Passado, presente e - Associação Brasileira de Psiquiatria

abp.org.br

Passado, presente e - Associação Brasileira de Psiquiatria

debatesAno 2 . Nº2 . Mar/Abr de 2010

Publicação destinada exclusivamente a médicos associados da ABP

PSIQUIATRIA HOJE

w w w. a b p b r a s i l . o r g . b r

Passado,

presente e

futuro

debate hoje | 1


2 | debate hoje

debates

PSIQUIATRIA HOJE


Rogério Wolf Aguiar

Editor

Debates

Editorial

Opinião

Esta edição do Phoje Debates reuniu um conjunto de articulistas ímpar.

Colhemos os depoimentos do atual e dos ex-presidentes da ABP, que

constituem o Conselho Consultivo. A editoria encaminhou as mesmas

questões a todos. O objetivo foi o de ser abrangente sobre vários aspectos

da ABP, que naturalmente envolvem uma visão dos movimentos da

psiquiatria brasileira. O resultado não é um documentário completo sobre a ABP

e a psiquiatria nacional. Mas é um documento importante, certamente resumido e

parcial, sobre o que ex-presidentes visualizam hoje sobre a história da qual foram

protagonistas. Pode-se dizer que é uma visão “a voo de pássaro”, vista por cima,

rápida. Mesmo assim, pode-se identificar algumas diferenças e outras convergências.

As estratégias podem ser diferentes entre si, mas em todos os depoimentos é

possivel destacar a dedicação a um interesse fundamental. Percebe-se claramente

o esforço de todos para o crescimento de uma associação forte, independente e

ética, voltada para o bom exercício profissional e a qualificação da assistência

médica. Essa linha mantém uma unidade histórica e uma credibilidade que são os

sólidos fundamentos da ABP. Junto com os ex-presidentes, há um grande número

de colaboradores essenciais, como diretores, coordenadores de departamentos, secretários

regionais, conselheiros fiscais, editores, delegados, líderes de federadas,

pesquisadores, funcionários e, espalhado pelo Brasil, o quadro associativo cada vez

mais numeroso. Todos participam e têm uma parcela, muitas vezes anônima, na

construção da especialidade e de sua progressão qualitativa. Com o acesso à Internet,

os associados mais distantes dos grandes centros têm oportunidade de obter

informação do melhor nível, e a ABP tem cuidado disso com seus programas de

educação continuada. Nem sempre é fácil comunicar a todos o esforço concentrado

que diretores têm feito para ter influência nas políticas de saúde oficiais. Longas

reuniões, muitas vezes desgastantes, ficam na sombra, nem sempre com os resultados

almejados. Assim mesmo, o esforço continua, com a troca dos encarregados.

A editoria se sente muito satisfeita com a publicação destes depoimentos reunidos,

embora compactados. Agradecemos muito a ideia do Josimar França de editarmos

essa pauta, é assumida e oferecida agora aos colegas e demais leitores.

debate hoje | 3


Av. Presidente Wilson, 164 / 9º andar

CEP: 20030-020

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Rogério Wolf Aguiar e Miguel Abib Adad

Conselho Editorial

João Romildo Bueno

William Azevedo Dunningham

Produção Editorial

Assessora Comunicação

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Jornalista responsável

Carolina Fagnani

Redação

Laís Varella

Projeto gráfico:

Angel Fragallo

Editoração e Capa:

Renato Dalecio Jr

Impressão

Gráfica Ponto Final

Tiragem: 8.000 exemplares

Publicidade

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e-mail: abpsp@abpbrasil.org.br | psiquiatriahoje@abpbrasil.org.br

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Vila Clementino – São Paulo/SP – CEP 04039-032

Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da revista


A capa desta edição apresenta uma imagem híbrida criada a partir de estudos

realizados pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) com o objetivo de

descobrir como funciona o cérebro humano. De perto, é possível ver os detalhes

do rosto do bebê. Mas, à medida que nos afastamos, os detalhes somem e os

nossos olhos só reconhecem grande traços faciais, revelando o rosto de um idoso.

Temos, então, de forma integrada, o passado, o presente e o futuro, representando

de forma lúdica o assunto abordado no debate desta edição.

Capa: Imagem híbrida | Renato Dalecio Jr.

índice

Ano 2 . Nº2 . Março/Abril de 2010

Capa [debate!]

Passado,

presente

e futuro

Ex-presidentes da ABP fazem análise de

pontos estruturais importantes. Neste

debate, citam as condições que permitiram

a criação da ABP, as propostas e a realidade

atual, além dos projetos relacionados

à política de saúde mental. pág.12

Artigo [CID11]

Jair de Jesus Mari

A participação do Brasil na CID-11 tem

como objetivo organizar a contruibuição

da América Latina na revisão deste sistema

de diagnóstico. pág.08

Entrevista [Análise]

João Alberto Carvalho

A poucos meses das eleições para uma

nova diretoria, o presidente da ABP apresenta

seu olhar para aspectos primordiais

da associação. pág.34

Artigo [Homenagem]

Othon Bastos

Psiquiatra comenta trabalho do professor

José Lucena, em seu centenário. pág.38

Comentário [alcoolismo]

Mauro Barbosa Terra

Especialista fala sobre a premiação do

trabalho “O grupo de alcoólicos anônimos

realmente funciona? Fatores de adesão em

uma amostra de pacientes dependentes de

álcool hospitalizados”. pág.45

debate hoje | 5


8 | debate hoje

Artigo

CID11

A Participação do

Brasil na Elaboração da

da CID11

O

diagnóstico ocupa lugar especial na rotina clínica de um psiquiatra.

As categorias diagnósticas fornecem as bases para que

o clínico possa armazenas as suas experiências através da observação

dos sinais e sintomas, buscando na classificação das

síndromes o seu melhor tratamento, e a predição de um melhor

prognóstico para o paciente. O evento “Classificação dos Transtornos Mentais

na América Latina – Revisão da CID10”, que foi realizado nos dias 17 e 18

de Maio, na Universidade Federal de São Paulo, teve como objetivo organizar

a participação do Brasil e de outros países na América Latina na revisão do

sistema diagnóstico dos transtornos mentais, na sua nova versão do Código

Internacional de Diagnóstico.

O Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo ficou

responsável por centralizar os trabalhos na região da América Latina. Os participantes

brasileiros e internacionais (Argentina, México e Peru) foram cuidadosamente

selecionados pela sua expressão científica em diferentes áreas

do conhecimento (Ansiedade, Depressão, Esquizofrenia, Trauma, Transtornos

Alimentares, Síndromes Transculturais, Transtornos Mentais da Infância e

Adolescência), acrescido de reconhecimento internacional, comprovado pelas

publicações científicas nas áreas de expertise. Eles serão responsáveis pela

organização das contribuições que a América Latina vai sugerir para uma nova

classificação dos transtornos mentais em colaboração com a Organização

Mundial da Saúde, representantes regionais da Organização Pan-americana da


Saúde, representantes do Ministério da Saúde e da

Associação Brasileira de Psiquiatria.

O evento contou, portanto, com os principais

acadêmicos e representantes políticos que irão

futuramente implementar o novo sistema classificatório.

O objetivo do encontro foi o de dividir

tarefas entre as diferentes universidades que irão

contribuir na redefinição da CID11. A escolha do

Brasil para liderar a América Latina, nesta questão,

é resultado da crescente participação científica

do país no cenário internacional. O evento

contou com um alto teor científico, tendo como

um produto de qualidade a possível publicação de

um suplemento da Revista Brasileira de Psiquiatria

específico “The Latin American Contribution

to the Revision of ICD-10” (em fase de análise

pelo conselho editorial), para divulgar os principais

resultados da participação da região no sistema

classificatório internacional.

O primeiro desafio é saber como as novas categorias

deverão ser organizadas no novo sistema

classificatório. A OMS desenvolveu um protocolo

específico para responder esta pergunta. Vários

psiquiatras brasileiros foram convidados a participar,

com base na sua familiaridade com o uso

de sistemas classificatórios, tanto CID10 quanto

o DSMIV, na prática clínica. Os psiquiatras que

gostariam de ser incluídos na pesquisa, podem

entrar em contato com o autor no e-mail jamari17@gmail.com.

O segundo desafio é decidir quais as condições ou

problemas que deveriam ser incluídos no novo sistema

para facilitar a identificação adequada para

indicar tratamentos para os transtornos mentais

nos diferentes níveis da assistência à saúde mental.

Por exemplo, na atenção primária, um novo

sistema classificatório com um número reduzido

Jair de Jesus Mari

Titular do Departamento de Psiquiatria da Unifesp

e abrangente de condições deverá ser desenvolvido,

para facilitar o diagnóstico dos transtornos

mentais comum na clínica geral. O terceiro objetivo

é de organizar a forma como a informação

deve ser disponibilizada na definição das diferentes

categorias diagnósticas. As abordagens recentes

se pautam na avaliação dimensional e no

pareamento por protótipos. Os estudos deverão

focar na avaliação da utilidade clínica das diferentes

sugestões, assim como na sua adaptação

cultural, para originar as diretrizes das principais

mudanças a serem implementadas.

Para a implementação destes estudos de campo,

com o objetivo de se desenvolver um manual de

utilidade clínica, com aplicabilidade internacional,

a OMS esta organizando Centros de Coordenação

para conduzir os Estudos de Campo no Brasil,

China, Índia, México e Nigéria, para garantir uma

expressiva colaboração dos países emergentes. A

tarefa deverá ser cumprida em quatro anos. Em

2010 a OMS deve cumprir a seleção dos centros

colaborativos e desenvolver protocolos específicos

para determinar quais categorias diagnósticas

deverão permanecer na nova classificação. Em

2011, as atividades vão focar na implementação

das pesquisas de campo, coleta e análise de

resultados que deverão influenciar no conteúdo das

informações a serem disponibilizadas no manual.

Em 2012, uma proposta do manual deverá ser

testada em sua validade, aplicabilidade clínica e

estudos de reprodutibilidade das novas categorias.

O objetivo é ter o manual completamente revisto

para o final de 2013. Os profissionais que atuam

na área da saúde mental no Brasil, e que estão

interessados em participar e/ou acompanhar as

atividades no país relacionadas com a elaboração

do CID11, poderão entrar em contato direto com o

centro coordenador do Brasil no e-mail jamari17@

gmail.com.

debate hoje | 9


Explore a dose máxima antes de trocar ou associar outra droga

Apresentações: gotas de 20 mg/ml (frasco com 15 ml), 10 mg com 14 e 28 comprimidos e 20 mg com 14 e 28 comprimidos

Contra-indicação: hipersensibilidade ao escitalopram

®

Interações medicamentosas: não administrar Lexapro em combinação a IMAOs

® Lexapro é um medicamento. Durante seu uso, não dirija veículos ou opere máquinas, pois sua agilidade e atenção podem estar prejudicadas.

Ao persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado. Informações para prescrição no interior desta edição.

® 1- Lexapro - Bula do produto 2- Fleck MA et al. Diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão. Rev Bras Psiquiatr 2003;25(2):114-22.

Lundbeck Brasil Ltda.

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Não busque apenas os sintomas

Trate a

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Depressão

Ansiedade

Agora indicado também para o tratamento do TOC (1)

Dose única diária 10-20 mg/dia

com ou sem alimentos

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COMPOSIÇÃO: cada comprimido de LEXAPRO® contém 12,77 mg e 25,54

mg de oxalato de escitalopram, equivalente a 10 mg ou 20 mg de

escitalopram base, respectivamente. Excipientes: celulose microcristalina,

sílica coloidal, talco, croscarmelose sódica, estearato de magnésio,

hipromelose, macrogol 400 e dióxido de titânio. Cada 1 ml (20 gotas) de

LEXAPRO® Gotas 20 mg/ml contém 25,55 mg de oxalato de escitalopram,

equivalente a 20 mg de escitalopram base (1 mg/gota). Excipientes: galato de

propila, ácido cítrico, hidróxido de sódio e água. Este produto também contém

pequenas quantidades de álcool, menos que 100 mg por dose (cada gota

contém 4,7 mg de álcool etílico). INDICAÇÕES: é indicado para o tratamento

e prevenção de recaída ou recorrência da depressão,transtorno do pânico com

ou sem agorafobia,transtorno de ansiedade generalizada (TAG),transtorno de

ansiedade social (fobia social) e transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

CONTRA-INDICAÇÕES: este medicamento é contra-indicado em crianças.

Também é contra-indicado em pacientes que apresentam hipersensibilidade

a qualquer um de seus componentes. O tratamento concomitante com

pimozida e com inibidores da monoaminoxidase (IMAO), incluindo a

selegilina em doses acima de 10 mg/dia, é contra-indicado. MODO DE USO:

engolir os comprimidos com água, sem mastigá-los. LEXAPRO® gotas pode

ser diluído em água, suco de laranja ou suco de maçã. LEXAPRO®

comprimidos ou gotas devem ser administrados por via oral, uma única vez ao

dia, com ou sem alimentos. CARACTERÍSTICAS FARMACOLÓGICAS -

FARMACODINÂMICA. Mecanismo de ação: o escitalopram é um inibidor

seletivo da recaptação de serotonina (ISRS). FARMACOCINÉTICA.

Absorção:

é quase completa e independe da ingestão de alimentos (Tmax médio de 4

horas após dosagem múltipla).A biodisponibilidade absoluta do escitalopram

é em torno de 80%. Distribuição: o volume de distribuição aparente é cerca de

12 a 26 L/Kg, após administração oral. A ligação às proteínas plasmáticas é

menor que 80% para o escitalopram e seus principais metabólitos.

Biotransformação: o escitalopram é metabolizado no fígado em derivados

ativos. A biotransformação do escitalopram no metabólito desmetilado é

mediada pelas enzimas CYP2C19, CYP3A4 e CYP2D6. Eliminação: a meia-vida

de eliminação após doses múltiplas é de cerca de 30 h, e o clearance

plasmático oral é de aproximadamente 0,6 l/min. Os principais metabólitos

têm uma meia-vida consideravelmente mais longa. Assume-se que o

escitalopram e seus principais metabólitos são eliminados tanto pela via

hepática como pela renal, sendo a maior parte da dose excretada como

metabólitos na urina.A farmacocinética é linear. POSOLOGIA - Tratamento

da depressão: dose usual 10 a 20 mg/dia. Após o desaparecimento dos

sintomas durante o tratamento inicial é necessário o estabelecimento de um

período de manutenção, com duração de vários meses, para a consolidação da

resposta. Tratamento do transtorno do pânico com ou sem agorafobia:

dose inicial de 5 mg/dia na primeira semana de tratamento, antes de se

aumentar a dose para 10 mg/dia, para evitar a ansiedade paradoxal. Dose

máxima de 20 mg/dia. O tratamento é de longa duração. Tratamento do

transtorno de ansiedade generalizada: dose inicial de 10 mg/dia. Pode ser

aumentada até 20 mg/dia, após 1 semana do início do tratamento.

Recomenda-se um tratamento pelo período de 3 meses para a consolidação

da resposta. O tratamento de respondedores por um período de 6 meses pode

ser utilizado para a prevenção de recaídas e deverá ser considerado uma opção

para alguns pacientes. Tratamento do transtorno de ansiedade social (fobia

social): dose de 5 a 20 mg/dia.Iniciar com 10 mg/dia;dependendo da resposta

individual, decrescer a dose para 5 mg/dia ou aumentar até 20 mg/dia. Para o

alívio dos sintomas geralmente são necessárias de 2 a 4 semanas de

tratamento. Tratar por um mínimo de 3 meses para a consolidação da

resposta. Um tratamento de longo-prazo para os respondedores deve ser

considerado para a prevenção de recaída. Transtorno obsessivo compulsivo:

dose usual de 10 a 20 mg/dia. Os pacientes devem ser tratados por um

período mínimo que assegure a ausência de sintomas. Pacientes idosos (>65

anos de idade): considerar um tratamento inicial com metade da dose

normalmente recomendada e uma dose máxima mais baixa. Crianças e

adolescentes (


Debate

matéria de capa

12 | debate hoje

ABP: analisando o

PAssADo, avaliando o

PrEsEntE e propondo o

futuro da instituição

Ex-presidentes da

Associação Brasileira

de Psiquiatria fazem

uma análise dos pontos

estruturais importantes

da associação. Neste

debate, eles citam as

condições que permitiram

a criação da instituição,

as propostas e objetivos

da entidade, além dos

projetos relacionados à

política de saúde mental

e assistência.

ConDIçõEs quE PErmItIrAm

suA CrIAção E PrInCIPAIs

ProPostAs ou oBjEtIvos

Marcos Pacheco de Toledo Ferraz

Meu primeiro contato com a ABP foi em 1969,

quando Ulysses Vianna (Nota do Ed.: Ulisses Vianna

Filho ,primeiro secretário geral da ABP, eleito

pela Assembléia de Fundação, em 1966) veio a

São Paulo conversar a respeito da nova entidade

e anunciar o I Congresso Brasileiro de Psiquiatria

(que foi realizado em 1970). Embora vivêssemos

em momento difícil da vida política institucional,

em plena ditadura militar, o congresso transcorreu

relativamente bem, com alguns percalços e

ameaças. A ABP foi fundada inicialmente como

uma associação articuladora da psiquiatria nacional,

e promotora de congressos, pois as comunicações

entre os diversos estados eram precárias e

a melhor maneira de promover o conhecimento e

intercâmbio de idéias era o congresso. Esse modelo

foi bastante utilizado e com sucesso.

Em 1977, Ulysses assume a presidência e eu a tesouraria

da associação. A gestão de Ulysses marca

uma mudança muito visível na entidade, que

aparece claramente no Congresso de Camboriú,


Com a palavra:

Marcos Pacheco

de Toledo Ferraz

Gestão: 1980 - 1983

São Paulo

João Romildo

Fannuci Bueno

Gestão: 1983 - 1986

Rio de Janeiro

Luiz Salvador

de Miranda Sá

Junior

Gestão: 1986 - 1989

Minas Gerais

William Azevedo

Dunnigham

Gestão: 1989 - 1992

Bahia

Othon Bastos

Gestão: 1992 - 1995

Pernambuco

Rogério Wolf

de Aguiar

Gestão: 1995 - 1998

Rio Grande do Sul

Miguel Jorge

Gestão: 1998 - 2000

São Paulo

Marco Antonio

Alves Brasil

Gestão: 2001- 2004

Rio de Janeiro

Josimar Mata

de Farias

França

Gestão: 2004 - 2007

Distrito Federal

debate hoje | 13


14 | debate hoje

Debate

matéria de capa

em 1978. Sob a batuta de Ulysses, temas como

a residência médica, modelos alternativos e particularmente

a inclusão de temas políticos como

a proposta de anistia ampla, geral e irrestrita, foram

marcas desse congresso.

João Romildo Fanucci Bueno

São múltiplas e variadas as condições que permitiram

a criação de uma Associação Brasileira

de Psiquiatria. Entre elas, destacam-se a existência

de associações estaduais, centros de estudos

universitários e de uma Sociedade de Neurologia,

Psiquiatria e Higiene Mental do Brasil (SNPHMB)

que realizava congressos bienalmente. O estabelecimento

da psiquiatria como especialidade

médica exigia uma associação independente para

representar essa categoria profissional. A fundação

da ABP foi acordada e decidida em Congressos

realizados pela entidade ‘multidisciplinar’

(SNPHMB) que, em realidade era já dominada por

professores universitários de psiquiatria e dirigentes,

“coordenadores” estaduais e “especialistas”

da antiga Divisão Nacional de Saúde Mental (DIN-

SAM) do Ministério da Saúde. Interessante notar

que esses “especialistas” eram formados em cursos

ministrados pela DINSAM que contavam com

a colaboração dos professores universitários. Condições

ideais para se criar uma entidade nacional

que representasse os ‘psiquiatras brasileiros’ e

os “liberasse” da forte influência corporativa da

“medicina legal” ou “psiquiatria forense” e que

datava do tempo de Juliano Moreira. {Nota do

Ed.: Juliano Moreira (Salvador, 1973-Rio de Janeiro,

1932)um dos pioneiros psiquiatria brasileira}

Luiz Salvador de Miranda Sá Junior

A ABP, fundada em 1966, passou por um período

de relativa beatitude, como promotora de congressos,

até 1977 quando Ulysses Vianna Fº foi

eleito presidente e iniciou um amplo processo nacional

de discussão política em duas vertentes: a

abominável situação política imposta ao país pela

ditadura da UDN e a infame situação em que viviam

os doentes mentais. Denunciávamos o auto-

ritarismo ditatorial e o modelo hospitalocêntrico

e voltado para o lucro dos empresários que maltratavam

os doentes e exploravam seus empregados,

inclusive os médicos. Com o fim da ditadura,

foi possível apresentar o núcleo da opinião crítica

dos psiquiatras contra a desassistência imposta

aos seus pacientes.

William Dunningham

Com o desenvolvimento teórico da Psiquiatria, os

psiquiatras no mundo inteiro perceberam a necessidade

de se organizar do ponto de vista associativo,

com o objetivo de assegurar uma prática

profissional eficiente, mediante a atualização dos

conhecimentos, condições de trabalho adequadas

e uma assistência aos pacientes compromissada

com o bem estar e a saúde mental. Nesse contexto,

uma rede de psiquiatras de vários países

do mundo, que intercambiavam conhecimentos

em conclaves científicos internacionais, fundou

a Associação Mundial de Psiquiatria em 1950,

alavancando a criação de entidades nacionais

de psiquiatras. Surgiram então as associações de

psiquiatria nos países desenvolvidos, instando os

psiquiatras brasileiros a fundar a Associação Brasileira

de Psiquiatria.

Othon Bastos

As instituições, a exemplo do que se passa com as

pessoas que dispõem de antecedentes familiares,

têm igualmente uma história que lhes precede,

sua pré-história. No caso particular da ABP, pelo

menos duas associações multidisciplinares lhe

antecederam: a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria

e Medicina Legal do Brasil, fundada pelo

Prof. Juliano Moreira e colaboradores, em 1904,

que se estendeu até 1948 ( sucedida pela Associação

Psiquiátrica do Rio de Janeiro - APERJ) e

a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e Higiene

Mental do Nordeste, depois do Brasil, fundada em

1938 pelo Prof. Ulysses Pernambucano de Mello.

Isto sem falarmos na Liga Brasileira de Higiene

Mental, de curta existência. Tive a oportunidade

de acompanhar e participar ativamente da


SNPHMB desde 1958. Ela desempenhou um papel

decisivo na aglutinação dos psiquiatras brasileiros,

possibilitando a criação e o desenvolvimento

da ABP. Seus diversos congressos nacionais de

1958 (Salvador), de 1962 (Belo Horizonte) e, em

particular, o de Fortaleza de 1965 foram decisivos

para a fundação da mesma. Neste último evento

estiveram presentes psiquiatras das diversas regiões

do Brasil, ocasião em que estimulados pela

Associação Médica Brasileira e pelos colegas nordestinos,

gaúchos e do leste do país, foi lançada

e aprovada a idéia da fundação de uma sociedade

nacional psiquiátrica. No ano seguinte, 1966, no

mês de agosto, seria solenemente criada a ABP,

no Hospital Pinel, na cidade do Rio de Janeiro,

sendo escolhido como primeiro Presidente, o insigne

Prof. José Leme Lopes e como secretário

geral, o Prof Ulysses Vianna Filho. A ABP surgiu,

portanto, em pleno regime militar, à sombra das

cátedras de Psiquiatria, com duplo caráter de sociedade

científica e profissional.

Miguel Jorge

A ABP foi fundada cerca de dois anos depois da

instalação do regime militar no Brasil, porém

ainda antes do endurecimento da ditadura. Seus

fundadores eram essencialmente professores universitários

que mostraram posteriormente serem

pessoas de índole conservadora e preocupados

somente com os aspectos científicos da especialidade

e não com as condições de trabalho e de

vida que os psiquiatras tinham naqueles difíceis

anos. Somente por ocasião do movimento pela

anistia ampla, geral e irrestrita em 1978 que -

sob a liderança de Ulysses Vianna Filho - a ABP

passa a ter um papel proeminente não só pela

redemocratização do país como a lutar por melhores

condições de trabalho para os psiquiatras

e por uma assistência de qualidade aos pacientes

com doenças mentais.

Marco Antonio Alves Brasil

O Prof. Ulysses Vianna Filho foi a pessoa mais importante

e fundamental na criação da ABP. Ele

“Com o desenvolvimento

teórico da Psiquiatria, os

psiquiatras no mundo inteiro

perceberam a necessidade de

se organizar do ponto de

vista associativo”

William Dunningham

dedicou boa parte de sua vida ao crescimento e

consolidação da Associação. Nos primeiros anos

da Associação, cedeu o espaço de seu consultório

para ser a sede da Associação. Ao seu lado, a presença

do leal servidor Vanor Ferreira, que até sua

morte dedicou-se integralmente a ABP. São dois

nomes que devem ser sempre lembrados e homenageados.

A eles, nossa associação deve muito.

Após um período acadêmico, onde era, essencialmente,

uma sociedade voltada aos aspectos científicos

da Psiquiatria, a ABP passou, sobretudo a

partir do Congresso de Camboriú, a ter um papel

cada vez mais crescente como a associação representativa

dos psiquiatras brasileiros, passando a

ter uma postura ativa nas questões da formação,

educação continuada e assistência psiquiátricas.

O crescente número de associados é prova inconteste

desse papel.

Josimar Mata de Farias França

A fundação da Associação Brasileira de Psiquiatria

em 13 de agosto de 1966 se deu em pleno regime

militar e vinculada a influencia pessoal e de

cátedra dos seus fundadores, com o duplo caráter

de sociedade científica e profissional. A sessão de

fundação foi presidida pelo Prof. Raul Bitencourt,

auxiliado pelo Prof. Clovis Martins, secretariada

pelos Drs. José Caruso Madalena e Oswald Moraes

de Andrade. Desde a sua fundação a ABP se estrutura,

numa dinâmica federativa, permeável e crítica

ao contexto em que se instalou, e interessada

em congregar psiquiatras, promover congressos e

educação continuada, regulamentar e conferir

debate hoje | 15


16 | debate hoje

Debate

matéria de capa

título especialista, estabelecendo relacionamentos

de filiação com a Associação Psiquiátrica da

América Latina (APAL) e a Associação Mundial de

Psiquiatria (WPA).

Rogério Wolf de Aguiar

A articulação que conduziu à fundação da ABP

manteve o funcionamento da antiga Sociedade

Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Higiene

Mental. Esta passou a existir apenas durante a

realização do seu Congresso Nacional, a cada dois

anos, alternado com o Congresso Brasileiro de

Psiquiatria. Naquela época a ênfase da ABP era

mais acadêmica, herança histórica. Com a realidade

da ditadura militar (64 a 78) a ABP também

passou a ter posições políticas que, sempre que

possível, apoiavam o retorno ao estado democrático.

A necessidade de acompanhar a evolução da

normatização legal da especialidade, de estabelecer

titulação reconhecida pela comunidade médica

e a defesa do exercício profissional foram as

forças agregadoras dos psiquiatras em torno de

associações estaduais e de uma entidade nacional.

Os congressos eram o cenário para aproximar

os psiquiatras das regiões do Brasil, numa época

em que as distâncias eram muito maiores do que

hoje em dia, em que não havia a Internet, e assim

por diante.

Desde seu início, a ABP produziu documentos

em que procurava influenciar a política de saúde

mental no sentido da modernização e da transformação

da assistência numa ação mais justa,

reabilitadora e de respeito ao doente mental.

CongrEsso: hIstórIA, DEsEnvolvImEnto

E PErsPECtIvAs

Marcos Pacheco de Toledo Ferraz

Em Camboriú, a revista da ABP estava se formatando

e uma novidade tecnológica pode ser

testada no congresso. Fitas cassetes de todas as

conferências foram gravadas e no dia seguinte estavam

em mãos dos congressistas. Esse programa

durou décadas, como o 1º. Programa de Educação

Continuada da ABP. Durante a gestão de Ulysses

e a minha, que a sucedeu, houve uma continuidade

administrativa, pois com a cobrança através

de boletos bancários, a questão crucial que era a

financeira, se resolve. O Sanatório Botafogo, no

Rio de Janeiro, e a Rua Borges Lagoa 394, em

São Paulo, sedes temporárias da ABP, permitiram

a acumulação econômica necessária para o segundo

passo que foram as jornadas regionais de

psiquiatria, com uma melhor articulação dos diversos

centros de conhecimentos. O papel das federadas,

desenhado no estatuto durante a gestão

de Zimmermann (David Zimmermann, presidente

da ABP de 1975 a 1977), foi fundamental para

que tais eventos prosperassem, agregando novos

associados a partir da década de 1980. Para terse

uma idéia do crescimento da ABP, o congresso

de Camboriú, com a participação de cerca de 900

pessoas, contrasta com último, em 2009, com

mais de 6000 participantes.

João Romildo Fanucci Bueno

Em seus primeiros quatro anos de vida a ABP ‘parasitou’

os congressos realizados pela SNPHMB. O

primeiro Congresso Brasileiro de Psiquiatria (CBP)

ocorreu em 1970, inserido no bojo do Congresso

da APAL realizado por Clóvis Martins que, por

acaso era o editor da novel publicação Revista

Brasileira de Psiquiatria. O segundo CBP ocorreu

em Belo Horizonte em 1972 e contou com cerca

de 800 participantes entre inscritos e convidados

e o terceiro teve lugar no Rio de Janeiro por

ocasião da jubilação do Prof. José Leme Lopes. O

duro aprendizado completou-se em Fortaleza, em

1976. Em seus dois primeiros congressos contou

a ABP com o prestígio de renomadas figuras internacionais,

convidados por professores universitários

que a presidiram em sua “era Acadêmica”

encerrada em Brasília no Congresso da SNPHMB

de 1975, onde se criou uma “Comissão de Reforma

dos Estatutos”. A experiência adquirida concretizou-se

na absorção da SNPHMB e culmina na


exitosa trajetória de CBPs anuais. Fiz parte da

“comissão científica paralela-carioca” (criada no

IPUB por Leme Lopes) do Congresso de 1969, comemorativo

da jubilação do Prof. Pacheco e Silva

e continuei modesto colaborador dos CBPs até a

década de noventa, se não falha a memória...

William Dunningham

Nos primeiros 25 anos da entidade, os congressos

brasileiros eram realizados com cuidado científico

mas com um nível artesanal de organização, mercê

do esforço e da criatividade dos dirigentes da

ABP e das suas federadas. A semente dos atuais

mega-congressos brasileiros de psiquiatria foi lançada

na gestão por mim presidida (1989-1992),

quando nós da ABP e o Prof. Jorge Alberto Costa

e Silva, então presidente da Associação Mundial

de Psiquiatria, conseguimos aprovar a postulação

do Rio de Janeiro para sediar o Congresso Mundial

de Psiquiatria em 1993, o que representou uma

das maiores realizações da psiquiatria brasileira

em todos os tempos. Desde então, os congressos

brasileiros se profissionalizaram e estão hoje entre

os mais importantes do mundo inteiro.

Othon Bastos

A sensação de ter acompanhado o desenvolvimento

da ABP através de seus congressos é algo

muito especial, pois me converte em testemunha

privilegiada de toda a evolução da vida associativa

psiquiátrica brasileira nas últimas quatro a

cinco décadas. O mais importante é que quase

sempre estive bem próximo da direção da Sociedade,

quer como Secretário Regional, membro

da Comissão Executiva, componente de diversas

comissões (Científicas, de concessão do título de

especialista, etc), Vice-Presidente e, por fim, a

Presidência. Assumi a presidência em um de seus

momentos mais difíceis de reestruturação e que

também coincidiu com a realização do IX Congresso

Mundial de Psiquiatria, no Rio de Janeiro, em

junho de 1993. A ABP é portanto, para mim uma

filha muito querida, a quem acalentei nos braços

e que acompanho seu crescimento até hoje. No

presente momento, na qualidade de ex-presidente

tive a honra de assistir sucessivamente a elevação

ao cargo de direção máxima da associação de todos

os meus antigos colegas de diretoria. De início,

sua fundação, a seguir, os vários congressos

que se sucederam, em particular o de 1978, em

Camboriú, em que a ABP aprovou em sua sessão

de encerramento, por unanimidade e aclamação,

uma moção ao país em favor da anistia ampla,

geral e irrestrita. O IX Congresso Mundial de Psiquiatria,

a criação do Programa de Educação Continuada

(PEC), sua expansão a todo o território

nacional e seus notáveis mega-eventos. Hoje, a

ABP congrega a grande maioria dos psiquiatras de

todo o país. Desde sua criação a ABP passou a ter

um reconhecimento internacional, junto à APAL e

à WPA. Para isto muito contribuiu a figura notável

do Prof. Ulysses Vianna Filho que, enquanto

de desfrutar de saúde,foi o embaixador oficial

e plenipotenciário da associação. A partir do final

dos anos 1980, os presidentes e diretores sempre

se fizeram presentes aos encontros da WPA, da

APAL e da APA (Associação Psiquiátrica Americana).

Quanto aos países de língua portuguesa,

os colegas lusitanos participam dos congressos

da ABP desde 1972 e, de forma maciça, a partir

dos anos 1990. A ASMELP (Associação de Saúde

Mental de Língua Portuguesa), fundada no Porto,

em 1994, foi uma decorrência natural do convívio

próximo e íntimo com os colegas de além mar,

portugueses e africanos. No momento presente,

a ABP realiza o segundo maior congresso de Psiquiatria

do mundo e, conseqüentemente, o maior

de expressão portuguesa.

Miguel Jorge

Durante as décadas iniciais da existência da ABP,

ela realizava um congresso bienal alternadamente

com a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria e

Higiene Mental do Brasil. Posteriormente, o Congresso

Brasileiro de Psiquiatria (CBP) passou a

se realizar anualmente, sempre organizado pela

ABP e por uma de suas federadas estaduais. Pouco

depois da metade dos anos 1990, a organização

científica do CBP passou a ser mais centralizada

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Debate

matéria de capa

na sede nacional e culminou com a criação de

uma gerência de eventos que passou a se responsabilizar

inteiramente pela logística de sua realização

e a coordenar integralmente a programação

científica. Como resultado deste processo, o CBP

cresceu vertiginosamente em público e qualidade,

contando com cinco, seis mil participantes em

cada uma de suas últimas cinco edições.

Marco Antonio Alves Brasil

Considero como marcos fundamentais para evolução

e aprimoramento do CBP e para torná-lo um

dos três principais congressos de psiquiatria do

mundo: 1995 – Rogério Aguiar assume a presidência

da ABP e em seu discurso de posse comunica

que o Congresso Brasileiro de Psiquiatria passa a

ser anual e não mais bienal; 1997 – Congresso Brasileiro

de Psiquiatria realizado em Brasília – Rogério

Aguiar (Presidente da ABP) e Josimar França

(Presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília)

decidem criar duas comissões - de organização e

científica, com participação paritária da ABP e da

federada, que passaram a ser conhecidas, respectivamente,

pelos acrônimos COMOR e COCIEN. Até

então, toda a organização do Congresso era, praticamente,

entregue a federada que estava recebendo

o CBP. Isso implicava que a qualidade do CBP

variava de acordo com a capacidade de preparação

do evento de cada federada. Além disso, as experiências

adquiridas com a realização do evento não

eram aproveitadas, sendo que a cada ano, tínhamos

que “reinventar a roda”. Em 2001, ao iniciar

“...o CBP cresceu

vertiginosamente em público

e qualidade, contando com

cinco, seis mil participantes

em cada uma de suas últimas

cinco edições”.

Miguel Jorge

minha gestão, a ABP assumiu plenamente, através

da sua, então criada, secretaria de eventos, todo

o preparo, a divulgação e a organização do CBP.

Até então, isso era entregue a empresas de eventos

que ficavam com uma parcela significativa do

lucro financeiro de nossos congressos. Além disso,

a cada ano era feita uma concorrência para a

escolha dessa empresa, o que implicava sempre

em “um tiro no escuro”, ou seja, era sempre uma

interrogação se a empresa contratada faria um

bom trabalho. Por outro lado, com a Secretaria de

Eventos da ABP, pudemos acumular experiência,

fator fundamental para o aprimoramento técnico

de nossos congressos. A cada ano, com a Secretaria

de Eventos, podemos corrigir as falhas dos

congressos anteriores e desenvolver um processo

de contínuo aprimoramento.

Outra contribuição que minha diretoria pode dar

ao CBP foi iniciar o processo de inscrição para

as atividades científicas, envio de resumos para

cursos, pôsteres e mesas-redondas, através de

formulários via internet. Foi durante uma longa

viagem área (Congresso Mundial de Psiquiatria,

Japão, 2002) que eu e Rogério Aguiar fizemos os

primeiros esboços desse processo que hoje garante

maior agilidade e organização no recebimento

de propostas e, ao mesmo tempo, proporciona um

acesso a todos aqueles associados que tenham interesse

em contribuir nas atividades científicas do

CBP. Esse processo vem a cada ano se aprimorando

e, sem dúvida, constitui hoje um modelo de organização

para realização de congressos científicos.

Josimar Mata de Farias França

Em 1970, na cidade de São Paulo, ocorreu o I

Congresso Brasileiro de Psiquiatria, promovido

pela Associação Brasileira de Psiquiatria, sob a

presidência do Prof. Álvaro Rubim de Pinho (BA).

Durante o evento, foi lançada a Declaração de

Princípios de Saúde Mental, em que se pôde observar

o predomínio dessa corrente de pensamento.

Temas como direito a saúde e responsabilidade

social, garantia de abordagem integrada de cunho

bio-psico-social, racionalização e hierarquização


da assistência, prevenção primaria, psicoeducação,

formação de pessoal, desinstitucionalização,

alternativas assistenciais extra hospitalares, e incentivo

a pesquisa estavam em pauta.

Rogério Wolf de Aguiar

Ao assumir a gestão da ABP, em outubro de 1995,

em Salvador, a diretoria formada por Marco Antonio

Brasil, Miguel Roberto Jorge, Geraldo Amaral e

por mim, na cerimônia de abertura do Congresso,

anunciou a decisão de realizar o Congresso Brasileiro

de Psiquiatria anualmente, e não de dois em

dois anos, como até então. Decidiu-se manter por

mais alguns anos o nome do Congresso Nacional

de Neurologia, Psiquiatra e Higiene Mental acoplado

ao do Congresso Brasileiro de Psiquiatria a

cada dois anos. A partir da realização do Congresso

Brasileiro de 1997, em Brasília, se decidiu por

mais uma mudança radical na realização dos congressos

brasileiros. Criou-se uma comissão científica

pequena, enxuta, indicada pela ABP, que se

somaria ao grupo igualmente pequeno, indicado

pela Federada local. Esta pequena comissão seria

sempre presidida por um dos três indicados pela

ABP. Da mesma forma, a Comissão Organizadora

seria compartilhada por uma Comissão Nacional

e a outra metade pela Comissão Local. Desta forma,

lançou-se o protótipo do que seria mais tarde

a COCIEN e a COMOR. O coração da programação

científica e da organização geral seria realmente

assumido pela ABP, garantindo uma face nacional

ao congresso. Esta fórmula, em seus fundamentos,

continua até hoje, embora com muito maior

amplitude , aprimorada pelas sucessivas diretorias

e também pela tecnologia. Outro passo que

considero fundamental foi a proposição de relatórios

pela Internet, a partir de 2002, para serem

selecionados pela COCIEN. Esta providência proporcionou

um salto na democratização da grade

científica dos congressos extraordinário. Com esta

fórmula, os jovens pesquisadores tiveram acesso

direto a COCIEN, o que facilitou a exposição dos

seus trabalhos, antes só intermediados pelos dirigentes

das federadas estaduais. Esta simples providência

trouxe uma vitalidade fundamental para

os congressos brasileiros, trazendo a produção de

pesquisa científica da pós-graduação para o cenário

associativo. O extraordinário crescimento

dos congressos da ABP nos anos 2000-2010, em

número e qualidade, observado pelo mundo psiquiátrico

inteiro, se deve em grande parte a este

acesso científico democrático.

PolítICA DE sAúDE mEntAl

E AssIstênCIA: hIstórIA Do

AtEnDImEnto, rEAlIDADE

AtuAl E novAs ProPostAs

Marcos Pacheco de Toledo Ferraz

O Brasil da ditadura, do “ame-o ou deixe-o”, exigia

da entidade uma posição quase sindical, embora

não se descuidasse dos aspectos científicos.

A afirmação de que a homossexualidade não era

uma doença mental, em 1980, no congresso da

Bahia, provocou manchetes na imprensa. Nesse

congresso, um tema foi extremamente discutido:

a reforma psiquiátrica. A partir desse período, a

discussão básica, que a ABP levou avante, foi a reforma

da atenção psiquiátrica com a ampliação da

rede de ambulatórios, centros de saúde, emergências

psiquiátricas e unidades psiquiátricas dentro

de hospital geral, incluindo equipes multiprofissionais.

Quase trinta anos depois, percebemos que

apesar da adoção desse modelo foi amputada a

participação dos psiquiatras nos centros de saúde

e particularmente nos CAPS em todo o país. O modelo

implantado ainda se preocupa com a extensão

e não com a qualidade da atenção proporcionada.

É papel da ABP não somente denunciar, mas

também qualificar os profissionais e sua ligação

com as Universidades a habilitam para tanto.

João Romildo Fanucci Bueno

A ABP, desde os primórdios de sua atuação teve

papel destacado nessa área: inicialmente por

que seus dirigentes eram ativos participantes

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Debate

matéria de capa

na elaboração desta “política”, a seguir por ser

a ABP sempre consultada pela DINSAM ( e suas

sucedâneas..). Uma ruptura deu-se quando a ABP

ao invés de “colaborar na...” passou a “atrelarse

à...” “Política Oficial” do Ministério da Saúde.

Isso coincidiu com a crescente importância de

uma corrente anti-psiquiátrica e anti-médica que

floresce em nosso país a partir dos anos noventa.

A situação promete reverter-se com a elaboração

das Diretrizes que, até agora, não mereceram a

devida atenção dos “psico-burocratas” de Brasília

e adjacências... Boas possibilidades se abrem

caso a ABP e suas federadas unirem-se em esforços

com o CFM e os CRMs; vejamos qual será a

direção a ser tomada pelos futuros dirigentes da

vida associativa.

Luiz Salvador de Miranda Sá Junior

Ao contrário do que muitos parecem pensar a assistência

psiquiátrica no Brasil vive sob o signo

da reforma desde seu início. Antes da independência

os pacientes psiquiátricos mereciam destinos

diferentes conforme vivessem em pequenas

comunidades rurais ou em localidades maiores.

Nestas últimas (Salvador, Rio, Recife , Cuiabá e

Ouro Preto), que raramente chegavam a cinqüenta

mil habitantes, eram recolhidos nos porões dos

hospitais de caridade da Santa Casa. No meio

rural, perambulavam ajudados pelos parentes e

amigos. Os violentos ficavam presos na cadeia até

melhorarem, morrerem ou fossem removidos para

uma cidade com Santa Casa. A primeira reforma

se deu para comemorar a maioridade de D. Pedro

II, com a construção do Hospício Nacional no

Rio de Janeiro (no palácio que abriga a Reitoria

da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Os

estados mais ricos e populosos acompanharam a

iniciativa da corte em suas capitais ( Rio Grande

do Sul, Bahia, Pernambuco). Diferentemente,

Minas edificou o seu em Barbacena. Todos eram

ricos palacetes, o que aponta para a boa intenção

de seus construtores. Mas cedo se deterioraram

por causa da inexistência de terapêutica efetiva,

associada à pobreza de seus pacientes. Sua degradação

se deu em dois planos: na deterioração

das instalações e dos serviços que prestavam e

no afastamento da Medicina e do modelo médico.

Com o surgimento da previdência social nos anos

trinta, deu-se a segunda mudança do modelo de

assistência psiquiátrica. A rede assistencial praticamente

reduzida a asilos oficiais foi incrementada

pela presença crescente de hospitais privados.

A condição de miséria dos asilos públicos estabeleceu

o paradigma de desumanização progressiva

de seus congêneres privados. Os burocratas da

previdência preferiam alugar leitos nos hospitais

privados que melhorar os públicos. Enquanto isso,

o pais se desenvolvia, se urbanizava e se industrializava.

As entidades psiquiátricas existentes,

notadamente a Sociedade de Neurologia, Psiquiatria

e Higiene Mental (no nordeste) e a Sociedade

de Neurologia, Psiquiatria e Medicina Legal (no

sudeste), quando tinham ocasião, denunciavam

esse descalabro. As condições materiais da terceira

reforma da assistência psiquiátrica surgiram

com o advento da penicilina, dos neurolépticos

e dos antidepressores depois da Segunda Guerra

Mundial. Nessa época, a derrubada da ditadura do

PSD criou as condições políticas para a retomada

da campanha reformista

William Dunningham

Desde os anos 1970 até meados dos anos 1990,

a participação da ABP no movimento de reestruturação

da atenção à saúde mental no Brasil

esteve centrada na reorientação de um modelo

hospitalocêntrico de cuidado, para um sistema

voltado para a inserção social do doente, com

ênfase na garantia de sua assistência nos serviços

extra-hospitalares. Entretanto, a partir de

meados da década de 1990, foi prevalecendo no

Governo Federal uma visão e uma ação política

de viés anarco – antipsiquiátrico. Ela constitui o

cerne da assim chamada Reforma Psiquiátrica brasileira,

apesar das críticas contundentes da ABP,

das lideranças médicas brasileiras e das entidades

representativas dos familiares dos usuários. Como

uma alternativa aos excessos corporativistas desta

Reforma, a ABP formulou as Diretrizes para

uma nova política de assistência mental no país.


Othon Bastos

Como não houve interrupção da normalidade democrática,

a Associaçãode caminhar livremente.

É claro que se intensificou o debate em torno da

reforma psiquiátrica. A posição assumida pela ABP

foi historicamente a mesma. Contrária à industrialização

dos leitos psiquiátricos, contra a psiquiatrização

dos problemas sociais, favorável à mudança

do modelo assistencial centrado no hospital e ao

incremento dos recursos extra-hospitalares. Esta

postura não implicava na aceitação passiva de

todos os itens da Lei Paulo Delgado, nem na adoção

dos desvarios do movimento antimanicomial.

Contrária aos postulados teóricos e à ação prática

da Anti Psiquiatria e favorável à uma Anti Má

Psiquiatria. A ABP, através de sua Diretoria, fez-se

presente aos principais debates, compareceu aos

gabinetes ministeriais e foi até ao Senado Federal.

Miguel Jorge

Desde os anos 1980 as sucessivas Diretorias da

Associação Brasileira de Psiquiatria se posicionaram

contra a política de saúde mental que passou

a vigorar ainda nos anos iniciais da ditadura

militar, privilegiando a internação em detrimento

da atenção ambulatorial e comunitária. Além

deste atendimento se fazer primordialmente em

macro-hospitais psiquiátricos, o tempo de internação

era pré-fixado por categoria diagnóstica e

o paciente quando muito era visto semanalmente

pelo médico. Abuso no uso da eletroconvulsoterapia

e desrespeito continuado à dignidade da

pessoa e seus direitos como paciente eram mais

do que freqüentes. O manifesto - denominado Declaração

de Caracas - que lançou um amplo movimento

em toda a América Latina pela mudança

deste enfoque hospitalocêntrico e desrespeitoso

aos direitos humanos dos pacientes contou com

a participação de lideranças da psiquiatria brasileira

ocupando os mais altos cargos na Diretoria

da Associação. Este movimento culminou com a

aprovação de um substitutivo ao projeto de lei

do então Deputado Paulo Delgado, que buscou reorientar

a assistência psiquiátrica para a comu-

nidade, mas que, infelizmente, na sua execução

mostrou-se indutor de apenas um tipo de serviço

(os CAPS) voltado para pacientes com quadros

psiquiátricos mais graves e ainda assim em número

insuficiente e distribuição inadequada. Pacientes

que ainda necessitavam de internação e com

quadros psiquiátricos mais prevalentes ficaram

em sua maior parte desassistidos e os psiquiatras

alijados das discussões e decisões sobre a assim

chamada reforma da assistência psiquiátrica.

Marco Antonio Alves Brasil

A ABP sempre se posicionou contra o sistema

hospitalocêntrico, formado, em grande parte, por

grandes hospitais psiquiátricos com características

asilares. Da mesma forma, sempre se manifestou

contra a má prática psiquiátrica, seja a

onde ela for praticada. Nas propostas e ações de

suas diretorias, sempre procurou ressaltar a importância

do papel do psiquiatra, com atribuições

específicas e intransferíveis, dentro do sistema

de saúde. Sempre defendeu uma proposta de um

sistema de saúde descentralizado, onde diferentes

recursos assistenciais, atuando de forma integrada

e coordenada, procurem oferecer uma assistência

baseada, sobretudo, em ações preventivas (notadamente

a prevenção secundária e terciária).

Valoriza o papel da unidade psiquiátrica de hospital

geral, oferecendo ao paciente psiquiátrico o

direito de ser tratado no mesmo ambiente onde

“Só haverá um real progresso

em saúde mental se ele for

acompanhado de justiça social,

de condição de vida digna para

nossa população, de iguais

oportunidades de educação

e trabalho, e de direitos e

deveres iguais para todos”

Marco Antonio Alves Brasil

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Debate

matéria de capa

são tratados todos os outros pacientes. Isso, sem

dúvida, contribui para acabar com o estigma e

a segregação de nossos pacientes. No entanto,

como afirmamos em 2004, na solenidade de abertura

do XXII Congresso Brasileiro de Psiquiatria,

“não há progresso na saúde sem transformações

sociais. Toda resposta aos problemas de saúde da

população concebida unicamente em termos de

assistência médica ultrapassa as possibilidades

econômicas do país e está fadada ao fracasso. Só

haverá um real progresso em saúde mental se ele

for acompanhado de justiça social, de condição de

vida digna para nossa população, de iguais oportunidades

de educação e trabalho, e de direitos e

deveres iguais para todos”. Essa tem sido a postura

da ABP – valorizar o atendimento comunitário,

vinculado à atenção integral em saúde, entendendo

que a assistência em saúde mental tem que

estar integrada a assistência geral de saúde. Que o

paciente seja tratado o mais próximo de sua comunidade,

preferencialmente de forma ambulatorial e

junto aos pacientes de outras especialidades, para

que não seja discriminado e estigmatizado.

Josimar Mata de Farias França

A década de 1970 poderia ter sido caracterizada

pela prática psiquiátrica comunitária, preventivista,

extra-hospitalar. Todavia, o que predominou

foi uma política de privilégio do setor privado,

por meio da contratação, pela Previdência Social,

de serviços de terceiros, expandindo significativamente

o modelo hospitalar no Brasil. A proposta

preventivista, que começava a surgir na política

de saúde mental em nosso país, trouxe em si

contradições, avanços e retrocessos, os quais se

tornariam mais aguçados no final dos anos 1970,

quando a reorganização da sociedade civil, o enfraquecimento

do governo militar e as novas reflexões

e experiências da saúde pública, e da saúde

mental em especial, gestaram os primórdios da

reforma psiquiátrica no Brasil. Desde 1978, sem

abandono de suas tarefas especificas, a ABP vem

se atirando nas lutas contra o terrorismo político,

pela anistia, pelas eleições diretas e, finalmente,

pela unidade das forças democráticas em busca

de uma transição pacifica do regime. Os órgãos

dirigentes e a imensa maioria das associações

federadas entenderam que a política nacional de

saúde mental não podia ser dissociada da política

nacional de desenvolvimento social, a qual

refletia as opções políticas do modelo econômico

adotado pelo governo federal. Mudando o governo,

transformando o estado, pode-se acalentar a

esperança de modificações fundamentais em toda

essa estrutura de procedimentos políticos.

Rogério Wolf de Aguiar

A ABP se manteve independente da política nacional

de saúde quando esta priorizou o atendimento

hospitalar em detrimento do extra-hospitalar. A

priorização não correu apenas em psiquiatria. Na

década de 80 e em parte na seguinte, a ênfase

foi nos hospitais, e o abandono foi nos ambulatórios.

Entre 85 e 92 houve grandes embates entre

as diretorias da ABP e representantes dos interesses

financeiros da indústria da doença. Houve

assembléias gerais memoráveis em que a ABP firmou

posição autônoma em favor de uma prática

psiquiátrica voltada para a qualidade assistencial

em pequenos hospitais, hospitais gerais ou em

serviços comunitários, desatrelados dos interesses

predominantemente empresariais e da exploração

do doente mental. Como exemplo, lembro

o Congresso Brasileiro de Psiquiatria de Maceió,

em 1991, quando, no encerramento, houve uma

grande mobilização de uma caravana patrocinada

que encheu a platéia para combater a política de

independência da ABP. Naquela época, várias entidades

se mobilizaram para reverter este quadro na

saúde nacional. Isto também se refletiu no ocaso

dos grandes macro-hospitais psiquiátricos, e a ABP

também se posicionou contra a política de depósitos

de doentes (5000 no S.Pedro, 15000 (!) no

Juqueri, e assim por diante). Em 1994, o CFM edita

duas Resoluções sobre o atendimento ao doente

mental, aliando-se ao movimento pela defesa dos

direitos destes pacientes, assinadas pelo Presidente

na época, Ivan de Moura Fé (CE), associado

da ABP. Recentemente, em junho de 2010, o CFM

editou nova Resolução, a 1952, que adota as “di


etrizes da ABP” e revoga as anteriores. Tratava-se

de desmontar esta política nacional em todas as

especialidades. Com o passar dos anos, contemporaneamente,

esta história chegou ao sistema CAPScêntrico,

com nova hegemonia, com distorções e

carências compartilhadas explicitamente pela sociedade,

e que estão a cobrar novas medidas corretoras

do rumo da política. O desaparelhamento

hospitalar não foi adequadamente acompanhado

pelo aparelhamento extra-hospitalar e comunitário.

O resultado é a luta por vagas, por consultas

especializadas e pela judicialização da saúde. Familiares

e doentes vagam pelas centrais reguladoras

de leitos, por postos de saúde desaparelhados

e por serviços pouco ou nada resolutivos. Não há

uma carreira de estado para os profissionais da

saúde, e a carência de atendimento em vastas regiões

do país é uma realidade. A demanda portanto

é para que a ABP novamente se alie as forças vivas,

às entidades médicas independentes, às associações

de familiares, para que possa influenciar

numa política de saúde competente, ampla e justa.

formAção E AtuAlIzAção:

ProBlEmAs E soluçõEs PArA

o PAssADo, o PrEsEntE E o

futuro

Luiz Salvador de Miranda Sá Junior

O artigo publicado no jornal Psiquiatria Hoje de

maio/junho de 1987, por João Romildo Bueno,

Luiz Salvador de Miranda Sá Jr., Marcos Ferraz,

e José Lopes Neto anunciava a posição política

da ABP com relação aos seus compromissos com

os pacientes e com a sociedade. Por essa época,

Marcos Ferraz, o ex-presidente da ABP que acumulava

mais experiência e informação sobre a

psiquiatria assistencial no país, dirigia a DINSAM,

organismo federal de saúde mental e teve a idéia

de propor uma medida legislativa que instituísse

as mudanças reclamadas pelos psiquiatras. O

autor deste texto presidia a ABP e logo aderiu

à medida. Ambos instituímos uma comissão que

reunia três representantes do Ministério da Saúde

(Marcos Ferraz e duas médicas suas auxiliares) e

três da ABP (o presidente, Romildo Bueno e Ulisses

Viana, ex-presidentes).

Iniciaram-se os trabalhos para a redação do que

viria a ser um Código da Assistência Psiquiátrica.

Inicialmente, foi consolidada a legislação e as

normas técnicas vigentes e quando estavam sendo

incorporadas as sugestões das federadas da ABP,

tomadas em reuniões dos últimos anos, uma técnica

do Ministério da Saúde adepta do jeito petista

de ser, associou-se a um parlamentar adepto anarcóide

da anti-psiquiatria, e gestaram o Projeto de

Lei Paulo Delgado que foi proposto à nossa revelia.

Recebeu imediatamente a oposição da Federação

Brasileira de Hospitais, uma entidade patronal

que, junto com a indústria farmacêutica, era alvo

principal de nossa ação política institucional. A

diretoria da APB ficou no mato em cachorro. Não

podia repudiar a lei porque a situação que criticava

estava sendo institucionalmente condenada por

ela durante anos e em reuniões havidas no pais

inteiro, pois apareceria como protetores dos asilos

que condenávamos. Nem devia apoiá-la,por conta

dos erros colossais que exibia. Venceu a opinião

dos que desejávamos apoiar a idéia da reforma

enquanto operávamos a tentativa de mudá-la no

processo legislativo. O projeto não foi aprovado,

apesar de receber intenso apoio de entidades profissionais

que pretendem disputar mercado de trabalho

com os médicos. Resultou na aprovação de

um substitutivo palatável, mas nossos quadros da

burocracia governista, com o descuido moral que

os caracteriza, fingem que está valendo, assim,

atuam e acordo com esse entendimento.

William Dunningham

Desde os seus primórdios, a ABP teve preocupação

com a qualidade da formação do psiquiatra brasileiro,

priorizando sua atuação, a boa formação profissional

nos Programas de Residência Médica e nos

Cursos de Especialização em Psiquiatria de reconhe-

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Debate

matéria de capa

cida qualificação. Mesmo assim, somente confere

o Título de Especialista ao profissional que venha

a ser aprovado na Prova de Título, realizada anualmente

durante os Congressos Brasileiros de Psiquiatria,

satisfeitos os pré-requisitos de conclusão de

um Programa de Residência Médica em Psiquiatria

credenciado pela Comissão Nacional de Residência

Médica ou a comprovação de ter atuado ao menos

cinco anos na especialidade. A atualização psiquiátrica

também é considerada por zelo pela entidade,

por meio do sistema de requalificação do TE.

Othon Bastos

Foram inúmeros: a organização e realização do IX

Congresso Mundial de Psiquiatria, o enfrentamento

com as sociedades congêneres recém fundadas

que buscavam ameaçar a posição hegemônica da

ABP, a tramitação da reforma psiquiátrica através

da lei Delgado, a oposição da Federação dos Hospitais

e a postura de distância e desconfiança da

indústria farmacêutica. Entre as próximas metas

destaco o aprimoramento da formação profissional,

através de programas tipo PEC, a exigência

da revalidação do título de especialista a cada

período de 5 anos, através de provas ou da realização

de cursos, a defesa e o respeito às condições

de trabalho nas equipes multiprofissionais

e interdisciplinares de seus membros. Defesa dos

direitos do doente mental e promoção da saúde

mental da população em geral, integrando-se em

campanhas anti drogas lícitas e ilícitas e prestigiando

as associações de familiares e portadores

de determinados transtornos mentais. Apoiar as

iniciativas de melhoria do ensino, da assistência

e da pesquisa na sua área de atuação.

Miguel Jorge

A formação do especialista em psiquiatria é realizada

através dos programas de residência médica credenciados

pelo MEC e a ABP veio a obter importante

vitória há poucos anos atrás quando logrou ver

aprovada sua proposta de exigir um mínimo de três

anos na duração deste treinamento. A maior responsabilidade

da ABP, entretanto, se relaciona com

a certificação e da re-certificação periódica deste

especialista através do Título de Especialista que

ela concede em parceria com a Associação Médica

Brasileira e dos mecanismos de atualização profissional

por ela desenvolvidos, buscando aprimorar

a qualidade de seus profissionais e da assistência

por eles prestada. Para tanto, a ABP tem, em nível

de excelência, editado livros e a Revista Brasileira

de Psiquiatria, aprimorado anualmente o Congresso

Brasileiro de Psiquiatria e desenvolvido um Programa

de Educação Continuada que é hoje modelo para

associações congêneres de outros países.

Marco Antonio Alves Brasil

A ABP sempre assumiu a responsabilidade, por delegação

da AMB, de conferir o título de especialista

em psiquiatria. Esse título, refletindo o crescimento

da importância e valorização da ABP, é hoje procurado

por cada vez mais psiquiatras. A cada ano,

cresce o número de candidatos à prova de título de

especialista. Vencemos uma longa batalha para aumentar

a residência médica em psiquiatria para três

anos. Apoiamos a proposta de recertificação periódica

do título de especialista, adotada pela AMB. É

importante que a ABP possa cada vez mais assumir

a função de produção de uma educação continuada

de qualidade, isenta, ética, com vem sendo feita

através do PEC ABP e de suas publicações.

Josimar Mata de Farias França

O período inicial da implantação e consolidação

da ABP foi marcado pelo crescimento, não apenas

numérico como também político, dos setores privados,

com a penetração dos representantes deste

setor na pasta da Saúde no governo Costa e Silva,

em 1968, advogando propostas de privatização

da assistência médica com responsabilização do

Estado pelo financiamento. Resistências da população

e dos setores próprios do INPS impediram

este movimento. O início da década de 1970 se

caracterizou, no Brasil, pela crescente influência

de propostas da psiquiatria comunitária. A proposta

preventivista no âmbito institucional público,

universitário e associativo, passou a influenciar o


maior de setores organizados da psiquiatria brasileira,

em contraposição ao modelo hospitalar

privado que se tornava hegemônico. Atualmente a

ABP, como ator critico do movimento de reforma

da assistência psiquiátrica no país, defende a ampliação

dos dispositivos assistenciais, de modo a

garantir amplo acesso da população a um sistema

de saúde mental que contemple adequadamente

níveis de complexidade variável, que vão desde

o atendimento ambulatorial, passando pelo pela

permanência dia, até a internação, segundo a necessidade

clínica do paciente. Vale ressaltar que os

atendimentos em regime de urgência e emergência,

e internação devem ser adequadamente equipados

dentro dos parâmetros de uma boa prática

médica que permita medidas de proteção, investigação

diagnóstica e terapêutica eficientes. Entende

que o cidadão deve e pode escolher onde se

tratar, mesmo diante de um ordenamento racional,

hierarquizado e territorial do atendimento em rede.

Defende que segundo critérios clínicos e urgência e

emergência o paciente pode adentrar em qualquer

dos níveis do sistema. Afirma que os tratamentos

em regime multiprofissional foram um ganho para

a assistência em saúde mental, mas se coloca contrária

a tentativas de descaracterização da especificidade

profissional neste modelo, entendendo

que isso traria perdas e danos para os pacientes.

Defende que o sistema de atendimento seja permeável

aos avanços da ciência e da tecnologia,

sempre sob a avaliação critica da cultura, mas sem

colocar em prejuízo as novidades terapêuticas que

ampliem os resultados estabilizadores, diminuam

as incapacidades, reduzam custos objetivos e subjetivos

com os transtornos mentais. Reafirma que

ainda que os transtornos mentais devam ser vistos

de modo amplo, incluindo seus determinantes sociais

e sua dimensão subjetiva, eles não podem ter

negligenciando sua base biológica.

Rogério Wolf de Aguiar

Desde a sua fundação a ABP se posicionou pela

valorização do título de especialista. Depois da

Lei da Residência Médica, firmou-se na defesa da

Residência como forma de obter o título de espe-

cialista. Para aqueles que não fizeram Residência,

manteve o Concurso de Títulos, com Prova, exigindo

cinco anos de prática, seguindo as normas da

AMB. Somente em 1993 reconheceu oficialmente

os Cursos de Especialização em Psiquiatria. Estabeleceu

como critério o currículo teórico e prático

que se assemelhasse ao das Residências reconhecidas

pela CNRM. Inicialmente, apenas seis cursos

no Brasil se credenciaram, quatro em Porto Alegre,

um no Rio e outro em Recife. Assim mesmo, do

ponto de vista da obtenção do título, os formados

por estes cursos teriam de fazer o Concurso

da ABP/AMB. A vantagem, alem de uma formação

qualificada, era a de poder fazer o concurso em

três anos de prática, e não em cinco. Formado em

um Curso de Especialização em Psiquiatria de reconhecida

qualificação, da Psiquiatria da UFRGS,

como presidente da ABP tratei de fazer valer um

dispositivo estatutário que não tinha sido utilizado

até então: o da ABP reconhecer oficialmente

cursos de especialização como de qualidade. A falta

de uso deste dispositivo se fundamentava na

posição histórica da ABP de valorizar a residência

Médica como forma de especialização, valorizando

o título de especialista, desmotivando cursos mal

orientados, “cursinhos” de especialização, etc. As

diretorias aliaram-se fortemente ao movimento da

Associação Nacional dos Residentes.

Assim mesmo, alguns cursos de especialização,

mais antigos, tinham um nível de excelência notório.

Para evitar duplicidade de critérios, propus, e

foi aceito, que o critério da ABP fosse o de reconhecer

cursos cuja carga teórica e prática se equivalesse

às exigências da Comissão Nacional de Residência

Médica. Poucos preenchiam este critério.

Hoje em dia, uma vez que a especialização médica

é impar, não se equiparando ao que as universidades

federais chamam de “cursos de especialização”,

os cursos médicos reconhecidos pela ABP estão

sob o título geral de “cursos preparatórios para

a Prova da ABP”, como se pode constatar no site

da ABP. Em resumo, o título de especialista em

psiquiatria pode ser obtido através da conclusão

do programa de residência reconhecido pela CNRM

ou pela aprovação no Concurso de Títulos da ABP/

debate hoje | 25


26 | debate hoje

Debate

matéria de capa

AMB. Desde 1989 é assim. As entidades médicas,

às voltas com a proliferação de especialidades e

com as diferenças entre a AMB, o CFM e a CNRM,

unificaram e enxugaram o rol de especialidades

médicas reconhecidas e formaram uma Comissão

Tríplice, com o compromisso de somente modificar

o rol em consenso. Em 2002 o CFM editou uma

Resolução, estabelecendo este rol, com o apoio da

AMB e da FENAM. Qualquer modificação deve passar

por esta comissão tripartite. Ao mesmo tempo,

criaram-se as áreas de atuação, encabeçadas pelas

especialidades. Na psiquiatria, a ABP firmou a Psiquiatria

Forense, a Psiquiatria Infantil e da Adolescência,

a Psicogeriatria e a Psicoterapia.

Junto a AMB, a ABP também participou ativamente,

entre 2000 e 2002, da criação da CBHPM,

da AMB. Antes, já havia participado ativamente

do Rol de procedimentos cobertos pelos Planos

de Saúde, hoje regulados pela ANS (Agência Nacional

de Saúde Suplementar). Ainda este ano de

2010, participou da revisão do Rol de Procedimentos

Psiquiátricos e de Saúde Mental. É importante

assinalar que o que há, hoje, de cobertura

em Psiquiatria por parte dos Planos de Saúde, foi

proposto pela ABP. Não que seja o ideal, ou o

final, mas o que foi possível.

PolítICA IntErnA:

fEDErAção, DElEgADos E

rEPrEsEntAtIvIDADE

Marcos Ferraz

O modelo atual centrado nas federações me parece

adequado para a democracia interna com as reuniões

periódicas das Federadas. Uma boa demonstração

disso é a rotatividade do poder. Presidentes

das regiões nordeste, sudeste, sul e centro oeste

se revezaram e puderam dar respostas adequadas

às mudanças que ocorreram na sociedade, como,

por exemplo, a participação da ABP nas catástrofes

ambientais levando conhecimento e ajuda a

governos e às populações. Programas com ênfase

às políticas anti-estigma iniciadas particularmente

na década atual podem dar frutos, pois aumentou

muito a interatividade da ABP com governos

e a população. Oferecer dados e projetos foram

características da ABP desde Ulysses e cobrar dos

governos uma resposta à altura dos desafios.

João Romildo Fanucci Bueno

Para satisfazer tal título necessário seria discutir a

ABP como um todo. Começando pelo princípio: a

ABP não é uma federação, já que admite mais de

um representante por estado, por unidade federativa.

A ABP é uma confederação de federadas estaduais

múltiplas e a representatividade da Diretoria

Executiva é delegada por uma Assembléia Geral de

Delegados (AGD). Pode parecer complicado e o é!

A existência de mais de uma federada em cada estado

é democrática e visa permitir os diferentes

pensares e variadas re-leituras da psiquiatria coexistentes

em nossa era. A ‘palavrinha’ representatividade

é o busílis, o fantasma da máquina na

vida associativa. Um novo delegado deve ser eleito

para representar os membros de dada federada a

cada vez que se realiza uma AGD? Para tanto, a

vida associativo-científica das federadas deve ser

intensa, no mínimo. E as federadas? Existem realmente

como tais? Ou não passam de fábricas de

delegados? E o fórum de federadas? Seria sua função

apenas convalidar a sua (delas, como diria o

Millor...) existência? Tais questões necessitam cabeça

fria para discuti-las, rediscuti-las, debatê-las

e, quem sabe, definir a utilidade de cada instância

de representação em títulos e artigos estatutários

límpidos e indisputáveis! Haja disposição para se

redesenhar o cenário associativo e dar funções

não-virtuais às federadas e fazer com que o associado

sinta-se plenamente representado.

William Dunningham

A estrutura organizacional sobre a qual a Associação

Brasileira de Psiquiatria está assentada

tem uma base amplamente federativa, que representa

o resultado de articulações e discussões

que tiveram, ao longo dos 44 anos de his


tória da entidade, momentos calorosos, mas que

se processaram numa atmosfera de liberdade e

democracia. As eleições indiretas da Diretoria e

Conselho Fiscal, por meio de um Colégio Eleitoral

composto por delegados de todas as entidades

federadas, escolhidos pelo voto direto em todas

as unidades federativas, asseguram inequivocamente

a legitimidade e representatividade de

todos os mandatos. Além disso, a política interna

da entidade tem suas diretrizes traçadas pela

Assembléia Geral de Delegados, num ambiente

francamente democrático.

Othon Bastos

A ABP desfruta, na atualidade, de uma posição privilegiada

junto aos seus membros, às profissões afins,

à Associação Médica Brasileira, ao Conselho Federal

de Medicina e ao Sindicato Nacional dos Médicos.

No âmbito internacional é respeitada por suas congêneres

internacionais (que se fazem presentes em

seus congressos), tais como a WPA, a APA, a APAL, a

APSA (Associação Psiquiátrica Argentina) e inúmeras

outras. Em nível Federal é reconhecida e acatada

pelos Ministérios da Saúde, Educação e Previdência

Social. Consolidou sua situação hegemônica na Psiquiatria

brasileira, congregando a quase totalidade

dos especialistas atuantes nacionais e exibe uma

vitalidade e atividade invejáveis.

Miguel Jorge

É inegável o crescimento e aperfeiçoamento

dos mecanismos de participação e do processo

democrático interno à Associação Brasileira de

Psiquiatria. O Fórum de Federadas, a eleição e

participação dos delegados na Assembléia Anual

da Associação e a participação dos sócios na vida

associativa tem se realizado de forma inclusiva

e transparente. Demonstração inequívoca deste

processo se dá através da manifestação de opiniões

divergentes sobre pontos essenciais da vida

associativa e não da imposição unilateral de determinados

pontos de vista. Certamente, a ABP

goza hoje de maturidade suficiente para abrigar o

contraditório e não mais como no passado se ver

ameaçadas de cismas que infrutiferamente tentaram

crias organizações que também pretendiam

representar os psiquiatras brasileiros.

Josimar Mata de Farias França

Entre o farto material produzido pela ABP e suas

federadas ao longo destes anos, convém destacar

as “cartas” de Goiânia, Salvador, Belém, Natal,

Brasília e Campo Grande, que sintetizam as críticas

e sugestões para a necessária correção de

rumos que se impõe na política nacional de saúde

mental. Afirmava que a ingerência dos hospitais

públicos e o aviltamento dos salários dos profissionais

de saúde se situavam na origem mesma

deste processo de privatização forçada pela desmoralização

da agencia pública. Denunciava que

nos anos 70, o setor de medicina privada lucrativa

havia tornado-se dominante, eliminando,

de maneira progressiva, a medicina liberal e se

articulando solidamente com o Estado autoritário

através de eficientes elos burocráticos. Ressaltava

a absoluta exclusão, por parte do Estado, dos usuários

do sistema de saúde nas formulações destas

políticas viabilizando tal dominação. Colocava-se

firmemente contra uma assistência psiquiátrica

centrada no modelo “hospitalcêntrico”, que gerava

internações e até mesmo cronificações desnecessárias,

sem nenhuma articulação com como

atendimento ambulatorial e territorial.

Rogério Wolf de Aguiar

A ABP já foi pensada como uma entidade federativa

rígida, com apenas uma federada estadual,

cujo presidente era membro nato da Assembléia

de Delegados. A lógica era a de assim se fortaleceria

a estadual. Haviam três exceções: Rio de

Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, com mais

de uma federada porque foram fundadoras na Assembléia

Fundadora do Instituto Pinel em 1996.

Quase morreu a ABP em vários estados. Uma entidade

estadual reunia seus correligionários e afastava

os demais. Esvaziou muita federada. Em 92,

muitas estavam inativas há anos, principalmente

no nordeste e no norte.

debate hoje | 27


28 | debate hoje

Debate

matéria de capa

Após muita discussão, esta política foi mudada, e

a Assembléia passou a admitir mais de uma federada

por estado, permitindo a diversidade de grupos

e idéias. O resultado foi salvador, pois muitos

associados afastados voltaram para a ABP. Também

os Departamentos foram fortalecidos, possibilitando

que colegas com interesses comuns se

reunissem dentro da estrutura da ABP. A lógica

de hoje é a de que a democracia representativa

e a eleição indireta fortalecem politicamente as

federadas. A eleição direta num país tão grande

facilitaria que alguns grupos financeiramente bem

patrocinados tivessem muito mais possibilidade

de fazer campanha nacional. Ao mesmo tempo

enfraqueceria a importância política das federadas,

alijadas da representatividade dos delegados

eleitores nas Assembléias. São pontos polêmicos

que estão em debate novamente na ABP.

PuBlICAçõEs: CIênCIA,

AtuAlIzAção, IntErAtIvIDADE

Marcos Ferraz

Com relação às publicações o salto foi enorme,

passando pela Revista da ABP, a Revista da ABP/

APAL e agora Revista Brasileira de Psiquiatria, a

sua indexação e seu diálogo com o mundo cien-

“O Programa de Educação

Continuada com sua

interatividade dá ao psiquiatra

brasileiro a possibilidade de

acompanhar os avanços de

nossa especialidade,

em qualquer local em

que ele esteja”

Marcos Ferraz

tífico. Suas atualizações e seus noticiários no

Psiquiatria Hoje mostram uma entidade atenta

com o que ocorre em relação às políticas públicas

de saúde mental.

O Programa de Educação Continuada com sua interatividade

dá ao psiquiatra brasileiro a possibilidade

de acompanhar os avanços de nossa especialidade,

em qualquer local em que ele esteja.

Poderá ser ampliado aproveitando as interfaces

que a Psiquiatria moderna nos apresenta.

João Romildo Fanucci Bueno

O status conseguido pela Revista Brasileira de

Psiquiatria e o seu nível de impacto no cenário

latino-americano – único e internacional – são

dignos de orgulho e meritórios de nosso aplauso.

Esse feito só se tornou possível graças à

independência editorial que as sucessivas Diretorias

Executivas garantiram à Revista, mesmo

em eras onde os meios inexistiam. As queixas

ouvidas em AGDs quanto à sua “excessiva superespecialização”

e ao fato de artigos publicados

em inglês podem ser respondidas solicitando-se

da AGD e/ou das federadas que contribuam para

a elaboração e escolha dos temas de seus suplementos

educativos e de atualização - publicados

em português corrente -, em se atendendo os

desejos dos associados, queixumes volatizar-seiam,

como tudo que é sólido. Já o Psiquiatria

Hoje é toda “uma outra história”. A publicação

surgiu para substituir o Boletim de Psiquiatria,

criado por David Zimmermann como ponte que

uniria a Diretoria Executiva com as federadas e

os associados. Participei dessas discussões com

vinho – servido com parcimônia – no apartamento

de Aida e David e de quem fui secretárioadjunto

(cargo fictício, inventado por Rubim de

Pinho para me acomodar na Diretoria, em seu

segundo mandato como presidente da ABP). O

primeiro editor do Boletim de Psiquiatria foi

Márcio Versiani que, com seu juízo crítico, nominava

o recém criado Boletim de obituário: só

publicava o “já passado”. “Psiquiatria Hoje” foi

o nome por mim proposto no Recife, de pronto


aceito e transformei-me em seu primeiro editor,

cargo prazerosamente exercido até que me tornei

Presidente da ABP e indiquei, como substituto,

João Ferreira da Silva Filho. Daí em diante, já

não mais é historia, pode ser estória. O Psiquiatria

Hoje merece voltar às suas origens: ponte,

elo entre a Diretoria e os associados da ABP coisa

fácil de se obter: diminuir as fotos e aumentar

os fatos, emprestar ouvidos aos associados e às

federadas “ativas” e aceitar sua função de noticiar

o que realmente acontece.

William Dunningham

Pouco depois da sua fundação, a ABP contou com

duas publicações principais: uma revista científica,

atualmente denominada Revista Brasileira de

Psiquiatria (RBP) e um órgão noticioso do movimento

psiquiátrico nacional e internacional, denominado

PSIQUIATRIA HOJE desde o início dos

anos 80s. Nos últimos anos a RBP atingiu padrões

de qualidade científica e editorial, que a situam

entre as melhores e mais respeitadas publicações

da psiquiatria em escala mundial. O Psiquiatria

Hoje cumpre seu papel de divulgar fatos e opiniões

dos psiquiatras e profissionais de saúde

mental brasileiros, num grau de aprimoramento

editorial crescente.

Othon Bastos

Quanto às próprias publicações, a ABP manteve

entre os anos de 1966 e 1972 com regularidade a

“Revista Brasileira de Psiquiatria”, cuja circulação

foi interrompida por dificuldades surgidas com o

editor chefe, que também se fez proprietário da

mesma. Após um intervalo de sete anos, foi lançada

a “Revista da Associação Brasileira de Psiquiatria

poucos anos depois convertida em “Revista

ABP/APAL”. O grupo da antiga Escola Paulista de

Medicina (atual UNIFESP) encarregou-se de mantêla

viva, bastante difundida e respeitada. Ela é a

segunda mais importante publicação da psiquiatria

brasileira, sendo indexada e contando com um grupo

eficiente de peritos. Apenas o Jornal Brasileiro

de Psiquiatria pertencente ao Instituto de Psi-

quiatria da UFRJ, tem maior prestígio e circulação

nacionais e internacionais. Sempre dispôs a ABP

de um Informativo. Ao “Boletim de Psiquiatria”,

editado carinhosamente pelo Prof. J. Romildo Bueno,

também ex-presidente, desde os primórdios

da atividade associativa, sucedeu o “Psiquiatria

Hoje”, igualmente sob sua direção e do prof. João

Ferreira, até 1989, quando passou a ser editado

na Bahia, quando da presidência de William Dunningham,

tendo ultimamente sido revigorado com

sua transferência para o Rio Grande do Sul, sob a

presidência do Prof. Rogério W. Aguiar.

Miguel Jorge

A Revista Brasileira de Psiquiatria veio a se cristalizar

como veículo de divulgação maior da produção

científica brasileira e se constitui hoje em uma

das mais importantes revistas médicas em toda a

América Latina. Um bem sucedido processo de indexação

da mesma veio a se constituir em exemplo

da Associação Mundial de Psiquiatria e da Organização

Mundial da Saúde em iniciativa semelhante

frente a países em desenvolvimento em diversas

regiões do mundo. Seus suplementos constituem

importante instrumento para a atualização científica

dos psiquiatras juntamente com a criação recente

da Editora da ABP. Outras publicações, como

o Psiquiatria Hoje, e a página da Associação na

Internet, bem como o Programa ABP Comunidade,

complementam uma dinâmica comunicação com os

associados e mesmo com o público em geral.

Marco Antonio Alves Brasil

As atuais publicações da ABP são o reflexo do seu

crescimento e aprimoramento. O nosso indicador

profissional; o jornal Psiquiatria Hoje, ao qual

foi acrescentado nova publicação – o Psiquiatria

Hoje Debates; a Revista Brasileira de Psiquiatria,

que é hoje a publicação científica psiquiátrica de

maior destaque da América Latina; as publicações

do Programa de Educação Continuada, já com três

volumes publicados, com edições esgotadas, e

que já são uma referência para a formação do

psiquiatra brasileiro; e os folhetos informativos

debate hoje | 29


30 | debate hoje

Debate

matéria de capa

sobre transtornos mentais do ABP Comunidade.

Com a iniciativa do nosso presidente João Alberto

Carvalho, foi criada a Editora da ABP, já produzindo

folhetos, cartilhas e livros que vieram reforçar

e enriquecer esse conjunto de publicações.

Rogério Wolf de Aguiar

No CBP de S. Paulo, em 2009, a ABP Editora

lançou alguns livros. A recém registrada Editora

tornou realidade uma meta do Presidente João Alberto

Carvalho desde a sua candidatura. Alem dos

manuais, a ABP Editora se propõe a editar livros,

não em volume comercial, mas alguns de interesse

para a especialidade. Foi um grande passo que

colocou a ABP no nível editorial.

Outra decisão posta em prática desde o início do

ano de 2010 foi a de lançar o Psiquiatria Hoje Debates

com uma linha editorial voltada para temas técnico-científicos

na forma de ensaios e de opinião,

abrindo um espaço que não é o mesmo da Revista

Brasileira de Psiquiatria, voltada para a publicação

de artigos de oriundos de pesquisa científica.

Ao mesmo tempo, o Psiquiatria Hoje voltou a assumir

a linha editorial de Boletim de comunicação

entre a diretoria e os associados.

Por sua vez, a RBP atingiu níveis elevados de

impacto, assumindo um lugar de destaque entre

as publicações latinoamericanas científicas em

psiquiatria. O trabalho dos editores tem sido de

altíssimo nível e dedicação.

A ABP também tem ampliado suas publicações dirigidas

a comunidade, através do ABP comunidade.

ComEntárIos PEssoAIs

Marcos Ferraz

Tenho como ex presidente a confiança que a ABP

continuará dando as respostas adequadas aos problemas

vindouros, particularmente em três níveis

essenciais que são: o aprimoramento científico, o

oferecimento de projetos adequados para as políticas

públicas e cobrança sistemática dos desvios

que ocorrem, o desenvolvimento de desenhos de

modelos de aferição da qualidade dos serviços

que são oferecidos à população, livrando-se do

denuncismo” que tanto afeta outras instituições.

Tenho a certeza que a ABP através das Federadas,

das suas Reuniões, dos Congressos, dos Programas

de Educação Continuada, de suas Publicações

uniu a Psiquiatria e os Psiquiatras brasileiros,

muito mais que os seus fundadores sonharam.

João Romildo Fanucci Bueno

Bem, para um ex- qualquer coisa, já abusei de

vossa paciência, de uma forma ou de outra creio

que ajudei a construir a ABP e muitas coisas que

cercam essa construção talvez não possam ser

ditas, são acontecências que não permitem divulgação

dado não haver distanciamento “histórico”

ou “isenção afetiva” para sua publicidade.

Miguel Jorge

Com quase 44 anos de vida, a ABP mostra um vigor

e maturidade que poucas sociedades médicas

tem. A meu ver, um dos maiores desafios nos tempos

atuais é o de se promover maior renovação de

seus quadros e de motivar uma maior participação

das mulheres psiquiatras na vida associativa.

Marco Antonio Alves Brasil

Tenho a honra de ser testemunha e partícipe do

crescimento da ABP. Pude acompanhar de perto

seu crescimento. Suas sucessivas diretorias deram,

cada uma delas, importantes contribuições para

que a ABP seja hoje uma das mais importantes

associações médicas do país e responsável pela

organização de um dos três principais congressos

de psiquiatria do mundo e o maior da América

Latina. Além disso, oferece a seus associados um

programa de educação continuada via internet

que tem sido considerado um dos mais bem feitos

e abrangentes e um conjunto de publicações, que


já mencionei, que vem sendo aprimorado e ampliado.

Este é um legado que nos orgulha e que

temos que preservar. Ao mesmo tempo, lutemos,

todos os associados, para que a ABP seja cada

vez mais respeitada e ouvida junto as autoridades

federais, estaduais e municipais; que o psiquiatra

brasileiro seja respeitado e valorizado, bem como

nossos pacientes e suas famílias recebam um tratamento

e uma atenção digna e de qualidade.

Josimar Mata de Farias França

Como entidade de referência da psiquiatria no país

e com vasta pauta de atividades que contemplam,

a ABP se organiza em torno da defesa do exercício

profissional, do compromisso com a atualização

técnico científica dos psiquiatras, da divulgação e

publicação da produção científica nacional, da defesa

de uma assistência psiquiátrica de qualidade

científica e ética para a população. Em 2006 tem

como meta, implementar um sistema que ampare

a população no que diz respeito ao atendimento

e às informações necessárias à compreensão dos

transtornos mentais que concorrem para o sofrimento

de seus portadores e de seus familiares.

Assim é que o programa “ABP Comunidade” concretizará

o esforço da Associação pela luta para

desmistificar os vários aspectos que envolvem os

transtornos mentais e o estigma que pesa sobre

seus portadores, aproximando à população dos

psiquiatras, oferecendo a possibilidade de acesso

a informação de qualidade fornecida por profissionais

habilitados e com responsabilidade social. A

ABP de 1966 cresceu. Trouxe honra aos nomes dos

seus fundadores, dignificou o trabalho de muitos.

Que assim continue!

Rogério Wolf de Aguiar

Penso que o maior desafio interno da ABP é administrar

funcional e politicamente seu grande

e acelerado desenvolvimento. A ABP dos anos

2000 é comparável a uma empresa com inúmeras

ramificações e frentes de ação. Encaminhar

de maneira madura esta discussão interna com

seus associados, federadas, departamentos, comissões,

funcionários, etc., é um grande trabalho.

Externamente, a ABP deve se deparar com

a valorização do trabalho médico, com a aproximação

com as entidades médicas (CFM, AMB,

FENAM), influenciar na ANS e na ANVISA, estabelecer

conexões fortes com o Judiciário e o Ministério

Público, se aproximar das entidades representativas

de pacientes e familiares, reforçar

sua linha editorial, estimular sua participação

internacional (APAL, ASMELP, WPA, WHO, e outras),

continuar valorizando a qualidade dos congressos

científicos, manter sua independência

em relação a política oficial partidária ou não,

manter uma adequada independência em relação

à indústria farmacêutica e a grupos corporativistas.

Fortalecer a união dos especialistas.

debate hoje | 31


Entrevista

Análise

reflexões

de hoje

Oo presidente da ABP, João Alberto Carvalho, concedeu

uma entrevista onde aborda pontos estruturais

importantes da associação, como o sistema federativo,

a discussão sobre as eleições diretas, o financiamento

das atividades e a necessidade de integração

e o estabelecimento de compromissos mútuos entre a direção nacional,

federadas e núcleos. Nesta conversa ele avalia que a ABP

evoluiu e amadureceu a um ponto em que seja natural uma discussão

sobre todos esses pontos em busca do aperfeiçoamento.

Lembra, no entanto, que a história bem-sucedida da associação

foi garantida e legitimada pela organização atual. O mais importante

para a evolução, garante, é uma integração maior com os

associados e entre as direções nacional, regionais e locais. “Precisamos

assumir compromissos mútuos que sejam reflexo de uma

real representação dos interesses dos associados”, recomenda

João Alberto. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

Dr. João Alberto, com mais de 40 anos a ABP se tornou uma

instituição madura e capaz de debater, sem traumas, algumas de

suas características estruturais. Diante disso, o senhor considera

que o formato federativo é o melhor modelo de organização ou é

oportuno discutir mudanças nesse sistema?

A organização federativa da ABP é histórica e estatutária. Foi

estabelecida para garantir autonomia às federadas, respeitando

as características locais. É uma forma de representatividade nacional

e de contemplar as diferenças, obedecendo a regras estruturadoras

do funcionamento institucional.

Esta estrutura está contemplada no estatuto e mudanças neste

documento são possíveis apenas por meio de um processo que

envolva todas as federadas e a consulta das proposições dos as-

34 | debate hoje


sociados. E isto só pode ser feito com a presença

efetiva de cada representação local junto ao associado.

Em nenhum momento deve ser tratada de

maneira isolada.

De qualquer maneira, penso que tem funcionado

bem até aqui. É um modelo democrático, como

demonstrado por muitas instituições que adotam

modelo semelhante, e conferiu legitimidade para

a história de 42 anos da ABP.

Pergunta: E quanto à eleição direta

para a diretoria da ABP?

Pessoalmente sou a favor de eleições

diretas, mas saliento que

este instrumento isolado não garante

a democracia.

Devemos avançar nessa questão

específica quando os delegados

levarem o tema para a Assembléia

Geral dos Delegados (AGD).

Recomendo que o façam. As

eleições diretas, até hoje, foram

discutidas apenas em manifestos ou em outros

documentos veiculados pela internet e em conversas

privadas.

Nesse sentido, é bom lembrar que a pauta da AGD

não recebe influência da diretoria, ela é definida

pelos associados. Portanto, os temas, inclusive

este, são discutidos de acordo com as sugestões

recebidas. Este assunto também não foi recomendado

em nenhum dos fóruns de federadas.

Para uma diretoria, como a nossa, que tem

ações efetivas junto ao associado, a eleição

direta é uma discussão da participaremos com

muita naturalidade.

Este debate, porém, me preocupa por outro motivo.

Percebo que a alusão à eleição direta tem

sido utilizada, em alguns momentos, como pretexto

para criticar a atual organização da ABP.

Esse raciocínio contesta a legitimidade de todos

os ex-presidentes e colegas que ocuparam cargos

na diretoria durante esses 42 anos.

Discutir a modalidade eleitoral isoladamente é

tentar tornar superficial um processo sério e mais

amplo na vida da ABP. Trata-se de verificar, de

antemão, se os delegados são representativos, se

suas escolhas são fruto de uma real mobilização

por parte das federadas, se estas mesmas federadas

estão comprometidas com o que é decidido

conjuntamente. Os delegados são representantes

dos associados para todas as

decisões políticas da ABP. É

“Precisamos

assumir

compromissos

mútuos e

representar

realmente os

associados”

João Alberto Carvalho

Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria

partindo da mobilização local

que a representatividade

é garantida. Este é o verdadeiro,

e deve ser o atual,

debate sobre funcionamento

federativo, avaliando formas

de atuação, serviços prestados

aos associados, financiamento

desses serviços.

Pergunta: Dentro desse formato

federativo não existe a

possibilidade de a gestão da instituição se tornar

pouco integrada? Da mesma maneira, o modo representativo

não pode deixar o associado muito

distante das instâncias deliberativas?

Sim, existe essa possibilidade, e temos trabalhado

para anular, ou pelo menos mitigar. Há oito

anos, a diretoria da ABP, refletindo sobre o trabalho

federativo conjunto, entendeu que além

da instância política maior (AGD), a quem presta

contas, submete relatórios financeiros e cujas

deliberações são seguidas à risca, percebeu que

era necessário existir um mecanismo de gestão

conjunta, do ponto de vista de trabalho associativo,

envolvendo todas as federadas. Uma instância

onde as prioridades de trabalho fossem estabelecidas,

enfim uma prática democrática.

Criou-se um marco histórico na ABP: o Fórum de

Federadas. Constituído pela Diretoria Plena da

entidade nacional e um representante de cada

debate hoje | 35


Entrevista

Análise

36 | debate hoje

uma das federadas e núcleos, nele se discute tudo

o que está no âmbito de trabalho. Não é absolutamente

um substituto da AGD, mas sim, um

complemento e um reforço; garantindo mais tempo

para as atividades inerentes a essa instância,

como diz o Estatuto

A Assembléia de Delegados, portanto, tem obrigações

estruturais e de planejamento. O Fórum

assumiu a função de alinhar as gestões para a

execução das ações, estimular debates, definir as

prioridades, observar as peculiaridades regionais

e acordar compromissos mútuos, como eu pessoalmente

venho destacando.

Dessa maneira, os projetos ganharam dimensão

mais coletiva e o que observamos foi um evidente

crescimento da ABP. As diretorias seguintes, coerentemente,

mantiveram o Fórum. Ele aperfeiçoouse,

contando com grupos regionais. Com respeito

às diferenças, prioridades claras e sinergia, a unidade

federativa tem sido mais e mais fortalecida.

Tudo isso confirma que a relação de responsabilidades

recíprocas entre a diretoria da ABP e as

diretorias das federadas é necessária. Notem que

esta trajetória corresponde, exatamente, à proposta

de um profundo trabalho de aperfeiçoamento

da representatividade de todos nós.

Esse cenário é um avanço na política institucional

e na participação de todas as instâncias associativas.

É preciso atenção para isso, pois essas questões

não devem ser avaliadas apenas pelo ângulo

do processo eleitoral isolado.

Obviamente os resultados que esperamos com a

implementação desse processo mais participativo

dependem de uma clara demonstração das federadas

e núcleos de que realmente, na prática, estão

próximos dos associados.

Como é tratada a questão do financiamento das

ações dentro desse sistema federativo?

É um ponto importante. As contas da ABP são

fiscalizadas pelo Conselho Fiscal e analisadas por

uma auditoria independente. Além disso, mantemos

controle interno sistemático e discutido em

todas as reuniões de diretoria. O relatório do Conselho

Fiscal relativo à movimentação financeira

de 2009 foi aprovado pela AGD.

Além de demonstrar com transparência todos os

números, o documento concluiu que a ABP é uma

instituição equilibrada financeiramente, mas que

não existem reservas para enfrentar sobressaltos.

Como exemplo dessa possibilidade foi citada a dificuldade

que seria enfrentada em caso de o Congresso

Brasileiro de Psiquiatria, uma das principais

fontes de financiamento da ABP, fosse deficitário.

E é bom lembrar que o CBP também é uma fonte

de renda para as federadas. 30% do montante

arrecadado são repassados para as instituições

dos estados que recebem o evento. Trata-se de

quantia expressiva, capaz de oferecer muitos benefícios

aos associados locais. Por isso deve ser

tratada com responsabilidade e transparência,

seguindo o modelo de apresentação de relatórios

financeiros adotado pela ABP.

Considerando os aspectos financeiros, o Conselho

Fiscal, em seu último relatório, sugeriu que essa

partilha seja reavaliada. Concordo com esse debate,

mas pelo ângulo institucional. Penso que é possível

encontrar uma maneira para que essas receitas

ofereçam benefícios também para os associados dos

demais estados que não receberam o CBP.

Voltando à questão nacional, grande parte das atribuições

da ABP é constituída por atividades que

não oferecem retorno financeiro. É uma característica

natural das ações, como o PEC, a RBP e demais

publicações, entre outros serviços, que são, ao mesmo

tempo, essenciais para os associados e onerosos

para os cofres da associação. Essa equação, comum

e esperada no exercício associativo, deve ser administrada

de maneira coerente com os objetivos

e o planejamento da instituição. E o planejamento

deve sempre aspirar avanços dentro da realidade.

O equilíbrio financeiro, portanto, não deve cogitar

a suspensão ou perda de qualidade dos


serviços prestados em busca de economia, mas

sim buscar o incremento e a racionalização das

fontes de recursos. E, partindo do princípio da

organização federativa, as responsabilidades devem

ser compartilhadas.

O senhor citou bastante o CBP. A atual diretoria

pretende sugerir alterações no evento?

O CBP atingiu um nível excepcional. É o maior evento

de psiquiatria da América Latina e um dos mais

importantes do mundo. Essa posição só faz crescer

nossa responsabilidade para manter o que conquistamos.

Temos que avaliar, nesse momento, o que

deve ser feito para não haver retrocesso, já que

manter-se no topo é mais difícil do que chegar lá.

Já falamos sobre a questão do financiamento que,

sem dúvida, deve ser aperfeiçoada. Outra coisa

importante é sempre lembrar que o CBP é uma

conquista da psiquiatria brasileira e que, embora

a ABP tome a frente de sua organização, é

responsabilidade de todos contribuírem para a

manutenção de sua qualidade. Esse esforço, atualmente,

é bem observado no funcionamento da

Comissão Científica, que recebe a contribuição e

acata sugestões de todos os associados.

Por outro lado, não podemos deixar que interesses

locais prejudiquem um objetivo nacional. Não

é possível, por exemplo, que federadas realizem

eventos que rivalizem com o CBP. Esse tipo de

atitude impõe prejuízos para todos em benefício

de alguns poucos.

Dr. João Alberto, qual a estratégia adotada para a

implantação das “diretrizes”?

Inicialmente, sempre é preciso lembrar que o

documento das diretrizes foi uma das principais

realizações da ABP nesses quase 50 anos

de história. Foi um esforço conjunto descomunal,

liderado por Josimar França, que resultou

em conteúdo admirável. Defender e lutar pela

implementação das diretrizes passou a ser, desde

o seu lançamento, a prioridade de todas as diretorias,

federadas e associados. Afinal, esse é um

trabalho de propriedade e autoria da ABP e dos

psiquiatras brasileiros.

Também é importante ressaltar que a construção

das diretrizes foi feita dentro das regras federativas

que hoje regulamentam o funcionamento da

ABP. A partir disso, alguém pode dizer que o documento

foi criado de forma pouco democrática?

É uma pergunta para reflexão.

Mas, voltando às diretrizes, por ser um patrimônio

da ABP e dos psiquiatras, sua aplicação e tudo o

mais que diz respeito aos seus objetivos é prerrogativa

inalienável da ABP e dos psiquiatras.

Nos últimos anos fomos capazes de atrair apoios

importantes em diversos segmentos da sociedade

que foram, e continuam sendo, muito bem vindos,

mas não abrimos mão, e os psiquiatras devem cuidar

para que isso nunca aconteça, de estarmos à

frente desse processo.

É importante ressaltar que já fizemos

atualizações de conteúdo e no último

CBP lançamos uma nova edição

apenas com as informações técnicas

e com ilustração com facilitou a

compreensão por parte de psiquiatras

menos interessados nas questões políticas

e ideológicas envolvidas, além

dos profissionais de imprensa e público

em geral. Isso é importante para

ganhar apoios. Para ter uma idéia,

ouvi colegas afirmando que se sentiram

estimulados em ler “as diretrizes”

apenas com essa nova edição.

Para esse esforço dar resultado, no

entanto, é necessário ter uma estratégia.

E a nossa é ser intransigente

nos princípios, mas ter tato

nas negociações para não nos inviabilizarmos

como interlocutores. Embora seja um

documento magnífico, “as diretrizes” apenas irão

cumprir seu papel, e justificar o esforço de todos

os envolvidos, quando forem implantadas. Não

queremos, portanto, apenas fazer barulho. Queremos,

e vamos, obter resultados práticos.

João Alberto Carvalho

Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria

“Nos últimos anos

fomos capazes

de atrair apoios

importantes em

diversos segmentos da

sociedade que foram,

e continuam sendo,

muito bem vindos,

mas não abrimos

mão, e os psiquiatras

devem cuidar para que

isso nunca aconteça,

de estarmos à frente

desse processo.”

debate hoje | 37


38 | debate hoje

Artigo

José Lucena

homenagem ao

Centenário de

nascimento do

Prof. josé

lucena

Introdução

Hoje é um dia de grande festa da Psiquiatria Pernambucana, aqui representada,

pelo menos, por 3 gerações de especialistas, pertencentes à tradicional

Escola de Psiquiatria do Recife. Esta foi a denominação que lhe foi dada pelo

Mestre G. Freyre, em plena Sorbonne. Seu patrono e fundador foi o admirável

mestre e pioneiro Ulysses Pernambucano de Mello Sobrinho. Na linha de sucessão

desta Escola, que já foi comparada com outro orgulho local, a Escola

de Direito do Recife, bem mais antiga (1860) e representada por Tobias Barreto,

Sílvio Romero, Artur Orlando e outros, ocuparam nomes que merecem

todo o respeito, do porte de José Lucena e Galdino Loreto.

Como já destaquei noutras oportunidades, o mais expressivo representante

deste grupo e legítimo sucessor, soube manter a chama acesa e deu prosseguimento

à obra de seu antecessor. G. Loreto completava: O pensamento


do Prof. José Lucena manteve-se bastante fiel às

características da Escola orientada pelo grande

Ulysses. (o próprio Lucena, em Estudos Pernambucanos

de 1937, em homenagem a Ulysses já

catalogava estas ideias).

Não deixou prole o mestre Lucena. Todos os aqui

presentes são ex-alunos, discípulos de antigos

alunos, enfim, herdeiros intelectuais dele. Este

que lhes fala, além de sucessor nas disciplinas

que ele ensinou nas duas universidades públicas

do Estado, ora por indicação dele, ora por cobrança

ainda no leito da doença que o vitimou,

além de testamenteiro dele, recebeu como legado

maior “seu cérebro”, ou seja sua valiosíssima

biblioteca de mais de 6.000 volumes, em 6 idiomas,

imensa e variada do ponto de vista médico,

psiquiátrico, filosófico, psicológico, sociológico,

literário, artístico, pedagógico e religioso. Houve

uma recomendação: “fique com o que lhe interessar,

doe o restante às bibliotecas das 2 faculdades.

Tentei um pouco mais, estendi o acervo aos

mais próximos dele.

Costumo sempre dizer que fui muito feliz no

que tange à patrilinearidade biológica e intelectual.

Tive pai velho, generoso e bom e uma

mãe forte e dedicada. Hoje posso acrescentar

que igual fortuna abrangeu minha fratrilinearidade.

Se biologicamente me faltaram irmãos,

profissional e cientificamente a vida me tem

sido muito pródiga. Posso divisar nesta sala

inúmeros amigos fraternos...

Este ano de 2009 está repleto de comemorações

e de grandes efemérides. Senão vejamos:

centenário de nascimento de D. Helder Câmara,

do paisagista R. Burle Marx, do intelectual Nilo

Pereira, do cientista local Aluísio Bezerra Coutinho,

do bicentenário de Charles Darwin, de A.

Othon Bastos

Professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal de

Pernambuco (UFPE) e Universidade Estadual de Pernambuco, Recife

Lincoln, do compositor Felix Mendelssohn, sesquicentenário

da publicação do livro “A Evolução

das Espécies”. E aqui, nós estamos louvando

quem deve ser louvado...

Sempre que me refiro ao mestre Lucena, ocorreme

à lembrança a Clínica do Pedro II e também

a do Hospital das Clínicas. Costumo denominar o

Pedro II de “a grande família”, onde pontificava

a pessoa do Mestre Lucena, pai austero, acolhedor,

generoso e protetor; A Di Lascio, tio zeloso,

padrão ético e profissional; G. Loreto, irmão mais

velho, primogênito e príncipe herdeiro, exemplo

a ser seguido; Zaldo Rocha, carinhoso irmão intermediário,

sofrido e talentoso; Paulo Sette,

figura exemplar de colega, Cheops Teixeira e os

demais integrantes do “staff” – Cesarina Lacerda,

Edilnete Sampaio, Maria do Carmo Souto, Oldaísa

Medeiros. Depois chegaram os alagoanos (Tácito

e Ivanise – 1963); o paraibano, Margarido Múcio,

a seguir, Eliezer H. Cordeiro, Maria Cristina

C. de Albuquerque e Afonso Barros. Começam os

concursos: Eldione Moraes, José Francisco, Osmar

Gouveia, Lúcia Figueiroa, Mabel Cavalcanti, Everton

Sougey, Robero Faustino, Suely Souto, Helena

Sobel, Murilo C. Lima, e M. Bandim.

Na Faculdade de Ciências Médicas de PE distinguiam-se

e destacam-se: Jane Lemos, Gilberto

Moura, A. Carlos Maciel, Etiene Cardoso, Milton

Sá, Arnaldo Assunção, Antônio Peregrino e Kátia

Petribu. Todos estes foram ex-alunos, discípulos

diretos ou indiretos do mestre.

Dados Biográficos e Titulação

Mestre Lucena pertence, honra e dignifica a história

da Medicina e da Psiquiatria brasileiras.

Ex-professor catedrático de Psiquiatria da Univer-

debate hoje | 39


• Na esquizofrenia, recaídas estão associadas com piores prognósticos. 1

• Risperdal ® Consta ® reduz recaídas e hospitalizações. 2,3*

• Risperdal ® Consta ® tem melhor perfil de efeitos

colaterais e menores níveis de prolactina

do que a risperidona oral. 4

*Em estudo comparativo com quetiapina (recaída) e com pacientes

previamente tratados com risperidona oral (hospitalização)

Interação Medicamentosa: carbamazepina.

Contraindicação: hipersensibilidade à risperidona ou a qualquer componente da fórmula.

REFERÊNCIAS: 1. Taylor M e cols. Towards Consensus in the Long-Term Management of Relapse Prevention in Schizophrenia. Hum Psychopharmacol. 2005; 20(3):175-81. INFOC Nº 15693052. 2. Medori R e cols.

Relapse Prevention and Effectiveness in Schizophrenia with Risperidone Long-Acting Injectable (RLAI) Versus Quetiapine. Pôster no 4-402 apresentado no 161o Encontro da American Psychiatry Association (APA),

EUA, 2008. INFOC Nº 249301. 3. Schmauss M e cols. Efficacy and Safety of Risperidone Long-Acting Injectable in Stable Psychotic Patients Previously Treated With Oral Risperidone. Int Clin Psychopharmacol.

2007; 22(2):85-92. INFOC No apresenta significância clínica. Fenotiazínicos, antidepressivos tricíclicos e beta-bloqueadores podem aumentar as concentrações plasmáticas da risperidona. Cimetidina e ranitidina aumentam a biodisponibilidade da

risperidona, mas apenas de forma marginal a biodisponibilidade da fração antipsicótica ativa. Fluoxetina e paroxetina, inibidores do CYP 2D6, aumentam a concentração plasmática de risperidona, mas menos que a

concentração da fração antipsicótica ativa. Quando fluoxetina ou paroxetina é iniciada concomitantemente ou descontinuada, o médico deve reavaliar a dose de Risperdal

17293708. 4. Bai YM e cols. A Comparative Efficacy and Safety Study of Long-Acting Risperidone Injection and Risperidone Oral Tablets Among Hospitalized Patients: 12-Week

Randomized, Single-Blind Study. Pharmacopsychiatry. 2006; 39(4):135-41. INFOC Nº 16900609.

® Consta ® . Veja, no item “Advertências e

Precauções”, o aumento da mortalidade em pacientes idosos com demência recebendo furosemida oral concomitantemente com Risperdal ® . Reações adversas: efeitos colaterais muito comuns (mais de 1 em 10 pacientes)

talvez incluam: dificuldade para dormir, ansiedade, depressão, irritabilidade e dificuldade em permanecer parado; dor de cabeça, infecção no nariz e na garganta; tremores, redução e rigidez dos movimentos, postura

instável. Efeitos colaterais comuns (mais de 1 em 100 pacientes mas menos que 1 em 10 pacientes): irritabilidade, inquietação, aumento de peso, constipação, tontura, dor nas costas, fadiga, gripe, diarreia, náusea,

vômito, espasmo muscular, dor nos braços e nas pernas, tosse, sonolência, dor articular, infecção das vias aéreas, desconforto estomacal, aumento do nível sanguíneo do hormônio prolactina, distúrbio do sono, dor de dente,

movimentos involuntários da face ou músculos dos membros, pressão arterial alta, erupção cutânea, secreção excessiva de saliva, infecção do trato urinário, congestão nasal, garganta infl amada, boca seca, sono, perda

de peso, dor abdominal, dor no local da administração, dor muscular, aumento da temperatura corpórea, fraqueza muscular, ausência de menstruação, enzimas hepáticas aumentadas, queda, batimentos cardíacos

acelerados, dificuldade de respirar, disfunção erétil, visão turva, dor torácica, inchaço dos braços e das pernas, secreção nas mamas, diminuição da hemoglobinas ou da contagem de hemácias (anemia), pressão

arterial baixa, incontinência urinária, vermelhidão na pele, infecção estomacal, açúcar sangüíneo aumentado, infecção do ouvido, infecção pulmonar (pneumonia), infecção nasal, conjuntivite, condução elétrica anormal

do coração, traçado elétrico anormal do coração (ECG), quadro semelhante à gripe, infecção sinusal, infecção viral, sensação de tontura quando está parado. Superdose: Sintomas: sonolência e sedação, taquicardia e

hipotensão arterial e sintomas extrapiramidais. Aumento do intervalo QT e convulsões foram relatados com superdose. Torsade de Pointes foi relatado em combinação de de Risperdal ® oral e paroxetina. Em caso de

superdose aguda, deve-se considerar a possibilidade do envolvimento de múltiplos fármacos. Tratamento: estabelecer e manter vias aéreas livres, garantindo boa ventilação, com oxigenação adequada. Monitorização

cardiovascular deve ser instituída imediatamente, incluindo ECG contínuo para detecção de possíveis arritmias. Não existe antídoto específico para Risperdal ® Consta ® . Portanto, apenas medidas de suporte devem ser

instituídas. Hipotensão arterial e colapso circulatório devem ser tratados com medidas adequadas, como infusão de líquidos e/ou administração de agentes simpatomiméticos. Na ocorrência de sintomas extrapiramidais

graves, medicação anticolinérgica deve ser administrada. Monitorização intensiva, com rigorosa supervisão médica, deve ser mantida até a recuperação do paciente.Venda sob prescrição médica, com retenção da receita.

A persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado. Janssen-Cilag Farmacêutica. Reg. MS -1.1236.0031. Informações adicionais para prescrição: vide bula completa.

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Sua prescrição pode refletir no

prognóstico de seu paciente.

Risperdal ® Consta ® (risperidona). Forma farmacêutica e apresentações: Pó injetável e diluente em embalagem contendo: 1 frasco-ampola com pó injetável (25 mg; 37,5 mg ou 50 mg de risperidona), 1 seringa

preenchida contendo 2 mL de diluente para reconstituição, 1 dispositivo (SmartSite ® ) para auxiliar na reconstituição e 1 agulha (Needle-Pro ® ) para aplicação no paciente. Uso adulto. Indicações e posologia:

tratamento de pacientes com esquizofrenia, incluindo o primeiro episódio psicótico, exacerbações esquizofrênicas agudas, esquizofrenia crônica e outros transtornos psicóticos, nos quais sintomas positivos e/ou negativos sejam

proeminentes. Manutenção da melhora clínica, durante o tratamento de manutenção em pacientes que tenham apresentado uma resposta inicial ao tratamento com a risperidona por via oral. Deve ser administrado a cada

duas semanas por injeção intramuscular profunda na região glútea, alternando-se o lado da aplicação da injeção. Não administrar por via intravenosa. Adultos: dose recomendada é 25 mg em injeção intramuscular a

cada 2 semanas. Alguns pacientes podem se beneficiar de doses maiores, de 37,5 mg ou 50 mg. Em estudos clínicos com 75 mg não foram observados benefícios adicionais. Doses maiores que 50 mg por duas semanas

não são recomendadas. Cobertura antipsicótica suficiente deve ser assegurada durante o intervalo de 3 semanas após a primeira injeção. A dose não deve ser aumentada com freqüência maior do que 1 vez a cada 4

semanas. O efeito do ajuste posológico não deve ser esperado antes de 3 semanas após o aumento da dose. Idosos: a dose recomendada é de 25 mg em injeção intramuscular a cada 2 semanas. Pacientes com insuficiência renal

ou hepática: não foi estudado em pacientes com insuficiência hepática e renal. Se houver necessidade de tratar este grupo de pacientes, recomenda-se iniciar o tratamento com 0,5 mg de risperidona, por via oral,

2 vezes/dia, durante a primeira semana. Na segunda semana, pode-se administrar 1 mg duas vezes ao dia ou 2 mg uma vez ao dia. Se uma dose oral de pelo menos 2 mg/dia for bem tolerada, Risperdal ® Consta ® (na

dose de 25 mg) pode ser administrado a cada 2 semanas. Contra-indicações: hipersensibilidade à risperidona ou a qualquer componente da fórmula. Precauções e advertências: Em pacientes virgens de tratamento

com a risperidona, recomenda-se estabelecer a tolerabilidade da risperidona oral, antes de iniciar o tratamento com Risperdal ® Consta ® . Pacientes idosos com demência tratados com antipsicóticos atípicos tiveram um

aumento na mortalidade quando comparado a placebo. Em estudos clínicos de Risperdal ® controlados com placebo nesta população, a incidência de mortalidade foi 4,0% para pacientes tratados com Risperdal ®

comparado à 3,1% em pacientes tratados com placebo. A idade média de pacientes que vieram à óbito era 86 anos (intervalo de 67 a 100 anos). Em estudos controlados de Risperdal ® com placebo em pacientes idosos

com demência, uma maior incidência de mortalidade foi observada em pacientes tratados com furosemida e risperidona quando comparado aos pacientes tratados com risperidona isolada ou furosemida isolada. O

aumento na mortalidade em pacientes tratados com furosemida e risperidona foi observado em dois de quatro estudos clínicos. Deve-se ter cautela e avaliar os riscos e benefícios desta combinação antes da decisão de

uso. Não houve aumento na incidência de mortalidade entre pacientes recebendo outros diuréticos concomitantemente com risperidona. Independente do tratamento, desidratação foi um fator geral de risco para

mortalidade e deve, portanto, ser evitada cuidadosamente em pacientes idosos com demência. Eventos adversos vasculares cerebrais: estudos clínicos controlados com placebo realizados em pacientes idosos com

demência mostraram uma incidência maior de eventos adversos vasculares cerebrais (acidentes vasculares cerebrais e episódios de isquemia transitória), incluindo óbitos, em pacientes (idade média: 85 anos, intervalo de

73 a 97 anos) tratados com Risperdal ® comparados aos que receberam placebo. Cautela em: doença cardiovascular (devido a possibilidade de ocorrência de hipotensão ortostática), discinesia tardia, sintomas

extrapiramidais, síndrome neuroléptica maligna, insuficiência renal ou hepática, doença de Parkinson ou Demência com Corpos de Lewy, epilepsia e hiperglicemia (diabetes preexistente). A segurança durante a gestação não está

estabelecida. Sintomas extrapiramidais reversíveis em neonatais foram observados pós-comercialização da risperidona durante o último trimestre de gravidez. Portanto, Risperdal ® Consta ® só deve ser usado durante a gestação se os

benefícios compensarem os riscos. Mulheres em uso de Risperdal ® Consta ® não devem amamentar. O risco-benefício deve ser avaliado ao prescrever antipsicóticos, incluindo Risperdal ® Consta ® , para pacientes com

demência de corpos de Lewy ou Doença de parkinson, em razão do possível aumento do risco de síndrome neuroléptica maligna ou da piora dos sintomas parkinsonianos. Assim como com outros antipsicóticos, deve-se

ter cuidado ao prescrever Risperdal ® Consta ® em pacientes com história de arritmias cardíacas, em pacientes com síndrome do intervalo QT prolongado e em uso concomitante de medicamentos que sabidamente prolongam

o intervalo QT. A risperidona pode interferir com atividades que exijam atenção. Durante o tratamento o paciente não deve dirigir veículos ou operar máquinas, pois sua habilidade e atenção podem estar prejudicadas.

Risperdal ® Consta ® pode intensificar o efeito do álcool. Assim, não tome bebidas alcoólicas enquanto estiver fazendo uso do produto. Interações medicamentosas: possível antagonismo da levodopa e outros agentes

dopaminérgicos. A carbamazepina pode reduzir os níveis plasmáticos da fração antipsicótica ativa da risperidona. Na descontinuação do uso de carbamazepina ou de outros indutores de enzimas hepáticas, a dose de

risperidona deve ser reavaliada e, se necessário, reduzida. O topiramato reduz moderadamente a biodisponibilidade da risperidona, mas não da fração antipsicótica ativa. Portanto, esta interação provavelmente não

Agosto de 2009 - código 165091


Artigo

José Lucena

sidade do Recife; professor fundador e ex-catedrático

da FCM da UPE; professor emérito de ambas

as universidades públicas, membro da Academia

Pernambucana de Medicina, psiquiatra de língua

francesa, ex-presidente da ABP (1973/1975); expresidente

da Sociedade de Neurologia, Psiquiatria

e H.M. do Brasil (1969/1971); decano das

neurociências nacionais, detentor das Medalhas

São Lucas e Maciel Monteiro.

Nasceu Mestre Lucena em fins da primeira década

do século XX, no Engenho Paróis (então Nazaré da

Mata), hoje Murupé de Vicência. Era descendente

pela linhagem materna do famoso ex-governador

da Província Henrique Pereira de Lucena (Barão

de Lucena), tão ligado à história do Hospital da

Tamarineira. Cursos secundários em Recife, curso

médico em Salvador e depois no Rio de janeiro.

Diploma-se muito jovem (19 anos, pela Universidade

do Brasil (1928). Aumentou a idade para

ingressar no curso. Já se interessava pela Psiquiatria,

mas houve um namoro com a Fisiologia. Fato

compreensível, pois à época o Prof. Ulysses Pernambucano

dirigia a Cadeira de Neurofisiologia do

Curso Médico. Fez 5 concursos em toda sua vida

profissional e universitária: médico da Assistência

a psicopatas do Estado de PE (A Paralisia Geral em

PE), 1932; livre-docência de Fisiologia (1933),

livre-docência de Psiquiatria, 1938, “Formas de

Início da Esquizofrenia”, trabalho em que expressa

: “a esquizofrenia tem várias portas de entrada

e poucas de saída” ; Cátedra de Fisiologia, início

dos anos 40; finalmente enfrentou em concurso

memorável, em 1952, um brilhante e respeitável

Othon Bastos

Professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal de

Pernambuco (UFPE) e Universidade Estadual de Pernambuco, Recife

competidor, triunfando por méritos na refrega intelectual

e científica, o saudoso e querido José

Otávio de Freitas Junior.

Passemos às evocações pessoais. Repito palavras

de março de março de 1978, ano de sua jubilação.

Mestre Lucena. Desde cedo aprendi a admirar-lhe,

respeitar-lhe e querer-lhe bem. De início, como

aluno, depois como discípulo e colaborador próximo

e finalmente como seu amigo. Admiração e

respeito a sua pessoa, qualidades e virtudes, sua

disciplina, pernambucanidade (Frei Joaquim do

Amor Divino Caneca e Ulysses Pernambucano eram

seus ídolos locais), perseverança e inteligência

singular, caracterizada pela clareza, profundidade

e agudeza irônica, assim como sua invejabilíssima

cultura psiquiátrica e humanística. Os alunos da

época costumavam fazer com o professor o teste

do livro e ele sempre ganhava. Dava com detalhes

uma bibliografia de cor sobre os assuntos correntes.

Dedicar-se integralmente ao ensino, esta foi

sempre sua verdadeira missão de mestre por vocação

irresistível, de autêntico chefe e criador de

escola, haja vista ter sabido aglutinar ao seu redor

durante mais de meio século uma vasta legião de

alunos e discípulos, hoje espalhados praticamente

por todo o país. E com que habilidade e isenção

de preconceitos de ordem política, social, religiosa

ou cultural, soube escolher seus colaboradores.

Tudo isso aliado a uma incrível modéstia. Uma

humildade que somente os verdadeiramente religiosos

conseguem ter e uma raríssima capacidade

de dedicação, disponibilidade e assistência permanente.

Quantas lições, quantos livros e traba-

debate hoje | 41


Um dual estruturalmente novo

para o tratamento da depressão1 para o tratamento da depressão1 Novo

Um passo à frente no tratamento da depressão 2-4

Um passo à

frente é ser

acessível 5

Apresentações Pristiq ®

Pristiq (succinato de desvenlafaxina monoidratado). APRESENTAÇÕES COMERCIAIS: Pristiq 50 mg: cartucho com 7, 14 e 28 comprimidos revestidos de liberação controlada. Cada comprimido contém 50 mg de desvenlafaxina. Pristiq

100 mg: cartucho com 14 comprimidos revestidos de liberação controlada. Cada comprimido contém 100 mg de desvenlafaxina. INDICAÇÕES: Tratamento do transtorno depressivo maior. Uso adulto. CONTRA-INDICAÇÕES: Hipersensibilidade

ao succinato de desvenlafaxina monoidratado, ao cloridrato de venlafaxina ou a qualquer excipiente da formulação. Não deve ser usado em associação a um IMAO ou em, no mínimo, 14 dias após a descontinuação do tratamento com um IMAO.

Deve-se esperar no mínimo 7 dias após a interrupção do succinato de desvenlafaxina antes de iniciar um IMAO. ADVERTÊNCIAS: Monitoramento quanto ao aparecimento de alterações incomuns de comportamento, piora da depressão e

ideação suicida, especialmente ao iniciar a terapia ou durante alterações posológicas. Cautela em casos de mania ou hipomania ou história familiar. Síndrome da serotonina pode ocorrer particularmente com o uso concomitante de outras drogas

serotoninérgicas ou que prejudicam o metabolismo da serotonina. Midríase foi relatada; portanto, pacientes em risco de glaucoma de ângulo fechado devem ser monitorados. PRECAUÇÕES: Não deve ser usado concomitantemente com produtos

contendo venlafaxina ou desvenlafaxina. Aumentos da pressão arterial (PA) e da freqüência cardíaca foram observados particularmente com doses maiores. Quando existe aumento mantido da PA, a redução da dose ou a descontinuação deve

ser considerada. Hipertensão preexistente deve ser controlada antes do início do tratamento. Cautela na administração a pacientes com distúrbios cardiovasculares ou vasculares cerebrais. Uso não recomendado em pacientes com angina instável.

O controle periódico dos lipídios séricos deve ser realizado. Cautela na prescrição a pacientes com história de convulsões. Efeitos adversos de descontinuação podem ocorrer particularmente com a retirada súbita do medicamento. Cautela em

pacientes predispostos a sangramento e em uso concomitante de drogas que afetam a coagulação ou agregação plaquetária. Não é esperado efeitos sobre as atividades que requerem concentração. Este medicamento não deve ser utilizado

por mulheres grávidas ou lactantes sem orientação médica. REAÇÕES ADVERSAS: Possível aumento sérico de transaminases, de colesterol total e frações, de triglicérides e presença de proteinúria. Eventos muito comuns: náusea, boca seca,

constipação, fadiga, tontura, insônia, hiperidrose, cefaléia. Eventos comuns: palpitações taquicardia, tinido, visão anormal, midríase, diarréia, vômitos, calafrios, astenia, nervosismo, irritabilidade, alteração de peso, elevação da PA, apetite diminuído,

rigidez musculoesquelética, sonolência, tremor, parestesia, disgeusia, transtorno de atenção, ansiedade, sonhos anormais, nervosismo, diminuição da libido, anorgasmia, orgasmo anormal, hesitação urinária, disfunção erétil, ejaculação tardia,

bocejos, erupção cutânea, fogachos. INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS: Não são esperadas interações clinicamente relevantes com drogas inibidoras ou substratos das isoenzimas do CYP450, exceto, talvez, um possível aumento de suas

concentrações se administrado com inibidores potentes da CYP3A4; ou exposição menor a uma droga concomitante que seja metabolizada pela CYP3A4; ou, ainda, aumento da concentração de uma droga concomitante que seja metabolizada

pela CYP2D6. Não é indicado uso concomitante com IMAO. Cautela no uso com outros agentes serotonérgicos e com drogas que interfi ram na hemostase. POSOLOGIA: 50 mg, via oral, uma vez por dia. Pacientes com insufi ciência renal grave:

50 mg em dias alternados. Pacientes com insufi ciência hepática: nenhum ajuste de dose é necessário. Pacientes idosos: não é necessário ajuste; porém, uma possível diminuição na depuração renal deve ser considerada. A descontinuação deve

ser gradual. Venda Sob Prescrição Médica. Só Pode ser Vendido com Retenção da Receita. Registro MS – 1.2110.0273. Informações adicionais disponíveis aos profi ssionais de saúde mediante solicitação: Wyeth Indústria Farmacêutica Ltda.

– Rua Dr. Renato Paes de Barros, 1017 – 10o andar – Itaim Bibi, São Paulo – CEP 04530-001. Para informações completas, consultar a bula do produto. A persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado. PRQ0708CDS1V2.

IMPORTANTE CONTRAINDICAÇÃO: NÃO DEVE SER USADO CONCOMITANTEMENTE A UM IMAO.IMPORTANTE INTERAÇÃO MEDICAMEN-

TOSA: POSSÍVEL AUMENTO DE SUAS CONCENTRAÇÕES PLASMÁTICAS SE ADMINISTRADO COM POTENTES INIBIDORES DA CYP3A4.

Referências bibliográfi cas: 1. Deecher DC et al. Desvenlafaxine succinate: a new serotonin and norepinephrine reuptake inhibitor. J Pharmacol Exp Ther 2006;318:657-65. 2. Rush AJ. STAR*D: What Have We Learned? Am J Psychiatry 2007;164:201-4. 3. Warden

D et al. The STAR*D Project Results: A Comprehensive Review of Findings. Curr Psychiatry Rep 2007;9(6):449-59. 4. Lincoln J & Preskorn SH. Desvenlafaxine for depression. J Fam Pract 2008; 7(6). Revista on line. Disponível em: http://www.jfponline.com/Pages.

asp?AID=6260 Acessado em: 9/dez/2009. 5. Revista Farmacêutica Kairos, Nº 256, Março/10.

2891.PTQ.A.L.10/MAR 2010

Material destinado à classe médica.

Wyeth Indústria Farmacêutica Ltda

Rua Dr. Renato Paes de Barros, 1017 - 10º andar

Itaim Bibi - CEP 04530-001

São Paulo - SP - Brasil

Preço* 5 (R$)

PMC 12% PMC 17% PMC 18% PMC 19%

50 mg com 14 comprimidos 50,63 54,05 54,79 55,55

50 mg com 28 comprimidos 101,29 108,13 109,60 111,13

100 mg com 14 comprimidos 60,09 64,15 65,02 65,92

*PMC = Preço Máximo ao Consumidor

Wyeth uma empresa do grupo Pfi zer


Artigo

José Lucena

lhos emprestados, quantas correções e sugestões

feitas, quantas traduções do alemão realizadas.

Que exemplos de probidade e seriedade científicas.

Disse vocação irresistível, pois pude constatar ter

sido ela muito mais forte do que traços aparentes

de personalidade, os quais se desfaziam como que,

por encanto, por ocasião de qualquer polêmica,

disputa ou contestação.

Soube ser estóico ante o sofrimento. Como bem

disse Luís Salvador: O professor deu lições de

vida, de trabalho e de como morrer! ...A mais

difícil de todas...

Falarei pouco sobre sua obra. G. Loreto, em 1980

(quando da entrega do Título de Emérito da UFPE)

classificou-os em 5 grupos, adotando um critério

misto, quanto ao tema abordado e os métodos de

estudo empregados. Ultimamente, em importante

Dissertação sobre a primeira sucessão na Escola

Pernambucana de Psiquiatria, Bruno Mendonça,

ampliou-os e subdividiu-os, com competência,

englobando a produção posterior dele.

E seus famosos “enxadamentos” (minha alergia

não me permitiu compulsá-los todos). Há livros

Othon Bastos

Professor titular de Psiquiatria da Universidade Federal de

Pernambuco (UFPE) e Universidade Estadual de Pernambuco, Recife

inéditos sobre Maconhismo (ainda não houve

sucessores). Eis os 5 grupos de G. Loreto: 1) trabalhos

de natureza clínica, ensaios terapêuticos

com psicofármacos e laudos forenses; 2) pesquisas

utilizando testes terapêuticos; 3) Temas de

Psiquiatria Social e de Epidemiologia Psiquiátrica

(alguns realizados na França); 4) ensaios

sobre aspectos históricos da Psiquiatria e sobre

temas psicológicos e 5) trabalhos de elaboração

teórica ou de reflexão crítica (verdadeiras joias).

No final da vida, “legislando em causa própria”,

dedicou-se muito à Psicogeriatria. Viajou bastante,

quase sempre a estudos: Boston (1950);

Paris (todos os anos). Heidelbergue, Wursburg

(1965). Presença obrigatória em todos os Congressos

Nacionais da querida Sociedade de Neurologia,

Psiquiatria e Higiene Mental e da Associação

Brasileira de Psiquiatria e Internacionais,

enquanto dispôs de saúde.

Conselho aos jovens psiquiatras. Mirem-se neste

exemplo de vida e leiam a Dissertação de

Bruno Mendonça e também o já se tornando vetusto

“História da Psiquiatria em Pernambuco e

outras histórias” de minha autoria, em vésperas

de nova edição.

debate hoje | 43


Comentário

Alcoolismo Mauro Barbosa Terra

Mauro Barbosa Terra

Prêmio Prof. Oswald Moraes

Andrade - 2009

Doutor em Ciências – Psiquiatria

pela UNIFESP, Mestre em

Psiquiatria, Psicanálise e Saúde

Mental pela UFRJ, Médico

especialista em Psiquiatra pela

ABP, Diretor de Ensino e Professor

do Curso de Especialização em

Psiquiatria do Centro de Estudos

José de Barros Falcão

o grupo de alcoólicos

anônimos realmente

funciona?

fatores de adesão em uma amostra de pacientes

dependentes de álcool hospitalizados

Acredita-se que o AA seja uma intervenção efetiva para o alcoolismo.

Entretanto, relativamente poucos estudos quanto aos

benefícios e à adesão ao método têm sido realizados. O objetivo

deste estudo foi determinar quais os principais fatores envolvidos

com a adesão a grupos de Alcoólicos Anônimos (AA).

Em um estudo de coorte, foram entrevistados 300 alcoolistas inicialmente

internados em três hospitais, em Porto Alegre. Após 6 meses, foram re-entrevistados

novamente em suas residências. Foram aplicados o SCID-I e um

questionário elaborado para se observar a relação dos pacientes com o grupo

de AA. As respostas obtidas, neste último questionário, foram posteriormente

avaliadas por dois pesquisadores de forma independente.

Foi considerada como adesão forte uma freqüência ao AA de duas ou mais

vezes por semana; como adesão parcial, uma freqüência semanal ou quinzenal;

como adesão fraca, uma freqüência mensal ou esporádica; e como

não-adesão, o não comparecimento ao AA. A utilização de álcool por, pelo

menos, uma vez, após a hospitalização, foi considerada como recaída.

debate hoje | 45


46 | debate hoje

Comentário

Alcoolismo

A amostra apresentou predomínio de homens (91,7%). A média de idade foi de

41,5 ± 8,6 anos. Todos os pacientes preencheram os critérios para dependência

do álcool de acordo com o SCID-I. Com relação ao tipo de droga utilizado, 70,4%

usavam apenas álcool e 29,6% utilizavam outras drogas além do álcool. Foram

diagnosticados transtornos de ansiedade em 59% dos entrevistados. Foram encontradas

freqüências de 30,6% para fobia específica, 24,7% para fobia social,

22,2% para transtorno de ansiedade induzido pelo álcool, 19,3% para transtorno

de ansiedade generalizada, 5% para transtorno obsessivo-compulsivo, 4,6% para

transtorno de estresse pós-traumático e 2% para transtorno de pânico com agorafobia.

Entre os transtornos depressivos, 24% dos pacientes da amostra apresentavam

transtorno depressivo maior recorrente, 7,3% apresentavam transtorno

depressivo maior, episódio único, e 5,2% tinham transtorno distímico.

Com 6 meses de acompanhamento, 19,1% (n=49) dos alcoolistas aderiram ao

AA, sendo que destes, 58,3% tiveram uma adesão forte, 35,4% tiveram uma

adesão parcial e 5,3% uma adesão fraca ao AA. Nesta etapa, 24,1% dos pacientes

estavam em abstinência, 12,4% tinham bebido de uma a dez vezes, e 63,4%

tinham bebido mais do que 10 vezes. Os pacientes que aderiram ao AA estavam

mais frequentemente em abstinência (44,9%), quando comparados com aqueles

que não aderiram ao AA (19,2%) (p=0,001).

Os principais fatores relatados pelos pacientes como motivos de não-adesão ao

AA foram: recaída, falta de identificação com o método, falta de necessidade,

falta de credibilidade, falta de tempo, falta de acesso e falta de recursos financeiros.

Foi também relatado, entre as razões para a não adesão ao grupo de AA,

que este método é muito “pesado”, repetitivo e que gera mais fissura. Por outro

lado, os principais fatores relatados pelos pacientes como razões para a adesão

ao grupo de AA foram: identificação com o método, meio de evitar recaída, busca

de ajuda, e uma forma de aprendizagem.

Assim, embora o AA seja uma intervenção considerada efetiva para o alcoolismo,

sua taxa de adesão tem sido muito baixa. É de grande importância a identificação

de fatores que possam levar à diminuição ou ao aumento da adesão a este

tipo de tratamento para alcoolistas, para que se possa aumentar o numero de

pacientes que possam vir a se beneficiar deste modelo de intervenção. Além

disso, a identificação de fatores de não adesão poderia orientar os profissionais

de saúde a encaminharem determinados pacientes alcoolistas para outros tipos

de intervenção que não o grupo de AA .

Mauro Barbosa Terra


Seroquel ®

na Esquizofrenia

Mantém seu paciente sob controle reduzindo sintomas positivos e negativos. 3

Oferece tranquilidade por mais tempo devido à baixa taxa de recaída. 4,5

Seroquel ®

Recuperando o paciente e a harmonia familiar. 1,2

no THB

O único atípico aprovado para tratar os polos do THB. 9

Restaura o convívio familiar controlando rapidamente os sintomas maníacos. 6,7

Auxilia no retorno à vida produtiva e social devido à rápida ação antidepressiva. 7,8

Material destinado exclusivamente à classe médica. A bula do produto encontra-se no interior da publicação.

A persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.

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Dose efetiva:

Esquizofrenia e Mania Depressão Bipolar

600 mg no dia 2 9

300 mg no dia 4 9

30 COMPRIMIDOS

Apresentações:

300 mg 200 mg 50 mg 50 mg

10 COMPRIMIDOS

Referências Bibliográficas: 1. Bowden C, Bipolar disorders: treatment options and patient satisfaction Neuropsychiatr Dis Treat. 2006 Jun;2(2):149-53. 2. Endicott J, Rajagopalan K,

Minkwitz M, Macfadden W; BOLDER Study Group. A randomized, double-blind, placebo-controlled study of quetiapine in the treatment of bipolar I and II depression: improvements in

quality of life. Int Clin Psychopharmacol. 2007 Jan; 22(1):29-37. 3. Kahn RS, Schulz SC, Palazov VD, Reyes EB, Brecher M, Svensson O, Andersson HM, Meulien D; Study 132 Investigators.

Efficacy and tolerability of once-daily extended release quetiapine fumarate in acute schizophrenia: a randomized, double-blind, placebo-controlled study. J Clin Psychiatry. 2007 Jun;

68(6):832-42. 4. Wasylenki D, Gehrs M, Goering P, Toner B. A home-based program for the treatment of acute psychosis. Community Ment Health J. 1997 Apr;33(2):151-62; discussion

163-5 5. Peuskens J et al. Randomized, placebo controlled, relapse-prevention study with once daily quetiapine sustained release in patients with schizophrenia. Eur Psychiatry 2007;22:

S132. 6. Andrew Cutler, Catherine Datto, Effectiveness of the extended release formulation of quetiapine as monotherapy for the treatment of acute bipolar mania Presented at the 8th

Annual International Review of Bipolar Disorders Conference, April 14-16, 2008 • Copenhagen, Denmark. 7. Endicott J, Paulsson B, Gustafsson U, Schiöler H, Hassan M. Quetiapine

monotherapy in the treatment of depressive episodes of bipolar I and II disorder: Improvements in quality of life and quality of sleep. J Affect Disord. 2008 Dec; 111(2-3):306-19. Epub 2008

Sep 5. 8. Trisha Suppes, Effectiveness of the extended release formulation of quetiapine as monotherapy for the treatment of acute bipolar depression Presented at the 48th Annual New

Clinical Drug Evaluation Meeting • May 27-30, 2008, Phoenix, Arizona, USA. 9. Bula do Produto Seroquel ®

XRO.

Contraindicação: Seroquel ®

XRO é contraindicado a pacientes com hipersensibilidade

conhecida a qualquer componente de sua fórmula. Interação medicamentosa: devido

aos efeitos primários da quetiapina sobre o sistema nervoso central, Seroquel ®

deve ser

usado com cuidado em combinação com outros agentes de ação central e com álcool.

Seroquel ®

é um medicamento. Durante seu uso, não dirija veículos ou opere máquinas,

pois sua agilidade e atenção podem ser prejudicadas.

SQA.10.B.076 - Produzido em março/2010

debate hoje | 47


Seroquel ® fumarato de quetiapina. Seroquel ® (fumarato de quetiapina) é um agente antipsicótico atípico. Indicações: Seroquel ® é indicado

para o tratamento da esquizofrenia, como monoterapia ou adjuvante no tratamento dos episódios de mania associados ao transtorno afetivo bipolar,

dos episódios de depressão associados ao transtorno afetivo bipolar e no tratamento de manutenção do transtorno afetivo bipolar I (episódios

maníaco, misto ou depressivo) em combinação com os estabilizadores de humor lítio ou valproato. Contraindicações: Seroquel ® é contraindicado

a pacientes com hipersensibilidade conhecida a qualquer componente de sua fórmula. Cuidados e Advertências: Advertências: Ideação e

comportamento suicidas ou piora clínica: A depressão e certos transtornos psiquiátricos são associados a um aumento de risco de ideação e

comportamento suicidas. Pacientes de todas as idades que iniciam tratamento com antidepressivos devem ser cuidadosamente monitorados

quanto à piora clínica, suicidalidade ou alterações não usuais no comportamento. Familiares e cuidadores devem ser alertados sobre a necessidade

de observação do paciente e comunicação com o médico. Neutropenia: Muitos casos de neutropenia grave ocorreram dentro dos primeiros dois

meses do início de tratamento com quetiapina. Aumentos de glicose no sangue e hiperglicemia: Aumentos de glicose no sangue e hiperglicemia, e

relatos ocasionais de diabetes têm sido observados nos estudos clínicos com quetiapina. Lipídeos: Aumentos de triglicérides e colesterol e

diminuição de HDL têm sido observados nos estudos clínicos com quetiapina. Doenças concomitantes: Recomenda-se cautela ao tratar pacientes

com doença cardiovascular conhecida, doença cerebrovascular ou outras condições que os predisponham à hipotensão. Disfagia e aspiração foram

relatadas com Seroquel ® . Seroquel ® deve ser usado com cautela em pacientes com risco de pneumonia por aspiração. Convulsões: Recomenda-se

cautela ao tratar pacientes com história de convulsões. Discinesia tardia e Sintomas extrapiramidais: Se aparecerem sinais e sintomas de discinesia

tardia, a redução de dose ou descontinuação da quetiapina devem ser consideradas. Os sintomas da discinesia tardia podem agravar ou mesmo

surgir após descontinuação do tratamento. Síndrome neuroléptica maligna: Síndrome neuroléptica maligna (hipertermia, estado mental alterado,

rigidez muscular, instabilidade autonômica e aumento da creatinofosfoquinase) tem sido associada ao tratamento antipsicótico, incluindo a

quetiapina. Caso isto ocorra, Seroquel ® deve ser descontinuado e tratamento médico apropriado deve ser administrado. Prolongamento do intervalo

QT: Assim como com outros antipsicóticos, a quetiapina deve ser prescrita com cautela a pacientes com distúrbios cardiovasculares ou histórico

familiar de prolongamento de intervalo QT, tanto com medicamentos conhecidos por aumentar o intervalo QT como em concomitância com

neurolépticos, especialmente para pacientes com risco aumentado de prolongamento do intervalo QT, como pacientes idosos, pacientes com

síndrome congênita de intervalo QT longo, insuficiência cardíaca congestiva, hipertrofia cardíaca, hipocalemia ou hipomagnesemia. Descontinuação:

Sintomas de descontinuação aguda assim como insônia, náusea e vômito têm sido descritos após uma interrupção abrupta do tratamento com

fármacos antipsicóticos incluindo a quetiapina. É aconselhada a descontinuação gradual por um período de pelo menos uma a duas semanas. Uso

durante a gravidez e lactação: Categoria de risco na gravidez: C. Seroquel ® só deve ser usado durante a gravidez se os benefícios justificarem os

riscos potenciais. As mulheres devem ser orientadas a não amamentar enquanto estiverem tomando Seroquel ® (para maiores informações, vide

bula completa do produto). Interações medicamentosas: Seroquel ® deve ser usado com cuidado em combinação com outros medicamentos de ação

central e com álcool. O uso de quetiapina concomitante com outros fármacos conhecidos por causarem desequilíbrio eletrolítico ou por aumentar

o intervalo QT deve ser feito com cautela. A coadministração de carbamazepina aumentou significativamente a depuração de quetiapina. Dependendo

da resposta clínica, um aumento da dose de Seroquel ® deve ser considerado. Doses elevadas de Seroquel ® podem ser necessárias para manter o

controle dos sintomas psicóticos em pacientes que estejam recebendo concomitantemente Seroquel ® e fenitoína ou outros indutores de enzimas

hepáticas (por exemplo: barbituratos, rifampicina, etc.). A dosagem de Seroquel ® deve ser reduzida durante uso concomitante de quetiapina e

potentes inibidores da CYP3A4 (como antifúngicos azóis, antibióticos macrolídeos e inibidores da protease). Outras interações medicamentosas,

vide bula completa do produto. Reações adversas: As reações adversas mais comumente relatadas com a quetiapina são: tontura, sonolência, boca

seca, sintomas de descontinuação (insônia, náusea, cefaleia, diarreia, vômito, tontura e irritabilidade), elevações dos níveis de triglicérides séricos,

elevações do colesterol total, diminuição de HDL colesterol, ganho de peso, leucopenia, neutropenia, taquicardia, visão borrada, constipação,

dispepsia, astenia leve, edema periférico, irritabilidade, elevações das transaminases séricas (ALT, AST), aumento da glicose no sangue para níveis

hiperglicêmicos, elevações da prolactina sérica, síncope, sintomas extrapiramidais, disartria, aumento do apetite, rinite, hipotensão ortostática e

sonhos anormais e pesadelos (para outras reações adversas, vide bula completa do produto). Posologia: Seroquel ® deve ser administrado por via

oral, com ou sem alimentos. Esquizofrenia: Seroquel ® deve ser administrado duas vezes ao dia. A dose total diária para os quatro dias iniciais do

tratamento é 50 mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3) e 300 mg (dia 4). A partir do 4º dia de tratamento, a dose deve ser ajustada até atingir a

faixa considerada eficaz de 300 a 450 mg/dia. Dependendo da resposta clínica e da tolerabilidade de cada paciente, a dose pode ser ajustada na

faixa de 150 a 750 mg/dia. Episódios de mania associados ao transtorno afetivo bipolar: Seroquel ® deve ser administrado duas vezes ao dia. A dose

total diária para os quatro primeiros dias do tratamento é 100 mg (dia 1), 200 mg (dia 2), 300 mg (dia 3) e 400 mg (dia 4). Outros ajustes de dose

até 800 mg/dia no 6° dia não devem ser maiores que 200 mg/dia. A dose pode ser ajustada dependendo da resposta clínica e da tolerabilidade

individual de cada paciente, dentro do intervalo de 200 a 800 mg/dia. A dose usual efetiva está entre 400 a 800 mg/dia. Episódios de depressão

associados ao transtorno afetivo bipolar: Seroquel ® deve ser administrado à noite, em dose única diária. A dose deve ser titulada como a seguir: 50

mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3) e 300 mg (dia 4). Seroquel ® pode ser titulado até 400 mg no dia 5 e para até 600 mg no dia 8. Manutenção

do transtorno afetivo bipolar I em combinação com os estabilizadores de humor lítio ou valproato: Seroquel ® deve ser administrado duas vezes ao

dia. Os pacientes que responderam ao Seroquel ® na terapia combinada a um estabilizador de humor (lítio ou valproato) para o tratamento agudo de

transtorno bipolar devem continuar com a terapia de Seroquel ® na mesma dose. A dose pode ser ajustada dependendo da resposta clínica e da

tolerabilidade individual de cada paciente. A eficácia foi demonstrada com Seroquel ® (administrada duas vezes ao dia totalizando 400 a 800 mg/

dia) como terapia de combinação a estabilizador de humor (lítio ou valproato). Insuficiência hepática: a quetiapina é extensivamente metabolizada

pelo fígado. Portanto, Seroquel ® deve ser usado com cautela em pacientes com insuficiência hepática conhecida, especialmente durante o período

inicial. Pacientes com insuficiência hepática devem iniciar o tratamento com 25 mg/dia. A dose deve ser aumentada diariamente em incrementos

de 25 a 50 mg até atingir a dose eficaz, dependendo da resposta clínica e da tolerabilidade de cada paciente. Idosos: A depuração plasmática média

de quetiapina foi reduzida em 30% a 50% em pacientes idosos quando comparados com pacientes jovens. Superdose: A maioria dos pacientes

com superdosagem não apresentou eventos adversos ou recuperou-se completamente dos eventos adversos. Em geral, os sinais e sintomas

relatados foram resultantes da exacerbação dos efeitos farmacológicos conhecidos da quetiapina, isto é, sonolência e sedação, taquicardia e

hipotensão. Não há antídoto específico para a quetiapina. Supervisão médica e monitoração cuidadosas devem ser mantidas até a recuperação do

paciente. Apresentações: Embalagem com 14 comprimidos revestidos de 25 mg. Embalagens com 14 e 28 comprimidos revestidos de 100 mg e

200 mg. Embalagem com 28 comprimidos revestidos de 300 mg. USO ADULTO/USO ORAL. VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA. SÓ PODE SER

VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA. Para maiores informações, consulte a bula completa do produto. (SER007) AstraZeneca do Brasil Ltda.,

Rod. Raposo Tavares, Km 26,9 - Cotia - SP - CEP 06707-000 Tel.: 0800-0145578. www.astrazeneca.com.br Seroquel ® . M.S. – 1.1618.0232.


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