Lesões em Futebolistas de uma Equipa Amadora Durante a Época ...

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Lesões em Futebolistas de uma Equipa Amadora Durante a Época ...

Revista Portuguesa de Fisioterapia no Desporto

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ARTIGO ORIGINAL

Resumo

Lesões em Futebolistas de uma Equipa Amadora Durante a Época

2006/2007

Adriano Gonçalves 1

Bacharel em Fisioterapia. Licenciado em Motricidade Humana. Fisioterapeuta do Grupo Desportivo de Prado 1

Correspondência para: panoramix500@gmail.com

Introdução: A realidade do desporto amador é diferente do profissional, por isso existe a necessidade de se estudar os fenómenos

lesionais também neste tipo de população. Objectivos: Analisar a incidência, circunstâncias e características de lesões, numa equipa de

futebol amadora durante a época 2006/2007. Relevância: Aumentar a informação disponível para os Fisioterapeutas sobre lesões em

atletas de nível amador. Metodologia: Para a realização deste estudo recorreu-se a uma amostra de conveniência. Os atletas foram

submetidos a uma avaliação clínica e inquiridos pessoalmente no início de época. No fim de cada treino e jogo, recolheram-se informações

relativas ao tempo de exposição e episódios lesionais que foram registados em formulários standard recomendados pelo Centro Médico da

FIFA e Centro de Pesquisa (F-Marc). Resultados/Discussão: A incidência de lesões em jogo foi de 26,24/1000h e de 4,25/1000h em

treino. Relativamente ao tipo de lesões mais comuns salienta-se o elevado de número de lesões musculares (73,3%) que estão distribuídas

principalmente por duas regiões anatómicas: coxa (33,3%) e anca/virilha (30%).

Conclusão: O elevado número de lesões musculares demonstra a necessidade de melhorar a avaliação do risco de lesão e aumentar as

medidas de prevenção. Devem ser efectuadas mais acções apelando ao “Fair-Play”. No futuro será interessante analisar o impacto do

trabalho diário dos atletas na sua profissão e a sua relação com os factores de risco de lesões na prática desportiva.

Palavras-chave: Lesões em futebolistas amadores; Incidência; Estudo epidemiológico; Prevenção de lesões.

Abstract

Introduction: Amateur sports reality is different from professional, and that’s why it’s important to study the injuries on amateur players.

This study was developed with one football senior team. Objectives: Evaluate the incidence, circumstances and characteristics of soccer

injury in a team during 2006/2007 sport season. Relevancy: Increase the information about injuries in amateur athletes due to increase

the knowledge of the Physiotherapist. Methods: To develop this study it was made a convenience sample, athletes were submitted to

a clinical evaluation and inquired personally. After each training and game information regarding exposure time and injuries episodes were

recorded under standard forms recommended by Medical Centre of FIFA and by the Centre of Research (F-Marc). Results/Discussion:

The injury incidence in game was 26,24/1000h and 4,25/1000h in training. Regarding the several injuries the most frequent are the

muscular injuries (73,3%), basically on two anatomic regions which are on the thigh zone (33,3%) and hip/ groin (30%). Conclusion:

The high number of muscular injuries shows the need of improve the evaluation of injury risks and increase the prevention procedures.

It should. be done more actions appealing fair-play. In future it would be interesting to analyse impact of athlete’s daily work and the

relation with the increase of injuries risk on sport practices.

Key-Words: Injuries on amateur football players, Injury incidence, epidemiological study, injuries prevention.

Introdução

O presente estudo desenvolveu-se no Grupo

Desportivo de Prado (GDP), que é um clube de

futebol fundado em 1932, pertencente à Associação

de Futebol de Braga (AFB), no qual a sua equipa sénior

é composta totalmente por jogadores amadores.

Na actualidade existem diversos estudos

epidemiológicos sobre a incidência de lesões no futebol

profissional: durante torneios entre selecções (Ekstrand,

2004; Junge, Dvorak, Graf-Baumann, 2004; Ekstrand,

Waldén, Hagglund, 2004) em competições

internacionais como a Liga dos Campeões (Ekstrand,

2003), comparando equipas de topo dos principais

campeonatos europeus (Waldén, Hägglund, Ekstrand,

2007), em campeonatos nacionais (Hawkins, Hulse,

Wilkinson, Hodson, Gibson, 2001), no entanto o único

estudo encontrado que faz referência a equipas

amadoras foi realizado na Suécia no qual se compara a

actividade e número de lesões durante 1 ano em


diversos escalões: Superliga, 1ª divisão, 4ª divisão e 6ª

divisão [Ekstrand, 2003 (citados por Soares, 2007)].

A realidade do desporto amador é completamente

diferente do profissional, por isso existe a necessidade

de se analisar a incidência de lesões também neste tipo

de atletas de forma que os resultados possam ser

estudados, comparados e discutidos e assim

melhoramos os procedimentos dos fisioterapeutas.

Este estudo teve como principais objectivos:

1) A análise da incidência, circunstâncias e características

de lesões numa equipa amadora de futebol, permitindo

assim uma base de trabalho ao fisioterapeuta que com

a equipa técnica deverá elaborar planos de prevenção

adequados ao nível competitivo;

2) Aumentar o número de publicações sobre lesões

em atletas de nível amador de forma a permitir no

futuro mais informação.

Métodologia

Tipo de Estudo

Foi utilizado um estudo do tipo observacional,

descritivo e longitudinal na equipa sénior do GDP,

durante os nove meses da época desportiva (Agosto

de 2006 a Maio de 2007).

Amostra

Para a realização deste estudo recorreu-se a uma

amostra de conveniência, composta por vinte e cinco

atletas amadores, do sexo masculino, que participaram

na Divisão de Honra da AFB na época 2006-20007.

Para a sua caracterização (Quadro 1) reuniram-se os

dados biométricos de cada indivíduo (Idade, Peso e

Altura). Após tratamento estatístico, o grupo

apresentava, em média, 26 anos de idade [SD (Desvio

Padrão) ± 4,5], 74 kg (SD ± 5,8) e 1,77 metros de

altura (SD ± 0,06).

Caracterização dos locais de realização dos treinos e jogos oficiais

O GDP possui um campo com tapete de relva sintética

de última geração, aprovado e classificado pela UEFA

com três estrelas, no qual decorrem habitualmente, os

treinos e jogos oficiais. Quando a equipa tem que jogar

Quadro 1: Caracterização da amostra

Média Desvio Padrão Mínimo Máximo

Idade (anos) 25,83 4,46 19,00 34,00

Peso (kg) 73,96 5,84 63,00 86,00

Altura (cm) 1,77 0,06 1,67 1,90

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fora, encontra três tipos de piso diferentes: relva sintética

ou natural e terra batida.

Material e procedimentos

No início da época cada jogador foi inquirido em

entrevista com o Fisioterapeuta, nos seguintes aspectos:

Idade, Altura, Peso, Posição em Campo, Membro

Dominante, Profissão, Carga horária, se teve lesões

severas (paragem superior a 28 dias) em épocas

anteriores e qual o tipo de lesão.

Os atletas foram também submetidos a uma avaliação

clínica através do exame médico - desportivo standard

utilizado em Portugal que é obrigatório para todos os

atletas filiados, no qual o Médico atesta da aptidão para

a prática desportiva.

O fisioterapeuta auxiliado pelo preparador físico no

fim de cada treino ou jogo, recolheu as informações

relativas ao tempo de exposição de cada atleta e

colocou-as numa folha semelhante ao recomendado

pelo Centro Médico da FIFA Avaliação Médica e

Centro de Pesquisa (F-Marc) (anexo1).

Realizaram-se ao longo de toda a época 116 treinos e

33 jogos oficiais, por orientação da equipa Técnica, a

preparação do jogo oficial (realizado ao fim-desemana)

incluía três treinos por semana. A metodologia

de treino baseou-se na Periodização Táctica (Carvalhal,

2002).

O registo das ocorrências lesionais foi efectuado pelo

Fisioterapeuta no dia seguinte à data da lesão num

formulário individual (anexo 2), no qual se colocou o

diagnóstico da lesão baseando-se no Sistema de

Classificação OSICS (Orchard, 1995) como recomenda

o Centro Médico da FIFA Avaliação Médica e Centro

de Pesquisa (F-Marc).

Neste estudo considerou-se a lesão como, qualquer tipo

de ocorrência, de origem traumática ou de sobreuso,

da qual resulta incapacidade funcional, obrigando o

atleta a interromper a sua actividade, não participando

em, pelo menos, um treino ou jogo. Não são por isso

classificadas como lesões as situações em que o atleta,

ainda que não estando na posse das suas capacidades

consegue treinar ou jogar de forma condicionada

(Fuller, Ekstrand, Junge, 2006).

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As diversas definições (lesão, severidade de lesão,

exposição em jogo e treino etc…) basearam-se nas

indicações que do “Consensus Statement on Injury

Definitions and Data Collection Procedures in Studies

of Football (Soccer) (Fuller et al 2006) indica para a

normalização das definições e os procedimentos da

recolha de dados nos estudos de futebol.

A exposição em jogo e treino foi calculada pelas

equações “1” e “2”, respectivamente e a incidência de

lesões calculada através da equação “3”:

Equação 1: NJ x JJ x DJ / 60

Em que,

NJ – Números de jogos;

JJ – Número de jogadores que participaram no jogo;

DJ – Duração do jogo em minutos.

Equação 2: JT x DT / 60

Em que,

JT – Número de jogadores que participaram no treino;

DT – Duração do treino em minutos.

Equação3: número de lesões x 1000 / Exposição

Resultados

Realizaram-se ao longo de toda a época 116 treinos e

33 jogos oficiais, por orientação da equipa Técnica, a

preparação do jogo oficial (realizado ao fim-desemana)

incluiu três treinos por semana.

Nos jogos oficiais houve uma duração total de 3130

minutos, correspondendo a 33 jogos, com uma duração

média por jogo de 94,85 minutos, a média de jogadores

utilizados foi de 13,88.

Total de jogos

33

Total de

treinos

116

Duração

3130 (min.)

Duração

7797 (min.)

Média por jogo

94,85 (min.)

Quadro 3: Exposição em treino

Média por treino

67,22 (min.)

Nos treinos houve uma duração total de 7797 minutos,

correspondendo a 116 treinos, com uma duração

média por treino de 67,22 minutos, a média de

jogadores utilizados foi de 19,94.

Com estes valores procedemos ao cálculo das

exposições em jogo (724,08) (equação 1) e em treino

(2591,20) (equação 2).

Incidência de lesões em jogo e em treino:

Para o cálculo da incidência tivemos que colocar todas

as novas lesões no período que decorreu o estudo.

Relativamente às lesões recidivantes ou crónicas também

foram apontadas mas não são incluídas no cálculo da

incidência.

Após procedermos ao cálculo das exposições em jogo

(724,08) (equação 1) e em treino (2591,20) (equação

2), com estes valores aplicamos a equação 3 para calcular

a incidência das lesões em jogo e também em treino.

Obteve-se uma incidência de 26,24 lesões em 1000

horas de jogo, correspondendo a 19 lesões no total

das horas de exposição em jogo e uma incidência de

4,25 lesões em 1000 horas de treino, que corresponde

a 11 lesões no total das horas de exposição em treino.

Estes resultados indicam que realmente o risco de lesão

em jogo é muito superior ao do treino (Soares, 2007)

neste caso o risco de lesão em jogo é quase 5 vezes

superior ao risco de lesão em treino!

Natureza das lesões:

Quadro 2: Exposição em jogo

Considerou-se que as lesões traumáticas causadas por

um evento específico e identificável e as lesões de

sobreuso surgem por microtraumatismos repetidos,

Média de jogadores

utilizados

13,88

Média de jogadores que

participaram

19,94

Exposição

724,08

Exposição

2591,20


um evento específico e identificável e as lesões de

sobreuso surgem por microtraumatismos repetidos,

sem uma causa identificável como responsável pela

lesão (Fuller et al 2006).

No presente estudo a maioria das lesões foram de

origem traumática 96,7% e somente 1 lesão foi causada

pelo sobreuso, representando apenas 3,3%.

Estes valores reflectem a atenção que a equipa técnica

teve ao longo da época no controlo da fadiga dos

atletas, bem como um diálogo permanente entre atleta

– fisioterapeuta – equipa técnica.

Gravidade das lesões:

O grau de severidade define o número de dias que o

atleta não participou no treino, sendo este valor

encontrado desde a data da lesão até à integração

completa nos treinos com a equipa. Consideramos o

dia da lesão como dia “0” não contando para a

determinação da gravidade da lesão.

Consideramos 6 patamares de avaliação da gravidade

de lesão (Fuller et al 2006):

0 dias – Ligeira;

1 a 3 dias – Mínima;

4 a 7 dias – Média;

8 a 28 dias – Moderada;

> 28 dias – Severa;

Fim de carreira

Quadro 4: Exposição, Número de lesões e Incidência de lesões em jogo e treino

Exposição Lesões (nº.)

Incidência

(lesões/1.000horas)

Jogo 724,08 19 26,24

Treino 2591,29 11 4,25

Num total de 11 lesões em treino (36,7%), verificouse:

uma lesão de gravidade ligeira (3,33%), quatro lesões

de gravidade mínima (36,4%), três lesões de gravidade

média (27,3%), uma lesão de gravidade moderada

(9,1%) e duas lesões de gravidade severa (18,2%)

(Gráficos 1 e 2).

Num total de 19 lesões em jogo (63,3%), verificou-se:

nove lesões de gravidade mínima (47,4%), seis lesões

de gravidade média (31,6%), três lesões de gravidade

moderada (15,8%) e uma lesão de gravidade severa

(5,3%) (Gráficos 1 e 2).

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Nas lesões sem contacto verificou-se que 69,23%

tiveram um tempo de paragem inferior a 7 dias e que

30,77% tiveram um tempo de paragem superior a 7

dias (Gráfico 2).

As zonas mais afectadas foram a Coxa e a Anca/Virilha

com 33,3% e 30% respectivamente. Em seguida foram

as zonas do Tornozelo, Perna/Tendão de Aquiles e

Joelho cada uma com 10% e com uma percentagem

de 3,3% encontramos a zona Lombar/Pélvis/Sacro e

Esterno/Costelas (Gráfico 3).

A maioria das lesões ocorridas foi de natureza muscular

73,3%, as contusões 13,3%, as entorses 10% e apenas

3,3% são lesões ósseas (Gráfico 4). Ou seja, as lesões

musculares têm um peso enorme no valor total!

É importante referir que as 17 lesões induzidas por

contacto (56,7%), ainda que sendo as mais frequentes,

provocaram um tempo de inactividade menor, do que

as 12 lesões sem contacto (43,3%).

Verifica-se que 82,35% das lesões com contacto tiveram

um tempo de paragem inferior a 7 dias e somente

17,65% tiveram um tempo de paragem superior a 7

dias.

Não foram colocados dados sobre o número de

recidivas e lesões crónicas visto que não existiu nenhuma

ao longo de toda a época este facto deve-se em nossa

opinião:

Lesões crónicas

-Á selecção criteriosa dos atletas para integrarem o

plantel;

-Tiraram-se informações nos clubes anteriores dos

atletas se tiveram lesões severas (paragem superior a

28 dias);

-Fez-se uma entrevista com o Fisioterapeuta e o atleta,

questionando se teve lesões severas em épocas

anteriores e qual o tipo de lesão;

-Os atletas foram submetidos a uma avaliação clínica

através do exame médico – desportivo standard

utilizado em Portugal que é obrigatório.

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Recidivas

Gráfico 1: Gravidade das lesões ao longo da época em jogo e em treino

Gráfico 2: Distribuição do número de lesões com contacto e sem contacto pelo grau de gravidade

-Pela capacidade da equipa técnica gerir o esforço dos

atletas (Carvalhal, 2002);

-Pela equipa técnica não colocar demasiada pressão

no fisioterapeuta para a participação do atleta no jogo

sem estar a fase reabilitação terminada;

-Porque o stress competitivo aumenta a probabilidade

de lesões (Crevoisier, 2005) e neste tipo de competição

amadora, não existe muita pressão da comunicação

social, patrocinadores e adeptos.

Discussão

Sentimos dificuldades na discussão dos resultados pela

falta de estudos publicados com futebolistas amadores

e porque os estudos anteriores a 2006, ano da

publicação “Consensus Statement on Injury Definitions

and Data Collection Procedures in Studies of Football

(Soccer) (Fuller et al 2006) utilizam metodologias e

definições diversas.

O valor total de lesões na nossa equipa durante um

ano cifrou-se em 30 sendo muito superior ao observado

no campeonato sueco numa equipa da 6ª divisão que

no final somou somente 14 lesões (Ekstrand, 2003)

este facto sugere-nos diversas questões:

• Qual a metodologia de treino utilizada na Suécia?

• Na Suécia o volume de treino anual é menor ao

existente em Portugal, por causa da paragem

de Inverno?


• Qual o relevo que se dá à prevenção de lesões

pelos Departamentos Médicos nas duas

realidades?

O número de lesões em jogo registado foi bastante

superior ao número de lesões registadas em treino. Estes

valores reflectem os resultados encontrados em estudos

anteriores (Junge et al 2004; Waldén et al 2007; Ekstrand

2004).

Relativamente à natureza das lesões observou-se que

somente 1 lesão foi causada pelo sobreuso,

representando apenas 3,3%, este valor reflecte na nossa

opinião a atenção que a equipa técnica teve ao longo

da época no controlo da fadiga dos atletas, bem como

um diálogo permanente entre atleta – fisioterapeuta –

equipa técnica (Carvalhal, 2002).

O número elevado de lesões induzidas por contacto

(60%) poderá indicar que se deveriam efectuar mais

acções apelando ao “Fair-Play” (Junge, et al 2004)

(Fuller, Smith, Junge, Dvorak, 2004) entre os atletas de

equipas adversárias, na realidade do desporto amador

este tipo de acções profiláticas é inexistente.

Gráfico 3: Distribuição da localização anatómica das lesões

Gráfico 4: Distribuição do tipo de lesão

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As lesões musculares assumem um valor elevado com

73,3% estando normalmente associadas à fadiga

muscular (Soares, 2007) (Carvalhal, 2002), pensamos

que neste caso poderá estar associada à carga efectuada

pelo atleta durante o seu dia de trabalho, mas são

necessários mais estudos que possam comprovar esta

relação.

É de salientar a baixa incidência de entorses do

tornozelo em relação a outros estudos (Junge et al

2004), (Waldén et al 2007), (Ekstrand, 2004), apesar do

tamanho da amostra não dar para tirar conclusões, na

nossa opinião este facto deve-se à excelente qualidade

da relva sintética utilizada, que está de acordo com as

normas da UEFA (Ekstrand, 2005).

O elevado número de lesões sofridas na zona da coxa

e anca/virilha em relação a outras zonas anatómicas

confirma valores encontrados anteriormente (Price,

Hawkins, Hulse, Hodson, 2004).

Conclusão

È necessário acções teóricas e práticas (acção do

Árbitros) apelando ao “Fair-Play”, porque no desporto

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amador este tipo de acções profiláticas são inexistentes.

O elevado número de lesões musculares demonstrou

a necessidade de melhorar a avaliação do risco de lesão

e aumentar as medidas de prevenção a ser aplicadas,

no entanto não sabemos se as medidas mais

importantes são semelhantes às aplicadas no futebol

profissional.

Seria interessante analisar o impacto do volume e

intensidade de trabalho diário dos atletas na sua

profissão e a sua relação com o aumento dos factores

de risco na prática desportiva.

Agradecimentos

Ao Dr. João Lourenço (Médico da Associação de

Futebol de Braga), ao Senhor Fernando Pires Treinador

Principal do GDP na época 2006-2007, ao Professor

Rui Igrejas Preparador Físico do GDP na época 2006-

2007, à Fisioterapeuta Vera Gomes (GDP), à

Fisioterapeuta Cátia Magalhães (GDP) e ao Enfermeiro

Nuno Lago (Hospital de São Marcos), a todos meu

obrigado por todo o apoio prestado.

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recuperação é…muitíssimo mais que “recuperar”. Braga, Editora

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