O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)
O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)
O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)
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do Paço que, tendo sido edifica<strong>da</strong> a título provisório, ali continua conforme então foi<br />
edifica<strong>da</strong>. Deve referir-se a excelência <strong>da</strong> ironia utiliza<strong>da</strong> pelo re<strong>da</strong>ctor ao apontar o <strong>de</strong>do<br />
aos respectivos administradores que infelizmente “não tenham d’embarcar n’ela todos os<br />
dias para saborearem as suas comodi<strong>da</strong><strong>de</strong> [sic] reaes e visuais, e o belo arôma <strong>da</strong>s flôres do<br />
Tejo que a envolvem quasi constantemente” 27. Feita a travessia do Tejo, há a apontar<br />
relativamente à estação do Barreiro que também esta é “muito inferior ain<strong>da</strong> para o que<br />
podia e <strong>de</strong>via sêr [por causa <strong>da</strong>] sua actual pouca ilumi<strong>na</strong>ção talvez proposita<strong>da</strong> para não<br />
se <strong>da</strong>r pelo seu pouco asseio”.<br />
Embarcados então num compartimento que outrora proporcio<strong>na</strong>va camas aos passageiros<br />
e que agora serve ape<strong>na</strong>s lugares sentados, motivou esse facto nova crítica pela ausência<br />
<strong>de</strong> conforto <strong>da</strong> solução que, mesmo a quem queira e possa pagar, não tem agora hipótese<br />
<strong>de</strong> usufruir <strong>de</strong>ssa comodi<strong>da</strong><strong>de</strong>. Atravessa<strong>da</strong> “a ari<strong>de</strong>z d’essa improductiva província” que é<br />
o Alentejo, durante a noite, ei-los chegados a Beja, numa hora <strong>de</strong> caminho, on<strong>de</strong>, <strong>de</strong>pois <strong>de</strong><br />
jantarem pelo caminho, tomaram um chá, sofrendo no entanto uma <strong>de</strong>cepção já que o<br />
estabelecimento <strong>da</strong> gare, “imerso numa total escuridão – talvez pela aluvião <strong>de</strong><br />
zombeteiras moscas que, não só pela quanti<strong>da</strong><strong>de</strong>, como pela côr, quebravam mais ain<strong>da</strong> o<br />
po<strong>de</strong>r ilumi<strong>na</strong>nte <strong>da</strong> frouxa luz, já <strong>de</strong> si impotente para tão gran<strong>de</strong> circulo” 28 oferecia<br />
preços proibitivos e uma quali<strong>da</strong><strong>de</strong> altamente questionável.<br />
Chegados a Tunes, passa<strong>da</strong> a “ingreme la<strong>de</strong>ira <strong>da</strong> serra do Cal<strong>de</strong>irão”, era possível admirar<br />
já, ao <strong>na</strong>scer do dia, a “paysagem algarvia, tão interessante, tão origi<strong>na</strong>l, tão diferente <strong>da</strong>s<br />
outras províncias portuguezas”. Querendo os passageiros tomar pois o café <strong>da</strong> manhã,<br />
constataram que o locatário do restaurante do comboio havia <strong>de</strong>ixado expirar o prazo <strong>de</strong><br />
arren<strong>da</strong>mento, encontrando-se fechado, e sendo, por isso, novamente, alvo <strong>de</strong> críticas dos<br />
viajantes. Saídos <strong>de</strong> Tunes com duas horas <strong>de</strong> atraso, foram gozando, até Vila Real <strong>de</strong> Santo<br />
António “as atraentes origi<strong>na</strong>li<strong>da</strong><strong>de</strong> d’essa paysagem [que] é a extensa planície em que<br />
assenta to<strong>da</strong> a fértil provincia Algarvia” on<strong>de</strong> “embora não haja a diversi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> terras e<br />
<strong>de</strong> aspectos que se encontram principalmente <strong>na</strong>s províncias do norte <strong>de</strong> Portugal, o<br />
panorama algarvio é sempre interessante”. Atravessando as várias ci<strong>da</strong><strong>de</strong>s algarvias, e em<br />
passagem por Olhão, vila que lhes <strong>de</strong>spertou a atenção por ser muito antiga, com a “quasi<br />
totali<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>da</strong>s habitações antigas [sem] telhado, sendo sobrepostas por terraços (…)<br />
[atribuindo-se] este facto à domi<strong>na</strong>ção árabe, que ali ain<strong>da</strong> se faz sentir, como – <strong>de</strong> resto –<br />
alguns usos que são conservados por tradição. Diz-se que a classe marítima, que constitue<br />
uma gran<strong>de</strong> parte <strong>da</strong> população d’essa Vila, usa os cabelos crescidos, como recurso para<br />
27 I<strong>de</strong>m, ibi<strong>de</strong>m.<br />
28 I<strong>de</strong>m, ibi<strong>de</strong>m, p.156.<br />
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