MulheRes - Assobrav

assobrav.com.br

MulheRes - Assobrav

PublicAÇão dA AssociAÇão bRAsileiRA de distRibuidoRes volkswAgen

Ano 34 • n • 302

MARÇo 2o12

MulheRes

FoRÇA de tRAbAlho

e de consuMo


P

Prestar mais

atenção às mulheres

assaram-se cem anos desde as primeiras manifestações feministas por direitos e

deveres iguais, mas as mulheres continuam merecendo um tratamento diferenciado

da sociedade. Diferenciado para menos, entenda-se. Apesar de as conquistas terem

sido muitas e a vida das mulheres melhorado sensivelmente, ainda hoje há diferenças

gritantes entre as oportunidades e os benefícios oferecidos a homens e mulheres.

Sem entrar nas questões sociais, é no próprio mercado consumidor que as diferenças

saltam aos olhos. Em que pese as mulheres serem responsáveis pelo consumo de 20

trilhões de dólares ao ano em todo o mundo, não encontram na mídia ofertas “de

peso”, como indica a matéria de capa desta edição, referindo-se a sugestão de compra

de ações, carros de luxo e outros negócios “dignos dos homens”.

No dia 8 de março passado, Dia Internacional da Mulher, os grandes jornais

brasileiros veicularam poucos anúncios para a data. Destes, a maioria anunciava

eletrodomésticos e artigos de beleza, todos devidamente produzidos para o “sexo

frágil”. A própria suavidade com que a mídia aborda a condição da mulher – cor rosa e

flores - denota não um preconceito, mas uma visão infantilizada de um público que no

Brasil, um país emergente, já dirige 35% das famílias e que começa a ganhar dinheiro

aos 16 anos de idade.

Embora as mulheres ainda estejam à margem das estatísticas mais cruéis, como

representar 79% do 1 bilhão de pessoas extremamente pobres do mundo, sabese,

comprovadamente, que o poder de trabalho e de girar a economia através de

sua condição como administradoras do dinheiro das famílias ou do consumo de

artigos para elas próprias causa o chamado “efeito multiplicador”, capaz de alterar

e desenvolver a sociedade mais rapidamente do que se esse poder se limitasse aos

homens.

Lamentavelmente, no quesito igualdade entre os sexos as mulheres ainda têm muito

o que reivindicar. Apenas para indicar um número citado na reportagem de capa, em

2010 as mulheres ocupavam somente 13,7% dos quadros executivos das companhias

no Brasil, e mais, a maioria das organizações continua sem políticas de Recursos

Humanos ou estrutura para dar condições às mulheres de igualdade na disputa

de cargos. Pior ainda é constatar os salários, sensivelmente mais baixos, mesmo no

desempenho das mesmas funções.

Conselho Editorial

s h o w R o o M

3


4

3 RecAdo

A mensagem do Conselho Editorial.

5 cARtAs

O que dizem sobre Showroom.

cAPA

6 QueM PAssou PoR AQui

Amigos e personalidades que visitaram a

Assobrav e o Grupo Disal.

8 gente

André Massaro, administrador de empresas,

pós graduado em economia, que no auge

da carreira virou a própria mesa em busca

da verdadeira vocação. Foi músico “quase”

profissional, voltou às finanças e hoje se

dedica, inclusive, a ensinar pessoas a como

investir na Bolsa de Valores.

13 techMAniA

Os testes em laboratórios e em pistas

de provas da indústria automobilística,

segundo o jornalista Fernando Calmon.

14 coMPoRtAMento

“Hoje não só o e-mail, mas toda a gama

de opções que a tecnologia da informação

gerou se coloca à frente dos profissionais,

para sua qualificação e inserção no mundo

contemporâneo. Não dispor destes recursos

torna o profissional desconectado de

uma realidade que compromete

seu desempenho até no terreno

pessoal.”

20 Rh

A reflexão do psicólogo,

especialista em relações

corporativas, Armando Siqueira

Neto.

A PAsseio

24 cAPA

Apesar de o dinheiro e a decisão

de compra estar nas mãos das

mulheres, o comércio pouco se

dirige a elas. O fato fica mais

evidente em datas com apelo para

incentivar o consumo feminino,

como o Dia Internacional da

Mulher, 8 de março. À exceção de

eletrodomésticos e produtos de

beleza, raros foram os anúncios

que incitaram a compra por parte

das mulheres, o que leva a crer que

elas ainda são tratadas de maneira

infantil e supérflua pela sociedade.

28 A PAsseio

A história e a tradição cultural

são sólidos alicerces para a

modernização de Omã, país

erguido numa região já habitada

há mais de 10 mil anos. De frente

para o Mar da Arábia, Omã ostenta

uma costa extensa, mas também

tem montanhas desérticas, dunas

e pequenos oásis com piscinas

naturais. É o cenário perfeito para

emoldurar um livro de contos

das mil e uma noites. Um destino

que está sendo descoberto pouco

a pouco pelos turistas mais

exigentes.

36 FReio solto

A opinião, a crítica e a ironia do

jornalista Joel Leite.

38 FAlA séRio!

O novo tom da crônica de Maria

Regina Cyrino Corrêa.

39 QuAndo A bolA

RolA...

O comentário de Marcelo Allendes

sobre o que acontece nos gramados,

quadras, piscinas...e em outros

espaços também.

40 novidAdes

O que há de novo em eletrônicos,

periféricos de informática e outras

utilidades.

41 livRos & AFins

Nossas dicas para a sua biblioteca,

cedeteca, devedeteca e pinacoteca.

42 vinhos & videiRAs

A opinião abalizada de Arthur

Azevedo, diretor executivo da ABS –

Associação Brasileira de Sommeliers-

SP e editor da revista WineStyle e do

site www.artwine.com.br

42 MesA PostA

Receitas, segredos e informações

sobre a história da gastronomia.

gente


Fãs de cineMA

Na edição que antecedeu o Oscar, vocês

deveriam ter publicado um perfil de todos os

filmes concorrentes aos principais prêmios. Foi uma

pena terem informado apenas – apesar de muito bem –

sobre “A Dama de Ferro”, que deu o Oscar de melhor atriz a

Meryl Streep.

Getúlio Pena

siMPles e nAtuRAl

Muito boa a informação dada pelo chef Gustavo Corrêa na última edição (nº 301

- Fevereiro- 2012) sobre os Alimentos Funcionais. Às vezes até gostamos do que é

saudável, mas não temos a informação sobre os benefícios desses alimentos, e

por isso não os adotamos em nossa dieta diária.

Sugiro ao chef que continue nessa linha de

“alimentação correta”. Todo mundo está

precisando, crianças, jovens e velhos.

Mercedes Violla

ReciclAgeM e FelicidAde

Na edição de Fevereiro (nº 301) a seção

Recado aborda o assunto da reciclagem

no Brasil, onde se destacam expressões

como “reciclagem de automóveis,

congestionamentos, carros que quebram,

fervem e que emitem alta taxa de

monóxido de carbono”. Internamente,

a matéria de capa menciona que há

projetos em trâmite nos governos

estadual e federal para retirar os carros

velhos de circulação, mas gostaria de

propor à redação de Showroom uma

segunda matéria a partir da seguinte

constatação: já que reciclar é o tema do momento, por que o governo permite que

as seguradoras depois de darem perda total em um carro segurado o vendam para

pessoas que os recuperam e os colocam novamente nas ruas, causando ainda mais

poluição, uma vez que tais “recuperadores” não utilizam peças originais?

Outro ponto que poderia ser abordado em tal matéria é que não deveria ser

permitido aos ferros-velho ter carros inteiros para venda e sim peças que

pudessem ser aproveitadas.

Finalmente, gostaria de dizer que uma alternativa para acabar com os carros

velhos seria a criação de uma lei que determinasse que todos os carros deveriam

ter seguro contra terceiros, como a que vigora na Itália, onde quem tem carro velho

paga seguro, caso contrário, esse carro vai para a prensa e vira metal de novo.

Em tempo: gostaria de parabenizá-los pelo texto de Sophia Zahle na mesma

edição, que trata da felicidade. Realmente, se todos nos contentássemos com

menos, se todos compreendessem que a virtude está na simplicidade, teríamos

menos consumismo e melhor distribuição.

Luiz Alberto Lanza • Londrina – PR

showRooM coMo consultA PARA MonogRAFiA

Sabendo do empenho e do comprometimento da revista Showroom com

a sociedade brasileira, através da publicação de temas relevantes que

contribuem para o desenvolvimento de todos, gostaria, como seu leitor assíduo na

biblioteca de Garanhuns, de solicitar a inclusão de meu nome no envio automático

da revista para meu endereço particular, pois a publicação será de grande

contribuição para a elaboração de minha monografia.

Helton Nascimento • Garanhuns - PE

Publicação mensal da

Ano 34 – Edição 302 – março de 2012

Conselho Editorial

Antonio Francischinelli Jr. , Juan Carlos Escorza

Dominguez, Mauro I.C. Imperatori e

Silvia Teresa Bella Ramunno.

Editoria e Redação

Trade AT Once - Comunicação e Websites Ltda.

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editoria@tato.com

Editora e Jornalista Responsável

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Redação - Rosângela Lotfi (23.254/MT)

Projeto Gráfico e Direção de Arte

Azevedo Publicidade - Marcelo Azevedo

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Impressão Gráfica Itú

Tiragem 6.000 exemplares

Permitida a reprodução total ou parcial, desde

que citada a fonte.

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do autor e não refletem necessariamente a

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Vice-presidentes:

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Diretores Ad-hoc:

Álvaro Antonio Cardoso de Souza

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Walter Keiti Yaginuma

Conselho de Ex-Presidentes

Mauro Saddi, Elias Monteiro,

Paulo Pires Simões, João Cláudio

Pentagna Guimarães, Rômulo D. Queiroz

Monteiro Filho, Orlando S. Álvares de

Moura, Amaury Rodrigues de Amorim,

Carlos Roberto Franco de Mattos,

Roberto Torres Neves Osório,

Elmano Moisés Nigri e

Rui Flávio Chúfalo Guião. 5

s h o w R o o M


6

Da Volkswagen do Brasil, Jochen Funk, gerente executivo

da área Vendas de Automóveis Nacional, para mais uma

reunião de avaliação do mercado, com toda a simpatia que é

proporcional à sua altura...

Publicitário

de origem, o

empresário Antonio

Carlos Nazar, da VW

Marcas Famosas, de

São Paulo, capital,

e presidente da

Unigran (Região

I), voltando a toda

para o trabalho,

depois de ganhar

um super bronzeado

na casa da praia

em companhia

dos muitos amigos

que coleciona há

décadas...

Na recente assunção do cargo de presidente da VW Reauto, de Contagem

(MG), o executivo Alexandre Ribeiro Resende, para uma visita de

reconhecimento geral à Assobrav e às empresas do Grupo Disal...

Marcus Augustin

Soliva, da VW

Guara Motor, de

Guaratinguetá

(SP) e presidente

da Unileste II,

herdando toda a

gentileza do pai,

Augustin, um

dos fundadores

da Assobrav,

para discutir a

estratégia dos

concessionários

de sua base de

comando...

Presidente da

Unipar e um dos

comandantes

da VW Corujão,

de Curitiba (PR),

Antonio Carlos

Altheim, para

participar de mais

uma reunião de

calendário na

Assobrav...


Também da Região

III, Ricardo Mallon,

da VW Malon de

Canoinhas, na

belíssima Santa

Catarina, para,

como presidente

da Unicar, traçar a

linha de ação dos

concessionários da

região...

E Marco Túlio

Fiúza Rabelo, da

VW Auto Cecília,

da cidade de Luz,

em Minas Gerais,

cruzou a divisa

para apresentar

os interesses dos

concessionários da

Região VII...

Já, Ervino Binow Jr. da

VW Cristal na cidade

de Teixeira de Freitas,

na Bahia, e presidente

da Unibase (Região V),

passou pela Assobrav

para prestigiar mais

um evento comandado

pela entidade para

o aprimoramento

profissional dos

concessionários VW...

Jorge Figueiredo Mariano, da

VW Carolina, de Rondonópolis,

Mato Grosso, e presidente da

Unicentro Norte, veio a São

Paulo para apresentar os dados

surpreendentes da Região VI...

Flávia Garcia, supervisora de

Vendas Corporativas da VW

Brasilwagen, na capital paulista,

participou com conhecimento e

charme do último workshop de

vendas promovido pela Assobrav... 7

s h o w R o o M


8

andré massaro

“PRotejA o seu dinheiRo.

ninguéM FARá isso PoR você”

PoR RosângelA lotFi

Fotos: divulgAÇão

N ão se pode dizer que André Massaro

é uma pessoa acomodada. Não é. Ao

contrário, adora desafios e começar algo

novo, o que faz com obstinação, aprendendo

tudo o que pode do assunto de interesse.

Administrador de empresas com pósgraduação

em economia, este paulista que

não via em si nenhuma vocação definida,

começou a trabalhar na área financeira em

meados dos anos 1990. Em pleno voo de

ascensão profissional, largou tudo em 2005 e

se tornou um investidor e trader profissional.

Operou com ações, desenvolveu afinidades

com os chamados “derivativos”, especializouse

em mercados futuros, commodities e

moedas. Ganhou dinheiro, conhecimento e

muitos quilos. Nesse meio tempo, o ouvinte

de clássicos do rock’n’roll, resolveu aprender

a tocar um instrumento e a cantar, afinal,

“precisava ter uma vida social”. Durante 10

anos foi um músico semiprofissional, como

ele mesmo se define. Hoje, recuperando

a forma física, é sócio da MoneyFit, uma

empresa de treinamento e desenvolvimento,

voltada para a educação financeira e finanças

pessoais.

Massaro também dá aulas, é coach, consultor

empresarial especializado em finanças

corporativas e desenvolvimento de negócios.

Palestrante, escritor, é uma das vozes mais

atuantes que, segundo ele, “pregam no

deserto”, tentando conscientizar as pessoas

sobre a importância de uma vida financeira

saudável.

Nesta entrevista ele desmitifica a Bolsa

de Valores e ensina que dinheiro é uma

ferramenta importante para a qualidade de

vida, para o bem estar e, em última instância,

para a felicidade. Como diz um clássico do

rock: “You can’t always get what you want.

But if you try sometimes, yeah, You just

might find you get what you need.”


Revista Showroom: Você é um

financista que virou músico? Ou o

contrário?

André Massaro: Eu já era financista e

virei músico. Tinha 27 anos e já estava

mais ou menos estabelecido na vida.

Ocupava uma posição de direção em

uma pequena multinacional, uma trade

norte-americana. Já gostava de música,

sempre gostei como ouvinte, mas não

tinha uma formação musical, não sabia

tocar nenhum instrumento. Resolvi

aprender a tocar guitarra e baixo como

hobby, e para ter uma vida social (risos).

Aprendi rápido e em questão de meses

comecei a tocar em bandas. Depois fiz

aulas de canto e comecei a cantar. Virou

uma segunda profissão. Toquei em várias

bandas até que conheci uma banda de

rock clássico e fiquei com eles quase dez

anos. Chamava-se Hi-Five!. Também

tocava em uma banda de country, mas

essa não fez uma carreira sólida (risos).

Dez anos? Bastante tempo...

Tivemos um relativo sucesso. Era uma

banda respeitável. Tocávamos no circuito

de bares e casas especializadas da noite

paulistana. Tocávamos em rádio de vez

em quando, fizemos shows em eventos da

Kiss FM, emissora especializada em rock

clássico, com transmissão ao vivo. Mas

parei há dois anos e não tenho intenção

de voltar, por hora. Fiz o ciclo completo:

aprendi, toquei em bandas mais ou

menos, fui para uma banda melhor...

Parei porque cheguei a um ponto em que

ia para o trabalho para desestressar da

banda, quando deveria ser o contrário

(risos). Falei: é hora de parar. Chega.

E o mundo das finanças, como o

atraiu?

Eu era um financista em procura de um

hobby. Quando era criança eu queria

ser uma coisa diferente a cada dia. Quis

ser bombeiro, astronauta, nunca vi em

mim uma vocação, uma coisa que eu

soubesse desde cedo que queria fazer.

Aconteceu comigo o que acontece

com muita gente que não sabe o que

fazer da vida: entrei na faculdade de

administração de empresas. É uma escola

bem generalista. Fazendo administração

você pode fazer muitas coisas diferentes

em organizações, ir para área gerencial, de

RH, financeira, marketing, educacional. Fui

levado pelas circunstâncias, não planejei

muito, não sabia o que queria da vida,

mas acabei me identificando com finanças.

Durante a faculdade fiz estágios em uma

empresa de auditoria e consultoria voltada

para a área financeira e desenvolvi uma

carreira profissional. Trabalhei em banco,

fui executivo financeiro em empresas não

financeiras...

Ai você deu uma guinada na vida

profissional...

É. Larguei tudo e fui viver de investimentos

na Bolsa de Valores. Peguei todo o dinheiro

que tinha e fui arriscar.

Corajoso, não? Uma carreira sólida em

ascensão e foi se arriscar...

Eu já tinha uma bagagem profissional de

instituição financeira, mas fui aprender tudo

o que podia sobre especulação financeira

propriamente dita e passei cinco anos vivendo

de transações financeiras especulativas de

dentro da minha casa.

Mas por qual motivo? Insatisfação

profissional, vontade de ficar

independente?

Um misto disso tudo. Insatisfeito com o

ritmo de trabalho. Eu estava com dinheiro,

disposição e resolvi tentar. Arrisquei viver

disso. Hoje dou cursos sobre Bolsa de

Valores, inclusive sou professor do Instituto

Educacional BMF&Bovespa, conhecido

popularmente como Escola do Investidor.

Hoje, quando dou aula, falo para as pessoas

terem cuidado com as expectativas que criam.

Muita gente vê a Bolsa como escapatória, do

tipo: “estou de saco cheio do meu chefe”, “não

quero ter dor de cabeça”, “quero trabalhar

em casa”, “acordar na hora que quero”. Eu fiz

isso. Vivi cinco anos desse jeito...

E ?

Posso dizer que não é um estilo de vida muito

saudável. Dá para viver, para ganhar dinheiro.

Conheço muitas pessoas que vivem disso

e não querem outra vida. Para mim não foi

muito legal.

Por quê?

Eu ficava o dia inteiro em casa. Acordava,

ia para o computador, comia, acabava o

dia, ia dormir. Eu passava o dia inteiro

sem interagir com um ser humano de

carne e osso, só através de fóruns de

internet. Engordei muito. Para você ter

ideia, só agora estou me recuperado da

gordura que adquiri naquele período.

Em um ano perdi 30 quilos.

Nossa!

Agora estou consertando meu corpo do

estrago de fiz. Estou até virando atlético

de novo (risos). É muito estressante,

angustiante. As pessoas pensam que vão

ficar em casa, tranquilas, e não tem nada

de tranquilo. Em determinado momento

não aquentei mais. Aí conheci um

cara, que é meu sócio hoje na Money

Fit, o Antônio De Julio. Ele tem uma

trajetória parecida com a minha, com

formação em tecnologia e publicidade.

Ele também ficou de ‘saco cheio da vida’

e foi viver da Bolsa. Fizemos um curso

juntos (o Empretec do SEBRAE) e além

dessas afinidades, ele também é músico.

Depois de um tempo, começamos a

operar na Bolsa juntos, um dando força

pro outro. Ambos casados, as esposas

reclamando que não fazíamos nada

da vida (risos)... Depois de um tempo

paramos com essa história de operar em

Bolsa e fomos para a área educacional.

Sentíamos necessidade de interagir com

pessoas, fomos dar cursos, dar aulas.

Um estilo de vida mais saudável.

Você deixou a Bolsa totalmente?

Não. Hoje sou um investidor mais

leve. Gosto muito do assunto, dou aula

sobre Bolsa de Valores, escrevi dois

livros (“MoneyFit – O método para

criar riqueza e manter a boa forma

financeira” e “Por dentro da bolsa de

valores – Uma introdução ao mercado

de ações”, com o sócio Antonio De

Julio, ambos publicados pela Matrix

Editora) e vou escrever outros. Sou um

profissional de finanças voltado para a

educação e capacitação. Inclusive

educação financeira, para

ajudar as pessoas a atingirem

os objetivos delas. Não sou

acadêmico, dou cursos,

faço palestras, sou coach

s h o w R o o M

9


10

de finanças pessoais, faço workshop para

empresas e seus profissionais falando de

educação financeira.

Quais são as expectativas mais

comuns de quem quer investir na

Bolsa? Ficar rico, garantir um futuro

tranquilo?

Pouca gente tem uma expectativa correta

sobre Bolsa de Valores aqui no Brasil.

A Bolsa não é muito popular no País

porque a economia nunca favoreceu a

Bolsa. Temos uma taxa de juro muito

alta, é muito mais cômodo e vantajoso

colocar o dinheiro em renda fixa do que

ir para a Bolsa. Hoje a taxa básica (Selic)

oscila entre 10 a 11% ao ano. Nos EUA

a taxa deles, equivalente a nossa Selic,

é de 0,25% ao ano. Uma aplicação tipo

CDB nos Estados Unidos, com muita

sorte, você consegue 0,50% ao ano,

aqui você ganha 10% ao ano em renda

fixa. Ninguém consegue 10% ao ano,

consistentemente, ao longo de vários

anos na Bolsa. A maioria das pessoas não

conhece a Bolsa de Valores, outras se

relacionam com ela com medo extremo

- imaginam que a BV é uma espécie de

cassino, bingo, onde as pessoas perdem

muito dinheiro - ou com o sentimento

oposto, esperando ganhar muito dinheiro

para ficar rico do dia para a noite.

Expectativas erradas: a BV não é nem

um lugar assombrado, nem um lugar

para ficar rico de repente. É um mercado

como qualquer outro, onde se negocia

ações de empresas. É quase uma feira:

se você vai cedo encontra produtos

melhores, mais caros. Mais tarde os

preços baixam, os produtos não são tão

bons.

Qual é a expectativa correta que as

pessoas têm que ter?

As empresas, as ações, têm uma

valorização média em longo prazo. É

bom saber a performance dos grupos

de investimento para saber o que

esperar, para considerar o que é uma

boa rentabilidade ou uma rentabilidade

ruim. Quando alguém fala que tem

um sistema cuja rentabilidade é 10%

ao mês, isso não existe e se existe não

é consistente; não se consegue 10% ao

mês todos os meses. Muitas pessoas

poupam comprando ações de empresa,

e nós estimulamos isso, é uma visão

correta a compra de Blue Chips para,

deixando-as lá, ganhar dividendos.

As pessoas ficam naquela loucura

de querer ver, de acompanhar o

movimento da Bolsa o tempo todo;

se caiu ficam desesperadas, querem

vender. A Bolsa é um mercado como

qualquer outro, mas tem uma coisa de

diferente, que é acompanhar a evolução

dos preços em tempo real, de minuto a

minuto, o valor e a oscilação das ações.

As pessoas que têm a visão de longo

prazo, que não pensam em vender, eu

aconselho a não ficarem acompanhando

o movimento da Bolsa - se caiu ou se

subiu -, para não ficarem angustiadas.

Mas não é importante acompanhar?

Mesmo empresas sólidas entram,

ou podem entrar, em períodos de

decadência...

É importante não confundir saúde

financeira da empresa com o preço

da empresa. Muitas vezes, a Bolsa cai

porque o mundo está em uma situação

de stress. As pessoas têm muito medo...

É o que está acontecendo agora?

É. Mas isso não significa que a empresa

vai quebrar. Em 2008 quando as

empresas mergulharam, a Bolsa tinha

umas quedas malucas por causa da

crise do subprime. Ninguém quebrou.

A Vale não deixou de tirar minério do

chão, a Petrobras não deixou de extrair

petróleo. Porque o preço da ação não

está necessariamente ligado ao valor

da empresa. Preço é momentâneo e é

afetado por fatores emocionais. Quando

as pessoas têm medo, isso é refletido no

preço, mas não tem a ver com o valor

da empresa. Se a Vale cair 3% na Bolsa

hoje, não quer dizer que vai quebrar.

Ao longo da história ela já teve muitos

dias em que caiu, e muito, mas está ai,

firme e forte.

Visão de longo prazo, 10 anos ou

mais...

Isso. O importante é a pessoa ter

um objetivo. Para a pessoa que

poupa em ações porque quer receber

dividendos, sem intenção de vender,

longo prazo são décadas; ela vai

deixar essas ações para os netos. Já

aquele sujeito que está em busca

de lucro rápido, esse sim tem que

se preocupar. Cada um tem que

saber qual é o seu objetivo. Aquele

que tem planos de usar o dinheiro

em três, cinco anos ou em uma

data determinada, por exemplo,

não deve ir para a Bolsa, que é um

investimento para quem não tem

comprometimento para aquele

dinheiro, que quer apenas deixá-lo

crescer. Quem tem data para usar o

dinheiro, não deve ir para a Bolsa,

não é a forma inteligente de investir.

O sonho de enriquecer via

Bolsa de Valores, como algumas

histórias de investidores norteamericanos,

é ou não factível?

É possível, mas não é fácil. Se você

olhar os caras mais ricos do mundo

- o Warren Buffet, o George Soros

- eles não “vivem” necessariamente

da Bolsa. Na verdade, são gestores

de fundos de investimentos, têm

negócios relacionados à Bolsa; eles

vendem serviço. Não ficaram ricos

só com o dinheiro deles. Pessoas

que ficaram ricas apenas com o

próprio dinheiro na Bolsa são

muito poucas. A porcentagem de

pessoas que têm sucesso na Bolsa

é a mesma das pessoas que entram

em qualquer negócio. Você pode

abrir uma padaria e, em uma maré

de sorte, ficar rico. Pode acontecer,

mas qual é a porcentagem de pessoas

que abrem uma padaria e ficam

milionárias? A maioria dos negócios

tende a se igualar, não existe um

negócio melhor que os outros. Se

existisse, todos iriam para aquele

negócio e deixaria de ser fácil

enriquecer. É possível enriquecer na

Bolsa de Valores? É. É certeza que vai

enriquecer? Não. Não é certeza, e,

certamente, não é fácil.

A BMF Bovespa tem várias

iniciativas para aproximar a

Bolsa das pessoas, explica como

funciona, dá cursos, procura

desmitificar. Afinal, por que devo


investir na Bolsa?

As pessoas devem investir na Bolsa

porque a economia brasileira está se

transformando, está se tornando mais

desenvolvida e adquirindo feições de

primeiro mundo. Em uma economia

de primeiro mundo, as taxas de juros

são muito baixas. Nossas taxas ainda

são extremamente altas, mas estão

abaixo do que já foram no passado e

a tendência é que baixem mais ainda

em longo prazo. À medida que as

taxas de juros forem baixando, as

pessoas que querem ter uma melhor

rentabilidade, necessariamente

vão ter que ir para a Bolsa de

Valores. Quem está pensando em

se aposentar, pensando em ter uma

rentabilidade significativa, que quer

proteger o dinheiro da inflação, vai

para a Bolsa de Valores. Nos Estados

Unidos, por exemplo, as pessoas vão

para a Bolsa por uma única razão:

não tem outro jeito. CDB lá paga

0,5% ao ano, a inflação é de 3,5%

ao ano. O sujeito que aplica em

renda fixa, deprecia o patrimônio

em 3% ao ano. Ele tem que ir para a

Bolsa de Valores, a pessoa que quer

fazer um plano de aposentadoria de

o Que está cARActeRizAndo

A econoMiA AtuAl é A

disPonibilidAde de cRédito,

Que não tínhAMos Antes.

há não Muito teMPo, 20,

30 Anos - Que é Pouco,

As PessoAs não tinhAM

cARtão de cRédito, As

PessoAs não PARcelAvAM

coMPRAs nA FARMáciA, no

suPeRMeRcAdo. isso é novo

nA históRiA do PAís.

longo prazo tem que comprar ações,

porque não tem outro jeito, não tem

títulos que paguem juros altos. O Brasil

está lentamente indo para esse cenário.

Quem está entrando no mercado de

trabalho e tem uma perspectiva de 30

anos de trabalho, tem que enfiar na

cabeça que a Bolsa vai fazer parte da vida

dele. É burrice fazer planos para 20, 30

anos, considerando as taxas que temos

hoje. É grande a possibilidade de que

isso não exista. A Bolsa é um ambiente

extremamente seguro e transparente,

mas exige que as pessoas tenham uma

expectativa correta.

Há menos investidores do que

poderia haver na Bolsa, aquém

do potencial da economia, ou

estou enganada? (Havia 583,2 mil

investidores pessoa física em 2011,

queda de 4,5% em relação a 2010,

quando 610,9 mil pessoas físicas

operavam na Bolsa. Investidores que

são responsáveis por 20% do volume

médio diário de movimentação

financeira.)

A educação financeira da população

ainda é muito ruim. O que está

caracterizando a economia atual é a

disponibilidade de crédito, que não

tínhamos antes. Há não muito tempo,

20, 30 anos - que é pouco, as pessoas

não tinham cartão de crédito, as pessoas

não parcelavam compras na farmácia,

no supermercado. Isso é novo na

história do País. O brasileiro está se

revelando um consumidor imaturo,

que não sabe usar crédito, está se

endividando excessivamente com taxas

de juros muito altas. Não sabe o que

está pagando quando compra um carro,

um eletrodoméstico; não vê o preço do

produto, não sabe qual é a taxa de juros,

só vê se consegue pagar a prestação.

Acaba pagando muito caro pelas coisas e

está feliz com isso. O brasileiro típico está

em um momento de deslumbramento

e um dia a conta virá. Com a economia

aquecida, as pessoas acham que se

perderem o emprego arrumarão outro

logo; se endividam porque acham que

conseguirão pagar as contas, mas se a

economia desacelerar e o desemprego

aumentar, teremos um efeito bola de

neve: desempregadas, já endividadas,

as pessoas começarão a dar calote,

aumentará o desemprego e o risco de

uma recessão existe. Hoje, o nível de

educação financeira do brasileiro médio

é o pior possível, ele não saber sequer o

que está pagando.

Outro problema é que o brasileiro

não poupa, não guarda, e sem

dinheiro não dá para entrar na Bolsa,

você concorda?

A poupança, seja para fins de reserva

ou de aposentadoria, sofre do mesmo

problema que vemos em saúde, em

qualidade de vida. O conflito entre

o urgente e o importante. Todo

mundo concorda que fazer poupança,

ter dinheiro, se preocupar com

aposentadoria é importante, mas não é

urgente. É como fazer dieta, todo mundo

sabe que é importante, faz bem para a

saúde, mas sempre adia o começo para a

semana seguinte. É importante, mas não

é urgente, até a hora em que o médico

fala: “você tem seis meses de vida.” Aí

vira urgente, mas já é tarde demais. A

Bovespa tem feito um enorme esforço

de divulgação, de conscientização

sobre a importância de ter bons

hábitos financeiros para ela mesma.

Primeiro tem que investir em

educação financeira, depois

no hábito de guardar dinheiro

e depois tomar a decisão de

investir na Bolsa.

s h o w R o o M

11


12

O Brasil vive um momento de

euforia econômica, parece que

as autoridades governamentais

e financeiras não veem risco

nas crescentes taxas de

inadimplência. Com o crescente

endividamento público, com os

investimentos que devem ser

feitos para os eventos esportivos.

Isso pode afetar, de alguma

forma, o futuro, o crescimento

sustentável do País?

É um risco real e sério. Lembro-me

de uma propaganda de um jornal

de São Paulo que dizia: “É possível

contar uma grande mentira dizendo

só a verdade.” Quando o governo

afirma que a taxa de endividamento

do brasileiro é baixa, está falando

a verdade, realmente é baixa

comparada aos padrões mundiais.

Mas tem uma parte que eles não

contam. No Brasil, a taxa de juros

mais popular é a do cartão de crédito.

Segundo a Anefac, a taxa média ao

ano no Brasil é em torno de 240%.

Nos EUA, a taxa de juro do mesmo

produto é de 16%, isso se você tem

um histórico de crédito ruim, se for

imaculado, é mais baixa ainda.

Brasileiro é menos endividado que

o europeu ou o norte-americano,

mas a dívida pequena do brasileiro

tem um custo gigantesco, pode virar

uma dívida enorme em poucos anos.

Escrevi um artigo para a Exame

demonstrando isso: “com mil reais

de dívida, em pouco mais de cinco

anos e meio (mais especificamente

em 68 meses), você terá seu milhão

(em dívidas)!”. Quando falam que a

inadimplência é baixa, não apresenta

problema, essas pessoas, no mínimo,

estão sendo temerárias. Quando o

governo estimula o consumo, diz

compre! compre! está fazendo o

no bRAsil, A tAxA de juRos MAis PoPulAR é A

do cARtão de cRédito. segundo A AneFAc, A tAxA

MédiA Ao Ano no bRAsil é eM toRno de 240%. nos

euA, A tAxA de juRo do MesMo PRoduto é de 16%,

isso se você teM uM históRico de cRédito RuiM,

se FoR iMAculAdo, é MAis bAixA AindA.

papel dele, porque tem interesse em

manter a economia aquecida. Todo

mundo sabe que um dia vai estourar,

mas que estoure na mão do próximo

governo.

Educação financeira é uma

disciplina mais ou menos nova,

considerando que escutamos falar

disso apenas depois do Plano Real,

há uns 16 anos. O que falta para as

pessoas se conscientizarem?

Educação financeira é uma questão de

responsabilidade própria, de cada um.

Não é responsabilidade do governo,

nem dos bancos. A pessoa tem que

assumir a responsabilidade por sua

própria educação financeira. O mundo

não ajuda. O sistema é contra nós. Se

não tomarmos a iniciativa de proteger

nosso dinheiro, ninguém vai fazer isso

por nós. Eu e outros profissionais da

educação financeira tentamos fazer

isso, conscientizar as pessoas com os

instrumentos que temos à mão: cursos,

palestras, publicações em sites, blogs...

Fazemos até coisas gratuitas, mas

somos pessoas pregando no deserto.

A educação financeira nas escolas

ajudaria?

É importante falar que eu e outras

pessoas da área de educação financeira

não somos contra o consumo. Não é

deixar de tomar o cafezinho na padaria

todo dia. Economizar dinheiro é uma

parte da vida financeira saudável. Eu

quero que as pessoas tomem muito

cafezinho, porque ele põe comida na

mesa de muita gente. É importante

consumir, mas é importante não se

endividar, se não gera um problema

para você, para a sua família, para

o banco, gera problemas para todo

mundo. Um dos problemas é que

pouca gente consegue chegar a um

modelo de educação financeira

atrativo, bacana. E cá entre nós,

educação financeira é um assunto

chato, não é um assunto sexy (risos).

Tentamos abordar o tema em

palestras que não sejam chatas, até

tentamos desenvolver ferramentas

como jogos, atividades para as

pessoas aprenderam fazendo, para

motivar as pessoas. Mas ainda não se

chegou a um modelo certo, o assunto

gera muita resistência. Respondendo

à sua pergunta: eu, por um lado, acho

fantástico ensinar educação financeira

nas escolas; o melhor jeito é trabalhar

o ser humano na infância. Por outro

lado, vejo que as crianças saem da

escola com deficiências em coisas

básicas como português, matemática,

ciências. Colocar mais uma disciplina

com a qualidade atual da educação

- que não sobe, só cai - tenho

dúvidas...Não sei se funcionaria ou

se complicaria ainda mais.

Educação financeira é o ideal

de um País com um real

desenvolvimento humano, que

não é o caso...

Sim, mas vou lhe dizer uma

coisa: não conheço país que tenha

desenvolvido um bom modelo de

educação financeira. O único que

ouvi falar, onde as pessoas usam

apenas o dinheiro que tem é a Nova

Zelândia, lá não tem essa história de

limite de cheque especial. Também

não adianta falar que países de

primeiro mundo têm educação

financeira; não têm. É mentira. O

norte-americano, por exemplo, é

endividado desde quando nasce até

quando morre. Não existe modelo

de sucesso para copiar. Não é

problema exclusivo do brasileiro. É

um problema dos seres humanos.


soluÇões

Flexíveis

o objetivo é desenvolver Para os

fabricantes de veículos soluções

de chassi e trem de força, baseadas

em eletricidade, sem PreocuPação

com forma da carroceria, estilo ou

configuração interna.

Apesar do futuro mais

remoto apontar a mobilidade

elétrica como a solução prevalente,

em médio prazo o uso combinado

de motores elétricos e os

tradicionais a combustão interna,

otimizados para consumo de

combustível até 30% menor terá

espaço garantido.

Segundo o grupo alemão

Schaeffler, em processo de fusão

com a Continental para formar

o maior conglomerado mundial

de fornecedores da indústria

automobilística, no mínimo 90%

dos veículos produzidos em 2020

estarão equipados com motores

a combustão interna. No entanto,

os estudos também apontam que

metade destes modelos receberá

motores elétricos que vão interagir

de formas diferentes dentro dos

conceitos de hibridização.

Entre os avanços que a empresa

tem trabalhado, nos motores

convencionais, estão otimização

da termodinâmica, minimização

de perdas por bombeamento

e atrito, uso de dispositivos

auxiliares controlados por

demanda, gerenciamento

térmico direcionado, downsizing/

downspeeding (sobrealimentação

para reduzir cilindrada e obter

torque a rotações mais baixas),

além da função desligar-ligar o

PoR FeRnAndo cAlMon

Um programa específico, em

conjunto com a Porsche, levou

a expressivos 10,1% de redução

de consumo de gasolina em um

Cayenne, trabalhando tanto no

motor V-8 como no veículo. Desse

total, 5,8% de economia vieram

do motor, 1,1% nos rolamentos dos

dois diferenciais e 3,2% nas barras

estabilizadoras hidráulicas das

suspensões.

O conceito híbrido da companhia

nasceu de um balcão de ideias

que não necessariamente será

transposto na totalidade para

um carro de grande produção.

Além do motor de combustão

interna (MCI) e um motor elétrico

central, há outra solução que

inclui dois motores elétricos

acoplados aos cubos de roda. O

MCI pode trabalhar em paralelo

ou em série, neste caso para

estender a autonomia da bateria.

O motor elétrico central e a caixa

de câmbio automatizada de

duas embreagens, unidos por

correia dentada, movem as rodas

dianteiras.

Quanto à tração totalmente

elétrica, o veículo de testes é

uma perua Skoda Octavia Scout

4x4. Nele foi aplicado o conceito

de diferenciais elétricos ativos,

nos eixos dianteiro e traseiro.

permanente, refrigerados a água,

que ajudam a aumentar a potência

total disponível. Trabalham com o

conceito de vetorização de torque,

distribuindo-o entre as rodas do lado

direito e esquerdo de forma mais

imediata e precisa, em qualquer tipo

de superfície, de asfalto molhado

até terra enlameada. Há grande

ganho em dirigibilidade, segurança

e conforto.

A combinação de todas essas

pesquisas e aplicações práticas

levou a empresa a propor um

carro-conceito que batizou de

eSolutions. Na realidade, o objetivo

é desenvolver para os fabricantes

de veículos soluções de chassi

e trem de força, baseadas em

eletricidade, sem preocupação

com forma da carroceria, estilo ou

configuração interna. Trata-se de

uma plataforma flexível que pode

evoluir, qualquer que seja o ritmo

imposto pela realidade econômica

de infraestrutura na implantação da

mobilidade futura.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é

jornalista especializado desde 1967, engenheiro,

palestrante e consultor em assuntos técnicos e

de mercado nas áreas automobilística e

de comunicação. Sua coluna Alta Roda

começou em 1999. É reproduzida em

uma rede nacional de 65 publicações

entre jornais, revistas e sites. É, ainda,

correspondente para a América do Sul

Nestes diferenciais há motores

motor. elétricos síncronos de magneto do site just-auto (Inglaterra). 13

s h o w R o o M


QuAndo se AboRdAM

As novAs tecnologiAs,

identiFicAM-se dois

gRAndes gRuPos: os

nAtivos digitAis e os

iMigRAntes digitAis.

os nAtivos já vêM coM

todA A PRedisPosiÇão

do beRÇo (Até PARece

Que geneticAMente

FoRAM inoculAdos),

os iMigRAntes

vêM chegAndo e se

APRoxiMAndo dAs

disPonibilidAdes

tecnológicAs.

14

Assobio,

Redes sociAis

e MudAnÇA

PoR FRAncisco

bittencouRt

Há alguns dias, sentado no banco de um shopping,

esperando por minha mulher, percebi um

homem, cuja idade estaria em torno dos 80 anos.

Enquanto ele andava mexia em uma pasta com

um grande número de documentos. O que me

chamou atenção neste cidadão foi o fato de que

ele estava assobiando. Imediatamente recorri à

minha memória para verificar o quanto o assobio

fez parte de hábitos no passado. Havia até um

músico que se destacava como assobiador: “O

Garoto Assobiador”. A partir deste momento me

propus a observar quantas pessoas eu encontraria

assobiando, e, como já esperava, reencontrei por

duas ou três vezes o meu personagem (ele não

sabia disto), que permanecia assobiando e era

o único naquele cenário. Confesso que, de vez

em quando, me pego assobiando, é um hábito

antigo, quando estou sozinho, andando na rua,

trabalhando.

Bem, todo este intróito tem como finalidade

questionar: o assobio é uma prática em desuso? É

coisa de velho?


o Que A tecnologiA

iMPôs

O acesso à tecnologia transita

entre a necessidade de

atualização e a exigência do

cenário.

Há cerca de 15 anos,

ministrando a disciplina

Gestão de Recursos Humanos

na UFRJ, fui consultado por dois

alunos, que pediam permissão

para trocar com seus colegas

de turma os seus e-mails. Disse

a eles que se sentissem livres,

mas imaginava que haveria

poucas trocas (se não me falha

a memória, na turma de 35

alunos não havia mais do que

cinco portadores da novidade).

Hoje não só o e-mail, mas

toda a gama de opções que

a tecnologia da informação

gerou se coloca à frente

dos profissionais, para sua

qualificação e inserção no

mundo contemporâneo. Não

dispor destes recursos (ou

seriam instrumentos?) torna

o profissional desconectado

de uma realidade que

compromete seu desempenho

(até no terreno pessoal).

instRuMento do

diA A diA

Na hierarquia da informação,

o dado só faz sentido se for

decodificado. A partir de

sua decodificação o dado se

transforma em informação,

que selecionada, passa a

significar conhecimento. Este,

quando utilizado em prol dos

resultados a alcançar, consolida

o saber.

Esta é a linha da tecnologia. Na

realidade atual é preciso saber

assobiar, tirar o som correto e

não simplesmente emitir um sopro

silencioso. É fato concreto que se faz

necessário conhecer a tecnologia

e adotá-la como um instrumento

(agora sim!) do dia a dia (pessoal e

profissional).

O conjunto de opções que se

mostra ao profissional hoje inclui

não só a tecnologia representada

pelo chamado capital estrutural

(máquinas, equipamentos, softwares

e outros que tais), mas também, e

principalmente, a teia representada

pelas redes sociais (que a cada dia

trazem mais novidades, obsoletando

outras atropeladas pelas novidades).

É diante deste arsenal de opções que

se torna importante analisar a forma

como as organizações se propõem a

gerenciar esta mudança.

As eMPResAs e A

PossibilidAde de

AssobiAR

As possibilidades que são reais

hoje em relação às redes sociais:

ning, orkut, via6, facebook, twiter,

formspring, youtube, forumyahoo,

podcast, tonomundo, blog,

reddolac, cada uma delas tem suas

características, seus objetivos, suas

peculiaridades.

As formas como se apresentam estas

opções dão ao profissional uma

gama de possibilidades de interação

e integração com seu mundo pessoal

e profissional.

Constata-se que as redes

proporcionam:

1 - A busca de consensos e a

convivência no cenário das

diversidades, coordenando

autonomias;

2 - A conectividade, que reforça

o relacionamento sem que

a autonomia venha a ser

comprometida;

3 - Gestão compartilhada da rede

e de suas atividades, por meio da

criação de formas espontâneas

de divisão de trabalho e

responsabilidades.

A adoção das redes como

instrumento de ação dos gestores,

líderes ou profissionais, os quais,

por sua função exercem uma

liderança não formal, mas capaz

de influenciar comportamentos e

atitudes, demonstra uma evolução

na maneira como transmitem seu

conhecimento.

A utilização destes instrumentos,

portanto, é aceleradora do

conhecimento, o que gera, em

relação aos gestores, líderes, a

necessidade do permanente

aprimoramento no uso e

manipulação destes recursos da

contemporaneidade.

Determinadas organizações,

em nome da segurança e da

disciplina optam por bloquear,

de forma radical, o acesso de seus

colaboradores às redes sociais,

na medida em que afirmam ser

oneroso ou perigoso controlar tais

acessos.

Há inúmeras justificativas

apresentadas, para validar este

tipo de decisão. O que fica evidente

é que, ao divulgar tais medidas a

empresa precisa justificar o que fez.

Se fosse um procedimento objetivo,

cuja submissão à falta de lógica não

ficasse tão evidente, não haveria

necessidade da exposição. Os fatos

falariam por si.

cuidAdos A seReM

toMAdos

A adoção dos instrumentos da

contemporaneidade sejam

eles telefones celulares,

smartphones, terminais

individuais de acesso

s h o w R o o M

15


16

tecnológico (em todas as suas

configurações) se transforma

numa ação cotidiana, tão

simples como ... assobiar.

Conhecer as opções, identificar

as disponibilidades, verificar

o que pode agregar valor

ao seu trabalho e à sua

vida pessoal se transforma

numa obrigação espontânea

(comprometimento).

A tentativa de sobrevivência

no cenário de competitividade

sem a adoção dos instrumentos

pode ser marcada pela utopia,

pois não atende aos requisitos

mínimos de sobrevivência nesta

“selva tecnológica”.

Os cuidados a serem tomados

com a entrada neste novo

cenário incluem:

1 - Falta de compromisso

com o envolvimento da

participação individual e

coletiva;

2 - Excesso de individualismo

e de espírito de competição

entre pessoas e instituições;

3 - Fragmentação e

dissociação dos diversos

saberes e áreas de

conhecimento;

4 - Confrontos de poder e

conflitos entre pessoas e

instituições dentro da rede,

que não conseguem superar

suas diferenças de opinião.

A iMPoRtânciA de

inteRAgiR

Assobiar é um ato solitário.

Atuar em redes pressupõe

interação e integração com

a comunidade produtiva.

Sociabilidade e solidariedade

são ferramentas que Garteh

e Jones trouxeram e que

demonstram a necessidade

fundamental da sociedade

contemporânea.

A sociabilidade pressupõe a

comunicação para manutenção

das relações interpessoais

produtivas e solidariedade a

capacidade de trabalhar em

equipe.

John Kotter ao estabelecer as

coalizões poderosas, e ele as

indicou em uma era anterior

ao advento das redes sociais,

deixou claro que:

“O ambiente corporativo

moderno exige mais

mudanças em grande escala

através de novas estratégias,

reengenharia, reestruturação,

fusões, aquisições, downsizing,

desenvolvimento de novos

produtos ou mercados, as

decisões tomadas dentro da

empresa fundamentam-se

em questões maiores, mais

complexas e com maior teor

emocional, ocorrem com

mais rapidez, ocorrem em um

ambiente de mais incertezas

e exigem mais sacrifícios por

parte dos que as implementam,

e um novo processo decisório

é necessário porque ninguém

sozinho possui as informações

apropriadas para tomar todas

as decisões importantes nem

o tempo e a credibilidade

necessários para convencer um

grande número de pessoas a

implementarem essas decisões.

Esse novo processo deve ser

conduzido por uma coalizão

poderosa que possa agir como

uma equipe.”

Os nossos assobiadores poderão

continuar praticando sem

problemas, mas provavelmente

deverão procurar fazer com que

seu assobio interaja com outras

manifestações de comunicação.

Como atividade de lazer

individual não há problemas,

mas o cenário contemporâneo,

altamente competitivo,

exige uma efetiva troca de

informações e de conhecimento.

Fontes citadas: Torres, Patricial L.

“Aprendizagem em Redes”, palestra

proferida em 17.06.2011, Curitiba, PR. e

em 17.06.2011.

Goggee, Rob e Gareth Jones. “Quem

disse que você pode liderar pessoas?”

RJ: Campus Elsevier, 2006.

Kotter, John. “Liderar mudança”. Rio

de Janeiro: Campus, 1999.

Francisco Bittencourt é Consultor

Sênior do Instituto MVC -

www.institutomvc.com.br


20

jogo de

cARtAs

MARcAdAs?

APós tAntos Anos de PesQuisA,

coMPReende-se MelhoR hoje o

Peso Que Possui cAdA uM dos lAdos

de uMA AntigA disPutA: genéticA

veRsus AMbiente.

PoR ARMAndo coRReA de siQueiRA neto

Doenças

entranhadas no genoma, por

exemplo, prontas para dar o bote ao longo

da vida, podem perder sua força natural

diante de uma vida com qualidade (cada

pessoa deve encontrar o seu ponto de

ajuste), e, assim, um adequado ambiente

pode se mostrar o santo remédio para o

“irremediável”. A predisposição teórica de

certas informações genéticas pode ficar

apenas na vontade e não ganhar terreno na

prática diária do viver mediante fatores como

alimentação, exercícios físicos, equilíbrio

emocional, ocupação mental etc. Porém, caso

o cotidiano não seja salutar, certas letras do

DNA tendem a concretizar as promessas nelas

embutidas, então o famigerado “destino” se

cumpre rigorosamente.

A linguagem é outro bom exemplo, haja

vista todo ser humano nascer equipado

biologicamente com ela, e, se não houver

nenhum acidente de percurso, tal como uma

doença ou lesão cerebral que afetem regiões

fundamentais da fala, ou um forte trauma

psicológico, a criança poderá desenvolvêla

nas suas já conhecidas etapas.Todavia

já se comprovou que mesmo dispondo

de tal recurso genético, se não houver uma

estimulação adequada no convívio com

outras pessoas, os resultados podem variar do

desfavorável ao extremamente empobrecido.

Não obstante, mesmo que o ambiente tenha

o seu papel crucial na vida do ser humano,

somos reféns de informações genéticas que

sequer podemos ter consciência a seu respeito.

Egoísmo, altruísmo, compaixão, sexo, agressão.

De algumas se pode escapar, de outras no

entanto... Ou seja, independentemente de

acharmos que temos o livre-arbítrio da

nossa própria vida, e que tomamos decisões

autônomas, a coisa não funciona bem assim...

Ninguém é tão livre? Quantas escolhas fizemos

que já não estavam na fila das tendências?

Quantos pontos de vista “originais”

estabelecemos que já não se encontravam

escondidos atrás das cortinas genéticas nos

palcos da vida? Afinal, é tudo um jogo de cartas

marcadas? Cadê a liberdade de escolha?

É preciso cautela e detalhamento para avaliar

tais questões. Contudo, é certo que elas dizem

respeito ao jogo evolutivo que impõe toda

a herança genética de antepassados em

nós disponível (hoje somos o resultado das

muitas adaptações que venceram a teimosa

extinção), e o ambiente, que, quanto maior

for a consciência a seu respeito, tanto melhor

poderá ser a articulação entre a natureza e a

criação.

Saber mais, pois, é um dos importantes

objetivos a se atingir. Não somos tão livres

em um jogo de cartas marcadas, é evidente

que há poderosas forças biológicas atuando

em direções preestabelecidas. Por outro lado,

não é visível que está em nossas mãos como a

natureza poderá se manifestar, dependendo de

que modo lhe imprimimos a nossa forma de

pensar e agir, pesquisar, avaliar e mudar o que

for necessário?

Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo (CRP 06/69637),

professor e mestre em Liderança. Coautor dos livros Gigantes

da Motivação, Gigantes da Liderança e Educação 2006. E-mail:

selfcursos@uol.com.br


24

ideiAs, Atitudes e

dinheiRo no bolso,

APesAR de tudo

PoR silviA bellA


Adata foi feriado durante o

visualmente

período soviético em celebração à

“heróica mulher trabalhadora” e na

Tchecoslováquia, quando integrante

do bloco comunista, era usada como

propaganda do partido. No Brasil,

nunca foi feriado e hoje sequer é um

dia especial, apesar de as mulheres

ainda serem consideradas, do ponto

de vista preconceituoso, uma minoria

discriminada, assim como os negros e

os homossexuais.

Certamente pela força de trabalho

que têm representado nas últimas

décadas, as mulheres são vistas

hoje – não só nas estatísticas - como

agentes produtivos. Parece que

perderam a identidade de “gênero

feminino” dentro e até mesmo fora

do mercado de trabalho. Cada vez

são mais raras as menções ao Dia

Internacional da Mulher, celebrado

em 8 de março. A maioria das

mulheres não reclama, aliás, sequer

se lembra da data.

Empenhadas em seus afazeres,

muitas se surpreenderam quando

encontraram em suas mesas uma

rosa - símbolo da data no passado

–, chocolates, um produto de beleza

ou simplesmente um cartão de

“parabéns” em nome da diretoria

das empresas onde trabalham, neste

8 de março passado. O inesperado,

quando é bom, é ótimo; mesmo

quando é frívolo. Já disse o escritor

espanhl Miguel Unamuno: “o belo é o

supérfluo”...

A gentileza em lembrar ou celebrar

o Dia Internacional da Mulher ficou

praticamente restrita às empresas, ao

mundo corporativo, justamente por

estarem as mulheres identificadas

como força econômica. Nem mesmo

os namorados, muito menos os

maridos, se incomodam com a data.

Isso não é ruim, não é uma crítica,

apenas um fato. O comércio anuncia

pouco e não faz praticamente

nenhum esforço de vendas. A

sugestão de ações de marketing para

os comerciantes no mês de março,

segundo o calendário promocional

da Fecomercio – SP, é a de “preparar

as lojas para

estimular a venda de chocolates

na Páscoa”, esta sim, uma data

que vende. “Do ponto de vista

comercial, o Dia Internacional

da Mulher não é relevante”, diz

o economista da Associação

Comercial de São Paulo, Marcelo

Solimeo, que referenda o Natal

como a melhor data para as

vendas varejistas, seguida do

Dia das Mães, - com perdão

do comentário redundante,

também mulheres. “O Dia das

Mães é uma data interessante,

porque as pessoas acabam

comprando também presentes

que todos na família usam ou

desfrutam, como aparelhos de

TV”, destaca, com bom humor,

Solimeo.

o Foco é RelAcionAMento

“O Dia das Mães é sim a

segunda melhor data de venda

para o comércio, o que não

ocorre com o dia 8 de março,

Dia Internacional da Mulher.

No setor de confecção do

Brás, não há um aumento nas

vendas com a comemoração

desse dia. Nesta época, entre a

última semana de fevereiro e

a primeira quinzena de março,

existe um aumento de fluxo

de clientes e vendas devido ao

lançamento da coleção outono/

inverno, quando o bairro recebe

compradores de várias regiões

do Brasil”, confirma Inês Ferreira,

secretária executiva da Alobrás –

Associação de Lojistas do Brás.

O que se vê no comércio no

início do mês de março é uma

alusão ao mês das mulheres,

algo semelhante ao que

acontece nas vitrines da Rua

das Noivas, a tradicional São

Caetano, em São Paulo, no

mês de maio. Alguns enfeites,

algumas ofertas, mas nada

de explosivo, mesmo nos

segmentos de beleza, lingerie e

flores. Ainda assim, as iniciativas

acabam sendo direcionadas

às próprias mulheres e não aos

maridos, namorados, chefes ou filhos.

“Não temos registro de alteração no

movimento, de comportamento do

consumidor ou de vendas na semana

que antecede o dia 8 de março, mas

sim da adoção de algumas ações de

marketing, de relacionamento, pelos

lojistas. São iniciativas individuais,

muito mais voltadas ao atendimento

do que a ações efetivas de venda.

Nós orientamos os comerciantes a

enfeitarem as lojas e a oferecerem

algo aos clientes de modo a marcar a

data. O foco é de relacionamento, de

homenagem e celebração”, referenda

Simone Mariano, relações públicas

do Sindilojas – SP.

o dinheiRo está nAs Mãos

delAs

É curioso constatar que o público

(feminino) que consome a

extraordinária cifra de 20 trilhões de

dólares ao ano não mereça ofertas

“de peso”, como imóveis, ações, carros

de luxo e outros negócios “dignos dos

homens”. Nos dois maiores jornais

de São Paulo, os anúncios alusivos

ao Dia Internacional da Mulher

tinham o fundo rosa com flores e se

limitaram aos de supermercados e

eletrodomésticos, ofertados por duas

grandes empresas varejistas, mesmo

assim, sem grande estardalhaço.

Pela internet, chegaram ao meu

correio pessoal algumas ofertas de

institutos de beleza, apresentando

novos produtos e serviços e uma

semana ou um dia de relax em SPA,

todos, se não caros, bem fora da linha

chamada econômica, evidentemente

dirigidos a mulheres independentes

e bem resolvidas economicamente.

No caixa da jornalista chegaram

mensagens, na maioria de políticos.

De qualquer modo, nada de

inusitado ou realmente de valor me

foi proposto, seja como mulher seja

como profissional. No entanto,

é constantemente divulgado

o potencial da força do

trabalho feminino. Já no

ano que vem, 90 milhões

de mulheres deverão

s h h o w R o o M

25


26

ingressar no mercado de trabalho

no mundo todo. Elas serão não

apenas contribuintes efetivas do

crescimento da economia, mas

ainda maiores consumidoras.

o coMéRcio AindA não

PeRcebeu A FoRÇA delAs

A pergunta que se faz é, por

que o comércio não desenvolve

estratégias de marketing e ações

promocionais diretamente para

elas, fora dos eletrodomésticos

e artigos de beleza? Por que, em

suma, as mulheres ainda não

são tratadas como gente grande,

diante de fatos que comprovam o

seu poder de compra?

Dados do documento oficial do

Movimento Empresarial pelo

Desenvolvimento Econômico

das Mulheres, produzido em

novembro do ano passado com

brilhantismo pela jornalista

Cynthia Rosenburg e editado pela

área de Assuntos Corporativos

do Walmart Brasil, dão conta que

60% das brasileiras com mais

de 16 anos estão no mercado de

trabalho e elas já são a cabeça de

35% das famílias no País.

O mesmo documento destaca

uma pesquisa da revista inglesa

The Economist, segundo a qual

“a ascensão feminina contribuiu

mais para o crescimento da

economia global em anos

recentes do que as novas

tecnologias ou o crescimento da

China.”

Está claro que o fortalecimento do

poder econômico das mulheres

influenciará muito positivamente

os países emergentes, pois serão

estes os que mais incorporarão

mão de obra feminina aos

diferentes mercados de trabalho.

A constatação vem de outra

consultoria, a Mackinsey,

que acredita que “ao reduzir

a distância entre homens e

mulheres no mercado de trabalho,

tais países poderiam aumentar a

renda per capita em 20% até 2030.”

incoeRênciAs

“A mulher hoje tem a decisão de

compra, por isso ela não mais

precisa de um dia que a incentive

a comprar”, concorda Marcel

Solimeo, economista da Associação

Comercial de São Paulo. E essa

tendência se manifesta na medida

em que a mulher é mais preparada

intelectualmente. Quanto melhor é o

nível cultural da mulher, maior é sua

produtividade e de consequência a

sua contribuição nas famílias, que

passam a ser melhor administradas,

especialmente sob o ponto de

vista da educação e saúde dos

filhos. Este “efeito multiplicador”,

que de acordo com o Documento

Oficial do Movimento Empresarial

beneficia não só as famílias, mas

a sociedade como todo, deve por

fim ser reconhecido em algumas

décadas. Não se pode apostar nisso

em curto ou médio prazos, pois

ainda são gritantes as diferenças

sociais e econômicas entre homens

e mulheres. Somente para citar

um número, do 1 bilhão de pessoas

consideradas extremamente pobres

no mundo, 79% são mulheres e dos

800 milhões de analfabetos, dois

terços também o são.

iMPRensA AindA destAcA As

“diFeRentes”

Espera-se ansiosamente pelo dia

em que não seja preciso comemorar

o Dia Internacional da Mulher,

destacando “a proeza” de mulheres

em posições e trabalhos “de

homens”, como ainda hoje, já no

século XXI o fazemos, e realmente

com muita ênfase porque as

homenageadas bem o merecem,

a considerar os obstáculos que

precisaram transpor para alcançar

suas metas. Um exemplo veio da

Azul Linhas Aéreas que para

homenagear as mulheres no dia

8 de março escalou a primeira

comandante do Brasil, Carla

Roemmler, no voo entre Campinas

(SP) e Confins (MG) com tripulação

100% feminina.

O currículo da Comandante

Carla Roemmler é conhecido.

Ela fez provas para entrar na

Varig nos anos 1984, 85 e 87, e

foi sistematicamente excluída

das listas de aprovados porque

a companhia não aceitava

mulheres. Insistindo na carreira,

em 1988 conseguiu ingressar na

VASP, voando Boeing 737/200

como copiloto. Finalmente, em

1966 tornou-se a primeira mulher

comandante em jatos de grande

porte de uma linha área no Brasil.

vítiMAs de violênciA

O jornal O Estado de São Paulo

dedicou um caderno às mulheres

de destaque em uma área,

curiosamente, de homens: a

gastronomia. Em oito páginas

o Caderno Paladar evidenciou a

conquista de mulheres não só no

comando de grandes restaurantes,

mas como experts em vinho, café

e até cachaça. Já o jornal Folha

de São Paulo preferiu recordar

o 8 de março com dois artigos

assinados por mulheres na seção

Tendências e Debates. O primeiro,

de Michele Bachelet, ex-presidente

do Chile e hoje diretora da ONU

Mulheres, intitulado “Empoderar

as mulheres rurais”, evidencia a

violência de toda sorte imposta

às mulheres – inclusive meninas

– nas áreas rurais. “Trabalham

muitas horas e recebem pouca

ou nenhuma remuneração, mas

produzem grande parte dos

alimentos colhidos”, diz Bachelet,

médica de formação, que também

destacou: “Apesar dos enormes

avanços, nenhum país pode se

declarar totalmente livre da

discriminação de gênero. Essa

desigualdade manifesta-se em

persistentes hiatos de gênero

nos salários e oportunidades,

na baixa representação de

mulheres nos postos de liderança,


nos casamentos precoces e na

violência contínua contra as

mulheres, em todas as suas

formas”

elAs tAMbéM são

PReconceituosAs

Na mesma página, o segundo

artigo, assinado pela jovem

filósofa Talyta Carvalho,

especialista em renascença e

mestre em religião pela PUC-SP,

critica o preconceito à mulher

que é só dona de casa e mãe

de família. “Por muito tempo,

as feministas reivindicaram a

posição de luta pelos direitos da

mulher, exceto se esse direito for

o direito de uma mulher não ser

feminista. Assumir uma posição

crítica ao feminismo é hoje o

equivalente a ser uma mulher

que fala contra mulheres. ...A

mulher do século 21 não tem,

graças ao feminismo, o direito de

não trabalhar e escolher ficar em

casa e cuidar dos filhos”, diz.

Como se vê, em qualquer situação,

mesmo quando se pretende

dignificar a mulher, existe um

quê de ironia, de jocosidade,

enfim, de preconceito. Seja na

cor rosa de fundo dos anúncios,

na flor estilizada que compõe

a diagramação dos textos, no

louvar ou criticar as atitudes das

feministas.

seM MAis exceÇões

Neste 8 de março último, exceção

que vi foi a homenagem da

Universidade Mackenzie. Sem

enfeites, o anúncio simples

dizia objetivamente: “O Dia

Internacional da Mulher foi

oficializado em 1975. Mas no

Mackenzie as mulheres têm

direitos iguais desde 1870.

O Marckenzie foi a primeira

escola a ter salas de aula mistas,

desde a sua fundação em

1870, possibilitando o acesso

à educação para todas as

mulheres.”

A segunda década do século

XXI começou anunciando

mais mulheres em postos de

comando, inclusive na política e

em empresas multinacionais de relevância. Mesmo assim,

em termos de igualdade entre os gêneros, a sociedade

caminha a passos lentos. Em 2010 as mulheres ocupavam

somente 13,7% dos quadros executivos das companhias

no Brasil, isto sem considerar que a maioria das empresas

não tem políticas de Recursos Humanos ou estrutura – a

maternidade para as trabalhadoras é um ônus - para dar

condições às mulheres de igualdade na disputa de cargos.

O que dirá dos salários, que, em média, ainda continuam

sensivelmente mais baixos, mesmo, e o que é mais aviltante,

no desempenho das mesmas funções.

A oRigeM dA coMeMoRAÇão

As pessoas costumam confundir a origem da comemoração do dia 8 de

março. Como se deram alguns acontecimentos importantes envolvendo

mulheres entre os anos 1910 e 1920, a maioria das pessoas reteve a ideia de

que foi a morte das mais de 100 trabalhadoras no incêndio da fábrica da

Triangle Shirtwaist em Nova Yorque, em 25 de março de 1911, devido às más

condições de segurança das instalações, o fato que levou a instituir um dia

dedicado às mulheres. Na verdade, em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelo

calendário Juliano ou antigo), a greve das operárias da indústria têxtil, contra

os péssimos salários, condições de trabalho, contra o czar Nicolau II e contra

a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial foi o que precipitou a

Revolução Russa de 1917 e, de consequência, a instituição do dia 8 de março

como o Dia Internacional da Mulher.

A tese ganha respaldo ao rever a citação do pensador russo Leon Trotsky

sobre o estopim da Revolução: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário

Gregoriano ou moderno) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela

manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxtis deixaram o trabalho de

várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve.

Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que

este ´dia das mulheres` viria a inaugurar a revolução.”

No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher também passou a ser

comemorado, mas caiu no esquecimento na década de 1930, sendo

recuperado pelo movimento feminista nos anos 1960. Mais tarde, em 1975, a

ONU celebrou o Ano Internacional da Mulher, o que acarretou, dois anos mais

tarde, a instituição do dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher,

justamente para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das

mulheres.

s h h o w R o o M

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28

oMã

dAs Mil e

uMA belezAs

de FRente PARA o MAR dA ARábiA,

oMã PARece sAído dAs Mil e

uMA noites, PeRFuMAdo PelAs

áRvoRes boswelliA. destA áRvoRe

é extRAídA A ResinA olíbAno, Que é

A bAse PARA incensos e PeRFuMes

oRientAis Muito intensos, de

odoR AMAdeiRAdo. este PeRFuMe

está PoR todA A PARte, Pois dizeM

Que AtRAi A boA soRte.

PoR cARolinA gonÇAlves


Oturista pode fazer a Rota do Incenso, passando por diversos pontos onde se vê o

processo de fabricação e exportação. Lugares como Museu da Terra do Incenso, cidade de

Al Balid, Khawr Al Beleed, KhawrRuri, Shisur e Awbar e WadiDukah, todos tombados

desde 2000.

A costa extensa, as montanhas desérticas, os pequenos oásis com piscinas naturais, as

dunas do deserto e o clima quente fazem o cenário idealizado de qualquer visitante. Um

líder amado pelo povo – o Sultão Qaboos bin Said Al Said – completa o clima de

conto de fadas.

sisteMA de iRRigAÇão de dAR invejA

A história e a tradição cultural são sólidos alicerces para a modernização do País, que foi

erguido numa região já habitada há mais de 10 mil anos.

Em 2006, os cinco falajs de Omã foram considerados Patrimônio Mundial. Falaj é o mais

antigo sistema de irrigação da região, um dos mais antigos do mundo. Representa um

legado cultural criado pelos omanis há mais de 2 mil anos. Ainda hoje é a fonte principal

de irrigação do sultanato. FalajDaris é um dos maiores. Falaj Al Khatmayn mede cerca de

2.450 metros. Falaj Al Malaki é um dos mais antigos. Já o Falaj Al Muyassar, um dos mais

importantes, é notável por sua profundidade e grande número de distribuidores. O quinto

Falaj é o Al Jayalah, na cidade de mesmo nome.

O Forte Bahla e suas muralhas, em WilaytBahla está listado como Patrimônio Mundial

desde 1987. O forte inclui o Oásis Bahla, com seus tradicionais souks (mercados), vielas e

mesquitas antigas. Sua muralha estende-se por 13 km e foi construído na era pré-islâmica.

Sua construção original é do terceiro milênio a.C. com o objetivo de defender Omã.

s h o w R o o M

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30

váRios estilos

Considerado um dos sítios arqueológicos e

históricos mais importantes, os túmulos de Bat, Al

Khutum e Al Ayn em WilaytIbridatam do século III

a.C. e foram tombados em 1988.

Os estilos arquitetônicos variam no país conforme

o cenário, tendo o cuidado de preservar os edifícios

mais antigos, de linhas mais simples e elegantes. As

casas construídas no Governorate de Musandam

são um bom exemplo dessa diversidade. Casas

de montanha, casas como BayatAlQefel e Al

Bayat Al AreeshMua’laq, construídas para usar as

correntes de ar naturais, que criam um sistema de

refrigeração capaz de amenizar o calor escaldante

do verão.

Al Midhmar foi a primeira mesquita construída

em Omã e ainda está em pé em WilaytSamail.

Seu construtor foi o venerável SahabiMazin Bin Al

GadhubahSa’di, o primeiro homem a abraçar o Islã

no país. É um monumento vivo que guarda em seus

corredores uma enorme coleção de arte islâmica.

Suas características arquitetônicas são diferentes e

a própria forma como foi construída é inovadora.

Omã reservou para suas mesquitas uma

simplicidade de acordo com as leis do Islã, para

que elas possam atingir suas funções espirituais.

É possível identificar as épocas e estilos em que

foram construídas.

As MesQuitAs

Em Al Khuwayr, a Mesquita Sultão Saeed Bin

Taymoor é um belo exemplo de arquitetura otomana.

Já a Mesquita Al SayeedaMaizon, em Al Khawd, segue

as linhas marroquinas. A MesquitaSukeinaBintAlawi,

em Al Qurm, é um verdadeiro exemplo de

arquitetura fatímida.

A Grande Mesquita do Sultão Qaboos vale a visita,

que pode ser feita todos os dias, menos sexta-feira,

das 8h30 às 11h. As roupas devem ser modestas e

as mulheres devem cobrir a cabeça em respeito. A

mesquita fica em WilayatBawshar, perto de Mascate.

Seu projeto foi selecionado durante um concurso e

a construção durou seis anos. A capacidade é para

20mil pessoas, numa área de mais de 410 metros

quadrados. A sala principal de oração, em formato

quadrado, acomoda 6.500 fiéis. Sua cúpula central

eleva-se a 50 metros do chão. O minarete tem um

estilo próprio, muito interessante. No topo das

paredes pode-se ver os versículos do Corão, assim

como os nomes de Alá estão escritos nos corredores

da frente.

Os omanis resistiram e lutaram bravamente contra

invasores ao longo do tempo, o que torna sua

história ainda mais interessante. Os portugueses

– sempre eles – também estiveram em Omã até o

século XVII, depois de conquistarem portos e cidades

costeiras a caminho do Oriente. Há muitos fortes


construídos no período. Mas foram

expulsos pelas tropas em batalhas

muito acirradas.

hosPitAleiRos

O povo recebe bem o turista. É

hospitaleiro, discreto e sorridente.

Omã vem se empenhando muito

em tornar-se um destino turístico

atraente. Este esforço aparece

claramente na disposição em resolver

qualquer problema comum de

um visitante. É fácil alugar carros,

encontrar bagagens extraviadas

e trocar reservas em cima da

hora. Muitos investimentos em

infraestrutura foram feitos nos

últimos anos para incrementar a

indústria do turismo. Construíram-se

hotéis de luxo e resorts, mas o turismo

de massa ainda não começou, o que

confere ao país uma certa aura de

exclusividade.

As características físicas dos omanis

variam como as paisagens. Diferentes

rostos no deserto, nas montanhas,

na cidade e nos vilarejos. Mas o

maravilhoso café aromático e as

frutas deliciosas oferecidos aos

visitantes são os mesmos.

Vestem-se dentro da tradição

muçulmana, mulheres cobertas de

negro e homens cobertos de branco.

A roupa masculina cobre braços e

pernas e é chamada de Dishdash.

As mulheres vestem a Abayah e

cobrem a cabeça com um lenço.

Mas as vestes negras ostentam

bordados e os véus escondem belos

penteados, demonstrando que há

muita preocupação com a moda.

As tatuagens de hena, tão populares

na Índia, também colorem as mãos

e pés femininos, principalmente

nas festas de casamento. As joias,

presentes em vitrines de todo o país,

são exuberantes e pesadas.

As ocidentais circulam de cabeça

descoberta sem causar muito

espanto. E as ruas são seguras. As

placas de sinalização são em inglês

e árabe, havendo até muitas em

hindi, já que há muitos indianos no

país.

A moeda local, o Omani Rial vale

mais de 4 reais.

MAscAte

Conhecida como joia Saudita, a capital

é pitoresca e exuberantemente verde

para um país no deserto. Sua atmosfera

antiga faz dela um destino turístico muito

interessante e excelente ponto de partida

numa visita ao país.

Localizada ao longo do penhasco Muttrah,

a linda cidade, entre montanhas e mar,

conta uma linda história de amor entre o

homem e o mar, segundo seus moradores. A

cidade tem mercados tradicionais, passeios

e esplanadas cheias de gente. Ao fim do dia,

todos passeiam por ali em busca do frescor.

Pode-se ouvir as orações nos alto-falantes, o

que acrescenta um certo encanto.

A cidade é ótima pra andar a pé ou de

bicicleta. Muitas trilhas pelas montanhas

partem da cidade. O horário ideal é bem

cedo, para escapar do intenso calor.

Os velhos fortes portugueses Jelali e Mirani,

ao lado do Palácio Al Alam destacam-se,

assim como a orla com ossouks.

costA

São muitas praias, mas o ideal é

frequentar as praias dos hotéis, que

têm melhor infraestrutura. Em

virtude da religião, o uso das

praias é muito diferente do

nosso. Nas praias de hotéis é

mais fácil encontrar pessoas em

roupas de banho.

s h o w R o o M

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32

sAwAdi

O resort Al-Sawadi Beach é um dos locais mais

luxuosos a uma hora de Mascate. Completamente

integrado à arquitetura, fica numa praia

paradisíaca, de onde se pode sair de barco para ver

tartarugas. Também é uma excelente opção para

mergulhadores de todo tipo.

nizwA

A 160 km de Mascate está Nizwa, a maior cidade

da região de Ad Dakhiliyan, ponto de partida ideal

para explorar o país. A cidade tem um grande

souk, mercado com vendedores que vendem de

tudo, desde carne, peixe, frutas e legumes até

temperos, tâmaras, ouro e prata. As joias de prata

de Nizwa são as melhores de Omã. É o lugar ideal

para comprar um Khanjar, uma adaga curva.

O souk inteiro cheira a incenso, queimado em

peças de porcelana, argila ou prata. O incenso – ou

bokhuré feito a partir de olíbano, mas preparado

de maneiras diferentes em cada região, com

receitas que adicionam água de rosas, açúcar,

âmbar e sândalo entre outros ingredientes.

A cidade tem rios, pomares e palmeiras muito

altas. A atmosfera é agradável e o clima ameno

deram-lhe o nome de “pátio do Islã”.

belezAs nAtuRAis

Nizwa fica no sopé de Al Jabalal Akhdar,um dos

lugares mais espetaculares de Omã. Chega a

2.980 m e é famosa por seu platô próximo do

cume. Ë preciso um carro 4x4 para explorar a

região. O clima é mediterrâneo. No inverno, as

temperaturas caem abaixo de zero e neva. No

verão, chega a 22º C. Dada a sua localização e

clima úmido, produz grande variedade de

frutas como damascos, ameixas, figos, uvas,

maçãs e peras, assim como amêndoas, nozes

e açafrão. Mas fica para a romã da região a

posição entre as melhores do mundo. Pela

montanha há muitos vilarejos, onde os moradores

cavaram terraços para seus cultivos.

O Parque Natural As Saleel fica em Wilayat Al

LamilWálWafi, a 57 km de Sur. São 220 quilômetros

quadrados quase totalmente cobertos por

florestas de acácias. Abriga espécies raras como

a gazela árabe, o Al Senmar – o gato selvagem de

Omã dentre outros, incluindo a raposa vermelha e

a águia egípcia.

A Reserva Natural das Ilhas de Al-Dimaniyat fica

a cerca de 18 km da costa de Barka. São nove

ilhas que somam 247 acres. Praias de areias

brancas, águas azuis cristalinas, formam um rico

patrimônio natural e com vários tipos de raros

recifes de coral. Tartarugas marinhas desovam ali

e fazem seus ninhos, à vista das aves migratórias.

A reserva faz parte do projeto da Grande barreira

de Corais, um dos mais belos locais de mergulho

no mar de Omã. É possível acampar nas ilhas entre

outubro e fevereiro.

lAgoAs

São muitas lagoas em DhofarGovernorate.

De tamanhos diferentes, algumas foram

estabelecidas como reservas. KhawarRuri, Al

Baleed, Sawli, Al Maghsayl, Al QumAlSagheerand,

Al Qurm Al Kabber, Awqad, Ad Dahareez e Taqah.

Mas também tem a beleza da serra…Uma das

mais importantes, Samhan, tem altura máxima de

2.100m, incluindo planaltos e gargantas estreitas

e profundas. Na Planície de JabalSamhan vicejam

acácias e eucaliptos. Muitos fluxos de água

abastecem animais da região como o leopardo

árabe, que se adaptam melhor ao ambiente, sendo

mais leves e menores.

dunAs e deseRto

Wahiba é um campo de dunas que sintetiza a

Arábia. O deserto vibra com variada vida selvagem

e a hospitalidade tradicional dos beduínos, cuja


tribo leva o mesmo nome. Algumas dunas chegam

a 100 metros de altura. O ideal é cruzar a área

com seu veículo 4x4, no sentido norte/sul. São

muitos campos nômades onde os turistas podem

desfrutar de passeios de camelo ou sandboard.

tARtARugAs gigAntes

Ras al Jinz, ao leste, à beira do Mar da Arábia

é o lugar mais importante do mundo para a

nidificação de tartarugas verdes gigantes, que

chegam às dezenas de milhares a cada ano para

colocar seus ovos. O local é protegido pelo sultão

de Omã, que evita o turismo de massa para

proteger a fauna original.

suR

Sur é uma das cidades mais antigas de Omã.

Tem papel importante no comércio marítimo no

Oceano Índico, o Mar da Arábia e o ar de Omã,

sendo uma ponte de negócios e cultura entre

a Península Arábica, a Índia, o Sudeste da Ásia

e a África. O porto é um dos mais antigos, onde

mais de cem veleiros aportavam todos os dias

nos séculos 18 e 19. É a cidade que está mais ao

leste na Arábia e o primeiro lugar da região a

ver o sol nascente. Sur foi um importante centro

de construção naval, São muitos monumentos

antigos, como os castelos BiladSur, As Sinaysilah, Al

Ayah, Fanar Ras Al meel e Ras Al Hadd.

sAlAlAh

A cidade tem lindos gramados e a sombra de

palmeiras, que recebem o visitante de braços

abertos. O cheiro de incenso suspenso no ar combina

perfeitamente com as luzes brilhantes da noite e o

brilho do sol em suas ondas.

História e cultura são características fortes da

cidade, que viu sucessivas civilizações que nascerem

e acabarem ali. Ainda hoje são feitas escavações

para determinar claramente estes períodos, mas

os impactos culturais estão em toda parte. O clima

único, de monções, a vista das montanhas íngremes

coloridas pelo sol e muitas aves raras completam o

encanto da cidade.

sAboR

A culinária simples usa muitas especiarias e

marinadas em pratos de frango, peixe e carneiro.

Ingredientes como arroz, sopas, saladas, curry

e verduras e legumes frescos compõem pratos

saborosos, mas não picantes. A sobremesa de halwa

é servida antes do kahwa, o café muito popular e

símbolo da hospitalidade omani. Toma-se muito leite

e seus derivados. Como toda cozinha árabe,

a mesa é farta.

Brasileiros precisam de visto para visitar Omã. Como não há

representação diplomática no Brasil, pode-se obter o visto na

chegada, para 30 dias, que podem ser prorrogados por mais 30.

s h o w R o o M

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36

AMo o Meu

óvulo

todo Mundo dA tuRMA tinhA dó do

FlAvinho. o PAi AbAndonou A Mãe, Que

sozinhA deu duRo PRA cRiAR o coitAdo.

o ex-MARido QuAse não MAndAvA

dinheiRo e neM APAReciA PRA veR o

Menino. A Mãe teve Que tRAbAlhAR

FoRA PRA sustentAR A cAsA e eRA MAl

vistA no bAiRRo. .

PoR joel leite

Pudera!

Mãe de um filho,

abandonada pelo marido, trabalhando

fora, andando o dia todo pra lá e pra

cá... Quem é que se arriscaria a ter

amizade com gente desse tipo?

Não, isso não é enredo de novela

mexicana. É uma história real. E muito

comum há poucas décadas, quando o

Flavinho, hoje com 50 anos, era só um

menino de calças curtas. Sim, calças

curtas, suspensórios, camisa branca de

colarinho, gravatinha preta, sapato de

couro bem engraxado. Assim andavam

na rua os meninos da minha infância.

Hoje, a molecada que frequenta a

minha casa por conta da segunda

geração de filhos (duas de quinze

anos), tem uma relação com a

sociedade bem diferente dos meninos

daquela época. Pra começar, eles me

chamam de “cara” e não de “senhor”,

como era o tratamento com os mais

velhos. Dá pra entender: adultos e

crianças hoje são muito parecidos.

Quando menino, seria improvável

ver um pai usando camiseta colorida,

tênis de marca, tomando coca cola,

comendo hambúrguer, ouvindo

Beatles, e impossível vê-lo fumando

maconha, camiseta regata, sovaco de

fora mostrando tatuagem de dragão

no braço.

Bença mãe? Nem pensar

Hoje pais e filhos consagram as

mesmas coisas, têm o mesmo

comportamento, curtem a mesma

mídia social, se divertem com

os mesmos brinquedinhos

eletrônicos. Grandes preconceitos

foram pro espaço. Em alguns

casos mudaram de lado.

Perguntei para a pequena

Laurinha, de doze anos: “O

que você acha dos padres se

casarem? No que ela respondeu

prontamente:“Bem.... se eles se

gostam...”

É muito avanço para quem

viveu do século passado. Às

vezes, chocante. Tudo bem

que a nossa geração, pelo

papel revolucionário que teve

na juventude, contribuindo

para as grandes mudanças

sociais do século, acompanhou

– digamos – sem muitos

traumas, as mudanças que hoje

se cristalizam na sociedade.

Mas imagino que certos

comportamentos ainda deixam

coradas as velhinhas de Taubaté

e histéricas as militantes do Tea

Party estadunidense.

Já não assusta ninguém a pessoa

ter dois pais (o ex e o atual da

mãe, ou ser filho de um casal

gay); duas mães, duas famílias

(pais separados e toda a sorte

de possibilidades de união

familiar). Um amigo escreveu

uma série de historinhas infantis

“alternativas”, que representam

as novas composições dos

núcleos familiares, com

pais separados, casais de

homossexuais e outras situações

decorrentes da evolução da

família tradicional:

“O menino que morava em duas

casas”

“Papai sumiu!”

“A mamãe que também é papai”.

“A menina que tinha dois papais”

“O patinho é o filho da galinha”

Essa nova realidade provoca

reações e preconceitos e temos

que aprender a conviver com eles.

Confesso que, a despeito do meu

esforço em aceitar as novidades,

está difícil engolir a paixão que

Bia (Monique Alfradique), da

novela Fina Estampa, tem por seu

óvulo. Doadora numa clínica de

reprodução, ela requer da Justiça

a menina gerada na barriga de

Esther (Júlia Lemmertz).

Homem com homem, mulher

com mulher, mãe solteira,

casais trocados, vários pais

ou pai nenhum, tudo isso

é compreensivo por quem

vive no século 21. Mas o amor

incontrolável de Bia pelo seu

óvulo é uma peça de ficção só

imaginável na cabeça de um

diretor de novelas da Globo, que

troca o bom sendo pela busca de

audiência a qualquer custo.

Joel Leite é jornalista, formado pela

Fundação Cásper Líbero, com pósgraduação

em Semiótica, Comunicação

Visual e Meio Ambiente. Diretor da

Agência AutoInforme, assina colunas

em jornais, revistas, rádio, TV e internet.

Não tem nenhum livro editado e

nunca ganhou nenhum prêmio de

jornalismo. Nem se inscreveu.


38

MelhoR viveR

diAs de PollyAnnA

todo Mundo diz Que o Ano coMeÇA

eM MARÇo, dePois do cARnAvAl.

conFesso Que nuncA entendi isso.

PARA MiM, A vidA coMeÇou no diA

eM Que eu nAsci. não teve Recesso,

PAusA, FéRiAs, bReAk, ou sejA lá o

noMe Que se dê PARA uMA FolgA.

M

PoR MARiA ReginA

cyRino coRRêA

inha vida foi sempre

a mil por hora! No dia em que eu

nasci rolei montanha abaixo e fui

me lapidando como deu. Verdadeiro

rolling stone!

As pessoas diriam que eu sou

“intensa”, assim, entre aspas.

Intenso é um ótimo eufemismo

para ansioso. Antigamente se dizia:

“ela sofre do mal de São Guido”. Eu

achava esta expressão hilária! Ainda

que a doença, também conhecida

como Mal de Huntington, seja

horrível!

Mas esta página é pra falar de

como a gente não pode parar,

ficar esperando alguma coisa

acontecer.

Quantas vezes sua vida virou do

avesso? Tudo lindamente planejado

e ... falhou!

A minha, milhares! Até perdi a

conta. Mas eu prendi a fazer uma

limonada com os meus limões.

Lógico que tem gente que parece

que saiu de um comercial de

margarina. Nasce lindo, cresce

sem traumas, encontra um grande

amor, o melhor emprego. Aí, casa!

Os filhos são anjinhos, que se

formam em medicina e engenharia

e casam também. E ainda têm

lindos netinhos que vêm passar os

finais de semana na sua linda casa

de praia com piscina e pé na areia...

Meu conto de fadas sempre esteve

mais para um conto de ... realismo

fantástico!

Mas eu não me queixo. Fugindo do

script básico eu me dei a chance

de rolar por aí e viver coisas muito

legais. Intensas como eu.

Já fui pro Japão pra ficar só 3 dias!

Já comi coisas muito feias, mas que

eram deliciosas! Já tive namorados

improváveis que me fizeram muito

feliz! Já ri e chorei em Paris...

Acho que o segredo é saber que

felicidade perene não existe.

Mesmo os meus amigos do comercial

de margarina devem ter dias de chuva

e trovoadas.

A vida é pra ser agarrada e vivida

cada dia de uma vez. Temos que estar

atentos para não deixar escapar

nenhuma oportunidade de ser feliz, de

aprender uma coisa nova, de dar uma

chance pra alguém, pra uma ideia.

Nosso “gostômetro” não fica nunca no

limite. Temos espaço no cérebro e no

coração para gostar de novas coisas,

sons, sabores, odores... Acho engraçado

gente que diz: não gosto de pagode,

porque eu gosto de rock. Como assim?

Seu cérebro tem carga máxima? O

meu não. Não gosto de pagode no dia

a dia. Mas se pintar uma festa legal,

com gente bacana e o som for pagode,

vou curtir. Como dizia meu saudoso

amigo Hélio Beltrame, um filósofo, “é o

que temos para o momento”. Uso esta

máxima pra ser feliz a maior parte

do tempo. Aprendi a achar trovoada

bonita!

Mas também não me furto de chorar

até secar... Ou ficar muito brava!

Para mim, o que vale, é não aceitar

a mesmice, a rotina. Não aceito ter

dias iguais, viver uma semana chata,

porque o fim de semana vai ser legal.

Eu olho cada dia como uma página

em branco. Vou desenhando um dia

legal aos poucos. Saboreio meu café

da manhã, escolho uma roupa legal,

de acordo com o meu humor. Trabalho

com gosto! Como bem! Falo com as

pessoas. Tiro de cada coisa boba um

significado. Lógico que tem dias em

que eu estou um dragão. Melhor nem

olhar pra mim... Ou os dias em que

tudo dá errado, quando parece que

você acordou com os Três Patetas e sai

se batendo e quebrando coisas. Mas, no

frigir dos ovos (adoro esta expressão),

acho que eu sempre acabo acordando

o meu lado Pollyanna (alguém ainda lê

este livro na escola?).

Nada como jogar o jogo do contente

pra ficar feliz!

Maria Regina Cyrino Corrêa, jornalista,

publicitária. Uma verdadeira rolling

stone... Mas que aproveita tudo até

não mais poder! Leu Pollyana, A

Pequena Órfã, de Eleanor H Porter na

escola e nunca mais esqueceu.

regina.cyrino@uol.com.br

http://felllikeaqueen.blogspot.com/


oM de bolA

QuAndo se é gARoto, todA A

ReAlidAde é diFeRente. o boM

é Que PodeMos seR QuAlQueR

coisA. bAstA sonhAR.

N

ão lembro quando tive o primeiro

contato com uma bola. Minha mãe conta

uma passagem da minha infância assim:

com dois ou três anos de idade, desapareci

do quintal da nossa casa, no subúrbio de

Buenos Aires. Desesperada, percorreu todo

o bairro a minha procura. Foi me encontrar

num campo de terra batido. Eu estava

sentado em cima de um tronco caído,

olhando calmamente um jogo de futebol.

Sete anos após aquele episódio já

morávamos na periferia da Grande

São Paulo. Meus pais alugavam um

apartamento pequeno, compensado pelo

grande espaço de área comum, projetada

para estacionamento. Mas naquele início

de anos 80, classe C andava exclusivamente

de transporte público. Por isso, sobrava

terreno para brincadeiras infantis e para

um campinho com duas traves de madeiras

improvisadas.

Foi lá que marquei meu primeiro gol. E foi

naquele ambiente que tomei gosto pelos

contras na vizinhança, desafiando times de

outras ruas e de outras vilas.

PoR MARcelo Allendes

Se tivesse contabilizado as vitórias, com

certeza teria superado facilmente as

derrotas. E se tivesse que me definir

como jogador, diria que fui um belo

armador que também sabia marcar gols.

Com esse currículo, tentei peneiras

em alguns clubes paulistas, disputei

alguns campeonatos infantis e achava

mesmo que tinha jeito para a coisa.

Em casa, tenho até hoje três medalhas

guardadas. Campeão da quarta série,

terceiro colocado nos jogos escolares de

1988 e vice-campeão do terceiro colegial.

Não é muito, sei. Mas para uma criança

é como ser coroado campeão do mundo.

Certo dia cresci. E muita coisa ficou

para trás. Inclusive meu futebol.

Compromissos escolares ocupavam boa

parte do meu tempo e deixei um pouco

a bola de lado. Quando quis retomar

minha era de glórias, percebi que havia

virado um grande caneleiro. Tinha

perdido a classe, a ginga, a categoria.

Se é que algum dia fui craque mesmo.

Provavelmente não.

Marcelo Allendes é jornalista e

colaborador do Banco Volkswagen. Não

há provas, mas quando o Messi nem

pensava em nascer, ele já fazia fila e

marcava gols de todos os jeitos. Vai

saber...

allendes@yahoo.com

s h o w R o o M

39


os tAblets dA sony

Faltava a Sony entrar na guerra dos tablets,

o gadget queridinho de 2011. Apresentados

em setembro último na IFA, a maior feira de

tecnologia do mundo, realizada na Alemanha,

onde as maiores empresas do segmento

anunciam suas novidades, a aposta da Sony

foi premiada na CES 2012, outra grande feira

de eletrônicos mundial. O prêmio de Melhor

Inovação (Best Innovations 2012) foi concedido

pelo design ergonômico, que se assemelha

a uma revista dobrada; a ideia era criar uma

experiência agradável e confortável. O Sony

Tablet S e o Sony Tablet P têm novidades que

vão além do design. Ambos têm sistema

operacional Android 3.0 Honeycomb e

processador NVIDIA Tegra 2. O Tablet S possui

tela de 9,4 polegadas, câmeras frontal e

traseira. O formato lembra uma revista

dobrada na horizontal, com a parte superior

mais saliente e arredondada, interface

personalizada “Quick and Smooth” que inclui

o navegador “Swift” e ainda pode servir de

controle remoto para outros aparelhos Sony.

Já o Tablet P tem duas telas de 5,5 polegadas

e resolução de 1024×480 cada, que podem

ser dobradas para facilitar o transporte ou

evitar danos ao aparelho em momentos de

inatividade. Leve, pesa apenas 370 gramas,

e conta com 512 MB de memória RAM e 4

GB de armazenamento. Ambos são

PlayStation Certified; contam com

suporte a DLNA, WiFi e 3G/4G.

O produto chega ao mercado brasileiro

no primeiro semestre e os preços não

foram divulgados.

40

gAlAxy tAb

MelhoRAdo

Chegou ao mercado a versão

melhorada do Samsung Galaxy Tab

7, o Galaxy Tab 7.7 Plus. O melhor

desempenho é garantido por um

processador dual core de 1.4 GHz e

1 GB de memória RAM, gerenciados

pelo sistema operacional Android 3.2

(Honeycomb). Conjunto que promete

ótimo desempenho multimídia,

principalmente na reprodução de

vídeos em Full HD e jogos. Segundo

o fabricante, é o primeiro tablet com

tela Super Amoled (sem reflexo e

com imagens brilhantes). O design é

compacto, com peso de apenas 340

gramas, é fininho - 7.89 milímetros

de espessura - e elegante com

acabamento metálico que além de

ser resistente deixa o aparelho com

um visual moderno. Outros recursos

incluem a função de telefone,

permitindo que o usuário realize e

receba chamadas através da rede

de dados de telefonia móvel. A

conectividade é múltipla: 3G, Wi-Fi

a/b/g/n, Bluetooth 3.0, GPS e A-GPS.

Conta ainda com câmera traseira

de 3 megapixels, câmera frontal de

2 megapixels para vídeo chamadas,

autonomia de bateria de até 9

horas de conversação - ou 20 horas

em stand by e loja com milhares de

aplicativos para baixar.

Preço sugerido: R$ 1.700,00.

Onde encontrar: na Fast Shop e outras redes

de varejo.

nokiA coM windows

Phone

Prometido e cumprido: os primeiros

smartphones Nokia com o sistema

operacional Windows Phone

chegarão ao mercado até o final

do primeiro trimestre de 2012.

Trata-se do Lumia 800 (fotos) e do

Lumia 710. Por enquanto, só quem

esteve na Campus Party os teve na

mão. O Lumia 800 é o N9 com tela

menor: 3,7 polegadas contra 3,9

polegadas do N9. A tela é Amoled

ClearBlack e o processador singlecore

de 1.4 GHz com aceleração de

hardware. Na tela inicial, os famosos

“tiles”, característica do Windows

Phone, que mostram contatos

e atividades de modo prático. A

câmera de 8 megapixels possui

lente Carl Zeiss e a reprodução de

vídeo é feita em alta resolução.

Além disso, o aparelho tem 16 GB de

memória interna e 25 GB gratuitos

de armazenamento no SkyDrive

para guardar imagens e músicas.

Estará disponível nas cores azul,

rosa e preto. O Lumia 710 é menor e

mais leve que o 800. Projetado para

compartilhar mensagens e imagens

instantaneamente, oferece a melhor

experiência de navegação web com

o IE9. Possui o mesmo processador

de 1,4 GHz, a aceleração de hardware

e processador gráfico do Lumia

800, com a proposta de oferecer

alto desempenho a um preço mais

acessível.

O Nokia Lumia 710 possui uma

câmera de 5 megapixels, 8 GB de

memória interna e 25 GB gratuitos

no SkyDrive. Ele ainda estará

disponível em diversas cores com

capas de bateria coloridas: preta,

branca, azul, rosa e amarela.

Outro destaque do 710 é o corpo

do aparelho mais arredondado. A

conectividade é Wi-Fi, Bluetooth e

HSDPA 3G.

Os preços não foram divulgados.


A cuRA Pelos AniMAis

Na temporada pré Oscar, livros impulsionados

pelo sucesso (ou nem tanto) de filmes

adaptados ou inspirados neles chegam às

livrarias. É um fenômeno comum. Cada vez

mais comum também é aproveitar ao máximo

a sinergia e transformar o cartaz do filme

na capa do livro. Este é mais um exemplo:

“Compramos um zoológico”, do jornalista inglês

Benjamin Mee chegou às telonas em dezembro,

dirigido por Cameron Crowe, com Matt Damon

e Scarlett Johanson no elenco. O livro é a

biografia de Mee, que resolveu recomeçar do

zero. Demitiu-se, mudou-se de Londres para

a França e comprou um zoológico falido com

200 animais, muitos deles selvagens, doentes e

maltratados.

As memórias narram os percalços, como a fuga

de felinos selvagens, a astronômica conta do

veterinário, a falta de dinheiro, os empréstimos, os

conflitos entre funcionários e a nova administração

e dentro da família. Como tudo que está ruim pode

piorar, a esposa de Benjamin Mee, Katherine, em

remissão de um tumor cerebral, adoece novamente e

morre.

As memórias falam da convivência com os animais como

forma de terapia que ajuda Katherine em seus delicados

passos finais, e do poder de cura da família pelos animais

que eles aprenderam a amar. É uma história tocante, claro, mas

apesar de bem escrita, a narrativa é “jornalística”, informativa,

distante e pouco emocional, por vezes cansativa, sem muitos diálogos

que dariam agilidade ao texto. Não chega a tirar o envolvimento do leitor

pela história que fala de sonhos, família e inspira a repensar os objetivos de

vida.

“Compramos um zoológico”, de Benjamin Mee, com tradução de Ângela Pessoa (Editora Objetiva, 232

páginas).

Preço sugerido: R$ 29,90

RoMAnce PlAtônico coM MARilyn MonRoe

“Sete dias com Marilyn” (My Week With Marilyn) rendeu a Michelle Williams o Globo de

Ouro na categoria Melhor Atriz de Comédia/Musical pela interpretação da exuberante

Marilyn Monroe. O filme narra uma semana na vida da musa, no início do verão de

1956, quando Marilyn foi à Inglaterra em lua de mel com o célebre dramaturgo Arthur

Miller. A estrela, símbolo sexual do século XX, rodaria “O príncipe encantado” (The Prince

And The Showgirl) com Sir Laurence Olivier, a lenda do teatro e cinema britânicos,

que dirigiu e coestrelou o filme. Neste mesmo set de cinema, Colin Clark, de 23 anos,

aspirante a cineasta, trabalhou como auxiliar de produção. Quarenta anos mais tarde,

as experiências vividas por Clark durante os seis meses de filmagem foram narradas

num livro de memórias em estilo diário intitulado “The Prince, the Showgirl and Me”.

Uma semana ficou faltando. Anos depois, Clark preencheu a lacuna de seu relato em

um livro de memórias intitulado “My Week with Marilyn”, contando a verdadeira

história de uma semana mágica que ele passou sozinho com a maior estrela do

mundo.

“Sete dias com Marilyn” inspira-se nesses dois relatos e mostra uma incomum

Marilyn Monroe, os conflitos com Laurence Olivier, a ansiedade com o

casamento com Arthur Miller, as inseguranças sobre o próprio talento, o

desejo de ser respeitada como atriz e, claro, a vulnerabilidade da diva. Sete

dias que causaram um profundo impacto na vida de Colin Clark, que viveu

um romance platônico (ela o via ora como amigo, ora como pai ou filho),

mas muito íntimo. Não à toa Michelle Williams ganhou o Globo de

Ouro. Ela não tem a exuberância, nem a sensualidade de Marilyn,

mas capturou as três “personagens” de Marilyn à época: a estrela

de cinema internacional; a mulher vulnerável e insegura Norma

Jeane; e Elsie, a ingênua showgirl, titular no filme de Olivier.

“Sete dias com Marilyn”, dirigido por Simon Curtis com Michelle

Williams, Kenneth Branagh, Eddie Redwayne, Judi Dench e

Emma Watson no elenco principal.

Estreia prometida 23/03/2012

s h o w R o o M

41


N

42

As suRPResAs

dA ARgentinA

PARA A MAioRiA dos consuMidoRes de vinho

no bRAsil, vinho ARgentino é PRAticAMente

sinôniMo de MAlbec, uvA coM A QuAl estão

FAMiliARizAdos e oRigeM de vinhos Que se

enQuAdRAM PeRFeitAMente no PAdRão Que

o bRAsileiRo gostA: MuitA FRutA, textuRA

MAciA e seM ARestAs, Fácil de bebeR.

PoR ARthuR Azevedo

o entanto, a produção de vinhos na

Argentina vai muito além da Malbec e,

especialmente nos últimos anos, outras

uvas estão sendo utilizadas naquele país

para a elaboração de vinhos de altíssima

qualidade, elegantes, complexos e muito

sofisticados. Se ficarem focados na

Malbec, os consumidores vão perder a

oportunidade de conhecer alguns dos mais

interessantes vinhos do Cone Sul.

Uma uva que merece ser destacada é a

Bonarda, até há bem pouco tempo a mais

plantada na Argentina, e fonte, no passado,

de vinhos simples e pouco atraentes.

Mudanças radicais na viticultura e na

vinificação propiciaram o aparecimento

de um “novo” vinho de Bonarda, muito

diferente do que era anteriormente

produzido. Essas mudanças incluem a

pesquisa de novos clones, redução drástica

do rendimento e uso de barricas de

carvalho francês novo no amadurecimento

dos vinhos. O resultado foi espetacular:

vinhos delicados e elegantes, com textura

macia, muita fruta e extraordinária

expressão, que rapidamente conquistaram

uma legião de apaixonados fãs. O

decano dessa geração de vinhos é o Nieto

Senetiner Partida Limitada Bonarda,

que costuma ser lembrado por sua

personalíssima etiqueta metálica. Outro

ícone desta uva é o Durigutti Las Vertientes

Bonarda Gran Reserva, um produto quase

artesanal, que impressiona pela pureza

de fruta e expressão varietal, num

vinho potente e muito agradável.

Dentre as novidades, talvez a que

mais mereça atenção é a Syrah,

uva que vem aos poucos conquistando seu

merecido lugar na América do Sul, estrela

de primeira grandeza que é na Austrália e

na França, em especial no Vale do Rhône.

Plantada inicialmente com sucesso em

San Juan, a Syrah rapidamente se difundiu

para Mendoza, a principal região da

Argentina, onde vem sendo utilizada em

vinhos com as características clássicas que a

tornaram famosa, especialmente as frutas

escuras maduras, as notas marcantes de

especiarias, a textura macia e a elegância

suprema. Um bom exemplo é o Norton

Perdriel Syrah, um tinto de elite produzido

por esta tradicional vinícola, fundada

em 1895 e que, na última década vem se

dedicando de forma exemplar ao trabalho

de encontrar o melhor terroir, ou seja, o

local mais adequado, para o cultivo de cada

uma das varietais.

Por fim, vale a pena lembrar do

extraordinário trabalho que os argentinos

vêm fazendo com a Cabernet Sauvignon,

revelando a aptidão que esta uva

demonstra por áreas de solo pobre e de

grande amplitude térmica, termo que

designa a diferença de temperatura

entre o dia e a noite. Quanto maior a

amplitude térmica, maior o período de

amadurecimento das uvas, o que permite

colher uvas plenamente maduras do

ponto de vista enológico, com deliciosos

aromas e sabores, além de taninos de

excelente textura. Para comprovar essa tese,

experimente o Decero Remolinos Cabernet

Sauvignon e surpreenda-se com o nível

de qualidade alcançado pelos criativos

enólogos argentinos.

Os vinhos aqui citados são importados por

Casa Flora (Nieto Senetiner), Vinisssimo

(Durigutti), Winebrands (Norton) e Ana

Import (Decero).

Arthur Azevedo é diretor-executivo da Associação Brasileira de Sommeliers-São Paulo (www.abs-sp.

com.br) e editor do website Artwine - Consultoria de Vinhos (www.artwine.com.br)

AlteRnAtivA:

sAlAdA de

MAcARRão

E o calor continua! Para

estes dias, tente esta

deliciosa receita de salada

de macarrão. Além de

muito saborosa, é muito

fácil.

O ideal é preparar um

picadinho bem sequinho,

sem molho e guardar na

geladeira. Na hora de fazer

a salada, basta cozinhar a

massa e misturar.

Para o picadinho, use carne

moída de boa qualidade.

Tempere com sal e um

pouquinho de pimenta

do reino. Pique uma

cebola, um dente de alho,

salsinha e cebolinha bem

miudinho. Pique também

uma cenoura em pequenos

quadradinhos.

Refogue os temperos em

azeite até a cebola ficar

transparente. Acrescente

a carne e a cenoura e vá

mexendo até a cenoura

ficar macia e a carne bem

frita.

Guarde na geladeira.

A massa ideal é o fusilli.

Cozinhe em água salgada

– uma colher de sopa para

um pacote de 500g. Tente

usar sal grosso. Fica uma

delícia.

Siga as instruções do

fabricante para cozinhar

“al dente”.

Escorra a massa cozida e

misture com a carne moída

gelada e uma colher de

sopa de maionese.

Sirva em seguida. Se quiser

deixar mais leve, use

maionese light.

Bom apetite!

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