Untitled - Visão Judaica

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editorial

VISÃO JUDAICA • dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Publicação mensal independente da

EMPRESA JORNALÍSTICA VISÃO

JUDAICA LTDA.

Redação, Administração e Publicidade

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Fone/fax: 55 41 3018-8018

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SHEILLA FIGLARZ

Dir. Administrativa e Financeira

HANA KLEINER

Diretor de Redação

SZYJA B. LORBER

Publicidade

DEBORAH FIGLARZ

Arte e Diagramação

SONIA OLESKOVICZ

Webmaster

RAFFAEL FIGLARZ

Colaboram nesta edição:

Antonio Carlos Coelho, Aristide

Brodeschi, Daniel Benjamin Barenbein,

Daniel Pipes, Edda Bergmann, Israel

Blajberg, Jane Bichmacher de Glasman,

Marco Alzamora, Nahum Sirotsky, Pilar

Rahola, Sérgio Feldman, Steven

Stalinsky e Yossi Groisseoign

Esta publicação contém termos sagrados.

Portanto, trate-a com respeito.

Os artigos assinados não representam

necessariamente a opinião do jornal,

mas a dos autores e colaboradores

www.visaojudaica.com.br

O Irã e sua perigosa combinação

presidente do Irã, Mahmoud

Ahmadinejad, parece não ter

problema algum em seu país

com que se ocupar. É o que se

pode deduzir do fato de que

ele, não tem outra coisa a fazer senão

ficar provocando Israel e os judeus,

sempre que vê microfones e

câmeras ligados. Primeiro foi na última

semana de outubro, quando assombrou

o mundo ao chamar Israel

de “um tumor” e conclamar os árabes

para “apagá-lo” do mapa, imitando

Hitler que queria eliminar o

povo judeu da face da terra.

Depois, no início de dezembro,

disse que a morte de seis milhões

de judeus pelos nazistas era uma invenção

e na mesma ocasião sugeriu

a transferência

de Israel para a

Europa, especificando

a Alemanha

e Áustria,

berços do nazis-

mo, o que lhe

Nossa capa

causou críticas de diversos países e

suscitou uma repreensão do Conselho

de Segurança das Nações Unidas.

Mas o inquieto aprendiz de tiranete

voltou à carga e declarou dias

mais tarde que o Holocausto judeu

é um mito. Desta vez, foi ainda mais

enfático: “Eles fabricaram uma lenda

usada para criar um Estado judeu

no coração do mundo islâmico”. A

verborragia de Ahmadinejad foi

transmitida ao vivo pela emissora estatal

de TV. E fez outra de suas estrambóticas

e alucinadas sugestões:

“que os melhores lugares para o Estado

judeu seriam a Europa, Estados

Unidos, Canadá ou o Alasca”.

Quem é esse indivíduo que governa

o Irã desde junho deste ano e

é dado, volta e meia, a rompantes

desvairados? Ahmadinejad é um exintegrante

da Guarda Revolucionária

do extinto aiatolá Ruhollah Khomeini,

e foi reconhecido por três

americanos como sendo um dos líderes

da invasão e do seqüestro da

Embaixada dos Estados Unidos em

Teerã, em 1979, que manteve reféns

os funcionários daquela legação por

meses a fio, num inédito caso episódico

de desrespeito internacional.

Portanto, trata-se de um useiro e

vezeiro em causar mal-estares de nível

mundial. Historiadores crêem

que o sibarita persa se veja como

um líder pan-islâmico popular, nos

moldes de Khomeini.

A verdade é que suas bravatas

teriam a finalidade de desviar o mundo

da verdadeira questão. Enquanto

todos se preocupam com suas grosseiras

verberações, Ahmadinejad procura

ocultar do cenário internacional

as acusações de que está desenvolvendo

armas nucleares. O Irã diz

que seu programa atômico tem fins

meramente pacíficos, de geração de

energia. Mas quem acredita que um

dos maiores produtores de petróleo

do globo, literalmente um país que

flutua em óleo precise de usinas nucleares

para gerar energia... Analis-

A capa reproduz a obra de arte cujo título é “Lançando o dreidel”, elaborada com a técnica pastel seco em

uma tela de dimensões 65 X 50 cm, criação de Aristide Brodeschi. O autor nasceu em Bucareste, Romênia, é

arquiteto e artista plástico, e vive em Curitiba desde 1978. Já desenvolveu trabalhos em várias técnicas,

dentre elas pintura, gravura e tapeçaria. Recebeu premiações por seus trabalhos no Brasil e nos EUA. Suas

obras estão espalhadas por vários países e tem no judaísmo, uma das principais fontes de inspiração. É o autor

das capas do jornal Visão Judaica. (Para conhecer mais sobre ele, visite o site www.brodeschi.com.br)

Datas importantes

24 de dezembro

25 de dezembro

26 de dezembro

27 de dezembro

28 de dezembro

29 de dezembro

30 de dezembro

31 de dezembro

1º de janeiro/06

2 de janeiro

7 de janeiro

14 de janeiro

21 de janeiro

28 de janeiro

Shabat/Parashá Vayêtsev

Véspera de Chanucá (1 vela)

1º dia de Chanucá (2 velas)

2º dia de Chanucá (3 velas)

3º dia de Chanucá (4 velas)

4º dia de Chanucá (5 velas)

5º dia de Chanucá (6 velas até as 19h50)

6º dia de Chanucá (7 velas após as 20h35)

7º dia de Chanucá (8 velas)

8º dia de Chanucá

Shabat/Parashá Vayigash

Shabat/Parashá Vaychi

Shabat/Shemot

Shabat Mevarechim/Parashá Vaierá

Acendimento das

velas em Curitiba

dezembro 05 / janeiro 06

Véspera de Shabat

DATA HORA

23/12 19h48

30/12 19h51

6/1 19h52

13/1 19h53

20/1 19h52

27/1 19h50

3/2 19h48

Desde 16/10/05 vigora o

Horário Brasileiro de Verão e

esta tabela já adiciona uma

hora a mais aos horários.

tas europeus têm ainda outra hipótese

para o comportamento esquisito

do iraniano: seus comentários

sobre o Holocausto teriam a finalidade

de tornar difícil para os líderes

do mundo negociarem diretamente

com o Irã um fim para o impasse em

torno do programa nuclear. E esse

programa é certamente o meio pelo

qual o irado líder de Teerã pretende

tornar reais seus delirantes sonhos

de riscar Israel do mapa. A miscelânea

da ideologia extremista, da perversidade

e da distorção da realidade,

das armas nucleares, da arrogância

e dos indícios de demência é uma

perigosa combinação que a comunidade

internacional precisa ter em

mente — e é urgente isso — de que

se trata de algo terminantemente

inaceitável.

Por fim, um lembrete aos nossos

leitores. Visão Judaica, como já é praxe,

entra em férias em janeiro de 2006,

mês em que não haverá edição, só

voltando em fevereiro. Até lá.

Humor

Judaico

Poucas

opções

A Redação

Hora da refeição

num vôo da El Al.

— “O senhor gostaria

de jantar?”, pergunta

a comissária de bordo

a Moishe.

— “Quais são as

opções?”, retruca o

passageiro.

— “Sim ou não,”

responde ela.


sta frase reflete a emoção

dos judeus exilados

na Mesopotâmia (atual

Iraque) durante o Cativeiro (Exílio)

da Babilônia. Isso foi há 2500 anos

atrás, entre os anos de 586 e 536

antes da Era Comum (a. E. C.). Qual

seria a razão de tal emotividade e

paixão dos judeus por Jerusalém? Se

trata de um tema emocional, quase

transcendental na alma judaica. Por

isso será difícil explicá-lo em poucas

linhas, mas tentaremos fazê-lo.

Jerusalém não foi uma cidade

fundada pelos hebreus. Os hebreus

eram nômades e pastores, não tendo

interesse pelas cidades e pelo comércio,

nas suas origens. A primeira

menção dela no texto bíblico se refere

ao quase sacrifício de Isaac por

seu pai Abraão. Gesto simbólico e

revestido de uma aura de importância,

pois significa a total dedicação

dos Patriarcas ao D-us único, ao Pacto

e a Lei (que só seria entregue mais

tarde a Moisés). Este trecho da Torá

(Pentateuco = cinco primeiros livros

da Bíblia) designa o local do evento,

como tendo sido Moriah. A tradição

determina que este é o local

aonde séculos mais tarde se construirá

o Primeiro e o Segundo Templo.

Assim antes de ser cidade, Jerusalém

simbolizava o pacto e a fé

inabalável de Abraão em D-us.

A cidade foi fundada pelos jebuseus,

um povo associado ao grupo

de povos denominado cananeus.

Erigida na encosta de uma

colina, tendo vales profundos ao

sul, a leste e oeste. Seu ponto fraco

seria a face norte da muralha.

Se diz: “Do norte virá o mal”. Este

trecho tem varias simbologias, mas

uma delas é a fraqueza da defesa

na parte norte das muralhas, nos

períodos dos dois templos.

Tomada por David, o segundo rei

de todas as tribos e o primeiro de

uma dinastia que conseguiu adquirir

legitimidade, sob a justificativa de

ter sido agraciada por um pacto eterno,

entre D-us e a casa de David.

David seria o ungido e seus descendentes

seriam eleitos por D-us,

como protegidos e sacros. Isso protegeria

a sucessão e permitiria a dinastia

se manter sem os abalos de

concorrentes e golpes de Estado.

Sérgio Feldman * Cabanas). Isso criou uma relação

Mas para se firmar ainda mais, David

e seus sucessores trataram de

criar uma unidade administrativa,

política e religiosa. A cidade de Jerusalém

cumpria com os requisitos

desejáveis para uma capital: centralidade

geográfica, boa localização

para ser defendida em caso de ataques

externos, neutra (não era parte

de nenhuma tribo ao ser tomada)

e localizada em um local aprazível

entre o litoral e o vale do Jordão.

Ideal para ser uma capital. Mas

faltava um detalhe: sacralizar a capital.

A Bíblia nos conta que David

trouxe a Arca Sagrada, que continha

as Tábuas da Lei, para o recinto interno

da cidade (Samuel II, cap. 6

e seguintes). Sua intenção era mandar

construir o Templo para abrigar

a Arca. Seria um lar, uma casa para

seu D-us. Mas esta missão foi reservada

para seu sucessor Salomão.

Motivo: David fizera muitas guerras

e tinha “as mãos manchadas de sangue”

e D-us almejava um santuário

que simbolizasse a paz. Salomão tem

seu nome derivado de Shalom (paz)

e pode assim construir o templo, já

que seu reino foi pacífico.

Trata-se de uma idealização, pois

Salomão, além de pacífico, sábio,

habilidoso escritor (a tradição lhe

atribui três livros), é descrito pela

Bíblia como tendo sido um déspota

severo e explorador de seu povo. Os

altos impostos e trabalhos forçados

geraram muitas insatisfações e o sucessor

de Salomão, denominado Roboão,

perdeu o controle de cerca

de 9 ou 10 tribos que se insurgiram

e ocorreu a divisão do Império de

David e Salomão em dois reinos: Israel

(nova dinastia) e Judá (sob os

herdeiros de David e com a capital

em Jerusalém).

A capital serviu a dinastia de

David até a conquista babilônica.

Neste período criaram-se muitos

costumes que ajudaram a sacralizar

a cidade. Três vezes por ano, os camponeses

judeus (hebreus) peregrinavam

ao Templo para agradecer

pelas suas colheitas e fazer seus

pedidos a D-us. Uma na primavera

(Pêssach ou Páscoa Judaica), outra

no verão, passadas sete semanas de

Pêssach, para entregar as primícias

(Shavuot ou Bikurim); e a terceira

no outono para entregar o dízimo

das colheitas (Sucot ou Festa das

cotidiana do povo com o Templo, a

cidade e inseriu a cidade no pacto

e na religião. Outros costumes foram

criados: sacrifícios diversos

eram feitos no pátio do Templo todos

os dias (três vezes ao dia) e

nos sábados e festas eram feitos sacrifícios

adicionais (Mussaf). Esse

costume transcendeu a existência

física do Templo: após a sua destruição,

enquanto se “sonhava” com

a construção do Terceiro Templo,

colocou-se um símbolo dos sacrifícios

na oração diária nas sinagogas.

A reza da manhã (Shacharit)

passava a substituir o sacrifício

matinal; idem com as rezas da tarde

(Minchá) e da noite (Maariv). Todas

três substituem um ritual de sacrifícios,

num horário determinado.

Os sacrifícios adicionais (Mussaf)

citados anteriormente agregam trechos

de oração adicionais a reza do

Shabat (Sábado) ou de Chaguim

(festas judaicas).

A cidade passa a ser parte integral

de uma liturgia, de festas e de

símbolos. Jerusalém e Judaísmo são

quase inseparáveis. A cidade começa

a criar uma aura de e de misticismo

e seus símbolos se tornam parte

de um imaginário religioso judaico.

Ainda no período bíblico, se desenvolve

uma aura adicional a cidade.

Os profetas vêem nela a o palco

da Redenção. Frases clássicas se relacionam

a cidade Sagrada e dão a

ela novos e profundos significados.

Algumas delas: Ki miTzion tetze Torá

udvar Hashem miIerushalaim (Que de

Sião (sinônimo de Jerusalém) sairá

a Lei (Torá) e a palavra de D-us de

Jerusalém). Essa frase pode permitir

uma sem fim de análises e leituras.

Uma delas seria que no final dos

Tempos se instalaria nela o reino de

D-us. O Messias ou ungido, descendente

da Casa de David e enviado

por D-us para reformar o mundo,

faria a transformação do Mundo em

um reino de paz e justiça, a partir

de Sião e Jerusalém.

Assim no texto há poesia, alegoria

e muito simbolismo que ilustram

esta crença na vinda do Messias e

no fato de que Jerusalém seria a sede

de seu reinado espiritual.

A cidade se elevaria (simbolicamente)

e geraria uma centralidade

em relação ao mundo todo. A aura

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Se eu me esquecer de ti,

ó Jerusalém...

(Uma viagem no imaginário judaico)

Muro das Lamentações — O lugar mais sagrado povo judeu em Jerusalém

espiritual da cidade impregna as religiões

que derivaram do Judaísmo,

tais como o Cristianismo e o Islamismo.

Não é nossa intenção descrever

e analisar esta influência, mas

imagens, crenças e símbolos

permeiam as duas outras grandes religiões

ocidentais. Ainda assim em

nenhuma delas Jerusalém obtém a

centralidade e a exclusividade de ser

o centro e o motivo de ser da crença

e da liturgia. O Cristianismo católico

ao se aliar com o Império Romano,

criou cinco patriarcados: Roma,

Constantinopla, Antioquia, Alexandria

e Jerusalém. Esta última nunca

teve o status das demais, mesmo tendo

em seu espaço lugares sagrados

entre os quais o Santo Sepulcro. Já

o Islã tem quatro cidades sagradas:

Meca, Medina, Jerusalém e Damasco.

As duas primeiras são objeto de peregrinação

obrigatória (Hadj). Já Jerusalém

é o Lugar Remoto (Al Quds),

aonde Maomé passa antes de subir

aos céus. Não tem o grau de importância

das primeiras aonde o profeta

viveu, pregou e foi iluminado.

Para os judeus há outras três cidades

sagradas: Hebron, Tibérias e

Safed. Nenhuma tem o grau de

simbolismo e de respeito que

os judeus devotam a Jerusalém.

A cidade permeia

todo o imaginário judaico,

através de orações,

rituais e símbolos. Em

outro artigo, em 2006

trataremos de analisar

este forte e arraigado “desejo”

dos judeus por sua

amada e sonhada Jerusalém.

* Sérgio Feldman

é doutor em História pela

UFPR e professor de

História Antiga e Medieval

na Universidade Federal

do Espírito Santo. Exprofessor

adjunto de

História Antiga do Curso

de História da

Universidade Tuiuti

do Paraná.

3

(Artigo dedicado a meu

“irmão” e amigo

Antonio Carlos

Coelho, que fez uma

série de belos e

sensíveis artigos sobre

este tema da cidade de

Jerusalém.

Compartilho com ele

esta paixão e este

respeito pela cidade

sagrada).


4

* Edda Bergmann

é vice-presidente

Internacional da

B’nai B’rith.

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

União Européia está perplexa

e dividida.

A primeira fonte de tensão

foi o impasse da nova constituição:

rejeitada na França e na Holanda,

e talvez o tivesse sido também

na Alemanha se tivesse havido

um “referendum” popular.

A preocupação maior é a perda

das autonomias nacionais, a segunda

é a reforma do processo neoliberal,

que exige da velha Europa reformas

trabalhistas e fiscais profundas.

A discussão sobre a entrada ou

não da Turquia na União Européia é

outro ponto muito sensível.

A luta entre terrorismo e islamismo,

ou o islamismo sem terrorismo,

não está clara.

Ninguém sabe até que ponto uma

Turquia islâmica incomodaria e retiraria

as raízes históricas de uma

União Européia cristã.

O novo partido alemão de Ângela

Merkel é contrário à entrada da Turquia,

enquanto o SPT de Schroeder

é favorável.

A temperatura dos últimos acontecimentos,

nas semanas que se passaram,

quando Renaults e Citroëns

Com enfoque nas áreas científicas

e de ciências sociais, a Confederação

Israelita do Brasil (Conib)

organizou uma viagem de 20

professores universitários e reitores

de consagradas instituições de ensino

superior público e privado de todo o

Brasil a Israel.

Os acadêmicos, com culturas e formações

distintas, tiveram a oportunidade

de conhecer o que Israel vem fazendo

em seus campos de atuação, visitando o

Parlamento, onde foram recebidos por

políticos; estiveram na Suprema Corte de

Israel, onde ouviram palestra do Ministro

da Justiça; conheceram a Cidade Velha

de Jerusalém; participaram da cerimônia

em homenagem aos 10 anos do

assassinato de Rabin z’l; e foram ao Yad

Vashem (Museu do Holocausto).

Nas universidades de Jerusalém e de

Tel Aviv, foram recebidos pelos seus reitores,

respectivamente, professores Rabinovitz

e Leviatan. Na Universidade de

Tel Aviv puderam trocar impressões e ouvir

mais sobre a vida acadêmica e o desen-

A Europa, um continente que preocupa

Edda BergAmann*

ardiam em chamas em várias cidades

francesas, sem dúvida fez os europeus

pararem e pensarem bem, em que

continente estão, e se os conflitos

entre os jovens descendentes de

minorias étnicas e a política, era realmente

de agora em diante o futuro

da França, e até onde iriam as ordens

de Nicolas Sarkozy, o ministro

do Interior da França, candidato à

presidência em 2007.

Há quem diga que o coração dos

debates não é religioso, mas sim

social. Mas tudo isso é duvidoso,

ou o religioso esconde o social, ou

o social esconde o religioso, pois

sem dúvida alguma, ambas estão

presentes e polivalentes dentro do

contexto dos carros incendiados e

das depredações.

A idéia simplória de que os excolonizados

da África ganhariam seu

dinheiro e voltariam para as ex-colônias

da África, não deu certo, hoje

já se está na quarta geração de franceses,

nascidos na França e querendo

ser europeus.

Os novos cidadãos não se encontram

cultural e religiosamente integrados,

mesmo após a quarta geração,

existem os choques de cultura,

de religião, o secularismo a laicicidade

e o problema social, vêm alfi-

volvimento de vários estudos no encontro

com Ilana Ben Ami, assistente do

presidente para a América Latina; com o

professor de Economia, Efraim Sadka, e

com o professor. Asher Susser, diretor

do Centro Moshé Dayan de Estudos sobre

o Oriente Médio e África. Conheceram ainda

o Centro Cultural Israel-Brasil, onde

participaram de um debate de altíssimo

nível. E na Universidade de Haifa, visitaram

sua livraria.

Para melhor compreensão sobre o

início davida dos imigrantes, o grupo conheceu

o Centro de Absorção de Mevasseret

Zion, onde se inteirou dos trabalhos

humanitários que Israel desenvolve,

especialmente, os voltados à acolhida dos

recém-chegados da Etiópia.

Constou ainda do programa visitas à

indústria israelense de Aeronáutica e a

Qualquilia, onde observaram os pontos

de defesa e segurança de Israel.

Na Galiléia e em Nazaré, observaram

o tipo de convivência entre judeus,

cristãos e mulçumanos. E como despedida,

o grupo participou de um jantar

netar tudo isso e torná-lo ainda mais

provocativo.

Até agora falavam e gritavam,

agora descobriram que podem quebrar

tudo e assustar populações, inclusive

preocupar autoridades.

Os jovens descendentes de árabes

e africanos hoje dizem: “Nós

somos cidadãos franceses”, embora

a sociedade de pele branca, a

sociedade que se julga genuinamente

francesa, reaja com desprezo

a esta afirmação. Olha-os como

se fossem estrangeiros, imigrantes,

ou pior ainda, como franceses de

origem imigrante. Esse é o rótulo

mais maluco de todos.

Finalmente surge a nova e assustadora

frente imigratória africana,

ameaçando despejar grande número

de miseráveis africanos do Sahara nas

costas ensolaradas da Espanha, rumo

aos países do continente, obrigando

a Comissão Européia a propor uma

reunião de cúpula, de emergência,

com a Argélia e o Marrocos para tentar

conter este fluxo.

O quadro da confusão se completa

com os conflitos de rua de Paris

nas últimas semanas, que, a semelhança

do Katrina de Bush expõem o

lado escuro da pobreza e marginalidade

francesa aos olhos do mundo.

em Abu Gosh, momento em que cada

participante pôde relatar suas impressões

sobre a viagem.

A viagem, segundo o grupo da Conib,

que foi liderado pela ex-ministra Cláudia

Costin, Horácio Lewinsky, Alan Bousso e

Jaques Perlow, diretores da Conib, e José

Luiz Goldfarb, da Secretaria da Cultura

do Estado de São Paulo, cumpriu com

seus objetivos que foram o de contribuir

para um conhecimento mais

profundo a respeito das questões

do Oriente Médio, bem

como promover um intercâmbio

entre os profissionais

dos dois países, e de oferecer

a eles, uma visão sobre

o que Israel vem fazendo em

diversas áreas.

Participaram da viagem,

reitores e professores de diversas

áreas, das seguintes

instituições: Universidade Federal

do Rio Grande do Norte

e Universidade Potiguar; Universidade

Federal do Amazo-

A velha Europa está sendo ameaçada

por dentro e por fora, pelas reformas

econômicas, pela cultura, pelo

terrorismo islâmico e pelo êxodo de

imigrantes miseráveis.

Pode se dizer que a Inglaterra escapou

dessa “guetização” que se vê

na França?

Os guetos na Inglaterra foram

construídos de forma diferente.

Lá os imigrantes não se juntaram,

em função do baixo salário ou

dos trabalhos pesados e sem importância,

como aconteceu na França.

Eles se juntaram a partir de sua etnicidade,

assim se formaram comunidades

inteiras, que conseguiram manter

tradição, hábitos, costumes, língua,

ainda que vivendo de maneira isolada.

Essas comunidades não se misturando,

ainda assim conseguiram

desenvolver certo sentido de segurança

social.

Na Inglaterra, os que mataram

pessoas inocentes no metrô, o fizeram

em nome do Islã, um Islã perigoso,

agressivo e condenável.

Ninguém pode nem deve admitir

que atos bárbaros sejam feitos em

nome de sua comunidade e compactuar

com o terror, venha ele de onde

vier e isto os africanos da Inglaterra

sabem muito bem.

Visita de acadêmicos a Israel foi um sucesso

Viagem dos professores universitários foi organizada pela Conib

nas; Universidade Federal de Minas Gerais;

Universidade Federal de Santa Catarina;

Faculdades Integradas de Curitiba

(professor Marcelo Walsh); Universidade

Federal do Rio de Janeiro; Universidade

Luterana do Brasil; Universidade

Cândido Mendes; Universidade de São

Paulo; UNIP; Universidade Estadual de

Pernambuco e Universidade de Fortaleza;

PUC-Rio de Janeiro.

O grupo visitante em frente à Menorá do Knesset, o parlamento israelense


ara aqueles que nunca

tinham visto ou ouvido

um palestino dizer que

eles estão errados em relação

a Israel, a lúcida entrevista

do ativista pelos direitos humanos

Bassem Eid à revista Veja, na

qual diz “também temos culpa“ e que

“a ocupação israelense virou desculpa

para os próprios erros dos palestinos”

causou profunda repercussão.

O coro de vozes quase monolítico de

acusações — muitas delas sem o menor

fundamento — desmoronou. A

outra face do conflito ficou exposta

de tal maneira que se enxerga hoje,

claramente que quem viola os direitos

humanos dos palestinos são os

próprios palestinos. E Bassem Eid

confirmou isso. Antes da entrevista

à Veja, ele já havia falado também

ao Programa Terceiro Milênio, transmitido

pelo canal GNT da Net.

Vivendo nos territórios ocupados,

Bassem Eid, ocupa-se da monitoração

e denúncias das violações de

direitos humanos cometidas pelos

próprios palestinos. Jornalista, ele

trocou sua carreira pela de ativista

de direitos humanos em 1988, quando

ingressou no Bet Selem, ONG israelense

que investiga abusos das tropas

de Israel nos territórios ocupados.

Mas em 1996, indignado com a

arrogância ditatorial da Autoridade

Palestina criou o Grupo Palestino de

Monitoramento de Direitos Humanos,

com a ajuda de doadores europeus.

O comportamento “rebelde” de Eid

já lhe causou muitos aborrecimentos:

foi preso pela polícia palestina

e interrogado durante 24 horas. Foi

também acusado de traição e ameaçado

por grupos terroristas. Mas nem

por isso parou de continuar denunciando

a corrupção no governo palestino

e os abusos da polícia e dos

grupos armados, como o Hamas.

Eis um resumo de suas declarações:

“A sociedade palestina divide-se

em três categorias. A primeira, a maioria,

é formada pelos cidadãos que têm

medo da Autoridade Palestina e dos

grupos armados. A segunda inclui os

que defendem apenas seus interesses

pessoais – e perderam o interesse público.

A última é a dos alienados, que

não se importam se vivemos numa ditadura

ou numa democracia. Nenhum

desses grupos se propõe a denunciar

os abusos cometidos pela Autoridade

Palestina e pelos bandos armados. Também

não vejo uma articulação pela democracia

no meio acadêmico ou na imprensa

palestina”.

“Os palestinos fazem parte do mundo

árabe. Jamais estudam na escola

conceitos como democracia, liberdade,

pluralismo e direitos humanos. A

única referência são os regimes autoritários

da região. No que se refere à

humilhação imposta às mulheres e ao

desrespeito aos direitos individuais,

não há diferença entre o que ocorre

em Damasco e na Faixa de Gaza”.

“Se algo mudou após a retirada

dos israelenses de Gaza foi para pior.

Por incrível que pareça, os palestinos

tinham mais segurança. As tropas

israelenses impediam que os grupos

armados agissem livremente. Depois

da retirada, os terroristas do

Hamas impuseram a lei do terror aos

moradores de Gaza”.

“Yasser Arafat, o presidente da

Autoridade Palestina até morrer, em

2004, foi um ditador. Ele usou a

ocupação israelense como desculpa

para seus erros. Aliás, a mania

de responsabilizar os outros pelos

próprios fracassos é uma característica

da sociedade palestina. O

que os israelenses têm a ver com as

violações de direitos humanos cometidas

por palestinos contra palestinos

em nossas prisões? Nada,

mas insistimos em culpá-los”.

A intifada foi um desastre, a pior

coisa que poderia ter nos acontecido.

Não conseguimos nada e ainda

perdemos o pouco que havíamos conquistado

no passado. Tudo por culpa

de Arafat, que governava de acordo

com seus interesses pessoais, e

não com os do povo palestino. Ele

comandava pessoalmente os grupos

armados que alimentavam a intifada.

Até sua morte, mais de 80% dos

palestinos apoiavam a intifada. Hoje,

esse índice não passa de 40%”.

“Arafat tomou posse como presidente

da Autoridade Palestina em

1996, mas já era corrupto desde que

assumiu a liderança da Organização

para a Libertação da Palestina, trinta

anos antes. Desde 1996, estimase

que mais de 60% da ajuda financeira

internacional aos palestinos

tenha sido desviada”. “Os israelenses

acreditam que Abu Mazen é mais

democrático, o que facilitaria um

diálogo direto. O problema é que ele

tem o DNA ideológico de Arafat.

Ambos fazem parte da mesma geração

de líderes palestinos que surgiu

e cresceu sob regimes autoritários

do Egito, Síria, Argélia, Iraque e

Jordânia. Esses políticos nunca

praticaram nenhum tipo de democracia,

e agora não seria diferente

com Mazen. Para fechar um acordo

com Sharon, ele terá de desarmar o

Hamas e a Jihad Islâmica, entre

outros grupos terroristas. Se tomar

essa iniciativa, ele correrá o risco

de cair. Como nenhum palestino

quer perder o emprego, muito menos

Abu Mazen, as coisas devem

continuar como estão”.

“A população israelense sabe que

um acordo de paz traria segurança a

Israel e, por isso, apóia uma solução

negociada. Por causa do sofrimento

acumulado por tantos anos de ocupação,

o palestino comum não tem

tão claro esse desejo de paz. Ele olha

para o país vizinho e vê que os israelenses

têm liberdade de movimento

e levam vida normal. Enfim, tudo o

que não pode fazer ou nem sequer

sonhar. Essa diferença colossal toca

fundo nos palestinos. Tivemos várias

oportunidades fechar um acordo

definitivo, inclusive os que contemplavam

a criação de um Estado

independente. Mas o rancor pelo sofrimento

vivido e o orgulho sempre

falaram mais alto, e acabamos desperdiçando

todas essas chances”.

“O direito de retorno dos refugiados

ao território que hoje constitui

Israel é uma bandeira usada mais

pela Autoridade Palestina do que

pelos próprios refugiados. A insis-

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Palavras corajosas de um palestino

Bassem Eid

Bassem Eid denuncia violações dos direitos humanos, corrupção e ignorância

tência de incluir essa exigência

como questão inegociável foi um

artifício utilizado por Arafat em

2000 para irritar os israelenses e

mantê-los sob pressão. O que realmente

interessa a esses refugiados

e descendentes é obter emprego,

moradia digna, hospitais e escolas

para os filhos. Não se fala mais em

direito de retorno. A maioria dos

palestinos esqueceu o assunto”.

“O mundo acredita que o Oriente

Médio será um paraíso se houver

paz entre israelenses e palestinos.

Não é bem assim. O ex-premiê

israelense Shimon Peres acertou

quando disse que o desenvolvimento

econômico da região, e não um

acordo de paz ajudaria a criar um

novo Oriente Médio”.

Calendário de Eventos

Keilá do Paraná

Dezembro/05

Segunda a sexta-feira

dias 19 a 23 – das 14 as 18h

5

Colônia de Férias do CIP

Oficina de pipa, oficina de bijuterias,

atividades esportivas, cinema, artes,

jogos na piscina e muita diversão!

Para crianças de 4 a 8 anos - Vagas

Limitadas!

Preço: R$ 25,00 por dia ou R$100,00 a

semana

Inscrições na secretaria do CIP.

Local: CIP - Trav. Agostinho Macedo, 248.

Terça-feira – dia 27 – 19h

Festa de Chanuká na Praça 29 de

Março

Oficina de Chanukiá, atividades para as

crianças, brinquedos, jogos, música,

comidas típicas e acendimento da

grande chanukiá às 20h15.

Local: Praça 29 de março.


6

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Chanucá

- a esta das Luzes

ignificado da palavra Chanucá:

Literalmente, “Inauguração”.

A festa recebeu este

nome em comemoração ao fato histórico

de que os macabeus “chanu”

(descansaram) das batalhas no “cá”

(25º dia) de Kislev.

Comemora-se em 25 de Kislev.

Neste ano (2005), a primeira vela é

acesa no dia 25 de dezembro, ao

anoitecer.

Antíoco, rei da Síria, governou a

Terra de Israel depois da morte de

Alexandre, o Grande. Pressionou os

judeus a aceitarem a cultura grecohelenista,

proibindo o cumprimento

das mitsvot (preceitos) da Torá e

forçando a prática da idolatria pagã.

Antíoco foi apoiado por milhares

de soldados de seu exército. Em 165

a.E.C, os Macabeus, corajosos lutadores

oriundos de uma família de

muita fé, os Chashmonaim (Hasmoneus),

apesar do antagonismo esmagador,

saíram vitoriosos de uma batalha

travada contra o inimigo.

O Templo Sagrado, violado pelos

rituais greco-pagãos, foi novamente

purificado e consagrado

e a Menorá (candelabro) reacesa

com o azeite puro de oliva, descoberto

no Templo.

A quantidade encontrada era insuficiente,

dava para apenas um dia,

mas milagrosamente durou 8 dias, até

que um novo óleo puro pudesse ser

produzido e trazido ao Templo. Em

lembrança destes milagres comemoramos

Chanucá durante oito dias.

Chanucá Guelt

Em Chanucá, é tradicional dar às

crianças Chanucá Guelt, dinheiro de

Chanucá. Uma das razões deste costume

é a oportunidade de lhes oferecer

um reforço positivo por comportamento

exemplar e como dedicação

ao estudo de Torá, que era proibido

durante a ocupação dos sírios,

além de incentivá-las a doar uma

parte para tsedacá, a caridade.

Sevivon

A origem — Antíoco decretou que

cada aula de Torá era crime punível

com morte ou prisão. Em desafio, as

crianças estudavam em segredo, e

quando as patrulhas sírias eram avistadas,

fingiam estar jogando uma

inocente brincadeira de pião, também

conhecido como dreidel (em iídiche)

e sevivon (em hebraico).

As letras

Todo sevivon possui quatro lados

com uma letra hebraica em cada um

deles. Cada letra é a inicial de uma

palavra. As quatro letras são:

Nun, primeira letra da palavra nes,

que significa “milagre”.

Guimel, primeira letra de gadol, que

significa “grande”.

Hei, primeira letra de haya, que significa

“era” ou “foi”.

Shin, primeira letra de sham, que

significa “lá”.

Juntas, estas letras formam a frase:

“Um grande milagre aconteceu lá”.

Como acender a chanukiyá

É preferível que todos os membros

da família estejam presentes ao acendimento

da chanukiyá. A chanukiyá

deve ficar num lugar especial, onde

normalmente não se acendem luzes

nem velas. O costume Chabad é colocá-la

no lado esquerdo da porta de

entrada, em frente à mezuzá, sobre

uma mesa ou cadeira para proclamar

a todos o milagre de Chanucá.

Ela é acesa ao anoitecer, em cada

uma das oito noites da festa, usando

azeite de oliva ou velas grandes

o suficiente para arder, no mínimo,

meia hora após o anoitecer (segundo

o costume Chabad, 50 minutos).

Acende-se a primeira vela do lado direito

da chanukiyá; na segunda noite,

acrescenta-se uma vela nova do

lado esquerdo da primeira, e assim

sucessivamente. A vela a ser acesa é

sempre a nova, procedendo da esquerda

para a direita.

(25 de dezembro)

Na noite de sexta-feira, a chanukiyá

é acesa antes das velas de Shabat.

A chanukiyá não pode ser tocada

ou removida depois de seu acendimento

na sexta-feira até sábado

após o anoitecer. Sábado à noite, a

preparação e o acendimento da chanukiyá

devem ocorrer somente após

o término do Shabat.

Se uma vela apagar durante o

período em que deveria estar ardendo,

deve ser reacendida. É permitido

apagar as velas após arderem

o tempo determinado (menos

na sexta-feira à noite quando é

proibido acendê-las ou apagá-las

devido ao Shabat). Na noite seguinte,

os pavios e o azeite restantes

podem ser reaproveitados.

A luz da chanukiyá é sagrada e

não pode ser utilizada para outro fim,

como leitura ou trabalho.

A chanukiyá é acesa usando uma

vela, de preferência de cera, chamada

shamash, a auxiliar. Primeiro,

acende-se o shamash, depois pronuncia-se

as seguintes bênçãos:

1. Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu

Mêlech haolam, asher kideshánu

bemitsvotav, vetsivánu lehadlic

ner Chanucá.

(Bendito és Tu, A-do-nai, nosso

D-us, Rei do Universo, que nos

santificou com Seus mandamentos,

e nos ordenou acender a vela

de Chanucá).

2. Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech

haolam, sheassá nissim laavotênu,

bayamim hahêm, bizman hazê.

(Bendito és Tu, A-do-nai, nosso

D-us, Rei do Universo, que fez milagres

para nossos antepassados,

naqueles dias, nesta época).

Na primeira noite ou pela primeira

vez, acrescenta-se:

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu

Mêlech haolam, shehecheyánu

vekiyemánu vehiguiyánu lizman

hazê.

(Bendito és Tu, A-do-nai, nosso

D-us, Rei do Universo, que nos

deu vida, nos manteve e nos fez

chegar até a presente época).

Em seguida, acendem-se as velas

da chanukiyá com o shamash. Após

acender as velas, coloca-se o shamash

à esquerda da chanukiyá de

modo que fique mais alto do que as

chamas da chanukiyá, e recita-se:

Hanerot halálu ánu madlikin al

hateshuot, veal hanissim, veal haniflaot,

sheassíta laavotênu, bayamim

hahêm, bizman hazê, al yedê

cohanêcha hakedoshim. Vechol shemonat

yemê Chanucá, hanerot halálu

côdesh hem, veen lánu reshut

lehishtamesh bahen, êla lir’otan

bilvad, kedê lehodot ul’halel leshimechá

hagadol, al nissêcha, veal

nifleotêcha, veal yeshuotêcha.

(Nós acendemos estas luzes em

virtude das redenções, milagres e

feitos maravilhosos que realizaste

para nossos antepassados, naqueles

dias, nesta época, por intermédio de

Teus sagrados sacerdotes. Durante

todos os oito dias de Chanucá, estas

luzes são sagradas, e não nos é

permitido fazer qualquer uso delas,

apenas mirá-las, a fim de que possamos

agradecer e louvar Teu grande

nome, por Teus milagres, Teus feitos

maravilhosos e Tuas salvações). (Fonte:

www.chabad.org.br).


Sharon deixa o Likud

e cria novo partido

primeiroministro

de

Israel, Ariel

Sharon, deixou

seu partido, o Likud

e anunciou a criação de

uma nova legenda para

concorrer à reeleição. O

novo partido se chama

“Kadima” e significa Avante. Junto com

Sharon, mais de uma dezena e meia de

parlamentares do Likud deixaram o partido

— inclusive o deputado Tzachi

Hanegbi, líder do Likud no Parlamento

— e seis ministros já aderiram ao novo

partido de Sharon, entre eles, Shaul

Mofaz, da Defesa.

Analistas dizem que o termo “Kadima”

se encaixa bem na imagem popular de Sharon,

um ex-general que sempre levou suas

tropas adiante nos campos de batalha, ao

longo de quatro décadas de carreira militar.

Aos 77 anos, Sharon parece disputar

seu último mandato como premiê.

O Kadima foi formalmente registrado

como partido um dia depois de o presidente

Moshe Katsav convocar eleições

antecipadas para 28 de março. Sharon

deixou o Likud, alegando que não poderia

fazer a paz com os palestinos enquanto

estivesse “perdendo tempo” combatendo

seus rivais de direita dentro do partido

que ele ajudou a fundar há 32 anos,

em 1973. Os adversários de Sharon dentro

do Likud se opuseram à desocupação

da Faixa de Gaza, concluída em setembro,

por considerar que isso seria uma

recompensa aos palestinos.

O fato de Netanyahu ter deixado o

Ministério das Finanças por se opor à

desocupação de Gaza deu-lhe votos entre

os membros do Likud, já que seu adversário

Mofaz, como ministro da Defesa,

teve importante papel na retirada dos

militares da região.

Mas, nas eleições gerais, Netanyahu,

que como ministro realizou reformas neoliberais,

pode ser um alvo mais fácil para

o novo líder do Partido Trabalhista, o

sindicalista Amir Peretz, que anunciou

que irá centrar sua campanha na ajuda

aos israelenses mais pobres.

Pesquisas divulgadas dias após a saída

de Sharon do Likud mostram que seu

novo partido obteria entre 30 e 33 cadeiras

das 120 do Parlamento, o suficiente

para lhe garantir um terceiro

mandato como premiê. O Partido Trabalhista,

segundo a pesquisa, ficaria com

25 ou 26 vagas, e o Likud teria de 12 a

15. O “Kadima” promete adotar uma linha

centrista, trabalhando na retomada

do Mapa da Estrada, plano para estabelecer

fronteiras permanentes para

Shimon Peres anunciou que apoiará

Sharon nas próximas eleições

Israel e possibilitar a criação

de um Estado palestino.

O vice-premiê Shimon

Peres também deixou seu

partido, o Avodá (Trabalhista),

mas disse que

apoiará Sharon para um

próximo mandato.

A decisão de Ariel Sharon

levou em conta a oposição que lhe

movia seu então o próprio partido Likud,

e apressada quando Peretz convocou

os trabalhistas a abandonarem imediatamente

o governo de coalizão que

sustentava Sharon para protestar contra

a proposta de orçamento para o próximo

ano e por divergências na área socioeconômica

com o Likud, mergulhado numa

séria crise ideológica após a remoção dos

assentamentos judaicos em Gaza.

Conhecido como líder pragmático,

Sharon tem fama de desfazer projetos sem

titubear. Em 1977 abandonou o partido

Shlomtzion para voltar ao Likud — que

fundara em 1973 — e ficar sob o comando

do ex-premier Menachem Beguin.

A mais recente prova do caráter ousado

foi o desmantelamento das colônias em

Gaza, que incentivara e financiara ao longo

das três últimas décadas.

Uma eventual vitória de Sharon não

significa que será menos linha-dura com

os palestinos, embora deva buscar uma

nova base de apoio entre a maioria da

população que foi favorável à retirada de

colonos e tropas de Gaza. As eleições

estavam originalmente previstas para

novembro de 2006, mas foram antecipadas

devido aos acontecimentos.

“Sharon é o único líder confiável com

uma base nacional por enquanto, e essa é

uma carta muito forte que ele tem

para jogar”, disse o analista político

Gerald Steinberg, da Universidade

Bar-Ilan. “Por outro lado,

trata-se de um território totalmente

novo, e terceiros partidos [além

do Likud e do Trabalhista] não foram

bem no passado”.

Sharon, que é general da reserva,

já se mostrou disposto a

fazer “concessões dolorosas” pela

paz, o que indica futuras retiradas

da Cisjordânia. Mas ele se recusa

a negociar com a Autoridade

Palestina até que esta desarme

os terroristas.

O jornal israelense Haaretz disse

que, em um eventual terceiro

mandato, Sharon — no poder desde

2001 — iria abandonar assentamentos

isolados da Cisjordânia,

mas manteria para Israel os encraves

mais importantes num possível

acordo de paz com os palestinos.

Tempos atrás, o então secretário

de Estado Colin Powell prestou

homenagem póstuma pela “dissensão

construtiva” a Hiram (ou Harry)

Bingham IV.

Durante mais de cinqüenta

anos, o Departamento de Estado

(correspondente ao Ministério das

Relações Exteriores) resistiu a qualquer

tentativa de prestar honras a

Bingham. Para o Departamento, ele

era um membro insubordinado do

serviço diplomático dos EUA, um

rebelde perigoso que foi finalmente

rebaixado.

Agora, depois de sua morte, ele

foi oficialmente reconhecido como

um herói.

Bingham veio de uma família

ilustre. Seu pai (sobre quem o caráter

ficcional de Indiana Jones foi

inspirado) foi o arqueólogo que revelou

a cidade inca de Machu Picchu,

no Peru, em 1911.

Harry entrou para o serviço diplomático

dos EUA e, em 1939, foi

enviado para Marselha, na França,

como vice-cônsul americano.

Os EUA eram então neutros e, não

desejando incomodar o marechal Petain,

do regime fantoche de Vichy,

o governo do presidente Roosevelt

ordenou aos seus representantes em

Marselha para que não concedessem

vistos a quaisquer judeus.

Bingham considerou essa política

imoral e, arriscando sua carreira,

fez de tudo ao seu alcance para so-

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

A história de Bingham,

o Schindler americano

Outra evidência do comportamento da administração Roosevelt com

os judeus da Europa durante a 2ª Guerra Mundial

lapar isso. Em desafio aos seus chefes

em Washington, ele concedeu

mais de 2.500 vistos norte-americanos

a refugiados judeus e outros,

inclusive artistas como Marc Chagall

e Max Ernst, e à família do escritor

Thomas Mann.

Ele também abrigou judeus em sua

casa de Marselha, e obteve papéis e

documentação forjada para ajudar

judeus em suas viagens perigosas

pela Europa.

Ele também trabalhou com a resistência

francesa para contrabandear

judeus da França para a Espanha

de Franco ou através do Mediterrâneo,

e até mesmo contribuiu

para as despesas deles com recursos

do próprio bolso.

Em 1941, Washington perdeu a

paciência com ele. Enviaram-no

para a Argentina onde, mais tarde,

continuou irritando seus superiores

ao fazer relatórios dos movimentos

dos criminosos de guerra nazistas.

Finalmente, ele foi forçado

a deixar completamente o serviço

diplomático americano.

Bingham morreu quase pobre em

1988. Pouco se sabia sobre suas extraordinárias

atividades até que seu

filho encontrou algumas cartas nos

pertences dele depois da sua morte.

Muitas instituições e organizações,

inclusive as Nações Unidas e o Estado

de Israel tem lhe prestado homenagens

agora. Um selo postal com a figura dele

será emitido em 2006.

7


8

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Swazilândia é um pais no sul do

continente africano,

aproximadamente do tamanho do

Estado de New Jersey, um dos

últimos países de monarquia

absoluta, onde ficam os reinados de

Dlamini e de Gamzeda. Gamzeda,

o menos conhecido dos dois, é um

reinado pacifico, onde sua

população vive da agricultura.

Esta é a história de Gusinthi

Gamzeda, filho do Rei de Gamzeda,

que deixou o reinado de seu pai

para viver em Israel.

asci na realeza. Dos tempos

que eu me lembro, meus pais

estavam sempre ocupados

com assuntos do Estado e cerimônias

reais.

Atualmente, o titulo rei denota

honra, e não força. Até mesmo nos

paises atuais que têm seus reis,

como a Inglaterra e a Bélgica, o

verdadeiro chefe de Estado é o primeiro-ministro

ou o presidente.

Mas em uma monarquia absoluta,

como esta que eu cresci, o rei tinha

força ilimitada.

Havia serventes no palácio de

meu pai cujos trabalhos eram somente

enaltecer o rei – durante

todo o dia. De manhã até a noite,

tinham que dizer: “Oh Grande

Leão”, ou “Oh vasto oceano”.

No reino de meu pai a ninguém

era permitido ficar em pé numa

altura maior do que a do rei. Se o

rei fosse baixo, como no caso do

meu pai, todos tinham que se abaixar

em sua presença. No verão o

rei sentava num tapete, e todos

os presentes e nobres tinham que

se aproximar dele apoiados de

quatro, enquanto cantavam canções

de louvor.

Uma audiência com o rei

Meu pai estava disponível,

pelo menos em principio, para

qualquer cidadão do país que desejasse

falar com ele. Deste modo

um cidadão conseguia uma audiência

com o rei: A pessoa entrava

em um pátio lotado de outras

pessoas esperando para falar

com ele, enquanto todos cantavam

cânticos de louvor. O rei ficava

em uma varanda, observan-

O príncipe da África

do a multidão no pátio, e selecionava

a pessoa com a qual ele queria

falar. Um de seus servos trazia

a pessoa até um recinto interno,

onde o rei estava em companhia

de outros servos. O rei nunca sentava

sozinho.

Como príncipe, eu tinha direito

de ter audiência privada

com o rei, mas mesmo eu, que

era seu filho, tinha antes que

pedir permissão para entrar.

Eu nunca podia falar “pai, eu

preciso falar contigo agora”. Para

mim ele era em primeiro lugar rei

e, pai em segundo. Não Avinu

Malkenu, mas sim Malkenu Avinu.

Existia uma boa razão para

este distanciamento, já que os

mais próximos do rei são aqueles

que construirão sua imagem. Sua

dignidade vem da própria realeza,

muito além da simples adoração

do povo.

Por diversas vezes me perguntaram

se o povo que habitava

o reino de meu pai o adorava por

uma sensação genuína de reverência

à sua pessoa, ou simplesmente

por não ter uma outra escolha.

Pessoalmente eu acredito que a

vasta maioria das pessoas em Gamzeda

admirava o rei e a família real

de todo o coração.

De pé perante o rei

Todos os que entravam no recinto

onde meu pai se encontrava,

compreendiam imediatamente

qual o significado e a grandeza

de estar perante o rei poderoso.

Eles ficavam ali de pé, sentindo

um grande temor e com cuidado

em cada palavra que saía de

suas bocas.

Todos os dias eu observava pessoas

atemorizadas gaguejando e

tremendo perante meu pai. Eles

sabiam que se irritassem o rei de

alguma forma podiam ser punidos

severamente. Por diversas vezes vi

meu pai condenar pessoas à morte.

Geralmente era por estrangulamento,

e ocasionalmente pela

espada, dependendo da severidade

do crime cometido. No entanto,

este poder era exercido apenas

se o rei determinasse que a

execução fosse necessária pelo

bem do reinado. Meu pai pesava

e julgava a importância de ser

dada à sentença de morte somente

após muitas consultas com seus

conselheiros. Nunca a decisão era

tomada por raiva ou por impulso.

Educação de Príncipe

Cresci no palácio real com serventes,

governantas e professores.

Nunca me faltou nada. Mas

quando eu era uma criança eu me

sentia aborrecido com o sentimento

do vazio.

O reinado de Gamzeda era essencialmente

secular, mas grande

parte de seus habitantes misturavam

cristianismo com costumes

e fés africanas. Eu sempre acreditei

que havia um Criador, e sabia

que a vida tem seu propósito mais

profundo. Mas que propósito era

este eu não tinha a menor idéia.

Num determinado momento

de minha juventude, houve um

conflito entre o reinado do meu

pai e o reinado vizinho Dlamini.

Surgiram boatos de que meu pai

estava tentando anexar o reino

vizinho. Por garantia, meu pai

enviou toda nossa família para

Inglaterra, onde estudei nas mais

renomadas escolas, juntamente

com príncipes de todas as partes

do mundo.

Quando retornei a Gamzeda

queria continuar meus estudos na

universidade da África do Sul.

Minha mãe, que nasceu naquele

país, desencorajou-me fortemente

deste plano, devido a descriminação

racial na África do Sul

naquela época do apartheid. Mesmo

assim, fui e me inscrevi na

universidade para provar que a cor

não determina inteligência.

Depois, de volta à Inglaterra,

graduei-me em alemão e italiano,

em Oxford. Durante uma aula meio

cansativa, vi um outro aluno escrevendo

algo estranho, da direita

para a esquerda. Após a aula

perguntei-lhe do que se tratava e

ele me respondeu que estava fazendo

seus trabalhos para o curso

de hebraico.

Hebraico, o idioma da Bíblia.

Meu interesse cresceu.

Registrei-me no Departamento

de Hebraico na universidade e

comecei a estudar esse idioma.

Para isso, escutava fitas que a

universidade tinha em seu acervo.

A primeira fita que escutei foi

a história da Akeidat Itzhak. Pude

entender a grandeza do ato de

Avraham. Esse foi o começo da

minha jornada ao judaísmo.

A partir do momento que descobri

o hebraico, nada mais me interessava.

Eu sabia que havia segredos

ocultos dentro deste idioma, e

estava determinado a descobri-los.

Um dia vi um fascinante livro,

o Mishnê Torah, escrito por Maimônides.

Li do começo ao fim e comentei

com meus amigos judeus na

universidade. Não passou muito

tempo até que eles também passaram

a se interessar pelo judaísmo.

Rumo a Israel

Um professor israelense que recentemente

havia entrado para o

staff da universidade me recomendou

fazer meu doutorado em hebraico

na Universidade Hebraica

de Jerusalém. Eu sabia que na bíblia

estava escrito que D-us disse

a Avraham para ir a Israel, e entendi

que havia uma conexão entre

a terra de Israel e a revelação

da espiritualidade. Senti que a

oportunidade de ir para Israel era

um presente Divino. Hashem estava

me ajudando a encontrar

aquilo que eu estava procurando.

Viajei para Israel e comecei a

estudar também o aramaico na

Universidade Hebraica de Jerusalém.

Neste tempo não tinha

idéia que esse idioma iria ser importante

para meus estudos da

Guemará (Talmud).

Aproveitei meus estudos na

Universidade Hebraica, mas sentia

que algo estava faltando. Eu

ainda não podia entender a conexão

entre aquilo que presenciava

na universidade e a passagem da

bíblia que se referia a Avraham. A

profundidade não se encontrava

ali. Pensei que talvez tivesse feito

um erro ao ir para Israel.

Um dia recebi uma ligação

dos meus amigos judeus da universidade

inglêsa, aqueles a quem

mostrei o livro de Maimônides

ainda em Oxford. Eles me disseram

que estavam também em Israel,

e que vieram para estudar

em Ohr Sameach e, que queriam

me encontrar. Fui visitá-los e fiquei

chocado quando vi que haviam

se tornado religiosos. “Você

foi a pessoa que nos trouxe de

volta às nossas origens”. Achavam

irônico que um não-judeu fosse

responsável por trazê-los de volta

ao judaísmo. Eles me perguntaram

se eu havia pensado em me

converter. Respondi que enquanto


puder ainda dormir de noite, não

vou querer tomar este passo.

Fui a algumas aulas de Ética Judaica

na Ohr Sameach, e lá eu finalmente

senti a conexão com aquilo

que via nos livros de Maimônides

e na história de Avraham. Decidi

começar a estudar na yeshivá.

Mas eu ainda não pensava em

me converter. O judaísmo passou

a ser um motivo de frustração para

mim. Por que D-us iria querer que

eu adquirisse algo que não pudesse

fazer parte? Meus amigos judeus

decidiram estudar Torá, foram

para a yeshivá e simplesmente

isso. Mas para mim, tornar-me

um judeu observante envolveria

um tremendo obstáculo espiritual

e psicológico. Por que D-us não

me criou judeu ao invés de ter me

criado um não-judeu que quer se

tornar judeu? Há tantos judeus

que não têm nenhum interesse no

judaísmo, por que não eles terem

nascidos não-judeus e eu judeu?

uga

Na minha frustração, resolvi

sair de Israel e passar um tempo

em Roma. Lá, num hotel italiano,

judaísmo nunca iria me perturbar.

Ou pelo menos assim pensei.

Certa vez fui ao restaurante

do hotel para tomar o café da

manhã. Pegava o garfo, mas não

conseguia colocar comida na

minha boca. Depois de várias

tentativas frustradas, perguntei

para mim mesmo: “O que está

acontecendo aqui? Você é goy!

Não venha me dizer que esta comida

não é casher!”.

Depois me lembrei que havia

deixado Israel logo depois de Rosh

Hashaná. Fui e olhei um calendário,

falando para mim mesmo que

aquilo era ridículo, mas queria de

todos modos checar isso. Fui para

o meu quarto e vi a data: Iom Kipur.

Não podia ser! Impossível. Peguei

um outro calendário e para

minha surpresa também estava escrito

Iom Kipur. Pensei que estava

ficando louco. Estava sentindo

como se D-us estivesse me dizendo,

“se você não quer dormir à noite,

Te arranjarei motivos para isso”.

Tentei escapar, mas estava voltando

como um bumerangue. Pen-

sei: Hashem está dando a você

tantas oportunidades, se você não

tentar aproveitar as oportunidades

dadas a você, não venha depois

dizer que realmente estava em

busca da verdade. Foi-te mostrado

e você fugiu.

Sabia que a Torá era uma expressão

da verdade e que o povo

judeu era o Seu povo. Disse a mim

mesmo: “Eu vou voltar a Israel e

me converter”.

Quando coloquei os tefilim

pela primeira vez após minha conversão,

senti-me conectado com

toda a história judaica, com

Avraham Avinu e Akeidat Itzhak.

Pela primeira vez senti que minha

vida tinha um propósito.

Reencontro com a família

Converter-me, no meu caso, significava

cortar contato com minha

família e deixar de lado o reino de

meu pai e as riquezas. Minha ligação

com a família estava prejudicada

há 16 anos. Sabia que não poderia

retornar à Swazilândia por

medo de ser punido pelo meu pai.

Durante a primeira Guerra do Golfo,

quando os scuds começaram a

cair em Israel, meu pai estava muito

preocupado comigo. Ele investigou

onde eu estava e soube que

havia me convertido ao judaísmo.

Como diversos pais quando os filhos

optam por um diferente estilo

de vida ficam furiosos, assim ficou

meu pai. Para ele foi um susto.

Um dia meu pai ligou e me

disse: “Meu filho, a gente já não

se vê por 16 anos, e estamos com

saudades de você. Seus irmãos e

irmãs estão casados e têm filhos

e todos nós queremos te encontrar,

você não tem com que se preocupar,

nada irá te acontecer”.

Meu pai ficou em paz com minha

decisão. Decidi ir encontrá-los,

mas em um território neutro.

O encontro foi em Johannesburgo,

no aeroporto, e todos nós

choramos. Quando vi meu pai, fiz

a brachá especial que se diz quando

vemos um rei. Pensei na minha

infância, crescendo como o

príncipe e a minha decisão de

abrir mão da realeza. Então percebi

que ainda sou um príncipe,

eu sou um filho do Rei dos Reis.

Nota: Hoje, o príncipe se chama Rabino Natan, mora em Tzfat (Safed),

Israel, dá aulas de judaísmo e palestras em diversos locais.

Publicado em 28/9/2005 no jornal Hamodia, edição americana.

Tradução de Fernando Bisker, que conheceu pessoalmente o

personagem desta história, quando estudou em Ohr Sameach e era

seu vizinho em Jerusalém. Dele, o tradutor diz: “Em todas as festas,

sempre tinha algo profundo para dizer, em qualquer um dos 10

idiomas que falava fluentemente”.

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

O atentado a

bomba que matou

cinco pessoas em

Hadera, Israel, no

dia 26 de outubro

inspirou nos palestinos a exultação de sempre:

cerca de três mil pessoas saíram em festa para as

ruas, entoando Allahu Akbar, pedindo mais ataques

suicidas contra os israelenses e felicitando

a família do “mártir” pelo sucesso da operação.

Mas os árabes palestinos ficaram excepcionalmente

sombrios depois das três explosões que

em 9 de novembro causaram a morte de cinqüenta

e sete pessoas e feriram centenas de outras em

Amã, na Jordânia. Isso porque, pela primeira vez,

eles foram as maiores vítimas desses mesmos “mártires”

islamistas.

O massacre cometido no salão de festas do

Hotel Radisson SAS custou a vida a dezessete

membros de duas famílias da elite palestina, ali

reunidas para as núpcias dos jovens que o London

Times chamou de um “casal de ouro”, amado

por seus familiares e amigos. A explosão matou

ainda quatro líderes da Autoridade Palestina,

dentre eles Bashir Nafeh, chefe da inteligência

militar na Cisjordânia.

Após duas décadas distribuindo esses horrores

entre os israelenses, por vezes em circunstâncias

igualmente festivas (uma ceia de Páscoa judaica,

um Bar Mitzvah), os árabes palestinos, que

constituem a maioria da população da Jordânia,

viram-se de repente no lugar das vítimas.

E, adivinhem, eles não gostaram nem um pouco.

O irmão de uma mulher ferida no ataque disse

a um repórter: “Minha irmã, eu a quero tanto.

Morro por causa dela e, se algo lhe acontecer, eu

ficarei realmente...” Em choque, ele parou de falar

e chorou. Um outro parente chamou os terroristas

de “criminosos perversos”. Uma terceira clamava:

“Oh meu Deus, oh meu Deus. Será possível

que árabes estejam matando árabes, muçulmanos

matando muçulmanos?”

Expresso aqui o meu mais sincero pesar às famílias.

Espero ainda que os árabes palestinos,

conhecidos em todo o mundo não só por se valerem

sistematicamente de atentados suicidas mas

por fazê-lo com entusiasmo, saibam beneficiarse

dessa oportunidade única de aprendizagem.

Nenhuma outra mídia e nenhum outro sistema

de ensino doutrina crianças para que se

convertam em assassinos suicidas. Nenhum

outro povo realiza velórios festivos na morte

de terroristas suicidas. Nem outros pais desejam

que seus filhos se façam explodir com bombas.

Ninguém mais recebe das autoridades

apoio e financiamento tão generosos para a

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Os palestinos

tomam uma dose do

próprio remédio

Daniel Pipes*

9

prática terrorista. Nem outro povo jamais produziu

um líder tão inextricavelmente ligado ao

terrorismo como o foi Yasser Arafat, nem lhe

dedicou tamanha lealdade.

As comemorações pelo primeiro aniversário de

sua morte em 11 de novembro foram marcadas

por afirmações ardorosas de que “ele permanecerá

vivo em nossos corações” e pelo compromisso

de dar continuidade ao seu trabalho.

Os atentados de Amã, atribuídos à Al-Qaeda,

expuseram a hipocrisia dos palestinos e de seus

defensores, que condenam o terrorismo contra si

mesmos, mas não contra os outros, especialmente

contra os israelenses. Shaker Elsayed, imã da

mesquita Dar al-Hijrah, na Virgínia, denunciou o

atentado de Amã como um “ato insensato”. Muito

simpático. Porém Brian Hecht, do Investigative

Project, lembra que Elsayed tem o hábito de

justificar ataques terroristas contra israelenses: “A

jihad é obrigatória para todos, seja uma criança,

uma mulher ou um homem”, disse ele. “Eles precisam

fazer a jihad com todas as armas disponíveis.”

A rainha Noor, da Jordânia, personifica essa

hipocrisia quando afirma que os terroristas de

Amã “cometeram um grande erro tático aqui, porque

atacaram civis inocentes, muçulmanos em

primeiro lugar”, deixando implícita sua aprovação

se as vítimas não fossem muçulmanas.

Será que o vergonhoso caso de amor dos árabes

palestinos com os ataques suicidas e o “martírio”

esfriará depois da atrocidade cometida em

Amã? Uma dose de seu próprio remédio lhes ensinará

que tudo o que vai, volta? Que a barbárie

alcança os bárbaros no final?

Pequenos sinais parecem indicar uma mudança

de opinião, na Jordânia ao menos e ainda

que por um momento. Uma pesquisa realizada

em 2004 na Universidade da Jordânia revelou

que dois terços dos jordanianos adultos consideram

as ações da Al-Qaeda no Iraque “uma legítima

organização de resistência”. Depois dos

ataques em Amã, uma outra pesquisa mostrou

que nove entre dez entrevistados tinham mudado

de idéia quanto a apoiar a Al-Qaeda.

Para que os árabes palestinos modifiquem seu

comportamento, é necessário que as sociedades

civilizadas adotem medidas mais enérgicas contra

o terrorismo suicida. O que significa rejeitar

o Hamas como uma organização política e excluí-lo

de qualquer diálogo. Significa manter-se

longe de peças de propaganda como Paradise Now,

um filme que romantiza o terrorismo suicida palestino.

E significa colocar na prisão Sami Al-Arian,

da Jihad Islâmica, e seu comparsas da Flórida.

A mensagem para os árabes palestinos deve

ser simples, consistente e universal: todos, inequivocamente,

condenam o terrorismo suicida,

seja a área eleitoral, diplomática ou educativa, e

sejam os atentados em Amã ou em Hadera.

* Daniel Pipes é diretor do Fórum do Oriente Médio e colunista premiado dos jornais New York Sun e

The Jerusalem Post. Este artigo foi publicado pelo jornal New York Sun, em 9 de dezembro de 2005.

Também disponível em www.danielpipes.org e também em Mídia Sem Máscara. http://

www.midiasemmascara.org/artigo.php?sid=4382) Tradução: Márcia Leal.


10

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

oferta pública inicial de

ações nas últimas semanas

pela Saifun, uma empresa

israelense de projetos

de chip, na bolsa Nasdaq causou

uma das maiores agitações já vistas

por uma companhia israelense na

América há anos. A Saifun desenvolveu

uma nova forma, mais compacta

de memória flash, demanda pela qual

está experimentando um boom no

aumento da capacidade de armazenamento

dos telefones celulares, tocadores

de música MP3 e outros dispositivos

portáteis. A empresa já

autorizou sua tecnologia para companhias

como a Sony, Infineon e

Fujitsu, e espera-se que assine logo

uma negociação com a Samsung.

Tendo sido avaliada em US$ 675

milhões na Nasdaq, a Saifun agora

reúne uma lista de empresas de tecnologia

israelenses globalmente

prósperas como a Amdocs, Check

Point e Comverse. Na realidade, Israel

é o terceiro, depois dos Estados

Unidos e do Canadá, no número de

companhias listadas na Nasdaq, e o

país tem atraído o dobro da quantidade

de investimentos em venturecapital

(VC [capital de risco]) do que

consegue toda a Europa, de acordo

com Ed Mlavsky, um veterano da indústria

de tecnologia israelense, e

presidente e fundador da Gemini, um

grande fundo israelense de VC que

foi um dos investidores da Saifun.

Em 2003, 55% das exportações

de Israel foram de alta tecnologia,

comparados com a média de 26%

da OECD (Organisation for Economic

Co-operation and Development

[Ogranização para Cooperação Econômica

e Desenvolvimento]). Gigantes

da tecnologia como a IBM,

a Motorola e a Cisco têm centros

de pesquisa em Israel que também

é onde a Intel desenvolveu seu chip

VJ INDICA

O segredo do sucesso

da tecnologia de Israel

ILME

Uma Vida Iluminada

Everything is Illuminated (EUA/2005)

Centrino. Nada mal para um país

com uma população de 6,9 milhões.

Por que Israel — às vezes chamado

de o “segundo Silicone Valley”

— é tão forte em tecnologia?

Por várias razões, diz Mlavsky. Primeiro,

o fomento foi preparado

através de auxílios governamentais

nos anos 70, pela Fundação BIRD

(Banco Mundial), uma iniciativa

conjunta americana e israelense,

que apoiou muitos iniciantes antes

que o dinheiro do capital de

risco estivesse amplamente disponível,

e através de planos governamentais

para estimular os imigrantes

russos que chegaram após o

colapso da União Soviética.

O segundo grande fator é o exército.

“O exército recebe todo o mundo

com a idade 18 anos, e se eles

têm um vislumbre de potencial em

alguns, catalisam-nos transformando-os

em engenheiros ou cientistas”,

diz Mlavsky. Aos tecnicamente notados

são determinados projetos de

desenvolvimento para executar, e é

permitido manter qualquer propriedade

intelectual que eles desenvolvam,

resultando em muitos desdobramentos.

Também significa que

uma vez que entrem para a universidade,

estagiários de engenharia com

experiência prática e mentalidade

para resolução de problemas, têm

mais chances. Israel tem 135 engenheiros

por 10.000 empregados,

comparados com 70 nos EUA, 65 no

Japão e 28 na Inglaterra.

O pequeno tamanho do mercado

interno de Israel também é, paradoxalmente,

uma vantagem. Enquanto

um novo empreendimento britânico

diz, olhemos para nosso mercado interno

para começar, as empresas israelenses

não podem pensar assim. Elas

adequadamente procuram na América

por clientes, de forma que empre-

Direção e Roteiro: Liev Schreiber

Elenco: Elijah Wood (Jonathan), Eugene Hutz (Alex), Boris Leskin (Avô de Alex), Zuzana Hodkova (Mãe

de Alex), Laryssa Lauret (Lista) - Duração: 100 minutos - Gênero: Drama

sas principiantes israelenses funcionam

como “minimultinacionais” de

maneira intermitente, e imediatamente

expostas ao mercado de alta tecnologia

mais competitivo do mundo.

De forma semelhante, a relativa falta

de terras e recursos em Israel ao invés

de mantê-los no imobilismo, serve

para guiar os empreendedores ao

rumo à alta tecnologia.

Naturalmente, fatores culturais

fazem sua parte também. Cerca de 5%

dos empreendimentos novatos na

América são encabeçados por empresários

experientes, diz Mlavsky, comparando

com os cerca de 30% em

Israel. “A cultura toda é que nós somos

como viciados, pois o pontapé

real é sucesso, não os frutos do sucesso.

Assim, queremos fazer isto

novamente”, ele argumenta. Empresários

israelenses são freqüentemente

workaholics (“viciados em trabalho”)

que tendem a não mudar seus

estilos de vida mesmo depois de ficarem

prósperos, ele diz. Gil Shwed,

o chefão da Check Point e um dos

homens mais ricos de Israel, por

exemplo, ainda escuta regularmente

suas músicas prediletas numa jukebox

de um restaurante de Tel Aviv nas

noites de quarta-feira.

As más notícias para outros países

que desejam estimular o desenvolvimento

de suas indústrias de tecnologia são

que poucos destes fatores podem ser

reproduzidos. A tentativa de Cingapura,

de se estabelecer como um centro

de biotecnologia enfrenta o desafio da

tomada de risco promissora e o empreendedorismo

numa sociedade altamente

conformista. E é muito improvável

que a Inglaterra introduza o recrutamento

para impulsionar as fortunas da

tecnologia agrupadas ao redor da Universidade

de Cambridge. Em tecnologia,

como em tantas outras formas, Israel

é um caso especial.

Publicado na edição impressa da revista inglesa de economia The Economist, em 10/11/2005.

Jonathan (Wood) é um jovem judeu americano que vai até a Ucrânia em busca da mulher que salvou

a vida de seu avô na Segunda Guerra Mundial. Ele é auxiliado nessa viagem por Alex Perchov (Eugene

Hutz, vocalista da banda “Gogol Bordello” - que assina algumas das canções da excelente trilha do filme), um precário

tradutor que mais atrapalha do que ajuda, e pelo avô de Alex (Boris Leskin), um motorista mal-humorado que anda sempre

acompanhado de seu cachorro, batizado de Sammy Davis Jr.

Ao revisitar as mazelas da Segunda Guerra, Schreiber o faz de forma única, abrindo mão de todos os “clichês de filme de guerra”. A

guerra aqui é revista da forma menos convencional possível. Consegue com o longa realizar um drama cômico como não se encontra

atualmente. Em certos momentos, lembra “Encontros e Desencontros”, principalmente nas piadas com relação a diferença das línguas.

Merece ser conferido por aqueles que gostam de um cinema pensante.

Bagdá conta

os dias Nahum Sirotsky*

Em Bagdá e Washington entrou-se na contagem

final para as eleições gerais iraquianas. Serão no dia

15 as eleições gerais. Programou-se que elegerão um

Parlamento do que virá a ser o primeiro estado democrático

iraquiano, um país de todos os atuais iraquianos

que abrangem as mais variadas seitas e etnias

que sempre coexistiram sob o poder de governos

absolutistas, de monarquias a ditaduras. Saddam

Hussein, que está sendo julgado, seria o último

de uma tal história.

Marcado o pleito, em princípios do ano corrente,

previa-se que sofreria resistência e rejeição de

violência em escalada. O tempo tem sido de violência

e morte, porém, menor do que se imaginava.

Mas ainda faltam os dias que faltam. E as complexas

questões a serem resolvidas posteriormente. A prioritária

será se obter resposta para a dúvida maior

do momento, a de que se é viável um estado de

todos, pluralista, ou haverá uma divisão de fato

em várias partes, uma xiita, outra curda e uma sunita

com lugar para as demais minorias como armênia,

caldéia, e etc. Depois do pleito, se realizado

com a participação da maioria dos habitantes, é

que se irá obtendo as soluções possíveis. E a que

níveis de sofrimentos.

O caso das duas mulheres suicidas é episódio

pouco freqüente na história muçulmana. Os homens

fazem a guerra. A mitologia do martírio tem o macho

como ator central. O mito que circula sobre os

mártires da atualidade é o de que tem recompensa

incomparável com qualquer na terra. O shahid mata a

morre em defesa da crença. O suicida tem vida eterna

assegurada. Ascende ao Paraíso onde o esperam

dezenas de virgens, uma vida de banquetes com direito

até a bebidas. O muçulmano praticante se mantém

virgem e puro até o casamento. Não bebe. E é

assim que se explica o baixo coeficiente de aidéticos

entre eles. Não há mito especial algum que tenha

ouvido sobre que recompensa se reserva para a

jovem, a mulher.

Há algo ainda não inteiramente compreensível

sobre a opção consciente de matar e morrer. O suicida

tem informação do que acontece com o seu

corpo na explosão que ele mesmo tem de provocar.

Ele se desloca até o local que lhe foi indicado para

o sacrifício. Se ao chegar verifica que não terá sua

oportunidade vai a procura de outro ponto. Aqueles

que assistiram ao recente ataque suicida em Natania,

cidade israelense, contaram que chegaram a

gritar que havia um shahid. Parecia alguém que já

não mais estava, mas ainda estava. Os dois seguranças

israelenses próximos lançaram-se sobre ele

tentando impedir que detonasse o cinturão-bomba.

Um deles morreu. Outro está gravemente ferido.

A determinação do homem-bomba foi mais forte.

As jovens iraquianas entraram no quartel policial

com os seus trajes tradicionais que nada revelam

do corpo feminino. Em mulher não se toca. É

proibido. Respeita-se. Foi o preço.

* Nahum Sirotsky jornalista, correspondente da RBS

e do Último Segundo/IG em Israel. A publicação

desta coluna tem a autorização do autor.


“Ninguém… leva a sério a mentira

de que aproximadamente seis milhões

de judeus foram assassinados.”

- Gamal Abdel Nasser, Deutsche

Soldaten, em 5/1/64.

Para marcar o 60º aniversário da

libertação dos campos de concentração

nazistas, a ONU realizou uma sessão

especial no dia 24 de janeiro de

2005. Foi divulgado que mais de 100

nações, inclusive estados árabes

como o Egito e a Arábia Saudita,

apoiaram a realização da sessão.

Por outro lado, Síria esteve entre

os poucos países que não apoiaram

a ação da ONU para a sessão especial.

Para entender a posição oficial

síria sobre o Holocausto é preciso

ler o que é dito em sua mídia

governamental controlada. Discutindo

o “mito” do Holocausto em 6 de

setembro de 2000, na edição de The

Syria Times, Mohammad Daoud escreveu:

“[O] mito mais famoso é o

denominado Holocausto… Nós

acreditamos firmemente que as câmaras

de gás não foram usadas para

queimar os judeus”.

Líderes religiosos árabes freqüentemente

também sustentam a negação

do Holocausto. O xeique saudita

Adel Bin Ahmad Bana’ma disse numa

mesquita em Jeddah no dia 22 de

outubro de 2000: “Hoje, eles [os judeus]

disseminam a mentira do Holocausto

em todos lugares e declaram

que Hitler matou seis milhões de judeus

em câmaras de gás… Isto é pura

falsidade”. O clérigo da influente Universidade

do Egito Al-Azhar, Mahmoud

Muhammad Khadhr, publicou um artigo

intitulado “Em Defesa de Hitler”,

no dia 27 de maio de 2001: “É difícil

acreditar que os europeus e americanos…

não podem enfrentar… o falso

Holocausto cujos números e extensão

eles exageraram até que alcançaram

o nível da destruição impiedosa

de seis milhões de judeus...”.

Também os líderes religiosos palestinos

freqüentemente negam o Holocausto.

Num sermão o xeique

Ibrahim Mahdi, no dia 21 de setembro

de 2001, declarou: “Uma das

ações perversas dos judeus é a que

chegou a ser chamada ‘o Holocausto’...

Porém, um revisionista [histo-

Os árabes e a negação do

Holocausto 60 anos depois

Há uma boa razão para que tão poucos representantes de Estados árabes

aparecessem na recordação do Holocausto na ONU

Steven Stalinsky *

riadores] comprovou que este crime,

realizado contra alguns dos judeus,

foi planejado pelos líderes dos judeus...”.

O mufti de Jerusalém, Ikrima

Sabri, é imã da mesquita de Al-

Asqa e a mais alta autoridade religiosa

islâmica palestina. Sabri deu uma entrevista

ao jornal italiano La Republica

no dia 24 de março de 2000, e

disse: “Seis milhões de judeus mortos?

De modo nenhum… Paremos

com este conto de fadas”.

Em 1982 a dissertação de doutoramento

do presidente palestino

Mahmoud Abbas foi baseada na negação

do Holocausto e examinava “as

ligações secretas entre os nazistas e

a liderança do movimento sionista”.

Na introdução da primeira publicação

árabe, bem conhecidos negadores

do Holocausto foram feitas referências,

de que o número total de

judeus assassinados foi formulado

para provavelmente ser “menos do

que um milhão”, e foram levantadas

dúvidas se as câmaras de gás realmente

existiram.

Para provar tais afirmações, edições

da mídia árabe citam freqüentemente

teorias de negadores europeus

do Holocausto, que são célebres

no Oriente Médio. Fatma Abdallah

Mahmoud escreveu no egípcio

Al-Akhbar, em 29 de abril de 2002:

“Com respeito à fraude do Holocausto…

muitos estudos franceses provaram

que isto é não mais que uma

fabricação, uma mentira, e uma fraude!”.

Num artigo no egípcio Al-Gumhuriya,

em 4 de março de 2000, escreveu

o colunista dr. Lutfi Nasef: “A

propaganda sionista continua… a

manter em evidência os crematórios

nazistas para judeus, embora evidências

históricas [européias]… provaram

que essas afirmações que tais crematórios

existiram nos campos de

detenção nazistas são piadas...”.

O colunista Muhammad ‘Abd Al-

’Azim, também no Al-Gumhuriya em 22

de fevereiro de 2000, explicou que

“a afirmação israelense [de que] foram

mortos seis milhões de judeus”

foi desacreditado pelo negador do

Holocausto e converso ao islamismo,

“o grande intelectual francês, Roger

Garaudy”. O jornal palestino Al-Manar

também elogiou Roger Garaudy em 3

de maio de 1999: “Ninguém no Ocidente

ousa se levantar, quando o assunto

é o fictício Holocausto nazista

contra os judeus de Europa… Dúzias

de intelectuais e políticos ocidentais…

refutam as falsas afirmativas

desta lenda… terminando com o reconhecido

intelectual francês Roger

Garaudy… que revelou as lendas…”.

Outro negador europeu do Holocausto,

David Irving, foi elogiado

por Isam Al-Khadhr, colunista do

jornal sírio Al-Ba’ath, em 7 de setembro

de 2000: “A descrição do historiador

inglês David Irving do assim

denominado Holocausto judeu pelos

nazistas nas câmaras de gás como

uma grande mentira foi o que bastou

para fazer tremer as bases da

Europa e tornar Irving num alvo para

uma campanha de difamação... O

calibre da mentira do ‘Holocausto’,

a maior mentira da História”.

Na última semana de dezembro

de 2004, entrevistas com dois infames

negadores do Holocausto apareceram

na imprensa iraniana. O ‘professor’

francês Robert Faurisson, exconferencista

da Universidade de

Lyon, deu uma entrevista à agência

de notícias Mehr do Irã, em 18 de

dezembro, sobre “a mentira grande do

alegado Holocausto”. No dia 29 de

dezembro, o australiano Fredrick Tobin

também deu também uma entrevista

à Mehr declarando: “Nenhum

regime de língua árabe, exceto recentemente

o Egito, foi claramente pressionado

para aceitar o desmascarado

‘Holocausto’. É esta informação que

ajudará desmantelar a entidade sionista

porque o Estado de Israel é baseado

na mentira do Holocasto”.

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Tobin se refere à atividade de algumas

lideranças e grupos de pensadores

egípcios. Por exemplo, em 24

de junho de 2004, o dr. Rif’at Sayyed

Ahmad, diretor do Centro de Pesquisa

Jaffa, no Cairo, publicou um artigo

intitulado ‘A mentira sobre a incineração

dos judeus’ no jornal governista

egípcio do Partido Democrático

Nacional, o qual declarou: “Este

Holocausto aconteceu realmente? E

qual é a verdade sobre os números?...

O que nos interessa aqui é esta mentira

[sobre] a incineração dos judeus

nos fornos crematórios nazistas…”.

A TV Mihwar do Egito defendeu

este artigo em 28 de agosto depois

que ele causou controvérsia: “Este

artigo foi uma pesquisa científica…

A mentira sobre a incineração dos

judeus nos fornos nazistas… [foi]

um evento que, no mínimo, foi falsificado

ou exagerado”.

Até agora, houve só um punhado

de árabes proeminentes que falaram

contra negação do Holocausto. O

conselheiro político de presidente

egípcio Hosni Mubarak, Osama Al-Baz

assim fez em inúmeras ocasiões, mas

isto geralmente resultou de crítica do

Egito ao anti-semitismo em suas mídias.

Com a maioria dos estados árabes

apoiando a ONU na sessão especial

comemorativa à libertação dos

campos de concentração, alguém

pode esperar que isto represente

um aspecto de mudança no modo

que o mundo árabe se relaciona

no apoio ao anti-semitismo e à

negação do Holocausto.

11

* Steven Stalinsky

é diretor executivo

do Memri - Middle

East Media Research

Institute (Instituto de

Pesquisa da Mídia

do Oriente Médio)

www.memri.org


12

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Homenagem ao pioneiro

Max Rosenmann

urante a tarde de cultura

promovida pelo Instituto

Bernardo Schulman,

Max Rosenmann, o avô do

deputado federal que tem

seu nome, foi homenageado com

palavras proferidas por Moisés Bronfman,

um dos poucos líderes decanos

da comunidade ainda em atividade.

“Não tive a ventura de conhecê-lo

pessoalmente, pois quando

cheguei à Curitiba, ele já havia falecido

há um ano. Na convivência

com Bernardo Schulman, Júlio

Stolzemberg, Natan Paciornik, Bernardino

Schulman e muitos outros

apreendi a adimirá-lo pois todos

falavam de Max Rosenmann com orgulho

e saudades”, iniciou.

Max Rosenmann chegou a São Paulo

em 1887, após ter servido por três

anos no exército austro-húngaro do

Imperador Francisco José. Na mesma

época chegavam em São Paulo os Tepermann,

Klabin, Lafer, Tabacow e

Moisés Bronfman (centro) fala homenageando o pioneiro da comunidade de

Curitiba, Max Rosenmann. À esquerda, Célia Galbinski, vice-presidente do

Instituo Cultural bernardo Schulman e à direita, Sara Schulman (presidente

do Instituto) e Martha Schulman, presidente da Kehilá

outros. Rosenmann veio para Curitiba,

informado de que no Paraná existia

uma colonização da Europa Oriental.

Descendente de família de comerciantes

de cereais e apicultores ficou

poucos dias na Capital e foi para Tomas

Coelho, onde encontrou campo

para estas atividades e foi grande incentivador

da produção de centeio e

apicultura. Quando se sentiu seguro,

resolveu trazer seus pais e dois irmãos.

Com eles chegou também a senhorita

Frida Dubowy que em 1895, contraiu

núpcias com Max Rosenmann. Os dois

irmãos de Max faleceram de febre amarela,

contraída ainda em Santos e cujos

óbitos ocorreram em Curitiba e

foram sepultados no cemitério Municipal

de Curitiba.

Bronfmann destacou que Max Rosenmann

foi o esteio e pioneiro da

O deputado Max Rosenmann falou em

nome da família

primeira imigração dos judeus ao Paraná.

Ele se transferiu para Curitiba

com a família. Foi um pioneiro autêntico,

acolhedor, honesto, trabalhador

e de bons princípios. Atraía

para sua casa todos os imigrantes

judeus que aqui vinham se estabelecer,

onde eram sempre bem recebidos

pelo casal. Em Pêssach, os recém-chegados,

reuniam-se em sua

casa e faziam em conjunto os matzes

para celebrarem a

festa. Também estavam

todos juntos

em sua residência

nos dias de Rosh

Hashná e Iom Kipur.

fotos: Szyja Lorber

Em 1913 já havia

mais ou menos

50 pessoas na coletividade

e Max,

junto com Bernardo

Schulman, Júlio

Stolzemberg,

Leão Charas e Jacob

Mandelmann,

tomaram a iniciativa

de convocar

uma assembléia geral e nela fundaram

a União Israelita do Paraná em

27 de julho de 1913. E, evidentemente,

foi eleito Presidente Max

Rosenmann. Mais tarde, numa nova

assembléia subscreveram-se recursos

para adquirir um Sefer Torá, que

rendeu de inicio 495 mil reis.

Em 1914 o presidente Max Rosenmann

recebe um voto de louvor

por sua conduta neutra e democrática.

A comunidade progredia e iniciavam-se

atividades culturais, sociais,

biblioteca para leituras, jogos

de xadrez, etc. Ainda em 1914, com

o inicio da 1ª Grande Guerra, foi criado

um comitê de socorro para auxiliar

as vitimas da guerra, constituído

por Max Rosenmann, Salomão

Guelmann, Bernardo Shulmann e outros.

As senhoras Frida Rosenmann,

Lúcia Friedmann e Azálea Shulmann

fundaram a Sociedade Beneficente.

atos importantes

Moisés Bronfman destacou alguns

fatos importantes. Em agosto

de 1920, criou-se o Centro Israelita

do Paraná, com a fusão da União

Israelita, da Shalom Sion e da Sociedade

Beneficente Feminina e o Centro

Israelita passou a ser uma Kehilá.

A primeira diretoria era composta

por: Presidente - Max Rosenmann;

Vice Presidente - Salomão

Guelmann; Secretário - Bernardo

Shulmann; Assuntos Sionistas - Júlio

Stolzemberg; Tesoureiro - Frederico

Flacks. Max Rosenmann recebeu

o Título de Sócio Honorário do

Centro Israelita do Paraná.

O casal Rosenmann teve cinco filhos:

Bernardo, casado com Otília

Rosenmann; Gitia, casada com Henrique

Wharhaftig; Regina, casada

com Bernardino Schulmann; Maricá,

casada com Manoel Beiguelman; Amália,

casada com Santiago Itzcovich.

Foram todos muitos ativos na comunidade,

inclusive as mulheres, na

Wizo e na beneficência.

Bronfman, ao final, lastimou que

Max Rosenmann não tenha sobrevivido

para ver o sucesso dos netos e

até bisnetos, que atuam na Engenharia,

Direito, Medicina, Política, Finanças,

Odontologia e na atuação

no Ishuv do Paraná. "Max Rosenmann,

foi provavelmente o maior líder

da nossa Comunidade e nós aqui

devemos muito a ele", disse.

O presidente da Federação Israelita do

Paraná, Isac Baril fez a entrega dos livros

doados pela Conib para a Biblioteca

Bernardo Schulman por intermédio do

Centro de Cabala do Brasil. Os livros, 23

volumes do Zohar, mais conhecido como a

Cabalá, foram recebidos pela presidente

da instituição, Sara Schulman

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O LEITOR

ESCREVE

Qualidade e preocupação

Prezados Senhores:

Foi com grata satisfação que vimos a matéria

sobre nossa Peguishá Artzit e a menção do nosso

programa das Classes Brasileiras de Ayanot,

em Israel, no jornal Visão Judaica.

Agradecemos, pois, cumprimentando a equipe

do jornal por sua qualidade e pela preocupação

com a divulgação de nossas atividades

em geral.

Toda rabá.

Myrian Mau Roth Presidente de Na’amat Pioneiras

Brasil São Paulo - SP

Em defesa de Israel

Prezados amigos:

Sua preocupação e indignação, absolutamente

legítimas, são necessárias para abrir os olhos

do mundo quanto às ameaças ao povo e ao

Estado de Israel. Mas, da minha pequena compreensão

sobre o assunto, acredito no que li

há alguns anos de um primeiro-ministro israelense.

No começo dos anos 80, o Sr. Menachen

Begin mandou destruir instalações de reatores

nucleares num país vizinho, ação depois reclamada

na ONU, porque tal produção de energia

seria exclusivamente para fins pacíficos. O governante

preferiu prevenir. A força aérea de

Israel acabou com tudo. E o Sr. Begin, como

que vaticinando igual ao velho Jeremias, afirmou

que “nunca mais haverá um holocausto

em Israel”. E eu acredito nisso. O povo israelense

sabe se defender, não obstante a ação

teimosa de alguns radicais que insistem em

matar inocentes. Mas Holocausto, nunca mais

acontecerá. Varrer Israel do mapa, como apregoam

alguns, não tem a menor graça. Acabouse

o tempo da escravidão, da dispersão e do

Holocausto. Agora o que temos é uma Nação

forte e preparada. É só lembrar as guerras dos

“Seis Dias” e do “Iom Kipur”. O mais é fanatismo

e terrorismo, o que obriga Israel a ações

antiterror. Continuo solidário com sua indignação.

Se eu fosse israelense, com certeza estaria

nas fileiras do melhor exército do mundo.

Abraços.

Tagore Wotton de A. Madruga Brasília - DF

Publicação consistente

Aos editores de Visão Judaica:

Raras vezes se vê uma publicação como a

Visão Judaica: consistente intelectualmente

e abordando temas muitas vezes no Brasil

considerados tabus. Certamente seus leitores

não são do tipo que gostam de ver “figurinhas”,

mas aqueles que desfrutam de textos

densos, aprofundados e que suscitam a

reflexão e resgatam a inteligência.

João Luiz Neves Editor de Diplomacia &

Negócios Curitiba - PR

Para escrever ao jornal Visão Judaica basta

passar um fax pelo telefone 0**41 3018-8018

ou um e-mail para

visaojudaica@visaojudaica.com.br


ma das melhores palestras

dos últimos

tempos em Curitiba,

aconteceu no CIP, na

tarde do dia 4/12, durante

o “Domingo da

Cultura”, feita pelo professor e historiador

Nachman Falbel, da USP,

sobre a vida e obra de David José

Pérez, ocasião em que também lançou

seu mais novo livro, “David

José Pérez, uma biografia”, pela

Editora Garamond. O evento foi em

comemoração à doação de livros —

a coleção completa do Zohar —

pela Confederação Israelita do Brasil

– Conib, por intermédio do Centro

de Cabala do Brasil à Biblioteca

do Instituto Cultural Judaico

Bernardino Schulman.

O evento foi prestigiado pelo

deputado federal Max Rosenmann,

pela presidente do Centro Israelita

do Paraná/Kehilá, Martha Schulman;

pelo presidente da Federação Israelita

do Paraná, Isaac Baril; pela diretoria

do Instituto Cultural Judaico

Bernardo Schulman, Sara Schulman

(presidente); Célia Galbinsky

(vice presidente), Boris Sitnik (secretário);

pelo professor convidado,

Nachman Falbel; pelo rabino da comunidade

Sami Goldstein, além de

dirigentes das entidades judaicas do

Paraná e um bom número de membros

da comunidade.

Em sua brilhante apresentação, o

professor Nachman Falbel fez uma síntese

da vida singular do mestre, advogado,

jornalista, pedagogo, lingüista,

historiador e ativista David

José Pérez, e da pesquisa na qual

mergulhou para escrever o livro que

resgatou a memória daquela ilustre

personagem que está intrinsecamente

ligada à presença judaica no Brasil

e realizador de feitos memoráveis para

a época e para o local em que viveu,

como por exemplo, lançar e manter o

primeiro jornal judaico em língua portuguesa,

a partir de janeiro de 1916,

“A Columna”, que, no entanto para

sua tristeza, durou cerca de dois anos.

Pesquisador meticuloso, Falbel

teve acesso não só à coleção completa

da publicação como também a

muito material do arquivo pessoal de

Pérez, e também de outros locais,

como o do lendário Colégio D. Pedro

II, do Rio de Janeiro, onde Pérez

foi professor catedrático, e com

os quais foi possível desvendar uma

vida repleta de atividades profissionais,

culturais, judaicas, de natureza

familiar e de seu círculo de amizades.

“Foi sem dúvida uma personalidade

de destaque no judaísmo brasileiro

pelo seu porte intelectual,

representatividade e atuação pessoal

em benefício da comunidade

judaica e da sociedade brasileira”,

observou Falbel, relatando,

entre outras coisas que ele tivera

participação na fundação da primeira

escola judaica do Rio de Janeiro,

assim como participara ativamente

da estruturação do movimento

sionista no Brasil.

Dono de uma vasta cultura, a

ponto de defender uma tese com o

título “Influência do hebraico na língua

latina”, o que lhe possibilitou

vencer o concurso da cátedra de latim

no Colégio Pedro II, assim como

inúmeros artigos e conferências

como “o direito penal na legislação

hebraica”, demonstram a amplitude

e a vastidão dos conhecimentos daquele

judeu brasileiro, cuja família

originária do Marrocos imigrou para

a Amazônia, como tantas outras famílias

judaicas que constituíram um

dos primeiros núcleos de colonização

no Brasil no tempo do Império.

David J. Pérez nasceu na cidade

de Breves, no interior do Pará em

1º de março de 1883, mas em 1906

já se encontrava no Rio de Janeiro,

vivendo com dificuldades. Em 1911

cursava a Faculdade de Direito, onde

pouco mais tarde foi convidado para

assumir um cargo de professor. Pérez

já demonstrava talento jornalístico

antes mesmo de fundar A Columna,

pois colaborava freqüentemente

com alguns jornais do Rio de Janeiro.

Quando decidiu-se pela criação

da primeira publicação judaica em

português no Brasil, e do qual foi

seu redator, tinha como companheiro

de redação um amigo inseparável, Álvaro

de Castilho. Outros poetas, escritores,

professores e jornalistas

judeus e não judeus passaram a colaborar

com o jornal, como José Benedicto

Cohen, Etyenne Brasil, Ambrozio

Ezagui e etc. Uma das primeiras

questões vivenciadas por Pérez,

e que torturava sua alma judaica, era

o fato — tabu durante anos — da

existência de certos indivíduos, que

classificava de miseráveis, que exploravam

o lenocínio e que se diziam

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Nacham albel lança livro

e fala sobre a vida de David José Pérez

O pofessor Nachman Falbel, antes de lançar seu novo livro em

Curitiba, proferiu palestra sobre a vida de David José Pérez

judeus e prostitutas que nunca se

recusavam a confessá-lo. E, ao tratarem

deste sujo assunto, os jornais

cariocas generalizavam, classificando

os judeus de cáftens e as judias

de prostitutas e Falbel contou que

foi isso que levou Pérez a lançar seu

jornal em português, para explicar a

todos que existe o judaísmo são e

que por isso chamou Álvaro de Castilho,

um não-judeu, um espírito altamente

esclarecido e suficientemente

ilustrado para conhecer a gloriosa

história do povo judeu. Ele

ainda ajudou a fundar o Sindicato

dos Professores no Rio de Janeiro,

a Confederação do Professorado Brasileiro.

Em 1928 lecionava hebraico

na Faculdade Evangélica de Teologia

Seminário Unido, lecionando

depois em diversos colégios e faculdades.

Em 1951 foi nomeado

para a cátedra da língua e literatura

hebraica da Universidade do Brasil.

Em 20 de novembro de 1959 recebeu

na Câmara Municipal do Rio

o título de “Cidadão Carioca”. Faleceu

em 14 de abril de 1970.

foto: Szyja Lorber

13


14

Matthias Sindelar

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Um craque que derrotou o nazismo

esmo sendo encarado

como mera diversão, o

esporte em geral é um fenômeno

que transcende o

entretenimento. É uma manifestação

cultural e está profundamente

enraizado na história, e não poucas

vezes com a política. O futebol,

tão apreciado no Brasil e no

mundo em geral hoje em dia teve e

tem um papel de destaque, por menos

que possa parecer, na política,

na ideologia e no heroísmo. Nenhuma

figura, no entanto, expressa

com tanto vigor a mistura do

futebol com tudo isso como a de

Matthias Sindelar.

Sindelar é o primeiro à direita, com uma bandagem na perna, antes de um

jogo pelo Wunderteam

Matthias Sindelar antecipa-se ao zagueiro: na década de 30, um craque

polivalente, de futebol moderno

Seu estilo era clássico, elegante,

inteligente e simplificador. Rápido,

centroavante difícil de marcar, não

era bom no cabeceio, mas, alto e

magro, a exatidão e a leveza com que

driblava ou executava os passes levaram

o torcedor a apelidá-lo de Der

A história de Matthias Sindelar, símbolo da resistência a Hitler

Papierene (feito de papel). Era um

goleador que não chutava forte, mas

suas finalizações com qualquer dos

pés enganavam. Foi o mais celebrado

jogador dos 125 anos do futebol

austríaco e, para os historiadores

franceses Jean-Philippe Réthacker e

Jacques Thibert, o mais completo número

9 europeu de todos os tempos.

“Mozart do futebol”, como os jornalistas

o chamavam, ou Motzl, para os

companheiros de equipe, Matthias

Sindelar permanece como a mais cintilante

estrela internacional que a 2ª

Guerra Mundial roubou ao futebol.

Sua vida foi marcada por dias de

glória, sobretudo quando vestiu a

camisa da seleção do seu país, o famoso

Wunderteam, que encantou a

Europa na década de 30 (o técnico,

Hugo Meisl, é considerado o “pai do

futebol austríaco)”. Mas uma vida que

terminou em tragédia: judeu, após a

anexação da Áustria pelo III Reich

em 1938, recusou-se a jogar pela seleção

alemã, foi perseguido pelos nazistas

e encontrado morto num hotel

nove meses antes de estourar a

guerra, no dia 23 de janeiro de 1939,

em Viena. Causa: envenenamento

por monóxido de carbono. Há versões

de suicídio por causa pressões

nazistas; sua esposa, judia, foi encontrada

a seu lado e nunca mais

sairia da coma; os documentos da

investigação policial desapareceram,

o que reforça as suspeitas de

que ele tenha sido assassinado.

O início

Nascido numa pequena vila na

Tchecoslováquia em 1903, então parte

integrante do Império Austro-

Húngaro, Matthias Sindelar não demonstraria

habilidades especiais até

o dia em que começou a dar os primeiros

chutes numa bola. Seu primeiro

time foi o Hertha Wien, onde

ganhou o apelido que o imortalizaria:

Der Papierene. Aos vinte e um

anos, já era a principal estrela do FK

Austria, clube ligado judeus vienenses.

A proximidade com a comunidade

judaica o levou a casar-se com

Camila Castagnola, filha de pai austríaco

com mãe italiana. Naquele tempo

não havia ainda um campeonato

mundial de futebol, apenas o torneio

olímpico, que à época era vedado a

atletas profissionais, e o talento de

Sindelar continuou conhecido só

pelos austríacos. Até que um francês,

Jules Rimet, resolve criar um torneio

exclusivo para o futebol: nascia

assim Copa do Mundo.

Reclamando que não havia como

ir ao longínquo Uruguai para disputar

uma competição de apenas vinte

dias, vários países europeus desistiram

da disputa, entre eles a Áustria,

que tinha uma das melhores seleções

do continente. Isso ficou provado

em 1931, quando numa exibição de

gala, Sindelar e seus companheiros

bateram a Escócia, considerada um

grande time, por 5 a 0 em Glasgow, e

ganhariam o epíteto de Wunderteam,

ou time-maravilha.

O Wunderteam começou a ser convocado

pelo treinador Hugo Meisl

nos finais dos anos vinte. A partir

daí, a equipe inicia uma impressionante

seqüência de vitórias. Em

1933, a série já era de 12 triunfos e

dois empates. Sindelar havia marcado

27 dos 60 gols da equipe, que

registrou resultados como 8 a 1 contra

a Suíça, 8 a 2 na Hungria e 5 a 0

na Alemanha.

A Copa de 1934

Em 1934 a Copa foi disputada em

solo europeu, e finalmente as estrelas

austríacas brilhariam numa competição

a nível mundial. Entraram na

competição como favoritos, e confirmaram

na campanha vitoriosa que

eram candidatos fortes ao título. No

meio do caminho, porém, havia a

anfitriã Itália, governada por um regime

fascista que desejava a vitória

a todo custo. E não bastasse ter um

ótimo time, os italianos contaram

ainda com aliciamentos e ameaças

de seu ditador a árbitros das partidas.

Nas semifinais, Itália e Áustria

se cruzaram, naquela que foi considerada

a final antecipada. Foi uma

partida disputada, digna de grandes

times, mas há quem diga que o

árbitro auxiliou a Itália assinalando

dois impedimentos quando Sindelar

ia na cara do gol.

Além disso, uma crise de desemprego

na Áustria adiou a final do campeonato

nacional e com isso os integrantes

do Wunderteam chegaram

exaustos ao Mundial. Ainda assim, o

país foi eliminado na semifinal, já sem

Sindelar, que estava machucado.

Depois que a Alemanha anexou

a Áustria, em 1937, todos os jogadores

da Áustria passaram a defender

o país de Hitler. Muitos, como

Sindelar, não aceitaram a situação.

O centro-avante era judeu e resolveu

fugir para não ser obrigado a

jogar pela Alemanha.

Vencendo Hitler

Até aqui contou-se apenas a história

de um grande esportista. Agora

começa a narrativa da história de

um grande homem. Enquanto todos

esses fatos aconteciam, o nazismo

ascendia ao poder na Alemanha, e

começava a ameaçar as nações vizinhas.

Em 1934, houve uma tentativa

frustrada de realizar o Anschlüss,

a união austro-alemã. Em 1938, no

entanto, ninguém pararia Hitler, e a

Áustria, pátria de Sindelar, foi anexada

ao Reich, o que gerou uma situação

bizarra: como deixou de existir

um mês antes da Copa daquele ano

começar, a Áustria não pôde disputar

a competição. Seus melhores jogadores

haviam sido incorporados à

seleção alemã.

O ditador alemão também demonstrava

intenção de promover o

nazismo através do esporte. Com o

reforço de grandes jogadores austríacos,

a Alemanha se credenciava como

favorita à conquista da Copa. E contavam

também com Sindelar, mas sob

o pretexto de estar contundido e já

ter 35 anos (o que era verdade), ele

não quis jogar pela Alemanha. Engana-se

quem acredita que sua carreira

estaria encerrada: para celebrar a

unificação, os nazistas marcaram um

jogo entre Alemanha e Áustria, esta

desfalcada de seus melhores jogadores,

cedidos à seleção teutônica. Foi

um jogo-espetáculo, feito para a Alemanha,

sob os olhos de seu Führer,

para ganhar. Ao saber disso, Sindelar,

anti-nazista convicto, cancelou

a aposentadoria, curou-se da contusão

e se prontificou a jogar pelo

selecionado austríaco, mesmo que em

condições desiguais. Ele e seus companheiros

foram advertidos: se vencessem,

estariam bastante encrencados.

Mas aí o grande futebolista se

misturou com o grande homem: Sindelar

jogou talvez a melhor partida

de sua carreira, e com dois gols seus,

a Áustria venceu por 2 a 0. O frágil

“homem de papel” desafiara e vencera

Hitler. A vitória e sua atitude


de decidir jogar contra a Alemanha,

marcaram-no com como opositor do

regime e por isso foi perseguido

pelo Führer.

O maior jogador dos anos 30

Em seu poema “Balada de morte

de um jogador de futebol”, o escritor

Friedrich Torberg escreveu: “Ele

jogou como ninguém havia feito

antes/ Cheio de inteligência e imaginação/

Fazia-o com facilidade, um

toque de luz e descontração/ Ele sempre

jogou, nunca lutou”. A exemplo

do que aconteceu com Mozart na

música, a importância de Matthias

Sindelar transcendeu os gramados.

Sua fidelidade à pátria ante a obscura

ascensão do nazi-fascismo na

Europa, aliada a um extraordinário

talento, fizeram dele um símbolo para

o povo austríaco.

Único filho homem de uma família

proletária judia de imigrantes

tchecos, Sindelar nasceu em 10 de

fevereiro de 1903, na Vila de Kozlov,

na Moravia, atual República Tcheca.

A difícil situação econômica do pai,

pedreiro, o obrigou a se mudar, ainda

garoto, com a mãe e as três irmãs

para Viena, capital do Império Austro-Húngaro.

O franzino Motzl, como

era conhecido, cresceu na cinzenta

Favoriten, um subúrbio industrial

repleto de fábricas de tijolo.

Em terrenos baldios, com uma bola

de trapos, o menino louro, de braços

e pernas longilíneos, ensaiou os primeiros

dribles que, mais tarde, resultariam

num estilo apurado, cerebral,

marcado por jogadas imprevisíveis e

gols de rara beleza. A morte de seu

pai no front de Isonzo, na Primeira

Guerra Mundial, em 1917, deu-lhe

responsabilidades. Aos 14 anos, Sindelar

virou chefe de família. Paralelamente

à atividade de mecânico, aprimorava

seu futebol no time de meninos

do Hertha de Viena.

Lá, permaneceu por seis anos, até

se transferir, em 1924, para o poderoso

Áustria Viena, clube associado

à classe média judaica. O início foi

doloroso. Sua fragilidade física gerou

desconfiança. Na primeira temporada,

sofreu uma grave lesão de

meniscos. Submetido a uma operação

inédita na época, o atacante se

recuperou em poucos meses.

Na comemoração de seu centenário,

em 2003, Paul Pongratz, um

dos poucos ex-jogadores vivos que

o enfrentaram, declarou ao site da

Uefa: “Sindelar era o melhor de todos.

Era como se dançasse entre os

adversários. Via o jogo como um

mestre do xadrez e criou a chamada

Em 2004, a Associação Austríaca de Futebol comemorou cem anos de fundação e lançou selos dos maiores

jogadores da história de seu país e entre eles Mattheus Sindelar

Escola Vienense de Futebol”. Sob o

comando do técnico Hugo Meisl, filho

de uma bem-sucedida família judia

de Viena, Sindelar, Schall, Vogl e

seus companheiros apresentaram ao

mundo um estilo inconfundível de

jogar futebol, em que trocavam passes

até o adversário abrir brecha para

uma investida fulminante ao gol.

Em 23 de janeiro de 1939, dias

antes de completar 36 anos, Mathias

Sindelar foi encontrado morto num

quarto de hotel, com a mulher Camila.

O laudo da morte diz que a causa

foi envenenamento por monóxido de

carbono. A versão divulgada foi suicídio,

mas até hoje há quem fale em

assassinato. Quarenta mil pessoas

compareceram ao funeral sob os olhares

de soldados nazistas; o Áustria

Viena recebeu 15 mil telegramas de

condolências. “Sindelar é, para os

austríacos, o mesmo que Pelé para

os brasileiros: algo mais do que um

jogador”, definiu o historiador Wolfgang

Maderthaner.

E o que terá acontecido à Áustria

de Matthias Sindelar? A não ser

por 1945, o ano do armistício, transcorreu

normalmente o campeonato

nacional, só que com jogadores alemães

atuando pelo Áustria, pelo Viena,

pelo Sportkclub, e craques austríacos

vestindo a camisa do Shalke

4, do Hanover 87, do Dresden, quando

não da própria seleção alemã. Um

interação de tal ordem que, em

1941, a tradicional equipe do Rapid

de Viena disputou os dois campeonatos,

ganhando ambos. Mas Sindelar

não viveu para ver tudo aquilo.

Para ele, naquele derradeiro janeiro,

a guerra já estava perdida. A Áustria

já não era dos austríacos e o célebre

Wunderteam se fora para sempre.

Há um final feliz para esta histó-

ria? Em 1998, sessenta anos após a

sua morte, Sindelar foi eleito o atleta

austríaco do século. Tem hoje um

monumento e é venerado como um

símbolo da resistência austríaca.

Material produzido a partir da sugestão

do leitor Maurício Gleiser, com pesquisa

do jornal Visão Judaica. (Fontes: O

Globo, matéria publicada pelos

jornalistas Fábio Juppa e João Máximo,

1º/5/2005, Enciclopédia do Esporte na

internet e sites do Terra e do Grupo

Parlamentar do Partido Socialista

Português.

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Matthias Sindelar é o sexto a partir da direita, com outros jogadores da seleção austríaca dos anso 30: um atacante

refinado, o maior craque da Europa enfrentou o nazismo antes da 2ª Guerra Mundial

15

Fotos clássicas do craque Sindelar com o

uniforme da seleção austríaca. A segunda,

serviu de base para o selo emitido

O atacante em ação pela seleção austríaca: todos os clubes do continente o

desejavam. Sindelar resistiu às mudanças por fidelidade à pátria


Foto: Orlando Kissner/SMCS

16

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Um ódio que teima em existir

Daniel Benjamin Barenbein*

e existe uma coisa eterna

neste planeta, já dizia o historiador

Mark Twain, é o judeu.

E isto não foi dito por

conta de qualquer tipo de amor

ou afeição que ele poderia nutrir por

este. Apenas pelo estudo da natureza,

e dos fenômenos que acompanham

a história desta nação. A persistência

em sobreviver contra todas as

possibilidades: perseguidos, convertidos

a força, expulsos e assassinados.

E ainda assim, sempre renascendo

das cinzas e se reconstruindo. Estes

eram — e são — os judeus.

Mas se o povo de Israel está destinado

a viver para sempre; sua sina,

a judeofobia, também parece predestinada

a ter longa vida. Como explicar

que após sessenta anos do fim

da Segunda Guerra Mundial, ainda

existam pessoas que se esforçam e

dedicam suas vidas a divulgar o nazismo

pela Internet, tentando com

isso reviver aqueles velhos tempos de

tragédias e crimes?

Lógica para atitudes assim talvez

não seja encontrada. Mas que elas

existem (estas atitudes), existem.

Prova disso foi à prisão no mês passado

de onze membros de uma destas

quadrilhas em Curitiba.

*Daniel Benjamin Barenbein é jornalista, trabalha no site de combate a distorção na imprensa, “De Olho na Mídia” (www.deolhonamidia.org.br) e como

coordenador do movimento juvenil Betar de SP. Ainda exerce voluntariamente cargos de Hasbará na Organização Sionista de SP, Espaço K e Aish Brasil, e

como orador nas sinagogas Beit Menachem e Kehilat Achim Tiferet. Possui um livro publicado na internet sobre neonazismo digital: www.varsovia.jor.br

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Avenida Silva Jardim recebe pavimento de asfalto-borracha

O trabalho de fresagem na pista direita da avenida Silva Jardim durou

exatamente um dia e tráfego de veículos foi liberado no dia seguinte

Além de pregar efetivamente o

extermínio das “raças inferiores” -

no caso em especial deste grupo,

com um direcionamento específico

para os homossexuais - os netos de

Goebbels “I’S”, com sede na capital

do Paraná, já haviam sido responsáveis

por diversas agressões às minorias

da região.

O assunto não é novo. Há cerca

de sete anos atrás, quando finalizava

meu trabalho de conclusão de

curso na faculdade de jornalismo,

cujo tema era neonazismo digital,

esta agremiação sulista já se fazia

presente, com direito a venda de CDs

de bandas de rock locais com letras

judeofóbicas e racistas.

Aliás, foram eles parte importante,

tanto da minha teshuvá no âmbito

religioso, quanto do meu engajamento

na luta sionista e contra

a judeofobia. Ao saber, conversando

em um Chat nazista na rede,

que grupos como este mantinham

contato e faziam trocas de informação

da Escandinávia, passando

pelos Estados Unidos, até o sul do

Brasil, fiquei chocado com a força e

a persistência do anti-semitismo e

isto mudou minha vida. Quis descobrir

porque nos odiavam tanto, e

o que havia de tão especial no judaísmo

que os incomodava. Ao mes-

A colocação de asfalto-borracha

numa extensão de 750 metros

na pista direita da avenida

Silva Jardim, uma das primeiras

ruas da cidade a usar o novo material,

mais durável e de melhor

qualidade, foi concluída na semana

passada. O trabalho de fresagem

da pista, com a retirada do

asfalto deteriorado, foi feito dias

antes pela equipe da Secretaria

Municipal de Obras Públicas da

Prefeitura de Curitibana, e o tráfego

foi liberado no mesmo dia.

Enquanto duraram as de colocação

do asfalto-borracha a pista

foi totalmente bloqueada para o

tráfego de veículos no trecho entre

as ruas Saint Hilaire e Coronel

Dulcídio. A avenida Silva Jardim

mo tempo, com todas as minhas forças

me colocava frente ao seu avanço

de todas as formas que estivessem

à minha mão.

A força deste monstro (a judeofobia)

é inimaginável. Recentemente

tivemos o caso do Jornal do Brasil,

diário carioca que publicou em

seu Caderno B dois textos de cunho

anti-semita, de autoria do velho comunista

Fausto Wolff (de ascendência

alemã e que afirma que por conta

disso têm autoridade para fazer paralelos

entre o nazismo e Israel). Depois

que a cúpula do mesmo se derramou

em desculpas, e o presidente,

Nelson Tanure e seu vice, Paulo Marinho

taxaram a atitude de “irresponsável”,

afirmando que se soubessem

há tempo, não teriam permitido a

veiculação dos mesmos, o JB voltou

à carga. Poucos dias depois destes

eventos, o mesmo publicava uma

charge muito pior que aqueles textos

em sua seção de quadrinhos. Tem

explicação um fato desses?

Completando este quadro aterrador,

temos a recente declaração do

presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad,

de que desejaria “varrer Israel

do mapa”. Em outras palavras, o

líder iraniano convocou o mundo a

um novo genocídio. A diferença é

que o mundo reagiu desta vez com

estava com o asfalto bastante irregular

e apresentava sinais de

trincamento em vários pontos. Por

isso, a Prefeitura decidiu revitalizar

as duas pistas, que são divididas

por um canteiro central. Os

trabalhos foram iniciados pela pista

esquerda, mas só na pista direita

é que foi usado o novo material.

É que a pista direita faz

parte do itinerário dos ônibus que

vão para a rodoviária. Fora do

período de alta temporada o número

de ônibus em direção à rodoferroviária

passa de 160 por

dia, além de caminhões e outros

ônibus. O número é maior durante

o verão, o que compromete ainda

mais o asfalto.

O asfalto-borracha é uma ino-

indignação e assombro (mesmo que

de forma muito tímida e sem exibir

desejos de realizar sanções contra o

tirano ensandecido).

E o que podemos fazer diante

de tudo isso? E aí prefiro finalizar

como comecei. Estamos no mês judaico

de Kislev, um tempo de milagres,

hora de magia, de Chanucá. A

existência do povo judeu, por si

só, já é um grande milagre. Mas, se

existe algo que está nas nossas

mãos realizar, é nos espelhar no

exemplo dos Macabeus: valorizar o

que é nosso, lutar contra a assimilação,

dignificar nosso judaísmo e

termos orgulho de acender as nossas

pequenas luzes, educar nossos

filhos na nossa trilha, ao mesmo

tempo em que lutamos com nossos

inimigos externos, e os combatemos

da melhor forma que pudermos.

Um sem o outro não adianta

nada. Nossa sobrevivência física por

si só não é nada. Nossa espiritualidade,

sem indignação ou reação a

judeofobia, nos deixando sermos

difamados ou mesmo agredidos fisicamente

e mortos, de que vale? A

combinação dos dois, com a fé em

D-us e em um futuro melhor, esta sim

é a fórmula que sempre fez sucesso e

continuará a fazer no seio deste

povo eterno e indestrutível.

vação que começa a ser adotada

pela Prefeitura de Curitiba. Além

da durabilidade, o uso deste material

traz ganhos ao meio ambiente.

É que uma das matériasprimas

é a carcaça de pneus usados,

que já não possam mais ser

reaproveitados. Purificada e triturada

em um equipamento especial,

a borracha passa por uma

temperatura de 195 graus para

fundir-se à emulsão e ganhar elasticidade.

O uso da nova tecnologia

é foi adotado pela Administração

Municipal com o objetivo

de introduzir sistemas mais modernos

para melhorar a qualidade da

pavimentação da cidade e ao mesmo

resolver problemas ambientais

utilizando material reciclável.


VISÃO

panorâmica

ilme infantil estimula ataque suicida

Um desenho animado iraniano para crianças

estimula a realização de ataques suicidas.

Colocado no ar pela IRIB 3 TV, em

28 de outubro deste ano, às 8 h da manhã,

o filme mostra uma mulher palestina

dizendo a um soldado israelense: ‘Você

matou meu filho, agora chega. Homem

cruel deixe-me ir’. Em seguida, o soldado

golpeia a mulher com o rifle, xingando-a.

A cena prossegue cada vez mais violenta.

Depois, um jovem une-se a outro e diz que

a única solução é entrar nos movimentos

de resistência. E que os soldados não respeitam

nem as crianças. O filme prossegue

mostrando o grupo de resistência em

treinamento e em ação. O clip pode ser

visto no site: http://memritv.org/

search.asp?ACT=S9&P1=906 (Memri).

Jogo amistoso pela paz

O Barcelona enfrentou dia 29/11 em seu

estádio Camp Nou, uma equipe formada por

jogadores israelenses e palestinos, num

amistoso pela paz no Oriente Médio organizado

pela Fundação Ernest Lluch, criada em

homenagem a uma personalidade catalã e

promovida pelo Centro Peres para a Paz, instituição

fundada pelo vice primeiro-ministro

israelense Shimon Peres. Além dos astros

do Barcelona, o jogo contou com a presença

do ator escocês Sean Connery, que foi ao

gramado dar o pontapé inicial e saudar o

público, estimado em aproximadamente 30

mil pessoas. O jogo contou com o brasileiro

Ronaldinho Gaúcho, mas não com o goleiro

Víctor Valdés, a quem o técnico Rijkaard dera

férias. Alguns jogadores da equipe catalã,

como o mexicano Rafael Márquez, disseram

ter sido uma grande oportunidade disputar

o amistoso para contribuir com a paz. O selecionado

misto é claro, perdeu a partida

por 2 a 1. (Agência Efe).

Jogo amistoso pela paz II

Um dirigente da Associação de Futebol Palestina

(AFP), Yamal Zaqut, citado pelo jornal

Jerusalem Post, disse que os jogadores palestinos

devem ser castigados por jogar junto

com os israelenses. Ele declarou que a AFP

formará uma comissão para investigar os que

participaram do jogo, falando por telefone,

de Gaza. Contudo, Jáder Abed, diretor do

centro esportivo que coordenou a ida dos jogadores

palestinos mostrou-se supreso com

o fato e disse que “tudo isso é falso”, pois os

jogadores viajaram com a autorização do presidente

palestino Mahmoud Abbas. Abed disse

que Zaqut "fez essas declarações porque

não foi convidado a viajar a Barcelona", e

que os jougadores palestinos residem na

Cisjordânia, onde não tem jurisdição a AFP

sediada em Gaza. (Eurosport).

Beatificado alemão que se opôs ao nazismo

O Leão de Münster, o bispo alemão Clemens

Graf von Galen (1878-1946), que condenava

em seus sermões o anti-semitismo e outras

políticas do regime nazista, foi beatificado

em novembro, em cerimônia na Basílica de

São Pedro. Von Galen, que recebeu o apelido

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(com informações das

agências AP, Reuters, AP,

EE, jornais Alef na internet,

Jerusalem Post, Haaretz e IG)

Yossi Groisseoign

de “leão” por desafiar com valentia o poder

de Hitler, foi nomeado cardeal pouco antes

de morrer, em 1946, pelo papa Pio XII. A

cerimônia de beatificação foi presidida pelo

cardeal José Saraiva Martins, que elogiou o

bispo alemão por ter denunciado a “máquina

de morte do nazismo” em épocas muito difíceis

para Igreja católica alemã. Em breve mensagem,

o papa Bento XVI destacou a coragem

heróica de Von Galen. ( EFE e AP).

Papa: Holocausto foi “vergonha humana”

O papa Bento XVI, que é alemão e cresceu

na época da ascensão de Hitler ao poder,

condenou enfaticamente a tentativa nazista

de exterminar os judeus, qualificando-a de

“um projeto de morte” que ficará para sempre

como uma mancha indelével na história

da humanidade. Em seus comentários mais

fortes sobre o Holocausto desde que foi eleito,

o papa, mencionou um salmo do Antigo

Testamento que fala da destruição de Jerusalém

e do exílio dos judeus na Babilônia.

“A perseguição narrada no Salmo foi quase

uma antevisão dos campos de extermínio aos

quais os judeus foram submetidos como parte

de um infame projeto de morte, que permanece

como uma vergonha indelével na história

da humanidade”, afirmou. O pontífice

chegou a atuar na Juventude Hitlerista durante

a guerra, quando isso era obrigatório,

embora nunca tenha sido membro do partido

nazista e sua família se opusesse ao regime.

(Jornal Alef).

Gêmeas cantam o nazismo

Duas meninas gêmeas, de 13 anos, causam

polêmica nos Estados Unidos: elas se

dizem orgulhosas de serem neonazistas e

estão vendendo CDs de músicas racistas

de seu grupo Prussian Blue. As adolescentes

dizem que não gostam da mistura étnica,

e afirmam aos quatro ventos que

querem preservar a raça branca. Foram

educadas na Califórnia, com idéias nazistas,

pela mãe April Gaede, que as tirou da

escola para educá-las em casa. A residência,

por sinal, está à venda, por considerarem

que o bairro onde moram não é suficientemente

branco. A música favorita da

dupla é “Sacrifício”, cuja letra tenta mostrar

Rudolf Hess, braço-direito de Hitler,

como um homem de paz. Outra polêmica

das duas é que, recentemente, arrecadaram

dinheiro para as vítimas do furacão

Katrina, mas exigiram que sua colaboração

fosse entregue somente aos brancos.

Ted Shaw, advogado da organização afroamericana

mais importante dos EUA, criticou

a postura das jovens: “É uma lástima

escutar duas menininhas falando tanto

lixo”, reclamou. (Revista Veja/Jornal Alef).

Radiografia da família média

O Escritório Central de Estatísticas divulgou

novas estatísticas sobre diferentes aspectos

da vida dos israelenses e suas famílias.

A família israelense média é composta

por 3,7 pessoas. 51% são famílias com

filhos de até 17 anos. 23% dos casais não

têm filhos. 12% têm um só parente. O gasto

médio de manutenção de uma casa é de

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VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

1100 shekels. (eletricidade, gás e impostos

municipais). A família média gasta 10.080

shekels (aproximadamente R$ 6 mil) por

mês. Segundo os dados divulgados se conclui

que: 99,8% têm geladeira, 91,3% têm

televisão, 89% têm pelo menos um telefone

fixo, 81% têm telefone celular, 75% têm

microondas, 70% são donos de suas casas,

61% das famílias israelenses têm ar condicionado,

57% têm ao menos um automóvel,

55% têm videocassete, 55% têm computador,

31% têm assinatura de Internet,

25% alugam, 20% têm DVD e 13% têm dois

ou mais automóveis. (El Reloj.com).

Islâmico prega libertação de Jerusalém

O líder militante do Movimento Árabe Islâmico

de Israel, Raed Salah, visitou o Monte

do Templo em novembro e pregou uma

ação para libertar “Jerusalém dos ocupantes”.

O xeque insistiu que os muçulmanos

devem conquistar Jerusalém já que “é a

única opção para o futuro de Jerusalém”,

declarou. Também convocou os muçulmanos

a deterem as construções na Cidade

Velha (área que é judaica) e também as

pesquisas arqueológicas. Salah foi libertado

recentemente da prisão depois de ter

sido acusado de apoio financeiro ao Hamas.

(Israel National News/ El Reloj.Com).

Religião obtém direito de resposta na TV

O Tribunal Regional Federal manteve o direito

de resposta das religiões afro-brasileiras

contra a RedeTV. O direito de resposta

foi pedido em ação civil pública ajuizada

pela ex-procuradora regional dos Direitos

do Cidadão em São Paulo, Eugênia

Fávero, e pelas organizações Ceert (Centro

de Estudos das Relações de Trabalho e

da Desigualdade) e Intecab (Instituto Nacional

de Tradição e Cultura Afro-Brasileira)

e segundo a liminar da juíza federal

Marisa Cláudia Gonçalves Cucio, a emissora

em questão deverá exibir, durante sete

dias consecutivos, um programa-resposta

de uma hora, no mesmo horário em que

eram exibidos os programas contra as religiões

afro-brasileiras. (Intecab).

Judaísmo em programa de TV inter-religioso

De acordo com o procurador regional dos

Direitos do Cidadão Sergio Gardenghi Suiama,

‘a Justiça soube, mais uma vez, reconhecer

que não há espaço na televisão brasileira

para a intolerância e para o ódio entre

as religiões. É inadmissível o uso de uma

concessão pública de TV para demonizar religiões

históricas brasileiras’, completou Suiama.

O programa-resposta que já foi gravado

reúne lideres de diversas religiões e entidades

que trabalham pelo respeito à diversidade.

Pelo judaísmo contou com a presença

do rabino Alexandre Leone, e de Lia Bergmann

pela B’nai B’rith do Brasil. (Intecab).

Behar no hall da fama do esporte judaico

A brasileira Adriana Behar, do vôlei de

praia, terá seu nome inscrito no Hall da

Fama do esporte judaico, em Natania, Israel.

O anúncio foi feito dias atrás e, além

dela, vice-campeã olímpica em Atenas e

em Sidney, receberão também a honraria

o nadador americano Jason Lesak, dono

de duas medalhas de ouro olímpicos, e o

boxeador Al Singer, campeão mundial do

peso leve nos anos 30, entre outros. Des-

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de 1979, já foram homenageados

315 atletas, de 24 países.

(Hebreu Blogspot).

Tribo perdida de Israel na Índia

17

O rabinato de Israel reconheceu como judeus

os membros de uma antiga tribo da

Índia conhecida como Shing-Long, afirmando

que são descendentes de uma das dez

tribos perdidas de Israel. O grupo, também

chamado de Lu-Shi ("As Dez Tribos"), é descendente

do bíblico Manassés, um dos dois

filhos de José, filho preferido de Jacó, e a

quem o patriarca deu dupla herança: "Agora,

pois, os teus dois filhos, que te nasceram

na terra do Egito, antes que eu viesse

a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés

serão meus, como Rúben e Simeão", diz o

livro do Gêneses. A tribo desapareceu junto

com outras nove durante o exílio judaico na

Babilônia, no século 8 a.E.C., quando o

Reino de Israel foi destruído e seus habitantes

foram dispersos pelos assírios. Conhecidos

em Israel como os Bnei-Menashe

(Filhos de Manassés), os Shing-Long formam

uma tribo entre 750 mil e 1,2 milhão de

pessoas vivendo nas regiões de Mizoram e

Manipur, no nordeste da Índia, junto à fronteira

com Mianmar, antiga Birmânia. (Rádio

Chai, Buenos Aires).

Tribo perdida II

O primeiro contato com os Shing-Long foi

feito pelo rabino Elyiahu Avichail, em 1979.

O rabino não deixa lugar a dúvidas sobre a

ligação com o povo de Israel: "Eles rezam

para o D-us de Manassés, e se conhecem

entre si como os descendentes de Manassés".

O rabino lidera uma fundação chamada

"Amishav" (Meu povo retorna). A

"Amishav" e sua recém-criada subsidiária

"Shavei Israel" ("Os que retornam a Israel")

são dedicadas à busca das tribos

perdidas e à restituição ao judaísmo dos

descendentes de judeus que foram obrigados

a se converter a outras religiões. A

decisão de aceitar os quase 7 mil membros

judeus da tribo (o resto continua sendo

cristão) foi tomada pelo grão-rabino sefardita

Shlomo Amar, que condicionou a

"repatriação" apenas a um processo de

conversão segundo as leis religiosas judaicas.

Após isso, Israel lhes concederá o

benefício da "Lei do Retorno" para que

estabeleçam residência no país com todos

os direitos. (Rádio Chai, Buenos Aires).

Cosméticos de Israel para o Paquistão

Um dos primeiros reflexos das conversações

recentes, na Turquia, entre os ministros das

Relações Exteriores de Israel e do Paquistão,

foi o fato de que a empresa de cosméticos

israelense Chavkin, recebeu dias atrás

um pedido de mostruários por parte de um

dos principais importadores de perfumaria

e farmácia do Paquistão. O empresário paquistanês,

enviou um e-mail ao laboratório

israelense, afirmando que conheceu seus

produtos nos shopping centers do Emirado

de Omã. E acrescentou que os produtos israelenses

correspondem aos gostos do consumidor

paquistanês. O gerente de vendas

do laboratório Chavkin confirmou o envio

ao Paquistão, via Jordânia de um mostruário

de 250 produtos cosméticos originais de

Israel. (Rádio Chai, Buenos Aires).


18

Foto: Jairo Roizen

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Aproveitando a visita oficial a Israel,

do governador do Estado de São

Paulo, Geraldo Alckmin e de sua esposa,

Maria Lúcia, presidente do Fundo

Social de Solidariedade do Governo

do Estado de São Paulo, foi formalizada

uma parceria entre o Fundo

Social e Na’amat Israel na implementação

do Projeto das Padarias Artesanais

a ser desenvolvido pelo Movimento

Feminino.

Para selar esse acordo, houve um encontro

entre Na’amat Israel, representada

por sua presidente,Tália Livni;

Shirli Shavit, diretora de Relações

com a Diáspora; Anita Grostein, coordenadora

para a América Latina; a

embaixatriz do Brasil em Israel, Ana

Moreira Lima; e Léia Hecht, representando

a Na’amat Brasil. Na ocasião,

Tália Livni também reiterou o

convite para que numa próxima visita

a Israel, Maria Lúcia possa conhecer

melhor o trabalho e as instituições

de Na’amat Israel espalhadas por

todo o país.

Da esquerda para a direita, Anita

Grostein, coordenadora de Na'amat Israel

para a América Latina; Ana Maria Moreira

Lima, embaixatriz do Brasil em Israel;

Maria Lúcia Alckmin, presidente do

Fundo Social de Solidariedade do

Governo do Estado de São Paulo; Tália

Livni, presidente de Na'amat Israel; Léia

Hecht, representante de Na'amat Brasil e

Shirli Shavit, coordenadora de Na'amat

Israel para o Exterior

No dia 20/11 foi realizado, pela Na’amat

Pioneiras, com enorme sucesso, o XXV Carrossel

da Alegria no Teatro da Unicenp.

Neste ano participaram 15 escolas e academias,

todas com o intuito de beneficiar

o Hospital do Câncer Erasto Gaertner.

No dia 29/11 foi festejado Chanucá e o

final de atividades anuais da Na’amat Pioneiras

com um chá festivo, quando as

chaverot Kutzi Segall e Sara Burstein abrilhantaram

a noite contando histórias e efetuando

comentários sobre esta festa religiosa.

Na mesma ocasião Miriam Orestein

alegrou a noite com músicas típicas.

O Bazar da Wizo deste ano foi bastante

movimentado

No domingo 11/12 a Wizo realizou no CIP seu

tradicional Bazar Beneficente com produtos de

supermercado, jóias e semi-jóias, artigos religiosos,

eletrodomésticos, brinquedos, roupas,

chocolates, embalagens, bijuterias, artesanato,

obras de arte e utilidades domésticas.

O Beit Chabad de Curitiba, em Rosh

Chodesh Kisslev, realizou no CIP, dia

1º/12 mais um “Tempere o Novo Mês”

Desta vez o tema foi Chanucá - Acendendo

Nossa Chama Interior.

Dia 7/12, o representante da Associação

Brasileira dos Participantes da

Marcha da Vida em Curitiba, Bóris Sitnik

proferiu palestra sobre o programa

Marcha da Vida: o que é e como

faço para participar? Também aconteceu

no CIP.

E no domingo 18/12 aconteceu a “Tarde

de Chanuká”, cuja programação teve

almoço no buffet do restaurante do CIP,

exposição de chanukiot com premiação

do concurso, música ao vivo - MPB

e comidas típicas de Chanuká, e jogos

na piscina para toda a família.

O casal Abrahão Kratica e Sirley Pereira

comemoraram no dia 15 de dezembro,

29 anos de casados. Desejamos

Mazal Tov!

O casal (rabino) Simón e Any Moguilevsky, que

visitou Curitiba no início de dezembro, foi recebido no

CIP pela presidente da Kehilá, Martha Schulman

Gisella Gonçalves lança seu 1º

CD intitulado “Passagem”. Acesse

o site www.gisella.com para

maiores informações. Mazal Tov!

“ (...) A maturidade musical de

Gisella é evidente nesse trabalho,

que inclui entre as 13 faixas

do disco 12 canções – oito

delas inéditas – assinadas por

compositores e letristas do primeiro

escalão da música mineira.

Destacam-se também os arranjos

de Wagner Tiso, que responde

pela direção musical do

disco, ou ainda as presenças de

conceituados instrumentistas,

como o baterista Robertinho Silva,

o baixista Zeca Assumpção e

os violonistas Victor Biglione e

Celso Moreira, além de um naipe

de cordas. Uma produção em

alto estilo. (...) “

“ (...) Com sua voz clara e

afinada, [Gisella] vai direto ao

ponto, sem recorrer a notas desnecessárias

ou acrobacias vocais.

Madura como cantora, sabe que

uma intérprete precisa compreender

o que canta, deve estar a

serviço tanto dos versos como da

melodia. (...) Gisella não é apenas

uma boa intérprete. Mesmo

sem ter tido a intenção de fazer

um trabalho conceitual, sua sensibilidade

na escolha das canções

e dos músicos que a acompanham

contribuiu ativamente para

que “Passagem” pudesse se tornar

um álbum homogêneo, com

um marcante traço lírico. (...) “

Carlos Calado. São palavras de

quem entende.

Rachel Solomon, curitibana que vive em

Israel há 24 anos, proferiu palestra no

CIP, dia 17/11, sobre Hasbará, esclarecimento

sobre o conflito do Oriente Médio.

Em 2001, utilizando seus conhecimentos

de webdesign e recursos gráficos,

e os de seu marido, lançou o site

Epístola Noticiária (www.igeret.co.il) publicando

notícias semanais que enviava

a amigos e conhecidos. Dois anos depois

já tinha 500 leitores e um ano mais tarde

já fazia transmissão radiofônica via

internet. Hoje, duas rádios brasileiras,

uma de São Paulo e outra de Sergipe,

transmitem seu programa. Ela é corres-

A partir da esquerda, Jayme Blay, presidente da

Federação Israelita do Estado de São Paulo;

Isac Baril, da Federação Israelita do Paraná e

Felippe Ungierowicz, da Associação Cultural

Israelita de Brasília

Reunidos na 36ª Convenção Nacional da CO-

NIB - Confederação Israelita do Brasil, realizada

em Belo Horizonte, nos dias 25, 26 e 27

de novembro, os representantes das 13 Federações

filiadas elegeram por unanimidade e

aclamação o novo Executivo para o triênio

2005/2008. O Presidente eleito é Jack Leon

Terpins e os vice-presidentes Claudio Luiz Lottenberg

e Osias Wurman.

Marcus Moraes acaba de graduar-se no

MBA em Marketing da ESPM. Ele é jornalista

correspondente da Jewish Telegraphic

Agency (JTA) no Brasil e um dos colaboradores

mais antigos do ALEF.

Até o dia 23/12 o CIP está realizando

sua Colônia de Férias para crianças de 4 a

8 anos de idade. Oficinas de pipas e de

bijuterias, atividades esportivas, cinema,

artes, jogos na piscina e muita diversão,

no horário das 14 às 18h. As inscrições

podem ser feitas no na secretaria do CIP,

ao preço de R$ 25,00 por dia para cada

criança.

pondente de duas emissoras internacionais de rádio, uma em Miami, nos EUA

e outra e Brisbane, na Austrália. Rachel trabalha de forma independente e

voluntária, e não está ligada a nenhuma organização governamental israelense,

nem do exterior.

Colabore com notas para a coluna. Fone/fax 0**41 3018-8018 ou e-mail: visaojudaica@visaojudaica.com.br

Elke Aronson, do Shavua Tov; Rachel

Solomon, do Epístola Noticiária

(centro); e Rachel Figlarz, do Eitan


TURISMO

Safed — Alta Galiléia (2)

Antônio Carlos Coelho *

Safed é considerado como um dos

quatro centros de importância espiritual

do povo judeu. Situada na Alta

Galiléia, atrai quase que exclusivamente

visitantes judeus. Esta cidade que

provavelmente teve origem nos tempos

bíblicos, só ganhou importância

espiritual a partir do século 16, quando

chegaram judeus vindos de Sefarad.

Entre eles, estavam notáveis intelectuais

e místicos judeus. Com a

sua presença, intensificou-se a vida

religiosa em Safed, tornando-a o mais

importante centro do misticismo judaico.

Conta-se que na segunda metade

do século 16, Safed tinha uma

população judaica de 14 mil pessoas,

todas ilustradas nos textos sagrados,

de forma que a “luz da Torá resplandecia

sobre a cidade”.

Safed merecidamente é chamada

de “Cidade da Cabala”. Nela viveram

rabinos de grande expressão que formaram

suas yeshivot e sinagogas. Rabi

Yosef Karo (1488-1575), autor do livro

Schulchan Aruch, obra referencial

do judaísmo, estabeleceu sua

pequena sinagoga, situada numa das

ruas mais movimentadas. Nela encontra-se

o rolo da Torá mais antigo de

Israel (é o que se diz). Também vive-

ram e ensinaram em Safed grandes

mestres como o Rabi Moisés Cordovero

(1522-1570), um dos mais importantes

autores da mística judaica.

Cordovero elaborou uma síntese

dos estudos da Cabalah de grande

importância. Rabi Isaac Luria Askenazi

(1534-1572), filósofo refinado,

criou um sistema filosófico complexo,

reservado apenas a alguns iniciados.

Rabi Isaac, já no seu tempo,

falava da origem do universo, atribuindo

a um fenômeno que chamou

de Tzimtzum, muito semelhante à teoria

do Big Bang. O Rabi Chaim Vital,

autor do livro “Árvore da Vida” também

viveu e ensinou em Safed.

Ainda no século 16, judeus vindos

de Lublin, estabeleceram uma

gráfica na cidade, onde foram impressos

os primeiros livros judaicos

de Israel e do Oriente Médio.

Mais tarde, no século 18 os discípulos

de Baal Shem Tov somaramse

à população e, no século seguinte,

chegaram os discípulos do

Rabi Eliahu Gaon de Vilna.

Conta-se que pouco antes do

cair da tarde, nas sextas-feiras, os

jovens iam às portas de Safed para

esperar a “Noiva do Shabat”. Lá cantavam

os seis salmos iniciais da li-

turgia de Kabalat Shabat e depois,

o conhecido poema Lechá Dodi, de

Shlomo HaLevi Alkabetz, irmão de

Rabi Cordovero. Posso imaginar o

que seria um Shabat em Safed. Deveria

ser vivido com intensidade,

com tanto respeito e alegria, que

seria possível experimentar, no presente,

a redenção futura. Em Safed

não havia limites entre casa e sinagoga,

o Shabat cobria a cidade

como um manto e o universo inteiro

repousava no sétimo dia.

Safed, no entanto, passou por

duros momentos. No século 17, em

razão do declínio do governo turco,

a população sofreu graves privações

econômicas, mesmo assim a

vida espiritual se manteve ativa. No

século 19, um terremoto (1837)

matou cerca de 5 mil habitantes,

reduzindo a comunidade judaica

para 400 membros. Só em 1913 ela

voltou a ter um número de membros

significativo, 11 mil. E, novamente,

logo após a Primeira Guerra,

em razão das dificuldades econômicas

o número de judeus reduziu-se

a menos de 2 mil. A partir de

1948, com a independência de Israel,

a população tornou-se exclusivamente

judia e voltou a crescer.

* Antonio Carlos Coelho é professor, colaborador do jornal Visão Judaica e diretor do Instituto Ciência e Fé.

VJ INDICA

LIVRO

Valores, Prosperidade

e o Talmude

Lições de Negócios dos Antigos Rabinos

Larry Kahaner Tradução: Fernandes, M.C.

Editora Imago, 265 pp

Valores, Prosperidade e o Talmude leva o leitor a repensar sua postura sobre os assuntos dos

negócios que subsistem há milhares de anos e, enquanto os modismos empresariais vêm e

vão, as antigas lições do Talmude são eternas, profundas, éticas e práticas – para todos.

O Talmude trata de uma imensa gama de atividades humanas, concentrando-se propositalmente

nas relações de negócios. O sábio talmúdico Rabá, disse que a primeira pergunta feita

a uma pessoa no julgamento depois da morte é “você conduziu seus negócios com boa-fé?”

Por que esse interesse pelos negócios e, por extensão, pelo dinheiro e pelo lucro? Essa

ênfase certamente parece consolidar o estereótipo de que os judeus se preocupam excessivamente

com o dinheiro. Contudo, essa visão superficial está longe da verdadeira natureza do

judaísmo e do que os rabinos talmúdicos tentavam transmitir.

ERRATA

Na edição nº 41 do Visão Judaica, na página.... “Visão Judaica indica livros”,

por engano, foi publicado como sendo o autor do livro ‘O caçador de

pipas’, Philip Roth, quando na verdade ele é de Khaled Hosseini. Fica a

correção para os leitores de VJ.

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Uma rua movimentada da parte velha da cidade de Safed

O interior de uma

das tradicionais

sinagogas de

Safed

19

Pintura de Marc Chagall representando uma sinagoga de Safed


20

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Receitas com grife

Na festa de Chanucá há o costume de ingerir alimentos fritos em óleo. Estes

alimentos são preparados e degustados em honra ao milagre que ocorreu no

Templo de Jerusalém. Pratos à base de laticínios são também apreciados, pois

lembram os feitos de uma famosa heroína judia, Yehudit (Judith), na época do

Segundo Templo Sagrado de Jerusalém. Israel encontrava-se sitiada pelo cruel e

opressivo exército greco-sírio. Yehudit ajudou a assegurar a vitória para as forças

judaicas, assassinando o terrível general do exército grego, Holofernes. Deu

a ele queijo salgado para comer, acompanhado de vinho forte para eliminar sua

sede. O vinho o “derrubou” fazendo-o cair em sono profundo. Yehudit então

tomou de sua espada e o matou. Os soldados do general fugiram com medo. A

vitória dos macabeus seguiu-se a este ato de coragem.

Ingredientes:

Para a calda:

5 xícaras de açúcar (ou 1 kg);

2 xícaras de água;

Suco de ½ limão grande;

1 colher de chá de água de rosas ou de

flor de laranjeira.

* As zalabias podem ser servidas polvilhadas

com açúcar de confeiteiro, em vez de

serem feitas na calda.

Modo de fazer:

Para as frituras:

2 colheres de chá de

fermento seco;

1 colher de chá de açúcar;

3 xícaras de água morna;

500 g de farinha de trigo;

½ colher de chá de sal;

Óleo para fritar em quantidade

generosa.

Durante 15 minutos, ferver em fogo lento, numa panela pequena, os ingredientes da

calda. No final acrescentar a água de rosas ou de flor de laranjeira, desligar o fogo e

reservar. Deve ficar suficientemente grossa para colar na colher, porém não grossa

demais, pois, ao esfriar, costuma encorpar. Numa tigela grande dissolver o fermento

com o açúcar e ½ xícara de água morna e deixar por 15 minutos, antes de colocar a

farinha e o sal. Misturar muito bem, acrescentando o restante da água morna e

trabalhar a massa até se tornar elástica e macia. Cobrir com uma toalha e deixar

crescer num lugar abafado (dentro do forno desligado), por cerca de 1 hora. Findo

este tempo, amassar novamente e deixar crescer outra vez. Aquecer o óleo, manter o

fogo médio, e com a ajuda de uma colher colocar no óleo pequenas bolas com cerca

de 4 cm. Devem fritar, crescer e dourar. Desengordurar num papel absorvente e mergulhar

na calda por alguns minutos ou polvilhar com o açúcar de confeiteiro.

Ingredientes:

Zalabia

Quadradinhos de ricota

PARA A MASSA:

½ kg de farinha de trigo;

3 colheres de sopa de açúcar;

1 pitada de sal;

1 colher de café de fermento em pó;

300 g de manteiga ou partes iguais

de manteiga e margarina ou gordura

vegetal gelada em pedacinhos;

2 gemas;

¼ de xícara de vinho branco seco;

2 colheres de sopa de creme de leite

espesso;

1 gema diluída com algumas gotas

de café para pincelar;

Açúcar de confeiteiro para polvilhar.

Modo de fazer:

PARA O RECHEIO DE RICOTA:

3 claras em neve com 1 pitada de sal;

3 gemas;

½ kg de ricota ou queijo quark passados por peneira;

½ xícara de passas claras lavadas e secas;

6 colheres de sopa de açúcar;

½ colher de chá de raspas de limão bem verde;

1 ½ colher de chá de essência de baunilha;

3 colheres de sopa de creme de leite espesso.

Numa tigela, peneire os ingredientes secos

e junte a manteiga, misturando com

as pontas dos dedos para obter um farelo

grosso. Junte as gemas, o vinho e o creme

de leite, misturando bem para ligar a massa.

Se desejar, use o processador de alimentos.

Separe a massa em duas partes,

sendo uma delas um pouco maior que a

outra, envolva ambas em filme plástico e

leve à geladeira durante 30 minutos.

Sobre um tampo enfarinhado, abra a porção

maior da massa dispondo-a no fundo

da assadeira e formando uma pequena borda

nas laterais. Polvilhe a massa com um

pouco de farinha de rosca e espalhe o recheio.

Abra o restante da massa e cubra.

Pincele a massa com gema diluída e leve

ao forno preaquecido moderado (180°)

por 30 a 40 minutos, ou até assar e ficar

dourado. Retire e deixe esfriar. Peneire um

pouco de açúcar de confeiteiro e corte em

quadrados.

Modo de fazer:

Numa tigela, misture

as gemas, a ricota, as

passas, o açúcar, as

raspas do limão, a essência

de baunilha e

o creme de leite e aos

poucos e delicadamente

incorpore as

claras.

Negadores do Holocausto estão

presos na Alemanha e na Áustria

Germar Rudolf e David Irving foram presos

respectivamente em Frankfurt, na Alemanha

e no Sul da Áustria, pelas polícias

dos dois países por negarem o Holocausto.

Rudolf, de 41 anos, foi deportado dos

Estados Unidos, para onde fugiu e se instalou

depois que uma corte de justiça de

Stuttgart o condenou em junho de 1995 a

14 meses de prisão, por instigar o ódio

racial e negar o assassinato de milhões de

judeus nos campos de concentração nazistas,

algo que na Alemanha é considerado

um delito penal. O historiador britânico

ultradireitista David Irving, autor de

uma versão revisionista do Terceiro Reich,

foi detido em Hartberg, no sul da Áustria,

acusado de ter negado o Holocausto em

uma conferência em 1989.

O porta-voz do Ministério do Interior

austríaco, Rudolf Gollia, confirmou a notícia

de que Irving foi preso no dia 11 de

novembro por agentes da Inspetoria de

Polícia das Estradas perto do município de

Johann in der Heide, no Estado federado

de Estiria, com base numa ordem de captura

do Tribunal de Viena, emitida em novembro

de 1989.

Rudolf, diplomado em química, negou

em 1991 que se tivesse utilizado o gás

zyklon-B nas câmaras de gás do campo de

extermínio de Auschwitz, na atual Polônia.

A lei alemã considera isso crime e o tribunal

de primeira instância de Mannheim emitiu

em 2004 uma nova ordem internacional

de busca e captura contra Rudolf por fazer

também propaganda de ideologia de extrema

direita através da internet. Ele mantinha

contato, dos Estados Unidos com neonazistas

e negacionistas do Holocausto na

Alemanha, como Ernst Zündel, que também

está preso aguardando julgamento.

Zündel, de 66 anos, foi deportado em

março do Canadá depois que um juiz canadense

classificou seu site como inconstitucional.

O negacionista, que emigrou em

1958 para o Canadá, é acusado na Alemanha

de instigação ao ódio racial por defender

abertamente a violência contra minorias.

Além disso, Zündel negou repetidas vezes

o Holocausto.

Irving é acusado de ter violado a lei

austríaca que proíbe que se negue o Holocausto.

O historiador, que está numa prisão

em Viena, foi à Áustria aparentemente

para dar uma palestra em uma associação

estudantil de extrema direita. Caso seja

julgado e declarado culpado, o britânico

pode ser condenado a entre um e dez anos

de prisão, informou um porta-voz da Procuradoria

de Viena.

Nascido em 1938 na cidade britânica

de Essex, Irving é conhecido por

suas duas biografias de Adolf Hitler, nas

quais garante que o líder do Terceiro

Reich não sabia nada sobre o assassinato

em massa de judeus.

Em outras publicações, o historiador

questionou a existência de câmaras de gás

no campo de extermínio de Auschwitz. Devido

a essas posições, Irving foi proibido

de entrar na Alemanha e foi expulso do país

em 1993 após ter sido condenado, em duas

ocasiões, a pagar elevadas multas por ter

insultado a memória dos judeus assassinados

pelos nazistas.

No site de Irving na internet, seus

partidários afirmaram que ele se encontrava

“em Viena” por um período de 24 horas,

a convite de “um grupo corajoso de

estudantes”. A Associated Press disse que,

apesar das precauções tomadas, Irving foi

monitorado ao deixar a Alemanha, onde

não está autorizado a entrar, por meio do

grampeamento de e-mails de integrantes

de organizações neonazistas.

Na Alemanha Irving visitou o dramaturgo

Rolf Hochhuth, um crítico dos bombardeios

aliados durante a Segunda Guerra e

para quem Winston Churchill não passava

de um “criminoso de guerra”. Hochhuth já

defendeu Irving, qualificando-o de “um

homem honrado”.

Em seus livros, Irving argumenta que a

escala do extermínio de judeus pelos nazistas

na Segunda Guerra Mundial foi exagerada

e que Hitler não tinha conhecimento do

Holocausto. Em Hartberg, onde foi preso, o

historiador falaria no clube sobre negociações

secretas que o arquiteto do Holocausto,

Adolf Eichmann, supostamente teve com

líderes judeus na Hungria.

Em 2000, durante uma audiência na Justiça

britânica em Londres, o historiador também

afirmou que as câmaras de gás no campo

de concentração de Auschwitz, na Polônia,

não existiram. Na ocasião, Irwing perdeu o

caso e o juiz disse que ele era “um ativo negador

do Holocausto (...), anti-semita e racista”

e que se associava com extremistas de

direita que promovem o neonazismo.

As autoridades austríacas estudam agora

se processam ou não formalmente Irving,

Caso se decidam pelo não, ele pode ser solto.

Apesar de pouco conhecido pelos brasileiros

em geral, Irving é muito conhecido

pelos racistas brasileiros e o material produzido

por ele é constantemente traduzido

para o português. Muito do “trabalho original”

do revisionista brasileiro condenado,

Castan ou Siegfied Ellwanger, na Editora

Revisão, nada mais é que a mera tradução

ou apropriação dos textos de Irving.

(Com noticiário da EFE/BBC e Mídia Judaica

Independente).


OLHAR

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Instituto Weizmann, o melhor do mundo

O Instituto Weizmann, de Israel, foi escolhido

como a melhor universidade,

para o desenvolvimento de pesquisas

científicas. A pesquisa foi realizada pela

The Scientist, sendo a terceira enquete

anual que faz parte do levantamento

‘Melhores instituições acadêmicas para

trabalhar’. Neste ano, mais de 2000 cientistas

que responderam a pesquisa, consideraram

as relações entre os pares,

o compromisso com seu trabalho e

o acesso às fontes de investigação como

os ingredientes que qualificam um ótimo

ambiente de trabalho. Em seguida

ao Instituto Weizmann, estão a Universidade

de Toronto e a Universidade de

Alberta. (Jerusalem Post).

Intel construirá fábrica de chip em Israel

A Intel Corporation construirá uma fábrica

de microprocessadores em Kiryat

Gat, em Israel, num projeto estimado

em US$ 3,5 bilhões. A unidade produzirá

wafers de 300 milímetros (mm)

usando tecnologia de 45 nanômetros a

partir do segundo semestre de 2008.

Calcula-se que o projeto criará mais de

2 mil empregos na região nos próximos

anos. O governo israelense está concedendo

incentivos financeiros para a nova

instalação. Quando estiver concluída a

obra, a unidade será a sétima da Intel

no gênero em todo o mundo. (Valor

Econômico Online)

Solução para o câncer da próstata

Um novo método para facilitar a destruição

das células do câncer de próstata

pelo sistema imunológico, foi desenvolvido

por uma estudante de Doutorado

da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Por seu trabalho nessa área, Tal

Arnon foi uma das escolhidas para receber

o Prêmio Barenholz, em junho de

2005. Um problema importante no diagnóstico

e tratamento do câncer de próstata

– a segunda maior causa de mortes

por câncer nos países ocidentais – é a

grande semelhança existente entre as

células prostáticas com tumor e as células

normais. Isto dificulta os marcadores

que permitiriam um tratamento definido

apenas com as células cancerígenas.

Entre as células do sistema imunológico

que protegem contra o aumento

dos crescimentos de tumores, estão as

células assassinas naturais (NK), que

podem identificar e matar células com

tumores distintas. Esta habilidade depende

amplamente da expressão de uma

pequena família de proteínas (NCRs), que

se unem específicamente com os tumores

mas não com células sadias.

Câncer da próstata II

HIGH-TECH

Ao aplicar técnicas de biologia molecular,

Tal Arnon produziu proteínas NCR combinadas

com uma proteína imunoglobulínica,

que é um marcador muito conhecido

e que o sistema imunológico reco-

nhece. Combinando as NCRs com imunoglobulina,

cria-se um marcador que,

não só fará com que seja mais fácil identificar

as células prostáticas cancerígenas

mais cedo, como também abre o

caminho para facilitar a destruição imunológica

focalizada naquelas células.

Usando ratos nos quais foram introduzidas

células cancerígenas de próstata

humana, obteve-se um tratamento com

proteinas NCR – imunoglobulina com efeito

dramático. Os ratos tratados com NCR

tiveram uma redução substancial na progressão

do tumor, enquanto um grupo

de controle revelou um rápido crescimento

de tais tumores. Efetivamente, metade

dos ratos tratados se recuperou

completamente, 25% tiveram uma cura

parcial, e os outros 25% não responderam

ao tratamento. Os resultados mostram

um potencial clínico alentador para

a análise e tratamento do câncer de

próstata. (Embaixada de Israel)

Encontrada em Tiberíades

imagem de Jesus

Um selo de chumbo (conhecido por

“bulla”) datado do século 6 d.C., foi encontrado

em escavações em Tiberíades,

na Galiléia, em Israel. O selo tem o formato

de uma moeda: um dos lados traz

a imagem de Jesus. O outro mostra uma

cruz e o monograma “Christos”, significando

“Messias”, em grego. A descoberta

ocorreu durante escavações arqueológicas

dirigidas pelo prof. Yizhar Hirschfield,

da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Para Hirschfield, é uma descoberta

rara que indica que Tiberíades fora um

destino importante de peregrinação, nos

séculos 5 e 6 d.C. Anos atrás, Hirschfield

descobriu uma igreja sobre o Monte Berenice,

também datando do século 6.

Ambos, o selo e a igreja, evidenciam uma

comunidade cristã bem estabelecida naquela

época em Tiberíades, convivendo

com judeus. De acordo com Robert Kool,

da Autoridade de Antiguidades de Israel,

a “bulla” era usada para carimbar

documentos oficiais de altos funcionários

da Igreja, em sua correspondência com

outros oficiais. Diversas moedas com a

imagem de Jesus foram encontradas em

Tiberíades, mas datando do século 11

d.C., e agora, encontrou-se uma” do século

6. (Embaixada de Israel).

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

Agora, Ahmadinejad

diz que Israel deveria ser

“transferido” para a Europa

E provoca com insinuações de que o Holocausto não teria existido

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad

está mesmo determinado a “puxar”

briga. Na quinta-feira, dia 8/12 colocou

dúvidas sobre a ocorrência do Holocausto

e sugeriu que o Estado de Israel

deveria ser “transferido” para a Europa.

“Alguns países europeus insistem em

dizer que Hitler matou milhões de judeus

inocentes em fornalhas a ponto de, se

alguém provar o contrário, condenarem

essa pessoa e a enviarem à cadeia”, afirmou

Ahmadinejad.

“Embora nós não aceitemos esta versão,

caso ela seja verdade, nossa questão

para os europeus é: o assassinato de judeus

inocentes por Hitler é motivo para

apoiar os invasores de Jerusalém?”, questionou

ainda o presidente iraniano.

Ahmadinejad disse ainda que “se os

europeus são honestos a respeito de abrir

mão de algumas Províncias (!?!) na Europa

— como a Alemanha, a Áustria e outros

países — os sionistas poderiam estabelecer

seu Estado na Europa”. “Vocês doam

parte da Europa e nós apoiamos”, disse.

As declarações — divulgadas pela

agência oficial de notícias IRNA — foram

dadas durante uma coletiva de imprensa

na Arábia Saudita. Em outubro

último, Ahmadinejad afirmou que Israel

Comunicado Oficial do Congresso

Judaico Latino-americano

21

deveria ser “riscado do mapa”, declaração

que foi duramente criticada pela comunidade

internacional.

Segundo historiadores, seis milhões de

judeus morreram durante o Holocausto.

Críticas

As declarações de Ahmadinejad causaram

indignação em Israel e em Washington.

Raanan Gissin, porta-voz do premiê

israelense, Ariel Sharon, afirmou em Tel

Aviv que Ahmadinejad estava se referindo

“ao consenso que existe em alguns

setores do mundo árabe (...) de

que os judeus não têm o direito de estabelecer

um Estado democrático em

sua terra ancestral”.

“Só para lembrar a Ahmadinejad, nós

estamos aqui muito antes dos ancestrais

dele”, afirmou Gissin. “Temos o direito de

estar aqui, na terra onde viveram nossos

antecessores. Graças a Deus, temos a capacidade

de impedir que tal idéia se torne

realidade”.

O porta-voz da Casa Branca, Scott

McClellan, afirmou que “as declarações aumentam

a preocupação dos EUA em relação

ao regime iraniano e mostram por que

é tão importante impedir que tal regime

desenvolva armas nucleares”.

O presidente do Congresso Judaico Latino-Americano (CJL) e da Confederação

Israelita do Brasil (CONIB), em nome de toda a comunidade judaica latino-americana

e brasileira, expressa o mais enérgico repúdio às declarações que agridem ao Estado

de Israel e a memória dos 6 millhões de judeus assassinados na Europa durante a

Segunda Guerra Mundial.

O Estado de Israel é um membro soberano da comunidade internacional, criado em

1948 sobre as bases de uma Resolução das Nações Unidas, cujo direito a existência

não requer nenhum outro tipo de reconhecimento. Os discursos que evocam a infeliz

frase “apagá-lo do mapa”, remontam as mais sinistras e inadvertidas idéias antisemitas

de Hitler e são impensáveis e inaceitáveis em um contexto civilizado.

O Congresso Judaico Latino-Americano e a Confederação Israelita do Brasil conclamam

a todas as nações amantes da paz e a todos os homens e mulheres de boa

vontade no mundo para que condenem categoricamente as incendiárias declarações

anti-Israel e a infame pretensão em banalizar o Holocausto, recordando a verdade

histórica de quando as pessoas de bem reagiram adequadamente ante a ameaça de

eliminar um Estado independente.

Ao emitir esta Declaração, o Congresso Judaico Latino-Americano e a Confederação

Israelita do Brasil renovam seu firme compromisso com os esforços condizentes a

promoção da paz e respeito mútuo entre os povos, religiões, grupos sociais e éticos.

Esse compromisso é mais imperioso do que nunca!

Jack Leon Terpins

Presidente do Congresso Judaico Latino-Americano e Confederação israelita do Brasil


22

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

presidente iraniano, que quer

um mundo sem Israel, tem um

forte aliado na Ucrânia. A universidade

de Kiev (seria melhor

chamá-la de Perversidade de Kiev),

já conhecida internacionalmente por

seu discurso anti-sionista e pela publicação

de livros e propaganda antisemita,

agora pede à ONU para que

Israel seja “fechado”. O pedido foi

em novembro e a universidade cujo

nome real é “Gerenciamento de Pessoal

Acadêmico Inter-regional”, mas

é conhecida na Rússia como MAUP,

defende que as Nações Unidas têm

que revogar a resolução da Partilha

da Palestina de 1947.

“A humanidade viveu sem o Estado

de Israel por exatos 2.760

anos, mas depois de sua criação o

mundo sente a constante agressão

dos filhos do diabo”. A frase consta

de um texto publicado numa declaração

de apoio ao presidente iraniano

Mahmoud Ahmadinejad no jornal

da “universidade”.

A MAUP tem sido o grande disse-

Primeiro foram dois textos judeofóbicos

de Fausto Wolff, publicados no Caderno B, e

as desculpas e explicações da direção do

Jornal do Brasil após a enxurrada de reclamações.

O presidente do JB, Nelson Tanure,

afirmou que providências seriam tomadas.

No entanto, apenas três semanas depois,

uma charge de cunho anti-semita e pior que

os textos anteriores foi publicada no jornal.

Nela, judeus são retratados como seres que

não ligam para a vida humana, assassinos

que para cuidar de seus interesses podem

matar civis, e pedir desculpas depois no seu

dia santo, o Iom Kipur. A estrela da “tira de

humor” é um rabino, com todos os estereótipos

clássicos da judeofobia. A autoria da

“peça” é de André Dahmer.

Na publicação dos primeiros textos de

autoria de Fausto Wolff e de seu personagem,

o pseudônimo Nataniel Jebão, geraram

uma onda de indignação como há muito

não se via. Dias depois, diante da grande

reação, o JB se manifestou a respeito, declarando

que os textos foram de “mau gosto”,

“irresponsáveis” e asseguraram que serão

“tomadas as medidas internas cabíveis”.

Um dia após a publicação da malfadada

“tirinha”, a Federação Israelita do Estado

do Rio de Janeiro (Fierj) reportava

que em resposta à reclamação da entidade

à publicação dos textos de Wolff/Gebão,

Universidade de Kiev pretende

cancelar a partilha da Palestina

minador do anti-semitismo na Ucrânia

neste ano, mas o silêncio das

autoridades locais, muitas com ligações

com a “universidade” resultaram

em críticas de entidades judaicas

nacionais e internacionais. Algumas

dessas críticas atingem o presidente

Viktor Yuschenko, que sofrera

envenenamento durante as últimas

eleições. Em reação, ele conclamou

as elites do país a condenar o

anti-semitismo: “Não pode haver

questões étnicas num país europeu”.

Yushenko, o ministro da Justiça

Tarasyuk, o ex-presidente Leonid Kravchuk

e vários outros membros do parlamento

possuem diplomas honorários

da MAUP. E eles estão em péssima

companhia. A “universidade” costuma

dar títulos e graduação para diversos

racistas incluindo o supremacista branco

David Duke, que possui “doutorado”

em história na MAUP e participou

de várias conferências anti-sionistas

organizadas por ela em Kiev.

A diretora do departamento de

russo, ucraniano e línguas estran-

JB publica charge anti-semita

o JB havia decidido fazer alterações no

Caderno B do jornal. A coluna de Nataniel

Jebão, que difamou de forma grosseira a

pessoa de Ariel Sharon, deixou de ser publicada.

E o colunista diário Fausto Wolff,

passou a assinar artigos apenas às terças,

quintas e domingos.

A surpresa, após a retratação do erro gravíssimo,

foi a reincidência com a publicação

da ”tirinha” preconceituosa. Segundo nota

publicada no site De Olho na Mídia, “não fosse

o fato de verificar a presidência do mesmo

fazendo esforços para reparar os danos, diríamos

tratar-se de uma represália barata”.

O ataque à religião judaica, a descaracterização

das operações de autodefesa de

Israel, a estereotipagem do judeu e, finalmente,

o destaque à etnia dos israelenses,

de forma a reforçar que a “tira” se refere a

todos os judeus e não a uma parcela, ou

algum membro específico desta comunidade

estão presentes.

“Enquanto uma ‘tirinha humorística’ de

baixíssima categoria como aquela ilustra as

páginas do JB, onde está a condenação do

mesmo ao genocídio no Sudão, perpetrado

por milícias árabes e que já matou quase meio

milhão de negros sudaneses?”, indaga o leitor

Paulo Abel Kligerman, que denunciou a

charge publicada no Jornal do Brasil ao De

Olho na Mídia.

geiras da MAUP, Zoya Borisova, não

aceita as acusações de anti-semitismo

remetendo seu discurso aos

revisionistas franceses do Holocausto

e da esquerda francesa dos anos

80, com a conversa fiada de que “a

luta é contra o sionismo, mas não

contra os judeus”.

A MAUP é a maior “universidade”

privada da Ucrânia com 35 mil alunos,

incluindo centenas de países

árabes. A “universidade” oferece cursos

de direito, economia, administração,

contabilidade, ciência política,

medicina e psicologia afirmando

ter uma rede de alunos e simpatizantes

em 60 países. Só que a vizinha

Polônia deixou de reconhecer os

diplomas da MAUP devido às controvérsias

e problemas internos dela.

Todas as críticas são ignoradas

pela MAUP e sua direção. O atual

presidente da instituição, Georgy

Schokin, fundou um partido político

– Partido Conservador da Ucrânia

(CPU) – com o qual se prepara

para a próxima eleição parlamentar.

De acordo com fontes da imprensa

russa uma parte substancial dos fundos

doados para a MAUP vêm de dois

países: Irã e Arábia Saudita. A “universidade”

não confirma, mas garante

ter boas relações com ambos.

Numa entrevista à Jewish Telegraph

Agency no início deste ano, uma estudante

iraniana do primeiro ano disse

que o que a atraiu para a MAUP e

também atraiu outros amigos árabes

dela foi o anti-sionismo da “univerisade”.

Ela disse que escolheu estudar

medicina na Ucrânia e não na

Rússia porque a MAUP “luta contra

o mau do mundo do sionismo”.

Todos os alunos recebem gratuitamente

o jornalzinho da universidade

“Personal Plus” que sempre

possui artigos contra Israel e propaganda

anti-semita. Segundo algumas

fontes, 70% de todas as publicações

anti-semitas na Ucrânia

são publicadas pela MAUP, incluindo

“Mein Kampf” e “Os Protocolos

dos Sábios de Sião”. (Mídia

Judaica Independente).

idel classifica Israel

de Estado “pró-nazista”

Num discurso para centenas de estudantes na Universidade de Havana,

o presidente cubano Fidel Castro, classificou o Estado de Israel de

“pró-nazista” e o acusou de ser “um grande cúmplice” do governo dos

Estados Unidos. Castro se referia à votação que atingiu a resolução cubana

contra o bloqueio econômico dos EUA na Assembléia Geral das Nações

Unidas, no começo de novembro.

A proposta cubana obteve o respaldo de 182 países. Só Israel, Palau,

Ilhas Marshall e os EUA votaram contra e a Micronésia se absteve. Fidel

utilizou a votação para denunciar “um grande bandido (EUA), e um grande

cúmplice desse bandido que é o Estado pró-nazista de Israel”.

“Aqueles que tais crimes cometem, o fizeram em nome de um povo que

durante mais de 1.500 anos sofreu uma perseguição no mundo e que foi

vítima dos mais atrozes crimes na 2ª Guerra Mundial”, acrescentou. O líder

cubano ressaltou que “o povo de Israel não tem nenhuma culpa dessas

selvagerias imperiais sustentadas pelo império e que levam ao holocausto de

um povo inteiro, que é o palestino”.

Cuba não tem relações com Israel desde 1973, quando o governo da

ilha caribenha decidiu romper seus vínculos com esse Estado em solidariedade

com os palestinos, durante uma conferência do Movimento de

Países Não-Alinhados (NOAL) realizada na Líbia. Atualmente, a embaixada

do Canadá atende aos interesses de Israel em Cuba.

As críticas de Fidel Castro a Israel, coincidem com uma informação

publicada em um diário israelense, segundo a qual o Ministério das Relações

Exteriores recomendou a seus cidadãos não visitar Cuba, com o

argumento de que podem ser presos ou vítimas de delinqüentes. Segundo

os meios de comunicação israelenses, um turista israelense foi assassinado

há algumas semanas em Havana. (EFE).


Jane Bichmacher de Glasman*

Chamava-se “O Rato que Ruge” a

fita estrelada por Peter Sellers, de 1959,

que costumava passar na “Sessão da

Tarde”. No auge da Guerra Fria, um minúsculo

ducado medieval perdido nos

Alpes Franceses, Grand Fenwick, tinha

como único produto de exportação o

vinho Pinot Grand Fenwick. Mas uma

empresa inescrupulosa da Califórnia

criou uma imitação barata, o Pinot

Grand Enwick, e levou o paiseco a uma

crise econômica sem precedentes. Seu

parlamento, então, decidiu declarar

guerra aos EUA. A idéia era, obviamente,

perder a guerra e pedir ajuda internacional

para arrumar dinheiro e sair

do buraco. Mas quando os 20 soldados

do exército do ducado chegaram

à Nova York, de barco, não encontraram

ninguém na cidade. Na mesma hora

acontecia um exercício de alarme nuclear

e a população estava toda escondida.

Para resumir, o exército de

Sellers captura um general, quatro policiais,

um cientista que fazia uma

bomba atômica fajuta, sua linda filha,

volta à Europa e anuncia que ganhou

a guerra. De quebra, ainda tem uma

bomba nas mãos. No fim os EUA se rendem,

suspendem a produção do vinho

e ainda pagam uma indenização.

Chanucá celebra eventos que

ocorreram há cerca de 2.200 anos,

na época do Segundo Templo em Jerusalém.

Muitos judeus retornaram a

Eretz Israel do exílio da Babilônia e

reconstruíram o Templo, mas continuavam

sob o jugo imperial de potências

externas.

Desde a morte de Alexandre da

Macedônia, no ano 323 a.E.C. os governantes

gregos de Eretz Israel fizeram

contínuos esforços para forçar

o povo judeu a abandonar sua

fé e adotar as idéias e costumes helenísticos.

O rei Antíoco da Síria,

em 175 a.E.C. impôs éditos contra

a religião judaica: proibiu a observância

do Shabat; a circuncisão,

o estudo da Torá, construiu altares

aos deuses gregos, inclusive no

Templo, e obrigou os judeus a fazerem

oferendas aos deuses gregos.

Na época, a Judéia se dividia

entre helenistas (que apoiavam a

cultura, a língua e adotavam costumes

gregos, cuja maioria vinha

das classes média e alta) e hassidim

(que viam como sua principal

missão a preservação dos valores

nacionais e religiosos, contra

o helenismo).

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

O rato que ruge e Chanucá

Na aldeia de Modiin, o sacerdote

Matitiahu, da família dos Hasmoneus,

colocou-se à frente da revolta,

com seus cinco filhos, seguidos

de um audaz grupo de judeus.

Chegaram a bater seus inimigos,

a princípio nos montes da

Judéia e, mais tarde em toda a região,

até Jerusalém. Foi a luta de

um punhado de homens contra uma

multidão, de fracos contra fortes,

que venceram grandes exércitos sírios,

possuidores de elefantes e

máquinas de guerra. Como divisa,

os judeus inscreveram em sua bandeira

as palavras da Torá: “Quem é

como Tu entre os deuses, Senhor?”,

de cujas iniciais hebraicas formouse

o nome Macabeu (Macabi), sob

o qual ficaram conhecidos os guerreiros.

Makevet, do mesmo radical

em hebraico, significa martelo,

aludindo aos golpes assentados ao

adversário. De acordo com outra

teoria, Macabeu era o grito de

guerra dos judeus contra os sírios.

O exército de Matitiahu, chefiado

por seu filho Yehuda haMacabi,

consistia de apenas 6 mil homens,

mas conseguiu mesmo assim vencer

uma legião de 47 mil sírios, armados

até os dentes. Enfurecido

com a derrota, Antíoco destacou

tropas ainda mais numerosas para

aniquilar os macabeus. Em uma batalha

decisiva em Bet Tzur, as forças

judaicas derrotaram a maior superpotência

militar da época. Encaminharam-se

a seguir para Jerusalém,

libertando-a.

Em 25 de kislev de 165 a.E.C. (3

anos após a profanação), os macabeus

entraram no Templo e voltaram

a dedicá-lo ao serviço de D-us. Depois

continuaram as lutas. Yehudá

haMacabi, caiu em combate, mas sua

luta foi continuada por seus irmãos,

Yonatan e Shimon, que fortaleceram

o reino, anularam os editos de Antíoco,

e transformaram a Judéia num reino

independente. Shimon foi o primeiro

príncipe da Judéia, e assim

começou a dinastia dos Hasmoneus,

cujos reis ampliaram os limites do reino,

e, no período do rei Alexandre

Chaneo, as fronteiras se estenderam

desde o deserto, às margens do Jordão

Oriental, até o Mediterrâneo, ao

Ocidente; desde o Líbano ao norte,

até Rafiach ao Sul. O país se constituiu

na maior área historicamente já

atingida por Eretz Israel. A dinastia

dos Hasmoneus continuou até depois

da conquista romana, em 67 a.E.C e

até a morte do último rei da Dinastia,

em 37 a.E.C.

O rato, Leão de Judá, rugiu.

Sempre envio mensagens e artigos

em Chanucá enfatizando seu

lado espiritual: milagres, a força

da fé e o simbolismo da luz.

Este ano, repensando fatos

históricos e militares, espero

que possamos relembrar uma

época tão heróica, pouco ressaltada

per se, que, sem ser filme,

revela um milagre aos mais

céticos.

Nós que acompanhamos

há anos a questão, e

temos acumulado um conhecimento

bastante

preciso do conflito, não

estamos nada surpresos.

A história de Israel está cheia de cisões de

partidos, rupturas, líderes com sapatos

novos e alianças imprevisíveis. Até mesmo

Ben Gurion chegou a fundar, quase no final

de sua vida, um novo partido. Que Ariel

Sharon o faça se insere numa velha tradição

da política israelense, sem dúvida a mais

agitada, complexa e atrativa do planeta. E

as previsões que anunciam um possível êxito

da operação, não fazem senão recordar

que o velho general vitorioso da guerra do

Iom Kipur, é um notável político com um

sentido agudo da estratégia. Em Israel poucos

duvidam, nem os críticos, de sua notável

capacidade para avançar satisfatoriamente

nos empreendimentos mais difíceis.

Todavia, e muito especialmente na Europa,

têm sido feitas umas campanhas tão

desmedidas de sua figura, que a informação

sobre Sharon tem sido, durante todo

seu mandato, a crônica de um malvado espantalho.

Tergiversado, criminalizado, convertido

na pura maldade, as hemerotecas

estão cheias de cruéis comparações com o

nazismo, de piadas perversas com um Sharon

“come-crianças-palestinas” (na melhor

tradição do anti-semitismo cristão) e de

sarcásticas análises cujo único objetivo

era traçar a fisionomia do monstro. Quase

todas as assinaturas intelectuais que se

prezam, têm colocado seu grão de areia

A metamorfose sofrida pelo candelabro de

Chanuka até se tornar árvore de Natal

A surpresa Sharon

23

Este desenho foi veiculado na edição de 1906 da revista alemã Schlemiel

Pilar Rahola*

no saco roto do único pensamento possível:

a negação de um Sharon que não fosse malvado.

Esta demonização em massa impediu

uma crítica serena que situasse em seu justo

lugar os erros e os acertos de sua gestão

política. Nunca existiu a trégua. Pelo contrário,

é como se houvesse sido levantada a

proibição, e com a chegada de Sharon, saíram

em multidão todos os caçadores da caça

maior israelense, finalmente justificados para

poder praticar, sim complexos, o esporte nacional

do antiisraelismo.

A única coisa que conseguiram com tudo

isso, é não informar dos fatos, mentir até a

paranóia, transformar o jornalismo na arte da

propaganda, na melhor tradição do Pravda

soviético, e, pela via de minimizar as graves

responsabilidades palestinas, espalhar minas

nos caminhos da paz. Agora Sharon está fazendo

gestos de enorme transcendência e se

joga nele a pele. Neste contexto, parece amistoso

ver como os caçadores tentam reescrever

aceleradamente suas análises, e o trabalho que

têm os pobres é ingente. Como irão reconverter

o monstro em pessoa? Sharon nunca foi

um monstro, mas um político complexo para

os tempos difíceis. Contraditório e criticável,

tanto como merecedor de elogios. Mas, como

sobre Israel não se informa, só se perpetra a

guerra midiática, a destruição da imagem de

Sharon fez parte dos mísseis intelectuais, numa

militância obsessiva que só pode surgir do

ódio doentio a Israel. Agora que parece que

se tornou bom, ou menos mau, alguns não

sabem onde colocar o traseiro. Esse é o risco,

queridos, o risco de confundir a realidade com

o preconceito.

* Pilar Rahola é jornalista, escritora e tem programa na televisão espanhola. Foi viceprefeita

de Barcelona, deputada no Parlamento Europeu e deputada no Parlamento

espanhol. Publicado no Diario Avui, Barcelona. Traduzido por Szyja Lorber


24

Sami Mehlinski

(direita) com o

general de brigada

Celso Krause

Schramm, diretor de

Pesquisas e Estudos

de Pessoal do

Exercito Brasileiro, e

Comandante da

Fortaleza de São

João, na inauguração

do Museu do

Desporto do Exército

VISÃO JUDAICA dezembro de 2005 Kislev/Tevet 5766

* Israel Blajberg é

professor, engenheiro,

membro da Associação

dos Ex-Alunos CPOR/RJ

e integra a equipe que

levantou os Heróis

Brasileiros Judeus da II

Guerra Mundial

(iblaj@telecom.uff.br).

Campeão Sami Mehlinski

Exemplo de dedicação aos esportes

Israel Blajberg*

m 2004 a Tocha Olímpica de Atenas

passou pelo Rio de Janeiro levando

cerca de um milhão e meio

de cariocas às ruas. No Palácio da

Cidade aconteceu a homenagem aos

campeões olímpicos brasileiros de todos

os tempos. O capitão da equipe

medalha de ouro em Barcelona 92, Carlão,

deu início à cerimônia passando a

tocha para os descendentes dos

campeões olímpicos. Depois, a Tocha

foi passando de mão em mão

dos jogadores da equipe de vôlei,

aos integrantes da comissão

técnica da equipe - Sami

Mehlinsky, Paulo Márcio e Sérgio

Xavier - e autoridades.

O último foi o prefeito César

Maia que colocou a Tocha em um

pedestal, seguindo-se a execução

do tema olímpico e do Hino Nacional

Brasileiro pela Orquestra Sinfônica

Jovem do Rio de Janeiro.

Talvez os mais novos nem pudessem

identificar um senhor forte de abundantes

cabelos grisalhos, não aparentando

a idade que tem, e que por um momento

empunhou a Tocha Olímpica: Sami

Mehlinski. Um dos ícones do nosso voleibol,

com extensa folha de serviços

prestados ao longo de 60 anos para o

esporte brasileiro, exemplo de dedicação

e cidadania.

Os acordes do Hino Nacional executado

com rigor e brilhantismo pela OSB

Jovem encheram os ares no belo Palácio

da Cidade, que um dia foi a Embaixada

inglesa, na Rua São Clemente.

Nestes momentos, certamente

Sami evocou tantas vezes em que

do alto do pódio em terras distantes

e estranhas, junto com

os seus atletas ouvia o Hino Nacional

ao receber mais uma medalha

de ouro para o Brasil

Sério e circunspeto por fora,

naquele instante ele se emocio-

nava por dentro, recordando como

tudo começou: a sua infância em Vitória,

filho de imigrantes judeus que

aqui chegaram em 1924 buscando um

futuro melhor.

Viviam-se tempos conturbados. A

mãe, natural de Kiev, na Ucrânia, e o

pai, nascido em Iasi, na Romênia, deixaram

para trás as agruras da Europa.

Logo no ano seguinte nasceu Sami em

uma casa que existe até hoje, o numero

10 da Rua do Resende, próximo ao

Campo de Santana.

Mais tarde a família foi para Vitória,

onde seu pai trocou a engenharia

eletrônica que exercia em Bucareste por

uma farmácia. Lá mesmo Sami foi campeão

de futebol em 1941 pelo Rio Branco

de Vitória. Chegaram ainda a morar um

ano no Canadá, onde a família tinha

parentes, mas preferiram o Brasil, vindo

o menino Sami a fixar-se em Belo

Horizonte, trabalhando e estudando.

Ao alistar-se para prestar o serviço

militar, atuou como técnico das

equipes de vôlei do 10º. Regimento

de Infantaria de Belo Horizonte, ao

final da guerra em 1946, que diz brincando

haver terminado, pois os alemães

souberam que ele iria servir ao

exército e acharam melhor se render...

Em 46 treinou a equipe militar de vôlei

da 4ª Região Militar.

Aí começava uma grande carreira

que ainda não terminou. Sami é consultor

da Confederação Brasileira de

Vôlei, agora mesmo de mudança para

novas instalações no Cittá América, na

Barra da Tijuca.

Pelo Vasco foi campeão em 1949,

jogando também no Grajaú Tênis Clube,

Vila Isabel e Flamengo. E tri campeão

pelo Flamengo em 59-60 61.

A sua grande contribuição foi certamente

como técnico, supervisor e

administrador. Dirigiu a Seleção em

1956 no Uruguai, no primeiro Campeonato

Sul-americano, em 58, em Porto

Alegre, em Lima (61), Chile (62), na

mesma ocasião em que fomos bicampeões

no futebol. O Brasil foi tetracampeão

com Sami, redimindo-se do primeiro

mundial de vôlei em Paris, onde

perdemos para a China.

A 1ª concentração do vôlei brasileiro

foi realizada por Sami na Academia

Militar das Agulhas Negras em Resende,

em 1956, onde se instalou por 30

dias a masculina, ficando a feminina

na cidade próxima de Volta Redonda.

Lá conheceu um jovem capitão, Glenio

Pinheiro, que mais tarde viria a ser o

Comandante da Escola de Educação Física

do Exército.

Sami foi técnico da seleção masculina

por 10 anos, ganhando o Pan Americano

de 59 em Chicago, e o bi-campeonato

em São Paulo, em 1973. Em 1959

foi campeão como técnico da seleção

feminina e, ao mesmo tempo, vice-campeão

com o time masculino.

Na primeira Olimpíada em que o vôlei

foi considerado esporte olímpico,

Sami viajou com apenas 10 jogadores,

tirando 5º lugar em Tóquio, em 64, ficando

em 7º lugar pelo set average, pois

3 seleções empataram em quinto lugar.

Em 89 foi campeão mundial de masters

na Dinamarca. De 85 a 90 foi diretor

esportivo e supervisor de vôlei da

Supergasbras, no Rio de Janeiro. Como

chefe da delegação, foi Campeão Olímpico

em Barcelona em 92.

Além das glórias no esporte amador,

também se dedicou ao ensino. Formado

pela Escola de Educação Física e

Desportos da Universidade do Brasil, foi

professor da Escola de Aeronáutica no

Campo dos Afonsos, Rio de Janeiro,

posteriormente AFA - Academia da Força

Aérea em Pirassununga – SP, onde

durante 35 anos, mais 3 já aposentado,

ajudou a formar inúmeras gerações

de cadetes, orientando ainda a equipe

de vôlei, de 51 a 88.

Sami ainda encontrava tempo

para ser administrador de esportes

da Hebraica-Rio, de 1953 a 1965,

sendo posteriormente administrador

geral até 1985.

Neste período participou de 7 Macabíadas,

os Jogos Olímpicos Judaicos,

realizados em Israel de 65 a 85, sendo

o Brasil 6 vezes vice-campeão diante

da equipe da casa, e campeão em 65.

Encontramos Sami neste mês de

dezembro na inauguração do Espaço

Cultural e Museu do Desporto do Exército,

na Fortaleza de São João na Urca,

quando, representando o presidente da

CBV, Ary da Silva Graça Filho, recebeu o

Prêmio CDE 90 Anos.

Naquele aprazível recanto, onde

uma esquadra portuguesa em janeiro

de 1565, acreditando estar na foz de

um grande rio, aportou para fundar

esta cidade com o nome de Rio de Janeiro,

estão sediadas a CDE - Comissão

de Desportos do Exercito, DPEP -

Departamento de Pesquisas e Estudos

de Pessoal e EsEFEx - Escola de Educação

Física do Exercito. Bonito e bem

montado museu, valendo a pena ser

visitado. Entre outros, recorda a atuação

do saudoso capitão Cláudio Coutinho,

do campeão Ademar Ferreira da

Silva, João do Pulo, Pelé, e tantos

outros atletas civis e militares.

Não foi difícil reconhecer Sami. Era

o mesmo de quando o conhecemos na

Hebraica no final da década de 60. Lá

reencontrou o coronel Tarouco, treinador

da equipe de tiro do Exercito, com

quem viajou em 1959 para Chicago, num

C-47 da FAB, viagem que levou 12 dias...

E também o general Glenio Pinheiro,

que era o capitão da Seção de Esportes

da AMAN por ocasião da estadia

da seleção de volei em 1956.

Provavelmente muito poucas pessoas

no mundo teriam a experiência e os títulos

acumulados por Sami Mehlinski, na

carreira de mais de 60 anos de esporte.

É pois com grande merecimento que ocupa

seu lugar no Panteon da Fama dos

grande nomes do desporto brasileiro.