O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)
O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)
O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)
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por completo a paisagem tradicio<strong>na</strong>l e/ou rural <strong>da</strong> <strong>região</strong>, especialmente <strong>na</strong> orla costeira,<br />
<strong>de</strong>svirtuando por completo a essência <strong>da</strong> <strong>região</strong>, <strong>de</strong> certa forma ain<strong>da</strong> aqui bem retrata<strong>da</strong><br />
neste texto: aquele <strong>Algarve</strong> dos “casaes e <strong>da</strong>s quintas, no meio dos quaes, em alvinitente<br />
brancura, sobresahem as casitas maiores ou mais peque<strong>na</strong>s dos respectivos proprietários,<br />
n’uma doce poesia bucólica”, <strong>da</strong>s industrias tradicio<strong>na</strong>is, <strong>da</strong>s paisagens pontua<strong>da</strong>s pelas<br />
árvores <strong>de</strong> fruto que conferiam as características pelas quais a <strong>região</strong> era conheci<strong>da</strong>, para<br />
<strong>da</strong>r lugar aos al<strong>de</strong>amentos e aos campos <strong>de</strong> golfe, aos hotéis e prédios <strong>de</strong> segun<strong>da</strong><br />
habitação projectados <strong>na</strong>s falésias, sobre o mar.<br />
9. Consi<strong>de</strong>rações fi<strong>na</strong>is<br />
Fica claro <strong>de</strong>pois <strong>da</strong> análise aqui efectua<strong>da</strong> que esta Revista não sugere ain<strong>da</strong> a visão<br />
formata<strong>da</strong> que viria a constituir a <strong>região</strong> i<strong>de</strong>aliza<strong>da</strong> pelo Estado Novo mas aponta já<br />
caminhos nessa direcção. Elementos como as noras mouriscas, ou as casas pontua<strong>da</strong>s<br />
pelas chaminés rendilha<strong>da</strong>s <strong>de</strong> «estilo árabe» (estava-se a atravessar o período áureo <strong>da</strong><br />
sua edificação), ou o <strong>Algarve</strong> do corridinho, não são ain<strong>da</strong> referidos não só porque esse<br />
imaginário estava ain<strong>da</strong> a ser compilado e «construído» mas também porque os<br />
re<strong>da</strong>ctores <strong>de</strong>rivavam e faziam questão <strong>de</strong> permanecer associados a um estrato social que<br />
privilegiava o luxo, a tendência mo<strong>de</strong>rnista <strong>da</strong> socie<strong>da</strong><strong>de</strong>, <strong>de</strong> cariz europeísta,<br />
inter<strong>na</strong>cio<strong>na</strong>l, que viajava em 1ª classe, e frequentava os restaurantes exclusivos e os<br />
Palace Hotels, muito em voga, <strong>na</strong> altura. Isso é perfeitamente evi<strong>de</strong>nte nos discursos e no<br />
olhar dos re<strong>da</strong>ctores que, sob o pretexto <strong>de</strong>stas «viagens <strong>de</strong> estudo» e <strong>na</strong> continui<strong>da</strong><strong>de</strong> do<br />
grand tour do século XVIII, procuram legitimar um certo status social à classe burguesa em<br />
que se inserem e que constitui o conjunto dos leitores <strong>da</strong> revista. A própria excursão aqui<br />
apresenta<strong>da</strong> faz-se exclusivamente por zo<strong>na</strong>s urba<strong>na</strong>s, sendo a atenção presta<strong>da</strong> à<br />
rurali<strong>da</strong><strong>de</strong> concretiza<strong>da</strong> através <strong>de</strong> um olhar distanciado, algo <strong>de</strong>sinteressado ou<br />
secundário. Em todo o caso, e ain<strong>da</strong> que sem um objectivo <strong>de</strong>termi<strong>na</strong>do, já se apresentam<br />
alguns elementos – o <strong>Algarve</strong> <strong>da</strong>s casas brancas, <strong>da</strong>s amendoeiras em flor, <strong>da</strong>s açoteias <strong>de</strong><br />
Olhão, o <strong>Algarve</strong> <strong>da</strong>s mouras encanta<strong>da</strong>s e <strong>da</strong>s gentes com a tez tingi<strong>da</strong> dos árabes, o<br />
<strong>Algarve</strong> dos <strong>de</strong>scobridores, <strong>da</strong>s praias <strong>de</strong> rochedos que lembram “formosas paragens<br />
tropicais” – que viriam, <strong>da</strong>í a uns anos, a constituir esse imaginário <strong>de</strong> estereótipos que<br />
serviria os propósitos do regime e que, ain<strong>da</strong> hoje, marcam a <strong>região</strong>.<br />
Por outro lado, o <strong>Algarve</strong> retratado <strong>na</strong> Revista e muito em concreto <strong>na</strong> excursão realiza<strong>da</strong><br />
em 1921 é um <strong>Algarve</strong> <strong>de</strong> impressões, é certo, <strong>de</strong> folhetim, um <strong>Algarve</strong> olhado <strong>de</strong> forma<br />
literária mas ao mesmo tempo representado num documento com algum caracter<br />
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