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Nesta Edição

Capa – O Cunho Simbólico da Iniciação.................................Capa

Editorial.........................................................................................2

Editorial

Matéria da Capa – O Cunho Simbólico da Iniciação.................3

Destaques – A Ordem dos Oculistas.........................................4

Informe Informe Cultural – IV Seminário Maçônico de Jacarepaguá-RJ....5

Academia Academia da Leitura – Transa Gramatical...............................5

Editorial

Trabalhos

- Os Cinco Tipos de Discípulo...................................................7

- Consciência Maçônica..............................................................8

- A Desigualdade na Vida........................................................10

Reflexões – Passe de Mágica......................................................13

Lançamentos – Livros.................................................................14

"Há "Há tempos, imaginávamos como poderíamos contribuir para uma Maçonaria melhor.

Intuídos, certamente, pelos Mestres Mestres Espirituais, fomos levados a criar esta Revista. Ao

comemorarmos cinco anos de profícua existência, podemos afirmar, sem medo de

errar, que estamos fazendo a nossa parte!

(Feitosa – Revista Arte Real )

Há pouco tempo, vivíamos a expectativa de como

seria o mundo no ano 2000. Articulavam-se na

mídia de então, diversas previsões sobre o fim dos

tempos. Presenciamos absurdos como suicídios em massa e as

mais loucas atitudes de indivíduos sem consciência dos

desígnios de Deus. Novamente, a história se repete com a

entrada de 2012 e a divulgação na Internet de mensagens

apocalípticas, verdadeiro terrorismo emocional. Tal multidão,

ainda inconsciente, pergunta se vai cumprir-se a interpretação

de alguns “pseudoprofetas” sobre o Calendário

Maia.

É interessante notarmos, ao revermos

a história, que boa parte da humanidade,

sempre, portou-se assim: descrente e longe

dos ensinamentos dos Avataras, ofuscada

pelo falso brilho das coisas materiais.

O dia 21 de dezembro deste ano,

para esses, será o final do mundo, tomando-se

por base as previsões catastróficas que insistem

em veicular nos mais diversos meios de

comunicação, implantando um desequilíbrio

emocional nos mais desavisados.

A falta de entendimento em assuntos como Vida pós-

Morte, Lei do Carma e da Reencarnação, dentre outros, faz

esse “rebanho” ser conduzido como gado, atendendo a

interesses de alguns. Sem vontade própria, permite ser

manipulado pelo comércio sacerdotal de algumas religiões,

que o levam a buscar fora o que, sempre, esteve dentro de

cada um de nós.

Preguiçoso que é, aceita o engodo de sua “salvação”,

depositando oferta, dízimo, ou o nome que queiram dar,

submetendo-se a simpatias, sacrifícios, ou, até mesmo, a

autoimolação, como se Deus quisesse seu sacrifício, e não a

manifestação de sua bondade para o próximo.

Como na Atlântida, caso se confirmem as previsões

terroristas de tal Armagedon, morrerá abraçada ao seu

patrimônio efêmero, conquistado com o sacrifício de toda

uma vida, implorando por salvação. Pobre humanidade em

seu caminhar a lugar nenhum!

Sinceramente, também, esperamos que chegue o fim

do mundo. Sim, mas desse mundo materialista,

consumista e descrente, onde o “ter”, cada

vez mais, sobrepõe-se ao “ser”. Onde o

acúmulo de bens, mesmo à custa da vida

de outrem, é o que mais importa.

A natureza vem cobrando seu

preço, e a conta a ser paga não é pequena.

Mas é claro que esse assunto só receberá a

devida atenção de alguns, após o Carnaval.

Afinal, tudo, na terra do samba e do futebol, só

começa após a semana do Carnaval.

Provavelmente, com a vinda de um novo Avatara,

anunciado por uns como “a volta do Cristo”, “Maitreia”, “o

Cristo Universal”, corre-se o grande risco, novamente, de tal

humanidade matá-lo.

Enfim, folheando as páginas do Livro da Vida, vamos

ler a mesma história. De novo, alguns serão chamados, e

poucos vão ser escolhidos. Eis a razão da existência de uma

Escola de Iniciação como a nossa: buscar, na grande massa,

aqueles que têm potencial de consciência para serem

despertados, a fim de que, através de sublimes ensinamentos,

possam ser guiados no caminho “de volta à Casa do Pai”.

Revista Arte Real 60 2


Por esse mesmo motivo, escolhemos como Matéria da

Capa “O Cunho Simbólico da Iniciação”, de autoria do meu

querido Irmão João Camanho, Revisor desta Revista, para

abrilhantar esta edição e conscientizar nossos leitores quanto à

importância da Iniciação. Ainda, dentro deste enfoque, a coluna

Informe Cultural anuncia a palestra, que estaremos ministrando

no Seminário do R∴E∴A∴A∴, promovido pela ARLS Isabel

Domingues nº 109, GLMERJ, em Jacarepaguá, no Oriente do Rio

de Janeiro, “A Iniciação Maçônica Comentada Esotericamente”.

Corroborando com o tema, estamos publicando, também, na

coluna Trabalhos, as matérias “Os Cinco Tipos de Discípulos” e

“Consciência Maçônica”.

Enfim, chegamos a 60ª edição ininterrupta, em um

período de 5 anos de muito trabalho, iniciado em 24 de

Matéria da Capa

O CUNHO SIMBÓLICO DA INICIAÇÃO

eus Irmãos, as provas iniciáticas, a que somos

submetidos, revestem-se de um cunho altamente

simbólico, que nos compete entender.

MVamos tentar elucidar o momento mais importante da

Iniciação. No nosso modesto ponto de vista, é quando somos

colocados na Câmara de Reflexões, um lugar escuro, uma

caverna, representando um dos elementos da natureza: a

terra. Esse local é um símbolo de alta transcendência,

revelando um salto no nosso interior e apontando-nos que

devemos morrer para o mundo profano, a fim de renascermos

para o mundo subjetivo. Em outras palavras, simbolicamente,

mergulhamos no misterioso plano abstrato, buscando

conectar-nos com nosso_Eu Verdadeiro, nossa

Individualidade, nosso Espírito, essa Centelha Divina, que

arde em todas as coisas e nos permitirá livrar-nos dos grilhões

do nosso eu ilusório, nossa personalidade, que, infelizmente,

aferra-nos aos aspectos transitórios do mundo objetivo.

A relevância do estudo desse Simbolismo é,

justamente, proporcionar-nos as ferramentas com que

poderemos desbastar a pedra bruta, estado em que a grande

maioria da humanidade se encontra. Tal prática nos dará a

possibilidade de entender que os símbolos não são mera

decoração dos Templos, como muitos pensam. Ao contrário,

são a alma dinâmica de todo ensinamento iniciático. Voltaire,

filósofo francês do Século das Luzes, reconheceu a

importância do Simbolismo, ao dizer que tal Instituição

fevereiro de 2007. O aniversário é nosso, mas o presente,

sempre, será de vocês, que nos acolhem, carinhosamente, a

cada edição.

Rogamos ao G∴A∴D∴U∴ que nos conceda a

oportunidade, a consciência e a sabedoria, para estarmos à

frente deste altruístico trabalho pelo tempo que possamos ser

útil aos nossos Irmãos, informando e, principalmente,

conscientizando-os nos mais diversos assuntos. Consciente de

que somos, apenas, um canal dos ensinamentos dos excelsos

Mestres de Sabedoria, vimos agradecer, humildemente, esta

oportunidade de poder bem servir nossa Ordem, assim como

a todos nossos Colaboradores e Parceiros Culturais, que

viabilizam este nobre trabalho!

Encontrar-nos-emos na próxima edição! ?

João Camanho

“evitou sempre a queda do homem na mais degradante

animalidade”. Os símbolos contam-nos, por exemplo, a vida

do ser humano, entendendo-o como uma réplica do universo

(a unidade na diversidade), já que o Macrocosmo está contido

no microcosmo. No dizer de Hermes Trismegisto: “Assim

como é em cima é embaixo”.

É nesse esforço continuado de aprendizagem da

Sabedoria Iniciática das Idades (Doutrina Esotérica), de uma

forma velada, contida nos símbolos, muito além do

conhecimento acadêmico, é nele que reside o único meio de

nos transformarmos, na senda maçônica, em novos seres a

caminho da luz. Aliás, tal metamorfose já era apontada, há

milênios, pelos Mistérios da Grécia no portal do Templo de

Delfos: “Conhece-te a ti mesmo”. Tal inscrição levou o grande

filósofo Sócrates a escolhê-la como lema de seus profundos

ensinamentos.

Permitam-me, caríssimos Irmãos, concluir nossa

palestra com um belíssimo e sagrado texto, carregado de alta

tradição esotérica:

“Assim como uma torrente de água pura, que

despenca do alto de uma montanha e vai brilhando, cada vez

mais, à medida que se expõe aos gloriosos raios do Sol, assim,

também, nossa consciência será mais bem iluminada, à

proporção que a dirigimos para a luz”. ?

Revista Arte Real 60 3


Destaques

A ORDEM DOS OCULISTAS*

De tempos em tempos, sociedades secretas extintas,

que viveram ocultas nas sombras, são trazidas à

tona por pesquisadores que encontram artefatos

ou localizam documentos. Recentemente, um grupo de

pesquisadores, finalmente, conseguiu decifrar um manuscrito

de uma das mais misteriosas da história: a Ordem dos

Oculistas.

Surgida no que, hoje, é a Alemanha, nos anos 1700, tal

Ordem era uma Sociedade cujos membros fascinados

trocavam experiências sobre cirurgias oculares. Logo depois

da Guerra Fria, quando a Alemanha Oriental e a Ocidental

voltaram a ser uma só, cientistas puderam circular pela

Berlim Oriental. Em uma visita, encontraram um documento

deixado por esse clã.

Trata-se de um manuscrito feito sobre papel de

brocado (um tecido ricamente confeccionado e decorado,

usado para gravar conteúdos importantes por muitas

civilizações), de cor verde e dourada. O documento apresenta,

no total, 105 páginas e mais de 75 mil caracteres. São 90 tipos

diferentes de símbolos. Além das 26 letras do alfabeto

romano, o nosso alfabeto convencional, há caracteres

desconhecidos cujo significado, ainda, não havia sido

revelado.

Uma equipe internacional de pesquisadores resolveu

decodificar o documento. O modo como eles trabalharam é

uma verdadeira aula de criptografia. A primeira tentativa

para atingir a meta, como conta um professor da

Universidade da Califórnia (EUA), foi a mais óbvia: isolar as

letras do alfabeto, uma por uma, do resto do texto com

caracteres desconhecidos, e juntá-las para ver se formavam

um texto coerente. Mas isso não funcionou.

A primeira certeza que colocou a equipe de

pesquisadores perto de um resultado foi a descoberta de que

todos os símbolos convergiam para formar palavras em

alemão antigo. Depois de nada menos que 80 tentativas,

conseguiram decodificar as duas primeiras expressões de

todo o documento: “Cerimônias de Iniciação” e “Sociedade

Secreta”.

O texto todo fala sobre isso: funcionamento interno da

Ordem dos Oculistas, seus objetivos políticos e sociais. Depois

que as primeiras expressões foram decodificadas, apareceram

padrões que ajudaram a decifrar o resto. Descobriu-se, com

surpresa, que as letras em alfabeto romano não significavam

absolutamente nada; eram ardis para enganar quem tentasse

decifrar o documento e podiam ser descartadas dele.

Para saber o que cada símbolo desconhecido queria

dizer, os pesquisadores mapearam todos os pontos em

comum entre os caracteres. Todos os símbolos que levavam

um acento circunflexo (^), por exemplo, significam a letra “e”,

ou seja, a diferença entre símbolos era só mais um engodo

para disfarçar. Um conjunto fixo de caracteres, por sua vez,

representa o som “cht”, comum no alemão. A partir de

deduções acertadas como essas, o manuscrito foi sendo

destrinchado.

No campo histórico, as revelações dessas mensagens

têm valor de pesquisa: ajudam a entender como, e até que

ponto, sociedades secretas, como essa, influenciaram

episódios da humanidade. No campo específico da

criptografia, como explicam os decifradores da Ordem dos

Oculistas, cada nova descoberta aperfeiçoa as técnicas para

descobrir o que há por trás de mensagens em código que,

ainda, são um mistério. ?

*extraído do site http://www.hypescience.com

Revista Arte Real 60 4


Informe Cultural

IV SEMINÁRIO MAÇÔNICO PARA A REGIÃO DE JACAREPAGUÁ-RJ

A

Loja Maçônica Isabel Domingues nº 109,

jurisdicionada à Grande Loja Maçônica do Estado

do Rio de Janeiro, promoverá, no próximo dia 03

de março, o IV Seminário Maçônico para a Região de

Jacarepaguá. O evento, que já faz parte do calendário

maçônico carioca, tem reunido centenas de Irmãos de

diversas Lojas da região, ligados às três Potências regulares

(GGLL, GOB, COMAB), destacando-se autoridades,

pertencentes à Alta Administração de tais Potências e do

Supremo Conselho do Grau 33º do REAA da Maçonaria para

a República Federativa do Brasil.

Nesses Seminários são proferidas palestras do mais

alto nível, apresentando, como palestrantes, grandes ícones

da cultura maçônica, membros de Academias Maçônicas,

escritores e maçonólogos, que se destacam por suas obras e se

predispõem a espargir seus ensinamentos aos participantes.

Nessa 4ª edição, tivemos a grata honra de, mais uma

vez, ser convidado pela equipe organizadora para falar sobre

o tema único do IV Seminário: “A Iniciação Maçônica

Comentada Esotericamente”, quando aproveitaremos a

singular oportunidade para expor e debater, através de

Academia da Leitura

TRANSA GRAMATICAL

Francisco Feitosa

multimídia, tópicos, como: a origem da Iniciação; a definição

do termo Iniciar + ação; os tipos de Iniciação; a “recepção” na

Maçonaria Operativa; a influência de outras Ordens no

processo iniciático maçônico; origem de símbolos usados na

Maçonaria; o Homem e suas vestes sutis; os Chacras e a

ritualística; o Templo e o Homem Cósmico; a Iniciação

Simbólica e Iniciação Real.

O tema, muitíssimo oportuno, serve perfeitamente

para conscientizar nossos Irmãos do quanto é importante o

processo iniciático em nossas vidas e da responsabilidade

assumida por cada um, ao aceitar trilhar tão estreita vereda

do saber.

Convido a todos a prestigiarem a quarta edição desse

Seminário, quando teremos enorme prazer em recebê-los, a

fim de abordarmos tão importante tema, quando, com

certeza, aprenderemos juntos.

O templo da Loja Isabel Domingues fica situado na

Rua Cônego Felipe, 246, no bairro Taquara, em Jacarepaguá,

Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro. O evento terá início

às 08h do primeiro sábado de março.

Temos um encontro marcado em Jacarepaguá!

A

coluna Academia da Leitura brinda nossos leitores com um belo texto, cuja autora,

uma aluna do Curso de Letras da UFPE – Universidade Federal de Pernambuco –

venceu um concurso interno, promovido pelo Professor Titular da Cadeira de

Gramática Portuguesa. A ideia da publicação do texto é mostrar que escrever é, de fato, uma

arte. Dá para imaginar o deslizar de seu grafite, quando da construção do texto, desenhando

um lindo bailado, construindo o cenário que, com certeza, levará o leitor ao encantamento.

Segue abaixo o texto Transa Gramatical:

“Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo

masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era

bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Revista Arte Real 60 5


Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um

sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por

leituras e filmes ortográficos.

O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num

lugar sem ninguém ver e ouvir. E, sem perder essa oportunidade,

começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino

deixou as reticências de lado e permitiu esse pequeno índice...

De repente, o elevador para: ótimo, pensou o substantivo,

mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo

depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador

recomeça a se movimentar; só que em vez de descer, sobe e para

justamente no andar do

substantivo.

Ele usou de toda a sua

flexão verbal e entrou com ela em

seu aposto. Ligou o fonema e

ficaram alguns instantes em

silêncio, ouvindo uma fonética

clássica, bem suave e gostosa.

Prepararam uma sintaxe dupla

para ele e um hiato com gelo para

ela. Ficaram conversando,

sentados num vocativo, quando

ele começou, outra vez, a se

insinuar. Ela foi deixando, ele foi

usando seu forte adjunto

adverbial, e, rapidamente,

chegaram a um imperativo; todos

os vocábulos diziam que iriam

terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela

tremendo de vocabulário, e ele

sentindo seu ditongo crescente; se

abraçaram numa pontuação tão

minúscula, que nem um período

simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela

confessou que, ainda, era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu

uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou

levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele,

e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva,

ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi

avançando cada vez mais; ficaram uns minutos nessa próclise, e ele,

com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na

posição de primeira e segunda pessoa do singular. Ela era um

perfeito agente da passiva; ele, todo paroxítono, sentindo o pronome

do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do

edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou dando conjunções e

adjetivos aos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de

preposições, locuções e exclamativas.

Mas, ao ver aquele corpo jovem numa acentuação tônica,

ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e

declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam e viram que isso era melhor do que uma

metáfora por todo o edifício.

O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto

adnominal. Que loucura, minha gente! Aquilo não era nem

comparativo, mas um superlativo

absoluto. Foi se aproximando dos

dois, com aquela coisa maiúscula,

com aquele predicativo do sujeito

apontado para seus objetos. Foi

chegando cada vez mais perto,

comparando o ditongo do

substantivo ao seu tritongo,

propondo, claramente, uma

mesóclise-a-trois.

Só que as condições eram

estas: enquanto abusava de um

ditongo nasal, penetraria no

gerúndio do substantivo e

culminaria com um complemento

verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo

que se poderia transformar num

artigo indefinido depois dessa,

pensando em seu infinitivo,

resolveu colocar um ponto final

na história. Agarrou o verbo

auxiliar pelo seu conectivo,

jogou-o pela janela e voltou ao

seu trema, cada vez mais fiel à

língua portuguesa, com o artigo

feminino colocado em conjunção

coordenativa conclusiva”.

Que a leitura do texto sirva ao leitor de inspiração,

estimulando-o a produzir textos tão criativos quanto este.

Como de praxe, disponibilizamos mais um livro

virtual para download. “ O Malho e o Cinzel” de Luiz

Caramaschi, editado pela Editora Sociedade Filosódica Luiz

Caramaschi, Piraju-SP – 2006. Clique no título, baixe-o e boa

leitura!

Revista Arte Real 60 6


Trabalhos

OS CINCO TIPOS DE DISCÍPULO

A

iniciação é um processo

aberto a todas as pessoas,

independentemente de

sexo, idade, raça, cor, formação,

profissão, religião e condição social

ou cultural. É lógico que uma pessoa

que tem a mente mais trabalhada

leva vantagem, desde que o orgulho,

vaidade e a prepotência não estejam

à espreita para atrapalhar.

A idade mínima para

começar os estudos e práticas não

está fixada, mas é óbvio que é aquela

onde o entendimento, discernimento

e absorção do conhecimento, mesmo

que de forma parcial, possam existir.

A idade mínima para ingresso em

Iniciação, suportada por Ordens

Secretas, Escolas Iniciáticas e

Movimentos Iniciáticos, depois dos

Graus iniciais de preparação, é de 18

anos completos, onde a maioridade é

usual, a menos que autorização

específica seja concedida pelo

iniciador ao neófito. Assim, com

toda essa abertura, cinco tipos de

pessoas procuram a iniciação. Vamos

ver então, a seguir, em que tipo você

se classifica.

O Curioso.

A sua curiosidade o leva

para saber o que é Iniciação e,

também, toda essa história de

esoterismo, ocultismo e de segredos

escondidos. A curiosidade é

importante no início para adentrar a

Iniciação, mas, se a curiosidade

predominar e for o mais importante,

o curioso acaba indo aqui, indo ali,

procurando lá em cima, lá embaixo,

nessa e naquela dependência,

perguntando e cutucando a tudo e a

Sálvio Albenor Oliveira

todos. Mas, como tudo é oculto, não acha nada, acaba desistindo e saindo da iniciação.

A curiosidade busca descobrir o oculto nas salas, nos livros, nas pessoas, nas

dependências da instituição, nas reuniões fechadas, nos graus maiores, e não busca o

oculto dentro de si mesmo, exatamente onde Deus escondeu a Verdade. O curioso,

assim, afasta-se, e sua curiosidade o leva para outras bandas.

O Indiferente.

É aquele do “tanto fez, como tanto faz”, do “se der deu, se não der não deu”,

do “o que vier é lucro”, do “não tenho nada a perder”, do “vamos esperar para ver o

que acontece”. O indiferente entra na Iniciação porque foi convidado, porque tem

carona, para acompanhar alguém, ou porque tem tempo disponível para preencher

com qualquer coisa. A indiferença não permite a sua fixação na Iniciação e muito

menos criar vínculos e compromissos; da mesma maneira que sua indiferença o fez

entrar, da mesma maneira o fará sair, com um saco de conhecimento mais vazio do que

aquele com que entrou.

O Cético.

Na Iniciação, o cético fica mais perdido que cachorro em dia de mudança; já está

perdido por princípio, pois duvida de tudo e não pode aceitar nada. Assim, não tem

certeza alguma, nem mesmo a de que é cético. Ao duvidar de tudo, fecha as suas portas

ao entendimento e, cada vez que duvida, mais se encobre com a escuridão do ceticismo e

com o manto da ignorância. Fica pouco tempo, pois, como não aceita nada, vai aceitar

muito menos ainda aquilo que é oculto. Assim, afasta-se para duvidar de outras coisas.

Revista Arte Real 60 7


O Fanático.

Esse é terrível. Entra com tudo e, com os dois pés,

envolve-se totalmente, cresce muito, sobe a escada do

conhecimento rapidamente até um patamar, onde estaciona o

seu fanatismo, pois joga tudo o que tem no pouco que o seu

fanatismo permite enxergar da Verdade e da Iniciação. Fica

nesse patamar e não sai, pensando ter chegado já próximo ao

final. Nesse patamar, faz da Iniciação a sua religião e das

práticas as ferramentas

para garimpar as pepitas

ou ouro falso, pensando ser

ouro puro. E aí cria suas

raízes, nunca mais sai,

perturbando a tudo e a

todos, como um

especialista sem

especialidade alguma,

muito menos em Iniciação.

Vai se metendo nas

Iniciações dos outros e,

quanto mais quer ajudar,

mais consegue atrapalhar.

É triste, mas é a realidade.

O Que Busca a Verdade.

Você deve estar pensando, que é você. Parabéns por

achar, pois esse é o verdadeiro discípulo da Iniciação, aquele

que busca a verdade e que segue a regra de ouro, que diz:

O discípulo não deve aceitar nada, absolutamente nada do

que lê, do que ouve e do que é falado na Iniciação, por mais

claro que se mostre ao entendimento, pois, se simplesmente

aceitar, poderá estar aceitando uma inverdade, não porque se

trata de uma inverdade, mas de algo verdadeiro, mascarado

com dogmas, opiniões e preconceitos, cuja aceitação cega não

CONSCIÊNCIA MAÇÔNICA

permite distinguir e enxergar como verdade pura;

– Da mesma maneira que não deve aceitar nada,

também, não deve duvidar de nada, por mais absurdo, por

mais fantástico e por mais incrível que se mostre ou

transpareça a um primeiro momento ou contato, pois, se

recusar diretamente, pode estar fechando as portas para o

entendimento de grandes verdades, com isso, atrasando sua

Iniciação.

– A verdadeira

postura do discípulo, em

qualquer grau de iniciação,

é não aceitar nada e não

duvidar de nada, mas

absorver e armazenar tudo

dentro de si e deixar

maturar, até que sua

própria consciência

conclua e registre, no

devido tempo, como sendo

verdade pura, pois

batendo com a verdade,

não existe a mentira, sendo

excluída essa

automaticamente, e, com isso, a Verdade passa a ser

Realidade, a Realidade passa a ser Consciência e a

Consciência passa a ser Deus manifestado.

Esperamos com toda a expectativa e com todo o amor

possível, que você seja, realmente, este quinto tipo de pessoa,

buscadora da Iniciação, ou seja, Buscadora da Verdade. E fico

feliz, pois, com certeza, cresceremos juntos e poderemos

ajudar muitas e muitas pessoas a terem resposta aos maiores

questionamentos: De onde vim? O que aqui faço? Para onde

vou?

“Seja você a transformação que você quer no mundo!”

(Mahatma Ghandi.)

A

Maçonaria é o reflexo do que acontece no mundo! Não poderia ser diferente, pois é

dele que extraímos as pedras para serem lapidadas e esquadrejadas para a Grande

Construção. É do mundo que escolhemos pessoas livres e de bons costumes para a

edificação da Obra do Grande Arquiteto do Universo.

Portanto, todo esse processo de convulsão por que passa o planeta e a humanidade,

consequentemente, reflete-se, de certa forma, dentro dos Templos Maçônicos. O ideal seria que

não acontecesse, mas, quando falamos que, do mundo, “escolhemos” aqueles que chamaremos

de Irmão, talvez, seja onde, em parte, resida o problema.

Francisco Feitosa

Revista Arte Real 60 8


Escolher é selecionar entre outros; é manifestar

preferência. Daí, deparamos com a responsabilidade do

Padrinho. Esse deverá ter consciência da Ordem de que

participa; de suas responsabilidades como Iniciado Maçom;

do trabalho que dele se espera na Maçonaria junto à

sociedade; principalmente, de que não entramos para a

Ordem com o objetivo de tirar vantagens pessoais, e sim de

oferecer ao mundo a oportunidade de dias melhores, nos

transformando e, consequentemente, transformando o

mundo.

Desde a fase Operativa, a Maçonaria, sempre, teve

critérios para admissão de seus membros. Nos primórdios, o

processo de Iniciação não existia, sendo os pedreiros-livres

admitidos através do processo de “recepção”. Embora fosse

uma cerimônia formal, as informações sobre o caráter do

trabalhador da pedra eram fundamentais para sua recepção,

não bastando, tão somente, suas habilidades com o maço e o

cinzel.

Na segunda metade do século XVI e início do século

XVII, momento preponderante de alteração estrutural da

Maçonaria, nossa Ordem sofria perseguições acirradas do

clero, motivando o rei da França, Francisco I, a revogar os

privilégios dos Franco-Maçons, abolindo guildas, cantarias e

demais fraternidades. Na Inglaterra, a rainha Isabel renovava

uma ordenação de 1425, que proibia qualquer assembleia

ilegal, sob pena de ser considerada rebelião. Com isso, a

Maçonaria foi perdendo seu objetivo principal e

transformando-se em uma associação de auxílio mútuo, o que

motivou a entrada dos chamados “Maçons Aceitos”.

O Grande Incêndio de Londres, em 1666, que destruiu

a cidade, foi um divisor de águas na época. Foram os

pedreiros livres, perseguidos pela Igreja e pelos governantes,

que tiveram a responsabilidade de reconstruir as 40 mil casas

e 83 igrejas, sob a direção do arquiteto Cristopher Wren,

sendo sua obra principal a Igreja de São Paulo, em cujo adro

se desenvolveria e estabeleceria, em 1691, uma Loja de

fundamental importância para a Maçonaria moderna, a Loja

de São Paulo (assim chamada, em alusão à Igreja de São

Paulo), ou a Loja da Taberna “O Ganso e a Grelha”, que, mais

tarde, uniu-se a outras três, dando origem à Grande Loja de

Londres, início do sistema obediencial maçônico.

Formada pelos Maçons de Ofício, que reconstruíram

Londres, a Loja de São Paulo, até então, não permitia a

admissão em seus Quadros dos chamados “Aceitos”, mas,

com sua recepção pelas demais Lojas, a partir de 1703,

rendeu-se à nova formatação maçônica. Embora saibamos que

esse processo se iniciou em 1600, em Edimburgo, na Escócia,

com a entrada do Maçom Aceito John Boswell – o Lorde de

Aushunleck - na Loja Saint-Mary’s Chapell.

Nessa oportunidade, o movimento rosacruciano, na

Europa, e a chegada dos chamados ritos alquímicos deram

uma nova roupagem à Maçonaria. Antes Operativa, formada,

exclusivamente, por construtores, passava para o que ficou

conhecido por Maçonaria Especulativa (em particular,

considero um termo um tanto pejorativo), com a entrada dos

Maçons Aceitos e, com eles, vários intelectuais da época,

ligados, principalmente, a diversos segmentos místicos e

esotéricos, trazendo um grande avanço em conhecimentos

das civilizações antigas e de várias culturas, como a Caballah,

o Hermetismo, o Rosacrucionismo, a Alquimia, a

Numerologia, a Astrologia, dentre outras.

O processo de admissão à Ordem passava da simples

“Recepção” para a cerimônia ritualística de “Iniciação”, com

ingredientes próprios, levando os candidatos a mergulharem

no seu íntimo, renascendo como Iniciados.

O primeiro templo maçônico, o “Freemason’s Hall”,

construído em 1776, na Inglaterra, foi baseado no Parlamento

Inglês e não tinha cunho místico ou espiritual. Com o passar

do tempo, os templos foram redecorados com uma

simbologia de profundos significados, ligando nossa Ordem

às culturas da Antiguidade, levando o Maçom a buscar o

arquétipo do símbolo e, nessa busca, encontrar seu Mestre,

seu Deus Interno.

Nesse século, o Iluminismo trouxe, de fato, a luz ao

mundo, originando os movimentos libertários e culminando

com a Queda da Bastilha. Todos os demais feudos, um a um,

caíram na virada do Século da Luz para o posterior, e seus

efeitos adentraram a América, trazendo a Maçonaria ao Brasil,

através das Sociedades Literárias.

Revista Arte Real 60 9


Não se faz necessário narrar aqui os feitos da

Maçonaria Brasileira, já bem conhecidos por todos. Esse breve

e superficial passeio pela história da Maçonaria visa, tão

somente, a conscientizar a quem nos honra, lendo essas

humildes e pretensiosas linhas, de que

a Maçonaria nunca foi e tampouco

será um clubinho de serviços, como

muitos a querem transformar,

utilizando-se de seu ingresso para

atender a interesses pessoais, ostentar

títulos e manutenir vaidades.

Somos uma Escola de

Iniciação, e a etimologia deste termo é

“a ação ou resultado de Iniciar”, ou

seja, de iniciar uma ação interna,

permitindo-se uma transformação

moral e superando os maus e velhos

hábitos, para que haja a verdadeira

metástase, a eucaristia, unindo a

personalidade (matéria) à

individualidade (espírito).

No passado, os Maçons

Operativos eram chamados a

construir templos de pedra. Hoje, a Obra é bem outra! O

homem é a Obra mais perfeita já edificada na face da Terra.

Propositalmente, seu Criador o construiu incompleto, a fim

de que o próprio homem, através da Iniciação, de uma ação

A DESIGUALDADE NA VIDA

Por que são os homens sujeitos à

desigualdade na vida? Onde a razão de

nascerem alguns, destinados a uma

instalação faustosa no mundo, e outros a

arrastarem as cadeias da vergonha e da miséria,

que esse mesmo mundo lhes impõe? Se são todos

filhos de um mesmo Pai, por que só alguns são

tratados com amor e carinho e o resto, com

crueldade e desprezo?

Três explicações são apresentadas pela

Ciência e pela Religião. A primeira deriva-se da

Criação Especial, a segunda da Hereditariedade ou

Atavismo, e a terceira da Reencarnação. Vejamos os

fatos arguidos em cada uma dessas hipóteses e

examinemos qual delas satisfaz melhor à razão e à

lógica.

interna, dê continuidade a sua Obra.

Sem essa consciência dos propósitos de uma

verdadeira Escola de Iniciação, continuaremos a apadrinhar

pessoas descomprometidas com os objetivos de nossa Ordem,

transformando a Grande Obra do

G∴A∴D∴U∴ em um amontoado de

pedras imperfeitas e eternamente

brutas, mal-empilhadas, propensas a

desmoronar, pois a argamassa

utilizada, nesse caso, é composta pela

vaidade, pelo orgulho, pelos

interesses pessoais e pela falta de

consciência, portanto, jamais dará

liga.

O mundo está em convulsão,

mas, se nos comprometermos a

pensar e agir como Iniciados,

transformando-nos em Templos Vivos

e não nos comportando como

profanos, pedras mortas, não

correremos o risco de ouvir,

novamente, da boca do Mestre que,

“(...)desses, não sobrará pedra sobre

pedra”.

De posse da trolha de nossa consciência, continuemos,

denodadamente, nesse evolutivo trabalho de conclusão de

nossa eterna construção!

Fiquemos por aqui!

Cícero dos Santos

Revista Arte Real 60 10


A Criação Especial – onde, segundo uma Vontade

Superior, cujos desígnios escapam à nossa compreensão

(tornando-nos impossibilitados de intervir no nosso próprio

destino), é criada uma alma para cada corpo;

A Hereditariedade – que faz de cada homem uma

vítima fatal da herança biológica dos seus antepassados e,

portanto, sujeita à mesma... impotência de dirigir os seus

destinos;

A Reencarnação – segundo a qual cada homem faz, na

sua vida atual, não só a colheita do que semeou na existência

passada, como uma nova semeadura para o seu futuro,

destino.

A primeira explicação é uma negação peremptória da

Justiça Divina, eterna e infalível, pois essa é crença de um

caráter relativo à alma com que foi presenteado. Se, devido à

posse dessa alma (que

ninguém escolhe), lhe

couber uma vida de

torturas e privações,

terá a criatura de se

conformar com a sua

sorte. No caso

contrário, se a pessoa

foi contemplada com

uma existência de

felicidades materiais e

morais, também, não a

solicitou, nem nada

fez para a merecer.

No caso em

que a vida seja dada para que a alma se eduque pelo valor e

pela experiência, como se explica que um corpo nasça e morra

sem ter aproveitado a única oportunidade que lhe ofereceram

para isso? Tal explicação não resiste por muito tempo às

investigações do raciocínio porque este, no fim de todas elas,

é obrigado a reconhecer as injustiças da criação, fazendo do

homem o único ser sem finalidades e sem progresso.

Hoje, que a evolução está considerada como uma lei

universal, não seria momento próprio para isentar a criatura

humana, que, sem um “passado” responsável pelas suas

venturas ou desditas, não teria um “futuro” compensador,

obrigando-o a increpar o Criador como um déspota arbitrário

e inconsciente. No mínimo, a hipótese da Criação Especial

tornaria toda a humanidade descrente.

A segunda explicação – a Hereditariedade – não é

menos inconsistente. Ela pode servir para explicar, algumas

vezes, a transmissibilidade das qualidades físicas dos pais nos

filhos, mas não é capaz de sustentar esta explicação quanto às

qualidades de caráter, nem dar as razões por que o filho de

um justo pode ser um perverso e o de um sábio, um idiota.

Darwin, com a sua teoria, tangenciou esta explicação, mas

deixou inexplicável a procedência das virtudes sociais através

da luta pela vida.

A hereditariedade satisfaria, no máximo, às pesquisas

científicas sob o ponto de vista animal da criação. Assim, por

exemplo, ela explica que o alcoólatra transmite à sua prole

organismos predispostos à aquisição das mais horríveis

moléstias, porém é omissa quanto aos motivos por que, a tais

desventuradas crianças, é reservada a herança infeliz deste

legado. Que conceitos farão de Deus os desgraçados que

trouxeram ao mundo os estigmas de tal degenerescência?

Ficarão conformados

com a explicação da

hereditariedade?

Já a terceira

explicação diz que

cada alma humana

inicia sua carreira no

mundo, num estado

embrionário de

conhecimento e saber.

Pelo que sofre e pelo

que goza numa

existência, desenvolve

as suas faculdades

morais e intelectuais,

construindo, destarte, o caráter de que é portadora em cada

nascimento. Este caráter traz, sempre, o limite máximo de

evolução alcançado na sua última encarnação, isto é, na sua

derradeira existência.

Todas as virtudes e qualidades nobres, que acentuam

a distinção íntima dessa alma, são recompensas e vitórias

alcançadas à custa de grandes esforços e de perigosas lutas.

Do mesmo modo, defeitos e fraquezas, vícios e crimes,

constituem os primeiros passos no caminho do progresso, e

todos, porém, começarão lutando e acabarão vencendo, de

modo a cada um ser lícito recolher o que plantou.

Pela explicação da Reencarnação, a felicidade é o

resultado de uma conduta anterior, exemplar, e o sofrimento

indica o corretivo de uma existência pecaminosa. A criança,

que morre antes de se desenvolver, salda uma dívida que

contraiu no passado e volta depois para continuar as

experiências.

Revista Arte Real 60 11


O corpo de um idiota, de um estropiado, seja pela

intemperança dos pais, seja por motivos outros

aparentemente inexplicáveis, é destinado a receber uma alma

que, pelo martírio e pelo sofrimento, aprenderá a corrigir a

sua vida anterior. E assim, ininterruptamente, vai-se fazendo

a ascenção progressiva do homem até Deus.

Contra a doutrina da reencarnação, por enquanto, a

única que nos explica razoavelmente o porquê da vida, existe

a fraca objeção da intervenção do livre arbítrio para contrariar

a doutrina evolucionista da alma. Essa objeção não contraria,

antes, a justifica. Se o livre arbítrio é esse poder que tem o

homem de escolher, conscientemente, a prática do bem ou do

mal, é claro que cada um sabe distinguir, perfeitamente, o

valor de suas ações.

O homem, que, num momento de cólera, levanta o

braço criminoso para ferir o seu semelhante, é vítima de um

ímpeto que não soube ou não quis sopitar. Um segundo de

reflexão evitaria o desatino, mas o impulso é animal, é

instintivo, ao passo que a reflexão é humana, é inteligente e

sujeita a uma evolução que demanda grande esforço e

perseverante treino.

Se o homem, prestes a tornar-se um assassino, pensar

no abismo em que vai precipitar-se, com certeza, abaixará o

seu braço quase homicida e não onerará o seu débito moral

com mais esse compromisso. Entre outras muitas coisas em

que pensará no momento psicológico do atentado, figurará a

idéia do fatal pagamento que, dele ou de seus filhos, será

infalivelmente exigido.

Ora, os esforços inauditos praticados para o nosso

aperfeiçoamento são pequenos descontos feitos nas nossas

dívidas. Desde que, pelo livre arbítrio, procuramos praticar o

bem e a caridade, ativando os nossos conhecimentos na ânsia

da perfeição e do progresso e desembaraçando-se,

espontaneamente, dos desejos e prazeres, resgatamos, de

algum modo, a dívida contraída. Esta dívida e seus parciais

descontos, os espiritualistas chamam de “karma”, ou seja, a

lei de causa e efeito.

Se, pela explicação inteligente do nosso livre arbítrio,

não anularmos totalmente essa lei, poderemos reduzi-la

grandemente, sem, com isso, alterar-se os desígnios da

Criação. É na lei de Karma que repousam os sólidos alicerces

da Reforma Social. Desde que uma sociedade não distribua

pelos indivíduos que a constituem, o indispensável conforto e

bem-estar, deverá ser reformada de modo a assegurar-lhes a

felicidade que eles não têm.

E a nova legislação, que venha estabelecer o equilíbrio

da riqueza social, a sua distribuição equitativa pelo povo,

realizando com fatos a democratização dos governos, só

encontrará base firme na aceitação da doutrina, promovendo

o despertar da consciência humana, estimulando a atividade

da sua espiritualidade e o aperfeiçoamento do seu caráter.

Despertada essa consciência que, no nosso povo,

sempre, viveu latente ou adormecida, não será difícil

reconhecer que a vida é um prêmio ou um castigo

transitórios, e daí o dizer-se “que cada povo tem o governo

que merece”.

Poderemos, ainda, relembrar que as leis de causa e

efeito não se aplicam, somente, aos indivíduos, mas, ainda, às

coletividades, constituídas pelas famílias, pelas cidades, pelas

nações, etc.

No entanto, o nosso único desejo atual é frisar que a

verdadeira felicidade humana só poderá ser desfrutada pelo

conhecimento da lei da reencarnação, após o despertar da

nossa consciência.

Eis as palavras que lançamos no coração de todos os

brasileiros, tendo os olhos voltados para a imagem dulcíssima

do Supremo Mestre, quando fazia à turba que o

acompanhava, o célebre Sermão da Montanha, referindo-se ao

Semeador:

“Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava,

uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e

comeram-na. E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra

bastante, e logo nasceu porque não tinha terra funda; mas, vindo o

sol, queimou-se porque não tinha raiz. E outra caiu em espinhos, e

os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em terra boa e

deu fruto: um grão produziu cem, outro sessenta e outro trinta.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”. (Math. 13.3.8.)

Que esta mesma imagem do Senhor de Compaixão

projete a Sua Sombra calma e confortadora pelo campo em

que procuramos semear. Que a Sua Infinita Bondade vibre

suavemente sobre todos os bons semeadores... Que Ele

derrame as Suas Bençãos Misericordiosas sobre os germens,

agora, espalhados, a fim de fazê-los crescer e multiplicar...

Que, finalmente, permita o desabrochar da consciência

brasileira até agora adormecida, iluminando os olhos

anuviados dos Filhos dessa Terra de Promissão e afinando os

seus desacautelados ouvidos!...

*Matéria extraída da Revista Dhâranâ nº 0 – 2º semestre de

1925, órgão oficial de divulgação da Sociedade Brasileira de Eubiose.

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Reflexões

PASSE DE MÁGICA

O

desejo é uma parte importante da realização. Ajuntese

à lista, ainda, conhecimento, atitude

empreendedora, persistência e espírito crítico para

mudar quando necessário. Saber, querer e fazer são condições

para se alcançarem metas. A questão, contudo, diz respeito à

forma de se desejar. O que se espera comumente é que as coisas

aconteçam conforme a crença pessoal, sem se considerar o que

cada objetivo requer verdadeiramente. Embora a pessoa acredite

que esteja plantando corretamente, a semente não vinga, e a

colheita falha.

Um trabalhador, por exemplo, se esforça por

determinado período para chegar mais cedo, ser simpático

com os colegas, agradar ao chefe, na expectativa de obter

promoção e aumento de salário. Mas não investe em si, para

adquirir mais conhecimento, autonomia e responsabilidade

pessoal. Não se leva em conta o que é imprescindível, mas o

que é conveniente. E o resultado esperado, porém, sequer

passa perto das possibilidades. Então, a boa vontade cai,

fazendo elevar o descaso.

O aluno quer o diploma e a festa de formatura.

Todavia, não estuda e quer que seus exames resultem

favoravelmente com boas notas. Não é assíduo e protesta,

julgando-se injustiçado ao constatar as faltas registradas.

Conversa durante a aula e estranha o desconhecimento acerca

do tema apresentado. Demora a iniciar um trabalho e se diz

vítima da falta de tempo. Atira pra baixo e reclama de acertar

o próprio pé.

Uma pessoa abre seu negócio sem observar o mercado

e perde informações que poderiam lhe render a

sobrevivência, quiçá, o progresso. Pouco se dispõe a

mudanças, não se atualiza, torna-se obsoleta e pouco

competitiva. Não se mexe, apenas, aguarda e, ainda, lamentase

da maré de azar. É como lançar o anzol sem a isca.

Boas Dicas

V

Armando Correa

O esbanjador tropeça na perna da imprevidência, mas

se queixa da falta de dinheiro. Gasta sem se preocupar com o

futuro. No entanto, quando o porvir lhe chega, faz do seu

presente motivo de abominação. Usa o cartão de crédito livre

e alegremente até a fatura lhe causar tristeza.

De um jeito ou de outro, não basta querer para obter.

É preciso mais. Não há mágica. Mas pode existir ilusão. É

possível crer, com veemência, que dará certo aquilo que, se

analisado à luz da consciência, mostra-se claramente

improvável. O devaneio pinta o cenário com lindas cores, o

esboço, que mal saiu dos contornos de carvão. É crer que as

parcelas do seguro-desemprego não se acabam. O bolo não

queima. A desculpa resolve. O tanque reserva é suficiente. O

tempo espera. A droga não vicia. Nada atrapalha. A saúde é

inabalável... A lista é interminável, e cada um a escreve à sua

moda.

Eis o risco: se autoiludir na certeza de controlar a

ilusão. Negar a existência do engano sem percebê-lo em si

mesmo.

isite nosso site www.entreirmaos.net e baixe todas as edições de nossa Revista Arte Real, além de vários e-books

maçônicos e não-maçônicos, que muito deverão ajudá-los na composição de suas Peças de Arquitetura. Indique

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Revista Arte Real 60 13


Lançamentos

“Tudo é Uma Questão de Atitude – Sonho e Visão” é um livro

que vai te ajudar a replanejar sua vida, reconhecer a importância de

uma atitude positiva, e outros aspectos essenciais como perdoar e

elogiar. Cada artigo serve como tema para profunda reflexão, levando

o leitor a buscar entender a si mesmo, ingrediente fundamental no

processo de autotransformação. Recomendo como livro de cabeceira.

? Feitosa.

“O Mito Jesus – A Linhagem e a Descendência do Mestre!” - O

autor apresenta, em três livros, um trabalho sério de 15 anos de

pesquisas, baseado em documentos, sobre a identidade, a genealogia

e a relação do Mestre Jesus com diversas personalidades do mundo

atual.

Um trabalho único e ousado, já que pouquíssimos autores

ousaram adentrar nessa linha de pesquisa que, com certeza, vai de

encontro a “verdade” imposta pelo Vaticano!

Recomendamos sua leitura!

“Indicamos aos nossos diletos leitores, como livro de cabeceira,

a excelente obra de nosso Irmão e Amigo, Alfredo Netto, que,

magistralmente, uniu seu vasto conhecimento com a arte de bem escrever,

traduzindo-se em um livro que, levará o ávido leitor a profundas reflexões

e, consequentemente, a um eterno aprendizado!” Feitosa.

Os direitos autorais foram cedidos à Loja Maçônica União e Solidariedade -

GLESP, acordado que o lucro advindo da venda se reverta para obras de

Filantropia.?

Arte Real é uma Revista maçônica virtual, de publicação mensal, fundada em 24 de fevereiro de 2007, com registro na

ABIM – Associação Brasileira de Imprensa Maçônica – 005-JV, que se apresenta como mais um canal de informação,

integração e incentivo à cultura maçônica, sendo distribuída, gratuitamente, via Internet, hoje, para 24.000 e-mails de

Irmãos de todo o Brasil e, também, do exterior, além de uma vasta redistribuição em listas de discussões, sites maçônicos e listas

particulares de nossos leitores. Sentimo-nos muitíssimo honrados em poder contribuir, de forma muito positiva, com a cultura

maçônica, incentivando o estudo e a pesquisa no seio das Lojas e fazendo muitos Irmãos repensarem quanto à importância do

momento a que chamamos de “Quarto de Hora de Estudos”. Obrigado por prestigiar esse altruístico trabalho!

Editor Responsável, Diagramação, Editoração Gráfica e Distribuição: Francisco Feitosa da Fonseca - M∴I∴ - 33º

Revisão Ortográfica: João Geraldo de Freitas Camanho - M∴I∴ - 33º

Colaboradores nesta edição: Armando Correa – Cícero Santos – João Camanho – Sálvio Albenor.

Contatos: MSN - entre-irmaos@hotmail.com / E-mail – revistaartereal@entreirmaos.net / Skype – francisco.feitosa.da.fonseca / (35) 3331-1288 / 8806-7175

Suas críticas, sugestões e considerações são muito bem-vindas. Temos um encontro marcado na próxima edição!

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