Índice: 1. Introdução ………………………………………………………………………………………………………..…..3 2. Contextualização, antece<strong>de</strong>ntes, institucio<strong>na</strong>lização do Turismo em Portugal……………….3 3. O pioneirismo <strong>da</strong> <strong>«Revista</strong> <strong>de</strong> <strong>Turismo»</strong>: missão, estrutura, re<strong>da</strong>ctores e colaboradores……...5 4. A rubrica «Paisagens Portuguesas»: o <strong>Algarve</strong>……………………………………………………………………...7 5. A «Excursão ao <strong>Algarve</strong>» <strong>de</strong> 1921: objectivos, impressões, apontamentos dos re<strong>da</strong>ctores…....….9 6. Vila Real <strong>de</strong> Santo António: uma “terra sem aroma”………………………………………………………………11 7. As indústrias do <strong>Algarve</strong> e o <strong>turismo</strong>……………………………………………………………………………………12 8. O <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> um <strong>Algarve</strong> turístico………………………………………………………………………13 9. Consi<strong>de</strong>rações fi<strong>na</strong>is…………………………………………………………………………………………………..15 Bibliografia resumi<strong>da</strong>…………………………………………………………………………………………..17 2
1. Introdução O Turismo, como o concebemos actualmente, encontra a sua origem <strong>na</strong> época romântica. A própria palavra <strong>de</strong>riva do termo inglês «tour», cujos significados assentam, por um lado, <strong>na</strong> viagem que o jovem gentleman <strong>de</strong>via fazer pela Europa Oci<strong>de</strong>ntal a fim <strong>de</strong> legitimar a sua condição social ou, por outro, <strong>na</strong>s “esta<strong>da</strong>s estivais <strong>de</strong> puro <strong>de</strong>leite ou mesmo com fins terapêuticos” 1. Neste contexto e <strong>de</strong>corrente do <strong>de</strong>senvolvimento dos conhecimentos científicos que tiveram lugar um pouco por to<strong>da</strong> a Europa ao longo do séc. XIX, em Portugal, e a par do <strong>turismo</strong> <strong>de</strong> campo, “<strong>da</strong>s proprie<strong>da</strong><strong>de</strong>s rurais, frequentado pelas elites urba<strong>na</strong>s que “possuíam, por herança, her<strong>da</strong><strong>de</strong>s” 2 para on<strong>de</strong> se <strong>de</strong>slocavam principalmente no início <strong>da</strong> época estival, começam a surgir também várias estâncias termais/terapêuticas (<strong>na</strong> sequência, aliás, <strong>de</strong> uma prática proveniente <strong>de</strong> séculos anteriores), hotéis e espaços <strong>de</strong> lazer associados, quase sempre em locais junto ao mar, tomando partido <strong>da</strong>s águas oceânicas que se sabia serem possuidoras <strong>de</strong> virtu<strong>de</strong>s sadias, num movimento a que Alain Corbin <strong>de</strong>signou <strong>de</strong> “invenção <strong>da</strong> praia” 3. É nesta altura que se começa a formar, timi<strong>da</strong>mente, o <strong>Algarve</strong> <strong>da</strong> forma que ele viria a ser mais tar<strong>de</strong> precisamente reconhecido – a praia <strong>de</strong> Portugal, <strong>região</strong> turística por excelência, bem como a surgir as primeiras publicações que se ocupam exclusivamente do tema. A Revista <strong>de</strong> Turismo: publicação quinze<strong>na</strong>l <strong>de</strong> <strong>turismo</strong>, propagan<strong>da</strong>, viagens, <strong>na</strong>vegação, arte e literatura, acompanha a tendência inter<strong>na</strong>cio<strong>na</strong>l e foi, neste aspecto, pioneira no nosso país tendo <strong>de</strong>dicado várias pági<strong>na</strong>s ao <strong>Algarve</strong>, num período que antece<strong>de</strong> a fixação dos estereótipos que viriam a edificar-lhe uma i<strong>de</strong>nti<strong>da</strong><strong>de</strong>. Procuraremos <strong>de</strong> segui<strong>da</strong> perceber a abor<strong>da</strong>gem nela feita à <strong>região</strong> e ao <strong>turismo</strong> que ali começava a <strong>da</strong>r os primeiros passos. 2. Contextualização, antece<strong>de</strong>ntes, institucio<strong>na</strong>lização do Turismo em Portugal O <strong>de</strong>senvolvimento do Turismo está profun<strong>da</strong>mente ligado à evolução dos transportes e, no nosso país, encontra <strong>na</strong> base <strong>da</strong> sua institucio<strong>na</strong>lização a criação <strong>da</strong> Socie<strong>da</strong><strong>de</strong> Propagan<strong>da</strong> <strong>de</strong> Portugal (SPP), organização <strong>de</strong> iniciativa popular, <strong>de</strong> carácter in<strong>de</strong>pen<strong>de</strong>nte, <strong>de</strong>sassocia<strong>da</strong> <strong>de</strong> qualquer estrutura política ou religiosa. Forma<strong>da</strong> em 28 <strong>de</strong> 1 MATOS, A<strong>na</strong> e SANTOS, Maria, Os guias <strong>de</strong> <strong>turismo</strong> e a emergência do <strong>turismo</strong> contemporâneo em Portugal (dos fi<strong>na</strong>is do século XIX às primeiras déca<strong>da</strong>s do século XX), Scripta Nova, Revista electrónica <strong>de</strong> geografia y ciencias sociales. Universi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> Barcelo<strong>na</strong>, Barcelo<strong>na</strong>, 15 <strong>de</strong> junio <strong>de</strong> 2004, vol. VIII, núm. 167, p.2. 2 HENRIQUES, Eduardo e LOUSADA, Maria, Férias em Portugal no primeiro quartel do século XX. A arte <strong>de</strong> ser turista in QUEIROZ, Maria Inês (coord.) (2010) – Viajar : viajantes e turistas à <strong>de</strong>scoberta <strong>de</strong> Portugal no tempo <strong>da</strong> I República, Comissão Nacio<strong>na</strong>l para as Comemorações do Centenário <strong>da</strong> República, Lisboa, p.106. 3 I<strong>de</strong>m, ibi<strong>de</strong>m. 3