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plesmente virtual.

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ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Arouca<br />

Márcia Cristina de Bessa Brandão Ferreira<br />

Ana Helena de Bessa Ferreira Pinto<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente<br />

“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />

desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />

trabalho. Num instante, os números dos<br />

amigos “voaram” para dentro da memória.<br />

No dia seguinte, recebeu a mensagem “liga<br />

-me”. Não conhecia o número, não ligou. A<br />

mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu<br />

-se…<br />

A Andreia entra na escola a correr. Vê ao longe<br />

a Catarina e com um grande sorriso misterioso,<br />

corre para ela de telemóvel na mão:<br />

- ―Já o tenho!!! Arranjei- te o número!!!‖<br />

- ―Conseguiste?! Como conseguiste?!‖ – pergunta<br />

a Catarina entusiasmadíssima.<br />

Era o primeiro intervalo de aulas da manhã e o<br />

João, no seu ponto de encontro habitual, estava<br />

com o Pedro e outros amigos. Recebe uma mensagem.<br />

Tira do bolso o telemóvel e lê: ―liga-me‖.<br />

Passa o telemóvel pelos amigos para saber se<br />

algum conhece o número. Quando chega ao<br />

Pedro, este, um pouco embaraçado, pega no seu<br />

telemóvel e compara os números…. Era o da sua<br />

amiga especial, a Catarina.<br />

- “Não, não; não conheço.” (diz lentamente, tentando<br />

disfarçar)<br />

O João recebe nova mensagem do mesmo número:<br />

―Olá giro ‖


Decide responder:<br />

João: “Kem ex? :S ñ tenho ext nr…”<br />

Catarina: ―Uma amiga do Pedro…‖<br />

O João levanta a cabeça para comentar com o Pedro,<br />

mas apercebe-se que este desapareceu.<br />

João: “I para k kerx o meu nr??”<br />

Catarina: “Pk, t axu mt giro. I gxtava de t knhecer<br />

melhor… ;) Tenx algu expecial…”<br />

João: “Axas?? Tax a gozar??”<br />

Catarina: “Ñ, claro k axo ”<br />

João: “Kual dax amigx do Pedro ex?”<br />

Catarina: “A Catarina, a de cabelo loiro”<br />

João: “:D vou pra aula… bj”<br />

Catarina: “Bj, giro! ”<br />

João: “ Pk é k foxtx embora sem dizer nd?”<br />

Pedro: “ Dxculpa, max tive k ir p aula? Xau”<br />

No dia seguinte, o Pedro não foi ter ao ponto<br />

de encontro habitual e deixou de falar com o<br />

João. Com o passar dos dias, as mensagens<br />

entre o João e a Catarina continuaram e os<br />

olhares cúmplices cruzavam-se. O Pedro<br />

andava cada vez mais triste e sozinho e a<br />

Catarina apercebeu-se disso. Evitava,<br />

então, passar pelo João, continuando a<br />

mandar-lhe SMS. Esta situação deixava o<br />

João confuso e entristecido. Um dia, no final


das aulas, uma conversa com a<br />

mãe e a irmã, foi decisiva: o ponto<br />

de partida para a resolução de todas<br />

estas confusões virtuais.<br />

Irmã: -― Na escola parece que os relacionamentos<br />

estão fechados para obras, bloquearam!‖<br />

Mãe: - ―Por vezes bloqueiam!‖<br />

Irmã: – ―Parece que só há amizades virtuais!‖<br />

Mãe: - ―Não acreditem nessa. A amizade só<br />

existe quando podes contar com a outra pessoa<br />

verdadeiramente.‖<br />

João: -―Mas então… o que é que eu posso<br />

fazer?‖<br />

Mãe - ―Criar laços. Conversar.‖<br />

Irmã - ―Pessoalmente.‖<br />

O João entendeu. No dia seguinte, convidou todos<br />

os seus amigos, incluindo o Pedro e a Catarina,<br />

para um jogo de cartas nas bancadas do campo<br />

exterior. Trocaram os SMS por conversas de intervalo<br />

e os smiles por gargalhadas.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

José Paulo Sá<br />

Diogo Pereira Jorge<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente Duplo<br />

Olá! O meu nome é Real Virtual.<br />

A minha família e os meus amigos<br />

conhecem-me por Real, já para a malta<br />

dos chats e dos jogos, na Internet, sou<br />

sim<strong>plesmente</strong> o Virtual. Como Real, sou<br />

pequeno(a), moreno(a), tímido(a), mas<br />

como Virtual faço de conta…<br />

… que sou outra pessoa que não o verdadeiro<br />

eu. Há conversa com os meus amigos na<br />

escola e com os meus pais e eles dizem que<br />

nunca devemos usar identidades verdadeiras<br />

na internet porque é um mundo bastante grande<br />

onde existem muitas pessoas e, apesar de<br />

nem todas serem más pessoas há sempre aquelas<br />

que se gostam de destacar pela negativa e<br />

então invadem as nossas vidas privadas, o nosso<br />

mundo Real e então aproveitam-se das nossas<br />

fragilidades de segurança a nível da internet para<br />

nos roubarem ou para se fazerem passar por nós,<br />

utilizando assim os nossos dados que são disponibilizados…<br />

Estive também à conversa com o meu melhor<br />

amigo lá da escola, o Firewall e ele disse-me que<br />

não consegue proteger-me de todos os meus inimigos,<br />

pois ele não os conhece a todos, mas apenas<br />

alguns, como por exemplo a equipa spyware,<br />

o grupo vírus, e assim …<br />

Nessa conversa falamos de muitas coisas, e ele<br />

alertou-me bastante por causa dos phishing‘s e as


páginas que são criadas na internet por possíveis inimigos;<br />

como eu faço bastantes compras na internet com o<br />

cartão dos meus pais, sou obrigado a dar dados verdadeiros,<br />

e parece que existem uns indivíduos maus que<br />

com páginas aparentemente iguais nos roubam as<br />

passwords e com elas o dinheiro da conta no banco!<br />

Fiquei bastante admirado com o que ele disse e então,<br />

mal cheguei a casa conversei com o meu pai e ele disse-me<br />

para ter bastante cuidado com essas coisas<br />

pois não é difícil apanhar essas pessoas que nos querem<br />

mal e temos que nos prevenir com tudo o que<br />

temos…<br />

Agora, quando faço compras na internet tenho<br />

sempre o cuidado de ligar ao Firewall e aconselhar<br />

-me com ele e só depois coloco os meus dados na<br />

página. Com todos os inimigos cibernéticos que<br />

tenho, preciso de usar todas as minhas armas<br />

defensivas para que não me ataquem ou invadam<br />

a minha vida real…<br />

Por isso amiguinhos de todo o mundo da internet,<br />

tenham muito cuidado e estejam atentos<br />

porque há sempre grupos maléficos à espera<br />

que nós entremos nas ratoeiras deles para<br />

que nos possam atacar para sempre, pois as<br />

ratoeiras deles são bastante fortes e quando<br />

nos apanham é difícil sair de lá.<br />

Assim aconselho todos os amigos virtuais<br />

que, antes de usarem a internet, tenham<br />

muita precaução e acima de tudo aconselhem-se<br />

com os vossos amigos, tal como eu<br />

fiz com o meu amigo Firewall e também


com irmão dele, o Anti-Vírus, pois<br />

amigos como estes sabem bastante<br />

do mundo <strong>virtual</strong> que nós tanto gostamos<br />

de utilizar e, como tal, podemnos<br />

ajudar a proteger-nos contra quaisquer<br />

más eventualidades que possamos<br />

encontrar enquanto navegamos no mundo<br />

na internet … Por isso, espero que todos os<br />

amiguinhos aproveitem as minhas dicas e<br />

tomem as devidas precauções.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Básica e Secundária de Baião<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Cecília Maria dos Reis Torres<br />

António Alberto Loureiro da Silva<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente<br />

“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />

desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />

trabalho. Num instante, os números dos<br />

amigos “voaram” para dentro da memória.<br />

No dia seguinte, recebeu a mensagem “liga<br />

-me”. Não conhecia o número, não ligou. A<br />

mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu<br />

-se…<br />

Ele não sabia o que fazer, facto era que aquele<br />

constante bip das mensagens até já a mim me<br />

irritava. Já agora, olá, eu sou o amigo do João,<br />

o Manuel, conto-vos aqui como tudo se passou<br />

quando a curiosidade foi mais forte que o João.<br />

De manhã cheguei à escola e deparei-me<br />

com um sorriso na cara do João.<br />

- Bom dia João, estás bom? Vejo que, pelo teu<br />

bom ar, os teus pais te deram aquele telemóvel<br />

espectacular que vimos no outro dia na loja do Sr.<br />

Pedro. – disse-lhe eu, como quem procura uma<br />

resposta.<br />

- Sim! Sim, deram Manuel, anda ver, é mesmo<br />

nice! – respondeu ele, contentíssimo com o seu<br />

novo brinquedo.<br />

Fui, de imediato, ver e, realmente, era o melhor<br />

que já tínhamos visto e, naquele momento, o João<br />

era ―o maior da escola‖ por ter assim um telemóvel<br />

topo de gama. Estávamos os dois a jogar quando<br />

ele recebeu uma mensagem de um número des-


conhecido a pedir que lhe ligasse e eu perguntei:<br />

- Quem é, João?<br />

- Não sei, desde ontem que me manda esta mensagem,<br />

já estive quase para lhe conceder o desejo de ouvir a<br />

minha voz, mas a minha mãe diz que é perigoso, para<br />

eu ignorar – respondeu-me ele, um pouco incomodado<br />

e, ao mesmo tempo, curioso.<br />

- Faz o que a tua mãe diz, a minha também me diz<br />

sempre que não fale com estranhos. - aconselhei-o<br />

eu também.<br />

O João estava ciente dos perigos que havia em ligar<br />

para um número desconhecido e já tinha sido alertado<br />

várias vezes por várias pessoas, porém não<br />

resistiu e, de tarde, contou-me que tinha ligado<br />

para esse número.<br />

- Como foi, João? - perguntei eu.<br />

- Ninguém falou, apenas durou um minuto a<br />

chamada, e logo desliguei. O melhor foi que<br />

pararam de me mandar a estranha SMS. - respondeu<br />

ele.<br />

Fiquei contente por ele e, visto que tudo não<br />

passou de algo insignificante, nem lhe dei<br />

qualquer tipo de reprimenda como seu<br />

melhor amigo. Passada uma semana, o João<br />

chegou à escola muito mal disposto e deprimido,<br />

e eu perguntei-lhe o que tinha:<br />

- Que se passou, João? O teu telemóvel<br />

novo avariou?<br />

- Não, Manuel, mas é com o telemóvel que


o problema está relacionado.<br />

Ontem, estava a ver o meu e-mail<br />

quando reparei que numa daquelas<br />

mensagens a pedir donativos estava a<br />

minha voz num som anexado a pedir<br />

ajuda. Utilizaram a minha voz para burlar<br />

pessoas com um pedido de caridade que<br />

nunca existiu. Foi quando me ligaram<br />

daquele número desconhecido, lembras-te?<br />

Só pode ter sido assim.<br />

- Pois foi, e agora João?<br />

Disse-me que tinha contado tudo à mãe e ela<br />

tinha ido fazer queixa à polícia. Felizmente,<br />

passados uns dias, tinham descoberto o primeiro<br />

destinatário daquele e-mail e consequentemente<br />

o autor daquela brincadeira de mau gosto.<br />

Nunca ninguém nos disse quem foi, mas nós<br />

sempre desconfiámos do Chico, o maior rufia da<br />

escola que tinha fama de descobrir as pass‘s da<br />

Internet da escola e andava sempre com muito<br />

dinheiro.<br />

Desde aí, tanto eu como o João, aprendemos<br />

(pela pior forma) que toda aquela bonita tecnologia<br />

que se vê na loja do Sr. Pedro também tem as<br />

suas adversidades e há que ter cuidado com a forma<br />

como a usamos.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária de Eça de Queirós<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Maria Helena Silva<br />

Patrícia Manuela Oliveira Ribeiro<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Tentações<br />

A nossa professora marcou-nos<br />

um trabalho sobre um dos assuntos<br />

abordados nas últimas aulas. Pesquisei<br />

bastante e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />

na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />

assunto. …<br />

Uma história que me deixou abismada e<br />

pensativa. Não sei se é realmente verídica ou<br />

não, mas decidi recontá-la e usufruir dela<br />

como exemplo para o tema de trabalho que<br />

escolhi: Internet Segura. O texto estava como<br />

autor anónimo. Compreendi. Entrei em contacto<br />

com o escritor através do fórum do site. Expliquei<br />

que estava a fazer um trabalho e pedi ajuda<br />

para recontá-la. Sempre com respeito ao<br />

assunto, acabei por perguntar se seria possível<br />

descrever melhor o que havia acontecido naquele<br />

dia. Com receio de receber uma recusa, fui surpreendida<br />

com um sim. Trocamos opiniões e factos<br />

sem nunca revelar nomes, idades, moradas…<br />

sem nunca revelar dados pessoais. Juntei todas as<br />

informações e ajudas e criei o meu texto. Terminei<br />

-o. No dia seguinte, entreguei à professora. Abriu<br />

o portefólio e, curiosa, principiou por olhar vagamente<br />

os tópicos do índice. Estagnou no ponto<br />

―Curiosidades‖, viu a página à qual correspondia, e<br />

começou a folhear o documento suavemente, e<br />

bem devagar até à folha esperada. Iniciou a sua<br />

leitura.<br />

―Numa tarde bem quente, clara, húmida, corria


uma brisa fresca – uma tarde de Primavera. Uma menina<br />

adolescente, triste e sozinha, estava sentada no chão,<br />

num canto sombrio da escola. Tinha-se chateado com os<br />

colegas. Não a achavam interessante, nem a consideravam<br />

alguém do mesmo nível. Queriam que ela mudasse,<br />

que se tornasse igual a eles para a poderem considerar<br />

―cool‖ e integrar no grupo. A jovem, tendo os<br />

seus princípios, recusou tal barbaridade. Era gozada<br />

por todos. Após mais um dia de maus tratos na escola<br />

foi para casa desejando que aqueles rótulos desaparecessem<br />

como por magia. Vivia numa casa simples,<br />

não muito exuberante, uma casa modesta de uma<br />

família de vida estável.<br />

Exausta, decidiu ir até a internet e entrar num chat<br />

podendo ser quem ela sonhasse. Pelo menos ali<br />

ninguém a criticava nem sabia quem realmente<br />

ela era. Empeçou uma conversa com alguém que<br />

dizia ser da mesma idade que ela e que sofria a<br />

mesma situação. Tudo parecia perfeito. Os<br />

desabafos, após a troca de simples dados –<br />

idade e nome – foram o assunto principal. Passou<br />

o dia, e outro, e outro, e tantos outros<br />

sucessivamente. Ela só desejava chegar a casa<br />

e falar com o ―amigo‖. Tornaram-se melhores<br />

amigos, considerava ela. Os dados pessoais<br />

começaram a voar pelas conversas sem ela<br />

se aperceber. Combinaram encontrar-se.<br />

No dia esperado, ela acordou radiante e saltou<br />

da cama com toda a excitação de ir ter<br />

o encontro com o ―amigo de sonho‖. O<br />

encontro era à tarde, no fim das aulas. Mal


podia esperar. Vaidosa, preparouse<br />

para sair e foi ao local combinado.<br />

Chegou a horas, ainda não estava<br />

ninguém… O tempo começou a surgir<br />

e ela continuava sozinha e cada vez<br />

mais ansiosa, ele ainda não havia aparecido.<br />

Entretanto, recebeu uma SMS a dizer<br />

que estava atrasado e que iria demorar,<br />

mas tinha quem a fosse buscar caso ela consentisse.<br />

Ingénua, aceitou sem hesitar. Passados<br />

uns instantes surgiu um carro – um<br />

bom carro por sinal, negro e de boa marca,<br />

confortável. Tinha um motorista. Ela entrou no<br />

carro e seguiu viagem. De repente, o carro<br />

parou. ―Chegamos‖ – disse o motorista. Saiu e<br />

entrou naquele casarão. Não viu nenhum rapaz<br />

da idade dela, apenas o suposto motorista que<br />

se dirigia até ela com um sorriso cínico. Ela<br />

esfriou, estagnou, congelou. Aquele sujeito agarrou-a,<br />

usou e abusou dela e ainda a ameaçou.<br />

Estava num beco sem saída… Sujeitou-se a todos<br />

aqueles abusos suados e repugnantes, dias e dias<br />

consecutivos. Não podia revelar a ninguém nem<br />

tão pouco pedir ajuda. Estava desesperada. Só ela<br />

sabia como se sentia. (…)‖ Sentada ao lado da<br />

professora, reparei que ela não tinha terminado de<br />

ler. Impaciente para saber a sua opinião perguntei:<br />

―Não gostou?‖. Apenas vi uma lágrima escorrendo<br />

lentamente pelo seu rosto caindo sobre a<br />

folha. A professora levantou e saiu da sala. Nesse<br />

mesmo instante percebi quem era aquela menina…


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

José Paulo Sá<br />

António Fernandes Lourenço<br />

José Alberto Sousa<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Tentações<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

no meu correio electrónico. Fui eu<br />

o escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”.<br />

Era o meu dia de sorte!... Fui premiado!...<br />

Mas não me lembro de ter participado em<br />

algum concurso. Mas…. não interessa, está<br />

ganho! Acabei por aceitar o prémio. Só<br />

tenho que escrever os meus dados para o receber.<br />

Então digitei o meu nome completo, morada,<br />

contacto, nº de BI, data de nascimento, email…<br />

Depois de ter introduzido os meus dados,<br />

recebi a informação que dentro de 15 dias o prémio<br />

chegaria a minha casa. Eu estava eufórico e<br />

ansioso… o meu sonho estava prestes a realizarse.<br />

Iria receber a consola que mais desejava!<br />

Entretanto fui até ao MSN para contar a novidade<br />

aos meus amigos. De repente, reparei que a<br />

minha caixa de correio estava ―entupida‖ de mensagens<br />

de pessoas que não conhecia. Ao ler<br />

alguns dos e-mails, verifiquei que me remetiam<br />

para vários sites. Alguns dos endereços davam<br />

acesso a concursos de jogos, outros perguntavam<br />

se eu tinha mais de 18 anos (achei melhor não<br />

abrir). Muitos outros de publicidade. Seleccionei<br />

alguns dos emails e eliminei-os. Enfim, quanto<br />

mais e-mails eram apagados, mais recebia! Os


meus amigos informaram-me que estava a enviar-lhes emails.<br />

Disse-lhes que não tinha enviado nenhum email!...<br />

Não entendi o que se estava a passar.<br />

Dos diversos e-mails recebidos, um deles era bastante<br />

aliciante para a minha idade. Decidi abrir e …. o conteúdo<br />

remetia-me a um link de um site mais ousado<br />

(erótico). Com curiosidade própria da minha idade, dei<br />

uma vista de olhos geral pelo site. Ao visualizar o conteúdo<br />

de um vídeo, tinha de instalar uma aplicação.<br />

Instalei-a, mas o resultado não foi visível…. Se calhar<br />

não instalei bem, pois não aconteceu nada. Passados<br />

alguns segundos comecei a visualizar um formulário<br />

com os meus dados pessoais e outros campos<br />

para preencher. No final do formulário havia<br />

um botão para avançar. Cliquei e comecei a visualizar<br />

um vídeo com cenas pedófilas. Chocado com<br />

as imagens desliguei o computador. Mais tarde,<br />

decidi liga-lo novamente. Mas algo se passava,<br />

pois o computador não ―arrancava‖!... Que<br />

estranho, ainda há pouco estava a funcionar!...<br />

Insisti várias vezes mas não consegui ligá-lo.<br />

No dia seguinte, na escola, pedi ajuda a um<br />

amigo cujo pai é informático. Ele viu o computador<br />

e disse que um vírus tinha apagado todo<br />

o conteúdo do meu disco rígido. Chatice!...<br />

Vou ter que fazer novamente os trabalhos da<br />

escola. As minhas fotos, músicas e filmes<br />

desapareceram, os meus dados circulam na<br />

internet…Já a consola, essa nunca chegou a<br />

minha casa. … e desconfio que estou a ser<br />

observado…… talvez pedófilos ou raptores.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

: Externato D. Afonso Henriques<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Marta Pinto<br />

Cristiana Raquel Mendes Pereira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente<br />

“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />

desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />

trabalho. Num instante, os números dos<br />

amigos “voaram” para dentro da memória.<br />

No dia seguinte, recebeu a mensagem “liga<br />

-me”. Não conhecia o número, não ligou. A<br />

mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu<br />

-se…<br />

Depois de muitas mensagens ―repetidas‖, houve<br />

uma que o fez despertar: ―liga-me, sou a<br />

Lara‖. Ele estava cheio de saudades da Lara, já<br />

não a via há quase dois anos, além de continuar<br />

a suspirar por ela, tal como no dia em que a<br />

conheceu.<br />

Respondeu imediatamente à mensagem, foram<br />

falando e falando, no entanto, o João achava que<br />

o amor da sua vida estava muito mudado, estava<br />

mais receptivo e muito mais simpático com ele,<br />

porém, apesar de estranhar a atitude, não podia<br />

deixar de se sentir radiante…<br />

Falavam de tudo, menos do passado e das saudades<br />

que ele sentia por ela. Descreviam cada passo<br />

que davam e falavam, falavam…<br />

―Aquele telemóvel está a destruir-lhe a vida‖, dizia<br />

a mãe do João desesperada… A cada dia que passava<br />

ele ficava mais tempo apegado ao telemóvel,<br />

esquecendo todo resto…<br />

Os amigos estavam cansados de o ver com aquela


coisa, desistiram mesmo de o chamar para sair. Os trabalhos<br />

de casa ficavam por fazer, as noites eram passadas<br />

quase sem dormir, ―e tudo isto por causa daquele maldito<br />

telemóvel‖, pensava a mãe. A vida do João tinha<br />

mudado, tudo porque a Lara, a Lara dele, estava dentro<br />

daquele aparelho… Não restava mais nada, era só o<br />

João e o Lara-telemóvel, até que um dia…<br />

O sol estava posto, o céu era azul, o dia mostrava-se<br />

radiosamente belo para voltar a ver a Lara… Ao chegar<br />

ao jardim, os olhos de João procuravam todos os<br />

cantos por ela, até que a Lara chegou, o mundo<br />

parou. O João entrou em estado choque, ficou<br />

assustado: não reconhecia a pessoa que se apresentava<br />

diante dos seus olhos, não era a Lara que<br />

deixou de ver há quase dois anos, e muito menos<br />

a Lara daquele telemóvel.<br />

A revolta chegou, o desespero pairou sobre a<br />

sua cabeça, o seu coração estava destroçado, a<br />

realidade aproximou-se, tinha perdido tudo, os<br />

amigos, a escola… Tudo isto porque alguém do<br />

outro lado da linha se apresentava como Lara…<br />

Destruiu aquele telemóvel, e nunca mais quis<br />

saber de telemóveis… Muitos meses depois, o<br />

João recebeu de presente ―aquele‖ computador.<br />

Há muito que o desejava! Entusiasmado,<br />

lançou-se ao trabalho. Num instante, os emails<br />

dos amigos ―voaram‖ para dentro da<br />

memória. No dia seguinte recebeu o e-mail<br />

a dizer ―fala comigo‖. Não conhecia o email,<br />

não respondeu. O e-mail repetiu-se, e<br />

repetiu-se, e repetiu-se...


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso Henriques<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Marta Pinto<br />

Ana Patrícia Barbosa Rodrigues<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O Melhor Preço<br />

Todos sabiam o que ele queria<br />

para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais<br />

baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />

preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />

para fazer o registo.<br />

Estava farta que os meus pais me dessem<br />

tudo! Quis comprar algo com o dinheiro. Então<br />

pronto! Respondi às perguntas, não eram muitas,<br />

e queria tanto os jogos que nem liguei!<br />

Perguntavam coisas simples como o nome, a<br />

idade, contactos, e-mail, morada para me enviarem<br />

o jogo… Ah! Pediam também umas informações<br />

que nem sei o que eram mas relacionava-se<br />

com o método de pagamento, pedi-as a minha<br />

mãe que me deu tudo num ápice pois tinha que<br />

voltar para o computador, lá andava ela…<br />

telemóvel para um lado…fax para o outro…e mais<br />

meia dúzia de assinaturas…<br />

Foi fácil! Passadas duas semanas lá estava o jogo!<br />

Era tão fixe!! E o melhor é que trazia mais ofertas!<br />

Era a possibilidade de participar numa publicidade<br />

que viria a passar na televisão! Que sorte! Só<br />

tinha que pedir umas assinaturas à minha mãe,<br />

pois sou menor, e: problema resolvido! Não prestei<br />

muita atenção àquelas letrinhas pequenas…afinal<br />

não deviam dizer nada de importante! Era sempre<br />

o mesmo blá blá blá… Não tinha tempo a perder!


Fui ter com a minha mãe, mas ela estava sempre ocupada<br />

ou no computador…ou no telemóvel…ou em vídeo conferência…<br />

Desisti de esperar e sem demora copiei, com<br />

papel vegetal, a sua assinatura. Problema resolvido.<br />

Agora era só esperar!<br />

Passaram-se semanas e nada, nada mesmo! Até que<br />

recebi um e-mail que dizia: ―Parabéns! Acabaste de<br />

ganhar um telemóvel ultima geração! Para o receberes<br />

basta vires até à avenida D. Sebastião, número 142,<br />

4780-021 Lousada, aproveita e faz uma sessão fotográfica,<br />

participando na publicidade da nossa marca.<br />

Contacta-nos através do número 92 344 54 32 e<br />

combinamos a data.‖<br />

Passados três dias aproveitei a minha tarde livre e<br />

fui até lá, tal como o combinado! Nem disse nada<br />

aos meus pais… (para quê? Eles passam a vida a<br />

trabalhar! São tão viciados no trabalho que ate<br />

parece que a família deles é o computador, o<br />

PDA, a internet ou o fax… Que chatice!) Quando<br />

cheguei à tal morada estava um senhor à<br />

minha espera. Mostrou-me um cartão e levoume<br />

até um apartamento perto dali. Disse-me<br />

para que estivesse à-vontade e que vestisse<br />

um biquíni, pois iam fotografar-me.<br />

Fiz sucessivas sessões, diziam que tinha um<br />

encaixe perfeito com a câmara, iam buscarme<br />

a escola e pôr-me em casa, compravamme<br />

com jogos e meia dúzia de euros para<br />

gastar como quisesse… Ao fim de algumas<br />

sessões já me despia por completo. Mas era<br />

obrigada, pois era isso ou a minha família é


que sofria.<br />

Fui violada por dois supostos fotógrafos,<br />

descobri que todos os dados<br />

sobre o pagamento dos jogos destinavam-se<br />

sim<strong>plesmente</strong> ao roubo de tudo<br />

o que os meus pais ganhavam… E o<br />

medo… A vergonha… Isso era enorme, tais<br />

como os euros roubados… Sabiam tudo<br />

sobre mim, vigiavam a minha vida, usavamme<br />

para pornografia <strong>virtual</strong>… Nada havia a<br />

fazer… A minha vida estava destruída e tudo<br />

por um estúpido jogo e um questionário que<br />

respondi em dois minutos…<br />

A internet é muito boa se for bem utilizada, mas<br />

esconde muitos perigos que, caso não tenhamos<br />

cuidado, nos podem levar até a varanda do 7.º<br />

andar e fazer-nos olhar para baixo e desistir de<br />

tudo, porque já se sabe o que nos espera no dia<br />

seguinte, então o medo não nos deixa fugir senão<br />

saltando.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

José Paulo Sá<br />

Avelino Moreira Soares<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente Duplo<br />

Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por Real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

Virtual. Como Real sou pequeno,<br />

moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />

conta …<br />

… mas como que sou tudo o que quero ser,<br />

não tenho vergonha de nada. Um dia destes,<br />

estava num chat, quando entrou uma pessoa<br />

que se chamava ―nininha_21‖. Presumi que<br />

tivesse 21 anos, no entanto, como eu só tenho<br />

10 pensei logo “ela não vai querer teclar comigo‖.<br />

Como já referi, sou um rapaz tímido, normalmente<br />

não consigo falar muito tempo com as<br />

miúdas da minha escola, e elas acham-me uma<br />

seca, pois não sei do que falar (e elas também<br />

não percebem nada de futebol!).<br />

Assim sendo resolvi meter conversa com a tal<br />

―nininha_21‖ - sempre era mais fácil pela net. A<br />

primeira coisa que me perguntou foi a minha idade.<br />

Bem, tive que mentir, claro! Disse-lhe que<br />

tinha 27 anos (normalmente as miúdas gostam de<br />

rapazes mais velhos, não sei bem porquê…).<br />

Depois perguntou-me de onde era e como era!<br />

Como eu era?? Mas porquê, eu só queria falar um<br />

pouco e não me interessava muito saber como ela<br />

era. Bem, disse-lhe que era alto e loiro (as miúdas


gostam dos loiros) e disse-lhe também que tinha muitos<br />

músculos (já que ela não me conhecia realmente, podia<br />

dizer o que queria)! Ela disse-me (sem eu lhe perguntar)<br />

que era morena, tinha os olhos verdes, 1,65 m e que<br />

―tinha tudo no sítio!‖. Depois sugeriu que fôssemos para<br />

uma sala privada de chat, para falarmos mais à vontade<br />

e para fazer uma vídeo – chamada. Assim mudamos<br />

de sala, mas eu disse-lhe que a minha câmara não<br />

estava a funcionar. Ela sugeriu que eu lhe enviasse<br />

fotos.<br />

Que grande confusão, que ia eu agora fazer?? Bem<br />

disse-lhe que ia seleccionar a melhor e que depois<br />

lha ia enviar!<br />

Eu não sabia o que fazer, e na verdade eu ainda<br />

não tinha conversado com ela grande coisa. O<br />

que eu queria mesmo saber era que tipo de conversas<br />

é que se tem com as miúdas, mas esta<br />

conversa era muito estranha! Depois de insistir,<br />

insistir e voltar a insistir pela foto eu enviei-lhe<br />

uma foto da net, dizendo que era eu! Já se<br />

passaram duas semanas desde a primeira vez<br />

que falei com a ―nininha_21‖.<br />

A cada conversa ela quer saber mais coisas<br />

sobre mim. Ontem dei-lhe o meu número de<br />

telemóvel. Agora o telemóvel não pára e há<br />

vários números diferentes a enviar-me mensagens.<br />

A minha mãe até já desconfiou (pois<br />

nunca recebia mais do que 1 ou 2 mensagens<br />

por semana). A nova da ―nininha_21‖<br />

é que me quer conhecer pessoalmente. Não<br />

sei o que fazer! Eu até gostava de a conhe-


cer, afinal nunca conversei com<br />

uma rapariga mais do que 5 minutos<br />

e com esta passo horas no computador,<br />

mesmo que muitas coisas<br />

que eu diga não sejam verdade. Ela é<br />

muito atenciosa para mim, está sempre<br />

disponível para conversar… Só é pena eu<br />

ter menos 17 anos na realidade….<br />

Para a próxima tenho mesmo de escolher<br />

alguém próximo da minha idade, porque na<br />

situação em que estou agora não dá para<br />

avançar mais, pois posso vir a ter grandes problemas.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Alcaides de Faria, Arcozelo, Barcelos<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Mário Fernandes Patrão<br />

Marlene Sofia Costa Matos<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente<br />

“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />

desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />

trabalho. Num instante, os números dos<br />

amigos “voaram” para dentro da memória.<br />

No dia seguinte, recebeu a mensagem<br />

“liga-me”. Não conhecia o número, não<br />

ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se,<br />

e repetiu-se<br />

Enquanto o João não ligou, as mensagens não<br />

pararam e, por cada mensagem recebida, eralhe<br />

cobrado o valor de 2,00€. Para pôr um ponto<br />

final nesta situação, o João decidiu ligar para<br />

o remetente das mensagens. Ao ligar, foi surpreendido<br />

com um atendedor automático que<br />

informou que tinha sido seleccionado para um<br />

megaconcurso, que decorria através da internet,<br />

cujo prémio era 5 000,00 €. Como ele era um<br />

cibernauta muito aventureiro, nunca se importando<br />

de dar informação sobre si, foi seguindo as instruções<br />

da voz do atendedor. Era dito que, para<br />

poder receber o prémio, às 14 horas do dia<br />

seguinte, tinha que se dirigir a uma casa, bem no<br />

centro da cidade onde habitava. Rapidamente o<br />

jovem anotou a morada, sem pensar nas consequências<br />

que isto lhe podia trazer.<br />

No dia seguinte, à hora marcada e no local marcado,<br />

lá estava ele. Tocou a campainha e foi recebido<br />

por uma senhora muito simpática que o convidou<br />

a entrar. Com o ar angelical da senhora, o


jovem sentiu-se em casa. Já lá dentro o João, junto da<br />

senhora e de mais um senhor, começou a achar estranho.<br />

Como é que um ―megaconcurso‖ decorria numa<br />

habitação aparentemente normal? Mas... já era tarde<br />

para fazer estas associações. Tinha acabado de ser<br />

sequestrado!<br />

Nada a fazer! A desigualdade física entre os raptores e<br />

o João era notória. Estes ataram-no a uma cadeira e<br />

exigiram que este lhe desse o número de telefone dos<br />

pais para que pudessem proceder ao pedido de resgate.<br />

Assim foi... que outro remédio haveria? Os<br />

sequestradores passaram à acção. E os pais do<br />

João, que nada sabiam desta história, estavam,<br />

agora, em pânico. O resgate pedido era enorme,<br />

20 000,00€, e, caso contactassem a polícia, algo<br />

de mau aconteceria ao João, filho tão querido de<br />

ambos.<br />

Depois de muitas hesitações, discussões, interrogações,<br />

mesmo com a vida do filho em risco,<br />

decidiram contactar a polícia. De hora em hora,<br />

os raptores comunicavam com os pais do<br />

sequestrado. Queriam saber, sob ameaças, se<br />

estes iriam ou não pagar o resgate. Davam<br />

informações de que o João estava bem e de<br />

esperavam que os seus pais pagassem o resgate,<br />

para evitar o que eles sabiam poder<br />

acontecer nessas situações. A cada vez vacilavam..<br />

Teremos tomado a melhor decisão?<br />

Horas de ansiedade passaram. A Polícia<br />

Judiciária, porém, estava em acção. Não foi<br />

fácil encontrar o local onde estava o João.


Não fossem as informações de<br />

―movimentos suspeitos‖ por parte<br />

de um morador daquela rua e o seu<br />

trabalho de investigação não teria produzido<br />

efeitos tão imediatos. Rapidamente<br />

fizeram um cerco e, sob ameaça<br />

de atirarem sobre as pessoas, dois agentes<br />

exigiram entrar naquela casa suspeita. Os<br />

sequestradores, de início, desmentiram<br />

qualquer acto ilícito, mas não tiveram outra<br />

opção. Renderam-se e entregaram o João aos<br />

pais e à polícia.<br />

O João contou o sucedido com todos os pormenores.<br />

Os pais suspiraram de alívio. Felizmente<br />

esta história teve um final feliz e tudo acabou<br />

bem. Mas isto poderia ter tido um fim trágico.<br />

Tudo isto podia ter sido evitado, se o João não<br />

tivesse fornecido informação verdadeira sobre si<br />

na internet, a pessoas totalmente desconhecidas.<br />

A Polícia alertou: um dos pontos mais importantes<br />

sobre a segurança na internet é não fornecer<br />

informações privadas. VAMOS FAZER UMA INTER-<br />

NET SEGURA!!!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Alcaides de Faria, Arcozelo, Barcelos<br />

Mário Fernandes Patrão<br />

Liliana Carina S. Carvalho<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente<br />

“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />

desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />

trabalho. Num instante, os números dos<br />

amigos “voaram” para dentro da memória.<br />

No dia seguinte, recebeu a mensagem<br />

“liga-me”. Não conhecia o número, não<br />

ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se,<br />

e repetiu-se…<br />

… até que um dia o João farto das mensagens<br />

resolveu ligar para o tal número. Quem atendeu?<br />

A Vanda! Quem é a Vanda?<br />

Caíra em si. És mesmo tu?<br />

Vanda era só e apenas a miúda mais popular da<br />

escola. E o João cismava agora porque não lhe<br />

tinha ligado antes. E ele a pensar que seria um<br />

chato qualquer! Que sorte! Ele já tinha tentado de<br />

tudo para a conquistar. Mandava-lhe cartas, flores,<br />

poemas… até já tinha escrito no portão da<br />

casa dela o quanto a amava (algo que os pais dela<br />

não tinham gostado muito). Como era possível? A<br />

Vanda agora pedir para falar com ele!<br />

A conversa foi, no entanto, estranhamente curta,<br />

mas suficiente para marcarem, logo aí, um encontro.<br />

O João delirou com a ideia, para já não falar<br />

do local. Ao pé do rio, num parque que não era<br />

muito frequentado àquela hora da manhã.<br />

Uma vez marcado o encontro, João apressouse<br />

logo a vestir a sua melhor camisa, as suas


melhores calças e até a pôr um pouco do perfume do seu<br />

pai, para ter um ar mais maduro. Pudera! A Vanda já era<br />

finalista do 12.º ano e ele era apenas um aluno do 9.º<br />

Ano, mas perdidamente apaixonado. Levou uma rosa, a<br />

mais linda que encontrou, e estava a ensaiar o que lhe<br />

haveria de dizer com aquele estilo maduro (pensava<br />

ele), quando vê que por detrás de uma árvore ela se<br />

aproximava. Linda, linda! De vestido azul, o que, digase<br />

com toda a justiça, realçava ainda mais os seus<br />

olhos. O vestido deixava antever umas pernas perfeitas<br />

e uns peitos arrebitados como duas pequenas<br />

maçãs. O vento fazia com que o seu longo cabelo<br />

preto esvoaçasse. Ela era perfeita. Parecia vinda<br />

daqueles filmes em câmara lenta…<br />

O João aproximou-se dela, em pose romântica e<br />

ofereceu-lhe a rosa. Algo estranho surgiu por trás<br />

da mesma árvore. Um matulão, devia ser bem<br />

mais velho que ela, com farta barba e com um<br />

perfume ainda mais másculo que o perfume do<br />

pai do João.<br />

-Olha querido! (Disse a Vanda para o fulano)<br />

Uma rosa! Imagina! Este puto deu-me<br />

uma rosa. Toma amor, fica para ti, já que sou<br />

alérgica às flores…<br />

O João percebera: Ena pá, era o namorado<br />

dela! Fogo! Que alto! (Ou seria o João baixo<br />

demais?)<br />

-Já agora amor, apresento-te o João.<br />

Sabes quem é? A MELGA QUE ME TEM<br />

CHATEADO DURANTE MESES, QUE PIOROU<br />

A MINHA ALERGIA ÀS FLORES E QUE AINDA


.<br />

POR CIMA, VANDALIZOU O POR-<br />

TÃO DA MINHA CASA.<br />

João não se lembra de mais nada,<br />

apenas de sentir um grande calor no<br />

nariz e ainda agora parece ouvir um grito<br />

ensurdecedor:<br />

-Parlema! Deixa a minha miúda em<br />

PAAAAAAAAZZZZZZZZZZZZZZZZ……


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica e Secundária D. Afonso III<br />

Agrupamento Vinhais<br />

Lúcia Guerra<br />

Luís Miguel dos Santos Gomes<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente Duplo<br />

Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por Real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

Virtual. Como Real sou pequeno,<br />

moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />

conta …<br />

… mas como que sou real, mas este real do<br />

faz de conta é muito melhor do que aquele real<br />

que aparento ser na realidade Virtualmente sou<br />

um real alto, elegante, loiro de olhos azuis,<br />

bonito, extrovertido, cobiçado por todas as<br />

mulheres e homens, animado e muito mas mesmo<br />

muito feliz. Bem mas chega de falar de mim,<br />

hoje quero contar-vos a história de alguém que<br />

eu conheço. Chama-se Xexe e é uma joaninha.<br />

Esta joaninha portou-se mal. Vejam lá que meteu<br />

conversa com uns tipos que não conhecia de lado<br />

nenhum, e de repente, aqueles tipos, atacaramna.<br />

Bateram-lhe e roubaram-na. Levaram-lhe a<br />

coisa mais valiosa que ela tinha. Esta coisa é a<br />

coisa mais valiosa para uma joaninha. Levaramlhe<br />

as suas pintas pretas. Assim a joaninha ficou<br />

doente, triste e ainda por cima sem pintas pretas.<br />

-Que vou fazer agora da minha vida, não tenho<br />

pintinhas pretas, agora, ninguém sabe que sou<br />

uma joaninha. O que vou fazer da minha vida.<br />

Estou desolada. –dizia a joaninha.


A Xexe, não saiu de casa durante semanas. E começou a<br />

comunicar com bichos, desconhecidos, pela internet,<br />

naqueles chats de que tanto ouvia falar os gafanhotos.<br />

Começou a escrever cada vez mais, a conhecer cada vez<br />

mais bichos, e houve um dia em que conheceu um<br />

bicho, que dizia que era lindo, maravilhoso, alto, era<br />

um joaninho, tinha umas pintas maravilhosas. A Xexe<br />

com medo que o joaninho não gostasse dela disse:<br />

- Eu também tenho umas pintas pretas lindas, mais,<br />

diz-se por aqui, na minha rua, que sou a joaninha<br />

com as pintinhas mais bonitas do mundo.<br />

O tal joaninho interessou-se cada vez mais, e a joaninha<br />

cada vez mais se apaixonava por aquele desconhecido<br />

tão bonito e que a elogiava tanto.<br />

Um dia marcaram um encontro. A joaninha ficou<br />

contentíssima, pulou, chorou, riu, gargalhou,<br />

mas de súbito, apercebeu-se de que não tinha<br />

as tão bonitas pintas pretas de que tinha falado<br />

nas suas conversas. E agora? Perguntou a si<br />

mesma a joaninha. A joaninha não sabia o que<br />

fazer. De súbito lembrou-se:<br />

- Bem, de certeza que ele, não se vai importar,<br />

ele é um querido vai entender de certeza.<br />

Chegou o dia do encontro, a joaninha estava<br />

nervosíssima.<br />

Chegou a hora. Faltavam poucos minutos<br />

para se encontrar com o joaninho da sua<br />

vida. Ele vinha lá, era tão grande, tão bonito<br />

ao longe, e era verdade tinha umas pintas<br />

bonitas.


Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, foi o grito que a<br />

joaninha deu. Desatou a fugir e só<br />

parou em casa. Que susto, que tinha<br />

apanhado a joaninha, não acreditava,<br />

estava desolada, estava desfeita. O seu<br />

grande joaninho, o seu grande amor, era<br />

aquele que lhe tinha roubado as pintas. Ela<br />

nunca tinha desconfiado de nada. E agora<br />

tinha sido enganada por alguém muito mau,<br />

por alguém que fora capaz de lhe fazer mal.<br />

A joaninha, a xexé, mudou de vida, de forma<br />

a esquecer tudo aquilo que tinha passado.<br />

Agora esta muito feliz, num jardim perto de um<br />

lugar onde há muitas tulipas. Está feliz, com<br />

pintas brancas, que eu mesmo fiz, com corrector.<br />

Bem, eu também falo pelos chats, mas nunca<br />

vou marcar um encontro com estranhos, não sei<br />

quem são, não sei se não são pessoas más. Por<br />

isso, lembra-te não finjas, sê. Não sejas quem<br />

não és, tenta ser. Tenta ser animado em vez de<br />

fingir, tenta ser feliz em vez de fingir. Por isso não<br />

sejas real e <strong>virtual</strong> sê real na realidade e na <strong>virtual</strong>idade.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Básica e Secundária Prof. António da Natividade,<br />

Agrupamento Mesão Frio<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Susana Vicente<br />

Carla Sofia da Silva Pinto<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente<br />

“aquele” telemóvel. Há muito que o<br />

desejava! Entusiasmado, lançou-se ao<br />

trabalho. Num instante, os números dos<br />

amigos “voaram” para dentro da memória.<br />

No dia seguinte, recebeu a mensagem<br />

“liga-me”. Não conhecia o número, não<br />

ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se,<br />

e repetiu-se…<br />

Até que o João, pensativo com tanta nsistência,<br />

decide ligar, coloca o telemóvel junto<br />

da sua orelha redondinha e diz ―olá‖, do<br />

outro lado nada ouve, a chamada tinha caído.<br />

O João já estava a achar isto muito esquisito,<br />

tanta teimosia e agora do outro lado ninguém<br />

lhe dava sinal de vida. Não deu muita importância<br />

e decide ignorar tal acontecimento.<br />

Mas o improvável torna a surgir, uma nova mensagem<br />

invade o visor do seu telemóvel, ― Sou<br />

Matilde, 12º ano, adoraria encontra-me contigo<br />

hoje no jardim Lua Nova 5 horas ‖.<br />

O João achava-a lindíssima, ela era sensual, manipuladora,<br />

toda a gente na escola tinha conhecimento<br />

da sua panca por Matilde. Não querendo<br />

estragar o programa que tanto ansiava, liga para<br />

casa e diz ao irmão que vai fazer um trabalho para<br />

casa do Bernardo.<br />

Ao longo do percurso, a caminho do jardim, a<br />

cabeça do João parece uma bolinha florescente a


transmitir euforia. Ele nem acredita que vai ter um<br />

momento com ela.<br />

Eram cinco menos dez e o João já se encontrava sentado<br />

no banco de jardim com riscas vermelhas, tinha a sensação<br />

que aquele iria ser o local ideal.<br />

Vieram as cinco horas, as seis horas… e nada. O João<br />

tentava ligar à Matilde, mas o seu telemóvel encontrava-se<br />

bloqueado, sem nada poder fazer com<br />

ele, caramba, o telemóvel também não funciona só<br />

me faltava esta!‖.<br />

Marcavam dez horas no relógio do Miguel e a sua<br />

mãe já estava preocupada com o João, tenta ligar,<br />

mas dá ―número não atribuído‖, e o Bernardo confessa-lhe<br />

que não existiu trabalho nenhum. Revoltada,<br />

pede ao Miguel que lhe conte a verdade,<br />

até que fica chateada com ele…<br />

Passaram dois dias, nada se sabe sobre o<br />

João e a polícia tem apenas o telemóvel<br />

como pista.<br />

Uma semana depois, investigadores descobrem<br />

que o telemóvel do João é manipulado<br />

via Internet. Apesar deste acontecimento<br />

negativo, o telemóvel é utilizado como fonte<br />

de investigação e serve para a descoberta da<br />

origem de tal acontecimento, João é encontrado<br />

numa rede de tráfico homossexual.<br />

Agora, um ano passado sobre este episódio,<br />

o João diz ― Não te iludas, nem te deixes<br />

manipular por alguém que não<br />

conheces, limita-te a viver na tua reali-


dade<br />

mesmo que para isso tenhas de<br />

te afastar de certas capacidades do<br />

mundo em que<br />

habitamos, a tecnologia. Tudo tem um<br />

limite e mais vale uma vida com<br />

―conhecidos‖<br />

do que um trauma com a realidade que não<br />

dominamos.‖


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

José Paulo Sá<br />

Liliana Alexandra Almeida<br />

Pedro Rafael Santos<br />

Vanessa Isabel Rodrigues<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente Duplo<br />

Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por Real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

Virtual. Como Real sou pequeno,<br />

moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />

conta …<br />

que sou grande, bonito, extrovertido e bem<br />

constituído para conhecer raparigas. Mas na<br />

verdade sou um simples rapaz de 13 anos.<br />

Eu digo sempre que tenho 20 anos para conseguir<br />

acesso alguns jogos e falar a vontade no o<br />

chat com pessoas mais velhas. Os meus pais<br />

ensinaram-me a nunca dizer a verdade a pessoas<br />

estranhas, porque podem querer fazer-me<br />

mal ao tentar marcar encontros comigo. Quando<br />

alguma rapariga se quer encontrar comigo, tento<br />

inventar umas histórias para que elas nunca descubram<br />

que sou apenas uma simples criança.<br />

Assim pretendo ser amigo delas apenas <strong>virtual</strong>mente.<br />

Em relação aos jogos, os meus pais não sabem<br />

que dou informações erradas acerca de mim.<br />

Assim consigo entrar à vontade em jogos que não<br />

são próprios para a minha idade, tais como alguns<br />

jogos de violência e de apostas. Num desses jogos<br />

de apostas, apostei algum dinheiro através do cartão<br />

de crédito da minha avó, mas mais tarde ela


desconfiou. Só o fiz uma vez e jurei para mim que nunca<br />

mais iria pegar nos cartões das outras pessoas.<br />

Até já entrei nuns sites de pornografia indicando que sou<br />

maior de idade com a intenção de estimular e abrir uns<br />

novos horizontes acerca da parte sexual, pois um rapaz<br />

da minha idade já tem curiosidade em saber como é<br />

que funciona esse lado, mas depois do que vi, decidi<br />

que afinal ainda não tenho mesmo idade para esse<br />

tipo de disparate.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Dr. Serafim Leite, São João da Madeira<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

José Paulo Sá<br />

Fernando Ferreira da Costa<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente Duplo<br />

Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por Real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

Virtual. Como Real sou pequeno,<br />

moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />

conta …<br />

… O que levará tanta gente a passar uma boa<br />

parte da vida em frente de um ecrã?<br />

A meu ver, a explicação resume-se a isto, conseguimos<br />

encontrar tudo o que mais desejamos<br />

no mundo <strong>virtual</strong> da Internet.<br />

Começa-se por ir procurar um tema qualquer e<br />

muitas vezes, sem darmos por isso, já estamos<br />

num site que nada tem a ver com aquilo que nos<br />

levou inicialmente a entrar na Internet. Encontramos<br />

um mundo ideal onde tudo parece ser perfeito.<br />

Quando travamos conhecimento com alguém através<br />

da Internet, ficamos com a impressão que<br />

essa pessoa não tem um único defeito que lhe<br />

possamos apontar, tudo é perfeito e então começamos<br />

por dizer tudo aquilo que não ousaríamos<br />

dizer face a face e é aí que as coisas se podem<br />

tornar muito perigosas, sobretudo quando andamos<br />

com a nossa moral mais em baixo. Ao revelarmos<br />

as nossas fraquezas torna-se muito fácil,<br />

para quem está do outro lado, poder influenciar-


nos até ao ponto de nos manipular à sua conveniência.<br />

Os riscos na Internet podem ser de vária ordem: riscos<br />

afectivos ou económicos; riscos envolvendo tráfego de<br />

droga, de armas ou até de pessoas ou riscos relativos a<br />

espionagem militar, científica ou comercial, entre<br />

outros.<br />

Por isso devemos ser muito cuidadosos com os dados<br />

que metemos a circular na Internet. Até mesmo quando<br />

colocamos um computador velho ao lixo, ainda<br />

com o disco rígido por formatar, corremos os mesmos<br />

riscos, principalmente se lá tivermos alguma<br />

informação que nos possa comprometer, pois essa<br />

informação poderá ir parar às mãos de quem não<br />

deve.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />

Maria Helena Silva<br />

Pedro Alexandre<br />

Pedro Veiga<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O Melhor Preço<br />

Todos sabiam o que ele queria<br />

para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais<br />

baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />

preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />

para fazer o registo.<br />

Fui falar com os meus pais, que me aconselharam<br />

a não dar os meus dados neste tipo de<br />

sites pois não eram fiáveis. Fiquei um pouco<br />

chateado porque assim não teria dinheiro para<br />

comprar nenhum jogo uma vez que no site é<br />

mais barato.<br />

No entanto, fui à internet dar uma olhadela e lá<br />

diziam que era totalmente seguro e que até<br />

devolveriam o dinheiro, caso o jogo não funcionasse.<br />

Decidi tentar a minha sorte sem os meus<br />

pais saberem, mesmo sabendo que não era a<br />

melhor coisa a fazer. Decidi então registar-me, dei<br />

o meu nome, e-mail, morada, número telemóvel e<br />

ainda o número de cartão de crédito do meu pai.<br />

Até agora, parecia tudo bem. Tudo corria às mil<br />

maravilhas. No site dizia que o jogo chegava no<br />

final do mês por isso só tinha de esperar. Pensei<br />

então em contar ao meu pai, mas ele parecia mal<br />

disposto por causa de um problema no trabalho e<br />

decidi que contava noutro dia.<br />

Os dias foram passando e eu esqueci-me de contar<br />

aos meus pais. Um dia ouvi os meus pais comenta-


em que estavam a retirar dinheiro da conta semanalmente.<br />

Pensei que poderia ser do site dos jogos. Fui á<br />

internet e pesquisei melhor sobre esse tipo de jogos.<br />

Num fórum, vi pessoas comentarem e a queixarem-se<br />

do mesmo problema. Apercebi-me então que tinha feito<br />

asneiras mas não sabia como contar aos meus pais. No<br />

entanto, sentia-me mal por eles não saberem de onde<br />

lhes tiravam o dinheiro.<br />

Os meus pais falaram com o banco, que lhes explicou<br />

o se estava a passar. Eles falaram comigo e castigaram-me<br />

por não lhes ter dado ouvidos.<br />

Concordei com eles em nunca mais repetir tal acto.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />

Maria Helena Silva<br />

António Faria<br />

Ruben Macieira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O Melhor Preço<br />

Todos sabiam o que ele queria<br />

para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais<br />

baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />

preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />

para fazer o registo.<br />

Então falei com o meu pai e disse - lhe que<br />

era super seguro pois já tinha confirmado tudo<br />

e perguntei a outras pessoas que fizeram o<br />

mesmo.<br />

O meu pai não se importou e foi a internet fazer<br />

o contrato, tiveram que dar imensos dados mas<br />

o mais importante foi o nib da conta bancária<br />

para a transferência mais segura. O problema foi<br />

que nem o pai nem o filho se aperceberam das<br />

letrinhas pequenas que havia no final da folha<br />

referente aos portes de envio.<br />

A entrega foi super rápida o que fez com que o pai<br />

ficasse extremamente desconfiado e verifica a sua<br />

conta bancária. Ao verificar reparou que tinha sido<br />

burlado e que a conta estava a zero.<br />

Visto isto o pai ligou para a tal empresa onde<br />

encomendou o jogo e perguntou porque a sua<br />

conta bancária estava a zeros, foi então que soube<br />

que os portes de envio (as tais letras pequenas)<br />

eram o dobro do custava o jogo para a entrega ser<br />

mais rápido.


Tudo isto para alertar sobre os perigos existentes na<br />

internet e para dizer que se deve ler tudo antes de fazer<br />

qualquer contrato.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Carvalhos, V. N. Gaia<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Maria do Céu Pinto<br />

Pedro Miguel da Cruz Sá<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Nem, queria acreditar. Finalmente ganhei<br />

coragem e estava prestes a ver um dos meus<br />

sonhos concretizados!<br />

Dias antes, em conversa como o João, o<br />

irmão da Rita, tinha ficado muito desiludido<br />

quando, ao contar-lhe a minha intenção de clicar<br />

naquele ―bem-dito‖ ―Aceito o prémio‖ que<br />

todos os dias parecia chamar por mim, este<br />

me tentara demover, dizendo que eu devia<br />

de estar ―maluquinho‖ ao acreditar em<br />

―tretas‖ da net. ―Estás mesmo alucinado! Ainda<br />

acreditas no Pai Natal?‖ perguntava-me<br />

ele. O João é daqueles que pensa que a Internet<br />

veio, de facto, para ajudar em muitas situações,<br />

no entanto, não se cansa de alertar para os perigos<br />

que podem estar escondidos por trás de um<br />

simples click.<br />

Apesar de todas as chamadas de atenção eu não<br />

resisti e o desejo de alcançar<br />

o fruto proibido foi mais forte que todos os<br />

argumentos do meu amigo. Continuei a acreditar<br />

que de boas intenções estão cheios os anúncios


que nos bombardeiam, a toda a hora, o nosso pequeno<br />

ecrã.<br />

Assim, e depois de enviados os meus dados pessoais<br />

para que a consola fosse minha, como se de<br />

um fogo de artificio se tratasse, o ecrã do meu<br />

humilde portátil iluminou-se de todas as cores como<br />

que gritando ―GANHASTE‖.<br />

Não cabia em<br />

mim de alegria. No entanto, num ápice vi-me bombardeado<br />

de uma tristeza imensa quando de imediato<br />

percebi que o ecrã escurecera e, desta vez, para<br />

sempre.<br />

Afinal o João tinha razão, nos dias de hoje,<br />

―ninguém dá nada a ninguém‖, aprendi, assim,<br />

que devemos saber tirar partido dos benefícios da<br />

Internet, mas estar sempre alerta para todos os<br />

perigos que nos assaltam.<br />

Um click em troca de nada é caminho para ser<br />

enganado!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Carvalhos, V. N. Gaia<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Maria do Céu Pinto<br />

Flávio Leite<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O Melhor Preço<br />

Todos sabiam o que ele queria<br />

para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais<br />

baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />

preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />

para fazer o registo.<br />

Uns dias antes do meu aniversário, eu e o<br />

meu melhor amigo andámos a pesquisar<br />

sites para ver jogos e comparar preços. Estávamos<br />

os dois super contentes, encontramos<br />

uma lista de jogos interessante e a bom preço!<br />

No dia seguinte estava a comentar com alguns<br />

colegas, na escola, acerca das minhas intenções.<br />

A minha namorada ouviu e ficou um pouco<br />

preocupada, alertando-me para algumas situações<br />

que me podiam acontecer ao comprar jogos<br />

ou outras coisas pela Internet, mas não fiquei<br />

muito preocupado com o que ela disse.<br />

Na véspera dos meus anos resolvi entrar num site<br />

e comprar 3 jogos. O site em que entrei pediu-me<br />

alguns dados pessoais, como por exemplo: nome<br />

completo, idade,<br />

morada, número de telemóvel e também o número<br />

da conta bancária. Como não tinha<br />

conta, dei o número da conta dos meus pais, da<br />

qual iriam tirar o valor dos três jogos


que eu escolhi. Preenchi todos os campos e, nem pensei<br />

duas vezes, fiz logo OK todo contente.<br />

Afinal, era o meu presente de aniversário!<br />

Dias mais tarde, os meus pais foram ao multibanco e<br />

depararam-se com uma estranha e triste surpresa:<br />

tinha sido retirada uma grande quantia de dinheiro…<br />

desconfiaram logo que tinha sido eu e mal chegaram a<br />

casa tiveram uma conversa comigo. Contei a verdade<br />

aos meus pais e eles começaram logo a discutir comigo.<br />

Eu deveria saber que nunca se dão os dados pessoais,<br />

principalmente, não se conhecendo o<br />

destinatário.<br />

Finalmente, vi que os meus pais e a minha namorada<br />

tinham razão e eu, ingénuo, não lhes dei<br />

ouvidos e cometi um erro muito grande que,<br />

jamais se vai repetir.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica e Secundária Prof. António da Natividade<br />

Agrupamento Mesão Frio<br />

Alberto Cardoso<br />

Carla Sofia da Silva Pinto<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O Melhor Preço<br />

Todos sabiam o que ele queria<br />

para o aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais<br />

baratos, por isso foi ao site com o “melhor<br />

preço”. Só tinha que dar os seus dados<br />

para fazer o registo.<br />

O que o Rodrigo Então fui pedir autorização<br />

aos meus pais. Eles não concordaram com<br />

a ideia, porque temiam que as informações<br />

que eu fornecesse poderiam cair em pessoas<br />

mal intencionadas que me poderiam fazer<br />

mal. Implorei tanto que eles acabaram por<br />

aceitar, mas disseram-me:<br />

- Vamos depositar em ti a nossa confiança!<br />

Esperamos que não te arrependas…<br />

Daremos o dinheiro que precisas. Caso aconteça<br />

alguma coisa tu vais ser o responsável.<br />

Bem te avisamos, pois preocupamo-nos contigo.<br />

Queremos o teu bem!<br />

Então respondi:<br />

- Obrigado pai! Obrigado mãe! Sois os melhores<br />

pais do mundo!<br />

Todo contente fui para o meu quarto e acedi ao<br />

site o ―melhor preço‖. Tinha de dar<br />

o meu nome completo, o número do bilhete<br />

de identidade, etc. Peguei na minha carteira


que tinha na mochila e comecei a preencher os meus<br />

dados:<br />

“ Nome completo: João Pedro Teixeira Pinto<br />

Data de nascimento: 28 de Abril de 1994<br />

Número do Bilhete de identidade: 15312725<br />

Morada: Travessa das flores, Carnaxide<br />

Número de telefone: 255880003”.<br />

De seguida, cliquei no quadrado que dizia ―sexo –<br />

masculino‖ e tinha que escrever o nome de um<br />

adulto responsável, por isso decidi escrever o<br />

da minha mãe ―Maria Rosa Cardoso Teixeira‖. O<br />

passo seguinte era escolher como queria pagar os<br />

jogos se por multibanco; em dinheiro ou cheques,<br />

na recepção da encomenda (contra-<br />

reembolso); etc. Estava impaciente para<br />

receber os jogos então às escondidas fui<br />

buscar o número da conta dos meus pais. Pus o<br />

número da conta e registei-me.<br />

Passou-se um mês e depois outro… e eu não<br />

obtinha resposta.<br />

Até que num dia a minha mãe recebeu<br />

uma carta que a deixou muito abalada.<br />

Tinha sido enviada pelo banco. Vinha implícito<br />

lá que a minha mãe tinha sido roubada,<br />

porque alguém tinha acedido à conta<br />

tirando-lhe bastante dinheiro. Os meus<br />

pais ficaram em choque… então pensei


na história dos jogos pois não<br />

tinha recebido noticias até agora.<br />

Então percebi que o site era falso<br />

e que me tinham enganado.<br />

Culpado pelos meus pais terem passado<br />

por um rombo enorme de dinheiro conteilhes<br />

o que tinha acontecido. Eles estupefactos<br />

nem queriam acreditar no que<br />

estavam a ouvir. Deram-me um enorme sermão<br />

e fiquei de castigo. Compreendi que a<br />

internet não é assim tão segura e que deveria<br />

de ter acreditado nos meus pais, mas estava<br />

cego! Queria muito os jogos. Por mais que<br />

o castigo seja duro nunca dará para atenuar<br />

o que aconteceu. Desiludi os meus pais e desiludi-me<br />

a mim próprio… Nunca mais voltarei a<br />

fazer o mesmo!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica e Secundária Prof. António da Natividade<br />

Agrupamento Mesão Frio<br />

Alberto Cardoso<br />

Daniela Margarida de Sousa Teixeira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente Duplo<br />

Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por Real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

Virtual. Como Real sou pequeno,<br />

moreno, tímido, mas com <strong>virtual</strong> faço de<br />

conta …<br />

… mas como que sou uma modelo loira, alta<br />

de olhos azuis e sou muito desinibida.<br />

Certo dia em conversa no chat com um<br />

rapaz, que se dizia chamar Brian e descrevia<br />

-se como sendo alto, musculado, moreno e<br />

de olhos verdes, convidou-me para tomar um<br />

café, pois <strong>virtual</strong>mente éramos amigos à mais de<br />

um ano.<br />

Tive medo de aceitar pois assim que ele visse iria<br />

ficar desiludido pois eu não era como me descrevia<br />

no chat, mas depois de muito pensar lá<br />

aceitei. Marcamos para Sábado às 9h no na look´s<br />

bar.<br />

Andei dois dias super ansiosos, pois estava com<br />

medo que ele fugisse assim que me visse, mas<br />

chegou sábado… Produzi-me toda e lá fui eu.<br />

Eram 8:45 h e lá estava eu sentada no balcão<br />

à espera do tal rapaz mas passaram 30<br />

minutos e nem sinal dele quando de repente um<br />

rapaz se dirige a mim e


me pergunta se eu era a Soraia. Fiquei a pensar pois a<br />

única pessoa que me conhecia como Soraia era Brian,<br />

mas aquele não podia ser ele pois não o reconhecia.<br />

Nesse dia percebi que não tinha sido a única a passar<br />

pelo que não era. Brian não era o verdadeiro nome dele<br />

mas sim Francisco tal como eu que não me chamava<br />

Soraia mas sim Francisca. Duas coincidências, mentimos<br />

um ao outro e tínhamos o mesmo nome.<br />

Embora ao inicio eu ficasse desiludida pois ele<br />

não era aquele deus que eu esperava, tal como<br />

ele, cresceu uma grande amizade entre nós. Éramos<br />

da mesma Vila e nunca nos tínhamos visto. A<br />

partir desse dia tudo mudou, começamos a sair<br />

juntos, íamos para a escola os dois até que começamos<br />

a namorar.<br />

Tive muita sorte, pois Francisco é um grande<br />

homem, mas podia me ter aparecido um<br />

psicopata por isso hoje em dia alerto o<br />

meu filho para os perigos da internet e conto<br />

lhe a minha historia e do pai dele.<br />

Felizmente eu e Francisco estamos casados<br />

há 5 anos e somos felizes, embora tudo<br />

começasse com uma mentira acabou com<br />

uma grande verdade, o amor.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica Corga, Santa Maria da Feira<br />

Agrupamento Corga do Lobão<br />

Generosa Pinto Silva Vilela Pinheiro<br />

Vânia Ferreira Pinto Sousa Melo<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O melhor preço<br />

Todos sabiam o que eu queria para o<br />

meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />

por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />

Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />

o registo.<br />

Eu sabia que na internet os jogos eram mais<br />

baratos, então, decidi pedir à minha mãe que<br />

me ajudasse a procurar naqueles sites virtuais,<br />

onde tudo aparecia em vitrinas. Ela não gostou<br />

muito da ideia, pois tinha algum receio em relação<br />

a essas novas tecnologias, até costumava<br />

dizer que essas propagandas não passavam de<br />

formas de extorquir dinheiro. Mas, sabendo o<br />

quão importante aquele jogo era para mim, não<br />

conseguiu recusar.<br />

Então, na mesma hora, ligámos a internet, ao<br />

entrar num site de jogos, verificámos que estavam<br />

em promoção, mas, para espanto da minha<br />

mãe, era necessário facultar os dados da conta<br />

bancária, para além de outros dados pessoais.<br />

Reparámos ainda que, ao preço de custo, acresciam<br />

as despesas de envio, ou seja, íamos acabar<br />

por despender o mesmo dinheiro que gastaríamos<br />

em qualquer loja. Então, a minha mãe não me<br />

permitiu efectuar a compra.<br />

Furioso, teimei em não desistir. Sem ninguém<br />

saber, peguei no cartão do banco dela e preenchi


todos os dados exigidos nesse site, o jogo iria demorar<br />

cerca de quinze dias a ser entregue. No entanto, tinha<br />

passado uma semana, quando chegou uma carta a casa<br />

a informar que aquele dinheiro iria ser debitado, mas<br />

que era impossível proceder à entrega da encomenda<br />

por se encontrar esgotada de momento.<br />

Isto foi só o início de um grande sarilho, pois, logo<br />

de seguida, apareceram vírus no computador, os<br />

dados, que tinha fornecido, foram utilizados para<br />

outros fins, entraram outros débitos na conta dos<br />

meus pais, pessoas desconhecidas entravam no<br />

―msn‖, sobretudo redes de pedofilia, sabiam onde<br />

morava, o número de telemóvel da minha família,<br />

tudo se transformou num verdadeiro inferno.<br />

Em suma, a minha família deixou de ter paz e,<br />

todos os dias, entravam problemas em casa.<br />

Estou deveras arrependido da minha insolência,<br />

a minha mãe está muito zangada comigo e ficarei<br />

de castigo o resto da vida…


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica Corga, Santa Maria da Feira<br />

Agrupamento Corga do Lobão<br />

Generosa Pinto Silva Vilela Pinheiro<br />

Marlene de Jesus Mota<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Tentações<br />

A nossa professora marcou-nos um<br />

trabalho sobre um dos assuntos abordados<br />

nas últimas aulas. Pesquisei bastante<br />

e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />

na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />

assunto.<br />

Estávamos a falar sobre os perigos e os<br />

benefícios da internet e, depois de alguma<br />

pesquisa, encontrei tudo o que queria e da forma<br />

que procurava, ou seja, estava tudo pronto<br />

e, com certeza, já corrigido. Nesse texto, apareciam<br />

alguns riscos que podemos encontrar,<br />

quando navegamos em sites que não conhecemos,<br />

alertando principalmente as crianças e<br />

também os seus pais para os perigos subjacentes<br />

ao seu uso. Por outro lado, apresentava as<br />

imensas aprendizagens que podemos tirar da<br />

consulta da internet, o imenso mundo novo que<br />

não conhecemos e do qual podemos usufruir.<br />

Quando chegou a hora de entregar o meu trabalho,<br />

estava descansado, consciente de que, desta<br />

vez, não teria a nota do costume, até porque<br />

sou mais futebol que pesquisa. Alguns alunos da<br />

turma tinham receio do trabalho que iam entregar<br />

e da nota que nele iriam obter, mas eu não, eu<br />

estava tão calmo, tão descontraído que me perguntavam<br />

se ia faltar de novo a entrega de um<br />

trabalho, ou se era mais do mesmo: fazer duas<br />

frases soltas à sorte, para não levar uma falta.


Desta vez, não era esse o caso e sempre que dizia que<br />

me tinha aplicado e ia ter das melhores notas da turma,<br />

todos se riam ou pensavam que estava na brincadeira e,<br />

por mais que os tentasse convencer que estavam enganados,<br />

menos atenção davam às minhas palavras.<br />

No momento da entrega, a professora olhou para<br />

mim com o olhar prevenido de sempre e disse-me:<br />

Estou curiosa com o que me vais apresentar desta<br />

vez! Mas não respondi e vim-me sentar na minha<br />

secretária. Na minha cabeça, passavam imagens da<br />

professora Ana a dar-me os parabéns pelo meu<br />

esforço e dedicação.<br />

Passaram dois dias até que voltasse a ter português<br />

e nem me voltei a lembrar da disciplina,<br />

quanto mais do trabalho que tinha entregue. Acho<br />

que, desta vez, nem me lembrei, porque não tive<br />

que pensar na desculpa que iria ter de dar para<br />

os bonitos resultados de sempre!<br />

Era uma quarta-feira, pelas oito e meia da<br />

manhã, e, como é hábito em dia de entrega de<br />

trabalhos, as raparigas estavam curiosas com<br />

os seus resultados, mas os rapazes, muito<br />

descontraídos, falavam sobre o jogo de futebol<br />

do dia anterior entre a malta lá do bairro,<br />

excepto o Rui e o António que levavam, a<br />

meu ver, a escola demasiadamente a sério.<br />

Na hora da entrega, a professora dirigiuse<br />

a nós e disse-nos que estava surpreendida<br />

com os nossos trabalhos, e melhor ainda,<br />

que estava muito mais admirada com o<br />

meu, por ter apresentado uma pesquisa


exaustiva sobre o tema a abordar.<br />

Claro que fiquei logo todo contente,<br />

mas ela fez questão de interromper,<br />

de imediato, a minha alegria, quando<br />

disse: Pena é o ―copy paste‖! Pronto!<br />

Foi aqui que percebi tudo, nunca imaginei<br />

que ela pudesse adivinhar, mas descobriu e<br />

deu-me um zero e outro tema para apresentar<br />

na aula seguinte.<br />

Jurei que baniria o ―copy paste‖ do meu dicionário.<br />

É mais fácil inventar uma desculpa por não<br />

fazer um trabalho do que sentir uma humilhação<br />

destas.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica e Secundária Baião<br />

Agrupamento Vale de Ovil<br />

Cecilia Marilia dos Reis Torres<br />

António Alberto Loureiro da Silva<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

Ele não sabia o que fazer, facto era que aquele<br />

constante bip das mensagens até já a mim me<br />

irritava. Já agora, olá, eu sou o amigo do João,<br />

o Manuel, conto-vos aqui como tudo se passou<br />

quando a curiosidade foi mais forte que o João.<br />

De manhã, cheguei à escola e deparei-me<br />

com um sorriso na cara do João.<br />

- Bom dia João, estás bom? Vejo que, pelo teu<br />

bom ar, os teus pais te deram aquele telemóvel<br />

espectacular que vimos no outro dia na loja do Sr.<br />

Pedro. – disse-lhe eu, como quem procura uma<br />

resposta.<br />

- Sim! Sim, deram, Manuel, anda ver, é mesmo<br />

nice! – respondeu ele, contentíssimo com o<br />

seu novo brinquedo.<br />

Fui, de imediato, ver e, realmente, era o melhor<br />

que já tínhamos visto e, naquele momento, o João<br />

era ―o maior da escola‖ por ter assim um telemóvel<br />

topo de gama. Estávamos os dois a jogar quando<br />

ele recebeu uma mensagem de um número des-


conhecido a pedir que lhe ligasse e eu perguntei:<br />

- Quem é, João?<br />

- Não sei, desde ontem que me manda esta mensagem,<br />

já estive quase para lhe conceder o desejo de ouvir a<br />

minha voz mas a minha mãe diz que é perigoso, para<br />

eu ignorar – respondeu-me ele, um pouco incomodado<br />

e, ao mesmo tempo, curioso.<br />

- Faz o que a tua mãe diz, a minha também me diz<br />

sempre que não fale com estranhos. - aconselhei-o<br />

eu também.<br />

O João estava ciente dos perigos que havia em ligar<br />

para um número desconhecido e já tinha sido alertado<br />

várias vezes por várias pessoas, porém não<br />

resistiu e, de tarde, contou-me que tinha ligado<br />

para esse número.<br />

- Como foi, João? - perguntei eu.<br />

- Ninguém falou, apenas durou um minuto a<br />

chamada, e logo desliguei. O melhor foi que<br />

pararam de me mandar a estranha SMS. - respondeu<br />

ele.<br />

Fiquei contente por ele e, visto que tudo não<br />

passou de algo insignificante, nem lhe dei<br />

qualquer tipo de reprimenda como seu<br />

melhor amigo. Passada uma semana, o João<br />

chegou à escola muito mal disposto e deprimido,<br />

e eu perguntei-lhe o que tinha:<br />

- Que se passou, João? O teu telemóvel<br />

novo avariou?<br />

- Não, Manuel, mas é com o telemóvel que


o problema está relacionado.<br />

Ontem, estava a ver o meu e-mail<br />

quando reparei que numa daquelas<br />

mensagens a pedir donativos estava a<br />

minha voz num som anexado a pedir<br />

ajuda. Utilizaram a minha voz para burlar<br />

pessoas com um pedido de caridade que<br />

nunca existiu. Foi quando me ligaram<br />

daquele número desconhecido, lembras-te?<br />

Só pode ter sido assim.<br />

- Pois foi, e agora João?<br />

Disse-me que tinha contado tudo à mãe e ela<br />

tinha ido fazer queixa à polícia. Felizmente,<br />

passados uns dias, tinham descoberto o primeiro<br />

destinatário daquele e-mail e consequentemente<br />

o autor daquela brincadeira de mau gosto.<br />

Nunca ninguém nos disse quem foi mas nós<br />

sempre desconfiámos do Chico, o maior rufia da<br />

escola que tinha fama de descobrir as pass‘s da<br />

Internet da escola e andava sempre com muito<br />

dinheiro.<br />

Desde aí, tanto eu como o João, aprendemos<br />

(pela pior forma) que toda aquela bonita tecnologia<br />

que se vê na loja do Sr. Pedro também tem as<br />

suas adversidades e há que ter cuidado com a forma<br />

como a usamos.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Profissional Tecnologia Psicossocial do Porto<br />

Pedro Azevedo | Sofia Nina<br />

Sara Santos<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como Real, sou pequena, morena, tímida,<br />

mas como Virtual faço de conta.<br />

Quando estou no chat e nos jogos, sinto-me<br />

uma pessoa diferente – mais confiante em<br />

mim mesmo!<br />

Passo muito tempo como Virtual, uma vez que<br />

na pele de Real me sinto desconfortável. Quando<br />

sou o Virtual, tudo se torna melhor – as conversas<br />

fluem mais facilmente e todos me respeitam,<br />

pois colecciono recordes em todos os jogos.<br />

A prática faz a perfeição e na Internet, o Virtual é<br />

perfeito – respeitado e invejado pelos rapazes e<br />

motivo de interesse pelas raparigas.<br />

Este poderia ser o meu discurso há alguns meses<br />

atrás...mas aconteceu algo que mudou tudo!<br />

Tudo começou quando entrou no meu chatroom<br />

uma utilizadora com o nick de SoulMate. Começámos<br />

a falar e ela parecia bastante interessante.<br />

Nem queria acreditar na minha sorte!!!! Como<br />

Real sou tímido, não faço amizades facilmente e o<br />

contacto com as raparigas é-me difícil. Mas,<br />

naquele momento tudo mudara e sentia que como<br />

Virtual teria melhor sorte.


Começámos a falar regularmente e cada vez ia ficando<br />

mais interessado na SoulMate. Ansiava por entrar na<br />

Internet, somente para falar com ela. A minha vida como<br />

Real era cada vez mais monótona e o Virtual tomava<br />

cada vez mais controlo da minha mente.<br />

Quando SoulMate fez a sua descrição física, não quis<br />

acreditar! Para além de ter uma personalidade fantástica,<br />

parecia linda de morrer. Com medo de a desapontar,<br />

destorci alguns pormenores acerca do meu aspecto<br />

físico. Era essa uma das coisas que me fascinava<br />

na Internet. Não desiludia ninguém com a minha<br />

aparência e podia fingir ser muito mais confiante do<br />

que na realidade sou... Tinha medo de decepcionar<br />

a rapariga fantástica que tinha conhecido, por isso,<br />

menti.<br />

Quando finalmente marcámos um encontro,<br />

fiquei ansioso por ir conhecê-la, mas também<br />

por lhe ter mentido. Achei um pouco estranho o<br />

sítio onde se quis encontrar, pois era algo isolado.<br />

Pensei que era apenas tímida e assim teria<br />

algo em comum comigo, com o Real. Aceitei<br />

sem hesitar.<br />

No dia marcado, à hora marcada, estava no<br />

local, nervosamente à espera que ela chegasse.<br />

Só que ela nunca apareceu. Em vez da<br />

SoulMate apareceu um homem adulto. Fiquei<br />

em pânico quando percebi que tinha sido<br />

enganado. A minha reacção foi fugir. Desatei<br />

a correr sem nunca olhar para trás.<br />

Tive sorte por ter escapado ileso. Afinal, a<br />

SoulMate não existia e tinha estado o tempo


todo a falar com alguém mentiroso,<br />

cujas intenções não eram, de<br />

todo, as melhores.<br />

Fiquei em choque nos dias que se<br />

seguiram - cancelei todas as minhas contas<br />

na Internet e decidi que o Virtual tinha<br />

de desaparecer.<br />

Passaram alguns meses desde que tudo<br />

aconteceu. Agora uso apenas a Internet para<br />

pesquisas e trabalhos da escola. Percebi que a<br />

Internet pode ser também uma enorme rede<br />

de ilusões e mentiras. Decidi ter mais confiança<br />

em mim e que como Real sou capaz de<br />

alcançar tudo o que sonho...e isso basta-me!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Profissional Tecnologia Psicossocial do Porto<br />

Pedro Azevedo | Sofia Nina<br />

Ana Rita<br />

Filipe Clemente<br />

Márcia Leite<br />

Sofia Nina<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O melhor preço<br />

Todos sabiam o que eu queria para o<br />

meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />

por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />

Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />

o registo.<br />

O que o Rodrigo não contava era que, à medida<br />

que ia digitando ansiosamente os seus<br />

dados pessoais, como o seu endereço de email,<br />

número de telefone e nome completo,<br />

estava a aproximar-se cada vez mais da estreita<br />

linha que divide a Internet segura, na qual<br />

podemos falar com os nossos amigos e mandar<br />

e-mails engraçados, da Internet maliciosa, onde<br />

os perigos cibernéticos pairam como abutres no<br />

deserto.<br />

Na ânsia pelo ―melhor preço‖ nem questionou, por<br />

um só segundo, a credibilidade do site em que<br />

navegava - um deslize que, embora inocente, o<br />

faria pagar o maior dos preços. Os dados que<br />

inseriu na página foram directamente para as<br />

mãos de perversos pedófilos, munidos de ferramentas<br />

da Internet, que criaram a página para<br />

atrair crianças, ingenuamente seduzidas pelos<br />

jogos. O plano era simples: com os dados, usariam<br />

uma das muitas contas de e-mail falsas para<br />

entrar em contacto com as indefesas e desinformadas<br />

presas. Com nomes e dados falsos passa-


vam por jovens da mesma faixa etária e marcavam<br />

encontros, que teriam depois os desenrolares mais<br />

repugnantes. Com Rodrigo não seria diferente.<br />

Passados poucos dias, um misterioso e-mail solicitou<br />

que o adicionasse ao seu programa preferido de conversação<br />

instantânea. Sem hesitar, aceitou o convite,<br />

iniciando imediatamente a conversa de maior impacto<br />

em toda a sua vida.<br />

―Olá! Sou o Rodrigo.‖ - exclamou o jovem, sedento<br />

por novos amigos on-line.<br />

―Olá! Sou a Marisa.‖ - responderam os criminosos,<br />

enganando, assim, o ―recém-amigo‖.<br />

Conversaram dias a fio, dando a entender que<br />

tinham muito em comum, inclusive a área de residência.<br />

Surgiram até alguns diálogos muito pessoais,<br />

que davam um prazer doentio aos bandidos.<br />

O momento chegara. ―Marisa‖ propôs o esperado<br />

encontro, porém de intenções diferentes<br />

para ambas as partes: ―Gostaria muito de te<br />

conhecer pessoalmente‖, sugeriram os agressores.<br />

Com o coração aos saltos, Rodrigo afirmou<br />

que ele também adoraria.<br />

O dia do encontro chegou e a excitação era<br />

mútua. Ingenuamente, Rodrigo esperava<br />

ansioso para ver naquela rua, pouco ou<br />

nada movimentada, uma rapariga alta, com<br />

lisos cabelos negros e olhos cor do céu, com<br />

uma flor ao peito. Os minutos passaram<br />

penosamente e ela nunca apareceu. Quan-


do desistiu de esperar, viu um<br />

vulto pelo canto do olho. Estava<br />

escuro. Dois homens muito bem vestidos.<br />

Quando se virou para deixar o<br />

local, ouviu chamá-lo com um tom<br />

interrogativo. Nem teve tempo de reacção.<br />

Meteram-lhe um pano na cara e imediatamente<br />

desmaiou.<br />

Quando acordou, preferiu ter continuado a<br />

dormir. Os dois homens estavam à sua frente,<br />

com um brilho mórbido nos olhos e um sorriso<br />

maníaco nos lábios. Apercebeu-se logo do que<br />

lhe sucedera, quando um exclamou em tom de<br />

troça: ―Olá, muito prazer! Sou a Marisa!‖<br />

Num segundo, milhões de pensamentos passaram-lhe<br />

na mente: fugir, lutar, gritar, chorar. No<br />

entanto, ficou paralisado e nem conseguia mexer<br />

um único músculo.<br />

Deduziu que fosse do medo petrificante. Quando<br />

os raptores começaram-se a despir, sedentos pelo<br />

abuso, Rodrigo ouviu uma voz quase inaudível.<br />

Alguém estava a chamá-lo: ―RODRIGO! RODRI-<br />

GO!‖. Ainda teve forças para pedir ajuda.<br />

De repente, o som parou. Os homens aproximaram-se.<br />

Rodrigo fechou os olhos, desistindo. Ao<br />

abrir os olhos, a mais bela das visões brilhava<br />

como o sol. Era o seu quarto, o local mais seguro<br />

de todo o Universo! Estava ali. Estava mesmo ali.<br />

Não conseguia acreditar. São e salvo, no seu<br />

pequeno mundo, com posters na parede. O seu alívio<br />

foi indescritível quando ouviu o pai a chamá-lo:


―Rodrigo! Vamos. Já te chamei duas vezes! Não querias<br />

procurar um jogo na Internet? Eu ajudo-te.‖ Foi a peça<br />

que faltava. Percebeu que tudo tinha sido um sonho,<br />

causado provavelmente pela ansiedade em procurar o<br />

tal jogo.<br />

O pai voltou a perguntar: ―Então, não querias?‖ Pensou<br />

por uns segundos. ―Sim! Quero, pai! MAS NADA DE<br />

DADOS PESSOAIS!‖


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Eça de Queirós<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Maria Helena Silva<br />

Helena Sousa<br />

Sara Carvalhido<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é<br />

real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os<br />

meus amigos<br />

conhecem-me por<br />

real, já para a malta<br />

dos chats e dos<br />

jogos, na internet,<br />

sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Não, na verdade,<br />

sou apenas um<br />

Agente de Segurança.<br />

O meu papel é<br />

alertar os adolescentes<br />

e, neste caso, a Mariana, para os perigos aos<br />

quais se expõem ao divulgar informação verídica e<br />

pessoais a correspondentes virtuais.


Para tal, e durante uma tarde em que estava de serviço<br />

num chat conhecido, fiz-me passar pelo Virtual, um jovem<br />

adolescente, e através deste serviço, contactei com a<br />

Mariana, com a qual desenvolvi uma ―amizade Virtual‖.<br />

Rapidamente, e de forma ingénua, Mariana ia respondendo<br />

a perguntas, fossem elas directas ou subentendidas.<br />

Em relativamente pouco tempo, consegui saber a sua<br />

morada, a escola, ano e turma que frequentava, e até o<br />

seu horário. Descobri ainda o clube no qual Mariana praticava<br />

desporto, assim como os dias em que praticava tal<br />

actividade. Adquirir dados aparentemente pouco relevantes<br />

foi importante e facilitador para chegar até à adolescente.


Nesse mesmo dia à noite, e tal como era o meu dever, dirigi-me à<br />

ridade naquela casa foi temida, mas rapidamente expliquei o motiv<br />

ecrã, foi convocada à sala, pelo pai:<br />

Quando lhe revelei toda a verdade e após uma reflexão madura so<br />

importância da privacidade na mesma. Percebeu que, por muito qu<br />

no mesmo, pois pode não ter boas intenções. A jovem de 15 anos<br />

pessoa não quer dizer que a mesma o faça também.


casa de Mariana. Inicialmente, a presença de uma figura da autoo<br />

pelo qual lá estava. Mariana, que permanecia perante o seu<br />

bre o assunto, Mariana reconheceu o perigo da Internet e a<br />

e o seu correspondente pareça real e sincero, não pode confiar<br />

entendeu que o facto de ela partilhar factos verídicos com outra<br />

Mariana aprendeu, com certeza, a lição!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Eça de Queirós<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

: Maria Helena Silva<br />

: Joana Correia<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica e Secundária Lanheses, Viana do Castelo<br />

Agrupamento Arga e Lima (Intermunicipal)<br />

Maria Manuela Castro<br />

Susana Filipa Alves Vieira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como Real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como Virtual faço de conta que sou… o<br />

que for melhor ser, o que me der mais jeito.<br />

Não, definitivamente esta apresentação não é<br />

propriamente agradável ou mesmo politicamente<br />

correcta, mas, apesar disso, é a verdade.<br />

Foi nisto que me tornei. Mas não me apresento<br />

assim a ninguém…<br />

Tenho vergonha deste bicho que sou agora, mas,<br />

mesmo que não tivesse, ele matava-me. Morrer<br />

não é opção… tenho medo do que me espera.<br />

Nunca fui propriamente boa pessoa mas agora…<br />

agora ainda sou pior.<br />

Não passo de um mero cobarde sujeito às ordens<br />

de indivíduo que tive a infelicidade de encontrar. E<br />

que infelicidade essa…<br />

Tudo se passou há 4 anos atrás, tinha eu 16. Vivia<br />

inconformadamente infeliz com a felicidade que eu<br />

não sabia ter. Mal chegava a casa entrava no quarto<br />

e fechava-me lá dentro, apesar de estar completamente<br />

só na vida real, no mundo <strong>virtual</strong> tinha<br />

imensos amigos a quem confidenciava os meus<br />

problemas, principalmente a um em particular que


eu julgava ser o meu melhor amigo. Sim, aos meus<br />

olhos, o António era o amigo perfeito, apesar de nunca o<br />

ter visto.<br />

Até que um dia, em mais uma conversa via internet<br />

resolvemos encontrar-nos.<br />

Afinal ele vivia na mesma zona do que eu, então porque<br />

não passar a tê-lo como um amigo real? Então, tal<br />

como o combinado, no dia 3 de Fevereiro de 2007,<br />

pelas 19 horas. fui ter ao café que ele indicou. Escolhi<br />

uma mesa, sentei-me e pedi ao empregado que me<br />

trouxesse um café. Imediatamente ele atendeu o<br />

meu pedido, trazendo também a conta. Porém,<br />

quando li o papel que pensei ser a conta apercebime<br />

de que o que o papel continha não era o preço<br />

do café mas uma mensagem que dizia ―Vem ter<br />

ao jardim central daqui a 5 minutos. Levanta-te,<br />

paga o café no balcão e age como se não se<br />

estivesse a passar nada.‖<br />

Assustado, levantei imediatamente a cabeça<br />

para perguntar ao empregado que bilhete era<br />

aquele, mas ele já não estava lá. Engoli em<br />

seco, e fiz o que me foi ordenado. Cheguei ao<br />

jardim, sentei-me num banco e fechei os<br />

olhos assustado… o que estaria a acontecer?<br />

Quem é que me estava a perseguir?<br />

De repente, alguém interrompeu as minhas<br />

divagações sentando-se à minha beira e<br />

sussurrando: ―Age normalmente e faz o que<br />

eu te digo.‖. Dito isto, levantou a voz e disse:


Então João? Como estás? –<br />

estendeu a mão num convidativo<br />

cumprimento.<br />

Bem. E tu? – disse eu, apertando-lhe a<br />

mão e encarando-o finalmente. – António?<br />

– deixei escapar.<br />

Sim, já não conheces o teu amigo João? -<br />

disse ele cerrando os dentes. - Anda beber<br />

um café!<br />

Fiquei parado por instantes sem saber o<br />

que fazer.<br />

O que será que me vai acontecer?<br />

Senti uma dor na mão. O António estava a apertar-ma<br />

com tal força que parecia que a podia<br />

partir a qualquer momento. Libertei a minha<br />

mão e apressei-me a segui-lo onde quer que fosse<br />

que ele me queria levar. Meia hora depois,<br />

chegámos a um armazém escondido nos arredores<br />

da cidade. Como não estava lá ninguém,<br />

empurrou-me para dentro do armazém e entrou<br />

também, fechando a porta à chave. Senti uma dor<br />

no pescoço e deixei de ver. Um segundo depois<br />

estava amarrado a uma cadeira com dores em<br />

todo o corpo, e vi o António sentado à minha frente<br />

com um ar sereno. Perguntei-lhe o porquê de<br />

me ter prendido e agredido. Ele não respondeu,<br />

encarou-me e disse-me que era o seu novo escravo,<br />

o meu dever era falar com pessoas pela internet<br />

e arranjar encontros com elas, levando-as para<br />

o armazém, para que ele depois pudesse fazer


delas o que quisesse.<br />

Ameaçou-me, disse-me que me matava se não fizesse o<br />

que me ordenava, apontado para o corpo mutilado do<br />

empregado do café que jazia no chão do armazém.<br />

Escolhi obedecer-lhe.<br />

Há já dois anos, que levo pessoas para o armazém,<br />

deixando-as na boca do lobo.<br />

Vou agora mesmo para mais um encontro, espero<br />

poder voltar a escrever amanhã, é a única forma que<br />

tenho de me sentir vivo.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso<br />

Henriques<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Marta Pinto<br />

Cristiana Raquel Mendes Pereira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

Depois de muitas mensagens ―repetidas‖, houve<br />

uma que o fez despertar: ―liga-me, sou a<br />

Lara‖. Ele estava cheio de saudades da Lara, já<br />

não a via há quase dois anos, além de continuar<br />

a suspirar por ela, tal como no dia em que a<br />

conheceu.<br />

Respondeu imediatamente à mensagem, foram<br />

falando e falando, no entanto, o João achava que<br />

o amor da sua vida estava muito mudado, estava<br />

mais receptivo e muito mais simpático com ele,<br />

porém, apesar de estranhar a atitude, não podia<br />

deixar de se sentir radiante…<br />

Falavam de tudo, menos do passado e das saudades<br />

que ele sentia por ela.<br />

Descreviam cada passo que davam e falavam,<br />

falavam…<br />

―Aquele telemóvel está a destruir-lhe a vida‖, dizia<br />

a mãe do João desesperada…<br />

A cada dia que passava ele ficava mais tempo ape-


gado ao telemóvel, esquecendo tudo o resto…<br />

Os amigos estavam cansados de o ver com aquela coisa,<br />

desistiram mesmo de o chamar para sair. Os trabalhos<br />

de casa ficavam por fazer, as noites eram passadas quase<br />

sem dormir, ―e tudo isto por causa daquele maldito<br />

telemóvel‖, pensava a mãe.<br />

A vida do João tinha mudado, tudo porque a Lara, a<br />

Lara dele, estava dentro daquele aparelho…<br />

Não restava mais nada, era só o João e o Laratelemóvel,<br />

até que um dia…<br />

O sol estava posto, o céu era azul, o dia mostravase<br />

radiosamente belo para voltar a ver a Lara… Ao<br />

chegar ao jardim, os olhos de João procuravam<br />

todos os cantos por ela, até que a Lara chegou, o<br />

mundo parou. O João entrou em estado choque,<br />

ficou assustado: não reconhecia a pessoa que se<br />

apresentava diante dos seus olhos, não era a<br />

Lara que deixou de ver há quase dois anos, e<br />

muito menos a Lara daquele telemóvel.<br />

A revolta chegou, o desespero pairou sobre a<br />

sua cabeça, o seu coração estava destroçado,<br />

a realidade aproximou-se, tinha perdido tudo,<br />

os amigos, a escola… Tudo isto porque<br />

alguém do outro lado da linha se apresentava<br />

como Lara…<br />

Destruiu aquele telemóvel, e nunca mais<br />

quis saber de telemóveis…<br />

Muitos meses depois, o João recebeu de<br />

presente ―aquele‖ computador. Há muito


que o desejava! Entusiasmado,<br />

lançou-se ao trabalho. Num instante,<br />

os e-mails dos amigos ―voaram‖<br />

para dentro da memória. No dia<br />

seguinte recebeu o e-mail a dizer ―fala<br />

comigo‖. Não conhecia o e-mail, não respondeu.<br />

O e-mail repetiu-se, e repetiu-se, e repetiuse…


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola EB 2,3/S José Sanches de Alcains<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Rui Mateus<br />

Joana Margarida C. G. Tavares da Conceição<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é Real Virtual. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por Real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na Internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

o Virtual. Como Real, sou<br />

pequena, morena, tímida, mas como Virtual<br />

faço de conta que sou alta, loira e muito<br />

extrovertida.<br />

Sou muito solitária e tenho medo de me<br />

aproximar dos outros, pois ao longo do meu<br />

percurso escolar já fui muito gozada pelos meus<br />

colegas, que ainda hoje me conhecem por<br />

“Baleia”.<br />

Por me sentir perdida, comecei a frequentar<br />

os chats e com a minha nova identidade tudo se<br />

tornou diferente. Concretizei o meu maior sonho,<br />

ser a pessoal mais social de sempre porque todos<br />

queriam falar comigo e faziam-me muitos elogios.<br />

A partir desta gloriosa experiência a minha<br />

vida mudou, passei a viver para o computador e<br />

por vezes, nem sequer dormia. Neste sítio etéreo<br />

eu era tudo. O tempo foi passando e afastei-me<br />

dos meus poucos amigos, sem sim<strong>plesmente</strong> querer<br />

saber. E numa noite, conheci no chat um rapaz<br />

que se descrevia como tendo olhos azuis, pele<br />

branquinha e loiro e até me mandou uma foto a<br />

comprovar tudo o que me dissera. Conversámos o<br />

resto da tarde e à noite, apaixonei-me loucamente,


pois ele era um anjo que tinha descido à Terra só para<br />

mim, obrigando-me a ser transportada para outra<br />

dimensão.<br />

Combinámos que no dia de São Valentim nos encontraríamos<br />

e teríamos todo o tempo do Mundo para nos<br />

conhecermos pessoalmente. Digamos que ele também<br />

me pressionava para que tal acontecesse. Para tornar<br />

tudo muito mais romântico faria um lanche delicioso e<br />

vestiria o vestido mais bonito, aquele que tenho guardado<br />

no meu armário só para as festas. Tudo seria<br />

como nos grandes clássicos das histórias de amor<br />

que acabam sempre com a mesma frase “E viveram<br />

felizes para sempre.”.<br />

O grande dia chegou e eu estava radiante, mas<br />

apanhei um grande susto quando à hora marcada<br />

um homem de 30 anos, gordo e de olhos e cabelos<br />

castanhos toca à campainha, identificando-se<br />

como o “Apaixonado pela Virtual”. Ao olhar para<br />

mim, humilhou-me e saiu porta fora. Fiquei tão<br />

mal, que decidi desabafar com os meus pais<br />

que me aconselharam a ser eu própria pois era<br />

o eu verdadeiro que amavam.<br />

A partir dai, descobri que a Catarina Real<br />

seria sempre muito melhor do que a Virtual e<br />

conquistaria tudo o que desejasse. A Virtual<br />

seria sempre oca sem ter alma e corpo,<br />

ficando limitada a um ecrã.<br />

Agora, sinto-me completa e já descobri<br />

o meu verdadeiro amor, aquele que me<br />

ama incondicionalmente não por aquilo que<br />

aparento mas pelo que sou. Por isso, sigam


o meu lema: “Mais vale sermos<br />

reais do que um sonho <strong>virtual</strong>”.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica e Secundária Baião<br />

Agrupamento Vale de Ovil<br />

Cecília Torres<br />

Ana Isabel Rodrigues<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que sou ruiva,<br />

de estatura média, ligeiramente pálida, e<br />

tal e qual como a Real tenho 16 anos. Sinto<br />

necessidade de navegar na Internet, de ter<br />

uma ―vida‖ <strong>virtual</strong>, pois posso ser tudo o que<br />

quiser, a começar por querer ser a líder da claque<br />

de futebol que existe na minha escola, as<br />

raparigas que fazem parte da claque são todas<br />

chiques, sem dúvida bem sucedidas com os<br />

rapazes e os pais vão levá-las à escola de carro e<br />

buscá-las.<br />

Na minha vida real sou termo de chacota geral na<br />

turma, pois não visto roupa de marca, ou melhor,<br />

não tenho sequer oportunidade de escolher a roupa<br />

que quero vestir, pois uma vez por mês, a<br />

minha mãe vai a uma casa de caridade buscar<br />

roupa para mim e para ela. Lá em casa somos<br />

apenas nós as duas, e ainda bem. O homem que<br />

teve a habilidade de me fazer com a minha mãe,<br />

sim homem, pois para mim pai que é pai, não faz<br />

o que fez à minha mãe. Lembro-me como se fosse<br />

hoje, de eu estar encostada à porta do quarto<br />

deles e ver o meu pai a puxar os cabelos à minha


mãe enquanto lhe batia constantemente e lhe perguntava<br />

pela droga que lhe tinha mandado comprar. Eu,<br />

enquanto assistia àquela cena, encontrava-me em silêncio,<br />

já nem sequer as lágrimas se soltavam, pois sempre<br />

que isso acontecia ele batia-me e a minha mãe ao tentar<br />

defender-me levava ainda mais. De muitas dessas<br />

trágicas e dolorosas recordações foi a única que ficou<br />

gravada com mais nitidez, ao contrário disso, o rosto<br />

dele esqueci por completo, sendo a última vez que o<br />

vi, tendo eu apenas 4 anos. Ele fugira de casa e até<br />

hoje nunca mais voltou a dar notícias.<br />

Ao contrário da Real, a Virtual tem pais e são financeiramente<br />

bem sucedidos.<br />

De todos os aspectos positivos que a Virtual<br />

encontrou na Internet, ou seja, eu, foi durante<br />

uma conversação numa sala de chat, um rapaz<br />

com o nick ―Navegador Solitário‖. Chamou-me<br />

logo a atenção pelo facto de ele afirmar ser solitário,<br />

então decidi fazer-lhe ―companhia‖ <strong>virtual</strong>mente.<br />

E acabámos por ficar um pouco íntimos.<br />

Ele deve ser lindo e confio neste momento<br />

plenamente nele, estou tão apaixonada! Ele<br />

disse que é alto, loiro, olhos verdes, que tem<br />

18 anos e que mora numa cidade aqui vizinha.<br />

Mais um ponto a favor, bingo! Na mesma<br />

noite em que começámos a falar ele disse<br />

que queria estar comigo, e eu cedi. O<br />

nosso encontro vai ser mesmo amanhã, e<br />

como é óbvio ninguém sabe de nada.<br />

A noite foi grande, nunca mais passava,<br />

daqui a pouco nem acredito que vou estar


com ele! Ele disse que me ia fazer<br />

coisas lindas, e que me ia fazer<br />

sentir a rapariga mais feliz do mundo.<br />

Eu acredito completamente nele.<br />

Combinámos de nos encontrar no jardim<br />

das Tílias, fica aqui perto, por isso vou<br />

mesmo a pé.<br />

Estou a caminho do jardim e começo avistar<br />

ao longe um homem, com uma aparência<br />

arrogante. Não, de certeza que não é ele,<br />

mas aquela cara parece-me familiar. Comecei<br />

a ter um mau pressentimento e a sentir-me<br />

um pouco assustada. Ele está a andar na minha<br />

direcção, agarra-me de forma rude e diz ser o<br />

Navegador Solitário. Nem consigo acreditar que<br />

ele me mentiu. Sinto uma sensação de pavor<br />

com uma enorme vontade de fugir, mas noto<br />

que ele não me quer deixar ir a lado nenhum<br />

com a força que exerce a apertar o meu braço.<br />

Estou baralhada, encontro-me tão desiludida, tão<br />

arrependida e ao mesmo tempo irresponsável por<br />

estar naquela situação, pensava ser tão responsável<br />

no ―mundo‖ <strong>virtual</strong> e neste momento no<br />

―mundo‖ real estou prestes a poder estar a viver o<br />

meu maior pesadelo.<br />

Enquanto mil e uma ideias se entrelaçam na<br />

minha cabeça reparo que me encontro a caminhar<br />

com ele para um carro preto, com vidros pretos e<br />

que ele continua a agarrar-me e ainda com mais<br />

pressão. Quando chegamos à beira do carro ordena<br />

que eu faça silêncio e que entre para dentro do


carro. Eu limitei-me a obedecer-lhe, não conseguindo<br />

interiorizar o medo ao tremer compulsivamente.<br />

Durante o percurso todo fui com a cabeça para baixo<br />

tentando conter as lágrimas. Dei por mim já num quarto<br />

escuro, ele entra pela porta do quarto e pede para<br />

que eu dance para ele como o faço na claque de futebol,<br />

eu começo a chorar, a implorar para que me deixe.<br />

Ele atira-me para a cama, salta para cima de mim e<br />

tira-me a roupa, percorre a boca dele pelo meu corpo,<br />

sinto-me completamente suja, ao estar as ser vítima<br />

de algo tão atroz. Estou a ser violada neste preciso<br />

momento e tudo porque fui fútil e irresponsável no<br />

mundo da Internet…<br />

Terminou de adormecer, eu levanto-me da cama<br />

embrulhada na minha roupa completamente rasgada,<br />

encontro-me apavorada, olho em frente e<br />

deparo-me com um retrato em cima de uma<br />

mesa com muitos livros e um computador, aproximo-me<br />

e ajoelho-me no chão completamente<br />

indignada.<br />

Nem quero acreditar! As pessoas do retrato<br />

são, eu, a minha mãe e o meu pai, ou melhor,<br />

ele mesmo. Acabei de não ser apenas violada<br />

por um maluco e violador que utiliza como<br />

meio atractivo a Internet, como fui violada<br />

pelo meu próprio pai!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica e Secundária Lanheses, Viana do Castelo<br />

Agrupamento Arga e Lima (Intermunicipal)<br />

Maria Eugénia Pinto Portela<br />

Vanessa Vieira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que sou alto,<br />

moreno, extrovertido, extremamente simpático,<br />

características estas que são geralmente<br />

apreciadas por todos e associadas, directamente,<br />

a uma pessoa correcta e de confiança.<br />

Cheguei a casa cansado de mais um dia<br />

árduo na empresa. Sentei-me à frente do computador<br />

e imediatamente vesti a minha pele <strong>virtual</strong>,<br />

pronto a atacar mais um ingénuo que caísse<br />

na minha teia. Enganar esses indivíduos é o que<br />

eu faço melhor! Daqui a umas horas a minha conta<br />

bancária já estará bastante mais recheada. Já<br />

pensei várias vezes despedir-me do meu emprego<br />

real, porém, se o fizesse como explicaria aos<br />

meus conhecidos todos os bens que possuo? Passo<br />

a explicar: sendo eu um gerente de uma<br />

empresa bem conceituada tudo aquilo que me pertence<br />

é passível de ser comprado pelo cargo que<br />

ocupo. Assim, posso continuar com o meu trabalho<br />

de dia e o meu hobby lucrativo à noite sem levantar<br />

suspeitas. Confesso que me divirto bastante<br />

quando estou em frente ao ecrã a ver mais um<br />

―pato‖ cair nas minhas patranhas. Já lá vão mui-


tos… não sei quantos ao certo, e todos eles pensam ser<br />

mais espertos do que eu. Ah como se enganam! Eu também<br />

já fui como eles, achava que a internet era um<br />

mundo real, onde qualquer janela que se abria era fidedigna<br />

e todas aquelas ofertas, jogos online e vendas de<br />

produtos confiáveis. Sim. Eu já fui assim, porém uma<br />

situação que se passou há uns anos atrás fez com que<br />

a minha ingenuidade se tornasse raiva e a minha sede<br />

de vingança obrigou-me a vingar-me deste mundo<br />

participando nele. Passei de ―cordeiro‖ a ―lobo‖.<br />

Sempre fui bom a informática, porém antes<br />

de ter sido roubado, nunca a tinha utilizado para<br />

enganar outras pessoas em meu proveito. A partir<br />

do momento que um ―Chico esperto‖ com mania<br />

que era hacker invadiu uma da minhas contas<br />

bancárias e me roubou uma quantia significativa,<br />

tornei-me um deles, sempre com o intuito de me<br />

vingar daquele que se apoderou dos meus bens,<br />

mas como neste mundo nunca sabemos quem<br />

está do outro lado passo a atacar todos aqueles<br />

que aparecem à frente, tendo acesso assim aos<br />

programas informáticos de grandes empresas<br />

e daí às suas contas bancárias. Um<br />

dia, puxei do jornal, notícia de capa: ―Mais um<br />

grande golpe informático numa empresa.<br />

―Zero Pollution‖ encontra-se à beira de um<br />

colapso financeiro à custa de um simples<br />

computador. Suspeito continua sem ter<br />

identidade.‖ Ri-me alto, às gargalhadas,<br />

onde ninguém me ouvisse. Há já algum<br />

tempo que sou cabeça de cartaz no maior<br />

jornal da cidade, sem ninguém suspeitar do


pobre homem solitário do prédio<br />

X da rua Y. Confesso que este golpe<br />

não foi dos melhores. Ganhei apenas<br />

alguns milhões, sem ter sequer de me<br />

levantar da minha cadeira e sem ter<br />

perdido muito tempo a planeá-lo. Alguns<br />

cliques aqui e ali, escrever uma ou duas<br />

coisitas e pronto. Trabalho feito, já só preciso<br />

de esperar alguns minutos para me poder<br />

comparar ao maior magnata da cidade.<br />

Volto a virar a página, com toda a<br />

satisfação começo a ler os cabeçalhos, olha só:<br />

uma nova presa. Uma empresa que ainda não<br />

foi atacada e está no seu auge monetário. Excelente!<br />

Mais um passatempo para mim. Não é<br />

que precise, já tenho uma fortuna invejável.<br />

Porém faço-o por divertimento e isto de aparecer<br />

nos jornais até que tem a sua piada, mas o mais<br />

divertido de tudo isto é mesmo saber que altas<br />

empresas com muitos técnicos informáticos não<br />

têm capacidade para fazer face à minha alta inteligência<br />

e impedir-me de usufruir dos seus bens<br />

monetários.<br />

Apesar disto, não me considero um criminoso,<br />

há gente bem pior que eu que rouba aos<br />

olhos de toda a gente. No entanto, essas pessoas<br />

andam, por aí, como se nada fosse e ninguém as<br />

culpa de nada. Mesmo que sejam acusadas do que<br />

quer que seja conseguem sempre superar a situação.<br />

Eu, apenas, aproveito os meus dotes para<br />

benefício pessoal. Passo por cima de algumas pes-


soas, sim, mas todas elas passam por cima de alguém a<br />

quem consideram inferior. Sou alguém consciente dos<br />

seus actos e pessoalmente considero que este mundo<br />

(Internet) não é para qualquer um, pois é necessário ter<br />

uma grande percepção de quem se encontra do outro<br />

lado e, como os grandes homicidas, não deixar rasto<br />

dos crimes, não deixar marcas visíveis em qualquer<br />

situação que seja pois haverá sempre alguém que<br />

estará à espreita do outro lado, à espera que um de<br />

nós dê um passo em falso e acabe a ver o Sol aos<br />

quadradinhos. Um dia, quero ser recordado como<br />

um dos melhores piratas nacionais quiçá internacionais<br />

de todos os tempos, mas como um criminoso<br />

sem face.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária D. Sancho I, V. N. de Famalicão<br />

Joaquina Peixoto<br />

Elisabete Carvalho<br />

José Silva<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

O João, cansado que o chateassem, com tantas<br />

mensagens repetidas, decidiu ligar para o<br />

número desconhecido.<br />

Entretanto atenderam e era uma pessoa a pedir<br />

informações sobre os seus dados pessoais. Por<br />

motivos de segurança decidiu desligar a chamada.<br />

Andou uma semana sem receber mensagens, o<br />

João descansadinho da vida a jogar playstation<br />

recebe uma mensagem de um número desconhecido<br />

a pedir para lhe ligar urgentemente. Pensando<br />

que era a mesma pessoa decidiu não ligar, mas<br />

o mesmo número volta a ligar-lhe.<br />

O João, farto da brincadeira, aceita apenas para<br />

perguntar o que a pessoa queria mas antes que<br />

começasse a falar a pessoa disse que a sua irmã<br />

estava no hospital.<br />

O João, num estado de aflição, cede os dados pessoais<br />

que a pessoa solicitou e essa pessoa prometeu<br />

que o levava a ver a irmã.


Combinou um encontro com ele para assim o transportar<br />

ao hospital. João compareceu no encontro e entrou no<br />

carro quando se apercebeu estava a caminho de um<br />

lugar que não era o hospital.<br />

O João nunca mais apareceu…


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária D. Sancho I, V. N. de Famalicão<br />

Joaquina Peixoto<br />

Ana Rodrigues<br />

Barbara Sá<br />

Marcel Huber e Rogério Carvalho<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

…mas o João continuou sem ligar. Cansado de<br />

tanta mensagem, durante dias e dias, o João<br />

acabou por ligar, para descobrir o suspeito que<br />

tanto o chateava.<br />

Espanto dele, quando descobriu que esse indivíduo<br />

era alguém que morava muito perto da sua<br />

zona de residência e que o conhecia bem, e sabia<br />

tudo aquilo que ele fazia durante o dia. Perante<br />

essa descoberta, João não mais atendeu às suas<br />

solicitações para ligar, pois sabia que esse mesmo<br />

individuo não era alguém de confiança, pois já<br />

tinha ouvido rumores na sua rua que esse mesmo<br />

homem era má pessoa e um pouco estranho.<br />

Mais tarde, constatou-se que ele era suspeito de<br />

rapto de menores e que já havia raptado alguém<br />

da zona e por sinal, amigo de João, e que até já<br />

havia sido preso por esse mesmo crime.<br />

Perante tal facto, João resolveu por bem mudar de<br />

número e dar apenas esse mesmo número aos<br />

seus amigos e pessoas de inteira confiança.


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele” telemóvel. Há<br />

muito que o desejava! Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos “voaram”<br />

para dentro da memória. No dia seguinte, recebeu a<br />

mensagem “liga-me”. Não conhecia o número, não<br />

ligou. A mensagem repetiu-se, e repetiu-se, e repetiuse…<br />

O João, cansado da situação e bastante assustado,<br />

denunciou o caso aos seus pais, visto que a mensagem<br />

de pedido passou a ameaça.<br />

Os seus pais, extremamente preocupados, participaram<br />

à PSP a situação e, por meio de uma investigação,<br />

veio-se a descobrir que não passava<br />

duma brincadeira de um amigo seu, que foi castigado<br />

e foi-lhe retirado o telemóvel pelos seus<br />

educadores.<br />

As palavras do amigo para confortá-lo, em vez<br />

de serem uma aceitação de desculpas, foram:<br />

―Que chato!‖.<br />

No final da história, foi o amigo do João que<br />

acabou mais assustado com o caso, visto que<br />

foi alvo duma emboscada da GNR e, com certeza,<br />

aprendeu que com os avanços das tecnologias<br />

de investigação contemporâneas<br />

não vale a pena arriscar demasiado com<br />

brincadeiras ridículas porque acabamos por<br />

sermos nós a apanhar o verdadeiro susto!!!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Básica/Secundaria D. Afonso III de vinhais<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Lúcia Guerra<br />

Ana Isabel Rodrigues Vaz<br />

João Carlos Correia Pires<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que sou diferente,<br />

faço com que as pessoas imaginem<br />

outra pessoa que não eu.<br />

Quando me ligo aos chats, aos jogos ou sim<strong>plesmente</strong><br />

à internet, transformo-me num ideal<br />

que as pessoas esperam que eu seja. Sem nunca<br />

me terem conhecido, criam logo uma grande<br />

empatia e as conversas prolongam-se por vários<br />

dias, até meses.<br />

Conseguindo com que a pessoa encontre em<br />

―mim‖ uma espécie de apoio a nível emocional, a<br />

vítima encantada quer conhecer este ―eu‖ que não<br />

existe. Mas eu ainda não quero e tento enrolá-la o<br />

maior tempo possível, sucedendo isto: chega a<br />

uma certa altura em que já não tenho mais desculpas,<br />

tenho mesmo de me mostrar.<br />

Decido, pois, marcar um encontro fatal aonde ela<br />

vai ver quem eu sou na realidade. Na verdade,<br />

tenho 15 anos, tendo-me feito passar por um<br />

rapaz de 20 anos, muito maduro, diferente dos<br />

rapazes da minha idade, compreensivo, atento a<br />

todos os pormenores e com os pés bem assentes


na terra; a nível físico, tinha 1.75m, era loiro, tinha olhos<br />

azuis, mas na realidade eu era o oposto.<br />

Chegado o dia do encontro, estava bué de nervoso, a<br />

manhã parecia não ter fim, pois tinha a tarde que iria<br />

ser um confronto entre as minhas duas personalidades:<br />

entre o meu eu psicológico e a minha aparência física,<br />

que não era o que ela supunha que eu fosse. Lá vou eu<br />

caminhando para o abismo. Chego à porta do café,<br />

vejo-a sentada mesmo à minha frente. Reconheci-a,<br />

pois tínhamos combinado levar uma rosa, mas será<br />

que me enganei pois ela não era nada do que me<br />

tinha dito, aproximei-me e perguntei: ―És a Butterfly?‖,<br />

ela sim<strong>plesmente</strong> respondeu que sim. ―E<br />

tu, és o Virtual?????‖ Tendo ouvido a resposta só<br />

me apetecia bazar, mas, como eu não tinha dito<br />

também a suposta verdade, sentei-me e começámos<br />

a falar sobre a nossa mentira.<br />

A maior parte dos encontros através de chats<br />

nunca são aquilo que aparentam ser na realidade.<br />

Podem ser crianças, velhos ou, quem sabe,<br />

pedófilos a tentar iludir as pessoas. Eu tive<br />

sorte. Era apenas uma pessoa solitária a precisar<br />

de um ombro amigo, mas há pessoas que<br />

caem em teias perigosas podendo acabar com<br />

a sua vida, tanto a nível psicológico como físico.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Básica e Secundária D. Afonso III<br />

Agrupamento Vinhais<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Lúcia Guerra<br />

Élodie Teixeira<br />

Maurício dos Reis Afonso<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O melhor preço<br />

Todos sabiam o que eu queria para o<br />

meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />

por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />

Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />

o registo.<br />

Pediram-me o nome, e-mail, número de telefone,<br />

morada e o número de conta, que por<br />

acaso, eu nem sequer tinha conta bancária.<br />

Pensei…pensei, e cheguei a uma conclusão,<br />

como eu desejava ter esses jogos, para fazer<br />

frente aos meus colegas de turma, a única solução,<br />

era enviar a conta bancária dos meus pais,<br />

assim foi, é claro que não lhes pedi autorização.<br />

Após uns minutos, recebi no meu e-mail uma<br />

mensagem a confirmar que a minha compra tinha<br />

sido feita com sucesso e, passado um dia, iria<br />

receber os meus fantásticos jogos, fiquei fascinado.<br />

Na manhã seguinte estava sozinho em casa e<br />

dei conta que o correio tinha chegado, corri rapidamente<br />

para a caixa de correio e lá estavam os<br />

meus jogos.<br />

Passou-se um mês e voltei a fazer outra compra<br />

dos jogos que tinham sido lançados no mercado, o<br />

esquema era sempre o mesmo, fiz de tudo para os<br />

meus pais não desconfiarem, cada vez mais publicavam<br />

diferentes jogos e como o vício era tanto fui<br />

comprando sempre mais e mais…


No entanto os meus pais foram, por acaso verificar a sua<br />

conta e depararam que as percentagens de dinheiro<br />

tinham diminuído muito sem eles saberem porquê.<br />

Como eu passava muitas horas por dia no computador,<br />

eles desconfiaram e perguntaram-me se sabia o porquê<br />

deste facto estar a acontecer! Eu não estava à espera<br />

desta notícia e fiquei extremamente culpado por ver<br />

que afinal o preço dos jogos era muito superior ao que<br />

apresentavam na internet. Depois disto, os meus pais<br />

tiraram-me o computador e cortaram-me a internet,<br />

deram – me a conhecer outra visão do que a internet<br />

realmente é, nem tudo o que julgamos ser verdade<br />

é real.<br />

Por isso só vos peço que tenhais muita atenção<br />

naquilo que a internet nos transmite, e no caso de<br />

terdes dúvidas falai primeiramente com os vossos<br />

pais, não vos deixeis levar por um simples<br />

ecrã.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Profissional Agricultura e Desenvolvimento Rural,<br />

Marco de Canaveses<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Carla Afonso | Marta Sousa<br />

Cláudia Santos<br />

Joana Moreira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Sem pensar duas vezes, cliquei sem saber a<br />

veracidade do mesmo. Foi uma tentação do<br />

momento, algo mais forte que eu. A consola<br />

com que sempre sonhei estava mesmo ali e<br />

bastava um pequeno clique para o concretizar. E<br />

sem suscitar mais dúvidas, cliquei.<br />

Naquela altura aquele passo foi o mais marcante<br />

que dei até então, todos nós temos, desde muito<br />

pequenos, sonhos, ilusões e fantasias e aquele<br />

passo era o alcançar de todos esses.<br />

O que não sabia era o que estava por detrás<br />

daquele clique.<br />

Era uma criança indefesa, sem nunca imaginar<br />

todas aquelas ―pedrinhas‖ que poderia encontrar<br />

por aquele caminho que iria pisar para além do<br />

meu sonho.<br />

Ouvia conversas entre os meus pais sobre os perigos<br />

da Internet, mas para mim não passava de<br />

palavras de adultos, palavras complicadas sem<br />

mera importância que não entravam naquele meu<br />

pequeno dicionário onde só entravam palavras de


fantasia.<br />

Mas estas palavras de fantasia tornaram – se em palavras<br />

de desespero, em lágrimas de dor.<br />

Aquelas ―pedrinhas‖ desabaram e caí numa imensa<br />

rede de pedofilia. Aquela consola era apenas uma porta<br />

aberta para a destruição plena da minha infância.<br />

Entrei nessa porta aberta e submeti-me aos mais violentos<br />

actos de pedofilia.<br />

Agora, muitos anos se passaram e ganhei coragem<br />

para contar a veracidade de tudo o que se passou.<br />

Com tudo o que se passou perdi uma grande parte<br />

da minha felicidade, aquela que me fazia acordar<br />

todas as manhãs com mais um sonho. Uma felicidade<br />

que partilhava com os meus pais e amigos e<br />

com tudo que me rodeava sempre com aquele<br />

sorriso de esperança.<br />

Fui uma criança abusada, uma vítima daquele<br />

homem, vítima de um erro. Fiquei preso naquela<br />

sala sombria e fria onde o único movimento<br />

era o rodar dos ponteiros do relógio, relógio<br />

esse que era a única lembrança que ainda me<br />

prendia ao amor dos meus pais. Olhava para<br />

ele como o único símbolo de esperança de um<br />

dia voltar ao meu verdadeiro ―eu‖.<br />

O meu eu todos os dias era massacrado com<br />

acções de pura violência onde me tinha de<br />

sujeitar a todas aquelas torturas que me<br />

faziam sentir morrer e derramar todas<br />

aquelas lágrimas de cor.


Agora passados muitos anos, ainda<br />

me sinto preso aquela palavra<br />

aterradora ― pedofilia‖ mas neste<br />

momento tento esquecer todo aquele<br />

drama graças ao papel que consegui, o<br />

papel de pai.<br />

Não sou um pai que apenas escreve textos<br />

onde exponho ideias e pensamentos, mas<br />

sou um pai que transmite uma mensagem de<br />

apelo a todos os pais que estão a passar pelo<br />

mesmo papel e se sentem preocupados com<br />

todos os perigos que os filhos enfrentam quando<br />

na internet fazem o ―clique‖.<br />

Hoje sou pai e aquele relógio que fazia o tempo<br />

passar, hoje parado no tempo, faz – me pensar<br />

que devo abandonar aquelas memórias que me<br />

atormentam a memória.<br />

O relógio não é um mero objecto insignificante, é<br />

o que me faz lembrar que mais pais passam pela<br />

mesma situação todos os dias e o tempo passa<br />

mas o dicionário dos seus filhos não se altera.<br />

Esta história é verdadeira, não deixe que a vida do<br />

seu filho seja uma história como a minha onde o<br />

painel principal é um cenário aterrador.<br />

NÃO DEIXE QUE O MESMO ACONTEÇA AO SEU<br />

FILHO…


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

ES Fontes Pereira de Melo, Porto<br />

Alberto Cardoso<br />

Fernando Onofre<br />

Paul Koekoemoer<br />

Valdmar Martins<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />

The lack of internet security is a very important<br />

question and, you should be aware of the<br />

dangers that you may encounter.<br />

First of all, you should never give out your ID<br />

(identification), always ask your parents for permission<br />

to use the pc.<br />

Don‘t go on social networks and social chats,<br />

sites like ―HI5‖ may not look dangerous, but<br />

some people take advantage of yours innocence<br />

and can take you away from your family and<br />

home.<br />

Things like ―pop-up‘s‖ are also hazards because of<br />

the pornographic nature and because they ask you<br />

for your ID, they also misled you, making you<br />

think you have won some kind of prize, like<br />

money, trips, cars, etc… and that‘s not true.<br />

You should never add people on software like<br />

―messenger‖ without your parents knowing.<br />

The games you play can make you a violent person.<br />

You should play educational games such as


chess because it helps you develops your thinking skills.<br />

If you follow this advice given, you‘ll be able to enjoy<br />

yourself and make the make the most of surfing on web.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Básica Irene Lisboa, Porto<br />

Agrupamento Irene Lisboa<br />

Aida Domingues<br />

José António Pereira Santos<br />

Ricardo Filipe Teixeira de Matos<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Fiquei triste! Os meus pais não me deixaram<br />

aceitar pois pensam que é daqueles sites que<br />

roubam dinheiro às pessoas, mas é mentira,<br />

eu sei que é daqueles sites que são verdadeiros<br />

que não roubam ninguém, só ajudam as pessoas<br />

a serem felizes. Eu não liguei aos conselhos<br />

dos meus pais e carreguei para ganhar o<br />

prémio. Tive que dar todos os meus dados pessoais,<br />

nome, morada, telefone dos meus pais, email<br />

dos meus pais, nome do meu pai, nome da<br />

minha mãe e contacto dos meus amigos.<br />

No dia seguinte, decidi ir ver se tinha algum email….<br />

Não tinha, mas fui ver outra vez o meu<br />

correio electrónico e finalmente encontrei um email<br />

que dizia que estava prestes a receber a consola<br />

de jogos.<br />

Nesse mesmo dia recebi outro e-mail que dizia<br />

para eu ter um encontro no dia seguinte para<br />

receber a consola de jogos, e ele aceitou. Nessa<br />

noite dormi mesmo mal, porque estava ansioso<br />

por receber a consola de jogos.<br />

Acordei cedo, muito cedo olhei para céu e disse


para mim mesmo: ― Hoje é o dia dos meus sonhos, vou<br />

ter a consola com que sempre sonhei.‖. Saí de casa cedo,<br />

para ir ter com o indivíduo. O encontro era na rua transversal,<br />

à beira de minha casa. Saí de casa e um homem<br />

fez-me sinal para ir ter com ele.<br />

Presumi que fosse o homem que ia entregar a consola,<br />

mas não, era só para me perguntar as horas.<br />

Fiquei uma hora à espera quando finalmente apareceu<br />

um homem com uma grande embalagem. Ficámos à<br />

conversa e explicou-me que era perigoso dar os<br />

meus dados pessoais na internet, pois não sabemos<br />

quem está do outro lado.<br />

O homem foi falar com os meus pais. O senhor foise<br />

embora e os meus pais disseram se eu quisesse<br />

uma consola era só pedir, que viam se era possível<br />

comprar uma. Fiquei triste, mas os meus<br />

pais deram-me uma consola.<br />

Com esta ―AVENTURA‖ aprendi a defender-me<br />

quando estou na ―Net‖ (internet).


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />

Mário Sentieiro<br />

André Diniz<br />

Duarte Monteiro<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O melhor preço<br />

Todos sabiam o que eu queria para o<br />

meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />

por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />

Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />

o registo.<br />

Um mês antes do meu aniversário já sabia o<br />

que pretendia. ―Presentes‖ era a tradição mas<br />

queria algo diferente, queria liberdade. Pelo<br />

menos para escolher o que queria: dinheiro.<br />

Nunca se sabe o que nos espera, mas é fácil<br />

adivinhar o que se recebe nos anos: as luvas e a<br />

camisola das tias – a verdadeira tradição. Com<br />

dinheiro podia escolher algo que verdadeiramente<br />

quisesse.<br />

- Hey, sabes de algum site onde possa arranjar<br />

jogos? Não dá para piratear a PS3. - perguntei à<br />

Catarina, a player.<br />

- O Pedro costuma comprar jogos usados<br />

na net. E vendê-los!<br />

Não falei com ele mas fiz o que ele<br />

faria: google. E encontrei-o o site que pretendia.<br />

Tinha jogos que nem estavam disponíveis no nosso<br />

mercado e baratos!<br />

O meu pai concordou em comprar-me um jogo<br />

pela internet. Feita a compra com cartão e, inserindo<br />

os dados todos, restava apenas a espera pela


encomenda.<br />

Dois dias antes do dia mais ansiado, o meu pai chama<br />

-me, sério. Tinha recebido uma carta do banco de<br />

manhã e foi lá.<br />

- Uma quantia elevada de dinheiro foi… levantada da<br />

minha conta. Estive a verificar no banco e…seguimos o<br />

rasto até ao IP do site onde compramos o jogo. As<br />

informações que introduzimos foram usadas para nos<br />

extorquir.<br />

Tentámos contactar o site mas não obtivemos<br />

qualquer tipo de resposta. Pouco depois estávamos<br />

na esquadra da polícia a preencher um inquérito e<br />

um relatório sobre o ocorrido.<br />

Foi tudo o que pudemos fazer.<br />

O sistema judicial não tinha nas suas mãos o<br />

poder para ir além do IP. A série de números<br />

ficou registada na nossa memória.<br />

Uma semana depois do aniversário recebemos<br />

um telefonema. A polícia tinha descoberto<br />

uma suposta localização do hacker. Contudo<br />

não tinham autoridade para ir mais além.<br />

A internet é uma fonte de informação. Mas<br />

também é uma fonte de perigos. Devemos<br />

desconfiar de tudo e deixar a informação<br />

mais séria em somente em locais sérios.<br />

No tal dia, recebi um par de luvas e uma<br />

camisola nova. E não desgostei.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />

Elda Martins| Márcia Silva| Rui Diegues<br />

Ricardo Santos<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O melhor preço<br />

Todos sabiam o que eu queria para o<br />

meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />

por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />

Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />

o registo.<br />

O Pedro, um jovem de quinze anos, sonhava<br />

há muito tempo ter Internet como os seus<br />

amigos, para poder falar com eles <strong>virtual</strong>mente.<br />

Como prenda por ter passado para o 9º<br />

ano, os seus pais instalaram internet em casa, a<br />

mais rápida do mercado, na altura.<br />

Quando o Pedro chegou a casa e soube que<br />

tinha Internet, correu imediatamente para o<br />

computador para criar o seu endereço de e-mail.<br />

Após isso, ligou ao seu melhor amigo e pediu-lhe<br />

o seu mail, Adicionou-o no Messenger, e pediu-lhe<br />

os endereços de correio electrónico dos amigos<br />

em comum. Passados dois dias, já tinha mais de<br />

cem contactos no MSN.<br />

Rui, um dos amigos do Pedro, divulgou-lhe um<br />

site que envolvia uma enorme comunidade de pessoas<br />

- o site Freefotolog. O Pedro fascinou-se com<br />

o site, porque podia ser amigo de qualquer pessoa,<br />

bastava enviar-lhe um pedido de amizade e a<br />

pessoa aceitar, que já podiam falar os dois, adicionar<br />

comentários às fotografias de um e de outro…<br />

Pedro conheceu uma rapariga muito bonita,


com quem falava muito, inclusive por mensagens, no<br />

telemóvel. Essa rapariga era muito simpática com ele,<br />

tratava-o bem, falava muito com ele, e até sabia segredos<br />

dele. Começou a gostar muito dela. Chamava-se<br />

Rita. A rapariga disse ao Pedro que também gostava<br />

dele e que queria encontrar-se com ele um dia. O Pedro<br />

concordou e marcou um encontro com ela.<br />

Na semana seguinte, disse aos pais que ia estudar<br />

para casa do Rui (invenção dele porque sabia que os<br />

pais não o deixariam ir), jantava em casa do amigo e<br />

voltava à noite. Os pais, como já conheciam o Rui,<br />

deixaram-no ir, até porque sabiam que os pais dele<br />

eram boas pessoas e que tratariam bem do seu<br />

filho. O rapaz arranjou-se como nunca antes, perfumou-se<br />

da cabeça aos pés, calçou as suas<br />

melhores sapatilhas e vestiu a sua melhor roupa.<br />

Os pais estranharam e perguntaram-lhe porque<br />

se estava a arranjar assim para ir ter com o<br />

amigo.<br />

- Uma amiga do Rui vai lá estar e eu gosto<br />

dela, mãe. – respondeu ele.<br />

A mãe e o pai concordaram com o rapaz, e<br />

deixaram-no ir ter com o seu amigo. O rapaz<br />

saiu de casa muito acelerado para ir ter com<br />

a sua amiga.<br />

Era meia-noite e o Pedro ainda não tinha<br />

chegado a casa. Os pais, preocupados, ligaram<br />

de imediato para os pais do Rui para<br />

saber o que se passava com o seu filho.<br />

Espantados, estes responderam que o Pedro<br />

não tinha ido lá a casa.


O Pedro foi encontrado, três<br />

anos depois, morto, num descampado.<br />

A Internet é muito perigosa, tenha<br />

cuidado consigo e com os seus filhos,<br />

não os perca desnecessariamente.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Elda Martins| Márcia Silva| Rui Diegues<br />

André Filipe<br />

Ruben Pinto<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />

Esta é a história de Juanes Silva, um rapaz de<br />

dezassete anos, que se encontrava em estado<br />

de desespero de tanto querer uma namorada.<br />

Certo dia, Juanes estava a fazer uma pesquisa<br />

na Internet e encontrou, num site, um anúncio<br />

sobre um chat. O rapaz quis então aproveitar<br />

para conhecer algumas ―garinas‖. Entrou no<br />

chat, onde estava alguém com o nick ‗Moreninha-<br />

Linda69‘. Juanes meteu logo conversa com a tal<br />

‗Moreninha‘. Uns segundos depois, recebeu uma<br />

resposta que dizia: ‗Oi beleza, preferia conversar<br />

contigo num sítio mais privado…… Dá-me esse<br />

prazer?‘ Juanes, sem perder um único segundo,<br />

respondeu: ‗Muitíssimo obrigado, gata: P …. O<br />

meu número é 916667778‘. Estava tão excitado e<br />

ansioso que desligou logo o seu PC e aguardou por<br />

uma mensagem de texto da dita ‗Moreninha‘.<br />

Esperou, esperou, esperou, esperou…… quando de<br />

repente o seu telemóvel tocou. Agarrou-o com<br />

extrema vontade, e leu a mensagem ‗Oi, Juanes, é<br />

a Moreninha, este é o meu número, aqui já pode-


mos falar mais ‗abertamente‘ =). A conversa estava a<br />

tornar-se cada vez mais íntima. Então a tal rapariga<br />

mandou-lhe uma mensagem que dizia ‗Gostava de te<br />

conhecer pessoalmente, que me dizes tu e eu sairmos<br />

juntinhos? Estou a ver-te aí deitadinho na tua caminha,<br />

há lugar para mais um?‘ Juanes, ao ler aquilo, começou<br />

a ficar assustado e respondeu: ‗Uiiii, que queres dizer<br />

com a cena de me estares a ver?‘ A rapariga respondeu:<br />

‗Acontece que eu estou mesmo a ver-te e agora<br />

eu e os meus amigos vamos entrar aí e levar tudo o<br />

que quisermos, e não tentes telefonar à polícia, se<br />

não o pior é para ti…‘ Acontece que uns amigos de<br />

Juanes sabiam do estado desesperado do rapaz e<br />

quiseram aproveitar-se dele planeando um esquema<br />

para o assustar com o que se pode encontrar<br />

num chat.<br />

Juanes aprendeu a sua lição e nunca mais entrou<br />

em nenhum chat.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />

Elda Martins| Márcia Silva| Rui Diegues<br />

João Pinto<br />

Tiago Peixe<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />

Um dia, Joana, uma rapariga de dezassete<br />

anos, estava a conversar num chat na Internet,<br />

quando um rapaz desconhecido de dezoito<br />

anos, a convidou para um encontro.<br />

Depois de várias tentativas, Joana aceitou o<br />

encontro, tendo receio do que poderia acontecer.<br />

Deitada sobre a cama, a dúvida continuava e a<br />

rapariga não sabia se devia falar com a mãe<br />

sobre o encontro com Victor. A mãe estava na<br />

sala a ver televisão quando Joana apareceu e tentou<br />

começar a falar sobre o encontro, mas uma<br />

notícia de última hora, interrompeu-a.<br />

- Mais uma vítima de pedofilia na Internet. O crime<br />

foi praticado após uma adolescente de dezasseis<br />

anos marcar um encontro com um desconhecido<br />

na internet. O rapaz, que dizia ter a mesma<br />

idade da rapariga, pediu para que ela se encontrasse<br />

com ele num parque, e a vítima acabou por<br />

ser violada, tendo o rapaz sido apanhado em flagrante<br />

delito.


- Estás a ver, Joana, como é perigoso marcar encontros<br />

pela Internet com desconhecidos?<br />

- Sim, mãe, eu estou a ver. É mesmo muito perigoso! -<br />

afirmou a rapariga, nervosa.<br />

Voltou para o quarto, deitou-se sobre a cama e ficou<br />

ainda mais apreensiva do que antes. A mãe chamou-a<br />

para jantar e a rapariga apareceu com uma cara pensativa.<br />

Estranhou e perguntou-lhe porque estava<br />

assim. Joana desculpou-se com as aulas e a mãe fingiu<br />

que acreditou. Depois do jantar, como já estava a<br />

ficar tarde, a rapariga fechou o seu portátil e foi<br />

dormir. A mãe entrou no quarto, pegou no portátil<br />

da filha e levou-o para a cozinha. Enquanto procurava<br />

alguma justificação para o estado da filha,<br />

Joana acordou com o pesadelo de alguém que<br />

estava atrás dela no mesmo parque da notícia, e<br />

levantou-se para beber um copo de água, tendo<br />

deparado com a mãe a mexer no portátil.<br />

- Mãe?! O que estás a fazer?<br />

- Estou a ler a conversa que tiveste com um<br />

rapaz chamado Victor no chat esta tarde.<br />

Espero que a notícia te faça abrir os olhos em<br />

relação a este assunto, pois, nos dias de hoje,<br />

não devemos confiar em desconhecidos. -<br />

afirmou a mãe com um ar sério e muito<br />

assustado.<br />

A mãe desligou o portátil e foi dormir. Joana<br />

ficou a pensar no assunto e, assustada, não<br />

conseguiu dormir. No dia seguinte, Joana<br />

falou com o Victor e disse que nunca mais a


ia encontrar naquele tipo de chats<br />

e que não queria um encontro com<br />

ninguém.<br />

Logo a seguir, foi falar com a mãe e<br />

prometeu-lhe que nunca mais iria entrar<br />

nesse tipo de chats.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Básica e Secundária Prof. Dr. Flávio F. Pinto<br />

Resende, Cinfães<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Maria Helena Marques<br />

Ana Cláudia Vieira Leitão<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Tentações<br />

A nossa professora marcou-nos um<br />

trabalho sobre um dos assuntos abordados<br />

nas últimas aulas. Pesquisei bastante<br />

e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />

na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />

assunto.<br />

O sítio parecia-me fiável, estava bem apresentado<br />

e até tinha o nome do autor no final<br />

da página.<br />

Li-o e reli-o, uma e outra vez. Estava muitíssimo<br />

bem estruturado. Usava palavras ricas,<br />

e tratava o tema com uma coerência e naturalidade<br />

admirável. Não hesitei, e guardei-o imediatamente<br />

no meu computador. Tinha a certeza de<br />

que era exactamente daquilo que precisava.<br />

Os dias foram passando e a data para a entrega<br />

do trabalho estava cada vez mais próxima.<br />

Tinha tanta confiança no material que tinha recolhido,<br />

que nem sequer me sentia muito preocupada.<br />

Contudo, o dia aproximava-se cada vez mais,<br />

e decidi lançar mãos ao trabalho. Liguei o computador,<br />

reli o texto, procurei algumas fotografias e<br />

concluí que o melhor seria copiar toda a informação<br />

e embelezar o documento com imagens vistosas.<br />

Assim o fiz e, no final, olhei para as folhas<br />

que repousavam em cima da minha mesa. Estava<br />

cansada, mas sentia-me orgulhosa da minha tarefa.


Nessa noite, fui para a cama tranquila. Nos meus<br />

pensamentos, sabia que ia ter uma óptima nota e que<br />

tinha, ainda, a hipótese de impressionar os meus colegas.<br />

Todos eles ficariam estupefactos com a minha<br />

capacidade de descrição e argumentação. Envolvida<br />

nestas certezas que me atordoavam o pensar, adormeci.<br />

Na manhã do dia da entrega, acordei alegre. Nem<br />

me lembrei muito do trabalho e agi normalmente,<br />

seguindo a minha rotina diária. Só quando a campainha<br />

tocou para a segunda aula, me lembrei de que<br />

estava na hora de tirar da mochila aquela capa de<br />

plástico, com algumas folhas, emolduradas por<br />

figuras coloridas, para pô-la nas mãos da professora,<br />

confiante na boa nota que ali veria escrita na<br />

próxima semana.<br />

Não consegui evitar uma ponta de ansiedade<br />

nos dias que se seguiram. Não passava os dias<br />

inteiros a pensar nisso, mas de quando em vez<br />

lembrava-me e nesses momentos, sentia-me<br />

impaciente para saber a nota que teria.<br />

Oito dias precisos tinham passado, quando<br />

mais uma vez a campainha tocou para a<br />

segunda aula da manhã. Já no corredor se<br />

ouviam conversas agitadas. Uns diziam que<br />

tinham dado o seu melhor, ao passo que<br />

outros reconheciam que poderiam ter feito<br />

muito mais.<br />

Enfim, cada um analisava o trabalho que<br />

desenvolvera, na esperança de que uma<br />

boa nota estivesse já escrita na primeira


folha, mas consciente de que já<br />

era demasiado tarde para mudar o<br />

que quer que fosse.<br />

Um a um os meus colegas foram<br />

chamados à secretária da professora<br />

para receber o trabalho. No rosto de uns,<br />

um sorriso aberto, no rosto de outros, um<br />

ar de resignação. Faltava apenas um número,<br />

para que chegasse a minha vez.<br />

Sentia as pernas trémulas e quando, por fim,<br />

ouvi o meu nome, levantei-me a custo e dirige<br />

-me para a ponta da sala.<br />

A professora olhou-me de soslaio, não lhe vi<br />

na fronte o sorriso que esperava e subitamente<br />

temi pelo pior. A capa de plástico que lhe havia<br />

entregue estava em cima da mesa. A professora<br />

pegou-lhe e colocou-a na minha mão. Nos minutos<br />

seguintes, senti um turbilhão de emoções que<br />

não sou capaz de descrever. No lugar onde deveria<br />

estar um Muito Bom, eu só conseguia ler um<br />

Insuficiente. Abanei a cabeça, esfreguei os olhos,<br />

tentei ler mais uma vez na esperança de me ter<br />

enganado, mas não. Infelizmente eu tinha lido<br />

bem.<br />

A professora notou, claro, o meu ar atónito e<br />

olhou-me, desta feita, bem no fundo dos olhos.<br />

Mostrou-me as anotações que fizera ao lado do<br />

meu texto. Li-as pacientemente e então, percebi<br />

tudo. Tinha preenchido folhas com disparates, factos<br />

que em nada estavam de acordo com as temáticas<br />

aprendidas na aula.


Senti-me estupidamente ingénua. Nem por segundo me<br />

lembrei de confirmar aquela informação, de testar a sua<br />

veracidade. Vi-me forçada a desviar o olhar envergonhado,<br />

sussurrei um ―desculpe, professora‖, e compreendi<br />

que, daquele dia em diante, deveria ser mais prudente<br />

na recolha de materiais na Internet.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Básica e Secundária Prof. Dr. Flávio F. Pinto<br />

Resende, Cinfães<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Helena Marques<br />

Marta Amaral<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Corri para a porta contar à minha mãe que<br />

estava prestes a ganhar o presente que tanto<br />

queria e que todo o dinheiro que havia juntado<br />

poderia ser utilizado para outra coisa. Porém,<br />

pelo caminho, parei. Lembrei-me que, na semana<br />

passada, o Telejornal alertou para a existência<br />

de sites que prometiam bónus e grandes surpresas<br />

mas que se revelavam como autênticas<br />

fraudes. Aquando da notícia, a minha mãe revelou-se<br />

bastante exaltada dando-me um sermão<br />

continuado para que não caísse nestas façanhas.<br />

Mas eu pensei que isso era só para quem não<br />

sabia trabalhar com a internet. Passava os meus<br />

dias a abrir e fechar janelas. Além disso, quando o<br />

prémio chegasse a minha mãe não precisava de<br />

saber de onde tinha vindo. Na hora, encontraria<br />

uma desculpa.<br />

De volta ao computador, carreguei sem demora na<br />

confirmação do meu prémio. Rapidamente acedi a<br />

uma página onde me eram solicitados alguns<br />

dados pessoais, nomeadamente o nome e a morada<br />

para a entrega do prémio. Foi-me, também,


pedido o número de conta bancária dos meus pais para<br />

me depositarem um ―Prémio Extra‖ e o número de telemóvel<br />

para me contactarem quando tal fosse feito.<br />

Diziam ainda que o prémio seria entregue dentro de 4<br />

dias na morada por mim indicada e para finalizar que<br />

apenas teria que responder a um inquérito que se<br />

encontrava on-line. Neste foram-me feitas algumas<br />

questões relativas à existência ou não de determinados<br />

bens electrónicos em minha casa.<br />

Na madrugada do terceiro dia, após ter solicitado o<br />

meu prémio, acordámos com um enorme estrondo<br />

no andar de baixo. Quando lá chegámos, não<br />

encontrámos ninguém, contudo, a casa estava toda<br />

desarrumada: tínhamos sido assaltados. Televisores,<br />

aparelhagem, DVD e até o microondas da<br />

cozinha tinham desaparecido. No meio de tudo<br />

isto apenas uma coisa me alegrava, durante esse<br />

dia iria receber a minha consola de jogos.<br />

O dia foi passando, a hora de jantar chegou,<br />

mas o correio não tinha trazido nada. Seguiram<br />

-se algumas semanas e o cenário repetiu-se.<br />

Todos os dias o saldo do meu telemóvel reduzia<br />

1 euro sem explicação. Como se não bastasse,<br />

recebemos a notícia de que havíamos<br />

sofrido um rombo bancário e todo o nosso<br />

dinheiro tinha sido desviado para uma conta<br />

à qual ninguém conseguia aceder.<br />

A princípio nada fazia sentido e o meu prémio<br />

nunca mais chegava. Fui ao site onde o<br />

tinha ganho para ver se encontrava alguma<br />

explicação para a demora. Qual não foi o


meu espanto quando, no ecrã do<br />

meu computador, vi que o site já<br />

não se encontrava activo. Foi então<br />

que tudo começou a fazer sentido.<br />

Tinha sido apanhado em mais uma farsa.<br />

Não existia prémio nenhum, o inquérito<br />

tinha servido para o administrador do<br />

site saber tudo o que de valor existia na<br />

minha casa e a morada para a entrega abriu<br />

-lhe o caminho. O meu número de telemóvel<br />

activou um serviço e o número da conta bancária<br />

foi a cereja no topo do bolo.<br />

Quando contei aos meus pais, eles não queriam<br />

acreditar, principalmente a minha mãe que tanto<br />

me tinha avisado. Fizemos queixa na polícia<br />

mas de nada adiantou. Disseram-nos que nos<br />

últimos dias tinham tido conhecimento de casos<br />

semelhantes e que iriam continuar a investigar.<br />

De regresso a casa, e olhando para tudo o que<br />

havia perdido, entendi o velho ditado ―Quando a<br />

esmola é grande, o pobre desconfia!‖ e culpei-me<br />

por não o ter citado mais cedo. Agora apenas me<br />

resta ter cuidado e não aceder a sites com ofertas<br />

suspeitas. Se bem que por agora não preciso de<br />

me preocupar com isso pois os meus pais puseram<br />

-me um mês de castigo sem acesso à internet.<br />

Agora é que a consola de jogos dava mesmo jeito!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Escola de Formação<br />

Social Rural de Lamego<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Duarte Ferreira<br />

Marisa Silva<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

… vezes sem conta.<br />

Para o João isto não passava de uma brincadeira<br />

dos colegas de escola que sabiam que ele<br />

tinha um telemóvel novo e gostavam de pregar<br />

partidas uns aos outros.<br />

O João era uma criança meiga, generosa e sempre<br />

bem-disposta. O seu único problema era a<br />

falta de amor e atenção que os pais lhe davam,<br />

pois trabalhavam muito e apenas passavam aos<br />

Domingos juntos. Para o João, o seu melhor amigo<br />

e companheiro das horas de solidão era o telemóvel<br />

que lhe foi oferecido pelo pai como prenda<br />

por se portar tão bem.<br />

Certo dia, estava o João na escola, na aula de Português,<br />

quando recebeu outra vez a mensagem<br />

‖Liga-me‖. Farto da brincadeira, pediu à professora<br />

para ir atender o telefone dizendo-lhe que era a<br />

sua ―mãe‖ e que devia ser urgente. A professora<br />

deixou-o atender e ele saiu a correr, decidido a<br />

acabar com a brincadeira.


Decidiu ligar para o número que já há muito o incomodava<br />

e intrigava. Do outro lado atendeu uma menina com<br />

uma voz doce que se chamava Marta e que o queria<br />

conhecer. Disse-lhe que fora um colega dele que lhe deu<br />

o número e que o achava muito giro. Ela parecia simpática<br />

e até era da zona. O João, movido pela curiosidade,<br />

marcou logo um encontro no parque da cidade, no<br />

final das aulas.<br />

No fim das aulas, o João foi até ao local marcado e lá<br />

encontrou uma bela jovem de cabelo loiro e muito<br />

bem apresentada. Sentindo-se estranho quando viu<br />

a jovem dirigiu-se a ela e sentaram-se no banco do<br />

jardim a conversar. Mas algo não estava bem.<br />

A conversa fluía normalmente mas algo continuava<br />

a importunar o João. O tempo foi passando mas<br />

aquela sensação não desaparecia. Quando se<br />

apercebeu das horas e de quão tarde já era precipitou-se<br />

a despedir-se da Marta pois ia perder<br />

o autocarro se não se despachasse. Ela logo o<br />

tranquilizou. Disse-lhe que se quisesse ela<br />

tinha carro e o levava ao autocarro e que<br />

assim já não precisava de ir a correr. Apertado<br />

pelo tempo aceitou o convite.<br />

Quando entraram no carro a Marta logo<br />

arrancou. Já em viagem disse-lhe que tinha<br />

de ir deixar uma encomenda a um sítio antes<br />

de o deixar na paragem do autocarro, e que<br />

este local era a caminho e que por isso não<br />

havia problema. Ele acordou, pois já não<br />

havia volta a dar, mas o sentimento de que<br />

algo não estava bem continuava a perturbá-


lo.<br />

Chegados ao local para deixar a<br />

suposta encomenda a Marta pára o<br />

carro num local isolado e retira da<br />

mala uma faca e aponta-lha. O João,<br />

cheio de medo, começa a chorar e pergunta-lhe<br />

o que quer. Ela apenas lhe responde:<br />

o telemóvel, o relógio, a carteira e<br />

outros valores. Depois de lhe ter retirado os<br />

objectos de valor deixou-o no local, meio<br />

abandonado, sozinho e sem meios para contactar<br />

ninguém.<br />

Por sorte, um senhor, que ia a passar, parou,<br />

apercebendo-se que algo estranho se passava.<br />

Parou e interrogou o João, que estava a chorar<br />

sentado no passeio, que tudo lhe contou.<br />

O senhor acompanhou o João à Polícia onde foi<br />

ouvido por um oficial. Depois de o João lhe fazer<br />

o relato da situação o oficial disse-lhe. ―Meu<br />

jovem, já não és o primeiro que és enganado desta<br />

forma. Tens sorte em só te terem levado alguns<br />

objectos pois há casos em que os adolescentes<br />

desaparecem e nunca mais se vêem. Que te sirva<br />

de lição.‖ O João aprendeu… e que isto te sirva de<br />

lição a ti.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso<br />

Henriques<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Marta Pinto<br />

Luís Rafael Teles Azevedo<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


O melhor preço<br />

Todos sabiam o que eu queria para o<br />

meu aniversário. Dinheiro para comprar<br />

uns jogos. Na Internet são mais baratos,<br />

por isso fui ao site com o “melhor preço”.<br />

Só tinha que dar os meus dados para fazer<br />

o registo.<br />

Passada uma semana, chegou uma carta<br />

informando que os jogos tinham esgotado e<br />

demorariam mais a chegar… fiquei de rastos…<br />

mas surgiu alguém para me animar.<br />

Nesse mesmo dia, recebi umas mensagens de<br />

uma rapariga desconhecida, que dizia<br />

ser lá da escola e estava apaixonada por mim.<br />

Ela dizia que me amava.<br />

Passadas três semanas, estávamos intimamente<br />

ligados, e mesmo sem nos conhecermos sabíamos<br />

tudo um do outro. Foi então que ela me convidou<br />

para ir a um bar, mas havia um problema, o meu<br />

pai nunca me deixaria sair àquelas horas e, ainda<br />

para mais, o<br />

bar ficava muito longe. Por isso só tive uma solução:<br />

ao fim de jantar saltei pela janela do meu<br />

quarto sem que os meus pais dessem conta.<br />

Eram 23h00 e nada… estava a ficar preocupado.<br />

Entretanto recebi uma mensagem<br />

dela: ―Não posso ir‖. Fiquei revoltado. Saí. Dirigi-


me para casa… depois não me lembro de mais nada…<br />

Acordei… estava amarrado, amordaçado… existia pouca<br />

luz. Entretanto, reparei que<br />

ao meu lado se encontravam, tal como eu, duas raparigas<br />

e um rapaz.<br />

Não ouvia nada, um silêncio ensurdecedor e uma fome<br />

insaciável.<br />

De repente ouvi bater portões. Fiquei atento e reparei<br />

que duas pessoas entravam<br />

naquele lugar. Fingi que dormia e apesar de as sentir<br />

longe tentei ouvir a conversa. Pela voz pareciam<br />

ser dois homens.<br />

– Então, já tens a câmara?<br />

– Está no quarto 2.<br />

– Então e os putos? Ainda dormem? Não vou<br />

estar aqui muito tempo, tenho de ir buscar mais<br />

alguns.<br />

Fiquei ainda mais confuso. De certeza tinha<br />

sido alvo de uma cilada, e a tal rapariga<br />

que me amava não existia. Foi tudo uma mentira<br />

para me apanharem. Para quê? Porque<br />

estava ali?<br />

Não tardaria a saber a resposta…<br />

– Temos de começar a gravar os filmes<br />

hoje. Deves pensar que o patrão anda a<br />

dormir… eles são miúdos, mas já devem ter<br />

prática. Por favor com 17 anos já têm ida-


de… Se não têm, vão passar a<br />

ter. Com um pouco de sorte ainda<br />

vai ser melhor que na semana passada…<br />

Então se as miúdas não tiverem<br />

experiência…<br />

– Pois, agora é que vai ser dinheiro, e os<br />

putos vão ter de fazer tudo bem feito…<br />

– A nossa porno é da melhor. Ainda para<br />

mais é só receitas, não temos despesas<br />

nenhumas… Grande negócio.<br />

– Enfim umas armadilhas bem montadas e<br />

pronto, está o negócio feito… além disso<br />

temos uma ajudinha extra…. Parece que andam<br />

por aí uns chineses interessados em<br />

órgãos, por isso quando os putos nos chatearem<br />

temos o problema resolvido.<br />

Fiquei aterrorizado, não podia acreditar. Estava<br />

prestes a gravar filmes pornográficos, de seguida<br />

seria morto e os meus órgãos vendidos! Mas porquê?<br />

Por que é<br />

que tinha escrito todos os meus dados naquele<br />

maldito site? Por que tinha falado com<br />

estranhos? A culpa tinha sido dos infernais jogos<br />

que nunca chegaram.<br />

Não podia ser! Tinha procurado o ―Melhor Preço‖ e<br />

naquele momento o melhor preço<br />

era eu… a minha vida estava arruinada por não ter<br />

atenção… por não ter medido os perigos subjacen-


tes à comunicação com desconhecidos.<br />

Hoje já passaram três anos. É certo que sobrevivi mas<br />

não me sai da cabeça tudo<br />

aquilo que passei no quarto 2. Nunca me esquecerei do<br />

sofrimento que passei quando vi<br />

aquelas duas raparigas a serem mortas à minha frente.<br />

Se soubessem como fugi não iriam acreditar…


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato D. Afonso<br />

Henriques<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Marta Pinto<br />

Francisco Almeida<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

… João começou a ficar intrigado: Quem poderia<br />

ser? O que me querem? Será<br />

uma rapariga que gosta de mim? Estas perguntas<br />

não lhe saíam da cabeça. Cheio de curiosidade<br />

e excitação, resolveu aceder aos pedidos da<br />

mensagem e ligou para o número que tanto o<br />

importunava. Era uma voz de mulher. Parecia-lhe<br />

atraente e dócil.<br />

Encantado, resolveu aceitar o pedido que lhe<br />

tinha feito: encontrar-se com ela no final do jantar,<br />

no campo da escola.<br />

Nunca tinha comido tão depressa na sua vida.<br />

Depois da última garfada, pulou da mesa e correu<br />

para o campo, mas quando lá chegou estava<br />

deserto. Esperou uma longa hora pela mulher e, já<br />

desesperado e a pensar que talvez lhe tivessem<br />

pregado uma partida, uma luz apareceu sobre ele.<br />

Olhou logo para cima e viu um objecto muito<br />

estranho. Parecia-lhe um porta-aviões, mas suspenso<br />

no ar. De seguida, o campo


daquela escola ficou novamente deserto.<br />

A 1,7 anos-luz do planeta Kantoor, para onde a nave<br />

EMS Falcon se dirigia, um ser muito alto, branco e elegante<br />

dirigiu-se para João, que estava completamente<br />

atónito, junto de um dos monitores da nave.<br />

– Fica calmo, não te faremos mal. - disse o ser.<br />

– Por favor, não façam experiências comigo! – João<br />

lembrou-se dos vários relatos de rapto de extraterrestres<br />

que outrora o fascinavam.<br />

Então, o ser pegou nele e depositou-o numa cápsula<br />

onde o fechou. Veio a acordar dois anos mais tarde,<br />

depois de um longo crio-sono induzido para<br />

suportar uma longa viagem.<br />

Quando acordou, já há alguns meses no planeta<br />

Kantoor, estava debruçada sobre ele uma lindíssima<br />

mulher, talvez a mais bonita que ele alguma<br />

vez tinha visto.<br />

Quando a mulher, que se apresentou como Kalla,<br />

lhe falou, notou que tinha sido a dócil voz<br />

que lhe pedira para lhe ligar. Ela saiu e vieram<br />

outra vez os seres altos, mas desta vez vestiram-no<br />

com confortável fato e levaram-no<br />

para o centro de uma enorme<br />

praça onde estava uma escultura de aranha<br />

rodeada de flores. Depois de os dois sóis<br />

desaparecerem no horizonte, Kalla apareceu<br />

ao lado dele, ainda mais bonita e sorriu-<br />

lhe.<br />

– Estamos casados", disse.


– Não percebo. Porquê eu?<br />

– Sempre que se elege uma nova<br />

rainha, esta escolhe um ser humano<br />

jovem da Terra, o planeta gémeo de<br />

Kantoor, e tu foste o escolhido por mim.<br />

Quatro anos se passaram desde aquele<br />

dia. João nunca se sentiu tão feliz e já não<br />

tinha quaisquer saudades do seu planeta.<br />

Apenas o intrigava o facto de nunca ter visto<br />

um homem naquele local, mas não se sentia<br />

incomodado por ser o único.<br />

Num dia a sua mulher sentou-se junto dele e<br />

anunciou-lhe que estava grávida.<br />

João gritou de tamanha alegria. Kalla beijou-o,<br />

num beijo diferente de todos os outros.<br />

De repente ficou paralisado. Ela avançou para ele<br />

e despiu-o. De seguida, devorou o seu pescoço e<br />

João fechou os olhos para nunca mais os abrir,<br />

tendo sido ingerido por Kalla.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Secundária Boa Nova, Leça da Palmeira, Matosinhos<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Lourdes Dias<br />

Ana Daniela<br />

Bárbara Torres<br />

Patrícia Macedo<br />

Patrícia Silva<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />

Tenho 35 anos e gosto de trocar impressões<br />

com jovens de idades compreendidas entre os<br />

10 e 15 anos.<br />

Vou relatar-vos o caso que até hoje mais me<br />

marcou. É a história da minha última ―presa‖.<br />

Tinha ela apenas 14 anos, já se achava muito<br />

adulta e percebia muito da vida. Os miúdos da<br />

idade dela eram muito imaturos, no fundo, não<br />

passava de uma adolescente na ―idade do armário‖.<br />

Para a rapariga, eu tinha apenas 17 anos, era<br />

modelo, percebia muito bem aquilo que ela sentia,<br />

não era nada mais, nada menos que a pessoa com<br />

quem ela mais gostava de falar. Revelou-me o seu<br />

nome verdadeiro duas semanas depois de termos<br />

travado conhecimento num ―chat‖, deu-me o seu<br />

―mail‖ e a partir desse dia as conversas eram cada<br />

vez mais frequentes. Embora confiasse em mim<br />

plenamente, nunca me deu o seu número de telemóvel<br />

nem a sua morada, mas na sua inocência<br />

confessou-me uma vez que fazia desporto num<br />

grupo perto de sua casa. Perguntei-lhe qual era o


grupo, com intuito de ir assistir a um jogo, ao que ela me<br />

respondeu com todo o prazer.<br />

Comecei a segui-la sem que me notasse, pois já havia<br />

visto fotos suas e não foi difícil identificá-la. Em menos<br />

de um mês sabia os passos todos dela, conhecia bem a<br />

rotina da família e pela internet controlava o resto do<br />

tempo em que não a seguia.<br />

Era uma sexta-feira 13, escolhi esta data para que<br />

nunca se esquecesse do significado deste dia de<br />

superstição. O que eu não sabia é que o azar acontece<br />

a todos. Quando me aproximei daquela menina<br />

tão bonita, pensei: ‖mais uma que vou ―papar‖‖.<br />

Mas ela não reagiu como eu esperava, não houve<br />

gritos nem reacção de incómodo. De repente, chegou<br />

a polícia e aí percebi que a ―presa‖ era eu e<br />

que nunca devemos dar por certo o que está do<br />

outro lado de um computador. Da ―presa‖ ao<br />

―predador‖ a distância não existe.<br />

Há por aí muitas pessoas assim, que fingem<br />

algo que não são. Na Internet tudo é possível.<br />

É preciso ter cuidado com estas situações e tal<br />

como na rua, também na Internet não se<br />

deve falar com estranhos e muito menos<br />

enviar fotografias e dados pessoais.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />

das Graças<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Isabel do Brito<br />

Marco Verdasca<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />

Todos nós temos o desejo de ser grandes, uns<br />

provavelmente mais que outros, mas infelizmente<br />

nem todos nós conseguimos alcançar os<br />

nossos objectivos de grandeza na vida real. Por<br />

isso aqueles que não têm coragem de lutar na<br />

vida real substituem essa vida por uma vida de<br />

mentiras na Internet, quer seja em jogos, chats<br />

ou outro tipo de comunicação na Net.<br />

Esta história aqui retratada fala de um rapaz que<br />

conseguiu libertar-se de um mundo de jogos,<br />

mentiras e sabotagens por um mundo real cheio<br />

de amigos e de bem-estar.<br />

Tudo começou no 7.º ano quando o Real recebeu<br />

um computador novo. Ficou completamente feliz<br />

quando o recebeu e praticamente passava uma<br />

parte da sua vida nele. O Real não era propriamente<br />

o popular da escola, tinha o seu grupo<br />

fechado e passava todos os intervalos no mesmo<br />

sítio. À medida que o tempo passou o Real tornouse<br />

cada vez mais viciado nos jogos e na Internet,


tanto que, por vezes, fazia directas no computador. Uma<br />

vez, estava Real a falar no chat com uma rapariga mais<br />

velha e, claro, como todos os rapazes novos que gostam<br />

de estar com raparigas mais velhas, começou a descrever-se<br />

como um rapaz muito atlético, que sai muito…<br />

A rapariga fica encantada e diz para o Virtual, nome<br />

dele no chat, mandar uma fotografia. Este vai à Internet<br />

a sua ―casa‖ e manda a fotografia de um rapaz<br />

moreno atlético, a rapariga manda a sua e ele fica<br />

espantado. Este caso arrastou-se até um tempo em<br />

que a rapariga descobre a verdade e ―deixa‖ o Virtual.<br />

Já no 8.º ano, o Real andava mais viciado que<br />

nunca e, pronto, a história foi a mesma. O Real nos<br />

jogos online era uma máquina, era um dos melhores<br />

jogadores e tinha um número de amigos virtuais<br />

relativamente alto.<br />

Quanto às redes sociais, o Virtual retratava-se<br />

como o melhor, um engatatão e um dos rapazes<br />

mais giros da escola, mas o Virtual não passava<br />

nada mais, nada menos de um rapaz tímido<br />

pequeno e praticamente sem auto-estima<br />

nenhuma.<br />

O vício na Internet tornou-se cada vez maior<br />

à medida que Real descobria mais maravilhas<br />

sobre a sua casa <strong>virtual</strong>. No 9.º ano não há<br />

muito a dizer sobre Real que este continuava<br />

vidrado no computador e na Internet.<br />

Quando Real passou para o 10.º ano uma<br />

nova etapa da sua vida começou. O Secundário<br />

é uma época que muda todos e Real<br />

começou a mudar um bocado, conheceu


mais uns amigo e saía muito<br />

raramente, mas, pronto, já era um<br />

avanço.<br />

No 11.º então é que mudou tudo… Real<br />

acabara de ter a sua namorada durante<br />

um mês, eles andaram e então ele acabou<br />

com ela porque descobriu que ela o andava<br />

a enganar. Mais uma vez, ele voltou a refugiar-se<br />

no mundo da Internet e aí então<br />

jogou mais que nunca. Jogou de tal maneira<br />

tanto que as suas notas chegaram a baixar e<br />

esteve em vias de chumbar.<br />

Um dia, viu o que aquilo lhe estava a fazer e<br />

Real então pensou para si:<br />

―— Bem, isto não está a resultar, pensei que o<br />

mundo dos jogos me poderia proporcionar a vida<br />

que eu queria, mas, afinal, acabou só por me<br />

destruir ainda mais...Está na hora de eu fazer<br />

alguma coisa sobre isto.‖<br />

Então, no dia seguinte, Real pegou no seu equipamento<br />

de Educação Física e às 6 da manhã levantou-se,<br />

comeu uma maçã e foi correr. Correu perto<br />

de 1km e ficou estoirado.<br />

– Bem, para primeira vez não é nada mau - pensou<br />

ele.<br />

E fez isso durante os seguintes meses e à medida<br />

que corria, melhor se sentia, sentia-se com mais<br />

energia.<br />

O exercício teve um impacto positivo na escola, as


notas dele começaram a subir; não era o melhor aluno<br />

da turma, mas perto disso.<br />

A olhos vistos tornou-se um rapaz de certa maneira<br />

popular, até arranjou outra namorada, com quem ainda<br />

está agora. O nome deste rapaz é Jorge Santos, tem 17<br />

anos e está no seu último ano de Ciências e Tecnologias.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />

das Graças<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Isabel do Brito<br />

Marco Matos<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Tentações<br />

A nossa professora marcou-nos um<br />

trabalho sobre um dos assuntos abordados<br />

nas últimas aulas. Pesquisei bastante<br />

e já escolhi o meu tema. Descobri,<br />

na Internet, um texto fabuloso sobre o<br />

assunto.<br />

O meu tema era ―Diálogo de Fernando Pessoa<br />

com os heterónimos‖. Era uma tarde de<br />

Domingo, deixei o trabalho para a última hora.<br />

Estive no restaurante dos meus pais a trabalhar<br />

até tarde, cerca das 23 horas.<br />

Cheguei a casa, e tudo o que se via em mim era<br />

cansaço, ou seria preguiça? Mas ainda tinha que<br />

fazer o meu trabalho de português. Como eu<br />

tinha descoberto um texto na internet bastante<br />

bom, pensei em ir pesquisá-lo novamente. Assim<br />

o fiz. Peguei no computador, liguei-me à internet<br />

e fiz o download do texto que aparecia em primeiro<br />

resultado no motor de busca, e por sorte a<br />

minha, era o texto que tinha vista. O problema é<br />

que o texto é bom de mais, espero que a professora<br />

não note. Pensei em revê-lo, tentar cortar<br />

para metade, porque para dentro da minha relativa<br />

calma para situações penosas não queria de<br />

todo que a professora descobrisse que o texto não<br />

era meu fidedigno.<br />

A minha preguiça misturada com o cansaço era tão<br />

grande que não consegui rever texto, ou cortar


seja que parte for. Imprimi, com um sorriso maroto na<br />

cara. Fui-me deitar. O meu cuco dava as cinco da manhã,<br />

acordei sobressaltado. A minha consciência estava a ser<br />

consumida por uma sensação de culpa. Corroída por<br />

uma sensação de notória cobardia por estar a apoderar<br />

-me do esforço de outra pessoa. Que malvadez que a<br />

minha consciência me estava a fazer. Tapei a minha<br />

cabeça com os lençóis numa tentativa desesperada de<br />

controlo de uma situação descontrolada. Como se os<br />

demónios da minha consciência não conseguissem<br />

penetrar sobre os lençóis de seda, embargada por<br />

edredão de penas dos chineses. O que é certo é que<br />

consegui dormir, pois não era a primeira vez que o<br />

fazia. Sim, isto de plagiar os trabalhos dos outros<br />

já enganou muitos professores. Mas só que desta<br />

vez acho que me deixei descuidar um pouco. Era<br />

como se este tivesse mais visível o trabalho de<br />

outra pessoa e não o meu fingimento. O meu<br />

cuco toca as oito da matina. Juro que um dia<br />

silencio o raio do cuco da sala. O meu dia<br />

começava como tantos outros. Não fosse uma<br />

terrível dor de cabeça. Vou para o banho, visto<br />

-me, tomo o meu requintado pequeno-almoço<br />

de cereais e papos-secos cheios de doce de<br />

tomate.<br />

Encaminho-me para escola. Tanto temo por<br />

ser apanhado desta vez!... Tenho um aperto<br />

no coração. As nove e trinta trazem acopladas<br />

um toque do gongo prolongado. Entroume<br />

na cabeça por volta de dez segundos e<br />

não me saiu até finalmente entrar na aula<br />

de português com a minha querida profes-


sorinha, como eu a gosto de chamar,<br />

não no apogeu de querida<br />

mas no apogeu de chata, pois ela<br />

pensa que eu de facto estou a ser<br />

querido com ela, e contempla o belo<br />

barulho do silêncio mesmo que por breves<br />

instantes. Ela pede que nos dirijamos<br />

à sua secretaria e que lá deixemos os nossos<br />

trabalhos. Apenas duas pessoas fizeram<br />

o trabalho para além de mim.<br />

O que de facto era negativo para mim, pois a<br />

professora teria mais tempo para o analisar e<br />

corrigir minuciosamente, ela iria descobrir, não<br />

havia volta a dar. Deveria eu admitir que aquilo<br />

realmente não era meu? A professora leu o trabalha<br />

das minhas duas colegas e posteriormente<br />

o meu. Outro ponto negativo para mim. Não irei<br />

ter tempo para apresentar argumentos plausíveis<br />

para a minha defesa. Iria ser descoberto já na<br />

aula de entrega de trabalho. Para meu espanto<br />

recebi excelentes elogios do trabalho e a professora<br />

não desconfiou. Viria a próxima aula de português,<br />

a professora iria finalmente entregar os trabalhos<br />

e, eu iria receber uma excelente nota. O<br />

trabalho era bom, de facto, conciso e bastante trabalhado.<br />

Até eu me surpreendi com o diálogo do<br />

meu suposto trabalho. A professora estava de facto<br />

com má cara. Não lhe liguei. E estava menos<br />

chata que os outros dias. A professora pediu silêncio<br />

e enalteceu com uma voz um quanto ou tanto<br />

moderada mas bastante séria e profunda para que<br />

isto servisse de exemplo. Pairava sobre nós uma


nuvem de dúvida sobre o que de facto se passaria.<br />

A professora dá breve momento de silêncio até que berra.<br />

PLÁGIO! Fui apanhado não havia volta a dar. A professora<br />

continuava, plágio é um crime. Apontei o dedo<br />

para mim e perguntou-me retoricamente como tinha eu<br />

tido coragem, que para além de plágio menti com<br />

todos os dentes da minha boca ao mostrar um sorriso<br />

maroto perante um mar de elogios sobre o meu trabalho.<br />

Vão por mim, plagiar, copiar o que é dos outros é crime.<br />

Eu aprendi com isso. Agora já não utilizo motores<br />

de buscas portugueses, uso ingleses, alemães,<br />

espanhóis e posteriormente traduzo. Assim nunca<br />

serei apanhado.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />

das Graças<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Isabel do Brito<br />

André Albino<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta…<br />

O que eu sou na realidade e o que sou quanto<br />

me escondo por detrás de um computador é<br />

completamente diferente.<br />

Na minha vida real frequento a escola como um<br />

adolescente normal, tenho os meus amigos vivo<br />

em casa com pais e irmãos e nenhum deles faz<br />

a mínima ideia da minha identidade secreta,<br />

aquela que me identifica ada vez que me sento<br />

ao computador e vasculho a imensidão da Internet,<br />

e me insiro na comunidade dos chats. No início,<br />

era só por piada fazer parte de uma comunidade<br />

em que podemos ser aquilo que queremos,<br />

descrevemo-nos como gostávamos de ser ou o<br />

que gostávamos de fazer e ninguém desconfia se<br />

é verdade ou não o que dizemos ser, aceitando<br />

isso como verdade. Com o tempo este tipo de contacto<br />

foi-me envolvendo; enquanto real eu era<br />

muito tímido e nem namorada tinha, mas enquanto<br />

<strong>virtual</strong> tinha me tornado desinibido, sem tabus,<br />

sem vergonha, porque ninguém sabia quem era na<br />

verdade, podíamos falar de todo o tipo de assuntos


sem medo…<br />

Um dia numa das conversas de chat encontrei um utilizador<br />

que se identificava como sendo uma rapariga, e eu<br />

senti-me logo tentado a falar como ela, pois ali as hipóteses<br />

eram infinitas. Mantivemos contacto durante um<br />

ou dois meses, e comecei a sentir vontade de estar<br />

com ela pessoalmente, e comecei a convidá-la, repetia<br />

várias vezes o convite já quase obcecado, mas ela<br />

recusou e deixou de falar comigo. Porém, esta sensação<br />

ficou e a partir daí procurei novamente nos chats<br />

por raparigas, tinha aprendido a lidar com os problemas<br />

pessoais e oferecia o meu apoio, a minha confiança.<br />

Chegou um dia que consegui um encontro<br />

pessoal com uma das várias raparigas, mas já<br />

então tinham passado anos, e eu já era maior de<br />

idade e já nem na universidade andava, e ela não<br />

tinha mais que 15 anos de idade. A partir desse<br />

dia não consegui resistir, elas eram frágeis e<br />

fáceis de manipular, era mais fácil do que encarar<br />

o mundo real, e eram elas que eu procurava<br />

e quando recusavam encontrar-se comigo eu<br />

fazia uso das informações que elas me cederam<br />

durante as nossas conversas para as<br />

pressionar. Ameaçava a sua família, e jogava<br />

psicologicamente com elas, era um jogo de<br />

poder de que eu tinha passado a gostar.<br />

Enquanto real tinha o meu emprego, e continuava<br />

a ser o mesmo rapaz que todos<br />

sempre conheceram.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Particular e Cooperativa Externato Nossa Senhora<br />

das Graças<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Isabel do Brito<br />

Hugo Domingos Ferreira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta que tenho<br />

1,90 de altura, branco de olhos azuis, com<br />

vinte anos de idade, possuo uma Mercedes do<br />

ano de 2007 (não posso mentir muito senão<br />

não acreditam).<br />

Nos chats as raparigas ficam logo interessadas<br />

em mim, pedem-me para conversar em privado,<br />

pedem-me fotos, mando-lhes de um loiro qualquer.<br />

Nos jogos (gosto bastante de jogos, online<br />

então…), jogo até muito tarde da noite, meus pais<br />

conversam comigo, dizendo que tenho de deixar<br />

mais os jogos e os chats e investir nos estudos,<br />

digo-lhes que mais logo pesquiso. É conversa, só<br />

para me deixarem em paz nos jogos e nos chats.<br />

Na escola quase não converso, fico sempre no<br />

meu canto, quieto, os professores até ficam um<br />

pouco preocupados, conversam comigo, digo-lhes<br />

para não se preocuparem. Tive baixas nas minhas<br />

notas sim, tenho conseguido levantá-las, mas não<br />

me preocupo muito.<br />

Passadas algumas semanas, num chat, decidi mar-


car um encontro com uma rapariga, dei-lhe um endereço<br />

(não público que era para ninguém ver a sua reacção<br />

quando me visse como sou de verdade). Chegado o dia<br />

estava pronto, no sítio à sua espera, quando ela chegou…<br />

fiquei sem reacção. Na verdade era um homem,<br />

mais velho que eu, mais alto e mais forte, então decidi<br />

não perder tempo e pedir-lhe explicações, de como me<br />

mentiu dizendo que era uma rapariga, e ele retrucoume<br />

com a mentira da minha descrição. Disse-lhe que,<br />

em parte, estava certo, e, apesar de todas aquelas<br />

histórias com finais horríveis que já ouvi sobre<br />

encontros marcados pela Internet, acabámos por<br />

nos tornarmos amigos e falámos a sério agora.<br />

Depois desta experiência decidi mudar a forma<br />

como fazia as coisas, ter cuidado com os chats e<br />

com as pessoas que lá encontro, e o colega que<br />

fiz nesse episódio disse-me que também ia passar<br />

a ter mais cuidado. Chama-se Pedro. Mudei<br />

também na distribuição do meu tempo livre,<br />

dantes era só chats, jogos, e coisas, que são<br />

boas sim, para distrairmo-nos, mas não devem<br />

tornar-se ―drogas‖ para nós. No meu caso,<br />

decidi aplicar o meu tempo livre nos estudos,<br />

na prática de desporto, até porque tenho que<br />

desfrutar a vida também.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Profissional Agricultura e Desenvolvimento Rural,<br />

Marco de Canaveses<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Carla Afonso | Marta Sousa<br />

Célia Carvalho<br />

Diana Rocha<br />

Michelle Silva<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Como sou uma pessoa muito ansiosa, não<br />

aguentei e cliquei. A seguir apareceu uma caixinha<br />

onde tinha de me registar. Não pensei<br />

duas vezes e registei-me. Ao registar-me, tive<br />

de anotar todos os meus dados como nome,<br />

morada, telefone, e-mail, idade e os mesmos<br />

dados sobre os meus pais, visto que eu era<br />

menor.<br />

Assim, depois de preencher tudo, tive de responder<br />

à pergunta ―o que te levou a clicar em<br />

―Aceitar prémio‖?‖, no qual respondi ―o prémio em<br />

questão era o que eu mais queria, já andava a<br />

pedir aos meus pais há muito tempo, mas nunca o<br />

tive devido ao seu preço elevado, e como aqui não<br />

se paga nada, decidi aproveitar a oportunidade e<br />

clicar‖.<br />

Mas, logo de seguida apareceu-me um quadro, no<br />

qual dizia que ficava apenas por metade do preço,<br />

que o prémio era esse, ser a metade do preço, e<br />

assim, enviei então o valor estipulado.<br />

Depois da resposta dada, apareceu no meu ecrã<br />

―Parabéns, ganhaste o prémio!!! Irás recebê-lo em


tua casa durante esta semana, entretanto envia‖. Só<br />

depois de ter enviado todos os meus dados, é que pensei<br />

que podia ser uma fraude, mas como já tinha enviado,<br />

não havia nada a fazer. Mas, por via das dúvidas, decidi<br />

esperar para ver o resultado.<br />

Entretanto, passaram-se duas semanas e não chegou<br />

nada a casa. Aí, tive a certeza que era mesmo uma<br />

fraude. Mas decidi esperar mais uma semana, porque<br />

podia ter acontecido alguma coisa.<br />

Passado três semanas, veio um senhor a minha<br />

casa, em nome da empresa do prémio, para confirmar<br />

a morada e esclarecer a sua demora.<br />

Assim, o senhor, disse ―lamento informar, mas os<br />

prémios esgotaram-se, visto que eram muitos a<br />

concorrer. Pedimos assim imensas desculpas mas<br />

não foi possível trazer o seu prémio nem o valor<br />

recebido‖. A minha família ficou indignada e processou<br />

a empresa.<br />

Durante a semana seguinte, esse representante<br />

da empresa, vigiou a casa ao longo de uma<br />

semana.<br />

Após essa semana, obtivemos informações<br />

através do tribunal, desse indivíduo, que afinal<br />

não representava nenhuma empresa mas<br />

era um indivíduo maluco e que tinha fugido<br />

do manicómio há questão de dois meses.<br />

Nesta mesma semana, este indivíduo rondou<br />

a casa para saber todos os passos da<br />

família. Depois de saber todos os hábitos,<br />

assaltou a casa....mas, por azar, o filho


estava em casa. O indivíduo deve<br />

ter ido a algum lugar e não reparou<br />

que naquele dia, o elemento mais<br />

novo não tinha saído para a habitual<br />

aula de karaté, porque tinha sido adiada.<br />

O indivíduo entra assim em casa da família,<br />

que está no trabalho...revista a casa<br />

toda á excepção do quarto-de-banho, onde<br />

se encontrava o filho do casal. Percorreu a<br />

casa toda, horas e horas, até que o filho deu<br />

fé que tinha desconhecidos em casa, ligando<br />

para os pais, que por sua vez ligaram para a<br />

guarda local.<br />

Assim, o indivíduo, distraído a roubar os valores<br />

existentes, não reparou que tinha a casa cercada<br />

e que estava na hora do pai chegar a casa. O pai<br />

entra em casa e vai procurar o filho enquanto o<br />

ladrão se encontra no primeiro andar, mais propriamente<br />

na sala-de-estar.<br />

Encontra assim o filho, escondido no armário do<br />

seu quarto. Para não fazerem barulho deram sinal<br />

à guarda pela varanda, que era virada para a<br />

estrada. A guarda local entra assim na casa do<br />

casal, encontrando o ladrão no corredor. Este foi<br />

preso por invasão de propriedade privada e tentar<br />

roubar esta mesma.<br />

A mãe chega a casa mais cedo que o habitual,<br />

preocupada com o filho, assistindo ao ladrão a ser<br />

algemado.


O anúncio foi retirado da internet, pela guarda, que descobriu<br />

imensas peças roubadas e as passes para retirar o<br />

anúncio, ao revistar a casa do indivíduo.<br />

Assim, fica a família feliz; o filho, com uma lição de vida<br />

e as pessoas que navegam na internet, a salvo de um<br />

acontecimento idêntico ao desta família ou mesmo,<br />

pior!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Profissional Agricultura e Desenvolvimento Rural,<br />

Marco de Canaveses<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Carla Afonso<br />

Marcel Ribeiro<br />

Marta Almeida<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

… até que se deixou de repetir durante uma<br />

semana.<br />

Passada uma semana, em vez de mensagens,<br />

eram chamadas, até que ele decidiu atender. Do<br />

outro lado da linha ninguém falava. O João desligou.<br />

Passadas umas horas, voltaram a ligar e o<br />

João voltou a atender. Outra vez do outro lado da<br />

linha ninguém falou, o João decidiu contar o caso<br />

a polícia. A polícia mesmo com as mensagens e as<br />

chamadas não acreditou no pequeno João, logo<br />

ele foi para casa e decidiu contar o sucedido aos<br />

pais, que, muito preocupados, decidiram contratar<br />

um detective privado para investigar o caso.<br />

Esse mesmo detective aconselho-o a viver a sua<br />

vida normalmente e a trocar de número, passando<br />

o detective a usar esse cartão. Durante várias<br />

semanas nada se passou com o cartão, até que<br />

novas mensagens e novas chamadas surgiram a<br />

meio da noite. O detective, como estava a dormir,<br />

só deu conta depois de atender o telefone. Do


outro lado da linha, a voz de uma rapariga nova falou,<br />

era de uma empresa de jogos de telemóvel. O detective<br />

fez uma série de perguntas antes de a senhora começar<br />

a falar das promoções da empresa, ele perguntou de<br />

que forma é que eles tinham tido aceso ao número, e<br />

porque é que ligavam em privado, a rapariga respondeu<br />

que era procedimento normal da empresa, e disse<br />

ainda que o serviço da empresa tinha sido subscrito<br />

pelo utilizador desse número numa data muito anterior<br />

à do início das mensagens e chamadas, e que<br />

essas mensagens e chamadas tinham começado<br />

para que o utilizador soubesse das novas promoções<br />

da empresa. Como já não subscrevia o serviço há<br />

muito tempo podia estar interessado nos novos<br />

produtos.<br />

O detective falou com o João e disse – lhe o sucedido,<br />

o João, ao início, não se lembrava de quando<br />

tinha subscrito o serviço mas depois lembrou<br />

– se. Nos minutos seguintes o telemóvel voltou<br />

a tocar e os pais do João cancelaram a subscrição.<br />

Por isso e por muitas coisas é que a internet<br />

pode ser perigosa, isto é um caso mas podia<br />

ser muito pior, aqui na nossa história, acabou<br />

tudo em bem. Mas a coisa podia ter corrido<br />

muito pior.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Eça de Queirós, Póvoa de Varzim<br />

Maria Helena Silva<br />

António Faria<br />

Ruben Macieira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Então falei com o meu pai e disse - lhe que<br />

era super seguro pois já tinha confirmado tudo<br />

e perguntei a outras pessoas que fizeram o<br />

mesmo.<br />

O meu pai não se importou e foi à internet fazer<br />

o contrato. Tiveram que dar imensos dados, mas<br />

o mais importante foi o NIB da conta bancária<br />

para a transferência mais segura.<br />

O problema foi que nem o pai nem o filho se<br />

aperceberam das letrinhas pequenas que havia no<br />

final da folha referente aos portes de envio.<br />

A entrega foi super rápida o que fez com que o pai<br />

ficasse extremamente desconfiado e verificasse a<br />

sua conta bancária. Ao verificar reparou que tinha<br />

sido burlado e que a conta estava a zero.<br />

Visto isto, o pai ligou para a tal empresa onde<br />

encomendou o jogo e perguntou por que a sua<br />

conta bancária estava a zeros, foi então que soube<br />

que os portes de envio (as tais letras pequenas)<br />

eram o dobro do que custava o jogo para a entrega<br />

ser mais rápida.


Tudo isto para alertar sobre os perigos existentes na<br />

internet e para dizer que se deve ler tudo antes de fazer<br />

qualquer contrato.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />

Elda Martins | Márcia Silva | Rui Diegues<br />

Hugo Gomes<br />

Rui Brandão<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Rui comprou uma conta Steam® (programa<br />

para poder jogar jogos online), criou um nome<br />

de utilizador com a respectiva palavra-passe.<br />

Passados alguns meses de prática de jogo, foi<br />

ganhando novos amigos na Steam®, que também<br />

contém um programa de conversação específico,<br />

parecido com o Messenger.<br />

Depois, passados alguns dias, numa conversação<br />

com o Daniel (outro amigo com conta Steam®),<br />

recebeu uma mensagem:<br />

“Vê o meu vídeo novo!” seguido de um link.<br />

O Rui clicou nesse link, e quando deu por ela, já<br />

não conseguia fazer o login, tendo perdido a sua<br />

conta Steam®. No dia a seguir, na escola, o Tiago,<br />

outro amigo do Rui, veio ter com ele, acusando<br />

este de ter roubado a sua conta Steam®.<br />

Entretanto o Rui explicou-lhe que o Daniel também<br />

lhe tinha enviado esse mesmo link, e que depois<br />

de o ter visitado, tinha ficado sem conta.<br />

Os três juntaram-se, e chegaram à triste conclusão


que quem clicasse no link, ficava sem conta, e ainda o<br />

enviava automaticamente a outra pessoa, sendo que o<br />

número de pessoas a perder conta se estava a multiplicar.<br />

Qualquer link, atractivo, alusivo a algo pessoal, ou até<br />

mesmo publicitário, pode ser resultado de brincadeiras<br />

perigosas, nas quais entramos sem sequer sabermos!


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />

Elda Martins | Márcia Silva | Rui Diegues<br />

Ana Fernandes<br />

Mariana Ribeiro<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

No Natal de 2008, recebi finalmente o meu<br />

primeiro computador. Tive muita sorte, pois<br />

era o último modelo, mas, para minha infelicidade,<br />

não tinha Internet, sendo assim não o<br />

utilizava muito.<br />

Na aula de TIC, um colega meu explicou-me<br />

como entrar em sites de jogos e como criar um<br />

e-mail, assim poderia encontrar novos amigos.<br />

Finalmente consegui convencer os meus pais a<br />

instalar a Internet. A partir daí registei-me em<br />

vários sites para jogar ―on-line‖ e conhecer novas<br />

pessoas.<br />

Algumas semanas depois, já era um ―craque‖ nos<br />

jogos on-line. Reparei que alguns sites tinham<br />

jogos actuais à venda muito mais baratos do que<br />

nas lojas e então explorei mais o site.<br />

Numa tarde em que não tive aulas, vim para casa,<br />

liguei o computador, entrei no site e escolhi o jogo<br />

mais actual. Cliquei onde dizia ―comprar‖ e comecei<br />

a preencher o formulário. Contudo tive um problema.<br />

Para comprar o jogo, tinha que inserir o<br />

número de cartão de crédito. Como eu não era


maior de idade, preferia pagar com o dinheiro que tinha<br />

juntado quando o entregassem. Mas como o meu pai<br />

tinha ido à rua com o meu cão, entrei no seu quarto e<br />

procurei papéis que tivessem o número da sua conta<br />

multibanco. Ele não iria notar se 10 ou 15 euros fossem<br />

retirados. Escrevi o número no site. No final apareceu<br />

uma mensagem a informar-me da compra com êxito e<br />

que iria receber uma mensagem no e-mail.<br />

Passaram duas semanas e não tinha recebido nada.<br />

Ouvi uma discussão, o meu pai tinha perdido a cabeça,<br />

discutia com a minha mãe e repetia as palavras ―<br />

Não entendo‖. Antes de ir dormir, a minha mãe foi<br />

ao meu quarto. Perguntei-lhe o que se tinha passado<br />

e ela informou-me que tinham retirado quase o<br />

dinheiro todo da conta bancária. Fiquei confuso, o<br />

que teria acontecido?<br />

Aquele problema não me saía da cabeça, por<br />

isso conversei com o meu melhor amigo, ainda<br />

que <strong>virtual</strong>. Sabemos tudo um do outro, ele é<br />

mais velho do que eu um ano e gostamos os<br />

dois das mesmas coisas. Este disse que, provavelmente,<br />

tiraram o dinheiro da conta quando<br />

eu enviei o número da conta dos meus pais.<br />

Como bom amigo, avisou-me para não lhes<br />

contar, pois podia ser pior para mim, e eu<br />

tinha muito medo do que o meu pai poderia<br />

fazer.<br />

Passaram algumas semanas e o meu amigo<br />

<strong>virtual</strong> começou a ficar estranho. Agora<br />

puxava conversa sobre relações sexuais. Eu<br />

estranhei, mas continuava a falar com ele.


Um dia ele começou a pedir-me<br />

fotos, contudo eu não lhe mandei.<br />

Então disse-me que ia ficar chateado.<br />

Pensei duas vezes e disse-lhe que,<br />

quando tivesse, mandava. Este concordou.<br />

Combinámos um encontro, eu não<br />

conhecia o sítio, mas concordei. No dia<br />

seguinte, vi o meu pai a verificar o meu<br />

computador. Fiquei chateado e tentei aproximar-me,<br />

mas ele afastou-me, levantou-se,<br />

olhou-me nos olhos e disse ―Tu não vais a lado<br />

nenhum e que seja a última vez que voltes a<br />

falar com pessoas que não conheces‖. Defendime<br />

dizendo ―É meu amigo‖, ― Se não conheces<br />

a pessoa, então não é teu amigo‖. O meu pai<br />

pôs-me de castigo e fiquei sem o computador.<br />

Passado um mês, liguei-o e verifiquei que não<br />

conseguia entrar no site dos jogos e onde falava<br />

com os meus amigos. O meu pai tinha bloqueado<br />

a maior parte dos sítios que eu visitava. Furioso,<br />

fui tirar satisfações com ele. Respondeu-me dizendo:<br />

―Foi para o teu bem. Quando conheceres a<br />

realidade da vida, verás isso‖.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Escola Secundária Inês de Castro, Canidelo, V. N. Gaia<br />

Elda Martins|Márcia Silva|Rui Diegues<br />

João Marques<br />

João Pedro<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

Diana Alves pertencia a uma família pobre<br />

quando começou a sonhar com uma vida<br />

melhor, fora da pequena aldeia, perto de Amarante,<br />

onde vivia.<br />

Ninguém, nem mesmo a família, sabe o que lhe<br />

aconteceu há quinze anos, quando julgou ter<br />

encontrado a oportunidade por que ansiava, à<br />

semelhança de muitas outras pessoas pobres da<br />

aldeia que sonham com uma vida melhor através<br />

da migração. Mas, para muitos, o sonho rapidamente<br />

revela-se um pesadelo.<br />

Diana Alves navegava bastante na Internet, onde<br />

pesquisava muitas das vezes anúncios de emprego.<br />

Estava ansiosa por conseguir um emprego e<br />

sair da aldeia com o objectivo de melhorar o nível<br />

de vida. Um dia, encontrou um anúncio que pedia<br />

uma jovem, de pele morena, alta, com experiência<br />

para desempenhar o cargo de empregada doméstica.<br />

Entusiasmada, respondeu de imediato. "Fui<br />

escolhida entre centenas. Fiquei tão feliz, era<br />

como um sonho tornado realidade. Fiquei tão<br />

orgulhosa. Os meus amigos diziam como eu era


sortuda por ter sido escolhida tão rapidamente", recorda.<br />

Duas semanas depois, o empregador levou-a para casa,<br />

no Algarve. E foi aí que o pesadelo começou.<br />

"O meu verdadeiro patrão não era ele, mas o seu pai,<br />

deficiente, paralisado dos membros inferiores", conta,<br />

explicando que era obrigada a estimulá-lo sexualmente.<br />

Um dia, ao ver o portão aberto, Diana Alves fingiu<br />

que ia despejar o lixo e conseguiu fugir, acabando por<br />

encontrar um abrigo dirigido por vizinhos, onde se<br />

julgava a salvo. Mas por pouco tempo.<br />

"Enganaram-me. Escapei da boca do crocodilo e<br />

acabei na do leão".<br />

Vendida a outro homem, foi obrigada a trabalhar<br />

como prostituta.<br />

"Senti que estava a morrer", recorda. "Fui humilhada,<br />

trataram-me como um animal".<br />

Finalmente o pesadelo acabou com uma intervenção<br />

da polícia algarvia que já há algum<br />

tempo investigava aquela rede de tráfico<br />

sexual, libertando-a daquele martírio. A vergonha<br />

impediu-a de contar à família.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Externato D. Afonso Henriques<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Maria Pinto<br />

José João Carlos Dias Monteiro<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como real, sou pequeno, moreno, tímido,<br />

mas como <strong>virtual</strong>, faço de conta ser qualquer<br />

coisa do mais belo e extrovertido que já<br />

se viu, entre quantos respiram e pensam.<br />

Como <strong>virtual</strong> sou alto e musculado… Até sou<br />

loiro e azuis os meus olhos. Cheiro a baunilha,<br />

saibo a chocolate, ou a algo mais doce. Mas, as<br />

minhas amigas chamam-me de exemplo e<br />

bebem conselhos de mim como de um ídolo.<br />

Elas, ainda que não me vejam, salvo raras videoconferências,<br />

mantêm-se num Web contacto permanente<br />

e intensamente vivido comigo, todos os<br />

dias, à mesma hora, no mesmo sítio <strong>virtual</strong>, sempre<br />

fomentando as nossas ciberamizades preciosas,<br />

cuidadosamente desenvolvidas e, acima de<br />

tudo, reconfortantes. É notável esta capacidade,<br />

que as novas tecnologias conceberam, de criar<br />

tanto envolvimento com tão pouco necessário contacto<br />

carnal.<br />

Enquanto real é tudo tão mais triste e monótono,<br />

sinto-me incapaz de tyransparecer tudo quanto<br />

mora de novo e criativo dentro de mim. Sinto-me<br />

um peixe fora de água, fora do meu universo


cibernauta que tantos caminhos me abre, tornando tudo<br />

muito mais fácil. Quando estou perto daquela amiga<br />

especial… Ai! Como é difícil vislumbrar tudo quanto lhe<br />

quero dizer sem me engasgar (é bem mais fácil exprimir<br />

-me quando estamos a sós, na internet. Sinto-me vestido<br />

de um metro e cinquenta e oito de coisa insípida e<br />

vulgar, ostentado de uma pele com um acne incontornável,<br />

decaindo assim num estado terrivelmente incomodativo<br />

que me impede de desinibir e de me afirmar<br />

com os outros. O eu-Real não tem cor, ainda que do<br />

ponto de vista físico seja de tez morena, nem é passível<br />

de ser cobiçado. Como me é triste ser, quando<br />

sou o Real.<br />

Todavia, é de notar, que o Virtual já me trouxe dissabores.<br />

Contam-se dois anos desde o dia em<br />

que, numa rotineira navegação pelas redes<br />

sociais, conheci alguém que parecia caber em<br />

todo o universo da minha pessoa. Retórico seria<br />

descrever a rapidez impressionante com que<br />

consegui conhecer toda a sua vida em dois<br />

dias, já que não foram poucos os retratos fotobiográficos,<br />

as músicas e os textos que trocamos<br />

neste curto espaço de tempo. Dada a<br />

mútua admiração ateada de modo exponencial<br />

a cada hora que passava, não foi preciso<br />

muito tempo para se recriar numa paixão,<br />

esta inesperada experiência. Sim, este não<br />

foi o lado mau, claro. O lado mais cru deste<br />

relacionamento surgiu quando começou a<br />

acordar o desejo de contacto físico, nunca<br />

concretizado pela distância que nos separava,<br />

o que consumiu a afinidade que se havia


concebido, levando mesmo à sua<br />

cisão por completo.<br />

Este episódio fez-me tomar consciência<br />

das limitações de alguns relacionamentos<br />

virtuais que se cruzam na nossa<br />

navegação pelos oceanos quase sem fim<br />

da WEB, aprendendo com ele a criar um<br />

certo distâncias nas conexões posteriores.<br />

Dado sentir-me Vasco da Gama a domar o<br />

Mostrengo, sempre que me vitalizo numa<br />

nova conquista, generalizei, num jogo de palavras:<br />

― Aqui na Net sou mais do que eu‖.<br />

Se, por um lado, há um quê de farsa e dissimulação<br />

do eu Virtual que dá a conhecer meandros<br />

de mim que, por tão escondidos e distantes do<br />

real estarem, nem posso afirmar que realmente<br />

existem e me pertencem, sei também que o<br />

ciberuniverso é um recanto em jeito de refúgio,<br />

onde conquisto diariamente a minha baixa-estima<br />

e renovo a minha vontade de viver e conviver com<br />

o mundo real, ganhando fôlego e ar puo para o<br />

encarar, ao deleitar-me nesta almofada <strong>virtual</strong><br />

onde repenso os meus ideais, objectivos de vida e<br />

concepção real do mundo <strong>virtual</strong>.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (Deleg. Porto)<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Patrícia Vidal Sousa<br />

Diogo José<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Sorte grande!<br />

A grande notícia acabou de chegar<br />

ao meu correio electrónico. Fui eu o<br />

escolhido, entre um milhão de outros<br />

meninos, para ganhar a consola de jogos<br />

com que sempre sonhei! E é tão simples,<br />

basta clicar onde diz “Aceito o prémio”…<br />

De seguida, o programa de configuração de<br />

e-mail (outlook) ou na própria página do servidor<br />

do e-mail, redirecciona-nos para uma<br />

nova página onde a segurança é extremamente<br />

baixa, estando o site a iludir o utilizador de uma<br />

forma gráfica.<br />

O que não damos conta são as acções que sucedem<br />

em background (plano de fundo, sem que<br />

saibamos o que está a acontecer), tais como a<br />

instalação de spyware (programas de expiação),<br />

trojans (programas que nos iludem e, ao fim ao<br />

cabo, são programas de código malicioso), warms<br />

(vírus que nos danificam o pc em todas as formas)<br />

entre outros.<br />

Estes programas são instalados nas nossas máquinas,<br />

discretamente, estão constantemente a<br />

enviar os dados e, por vezes, tudo o que fazemos<br />

variando o nível da programação para o responsável.<br />

Nós colocamos os nossos dados no registo, tal<br />

como a morada para ficarmos com a consola pretendida.


Em seguida, esses dados são guardados pelos responsáveis<br />

através do “phishing” e são utilizados para outros<br />

fins por terceiros.<br />

Dão-nos um e-mail de resposta agradecendo pelo registo<br />

e uma data que será a entrega da respectiva consola<br />

que nós nunca veremos.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (Deleg. Porto)<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Patrícia Vidal Sousa<br />

Sérgio Coutinho<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

Passados três dias, o João já estranhava a<br />

mensagem, pois pensou que tinha sido engano.<br />

Mas se fosse engano, quem lhe tinha enviado<br />

a mensagem? Já se tinha apercebido, visto<br />

que o João nunca tinha respondido. O João pensava,<br />

pensava, mas não encontrava motivos<br />

para receber aquela simples, mas, ao mesmo<br />

tempo, intrigante mensagem.<br />

Tentado a ligar, resolve perguntar a um amigo se<br />

conhecia o número. Nenhum dos amigos do João<br />

conhecia o número.<br />

Mais tarde, o João lembrou-se que se tinha registado<br />

num novo site de rede social estruturado a<br />

pensar nos jovens adolescentes. Um site que prometia<br />

novas amizades, troca de contactos e até<br />

marcação de encontros, tudo através da poderosa<br />

e, por vezes , traiçoeira net. Ele foi verificar a sua<br />

conta, os pedidos de amizade e comentários.<br />

Deparou-se com um botão que dizia informações<br />

pessoais e clicou para rever a sua informação.


Reparou que já tinha sido introduzido o seu novo número<br />

de telemóvel. Foi então que tudo começou a fazer sentido.<br />

No dia em que recebeu o telemóvel, o João tinha feito<br />

o seu registo no site e tinha recebido de imediato um<br />

comentário de uma rapariga que dizia que ele estava<br />

muito bem nas fotos. Numa pequena troca de comentários,<br />

o João tinha descoberto que a rapariga morava<br />

perto dele e que era bastante divertida.<br />

A mensagem só podia ser da rapariga!<br />

O João, entusiasmado, decidiu ligar-lhe o mais<br />

depressa possível.<br />

Realmente, a pessoa que atendeu afirmou ser a<br />

rapariga do site, mas ele estranhou a sua voz, pois<br />

fazia lembrar a voz de um homem adulto. Ele,<br />

curioso, continuou a conversa. Falaram quase 10<br />

minutos sobre cada um - gostos, interesses, etc.<br />

De repente, tudo mudou. A voz do outro lado<br />

tornou-se ainda mais masculina, ainda mais<br />

forte e dizia que estava interessada em estar<br />

com ele, que queria estar mais perto do João.<br />

O João, meio assustado, juntou as conversas<br />

dos pais sobre histórias hilariantes de crianças<br />

que eram raptadas por cederem a conversas<br />

com estranhos, a sua situação. A voz do João<br />

parou. A voz do outro lado ficou ainda mais<br />

masculina. Foi então que o João percebeu o<br />

que estava a acontecer.<br />

Desligou o telemóvel e, assustado, falou<br />

com a sua mãe que muito aterrorizada deitou<br />

o cartão ao lixo e conversou durante


uma hora e trinta e oito minutos<br />

sobre o perigo que ele corria sem<br />

fazer a mínima ideia. O João apagou<br />

as suas três contas nos sites de redes<br />

sociais, mudou de cartão de telemóvel e<br />

mudou de e-mail. Só assim se sentiu<br />

mais seguro.<br />

Depois deste episódio todo, o João sempre<br />

que move o rato do computador não consegue<br />

evitar de imaginar o que lhe podia ter<br />

acontecido se ele tivesse cedido e tivesse aceitado<br />

encontrar-se com a tal curiosa e maravilhosa<br />

rapariga.


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Escola Profissional Bento de Jesus Caraça (Deleg. Porto)<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Patrícia Vidal Sousa<br />

Fábio Manuel Dias Abreu<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Que chato!<br />

O João recebeu de presente “aquele”<br />

telemóvel. Há muito que o desejava!<br />

Entusiasmado, lançou-se ao trabalho.<br />

Num instante, os números dos amigos<br />

“voaram” para dentro da memória. No dia<br />

seguinte, recebeu a mensagem “liga-me”.<br />

Não conhecia o número, não ligou. A mensagem<br />

repetiu-se, e repetiu-se, e repetiu-se…<br />

O João não sabia o que fazer. Estava muito<br />

aflito e pensou: ―Não vou ligar, mas acho que<br />

vou responder à mensagem.‖ Decidiu, então,<br />

responder dizendo: ―Diz-me primeiro quem és,<br />

depois ligo-te.‖ O João esperou e esperou, e<br />

uma semana depois ainda não tinha recebido<br />

nenhuma mensagem. Pensou que tudo aquilo<br />

tinha sido uma brincadeira. Mas, um mês depois,<br />

numa manhã de sábado, recebeu a seguinte mensagem:<br />

―Eu sou quem te ofereceu o telemóvel,<br />

não te lembras de mim?‖<br />

O João realmente não sabia quem lhe tinha oferecido<br />

o telemóvel, encontrara-o à porta de casa<br />

com um cartão que dizia: ―Para o João, com muito<br />

carinho. Ass: admiradora secreta.‖ Nessa altura<br />

pensou que tinha sido a sua namorada e não<br />

comentou com ela para não estragar a surpresa.<br />

Depois de saber que não tinha sido a sua namorada<br />

a oferecer-lhe o telemóvel, ficou ainda mais<br />

preocupado. De seguida, perdeu o medo e decidiu<br />

ligar. O telemóvel tocava, tocava e tocava e o João


já estava com o coração aos pulos. Afinal, quem estaria<br />

do outro lado? O telemóvel parou de tocar e uma voz<br />

sedutora ouviu-se do outro lado, dizendo:<br />

- Olá João, estava a ver que não ligavas.<br />

- Mas afinal quem és tu? – respondeu o João.<br />

A voz respondeu com uma gargalhada:<br />

- Tu já sabes. Sou a tua admiradora secreta. Olha, por<br />

que é que não te encontras comigo? Com certeza não<br />

te vais arrepender.<br />

- Mas eu nem sequer sei quem tu és. Tu dizes que<br />

és a minha admiradora secreta, mas eu nem te<br />

conheço, e, além disso, eu tenho namorada. Nem<br />

penses que me vou encontrar contigo! – respondeu-lhe<br />

o João já muito irritado.<br />

- Anda lá João, ninguém vai saber. É um segredo<br />

só nosso. Eu não mordo – disse rindo.<br />

O João estava muito curioso e, por isso, resolveu<br />

ceder:<br />

- Tudo bem! Humm, mas onde nos encontramos?<br />

- Pode ser na Praça das Lages? Às 15:00<br />

horas? – disse a rapariga.<br />

- Sim, para mim está bem, então até logo. –<br />

respondeu o João.<br />

- Até logo, João.<br />

Às 14:30 preparou-se e foi rumo à Praça<br />

das Lages. Antes disso, contou tudo aos


amigos. Os amigos não se preocuparam,<br />

pensando que seria um<br />

encontro normalíssimo, uma vez que<br />

ia conhecer uma miúda.<br />

Porém, passaram-se horas, dias, sem<br />

uma única notícia do João. O que lhe teria<br />

acontecido? Onde estaria? Os seus pais já<br />

tinham comunicado o seu desaparecimento<br />

à polícia, mas nem isso adiantara. O João<br />

havia desaparecido por completo...


ESCOLA/AGRUPAMENTO<br />

Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas<br />

PROFESSOR(S)<br />

ALUNO(S)<br />

Samuel Reis<br />

Ana Luz<br />

Joana Ribeiro<br />

Filipe Moreira<br />

ANO DE ESCOLARIDADE<br />

12º ano


Agente duplo<br />

Olá! O meu nome é real <strong>virtual</strong>. A<br />

minha família e os meus amigos conhecem-me<br />

por real, já para a malta dos<br />

chats e dos jogos, na internet, sou sim<strong>plesmente</strong><br />

<strong>virtual</strong>.<br />

Como Real, sou pequeno, moreno e tímido...<br />

mas como Virtual faço de conta que sou alegre,<br />

extrovertido e musculoso, sim<strong>plesmente</strong><br />

um "garanhão".<br />

Eu, enquanto Real, passeio com a família, vou à<br />

escola, sou mesmo um puto às direitas... no<br />

entanto…<br />

...aquele mundo <strong>virtual</strong> faz de mim uma marionete...<br />

deixo de pensar para apenas clicar, deixo<br />

de dormir para apenas curtir, deixo de escrever<br />

para teclar, deixo de obedecer para me envolver<br />

na teia.<br />

No início, pensei que ao assumir esta pessoa <strong>virtual</strong><br />

iria ganhar muitas coisas... namoradas, amigos,<br />

dinheiro, projecção. No entanto, ao fim de<br />

algum tempo, começo a perder o que de mais precioso<br />

tinha, uma família, os verdadeiros amigos, o<br />

respeito por mim…<br />

Cheguei a um ponto que eu, Real, já não sou mais<br />

o mesmo, já não tenho forças para lutar contra um<br />

mundo maravilhoso que criei enquanto Virtual.<br />

Contudo, houve alguém que me apoiou... que viu


que eu estava diferente... que eu já não era mais o mesmo.<br />

Ele é um dos meus professores... veio do estrangeiro<br />

e chama-se Firewall Spam. Foi mais do que um professor,<br />

mais do que um amigo, foi tudo para mim... Foi o<br />

Update de que eu precisava.<br />

Neste meu sincero testemunho, não quero que fiquem<br />

a pensar que o mundo <strong>virtual</strong> não tem coisas boas,<br />

não... pelo contrário... quero apenas deixar o relato de<br />

um jovem que quis ser adulto à força, e que, infelizmente,<br />

se viu envolvido... domesticado e até mesmo<br />

hipnotizado por um mundo que não existe, apenas<br />

surge na imaginação de cada um.

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