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O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)

O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)

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continui<strong>da</strong><strong>de</strong> dos múltiplos artigos que a gazeta dos Caminhos <strong>de</strong> Ferro fazia <strong>de</strong>s<strong>de</strong> o<br />

século XIX” 12.<br />

Contando com vários colaboradores, muitos <strong>de</strong>les precursores <strong>da</strong> fun<strong>da</strong>ção e/ou<br />

institucio<strong>na</strong>lização do <strong>turismo</strong> em Portugal, nomea<strong>da</strong>mente Magalhães Lima (presi<strong>de</strong>nte<br />

do Conselho <strong>de</strong> Turismo), José <strong>de</strong> Athaí<strong>de</strong> (director <strong>da</strong> Repartição do Turismo),<br />

Vasconcelos Correia (director <strong>da</strong> SPP), Manuel Rol<strong>da</strong>n y Pego (director <strong>da</strong> SPP), Pedro<br />

d’Oliveira Pires (director <strong>da</strong> SPP e organizador dos núcleos <strong>de</strong> propagan<strong>da</strong> que a SPP<br />

conseguia instalar em Portugal), Bentes Castel-Branco (médico e proprietário <strong>da</strong>s termas<br />

<strong>da</strong>s Cal<strong>da</strong>s <strong>de</strong> Monchique), apresentava ain<strong>da</strong> um conjunto mais extenso, <strong>de</strong>stacando-se<br />

algumas perso<strong>na</strong>li<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>da</strong> socie<strong>da</strong><strong>de</strong> e/ou literatura portuguesa, <strong>de</strong>sig<strong>na</strong><strong>da</strong>mente e entre<br />

outros, Antero <strong>de</strong> Quental, António Botto, António Nobre, Cândido Guerreiro, Eça <strong>de</strong><br />

Queiroz, Fialho <strong>de</strong> Almei<strong>da</strong>, Gomes Leal, Guerra Junqueiro, João <strong>de</strong> Deus, júlio Dantas, ou<br />

ain<strong>da</strong>, Teixeira <strong>de</strong> Pascoaes 13.<br />

Preten<strong>de</strong>ndo ser o “produto <strong>de</strong> um i<strong>de</strong>al”, a revista teve como missão, <strong>na</strong>s palavras dos<br />

seus responsáveis, “um começo e uma fi<strong>na</strong>li<strong>da</strong><strong>de</strong>. Não [era] uma publicação vulgar para<br />

passatempo <strong>da</strong> ociosi<strong>da</strong><strong>de</strong>; tampouco (…) resultante d’um simples capricho. Ela<br />

representa, (…) o tributo que impuzémos [sic] a nós-mesmo pagar à nossa queri<strong>da</strong> Pátria,<br />

como obrigação in<strong>de</strong>clinável <strong>de</strong> contribuirmos d’algum modo para a sua felici<strong>da</strong><strong>de</strong>, para o<br />

seu bem-estar, para a tor<strong>na</strong>rmos gran<strong>de</strong>.” 14 O Turismo era visto, portanto, como um meio<br />

<strong>de</strong> engran<strong>de</strong>cimento <strong>da</strong> Pátria, não só uma forma <strong>de</strong> ultrapassar os problemas <strong>de</strong><br />

equilíbrio <strong>da</strong>s contas públicas que, ain<strong>da</strong> <strong>de</strong>s<strong>de</strong> fi<strong>na</strong>is do século XIX vinham sofrendo <strong>de</strong><br />

gran<strong>de</strong> instabili<strong>da</strong><strong>de</strong>, mas também como uma possibili<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento pessoal e<br />

social. Não foi por acaso que os republicanos prestaram especial interesse “à formidável<br />

expansão <strong>da</strong> indústria que se convencionou chamar <strong>de</strong> estrangeiros” sabendo, com ple<strong>na</strong><br />

certeza, que haveria <strong>de</strong> “chegar o dia em que as viagens estarão ao alcance <strong>de</strong> to<strong>da</strong>s as<br />

bolsas e em que todo o mundo viajará” 15. De facto, já em 1934, após cessarem as remessas<br />

provin<strong>da</strong>s do Brasil, as activi<strong>da</strong><strong>de</strong>s económicas movimenta<strong>da</strong>s pelo <strong>turismo</strong> seriam já “a<br />

principal nova parcela para o equilíbrio <strong>da</strong> balança económica <strong>na</strong>cio<strong>na</strong>l” 16.<br />

12 I<strong>de</strong>m, ibi<strong>de</strong>m.<br />

13 I<strong>de</strong>m, ibi<strong>de</strong>m, p.4.<br />

14 Revista <strong>de</strong> Turismo, nº97, Julho <strong>de</strong> 1920, p.1.<br />

15 ATAÍDE, José <strong>de</strong> (1912), Relatório <strong>da</strong>s Activi<strong>da</strong><strong>de</strong>s <strong>de</strong>senvolvi<strong>da</strong>s no Período <strong>de</strong> 14 <strong>de</strong> Setembro <strong>de</strong><br />

1911 a Junho <strong>de</strong> 1912, repartição <strong>de</strong> Turismo. A partir <strong>de</strong> CUNHA, Lícinio, Op. Cit., p.130.<br />

16 MELO, Daniel, (1996) – “Turismo” in ROSAS, Fer<strong>na</strong>ndo e BRANDÃO <strong>de</strong> BRITO, J. M. (dir.) – Dicionário<br />

<strong>de</strong> História do Estado Novo, Vol. II, Bertrand, Lisboa, p.984.<br />

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