Revista #158 - Linha Direta

linhadireta.com.br

Revista #158 - Linha Direta

EDIÇÃO 158

ANO 14 - MAIO 2011

Publicação mensal dos Sinepes, Anaceu, Consed, ABMES, Abrafi, ABM, Fundação Universa e Sieeesp

Diferentes formas de

aprendizagem

A tecnologia e a interatividade

na educação

Ibero-América // Iberoamerica

Metas Educativas 2021 // Metas Educacionales 2021

A escola e a tecnologia

Muitas dúvidas e uma certeza

Educação Infantil

Experiências Sensoriais

Consolidação

Gestão para o

crescimento

Aprendizado

Educação não é

informação

Ari de Sá Neto José Carlos Rassier


editorial

Tecnologia

na educação

No mundo globalizado, informatizado e

conectado, onde a disseminação de informações

acontece segundo a segundo,

a educação não pode negar que as novas

Tecnologias da Informação e da Comunicação

(TICs) abrem infinitas possibilidades.

Novas formas de pensar, comunicar-se

e aprender são introduzidas cotidianamente,

mediadas por tecnologias cada vez

mais sofisticadas. As TICs permitem aulas mais

dinâmicas, interativas e, hoje, não são uma opção

do educador, e sim uma necessidade dos alunos,

nativos digitais desse mundo tecnológico. Ciente

disso, esta edição da Linha Direta traz, em sua reportagem

de capa, uma análise desse tema, com

cases de sucesso sobre diferentes tipos de aprendizagem.

Além de outros assuntos de interesse do

leitor, temos também uma reflexão em homenagem

às vítimas do ataque que matou 12 crianças

na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo,

zona oeste do Rio de Janeiro, no último dia 7 de

abril. Não poderíamos deixar passar em branco o

fato que chocou o Brasil e o mundo. Tenham todos

uma boa leitura!

Presidente

Marcelo Chucre da Costa

Diretora Executiva

Laila Aninger

Editora

Jeane Mesquita – MG 09098 JP

Designer gráfico

Rafael Rosa

Revisão

Cibele Campos

Tradução/Revisão espanhol

Gustavo Costa Fuentes - RFT1410

Consultor Editorial

Ryon Braga

Consultor de Responsabilidade

Socioambiental

Marcus Ferreira

Consultor em Gestão Estratégica

e Responsabilidade Social

Marcelo Freitas

Consultora para o Ensino Superior

Maria Carmem T. Christóvam

6 Revista Linha Direta

Marcelo Chucre da Costa

Presidente da Linha Direta

Conselho consultivo

Ademar B. Pereira

Presidente do Sinepe/PR – Curitiba

Airton de Almeida Oliveira

Presidente do Sinepe/CE

Amábile Pacios

Presidente do Sinepe/DF

Antônio Eugênio Cunha

Presidente do Sinepe/ES

Antônio Lúcio dos Santos

Presidente do Sinepe/RO

Átila Rodrigues

Presidente do Sinepe/Triângulo Mineiro

Benjamin Ribeiro da Silva

Presidente do Sieeesp

Cláudia Regina de Souza Costa

Presidente do Sinepe/RJ

Emiro Barbini

Presidente do Sinep/MG

Fátima Turano

Presidente do Sinepe/NMG

Gabriel Mario Rodrigues

Presidente da ABMES

Gelson Menegatti Filho

Presidente do Sinepe/MT

Hermes Ferreira Figueiredo

Presidente do Semesp

Ivana de Siqueira

Diretora da OEI em Brasília

Tecnología en la

educación

En el mundo globalizado, informatizado y

conectado, en donde la diseminación de informaciones

sucede segundo a segundo, la

educación no puede negar que las nuevas

Tecnologías de la Información y de la Comunicación

(TICs) abren infinitas posibilidades.

Nuevas formas de pensar, comunicarse y

aprender son introducidas cotidianamente,

mediadas por tecnologías cada vez más sofisticadas.

Las TICs permiten clases más dinámicas,

interactivas y, hoy, no son una opción del educador,

y sí una necesidad de los alumnos, nativos digitales

de este mundo tecnológico. Conciente de esto, esta

edición de Linha Direta trae, en su reportaje de tapa,

un análisis de este tema, con cases de éxito sobre diferentes

tipos de aprendizaje. Además de otros asuntos

de interés para el lector, tenemos también una

reflexión en homenaje a las víctimas de la masacre

que mató 12 niños en la Escuela Municipal Tasso da

Silveira, en Realengo, zona oeste de Rio de Janeiro,

el último día 7 de abril. No podríamos dejar pasar en

blanco el hecho que dejó en estado de conmoción a

Brasil y al mundo. ¡Esperamos que tengan todos una

buena lectura!

Ivo Calado

Asepepe

Jorge de Jesus Bernardo

Presidente da Abrafi e do Semesg

José Augusto de Mattos Lourenço

Presidente da Fenep

José Carlos Barbieri

Presidente do Sinepe/NOPR

José Carlos Rassier

Secretário nacional da ABM

José Nunes de Souza

Presidente do Sinepe/PI

Krishnaaor Ávila Stréglio

Presidente do Sinepe/GO

Manoel Alves

Presidente da Fundação Universa

Marco Antônio de Souza

Presidente do Sinepe/NPR

Marcos Antônio Simi

Presidente do Sinepe/Sul de Minas

Maria Auxiliadora Seabra Rezende

Presidente do Consed

Maria da Gloria Paim Barcellos

Presidente do Sinepe/MS

Miguel Luiz Detsi Neto

Presidente do Sinepe/Sudeste/MG

Natálio Dantas

Presidente do Sinepe/BA

Marcelo Chucre da Costa

Presidente de Linha Direta

Nelly Falcão de Souza

Presidente do Sinepe/AM

Odésio de Souza Medeiros

Presidente do Sinepe/PB

Osvino Toillier

Presidente do Sinepe/RS

Paulo Antonio Gomes Cardim

Presidente da Anaceu

Suely Melo de Castro Menezes

Vice-presidente do Sinepe/PA

Thiers Theófilo do Bom Conselho Neto

Presidente da Fenen

Victor Maurício Nótrica

Presidente do Sinepe/Rio

Pré-Impressão e Impressão

Rona Editora – 31 3303-9999

Tiragem: 20.000 exemplares

As ideias expressas nos artigos assinados

são de responsabilidade dos autores e não

representam, necessariamente, a opinião

da Revista. Os artigos são colaborativos

e podem ser reproduzidos, desde que a

fonte seja citada.

(31) 3281-1537

www.linhadireta.com.br


contexto

Gestão para o

crescimento

“Trabalhar com educação significa estar aberto às mudanças e

às novas tendências”. É nisso que acredita o Sistema Ari de Sá

de Ensino, segundo o diretor executivo Ari de Sá Neto

Presente em 12 Estados e

mais de 50 municípios no

país, o Sistema Ari de Sá de

Ensino (SAS) quadruplicou o número

de escolas conveniadas nos

últimos cinco anos. O segredo do

sucesso? “Ter sempre as melhores

pessoas , inspiradas e motivadas

(...) na busca de construir uma

organização de múltiplas competências”,

afirma Ari de Sá Cavalcante

Neto, diretor executivo

do SAS e do Colégio Ari de Sá.

Ele é formado em Administração

de Empresas, com mestrado

pelo Massachusetts Institute

of Technology (MIT) e passagens

pela Ernst & Young e Mckinsey.

Confira entrevista à Linha Direta.

Em que se pauta a gestão do

Sistema Ari de Sá de Ensino?

Nossa gestão busca a excelência

na construção de material didático

de qualidade – serviço prestado

pelo melhor grupo de profissionais,

à disposição das nossas

escolas conveniadas.

Qual o segredo do sucesso de

uma organização?

18 Revista Linha Direta

Ter sempre as melhores pessoas,

inspiradas e motivadas. Não há

força que substitua uma equipe

qualificada, com objetivos alinhados

e propósito firme. Procuramos

ter um grupo de profissionais com

backgrounds diversos, oriundos de

áreas distintas, com o objetivo de

construir uma organização de múltiplas

competências.

O Enem induz a mudanças na

educação do país. Como o SAS

compreende essa forma de avaliação?

O Enem nos obriga, como educadores,

a buscar de forma constante

o mundo real, a sair da

abstração dos conteúdos tradicionais

para a contextualização.

É um grande desafio, de longo

prazo, mas é possível constatar

alguns avanços, como o enxugamento

de alguns conteúdos, assim

como uma mudança na mentalidade

do professor em relação

à abordagem em sala de aula.

Atualizamos anualmente todo o

nosso material didático e, com

o Enem, esse processo tornou-se

ainda mais intenso.

E por falar em atualização,

como promover um programa

de tecnologia educacional que

possa ser utilizado por todas as

escolas conveniadas?

Acredito que o mundo exige

que se promovam educação e

tecnologia lado a lado. As mídias

digitais, por exemplo, são

uma poderosa ferramenta de

ensino-aprendizagem. No SAS,

utilizamos a TV Ari, que disponibiliza

ao aluno aulas, seminários

e eventos 24 horas por dia, ampliando

em tempo real o acesso à

informação, antes restrito à sala

de aula.

Não há dúvidas de que caminhamos

para uma realidade em que

o material didático será, em

grande parte, entregue ao aluno

em versão digital, através de

um e-reader. Já estamos desenvolvendo

versões de livros eletrônicos,

disponíveis em nosso

portal. Mas não podemos deixar

que a tecnologia se torne

distração, temos que manter o

foco principal: a aprendizagem

do aluno.


Ari de Sá Cavalcante Neto, diretor executivo do SAS

Os professores estão preparados

para isso?

Os professores e as escolas estão

em busca de aperfeiçoamento.

Trabalhar com educação

significa estar aberto às mudanças

e às novas tendências. Ser

flexível não significa perder sua

essência, e sim ter uma postura

investigativa e de escuta sensível

às mudanças, para que possamos

acompanhar a evolução

da educação.

E os gestores escolares?

Os gestores são os maiores responsáveis

por essa formação,

devendo organizar uma proposta

pedagógica que permita a reflexão

e as discussões. O professor

tem que se formar em exercício,

tornando-se modelo e referência

para seus alunos.

Em cinco anos, o número de

escolas conveniadas ao SAS

quadruplicou. A que fatores se

pode atribuir esse crescimento?

Sem dúvida, ao nível de qualidade

e consistência de conteúdos

do material didático, aliado à

qualidade dos serviços disponibilizados

nas nossas escolas conveniadas.

Atualmente, estamos

presentes em 12 Estados e mais

de 50 municípios no país, sobretudo

porque construímos uma

equipe com grande capacidade

de trabalho e talento. Contamos

também com excelentes resultados

em vestibulares e institutos

militares, que atraem olhares de

alunos e de diretores de escolas

interessados em aliar seus resultados

aos do Sistema Ari de Sá.

Quais os planos de crescimento

e consolidação da marca no país?

Sonhamos estar presentes em

todo o território nacional, mas

faremos tudo com responsabilidade.

Recentemente, fizemos a

aquisição da Rede Integral, na

Bahia, que já possui um longo

histórico de reconhecida educação

de excelência, da educação

básica ao Ensino Superior. Vamos

desenvolver a operação do SAS

na Bahia a partir da plataforma

já construída pela Integral, que

possui material didático de alta

qualidade e escolas conveniadas

de destaque. ¢

www.portalsas.com.br

Revista Linha Direta 19


Petya Petrova

capa

Diferentes formas

22 Revista Linha Direta

Salas de aula, webconferências,

TV interativa, ambientes

virtuais, comunidades online.

Hoje, são muitos, e diversificados,

os ambientes de aprendizagem.

Diversas mídias se integram para

compor o novo conceito deste ambiente

de aprendizagem, aberto

à interdisciplinaridade e possibilitando

novas relações entre educador/educando

e conhecimento.

Assim, vivenciamos diferentes estilos

e formas de aprender.

As Tecnologias da Informação e da

Comunicação, ou TICs, como são

conhecidas, trouxeram mudanças

significativas para a educação ao

romper paradigmas na sala de

aula tradicional e transformar o

espaço de aprendizagem em um

lugar no qual educadores e educandos

aprendam e ensinem de

maneira democrática, criativa,

participativa e autônoma. As TICs

não são apenas uma opção do

educador que quer inovar, tornar

a aula mais atrativa e dinâmica,

mas uma necessidade demandada

pelo educando, conhecedor

e praticante de seus recursos,

ávido por novidades, com acesso

cada vez mais cedo à tecnologia.

A partir dessa perspectiva, a tec-

nologia na educação exige diferentes

formas e estilos de aprendizagem.

Para a doutora em educação Vani

Moreira Kenski, “a inserção das

TICs no ambiente educacional

exige, inicialmente, a formação

do professor em uma perspectiva

que procure desenvolver uma

proposta que permita transformar

o processo de ensino em algo dinâmico,

constante e desafiador”.

Nesse contexto de mudança, o

educador precisa internalizar e incorporar

as tecnologias em todas

as etapas do processo pedagógico,

garantindo que esse espaço de

produção de conhecimento possa

realmente sinalizar novos rumos

para a aprendizagem inovadora.

A formação dos educadores para

essa realidade educacional tem

sido o maior desafio das políticas

públicas e das universidades em

nosso país. Nesse sentido, José

Carlos Libâneo, doutor em educação,

evidencia a importância do

educador como peça fundamental

para a mediação, articulação,

socialização e sistematização dos

conhecimentos na internalização

dos saberes.


de aprendizagem

A tecnologia e a interatividade na educação

O educador, ao desempenhar seu

papel de parceiro, articulador,

interlocutor, facilitador e orientador

do educando, precisa, sobretudo,

ultrapassar a forma tradicional

de organização curricular e

definir novas relações entre a teoria

e a prática, a fim de garantir

condições para o desenvolvimento

do trabalho coletivo e interdisciplinar

no espaço tecnológico de

aprendizagem.

Assim, é preciso que o educador

atenda às novas demandas pedagógicas,

articulando o conhecimento

às tendências tecnológicas,

que chegam com grande impacto

sobre o nosso dia a dia, como a

robótica, a realidade aumentada

(um ambiente que envolve a realidade

virtual e elementos do mundo

real), livros interativos, 3D e

muitos outros, contribuindo para

a criação de novas estratégias de

ensino. A tecnologia em 3D vem

encantando milhares de pessoas,

seja no cinema, jogos ou meios

publicitários, e agora o educando

pode vivenciar isso na prática,

através da criação e desenvolvimento

de projetos virtuais em 3D

nas escolas. O que antes parecia

algo distante, hoje é real.

A Microkids, na área da educação

há mais de 16 anos, é uma das

empresas que tem acompanhado

essas tendências e, de olho na

diversidade, facilidade e complexidade

dos avanços tecnológicos

que o mundo atual proporciona,

traz uma proposta inovadora em

sua tecnologia educacional. Seu

material está fundamentado em

concepções e teorias relevantes

para a educação, como as preconizadas

por Vygotsky, Piaget,

Lévy e Perrenoud. Tem como

proposta viabilizar a integração

curricular, habilitar para o exercício

da autonomia, estimular a

pesquisa e a prática investigativa,

compartilhar saberes, integrar

pais, alunos, professores,

equipe técnica, comunidade escolar

e sociedade e preservar e

incentivar a identidade cultural

das regiões e instituições de ensino.

Casos de sucesso

Segundo Paulo Eduardo de Mello,

consultor da Unesco junto à Universidade

da Integração Internacional

da Lusofonia Afro-Brasileira

(Unilab), no Ceará, as tecnologias

educacionais foram incorporadas,

recentemente, pelo Ministério da

Educação (MEC) como um elemento

de sua política de materiais

educacionais destinados à

educação básica.

Mas essa questão só passou a

contar com uma ação específica

do MEC a partir do Decreto nº

6094/07, que institui o Plano de

Metas – Compromisso Todos pela

Educação. Para captar esses materiais

e tecnologias educacionais

e disponibilizá-los para as

redes públicas de ensino, o MEC

criou, segundo Mello, dois instrumentos:

o Edital de Chamada

de Tecnologias Educacionais

e o Guia de Tecnologias Educacionais.

“Ao lançar a chamada

pública para pré-qualificação

de tecnologias educacionais, o

MEC objetiva avaliar e pré-qualificar

tecnologias educacionais

que apresentem potencial para

a melhoria da Educação Básica

em suas diferentes etapas, além

de atender às especificidades

das modalidades de educação”,

ressalta.

Uma das empresas pré-qualificadas

pelo MEC, em 2007, foi a

Microkids, com um material que

Revista Linha Direta 23


24 Revista Linha Direta

Da esquerda para a direita, Valdirene Magri, coordenadora pedagógica,

e Luzia Costa, secretária de Educação de Santa Teresa/ES

promove e apoia a qualidade da

Educação Básica e, por isso, está

presente no Guia de Tecnologias

Educacionais do Governo Federal.

A qualificação se deu após avaliação

e seleção dos trabalhos que

impactam, de forma positiva, os

indicadores de qualidade, apontando

a Coleção Microkids como

material que explora a tecnologia

voltada para a educação, elevando

o Índice de Desenvolvimento

da Educação Básica (Ideb) do país.

Presente nos sistemas públicos de

ensino, em grandes e pequenos

municípios, a empresa vem contribuindo

com o crescimento do

Ideb. Um exemplo dos bons resultados

gerados é o município de

Santa Teresa, no Espírito Santo.

“Sentimo-nos privilegiados pela

parceria, há quatro anos, com a

Microkids, que proporciona aos

nossos educandos o desenvolvi-

Alunos da Escola Adventista

de Palmas/TO

mento de competências fundamentais

para o convívio na sociedade

atual”, afirma a secretária

Municipal de Educação de Santa

Teresa, Luzia Costa.

Para a coordenadora pedagógica

Valdirene Mageski Cordeiro Magri,

da mesma cidade, a satisfação

está em “perceber que a

educação no município, por meio

da Microkids, ultrapassa os limites

da escola, tornando a aprendizagem

prazerosa, conduzindo

o educando ao questionamento,

à criticidade e à busca de soluções,

cumprindo, assim, seu papel

social”. É inegável o fato de

que as tecnologias despertam a

atenção de toda uma geração de

crianças e jovens, conectada ao

mundo digital.

A educadora Levany Rogge, que

trabalha com alunos do 1° ano


do Ensino Fundamental da Rede

Municipal de Educação de Vila

Velha, no Espírito Santo, acredita

que a proposta da Microkids irá

agregar valor às suas práticas em

sala de aula. “Estamos ansiosos

pela implantação do projeto em

nosso município. Ele chegou para

subsidiar o trabalho dos educadores,

que precisam de formação

continuada para inserir a tecnologia

em seu planejamento e nas

atividades do cotidiano escolar,

fomentando a criação de uma

postura reflexiva e investigativa

por parte dos educadores e dos

educandos”, defende.

Roselita Camargo, diretora pedagógica

do Sistema Microkids, destaca

que o educador, com o conhecimento

de informática, será

capaz de perceber, com maior

precisão, as tendências emergentes.

Com a atenção voltada para

Atividades com a Robótica Microkids no

Centro Educacional Souza, de Macaé/RJ

essas necessidades, a robótica

educacional foi incorporada à

Coleção Microkids, com conteúdos

importantes, como a cultura

digital e os temas transversais

desenvolvidos nos projetos, valorizando

a participação do aluno

na aquisição do conhecimento e

promovendo o prazer no processo

de aprendizagem.

Foi o que aconteceu no Centro

Educacional Souza, de Macaé/RJ.

“O resultado foi maravilhoso”, enfatiza

a professora de informática

Glaucia Bastos Monteiro, referindo-se

ao trabalho realizado com

o material didático da Microkids.

“Os alunos realizaram projetos

interdisciplinares de robótica,

desenvolvendo, com criatividade

e dinamismo, um protótipo de

um cavalo de pau (extração de

petróleo) e uma esteira mecânica

(indústria)”, conta.

Revista Linha Direta 25


26 Revista Linha Direta

Consciente de sua responsabilidade social e acreditando que é possível

diminuir as desigualdades sociais a partir do acesso e incentivo

ao uso da tecnologia, o Sistema Microkids atende à Educação Infantil,

ao Ensino Fundamental e ao Ensino Médio. Os livros apresentam

a tecnologia como recurso pedagógico transdisciplinar, estimulando

reflexões geradas a partir de atividades lúdicas e contextualizadas,

que promovem a investigação, a comunicação e o espírito

criativo, dispensando conhecimentos aprofundados dos aspectos

técnicos. O material didático é desenvolvido para as plataformas

Windows e Linux, acompanhado por CD-ROM com softwares educacionais,

biblioteca de livros virtuais, banco de imagens, vídeos e

atividades que transformam a experiência em saber, em aprendizagem

significativa.

“A Microkids possui um material através do qual os alunos se sentem

mais motivados a aprender. Eles percebem que o educador

está integrando o conteúdo da sua disciplina ao conhecimento tecnológico”,

ressalta a professora Karla Giovanny, do Colégio Diocesano,

em Teresina, Piauí, onde o Sistema Microkids foi implantado

há oito anos. “Os alunos aprendem a trabalhar os softwares de

maneira divertida, e os educadores começam a ter um olhar pedagógico

sobre eles. Assim, a parceria vem, a cada ano, contribuindo

para a melhoria do desempenho acadêmico de nossos alunos”,

reitera.

Já a coordenadora-geral das Escolas Adventistas no Estado do Tocantins,

Marli Pereira Silva Guimarães, enfatiza: “Não basta apenas

ensinar o conhecimento tecnológico, mas imbuí-lo num poder de

criação e transformação. A Educação Adventista no Tocantins tem

ampliado os saberes dos alunos através dessa parceria de sucesso”.

O gestor da Escola Adventista de Palmas/TO, Air Filho, acrescenta:

“O que mais me impressionou foi o custo-benefício e a praticidade

do material, que dá abertura para o educando criar. Isso coaduna

com um dos grandes objetivos da Educação Adventista: desenvolver

cidadãos pensantes e não meros refletores dos pensamentos

de outros. A Microkids contribui grandemente para a consecução

desses objetivos educacionais”.

Na certeza de que educação e tecnologia são indissociáveis, há necessidade

emergencial de rever, ampliar e modificar muitas formas

atuais de ensinar e aprender, para que as tecnologias possam realmente

favorecer a melhoria da qualidade da educação brasileira.

Nesse contexto, a Microkids oferece condições para adequação das

práticas pedagógicas nos sistemas de ensino estadual, municipal e

privado, com a pré-qualificação do MEC em virtude de sua qualidade

técnica e pedagógica, da experiência de utilização na prática

educacional e do seu potencial de disseminação em grande escala,

abrangendo diferentes estilos e formas de aprendizagem. ¢

Saiba mais em www.microkids.com.br.

Tecnologia aplicada


Abrams

espaço ibero-americano

espacio iberoamericano

28 Revista Linha Direta

Metas


Segundo ele, também é importante a cooperação

entre os programas para desenvolver alguns âmbitos

específicos, como ampliar o programa de alfabetização,

de educação básica de jovens e adultos, para

conseguir superar os problemas de analfabetismo na

região, e melhorar a atenção educativa na primeira

infância, fator determinante para o desenvolvimento

posterior.

O compromisso das Metas foi firmado pelos 23 paí ses

ibero-americanos – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile,

Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Espanha,

Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México,

Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico,

Portugal, República Dominicana, Uruguai e Venezuela

–, a partir de uma iniciativa da OEI.

Sobre a participação da OEI no projeto, Tiana diz: “O

papel é de incentivo, de apoio para que esse trabalho

possa, realmente, ser cooperativo e conjunto. Mas o

importante é que os países vejam a iniciativa como

um projeto deles, ligado às suas prioridades e planos

em matéria de educação”. ¢

32 Revista Linha Direta

partir del Informe, será posible colocar en primer

plano los factores fundamentales de la educación

y “no apenas aquéllos con los que nos detenemos

en los datos cuantitativos”. Para el director general

del Iesme, la idea es que el Informe también

apunte las dificultades de cada país.

Tiana prevé la entrega del documento, con las

evaluaciones y estadísticas de los países, en septiembre

de 2011, cuando será realizada la Conferencia

Iberoamericana de Educación, en Paraguay.

“Esperamos que los indicadores sirvan para

seguir avanzando en el cumplimiento de las metas,

pues, antes, teníamos dificultades de acceso

a informaciones relevantes. Son más que indicadores,

faltan experiencias, vivencias”.

Según él, también es importante la cooperación

entre los programas para desarrollar algunos

ámbitos específicos, como desarrollar más el

programa de alfabetización de educación básica

de jóvenes y adultos, para conseguir superar

los problemas de analfabetismo en la región, y

mejorar la atención educativa en la primera infancia,

factor determinante para el desarrollo

posterior.

El compromiso de las Metas fue firmado por los

23 países iberoamericanos – Argentina, Bolivia,

Brasil, Chile, Colombia, Costa Rica, Cuba, El

Salvador, Ecuador, España, Guatemala, Guinea

Ecuatorial, Honduras, México, Nicaragua, Panamá,

Paraguay, Perú, Puerto Rico, Portugal,

República Dominicana, Uruguay y Venezuela – a

partir de una iniciativa de la OEI.

Sobre la participación de la OEI en el proyecto,

Tiana dice: “El papel es de incentivo, de apoyo

para que este trabajo pueda, realmente, ser cooperativo

y conjunto. Pero, sin dudas, lo importante

es que los países ven la iniciativa como

un proyecto de ellos, ligado a sus prioridades y

planos en materia de educación”. ¢


tecnologia

Pressmaster

A escola e a

tecnologia:

muitas dúvidas

e uma certeza

O

discurso sobre o uso da

tecnologia na educação

é recheado de lugares-

-comuns: fala-se todo o tempo

da rapidez das mudanças, da importância

de se formar o usuário

crítico, do desafio da formação

continuada, das revoluções que

se aproximam, das possibilidades

abertas pela web 2.0 (e 3.0), das

tecnologias móveis...

Há um oceano de incertezas com

as quais rapidamente os educadores

se habituaram a conviver – principalmente

porque, na maior parte

das vezes, nossa escola continua

num estágio bastante aquém desses

dilemas. É como se alguém que

ainda está no mundo das bicicletas

passasse a alimentar preocupações

com os avanços tecnológicos dos

automóveis.

50 Revista Linha Direta

Contudo, é justamente aqui que se

encontra o coração do problema

que nós, educadores, vivemos, no

que tange à tecnologia.

É verdade que a tecnologia ainda

pouco mudou a escola. Mas isso

não acontece por questões técnicas,

por hardwares, softwares ou

mesmo pela aclamada resistência

do professor. O ponto de viragem

do uso da tecnologia vale tanto

para um PC quanto para a aurora

anunciada dos livros digitais: chama-se

projeto pedagógico.

Sim: o projeto pedagógico continua.

As experiências mais bem-

-sucedidas de assimilação dos

recursos tecnológicos são, comprovadamente,

aquelas em que a

escola se organizou de forma diferente

para atender às demandas

Antônio de Castro*

do mundo contemporâneo. Nessas

escolas, são menos importantes as

discussões sobre o que fazer com

este ou aquele recurso (sejam lousas

eletrônicas, celulares, tablets

etc.). Entram em jogo outros fatores

muito mais desestabilizadores

para a escola de hoje: elas tratam

do tempo escolar, da organização

da aprendizagem, do currículo, do

papel do professor.

Nessas escolas, a tecnologia não

detonou as mudanças. Ela foi naturalmente

incorporada em um projeto

de ensino que não se conforma

mais com as estruturas seculares

que herdamos. E foram assimiladas

como aquilo que são: ferramentas,

como um dia o foram o livro, a lousa,

o giz. A boa notícia é que não

são necessárias revoluções. Tratase

mais de tomada de consciência,

da qual o projeto político-pedagógico

é a plena expressão.

Por isso, temos pela frente um desafio

mais sério do que introduzir à

força as últimas novidades do mercado.

Precisamos de uma vez por

todas rever coletivamente o projeto

pedagógico, a fim de alinhar

a escola com um tempo que não

aceita mais as mesmas respostas –

porque vive de novas perguntas. ¢

*Gerente de Mídias Digitais do Ético

Sistema de Ensino e do Agora Sistema

de Ensino

www.sejaetico.com.br


gestão pública

Apreender significa reter, acumular um aprendizado,

o que difere basicamente de ter acesso a

muitas informações e, inclusive, de não saber

decodificá-las adequadamente. A sociedade da mídia,

da informação instantânea, da rapidez das tecnologias

de comunicação e informação avançou rapidamente no

bojo da Revolução Tecnológica e Científica, mas as escolas,

espaço público onde a educação se pratica, não

acompanhou a celeridade das transformações, o que

nos leva a afirmar que temos razoáveis escolas originárias

da Revolução Industrial e poucas da era contemporânea.

Esse hiato entre duas épocas e tempos com ritmos diferenciados

tem sido objeto de estudo de vários especialistas

com tendências filosóficas e políticas distintas.

John Naisbit, em seu livro Megatendências, advertiu

sobre o fato de que os Estados Unidos poderiam se tornar

líderes na produção de informações, matéria-prima

valiosa na era do conhecimento e lenta em promover

as transformações que o sistema de ensino e educação

requer para se adaptar à mudança de paradigma.

No início da era moderna, os iluministas vislumbravam,

através do conhecimento, a possibilidade de os homens

desvendarem, de forma científica, o mundo em que

viviam, podendo se tornar sujeitos portadores de saberes.

Ter conhecimento equivalia a desmistificar o mundo

antigo, em que determinadas explicações sobre os

fenômenos não estavam baseadas em provas racionais.

Ser indivíduo portador de conhecimento era o equivalente

a tornar-se cidadão livre, autônomo e capaz

de refletir sobre o mundo. Desde então, a sociedade

68 Revista Linha Direta

José Carlos Rassier*

Educação não é

INFORMAÇÃO Ctacik


moderna nunca mais se dissociou

da ideação da educação, entendida

como forma de socializar os

indivíduos no mundo da liberdade

do saber.

As transformações econômicas

e sociais advindas da Revolução

Industrial e da economia de mercado

ensejaram outra perspectiva

para a educação, que deixou de

ser tão somente a possibilidade de

garantir o acesso dos homens às

luzes do saber e da razão e passou

também a educá-los para o mercado

de trabalho e para as relações

sociais de troca. Deste modo,

do século XVIII ao XX, a educação

foi se moldando às outras dimensões

da vida, especialmente as de

natureza social e econômica, e se

constituindo como um dos fatores

de produção.

Na atualidade brasileira, a dicotomia

entre a nova e a velha educação

é visível. Os contrastes se

evidenciam no cotidiano escolar.

Saudamos as escolas cujos alunos

sabem ler e escrever razoavelmente,

como se essa habilidade

não fosse premissa indispensável

que todos devessem adquirir com

a socialização educacional. Temos

a oitava economia do mundo, ilhas

de prosperidade e grandes bolsões

de analfabetos funcionais, tecnológicos

e de saberes humanizantes.

Como sociedade, ainda não fomos

capazes de concluir o projeto da

modernidade proposta à educação

e já nos deparamos com os desafios

da mudança de era, e não apenas

de época, que nos remete para

amplos e complexos desafios.

Podemos, de forma crítica, assinalar

o espírito idealizador dos

pensadores da modernidade,

que vislumbravam na educação a

emancipação plena dos homens,

sem deixar de reconhecer que não

70 Revista Linha Direta

há liberdade plena na ignorância.

E é preciso assinalar também que

devemos conjugar a questão educacional

com o desenvolvimento

de habilidades e de competências

cognitivas.

Sabemos que existe uma enorme

diferença entre conhecimento e

informação. Eis que muitas pessoas

têm acesso irrestrito, através

das redes cibernéticas, a muitos

dados, o que não significa que saibam

lidar com eles em sua vida

prática. O desejável é que os indivíduos

adquiram não apenas o

conhecimento formal e técnico,

mas, igualmente, sejam capazes

de, através da educação, se apropriarem

de conhecimentos que

lhes permitam adotar atitudes,

comportamentos e competências

para a vida.

Dirão os mais críticos que nessa

afirmação reside um pouco da

mesma utopia da modernidade,

que vislumbrava na educação uma

das maneiras de igualar os homens

para a liberdade em sociedade.

Nesse contexto, torna-se importante

registrar o posicionamento

da Comissão Europeia, que tratou

da problemática entre ensinar

e aprender, salientando os três

grandes choques que impulsionam

a era pós-moderna: o advento da

sociedade da informação, da civilização

técnica e científica e da

globalização da economia. Destaque-se

que “o desafio será promover

uma educação de saberes que

associe conhecimento humano e

capacidade de aplicação de educação

formal e técnica”.

Da mesma forma, os críticos dirão

que essa posição reduz ainda mais

o papel da educação, moldando-a

como mera coadjuvante do mercado

de trabalho, subordinada

apenas e tão somente às relações

de mercado. Para não ficar imune

ao debate, deve-se reiterar que a

modernidade e sua evolução histórica

se dão no âmbito da centralidade

dos homens e das condições

sociais do trabalho. O dilema

é este: como desenvolver um sistema

educacional que permita a

evolução no sentido mais amplo e

seja capaz de preparar os indivíduos

para o mundo real?

Talvez tenhamos que revalorizar,

no sentido filosófico, os ensinamentos

de alguns pensadores,

para refletirmos de forma mais

intensa. Para Kant, “o homem não

“Educação é aquilo que fica depois que

você esquece o que a escola ensinou.”

é nada além daquilo que a educação

faz dele”. Reconhece-se,

dessa maneira, o impacto da educação

para a vida. Paulo Freire,

por sua vez, traz uma dimensão

mais ampla sobre a problemática

educacional, ao destacar que “a

educação sozinha não transforma

a sociedade, sem ela tampouco a

sociedade muda”. A conjunção das

duas reflexões é uma boa porta de

entrada para o debate e para continuarmos

a afirmar a máxima de

Einstein: “Educação é aquilo que

fica depois que você esquece o

que a escola ensinou.” ¢

*Sociólogo e mestre em Gestão

Pública

www.portalegp.adm.br


tecido

Janaína Navarro*

Vanessa Valentim*

Andréa Ribeiro*

Tatiane Amaral*

78 Revista Linha Direta

Experiências

sensoriais

na Educação

Infantil

Com o intuito de garantir um ambiente prazeroso

e rico de experiências, além de favorecer a

vivência dos familiares no âmbito escolar, a

Educação Infantil do Colégio Objetivo realizou

a exposição Experiências Sensoriais, com a

participação de alunos de dois e três anos


Considerando que a aprendizagem

abrange aspectos

afetivos, sociais, físicos, linguísticos

e cognitivos, e que, nessa

fase especialmente, a criança

precisa ter contato com estruturas

tridimensionais, que permitam

a exploração, foi desenvolvida

esta proposta. Nos laboratórios,

os alunos manusearam diferentes

objetos, vivenciando e experimentando

novas possibilidades

de transformações, aprofundando,

assim, temas específicos, desenvolvidos

nas diversas áreas do

conhecimento.

Em Códigos, Comunicação, Expressão

e Representação, os alunos

vivenciaram situações por

meio de histórias, dramatizações,

produção espontânea de desenho,

interação com personagens e confecção

de livros, pois, expressando

seus desejos, sentimentos e

ideias, ampliam, gradativamente,

a possibilidade de comunicação e

representação.

Na área de Introdução à Lógica

Natural e Atividades Pré-

-Numéricas, foram propostas

atividades nas quais as crianças

exploraram a comparação

de grandezas, a descoberta de

características e propriedades

dos objetos e suas possibilidades

associativas, suas semelhanças

e diferenças, envolvendo as

cores e as formas geométricas.

Um tapete de sensações, uma

máquina com tinta e um quebra-

-cabeça gigante fizeram com que

presenciassem a transformação,

a reutilização e a construção de

elementos e formas em um universo

rico em texturas, cores,

volumes e contrastes.

Nessa perspectiva, houve situações

nas quais os conhecimentos

foram adquiridos de forma

espontânea e significativa,

permitindo que os pais conhecessem

aspectos relevantes do

desenvolvimento do raciocínio

lógico de seus filhos.

Muitos são os temas pelos quais

as crianças têm interesse na

área de Natureza e Cultura.

Assim, para que pudessem co-

nhecer as partes do corpo e

as diferentes possibilidades de

movimentos corporais, foi proposto

um ambiente de exploração

em que todos se movimentavam

e se observavam com o

auxílio de sombras e espelhos.

É importante o contato com

diferentes acontecimentos do

mundo em que vivemos e o

acesso a modos variados de

compreendê-los e representálos.

Por isso, foi construído um

meio de transporte, com cadeiras

e pneus, o qual possibilitou

que os alunos ampliassem o conhecimento

de maneira lúdica

e fizessem parte de um todo

integrado ao meio social.

Essa proposta permitiu que,

mais uma vez, a parceria entre

escola e família pudesse ser enriquecida,

colaborando para o

crescimento dos alunos. ¢

*Professoras da Educação Infantil

do Colégio Objetivo

apoiopedagogico@objetivo.br

Revista Linha Direta 79

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