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ABRE TRILHA NO TURISMO EQÜESTRE marcha picada - EAMM

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capa<br />

Por Marcelo Mastrobuono<br />

<strong>marcha</strong><br />

<strong>ABRE</strong> <strong>TRILHA</strong> <strong>NO</strong><br />

<strong>TURISMO</strong> <strong>EQÜESTRE</strong><br />

20 ( revista horse ) março 2009


Fotos: Marcelo Mastrobuono<br />

<strong>picada</strong><br />

Revista Horse acompanha cavalgada de cinco dias com<br />

Mangalarga Marchadores, em trecho de 150 km da<br />

deslumbrante região de Pipa, no Rio Grande do Norte<br />

B<br />

astante difundidas na Europa e em vários<br />

países do mundo, as cavalgadas de<br />

média e longa distâncias começam a chegar<br />

ao Brasil como uma boa forma de turismo. Ao<br />

contrário do que se possa imaginar, a opção<br />

não está restrita a cavaleiros e amazonas de<br />

larga experiência. Dependendo do percurso,<br />

basta ter alguma pequena prática, vontade e,<br />

um quesito básico, gostar de cavalos. Pronto!<br />

Boa viagem!<br />

Para quem já tem relação mais próxima aos<br />

cavalos, como os leitores da Horse, por exemplo,<br />

as cavalgadas são ainda mais atraentes e<br />

convidativas. Seja em praias, planícies ou montanhas,<br />

a opção de percorrer pequenos ou<br />

grandes trechos no dorso de um animal é realmente<br />

uma experiência excepcional. A mais de<br />

um metro e meio do chão, e sem as inconveniências<br />

de janelas e outros objetos restritivos,<br />

ganha-se um campo de visão privilegiado para<br />

admirar, em 360º graus, paisagens exuberantes,<br />

ao passo que melhor lhe convier. Junte-se a<br />

isso animais de qualidade, com raça registrada<br />

e treinados para desempenhar tarefas à altura<br />

de seus condutores. O resultado é um passeio<br />

inigualável, recheado com boa dose de aventura<br />

e muita história para contar.<br />

A reportagem da Horse acompanhou, a<br />

convite do Haras Água Bôa e da Agência Cavalgadas<br />

Brasil, como o turismo eqüestre vem<br />

abrindo uma trilha no nordeste brasileiro a par-<br />

tir de Tibau do Sul (RN), em uma das regiões mais<br />

exuberantes do território nacional. O objetivo foi<br />

conferir, in loco, o desempenho do Mangalarga<br />

Marchador, de Marcha Picada, na tarefa de conduzir<br />

um grupo de turistas (entre eles, Cândida<br />

Bastos, de 64 anos) por cinco dias, em trecho de<br />

aproximadamente 150 quilômetros, da Paraíba a<br />

várias vilas e praias do Rio Grande do Norte.<br />

Tropa de elite<br />

Nosso ponto de partida foi o Resort Marinas,<br />

em Tibau do Sul, a cerca de 65 Km de Natal<br />

e a sete da conhecida praia de Pipa. Havíamos<br />

chegado no domingo à tarde (25 de janeiro) e,<br />

já à noite, fomos conhecer alguns dos animais<br />

que nos acompanhariam, no Haras Água Bôa,<br />

a 11 km do Resort. Nosso anfitrião foi Rogério<br />

Bivar Simonetti, proprietário da criação e um<br />

entusiasta da Marcha Picada, com um plantel<br />

que gira em torno de 150 animais (veja box na<br />

página 29).<br />

Para nossa cavalgada, foram selecionados<br />

alguns dos animais que têm projetado o Rio<br />

Grande do Norte entre os estados de destaque<br />

em premiação dos Mangalarga Marchadores,<br />

ficando atrás apenas de Pernambuco. Para os<br />

dois primeiros dias, foram escalados Paládio<br />

Darinês, Lacre Jasmim (Campeão Nacional Sela<br />

de Ouro 2008), Fantástico do Erre, Itu da Pedra<br />

Verde, Havai da Porteira de Tábua (Campeão<br />

março 2009 ( revista horse ) 21<br />

Candinha, de 64 anos:<br />

“Estou realizando um<br />

sonho de criança.<br />

Esses cavalos são<br />

maravilhosos”


No alto, o início do trajeto, ao<br />

lado das gigantescas hélices<br />

de energia eólica. Foram<br />

cerca de 9 km até a travessia<br />

montada pelo Rio Guaju, que<br />

faz a divisa da Paraíba com o<br />

Rio Grande do Norte<br />

capa<br />

22 ( revista horse ) março 2009<br />

Nacional Cavalo Jovem BH/2006), Rio Negro da<br />

Calciolândia e os castrados Belo da Água Bôa,<br />

Canário AF e Romário da Água Bôa. Como se<br />

percebe, um time de primeira, formado integralmente<br />

por animais de <strong>marcha</strong> <strong>picada</strong>, com<br />

idade entre três e 10 anos.<br />

Início<br />

Na manhã de segunda-feira, partimos de<br />

van para a Barra de Camaratuba, ao norte do<br />

estado da Paraíba. O grupo estava formado<br />

Rogério Bivar, líder e guia, Paulo Junqueira (Cavalgadas<br />

Brasil), Marcelo Mastrobuono (Revista<br />

Horse), Cândida Bastos (fonaudióloga), a família<br />

Milze, Laura e Ronaldo Girardelli (empresário) e<br />

Monika Meier (empresária alemã). No decorrer<br />

do percurso, outros cavaleiros locais foram se<br />

integrando ao grupo, que chegou a ter mais de<br />

15 pessoas (veja na página 30).<br />

Todo o percurso foi devidamente planejado<br />

de forma a acompanhar os horários da maré<br />

baixa, um quesito importante para evitar imprevisto<br />

em determinados trechos. O cenário era<br />

invariavelmente belo. Rumo ao norte, tínhamos<br />

o mar escancaradamente azul à nossa direita e<br />

um conjunto de gigantescas hélices de energia<br />

eólica à esquerda. Seguíamos em andamento<br />

moderado, variando da <strong>marcha</strong> ao passo. A recomendação<br />

era que evitássemos galopes na<br />

parte arenosa, para não desgastar os animais


Passagem por Baía<br />

Formosa e pelas falésias<br />

foram alguns dos<br />

pontos altos no trajeto.<br />

No detalhe, a vista<br />

deslumbrante do mar<br />

capa<br />

desnecessariamente. Quase sempre cavalgávamos<br />

bem próximo às águas do mar, onde a areia<br />

é mais firme e o som da <strong>marcha</strong> evidente. Todos<br />

pertinhos uns dos outros, era como<br />

uma sinfonia de ritmos, com o<br />

som das <strong>marcha</strong>s repicando<br />

uma sobre as outras.<br />

Cavalgamos por cerca<br />

de 15 quilômetros, até<br />

chegar no Rio Guaju, que<br />

faz a divisa da Paraíba<br />

com o Rio Grande do<br />

Norte. Fizemos a travessia<br />

montados e, em seguida,<br />

uma breve parada<br />

para se refrescar com água<br />

de coco e churrasquinho de<br />

peixe, em barraquinhas de<br />

sapê. De botas, perneiras, chapéus<br />

e animais vistosos, tornamo-nos<br />

uma atração à parte aos demais turistas e ao<br />

povo nativo, sempre simpático e receptivo.<br />

Seguimos por mais três quilômetros até a<br />

Praia do Sagi, onde desencilhamos os cavalos<br />

para descanso. Colocamos as traias todas nas<br />

mesas e cadeiras de praia, enquanto o staff do<br />

Haras Água Bôa hidratava e tratava os animais.<br />

Lagoas e falésias<br />

Depois do almoço, com os cavalos devidamente<br />

arreiados, retomamos a <strong>picada</strong> rumo à<br />

Baia Formosa. Percorremos um trecho de aproximadamente<br />

14 km, passando pela Mata Estrela,<br />

uma reserva de Mata Atlântica numa área de<br />

Fotos: Marcelo Mastrobuono<br />

aproximadamente 3 mil hectares, com lindas lagoas.<br />

A de Araraquara, conhecida como Lagoa<br />

Coca-Cola, era um verdadeiro deslumbre. Suas<br />

águas azuis, contornada por uma borda<br />

avermelhada, fruto da vegetação<br />

submersa, contrastava com a<br />

branquidão das dunas. Uma<br />

imagem de tirar o fôlego.<br />

Cortando o agreste,<br />

encontramos várias outras<br />

lagoas, quase sempre<br />

formando lindas<br />

paisagens com o pôr-dosol<br />

que se aproximava.<br />

Segundo João “Gaúcho”,<br />

empresário-cavaleiro que<br />

nos acompanhou no trecho,<br />

muitas lagoas estavam secas,<br />

em razão do alto-verão. Nas épocas<br />

de chuvas, lembrou, entre março<br />

e setembro, a travessia é feita com água acima<br />

das pernas dos animais.<br />

Chegamos em Baía Formosa quase à noitinha,<br />

cortando um pedaço da cidade montados<br />

e, mais uma vez, sob os olhares curiosos da simpática<br />

população. Jantamos e pernoitamos em<br />

uma aconchegante pousada à beira-mar.<br />

Na manhã de terça-feira, os cavalos já nos<br />

aguardavam devidamente descansados, tratados<br />

e arreiados. Com exceção de um deles,<br />

que sentiu uma das patas e foi substituído pelo<br />

suplente, que acompanhava o trajeto de caminhão<br />

do staff.<br />

A repartida foi do alto da própria Baía Formosa,<br />

a única do Rio Grande do Norte, de onde<br />

“Quase sempre cavalgávamos bem<br />

próximo às águas do mar, onde a areia<br />

é mais firme e o som da <strong>marcha</strong> evidente”<br />

24 ( revista horse ) março 2009


se avistam barcos de pesca, arrecifes e falésias.<br />

Percorremos todo o entorno da baía, seguindo<br />

pela praia rumo a Barra do Cunhaú, a 9 km,<br />

de onde fizemos uma travessia de balsa à praia<br />

de Sibaúma. Atravessamos montados o Rio<br />

Catú, passamos por extensos coqueirais e arrebatadoras<br />

falésias, até chegarmos ao Chapadão<br />

de Pipa. Dali, avistava-se de forma privilegiada<br />

a linda praia do Amor e dos Afogados. Continuamos<br />

até chegamos a Pipa, aonde almoçamos,<br />

conversamos e demos boas risadas. Encerravase<br />

ali a primeira parte da viagem.<br />

Durante os percursos, quase sempre o assunto<br />

era...cavalos. Mangalarga Marchador,<br />

claro. De Marcha Picada, evidente. Rogério<br />

Bivar é um profundo conhecedor da raça, a<br />

qual defende quase sempre sobre as selas. De<br />

forma geral, ficou notória a docilidade do animal.<br />

Nos dias de trabalho, os cinco garanhões<br />

do grupo mostraram-se tranqüilos e conviveram<br />

sem maiores sobressaltos.<br />

Travessias por lagoas,<br />

coqueirais e em balsa<br />

foram constantes no<br />

roteiro. Abaixo, uma<br />

pausa no Rio Pirrichuí,<br />

onde os animais<br />

puderam descansar e<br />

beber água. Depois, um<br />

merecido banho de Água<br />

Bôa, antes de degustar<br />

saborosos peixes<br />

cultivados e preparados<br />

no próprio local (detalhe)


capa<br />

Pouco antes de chegar à Lagoa<br />

do Carcará, pausa para o registro.<br />

Abaixo, o mergulho com os cavalos,<br />

uma experiência incrível. No detalhe,<br />

animais recebem dose de eletrolítico<br />

para repor as energias<br />

Como é a <strong>marcha</strong> <strong>picada</strong><br />

Trata-se de andamento <strong>marcha</strong>do em quatro tempos, em tríplice<br />

apoio e com maior tempo de sustentação nos movimentos laterais.<br />

Caracteriza-se pela maior sincronização entre os apoios laterais, nos<br />

quais é imperativo a dissociação entre pé e mão de um mesmo lado,<br />

sempre com o apoio primeiro do pé e depois da mão, num 1º e 2º<br />

tempos e depois em seguida os apoios de pé e a mão do outro lado,<br />

perfazendo o 3º e 4º tempos. Ou seja,, a mão direita avança em relativa<br />

sincronia com o pé direito enquanto a mão esquerda recua também<br />

em relativa sincronia com o pé esquerdo. Quanto maior for o tempo<br />

entre esses apoios, mais dissociada é a <strong>marcha</strong> e mais confortável ao<br />

cavaleiro. Chama-se de Andadura quando o movimento mantém-se<br />

lateralizado, porém em dois tempos, com os membros laterais (pé e<br />

mão) tocando o solo ao mesmo tempo. Este andamento é considerado<br />

indesejável, em razão do atrito lateral e desconforto do cavaleiro.<br />

26 ( revista horse ) março 2009<br />

Tropa de éguas<br />

Ilustrações: Nilson Araujo<br />

Nosso terceiro dia começou com a travessia<br />

por balsa, na parte do mar que fica em frente ao<br />

Resort Marinas. Desta vez, fomos montados em<br />

um tropa formada basicamente por éguas, todas<br />

de boa linhagem e extremamente ágeis: Avenca<br />

São Boa Ventura, Itapoã da Porteira de Tábua,<br />

Heroína das Posses, Catuni Quiara (Campeã<br />

Nacional Égua de Marcha Picada em<br />

BH/2007), Bala da Água Bôa, Heroina AF,<br />

Zilá Caxambuense, Hora da Pedra Verde,<br />

Visão da Calciolândia e Gravatá Sita.<br />

No grupo, ganhamos a companhia<br />

de Karin Kurkjian, zootecnista gerente<br />

do Haras Água Bôa, e a holandesa Aijuna<br />

Gration, equitadora experiente e que ajudava<br />

a zelar pelo bem-estar dos animais.<br />

Fizemos o percurso da praia de Malembá<br />

por cerca de uma hora e meia (6 km), até<br />

chegarmos a Pirrachuí, um paradisíaco vilarejo,<br />

cortado pelo rio de mesmo nome, onde se cultivam<br />

peixes que podem ser degustados à escolha<br />

do cliente. Juntou-se ao grupo do empresário e<br />

agrônomo Marcos Lopes, um apaixonado por<br />

cavalos e guardião da cultura do vaqueiro nordestino<br />

(veja matéria na página 31). Em seguida,<br />

percorremos mais 7 km até a Lagoa do Carcará,<br />

um dos pontos mais divertidos da nossa cavalgada.<br />

Encontramos com os integrantes da Assossiação<br />

dos Criadores de Cavalo de Passeio do<br />

RN, com quem almoçamos e ouvimos a viola de<br />

Arnaldo Faria, o repentista-cavaleiro que ajudou<br />

a cavalgada se tornar ainda mais agradável.


No ritmo da toada<br />

Travessia cortando a<br />

vegetação do agreste<br />

nordestino (uma exceção<br />

do roteiro): a trilha dura<br />

que marcou a história<br />

do sertanejo<br />

Saindo da Lagoa do Carcará, seguimos para<br />

a Pousada Coice da Mula, à margem da Lagoa<br />

do Bonfim, que abastece grande parte do Rio<br />

Grande do Norte. O espaço é de propriedade<br />

de Marcos Lopes, idealizador do Forró da Lua<br />

(o mais famoso do RN) e um guardiões da cultura<br />

do vaqueiro nordestino (veja matéria na<br />

página 31). Lopes nos acompanhou por grande<br />

parte do percurso, enriquecendo a viagem<br />

com informações sobre vegetação, cultura e<br />

história geral daquela importante região do<br />

País. “Este homem é uma enciclopédia”, reconhecia<br />

o amigo Bivar.<br />

Embora o roteiro seja pré-estabelecido, o<br />

grupo têm autonomia para algumas mudanças<br />

imprevistas. Desta forma, resolvemos dispensar<br />

a van e enfrentar um extenso trecho de agreste.<br />

Foram mais de 15 km de sobe e desce em uma<br />

interminável estrada de chão, até chegarmos à<br />

Lagoa de Arituba. Ali, as éguas receberam doses<br />

de eletrolítico para repor a hidratação e seguiram<br />

de volta ao haras de caminhão.<br />

Retomamos o passeio apenas no dia seguinte,<br />

percorrendo canaviais, fazendas e parando<br />

em uma lagoa para nadar com os cavalos. Uma<br />

experiência extremamente diferente, da qual<br />

alguns preferiram se abdicar. A reportagem da<br />

Horse encarou e aprovou, nadando a pêlo e apenas<br />

com cabrestos. Fantástico! Marchadores do<br />

RN não perdem o ritmo nem dentro d’água!<br />

março 2009 ( revista horse ) 27


Rogério Bivar:<br />

“Conquistamos o título<br />

de melhor expositor<br />

em quase todos os<br />

campeonatos”<br />

capa<br />

Estrutura reflete<br />

pujança do RN<br />

A estrutura do criador<br />

Rogério Bivar começou a<br />

ser formada em 2000 e está<br />

divida entre o Haras Água<br />

Bôa, em Tibau do Sul, com 110<br />

hectares, e a fazenda em Várzea<br />

(90 ha), a 35 km de Tibau, onde se<br />

concentram as éguas e potros. Foi lá<br />

onde o grupo encerrou sua visita, na tarde de<br />

sábado, 30 de janeiro, com um passeio montado<br />

pelos limites da propriedade.<br />

Ao todo o plantel conta com cerca de 150<br />

cabeças, das quais 70 éguas em reprodução e<br />

pista; 50 potros (em fase de mama e doma); 10<br />

garanhões e 20 animais castrados para passeio<br />

e pista. Com uma produção média de 40 potros/<br />

ano, comercializa-se cerca de 20 potros por ano, a<br />

preços que giram em torno de R$ 5 mil.<br />

O Rio Grande do Norte, apesar de ser o estado<br />

mais novo associado a ABCCMM (Associação<br />

Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga<br />

Marchador), se destaca hoje como a segunda<br />

28 ( revista horse ) março 2009<br />

força na Marcha Picada em termos<br />

de resultados de pista, perdendo<br />

apenas para Pernambuco. É a<br />

quarta em plantel, atrás de<br />

Minais Gerais (reduto do MM) ,<br />

Bahia e Pernambuco.<br />

Bivar lembra que, em<br />

termos de qualidade de<br />

animais, o RN é quase uma<br />

primeira força, já que conta com<br />

o Grande e o Reservado Grande<br />

Nacional da Raça 2007 (Predileto<br />

Atleticano e Spinho do Espinho Preto),<br />

o Sela de Ouro Nacional 2008 (Lacre Jasmim), o<br />

Campeão dos Campeões Nacional Marchador<br />

Ideal 2008, (Dragão da Porteira de Tábua).<br />

“Ou seja, temos aqui os quatro maiores títulos<br />

possíveis em Campeonatos Nacionais”, afirma,<br />

destacando que o estado teve ainda vários<br />

Campeões Nacionais entre 2006 e 2008, como o<br />

Havai da Porteira de Tábua, Horto da Pedra Verde,<br />

Catuni Tókio, Nívea da Lagoa da Serra, Catuni<br />

Quiara, dentre outros. “Conquistamos o título de<br />

melhor expositor em quase todos os campeonatos<br />

disputados e são daqui também os títulos de 1o<br />

do ranking nacional 2006, 2007 e 2008 e os de<br />

Melhor expositor Nacional 2007 e 2008.<br />

Agência Cavalgadas Brasil - 11. 7562 8884<br />

Haras Água Bôa - 84. 3502 2323<br />

www.harasaguaboa.com.br<br />

Resort Marinas - 84. 3246 4111


3<br />

gente<br />

5 6<br />

Momentos de descontração e<br />

confraternização marcaram a<br />

cavalgada no Rio Grande do Norte,<br />

sempre na companhia do simpático<br />

e receptivo povo potiguar<br />

4<br />

30 ( revista horse ) março 2009<br />

7<br />

1 2<br />

Fotos: Marcelo Mastrobuono I Paulo Junqueira<br />

1. Na primeira pernoite,<br />

em Baía Formosa,<br />

integrantes da Cavalgada<br />

Brasil aguardam o jantar<br />

na Pousada ChaléMar<br />

2. João “Gaúcho”, cavaleiro<br />

e empresário que trocou<br />

de Rio Grande, em busca<br />

de aventuras e maior<br />

qualidade de vida<br />

3. Laura, de 17 anos, gostou<br />

tanto dos Mangalargas<br />

Marchadores que por<br />

pouco não trouxe um<br />

animal na “bagagem”<br />

4. O empresário-cavaleiro<br />

Rogério Bivar e equipe<br />

do Rancho Água Bôa,<br />

ao lado de amigos e<br />

familiares, em noite<br />

de confraternização<br />

com os visitantes<br />

5. O repentitas e violeiro<br />

Arnaldo Faria, durante<br />

a parada em Lagoa do<br />

Carcará: bons improvisos<br />

e um toque de magia em<br />

tarde à beira da lagoa<br />

6. O empreendedor<br />

Ricardo Nóbrega, que<br />

prepara inauguração de<br />

condomínio hípico no<br />

estado, foi companheiro<br />

de boa prosa em vários<br />

momentos do percurso<br />

7. Paulo Junqueira, diretor<br />

da Cavalgadas Brasil<br />

e colaborador da Horse,<br />

no Rio Guaju, na divisa<br />

de Paraíba e Rio Grande<br />

do Norte


nutrição perfil<br />

O guardião do nordeste<br />

Marcos Lopes, idealizador do Forró da Lua, agora prepara a inauguração<br />

do Museu do Vaqueiro para preservar a história e cultura regional<br />

S<br />

anfona às costas, cavalo bem arriado e lá<br />

vai ele... Nos hospitais, nas creches ou abrigos<br />

de idosos, apea, pega a sanfona e começa a<br />

tocar... É na cavalgada e na música que o engenheiro<br />

agrônomo Marcos Fernandes Lopes, de<br />

Natal (RN), reencontra com suas origens. Sua paixão<br />

pelo instrumento que marcou história com o<br />

Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e pelos cavalos surgiu<br />

quando ainda garoto.<br />

Aos 8 anos, seu pai, médico, lhe presenteou<br />

com um cavaquinho e a seu irmão, Carlos, com<br />

duas sanfonas. Quanto tinha 12 anos, ouviu um<br />

paciente tocar uma sanfona e decidiu que aprenderia<br />

também. “A primeira música que toquei foi<br />

“O sapo não lava o pé”. Eu estava literalmente à<br />

margem de uma lagoa cheia de sapos. A partir daí<br />

sempre tocava com os filhos dos colonos, que me<br />

acompanhavam com latas, reco-reco, triângulo e<br />

outros apetrechos, mas sem muita sintonia”.<br />

Todos os finais de semana Marcos ia com o pai<br />

até sua fazenda, onde acompanhava os serviços<br />

dos vaqueiros, que conferiam as cercas e bem-estar<br />

do gado. “Os vaqueiros cantavam para chamar<br />

e tanger o gado. Esse cantar é o aboio, um canto<br />

sem palavras, marcado exclusivamente por vogais<br />

e de livre improviso. Característica do vaqueiro<br />

nordestino, única neste país. Tive também vivência<br />

com o vaqueiro sertanejo da caatinga, onde<br />

a vegetação é predominantemente de cactos e<br />

é preciso usar o uniforme feito de couro para se<br />

proteger dos espinhos”.<br />

O tempo passou, Marcos formou-se em agronomia<br />

e casou-se com Odete, com quem teve<br />

duas filhas: Marina e Mônica. Mas nunca abandonou<br />

os cavalos e a sanfona. Mantém oito animais<br />

Mangalarga e mestiço Campolina. Também aluga<br />

baias para proprietários de animais, a maioria voltada<br />

para vaquejada. Sua forte identificação e o<br />

vasto conhecimento com a lida no campo lhe renderam<br />

o apelido de enciclopédia da história.<br />

Aos 50 anos, ele revela que foi no Nordeste que<br />

chegaram os primeiros bois para trabalhar nos engenhos<br />

de cana-de-açúcar. E foi ali também onde<br />

Fotos: Marcelo Mastrobuono<br />

nasceu a vaquejada, que se originou da apartação,<br />

uma atividade peculiar da nossa pecuária. “Hoje a<br />

vaquejada está bastante modificada; a sua origem<br />

é nordestina, é brasileira. Diferente do rodeio, do<br />

tambor e do laço, que são de origem estrangeira”.<br />

Foi justamente por perceber as transformações<br />

por quais passavam essas tradições, por ver<br />

a vaquejada se distanciando de suas raízes, que o<br />

engenheiro teve a idéia de criar um espaço, junto<br />

ao Forró da Lua, que idealizou em 2002, para<br />

preservar essa cultura para as gerações futuras.<br />

Começou então a criar um museu, onde além de<br />

mostrar as tradições da pecuária nordestina, funcionará<br />

uma escola de música e artesanato em<br />

couro para meninos de rua. “A música será aquela<br />

deixada por Luiz Gonzaga, cujos instrumentos são<br />

a sanfona, a zabumba e o triângulo”, assegura.<br />

Entre as principais peças estarão: selas, arreios,<br />

coronas, cangalhas, cangas, bridas, esporas, castrador<br />

de boi, ferro de engomar queijos, ferros para<br />

colher cactos, fole para matar formigas, enfim,<br />

tudo que pertenceu aos antepassados que viveram<br />

no sertão. Seu maior sonho é concluir o museu<br />

e perpetuar a história de várias gerações.<br />

março 2009 ( revista horse ) 31<br />

Lopes mostra um dos<br />

artefatos usados pelo<br />

vaqueiro nordestino<br />

para castrar animais.<br />

Acima, peças do museu

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