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ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Arouca<br />
Márcia Cristina de Bessa Brandão Ferreira<br />
Ana Helena de Bessa Ferreira Pinto<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente<br />
“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />
desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />
trabalho. Num instante, os números dos<br />
amigos “voaram” para dentro da memória.<br />
No dia seguinte, recebeu a mensagem “liga<br />
-me”. Não conhecia o número, não ligou. A<br />
mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu<br />
-se…<br />
A Andreia entra na escola a correr. Vê ao longe<br />
a Catarina e com um grande sorriso misterioso,<br />
corre para ela de telemóvel na mão:<br />
- ―Já o tenho!!! Arranjei- te o número!!!‖<br />
- ―Conseguiste?! Como conseguiste?!‖ – pergunta<br />
a Catarina entusiasmadíssima.<br />
Era o primeiro intervalo de aulas da manhã e o<br />
João, no seu ponto de encontro habitual, estava<br />
com o Pedro e outros amigos. Recebe uma mensagem.<br />
Tira do bolso o telemóvel e lê: ―liga-me‖.<br />
Passa o telemóvel pelos amigos para saber se<br />
algum conhece o número. Quando chega ao<br />
Pedro, este, um pouco embaraçado, pega no seu<br />
telemóvel e compara os números…. Era o da sua<br />
amiga especial, a Catarina.<br />
- “Não, não; não conheço.” (diz lentamente, tentando<br />
disfarçar)<br />
O João recebe nova mensagem do mesmo número:<br />
―Olá giro ‖
Decide responder:<br />
João: “Kem ex? :S ñ tenho ext nr…”<br />
Catarina: ―Uma amiga do Pedro…‖<br />
O João levanta a cabeça para comentar com o Pedro,<br />
mas apercebe-se que este desapareceu.<br />
João: “I para k kerx o meu nr??”<br />
Catarina: “Pk, t axu mt giro. I gxtava de t knhecer<br />
melhor… ;) Tenx algu expecial…”<br />
João: “Axas?? Tax a gozar??”<br />
Catarina: “Ñ, claro k axo ”<br />
João: “Kual dax amigx do Pedro ex?”<br />
Catarina: “A Catarina, a de cabelo loiro”<br />
João: “:D vou pra aula… bj”<br />
Catarina: “Bj, giro! ”<br />
João: “ Pk é k foxtx embora sem dizer nd?”<br />
Pedro: “ Dxculpa, max tive k ir p aula? Xau”<br />
No dia seguinte, o Pedro não foi ter ao ponto<br />
de encontro habitual e deixou de falar com o<br />
João. Com o passar dos dias, as mensagens<br />
entre o João e a Catarina continuaram e os<br />
olhares cúmplices cruzavam-se. O Pedro<br />
andava cada vez mais triste e sozinho e a<br />
Catarina apercebeu-se disso. Evitava,<br />
então, passar pelo João, continuando a<br />
mandar-lhe SMS. Esta situação deixava o<br />
João confuso e entristecido. Um dia, no final
das aulas, uma conversa com a<br />
mãe e a irmã, foi decisiva: o ponto<br />
de partida para a resolução de todas<br />
estas confusões virtuais.<br />
Irmã: -― Na escola parece que os relacionamentos<br />
estão fechados para obras, bloquearam!‖<br />
Mãe: - ―Por vezes bloqueiam!‖<br />
Irmã: – ―Parece que só há amizades virtuais!‖<br />
Mãe: - ―Não acreditem nessa. A amizade só<br />
existe quando podes contar com a outra pessoa<br />
verdadeiramente.‖<br />
João: -―Mas então… o que é que eu posso<br />
fazer?‖<br />
Mãe - ―Criar laços. Conversar.‖<br />
Irmã - ―Pessoalmente.‖<br />
O João entendeu. No dia seguinte, convidou todos<br />
os seus amigos, incluindo o Pedro e a Catarina,<br />
para um jogo de cartas nas bancadas do campo<br />
exterior. Trocaram os SMS por conversas de intervalo<br />
e os smiles por gargalhadas.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
José Paulo Sá<br />
Diogo Pereira Jorge<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente Duplo<br />
Olá! O meu nome é Real Virtual.<br />
A minha família e os meus amigos<br />
conhecem-me por Real, já para a malta<br />
dos chats e dos jogos, na Internet, sou<br />
sim<strong>plesmente</strong> o Virtual. Como Real, sou<br />
pequeno(a), moreno(a), tímido(a), mas<br />
como Virtual faço de conta…<br />
… que sou outra pessoa que não o verdadeiro<br />
eu. Há conversa com os meus amigos na<br />
escola e com os meus pais e eles dizem que<br />
nunca devemos usar identidades verdadeiras<br />
na internet porque é um mundo bastante grande<br />
onde existem muitas pessoas e, apesar de<br />
nem todas serem más pessoas há sempre aquelas<br />
que se gostam de destacar pela negativa e<br />
então invadem as nossas vidas privadas, o nosso<br />
mundo Real e então aproveitam-se das nossas<br />
fragilidades de segurança a nível da internet para<br />
nos roubarem ou para se fazerem passar por nós,<br />
utilizando assim os nossos dados que são disponibilizados…<br />
Estive também à conversa com o meu melhor<br />
amigo lá da escola, o Firewall e ele disse-me que<br />
não consegue proteger-me de todos os meus inimigos,<br />
pois ele não os conhece a todos, mas apenas<br />
alguns, como por exemplo a equipa spyware,<br />
o grupo vírus, e assim …<br />
Nessa conversa falamos de muitas coisas, e ele<br />
alertou-me bastante por causa dos phishing‘s e as
páginas que são criadas na internet por possíveis inimigos;<br />
como eu faço bastantes compras na internet com o<br />
cartão dos meus pais, sou obrigado a dar dados verdadeiros,<br />
e parece que existem uns indivíduos maus que<br />
com páginas aparentemente iguais nos roubam as<br />
passwords e com elas o dinheiro da conta no banco!<br />
Fiquei bastante admirado com o que ele disse e então,<br />
mal cheguei a casa conversei com o meu pai e ele disse-me<br />
para ter bastante cuidado com essas coisas<br />
pois não é difícil apanhar essas pessoas que nos querem<br />
mal e temos que nos prevenir com tudo o que<br />
temos…<br />
Agora, quando faço compras na internet tenho<br />
sempre o cuidado de ligar ao Firewall e aconselhar<br />
-me com ele e só depois coloco os meus dados na<br />
página. Com todos os inimigos cibernéticos que<br />
tenho, preciso de usar todas as minhas armas<br />
defensivas para que não me ataquem ou invadam<br />
a minha vida real…<br />
Por isso amiguinhos de todo o mundo da internet,<br />
tenham muito cuidado e estejam atentos<br />
porque há sempre grupos maléficos à espera<br />
que nós entremos nas ratoeiras deles para<br />
que nos possam atacar para sempre, pois as<br />
ratoeiras deles são bastante fortes e quando<br />
nos apanham é difícil sair de lá.<br />
Assim aconselho todos os amigos virtuais<br />
que, antes de usarem a internet, tenham<br />
muita precaução e acima de tudo aconselhem-se<br />
com os vossos amigos, tal como eu<br />
fiz com o meu amigo Firewall e também
com irmão dele, o Anti-Vírus, pois<br />
amigos como estes sabem bastante<br />
do mundo <strong>virtual</strong> que nós tanto gostamos<br />
de utilizar e, como tal, podemnos<br />
ajudar a proteger-nos contra quaisquer<br />
más eventualidades que possamos<br />
encontrar enquanto navegamos no mundo<br />
na internet … Por isso, espero que todos os<br />
amiguinhos aproveitem as minhas dicas e<br />
tomem as devidas precauções.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Básica e Secundária de Baião<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Cecília Maria dos Reis Torres<br />
António Alberto Loureiro da Silva<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente<br />
“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />
desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />
trabalho. Num instante, os números dos<br />
amigos “voaram” para dentro da memória.<br />
No dia seguinte, recebeu a mensagem “liga<br />
-me”. Não conhecia o número, não ligou. A<br />
mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu<br />
-se…<br />
Ele não sabia o que fazer, facto era que aquele<br />
constante bip das mensagens até já a mim me<br />
irritava. Já agora, olá, eu sou o amigo do João,<br />
o Manuel, conto-vos aqui como tudo se passou<br />
quando a curiosidade foi mais forte que o João.<br />
De manhã cheguei à escola e deparei-me<br />
com um sorriso na cara do João.<br />
- Bom dia João, estás bom? Vejo que, pelo teu<br />
bom ar, os teus pais te deram aquele telemóvel<br />
espectacular que vimos no outro dia na loja do Sr.<br />
Pedro. – disse-lhe eu, como quem procura uma<br />
resposta.<br />
- Sim! Sim, deram Manuel, anda ver, é mesmo<br />
nice! – respondeu ele, contentíssimo com o seu<br />
novo brinquedo.<br />
Fui, de imediato, ver e, realmente, era o melhor<br />
que já tínhamos visto e, naquele momento, o João<br />
era ―o maior da escola‖ por ter assim um telemóvel<br />
topo de gama. Estávamos os dois a jogar quando<br />
ele recebeu uma mensagem de um número des-
conhecido a pedir que lhe ligasse e eu perguntei:<br />
- Quem é, João?<br />
- Não sei, desde ontem que me manda esta mensagem,<br />
já estive quase para lhe conceder o desejo de ouvir a<br />
minha voz, mas a minha mãe diz que é perigoso, para<br />
eu ignorar – respondeu-me ele, um pouco incomodado<br />
e, ao mesmo tempo, curioso.<br />
- Faz o que a tua mãe diz, a minha também me diz<br />
sempre que não fale com estranhos. - aconselhei-o<br />
eu também.<br />
O João estava ciente dos perigos que havia em ligar<br />
para um número desconhecido e já tinha sido alertado<br />
várias vezes por várias pessoas, porém não<br />
resistiu e, de tarde, contou-me que tinha ligado<br />
para esse número.<br />
- Como foi, João? - perguntei eu.<br />
- Ninguém falou, apenas durou um minuto a<br />
chamada, e logo desliguei. O melhor foi que<br />
pararam de me mandar a estranha SMS. - respondeu<br />
ele.<br />
Fiquei contente por ele e, visto que tudo não<br />
passou de algo insignificante, nem lhe dei<br />
qualquer tipo de reprimenda como seu<br />
melhor amigo. Passada uma semana, o João<br />
chegou à escola muito mal disposto e deprimido,<br />
e eu perguntei-lhe o que tinha:<br />
- Que se passou, João? O teu telemóvel<br />
novo avariou?<br />
- Não, Manuel, mas é com o telemóvel que
o problema está relacionado.<br />
Ontem, estava a ver o meu e-mail<br />
quando reparei que numa daquelas<br />
mensagens a pedir donativos estava a<br />
minha voz num som anexado a pedir<br />
ajuda. Utilizaram a minha voz para burlar<br />
pessoas com um pedido de caridade que<br />
nunca existiu. Foi quando me ligaram<br />
daquele número desconhecido, lembras-te?<br />
Só pode ter sido assim.<br />
- Pois foi, e agora João?<br />
Disse-me que tinha contado tudo à mãe e ela<br />
tinha ido fazer queixa à polícia. Felizmente,<br />
passados uns dias, tinham descoberto o primeiro<br />
destinatário daquele e-mail e consequentemente<br />
o autor daquela brincadeira de mau gosto.<br />
Nunca ninguém nos disse quem foi, mas nós<br />
sempre desconfiámos do Chico, o maior rufia da<br />
escola que tinha fama de descobrir as pass‘s da<br />
Internet da escola e andava sempre com muito<br />
dinheiro.<br />
Desde aí, tanto eu como o João, aprendemos<br />
(pela pior forma) que toda aquela bonita tecnologia<br />
que se vê na loja do Sr. Pedro também tem as<br />
suas adversidades e há que ter cuidado com a forma<br />
como a usamos.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária de Eça de Queirós<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Maria Helena Silva<br />
Patrícia Manuela Oliveira Ribeiro<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Tentações<br />
A nossa professora marcou-nos<br />
um trabalho sobre um dos assuntos<br />
abordados nas últimas aulas. Pesquisei<br />
bastante e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />
na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />
assunto. …<br />
Uma história que me deixou abismada e<br />
pensativa. Não sei se é realmente verídica ou<br />
não, mas decidi recontá-la e usufruir dela<br />
como exemplo para o tema de trabalho que<br />
escolhi: Internet Segura. O texto estava como<br />
autor anónimo. Compreendi. Entrei em contacto<br />
com o escritor através do fórum do site. Expliquei<br />
que estava a fazer um trabalho e pedi ajuda<br />
para recontá-la. Sempre com respeito ao<br />
assunto, acabei por perguntar se seria possível<br />
descrever melhor o que havia acontecido naquele<br />
dia. Com receio de receber uma recusa, fui surpreendida<br />
com um sim. Trocamos opiniões e factos<br />
sem nunca revelar nomes, idades, moradas…<br />
sem nunca revelar dados pessoais. Juntei todas as<br />
informações e ajudas e criei o meu texto. Terminei<br />
-o. No dia seguinte, entreguei à professora. Abriu<br />
o portefólio e, curiosa, principiou por olhar vagamente<br />
os tópicos do índice. Estagnou no ponto<br />
―Curiosidades‖, viu a página à qual correspondia, e<br />
começou a folhear o documento suavemente, e<br />
bem devagar até à folha esperada. Iniciou a sua<br />
leitura.<br />
―Numa tarde bem quente, clara, húmida, corria
uma brisa fresca – uma tarde de Primavera. Uma menina<br />
adolescente, triste e sozinha, estava sentada no chão,<br />
num canto sombrio da escola. Tinha-se chateado com os<br />
colegas. Não a achavam interessante, nem a consideravam<br />
alguém do mesmo nível. Queriam que ela mudasse,<br />
que se tornasse igual a eles para a poderem considerar<br />
―cool‖ e integrar no grupo. A jovem, tendo os<br />
seus princípios, recusou tal barbaridade. Era gozada<br />
por todos. Após mais um dia de maus tratos na escola<br />
foi para casa desejando que aqueles rótulos desaparecessem<br />
como por magia. Vivia numa casa simples,<br />
não muito exuberante, uma casa modesta de uma<br />
família de vida estável.<br />
Exausta, decidiu ir até a internet e entrar num chat<br />
podendo ser quem ela sonhasse. Pelo menos ali<br />
ninguém a criticava nem sabia quem realmente<br />
ela era. Empeçou uma conversa com alguém que<br />
dizia ser da mesma idade que ela e que sofria a<br />
mesma situação. Tudo parecia perfeito. Os<br />
desabafos, após a troca de simples dados –<br />
idade e nome – foram o assunto principal. Passou<br />
o dia, e outro, e outro, e tantos outros<br />
sucessivamente. Ela só desejava chegar a casa<br />
e falar com o ―amigo‖. Tornaram-se melhores<br />
amigos, considerava ela. Os dados pessoais<br />
começaram a voar pelas conversas sem ela<br />
se aperceber. Combinaram encontrar-se.<br />
No dia esperado, ela acordou radiante e saltou<br />
da cama com toda a excitação de ir ter<br />
o encontro com o ―amigo de sonho‖. O<br />
encontro era à tarde, no fim das aulas. Mal
podia esperar. Vaidosa, preparouse<br />
para sair e foi ao local combinado.<br />
Chegou a horas, ainda não estava<br />
ninguém… O tempo começou a surgir<br />
e ela continuava sozinha e cada vez<br />
mais ansiosa, ele ainda não havia aparecido.<br />
Entretanto, recebeu uma SMS a dizer<br />
que estava atrasado e que iria demorar,<br />
mas tinha quem a fosse buscar caso ela consentisse.<br />
Ingénua, aceitou sem hesitar. Passados<br />
uns instantes surgiu um carro – um<br />
bom carro por sinal, negro e de boa marca,<br />
confortável. Tinha um motorista. Ela entrou no<br />
carro e seguiu viagem. De repente, o carro<br />
parou. ―Chegamos‖ – disse o motorista. Saiu e<br />
entrou naquele casarão. Não viu nenhum rapaz<br />
da idade dela, apenas o suposto motorista que<br />
se dirigia até ela com um sorriso cínico. Ela<br />
esfriou, estagnou, congelou. Aquele sujeito agarrou-a,<br />
usou e abusou dela e ainda a ameaçou.<br />
Estava num beco sem saída… Sujeitou-se a todos<br />
aqueles abusos suados e repugnantes, dias e dias<br />
consecutivos. Não podia revelar a ninguém nem<br />
tão pouco pedir ajuda. Estava desesperada. Só ela<br />
sabia como se sentia. (…)‖ Sentada ao lado da<br />
professora, reparei que ela não tinha terminado de<br />
ler. Impaciente para saber a sua opinião perguntei:<br />
―Não gostou?‖. Apenas vi uma lágrima escorrendo<br />
lentamente pelo seu rosto caindo sobre a<br />
folha. A professora levantou e saiu da sala. Nesse<br />
mesmo instante percebi quem era aquela menina…
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
José Paulo Sá<br />
António Fernandes Lourenço<br />
José Alberto Sousa<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Tentações<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
no meu correio electrónico. Fui eu<br />
o escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”.<br />
Era o meu dia de sorte!... Fui premiado!...<br />
Mas não me lembro de ter participado em<br />
algum concurso. Mas…. não interessa, está<br />
ganho! Acabei por aceitar o prémio. Só<br />
tenho que escrever os meus dados para o receber.<br />
Então digitei o meu nome completo, morada,<br />
contacto, nº de BI, data de nascimento, email…<br />
Depois de ter introduzido os meus dados,<br />
recebi a informação que dentro de 15 dias o prémio<br />
chegaria a minha casa. Eu estava eufórico e<br />
ansioso… o meu sonho estava prestes a realizarse.<br />
Iria receber a consola que mais desejava!<br />
Entretanto fui até ao MSN para contar a novidade<br />
aos meus amigos. De repente, reparei que a<br />
minha caixa de correio estava ―entupida‖ de mensagens<br />
de pessoas que não conhecia. Ao ler<br />
alguns dos e-mails, verifiquei que me remetiam<br />
para vários sites. Alguns dos endereços davam<br />
acesso a concursos de jogos, outros perguntavam<br />
se eu tinha mais de 18 anos (achei melhor não<br />
abrir). Muitos outros de publicidade. Seleccionei<br />
alguns dos emails e eliminei-os. Enfim, quanto<br />
mais e-mails eram apagados, mais recebia! Os
meus amigos informaram-me que estava a enviar-lhes emails.<br />
Disse-lhes que não tinha enviado nenhum email!...<br />
Não entendi o que se estava a passar.<br />
Dos diversos e-mails recebidos, um deles era bastante<br />
aliciante para a minha idade. Decidi abrir e …. o conteúdo<br />
remetia-me a um link de um site mais ousado<br />
(erótico). Com curiosidade própria da minha idade, dei<br />
uma vista de olhos geral pelo site. Ao visualizar o conteúdo<br />
de um vídeo, tinha de instalar uma aplicação.<br />
Instalei-a, mas o resultado não foi visível…. Se calhar<br />
não instalei bem, pois não aconteceu nada. Passados<br />
alguns segundos comecei a visualizar um formulário<br />
com os meus dados pessoais e outros campos<br />
para preencher. No final do formulário havia<br />
um botão para avançar. Cliquei e comecei a visualizar<br />
um vídeo com cenas pedófilas. Chocado com<br />
as imagens desliguei o computador. Mais tarde,<br />
decidi liga-lo novamente. Mas algo se passava,<br />
pois o computador não ―arrancava‖!... Que<br />
estranho, ainda há pouco estava a funcionar!...<br />
Insisti várias vezes mas não consegui ligá-lo.<br />
No dia seguinte, na escola, pedi ajuda a um<br />
amigo cujo pai é informático. Ele viu o computador<br />
e disse que um vírus tinha apagado todo<br />
o conteúdo do meu disco rígido. Chatice!...<br />
Vou ter que fazer novamente os trabalhos da<br />
escola. As minhas fotos, músicas e filmes<br />
desapareceram, os meus dados circulam na<br />
internet…Já a consola, essa nunca chegou a<br />
minha casa. … e desconfio que estou a ser<br />
observado…… talvez pedófilos ou raptores.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
: Externato D. Afonso Henriques<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Marta Pinto<br />
Cristiana Raquel Mendes Pereira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente<br />
“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />
desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />
trabalho. Num instante, os números dos<br />
amigos “voaram” para dentro da memória.<br />
No dia seguinte, recebeu a mensagem “liga<br />
-me”. Não conhecia o número, não ligou. A<br />
mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu<br />
-se…<br />
Depois de muitas mensagens ―repetidas‖, houve<br />
uma que o fez despertar: ―liga-me, sou a<br />
Lara‖. Ele estava cheio de saudades da Lara, já<br />
não a via há quase dois anos, além de continuar<br />
a suspirar por ela, tal como no dia em que a<br />
conheceu.<br />
Respondeu imediatamente à mensagem, foram<br />
falando e falando, no entanto, o João achava que<br />
o amor da sua vida estava muito mudado, estava<br />
mais receptivo e muito mais simpático com ele,<br />
porém, apesar de estranhar a atitude, não podia<br />
deixar de se sentir radiante…<br />
Falavam de tudo, menos do passado e das saudades<br />
que ele sentia por ela. Descreviam cada passo<br />
que davam e falavam, falavam…<br />
―Aquele telemóvel está a destruir-lhe a vida‖, dizia<br />
a mãe do João desesperada… A cada dia que passava<br />
ele ficava mais tempo apegado ao telemóvel,<br />
esquecendo todo resto…<br />
Os amigos estavam cansados de o ver com aquela
coisa, desistiram mesmo de o chamar para sair. Os trabalhos<br />
de casa ficavam por fazer, as noites eram passadas<br />
quase sem dormir, ―e tudo isto por causa daquele maldito<br />
telemóvel‖, pensava a mãe. A vida do João tinha<br />
mudado, tudo porque a Lara, a Lara dele, estava dentro<br />
daquele aparelho… Não restava mais nada, era só o<br />
João e o Lara-telemóvel, até que um dia…<br />
O sol estava posto, o céu era azul, o dia mostrava-se<br />
radiosamente belo para voltar a ver a Lara… Ao chegar<br />
ao jardim, os olhos de João procuravam todos os<br />
cantos por ela, até que a Lara chegou, o mundo<br />
parou. O João entrou em estado choque, ficou<br />
assustado: não reconhecia a pessoa que se apresentava<br />
diante dos seus olhos, não era a Lara que<br />
deixou de ver há quase dois anos, e muito menos<br />
a Lara daquele telemóvel.<br />
A revolta chegou, o desespero pairou sobre a<br />
sua cabeça, o seu coração estava destroçado, a<br />
realidade aproximou-se, tinha perdido tudo, os<br />
amigos, a escola… Tudo isto porque alguém do<br />
outro lado da linha se apresentava como Lara…<br />
Destruiu aquele telemóvel, e nunca mais quis<br />
saber de telemóveis… Muitos meses depois, o<br />
João recebeu de presente ―aquele‖ computador.<br />
Há muito que o desejava! Entusiasmado,<br />
lançou-se ao trabalho. Num instante, os emails<br />
dos amigos ―voaram‖ para dentro da<br />
memória. No dia seguinte recebeu o e-mail<br />
a dizer ―fala comigo‖. Não conhecia o email,<br />
não respondeu. O e-mail repetiu-se, e<br />
repetiu-se, e repetiu-se...
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso Henriques<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Marta Pinto<br />
Ana Patrícia Barbosa Rodrigues<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O Melhor Preço<br />
Todos sabiam o que ele queria<br />
para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais<br />
baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />
preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />
para fazer o registo.<br />
Estava farta que os meus pais me dessem<br />
tudo! Quis comprar algo com o dinheiro. Então<br />
pronto! Respondi às perguntas, não eram muitas,<br />
e queria tanto os jogos que nem liguei!<br />
Perguntavam coisas simples como o nome, a<br />
idade, contactos, e-mail, morada para me enviarem<br />
o jogo… Ah! Pediam também umas informações<br />
que nem sei o que eram mas relacionava-se<br />
com o método de pagamento, pedi-as a minha<br />
mãe que me deu tudo num ápice pois tinha que<br />
voltar para o computador, lá andava ela…<br />
telemóvel para um lado…fax para o outro…e mais<br />
meia dúzia de assinaturas…<br />
Foi fácil! Passadas duas semanas lá estava o jogo!<br />
Era tão fixe!! E o melhor é que trazia mais ofertas!<br />
Era a possibilidade de participar numa publicidade<br />
que viria a passar na televisão! Que sorte! Só<br />
tinha que pedir umas assinaturas à minha mãe,<br />
pois sou menor, e: problema resolvido! Não prestei<br />
muita atenção àquelas letrinhas pequenas…afinal<br />
não deviam dizer nada de importante! Era sempre<br />
o mesmo blá blá blá… Não tinha tempo a perder!
Fui ter com a minha mãe, mas ela estava sempre ocupada<br />
ou no computador…ou no telemóvel…ou em vídeo conferência…<br />
Desisti de esperar e sem demora copiei, com<br />
papel vegetal, a sua assinatura. Problema resolvido.<br />
Agora era só esperar!<br />
Passaram-se semanas e nada, nada mesmo! Até que<br />
recebi um e-mail que dizia: ―Parabéns! Acabaste de<br />
ganhar um telemóvel ultima geração! Para o receberes<br />
basta vires até à avenida D. Sebastião, número 142,<br />
4780-021 Lousada, aproveita e faz uma sessão fotográfica,<br />
participando na publicidade da nossa marca.<br />
Contacta-nos através do número 92 344 54 32 e<br />
combinamos a data.‖<br />
Passados três dias aproveitei a minha tarde livre e<br />
fui até lá, tal como o combinado! Nem disse nada<br />
aos meus pais… (para quê? Eles passam a vida a<br />
trabalhar! São tão viciados no trabalho que ate<br />
parece que a família deles é o computador, o<br />
PDA, a internet ou o fax… Que chatice!) Quando<br />
cheguei à tal morada estava um senhor à<br />
minha espera. Mostrou-me um cartão e levoume<br />
até um apartamento perto dali. Disse-me<br />
para que estivesse à-vontade e que vestisse<br />
um biquíni, pois iam fotografar-me.<br />
Fiz sucessivas sessões, diziam que tinha um<br />
encaixe perfeito com a câmara, iam buscarme<br />
a escola e pôr-me em casa, compravamme<br />
com jogos e meia dúzia de euros para<br />
gastar como quisesse… Ao fim de algumas<br />
sessões já me despia por completo. Mas era<br />
obrigada, pois era isso ou a minha família é
que sofria.<br />
Fui violada por dois supostos fotógrafos,<br />
descobri que todos os dados<br />
sobre o pagamento dos jogos destinavam-se<br />
sim<strong>plesmente</strong> ao roubo de tudo<br />
o que os meus pais ganhavam… E o<br />
medo… A vergonha… Isso era enorme, tais<br />
como os euros roubados… Sabiam tudo<br />
sobre mim, vigiavam a minha vida, usavamme<br />
para pornografia <strong>virtual</strong>… Nada havia a<br />
fazer… A minha vida estava destruída e tudo<br />
por um estúpido jogo e um questionário que<br />
respondi em dois minutos…<br />
A internet é muito boa se for bem utilizada, mas<br />
esconde muitos perigos que, caso não tenhamos<br />
cuidado, nos podem levar até a varanda do 7.º<br />
andar e fazer-nos olhar para baixo e desistir de<br />
tudo, porque já se sabe o que nos espera no dia<br />
seguinte, então o medo não nos deixa fugir senão<br />
saltando.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
José Paulo Sá<br />
Avelino Moreira Soares<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente Duplo<br />
Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por Real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
Virtual. Como Real sou pequeno,<br />
moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />
conta …<br />
… mas como que sou tudo o que quero ser,<br />
não tenho vergonha de nada. Um dia destes,<br />
estava num chat, quando entrou uma pessoa<br />
que se chamava ―nininha_21‖. Presumi que<br />
tivesse 21 anos, no entanto, como eu só tenho<br />
10 pensei logo “ela não vai querer teclar comigo‖.<br />
Como já referi, sou um rapaz tímido, normalmente<br />
não consigo falar muito tempo com as<br />
miúdas da minha escola, e elas acham-me uma<br />
seca, pois não sei do que falar (e elas também<br />
não percebem nada de futebol!).<br />
Assim sendo resolvi meter conversa com a tal<br />
―nininha_21‖ - sempre era mais fácil pela net. A<br />
primeira coisa que me perguntou foi a minha idade.<br />
Bem, tive que mentir, claro! Disse-lhe que<br />
tinha 27 anos (normalmente as miúdas gostam de<br />
rapazes mais velhos, não sei bem porquê…).<br />
Depois perguntou-me de onde era e como era!<br />
Como eu era?? Mas porquê, eu só queria falar um<br />
pouco e não me interessava muito saber como ela<br />
era. Bem, disse-lhe que era alto e loiro (as miúdas
gostam dos loiros) e disse-lhe também que tinha muitos<br />
músculos (já que ela não me conhecia realmente, podia<br />
dizer o que queria)! Ela disse-me (sem eu lhe perguntar)<br />
que era morena, tinha os olhos verdes, 1,65 m e que<br />
―tinha tudo no sítio!‖. Depois sugeriu que fôssemos para<br />
uma sala privada de chat, para falarmos mais à vontade<br />
e para fazer uma vídeo – chamada. Assim mudamos<br />
de sala, mas eu disse-lhe que a minha câmara não<br />
estava a funcionar. Ela sugeriu que eu lhe enviasse<br />
fotos.<br />
Que grande confusão, que ia eu agora fazer?? Bem<br />
disse-lhe que ia seleccionar a melhor e que depois<br />
lha ia enviar!<br />
Eu não sabia o que fazer, e na verdade eu ainda<br />
não tinha conversado com ela grande coisa. O<br />
que eu queria mesmo saber era que tipo de conversas<br />
é que se tem com as miúdas, mas esta<br />
conversa era muito estranha! Depois de insistir,<br />
insistir e voltar a insistir pela foto eu enviei-lhe<br />
uma foto da net, dizendo que era eu! Já se<br />
passaram duas semanas desde a primeira vez<br />
que falei com a ―nininha_21‖.<br />
A cada conversa ela quer saber mais coisas<br />
sobre mim. Ontem dei-lhe o meu número de<br />
telemóvel. Agora o telemóvel não pára e há<br />
vários números diferentes a enviar-me mensagens.<br />
A minha mãe até já desconfiou (pois<br />
nunca recebia mais do que 1 ou 2 mensagens<br />
por semana). A nova da ―nininha_21‖<br />
é que me quer conhecer pessoalmente. Não<br />
sei o que fazer! Eu até gostava de a conhe-
cer, afinal nunca conversei com<br />
uma rapariga mais do que 5 minutos<br />
e com esta passo horas no computador,<br />
mesmo que muitas coisas<br />
que eu diga não sejam verdade. Ela é<br />
muito atenciosa para mim, está sempre<br />
disponível para conversar… Só é pena eu<br />
ter menos 17 anos na realidade….<br />
Para a próxima tenho mesmo de escolher<br />
alguém próximo da minha idade, porque na<br />
situação em que estou agora não dá para<br />
avançar mais, pois posso vir a ter grandes problemas.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Alcaides de Faria, Arcozelo, Barcelos<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Mário Fernandes Patrão<br />
Marlene Sofia Costa Matos<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente<br />
“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />
desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />
trabalho. Num instante, os números dos<br />
amigos “voaram” para dentro da memória.<br />
No dia seguinte, recebeu a mensagem<br />
“liga-me”. Não conhecia o número, não<br />
ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se,<br />
e repetiu-se<br />
Enquanto o João não ligou, as mensagens não<br />
pararam e, por cada mensagem recebida, eralhe<br />
cobrado o valor de 2,00€. Para pôr um ponto<br />
final nesta situação, o João decidiu ligar para<br />
o remetente das mensagens. Ao ligar, foi surpreendido<br />
com um atendedor automático que<br />
informou que tinha sido seleccionado para um<br />
megaconcurso, que decorria através da internet,<br />
cujo prémio era 5 000,00 €. Como ele era um<br />
cibernauta muito aventureiro, nunca se importando<br />
de dar informação sobre si, foi seguindo as instruções<br />
da voz do atendedor. Era dito que, para<br />
poder receber o prémio, às 14 horas do dia<br />
seguinte, tinha que se dirigir a uma casa, bem no<br />
centro da cidade onde habitava. Rapidamente o<br />
jovem anotou a morada, sem pensar nas consequências<br />
que isto lhe podia trazer.<br />
No dia seguinte, à hora marcada e no local marcado,<br />
lá estava ele. Tocou a campainha e foi recebido<br />
por uma senhora muito simpática que o convidou<br />
a entrar. Com o ar angelical da senhora, o
jovem sentiu-se em casa. Já lá dentro o João, junto da<br />
senhora e de mais um senhor, começou a achar estranho.<br />
Como é que um ―megaconcurso‖ decorria numa<br />
habitação aparentemente normal? Mas... já era tarde<br />
para fazer estas associações. Tinha acabado de ser<br />
sequestrado!<br />
Nada a fazer! A desigualdade física entre os raptores e<br />
o João era notória. Estes ataram-no a uma cadeira e<br />
exigiram que este lhe desse o número de telefone dos<br />
pais para que pudessem proceder ao pedido de resgate.<br />
Assim foi... que outro remédio haveria? Os<br />
sequestradores passaram à acção. E os pais do<br />
João, que nada sabiam desta história, estavam,<br />
agora, em pânico. O resgate pedido era enorme,<br />
20 000,00€, e, caso contactassem a polícia, algo<br />
de mau aconteceria ao João, filho tão querido de<br />
ambos.<br />
Depois de muitas hesitações, discussões, interrogações,<br />
mesmo com a vida do filho em risco,<br />
decidiram contactar a polícia. De hora em hora,<br />
os raptores comunicavam com os pais do<br />
sequestrado. Queriam saber, sob ameaças, se<br />
estes iriam ou não pagar o resgate. Davam<br />
informações de que o João estava bem e de<br />
esperavam que os seus pais pagassem o resgate,<br />
para evitar o que eles sabiam poder<br />
acontecer nessas situações. A cada vez vacilavam..<br />
Teremos tomado a melhor decisão?<br />
Horas de ansiedade passaram. A Polícia<br />
Judiciária, porém, estava em acção. Não foi<br />
fácil encontrar o local onde estava o João.
Não fossem as informações de<br />
―movimentos suspeitos‖ por parte<br />
de um morador daquela rua e o seu<br />
trabalho de investigação não teria produzido<br />
efeitos tão imediatos. Rapidamente<br />
fizeram um cerco e, sob ameaça<br />
de atirarem sobre as pessoas, dois agentes<br />
exigiram entrar naquela casa suspeita. Os<br />
sequestradores, de início, desmentiram<br />
qualquer acto ilícito, mas não tiveram outra<br />
opção. Renderam-se e entregaram o João aos<br />
pais e à polícia.<br />
O João contou o sucedido com todos os pormenores.<br />
Os pais suspiraram de alívio. Felizmente<br />
esta história teve um final feliz e tudo acabou<br />
bem. Mas isto poderia ter tido um fim trágico.<br />
Tudo isto podia ter sido evitado, se o João não<br />
tivesse fornecido informação verdadeira sobre si<br />
na internet, a pessoas totalmente desconhecidas.<br />
A Polícia alertou: um dos pontos mais importantes<br />
sobre a segurança na internet é não fornecer<br />
informações privadas. VAMOS FAZER UMA INTER-<br />
NET SEGURA!!!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Alcaides de Faria, Arcozelo, Barcelos<br />
Mário Fernandes Patrão<br />
Liliana Carina S. Carvalho<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente<br />
“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />
desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />
trabalho. Num instante, os números dos<br />
amigos “voaram” para dentro da memória.<br />
No dia seguinte, recebeu a mensagem<br />
“liga-me”. Não conhecia o número, não<br />
ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se,<br />
e repetiu-se…<br />
… até que um dia o João farto das mensagens<br />
resolveu ligar para o tal número. Quem atendeu?<br />
A Vanda! Quem é a Vanda?<br />
Caíra em si. És mesmo tu?<br />
Vanda era só e apenas a miúda mais popular da<br />
escola. E o João cismava agora porque não lhe<br />
tinha ligado antes. E ele a pensar que seria um<br />
chato qualquer! Que sorte! Ele já tinha tentado de<br />
tudo para a conquistar. Mandava-lhe cartas, flores,<br />
poemas… até já tinha escrito no portão da<br />
casa dela o quanto a amava (algo que os pais dela<br />
não tinham gostado muito). Como era possível? A<br />
Vanda agora pedir para falar com ele!<br />
A conversa foi, no entanto, estranhamente curta,<br />
mas suficiente para marcarem, logo aí, um encontro.<br />
O João delirou com a ideia, para já não falar<br />
do local. Ao pé do rio, num parque que não era<br />
muito frequentado àquela hora da manhã.<br />
Uma vez marcado o encontro, João apressouse<br />
logo a vestir a sua melhor camisa, as suas
melhores calças e até a pôr um pouco do perfume do seu<br />
pai, para ter um ar mais maduro. Pudera! A Vanda já era<br />
finalista do 12.º ano e ele era apenas um aluno do 9.º<br />
Ano, mas perdidamente apaixonado. Levou uma rosa, a<br />
mais linda que encontrou, e estava a ensaiar o que lhe<br />
haveria de dizer com aquele estilo maduro (pensava<br />
ele), quando vê que por detrás de uma árvore ela se<br />
aproximava. Linda, linda! De vestido azul, o que, digase<br />
com toda a justiça, realçava ainda mais os seus<br />
olhos. O vestido deixava antever umas pernas perfeitas<br />
e uns peitos arrebitados como duas pequenas<br />
maçãs. O vento fazia com que o seu longo cabelo<br />
preto esvoaçasse. Ela era perfeita. Parecia vinda<br />
daqueles filmes em câmara lenta…<br />
O João aproximou-se dela, em pose romântica e<br />
ofereceu-lhe a rosa. Algo estranho surgiu por trás<br />
da mesma árvore. Um matulão, devia ser bem<br />
mais velho que ela, com farta barba e com um<br />
perfume ainda mais másculo que o perfume do<br />
pai do João.<br />
-Olha querido! (Disse a Vanda para o fulano)<br />
Uma rosa! Imagina! Este puto deu-me<br />
uma rosa. Toma amor, fica para ti, já que sou<br />
alérgica às flores…<br />
O João percebera: Ena pá, era o namorado<br />
dela! Fogo! Que alto! (Ou seria o João baixo<br />
demais?)<br />
-Já agora amor, apresento-te o João.<br />
Sabes quem é? A MELGA QUE ME TEM<br />
CHATEADO DURANTE MESES, QUE PIOROU<br />
A MINHA ALERGIA ÀS FLORES E QUE AINDA
.<br />
POR CIMA, VANDALIZOU O POR-<br />
TÃO DA MINHA CASA.<br />
João não se lembra de mais nada,<br />
apenas de sentir um grande calor no<br />
nariz e ainda agora parece ouvir um grito<br />
ensurdecedor:<br />
-Parlema! Deixa a minha miúda em<br />
PAAAAAAAAZZZZZZZZZZZZZZZZ……
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica e Secundária D. Afonso III<br />
Agrupamento Vinhais<br />
Lúcia Guerra<br />
Luís Miguel dos Santos Gomes<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente Duplo<br />
Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por Real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
Virtual. Como Real sou pequeno,<br />
moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />
conta …<br />
… mas como que sou real, mas este real do<br />
faz de conta é muito melhor do que aquele real<br />
que aparento ser na realidade Virtualmente sou<br />
um real alto, elegante, loiro de olhos azuis,<br />
bonito, extrovertido, cobiçado por todas as<br />
mulheres e homens, animado e muito mas mesmo<br />
muito feliz. Bem mas chega de falar de mim,<br />
hoje quero contar-vos a história de alguém que<br />
eu conheço. Chama-se Xexe e é uma joaninha.<br />
Esta joaninha portou-se mal. Vejam lá que meteu<br />
conversa com uns tipos que não conhecia de lado<br />
nenhum, e de repente, aqueles tipos, atacaramna.<br />
Bateram-lhe e roubaram-na. Levaram-lhe a<br />
coisa mais valiosa que ela tinha. Esta coisa é a<br />
coisa mais valiosa para uma joaninha. Levaramlhe<br />
as suas pintas pretas. Assim a joaninha ficou<br />
doente, triste e ainda por cima sem pintas pretas.<br />
-Que vou fazer agora da minha vida, não tenho<br />
pintinhas pretas, agora, ninguém sabe que sou<br />
uma joaninha. O que vou fazer da minha vida.<br />
Estou desolada. –dizia a joaninha.
A Xexe, não saiu de casa durante semanas. E começou a<br />
comunicar com bichos, desconhecidos, pela internet,<br />
naqueles chats de que tanto ouvia falar os gafanhotos.<br />
Começou a escrever cada vez mais, a conhecer cada vez<br />
mais bichos, e houve um dia em que conheceu um<br />
bicho, que dizia que era lindo, maravilhoso, alto, era<br />
um joaninho, tinha umas pintas maravilhosas. A Xexe<br />
com medo que o joaninho não gostasse dela disse:<br />
- Eu também tenho umas pintas pretas lindas, mais,<br />
diz-se por aqui, na minha rua, que sou a joaninha<br />
com as pintinhas mais bonitas do mundo.<br />
O tal joaninho interessou-se cada vez mais, e a joaninha<br />
cada vez mais se apaixonava por aquele desconhecido<br />
tão bonito e que a elogiava tanto.<br />
Um dia marcaram um encontro. A joaninha ficou<br />
contentíssima, pulou, chorou, riu, gargalhou,<br />
mas de súbito, apercebeu-se de que não tinha<br />
as tão bonitas pintas pretas de que tinha falado<br />
nas suas conversas. E agora? Perguntou a si<br />
mesma a joaninha. A joaninha não sabia o que<br />
fazer. De súbito lembrou-se:<br />
- Bem, de certeza que ele, não se vai importar,<br />
ele é um querido vai entender de certeza.<br />
Chegou o dia do encontro, a joaninha estava<br />
nervosíssima.<br />
Chegou a hora. Faltavam poucos minutos<br />
para se encontrar com o joaninho da sua<br />
vida. Ele vinha lá, era tão grande, tão bonito<br />
ao longe, e era verdade tinha umas pintas<br />
bonitas.
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, foi o grito que a<br />
joaninha deu. Desatou a fugir e só<br />
parou em casa. Que susto, que tinha<br />
apanhado a joaninha, não acreditava,<br />
estava desolada, estava desfeita. O seu<br />
grande joaninho, o seu grande amor, era<br />
aquele que lhe tinha roubado as pintas. Ela<br />
nunca tinha desconfiado de nada. E agora<br />
tinha sido enganada por alguém muito mau,<br />
por alguém que fora capaz de lhe fazer mal.<br />
A joaninha, a xexé, mudou de vida, de forma<br />
a esquecer tudo aquilo que tinha passado.<br />
Agora esta muito feliz, num jardim perto de um<br />
lugar onde há muitas tulipas. Está feliz, com<br />
pintas brancas, que eu mesmo fiz, com corrector.<br />
Bem, eu também falo pelos chats, mas nunca<br />
vou marcar um encontro com estranhos, não sei<br />
quem são, não sei se não são pessoas más. Por<br />
isso, lembra-te não finjas, sê. Não sejas quem<br />
não és, tenta ser. Tenta ser animado em vez de<br />
fingir, tenta ser feliz em vez de fingir. Por isso não<br />
sejas real e <strong>virtual</strong> sê real na realidade e na <strong>virtual</strong>idade.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Básica e Secundária Prof. António da Natividade,<br />
Agrupamento Mesão Frio<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Susana Vicente<br />
Carla Sofia da Silva Pinto<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente<br />
“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />
desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />
trabalho. Num instante, os números dos<br />
amigos “voaram” para dentro da memória.<br />
No dia seguinte, recebeu a mensagem<br />
“liga-me”. Não conhecia o número, não<br />
ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se,<br />
e repetiu-se…<br />
Até que o João, pensativo com tanta nsistência,<br />
decide ligar, coloca o telemóvel junto<br />
da sua orelha redondinha e diz ―olá‖, do<br />
outro lado nada ouve, a chamada tinha caído.<br />
O João já estava a achar isto muito esquisito,<br />
tanta teimosia e agora do outro lado ninguém<br />
lhe dava sinal de vida. Não deu muita importância<br />
e decide ignorar tal acontecimento.<br />
Mas o improvável torna a surgir, uma nova mensagem<br />
invade o visor do seu telemóvel, ― Sou<br />
Matilde, 12º ano, adoraria encontra-me contigo<br />
hoje no jardim Lua Nova 5 horas ‖.<br />
O João achava-a lindíssima, ela era sensual, manipuladora,<br />
toda a gente na escola tinha conhecimento<br />
da sua panca por Matilde. Não querendo<br />
estragar o programa que tanto ansiava, liga para<br />
casa e diz ao irmão que vai fazer um trabalho para<br />
casa do Bernardo.<br />
Ao longo do percurso, a caminho do jardim, a<br />
cabeça do João parece uma bolinha florescente a
transmitir euforia. Ele nem acredita que vai ter um<br />
momento com ela.<br />
Eram cinco menos dez e o João já se encontrava sentado<br />
no banco de jardim com riscas vermelhas, tinha a sensação<br />
que aquele iria ser o local ideal.<br />
Vieram as cinco horas, as seis horas… e nada. O João<br />
tentava ligar à Matilde, mas o seu telemóvel encontrava-se<br />
bloqueado, sem nada poder fazer com<br />
ele, caramba, o telemóvel também não funciona só<br />
me faltava esta!‖.<br />
Marcavam dez horas no relógio do Miguel e a sua<br />
mãe já estava preocupada com o João, tenta ligar,<br />
mas dá ―número não atribuído‖, e o Bernardo confessa-lhe<br />
que não existiu trabalho nenhum. Revoltada,<br />
pede ao Miguel que lhe conte a verdade,<br />
até que fica chateada com ele…<br />
Passaram dois dias, nada se sabe sobre o<br />
João e a polícia tem apenas o telemóvel<br />
como pista.<br />
Uma semana depois, investigadores descobrem<br />
que o telemóvel do João é manipulado<br />
via Internet. Apesar deste acontecimento<br />
negativo, o telemóvel é utilizado como fonte<br />
de investigação e serve para a descoberta da<br />
origem de tal acontecimento, João é encontrado<br />
numa rede de tráfico homossexual.<br />
Agora, um ano passado sobre este episódio,<br />
o João diz ― Não te iludas, nem te deixes<br />
manipular por alguém que não<br />
conheces, limita-te a viver na tua reali-
dade<br />
mesmo que para isso tenhas de<br />
te afastar de certas capacidades do<br />
mundo em que<br />
habitamos, a tecnologia. Tudo tem um<br />
limite e mais vale uma vida com<br />
―conhecidos‖<br />
do que um trauma com a realidade que não<br />
dominamos.‖
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
José Paulo Sá<br />
Liliana Alexandra Almeida<br />
Pedro Rafael Santos<br />
Vanessa Isabel Rodrigues<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente Duplo<br />
Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por Real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
Virtual. Como Real sou pequeno,<br />
moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />
conta …<br />
que sou grande, bonito, extrovertido e bem<br />
constituído para conhecer raparigas. Mas na<br />
verdade sou um simples rapaz de 13 anos.<br />
Eu digo sempre que tenho 20 anos para conseguir<br />
acesso alguns jogos e falar a vontade no o<br />
chat com pessoas mais velhas. Os meus pais<br />
ensinaram-me a nunca dizer a verdade a pessoas<br />
estranhas, porque podem querer fazer-me<br />
mal ao tentar marcar encontros comigo. Quando<br />
alguma rapariga se quer encontrar comigo, tento<br />
inventar umas histórias para que elas nunca descubram<br />
que sou apenas uma simples criança.<br />
Assim pretendo ser amigo delas apenas <strong>virtual</strong>mente.<br />
Em relação aos jogos, os meus pais não sabem<br />
que dou informações erradas acerca de mim.<br />
Assim consigo entrar à vontade em jogos que não<br />
são próprios para a minha idade, tais como alguns<br />
jogos de violência e de apostas. Num desses jogos<br />
de apostas, apostei algum dinheiro através do cartão<br />
de crédito da minha avó, mas mais tarde ela
desconfiou. Só o fiz uma vez e jurei para mim que nunca<br />
mais iria pegar nos cartões das outras pessoas.<br />
Até já entrei nuns sites de pornografia indicando que sou<br />
maior de idade com a intenção de estimular e abrir uns<br />
novos horizontes acerca da parte sexual, pois um rapaz<br />
da minha idade já tem curiosidade em saber como é<br />
que funciona esse lado, mas depois do que vi, decidi<br />
que afinal ainda não tenho mesmo idade para esse<br />
tipo de disparate.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
José Paulo Sá<br />
Fernando Ferreira da Costa<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente Duplo<br />
Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por Real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
Virtual. Como Real sou pequeno,<br />
moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />
conta …<br />
… O que levará tanta gente a passar uma boa<br />
parte da vida em frente de um ecrã?<br />
A meu ver, a explicação resume-se a isto, conseguimos<br />
encontrar tudo o que mais desejamos<br />
no mundo <strong>virtual</strong> da Internet.<br />
Começa-se por ir procurar um tema qualquer e<br />
muitas vezes, sem darmos por isso, já estamos<br />
num site que nada tem a ver com aquilo que nos<br />
levou inicialmente a entrar na Internet. Encontramos<br />
um mundo ideal onde tudo parece ser perfeito.<br />
Quando travamos conhecimento com alguém através<br />
da Internet, ficamos com a impressão que<br />
essa pessoa não tem um único defeito que lhe<br />
possamos apontar, tudo é perfeito e então começamos<br />
por dizer tudo aquilo que não ousaríamos<br />
dizer face a face e é aí que as coisas se podem<br />
tornar muito perigosas, sobretudo quando andamos<br />
com a nossa moral mais em baixo. Ao revelarmos<br />
as nossas fraquezas torna-se muito fácil,<br />
para quem está do outro lado, poder influenciar-
nos até ao ponto de nos manipular à sua conveniência.<br />
Os riscos na Internet podem ser de vária ordem: riscos<br />
afectivos ou económicos; riscos envolvendo tráfego de<br />
droga, de armas ou até de pessoas ou riscos relativos a<br />
espionagem militar, científica ou comercial, entre<br />
outros.<br />
Por isso devemos ser muito cuidadosos com os dados<br />
que metemos a circular na Internet. Até mesmo quando<br />
colocamos um computador velho ao lixo, ainda<br />
com o disco rígido por formatar, corremos os mesmos<br />
riscos, principalmente se lá tivermos alguma<br />
informação que nos possa comprometer, pois essa<br />
informação poderá ir parar às mãos de quem não<br />
deve.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />
Maria Helena Silva<br />
Pedro Alexandre<br />
Pedro Veiga<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O Melhor Preço<br />
Todos sabiam o que ele queria<br />
para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais<br />
baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />
preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />
para fazer o registo.<br />
Fui falar com os meus pais, que me aconselharam<br />
a não dar os meus dados neste tipo de<br />
sites pois não eram fiáveis. Fiquei um pouco<br />
chateado porque assim não teria dinheiro para<br />
comprar nenhum jogo uma vez que no site é<br />
mais barato.<br />
No entanto, fui à internet dar uma olhadela e lá<br />
diziam que era totalmente seguro e que até<br />
devolveriam o dinheiro, caso o jogo não funcionasse.<br />
Decidi tentar a minha sorte sem os meus<br />
pais saberem, mesmo sabendo que não era a<br />
melhor coisa a fazer. Decidi então registar-me, dei<br />
o meu nome, e-mail, morada, número telemóvel e<br />
ainda o número de cartão de crédito do meu pai.<br />
Até agora, parecia tudo bem. Tudo corria às mil<br />
maravilhas. No site dizia que o jogo chegava no<br />
final do mês por isso só tinha de esperar. Pensei<br />
então em contar ao meu pai, mas ele parecia mal<br />
disposto por causa de um problema no trabalho e<br />
decidi que contava noutro dia.<br />
Os dias foram passando e eu esqueci-me de contar<br />
aos meus pais. Um dia ouvi os meus pais comenta-
em que estavam a retirar dinheiro da conta semanalmente.<br />
Pensei que poderia ser do site dos jogos. Fui á<br />
internet e pesquisei melhor sobre esse tipo de jogos.<br />
Num fórum, vi pessoas comentarem e a queixarem-se<br />
do mesmo problema. Apercebi-me então que tinha feito<br />
asneiras mas não sabia como contar aos meus pais. No<br />
entanto, sentia-me mal por eles não saberem de onde<br />
lhes tiravam o dinheiro.<br />
Os meus pais falaram com o banco, que lhes explicou<br />
o se estava a passar. Eles falaram comigo e castigaram-me<br />
por não lhes ter dado ouvidos.<br />
Concordei com eles em nunca mais repetir tal acto.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />
Maria Helena Silva<br />
António Faria<br />
Ruben Macieira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O Melhor Preço<br />
Todos sabiam o que ele queria<br />
para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais<br />
baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />
preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />
para fazer o registo.<br />
Então falei com o meu pai e disse - lhe que<br />
era super seguro pois já tinha confirmado tudo<br />
e perguntei a outras pessoas que fizeram o<br />
mesmo.<br />
O meu pai não se importou e foi a internet fazer<br />
o contrato, tiveram que dar imensos dados mas<br />
o mais importante foi o nib da conta bancária<br />
para a transferência mais segura. O problema foi<br />
que nem o pai nem o filho se aperceberam das<br />
letrinhas pequenas que havia no final da folha<br />
referente aos portes de envio.<br />
A entrega foi super rápida o que fez com que o pai<br />
ficasse extremamente desconfiado e verifica a sua<br />
conta bancária. Ao verificar reparou que tinha sido<br />
burlado e que a conta estava a zero.<br />
Visto isto o pai ligou para a tal empresa onde<br />
encomendou o jogo e perguntou porque a sua<br />
conta bancária estava a zeros, foi então que soube<br />
que os portes de envio (as tais letras pequenas)<br />
eram o dobro do custava o jogo para a entrega ser<br />
mais rápido.
Tudo isto para alertar sobre os perigos existentes na<br />
internet e para dizer que se deve ler tudo antes de fazer<br />
qualquer contrato.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Carvalhos, V. N. Gaia<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Maria do Céu Pinto<br />
Pedro Miguel da Cruz Sá<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Nem, queria acreditar. Finalmente ganhei<br />
coragem e estava prestes a ver um dos meus<br />
sonhos concretizados!<br />
Dias antes, em conversa como o João, o<br />
irmão da Rita, tinha ficado muito desiludido<br />
quando, ao contar-lhe a minha intenção de clicar<br />
naquele ―bem-dito‖ ―Aceito o prémio‖ que<br />
todos os dias parecia chamar por mim, este<br />
me tentara demover, dizendo que eu devia<br />
de estar ―maluquinho‖ ao acreditar em<br />
―tretas‖ da net. ―Estás mesmo alucinado! Ainda<br />
acreditas no Pai Natal?‖ perguntava-me<br />
ele. O João é daqueles que pensa que a Internet<br />
veio, de facto, para ajudar em muitas situações,<br />
no entanto, não se cansa de alertar para os perigos<br />
que podem estar escondidos por trás de um<br />
simples click.<br />
Apesar de todas as chamadas de atenção eu não<br />
resisti e o desejo de alcançar<br />
o fruto proibido foi mais forte que todos os<br />
argumentos do meu amigo. Continuei a acreditar<br />
que de boas intenções estão cheios os anúncios
que nos bombardeiam, a toda a hora, o nosso pequeno<br />
ecrã.<br />
Assim, e depois de enviados os meus dados pessoais<br />
para que a consola fosse minha, como se de<br />
um fogo de artificio se tratasse, o ecrã do meu<br />
humilde portátil iluminou-se de todas as cores como<br />
que gritando ―GANHASTE‖.<br />
Não cabia em<br />
mim de alegria. No entanto, num ápice vi-me bombardeado<br />
de uma tristeza imensa quando de imediato<br />
percebi que o ecrã escurecera e, desta vez, para<br />
sempre.<br />
Afinal o João tinha razão, nos dias de hoje,<br />
―ninguém dá nada a ninguém‖, aprendi, assim,<br />
que devemos saber tirar partido dos benefícios da<br />
Internet, mas estar sempre alerta para todos os<br />
perigos que nos assaltam.<br />
Um click em troca de nada é caminho para ser<br />
enganado!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Carvalhos, V. N. Gaia<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Maria do Céu Pinto<br />
Flávio Leite<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O Melhor Preço<br />
Todos sabiam o que ele queria<br />
para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais<br />
baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />
preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />
para fazer o registo.<br />
Uns dias antes do meu aniversário, eu e o<br />
meu melhor amigo andámos a pesquisar<br />
sites para ver jogos e comparar preços. Estávamos<br />
os dois super contentes, encontramos<br />
uma lista de jogos interessante e a bom preço!<br />
No dia seguinte estava a comentar com alguns<br />
colegas, na escola, acerca das minhas intenções.<br />
A minha namorada ouviu e ficou um pouco<br />
preocupada, alertando-me para algumas situações<br />
que me podiam acontecer ao comprar jogos<br />
ou outras coisas pela Internet, mas não fiquei<br />
muito preocupado com o que ela disse.<br />
Na véspera dos meus anos resolvi entrar num site<br />
e comprar 3 jogos. O site em que entrei pediu-me<br />
alguns dados pessoais, como por exemplo: nome<br />
completo, idade,<br />
morada, número de telemóvel e também o número<br />
da conta bancária. Como não tinha<br />
conta, dei o número da conta dos meus pais, da<br />
qual iriam tirar o valor dos três jogos
que eu escolhi. Preenchi todos os campos e, nem pensei<br />
duas vezes, fiz logo OK todo contente.<br />
Afinal, era o meu presente de aniversário!<br />
Dias mais tarde, os meus pais foram ao multibanco e<br />
depararam-se com uma estranha e triste surpresa:<br />
tinha sido retirada uma grande quantia de dinheiro…<br />
desconfiaram logo que tinha sido eu e mal chegaram a<br />
casa tiveram uma conversa comigo. Contei a verdade<br />
aos meus pais e eles começaram logo a discutir comigo.<br />
Eu deveria saber que nunca se dão os dados pessoais,<br />
principalmente, não se conhecendo o<br />
destinatário.<br />
Finalmente, vi que os meus pais e a minha namorada<br />
tinham razão e eu, ingénuo, não lhes dei<br />
ouvidos e cometi um erro muito grande que,<br />
jamais se vai repetir.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica e Secundária Prof. António da Natividade<br />
Agrupamento Mesão Frio<br />
Alberto Cardoso<br />
Carla Sofia da Silva Pinto<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O Melhor Preço<br />
Todos sabiam o que ele queria<br />
para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais<br />
baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />
preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />
para fazer o registo.<br />
O que o Rodrigo Então fui pedir autorização<br />
aos meus pais. Eles não concordaram com<br />
a ideia, porque temiam que as informações<br />
que eu fornecesse poderiam cair em pessoas<br />
mal intencionadas que me poderiam fazer<br />
mal. Implorei tanto que eles acabaram por<br />
aceitar, mas disseram-me:<br />
- Vamos depositar em ti a nossa confiança!<br />
Esperamos que não te arrependas…<br />
Daremos o dinheiro que precisas. Caso aconteça<br />
alguma coisa tu vais ser o responsável.<br />
Bem te avisamos, pois preocupamo-nos contigo.<br />
Queremos o teu bem!<br />
Então respondi:<br />
- Obrigado pai! Obrigado mãe! Sois os melhores<br />
pais do mundo!<br />
Todo contente fui para o meu quarto e acedi ao<br />
site o ―melhor preço‖. Tinha de dar<br />
o meu nome completo, o número do bilhete<br />
de identidade, etc. Peguei na minha carteira
que tinha na mochila e comecei a preencher os meus<br />
dados:<br />
“ Nome completo: João Pedro Teixeira Pinto<br />
Data de nascimento: 28 de Abril de 1994<br />
Número do Bilhete de identidade: 15312725<br />
Morada: Travessa das flores, Carnaxide<br />
Número de telefone: 255880003”.<br />
De seguida, cliquei no quadrado que dizia ―sexo –<br />
masculino‖ e tinha que escrever o nome de um<br />
adulto responsável, por isso decidi escrever o<br />
da minha mãe ―Maria Rosa Cardoso Teixeira‖. O<br />
passo seguinte era escolher como queria pagar os<br />
jogos se por multibanco; em dinheiro ou cheques,<br />
na recepção da encomenda (contra-<br />
reembolso); etc. Estava impaciente para<br />
receber os jogos então às escondidas fui<br />
buscar o número da conta dos meus pais. Pus o<br />
número da conta e registei-me.<br />
Passou-se um mês e depois outro… e eu não<br />
obtinha resposta.<br />
Até que num dia a minha mãe recebeu<br />
uma carta que a deixou muito abalada.<br />
Tinha sido enviada pelo banco. Vinha implícito<br />
lá que a minha mãe tinha sido roubada,<br />
porque alguém tinha acedido à conta<br />
tirando-lhe bastante dinheiro. Os meus<br />
pais ficaram em choque… então pensei
na história dos jogos pois não<br />
tinha recebido noticias até agora.<br />
Então percebi que o site era falso<br />
e que me tinham enganado.<br />
Culpado pelos meus pais terem passado<br />
por um rombo enorme de dinheiro conteilhes<br />
o que tinha acontecido. Eles estupefactos<br />
nem queriam acreditar no que<br />
estavam a ouvir. Deram-me um enorme sermão<br />
e fiquei de castigo. Compreendi que a<br />
internet não é assim tão segura e que deveria<br />
de ter acreditado nos meus pais, mas estava<br />
cego! Queria muito os jogos. Por mais que<br />
o castigo seja duro nunca dará para atenuar<br />
o que aconteceu. Desiludi os meus pais e desiludi-me<br />
a mim próprio… Nunca mais voltarei a<br />
fazer o mesmo!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica e Secundária Prof. António da Natividade<br />
Agrupamento Mesão Frio<br />
Alberto Cardoso<br />
Daniela Margarida de Sousa Teixeira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente Duplo<br />
Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por Real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
Virtual. Como Real sou pequeno,<br />
moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />
conta …<br />
… mas como que sou uma modelo loira, alta<br />
de olhos azuis e sou muito desinibida.<br />
Certo dia em conversa no chat com um<br />
rapaz, que se dizia chamar Brian e descrevia<br />
-se como sendo alto, musculado, moreno e<br />
de olhos verdes, convidou-me para tomar um<br />
café, pois <strong>virtual</strong>mente éramos amigos à mais de<br />
um ano.<br />
Tive medo de aceitar pois assim que ele visse iria<br />
ficar desiludido pois eu não era como me descrevia<br />
no chat, mas depois de muito pensar lá<br />
aceitei. Marcamos para Sábado às 9h no na look´s<br />
bar.<br />
Andei dois dias super ansiosos, pois estava com<br />
medo que ele fugisse assim que me visse, mas<br />
chegou sábado… Produzi-me toda e lá fui eu.<br />
Eram 8:45 h e lá estava eu sentada no balcão<br />
à espera do tal rapaz mas passaram 30<br />
minutos e nem sinal dele quando de repente um<br />
rapaz se dirige a mim e
me pergunta se eu era a Soraia. Fiquei a pensar pois a<br />
única pessoa que me conhecia como Soraia era Brian,<br />
mas aquele não podia ser ele pois não o reconhecia.<br />
Nesse dia percebi que não tinha sido a única a passar<br />
pelo que não era. Brian não era o verdadeiro nome dele<br />
mas sim Francisco tal como eu que não me chamava<br />
Soraia mas sim Francisca. Duas coincidências, mentimos<br />
um ao outro e tínhamos o mesmo nome.<br />
Embora ao inicio eu ficasse desiludida pois ele<br />
não era aquele deus que eu esperava, tal como<br />
ele, cresceu uma grande amizade entre nós. Éramos<br />
da mesma Vila e nunca nos tínhamos visto. A<br />
partir desse dia tudo mudou, começamos a sair<br />
juntos, íamos para a escola os dois até que começamos<br />
a namorar.<br />
Tive muita sorte, pois Francisco é um grande<br />
homem, mas podia me ter aparecido um<br />
psicopata por isso hoje em dia alerto o<br />
meu filho para os perigos da internet e conto<br />
lhe a minha historia e do pai dele.<br />
Felizmente eu e Francisco estamos casados<br />
há 5 anos e somos felizes, embora tudo<br />
começasse com uma mentira acabou com<br />
uma grande verdade, o amor.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica Corga, Santa Maria da Feira<br />
Agrupamento Corga do Lobão<br />
Generosa Pinto Silva Vilela Pinheiro<br />
Vânia Ferreira Pinto Sousa Melo<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O melhor preço<br />
Todos sabiam o que eu queria para o<br />
meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />
por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />
Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />
o registo.<br />
Eu sabia que na internet os jogos eram mais<br />
baratos, então, decidi pedir à minha mãe que<br />
me ajudasse a procurar naqueles sites virtuais,<br />
onde tudo aparecia em vitrinas. Ela não gostou<br />
muito da ideia, pois tinha algum receio em relação<br />
a essas novas tecnologias, até costumava<br />
dizer que essas propagandas não passavam de<br />
formas de extorquir dinheiro. Mas, sabendo o<br />
quão importante aquele jogo era para mim, não<br />
conseguiu recusar.<br />
Então, na mesma hora, ligámos a internet, ao<br />
entrar num site de jogos, verificámos que estavam<br />
em promoção, mas, para espanto da minha<br />
mãe, era necessário facultar os dados da conta<br />
bancária, para além de outros dados pessoais.<br />
Reparámos ainda que, ao preço de custo, acresciam<br />
as despesas de envio, ou seja, íamos acabar<br />
por despender o mesmo dinheiro que gastaríamos<br />
em qualquer loja. Então, a minha mãe não me<br />
permitiu efectuar a compra.<br />
Furioso, teimei em não desistir. Sem ninguém<br />
saber, peguei no cartão do banco dela e preenchi
todos os dados exigidos nesse site, o jogo iria demorar<br />
cerca de quinze dias a ser entregue. No entanto, tinha<br />
passado uma semana, quando chegou uma carta a casa<br />
a informar que aquele dinheiro iria ser debitado, mas<br />
que era impossível proceder à entrega da encomenda<br />
por se encontrar esgotada de momento.<br />
Isto foi só o início de um grande sarilho, pois, logo<br />
de seguida, apareceram vírus no computador, os<br />
dados, que tinha fornecido, foram utilizados para<br />
outros fins, entraram outros débitos na conta dos<br />
meus pais, pessoas desconhecidas entravam no<br />
―msn‖, sobretudo redes de pedofilia, sabiam onde<br />
morava, o número de telemóvel da minha família,<br />
tudo se transformou num verdadeiro inferno.<br />
Em suma, a minha família deixou de ter paz e,<br />
todos os dias, entravam problemas em casa.<br />
Estou deveras arrependido da minha insolência,<br />
a minha mãe está muito zangada comigo e ficarei<br />
de castigo o resto da vida…
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica Corga, Santa Maria da Feira<br />
Agrupamento Corga do Lobão<br />
Generosa Pinto Silva Vilela Pinheiro<br />
Marlene de Jesus Mota<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Tentações<br />
A nossa professora marcou-nos um<br />
trabalho sobre um dos assuntos abordados<br />
nas últimas aulas. Pesquisei bastante<br />
e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />
na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />
assunto.<br />
Estávamos a falar sobre os perigos e os<br />
benefícios da internet e, depois de alguma<br />
pesquisa, encontrei tudo o que queria e da forma<br />
que procurava, ou seja, estava tudo pronto<br />
e, com certeza, já corrigido. Nesse texto, apareciam<br />
alguns riscos que podemos encontrar,<br />
quando navegamos em sites que não conhecemos,<br />
alertando principalmente as crianças e<br />
também os seus pais para os perigos subjacentes<br />
ao seu uso. Por outro lado, apresentava as<br />
imensas aprendizagens que podemos tirar da<br />
consulta da internet, o imenso mundo novo que<br />
não conhecemos e do qual podemos usufruir.<br />
Quando chegou a hora de entregar o meu trabalho,<br />
estava descansado, consciente de que, desta<br />
vez, não teria a nota do costume, até porque<br />
sou mais futebol que pesquisa. Alguns alunos da<br />
turma tinham receio do trabalho que iam entregar<br />
e da nota que nele iriam obter, mas eu não, eu<br />
estava tão calmo, tão descontraído que me perguntavam<br />
se ia faltar de novo a entrega de um<br />
trabalho, ou se era mais do mesmo: fazer duas<br />
frases soltas à sorte, para não levar uma falta.
Desta vez, não era esse o caso e sempre que dizia que<br />
me tinha aplicado e ia ter das melhores notas da turma,<br />
todos se riam ou pensavam que estava na brincadeira e,<br />
por mais que os tentasse convencer que estavam enganados,<br />
menos atenção davam às minhas palavras.<br />
No momento da entrega, a professora olhou para<br />
mim com o olhar prevenido de sempre e disse-me:<br />
Estou curiosa com o que me vais apresentar desta<br />
vez! Mas não respondi e vim-me sentar na minha<br />
secretária. Na minha cabeça, passavam imagens da<br />
professora Ana a dar-me os parabéns pelo meu<br />
esforço e dedicação.<br />
Passaram dois dias até que voltasse a ter português<br />
e nem me voltei a lembrar da disciplina,<br />
quanto mais do trabalho que tinha entregue. Acho<br />
que, desta vez, nem me lembrei, porque não tive<br />
que pensar na desculpa que iria ter de dar para<br />
os bonitos resultados de sempre!<br />
Era uma quarta-feira, pelas oito e meia da<br />
manhã, e, como é hábito em dia de entrega de<br />
trabalhos, as raparigas estavam curiosas com<br />
os seus resultados, mas os rapazes, muito<br />
descontraídos, falavam sobre o jogo de futebol<br />
do dia anterior entre a malta lá do bairro,<br />
excepto o Rui e o António que levavam, a<br />
meu ver, a escola demasiadamente a sério.<br />
Na hora da entrega, a professora dirigiuse<br />
a nós e disse-nos que estava surpreendida<br />
com os nossos trabalhos, e melhor ainda,<br />
que estava muito mais admirada com o<br />
meu, por ter apresentado uma pesquisa
exaustiva sobre o tema a abordar.<br />
Claro que fiquei logo todo contente,<br />
mas ela fez questão de interromper,<br />
de imediato, a minha alegria, quando<br />
disse: Pena é o ―copy paste‖! Pronto!<br />
Foi aqui que percebi tudo, nunca imaginei<br />
que ela pudesse adivinhar, mas descobriu e<br />
deu-me um zero e outro tema para apresentar<br />
na aula seguinte.<br />
Jurei que baniria o ―copy paste‖ do meu dicionário.<br />
É mais fácil inventar uma desculpa por não<br />
fazer um trabalho do que sentir uma humilhação<br />
destas.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica e Secundária Baião<br />
Agrupamento Vale de Ovil<br />
Cecilia Marilia dos Reis Torres<br />
António Alberto Loureiro da Silva<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
Ele não sabia o que fazer, facto era que aquele<br />
constante bip das mensagens até já a mim me<br />
irritava. Já agora, olá, eu sou o amigo do João,<br />
o Manuel, conto-vos aqui como tudo se passou<br />
quando a curiosidade foi mais forte que o João.<br />
De manhã, cheguei à escola e deparei-me<br />
com um sorriso na cara do João.<br />
- Bom dia João, estás bom? Vejo que, pelo teu<br />
bom ar, os teus pais te deram aquele telemóvel<br />
espectacular que vimos no outro dia na loja do Sr.<br />
Pedro. – disse-lhe eu, como quem procura uma<br />
resposta.<br />
- Sim! Sim, deram, Manuel, anda ver, é mesmo<br />
nice! – respondeu ele, contentíssimo com o<br />
seu novo brinquedo.<br />
Fui, de imediato, ver e, realmente, era o melhor<br />
que já tínhamos visto e, naquele momento, o João<br />
era ―o maior da escola‖ por ter assim um telemóvel<br />
topo de gama. Estávamos os dois a jogar quando<br />
ele recebeu uma mensagem de um número des-
conhecido a pedir que lhe ligasse e eu perguntei:<br />
- Quem é, João?<br />
- Não sei, desde ontem que me manda esta mensagem,<br />
já estive quase para lhe conceder o desejo de ouvir a<br />
minha voz mas a minha mãe diz que é perigoso, para<br />
eu ignorar – respondeu-me ele, um pouco incomodado<br />
e, ao mesmo tempo, curioso.<br />
- Faz o que a tua mãe diz, a minha também me diz<br />
sempre que não fale com estranhos. - aconselhei-o<br />
eu também.<br />
O João estava ciente dos perigos que havia em ligar<br />
para um número desconhecido e já tinha sido alertado<br />
várias vezes por várias pessoas, porém não<br />
resistiu e, de tarde, contou-me que tinha ligado<br />
para esse número.<br />
- Como foi, João? - perguntei eu.<br />
- Ninguém falou, apenas durou um minuto a<br />
chamada, e logo desliguei. O melhor foi que<br />
pararam de me mandar a estranha SMS. - respondeu<br />
ele.<br />
Fiquei contente por ele e, visto que tudo não<br />
passou de algo insignificante, nem lhe dei<br />
qualquer tipo de reprimenda como seu<br />
melhor amigo. Passada uma semana, o João<br />
chegou à escola muito mal disposto e deprimido,<br />
e eu perguntei-lhe o que tinha:<br />
- Que se passou, João? O teu telemóvel<br />
novo avariou?<br />
- Não, Manuel, mas é com o telemóvel que
o problema está relacionado.<br />
Ontem, estava a ver o meu e-mail<br />
quando reparei que numa daquelas<br />
mensagens a pedir donativos estava a<br />
minha voz num som anexado a pedir<br />
ajuda. Utilizaram a minha voz para burlar<br />
pessoas com um pedido de caridade que<br />
nunca existiu. Foi quando me ligaram<br />
daquele número desconhecido, lembras-te?<br />
Só pode ter sido assim.<br />
- Pois foi, e agora João?<br />
Disse-me que tinha contado tudo à mãe e ela<br />
tinha ido fazer queixa à polícia. Felizmente,<br />
passados uns dias, tinham descoberto o primeiro<br />
destinatário daquele e-mail e consequentemente<br />
o autor daquela brincadeira de mau gosto.<br />
Nunca ninguém nos disse quem foi mas nós<br />
sempre desconfiámos do Chico, o maior rufia da<br />
escola que tinha fama de descobrir as pass‘s da<br />
Internet da escola e andava sempre com muito<br />
dinheiro.<br />
Desde aí, tanto eu como o João, aprendemos<br />
(pela pior forma) que toda aquela bonita tecnologia<br />
que se vê na loja do Sr. Pedro também tem as<br />
suas adversidades e há que ter cuidado com a forma<br />
como a usamos.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Profissional Tecnologia Psicossocial do Porto<br />
Pedro Azevedo | Sofia Nina<br />
Sara Santos<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como Real, sou pequena, morena, tímida,<br />
mas como Virtual faço de conta.<br />
Quando estou no chat e nos jogos, sinto-me<br />
uma pessoa diferente – mais confiante em<br />
mim mesmo!<br />
Passo muito tempo como Virtual, uma vez que<br />
na pele de Real me sinto desconfortável. Quando<br />
sou o Virtual, tudo se torna melhor – as conversas<br />
fluem mais facilmente e todos me respeitam,<br />
pois colecciono recordes em todos os jogos.<br />
A prática faz a perfeição e na Internet, o Virtual é<br />
perfeito – respeitado e invejado pelos rapazes e<br />
motivo de interesse pelas raparigas.<br />
Este poderia ser o meu discurso há alguns meses<br />
atrás...mas aconteceu algo que mudou tudo!<br />
Tudo começou quando entrou no meu chatroom<br />
uma utilizadora com o nick de SoulMate. Começámos<br />
a falar e ela parecia bastante interessante.<br />
Nem queria acreditar na minha sorte!!!! Como<br />
Real sou tímido, não faço amizades facilmente e o<br />
contacto com as raparigas é-me difícil. Mas,<br />
naquele momento tudo mudara e sentia que como<br />
Virtual teria melhor sorte.
Começámos a falar regularmente e cada vez ia ficando<br />
mais interessado na SoulMate. Ansiava por entrar na<br />
Internet, somente para falar com ela. A minha vida como<br />
Real era cada vez mais monótona e o Virtual tomava<br />
cada vez mais controlo da minha mente.<br />
Quando SoulMate fez a sua descrição física, não quis<br />
acreditar! Para além de ter uma personalidade fantástica,<br />
parecia linda de morrer. Com medo de a desapontar,<br />
destorci alguns pormenores acerca do meu aspecto<br />
físico. Era essa uma das coisas que me fascinava<br />
na Internet. Não desiludia ninguém com a minha<br />
aparência e podia fingir ser muito mais confiante do<br />
que na realidade sou... Tinha medo de decepcionar<br />
a rapariga fantástica que tinha conhecido, por isso,<br />
menti.<br />
Quando finalmente marcámos um encontro,<br />
fiquei ansioso por ir conhecê-la, mas também<br />
por lhe ter mentido. Achei um pouco estranho o<br />
sítio onde se quis encontrar, pois era algo isolado.<br />
Pensei que era apenas tímida e assim teria<br />
algo em comum comigo, com o Real. Aceitei<br />
sem hesitar.<br />
No dia marcado, à hora marcada, estava no<br />
local, nervosamente à espera que ela chegasse.<br />
Só que ela nunca apareceu. Em vez da<br />
SoulMate apareceu um homem adulto. Fiquei<br />
em pânico quando percebi que tinha sido<br />
enganado. A minha reacção foi fugir. Desatei<br />
a correr sem nunca olhar para trás.<br />
Tive sorte por ter escapado ileso. Afinal, a<br />
SoulMate não existia e tinha estado o tempo
todo a falar com alguém mentiroso,<br />
cujas intenções não eram, de<br />
todo, as melhores.<br />
Fiquei em choque nos dias que se<br />
seguiram - cancelei todas as minhas contas<br />
na Internet e decidi que o Virtual tinha<br />
de desaparecer.<br />
Passaram alguns meses desde que tudo<br />
aconteceu. Agora uso apenas a Internet para<br />
pesquisas e trabalhos da escola. Percebi que a<br />
Internet pode ser também uma enorme rede<br />
de ilusões e mentiras. Decidi ter mais confiança<br />
em mim e que como Real sou capaz de<br />
alcançar tudo o que sonho...e isso basta-me!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Profissional Tecnologia Psicossocial do Porto<br />
Pedro Azevedo | Sofia Nina<br />
Ana Rita<br />
Filipe Clemente<br />
Márcia Leite<br />
Sofia Nina<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O melhor preço<br />
Todos sabiam o que eu queria para o<br />
meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />
por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />
Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />
o registo.<br />
O que o Rodrigo não contava era que, à medida<br />
que ia digitando ansiosamente os seus<br />
dados pessoais, como o seu endereço de email,<br />
número de telefone e nome completo,<br />
estava a aproximar-se cada vez mais da estreita<br />
linha que divide a Internet segura, na qual<br />
podemos falar com os nossos amigos e mandar<br />
e-mails engraçados, da Internet maliciosa, onde<br />
os perigos cibernéticos pairam como abutres no<br />
deserto.<br />
Na ânsia pelo ―melhor preço‖ nem questionou, por<br />
um só segundo, a credibilidade do site em que<br />
navegava - um deslize que, embora inocente, o<br />
faria pagar o maior dos preços. Os dados que<br />
inseriu na página foram directamente para as<br />
mãos de perversos pedófilos, munidos de ferramentas<br />
da Internet, que criaram a página para<br />
atrair crianças, ingenuamente seduzidas pelos<br />
jogos. O plano era simples: com os dados, usariam<br />
uma das muitas contas de e-mail falsas para<br />
entrar em contacto com as indefesas e desinformadas<br />
presas. Com nomes e dados falsos passa-
vam por jovens da mesma faixa etária e marcavam<br />
encontros, que teriam depois os desenrolares mais<br />
repugnantes. Com Rodrigo não seria diferente.<br />
Passados poucos dias, um misterioso e-mail solicitou<br />
que o adicionasse ao seu programa preferido de conversação<br />
instantânea. Sem hesitar, aceitou o convite,<br />
iniciando imediatamente a conversa de maior impacto<br />
em toda a sua vida.<br />
―Olá! Sou o Rodrigo.‖ - exclamou o jovem, sedento<br />
por novos amigos on-line.<br />
―Olá! Sou a Marisa.‖ - responderam os criminosos,<br />
enganando, assim, o ―recém-amigo‖.<br />
Conversaram dias a fio, dando a entender que<br />
tinham muito em comum, inclusive a área de residência.<br />
Surgiram até alguns diálogos muito pessoais,<br />
que davam um prazer doentio aos bandidos.<br />
O momento chegara. ―Marisa‖ propôs o esperado<br />
encontro, porém de intenções diferentes<br />
para ambas as partes: ―Gostaria muito de te<br />
conhecer pessoalmente‖, sugeriram os agressores.<br />
Com o coração aos saltos, Rodrigo afirmou<br />
que ele também adoraria.<br />
O dia do encontro chegou e a excitação era<br />
mútua. Ingenuamente, Rodrigo esperava<br />
ansioso para ver naquela rua, pouco ou<br />
nada movimentada, uma rapariga alta, com<br />
lisos cabelos negros e olhos cor do céu, com<br />
uma flor ao peito. Os minutos passaram<br />
penosamente e ela nunca apareceu. Quan-
do desistiu de esperar, viu um<br />
vulto pelo canto do olho. Estava<br />
escuro. Dois homens muito bem vestidos.<br />
Quando se virou para deixar o<br />
local, ouviu chamá-lo com um tom<br />
interrogativo. Nem teve tempo de reacção.<br />
Meteram-lhe um pano na cara e imediatamente<br />
desmaiou.<br />
Quando acordou, preferiu ter continuado a<br />
dormir. Os dois homens estavam à sua frente,<br />
com um brilho mórbido nos olhos e um sorriso<br />
maníaco nos lábios. Apercebeu-se logo do que<br />
lhe sucedera, quando um exclamou em tom de<br />
troça: ―Olá, muito prazer! Sou a Marisa!‖<br />
Num segundo, milhões de pensamentos passaram-lhe<br />
na mente: fugir, lutar, gritar, chorar. No<br />
entanto, ficou paralisado e nem conseguia mexer<br />
um único músculo.<br />
Deduziu que fosse do medo petrificante. Quando<br />
os raptores começaram-se a despir, sedentos pelo<br />
abuso, Rodrigo ouviu uma voz quase inaudível.<br />
Alguém estava a chamá-lo: ―RODRIGO! RODRI-<br />
GO!‖. Ainda teve forças para pedir ajuda.<br />
De repente, o som parou. Os homens aproximaram-se.<br />
Rodrigo fechou os olhos, desistindo. Ao<br />
abrir os olhos, a mais bela das visões brilhava<br />
como o sol. Era o seu quarto, o local mais seguro<br />
de todo o Universo! Estava ali. Estava mesmo ali.<br />
Não conseguia acreditar. São e salvo, no seu<br />
pequeno mundo, com posters na parede. O seu alívio<br />
foi indescritível quando ouviu o pai a chamá-lo:
―Rodrigo! Vamos. Já te chamei duas vezes! Não querias<br />
procurar um jogo na Internet? Eu ajudo-te.‖ Foi a peça<br />
que faltava. Percebeu que tudo tinha sido um sonho,<br />
causado provavelmente pela ansiedade em procurar o<br />
tal jogo.<br />
O pai voltou a perguntar: ―Então, não querias?‖ Pensou<br />
por uns segundos. ―Sim! Quero, pai! MAS NADA DE<br />
DADOS PESSOAIS!‖
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Eça de Queirós<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Maria Helena Silva<br />
Helena Sousa<br />
Sara Carvalhido<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é<br />
real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os<br />
meus amigos<br />
conhecem-me por<br />
real, já para a malta<br />
dos chats e dos<br />
jogos, na internet,<br />
sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Não, na verdade,<br />
sou apenas um<br />
Agente de Segurança.<br />
O meu papel é<br />
alertar os adolescentes<br />
e, neste caso, a Mariana, para os perigos aos<br />
quais se expõem ao divulgar informação verídica e<br />
pessoais a correspondentes virtuais.
Para tal, e durante uma tarde em que estava de serviço<br />
num chat conhecido, fiz-me passar pelo Virtual, um jovem<br />
adolescente, e através deste serviço, contactei com a<br />
Mariana, com a qual desenvolvi uma ―amizade Virtual‖.<br />
Rapidamente, e de forma ingénua, Mariana ia respondendo<br />
a perguntas, fossem elas directas ou subentendidas.<br />
Em relativamente pouco tempo, consegui saber a sua<br />
morada, a escola, ano e turma que frequentava, e até o<br />
seu horário. Descobri ainda o clube no qual Mariana praticava<br />
desporto, assim como os dias em que praticava tal<br />
actividade. Adquirir dados aparentemente pouco relevantes<br />
foi importante e facilitador para chegar até à adolescente.
Nesse mesmo dia à noite, e tal como era o meu dever, dirigi-me à<br />
ridade naquela casa foi temida, mas rapidamente expliquei o motiv<br />
ecrã, foi convocada à sala, pelo pai:<br />
Quando lhe revelei toda a verdade e após uma reflexão madura so<br />
importância da privacidade na mesma. Percebeu que, por muito qu<br />
no mesmo, pois pode não ter boas intenções. A jovem de 15 anos<br />
pessoa não quer dizer que a mesma o faça também.
casa de Mariana. Inicialmente, a presença de uma figura da autoo<br />
pelo qual lá estava. Mariana, que permanecia perante o seu<br />
bre o assunto, Mariana reconheceu o perigo da Internet e a<br />
e o seu correspondente pareça real e sincero, não pode confiar<br />
entendeu que o facto de ela partilhar factos verídicos com outra<br />
Mariana aprendeu, com certeza, a lição!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Eça de Queirós<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
: Maria Helena Silva<br />
: Joana Correia<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica e Secundária Lanheses, Viana do Castelo<br />
Agrupamento Arga e Lima (Intermunicipal)<br />
Maria Manuela Castro<br />
Susana Filipa Alves Vieira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como Real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como Virtual faço de conta que sou… o<br />
que for melhor ser, o que me der mais jeito.<br />
Não, definitivamente esta apresentação não é<br />
propriamente agradável ou mesmo politicamente<br />
correcta, mas, apesar disso, é a verdade.<br />
Foi nisto que me tornei. Mas não me apresento<br />
assim a ninguém…<br />
Tenho vergonha deste bicho que sou agora, mas,<br />
mesmo que não tivesse, ele matava-me. Morrer<br />
não é opção… tenho medo do que me espera.<br />
Nunca fui propriamente boa pessoa mas agora…<br />
agora ainda sou pior.<br />
Não passo de um mero cobarde sujeito às ordens<br />
de indivíduo que tive a infelicidade de encontrar. E<br />
que infelicidade essa…<br />
Tudo se passou há 4 anos atrás, tinha eu 16. Vivia<br />
inconformadamente infeliz com a felicidade que eu<br />
não sabia ter. Mal chegava a casa entrava no quarto<br />
e fechava-me lá dentro, apesar de estar completamente<br />
só na vida real, no mundo <strong>virtual</strong> tinha<br />
imensos amigos a quem confidenciava os meus<br />
problemas, principalmente a um em particular que
eu julgava ser o meu melhor amigo. Sim, aos meus<br />
olhos, o António era o amigo perfeito, apesar de nunca o<br />
ter visto.<br />
Até que um dia, em mais uma conversa via internet<br />
resolvemos encontrar-nos.<br />
Afinal ele vivia na mesma zona do que eu, então porque<br />
não passar a tê-lo como um amigo real? Então, tal<br />
como o combinado, no dia 3 de Fevereiro de 2007,<br />
pelas 19 horas. fui ter ao café que ele indicou. Escolhi<br />
uma mesa, sentei-me e pedi ao empregado que me<br />
trouxesse um café. Imediatamente ele atendeu o<br />
meu pedido, trazendo também a conta. Porém,<br />
quando li o papel que pensei ser a conta apercebime<br />
de que o que o papel continha não era o preço<br />
do café mas uma mensagem que dizia ―Vem ter<br />
ao jardim central daqui a 5 minutos. Levanta-te,<br />
paga o café no balcão e age como se não se<br />
estivesse a passar nada.‖<br />
Assustado, levantei imediatamente a cabeça<br />
para perguntar ao empregado que bilhete era<br />
aquele, mas ele já não estava lá. Engoli em<br />
seco, e fiz o que me foi ordenado. Cheguei ao<br />
jardim, sentei-me num banco e fechei os<br />
olhos assustado… o que estaria a acontecer?<br />
Quem é que me estava a perseguir?<br />
De repente, alguém interrompeu as minhas<br />
divagações sentando-se à minha beira e<br />
sussurrando: ―Age normalmente e faz o que<br />
eu te digo.‖. Dito isto, levantou a voz e disse:
Então João? Como estás? –<br />
estendeu a mão num convidativo<br />
cumprimento.<br />
Bem. E tu? – disse eu, apertando-lhe a<br />
mão e encarando-o finalmente. – António?<br />
– deixei escapar.<br />
Sim, já não conheces o teu amigo João? -<br />
disse ele cerrando os dentes. - Anda beber<br />
um café!<br />
Fiquei parado por instantes sem saber o<br />
que fazer.<br />
O que será que me vai acontecer?<br />
Senti uma dor na mão. O António estava a apertar-ma<br />
com tal força que parecia que a podia<br />
partir a qualquer momento. Libertei a minha<br />
mão e apressei-me a segui-lo onde quer que fosse<br />
que ele me queria levar. Meia hora depois,<br />
chegámos a um armazém escondido nos arredores<br />
da cidade. Como não estava lá ninguém,<br />
empurrou-me para dentro do armazém e entrou<br />
também, fechando a porta à chave. Senti uma dor<br />
no pescoço e deixei de ver. Um segundo depois<br />
estava amarrado a uma cadeira com dores em<br />
todo o corpo, e vi o António sentado à minha frente<br />
com um ar sereno. Perguntei-lhe o porquê de<br />
me ter prendido e agredido. Ele não respondeu,<br />
encarou-me e disse-me que era o seu novo escravo,<br />
o meu dever era falar com pessoas pela internet<br />
e arranjar encontros com elas, levando-as para<br />
o armazém, para que ele depois pudesse fazer
delas o que quisesse.<br />
Ameaçou-me, disse-me que me matava se não fizesse o<br />
que me ordenava, apontado para o corpo mutilado do<br />
empregado do café que jazia no chão do armazém.<br />
Escolhi obedecer-lhe.<br />
Há já dois anos, que levo pessoas para o armazém,<br />
deixando-as na boca do lobo.<br />
Vou agora mesmo para mais um encontro, espero<br />
poder voltar a escrever amanhã, é a única forma que<br />
tenho de me sentir vivo.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso<br />
Henriques<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Marta Pinto<br />
Cristiana Raquel Mendes Pereira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
Depois de muitas mensagens ―repetidas‖, houve<br />
uma que o fez despertar: ―liga-me, sou a<br />
Lara‖. Ele estava cheio de saudades da Lara, já<br />
não a via há quase dois anos, além de continuar<br />
a suspirar por ela, tal como no dia em que a<br />
conheceu.<br />
Respondeu imediatamente à mensagem, foram<br />
falando e falando, no entanto, o João achava que<br />
o amor da sua vida estava muito mudado, estava<br />
mais receptivo e muito mais simpático com ele,<br />
porém, apesar de estranhar a atitude, não podia<br />
deixar de se sentir radiante…<br />
Falavam de tudo, menos do passado e das saudades<br />
que ele sentia por ela.<br />
Descreviam cada passo que davam e falavam,<br />
falavam…<br />
―Aquele telemóvel está a destruir-lhe a vida‖, dizia<br />
a mãe do João desesperada…<br />
A cada dia que passava ele ficava mais tempo ape-
gado ao telemóvel, esquecendo tudo o resto…<br />
Os amigos estavam cansados de o ver com aquela coisa,<br />
desistiram mesmo de o chamar para sair. Os trabalhos<br />
de casa ficavam por fazer, as noites eram passadas quase<br />
sem dormir, ―e tudo isto por causa daquele maldito<br />
telemóvel‖, pensava a mãe.<br />
A vida do João tinha mudado, tudo porque a Lara, a<br />
Lara dele, estava dentro daquele aparelho…<br />
Não restava mais nada, era só o João e o Laratelemóvel,<br />
até que um dia…<br />
O sol estava posto, o céu era azul, o dia mostravase<br />
radiosamente belo para voltar a ver a Lara… Ao<br />
chegar ao jardim, os olhos de João procuravam<br />
todos os cantos por ela, até que a Lara chegou, o<br />
mundo parou. O João entrou em estado choque,<br />
ficou assustado: não reconhecia a pessoa que se<br />
apresentava diante dos seus olhos, não era a<br />
Lara que deixou de ver há quase dois anos, e<br />
muito menos a Lara daquele telemóvel.<br />
A revolta chegou, o desespero pairou sobre a<br />
sua cabeça, o seu coração estava destroçado,<br />
a realidade aproximou-se, tinha perdido tudo,<br />
os amigos, a escola… Tudo isto porque<br />
alguém do outro lado da linha se apresentava<br />
como Lara…<br />
Destruiu aquele telemóvel, e nunca mais<br />
quis saber de telemóveis…<br />
Muitos meses depois, o João recebeu de<br />
presente ―aquele‖ computador. Há muito
que o desejava! Entusiasmado,<br />
lançou-se ao trabalho. Num instante,<br />
os e-mails dos amigos ―voaram‖<br />
para dentro da memória. No dia<br />
seguinte recebeu o e-mail a dizer ―fala<br />
comigo‖. Não conhecia o e-mail, não respondeu.<br />
O e-mail repetiu-se, e repetiu-se, e repetiuse…
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola EB 2,3/S José Sanches de Alcains<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Rui Mateus<br />
Joana Margarida C. G. Tavares da Conceição<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por Real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
o Virtual. Como Real, sou<br />
pequena, morena, tímida, mas como Virtual<br />
faço de conta que sou alta, loira e muito<br />
extrovertida.<br />
Sou muito solitária e tenho medo de me<br />
aproximar dos outros, pois ao longo do meu<br />
percurso escolar já fui muito gozada pelos meus<br />
colegas, que ainda hoje me conhecem por<br />
“Baleia”.<br />
Por me sentir perdida, comecei a frequentar<br />
os chats e com a minha nova identidade tudo se<br />
tornou diferente. Concretizei o meu maior sonho,<br />
ser a pessoal mais social de sempre porque todos<br />
queriam falar comigo e faziam-me muitos elogios.<br />
A partir desta gloriosa experiência a minha<br />
vida mudou, passei a viver para o computador e<br />
por vezes, nem sequer dormia. Neste sítio etéreo<br />
eu era tudo. O tempo foi passando e afastei-me<br />
dos meus poucos amigos, sem sim<strong>plesmente</strong> querer<br />
saber. E numa noite, conheci no chat um rapaz<br />
que se descrevia como tendo olhos azuis, pele<br />
branquinha e loiro e até me mandou uma foto a<br />
comprovar tudo o que me dissera. Conversámos o<br />
resto da tarde e à noite, apaixonei-me loucamente,
pois ele era um anjo que tinha descido à Terra só para<br />
mim, obrigando-me a ser transportada para outra<br />
dimensão.<br />
Combinámos que no dia de São Valentim nos encontraríamos<br />
e teríamos todo o tempo do Mundo para nos<br />
conhecermos pessoalmente. Digamos que ele também<br />
me pressionava para que tal acontecesse. Para tornar<br />
tudo muito mais romântico faria um lanche delicioso e<br />
vestiria o vestido mais bonito, aquele que tenho guardado<br />
no meu armário só para as festas. Tudo seria<br />
como nos grandes clássicos das histórias de amor<br />
que acabam sempre com a mesma frase “E viveram<br />
felizes para sempre.”.<br />
O grande dia chegou e eu estava radiante, mas<br />
apanhei um grande susto quando à hora marcada<br />
um homem de 30 anos, gordo e de olhos e cabelos<br />
castanhos toca à campainha, identificando-se<br />
como o “Apaixonado pela Virtual”. Ao olhar para<br />
mim, humilhou-me e saiu porta fora. Fiquei tão<br />
mal, que decidi desabafar com os meus pais<br />
que me aconselharam a ser eu própria pois era<br />
o eu verdadeiro que amavam.<br />
A partir dai, descobri que a Catarina Real<br />
seria sempre muito melhor do que a Virtual e<br />
conquistaria tudo o que desejasse. A Virtual<br />
seria sempre oca sem ter alma e corpo,<br />
ficando limitada a um ecrã.<br />
Agora, sinto-me completa e já descobri<br />
o meu verdadeiro amor, aquele que me<br />
ama incondicionalmente não por aquilo que<br />
aparento mas pelo que sou. Por isso, sigam
o meu lema: “Mais vale sermos<br />
reais do que um sonho <strong>virtual</strong>”.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica e Secundária Baião<br />
Agrupamento Vale de Ovil<br />
Cecília Torres<br />
Ana Isabel Rodrigues<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que sou ruiva,<br />
de estatura média, ligeiramente pálida, e<br />
tal e qual como a Real tenho 16 anos. Sinto<br />
necessidade de navegar na Internet, de ter<br />
uma ―vida‖ <strong>virtual</strong>, pois posso ser tudo o que<br />
quiser, a começar por querer ser a líder da claque<br />
de futebol que existe na minha escola, as<br />
raparigas que fazem parte da claque são todas<br />
chiques, sem dúvida bem sucedidas com os<br />
rapazes e os pais vão levá-las à escola de carro e<br />
buscá-las.<br />
Na minha vida real sou termo de chacota geral na<br />
turma, pois não visto roupa de marca, ou melhor,<br />
não tenho sequer oportunidade de escolher a roupa<br />
que quero vestir, pois uma vez por mês, a<br />
minha mãe vai a uma casa de caridade buscar<br />
roupa para mim e para ela. Lá em casa somos<br />
apenas nós as duas, e ainda bem. O homem que<br />
teve a habilidade de me fazer com a minha mãe,<br />
sim homem, pois para mim pai que é pai, não faz<br />
o que fez à minha mãe. Lembro-me como se fosse<br />
hoje, de eu estar encostada à porta do quarto<br />
deles e ver o meu pai a puxar os cabelos à minha
mãe enquanto lhe batia constantemente e lhe perguntava<br />
pela droga que lhe tinha mandado comprar. Eu,<br />
enquanto assistia àquela cena, encontrava-me em silêncio,<br />
já nem sequer as lágrimas se soltavam, pois sempre<br />
que isso acontecia ele batia-me e a minha mãe ao tentar<br />
defender-me levava ainda mais. De muitas dessas<br />
trágicas e dolorosas recordações foi a única que ficou<br />
gravada com mais nitidez, ao contrário disso, o rosto<br />
dele esqueci por completo, sendo a última vez que o<br />
vi, tendo eu apenas 4 anos. Ele fugira de casa e até<br />
hoje nunca mais voltou a dar notícias.<br />
Ao contrário da Real, a Virtual tem pais e são financeiramente<br />
bem sucedidos.<br />
De todos os aspectos positivos que a Virtual<br />
encontrou na Internet, ou seja, eu, foi durante<br />
uma conversação numa sala de chat, um rapaz<br />
com o nick ―Navegador Solitário‖. Chamou-me<br />
logo a atenção pelo facto de ele afirmar ser solitário,<br />
então decidi fazer-lhe ―companhia‖ <strong>virtual</strong>mente.<br />
E acabámos por ficar um pouco íntimos.<br />
Ele deve ser lindo e confio neste momento<br />
plenamente nele, estou tão apaixonada! Ele<br />
disse que é alto, loiro, olhos verdes, que tem<br />
18 anos e que mora numa cidade aqui vizinha.<br />
Mais um ponto a favor, bingo! Na mesma<br />
noite em que começámos a falar ele disse<br />
que queria estar comigo, e eu cedi. O<br />
nosso encontro vai ser mesmo amanhã, e<br />
como é óbvio ninguém sabe de nada.<br />
A noite foi grande, nunca mais passava,<br />
daqui a pouco nem acredito que vou estar
com ele! Ele disse que me ia fazer<br />
coisas lindas, e que me ia fazer<br />
sentir a rapariga mais feliz do mundo.<br />
Eu acredito completamente nele.<br />
Combinámos de nos encontrar no jardim<br />
das Tílias, fica aqui perto, por isso vou<br />
mesmo a pé.<br />
Estou a caminho do jardim e começo avistar<br />
ao longe um homem, com uma aparência<br />
arrogante. Não, de certeza que não é ele,<br />
mas aquela cara parece-me familiar. Comecei<br />
a ter um mau pressentimento e a sentir-me<br />
um pouco assustada. Ele está a andar na minha<br />
direcção, agarra-me de forma rude e diz ser o<br />
Navegador Solitário. Nem consigo acreditar que<br />
ele me mentiu. Sinto uma sensação de pavor<br />
com uma enorme vontade de fugir, mas noto<br />
que ele não me quer deixar ir a lado nenhum<br />
com a força que exerce a apertar o meu braço.<br />
Estou baralhada, encontro-me tão desiludida, tão<br />
arrependida e ao mesmo tempo irresponsável por<br />
estar naquela situação, pensava ser tão responsável<br />
no ―mundo‖ <strong>virtual</strong> e neste momento no<br />
―mundo‖ real estou prestes a poder estar a viver o<br />
meu maior pesadelo.<br />
Enquanto mil e uma ideias se entrelaçam na<br />
minha cabeça reparo que me encontro a caminhar<br />
com ele para um carro preto, com vidros pretos e<br />
que ele continua a agarrar-me e ainda com mais<br />
pressão. Quando chegamos à beira do carro ordena<br />
que eu faça silêncio e que entre para dentro do
carro. Eu limitei-me a obedecer-lhe, não conseguindo<br />
interiorizar o medo ao tremer compulsivamente.<br />
Durante o percurso todo fui com a cabeça para baixo<br />
tentando conter as lágrimas. Dei por mim já num quarto<br />
escuro, ele entra pela porta do quarto e pede para<br />
que eu dance para ele como o faço na claque de futebol,<br />
eu começo a chorar, a implorar para que me deixe.<br />
Ele atira-me para a cama, salta para cima de mim e<br />
tira-me a roupa, percorre a boca dele pelo meu corpo,<br />
sinto-me completamente suja, ao estar as ser vítima<br />
de algo tão atroz. Estou a ser violada neste preciso<br />
momento e tudo porque fui fútil e irresponsável no<br />
mundo da Internet…<br />
Terminou de adormecer, eu levanto-me da cama<br />
embrulhada na minha roupa completamente rasgada,<br />
encontro-me apavorada, olho em frente e<br />
deparo-me com um retrato em cima de uma<br />
mesa com muitos livros e um computador, aproximo-me<br />
e ajoelho-me no chão completamente<br />
indignada.<br />
Nem quero acreditar! As pessoas do retrato<br />
são, eu, a minha mãe e o meu pai, ou melhor,<br />
ele mesmo. Acabei de não ser apenas violada<br />
por um maluco e violador que utiliza como<br />
meio atractivo a Internet, como fui violada<br />
pelo meu próprio pai!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica e Secundária Lanheses, Viana do Castelo<br />
Agrupamento Arga e Lima (Intermunicipal)<br />
Maria Eugénia Pinto Portela<br />
Vanessa Vieira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que sou alto,<br />
moreno, extrovertido, extremamente simpático,<br />
características estas que são geralmente<br />
apreciadas por todos e associadas, directamente,<br />
a uma pessoa correcta e de confiança.<br />
Cheguei a casa cansado de mais um dia<br />
árduo na empresa. Sentei-me à frente do computador<br />
e imediatamente vesti a minha pele <strong>virtual</strong>,<br />
pronto a atacar mais um ingénuo que caísse<br />
na minha teia. Enganar esses indivíduos é o que<br />
eu faço melhor! Daqui a umas horas a minha conta<br />
bancária já estará bastante mais recheada. Já<br />
pensei várias vezes despedir-me do meu emprego<br />
real, porém, se o fizesse como explicaria aos<br />
meus conhecidos todos os bens que possuo? Passo<br />
a explicar: sendo eu um gerente de uma<br />
empresa bem conceituada tudo aquilo que me pertence<br />
é passível de ser comprado pelo cargo que<br />
ocupo. Assim, posso continuar com o meu trabalho<br />
de dia e o meu hobby lucrativo à noite sem levantar<br />
suspeitas. Confesso que me divirto bastante<br />
quando estou em frente ao ecrã a ver mais um<br />
―pato‖ cair nas minhas patranhas. Já lá vão mui-
tos… não sei quantos ao certo, e todos eles pensam ser<br />
mais espertos do que eu. Ah como se enganam! Eu também<br />
já fui como eles, achava que a internet era um<br />
mundo real, onde qualquer janela que se abria era fidedigna<br />
e todas aquelas ofertas, jogos online e vendas de<br />
produtos confiáveis. Sim. Eu já fui assim, porém uma<br />
situação que se passou há uns anos atrás fez com que<br />
a minha ingenuidade se tornasse raiva e a minha sede<br />
de vingança obrigou-me a vingar-me deste mundo<br />
participando nele. Passei de ―cordeiro‖ a ―lobo‖.<br />
Sempre fui bom a informática, porém antes<br />
de ter sido roubado, nunca a tinha utilizado para<br />
enganar outras pessoas em meu proveito. A partir<br />
do momento que um ―Chico esperto‖ com mania<br />
que era hacker invadiu uma da minhas contas<br />
bancárias e me roubou uma quantia significativa,<br />
tornei-me um deles, sempre com o intuito de me<br />
vingar daquele que se apoderou dos meus bens,<br />
mas como neste mundo nunca sabemos quem<br />
está do outro lado passo a atacar todos aqueles<br />
que aparecem à frente, tendo acesso assim aos<br />
programas informáticos de grandes empresas<br />
e daí às suas contas bancárias. Um<br />
dia, puxei do jornal, notícia de capa: ―Mais um<br />
grande golpe informático numa empresa.<br />
―Zero Pollution‖ encontra-se à beira de um<br />
colapso financeiro à custa de um simples<br />
computador. Suspeito continua sem ter<br />
identidade.‖ Ri-me alto, às gargalhadas,<br />
onde ninguém me ouvisse. Há já algum<br />
tempo que sou cabeça de cartaz no maior<br />
jornal da cidade, sem ninguém suspeitar do
pobre homem solitário do prédio<br />
X da rua Y. Confesso que este golpe<br />
não foi dos melhores. Ganhei apenas<br />
alguns milhões, sem ter sequer de me<br />
levantar da minha cadeira e sem ter<br />
perdido muito tempo a planeá-lo. Alguns<br />
cliques aqui e ali, escrever uma ou duas<br />
coisitas e pronto. Trabalho feito, já só preciso<br />
de esperar alguns minutos para me poder<br />
comparar ao maior magnata da cidade.<br />
Volto a virar a página, com toda a<br />
satisfação começo a ler os cabeçalhos, olha só:<br />
uma nova presa. Uma empresa que ainda não<br />
foi atacada e está no seu auge monetário. Excelente!<br />
Mais um passatempo para mim. Não é<br />
que precise, já tenho uma fortuna invejável.<br />
Porém faço-o por divertimento e isto de aparecer<br />
nos jornais até que tem a sua piada, mas o mais<br />
divertido de tudo isto é mesmo saber que altas<br />
empresas com muitos técnicos informáticos não<br />
têm capacidade para fazer face à minha alta inteligência<br />
e impedir-me de usufruir dos seus bens<br />
monetários.<br />
Apesar disto, não me considero um criminoso,<br />
há gente bem pior que eu que rouba aos<br />
olhos de toda a gente. No entanto, essas pessoas<br />
andam, por aí, como se nada fosse e ninguém as<br />
culpa de nada. Mesmo que sejam acusadas do que<br />
quer que seja conseguem sempre superar a situação.<br />
Eu, apenas, aproveito os meus dotes para<br />
benefício pessoal. Passo por cima de algumas pes-
soas, sim, mas todas elas passam por cima de alguém a<br />
quem consideram inferior. Sou alguém consciente dos<br />
seus actos e pessoalmente considero que este mundo<br />
(Internet) não é para qualquer um, pois é necessário ter<br />
uma grande percepção de quem se encontra do outro<br />
lado e, como os grandes homicidas, não deixar rasto<br />
dos crimes, não deixar marcas visíveis em qualquer<br />
situação que seja pois haverá sempre alguém que<br />
estará à espreita do outro lado, à espera que um de<br />
nós dê um passo em falso e acabe a ver o Sol aos<br />
quadradinhos. Um dia, quero ser recordado como<br />
um dos melhores piratas nacionais quiçá internacionais<br />
de todos os tempos, mas como um criminoso<br />
sem face.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária D. Sancho I, V. N. de Famalicão<br />
Joaquina Peixoto<br />
Elisabete Carvalho<br />
José Silva<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
O João, cansado que o chateassem, com tantas<br />
mensagens repetidas, decidiu ligar para o<br />
número desconhecido.<br />
Entretanto atenderam e era uma pessoa a pedir<br />
informações sobre os seus dados pessoais. Por<br />
motivos de segurança decidiu desligar a chamada.<br />
Andou uma semana sem receber mensagens, o<br />
João descansadinho da vida a jogar playstation<br />
recebe uma mensagem de um número desconhecido<br />
a pedir para lhe ligar urgentemente. Pensando<br />
que era a mesma pessoa decidiu não ligar, mas<br />
o mesmo número volta a ligar-lhe.<br />
O João, farto da brincadeira, aceita apenas para<br />
perguntar o que a pessoa queria mas antes que<br />
começasse a falar a pessoa disse que a sua irmã<br />
estava no hospital.<br />
O João, num estado de aflição, cede os dados pessoais<br />
que a pessoa solicitou e essa pessoa prometeu<br />
que o levava a ver a irmã.
Combinou um encontro com ele para assim o transportar<br />
ao hospital. João compareceu no encontro e entrou no<br />
carro quando se apercebeu estava a caminho de um<br />
lugar que não era o hospital.<br />
O João nunca mais apareceu…
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária D. Sancho I, V. N. de Famalicão<br />
Joaquina Peixoto<br />
Ana Rodrigues<br />
Barbara Sá<br />
Marcel Huber e Rogério Carvalho<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
…mas o João continuou sem ligar. Cansado de<br />
tanta mensagem, durante dias e dias, o João<br />
acabou por ligar, para descobrir o suspeito que<br />
tanto o chateava.<br />
Espanto dele, quando descobriu que esse indivíduo<br />
era alguém que morava muito perto da sua<br />
zona de residência e que o conhecia bem, e sabia<br />
tudo aquilo que ele fazia durante o dia. Perante<br />
essa descoberta, João não mais atendeu às suas<br />
solicitações para ligar, pois sabia que esse mesmo<br />
individuo não era alguém de confiança, pois já<br />
tinha ouvido rumores na sua rua que esse mesmo<br />
homem era má pessoa e um pouco estranho.<br />
Mais tarde, constatou-se que ele era suspeito de<br />
rapto de menores e que já havia raptado alguém<br />
da zona e por sinal, amigo de João, e que até já<br />
havia sido preso por esse mesmo crime.<br />
Perante tal facto, João resolveu por bem mudar de<br />
número e dar apenas esse mesmo número aos<br />
seus amigos e pessoas de inteira confiança.
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele” telemóvel. Há<br />
muito que o desejava! Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos “voaram”<br />
para dentro da memória. No dia seguinte, recebeu a<br />
mensagem “liga-me”. Não conhecia o número, não<br />
ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiuse…<br />
O João, cansado da situação e bastante assustado,<br />
denunciou o caso aos seus pais, visto que a mensagem<br />
de pedido passou a ameaça.<br />
Os seus pais, extremamente preocupados, participaram<br />
à PSP a situação e, por meio de uma investigação,<br />
veio-se a descobrir que não passava<br />
duma brincadeira de um amigo seu, que foi castigado<br />
e foi-lhe retirado o telemóvel pelos seus<br />
educadores.<br />
As palavras do amigo para confortá-lo, em vez<br />
de serem uma aceitação de desculpas, foram:<br />
―Que chato!‖.<br />
No final da história, foi o amigo do João que<br />
acabou mais assustado com o caso, visto que<br />
foi alvo duma emboscada da GNR e, com certeza,<br />
aprendeu que com os avanços das tecnologias<br />
de investigação contemporâneas<br />
não vale a pena arriscar demasiado com<br />
brincadeiras ridículas porque acabamos por<br />
sermos nós a apanhar o verdadeiro susto!!!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Básica/Secundaria D. Afonso III de vinhais<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Lúcia Guerra<br />
Ana Isabel Rodrigues Vaz<br />
João Carlos Correia Pires<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que sou diferente,<br />
faço com que as pessoas imaginem<br />
outra pessoa que não eu.<br />
Quando me ligo aos chats, aos jogos ou sim<strong>plesmente</strong><br />
à internet, transformo-me num ideal<br />
que as pessoas esperam que eu seja. Sem nunca<br />
me terem conhecido, criam logo uma grande<br />
empatia e as conversas prolongam-se por vários<br />
dias, até meses.<br />
Conseguindo com que a pessoa encontre em<br />
―mim‖ uma espécie de apoio a nível emocional, a<br />
vítima encantada quer conhecer este ―eu‖ que não<br />
existe. Mas eu ainda não quero e tento enrolá-la o<br />
maior tempo possível, sucedendo isto: chega a<br />
uma certa altura em que já não tenho mais desculpas,<br />
tenho mesmo de me mostrar.<br />
Decido, pois, marcar um encontro fatal aonde ela<br />
vai ver quem eu sou na realidade. Na verdade,<br />
tenho 15 anos, tendo-me feito passar por um<br />
rapaz de 20 anos, muito maduro, diferente dos<br />
rapazes da minha idade, compreensivo, atento a<br />
todos os pormenores e com os pés bem assentes
na terra; a nível físico, tinha 1.75m, era loiro, tinha olhos<br />
azuis, mas na realidade eu era o oposto.<br />
Chegado o dia do encontro, estava bué de nervoso, a<br />
manhã parecia não ter fim, pois tinha a tarde que iria<br />
ser um confronto entre as minhas duas personalidades:<br />
entre o meu eu psicológico e a minha aparência física,<br />
que não era o que ela supunha que eu fosse. Lá vou eu<br />
caminhando para o abismo. Chego à porta do café,<br />
vejo-a sentada mesmo à minha frente. Reconheci-a,<br />
pois tínhamos combinado levar uma rosa, mas será<br />
que me enganei pois ela não era nada do que me<br />
tinha dito, aproximei-me e perguntei: ―És a Butterfly?‖,<br />
ela sim<strong>plesmente</strong> respondeu que sim. ―E<br />
tu, és o Virtual?????‖ Tendo ouvido a resposta só<br />
me apetecia bazar, mas, como eu não tinha dito<br />
também a suposta verdade, sentei-me e começámos<br />
a falar sobre a nossa mentira.<br />
A maior parte dos encontros através de chats<br />
nunca são aquilo que aparentam ser na realidade.<br />
Podem ser crianças, velhos ou, quem sabe,<br />
pedófilos a tentar iludir as pessoas. Eu tive<br />
sorte. Era apenas uma pessoa solitária a precisar<br />
de um ombro amigo, mas há pessoas que<br />
caem em teias perigosas podendo acabar com<br />
a sua vida, tanto a nível psicológico como físico.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Básica e Secundária D. Afonso III<br />
Agrupamento Vinhais<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Lúcia Guerra<br />
Élodie Teixeira<br />
Maurício dos Reis Afonso<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O melhor preço<br />
Todos sabiam o que eu queria para o<br />
meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />
por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />
Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />
o registo.<br />
Pediram-me o nome, e-mail, número de telefone,<br />
morada e o número de conta, que por<br />
acaso, eu nem sequer tinha conta bancária.<br />
Pensei…pensei, e cheguei a uma conclusão,<br />
como eu desejava ter esses jogos, para fazer<br />
frente aos meus colegas de turma, a única solução,<br />
era enviar a conta bancária dos meus pais,<br />
assim foi, é claro que não lhes pedi autorização.<br />
Após uns minutos, recebi no meu e-mail uma<br />
mensagem a confirmar que a minha compra tinha<br />
sido feita com sucesso e, passado um dia, iria<br />
receber os meus fantásticos jogos, fiquei fascinado.<br />
Na manhã seguinte estava sozinho em casa e<br />
dei conta que o correio tinha chegado, corri rapidamente<br />
para a caixa de correio e lá estavam os<br />
meus jogos.<br />
Passou-se um mês e voltei a fazer outra compra<br />
dos jogos que tinham sido lançados no mercado, o<br />
esquema era sempre o mesmo, fiz de tudo para os<br />
meus pais não desconfiarem, cada vez mais publicavam<br />
diferentes jogos e como o vício era tanto fui<br />
comprando sempre mais e mais…
No entanto os meus pais foram, por acaso verificar a sua<br />
conta e depararam que as percentagens de dinheiro<br />
tinham diminuído muito sem eles saberem porquê.<br />
Como eu passava muitas horas por dia no computador,<br />
eles desconfiaram e perguntaram-me se sabia o porquê<br />
deste facto estar a acontecer! Eu não estava à espera<br />
desta notícia e fiquei extremamente culpado por ver<br />
que afinal o preço dos jogos era muito superior ao que<br />
apresentavam na internet. Depois disto, os meus pais<br />
tiraram-me o computador e cortaram-me a internet,<br />
deram – me a conhecer outra visão do que a internet<br />
realmente é, nem tudo o que julgamos ser verdade<br />
é real.<br />
Por isso só vos peço que tenhais muita atenção<br />
naquilo que a internet nos transmite, e no caso de<br />
terdes dúvidas falai primeiramente com os vossos<br />
pais, não vos deixeis levar por um simples<br />
ecrã.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Profissional Agricultura e Desenvolvimento Rural,<br />
Marco de Canaveses<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Carla Afonso | Marta Sousa<br />
Cláudia Santos<br />
Joana Moreira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Sem pensar duas vezes, cliquei sem saber a<br />
veracidade do mesmo. Foi uma tentação do<br />
momento, algo mais forte que eu. A consola<br />
com que sempre sonhei estava mesmo ali e<br />
bastava um pequeno clique para o concretizar. E<br />
sem suscitar mais dúvidas, cliquei.<br />
Naquela altura aquele passo foi o mais marcante<br />
que dei até então, todos nós temos, desde muito<br />
pequenos, sonhos, ilusões e fantasias e aquele<br />
passo era o alcançar de todos esses.<br />
O que não sabia era o que estava por detrás<br />
daquele clique.<br />
Era uma criança indefesa, sem nunca imaginar<br />
todas aquelas ―pedrinhas‖ que poderia encontrar<br />
por aquele caminho que iria pisar para além do<br />
meu sonho.<br />
Ouvia conversas entre os meus pais sobre os perigos<br />
da Internet, mas para mim não passava de<br />
palavras de adultos, palavras complicadas sem<br />
mera importância que não entravam naquele meu<br />
pequeno dicionário onde só entravam palavras de
fantasia.<br />
Mas estas palavras de fantasia tornaram – se em palavras<br />
de desespero, em lágrimas de dor.<br />
Aquelas ―pedrinhas‖ desabaram e caí numa imensa<br />
rede de pedofilia. Aquela consola era apenas uma porta<br />
aberta para a destruição plena da minha infância.<br />
Entrei nessa porta aberta e submeti-me aos mais violentos<br />
actos de pedofilia.<br />
Agora, muitos anos se passaram e ganhei coragem<br />
para contar a veracidade de tudo o que se passou.<br />
Com tudo o que se passou perdi uma grande parte<br />
da minha felicidade, aquela que me fazia acordar<br />
todas as manhãs com mais um sonho. Uma felicidade<br />
que partilhava com os meus pais e amigos e<br />
com tudo que me rodeava sempre com aquele<br />
sorriso de esperança.<br />
Fui uma criança abusada, uma vítima daquele<br />
homem, vítima de um erro. Fiquei preso naquela<br />
sala sombria e fria onde o único movimento<br />
era o rodar dos ponteiros do relógio, relógio<br />
esse que era a única lembrança que ainda me<br />
prendia ao amor dos meus pais. Olhava para<br />
ele como o único símbolo de esperança de um<br />
dia voltar ao meu verdadeiro ―eu‖.<br />
O meu eu todos os dias era massacrado com<br />
acções de pura violência onde me tinha de<br />
sujeitar a todas aquelas torturas que me<br />
faziam sentir morrer e derramar todas<br />
aquelas lágrimas de cor.
Agora passados muitos anos, ainda<br />
me sinto preso aquela palavra<br />
aterradora ― pedofilia‖ mas neste<br />
momento tento esquecer todo aquele<br />
drama graças ao papel que consegui, o<br />
papel de pai.<br />
Não sou um pai que apenas escreve textos<br />
onde exponho ideias e pensamentos, mas<br />
sou um pai que transmite uma mensagem de<br />
apelo a todos os pais que estão a passar pelo<br />
mesmo papel e se sentem preocupados com<br />
todos os perigos que os filhos enfrentam quando<br />
na internet fazem o ―clique‖.<br />
Hoje sou pai e aquele relógio que fazia o tempo<br />
passar, hoje parado no tempo, faz – me pensar<br />
que devo abandonar aquelas memórias que me<br />
atormentam a memória.<br />
O relógio não é um mero objecto insignificante, é<br />
o que me faz lembrar que mais pais passam pela<br />
mesma situação todos os dias e o tempo passa<br />
mas o dicionário dos seus filhos não se altera.<br />
Esta história é verdadeira, não deixe que a vida do<br />
seu filho seja uma história como a minha onde o<br />
painel principal é um cenário aterrador.<br />
NÃO DEIXE QUE O MESMO ACONTEÇA AO SEU<br />
FILHO…
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
ES Fontes Pereira de Melo, Porto<br />
Alberto Cardoso<br />
Fernando Onofre<br />
Paul Koekoemoer<br />
Valdmar Martins<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />
The lack of internet security is a very important<br />
question and, you should be aware of the<br />
dangers that you may encounter.<br />
First of all, you should never give out your ID<br />
(identification), always ask your parents for permission<br />
to use the pc.<br />
Don‘t go on social networks and social chats,<br />
sites like ―HI5‖ may not look dangerous, but<br />
some people take advantage of yours innocence<br />
and can take you away from your family and<br />
home.<br />
Things like ―pop-up‘s‖ are also hazards because of<br />
the pornographic nature and because they ask you<br />
for your ID, they also misled you, making you<br />
think you have won some kind of prize, like<br />
money, trips, cars, etc… and that‘s not true.<br />
You should never add people on software like<br />
―messenger‖ without your parents knowing.<br />
The games you play can make you a violent person.<br />
You should play educational games such as
chess because it helps you develops your thinking skills.<br />
If you follow this advice given, you‘ll be able to enjoy<br />
yourself and make the make the most of surfing on web.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Básica Irene Lisboa, Porto<br />
Agrupamento Irene Lisboa<br />
Aida Domingues<br />
José António Pereira Santos<br />
Ricardo Filipe Teixeira de Matos<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Fiquei triste! Os meus pais não me deixaram<br />
aceitar pois pensam que é daqueles sites que<br />
roubam dinheiro às pessoas, mas é mentira,<br />
eu sei que é daqueles sites que são verdadeiros<br />
que não roubam ninguém, só ajudam as pessoas<br />
a serem felizes. Eu não liguei aos conselhos<br />
dos meus pais e carreguei para ganhar o<br />
prémio. Tive que dar todos os meus dados pessoais,<br />
nome, morada, telefone dos meus pais, email<br />
dos meus pais, nome do meu pai, nome da<br />
minha mãe e contacto dos meus amigos.<br />
No dia seguinte, decidi ir ver se tinha algum email….<br />
Não tinha, mas fui ver outra vez o meu<br />
correio electrónico e finalmente encontrei um email<br />
que dizia que estava prestes a receber a consola<br />
de jogos.<br />
Nesse mesmo dia recebi outro e-mail que dizia<br />
para eu ter um encontro no dia seguinte para<br />
receber a consola de jogos, e ele aceitou. Nessa<br />
noite dormi mesmo mal, porque estava ansioso<br />
por receber a consola de jogos.<br />
Acordei cedo, muito cedo olhei para céu e disse
para mim mesmo: ― Hoje é o dia dos meus sonhos, vou<br />
ter a consola com que sempre sonhei.‖. Saí de casa cedo,<br />
para ir ter com o indivíduo. O encontro era na rua transversal,<br />
à beira de minha casa. Saí de casa e um homem<br />
fez-me sinal para ir ter com ele.<br />
Presumi que fosse o homem que ia entregar a consola,<br />
mas não, era só para me perguntar as horas.<br />
Fiquei uma hora à espera quando finalmente apareceu<br />
um homem com uma grande embalagem. Ficámos à<br />
conversa e explicou-me que era perigoso dar os<br />
meus dados pessoais na internet, pois não sabemos<br />
quem está do outro lado.<br />
O homem foi falar com os meus pais. O senhor foise<br />
embora e os meus pais disseram se eu quisesse<br />
uma consola era só pedir, que viam se era possível<br />
comprar uma. Fiquei triste, mas os meus<br />
pais deram-me uma consola.<br />
Com esta ―AVENTURA‖ aprendi a defender-me<br />
quando estou na ―Net‖ (internet).
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />
Mário Sentieiro<br />
André Diniz<br />
Duarte Monteiro<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O melhor preço<br />
Todos sabiam o que eu queria para o<br />
meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />
por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />
Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />
o registo.<br />
Um mês antes do meu aniversário já sabia o<br />
que pretendia. ―Presentes‖ era a tradição mas<br />
queria algo diferente, queria liberdade. Pelo<br />
menos para escolher o que queria: dinheiro.<br />
Nunca se sabe o que nos espera, mas é fácil<br />
adivinhar o que se recebe nos anos: as luvas e a<br />
camisola das tias – a verdadeira tradição. Com<br />
dinheiro podia escolher algo que verdadeiramente<br />
quisesse.<br />
- Hey, sabes de algum site onde possa arranjar<br />
jogos? Não dá para piratear a PS3. - perguntei à<br />
Catarina, a player.<br />
- O Pedro costuma comprar jogos usados<br />
na net. E vendê-los!<br />
Não falei com ele mas fiz o que ele<br />
faria: google. E encontrei-o o site que pretendia.<br />
Tinha jogos que nem estavam disponíveis no nosso<br />
mercado e baratos!<br />
O meu pai concordou em comprar-me um jogo<br />
pela internet. Feita a compra com cartão e, inserindo<br />
os dados todos, restava apenas a espera pela
encomenda.<br />
Dois dias antes do dia mais ansiado, o meu pai chama<br />
-me, sério. Tinha recebido uma carta do banco de<br />
manhã e foi lá.<br />
- Uma quantia elevada de dinheiro foi… levantada da<br />
minha conta. Estive a verificar no banco e…seguimos o<br />
rasto até ao IP do site onde compramos o jogo. As<br />
informações que introduzimos foram usadas para nos<br />
extorquir.<br />
Tentámos contactar o site mas não obtivemos<br />
qualquer tipo de resposta. Pouco depois estávamos<br />
na esquadra da polícia a preencher um inquérito e<br />
um relatório sobre o ocorrido.<br />
Foi tudo o que pudemos fazer.<br />
O sistema judicial não tinha nas suas mãos o<br />
poder para ir além do IP. A série de números<br />
ficou registada na nossa memória.<br />
Uma semana depois do aniversário recebemos<br />
um telefonema. A polícia tinha descoberto<br />
uma suposta localização do hacker. Contudo<br />
não tinham autoridade para ir mais além.<br />
A internet é uma fonte de informação. Mas<br />
também é uma fonte de perigos. Devemos<br />
desconfiar de tudo e deixar a informação<br />
mais séria em somente em locais sérios.<br />
No tal dia, recebi um par de luvas e uma<br />
camisola nova. E não desgostei.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />
Elda Martins| Márcia Silva| Rui Diegues<br />
Ricardo Santos<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O melhor preço<br />
Todos sabiam o que eu queria para o<br />
meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />
por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />
Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />
o registo.<br />
O Pedro, um jovem de quinze anos, sonhava<br />
há muito tempo ter Internet como os seus<br />
amigos, para poder falar com eles <strong>virtual</strong>mente.<br />
Como prenda por ter passado para o 9º<br />
ano, os seus pais instalaram internet em casa, a<br />
mais rápida do mercado, na altura.<br />
Quando o Pedro chegou a casa e soube que<br />
tinha Internet, correu imediatamente para o<br />
computador para criar o seu endereço de e-mail.<br />
Após isso, ligou ao seu melhor amigo e pediu-lhe<br />
o seu mail, Adicionou-o no Messenger, e pediu-lhe<br />
os endereços de correio electrónico dos amigos<br />
em comum. Passados dois dias, já tinha mais de<br />
cem contactos no MSN.<br />
Rui, um dos amigos do Pedro, divulgou-lhe um<br />
site que envolvia uma enorme comunidade de pessoas<br />
- o site Freefotolog. O Pedro fascinou-se com<br />
o site, porque podia ser amigo de qualquer pessoa,<br />
bastava enviar-lhe um pedido de amizade e a<br />
pessoa aceitar, que já podiam falar os dois, adicionar<br />
comentários às fotografias de um e de outro…<br />
Pedro conheceu uma rapariga muito bonita,
com quem falava muito, inclusive por mensagens, no<br />
telemóvel. Essa rapariga era muito simpática com ele,<br />
tratava-o bem, falava muito com ele, e até sabia segredos<br />
dele. Começou a gostar muito dela. Chamava-se<br />
Rita. A rapariga disse ao Pedro que também gostava<br />
dele e que queria encontrar-se com ele um dia. O Pedro<br />
concordou e marcou um encontro com ela.<br />
Na semana seguinte, disse aos pais que ia estudar<br />
para casa do Rui (invenção dele porque sabia que os<br />
pais não o deixariam ir), jantava em casa do amigo e<br />
voltava à noite. Os pais, como já conheciam o Rui,<br />
deixaram-no ir, até porque sabiam que os pais dele<br />
eram boas pessoas e que tratariam bem do seu<br />
filho. O rapaz arranjou-se como nunca antes, perfumou-se<br />
da cabeça aos pés, calçou as suas<br />
melhores sapatilhas e vestiu a sua melhor roupa.<br />
Os pais estranharam e perguntaram-lhe porque<br />
se estava a arranjar assim para ir ter com o<br />
amigo.<br />
- Uma amiga do Rui vai lá estar e eu gosto<br />
dela, mãe. – respondeu ele.<br />
A mãe e o pai concordaram com o rapaz, e<br />
deixaram-no ir ter com o seu amigo. O rapaz<br />
saiu de casa muito acelerado para ir ter com<br />
a sua amiga.<br />
Era meia-noite e o Pedro ainda não tinha<br />
chegado a casa. Os pais, preocupados, ligaram<br />
de imediato para os pais do Rui para<br />
saber o que se passava com o seu filho.<br />
Espantados, estes responderam que o Pedro<br />
não tinha ido lá a casa.
O Pedro foi encontrado, três<br />
anos depois, morto, num descampado.<br />
A Internet é muito perigosa, tenha<br />
cuidado consigo e com os seus filhos,<br />
não os perca desnecessariamente.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Elda Martins| Márcia Silva| Rui Diegues<br />
André Filipe<br />
Ruben Pinto<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />
Esta é a história de Juanes Silva, um rapaz de<br />
dezassete anos, que se encontrava em estado<br />
de desespero de tanto querer uma namorada.<br />
Certo dia, Juanes estava a fazer uma pesquisa<br />
na Internet e encontrou, num site, um anúncio<br />
sobre um chat. O rapaz quis então aproveitar<br />
para conhecer algumas ―garinas‖. Entrou no<br />
chat, onde estava alguém com o nick ‗Moreninha-<br />
Linda69‘. Juanes meteu logo conversa com a tal<br />
‗Moreninha‘. Uns segundos depois, recebeu uma<br />
resposta que dizia: ‗Oi beleza, preferia conversar<br />
contigo num sítio mais privado…… Dá-me esse<br />
prazer?‘ Juanes, sem perder um único segundo,<br />
respondeu: ‗Muitíssimo obrigado, gata: P …. O<br />
meu número é 916667778‘. Estava tão excitado e<br />
ansioso que desligou logo o seu PC e aguardou por<br />
uma mensagem de texto da dita ‗Moreninha‘.<br />
Esperou, esperou, esperou, esperou…… quando de<br />
repente o seu telemóvel tocou. Agarrou-o com<br />
extrema vontade, e leu a mensagem ‗Oi, Juanes, é<br />
a Moreninha, este é o meu número, aqui já pode-
mos falar mais ‗abertamente‘ =). A conversa estava a<br />
tornar-se cada vez mais íntima. Então a tal rapariga<br />
mandou-lhe uma mensagem que dizia ‗Gostava de te<br />
conhecer pessoalmente, que me dizes tu e eu sairmos<br />
juntinhos? Estou a ver-te aí deitadinho na tua caminha,<br />
há lugar para mais um?‘ Juanes, ao ler aquilo, começou<br />
a ficar assustado e respondeu: ‗Uiiii, que queres dizer<br />
com a cena de me estares a ver?‘ A rapariga respondeu:<br />
‗Acontece que eu estou mesmo a ver-te e agora<br />
eu e os meus amigos vamos entrar aí e levar tudo o<br />
que quisermos, e não tentes telefonar à polícia, se<br />
não o pior é para ti…‘ Acontece que uns amigos de<br />
Juanes sabiam do estado desesperado do rapaz e<br />
quiseram aproveitar-se dele planeando um esquema<br />
para o assustar com o que se pode encontrar<br />
num chat.<br />
Juanes aprendeu a sua lição e nunca mais entrou<br />
em nenhum chat.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />
Elda Martins| Márcia Silva| Rui Diegues<br />
João Pinto<br />
Tiago Peixe<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />
Um dia, Joana, uma rapariga de dezassete<br />
anos, estava a conversar num chat na Internet,<br />
quando um rapaz desconhecido de dezoito<br />
anos, a convidou para um encontro.<br />
Depois de várias tentativas, Joana aceitou o<br />
encontro, tendo receio do que poderia acontecer.<br />
Deitada sobre a cama, a dúvida continuava e a<br />
rapariga não sabia se devia falar com a mãe<br />
sobre o encontro com Victor. A mãe estava na<br />
sala a ver televisão quando Joana apareceu e tentou<br />
começar a falar sobre o encontro, mas uma<br />
notícia de última hora, interrompeu-a.<br />
- Mais uma vítima de pedofilia na Internet. O crime<br />
foi praticado após uma adolescente de dezasseis<br />
anos marcar um encontro com um desconhecido<br />
na internet. O rapaz, que dizia ter a mesma<br />
idade da rapariga, pediu para que ela se encontrasse<br />
com ele num parque, e a vítima acabou por<br />
ser violada, tendo o rapaz sido apanhado em flagrante<br />
delito.
- Estás a ver, Joana, como é perigoso marcar encontros<br />
pela Internet com desconhecidos?<br />
- Sim, mãe, eu estou a ver. É mesmo muito perigoso! -<br />
afirmou a rapariga, nervosa.<br />
Voltou para o quarto, deitou-se sobre a cama e ficou<br />
ainda mais apreensiva do que antes. A mãe chamou-a<br />
para jantar e a rapariga apareceu com uma cara pensativa.<br />
Estranhou e perguntou-lhe porque estava<br />
assim. Joana desculpou-se com as aulas e a mãe fingiu<br />
que acreditou. Depois do jantar, como já estava a<br />
ficar tarde, a rapariga fechou o seu portátil e foi<br />
dormir. A mãe entrou no quarto, pegou no portátil<br />
da filha e levou-o para a cozinha. Enquanto procurava<br />
alguma justificação para o estado da filha,<br />
Joana acordou com o pesadelo de alguém que<br />
estava atrás dela no mesmo parque da notícia, e<br />
levantou-se para beber um copo de água, tendo<br />
deparado com a mãe a mexer no portátil.<br />
- Mãe?! O que estás a fazer?<br />
- Estou a ler a conversa que tiveste com um<br />
rapaz chamado Victor no chat esta tarde.<br />
Espero que a notícia te faça abrir os olhos em<br />
relação a este assunto, pois, nos dias de hoje,<br />
não devemos confiar em desconhecidos. -<br />
afirmou a mãe com um ar sério e muito<br />
assustado.<br />
A mãe desligou o portátil e foi dormir. Joana<br />
ficou a pensar no assunto e, assustada, não<br />
conseguiu dormir. No dia seguinte, Joana<br />
falou com o Victor e disse que nunca mais a
ia encontrar naquele tipo de chats<br />
e que não queria um encontro com<br />
ninguém.<br />
Logo a seguir, foi falar com a mãe e<br />
prometeu-lhe que nunca mais iria entrar<br />
nesse tipo de chats.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Básica e Secundária Prof. Dr. Flávio F. Pinto<br />
Resende, Cinfães<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Maria Helena Marques<br />
Ana Cláudia Vieira Leitão<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Tentações<br />
A nossa professora marcou-nos um<br />
trabalho sobre um dos assuntos abordados<br />
nas últimas aulas. Pesquisei bastante<br />
e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />
na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />
assunto.<br />
O sítio parecia-me fiável, estava bem apresentado<br />
e até tinha o nome do autor no final<br />
da página.<br />
Li-o e reli-o, uma e outra vez. Estava muitíssimo<br />
bem estruturado. Usava palavras ricas,<br />
e tratava o tema com uma coerência e naturalidade<br />
admirável. Não hesitei, e guardei-o imediatamente<br />
no meu computador. Tinha a certeza de<br />
que era exactamente daquilo que precisava.<br />
Os dias foram passando e a data para a entrega<br />
do trabalho estava cada vez mais próxima.<br />
Tinha tanta confiança no material que tinha recolhido,<br />
que nem sequer me sentia muito preocupada.<br />
Contudo, o dia aproximava-se cada vez mais,<br />
e decidi lançar mãos ao trabalho. Liguei o computador,<br />
reli o texto, procurei algumas fotografias e<br />
concluí que o melhor seria copiar toda a informação<br />
e embelezar o documento com imagens vistosas.<br />
Assim o fiz e, no final, olhei para as folhas<br />
que repousavam em cima da minha mesa. Estava<br />
cansada, mas sentia-me orgulhosa da minha tarefa.
Nessa noite, fui para a cama tranquila. Nos meus<br />
pensamentos, sabia que ia ter uma óptima nota e que<br />
tinha, ainda, a hipótese de impressionar os meus colegas.<br />
Todos eles ficariam estupefactos com a minha<br />
capacidade de descrição e argumentação. Envolvida<br />
nestas certezas que me atordoavam o pensar, adormeci.<br />
Na manhã do dia da entrega, acordei alegre. Nem<br />
me lembrei muito do trabalho e agi normalmente,<br />
seguindo a minha rotina diária. Só quando a campainha<br />
tocou para a segunda aula, me lembrei de que<br />
estava na hora de tirar da mochila aquela capa de<br />
plástico, com algumas folhas, emolduradas por<br />
figuras coloridas, para pô-la nas mãos da professora,<br />
confiante na boa nota que ali veria escrita na<br />
próxima semana.<br />
Não consegui evitar uma ponta de ansiedade<br />
nos dias que se seguiram. Não passava os dias<br />
inteiros a pensar nisso, mas de quando em vez<br />
lembrava-me e nesses momentos, sentia-me<br />
impaciente para saber a nota que teria.<br />
Oito dias precisos tinham passado, quando<br />
mais uma vez a campainha tocou para a<br />
segunda aula da manhã. Já no corredor se<br />
ouviam conversas agitadas. Uns diziam que<br />
tinham dado o seu melhor, ao passo que<br />
outros reconheciam que poderiam ter feito<br />
muito mais.<br />
Enfim, cada um analisava o trabalho que<br />
desenvolvera, na esperança de que uma<br />
boa nota estivesse já escrita na primeira
folha, mas consciente de que já<br />
era demasiado tarde para mudar o<br />
que quer que fosse.<br />
Um a um os meus colegas foram<br />
chamados à secretária da professora<br />
para receber o trabalho. No rosto de uns,<br />
um sorriso aberto, no rosto de outros, um<br />
ar de resignação. Faltava apenas um número,<br />
para que chegasse a minha vez.<br />
Sentia as pernas trémulas e quando, por fim,<br />
ouvi o meu nome, levantei-me a custo e dirige<br />
-me para a ponta da sala.<br />
A professora olhou-me de soslaio, não lhe vi<br />
na fronte o sorriso que esperava e subitamente<br />
temi pelo pior. A capa de plástico que lhe havia<br />
entregue estava em cima da mesa. A professora<br />
pegou-lhe e colocou-a na minha mão. Nos minutos<br />
seguintes, senti um turbilhão de emoções que<br />
não sou capaz de descrever. No lugar onde deveria<br />
estar um Muito Bom, eu só conseguia ler um<br />
Insuficiente. Abanei a cabeça, esfreguei os olhos,<br />
tentei ler mais uma vez na esperança de me ter<br />
enganado, mas não. Infelizmente eu tinha lido<br />
bem.<br />
A professora notou, claro, o meu ar atónito e<br />
olhou-me, desta feita, bem no fundo dos olhos.<br />
Mostrou-me as anotações que fizera ao lado do<br />
meu texto. Li-as pacientemente e então, percebi<br />
tudo. Tinha preenchido folhas com disparates, factos<br />
que em nada estavam de acordo com as temáticas<br />
aprendidas na aula.
Senti-me estupidamente ingénua. Nem por segundo me<br />
lembrei de confirmar aquela informação, de testar a sua<br />
veracidade. Vi-me forçada a desviar o olhar envergonhado,<br />
sussurrei um ―desculpe, professora‖, e compreendi<br />
que, daquele dia em diante, deveria ser mais prudente<br />
na recolha de materiais na Internet.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Básica e Secundária Prof. Dr. Flávio F. Pinto<br />
Resende, Cinfães<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Helena Marques<br />
Marta Amaral<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Corri para a porta contar à minha mãe que<br />
estava prestes a ganhar o presente que tanto<br />
queria e que todo o dinheiro que havia juntado<br />
poderia ser utilizado para outra coisa. Porém,<br />
pelo caminho, parei. Lembrei-me que, na semana<br />
passada, o Telejornal alertou para a existência<br />
de sites que prometiam bónus e grandes surpresas<br />
mas que se revelavam como autênticas<br />
fraudes. Aquando da notícia, a minha mãe revelou-se<br />
bastante exaltada dando-me um sermão<br />
continuado para que não caísse nestas façanhas.<br />
Mas eu pensei que isso era só para quem não<br />
sabia trabalhar com a internet. Passava os meus<br />
dias a abrir e fechar janelas. Além disso, quando o<br />
prémio chegasse a minha mãe não precisava de<br />
saber de onde tinha vindo. Na hora, encontraria<br />
uma desculpa.<br />
De volta ao computador, carreguei sem demora na<br />
confirmação do meu prémio. Rapidamente acedi a<br />
uma página onde me eram solicitados alguns<br />
dados pessoais, nomeadamente o nome e a morada<br />
para a entrega do prémio. Foi-me, também,
pedido o número de conta bancária dos meus pais para<br />
me depositarem um ―Prémio Extra‖ e o número de telemóvel<br />
para me contactarem quando tal fosse feito.<br />
Diziam ainda que o prémio seria entregue dentro de 4<br />
dias na morada por mim indicada e para finalizar que<br />
apenas teria que responder a um inquérito que se<br />
encontrava on-line. Neste foram-me feitas algumas<br />
questões relativas à existência ou não de determinados<br />
bens electrónicos em minha casa.<br />
Na madrugada do terceiro dia, após ter solicitado o<br />
meu prémio, acordámos com um enorme estrondo<br />
no andar de baixo. Quando lá chegámos, não<br />
encontrámos ninguém, contudo, a casa estava toda<br />
desarrumada: tínhamos sido assaltados. Televisores,<br />
aparelhagem, DVD e até o microondas da<br />
cozinha tinham desaparecido. No meio de tudo<br />
isto apenas uma coisa me alegrava, durante esse<br />
dia iria receber a minha consola de jogos.<br />
O dia foi passando, a hora de jantar chegou,<br />
mas o correio não tinha trazido nada. Seguiram<br />
-se algumas semanas e o cenário repetiu-se.<br />
Todos os dias o saldo do meu telemóvel reduzia<br />
1 euro sem explicação. Como se não bastasse,<br />
recebemos a notícia de que havíamos<br />
sofrido um rombo bancário e todo o nosso<br />
dinheiro tinha sido desviado para uma conta<br />
à qual ninguém conseguia aceder.<br />
A princípio nada fazia sentido e o meu prémio<br />
nunca mais chegava. Fui ao site onde o<br />
tinha ganho para ver se encontrava alguma<br />
explicação para a demora. Qual não foi o
meu espanto quando, no ecrã do<br />
meu computador, vi que o site já<br />
não se encontrava activo. Foi então<br />
que tudo começou a fazer sentido.<br />
Tinha sido apanhado em mais uma farsa.<br />
Não existia prémio nenhum, o inquérito<br />
tinha servido para o administrador do<br />
site saber tudo o que de valor existia na<br />
minha casa e a morada para a entrega abriu<br />
-lhe o caminho. O meu número de telemóvel<br />
activou um serviço e o número da conta bancária<br />
foi a cereja no topo do bolo.<br />
Quando contei aos meus pais, eles não queriam<br />
acreditar, principalmente a minha mãe que tanto<br />
me tinha avisado. Fizemos queixa na polícia<br />
mas de nada adiantou. Disseram-nos que nos<br />
últimos dias tinham tido conhecimento de casos<br />
semelhantes e que iriam continuar a investigar.<br />
De regresso a casa, e olhando para tudo o que<br />
havia perdido, entendi o velho ditado ―Quando a<br />
esmola é grande, o pobre desconfia!‖ e culpei-me<br />
por não o ter citado mais cedo. Agora apenas me<br />
resta ter cuidado e não aceder a sites com ofertas<br />
suspeitas. Se bem que por agora não preciso de<br />
me preocupar com isso pois os meus pais puseram<br />
-me um mês de castigo sem acesso à internet.<br />
Agora é que a consola de jogos dava mesmo jeito!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Escola de Formação<br />
Social Rural de Lamego<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Duarte Ferreira<br />
Marisa Silva<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
… vezes sem conta.<br />
Para o João isto não passava de uma brincadeira<br />
dos colegas de escola que sabiam que ele<br />
tinha um telemóvel novo e gostavam de pregar<br />
partidas uns aos outros.<br />
O João era uma criança meiga, generosa e sempre<br />
bem-disposta. O seu único problema era a<br />
falta de amor e atenção que os pais lhe davam,<br />
pois trabalhavam muito e apenas passavam aos<br />
Domingos juntos. Para o João, o seu melhor amigo<br />
e companheiro das horas de solidão era o telemóvel<br />
que lhe foi oferecido pelo pai como prenda<br />
por se portar tão bem.<br />
Certo dia, estava o João na escola, na aula de Português,<br />
quando recebeu outra vez a mensagem<br />
‖Liga-me‖. Farto da brincadeira, pediu à professora<br />
para ir atender o telefone dizendo-lhe que era a<br />
sua ―mãe‖ e que devia ser urgente. A professora<br />
deixou-o atender e ele saiu a correr, decidido a<br />
acabar com a brincadeira.
Decidiu ligar para o número que já há muito o incomodava<br />
e intrigava. Do outro lado atendeu uma menina com<br />
uma voz doce que se chamava Marta e que o queria<br />
conhecer. Disse-lhe que fora um colega dele que lhe deu<br />
o número e que o achava muito giro. Ela parecia simpática<br />
e até era da zona. O João, movido pela curiosidade,<br />
marcou logo um encontro no parque da cidade, no<br />
final das aulas.<br />
No fim das aulas, o João foi até ao local marcado e lá<br />
encontrou uma bela jovem de cabelo loiro e muito<br />
bem apresentada. Sentindo-se estranho quando viu<br />
a jovem dirigiu-se a ela e sentaram-se no banco do<br />
jardim a conversar. Mas algo não estava bem.<br />
A conversa fluía normalmente mas algo continuava<br />
a importunar o João. O tempo foi passando mas<br />
aquela sensação não desaparecia. Quando se<br />
apercebeu das horas e de quão tarde já era precipitou-se<br />
a despedir-se da Marta pois ia perder<br />
o autocarro se não se despachasse. Ela logo o<br />
tranquilizou. Disse-lhe que se quisesse ela<br />
tinha carro e o levava ao autocarro e que<br />
assim já não precisava de ir a correr. Apertado<br />
pelo tempo aceitou o convite.<br />
Quando entraram no carro a Marta logo<br />
arrancou. Já em viagem disse-lhe que tinha<br />
de ir deixar uma encomenda a um sítio antes<br />
de o deixar na paragem do autocarro, e que<br />
este local era a caminho e que por isso não<br />
havia problema. Ele acordou, pois já não<br />
havia volta a dar, mas o sentimento de que<br />
algo não estava bem continuava a perturbá-
lo.<br />
Chegados ao local para deixar a<br />
suposta encomenda a Marta pára o<br />
carro num local isolado e retira da<br />
mala uma faca e aponta-lha. O João,<br />
cheio de medo, começa a chorar e pergunta-lhe<br />
o que quer. Ela apenas lhe responde:<br />
o telemóvel, o relógio, a carteira e<br />
outros valores. Depois de lhe ter retirado os<br />
objectos de valor deixou-o no local, meio<br />
abandonado, sozinho e sem meios para contactar<br />
ninguém.<br />
Por sorte, um senhor, que ia a passar, parou,<br />
apercebendo-se que algo estranho se passava.<br />
Parou e interrogou o João, que estava a chorar<br />
sentado no passeio, que tudo lhe contou.<br />
O senhor acompanhou o João à Polícia onde foi<br />
ouvido por um oficial. Depois de o João lhe fazer<br />
o relato da situação o oficial disse-lhe. ―Meu<br />
jovem, já não és o primeiro que és enganado desta<br />
forma. Tens sorte em só te terem levado alguns<br />
objectos pois há casos em que os adolescentes<br />
desaparecem e nunca mais se vêem. Que te sirva<br />
de lição.‖ O João aprendeu… e que isto te sirva de<br />
lição a ti.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso<br />
Henriques<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Marta Pinto<br />
Luís Rafael Teles Azevedo<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
O melhor preço<br />
Todos sabiam o que eu queria para o<br />
meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />
uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />
por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />
Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />
o registo.<br />
Passada uma semana, chegou uma carta<br />
informando que os jogos tinham esgotado e<br />
demorariam mais a chegar… fiquei de rastos…<br />
mas surgiu alguém para me animar.<br />
Nesse mesmo dia, recebi umas mensagens de<br />
uma rapariga desconhecida, que dizia<br />
ser lá da escola e estava apaixonada por mim.<br />
Ela dizia que me amava.<br />
Passadas três semanas, estávamos intimamente<br />
ligados, e mesmo sem nos conhecermos sabíamos<br />
tudo um do outro. Foi então que ela me convidou<br />
para ir a um bar, mas havia um problema, o meu<br />
pai nunca me deixaria sair àquelas horas e, ainda<br />
para mais, o<br />
bar ficava muito longe. Por isso só tive uma solução:<br />
ao fim de jantar saltei pela janela do meu<br />
quarto sem que os meus pais dessem conta.<br />
Eram 23h00 e nada… estava a ficar preocupado.<br />
Entretanto recebi uma mensagem<br />
dela: ―Não posso ir‖. Fiquei revoltado. Saí. Dirigi-
me para casa… depois não me lembro de mais nada…<br />
Acordei… estava amarrado, amordaçado… existia pouca<br />
luz. Entretanto, reparei que<br />
ao meu lado se encontravam, tal como eu, duas raparigas<br />
e um rapaz.<br />
Não ouvia nada, um silêncio ensurdecedor e uma fome<br />
insaciável.<br />
De repente ouvi bater portões. Fiquei atento e reparei<br />
que duas pessoas entravam<br />
naquele lugar. Fingi que dormia e apesar de as sentir<br />
longe tentei ouvir a conversa. Pela voz pareciam<br />
ser dois homens.<br />
– Então, já tens a câmara?<br />
– Está no quarto 2.<br />
– Então e os putos? Ainda dormem? Não vou<br />
estar aqui muito tempo, tenho de ir buscar mais<br />
alguns.<br />
Fiquei ainda mais confuso. De certeza tinha<br />
sido alvo de uma cilada, e a tal rapariga<br />
que me amava não existia. Foi tudo uma mentira<br />
para me apanharem. Para quê? Porque<br />
estava ali?<br />
Não tardaria a saber a resposta…<br />
– Temos de começar a gravar os filmes<br />
hoje. Deves pensar que o patrão anda a<br />
dormir… eles são miúdos, mas já devem ter<br />
prática. Por favor com 17 anos já têm ida-
de… Se não têm, vão passar a<br />
ter. Com um pouco de sorte ainda<br />
vai ser melhor que na semana passada…<br />
Então se as miúdas não tiverem<br />
experiência…<br />
– Pois, agora é que vai ser dinheiro, e os<br />
putos vão ter de fazer tudo bem feito…<br />
– A nossa porno é da melhor. Ainda para<br />
mais é só receitas, não temos despesas<br />
nenhumas… Grande negócio.<br />
– Enfim umas armadilhas bem montadas e<br />
pronto, está o negócio feito… além disso<br />
temos uma ajudinha extra…. Parece que andam<br />
por aí uns chineses interessados em<br />
órgãos, por isso quando os putos nos chatearem<br />
temos o problema resolvido.<br />
Fiquei aterrorizado, não podia acreditar. Estava<br />
prestes a gravar filmes pornográficos, de seguida<br />
seria morto e os meus órgãos vendidos! Mas porquê?<br />
Por que é<br />
que tinha escrito todos os meus dados naquele<br />
maldito site? Por que tinha falado com<br />
estranhos? A culpa tinha sido dos infernais jogos<br />
que nunca chegaram.<br />
Não podia ser! Tinha procurado o ―Melhor Preço‖ e<br />
naquele momento o melhor preço<br />
era eu… a minha vida estava arruinada por não ter<br />
atenção… por não ter medido os perigos subjacen-
tes à comunicação com desconhecidos.<br />
Hoje já passaram três anos. É certo que sobrevivi mas<br />
não me sai da cabeça tudo<br />
aquilo que passei no quarto 2. Nunca me esquecerei do<br />
sofrimento que passei quando vi<br />
aquelas duas raparigas a serem mortas à minha frente.<br />
Se soubessem como fugi não iriam acreditar…
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso<br />
Henriques<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Marta Pinto<br />
Francisco Almeida<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
… João começou a ficar intrigado: Quem poderia<br />
ser? O que me querem? Será<br />
uma rapariga que gosta de mim? Estas perguntas<br />
não lhe saíam da cabeça. Cheio de curiosidade<br />
e excitação, resolveu aceder aos pedidos da<br />
mensagem e ligou para o número que tanto o<br />
importunava. Era uma voz de mulher. Parecia-lhe<br />
atraente e dócil.<br />
Encantado, resolveu aceitar o pedido que lhe<br />
tinha feito: encontrar-se com ela no final do jantar,<br />
no campo da escola.<br />
Nunca tinha comido tão depressa na sua vida.<br />
Depois da última garfada, pulou da mesa e correu<br />
para o campo, mas quando lá chegou estava<br />
deserto. Esperou uma longa hora pela mulher e, já<br />
desesperado e a pensar que talvez lhe tivessem<br />
pregado uma partida, uma luz apareceu sobre ele.<br />
Olhou logo para cima e viu um objecto muito<br />
estranho. Parecia-lhe um porta-aviões, mas suspenso<br />
no ar. De seguida, o campo
daquela escola ficou novamente deserto.<br />
A 1,7 anos-luz do planeta Kantoor, para onde a nave<br />
EMS Falcon se dirigia, um ser muito alto, branco e elegante<br />
dirigiu-se para João, que estava completamente<br />
atónito, junto de um dos monitores da nave.<br />
– Fica calmo, não te faremos mal. - disse o ser.<br />
– Por favor, não façam experiências comigo! – João<br />
lembrou-se dos vários relatos de rapto de extraterrestres<br />
que outrora o fascinavam.<br />
Então, o ser pegou nele e depositou-o numa cápsula<br />
onde o fechou. Veio a acordar dois anos mais tarde,<br />
depois de um longo crio-sono induzido para<br />
suportar uma longa viagem.<br />
Quando acordou, já há alguns meses no planeta<br />
Kantoor, estava debruçada sobre ele uma lindíssima<br />
mulher, talvez a mais bonita que ele alguma<br />
vez tinha visto.<br />
Quando a mulher, que se apresentou como Kalla,<br />
lhe falou, notou que tinha sido a dócil voz<br />
que lhe pedira para lhe ligar. Ela saiu e vieram<br />
outra vez os seres altos, mas desta vez vestiram-no<br />
com confortável fato e levaram-no<br />
para o centro de uma enorme<br />
praça onde estava uma escultura de aranha<br />
rodeada de flores. Depois de os dois sóis<br />
desaparecerem no horizonte, Kalla apareceu<br />
ao lado dele, ainda mais bonita e sorriu-<br />
lhe.<br />
– Estamos casados", disse.
– Não percebo. Porquê eu?<br />
– Sempre que se elege uma nova<br />
rainha, esta escolhe um ser humano<br />
jovem da Terra, o planeta gémeo de<br />
Kantoor, e tu foste o escolhido por mim.<br />
Quatro anos se passaram desde aquele<br />
dia. João nunca se sentiu tão feliz e já não<br />
tinha quaisquer saudades do seu planeta.<br />
Apenas o intrigava o facto de nunca ter visto<br />
um homem naquele local, mas não se sentia<br />
incomodado por ser o único.<br />
Num dia a sua mulher sentou-se junto dele e<br />
anunciou-lhe que estava grávida.<br />
João gritou de tamanha alegria. Kalla beijou-o,<br />
num beijo diferente de todos os outros.<br />
De repente ficou paralisado. Ela avançou para ele<br />
e despiu-o. De seguida, devorou o seu pescoço e<br />
João fechou os olhos para nunca mais os abrir,<br />
tendo sido ingerido por Kalla.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Secundária Boa Nova, Leça da Palmeira, Matosinhos<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Lourdes Dias<br />
Ana Daniela<br />
Bárbara Torres<br />
Patrícia Macedo<br />
Patrícia Silva<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />
Tenho 35 anos e gosto de trocar impressões<br />
com jovens de idades compreendidas entre os<br />
10 e 15 anos.<br />
Vou relatar-vos o caso que até hoje mais me<br />
marcou. É a história da minha última ―presa‖.<br />
Tinha ela apenas 14 anos, já se achava muito<br />
adulta e percebia muito da vida. Os miúdos da<br />
idade dela eram muito imaturos, no fundo, não<br />
passava de uma adolescente na ―idade do armário‖.<br />
Para a rapariga, eu tinha apenas 17 anos, era<br />
modelo, percebia muito bem aquilo que ela sentia,<br />
não era nada mais, nada menos que a pessoa com<br />
quem ela mais gostava de falar. Revelou-me o seu<br />
nome verdadeiro duas semanas depois de termos<br />
travado conhecimento num ―chat‖, deu-me o seu<br />
―mail‖ e a partir desse dia as conversas eram cada<br />
vez mais frequentes. Embora confiasse em mim<br />
plenamente, nunca me deu o seu número de telemóvel<br />
nem a sua morada, mas na sua inocência<br />
confessou-me uma vez que fazia desporto num<br />
grupo perto de sua casa. Perguntei-lhe qual era o
grupo, com intuito de ir assistir a um jogo, ao que ela me<br />
respondeu com todo o prazer.<br />
Comecei a segui-la sem que me notasse, pois já havia<br />
visto fotos suas e não foi difícil identificá-la. Em menos<br />
de um mês sabia os passos todos dela, conhecia bem a<br />
rotina da família e pela internet controlava o resto do<br />
tempo em que não a seguia.<br />
Era uma sexta-feira 13, escolhi esta data para que<br />
nunca se esquecesse do significado deste dia de<br />
superstição. O que eu não sabia é que o azar acontece<br />
a todos. Quando me aproximei daquela menina<br />
tão bonita, pensei: ‖mais uma que vou ―papar‖‖.<br />
Mas ela não reagiu como eu esperava, não houve<br />
gritos nem reacção de incómodo. De repente, chegou<br />
a polícia e aí percebi que a ―presa‖ era eu e<br />
que nunca devemos dar por certo o que está do<br />
outro lado de um computador. Da ―presa‖ ao<br />
―predador‖ a distância não existe.<br />
Há por aí muitas pessoas assim, que fingem<br />
algo que não são. Na Internet tudo é possível.<br />
É preciso ter cuidado com estas situações e tal<br />
como na rua, também na Internet não se<br />
deve falar com estranhos e muito menos<br />
enviar fotografias e dados pessoais.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />
das Graças<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Isabel do Brito<br />
Marco Verdasca<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />
Todos nós temos o desejo de ser grandes, uns<br />
provavelmente mais que outros, mas infelizmente<br />
nem todos nós conseguimos alcançar os<br />
nossos objectivos de grandeza na vida real. Por<br />
isso aqueles que não têm coragem de lutar na<br />
vida real substituem essa vida por uma vida de<br />
mentiras na Internet, quer seja em jogos, chats<br />
ou outro tipo de comunicação na Net.<br />
Esta história aqui retratada fala de um rapaz que<br />
conseguiu libertar-se de um mundo de jogos,<br />
mentiras e sabotagens por um mundo real cheio<br />
de amigos e de bem-estar.<br />
Tudo começou no 7.º ano quando o Real recebeu<br />
um computador novo. Ficou completamente feliz<br />
quando o recebeu e praticamente passava uma<br />
parte da sua vida nele. O Real não era propriamente<br />
o popular da escola, tinha o seu grupo<br />
fechado e passava todos os intervalos no mesmo<br />
sítio. À medida que o tempo passou o Real tornouse<br />
cada vez mais viciado nos jogos e na Internet,
tanto que, por vezes, fazia directas no computador. Uma<br />
vez, estava Real a falar no chat com uma rapariga mais<br />
velha e, claro, como todos os rapazes novos que gostam<br />
de estar com raparigas mais velhas, começou a descrever-se<br />
como um rapaz muito atlético, que sai muito…<br />
A rapariga fica encantada e diz para o Virtual, nome<br />
dele no chat, mandar uma fotografia. Este vai à Internet<br />
a sua ―casa‖ e manda a fotografia de um rapaz<br />
moreno atlético, a rapariga manda a sua e ele fica<br />
espantado. Este caso arrastou-se até um tempo em<br />
que a rapariga descobre a verdade e ―deixa‖ o Virtual.<br />
Já no 8.º ano, o Real andava mais viciado que<br />
nunca e, pronto, a história foi a mesma. O Real nos<br />
jogos online era uma máquina, era um dos melhores<br />
jogadores e tinha um número de amigos virtuais<br />
relativamente alto.<br />
Quanto às redes sociais, o Virtual retratava-se<br />
como o melhor, um engatatão e um dos rapazes<br />
mais giros da escola, mas o Virtual não passava<br />
nada mais, nada menos de um rapaz tímido<br />
pequeno e praticamente sem auto-estima<br />
nenhuma.<br />
O vício na Internet tornou-se cada vez maior<br />
à medida que Real descobria mais maravilhas<br />
sobre a sua casa <strong>virtual</strong>. No 9.º ano não há<br />
muito a dizer sobre Real que este continuava<br />
vidrado no computador e na Internet.<br />
Quando Real passou para o 10.º ano uma<br />
nova etapa da sua vida começou. O Secundário<br />
é uma época que muda todos e Real<br />
começou a mudar um bocado, conheceu
mais uns amigo e saía muito<br />
raramente, mas, pronto, já era um<br />
avanço.<br />
No 11.º então é que mudou tudo… Real<br />
acabara de ter a sua namorada durante<br />
um mês, eles andaram e então ele acabou<br />
com ela porque descobriu que ela o andava<br />
a enganar. Mais uma vez, ele voltou a refugiar-se<br />
no mundo da Internet e aí então<br />
jogou mais que nunca. Jogou de tal maneira<br />
tanto que as suas notas chegaram a baixar e<br />
esteve em vias de chumbar.<br />
Um dia, viu o que aquilo lhe estava a fazer e<br />
Real então pensou para si:<br />
―— Bem, isto não está a resultar, pensei que o<br />
mundo dos jogos me poderia proporcionar a vida<br />
que eu queria, mas, afinal, acabou só por me<br />
destruir ainda mais...Está na hora de eu fazer<br />
alguma coisa sobre isto.‖<br />
Então, no dia seguinte, Real pegou no seu equipamento<br />
de Educação Física e às 6 da manhã levantou-se,<br />
comeu uma maçã e foi correr. Correu perto<br />
de 1km e ficou estoirado.<br />
– Bem, para primeira vez não é nada mau - pensou<br />
ele.<br />
E fez isso durante os seguintes meses e à medida<br />
que corria, melhor se sentia, sentia-se com mais<br />
energia.<br />
O exercício teve um impacto positivo na escola, as
notas dele começaram a subir; não era o melhor aluno<br />
da turma, mas perto disso.<br />
A olhos vistos tornou-se um rapaz de certa maneira<br />
popular, até arranjou outra namorada, com quem ainda<br />
está agora. O nome deste rapaz é Jorge Santos, tem 17<br />
anos e está no seu último ano de Ciências e Tecnologias.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />
das Graças<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Isabel do Brito<br />
Marco Matos<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Tentações<br />
A nossa professora marcou-nos um<br />
trabalho sobre um dos assuntos abordados<br />
nas últimas aulas. Pesquisei bastante<br />
e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />
na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />
assunto.<br />
O meu tema era ―Diálogo de Fernando Pessoa<br />
com os heterónimos‖. Era uma tarde de<br />
Domingo, deixei o trabalho para a última hora.<br />
Estive no restaurante dos meus pais a trabalhar<br />
até tarde, cerca das 23 horas.<br />
Cheguei a casa, e tudo o que se via em mim era<br />
cansaço, ou seria preguiça? Mas ainda tinha que<br />
fazer o meu trabalho de português. Como eu<br />
tinha descoberto um texto na internet bastante<br />
bom, pensei em ir pesquisá-lo novamente. Assim<br />
o fiz. Peguei no computador, liguei-me à internet<br />
e fiz o download do texto que aparecia em primeiro<br />
resultado no motor de busca, e por sorte a<br />
minha, era o texto que tinha vista. O problema é<br />
que o texto é bom de mais, espero que a professora<br />
não note. Pensei em revê-lo, tentar cortar<br />
para metade, porque para dentro da minha relativa<br />
calma para situações penosas não queria de<br />
todo que a professora descobrisse que o texto não<br />
era meu fidedigno.<br />
A minha preguiça misturada com o cansaço era tão<br />
grande que não consegui rever texto, ou cortar
seja que parte for. Imprimi, com um sorriso maroto na<br />
cara. Fui-me deitar. O meu cuco dava as cinco da manhã,<br />
acordei sobressaltado. A minha consciência estava a ser<br />
consumida por uma sensação de culpa. Corroída por<br />
uma sensação de notória cobardia por estar a apoderar<br />
-me do esforço de outra pessoa. Que malvadez que a<br />
minha consciência me estava a fazer. Tapei a minha<br />
cabeça com os lençóis numa tentativa desesperada de<br />
controlo de uma situação descontrolada. Como se os<br />
demónios da minha consciência não conseguissem<br />
penetrar sobre os lençóis de seda, embargada por<br />
edredão de penas dos chineses. O que é certo é que<br />
consegui dormir, pois não era a primeira vez que o<br />
fazia. Sim, isto de plagiar os trabalhos dos outros<br />
já enganou muitos professores. Mas só que desta<br />
vez acho que me deixei descuidar um pouco. Era<br />
como se este tivesse mais visível o trabalho de<br />
outra pessoa e não o meu fingimento. O meu<br />
cuco toca as oito da matina. Juro que um dia<br />
silencio o raio do cuco da sala. O meu dia<br />
começava como tantos outros. Não fosse uma<br />
terrível dor de cabeça. Vou para o banho, visto<br />
-me, tomo o meu requintado pequeno-almoço<br />
de cereais e papos-secos cheios de doce de<br />
tomate.<br />
Encaminho-me para escola. Tanto temo por<br />
ser apanhado desta vez!... Tenho um aperto<br />
no coração. As nove e trinta trazem acopladas<br />
um toque do gongo prolongado. Entroume<br />
na cabeça por volta de dez segundos e<br />
não me saiu até finalmente entrar na aula<br />
de português com a minha querida profes-
sorinha, como eu a gosto de chamar,<br />
não no apogeu de querida<br />
mas no apogeu de chata, pois ela<br />
pensa que eu de facto estou a ser<br />
querido com ela, e contempla o belo<br />
barulho do silêncio mesmo que por breves<br />
instantes. Ela pede que nos dirijamos<br />
à sua secretaria e que lá deixemos os nossos<br />
trabalhos. Apenas duas pessoas fizeram<br />
o trabalho para além de mim.<br />
O que de facto era negativo para mim, pois a<br />
professora teria mais tempo para o analisar e<br />
corrigir minuciosamente, ela iria descobrir, não<br />
havia volta a dar. Deveria eu admitir que aquilo<br />
realmente não era meu? A professora leu o trabalha<br />
das minhas duas colegas e posteriormente<br />
o meu. Outro ponto negativo para mim. Não irei<br />
ter tempo para apresentar argumentos plausíveis<br />
para a minha defesa. Iria ser descoberto já na<br />
aula de entrega de trabalho. Para meu espanto<br />
recebi excelentes elogios do trabalho e a professora<br />
não desconfiou. Viria a próxima aula de português,<br />
a professora iria finalmente entregar os trabalhos<br />
e, eu iria receber uma excelente nota. O<br />
trabalho era bom, de facto, conciso e bastante trabalhado.<br />
Até eu me surpreendi com o diálogo do<br />
meu suposto trabalho. A professora estava de facto<br />
com má cara. Não lhe liguei. E estava menos<br />
chata que os outros dias. A professora pediu silêncio<br />
e enalteceu com uma voz um quanto ou tanto<br />
moderada mas bastante séria e profunda para que<br />
isto servisse de exemplo. Pairava sobre nós uma
nuvem de dúvida sobre o que de facto se passaria.<br />
A professora dá breve momento de silêncio até que berra.<br />
PLÁGIO! Fui apanhado não havia volta a dar. A professora<br />
continuava, plágio é um crime. Apontei o dedo<br />
para mim e perguntou-me retoricamente como tinha eu<br />
tido coragem, que para além de plágio menti com<br />
todos os dentes da minha boca ao mostrar um sorriso<br />
maroto perante um mar de elogios sobre o meu trabalho.<br />
Vão por mim, plagiar, copiar o que é dos outros é crime.<br />
Eu aprendi com isso. Agora já não utilizo motores<br />
de buscas portugueses, uso ingleses, alemães,<br />
espanhóis e posteriormente traduzo. Assim nunca<br />
serei apanhado.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />
das Graças<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Isabel do Brito<br />
André Albino<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />
O que eu sou na realidade e o que sou quanto<br />
me escondo por detrás de um computador é<br />
completamente diferente.<br />
Na minha vida real frequento a escola como um<br />
adolescente normal, tenho os meus amigos vivo<br />
em casa com pais e irmãos e nenhum deles faz<br />
a mínima ideia da minha identidade secreta,<br />
aquela que me identifica ada vez que me sento<br />
ao computador e vasculho a imensidão da Internet,<br />
e me insiro na comunidade dos chats. No início,<br />
era só por piada fazer parte de uma comunidade<br />
em que podemos ser aquilo que queremos,<br />
descrevemo-nos como gostávamos de ser ou o<br />
que gostávamos de fazer e ninguém desconfia se<br />
é verdade ou não o que dizemos ser, aceitando<br />
isso como verdade. Com o tempo este tipo de contacto<br />
foi-me envolvendo; enquanto real eu era<br />
muito tímido e nem namorada tinha, mas enquanto<br />
<strong>virtual</strong> tinha me tornado desinibido, sem tabus,<br />
sem vergonha, porque ninguém sabia quem era na<br />
verdade, podíamos falar de todo o tipo de assuntos
sem medo…<br />
Um dia numa das conversas de chat encontrei um utilizador<br />
que se identificava como sendo uma rapariga, e eu<br />
senti-me logo tentado a falar como ela, pois ali as hipóteses<br />
eram infinitas. Mantivemos contacto durante um<br />
ou dois meses, e comecei a sentir vontade de estar<br />
com ela pessoalmente, e comecei a convidá-la, repetia<br />
várias vezes o convite já quase obcecado, mas ela<br />
recusou e deixou de falar comigo. Porém, esta sensação<br />
ficou e a partir daí procurei novamente nos chats<br />
por raparigas, tinha aprendido a lidar com os problemas<br />
pessoais e oferecia o meu apoio, a minha confiança.<br />
Chegou um dia que consegui um encontro<br />
pessoal com uma das várias raparigas, mas já<br />
então tinham passado anos, e eu já era maior de<br />
idade e já nem na universidade andava, e ela não<br />
tinha mais que 15 anos de idade. A partir desse<br />
dia não consegui resistir, elas eram frágeis e<br />
fáceis de manipular, era mais fácil do que encarar<br />
o mundo real, e eram elas que eu procurava<br />
e quando recusavam encontrar-se comigo eu<br />
fazia uso das informações que elas me cederam<br />
durante as nossas conversas para as<br />
pressionar. Ameaçava a sua família, e jogava<br />
psicologicamente com elas, era um jogo de<br />
poder de que eu tinha passado a gostar.<br />
Enquanto real tinha o meu emprego, e continuava<br />
a ser o mesmo rapaz que todos<br />
sempre conheceram.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />
das Graças<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Isabel do Brito<br />
Hugo Domingos Ferreira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que tenho<br />
1,90 de altura, branco de olhos azuis, com<br />
vinte anos de idade, possuo uma Mercedes do<br />
ano de 2007 (não posso mentir muito senão<br />
não acreditam).<br />
Nos chats as raparigas ficam logo interessadas<br />
em mim, pedem-me para conversar em privado,<br />
pedem-me fotos, mando-lhes de um loiro qualquer.<br />
Nos jogos (gosto bastante de jogos, online<br />
então…), jogo até muito tarde da noite, meus pais<br />
conversam comigo, dizendo que tenho de deixar<br />
mais os jogos e os chats e investir nos estudos,<br />
digo-lhes que mais logo pesquiso. É conversa, só<br />
para me deixarem em paz nos jogos e nos chats.<br />
Na escola quase não converso, fico sempre no<br />
meu canto, quieto, os professores até ficam um<br />
pouco preocupados, conversam comigo, digo-lhes<br />
para não se preocuparem. Tive baixas nas minhas<br />
notas sim, tenho conseguido levantá-las, mas não<br />
me preocupo muito.<br />
Passadas algumas semanas, num chat, decidi mar-
car um encontro com uma rapariga, dei-lhe um endereço<br />
(não público que era para ninguém ver a sua reacção<br />
quando me visse como sou de verdade). Chegado o dia<br />
estava pronto, no sítio à sua espera, quando ela chegou…<br />
fiquei sem reacção. Na verdade era um homem,<br />
mais velho que eu, mais alto e mais forte, então decidi<br />
não perder tempo e pedir-lhe explicações, de como me<br />
mentiu dizendo que era uma rapariga, e ele retrucoume<br />
com a mentira da minha descrição. Disse-lhe que,<br />
em parte, estava certo, e, apesar de todas aquelas<br />
histórias com finais horríveis que já ouvi sobre<br />
encontros marcados pela Internet, acabámos por<br />
nos tornarmos amigos e falámos a sério agora.<br />
Depois desta experiência decidi mudar a forma<br />
como fazia as coisas, ter cuidado com os chats e<br />
com as pessoas que lá encontro, e o colega que<br />
fiz nesse episódio disse-me que também ia passar<br />
a ter mais cuidado. Chama-se Pedro. Mudei<br />
também na distribuição do meu tempo livre,<br />
dantes era só chats, jogos, e coisas, que são<br />
boas sim, para distrairmo-nos, mas não devem<br />
tornar-se ―drogas‖ para nós. No meu caso,<br />
decidi aplicar o meu tempo livre nos estudos,<br />
na prática de desporto, até porque tenho que<br />
desfrutar a vida também.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Profissional Agricultura e Desenvolvimento Rural,<br />
Marco de Canaveses<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Carla Afonso | Marta Sousa<br />
Célia Carvalho<br />
Diana Rocha<br />
Michelle Silva<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Como sou uma pessoa muito ansiosa, não<br />
aguentei e cliquei. A seguir apareceu uma caixinha<br />
onde tinha de me registar. Não pensei<br />
duas vezes e registei-me. Ao registar-me, tive<br />
de anotar todos os meus dados como nome,<br />
morada, telefone, e-mail, idade e os mesmos<br />
dados sobre os meus pais, visto que eu era<br />
menor.<br />
Assim, depois de preencher tudo, tive de responder<br />
à pergunta ―o que te levou a clicar em<br />
―Aceitar prémio‖?‖, no qual respondi ―o prémio em<br />
questão era o que eu mais queria, já andava a<br />
pedir aos meus pais há muito tempo, mas nunca o<br />
tive devido ao seu preço elevado, e como aqui não<br />
se paga nada, decidi aproveitar a oportunidade e<br />
clicar‖.<br />
Mas, logo de seguida apareceu-me um quadro, no<br />
qual dizia que ficava apenas por metade do preço,<br />
que o prémio era esse, ser a metade do preço, e<br />
assim, enviei então o valor estipulado.<br />
Depois da resposta dada, apareceu no meu ecrã<br />
―Parabéns, ganhaste o prémio!!! Irás recebê-lo em
tua casa durante esta semana, entretanto envia‖. Só<br />
depois de ter enviado todos os meus dados, é que pensei<br />
que podia ser uma fraude, mas como já tinha enviado,<br />
não havia nada a fazer. Mas, por via das dúvidas, decidi<br />
esperar para ver o resultado.<br />
Entretanto, passaram-se duas semanas e não chegou<br />
nada a casa. Aí, tive a certeza que era mesmo uma<br />
fraude. Mas decidi esperar mais uma semana, porque<br />
podia ter acontecido alguma coisa.<br />
Passado três semanas, veio um senhor a minha<br />
casa, em nome da empresa do prémio, para confirmar<br />
a morada e esclarecer a sua demora.<br />
Assim, o senhor, disse ―lamento informar, mas os<br />
prémios esgotaram-se, visto que eram muitos a<br />
concorrer. Pedimos assim imensas desculpas mas<br />
não foi possível trazer o seu prémio nem o valor<br />
recebido‖. A minha família ficou indignada e processou<br />
a empresa.<br />
Durante a semana seguinte, esse representante<br />
da empresa, vigiou a casa ao longo de uma<br />
semana.<br />
Após essa semana, obtivemos informações<br />
através do tribunal, desse indivíduo, que afinal<br />
não representava nenhuma empresa mas<br />
era um indivíduo maluco e que tinha fugido<br />
do manicómio há questão de dois meses.<br />
Nesta mesma semana, este indivíduo rondou<br />
a casa para saber todos os passos da<br />
família. Depois de saber todos os hábitos,<br />
assaltou a casa....mas, por azar, o filho
estava em casa. O indivíduo deve<br />
ter ido a algum lugar e não reparou<br />
que naquele dia, o elemento mais<br />
novo não tinha saído para a habitual<br />
aula de karaté, porque tinha sido adiada.<br />
O indivíduo entra assim em casa da família,<br />
que está no trabalho...revista a casa<br />
toda á excepção do quarto-de-banho, onde<br />
se encontrava o filho do casal. Percorreu a<br />
casa toda, horas e horas, até que o filho deu<br />
fé que tinha desconhecidos em casa, ligando<br />
para os pais, que por sua vez ligaram para a<br />
guarda local.<br />
Assim, o indivíduo, distraído a roubar os valores<br />
existentes, não reparou que tinha a casa cercada<br />
e que estava na hora do pai chegar a casa. O pai<br />
entra em casa e vai procurar o filho enquanto o<br />
ladrão se encontra no primeiro andar, mais propriamente<br />
na sala-de-estar.<br />
Encontra assim o filho, escondido no armário do<br />
seu quarto. Para não fazerem barulho deram sinal<br />
à guarda pela varanda, que era virada para a<br />
estrada. A guarda local entra assim na casa do<br />
casal, encontrando o ladrão no corredor. Este foi<br />
preso por invasão de propriedade privada e tentar<br />
roubar esta mesma.<br />
A mãe chega a casa mais cedo que o habitual,<br />
preocupada com o filho, assistindo ao ladrão a ser<br />
algemado.
O anúncio foi retirado da internet, pela guarda, que descobriu<br />
imensas peças roubadas e as passes para retirar o<br />
anúncio, ao revistar a casa do indivíduo.<br />
Assim, fica a família feliz; o filho, com uma lição de vida<br />
e as pessoas que navegam na internet, a salvo de um<br />
acontecimento idêntico ao desta família ou mesmo,<br />
pior!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Profissional Agricultura e Desenvolvimento Rural,<br />
Marco de Canaveses<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Carla Afonso<br />
Marcel Ribeiro<br />
Marta Almeida<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
… até que se deixou de repetir durante uma<br />
semana.<br />
Passada uma semana, em vez de mensagens,<br />
eram chamadas, até que ele decidiu atender. Do<br />
outro lado da linha ninguém falava. O João desligou.<br />
Passadas umas horas, voltaram a ligar e o<br />
João voltou a atender. Outra vez do outro lado da<br />
linha ninguém falou, o João decidiu contar o caso<br />
a polícia. A polícia mesmo com as mensagens e as<br />
chamadas não acreditou no pequeno João, logo<br />
ele foi para casa e decidiu contar o sucedido aos<br />
pais, que, muito preocupados, decidiram contratar<br />
um detective privado para investigar o caso.<br />
Esse mesmo detective aconselho-o a viver a sua<br />
vida normalmente e a trocar de número, passando<br />
o detective a usar esse cartão. Durante várias<br />
semanas nada se passou com o cartão, até que<br />
novas mensagens e novas chamadas surgiram a<br />
meio da noite. O detective, como estava a dormir,<br />
só deu conta depois de atender o telefone. Do
outro lado da linha, a voz de uma rapariga nova falou,<br />
era de uma empresa de jogos de telemóvel. O detective<br />
fez uma série de perguntas antes de a senhora começar<br />
a falar das promoções da empresa, ele perguntou de<br />
que forma é que eles tinham tido aceso ao número, e<br />
porque é que ligavam em privado, a rapariga respondeu<br />
que era procedimento normal da empresa, e disse<br />
ainda que o serviço da empresa tinha sido subscrito<br />
pelo utilizador desse número numa data muito anterior<br />
à do início das mensagens e chamadas, e que<br />
essas mensagens e chamadas tinham começado<br />
para que o utilizador soubesse das novas promoções<br />
da empresa. Como já não subscrevia o serviço há<br />
muito tempo podia estar interessado nos novos<br />
produtos.<br />
O detective falou com o João e disse – lhe o sucedido,<br />
o João, ao início, não se lembrava de quando<br />
tinha subscrito o serviço mas depois lembrou<br />
– se. Nos minutos seguintes o telemóvel voltou<br />
a tocar e os pais do João cancelaram a subscrição.<br />
Por isso e por muitas coisas é que a internet<br />
pode ser perigosa, isto é um caso mas podia<br />
ser muito pior, aqui na nossa história, acabou<br />
tudo em bem. Mas a coisa podia ter corrido<br />
muito pior.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />
Maria Helena Silva<br />
António Faria<br />
Ruben Macieira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Então falei com o meu pai e disse - lhe que<br />
era super seguro pois já tinha confirmado tudo<br />
e perguntei a outras pessoas que fizeram o<br />
mesmo.<br />
O meu pai não se importou e foi à internet fazer<br />
o contrato. Tiveram que dar imensos dados, mas<br />
o mais importante foi o NIB da conta bancária<br />
para a transferência mais segura.<br />
O problema foi que nem o pai nem o filho se<br />
aperceberam das letrinhas pequenas que havia no<br />
final da folha referente aos portes de envio.<br />
A entrega foi super rápida o que fez com que o pai<br />
ficasse extremamente desconfiado e verificasse a<br />
sua conta bancária. Ao verificar reparou que tinha<br />
sido burlado e que a conta estava a zero.<br />
Visto isto, o pai ligou para a tal empresa onde<br />
encomendou o jogo e perguntou por que a sua<br />
conta bancária estava a zeros, foi então que soube<br />
que os portes de envio (as tais letras pequenas)<br />
eram o dobro do que custava o jogo para a entrega<br />
ser mais rápida.
Tudo isto para alertar sobre os perigos existentes na<br />
internet e para dizer que se deve ler tudo antes de fazer<br />
qualquer contrato.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />
Elda Martins | Márcia Silva | Rui Diegues<br />
Hugo Gomes<br />
Rui Brandão<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Rui comprou uma conta Steam® (programa<br />
para poder jogar jogos online), criou um nome<br />
de utilizador com a respectiva palavra-passe.<br />
Passados alguns meses de prática de jogo, foi<br />
ganhando novos amigos na Steam®, que também<br />
contém um programa de conversação específico,<br />
parecido com o Messenger.<br />
Depois, passados alguns dias, numa conversação<br />
com o Daniel (outro amigo com conta Steam®),<br />
recebeu uma mensagem:<br />
“Vê o meu vídeo novo!” seguido de um link.<br />
O Rui clicou nesse link, e quando deu por ela, já<br />
não conseguia fazer o login, tendo perdido a sua<br />
conta Steam®. No dia a seguir, na escola, o Tiago,<br />
outro amigo do Rui, veio ter com ele, acusando<br />
este de ter roubado a sua conta Steam®.<br />
Entretanto o Rui explicou-lhe que o Daniel também<br />
lhe tinha enviado esse mesmo link, e que depois<br />
de o ter visitado, tinha ficado sem conta.<br />
Os três juntaram-se, e chegaram à triste conclusão
que quem clicasse no link, ficava sem conta, e ainda o<br />
enviava automaticamente a outra pessoa, sendo que o<br />
número de pessoas a perder conta se estava a multiplicar.<br />
Qualquer link, atractivo, alusivo a algo pessoal, ou até<br />
mesmo publicitário, pode ser resultado de brincadeiras<br />
perigosas, nas quais entramos sem sequer sabermos!
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />
Elda Martins | Márcia Silva | Rui Diegues<br />
Ana Fernandes<br />
Mariana Ribeiro<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
No Natal de 2008, recebi finalmente o meu<br />
primeiro computador. Tive muita sorte, pois<br />
era o último modelo, mas, para minha infelicidade,<br />
não tinha Internet, sendo assim não o<br />
utilizava muito.<br />
Na aula de TIC, um colega meu explicou-me<br />
como entrar em sites de jogos e como criar um<br />
e-mail, assim poderia encontrar novos amigos.<br />
Finalmente consegui convencer os meus pais a<br />
instalar a Internet. A partir daí registei-me em<br />
vários sites para jogar ―on-line‖ e conhecer novas<br />
pessoas.<br />
Algumas semanas depois, já era um ―craque‖ nos<br />
jogos on-line. Reparei que alguns sites tinham<br />
jogos actuais à venda muito mais baratos do que<br />
nas lojas e então explorei mais o site.<br />
Numa tarde em que não tive aulas, vim para casa,<br />
liguei o computador, entrei no site e escolhi o jogo<br />
mais actual. Cliquei onde dizia ―comprar‖ e comecei<br />
a preencher o formulário. Contudo tive um problema.<br />
Para comprar o jogo, tinha que inserir o<br />
número de cartão de crédito. Como eu não era
maior de idade, preferia pagar com o dinheiro que tinha<br />
juntado quando o entregassem. Mas como o meu pai<br />
tinha ido à rua com o meu cão, entrei no seu quarto e<br />
procurei papéis que tivessem o número da sua conta<br />
multibanco. Ele não iria notar se 10 ou 15 euros fossem<br />
retirados. Escrevi o número no site. No final apareceu<br />
uma mensagem a informar-me da compra com êxito e<br />
que iria receber uma mensagem no e-mail.<br />
Passaram duas semanas e não tinha recebido nada.<br />
Ouvi uma discussão, o meu pai tinha perdido a cabeça,<br />
discutia com a minha mãe e repetia as palavras ―<br />
Não entendo‖. Antes de ir dormir, a minha mãe foi<br />
ao meu quarto. Perguntei-lhe o que se tinha passado<br />
e ela informou-me que tinham retirado quase o<br />
dinheiro todo da conta bancária. Fiquei confuso, o<br />
que teria acontecido?<br />
Aquele problema não me saía da cabeça, por<br />
isso conversei com o meu melhor amigo, ainda<br />
que <strong>virtual</strong>. Sabemos tudo um do outro, ele é<br />
mais velho do que eu um ano e gostamos os<br />
dois das mesmas coisas. Este disse que, provavelmente,<br />
tiraram o dinheiro da conta quando<br />
eu enviei o número da conta dos meus pais.<br />
Como bom amigo, avisou-me para não lhes<br />
contar, pois podia ser pior para mim, e eu<br />
tinha muito medo do que o meu pai poderia<br />
fazer.<br />
Passaram algumas semanas e o meu amigo<br />
<strong>virtual</strong> começou a ficar estranho. Agora<br />
puxava conversa sobre relações sexuais. Eu<br />
estranhei, mas continuava a falar com ele.
Um dia ele começou a pedir-me<br />
fotos, contudo eu não lhe mandei.<br />
Então disse-me que ia ficar chateado.<br />
Pensei duas vezes e disse-lhe que,<br />
quando tivesse, mandava. Este concordou.<br />
Combinámos um encontro, eu não<br />
conhecia o sítio, mas concordei. No dia<br />
seguinte, vi o meu pai a verificar o meu<br />
computador. Fiquei chateado e tentei aproximar-me,<br />
mas ele afastou-me, levantou-se,<br />
olhou-me nos olhos e disse ―Tu não vais a lado<br />
nenhum e que seja a última vez que voltes a<br />
falar com pessoas que não conheces‖. Defendime<br />
dizendo ―É meu amigo‖, ― Se não conheces<br />
a pessoa, então não é teu amigo‖. O meu pai<br />
pôs-me de castigo e fiquei sem o computador.<br />
Passado um mês, liguei-o e verifiquei que não<br />
conseguia entrar no site dos jogos e onde falava<br />
com os meus amigos. O meu pai tinha bloqueado<br />
a maior parte dos sítios que eu visitava. Furioso,<br />
fui tirar satisfações com ele. Respondeu-me dizendo:<br />
―Foi para o teu bem. Quando conheceres a<br />
realidade da vida, verás isso‖.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />
Elda Martins|Márcia Silva|Rui Diegues<br />
João Marques<br />
João Pedro<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
Diana Alves pertencia a uma família pobre<br />
quando começou a sonhar com uma vida<br />
melhor, fora da pequena aldeia, perto de Amarante,<br />
onde vivia.<br />
Ninguém, nem mesmo a família, sabe o que lhe<br />
aconteceu há quinze anos, quando julgou ter<br />
encontrado a oportunidade por que ansiava, à<br />
semelhança de muitas outras pessoas pobres da<br />
aldeia que sonham com uma vida melhor através<br />
da migração. Mas, para muitos, o sonho rapidamente<br />
revela-se um pesadelo.<br />
Diana Alves navegava bastante na Internet, onde<br />
pesquisava muitas das vezes anúncios de emprego.<br />
Estava ansiosa por conseguir um emprego e<br />
sair da aldeia com o objectivo de melhorar o nível<br />
de vida. Um dia, encontrou um anúncio que pedia<br />
uma jovem, de pele morena, alta, com experiência<br />
para desempenhar o cargo de empregada doméstica.<br />
Entusiasmada, respondeu de imediato. "Fui<br />
escolhida entre centenas. Fiquei tão feliz, era<br />
como um sonho tornado realidade. Fiquei tão<br />
orgulhosa. Os meus amigos diziam como eu era
sortuda por ter sido escolhida tão rapidamente", recorda.<br />
Duas semanas depois, o empregador levou-a para casa,<br />
no Algarve. E foi aí que o pesadelo começou.<br />
"O meu verdadeiro patrão não era ele, mas o seu pai,<br />
deficiente, paralisado dos membros inferiores", conta,<br />
explicando que era obrigada a estimulá-lo sexualmente.<br />
Um dia, ao ver o portão aberto, Diana Alves fingiu<br />
que ia despejar o lixo e conseguiu fugir, acabando por<br />
encontrar um abrigo dirigido por vizinhos, onde se<br />
julgava a salvo. Mas por pouco tempo.<br />
"Enganaram-me. Escapei da boca do crocodilo e<br />
acabei na do leão".<br />
Vendida a outro homem, foi obrigada a trabalhar<br />
como prostituta.<br />
"Senti que estava a morrer", recorda. "Fui humilhada,<br />
trataram-me como um animal".<br />
Finalmente o pesadelo acabou com uma intervenção<br />
da polícia algarvia que já há algum<br />
tempo investigava aquela rede de tráfico<br />
sexual, libertando-a daquele martírio. A vergonha<br />
impediu-a de contar à família.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Externato D. Afonso Henriques<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Maria Pinto<br />
José João Carlos Dias Monteiro<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />
mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta ser qualquer<br />
coisa do mais belo e extrovertido que já<br />
se viu, entre quantos respiram e pensam.<br />
Como <strong>virtual</strong> sou alto e musculado… Até sou<br />
loiro e azuis os meus olhos. Cheiro a baunilha,<br />
saibo a chocolate, ou a algo mais doce. Mas, as<br />
minhas amigas chamam-me de exemplo e<br />
bebem conselhos de mim como de um ídolo.<br />
Elas, ainda que não me vejam, salvo raras videoconferências,<br />
mantêm-se num Web contacto permanente<br />
e intensamente vivido comigo, todos os<br />
dias, à mesma hora, no mesmo sítio <strong>virtual</strong>, sempre<br />
fomentando as nossas ciberamizades preciosas,<br />
cuidadosamente desenvolvidas e, acima de<br />
tudo, reconfortantes. É notável esta capacidade,<br />
que as novas tecnologias conceberam, de criar<br />
tanto envolvimento com tão pouco necessário contacto<br />
carnal.<br />
Enquanto real é tudo tão mais triste e monótono,<br />
sinto-me incapaz de tyransparecer tudo quanto<br />
mora de novo e criativo dentro de mim. Sinto-me<br />
um peixe fora de água, fora do meu universo
cibernauta que tantos caminhos me abre, tornando tudo<br />
muito mais fácil. Quando estou perto daquela amiga<br />
especial… Ai! Como é difícil vislumbrar tudo quanto lhe<br />
quero dizer sem me engasgar (é bem mais fácil exprimir<br />
-me quando estamos a sós, na internet. Sinto-me vestido<br />
de um metro e cinquenta e oito de coisa insípida e<br />
vulgar, ostentado de uma pele com um acne incontornável,<br />
decaindo assim num estado terrivelmente incomodativo<br />
que me impede de desinibir e de me afirmar<br />
com os outros. O eu-Real não tem cor, ainda que do<br />
ponto de vista físico seja de tez morena, nem é passível<br />
de ser cobiçado. Como me é triste ser, quando<br />
sou o Real.<br />
Todavia, é de notar, que o Virtual já me trouxe dissabores.<br />
Contam-se dois anos desde o dia em<br />
que, numa rotineira navegação pelas redes<br />
sociais, conheci alguém que parecia caber em<br />
todo o universo da minha pessoa. Retórico seria<br />
descrever a rapidez impressionante com que<br />
consegui conhecer toda a sua vida em dois<br />
dias, já que não foram poucos os retratos fotobiográficos,<br />
as músicas e os textos que trocamos<br />
neste curto espaço de tempo. Dada a<br />
mútua admiração ateada de modo exponencial<br />
a cada hora que passava, não foi preciso<br />
muito tempo para se recriar numa paixão,<br />
esta inesperada experiência. Sim, este não<br />
foi o lado mau, claro. O lado mais cru deste<br />
relacionamento surgiu quando começou a<br />
acordar o desejo de contacto físico, nunca<br />
concretizado pela distância que nos separava,<br />
o que consumiu a afinidade que se havia
concebido, levando mesmo à sua<br />
cisão por completo.<br />
Este episódio fez-me tomar consciência<br />
das limitações de alguns relacionamentos<br />
virtuais que se cruzam na nossa<br />
navegação pelos oceanos quase sem fim<br />
da WEB, aprendendo com ele a criar um<br />
certo distâncias nas conexões posteriores.<br />
Dado sentir-me Vasco da Gama a domar o<br />
Mostrengo, sempre que me vitalizo numa<br />
nova conquista, generalizei, num jogo de palavras:<br />
― Aqui na Net sou mais do que eu‖.<br />
Se, por um lado, há um quê de farsa e dissimulação<br />
do eu Virtual que dá a conhecer meandros<br />
de mim que, por tão escondidos e distantes do<br />
real estarem, nem posso afirmar que realmente<br />
existem e me pertencem, sei também que o<br />
ciberuniverso é um recanto em jeito de refúgio,<br />
onde conquisto diariamente a minha baixa-estima<br />
e renovo a minha vontade de viver e conviver com<br />
o mundo real, ganhando fôlego e ar puo para o<br />
encarar, ao deleitar-me nesta almofada <strong>virtual</strong><br />
onde repenso os meus ideais, objectivos de vida e<br />
concepção real do mundo <strong>virtual</strong>.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (Deleg. Porto)<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Patrícia Vidal Sousa<br />
Diogo José<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Sorte grande!<br />
A grande notícia acabou de chegar<br />
ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />
escolhido, entre um milhão de outros<br />
meninos, para ganhar a consola de jogos<br />
com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />
basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />
De seguida, o programa de configuração de<br />
e-mail (outlook) ou na própria página do servidor<br />
do e-mail, redirecciona-nos para uma<br />
nova página onde a segurança é extremamente<br />
baixa, estando o site a iludir o utilizador de uma<br />
forma gráfica.<br />
O que não damos conta são as acções que sucedem<br />
em background (plano de fundo, sem que<br />
saibamos o que está a acontecer), tais como a<br />
instalação de spyware (programas de expiação),<br />
trojans (programas que nos iludem e, ao fim ao<br />
cabo, são programas de código malicioso), warms<br />
(vírus que nos danificam o pc em todas as formas)<br />
entre outros.<br />
Estes programas são instalados nas nossas máquinas,<br />
discretamente, estão constantemente a<br />
enviar os dados e, por vezes, tudo o que fazemos<br />
variando o nível da programação para o responsável.<br />
Nós colocamos os nossos dados no registo, tal<br />
como a morada para ficarmos com a consola pretendida.
Em seguida, esses dados são guardados pelos responsáveis<br />
através do “phishing” e são utilizados para outros<br />
fins por terceiros.<br />
Dão-nos um e-mail de resposta agradecendo pelo registo<br />
e uma data que será a entrega da respectiva consola<br />
que nós nunca veremos.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (Deleg. Porto)<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Patrícia Vidal Sousa<br />
Sérgio Coutinho<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
Passados três dias, o João já estranhava a<br />
mensagem, pois pensou que tinha sido engano.<br />
Mas se fosse engano, quem lhe tinha enviado<br />
a mensagem? Já se tinha apercebido, visto<br />
que o João nunca tinha respondido. O João pensava,<br />
pensava, mas não encontrava motivos<br />
para receber aquela simples, mas, ao mesmo<br />
tempo, intrigante mensagem.<br />
Tentado a ligar, resolve perguntar a um amigo se<br />
conhecia o número. Nenhum dos amigos do João<br />
conhecia o número.<br />
Mais tarde, o João lembrou-se que se tinha registado<br />
num novo site de rede social estruturado a<br />
pensar nos jovens adolescentes. Um site que prometia<br />
novas amizades, troca de contactos e até<br />
marcação de encontros, tudo através da poderosa<br />
e, por vezes , traiçoeira net. Ele foi verificar a sua<br />
conta, os pedidos de amizade e comentários.<br />
Deparou-se com um botão que dizia informações<br />
pessoais e clicou para rever a sua informação.
Reparou que já tinha sido introduzido o seu novo número<br />
de telemóvel. Foi então que tudo começou a fazer sentido.<br />
No dia em que recebeu o telemóvel, o João tinha feito<br />
o seu registo no site e tinha recebido de imediato um<br />
comentário de uma rapariga que dizia que ele estava<br />
muito bem nas fotos. Numa pequena troca de comentários,<br />
o João tinha descoberto que a rapariga morava<br />
perto dele e que era bastante divertida.<br />
A mensagem só podia ser da rapariga!<br />
O João, entusiasmado, decidiu ligar-lhe o mais<br />
depressa possível.<br />
Realmente, a pessoa que atendeu afirmou ser a<br />
rapariga do site, mas ele estranhou a sua voz, pois<br />
fazia lembrar a voz de um homem adulto. Ele,<br />
curioso, continuou a conversa. Falaram quase 10<br />
minutos sobre cada um - gostos, interesses, etc.<br />
De repente, tudo mudou. A voz do outro lado<br />
tornou-se ainda mais masculina, ainda mais<br />
forte e dizia que estava interessada em estar<br />
com ele, que queria estar mais perto do João.<br />
O João, meio assustado, juntou as conversas<br />
dos pais sobre histórias hilariantes de crianças<br />
que eram raptadas por cederem a conversas<br />
com estranhos, a sua situação. A voz do João<br />
parou. A voz do outro lado ficou ainda mais<br />
masculina. Foi então que o João percebeu o<br />
que estava a acontecer.<br />
Desligou o telemóvel e, assustado, falou<br />
com a sua mãe que muito aterrorizada deitou<br />
o cartão ao lixo e conversou durante
uma hora e trinta e oito minutos<br />
sobre o perigo que ele corria sem<br />
fazer a mínima ideia. O João apagou<br />
as suas três contas nos sites de redes<br />
sociais, mudou de cartão de telemóvel e<br />
mudou de e-mail. Só assim se sentiu<br />
mais seguro.<br />
Depois deste episódio todo, o João sempre<br />
que move o rato do computador não consegue<br />
evitar de imaginar o que lhe podia ter<br />
acontecido se ele tivesse cedido e tivesse aceitado<br />
encontrar-se com a tal curiosa e maravilhosa<br />
rapariga.
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (Deleg. Porto)<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Patrícia Vidal Sousa<br />
Fábio Manuel Dias Abreu<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Que chato!<br />
O João recebeu de presente “aquele”<br />
telemóvel. Há muito que o desejava!<br />
Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />
Num instante, os números dos amigos<br />
“voaram” para dentro da memória. No dia<br />
seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />
Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />
repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />
O João não sabia o que fazer. Estava muito<br />
aflito e pensou: ―Não vou ligar, mas acho que<br />
vou responder à mensagem.‖ Decidiu, então,<br />
responder dizendo: ―Diz-me primeiro quem és,<br />
depois ligo-te.‖ O João esperou e esperou, e<br />
uma semana depois ainda não tinha recebido<br />
nenhuma mensagem. Pensou que tudo aquilo<br />
tinha sido uma brincadeira. Mas, um mês depois,<br />
numa manhã de sábado, recebeu a seguinte mensagem:<br />
―Eu sou quem te ofereceu o telemóvel,<br />
não te lembras de mim?‖<br />
O João realmente não sabia quem lhe tinha oferecido<br />
o telemóvel, encontrara-o à porta de casa<br />
com um cartão que dizia: ―Para o João, com muito<br />
carinho. Ass: admiradora secreta.‖ Nessa altura<br />
pensou que tinha sido a sua namorada e não<br />
comentou com ela para não estragar a surpresa.<br />
Depois de saber que não tinha sido a sua namorada<br />
a oferecer-lhe o telemóvel, ficou ainda mais<br />
preocupado. De seguida, perdeu o medo e decidiu<br />
ligar. O telemóvel tocava, tocava e tocava e o João
já estava com o coração aos pulos. Afinal, quem estaria<br />
do outro lado? O telemóvel parou de tocar e uma voz<br />
sedutora ouviu-se do outro lado, dizendo:<br />
- Olá João, estava a ver que não ligavas.<br />
- Mas afinal quem és tu? – respondeu o João.<br />
A voz respondeu com uma gargalhada:<br />
- Tu já sabes. Sou a tua admiradora secreta. Olha, por<br />
que é que não te encontras comigo? Com certeza não<br />
te vais arrepender.<br />
- Mas eu nem sequer sei quem tu és. Tu dizes que<br />
és a minha admiradora secreta, mas eu nem te<br />
conheço, e, além disso, eu tenho namorada. Nem<br />
penses que me vou encontrar contigo! – respondeu-lhe<br />
o João já muito irritado.<br />
- Anda lá João, ninguém vai saber. É um segredo<br />
só nosso. Eu não mordo – disse rindo.<br />
O João estava muito curioso e, por isso, resolveu<br />
ceder:<br />
- Tudo bem! Humm, mas onde nos encontramos?<br />
- Pode ser na Praça das Lages? Às 15:00<br />
horas? – disse a rapariga.<br />
- Sim, para mim está bem, então até logo. –<br />
respondeu o João.<br />
- Até logo, João.<br />
Às 14:30 preparou-se e foi rumo à Praça<br />
das Lages. Antes disso, contou tudo aos
amigos. Os amigos não se preocuparam,<br />
pensando que seria um<br />
encontro normalíssimo, uma vez que<br />
ia conhecer uma miúda.<br />
Porém, passaram-se horas, dias, sem<br />
uma única notícia do João. O que lhe teria<br />
acontecido? Onde estaria? Os seus pais já<br />
tinham comunicado o seu desaparecimento<br />
à polícia, mas nem isso adiantara. O João<br />
havia desaparecido por completo...
ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />
Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas<br />
PROFESSOR(S)<br />
ALUNO(S)<br />
Samuel Reis<br />
Ana Luz<br />
Joana Ribeiro<br />
Filipe Moreira<br />
ANO DE ESCOLARIDADE<br />
12º ano
Agente duplo<br />
Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />
minha família e os meus amigos conhecem-me<br />
por real, já para a malta dos<br />
chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />
<strong>virtual</strong>.<br />
Como Real, sou pequeno, moreno e tímido...<br />
mas como Virtual faço de conta que sou alegre,<br />
extrovertido e musculoso, sim<strong>plesmente</strong><br />
um "garanhão".<br />
Eu, enquanto Real, passeio com a família, vou à<br />
escola, sou mesmo um puto às direitas... no<br />
entanto…<br />
...aquele mundo <strong>virtual</strong> faz de mim uma marionete...<br />
deixo de pensar para apenas clicar, deixo<br />
de dormir para apenas curtir, deixo de escrever<br />
para teclar, deixo de obedecer para me envolver<br />
na teia.<br />
No início, pensei que ao assumir esta pessoa <strong>virtual</strong><br />
iria ganhar muitas coisas... namoradas, amigos,<br />
dinheiro, projecção. No entanto, ao fim de<br />
algum tempo, começo a perder o que de mais precioso<br />
tinha, uma família, os verdadeiros amigos, o<br />
respeito por mim…<br />
Cheguei a um ponto que eu, Real, já não sou mais<br />
o mesmo, já não tenho forças para lutar contra um<br />
mundo maravilhoso que criei enquanto Virtual.<br />
Contudo, houve alguém que me apoiou... que viu
que eu estava diferente... que eu já não era mais o mesmo.<br />
Ele é um dos meus professores... veio do estrangeiro<br />
e chama-se Firewall Spam. Foi mais do que um professor,<br />
mais do que um amigo, foi tudo para mim... Foi o<br />
Update de que eu precisava.<br />
Neste meu sincero testemunho, não quero que fiquem<br />
a pensar que o mundo <strong>virtual</strong> não tem coisas boas,<br />
não... pelo contrário... quero apenas deixar o relato de<br />
um jovem que quis ser adulto à força, e que, infelizmente,<br />
se viu envolvido... domesticado e até mesmo<br />
hipnotizado por um mundo que não existe, apenas<br />
surge na imaginação de cada um.