MEIO - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

cpvsp.org.br

MEIO - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

■ ■

Homenagem à criança

"Numa homenagem ao mês das crianças, outubro, a Folhinha

publica os dois trabalhos vencedores do concurso que promoveu

este ano para incentivar a criatividade literária entre crianças até 10

anos e jovens de 11 a 16 anos".

Folhinha do Meio

SEÇÕES v

— U" NQV

Cartas 2

Editorial I.^. 1 1^5

:...;.... 4

Coluna do Meio 5

Qualidade Verde 7

ONGs em Ação 11

Agenda 15

Filatelia 19

Pelo Brasil 21

Gente do Meio 22

Ponto de Vista 22

Curiosidades 23

Literatura 24

Outubro - 95

Ano VI-N 0 58

Brasllia-DF

R$ 1,00

MEIO

A M I B I E N T E

Uma publicação da Forest Cultura Viva Ltda

Projeto Balela Franca

litoral da Santa Catarina volta a ser um dos locais preferido da grande baleia franca para criar seus filhotes

longe do inverno antártico e dos predadores. Como uma das espécies mais ameaçadas de extinção do

planeta, essa baleia tem o hábito de amamentar os filhotes em águas rasas, o que a tornou presa fácil dos

baleeiros, a ponto de desaparecer da costa brasileira por alguns anos.

Página 17.

Eco turismo na Mata Atlântica

O Vale do Ribeira, uma das regiões mais carentes de São Paulo, começa a se

beneficiar neste mês do Pólo Turístico do Lagamar, um projeto de desenvolvimento

sustentado que tem como objetivo gerar renda e emprego a partir da prática do

turismo ecológico numa das últimas áreas do que restou da Mata Atlântica. A

iniciativa é coordenada pela Fundação Mata Atlântica e conta com a participação dos

segmentos empresariais ligados ao turismo. Páginas 12 e 13.

Próxima edição

• O show da arara adestrada da Amazônia nas noites de Miami.

• Entrevista exclusiva com o teólogo brasileiro Leonardo Boff.

• Os desafios dos resíduos industriais para a sociedade moderna.

Ibama engaveta processo da borracha

O presidente do Ibama, Raul Jungmann, acaba de demitir o chefe da

Departamento de Comercialização, José Silvério Lage Martins, que lutava pela

anulação das portarias do órgão que reduziram ilegalmente, em U$ 200

milhões, os recursos arrecadados através da taxa cobrada da borracha

importada do Sudeste Asiático. Esses recursos, segundo a legislação em vigor,

deveriam ter sido destinados ao desenvolvimento do extrativismo nos

seringais da Amazônia. A taxa de importação da borracha escapou de ser

extinta no governo Itamar Franco por interferência do atual presidente

Fernando Henrique Cardoso, na época em que ele era ministro das Relações

Exteriores de Itamar Franco. Página 3.

Conama está à deriva

Coluna do Meio - Página 5


2. Folha do Meio Ambiente Brasília, outubro do 1995

Reciclagem

'Inexatamenteumao^napágim 10001^45, desse importante vdcukide c^^

cação atnbkotal, o então candidato e atual {xeskie^

iC]uqiK < ^mineugovt3ax>,pre(axbeslimul«caikv^niaist^^

as suas paaprias com o Estado "Entre as proposições que iriam ser adotadas, caso fos^

Melizmente n» é essa a nalidade boje, decxmdos oito meses de governa ^^

dirijo uma ONGdencsninadaSençre (Serviço Mineiro para Reciclagem), que tem por

objcüvoinxntívai; promova e manter um intci^prograim de c^

rcdcl^eniecotnpostagem em toctos os 756muidcçios de Minas Gerais além de esto

Iara criaçãodeençrcsas de reciclagem.

Confiante nas pto^x^sas do candklaiD transcritas nareferi^

feveróroestamos faTenâncont^ns onm Aeas grwnrnanynt^ n^ t«Ttativa jr conseguir-

mos os recursos financeiros agora tão necessários ao nosso trabalho e procurando as

parcerias pron^tidasemcampanhaeleitoral.

FuCTtKKdiveisos contatos cem o Programa Conumidade^

íbama en^obtiveraos nenhum sucesso, sciido que do Ibarnanein respostas recebatKK.

Centenas de prefeitos de Minas Gerais, ao tomarem conhecimento do nosso trabalho,

manifestarainmteresse em pren» ver aadeta seletiva de lixoe reciclagem em seus muni-

cípios mas nada pudemos ík^er por exclusiva falta de recursos finaiiceiros.

Omtanx» pois cwm o apexo desse in^xxlante jornal para nos indicar cxKkcon^

remos os financiamacüxKepairaAik» aos nossos ideais de trabalho."

José Rayrauado de Nfoura

BdoHorizonte-MG

NJR.:I'içeraniosq^osenhorconsigaosrecu)8ncccssárkKp8ni

te trabalho (ksenvohido em sua ONG.IndBcamos o FimdoNadonal do Me») Ambien-

te coron um p(«!eíveiór^oquep(K$alheajudar.DescJamos-ihe sucesso.

■i .

Desmoronamento Privilégio

"Sobre a reportagem "UFRJ Estuda

Desmoronamento de Estrada", edição de

agosto/95, gostaria de obter maiores in-

formações sobre a metodologia de

geoprocessamento com objetivo de es-

tudar trechos de riscos de desmorona-

mento nas estradas brasileiras, desenvol-

vida pelo Instituto de Geociências da

UFRJ - Professor Jorge Xavier da Silva."

Sérgio Luís de Oliveira

Geógrafo - Palmas-TO

N.R.: Para mais informações, favor

contatar com o professor Jorge Xavier

da Silva, no Tel.: (021) 590-1880.

Questão ambiental

"Louvamos a Deus! Amando e pre-

servando a natureza.

Sou professora de Ciências, traba-

lho com alunos de I a fase e 2* fase do

1° grau na cidade de Campina Grande,

leciono nos colégios estaduais.

Informações sobre a questão

ambiental me interessam, pois preten-

do realizar trabalho, desenvolvendo

atividades de educação ambiental.

Precisamos conscientizar os nos-

sos alunos da necessidade de preser-

var o meio ambiente, por isso estou

querendo receber material para pesqui-

sa e aprofundamento do conhecimen-

to sobre o assunto.

Gostaria que me remetessem a Fo-

lha do Meio Ambiente. Ficarei muita

grata."

N.R: Será um prazer enviar-lhe

nosso jornal e contribuir para a

conscientização dos jovens na impor-

tante questão da preservação do

meio ambiente.

M.CSantos

Campina Grande-PB

"Agradeço a Folha do Mdo Ambiente.

Os artigos tratam de assuntos variados, o que

^uda em muito anossa visão do que aconte-

ce em nível ecológico aqui no Brasil e no

mundo.

O fato de haver cartas contestando algu-

mas informações mostra que foi tentado ao

máximo a impacialidade.

Sinto-me privilegiado por conhecer uma

publicação desse nível. Isso ajudará nosso

país a to - uma consciência ecológica de van-

guarda sem ser radical, como pede Silvestre

Gorgulho em sua coluna (pág. 5 do n" 55).

No todo, sóumpequenaressalva: no arti-

go "Reciclagem se espalha pela Tena", é

mencionado um quadro contendo um

ranking da reciclagem de alumínio, e esse

quadro não foi colocado (pág. 9, n 0 55). Se for

o quadro abaixo, tudo bem. É que eu espaa-

va um quadro geral, com números absolu-

tos."

Cláudio Belo

SãoPauk)-SP

N.R.: Agradecemos sua cartaequanto

à matéria dtada, o quadro é aquele que se

encontra no artigo.

Importância

. "Quero comunicar que me parece mui-

to importante um periódico que se dedi-

que a problemática ambiental especial-

mente da América Latina.

Criamos recentemente o Fórum Ibero-

americano de Ecoturismo dedicado exclu-

sivamente a articular experiências da Eu-

ropa e da América Latina. Nossa intenção

é participarmos em Canela-RS, do Encon-

tro de Ecoturismo era novembro. Certamen-

te nos encontraremos lá."

Arturo Crosby

Centro Europeo de Formación

Ambiental y Turística. Madríd - Espana

N.R= A equipe da Folha do Meio de-

seja-lhe sucesso e agradece a importân-

cia da da ao nosso veículo.

CARTAS

Crateras no Amapá

Gostaríamos que a Folha do Meio Am-

biente publicasse uma reportagem sobre a

plantação de eucaliptos e falasse sobre os be-

nefícios e danos a natureza.

Aqui no Amapá, a firma leomi explorou

o manganês durante aproximadamente 40

anos, iniciou com promessa que quando dei-

xasse a área faria o refloiestamento urbanizaria

e asfaltaria a cidade de Macapá. Nada foi cum-

prido, saindo esta do Amapá deixaido só era-

tetas,

Esta mesma firma (Icomi) está deixando

uma subsidiária (Amccl), com plantação de

eucaliptos, de 5 ou 6 anos, corta a árvore, be-

neficia e exporta o cavaco para a Europa, fi-

cando só o deserto e tomam a replantar.

Eu faço uma pergunta aos técnicos e en-

tendidos de plantação de eucaliptos, com o

passar dos anos, esta tenanão ficará cansada?

Tem outra firma se implantando no

Amapá, a americana Champiom com proje-

to de plantar 280.000 hectares de eucaliptos.

Ela está comprando as terras dos humildes

proprietários e moradores da região a troco

de banana

Outra pergunta que faço, o que será desse

povo, acostumado no interior com sua vida

pacata, tirando o seu sustento dos rios e ma-

tas?

Elevem, sem estudo, san profissão, sem

preparação, morando na periferia, onde não

existem condições de vida para o ser huma-

no?

GostarkqueoeditDrmeinfonnasseoende-

reço da Gns^npeoce, para tomar-me sócio desta

gtmk entidade mtemacional que admiro mui-

to, acoragemdeseusmembros etambémman-

ler intercâmbio cultural com seusmembros".

AdOson

Macapá-AP

N.R-: A matéria sobre eucalptosé uma

pauta bastante interessanteaser estudada. O

endereçodoOmpajccé: RMé»oo,21113°

- Rio de Janeiro-RJ - CEP 20031-144 - TeL:

(021) 262-1282 - Fax: (021) 210-1690 - ou R.

dosP!nlKÍros,2tO-Coi\).32-S3oPauk>«P-

CEPO5422O00 - TciyFax: (011) 851-2972

Qualidade

"A Organização das Cooperativas de

Pernambuco - OCEPE, agradece o envio da

Folha do Meio Ambiente e parabeniza seus

dirigentes pela qualidade do trabalho reali-

zado."

Jornalista MalaqdasAncelmo de Oli-

veira-Presidente OCEPE-Orgarazação

das Cooperativas do Estado de

Pernambuco

Contribuição

preciosa

"Parabenizo este precioso jornal que trás

reportagem interessante como esta do

Rodolpho von Iheing; que muito me cha-

mou atenção sobre este tão precioso

contribuidor da nossa natureza

Gostaria, se possível foi; de informações

onde encontrar algumas de suas publicações.

Ex: A Desovae a hipofisação dos Peixes.

O Dicionário dos Animais do Brasü".

João Carlos Bemardes.

N.R.: entre em contato com o DNOCS,

em Fortaleza. Lá está instalado o Museu

Von Ilheing, cujo telefone é: 085-281-6344

Tecnologia ambiental

'Obtive conhecimentCK através des-

te jornal edição de junhQ/95, sobre apri-

meira Mostra Internacional de

Tecnologia Ambiental, que considero

muitíssimo importante. Interesso-me sa-

ber endereços e telefones dos mostrado-

cipahnente para micro.

Desde já agradeço."

NúbiaEIizadeOliviera

RofandeMoura-RO

NJttPara qualquer informação so-

bre a Mostra, entrar em contato com a

Biosfera pelo teL: (021) 221-0155.

Educação ambiental

"Acusamos o recebimento deste impor-

tante veículo de notícias de interesse

ambiental, e gostaríamos de sugerir a inclu-

são de matérias sobre educação ambiental;

quem faz, e como é feito este relevante traba-

lho. Acreditamos que a educação ambiental

éaúnica maneira (fe prevenir agressões àna-

tureza."

Renato A. Barbosa

Engenheiro Agrônomo - DEAM

Departamento de Educação Ambiental

Campo Grande-MG

Cumprimento

"Agradeço a gentileza de incluir este ga-

binete narelação deremessado Jornal Folha

do Meio AmWente, ao tempo em que cum-

primento-lhe pela divulgação e excelência

das matérias".

Deputado RobMo Araújo-(PSDB-RR)

Idealismo

Leio e gosto muito da Folha do Meio

Ambiente. Gostaria de smpreíaidfa-meu ir-

mão, que é engenheiro florestal e trabalha na

Secretariado Meio Ambioite do Mato Gros-

so do Sul. Ele é um ecólogo verdadeiro. Ga-

nha uma miséria, mas rejeitou um grande sa-

lário porque no novo emprego teria que

desmatar- idealismo puro. A fülia dele cha-

ma-se Flora, o cachorro Solo e a outra filha

Tetê (em homenagem a Tetê Spmdola - can-

tora danatureza). Acho que de merece".

Odínha Resende Gavião

Lorena-SP

Ecologia

"Reciban um cordial saludo de parte de

Caritas de Costa Rica

He Recibido Ia publicación Folha do

Mdo Ambiente Construyendo, julho de

1995, Ano VI, 1^55, Brasília-DF.

Aprovecho Ia oportunidad para

felicitarlos por el valioso trabajo ai el campo

de Ia Ecologia, el cual es un tema de mucha

importância a nível mundial.

Los animo a seguir adelante, uniendo

esíuerzos para Ia construccién de um mundo

más solidário, lleno de amor yluchando por

nuestro médio ambiente".

Pbro. Sérgio A. M.Morales

Diretor Nacional de Cantas

Rka

Permitida a reproduffgo total ou parcial da» matéria». d«»clequi« citacla « FOLHA DO IVIEIO -AiWBIEISiTÊ"

Costa


Brasília, outubro de 1995

Folha do Meio Ambiente O

EXTRATIVISMO

Processo da borracha mofa no Ibama

Romerlto Aqulno

Raul Jungmann demite chefe da comercialização e é acusado de não querer

apurar irregularidades na arrecadação da taxa de importação da borracha

A direção do Ibama demonstra mais uma

vez que está mesmo disposta a acabar

com a única fonte de recursos federais

disponíveis boje para o financiamento do

extrativismo da borracha na Amazônia. A tei-

mosia do Ibama em continuar desprezando a

Amazônia acontece numa época em que até o

presidente do Banco Mundial, James

Wolfensohn, resolveu pedir perdão pelos er-

ros cometidos nos projetos que aquela institui-

ção financiou na região nos últimos anos.

O presidente do Ibama, Raul Jungmann

acaba de demitir o chefe do Departamento de

Comercialização (Decom) do órgão, José

Silvério Lage Martins, que desde novembro

do ano passado vinha tentando anular as porta-

rias de números 23 e 580, de 1991, que reduzi-

ram drasticamente, em flagrante desrespeito às

leis 5.227/67 e 5.459/68, os valores da Taxa de

Organização e Regulamentação do Mercado

da Borracha (TORMB) cobrada sobre a borra-

cha importada pelas indústrias pneumáticas e

de artefatos do país.

Essas portarias, cujo parecer de inconsti-

tucionalidade já foi solicitado ao Supremo Tri-

bunal Federal através do procurador-geral da

República, Geraldo Brindeiro, causou até ago-

ra ao setor de borracha prejuízos da ordem de

US$ 200 milhões, que correspondem exata-

mente aos valores ilegalmente cobrados a me-

nos pelo Ibama de grandes empresas importa-

doras, como a Firestone, Goodyear, Pirelli e

Michelin entre outras.

Todo esse dinheiro, segundo determinam

as leis 5.227 e 5.459, deveriam ter sido inves-

tidos em sua maior parte nos seringais nativos

de borracha da Amazônia, cuja situação hoje é

de falência total, com mais de 160 mil famílias

de seringueiros (aproximadamente um milhão

de pessoas) tendo que abandonar a floresta,

deixando-a nas mãos devastadoras de madei-

reiras, mineradoras e empresas agropecuárias.

Essa migração foi calculada pelo próprio

Tribunal de Contas da União (TCU), que atra-

vés de uma extensa auditoria que realizou no

Ibama, no ano passado, foi o primeiro a de-

nunciar a ilegalidade das duas portarias, insti-

tuídas por pressão direta das grandes empre-

sas pneumáticas - as maiores consumidoras de

borracha do país.

A demissão - Em vez de concluir o pro-

cesso interno aberto por Silvério Lage,

Jungmann resolveu simplesmente demiti-lo.

"O processo de número 2.795/94-60, que

eu abri para apurar a ilegalidade cometida

com a TORMB dentro do Ibama, por pres-

são direta das grandes indústrias pneumáti-

cas, encontra-se até hoje parado no gabinete

da presidência do órgão. Está parado porque

se for levado em frente, pode implicar crime

de responsabilidade pessoal na administra-

ção pública, que prevê cadeia e devolução

dos US$ 200 milhões que foram cobrados a

menos nos últimos quarto anos", denunciou

José Silvério Lage à Folha do Meio Ambi-

ente, que tentou ouvir o presidente do Ibama

sobre a acusação, mas não obteve resposta.

Na época em que as portarias foram edi-

tadas, o Ibama era presidido por Tânia Torelli

Munhoz. José Silvério Lage disse que, no

ano passado, a pedido da ex-presidente do

Ibama, Nilde Pinheiro Lago, a Procuradoria

do órgão deu parecer sugerindo a anulação

das portarias.

Venda do estoque -Para o lugar de José

Silvério Lage, no Decom, o presidente do

Ibama nomeou Paulo Roberto do Nascimen-

to, a quem Lage havia justamente substituí-

do no ano passado com a missão de "por

ordem" no setor de borracha do Ibama. Se-

gundo testemunha o próprio Silvério Lage,

Paulo Roberto foi um dos responsáveis dentro

do Ibama pela venda em 1993 e 94 de todo o

estoque de reserva de borracha - cerca de 10

mil toneladas - deixando o país a zero para

fazer frente a eventuais casos de

desabastecimento dessa matéria-prima, con-

siderada pela lei 5.227, como estratégica e

de interesse da segurança nacional.

Os recursos dessa venda, da ordem de

US$ 15 milhões, que deveriam ter sido apli-

cados pela lei em apoio ao extrativismo,

segundo Silvério, foram desviados para aten-

der a outros compromissos do Ibama, tais

como construções na sede do órgão, aquisi-

ção de computadores, manutenção de servi-

ços administrativos, além de assistência mé-

dica e odontológica e concessão de auxílio

refeição e vale transporte para servidores.

FHC evitou a extinção da taxa

NSoéde boje queaindústriapneumática vem

atuando dentro do Ibama para acabar com a

TORMB. A úhimaemais espetacular tentativa de

acabar com ataxa ocorreu justamente no final do

seg undo semestre de 199 2, no infcio do governo

Itamar Franco, logo apóso impeachmcntdeCollor

de Mello.

Com a ajuda do pessoal do Ibama, as pneu-

máticas conseguiram incluir a extinção da taxa

como um inciso do pnojetó de lei 2.251, que esta-

va tramitando no Congresso Nacional, tratando,

entre outras coisas, da extinção de taxas e

emolumentos da justiça do Distrito Federal.

Aprovado no Congresso, o projeto cie lei foi

para a sanção do presidente Itamar, que, pronta-

mente, vetou o incfao que tratava da extinção da

taxa. O veto foi publicado no Diárk) Oficial de 14

de dezembro de 1992. Itamar vetou porque foi

aconselhado pelo sea então ministro das Relações

Exteriores, Fernando Henrique Cardoso, de que

estariaaplicando um golpe fatal contra a borracha

nacional econtraa Amazônia, empaiicular, caso

sandonasse o projeto com o referido inciso.

Fernando Henrique, porsua vez, havk sido

informado pelo deputado Paudemey Avelino

(PPB-AM), atual presidente da Comissão de

Economia da Câmara, de que a extinção da

TORMB acabaria de vez com aborrachano país

O presidentEltamajustificou o veto» Con-

gresso explicando que a extinção dos recursos

arrecadados oom a TORMB colocaria em risco

os programas de incentivo à produção de borra-

cha natural, da manutenção da rede física

armazenaóora do estoque regulador de borracha

do Ibamaedamanutenção do crédito de custeio

e comercialização da safra de borracha. Segundo

frisou o presidente, dentre os tributos queo pro-

jeto visava extinguiu "semente aTORMB en-

volve questões ligadas diretamente à

bkxfivenàdade, principalmente no que tange à

atividadeextrativistado seringal nativo da região

amazônica E o Brasil, na Conferência Rio-92,

assumiu compromissosoonoementes àproteção

da biodiversidade, quando se estabekoeram as

diretrizes para a utilização raáonal do patrimônio

genético da floresta". (RA.)

Romerlto Aquino

Silvério Lage foi demitido por querer apurar o processo llega da TORMB

Silvério apurou grandes escândalos

O ex-chefedo Departamento de Comercialização

do Ibama, José Silvério Lage Martins, que o presi-

dente Raul Jungamann acaba de demitir, é oriundo

do Banco Central do Brasil, onde exerceu importan-

tes cargos de chefia, notadamente na área de fiscaliza-

ção do crédito rural. Dentre os trabalhos importantes

que executou no Baoen, destacam-se o famoso es-

cândalo da mandioca, onde foi o responsável por

todo o levantamento das fictícias indenizações do

Proagro, concedidas a empresários nordestinos, que

em 1983 e 84 deram um tombo no Banco do Brasil

de mais de US$ 2 bilhões.

No Banoo Central, José Silvério foi, também, o

responsável pela administração dos processos que

descobriram diversas falcatruas cometidas por coo-

perativas agrícolas do Rio Grande do Sul, que leva-

ram à falência e ao fechamento do estatal BNCC

(Banco Nacional de Crédito Cooperativo).

Formado em engenharia e ciência de computa-

ção pelaUnicamp e com pós-graduação em econo-

mia rural na Universidade Federal de Lavras - MG,

Silvério Lage foichefe do serviço de crédito rural da

Delegacia Regional do Banco Central em São Pau-

lo, chefiou o serviço de fiscalização do crédito rural

do Bacen em Bra^lia, trabalhou no Banco do Brasil

e no Banespa. No Banco Central, foi ainda o res-

ponsável pela implantação da atual sistemática de

fiscalização do crédito rural do banco, que atua hoje

seguindo critérios técnicos, sem interferência políti-

ca dos dirigentes da instituição.

Süvéno Lage iniciou sua experiência com o

setor borracha como representante do Banco Cen-

tral Conselho Nacional da Borracha, passando de-

pois a chefiar o Dep artamen to de Comercialização

de Borracha da Sudbevea, onde também foi o res-

ponsável pelarefoima administrativa que enxugou

de 720 para 85 servidores apenas o quadro funcio-

nal do órgão. (RA.)

SUMMARY

The Presideníofthe Ibama, Raul Jungmann, decided to firetheheadof1heAgency's Department

ofTrade, José Silvério Lage Martins, who was fighüng for the invalidation ofregulatíons which

iükMy reduced in US$ 2(X) mUUon the funcb coUected by the imtitution through taxes from the tire

industryinÜieCoiintry,beoauseofthel^eximportedfmmSouÜwastemMki.Thesejúnds,accordmg

to IfuBradüan law, shouldhave beenallocaledtothedevelopmeníofrubbertreeextractivismin lhe

Amazpn. The Tax on the rubberbnports was notextinctduring the Itamar Franco govemment onfy

due Io interference ofthe present Presidení Fernando Henrique Cardoso, who was Mine ter of

Externai Affairs in the previous govemment.

Produtores lamentam demissão

Considerado, até o ano passado, o maior

beneficiador de bonacfaadopafeedetentor de seringais

nativos e de cultivo no Estado de Rondônia, Ezequiel

Quirino, do grupo paulista Quirino Rubber, oom sede

no munic^to deCalau - São Pauto, éo exemplo tfjpioo

das centenas de empresários brasileiros do setor que

vêm sentindo na carne e no bolso o descaso e a

irresponsabilidade do governo para com esse importan-

te segrtKnCi da economia nacional

Detentor de três grandes usinas, que atí 1992 che-

gavamabeneficiar mensalmente 800 toneladas de bor-

racha, Ezequiel Quirino prooeasa boje ^enas 200 tone-

ladas. Essa redução, em tão pouco tempo, eie debita à

total falência da política governamental pardaborracha.

"O dr. Silvério Lage representava dentro do Ibama a

única esperança de reotganização do setor gumfero

nacional", assinalou dekFolhadoMeio.

Outro que criticou o presidente do Ibama por de-

mitirSilvério Lage foiArmando Soares, presideneda

Associação dos Produtores de Borracha Namral do

Brasil, com sede em Belém-PA que foi quem pediu

ao deputado Paudemey AvaKno para alatar o ex-pie-

sidente Itamar Franco para vetar o projeto de ká que

extinguiaaTORMB.

'O dr.Silvérioéum homem público sério, hones-

to eoom uma das melhores visões sobreomercacb da

borrachadesepafeEleéumdospoucosquereconhe-

oe que as grante indústrias, principalmente as pneu-

máticas, preferem ajmpraraborraÂabarata do exteri-

or devido ao dumping social que vem incutido nos

preços dessa matéria-prima na maioria dos países do

sudeste Asiâk», onde se produz borracha à custa de

uma verdadeira escravidãa branca existentes nesses

países", disse Armando Soares. (RA.)


A Folha do Meio Ambiente Brasília, outubro de 1995

FOLHA DO

MEIO

AMBIENTE

Diretores Responsáveis:

Silvestre Gorgulho e Maroone Formiga

Edhor-Geral: Silvestre Gorgulho

Editor-Executívo: Romerito Aquino

Subedítonu Cláudia Miller

Gerente de Marketng: Romoaldo de Souza

Correspondentes:

Simone Silva Jardim - São Paulo

Malu Maranhão - Goiás

Karen Rodrigues - Brasília

Edson Gillet-Pará

Lana Araigo - Rio de Janeiro

Sílvia Franz Marcuzzo - Porto Alegre

üze Toiok - Santa Catarina

Alexandre F. de Faria - Europa

Cláudia Pinheiio -Washington DCMJA

Natália Sena - Montreal/Canadá

Colaboradores:

Arnaldo Niskier, Glaucia Moraes da Costa,

Joanice Pierini, Tetê Catalão, Miguel Oliveira,

Milano Lopes, Alexandros L. Geogopoulos,

Mércia S. Maciel, Marcos Terena, Valéria

Fernandes, Elza Pires, Mila Petrillo e

Therezinha Duche.

Conselho Editorial:

Alarico Verano, Arnaldo Niskier, Carlos

Alberto Xavier, Dioclécio Luz, Jorge Reti,

Leandra T. Arguelo, Malu Maranhão,

Romerito Aquino, Romoaldo de Souza,

Maroone Formiga, Marcos Terena, Milano

Lopes, Nikolaus Behr, Silvestre Goigulho e

Washington Novaes.

Programação Gráfica: Divino Alves.

Editoração Eletrônica: Edimilso Ladeira

Revisão: Romoaldo de Souza

Tradução: José Lins Filho

Foliinha do Meio Ambiente

Redação: Guido Heleno

Ilustração: Jô Oliveira

Equipe Unicef: Agop Kayayan, representan-

te do Unioef no Brasil: Karin HIshof, gerente

de projetos meioambientee Jorge Zimmennan.

Contatos Publicitários

Befc» Horizonte: Nina Fortes - Telefone e Fax

031.464-2909

BrasíHa Aimazémde Comunicação - Telefone

061.225-9945 Tde6x061.321-3440

São Paulo: Carlos Bordignon - Telefone e Fax

011.967-1701.

Campo Grande: Luca Maribondo - Atelier de

Canunicação -Telefax 067.787.3685.

* Os artigos assinados não traduzem

necessariamente a opinião do jornal.

FoBia do MdoAmbienteéuma publicação

daForestCutturaVivaePronioçdesLtda,

SCS Qd. 8Ed. Vaiândo2000, BlocoB-60,

Sala228, Cq).70333-900,Brasília-DF. Bra-

sil. Fone: (061) 321-3765, Fax. (061)321-

5809ouCaixaP06(al 10891 ACF/CÉntroSul

70333-900BiaslliaíF.

EDITORIAL

O mea culpa do Banco Mundial

O pedido de perdão feito ao Brasil há poucos dias

pelo presidente do Banco Mundi-

al, James Wolfensohn, por erros que cometeram al-

guns projetos financiados na Amazônia pela instituição, pode

ser encarado como um sinal de que, finalmente, começa a

nascer uma sólida consciência internacional sobre a verda-

deira importância que essa imensa região brasileira pode ter

para o futuro da humanidade.

Embora tardio, esse arrependimento tem

importância fundamental para que as nações

mais poderosas do planeta parem de enxer-

gar a Amazônia apenas como terra habitada

por povos primitivos e como depósito de

reserva de matérias-primas valiosas como o

mogno, o ouro e até mesmo o petróleo, para

serem transformados em móveis luxuosos,

em enfeites de madames e em combustíveis

dos carrões do Primeiro Mundo.

O mea culpa assumido pelo presidente

do Banco Mundial pode traduzir-se na prá-

tica, por exemplo, pelos enormes prejuízos

ecológicos, econômicos e sociais causados

no projeto de asfaltamento da BR-364, no

trecho entre Cuiabá (MT) e Porto Velho

(RO), financiado pela instituição no final da

década passada ao custo de US$ 2 bilhões.

Tocado às pressas para trazer o "progresso"

aos estados situados na Amazônia ocidental,

a execução desse projeto não foi, como de-

veria ter sido, precedido de ações governa-

mentais que planejassem e executassem um

desenvolvimento econômico sustentado, que

considerasse as necessidades básicas dos

habitantes da região e que levasse em conta,

principalmente, a exploração racional das in-

comensuráveis riquezas da biodiversidade

amazônica.

Veio o asfalto e o que se vê hoje na re-

gião é a política da terra arrasada em todo o

sréáme a ?<

SUMMARY

The President of the World

Bank hasjustapologized Io Brazil

for errors Incurred by some ofthe

projectsfinancedby lhe Insíüutwn

in the greatAmazon Reglon. This

regrelfulness could mean lhal

finally ü begins Io emerge a sound

worldfy awareness ofthe relevance

lhal this vast Brazilian Region

might have for the future of

mankind. Even lhough late, this

regrelfulness is of vital relevance

in changing the way lhe mosl

powerful natíons in lhe planei see

the Amazon, which has been as a

land inhabited by primitive tribes,

and as a reserve of valuable raw

materiais, such as mahogany, gold,

or even oil, which are to be

transformed into luxuryfumiture,

madams' jewelry, or fuel for

aulomobiles in the developed

countries. The mea culpa of the

World Bank's President may be

translated into aclual events, for

example, in lhe large

environmental, economic and

social damages brought by the

project for paving lhe BR-364, in

lhe reach belween lhe States of

Mato Grosso and Rondônia,

fmanced by lhe Institution in the

past decade, aí a cosi of US$ 2

billion.

Estado de Rondônia - cuja cobertura florestal foi quase toda

devastada em pouco mais de uma década -, são os conflitos

de terras com assassinatos de agricultores naquele estado ou

é o avanço do tratores no Acre derrubando, sem piedade,

vastas áreas de florestas atrás do "precioso" mogno para ser

enviado para o Primeiro Mundo. Só aí já pode ser debitado

boa parte do arrependimento confesso do presidente do Ban-

co Mundial.

Enquanto lá fora alguns começam a en-

xergar o mal que fizeram para a grande

Amazônia, aqui dentro ainda caminha-se na

escuridão e na completa ignorância do quanto

vale realmente a grande floresta que existe

nela. Esse é o caso do Ibama, o órgão criado

pelo governo para cuidar da preservação e

para orientar a exploração racional de nos-

sos bens ambientais.

A exemplo Jo que vem fazendo em suas

últimas edições, a Folha do Meio volta a

denunciar o órgão por não querer aplicar

parte dos recursos que arrecada com a taxa

de importação de borracha no desenvolvi-

mento do extrativismo dessa matéria-prima

e de outras existentes na região, tais como a

castanha, o babaçu, o cupuaçu, ervas medi-

cinais etc. São recursos que, por lei, deveri-

am estar sendo aplicados há anos no desen-

volvimento do extrativismo, o que significa

dizer, em outras palavras, na preservação e

no desenvolvimento sustentado das riquezas

vegetais e animais existentes nas florestas re-

manescentes da Amazônia. A falta de sensi-

bilidade para essa questão dos atuais diri-

gentes do Ibama, do Ministério do Meio

Ambiente e do governo, de um modo geral,

é a prova cabal de que eles estão, de fato,

muito longe de fazerem o mea culpa, como

acaba de fazer o presidente da maior insti-

tuição financeira pública do planeta.

6 edições R$ 6,00 ou 12 edições R$ 12,00

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de FOREST CULTURA VIVA E PROMOÇÕES LTDA. SCS Qd. 8,

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flos cuidados de

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Cndereço

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Brasília, outubro de 1995

ECOLOGIA Zíg Koch/Revista Tuiuiú

'Ave Palavra', disse Guimarães Rosa ao falar do Pantanal

Pantanal fascina e

encanta o poeta

Luca Mar/bondo

"O rio dorme pensando nisso.

Seus peixes contém esses rumores.

Esses homens, seus ribeirinhos, têm

um comportamento íntimo das

águas. Neles a natureza se expõe.

Alguns até podem ouvir, como os

peixes, o rumor das cachoeiras vir-

tuais. Estão cheios de paisagens de

água e de árvores por dentro. Até o

corpo se lhes entoa de águas. Va-

mos abrir as paisagens? - convida

o Rosa. Quando um olho está sujo

dos ciscos da civilização, nasce

dentro dele um desejo de árvores e

de paisagens. Estou desexplicando

ao Rosa que os seres deste lugar

são mais relativos a pássaros do

que a paredes. As águas mais ve-

lhas dormem o dia inteiro nas suas

raízes, como na raiz dos camalotes.

A água é o começo deles. As pri-

meiras formas da água. As pré-coi-

sas dormem nas águas..."

MardeXaraés.

Ondas de cotes e sons

inundam os dias.

Borboleta azul.

Uma poesia em movimento

escrita no espaço

Pedaços do céu

pousam em bandos de mil

araras azuis.

Manhã de verão.

Os campos acordam

sob mar d'água doce.

Copas marulham.

Às matas do Pantanal

o mar retomou.

Dia frio pantaneiro.

A floresta emudecida

ouve o rio cantar.

Ainda é inverno.

Abelhas mendigam o mel

ao ipê já florido.

O Pantanal fascina não só seus

filhos, mas todo ser vivente que por

aquelas bandas anda! No texto aci-

ma, Manoel de Sarros - o mais po-

eta dos pantaneiros, a própria alma

do Brasil pantaneiro - desexplica a

João Guimarães Rosa (que aqui ele

chama de Rosa), as nuances desses

complexos e belo ecossistema,

quando em 1953 por lá ele andou.

Em "Ave Palavra", o Rosa usa fra-

ses poéticas que ele inventou na-

quela exemsão - "Abro da paisa-

gem" e "Tudo é sério demais como

num brinquedo"... lembranças...

José Neres dos Reis, paulista de

Pontal, é outro poeta que se apai-

xonou pelo Pantanal. Ele faz "hai

leais" - poesia de origem japonesa

no mais das vezes sem rima, de ape-

nas três versos.

Uma mostra da poesia de José

Neres nos contando as belezas do

Pantanal...

Há tantos mídos

refugiados no silêncio

do cerne da mala...

Canta ao meio dia

com sotaque pantaneiro

curiós saudosos.

Lua vemal acende,

na lagoa dos jacarés,

um braseiro de olhos.

Num barco de galhos

retomando ao seuninhal

tuiuiú ferido.

Silêncio de outono.

Os sabiás gorjeando

a canção da tarde.

No espelho do rio

um esqueleto de galhos

nevados de garças.

Canto do sabiá...

Um convite prá ficar

na hora da partida

COLUNA DO MEIO

SILVESTRE GORGULHO

Folha do Meio Ambiente D

O Conama, Krause e o governo FHC

O que está realmente acontecendo com o Con-

selho Nacional do Meio Ambiente - Conama? Quem

aparece por lá pela primeira vez pode até se impres-

sionar com o tamanho do conselho e do auditório

onde se realizam as reuniões, no Ibama, em Brasília.

Porém, as aparências escondem uma realidade tris-

te: criado para tratar das grandes questões ambientais

do país, assessorando o ministro e o presidente da

República nessa atualíssima matéria, o Conama vem

se esvasiando, ultimamente, a olhos vistos. Se

esvasia pela baixa qualificação de alguns conselhei-

ros, pela falta de prestígio político de outros, (o

ministro só aparece no começo das reuniões), e,

principalmente, pelas pautas burocráticas a que fi-

cou relegado.

Na única reunião ordinária realizada neste go-

verno, as matérias colocadas na ordem do dia, ape-

sar de importantes, eram resoluções propostas em

1993 e 1994, portanto, sem maior ugência.

Enquanto isso, deixa-se de discurtir os grandes

problemas nacionais como as persistentes queima-

das na Amazônia, a poluição dos rios e a necessida-

de de melhor conservação dos recursos hídricos, o

prometido zoneamento ecológico econômico do ter-

ritório, ou a ausência de um plano nacional de pes-

quisa sistemática para conhecimento de metade dos

nossos recursos de flora e fauna, que permanecem

desconhecidos da ciência. Será que pensam que não

têm nada a dizer os Secretários Estaduais de Meio

Ambiente, ou que os representantes dos ministérios,

das ONGs e personalidades nacionais na área não

poderiam contribuir no encaminhamento de soluções.

Nem todos os conselheiros estão insatisfeitos.

Os representantes das ONGs, que são financiados

pelo Ibama para virem a Brasília são também os mais

combativos e marcam sua presença até o fim das reu-

niões, tomam-se a melhor energia do conselho. En-

tretanto, há muita apatia entre os representantes dos

ministérios e alguns secretários estaduais que, ao fi-

carem calados, parecem se sentirem aliviados de não

ver temas complexos de suas regiões sendo discuti-

dos.

Outro problema no Conama é a política de peque-

nos conchavos para resolver assuntos complexos,

como foi a composição das Câmaras Técnicas. Sur-

gem blocos dos secretários ou dos representantes dos

ministérios como se cuidassem de assuntos antagôni-

cos. Não há que fazer acordos da política menor, mas

levar os assuntos à discussão no plenário para busca

de soluções de concenso, que era a tradição do conse-

lho. As decisões devem ser racionais, técnicas e nun-

ca de interesse meramente político de um ou outro

grupo. Já chega o vício do assembleísmo dos ecolo-

gistas de carteirinha que também disviituam os obje-

tivos de tão alto Conselho da República.

Tem gente do Ministério do Meio Ambiente mais

preocupada com as próprias consultorias do que em

coordenar uma política ambientalista séria parao Brasil.

Criança

No dia 12 de outubro, com passeios e com brinquedos, todo mundo gosta de comemorar, o Dia da

Criança: as indústrias faturam, os pais se alegram ao ver o sorriso dos filhos, e as crianças vão curtir o seu dia

com folga escolar e com mais um brinquedo novo para se divertir. Parece um dia perfeito para tantas

comemorações e, para muita gente, o é. Mas, longe das comemorações, vale a pena cair numa realidade maior.

• O número total de crianças de 10 a 17 anos que, em 1990, trabalhavam no Brasil alcançava6,9 milhões

e representava 10,8% da força de trabalho no país. Muitas crianças trabalham em regime de semi-escravidão,

em atividades penosas, insalubres, perigosas e sem direitos trabalhistas, como cortando pedras, fazendo

carvão vegetal e colhendo cana-de-açúcar.

• Considerando suarenda per capita em comparação com os demais países, o Brasil deveria ter uma taxa

de mortalidade infantil de 31 mortes para cada mil nascimentos. No entanto, o Brasil está na casa das 63

mortes em mü nascimentos. O dobro, portanto, do que era òe se esperar. Este é mais ura íttcbcc perverso da

concentraçio de renda.

• Cicy Trindade, 16 anos, que mora em Manacapuru, a 80Km de Manans, na nrwaawi passada, durante

o 4* Encontro Nacional de Meninos e Menina* de Rua, encantou o país ao colocar um boné na cabeça do

Presidente FHC e cobrar atitudes concretas para tirar milhões de crianças das mas: "Se o presidente não

cumprir o que prometeu, vou até uma rede de TV e bagunço com ele".

• Duas vitórias que podem ser comemoradas: 1) A sociedade brasileira começou a entender e a sentir

que deve lutar para acabar (x>m a tragédia cüíria de milhares de crianças vítimas da pobreza e do descaso, que

acabam se tomando deficientes físicos e mentais por falta de cuidados simples. 2) O presidente FHC, no seu

programa radiofônico, do dia 10 de outubro, foi categórico: sem educação não há salvação. Para o Brasil

crescer e para que as crianças tenham oportunidade de uma vida melhor só investindo no ensino fundamental.

"E essa é uma responsabilidade minha, como presidente, de você (como aluno), de você (como pai e

professor) e do Congresso Nacional", diz o presidente.

Profissionalizar ONGs

Realizado no Rio de Janeiro entre os dias 27 e 30 de setembro, o seminário ONG'i - O DaaaOo da

Efldênda reuniu cerca de cem entidades não governamentais num intenso intercâmbio de experiências

promovido pela Partners of America e USAID. Com palestras de Oded Grajew (Fundação Abrinq pelos

Direitos da Criança) e Geraldinho Vieira (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), entre outros, o

seminário abriu às ONGs a certeza de que as organizações brasileiras já não podem se dar ao direito de

trabalhar apenas com a força do voluntariado: o caminho da profissionalização é inevitável. Apesar da

constatação, uma conclusão merece reflexão e deve servir como estímulo ao trabalho das ONGs: todos os

avanços sociais brasileiros (em saúde, educação, justiça e ambientalismo - só para citar exemplos) têm o dedo

de algumas eficientes organizações não governamentais.

Além das séries de palestras, os quase duzentos participantes envolveram-se em criativos workshops

temáticos, dedicados exatamente ao 'Trabalho Voluntário", "Mobilização Social e Captação de Recursos" e

"Marketing Social". Existem hoje cerca de 5 mil organizações não governamentais no Brasil.


Õ Folha do Meio Ambiente

OS CORREIOS CORRESPONDEM COM VOCÊ.

Caixas de coleta e

postos de venda autorizados.

O mesmo conforto e agilidade das agências dos Correios.

Os Correios estão sempre trabalhando para facilitar a vida das pessoas.

Além de contar com as agências, você ainda pode usar as caixas de coleta

e os postos de venda autorizados para mandar suas correspondências na

hora que você precisar, mesmo quando as agências estiverem fechadas.

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í As caixas de coleta são uma maneira prática e segura de

mandar suas correspondências. Com elas, você economiza

% tempo e pode ter a certeza de que sua carta vai chegar no

lugar que você quiser. É muito fácil usar as caixas de cole-

ta. É só ter sempre à mão selos, aerogramas e envelopes

pré-franqueados. Assim, você pode usar os serviços dos

correios 24 horas por dia.

POSTOS DE VENDA AUTORIZADOS

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para você mandar suas correspondências com o mesmo conforto e como-

didade das agências.

Perto de você existe sempre um posto de venda autorizado, onde você

pode comprar selos: uma papelaria, banca de revista, mercearia, armari-

nhos ou qualquer outro lugar credenciado pelos Correios.

CAIXAS DE COLETA E POSTOS DE VENDA AUTORIZADOS

UMA FACILIDADE A MAIS DOS CORREIOS PARA VOCÊ.

CORR€IO<

MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES

BRASIL

Brasília, outubro de 1995


7 Folh a do Meio Ambiente Brasília, outubro de 1995

TURISMO

Projeto da orla do lago

Paranoá pode mudar Brasília

Claudia Miller

O lago Paranoá, em

Brasília, pode transfonnar-

se num grande centro de

lazer e turismo, capaz de

gerar vários empregos e ren-

das, como deveria ocorrer

em toda cidade que possui

uma orla, seja ela de mar,

lago ou lagoa. Esse é o ob-

jetivo do Projeto Orla, de

autoria do de-

Cidade

deixará

de ser só

negócios

putado distrital

Rodrigo

Rollemberg/

PSB, que além

dessa concep-

ção da explo-

ração teria, também, a van-

tagem adicional de se pre-

servar o lago e seus afluen-

tes, desde sua origem. O

projeto foi apresentado e

serviu de tema de discussão

na Câmara Legislativa, no

mês de setembro, durante o

seminário "Um novo olhar

sobre o Lago", organizado

pelo gabinete do deputado.

O projeto está sendo vis-

to por autoridades do go-

verno, políticos e empresá-

rios como uma grande op-

ção para o desenvolvimen-

to econômico da cidade,

uma vez que 30 mil empre-

gos poderão surgir durante

sua construção, além de

outros 40 mil necessários

para permitir o funciona-

mento dos onze pólos de

turismo previstos para o tre-

cho da orla do lago, com-

preendido entre o Pontão

Sul (já utilizado para práti-

ca de esportes, shows e

campeonatos) e o Setor de

Hotéis de Turismo - Trecho

Norte.

Essa iniciativa, além de

beneficiar toda a comunida-

de brasiliense, que passará

a contar com mais opções

de entretenimento e lazer,

também proporcionará ao

turista, que vem a negócios

ou passeio, a oportunidade

de maior permanência na ci-

dade. Segundo Rollemberg,

Brasília tem grande voca-

ção para o turismo de ne-

gócios, pois executivos de

todo o país vêm à cidade re-

solver seus problema e, por

falta de opções, retomam no

mesmo dia. Se permaneces-

sem na cidade, gastariam

dinheiro, gerariam tenda e

criariam empregos, diz o

deputado. Os hotéis têm alta

taxa de ocupação de terça à

quinta-feira e baixíssima de

sexta à segunda-feira. Nos

últimos sete anos, o núme-

ro de pernoites vem dimi-

nuindo. A cidade deixou de

arrecadar de 1987 a 1984

cerca de U$ 10

milhões só de

ICMS e ISS.

O deputa-

do propõe aos

órgãos públi-

cos a diminui-

Metaé

gerar

emprego e

mais renda

ção do nível de água do

lago no auge do período

de seca, com o cuidado de

não comprometer o equi-

líbrio ambiental. Com

isso, poderão ser identifi-

cados os esgotos clandes-

tinos despejados no lago.

Os responsáveis serão no-

tificados e terão um prazo

para solucionar o proble-

ma. Caso contrário, serão

penalizados na forma de

lei.

Qualidade Verde

Slmone Silva Jardim

Qualidade para

competitividade

O Worid Trade Center de São

Paulo, maior centro de negócios da

América Latina, iniciará suas ativi-

dades a partir de outubro. Em seu

lançamento será realizado um gran-

de evento, intitulado "Qualidade paia

Competitividade", que terá 10 dias

de duração e será composto por uma

Mostra, um Seminário Internacio-

nal e por mais de uma dezena de

workshops sobre a implantação das

normas das séries ISO 9000 e ISO

14000 pelo conceituado QSP - Cen-

tro Brasileiro de Qualidade, Segu-

rança e Produtividade. Informações

pelo telefone (011) 893-9555.

Boom ainda maior

Especialistas de todo o mundo prevêem que a certificação ambiental

terá um boom ainda maior do que a da ISO 9000. Os retardatários que se

cuidem!

Produtos condenados

"Sob a questão ambiental e as

normas e procedimentos do sis-

tema de gestão se esconde uma

pressão dos países industrializa-

dos pela reserva de mercado", co-

mentou a esta coluna Antônio

Márcio Avellar, presidente da

ABNT. "Temos vários setores que

poderão ter as exportações afeta-

das pelas normas". O produto

pode ser condenado por não ter

qualidade ambiental por critérios

que vão desde a obtenção da ma-

téria-prima, passando por todas

as etapas de produção, afirmou

Avellar. Detalhe: com a definição

dos sistemas de gestão pelo TC

207, a médio prazo todas as em-

presas serão atingidas, inclusive

as micro e pequenas empresas.

Normas já podem ser

adotadas

Cinco normas foram elevadas à condição de "DIS" {DrqfiInternational

Standard) pelo TC 207 da ISO, Comitê Técnico da Organização Internaci-

onal para a Normalização encarregado de preparar as normas sobre meio

ambiente que vão reger as relações de comércio exterior com a Europa, a

partir de 1996. São elas: ISO/DIS 14000; ISO/DIS 14004 (para evitar

confusões o número dessa norma foi alterado, anteriormente era ISO/CD

14000); ISO/DIS 14010,14011/1 e 14012.

Simples na teoria e

possível na prática

A Bahia Sul Celulose, a pri-

meira empresa do Brasil e do

mundo no setor de celulose e pa-

pel a obter a certificação ambiental

BS 7750, não esconde a "receita"

de seu sucesso, uma política apoi-

ada nos seguintes princípios: re-

conhecimento da gestão de meio

ambiente como prioridades; estí-

mulo ao desenvolvimento do ser

humano para que ele possa atuar

de forma ambientalmente respon-

sável; aperfeiçoamento contínuo

dos processos, produtos e servi-

ços, visando a melhoria constante

do desempenho ambiental; obser-

vância das legislações relativas ao

meio ambiente e, finalmente, diá-

logo com as partes interessadas

nas atividades da empresa e seus

efeitos ambientais. Tudo muito

bem dito e bem feito.


í


Brasília, outubro de 1995 Folha do Meio Ambiente

INTERCÂMBIO

Quatro mil índios de 28 aldeias são atendidos

Slmone Silva Jardim

Hoje, equipes da Unifesp visitam trimes-

tralmente o PIX e atendem quase 4 mil

índios de 28 aldeias. Mas, diariamente,

as condições de saúde da população do

parque são acompanhadas pelos chama-

dos monitores, agentes de saúde indíge-

nas que a própria comunidade elege e a

Unifesp treina em cursos especiais que

dão informações sobre doenças diversas,

orientações de higiene, destinação do

lixo e dejetos, entre outros.

O monitor; sob supervisão, presta cui-

dados simples, mas essenciais à comuni-

dade. Todo dia, ele se comunica, via rá-

dio, com o posto indígena que lhe dá as

orientações necessárias e se for preciso,

já providencia a ida de médico ou enfer-

meira ao local ou a retirada do doente

para tratamento no posto ou a sua remo-

ção para um hospital de Goiânia ou São

Paulo. Essas informações também chegam

diariamente, via rádio, à nossa unidade.

Risco de diabetes - O professor

Roberto Baruzzi chama atenção para um

aspecto observado por poucos. "Trinta

anos atrás, o índio estava na sua plena

natureza, não usava nenhuma peça de

roupa, tinha um regime alimentar próprio

e não tinha acesso a meios de comunica-

ção. Hoje não. Além da introdução de

roupas, rádio, motores de barco, o sal e o

açúcar estão sendo introduzidos progres-

sivamente na sua alimentação. Isso pode

vir a ter repercussões no padrão de saúde

dos índios. O que se imagina é que aos

poucos as chamadas doenças do mundo

ocidental, como hipertensão arterial e di-

abetes - esta última já é o principal pro-

blema de saúde enfrentado pela popula-

ção nativa da América do Norte, também

vão afetar o Xingu. Entre os guaranis, si-

tuados próximos a São Paulo, há ocor-

rência de diabetes".

Em compensação, não há ocorrência

de hipertensão arterial na população

xinguana. Em 1985, os índios do PIX fo-

ram incluídos no Projeto Intersalt - Estudo

Internacional de Pressão Arterial, que se

estendeu a 52 povos indígenas de 32 paí-

ses. Apenas quatro desses povos não apre-

sentaram hipertensão arterial, mantendo-

se a pressão arterial inalterada com o pas-

sar da idade, sendo muito baixo o teor de

sódio na urina. Esses povos foram os

Papuas da Nova Guiné, um grupo nativo

do Kênia, os índios ianomami na fronteira

do Brasil com a Venezuela e os índios do

Xingu.

Saiba mais sobre o PIX

O Parque índigena do Xingu estende-

se desde a região dos formadores do rio

Xingu, ao sul, até a cachoeira Von Martins,

no extremo norte, e representa uma área de

transição entre o cerrado do Brasil Central

e a floresta amazônica, dois importantes

ecossistemas com fauna e flora próprias.

A superfície total do parque é de 32

mil quilômetro quadrados e sua popula-

ção é de aproximadamente 4 mil índios,

divididos em 17 tribos. Quatro dessas tri-

bos - Caiabri, Txicão, Beijos de Pau ou Suiá

Novos eKren-Akarote-ingressaram na área

depois da criação do PIX. As demais

tribos já habitavam a região quando por

ali passou a expedição de Karll vou deu

Steinen, entre 1884e 1887, o primeiro eu-

ropeu a penetrar no território.

Antropólogos e etnólogos do mundo

inteiro demonstram grande interesse pelo

PIX pois ali são encontrados representan-

tes dos quatro maiores grupos lingüísticos

nativos do Brasil: Aruaque, Caribe, Jê e

Tupi, além dos povos isolados Junina e

Trumai. Na região sul do parque, denomi-

nada de Alto Xingu, habitada por 10 tri-

bos, a longa ocupação de mesma área e a

freqüência de casamentos intertribais le-

varam a um padrão cultural comum, co-

nhecido como cultura xinguana ou do Alto

Xingu, embora persista a diversidade lin-

güística.

E Hora de

Plantar com

Bom Senso*

O Brasil está mudando. Está ficando

mais reai. Este novo tempo exige mais

competitividade, mais competência,

mais produtividade.

A agricuitura brasileira também está

mudando. O produtor ainda enfrenta

chuva de mais, chuva de menos, pragas,

doenças, as incertezas do mercado, e a

própria natureza perecível de sua

produção. Mas a cada ano ele está mais

eficiente: usa menos terras e produz maior

quantidade de alimentos mais baratos.

E, mais do que nunca, sabe a

importância de, em tempos difíceis,

superar desafios.

UnHesp

Em meio a muita alegria e

curiosidade, as crianças do Xingu

recebem a visita de um dos

médicos da equipe da Unifesp

NESTA SAFRA,

SEMEIE BOM SENSO.

USE A TECNOLOGIA

CORRETA.

PROCURE O SERVIÇO

DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA

E EXTENSÃO RURAL DA

SUA REGIÃO.

EMBRAPA

Parceria de Qualidade

Ministério da Agricultura,

do Abastecimento

e da Reforma Agrária

*1 BRASIL


I O Folha do Meio Ambiente

Brasília, outubro de 1995

EXPOSIÇÃO

ECT fortalece intercâmbio entre países

Cláudia Mlller

Procurando fortalecer o in

tercâmbio cultural entre

Brasil, Portugal e demais pa-

íses de expressão portuguesa, a

Empresa Brasileira de Correios e

Telégrafos - ECT, realizou a 15* Ex-

posição Filatélica Luso-Brasileira -

Lubrapex 95, no período de 30 de

setembro a 8 de outubro, no SESC

Pompéia, na capital paulista.

Através da filatelia, a Lubrapex

revive os laços culturais e históri-

cos comuns entre esses países, além

de difundir o colecionismo de se-

los e marcas postais; promover o

desenvolvimento da filatelia nos

dois países; estreitar a amizade en-

tre brasileiros, portugueses e demais

povos de língua portuguesa e pro-

o rio Tietê, onde aparecem em pri-

meiro plano as espécies mais repre-

sentativas da fauna e da flora da re-

gião, sendo muitas delas quase ex-

mover o intercâmbio entre

correios e a integração destes

com os segmentos da

tintas. Através da

Lubrapex Lubrapex foi possível mosrevive

laços trar a importância, as dififilatelia.

culdades e, principalmenculturais

O Correio Brasileiro

te, a necessidade da preserentre

países

emitiu na abertura da expo-

vação e recuperação do

sição um bloco especial e

rio, que possui um papel

dois selos comemorativos, além de fundamental na navegação e tem

dez carimbos comemorativos espe- grande capacidade de gerar enerciais,

um para cada dia do evento. gia elétrica.

O bloco foi criado pelo artista A Filatelia Juvenil ganhou

Etienne Demonte e tem como tema uma atenção especial, receben-

A-primeira

função social do

Banco do Brasil

é dar lucro.

Quando um cliente

procura uma de nossas

agências, ele quer

serviços adequados às

suas necessidades e pro-

dutos que atendam às

suas expectativas.

Quando os acionistas

examinam um balanço,

querem ver mais dividen-

dos, como resultado de

uma administração

eficiente. Quando o Brasil

inteiro olha para o Banco

do Brasil, quer ver uma

empresa com compromis-

so público e desempenho

de empresa privada. É por

isso que o Banco do

Brasil vem mudando a

cada dia.

Para ser o agente da

produção e do desenvol-

vimento de que tanto o

país necessita, é preciso

ser competitivo, moderno

e, principalmente, gerar

lucros. Porque é através

do milhares de alunos da rede

escolar municipal, devido ao

apoio da Secretaria Municipal

de Educação de São Paulo.

Ao final da exposição, os re-

presentantes da ECT afirmaram

que a capital paulista se orgu-

lhou de receber o maior contin-

gente de irmãos lusitanos de

todo o país, comemorando,

com igual orgulho, essa rara

oportunidade de fortalecer o in-

tercâmbio cultural mútuo por

meio da filatelia, notável ins-

trumento de congraçamento

universal.

do seu desempenho no

mercado que o Banco do

Brasil vai buscar recursos

para realizar seu trabalho

com competência.

Afinal, o BB só vai

ser bom para o Brasil se,

antes, for bom para você.

Banco do Brasil.

Mudando com o Brasil.

BANCO DO BRASIL


Brasília, outubro de 1995

A CBMM E O MEIO AMBIENTE.

UMA HISTÓRIA SEM LOBO MAU.

Em 1990, nasceu no Parque Natural da CBMM em Araxá o

lobo Kiko, uma experiência bem-sucedida de reprodução do

lobo-guará em cativeiro, que ajudou a afastar o risco de

extinção desta espécie. E este é apenas um exemplo do que a

CBMM faz em relação à preservação do meio ambiente. O seu

programa é extenso e envolve, entre outras atitudes:

• criação de nichos ecológicos para preservar a fauna e con-

trolar a erosão e o ressecamento do solo;

» implementação de medidas técnicas que minimizam pos-

síveis efeitos poluidores;

• reconstituição de áreas modificadas pela intervenção

humana;

• reflorestamento e preservação da cobertura vegetal original.

O cuidado da CBMM com o meio ambiente é assim: uma

história sem lobo mau. Só do lobo Kiko e seus irmãos. Se

você quiser conhecer melhor esta história, basta solicitar a car-

tilha "O Lobo Kiko e o Cerrado Brasileiro", editada pela CBMM,

à disposição de entidades de classe, escolas, bibliotecas, ambi-

entalistas e empresas. Basta enviar seu pedido para o Centro

de Desenvolvimento Ambiental da CBMM - Caixa Postal 8.

Córrego da Mata S/N - CEP 38180-000 - Araxá - MG - Brasil.

CDmm

COmPflnHIfl BRflSHEIRA DE fflETfUURGIA E fflinERflÇÃO

REPRODUÇÕES GRÁFICAS EEDITORA L7DA

SK03BU-CN 5 9 - (0€1)344-1007FAX:(061)344-3428 - BRASiUA-DF

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061-336-9533

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Folha do Meio Ambiente I

ONGs em Ação

«•ÍÜP».

Romoaldo de Souza

CAMPANHA NACIONAL PELO FIM DA

EXPLORAÇÃO, VIOLÊNCIA E TURISMO SEXUAL

CONTRA CRIANÇAS E ADOLECENTES

Hão dá Pra Engolir.

Agora é geral. ONGs, empresários, igrejas. Estado. Todos

estão empenhados em combater a exploração sexual de crianças

e adolescentes.

FHC mandou fazer uma campanha nacional. Afinal o Estado

precisa limpar sua barra, logo agora que está querendo ser mem-

bro do Conselho de Segurança na ONU. Não ia pegar bem...

A Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagens), por

seu presidente, declarou, em entrevista coletiva, que o agente de

viagem que for descoberto incentivando o turismo sexual será

automático descredenciado. Doutor Caio Carvalho, presidente

da Embratur, em entrevista exclusiva à coluna, mostrando-se

indignado disse que "o governo brasileiro já admoestou, através

de documentos, agências de turismo da Alemanha que incentiva-

vam o turismo sexual".

Mário Volpi, diretor de cooperação e projetos do Movimen-

to de Meninos e Meninas de Rua, salientou a importância das

entidades populares se "empenharem na denúncia junto à socie-

dade civil, os Poderes da República e á imprensa para que se

criem condições dignas de vida para essas crianças conforme

preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente e todos os

códigos de defesa de direitos humanos". Adesões, pelo telefone

061-274-5389, onde funciona a Secretaria Executiva.

Há um mundo a se construir

Eu sei que você sabe. E até ajuda a construir esse utópico

inundo melhor. Mas estou falando da Sociedade Planeta, um pro-

grama da Unesco que vai tomar-se rede mundial de intercâm-

bios que contribua para a gestão durável do planeta, ensinando a

nova arte de viver na Terra.

Dois importantes instrumentos estão sendo colocados a dis-

posição de ONGs e escolas: um banco de dados e uma bolsa de

intercâmbios. Deles consta importante material pedagógico com-

posto de fichas de adesão e auto-avaliaçio, cartaz e vídeo que

serão repassados aos interessados.

Portanto, mãos à obra. Experiências como boletins, jornais,

programas de rádio c televisão, jogos educativos c outras serão

bem-vindas à Educaterra - ONG do Rio de Janeiro responsável

pelo programa. RuaBenevenuto Berna, 135 - Maracanã- Rio de

Janeiro-RJ - CEP 20270-030. Fone 021-234-3842.

Nordestinos catam na Enecologia

As ONGs do Nordeste, patrocinadas pela Secretaria de Enti-

dades Ambientalistas, estão preparando o 9" Encontro Nordesti-

no de Entidades Ambientalistas - Enecologia - que acontecerá às

margens do rio São Francisco, na cidade pernambucana de

Petrolina, nos primeiros dias de novembro.

Na pauta, temas como Agenda 21; G7 (grupo dos sete países

ricos); Programas Demonstrativos; Fundo Nacional do Meio Am-

biente; Desertificação; Transposição das águas do São Francisco.

O evento debaterá com especial interesse a política nacional do

meio ambiente, no governo do sociólogo FHC.

ONGs de outras regiões também foram convidadas para afi-

nar o coro nordestino que pretende "cantar" cantigas para autori-

dades como o ministro Gustavo Krause, do Meio Ambiente; José

Theodomiro, do Comitê Executivo de Estudos Integrados do Vale

do São Francisco. Entre lamentos e debates as autoridades vão

ouvir muita conversa.

Se a voz da ONG que você pertence é de um bom barítono ou

um mezzo-soprano e se encaixa nessa polifonia, telefone para

075-811-1795 e fale com o pessoal que prepara o evento.

• PS: nesta coluna, na edição passada, deixei passar um espontânea

com xis. Choveram telefonemas...

'


Brasília, outubro de 1995 Folha do Meio Ambiente I A

I O Folha do Meio Ambiente

^^^^^^

Brasília, outubro do 1995

Ecoturísmo gera riqueza na Mata Atlântica

Simone Silva Jardim

O Vale do Ribeira, uma das mais

carentes regiões do Estado de

São Paulo, que no passado

protagonizou dois importantes ciclos

econômicos, o do ouro e do arroz, e

hoje possui uma das maiores parcelas

contínuas de remanescentes da Mata

Atlântica, vai ser palco de um projeto

pioneiro, que pode finalmente encon-

trar o tão sonhado "çaminho-das-pe-

dras" para a realização do ideal que per-

segue crescimento econômico e prote-

ção à natureza. É o Pólo

Ecoturístico do Laga-

mar, uma alternativa de

desenvolvimento sus-

tentável coordenada

pela Fundação S.O.S.

Mata Atlântica, com

apoio técnico da

Naturismo Atividades

Ambientais e Hylas Consultoria.

Recursosdo

turismo serão

aplicados em

educação

ambiental

"A fundação é intransigente na de-

fesa do que resta de Mata Atlântica na

região, mas não queremos impedir que

as pessoas conheçam essa importante

área, afinal, quem não conhece não

pode respeitar", afirmou Roberto

Klabin, presidente da Fundação S.O.S.

Mata Atlântica, durante o evento de lan-

çamento do Pólo Ecoturístico do

Lagamar, no município de Iguape.

"A região do Lagamar tem um rico

patrimônio cultural, natural e histórico

que acena um grande potencial turísti-

co, mas o governo está totalmente

desaparelhado para criar uma estrutura

voltada para uma visitação planejada e

constante. Através do trade-pool, par-

ceria entre agências de ecoturismo com

os hoteleiros, donos de restaurantes,

barqueiros, artesãos e animadores da

região, vamos explorar esse potencial

com a racionalidade e inteligência,

constituindo uma forte base econômi-

ca local para melhorar a qualidade de

vida da população e, ao mesmo tempo,

resgatar todos os valores do Lagamar^',

completou Klabin.

Roteiros - O Pólo Ecoturístico do

Lagamar será aberto ao público a partir

de outubro, com 14 roteiros que vão cri-

ar uma rede de destinos, estrategica-

mente distribuídos entre os municípios

que participam do trade pool: Iguape,

Cananéia, Ilha Comprida e Pariquera-

Açú, formando pacotes de dois a 12

dias, com caminhadas, uso de montain

bike, canoas, caiaques, botes a remo e

barcos.

As 20 agências operadoras ficarão

responsáveis pelos serviços de venda

de pacotes, fretamento de ônibus para

o trecho São Paulo/Lagamar/São Pau-

lo, guias de excursão, professores, se-

guros etc. Os demais serviços - hotel,

alimentação, barcos, guias locais, en-

tretenimento e atrativos em geral - de-

verão sempre ser contratados na região.

O trade-pool pretende criar um selo

do Pólo Ecotiirístico do Lagamar, defi-

nindo critérios mínimos de qualidade,

preço, segurança, conforto e objetivos

Benefício às comunidades caiçaras

Lagamar está na região do chamado Com-

plexo Estuarino Lagunar de Iguape-

Cananéia-Paranaguá, situado no litoral sul

do Estado de São Paulo e norte do Paraná.

"Essa região é prioritária para nós pois abri-

ga grandes remanescentes de Mata Atlânti-

ca, manguezais e vegetação de restinga em

alto grau de preservação", conta Má-

rio Mantovani, superintendente da

Fundação S.O.S. Mata Atíântica.

Ao longo da costa brasileira, ra-

ros ecossistemas permanecem pouco

alterados como os remanescentes do

Vale do Ribeira. Nessa região, exis-

tem cerca de 83 mil quilômetros qua-

drados de Mata Atlântica, recobrindo

as escarpas da Serra do Mar e do Lagamar,

composto por uma sucessão de baías, lagu-

nas, restingas, ilhas rochosas e uma das mai-

ores formações de manguezais do litoral bra-

sileiro.

Devido ao alto grau de preservação em

que se encontra, essa região possui 2/3 dos

últimos 8% de remanescentes florestais que

ainda restam em São Paulo, concentrando

quase 40% da área de todas as unidades de

conservação do estado. No Lagamar, o Brasil

possui cerca de 3 mil quilômetros considera-

dos de floresta do mangue, verdadeiro elo de

Regiãopossui

dois terços das

florestas que

restam em

São Paulo

ligação entre os ambientes marinho e terres-

tre e fundamentais para a manutenção da

fauna e flora que vivem nas águas litorâneas.

Mas o impressionante estado de preser-

vação das florestas e manguezais do Vale do

Ribeira e Lagamar não é conseqüência de

uma opção da população local ou de uma

política específica de proteção. O mo-

tivo principal é o grande atraso eco-

nômico da região. Vale lembrar que o

Vale do Ribeira enfrenta sérios pro-

blemas com desmatamentos e quei-

madas irregulares, contaminação de

água por resíduos de mineração e po-

luição dos portos de Paranaguá e

Antonina, especulação imobiliária

com ocupação desenfreada e destruição de

dunas e mangues.

Na região do Lagamar ainda resistem

comunidades de caiçaras com cerca de 3

mil famílias. Com suas técnicas artesanais

e aparentemente primitivas, os caiçaras pra-

ticam o que há de mais inteligente no mun-

do da pesca e possuem um acervo de co-

nhecimentos acumulados em séculos de

convivência harmoniosa com a natureza,

observação atenta e metódica das ocorrên-

cias e transmissão oral de geração para ge-

ração.

comuns entre os parceiros. A Fundação

S.O.S Mata Atlântica receberá royalties

- cerca de R$ 5,00 por roteiro operado/

passageiro transportado. Os recursos ge-

rados serão aplicados em projetos comu-

nitários de educação ambiental e de con-

servação. A organização não governa-

mental ainda promoverá cursos de

capacitação de mão-de-obra na região.

Também foi constituído o Conselho

de Auto-Regulamentação (CAR) para

monitoria constante dos impactos

socioambientais e da capacidade de su-

porte, com poder de desligar membros

do pool que não respei-

Projeto une

crescimento

econômico e

proteção à

natureza

tem os critérios míni-

mos de qualidade, éti-

ca e sustentabilidade.

Modelo para outras re-

giões.

"Há mais riquezas

naturais no Lagamar do

que se divulgou até

hoje. Aqui o turismo ecológico terá ca-

racterísticas ímpares e os visitantes vão

poder contar com uma estrutura sim-

ples de serviços, mas muito ágil e efi-

ciente", comenta Oliver Hillel, da Hylas

Consultoria.

"Com essa iniciativa, queremos al-

cançar um padrão de qualidade,

sustentabilidade e distribuição eqüita-

tiva de divisas que sirva de exemplo

bem-sucedido para que outras regiões

do país possam reproduzir experiênci-

as semelhantes", destacou João Allievi,

da Naturismo.

Roteiros turísticos

diversificados

O Pólo Ecoturístico do

Lagamar apresenta, entre

outras, as seguintes atrações

de roteiros exdusívas:

IGUAPE

Observação de florae fauna nas

pequenas ilhas, caminhadas e

contato com comunidades

tradicionais da Juréia, visita à

uma fazenda com criação de

capivaras e catetos, grupos de

fandangos e reiada.

ILHA COMPRIDA

Carwagem e trilhas pelamata e

praia do rio Boguaçu até o

Bogueirão Siü; visita ao sítio

histórico de Vila Nova (século

18); dunas próximas à Ponte

Norte.

CANANÉIA

Banhos na cachoeira do

Mandira, passeio de barco ou

canoa pelo Mar de Dentro; visita

a estações de engorda

flutuantes.

PARIQUERA-AÇU

Trilha de até um dk pda mata

com sambaqui inexplorado da

Campina do Encantado.

João Allievi

No Vale do Ribeira, existem 83 mil quilômetros quadrados de Mata

Atlântica recobrindo as escarpas da serra do Mar e do Lagamar

João Paulo Capobianco

Laguna com manguezais na região de contato com a água salobra e a Mata Atlântica recobrindo as montanhas

Joio Paulo Capobianco

SUMMARY

The Valley ofthe Ribeira, one of

thepoorest regions in the State of

San Paulo, which contains one of

the largest continuam parts ofthe

remainings ofthe Atlantic Forest,

will serve as stagefor the Project

ofthe Ecotourism Pole ofthe

Lagamar, an altemate sustainable

development, coordinated by The

Atlantic Forest S.O.S. Foundation,

with technical supportfrom the

Naturismo Atividades Ambientais

and the Hilas Consulting Services.

"The Lagamar Region has a rich

cultural, natural and historie

heritage, which shows a great

potentialfor tourism. Throughthe

trade-pool among regional

ecotourism agencies and hotéis,

restaurant owners, sailors,

arterafters and showmen, we will

intelligently and rationally

explore this potential, building up

a strong local economic basis, in

order to improve the conditions of

Ufe for the population, and, atthe

same time, rescue ali values ofthe

Lagamar", says Roberto Klabin,

President ofthe Atlantic Forest

Foundation.

Vi^apaicidda cidcKle de l^ape, de onde patrão os turistas pera as camhhcxias, a Os pacotes turísticos incluirão passeios de barcos a uma das maiores

prática de montah bke e passeios de canoas, caiaques, boles a remo e barcos formações de manguezais do litoral brasileiro


I 4 Folha do Meio Ambiente

Brasília, outubro de 1995

HABITAI

Falta de água preocupa os latinos

Romertto Aqulno

Na segunda conferênci a das Nações Unidas

para Assentamentos Humanos - Habitai 2, que

se realizará em julho do próximo ano em

Istambul, Turquia, o Brasil vai se concentrar nas

questões urbana e habitacional. A prioridade foi

definida pelo presidente Fernando Henrique

Cardoso, ao participar das comemorações do Dia

Mundial do Habitai, ocorridas no dia dois de

outubro em Curitiba, onde autoridades e

especialistas de vários países discutiram durante

três dias o tema *'0 lugar em que vivemos".

Comemorado a cada ano pelo Centro das

Nações Unidas para Assentamentos Humanos

(UNCHS) em uma cidade-sede mundial, o Dia

Mundial do Habitai tem por objetivo chamar a

atenção dos países para a questão dos

assentamentos humanos e propor a troca de

experiências entre as cidades para melhorar as

condições de vida nas zonas urbanas.

Considerada modelo de ocupação urbana,

Curitiba foi a primeira cidade da América Latina

a sediar o evento patrocinado pela ONU. Para

comemorar adata,aprefeiUiradeCurilibarealizou

um woricshop internacional, que contou com mais

de mil participantes, que debateram o tema

principal do encontro sob três a^ectos: a moradia,

o bairro e a cidade. Os paises da América do Sul

e do Caribe, que participaram do evento,

apresentaram documentos elegendo as questões

da falta de ágv a, da violência e da moradia como

os principais problemas das cidades latino

americanas.

Técnicos, estudiosos e políticos participaram

de palestras e debates, além de ouvirem

experiências de estratégias e mecanismos

utilizados com sucesso por algumas cidades na

questão do desenvolvimento urbano. Os

resultados do encontro fario parte das discussões

a seran realizadas no próximo ano na conferência

da ONU em Istambul, que vai centralizar seus

trabalhos nas questões da água, da violência e

da moradia.

Na primeira palestra, a secretária nacional

de Política Uibana, Maria Emília Azevedo,

alertou que o problema da casa no país não se

resume ao atendimento da demanda resultante

do crescimento populacional. "Compreende

também milhões de domicílios inadequados, seja

pelo elevado adensamento, seja pelas

deficiências nas ofertas de serviços básicos",

disse Maria Emília, após ressaltar que a política

habitacional no Brasil foi, na maior parte das

vezes, "a política cabocla da segregação dos

pobres em verdadeiros pombais".

Uma das experiências apresentadas no

encontro foi a de Córdoba, na Argentina, que se

inspirou na capital do Paraná para executar

programas como os de reciclagon de lixo, da oiação

de uma universidade voltadapara o mão ambiente

e do investimento em 60 quilômetros de ciclovias.

Outro exemplo citado foi o projeto "Metrópoles

2010", queptEffindetransfonnaraGualemalanuma

"cidade verie" no prazo de 15 anos, dando ênfase

ao uso adequado do solo, infra-estrutura de

transpottE, vias de comunicação, meio ambiente e

prevenção contra desastres naturais, além de

aspectos sociais como habitação e saúde.

A novidade apresentada por Curitiba, no

evento, foi as vilas de oficio, que permitem às

famílias trabalharem no mesmo local em que

moram. As unidades habitacionais são construídas

emdoispavimenlos, que abrigam no térreo ao&ina

de trabalho e na pane superior a residência. Para

ocupá-las são selecionadas famílias entre as inscritas

na Companhia de Habitação (Cohab) do estado.

No Dia Mundial do Habitat, foram entregues

prêmios (fciBconhecknentodaONUeum dos oito

dçkjmascfcHrfjtatScrolIorHoBOurfoitrtregue

ao Cewá, que tornou-se o segundo estado bnsidro

a receber essa condecoração (o primeiro foi o

Pmá).

Ahertuxi da sohnickide do Dia MurKik^ do Habitat, comenwmdo pela ONU em Curitba

SUMMARY

President Fernando Henrique Cardoso said that Brazil will

focus OTi urban and housing issues during the Second Confer-

ence ofthe United Nationsfor Human Settlemenís - Habitai 2,

which wUl be held in IstanbuL Turkey. in July ofthe next year.

The Presidenfs priority was defined during the celebratíon of

the World Habitai Day, occurred ai October 2nd, in Curitiba,

State of Paraná, a city which is considered a model of urban

developmeni.

Brasil insiste em retomar usina de Angra II

Dlocléclo Luz

O futuro que se cuide. Está lendo picparada

umabomba,e atômica, como lembrança destes

tempos de imanidade, ignorincia ou má-íé. Em

outubro,ogovíiT»br»saeiromunciaos nomes das

ençiesasqiie ganharam a lictoç* 0 para retonwr a

construção da usina nudear de Angraü, no Rio de

Jmeko. O filé BKfevqw terfentcgwi kooiMka-

toi« custa, segwido Fumas Centrais Eiénvas, res-

ponsável pelo projeto, US$180 mifcões. Este é o

custo só de montagem dos equipamentos. Para en-

trar em operação serâo gastos o total de US$ 14

bilhão. Isto tudo quando a sociedade, os cientistas e

os povos do Prirrtíro Mundo já decidiram que a

energianuclearnãoéuma solução, mas um proble-

ma.

As UIHWCJM fáarictHtes de «Mtas estão pen-

smcto em mu


Brasília, outubro de 1995 Folha do Meio Ambiente I D

m=

POLUIÇÃO

AGENDA

Cariocas bebem água suja

TOME NOTA

do rio Paraíba do Sul

Projeto de despoluição do rio caminha a

passos lentos e empresas não são fiscalizadas

Lana Araújo

Os 15 milhões de habitan-

tes do grande Rio e de cidades

vizinhas, que representam 10%

da população brasileira, conti-

nuam bebendo água suja do rio

Paraíba do Sul. A denúncia é

do professor Mauro Viegas, da

faculdade de Arquitetura da

Universidade Federal do Rio

de Janeiro, que preside o Con-

selho de Meio Ambiente da

Associação Comercial do Rio

de Janeiro (ACRJ).

Representante da ACRJ na

Comissão de Gestão dos Inte-

grantes da Bacia do Rio

Paraíba do Sul - Ceivap, órgão

criado em 1979, para retomar

o desen-

volvi -

Ninguém

men t o

quer deixar

dessa rede

ser g i ã o ,

poluidor Mauro

Viegas

considera grave para o povo

carioca a poluição do rio

Paraíba do Sul. Segundo ele, a

Companhia Siderúrgica Nacional

(CSN), por exemplo, é

uma das empresas que mais

poluem o rio. "Já conseguimos

que ela diminua essa poluição

e financie uma pesquisa para

identificar quais os peixes que

existiam na região e que podem

ser levados de volta", assinala

Mauro Viegas.

O professor Viegas

informa que já foi solicitado ao

governo federal que o projeto

França-Brasil, que beneficia o

rio Doce, em Minas Gerais,

seja estendido ao rio Paraíba do

Sul, cujo processo de

despoluição pode ser acelerado

com a cobranças de impostos

aos que usam suas águas e

aos que também as poluem.

Mauro Viegas lembra que, desde

1979, foram apresentados

ao governo federal inúmeros

projetos de despoluição do

Paraíba do Sul, que não foram

levados adiante.

"Agora, nossa espe-

rança é o Ministério do Meio

Ambiente, já que o

gerenciamento de águas pas-

sou para a alçada deste minis-

tério. A América do Sul pos-

sui quase metade da água do

planeta e metade disso está no

Brasil. Não é possível faltar

água às vésperas da chegada do

terceiro milênio", ressalta ele.

Ainda segundo Viegas, o fun-

damental para se pensar na re-

tomada do desenvolvimento

do vale do Paraíba do Sul é mi-

nistrar para sua população no-

ções de educação básica e edu-

cação ambiental. Além disso,

ele defende que haja uma fis-

calização rigorosa junto às em-

presas que funcionam na re-

gião. "Existem linhas de finan-

ciamento, como a do BNDES,

para quem quiser deixar de ser

poluidor. A Fundação Estadu-

al de Engenharia de Meio Am-

biente está fiscalizando isso.

Não há desculpas mais", acres-

centa Viegas.

O líder ambientalista e pre-

sidente do Grupo Defensores

da Terra, Vilmar Berna, duvi-

da do movimento empresarial.

"Essa proposta dos empresári-

os não é sustentável porque

não inclui a participação das

comunidades nos aspectos da

preservação ambiental", ressal-

ta Vilmar bema.

Experiências - O professor

Viegas, por seu lado, assegura

que a preocupação é exatamen-

te a de não deixar de fora as

experiências e as culturas das

populações que habitam ao

longo do rio Paraíba do Sul.

"São inúmeras as entidades

que atuam em favor da região

e seus trabalhos devem ser to-

dos aproveitados". Viegas

aponta outro problema grave

na região, que é o

desmatamento. Como exem-

plo, mostra que na região ser-

rana foram desmaiados em mé-

dia 24 milhões de metros qua-

drados de Mata Atlântica nos

municípios de Petrópolis,

Teresópolis e Nova Friburgo.

Segundo Viegas, o vale tem

hoje um desenvolvimento

"capenga", apesar dos seus

57.000 km 2 de área e de seu

grande número de municípios

- 154 ao todo . Isso, segundo

ele, faz com que o eixo Rio-

São Paulo tenha seu desenvol-

vimento também comprometi-

do. O vale é responsável por

40% do PIB nacional, mas en-

quanto existem cidades com

economias expressivas, como

São José dos Campos, Taubaté

e Caçapava, em São Paulo,

Resende e Volta Redonda, no

Rio, e

Juiz de

Fora, em

Minas,

gravitam

em tomo

CSNé

campeã em

poluição na

região

delas dezenas

de cidades "mortas",

com índices de subdesenvolvimento

altíssimos.

O professor Viegas debita

esse subdesenvolvimento ao

despreparo cultural da maioria

dos prefeitos que são eleitos

para dirigir os destinos desses

municípios. "Os políticos não

se preparam tecnicamente para,

quando eleitos, terem condições

de propor projetos que

levem esses municípios ao desenvolvimento",

assinala

Viegas.

O projeto de recuperação

ambiental do vale do Paraíba

do Sul, do Ceivap, prevê recursos

da ordem US$ 522 milhões

(sendo parte oriunda de recursos

externos) para a primeira

etapa dos trabalhos, que consiste

em gerenciamento

ambiental, controle de poluição

de origem doméstica e industrial

e educação ambiental.

Existe uma perspectiva de se

tentar preservar o que sobrou

de mata atlântica nas antigas fazendas

de café.

Ecoturismo de Canela

A "1* Bienal de Ecoturismo de

Canela" terá sua teroeira etapa de 6 a

8 de novembro, na cidade gaúcha de

Canela-RS, no Hotel Laje de Pedra,

com a realização do Congresso de

Ecoturismo da Bienal de Canela O

evento é um projeto liderado pela

prefeitura municipal, com o objeti-

vo de colaborar com a institu-

cionalização e organização do seg-

mento de ecoturismo no país. Por esta

razão, o tema escolhido para a Bienal

é "Definindo Rumos". Nesse con-

gresso, as lideranças de todos os

subsegmentos que constituem o

ecoturismo no país terão oportuni-

dade de debater qualquer item rela-

cionado sobre o assunto com autori-

dades governamentais, além de po-

derem conhecer os modelos de de-

senvolvimento do ecoturismo em

outros países, através de apresenta-

ções feitas por especialistas convi-

dados. Mais informações e inscri-

ções: VJS Eventos, fone: (051) 335-

1933, fax:(051) 330-1134.

Educação ambiental e turismo

A Eoosus - Consultoria, Projetos e Serviços, é uma empresa que surge para

dar suporte às novas estratégias de desenvolvimento para o Brasil no setor de

Turismo e Meio Ambiente. Como uma de suas primeiras iniciativas, progra-

mou o 1° Curso de Educação Ambiental aplicada ao Turismo, que oootrerá

em Brasília, no periòdo de 20 a 22 de outubro, no Centro Cultural da ddade. O

objetivo é promover a consciência ambiental junto aos agentes sócio-econômi-

oos e potftkos que lidam com o turismo em gei^ e em espedal, os do Ecoturismo

e Turismo RuraL O curso será teorico-práfico, com método bráinstorm, com

uma duração de 20 horas, incluindo passeio-ecológico. O preço é de R$ 120,00.

Mais infomiações: teL: (061) 349-4756 e 348-7991.

Direito ambiental

A OAB/DF está promovendo o

1° Prêmio Dom Bosco de

Monografias em Direito

Ambiental. Um dos objetivos é es-

timular a curiosidade, a

conscientização e a educação jurídi-

co-ambiental através do estudo e da

pesquisa do Distrito Ambiental So-

mente será aceito trabalho inédito.

O Instituto de Economia

Associativa está lançando, entre os

dias 20 a 29 de outubro, dois cursos,

com apoio da Associação Tobias Ins-

tituto Biodinâmico, a serem realiza-

dos na Chácara Some - no Bairro

Demétria, em Botucam, SP. O primei-

ro acontecerá entre os dias 20 a 22 de

outubro, com o tema: Palmito - Solu-

ções e Perspectivas no Mango Raci-

onal O curso abordará, entre outros,

os seguintes itens: a estrutura ecoló-

Palmito e café

A festa da maçã

redigido em língua portuguesa e as-

sinado sob pseudônimo, com no mí-

nimo 30 laudas. As monografias e

documentos necessários deverão ser

entregues até o dia 22.10.1995, na

sede da OAB/DF, aos cuidados da

Comissão de Direito Ambiental

(SEPN 516, BI. B, 4 o andar, CEP

70760-525, Brasília-DF).

gica de florestas; as palmeiras nos seus

ecossistemas naturais; extração do pal-

mito. O segundo curso, a ser realiza-

do entre os dias 27 a 29 de outubro,

com o tema: Café Orgânico - Bases

de sua Produção, incluirá os itens: adu-

bação orgânica e regeneração da fer-

tilidade; fisiologia e nutrição equili-

brada do cafeeiro; entre outros, além

de visita a um cafezal orgânico. Mais

informações e inscrições pelo fone/

fax: (0149) 21-1739.

No mês em que Santa Catarina curte as suas Oktoberfestas, Fraiburgo, a

Capital Nacional da Maçã, situada no mejo-oeste do estado, vive a época da

fbrada macieiras. A partir deste ano, será realizada a Festa da Macieira em Flor

- Femaflor, oportunidade única em que os visitantes poderão contemplar o

maravilhoso espetáculo oferecido pela natureza, visitando os milhares de pés

de maçã formando verdadeiros jaitüns. Além disso, serão realizados diversos

eventos no Parque da Maçã, incluindo shows com alistas nacionais, culinária

tçica itaUarui e akmã, bem como uma grande variedade de doces e tortas feitos

à base de maçã e seus derivados.

A Festa da Maáeira em Flor acontecerá de 11 a 15 de outubro, em Fraiburgo.

Outras infomuções pdo fone: (048) 224-6300 - fax: (048) 222-1145.

Grande Sertão Veredas

A Funatura, ONG ambientalista,

com sede em Brasília e atuação em

todo território nacional está ofere-

cendo, com o apoio da Fundação O

Boticário de Proteção a Natureza, a

possibilidade de experiência e

vivência no Parque Nacional Gran-

de Sertão Veredas (Pama GSV) e seu

entorno, acompanhadas de rápida

capacitação em ações de proteção e

conscientização ambientais. Assim,

enquanto se vivência o viver e o

trabalhar em um parque nacio-

nal, é dada a chance de rápida

capacitação em questões relati-

vas aos parques e à proteção e à

conscientização ambientais. O

projeto iniciou-se em agosto e irá

até julho de 1996. Mais informa-

ções com Lourdes M. Ferreira,

pelos fones: (061) 274-5449 e

fax:(061) 274-5324.

-*wrtm*ji*i


1 6 Folha do Meio Ambíent

O 'congresso está prestes a tomar uma das mais importantes decisões de toda a

sua história: a aprovação das emendas do novo Estatuto das Micro e Pequenas

Empresas. Como brasileiro e, acima de tudo, como cidadão, você não pode ficar de

fora. Seja empresário ou não. Por isso, o Sebrae conta

com a sua presença nos debates que estará promovendo

em torno deste importante acontecimento. É hora de

milhares de brasileiros terem suas firmas reconhecidas.

E de a gente lutar por isso.

j

A Caminho de Um Novo Estatuto.

ESTATUTO

DA MICRO

E PEQUENA

EMPRESA

Brasília, outubro de 1995

SEBRAE

TÊM QUE SER AGORA.


Brasília, outubro de 1995 Folha do Meio Ambiente 17

REPRODUÇÃO

Baleia franca vem para o litoral brasileiro criar filhotes

OBbmddeSantaCatarínaéimidosloímpr^

pammarseusjUhotesbngecbmernoattíártm edospredadores

Use Torok

Outubro é o último mês para se obser-

var a baleia franca no litoral sul brasilei-

ro.

Berçário de uma das espécies mais

ameaçadas de extinção do planeta, o li-

toral de Santa Catarina é um dos locais

preferidos, em todo oceano Atlântico Sul,

da baleia franca para criar seus filhotes,

longe do inverno antártico.

Seu hábito de amamentar os filhotes

em águas rasas, chegando a 20 ou 30

metros da praia - para evitar predadores

(principalmente a orca), tomou-se a pre-

sa fácil dos baleeiros, a ponto de desapa-

recer da costa brasileira por alguns anos.

Atualmente, existem apenas cerca de

4.000 baleias francas em todos os ocea-

nos, sendo a perturbação nas áreas de re-

produção um dos fatores mais ameaça-

dores para a espécie, patrimônio mundi-

al em nossas águas.

Caçada - Todo lugar de nome "arma-

ção" no nosso litoral foi um matadouro

de baleias, desde o século 18. A baleia

franca (Eubalaena australis) tem seu

nome popular de-

As baleias

amamentam

os filhotes a

20 metros

das praias

vido à facilidade

com que era caça-

da, atividade que

seguiu

mdisaiminadamente

até o seu desapare-

cimento, na déca-

da de 70.

Protegida por

leis internacionais desde 1935 - que o

Brasil ignorou até 1987, quando, através

da lei federal 7.643, tomou criminosa a

caça, perseguição e molestamento inten-

cional de baleias e golfinhos - a baleia

franca hoje está de volta, sendo funda-

mental a tranqüilidade para criar seu fi-

lhote. Isso significa que um barco de

motor ligado tem que respeitar a distân-

cia de pelo menos 100 metros de uma

baleia.

Apesar das penas previstas por lei,

inúmeras embarcações tentam se aproxi-

mar das baleias, esperando um belo espe-

táculo. Há poucas semanas uma equipe

de televisão do SBT, quebrou a quilha da

sua embarcação na cabeça de uma baleia,

sob pretexto sensacionalista de tentar

desencalhá-la. Só que a baleia franca nun-

ca encalha, pois a aproximação da praia

é seu comportamento natural.

Maternidade - A baleia franca pode

chegar a 18 metros de comprimento e

pesar 40 toneladas. É identificada pelo

seu corpo negro, cauda larga e nadadei-

ras em forma de trapézio, "meio quadra-

das", pelo esguicho em forma de "v" bem

visível quando a baleia respira e, princi-

palmente, pelas "verrugas" na cabeça,

que variam de uma para outra, permitin-

do aos pesquisadores uma identificação

individual.

Vivem nos mares frios da Antártida,

Projeto Baleia Franca

Com corpo negro, e nadadeiras de trapézio, a baleia franca pode medir até 18 metros e pesar 40 toneladas

migrando no inverno para litorais mais

quentes no Atlântico Sul, onde vão ter

seus filhotes, que já nascem com 4,5

metros de comprimento. Aí permanecem

durante parte do período de

amamentação, retomando com os filho-

tes já crescidos, cobrindo uma distância

de mais de 3.000 km.

O período reprodutivo é de maio a

outubro, com maiores avistagens de ba-

leias com filhotes em agosto e setembro.

Pouco se conhece sobre seu comporta-

mento e hábitos reprodutivos, já que,

além do Sul do Brasil - especialmente a

costa de Santa Catarina - outros locais de

sua preferência são a Península Valdez,

na /argentina, e as ilhas Tristão de Ataíde,

na África do Sul, lugares que diferem na

linha da costa, temperatura e condições

oceanográficas.

Mas as observações mostram que exis-

te um link entre «6 populações

reprodutivas no Atlântico Sul - três ba-

leias identificadas com filhotes em Santa

Catarina foram vistas também na Argen-

tina.

Projeto - Durante quase 10 anos esse

gigante dócil e pacífico deixou de fre-

qüentar nossas águas, e julgou-se que

havia desaparecido, até que, em 1981/

82, foi criado um projeto para levanta-

mento inicial da população, com pesqui-

sa entre os pescadores, patrocinada pela

FBCN - Fundação Brasileira para a Con-

servação da Natureza e a Universidade

de Miami. A primeira baleia franca foi

vista novamente em 1982, no litoral de

Santa Catarina.

A partir daí começou o acompanha-

mento e a conscientização da população,

principalmente os pescadores. Além de

monitorar a população remanescente de

baleias francas no sul do Brasil e traba-

lhar na educação da população. O proje-

to Baleia Franca se propõe a cooperar

com órgãos governamentais no sentido

de garantir a aplicação da lei, visando

sua recuperação numérica e sobreviveu-

SUMMARY

An endangered sea giant, the

franca whale is breeding in the

Southern coast of Bradl, in the

monthsfrom March to October.

A project sponsored by The

Brazüian Foundation for Sature

Preservation and by the Miami

University was createdfor making an

iniüal survey ofthe whale populaüon,

and for making thefishermen aware

ofthe cares they must have in order

not to endanger the whales. A vast

material with information explains

these cares for thefishermen and for

the populaüon.

Almost extinet, they haveretumed

to our waters, presenting a

memorable showfor the ecotourists

who watchfrom the beach, as they

play with their babies 30 metersfrom

the sand.

cia da espécie a longo prazo.

Atualmente administrado pela

Coalisão Internacional da Vida Silvestre

IWC/Brasil, com apoio da Sociedade para

a Conservação das Baleias e Golfinhos

(WDCS), coordenado pelo ambientalista

José Truda, o projeto tem sede em

Florianópolis-SC e mantém um Catálo-

go Brasileiro de Foto-Identificação Indi-

vidual de Baleias Francas, com informa-

ções compartilhadas entre pesquisadores.

A equipe do projeto Baleia Franca

integra o grupo de trabalho especial de

mamíferos aquáticos, dentro do Ibama,

revisando a legislação de proteção de

mamíferos marinhos, com o objetivo de

aprimorar as normas quanto à observa-

ção por embarcações e propondo um pla-

no de ação nacional para a conservação e

pesquisa.

Através de material de divulgação -

livretos, cartazes e placas nas áreas de

maior freqüência - o projeto defende a

observação da baleia franca por terra (em

muitos casos ela chega mais perto da

praia do que a lei permite ao barco se

aproximar) e orienta a população a não

nadar perto de baleias com filhotes (são

muito brincalhões e podem ferir grave-

mente uma pessoa sem querer), não colo-

car redes de espera próximo à boca de

enseada, no período de reprodução das

baleias - as redes podem ser perdidas se

"atropeladas" por uma baleia adulta, e os

filhotes podem morrer afogados se pre-

sos nela, além de alertar para o perigo da

poluição do ambiente marinho.


Brasília, outubro de 1995

stamos investindo para que

filhos não conheçam este li

só nos livros de história.

J^


Brasília, outubro de 1995

?

/

DICAS E TRUQUES

0 que deve ser feito para não

"pagar mico" nas viagens

Márcia Turcato

A Folha do Meio sempre

traz uma interessante

novidade. Nesta edição,

a estréia de Dicas e Truques, um

espaço com muita orientação e

conselhos para você se preparar

na hora de arrumar a mala, ou a

mochila, escolher o roteiro da

sua viagem, definir a trilha do

trekking, sa-

ber o mconen-

to ideal para

se apresentar

no balcão de

check in, ou

entender

quais são os

procedimen-

tos corretos

para solicitar

passaporte.

Tudo isso,

para você agir

de modo exa-

to e não sair

por aí "pa-

gando mico".

rechaçar um presente, naquele

local, poderia custar-me sérios

aborrecimentos. É um exemplo

simples, mas ilustra com exati-

dão o problema. Outra atuação:

em festas religiosas budistas é

comum servirem um doce escu-

ro, que você juraria ser de cho-

colate, mas que é feito de feijão

com açúcar. Para o meu paladar

aproximam é passá-las nas mon-

tanhas. Uma indicação encanta-

dora para quem gosta de emo-

ção é o Parque Nacional da Ser-

ra dos Órgãos, que abrange os

municípios de Magé, Petrópolis

e Teresópolis. Para chegar ao

parque, a partir do Estado do

Rio, é necessário pegar a BR-

040, até Petrópolis e seguir na

direção de

Teresópolis

pela BR-116.

Para entrar no

parque, paga-

se uma taxa e

mais outra, no

caso de serem

realizadas tri-

lhas de uso ex-

tensivo em

seu interior.

Mais detalhes

sobre o valor

das taxais po-

dem ser obti-

dos com a ad-

ministração,

Em home-

fone (021)

Conhecer mecânica de veículos automotores é Indispensável.

nagem às mu-

742-0266.

lheres, que no mês de setembro

ocidental, com apenas centenas A área total do parque

realizaram em Pequim, China, a

de anos de cultura contra milê- ocupa 10 mil hectares e seu

nios do Oriente, ele é horrível.

Conferência Internacional pelos

sistema de drenagem é muito

Tenha cuidado com o que é ser-

Direitos da Mulher, convocada

rico com vários rios descenpelas

Nações Unidas (ONU), tenvido

em festas populares estran- do céleres as montanhas.

do como perspectiva para a prógeiras.

Muitas delas atingem mais

xima década a Igualdade, o De-

A aventureira européia de 2 mil metros de altura.

senvolvimento e a Paz, começa-

Mechthild Hom reconhece, com Essas duas características

mos com dicas paia mulheres em

humildade, a mancada que deu bastam para conferir ao local

viagem solitária.

em país muçulmano e a descre- mudanças bruscas de tempe-

Mulher só • Para realizar uma

ve no livro Manual do Aventu- ratura. Previna-se, não é por

viagem solitária, mais que corareiro

- Técnicas de Sobrevivên- você estar no Rio de Janeiro

gem são necessários inteligência,

vendido nas livrarias do que irá visitar o parque levancia

e reflexos apurados. A pri-

Brasil em idioma espanhol. Ela do apenas sungas e shorts.

meira coisa a fazer é ler tudo o

conta que havia alugado uma Não queira passar frio lá em

que estiver disponível sobre o

bicicleta para conhecer a região cima, nem "pagar mico". A

lugar a ser visitado. Caso a viaquando

foi cercada por um gru- temperatura pode descer a

gem seja realipo

de adolescentes extremamenzero

grau e

zada de carro

te hostis. De longe, os adultos -

É preciso

ou de biciclehomens

e mulheres - observavam Montanhas uma crise de

hipotermia -

ta, é indispen- conhecer sem nada fazer. Foi quando ela do Rio são queda da

sável conhecer o lugar a percebeu que estava com o ros- opções temperatura

mecânica de

to descoberto e sem um acomser

veículos

panhante masculino, uma atitu- para suas corporal

pode levar a

automotores, visitado de encarada como sendo de pro- férias óbito. Porsaber

trocar

vocação. Mechethild entendeu,

tanto, leve

pneus e remendar o da bicicleta.

nesta situação específica, que um bom agasalho e um abri-

Uma boa caixa de ferramentas é

uma mulher independente não go do tipo "corta-vento",

a melhor amiga para esses mocausa

admiração e sim despre- além de saco de dormir apromentos.

zo. "Nenhuma nativa moveria priado para baixas tempera-

Conhecendo a cultura do

um só dedo para me ajudar", turas, assentado sobre um

lugar escolhido, muitos erros

constatou. Com o inesperado isolante térmico - matela.

podem ser evitados. Lembro

surgimento de um grupo de tu- Dois tipos de kits também são

muito bem do dia em que comi

ristas, a aventureira desavisada indispensáveis: um contendo

um naco de carne de macaco, em

pode escapar ilesa.

a alimentação certa e em

uma tribo indígena do médio

Verão na montanha - O Esquantidades

adequadas para

Amazonas - tukanos. Sou herbítado

do Rio de Janeiro não é si- o consumo e um com itens de

vora, como o foram os

nônimo de praia. Lá também

primeiros-socorros. Na próxidinossauros,

mas a prudência e

existem serras e uma boa opção ma edição, daremos detalhes

a leitura ensinavam que

para as férias de verão que se sobre esses dois kits de extrema

necessidade.

Folha do Meio Ambiente 19

FILATELIA

ECOLOGIA

LAIS SCUOTTO

O pequeno ser que encanta

Vive num mundo encantado, povoado de sonhos mesclados

de realidade e fantasia A criança brinca, pergunta, questiona e dá

aos adultos e ao mundo, o que de mais verdadeiro cultiva em seu

interior - a criatividade espontânea, que brota de sua natureza

aventureira, curiosa e essencialmente inovadora.

Vamos apostar na criatividade e espontaneidade da criança,

propondo-lhe o que, no mundo dos adultos, consideramos um

passatempo interessante e cultural, ou, ainda, um investimento - o

colecionismo de selos postais. É só fazer um teste para perceber

olhinhos brilhantes e mãozinhas agitadas

ante a possibilidade de uma fascinante vi- 3raSJÍ 76

agem, que não cansa e nem decepciona.

Uma viagem mágica, com poucas bruxas e

uma legião de fadas.

É isto mesmo. Sobre um verdadeiro ta-

pete mágico, tão pequeno, mas tão aventu-1

reiro quanto o selo postal, a criança vai

sendo levada para um mundo que nem sem-1

pre poderá na verdade conhecer realmen-

te. Ha decola de seu álbum, no chão de seu

quarto, e não mais se detém nessa viagem

fantástica. Visita continentes em que pro-

vavelmente jamais conseguirá pôr os pés.

Conhece países tão diferentes quanto um

selo pode ser de outro. Conhece personali-

dades de outra épocas, toma um primeiro

contato com eventos e realizações futuras.

Aproxima-se de animais mitológicos e de

exemplares da fauna e flora que jamais cru-

zarão seu caminho real. É uma viagem ao

passado e ao futuro, em ambos os sentidos.

Com o selo, a criança aprende as virtu-

des humanas, como a dedicação, a organi-

zação, o raciocínio e a pesquisa, além de

conhecimentos culturais diversos. E tudo

isso lhe acontece sem que ela perceba que

está, devagar, aumentando seus conheci-

mentos e fortalecendo sua personalidade.

Os Correios, empenhados na divulga-

ção cultural e no compromisso de oferecer

ao seu pequeno cliente temas que atendam

a sua natureza, já emitiram selos especial-

mente dedicados à criança e seu maravi-

lhoso mundo encantado. Nesse contexto,

ressaltamos a emissão do Dia do Selo (1°

de agosto de 1976), onde o selo confunde-

se com um tapete mágico, sobre o qual as

crianças viajam e descobrem novos e fas-

cinantes mundos.

Outro emissão de selos que merece ser

destacada é a do Ano Internacional da Cri-

ança (12 de outubro de 1979), composta

de quatro selos focalizando o boneco de

pau, a boneca de pano, o pião e a peteca

que, além de seu caráter artesanal, possu-

em ampla difusão no meio infantil. Afinal,

no mundo encantado da criança, os brin-

quedos ocupam espaço especial.

Também a turma da Mônica já contou

«ME WWÜÜWi

através dos selos postais a interessante história da criação dos

selos olhos-de-boi. Basta conhecer os selos emitidos em I o de

agosto de 1993, que assinalaram os 150 anos dos primeiros selos

postais brasileiros.

Resultado do 9 o Desafio; qual o nome da mata cuja preser-

vação foi alvo de emissão postal em 1992, por ocasião da ECO

92?

Resposta: Mata Atlântica

Vamos agora ao 10° e último Desafio Filatélico: quais as histó-

rias focalizadas em selos postais, em 1994, por ocaisão do cen-

tenário do 1° Livro Infantil no Brasil?

Dica: compõem a publicação Contos da Carochinha.


Brasília, outubro de 1995

Folha do Meio Ambiente 20

EVOLUÇÃO

Posto ecológico traz prêmio à BR

A BR introduziu o conceito de posto ecológicoy no ano passado,

com o Auto-Posto Pompéia, localizado na avenida Marginal Tietê

A Petrobras Distribuidora - BR acaba de

darmaisumpasso pioneiro em direção à defesa

do meio ambiente com a inauguração do Posto

Ecológico de Campos do Jordão, o que, somado

a outros trabalhos anteriores, valeu à companhia

o prêmio Top de Ecologia 95, da ADVB -

Associação de Dirigentes de Vendas e

Marketing do Brasil - pela primeira vez

concedido aumadistribuidora de combustíveis.

O posto, que é o segundo da BR construído

deforma aoferecer proteção ambiental máxima

através de tecnologias inovadoras e

equipamentos especiais, destaca-se também

pelo projeto arquitetônico, que procurou

respeitar o estilo de construção predominante

na região, sem perda: a identidade visual dos

postos da rede.

Componentes ecológicos - A BR

introduziu o conceito de Posto Ecológico, no

ano passado, na capital de São Paulo, com o

Auto-Posto Pompéia, localizado na Marginal

Tietê. Os equipamentos e o projeto utilizados

em Campos de Jordão obedecem, em parte, à

mesma tecnologia de ponta, só que, em sua

maioria, foram nacionalizados. Entre os

componentes ecológicos do novo posto,

incluem-se tanques de parede dupla de aço

carbono, mangueiras duplas flexíveis em

material de polietileno de alta resistência (Pead),

caixas de contenção de vazamento - sobre as

bocas de visitas dos tanques, das bombas e

para descarga de combustível - e um sistema

completo de monitoramento, que abrange

sensores para detectação da presença de água,

gás ou outros produtos nas caixas de contenção

sobre os tanques, bombas e poços de

Posto Ecológico da BR de Campos do Jordão

monitoramento instalados no terreno.

O projeto do Posto Ecológico de Campos

do Jordão foi totalmente desenvolvido pela área

técnica da Gerência de Automotivos da BR,

que, já há algum tempo, trabalha em cima de

pesquisas voltadas à proteção do meio

ambiente. A experiência da BR com os dois

postos foi particularmente complexa, àmedida

que, em ambos os casos, a localização exigia

Divulgação

cuidados redobrados: na capital paulista, por

conta do rio Tietê, onde os índices altíssimos

de poluição há muito preocupavam as

autoridades e, em Campos do Jordão, por se

tratar de área de proteção de mananciais.

Em relação a essa cidade - situada no eixo

Rio-São Paulo -, a preocupação da BR foi

intensificada tendo em vista o forte apelo

turístico da região, famosa pela excelência do

O Ambiente Certo Para

A Sua Reserva.

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uma reserva: NAOUM PLAZA HOTEL Confirme logo a sua e venha viver o

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seu clima e pela exuberância de sua vegetação.

O posto, que segue o estilo germânico no

telhado inclinado com sacadas, apresenta outros

detalhes que o diferenciam dos demais e

evidenciam a atenção da equipe da BR com a

integração do projeto à paisagem e arquitetura

locais.

O "totem" do posto, por exemplo, sustenta-

se em troncos de eucalipto, madeira escolhida

pela possibilidade de plantação desta árvore em

escala industrial; uma pracinha com quiosques,

viveiros de pássaros e uma bucólica ponte em

madeira completam o ambiente, enquanto o

revestimento do piso apresenta casulos de

concreto com grama que permitem a

permeabilidade do solo em quase toda a área

pavimentada do terreno.

A premlação - O Top de Ecologia 95 foi

um reconhecimento ao esforço desenvolvido

pela BR nessa área. Na solenidade de entrega

do prêmio, realizada no Palladium Shopping

Eldorado, no dia 10 de outubro, com a presença

de cerca de 1000 pessoas, a BR teve

oportunidade de mostrar seu trabalho no filme

"A Ecologia Posta a Serviço do Consumidor -

Postos Ecológicos", anunciando, na ocasião,

os planos da companhia de, em 96, ter um Posto

Ecológico em cada região do Brasil.

Criado há três anos pela ADVB -

associação com 39 anos de existência -, o Top

de Ecologia visa a premiar empresas que

apresentem fatos concretos e decisivos de

equilíbrio de progresso com a proteção do meio

ambiente. O vice-presidente da BR, Djalmade

Moraes, prestigiou a premlação, ao lado do

gerente de Automotivos, Antônio Rubens.

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Brasília, outubro de 1995

Após 187 anos de exis-

tência, que se mescla, em

muitos momentos, com a

própria História do Brasil,

e com um acervo conside-

rado único em toda Améri-

ca Latina, o Jardim Botâni-

co do Rio deverá, finalmen-

te, transformar-se em Fun-

dação Pública. O projeto

que demonstra a sintonia en-

tre o Ministério do Meio

Preocupado com a

poluição existente na Ba-

cia Hidrográfica do

Jequitinhonha, em Minas

Gerais, o auxiliar admi-

nistrativo do Centro de

Assessoria aos Movi-

mentos Populares do

Vale de Jequitinhonha -

Campo-Vale, Lyndon

Célio de Aguiar Vieira,

organizou o Projeto

"Conhecendo a Cultura e

Jardim Botânico

Ambiente, dos Recursos

Hídricos e da Amazônia Le-

gal, do Ibama, da instituição,

da comunidade científica e da

opinião pública em geral, de-

pende agora da apreciação do

ministro do Meio Ambiente,

Gustavo Krause, nos próxi-

mos dias. Com essa medida,

o Jardim Botânico terá alguns

benefícios, como:

• exercer de forma

Poluição

o Ecossistema na Bacia

Hidrográfica do Jequiti-

nhonha." O projeto tem

tomo objetivo registrar e

denunciar os maus tratos

sofridos pelo rio, como

também mostrar a riqueza

de seus recursos naturais

além de retratar a díficil re-

alidade vivida pela popu-

lação local devido à polui-

ção existente atualmente

no rio de Jequitinhonha.

mais integrada seu papel

fundamental nos esforços

mundiais para deter a

extinção de espécies;

• promover a conser-

vação, a classificação, a

avaliação e a utilização

sustentável do patrimônio

genético vegetal;

• ser um pólo

irradiador de educação

ambiental, entre outros.

Com isso, o organizador

do projeto espera chamar

a atenção da sociedade, de

entidades ambientalistas e

do governo, procurando

recursos e incentivos para

poder executar esse impor-

tante projeto, que visa a

sobrevivência da bacia do

rio Jequitinhonha. Mais

informações contatar com

Lyndon Vieira, pelo fone/

fax:(033)764-1119.

A volta ao mundo, levando

mensagens ecológicas era sonho

antigo de Dennis Õrcn, que

obteve apoio da Globe Tree,

uma entidade sueca. No último

dia S de junho, dia mundial do

meio ambiente, saiu da Suécia,

num antigo veleiro que levou

dez anos para reformar. Sua

única parada foi em Nova

Preocupada com o desti-

no do lixo domiciliar e indus-

trial a Associação Brasileira de

Empresas de Limpeza Públi-

ca (Abrelp) pesquisa e divul-

ga soluções encontradas por

outros países para a destinação

desses lixos. Um dos mais efi-

cientes modelos analisados

pela entidade é a Política Di-

namarquesa para o Lixo.

Na Dinamarca, os muni-

cípios têm o dever de efetuar

levantamentos sobre o lixo

local e implementar planos

para a coletae disposição ade-

Navegador ecológico

lorque, onde recebeu centenas

de garrafas do mundo todo, com

mensagens ecológicas. Seu

compromisso é lançá-las ao

mar, na expectativa de que elas

abram contato com quem as

receba, num outro canto do

planeta. As garrafas preparadas

pela AIPA - Associação Ituana

de Proteção Ambiental, trazem

Lixo

quadas. Os estados devem lo-

calizar os acúmulos e locais

de aterro e providenciar a re-

cuperação do solo contamina-

do. As organizações industri-

ais se responsabilizam pelos

poluentes resultantes de seus

produtos, como o níquel das

baterias epneus, por exemplo.

A postura da Dinamarca é

proteger a natureza de forma

que o meio ambiente se mante-

nhaembases sustentáveis, com

respeito às condições de vida

humana e à preservação da

fauna e da flora.

Folha do Meio Ambiente Z I

mensagem extra,

incentivando a resposta de

quem recebê-las. O endereço

eletrônico do viajante

ecológico http:/

www.sunet.se/skolnet/

projekt/bluewave/

bluewave.html. Mais

infomiftçoes: tel.: 481.5320/

887.2423 r. 28 - fax.: 884483.

No Brasil, um dos en-

traves para a implantação do

processo está no custo, po-

rém a Dinamarca mostra

que, amédio prazo eem gran-

de escala, os valores são re-

duzidos. Somando-se todos

os benefícios ambientais e

sociais, é possível até falar

em lucro. Para incentivar o

processo, o governo dina-

marquês cobra tax as diferen-

ciadas para o lixo deposita-

do em aterros e incinerados

e nada é cobrado para o des-

tinado ao reaproveitamento.

JL

VAMOS PRESERVAR O DESCOBERTO

ANTES QUE SEJA TARDE.

A água do Descoberto abastece cidades com um

milhão de habitantes. É a água que você usa, que

sua família bebe. Para garantir a qualidade desta

água, além do tratamento, a Caesb e a Sematec

estão realizando a operação S.O.S. Descoberto.

Hoje, aquela região está ameaçada por vários

problemas: invasões, lixo, agrotóxicos e a criação

intensiva de gado, porcos e aves. Antes que seja

tarde é preciso preservar toda a Bacia onde nasce

cada córrego e rio que abastece a represa do

^ caesb SEMATEC

S.QS.

DESCOBERTO

ANTES QUE SEJA TARDE

^5

^ ?

s

Descoberto. As margens do lago já estão sendo

reflorestadas formando um grande cinturão verde de

proteção ambiental. Preservar, hoje, custa mais

barato. Recuperar, amanhã, custa caro e é o usuário

que pagará a conta. A Caesb e a Sematec estão

fazendo a sua parte. Ajude a preservar. Brasília

precisa de água e a Bacia do Descoberto precisa de

você. Toda sugestão, indagação, crítica ou denúncia

deve ser enviada à Caixa Postal 08635

Cep 70300-904 Brasília/DF.

BRASluA DE TODOS NÔS


2.2. Folha do Meio Ambiente

PONTO DE VISTA

Os rios clamai

por socorro

Albert Bartolomeu de Sousa Rosa

Na lei do salve-se quem pu-

der, os habitantes dos rios estão

perdendo o jogo pela vida. E rio

sem peixes toma-se, também,

sem vida. Os rios estão morren-

do graças ao despreparo da hu-

manidade para viver em harmo-

nia com a natureza. Com o ar-

gumento de que se busca o "pro-

gresso", o homem, na verdade,

está usando mau hoje e compro-

metendo o amanhã. O

desmatamento ciliar, as polui-

ções industrial e doméstica, o

uso indiscriminado de

agrotóxicos e o garimpo, den-

tre outros impactos ambientais,

estão degradando os

ecossistemas aquáticos brasilei-

ros.

Barragens artificiais alteram

o regime dos rios, impedem a

migração reprodutiva dos pei-

xes e inviabilizam as trocas anu-

ais de ovos e larvas por peixes

jovens entre os rios e as lagoas

marginais, verdadeiros

criadouros naturais e grandes

responsáveis pela reposição de

peixes dos rios; a pesca preda-

tória, que ocorre principalmen-

te nas lagoas marginais, dízima

populações de peixes e impede

a própria sobrevivência dos pes-

cadores artesanais, estimadas

em quase 80 mil atuando nas

águas interiores do país.

É preciso que os governos

federal, estaduais e municipais

e a população em geral lutem

por esses importantes

ecossistemas. Todo esforço

deve ser empreendido para pro-

teger o que sobrou dos rios e,

particularmente, de suas lagoas

marginais. Elas devem ser con-

sideradas, indistintamente,

"santuários ecológicos", ambi-

entes intocáveis, estando ou não

em áreas públicas. Que a Lei n"

S. 197 e as portarias federais, que

dispõem sobre a proteção à

fauna e sobre a pesca, sejam

aperfeiçoadas, caracterizando as

lagoas marginais dos rios como

áreas de preservação permanen-

te onde seriam proibidas as pes-

cas profissional e amadora, com

qualquer tipo de instrumento de

captura.

É imprescindível que o

Ibama, em nível federal e as

Polícias Florestais, nos estados,

intensifiquem a fiscalização,

impedindo a pesca predatória

que ocorre especialmente nas

lagoas marginais. Nelas, os pei-

xes são capturados com menos

de 10% de seu peso normal sem

que lhes sejam permitido atin-

gir a fase adulta, quando estari-

am em condições de se repro-

duzirem e perpetuarem a espé-

cie. Esses peixes estão sendo

comercializados livremente em

feiras das cidades ribeirinhas,

sem nenhuma fiscalização pelo

poder público, provocando não

só a morte dos rios, mas a eli-

minação da própria condição de

sobrevivência das comunidades

de pescadores artesanais. Esse

processo está induzindo o desa-

parecimento de várias espécies

de peixes e reduzindo o peso

médio e a produção do pesca-

do, que em muitas regiões ribei-

rinhas é a única fonte de prote-

ína animal para populações ca-

rentes.

Devem ser retomados os le-

vantamentos estatísticos sobre a

SUMMARY

Rivers are dying due to

the extinction of cilliar

forests, to the industrial and

domestic pollution, to the

widespread use of

agricultural insecticides

and to mining activities.

Dams have modified tiver

regimes, blocking fish

migrationjbr reproduction,

making impossible the

annwã exchange ofeggsfbr

youngfish anumg rivers and

marginal lakes, actually

natural hatcheries and

greatly responsible for the

reposition of fish in the

rivers. Predatory fishing in

rivers and marginal lakes

impedes the survivaí of the

fishermen, estimated in

almost 180 thousand,

fishing in the interior waters

in the Country, andwho are

migratingjbr theperiphery

of the cities, due to the

reduction in fishing

production. The fish is the

solesource cfanimal protein

for the poor population in

many regions bordering the

rivers.

pesca artesanal, que deixaram

de ser realizados no Brasil des-

de o início da década de 80 por

decisão do governo federal. A

falta de informações confiáveis

vem dificultando a visualização

da gravidade do problema soci-

al ocasionado pelo avanço da

industrialização e da pesca pre-

datória sobre os rios, que está

provocando a redução acentua-

da de famílias que dependem da

captura do pescado e que estão

saindo das áreas ribeirinhas para

as periferias das cidades.

Concessionárias de hidrelé-

tricas deveriam viabilizar es-

tudos que visassem a realização

de descargas d'água programa-

das dos grandes reservatórios no

período das enchentes, de for-

ma a poder proporcionar o trans-

bordamento dos rios em trechos

com incidência de lagoas mar-

ginais, permitindo, assim, a pas-

sagem de peixes jovens para os

rios e a entrada de novos ovos e

larvas para aqueles berçários

naturais.

Devem ser estimulados es-

tudos sobre rios, lagoas margi-

nais e grandes barragens, visan-

do a obtenção de conhecimento

sobre formas adequadas de

abordagem desses importantes

ecossistemas aquáticos, a exem-

plo do Projeto Inventário da

Lagoas Marginais do Rio São

Francisco, que está sendo exe-

cutado pela Codevasf e UFMG,

com apoio financeiro do Banco

Mundial.

É necessário, portanto, que

se proteja as lagoas marginais,

que se combata a pesca pre-

datória, que se retome o acom-

panhamento socioeconômico

da pesca artesanal, que se re-

alize trabalhos de cons-

cientização ecológica da po-

pulação e que se incentivem

os investimentos em pesquisas

e em capacitação de técnicos,

de forma que, enquanto é tem-

po, se promova uma explora-

ção sustentável das riquezas

naturais ainda disponíveis no

Brasil.

* Engenheiro de pesca,

M.Sc. em Aquicultura e técni-

co da Codevasf

■;., . ■ : ■:■■■■."■ í;:: ; ] ; V- : -

Brasília, outubro de 1995

GENTE DO MEIO

SILVESTRE GORGULHO

ÂNGELO

MACHADO

Um

ecologista

com base

científica

sóiida

Na paixão pelos pequenos animais, na profundidade de sua

imensa base cientifica e na simplicidade de uma vida dedicada

ao conhecimento da natureza e na formação acadêmica de toda

uma geração de alunos, está o professor Ângelo Barbosa Monteiro

Machado.

Ângelo Machado nasceu em Belo Horizonte em 1934, fez

graduação e doutorado em medicina pela UFMG, e pós-doutora-

do na Northwestern University, em Chicago-USA & casado e

tem quatro filhos. Sempre ligado à pesquisa, foi o responsável

pela instalação da microscopia eletrônica no Instituto de Ciênci-

as Biológicas da Universidade, e como professor da Escola de

Medicina, participou, de maneira notável, dos colegiados de His-

tória Natural, Psicologia, Morfologia, Patologia, Anatomia,

Entomologia, Ecologia e Conservação e Manejo de Vida Silves-

tre. Aposentou-se, mas voltou como professor adjunto de zoolo-

gia na mesma Universidade.

Ângelo Machado é um ecologista atípico porque tem base

científica sólida, não é afoito e nem de ocasião. Sempre esteve

trabalhando em prol do conhecimento da natureza, antes do as-

sunto entrar na moda. Depois da reunião de Estocolmo, em 1972,

foi um dos acadêmicos que, por intermédio dos estudos que con-

duzia e sempre publicava, deu suporte e garantiram a mudança

de posição do Brasil em relação à temática do meio ambiente e

do desenvolvimento. Como consultor, membro de conselhos edi-

toriais e conferencista o professor Ângelo Machado viajou pelo

Brasil e exterior, proferindo palestras, participando de mais de

50 congressos científicos, de 11 expedições científicas para cole-

ta de material zoológico, sendo oito dessas, na região Amazôni-

ca.

Querido de seus alunos, foi sempre lembrado como paraninfo,

patrono ou homenageado especial dos formandos de Medicina,

Psicologia, Ciências Biológicas, Farmácia, Bioquímica ou Odon-

tologia. Também foi homenageado por diversos pesquisadores

na descrição de espécies novas de libélulas, borboletas, formi-

gas, percevejos, besouros, pemilongos e até duas variedades de

pererecas, a Amphibia alientia. Sua curiosidade em relação aos

pequenos animais vem de sua infância, influenciado por seu pai.

Virou uma paixão. Seu trabalho não coube mais nos limiteis da

academia e junto com alguns amigos, criou a Fundação

Biodiversitas, ONG dedicada à conservação da natureza.

Em seu primeiro trabalho de campo, em uma fezenda de proprieda-

de pmada, a no\^ entidade estudou, planejou e fez funcionar a primei-

ra Reserva Particular de Patrimônio Natural, conceito novo que ensejou

ao Ibama a regulamentação de mais essa unidade de conservação. Den-

tre as mais de 150 publicações que resultaram de seu trabalho intelectu-

ai, ressaltam-se: a literatura infantil de "O menino e o rio", adaptado

para oteatro em 1992, a aventura Amazônica de "O velho e amonta-

nha" e a mensagem de educação ambiental em "A barba do velho da

barba" e"Qiapeuzinho vermelho e o lobo-guará".

Por sua vida dedicada ao estudo eà pesquisa, por seu estilo silenci-

oso e insistente, por sua participação em diversas entidades científicas e

conseivacionistas, por seu incansável trabalho de retaguarda, oferecen-

do os subsídios acadêmicos de que tanto carecem os ecologistas mili-

tantes, o professor Ângelo Machado é Gente do Meio e, por justiça

tPfriie a hometwpem da erniine. da Folha (In Mrin A mhipntp.


Brasília, outubro do 1995 Folha do Meio Ambiente 23

Os solos

Os solos são continuamente produ-

zidos de rochas, por forças físicas, que

as desgastam e pelas atividades de mi-

lhares de animais e plantas, muitos de-

les microscópicos. Esses organismos aju-

dam a triturar a rocha e a adicionar a ela

matéria orgânica. A velocidade de gera-

ção de solo, entretanto, é, em geral ex-

tremamente baixa - da ordem de uns pou-

cos centímetros por milhar de anos. Além

do mais, os solos não são apenas rocha

pulverizada, mas ecossistemas enorme-

mente complexos em si. Sua fertilidade

vem largamente da atividade de organis-

mos desprezados tais como bactérias,

fungos, minhocas e ácaros, todos ocu-

pando posições e realizando atividades

específicas que se encaixam perfeitamen-

te nos solos em que são encontrados.

A diversidade de organismos numa

pequena amostra de solo é verdadeira-

mente assombrosa. Por exemplo, em

meio metro quadrado de um solo de pasto

da Dinamarca, umas 45 mil minhocas,

10 milhões de anelídeos (vermes de se-

ção arredondada) e 48 mil minúsculos

insetos e ácaros foram encontrados. Um

grama de fértil solo agricultável mostrou

possuir mais de 30 mil organismos

unicelulares, 50 mil algas, 400 mil fun-

gos e mais de 2,5 bilhões de bactérias.

Clarões subaquáticos

Costumamos pensar que nas

profundezas do oceano reina uma escu-

ridão absoluta, e esta é realmente a re-

gra geral. Acontece que muitas criaturas

que vivem em tais profundezas, normal-

mente de 300 metros para baixo, são ca-

pazes de gerar luz através de mecanis-

mos ainda não muito bem entendidos

pela ciência.

Na verdade, a maioria das criaturas

que vivem a esta profundidade é capaz

de gerar luz e efetivamente o faz. Nessa

área, a estratégia de sobrevivência é man-

ter-se imóvel, porque o mínimo movi-

mento pode acionar os mecanismos

sensores dos animais predadores e con-

seqüentemente, ser fatal. Mas um cien-

tista descobriu um fenômeno muito in-

teressante e totalmente imprevisto até en-

tão. Valendo-se de um minisubmarino

que pode facilmente alcançar tais pro-

fundidades, ele descobriu que muitas cri-

aturas dessa região começam a emitir luz

centésimos de segundo após qualquer

distúrbio mecânico (toque, vibrações) ou

visual (luz). Esse fenômeno não aconte-

ce necessariamente todas as vezes que o

submarino está se movendo, mas, às ve-

zes, ao esbarrar em alguma criatura, esta,

subitamente, começa a emitir luz. As

outras criaturas sensíveis à luz que estão

por perto, provavelmente assustadas com

o repentino clarão perto delas, acendem

também suas luzes, por sua vez assus-

tando outras que se acendem e assim su-

cessivamente.

Somado a isso, os predadores que es-

tão por perto rapidamente se movem em

direção à primeira luz que vêem, geran-

do mais movimento. O resultado é como

se fosse um relâmpago subaquático em

profundidades onde a escuridão é total

24 horas por dia.

CIENTIFICAS

Aloxandros L. Goorgopoulos

O ctesmatamonto contribui para dizimar populações de certas espécies

Os insetos são para. sempre

Qualquer um que já tenha dividido seu apartamento com baratas já suspeitou dis-

so, mas agora é oficial. Após vasculharem a literatura fóssil, dois pesquisadores con-

cluíram que no nível das famílias (uma classificação dos seres vivos) os insetos conse-

guiram sobreviver muito mais facilmente a catástrofes planetárias que exterminaram

criaturas mais frágeis - como os dinossauros. Devido à sua baixa taxa de extinção,

existem linhagens de insetos que já duram por muito tempo, aproximando-se de 100

milhões de anos na maioria dos casos. Essa durabilidade das famílias parece ser a

chave para explicar por que os insetos são tão numerosos e variados hoje em dia.

Observados por qualquer ponto de vista, os insetos são fenomenalmente bem suce-

didos. Eles foram os primeiros animais a invadir a tetra e, mais tarde, o ar. É o grupo

mais diverso também: as estimativas indicam que pelo menos 876 mil espécies de

insetos já foram identificadas, e os entomologistas acreditam que seu número total

seria de vários milhões. Por comparação, os taxonomistas conhecem apenas 4 mil

espécies de mamíferos. De acordo com Douglas Futuyama, especialista em evolução

de insetos da Universidade do Estado de Nova York, o sucesso dos insetos deve ser

atribuído ao seu excepcional talento para se tomarem novas espécies.

Esperança para o canal

A morte de um dente é uma experiên-

cia muito familiar. Quando a deterioração

ou um acidente (rachadura, pancada) faz

um furo nas duras e mineralizadas cama-

das de esmalte e dentina, a polpa exposta,

onde existem muitos vasos sangüíneos e

nervos delicadamente sensíveis, pode fi-

car infectada. Os dentes com abcessos

muito infeccionados, ainda além da capa-

cidade de cura da medicina, têm que ser

arrancados. Mas se a polpa nua é tratada

antes que a infecção se tome severa, a me-

dicina tradicional pode salvar o dente. Re-

tirar a polpa da raiz do dente e substituí-la

com guta-percha ou algo similar mata o

dente, mas preserva sua função (só nos Es-

tados Unidos este procedimento foi efetu-

ado 13 milhões de vezes em 1991).

Pesquisas da companhia Creative Bio

Molecules levaram à descoberta de um

produto que, se funcionai; fará muitas pes-

soas sorrirem. A companhia agora está

testando em seres humanos o produto que

parece recuperar dentes fadados ao trata-

mento de canal em macacos. O tratamen-

to usa uma versão refinada da proteína

osteogênica (que forma ossos) humana, a

OP-1. As pesquisas em animais mostra-

ram que quando aplicada em ossos que-

brados a OP-1 estimula seu crescimento.

Foi feito o seguinte experimento: fo-

ram perfurados profundamente 30 dentes

de cinco macacos e depois preenchidos

estes furos com colágeno de osso bovino,

hidróxido de cálcio e o refinamento da OP-

1 em quantidades variadas, e depois fo-

ram fechados os buracos. Após de seis

semanas, os pesquisadores abriram nova-

mente os finos nos dentes dos macacos e

descobriram que em todos os que haviam

sido preenchidos com a OP-1 refinada

novas camadas de dentina - grossas o bas-

tante para proteger a polpa de infecções -

cresceram. A estimativa é de que entre

20% e 25% dos tratamentos convencio-

nais de canal poderão ser substituídos por

esse novo método menos invasivo, me-

nos caro e, melhor de tudo, menos dolori-

do.

Volume e frio

Por que será que as pessoas mais pe-

sadas sentem menos frio? A explicação

é simples e tem a ver com as fórmulas

do volume e a da superfície dos corpos.

Sabemos que perdemos calor pela

superfície dos nossos corpos e que o ca-

lor está contido no seu volume. Deduz-

se então que, de modo a perdermos me-

nos calor, o ideal é ter mais volume e

menos superfície. Para simplificar os

cálculos, peguemos as fórmulas da su-

perfície da esfera que é 1/2 (o número pi

vezes o raio da esfera elevado ao qua-

drado) e do volume da esfera que é 1/3

(o número pi vezes o raio da esfera ele-

vado ao cubo). Se tivermos uma esfera

com 10 cm de raio e assumirmos o valor

de I como 3,1416 teremos uma superfí-

cie de 0.09869 m 2 e um volume de 0.031

metros cúbicos. Já se a esfera for de 1

metro de raio, os novos valores serão:

superfície = 3,1416 m 2 e volume =

3.1416. Note-se que temos o mesmo va-

lor numérico para ambos superfície e

volume. Para não restar mais dúvidas,

façamos o cálculo com uma esfera de 2

metros de raio. Teremos: superfície =

12.5664 e volume = 39.4786. Já dá para

notar que o aumento do volume em rela-

ção ao raio é realmente muito discrepante

e significa que quanto maior o volume,

relativamente menor a superfície. Por

isso, as pessoas mais pesadas têm mais

calor guardado em si (volume) e menos

lugar para dissipar ou perder este calor

(superfície).

Ecossistemas

Os ecossistemas naturais controlam a

vasta maioria das pragas potenciais de

plantas e os transmissores de doenças

humanas. Os seres humanos

freqüentemente tentam exercer controle

também, mas os resultados normalmente

são falhos. Quando as tentativas de

controlar as pragas falham, isto

normalmente é devido ao mal

entendimento de como os ecossistemas

trabalham.

Em 1949, por exemplo, os plantadores

de algodão do vale Caete, no Peru,

pensaram que o DDT era a reposta às suas

preces. Um pouco de DDT aplicado nos

seus campos foi bem sucedido no controle

de várias pragas importantes do algodão.

Os fazendeiros naturalmente pensaram

que se um pouco de DDT fez algum bem,

muito DDT faria muito bem. Então

pulverizaram mais e mais DDT e outros

inseticidas e os resultados, aí pelo meio

de 1950, foi um total desastre. As

plantações produziram muito menos que

antes dos inseticidas - não apenas as velhas

pragas ficaram resistentes, mas uma nova

coleção de insetos que nunca foi praga

passou a sê-lo.

Esta "promoção" ao status de praga já

era bem compreendida pelos biólogos da

época, mas muito pouco entendida pelos

burocratas e fazendeiros de então. Como os

heibívoros são naturalmente mais resistentes

ao envenenamento, seus predadores

sucumbiram e, por isso, "libertaram" estes

organismos das forças que controlavam o

tamanho de suas populações.


Folha do Meio Ambiente

Primeiros

socorros

O Ibama lançará em breve o Manual de

Primeiras Socorros do Meio Ambiente,

com o objetivo de ensinar a comunidade

como se deve proceder em caso de um aci-

daie ecológico. O manual mostra, entre ou-

tras coisas, como retirar da ptaia uma baleia

encalharia, mn animal silvestre em condição

de perigo, como evitar que o óleo derramado

no rio se espalhe, con» impedir queimadas,

como agirparaamenizar efeitos de acidentes

até a chegada do pessoal especializado. O

pieskknle do Ibama, Raul Jungmann, diz que

o manual ensina a população a amenizar os

efeitos dos acidentes ecológicos, saído as-

sim, um valioso instrumento de preservação

do me» ambiente. Mais informações com o

Ibama: teL: (061) 226-5955; 317-1165 e fax:

(061) 226-1757.

Reciclagem

Lançando pela Editora Contemporânea,

o fivro Reciclando o Cotidiano, Represen-

tações Sociais do Lixo, de Ariane Kuhnen, é

o resultado de sua pesquisa de mestrado na

Universidade Federal de Santa Catarina, sob

orientação da professora Use Scherer-Waircn.

O objeto dessa investigação foi o programa

de Coleta Seletiva de Lixo de Florianópolis,

chamado Programa Beija-Hor. O livro é um

estudo psicossocial que revela a relação do

bomem/natureza Através de pesquisa das re-

presentações sociais, a autora "invade" um

campo de investigação sobre os resíduos do-

mésticos ainda pouco explorado pelas ciên-

cias humanas, estando aí, seu caráter mais ino-

vadotOtelefooedecontatoé((>í8)223-0945.

Suinocultura

A Embrapa, através do Centro Nacional

dePfesquisadeSumoseAves,emConcórdia-

SC, está preparando a publicação "500 Per-

guntas e 500 Respostas em Suinocultura, o

Produtor Pergunta a Embrapa Responde",

para esclarecer os principais a^iectos da cria-

ção de suínos, em relação a nutrição, sanida-

de, manejo geral, mango de dejetos, instala-

ções e equipamentos, melhoramentos gené-

ticos, sistemas de produção, aspectos econô-

micos e industrialização caseira de carnes. A

obra está sendo feita a partir dos tonas da

correspondência enviada ao Centro de Suí-

nos da Embr^ja entre 1988 e 1994, num total

de 4.920 cartas e fax.

A

Outubro d« 1995

Ano VI-N" 58

Brasília - DF

M B I E N T E

Expedições

PAULA SALDANHA e ROBERTO WERNECK

lAiCillltll

RETRATOS DO BRASIL

A Editora Salamandra lançou o livro Expedições - Retratos do Brasil, da

jornalista, autora e editora de livros Paula Saldanha e do biólogo e cineasta Roberto

Wemeck. O livro é o resultado da organização na riqueza de um trabalho de quase

duas décadas de imagens da RW Vídeo, criada pelo casal. O objetivo é divulgar

como anda nosso país e sua população e deixar registrado um rico acervo com

pesquisas, reportagens e campanhas ligadas à cultura e meio ambiente,

apresentando várias áreas naturais do Brasil. Diversas produções do casal receberam

prêmios em mostras e festivais internacionais e tem sido exibidas por emissoras

em nosso país e no exterior. Além do livro, o casal está apresentando, desde o dia

24 de setembro, na Rede Manchete, às 21h de domingo, um especial mensal

"expedições", mostrando regiões fascinantes do nosso país. Para adquirir o livro e

obter mais iníormações, ligar para: (021) 240-6306 e 240-9857 ou fax: (021)240-

4755.

Toda a área agricultável do Cerra-

do, uma das mais ricas savanas do

mundo em termos de biodiversidade,

corre o risco de desaparecer até o ano

2000. Esta é a principal conclusão do

relatório De Grão em Grão o Cerra-

do Perde Espaço, produzido pelo

WWF - Fundo Mundial para a Nature-

za, em parceria oom a Pró-CER - Soci-

edade de Pesquisas Ecológicas do Cer-

rado.

Embora importante do ponto de

vista biológico, menos de 2% do Cer-

rado está protegido na forma de unida-

des de conservação (parques e reser-

Cerrado

Forest Cultura Viva

e Promoções Ltda.

SCS QD. 8 VENANCIO 2000

BL.B-60SALA226

CEP 70333-900

BRASÍLIA-DF

FONE (061)321-3765

FAX:(061) 321-5809

vas). A principal atividade agrícola é a

soja, cultivada em grandes plantações que

abastecem o mercado externo. Grande

parte da soja exportada é transformada em

ração para animais, principalmente na

Europa e Japão.

O desmatamento do Cerrado não está

resultando em maior desenvolvimento ou

distribuição de renda: nos últimos 15

anos, para cada 100 hectares convertidos

para a agropecuária, o número de empre-

gos caiu de sete para quatro, em média.

Informações, contatar Ulisses, no WWF -

fone: (061) 248-2899 fax: (061) 248-

7176.

PORTEPAGO

DR/BSB

wr/wÇR . 537/91

^H

Brasília, outubro de 1995

Agenda Ecológica

A Editora Gaia está lançando a Agen-

da Ecológica 1996, que traz os principais

acordos fumados durante a Eco 92 e no

Fórum Global (organizado pelas ONGs).

Com capa e projeto gráfico assinados por

competentes designers, a agenda oferece

aos seus usuários textos de fatos relacio-

nados com a ecologia e com o meio ambi-

ente. Traz, ainda, diariamente um espaço

reservado para anotações de dados pesso-

ais, aniversários e calendário lunar com ho-

rários.

Mantendo seu caráter informativo, tam-

bém possui um glossário de termos ecoló-

gicos, uma cronografia nacional e interna-

cional dos principais fatos ligados a ecolo-

giadesde 1500 até os dias de hoje, sugestão

de literatura de apoio e uma bibliografia

recomendada. Para adquirir a agenda: fone:

(011) 277-7999 e fax: (011) 277-8141.

Vinhos

"Manual de Elaboração de Vinhos

para Pequenas Cantinas" é a publicação

feita pela Empresa de Pesquisa

Agropecuária e Difusão de Tecnologia

de Santa Catarina (Epagri), visando o pe-

queno produtor de uva e vinho, em espe-

cial na região de Videira, o principal pólo

vitivinícola de Santa Catarina. Os inte-

ressados devem se dirigir à Epagri, Cai-

xa Postal 502, CEP 88010-970

Florianópolis-SC.


Outubro de 1995

Ano VI - N 0 58

Brasília - DF

FOLHINHA DO

EIO

AMBIENTE

Uma publicação da Forest Cultura Viva Ltda

onheça dodó, a grande ave ágil e ativa, extinta há mais de

três séculos, que se tranformou num dos personagens do

livro "Alice no País das Maravilhas".

Página 3

Viva as crian

Outubro é o mês de festa das crianças, pois nele está o dia comemorativo de

todas elas. É o mês de ganhar presentes, de fazer amigos, de curtir a

primavera e de dar aquela arrancada final nos estudos para fechar o ano com

boas notas, sedimentando o belo futuro que está logo aí. A Folhinha

presta homenagem às crianças publicando o resultado de seu concurso

literário, que teve como vencedores dois preciosos trabalhos:

"Cântico das águas" e "Sem você (água) não sei viver".

Páginas 4 e 5

O MEIO AMBIENTE COMEÇA NO MEIO DA GENTE

ão desperdice seus brinquedos. Eles podem ser consertados,

transformados ou trocados por outros brinquedos. Fica mais

em conta trocá-los do que comprar novos.

Página 8


Folhinha do Meio Ambiente Brasília, outubro de 1995

I Colaboração do Leitor

CARTAS

Hino da Ecologia

Monitores ecológicos

Somos os Protetores Ecológicos

A serviço do presente

Sabemos da importância

Que tem o meio ambiente!

Refrão: Proteger a Flora e a

Fauna

É o nosso compromisso

Sempre alertas no futuro

Respeitando a Criação

Devemos trabalhar

pela recuperação da vida

Para que o Ar, a Água, e a

Terra

Sejam salvos no Planeta!

Refrão:....

Compreender a natureza

É cuidar e aprender com ela.

Viver em harmonia

Ajudando a preservar!

Monitores ecológicos:

Márcio (12 anos), Lucas (11

anos), Daiana (10 anos),

Caroline (11 anos), Mislene

(10 anos). Charles (10 anos).

Escola Samuel Dietschi

Rua Sobradinho, 27

CEP: 93534-540

Bairro São Jorge - Novo

Hamburgo-RS

A alegria da Edmara O alerta de Helmut

Fiquei muito contente quando, um dia, cheguei à

escola e uma amiga mostrou-me a Folhinha do Meio

Ambiente onde vocês publicaram minha cartinha. Isso

me influenciou para mandar poesia, como também in-

fluenciou meus colegas a mandarem também para o

concurso. Gostaria de receber a Folhinha. Obrigada

pela atenção: Edimara Sehnem - Vargem do Cedro -

Santa Catarina.

Edimara, você vai voltar a ficar contente, pois

estamos respondendo sua nova carta. Aqui é assim:

escreveu, publicou. Ficamos contentes ao saber das

influências positivas do nosso Jornal. Ah, só mais uma

coisinha... Para que providenciemos uma assinatura

FOLHINHA DO

MEIO

AMBIEN

do Jornal para você precisa-

mos que envie o endereço

completo, certo?

Na condição de um indivíduo que já trabalhou em fábrica de

celulose, cartolina e papel, gostei muitíssimo do excelente artigo

"Desperdiçar papel é matar o verde!" Porém, no 3 o parágrafo existe

um atentado à Lei dos 3 Rs: está escrito que não se deve economizar

papel quando se está escrevendo, desenvolvendo uma idéia, um

projeto. Segundo a Lei dos 3 Rs, I o - Reduzir o consumo e os

desperdícios; 2 o Reaprovdtar, reusar ou reutilizar em outra função

e 3° - Reciclar, após atender às premissas anteriores. Helmut

Wolfgang Ilirth - Av. Sete de setembro, 2 • Lorena-SP.

Helmut, não cometemos atentado algum... Como

escrevemos, não devemos economizar papel no

desenvolvimento de idéias, projetos etc, isto é, utilizando bem

o papel. Aliás, você nos mandou um monte de papel,

mostrando saber fazer um bom uso deste predoso material.

Agradecemos pelos envio dos demais materiais, assim como

pelo seu criativo verso. É bom saber que temos amigos como

você, prezado Helmut. Um abração.

Como a Terra se cuida

Uma imagem impressionante

é a que mostra os />

efeitos das chuvas ácidas

sobre uma escultura da UfTK[ Incrível

Cracóvia, uma região da^fc—

Polônia. Fotos colorida: ^Máquinade

vão exemplificando as di

versas formas utilizadas ^^^'«^c^Tl

pela natureza para se

reciclar, purificar e resistir)

aos ataques do homem. Os|

ciclos da água, do nitrogênio, do carbono, do enxofre

etc, tudo é explicado ilustradamente, com frases

simples. Ao final, há ainda um rico glossário com os

principais termos utilizados no livro e uma lista de

entidades, no Brasil, preocupadas com a questão do

meio ambiente.Terra - Uma Incrível Máquina de

Reciclagem é um livro da Coleção Desafios, da Editora

Moderna. De autoria de Paul Bennett, com tradução

da Flávia Glens. Trata-se de uma publicação

útil em apoio aos estudos de qualquer aluno e uma

ótima peça de reflexão para todos aqueles que estão

preocupados com questões ambientais. Para mim,

valeu!

Histórias de bichos

O macaco e o coelho sa-

íram para caçar: um ia ca-

çar borboletas e o outro,

cobras. O macaco, aprovei-

tou um descuido do coelho

e puxou-lhe as orelhas, di-

zendo que havia confundi-

do aquelas orelhas com

borboletas. O coelho arru-

mou um jeito de se vingar:

pegou o macaco distraído

e deu-lhe uma paulada no

comprido rabo, dizendo

que pensava que era uma

Floresta da

Brejaúva

Francisco Marquts

cobra. Claro que este caso está bem melhor contado

no livro, que tem diversas histórias recriadas pelo

autor a partir de contos populares.

Floresta da Brejaúva é um livro do Francisco

Marques para a Editora Dimensão, com ilustrações

de Lufe. O livro, saindo em 2 a edição, já dá mostra

de seu sucesso. São histórias curtas, divertidas, res-

gatando a nossa cultura. E que criança não gosta de

um bom causo?

Resultado do Concurso

Veja nas páginas 4 e 5 o resultado do

nosso Concurso Literário sobre o tema

Água, nas categorias A e B.

Agradecemos a todos que participaram.

ENCARTE DA FOLHA DO MEIO AMBIENTE EM PARCERIA COM O VNICEF


Brasília, oufubro de 1995

Folhinha do Meio Ambiente

E no final, o vencedor é o dodó!

Dodó, ou dodo, também conheci-

do como cisne de capelo, foi uma

grande ave, mais ou menos do

tamanho de um peru e que vivia nas Ilhas

Maurício, tendo sido extinta no século

17. A primeira vez que soubemos da sua

existência foi por meio de marinheiros

holandeses que chegaram em 1558. Po-

rém, desde 1681, nunca mais foram vis-

tos dodós. Sua rápida extinção é atribuí-

da em parte à destruição de seus ninhos

pelos animais domésticos trazidos pelos

colonizadores holandeses e franceses, e

também, por ter sido alvo, como petisco,

desses famintos colonizadores.

Por mais de 350 anos, o dodó foi con-

siderado uma ave gorducha, desengon-

çada e lenta, quase que fadada à extinção.

No entanto, a realidade parece ser bem

diferente dessa fama bem antiga. Resul-

tados de pesquisas mais recentes - em que

foram localizados depoimentos e dese-

nhos de observadores diretos do dodó à

época em que ele vivia nas florestas das

Ilhas Maurício - comprovam que lá o

dodó era ágil e ativo. Nas palavras de

Volquard Iversen que, tendo naufragado

em 1662 perto de uma ilha pequena à

sudoeste de Maurício, se dedicou a ob-

servar pássaros, os dodós "que na índia

são chamados de Doddaersen", "traseiro

redondo" são maiores que gansos "mas

não conseguem voar, em vez de asas tem

pequenas abas e podem correr muito rá-

pido."

Mas qual a razão desta fama? É que

na maioria dos desenhos reproduzindo o

dodó que nós costumamos ver, ele é re-

tratado como ave atarracada e rechonchu-

da. Só que estas reproduções não coinci-

dem com as reproduções do dodó feitas

por observadores diretos. O dodó era

manso e confiante, alguns foram até le-

vados para a Europa, onde chegavam

engordados pela longa travessia oceâni-

ca consumindo basicamente biscoitos,

massas e cereais. Lá eram então retrata-

dos como aves parrudas.

No livro "Alice no País das Maravi-

lhas", do autor Lewis Carroll (1832-

1898), publicado pela primeira vez em

Londres em 1865, o autor se caracteriza

como um dodó que vence uma louca cor-

rida realizada com outras aves e roedores

para secarem-se após um dilúvio causa-

do pelas lágrimas de uma Alice

agigantada por poderes mágicos.

Por muito tempo, se considerou ape-

nas como fictícia esta vitória, licença do

autor assim caracterizado. Certamente,

agora podemos afirmar que ao ganhar esta

corrida o dodó não foi uma zebra, um jei-

tinho do autor de se privilegiar. O dodó

verdadeiro era mais magrinho e com per-

nas mais longas, portanto, uma ave ágil,

capaz de vencer essas e outras corridas.

A propósito, você sabe por que Lewis

Carroll se autorepresentou como um

dodó?

Primeiro, porque ao dizer seu verda-

deiro nome (Lewis Carroll era pseudôni-

Você sabe o que é um dodó?

Extinto no

século 17,

o dodó era

manso e

confiante,

alémde

ágil e veloz

mo literário) quando se apresentava -

Charles Lutwidge Dodgson - ele gague-

java "Do-Do-Dodgson".

Além disso, Alice Liddell e suas ir-

mãs, para quem Carroll inventou e con-

tou pela primeira vez a história de "Alice

no País das Maravilhas", gostavam mui-

to de visitar o museu da Universidade de

Oxford, onde havia um dodó empalhado.

Elas gostavam de ir ao museu com Carroll

- que era professor em Oxford - porque lá

ele inventava histórias sobre aqueles pás-

saros para diverti-las.

Se você também quiser se diver-

tir com as aventuras da Alice e sua

turma não perca a exposição "Alice:

Uma menina de 130 anos", na Bibli-

oteca Demonstrativa de Brasília, na

W-3 Sul, EQ 506/507, de 11 a 25 de

outubro, 2 M a 6 m , de 7:30 às 23:00

horas e aos sábados, de 8:00 às 14:00

horas, quando acontecem também

oficinas de artes plásticas, origami e

outros eventos destinados ao públi-

co infanto-juvenil. Para participar,

entre em contato com a Secretaria da

Biblioteca pelos telefones 243-0852

e 244-1928, para saber dos horários

das atividades, vagas e faixa etária.

A participação é gratuita.

(Tradução e adaptação de Ana

Maria da Costa Souza a partir do ar-

tigo de Andrew Kitchener, Justice at

last for the dodo publicado na New

Scieníist de 28 de agosto de 1993 e

do artigo de Mavis Batey, Alice's

Adventures in Oxford conforme CD-

ROM Lewis Carroi da Harper

Collins Publishers, de 1992).


4 Brasília, outubro de 1995 Folhinha do Meio Ambiente Õ

Mês das crianças, outu-

bro é mesmo significati-

vo. Neste mês, a Folhinha

publica o resultado de seu

concurso literário. Rece-

bemos centenas de traba-

lhos, dos mais variados

pontos do Brasil, demons-

trando que o tema água

não é alheio às nossas cri-

anças e jovens.

Abrir espaços para a

participação desse públi-

co, criando situações para

que crianças e jovens sol-

tem a imaginação, pes-

quisem, escrevam, é a for-

ma que escolhemos para

homenagear nossos leito-

res (e também partícipes)

neste mês de outubro.

A homenagem se com-

pleta com a publicação

• dos melhores trabalhos

em cada categoria. E o

nosso agradecimento a

todos que participaram,

dando provas de que há

espaços para publicações

que valorizam a força cri-

ativa da criança e do jo-

vem.

Resultado do Concurso

Cat. "A" - Crianças ate 10 anos:

I o lugar: Regina Lúcia A. Fonseca - Guará-DF (Bicicleta + 5 livros)

2 o lugar: Elaine Cristina P. Sá - 9 anos - Franca-SP (Walkman + 3 livros)

3 o lugar: Elisa Devit Ottaran -10 anos - Canoas-RS (Walkman + 2 livros)

4" lugar: Giovana Germek C Santos - 9 anos - Brasüia-bF (5 livros)

5 o lugar: Cíntia da Silva Hirte - 8 anos - Lorena-SP (4 livros)

6* lugar: Priscila Ferreira Queiroz; 10 anos - Oama-DF (3 livros)

T lugar: Samuel Dietschi - N. Hambuigo-RS -10 anos (3 livros)

8° lugar: Danielle ... - 10 anos - Niterói-RJ - (2 livros)

9 o lugar: Mislene Grasiele PrSes -10 anos - Novo Hamburgo-RS (2 livros)

10° lugar: Aline Carneiro Aguiar - 10 anos - Oama-DF (2 livros)

Cat •'B'* - Jovens de 11 a 16 anos:

I o lugar: Edinaldo Miguel Freire -16 anos - Mocambinho-MG (Bicicleta + 3

livros)

2° lugar: Luiz Flávio G, M. Costa -15 anos - Nova Era - MG (Walkman + 3

livros)

3 o lugar: Clara V. Gontijo -11 anos - Belo Horizonte-MG (Walkman + 3

livros)]

4 o lugar: Ana Flávia A Alencar -15 anos - Gama-DF (Slivros)

5 o lugar; Danielle Levy -15 anos - Rio de Janeiro-RJ (4 livros)

6 o lugar: Camilo S.C Uyacabe -15 anos - Santo André-SP(3 livros)

7° lugar: Tulipa Roiz Chagas -16 anos - São Lourenço-SP (3 livros)

8 o lugar: Simônia Cock -14 anos - Vargem do Cedro-SC (2 livros)

9 o lugar: Lethycia A.V. Santos - 15 anos - São Lourenço-MG (2 livros)

10° lugar: Jaison D£. Schimidt -11 anos - Passo Pundo-RS (2 livros)

Agradecemos a todos os participantes, sendo que muitos trabalhos foram

desclassificados por não contarem a idade. Por termos recebidos tantos trabalhos e

com excelente qualidade (dentro do tema Água), iremos, à medida do possível, publicá-

los aqui na Folhinha.

1° lugar: cat. "B" - Edinaldo Miguel

Freire -16 anos - Mocambinho-MG

Oh, águas frescas e serenas que des-

cem do céu! Descem pelo espaço, formo-

sa e nua a fazer escarcéu...

Vens acariciar o peito da terra a gemer

de amor por ti!

Mergulhas no seio da mãe-

terra e sacias os sonhos

verdejantes de prados e campi-

nas afogados em tua esperança

menina...

Acalentas, oh mãe prateada!

Como luz nas alturas a saciar

com brandura os grandes sertões

sedentos, ansiosos por tua dan-

ça carinhosa rolando na terra

corrompida de sequidão, neste

sol abrasante embebendo a terra

peregrina, chorosa por tua carí-

cia caindo perdida a afagar o

ventre da amiga...

VIVA A PAR

Cântico das Águas

Não tardes, oh presente subhme do

Deus Amor... Com amor matemal, abran-

das fome e sede, e nos abastece na luta

do dia-a-dia, na sofreguidão de nosso pa-

decer...

Suave e deslumbrante em sua jornada

ofegante corres a cantar beijando a terra

seca, aflita por tua doce candura!

Amo-te chorar! Amo-te na aurora de

tuas faceirices, oh menina fogosa! En-

cantas com graça inefável no belo de sua

arte, na dança de suas ondas indo e vin-

Desenhando para mim um bale perfeito

contra o vento que assobia sua delicada

melodia, embalando a espuma triste ave

dorme melancólica em teu colo.

Num gemido abafado, choro de

amor... Ao contemplar tua leveza, quan-

do estás a brincar como uma criança a var-

rer a areia inocente.

E, é num soluço de lágrimas

dolorosas, que imploro aos ho-

mens pela natureza, pobre au-

rora despida! Da qual tu, oh

água pura, és colar de esmeral-

das! Ambas ameaçadas por

mãos inescrupulosas que não

sabem preservar o doce frescor

que exala de teu hálito puro...

Canta ao som das estrelas,

oh doce menina, a poesia de teus

mistérios levados nas asas do

vento...

Canta! Canta!

Sem você (água) não sei viver

I o lugar. Cat "A": Regina

Lúcia de Almeida Fonseca - 9

anos - Guará - DF

Perto de Manaus, numa mata

onde havia muitos animais e bas-

tante água, havia um pequeno ria-

cho de água pura e cristalina, onde

os animais iam beber água.

Um certo dia, quando os bichos

foram matar a sede, não encontra-

ram nada.

- O quê! falaram eles assusta-

dos...

- Onde é que foi parar a água

do riacho, perguntou a onça.

- Ah, já sei... Acho que ela quer

brincar de esconde-esconde - dis-

se o macaco.

- Deixe de ser bobo... Água não

sai do lugar para se esconder, res-

pondeu a onça.. Espere um pou-

co, há sei... Vamos perguntar aos

outros rios onde foi parar a água

do rio.

- É vamos lá, disseram todos

os outros animais.

E lá foram eles, com a espe-

rança de descobrirem onde estava

a água do seu riozinho. Mas... le-

varam um susto.

- Nossa! o rio também está

seco. E não era só esse rio que es-

tava seco, mas todos os rios da

região. E agora, disse o tatu.

- Bem, o que temos a fazer é

torcer para cair uma chuva bem

forte que consiga encher pelo me-

nos o nosso riacho.

Esperaram uma semana e não

caiu nem uma gota d'água.

- Mas não vou mais ficar sem

água - disse o macaco. Vamos to-

mar uma atitude e já.

E começaram a cochichar -

bzzubzzibzzi

- Já temos uma idéia. Vamos

tentar a dança da chuva.

Eles dançaram, dançaram e

nada.

- Tenho outra idéia... Vamos pe-

dir ao Papai do Céu que peça aos

anjinhos que mandem algumas nu-

vens carregadas e façam-nas se

chocarem e aí, bummm!, cai água

para todo lado.

- É mesmo, vamos chamar o

Papai do Céu!

- O que foi, respondeu ele.

- É que estamos com um pe-

queno problema. Aí nós pensamos

que o Senhor poderia nos ajudar e

mandar uns anjinhos pegarem al-

gumas nuvens carregadas, aí en-

chia o nosso riozinho enquanto

estivesse chovendo.

E assim foi feito, os rios se en-

cheram e nunca mais eles ficaram

sem água.


6 Folhinha do Meio Ambiente

FAÇA VOCÊ MESMO.

^\ *£WC*iMW

Brasília, outubro de 1995

\PASSATEMPOV

Ajude

a

mmmm

^í--ülí_Z=^-i«—=3!

^o planeta inteiro, estão sumindo com as cores aa natureza. Não deixe que isto aconteça. Inicie por aqui a sua parr

FUNDAÇÃO

COMUNIDADE


Brasília, outubro de 1995 Folhinha do Meio Ambiente /

DOTICIflS DO umccF

Contra a exploração

sexual infantil

O presidente Fernando

Henrique Cardoso lançou no dia

11 de outubro a Campanha Naci-

onal contra a Exploração Sexual

Infanto-Juvenil. O principal obje-

tivo da campanha é sensibilizar a

sociedade para o problema da ex-

ploração de meninas e meninos na

prostituição.

A campanha, que acaba de ser

lançada nacionalmente pelo presi-

dente, funciona há três meses na

Bahia, com resultados positivos.

Foi criada pelo Centro de Defesa

da Criança e do Adolescente da

Bahia e pelo Unicef, e tem a parti-

cipação dos artistas Renato

Aragão, Daniela Mercury, Caeta-

no Veloso e Gilberto Gil. A soci-

edade baiana já fez 194 denúncias

de casos de exploração sexual de

crianças, através do telefone 190,

agora disponível em todo o país.

Três prisões foram feitas e inqué-

ritos são abertos para apurar as de-

núncias. Não se sabe ao certo

quantas meninas e meninos se

prostituem no Brasil, mas a misé-

ria e a falta de escolas empurram

cada vez mais crianças e adoles-

centes para a prostituição.

Encontro dos

meninos de rua

Mil crianças e adolescentes

de rua estiveram em Brasília

entre os dias 4 e 7 de outubro

para o "IV Encontro Nacional

de Meninos e Meninas de Rua".

O tema do encontro era "Quero

educação para ser cidadão." As

crianças foram recebidas pelo

presidente Fernando Henrique

Cardoso e reivindicaram escola

com horário integral.

♦Notícias Unicef é ura informe da

ANDI - Agência de Notícias dos Di-

reitos da Infância

Daniela Mercury ganhou o título na véspera do Dia da Criança

Daniela vira embaixadora

A cantora Daniela Mercury é a

mais nova embaixadora do Unicef no

Brasil. Ela ganhou o título no dia 11

de outubro, véspera do Dia da Cri-

ança, em Brasília. Ao lado de Daniela,

Renato Aragão, o Didi, renovou pela

terceira vez seu contrato como em-

baixador do Unicef. Os dois se com-

proraeteram a defender permanente-

mente os direitos da criança e do ado-

lescente no Brasil.

Renato Aragão se disse feliz por

poder contar com Daniela na luta era

defesa da criança. A cantora, emoci-

onada, disse que estava feliz por in-

tegrar a "Caravana da Esperança", co-

Direitos infantis saem

em CD-ROM

O Unicef, a Fundação Banco do Bra-

sil e Associação de Juizes do Rio Grande

do Sul lançam a Biblioteca Nacional dos

Direitos da Criança em CD-ROM. Além

da Constituição Federal e do Estatuto da

Criança e do Adolescente, a Biblioteca

traz dados sobre saúde, trabalho infantil,

educação no Brasil, entre outros. O ob-

jetivo do CD-ROM é combater a

desinformação de juizes sobre questões

de direitos de crianças e adolescentes. To-

dos os Tribunais de Justiça dos estados

receberão o CD. O lançamento nacional

da biblioteca acontece no dia 23 de ou-

tubro, no Supremo Tribunal Federal, em

Brasflia.

mandada por Renato Aragão, e por

poder trabalhar pelos direitos da cri-

ança e contra a exploração de meni-

nos e meninas. "Temos esperança

de que as autoridades também con-

tribuam com medidas urgentes para

melhorar a vida das crianças e ado-

lescentes que pagam um preço mui-

to alto pelas mazelas sociais do

país", disse Daniela, que lembrou

a importância de se defender o Es-

tatuto da Criança e do Adolescen-

te.

Renato Aragão e Daniela

Mercury receberão um dólar por

ano como salário de embaixadores.

Direitos de crianças e adolescentes em CD-ROM

"Rádio Muleke"

fala dos carentes

Ex-meninos de rua de Santos

- São Paulo^.produzem e apre-

sentara o programa "Rádio

Muleke", com apoio da prefei-

tura da cidade. Eles debatem

cora os ouvintes e entrevistados

assuntos do interesse dos ado-

lescentes, dando ênfase à reali-

dade das crianças carentes. O

único requisito para trabalhar na

"Rádio Muleke" é não faltar às

aulas. O programa tem tido uma

boa audiência.

Nenhuma criança

fora da escola

Campos Altos e Itapeva, em

Minas Gerais, conseguiram ma-

tricular todas as crianças na es-

cola. As duas comunidades

inauguraram placas informando

que nenhuma criança, entre 7 e

14 anos, está sem estudar. As

placas lembrara, porém, que a

repetência é o próximo desafio

a ser vencido nas duas localida-

des, que já estão se preparando

para superá-lo muito em breve.


8 Folhinha do Meio Ambiente

Brasília, outubro de 1995

Brincando de consertar

Brinquedo, dizem, tem que ter

um cheiro de novidade, um ar de

coisa nova. Talvez por isso haja

tanto brinquedo velho pelos cantos

de armários, jogados em cômodos

tipo depósitos.

■Como estamos falando, há

vários meses, sobre o desperdício,

chegou a vez do desperdício de

brinquedos. É, parece brincadeira,

mas quanto brinquedo jogado fora

ou sem uso se vê por aí! E o pior é

que tem uma quantidade enorme de

crianças com os olhos pedindo por

um brinquedo.

Se brincar com brinquedo velho

não tem graça, troque seu

brinquedo com outras crianças. O

brinquedo usado por um menino

será a novidade para um outro.

Existem feiras de troca-troca de

brinquedos que fazem sucesso,

promovendo novas alegrias.

Outra atitude positiva em relação

aos brinquedos usados é o conserto.

Há oficinas de consertos de

brinquedos, com pessoas que

trabalham como médicos, dando

vida a bonecas estragadas,

carrinhos emperrados. Fica muito

mais em conta consertar um

brinquedo estragado do que

comprar um novo.

No mês das crianças, tome uma

atitude em favor do melhor

aproveitamento dos brinquedos. Se

você não quer mais brincar com seus

brinquedos, por achar que não tem

mais graça, faça uma doação para

uma creche pública, um

estabelecimento que cuide de

crianças carentes. Lá, com certeza,

alguém vai ser muito feliz com seus

brinquedos velhos.

Trocando brinquedos, trocando

palavras, formas de melhor utilizar

seus brinquedos antigos e, quem

sabe, fazer novas amizades.

Se o brinquedo não está sendo

usado por apresentar algum defeito,

tente consertá-lo ou levá-lo a uma

oficina especializada em tais serviços.

Pois é, criançada, sem desperdício

de brinquedos a vida é mais feliz. Até

porque sempre que melhor

aproveitamos tudo que nos é

oferecido, a natureza agradece.

Medite sobre esta questão e você

achará um jeito de não desperdiçar.

Nem mesmo brinquedos.

Se brincar com

brinquedo velho não

tem graça, troque o seu

brinquedo com outras

crianças.

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