Cristo neles, a esperança da<br />

glória. Eu os exorto, irmãos e irmãs,<br />

a não erguer um muro de separação<br />

entre as diferentes nacionalidades. Ao<br />

contrário, tratem de derribá-lo, onde<br />

existir. Devemos esforçar-nos por levar<br />

todos à harmonia que há em Jesus,<br />

trabalhando em prol do objetivo único<br />

– a salvação dos nossos semelhantes.<br />

Deixem Deus Trabalhar<br />

Irão meus irmãos no ministério<br />

apossar-se das ricas promessas de<br />

Deus? Porão de parte o eu e deixarão<br />

que Jesus apareça? Antes que Deus<br />

possa atuar por meio de vocês, o eu<br />

precisa morrer. Fico alarmada ao ver<br />

o eu manifestar-se num e noutro, aqui<br />

e ali. Em nome de Jesus de Nazaré, eu<br />

lhes declaro que a vontade de vocês<br />

tem de morrer; ela deve se transformar<br />

na vontade de Deus. Ele lhes quer<br />

depurar e purificar de toda mácula.<br />

Existe uma grande obra para ser feita<br />

em favor de vocês antes de serem<br />

revestidos do poder de Deus. Rogolhes<br />

que se aproximem dEle, a fim de<br />

reconhecer Suas ricas bênçãos, antes de<br />

findar esta reunião.<br />

Há aqui pessoas sobre quem brilhou<br />

muita luz na forma de advertências<br />

e repreensões. Sempre que surgem<br />

repreensões, o inimigo tenta criar nos<br />

repreendidos o desejo de simpatia humana.<br />

Eu quisera, portanto, advertirlos<br />

para terem cuidado; não aconteça<br />

que, ao apelarem para a simpatia alheia<br />

e rememorarem suas provas passadas,<br />

repitam o erro da exaltação própria. O<br />

Senhor conduz repetidas vezes ao mesmo<br />

lugar os Seus filhos extraviados;<br />

mas se continuamente deixarem de<br />

escutar as advertências de Seu Espírito,<br />

e não resolverem todos os seus erros,<br />

Ele os deixará, por fim, entregues à<br />

própria fraqueza....<br />

Cada qual tem uma luta intensa<br />

para vencer o pecado no próprio<br />

coração. Às vezes, essa obra é muito<br />

penosa e desanimadora; pois, ao<br />

vermos nossos defeitos de caráter,<br />

passamos a considerá-los, em vez de<br />

olhar para Jesus e revestir-nos das<br />

vestes de Sua justiça....<br />

Irmãos e irmãs, como coobreiros<br />

de Deus, apoiemo-nos com firmeza no<br />

braço do Todo-poderoso. Esforcemonos<br />

por abraçar a união e o amor, e<br />

seremos uma potência no mundo.<br />

Esse artigo foi extraído do nono volume<br />

dos Testemunhos para a Igreja (pp 179-<br />

183) e foi originalmente apresentado no<br />

Concílio da União Europeia, em Basel,<br />

Suíça, no dia 24 de setembro de 1885. Os<br />

adventistas do sétimo dia creem que Ellen<br />

G. White exerceu o dom profético bíblico<br />

durante mais de 70 anos de ministério<br />

público.<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 23


S E R V I Ç O<br />

Os desafios no Sul do Pacífico fazem o evangelho avançar<br />

Das ilhas banhadas de sol até o interior selvagem e<br />

arenoso da Austrália, a Divisão do Sul do Pacífico<br />

é uma maravilhosa região do mundo. Mais de 400<br />

mil adventistas vivem em seu território. A proporção é de<br />

um adventista para cada 86 pessoas. À primeira vista, pode<br />

Parecer que a igreja está indo muito bem; contudo, mais de<br />

34 milhões de pessoas ainda precisam ser alcançadas pela<br />

mensagem adventista de esperança – pessoas que necessitam<br />

saber que Jesus as ama.<br />

Força Aérea<br />

A última vez que as ofertas do décimo terceiro sábado<br />

beneficiaram a Divisão do Sul do Pacífico, foi em 2006. Essa<br />

oferta quebrou um recorde como a maior oferta na história<br />

da Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia.<br />

Muitos adventistas souberam de Papua-Nova Guiné por<br />

meio do filme de Eric Were, Cry of New Guinea (O Clamor<br />

da Nova Guiné). O missionário Len Barnard seguiu, durante<br />

quarenta dias, por trilhas difíceis no meio das montanhas,<br />

selvas quentes e úmidas, rios impetuosos, até a região<br />

montanhosa onde encontrou os canibais de karimui. Ali,<br />

ajudou a tratar dos doentes e, mais importante, os ensinou<br />

sobre Jesus. Hoje, os frutos do seu trabalho podem ser vistos<br />

na vida dos mais de 235 mil adventistas que vivem em<br />

Papua-Nova Guiné.<br />

Atualmente, a mesma viagem feita pelos missionários<br />

pioneiros pode ser realizada em cerca de trinta minutos pelo<br />

novo avião da Missão. A base desse avião está em Goroka, no<br />

hangar do Serviço de Aviação <strong>Adventist</strong>a. Roger Millist está<br />

no seu segundo período de trabalho como piloto missionário.<br />

Ele retornou a Goroka em 2005 e transformou o serviço<br />

de aviação da Missão numa operação de alto nível. O avião<br />

de Millst transporta os missionários locais que vivem e<br />

Daniel Weber é produtor de vídeo para a<br />

sede da Missão <strong>Adventist</strong>a.<br />

24 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

Missão<br />

para Muıtos<br />

Por<br />

Daniel<br />

Weber<br />

trabalham entre as pequenas aldeias que pontilham as montanhas<br />

ao redor de Goroka. Esses missionários dedicam pelo menos<br />

um ano de sua vida para falar do amor e perdão de Jesus.<br />

O avião também é usado para transportar professores,<br />

líderes da igreja e profissionais de saúde para os vilarejos e<br />

comunidades espalhados pelas ilhas de Papua-Nova Guiné.<br />

O avião da Missão destaca-se ao voar em torno dessas<br />

aldeias, nas montanhas. Poucos aviões podem aterrisar e<br />

decolar de uma pista de voo com apenas algumas centenas de<br />

metros de comprimento. Além do fato de que algumas pistas<br />

têm inclinação de cerca de 14 graus, é fácil descobrir por que<br />

nem todos têm a habilidade de realizar esse perigoso trabalho.<br />

O avião da Missão – um PAC XL – tem capacidade de<br />

transportar grandes quantidades de carga e doze pessoas por<br />

viagem. Transporta telhado para as novas igrejas em construção<br />

no meio da selva, assim como a produção da população<br />

local, que é transportada para as cidades grandes, a fim de<br />

ser vendida e fornecer meios para o sustento dessas pessoas<br />

que vivem em aldeias remotas. Para transportar essa carga, é<br />

cobrada uma pequena taxa, que ajuda a cobrir os custos que o<br />

Serviço de Aviação <strong>Adventist</strong>a tem para transportar missionários<br />

e materiais por toda a ilha.<br />

A aviação adventista está cumprindo o chamado para<br />

levar o evangelho aos confins da Terra.<br />

“A aquisição dessa nova aeronave com turbinas foi muito<br />

importante para nós”, diz Millist. “Nossos níveis de segurança<br />

e desempenho, tanto dos pilotos como dos passageiros,<br />

aumentaram significativamente. Recebo e-mails, quase<br />

diariamente, de pessoas dizendo: ‘Oramos por você, todos os<br />

dias.” Trabalhamos numa área de muitos desafios e é muito<br />

bom saber que há pessoas, membros da igreja de todo o<br />

mundo, assim como os membros da igreja daqui da Divisão<br />

do Sul do Pacífico, que têm apoiado a nós e aos membros de<br />

Papua-Nova Guiné, todos unidos com a aviação adventista.…<br />

Sabemos que não estamos sozinhos em nosso trabalho.“<br />

Mudando um Colégio<br />

A oferta do décimo terceiro sábado de 2006 também ajudou<br />

a construir uma capela no Colégio Fulton, na ilha Fiji. A escola<br />

tem mais de 200 alunos de teologia, artes e administração.


Direita: NOVO CAMPUS: Colégio Fulton, assim chamado em honra<br />

ao missionário adventista pioneiro John Edwin Fulton, brevemente<br />

será transferido para um local mais conveniente, em Fiji.<br />

Abaixo: OBSERVE: Rolos de Figuras facilitam a pregação<br />

do evangelho em lugares remotos.<br />

Serve como centro de treinamento para<br />

a União/Missão Transpacífico, que tem<br />

mais de 93 mil membros e está localizada<br />

em local pitoresco, no nordeste de<br />

Fiji. Foi fundada no início dos anos 1940<br />

e forma jovens adventistas para servir<br />

à Igreja, não apenas do Sul do Pacifico,<br />

mas em todo o mundo.<br />

Nemani Tausere, ex-diretor do Colégio<br />

Fulton, fala sobre a influência da escola:<br />

“A contribuição que os formandos e<br />

outros que simplesmente passaram por<br />

Fulton prestam à comunidade, ao governo<br />

e à igreja durante os anos de estudo,<br />

é significativa.”<br />

O colégio está localizado perto da<br />

capital, Suva. Recentemente, a Suprema<br />

Corte da nação, em<br />

Suva, decretou que a propriedade da escola retornasse aos<br />

seus proprietários originais.<br />

Respondendo à decisão da corte, a Divisão do Sul do<br />

Pacífico usará uma parte da oferta do décimo terceiro sábado<br />

deste trimestre para começar a mudança para um novo<br />

local. Encontraram uma linda área próxima à cidade de Nadi<br />

(Nandi), onde está localizado o aeroporto internacional. A<br />

mudança da escola para o novo endereço facilitará o acesso<br />

dos estudantes internacionais. Até agora, eles tinham que viajar<br />

mais de doze horas de ônibus para chegar ao lugar atual. A<br />

nova propriedade está a quinze minutos de carro do aeroporto,<br />

sendo muito mais conveniente para os alunos e visitantes.<br />

A área é denominada Sabeta (Sembeto) e é servida por estradas,<br />

serviço de ônibus, clínicas médicas, correio e telefone.<br />

Waisea Vuniwa, presidente da União/Missão Transpacífico,<br />

garantiu, com os proprietários, um arrendamento renovável<br />

de 99 anos, e eles estão satisfeitos por ter uma escola cristã em<br />

sua propriedade.<br />

Vuniwa descreve o papel que a nova escola desempenhará<br />

no âmbito da missão da Igreja: “Formaremos jovens que<br />

sairão para servir à comunidade e levar as pessoas a conhecer<br />

melhor o Senhor Jesus Cristo. Esse lugar também vai se transformar<br />

num centro evangelístico”, diz ele, “onde as pessoas<br />

não alcançadas de nossa comunidade serão alcançadas.”<br />

Evangelho Portátil<br />

A Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia experimentou expressivo<br />

crescimento entre a população das ilhas do Sul do Pacífico.<br />

Ali, pequenos grupos se reúnem, em cabanas dentro da selva,<br />

até que possam construir novas igrejas. Uma das maiores<br />

necessidades nessas áreas de crescimento rápido é de material<br />

para ensinar as crianças pequenas que vão, com os pais, à<br />

igreja todas as semanas. Parte da oferta do décimo terceiro<br />

sábado deste trimestre também preverá Rolos de Figuras para<br />

as Escolas Sabatinas das ilhas. Essas ferramentas ajudarão a<br />

formar uma nova geração para comprir a missão da igreja no<br />

Sul do Pacífico.<br />

Por muitos anos, os membros da Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo<br />

Dia têm ajudado a manter o trabalho nos campos missionários<br />

do Sul do Pacífico que, hoje, é um dos maiores provedores de<br />

missionários para o resto do mundo. Contudo, há ainda muito<br />

trabalho a fazer, muitas pessoas para serem evangelizados.<br />

Muito obrigado por suas orações e apoio às missões<br />

adventistas. Suas ofertas ajudarão a formar jovens para ministrar<br />

aos que vivem nas ilhas do Sul do Pacífico. Elas também<br />

ajudarão a educar crianças que estão aprendendo de um Deus<br />

que as ama e quer levá-las para o Céu.<br />

Para saber sobre a missão adventista, visite: www.<br />

<strong>Adventist</strong>Mission.org.<br />

F O T O S C E D I D A S P E L A M I S S Ã O A D V E N T I S T A <strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 25


P E R G U N T A S B Í B L I C A S<br />

P E R G U N T A : O que Paulo quis dizer quando<br />

escreveu: “a mulher será salva dando à luz filhos”<br />

(1Tm 2:15, NVI)?<br />

Como costumo dizer, algumas passagens se prestam<br />

a diferentes interpretações. Nesses casos, temos que<br />

analisar o contexto imediato, bem como o contexto<br />

geral bíblico e oferecer aquilo que consideramos a melhor<br />

opção, sem ser dogmático. Parto do princípio de que o que<br />

perturba nesse texto é o fato de sugerir que a salvação não é<br />

pela fé, e que revela uma visão restritiva das mulheres (por<br />

exemplo, seu lugar é em casa criando as crianças).<br />

1. Comentando a Terminologia:<br />

Note esses três<br />

termos. O primeiro é o verbo<br />

“salvar” (no grego, sozo),<br />

usado nas Epístolas Pastorais<br />

(1 e 2 Timóteo e Tito), para<br />

se referir à salvação espiritual<br />

concedida por Deus<br />

por meio de Jesus (e.g., 1Tm<br />

1:15; 2:4; 2 Tm 1:9). Essa salvação<br />

sempre é recebida pela<br />

fé. O segundo termo é a preposição<br />

“através” (do grego,<br />

dia). Tem-se a impressão de<br />

que ela introduz um significado<br />

para a salvação como,<br />

por exemplo, em 1 Coríntios<br />

15:2. O terceiro termo é o<br />

substantivo “gravidez” (do<br />

grego teknogonia), cuja forma<br />

verbal significa “dar à luz filhos”, estando implícita a dor<br />

que acompanha o fato (1Tm 5:14).<br />

2. Variedade de Interpretações: Essas palavras são interpretadas<br />

de maneiras diferentes. O verbo “salvar” é usado por<br />

alguns com o significado de “manter seguro/preservar”, no<br />

sentido de que a vida da mulher será preservada durante o<br />

nascimento da criança. Isso dificilmente é defendido, uma vez<br />

que muitas mulheres cristãs morreram ao dar à luz.<br />

Outros introduzem ideias não encontradas no texto.<br />

O substantivo “gravidez” tem sido usado para designar o<br />

nascimento do Messias. As mulheres serão salvas por meio do<br />

nascimento do Filho prometido a Eva. Isso, porém, embora<br />

possível, vai muito além do texto.<br />

Muitos retêm a leitura tradicional (“a mulher será salva<br />

dando à luz filhos”), mas interpretam o advérbio “através”<br />

de maneiras diferentes. Uma delas é que a mulher é salva,<br />

“apesar de dar à luz com dores” (i.e., é a circunstância que<br />

acompanha a salvação, não o motivo), ou que elas serão salvas<br />

pela virtude de cumprir seu papel de mãe.<br />

26 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

Salvação<br />

Dar à Luz Filhos?<br />

3. Cosiderações Contextuais: Em 1 Timóteo 2:11-14,<br />

Paulo instrui as mulheres em relação à atitude apropriada<br />

durante a instrução na igreja. Esse processo de aprendizado<br />

não deveria apresentar dissensões e sim submissão ao professor.<br />

Esse conselho era necessário porque falsos mestres<br />

usavam as mulheres para promover seus ensinos. Paulo<br />

queria que as mulheres aprendessem e não agissem independentemente<br />

dos outros. Ele ilustra essa situação usando<br />

a experiência de Adão e Eva. Eva agiu independentemente<br />

de Adão em sua busca por conhecimento; como resultado,<br />

caiu em pecado e tornou-se instrumento do inimigo. Paulo<br />

não queria que isso acontecesse na igreja. Queria que as<br />

mulheres experimentassem a salvação e a preservassem.<br />

4. Interpretação Sugestiva:<br />

Por que o fato de<br />

dar à luz é mencionado e<br />

por<br />

Por<br />

Angel Manuel<br />

Rodríguez<br />

a que se refere? Primeiro,<br />

note que o sujeito do verbo<br />

está no singular: “a mulher<br />

será salva”. No contexto, a<br />

referência é para Eva como a<br />

representante dos membros<br />

femininos da igreja. Segundo,<br />

dar à luz parece aludir<br />

à experiência de Eva após a<br />

queda. O Senhor disse a ela<br />

que “em meio de dores darás<br />

à luz filhos”(Gn 3:16). Essa<br />

era uma das consequências<br />

da sua queda. Observa-se<br />

também que falsos professores<br />

desencorajavam o<br />

casamento e a procriação, e<br />

Paulo parece opor-se a eles(cf. 1Tm 4:3). Terceiro, se essa leitura<br />

do texto for correta, é melhor assumir que o significado<br />

do advérbio “através” seja “apesar”, descrevendo as circunstâncias<br />

sob as quais a salvação é realizada (cf. 1Co 3:15). A<br />

mulher será salva, apesar de continuar a experimentar dor ao<br />

dar à luz – que é uma lembrança do seu pecado. O fato de que<br />

a salvação não é pelo ato de dar à luz é indicado pelo uso do<br />

tempo passivo do verbo (“a mulher será salva”), implicando<br />

que Deus é quem salva (o sujeito implícito da ação). Quarto,<br />

a última parte do verso declara que “elas” serão salvas “se<br />

permanecerem [perseverarem] na fé, no amor e na santidade,<br />

com bom senso” (1Tm 2:15, NVI).<br />

A salvação requer perseverança, não gravidez. A memória<br />

de nossas falhas não deve perturbar nossa certeza da salvação,<br />

mas deve nos motivar à fé, amor e santidade.<br />

Angel Manuel Rodríguez é diretor do Instituto de Pesquisas<br />

Bíblicas da Associação Geral.


O livro do Apocalipse, na Bíblia, descreve a batalha milenar entre Cristo e Satanás.<br />

O inimigo desafiou o caráter de Deus ao declarar que Deus é injusto.<br />

A vida, morte e ressurreição de Jesus derrubaram as acusações de Satanás. A vida<br />

de amor de Cristo, Sua perfeita obediência, morte sacrifical e gloriosa ressurreição<br />

revelam um Deus que nos ama supremamente.<br />

O Apocalipse descreve a igreja do tempo do fim como um corpo de crentes totalmente<br />

comprometido com Cristo, refletindo Seu amor para com os que estão ao redor, enquanto<br />

esperam pelo Seu retorno.<br />

1. O que Jesus disse sobre conhecer a verdade? Leia os textos abaixo e resuma os<br />

ensinos de Jesus sobre o assunto na linha em branco.<br />

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32).<br />

“Se alguém quiser fazer a vontade dEle, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se Eu falo por<br />

Mim mesmo” (Jo 7:17).<br />

“Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a verdade” (Jo 17:17).<br />

Conhecer a verdade é:<br />

Por Mark A. Finley<br />

2. Que duas palavras de ação refletem a comissão que Deus deu à Sua igreja do tempo<br />

do fim?<br />

“Então, me disseram: É necessário que ainda profetizes a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11).<br />

“Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a<br />

terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo” (Ap 14:6).<br />

As duas palavras são de ação e são elas: e .<br />

A igreja de Deus, no tempo do fim, será um movimento mundial com uma paixão para<br />

compartilhar o evangelho eterno.<br />

3. Em que grande evento a igreja de Deus do tempo do fim estará concentrada?<br />

“Olhei, e eis uma nuvem branca, e sentado sobre a nuvem um semelhante a Filho de homem, tendo na cabeça<br />

uma coroa de ouro e na mão uma foice afiada. Outro anjo saiu do santuário, gritando em grande voz para<br />

Aquele que se achava sentado sobre a nuvem: Toma a Tua foice e ceifa, pois chegou a hora de ceifar, visto que<br />

a seara da terra já amadureceu!” (Ap 14:14, 15).<br />

“O inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação do século, e os ceifeiros são os anjos” (Mt 13:39).<br />

O objetivo da igreja de Deus no tempo do fim é: .<br />

4. Por que o inimigo está irado contra o povo de Deus no tempo do fim?<br />

“Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os<br />

mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12:17).<br />

Satanás está irado contra a igreja de Deus no tempo do fim porque ela:<br />

a. Guarda os de<br />

b. E tem o de<br />

E S T U D O B Í B L I C O<br />

A Igreja do Tempo do Fim<br />

n o a p o c a l i p s e<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 27


Deus sempre teve um povo que guardou os Seus mandamentos e que foi leal a Ele.<br />

No tempo do fim, Seu povo fiel também é guiado pelo “testemunho de Jesus Cristo”.<br />

O testemunho é o dom profético que tem guiado o povo de Deus através dos séculos.<br />

(Ap 19:10; 22:6; 1Co 1:4-7, 1Pe 1:10-12).<br />

5. Que características específicas da última mensagem de Deus para o mundo<br />

encontram-se na primeira mensagem angélica de Apocalipse 14?<br />

“Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a terra,<br />

e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14:7).<br />

A igreja de Deus do tempo do fim irá convidar a humanidade a:<br />

a. a Deus,<br />

b. Dar-Lhe ,<br />

c. E a o Deus criador.<br />

Temer a Deus é respeitá-Lo em tudo o que Ele faz. Glorificar a Deus é honrá-Lo com seu<br />

estilo de vida. Adorá-Lo como Criador é cultuá-Lo nos Seus sábados, memorial do Seu<br />

poder criativo.<br />

6. Por que a última mensagem de Deus para o tempo do fim é tão urgente?<br />

“Pois é chegada a hora do Seu juízo” (Ap 14:7).<br />

A igreja de Deus no tempo do fim proclamará a mensagem do de Deus.<br />

A mensagem sobre o juízo de Deus é um chamado ao despertamento. É o Céu apelando<br />

para que nos preparemos para a vinda de Cristo.<br />

7. Qual é o resultado de aceitar a mensagem do tempo do fim?<br />

“Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Ap 14:12).<br />

A igreja de Deus no tempo do fim irá:<br />

28 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

a. Guardar os de<br />

b. E a de<br />

O Apocalipse descreve o povo de Deus dos últimos dias como profundamente apaixonado<br />

por Jesus. Ele é glorificado por seu estilo de vida e honrado como Criador ao Seu povo<br />

observar o sábado e aceitar a Sua direção por meio do dom de profecia. Eles proclamam,<br />

com entusiasmo, ao mundo a mensagem de Seu amor redentor.<br />

Deus suscitou a Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia para proclamar Sua verdade para<br />

esses momentos críticos da história da Terra. Se você já é parte da igreja de Deus, por que<br />

não se compromete a levar Seu amor e verdade aos outros? Se você ainda não é membro<br />

batizado da Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia, quero convidá-lo a unir-se a esse movimento<br />

do tempo do fim, com cerca de 25 milhões de pessoas, em mais de 200 países, que<br />

esperam pelo retorno de Jesus.<br />

O estudo bíblico do próximo mês<br />

examinará “O Último Apelo<br />

do Apocalipse”.


Intercâmbio Mundial<br />

C A R T A S<br />

Memórias<br />

Que inspiração<br />

é ver o rosto<br />

de chineses<br />

dedicados em<br />

“Encontrando Fé<br />

na China” (agosto<br />

2009). Vimos Hau<br />

Xajie pela última<br />

vez em janeiro<br />

de 1997, quando ela, com facilidade,<br />

passou nossas quatro malas pesadas<br />

pela janela de um trem extremamente<br />

lotado, na estação ferroviária de<br />

Shenyang. Tivemos a impressão de<br />

que ela apareceu do nada, do meio da<br />

multidão, explicando que estávamos no<br />

vagão errado e que deveríamos ir para o<br />

que estava no fim do comboio.<br />

No sábado, fomos à igreja de Beishi,<br />

conduzidos por dois amigos num carro<br />

do governo, por uma ruela lotada de<br />

bicicletas e quase impossível de ser<br />

trafegada. Ali encontramos Xajie e também<br />

ficamos impressionados com sua<br />

“força interior”.<br />

Durante os anos em que lecionamos<br />

inglês na Universidade Politécnica<br />

Shenyang, em 1992-1993, procuramos<br />

várias vezes uma igreja em Shenyang,<br />

cidade agitada com seis milhões de habitantes,<br />

e nunca encontramos. Assim,<br />

formamos um grupo de estudantes<br />

interessados no culto aos sábados e até<br />

visitamos o consulado americano em<br />

vários domingos para participar do<br />

culto com um grupo de conterrâneos<br />

americanos. Xajie nos disse que, se<br />

tivéssemos encontrado a igreja naquela<br />

época, certamente teríamos provocado<br />

problemas políticos para a igreja. A<br />

lei, como era interpretada pelos líderes<br />

comunistas locais, dizia: “Nenhum<br />

estrangeiro deve adorar a Deus com<br />

os chineses.”<br />

Que Deus continue a guiar os fiéis<br />

na China.<br />

Nick e Claudia Parks<br />

Bennet, Nebraska,<br />

Estados Unidos<br />

Honrando o Criador<br />

Muito obrigado pela explicação de Angel<br />

Manuel Rodríguez, no artigo “Honrando<br />

o Deus Criador” (julho de 2009), salientando<br />

as dificuldades que alguns teólogos<br />

enfrentam com o relato de Gênesis sobre<br />

“como” aconteceu a criação. Posso encorajar<br />

aqueles que desejam ser teólogos<br />

adventistas do sétimo dia a não desistir<br />

de estudar a Bíblia? Se continuarem lendo,<br />

encontrarão inevitavelmente uma<br />

passagem que diz: “Porque falou, e foi<br />

feito; mandou, e logo apareceu” (Sl 33:9).<br />

Tim Matsis<br />

Invercargill, Nova Zelândia<br />

Igreja e Meio Ambiente<br />

Com surpresa e grande apreciação, li<br />

“Um Planeta Poluído pelo Plástico”<br />

(abril de 2009). Muito obrigado, Allan<br />

R. Handysides, por nos lembrar da<br />

responsabilidade que nosso Criador<br />

colocou sobre nós em relação ao meio<br />

ambiente. Infelizmente, esse assunto<br />

não é considerado como fundamental<br />

nas atividades de nossa igreja mundial,<br />

tal como a saúde, educação e serviço<br />

social. Tanto quanto<br />

eu saiba, não há ainda<br />

nenhuma organização<br />

adventista em prol do<br />

meio ambiente.<br />

“Jesus em breve<br />

voltará; para que se<br />

preocupar em proteger<br />

a natureza?”<br />

Geralmente, essa é<br />

Deus ama não apenas<br />

a humanidade, mas também Sua<br />

criação! Gostaria muito de ver<br />

minha igreja fazendo maior esforço<br />

para alertar o mundo sobre nossa<br />

responsabilidade em relação ao meio<br />

ambiente.<br />

— Olaf Berger, Kirchheim Teck, Alemanha<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 29


Intercâmbio Mundial<br />

C A R T A S<br />

a atitude adventista. Chocado com essa<br />

indiferença, pergunto: Como honramos<br />

a obra das mãos divinas? Como podemos<br />

colocar isso em prática em nosso<br />

cotidiano (além de dar graças e discutir<br />

calorosamente sobre criação versus<br />

evolução)? Enquanto o mundo está um<br />

passo à frente, ainda estamos hesitando<br />

para compreender a missão de Deus.<br />

Deus ama não apenas a humanidade,<br />

mas também Sua criação! Gostaria muito<br />

de ver minha igreja fazendo maior<br />

esforço para alertar o mundo sobre<br />

nossa responsabilidade em relação ao<br />

meio ambiente.<br />

Olaf Berger<br />

Kirchheim Teck, Alemanha<br />

Assinatura<br />

Sempre gostei de ler a <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>,<br />

mas só neste mês nossa igreja recebeu o<br />

exemplar de janeiro de 2009. Isso é bom,<br />

O L U G A R D E O R A Ç Ã O<br />

Por favor, orem por meu tio, no Peru.<br />

Ele sofre de diabetes e, como consequên-<br />

cia, está perdendo a visão; brevemente,<br />

passará por uma cirurgia nos olhos para<br />

tentar recuperá-la.<br />

Miguel, Estados Unidos<br />

Por favor, orem pela saúde de minha tia<br />

que, há poucos dias, foi diagnosticada<br />

com câncer. Os médicos dizem que ela<br />

está em estado terminal e somente um<br />

milagre pode salvá-la. Minha mãe caiu<br />

em depressão por causa das notícias<br />

sobre sua irmã. Por favor, orem por<br />

minha família.<br />

Etelvina, Guatemala<br />

Por favor, orem pelo Projeto “Em Frente<br />

por Cristo”, um ministério evangelístico<br />

em Malavi, que tem como objetivo alcançar<br />

áreas ainda não penetradas pela<br />

30 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Outubro</strong> 2009<br />

mas a revista já está um pouco desatualizada.<br />

Seria possível fazer uma assinatura<br />

para recebê-la mensalmente e pagar o<br />

correio? Poderiam me avisar se isso for<br />

possível? Também assinaria para os meus<br />

três filhos que moram em Quebec e<br />

minha filha que mora no Texas.<br />

Obrigada por sua resposta. Que<br />

Deus os abençoe pelo bom trabalho.<br />

Christiane Hermans<br />

Granby, Quebec, Canadá<br />

A <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> é enviada gratuitamente<br />

para os membros da igreja de todo<br />

o mundo. Muitos locais recebem a revista<br />

em quantidade para ser distribuída entre<br />

as igrejas da área. Os sistemas de entrega<br />

variam, tornando difícil estimar quando<br />

chega e quando é distribuída. As assinaturas<br />

não estão disponíveis, e embora você<br />

a esteja recebendo após a data da edição,<br />

a maioria dos artigos resiste ao tempo.<br />

mensagem adventista. Orem para que<br />

mais pessoas conheçam a Cristo por<br />

meio desse ministério.<br />

Paul, Malavi<br />

Solicito orações por meu genro, que<br />

mora no Havaí. Ele está ajudando o<br />

projeto de uma igreja e o evangelismo<br />

nas Filipinas. O projeto aqui foi afetado<br />

pela crise econômica. Por favor, orem<br />

para que ele encontre emprego e continue<br />

a ajudar a missão.<br />

Ruth, Filipinas<br />

Por favor, orem pela saúde de minha<br />

mãe. Também peço orações pela saúde<br />

de minha esposa, para que o Senhor<br />

aumente nossa alegria com a bênção de<br />

um bebê. Finalmente, orem pela solução<br />

de um problema em meu trabalho.<br />

Emílio, Chile<br />

Encorajamos os membros da Divisão<br />

Norte-Americana a entrar em contato<br />

com os escritórios da sua união local para<br />

ser adicionado à lista de endereços.<br />

Gosto Disso<br />

Recebi a <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> de agosto de<br />

2009 alguns dias atrás e li de capa a<br />

capa. Foi a primeira vez que achei todos<br />

os artigos interessantes! Espero que<br />

mantenham a qualidade nas edições<br />

futuras.<br />

W. R. Van Artsdalen<br />

Waycross, Georgia,<br />

Estados Unidos<br />

Cartas para o Editor – Envie para: letters@adventistworld.org<br />

As cartas devem ser escritas com clareza e ao ponto, com<br />

250 palavras no máximo. Lembre-se de incluir o nome do artigo,<br />

data da publicação e número da página em seu comentário.<br />

Inclua, também, seu nome, cidade, estado e país de onde você<br />

está escrevendo. Por questão de espaço, as cartas serão<br />

resumidas. Cartas mais recentes têm maior chance de ser<br />

publicadas. Nem todas, porém, serão divulgadas.<br />

Muito obrigado por orar por todos os<br />

pedidos anteriores. Vejo como Deus<br />

respondeu minhas orações. Por<br />

favor, orem para que eu consiga um<br />

emprego de meio período; pela<br />

mensalidade escolar; pelas necessidades<br />

de minha família; por minhas<br />

responsabilidades como líder dos<br />

desbravadores e na igreja; e por minha<br />

vida espiritual.<br />

Robert, Vanuatu<br />

Pedidos de oração e agradecimentos (gratidão por resposta à<br />

oração). Sua participação deve ser concisa e de, no máximo,<br />

75 palavras. As mensagens enviadas para esta seção serão<br />

editadas por uma questão de espaço. Embora oremos por todos<br />

os pedidos nos cultos com nossa equipe durante a semana, nem<br />

todos serão publicados. Por favor, inclua no seu pedido, seu nome<br />

e o país onde vive. Outras maneiras de enviar o seu material:<br />

envie fax para 00XX1(301) 680-6638, ou carta para: Intercâmbio<br />

Mundial, <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>, 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring,<br />

Maryland 20904-6600 EUA.


I N T E R C Â M B I O D E I D E I A S<br />

Jesus Representado<br />

por uma<br />

Serpente?<br />

Neste mês, um leitor<br />

compartilha seus pensamentos<br />

sobre a crucifixão de Cristo<br />

Foi um momento traumático para os<br />

discípulos. O corpo sem vida de seu<br />

Mestre ainda pendia da cruz e o Sol<br />

estava se pondo. Eles sabiam que, se<br />

não agissem rápido, as autoridades arrancariam o corpo da cruz e o jogariam no<br />

chão. Então, O arrastariam por uma colina rochosa até o local onde enterravam os<br />

criminosos. Mesmo com a esperança quebrada em um milhão de pedaços, ainda<br />

respeitavam o corpo do seu Mestre e queriam oferecer-Lhe um funeral digno.<br />

Como, porém, conseguiriam a permissão de Pilatos? Entre eles, ninguém tinha<br />

qualquer conexão com alguém do governo. Sabiam, também, que se tentassem consegui-la,<br />

poderiam levantar suspeitas e eles mesmos acabariam dependurados numa<br />

cruz. Então, choraram e esperaram, em suspense, que as coisas seguissem seu curso.<br />

Foi quando viram dois membros importantes do gabinete de Israel aproximar-se<br />

da cruz (Jo 19:38, 39). Os dois homens eram ricos e muito influentes. Os discípulos<br />

conheciam um deles, o que consultara seu Mestre à noite. Seu nome era Nicodemos.<br />

Quando o Mestre morreu, a fé dos discípulos nas declarações de Jesus afirmando<br />

ser o Messias e o Filho de Deus, foi terrivelmente abalada. Será que tinham<br />

desperdiçado os três anos e meio em que O seguiram de aldeia em aldeia? “E nós<br />

esperávamos que era Ele que ia trazer a redenção a Israel” (Lc 24:21). Desperdício?<br />

Humilhação? Eles se questionavam.<br />

Entretanto, quando Nicodemos olhou para aquele corpo inerte, coberto de<br />

sangue, em silhueta contra o céu do entardecer, sua fé no jovem Mestre que afirmava<br />

ser o Filho de Deus cresceu ainda mais. Suas dúvidas foram completamente<br />

apagadas. Sua mente voltou-se para aquela entrevista no meio da noite. Jesus lhe<br />

disse: “Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também<br />

é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nEle<br />

crê tenha a vida eterna” (Jo 3:14, 15). Agora, ao contemplar aquele corpo sem vida<br />

sobre a cruz, o significado dessas palavras caiu como uma cascata sobre Nicodemos.<br />

A serpente de cobre levantada por Moisés sobre a areia do deserto se assemelhava à<br />

serpente que trouxera terrível dor e morte. No mesmo dia, o corpo desnudo levantado<br />

no Calvário assemelhava-se ao destino de um terrível pecador. Os romanos<br />

reservavam a crucifixão apenas para os piores criminosos. Nicodemos podia ver o<br />

que os discípulos não podiam: “Deus tornou-Se pecado por nós. Aquele que não<br />

tinha pecado, para que nEle nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5:21). Aleluia!<br />

—Darius Matupit, Papua-Nova Guiné<br />

M I K E T H O R N<br />

Editor<br />

“Eis que cedo venho…”<br />

Nossa missão é exaltar Jesus Cristo, unindo os<br />

adventistas do sétimo dia de todo o mundo numa só<br />

crença, missão, estilo de vida e esperança.<br />

<strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> é uma publicação internacional da<br />

Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia, editada pela<br />

Associação Geral e pela Divisão Ásia-Pacífico Norte.<br />

Editor Administrativo<br />

Bill Knott<br />

Editor Associado<br />

Claude Richli<br />

Gerente Internacional de Publicação<br />

Chun, Pyung Duk<br />

Comissão Editorial<br />

Jan Paulsen, presidente; Ted N. C. Wilson, vice-presidente;<br />

Bill Knott, secretário; Armando Miranda; Pardon K.<br />

Mwansa; Juan Prestol; Charles C. Sandefur; Don C.<br />

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Comissão Coordenadora da <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong><br />

Lee, Jairyong, presidente; Akeri Suzuki; Donald Upson;<br />

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Editores em Silver Spring, Maryland<br />

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Stele, Bruno Vertallier, Gilbert Wari, Bertil A. Wiklander.<br />

Aos colaboradores: São bem-vindos artigos enviados<br />

voluntariamente. Toda correspondência editorial deve ser<br />

enviada para: 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring MD<br />

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E-mail: worldeditor@gc.adventist.org<br />

Website: www.adventistworld.org<br />

A menos que indicado de outra forma, todas as referências<br />

bíblicas são extraídas da Versão João Ferreira de Almeida,<br />

Revista e Atualizada no Brasil pela Sociedade Bíblica do<br />

Brasil, 1993.<br />

<strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> é uma revista mensal editada simultaneamente<br />

na Coréia, Argentina, Austrália, Indonésia, Brasil e Estados Unidos.<br />

Vol. 5, No. 10<br />

<strong>Outubro</strong> 2009 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 31


O Lugar Das<br />

PESS AS<br />

C O N H E Ç A S E U<br />

V I Z I N H O<br />

Edwin Banerjee, de Gazipur,<br />

Bangladesh, é leitor assíduo da<br />

<strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>. Ele nos enviou essa<br />

foto com alunos do Seminário e<br />

Colégio <strong>Adventist</strong>a de Bangladesh.<br />

A cada sábado, Edwin e seus colegas<br />

visitam pessoas da vizinhança para<br />

falar do evangelho. Muitos muçulmanos<br />

e hindus vivem ao redor do<br />

colégio. Essas pessoas não conhecem<br />

Jesus e o grupo de Edwin procura,<br />

por meios criativos, compartilhar<br />

sua mensagem. Essa foto foi tirada<br />

quando os alunos oravam, ao ar<br />

livre, em uma comunidade muçulmana.<br />

Todos os alunos são membros<br />

do grupo de Trabalho Missionário<br />

de Bangladesh.<br />

E D W I N B A N E R J E E<br />

V I D A A D V E N T I S T A<br />

Recentemente, eu estava assistindo<br />

a um programa do Amazing<br />

Facts (programa de tevevisão<br />

adventista) pela Internet. O pastor<br />

Doug Batchelor falava sobre uma<br />

das lições da Escola Sabatina<br />

do trimestre. Bem no meio do<br />

programa, decidi mudar para outro<br />

Q U E L U G A R É E S S E ?<br />

programa. Escolhi um sobre o Céu.<br />

Por alguma razão, algo deu<br />

errado e aparceu a seguinte mensagem<br />

na tela: “Ocorreu um erro.<br />

Erro: O céu está indisponível no<br />

momento.”<br />

Que bênção que isso só acontece<br />

na Internet!<br />

—Veslemay Hogganvik, Royse, Noruega.<br />

F R A S E D O M Ê S<br />

“Em toda parte, nós [os adventistas] fundamos escolas e nos<br />

esforçamos para ter boas relações com outras religiões. Somos<br />

fortes defensores da liberdade de consciência e de culto.”<br />

—Pastor Jan Paulsen, líder mundial da Igreja <strong>Adventist</strong>a, durante visita ao Seminário<br />

Teológico Yanjing, em Pequim, como parte de sua histórica viagem à China, em julho de 2009.<br />

C O M P A R T I L H E C O N O S C O !<br />

O Lugar das Pessoas é um relicário com itens de leitores de todo o mundo. São<br />

pequenas fatias da vida que incentivam os leitores a pensar, sorrir e apreciar ainda<br />

mais sua família adventista. Pequenos textos, nessa categoria, são bem-vindos.<br />

FRASES (profundas e espontâneas)<br />

VIDA ADVENTISTA (anedotas, cômico ou profundo)<br />

CONHEÇA SEU VIZINHO (fotos em alta qualidade, com biografia concisa, de<br />

membros recém-batizados, adventistas que estejam ativamente envolvidos no<br />

trabalho comunitário, pequenos grupos ou responsáveis por novas iniciativas<br />

na obra de compartilhar o evangelho (máximo de 75 palavras).<br />

Envie um e-mail para marank@gc.adventist.org; ou envie fax para<br />

301-680-6638 (nos Estados Unidos) ou envie para <strong>World</strong> Exchange, <strong>Adventist</strong><br />

<strong>World</strong>, 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, Maryland 20904-6600, EUA<br />

RESPOSTA: Melojeane Zawilinski posa com seus alunos no campus do Colégio <strong>Adventist</strong>a de Taiwan e Academia<br />

<strong>Adventist</strong>a de Taiwan (escola de ensino médio), em Yu Chih, Nantou County, Taiwan. Zawilinski trabalha na<br />

Escola <strong>Adventist</strong>a Internacional localizada no mesmo campus das outras duas escolas.<br />

M E L O J E A N E Z A W I L I N S K I

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