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O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)

O Algarve e o turismo da região na «Revista de Turismo» (1916-1924)

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do sul”, repleta <strong>de</strong> “moças <strong>de</strong> tez more<strong>na</strong>”, on<strong>de</strong> é possível <strong>de</strong>scobrir “o perdido typo <strong>da</strong><br />

mulher arabe, cujos traços, <strong>de</strong> raça não cruza<strong>da</strong> persistiram” 20 sugerem já uma certa<br />

i<strong>de</strong>alização em torno <strong>da</strong> mesma, que se viria a acentuar no período que lhe suce<strong>de</strong>ria. Há<br />

também, por outro lado, como se disse, uma consciência já apura<strong>da</strong> em torno <strong>da</strong><br />

necessi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> <strong>de</strong>senvolvimento <strong>de</strong> algumas <strong>da</strong>s potenciali<strong>da</strong><strong>de</strong>s turísticas <strong>da</strong> <strong>região</strong>,<br />

nomea<strong>da</strong>mente no que toca às termas <strong>da</strong>s Cal<strong>da</strong>s <strong>de</strong> Monchique, capazes <strong>de</strong> completar “a<br />

já consi<strong>de</strong>rável riqueza <strong>da</strong> província, como ain<strong>da</strong> produzia benefícios <strong>de</strong> incomparável<br />

valor para o paiz [sic] em geral, pelos resultados que o Estado d’ahi auferiria directamente<br />

e pela repercussão que esse facto assi<strong>na</strong>laria no melhor aproveitamento <strong>de</strong> outras thermas<br />

[sic]” 21. De igual forma, aponta-se a vocação <strong>de</strong> “todo o <strong>Algarve</strong>, [no sentido <strong>de</strong> po<strong>de</strong>r ser]<br />

um gran<strong>de</strong> parque para repouso <strong>de</strong> convalescentes <strong>de</strong> enormes sa<strong>na</strong>tórios, que já ali<br />

<strong>de</strong>viam povoar as encostas, mas que ain<strong>da</strong> permanecem em boas vonta<strong>de</strong>s.” 22 São contudo,<br />

comparativamente com outras regiões do país, ain<strong>da</strong> poucas as referências aos «banhos»<br />

<strong>na</strong>s praias algarvias. Para lá <strong>da</strong>s inegáveis belezas <strong>na</strong>turais <strong>da</strong>s mesmas, <strong>da</strong>s alusões mais<br />

constantes à Praia <strong>da</strong> Rocha, “a mais lin<strong>da</strong> do paiz em belezas <strong>na</strong>turaes”, ou à orla “<strong>de</strong><br />

peque<strong>na</strong>s al<strong>de</strong>ias e praias d’aspecto singular, <strong>de</strong> gran<strong>de</strong>s e exquintos rochedos” poucas<br />

mais referências se fazem. Diga-se mesmo que num artigo escrito por Guerra Maio<br />

intitulado “Praias portuguesas” 23, é muito maior o <strong>de</strong>staque <strong>da</strong>do às praias do Norte do<br />

que às praias do sul. Seja por efectivo <strong>de</strong>sconhecimento ou <strong>de</strong>vido à parca oferta turística<br />

algarvia ou ain<strong>da</strong> porque a prática dos banhos <strong>de</strong> mar fosse mais habitual acima do Tejo<br />

por estar mais liga<strong>da</strong> às classes mais instruí<strong>da</strong>s – distribuí<strong>da</strong>s pela capital e por algumas<br />

zo<strong>na</strong>s urba<strong>na</strong>s do Norte, a ver<strong>da</strong><strong>de</strong> é que «o <strong>Algarve</strong> dos banhos» só mais tar<strong>de</strong> será<br />

ver<strong>da</strong><strong>de</strong>iramente <strong>de</strong>scoberto.<br />

A necessi<strong>da</strong><strong>de</strong> <strong>de</strong> resolução do problema dos transportes e meios <strong>de</strong> comunicação no país<br />

e no <strong>Algarve</strong> é, talvez o maior problema a resolver no que toca ao Turismo. Diz o<br />

conferencista A<strong>de</strong>lino Men<strong>de</strong>s, numa palestra realiza<strong>da</strong> <strong>na</strong> Socie<strong>da</strong><strong>de</strong> Propagan<strong>da</strong> <strong>de</strong><br />

Portugal e transcrita para um dos números <strong>da</strong> revista que “no dia em que a essa provincia<br />

bela e aprazível, que é o <strong>Algarve</strong>, nos ligarem comboios rápidos e cómodos, ella será a mais<br />

visita<strong>da</strong> <strong>de</strong> Portugal, por ser a mais estranha, a mais differente <strong>de</strong> to<strong>da</strong>s as outras e aquella<br />

que não tendo neve, consegue todos os anos, quando a primavera ain<strong>da</strong> vem longe, cobrir-<br />

se <strong>da</strong> branca flor <strong>da</strong> amendoeira (…)” 24.<br />

20 I<strong>de</strong>m, nº2, Julho <strong>de</strong> <strong>1916</strong>, p.15.<br />

21 I<strong>de</strong>m, nº123, Setembro <strong>de</strong> 1922, p.227.<br />

22 I<strong>de</strong>m, nº14, Janeiro <strong>de</strong> 1917, p.108.<br />

23 I<strong>de</strong>m, nº4, Agosto <strong>de</strong> <strong>1916</strong>, p.29.<br />

24 I<strong>de</strong>m, nº16, Fevereiro <strong>de</strong> 1917, p.126-7.<br />

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