PDF - Bardo WS

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PDF - Bardo WS

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transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a

obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob uma licença

similar à presente.

Considerando que alguns dos artigos aqui publicados não são exclusivos

da CyanZine, tendo sido incorporados a partir do site de seus respectivos

autores, por vezes a licença do CyanZine se torna ainda mais restritiva do

que a original (mas nunca menos restritiva). Portanto, convém visitar a

publicação diretamente para o caso de se precisar de uma licença mais

flexível do que esta.


Chegamos à terceira edição do CyanZine, uma proposta diferente que

coleta textos sob licenças livres e os agrupa em uma publicação.

Complementarmente, distribuí-do no formato ePub e, alternativamente,

TXT e PDF, além dos próprios fontes em ODF. Ou seja, se quiser criar

algo parecido, você tem acesso aos fontes! (tudo bem que o leiaute é

simplista).

A maior novidade do Technomyrmex Kraepelini não está no CyanZine,

mas no CyanCD, que agora é CyanPack! Algumas páginas à frente a

gente fala sobre isso... No CyanZine, além de artigos meus, do Trezentos

(o que seria do CyanZine sem ele?) e do Saindo da Matrix, esta edição

traz artigos de Aurélio.Net, Monte Gasppa, Infowester e HomemBit.

Voltando aos formatos, a partir desta edição a distribuição em texto plano

do CyanZine vai trazer também as edições anteriores. O TXT vai ser um

compactado agrupando todas as edições já publicadas em TXT.

O mundo digital está forte nesta edição. O Cordel Digital anuncia a

mudança dos tempos, enquanto o Jomar tem um ótimo artigo, que eu não

tinha como ter deixado de publicar aqui. Vale muito a pena ler Software

Livre não nasce em árvores: Do colonialismo ao extrativismo digital.

Quem tiver artigos legais (ou encontrar artigos legais) sob licença CC-

By-NC-SA, me avisa!

Foto: Fishing Harriman State Park, por ScubaBear68.

http://www.flickr.com/photos/22310955@N02/5864728031/


Technomyrmex Kraepelini

O CyanCD é um projeto antigo e agora resolvi dar um passo adiante nele.

Tudo começou quando não encontrei os fontes do MacPup. Então pensei

que seria uma boa usar uma versão reduzida do Trisquel. Uma que

coubesse no CD. Para quem não conhece, Trisquel é um sistema

operacional totalmente livre baseado em GNU/Linux, derivado do

Ubuntu. É um dos poucos que são recomendados pela Free Software

Foundation. Eu utilizo Trisquel há mais de um ano como meu Sistema

Operacional principal.

Tentei então customizar o Trisquel para que coubesse junto com os

softwares livres para Windows, que vêm no CyanCD. Estava difícil e

terminei mudando de ideia. Já não estava legal agora que comecei a

disponibilizar também os fontes dos softwares, ter que mantê-los em um

pacote separado, então por que não juntar tudo em um DVD?

CyanCD viraria CyanDVD, mas aí veio outra ideia: breve começarei a

vender mídias gravadas para quem quiser contribuir com o projeto. E por

que não o CyanCD/DVD num pendrive? E o CyanCD? Não era bom

simplesmente descontinuar... E se algum dia eu mudo pra outra mídia?

Mudar o nome do projeto de novo?

Por isso, resolvi adotar o novo nome CyanPack.

O CyanPack DVD vai ser a principal forma de distribuição do CyanPack

e vai incluir mais ou menos os mesmos softwares livres para Windows

que incluía antes. A maior diferença é que vai trazer também já no DVD

os fontes de todos esses programas, bem como o Trisquel, para uso e

instalação. Assim, o CyanPack se torna uma mídia ainda mais interessante

para installfests do que já era.

O CyanPack CD trará só os softwares livres para Windows. Não acho que

compense manter um live no CD também. O CyanPack Flash só

aparecerá futuramente, num pendrive de 4G.

Breve estarão à venda DVDs do CyanPack a partir do meu site


http://bardo.ws. E depois de um tempo, o CyanPack Flash. Espero que

gostem das novidades! :-)


Eventos, Promoções e Encurtadores

Nos dias 27 e 28 de maio últimos tivemos o I Encontro de Software e

Cultura Livres de Arapiraca. Foi difícil arrumar patrocínio o suficiente

para o evento e por isso terminamos fazendo do evento um evento pago.

Cobramos um valor simbólico na entrada e terminamos conseguindo

fechar a conta bem.

O I ESCLA tinha como principais atrações Aurélio Heckert e Sergio

Amadeu. Infelizmente, o Sergio não pôde comparecer devido a um

compromisso surgido em cima da hora em sua universidade. Aurélio veio

e contribuiu com o evento.

Infelizmente, o público não foi tanto quanto esperávamos. Enquanto

tivemos uma ótima participação do IFAL, recebendo até gente de Aracaju,

os alunos da UFAL, local onde se realizou o evento, simplesmente não

compareceram, o que foi uma pena: as palestras e discussões foram muito

boas.

Agradeço a toda a equipe, em especial a Adrylan, da Oficina Livre, ao

Aurélio, Eraldo Guerra, Eduardo, enfim, todo mundo que contribuiu com

e evento.

A promoção Cordel Digital terminou e o vencedor foi Handerson Sales,

que ganhou um leitor de livros digitais. Outras promoções virão no

futuro.

Já a promoção Warning Zone continua. Confiram como participar:

http://x.bardo.ws?10.

A piada de primeiro de abril sobre o Humanoid terminou virando uma

camisa, que você pode adquirir para ajudar o GUSLA (Grupo de Usuários

de Software Livre de Arapiraca) aqui: http://x.bardo.ws?0z.

Notaram os links? É, uma outra novidade é o novo atalho para o meu site

pessoal: http://bardo.ws. Tem alguns outros atalhos mais específicos,

como http://code.bardo.ws e http://wz.bardo.ws. Outra novidade


interessante, nesse ponto, é o encurtador de URLs X-Bardo. Você pode

utilizá-lo em http://x.bardo.ws/.

A UFAL está em greve, junto com mais de 40 outras universidade. O

governo quer congelar o incentivo a qualificação nos salários de todos os

técnicos administrativos das Universidades Federais e cortar todo o

incentivo de quem ainda não recebe. A greve está acontecendo para

garantir que direitos que já havíamos conquistado no decorrer dos anos

não sejam sumariamente esquecidos. É MinC, é Planejamento e

sinceramente não sei onde está a tal da Continuidade prometida pela

presidenta. Afinal, pouquíssimos votaram nela. Quem votou 13 na última

eleição, quase invariavelmente votou foi na continuidade.


Cordel Digital

http://x.bardo.ws?1j, 9 de maio de 2011

Por Cárlisson Galdino – http://www.carlissongaldino.com.br/

Meus amigos, com licença

Vou falar da realidade

Desses dias de hoje em dia

Do que fez a humanidade

Desbravando com bravura

A mata da Literatura

Veja quanta novidade

Houve um tempo muito antigo

Que poeta tinha ideia

De escrever histórias longas

Fosse o leão da Nemeia

Odisseu e suas dores

Ou grandes navegadores

Era a tal da epopeia

Elas eram poesias

Enormes de se cantar

Descrevendo uma história

Que tentavam registrar

Era, eu sei o que digo,


Um costume mais antigo

Que se possa imaginar

Foi assim com o Homero

Que dos deuses recebeu

Dom sublime lá na Grécia

E desse jeito escreveu

Versos que são ouro e joia

Narrando a Guerra de Troia

E a jornada de Odisseu

Depois, entre os portugueses

Como em outras nações

Ressurgiu num certo dia

Outro poeta dos bons

Feito pra narrar o drama

No mar, de Vasco da Gama

Era Luis Vas de Camões

Desse modo, todo povo

Viu poeta inteligente

Talentoso e inspirado

Falando pra toda gente

Grandes fatos dos que viu

E assim, cá no Brasil

Não ia ser diferente


No Brasil, esse trabalho

Coerente e genial

De romancear em versos

Tem lugar especial

No Nordeste da nação

Vivo em uma tradição

Trazida de Portugal

Falando muitas verdades

Contra rei e coronel

Ou fazendo o povo rir

Só de pegar no papel

Há livros que são achados

Em um cordão pendurados

Levam nome de cordel

São livretos bem pequenos

Mas grandes em seu talento

Trazendo pra nós notícias

Ou um bom divertimento

Pequenos com poesia

Pendurados, quem diria?

Em feiras, no movimento

Tem mulher que virou bicho

Tem medroso e assombração

Tem disputa de viola,


De goela e munição

Tem relato corajoso

Do inferno endoidando todo

Quando chegou Lampião

Você encontra pelas feiras

Do Nordeste brasileiro

Sempre muitas opções

Versos narram por inteiro

Dramas e atualidades

Com mentiras ou verdades

Sempre por pouco dinheiro

Hoje já não há mais tanto

Mas antigamente havia

Pra vender esses cordeis

Que são pura poesia

Artista com emoção

E uma viola na mão

Narravam em cantoria

Mas o tempo foi passando

Tudo passa nessa vida

E essa tradição da gente

Tão antiga e tão bonita

Com as gerações mudando

Pouco a pouco foi minguando


Hoje está quase esquecida

Hoje há poucos cantadores

Pelas feiras do Nordeste

Há poucos cordéis à venda

A cultura poucos veste

Mas buscando, é forçoso

Achar um ou outro teimoso

Que na tradição investe

Hoje se acha por aí

Os clássicos do cordel

E uns que por muitos anos

Escondidos num papel

Criaram força de repente

Resolveram finalmente

Mostrar a cara pro céu

E hoje a gente olha pro mundo

O mundo está tão mudado

Todos vivem na canseira

Se matando por trocados

Numa correria louca

E a leitura, que era pouca

Foi ficando mais de lado

Com TV, rádio, Internet


Videogame, academia

Celular, computador

GPS, foi-se o dia

De moleza na calçada

E nessa vida estressada

Quem tem tempo pra poesia?

Em tudo botou o dedo

Essa Tecnologia

Disco já virou CD

PC encolheu, quem diria?

Aumentando a qualidade

E hoje já é realidade

O que o cinema previa

Hoje todos têm acesso

Ao que só teria o rei

Todos têm cartão de crédito

Celular, pelo que eu sei

Cada um tem três o quatro

Tevezona virou quadro

Filme se tornou blue-ray

E tudo foi progredindo

Como era o natural

E foram desencarnando

Do mundo material


Nessa evolução danada

Tão espiritualizada!

Tudo agora é digital

Ninguém precisa de disco

Pra música simplesmente

Converte pra MP3.

Jogo ou video facilmente

É só ter dispositivo

Player ou PC. E com livro?

Por que seria diferente?

Amazon entrou na dança

Lançando o tal do Kindle

Depois a Apple com o iPad

Que tanta gente acha lindo

Sony, Samsung e outras mais

Têm produtos quase iguais

E muitos outros vem vindo

São notebooks pequenos

Por tablets conhecidos

Pra navegar na Internet

Ver uns videos divertidos

Ver e-mail e conversar

Agendar e calcular

E também para ler livros


Ou são, mesmo parecidos,

Aparelhos diferentes

Feitos só para ler livros

Com uma tela inteligente

Para ler poesia ou crônica

A tal da tinta eletrônica

Pra ser bom de ler pra gente

Pois, amigos, desse jeito

O livro, que era papel

Hoje está só na memória

De um aparelho "do céu"

Tanto livro e saber

Vai num cartão SD

Que a gente fica pinel

E se hoje já há dicionário

Romance, HQ, mangá

Coletânea, manual

De quase tudo já há

Se tem lugar pra poesia

Revista, jornal e guia

O cordel não tem lugar?

O cordel tem que viver

É um marco dessa gente


Tem o seu lugar cativo

No coração do vivente

Do Nordeste brasileiro

E assim do Brasil inteiro

Talvez nem dele somente

Poesia gigantesca

É algo internacional

Se aqui temos cordel

Noutros cantos, tem igual

Cada povo, com efeito

Faz, na sua língua, seu jeito

Essa tradição legal

E se hoje todos falam

Da tal globalização

Por que não vir o cordel

Dar sua parte da lição?

Sair da feira do agreste

Para entrar na Internet

Qual no céu foi Lampião?

É por isso, meus amigos

- E não estranhem o fato -

Que o cordel tem o direito

De ter a turbina a jato

Que essa tecnologia


Oferece e a poesia

Cabe num livro abstrato

Hoje, nesses novos tempos

Que mudam nosso normal

Quando a vida é correria

E o consumo é sem igual

Tudo aos poucos é mudado

Que fique aqui registrado

O Cordel é Digital

E se a mudança não para

E se tudo se mistura

Pra estar no mundo global

Preservando a cultura

Quem sabe se alguém não cria

Disk-cachaça, e um dia

Download de rapadura?

Nessa era tão moderna

Marcada, pelo que sei,

Pelo compartilhamento

Que todos podem ser reis

Que a Arte humana tanto cresce

Quando será que aparece

Um repentista DJ?


E assim, meu caro amigo

É chegado o momento

De partir, já me vou indo

Grato pelo acolhimento

Até um outro cordel!

Boa sorte pra quem leu

E bons compartilhamentos!


A Nova Tribuna do Parlamento Cultural

http://www.trezentos.blog.br/?p=5890, 23 de maio de 2011

Por Carlos Henrique

Lá se vão quarenta anos em que, encantado com um tambor feito de lata

de banha e papel de saco de cimento, meus sons primeiros iam me

impulsionando ao enorme desafio de caminhar pelo mundo da cultura.

Entender a arte por esse universo guardado em casos, reflexões, prazeres,

fórmulas e rótulos tem sido motivo paralelo nos últimos dez anos para

fugir da política do bom tom que a guerra dos civilizados nos impôs do

alto da tribuna dos cultos. Transcender a vulgaridade dos “gênios”

naturalmente é botar a mão à palmatória de um mundo absolutamente

encaixotado que cria vulgarmente a sua própria memória. Nada feito com

tanta imaginação, apenas boatos de língua filosófica que utilizam uma

pedagogia, aonde ninguém chega a nenhuma conclusão.

Como disse Machado de Assis, o discurso metafísico falado com

determinada seriedade e altivez é quase um ofício para esses que ocupam

a tribuna culta e usam um determinado vocabulário de época que pode

perfeitamente ser empregado em qualquer batalha, em qualquer notícia

diante dos olhos do universo da cultura. No entanto, é difícil engolir

tamanha obscuridade, algumas são verdadeiras muralhas sagradas, tal a

imagem fixada que um grande figurão, de forma miúda, mas heróica,

vende via irmandades e associações.

A “obra de arte” nas sociedades-cultas, dependendo de sua postura, ganha

feições e discurso de uma espécie de comissão recheada de um

indispensável ornamento que o idealista da nova civilização utiliza com

suas fórmulas e traços, não dando assim, em nenhuma hipótese, a

possibilidade de ser interrogado, pelo povo, sobre suas novas idéias. Tudo

fica no campo do subentendido entre a anedota transversal e o

contrabando intelectual.

No Brasil, o povo não vive uma carência de idéias. A corte de colete e seu


limite arbitrário é que misteriosamente privilegiam determinado gênio a

falar para as multidões sobre a sua emancipação protocolar, sobre o seu

jeito particular sem que alguém possa interromper o seu discurso

carregado de vulgaridades e de infinitas previsões premiadas. Então, o

grande ilustre levanta-se contra a própria sociedade e, com seus repentes e

determinada habilidade, parte para um exercício corporal e deita falação

com suas locuções para justificar seu regime de guerra.

Agora mesmo assistimos o Ministério da Cultura distribuindo caridades a

um fórum próprio e absoluto que pode facilitar a imagem pública da atual

gestão que, a meu ver, está politicamente puída. No sistema em que certa

freguesia do Estado utiliza leis, costura relações para subir no andaime de

um alpinismo individual, isso é um remédio bastante eficaz contra a febre

perigosa de democracia cultural que o povo brasileiro experimentou nos

últimos oito anos. Por isso foram convocados os que vivem de uma

franqueza límpida em busca do jogo escancarado de rapapés de doer a

alma. É que, em busca do sacramento dos aportes públicos, alguns

entregam a alma a qualquer causa de quem está ocupando a condição

papal.

É claro que esse fenômeno na cultura não é responsabilidade apenas

desses moços com tanto espírito público que têm como lei dizer sim

imediatamente ao comando reluzente da coroa intelectual, oficial. Por

isso, a razão é simplesmente abolida para que tal conduta possa aplicar

um “conceito científico” em seu vocabulário. Assim, sem que ninguém

perceba, os negócios da cultura vão se dando pelos caminhos do cinismo.

O triste episódio, por exemplo, do maestro Minczuk em convocar

músicos da escola européia após recente demissão em massa dos músicos

da Orquestra Sinfônica Brasileira é literalmente um exemplo de mão

inglesa que esse tipo de poder melindroso vem nos brindando. Esse dom

de arrogância infinita do maestro guarda proporções imperceptíveis ao

olho nu. Ele não é apenas um almofadinha atrevido e ambicioso, é

também, mas não está aí o tom que sustenta o seu ar de benemérito

forasteiro. Alguém tem que facilitar seus merecimentos para que ele

aplique a fórmula que julga ser de grande utilidade ao homem universal.

Villa Lobos já havia denunciado que as feições da cultura erudita no

mundo viviam uma grave crise por conta da mitologia do que ele

classificou como música papelório, celebralista, inaugurada no pós guerra


e que se tornou ornamento indispensável ao escrúpulo do novo comando

que se erguia pelo mundo, uma ressignificação de singulares e duvidosos

merecimentos. Todas essas questões são profundas e exigem uma

investigação bastante criteriosa.

Mas é bom que se diga que está longe a ideia de que, por trás dessa

mitologia metafísica, há um fervoroso lunático. Não! As comissões que

agraciam determinado gênio fazem parte de um movimento costurado,

pensado e disciplinado para manipular, aplicar certa matéria que restrinja

o espaço de comando, mas, sobretudo que discurse fórmulas consagradas

apenas às classes dominantes, recriando assim um novo charlatanismo.

A arte, seja a conceitual, seja a estritamente técnica é prato fundo de

mistificação. Nessa bacia de pouco raciocínio e muita doutrina é inútil o

esforço por buscar uma frase original, alguma atitude própria, alguma

aplicação de qualquer coisa que pareça progressista. Todo o universo

dominado pelas classes endinheiradas, afinadas entre si, forma, com sua

medusa ensaboada o mais perigoso complexo de obscuridades sintéticas

para jogar a cultura no infinito das causas. Por isso o PT e os partidos de

esquerda parecem tão perdidos nesse universo de agulha no palheiro.

E assim, os poderes vão se articulando e os consensos sendo

administrados pela corte. A partir de então, o valor científico eleito pela

tribuna da alta cultura torna-se valor absoluto, seja ele do universo

popular, seja do erudito. Qualquer um dos dois imporá valores absolutos

via memória individual para que a memória coletiva seja sempre colocada

numa condição radicalmente inferior. A isso podemos chamar de falso

tempo quando o mesmo taco mistificador acerta qualquer opinião sem dar

chances de ser contestada.

As tintas que dão exuberância ao reinado cultural são muito bem

arquitetadas com titularidades tanto em certa carreira acadêmica como

nas manchetes mais explícitas na formação de opiniões públicas. Mas os

prêmios trocados pelo misterioso corpo social é um dos principais braços

mais fortes de toda a companhia dos cultos e letrados que não permitem

transgressões a não ser as devidamente combinadas com o alto comando

de um mercado apoiado pela pesada mão direita do mundo.

A partir de agora a corporatocracia cultural transnacional seguirá a sua

fusão pelo mundo, aonde todos os elementos eruditos e populares


dependerão de uma gestão que se encarregará, através de milionários

recursos públicos, de produzir o sistema da indústria criativa que não é

outra coisa que uma reengenharia do neoliberalismo cultural para o século

XXI, o mesmo que está explícito, tanto nas atitudes da Ministra, Ana de

Hollanda quanto nas do maestro Minczuk.

Resta-nos, no entanto, adquirir uma atitude insubmissa, sobretudo

disciplinada para não sermos esmagados pela cultura do Estado/mercado.

Não podemos aceitar o modelo padrão que quer controlar as reações da

sociedade dentro de uma redoma comportamental aonde nos impõe uma

“participação civilizada” com o objetivo de pautar as críticas e conceder

em conta-gotas a abertura de certos canais que não têm relevância para

um fundamento amplo de democracia cultural.

Agora, mais do que nunca, a comunicação comunitária e a diversidade de

idéias nas várias instâncias da nossa interpretação multidisciplinar é que

fortalecerão os pilares de uma situação política que faça com que os

movimentos protagonizados pela sociedade conduzam e estabeleçam uma

outra tônica contra a atual ideologia que apenas um pequeno número de

comandos estratégicos se sobrepõe à vida coletiva do povo brasileiro.


Software livre não nasce em árvores: Do

colonialismo ao extrativismo digital

http://www.trezentos.blog.br/?p=5907, 26 de maio de 2011

Por Jomar Silva

Sei que muita gente que conheço e admiro vai ficar irritada com este

artigo, mas acredito que já atingimos um nível de maturidade suficiente

na comunidade de software livre brasileira para que possamos encarar de

frente nossos próprios fantasmas. Sei também que o artigo é longo, mas

acho que vale a pena a leitura. Cedo ou tarde vamos precisar fazer a

reflexão aqui proposta.

Optei por escrever este artigo junto com um grupo de amigos experientes

dentro da comunidade para evitar que ele seja classificado como sendo a

opinião de uma única pessoa. Todos os amigos convidados já estão há

bastante tempo na comunidade de software livre e todos eles já sentiram

na pele os efeitos dos problemas aqui relatados. Optei por não listar seus

nomes neste artigo, para que eles mesmo possam fazê-lo nos comentários.

Depois de tantos anos militando e trabalhando com software livre, fico

impressionado em ver como as pessoas comumente usam o termo “a

comunidade” como se ela fosse uma empresa ou coisa parecida. Muitas

vezes vejo as pessoas falando da comunidade como se não fossem parte

dela, como se não tivessem nenhuma obrigação em relação à manutenção

dos projetos desenvolvidos de forma comunitária. Muita gente entende

que ser usuário de redes sociais organizadas em torno de projetos de

software livre seja o mesmo que ser membro de fato da comunidade do

projeto em questão, além de acreditar piamente que todos naquela

comunidade estão mesmo interessados em trollagens e críticas

despropositadas.

Fazendo uma breve revisão do que aconteceu nos últimos anos na área de

tecnologia no Brasil, vemos que nossa indústria de informática foi

praticamente destruída no início dos anos 90, e passamos quase duas


décadas sendo meros consumidores de tecnologia da informação, do

hardware ao software. É a isso que chamo de colonialismo digital, pois tal

como na época do Brasil colônia, acabamos consumindo tudo aquilo que

os colonizadores nos empurravam. Vale lembrar aqui, que durante o início

do século XIX, o Brasil chegou a “importar” um navio de patins para

patinação no gelo da Inglaterra, uma vez que estes produtos estavam

entupindo os estoques ingleses e precisavam ser desovados em algum

lugar. Os historiadores contam que nesta época, as lâminas dos patins

acabaram sendo utilizadas como facas e facões e assim fomos levando a

vida: dando o jeitinho brasileiro para cumprir com nosso papel de colônia.

Durante quase vinte anos, fizemos a mesma coisa com produtos de

tecnologia da informação e me lembro de ter presenciado algumas

aberrações nesta época. De computadores que não suportavam o calor

tropical brasileiro a softwares que invertiam completamente nossa lógica

organizacional, vivemos décadas “dando um jeitinho” para as coisas

funcionarem e não foram raros os casos em que tivemos que nos reorganizar

para que pudéssemos utilizar as tecnologias “ofertadas”. Quem

aí nunca encontrou um banco de dados armazenado dentro de uma

planilha com milhares de linhas ou não viu uma reengenharia quase

irracional acontecer na marra por conta do ERP da moda que atire a

primeira pedra.

Tamanha foi nossa aceitação do papel de colonizados, que no final da

década de 90 não era raro encontrar universidades que ao invés de

lecionar “Sistemas Operacionais”, lecionavam “Windows NT”, ou

trocavam “Banco de Dados Relacionais” por “Oracle” ou “DB2” e por aí

seguia a carruagem. Fui aluno em uma dessas (que aliás é uma

universidade de renome e destaque em São Paulo). Me lembro que fui

voto vencido quando fui debater este assunto com a coordenação do

curso, pois para eles importava ensinar “o que o mercado cobrava”. Pior

do que ser voto vencido entre os coordenadores e mestres do curso, foi ter

sido voto vencido entre meus colegas de turma, pois a imensa maioria

deles estava tão acostumada com o fato de ter tudo mastigado nas mãos,

que não se importava em não dominar de fato a tecnologia ou entender o

que acontecia debaixo do capô. Estavam mais preocupados em “colocar

no curriculum” o que aprenderam na faculdade. Amém !

Foi assim que formamos no Brasil centenas de milhares de profissionais


de TI que não passavam de usuários avançados de ferramentas de

software desenvolvidas fora do Brasil. Hoje, uma parte considerável

destes profissionais são gestores de TI em diversas empresas públicas e

privadas, e isso explica o principal motivo da resistência que encontramos

no nosso dia a dia ao Software Livre dentro das organizações: a zona de

conforto é grande e a inércia gerada por ela é muito difícil de ser

quebrada.

É evidente que este modelo interessa às grandes empresas multinacionais

de software, e confesso que hoje chego a achar graça das explicações

dadas a eles sobre “o modelo”. Sempre que questionadas publicamente

sobre este tema, vemos as empresas se defendendo com o argumento de

que geram milhares de empregos diretos e indiretos no Brasil, e que

fazem “transferência de tecnologia” à indústria local, principalmente

através de seus parceiros e de projetos junto à universidades.

O que vemos na prática é que a imensa maioria dos empregos diretos

criados por estas empresas estão focados na área comercial e nas metas de

curto prazo, e que os empregos “técnicos” costumam se concentrar em

seus parceiros e solution providers, que evidentemente não têm acesso às

informações detalhadas, e muito menos ao código fonte, dos produtos que

“suportam” no mercado. A segurança e confiança por obscuridade é o que

impera nesta seara.

Quando olhamos o trabalho feito por elas junto às universidades, vemos

novamente que o foco é sim formar cada vez mais usuários avançados de

seus produtos, e conseguir com isso firmar a dependência tecnológica

desde na base da cadeia alimentar na indústria de TI. É muito fácil

comprovar isso quando vemos “versões educacionais” dos softwares

comercializados por estas empresas serem distribuídos com água dentro

das universidades. Encerrou o curso e tem um software completo

desenvolvido: ótimo… vamos lhe enviar a fatura em 3, 2, 1…

É importante lembrar que este modus operandi não é exclusividade de

uma única empresa, mas é de fato a prática de mercado de todas as

multinacionais de TI (das mais fechadas e perseguidas por todos até a

“mais aberta” e idolatrada pela maioria).

Foi num cenário de total colonização tecnológica como o ilustrado acima

que o Software Livre cresceu no Brasil, principalmente durante os


últimos 10 anos. Eu atribuo este crescimento à vontade gigantesca de

conhecer tecnologia de verdade que alguns profissionais de TI no Brasil

tinham, mas conforme o movimento foi crescendo, tenho a impressão de

que estes profissionais cada vez mais são raros de se encontrar e o que

vemos de fato hoje, é a busca pela substituição pura e simples de um

software proprietário por um equivalente livre (e não quero entrar aqui na

discussão filosófica por trás disso).

Considero que seja fundamental termos no Brasil uma comunidade tão

militante e ativa na publicidade e no suporte às soluções de software livre,

mas infelizmente isso não é suficiente, pois deixamos de ser colonizados

digitais e somos hoje extrativistas digitais.

Não exagero em dizer que hoje o Brasil tem em números absolutos a

maior comunidade de usuários de Software Livre do mundo, e olha que a

TI ainda não chegou a tantos lares assim no Brasil, portanto temos ainda

muito a crescer. O que me deixa muito chateado é constatar que ao

mesmo tempo, temos uma comunidade de desenvolvedores de software

livre quase inexistente (eu mesmo conto nos dedos das mãos os

desenvolvedores de “código fonte” em projetos de software livre que

conheço). A dita “comunidade” é a primeira a se manifestar e apontar

defeitos nos muitos projetos que “participam”, mas na hora de enviar

contribuições realmente significativas quase ninguém aparece.

É por isso que afirmo que vivemos hoje o extrativismo digital:

encontramos uma fonte aparentemente inesgotável de recursos e estamos

usando e abusando dela, sem nos preocupar com a sua manutenção. Isso

pode até nos dar uma sensação de liberdade e controle do próprio nariz

bem confortável, mas não nos levará a lugar algum e pior do que isso,

quando a fonte se esgotar (e sim, ela pode se esgotar um dia), voltaremos

à nossa vidinha de colonizados, e seremos novamente saudosistas de uma

“era de ouro”, tal como nossos amigos mais velhos hoje se lembram da

reserva de mercado.

O que quero com este artigo é forçar uma reflexão dentro da nossa

comunidade, pois é evidente que software livre não nasce em árvores, e

existem pessoas trabalhando muito escrevendo código fonte por trás dos

softwares livres que utilizamos no dia a dia.

Devo reconhecer porém, que somos muito ágeis e experientes em traduzir


estes softwares para nosso idioma, mas todos devem concordar comigo

que isso é o mínimo do mínimo que podemos fazer. Lembre-se de que

teremos alcançado o sucesso pleno quando a tradução for problema dos

outros !

Não consigo me contentar com isso e por isso peço a todos que façam

uma séria reflexão: Quando foi a última vez que você contribuiu de

verdade com um projeto de Software Livre ?

Rodando o mundo palestrando em eventos de software livre, esta é a

diferença primordial que vejo entre outros países e o Brasil. Na maioria

dos países, a meritocracia funciona de verdade e o reconhecimento vem

na base de muito, mas muito código fonte contribuído para os projetos.

Como já contei a diversos amigos, em muitos países fora do Brasil, para

que você possa “tomar uma cerveja” com os líderes dos projetos de

software livre, você provavelmente já trabalhou bastante construindo e

depurando código com eles.

Acho que é parte da cultura latina ser expansivo, mas não podemos deixar

que nossa ânsia por fazer amigos acabe os deixando desviar tanto assim

do nosso objetivo comum: Desenvolver de fato softwares livres que

supram as necessidades de nosso mercado, que nos permitam dominar a

tecnologia e que paguem nossas contas no final do mês.

Quando analisamos a cadeia de valor na indústria de software livre no

Brasil hoje, vemos que diversos nós da cadeia são remunerados, mas que

ainda não encontramos uma forma concreta de remunerar de verdade o

principal nó: O desenvolvedor.

É muito fácil cair no discurso de que “quem implementa, treina e suporta

também desenvolve”, mas na prática vemos o oposto disso.

O que me consola é que este problema não é exclusividade nossa, e nos

últimos meses tenho visto diversos projetos de software livre

desenvolvidos internacionalmente passar por sérias dificuldades por conta

do mesmo problema.

Voltando ao Brasil, conheço ao menos um software livre desenvolvido

aqui no Brasil e que é utilizado no país todo, além de ser suportado por

centenas de empresas, mas que tem como desenvolvedores ativos apenas

duas pessoas, sendo que uma delas (e talvez o desenvolvedor chave), não

seja de forma alguma remunerado. Não vou dizer o nome do software


aqui para não ser deselegante com as pessoas envolvidas em seu

ecossistema, mas garanto que pela descrição acima você já deve ter

identificado alguns softwares como potenciais candidatos.

Em uma recente discussão que tive com um dos pioneiros do Open

Source mundial, ele me dizia que o modelo de subscrição nunca foi de

fato compreendido pelo mercado, e concordo com ele que este modelo é o

mínimo que podemos ter para garantir a manutenção dos projetos e de

seus desenvolvedores. É mesmo uma pena ver que muita gente afirmar

sem vergonha alguma que “subscrição é licença disfarçada”, e aqui incluo

inúmeros colegas do movimento do software livre. Sinto lhes informar

que não, não é, mas concordo que é muito fácil pensar assim quando seu

contracheque chega no final de todo mês.

Indo mais a fundo no problema, fico extremamente chateado em ver a

falta de consciência de inúmeros gestores de empresas públicas e privadas

que economizam centenas de milhões de reais por ano em licenças de

software, mas que não investem sequer um centavo no desenvolvimento e

manutenção de projetos de software livre que utilizam no seu dia a dia.

Um exemplo gritante do que afirmo acima é o Libre Office (antigo

OpenOffice ou BrOffice no Brasil), que possui atualmente centenas de

milhares de cópias sendo utilizadas no país todo, economizando rios de

dinheiro, e que têm no Brasil uma comunidade de “desenvolvedores de

verdade” quase irrisória. O que me deixa muito mais chateado com isso, é

que estes poucos heróis nacionais quase sempre levam uma vida de

privações em prol da coletividade e tudo o que recebem de volta são

tapinhas nas costas e nos últimos tempos ainda tem que aceitar calados,

críticas injustas vindas de todas as partes. Não vou nem comentar aqui

sobre a vida que levam os que decidem trabalhar com o desenvolvimento

de padrões, mas posso afirmar que invejamos a vida dos desenvolvedores

de software livre no Brasil.

Não quero que este seja um artigo de lamentações, e por isso eu gostaria

de deixar algumas sugestões para que possamos de fato aproveitar esta

oportunidade que temos nas mãos e mudar de uma vez por toda a história

da TI no nosso Brasil. Muitas das sugestões vão parecer óbvias e

genéricas, mas acredite, nunca foram de fato implementadas:

• Empresas que utilizam softwares livres deveriam ter


desenvolvedores trabalhando no desenvolvimento destas soluções

ou se não puderem ter estes desenvolvedores, que exijam que as

empresas que lhes prestam serviços de suporte e treinamento em

software livre tenham desenvolvedores ativos nos projetos, e que

comprovem suas contribuições periodicamente. Esta prestação de

contas aliás deveria ser pública.

• Universidades poderiam deixar de usar exemplos genéricos e

trabalhos “inventados pelos professores” nas disciplinas de

desenvolvimento de software e ter como meta a cada semestre

otimizar um trecho de código fonte existente ou implementar uma

melhoria ou nova funcionalidade em um software livre existente.

O mesmo vale para outras disciplinas como marketing e design.

Uma simples mudança da atitude como esta daria aos envolvidos

uma experiência prática no mundo real com projetos concretos, ao

mesmo tempo que lhes permitiria alcançar os mesmos objetivos

didáticos (já imaginou onde chegaríamos com isso ?).

• Já temos diversas leis, decretos e instruções normativas no Brasil

recomendando ou determinando a utilização de Software Livre e

de Padrões Abertos em diversas esferas governamentais, mas

infelizmente os órgãos de controle e fiscalização parecem

desconhecê-las. Não consigo avaliar quem é o culpado por isso,

mas sei que nós como sociedade temos o dever de cobrá-los, e

talvez esteja aí a grande missão de todos os membros da

comunidade que não podem contribuir de forma técnica com os

projetos de software livre.

• Muita gente não tem conhecimento técnico para escrever código

fonte e contribuir com os projetos, mas lembre-se que um software

livre de sucesso não vive só de código fonte e por isso mesmo

sempre existe algo não relacionado a código fonte que precisa ser

feito. Se envolva de verdade com a comunidade de

desenvolvedores dos softwares que você usa e por favor, contribua

de forma concreta com seu desenvolvimento. Ajudar de verdade é

atender a necessidade do outro e não a sua própria necessidade. A

diferença entre o voluntariado e o voluntarismo é gigantesca, mas

muito difícil de ser compreendida.


Não acredito em contos de fadas e também não acredito que um dia uma

empresa estrangeira vai decidir do dia para a noite que o Brasil é a bola

da vez para concentrar aqui o seu desenvolvimento de software. Temos

que conquistar isso, temos que fazê-lo do nosso jeito e temos sim

potencial para reconstruir de verdade nossa indústria nacional de software

e Tecnologia da Informação. O que não podemos fazer é ficar aqui

sentados esperando o milagre acontecer, imaginando que estamos no

caminho certo. Pequenas correções de rota podem sim nos levar a algum

lugar completamente diferente e melhor do que o nosso destino atual.

Caso você ou sua empresa queira contribuir com um projeto de software

livre e não saiba como, me coloco à disposição para ajudar e orientar.

Peço que reflitam sobre o seu papel na solução do problema aqui

apresentado. Temos um elefante na sala e só não ver quem não quer.

Aguardo ansiosamente os comentários e espero que possamos abrir este

debate tão necessário nos dias de hoje.


Novo MinC – Cinco meses de gestão, cinco

meses de crise

http://www.trezentos.blog.br/?p=5959, 28 de maio de 2011

Por Carlos Henrique

Quando olhamos o panorama geral do MinC, percebemos que está

sobrando fio pra todos os lados, nada liga a coisa nenhuma. Falaram tanto

da existência de uma política voltada à atividade “criadora”, ao “autor” e,

até agora, após cinco meses não foi fundado um único pensamento que

corresponda às expectativas de exaltação deslumbrada que o MinC

anunciou, de um resíduo que seja dessa filosofia de mercado. Tudo ficou

no mundo da fábula com a tal secretaria da economia criativa que, a

princípio, seria motor único das políticas do novo MinC.

Por outro lado, como um exterminador, o Ministério da Cultura seguiu

traumatizando a vida coletiva da cultura brasileira, esmagando a SID, a

reforma da LDA, os Pontos de Cultura e o momento de convergência em

que o povo brasileiro se encontrava com a sua mais profunda identidade.

E então, não sabendo o que fazer com a nossa soberania fragmentada, o

MinC seguiu discursando. Em cada discurso, uma crise. Em cada crise

um frente de guerra explicitando a pobreza estrutural contida no cérebro

dessa gestão. Na verdade o que vimos até então é uma obra novelística

protagonizada pela ministra do alto de sua vitimização e alienação.

A insatisfação geral com o MinC de Ana de Hollanda é explícita e a

relação com a sociedade foi condenada ao esgotamento, além da imagem

da ministra vir se tornando cada vez mais “provisória”, tanto que os

Pontos de Cultura, apesar da aparente boa relação , já substituíram a ideia

de dialogar com o ministério pelo diálogo com a Presidenta Dilma, já que

o mesmo hoje caiu no descrédito.

Ana de Hollanda com sua personalidade de vocabulário extremista

transformou o Ministério da Cultura num espaço banal, limitado, com


desempenho pífio, mas, sobretudo, e o que é mais grave, buscando em

diferentes técnicas, valorizar os princípios do capital, pior, copiando a

“organização” a partir da lógica da gestão corporativa, a mesma que, ao

longo de vinte anos, concentrou o território do financiamento via Lei

Rouanet, levando-nos a uma falência conceitual sobre o papel do

financiamento público via “mecenato” restituído.

Na verdade, Ana de Hollanda representou a porta aberta para uma crise

no governo Dilma, pois deu munição para as especulações típicas da

mídia brasileira. Tudo em função da subordinação do MinC aos interesses

do Ecad e as inúmeras citações ociosas de Ana sobre as razões porque

defendia um cartel como sentenciado pelo Ministério da Justiça, além de

duas CPIs que o mesmo enfrenta a partir de agora.

Infelizmente hoje o MinC não apresenta uma única política de

emergência para, de fato, se afastar da vulnerabilidade, apenas o mundo

dos colegas, o que acabou criando uma barriga na crise que não consegue

sequer produzir reação contrária tamanho o desânimo do mundo cultural

quando se olha para o histórico do novo MinC.

Hoje não há nada que nos permita pinçar para uma análise crítica em

determinado ponto. A confusão é tanta que o MinC se transformou num

bloco de multiplicação de problemas, o que consequentemente criou uma

esquizofrenia irreversível porque as ações hoje não têm caráter de política

pública e nem de política privada.O MinC depois de cinco meses é apenas

um salve-se quem puder de palavrórios especulativos típicos da gestão

neoliberal de cultura.


Seria ele o pai da teoria do consumo?

http://www.trezentos.blog.br/?p=5974, 30 de maio de 2011

Por Ana Cláudia Bessa

“A nossa enorme economia produtiva exige que façamos do consumo

nossa forma de vida, que tornemos a compra e uso de bens emrituais, que

procuremos a nossa satisfaçãoespiritual, a satisfação do nosso ego, no

consumo. Precisamos que as coisas sejam consumidas, destruídas,

substituídas edescartadas a um ritmo cada vez maior.”

Victor Lebow, analista de vendas, em meados dos anos 50

Esta frase é muito interessante porque mostra como é o real ritmo do

sistema consumista em que vivemos. Pelo qual somos envolvidos ou que

nos deixamos envolver.

Eu tinha escrito pouco neste post mas depois eu mesma fiquei refletindo

sobre esta frase e me perguntei: será que essa é uma frase que os

publicitários aprendem na escola?

Ou que os projetistas ouvem em suas empresas?

Poque essa frase explica tanta coisa!

Explica porque o sistema nos incentiva a consumir. Hoje fui ao Banco e

vi uma propaganda de um cartão FERRARI. Quer coisa mais inutil? Mas

é “vendida” como algo EXCLUSIVO, importante, sem o qual não somos

valorizados como “merecemos”.

Merecer é a palavra do consumo. Nós MERECEMOS!

E aí compramos, compramos, compramos.

Essa frase explica porque os produtos querbram á toa e não duram nada!

Eles não foram feitos para durar, oras!

Explica também porque se criam produtos novos como os sabonetes que

tiram cheiro natural da vagina, clareadores de axila, sapato com salto para

crianças, enfim…. coisas que criam necessidades de coisas que na


verdade, nunca precisamos.

Criar necessidade. Este é um termo que em qualquer cursinho chulé de

vendas, é fácil escutar.

Eu vou colocar este Victor Lebow na boca do sapo!


Manifesto do Copyleft Público pela Livre

Expressão

http://www.trezentos.blog.br/?p=5976, 31 de maio de 2011

Por Alexandre Oliva

Esta é uma proposta pessoal, submetida em resposta à consulta pública

sobre a reforma da lei de direito autoral do Brasil.

O copyright (termo doravante utilizado como sinônimo de direito autoral

patrimonial) foi introduzido há 300 anos como adaptação de privilégios

concedidos pela realeza (royalty) para fins de censura, e desde então vem

privilegiando cartéis editoriais em detrimento da sociedade em geral e da

classe artística profissional. Apesar de seu frequente uso como barreira à

livre difusão de ideias, tem sido consolidado em tratados internacionais

de adesão voluntária e, nas últimas décadas, imposições por meio de

ameaças de sanções comerciais. Proponho uma alternativa que, sem ferir

as exigências assim impostas, restaura plenamente a livre expressão,

beneficiando ainda de outras formas tanto a sociedade em geral quanto a

classe artística.

É frequente o argumento de que a concessão de um poder exclusivo para

copiar, distribuir, publicar e modificar obras é necessária para propiciar a

artistas um meio de sustento através de seu trabalho artístico. Tal

argumento não resiste à observação da prática, em que artistas transferem

esse poder a intermediários e recebem uma fração ínfima dos rendimentos

auferidos através dele, nem à lógica: antes da publicação de uma obra,

seus artistas dispõem de acesso exclusivo e pleno controle de sua única

cópia, e podem cobrar quanto desejarem de todos que a queiram,

inclusive por meio de leilões públicos e compras coletivas. Uma vez que

hajam recebido o valor que estipularam para a venda, faz-se

desnecessário conceder-lhes o poder de impor restrições posteriores.

http://fsfla.org/blogs/lxo/pub/toque-de-midas.pt.html

Vale notar que reconhecimento de autoria e atribuição correta são uma


simples questão de respeito à verdade. Porém, como são frequentemente

alcançados através de restrições impostas através de copyright, pode ser

difícil imaginar como resolvê-las através de outros recursos jurídicos que

tenham a ver com a verdade e a defesa da reputação e da honra, tais como

direitos morais, direitos de imagem e reparação por danos morais e por

falsidade ideológica.

Uma caracterização mais adequada do privilégio restritivo denominado

copyright é um incentivo à produção e publicação de novas obras, para

que, após um (já não mais tão) curto período de privação (já não mais)

voluntária da sociedade em geral dos direitos naturais de copiar,

compartilhar e modificar, as obras se tornem contribuições para o

domínio público, de modo que todos possam se beneficiar da

reinstauração dos direitos naturais. Numa sociedade democrática, em que

o poder emana do povo, pelo povo e para o povo, o incentivo deve ser um

balanço entre os interesses do povo de manter seus direitos naturais sobre

obras pré-existentes e de obter, mediante sacrifício temporário, novas

obras sobre as quais esses direitos possam ser exercidos.

http://torrentfreak.com/why-the-copyright-industry-isnt-a-legitimatestakeholder-in-copyright-110430/

O incentivo tem um custo para a sociedade, então, para que esse sacrifício

faça sentido, é importante que dele resulte o benefício almejado. Ao longo

de quase 3 séculos, acreditou-se que um incentivo monetário ou similar

para artistas resultaria mais e melhores obras. Estudos científicos recentes

a respeito de fatores motivacionais e produtividade econômica, porém,

têm revelado algo surpreendente: embora tais incentivos possam levar a

melhorias de produtividade para atividades mecânicas típicas de eras

passadas, eles se mostram prejudiciais a atividades criativas! Ou seja, o

sacrifício é não só desnecessário, é ativamente daninho

http://www.ted.com/talks/dan_pink_on_motivation.html

A quantidade e a qualidade das obras é adicionalmente reduzida pois

artistas são desmotivados pelas restrições à difusão das mensagens que

pretendem levar ao público, à adaptação e reuso de obras pré-existentes e

até pelas fórmulas de sucesso que artistas repetem, todas frequentemente

impostas pelos intermediários que os exploram economicamente.

http://paulocoelhoblog.com/2011/04/28/who-deleted-the-song-in-myprofile/


Somando-se ainda o custo imposto em última instância à sociedade pelos

intermediários, as sociedades arrecadadoras, seus advogados, seus

lobistas, suas medidas técnicas de vigilantismo e restrição e o crescente

desvio de função dos serviços de telecomunicação e do poder repressivo

do estado para policiamento de uma questão da esfera cível, o resultado

para a sociedade é um custo que beira o intolerável e que lhe compra, ao

invés de benefício, um malefício.

Diante da conclusão lógica de que é necessário rever esse modelo

prejudicial à única parte legítima na discussão a respeito da concessão

desse privilégio, apresentam-se dificuldades, como a imposição

internacional de copyright através da ameaça de sanções comerciais. A

própria imposição já denuncia o caráter maléfico dessas medidas: fossem

benéficas, seriam de adesão voluntária.

Outras dificuldades podem derivar de uma interpretação limitada e

contraditória de preceitos da declaração universal dos direitos humanos e

das leis de diversos países democráticos. Enquanto defendem as

liberdades de expressão e de comunicação e difusão de ideias, parecem se

contradizer afirmando o direito exclusivo de autores sobre suas obras e

interesses morais e materiais que delas resultem. Pretendo mostrar que a

contradição é apenas aparente, e há pelo menos uma forma de contemplar,

a um só tempo, as liberdades e a exclusividade, sem contrariar as normas

impostas internacionalmente.

http://www.ohchr.org/EN/UDHR/Pages/Language.aspx?LangID=por

http://www.wipo.int/treaties/es/ip/berne

http://www.wto.org/spanish/docs_s/legal_s/legal_s.htm#TRIPs

Como já discutido, artistas podem garantir, independentemente de

copyright, que ninguém mais tenha acesso ou lucro a partir de sua obra

sem sua permissão, simplesmente abstendo-se de distribuí-la. Isso é

suficiente para satisfazer os direitos humanos e as exigências

internacionais para leis de copyright, mas copyright vai bem além disso,

dando poder aos autores para impedir a livre comunicação e disseminação

de ideias como as expressaram, através do poder do copyright para proibir

distribuição, e de impedir a livre expressão baseada em sua expressão,

através dos poderes do copyright para proibir modificação e distribuição.

Os poderes exclusivos do copyright são um tipo de regra restritiva à

publicação de obras, pelos quais a sociedade indiretamente proíbe


expressão, comunicação e disseminação de ideias, quando aqueles que

recebam esses poderes o usem para esses fins. Apesar de normas

internacionais exigirem que esses poderes sejam concedidos a autores,

nada impede que a sociedade estabeleça outras restrições.

É exatamente essa possibilidade que permitiria à sociedade introduzir um

sistema mais justo: quando autores insistissem em censurar expressões

baseadas nas suas e comunicação e disseminação de ideias como por eles

expressas, a sociedade lhes poderia negar permissão para distribuir suas

expressões, mais ou menos como desenvolvedores de Software Livre

frequentemente usam licenças copyleft para assegurar que suas obras e

versões delas derivadas permaneçam Livres para todos os usuários.

http://www.gnu.org/copyleft/copyleft.pt-br.html

http://fsfla.org/blogs/lxo/pub/copyleft.pt.html

Assim como o copyleft faz ao Software Livre, esta abordagem encorajaria

a renúncia a esses poderes restritivos, para que ninguém jamais seja

impedido de melhorar ou compartilhar expressões de ideias em seu poder.

Mas a sociedade pode fazer melhor que censurar reciprocamente,

determinando em vez disso que a distribuição conceda uma licença

implícita, cancelando os poderes de censura do copyright, algo que o

copyleft, baseado no copyright atual, não pode fazer.

Como toda obra é, em última instância, baseada no rossio cultural

compartilhado por toda a sociedade, o domínio público, esta proposta

pode ser entendida como um copyleft público, ou copyleft sobre o

domínio público: a sociedade exige, como condição para distribuição de

uma obra derivada do domínio público, que ela seja distribuída de

maneira compatível com as liberdades de expressão, de comunicação e

disseminação de ideias.

Sob copyleft público, qualquer obra publicada por seu autor, ou com sua

autorização, passa a ser livre expressão. Artistas que prefiram que suas

obras não se tornem livre expressão podem preservar sua exclusividade,

mantendo-as sob seu estrito controle, colhendo assim todos os frutos

disso resultantes, ou a ausência deles.

Proponho, portanto, a inclusão dos seguintes termos nas leis de copyright

ou direito autoral:

Considerando que cabe ao titular de uma obra o direito exclusivo de


distribuir (incluindo publicar e transmitir) suas obras, bem como de

copiá-las, modificá-las e conceder licenças para todas essas atividades;

Considerando que uma obra cuja modificação e distribuição seja restrita

fere as liberdades de expressão e comunicação, respectivamente;

Considerando que obras são frequentemente distribuídas sob restrições

jurídicas e técnicas, ou em formas diferentes das “originais” usadas para

prepará-las, que seriam mais adequadas para melhorá-las;

• A distribuição de obra pelo titular ou com sua autorização

implicitamente confere tal licença ao público em geral, em caráter

perpétuo e irrevogável.

• O distribuidor de uma obra fica proibido de negar a outros os

meios e permissões necessários para o gozo dessas liberdades.

• Distribuidores de uma obra têm o dever de fornecer, juntamente

com a obra ou quando solicitado por quem a tenha recebido,

informação e formas alternativas “originais” da obra, conforme

necessário para tornar as liberdades aproveitáveis na prática.

Copyright 2011 Alexandre Oliva

Esta obra está licenciada sob a Licença Creative Commons CC BY-SA

(Attribution ShareAlike, ou Atribuição e Compartilhamento pela mesma

licença) 3.0 Unported. Para ver uma cópia dessa licença, visite

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Creative Commons, 444 Castro Street, Suite 900, Mountain View,

California, 94041, USA.

Cópia literal, distribuição e publicação da íntegra deste artigo são também

permitidas em qualquer meio, em todo o mundo, desde que sejam

preservadas a nota de copyright, a URL oficial do documento e esta nota

de permissão.

http://www.fsfla.org/svnwiki/blogs/lxo/pub/manifesto-livre-express


O Discurso da Rainha do ECAD, Ana II

http://www.trezentos.blog.br/?p=5981, 1 de junho de 2011

Por Carlos Henrique

“A autonomia se impõe quando o criador consegue viver de sua própria

criação. E o fundamento objetivo dessa autonomia que se conquista está,

evidentemente, no direito autoral. Na afirmação social do trabalhador

criativo, quando se estabelece o direito de propriedade sobre o que ele

faz, sobre o que lhe é próprio. Segundo os estudiosos do assunto, esta

conquista está relacionada com a invenção da imprensa. Foi no processo

da expansão do comércio de livros que surgiu a necessidade de se criar

um sistema de proteção da obra e de seu autor. E o marco, nesse caminho,

está no “Estatuto” da rainha Ana, de 1710, primeira lei que realmente

assegurou e garantiu os direitos autorais.” (Rainha do Ecad Ana II, 31 de

maio de 2011)..

Filosofia de mercado e história de impérios. Não, não é nenhum livro de

autoajuda desses que são best sellers nas editoras, esta é a receita dada

ontem pela nossa guru maior da cultura, numa lição de como servir ao

poder da indústria e ainda nos sentirmos gratos por tamanha

subserviência. Nesta oportunidade não vai nenhuma crítica ao elevado

senso de responsabilidade com a cultura do Brasil demonstrado pela

Ministra Ana de Hollanda.

Ana abre o seminário mapeando a história do direito autoral. Sensível

como só, ela faz um turismo no século XVIII e reboca para a história

atual, a primeira rainha do Ecad, a Rainha Ana, e, carnavalescamente

desfila para o público sua relação com a tradição imperial. Não é chique

ter um símbolo nacional da nossa cultura dando conselhos de soberania

do autor e falando em nome da corte do século XVIII, mesmo debaixo do

coturno do Ecad?

Se nas frases históricas da Ministra não há qualquer realidade social, a

otimista mandatária da nossa cultura trabalhou dentro de um tempo livre

para possibilitar que todos reconheçam o direito de transgressão do cartel


do Ecad e, assim nos provar que essa é a grande virtude do direito autoral

no Brasil.

O que podemos fazer diante de uma ética que tem genéticas entre Ana’s

como propôs a determinada Ministra? Ana de Hollanda exige e ensina

com convicção como a história possibilita um mundo de benefícios a

forasteiros explícitos como o bando do Ecad. Falar e falar em prol do

Ecad, esta é concretamente a política que a Ministra Ana de Hollanda

respeita. Repetir e repetir palavras ao vento em nome de um mal ensaiado

discurso que combina a filosofia disponível no buteco da esquina com as

leituras feitas em pousadas e hotéis-fazenda que exploram a “história” os

ciclos econômicos comandados pelo império.

Sinceramente, poucas vezes na minha vida vi um discurso tão professoral

quanto o de Ana de Hollanda. E digo mais, na prática docente esse

discurso é um saber indispensável sobre a pura fala de como resistir às

experiências da sociedade e acomodar um ministério apenas ao caminho

ditado pelos grandes grupos econômicos. Ana II do Ecad fez um discurso

cheio de fatalidades e, sem o menor constrangimento ou vergonha, impôs

condição ao que chama de competência do autor, desnudando-se assim de

qualquer sentido ético que o cargo de Ministra da Cultura lhe exige.

O pseudo nacionalismo da Ministra com tanta generosidade com as

multinacionais dos EUA lhe dá o direito de concorrer à vaga de Ministra

da generosidade americanista. Se alguns ainda tinham dúvidas de que a

Ministra discursa para um pequeno grupo de bem-aventurados lobistas,

ficou claro ontem que a cultura do Brasil feita pelo cidadão nos lugares

mais distantes deste país é hoje no MinC uma cultura anti-cidadã e, como

tal, merece um tratamento desigual. A Ministra quer mesmo saber da

federação do dinheiro, do comércio, do lucro, do neoliberalismo e do

modelo hegemônico planejado pelas transnacionais e seus

corporatocratas.

Não sei o que vem por aí no espaço da cultura do Brasil. Ana sonha com

um desenvolvimento hegemônico e com o florescimento de certo número

de medalhões de mercado e de relações sociais restritas. Ela quer que a

nossa moeda cultural seja dependente do mercado globalizado e que nesta

relação nós brasileiros e nossa cultura façamos parte do mundo pobre

para fortalecer as dinastias da infraestrutura de captação das grandes

multinacionais americanas, sobretudo.


Se ela funda relações assimétricas, se seu modo é agressivo contra a

cultura livre deste país, ela agora se escora numa espécie de obediência a

uma ALCA multidisciplinar e atemporal. É um momento trágico para a

cultura brasileira, não há outra definição. Ana de Hollanda quer esvaziar o

ministério da participação social e redefinir como função característica do

novo MinC um braço institucional a serviço do apetite das empresas

transnacionais. Na verdade, Ana sonha para os autores brasileiros com a

pobreza incluída. Este é o conselho que ela dá ao criador para que ele se

torne verdadeiramente útil.


Antonio Grassi – O Rei dos Reis

http://www.trezentos.blog.br/?p=5986, 3 de junho de 2011

Por Carlos Henrique

Texto censurado por Leonardo Brant – Cultura e Mercado em troca de

benefícios diretos do MinC de Ana e Grassi. É este o jogo que está sendo

jogado entre o MinC e o C&M. ( Carlos Henrique Machado Freitas).

“É uma ação que permeará de forma absolutamente transversal às várias

áreas de governo e com a sua experiência, com o trânsito que adquiriu,

Antonio Grassi agrega algo de novo que se somará ao esforço daqueles

que já estão ao nosso lado”. (Aécio Neves na posse de Antonio Grassi em

seu governo)

O PRINCÍPIO ATIVO DA DESORDEM NO NOVO MINC

É difícil descrever certas pessoas sob o ponto de vista político. Algumas

guardam uma aura particular em determinada forma, porém a linguagem

individual quase como um idioma que singulariza o triunfo de Antonio

Grassi nos exige enxergar o xadrez político dentro da cultura com uma

abrangência mais complexa.

Na semana passada, saiu da toca com velocidade e expansão

impressionantes a memória de que Antonio Grassi, logo após ser

exonerado da Funarte no governo Lula, transformou-se em um dos

homens de confiança de Aécio Neves no governo de Minas durante

quatro anos. Alguma novidade? Não, mas está claro que ele é “o capitão

da batata quente” e que Ana de Hollanda é só um instrumento. Este fato

tornou-se explosivo justamente porque o coração do ministério de Ana de

Hollanda é simplesmente o próprio Grassi.

E se eles, Ana e Grassi, nesse curto tempo nos apresentaram em sua sexta

de flores um arsenal de guerra com uma incrível capacidade destrutiva

trazendo uma ideia organizada de punir as políticas sociais e os avanços

da cultura digital que marcaram o Ministério da Cultura na era Lula. Os

desmandos dos dois com a revelação de uma preciosa biografia recente de


Grassi como parte dos planos estratégicos de Aécio Neves fizeram o

twitter zunir com a mensagem: “O verdadeiro Ministro da Cultura

Antonio Grassi é tucano. Trabalhou com Aécio Neves PSDB por 4 anos

em MG”

Logicamente esta notícia se transformou numa erupção de manifestos

críticos a um tipo de posicionamento político que, da noite para o dia,

conforme a combinação de seus interesses particulares, veste a camisa

que mais lhe convier.

Talvez o que tenha trazido maior insatisfação para essa espécie de traição

partidária de Grassi, seja o fator econômico da cultura e o teor pioneiro de

condenação à cultura digital, centro nervoso das aspirações do PSDB

mineiro, em função do AI-5 Digital de Azeredo.

É inegável o movimento, a campanha pedindo a imediata exoneração de

Ana de Hollanda e Antonio Grassi, não só pela montanha de problemas

que os dois criaram num curto espaço de tempo na nova paisagem do

MinC, mas porque os dois se transformaram em símbolo de um Brasil

provinciano, neocolonial, aonde a hegemonia singularizada pelas forças

globais cria formas particulares dentro do espaço cultural de cada nação

para fundar e construir uma federação de anti-homens e anti-cidadãos,

tornando a cultura de todo um país e suas múltiplas manifestações

subordinadas à verdade de um mundo em que, na realidade, o cidadão

participa não com sua cidadania integral, mas apenas alcança nessa escala

uma cidadania sub-nacional.

A NOVA ORDEM ESTABELECIDA E SUAS VARIÁVEIS

Esse modelo hegemônico que Antonio Grassi e Ana de Hollanda impõem

ao PT e à cultura brasileira foi planejado dentro do PSDB, aonde Grassi

foi um macroagente de uma política descrita pela perversa globalização

cultural, sem dar condição de defesa a nenhum sistema alternativo. Sim,

porque na verdade o que os dois intencionam, com esse festival de

disparidades, é neutralizar o futuro da livre informação no Brasil. Mas a

coisa não para por aí, o palavrório de uma nova metanarrativa, sobre a

“secretaria da economia criativa” nem no plano teórico, o MinC de Grassi

e Ana aponta uma direção. Tudo não passa de uma elaboração abstrata

para deixar a população aglomerada em uma categoria classificada por

eles de “baixa-cultura”, enquanto a história concreta que serve aos


grandes interesses hegemônicos ganha status de políticas de Estado.

Infelizmente, o quadro político dentro do MinC só nos permite hoje

analisar uma possibilidade. A de uma verdadeira revanche ou vingança de

quem foi sacado do governo do PT e correu para o ninho do tucanato

mineiro, comprou e edificou as políticas entreguistas da era FHC e sua

privataria.

Se a ideologia de Grassi é datada e tem prazo de validade, a minha e a de

milhares de militantes não tem. Se Grassi serve ao reino do dinheiro das

multinacionais, ele tem que saber que os militantes que ajudaram a

escrever a histórica vitória de Dilma sobre Serra não servem ao mesmo

reino.

Muito mais que uma disputa partidária o que decidimos na última eleição

foram as duas formas antagônicas de projeto de país. Venceu o projeto de

Dilma Roussef que tinha o compromisso com a continuidade do governo

Lula e com os princípios sociais que marcaram a histórica gestão de Gil e

Juca na cultura, sobretudo no que refere à valorização da identidade e

diversidade referendadas pelos Pontos de Cultura e pela Cultura Digital,

que singularizam o novo movimento da sociedade brasileira.

Perdeu o projeto de Serra que prometia nos remeter à era FHC, ou seja, a

era do Estado servil ao mercado global.

Grassi segue as ordens estabelecidas pelo PSDB, e não os princípios

históricos do PT. As bases sociais que deram sustentação política a Lula,

hoje no MinC estão sendo barbaramente destruídas por uma lógica que, se

não tem finalidade política de fortalecer a candidatura de Aécio e o

PSDB, tem em puxar o tapete da Presidenta Dilma e do PT.

Antonio Grassi em suas entrevistas tem se colocado no ponto máximo da

ribalta como o Rei dos Reis quando diz que está acima das críticas e que

não está a serviço de um sistema ideológico. O que importa para ele é

legitimar e sacralizar o mercado americano através da globalização

cultural. Essa é a ciência econômica de Grassi para a cultura brasileira,

assim como manda a cartilha histórica do neoliberalismo da era FHC.

Discurso de posse de Antonio Grassi no governo de Aécio Neves

“Minas já mostra ao nosso país um outro olhar para as relações políticas e

da gestão pública no nosso Brasil. Seguramente, Minas mais uma vez se


coloca na vanguarda da política nacional. O meu trabalho, a partir de

hoje, tem como eixo os direitos dos cidadãos alinhavando ações com

outros estados da Federação e isso eu posso afirmar que parte deste

trabalho já nasce facilitado pelo reconhecimento nacional à excelência da

gestão do Governo de Minas”.

Sobre os Direitos Autorais

“Um dos projetos que será coordenado por Grassi é a criação de um

fórum de discussão sobre direito autoral e lei de patente. O governador

Aécio Neves destacou que o surgimento de novas mídias tem ampliado a

necessidade de um debate mais aprofundado sobre o assunto. “Um dos

desafios seria a criação do fórum de discussão sobre a questão do direito

autoral e da lei de patente”. Podemos aqui de Minas construir algo que

reflita-se pelo país, mas denso, coordenado, com uma discussão profunda

que enfrente essa questão, sobretudo agora com o surgimento dessas

novas mídias, da internet, enfim, inovações que determinam, quase que

nos obrigam a renovar e ampliar esse debate que já se estende” (Agência

de Minas).

UM ESTRANHO NO NINHO DE QUEM?

Dizer que Grassi reproduz dentro do PT a política cultural tucana, porque

há pouco era um dos assessores de Aécio Neves, é grave, muito grave,

mas não é tudo.

A gestão atual do MinC atira para matar e só depois pergunta quem é. Fez

isso com a SID (Secretaria de Identidade e Diversidade Cultural), com o

CC (Creative Commons), com a consulta pública de 6 anos sobre as

reformas da LDA (Lei do Direito Autoral), fora a destruição interna de

toda infraestrutura do próprio MinC no que resulta num bate-cabeças

cotidiano que está hoje generalizado dentro do MinC.

Os pontos de cultura que já se transformaram num organismo vivo feito

por milhões de brasileiros estão sendo destruídos por um ruído quase

silencioso. Há uma tentativa de construir uma consciência lógica cheia de

veneno para secar fio a fio todas as ligações polifônicas que caracterizam

os Pontos de Cultura.

O MinC de Ana de Hollanda e Antonio Grassi é uma sucessão de

barbaridades e não se preocupa mais em criar biombos que disfarcem as

suas aberrações. Se o horizonte do MinC é cada vez mais generoso com o


Ecad e com os empresários das multinacionais, por outro lado a sede de

vingança de Grassi e Ana contra as políticas de Gil e Juca e,

consequentemente do governo Lula, escancara o mais duro golpe que o

neoliberalismo tucano poderia brindar um ministério do PT.

É só pegar cada uma das ações que foram rapidamente destruídas por Ana

e Grassi que chegaremos ao âmago político dessa questão. A privatização

da cultura entregue nas mãos das multinacionais, a lógica do super lucro,

o monopólio, o dumping, a censura, o AI-5 Digital, são ações que

denunciam nesse universo a traição que hoje representa o Ministério da

Cultura.

A última ação-decreto de fazer a consulta pública da reforma da LDA

através de email é um inacreditável deboche à democracia brasileira. –

[após as críticas, recuaram e mudaram para este formulário, com dados

fechados] – O que mais falta para nos assombrar? Ana de Hollanda, em

suas declarações hipócritas nos grandes jornais dá um espetáculo de

dissimulação, tudo para manter sua posição servil à cultura neoliberal

seguindo a cartilha tucana que Grassi trouxe debaixo do braço de sua

adesão recente a Aécio Neves. A verdade é que nesta última semana o

MinC virou um pega-pra-capar sem a preocupação com o fato de suas

crises serem expostas em praça pública.

Ana e Grassi correm desesperadamente contra algum relógio para salvar o

Ecad e não se importam com os vazamentos de vexames como, por

exemplo, o apoio institucional do MinC a um evento do Ecad, ficando

nítido que ela é sim a ministra dos tubarões do Ecad, como não? Se nem

ela faz questão de esconder. A última denúncia desse saco de gatos

chamado Ecad para o qual Ana e Grassi estão a serviço, saiu no Globo

desta segunda, 25 de abril.

O GLOBO – Ecad repassou quase R$ 130 mil para falsário

Fica a pergunta à ministra sobre sua declaração no mesmo Globo, a crise

no MinC foi fabricada? Foi sim Ministra, foi fabricada em Minas e mais

precisamente pelo PSDB de Aécio Neves.


A Plenitude Hegemônica da Lei Rouanet

http://www.trezentos.blog.br/?p=6004, 6 de junho de 2011

Por Carlos Henrique

A Lei Rouanet volta à ribalta no debate do MinC. E nós, enquanto

sociedade, discutimos se ela é ou não um corpo produtivo ou se tem

dinâmica determinante para continuar sendo a mandatária das políticas

públicas de Estado para o setor da cultura. Não! A única coisa que

podemos afirmar nesse modelo Estado/empresa é que sua força centrífuga

criou um sistema que determina como os macro-agentes do setor privado

construirão suas novas relações com a sociedade, cada vez mais de cima

para baixo.

A Lei Rouanet criou um mundo pobre, dependente e de práticas limitadas,

sobretudo nas relações assimétricas com o restante do mundo cultural. A

longa e penosa caminhada de vinte anos desta lei expõe claramente que a

infraestrutura baseada numa espécie de preparação para a unificação

financeira, via modelo de renúncia fiscal, fez da própria lei a principal

mercadoria de um comércio regional, concentrador que pode sim ser

considerado um novo episódio de guerra destinado a fortalecer as classes

dominantes através da cultura corporativa.

O que há de singular nessa geografia cultural erguida pela Lei Rouanet

são os novos e onerosos espaços que formam hoje um elenco com

condições não só de realizar a pior das verticalidades, como também, em

nome da “grande força motora” da economia cultural, potencializar

apenas o indiscutível modelo que concentra um conjunto de produções

burocráticas. Produções estas cujas características implicam num

congelamento das verbas e transformam a cultura institucional brasileira

num espaço banal de extensão continuada.

O dito equipamento modernizado com pontos escolhidos pelas

respectivas empresas criou um paralelo, uma personalidade da cultura

capitalista limitada aos fatores dos próprios institutos e fundações

empresariais, o que mostra o limite do discurso da cultura neoliberal,


sobretudo quando falamos de um universo onde o Estado precisa

fortalecer os movimentos populares, principalmente os protagonizados

pelas camadas mais pobres da população.

Durante os quatro anos em que venho fazendo críticas à Lei Rouanet,

algumas pessoas até bem intencionadas, quando eu pedia a extinção da

lei, me perguntavam, o que eu colocaria no lugar. E minha resposta era:

que lugar é esse? A Lei Rouanet criou um reino de artifícios, um presente

para empresas “patrocinadoras” que nada têm a ver com o fator produção

cultural. O que quero dizer é que não há virtudes no papel da lei diante da

vida nacional. Não há um espaço de vivência, não há horizontalidade. O

que há é apenas uma interdependência dos próprios agentes corporativos

com as empresas. Daí em diante toda uma pedagogia necessária de

truques, mitos e fatalidades são criados pela ideologia embutida no

discurso neoliberal de cultura.

Acontece que a Lei Rouanet deu início a uma espécie de fardão aos

“novos donos do mundo da cultura”, por isso assistimos ao triunfalismo

dos gestores corporativos que, a qualquer custo, se auto-proclamam

senhores da terra, os únicos capazes de disciplinar a sociedade para o

consumo do produto cultural. Isso naturalmente deixa o Estado brasileiro

de joelhos, pois não há qualquer possibilidade de ampliação dos recursos

que, sob o ponto de vista público, deveria ser utilizado em prol de uma

luta legítima e ética que são as ações como o Programa Cultura Viva, pois

os Pontos de Cultura que já apresentam um histórico absolutamente

materializado trouxeram uma outra compreensão histórica de resistência

orgânica contra o pensamento único da cultura globalizada.

A grande questão é que o diagnóstico da política cultural brasileira nunca

foi progressista, pois tanto o Estado quanto o mercado sempre foram

eminentemente autoritários. A partir do governo Lula é que o Brasil teve

uma política pública de cultura, uma nova consciência das nossas

realidades. Sem dúvida, os pontos de cultura e a cultura digital trouxeram

ao espaço físico e cultural não mais uma política opressora, mas uma

política do oprimido. Não mais uma política de resignação que destrói o

ser em seu cosmos natural, mas uma resistência que vem discutindo todo

o complexo de um mundo que estava apenas na subjetividade e que

ganhou corpo e musculatura para ser o novo motor das ações conjuntas

entre Estado e sociedade.


Por isso é lamentável e até curioso que uma Ministra de Estado defenda

um aporte de R$1,300 mil a um artista consagrado para a construção de

um blog, como se o Estado tivesse que seguir a tabela do mercado. É esta

confusão que, se não é ingênua é perversa, que resiste nos novos

conteúdos do espaço público. Se a proporção fosse associada pura e

simplesmente a uma ordem de origem e destino, ou seja, se somássemos

todos os recursos públicos destinados à cultura e os dividíssemos de

forma republicana e, consequentemente horizontal, constataríamos que

seriam suficientes para a concretização de todos os nossos sonhos de

democracia cultural.


Feudalismo Acadêmico

http://www.trezentos.blog.br/?p=6045, 17 de junho de 2011

Por Ézyo Lamarca

Não existe mais monarquia no Brasil, mas o títulos de nobreza foram

substituídos por títulos acadêmicos!

As alcunhas “doutor” ou “mestre” são os correspondentes

contemporâneos aos anacrônicos “barão”, “duque” ou “conde”.

Mais o sistema feudal se mantêm!

E quem são os servos?!

Alunos, mais particularmente os “bolsistas”! Afinal, são eles que

“trabalham” nas “terras” dos novos senhores feudais.

Esta não é uma crítica leviana à titulação, mas sim uma admoestação ao

sistema presente na academia do país.

Para aumentar seus não tão baixos salários, “mestres” e, principalmente,

“doutores” são obrigados a atender cotas anuais de publicação de artigos.

E todos sabem quem realmente os escreve na grande maioria dos casos…

E tem mais! Sabe aquela atitude “coloca meu nome no trabalho” que

ocorre no ensino fundamental? Pois é…! Também ocorre na academia!

Nossos doutos “pesquisadores” estão muito bem posicionados no cenário

mundial em termos de publicação, mas se olharmos os dados sobre

patentes, países como China e Coréia do Sul, que nos anos de 1980

tinham os mesmos índices de aprovação de patentes que o Brasil, hoje

deixam nosso país a ver navios! Calma, calma! Não vamos discutir

patentes aqui, ok?!

Um pesquisador português que tive oportunidade de ouvir num evento de

ciência e tecnologia no final do ano passado afirmou que os acadêmicos

são muitos bons numa coisa: gastar dinheiro! Por outro lado, ele

complementou: “são péssimos em gerar riqueza!”. Essa é a visão da UE.


Em países “desenvolvidos”, a pesquisa científica está concentrada na

indústria, não na academia. Talvez por isso eles sejam “desenvolvidos”…

Precisamos repensar urgentemente nosso sistema acadêmico de uma

forma honesta e serena e deixar a fogueira de vaidades para trás, lá pelo

Século XIX!


Cadastro positivo é realidade no Brasil

http://www.trezentos.blog.br/?p=6054, 18 de junho de 2011

Por Rodrigo Veleda

Com atraso, trago a notícia da aprovação do cadastro positivo no Brasil.

No dia 9 de junho de 2011, a sra. Roussef sancionou a Lei 12.414/2011,

que autoriza o funcionamento de cadastros positivos no Brasil. Ao

contrário de cadastros negativos, que anotam apenas os não-pagamentos,

servindo com uma certa forma de punição ao inadimplente, os cadastros

positivos registram toda a movimentação financeira relevante à história

creditícia da pessoa. Roussef vetou três artigos da lei: um que criava uma

autorização vale-tudo, outro que impedia o cancelamento de dados

enquanto houvesse algum tipo de relação comercial e outro que limitava o

acesso gratuito aos dados a no máximo uma vez por trimestre.

Agora, será que o medonho Mosaic Brasil será enquadrado na dita lei?

Para quem não conhece o sistema, ele classifica as pessoas no Brasil entre

“[e]mpresários de grande sucesso das grandes cidades” até “[r]ibeirinhos

da Amazônia”, que, presumivelmente, deve ser a categoria menos

interessante. E como eles fazem isso. Bem, deixemos eles responder:

6 – Que tipos de dados o Mosaic reúne? De que forma foi construído?

Para o desenvolvimento do Mosaic, foi utilizada a maior base de dados

da América Latina sobre consumidores: o banco de dados da Serasa

Experian; são mais de 400 variáveis em sua composição, que englobam

desde informações de marketing e de consumo, perfil de comportamento

de crédito, Censo, Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (PNAD) até

pesquisas de mercado e avaliação do comportamento do consumidor.

Com todas essas informações disponíveis e a tecnologia de segmentação

da Experian, formada por sofisticados modelos estatísticos e matemáticos,

a base toda foi processada, e os indivíduos, classificados em 10 grupos e

39 segmentos. A etapa de interpretação e descrição dos segmentos contou,

ainda, com um profundo processo de estudo e análises conduzidas por

professores doutores da Universidade de São Paulo (USP).


Ora, mas os dados do censo anônimos e coisas do gênero? É importante

lembrar que nos Estados Unidos, 87% das pessoas são re-identificáveis

com os dados “anônimos” do censo. E qual a origem das “informações de

marketing e consumo”? E mais importante, as pessoas dão autorização

para serem classificadas como “[m]aturidade difícil”? Quem acessa esses

dados? Que tipo de controle há sobre todo o processo? Evidentemente

que estas questões não foram respondidas e a Serasa Experian, que,

curiosamente, não disponibiliza nenhum meio de contato no seu site.

Publicado no Não Sou Um Número.


O PT, O Novo MinC e o Sequestro do Pensamento

Nacional

http://www.trezentos.blog.br/?p=6059, 22 de junho de 2011

Por Carlos Henrique

É difícil sonhar com a possibilidade de um futuro promissor para a cultura

brasileira neste momento em que o MinC tem como concepção de

políticas públicas de cultura a busca pelo mercado globalizado.

Tudo indica que o pensamento, as reflexões críticas, o desenvolvimento

intelectual e todo um acervo simbólico, estão condenados a viver numa

terra regida pela bússola de uma indústria de manufaturados comuns que

hoje engordam as estatísticas mágicas da teia especulativa que a

Secretaria da Economia Criativa nos brinda com sua fábula de

internacionalismo cultural.

As perspectivas teóricas desse monumento – SEC, não considera a

própria dinâmica do ambiente cultural espontâneo no Brasil. Ao que

parece, além do golpe tributário (Lei Rouanet), a cultura oficial do Brasil

se divorciará de toda e qualquer forma de pensamento nutrida no seio da

sociedade, e, mergulharemos no fundamentalismo do mercado a partir de

técnicas implantadas no território nacional na busca por um sistema que

compartimentação do espaço.

O Brasil que é reconhecido no mundo pela sua diversidade, com a nova

carta de intenções do MinC, deve abandonar a sua potencialidade

multidisciplinar e mergulhar no reino do artifício sustentável via indústria

cultural patrocinada integralmente pelos aportes públicos.

QUEM GANHA E QUEM PERDE COM O RETROCESSO DO MINC

Lógico que quem sairá perdendo é a sociedade brasileira como um todo,

mas, sobretudo os mais jovens. Há hoje um consenso dentro do MinC de

que a busca pela integração no sistema de globalização cultural é a grande

tacada de mestre e, portanto, as políticas do MinC estarão de costas para

as realidades brasileiras, e subjugadas a uma nova ordem cultual


mundializada pelo mercado.

O que, na prática, o Ministério da Cultura está propondo é que

entreguemos todo um cabedal de conhecimento construído durante cinco

séculos de interfecundações e novas amálgamas espontâneas a um

sistema de comercio global de bens culturais, não em beneficio do

cidadão brasileiro, mas a serviço da nova indústria criativa integrada pelo

sistema neoliberal.

Lapidado, esse sistema limitará o número de pessoas, instituições e até

empresas ligadas ao setor de negócios da cultura, como já acontece, ou

seja, seguirá a própria lógica da globalização financeira. Mas, no Brasil

isso se torna ainda mais perverso, pois contará com a o financiamento

público, via Lei Rouanet. Um círculo acelerado de decadência econômica

e intelectual, já que a lei em seus 20 anos de existência nos mostrou que

tanto as contrapartidas econômicas quanto intelectuais, se comparadas

com os investimentos públicos, são deficitárias e acumulam enormes

prejuízos que são jogados diariamente na contas da sociedade.

Todo esse raciocínio é anti-histórico. Se olharmos, por exemplo, para a

Semana de Arte Moderna de 22, esta senda do mercado como mola

propulsora da arte nem foi cogitada e, no entanto o nível de

desenvolvimento de nossa cultural ganhou uma análise que possibilitou

um extraordinário desenvolvimento que chega a quase um século.

O Brasil tem na sua cultura o principal combinado de soberania, portanto,

abandonar um projeto nacional em busca do eldorado comercial de

comando internacional é renunciar ao nosso próprio histórico.

AS POLITICAS DO MINC – O PREÇO POLITICO QUE O PT

PAGARÁ

Nossas formas internas de integração sempre tiveram a cultura como a

grande avalista. A globalização cultural que o MinC está importando da

Europa, é um absurdo, em se tratando de um Ministério sob a

responsabilidade do PT e dentro de um governo também do PT. Pois

estamos em fase de transição nesta gestão no sentido de negarmos a

cultura como cidadania integral e, com isso, nos rendendo à ira do

mercado onde o conceito de protagonista crítico é rebaixado, quando

muito, a um status de dócil consumidor de bens culturais. Neste caso, o

MinC se apresenta não como o órgão oficial de fomento às reflexões


contemporâneas, mas ao gerenciamento do setor de serviços aonde é

iniciada uma política de terceirizações e quarteirizações de feiras e outros

eventos culturais, como é o caso, por exemplo, da Europália, um prato

feito para os atravessadores corporativos que agenciam essa transfusão de

recursos públicos para o setor privado.

As elites brasileiras nunca quiseram saber de um projeto nacional de

cultura, esse sempre foi um sonho dos intelectuais da esquerda brasileira.

O comando do PT hoje, não tem coragem de defender a histórica bandeira

do partido e, agora, finge que sanou a crise dentro do MinC, mesmo

sabendo da estrondosa repercussão negativa dessa gestão. Com isso o PT

vai perdendo musculatura política, e mesmo que esses números ainda não

apareçam nas pesquisas de opinião o nítido sentimento de desencanto

com o partido hoje como formulador de políticas públicas é sentido em

todos os quadrantes da vida nacional.

As elaborações de políticas hoje no MinC atendem apenas as forças do

mercado e não mais as forças representativas da sociedade que

sustentaram o governo Lula. O Brasil é um turbilhão efervescente de

cultura que nitidamente o atual comando do MinC não se dá conta e nem

tem interesse. Por isso está indo lá fora caçar borboletas.

E essa efervescência que está na base da sociedade é que pode confluir

com uma produção de idéias que estabelecerão um novo marco cultural

no Brasil, assim como foi a semana de 22 comandada por Mário de

Andrade. Mas o MinC tenta forçar um outro caminho, um caminho

empacotado e dependente de um sistema global onde estamos pleiteando

apenas a condição de elenco de apoio e não de protagonistas de um novo

paradigma na geopolítica global.


O Flúor e o Controle das Massas

http://x.bardo.ws?1l, 9 de junho de 2011

Por @acid0 – http://www.saindodamatrix.com.br/

Resolvi ver um pouco de TV, no canal de músicas, só pra relaxar. Impossível.

Me sinto como um alienígena diante de outra civilização.

"Dopamina" Belinda

Quero tomar o remédio ideal

Que libera a minha dopamina

Capaz de sentir que posso te esquecer

Escapando de você apenas essa noite

Foi uma desilusão amorosa

Aproveite o dia sou a ressurreição de hoje

A noite é uma anestesia ohoh

Que me envolve e me dá uma amnésia ohoh

Minha mente dá mil voltas ohoh

Eu tenho que esquecer você hoje

A noite é minha anestesia

Eu não quero mais tragédias na minha vida

Eu prefiro aceitar a solidão

Quer ser a dama das Camélias

E morrer de esquizofrenia


"Onde Estiver" NX Zero

Aonde estiver, espero que esteja feliz,

Encontre o seu caminho

Guarde o que foi bom e jogue fora o que restou

Tem horas que não dá pra esconder no olhar

Como as coisas mudam e ficam pra trás

O que era bom hoje não faz mais sentido

Ainda teve um outro clipe, norte-americano, com o mesmo tema. Embora a letra

do NX Zero traga uma mensagem mais madura, a abordagem é a mesma. Três

ídolos de três países, e o mesmo tema. Sinais dos nossos tempos. Nos anos 80 a

tendência era música de fossa, como "It must have been love" ou "Change of

heart". Hoje vivemos a era dos "relacionamentos líquidos", e até "deuses

líquidos". É a era do "fast food" ("food" como qualquer coisa de consumo,

inclusive pessoas e religião). É a geração Prozac, mais peocupada em manter as

aparências e parecer feliz do que realmente conquistar a felicidade. Agora você

pode comprá-la, assim como se compra uma ereção com Viagra, uma noite de

sono com Diazepan ou uma noite acordado com Red Bull.

Nosso estilo de vida caminha tão rápido que até a carne nós "aprendemos" a

comê-la crua, nos restaurantes. Modificamos nossos hábitos alimentares e

paladar pra satisfazer uma linha de produção que precisa atender mais clientes

em menos tempo - e economizar gás, e vender uma carne que parece maior do

que seria se fosse adequadamente assada. Assim, o que era a carne mal-passada

de outrora agora é o normal. Daqui a pouco a carne chegará coberta de sangue

em nossos pratos, e acharemos isso super normal. Nas churrascarias já é assim.

Come-se pratos gigantes e gordurosos no restaurante, e se pede um refrigerante

"light" sem perceber a incongruência disso. E até mesmo esse refrigerante, que

só é "light" porque substitui o açúcar por compostos cancerígenos (como o

Aspartame), possui uma quantidade absurda de SAL (sódio), que provoca

hipertensão (que provoca insônia, agitação, palpitações, etc).

Tudo que comemos tem açúcar e sal. Até pão-doce tem um monte de sal!

Vivemos entre o doce extremo e o salgado extremo, sem meio-tons. O que

estamos consumindo em nossas vidas? O que está acontecendo com nosso


"paladar" para relacionamentos, família, amigos, comida, diversão?

Será que isso acontece ao acaso, ao sabor dos acontecimentos? Dificilmente. O

status quo sempre foi mantido entre as mais diversas gerações, e os Rockfeller

sempre continuarão zelando pra que isso continue assim. Nos anos 60 os

adolescentes se revoltaram com a sociedade, com as políticas de guerras, com a

desigualdade... o que fizeram? Drogas neles. Os jovens estavam doidões demais

pra fazer qualquer coisa efetiva pra mudar o quadro. Nos anos 80 tivemos a

ascenção dos filhos desses hippies que, ao contrário dos pais, decidiram mudar

o mundo de dentro do covil da besta, mas foram assimilados pelo sistema, numa

competitividade infantil de PARECER ser o maior e melhor, estimulada pela

cocaína. Agora procura-se liberar as drogas, com apoio de figuras de prestígio

(2 ex-presidentes entre eles). Será um movimento surgido apenas da vontade

dos usuários de curtir seu "beck"? Dificilmente.

Hoje sabemos que 0,9% do PIB MUNDIAL é composto pela comercialização

de drogas ilícitas. Países são dependentes delas pra sua conta "fechar" no final

do mês. Os governos estão de olho gordo em cima desse dinheiro, e por isso

tentam legalizar as drogas. Não se importam com o fato de que 10% do PIB

mundial é GASTO com a dependência de drogas, como álcool, tabaco,

anfetamina, cocaína, maconha, etc, pois não são os que lucram com isso que

pagam a conta: é o povo com seus impostos. O dinheiro do lobby, da campanha

ou da sustentação político/partidária, como é o caso da Venezuela, está

garantido. Aqui no Brasil mesmo tivemos o relato da Abin de que o PT

receberia 5 milhões de reais pra sua campanha de dinheiro das FARC (ou seja,

dinheiro de drogas). Que repercussão isso teve? Nenhuma, assim como o fato

de Equador e Venezuela abrigarem os terroristas das FARC nos seus territórios

não pareceu sensibilizar ninguém na ONU.

Mas as drogas são apenas uma parte do mecanismo de controle da sociedade.

Pra poder empurrar suas idéias de forma mais efetiva, a indústria precisa de

uma maioria esmagadora de pessoas simplistas e receptivas (os Homer

Simpsons, no jargão do tio Bonner), e precisam garantir que isso se perpetue de

uma geração pra outra. É preciso então um veículo que todas as pessoas

consumam.

E esse veículo é a água. E o que botar na água para que as pessoas se tornem

mais dóceis e receptivas à manipulação? Algo que não levante suspeitas; algo

que seja visto como benéfico, e imprescindível. A resposta é o flúor.

O flúor é um gás halógeno, como o iodo e o cloro, extremamente volátil e

altamente reativo, daí sua grande facilidade em se combinar a outros elementos.

O flúor ingerido é rapidamente absorvido pela mucosa do estômago e do


intestino delgado. Sua via de eliminação são os rins, responsáveis por

eliminarem 50% do flúor diariamente ingerido, e o que sobra tem que encontrar

refúgio em alguma parte do corpo, que geralmente é junto ao cálcio de algum

dos tecidos conjuntivos. Como os dentes e os ossos são os maiores reservatórios

de cálcio, é para lá que o excesso de flúor tende a se dirigir, passando a

deformá-los e a provocar o que cientificamente se conhece como fluorose.

Disfunções renais, ao impedirem a perfeita eliminação do excesso de flúor, só

fazem aumentar os riscos da fluorose.

De acordo com cálculos divulgados em 1977 pelo National Academy of

Sciences (NAS), um organismo que diariamente retém quantidades de flúor

superiores a 2 mg, ao chegar aos 40 anos começa a apresentar problemas

estruturais como artrite, escoliose, rugas, arteriosclerose etc, pois há uma forte

interferência do flúor sobre a síntese do colágeno. Sob condições normais, só o

colágeno dos ossos e dos dentes sofre o processo de mineralização, mas em

conseqüência dos distúrbios causados pelo excesso do flúor, não só os ossos e

dentes podem ser hipermineralizados, como também o colágeno dos tecidos

conectivos da pele, cartilagem, tendões, ligamentos, provocando conseqüências

das mais diversas, como:

- Rugas na pele e quadros de arteriosclerose.

- Calcificação das membranas interósseas da coluna, cotovelos, joelhos,

ombros, etc, levando aos mais diversos quadros de artrite.

- Excesso de rigidez/perda de flexibilidade óssea, aumentando a incidência das

fraturas e diminuindo a capacidade de cicatrização dos ossos.

- Fluorose dental, gerada pela deformação do esmalte.

- Fluorose óssea, fluorose esquelética ou osteofluorose, que provoca a

deformação da estrutura dos ossos.

- Rompimento de tendões.

Este conhecimento não é nada de novo, pois, em 1936, o Journal of the

American Dental Association já alertava:

“É crescente o número de evidências sobre os efeitos da intoxicação crônica

causada pela ingestão prolongada de pequenas quantidades de flúor... Os

registros sobre toxicidade apontam o flúor, o chumbo e o arsênico como

pertencentes a um grupo que intoxica a doses baixas.”

A ingestão de uma grande quantidade de flúor em um curto período de tempo

pode ser letal, e é por isso que pastas de dente vêm com avisos pra não serem

ingeridas.


Ainda assim, o Flúor é considerado medicamento pela Organização Mundial de

Saúde (OMS). Só que o limite entre o remédio e o veneno é muito tênue.

Há dados de uma pesquisa na China que indicam que a exposição ao flúor pode

reduzir a inteligência das crianças, ou seja, o flúor ainda por cima pode ser uma

neurotoxina, como aquele gás que o Espantalho usou na cidade de Gotham, no

filme Batman Begins.

Estatísticas de um estudo realizado pelo Ministério da Saúde da Nova Zelândia

indicam que nem pra combater a cárie o flúor na água tem servido.

Justamente por ser um medicamento e com contra-indicações, vários países

vetaram (ou nunca usaram!) flúor na água. Entre eles Alemanha, França,

Bélgica, Finlândia, Dinamarca, China, Holanda e Japão.

O flúor é mais tóxico que o chumbo, cuja quantidade na água potável não deve

superar 0,4 partes por milhão (ppm). Mas segundo a Organização Pan-

Americana de saúde (vinculada à Organização Mundial de Saúde) a

concentração ótima de flúor na água é de 1 ppm. No Brasil o nível do flúor

costuma ser de 1,5 ppm. Nos Estados Unidos a concentração é de 4 ppm. Isso

mesmo sabendo que, num estudo invitro com ameloblastos foi constatado que o

flúor, nas concentrações de 1.9 a 3.8 ppm, inibiu o crescimento celular - e em

doses mais altas provocaram até mesmo fragmentação do DNA! Então por que

a classe médica resolve nos empurrar doses tão altas de um produto que JÁ está

presente na natureza, que pode ser encontrado em vários produtos

industrializados e que se acumula no organismo?

"Nações que ainda praticam fluoretação de água deveriam envergonhar-se

de si mesmas"

(Dr. Arvid Carlsson, Nobel de medicina 2000)

Uma razão possível é que o flúor é um tranquilizante, um narcótico. Em um

relatório da Universidade da Flórida é dito: "Uma solução de 0,45 ppm de

fluoreto de sódio é suficiente para fazer com que as reações sensoriais e mentais

fiquem mais lentas". Uma sociedade de pessoas dóceis é facilmente controlável,

e qualquer coisa que digam (como as desculpas do 11 de setembro, ou o

enriquecimento do Palocci) são aceitas sem muito (ou nenhum)

questionamento.

Os nazistas foram os primeiros descobrir que usar o flúor na água acalmava os

prisioneiros dos campos de concentração e tornava as mulheres estéreis. Esse

conhecimento foi usado pelos russos e daí repassado para outras corporações

através do cartel da IG Farben (quando a empresa foi extinta, no fim da 2ª

guerra, os americanos e russos pegaram o máximo de patentes que puderam). O


fluoreto de sódio está contido em 25% dos maiores tranquilizantes, e um

exemplo disso é que o acréscimo de flúor no tranqüilizante Diazepam (Valium)

produz um tranqüilizante mais forte, o Rohypnol (Rupinol). Ambos são

fabricados pela Roche, uma empresa que era da IG Farben.

Quanto mais você investiga, maior a dimensão que a coisa vai tomando, e você

vai percebendo o quanto a herança da 2ª guerra mundial (em especial o knowhow

nazista) influencia até hoje nosso mundo. Seja nos elevadores, nos

remédios, nas roupas, você se verá cercado por marcas que, a despeito do que

fizeram no passado, continuam sendo líderes e influenciando no nosso modo de

vida.

"Aqueles que manipulam esse mecanismo invisível da sociedade

constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder dominante de

nosso país... nossas mentes são moldadas, nossos gostos formados, nossas

idéias sugeridas, em grande parte por homens de quem nós nunca

ouvimos falar"

(Edward Bernays)

"O que o flúor tem a ver com o começo do post?", você me pergunta... eu

também não sabia, mas confiei que de algum modo esses temas estão

relacionados e (vejam só!) durante a pesquisa descobri que o Prozac é composto

de fluoxetina, um anti-depressivo à base de flúor.

Referência:

Documentário "A farsa do flúor";

Veneno na torneira


Obsolescência Programada, você participa?

http://x.bardo.ws?1m, 18 de maio de 2011

Por Aurelio Marinho Jargas – http://www.aurelio.net/

Hoje de manhã fui ligar meu monitor e ele não funcionou. Tudo preto,

luzes apagadas. Apertei o botão de novo e nada. Xi… Conferi os cabos, o

plugue, a tomada; tudo certo. Troquei o cabo de força por outro, nada.

Não é que o coitado morreu mesmo?

Eu gosto desse monitor, é um LG (L175S LCD 17″) que comprei novo

em 2005 e usei quase que diariamente desde então. Hoje mesmo o levei

numa eletrônica aqui em Joinville e estou esperando eles me ligarem para

dizer o orçamento.

Atualização em 27/05/2011: O primeiro lugar que levei foi na Eletrônica

Manchester, que é assistência técnica autorizada LG em Joinville. O

diagnóstico foi o pior possível: queimou a fonte de alimentação e não há

substituta, não tem conserto. Em outras palavras, declararam meu monitor

morto. Não satisfeito, busquei uma segunda opinião e levei o monitor na

InfoService, que fica ali perto. O técnico (Reinaldo) não só arrumou o

monitor (que estou usando neste momento) como disse que era somente

um problema de mau contato, e nem quis cobrar pelo serviço. Resumo:

Manchester FAIL, InfoService WIN.

Comentei sobre o assunto no twitter, e alguns amigos me disseram para

eu comprar um monitor novo. Se o preço do conserto for muito caro, esta

pode ser uma opção. Mas eu prefiro continuar usando o meu monitor

antigo, pois ele supre minha necessidade, e felizmente eu não participo da

frustrante corrida ao equipamento recém-lançado.

Mas enfim, dessa história toda do monitor, o que me valeu o dia hoje foi o

link que o Daniel Bolgheroni mandou sobre um excelente documentário

que investiga o porquê das coisas não durarem mais como antigamente: a

chamada Obsolescência Programada. Acabei de ver o documentário e

escrevi este texto aqui no blog somente para divulgá-lo, pois achei muito


muito interessante.

O filme tem 50 minutos, é muito bem produzido e explica como já em

1924 um cartel dos fabricantes de lâmpadas decidiu reduzir a vida útil

delas de 2500 para 1000 horas, para que precisássemos comprar mais

lâmpadas. Esta prática se generalizou e hoje parece que tudo é

descartável, com durabilidade mínima e qualquer problema é só comprar

um novo (e dá-lhe lixo acumulando!). Assista:

http://www.youtube.com/v/QosF0b0i2f0.

Eu peço que você faça um esforço e separe uma hora de seu tempo para

assistir a este documentário. Está em espanhol, mas como todo brasileiro

arranha um portunhol, você vai entender, não se preocupe. Mesmo que

você discorde e não aceite as evidências fornecidas no filme, pelo menos

pare para pensar sobre seu próprio consumo.

• Você compra demais?

• Você compra por necessidade ou por impulso?

• Seu consumo é racional ou emocional?

• Sua felicidade está condicionada ao que você possui?

Caso você ainda não tenha visto, outro vídeo muito esclarecedor sobre o

absurdo que é o consumo atualmente, chama-se A História das Coisas.

Esse já é um clássico, tem 20 minutos e foi até dublado em português:

http://www.youtube.com/v/lgmTfPzLl4E.


Coletânea de Ideias

http://x.bardo.ws?1n, 24 de maio de 2011

Por Cacilhας, La Batalema – http://montegasppa.blogspot.com/

Ultimamente tenho estado bastante ocupado com mudança e

preocupações relacionadas, por isso não tenho escrito muito para o blog.

Como hoje estou de molho por causa de uma gripe forte, resolvi

aproveitar parte do tempo na cama para escrever este artigo bem genérico

sobre coisas que tenho pensado e não tenho tipo tempo ou cabeça para

publicar.

Por uma língua melhor

Também fiquei revoltado com os textos extraídos do livro Por uma vida

melhor, de Heloisa Ramos, principalmente a parte que ensina como

português correto dizer «os livro».

É claro que há toda uma bagagem histórica por trás da supressão do

plural, a mesma por trás da supressão do R do final dos verbos – como

quando dizemos «andá» em vez de «andar» –, porém é preciso bom senso

para lidar com isso.

No entanto comecei a ver muita gente defendo o livro, pessoas

inteligentes. A princípio imaginei que se tratasse apenas de síndrome da

teoria da conspiração, mas depois de ler alguns textos e pensar muito

sobre o assunto, percebi que nenhuma das matérias criticando a

adoção do livro contextualiza os textos destacados.

Ou, em outros termos, as críticas descontextualizam seu objeto.

Resolvi então não assumir qualquer opinião sobre o assunto antes de ler o

livro didático e sugiro que todos façam o mesmo.

Não tenho a quem processar

Veio a meus ouvidos que no ISTCC-P alguns professores voltaram a

ensinar os alunos a nunca usar Software Livre, sob a alegação de não


terem a quem processar em caso de falha.

Esta visão só pode se originar de dois tipos de pessoa: ¹acadêmicos sem

qualquer visão profissional e ²profissionais mafiosos que ganham

dinheiro divulgando desinformação.

Como prefiro acreditar primeiro na boa fé das pessoas, presumo que os

professores que dizem isso são acadêmicos alienados.

Por que digo isso? Vamos lá…

Você já leu alguma daquelas licenças que vêm com os programas e você é

obrigado a concordar?

Pois é, a grande maioria delas – pelo menos todas as que já li – excluem a

responsabilidade do fabricante/proprietário sobre qualquer dano que você

venha a sofrer. Isso mesmo.

Como as pessoas acreditam que têm a quem processar por padrão, não se

preocupam em incluir cláusulas de responsabilidade quando contratam

soluções baseadas em software proprietário.

Já empresas que vendem soluções baseadas em software de código aberto

geralmente incluem cláusulas de responsabilidade para tranquilizar seus

clientes. Sei disso por experiência própria.

Mas o segundo motivo pelo qual a alegação da falta de a quem processar

seja falaciosa é ainda mais divertido…

Imagine que sua vida dependa direta ou indiretamente de um software,

como elevadores, aviões e equipamentos hospitalares. Ter a quem

processar em caso de falha é extremamente irrelevante porque morto

você não processa ninguém.

Então é preferível ter um software com baixo risco a ter a quem processar.

Software de código aberto está exposto para a crítica do mundo todo, o

que traz à luz falhas que não seriam detectadas por uma pequena

equipe de visão viciada, para que possam ser rapidamente corrigidas;

enquando que software proprietário tem seu código restrito aos

interessados em que você o compre, independente de se vai funcionar

bem ou não, portanto falhas não evidentes – inclusive conhecidas – serão

omitidas, não corrigidas, principalmente se o dinheiro gasto com

processos for menor do que o investimento necessário para corrigi-


las.

Música

Pretendo escrever um artigo sobre Riverside, a banda de Mariusz Duda,

autor do trabalho Lunatic Soul.

Mas ainda preciso escolher qual clip colocar no artigo. Se fosse sobre

Lunatic Soul, certamente seria Summerland, minha preferida desse

trabalho, mas quanto a Riverside preciso pensar bem ainda.

**

É isso aí! Deixo aqui então esta coletânea de ideias.


E3: Nintendo anuncia a sua mais nova aposta, o

console Wii U

http://x.bardo.ws?1o, 8 de junho de 2011

Por Emerson Alecrim – http://www.infowester.com/

Com as vendas do Wii em queda livre e com os consoles concorrentes

Xbox 360 e PlayStation 3 ganhando cada vez mais mercado, nada mais

natural do que esperar que a Nintendo revelasse sua reação na edição

2011 da feira de game E3, que acontece até amanhã nos Estados Unidos.

E essa reação veio, cercada de desconfiança, mas veio, e atende pelo

nome de Wii U.

Quando o vi pela primeira vez, sem conhecer nenhuma de suas

especificações, imediatamente lembrei do Game Gear, console portátil

que a Sega lançou em 1990. Mas, é claro que a Nintendo não iria lançar

um console para concorrer com o 3DS. Essa impressão é porque eu vi, na

verdade, o joystick do Wii U, que possui uma generosa tela de 6,2

polegadas sensível ao toque e botões ao redor, além de recursos como

acelerômetro e giroscópio, lembrando, de fato, um console portátil.

Como se não bastasse, o joystick conta também com câmera frontal,


microfone, navegador de internet e ferramentas para que o usuário possa

realizar videochamadas, obter vídeos, entre outros. Pronto, já não o acho

mais parecido com o Game Gear, mas sim com um tablet! Ah, e um

detalhe: o controle também é compatível com o atual Wii e seus

acessórios. Ponto para a Nintendo!

Na E3, a empresa afirmou que será possível visualizar informações

adicionais de um jogo na tela do joystick, assim como será possível

utilizar o acessório para continuar uma game iniciado pelo console. Aliás,

a interação entre a TV e o controle é impressionante, como mostra o

seguinte vídeo: http://www.youtube.com/v/4e3qaPg_keg

Quando ao Wii U em si, a Nintendo não revelou muitos detalhes sobre

suas características, mas sabe-se que o console suportará imagens em full

HD e terá jogos mais “sérios”, numa possível tentativa de agradar não só

jogadores casuais como também aqueles mais assíduos. Mas, é claro, tudo

depende essencialmente da qualidade dos jogos. Entre os títulos já

anunciados estão: Tekken, Assassin’s Creed, Battlefield 3 e Ninja Gaiden

3. Nada mal!

Sabe-se também que o Nintendo Wii U terá memória Flash interna,

entrada para cartões SD, compatibilidade com HDs externos, quatro

portas USB 2.0, saída HDMI e suporte para até quatro joysticks, inclusive

o Wiimote e outros acessórios do Wii. Do processador, a informação

existente é a de que se trata de um chip da IBM. A GPU, por sua vez, é

um AMD HD Radeon de modelo ainda não revelado. A mídia óptica não

foi abandonada: aparentemente, a Nintendo utilizará um disco de 25 GB,

possivelmente uma variação do Blu-ray. Sim, também será possível obter

games via download.

• Veja também: A história da Nintendo

Preço? Nada definido ainda, mas a Nintendo não nasceu ontem, então

certamente teremos um patamar competitivo. Disponibilidade? Nada

também. Apenas se sabe que a Nintendo pretende lançar o Wii U em

2012, provavelmente no segundo semestre.

Referências: Nintendo, IGN, XbitLabs, Kotaku.


O que penso sobre o Apache OpenOffice.org: Um

convite ao trabalho colaborativo!

http://x.bardo.ws?1p, 17 de junho de 2011

Por Jomar Silva – http://homembit.com/

Acredito que muita gente já está sabendo no dia 1 de junho a Oracle

anunciou a doação do código fonte e da licença de marca do

OpenOffice.org para a Fundação Apache. Inicialmente o projeto foi

recebido pela incubadora da Apache, e logo após o anúncio a discussão

começou por lá.

Eu estou acompanhando e participando das discussões na lista da

incubadora da Apache desde o primeiro dia, e me inscrevi como commiter

do projeto logo no início. Para terem uma ideia melhor do que significa

“acompanhar” a lista de discussões da incubadora da apache, tivemos um

pico de quase 400 e-mails por dia durante o primeiro final de semana de

discussões (sim, quase 800 e-mails para ler em um final de semana).

Após alguns dias de discussão, na última segunda feira (13/06) o projeto

foi aceito por ampla maioria na incubadora da Apache e é agora um

projeto incubado (chamado de podling dentro da Apache), e temos muita

gente trabalhando bastante por lá para que ele se torne um projeto

graduado em breve. A proposta de projeto pode ser acessada aqui, e a

página do projeto incubado aqui. Como podem ver, ainda estamos

acertando toda a infra do projeto por lá, e muitos dos commiters citados

na proposta ainda não efetivaram suas contas, processo que deve levar

mais alguns dias (a minha mesmo está na etapa final).

Gosto de ver que temos atualmente no projeto muita gente nova e

disposta a ajudar, mas também muita gente que trabalha no software

desde os anos 90, ex funcionários da Star Division (onde o StarOffice foi

criado), Sun e Oracle, agora contribuindo de forma individual. São

pessoas que passaram grande parte da sua vida trabalhando neste projeto

e portanto para eles este não é “mais um” projeto… Acredito que o


compartilhamento e o nivelamento de conhecimentos por lá será grande, e

isso vai reduzir bastante a curva de aprendizado para os “novatos” como

eu no projeto.

Não vou discutir aqui a decisão da Oracle de doar o código para a

Fundação Apache ao invés de entregar a outra fundação qualquer (como a

The Document Foundation, que mantém o LibreOffice), muito menos

sobre a especulação de que a IBM está por trás desta iniciativa (estes

foram tópicos mais do que debatidos durante os primeiros dias de

discussão, dado que muita gente foi pega de surpresa pelo anúncio).

Não entro nestes detalhes, pois acredito que seja perda de tempo discutir

o passado, e prefiro encarar as coisas desta forma:

- A Oracle doou o código e a licença de marca à Apache, e isto é um

fato.

- Pelo que sei sobre a estrutura decisória dentro da Oracle, a única lei

que vale por lá é a “Lei de Ellison” e portanto duvido que IBM ou

qualquer outra empresa tenha tanto poder de influência assim sobre eles.

Falando em Ellisson, escrevi um artigo há alguns meses com minhas

impressões sobre ele e sobre o “mal” que ele poderia fazer a todo o eco

sistema FLOSS, e vejo que a doação agora em questão minimiza um

pouco este dano. Se olharmos as possibilidades, a Oracle podia muito

bem ter decidido simplesmente enterrar o projeto e sua licença de marca.

Deixando de lado o passado, evitando discussões que literalmente não

vão nos levar a nada e só nos causar perda uma de tempo e de talento

enorme (além de deixar algumas cicatrizes complicadas), quero falar um

pouco aqui sobre os motivos que me fazem acreditar que o Apache

OpenOffice.org pode sim ser uma excelente notícia para toda a

comunidade.

Um dos artigos que resume muito bem algumas coisas que penso a este

respeito foi escrito pelo Rob Weir em seu blog, e o recado lá pode ser

resumido de forma bem rápida: A real disputa de mercado não é entre a

suíte de escritório em FLOSS A, B ou C, mas entre as suítes de escritório

em FLOSS e a suíte de escritório proprietária que ainda reina absoluta no

mercado. No final das contas, a disputa aqui é entre a proliferação e

adoção maciça do padrão ODF versus os padrões proprietários e o nosso

velho amigo OpenXML (que aliás está agora em uma fase bem


complicada, uma vez que a Microsoft perdeu o processo para a i4i na

Suprema Corte Norte Americana há alguns dias).

Eu acredito que o Apache OpenOffice.org (AOOo a partir de agora neste

texto) possa se tornar em breve algo como um “kernel” de suíte de

escritórios que poderá ser reutilizado por diversas empresas e

organizações em pessoas no mundo todo. Poderá ser utilizads como está,

ou complementada com outras funcionalidades.

Imagino um futuro do AOOo, muito parecido com o próprio kernel

Linux, mantido e desenvolvido de forma colaborativa por uma fundação,

utilizado por comunidades e empresas no mundo todo para a criação de

“distribuições” específicas para cada necessidade ou nicho de mercado.

Não vou entrar aqui na discussão filosófica sobre a Licença Apache V2

versus a GPL, pois como já disse, o OOo na Apache é fato consumado,

mas entendo que o resultado de mercado será a participação de mais

empresas no ecossistema e a volta real de competitividade na indústria de

suítes de escritório.

Isso para mim é algo inédito na indústria de TI, pois devido ao monopólio

de fato de mercado vivido na área, pode-se considerar que a indústria de

suítes de escritório praticamente foi extinta há alguns anos, e foi o

OpenOffice que de fato evitou a extinção deste setor. A ida do projeto

para a Apache, na minha opinião, vai agir como um catalizador e permitir

que a competição realmente volte a existir neste setor, que agora renasce

das cinzas através de um “core” em Open Source.

Olhando finalmente para o projeto, eu acredito que o código fonte do

AOOo poderá ser reestruturado para que possamos ter uma arquitetura

que permita sua reutilização por outros projetos (como o próprio

LibreOffice) de forma bem modularizada. É como uma loja de

componentes eletrônicos, onde você escolhe os componentes que quer (ou

precisa) utilizar, integra-os de forma a atender às suas necessidades (ou às

necessidades de seus usuários) e faz o que bem quiser com o produto

final. Gosto da licença permissiva da Apache de, pois na realidade a

imensa maioria dos desenvolvedores que estão por lá querem na verdade

uma única coisa: Que o software seja utilizado no mundo todo !

Com base nesta ideia de modularizar o software, eu elaborei o diagrama

abaixo que é a minha visão de onde poderemos chegar um dia com o


projeto. Reforço aqui que esta é a minha visão e de forma alguma a visão

dos demais membros do projeto, e uma vez que uma das regras por lá é “é

mais fácil pedir desculpas do que autorização”, publico a minha ideia aqui

no meu blog sem ter discutido ela com ninguém por lá.

Acredito que termos um core com as funções primordiais das aplicações

da suíte é algo extremamente óbvio, e também é óbvio imaginar que este

core não é um bloco monolítico como representado neste diagrama, mas a

ideia aqui é mostrar que todos os objetos e funções de processamento dos

documentos em memória fiquem centralizados em um único local.

Gosto da ideia de separar a interface gráfica do projeto (GUI) do restante,

pois podem existir requisitos ou casos de uso onde uma interface

simplificada ou diferenciada seja necessária.

A existência de um mecanismo para extensões e plug ins bem definido é

fundamental para que se possa complementar o software com qualquer

extensão necessária, e normalmente estas extensões atendem a requisitos


de um grupo de usuários específicos, como o verificador gramatical da

Língua Portuguesa. É através deste mecanismos que veremos inovações

serem incorporadas ao projeto com a velocidade da luz, e tenho plena

confiança de que a comunidade de FLOSS vai se beneficiar disso, uma

vez que o conhecimento técnico e o tempo necessário para escrever uma

extensão são infinitamente menores do que o conhecimento e tempo

necessários para modificar o “core” da suíte de escritório.

Linguagens de script são muito utilizadas hoje em dia, e tenho certeza que

a linguagem de script da moda daqui a cinco anos ainda não foi criada.

Por isso mesmo eu acredito que um mecanismo de suporte a scripts seja

interessante, pois através dele será possível a utilização de scripts em

diversas linguagens manipulando objetos e funções dentro do AOOo.

O Ooo já possui o UNO, um conjunto de APIs muito utilizado por

diversos desenvolvedores, e acredito que ele deve ser continuado e

complementado, dado que existem atualmente diversos casos de uso onde

sua utilização é fundamental (um deles: usar o Ooo como servidor para

conversão de documentos).

Gosto de ideia de ter o ODF Toolkit desenvolvido junto com o OOo

dentro da Apache, mas esta decisão ainda não foi tomada por lá. Para

quem não conhece, o ODF Toolkit é um conjunto de ferramentas e

bibliotecas desenvolvidas há alguns anos para a manipulação de

documentos ODF sem a dependência de uma suíte de escritório.

Para que possamos ler e escrever os documentos, os filtros são mais do

que necessários, e vale a pena lembrar de que funções como Assinatura

Digital e Criptografia podem ser feitas nesta camada.

Temos ainda a necessidade de ter a documentação do projeto bem

elaborada, de manter o suporte nele a diversos idiomas e gosto da

possibilidade de podermos fazer um “rebrandind” do software todo. Esta

ideia do “rebranding” é basicamente centralizar todas as strings com o

nome do produto (ex “Apache OpenOffice.org”) em um único local, pois

se amanhã eu quiser utilizá-lo para gerar o “Jomar’s Office” ou a TDF

decidir usa-lo como base do “LibreOffice”, tudo seja feito de forma

simplificada.

Quando pensei nesta proposta de arquitetura, pensei ainda na forma pela

qual poderemos organizar o desenvolvimento do software, uma vez que


em cada uma destas caixinhas existem conhecimentos e expertise

específicos e com isso, poderemos manter desenvolvedores focados em

pontos específicos do desenvolvimento (cada um dá o seu melhor naquilo

que gosta e é capaz de fazer), e ainda conseguiremos manter tudo

funcionando de forma integrada.

Não coloquei ali nenhuma atividade referente a marketing, treinamento e

suporte, pois acredito de verdade que estas são três funções específicas de

cada país e para cada caso de uso da suíte, sendo funções muito

dependentes da cultura local, e portanto, defendo o modelo onde os

projetos nacionais sejam mantidos “como sestão” e que tenham

representantes trabalhando de verdade dentro da Apache. O mesmo

raciocínio vale para os esforços de localização do produto.

Para concluir, eu acredito que estamos nos arrumando na nova casa para

poder trabalhar nas próximas décadas com o OpenOffice, e acredito que

toda a indústria vai se beneficiar deste novo arranjo. Entendo e respeito a

chateação de algumas pessoas e grupos neste processo de transição, mas

não tenho dúvidas de que o bom senso vai prevalecer e que vamos unir as

forças para continuarmos nossa batalha.

Algumas pessoas já me perguntaram o que exatamente eu quero fazer por

lá, e a resposta é simples: quero fazer o que eu PUDER e o que o projeto

PRECISAR. Ajudar é atender à necessidade do outro, e não agir de

acordo com a sua própria vontade (se conseguir conciliar ambos,

perfeito !)

Estarei palestrando no FISL 12 no final deste mês, e não consegui um

espaço na grade do evento para tratar do Apache OpenOffice.org

especificamente, mas estarei por lá durante todo o evento pronto para

discutir o projeto com quem tiver interesse em participar. Estou também à

disposição aqui no Blog para qualquer esclarecimento necessário, e

convido a todos a participar conosco neste projeto.

PS.: Não vou responder questões filosóficas nem sobre os “por quês” do

passado nos comentários. Se pensa em tocar nestes assuntos aqui, por

favor leia isso antes. Já aprendi uma lição valiosa na Apache: por lá, troll

ganha crachá bem rápido !

ATUALIZAÇÃO: A página com as informações sobre como participar do

projeto pode ser encontrada aqui. Bora trabalhar!


Os Elfos de Gonden T-Rex

http://x.bardo.ws?1q, 20 de junho de 2011

Por Cárlisson Galdino – http://www.carlissongaldino.com.br/

Eu já fui um criador de mundos. Mundos para jogar RPG, para escrever

histórias... Estava vasculhando aqui anotações sobre um deles: Den-Rex.

É um mundo dividido em dois continentes que não se conhecem

mutuamente: Galdenturex e Golden T-Rex. Cada um totalmente diferente

do outro, até mesmo as formas de vida são distintas.

Galdenturex é um mundo desértico completo. Não há humanos, só duas

espécies exóticas que jogadores poderiam escolher, sendo uma de hábitos

noturnos e outra de hábitos diurnos. Um mundo de dragões marrons,

dragões sem asa, que não são capazes de voar, mas que se movimentam

sorrateiramente entre as dunas do lugar.

Golden T-Rex é um lugar mais convencional, que tem esse nome devido à

estátua de um dragão marrom no centro do continente. Há três espécies

disponíveis para personagens de jogador: humanos, elfos e kiftols, sendo

esses últimos um tipo de morcego humanoide, cego, que "enxerga"

através de sonar.

Bom, eu vasculhei esse cenário porque queria contar pra vocês a história

dos deuses de Den-Rex. É um panteão bem grande e interessante. Cada

deus tem um nome em Esperanto.

No fim, terminei mudando de ideia ao me deparar com os elfos de Golden

T-Rex e me lembrar de como eles são. Da explicação para eles

enxergarem no escuro.

Sabemos que o olho humano tem três tipos de sensores para nos

permitirem enxergar, um para cada cor básica: vermelho, verde e azul.

Tanto é que o dautonismo nada mais é do que a ausência de um ou mais

desses tipos de sensores. O elfo de Golden T-Rex é incapaz de diferenciar

tons de azul, por si. Seus fotossensores são para Infravermelho, vermelho

e verde. Desta forma, enquanto os humanos diferenciam muito bem tons


de verde (melhor do que das outras duas cores), elfos diferenciam muito

bem tons de vermelho. Agora vem a diferença principal: por conta desta

estrutura em seus olhos, eles enxergam um mundo completamente

diferente do que os humanos enxergam.

As cores são outras, eles dão outros nomes. Inclusive a cor varia com a

temperatura. A beleza dos olhos dos elfos não está apenas em enxergar no

escuro, mas em ver mais cores e no fato de essas cores serem dinâmicas.

Objetos não têm cor definida, têm faixa de cor, variando dentro dessa

faixa conforme a temperatura. Eles veem a calçada mudar de cor no

decorrer do dia. Já imaginou o que é isso? O que seria ver um por de sol,

a beleza das cores mudando servindo apenas para reforçar ao elfo o

quanto o mundo ao seu redor é perecível, mutável, enquanto só ele

próprio é que não muda. Afinal, elfos podem viver através de séculos.

Desnecessariamente, para o cenário, eu terminei limitando o alcance de

sua visão a seis metros. Muito pouco e, como disse, desnecessário ser

assim.

De qualquer forma, os elfos de Golden T-Rex estão entre as minhas

criações que dão saudades às vezes (e não tenho ainda nenhum conto

ambientado nesse continente)...


Vida de Programador

http://vidadeprogramador.com.br/2011/05/12/timoteo/, 12 de maio de

2011


Bardo.WS

http://www.carlissongaldino.com.br/post/uma-velha-charge, 15 de maio

de 2011

Por Cárlisson Galdino


Marfim Cobra – Parte 3/8

Marfim Cobra está disponível na íntegra em http://mc.bardo.ws/ e para

venda em http://www.bookess.com/read/7286-marfim-cobra/

Por Cárlisson Galdino

Segunda-feira, 13 de abril. Quem esperava que acontecimentos estranhos

dominassem só as sextas-feiras acaba de ser contrariado. À madrugada, e

isso é tudo.

Lá se encontra Marfim Cobra, quase sem força, caído ao chão. Água

benta queima os mortos que se atrevem a voltar à vida. Que importa suas

causas? Sua existência é um desafio às leis divinas, ao natural, e como tal

deve ser combatida. A dor é insuportável. Marfim vê em sua frente apenas

o líder deles, apontando uma arma para seu crânio, preparado para um tiro

de misericórdia.

- Aoh Eker Joh! - um grito ecoa na noite.

Eis que diante dos guerreiros armados, materializa-se uma estátua. De

humano. O grupo pára, espantado.

A estátua abre os olhos e prepara as garras. Com um sorriso sádico salta

sobre alguns deles.

- Calma, amigo. A cavalaria chegou! - o grito vem dos céus. Os homens

nem se atrevem a olhar para cima... Se olhassem, não gostariam de saber

que estão sendo atacados por uma armadura voadora empunhando uma

espada em chamas.

Dois homens perdem a cabeça, literalmente, na espada flamejante da

armadura alada. Os outros, não. Dois deles não perdem a cabeça, mas um

braço, uma perna, nas garras da estátua.

- Parados, sejam o que for!

O líder do pequeno exército (aliás, agora um exército de um homem)

grita, enérgico, enquanto aponta a arma para a cabeça de Marfim, ainda


no chão.

- Oh-oh! Isso tá com cara de problema. - fala a armadura, pousando no

solo. Sua espada atinge o estado que se supõe ser o normal, sem chamas.

"As dores. Não consigo resistir. São mais fortes que eu. Terei ouvido

gritos. Algo acontece. Não sei o que é, mas não parece nada bom." Pensa

o paladino, inconsciente.

Um barulho metálico é ouvido. Uma arma voa, girando no ar, e cai no

asfalto. Todos a acompanham visualmente.

- Mais um! - grita o líder, ao se virar e ver, próximo a ele, "mais um".

- É, mais um. - responde um vulto em cotas de malha (aquela com ligas

de metal) e um elmo arredondado com aspecto de coisas aquáticas

(lembra Atlântida), enquanto gira um tridente majestoso no ar. E grita. -

Ketitaie Memi!

Com a ponta do tridente, espeta o estômago protegido daquele que

agredia Marfim Cobra. Um disparo elétrico gera uma luz branca e o

arremessa para longe.

- E você é menos um, certo?

- Definitivamente, Áquos. - responde o voador, a uma pergunta não feita

exatamente a ele. - E esse é o quarto de nós?

- Creio que sim. - responde Áquos a uma pergunta feita exatamente a ele.

- Certamente, Corvo, esse que temos diante de nós, caído, é a quarta

Unidade de Justiça de Kin-Rá.

- Então, o que estamos esperando? Levemos nosso irmão mais novo a um

local seguro. - sugere Corvo, o voador, já se dirigindo a Marfim Cobra,

quando é interrompido.

- O que você chama de lugar seguro? - Áquos.

- Que tal uma ilha? Entre árvores? Quando estava voando, vi algo assim

naquela direção...

- Parece uma boa opção. Vamos.

Eles seguem. Corvo, Áquos e, levando Marfim nos braços, o dono de um

humor de pedra, Lunar. Após algum tempo de caminhada eles chegam ao

local desejado.


Marfim Cobra abre os olhos. Vê diante de si uma estátua branca de um

homem de musculatura média, com mantos antigos. Tudo de pedra

branca, como uma estátua qualquer.

- Onde estou? - pergunta Marfim, enquanto se ergue. Uma pergunta que

soa mais como um desabafo, visto que não há ninguém que a responda.

Isso é o que Marfim pensava, afinal há "só uma estátua". Ele não viu

Lunar se mover.

Já é dia. Ele sabe que deveria estar no mar a essa hora. E que deveria ter

se encontrado com o policial. Mas o local parece seguro, entre árvores e,

além do mais...

- Na lagoa. - responde Lunar, após Marfim virar as costas.

- Quem está aí?

Ele se vira de volta bruscamente com o punhal em punho, em ataque corta

o ar. O punhal deixa um rastro verde, da mesma cor das serpentes que têm

nele sua origem. De energia. Quase alcançando Lunar, que saltou para

trás, evitando o golpe.

- Quem é você?

- Calma, irmão. Não faça isso. - Uma voz vem do alto.

- Mas quem... - Marfim vê o Corvo parado no ar, logo acima de si. -

Como assim, irmãos? - pergunta, recuando um passo e se preparando para

um combate.

- Irmão, ué! Não somos todos filhos de Kin-Rá? Ou não sabia?

- Quem exatamente são vocês? - pergunta o esquelético herói, mais

preocupado, e empunhando sua arma com mais força.

- Não sabe? - pergunta o Corvo. - Esperava que não nos conhecesse bem,

mas não que nos desconhecesse totalmente. Nós somos Unidades de

Justiça, assim como você. Convertidos. Eu sou o Corvo, aquele é Lunar e

esse é Áquos.

Ele aponta para Marfim que, virando-se rapidamente, vê a Unidade que

atua no mar.

- Como podem provar que estão do meu lado?


- Você acordou vivo. Você está vivo... Ainda está... Agora também... -

responde o Corvo.

- Salvamos sua pele de seus inimigos e o trouxemos para cá. - responde,

mais claramente, Áquos. - Se fôssemos seus inimigos, acha que teríamos

feito isso?

- Supondo-se que são quem dizem, o que pretendem?

- Visto que até agora nosso glorioso deus não nos indicou nossas atuais

áreas de atuação, pretendemos ficar por aqui mesmo. - responde Áquos. -

Ao menos por enquanto.

- Quando lutamos? - pergunta o até então calado Lunar.

- Que tal agora? - sugere o Corvo.

- Não podemos. - responde Marfim Cobra, contrariando os dois. - Não

podemos porque provocaríamos medo na população.

- Faz sentido. Como certamente esse mundo não vê magia há séculos, é

lógico o medo. - Áquos segue em uma determinada direção. - É melhor

nos ocultarmos.

- Aonde você vai? - pergunta Marfim Cobra.

- Ao mar.

- Eu ficarei voando até a noite. - responde o Corvo. - É meio monótono,

mas vá lá, né?

Lunar gesticula que ficará naquele mesmo lugar onde estava.

- Espere! - grita Marfim. - Ao mar? Você fica submerso nas praias?

- É...

- E eu que pensei que minha idéia fosse original...

- Então venha. ...ainda não me disse seu nome.

- Marfim Cobra. Aliás, por que só eu aqui tenho dois nomes?

- Como se chamava quando vivo?

- Cobra.

- Está explicado, não tem nada de estranho. Então vamos, Marfim Cobra,

antes que cheguem os homens e se assustem com nossa presença. Você


não quer isso, certo?

- Certo, vamos.

Cada um faz o que pode para permanecer sem ser visto durante o dia. O

dia transcorre normalmente, até chegar a noite...

- Então aquele raio os trouxe...

- Também. Mas você deve se lembrar, Marfim Cobra, de que a Terra era

habitada pela magia antigamente. Com certeza você deve ter notado que

hoje em dia ela não existe.

- Certo.

- Não existia até aquele raio. O raio nada mais foi do que o sinal de seu

retorno.

- Ah! Então aí estão vocês! - o Corvo se aproxima da praia, voando.

Sendo seguido, em terra, por Lunar.

- Vamos começar? - pergunta Áquos.

Os quatro partem por ruas desertas, guiados por Marfim Cobra, sem

resultado.

- Corvo, sobrevoe o lugar e, quando encontrar algo, nos comunique. -

ordena Áquos.

- Falou! - exclama o Corvo, pouco antes de sair voando velozmente em

uma direção qualquer.

Depois de algum tempo de caminhada, Áquos pergunta a Marfim:

- É sempre assim, tudo tão tranqüilo?

- Não costumava ser.

A rua está suja, papéis e plásticos fazem a porção limpa. Quando passam

por um trecho da calçada, alguma coisa chama a atenção de Marfim

Cobra. Um jornal, ou melhor, uma folha de jornal. Nela, uma foto. Uma

foto das Unidades de Justiça.

- Esperem! - ordena ele, então.

- O que foi?


- Vejam só isso.

- Mas... Somos nós!

- Deixem-me ler o conteúdo. "Estamos em uma difícil situação. No

último sábado, como é do conhecimento de todos, a maioria dos

telejornais mostrou imagens do que seriam um gárgula, um esqueleto e

dois trajes animados. Isso jamais seria mostrado em rede nacional sem os

exames que comprovassem sua veracidade. Estamos em uma posição

realmente difícil. O que devemos fazer? Acreditar que essas aberrações

existem e percorrem nossas ruas à noite ou que não passam de fantasias

criadas por uma grande empresa de efeitos especiais? É mais fácil crer na

segunda versão, que se trate de simples truques cinematográficos. Pois

continuo com a mesma opinião que tinha na época do 'Chupa-Cabras'.

Tudo isso não deve passar de golpes publicitários. Isso lembra também a

época em que se espalharam pela Internet boatos que culminaram no

lançamento de um filme, como em..." - A leitura do jornal por Marfim é

interrompida por um grito.

- O Corvo! - Áquos reconhece a voz de seu "irmão", pouco antes de

correr em direção ao grito. - Sabia que não devia tê-lo enviado antes de

nós. Ele sempre acha que pode resolver tudo sozinho!

Marfim larga o jornal e corre, acompanhando Lunar e Áquos, já alguns

metros na frente. Após algumas poucas esquinas, eles chegam à origem

do grito.

- Me deixa em paz! - grita um humano, no momento em que o Corvo

tenta atacá-lo, com um vôo rasante.

Misteriosamente, o herói voador é arremessado para o lado, batendo em

um edifício, rachando parte da parede e fazendo cair algumas pedras.

Arremessado por uma força invisível.

- Aaahhh! Vocês aí, vão ficar só vendo minha desgraça? - grita o Corvo,

após ver que os outros três justiceiros de Kin-Rá já estavam presentes.

Lunar parte rapidamente com as garras em posição de ataque, enquanto

Áquos brande seu tridente partindo logo em seguida. Mas Marfim...

- O que ele fez? - pergunta, um pouco desconfiado.

- Matou, ué! Não está vendo aquele corpo ali?


Marfim se volta para a direção indicada pelo Corvo e vê um corpo,

realmente. E está aparentemente morto.

Dois barulhos de pancadas consecutivos são ouvidos. Marfim Cobra e

Corvo se viram para o combate. Lunar e Áquos estão no chão, antes de

chegarem perto do jovem alvo.

- Nossa vez! - diz o Corvo e, sem confirmar que Marfim também vai,

segue em direção ao intocável.

- Já disse pra me deixar em paz! - grita ele, enquanto o Corvo é

arremessado para muito longe.

Marfim não parece dar a devida atenção ao que acontece. Ele está

examinando o corpo do morto. Ele se vestia com calça jeans azul e

camisa branca e tinha próximo uma faca. Mais afastado, há um revólver.

- Esperem! - grita Marfim Cobra. - Vocês já perguntaram por que ele o

matou?

- Não. - afirma Corvo, retornando do lugar da queda. - Por que você o

matou?

- Ele tentou me assaltar. Me deixem em paz! - responde e grita,

arremessando o Corvo para o lado sem sequer encostar nele um dedo, e

fugindo em seguida. Áquos e Lunar se preparam para perseguí-lo.

- Deixem-no ir. Foi em defesa própria.

De repente, ouve-se sons de sirene. A polícia está chegando, junto com a

imprensa. Eles nem perceberam, mas ao seu redor, desde o primeiro grito

do Corvo, formou-se um pequeno público. De princípio, colocavam os

rostos para fora, curiosos, mas com medo. Agora, uns impulsivos

arriscam até um grito satisfeito com a conclusão de Marfim.

Ao notar a aproximação dos automóveis, as três Unidades de Justiça

correm. O Corvo já não é mais visto. Os carros perseguem os fugitivos

por terra. Na primeira encruzilhada...

- Vamos nos dividir!

Ele segue em frente, enquanto Marfim toma a direita e Lunar a esquerda.

A polícia segue Áquos. Ele é o único que, visivelmente falando, poderia

ocultar um humano. Afinal, quem seria louco de perseguir uma estátua ou

um esqueleto?


- Vamos atrás do esqueleto! - grita eufórico um repórter ao motorista.

- Não adianta. A matéria do século é nossa! - grita o repórter do outro

carro, do concorrente ao anterior. E se vira para o motorista. - Vamos atrás

da estátua. Ou ele é nosso ou você está demitido.

Os três correm, agora separados.

Lunar não consegue esconder a raiva. A ira por estar sendo perseguido.

Ele corre, pois sabe que lutar seria pior, já que os perseguidores não são

criminosos... ou são? Na dúvida, melhor tomar a atitude que, caso errada,

prejudique menos. Em outras palavras, melhor continuar correndo. E ele

corre, corre e...

- Pula! - ouve a voz do Corvo vindo de cima. Claro que ele obedece. Ao

fazê-lo, Corvo o pega pelos braços e, com esforço, sobe lentamente. -

Você devia perder uns quilos. Lascar essa gordura... Você pesa!!

O carro freia e, antes de desacelerar totalmente, o repórter o abandona,

olhando para cima, vendo apenas dois pontos minúsculos no céu.

- Maldição! - grita, socando o ar. Depois de algum tempo, volta para o

veículo. - E aí, pegou alguma coisa?

- Um pouco falho, o resgate. - responde o fotógrafo.

- Tudo bem, tem que servir.

Enquanto isso, no outro extremo da rua, Marfim Cobra corre em passos

longos. O automóvel não abandona a caça. Em determinado momento,

cansado disso tudo, o herói pára, volta-se para o carro, segura seu punhal

com o gume para baixo e grita.

- Inchinmy Ejoda!

O punhal das serpentes, rodeado por energia verde, lança dois relâmpagos

dessa mesma energia no chão, próximo a Marfim. Cada um deles forma

uma serpente verde de energia. Mas não parece igual à serpente padrão

que formava antes. Parece mais densa.

O carro pára, diante disso. O fotógrafo sai, e anda um pouco tirando fotos

e se aproximando. Mas está distante. Distante o suficiente para não

representar uma ameaça a Marfim.

- Ataquem! - grita. Ele sabe que não pode atacar inocentes, que está em


dívida com Kin-Rá.

As serpentes partem velozmente e atacam. ...os pneus. Sem

perseguidores, Marfim segue deixando aos repórteres apenas algumas

fotos das serpentes de energia.

- Ele está indo pro mar! - grita um policial, preparando sua pistola. -

Temos que pegá-lo logo.

Os outros também sacam suas armas, dentro do carro. Estão muito

próximos do oceano.

Áquos corre. Seus pés já pisam a água rasa. Ele salta. Os policiais atiram.

Um disparo acerta o tridente. Os outros erram. Áquos cai em uma parte

mais funda e é tomado pelas águas salgadas. Os policiais perderam a

única chance de acertá-lo. Contrariados, após olharem o mar

esperançosos pela volta da caça, eles se retiram sem que cumpram sua

missão. Pois já é tarde.

É cedo da noite. As Unidades poderiam atuar na cidade por algumas horas

mais, porém, como há coisas que não podem ser previstas ou evitadas, lá

estão eles, separados, impedidos de agir. Boa parte da cidade não mais

conseguirá dormir, esperando a chance de ver os seres estranhos de que

tanto falam.

Marfim Cobra não voltou ao mar como de costume. Foi ao ponto de

encontro esperar pelo policial, até pouco tempo atrás seu único aliado.

Com o tempo ele aparece.

- Ainda bem que você está aqui. Tenho novidades.

- O quê?

- Uma seita está ameaçando a ordem. Cultuam um deus...

- Sabe qual?

- É um com "f". Não lembro bem...

- Não é Fimiq, é?

- Isso!

- Diga-me imediatamente onde estão. O problema é mais grave do que

você imaginava.


O policial transmite todas as informações que tem e Marfim parte em

direção ao mar. Pretende encontrar Áquos e falar sobre o perigo enorme

que os cerca. Ele sabe quem é Fimiq. Conhece-o o suficiente para saber

que deve reunir as unidades o quanto antes. Fimiq prega a destruição dos

traços políticos, o fim do comércio, a inexistência de qualquer traço que

sirva para estabilizar as relações humanas. É algo terrível. Marfim se

lembra disso. Mesmo para um ladrão isso é prejudicial. A verdade é que

Fimiq odeia os humanos e usa essa estratégia: seus sacerdotes provocam

o caos e, quando há um grande foco de desordem, ele vem à Terra destruir

os homens pessoalmente e dá poder ao mal que já se foi. Isso é dito nas

lendas, pelo menos nas lendas dos tempos de Marfim.

- Resolver isso é primordial, mas... E quanto aos policiais e jornalistas

que certamente nos esperam? - Pergunta Áquos. Já é noite e eles discutem

o que fazer.

- Já sei. Tive uma idéia. - continua ele. - Corvo atrai a atenção de todos no

outro lado da cidade, enquanto partimos ao encontro dos malditos

seguidores de Fimiq.

- Boa idéia. Que tal usá-la agora?

- É exatamente o que faremos.

Após contactar e reunir todo o grupo, ele ordena que o Corvo chame a

atenção. O que fará com facilidade, com certeza. Enquanto isso, os outros

vão em busca da seita.

Enquanto o Corvo exibe seus poderes aos policiais e à imprensa, ao outro

lado da cidade vai o grupo formado pelos três restantes. Após fazer

algumas curvas e, principalmente, correr bastante, chegam ao local onde

se espera que seja o centro dos Fimiqs: um terreno protegido apenas por

um muro.

Um pontapé faz a porta de madeira apodrecida em mil pedaços. Áquos,

Marfim e Lunar entram. Eles vêem apenas um terreno escuro, irradiando

morte de suas gramas e matos. No centro há um semi-deserto circular.

Eles se aproximam.

Um braço com uma adaga surge repentinamente atrás de Marfim, vindo

das sombras. Sem se intimidar, Marfim, por puro reflexo, aplica uma

cotovelada no ingênuo inimigo. Mais dois aparecem.


- Inchinmy Ejoda! - Grita Marfim Cobra, com seu punhal firmemente

seguro. O fenômeno se repete. O punhal cria, em torno de seu gume, uma

energia verde, lembrando fogo. Então, dispara dois relâmpagos: um à

direita e outro à esquerda de Marfim. Cada relâmpago cria uma serpente

de pura energia. Elas imediatamente atacam os dois vultos que mal

abandonaram as sombras. Eles queimam após sofrerem o ataque.

Queimam em chamas verdes. Isso jamais aconteceu antes com humanos.

Ou o poder de Marfim Cobra foi brutalmente amplificado, ou seus

inimigos não são humanos.

Um braço erguendo uma adaga surge de trás de Lunar. Marfim vê e

começa a concentrar energia. Energia para seu poderoso golpe. - Lunar

percebe e se vira. - Seus braços faíscam ferozmente. - Lunar arranca os

braços do inimigo com suas afiadas garras. - Ele ergue o braço e aponta

para o inimigo. - Lunar arranca agora a cabeça do seguidor de Fimiq. - E

dispara. Uma majestosa serpente branca, de energia, voa rapidamente ao

encontro do corpo sem cabeça e braços, iluminando todo o caminho com

a luz ofuscante de um raio. Ela envolve totalmente o corpo morto do alvo.

O corpo encasulado cai, mas antes de tocar o solo, some.

- Por que você fez isso? - pergunta Áquos.

- Não era possível cancelar o ataque. - responde Marfim, mas logo muda

de assunto. - Parece que chegamos tarde.

- ...ou cedo. - Áquos. - Só haviam três aqui. Eles saíram e os três eram só

vigias, zumbis.

- O quê?

- Eles são zumbis.

- Tem certeza?

- Claro que tenho. Eu sei muito bem quando enfrento um.

- Zumbis, então...

Eles voltam para as sombras, pois sabem que a essa altura todos já devem

estar a sua procura. E o Corvo? Que terá acontecido com ele? Os três

retornam, mas Marfim passa no ponto de encontro com o humano com o

qual se comunica periodicamente. E eles se encontram pela manhã.


- Olá! Tem novidades? Eu tenho.

- A novidade é que lutamos contra três corpos animados pela maldita

praga de Fimiq.

- A minha notícia é mais quente, mas, juntando com a sua, vai dar uma

dor de cabeça... Bom, andei pesquisando sobre esse tal Fimiq e descobri

três outras cidades onde existem possíveis seguidores seus.

- Como? Ataque múltiplo?

- É o que parece. Uma delas é Tóquio. Não sei onde ficam, mas já

sabotaram algumas coisas por lá, provocando algumas mortes. Nos

Estados Unidos, descobri que há um grupo terrorista conhecido como

Fimiq. Atua em New York e Los Angeles, mas também não sei onde

ficam. A outra fica na Alemanha. É uma cidade pequena, mas não me

lembro do nome. Acho que anotei em algum lugar...

- Obrigado pela informação. Já é o bastante. Sinto ter que ir, mas é bem

pior do que possa imaginar. Até mais.

- Até.

Marfim Cobra corre para as águas frias. Ele sabe o que está para

acontecer. Não são só ataques. Esta é apenas a ponta do iceberg. No

anoitecer seguinte, na reunião da equipe, passa as novidades.

- É o primeiro sinal para nossa partida. - Comenta Áquos.

- Como? - Marfim.

- Devemos partir.

- Mas, é o primeiro. Não virão outros?

- Os outros servirão para nos levar ao nosso destino. Esperam-nos no

caminho.

- Bom, e quando vão?

- Agora. - Áquos corre de volta ao mar, enquanto o Corvo levanta vôo e

Lunar corre em passos largos.

- Adeus. - Fala Marfim Cobra. "Espero que a gente se encontre de novo

algum dia."

Marfim segue de novo sozinho, lutando contra as injustiças e fugindo da


imprensa. Exceto pela persistência da imprensa, todas as noites se tornam

iguais. Como moedas de um mesmo valor: algumas mais frias, algumas

mais úmidas, mas todas iguais.

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