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Edição 29 - Revista Algomais

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Economia O rio está pra

Economia O rio está pra peixe Desenvolvimento |Aqüicultura apresenta-se como alternativa para ajudar a desenvolver a economia no interior do Estado Por Carol Bradley* Em um mundo globalizado e competitivo, às vezes é difícil identificar uma área rentável e ainda pouco explorada. A aqüicultura, que significa o cultivo de organismos aquáticos como peixes, moluscos e crustáceos, sob condições controladas, é um desses filões com enorme potencial econômico, que está sendo descoberto agora por empresários pernambucanos. A China, maior produtora mundial de aqüicultura, produz 60 milhões de toneladas, de pescados por ano, enquanto o Brasil, apesar de toda sua extensão fluvial e marítima, produz anualmente um milhão de toneladas, e participa com menos de 1% de todo comércio mundial de pescado. No entanto, a China está com um grave problema: a água do país está comprometida pela poluição, e os produtores estão tendo que usar antibiótico nos cultivos. Esta situação está causando restrição de compradores internacionais, como por exemplo, alguns estados americanos que já proibiram a importação de qualquer produto de aqüicultura daquele país, e agora estão em busca de novos mercados para abastecer sua demanda - Pernambuco já aparece como Divulgação 42 > > agosto Divulgação n Cultivo da tilápia nos tanques redes garante qualidade do produto final uma alternativa no comércio exterior. “A nível de aqüicultura a gente tem um potencial muito grande que está sendo descoberto agora. O Estado tem cerca de 300 km de margem do Rio São Francisco, além de 101 grandes açudes, que podem ser explorados,” explica Roberto Maurício, chefe da unidade de piscicultura e aqüicultura da Secretaria de Agricultura de Pernambuco. Na pesca artesanal, o pescador sai e não sabe o que vai conseguir pescar; já na aqüicultura, é tudo planejado e quem investe neste setor sabe exatamente como, quanto e quando será a despesca. Além do mais, com a aqüicultura n Tecnologia avançada é aplicada no monitoramento dos peixes nos tanques se consegue produzir peixe o ano todo, pois o produtor não fica sujeito à sazonalidade. O carro-chefe para o desenvolvimento deste setor em Pernambuco é a tilápia. Com carne branca e baixo teor de gordura, tratase do peixe cujo consumo mais cresce no mundo, principalmente nos Estados Unidos. De olho neste mercado, empresas locais estão investindo no tanque rede para o seu cultivo. No açude de Poço da Cruz, em Ibimirim, e no de Jucazinho, que margeia Surubim, a tilápia já está sendo explorada por produtores independentes. No Rio São Francisco, as empresas Brás Peixe e Pesca Nova também estão com projetos neste sentido. Porém, a empresa que está consolidada na exploração da tilápia é a pernambucana Netuno Alimentos. “Há dois anos e meio, as pessoas conheciam a tilápia de açude, um peixe pequeno e com gosto de terra. Isso acontece porque a tilápia é um peixe filtrador que absorve o sabor da água onde está. Já a tilápia que nós produzimos nos padrões de exportação, que é comercializada no mercado interno, pesa quase 1kg e não tem gosto de terra, porque são criadas em gaiolas no Rio São Francisco. É muito diferente a tilápia criada no rio da que é criada no açude, com água parada e suja.” explica Alexandre Castro, diretor de novos negócios da Netuno, que já é considera-

Divulgação n Na Netuno Alimentos 100% das tilápias chegam vivas na indústria da a maior empresa do setor de pescados do Brasil e também a maior exportadora. Hoje, a Netuno possui cerca de 1.300 tanques redes, todos no Rio São Francisco. Segundo Castro, o “Velho Chico” foi escolhido porque reúne uma série de características favoráveis à aqüicultura, tais como: clima propício durante todo o ano, água em volume e qualidade, além de uma constante renovação que evita qualquer problema de contaminação por resíduos tóxicos. O cultivo da tilápia está distribuído em cinco fazendas do grupo, sendo duas na Bahia, no município de Paulo Afonso e três em Pernambuco, nos municípios de Itacuruba, Petrolândia e Jatobá. Há dois anos, a Netuno implantou a primeira fase de um projeto audacioso, e montou em Paulo Afonso uma unidade industrial com capacidade para produzir 25.000 toneladas de tilápias por ano, além de subprodutos como a farinha de peixe, utilizada na fabricação de ração animal. Uma das finalidades deste empreendimento foi proporcionar conhecimento de mercado, bem como, o domínio da técnica de industrialização do peixe, para que a empresa colocasse em prática a segunda etapa do projeto, desta vez, em Pernambuco. O local escolhido foi o município de Belém do São Francisco, no Sertão do Estado; região que apresenta um dos menores IDHs – Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil. Trata-se de um complexo industrial, instalado em uma área de 70 ha, ao lado do Rio São Francisco, com capacidade para beneficiar 40.000 toneladas de tilápias por ano. O empreendimento vai gerar cerca de 500 empregos diretos, além dos pequenos produtores que serão parceiros no fornecimento do peixe, já que as fazendas da Netuno devem fornecer 60% da produção, e os outros 40% devem ser adquiridos destes produtores. “Belém do São Francisco vai receber a maior indústria de pescados do Brasil, e 100% do peixe que entrar na indústria vão ser aproveitados,” destaca Sérgio Colaferri, diretor presidente da empresa. Além da unidade de beneficiamento da tilápia, o projeto estimado em R$ 100 milhões, dos quais, 90% vão ser financiados pelo Banco do Nordeste, prevê também a construção de uma fábrica para produzir farinha e óleo de peixe, um curtume para produzir manta para calçados e bolsas e uma fábrica de biodiesel. “Nós vamos transformar o óleo do peixe em biodiesel. Vai ser acrescentado 5% de álcool, derivado da cana-de-açúcar, com 95% do óleo do peixe. Divulgação A Tilápia é o carro-chefe para o desenvolvimento da aqüicultura em Pernambuco No Brasil a produção do biodiesel é inédita, mas no Alasca e em Onduras já existe,” explica Sérgio Colaferri. O objetivo da empresa é que toda a frota da Netuno, com cerca de 40 caminhões, além das indústrias de beneficiamento, possam funcionar com o biodiesel de peixe, e o excedente deverá ser vendido para a Petrobrás. “Agora existe uma legislação que obriga a adição de 2% de biodiesel no óleo diesel, mas ainda estamos conversando com a Petrobrás para ver a questão do preço,” explica Alexandre Castro, que está otimista com as perspectivas. O governo do Estado também tem interesse no empreendimento, que deve impulsionar a economia da região. No lançamento do projeto, no dia 1º de julho, em Belém do São Francisco, Eduardo Campos, pediu agilidade ao presidente do Banco do Nordeste, Roberto Schmith, que também estava presente no evento. O complexo da Netuno deve atrair outras empresas, como fábricas de calçados e de ração animal. A multinacional Evialis, detentora da Purina e da Socil, já confirmou o interesse em investir na região. “Hoje a Netuno é um dos maiores consumidores da Purina, cerca de 50% da ração para peixe que produzimos vai para a Netuno”, explica Vilson Simon, vice–presidente de operação da Evialis. A relação comercial entre as duas empresas é intensa, já que a Netuno vende farinha de peixe para a Purina, e compra sua ração animal, por isso as expectativas são positivas. “Eu estou analisando a possibilidade de instalar uma fábrica aqui junto do complexo. Vamos avaliar tudo com muito critério e até o fim do ano teremos uma posição,” disse Simon. O complexo industrial da Netuno deve estar funcionando em dois anos.“Até o final do ano esperamos estar com o projeto aprovado e com as licenças obtidas, para iniciarmos a construção no ano que vem, e operar o complexo em 2010,” prevê Castro. Este é um passo importante para o crescimento da aqüicultura em Pernambuco, que vai gerar visibilidade e consequentemente atrair novos investimentos para o setor. O Estado mostra cada vez mais a diversidade de suas potencialidades, que além do litoral tem muita oportunidade também no interior. n * A repórter viajou a convite da Netuno agosto > > 43

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