O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)

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O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)

Fevereiro de 1906 e partindo da ideia de Leonildo de Mendonça e Costa, fundador e

director da Gazeta dos Caminhos de Ferro, esta instituição tinha comos objectivos,

“promover, pela sua acção própria, pela intervenção junto dos poderes públicos e

administrações locais (…) e pelas relações internacionais que possam estabelecer, o

desenvolvimento intelectual, moral e material do país e, principalmente, esforçar-se por

que ele seja visitado e amado por nacionais e estrangeiros” 4. Pretendia, portanto,

"promover e divulgar Portugal como destino de turismo” 5, obrigando-se para isso à

“publicação de um Boletim, depliants, guias de viagem, etc”, tendo o seu raio de acção

abrangido a “modernização da hotelaria, (…) o favorecimento das ligações ferroviárias

com o resto da europa (…) e a qualidade das estradas”, para além da criação de

delegações nas principais cidades portuguesas e mesmo no estrangeiro” 6.

O Congresso de Turismo de 1911 (IV), decorrido após a implantação da república e

organizado em grande parte por membros destacados da SPP, foi fundamental no que

concerne à decisão – daí decorrente – de criação de um organismo oficial para esta área,

para lá das resoluções que apontavam no sentido do absoluto e necessário

desenvolvimento das vias de comunicação e dos transportes nacionais. Havia a perfeita

consciência da relação óbvia entre turismo e mobilidade e, em resultado dessa relação, das

carências no que toca às (más) condições de circulação em Portugal, ao número

insuficiente de estradas e das péssimas condições das mesmas, para lá da efectiva

necessidade de que “todos os sinais avisadores de obstáculos nas estradas [fossem] tanto

quanto possível, idênticos em todos os países” 7. Diga-se, aliás, a título de curiosidade, que foi

das conclusões deste congresso que se aprovou, em Diário de Governo, o Regulamento

sobre a Circulação de automóveis.

Ainda em Maio desse mesmo ano, o Governo Provisório da Republica viria a decretar

sobre esta matéria, propondo a constituição de um Conselho de Turismo, auxiliado por uma

Repartição de Turismo, tornando-se Portugal, assim, no terceiro país do mundo a produzir

uma organização oficial na área.

Será importante relembrar que tudo isto acontece numa altura em que, conforme

informações proporcionadas pelo Censo de 1911, “cerca de 60% da população activa

portuguesa pertencia ao sector agrícola. (…) Fora alguns lavradores mais abastados, que

«iam a banhos» por conselho médico, o mundo rural, que era afinal o essencial do país,

4 MATOS, Ana e SANTOS, Maria, Op. cit., p.5.

5 MATOS, Ana, BERNARDO, Maria e SANTOS, Maria (2011) – A Sociedade de Propaganda de Portugal in

Actas do I Congresso Internacional I Republica e Republicanismo, Lisboa, p.394.

6 Idem, ibidem.

7 Idem, ibidem, p.402.

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