A importância da disciplina Metodologia da Pesquisa Científica

formacaodigital.com.br

A importância da disciplina Metodologia da Pesquisa Científica

A IMPORTÂNCIA DA DISCIPLINA DE

METODOLOGIA DA PESQUISA CIENTÍFICA

NA UNIVERSIDADE

RESUMO

Marivete Bassetto de QUADROS 1

Um dos parâmetros usuais para a categorização dos países, em avançados ou

em desenvolvimento, ou das instituições de Ensino Superior, em boas ou

regulares é, sempre e invariavelmente, a ênfase que imprimem à pesquisa

científica. Esta questão, por sua vez, está vinculada ao ensino de graduação. No

caso brasileiro, a deficiência que se observa no binômio pesquisa científica x

graduação decorre de fatores diversos. Neste sentido, é na graduação que as

imprecisões terminológicas precisam ser discutidas: O que é ciência? O que é

pesquisa científica? Quando um estudo pode ser classificado como científico?

Quem é ou o que é pesquisador? Diante de pesquisas efetivadas e resultados

divulgados temos as seguintes problematizações: Como mensurar o caráter

científico de uma pesquisa? Como mensurar coerência, originalidade,

objetivação? Na nossa opinião, o distanciamento do mundo da pesquisa se inicia,

ainda na graduação, e prossegue na pós-graduação lato sensu, como decorrência

da forma como o conteúdo da disciplina de Metodologia Científica (ou

denominações similares) é transmitido. Sem a pretensão de exaurir a temática,

objetivamos discutir e analisar neste artigo alguns pontos de estreitamento para

o desenvolvimento da pesquisa na graduação.

Palavras-chave: Metodologia. Pesquisa. Universidade. Graduação. Importância.

INTRODUÇÃO

Um dos parâmetros usuais para a categorização dos países, em

avançados ou em desenvolvimento, ou das instituições de Ensino Superior, em

boas ou regulares é, sempre e invariavelmente, a ênfase que imprimem à

pesquisa científica. Esta questão, por sua vez, está vinculada ao ensino de

graduação.

1 Professora da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho – FAFIJA e da

Faculdade do Norte Pioneiro – FANORPI nas disciplinas de Metodologia da Pesquisa Científica e

Orientação de Trabalho de Conclusão de Curso.

88


No caso brasileiro, a deficiência que se observa no binômio pesquisa

científica x graduação decorre de fatores diversos. Neste sentido, é na graduação

que as imprecisões terminológicas precisam ser discutidas: O que é ciência? O

que é pesquisa científica? Quando um estudo pode ser classificado como

científico? Quem é ou o que é pesquisador?

Todas estas questões e seus elementos não são de fácil conceituação.

Objeto de estudo da psicologia da aprendizagem, o processo de aprendizagem

dos conceitos é bastante abrangente. Incorpora a permanente mutação do nosso

repertório conceitual, e há conceitos de maior complexidade, por representarem

inferências em nível elevado de abstração, cujo sentido não é facilmente

visualizado, como é o caso dos conceitos embutidos nas questões formuladas.

Então, diante de pesquisas efetivadas e resultados divulgados temos as

seguintes problematizações:

Como mensurar o seu caráter científico? Como mensurar coerência,

originalidade, objetivação?

Diante do exposto, sem a pretensão de exaurir a temática, objetivamos

discutir, a seguir, pontos de estreitamento para o desenvolvimento da pesquisa

na graduação.

1 O ENSINO DA METODOLOGIA CIENTÍFICA E AS QUESTÕES CONCEITUAIS

Na nossa opinião, o distanciamento do mundo da pesquisa se inicia,

ainda na graduação, e prossegue na pós-graduação lato sensu, como decorrência

da forma como o conteúdo da disciplina de Metodologia Científica (ou

denominações similares) é transmitido. Salvo algumas exceções, qualquer

docente, independente de sua área de atuação, é designado para ministrá-la.

Ora, se o professor não desenvolve, sistematicamente, trabalhos de

investigação científica, não tem como desvendar com o discente o mundo mágico

da ciência e termina por impor teorias e métodos científicos, normas e regras,

sem discutir a lógica da ciência enquanto processo vital à humanidade.

Em vez de a metodologia da pesquisa ser comunicada como um processo

de tomada de decisões e opções que “[...] estruturam a investigação em níveis e

em fases e que se realizam num espaço determinado que é o espaço epistêmico”

(LOPES, 2004, p. 15), tudo ou quase tudo é posto e imposto em nome de uma

pseudociência, que assume caráter de inacessível, incompreensível,

89


impenetrável, enfadonho ou “muito chata”. Conforme Ferreira (2005)

epistemologia é o “Conjunto de conhecimentos que têm por objeto o

conhecimento científico, visando a explicar os seus condicionamentos (sejam eles

técnicos, históricos, ou sociais, sejam lógicos, matemáticos, ou lingüísticos)”.

A ciência precisa ser vista como elemento de vida, termo em si de difícil

concepção. A nossa concepção de ciência reitera, pois, a visão de Rubem Alves,

educador, e como todo e qualquer bom educador, um sonhador. Para ele, num

texto magnífico, intitulado Ciência, coisa boa..., a vida é muito mais do que a

ciência. A ciência é tão somente uma coisa, entre muitas outras, “[...] que

empregamos na aventura de viver, que é a única coisa que importa” (1998,

p.17).

A ciência é, essencialmente, o fascínio do conhecimento, a busca

incessante para compreensão dos fenômenos que nos cercam. É a resposta para

nossas indagações diante da vida, da natureza, dos males que afligem as

espécies e assim por diante. A busca das suas verdades, sempre instáveis e

mutáveis. Verdade e certeza absolutas são inatingíveis. Aquilo que temos são

apenas modelos provisórios, que construímos, para entrar um pouco no mundo

misterioso do desconhecido.

Logo, a ciência é, em sua essência, é um processo social, dinâmico,

contínuo, volátil e cumulativo. Há séculos, influencia a humanidade, rompe

fronteiras e convicções, modifica hábitos, gera leis, provoca acontecimentos, e,

mais do que tudo amplia, de forma contínua, as fronteiras do conhecimento.

(TARGINO, 2005).

Em meio a este ciclo que posiciona a ciência como um continuum, está o

que denominamos de comunicação científica. Independente do campo de

conhecimento consiste na troca de informações entre os pares da comunidade

científica, recorrendo-se, para tanto, a quaisquer recursos formais, informais e

eletrônicos, envolvendo publicações, eventos, inovações tecnológicas etc. Na

verdade, a comunicação científica fundamenta-se na informação científica,

matéria-prima do conhecimento, ou seja, a informação transmuta-se em

conhecimento, quando apreendida e assimilada.

Com o exposto, respondemos à segunda indagação – O que é pesquisa

científica? – Indo além, diante do termo científica, lembramos que a demarcação

científica incorpora parâmetros. Os critérios de caráter interno compreendem:

consistência, coerência, originalidade, objetivação, racionalidade,

90


cumulatividade, capacidade de predição, verificabilidade, dentre outros. Os

critérios externos referem-se à análise do texto produzido pela comunidade

científica, o que gera a possibilidade de reconhecimento generalizado ou relativo.

Isto retoma a premissa irrefutável de que inexiste pesquisa científica sem

divulgação de resultados. (TARGINO, 2005).

Pesquisa científica e divulgação de resultados são atividades

indissociáveis. Divulgar resultados é etapa da pesquisa, e não mero acessório.

Como seria possível falar em evolução da humanidade, se Einstein, Newton,

Lavoisier, Darwin ou a equipe do Projeto Genoma Humano tivessem guardado

para si suas descobertas?

Se nas ciências da vida e nas ciências exatas, em geral, as conseqüências

das descobertas são mais perceptíveis, também nas ciências humanas e sociais,

as pesquisas efetivadas, se divulgadas de forma apropriada, surtem efeitos

sociais relevantes.

A questão – Quem é pesquisador? – não comporta uma resposta unívoca,

como antes discutido (TARGINO, 2004). Quem pode ser considerado

pesquisador? O aluno de graduação vinculado à iniciação científica ? O docente

universitário que cadastrou o seu projeto de pesquisa há anos em sua IES, mas

nunca apresentou resultados significativos? O pós-graduando ou graduando que

escreve ou escreveu sua monografia para cumprir mera formalidade? O

pesquisador de um instituto de pesquisa, em cuja carteira de trabalho, consta –

pesquisador júnior, pesquisador sênior etc. – mas que, no dia-a-dia, limita-se a

funções burocráticas?

O máximo que conseguimos assegurar é que o pesquisador busca,

incessantemente, a verdade na ciência, consciente de que jamais se tornará o

detentor da “verdade”, seguindo ao longo desse percurso normas peculiares à

comunidade cientifica.

2 O ENSINO DE METODOLOGIA NA GRADUAÇÃO

Ora, se falta aos docentes, em geral, sensibilidade para compartir com a

graduação a riqueza conceitual presente no mundo da metodologia científica, há

outra questão ainda mais séria, responsável pela pobreza das pesquisas em

comunicação científica.

91


Uma questão séria, responsável pela pobreza da pesquisa na graduação.

Salvo as disciplina(s) obrigatória(s), o aluno enfrenta o desafio de desenvolver

sua primeira pesquisa, com freqüência, tão-somente em seu último semestre, ou

quando em cursos anuais no último ano, com a obrigatoriedade da monografia

final ou o denominado TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO.

Por conseguinte, este assume o caráter de “monstro” aterrador, haja

vista que o primeiro contato entre futuro profissional e pesquisa científica se dá

dentro de um clima, por si só antagônico, diante da pressão da formatura que se

aproxima e do contato com o desconhecido.

Habituados, desde o ensino fundamental e médio, a encarar a autoria

como ato banal, o universitário costuma “brincar de autor”, através da

compilação de verdadeiras “colchas de retalho”, deixando para trás a elaboração

dos projetos como instrumento de mensuração da capacidade crítica, criativa e

ética do formando.

Sem a pretensão de macular o bom ensino da graduação, presente em

algumas universidades e faculdades, afirmamos que muitos dos problemas

envolvidos na execução dos TCCs sejam na forma monográfica, artigos

científicos, paper entre outros estão vinculados à pouca ênfase que é concedida

ao ensino da metodologia científica, aliada a questões outras, como: (TARGINO,

2005)

a) Desarticulação entre a grade curricular, relegando a inter e

transdisciplinaridade, incorporadas, em nível teórico, nos foros de

debate acerca do ensino em graduação;

b) Discussões evasivas sobre a possibilidade de as monografias

substituírem os estágios curriculares ou extracurriculares, se for o

caso, embora constituam esferas distintas;

c) Tendência para que os TCC reflitam a dicotomia presente em muitos

cursos de graduação – teórico ou prático? prático ou teórico?;

d) Complexidade inerente ao processo de autoria em torno das

(des)vantagens da autoria individual x múltipla;

e) Controversa relação entre orientador x orientador;

f) Questões técnico-administrativas, envolvendo carência e/ou

inadequação dos recursos humanos, materiais, tecnológicos e

financeiros das instituições;

g) Complexo processo de acompanhamento e avaliação dos TCC;

92


h) Registro, arquivamento e processo de divulgação dos TCC, muitas

vezes, deficientes.

O estudo de Metodologia Científica nas universidades raramente é bem

aceito pelos alunos. As perguntas cruciais advêm do por que e para que estudar

tantas regras, tantos detalhes, indicações rígidas para digitação e formatação do

texto, que parecem cercear a liberdade do aluno em pensar e escrever sem

nenhuma exigência metodológica.

Num mundo marcado pela pressa, pela falta de tempo, pelo tic-tac do

relógio, falar de disciplina e de método é realmente desanimador. Acostumamo-

nos a um necessário e exacerbado ativismo, a agir como robôs mecanizados, a

copiar idéias e posturas e deixamos de lado uma das maiores riquezas humanas

que é a capacidade de pensar.

O primeiro objetivo da disciplina de Metodologia Científica é resgatar em

nossos alunos a capacidade de pensar. Pensar significa passar de um nível

espontâneo, primeiro e imediato a um nível reflexivo, segundo, mediado. O

pensamento pensa o próprio pensamento, para melhor captá-lo, distinguir a

verdade do erro. Aprende-se a pensar à medida que se souber fazer perguntas

sobre o que se pensa. (LIBÂNIO, 2001).

Uma segunda meta a ser alcançada pela Metodologia Científica é

aprender a arte da leitura, da análise e interpretação de textos. Vivemos o

fenômeno do aluno-copista, vivemos a era do Ctrl C e Ctrl V, que reproduz em

suas pesquisas e trabalhos acadêmicos aquilo que outros disseram, sem nenhum

juízo de valor, de crítica ou apreciação. Reproduz sem ética sem dar o devido

crédito intelectual e autoral.

Sabemos da dificuldade que a leitura e hermenêutica - arte de interpretar

o sentido das palavras - de um texto apresentam em relação à interpretação de

um autor, a sua real intenção e que um texto/palavra é um mundo aberto a ser

lido e interpretado e, exatamente por isso o texto linguagem significa, antes de

tudo, o meio intermediário, pelo quais duas consciências se comunicam. Ele é o

código que cifra a mensagem (SEVERINO, 2002).

E um terceiro ponto que norteia o ensino da Metodologia é aprender a

fazer, que significa colocar-se num movimento histórico em que o presente

assume continuamente uma instância crítica em relação ao passado. Aprender a

fazer captando o lado ético de todo agir humano implica um senso de

93


esponsabilidade, pois quanto mais cuidamos de vislumbrar o futuro nos atos

presentes, mais aprendemos a fazer. Aprender a fazer e a pensar não é privilégio

de inteligências.

Grandes gênios se perderam no encurralamento de seu saber

fragmentado e hiperespecializado, desenvolvendo experiências que terminaram

em produtos nefastos para a humanidade. Não se pode entender o investimento

de inteligências na pesquisa de armamentos de morte, a não ser porque essas

pessoas nunca aprenderam a pensar e a fazer. (LIBÂNIO, 2002).

Vemos, portanto, que a Metodologia objetiva bem mais que levar o aluno

a elaborar projetos, a desenvolver um trabalho monográfico ou um artigo

científico como requisito final e conclusivo de um curso acadêmico. Ela pode

levar o/a aluno/a a comunicar-se de forma correta, inteligível, demonstrando um

pensamento estruturado, plausível e convincente.

O conteúdo da disciplina Metodologia Científica pode ser classificado

como conceitual e procedimental, uma vez que não basta memorizar as ações ou

as normas da ABNT sem uma construção de sentidos, pois é preciso

compreender sua lógica de funcionalidade, bem como, realizar as etapas - que

comporta o saber fazer – para isso as condições de aprendizagem são: a reflexão

sobre a ação que o sujeito está fazendo, a exercitação constante, é preciso fazer

uso deste conhecimento com freqüência e a descontextualização – saber aplicar

em outras situações que se apresenta como necessidade (ZABALA, 2001).

Tendo claro esta questão, que os alunos (as) aprenderão a fazer, fazendo

em um contexto pleno de significados, propiciando espaços onde os alunos e

alunas, têm oportunidade de realizar atividades num processo experimental a

partir dos textos das outras disciplinas, como o exercício de sublinhar textos,

produzir esquemas e resumos, estruturar um trabalho exigido na graduação

considerando as normas da ABNT, entre outros.

O desenvolvimento progressivo das competências relacionadas ao ler e

escrever que nossos alunos e alunas precisam dar conta de construir no percurso

da graduação, não é objetivo de apenas uma disciplina ou de um professor, mas

deve ser um compromisso de todos e todas que como enfatiza Edgar Morin

(2001), tem a compreensão que o conhecimento deve ser transversal.

O método, quando incorporado a uma forma de trabalho ou de

pensamento, leva o indivíduo a adquirir hábitos e posturas diante de si mesmo,

do outro e do mundo que só têm a beneficiar a sua vida tanto profissional quanto

94


social, afetiva, econômica e cultural. Por método entendemos caminho que se

trilha para alcançar um determinado fim, atingir-se um objetivo; para os filósofos

gregos, metodologia era a arte de dirigir o espírito na investigação da verdade.

Ora, as regras e passos metodológicos que são ensinados na

universidade, visando à inserção do estudante no mundo acadêmico-científico -

que são pertinentes e necessárias - objetivam também, e sobretudo, a criar

hábitos que o acompanharão por toda a sua vida, como o gosto pela leitura, a

compreensão dos diferentes interlocutores, um espírito crítico maduro e

responsável, o diálogo claro e profundo com os outros e com o mundo, a

autodisciplina, o respeito à alteridade e ao diferente, uma postura de humildade

diante do pouco que se sabe e da infinidade de saberes existentes, o exercício da

ética e do respeito a quem pensa diferente, a ousadia/coragem de expor o

próprio pensar.

A disciplina de Metodologia da Pesquisa Científica nas universidades deve

ajudar os alunos na experiência de sentirem-se cidadãos, livres e responsáveis, a

administrar suas emoções e exercitar o bom senso e a eqüidade. De um modo

peculiar, os alunos muito se enriquecem quando assimilam bem tudo que foi

exposto, estes saem da faculdade cheios de teorias, de idéias para

revolucionarem as empresas, levá-las a patamares recordes de lucro e eficiência;

acumulam teorias dos mais renomados especialistas em marketing, em controle

de qualidade, logística, organização empresarial, enfim, administração pública,

reserva de mercado. Deparam-se, muitas vezes, com a questão do método. Por

onde começar? Qual o primeiro passa a ser dado? O que é mais urgente? Entre

teoria e método há uma grande diferença, ainda que sejam interdependentes.

Ambos buscam realizar o objetivo proposto, a teoria pode gerar e dar forma ao

método e vice-versa; o método quando alimentado de estratégia, de iniciativa,

invenção e arte estabelece uma relação com a teoria capaz de propiciar a ambos

regenerarem-se mutuamente pela organização de dados e informações (MORIN

apud VERGARA, 2005, p. 335).

O método numa empresa ou instituição abre caminhos, aponta ou intui

soluções, minimiza tempo e gastos, estimula o diálogo entre opiniões contrárias

e/ou diferentes, resgata a postura ética, cria o espírito de participação e

responsabilidade comuns na solução de problemas, no enfrentamento de

desafios e na conquista de metas.

95


O profissional que pauta sua vida por princípios metodológicos adquiridos

na universidade adquire possibilidades de pensar e ver para além do que lhe é

mostrado e exigido; ele/a pode levar a instituição ou empresa a se destacar e

até mesmo inovar em áreas específicas, pois aprendeu a traçar metas e

objetivos claros, convencidos das hipóteses levantadas, apoiados em referenciais

de análise seguros que justificam os argumentos expostos. Tudo isto como fruto

de alguém que aprendeu a pensar, aprendeu a ler, analisar e interpretar - não só

os textos como a vida - aprendeu, assim, a fazer!

Acreditamos que o mundo acadêmico-científico é uma cartilha - um

pouco mais elaborada - para aprender a arte de com-viver. E viver-com é a arte

de ser. Quando assimilarmos no cotidiano da vida, não apenas as regras

metodológicas da ABNT e suas infinitas exceções e peculiaridades, com o

objetivo de elaborar um trabalho científico de excelência, mas avançarmos,

transformando as mesmas regras frias e intelectuais em hábitos que integralizam

a pessoa, então estaremos, também, aprendendo a ser. Entrar nesse processo

significa superarmos a tentação de medir tudo em termos de eficiência e de

interesses e substituirmos esses critérios quantitativos por intensidade da

comunicação, pela difusão dos conhecimentos e das culturas, pelo serviço

recíproco e a boa harmonia para levar adiante uma tarefa comum (LIBÂNIO,

2002, p. 85).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em suma, julgamos imprescindível gerar atitudes comportamentais

conscientes e internalizadas quanto às operações inclusas no processo de

pesquisa científica, a partir da graduação. Afinal, é este o estágio mais propício

para começar a preparação de um cientista capacitado, rompendo o estereótipo

da pesquisa como monstro submisso a formas e fórmulas mecânicas,

burocráticas e maçantes. Isto significa investir em medidas aparentemente

simples, mas decisivas, como: minimizar as distorções do ensino da metodologia

científica; enfatizar a prática da Iniciação Científica; estimular a transformação

dos Trabalhos de Conclusão (TCC) em pesquisas significativas para o avanço da

área; e ressaltar a divulgação de resultados como elemento essencial dos

trabalhos desenvolvidos.

96


Avaliamos que muitas são as dificuldades de aprendizagem para os

acadêmicos e acadêmicas na disciplina de Metodologia Científica. Seja em função

da idéia equivocada que têm da pesquisa, considerando o modelo adotado na

escolarização básica, a pura reprodução das fontes, ou mesmo por causa da

prática insuficiente de leitura e capacidade de construção interpretativa.

Entretanto, uma contribuição fundamental nesta questão é o trabalho coletivo

entre os docentes no sentido de fazer as regulações necessárias contribuindo

para o avanço do saber em estudo.

Um dos grandes méritos desta disciplina é a reflexão sobre a inconstância

do conhecimento, pois permite a compreensão da necessidade do ser humano

produzir perguntas e respostas relacionadas às dúvidas e questionamentos

postos, objetivando a interpretação e a explicação da realidade, das coisas e dos

fenômenos. Neste sentido, o conhecimento que hoje nós validamos, amanhã

podemos refutá-lo, constitui-se num aspecto fantástico que se traduz na sua

própria inconclusão do ser, na idéia do provisório. Isso nos remete ao campo da

produção das explicações e das verdades. É comum os alunos e alunas terem um

conceito de verdade absoluto, uma única referência. No processo de leituras e

debates a desconstrução destas idéias, é algo que se torna inevitável. (NEVES,

2006)

Aprender e ensinar Metodologia Científica, não pode se limitar a uma

atividade distanciada da práxis pedagógica, senão nosso papel em sala de aula

será apenas o de exigir o cumprimento de normas que não compreendemos,

bem como, solicitar dos alunos e alunas algo que não fazemos, como por

exemplo, o exercício da reflexão escrita.

Freire (1997) sinaliza que como docentes nós não podemos ajudar os

alunos e alunas a superarem suas ignorâncias se não superamos

permanentemente a nossa, pois não podemos ensinar o que não sabemos, o que

não aprendemos. Que legitimidade temos, então de solicitar um artigo científico,

quando não conseguimos escrever nenhuma linha, não temos intimidade com a

publicação? Questões como esta dialogam cotidianamente com a minha prática,

interrogam o meu fazer e certamente tem me ajudado a ensinar melhor.

Esta forma de ver e aprender Metodologia da Pesquisa Científica talvez

possa contribuir para um maior desempenho dos professores que se

responsabilizam pelo seu ensino, uma melhor aceitação da disciplina/matéria por

parte dos alunos - nem sempre muito receptivos -, e poderá, finalmente,

97


proporcionar uma dinâmica interdisciplinar com as demais matérias visando um

ensino eficaz e integrador.

REFERÊNCIAS

ALVES, Rubem. Ciência coisa boa... In: MARCELLINO, N. C. (Org.). Introdução

às ciências sociais. Campinas: Papirus, 1998. p. 11-17.

FREIRE, Paulo. A educação na cidade. São Paulo: Cortez, 1991.

______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.

São Paulo: Paz e Terra, 1997.

LIBÂNIO, João Batista. Introdução à vida intelectual. 2. ed. São Paulo:

Loyola, 2001.

______. A arte de formar-se. São Paulo: Loyola, 2002.

LOPES, Maria Immacolata Vassallo de. Pesquisa de comunicação: questões

epistemológicas, teóricas e metodológicas. Revista Brasileira de Ciências da

Comunicação, São Paulo, v. 27, n. 1, p. 13-39, jan./jun. 2004.

MEDEIROS, João Bosco. Redação científica: a prática de fichamentos, resumos

e resenhas. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 3. ed.

São Paulo: Cortez, 2001.

NEVES, Josélia Gomes. Metodologia científica ou a dor e a delícia de aprender a

ler e escrever na graduação. Revista Virtual Partes. Disponível em:

http://www.partes.com.br/educacao/metodologia.asp. Acesso dia 15mar2006.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São

Paulo: Cortez, 2002.

TARGINO, Maria das Graças. A pesquisa cientifica é uma atividade criativa?

(2005) Disponível em: www.imes.edu.br/revistasacademicas.com. Acesso dia

20/jul/2006.

VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em Administração. São

Paulo: Atlas, 2005.

Para citar este artigo:

QUADROS, Marivete Bassetto de. A importância da disciplina de Metodologia da

Pesquisa Científica na universidade. In: ANAIS - VII CONGRESSO DE EDUCAÇÃO DO

NORTE PIONEIRO – Educação e Interdisciplinaridade. 2007. FAFIJA, Jacarezinho, 2007.

p. 88 - 98. ISSN 18083579.

98

Similar magazines