NTOSITOPUIARES - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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NTOSITOPUIARES - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

^^H

\N0 I \.o 5 -CAMPO GRANDE

^x:

Jornal dos

PMDB VENCE AS ELEIÇÕES

CEKTEO PASTORAL VERGUEIRO

^UA VERGUEIRO N2 7.290

n. , 272 SlO PAULO- S.P.

NTOSITOPUIARES

-\0V./Í)EZE\1B1{() DE 1986

Cí-itm lit Pairai Viroutlro

CzS 1,00

0 9 MAR 1987

SETCR OE DOCUMENTAÇÃO

Depois de traçar um plano, inclu-

indo o pacote econômico de 28 de

fevereiro, o PMDB, que elegeu Tan-

credo Neves pela Via Indireta, que fi-

liou Sarney no PMDB, presidente da

República, que tem a maioria dos Mi-

nistros, principalmente da área, econô-

mica e social, depois de uma Campa-

nha multimilionária, em que nío fal-

tou dinheiro, nem papel, nem cabos

eleitorais, nem acordos com partidos

de direita e setores reacionários da

sociedade, este. PMDB ganhou as elei-

ções de 86, elegendo a maioria dos

Deputados Constituintes e 22 governa-

dores de Estado. Neste-PMDBrToram

eleitos este ano alguns governadores

como o do Rio de Janeiro, que foi can-

didato derrotado do governo do Rio

em 1982, pelo PDS, e este ano foi elei-

to pelo PMDB. A mesma coisa aconte-

ceu em Mato Grosso do Sul, onde Mar-

celo Miranda, que tinha sido nomeado

governador biônico da Arena, em

1978, depois de uma rápida passada

pelo PP (Partido Popular) acabou sen-

do eleito governador do PMDB, numa

aliança com o PDT, PFL, PCB e PC do

B. De qualquer forma o PMDB venceu

as eleições, tendo como principal

' argumento o congelamento de preços.

GOVERNO DECRETA O

CRUZADO D E ACABA

O CONGELAMENTO

Cinco dias depois das eleições,

quando ainda se contavam os votos,

o governo resolve mudar o Plano Cru-

zado. Desta vez com um pacote de

aumentos, que diz ser para a classe

me^T~xomo—ahigueis>-_automoveisL

gazolina e álcool, cigarros, bebidas,

etc... Depois disto já aumentaram ou-,

tros produtos, oficialmente, como re-

médios, que o governo insiste em dizer

que são para "proteger a classe traba-

lhadora" e penalizar os que ganham

mais. Agora fica difícil de acreditar

na seriedade do Ministro Funaro,

quando tudo está descongelado'e só

os salários dos trabalhadores estão es-

perando a "inflação" chegar aos 20

por cento. Este foi o "presente de gre-

go" do PMDB em retribuição aos votos

da vitória. Quem vai pagar por isto?

Pag. 5. ■ .

CUT E CGT FAZEM

REVÊ GERAL

MANNA AFIRMA

. Não há mais terra no MS.

Assentamentos-

serão feiios no M

Em Campo Grande

Federal prende dois

militantes da CUT

Diante da situação econômica do'

país, da manipulação dos índices da

inflação, da sangria da dívida externa,

que leva por mês do Brasil. 1 8 milhões

de salários mínimos, a CUT deu o pas-

so inicial e convocou os trabalhadores

brasileiros à Greve Geral, para garantir

o congelamento de preços, para aca-

bar com o pacote recessivo e prejudi-

cial aos salários .dos Trabalhadores.

A CGT (Central Geral dos Trabalhado-

res) também aderiu a Greve- Geral

e no diá 12 de dezembro, os trabalha-

dores mais conscientes deste país

fizeram manifestações de protesto. Em

Campo Grande diversas categorias pa-

ralisaram. Na convocação do Ato -

Público, a Polícia Federalprendeudois

militantes da CUT, que ficaram 7 dias •

presos, por estarem simplesmente con-

vidando para a passeata. Pág. 5.

A afirmação do Diretor do ÍNCRA em MS, Dr. Alberto Manna, de que já havia iniciado

negociações com o vizinho estado de Mato Grosso para o assentamento de 6.000 famílias

de lavradores Sem Terra no Projeto Filinto Muller em um noticiário de televisão, na última

stmana, dizendo que em Mato Grosso do Sul "estava difícil localizar áreas para desapropria-

ção", deixou antever que o futuro dos acampados, mais de 2.500 famílias Sem Terra do estado,

vai ser de muita lufa. Os processos de desapropriação estão morosos demais. Os acampados,

alguns a quase um ano, nas cidades de lona, estiveram com o Diretor do INCRA. no dia 18

de dezembro, para reivindicar uma solução. O que os Acampados*querem é Terra no Estado,

afirmando que terra existe e muita, é sr querer desapropriar. O que está acontecendo é que

o governo náb quer fazer refonna agrária e tem medo de colocar a mio na nata da terra, que

está nas mios do Seu Fulano de Tal, Deputado não sei das quantas,. Senador da UDR... ETC.

ETCCCC...

_


EDITORIAL JORNAL DOS MOV. POPULARES Pág. 2

O POVO FOI ENGANADO

A frase que mais se ouviu, depois das eleições, depois do Cruzado II, onde o governo anut*

ciou os aumentos de preços, o descongebmento, as medidas "afustadoras da economia", foi:

"BEM FEITO. QUEM MANDOU VOTAR NOS HOMENS?". Enquanto isto, um cabo eleitoral

do PMDB dizia que fez a campanha com o argumento de que "o povo deveria votar no PMDB

por que sendo o Samey iria descongelar os preços e a inflação voltaria a subir, tererê, tererê...

aqueles papos de políticos profissionais, matracas bem pagas, mercenários das ideologias.

E agorn, onde estão os políticos? Onde estão os que foram eleitos defendendo o pacote? Por

certo. estão rindo da cara do povo. Estão fazendo churrasco para comemorar suas vitórias,

por que a maioria é fazendeiro, estão fazendo o'último número deste espetáculo de magia que

é a Campanha Eleitoral. O povo foi inebriado. Como sempre.

Por causa de 200 cruzados, mais de 5.000 pessoas foram cabos eleitorais no dia 15 de novem-

bro, em Três ÍMgoas. Isto que a legislação proibia a contratação de "boca de urna". Os partidos

chegaram a fazer uma "convenção coletiva", dias antes das eleições, para fixar o preço do

"boqueiro ", que por consenso entre os partidos que iriam (e podiam) contratar pessoas, foi fi-

xado em 200 cruzados._

Enquanto os candidatos ricos, financiados ou pelo governo, ou pela UDR, ou pela Frente

Empresarial, gastavam milhões de cruzados, os eleitores, o povo, acreditou no cruzado, que só

sçrviu até que se marcasse o "X" na cédula, depois, o povo voltou para a "cruz", o calvário de

cada dia. de onde nunca saiu, e viu que a realidade de fato não mudou, que continua pobre,

só que agora Sem carne, sem leite, e sem dinheiro, porque o salário, este sim, está congelado.

Logo depois das eleições de 82, o Brasil foiao FMI. Era o começo do entreguismo, da Venda

do Brasil ao Capital multinacional, aos Bartcos Internacionais. Depois das Eleições de 86, depois

de definidos os Constituintes, os governadores, o Brasil renegocia sua dívida externa, junto ao,

FMI. O presidente Sarney anuncia na televisão: que "O Brasil não pode crescer além de 4 a 5

por cento em 87, quando em 86 crescemos quase 10 por cento". Desse feito, não podemos ser

uma nação livre e soberana. Mais uma vez, o povo foi enganado.

GRUPO DE EMPREGADAS

DOMÉSTICAS COMEMORAM

O NATAL

■ Foi no dia 27 de dezembro, no pá-

tio da coordenação diocesana de Pas-

toral em Campo Grande, um grupo

de empregadas domésticas se reuniu

para celebrar o ano de atividades,

conquistas e projetos para o próximo

ano. A Comissão, responsável pela

iniciativa, organizou uma celebra-

ção litúrgica que foi o ponto alto do

dia. Logo após foi feita gincana pa-

ra as crianças , onde houve a partici-

pação das mulheres e sorteio. A con-

1 fraternizàção reuniu um grande nú-

mero de trabalhadoras que no próxi-

\ mo ano objetivam efetivar o trabalho

\ de conscientização junto a categoria

j para fundar a Associação de empre-

\ gadas domésticas de Campo Grande

S ,e levar propostas para a Constituin-

\ te.

■ IVKVTMIENTOSRKJIARES-

EXPEDIENTE

O jornal dos movimentos populares

é uma publicação conjunta, através do

CEDAMPO - Centro de Apoio aos Movi-

mentos Populares - Rua Antônio Norber-

to de Almeida No. 25, Campo Grande -

79.100 - MS ; CGC 01 103 571^0001 -14

Jornalista Responsável: Veronice Lovato

Rossato - RP 3969 - RS; Redaçãd

Oíagramaçao, Arte e ilustração:

Chico 5r5rTáD2ttÍ; GOTOOsiçâò e Impres-

sSo: Gráfica d^Jomal "0 Repórter". Rua

ieh\os aoe PRCPARMAS MOSSAS

fORÇAS íA'»

fe. João Crippa No. 866 79100 Campo

Grande - MS; Registro na Jucems. em an-

damento; Tiragem desta edição: 3.000 e-

xemplares.

CONSELHO EDITORIAL: Aforoo Sinúo

de Lima. (Mov. de Oposição Sindical m-

nl), Mil tio Pereira da Sit»a(Mov. dos

Sem Terra). Benedita Malaqubs (Mov.

popular de saúde), Mariano Cabreira(Mov.

de Jovens do Meio Popular); Eurides de

Fátima (Pastoral Social k Geni Helena Fá-

vero (Pastoral Operária), Lino Sky (CE-

BS), Cbudemir Carvalho (Associação de

Moradores).

A CONTRA REFORMA AGRARIA

Enquanto os governos federal e esta-

dual propalam aos quatro ventos uma e-

fetiva distribuição de terras, via desa-

propriação, dados objetivos demonstram

a inexistência de uma Reforma A^ráiia,

estando o latifúndio em franca expan-

são, quer seja a nível de Mato Grosso, do

Sul, ou do restante deste "Império

Colonial". •■-■,-'

De acordo com dados do In era regio-

nal, da meta do PRRA (Plano. Regional

de Reforma Agrária) para o ano de 1986,

onde deveriam ser desapropriadas

160.000 ha, com o assentamento de

4.400 famílias, foram desapropriadas

apenas 25.500 ha. com o assentamento

de 1.650 famílias.

Dado importante a se observar é que

destas 1.650 famílias, pelo menos 800

integram o plano, emergencial, afora as

regularizações' de posse (isto jamais se

configura como uma Reforma Agrária,

sendo apenas o reconhecimento jurídico

de uma situação fática), o que. indica,

se formos otimistas, que apenas 19,3

por cento destas famílias foram efetiva-

mente assentadas.

Segundo determina a Lei.n.o 4.505/64

- 0 Estatuto da Terra - a Comissão

Agrária tem função meramente consul-

tiva, contudo, no MS, ela vem decidindo

os rumos da Reforma Agrária, defenden-

do os interesses daqueles que se encon-

tram representados em maioria - os la-

tifundiários.

Questões como essas são sintomas de

um processo que está articulado nacio-

nalmente, contra a distribuição da tena

- lembrem-se que a -UDR (União De-

mocrática Ruralista) e a TFP (Tradição

Família e Propriedade) elegeram em tor-

no de 70 constituintes.

Sem querermos passar uma idéia

negativa, temos a convicção que a saída

para os sem terras não,passa pela nego-

ciação isolada de cada grupo, onde sim- 4

plesmente perdem força . como tal, fi-

cando sujeitos as mais variadas formas de

manipulação. Cremos sim, que os sem

terras devem se articular enquanto

um grupo coeso, com uma clara identi-

dade — a luta pela conquista de seu es-

paço político, quetoda sociedade tida co-

mo democrática deveria lhes reservar.

Leonel Antônio Baggio

Assessor Jurídico CPT/MS

-

ASSINATURAS

.

Venda Avulsa. Cz$ 1,00

De Maio a Dez/86.

a) Assinatura Popular...Cz$ 20,00

b) Assin. oolaborativa..Cz$ 30.00

Endereço para os pedidos:

CEDAMPO

Rua Antônio N. Almeida, 25

79.100 - Campo Grande - MS..


-rw~

SINDICALISMO JORNAL DOS MOV. POPULARES Pág. 5

GREVE QERAL O primeiro ensaio

Com a'decretação do Cru-

zado ü e as conseqüências

das medidas econômicas to-

madas pelo governo depois das

eleições, as lideranças sindicais

- CUT e CGT - constataram

ser um pacote recessivo, quie

aumenta os preços e rouba os

salários. Estabelece mais uma

manipulação dos índices da in-

flação e colabora para o des-

cojigelamento dos preços, o

que acaba em arrocho salarial.

Enquanto isso os trabalha-

dores convivem com o ágio,

com a falta de produtos como

a carne, o leite, o açúcar, o

sal, os aluguéis voltaram a su-

bir, os preços do vestuário es-

tão insuportáveis, e tudo isto

para pagar uma dívida externa

que leva do Brasil 12 bilhões

de dólares por ano em juros e

serviço da dívida.

Diante deste quadro, 2

GREVE GERAL foi convo-

cada, tendo como pontos bá-

sicos; A luta contra o pacote,

a defesa do salário, o congela-

mento real dos preços e con-

tra a sangria da dívida externa.

O dia marcado foi 12 de de-

zembro. As três centrais sindi-

cais aderiram - CUT - CGT e

USI.

A MOBILIZAÇÃO

A partir da deflagração da

Greve Geral, pouco tempo hou-

ve para que os sindicatos pu-

dessem realizar assembléias

com suas categorias e cons-

cientizar sobre os motivos da

greve, mesmo assim os sindi-

catos de Campo Grande se mo-

bilizaram e alguns conseguiram

paralizar.

Os representantes da CGT

no Estado, Bento Franto, presi-

dente do Sindicato dos eletri-

dtários, e Almo Bach, Diretor

(\IKV "'«IH/ IWH

Passeata dos grevistas parou Campo Grande.

da Fetagri, juntamente com os

representantes da CUT no Es-

tado, Maria Aparecida dos San-

tos, presidente da Associação

das Assistentes sociais e Reinal-

do Lopes Milanez, do STR de

> Miranda, convocaram a grande

assembléia dos Sindicatos, que

se realizou no dia 5 de dezem-

bro, na casa do Estudante. Cer-

ca de 32 sindicatos e organiza-

ções estiveram presentes. As

categorias que aderiram à Gre-

ve, foramos professores munici-

pais. Assistentes Sociais, previ-

denciários, e professores

universitários. Outras catego-

rias, embora tivessem aderido,

ao movimento, não mobiliza-

ram suas bases sindicais para a

paralização, como os bancá-

rios. Os motoristas de ônibus

e os comerciários, por estarem

ligados à USI (Central Sindi-

cal Independente), preferiram

soltar uma nota a favor da,

paralização, mas no dia ante-

rior à greve manifestaram-se

pelo trabalho, já que a greve

não tinha características de

"reivindicações salarial".

tidos para o Presício Central,

onde foram trancados com

mais 11 presos comuns. Cons-

tituído advogado, solicitou ao

Secretário de Justiça do Esta-

do, Dr. Leal de Queiroz, que

fossem colocados em cela espe-

cial. No dia seguinte foram

transferidos para o Instituto

Penal, onde ficaram em celas

com presos condenados. Com

a •" omissão do Juiz- Federal

de Cuiabá em receber o pedido

de fiança, os dois militantes

só foram soltos no dia 18,

depois de seis dias presos, em

quepuderam conhecer todas as

prisões de Campo Grande: As

celas da Polícia Federal, do

Presídio, do Instituto Penal e

finalmente a Casa do Alberga-

do.

Durante a permanência

no presídio, tiveram a ma-

nifestação de solidariedade

de inúmer ; pessoas, inclusive

a visita ' Dom Vitorio Pava-

nelo, . rcebispo de Campo

Grande.

Ezequiel Lima Filho eJosé Luiz dos Santos

A PRISÃO

No dia 12 de dezembro, dia

da Greve Geral, o Comando

da Greve se reuniu no Sindi-

cato da Construção Civil, e de

lá partiu para a convocação

do Ato Público, marcado para

as 17 horas, na Praça Ari Coe-

lho. Dois companheiros, Eze-

quiel Lima Filho do PT, e Jo-

sé Luis dos Santos, da Pastoral

do Menor, ficaram encarrega-

dos de fazer a convocação pelo

alto-falante de uma Kombi

emprestada. Tão logo sairam

do Sindicato, realizando a con-

vocação, foram barrados por

uma viatura da Polícia Federal

e presos, sob a argumentação

de que estavam "matando

à Greve". Na Polícia Federal

foi aberto inquérito, e após

as identificações, foram reme-

A PASSEATA

Mais de 700 pessoas parti-

ciparam da passeata e do Ato

Público, realizado pelas ruas de

Campo Grande. O Comércio fe-

chou as portas, com medo de

depredações, porém a mani-

festação foi pacífica, embora o

grande contingente de policiais

que acompanhou todo o per-

curso. Durante a caminhada

foi conduzido o caixão do "pa-

cote do Samey", e palavras de

ordem foram gritadas pela mul-

tidão: "O POVO NÃO ESQUE-

CE SARNEY É PDS", refe-

rindo-se ao Presidente Samey,

qu foi durante muitos anos o

Presidente do PDS. A passeata

foi acompanhada pelo barulha-

ço dos automóveis dos açou-

gueiros, que uniram-se aos sin-

dicalistas para protestar contra

o ágio na carne.


INDfO JORNAL DOS MOV. POPULARES Pág.6

OS DESPEJOS

CONTINUAM NAS ÁREAS INDÍGENAS

Ocorreu, no dia 28 Nov. 86, mais ir,

despejo de indígenas no Mato Grosso d-.

Sul. Desta vez foi a Comunidade Indígena

do Jarará, formada por índios .Kaiowá, quç

foi despejada de uma área de terras que havia

retomado, em Julho S6, no distrito de Vila

Juti, município de Caarapó e de onde

muitos anos fora expulsa.

Desde Julho do corrente ano este é o se-

gundo despejo que ocorre sem que a Funai

tome qualquer providência. Em Jul. a

Comunidade Indígena de Maracajé foi ar-

bitrariamente expulsa a mando do fazen-

deiro SEBASTIÃO ALVES MARCONDES,"

sem que, até agora, o órgão tutor dos índios

tomasse qualquer iniciativa no sentido de

garantir os direitos dessa Comunidade In-

dígena. ' /

O despejo da Comunidade Indígena do

Jarará foi feito de forma bastante violenta

e totalmente ilegal Uma vez que a comunida-

de havia interposto um recurso apelando da

decisão do juiz Paulo Afonso de Almeida,

da Comarca de Caarapó. Tal recurso aponta

umá série de irregularidades ocorridas no

processo judicial em que o fazendeiro

MIGUEL SUBTIL DE OLIVEIRA requer a

reintegração na posse da área. Diante desse

recurso o juiz não poderia despejar os ín-

dios antes que o Tribunal de Justiça do Es-

tado do Mato Grosso do Sul decidisse so-

bre as alegações da Comunidade Indígena

do Jarará.

Entretanto, apesar de ter recebido o re-

curso, o juiz Paulo Afonso de Almeida des-

pejou os índios.

Diante disso a Comunidade Indígena do

f>rará impetrou um Mandado de Segurança

-ntra o ato do Juiz da Comarca de Caara-

pó, junto ao Tribunal de Justiça do Estado

do Mato Grosso do Sul e ganhou uma Limi-

nar que suspende a execução da setença.

Todas essas medidas foram tomadas pela

própria comunidade indígena, através de

seu advogado, pois, a Funai permaneceu

completamente omissa nessa questão.

Até agora, porém, a Comunidade Indí-

gena do Jarará não conseguiu voltar para

a área apesar da Liminar e da promessa do

presidente da Funai, Romero Jucá Filho,


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V. *9ê

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Étontâ '

s H

Contigente policial no despejo dos índios Sete Camburões e dois ônibus de policiais

de que tomaria todas as providências ne-

cessárias para dar cumprimento à Liminar

do Tribunal de Justiça.

Por outro lado a Comunidade Indígena

de Maracaju desde Julho aguarda uma solu-

ção a ser dada pela Funai que nomeou um

grupo de trabalho dando início ao processo

administrativo de demarcação. Apesar disso,

ainda não se sabe quando a terra dessa Co-

munidade será demarcada.

Além dessas duas comunidades já despe-

jadas, a Comunidade Indígena de Jaguapirc

A Esquerda na Constituinte

Os paridos de esquerda no Brasil

conseguiram eleger um pequeno núme-

ro de Constituintes, mas que prome-

tem fazer muito para que a Constitu-

inte represente um avanço na organiza-

ção popular. Das bancadas mais com-

prometidas, está a do PT, que é tam-

bém a maior bancada da esquerda,

com 16 deputados federais. Entre es-

tes deputados, encontra-se o Lula

(Luiz Inário Lul Ha Silva), presidente

do PT e o Deputado Federal ais vo-

tado do Brasil, com 651 mil votos.

(Mais votos do que Lúdio e Marcelo

fizeram juntos, nas eleições para go-

vernador em MS), Lula é hoje o re-

presentante popular dos anseios da

classe trabalhadora do país e porta-

foi ameaçada ,de despejo, pois, segundo os

próprios índios, a polícia já disse' que "Ja-

guapiré será a próxima". Cabe lembrar que

a área indígena de Jaguapiré já foi, inclusi-

ve, interditada pela Funai no ano passado.-

Esperemos que tais fatos não mais se

repitam e que a Funai exerça seu papel de

tutora dos índios defendendo os direitos

garantidos em Lei a essas comunidades.

Dr. Jorge Ney Co irêa Rodrigues

Assessor do CIMI

voz das reivindicações de milhões de

trabalhadores explorados. Ainda ha

bancada do PT, na Constituinte, a for-

ça do sindicalismo da CUT se faz pre-

sente, com líderes sindicais de grande

expressão, como Luiz Gunhagen, pre-

sidente do Sindicato dos Bancários

de São Paulo e da direção da CUT,

Olivio Dutra e Renato Paim, ambos

tambérh da direção Nacinal da CUT.

Os movimentos populares também

estão representados, com as deputa-

das Irmã Passoni, de São Paulo, e Be-

nedita da Silva, do Rio de Janeiro.

O PCB elegeu 3 deputados federais

constituintes, e o PC do B elegeu 4

deputados.


POLíTICA JORNAL DOS MOV. POPULARES PAGINA 3

Quem vai ser Constituinte "jfffi

O Estado tem direito a três

senadores. Um era Marcelo Miranda,

cujo mandato vence em 1990. Como

foi eleito governador,' o "Senador

Constituinte" será Antônio Mendes •

Canale, suplente. Canale será, portan-

to. Constituinte sem sequer ter sido

votado. Dai começam os "vícios".

Era 1986 foram eleitos os outros dois -

senadores. Rachid Saldanha Derzi já

foi Senador Biônico, ou seja, nomeado

pelo governo da Ditadura para o Se-

nado, e agora, conseguiu se eleger, com

apoio de suas fazendas (6) e dos que

defendem as fazendas (UDR). É fron-

talmente contra a Reforma Agrária,

embora se pronunciasse a favor, pois '

sabe que o governo não vai fazer

mesmo, enquanto senadores como ele.

puderem defender os interesses do la-

tifúndio. Rachid é favorável à defesa

armada das propriedades. Tem o apoio

daTFP.

Wilson Martins é o outro Senador

Constituinte de Mato Grosso dp Sul.

Ex-governador do Estado, ex-dirigen-

te da UDN e do MDB. onde foi cassa-

do pela Ditadura.

Por diversas vezes colocou a polí-

. cia para despejar trabalhadores da ter-

ra. E do tipo liberal'

Dos oito; deputados federais, seis

tem compromisso com a classe empre-

sarial. Antes das eleições, foi formada

no Estado a Frente Empresarial, com

o objetivo de apoiar candidaturas que

depois, na Constituinte, defendessem

o capital privado e a livre economia

de mercado, ou seja, os lucros dos ca-

pitalistas: A Frente empresarial publi-/

No Senado

:. Kac! oha Der-ci

!DB

cou nos jornais os deputados federais

que conseguiu eleger. São eles: Gandf

Jamü, (PFL), Levy Dias (PFL),

Rubem Figueiró (PMDB), Ivo Cersó-

simo (PMDB), José Elias Moreira

(PTB) e Saulo Queiroz (PFL). Por uma

estranha coincidência, a UDR (União

Democrática ruralista), também publi-.

cou, antes das eleições(, que estava a-

poiando as candidaturas destes mes-

mos deputados eleitos e mais o verea-

dor Francisco Maia, do PTB, que não

se elegeu.

Estes seis deputados, portanto, es-

tão comprometidos com o' latifúndio

e com os patrões. Tiveram apoio nas

eleições, e deverão retribuir na cons-

tituinte, votando nas propostas dos pa-

trões e latifundiários, de quem são

representantes.

Os outros dois d*eputados federais

constituintes são Valter Pereira e Plí-

nio Martins, do PMDB.-Valter Pereira

é um político profissional..Tem algu-

ma ligação com movimentos comuni-

tário e apoia a Reforma. Agrária, em-

Na Câmara

Federal

Pelo PMDB VOTOS

Vaiter Pereira 31.

Rubem Figuc- 28-

í.vo Cersosimo 28.414

Plínio Barbosa Marfins 24.890

bora sem se comprometer muito. Já

Plínio Martins, irmão do Senador Wil-

son Martins, teve o mérito de, durante

quatro anos de mandato, apresentar

apenas um projçto de lei no Congres-

so. Faz parte da Comissão de Refor-

ma Agrária da Câmara dos Deputados

e teve o apoio do PCB nas eleições.

Na Assembléia

Legislativa

Pelo PMDB

Andréa Pucinelli. '

Pedro Dobes

João Lei'e Scl

Akira Otsubo

Onevam de Matos

Jonatan Barbosa

Cláudio Vale rio.

Carlos Froes

Ricardo Bacha

Val.demir Machado

Beruidito ;

Oséias Pereira

PELO PFL

Lqndies Machado

Roberto Razuk

Marilu Guima

Ari Rígo

Cícero de Souza

■PELO PTB

VOTOS

19,115

14 s? 4 ;

14.310

13.196-

13." 196

14.342

. 9.766

9,7o5

9.571

8,810

8,071

7.793

19.003

14.107

11.850

. 9.578

9.343

Pelo PFL VOTOS Maurício Picarelii 12.3-63

Armando.Anache 8,118

.

86.705 Júlio Maia

49.556 José de Oliveira

37.404 son Trad

r g. VOTOS

Vaiter Carneiro'

PELO PDS

eira

31.073 Mariiene Çotosbra

. ' " »- ■

Votação dos Candidatos Classistãs *«^MCISCOJOSéDEMEDEIROS Dm

Sem dúvida que as eleições de 1986 não

foram boas para os candidatos lançados pelo

Movimento Sindical e popular de nosso esta-

do. Isto se explica pelo volume de dinheiro

investido por candidatos representantes das

classes dominantes, da burguesia, e políti-

cos profissionais, e também pelo pouco tra-

balho de conscientização polítui que o mo-

vimento sindical como um todo realiza no

Estado. As principais votações foram:

PEDRO RAMALHO - Diretor da FETAGR1

— Candidato a Deputado Federal pelo

PMDB: 6.681 votos

SÉRGIO CRUZ - Apoiado pelo Movimento

dos Sem Terra — candidato a reeleição

pelo PT: 7.044 votos.

GILSON MARTINS - Professor Universitá-

rio em Dourados - candidato pelo FI"

a Deputado Federal - 488 votos.

JOSÉ BERLANGE ^ Presidente da FEDE-

RASUL — Federação dos Servidores do

Estado — Candidato a Deputado' Esta-

.dual pelo PDT: 1.200 votos.

CARLOS FERRARI - Presidente do Sin-

dicato dos Trabalhadores Rurais de

Glória de Dourados,. apoiado pelo Mov.

dos Sem Terra e Sindicatos de oposição,

candidato a Dep. Estadual pelo PT -

1.034 votos.

SEBASTIÃO GREGORIO - Dirigente do

Sind. dos Metalúrgicos de Campo Gran-

de, candidato a Dep. Estadual do PT -

276 votos.

gente do Sind. dosTrabaütaderes-Rurais

de Sidrolândia - Foi candidato a Dep.

Estadual pelo PCB - 425 votos.

JOÃO JOSÉ DE SOUZA LEITE - Ex-Secretário

do Trabalho, Advogado da Fetagri

e Advogado Trabalhista, Candidato

a Dep. Estadual pelo PMDB 2.516 votos.

ANTÔNIO CARLOS BIFFI: Presidente da

Feprossul - Federação dos Professores

do Estado - candidato a Dep. Estadual

-pelo PMDB: 6.099 votos.

JOSÉ RODRIGUES: Presidente do. Sind.

dos Trabalhadores Rurais de Campo

Grande - candidato a Dep. Estadual

pelo PMDB:952 votos. •

ADILSON RUSSO DA CRUZ: Pres. do

Sind. dos Trabalhadores Rurais de Bataguassu

- Cand. a Dep. Estadual pelo

PMDB:918 votos.


TERRA JORNAL DOS MOV. POPULARES Pág.4

ACAMPADOS ESPERAM:ATE QUANDO?

A situação dos 11 acampamentos

existentes no Mato Grosso^ do Sul

continua crítica. Alguns há mais de

10 meses aguardando uma solução

do Incra. Dezenas de famílias desis-

tem da luta por não resistirem às pres-

sões do governo, de desestabilizar a-

través do tempo, os acampamentos e

as organizações dos trabalhadores.

Mesmo assim a luta continua, e amea-

çados de cortar a alimentação, os a-

campados esperam, reivindicando.

As desapropriações *que o Incra

está fazendo, aprovadas pela comissão

Agrária, estão contribuindo para a

Anti-Reforma? como os 34 mil ha.

desapropriados em Nova Andradina

(fazendas Garota, Curitibanos e Dou-

radinho), 'em terras de cerrado, de bai-

xa fertilidade e com pouca água.

O CROM

26/2 - Assassinado o lavrador

Paulo Roberto da Silva Go-

. mes, 40 anos, torturado até

a morte na Delegacia Espe-

cializada de Roubos e Fur-

tos de Campo Grande, pelos

policiais Reginaldo Freitas

Rodrigues, Etelvino dos

Santos Souza, Maurício

Friozi e Josiberto Martins

de Lima. Preso por suspei-

ta de roubo. Os policiais

foram indiciados em Inqué-

rito.

25/3. — Espancamento de dois

bóias-frias, empregados da

Destilaria Passa-temmpo, em

Rio Brilhante, João Coelho

da Siiva, 24 anos, e Moacir

Alves de Lima, 24 anos, a-

gredidos por 7 seguranças

comandados pelo ex-tenen-

te do Exército, de nome

Miguel, aposentado.

6/2 - Na operação foram pre-

sos os lavradores José Jerô-

nimo dos Santos, da Execu-

tiva Nacional dos Sem Ter-

ra, e Isnard Santos, Presi-

dente do Sindicato dos Tra-

balhadores rurais de Nioa-

que, e o presidente do

PT/MS Alcides Faria. De-

pois de 7 horas, foram libe-

rados, e estão respondendo

inquérito.

6/2 - Cerca de 70 lavradores

que haviam ocupado a gara-

No ano. de 1986, o Incra deveria

ter asseotado 4.400 famílias, segundo

o Plano Nacional de Reforma Agrária.

Assentou apenas 1.650 famílias, das

quais 800 são brasigualos. Segundo o

plano, deveriam ter sido desapropria-

dos 160.000 ha. e foram desapropria-

dos somente 68.000 ha, dos quais

34.000 ha são de terras impróprias

para pequenas propriedades produti-

vas. Outra questão é que o Incra está

contando com "Processo de Reforma

Agrária" a regularização fundiária, co-

mo a regularização da Colônia Nova,

contada como área de Reforma Agrá-

ria, quando as posses somam a mais

de dez anos.

Mesmo assim, os acampados conti-

nuam pressionando, através de reu-

niões, viagens ao Incra, ocupando os

gem do Incra foram

violentamente despejados,

numa ação conjunta da Po-

lícia Federal e Polícia Mili-

tar, realizada à 1 da madru-

gada, com 12-camburões e

viaturas. Logo depois acam-

param defronte o Incra na

calçada.

3/6 - Duas crianças morre-

ram de frio no acampamen-

to dos Sem Terras em El-

dorado.

20/6 - Seis lavradores denun-

ciaram regime de escravidão

branca em Camapuã. Edil-

son Alves, Marco Antônio

de Oliveira, Jodmar Costa,

'- José Carlos da Costa,

Edson Rodrigues Manduru-

ca e Lourivaldo Batista do

Santos. Foram recrutados

em Pirapora-MG e levados

a uma fazenda,' que não

souberam idenficar.

6/6 - Governo do Estado,

através do Terrasul, inicia

operação "desmancha a-

campamentos", comandado

pelo diretor do órgão Apa-

ricio Rodrigues. Segue-se o

desmantelamento violento

dos acampamentos de Nova

Andradina, 150 barracos

desmontados pela polícia,

Caarapó, 22 famílias. Três

Lagoas, com 127 famílias-

/

■ i

10/6 - Morre Dona Ajherica

Rodrigues da Silva, duran-

te operação müitar realiza-

da' pára desmontar os a-

campados da Igreja Matriz

de Três Lagoas, vítima de

choque, com a arbitrarieda-

de e violência, dá polícia.

Faleceu dentro da Igreja

quando transferia os per-

tences para outra área. 1

4/5 - Polícia Militar do Es-

tado fecha a fronteira com

o Paraguai, no município

de Mundo Novo, caminho

para Saltos dei Guairá, e

impede que os brasigualos

escritórios do Incra, das prefeituras,

do Terrasul, e muito pouco tem acon-

tecido além de muita conversa. Os a-'

campados esperam, mas até quando?

OLENGIA

acampem em Mundo Novo,

prendendo alguns lavrado-

res. Por questão de Seguran-

ça Nacional, fica proibido a

formação de acampamentos'

em Mundo Novo. Os Brasi-

gualos acampam em Eldora-

do.

9/4 - O Escritório da CPT em

Três Lagoas é arrombado, as

gavetas reviradas papéis fo-

ram queimados e roubada

certa importância em di-

nheiro.

8/8 - Polícia Federal prende

Inácio Teodoro Pinto, em

Naviraí, por vender armas

de caça (pica-pau) aos acam-

pados, e por portar folhe-

tos dos acampamentos de

Três Lagoas e Nova Andra-

dina.

27/8 - Trabalhadores Rurais

de Bodoquena denunciaram'

ter seus animais.roubados e

casas- saqueadas por índios

da Reserva Kadwea Os la-

vradores são proprietários,

de áreas em dúvida sobre a

demarcação.

10/7 - Agente de Pastoral

João Carlos Oliveri foi a-

gredido pela polícia Militar,

durante uma celebração

em Três Lagoas, com os a-

campados. Laudo Médico

confirmou lesão do ouvido.


MOV. POPULAR JORNAL DOS MOV. POPULARES Pág.7

MOPS Define Propostas para a

Constituinte

O Movimento Popular de Saúde - MOPS

- realizou seu 2.° Encontro Estadual nos

dias 13. e 14 de dezembro, em" Campo

Grande. A finalidade foi de avaliar e encami-

nhar o movimento no Estado e escolher os

delegados para o Encontro Nacional que será

realizado em Belo Horizonte nos dias 3 a 8

de fevereiro de 1987. Participaram do en-

contro 28 representantes de 5 regiões do Es-

tado: Três Lagoas, Coxim, Jardim, Doura-

dos, e Campo Grande. Foram escolhidas

6 delegadas que levarão as conclusões para

o encontro nacional: Foram tiradas propos-

tas que serão encaminhadas à Constituinte.

São as seguintes:

1. Respeito a todos os direitos fundamentais

da pessoa humana: saúde, moradia digna,

educação, terra aos trabalhadores rurais,

salário condizente, direito de se organizar,

ter liberdade de expressão, lazer.

2- Estatização do sistema de saúde, atendi-

mento médico igiial para todos, e sistema

único de saúde com a participação do po-

vo nas decisões.

3. Assistência integral da saúde da mulher,

principalmente na fase da maternidade,

respeitar as decisões da família (pfaneja-

mento familiar) e em relação a preven-

ção ou doenças próprias da mulher.

4. Fiscalização e controle da produção e

venda de produtos químicos e farmacêu-

ticos. Proibição da propaganda ou

medicamentos.

5. Nacionalização das industrializações:

•6. Estudo sobre medicina alternativa (escola

e faculdades)

7. Aposentadoria das mulheres de trabalhos

rurais e domésticas aos 45 anos de idade.

8. Salário mínimo real que venha atender

as necessidades dos trabalhadores (alimen-

tação, saúde, moradia, vestuário, educa-

ção e lazer).

Do encontro foi tirado um documento

e abaixo-assinado com propostas para a á-

rea da saúde que será entregue ao governador

eleito, ao assumir-

"Ao Governador Marcelo Miranda Soares:

Sugerimos que o seu governo faça:

1. Construção de hospitais populares, com

todos os tipos de equipamentos para exa-

mes e tratamentos.

2. Construção de postos de saúde, com aten-

dimento médico, odontológico psicoló-

gico e social.

3. Que o estado garanta a sobrevivência, a

educação e a saúde do menor abandona-

do."

O Mato Grosso do Sul está representado

no MOPS a nível Nacional por Benedita

Ribeiro Malaquias (DITA)

REGIONAL EXTREÊâO-OESTE

- Participar da Constituinte

■, as eleições, pouco temos ouvido

bre a Constituinte. Parece que o

tcóte" congelou a vontade de

refletir sobre o que queremos para a

nova Constituinte-

Uma coisa é certa; isso tudo nâb é me-

ro acaso. 0 Piano Cruzado, se nao está

servindo para arrumar o país, está se sain-

do muito bem na missão de desviar a a-

lenção de todos de alguns assaritos polí-

ticos que de certa forma, poderiam re-

definir os rumos da nossa sociedade em

todos os aspectos sócio-ecanômicos, polí-

ticos e culturais.

E preciso ficar bem claro que nosso

papel nao terminou quando depositamos

nossos votos nas umar. 0 fato de partici-

parmos das eleições (lembrando que isto

é mais que um direito e nâb uma obriga-

ção imposta por lei), não significa que nos

resta apenas guardar nossos títulos nasga-

vçtas, só tornando a pegá-los naí- próxi-

mas eleições. Há muito por fazer, há mui-

to o que participar, há muito o que cobrar.

E por. este motivo que a Pastoral

Social do Regional Extrerao-Oeste. deci-

dia em Assembléia, que — é o momento

de reabrir o debate sobre a Constítuiçáo-

Pára isso, tem propostas a nível tocai e na-

cional.

Está sendo elaborado um subsídio pa-

ra-estudo, contendo propostas especifi-

cas para a Nova Constituição: A questão

Indígena, da Terra, da saúde, da mulher,

do negro, do rnenor, etc. Em vista dfeto

a Pastoral Social está conclamando todas

as pastorais específicas e prioridad»

enviaiem textos com as referidas propos-

tas, para que este subsídio fique ponto o

quanto mtesi- Ele poderá ser usado nos

grupos de base, circulos bíblicos grupos

de reflexão, nas categorias sociais e pro-

fissiohais, etc...

A nível nacional, a Pastoral Social or-

ganizará delegações, em sistema rodí-

zio, que representarão o regional Extre-

mo-Oeste no acompanhamento dos traba-

lhos da Assembléia, ou melhor, Congres-

so Nacional Constituinte.

Participe você também dessa d iscussao.

Procure, a partir de janeiro, nm coordena-

ções Diocesanas de Pastoral, nas Paró-

quia-i ou no Cedampo, os cartazes jjara

divuieação da proposta, e mais tard

subsí íOS da constituinte popular.

(MARCLX)

ACONTECEU

CPT MUDA DE ENDEREÇO

A Coordenação da CPT (Comissão

Pastoral da Terra), que antes tinha sen,

escritório ao lado da Cúria Diocesana,

agora está funcionando junto ao Cedam-

po, na Rua Antônio Norberto de Almei-

da, 25, próximo da LBA, a uma quadra

da Rodoviária. 0 telefone da CPT — é:

624-7729. Em horário de expediente, po-

de-se falar com Grazziela, que é a Secre-

tária da CPT e com Leonel, que é advoga-

do-estagiário. • '

■ DOM VITORIO ASSUME A

ARQUU3I0CESE DE

CAMPO GRANDE

Com a renúncia de Dom Antônio Bar-

bosa, que completou 75 anos, a. Arqui-

diocese passou a ter novo Arcebispo.

Quem assumiu foi D. Vitorio Pavanello,

ex-Bispo -e - Corumbá, da Congregação -

Salesiana e há mais de um ano designado

como coadjutor. Dom Vitorio passou a

responder pela Arquidiocese a partir de

de dezembro, enquanto D. Antônio',

depois de 28 anos de bispo em Campo

Grande e 50 anos de sacerdócio, irá para

São Paulo, onde se dedicará aos docen-

tes, trabalhando junto a um hospital.

MAIS DE 300 CASAS INVADIDAS

NA CAPr AL

Em menos de ú. a semana, mais de

300 casas foram ocupadas, no jardim dos

Novos Estados (Novo Rio Grande da

Sul, Novo São Paulo), por famílias ''Sem

Casa". Os núcleos habitacionais foram

construídos e deixados, pelas financeiras

do BNH. Com as casas fechadas as de-

predações começaram a acontecer. 0 Co-

mitê de defesa dos Mutuários se organi-

zou e ocupou as casas, que agora servem

a duas finalidades: Proteger as casas das

depredações, e servir de moradia a faini-

lias que não tinham onde ficar. O comér-

cio popular das casas já está sendo feito,

na base de 3 a 5.000 cruzados pela chave.

É o povo encontrando seu "jeito" de mo-

rar. .

MOTORISTAS ENTRAM EM

GREVE POR MELHORES SALÁRIOS

Depois de não participar da Greve Ge-

ral do dia 12 de dezembro, o Sindicato

dos Trabalhadores em Transporte Rodo-

viário resolveu entrar em Greve, parali-

zando o Transporte coletivo em Campo

Grande, no dia 17. Durante um dia os

motoristas e cobradores estiveram em

negociações com os patrões e o prefeito

de Campo Grande. Resultado: Os moto-

ristas tiveram um aumento de 50 por

cento, sob a garantia de que a prefeitura

vai autorizar os aumentos das passagens

de ônibus.

LEILÃO DE GALINHAS

Foi realizado no dia 21 de dezembro,

no município d' Ceres, Goiás,, o primeiro

Leilão de galinhas, com mais de 1.000

cabeças, prome ido pelos agentes de pas-

toraí e dos movimentos populares daquele

município, para arrecadar fundos para

manter o trabalho popular na região. O

Leilão teve a participação do Bispo de

Goiás Velho, D Tomas Balduino.


CPT REALIZOU ENCONTRO

Foi nos dias 28, 29 e 30 de novembro

em Campo Grande- Estiveram reunidos la-

vradores e Agentes da Pastoral da Terra do

MS, representantes das dioceses de Coxim,

Três. Lagoas, Jardim, Dourados e Campo

Grande. Com o objetivo de avaliar a luta e

trocar experiências de interesse dos lavrado-

res foi feito um, estudo da realidade dos

locais presentes para conhecer melhor a rea-

lidade do Estado, conhecer e estudar o Movi-

mento Popular, analisar a conjuntura, ver a

questão da Constituinte e ver o jeito de

trabalhar estas realidades para acontecer a

nuidança. A CPT Nacional enviou um re-

presentante. Irmã Pompéia Bernasconi que

ajudou a assessorar o encontro.

As principais constatações dos grupos

foram: Falta terra por causa da ambi-

ção do poder e exploração dos grandes fa-

zendeiros e patrões que usam a força do tra-

balhador; A Reforma Agrária até agora foi

tapeação; Falta de água,' saúde e escola por-

que os politiqueiros só prometem mas nãò

cumprem.

Na análise da organização da sociedade,

as forças econômicas — banqueiros, lati-

fundiários e empresários — que só visam o

lucro, se contrapõem aos interesses da gran-

de camada da classe trabalhadora que e ex-

plorada. 0 governo, as leis, as forças arma-

das, os meios de comunicação, a escola e

alguns setores da. igreja ficam do lado dos

grandes, ajudando a manter uma sociedade

de exploradores e explorados. A classe tra-

balhadora que produz a riqueza do País

está cada vez mais empobrecida e a Nova

República veio para reforçar esta estrutura.

Em um trecho do documento, os trabalhar

dores afirmam: "Este tipo de sociedade é

desumana e injusta. Baseia-se na exploração

do trabalhador. Por isso, os trabalhadores

se reuniram em grupos para conversar sobre

o novo tipo de sociedade que se quer e che-

garam a importantes conclusões: para eles,

nesta nova sociedade, todos devem tervoz

e vez e direito a participação. Deve haver

direitos iguais para todos. Nesta Nova So-

ciedade não deve existir nerri exploradores e

nem explorados, mas todos' devem viver na

fraternidade, na fé e na upião. A terra deve

ser um direito de todos', assim como ter

saúde, escola, transporte etc..."

A proposta para que se atinjam tais obje-

tivos é usar ferramentas adequadas como

Sindicatos autênticos, Associações fortes e

unidas, Partidos políticos comprometidos

com os trabalhadores. Comunidades de base,

fortalecer o Movimento popular, jazendo

um trabalho de conscientização política,

mostrando a importância do voto como

força de mudança

Para a Constituinte, os trabalhadores

propõem reunir grupos e órgãos de apoio

ligados a eles para encaminhar propostas

e ajudar a fazer pressão, indo à Brasília,

escrevendo cartas, fazendo abaixo-assinados.

Na opinião deles, a Constituição, depois

de escrita, deverá ser apresentada ao povo

para que este diga se aceita ou não.

Na avaliação final disseram que a CPT,

nos vários locais, tem dado apoio na consci-

entização e organização dos trabalhadores

e pedem que em 1987 continue este traba-

lho, objetivando a construção de uma so-

ciedade mais justa e fraterna.

Encontro de Pastoral Social do Regional

Afconteceu nos dias 21, 22 e 23 de no-

vembro no IRPAMAT em Campo Grande

o Encontro de Pastoral Social do Regional

Extremo Oeste da CNBB, Estiveram pre-

sentes as dioceses de Campo Grande, Três

Lagoas, Jardim, Coxim, Dourados, Cuia-

bá, Rondonópolis, Sinop e Cáceres, com ob-

jetivo de uma maior articulação nos traba-

lhos de pastoral através da troca de experi-

ências como Pastoral Operária, da Terra, do

Menor, do Migrante, da Saúde, de Favelas,

CEBs, do Movimento Popular de Saúde

e Direitos Humanos, refletiram sobre em

que sentido o que estão fazendo é Pastoral

(iluminado pela fé e bíblia), é Vivido (como

Igreja); é Profético (anúncio de algo novo,

denúncia do que está errado e testemunho

de mudança); é Transformadora (atuando

nas causas e não nos efeitos.

Diante do quadro levantado, foram bu*

cadas as causas imediatas, mais profundas

e estruturais que provocam as situações

vividas pelo povo; como atingir essas causas e

como planejar para intervir e provocar a

mudança. As situações mais urgentes no

campo estão ligadas à Reforma Agrária

que, apesar da Nova República ter se

comprometido, ainda não saiu do papel,

deixando um saldo de muitos acampa-

mentos com inúmeras dificuldades que vão

desde as péssimas condições de moradia a-

té a fome e morte. A política agrária e agrí-

cola ditada pelos grandes fazendeiros, liga-

dos ao capital internacional provoca o êxo-

do rural, as migrações dos que buscam me-

lhores condições de vida. Ali, aparece ou-

tro problema nada menor que é o das peri-

ferias urbanas. Aqui, a especulação imo-

biliária acaba por jogar o trabalhador em

cortiços e favelas, agravado pelo süb-em-

prego com miséria extrema.

As , principais conclusões do Encontro

foram no sentido de trabalhar as massas

populares por categorias e por situações de

carência, onde se possa organizar para

■ reivindicações, formar a consciência críti-

ca, motivar e criar condições para a partici-

pação popular no sentido de intervir nas

decisões políticas e econômicas. Também

dever-se-á investir em Comissões de Direi-

tos Humanos fazendo com que os direitos

fundamentais sejam respeitados e se acabe

corrt os resquícios do autoritarismo. A

principal proposta ficou para o ano de

1987, da Constituinte, com o seguinte en-

caminhamento:

o organizar o povo na base por diocese,

paróquias e comunidades.

o promover debate com os constituintes dé-

cada estado e confrontar suas propostas

com as do Mov. Popular e outras organi-

zações.

o Criação de um cartaz comum sobre a

Constituinte para todas as dioceses.

o Um subsídio com propostas concretas

do Regional (Pastoral específicas e prio-

. ridades) elaborado'pelo CEDAMPO.

o Organizar delegações para levar, propos-

tas à Brasília com representantes das di-

versas pastorais.

o Ocupar espaços nos meios de comunica-

ção social.

o Que todo o trabalho de Constituinte Po-

pular seja assumido por todas as outras

pastorais."

o Procurar manter todos informados do an-

damento da votação das propostas através

de folhetos, cartazes, telefone, bispos,

Sadres e agentes,

rganizar vigílias à nível diocesano quan-

do começarem os trabalhos Constituintes,

o Abaixo assinados para que os Meios de

Comunicação Social, principalmente a te-

levisão, acompanhe os trabalhos Consti-

tuintes.

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