Consultar a versão PDF - Revista Outdoor

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Consultar a versão PDF - Revista Outdoor

nº5 Maio/junho 2012

www.revistaoutdoor.pt

outdoor

Torna-te fã

Revista

PortugAl A Pé

O livro de Nuno Ferreira

sos

Psicologia da Sobrevivência

descobrir

A Costa Vicentina!

AventurA

Lisboa-Madrid em BTT

AtividAdes

em família

the tAll shiPs rAces

A grande regata está a chegar a Lisboa

PortugAl em kAyAk

por Aurélio Faria

entrA nA ondA

com a Rita Pires


editoriAL 04

grAnde rePortAgem

PORTUGAL EM KAYAK por Aurélio Faria

em FAmÍliA

06

ATIVIDADE- Canoagem em Sesimbra

DESCOBRIR - Dog Trekking

12

EVENTO - Tall Ships 14

MINHA EXPERIÊNCIA - O Embarque

AventurA

22

EVENTO — Norte Alentejano O’Meeting 24

DESAFIO — 2numundo

entrevistA

28

Rita Pires — A onda é da Rita

Por terrA

34

ATIVIDADE — Caminho do Abade 40

DESAFIO — Lisboa Madrid em BTT 42

ATIVIDADE — Birdwatching 47

CRÓNICA — Hola Peregrino!

Por ÁguA

52

ATIVIDADE — Bodyboard 59

INDOOR — Preparação para Bodyboard 62

EVENTO — Volvo Ocean Race 64

DESCOBRIR — Whale Whatching

FotogrAFiA

70

TRUQUES E DICAS — Fotografar Sequências 76

PORTFOLIO DO MÊS — Rui Romão 80

FOTO-REPORTAGEM — PAN PARK OULANKA

sos

86

Psicologia da Sobrevivência

descobrir

92

COSTA VICENTINA 96

EVENTO - CLIFF DIVING SERIES 104

Pousada de Juventude da Arrifana 108

PROJETO - Descobrir o projeto de Sílvia Romão 110

DESAFIO - IronMena-Dê Sangue, Apoie a Vida 114

LIVRO AVENTURA - Portugal a Pé 116

RECEITA OUTDOOR - Esparguete à Puttanesca

kids

118

FESTAS DE ANIVERSÁRIO 120

AtividAdes outdoor

desPorto AdAPtAdo

124

ECOPARQUE SENSORIAL DA PIA DO URSO

esPAÇo APecAte

130

Conquistar o Mercado Externo 134

A FechAr 138

Os textos e imagens presentes na Revista Outdoor são da responsabilidade dos seus autores.

Não é premitido editar, reproduzir, duplicar, copiar, vender ou revender, qualquer informação presente na revista.

Diretrizes

06

34

Rita Pires dispensa apresentações... É Bodyboarder

profissional e uma amante do

mar e da descoberta! Rita esteve à conversa

com a Outdoor e contou-nos alguns

dos seus segredos e projetos para o futuro...

Já és fã? Entra nesta onda...

104

nº5 Maio_Junho

2012

“São Vicente à vista!” - exclamaram extenuados,

mas felizes Nuno Pereira e Rui

Calado ao desembarcar no areal da Arrifana,

depois de 7 horas de remadas com

vento forte e mar grande e agitado.

A ilha de S. Miguel ganha em julho próximo

honras de capital mundial de um dos

desportos mais técnicos e exigentes de

todos os tempos: o Cliff Diving. O Red

Bull Cliff Diving World Series visita assim

Portugal e os Açores pela primeira vez,

trazendo consigo os melhores atletas do

planeta.


chegou o

número 5!

Novos temas, novos desafios,

novas personalidades…com

estes ingredientes chega o

novo número da Outdoor!

A natureza começa a brindar-nos com as

suas cores primaveris, o sol começa a espreitar

e o ficar em casa deixa de ser opção. Vamos mostra-lhe o

que andam a fazer grandes aventureiros portugueses, queremos

dar-lhe sugestões de atividades para que se deslumbre

com o nosso país. Desejamos que a sua vontade de descoberta

deixe de ser uma vontade e passe a ser um desafio concretizado.

Mergulhe nas páginas da Revista Outdoor: desfrute e parta

à aventura!

Começamos com uma travessia em Kayak pela nossa costa.

Passamos por grandes eventos que se vão realizar no nosso

“cantinho” fantástico e entrevistamos a nossa campeã de Bodyboard

Rita Pires. Descobrimos truques para grandes fotografias,

conhecemos projetos que nos fascinam: já se imaginou

numa aventura de Ovar a Macau em bicicleta? E em fazer uma

travessia entre Lisboa e Madrid? Que tal entrar na onda: ler e

partilhar este número?

Aventure-se e já sabe, a Revista Outdoor também é sua: participe.

Existe algum tema que gostasse que fosse explorado por

nós? Algum dos nossos artigos que tenha gostado em particular?

É fã dos artigos de algum dos nossos redatores? Dê-nos a

sua opinião e eventuais sugestões para que nos seja possível ir

ao seu encontro.

E não se esqueça: até ao próximo número pode acompanhar

todas as novidades no Portal Aventuras!

Boas Aventuras!

Nuno Neves

4

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Editorial Ficha técnica

www.portalaventuras.clix.pt

Edição Nº5

WPG – Web Portals lda

NPC: 509630472

CaPital soCial: 10.000,00

rua Melvin Jones Nº5 bc – 2610-297 alfragide

telefone: 214702971

site internet: www.revistaoutdoor.pt

e-mail: info@revistaoutdoor.pt

reGisto erC N.º 126085

Editor E dirEtor

NuNo Neves | nuno.neves@portalaventuras.pt

MarkEtiNg, CoMuNiCação E EvENtos

isa HeleNa | isa.helena@portalaventuras.pt

sofia CarvalHo | sofia.carvalho@portalaventuras.pt

bebiaNa CruZ | bebiana.cruz@portalaventuras.pt

rEvisão

Cláudia CaetaNo

ColaboraraM NEstE NúMEro:

aNa barbosa, aNa liMa, aNdré Melo, aurélio

faria, Cláudio silva, ferNaNdo Costa,

filoMeNa GoMes, GoNçalo beNtteNCourt,

luís varela, NuNo ferreira, NuNo Pereira,

Paulo GoNçalves, Pedro filiPe, rafael

PolóNia, rita Pires, riCardo MeNdes, rui

Calado, rui CuNHa, rui roMão, sílvia roMão,

sPea, susaNa MuCHaCHo taNya ruivo, tiaGo

Costa.

dEsigN Editorial

iNês rosado

FotograFia dE Capa

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dEsENvolviMENto

ÂNGelo saNtos


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Advanced Dynamics é a tecnologia com que criámos

a bicicleta de trail mais eficiente do mercado. Uma

máquina que te fará subir mais ágil do que nunca

e te dará o máximo controlo para fazeres faísca

em qualquer descida. Nova Orbea Occam, onde

eficiência e controlo se juntam.

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Grande Reportagem

TRAVESSIA PORTUGAL

EM kAyAk

Vicente à vista!” - exclamaram

extenuados,

mas felizes Nuno

Pereira e Rui

“São

Calado ao de-

sembarcar no areal da Arrifana,

depois de 7 horas de remadas

com vento forte e mar grande

e agitado.

À 15ª etapa de 53km entre Vila

Nova de Milfontes e a praia da

costa vincentina, que incluiu cansativas

pagaiadas para vencer as águas

6

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“O

desafio:

percorrer toda

a costa portuguesa

em caiaque! De Caminha

a Vila Real

de Santo Antó-

nio “

revoltas do Cabo Sardão, os dois canoístas

acreditaram finalmente que cumpririam

o sonho de serem os primeiros

a realizar a travessia de Portugal

em caiaque.

«O desafio: percorrer toda a costa

portuguesa em caiaque! De

Caminha a Vila Real de Santo

António (...), são quase 900km

de costa, esta costa que nos define

como portugueses, e através

da qual nos aventurámos nas

maiores conquistas. É sem dúvida

um grande desafio, mas nada é impos-


sível!» - resumia a apresentação para angariação

de patrocínios.

A PARTIDA

Preparada durante sete meses pelos dois aventureiros

que se conheceram no grupo Amigos

da Pagaia, a travessia, planeada para 1 mês de

duração máxima, arrancou a 3 de julho de 2010

na foz do rio Coura, em Caminha, no extremo

norte da costa continental portuguesa.

Nos 2 caiaques monolugar de 5,5m de comprimento

e pouco mais de meio metro de largura,

além do canoísta, há 140kg de carga: material

diverso, mantimentos, 10 litros de água, comi-

das liofilizadas e muitas massas, «comida que

não se estraga...» - explicou Nuno à largada.

«A 1ª etapa correu de vento em popa, quase

sempre com vaga média/alta para ajudar na

surfada. Agora, é continuar com força, etapa

após etapa, até Vila Real de Santo António.» O

plano é cumprido, e no primeiro dia, Nuno e

Rui remam 31,37km em 5h09m entre Caminha

e Viana do Castelo, onde montam também

o primeiro acampamento à beira mar.

À falta de patrocínios chorudos, têm o apoio

moral que marcará sempre a aventura até

Vila Real Santo António: a companhia de amigos

e seguidores, «malta dos caiaques» que

vai acompanhá-los no início ou final de cada

etapa... Nalguns casos, a solidariedade valerá

também rancho melhorado nas pernoitas em

terra.

AS PRIMEIRAS ETAPAS

O cansaço de remar horas seguidas no mar,

sob o sol inclemente de verão, provoca sequelas

imediatas: a enxaqueca de Nuno, por

insolação, e a dor de ombro de Rui, por repetição

de movimentos, assinalam as primeiras

etapas. Mas o diário da viagem reflete a determinação:

«2ª Etapa Viana do Castelo - Vila

do Conde, 41,28 km, tempo 6h13m A segunda

etapa está cumprida! Acabámos de chegar a

Vila do Conde, o dia esteve calmo, sem nada

de relevante a assinalar. 3ª Etapa Vila do Conde

– Espinho, 41,48 km, média 6,8, tempo

6h06m. 4ª Etapa Espinho – Aveiro, 46,04 km,

média 6,0, tempo 7h38m».

RUMO SUL

Com a costa sempre em linha de vista, previsões

meteorológicas favoráveis, e o mar

«umas vezes calmo, outras vezes agitado, para

não perder o interesse», os aventureiros cumprem

em excelente ritmo, um quinto do percurso

em cinco dias.

No blogue da expedição, a 5ª etapa de 61,54km

e 12 horas de pagaiadas entre Aveiro e a Figueira

da Foz é especialmente relembrada por

Nuno: «Foram mais de 60kms e quase 12 horas

a remar. Está feito! Fomos visitados pelo ISN

que nos foram cumprimentar em duas motas

de água do ISN, garantir que estava tudo OK,

e de uns pescadores que, por causa dos caiaques

pesados, nos confundiram com arrastões

da concorrência!»

80 km e mais de 12 horas a remar, a jornada

seguinte até São Martinho do Porto é marcada

OUTDOOR Maio_Junho 2012 7

Reportagem

Portugal em Kayak


Grande Reportagem

pelo «mar e o vento a crescerem nos últimos

kms».

TERRA PERIGOSA

Paradoxalmente, é em terra, na praia do Porto

de Abrigo, na Ericeira, no término da 8ª etapa,

que correm risco de vida.

No local da pernoita, sentem já de ma-

drugada, um forte estrondo na tenda.

Um basalto de calçada arremessado

do alto da muralha

da vila rompe a tenda e cai a

centímetros dos pés de Nuno e

Rui. Os gritos de protesto pro-

vocam novos apedrejamentos

deliberados, e só a corrida

de Rui até ao cimo da rampa

do porto provoca a fuga dos

desconhecidos atacantes que

podiam ter comprometido fatalmente

a aventura.

Com a tenda destruída, ambos dormem

o resto da noite sobressaltados e encharcados

junto dos caiaques.

8

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Da Costa

da Caparica

até Sesimbra, e da

vila piscatória até à

praia dos Coelhos, em

Setúbal, os dias seguintes

decorrem em

ritmo de passeio

(..)”

GOLFINHOS, PESCARIA E RISOTA

Desde a Ericeira, e até à foz do rio Tejo, as 2

etapas seguintes são marcadas pelo avistamento

de golfinhos e pela tentativa gorada de melhorar

a ementa com pescarias...

É quase à socapa, e por causa dos eventuais

pedidos de autorização que não pos-

suem, e sob os efeitos de uma

corrente muito forte que atravessam

a foz do Tejo entre

Cascais e a Cova do Vapor.

O desembarque, atribulado,

termina na praia da Cornélia

na Costa da Caparica, sob risota

geral do comité de boas

vindas: «Na areia, e por causa

das ondas, o grupo assistiu

literalmente à gargalhada, ao

nosso viranço!»

SUL DO TEJO

Da Costa da Caparica até Sesimbra, e da

vila piscatória até à praia dos Coelhos, em Setúbal,

os dias seguintes decorrem em ritmo de


passeio, ou de «descanso ativo» nas palavras

dos próprios.

Entre Setúbal e Sines, a 13ª etapa faz jus à superstição:

é a mais longa (9h e 64km), a mais

dura e cansativa – com vento e ondulação lateral

que obrigam a quilómetros adicionais e a

navegação longe da costa, para dobrar o cabo

de Sines-, e a mais azarada – Nuno corta a mão

com uma faca enquanto preparava uma sandes.

PARAGEM FORÇADA

A etapa seguinte que termina em Vila Nova de

Milfontes, e com previsões meteorológicas adversas,

acaba por obrigar a uma paragem forçada

de 3 dias «“Daqui para baixo“ as etapas

serão cuidadosamente estudadas de modo a

acertar com os ventos favoráveis, e a navegar

sem pressas».

Na Costa Vicentina, com raros portos de abrigo,

e sem refúgio imediato, em caso de alteração

do vento e do estado do mar, a dupla prefere

“jogar pelo seguro” e passa a avaliar cuidadosamente

as condições meteorológicas.

Ao 20º dia de aventura, Nuno e Rui cumprem

finalmente a 15ª etapa, e re-

mam 7 horas seguidas, com vento

forte, mar grande e agitado, para

cumprir os 52 km de percurso até

à Arrifana.

Após a aborrecida espera de 3

dias na foz do rio Mira, a Arrifana

representa um prémio pela perseverança

desde Caminha: «nada parece

intransponível» já com Sagres,

o último grande desafio geológico, em

“ponto de mira”!

S.VICENTE E SAGRES

A dobragem do Cabo de São Vicente, e especialmente

do Cabo de Sagres, requer alguns cuidados,

e a melhor meteorologia possível, para a

dobragem em segurança dos 2 cabos atlânticos.

Com boas condições climatéricas a etapa mítica

cumpriu-se sem sobressaltos. O GPS regista

um percurso de 45,30km, a uma média de 5,8

durante 7h52m.

No Martinhal, a praia escolhida para o fim da

«etapa mítica», há festa e uma “tainada“ levada

do norte do país por alguns dos caiaquistas que

acompanharam Nuno e Rui na passagem do extremo

sul de Portugal Continental.

ÚLTIMAS ETAPAS

Sem pressas, a travessia do Algarve é programada

para desfrutar o verão, o mar calmo e as

praias que permitem momentos de descontracção

e convívio em terra.

“A

dobragem

do Cabo de São

Vicente, e especialmente

do Cabo de

Sagres, requer alguns

cuidados

(...)”

OUTDOOR Maio_Junho 2012 9

Reportagem

Portugal em Kayak


Grande Reportagem

Com a temperatura a convidar a ir à água, é finalmente

tempo de remar sem stress, e apreciar

a paisagem, as grutas e as falésias. De Sagres

até Portimão, e da praia da Falésia, em Albufeira,

até à Ilha do Farol, há tempo inclusive para

beber uma sangria na Praia do Lourenço!

É na penúltima etapa que são surpreendidos

por «um mar que nada tem de algarvio, devido

ao sueste e à ondulação de sul que complica a

navegação». Com a rebentação a começar a 50

m da praia, o desembarque assusta, mas acaba

por decorrer sem problemas.

FINAL, 21ª ETAPA

Às 11 da manhã de 29 de julho, Nuno e Rui iniciam

a última etapa: Cabanas,Tavira –Vila Real

de Santo Antonio (26km).

Compassadamente, a dupla rema de modo a

chegar às 16h a Vila Real Santo António.

Com Portugal numa margem e Espanha na outra,

os aventureiros entram no Guadiana, e é na

companhia de amigos, e com um mergulho no

rio que festejam o fim da 1ª travessia de Portugal

em caiaque.

Quase 2 anos depois, a pequena epopeia marítima

de 851,05km de Rui Calado e Nuno Pereira

permanece ainda (infelizmente) desconhecida

da maioria dos portugueses. ø

Aurélio Faria

10

SAbIA qUE ...

Nuno Pereira, parceiro de Rui Calado na Travessia

Portugal em Kayak, acabou de partir para mais uma

grande Aventura? A Volta Ibérica já começou e a Outdoor

vai acompanhar diariamente esta travessia! Podem

acompanhar no blogue oficial em www.voltaiberica.com

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

ETAPAS

1ª Etapa Caminha – Viana do Castelo 31,37 km

Média 6,1 Tempo 5h09m

2ª Etapa Viana do Castelo - Vila do Conde 41,28 km

Tempo 6h13m

3ª Etapa Vila do Conde – Espinho 41,48 km

Média 6,8 Tempo 6h06m

4ª Etapa Espinho – Aveiro 46,04 km

Média 6,0 Tempo 7h38m

5ª Etapa Aveiro –Figueira da Foz 61,54 km

Média 5,8 Tempo 10h33m

6ª Etapa Figueira da Foz – São Martinho do Porto 80

km

Média 6,5 Tempo 12h20m

7ª Etapa São Martinho do Porto – Peniche 33,75 km

Média 6,3 Tempo 5h21m

8ª Etapa Peniche - Ericeira 45,46 km

Média 6,2 Tempo 7,21

9ª Etapa Ericeira- Cabo da Roca 26,15 km

Média 5,4 Tempo 4h50m

10ª Etapa Cabo da Roca – Costa da Caparica-Praia

da Cornelia 33,85 km

Média 6,2 Tempo 5h27m

11ª Etapa Costa da Caparica-Praia da Cornelia – Sesimbra

34,39 km

Média 6,2 Tempo 5h33m

12ª Etapa Sesimbra – Setubal 16,56 km

Média 6,7 Tempo 2h28m

13ª Etapa Setúbal - Sines 63,82 km

Média 7,2 Tempo 8h50m

14ª Etapa Sines – Vila Nova de Milfontes 30km

Tempo 4h00m

15ª Etapa Vila Nova de Milfontes - Arrifana 52km

Tempo 7h00m

16ª Etapa Arrifana – Praia do Martinhal, Sagres

45,30km

Média 5,8 Tempo 7h52m

17ª Etapa Praia do Martinhal, Sagres – Portimão

44,06km

Média 6,3 Tempo 7h01m

18ª Etapa Portimão – Albufeira, praia da Falésia

37km

19ª Etapa Albufeira, praia da Falesia – Ilha do Farol

33km

20ª Etapa Ilha do Farol – Tavira, Ilha de Cabanas

28km

FINAL: 21ª Etapa – 29 de Julho Tavira, Ilha de Cabanas

–Vila Real de Santo António 26km

(As más condições do mar obrigaram a paragens

forçadas no 5ºdia – Figueira da Foz, 17º, 18º, e 19º

dias – Vila Nova de Milfontes e 21º dia da expedição,

descanso em Sagres )


Em Família

Aventura

Passeio em canoa

sesimbra selvagem

12

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Entre

grutas

e paisagens de

cortar a respiração,

iremos fazer uma

paragem numa

praia selvagem

(...)


Hoje em dia a canoagem já

não se limita a simples descidas

de rio. A costa marítima

portuguesa é muito bonita e

existem vários locais bastante

abrigados que permitem

um agradável passeio de

canoa em total segurança

quando devidamente planeado.

A costa Arrábida – Espichel

é um desses locais

que oferece excelentes

condições para a prática da

modalidade.

Um passeio de canoa ao longo da linha

de Costa de Sesimbra, é a nossa sugestão.

Com um nível de dificuldade

baixo, este é um programa indicado

para famílias.

Realizado na área da Reserva marinha Professor

Luís Saldanha, uma zona extremamente

rica em vida marinha, deslumbre-se e deixe a

natureza falar por si!

Entre grutas e paisagens de cortar a respiração,

poderemos observar a fauna e flora local. Iremos

fazer uma paragem numa praia selvagem

para lanche e descanso.

Caso as crianças não se sintam em segurança

na canoa, haverá um barco de apoio, onde podem

ir e, desta forma desfrutar de um fantástico

passeio de barco com todo o conforto.

Ainda não está convencido? ø

ficha técnica

Dificuldade: Baixa

Duração:

½ dia (normalmente das 9:30 as

13:30)

Atividade:

10 participantes

Preço por pessoa:

25€ - Desconto de 50% para

crianças que não ocupem lugar

de remador.

Advertências:

Deve trazer calçado prático que

se possa molhar, fato de banho,

toalha, chapéu para a cabeça,

protetor solar, pequena mochila,

reforço alimentar e uma muda de

roupa para vestir pós atividade.

O uso de colete é obrigatório.

Promotor:

Vertente Natural

OUTDOOR Maio_Junho 2012 13

Em Família

Passeio Canoa


Em Família

rotA dAs broAs

um legAdo A descobrir

14

Dog Trekking

A Pé e à PAtA

O

carácter de um cão não resulta

unicamente da herança genética. A

aprendizagem adquirida na vivência

do quotidiano, principalmente

na fase inicial do seu crescimento,

imprime uma marca profunda na personalidade

do cão.

A manifestação de inquietude e ansiedade são

sinais de falta de sociabilidade e de exercício

que podem ser minorados se integrarmos o

cão, como animal gregário que é, periodicamente

em caminhadas de grupo para que possa

mostrar a sua expressividade. Naturalmente

interessado por tudo o que o rodeia, tem uma

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

enorme vontade de explorar, descobrir territórios

que o estimulem.

Dotado de formas próprias de relacionamento

social, o convívio ao ar livre proporciona a

sociabilização e traz outras vantagens ao criar

relações de cordialidade que se desenrolam de

forma mais natural em território neutro. Aconselhamos

por isso a realização destes percursos

idealmente na companhia de mais de um elemento

canino.

É precisamente tendo por base todas estas premissas,

aliadas às estreitas relações que se estabelecem

no binómio cão / dono, que promo-


vemos o Dog trekking.

Em traços gerais, esta atividade

desportiva de outdoor existe

em duas vertentes: a desportiva e

a de lazer. É nesta última que nos centramos,

convidando os participantes a trocar

experiências e vivências em que o dominador

comum é o nosso “cãopanheiro”.

uMA TARDE PLENA DE LiBERDADE, ExERCíCiO

E AVENTuRA

A nossa proposta é como referimos, para os entusiastas

do ar livre e aventura que procuram

partilhar com o seu cão um dia de liberdade e

Fotos: Paulo gonçalves

“Dotado

de formas

próprias de relacionamento

social,

o convívio ao ar

livre proporciona

a sociabilização

(...)”

descoberta no mundo da natureza.

Acompanhe-nos e deixe-se levar pelos sentidos

na descoberta de marcas sulcadas na memória

do tempo! Estas são as riquezas imperdíveis

que queremos partilhar consigo.

PEquENA ROTA AO ENCONTRO DA ALDEiA

FANTASMA DE BROAS

O ritual dos preparativos que antecedem uma

caminhada é sempre de grande excitação para

o Champi, o nosso cão. Cedo se apercebe que o

dia vai ser diferente, denunciado pelas botas de

marcha e pelo amontoar das mochilas. A azáfama

e o vaivém atarefado não lhe deixam dúvidas…

hoje é o dia.

Um dos imperativos é levarmos sempre bastante

água, pelo menos 1,5l para cada cão e 1l

para cada pessoa. Neste tipo de caminhada que

vamos realizar de nível I, recomendamos o material

básico, ou seja, calçado confortável adaptado

ao pé, corta-vento, impermeável, batons

de marcha e protetor solar. Levamos como não

podia deixar de ser, a indispensável máquina

fotográfica para mais tarde recordar.

Como equipamento para os cães mais sensíveis

ao calor, recomendamos o uso do cooler.

Principalmente para os de pelo escuro como é

o caso do Champi, este colete de arrefecimento

é comprovadamente eficaz, funcionando como

um “ar condicionado” para os manter frescos

e ativos.

O percurso que vamos realizar não está sinalizado,

razão pela qual temos especial

atenção a todos os desvios que nos vão

conduzir ao nosso objetivo, a aldeia

abandonada de Broas, conhecida

por aldeia fantasma…

[01] O ponto de partida é o parque

de estacionamento do Museu

Arqueológico de Odrinhas.

Depois de verificarmos todo o

material, estamos prontos para

dar início a um salutar percurso

[02] tomando a estrada de asfalto

que atravessa a localidade até ao

Largo Rossio de Cima. [03] Entramos na

R. da Fonte e fazemos a primeira paragem no

pitoresco chafariz, estrutura outrora indispensável

para o abastecimento da população e animais.

Continuamos pela Travessa do Vale, por

veredas rurais ora estreitas ora mais abertas.

[04] Sempre no trilho, seguimos no cruzamento

com a R. dos Jerónimos pela R. das Faceiras.

A paisagem tipicamente agrícola contrasta singela,

com a imponência do convento de Mafra

(século XVIII) que se ergue no horizonte à nos-

OUTDOOR Maio_Junho 2012 15

Em Família

Dog Trekking


Em Família

sa esquerda. Por ter recebido a bênção de descendência

que tardava do seu casamente

com D. Maria Ana de Áustria, D. João

V cumpriu a promessa e mandou

erigir este monumento.

[05] Entramos no Caminho dos

Moinhos e de novo dois traços

da memória rural e social esquecidos

pelo tempo, a fonte

datada de 1892 e o lavadouro

público.

[06] Após a passagem da Quinta

da Alcobara vemos quase de

imediato quatro moinhos de vento,

atualmente sem a funcionalidade de extrema

importância que justificaram outrora a

sua construção. Erigidos em locais de altitude

mais elevada, o seu isolamento e envolvência

de silêncio quase absoluto determinaram o destino

atual de alguns deles, a transformação em

habitações de férias. [07] Depois da passagem

do último moinho, tomamos o trilho dos fósseis

marinhos até à povoação de Almorquim. [08]

Entramos na povoação e na R. do Lajeal, impõe-se

uma paragem na padaria local. O cheiro

a pão quente cozido a lenha é uma tentação a

não perder, é claro que dois olhos irresistíveis

habituados a táticas de pedinte nos obrigaram

a dividir este aconchego de estômago.

Continuamos a nossa rota pela R. da Tomadilha,

saindo da povoação.[09] Depois da última

habitação, seguimos por caminho rural e amplo

até ao nosso objetivo, a aldeia abandonada

de Broas.

[10] Isolada da povoação mais próxima, esta típica

aldeia saloia está desabitada desde 1977,

16

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

ano em que a única moradora a deixou entregue

à completa degradação e silêncio.

Causas sociais ditaram-lhe o fim. A migração

dos residentes mais novos para os centros urbanos

e o envelhecimento gradual dos que ficaram

foram alguns dos motivos que tiveram

como consequência a debilitação e o aniquilamento

da agricultura.

As adegas, os fornos ainda existentes dão-nos

indícios do quanto próspera teria sido a vida

nesta aldeia. A identidade de Broas foi preservada

desde o século XVI e era referenciada em

1527 como Boroas.

Embora não se inserisse numa economia comunitária,

existiam na aldeia espaços públicos

como as duas eiras, os poços e o secular freixo,

ponto de encontro para reuniões e convívio da

comunidade.

O tempo passa depressa quando nos estamos a

divertir. Temos de nos despedir de Broas com

pena, tomando o mesmo trilho por onde

“O

tempo

passa depressa

quando nos estamos

a divertir. Temos

de nos despedir

de Broas com

pena(...)”

entrámos na aldeia. [11] Divergimos

um pouco mais à frente na

rota que realizámos na ida, [12]

seguindo por caminho de terra

batida em direção a mais

um moinho recuperado. [13]

Chegamos a um troço de estrada

principal e junto ao poste

de alta tensão fazemos um

desvio avistando de seguida o

estacionamento do museu.

Terminamos o percurso tendo per-


corrido aproximadamente 8 km em cerca de

2h30m de marcha.

A satisfação de qualquer cão é sem dúvida

divertir-se no seu elemento natural. Combinar

essa alegria com a presença do seu companheiro

humano é criar naturalmente laços

mais fortes entre ambos. Duas espécies, uma

natureza… ø

Por Mafalda gonçalves & Vanda Araújo

araujo_vanda@yahoo.com

FichA técnicA

[01]- Parque de estacionamento junto ao museu de

odrinhas (n38º53.194´ ; W09º21.960´)

[02]- sair pelo alcatrão pela esquerda até ao largo

do rossio de cima.

[03]- direita a descer pela r. da Fonte, seguindo

em frente pela travessa dos vales.

[04]- cruzamento da r. dos Jerónimos seguir pela

r. das Faceiras.

[05]-entrada na r. dos moinhos (n38º53.493´ ;

W09º21.599´)

[06]- Passagem pela quinta da Alcobara, viragem

à esquerda.

[07]- depois do 4º moinho seguir por estradão pela

direita a descer.

[08]- na povoação de Almorquim virar à direita a

subir, voltar à esquerda pela rua principal, no entroncamento

seguir à esquerda pela r. do lajeal.

no cimo desta, viramos à esquerda pela r. da tomadilha.

[09]- cerca de 100 metros voltar à direita seguindo

por vereda. Antes de um caminho que segue pela

direita entre muros um pouco mais altos, tomar o

caminho da esquerda (n38º53.136´; W09º20.908´) *

(ter em atenção que depois da visita à aldeia fazse

o retorno a este ponto do percurso).

[10]- sempre a descer chegada à aldeia de broas

(n38º53.123´ ; W09º20.588´).

retorno:

[11]-*voltar atrás pelo mesmo trilho até ao muro de

pedra que surge à esquerda, seguir em paralelo

com este entrando em estradão.

[12]- Passagem do moinho recuperado.

[13]- seguir sempre em frente até surgir um

caminho alcatroado à direita, perpendicular à estrada

alcatroada principal. virar à esquerda e cerca

de 100 m à frente voltar à direita junto ao poste

de alta tensão. Por estradão seguir pela esquerda

e após a passagem do pinhal, o local do estacionamento.

OUTDOOR Maio_Junho 2012 17

Em Família

Dog Trekking


Em Família

Tall ShipS RaceS

2012 liSboa

18

Evento

A

menos de dois meses do arranque do

evento cresce a expetativa e a ansiedade

aumenta entre os amantes do

Mar. Nesta altura, a lista de inscritos

conta com 30 embarcações mas um

número igual deve alargá-la até à data de arranque

da maior regata de veleiros do mundo.

As “The Tall Ships Races” são Regatas organizadas

todos os anos pela Sail Training International,

com vista a promover a formação e o

treino de mar, assim como a convivência intercultural

junto dos jovens de todo o mundo. O

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

grande objetivo é embarcar os mais novos na

frota dos Grandes Veleiros e proporcionar-lhes

experiências de Treino de Mar sem igual.

Lisboa prepara-se para receber as “The Tall

Ships Races 2012 Lisboa” de 19 a 22 de julho,

sendo esperados ao longo dos quatro dias, cerca

de 60 Tall Ships, 3.000 tripulantes, em representação

de 49 países.

O acolhimento dos Tall Ships em 2012 é da responsabilidade

da Aporvela, representante em

Portugal da Sail Training International (STI)

e detentora de um vasto histórial na área dos


grandes acontecimentos náuticos

e com fortes responsabilidades

na formação de novos

valores, atendendo ao trabalho

desenvolvido ao longo dos anos

com as Caravelas Bartolomeu Dias,

Boa Esperança e Vera Cruz, é sem dúvida

um marco histórico de grande impacto nacional

e internacional.

O grande objetivo para 2012 é que o evento, a

chegada e estadia dos grandes veleiros em Lis-

“Lisboa

prepara-se para

receber as “The

Tall Ships Races

2012 Lisboa” de 19

a 22 de julho,

(...)”

boa não seja apenas uma escala,

mas sim uma experiência

gratificante, enriquecedora e

única, dando a conhecer a nossa

História e os nossos feitos náuticos.

Mar, vento, liberdade, trabalho em equipa, responsabilidade,

navegação e interculturalidade:

uma aventura inesquecível! Para o público esta

será uma oportunidade de assistir a um espetáculo

único bem como de poder visitar os Tall

OUTDOOR Maio_Junho 2012 19

Em Família

Tall Ships Races


Em Família

Ships e partilhar as suas aventuras..

Sail TRaining inTeRnaTional encanTada

com oRganização poRTugueSa

Dois dos mais altos responsáveis pela organização

das “The Tall Ships Races” estiveram em

Lisboa no mês de março. Paul Bishop e Gwyn

Brown reuniram-se com a APORVELA para

acertar mais detalhes da escala dos cerca de

60 Grandes Veleiros em Portugal. Os britânicos

deixam o nosso país encantados.

“Em Lisboa, até hoje, tudo tem sido planeado

de forma sustentada pela APORVELA. O recinto

é fantástico, realmente espetacular”, aponta

o Diretor de Regata. Paul Bishop não deixa de

aguçar o apetite aos portugueses que anseiam

pela chegada do evento: “Este é um evento familiar

de três gerações. Nesta escala em Portugal,

como em todas as outras, esperamos receber

avós e netos, pais e filhos. Os visitantes vão

poder contactar com os capitães dos veleiros e

com toda a tripulação.”

Pelo Porto de Lisboa já passaram este ano dois

dos veleiros inscritos nas “The Tall Ships Races

2012”. O Lord Nelson e o Alexander Von Humboldt

coloriram com as velas a capital portuguesa.

Agora é tempo de o nosso país aproveitar

a promoção para o exterior com o evento.

“O trabalho que a APORVELA tem feito não é

fácil, sobretudo tendo em conta a conjuntura

económica que vivemos. O ideal

é canalizar esforços, e os media

partners têm sido importantes

nesse aspeto, para promover

Portugal aos olhos do mundo”,

explica Gwym Brown.

O Diretor Comercial da Sail

20

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Dois

dos mais

altos responsáveis

pela organização

das “The Tall Ships

Races” estiveram em

Lisboa no mês de

Março(...)”

Training International não encontra adjetivos

para descrever o Porto de Lisboa, que aponta

como fantástico para o trabalho com os jovens

marinheiros.

“A APORVELA tem uma equipa de trabalho

muito jovem e muito eficaz e isso só pode tornar

num êxito este evento. Venham visitar o

espaço e certamente voltarão”, diz com entusiasmo.

A prova vai passar por Portugal entre 19 e 22

de julho e são esperados mais de três mil tripulantes

de diversas nacionalidades e de países

espalhados por todo o mundo. Porém, o trabalho

já leva muitos meses de azáfama mas para

Marta Lobato, Manager do Projeto “Tall Ships

Races 2012 Lisboa”, tudo tem valido a pena.

Apesar das dificuldades financeiras do país.

“Há cortes em todo o lado mas nós, com trabalho,

vamos longe. Organizar o evento nesta

altura, com os problemas económicos que

o mundo atravessa, torna-se um desafio mais

exigente. Ainda assim, a partir de agora é sempre

a subir num trabalho mais extenso para um

grande evento”, diz a responsável que recebeu

feedback positivo dos responsáveis da Sail Training

International depois de acertar todos os

detalhes.

pReSidenTe da República concede alTo

paTRocínio ao evenTo

O Presidente da República concedeu o Alto

Patrocínio às “The Tall Ships Races

2012 Lisboa”. Cavaco Silva reconhece

assim o valor e a importância

do grande acontecimento para o

país.

“A Aporvela tem vindo a desenvolver

atividades há anos para

tornar o mar mais próximo dos

portugueses. O Alto Patrocínio do

Presidente da República a esta regata

é o reconhecimento da importância

do mar e simultaneamente da

atividade promovida pela Aporvela”, explica

António Lobato, presidente da Associação Portuguesa

de Treino de Vela.

Durante os quatro dias do evento cerca

de um milhão de visitantes vão percorrer

o recinto de animação entre Santa

Apolónia e a Praça do Comércio.

Com entrada livre, o público tem a oportunidade

de visitar os Grandes Veleiros, assistir a concertos

e espetáculos, assim como participar em


conferências e workshops sobre o Mar e sobre

a cidade de Lisboa.

“É sabido que o nosso Presidente da República

apadrinha e reconhece a importância tanto do

Mar como dos Jovens no futuro de Portugal.

Com este evento juntamos as duas coisas visto

que o nosso principal objetivo é promover a

ligação entre os dois e levar o máximo de jovens

para o mar. Para mim e para toda a equipa

envolvida na organização, receber o Alto Patro-

cínio da Presidência da República é a confirmação

de que estamos no bom caminho com

o trabalho que já desenvolvemos até aqui e é

sem dúvida mais um incentivo para trabalharmos

arduamente para que este evento seja um

grande sucesso”, afirma Marta Lobato, manager

do projeto Tall Ships Races 2012 Lisboa. ø

OUTDOOR Maio_Junho 2012 21

ana lima

www.tallshipslisboa.com

Em Família

Tall Ships Races


Em Família

22

A minha experiência por André Nogueira Melo

embArque...

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Foto: Aporvela


Em 2009 surge pela primeira vez a

hipótese de embarcar numa Regata

de Grandes Veleiros, a regata do Mar

Báltico.

Tratada toda a logística inerente à

viagem, passagem de fronteiras e visitas à embaixada

Russa: dou por mim, a aterrar em Varsóvia,

capital minuciosamente rejuvenescida

por jovens entusiastas e empenhados no progresso

científico de um país que procura conhecer

e acompanhar os seus vizinhos.

As horas corriam para Gdynia; linhas de comboio,

gerida por intermináveis bilheteiras em

unilingue, polaco, e velhas que mais pareciam

tricotar bilhetes.

O comboio seguia munido de impermeáveis e

galochas, imagem não comum para o verão polaco,

a não ser que numa das estações/cidades

esteja atracada uma frota de 100 navios.

Cumprimentos num saltar de convés em convés;

cabelos loiros, olhos azuis e outros castanhos;

sacos com mantimentos de último preparo;

mantas ao sol, guitarras e música; soares de

sereia e buzina, amarras soltas, formalidades

cumpridas e a Polónia desvanece no horizonte.

É inevitável o nervosismo inicial. Experimentam-se

os quartos, trocas de horário, manobras

de leme, confia-se em quem comanda e repousa-se.

Surgem os jogos para quebrar o gelo,

cantigas e outras línguas, tempestades, enjoos

e tempos de bonança. Todos cozinham, ajudam

na manutenção do navio e há tempo para dedicação

à arte de marinheiro, nós e costumes.

Os portos de chegada: uma conquista triunfal,

pessoal e coletiva. A antiga Leninegrado é a cidade

intocável onde no metro há senhoras pagas

para vigiar. Os submarinos amurados pelas

margens do Neva, com marinheiros de braços

cruzados e boina descaída, fumam e pouco se

comovem.

Rumamos para Oeste, Finlândia. Pernoitamos

ao abrigo da recortada costa, uma baía ladeada

por pedra granítica e infindáveis pinhais. Avisto

um alce a nadar, durante um demorado quarto

ao ferro, imagem inesquecível misturada com o

torpor de cansaço físico mas não de espírito.

Mais a sul, as danças eslavas e a alegre boémia

de outros que, como eu, haviam conquistado

mais uma parte do seu planisfério.

No ano seguinte continuei a navegar, desta vez

no Pacífico, à descoberta da Ásia. Perfaz agora

um ano, que a navegar “subi” ao Ártico para de

lá ver o Mundo.

Na realidade acabei por nunca sair do Mar.

Passei ao largo da vela de competição e iniciei-

-me no Ametista, veleiro de madeira de 33pés.

Nas Regatas de Grandes Veleiros, confirmei um

grande apreço à viagem marítima e, hoje em

dia, dedico-me à transmissão de experiência

e treino de mar. Ter navegado antes não é de

todo requisito a quem queira inscrever-se numa

viagem a bordo de um grande veleiro a participar

na regata.

O mar e as viagens que este propicia, são traços

que ficam gravados na nossa história. Os desenhos

que fazemos no mundo tal como o arquiteto

procura desenhar, através da linha, o tão

essencial espaço de habitação eu, acredito que

a viagem, é assim, o nosso traço. ø

Fotos: André Melo

André Nogueira Melo

www.andrenogueiramelo.com

Descobrir

O Embarque


Aventura

Evento

norte AlenteJAno

o’ meeting 2012


Depois de Nisa, Castelo de Vide,

Alter do Chão, Crato e Portalegre, o

Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos

elegeu Marvão para palco da

organização do Norte Alentejano O’

Meeting em 2012 (NAOM 2012).

Aventura

NAOM 2012

Fotos: Joaquim Margarido


Aventura

26

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

A

organização será conjunta entre o Grupo

Desportivos dos Quatro Caminhos,

Câmara Municipal de Marvão e Federação

Portuguesa de Orientação.

O Norte Alentejano O’ Meeting já conseguiu um

lugar de destaque na região tendo nas cinco primeiras

edições reunido 5.500 participantes, dos

quais 2.200 estrangeiros de 30 Países.

Em 2011, ano em que coincidiu com o Portugal

O’ Meeting, foi o evento mais internacional do

ano no nosso país, ao atingir a soma de 1.200

participantes estrangeiros.

O evento de 2011 criou um impacto financeiro

no País de mais de 1.500,000€ pois a grande parte

dos participantes permaneceram cerca de 10

dias em treinos e competições.

É de realçar que vários voluntários da região,

entre os quais se destacam a Desportalegre, colaboraram

no evento. Acima de tudo merecem

uma palavra os proprietários dos terrenos que

têm viabilizado desde a primeira edição a realização

do evento.

A gRANDE RiquEzA NO ALTO ALENTEJO É A

NATuREzA

A importância do terreno na Orientação

leva a que alguns dos melhores

“A importância

do terreno

na Orientação

leva a que alguns dos

melhores eventos nacionais

se realizem

no Alto Alentejo

(...)”

eventos nacionais se realizem no

Alto Alentejo bem como estágios

de muitos dos melhores

atletas mundiais. Esta realidade

é particularmente

patente no inverno, onde se

aliam as excelentes condições

climatéricas a terrenos

com grande qualidade técnica.

À enorme quantidade de

elementos característicos rochosos,

junta-se a facilidade e a velocidade

de progressão, fazendo as delícias

de orientistas nacionais e estrangeiros.

As entidades que tutelam o turismo da região,

começam aos poucos a perceber as potencialidades

da modalidade, como forma de atrair no

inverno as principais equipas Internacionais

para treinarem no Alto Alentejo. Em 2012 marcaram

presença em campos de treino 10 dos

20 melhores especialistas Mundiais o que vai

promover para o futuro este destino de turismo

desportivo.

O projeto PROVERE - “INMOTION: Alentejo, Turismo

e Sustentabilidade” acredita que a moda-


lidade é estratégica para a região e está a incluir

os campos de treino do Alto Alentejo e o NAOM

nos seus projetos de desenvolvimento.

O NAOM 2012 TEM VáRiOS MOTiVOS PARA

ATRAiR MuiTOS PRATiCANTES

O Norte Alentejano “O” Meeting é um evento de

Orientação pedestre, aberto a pessoas de qualquer

idade, podendo participar nos escalões de

competição ou nos escalões abertos, individualmente,

ou em grupo.

Em 2012 a competição integra pela segunda vez

os Campeonatos Nacionais de Sprint e Distância

Média, tal como aconteceu na edição de Castelo

de Vide, em 2008.

O evento vai atribuir os títulos de campeões Individuais

e coletivos de Sprint e distância Média

em Orientação pedestre, o que representará

para o clube organizador mais uma grande responsabilidade

e um enorme desafio.

- A 1ª etapa do Campeonato Nacional de Sprint

será realizada na aldeia da Herdade do Pereiro,

que foi noticia no inicio do ano por ter sido colocada

à venda por uma famosa imobiliária pelo

valor de 7 milhões de euros.

- A 2ª etapa será realizada no interior das muralhas

da vila de Marvão, numa prova com tanto

de belo como de exigente.

- O Campeonato Nacional de Distância Média

realiza-se no Carvalhal de Vale do Rodão, numa

encosta única em Portugal, com a sua frondosa

e verdejante floresta a constituir um sério obstáculo

à capacidade dos melhores especialistas

presentes .

Mas o evento não é só competição, pelo que

todos os curiosos poderão participar e a organização

estará disponível para fazer acompanhamento

e ensino através de monitores especializados.

A Orientação assume um papel

importante pela capacidade de conseguir fazer

regressar as pessoas ao campo e pela sua cumplicidade

pura com a natureza.

Venha conhecer Marvão e descubra o desporto

da Floresta! ø

Fernando Costa

NAOM 2012

“A

Orientação

assume um papel

importante pela capacidade

de conseguir

fazer regressar as pessoas

ao campo e pela sua

cumplicidade pura

com a natureza.”

OUTDOOR Maio_Junho 2012 27

Aventura

NAOM 2012


Aventura

2numundo

mAPA meu


Aventura

2numundo

Shahrisabz, Uzebequistão


Aventura

Estrada Fora

Acampando no deserto do Sinai

“Teria eu

alguma vez

imaginado tudo

isto, se nunca tivesse eu

saído de casa para percorrer

mais de 17000

quilómetros até

Macau, de bicicleta?”

Teria eu alguma vez imaginado fazer

parte da massa de fiéis numa sexta-

-feira, numa mesquita na Turquia?

Teria eu alguma vez imaginado beber

um chá com os beduínos, num

deserto na Jordânia? Teria eu alguma vez imaginado

chorar de emoção, durante uma missa,

numa pequena igreja esculpida na rocha, na

Síria? Teria eu alguma vez imaginado percorrer

duzentos quilómetros de estrada, olhos nos

olhos, com o Afeganistão? Teria eu alguma vez

imaginado ser acolhido duma forma tão amigável,

em famílias por todo o Irão? Teria eu alguma

vez imaginado tudo isto, se nunca tivesse eu

saído de casa para percorrer mais de 17000 quilómetros

até Macau, de bicicleta? Nunca!

Pedalar a Pamir Highway, no Tajiquistão! Percorrer

templos em ruínas, em Angkor, no Camboja!

Dormir dentro duma casa troglodita, em

Petra, na Jordânia! Conversar com quem lida

quase diariamente com os talibans, no Paquistão!

Tomar banho num templo budista, enquanto

famílias inteiras te olham com curiosidade!

Fazer parte da fila para água do poço, numa aldeia

nas montanhas do Laos! Atravessar a Karakorum

Highway, entre a China e o Paquistão!

Dançar num casamento no Uzebequistão, quando

pensávamos estar a entrar num restaurante!

Quantas foram as emoções vividas? Quantas

viveria se continuasse a imaginar tudo

isto da janela do meu quarto? Quanto

me arrependeria se nunca tivesse

partido? Quanto ainda existe

para ver? Quanto tempo vamos

nós aguentar até à próxima

4655 metros na Pamir Highway,

Tajiquistão


partida?

Quando foi a última vez que fizeste alguma coisa

pela primeira vez?

“O mundo é um T0” – disse-nos uma amiga uma

vez e nós concordámos. Mas o mundo, é gigante

e não é tão pequeno, como o cliché gosta de referir.

O mundo é gigante, sem limites, um infinito

de possibilidades e nós somos uma formiga no

microscópio deste planeta. Há que partir, arriscar,

ir sem medos, sem receio do que a televisão

nos diz, sem preconceitos, abertos a tudo, porque

as pessoas são boas e nascem boas! Em viagem

aprende-se, muito! Enquanto em viagem, são-nos

colocados obstáculos e questões para as quais

não estamos preparados e é nesse momento que

nos lembramos do que foi a nossa vida de luxo

até aí, o comodismo, o fácil que é viver numa

sociedade ocidental, onde não nos confrontam

com falta de água, onde um supermercado nos

oferece tudo aquilo que necessitamos, onde temos

sempre um chuveiro para tomar o nosso

duche, onde encontramos sempre as explicações

às nossas dúvidas, onde falamos o mesmo

idioma e por isso a comunicação torna-se fácil.

Nestes 19 meses de viagem, tivemos direito a

uma noite de jaccuzi, numa aldeia perto de Tolouse,

mas também a uma semana sem banho

no deserto do Sinai, no Egito e que nos

soube bem melhor! Tivemos direito

a fondue de queijo e babatinhas

cozidas, algures na Suíça, mas

também partilhámos um pão

seco de quantos dias existiam,

“O mundo

é um T0” –

disse-nos uma

amiga uma vez e nós

concordámos. Mas o

mundo, é gigante e não

é tão pequeno, como

o cliché gosta de

referir.”

Aventura

2numundo

Acolhimento no Uzebequistão

Chá com beduínos

Tarefas diárias no Tajiquistão


Aventura

32

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“A nossa viagem é

difícil de colocar em

palavras, porque até nós

descobrimos cada vez que

pensamos, uma nova aventura

dentro dela, mais um momento

que nos faz sorrir, ou um que

nos faz cair lágrimas pela

face e nos arrepia a pele,

quão porco-espinho!”

Antes da descida - Petra


oferecido por uma senhora amorosa, no Turquemenistão

e que nos caiu como bolo de chocolate!

Foi maravilhosa a cama que nos ofereceram na

última casa onde estivemos na Alemanha, mas

dormir num estrado de madeira, numa pequena

vila na Índia, com olhares curiosos a vir das grelhas

da janela sem vidros, fez-nos rir ainda mais!

A nossa viagem é difícil de colocar em palavras,

porque até nós descobrimos cada vez que pensamos,

uma nova aventura dentro dela, mais

um momento que nos faz sorrir, ou um

que nos faz cair lágrimas pela face

e nos arrepia a pele, quão porco-

-espinho! Como foi? Não sabemos,

ainda não sabemos como

foi. Precisamos de tempo, de

espaço, de digerir todos estes

meses de tanto! Precisamos

de refletir, de pensar no que

aprendemos, no que ensinámos,

no que dissemos sobre

nós, sobre os nossos, sobre o

nosso país que, apesar de estar

em crise e de toda a gente se queixar,

é o nosso país e não há melhor sítio

para viver…acreditem!

Depois, ou antes de tudo isto, existem as pessoas.

As que ficaram e nos apoiaram nesta imensa

odisseia, mas sobretudo aquelas que fizeram a

nossa aventura possível, essas que nos receberam,

que nos acolheram em suas casas, que

nos abriram as portas e nos disseram “Entrem

e fiquem quanto tempo quiserem!” e nos pediram

para ficarmos mais um dia, só mais um!

Aquelas que paravam na estrada para nos darem

“Depois, ou

antes de tudo isto,

existem as pessoas.

As que ficaram e nos

apoiaram nesta imensa

odisseia, mas sobretudo

aquelas que fizeram

a nossa aventura

possível (...)”

água, comida ou tirarem um fotografia connosco!

Aquelas que só queria conversar com um estrangeiro,

para que lhe contássemos como era o

mundo “lá fora”! Aquelas que nos explicaram a

sua religião e a defenderam, mas que nos respeitaram

por não termos nenhuma, ou por não

concordarmos com tudo o que diziam! Aquelas

que apenas nos disseram um Adeus, por detrás

do vidro daquele carro, sentados atrás de uma

qualquer carroça, ou por debaixo das casas onde

faziam a sesta! E ainda as outras, aquelas

que nunca conhecemos, que nunca

nos sorriram e que talvez nunca

nos cruzaremos outra vez, mas

que fazem os países existirem,

as culturas continuarem vivas,

as identidades sobreviverem e

pelas quais continuaremos a

viajar, com esperança de que,

um dia talvez, façam parte de

nós também! Porque é por elas

que viajamos, pelas pessoas!

E depois de tudo isto, o que fica?

Uma vontade imensa de voltar a

ter prateleiras onde colocar as nossas

coisas, um frigorífico recheado de luxos, uma

casa-de-banho limpa, uma mesa de café onde

encontrar os amigos de sempre, um domingo

para ver a família, uma janela para abrir e

nos fazer sonhar outra vez…um mapa-mundo!

O nosso mapa-mundo! Um mapa-meu! ø

Rafael Polónia e Tânia Ruivo

www.2numundo.com

Contemplando o Mar Morto Fim do asfalto, Pamir Highway

OUTDOOR Maio_Junho 2012 33

Aventura

2numundo


Entrevista

Rita Pires

A ondA é dA ritA!


Entrevista

Rita Pires

Foto: Stork


Entrevista

Rita Pires dispensa apresentações... é Bodyboarder

profissional e uma amante do mar e da

descoberta! Rita esteve à conversa com a Outdoor

e contou-nos alguns dos seus segredos e

projetos para o futuro... Uma conversa que nos

deixou ainda mais fascinados pelo desporto na

água! Já és fã? Entra nesta onda...

por isa Helena

OuTDOOR: COMO SuRgiu A PAixãO PELO BODy-

BOARD?

RiTA PiRES: A paixão pelo Bodyboard surgiu aos

nove anos de idade quando experimentei com

uma prancha do meu irmão.

Fiquei logo fascinada com a modalidade e lembro-me

que a partir daí passei a ser viciada em

Bodyboard!

Fotos: Romeu Ribeiro

COM 13 TíTuLOS NACiONAiS E 6 EuROPEuS,

quAL A CHAVE PARA TER SuCESSO NA MODA-

LiDADE?

O segredo acho que passa por fazer o que mais

gosto, dando o máximo por aquilo que isso representa

em termos de motivação pessoal, e

não para agradar alguém. A vitória é muito estimulante

e às vezes viciante, e a necessidade de

querer superar-me é uma constante!

PARA Ti, ATÉ AO MOMENTO, quAL FOi O PON-

TO ALTO DA TuA CARREiRA?

Já tive vários pontos altos na minha carreira...

Entre eles destaco a primeira vez que fui Campeã

Nacional, com apenas 16 anos, o título de

Campeã Europeia que alcancei na Caparica, e o

segundo lugar numa etapa do mundial que decorreu

na mítica onda de Pipeline, no Hawaii,

em 2008.

FALTA-TE ATiNgiR ALguM OBJETiVO ENquANTO

ATLETA PROFiSSiONAL DE BODyBO-

ARD?

Falta-me obviamente atingir o título de Campeã

Mundial, sendo que neste momento tenho outros

projetos que requerem a minha atenção e

para os quais dedico grande parte do meu tempo,

além de continuar a treinar assiduamente no

mar e no ginásio.

quAL O BALANçO quE FAzES DO PROgRAMA

A ONDA DA RiTA?

O programa “A Onda da Rita”, começou em 2009

na SPORT.TV e foi um enorme sucesso nos 3

anos em que esteve no ar. Neste momento “A

Onda da Rita” tornou-se num projeto um pouco

mais abrangente e dedicado à comunicação dos

Desportos de Ondas. O programa na televisão

é para continuar, mas à parte disso queremos

também estar no terreno com a realização de

eventos muito direcionados para o público feminino.


NO PROgRAMA ViAJASTE MuiTO… quAL O

TEu DESTiNO DE ELEiçãO PARA FAzER BODy-

BOARD?

Os dois anos em que duraram as filmagens foram

excelentes... tive a oportunidade de conhecer

destinos que muito dificilmente estariam ao

meu alcance. Ter ido à Samoa, à Micronésia e

ao Japão, tirando outros destinos que já conhecia,

fizeram-me ter um visão mais abrangente

do mundo em que vivemos, e as inúmeras

experiências pelas quais passei no decorrer

dessas viagens trazem-me recordações

inesquecíveis.

De todos os destinos, o que mais

gostei para surfar foi a Indonésia!

HOuVE ALguM DESTiNO quE

TE TENHA MARCADO DE uMA

FORMA MENOS POSiTiVA?

Não houve nenhum que me tenha

marcado de forma menos positiva, mas

os destinos que se aproximam do ocidente,

são bem menos interessantes do que os do

oriente...

Quando viajo para surfar, gosto também de explorar

um pouco a cultura e interagir com a

comunidade. Essa interação é muito mais enriquecedora

em países mais exóticos e remotos.

EM PORTugAL, quAL O TEu SPOT DE ELEiçãO?

Em Portugal gosto muito de surfar na Costa de Caparia,

onde sou local e também na zona de Sagres

e em algumas Ilhas do arquipélago dos Açores.

COMO É O TEu DiA A DiA? COMO SãO OS TEuS

TREiNOS?

O meu dia a dia é bastante agitado, porque além

dos meus projetos pessoais ainda tenho de ter

tempo para os treinos. Normalmente faço

“O

Bodyboard

tem atravessado

várias fases evolutivas

ao longo dos últimos

anos. Há alturas

em que o crescimen-

to é muito grande

(...)”

sempre um treino de ginásio de manhã

e tento também fazer um treino na

praia, dentro de água. Treino este

que pode ser de Bodyboard, ou

SUP Stand up Paddle. Da parte

da tarde aproveito para fazer

algum trabalho de computador

e ao fim do dia volto a treinar;

faço corrida, ou Yoga.

COMO TENS ViSTO A EVOLuçãO

DO BODyBOARD NO NOSSO

PAíS?

O Bodyboard tem atravessado várias fases

evolutivas ao longo dos últimos anos. Há alturas

em que o crescimento foi muito grande, e outras

em que abrandou um pouco. Acho que neste

momento atravessamos uma fase menos boa, um

pouco devido às circunstâncias que o país vive em

termos económicos, com poucos investimentos

OUTDOOR Maio_Junho 2012 37

Entrevista

Rita Pires


Entrevista

38

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Neste momento

comecei também

a praticar Stand Up

Paddleboard, uma modalidade

recente no

nosso país e bastante

exigente.”


em patrocínios e na organização de campeonatos.

No entanto, acho que isso não prejudica o número

de praticantes, que nas praias são sempre muitos!

O Bodyboard é um desporto muito acessível e bastante

agradável para quem gosta do contacto com

o mar.

PARA ALÉM DO BODyBOARD, ESTáS A PRATi-

CAR DuAS NOVAS MODALiDADES NA águA.

quAiS SãO?

Há dois anos comecei a praticar Longboard,

sempre que o mar apresentava condições desfavoráveis

para o Bodyboard, como ondas muito

pequenas. Assim para poder continuar a ir para a

água, dei os primeiros passos nesta modalidade.

Neste momento comecei também a praticar Stand

Up Paddleboard, uma modalidade recente no nosso

país e bastante exigente. Essa exigência tem

sido para mim um grande estímulo e sempre que

posso vou para dentro de água com o meu SUP, no

sentido de poder evoluir nesta modalidade e talvez

um dia vir a competir.

O BODyBOARD CONTA COM CADA VEz MAiS

ADEPTOS… PARA quEM SE quER iNiCiAR NA

MODALiDADE, quAiS AS TuAS SugESTõES?

Penso que o mais importante é ter à-vontade com

o mar e estar disposto a enfrentar desafios. O Bodyboard

é uma modalidade que envolve algum risco

por isso é também importante ter a consciência

das capacidades e saber avaliar até onde se pode

ir. Para uma primeira experiência aconselho sempre

o recurso a aulas numa escola, pois é sempre a

uma preciosa ajuda, a todos os níveis. ø

sabe mais sobre a rita Pires em

www.aondadarita.com

Facebook

MOMENTOS ALTOS DA CARREiRA:

- 2008: VICE CAMPEã MUNDIAL DO HAWAII

- 2000 & 2010: T2 X VICE CAMPEã MUNDIAL

DO SINTRA PRO

- 2008: MEDALHA DE BRONzE DO ISA GA-

MES

- 2005: MEDALHA DE OURO NO EUROSURF

- 2009 A 2011: REALIzAçãO DO PROGRA-

MA DE TV: “A ONDA DA RITA” NA SPORT.TV

- 2011: REALIzAçãO DO ROYAL CARRIBEAN

EXPERIENCE - EVENTO DE 5 DIAS NO MAR

MEDITERRÂNEO

- 2012: CRIAçãO DA ACADEMIA ONDA DA

RITA

PerFil

ritA Pires

Rita Pires é uma atleta profissional

de bodyboard que dedica a sua carreira

á competição e a promover os

desportos de ondas. Apaixonada pelo

mar e pelo contato com o oceano, viu

crescer o gosto pelo Bodyboard com

apenas 9 anos de idade. Com 13 títulos

de Campeã Nacional e 6 títulos de

Campeã Europeia, Rita Pires é a atleta

mais premiada a nível nacional.

Aos 28 anos opta pela carreira desportiva

a tempo inteiro, deixando de lado o

trabalho no atelier como arquiteta.

Na atualidade, é reconhecida como uma

referência nos desportos de ondas, não

só pelos seus resultados competitivos,

mas também pelo trabalho que realiza ao

nível da promoção destas modalidades.

Em 2009, iniciou o projeto “A Onda da

Rita”, uma plataforma de comunicação

e promoção de desportos de ondas,

onde Rita Pires partilha experiências e

o trabalho que desenvolve em modalidades

tão diversificadas como o Surf,

Bodyboard, Longboard ou Stand Up Paddleboard,

tanto no panorama nacional

como internacional.

OUTDOOR Novembro_Dezembro 2011 39

Entrevista

Rita Pires


Por Terra

Atividade

cAminho do AbAde

“Preferia tê-lo e amá-lo nas matas chilreadas,

nos desfiladeiros dos montes, no sinceiral da

ínsua, nas alcovas de ramagem que só eles e

os rouxinóis conheciam nas margens do Tâmega.”

(Camilo Castelo Branco -”Maria Moisés”).


Nascido em Lisboa, no Largo do Carmo,

a 16 de março de 1825, Camilo

Castelo Branco foi o primeiro escritor

de língua portuguesa a viver exclusivamente

dos seus escritos literários.

Órfão de tenra idade, é acolhido por família em

Vilarinho da Samardã (1839). Camilo Castelo

Branco “Calcorreou rios e montes atrás de trutas

e de coelhos, (…)” (Francisco Botelho, 2005),

casando com Joaquina Pereira de França, com

apenas 16 anos, na Igreja do Salvador, Ribeira

de Pena, a 18 de agosto de 1841. Instalou-se

em Friúme e, aqui, eternizou as suas memórias

numa obra única, Maria Moisés, perpetuando

a sua vivência por terras Ribeirapenenses.

O percurso interpretativo “O Caminho do Abade”

desenvolve-se em Ribeira de Pena, região norte

de Portugal e sub-região do Tâmega (distrito de

Vila Real), conhecida pelos vestígios civilizacionais

diferenciados como as gravuras rupestres

de Lamelas, sepulturas, pontes medievais, indícios

de Cultura Castreja e Romana e as grandes

casas rurais e solares brasonados pertencentes

à fidalguia que um dia se instalou nesta região.

Com início na Igreja Matriz de Ribeira de Pena

(Igreja do Salvador), o percurso linear “O Caminho

do Abade” é feito por caminhos antigos

de calçada até à aldeia de Friúme, onde Camilo

Castelo Branco habitou, com passagem por locais

emblemáticos e carregados de história tais

como o Lugar da Sobreira e a “ilha dos amores”,

fonte de inspiração do conhecido escritor.

O restante percurso segue ao longo das margens

do Rio Tâmega, com paisagens idílicas

e azenhas em ruínas, testemunhos dos afazeres

agrícolas ligados ao cultivo do milho.

O percurso terminará com a passagem da famosa

Ponte de Arame, considerada um dos

monumentos de maior interesse do concelho

de Ribeira de Pena, engenhosamente

construída e com a particularidade de ser

um monumento viário muito importante que

manteve as funções de ligação para a freguesia

de Santo Aleixo até ao ano de 1963.

Para além das paisagens únicas que esta região

portuguesa providencia e do marcante teor cultural

devido à presença de Camilo Castelo Branco,

“O Caminho do Abade” envolve-se sempre

numa aura de nostalgia devido ao sentimento

de que “esta” poderá ser a última vez que se o

percorre porque, devido à barragem de Daivões

a edificar num futuro muito próximo no Rio Tâmega,

todo este cenário único ficará um dia submerso.

ø

Nuno quidiongo

FichA técnicA

Dificuldade do Percurso: Média / Baixa

Duração: Cerca de 3/4 horas

Distância: 7 km

Tipo de percurso: Linear

Promotor: Nicho Verde

OUTDOOR Maio_Junho 2012 41

Por Terra

Atividade


Por Terra

Desafio

MADRID-LISBON MTBIKE

Para este ano já está definida a data

para a travessia Madrid-Lisboa organizada,

que já tem partida confirmada!

Será de 23 de junho a 7 de julho!

Todas as informações disponíveis no

Portal Madrid-Lisboa

“O

MADRID-LISBON

tes dos grandes espaços

42

MTBIKE

é a mais recente travessia

épica, disponível para

todos os BTTistas aman-

de natureza e montanha e das grandes rotas

em bicicleta. Esta travessia é uma grande rota

em BTT (Bicicleta Todo-o-Terreno), que liga

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Madrid a Lisboa.

A Rota foi elaborada através das montanhas da

Cordilheira Central, espinha dorsal da Península

Ibérica, privilegiando as paisagens de

maior beleza natural.

A travessia de Madrid até Lisboa é apresentada


“A definição e elaboração

do percurso

da travessia em BTT de

Madrid a Lisboa, foi um

trabalho de cerca de

um ano (...) “

em 15 etapas correspondentes a 15 dias de BTT

para um nível de esforço físico elevado.

Percorre cerca 1200km e mais de 28 000m D+

por estradões florestais, caminhos, estradas

rurais, trilhos e espetaculares single-tracks,

atravessando as mais altas montanhas do sistema

Ibérico central e a linha montanhosa Mon-

tejunto-Estrela, até chegar ao mar, com trilhos

sobre as falésias e um final épico na ponta mais

ocidental da Europa - o Cabo da Roca.

Em termos dos principais locais por onde a rota

se desenvolve:

Montanhas:

• Espanha: Guadarrama, Sierra de Madrid,

Zapatero, Gredos, Bejar, Las Hurdes e Gata

• Portugal: Malcata, Estrela, Açor, Lousã, Aires

e Candeeiros, Montejunto e Sintra

Parques Naturais:

• Espanha: Parque Natural Cumbre, Curso y

Lagunas de Peñalara; Parque Regional de la

Sierra de Gredos; Parque Natural de Las Batuecas-Sierra

de Francia‎;

• Portugal: Reserva da Malcata, PN Serra da

Estrela, PN Serras Aires e Candeeiros, PN Sintra-Cascais

Esta rota foi elaborada por António Gavinho

com a preciosa ajuda do Filipe Gomes, Miguel

Faria e Elsa Gavinho, e contou com o apoio da

Caminhos da Natureza.

A definição e elaboração do percurso da travessia

em BTT de Madrid a Lisboa, foi um trabalho

de cerca de um ano, tendo a travessia sido

efetuada pela primeira vez em julho de 2011. O

percurso foi melhorado e a segunda travessia

realizou-se em agosto de 2011. Posteriormente

realizaram-se mais alterações e novos

reconhecimentos de rotas alternativas

até finalmente no início de 2012 se ter

definido a rota oferecendo o mais interessante

traçado para a travessia de

Madrid a Lisboa em BTT.

O pOrTaL :

www.BIKEMadrIdLIsBOn.cOM

No âmbito da apresentação desta rota,

foi elaborado um Portal que é o ponto de

encontro de toda a informação relativa ao

projeto, e onde se pretende ter regularmente

atualizada toda a informação relativa ao percurso,

aos parceiros e aos patrocinadores.

Para além disso existe neste portal a possibilidade

de se saber as mais recentes notícias

sobre a travessia e participar no fórum sobre a

travessia e onde partilhar aí dúvidas e histórias

que possam existir.

OUTDOOR Maio_Junho 2012 43

Por Terra

Madrid-Lisbon MTBIKE


Por Terra

44

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

AS ETApAS:

ETApA 1: MADRID - MIRAfLORES (63KM)

O início da rota é no centro de Madrid, na famosa

Plaza del Sol, onde se encontra o marco kilométrico

que assinala o Km 0 de todas as estradas que

saem de Madrid! Segue-se por ruas pedonais passando

por alguns parques da cidade, tais como o

Parque do Retiro.

O percurso segue para Norte por grandes avenidas

e passa junto ao mítico estádio Santiago Barnabéu.

Alguns Km depois e apenas 1h depois de iniciar a

rota surge o primeiro troço de terra e alguns divertidos

km em single-tracks junto ao caminho de

Santiago. A grande cidade começa a ficar para trás

e atravessamos alguns belos campos dourados a

caminho das montanhas! O destino é Miraflores a

1100m de altitude à entrada da Serra do Guadarrama.

ETApA 2: MIRAfLORES - CERCEDILLA

(64KM)

Partimos de Miraflores de la Sierra, atravessamos

o rio Guadalix e iniciamos uma suave e calma subida

entre pinheiros e carvalhos. Este dia é marcado

por cenários de alta montanha, com fortes

possibilidades de encontrar cavalos, gado e vida

selvagem. Iremos encontrar alguns single-tracks

divertidos num vale junto a uma ribeira de montanha,

por entre um fantástico bosque. Grandes

e longas subidas e divertidas descidas, este é um

dia para recordar. O final deste belo dia nas montanhas

é feito através de uma longa descida (os 10

km da etapa) para terminar em Cercedilla, hoje já

com 1850m de acumulado de subida!

ETApA 3: CERCEDILLA -ÁvILA (91KM)

No terceiro dia da travessia, temos a primeira etapa

mais longa com 91 km a iniciar em Cercedilla. Este

é um dia de planaltos em altitude, caminhos florestais

e alguns locais históricos interessantes , como

a Cruz dos Caidos e El Escorial. Iremos pedalar

parte do dia numa longa cumeada com um parque

eólico. Para finalizar este longo dia, há um tesouro

escondido, um espetacular single-track que o

levará até ao interior da cidade de Ávila, uma das

cidades históricas e culturais mais interessantes ao

longo da rota.

ETApA 4: ÁvILA – BARCO D’ÁvILA

(116KM)

Deixamos a cidade medieval de Ávila, descendo

pelas ruas ao longo das muralhas e dirigindo-se

para oeste. Á saída da cidade entra num fantástico

single-track sinuoso ao longo de uma ribeira e

no meio de uma denso e fabuloso bosque. Este é

mais um dia de bicicleta em que vai pedalar por

incríveis caminhos de alta montanha e é ainda o


dia com passagem a maior altitude de toda a travessia

na Serra do Zapatero a 1822m no Montanha

de Gredos. A beleza das paisagens e o fantástico

percurso ao longo do rio Tormes com vários single-tracks

e com as suas pontes romanas, ajudam

a esquecer que este é um longo dia. Chegada a

Barco d’Ávila, uma cidade histórica dentro desta

cadeia de montanhas.

ETApA 5: BARCO D’ÁvILA - SOTOSER-

RANO (83KM)

Estamos no quinto dia da travessia e temos um

desafio, a Montanha de Béjar. Este é um dia com

subidas difíceis, trilhos técnicos, e muitos single-

-tracks que resultam num progresso lento, mas

sempre cheio de emoções. Atravessamos várias

florestas de carvalhos e passamos pela espetacular

e pitoresca Vila de Candelario. Com excelentes

single tracks e depois de 83 km chegará a Sotoserrano,

a tempo de repousar no final da tarde!

ETApA 6: SOTOSERRANO - pINOfRANquEADO

(82KM)

Este é um dia onde o terreno é mais suave, e uma

boa maneira para se recuperar da última etapa

bem mais difícil. As montanhas perdem alguma

elevação e o terreno altera-se dos granitos para o

xisto. Este é o reino de carvalhos e pinheiros com

excelentes caminhos na floresta, muito agradáveis

para pedalar. Atravessa ainda a região de Las Hurdes

com excelentes paisagens, em mais cerca de

82 km e uns suaves 1650 m de subida, para terminar

em Pinofranqueado.

ETApA 7: pINOfRANquEADO – vALvERDE

DEL fRESNO (85KM)

No sétimo dia da travessia, e com quase metade

da distância percorrida é hora de desfrutar atravessando

pequenas aldeias repletas de história e

tradição, como que perdidas noutra época. A Serra

da Gata oferece belos trilhos e surpreendentes

oportunidades para fotos durante este dia. A etapa

termina em Valverde del Fresno depois de 2000 m

de subida e 85 km pedalados.

ETApA 8: vALvERDE DEL fRESNO - SA-

BugAL (56KM)

Metade da travessia está feita! Este é o dia mais

curto, bom, para recuperar para as próximos 7

etapas. Subida a montanha para atravessar a fronteira

entre Portugal e Espanha a cerca de 1000m

na Serra da Malcata. O objetivo é atravessar esta

região montanhosa isolada e selvagem para chegar

às primeiras aldeias típicas de Portugal. O percurso

segue através de uma floresta de pinheiros e

carvalhos e contorna uma barragem para chegar à

cidade de Sabugal.

OUTDOOR Maio_Junho 2012 45

Por Por Terra

Terra

Madrid-Lisbon Gr-14 rio douro MTBIKE


Por Terra

ETApA 9: SABugAL - MANTEIgAS

(85KM)

Etapa de grande beleza numa região de aldeias

históricas de Portugal. Passagem por Sortelha,

uma incrível aldeia de granito em estado medieval

com um impressionante castelo! Calçadas

medievais e single tracks em vales entre

aldeias vão fazer as delicias dos ciclistas nesta

etapa. Entrada na maior serra de Portugal com

passagem por belos bosques e chegada a pitoresca

vila de Manteigas no leito de um vale glaciar!

ETApA 12: CASTANhEIRA DE pERA -

TOMAR (89KM)

Um dia incrível e com grande variedade de

paisagens! Percurso de montanha com passagem

em aldeias serranas e passagem pelo magnífico

desfiladeiro da Foz do Alge. Cascata impressionante

com single tracks super divertidos

junto à ribeira. Entrada nas Serras de Calcário,

46

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

paisagem que irá dominar as próximas etapas

com os seus bosques de Oliveiras e Azinheira!

Estamos no reino da Pedra!

ETApA 13: TOMAR – RIO MAIOR

(95KM)

Saída de Tomar, cidade dos Templários, para um

dia de Serras Calcárias. Um dia totalmente passado

no reino da pedra! Os caminhos são ladeados

por muros de pedra construídos ao longo de

centenas de anos, um cenário único e impressionante.

No final do dia, ao chegar à última

cumeada da Serra vamos avistar pela primeira

vez a Costa Atlântica!

ETApA 10: MANTEIgAS - pIODãO

(67KM)

Paisagens de montanha de grande beleza. Este

ETApA 14: RIO MAIOR – TORé

também o dia mais alto em Portugal com “Calçadas

pas-

RES vEDRAS (66KM)

sagem aos 1600 m junto a uma lagoa da medievais mais e No início deste dia dominam os

alta Serra de Portugal – A Serra da Estrela, um

bosques de Eucaliptos. Atraves-

single tracks em

belo e imponente maciço granitico com bossa-se

a última serra calcaria da

ques, prados de montanha e aldeias vales serranas entre aldeias travessia, Montejunto por um

típicas! Final da etapa na mais bela aldeia farão de as delicias caminho a meia encosta com

Xisto de Portugal – Piodão! dos ciclistas nes- vistas soberbas sobre as planícies.

Single tracks nas cumeadas

ETApA 11: pIODãO – CASTANhEIRA ta etapa. “ repletas de típicos moinhos de

DE pERA (78KM)

vento e por ribeiras no meio de uma

Esta etapa atravessa o sistema de montanhas de luxuriante vegetação mediterranica são

xisto do centro de Portugal e o percurso segue o ponto forte deste dia!

grande parte do tempo por cumeadas próximas

dos 1000m. É um dia de grandes paisagens e de ETApA 15: TORRES vEDRAS – CABO

travessias de longos parque éolicos. Este é o ul- DA ROCA (77KM)

timo dia acima dos 1000m. Final da etapa com Finalmente, no último dia desta épica traves-

uma incrível descida de 700 m de desnível até a sia chegamos ao mar! Para quem conseguiu

tranquila vila de Castanheira de Pêra.

atravessar 14 dias de montanha desde o centro

da Península Ibérica este é um grande dia! Estradas

e caminhos sobre o mar, single-tracks,

trilhos nas falésias e praias fazem deste um dia

diferente e único nesta travessia. Chegada ao

Cabo da Roca, a ponta mais ocidental da Europa!

ø

antónio Gavinho

www.bikemadridlisbon.com


Por Terra

Birdwatching

observação de aves

um desafio para os amantes da natureza

48

Se gosta de passear na floresta, junto ao mar ou

mesmo em jardins e perder-se a observar o que

o rodeia, então a observação de aves é uma atividade

que tem de conhecer.

A

observação de aves, mundialmente

conhecida por birwatching, é uma

atividade praticada por mais de 100

milhões de pessoas em todo o mundo.

A Península Ibérica é um destino por

excelência para a sua prática, sendo um dos principais

destinos ornitológicos na Europa e procurado

por milhares de birdwatchers estrangeiros

todo o ano.

O que é a ObservaçãO de aves?

A observação de aves é uma atividade de lazer

baseada na identificação e observação de aves

selvagens no seu meio natural. É uma atividade

ao ar livre, muito relaxante e extremamen-

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

te aliciante para pessoas que gostam de andar

no campo e descobrir coisas novas. Explora a

sensação de ver o nunca visto, porque as aves

são muito apelativas e possuem plumagens e

comportamentos muito interessantes. Além da

observação simples, com recurso a binóculos

e telescópios de campo, tem outras variantes,

como a fotografia, o digiscoping (fotografia com

recurso a telescópio), a pintura e a ilustração da

natureza.

Observar aves em POrtugal

Situado no extremo oeste da Europa, Portugal é

um país pequeno mas extremamente diverso em

paisagens e habitats naturais: uma extensa zona


costeira, com grandes

estuários, lagoas

e vastas praias, dunas

e falésias rochosas, amplas

planícies cerealíferas,

montados de sobro admiráveis,

Foto: Cristina mendes

“(...) é

uma atividade

praticada

por mais de 100

milhões de pessoas

em todo o mundo.


montanhas soberbas e vales fluviais magníficos.

Um observador de aves ao visitar o território

nacional pode observar cerca de 70 espécies

exclusivas da bacia mediterrânica. A complementar

este hobby que move milhares de observadores

de aves pelo mundo, Portugal ainda

oferece uma reconhecida gastronomia, excelentes

vinhos e uma componente cultural bastante

diversificada aliada a temperaturas amenas.

Nos arquipélagos dos Açores e da Madeira

existem importantes colónias de aves

marinhas, como a cagarra, a alma-negra e

o garajau-rosado. Ainda é possível encontrar

espécies endémicas, como a freira-da-madeira

(Madeira), o pombo-da-Madeira, a estrelinha-

-da-madeira ou o priolo (Açores).

O birdwatching pode também ser um motor de

promoção e desenvolvimento de zonas rurais

mais desfavorecidas e é uma atividade de lazer

com pouco impacto sobre a natureza. Existem

cerca de 10 000 espécies de aves em todo o mundo.

As aves ocorrem nos mais variados meios

naturais, desde as imensidões geladas dos pólos

até aos desertos escaldantes; desde a florestas

OUTDOOR Maio_Junho 2012 49

Foto: Joana Andrade

Por Terra

Observação de aves


Por Terra

50

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Abelharucos

Foto: Faísca

densa até às planícies e pradarias;

desde as cabeceiras dos

rios até ao mar; e desde do alto

das montanhas até ao nosso

jardim. Ocorrem também em

meios artificiais e humanizados,

como os campos agrícolas,

jardins e parques urbanos e

zonas residenciais e industrias.

Ou seja, é possível observar

aves praticamente em todo o

lado, numa multiplicidade de

formas, cores e comportamentos,

que desde sempre atraiu a

curiosidade das pessoas. Com

uns binóculos, um guia de bolso

e alguma paciência é possível

passar horas a observar as

aves que habitam no nosso jardim

ou num bosque ou ribeiro

perto da nossa residência. É a

beleza das aves, mas também a

sua ubiquidade, que torna tão

popular este passatempo.

Entre 30 de setembro e 7 de

outubro, decorre a 3ª edição do

Festival de Birdwatching, em

Sagres, o evento mais emblemático

de observação de aves

em Portugal, que junta aficionados

de vários países e convida

também simples curiosos

Colhereiros

Foto: Faísca


que querem conhecer um pouco mais a atividade.

aves de POrtugal

A Península Ibérica é um destino de eleição de

muitos birdwatchers e muito procurado

por operadores turísticos especializados

em viagens de birdwatching.

Para além da grande diversidade

de espécies de aves (cerca de

400) e de habitats característicos

(ex.: montados, pseudo-estepes),

na Península

Ibérica ocorrem cerca de 70

espécies tipicamente mediterrânicas

(ex.: flamingo,

Britango, águia-perdigueira,

perdiz-do-mar, cuco-rabilongo,

andorinha-daúrica, melro-azul,

melro-das-rochas, toutinegra-real,

pardal-espanhol, etc). Destas, cerca

de 25 são exclusivas desta região (ex.: águia-

-imperial, peneireiro-cinzento, cortiçol-de-barriga-preta,

noitibó-de-nuca-vermelha, chasco-

-preto, charneco, etc.).

Em Portugal podemos encontrar a maioria da

biodiversidade da Península Ibérica, incluindo

as espécies de aves mais emblemáticas desta

região. No nosso país existem 93 Áreas Importantes

para as Aves e podem ser observadas

regularmente cerca de 330 espécies diferentes,

Em Portugal

podemos encontrar

a maioria da biodiversidade

da Península

Ibérica, incluindo as

espécies de aves mais

emblemáticas desta

região.

Pisco-de-Peito-Ruivo

Foto: José Viana

possuidoras de magnificas plumagens e espetaculares

hábitos de vida. Podem ser observadas

em passeios calmos e fotografadas em observatórios

edificados para o efeito, rodeados de

paisagens soberbas e com o acompanhamento

de técnicos especializados. Muitas destas

espécies têm uma distribuição muito

restrita na Europa e no Mundo,

pelo que se tornam atrativos para

os visitantes estrangeiros. A observação

de aves em Portugal

é ainda facilitada pela dimensão

relativamente pequena

do território, pela qualidade

da rede rodoviária, pelo clima

ameno e pelo elevado nível

de segurança pública. Contudo,

ainda há falta de alguns

apoios como sinalética adequada

nos locais mais procurados para a

prática e pouca divulgação e apoio por

parte das entidades governamentais.

POr Onde COmeçar?

Por isso já sabe, se se identifica com o que aqui

foi mencionado, comece por participar numa

atividade da Sociedade Portuguesa para o Estudo

das Aves (SPEA). Uma vez por mês dirija-se

ao Parque Tejo, junto ao Parque das Nações e a

equipa da SPEA espera por si com binóculos, telescópios

e guias que o ajudarão a conhecer um

pouco da biodiversidade que o rodeia.

Se gostar desta experiência e quiser começar a

frequentar outras atividades acompanhado por

guias, faça-se sócio da organização sem fins lucrativos

SPEA e participe nas atividades gratuitamente

ou mediante preços simbólicos. Nestas

atividades, o material é emprestado aos participantes

que não tiverem binóculos, telescópios e

guias. Numa fase posterior, poderá pensar em

comprar o seu próprio equipamento e aventurar-se

sozinho, com família e/ou amigos, na

aventura de descobrir você mesmo que espécies

o rodeiam. Existem também atualmente cada

vez mais empresas de animação turística que

disponibilizam este serviço.

Pode encontrar em www.spea.pt o programa de

atividades para os próximos meses. Ser sócio da

SPEA permite não só que participe nas atividades

da associação, mas está também a contribuir

para o trabalho de conservação das aves em

Portugal. ø

Por sociedade Portuguesa para o estudo das aves

spea@spea.pt

OUTDOOR Maio_Junho 2012 51

Por Terra

Observação de aves


Por Terra

Crónica

52

Hola peregrino!

Há muito que acalentava fazer férias

pacatas, sozinha, de mochila às costas.

Imaginava-me a calcorrear algum

trilho, não como o David Carradine

/ Kwai Chang Caine na série

Kung Fu, que ajudava as pessoas nos interstícios da

sua procura pessoal, mas como alguém que busca

um apaziguamento para a sua inquietação. Assim,

fazer um dos caminhos de Santiago de Compostela

pareceu-me o mais lógico por três razões: boa sinalização,

vasta rede de albergues/apoio logístico

e proximidade geográfica. Escolhi o Caminho Português

e em outubro de 2009 percorri-o, não como

tinha imaginado, porém fi-lo.

Dormi no Albergue dos Bombeiros Voluntários de

Valença do Minho na véspera da minha demanda.

Logo aqui os meus planos de férias pacatas foram

gorados. Nesse dia, o albergue fora invadido por

uma horda de bárbaros, perdão, ciclistas, provenientes

de Parede. Poderiam ser os descendentes

de Atila o Huno, pois aquele grupo de cerca de cinquenta

criaturas fez um estanderete digno da fama

daquele líder tribal.

Quando regressei da cozinha, onde tinha confecionado

massas para o jantar, fui obrigada a saltitar

entre sacos cama e desviar-me de bicicletas até

chegar ao dormitório. Aí deparei-me com um es-

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

petáculo digno de um circo ambulante. Os bárbaros,

perdão, ciclistas, tinham armado estendais entre

os beliches com calções de chumaços, peúgas e

toalhas; t-shirts jaziam pelo chão; mochilas e sacos

vomitavam o seu conteúdo de forma indulgente,

sem pudor por se ver, mesmo sem querer, alguma

roupa mais íntima. Temi pela minha mochila, onde

os meus haveres se encontravam bem arrumados,

alheios àquele caos. Os bárbaros tinham deixado

o “meu” beliche incólume. Suspirei aliviada, pois

afinal mostraram não serem tão vândalos assim.

“A menina vai dormir aqui?” Perguntou-me um

homem na casa dos cinquenta anos, que se acomodava

no beliche ao lado do meu. Fiquei surpreendida,

mas na minha inocência respondi que sim,

sem imaginar o banzé que aquele bando iria fazer

durante a noite. Após longas abluções e pequenos

rituais disparatados, os bárbaros recolheram

aos seus sacos camas. Quando o silêncio imperou

por escassos segundos, um grilo resolveu cantar.

Cantou, cantou, cantou até eu descobrir que era o

toque de telemóvel de um elemento da tribo. Afinal

a horda não tinha retirado, apenas mudado de

estratégia de ataque.

O “grilo” calou-se. Após alguns segundos de silêncio

beatífico, ecoou um berro: “cabeçudo!” Risota

geral. Luzes acenderam-se, bárbaros, perdão, ciclistas,

levantaram-se e quiseram saber quem era


o responsável por tão ímpar toque de telemóvel.

Poucos minutos volvidos, já o “grilo” e o “cabeçudo”

digladiavam-se pela supremacia do dormitório,

até que alguém apelou ao bom senso daqueles

dois e lembrou-os que a “menina precisa dormir”.

Pensei que era desta que conseguia descansar, mas

a fama de Atila e da sua tribo não é vã. Voltaram a

acalmar por breve tempo até que a guerra química

tomou conta do dormitório. De vários beliches, dos

cerca de vinte existentes só naquele dormitório, fui

vítima e testemunha da maior saraivada de puns

e arrotos que alguma vez ouvi ou tive capacidade

para imaginar. Como que emboscada no meu

próprio covil, só tive capacidade para me enroscar,

tapar a cabeça com o saco cama e esperar que a

morte fosse rápida.

Deixei cedo o albergue. Encaminhei-me pelas ruas

silenciosas através da fortaleza, depois pela ponte

do rio Minho e por fim despedi-me de Portugal.

Já em Tui, adiantei o relógio de pulso uma hora.

Era um gesto simbólico do início de uma empresa.

Naquele momento cortava o cordão umbilical de

ideias de fraqueza, desistência e fracasso. Estava

na Galiza, em Espanha e tinha seis jornadas a pé

de pacatez e solidão voluntária. Suspirei decidida,

ajustei as alças da mochila, apertei os bastões nas

mãos e atravessei Tui.

Na zona industrial de O Porriño vi o primeiro caminheiro,

mas em sentido contrário. Vislumbrei-o no

início da grande reta que atravessa aquela zona.

Era uma

manchinha

preta a cerca

“A menina

vai dormir aqui?”

Perguntou-me um

homem na casa dos

cinquenta anos, que se

acomodava no beliche

ao lado do

meu.

de um quilómetro d e

distância. Avançáva- mos

os dois para um ponto in- visível,

onde nos cruzaríamos. Aos poucos fui discernindo

pormenores do homem: mochila cinzenta; chapéu

azul; casaco preto. Deveria sentir-se observado e,

tal como eu lhe fazia, tentava perscrutar-me sem

dar nas vistas. Quando finalmente nos cruzámos,

olhámos para o chão e emitimos um tímido “hola”.

O Porriño, o destino do dia, estava todo engalanado.

Segundo os cartazes colados nas paredes, era

a XVI festa de Callos. As pessoas faziam fila com

uma tigela de barro na mão para provar os ditos

que eram distribuídos em várias bancas. Cheirava

a sopa de grão e, tentada a provar a gastronomia

local, indaguei sobre os outros ingredientes. Quando

soube que consistia numa sopa de tripas de porco

com grão e salsa, passou-me logo a curiosidade.

No albergue dormi a sesta, visto não ter conseguido

dormir devido aos bárbaros de Parede. Com o

sono retemperado, voltei às ruas para explorar a

feira. Não compreendo as pessoas que depreciam

os hábitos e tradições portuguesas e consideram

que só o que é estrangeiro é que é bom. Esta festa

era em tudo idêntica a tantas que já tinha visto em

Portugal. Os feirantes a vender brinquedos de plástico,

pipocas, algodão doce e torrão de Alicante; a

OUTDOOR Maio_Junho 2012 53

Por terra

Hola Peregrino!


Por terra

pista dos carrinhos de choque, o carrossel e a barraquinha

do tiro ao alvo. Até palco havia, onde o

equipamento de som estava a ser preparado. Estas

e outras mostras de cultura regional são as melhores

oportunidades de conhecermos um povo.

A única diferença, e boa, que encontrei em Espanha

é o comércio fechar ao domingo. Isso sim

devia ser implantado em Portugal. Não encontrei

nenhum local aberto onde comprar comida para

fazer para o jantar. Resignei-me a “em Roma sê

romano” e decidi comer uma tortilla e beber uma

Mahou num café apinhado de galegos que devoravam

tapas. Voltei a deambular pelas ruas cheias de

pessoas, de luzes e música e, apesar de tudo aquilo

ser engraçado, lembrei-me das férias pacatas.

Voltei ao albergue, sentei-me na sala e pus-me a

desenhar.

Acordei com a chuva a bater nas janelas. Mesmo

às nove horas estava escuro de tão carregadas as

nuvens estavam. Sabia pelo meu guia de bolso que

iria ter à saída de O Porriño um troço perigoso. Era

uma via rápida percorrida por muitos camiões TIR

que teria de atravessar e caminhar pela berma por

várias dezenas de metros. Optei por abordar três

caminheiros que saíam do albergue ao mesmo

tempo que eu e perguntei-lhes se os podia acompanhar

durante esse troço. Sempre seria mais seguro.

Eram dois irmãos alemães e a filha do mais velho.

Apesar da chuva forte, a conversa entre os quatro

foi fluida. O irmão mais velho, um homem rijo e

seco, vivia há muitos anos no Canadá. Tinha uma

face redonda, olhos azuis e rugas

profundas que lhe sulcavam as

maçãs do rosto. A filha era uma

canadiana loura de ancas largas,

olhos igualmente azuis e faces

rosadas. Falava pela boca, mãos,

olhos, braços, cotovelos, tudo! O

outro irmão, de rosto alongado

e olhos castanhos, era mais alto

e circunspecto. A dificuldade no

inglês e o aparelho auditivo não

ajudavam à comunicação. Contudo

era afável e educado.

Ultrapassámos o troço perigoso

e embrenhámo-nos pelo campo.

As videiras faziam linhas paralelas

a perder de vista pelos campos

ondulantes, onde grandes

pingos de chuva escorregavam

pelas uvas maduras. Por esta altura,

a Magdalene e o pai “Gross”

já me tinham “adotado”. O irmão

54

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Klein”, à sua maneira mais comedida, também

me tinha aceitado e eu achei que seria uma falta

de educação deixá-los assim, no meio do percurso,

depois de tão animada conversa. A caminhada

continuou, sempre sob chuva intensa e trovoada.

Abrigámo-nos numa paragem de autocarro, pois

a tempestade era tal, que até um cão vadio ultrapassou

o medo e abrigou-se junto a nós sob a

paragem.

Chegámos a Redondela sob as mesmas condições

meteorológicas. Entrámos todos atrás do “Klein”

no primeiro café que viu aberto. Assim que perceberam

que eu falava a língua de “nuestros irmanos”,

os meus companheiros regozijaram-se

pelo nosso encontro e afirmaram que jamais me

deixariam até chegarmos a Compostela. Há vários

dias que se encontravam no estrangeiro e

a hora da refeição era uma autêntica roleta russa,

pois não sabiam o que comiam. Agora com

a minha presença, tudo seria mais fácil. Tinham

de comemorar. “Klein” pediu à empregada uma

garrafa de Rioja. Pelo menos essa palavra ele conhecia.

Apesar de não ter ficado muito confortável com

aquela decisão de jamais me deixarem até Compostela,

não consegui ripostar porque me distraíram

com o Rioja. Mais uma vez, os meus planos

saiam furados. Agora bebia o vinho, mais tarde

pensaria em voltar ao plano A. Entrei na onda e

decidi apenas comemorar o “Camino” e as coisas

boas que se encontram nele; e pude constatar

que se encontram muitas.

O albergue de Redondela é um edifício medie-


val recuperado. A casa de banho foi o que mais

me impressionou. Um toque de modernidade no

meio daquelas paredes grossíssimas. Tencionava

aninhar-me no beliche a escrever e desenhar e já

não sair do albergue a não ser no dia seguinte. Tinha

mantimentos suficientes para o jantar, só que

as coisas nunca são como nós as delineamos. A

Magdalene pediu-me para ir com ela à rua comprar

um casaco e umas calças impermeáveis, pois

ela tinha toda a roupa molhada e nenhum casaco

para a chuva.

Eu segurava o caderno numa mão e o lápis na

outra. Fiquei com vontade de dizer “não”, que já

não saía do albergue, mas lembrei-me que se eu

estivesse num país onde não conhecesse a língua,

também gostaria de ter alguém que me ajudasse.

Deste modo, vesti a roupa por cima do pijama e lá

fui enfrentar a tempestade que não abrandava.

As ruas estavam inundadas e viam-se vários piquetes

a desentupir sarjetas. Os carros passavam

e provocavam cortinas de água que molhavam os

transeuntes. Saltitámos por entre poças de águas e

na terceira loja encontrámos roupa impermeável.

A Magdalene comprou o seu fato e voltámos para o

albergue a pingar água de todos os lados. Ainda me

convidaram para jantar, mas fui categórica. Não

voltaria a sair, iria ficar no albergue até à manhã

seguinte!

O dia amanheceu muito nublado

e cinzento, mas pelo menos não

chovia. O trilho percorria zonas

bonitas de bosques e vinhedos.

Passávamos por muitas aldeias

onde sacos com uma nota ou

algumas moedas estavam

pendurados no puxador da

porta das casas. Esperavam a

passagem do padeiro. À saída

de uma dessas aldeias, a sola

da bota da Magdalene saltou. Ficámos

todos pasmados a olhar ora

para a sola no chão, ora para a Magdalene,

sem saber o que fazer. Ela foi muito

desembaraçada. Procurou os seus chinelos dentro

da mochila e substituiu-os pelas botas, que as deitou

no caixote de lixo mais próximo.

Continuámos a caminhada. O “Klein” seguia em

frente mantendo o ritmo, depois eu, o “Gross” ia

em terceiro lugar e a Magdalene ia ficando cada

vez mais para trás. Tomava comprimidos para as

dores como quem chupa rebuçados. Devia estar

cheia de dores nos pés, mas lá ia emborcando o

frasquinho e seguindo-nos. Já em Pontevedra,

perguntei-lhe se tinha bolhas nos pés. Disse-me

que não, que só os sentia doridos. Colocou pensos

Abrigámo-

-nos numa paragem

de autocarro,

pois a tempestade era

tal, que até um cão vadio

ultrapassou o medo

e abrigou-se junto a

nós sob a para-

gem.

rápidos e uns pensos preventivos

de bolhas (deuses, o que

eles inventam!) e depois de

descansarmos fomos explorar

a cidade.

Pontevedra é uma cidade histórica

muito bonita. Tem passeios

largos, a zona antiga está bem arranjada,

com muitas lojas abertas até ao final

da tarde. Foi numa dessas lojas que comprámos

umas botas para a Magdalene. Deambulámos pela

zona histórica, com praças rodeadas de arcadas

medievais. Esta zona era animada por muitos restaurantes

e bares que, ao cair da noite, chamavam

o caminheiro cansado da jornada através da iluminação

interior confortável.

Optámos por jantar num restaurante pequeno

de canto. A empregada, muito simpática e eficaz,

recomendou-nos o peixe grelhado e um vinho regional,

Albariño das Rias Bajas. Confiámos na sua

sugestão e quando o peixe chegou, já os quatro

OUTDOOR Maio_Junho 2012 55

Por terra

Hola Peregrino!


Por terra

brindávamos “Buen camino!” todos alegres pois

tínhamos bebido dois copos de vinho cada um.

A meio do peixe o “Gross” pediu outra garrafa. A

cada minuto brindávamos “Buen camino!” e bebíamos

outro gole.

Sinceramente, não me lembro como é que regressámos

ao albergue, pois bebi mais do que a minha

conta e estava com um pifo dulcíssimo. Apesar do

pifo, acordei durante a noite com uma trovoada

titânica e com um ressonar idêntico. Alguém no

dormitório ressonava com fúria, pois parecia que

rosnava como um cão raivoso. Como se não bastasse,

dava puns!

De manhã, para meu grande espanto e alegria,

acordei sem ressaca. A caminhada foi longa até

Briallos, perto de Caldas de Reis e dolorosa para

a Magdalene. Sentia os pés inchados e custava-lhe

andar. Encontrámos várias pessoas que nos habituámos

a ver ao longo dos dias nos albergues e no

caminho: as irmãs alemãs, a rapariga do Tirol, o

casal dinamarquês, o outro casal alemão.

Caminhávamos quase sempre em silêncio. Percebíamos

que a Magdalene estava em sofrimento,

mas ela, estóica, não se queixava. Quando chegámos

ao albergue, já não aguentou mais e pediu

para lhe tratarem dos pés. Foi aqui que me apercebi

do encanto e da magia do “Camino”. Compreendi

que naqueles dias tornámo-nos quase uma

família. Toda a gente naquele albergue queria partilhar

o seu Betadine, a sua agulha e linha preta, os

seus pensos, as suas dicas. Todos queriam ajudar e

queriam à força que se usassem os seus produtos,

pois eram melhores do que os dos outros. Foi uma

grande lição de partilha e cooperação, pois todos

os caminheiros se envolveram no drama pessoal

da Magdalene, que podia ser o drama de qualquer

um de nós.

A María, uma madrilena, conseguiu

a hegemonia sobre os outros caminheiros

e conquistou o monopólio

do tratamento das bolhas da Magdalene.

Cedo percebeu que os pés

da canadiana estavam para além

de um tratamento amador. Solícita,

desceu à entrada e telefonou ao taxista

que publicitava os seus serviços

no placar da entrada do albergue. “Está

fatal, fatal!”, disse-me ela. A decisão era óbvia:

a Magdalene iria ao hospital.

Entretanto, eu já tinha perdido as esperanças de

fazer férias pacatas e solitárias. Acompanhei a

Magdalene e o “Gross” ao hospital para servir de

intérprete. A Magdalene foi deitada e, sem anestesia,

um enfermeiro começou a cortar-lhe postas de

56

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Compreendi

que

naqueles dias

tornámo-nos

quase uma

família.

pele dos pés a bisturi. A coitada tapou a cara com

as mãos e amiúde tremia-lhe o corpo enquanto lágrimas

escorriam-lhe entre os dedos. O único som

que se ouvia era um suspiro baixinho, de tempos a

tempos. No final, o enfermeiro enfaixou-lhe os pés

(estavam inflamados e infetados), informou que a

pessoa que inventou os pensos preventivos de bolhas

(!) devia ser encarcerada e mandou-a ter com

a médica. O “Camino” para a Magdalene terminava

em Briallos.

Regressámos cabisbaixos ao albergue, onde o

“Klein” nos aguardava ao portão. Assim que entrámos

na cozinha, Magdalene recebeu uma grande

salva de palmas, abraços e até alguns beijos. Neste

momento deixou de tentar ser forte e chorou; talvez

não pelas dores, mas pela emoção da receção.

Já todos tinham jantado, mas a María Madrilena

preparou-nos umas tapas. Comemos ovos, pão,

queijo, chouriço e bebemos mais um belo Rioja.

Este “Camino” estava a ficar pouquíssimo pacato

e demasiado gastro-etílico, mas para meu gáudio,

cheio de emoções e experiências. Estava a gostar

bastante da partilha e do convívio com todas as

pessoas que ia conhecendo pelo caminho. Não era

a pacatez e a solidão ambicionada, mas quiçá estaria

a ser melhor do que o planeado.

No dia seguinte, a saída de Briallos foi algo emotiva.

Despedimo-nos da Magdalene com abraços,

que seguiu de táxi até Padrón, e eu e os dois irmãos

iniciámos a marcha. Seguíamos a alguma distância

entre os três e cada um ia com os seus pensamentos.

Foi talvez o dia mais meditativo de todo

o “Camino”. Consegui redimir-me com a minha

consciência e encontrei um meio-termo entre as

férias planeadas e o plano efetivo. Não ia só, mas

em silêncio, como que em verdadeira peregrinação.

Mesmo se não houvesse indicação a dizer que estávamos

em Padrón, várias senhoras vendiam

nas ruas saquinhos de plástico com pi-

mentos padrón e anunciavam assim o

nome da localidade. Tinha sido a etapa

mais cansativa e ansiava por chegar

ao fim. A Magdalene esperava


por nós, deitada na cama com os pés com pensos

e gazes novas. Voltámos a jantar no albergue, pois

para a Magdalene era ainda doloroso andar.

Durante a noite, apesar do cansaço, acordei duas

vezes com o ressonar e rosnar do caminheiro misterioso.

Tão perto do final, descobria quem era a vil

criatura: era o “Gross”! Como é que um ser humano

consegue emitir sons tão cavernosos?! Por duas

vezes obriguei-me a levantar e a dar-lhe umas sacudidelas

a ver se ele reduzia os decibéis. Assim

que lhe tocava no braço, rosnava danado como se

estivesse a lutar com algum urso pardo lá

nas florestas canadianas. Da segunda

vez que o fui abanar presenteou-me

com uma saraivada de puns. Resignei-me

a voltar para a cama e

tentar abstrair-me dos barulhos.

A saída de Padrón foi menos

emotiva, sem abraços. Despedimo-nos

da Magdalene, que

seguiu mais uma vez de táxi, e

voltámo-nos a pôr ao “Camino”.

Continuávamos a ser brindados com

aguaceiros, mas ao longo da manhã

foram escasseando e tornou-se um dia radioso

e quente. Mais uma vez, o ritmo era imposto

pelo “Klein”, seguido de mim e do “Gross”. Caminhávamos

em silêncio até que vimos ao longe os

pináculos da catedral de Santiago. Parecia escondida

no topo da colina pelos outros edifícios, mas

acredito que nos primeiros tempos de peregrinação,

em que a catedral guardava sozinha a região,

seria uma vista muito bonita, mas principalmente

acalentava a esperança do término da viagem.

Naqueles tempos medievos não havia um negócio

tão bem oleado em torno das peregrinações e dos

Este

“Camino”

estava a ficar

pouquíssimo pacato

e demasiado gastro-

-etílico, mas para meu

gáudio, cheio de

emoções e expe-

riências.

confortos terrestres dos peregrinos.

Chegámos a Compostela. A cidade fremia de agitação.

Lojas, cafés, restaurantes, tudo efervescia de

energia. Pessoas comiam e bebiam nas esplanadas,

caminheiros de rosto cansado com mochilas

enormes às costas subiam a rua, jovens estudantes

desciam-na apressados com livros nos braços; turistas

passeavam-se.

Entrámos na zona histórica, de edifícios bem conservados,

ruas limpas, arcadas bem arranjadas.

Chegados à praça principal e à catedral o Sol brilhava

com um céu azul maravilhoso. Abraçámo-

-nos. Ao lado do nosso triângulo de feli-

cidade pelo feito concluído, outros

caminheiros terminavam o deles

com a mesma expressão mista de

cansaço e alegria no rosto. Cada

um com os seus motivos, religiosos

ou não, o chegar à catedral

tem o seu significado. O Sol

batia-me no rosto e fez-me lembrar

o quanto tinha ansiado por

ele durante estes dias de chuva

intensa.

Ao final do dia fomos jantar peixe grelhado

e vinho Albariño para comemorar.

Brindámos “buen camino!” com duas australianas

que também o tinham terminado e fomos os últimos

a sair do restaurante. Encontrámos a rapariga

do Tirol e continuámos a comemorar num café

com mais vinho Albariño. Acabei o “Camino” com

outro pifo dulcíssimo, de braço dado com a Magdalene

pelas ruas de Compostela, mas aprendi que

o melhor caminho não é o solitário ou pacato, mas

sim aquele que se faz com as pessoas que se vai

encontrando. ø

Susana Muchacho

Geosphera

OUTDOOR Maio_Junho 2012 57

Por terra

Hola Peregrino!


Por Água

Atividade

BodyBoard

O

desporto faz parte dos padrões

culturais do ser humano. Está

provado que o desporto e a atividade

física são um bem necessário

não só para o bem estar fí-

58

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

sico, mas também para o psíquico e social.

Na componente água são várias as modalidade

que se podem praticar, no entanto, os desportos

de ondas estão a ganhar cada vez mais adeptos.

Há quem defenda que estas modalidades deve-


iam fazer parte da Educação Física como matéria,

mais concretamente no que respeita aos

Desportos de Exploração da Natureza, onde se

insere o bodyboard, um desporto de ondas que

só pode ser praticado no mar.

Quando temos oportunidade de praticar atividade

física ao ar livre e em contacto com a natureza,

a nossa boa disposição aumenta e o nosso

rendimento será potenciado.

Efetivamente o bodyboard é um desporto que

OUTDOOR Maio_Junho 2012 59

Fotos: João Melo

Por Água

Bodyboard


Por Água

equiPAmento

bodyboArd

uma prancha pequena (já que neste desporto o

praticante encontra-se deitado sobre esta)

Fato de neoprene para proteger do frio, com

medidas adequadas à temperatura da estação do ano

(4/3 é um fato para inverno e 3/2 fato para verão)

Pés de pato (que não são mais do que um tipo

de barbatanas que ajudam não apenas em velocidade

a apanhar as ondas, como também no batimento

de pernas caso se sinta cansado de remar com os

braços)

shop (também denominado “leash”) para prender

a prancha ao pulso cujo objetivo é não perder a

prancha, mantendo-a por perto.

60

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

permite deslizar sobre as ondas e manobrá-las,

sendo sem dúvida uma modalidade que conjuga

o condicionamento físico, com os prazeres terrenos

do contacto com a natureza. Que melhor

sensação haverá que o vento afagando o corpo,

o sol bronzeando o rosto, o mar envolvendo-nos

como uma dança apaixonante?

É cada vez mais frequente as pessoas que procuram

o bodyboard como escapatória ao stress,

em vez de se fecharem num ginásio a praticar

exercício físico. Sendo praticado no mar, acalma

e permite um contacto unico com o elemnto

água!

Em Portugal, a partir da década de 90 e até aos

dias de hoje, o bodyboard tem tido uma procura

crescente. A costa Portuguesa oferece-nos, de

Norte a Sul, belíssimas praias com as melhores

condições para a prática desta modalidade.

Destacam-se as zonas da Ericeira, Peniche,

Praia Grande, Santa Cruz, Costa da Caparica,

Linha do Estoril, Alentejo, Moledo, Nazaré, entre

outras.

Nas praias em que existem ondas, encontrarão

com certeza sempre algum praticante deste

magnífico desporto.

Por fim é conveniente realçar a importância de

que o praticante saiba nadar muito bem.

Esta é uma consideração deveras importante,

sendo a regra de segurança número um, pois

ninguém faz uma corrida de barreiras sem saber

correr. ø

Miguel Baceira Roldão da Silva Santos

Treinador da Pocean Surf Academy

Visite www.pocean.pt


Por Água

Indoor

PrePArAÇão

indoor PArA

bodyboArd

O

Bodyboard é um desporto outdoor,

onde o praticante utiliza

uma prancha de dimensões

reduzidas para poder deslizar

nas ondas de barriga para baixo

ou de joelhos .

Devido às manobras altamente tecnicistas,

é importantíssimo que a preparação física

seja muita cuidadosa.

Os músculos da zona lombar são os mais

requisitados e, por este motivo é necessário

ter cuidados especiais durante a prática

deste desporto.

Mas mesmo assim é um desporto muito

procurado, com cada vez mais adeptos…

principalmente por pessoas mais jovens

que adoram estar em contacto com mar

num momento de puro entusiasmo e adrenalina.

Prepare-se bem indoor e parta à aventura

em segurança! ø

www.aquafitness.pt

62

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Cláudio Silva

Coordenador de treino personalizado

Aquafitness Clube Tejo

Abdominais no bosu

3x 30 repetições 3 x semana

Exercícios para o posterior dos ombros

2x 15 repetições 3x semana

1

2


Exercício para o posterior da coxa

3x 12 repetições 3x semana

3

Exercício para os glúteos

3x 20 repetições 2 x semana

Exercício lombar em máquina

3 x 12 repetições 3 x semana

5

7

Trabalho para os deltóides

3 séries de 15 repetições 3 x semana

OUTDOOR Maio_Junho 2012 63

4

6

Trabalho cardiovascular na Wave

3 x semana 15 minutos

Trabalho dorsal em Kinesis e Core

3 x 15 repetições 3 x semana

8

Por Água

indoor


Por água

Evento

lISBOA

vOlvO OCEAN rACE

64

Julho_Agosto 2011 OUTDOOR


A MAIOR REGATA DO MUNDO ESTÁ A CHE-

GAR A PORTUGAL

Pela primeira vez nos 38 anos de história

da Volvo Ocean Race, Lisboa receberá

a maior regata à volta do mundo.

A frota de seis veleiros Volvo Open 70,

juntamente com as suas tripulações

profissionais, permanecerá na capital entre os

dias 31 de maio e 10 de junho, na doca de Pedrouços

– onde estará sediado o Race Village da

competição – numa organização a cargo da Lagos

Sports, com o apoio da Câmara Municipal

de Lisboa, Câmara Municipal de Oeiras e do Turismo

de Portugal, que volta a colocar a capital

portuguesa no seio dos grandes eventos desportivos

internacionais.

Depois da Tennis Masters Cup Lisboa 2000, do

Euro 2004 e do Lisboa-Dakar, entre

outros eventos culturais como foi

o caso da Expo-98, a etapa transatlântica

da Volvo Ocean Race

que ligará o continente norte-

-americano à Europa, elevará

o nome de Portugal ao primeiro

plano mundial – neste caso

com um dos cinco maiores certames

desportivos mundiais, a

par dos Campeonatos do Mundo

e Europa de Futebol, Jogos Olímpicos

e Ryder Cup em golfe.

“A

mais complexa

regata de

circum-navegação

teve início a 5 de

Novembro em Alicante,

Espanha

(...)”

Nas palavras de Knut Frostad, CEO da Volvo

Ocean Race, “é muito importante ter uma cidade

como Lisboa nos stopovers da prova. Não só

pelas ótimas condições para a prática da vela,

que certamente permitirão assistir a uma espetacular

In-Port Race, mas também porque será

um enorme prazer chegar à capital portuguesa

depois da sempre rigorosa travessia do Atlântico”.

DE ALICANTE A LISBOA… RUMO A GALWAY

A mais complexa regata de circum-navegação

teve início a 5 de novembro em Alicante, Espanha,

e cumpriu até ao momento as suas escalas

na Cidade do Cabo (África do Sul), em Abu Dhabi

(Emirados Árabes Unidos), em Sanya (China),

, em Auckland (Nova Zelândia), em Itajaí

(Brasil) e em Miami (EUA), de onde partirão as

embarcações rumo a Portugal.

Depois de deixar a capital portuguesa, a 10 de

junho, a Volvo Ocean Race seguirá para Lorient

(França), antes da largada rumo à meta final

em Galway (Irlanda) – completando-se assim

um trajeto de 39.000 milhas náuticas (mais de

70.000 kms) à volta do planeta.

A bordo dos veleiros monocasco de alta competição

de 70 pés (Volvo Open 70) – construídos

em fibra de carbono, com cerca de 14 toneladas

de peso, equipados com compartimentos estanques

à proa e à popa, quilha pivotante e um jogo

de 17 velas de tamanhos e formatos diversos –

reúnem-se experientes velejadores oceânicos,

recordistas mundiais, campeões olímpicos, especialistas

em ‘match racing’ e participantes da

Taça América.

A VOLVO OCEAN RACE E A CIDADE DOS OCEA-

NOS EM LISBOA

Não fosse a coragem ilimitada destes homens a

Volvo Ocean Race seria um evento impossível.

Em primeiro lugar, porque este evento no ponto

de vista da segurança é um pesadelo.

Temos de ter em conta que estes

barcos estão permanentemente,

24 horas/24 horas, a tentar bater

recordes. Passam grande parte

do tempo da competição potencialmente

mais perto da estação

espacial internacional do que de

qualquer ponto em terra e sobretudo

de qualquer ajuda.

Só um sofisticado número de meios

a bordo dos V70 mantém o race control

informado do que se vai passando, qual a

posição, a velocidade e o rumo dos barcos, permitindo

inclusive aconselhar e conferir com

cada um dos skippers, sobre as condições de navegabilidade

e segurança de um barco depois de

um qualquer incidente, como já tem acontecido

nesta edição.

Esta capacidade em adquirir informação permite

também acompanhar a par e passo a competição,

a qualquer minuto, cruzando-a com as previsões

meteorológicas, podendo-se adivinhar

as alterações classificativas. (Cerca de 200.000

velejadores virtuais acompanham a regata e fazem

isso pelo menos de 12 em 12 horas.)

No entanto o uso destes meios foi levado para

uma nova dimensão quando na última edição

foi introduzido a bordo um elemento suplementar

– O Media Crew.

Este tripulante que está impedido de interferir

com a navegação (para além da sua função pode

apenas cozinhar) é o responsável pela ligação

ao Mundo do seu Barco. As imagens e notícias

que recebemos todos os dias quer em Live Stream,

quer via Volvo Ocean Race, são da sua responsabilidade.

OUTDOOR Maio_Junho 2012 65

Por água

Volvo Ocean Race


Por água

Com a introdução da captação de imagens a

bordo e do Media Crew a Volvo Ocean Race ganhou

uma nova dimensão. Durante 9 meses, 6

barcos comunicam continuamente. É o resultado

do acompanhamento dessa comunicação

massiva que faz com que a Volvo Ocean Race

seja atualmente o 5º maior evento do Mundo e

que permitiu que na edição anterior fosse atingido

os mil milhões de pessoas ligadas em várias

plataformas a esta regata.

Para além da dimensão mediática há também a

dimensão geográfica. Gerida e participada por

pessoas dos 5 continentes, a Volvo Ocean

Race é das mais extensas competições

do Mundo. Percorrendo todos os

oceanos, fazendo escala em 10

Portos tão diferentes geograficamente

como culturalmen-

te.

Portugal tem na escala de

66

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Portugal

tem na

escala de Lisboa,

uma importante oportunidade

de se mostrar

ao Mundo junto dos que

nos visitam diretamente

devido à vinda

desta regata

(...)”

Lisboa, uma importante oportunidade de se

mostrar ao Mundo junto dos que nos visitam

diretamente devido à vinda desta regata (só ligados

diretamente à regata são cerca de 2.000

pessoas), e também junto dos que pelas diferentes

plataformas, vão receber imagens e notícias

desta passagem por Lisboa. Todos vão certamente

qualificar de forma superior o nosso país

e os nossos produtos, ajudando a aumentar os

impactos económicos diretos e indiretos, associados

a este evento, uma das grandes apostas

do Turismo de Portugal em 2012.

Para impactar todos os visitantes de forma positiva,

começamos logo por mostrar

uma nova infraestrutura dedicada à

náutica de recreio, construída na

recuperada Doca de Pedrouços

e fruto de um trabalho hercú-

leo da equipa do Porto de Lisboa.

Quem viu esta doca há

um ano atrás, com enormes

armazéns frigoríficos em estado

de derrocada e enormes

barcos afundados no meio de

metros de lodo, vai ser positivamente

surpreendido quando visitar

a Volvo Ocean Race.

Será aí, no dia 31 de maio, dia previsto

para a chegada do barcos oriundos de Miami,

que Lisboa receberá a Volvo Ocean Race com

fogo de artifício e com uma festa, noite a dentro,

animada por DJ’s.

Durante o primeiro fim de semana da escala da

Volvo Ocean Race em Lisboa, os V70 à medida

que vão aportando, serão colocados por uma

mega grua em terra na zona das equipas onde

irão ser reparados. De facto, vão ser certamente

reparados já que em Lisboa completam a travessia

do Atlântico e 8 meses de circum–navegação.

Nesse espaço a Lagos Sports irá criar canais

de circulação para que os visitantes possam ver

em terra os barcos de perto.

Mas haverá mais vela na Volvo Ocean Race em

Lisboa. Várias classes nacionais se juntarão a

esta festa:

VELA COM CLASSES DE VELA NACIONAIS;

• Nos dia 2, 3 e 4 Team Racig de Optimist (regatas

de equipas disputadas em Optimist com 6

equipas de 5 velejadores cada)

• Nos dias 2 e 3 regata costeira Cascais-Algés-

-Cascais com várias classes de vela ligeira (Laser

SB3, Dragão, entre outras)


PROGRAMAS DE SOLIDARIEDADE SOCIAL

• Dia 4 sessão de vela adaptada em Access 303

• Dia 5 de junho Match Racing em vela adaptada,

6 equipas, constituídas por um velejador

nacional e um de cada equipa da Volvo Ocean

Race.

Entre os dias 31 de maio e 5 de junho, sessões

diárias de batismo de vela.

Para além dos barcos os visitantes

do Race Village, cuja entrada é

gratuita, terão ao seu dispor

inúmeras animações.

Nos stands das equipas Camper,

Puma, Groupama, dedicados

ao público, e ainda no

stand da Volvo, os visitantes

vão ter acesso às mais variadas

experiências interativas.

Um grande Cinema 3D e um

simulador vão estar disponíveis

para mostrar como é estar a bordo

de um V70, enquanto navega em ondas

de 15 metros.

“Será aí, no dia

31 de Maio, dia previsto

para a chegada

do barcos oriundos de

Miami, que Lisboa receberá

a Volvo Ocean

Race (...)”

Outro simulador estará no Race Village. Trata-

-se do Champimóvel, um simulador disponibilizado

pela Fundação Champalimaud, que coloca

os utilizadores a fazer outra viagem em grande,

desta vez ao infinitamente pequeno, o interior

do corpo humano. É aliás a partir das instalações

da Fundação Champalimaud onde estará

instalado o Race Office e o Gabinete de Imprensa,

que os mais de 600 jornalistas internacionais

acreditados na prova, receberão as informações

essenciais sobre as incidências da 7ª etapa e da

In-Port Race em Lisboa.

O Race Village terá ainda dois palcos para onde

estão projetadas, para além das cerimónias

de entrega de prémios do Pro-

-Am (dia 8 de junho) e In-Port Race

(dia 9 de junho), atuações de

vários grupos musicais e Dj’s,

com especial enfoque para um

grande concerto no dia 9. Este

programa de animações musicais

será revelado nas próximas

semanas.

No dia 7 de junho, feriado municipal

de Oeiras, que é um dos

anfitriões da Volvo Ocean Race

em Portugal, os barcos, que entretanto

já regressaram à água, irão fazer

um percurso que durante 5 dias irá permitir

aos habitantes da Grande Lisboa ver estas peças

de tecnologia em ação.

Oeiras para além de animações especificamente

delineadas para esse dia, trará para o Race Village

uma roda gigante dando a possibilidade aos

visitantes de visualizar todo o espaço do evento,

de um patamar elevado.

OUTDOOR Maio_Junho 2012 67

Por água

Volvo Ocean Race


Por água

No próprio dia 7 de junho terá lugar a entrega

de prémios da 7 etapa da Volvo Ocean Race

(Miami-Lisboa). Este evento onde estarão todas

as equipas com cerca de 700 pessoas, será realizado

no Pátio das Galé e Sala do Risco, espaços

disponibilizados pela Associação de Turismo de

Lisboa, que se tem revelado um parceiro entusiasta,

desde o momento da candidatura de Lisboa

a este evento.

No dia 8 de junho, dia Mundial dos Oceanos realiza-se

a Regata Pro-Am. Neste dia terá especial

enfoque a presença da Secretaria de Estado do

Mar. Desde a primeira hora a João lagos Sports

tem trabalhado com o Ministério da Agricultura,

Mar, Ambiente e Ordenamento do Território e

com a Secretaria de Estado do Mar através da

Estrutura de Missão para os Assuntos do Mar,

utilizando a Volvo Ocean Race como um momento

marcante e promotor do desígnio nacional

que é o novo Mar Português.

Nesse sentido, para além de animações específicas

para esse dia, estará presente no Race Village

uma grande mostra da Secretaria de Estado,

dando conta, entre outros, do projeto de extensão

da plataforma continental sob jurisdição nacional,

que se encontra em fase de apreciação

na ONU, e que poderá permitir que Portugal

veja o seu território acrescido de mais 2.000.000

km2.

Para todas as regatas que aqui se realizem (Treinos

dia 6 e 7; Pro-Am dia 8 e In-Port Race dia 9)

e na partida da Regata rumo a França no Dia 10

de junho, os Barcos da Volvo Ocean Race cumprirão

um percurso que se iniciará frente à Doca

de Pedrouços e que se desenrolará Tejo acima

até ao Terreiro do Paço, havendo aí de novo uma

boia para que façam a rondagem e regressem a

Pedrouços.

Este percurso foi delineado pela Lagos Sports

68

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

e pela Volvo Ocean Race no sentido de ter Lisboa

como plano de fundo durante as duas transmissões

diretas de Televisão (Sábado dia 9 – 90

minutos, e Domingo dia 10 – 60 minutos) e que

terão uma enorme distribuição Mundial.

Caso as condições de vento e de maré o permitam,

ao regressar a Pedrouços (passando de

novo junto ao Evento), os barcos irão ainda a

S. Julião (passando também frente ao concelho

de Oeiras), repetindo este percurso tantas vezes

quantas as possíveis, dentro dos tempos previstos

para as transmissões live das televisões.

Estas transmissões terão lugar no dia 9 entre

12.30 e as 14.00 horas e no dia 10 entre as 13.00

e as 14.00 horas e serão também difundidas pela

RTP e pela SportTv.

Entretanto foi anunciado pela Presidência da

República que este ano o Dia de Portugal no 10

de junho será celebrado em Lisboa. Em conjunto

com a Câmara Municipal de Lisboa, estamos

a trabalhar com a Presidência da República para

que a Volvo Ocean Race, nomeadamente a partida

para a 8º etapa rumo a França e que terá uma

rondagem nos Açores, seja integrada no programa

das comemorações.

Para isso, muito contribuirá a Marinha Portuguesa

que certamente nesse fim de semana

terá no Tejo alguns dos seus mais emblemáticos

meios a comandar a enorme frota de despedida

da Volvo Ocean Race, que contará com barcos

tão variados como as fragatas do Tejo, dos Barcos

Cruzeiros ou porque não, nesse dia do mar

e de todos os portugueses, de Barcos Rabelos. ø

Lisboa Volvo Ocean Race

www.volvooceanracelisbon.com

Facebook

“No próprio

dia 7 de Junho

terá lugar a entrega

de prémios da 7 etapa

da Volvo Ocean Race

(Miami-Lisboa).

(...)”


HERóIS DO ALTO MAR

Franck Cammas (Groupama): o skipper

francês é o atual recordista do Troféu Júlio

Verne – com a marca de 48 dias e 7 horas

de circum-navegação sem escalas a bordo

de um trimarã em 2010.

Iker Martinez (Team Telefónica): skipper

do veleiro espanhol, o campeão mundial e

medalha olímpica de ouro e prata na classe

49er, conta ainda no seu currículo com o

título de vice-campeão na Barcelona World

Race – a regata à volta do mundo sem escalas

para duplas de navegadores, realizada

em 2011.

Ian Walker (Abu Dhabi Ocean Racing): o

velejador olímpico inglês, com duas medalhas

de prata no currículo, lidera a campanha

dos Emirados Árabes Unidos, naquela

que é a primeira participação árabe no

evento.

Chris Nicholson (CAMPER with Emirates

Team New Zealand): o skipper australiano

soma três participações na Volvo Ocean

Race desde 2001, contando ainda seis títulos

mundiais nas classes 49er e 505, com

representações pela Austrália em duas edições

dos Jogos Olímpicos (Sydney 2000 e

Atenas 2004). Na equipa também o chefe

de quarto, o neozelandês Stu Banatyne,

com cinco participações na prova.

Ken Read (PUMA): o norte-americano

marca a sua segunda participação no evento,

depois de ter figurado como timoneiro

em duas campanhas para a Taça América e

amealhado 46 títulos mundiais, norte-americano

e nacionais.

Mike Sanderson (Team Sanya): um impressionante

palmarés quando se fala em

vela de alto mar (offshore), com destaque

para duas vitórias na Volvo Ocean Race –

a primeira com o NZ Endeavour em 1993-

1994, então sob o comando de Grant Dalton

e mais tarde, em 2006, já como skipper do

ABN AMRO ONE, numa das vitórias mais

dominadoras na história da competição,

com seis triunfos em nove das etapas

offshore, e cinco em sete das In-Port Races.

Entre as tripulações de 10 velejadores com

currículos náuticos invejáveis, encontram-

-se ainda os Media Crew Members, que

mais não são do que o 11º tripulante em

cada equipa, estando encarregue de relatar

a vida diária a bordo dos veleiros, enviando

via satélite vídeos, fotografias e testemunhos

escritos para todo o mundo – para lá

de serem os responsáveis pela confeção

das refeições desidratadas e limpeza do

interior da embarcação.

A VOLVO OCEAN RACE EM NúMEROS

- 1,619 BIlIõES DE lEITORES EM 13.000 ARTIGOS

NA IMPRENSA ESCRITA INTERNACIONAl*

- 1,327 BIlIõES DE AUDIêNCIA TElEVISIVA ATRA-

VéS DE MAIS DE 11.000 TRANSMISSõES*

- 1,170 BIlIõES DE AUDIêNCIA RÁDIO ACUMUlA-

DA*

- 90 MIlhõES DE VISITAS AO SITE DA VOlVO

OCEAN RACE*

- 56 MIlhõES DE EUROS DE IMPACTO ECONó-

MICO, 420 MIl VISITANTES EM GAlWAy (IRlAN-

DA)*

- 220.000 PAGANTES REGISTADOS DE 180 PAíSES

NO JOGO VIRTUAl VOlVO OCEAN RACE*

- 39.000 MIlhAS NÁUTICAS (70 MIl qUIlóME-

TROS) é A ExTENSãO DA PROVA

- 72 kM/h (42 NóS) é A VElOCIDADE MÁxIMA

ATINGIDA PElOS BARCOS VOlVO OPEN 70

- 9 MESES é A DURAçãO DA PROVA

Dados da Edição (2008-2009) - Lisboa Volvo Ocean Race

OUTDOOR Maio_Junho 2012 69

Por água

Volvo Ocean Race


whale watching

Por Água

A verdade é que muito se fala e escreve

sobre os Açores, o verde da vegetação,

o azul das hortênsias, das vacas

que pastam livres e da chuva e nevoeiro

que aparecem sem aviso, mesmo

no verão. O bem receber dos açorianos,

o sotaque, são características que

não passam despercebidas.

70

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Cachalote, Sul do Pico, Açores


Fotos: Ana Sofia Mendonça

OUTDOOR Maio_Junho 2012 71

Foto: Manuel Fernandes

Golfinhos Roazes, Canal Faial-Pico, Açores

Descobrir

WhaleWatching


Por Água

Mas o mar (sempre o mar) acaba

por ser motivo da maioria das

conversas entre os locais, seja

por causa da pesca, da meteorologia,

dos barcos de carga ou

por causa da baleia. A baleia…

Nos Açores, quando falamos de baleia, falamos,

mais especificamente de uma em especial,

o cachalote, “o rei dos mares”. Quem

o diz é Antero Soares, vigia da baleia em S.

Mateus no Pico. Por muito grande que sejam

as baleias de barbas (as azuis, comuns, sardinheiras

ou de bossas), o cachalote vive no

passado e no futuro de homens como este que

andaram “à baleia”, e agora as vigiam de terra.

Deixemos por agora os vigias, mantendo sempre

presente que sem eles, seriamos apenas

“uns tipos com uns barcos!”.

Decorreram já mais de duas décadas desde

que se iniciou a observação de cetáceos nos

Açores, atividade que veio tomar o lugar de

72

Maio_Junho 2011 OUTDOOR

uma outra atividade praticada no arquipélago

durante cerca de 200 anos, a caça ao cachalote.

Hoje em dia, com objetivos diferentes, continuamos

em busca desses gigantes marinhos,

que nadam em redor das nossas ilhas. “Whale

Watching” tornou-se uma expressão familiar,

utilizada por todos, fazendo parte do léxico de

todos quantos nos visitam.

Ver uma baleia ao vivo e a cores continua a

ser o sonho de muitos e a obsessão de alguns.

Este vosso escriba inclui-se no segundo grupo,

onde cada viagem, cada baleia tornam a

sua vida um pouco mais rica. As palavras que

se seguem refletem meia-dúzia de anos ligado

a esta atividade, e a visão de quem chegou

vindo de fora e se embrenhou nesta vida.

Como tal corro o risco de ser mal interpretado

e o de me esquecer de algum detalhe importante.

No Faial e no Pico, a atividade desenvolveu-se

Cachalote, Sul do Faial, Açores


apidamente, surgindo durante a década de 90,

uma série de empresas dedicadas a esta nova

“indústria”. As razões são fáceis de explicar e

compreender. Para além da existência de vigias

com conhecimento enciclopédico do que se

passa em “cada canto do mar”, a abundância de

alimento, as características dos fundos e as

rotas migratórias, tornam estas águas

numas das mais ricas do mundo do

que toca aos cetáceos.

Estabeleceu-se que são 26 o

número de espécies possíveis

de serem avistadas nos mares

dos Açores, desde a magnífica

e incrivelmente grande baleia

azul, ao sempre presente golfinho

comum. Mas o símbolo dos

Açores foi há muito eleito: o cachalote.

Alvo de caça incessante, um pouco por

todo o mundo, nos Açores era a única baleia

caçada de forma continuada. O conhecimento

científico e comportamental que se adquiriu durante

esses tempos, é ainda hoje utilizado por

nós que andamos em busca deles para lhes “atirarmos

umas fotos!”.

Blóóóóós!

Esta era a expressão

utilizada

pelos antigos baleeiros

e vigias quando

era avistado um

bufo de uma

baleia.

Os dias da época de observação de cetáceos, que

vai de março a outubro, tornam-se rotineiros, na

sua mecânica. Receber os visitantes, dar-lhes as

boas vindas, fazer o briefing inicial de introdução

à atividade, onde se explicam as diferenças

entre as espécies de baleias e golfinhos, se estabelecem

as regras do nosso comportamento

no mar (e em terra!), e onde se des-

venda um pouco das informações

que vamos recebendo dos nossos

vigias sobre o que se passa no

mar. Vento, ondulação, nebulosidade

(também conhecida por

“fumaça”) e presença ou não

de animais nas zonas de ação

de cada operador.

Blóóóóós! Esta era a expressão

utilizada pelos antigos baleeiros e

vigias quando era avistado um bufo

de uma baleia. Hoje pode também ser ouvida

nos rádios que equipam os modernos barcos

envolvidos na atividade. Variante portuguesa

da expressão americana (de língua inglesa)

“thar she blows!”, tornada famosa pelo não menos

famoso romance “Moby Dick” de Herman

Mellville.

Cachalote, Açores

OUTDOOR Maio_Junho 2012 73

Descobrir

WhaleWatching


Por Água

Os Açores

são, de uma

forma geral um dos

melhores locais do

mundo para se entrar

neste mundo. Na

Europa, não há

lugar igual.

Confirmado que está o avistamento, aí vão, um,

dois, três (e mais) barcos em direção à posição

indicada pelo vigia. Por vezes navegamos 10

minutos, outras, um pouco mais. A incerteza é

parte integrante de quem se dedica a procurar

animais que vivem grande parte da sua vida debaixo

de água! Paciência e persistência são duas

palavras que não nos cansamos de repetir, sobretudo

se houver crianças a bordo. É fantástico

ver os sorrisos que se formam nas suas caras pequenas,

à vista de um pequeno golfinho que se

junta ao nosso barco.

Cumprir as regras impostas pela lei regional,

fazer prevalecer os comportamentos estabelecidos

no código de conduta voluntário, são talvez

as grandes diferenças entre os Açores e os outros

locais mais conhecidos onde se pratica esta

atividade. A aproximação aos animais, o número

de barcos, o tempo de permanência junto destes

Golfinhos-comuns, Sul do Pico, Açores

e o nosso comportamento na presença deles, estão

perfeitamente definidos por lei regional, não

sendo permitido tocar e fazer festas nos animais

(não que eles deixassem), alimentá-los, persegui-los

ou permanecer a menos de 50 metros.

Há muito que estas regras foram criadas, e alguns

consideram-nas avançadas em relação ao

que se faz noutras partes do mundo. Outros há,

que defendem uma reforma e revisão da lei vigente.

A ver vamos o que o futuro nos reserva.

Dedicarmos a nossa vida e cada fibra do nosso

corpo a este mundo, só é compreensível para

quem partilha esta paixão pelas baleias. Terminamos

a época doridos, queimados pelo sol,

com algumas mazelas, mas com o coração cheio

de uma energia difícil de explicar. E com novos

amigos! No mar e em terra! Descobrem-se ou

identificam-se novos indivíduos (sobretudo cachalotes),

e travam-se amizades com visitantes

próximos e distantes.


No meu caso, sou um privilegiado, e sei que o

sou. Todos os dias me deparo com alguém que

não gosta do que faz e que é infeliz no seu trabalho.

A satisfação de um trabalho bem feito

torna-se uma realidade quando os sorrisos e por

vezes as lágrimas não são possíveis de evitar.

Os Açores são, de uma forma geral um dos melhores

locais do mundo para se entrar neste

Golfinho-comum, Sul do Pico, Açores

mundo. Na Europa, não há lugar igual. ø

“Porque é que há tantas baleias nos Açores?!

Vêem ver as vistas! Com paisagens tão bonitas,

verdes e montanhosas, acham que as baleias que

aqui passam, lhes ficam indiferentes?!” - cidadão

açoriano anónimo

Pedro Filipe

Horta Cetáceos

Golfinhos Roazes, Açores

Moleiro ou Grampo - Sul do Pico, Açores

OUTDOOR Maio_Junho 2012 75

Descobrir

WhaleWatching


Fotografia

Truques e Dicas

FotogrAFAr sequênciAs


Fotografar sequências tornou-se uma

forma muito popular de mostrar uma

série de ações únicas ou complexas

que por sua vez não seriam compreensível

numa única fotografia, além

de que em termos de publicação uma fotografia

de sequência requer muito menos espaço do que

uma sequência de fotografias.

Uma vez tirada a sequência de fotos, estas são

juntas no Photoshop durante o pós-processamento;

pelo que o equipamento necessário é

relativamente acessível: um computador com o

Photoshop instalado e uma câmara digital com

uma velocidade de obturação capaz de capturar

o processo que se quer mostrar. Há diferentes

maneiras de montar a imagem: o uso de camadas

é provavelmente o mais popular, no entanto

eu uso a ferramenta “clone stamp” que eu penso

ser a maneira mais rápida e simples de obter o

mesmo resultado.

Quanto fotografo uma sequência, considero

importante manter o enquadramento da imagem

desde o início até ao fim. A melhor forma

de o fazer é manter a máquina fixa num tripé.

Nem sempre é muito prático ter o tripé à mão,

e por vezes acontece ver uma potencial e interessante

sequência para fotografar quando não

se está à espera. No entanto é possível não usar

o tripé desde que se consiga segurar a máquina

Base: A imagem base aberta e pronta para o passo seguinte.

numa posição relativamente estável no decorrer

da ação. Pessoalmente nunca utilizei um tripé

para uma sequência, mas é importante manter

a câmara o mais fixa possível. Evite cair no erro

comum de seguir a ação. Isto é extremamente

importante quando se utiliza lentes de grande

angular, onde os ângulos de visão são mais ex-

tremos e as perspetivas mudam ao mais pequeno

movimento da máquina, o que pode tornar mais

difícil a pós-produção das imagens.

Após ter o conjunto de imagens, segue-se o simples

processo de escolha das imagens que ficarão

melhores na sequência. Depois, escolha a

imagem base, a melhor para trabalhar (é normalmente

uma imagem do meio da sequência, a

inicial ou a final, mas fica ao seu critério), abra-a

no Photoshop juntamente com as outras fotografias

das ações que quer adicionar à sequência.

Usando a ferramenta “clone stamp”, selecione o

primeiro movimento da ação da fotografia. Copie

a mesma para a imagem base. A sequência é

criada repetindo este processo com as restantes

imagens. Fácil! Não?

Quando se faz a seleção de um movimento com

a ferramenta “clone stamp”, é importante que escolha

um ponto de referência na imagem base,

de modo a manter correto o movimento do ação.

Por exemplo: se a sua sequência começar num

céu azul, o trabalho de copiar a imagem de base

vai ser em grande parte por tentativas. Se existir

OUTDOOR Maio_Junho 2012 77

Fotografia

Truques e dicas


Fotografia

um ramo de uma árvore ou a borda de uma nuvem,

deve utilizar isto como ponto de referência.

Selecione este ponto com a ferramenta “clone

stamp” e depois procure o local exato na sua imagem

base e copie. Convém que o mesmo ponto

coincida em ambas as imagens. Após referenciar

o ponto, o seu movimento será facilmente colocado

no sítio exacto na imagem base como estava

na imagem inicial, uma vez que a partir deste

momento a ferramenta “clone stamp” memorizou

todas as áreas da imagem inicial. Uma vez

dominado este processo, daqui para a frente basta

aplicar esta rotina para adicionar as restantes

imagens à sequência, ou fazer qualquer ajuste de

cor ou contraste.

Embora as sequências sejam úteis para mostrar

movimentos novos, interessantes ou complexos,

pode haver uma tendência para o uso excessivo

desta técnica. Apesar de considerar esta técnica

um truque indispensável a qualquer fotógrafo,

deverá ser utilizada com moderação. Se um

condutor de uma BMX fizer um “backflip” triplo

sobre chamas e aterrar numa piscina com água,

é um exemplo perfeito para uma boa sequência.

No entanto se for apenas um salto simples “up-

-down”, penso não haver necessidade de criar

uma sequência com este panorama, visto ser

uma situação comum. É claro que isto não se

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

aplica quando se está a aprender a fazer sequências.

Neste caso, quase todas as situações são

boas para aplicar a técnica de sequência de modo

a aperfeiçoar e dominar este processo.

Em 2010, durante a Red Bull Cliff Diving World

Series em Polignano e Mare, em Itália, o mergulhador

Gary Hunt fez pela primeira vez um novo

e complexo mergulho, potencialmente bastante

perigoso. De modo a capturar o mergulho da melhor

maneira, posicionei-me de lado para o mergulho

a uma distância que me permitia a totalidade

da ação (25 fotografias no total - em anexo),

enquanto que uma segunda fotografa, Romina

Amato, estava a disparar num ângulo frontal a

três quartos, de forma a mostrar os movimentos

iniciais (uma sequência de dez fotografias). O

mergulho foi perfeito e as fotografias mostram os

detalhes todos deste mergulho histórico. No dia

seguinte ao evento, Hunt tentou o mesmo mergulho

mas falhou a entrada na água, e desde então

não voltou a tentar o mergulho novamente. No

entanto, as sequências do dia anterior mostram

os detalhes de quando foi feito corretamente. Foi

sem dúvida um grande momento escolhido para

fotografar a sequência. ø

Por Dean Treml - Fotógrafo

Acção 1: A primeira fotografia da acção aberta sobre a imagem base, ferramenta “clone stamp” assinalada com um círculo vermelho.

78


Acção 2: O ponto de referência usado para a cópia do primeiro movimento (círculo vermelho), com a versão clone a mostrando o local exato

da imagem anterior.

Acção 3: As imagens são juntas para mostrar a sequência. Para chegar a este ponto na montagem da sequência levou cerca de 5 minutos.

OUTDOOR Maio_Junho 2012 79

Fotografia

Truques e dicas


Fotografia

Portfólio — Rui Romão

80

Setembro_Outubro 2011 OUTDOOR


A

primeira fotografia que alguma

vez tirei foi um quase típico retrato

de grupo. Os meus pais e a

minha irmã Sílvia estavam sentados

num banco e sugeri ser eu a

tirar a fotografia. Peguei na Nikkormat que o

meu avô Romão encontrou à porta de casa e

enquanto seguia instruções de como colocar o

“ponteiro da luz” entre o “+” e o “-” e a minha

família se encolhia com medo de estar fora de

enquadramento, foquei e disparei.

Há muito tempo que não vejo esta imagem,

mas é recorrente subir-me à memória. Deve

estar perdida nalgum caixote em alguma

cave. Devia ter uns 5 anos quando tirei essa

foto. Nessa altura, enquanto os meus amigos

jogavam à bola eu preferia subir as árvores.

Lembro-me de uma vez chegar a casa descalço

porque tinha tentado atravessar um lamaçal

por alguma razão tonta, infantil e muito

pertinente. As botas lá ficaram soterradas.

Só mais tarde, já estava na faculdade, descobri

a montanha, a escalada, os rios, as cascatas e a

tranquilidade que os espaços naturais me oferecem.

Se passo mais do que dois dias enfiado

em casa ou num escritório fico doente. Preciso

sair, respirar ar puro. Olhar para longe e contrariar

o vício do computador, de olhar sempre

para os 50cm mais próximos. Costumo

brincar com os meus amigos e dizer-lhes que

estou a “distorcer” os músculos dos olhos enquanto

observo o horizonte. Preciso descobrir

novos caminhos, novos lugares, novos cheiros,

novas amizades e novas cores. Portugal é um

país bonito, profundamente bonito. Sinto-me

muito privilegiado de conhecer alguns destes

recantos tão especiais da ponta da Europa.

As memórias que trago desses dias, são minhas

e muito especiais. É impossível realmente

partilhar tais momentos com quem não esteve

lá.

As imagens, os filmes e as fotos que faço são

uma ínfima parte dessas experiências. Uma

tentativa de partilhar esses momentos com

outros seres humanos. Uma tentativa de guardar

histórias para um dia as encontrar num

álbum, dentro de uma caixa no sótão e poder

lembrar-me: “Mas que dia tão bem passado!”

www.be.net/ruiromao

www.ruiromao.com

Fotografia

Portfólio

OUTDOOR Rappel Guiado Setembro_Outubro na Ribeira dos Ilheus 2011 (secção média), 81 durante o encontro

das IV Jornadas Técnicas de Canyoning na Ilha das Flores, Açores.

Fotos: Rui Romão


Fotografia

Nasci no dia mundial da Energia de 1981.

Enquanto tirava uma licenciatura na Faculdade

de Belas Artes de Lisboa, aprendi

muita coisa sobre imagem e animação.

Nos tempos livres dediquei-me a ir ao

cinema muitas vezes e a aprender ainda

mais coisas sobre como trepar paredes e

descer cascatas em segurança.

A certa altura decidi ir fazer Erasmus em

Inglaterra onde voltei uns anos depois

para experimentar trabalhar em produções

audiovisuais. Carreguei material e

conduzi carrinhas grandes. Foi divertido

mas fazia muito frio.

Por isso, em 2007, decidi ir para Barcelona

fazer um mestrado em Direcção de

Fotografia de Cinema. Fiquei lá uns tempos

a carregar mais material em algumas

curtas e longas metragens.

Em Dezembro de 2008 voltei calmamente

a Portugal para fazer uns quantos filmes

com a produtora Take It Easy. Dois anos

mais tarde decidi aventurar-me por caminhos

desconhecidos como trabalhador

independente. Alguns dias dedico-me a

treinar judo, outros dedico-os à natureza

e quando estou livre dedico-me à imagem,

seja filme, video ou fotografia, de

ficção e documental. Também há alguns

dias em que me dedico a todas estas coisas

ao mesmo tempo. Esses são os melhores

dias! ø

82

biogrAFiA:

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Passeio de bicicleta com a Mónica (na foto) e o Gonçalo pela floresta

Düppler, em Wannsee nos arredores de Berlim - Setembro 2010

Descida de Tizi-n-Ouraïn para a aldeia de Tagounite acompanhamos

por um berbere e uma mula, durante uma travessia de 4

dias no Atlas com o João - Marrocos - Abril 2011.

Subida a Tizi-n-Likemt (3555m.), durante

uma travessia de 4 dias no Atlas com

o João (na foto) - Marrocos - Abril 2011


Travessia com o João, o Daniel e o Eduardo no

Gerês nos últimos dias de 2011.

Canyoning num afluente do Rio Balces na

Serra de Guara em Espanhã - Verão 2009

“Sinto-me

muito privilegiado

de conhecer

alguns destes recantos

tão especiais da

ponta da Europa.”

OUTDOOR Maio_Junho 2012 83

Fotografia

Portfólio

Escalada desportiva com o Daniel

nas Pedreiras - Arrábida 2011

Palácio em Marrakech - Marrocos

Abril 2011


Fotografia

84

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Angra do Heroísmo - Açores - Outubro 2011

Floresta Düppler, em Wannsee nos arredores

de Berlim - Setembro 2010

Escalada desportiva com o Pedro (na foto) e

o Branquinho nas Pedreiras - Arrábida 2011


OUTDOOR Setembro_Outubro 2011 85


Fotografia

Foto-Reportagem

PAN PArk OulANkA

Na fronteira entre a Finlândia e a

Rússia, no limiar do Circulo Polar

Árctico, o Parque Nacional de Oulanka

surge como uma vasta área

selvagem onde ursos, linces e outras

espécies florescem.

As poucas horas de luz solar durante o inverno

e as temperaturas mínimas que podem atingir

os - 40ºC, moldam a paisagem e as poucas

pessoas que nela habitam. O povo Sami, pioneiro

na ocupação da região, garantiu a sua

86

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

subsistência domesticando as renas, desenvolvendo

a agricultura, a pesca e a caça. Ainda

nos dias de hoje os nativos Sami são os únicos

com autorização para o pastoreio das renas.

Pela importância do seu ecossistema e remota

localização, Oulanka tornou-se em 2002 o primeiro

parque Finlandês classificado como um

PAN Park, integrando a rede europeia dos parques

naturais mais importantes de preservar,

promovida pela WWF (lista na qual figura o nosso

PN Peneda Gerês). ø

O lago de Niska

Juuma, uma minu


koski reflecte as casas de

scula aldeia na entrada do

PP Oulanka

“ O povo Sami,

pioneiro na ocupação

da região, garantiu

a sua subsistência

domesticando as renas,

desenvolvendo a agricultura,

a pesca e a

caça.”

Fotografia

Foto-Reportagem

Em Juuma, por volta das 17h, as famílias

recolhem a casa para jantar

OUTDOOR Novembro_Dezembro Com as 2011 tempreaturas a 87 descer a pique a fotógrafa

Sara Wong dá o dia por terminado


Fotografia

Churrasco e chá ao ar livre, um hábito

comum ao longo do bear trail

88

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“ Oulanka

tornou-se em

2002 o primeiro

parque Finlandês

classificado como

um PAN Park

(...)”

Este lince, fotografado num centro de recuperação,

mostra-nos a fauna que ainda existe em

Oulanka

Para Eki Ollila, guia de montanha em Oulanka, o inverno trazlhe

duras, mas espetaculares condições de trabalho.


“ As poucas

horas de luz

solar durante o

inverno e as temperaturas

minímas que

podem atingir os

- 40ºC(...)”

OUTDOOR Maio_Junho 2012 89

Fotografia

Foto-Reportagem

O quotidiano em Oulana significa viver com

temperaturas que atingem os -40ºC

No outono ainda é possível ver a força dos rápidos

do Rio Myllykoski, que em breve irá congelar


Fotografia

90

O ski de fundo é a distração preferida para

as manhãs de domingo

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

O “Bear Trail” é o trekking mais procurado de

Oulanka.

As renas são uma das poucas formas de subsistência

para quem vive em Oulanka.

Quem é

O TIAGO COSTA?

A paixão do Tiago pela viagem e pelo outdoor

já o levou da Patagónia aos Himalaias,

do círculo polar Árctico na Lapónia à

floresta tropical no Brasil, de Buenos Aires

a Istambul.

As suas imagens e crónicas de viagem já

foram publicadas em edições como a Blue

Travel, National Geographic Adventure,

Público, Visão, World Wide Fund for Nature,

entre outras.

Faz parte da equipa permanente da agência

de viagens aventura Nomad.pt


S.O.S.

...

PsicologiA

dA sobrevivênciA

O

tema da sobrevivência está na moda.

Existem vários programas de televisão

que focam esta temática, com

milhões de espectadores em todo o

mundo, onde especialistas demostram

técnicas para sobreviver em determinadas

situações. No entanto há que ser pragmático: Estamos

a assistir a um programa de entretenimento

e não a uma formação em sobrevivência. Estes

programas são espetáculos televisivos que procuram

audiências e não informar devidamente os

espectadores sobre o que fazer em situações de sobrevivência.

Poderá o leitor perguntar para que precisa destes

conhecimentos, se no seu dia a dia nunca vai estar

92

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

numa situação de sobrevivência? Acredite que

estas situações surgem quando menos esperamos:

Num acidente automóvel, desastres naturais,

ataque terrorista ou mesmo num simples passeio

por zonas mais despovoadas. São tudo situações

comuns nos dias de hoje, por isso não devemos

dizer que nunca nos vai acontecer.

Quando ouvimos a grande maioria dos especialistas

falar nestas questões, normalmente debruçam-se

sobre dois grandes eixos: Equipamento

e conhecimento. Tendo os conhecimentos corretos

e equipamento adequado, podemos sobreviver a

praticamente todas as situações de sobrevivência.

Eu não concordo e dou bastante enfâse nas minhas

formações a mais um eixo, na minha opinião


até mais importante que os dois referidos: O psicológico.

E a importância deste eixo é demonstrada

não em teoria, mas na prática: Existem várias

situações de sobrevivência relatadas

em que indivíduos com pouco

mais do que a roupa do corpo sobreviveram,

enquanto outros

totalmente equipados e muitas

vezes conhecedores de técnicas

de sobrevivência acabaram por

morrer. O nosso cérebro não

está hoje em dia preparado para

estas situações, como estava nos

primórdios da humanidade e é

preciso voltar a “programá-lo” para

agir perante elas.

ASPETOS PSiCOLógiCOS DA SOBREVi-

VêNCiA A CuRTO PRAzO: NEgAçãO, AN-

SiEDADE, MEDO E PâNiCO

Como podem ver não inclui o stress nesta lista. O

stress é um conceito difícil de definir e ainda hoje

os investigadores têm acesas discussões sobre se

o stress é uma causa, um efeito ou algo entre os

dois. Dos aspetos que referi, praticamente todos

podem ser resultado do stress ou em sentido contrário

podem eles próprios causar stress. Sejamos

então mais objetivos e falemos de aspetos mais

concretos.

O primeiro a surgir é normalmente a negação

Quantas vezes já ouvimos pessoas a dizer “Isto

não me pode estar a acontecer!” Enquanto o nosso

cérebro não tiver plena consciência do que nos

aconteceu, não tomaremos as decisões corretas.

Esta negação vai colocar-nos em perigo, pois teremos

a tendência de não fazer nada, porque nada

de especial se passa. Muitas pessoas em situação

de sobrevivência precisam que alguém as desperte

para a realidade, o que pode ser complicado

se estivermos sós. É preciso termos rapidamente

a noção que estamos potencialmente em perigo,

para começar de imediato a raciocinar e planear,

evitando passar de uma situação de negação, para

o outro extremo: o pânico.

O pânico é o inimigo psicológico número um do

sobrevivente e afeta grandemente a capacidade de

raciocínio e bom senso. Mesmo que o sobrevivente

não o admita, ele passou por momentos de pânico

e a diferença é apenas se os conseguiu ultrapassar

ou a rapidez com que os dominou. Existe uma estratégia

para prevenir ou combater este estado,

chamada STOP (do inglês Sit, Think, Observe and

Plan, o que traduzido à letra quer dizer sente-se,

pense, observe e planeie). A primeira fase pretende

ser apenas um corte radical com a situação

O nosso cérebro

não está hoje

em dia preparado

para estas situações,

como estava nos primórdios

da humanidade

(..)

anterior, onde vai respirar fundo e colocar os pensamentos

em ordem. Na fase seguinte (pensar)

faça um inventário do que tem disponível que

lhe possa ser útil. Se tiver meios para

isso, escreva num papel algumas das

coisas que lhe vieram à ideia e o

podem ajudar. Esta simples prática

pode fazê-lo sentir-se mais confiante

e seguro e ocupará algum

do seu tempo, tirando os seus

pensamentos de outras coisas

mais negativas (útil também para

combater a ansiedade, como veremos

mais à frente). Depois das

ideias em ordem, é preciso observar

à nossa volta, contabilizando os perigos

mas também as oportunidades de abrigo,

água e comida, e dependendo dos casos acesso

a terreno elevado e a possibilidade de sinalizar a

sua posição. Depois de tudo isto é preciso planear.

Nesta fase pense positivo porque afinal já venceu

o pânico, um dos seus maiores inimigos, por isso

pode vencer tudo o resto. Ordene as suas prioridades

e faça um plano de acordo com a sua realidade:

O que vai fazer, como pode ser salvo o mais

rápido possível, etc.

Entre estes dois extremos (negação e pânico),

temos o medo. Na introdução referi que o nosso

cérebro não está preparado para situações de sobrevivência

no geral, mas felizmente manteve

algumas características do homem primitivo.

Talvez nunca tenha pensado nisso, mas o medo

OUTDOOR Maio_Junho 2012 93

S.O.S.

Psicologia da Sobrevivência

Ilustração: Luis Varela


S.O.S.

é ele próprio um mecanismo de sobrevivência. É

ele que nos alerta para perigos que, por exemplo,

podem colocar a nossa integridade física em risco.

Não vale a pensa entrarmos profundamente no

que acontece no nosso corpo em termos fisiológicos,

mas podemos resumir que a libertação de

adrenalina e de outros químicos em situações de

medo provoca várias reações que podem ser úteis,

preparando-nos para o que possa surgir: aumento

da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, dilatação

das pupilas, aumento do nível de glucose,

aumento da capacidade dos pulmões receberem

oxigénio, entre outros. Analisando estas reações,

pode o leitor ficar a pensar que numa situação de

sobrevivência é bom estar constantemente com

medo. Infelizmente não. O medo deve ser controlado,

porque o mesmo nos pode impedir de

realizar algumas tarefas essenciais para sobrevivermos

e faz com que o nosso corpo tenha tendência

a parar funções não vitais como a digestão

e o sistema imunitário. Uma coisa é certa, você não

irá querer o seu sistema imunitário parado numa

situação de sobrevivência. Resumindo, é bom ter

medo, mas convém mantê-lo controlado e para

isso pode sempre confrontar a sua mente, arremessando

contra ela ideias como “eu já fiz coisas

mais difíceis do que isto e consegui”.

Em relação à ansiedade, também ela é um alarme

natural que nos mantêm alerta e nos faz planear

antecipadamente. Pessoalmente cos-

tumo chamar-lhe “o medo do medo”,

porque é um “sofrimento” precoce

relativamente a algo que pode vir

a acontecer. A ansiedade positiva

numa situação de sobrevivência é

o que nos faz, por exemplo, ir re-

Existemvantagens

e desvantagens

de estarmos

numa situação de

sobrevivência com

mais pessoas

(...)

colhendo acendalha ao longo do caminho, porque

já estamos preocupados em como fazer o fogo no

final do dia. Tal e qual como o medo, precisa ser

dominada, porque uma ansiedade constante trás

sentimentos de angústia que nos quebram física

e psicologicamente. Na minha opinião um dos fatores

que causam mais ansiedade numa situação

de sobrevivência é a falta de confiança em nós próprios,

por isso é importantes dar passos seguros, ir

resolvendo pequenos problemas para ganharmos

confiança para os desafios maiores. Se tiver ferramentas

para isso faça um diário escrito registando

principalmente os seus triunfos e apontando tudo

o que lhe pareça útil no futuro (conforme já referi

acima).

ASPETOS PSiCOLógiCOS DA SOBREVi-

VêNCiA A MEDiO E LONgO PRAzO: DE-

PRESSãO

Existem outros fatores nesta categoria, mas são

quase insignificantes perto da grande ameaça para

o sobrevivente ao longo do tempo: a depressão.

Esta pode surgir mais ou menos rapidamente,

consoante os casos. Por vezes ao falharmos consecutivamente

as tarefas que planeamos leva-nos

a entrar num estado depressivo rapidamente. O

normal será isto acontecer ao fim de alguns dias

(ou semanas, dependendo de cada um), quando

começamos a pensar que por muito que nos esforcemos

nunca mas vamos ser resga-

tados. A esperança é sermos salvos

antes de se instalar a depressão, mas

devemos ter a consciência de que

ela pode surgir, devemos combate-la

mantendo-nos ocupados,

evitando momentos aborrecidos

Foto: Javsport


e sem nada para fazer, podendo obter dicas mais à

frente, na conclusão deste artigo.

SOBREViVêNCiA SOLiTáRiA VS SOBRE-

ViVêNCiA EM gRuPO

Existem vantagens e desvantagens de estarmos

numa situação de sobrevivência com mais pessoas,

mas é muito mais vantajoso termos companhia.

A sobrevivência em grupo tem mais

possibilidades de ser bem sucedida em termos

psicológicos, pois mais facilmente temos alguém

que nos desperte rapidamente do estado de negação

inicial, nos auxilia em situações para as

quais temos mais medo e através da troca de experiências

reduz os níveis de ansiedade, sendo

mais difícil de instalar-se o pânico. Mas nem tudo

é um mar de rosas e convém lembrarmo-nos de

alguns pontos negativos: Competição pelos recursos,

choque de personalidades, etc. O melhor

nestes casos é que surja um líder que seja o mais

consensual possível, delineando o grupo um conjunto

de regras que todos sigam, para haver disciplina

e todos trabalharem em prol de um bem

comum (usando os conhecimentos e habilidades

de cada um), reduzindo os conflitos ao mínimo,

distribuindo as tarefas e promovendo a rotatividade

nas mesmas para todos estarem em pé de

igualdade.

CONCLuSãO

A grande regra numa situação de sobrevivência

é nunca desistir. Por muito difícil que a situação

pareça, lute para além do limite das suas forças,

porque o salvamento pode estar ao virar da esquina

e você não quer “morrer na praia”. Tire

um curso de sobrevivência numa entidade idónea

com formadores experientes, porque se já

tiver conhecimentos, vai gerir melhor os dias, vai

estar mais preparado até psicologicamente. Tenha

uma atitude positiva e puxe pela sua criatividade,

pois a mesma é muito importante nestas situações.

Seja flexível e adapte-se à natureza, não

espere que seja ela a adaptar-se a si. Aprecie a

beleza da paisagem e se tem alguma fé agarre-se

a ela com unhas e dentes. Lembre-se frequentemente

de coisas boas que já passou na vida e

afaste o pensamento das más. Tenha algo que o

motive a ser salvo: a sua família, amigos, os seus

filhos ou mesmo o sair da situação como um herói.

Uma boa atitude psicológica é meio caminho

andado para sobreviver e ser resgatado, por isso

nunca, mas nunca desista! ø

Luís Varela

Formador Certificado de Bushcraft e técnicas

de sobrevivência

instrutor na Escola do Mato

Facebook

www.luisvarela.org

OUTDOOR Maio_Junho 2012 95

S.O.S.

Psicologia da Sobrevivência


Descobrir

costA vicentinA

umA PrAiA únicA

Imagine uma extensa linha

de costa onde o Sol

é rei e a maresia se

mistura com perfumes

do campo, onde praias

inexploradas se fundem com

enseadas abrigadas e pequenos

portos de pesca, onde os

tons do horizonte convidam ao

sonho e o passado aguarda por ser

descoberto... Já imaginou? Pois este

paraíso existe e espera por si. Desde a

península de Troia até próximo da ribeira de

Odeceixe, há muito a explorar e a aprender.

No Litoral alentejano, o clima permite-nos partir

à descoberta da Natureza durante quase todo

o ano. No Parque Natural do Sudoeste Alentejano

e Costa Vicentina, que se estende desde

96

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Já imaginou?

Pois

este paraíso existe e

espera por si. Desde a

península de Troia até

próximo da ribeira de

Odeceixe, há muito

a explorar e a

aprender.

Sines até Sagres já no Algarve,

encontramos uma variedade de

paisagens e habitats que fazem

desta zona uma das mais bem

conservadas faixas costeiras

da Europa. Aqui é possível

observar diversas espécies de

flora e fauna, como as lontras

que raramente se encontram em

ambiente marinho e as aves que

nidificam nas arribas junto ao mar.

As praias alternam com lagoas costeiras,

salinas, estuários e sapais, dando origem a zonas

protegidas como a Reserva Natural das Lagoas

de Santo André e da Sancha ou a Reserva

Natural do Estuário do Sado, onde poderá admirar

golfinhos e cegonhas no seu habitat natural.

No interior, contrastam os declives das Serras de

Grândola, do Cercal e as Colinas de Odemira.


queza destas terras que, aliadas à sua posição

geográfica estratégica, atraíram a presença

do homem desde a pré-história e excitaram a

cobiça de Celtas, Fenícios e Cartagineses. Os

Romanos também não se fizeram rogados em

aproveitar os recursos da região. Daqui se adivinha

a diversidade de vestígios arqueológicos

encontrados na região, que podem ser apreciados

nas Ruínas de Miróbriga perto de Santiago

do Cacém ou de Cetóbriga em Tróia.

Entre o Estuário do Sado e o Oceano Atlântico

avistamos a península de Troia, rodeada de longas

praias de areia branca e águas transparentes,

onde encontrará uma vasta oferta de hotéis,

restaurantes, campos de ténis e um magnífico

Fotos: Caminhos da Natureza Os antigos não foram alheios à fertilidade e ri-

campo de golfe. A Reserva Botânica das dunas

da Península de Troia também merece uma visita

atenta. Em direção a sul, os areais extensos

de praias como a da Comporta, ideal para

a prática de surf e kitesurf, ou a de Melides,

onde poderá praticar parapente e bodyboard,

vão dando lugar a pequenas enseadas abrigadas

entre rochas até chegarmos a Zambujeira

do Mar. Esta pequena localidade é muito concorrida

durante o verão, em especial na primeira

semana de agosto com a realização do

Festival do Sudoeste, um dos mais importantes

festivais de música do país que atrai milhares

de jovens. ø

Conteúdo infoportugal SA em www.descubraportugal.pt

OUTDOOR Maio_Junho 2012 97

Costa Vicentina

Descobrir


Descobrir

PARquE NATuRAL

SuDOESTE ALENTEJANO E COSTA ViCENTiNA

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa

Vicentina estende-se por uma faixa estreita

do litoral Sudoeste de Portugal, Costa Sudoeste,

entre S. Torpes e Burgau, com uma extensão de

110 km, sendo a Área total de cerca de 131 000

ha. A Costa Sudoeste como é denominada, por

vezes, esta zona, corresponde a uma zona de

interface mar-terra com características muito

específicas que lhe conferem uma elevada diversidade

paisagística, incluindo alguns habitats

que suportam uma elevada biodiversidade,

tanto florística como faunística.

A rede hidrográfica da Costa Sudoeste é constituída

por cursos de água pertencentes à bacia

hidrográfica do rio Mira e à bacia hidrográfica

do Barlavento Algarvio constituída, por alguns

sistemas atípicos temporários, para a sustentação

de elevado número de espécies da flora e

da fauna, incluindo algumas espécies de peixes

98

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

prioritárias e endémicas. As suas galerias ripícolas

constituem um habitat relevante para a

migração de passeriformes transharianos bem

como para a alimentação e refúgio de várias espécies

de mamíferos. Mas não mais importante

são alguns estuários com as suas zonas de

nursery para várias espécies de peixes, como

habitat privilegiado de alimentação, repouso e

nidificação para aves migradoras.

No que respeita aos aspectos económicos, destaca-se

o sector primário, ligado à actividade

agrícola e à pecuária. Grande parte da área

encontra-se ocupada por terrenos agrícolas,

maioritariamente por sistemas e culturas tradicionais,

com excepção da área ocupada pelo

Perímetro de Rega do Mira, onde a disponibilidade

de água tem permitindo a reconversão e

intensificação dos sistemas produtivos.

iCNB


ALOJAMENTO

CERRO DA FONTiNHA

As casas de taipa do Cerro, com mais de um

século e meio de existência, são recuperações

únicas talhadas em terra, madeira e pedra e

que espelham uma completa integração com a

natureza. Canoagem, terapias de corpo e mente,

aulas de surf, caminhadas na natureza em

percursos circulares compreendendo partes da

Rota Vicentina (Rota dos Pescadores), são algu-

CASAS DO MOiNHO

Um sonho, um pensamento, um projecto, uma

obra. É isto que queremos partilhar consigo.

Após vários anos a usufruir do descanso que este

local proporciona, de uma natureza com características

únicas e praias inesquecíveis, decidimos

partilhar um pouco do melhor de Portugal.

Foram várias as viagens por este Mundo, continentes,

raças, povos, culturas, paisagens e experiências

vividas, que nos permitiram acreditar e

concretizar este projeto.

Disponibilizamos 8 casas típicas da antiga aldeia

de Odeceixe para que possa descansar,

com a promessa de encontrar um novo conceito

de receber. Em família, a dois ou a sós, proporcionamos-lhe

óptimas condições para um descanso

de acordo com o seus objectivos: calmo e

tranquilo ou activo e explorador.

Temos o alojamento ideal para que possa apreciar

todas as características deste local único,

que apetece conhecer e desvendar.

mas das actividades que propomos.

Rodeado de praias de beleza impar como as

praias do Carvalhal, da Amália, dos Machados

e de Odeceixe, o Cerro encontra-se em situação

geográfica privilegiada e de uma imensa riqueza

gastronómica alentejana. Dispõe de 6 casas, 4

T2, 1 T1 e um estúdio. Wifi, Btt’s, canoa e canas

de pesca incluídos no aluguer.

Cerro da Fontinha

Cx.P.5782, 7630-575

São Teotónio, Portugal

Tel: 00351 917802588

Email: info@cerrodafontinha.com

Site: Cerro da Fontinha

Facebook Cerro da Fontinha

Rua 25 de Abril, 44 (junto ao moinho)

Aldeia Nova do Concelho

8670-320 Odeceixe - Aljezur

Tel. 282 949 266 • Fax 282 949 100

E-mail: contacto@casasdomoinho.com

Site: www.casasdomoinho.com

OUTDOOR Maio_Junho 2012 99

Descobrir

Costa Vicentina


Descobrir

Herdade da Matinha

7555-231 Cercal do Alentejo

Portugal

Tel. 933 739 245• Tel2: 939 095 685

E-mail: reservas.matinha@gmail.com

Site: www.herdadedamatinha.com

Aldeia da Pedralva | Rua de Baixo – Casa

da Pedralva | 8650-401 Vila do Bispo |

Tel: +351 282 639 342 | +351 933 669 256

Coordenadas GPS: 37° 08 30 N | 8° 5142

E-mail: reservas@aldeiadapedralva.com

Site: www.aldeiadapedralva.com

100

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

ALOJAMENTO

HERDADE DA MATiNHA

COuNTRy HOuSE & RESTAuRANT

Em pleno Litoral Alentejano, rodeada de belas

paisagens, a Herdade da Matinha cativa pela

sua atmosfera acolhedora e ambiente intimista.

Tanto a praia como a piscina exterior são ótimas

opções para a primavera e verão. Muito ligada

à natureza, a Herdade proporciona várias

actividades: piqueniques, aulas de yoga e surf,

workshops de culinária e magníficos passeios

a cavalo. Proporciona ainda condições únicas

para os amantes do BTT, com trilhos da Rota

Vicentina que partem da Herdade. Todas as refeições

são feitas com muita dedicação e preparadas

cuidadosamente com os ingredientes de

origem local. São as longas conversas, os jantares

e o ambiente aconchegante, ideal para grupos

de amigos ou encontros em família.

É o cenário ideal para relaxar e desfrutar da

Vida. “as simple as life is”

Mais informações: herdade da matinha

ALDEiA DA PEDRALVA

A Aldeia da Pedralva era um amontoado de habitações

em ruínas numa localização sem igual,

entre o Parque Natural e dezenas de praias.

Uma aldeia que chegou a contar com mais de

100 pessoas, ficando reduzida, nos nossos dias,

a 7 habitantes originais.

As casas abandonadas e em grande deterioração

foram sendo abandonadas e a vida dos que

ficaram na Aldeia foi sendo cada vez mais difícil.

Foi então necessário reconstruir esta aldeia, tão

próximo do original quanto possível, surgindo

a Aldeia da Pedralva, que quer ser uma aldeia

tipicamente portuguesa, mas, ao mesmo tempo,

uma aldeia ativa, apaixonada, trendy e mística.

O nosso posicionamento é ser um Turismo de

Aldeia Ativo, pelo que, Go, é a nossa palavra de

incentivo para que desfrute da Aldeia da Pedralva

e da Costa Vicentina ao máximo. Para além

da praia, surf e mergulho, a localização da Pedralva

permite ainda excelentes percursos a pé,

de BTT e observação da natureza no Parque Natural

e na Serra Algarvia. Uma opção para todo

o ano com Sol e temperaturas amenas.

Mais informações: Aldeia da Pedralva


ATiViDADES OuTDOOR

CANOAgEM NO RiO MiRA

Pelo rio explora-se o Alentejo para descobrir sítios

longe dos trilhos traçados. As famílias e pequenos

grupos partem em geral sem acompanhamento,

para maior autonomia e planos personalizados.

A rota mais simples e adequada para crianças segue

o rio para o interior, sobe-se desde Odemira

rio acima com o maré a encher numa certa hora,

para voltar quando o maré começa a vazar.

Este passeio relaxante pode durar entre três a cinco

horas, uma preparação ideal para as outras etapas,

entre Vila Nova de Milfontes e Odemira.

Preço: Desde 15€/ adulto, criancas (5-15 anos)

pagam metade de preço

grau de dificuldade: Baixa

Trails

Duração: 4 h

Eco

Mais informações: eco trails Foto:

OS POçOS DA BARBAROuxA

Descubra o Alentejo Litoral num descansado passeio

pedestre pelo complexo dunar da sublime

praia de Santo André e integrado na RNLSAS. Irá

acompanhado com um guia especializado que lhe

dará a conhecer a fauna e flora deste local único.

Preço:18€ (mínimo 2 paxs)

Duração: 4 Kms

Dificuldade:baixa

inclui: Percurso guiado, informação cultural, binóculos,

apoio logístico especializado e abastecimento

alimentar no decurso da actividade e seguro de

acidentes pessoais e responsabilidade civil.)

Companhia

e

Outras actividade disponíveis: Passeios

BTT,aluguer bikes, transferes e tours turísticos.

Passeios

Mais informações: Passeios e companhia Foto:

OUTDOOR Maio_Junho 2012 101

Descobrir

Costa Vicentina


Descobrir

102

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Foto: Caminhos da Natureza Foto: Aventura Activa

CANOAgEM EM ViLA NOVA DE MiLFONTES

A calma e beleza do Rio Mira em Vila Nova de Milfontes

em plena Costa Alentejana, convida àsua

exploração de canoa ou kayak, a Aventuractiva sugere

esta actividade como uma das mais populares

na região devido às condições óptimas para a prática

em segurança.

Todos os passeios de canoagem são realizados à

medida conforme a disponibilidade e resistência

do grupo, dispomos de circuitos circulares (mais

comuns) e em linha.

grau de dificuldade: Baixo/Médio

Duração: Meio dia

Preço: Desde 15€/ pax; » Preços especiais para

famílias e grupos.

Mais informações: AventurActiva

TREkkiNg COM BuRROS NA COSTA ViCENTiNA

Parta a descoberta da natureza na companhia dos

nossos simpáticos amigos orelhudos. Por belas paisagens

campestres e falésias fantásticas, uma caminhada

diferente e uma experiência para toda a

familia. Se pensa que os burros são teimosos e dão

coices, esqueça... o burro é afável, terno, paciente,

robusto, cooperativo e pachorrento e será, antes de

tudo, o seu companheiro, vida e alma nesta bela

travessia.

Venha burricar connosco!!!

grau de dificuldade: Moderado (10 a 12km diários)

Duração: 2 dias.

Preço: Desde 120€/ pax; » Desconto 10% para famílias

4 pessoas.

Mais informações: caminhos da natureza


LiSBOA SAgRES BTT

Uma fantástica travessia em BTT de Lisboa a

Sagres em 4 dias bem cheios do mais puro BTT.

Será uma mistura de serra e mar, partindo de

Belém e seguindo até ao Cabo Espichel e Serra

da Arrábida logo no primeiro dia e com a travessia

das Serras de Grândola e do Cercal nos

dias seguintes. Segue-se o percurso mais costeiro,

com a travessia de grande parte do Parque

Natural da Costa Alentejana e Vicentina, onde

descobriremos típicas e pitorescas localidades

costeiras, falésias e praias únicas e onde desfrutaremos

de espectaculares trilhos e caminhos

sobre o mar!

Preço: Desde 320€ (mínimo 8 pax)

Dificuldade: Muito exigente.

Mais informações: caminhos da natureza

LÉguAS NA COSTA ViCENTiNA

Neste fim de semana da Primavera, caminharemos

entre a terra e o mar, por terras do fim da

Europa. Dois dias à descoberta de uma das regiões

mais bonitas do litoral português - a Costa

Vicentina.

Preço: Desde 180€ /pessoa

inclui: 2 noites de alojamento em quarto duplo

1 jantar no hotel; 2 passeios pedestres (15 e 10

quilómetros); 2 almoços piquenique; Café e chá

durante os passeios pedestres; Acompanhamento

de um guia Papa-Léguas; Guia de campo;

Seguro de acidentes pessoais.

Dificuldade: Fácil-médio.

Duração: 2 dias

Local: Parque Natural do Sudoeste Alentejano e

Léguas

Costa Vicentina.

Papa

Mais informações: Papa léguas Foto:

Foto: Caminhos da Natureza

OUTDOOR Maio_Junho 2012 103

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Costa Vicentina


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Evento

Red Bull

Cliff Diving World Series

AÇores nA rotA

mundiAl

104

Julho_Agosto 2011 OUTDOOR


OUTDOOR Julho_Agosto 2011 105

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Evento

Fotos: Red Bull Content Pool


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A ilha de S. Miguel ganha no próximo mês de

julho honras de capital mundial de um dos desportos

mais técnicos e exigentes de todos os

tempos: o Cliff Diving. O Red Bull Cliff Diving

World Series visita assim Portugal e os Açores

pela primeira vez, trazendo consigo os melhores

atletas do planeta.

É

um verdadeiro regresso à pureza

original. Os Açores estão pela primeira

vez na rota do Red Bull Cliff

Diving World Series, uma escolha

que está em perfeita sintonia com a

exuberante natureza do ilhéu de Vila Franca do

Campo – sem dúvida uma das jóias mais escondidas

e bem preservadas da ilha de São Miguel.

Este cenário da mais pura natureza evoca as origens

do desporto nascido há mais de 200 anos

no Havai.

O antigo atleta olímpico de saltos para a

água e atual Director Desportivo do

circuito, Niki Stajkovic confirmou

no terreno as características únicas

do Ilhéu de Vila Franca do Campo

para a prática desta modalidade.

106

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Os

Açores estão

pela primeira

vez na rota do

Red Bull Cliff

Diving World

Series”

Uma visão partilhada pelo britânico Gary Hunt,

o detentor do título mundial, que não esconde

a “grande expectativa de competir nos Açores

num cenário que promete”.

Entre a mais pura natureza e as paisagens urbanas,

são muitas as novidades da edição deste

ano do circuito mundial, mantendo-se apenas

inalterada uma etapa de 2011. O arranque

terá lugar em França (23 junho), seguindo-se a

Noruega (7 julho), Açores (21 julho), Irlanda (4

agosto), E.U.A. (25 agosto), Reino Unido (8 setembro)

e Oman (28 setembro).

NOS LiMiTES DA TÉCNiCA E DA CONCENTRAçãO

Um total de 11 atletas, a que se somam três wild

cards por etapa, vão disputar o título de 2012 do

Red Bull Cliff Diving World Series. O britânico

Gary Hunt (Bi-Campeão do Mundo) terá de enfrentar

o provável regresso do colombia-

no Orlando Duque (veterano que dominou

o Cliff Diving durante quase

duas décadas) e ainda um conjunto

de novos talentos com grande

vontade de vencer.


O formato da competição inclui três

rondas, passando apenas à final oito

atletas. Com notas de 1 a 10, a avaliação

do salto (saída da plataforma,

posição no ar e entrada na água) é

garantida por um júri internacional

de cinco elementos, onde se destaca o

norte-americano Greg Louganis - vencedor

de quatro medalhas de ouro na disciplina

de saltos para a água dos Jogos Olímpicos.

Recebendo influências dos saltos para a água do

programa olímpico, sobretudo ao nível das regras

de avaliação, a modalidade só mais recentemente

se assumiu como um desporto de alta

competição. Os saltos têm como ponto de partida

uma plataforma fixa a 27 metros de altura,

o que permite aos atletas alcançarem quase 85

quilómetros por hora na queda, antes de furarem

a água com os pés.

uMA LONgA HiSTóRiA

Provavelmente tão antigo como a humanidade,

o Cliff Diving tem no Havai o seu berço - datando

as primeiras competições conhecidas de

finais do século XVIII. O México e as escarpas de

La Quebrada fazem também parte das referên-

“Provavelmente

tão antigo como

a humanidade, o

Cliff Diving tem

no Havai o seu

berço (...)”

cias deste desporto extremo,

assim como ficou na história o

salto que o duplo suíço Oliver

Favre realizou em 1987 a partir

de uma altura de 53.9 metros

- um record que se mantém

até hoje.

A partir de meados dos anos 90 do

século passado o Cliff Diving melhora a

sua organização e o primeiro reflexo é o nascimento

dos mundiais da especialidade.

Dado o perfil eminentemente técnico do desporto,

muitos atletas que competiam nos Jogos

Olímpicos na disciplina de Saltos para a Água

(modalidade olímpica desde 1904) atravessam

a fronteira de acesso ao Cliff Diving. É esse

precisamente o caso do colombiano Orlando

Duque, lenda viva que deverá regressar ao ativo

em 2012 já plenamente recuperado de uma

lesão grave que o impediu de disputar a maior

parte da época passada, e também do recém

apurado Blake Aldridge - britânico que conta

no seu percurso com uma medalha de ouro nos

mundiais de saltos para a água em piscina. ø

OUTDOOR Maio_Junho 2012

Bartholomeu Vasconcellos

107

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Evento


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PousAdA de

Juventude

da ArriFAnA

Com o Verão aí à porta, a Pousada de Juventude

de Arrifana, em plena Costa Vicentina, é

o spot ideal para umas férias com muito sol,

mar e muita natureza à mistura!!!

Situada em plena praia da Arrifana,

no concelho de Aljezur, esta recente

Pousada de Juventude, com uma vista

de mar deslumbrante, é o local ideal

para partir à descoberta das fantásticas

praias da costa ocidental do Algarve (Costa

Vicentina): banhadas pelo Atlântico, oferecem

muitas vezes um cenário selvagem e desértico,

em contraste com os areais mais quentes do Sul.

Uma das zonas mais paradisíacas de toda a costa

portuguesa, a Costa Vicentina constitui área de

Parque Natural, encerrando património natural

único no mundo, em alguns casos intocado pelo

Homem. Formada por extensos areais, acolhedoras

conchas de areia ou por escarpas imponentes,

esta região algarvia acolhe algumas das

mais belas praias de Portugal. Acolhe também

muita vida selvagem que inclui espécies únicas

de plantas a aves de rapina, como as águias e os

falcões. Aqui, as águas são revoltas e de um azul

profundo, especialmente procuradas pelos praticantes

de surf, bodyboard e pesca desportiva.

Para todos aqueles que não perdem uma oportunidade

para “partir ondas”, no Algarve, a

Costa Vicentina assume-se como o spot ideal.

Desde Odeceixe, onde o Algarve começa, passando

pela praia da Arrifana - uma espécie de

baía abrigada nas falésias e uma das praias mais

procuradas por surfistas e praticantes de bodyboard

– e por Vale Figueiras - praia de grande

beleza natural e pouco frequentada, devido ao

difícil acesso -, até à praia do Amado - palco de

inúmeras provas nacionais e internacionais de

108

Maio_Junho 2012 OUTDOOR


Surf e de Bodyboard - são várias as excelentes

opções para a prática destes desportos.

Para além das praias e do abundante património

natural, o concelho de Alzejur detém numerosos

vestígios arqueológicos, com especial destaque

para a presença árabe na Península Ibérica.

Obrigatória é, sem dúvida, uma visita ao Castelo

de Aljezur, Monumento Nacional, erguido pelos

árabes no séc. X e tomado aos mouros no séc.

XIII - o último castelo a ser conquistado no Algarve.

Embora em mau estado de conservação, mantém

a sua cerca de muralhas (séc. XIV) e duas

torres, oferecendo uma admirável vista panorâ-

PreÇos

época baixa (01/01 a 15/02; 01/10 a 27/12)

Quarto Múltiplo (p/ pessoa) - 11,00 €

Quarto Duplo c/ WC (p/ quarto) - 32,00 €

Quarto Duplo s/ WC (p/ quarto) - 28,00 €

época média época média (16/02 a 04/04; 09/04 a

28/06; 02/09 a 30/09)

Quarto Múltiplo (p/ pessoa) - 14,00 €

Quarto Duplo c/ WC (p/ quarto) - 36,00 €

Quarto Duplo s/ WC (p/ quarto) - 30,00 €

época Alta (05/04 a 08/04; 29/06 a 01/09; 28/12 a

31/12)

Quarto Múltiplo (p/ pessoa) – 17,00 €

Quarto Duplo c/ WC (p/ quarto) – 47,00 €

Quarto Duplo s/ WC (p/ quarto) - 38,00 €

Com Cartão Jovem ou Cartão LD


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Projeto por Silvia Romão

conhecer PortugAl

Nasci 15 dias antes do tempo, num

parto natural que nem demorou

uma hora. Vim ao mundo com pressa

de conhecer, ansiosa por experimentar

a vida. Na escola sempre

tive dificuldade em estar muito tempo sentada

na carteira. Chegava a inventar

necessidades urgentes para ir à casa

de banho só para passar pelo pátio

e sentir o ar, o sol e a luz do mundo

lá de fora.

Estudei Marketing com a certeza

de que o escritório, a secretária ou

as salas de reuniões infinitas não

eram para mim.

Trabalhei no meio audiovisual durante 12

anos, sempre em atividades que me permitiam

sair, viajar, ver o mundo. Talvez por isso andei

por esta vida durante tanto tempo.

Chegou o momento em que percebi que não

110

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Vim ao

mundo com

pressa de conhecer,

ansiosa por

experimentar

a vida.”

precisava de ser uma “jovem executiva de sucesso”

para ver o mundo. Que aliás, as limitações

de um emprego formal, de uma carreira

promissora me estavam a deixar os pés presos

aos solos de cimento de edifícios climatizados.

O formigueiro das caminhadas cada

vez mais adiadas pelos compromissos

de uma vida de trabalho escravizante

instalava-se com a mesma

ansiedade e pressa com que vim

ao mundo.

Um dia gritei basta! E perante os

olhos incrédulos de quem colocava

em mim as esperanças de uma carreira

brilhante, desci dos meus saltos altos,

saí do meu tailleur, desliguei o computador,

apaguei a luz do gabinete sem janelas e fechei

a porta.

No dia seguinte, acordei em pânico. Tinha todo

o tempo do mundo e não fazia ideia como ia


ocupá-lo. Mais, tinha uma vida para sustentar -

a minha - e não sabia como iria garantir esse

sustento. Imediatamente a seguir uma sensação

de liberdade infinita invadiu-me e percebi. Não

tenho nada. Nenhum projeto. Nenhum plano.

Nenhuma estratégia. Apenas vazio. E o vazio é

espaço para preencher. Que grande oportunidade!

Por isso a minha decisão para esse ano - e para

a vida - foi a de continuar a esvaziar. Fui aprendendo

aos poucos que aquilo que possuía não

me definia. Aprisionava-me. Ter custa dinheiro,

rouba tempo, retira espaço, limita movimentos.

Uma mochila pesada obriga-nos eventualmente

a pagar a carregadores, atrasa-nos a caminhada,

torna-nos preguiçosos à medida que os passos

se sucedem, provocam-nos dores no corpo.

A primeira vez que experimentei esta liberdade

de não possuir foi no Caminho de Santiago.

Foram 90 quilómetros a pé em 5 dias. Com

uma mochila que levava apenas o indispensável.

Pensava eu, porque ao fim do segundo dia

fiz uma nova triagem e consegui ganhar ainda

mais espaço na mochila e mais leveza nos passos.

Fazer uma caminhada em autonomia durante

vários dias é uma excelente oportunidade

para perceber o peso do que temos e relativizar

sobre a verdadeira utilidade dos nossos objetos.

Hoje, o minimalismo com que vivi esses dias

transborda para a minha vida e tudo o que possuo

é objeto de reflexão. E é cada vez menos.

Isso dá-me a oportunidade de não ter de sair todos

os dias para um emprego que não gosto para

pagar contas daquilo que não preciso.

Adotando uma vida simplificada conquistei a liberdade

de fazer apenas aquilo que gosto. Caminho.

Escrevo. Oriento seres humanos a encontrarem

saídas para caminhos de vida mais

soalheiros. Através da arte que se cruzou algures

nesta minha caminhada que dura há já sete

anos: o Chi Kung. E desafiando pés inquietos a

juntarem-se aos meus para conhecer trilhos por

onde os carros não passam e as excursões não

chegam.

Vivo os meus dias ao ritmo dos meus passos, saboreando

as minhas paixões. Cada viagem que

faço, seja nos meus afazeres da cidade, seja pela

vereda de algum parque natural, procuro que

seja sentida para lá da estatística dos quilómetros,

do tempo percorrido, das listas de monumentos

a visitar ou da meta final. Cada caminho

que percorro é um abraço ao momento e ao lo-

“Adotando

uma

vida simplificada

conquistei a liberdade

de fazer

apenas aquilo

que gosto.”

OUTDOOR Maio_Junho 2012 111

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Projeto


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cal em que o faço. Dois braços

esticados disponíveis para sentir

a paisagem, as pessoas, o ar

que passa pelo rosto e as emoções

que vão brotando ao longo

dos trilhos.

Por isso, o que escrevo sobre os caminhos

que faço não descreve tanto os quilómetros,

graus de dificuldade, estado dos trilhos

ou história dos monumentos. São reflexões

sobre mim, sobre as vidas com que me vou cruzando

e os acontecimentos que vão sendo experimentados.

No corpo e na alma. Porque não sei

viver de outra forma. Seja nas caminhadas, nas

aulas, nos relacionamentos humanos.

Sair do conforto dos meus blogs e aceitar o de-

“São reflexões

sobre mim,

sobre as vidas com

que me vou cruzando

e os acontecimentos

que vão sendo

experimenta-

dos”

safio de escrever sobre os meus

passos para a Outdoor foi por

isso mais uma possibilidade de

gastar sola das minhas botas de

caminhada. De desvanecer a tinta

das letras do teclado do meu computador.

De sair. De andar e andar. E

escrever. E conhecer. Com a curiosidade

infinita de percorrer um país pequeno em tamanho

mas tão grande em experiências. Saudáveis

e gratuitas!

Desafio-vos a acompanharem-me nos trilhos

da minha escrita para a próxima edição. Até lá

convido-vos a ler as minhas experiências de viagens

no meu blog: 30dp.org ø

Sílvia Romão


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Desafio

ironmenA

dê sAngue, APoie A vidA

Desde há muitos anos que se interesso

pelo Triatlo, mas só há relativamente

pouco tempo (3 anos) é

que decidi realizar um!

O Triatlo é composto por 3 disciplinas:

natação, ciclismo e corrida,

por esta ordem, e com

transições rápidas (segundos/

minutos) entre elas, sendo a

prova sem paragens. As distâncias

variam, consoante se

trate de provas curtas (vulgo

“sprints” e olímpicos) ou longas

(half-Ironman e Ironman).

São as distâncias longas que me

atraem!

Na verdade, prestes a fazer 40 anos, achei que

não haveria melhor forma de os comemorar do

que realizando um Ironman! Assim nasceram

114

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Um Ironman

consiste em 3.800

metros de natação,

180kms de ciclismo e

42.195 metros de corrida

(maratona) final,

sem paragens.”

as minhas primeiras participações no Triatlo

em Portugal, em distâncias “sprint”, como forma

de me preparar e ambientar às provas e

transições, tendo depois participado

num Duplo Olímpico em Espanha,

para passar mais naturalmente ao

Ironman no ano seguinte (2010).

Um Ironman consiste em 3.800

metros de natação, 180kms de

ciclismo e 42.195 metros de

corrida (maratona) final, sem

paragens. É um desafio físico,

sem dúvida, mas em que o papel

da mente e a determinação

de cada um, são essenciais. O corpo

obedece à mente, e se não obedece,

a isso temos de o forçar.

É uma luta interior permanente, em que o corpo

tenta convencer-nos a todo o momento de

que devemos parar, e a nossa mente teima em


contrariá-lo!

O natural desejo humano de evoluir, levou-me a

cumprir outro Ironman no ano seguinte (2011),

e leva-me agora a mais um: o Ironman France,

que terá lugar em Nice (sul de França), no dia

24 de junho de 2012. É uma prova difícil, pois o

percurso de ciclismo será em montanha (Alpes),

mas será também muito bonita. Para além de

inúmeros triatletas de renome mundiais, participará

na prova o conhecido Lance Armstrong,

em representação da Fundação que criou, a Livestrong,

um ícone na luta contra o cancro.

O meu desafio é poder utilizar a minha paixão

por este desporto em prol de uma causa filantrópica,

colocando a minha devoção ao serviço dos

outros. Assim nasceu a ideia de contactar o Instituto

Português do Sangue, e colaborarmos para

que a minha participação numa prova que seria

meramente individual, passasse a

servir um fim: o de captar novos

e antigos dadores de sangue,

numa altura em que os

mesmos escasseiam ou

são menos regulares, e

estando as reservas de

sangue atualmente dis-

poníveis nos hospitais,

em níveis inferiores ao

desejável.

“Os cerca de 2 meses

que me separam

do evento, serão dedicados

a intensos e exigentes

treinos, os quais fazem parte

da elevada dose de sacrifício

que caracterizam

qualquer atleta ama-

Os cerca de 2 meses que

me separam do evento,

serão dedicados a intensos

e exigentes treinos, os quais

fazem parte da elevada dose de

sacrifício que caracterizam qualquer

atleta amador, com os inerentes problemas

de tempo, horários e compromissos que temos

de ajustar continuamente. A si só peço que se

disponibilize a realizar um ato simples, rápido,

altruísta e de amor pelo próximo, e por si mesmo,

pois quem sabe um dia não precisará também?

DÊ SANGUE, APOIE A VIDA! Vai ver que não

custa nada e fá-lo-á sentir-se realizado.

dor (...)“

O meu agradecimento à Movefree que me apoia

com uma bicicleta Specialized; à Cofides-Competição,

que apoia com equipamentos de treino

e de prova; e ao Portal Aventuras/Revista Outdoor,

pela cobertura e divulgação da causa. ø

Filomena gomes

www.ronmenanice.blogspot.pt

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OUTDOOR Maio_Junho 2012 115

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ironmena


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Livro Aventura por Nuno Ferreira

116

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Se toda a gente anda a viajar e a escrever

sobre todos os cantos do mundo, pensei então,

porque não revisitar o interior do meu

país a pé e escrever sobre o que vou encontrando

pelo caminho?»

Em Fevereiro de 2008, o jornalista Nuno Ferreira

iniciou a pé, em Sagres, um longo e demorado

caminho pelo que é habitualmente designado

“Portugal profundo”. Ao longo de mais de dois

anos, com percalços e interrupções pelo meio,

enquanto passava por vagabundo, contrabandista

ou peregrino a Fátima, redescobria um país

esquecido, muitas vezes entregue a si próprio, a

lutar desesperadamente contra a desertificação.

A caminhar do Algarve ao Minho pelo interior

dos interiores, pôde ir observando Portugal,

atento aos pormenores: uma partida de futebol

num campo pelado, um funeral, a partida para a

pesca de uma traineira sobrevoada por gaivotas,

a azáfama de um restaurante de estrada repleto

de camionistas, um idoso lavrando com a ajuda

do burro a última das courelas transmontanas.

Portugal pela lupa de Nuno Ferreira é assim: mal

gerido mas definitivamente muito bonito.

Pelo caminho, foi encontrando e conversando

com aqueles que teimam em viver longe das

grandes cidades e mantêm viva a chama das

tradições culturais e do regionalismo: músicos,

artesãos, poetas populares, aldeões guardadores

da memória de um povo.

Foi redescobrindo também as belezas escondidas

do país: Vales estreitos entre fragas em São

Macário, cascatas perdidas na Serra de São Mamede,

lameiros entre as águas bravias e geladas

de rios transmontanos como o Maçãs ou o Sabor,

searas ondulantes e douradas na planície alentejana,

garranos à solta entre a névoa da Serra

Amarela. ø

Título: Portugal a Pé

Edição: Vertimag

Texto/fotografia: Nuno Ferreira

Revisão: Flávio Gonçalves

Projecto gráfico/paginação: Paula Bouças

Mapas: Sofia Krupenski

Nº de páginas: 500

1ª edição: Novembro de 2011

Tiragem da 1ª edição: 5 mil exemplares

ISBN: 978-989-97545-0-8

Depósito legal: 335322/11


quem é

nuno FerreirA?

Natural de Aveiro, onde nasceu em 1962, Nuno

Ferreira licenciou-se em Comunicação Social na

Universidade Nova de Lisboa.

Foi colaborador permanente do semanário Expresso

de 1986 a 1989, ano em que ingressou nos

quadros do jornal Público, onde se manteve até

Setembro de 2006.

Em cerca de 25 anos de carreira, fez todo o tipo

de reportagens de cariz social, primeiro na revista

do Expresso e mais tarde Portugal a pé Nuno

Ferreira em diversas secções do Público (Sociedade,

Local e Pública).

Entre outros prémios, recebeu em 1996 o Prémio

de Jornalismo de Viagem do Clube de Jornalistas

do Porto com o trabalho “Route 66 a Estrada da

América”, que lhe valeu também uma menção

honrosa da Fundação Luso-Americana. Um ano

mais tarde, recebeu o Prémio de Jornalismo de

Viagem do Clube Português de Imprensa com o

trabalho “A Índia de Comboio”. Em 2007, foi autor

juntamente com Pedro Faria do livro “Ao Volante

do Poder”, publicado pela editora Bertrand.

Actualmente colabora com o site “Café Portugal”

e a revista “Epicur”.

Acompanhe o blog do autor em:

Portugalape.blogspot.com

OUTDOOR Maio_Junho 2012 117

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Livro Aventura


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Receitas Outdoor

uma rubrica destinada à partilha

de receitas e sugestões

de Cozinha Outdoor.

Partilha as tuas receitas Outdoor preferidas!

Envia-nos um email para info@revistaoutdoor.pt

e poderás ver a tua receita na próxima edição da

Revista Outdoor e no Portal Aventuras.

ingredientes:

■ 400g de esparguete

■ 1 posta de atum /Salmão ou Truta

■ 100g de chouriço

■ Cogumelos Laminados

■ Azeitonas pretas

■ 2 tomates

■ 1 dl de azeite

■ 4 dentes de alho

■ 1pitada orégãos

■ Sal q.b.

■ Pimenta preta moída q.b.

como Preparar:

Descascar os dentes de alho e picá-los

Nesta edição da Revista Outdoor, o Ricardo

Mendes, um dos nossos grandes aventureiros,

dá-nos uma sugestão que ele e a Filomena

fizeram na fantástica viagem que realizaram à

Patagónia... Não percam! Nós já experimentámos

e adorámos...

ESPARguETE à

PuTTANESCA

bem finos. Retirar o caroço às azeitonas e cortar em

rodelas.

Cortar o chouriço em pequenos pedaços e desfazer

em lascas o peixe.

Levar ao lume um tacho com água e sal, deixar ferver

e juntar o esparguete para cozer durante cerca de 9

minuto. Após isto escorrer o excesso de água.

Leve ao lume uma frigideira com o azeite, os dentes

de alho e o chouriço deixando cozinhar até ficarem

dourados.

Adicionar o tomate picado, mexer e deixar cozinhar

durante cerca de 5 minutos. Acrescentar o peixe, as

azeitonas, os cogumelos escorridos e misture.

Retificar os temperos e acrescentar os orégãos. Por

fim, adicione o esparguete, misture bem e bom apetite.

ø


Kids

FESTAS DE ANIVERSÁRIO COM AVENTURA!

sheRlock holmes

espeleologiA

120

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Reunimos neste espaço algumas

sugestões de Festas de Aniverásrio

recheados de animação, desporto e

aventura! Vai ser um dia inesquecível!

“Sherlock Holmes” é um jogo interativo, divertido e

dinâmico, que levará o mistério até aos participantes,

os mistérios de Sherlock Holmes.

Personificando equipas de detetives, discípulos do

grande Sherlock Holmes, os participantes irão ativamente

procurar a solução de um crime ou até mesmo

evitar que um seja cometido, seguindo as pistas

disponíveis!

Duração: Meio Dia

Local: Queluz

Promotor: Equinócio

Situada no Parque Natural da Arrábida junto a Sesimbra,

esta gruta apresenta vestígios de ocupação

humana desde o neolítico à conquista de Portugal

e é através da escavação arqueológica realizada no

seu interior, que conseguimos entender melhor os

povos que habitaram estas bandas há milhares de

anos atrás. Com um desenvolvimento horizontal

de cerca de 300 metros é uma gruta perfeitamente

acessível a qualquer pessoa que queira ter um 1º

contacto com a espeleologia.

Duração: ½ dia

Nível: Baixo-Médio

Local: Parque Natural da Arrábida

Promotor: Vertente Natural


A revista Outdoor não se responsabiliza por eventuais alterações de preços e informações das atividades divulgadas. As mesmas são da responsabilidade das empresas que as organizam.

DesAFio De gps com RAppel

geocAching

TRilho inTeRpReTATiVo DA FloResTA

Em equipa com a utilização de um GPS outdoor,

num circuito maioritariamente florestal, terás que te

orientar e ter um grande desafio, que consiste em

descer, através de uma corda, um obstáculo vertical:

rappel em rocha natural.

Duração: 2h30/3h

Local: Sintra

Promotor: Muitaventura

Atividade de Geocaching onde os pequenos participantes

terão que fazer um percurso em busca das

várias Caches-Mistério, tendo como único apoio as

pistas que lhes serão entregues no inicio.Atividade

com bons índices de atividade física, preparação/execução

mental, consciência ambiental e que poderá

ser adaptada a qualquer tema pretendido.

Duração: 2horas

Local: Parque de Avioso na Maia

Promotor: Nicho Verde

Realização de um percurso pedestre, com cerca de

2,5 Km, que permite aos participantes contactar

diretamente com o património natural, cultural e

paisagístico do PNPG. Este percurso passa junto ao

núcleo megalítico.

Duração: 2,5h

Local: PN Peneda Gerês

Promotor: Oficina da Natureza

Kids

Aniversários


Kids

A cAminho Dos DinossáuRios

RAppel nATuRAl e escAlADA ARTiFiciAl

TRilho inTeRpReTATiVo Do mezio

buggy TouR

122

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

Passeio Pedestre no planalto e santuário do Cabo

Espichel, passando pelas pistas de pegadas de Dinossáurios

e com identificação de fauna, flora, interpretação

histórica e cultural do Santuário e das

pegadas.

Duração: Meio Dia

Local: Cabo Espichel

Promotor: Vertente Natural

A escalada, atividade de manobra de cordas, que consiste

em trepar na vertical uma parede, com o objetivo

de chegar ao topo. O rappel por sua vez, baseia-se em

descer uma parede com uma corda. Com monitores

qualificados e foto-orientação, serão ensinados os passos

base de escalada em parede artificial e rappel em

rocha natural.

Duração: 3h

Local: Sintra

Promotor: Muitaventura

Realização de um percurso pedestre, com cerca de 3

km, que se desenrola junto à Porta de Mezio e que

permite adquirir/aprofundar conhecimentos sobre a

floresta realçando a sua importância para o equilíbrio

ambiental, assim como a compreensão/interpretação

das relações Homem – Meio Natural.

Duração: 2,5h

Local: PN Peneda Gerês

Promotor: Oficina da Natureza

Desafiamos-te à diversão num dos nossos Buggys

todo o terreno. Convida os teus amigos e venham

divertir-se... Vai ser inesquecível e um dia repleto de

aventura.

Duração: de 1h a meio dia

Local: Praia do Guincho e Sintra

Promotor: Guincho Adventours


A revista Outdoor não se responsabiliza por eventuais alterações de preços e informações das atividades divulgadas. As mesmas são da responsabilidade das empresas que as organizam.

umA AVenTuRA à VolTA DA lAgoA

woRkshop De cApoeiRA

conFRonTo lAseR

suRF/boDyboARD

Uma aventura na Lagoa de Óbidos, nesta atividade

os participantes irão realizar um passeio de iniciação

à canoagem pela lagoa. Após esta excelente experiencia

os participantes irão realizar uma prova

de orientação e ter a oportunidade de deslizar num

slide.

Duração: Meio Dia

Local: Lagoa de Óbidos

Promotor: Experience Sport

Como desporto pode dizer-se que a Capoeira é um dos

mais completos que existem, trabalhando o corpo na

sua totalidade e permitindo que se obtenham melhorias

físicas, a nível de velocidade, agilidade, elasticidade

e força.

Duração: Meio Dia

Local: Monsanto

Promotor: Equinócio

É um jogo muito parecido com o Paintball mas com

disparos ilimitados e um nível de segurança acrescida

que permite participantes desde os 6 anos de

idade.

Duração: 4h

Local: Parque Aventura Sniper

Promotor: Sniper

A festa de aniversário do seu filho vai ser fantástica!

Porque não proporcionar-lhe uma experiência nova,

e que ele nunca esquecerá? Junte os amigos dos seus

filhos e proporcione-lhes uma experiência única na

“Meca” do Surf em Portugal – Ribeira D´Ilhas… Surf

e Bodyboard são as opções para um dia memorável!

Local: Ericeira

Promotor: Pocean Surf Academy

OUTDOOR Maio_Junho 2012 123

Kids

Aniversários


OUTDOOR ATé 25€

Atividades Outdoor

124

RAPPel nOTURnO

Na fase final da Lua Nova, desafie-se

participando neste rappel

noturno em rocha natural no Parque

Natural Sintra Cascais.

Preço: 19,90€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: MuitAventura

TRilhAs DO jURássicO

Passeio Pedestre desde a Praia

das Bicas até ao Santuário do

Cabo Espichel. Não perca esta

aventura.

Preço: 15€ / pax

Dificuldade: Médio Alto

Um Programa: Vertente Natural

sOcAlcOs DO DOURO

Com início em Valença do Douro

este percurso leva-nos pela encosta

abaixo em direção ao Douro.

Centro de todas as atenções e

criador de toda esta paisagem.

Preço: 20€ / pax

Um Programa: Papa-Léguas

escAlADA e RAPPel

Venha conhecer a Serra de Sintra

por ângulos únicos. Esta atividade

promete grandes emoções.

Onde: Serra de Sintra

Preço: Desde 25€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Equinócio

PAinTBAll

E que tal um jogo entre os seus

amigos de paintball?

Onde: Parque Aventura Sniper;

Preço: 17,50€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Sniper

cUlTURAl Bike TOUR

Venha conhecer a zona do Oeste

duma forma diferente. Através de

um bike tour levamo-lo a conhecer

esta zona lindíssima!

Preço: Desde 20€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Experience Sport

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

escAlADA gUiA, cAscAis

Venha passar um momento único,

escalando em rocha natural,

junto ao mar de Cascais.

Preço: 15€ / pax

Dificuldade: Iniciação

Um Programa: MuitAventura

cAnOAgem ssB

Passeio de canoa ao longo da linha

de costa de Sesimbra.

Onde: Costa de Sesimbra.

Preço: 25€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Vertente Natural

cAminhADA fóRneA

Partiremos de uma aldeia típica

por um trilho escavado no calcário,

convidam à descoberta da

História Natural da região.

Preço: 20€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Papa-Léguas

POR PRAiAs e fAlésiAs

Nesta caminhada andaremos ora

pelo topo da falésia, ora pelos

extensos areais das praias. Não

perca!

Preço: 20,30€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Equinócio

linhA TORRes veDRAs

Quem disse que a história é aborrecida?

Um dia passado em boa

companhia e com muitas histórias

divertidas. Atrevam-se!”

Preço: 9,90€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Sniper

TRekking sinTRA cAscAis

Conheça o Parque Natural Sintra

Cascais num trekking fabuloso.

Preço: Sintra/Cascais

Preço: 20€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Guincho Adventours


A revista Outdoor não se responsabiliza por eventuais alterações de preços e informações das atividades divulgadas. As mesmas são da responsabilidade das empresas que as organizam.

cAnOAgem óBiDOs

Um passeio em plena Lagoa de

Óbidos onde desfrutará de paisagens

magníficas.

Preço: Lagoa de Óbidos

Preço: Desde 25€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Experience Sport

kAyAk AvenTURA

Em kayak com início em Vilar de

Mouros e chegada junto a plataforma

de embarque do rio Coura.

Onde: Rio Coura

Preço: 20€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Minha Aventura

BRiDge jUmPing

Saltar de uma ponte com cerca de

50 metros de altura, apenas com

uma corda especial e um arnês.

Onde: Minho

Preço: 25€ / pax

Um Programa: Rafting Atlântico

Bike TOUR

Venha desfrutar de um passeio de

btt pelas mais bonitas paisagens

de Sintra.

Onde: Guincho

Preço: 20€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Guincho Adventours

cAminhO DO ABADe

Caminhada em Ribeira de Pena,

com a presença de um guia interprete.

Onde: Ribeira de Pena

Preço: 20€ / pax

Dificuldade: Fácil/Média

Um Programa: Nicho Verde

cAnOAgem nO RiO AlvA

Venha conhecer esta modalidade

no Rio Alva e emocione-se com

esta descida!

Realizado por marcação.

Preço: 21,50€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Transserrano

PeRcURsO AjUDA

gRAnDe

O percurso pretende associar ao

local de interesse histórico, ou

seja, o forte da Ajuda Grande

Preço: 12,50€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Sniper

BATismO sURf

E que tal um batismo de surf na

praia da Ericeira? Venha aprender

esta modalidade.

Preço: 25€ / pax

Dificuldade: Iniciação

Um Programa: Pocean Surf Academy

BUngee jUmPing

Pouco ou nada eleva a adrenalina

como um salto de bungee jumping.

Realizado por marcação.

local: Minho.

Preço: 20€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Rafting Atlântico

PAsseiO AlDeiAs xisTO

Talasnal, Casal Novo e Chiqueiro

são aldeias cravadas na serra da

Lousã.

Onde: Lousã

Preço: Sob consulta

Dificuldade: Fácil/Média

Um Programa: Javsport

BTT lAgOA sãO jOãO

Passeio de BTT numa das cotas

mais elevadas da Serra de Montemuro,

São Cristóvão.

Onde: Serra Montemuro

Preço: 12,50€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Nicho Verde

invAsões fRAncesAs

A zona das Linhas de Torres,

marcadamente rural, mantém vivas

as memórias de há duzentos

anos.

Preço: 10€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Geosphera

OUTDOOR Maio_Junho 2012 125

Atividades Outdoor


OUTDOOR ATé 25€

Atividades Outdoor

126

ROTA AlDeiAs xisTO

Percurso com cerca de 10 Km,

circular, com alguns declives

acentuados e de médio grau de

dificuldade

Onde: Lousã

Preço: 10€ / pax

Um Programa: Transerrano

cARROs eléTRicOs

Venha conhecer a cidade de Évora

de uma forma diferente. Aventure-se

nos carros eléctricos.

Realizado por marcação.

Preço: Sob consulta.

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Rota do Fresco

OUTDOOR ATé 75€

BATismO sURf PRAiA

sTA RiTA

Venha desfrutar de uma zona

cheia de potencial. A lagoa de

Óbidos irá proporcionar-lhe uma

inesquecível experiência.

Preço: Desde 30,70€ / pax

Um Programa: Experience Sport

cAnyOning RiBeiRA De

qUelhAs

Atividade que envolve a descida a

pé da Ribeira das Quelhas.

Onde: Ribeira de Quelhas, Lousã

Preço: 40€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Transerrano

BTT iDAnhA A mOnsAn-

TO

Muitos single tracks e trilhos por

calçadas históricas esperão por si

para dias intensos de BTT.

Preço: 51€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Caminhos da Natureza

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

sOfT RAfTing

O percurso que vai realizar possui

uma bela paisagem num vale

protegido do vento, descendo por

umas águas tranquilas e limpidas.

Preço: 20€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Rafting Atlântico

cAnOAgem nO zêzeRe

A beleza natural, a água translúcida

ou a proximidade de Lisboa

são fatores que o levarão a descer

este Rio.

Preço: Sob consulta.

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Aventur

BATismO De PARAPenTe

Desfrute de voos de Parapente

nas bonitas praias de Sintra.

Preço: Arribas das praias Grande,

Aguda ou S. Julião.

Preço: Sob consulta

Dificuldade: Fácil/médio

Um Programa: Muitaventura

gOlfinhOs DO sADO

Viagem de barco à descoberta dos

golfinhos do Sado, partilhando as

belezas do estuário e da costa da

Arrábida. Venha e divirta-se!

Preço:Sob Consulta.

Dificuldade: Fácil/médio

Um Programa: Muitaventura

PAsseiO nOTURnO

Passeio a pé e concerto Taças tibetanas

nas grutas artificiais da

Quinta do Anjo. que nos levam a

descobrir os encantos da Arrábida.

Preço: 30€ / pax

Um Programa: Papa-Léguas


A revista Outdoor não se responsabiliza por eventuais alterações de preços e informações das atividades divulgadas. As mesmas são da responsabilidade das empresas que as organizam.

cAnyOning RiO POiO

Situado em Ribeira de Pena (Cerva),

o Rio Poio é o rio mais extenso

e técnico de Portugal continental.

Preço: Rio Poio

Preço: A partir de 40€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Nicho Verde

PAinTBAll + AvenTURA 3

Tenha um fim de semana em

cheio! Venha connosco fazer

multi-atividades!

Onde: Parque Aventura Sniper

Preço: Desde 34€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Sniper

kAyAk TOUR

O percurso disponível em Cascais,

o kayak tour leva-te a conhecer a

baía de Cascais de uma perspetiva

totalmente diferente.

Preço: 35€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Guincho Adventours

RAfTing nO minhO

Este é um rio para um contacto

inicial para a modalidade

de Rafting.

Onde: Rio Minho

Preço: Desde 37,5€ / pax

Dificuldade: Fácil/Médio

Um Programa: Rafting Atlântico

gUinchO à PRAiA gRAn-

De

Venha descobrir a costa do Guincho

a Praia Grande, com passagem

pela ponta mais Ocidental

da Europa – O cabo da Roca

Preço: 49€ / pax

Um Programa: Caminhos da Natureza

cOAsTeeRing TAmBO-

Ril

O Coasteering é uma atividade

onde se percorre a linha de costa,

através de vários desportos.

Onde: Sesimbra

Preço: 35€ / pax

Um Programa: Vertente Natural

cAnyOning

RiO BesTAnçA

Considerado um dos rios mais

limpos da Europa, o Rio Bestança

apresenta-se com uma

envolvente única.

Preço: A partir de 40€ / pax

Um Programa: Nicho Verde

PAsseiO A cAvAlO POR

TeRRAs DO vez

Uma aitividade que mostra uma

vila carregada de história: O Vez.

Onde: Arcos de Valedevez

Preço: 75€ / pax

Um Programa: Oficina da Natureza

AvenTURA 6

Um dia com muita curtição,

adrenalina e boa disposição.

Atrevam-se!”.

Onde: Parque Aventura Sniper

Preço: A partir de 48€ / pax

Dificuldade: Baixa

Um Programa: Sniper

wORkshOP De licORes

Venha aprender como se confecionam

os licores e as compotas

de forma tradicional.

local: Ponte de Lima

Preço: 48€ / pax

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Oficina da Natureza

ARRáBiDA TeRRA mAR

Circuito de Multiatividade com

rappel, escalada, caminhada e

canoagem numa das mais belas

zonas da Arrábida.

Preço: 35€ / pax

Dificuldade: Médio/Alto

Um Programa: Vertente Natural

BUggy OU mOTO4

Desafiamos-te à diversão num

dos nossos automáticos Moto 4

ou Buggy todo o terreno.

Onde: Sintra

Preço: 75€ /para duas pessoas.

Dificuldade: Fácil

Um Programa: Guincho Adventours

OUTDOOR Maio_Junho 2012 127

Atividades Outdoor


OUTDOOR mAis De 75€

Atividades Outdoor

128

cAnyOning RiO ARADO

Venha sentir a adrenalina do Rio

Paiva e desfrutar de um momento

de aventura

Onde: Terras de Bouro

Preço: Sob consulta

Dificuldade: Médio

Um Programa: Equinócio

vilA DO BisPO A sAgRes

Final da grande travessia da Costa

Alentejana e Vicentina, com

chegada ao Cabo de São Vicente.

Preço: Desde 180€ / pax

Um Programa: Caminhos da Natureza

cAnyOning

Já experimentaste? Não percas

um dos melhores anos de sempre:

rios fantásticos, temperatura fantástica,

água fabulosa...

Preço: Sob consulta

Dificuldade: Médio

Um Programa: Rafting Atlântico

ROTA DOs AnTePAssA-

DOs em BUggy

Conheça Cascais e Sintra em

buggy

Preço: 105€ (inclui entrada e

vista ao Convento dos Capuchos)

Um Programa: Guincho Adventours

cURsO essenciAl De

BUshcRAfT

Bushcraft é a arte de prosperar

no mato, ou uma extensão

a longo prazo das técnicas de

sobrevivência.

Preço: 116,85€ / pax

Um Programa: Equinócio

sOB e sOBRe O mOnTADO

AlenTejAnO

A aldeia do Lousal funcionou

como uma aldeia mineira até

aos anos 80 do século XX.

Dificuldade: Médio/Alto.

Preço: Sob consulta.

Um Programa: Geosphera

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

TOUR AéReO

Saboreie a maravilhosa perspectiva

de uma ave, através de uma

inovadora forma de turismo, realizada

em passeios aéreos, sobre

o concelho de Sintra e Cascais.

Preço: Sob consulta

Um Programa: Guincho Adventours

TRekking cOm BURROs

Venha burricar na Costa Vicentina...

vamos descobrir belas

paisagens campestres e falésias

fantásticas!

Preço: 120€ p/pax

Um Programa: Caminhos da Natureza

fORmAçãO BODyBOARD

5 manhãs de aprendizagem que o

leverão a aprender a modalidade.

Não perca esta atividade.

Onde: Praia de Carcavelos

Preço: 196,80€ /pax.

Dificuldade: Iniciação.

Um Programa: Equinócio

PicOs DA eUROPA

Esta atividade leva-nos numa travessia

de montanha única, onde

paisagens deslumbrantes e grandes.

Preço: 520€ / pax

Dificuldade: Médio/Alto

Um Programa: Vertente Natural

hisTóRiA ARmAções

Circuito de canoagem de aventura

no Parque Marinho Professor

Luís Saldanha (costa Sesimbra/Espichel),

com pernoita em

acampamento.

Preço: Desde 78€ / pax

Um Programa: Vertente Natural

A fóiA mARAfADA

Não fique aí, venha à descoberta

do Algarve verdadeiro! Atividade

não recomendada a principiantes.

locais: Sagres a Monchique.

Preço: A partir de 40€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Geosphera

OUTDOOR mAis De 75€


A revista Outdoor não se responsabiliza por eventuais alterações de preços e informações das atividades divulgadas. As mesmas são da responsabilidade das empresas que as organizam.

AUlAs sURf

Venha aprender a modalidade

na praia da reserva de surf portuguesa

Onde: Praia de Ribeira d´Ilhas

Preço: 100€ /pack de 10 aulas

Um Programa: Pocean Surf Academy

légUAs PiODãO

Serra do Açor, Fraga da Pena, Aldeia

do Piodão. Mata da Margaraça.Estes

são alguns dos condimentos

para um fim de semana

de aventura e lazer.

Preço: 180€ / pax

Um Programa: Papa-Léguas

BODyBOARD AvenTURA

Colónia de férias externa recheada

de atividades como bodyboard,

missão impossível, jogos sem

fronteiras, entre outros.

Onde: Arredores de Lisboa

Preço: 297,00€ /semana.

Um Programa: Equinócio

cAmPO PATRimóniO

No Campo de Férias Património

pretendemos

levar as crianças a descobrir outra

forma de estar

Onde: Alvito, Alentejo

Preço: 290,00€ /semana.

Um Programa: Rota do Fresco

cAmPO sniPeR

Campo de férias repleto de

aventura para os mais pequenos,

Atrevam-se

locais: Campo Sniper

Preço: 285€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Sniper

légUAs PeneDA

Eis uma oportunidade para conhecer

uma das mais belas regiões

de Portugal, o Parque Nacional

da Peneda- Gerês.

Preço: 195€ / pax

Dificuldade: Médio

Um Programa: Papa-Léguas

cAynOning âncORA

Colónia de férias externa recheada

de atividades como bodyboard,

missão impossível, jogos sem

fronteiras, entre outros.

Onde: Rio Âncora

Preço: Sob consulta.

Um Programa: Nicho Verde

viAgens finAlisTAs

Programas pedagógicos e divertidos,

pensados especialmente

para as crianças que terminam

mais um ciclo na sua vida escolar.

Onde: Arredores de Lisboa

Preço: Desde 135,00€

Um Programa: Rota do Fresco

OUTDOOR Maio_Junho 2012 129

Atividades Outdoor


Desporto Adaptado

Descobrir

ecoPArque sensoriAl

PiA dA do urso

são mAmede, bAtAlhA

Localizado a cerca de 10 quilómetros

de Fátima, na saída da Autoestrada

(A1), o Ecoparque Sensorial da Pia

do Urso, assume-se como a primeira

infraestrutura nacional outdoor concebida

a pensar na população cega e amblíope.

Vale a pena conhecer esta aldeia, cuja designação

toponímica remonta ao Século XVIII -

então designada por Piadussa – num local que

nos presenteia, num primeiro e imediato contacto,

com a Natureza em todo o seu esplendor.

A Aldeia da Pia do Urso, localizada em pleno Ma-

130

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

ciço Calcário Estremenho, oferece-nos uma sensação

única de descoberta da abundante fauna

e flora serranas, que no caso em apreço, se assumem

como excelentes cartões de visita para

os visitantes. Carvalhos centenários e oliveiras

opulentas ladeiam todo o percurso sensorial

que merece ser efetuado e que recomendamos

vivamente para quem se faça acompanhar por

crianças.

Destacamos também uma observação atenta

ao magnífico e paciente trabalho de restauro

das habitações típicas que agora dão vida a esta


aldeia serrana, pertencente ao Concelho da Batalha.

A pedra e a madeira são, por assim dizer,

os elementos estéticos principais das casas recuperadas

em larga medida pelos proprietários

e que agora, com natural brio, as ostentam aos

turistas e visitantes.

Voltando à vocação acessível deste espaço, facto

que levou a que o Turismo de Portugal o premiasse

em 2007 com uma Menção Honrosa no

concurso “Prémio Turismo - Valorização do

Espaço Público”, destacamos a componente do

Ecoparque sensorial. Na prática, este conceito

pretende levar até aos cidadãos portadores de

deficiência visual a possibilidade da apreensão

do meio envolvente que os rodeia utilizando,

para tal, os restantes sentidos, particularmente

o tacto e o olfacto.

Para a concretização de tal objetivo, foi construído

um percurso composto por diversas estações

sensoriais que, adaptadas aos cegos,

abordam e explicitam temáticas como a água,

a astronomia, a música e os jogos, Mais recentemente,

fruto de um apoio financeiro atribuído

OUTDOOR Maio_Junho 2012 131

Desporto Adpatado

Ecoparque Sensorial


Desporto Adaptado

pela Fundação Gulbenkian, o Município da Batalha,

detentor do espaço, passou a disponibilizar

gratuitamente aos visitantes

audioguias que associam a cada

uma das diferentes estações

conteúdos literários de prosa

e poesia. Uma junção feliz

e que contribui para a di-

vulgação da literatura e

das preocupações com a

acessibilidade.

De volta à aldeia, adiantamos

que os visitantes

podem efetuar refeições

no restaurante típico que

ali se fixou, não sendo fácil

encontrar mesa disponível

ao fim de semana sem marcação

prévia, ou optar por um

piquenique num dos dois parques de

merendas criados para o efeito. Aconselhamos

vivamente, para matar saudades deste paraíso,

a compra do Azeite “Pia do Urso” que se vende

132

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

O traçado leva-

-nos a conhecer uma

boa parte desta zona

serrana, com diversos miradouros

turísticos, moinhos

(alguns deles em perfeito estado

de conservação) e diversos

algares (poços naturais

provocados pela

erosão da água).

no local, do mel e do Vinho “Real Batalha”. São

produtos de grande qualidade e que por sinal,

foram já distinguidos internacionalmente.

É também possível alugar

algumas das casas típicas

que se encontram logo à

entrada da Aldeia. Para

quem permaneça mais

do que um dia neste

local, torna-se obrigatório

realizar a rota pedestre

“Rota dos Moinhos”.

O traçado leva-nos

a conhecer uma boa parte

desta zona serrana, com diversos

miradouros turísticos,

moinhos (alguns deles em perfeito

estado de conservação) e diversos

algares (poços naturais provocados

pela erosão da água). ø

Rui Cunha

Município da Batalha


Espaço APECATE

ESTE ESPAçO É SEu

Envie-nos as suas dúvidas e questões sobre

temáticas de Animação Turística, Congressos

e Eventos e a APECATE responderá.

apecate@apecate.pt

conquistAr o mercAdo externo

Para as Empresas de Animação Turística (EAT),

seja qual for a sua dimensão, conquistar o mercado

externo deixou de poder ser um objectivo

longínquo. Tem que ser entendido como uma

prioridade e, em muitos casos, como uma condição

de sobrevivência.

As Empresas de Animação Turística

integram na sua oferta uma substancial

diversidade de produtos, que podemos

categorizar em três tipologias:

actividades de turismo de natureza e

aventura, actividades de turismo cultural e exploração

de parques temáticos. Todos têm potencialidades

no quadro da Internacionalização,

ou seja, todos são passíveis de comercialização

no mercado externo. Fazemos parte dos expor-

134

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

tadores e os nossos produtos têm grandes vantagens

para o país: geram efeitos multiplicadores

significativos, contribuem decisivamente para a

sustentabilidade das regiões onde se desenvolvem

e não são deslocalizáveis.

Interessa, pois, afinar estratégias para o sector

para que ele possa, consciente do seu valor, assumir

o papel que lhe compete nesta fase do seu

desenvolvimento e, também, da crise do país.

À atenção de todos os que estão a pensar nestas

questões pela primeira vez e/ou se sentem menos

informados, gostava de aqui deixar duas ou

três ideias simples sobre algumas das condições

requeridas para que o investimento na internacionalização

valha a pena.


quALiFiCAR E DiFERENCiAR O PRODuTO

A primeira condição para a conquista do mercado

externo é a estruturação do produto de

acordo com parâmetros de excelência que devem

exprimir-se quer ao nível da natureza da

oferta quer ao nível da prestação do serviço.

No que respeita à natureza da oferta, é importante

ter em conta o que se passa nos destinos

concorrentes de Portugal e construir o nosso

produto valorizando tudo o que ele tem de único

e singular. Não temos a paisagem mais fantástica

do mundo, nem o património construído

mais rico, nem a gastronomia e os vinhos mais

apreciados do planeta. Mas, se calhar, somos

um país onde, de forma genuína, estes valores

se articulam a uma escala ainda muito humana,

que é especial e nos distingue. Transformar estas

potencialidades em produto é um desafio

sem receita para todas as empresas. O

que oferecemos tem que estar tão

bem construído e ser comunicado

de forma tão eficaz que

os nossos potenciais clientes

têm que perceber que a

experiência que estamos a

oferecer só pode ser vivida

connosco e em Portugal.

Numa palavra, temos que

saber diferenciar o nosso

produto.

Mas não basta ter um produto

aliciante e conquistar clientes.

Sem uma prestação de serviço de

elevada qualidade, os que vêm uma

vez não só não voltam como promovem um boca-a-boca

negativo que, em muitos casos, poderá

matar à nascença os seus responsáveis directos,

o produto e o destino.

Por isso, todos temos que nos interrogar sobre a

formação dos nossos recursos humanos. Cumprem

os requisitos? Dominam os idiomas dos

mercados que nos propomos conquistar? Estão

familiarizados com as diferenças que existem

entre clientes oriundos de países diferentes?

Precisam de formação suplementar? O mesmo

se diga sobre os nossos fornecedores que, ou

estão sintonizados com a essência do nosso projecto

e vestem a sua camisola ou podem transformar-se,

objectivamente, em agentes da sua

destruição.

Em síntese, temos que perguntar com humildade

a nós próprios: estamos preparados? o que

nos falta? Não para ficarmos paralisados pela

“No que respeita

à natureza da oferta,

é importante ter em

conta o que se passa nos

destinos concorrentes de

Portugal e construir o nosso

produto valorizando

tudo o que ele tem de

único e singular.”

consciência de que há algo a fazer que não

tínhamos considerado importante mas, pelo

contrário, para avançarmos com uma estratégia

de sucesso.

DEFiNiR OS MERCADOS-ALVO

Criadas as condições-base, surge a segunda

pergunta: vamos vender a quem?

Os mercados prioritários para cada região do

país são definidos pelo Turismo de Portugal

que também definiu, no PENT, actualmente

em revisão, os respectivos produtos estratégicos.

Fazer escolhas diferentes significará sempre

menor possibilidade de apoio institucional.

Mas, em particular em produtos de nicho, pode

valer a pena.

Como conseguir os dados necessários à

definição da estratégia de cada empresa?

Será obrigatório recorrer

aos serviços de empresas especializadas

em análises de

mercado?

Cada um saberá das suas

necessidades e, sobretudo,

das suas finanças. Mas

tudo indica que grande

parte das empresas não

utiliza ainda o que o Estado,

com os impostos que nos cobra,

põe à nossa disposição. É

o caso das Equipas de Turismo

no estrangeiro que “são responsáveis

por actividades promocionais

institucionais e por apoiar empresas portuguesas

com objectivos de internacionalização nos

mercados turísticos da Alemanha, (que também

coordena as acções na Suíça, Áustria e

República Checa), do Brasil, da Escandinávia,

de Espanha, dos Estados Unidos (que coordena

o mercado no Canadá), de França, da Holanda

(que também abrange a Bélgica e o Luxemburgo),

da Irlanda, de Itália, da Polónia, da Rússia

e do Reino Unido”.(Fonte: Turismo de Portugal)

São estas Equipas que poderão dar-nos as primeiras

informações de que necessitamos para

começarmos a cruzar as características do

nosso produto com as tendências da procura

dos mercados que já operam, ou se preparam

para operar, em Portugal. Basta contactá-las e

perguntar, tendo como linha orientadora que,

para que a resposta seja eficaz, a pergunta tem

que ser bem feita. Quem pergunta generalidades

recebe generalidades. Mas quem tem um

OUTDOOR Maio_Junho 2012

135

Espaço APECATE

Mercado Externo


Espaço APECATE

objectivo preciso obterá, seguramente,

uma resposta

precisa.

Link: Turismo de Portugal

DESENVOLVER PARCERiAS

NA PROMOçãO E VENDA

Tendo o produto estruturado e os mercados

prioritários definidos, temos agora que decidir

sobre o processo de venda.

Embora o modus operandi possa ser complexo,

a resposta é simples: ou podemos vender directamente,

a individuais, a agências, a operadores,

a quem quisermos; ou temos que recorrer

a terceiros que aceitem intermediar os programas

que lhes propomos, ou que integrem os

nossos produtos nos seus programas.

Como bem sabem as EAT, a venda de produtos

em regime de tudo incluído exige a intermediação

de uma Agência de Viagens e Turismo

(AVT). Até 2011, os custos inerentes ao upgrade

das EAT, já previsto na legislação das AVT então

em vigor, eram demasiado elevados para o seu

136

Maio_Junho 2012 OUTDOOR

“Tendo o produto

estruturado

e os mercados prioritários

definidos, temos

agora que decidir

sobre o processo de

venda.”

volume de negócios. Felizmente,

a aplicação às AVT da mesma

Directiva Europeia para os Serviços,

que esteve na base do DL

108/2009 das EAT, veio diminuir

os custos de constituição das agências

e, assim, abrir portas à inscrição

das EAT no RNAVT. O que várias já fizeram.

A revisão em curso do DL 61/2011 de 6 de

Maio ampliará ainda mais esta possibilidade.

De qualquer forma, não é forçoso que todas as

EAT tenham a dinâmica necessária à conquista

do mercado externo por esta via. Neste particular,

a palavra de ordem é estabelecer parcerias

que tenham em conta e salvaguardem os projectos

das entidades parceiras. Cada vez mais a

união faz a força e é altura de as empresas perceberem

as vantagens de se associarem para

conseguirem, com custos menores, benefícios

maiores.

FiNALMENTE, O FiNANCiAMENTO

Temos capitais próprios para investir no nosso

projecto ou precisamos de financiamento? Na 2ª


Este artigo encontra-se escrito sob o antigo acordo ortográfico

hipótese, há que estar muito atento. Diariamente.

Têm-se multiplicado as sessões de informação

e esclarecimento sobre os fundos do QREN de

apoio à internacionalização das empresas. No

website do Turismo de Portugal (www.turismodeportugal.pt)

está constantemente a ser

actualizado o calendário dos concursos, acompanhado

de explicações sobre os destinatários

e os projectos elegíveis. Os interessados devem

habituar-se a esta consulta e aproveitar para

navegar um pouco por um portal que tem mais

interesse para o Turismo do que à primeira vista

poderá pensar-se.

Mas existem outros tipos de candidaturas. Ao

nível das Agências Regionais de Promoção Turística

(ARTP), as entidades com quem o TP estabelece

protocolos para a distribuição de fundos

para a promoção, podem ser especialmente

apetecíveis os chamados Planos de Comercialização

e Venda.

Com este instrumento de promoção, os

privados e as ARPTs podem definir

uma estratégia de promoção mais

adequada às necessidades de cada

região e do tecido empresarial,

através da presença em feiras

internacionais, acções de contac-

“Hoje, o

futuro está

nas boas parcerias

que nos

fazem ganhar

escala”

to comercial ou de promoção conjunta e novos

canais de comercialização. Por exemplo, uma

empresa (ou grupo de empresas) que pretenda

construir um website dirigido à promoção

no mercado externo pode ser subsidiado a fundo

perdido em valores que rondam os 50%.

OUTDOOR Maio_Junho 2012

Link: Turismo de Portugal

Diga-se, em jeito de conclusão, que podemos

começar sozinhos e é sempre uma experiência

positiva: pesquisar na Net, descobrir operadores,

ter um bom website em língua estrangeira

e disparar.

O universo da promoção e marketing também

tem a sua quota-parte de aleatório e às vezes a

roleta joga a favor de quem arrisca na busca solitária

perseverante do parceiro certo. Mas, hoje,

o futuro está mesmo nas boas parcerias que nos

fazem ganhar escala: ao nível do produto e ao

nível da promoção e comercialização.

É desta experiência de busca de sinergias que a

APECATE é exemplo: na sua própria constituição

e na forma como se tem pro-

posto apoiar as empresas associadas

no caminho da internacionalização.

ø

Ana Barbosa - Presidente da Direcção

APECATE

137

Espaço APECATE

Mercado Externo


A fechar

i ALENTEJO ORiENTEERiNg TROPHy

AxTRAiL®SERiES 2012

LiSBOA ANTigA DE BiCiCLETA

TEJO CiCLáVEL

APLiCAçãO iFLiPViEWER

138

Setembro_Outubro 2011 OUTDOOR

Conhecida como a “Terra dos Tapetes” e pelas suas condições naturais

de excelência, Arraiolos será o centro do I Alentejo Orienteering

Trophy (ALOT) 2012 nos dias 23 e 24 de Junho de 2012.

mais informações:

I Alentejo Orienteering Trophy

2 de Junho 2012: #02 SERIE - Alvaiázere

Na transição entre o xisto e o calcário, o AXtrail regressa a Alvaiázere,

no extremo Oeste do território das Aldeias do Xisto. O percurso

possui cerca de 28 km e um desnível acumulado de 1100m.

mais informações:

Axtrail

A FPCUB organiza novamente e pela 20ª vez um passeio turístico

pela cidade de Lisboa em bicicleta.Para participar basta apenas uma

bicicleta (BTT, citybike, dobrável ou convencional) e vontade de conhecer

Lisboa de uma forma saudável e ecológica.

mais informações:

Lisboa Antiga de Bicicleta

O dia 24 de junho vai ficar na memória de quem entrar nesta grande

aventura... Vem fazer a travessia da Ponte Vasco da Gama com a tua

bicicleta!

mais informações:

Tejo Ciclável

Bem-vindo ao FlipViewer Xpress (i-Edition), uma experiência de

leitura agradável Flipbook para o IPAD. Esta é a aplicação aconselhada

para poderes ler a tua Revista Outdoor no teu IPAD.

descarrega gratuitamente aqui:

Iflipviewer


MEiA MARATONA SPORT zONE

MuS 2012

A Meia Maratona Sport Zone é dia 16/09/12 e já te podes inscrever

online na Meia Maratona Sport Zone ou na Mini Maratona Santander

Totta. O primeiro período de inscrição é até 30 de Junho.

mais informações:

Meia Maratona Sport Zone

O MUS PORTUGAL é a mais divertida corrida de aventura, um desafio

de equipa aberto a todos os que gostam de estar em movimento

e ao ar livre, com mais de 14 anos idade.

Depois da enorme adesão registada nas duas edições anteriores,

a Merrell volta assim a trazer a Portugal a maior e mais divertida

corrida de aventura mas com algumas novidades !

Évora, Porto, Coimbra, Lisboa, Guimarães, Leiria e Braga são as

cidades que vão acolher o MUS PORTUGAL 2012. Esta iniciativa

tem por base a corrida, mas outras modalidades podem surpreender

as equipas ao longo das diferentes provas, como por exemplo

desafios de bicicleta, trotineta, carrinho de compras, patins, skate,

orientação entre outros elementos surpresa.

mais informações:

Mus Portugal 2012

OUTDOOR Setembro_Outubro 2011 139


OCCAM

Advanced Dynamics é a tecnologia com que criámos

a bicicleta de trail mais eficiente do mercado. Uma

máquina que te fará subir mais ágil do que nunca

e te dará o máximo controlo para fazeres faísca

em qualquer descida. Nova Orbea Occam, onde

eficiência e controlo se juntam.

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