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O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)

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Portimão ou para a Rocha, aproveitaram a boleia do velho cocheiro que se disponibilizou<br />

para, a custo, os transportar até à praia. Após percorrerem a ponte sobre a ria, em muito<br />

mau estado, chegaram por fim ao Hotel Viola, “único existente no sítio e cuja tradição<br />

percorre to<strong>da</strong> a orla algarvia”. Percebe-se assim que, em termos <strong>de</strong> alojamentos turísticos,<br />

um gran<strong>de</strong> caminho havia a percorrer. A Rocha apresentava-se como “uma praia [com]<br />

encantos muito origi<strong>na</strong>es durante a época própria, quando a assistência e a animação<br />

caracterizam a sua estonteante vi<strong>da</strong>”, [sendo que, no entanto], no inverno, a placi<strong>de</strong>z <strong>da</strong>s<br />

suas poucas ruas, o isolamento <strong>da</strong>s suas varia<strong>da</strong>s casas e a tristeza que, em geral, é timbre<br />

<strong>de</strong> to<strong>da</strong>s as praias fóra <strong>da</strong> estação própria, dão à Praia <strong>da</strong> Rocha os atractivos encantadores<br />

exigidos pelo nostálgico <strong>da</strong> solidão”. É possível perceber que o <strong>turismo</strong> <strong>de</strong> então era<br />

claramente sazo<strong>na</strong>l, tinha uma época própria – o Verão, e que, nessas alturas, se animava<br />

bastante. Contudo, a oferta turística era ain<strong>da</strong> bastante reduzi<strong>da</strong>.<br />

Tendo em conta o mau tempo que se fazia sentir, o regresso foi assim antecipado, tendo os<br />

viajantes <strong>de</strong>sistido <strong>de</strong> ir a Lagos, a Sagres e a Monchique, conforme previsto, havendo<br />

ain<strong>da</strong>, no entanto, tempo para voltarem à vila “pitoresca” <strong>de</strong> Portimão que, por ser<br />

domingo, “apresentava um aspecto pouco interessante”.<br />

Por fim, a comissão <strong>da</strong> Revista <strong>de</strong> Turismo resume a expedição dizendo que esta viagem<br />

“constitue uma <strong>da</strong>s mais agradáveis excursões que um bom turista po<strong>de</strong> fazer; porque<br />

além <strong>da</strong> sua vi<strong>da</strong> especial, dos seus origi<strong>na</strong>es usos e costumes, <strong>da</strong> sua flora, mesmo muito<br />

própria, há as paysagens, a configuração corográfica absolutamente diferente <strong>da</strong> <strong>de</strong> to<strong>da</strong>s<br />

as outras províncias portuguezas, (…) [e] que o <strong>Algarve</strong>, pelo seu conjuncto <strong>de</strong> predicados,<br />

<strong>de</strong>via ser o que, infelizmente ain<strong>da</strong> não é. E quando um dia os Algarvios compreen<strong>de</strong>rem<br />

to<strong>da</strong> a gran<strong>de</strong> riqueza <strong>da</strong> sua provincia – que é enorme e está ain<strong>da</strong> por explorar – então os<br />

benefícios espargir-se-hão quasi automaticamente, não só em pról d’essa <strong>região</strong>, mas<br />

inclusivamente, embora <strong>de</strong> forma menos directa, <strong>na</strong> economia do Paiz” 35.<br />

De facto, o <strong>Algarve</strong> turístico <strong>de</strong>sta altura era ain<strong>da</strong> bastante pobre, com poucas e más<br />

acomo<strong>da</strong>ções turísticas (o Guia <strong>de</strong> Portugal <strong>de</strong> <strong>1924</strong> haverá <strong>de</strong> referir isso mesmo poucos<br />

anos <strong>de</strong>pois <strong>de</strong>ste relato) mas ain<strong>da</strong> havia <strong>de</strong> se <strong>de</strong>senvolver imenso, não nos anos<br />

imediatamente a seguir a estas palavras terem sido escritas mas algumas déca<strong>da</strong>s mais<br />

tar<strong>de</strong>, infelizmente nem sempre <strong>de</strong> uma forma que privilegiasse os interesses <strong>da</strong> <strong>região</strong> e<br />

<strong>da</strong>queles que aqui vivem. Nos anos sessenta <strong>da</strong>r-se-ia o boom turístico e a <strong>região</strong> apontaria<br />

<strong>de</strong>finitivamente no sentido do <strong>turismo</strong> <strong>de</strong> massas, auxilia<strong>da</strong> pela construção do aeroporto<br />

<strong>de</strong> Faro e impulsio<strong>na</strong><strong>da</strong> por uma voragem imobiliária que, rapi<strong>da</strong>mente trataria <strong>de</strong> alterar<br />

35 I<strong>de</strong>m, nº116, Fevereiro <strong>de</strong> 1922, p.115.<br />

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