VJ FEV 091.p65 - Visão Judaica

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VJ FEV 091.p65 - Visão Judaica

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editorial

VISÃO JUDAICA • fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Publicação mensal independente da

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JUDAICA LTDA.

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Diretor de Redação

SZYJA B. LORBER

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DEBORAH FIGLARZ

Arte e Diagramação

SONIA OLESKOVICZ

Webmaster

RAFFAEL FIGLARZ

Colaboram nesta edição:

Aharon Erlich, Ali Kamel, Aristide Brodeschi,

Benny Morris, Breno Lerner, Cora Rónai, Giora

Becher, Heitor de Paola, Julian Schvindlerman,

Nahum Sirotsky, Pilar Rahola, Rodrigo

Constantino, Ruben Kaplan, Sérgio Feldman,

Sérgio Malbergier, Tawfik Hamid e Yossi

Groisseoign

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dos conceitos ou dos temas.

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com respeito esta publicação.

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Este jornal é um veículo independente

da Comunidade Israelita do Paraná

epois de oito anos de incessantes ataques

de foguetes sobre sua população

civil - e após 10 mil foguetes - Israel

decidiu dar um basta nesta situação

absurda e quebra de sua soberania nacional.

Em defesa de sua população, em especial

de suas crianças, empreendeu uma

campanha militar para eliminar o terrorismo

do mesmo DNA do terror internacional,

que atacou Nova York, Madrid, Londres

e, mais recentemente Bombaim. Os

alvos visados foram tropas do Hamas, seus

comandantes, seus túneis, suas fábricas de

explosivos, toda sua engrenagem terrorista.

Mas o mundo não compreendeu, caiu

(de novo) no embuste da propaganda preconceituosa

contra Israel e virou-se contra

ele de uma maneira jamais vista. O que

se disse de besteira, se fez comparações

com o nazismo, praticou-se

o antissemitismo

e o ódio!

Mas houve exceções.

Pouquíssimas,

mas houve. Como

escreveu o jornal

alemão Handelsblatt:

"Com seus ata-

ques regulares de

foguetes, o Hamas

nos lembra que se

ACENDIMENTO DAS VELAS

EM CURITIBA

fevereiro / março de 2009

Shabat

DATA HORA

20 / 2

27 / 2

6 / 3

13 / 3

20 / 3

27 / 3

Falecimentos

18h37

18h31

18h24

18h16

18h09

18h02

Com pesar, comunicamos os falecimentos de:

A guerra em Gaza

opõe completamente à coexistência

com Israel... e tem apenas um objetivo:

derrotar Israel. Além disso, mostrou que

não tem problemas em usar os palestinos

de Gaza como vítimas na busca deste

objetivo. A principal meta do Hamas

obviamente não é o bem-estar da população

palestina. Mesmo que ao custo

de vidas humanas, o Hamas continua

apenas comprometido com a ideologia

da resistência. Não há cinismo maior que

este". Numa guerra, civis também pagam

com suas vidas, lamentavelmente.

As baixas civis ocorreram apenas por

culpa do Hamas, que os usaram descaradamente

como escudos. O objetivo foi

destruir a infra-estrutura do Hamas e

reduzir a quantidade de mísseis lançados

contra civis israelenses. Um outro

jornal alemão, o Die Welt, explicou bem

a situação: "Logo após o Natal, as imagens

que vimos de Israel bombardeando

a Faixa de Gaza - com mulheres chorando

e homens revoltados - foram inquietantes.

Para muitos, esses atos são

aberrantes e chocantes, pois acreditam

que qualquer morte é excessiva. Entretanto,

Israel não teve escolha. O país foi

obrigado a agir com rapidez e força.

Além disso, seus bombardeios não tiveram

como alvo a população civil, mas

Nossa capa

Salomão Guerbert, dia 22/12/2008, em Curitiba (25 de Kislev de

5769). Sepultado na manhã dia 23/12/2008 no Cemitério Israelita

de Umbará.

Thelma Bekin, dia 26/12/2008, em Curitiba (29 de Kislev de 5769).

Sepultada dia 28/12/2008 no Cemitério Israelita do Umbará.

Moysés Paciornik, dia 26/12/2008, em São Paulo. (29 de Kislev

de 5769). Sepultado dia 28/12/2008 no Cemitério Israelita de S.

Cândida. (Veja nota na pág. 5)

Israel Stivelman, dia 9/2/2009, em Curitiba (15 de Shevat de 5769).

Sepultado dia 9/2/2009 no Cemitério Israelita do Umbará.

sim, as instituições pseudo-governamentais

de um enclave que é controlado

pelo Hamas."

O Hamas nunca escondeu que seu

principal objetivo. Sua carta de fundação,

de 1988, desconsidera qualquer esforço

diplomático para a resolução da

questão palestina. Diz o Artigo 13 do

documento: "As iniciativas e as chamadas

soluções pacíficas e conferências internacionais

estão em contradição com

o Movimento de Resistência Islâmica".

Mais claro impossível. A carta de fundação

do Hamas vai ainda mais longe e

defende a morte dos judeus e a destruição

de Israel. No preâmbulo, o grupo diz

que "Israel existirá e continuará a existir

até que o islamismo o destrua, como

destruiu outros antes dele". No artigo

7º, o Hamas reproduz supostas palavras

do Profeta: "O Dia do Juízo não virá até

que os muçulmanos matem os judeus".

Israel deixou bem claro que sua luta

é contra o Hamas, não contra a população

da Faixa de Gaza. Por isso possibilitou

a entrada de suprimentos humanitários

na Faixa de Gaza vindo de vários

países e organizações internacionais. As

passagens de Gaza foram abertas para a

entrada de ajuda humanitária com completa

cooperação das autoridades israe-

A capa reproduz a obra de arte cujo título é: "Rabbi Yehuda Loew

ben Bezalel (o Maharal de Praga) com seu Golem", elaborada com

a técnica aquarela e dimensões de 35 x 45 cm, criação de Aristide

Brodeschi. Ao fundo "Altneuschul", sinagoga mais antiga do mundo

ainda em funcionamento. Segundo a lenda, no sótão dela foram

guardadas os restos do "Golem de barro". O autor nasceu em

Bucareste, Romênia, é arquiteto e artista plástico, e vive em Curitiba

desde 1978. Já desenvolveu trabalhos em várias técnicas, dentre

elas pintura, gravura e tapeçaria. Recebeu premiações por seus

trabalhos no Brasil e nos EUA. Suas obras estão espalhadas por

vários países e tem no judaísmo, uma das principais fontes de inspiração.

É o autor das capas do jornal Visão Judaica. (Para conhecer

mais sobre ele, visite o site www.brodeschi.com.br). Veja explicações

sobre o Golem na página seguinte.

Datas importantes

21 de fevereiro

24 de fevereiro

25 de fevereiro

28 de fevereiro

7 de março

9 de março

10 de março

11 de março

14 de março

21 de março

lenses e sem restrições, mesmo durante

o conflito.

Surpreendente, no entanto, é o eco

desse discurso entre certos setores do

jornalismo e da intelectualidade (que

certamente não usa o intelecto), que

reproduzem os mesmos termos, acrescentando

outros, como se as ações de

autodefesa do Estado de Israel fossem

"terrorismo de Estado", "genocídio" e

"práticas nazistas". O PT, por exemplo,

agora abraçou a causa do "terrorismo islâmico",

dentro, certamente, de sua luta

contra o "sionismo" e o "imperialismo".

Evidentemente, não precisa mais se dar

ao trabalho de distinguir entre a "causa

palestina" e o "terror".

De todas as consequências desse

antissemtismo oficializado, certamente

a mais grave aconteceu em Caracas, na

Venezuela: A Sinagoga Tiferet Israel foi

invadida na calada da noite, vandalizada

e pichada por 15 homens armados.

Destruíram vários rolos da Torá que estavam

guardados no altar e deixaram

escritas pelas paredes frases contra os

judeus, expulsando-os da Venezuela,

reforçando, com atitudes, as palavras

proferidas pelo presidente Hugo Chaves,

que, lembremos, está associado ao Irã

em relação aos judeus e a Israel.

A Redação

Mishpatim / Shabat Shekalim

Rosh Chodesh I

Rosh Chodesh II

Shabat Terumá

Tetsavê / Shabat Zachor

Jejum de Ester

Purim

Shushan Purim

Shabat Ki Tissá

Vaiakhel Pekudê / Shabat Hachodesh


VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

A resistência milenar do povo judeu

Sérgio Feldman *

omo entender a continuidade

judaica? Um

povo resiste e subsiste

por séculos e sob um

cerco contínuo. Seria um

milagre? Poderia ser visto

como um fato de difícil entendimento

e que não seria viável explicar

num despretensioso artigo jornalístico.

Ousaremos ensaiar uma análise

superficial e tentar entender o "X" do

problema. Num futuro livro que pretendemos

lançar tentaremos aprofundar a

análise e aguçar o olhar crítico sobre este

dilema tão complexo e amplo.

Karl Marx considerava os judeus através

do entendimento de seu papel na

História. O filósofo alemão de origem judaica

apontava para o papel socioeconômico

dos judeus alocados na "longa

Idade Média", como intermediários entre

os nobres e o clero de um lado e os

camponeses de outro. Seriam uma espécie

de "estamento ou agrupamento

social" intermediário. Cumpriam fun-

Golem

Motivo de ter sido criado

O Golem foi criado no ano de

1580 em Praga pelo Rabi Yehuda

Loevw, conhecido como o Maharal

de Praga.

Yossef, ou Golem foi criado a

partir dos quatro elementos (fogo,

terra, água e ar) através do conhecimento

cabalístico do Maharal que

obteve permissão Divina de recorrer

a forças espirituais especiais

para criar um ser como o Golem.

Ele era um ser sagrado, sem vida

(desprovido de alma), e andava e

obedecia a todas as ordens do

Maharal. Era extremamente forte,

mas não podia se expressar através

da fala, pois este dom é privilégio

exclusivo das almas Divinas.

Golem foi criado com o objetivo

de proteger os judeus que foram

ameaçados de extermínio através

da intriga de seus inimigos e os salvou

poupando muitas vidas. O Golem

transformou o pesadelo do extermínio

em salvação.

Quando o povo judeu não sofria

mais ameaças, sua existência

perdeu sentido, pois sua missão já

fora cumprida.

Quem visita Praga atualmente

poderá entrar na sinagoga do

Maharal, local provável onde está

enterrado o Golem (dizem que está

no sótão), mas a presença de pessoas

é vetada neste recinto, porque

conforme os relatos, ela perde a própria

vida. (www.chabad.org.br).

ções na sociedade por décadas ou até

séculos até quando, eram substituídos

por elementos autóctones (locais) e expulsos.

Assim explicava as migrações

dos judeus de um país ao outro: ejetados

da Inglaterra em 1290, por três vezes

da França (1306-1322-1394). Resistem

na Península Ibérica (Castela, Aragão

e Portugal) por mais um século e acabam

sendo expulsos em 1492 dos dois

primeiros e em seguida de Portugal. Assim

se deslocam a Europa Oriental aonde

cumprem a mesma função em sociedades

menos desenvolvidas como o reino

da Polônia e depois no Império Russo.

Nestes acabam sendo perseguidos e

discriminados quando não servem mais

para os interesses da monarquia.

Na compreensão dos analistas marxistas,

geralmente engajados em lutas

sociais e alinhados em partidos socialistas

ou comunistas, não haveria solução

para o "problema judaico" sob o capitalismo.

Só a implantação do socialismo

acabaria com as diferenças de

classe e traria a emancipação de todos

os oprimidos, entre eles os judeus. Uma

análise extremamente rígida e que

nunca levou em conta a emotividade e

o imaginário do preconceito ao "outro",

neste caso o judeu. Um historiador judeu

marxista, Abraham Leon, fez um livro

aonde visa justificar a pertinência

destas teses de Marx. Já Stalin demonstrou

por duas formas que não era este

o caminho: na primeira tentou criar uma

pseudo-república soviética, denominada

Birobidjan nas cercanias da Sibéria,

quase na fronteira com a China, que redundou

num fracasso fenomenal; e

encetou uma sequência de perseguições

indiretas aos judeus de todas as

denominações políticas, sejam opositores

e sejam bolcheviques de primeira

e segunda geração mostrando a não

coerência da proposta soviética.

Jean Paul Sartre foi um filósofo francês

que viveu em meados do século XX.

Após a Segunda Guerra Mundial, Sartre

redigiu um tratado sobre o preconceito

denominado "Reflexões sobre o Racismo":

uma parte analisava o preconceito

contra os negros e outra refletia sobre a

"questão judaica". No seu entendimento

os judeus, sendo vítimas de um preconceito

milenar se fechavam num formidável

"escudo" e se agrupavam através

da solidariedade coletiva e de uma

coesão única. A seu ver o Judaísmo perderia

sua resistência e a os judeus seriam

integrados numa sociedade democrática

e não preconceituosa. O Judaísmo

existia por causa do preconceito antijudaico.

Assim sendo na compreensão

sartriana a "raison d'etre" ou razão de ser

do Judaísmo é o ódio que os não judeus

devotam aos judeus. A sociedade poderia

deixar de ser preconceituosa e em

poucas gerações os judeus deixariam de

se auto-identificar como tanto.

Sartre me tirou o sono por muitos

anos. Eu o negava e combatia devido a

minhas crenças pessoais. Aprendi a entendê-lo

e respeitá-lo e aceitar sua relativa

verdade. Hoje eu dialogo com ele,

e revi meu entendimento sobre a cerca

e a auto-proteção como artifícios legítimos

da identidade grupal de uma minoria

perseguida e que se entendia como

dotada de um destino histórico.

Foi no Talmud no início do tratado

Avot, mais conhecido como Pirkei Avot,

onde encontrei a melhor configuração a

esta questão. Os sábios ordenam erigir

uma cerca em torno da Torá e dos judeus.

Esta cerca não é material. Trata-se

de uma cerca espiritual. Um mecanismo

de "ação e reação" através do qual os

judeus, ao se sentirem ameaçados e

pressionados, tendem a se unir e acentuar

sua coesão. Na tradição judaica esta

postura foi inserida num cântico religioso

que é entoado na ceia pascal e está

escrito no texto da Hagadá de Pêssach.

O texto se fundamenta no Livro do Êxodo

(1, 12) que descreve os escravos hebreus

no Egito sendo oprimidos e maltratados

e se reproduzindo cada vez mais

numa reação de resistência: Ve kaasher

ieanu oto ken irbê veken ifrotz. A pressão

do mundo externo hostil e majoritário

gera nos judeus e no judaísmo mecanismos

de defesa, de ajuda mútua e

de identidade. Um destes mecanismos

de resistência ordenado e explicado em

detalhes pelo Talmud pode ser visto sob

a forma de círculos ou ciclos concêntricos.

Uma estrutura que cerca o dia-a-dia

e ajusta o microcosmo com o macrocosmo,

os detalhes se adequam com o todo

numa coerente lógica e num entendimento

do mundo, da História e da vida

humana. O conjunto do dia-a-dia judaico

se ajusta com o pensamento e a concepção

de mundo judaica. Parece uma

afirmação complexa e não compreensível,

mas leia e reflita. A educação judaica,

a vida familiar e comunitária gera

uma proteção e um "invólucro judaico"

no dia-a-dia, nas semanas, mês, ano e

ciclo da vida.

Analisemos algumas particularidades

da estrutura que se construía através

da educação e das instituições religiosas

e jurídicas. Uma das formas que

percebemos seriam os ciclos do cotidiano.

Definimos este através de duas fórmulas:

tempos e espaços. Os dois se

mesclam e se complementam na maioria

das vezes. Os espaços seriam aqueles

das instituições judaicas: sinagoga,

escola, seminários talmúdicos (as ieshivot),

abatedouro e açougue kasher, cemitério,

e outros diversos. Já os tempos

seriam: ciclo diário, ciclo semanal e ciclo

anual. Enfoquemos agora este ângulo

temporal.

O ciclo diário se desenvolve através

de rituais diversos: a três orações coletivas

diárias, orações individuais (colocar

filactérios e proferir o Shemá na cama),

rituais desenvolvidos através das etapas

do dia (orações ao acordar, ao se alimentar,

ao completar a higiene, e ao comple-

tar etapas). Uma constante presença de

D-us, da exaltação da fé e da gratidão ao

Criador em cada momento do dia.

O ciclo semanal complementa o diário.

Nas orações coletivas de segundas e

quintas- feiras se faz uma pré-leitura do

trecho semanal da leitura do Pentateuco

(Torá) que se consuma na leitura completa

no Sábado (Shabat). O Shabat ritualiza

a semana como um todo: repleto

de poesia e de mística distingue tempos

sagrados (Shabat) de tempos profanos

(os dias da semana). Obriga o judeu a se

isolar da materialidade e do trabalho

que é rigidamente proibido com normas

minuciosas que prevêem até a proibição

de tarefas triviais como fazer um

fogo novo, cortar ou transformar algum

objeto ou material de uma forma para

outra. No Shabat não se altera nada. Há

uma absoluta harmonia entre o Homem

e a Natureza. Isso gera uma espiritualidade

intensa e o distanciamento do

mundo, dos problemas do cotidiano. O

Shabat abriga o judeu da hostilidade do

mundo externo, gerando uma aproximação

do ser humano com o sagrado. Aqui

temos um segredo extra e especial da

sobrevivência judaica ao mundo externo

que lhe é hostil.

O ciclo anual fecha a "cerca protetora"

e cria uma sensação de plenitude. O

calendário tem festas históricas como a

Páscoa (Pêssach), o Pentecostes (Shavuot)

e os Tabernáculos (Sucot) que

criam uma dimensão micro do passado

de glória, que espelha numa dimensão

macro, o futuro e a Redenção. O ciclo

das festas exalta e engrandece a D-us e

enfatiza a eleição do povo de Israel. Há

nele uma essência redentora que se

auto-explica. A leitura da cíclica anual da

Lei ou Pentateuco (Torá) se une com as

festas anuais gerando uma sensação coletiva

que há um sentido na História. E

este sentido justifica a resistência judaica

visto ser o Povo Eleito, o veículo da

Redenção. Seu sofrimento e a opressão

que sofreram sob o jugo romano e a

opressão que sofrerão sob a Cristandade

(ou sob o Islã) é parte de um processo

que foi engendrado por D-us e que

culminará na vinda do tempo messiânico.

Assim o sentido da História completa

este ciclo. Este pode ser tema de um

outro texto.

Sartre tem certa dose de razão em

justificar a resistência e a continuidade

judaica à pressão externa. Mas as cercas

internas quando alocadas de maneira criativa

e sensível, adequadas ao momento

histórico são a "alma" do Judaísmo.

Abreviarei minha análise, mas deixarei

a possibilidade de prosseguir na

reflexão de maneira diferente ao oferecer

a "base deste artigo" como opção

aos interessados. Baseio-me num texto

meu publicado na UFES que ofereço

aos interessados por e-mail. Os interessados

podem solicitar ao Visão Judaica

o texto em PDF, que deixarei a

disposição da Redação.

3

* Sérgio Feldman é

doutor em História pela

UFPR e professor de

História Antiga e

Medieval na

Universidade Federal

do Espírito Santo, em

Vitória, e ex-professor

adjunto de História

Antiga do Curso de

História da

Universidade Tuiuti do

Paraná.


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VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Vaticano exige que bispo peça

desculpas por negar Holocausto

Williamson continua causando polêmicas e pode ter revogada excomunhão anulada

Vaticano exigiu dia 4/2 que

o bispo britânico Richard

Williamson se desculpe publicamente

por ter negado o

Holocausto e volte atrás em

suas declarações se quiser exercer

seu sacerdócio dentro da Igreja, segundo

a Santa Sé. Num comunicado da

Secretária de Estado, a Santa Sé precisou

que Bento XVI "desconhecia" a

posição do prelado tradicionalista "no

momento de revogar a excomunhão".

O Vaticano também exigiu da Fraternidade

São Pio 10, fundada pelo

arcebispo Marcel Lefebvre e à qual

pertencem Williamson e os outros

três cujas excomunhões o papa anulou,

que se quiser ser reconhecida

pela Santa Sé é "indispensável" que

reconheça plenamente o Concílio Vaticano

II. O Vaticano precisou que a

revogação da excomunhão só representa

a "abertura de uma porta ao

diálogo" com os "lefebvrianos", que

a situação jurídica da Fraternidade

São Pio X "não mudou", por isso não

goza de reconhecimento canônico

dentro da Igreja. Além disso, o Vaticano

reiterou que as posições de Williamson

sobre o Holocausto "são absolutamente

inaceitáveis e totalmente

rechaçadas por Bento XVI".

Em Berlim o Conselho Central dos

Judeus da Alemanha elogiou o Vaticano

por recuar da decisão de reabilitar

um bispo tradicionalista que nega o

Holocausto, e disse que agora há condições

para uma retomada das relações

com a Igreja Católica. Chartlotte

Knobloch, presidente do Conselho dos

Judeus, disse que a decisão do Vaticano

foi um sinal positivo em reação

ao pedido da chanceler (primeira-ministra)

Angela Merkel por esclarecimentos,

depois que o papa Bento XVI

provocou ultraje ao reabilitar o bispo.

"É o primeiro passo que pode levar

à retomada do diálogo com a Igreja

Católica", disse Knobloch em nota

com tom conciliador. Uma semana antes,

ela anunciara o rompimento das

relações da instituição que dirige com

a Igreja Católica, indignada com a decisão

de reabilitar o bispo Richard

Williamson, que nega a amplitude do

Holocausto, responsável pela morte de

6 milhões de judeus.

Knobloch também elogiou o Vaticano

por declarar que a SSPX deve aceitar

todos os ensinamentos do Concílio

Vaticano Segundo, que pregava o

respeito ao judaísmo e a outros cre-

dos. "Isso significaria que a irmandade

teria de se retratar publicamente

de declarações segundo as quais os

cidadãos judeus são os assassinos de

D-us, e condenar firmemente qualquer

forma de negação do Holocausto", disse

Knobloch.

Muito Muito Muito grave

grave

Ao voltar a condenar a negação do

Holocausto o Vaticano observou que

a negação mesmo feita por um bispo

e um sacerdote lefebvriano é "muito

grave". Em um editorial intitulado

"Shoá e mistério de D-us", lido na Rádio

Vaticano, foram lembradas as palavras

de Bento XVI no dia 28/1 quando

disse que a Shoá "tem que fazer

refletir sobre o imprevisível poder do

mal quando conquista o coração do

homem". O editorial afirmou que Bento

XVI "não só condenou qualquer forma

de esquecimento e de negação da

tragédia do extermino de seis milhões

de judeus", mas também pediu um

exame de consciência de cada homem

para que se pergunte pelas causas

desta tragédia.

O Vaticano condenou também as

afirmações que colocam em dúvida

a existência das câmaras de gás, e

as pronunciadas pelo sacerdote

lefebvriano Floriano Abrahamowicz,

que apoiou as teses revisionistas de

seu companheiro, o que fez elevar

a tensão entre católicos e judeus,

já agravada com o anterior anúncio

de reabilitação do bispo ultraconservador

Richard Williamson.

Pouco antes do anúncio pelo papa,

da retirada das excomunhões do bispo

britânico Richard Williamson e de

três outros bispos lefrevistas da Sociedade

de São Pio X, que rejeita modernizações

na doutrina católica, Williamson

havia negado publicamente o

Holocausto de seis milhões de judeus

pelo regime de Hitler e a existência

de câmaras de gás para extermínio

das vítimas do regime nazista, em declarações

à TV sueca, transmitidas na

quarta-feira 21/1.

Na sexta-feira 30/1, o controverso

bispo, que vive na Argentina, desculpou-se

perante o papa pela "dor"

que suas declarações teriam provocado.

Em entrevista jornal italiano

La Repubblica, no sábado 31/1, o cardeal

Giovanni Battista Re, prefeito

da Congregação para os Bispos do

Vaticano, afirmou que as desculpas

de Williamson teriam sido um primei-

ro passo. O cardeal Re acrescentou

que Williamson terá ainda que se posicionar

por suas declarações sobre

o Holocausto. Segundo o prefeito da

Congregação para os Bispos, as desculpas

de Williamson não seriam,

absolutamente, suficientes para encerrar

o caso.

Duras Duras críticas

críticas

O anúncio da reabilitação dos

bispos ultraconservadores provocou

duras críticas por parte de teólogos

católicos e uma grande desavença

com representantes da comunidade

judaica. Na audiência pública de 28/

1, o papa Bento XVI reiterou sua "solidariedade

indiscutível com os irmãos

judeus" e disse ainda que a

lembrança do Holocausto seria uma

advertência contra o perigo de que

o genocídio contra os judeus venha

a ser esquecido.

O arcebispo Robert Zollitsch, presidente

da Conferência dos Bispos Alemães,

demonstrou compreensão pela

indignação da comunidade judaica. Ele

afirmou que tinha certeza de que Williamson

se desculparia por suas declarações

inaceitáveis, caso realmente

queira continuar na Igreja Católica.

Para o teólogo Hans-Peter Heinz,

que desde 1974 dirige o grupo de discussão

"Judeus e Cristãos" no Comitê

Central dos Católicos Alemães, o caso

Williamson prejudica as relações entre

judeus e católicos em dimensões

jamais vistas nos últimos anos. Em sua

opinião, é evidente o antissemitismo

na ala católica de direita da Sociedade

de São Pio X.

Heinz afirmou que esse antissemitismo

não é latente, mas aberto.

Como exemplo, ele citou uma declaração

do site da congregação, publicada

em 19 de janeiro último: "Os

judeus dos nossos dias não são mais

os novos antigos irmãos da fé, como

o papa afirmou na sua visita à sinagoga

em Roma, em 1986. Enquanto

não tiverem se distanciado da culpa

de seus pais através do reconhecimento

da divindade de Cristo e do

batismo, eles serão os corresponsáveis

pela morte de D-us".

Segundo a revista alemã Der

Spiegel, a reabilitação do bispo Richard

Williamson levou o ministro

israelense de Assuntos Religiosos,

Yitzhak Cohen, a ameaçar o Vaticano

com o corte das relações diplomáticas

com Israel. A revista alemã

noticiou que Cohen aconselhou o

Vaticano a "romper completamente

a ligação com uma sociedade em

que negadores do Holocausto e antissemitas

são membros".

Vaticano aticano responde responde a a Angela Angela Merk Merkel Merk el

A chanceler alemã, Angela Merkel,

foi a mais firme das críticas. Ela instou

o Papa a "deixar claro" sua posição,

unindo-se às pressões dos bispos

e da comunidade judaica de seu país.

Disse ela: "Por parte do Papa tem que

ficar definitivamente claro que não se

permite negar o Holocausto".

Além de Merkel, o cardeal da Mogúncia

e ex-presidente da Conferência

Episcopal Alemã, Karl Lehmann,

também pediu uma desculpa "do mais

alto nível", pela reabilitação dos lefebvrianos.

O porta-voz do Vaticano, Federico

Lombardi, respondeu à chanceler alemã,

Angela Merkel, que o Vaticano

"não tolera a negação do Holocausto

e que as palavras de condenação de

Bento XVI são claríssimas".

"A condenação das declarações

negando o Holocausto, por parte do

Papa, não podem ser mais claras e

parece evidente que as mesmas também

se referiam à posição do monsenhor

Williamson, o bispo lefebvriano

reabilitado que nega a existência das

câmaras de gás, e a todas as posições

análogas", assinala Lombardi num comunicado.

"O pensamento do Papa

sobre o Holocausto foi expresso com

muita clareza na Sinagoga de Colônia

em 19 de agosto de 2005, no campo

de concentração de Auschwitz-Birkenau,

em 28 de maio de 2006, na audiência

pública de 31 de maio no Vaticano

e na audiência de 28 de janeiro

passado, com palavras inequívocas",

disse Lombardi.

O porta-voz destacou o seguinte:

"Enquanto renovo com afeto minha

plena e indiscutível solidariedade com

nossos irmãos judeus, auspicio que a

memória da Shoá induza a humanidade

a refletir sobre a imprevisível potencia

do mal quando conquista o coração

do homem". Bento XVI disse que

levantou a excomunhão como um "gesto

de paterna misericórdia".

Williamson, que acaba de ser removido

da direção de um seminário na

Argentina, onde vive, no entanto, disse

que iria rever "suas pesquisas" em

relação ao Holocausto, mas "que isso

levará tempo". (EFE/Reuters).


*Breno Lerner é editor e

gourmand, especializado

em culinária judaica.

Escreve para revistas,

sites e jornais. Dá

regularmente cursos e

workshops. Tem três

livros publicados, dois

deles sobre culinária

judaica.

Purim

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Breno Lerner *

Algumas rápidas e práticas dicas para o próximo Purim e, como não poderia deixar de ser, suas histórias.

Pato ato ao ao Suco Suco de de Uvas Uvas

Uvas

Ingredientes:

1 peito de pato (magret) cortado em dois

pedaços;

1 xícaras de suco de uvas;

¼ de xícara de aceto balsâmico;

1 colher de chá de manteiga;

1 cacho pequeno de uvas sem caroço,

cortadas ao meio;

Sal e pimenta do reino à gosto.

Modo de fazer:

Coloque o suco de uvas e o aceto em uma

panelinha e cozinhe até reduzir a 1/3.

Reserve. Tempere o peito com sal e pimenta

do reino. Numa frigideira frite-o,

inicialmente com a pele para baixo até

chegar ao ponto desejado. Depois frite

rapidamente o outro lado. Deixe descansar

por uns minutos e depois corte em

fatias bem finas. Reaqueça o molho, coloque

as uvas e a margarina. Deixe borbulhar

por 30 segundos. Arranje as fatias

de pato em um prato, cubra decorativamente

com o molho e enfeite com um

cachinho com três uvas. Sirva com esta

brasileiríssima receita de mandioquinha.

Moysés Paciornik Z"L

Muitos entendidos insistem em afirmar que a rainha Ester teria

servido uma receita de pato no famoso banquete servido ao Rei

Assuero. Não há comprovação definitiva sobre o assunto. Em

todo caso, segue esta receita de tempos bíblicos, modernizada

pelos romanos e remodernizada no século XVIII pelos franceses.

De quebra, uma historinha sobre as uvas e a bíblia.

A uva, como base da economia juntamente com o óleo e o cereal

é citada 16 vezes no Velho Testamento.

A canção de Isaías (Isaías 5:1, 2) é um verdadeiro ode e manual

de como plantar videiras. Já naquela época, sabia-se que a localização

do vinhedo numa encosta de altitude com grandes mudanças

de temperatura entre o dia e a noite, fazia a uva amadurecer

mais lentamente e, portanto produzir vinhos mais finos.

Já Ezequiel (Ezequiel 17:6, 8) nos ensina a plantar videiras em

treliças e aumentar sua produtividade.

Arqueologistas tem encontrado prensas de vinho por toda Israel

da Galiléia ao Negev. Ânforas e Jarras de transporte de vinho

estão entre os achados mais comuns no país. Curiosamente, notase

que as ânforas costumavam registrar detalhes como onde o

vinho foi fabricado, por quem foi fabricado e até o ano em que

foi fabricado, obviamente indicando que, já na antiguidade, a

origem do vinho era importante para o consumidor.

Sabemos que Faraós do Egito costumavam importar os "afamados"

vinhos de Canaã. A produção de vinho era uma importante

indústria durante o período do Primeiro e Segundo Templos e os

reis de Judá e Israel tinham vastos vinhedos e monopólio de lojas

de vinho. O Rei David chegou a ter um ministro para os vinhedos

e um outro para as caves.

Plantadores de vinhedos tinham isenção do serviço militar e a

vinha, as uvas e suas folhas eram ilustrações freqüentes de frisas,

selos, brasões e moedas.

Moysés Goldstein Paciornik nasceu em Curitiba em 1914. Formou-se em Medicina

(1938) com especialização em Ginecologia e Obstetrícia. Docente de Clínica Obstétrica

da Faculdade de Medicina do Paraná e professor da Escola de Higiene e Saúde do

Estado, ele desenvolveu seu trabalho na Casa de Saúde Paciornik (Curitiba). Fundador

e diretor do Centro Paranaense de Pesquisas Médicas (1959), instituição que se

dedicava à Prevenção do Câncer Ginecológico no Estado do Paraná, estendeu os serviços

de prevenção às reservas indígenas do Sul do País, colhendo subsídios que levaram

à adoção do Parto de Cócoras (1975) e às bases dos exercícios físicos benéficos ao

funcionamento orgânico.

Escreveu os livros: Aprenda a Nascer com os Índios; Aprenda a Viver com os Índios, quem Mata

o Índio?; Aprenda a Envelhecer sem Ficar Velho. Já em 1950, foi convidado pelo jornal Gazeta do

Povo, de Curitiba, para começar a publicar pequenas crônicas e histórias, a maior parte, ligadas ao

dia-a-dia de sua clínica: Mafiosos de Branco; Erros Médicos; Conflitos Psicossociais de um Consultório

Médico; Graças a um Soco; Brincando de Contar Histórias; Os Grine; Nos Trezentos Anos de

Curitiba os Oitenta que Vivi.

O dr. Paciornik pertencia à Academia Paranaense de Letras e à Academia Brasileira de Médicos

Escritores. Ele foi o médico precursor do exame papanicolau no Brasil, tendo, além disso, ajudado a

difundir o parto de cócoras e, em 60 anos de carreira, trouxe ao mundo mais de 60 mil bebês.

Com essa trajetória brilhante de vida profissional, o dr. Moysés Paciornik contribuiu de forma

significativa com o desenvolvimento da medicina no Brasil e no mundo.

O dr. Moysés Paciornik faleceu numa tarde de sexta-feira, 26 de dezembro, início do Shabat, o

dia do descanso judaico. Ele estava com 94 anos e teve uma parada cardíaca após passar por uma

cirurgia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O corpo do médico foi trasladado a Curitiba, onde

foi velado a partir das 20h30 de sábado, 27/12, na Associação Médica do Paraná. O sepultamento

ocorreu no domingo 28/12, às 11 horas, no Cemitério Israelita Santa Cândida.

Ingredientes:

VJ INDICA

O senhor das almas

Irène Némirovsky - Ed. Companhia

das Letras

LIVRO

Em O senhor das almas, publicado

originalmente como folhetim em

1939, Irène Némirovsky disseca de

forma cruel as engrenagens e os

vícios de um mundo que conheceu

de perto: o dos imigrantes judeus

que tentavam a sorte na França

dos anos 20.

O jovem médico Dario Asfar, judeu

da Criméia, luta desesperadamente

para conseguir uma clientela

em Nice, nos anos 20.

Sem dinheiro, com mulher e filho

pequeno, um dia aceita praticar

um aborto clandestino. É o

primeiro passo do caminho acidentado

que o conduzirá, em lances de extrema audácia, a

práticas na fronteira do charlatanismo. Num percurso

vertiginoso, Asfar revela-se hábil para explorar os meandros

da teoria psicanalítica que começava a se irradiar

do consultório vienense do dr. Freud. Troca, assim, a cura

do corpo pela cura do espírito, e se torna o "senhor das

almas". Mas ao tentar curar as almas alheias, acaba perdendo

a sua.

5

500 g de spaghettini;

6 colheres de sopa de azeite extra virgem;

Suco de 2 limões:

Casca ralada de 1 limão;

20 azeitonas pretas sem caroço, cortadas

em metades;

3 ovos cozidos picados;

1 colher de sopa de sementes de papoula ou

gergelim;

Sal e pimenta do reino;

Modo de fazer:

Caveos Caveos di di Aman

Aman

(Cabelos (Cabelos de de Haman)

Haman)

Esta receita de origem sefaradi é um clássico

de Purim na Europa Central, para onde foi levada

pelos sefaradim que fugiram de Veneza.

O sábio Kalonyus ben Kalonyus que viveu na

Itália no século XIV, explicava que a receita

leva ovos e azeitonas pretas, símbolos do luto,

para lembrar a crueldade de Haman.

Misture inicialmente o suco e as cascas dos

limões, acrescente aos poucos o azeite, batendo

para dar liga. Coloque então os outros

ingredientes menos a pasta e as sementes

papoula ou gergelim. Cozinhe a pasta al

dente, misture com o molho, polvilhe com

as sementes e sirva.


6

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Pois o homem é uma árvore dos

campos. (Devarim 20:19)

"O homem é uma árvore dos campos",

e o calendário judaico reserva um

dia a cada ano - "O Ano Novo das Árvores"

a 15 de Shevat - para que nós

contemplemos nossa afinidade com

nosso irmão botânico e aquilo que ele

nos pode ensinar sobre nossa vida.

Os componentes principais da árvore

são: as raízes, que ancoram-na ao

solo e a abastecem com água e outros

nutrientes; o tronco, galhos e folhas

que formam seu corpo; e o fruto, que

contém as sementes com as quais a

árvore se reproduz.

A vida espiritual do homem também

inclui raízes, um corpo, e frutos.

As raízes representam a fé, nossa fonte

de sustento e perseverança. O tronco,

ramos e folhas são o "corpo" de

nossa vida espiritual - nossas conquistas

intelectuais, emocionais e práticas.

O fruto é nosso poder de procriação

espiritual - o poder de influenciar os

outros, de plantar uma semente em um

ser humano, nosso próximo, e vê-la

brotar, crescer e dar frutos.

Raízes Raízes e e e corpo

corpo

As raízes são a parte menos "gla-

Um porta-voz da Agência das Nações

Unidas para os Refugiados Palestinos (UN-

RWA) negou, 26 dias depois, que a aviação

israelense tenha atacado uma escola

dirigida pela ONU (Organização das Nações

Unidas), em 6 de janeiro. A bomba

caiu na rua e não dentro do prédio, como

havia sido informado anteriormente.

Na ocasião, informou-se que mais

de 40 refugiados teriam sido mortos e

mais de 50 ficaram feridos. Nem isso

foi confirmado. O que se percebe, é

que se tratou de mais uma enganação

do Hamas para angariar simpatias e

demonizar Israel.

"Sempre dissemos que a bomba, que

matou mais de 30 pessoas, tinha caído na

rua, fora de nossa escola", afirmou Christopher

Gunnes, porta-voz da Agência das

Nações Unidas para os Refugiados Palestinos

(UNRWA). O erro, segundo Gunnes,

procede de outra agência da ONU, o Escritório

de Coordenação para Assuntos Humanitários

(Ocha), que indicou em um de

seus relatórios de situação semanais que

a bomba tinha caído dentro da escola,

algo que "corrigiram depois assim que se

deram conta do erro".

Na ocasião, John Ging, diretor de operações

em Gaza da UNRWA afirmou que a

mourosa" da árvore, e a mais vital.

Enterrada sob o solo, praticamente invisível,

não possuem a majestade do

corpo da árvore, o colorido de suas

folhas nem o sabor de seus frutos. Mas

sem as raízes, uma árvore não pode

sobreviver.

Além disso, as raízes devem se

equiparar ao corpo; se o tronco e folhas

de uma árvore crescem e se espalham

sem um desenvolvimento proporcional

em suas raízes, a árvore desabará

sob seu próprio peso. Por outro

lado, uma profusão de raízes proporciona

uma árvore mais saudável e

mais forte, mesmo se tiver um tronco

esquálido e poucos ramos, folhas e frutos.

E se as raízes são fortes, a árvore

se regenerará mesmo quando seu corpo

for danificado ou tiver os galhos

cortados.

A fé é a menos glamourosa de nossas

faculdades espirituais. Caracterizada

por uma "simples" convicção e comprometimento

com a Fonte da pessoa,

carece da sofisticação do intelecto, das

cores vívidas das emoções, ou do senso

de satisfação que provém da realização.

E a fé está enterrada no subsolo,

sua verdadeira extensão oculta das

outras pessoas, e até de nós mesmos.

Mesmo assim nossa fé, nosso

escola atacada estava na mira dos soldados

israelenses. Segundo Ging, uma bandeira

foi hasteada no local para facilitar a

identificação do alvo pelos soldados. De

acordo com uma entrevista concedida a

uma emissora local, Ging afirmou que três

reservatórios de artilharia foram desembarcados

no perímetro da escola onde 350

refugiados estavam no local. Também

Maxwell Gaylord, coordenador humanitário

da ONU para o Oriente Médio, disse,

em Jerusalém, que desejava "esclarecer

que a bomba e as mortes que produziu

ocorreram fora, e não dentro da escola".

O pretenso ataque israelense contra

a escola foi usado na mídia do mundo

todo para demonizar Israel em meio à

grande ofensiva militar contra alvos do

Hamas na região, única e exclusivamente

para se defender.

Combatentes palestinos haviam se

posicionado no local para disparar morteiros

contra suas tropas. A ONU afirmou,

na ocasião, que a escola estava sendo

usada para abrigar civis refugiados dos

confrontos entre Israel e Hamas.

Comentário Comentário de de Reinaldo Reinaldo Azevedo

Azevedo

A notícia não está em nenhum dos jornais

brasileiros ou nos grandes sites noti-

Tu Bishvat

A árvore humana

comprometimento supra-racional a

D-us, é o alicerce de toda nossa "árvore".

Dela brota o tronco de nosso

entendimento, do qual brota o ramo

de nossos sentimentos, motivações e

atos. E embora o corpo da árvore também

forneça parte de sua nutrição espiritual,

a parte principal de nosso

sustento espiritual provém de suas

raízes, de nossa fé e comprometimento

com nosso Criador.

Uma alma pode desenvolver um

tronco majestoso, ramos numerosos

que se espalhem para todos os lados,

lindas folhas e frutos capitosos. Porém

esses devem ser mais elevada, mais

bela e ainda mais frutífera.

Fruto Fruto e e semente

semente

A árvore deseja se reproduzir, espalhar

suas sementes o mais longe

possível, para que enraízem em locais

distantes e diversos. Mas o alcance da

árvore é limitado à extensão de seus

ramos. Deve, portanto, buscar outros

"mensageiros" com mais mobilidade

para transportar suas sementes.

Por isso a árvore produz os frutos,

nos quais as sementes estão envoltas

em polpas e sucos saborosos, coloridos

e fragrantes. As sementes por si

mesmas não despertariam o interes-

Israel não atacou escola da ONU

ciosos. Lembram-se aquele ataque das

Forças de Defesa de Israel a uma escola

da ONU, que matou 43 pessoas? Pois é.

Não foi numa escola da ONU coisa nenhuma,

o que os israelenses vinham dizendo

desde o dia 6 de janeiro. Só na segundafeira,

quase um mês depois, Mawell

Gaylord, coordenador de ações humanitárias

da ONU em Jerusalém, admite a verdade:

o morteiro foi lançado numa rua perto

da escola, mas não contra a escola.

Ora, recuperem o noticiário dos jornais

e sites do Brasil e do mundo naquele

dia 6. Lembro-me de ter aqui ironizado

que os israelenses, maus como picapaus,

não podiam ver uma escola da ONU

que iam logo jogando morteiros. Talvez

para se livrar do tédio, não é? Ah, acusaram-me

de insensível facinoroso. Marcelo

Coelho, da Folha, sugeriu no jornal e

no seu blog que tenho certa simpatia

pelo assassinato em massa de crianças...

Mais: como eu alertasse aqui para o óbvio

- O Hamas é a fonte das notícias -,

fui acusado de realismo estúpido. Coelho

chegou a indagar algo como: "Para

que jornalismo se já existem os militares?"

Ou coisa assim. Chegou a minha

vez de indagar: Para que Coelho se já

existe o Hamas?

se dos animais e do homem; porém

com seu envoltório atraente, não há

falta de "fregueses" que, após consumirem

o fruto externo, depositam a

semente naqueles locais distantes e

variados onde a árvore deseja plantar

suas sementes.

Quando nos comunicamos com

outras pessoas, usamos diversos

meios para tornar nossa mensagem

atraente. Nós a reforçamos com sofisticação

intelectual, impregnamos com

molho emocional, vestimos com palavras

e imagens coloridas. Mas

deveríamos ter em mente que isso é

apenas o envoltório - o "fruto" que contém

a semente. A própria semente não

tem sabor - o único modo pelo qual

podemos verdadeiramente causar impacto

nos outros é transmitindo nossa

própria fé simples naquilo que estamos

lhes dizendo, nosso simples

comprometimento à causa que estamos

defendendo.

Se a semente lá estiver, nossa

mensagem criará raízes em suas mentes

e corações, e nossa própria visão

será enxertada na deles. Porém se não

houver semente, não haverá descendentes

de nossos esforços, não importa

quão saborosos sejam nossos frutos.

(www.chabad.org.br).


festa de Purim, celebrada

no décimo-quarto dia de

Adar neste ano, em 9 e 10

de março, é o dia mais alegre

do calendário judaico.

Um dia, segundo nossos sábios,

no qual devemos alegrar-nos mais do

que em qualquer outra de nossas festas.

Em Purim celebramos a milagrosa

salvação dos judeus da Pérsia, que lá

foram exilados após a destruição do

Primeiro Templo. O nome da festa advém

da palavra persa "pur", que significa

"sorte". A Meguilat Esther o livro

que relata com detalhes a história de

Purim explica: "Por isso, àqueles dias

chamam Purim (sortes) por causa da

sorte que Haman havia lançado, determinando

o dia em que os judeus

seriam aniquilados".

Nossos sábios explicam que existem

motivos profundos para Purim ocorrer

no mês de Adar. O Talmud assim declara:

"Quando [o mês de] Adar se inicia,

nós aumentamos a nossa alegria". A razão

disso é que o povo judeu se torna

mais espiritualmente fortalecido e protegido

durante esse mês. A fonte da força

judaica nessa época do ano é baseada

em uma conexão mística entre a Torá

e o mês de Adar, cujo signo é peixes. Os

livros místicos revelam que assim como

o mar alimenta e protege os peixes, a

Torá alimenta e protege o povo judeu.

Na Meguilá Esther, estão relatados,

segundo o testemunho dos personagens

centrais, Mordechai e Esther, os eventos

ocorridos no Império Persa por volta

do ano 450 a.e.c. A leitura pública deste

relato é um dos mandamentos mais importantes

da festa. Na própria Meguilá

estão mencionados alguns dos preceitos

que devem ser observados nesta

data, sendo que outros foram instituídos

pelo próprio Mordechai, segundo

afirmam nossos sábios.

"Esses dias serão lembrados e comemorados

em todas as gerações, em

todas as famílias, em todas as províncias,

em todas as cidades..." (Esther

9:28). Segundo o Midrash, Purim nunca

deixará de existir e ninguém está isen-

A festa de Purim

to de sua observância - homens, mulheres

e crianças. Mesmo que todos as festas

sejam anuladas, Purim nunca o será.

E os acontecimentos serão lembrados

pela leitura da Meguilá e celebrados

com festas, oferta de alimentos, alegrias

e presentes.

Em Purim agradecemos a D-us "pelos

milagres, pela salvação, pelas maravilhas

que obrou conosco...".

As celebrações referentes a Purim

se iniciam no Shabat que antecede a festa:

no sábado de manhã, a leitura da Torá

na sinagoga deve incluir a porção Zachor

(Êxodo 17:8-16). Este trecho lembra

o ataque do povo de Amalek contra

Israel pouco após sua libertação do Egito.

Essa leitura está relacionada à data

festiva, pois o grande vilão de Purim, o

malévolo primeiro-ministro Haman, descendia

de Amalek. A Torá nos manda

recitar essa passagem para recordar e

estar sempre atentos aos planos malignos

dos inimigos do povo de Israel. "Pois

Haman, inimigo de todos os judeus, não

se satisfaria com nada menos do que a

destruição física de todo o povo judeu"

(Esther 9:24).

De fato, apesar de Purim ser o dia

mais alegre do ano, sua história é sobre

a reversão de um édito de genocídio

contra o povo judeu. Conta a história:

para salvar seu povo, Esther teve

que enfrentar o rei. Por isso, ciente do

grave perigo, pede a Mordechai: "Vá e

reúna todos os judeus que estão em

Shushan e jejuem durante três dias e

três noites". Jejuando e pedindo perdão

por todas suas falhas, os judeus

de Shushan buscavam a Proteção Divina.

Apelaram para a Misericórdia Divina,

pois sabiam, assim como Esther,

que somente com a ajuda do Todo-Poderoso

poderiam conseguir a anulação

do decreto fatal. Desde então, para

lembrar este acontecimento, os judeus

jejuam no dia anterior a Purim. O "Jejum

de Esther", Taanit Esther, é iniciado

pouco antes do nascer do sol do dia

13 de Adar (9/3) e acaba ao pôr-do-sol

do mesmo dia.

Quando chega a noite e se inicia o

dia 14 de Adar (10/3), começa a festa

de Purim. Porém, antes de quebrar-se o

jejum, ouve-se a Meguilat Esther. Esta

deve ser lida na íntegra de um rolo de

pergaminho e em voz alta, tanto à noite

quanto na manhã seguinte. A leitura

deve ser realizada na presença de um

minian (um grupo de 10 homens judeus),

de preferência na sinagoga. Toda pessoa

deve ficar atenta durante a leitura

para ouvir cada palavra, pois o propósito

da leitura é entender o que ocorreu

na época da Rainha Esther e aprender

que os eventos de Purim não pertencem

ao passado. Repetem-se, espiritualmente,

em todas as gerações.

Um dos mandamentos de Purim é o

envio de presentes os mishloach manot.

Deve-se enviar pelo menos um presente,

composto de dois diferentes tipos de

alimentos, a um amigo. Os alimentos

devem estar prontos para consumo, por

exemplo, biscoitos, frutas, doces, vinho

ou outras bebidas. Esta é uma obrigação

que homens e mulheres devem cumprir

no dia de Purim, não podendo ser

substituída pelo envio de dinheiro ou de

qualquer outro presente que não seja um

alimento. É também aconselhável que

esses presentes sejam entregues, sempre

que possível, por terceiros, pois a

palavra mishloach, que significa envio,

indica que esta mitzvá deve ser cumprida

por um intermediário.

Para comemorar Purim, além de enviar

presentes, devemos também dar

tsedacá a pelo menos duas pessoas carentes.

A generosidade com os mais

necessitados é particularmente importante

nessa ocasião, pois nada é mais

agradável aos olhos de D-us. Nossos

sábios ensinam que não existe maior

mandamento da Torá do que ajudar os

pobres e necessitados. "Pois aquele que

traz alegria aos outros é comparado ao

próprio D-us, que revive o espírito dos

oprimidos e restaura seus corações"

(Rambam, Hilchot Meguilá 2).

A comemoração de Purim por "todas

as famílias" é cumprida através de uma

seudá, uma refeição festiva. Todos são

obrigados a comer, beber e se alegrar

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

em Purim. O Zôhar, obra fundamental da

Cabalá, afirma que em Purim, ao deleitar-se

com comida e bebida, pode-se

alcançar a mesma elevação espiritual

que ocorre durante o jejum de Iom Kipur.

A refeição festiva de Purim deverá

ser realizada durante o dia 14 de Adar,

sendo costume incluir-se carne e vinho.

O Talmud ordena que em Purim a pessoa

beba vinho até que não consiga diferenciar

entre "amaldiçoado é Haman"

e "abençoado é Mordechai". Porém, se

a saúde ou a conduta de uma pessoa

for afetada negativamente pelo consumo

de bebidas alcoólicas, esta não deverá

consumir mais do que uma quantidade

simbólica.

Como o objetivo central da festa

de Purim é fomentar e compartilhar a

alegria, muitos judeus, em particular

crianças, fantasiam-se e participam de

desfiles e concursos. As fantasias

mais populares costumam ser as de

Mordechai e da Rainha Esther. Peças

teatrais são encenadas para recontar

a milenar história.

Uma Meguilá é comparada à Torá em

seus requisitos rituais de como deve ser

escrita: por um escriba e em um pergaminho.

Mas como o Nome de D-us não é

mencionado nenhuma vez na Meguilá,

durante os séculos, os artistas tiveram a

liberdade de ilustrá-la com magníficas

ilustrações e iluminuras. Podemos encontrar

retratados nas meguilot, Mordechai,

Esther e até o malvado Haman.

(Baseado em artigo publicado no site

www.morasha.com.br - Bibliografia:

Gold, Rabbi Avie, Purim Its Observance

and Significance, Artscroll Mesorah

Series, The Book of Our Heritage, Feldheim

Publications).

7


8

* Ruben Kaplan é

comentarista

internacional.

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Mumbai, outro alvo do terrorismo islâmico

capital financeira da Índia,

Mumbai, onde muitos

de seus habitantes

teimam em continuar chamando-a

de Bombaim,

como se chamava até 1996, foi objeto

em 26 de novembro de outro sanguinário

e terrível atentado terrorista global

por parte do fundamentalismo islâmico,

que deixou um saldo de pelo

menos 180 pessoas mortas e centenas

de feridos.

Num ataque sincronizado, análogo

aos da Al Qaeda, dez jovens terroristas

entre 20 e 25 anos, procedentes

de Paquistão, presumivelmente treinados

em Karachi e financiados pelo cidadão

hindu muçulmano Daoud

Ibrahim, que já foi chamado uma vez

"o homem mais perigoso do mundo"

atacaram oito lugares estratégicos de

Mumbai com o propósito de causar a

maior quantidade de vítimas possíveis,

preferencialmente ocidentais."

Os locais escolhidos pelos terroristas

procedentes do Paquistão foram

estrategicamente selecionados: 1.Taj

Mahal Palace and Tower; o luxuoso

hotel que no dia do atentado, celebrava

um evento da Unilever, a multinacional

anglo-holandesa; 2. Hotel Oberoi,

outra alternativa de luxo para os

turistas; 3. Cama Hospital; 4. Trident

Hotel; 5. Ramada Hotel Mumbai; 6.

Café Leopold; 7. Chhatrapati Shivaji

Terminus; 8. Nariman House; onde funciona

uma filial do Centro de Estudos

e templo judeu Chabad Lubavitch.

Este último lugar, diferentemente

dos anteriores, onde a premissa era

assassinar indiscriminadamente, foi

escolhido de forma deliberada por estritos

motivos de judeufobia. Seu dire-

tor, o rabino Gabriel Holtzberg e sua

mulher Rivka, de 29 e 28 anos respectivamente,

que recebiam israelenses

e judeus procedentes de distintos países

do mundo de passagem por Mumbai,

foram massacrados junto com outros

quatro reféns que circunstancialmente

estavam por diversas razões no

Beit Chabad. Pode-se observar na terrível

cena do crime, o corpo da senhora

Holtzberg, coberto piedosamente

com um talit, (o manto ritual utilizado

pelos judeus religiosos nas rezas diárias)

por seu marido, que jazia ensanguentado

ao seu lado. O filho de ambos,

o pequeno Moshe, precocemente

órfão, completou dois anos no dia

que encontraram os cadáveres de seus

pais. A ação heróica de sua babá hindu,

Sandra Samuel, de 44 anos, que

fugiu do edifício do Chabad, carregando

em seus braços a criatura que chorava

desconsoladamente, chamando

por sua mãe, salvou milagrosamente

sua vida.

Segundo fontes próximas à Zaka,

uma organização sem fins lucrativos

de Israel que tem como objetivo a

"Identificação de vítimas de desastres"

é muito provável que algumas das vítimas

da casa do Chabad Lubavitch,

tenham sido mortas por comandos hindus

na tentativa de salvamento. Peritos

forenses, examinaram demoradamente

os cadáveres para determinálo

com confiança. Em outra revelação,

o Ministério do Exterior de Israel, confirmou

que o oficial responsável pela

segurança do Consulado israelense

em Mumbai, foi interceptado pela polícia

da Índia, quando corria apressado

para a Casa do Chabad Lubavitch,

alertado por uma ligação telefônica do

rabino Holtzberg sobre o ataque terrorista

que estava sendo perpetrado.

As autoridades policiais hindus alegaram

que o oficial estava armado e não

tinha identificação, razão pela qual foi

detido. Especula-se que o agente israelense

não portava documentos, no

caso de que ele também fosse capturado

em sua missão de resgate.

Ao já citado Daoud Ibrahim, um

milionário vinculado ao terror na Índia

e Islamabad, e se acredita que esteja

escondido no Paquistão, atribuise

a autoria intelectual de 13 ataques

coordenados com bombas em Mumbai

em 1993 que causaram a morte de

250 pessoas.

A pista de Daoud Ibrahim, surgiu

da confissão de Amir Kasab, o único

terrorista sobrevivente, às autoridades

da Índia.

No interrogatório Kasab, de 21

anos, admitiu sua ligação com Ibrahim

e disse que foi enviado a Mumbai,

depois de um rigoroso treinamento no

Paquistão. O detido agregou que ao

menos, dois de seus companheiros

eram cidadãos britânicos de origem

paquistanesa. Enquanto agências de

segurança da Inglaterra investigam

essa possibilidade e a Scotland Yard

enviava detetives a Mumbai, o jornal

londrino The Independent, sugeriu que

mais de 4000 muçulmanos britânicos

passaram por acampamentos de treinamento

de terroristas no Afeganistão

e Paquistão, contribuindo para o

recrutamento do grupo islâmico internacional

Jihad. Não obstante, a BBC

de Londres e outras publicações inglesas,

persistem em denominar eufemisticamente,

como militantes, ativistas

ou combatentes os terroristas islâmicos,

coerente com a política governamental

britânica de medo e pânico

do Islã radical e/ou judeufobia,

que eliminou dos textos de estudo nas

escolas, menção ao Holocausto, para

não ferir a sensibilidade dos muçulmanos.

Cabe assinalar, que qualificativos

similares encontram-se em numerosos

periódicos da Europa e outros

países do hemisfério.

Mumbai, como Jerusalém, Tel Aviv,

Haifa, Bali, Quênia, Tanzânia, Iêmen,

Túnis, Casablanca, Buenos Aires, Nova

York, Londres, Madrid, Istambul, Riad,

Moscou, Karachi, Bagdá, para nomear

algumas cidades e países, em virtude

dos ataques terroristas cometidos pelos

fundamentalistas muçulmanos,

passou no ano passado a integrar a

lista de atacados pelo Islã radical. 70%

dos grupos terroristas do mundo reconhecem

essa origem.

Mesmo que ainda não esteja elucidada

com certeza, a qual organização

ou facção terrorista pertenciam os

Ruben Kaplan * assassinos que atacaram Mumbai, já

se advertem as consequências na Índia

e Paquistão, vizinhos não amistosos

que possuem a bomba atômica.

O ministro do Interior hindu, Shivrai

Patil, apresentou sua renúncia ao

cargo, depois de assumir a "responsabilidade

moral" pelos ataques terroristas

contra a cidade de Mumbai.

Também demitiu o assessor de Segurança

Nacional, M.K. Narayanan. A

porta-voz do Partido do Congresso,

Jayanti Natarajan, informou que o ministro

Patil renunciou pelas razões que

invocou e espera que o primeiro ministro

hindu, Manmohan Singh, se pronuncie

sobre sua eventual aceitação

ou recusa.

Natarajan acrescentou que o ataque

contra Mumbai "é horrendo e o

governo o levou muito a sério". "Foi

um ataque intolerável à soberania hindu",

declarou a porta-voz.

Antes de Mumbai, várias cidades

hindus como Nova Delhi, Jaipur, Ahmedabad

e outras, sofreram cruentos

atentados com a colocação de bombas

em diferentes pontos, causando

dezenas de mortos.

Segundo a NDTV, o governo hindu

estuda a possibilidade de suspender

o diálogo aberto com o Paquistão desde

2004, assim como o cessar-fogo

que vige na fronteira com a Caxemira

desde 2003.

O terrorista preso em Mumbai,

Amir Kasab, havia confessado ser parte

do grupo terrorista paquistanês

Lashar-e-Toiba, que luta pela independência

da Caxemira, sem embargo,

essa organização, negou estar implicada.

Outro grupo virtualmente desconhecido,

chamado Os Mujahidines

de Deccan, também se atribuiu os

atentados, em meio do ceticismo do

governo hindu.

O Paquistão por sua vez, negou

enfaticamente qualquer conexão com

os ataques. Inicialmente se ofereceu

para participar das investigações para

encontrar os culpados, e ofereceu os

serviços de seu Chefe de Inteligência,

mas teve que declinar de sua oferta,

por causa das objeções da Índia.

A ruptura entre a Índia e o Paquistão,

aumenta com o anúncio da detenção

do paquistanês Ajmal Amir Kamal

no Taj Mahal Palace Hotel. Kamal, que

segundo repórteres vive na província de

Punjab, no Paquistão, foi preso junto

com outros dois suspeitos de serem

membros do grupo islâmico Lashkar-e-

Taiba, apontado como provável autor

dos ataques terroristas em Mumbai.

As acusações elevaram a tensão

entre os Estados vizinhos, que se en-


frentaram em três guerras desde sua

independência em 1947.

O panorama parece complicar-se

com o cancelamento da viagem que

tinha previsto fazer o primeiro-ministro

do Paquistão Yusuf Razá Guilani a

Hong Kong "devido à situação atual

no país". Guilani tinha planejado assistir

ao encontro asiático da "Clinton

Global Initiative" evento ao qual

por sua deserção, acudiu em sua

substituição seu assistente Shanaz

Wazir Ali. A desistida viagem de Guilani

produziu-se depois de uma reunião

que manteve com o presidente

paquistanês Asif Zardari e o chefe do

Exército, Ashfaq Kiyani e membros do

Executivo, para analisar a situação,

após os ataques a Mumbai.

Num gesto de distensão, Asif Zardari,

telefonou para a presidenta do

governante Partido do Congresso da

Índia, Sonia Gandhi, para condenar os

ataques terroristas de Mumbai, e insistiu

na necessidade de que ambas

potencias nucleares cooperem para

combater o extremismo.

Segundo um comunicado de seu

escritório o Presidente disse "que a

matança de gente inocente é detestável

e condenou os ataques nos termos

mais contundentes possíveis".

Assim mesmo, Zardari assegurou

que é "preciso eliminar a militância e o

extremismo em todas as suas formas",

e acrescentou que ambos os países

"precisam cooperar" para combatê-los.

VJ INDICA

A Banda

Título original: Bikur Ha-Tizmoret / The Band's Visit

Ficha Técnica:

Gênero: Comédia / Drama

Duração: 87 minutos

Ano de Lançamento (Israel): 2007

Estréia no Brasil: 20/6/2008

DVD colorido (por enquanto só disponível para locação)

Estúdio/Distribuição: Focus Filmes

Direção: Eran Kolirin

Em declarações à imprensa, o papa

Bento XVI condenou os ataques ocorridos

em Mumbai e fez um chamado

"para que se ponha fim a todos os atos

de terrorismo que ofendem a família

humana e desestabilizam gravemente

a paz e a solidariedade humana".

Por sua vez, num comunicado difundido

pelo Ministério das Relações

Exteriores de Israel, sua titular Tzipi

Livni expressou sua "condenação aos

ataques criminosos. Esta é outra mostra

dolorosa de que o terrorismo é a

maior ameaça enfrentada por Israel e

comunidade internacional".

Também expressaram seu repúdio e

condenação aos ataques terroristas,

entre outros, o então presidente dos

EUA, George Bush, o alto representante

da União Européia para a Política Externa

e Segurança Comum, Javier Solana, o

presidente francês, Nicolás Sarkozy e os

governos britânico, panamenho, mexicano,

uruguaio, venezuelano, russo, japonês,

espanhol e afegão.

O presidente eleito dos Estados

Unidos, Barack Obama, condenou

energicamente os atentados na Índia

e assegurou que constituem uma

nova prova da grave ameaça do terrorismo.

Segundo declarou Brooke Anderson,

porta-voz do Chefe da Segurança

Nacional na equipe de transição

de Obama, "o presidente eleito

condena com energia os atentados

de Bombaim e seus pensamentos e

orações estão com as vítimas, seus

FILME

Elenco:

Sasson Gabai (tenente-coronel Tawfiq Zacharya), Ronit Elkabetz (Dina), Saleh

Bakri (Haled), Khalifa Natour (Simon), Shlomi Avraham (Papi), Uri Gavriel (Avrum),

Imad Jabarin (major-general Camal Abdel Azim), Ahuva Keren (Lea), François

Khell (Makram), Hisham Khoury (Fauzi), Tarak Kopty (Iman), Rinat Matatov (Yula),

Rubi Moskovitz (Itzik), Hilla Sarjon (Iris), Eyad Sheety (Saleh).

Sinopse

Uma pequena banda da polícia egípcia chega a Israel. Foi para tocar na cerimônia

de inauguração de um centro cultural árabe. Porém, por causa da burocracia,

falta de sorte e outros imprevistos, são esquecidos no aeroporto. A banda

tenta se deslocar por conta própria, mas vai parar numa pequena e quase esquecida

cidade israelense, em algum lugar no coração do deserto.

familiares e o povo da Índia". Anderson

assegurou que os EUA. "deve continuar

fortalecendo sua aliança com

a Índia e com os demais países do

mundo para erradicar e destruir as

redes terroristas.

Mesmo que haja muitos silêncios

sinistros, conforta o fato que

uma esmagadora maioria da comunidade

internacional, vitupere os

pretendidos "mártires", fanáticos

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

fundamentalistas islâmicos.

Entre as numerosas expressões

de condenação, sobressai a do primeiro-ministro

da Austrália, Kevin

Rudd, que qualificou de "covardes e

assassinos" aos terroristas que espalharam

o pânico na Índia e demonstrou

que este ataque faz pensar,

que a comunidade internacional

está muito longe de ter derrotado o

terrorismo global.

A Espanha justiceira

Pilar Rahola *

xistem os juízes espanhóis, sobrecarregados

de trabalho, fartos de

acumular casos importantes e não

dar provisão, partilhando despachos

cheios de documentos, com recursos

quase medievais, tirando o fígado pela

boca do colapso da justiça, e a ponto de ir a

uma greve histórica.

Existem os juízes, e, pelo que parece, existe

o juiz Fernando Andreu, tão assoberbado de

trabalho que, como disse Vicenç Villatoro, decidiu

carregar o mundo inteiro em suas vigorosas

costas, felizmente iluminado por sua generosa

leitura da lei orgânica do Poder Judiciário.

Graças a seu empenho, e ao tempo livre

de que desfruta, a Espanha se torna numa espécie

de justiceira universal, substituta, ela sozinha,

do falido Tribunal Internacional, e se põe

a julgar as ações militares de países aliados,

cujas democracias já gozam dos controles democráticos

pertinentes. É muito bonito.

Certamente, tentar julgar alguns generais

israelenses é algo que sai grátis no aplauso

da rua, não em vão contra Israel se atreve todo

o mundo. Que tal se o bom juiz Andreu se pusesse

a julgar, por exemplo, as vinculações terroristas

de algumas ditaduras brutais, como Irã,

cujo apoio direto ao Hamas e ao Hezbolá provocou

dezenas de atentados, ou cuja implicação

no atentado contra a Amia argentina que

causou 86 mortes? Seria demonstrada, então,

talvez, que haveria alguma confusão.

Com a democracia israelense pode-se ser

valente, mas com o fundamentalismo islâmico,

quem é o corajoso? Se nem tão só chiam

contra os senhores da trincheira do barulho e

do cartaz, como o fará um bom cidadão solitário

juiz? E assim, dotado da iluminação das

grandes atitudes? D- us nos salve dos bem-intencionados!

O juiz decide transformar-se em

julgador de membros do exército de um país

democrático, que sofre uma situação bélica

sem pausa desde que existe, que teve que enfrentar

centenas de atentados terroristas, e

cuja sobrevivência é fustigada permanentemente

por múltiplos países.

9

Sem ir mais longe, Um

dos militares que quer julgar

por "delitos contra a humanidade",

o general Doron

Almog, perdeu o seu

tio, a sua cunhada, o filho de

ambos, os seus dois netos no atentado do restaurante

Maxim em Haifa. O juiz Andreu havia

julgado Salah Mustafa Muhammad Shehade, líder

das brigadas Ezzedin al Kassam, responsável

direto por 94 israelenses assassinados

em três atentados, e objeto da ação militar israelense

que agora é julgada? Por certo, "israelenses

civis" assassinados, como os mais de

mil que morreram em atentados só de 2000 a

2006, se se entende por civis pessoas que estão

comendo tranquilamente em um restaurante.

Recordam a frase de um israelense a seu

amigo palestino?: "Escrevo-te da trincheira, o

terraço de um café em Jerusalém".

Postos, pois, a dedicar-se à violência que

sofrem outros países, desde seu cômodo escritório

da Audiência Nacional, abrirá diligências

contra o grupo terrorista Hamas por crimes

contra a humanidade, questão esta que

denunciam organizações palestinas democráticas?

O fará por assassinar em ônibus, em casamentos?

Julgará os que prepararam o atentado

na Universidade de Jerusalém e mataram

estudantes de vários países? E aos que mataram

crianças de um ônibus escolar? Terá tempo

para dizer aos israelenses como têm que

defender-se?

E, mantendo seu espírito justiceiro, julgará

as ditaduras que condenam mulheres subjugadas

à lapidação por leis terríveis? Aos que

condenam a morte os homossexuais? Levará a

ditadura cubana aos tribunais, ou será demasiado

politicamente incorreto? E enquanto se

dedica a julgar o resto do mundo, terá um tempinho

para avaliar a "superioridade moral" da

Espanha sobre o "malvado" Israel? Porque se

Fernando Andreu pode julgar um militar israelense,

em meio de uma guerra aberta, talvez

as autoridades israelenses possam julgar os

políticos espanhóis, pelo caso GAL, por exemplo.

Postos a morderem-se mutuamente, dancemos

todos.

* Pilar Rahola é conhecida jornalista, escritora e tem programa na televisão espanhola. Foi vice-prefeita de

Barcelona, deputada no Parlamento Europeu e deputada no Parlamento espanhol. Publicado no jornal La

Vanguardia (Barcelona). Tradução: Szyja Lorber.


10

* Ali Kamel é

jornalista, editor

executivo de

Jornalismo da Globo e

colunista de O Globo. É

muçulmano e neste

artigo publicado em O

Globo escreve sobre o

conflito em Gaza.

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

GAZA

O povo é responsável por suas escolhas

Ali Kamel *

u acredito em eleições. E acredito

que o povo sempre tem a

capacidade de julgar o que considera

bom para si. Isso não

quer dizer que o povo acerte sempre:

não são poucas as vezes em que

a decisão mostra-se errada no futuro.

Não importa, no momento em que comparece

às urnas, certo ou errado, o povo

é responsável por suas escolhas.

Por que essa conversa? Porque

isso não me sai da mente quando vejo,

chocado, os bombardeios em Gaza. Em

2006, houve eleições para escolha do

primeiro-ministro palestino. Era um

contexto em que os EUA clamavam

pela democratização do mundo árabe.

Quando o Hamas saiu-se vitorioso,

muita gente, diante dos lamentos dos

americanos, riu, dizendo algo assim:

"Ora, não queriam democracia? Agora

o povo vota, escolhe o Hamas e os EUA

lamentam? Então democracia só vale

quando ganham os aliados?" Na época,

escrevi que a simples presença do

Hamas nas eleições mostrava que

aquilo não era uma democracia: porque

democracia não é o regime em que

todas as tendências disputam o voto;

democracia é o regime em que todas

as tendências que aceitam a democracia

disputam o voto. Como o Hamas

prega uma teocracia, um sistema político

que o aceita como legítimo aspirante

ao poder não pode ser chamado

de democracia. Seja como for, tendo

sido democráticas ou não, aquelas

eleições expressaram a vontade do

Giora Becher *

Algumas semanas após o cessar-fogo

unilateral declarado por Israel, a verdadeira

face do controle do Hamas sobre Gaza começa

a se revelar. Apesar dos esforços do grupo

em esconder as provas sobre os eventos, as

evidências dos crimes de guerra praticados por

eles, seu exagero sobre o número de vítimas

civis e danos às propriedades, seu abuso da

ajuda humanitária e sua intimidação aos residentes

de Gaza estão finalmente vindo à tona.

Todos lembramos do choque que sentimos

ao ler sobre mais de 40 pessoas mortas, inclusive

crianças, no ataque israelense à escola

das Nações Unidas no campo de refugiados

de Jabalya. Patrick Martin, do jornal canadense

Globe and Mail, descobriu que não

houve nenhum ataque à escola ou suas instalações.

Ele escreve: "A história como gravada

na memória das pessoas não era bem

acurada. Evidências físicas e entrevistas com

várias testemunhas oculares clarificam tudo.

Enquanto algumas pessoas se feriram por estilhaços

que caíram dentro das instalações,

ninguém na escola foi morto."

Rod Nordland (Newsweek) descreveu um

exemplo de abuso de civis pelos Hamas: "De

povo: observadores internacionais

atestaram que o pleito transcorreu

sem fraudes.

E o que pregava o Hamas na campanha

de 2006? Antes, para entender

o linguajar, é importante lembrar que

o Hamas não aceita a existência do

Estado de Israel, chamado de "Entidade

Sionista". Assim, quando se refere

à "Palestina", o Hamas engloba tudo,

inclusive Israel. Destaco aqui três pontos

do programa eleitoral (na disputa,

o grupo deu-se o nome de "Mudança e

Reforma"): "A Palestina é uma terra

árabe e muçulmana"; "O povo palestino

ainda está em processo de libertação

nacional e tem o direito de usar

todos os meios para alcançar esse objetivo,

inclusive a luta armada"; "Entre

outras coisas, nosso programa defende

a 'Resistência' e o reforço de seu

papel para resistir à Ocupação e alcançar

a liberação. A 'Mudança e Reforma'

vai também construir um cidadão

palestino orgulhoso de sua religião,

terra, liberdade e dignidade; e que, por

elas, esteja pronto para o sacrifício."

Deu para entender? O Hamas propôs

um programa segundo o qual não

há lugar para judeus na "Palestina", o

uso da luta armada deve ser reforçado

para se livrar deles, e os cidadãos

comuns devem estar preparados para

se sacrificar (morrer) pela religião,

pela terra, pela liberdade e pela dignidade.

Havia alternativa? Sim, apesar da

ambiguidade eterna, o Fatah do presidente

Mahmoud Abbas (e, antes, de

Yasser Arafat), na mesma eleição, pre-

A verdadeira face do Hamas

repente houve um terrível estrondo. Foi outro

foguete sendo disparado contra Israel. A rampa

de lançamento móvel estava bem no meio

do apartamento de quatro quartos que estava

cheio de pessoas."

Lorenzo Cremonesi (Corriere Della Sera)

relatou o testemunho da palestina Abdallah:

"Praticamente todos os prédios mais altos em

Gaza que foram alvejados pelos ataques israelenses

tinham rampas lançadoras de foguetes

em seus telhados. Eles as colocaram

perto dos grandes depósitos da ONU, que explodiram

em chamas."

Muitos residentes de Gaza culpam o Hamas

pela perda de vidas e propriedades causada

pelo terrorismo de se esconder entre

a população civil. Entretanto criticam o Hamas

em particular, mas poucos o fazem publicamente,

um gesto que seria equivalente

ao suicídio. Um porta-voz do Fatah, movimento

do presidente Abbas, reportou que

desde o final da guerra mais de cem membros

de seu grupo foram assassinados ou

feridos em Gaza. Louise Michel, comissária

da União Europeia, denunciou durante

sua visita a Gaza: "Eu digo isto intencionalmente

daqui, o Hamas é um movimento

* Giora Becher é embaixador de Israel no Brasil. Publicado no jornal O Globo de 5/2/2009.

gava a saída de Israel dos territórios

ocupados em 1967, a criação de um

Estado palestino com sua capital em

Jerusalém e uma solução para os refugiados

de 1948 com base em resoluções

da ONU, uma agenda que só

parece moderada porque é comparada

à do Hamas. Embora estimulasse e

declarasse legítima a resistência à

ocupação, a novos assentamentos judaicos

e à construção do muro de proteção

que Israel ergue entre a Cisjordânia

e seu território, o Fatah declarava

expressamente: "Quando o imortal

presidente Arafat anunciou em

1988 a decisão do Conselho Nacional

Palestino, reunido naquele ano, de

adotar a 'solução histórica', que se baseia

no estabelecimento de um Estado

independente Palestino lado a lado

com Israel, ele estava de fato declarando

que o povo palestino e suas lideranças

tinham adotado a paz como

uma opção estratégica."

E qual foi a decisão dos palestinos?

Num sistema eleitoral que adota

o voto distrital misto, o Hamas ganhou

tanto no voto proporcional quanto nos

distritos, abocanhando 74 dos 132 assentos

do Parlamento. Ou seja, diante

do desgaste de 40 anos do Fatah, e

das denúncias de corrupção que pairavam

sobre o movimento, os palestinos

deixaram a paz de lado e optaram

pela promessa de pureza divina e dos

foguetes do Hamas. Meses depois,

uma luta interna feroz entre os dois

grupos teve lugar e resultou numa divisão

territorial: o Fatah ficou com a

Cisjordânia, onde a situação é de cal-

terrorista e tem de ser denunciado como

tal", e conclui que "neste momento temos

de nos lembrar da grande responsabilidade

do Hamas pelo conflito em Gaza".

As críticas ao Hamas também vêm de dentro

da mídia árabe. O jornalista Abed Rashed,

diretor da TV El Arabiya, faz menção em seu

artigo de uma mulher em Gaza que ousou,

em um programa ao vivo, dizer que estava

disposta a se mudar para a Cisjordânia, viver

sob o governo do presidente Abbas e que provavelmente

seu desejo é compartilhado por

muitos. Ele escreve que não há ninguém perguntando

aos residentes de Gaza se eles concordam

e aceitam as ações do Hamas, apesar

de serem os primeiros a sofrerem as consequências.

Conclui questionando se o grupo,

que já lutou contra a Fatah no passado,

está agora tentando destruir o povo palestino

na Cisjordânia também.

Nossa aspiração foi e sempre será viver

em paz com os palestinos e os nossos

vizinhos árabes. Nós almejamos isso. Continuamos

a acreditar na solução de dois Estados

e a manter nosso comprometimento

às negociações com a Autoridade Palestina

na busca pela paz.

ma, e o Hamas ficou com Gaza, de

onde continuou pregando o programa

aprovado pelos eleitores: enfrentamento

armado, mesmo tendo consciência

do que isso acarretaria.

Diante disso, dá para dizer que os

palestinos de Gaza são inocentes vítimas

do jugo do Hamas e de uma reação

desproporcional dos israelenses?

Olha, eu deploro a guerra, lamento

profundamente a morte de tanta

gente, especialmente de crianças, vítimas

de uma guerra de adultos. Vejo

as bombas, e fico prostrado, temendo

que o bom senso nunca chegue. Mas

isso não me impede de ver que a guerra,

com suas consequências, foi uma

escolha consciente também dos palestinos

de Gaza. Retratá-los como despossuídos

de todo poder de influir em

seus destinos não é mais uma verdade

desde 2006.

Parecerá sempre simplificação

qualquer coisa que se diga num espaço

tão curto, em que é preciso deixar

de lado as raízes desse conflito e a trama

tão complicada que distribuiu culpa

e vítimas por todos os lados. Mas

não consigo terminar este artigo sem

dizer: para que haja paz, os dois lados

têm de ceder em questões tidas como

inegociáveis, o apelo às armas tem de

ser abandonado, o Estado palestino

deve ser criado ao lado de Israel, cujo

direito a existir não deve ser questionado.

Se isso acontecer, muitos árabes

e israelenses daquela região não

se amarão, terão antipatias mútuas,

mas viverão lado a lado.

Utopia?


PT equipara ataque israelense

a "prática nazista"

Partido dos Trabalhadores (PT)

chamou de "terrorismo de Estado"

o ataque de Israel a Gaza e

equiparou as ofensivas israelenses

a uma "prática típica do exército

nazista".

"Os ataques do Exército de Israel contra

o território palestino, que já causaram milhares

de vítimas e centenas de mortes, além

de danos materiais, só podem ser caracterizados

como terrorismo de Estado", enfatizou

o PT em comunicado, assinado por seu presidente,

Ricardo Berzoini e seu secretário de

Relações Internacionais, Valter Pomar.

O partido rejeitou qualquer "justificativa"

baseada na defesa do governo israelense e

ressaltou que a represália contra civis é uma

"prática típica do Exército nazista".

O PT considerou que os ataques, "a pretexto"

de combater ao terrorismo, vão "alimentar

o ódio popular" dos inimigos dos Estados

Unidos e seus aliados no Oriente Médio

"aumentando a tensão mundial".

O partido, fundado pelo presidente Lula,

convocou seus militantes a participar das manifestações

que se convocaram contra a guerra

e reafirmou seu "integral apoio" ao que

classificou como "causa palestina".

O PT não mencionou a quebra do cessarfogo

por parte do grupo Hamas, que começou

a lançar foguetes contra o território israelense

antes mesmo do fim da trégua, em 19

de dezembro.

O governo brasileiro manteve uma posição

mais moderada e conciliadora, e embora

tenha "deplorado" os ataques aéreos e a incursão

militar terrestre do Exército israelense

não chegou a se posicionar ao lado de nenhum

dos protagonistas da disputa, como fez

o PT. Lula chegou a falar em desigualdade

de forças, embora não tenha deixado de classificar

o movimento islâmico Hamas como

"muito radical" e pediu a ambos os lados que

cessassem a violência.

Nota Nota

Nota

Na nota, o presidente nacional do partido

Ricardo Berzoini e seu secretário de Relações

Internacionais, Valter Pomar, o mesmo

que costurou o acordo de intercâmbio com o

partido Baath, da Síria, no ano passado, criado

sob os moldes nazistas, afirmam: "Não

aceitamos a 'justificativa' apresentada pelo

governo israelense, de que estaria agindo em

defesa própria e reagindo a ataques.

Atentados não podem ser respondidos através

de ações contra civis. A retaliação contra

civis é uma prática típica do exército nazista:

Lídice e Guernica são dois exemplos disso".

Em outro trecho, em mais uma distorção

da verdade declaram que "o governo de Israel

ocupa territórios palestinos, ao arrepio de

seguidas resoluções da ONU. Até agora, conta

com apoio do governo dos Estados Unidos,

que se realmente quiser tem os meios

para deter os ataques".

Os petistas jogam com mais palavras querendo

enganar os ingênuos. As resoluções da

ONU são claras, e não determinam que Israel

se retire dos territórios ocupados, mas sim

de territórios ocupados, o que já foi feito há

anos atrás. Os atuais territórios, de acordo

as leis internacionais de justiça, não são ocupados,

mas territórios em disputa.

E como o jornalista Reinaldo Azevedo bem

observou numa critica ao PT, os "Estados

Unidos, ao contrário do que dizem Berzoini e

Palmar não têm meios para deter nenhum

ataque israelense", que é legítimo em defesa

de sua população civil.

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

CW acusa o PT de apoiar

'terror' em Gaza

O Centro Wiesenthal (CW) para a

América Latina emitiu declaração em

Buenos Aires repudiando as declarações

feitas pela cúpula do Partido dos

Trabalhadores (PT) nas quais acusa

Israel de "praticar o terrorismo de Estado".

O Centro lamenta que o PT "rejeita

o direito (de Israel) de defender-se

e qualifica sua reação aos ataques

terroristas do Hamas como

''prática nazista''. O diretor do Centro

Wiesenthal para a América Latina,

Sergio Widder, afirmou que, com

essa atitude, "o PT está demonstrando

sua solidariedade com o antissemitismo

e o terrorismo".

Segundo o Centro, uma organização

judaica internacional de Direitos

Humanos, "é irônico que um partido

como o PT, reconhecido por sua tradição

democrática e que teve acesso à

presidência do Brasil respeitando as

regras do Estado de Direito, ataque

desse modo outra democracia". Em

carta ao presidente do partido, Ricardo

Berzoini, o Centro condenou o comunicado

do PT, que indicou que o

partido não aceita "a ''justificativa''

apresentada pelo governo israelense,

de que estaria agindo em defesa própria

e reagindo aos ataques".

O Centro Wiesenthal considera que

no comunicado o PT também comparou

Israel com o Terceiro Reich. O comunicado

do PT sustenta que "atentados

não podem ser respondidos através

de ações contra civis. A retaliação

contra civis é uma prática típica do

11

exército nazista: Lídice e Guernica são

dois exemplos disso".

Os representantes do Centro afirmam

que nesta esfera existe mais cumplicidade

por parte do PT. "O comunicado

é escandaloso, mas não é totalmente

surpreendente, já que (o PT)

possui um acordo com o Partido Baath

Árabe Socialista da Síria. Recordemos

que sob o regime do Baath, Síria deu

refúgio ao criminoso nazista Alois Brunner,

lugar-tenente de Adolf Eichmann

na implementação da ''Solução Final''.

Isso sim é cumplicidade com o nazismo",

diz a carta.

Segundo o Centro Wiesenthal, "se

o PT aspira pela paz, então sua melhor

contribuição seria condenar o antissemitismo

do Hamas e protestar pela chuva

de foguetes que essa organização

dispara contra civis israelenses, bem

como por seu abuso em usar palestinos

como escudos humanos".

"O Hamas tem como propósito apagar

do mapa o Estado de Israel, e cita

em sua Carta Orgânica um panfleto antissemita

da Rússia czarista, os 'Protocolos

dos Sábios de Sião'. O PT está

assim demonstrando solidariedade

com o antissemitismo e o terrorismo",

concluiu Widder.

O Centro Simon Wiesenthal é uma

organização judaica internacional de

direitos humanos com mais de 400.000

membros em todo o mundo. Tem status

de ONG ante ONU, a Unesco, a

OEA, a OSCE, o Conselho da Europa e

o Parlamento Latino-americano.

REAÇÃO 1

Petistas acusam Berzoini de distorcer nazismo

Imersos em sucessivos conflitos internos,

os petistas incorporaram à seara partidária

uma nova ferida - a ofensiva israelense

na Faixa de Gaza. Quinze dias após o

comando do PT divulgar nota condenando o

"terrorismo de Estado do governo de Israel",

um grupo de 36 filiados divulgou uma carta

em tom duro, alegando que o primeiro texto,

entre outras falhas, "distorce o fenômeno

histórico do nazismo". A carta é dirigida

a Ricardo Berzoini, presidente do partido e

autor do primeiro texto, em parceria com

Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais.

As 29 linhas, pontuadas por críticas veementes

e indignação, são subscritas por

três ministros - Tarso Genro, da Justiça, Fernando

Haddad, Educação e Carlos Minc

Baumfeld, do Meio Ambiente -, pelo senador

Aloizio Mercadante (SP), pelo governador

da Bahia Jaques Wagner e outras personalidades

(Assinam também: Alberto Kleiman,

Alexandre Padilha, Alfredo Schechtman,

Ana Copat Mindrisz, Clara Ant, Denise

Rosa Lobato, Diogo de Sant'Ana, Edna Cassimiro,

Esther Bemerguy de Albuquerque,

Fernando Kleiman, Itajaí Oliveira de Albuquerque,

Ivo Bucaresky, Ivone de Santana,

José Genoino, Luciano Pereira da Silva, Marcelo

Behar, Marcelo Zero, Marcos Damasceno,

Maria Luíza Falcão, Marta Suplicy,

Mauricio Mindrisz, Nadia Somekh, Paul Israel

Singer, Paulo Moura, Paulo Vannuchi,

Pedro Vieira Abramovay, Rômulo Paes de

Sousa, Sergio Gusmão Suchodolski, Suzanne

Serruya, Tarso Genro, Thiago Melamed

de Menezes e Vitor Sarno).

"Gostaríamos de manifestar publicamente

desacordo", dizem os petistas em sua

carta, criticando os dirigentes do partido.

O grupo alega que Berzoini ignorou a

"posição histórica" do partido de defender

a coexistência pacífica dos povos, não registrou

"a necessária condenação ao terrorismo",

ignorou "o reconhecimento do direito

de existência de Israel" e se posicionou

de modo a queimar, "ao invés de construir",

pontes de entendimento.

REAÇÃO 2

Berzoini - que escreveu: "A retaliação contra

civis é uma prática típica do exército nazista"

- tentou esfriar o caso. "São algumas

pessoas que não concordaram com a primeira

nota. O PT está sempre aberto ao debate".

A A carta carta em em reação

reação

A carta, datada do dia 16/1 e dirigida ao

presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini

diz o seguinte:

Nós aqui subscritos, na qualidade de

militantes do PT profundamente consternados

com a tragédia que vem se desenrolando

no Oriente Médio e com o número crescente

de vítimas, inclusive de crianças, gostaríamos

de manifestar publicamente desacordo

com o teor da nota do Partido sobre o

conflito, divulgada a 4 de janeiro corrente.

Em nossa visão, a nota posiciona equivocadamente

o PT em relação a um conflito

de notável complexidade, devido, em síntese,

aos seguintes pontos:

1) ignora a posição histórica do partido,

que sempre se pautou pela defesa da coe-

xistência pacífica dos povos; 2) banaliza e

distorce o fenômeno histórico do nazismo;

3) não registra a necessária condenação ao

terrorismo; 4) não afirma o reconhecimento

do direito de existência de Israel negado pelo

Hamas; 5) não se coaduna com a posição

equilibrada assumida pelo governo brasileiro

sobre a questão; e 6) queima, ao invés de

construir, pontes para o entendimento.

Estamos convictos de que o Brasil, conforme

propõe o Governo Lula e com base

na convivência exemplar das duas comunidades

em sua sociedade, pode contribuir

para o engajamento das partes na busca de

uma paz duradoura, baseada na coexistência

pacífica de um Estado Palestino viável e

próspero e de um Estado de Israel definitivamente

seguro.

Nosso partido pode desempenhar um

papel importante no aprofundamento do

debate e na defesa, junto às partes e à sociedade

brasileira, do caminho do cessarfogo

imediato e do desbloqueio da entrada

de ajuda humanitária.


12

* Sérgio Malbergier é

editor do caderno

Dinheiro da Folha de S.

Paulo. Foi editor do

caderno Mundo (2000-

2004), correspondente

em Londres (1994) e

enviado especial a

países como Iraque,

Israel e Venezuela,

entre outros. Dirigiu

dois curta-metragens,

"A Árvore" (1986) e

"Carô no Inferno"

(1987). Escreve para a

Folha Online às

quintas.

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Sérgio Malbergier *

brutal ofensiva de Israel contra

os ataques do grupo extremista

islâmico palestino

Hamas na Faixa de Gaza excita

comentaristas de várias

especialidades a expor seus pensamentos

sobre o complexo conflito árabe-israelense.

É um festival de crimes contra a

história, a razão e, muitas vezes, contra

os cerca de 14 milhões de judeus

no mundo.

As barbaridades mais ofensivas, e

por isso disparadas com mais gana, são

as indignas comparações com o nazismo

e com o os guetos onde os nazistas

e seus muitos colaboradores europeus

confinavam os judeus da Europa

antes de exterminá-los.

Conheço bem essa história. Os irmãos

e os pais de meus avós poloneses

foram aniquilados no gueto de

Cracóvia, no sul da Polônia. Ao contrário

do Hamas, eles nunca lançaram

nem sequer pensaram em lançar foguetes

contra cidades polonesas ou

alemãs, nunca quiseram exterminar

poloneses ou alemães, nunca endoutrinaram

suas crianças no ódio antipolonês

ou antialemão.

Mas mesmo assim abundam pelo

mundo, e na mídia brasileira, autoproclamados

'humanistas' que veem na

ação do Exército israelense traços das

ações nazistas, um artifício imoral que

minimiza a barbárie nazista e maximiza

a ação israelense.

Abundam ainda aqueles que, como

os nazistas, se dedicam à desumanização

dos judeus israelenses, que querem

transformá-los em lobos atrás do

sangue das crianças palestinas, em

pessoas sem alma que querem destruir

Gaza pelo prazer de matar palestinos.

Um chegou a escrever com impunidade

que a metade dos israelenses

As barbaridades sobre Gaza

que não apoia a ação de seu Exército

em Gaza (na verdade o apoio à ação

na pesquisa citada é maior do que

50%) "é a parte da humanidade no

Estado de Israel".

O 'humanista' colocou na coluna dos

não-humanos mais da metade dos israelenses,

então vamos chamá-lo só de

meio-nazista, já que para a ideologia

hitlerista nenhum judeu era humano.

O mesmo híbrido ("humanista" e

meio-nazista) escreve ainda que o

Estado de Israel foi "instituído por

não-judeus" e é fruto do "humanitarismo

que proporcionou a criação" do

Estado judeu.

O Estado de Israel é na verdade

resultado da barbárie nazista, o oposto

do tal 'humanitarismo'. O nazismo

e seus voluntariosos colaboradores

europeus expuseram a necessidade

básica de se criar um Estado judeu

como forma de evitar novas tentativas

de extermínio.

E o Estado judeu não foi uma mera

concessão da atrasada consciência

culpada do mundo, que nada fez para

impedir os campos de extermínio nazistas

apesar das evidências claras do

que acontecia na Europa.

Ele nasceu dos esforços das lideranças

judaicas muito anteriores à

Segunda Guerra (porque a ligação dos

judeus com Israel é milenar e o antissemitismo

genocida é um mal pré-nazista),

que promoviam a imigração clandestina

à Palestina britânica apesar de

ela ser proibida por Londres, inclusive

durante o extermínio nazista.

Há ainda teses novas, como a de

que os israelenses suportam a ofensiva

porque vivem sob a censura de seus

meios de comunicação, que os impede

de tomar conhecimento do que se

passa em Gaza, quando as TVs e os

jornais do país estão cheios de relatos

e imagens das lamentáveis mortes

de civis palestinos durante o bom-

bardeio e a invasão de Gaza e milhares

de israelenses saem às ruas para

protestar contra ela.

E o que os supostos 'humanistas'

que desumanizam os israelenses têm

a dizer sobre o islamofascismo niilista

e antissemita em marcha acelerada

pelos países do Oriente Médio? O

que disseram quando o Hamas lançava

dezenas de foguetes diariamente

contra a população civil de Israel, buscando

e provocando a reação israelense?

O que disseram quando o presidente

do Irã, já convidado a visitar o Brasil

pela ativa Chancelaria brasileira,

ameaçou 'varrer Israel do mapa' e busca

ativamente, com pouca resistência

global, uma bomba atômica para poder

realizar seu desejo manifesto?

Nada.

Devem achar que a maioria dos israelenses,

não sendo humana, não

merece seu "humanismo".

A desumanização de Israel em curso

em alguns setores do planeta é um

dos maiores equívocos contemporâneos,

fruto do antissemitismo, da ingenuidade

e da ignorância.

Até as pedras dos cemitérios da

Palestina e de Israel sabem que a única

saída para o trágico conflito árabeisraelense

é a criação de um Estado

palestino viável que viva em paz e segurança

ao lado do Estado de Israel.

Sucessivas eleições em Israel elegeram

maiorias que buscavam justamente

esse objetivo de dois Estados.

Inclusive o governo atual, cuja principal

bandeira era a retirada das tropas

e colônias israelenses dos territórios

palestinos.

A primeira ação nesse sentido foi a

retirada total de Gaza, que se transformou

em campo de lançamento de foguetes

contra a população civil do sul

de Israel, como a linha dura israelense,

na oposição, previu que aconteceria.

A disposição de Israel para novas

retiradas está mortalmente abalada.

Vai depender muito do resultado da

ofensiva atual.

Quando as armas se calarem, e esperemos

que se calem o quanto antes,

os terroristas do Hamas, e seus patronos

na Síria e no Irã que guiam suas

ações, clamarão vitória (assim como seu

irmão mais velho, o Hezbolá, clamou vitória

sobre os cadáveres de mil libaneses

e o escombro de suas casas!).

É uma ideologia niilista, um culto

da morte, onde morrer é vencer.

Assim, terroristas do Hamas disparam

foguetes contra Israel cercados

de mulheres e crianças, do meio de

cidades super povoadas, torcendo

para que um míssil israelense aniquile

essas mulheres e crianças, cujos cadáveres,

expostos quase como

prêmios, são uma de suas maiores

"vitórias" pois convencem alguns "humanistas"

de plantão que os israelenses

não são humanos.

E serão os "humanistas" de plantão

os primeiros a decretar a derrota

de Israel e a vitória do islamofascismo,

como aquela infame manifestação

esquerdista em Londres com os cartazes

"somos todos Hezbolá".

Espera-se que os humanistas sem

aspas pensem diferente e coloquem a

derrota dos objetivos do Hamas como

a única saída possível dessa guerra.

E ela não precisa vir das bombas

de Israel, mas de negociações internacionais

para um novo arranjo em

Gaza que anule a capacidade do Hamas

de levar o povo que diz defender

a novas tragédias lamentáveis.

P.S: Embora seja óbvio, mas para não

ser declarado um não-humano impunemente

nas páginas dos jornais,

vai aqui um esclarecimento:

eu, como a esmagadora maioria

dos israelenses, sou pela paz e contra

a morte de civis inocentes em

qualquer parte do mundo.

Centenas de palestinos da Margem Ocidental recordam o Holocausto

Palestinos inauguraram dia 27/1 um memorial

perto da cidade de Ramallah, na Margem

Ocidental, para recordar os crimes da

Alemanha nazista contra o povo judeu.

Calcula-se que centenas de palestinos

compareceram para assistir ao evento em

Ni'lin, que coincidiu com Dia da Recordação

Mundial do Holocausto, declarada pelas

Nações Unidas. O memorial possui fotografias

obtidas de um museu israelense.

"O Holocausto foi o assassinato horrível

e metódico de seis milhões de inocentes que

afeta todos os cidadãos de Israel até hoje",

declarou Khaled Mahmid, que preside o Instituto

Árabe para Pesquisa e Educação sobre

o Holocausto, sediado em Nazaré.

"O Alcorão nos ordena reconhecer o Holocausto

e compreender isto", acrescentou Mahmid.

"Os judeus devem lembrar que muitos

deles foram salvos durante o Holocausto

graças aos seus irmãos nas terras árabes",

disse ele. "Temos que superar juntos os efeitos

de Hitler", continuou.

Ele também apontou "que algum tipo de

comportamento de Israel pode ser explicado

pelo Holocausto", algo que ele diz que

"os palestinos deveriam levar em conta".

"Os palestinos precisam entender que os

judeus têm um mecanismo de defesa derivando

do assassinato terrível durante o Holocausto",

disse ele.

"Toda a violência que os palestinos exercem

sobre os israelenses não é efetiva, causa

sofrimento e evoca a ansiedade do Holocausto

entre os judeus", agregou o presidente

do Instituto Árabe.

"É por isto", disse Mahmid, "que os palestinos

deveriam entender o Holocausto, o

poder e força da dor que os judeus têm".

Um dos organizadores do evento, Mohammad

Amira, minimizou questões acerca

de a escolha da recordação ter recaído sobre

Ni'lin, uma cidade palestina destruída e dividida

pela barreira de separação de Israel.

"Nós pensamos que o público deveria

entender a dor e sofrimento que os nazistas

causaram aos judeus", disse Amira. "Infelizmente,

estamos pagando o preço da imensa

dor sofrida pelos judeus durante o Holocausto.

Mas não há nenhuma comparação entre

o nosso sofrimento e o do sofrido pelos judeus

durante o Holocausto", observou ele.

"Mas todo mundo deveria entender que nós

também estamos sofrendo como resultado

do que os alemães fizeram aos judeus".

Amira, que é participante ativo do Comitê

de Defesa de Terras de Ni'lin contra a cons-

trução da barreira de separação israelense,

declarou isso satisfeito ao ouvir os aplausos

dos palestinos durante a inauguração.

"As pessoas estão surpresas com o que

vêem aqui; há gente que está vendo as imagens

do sofrimento no Holocausto pela primeira

vez", disse ele. "Há palestinos que

nada sabem sobre a história judaica".

Mas durante o evento, um representante

do Hamas também usou da palavra para

tirar partido do fato a seu favor. "Ao mesmo

tempo em que nós, incondicionalmente, condenamos

os crimes perpetrados pelos nazistas

contra os judeus na Europa - disse o representante

- nós rejeitamos categoricamente

a exploração do Holocausto pelos sionistas

para justificar seus crimes e armar a aceitação

internacional da campanha de limpeza

étnica e sujeição", declarou. (Maannews).


Militante do Hamas e criança: Por que

não falam para as crianças se

afastarem dos homens armados?

Um militante do Hamas escondendo-se

entre crianças

Menino de Ashkelom em estado

de choque depois que um foguete

caiu nas imediações de sua casa

A ministra das Relações Exteriores

Tzipi Livni verifica danos numa

escola de Beer Sheva causados

pelos míssieis do Hamas, em

provocações ao longo dos últimos

anos que acabaram por resultar

na Operação "Chumbo Derretido"

contra Gaza

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Fotos que a imprensa não mostra

Homem do Hamas em ação com pelo menos 11 civis atrás dele

Militantes do Hamas preparando a corda de uma

bomba. Observe que tem uma outra bomba

atrás da criança com a camiseta branca

Terroristas do Hamas misturados entre civis.

Um deles com uma bomba na mão

As imagens falam por si só...

Um militante do Hamas (vestindo roupas de civil),

atirando com pelo menos quatro civis ao lado dele

Outra fotografia que fala por si

A solução de Gaza está nas mãos dos palestinos

Tawfik Hamid *

Depois de Israel lançou sua ofensiva

militar contra Hamas, em instalações militares

em Gaza, em resposta aos repetidos

ataques a civis israelenses, as ruas

árabes não perderam tempo e demonstraram

com paixão sua oposição a Israel.

Na Europa, muitos ocidentais também tomaram

parte no protesto.

Como um muçulmano egípcio, agora

vivendo na América, eu me pergunto porque

a rua árabe e seus apoiadores no

Ocidente nunca mostram igualmente forte

resposta contra terroristas islâmicos

que almejam civis inocentes mundo afora,

explodem mercados inteiros,com civis

de origem predominantemente muçulmana

no Iraque, Paquistão, Sudão, Turquia,

etc. Quando você considerar que os ataques

israelenses mataram cerca de 400

pessoas, maioria militante do Hamas, nos

primeiros quatro dias, a atitude passiva

do mundo muçulmano contra os terroristas

representa extrema hipocrisia. Se eles

realmente se importam com as vidas de

muçulmanos, deveriam ter demonstrado

nos mesmos números e com igual veemência

contra os islamistas que assassinaram

centenas de milhares de seus concidadãos

muçulmanos, para não mencionar

o Hamas que abate membros do rival

Fatah - mulheres e crianças incluídos.

Outra questão é: porque não vimos

uma semelhante forte reação contra os

terroristas que praticaram o mais recente

atentado em Mumbai. Muitos indianos,

ocidentais e judeus foram mortos. Mas

não houve erupção espontânea e demonstrações

de indignação na Europa, para

denunciar os ataques, como no caso de

Gaza. São essas vidas menos importantes

que as dos palestinos? Onde está a o

furor público organizado contra a matança

lasciva de indianos e judeus?

Assistimos à queima de igrejas no Iraque,

nas mãos dos jihadistas. Sabemos

também que milhares de cristãos iraquianos

fugiram porque os islamistas impõem

sobre eles o tradicional Shari'a, escolha

para os não-muçulmanos: converter-se

ao Islã, pagar um imposto humilhante

(jizzia), ou serem mortos. No entanto,

não ouvimos qualquer coisa a partir

das ruas árabes ou de seus apoiadores.

Só silêncio petrificante. As vidas palestinas

valem mais do que as dos cristãos

no Iraque?

Uma mentalidade tribal ainda governa

o mundo muçulmano e não há qualquer

vontade de demonstrar-se contra concidadãos

muçulmanos, mesmo contra aqueles

que tenham cometido grandes crimes contra

outros muçulmanos. E a Europa é demasiado

eviscerada para vir ao auxílio de

vítimas cristãs dos "anti-infiéis".

13

Depois, há o velho antissemitismo. É

tão fácil demonstrar-se contra os judeus

ou Israel e extremamente raro ver demonstrações

de apoio às vítimas judaicas,

tais como o altruísta rabino e sua

esposa, que foram selecionados para a

uma tortura especial em Mumbai, pelos

islamistas. Ele faz o "impulso" europeu

de boa consciência apontar um dedo contra

a suposta "agressão" de Israel para

ajudar a minorar algumas das suas próprias

culpas remanescentes.

O mundo muçulmano e os europeus

que apóiam as manifestações contra Israel

devem parar a tendenciosa reação,

que cega e reflexamente apóia a palestinos

e criminaliza Israel. Aqueles que se

demonstrarem contra a campanha militar

em Gaza devem perceber que, se o

Hamas tivesse parado de atacar Israel

com seus foguetes, Israel não teria lançado

o seu ataque. Se o palestinos tivessem

se focado na construção de sua

sociedade e não em destruir os outros,

toda a região iria desfrutar da paz e prosperar.

Caso palestinos reconheçam o direito

de Israel a existir, finalizar o terrorismo

contra os judeus e nutrir um sincero

desejo de viver em paz, eles terminariam

o seu sofrimento. A solução agora

está simplesmente nas mãos dos palestinos

- não dos israelenses.

* Tawfik Hamid é escritor, médico e reformador muçulmano, é autor de "Inside Jihad". Traduzido por Rogério Palmeira


14

* Cora Rónai é

escritora, ensaísta,

jornalista e

colunista do jornal

O Globo. Publicado

em 15.1.2009.

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

A organização de defesa dos direitos

humanos Anistia Internacional acusou

militantes terroristas do Hamas de

perseguir, sequestrar, torturar e assassinar

suspeitos de colaborar com Israel

nos recentes confrontos em Gaza.

Segundo relatório divulgado pela

Anistia, a campanha do Hamas começou

ainda em dezembro passado e

pelo menos 12 homens teriam sido

mortos a tiros.

A organização acrescenta que dezenas

de pessoas teriam sofrido ferimentos

a bala nas pernas e joelhos ou

sido espancadas com o objetivo deliberado

de deixar sequelas.

Além dos supostos colaboradores,

críticos e opositores à liderança do

Hamas também estão sendo perseguidos

e, muitas vezes, ameaçados de

morte - de acordo com o relatório.

A Anistia pede o fim imediato da

campanha do Hamas contra opositores,

além do estabelecimento de uma

comissão nacional de especialistas,

independente, imparcial e não partidária,

para investigar os abusos.

A organização enviou uma missão

de delegados à Faixa de Gaza para in-

Cora Rónai *

á tempos não vejo guerras

de opinião tão virulentas

quanto as que se

tem travado em torno da

guerra de Gaza, sobretudo

na internet, onde cada um diz o que

quer, recusa-se a ouvir o que não quer

e a subsequente gritaria abafa qualquer

vestígio de raciocínio porventura

existente. Notem que digo "raciocínio",

porque me parece impossível, nas

atuais circunstâncias, chegarmos a

qualquer coisa sequer remotamente

parecida com "razão".

No momento, nada que se diga ou

se mostre em favor de Israel terá qualquer

efeito. Para além da presente

guerra propriamente dita, há outra que,

há tempos, foi perdida pelo país - cuja

capacidade de fazer propaganda, ao

contrário do que acredita tanta gente,

é inversamente proporcional ao seu

poderio militar.

Além da amizade com os Estados

Unidos, vilão preferido de meio mundo,

e do questionável rótulo de "direita"

que lhe foi pespegado, há uma série

de fatores culturais e políticos que

atuam permanentemente contra Israel.

Para ficar apenas num ponto de óbvio

apelo emocional, seus mortos e feridos

nunca são filmados ou fotografados,

salvo em hospitais ou caixões e,

ocasionalmente, pela imprensa es-

vestigar as denúncias e afirma ter evidências

incontestáveis de que militantes

do Hamas teriam perpetrado uma

campanha de perseguição.

Entre os alvos do Hamas estariam

prisioneiros que escaparam da penitenciária

central de Gaza quando ela

foi bombardeada por forças israelenses

no dia 28 de dezembro.

Ex-integrantes das forças de segurança

da Autoridade Palestina e outros

ativistas do movimento Fatah, do presidente

Mahmmoud Abbas, também

estariam sendo perseguidos.

A maioria das vítimas, diz a Anistia,

foi sequestrada em casa e depois

deixada - mortas ou feridas - em áreas

isoladas ou encontrada morta nos necrotérios

de hospitais da região.

Algumas chegaram a ser mortas a

tiros em seus leitos hospitalares, onde

se recuperavam de ferimentos causados

pelo bombardeio israelense, afirma

a organização.

Confiança

Confiança

Ainda segundo a Anistia, os responsáveis

pela campanha não se preocuparam

em esconder o rosto ou as

A guerra perdida

trangeira. Os mortos tampouco são

exibidos em procissões; eles tem sido,

atentado após atentado, guerra após

guerra, mortos que se contam em números

- mas o que é um número diante

da foto de uma criança morta?!

Ao mesmo tempo, ao longo dos

últimos anos, quando foguetes do Hamas

eram lançados sobre o sul de Israel,

as crianças iam para abrigos subterrâneos,

e não para o meio da rua,

providencialmente armadas com estilingues.

Ora, a foto de uma escola (vazia)

destruída por um "míssil caseiro"

(seja isso lá o que for) não tem uma

fração do impacto da foto de um garoto

de estilingue diante de um cenário

de destruição.

Isso não justifica matança alguma,

seja de um lado, seja de outro; mas o

fato é que criou-se, assim, a singular

percepção de um povo intrinsecamente

mau e sanguinário, que ataca criancinhas

por pura maldade, contra um povo

intrinsecamente bom e coitado, que só

explode civis por falta de escolha.

Por ser um país desenvolvido cercado

de vizinhos em diferentes estágios

de "civilização", Israel paga, guardadas

as devidas proporções, o preço

que a classe média paga, no Brasil, em

relação à criminalidade nas comunidades

carentes: para uma certa visão

míope, é sempre a culpada, porque,

em tese, nessa forma enviesada de

análise, os bandidos são sempre ino-

armas - muito pelo contrário, adotaram

uma postura confiante, de modo

quase ostensivo.

Como o Hamas já anunciou no passado

ter acabado com o uso de armas

por militantes de outras facções ou

organizações na Faixa de Gaza, a Anistia

afirma que os militantes responsáveis

pela campanha só podem pertencer

ao grupo.

A organização manifestou preocupação

ao dizer que o governo do Hamas

na Faixa de Gaza não só não teria

tentado impedir os assassinatos e

outros abusos perpetrados por suas

milícias como também teria justificado

essas ações e chegado a facilitálas

e encorajá-las.

No dia 2 de fevereiro, segundo a

Anistia, o porta-voz do Ministério do

Interior do governo do Hamas na Faixa

de Gaza, Ihab al-Gussein, rejeitou

as denúncias de abusos feitas nos

dias anteriores por grupos de defesa

dos direitos humanos palestinos e teria

recomendado às vítimas que fossem

procurá-lo diretamente.

Na mesma coletiva de imprensa,

o porta-voz do Hamas Tahar al-Nunu

centes - são apenas pobres reagindo

à desigualdade social (o que, claro

está, é uma baita ofensa à imensa

maioria dos pobres, que sofrem na

miséria sem nunca pensar em delinqüir).

Enquanto isso, os verdadeiros

culpados pelas desigualdades, lá

como cá, não são mencionados nem

en passant - e, ainda que o fossem,

continuariam onde sempre estiveram,

ou seja, nem aí.

Já os líderes mundiais que não perderam

tempo em se declarar contra a

"reação desproporcional" de Israel pouco

estão se lixando para o sofrimento

das vítimas. Se a sua preocupação fosse

realmente humanitária, o Sudão, por

exemplo, não sairia das manchetes; só

que as vítimas do Sudão não dão ibope.

Quando a China entrou de sola no

Tibete, ainda outro dia, ouviram-se, no

máximo, ligeiros resmungos protocolares

- e, ainda assim, só porque o Dalai

Lama é um véinho carismático, com

bom transito em Hollywood.

Isso sem falar no antissemitismo

que, invariavelmente, aproveita para dar

as caras quando tem a ótima desculpa

de uma guerra para acobertá-lo. "Israelense"

e "judeu" não são sinônimos; há

incontáveis cidadãos israelenses que

não são judeus, como há milhões de judeus

que não são israelenses. Ainda assim,

os dois termos se equivalem para

efeitos de noticiário, de artigos, de posts

enraivecidos em blogs. Seria até com-

teria dito que "o governo diferencia

abusos (da lei) de ações tomadas

pela resistência para se proteger de

colaboradores em tempos de guerra".

"Não vai haver clemência para

os colaboradores que nos esfaquearam

pelas costas", acrescentou Al-

Nunu. (BBC).

preensível se a mesma equivalência

servisse para "palestinos" e "muçulmanos",

mas esta é sempre cuidadosamente

evitada. Às vezes, o uso (ou a omissão)

das palavras revela muito mais do

que o seu significado.

Apoiar os palestinos, o Hamas, o

Hezbolá e os países árabes de modo

geral, é chique, é bacana e é uma garantia

de popularidade com a soi disant

"esquerda". Israel não terá o

apoio da intelligentsia - que em geral

é de uma extrema covardia e ignorantsia

- nem se for completamente

aniquilado, como quer o Hamas. Aí

ainda vamos ouvir o "fizeram por

onde" que tanto se disse em relação

ao ataque ao WTC; as Nações Unidas

vão fazer tsk, tsk, o Papa vai condenar

vagamente o exagero - e estaremos

conversados.

Mas a verdade é que eu nem devia

estar falando sobre isso. Minha

opinião é descartada de saída em

qualquer discussão a respeito do

Oriente Médio: como venho de uma família

dizimada pelo Holocausto, sou

suspeita e, portanto, não posso me

manifestar. Cansei de ouvir isso até de

pessoas supostamente inteligentes -

e, de cansada, não discuto mais. Se o

que você diz não vale nada a priori, o

mais sensato é seguir os conselhos do

professor Higgins, e falar apenas sobre

o tempo e a saúde.

Como é, tem feito muito calor por aí?

Anistia acusa Hamas de perseguir 'colaboradores' de Israel em Gaza


"Uma disposição para sacrificar

crianças é um sinal de uma cultura da

morte." (Jean Elshtain)

Estado de Israel é vítima

de inúmeras calúnias, assim

como um perverso

julgamento com duplo

padrão. O máximo que alguns

leigos se permitem,

por desconhecimento dos fatos, é evitar

qualquer julgamento objetivo, simplesmente

colocando palestinos e israelenses

no mesmo barco, adotando

uma postura "neutra". Porém, a ignorância

não deve justificar uma condenação

mútua, pois o relativismo moral

acaba por prejudicar o mais justo. Com

certeza, um melhor conhecimento dos

fatos aliado a uma honestidade de avaliação,

irá mostrar quem é a real vítima

desse mar de violência que assola o

Oriente Médio.

Vale, entretanto, um caveat: Israel

não é perfeito! Levantar a poeira da desinformação,

resgatar o contexto da situação

e julgar imparcialmente os envolvidos

não é o mesmo que inocentar

por completo um dos lados. É somente

colocar os devidos pesos aos fatos. Israel

merece muitas críticas, claro. Mas

atualmente, ele tem sido vítima de críticas

infundadas, parciais e injustas,

fruto de interesses obscuros ou puro

preconceito. O artigo pretende esclarecer

esse lado da moeda.

A primeira acusação que alguns fazem

diz respeito ao próprio direito da

nação judaica de existir. Judeus vivem

naquela região há milênios. Os judeus

europeus começaram a se mudar para

onde hoje é Israel em números significativos

desde 1880. Quem aceita a Austrália,

para dar um exemplo, como sendo

legitimamente uma nação, não pode

questionar a legitimidade da presença

judaica onde hoje é Israel. Várias nações

surgiram por decisões políticas e

diplomáticas, mas Israel parece ser a

única julgada como não merecedora do

direito de existir.

As terras adquiridas no Oriente Médio

pelos judeus não foram fruto de colonização,

mas sim compradas, muitas

vezes de especuladores árabes que viviam

no Líbano. Eram terras pobres, e os

compradores eram refugiados de regimes

opressivos que procuravam uma

nova vida num lugar em que seus ancestrais

viveram e foram expulsos. A Judéia

mudou de nome para Palestina no começo

da era pós-Cristo, quando os judeus

foram expulsos pelos romanos. Mas

a região nunca deixou de contar com

numeroso contingente judaico. Muitos

viviam pacificamente com árabes, até

que Maomé desferiu atrocidades contra

seu novo inimigo, chegando a massacrar

homens, mulheres e crianças judias.

Suas ordens eram claras: "Jamais

podem existir duas religiões na Arábia".

Ainda assim, Tel Aviv foi uma cidade

predominantemente judaica desde a sua

fundação em 1909. O argumento de que

o Estado de Israel é colonizador na origem

e não tem sequer o direito à existência

é injusto e falso.

A luta de Israel

A Palestina sempre foi dividida em

várias partes territoriais, sendo que a

maior delas era governada de Damasco

por um paxá. Mas não se pode dizer que

os palestinos habitavam uma "nação" da

Palestina antes da criação de Israel. A

edição de 1911 da Encyclopaedia Britannica

descreveu a população da Palestina

como compreendendo grupos "étnicos"

muito diferentes, falando não menos

que 50 línguas. Eram vastas milhas

sem habitação alguma, e tribos de beduínos

espalhadas pelo território. Nunca

houve uma união em forma de nação,

formando uma Palestina. Os judeus ocuparam,

legal e pacificamente, uma pequena

parcela desse vasto território,

transformada em nação por medidas de

segurança após a Segunda Guerra, quando

ficou evidente a insustentabilidade

de convivência mútua entre judeus e

muçulmanos, cujos líderes haviam apoiado

abertamente o nazismo de Hitler.

Já na Primeira Guerra, os árabes

muçulmanos lutaram, em sua maioria,

ao lado dos imperialistas otomanos, e

mesmo derrotados, ficaram com cerca

de 80% do território. O primeiro Estado

estabelecido na Palestina foi um emirado,

chamado Transjordânia, exclusivamente

árabe. Mas havia clara oposição

à formação de um Estado judaico, e os

líderes árabes começaram a exigir a eliminação

de qualquer presença judaica

na Palestina. Muitos gritavam que "a

religião de Maomé nasceu com a espada".

Os ocidentais, em especial os britânicos,

acreditaram que a centralização

do poder nas mãos de um religioso ou

político facilitaria o controle da região.

Husseini foi escolhido, mas tratava-se

de um anti-semita virulento, com declarado

ódio aos judeus. O líder dos palestinos

aproximou-se de Hitler, e insistiu

que sua "solução final" chegasse à Palestina,

liquidando os judeus do mapa.

Em 1929, ocorreu o massacre de Hebron,

quando 60 judeus foram mortos e o restante

foi expulso da cidade.

Em 1937, a divisão em dois Estados

foi proposta, e os judeus aceitaram de

imediato, enquanto os árabes rejeitaram,

alegando que a Palestina fosse toda

colocada sob o controle árabe, com os

judeus sendo transferidos para outro

país. Durante o Holocausto, a suástica

tornou-se um símbolo bem recebido

entre muitos palestinos, e a SS deu tanto

apoio financeiro como logístico aos

pogroms anti-semitas na Palestina. Em

1944, uma unidade de comando árabealemã

sob as ordens de Husseini foi lançada

na Palestina num esforço para envenenar

os poços de Tel Aviv. Mesmo estando

novamente do lado perdedor da

guerra, várias vantagens foram oferecidas

aos palestinos após a queda de Hitler.

Mas não era suficiente. Os judeus

tinham que sumir dali, e a criação de Israel,

para proteção dos judeus, nunca foi

aceita. Várias nações muçulmanas, lideradas

pelo Egito, atacaram Israel, tendo

como alvos civis inocentes. Suas bases

militares eram deliberadamente cercadas

por escudos civis, para qualquer reação

de Israel causar danos a inocentes,

afetando sua imagem frente a opinião

pública. Apenas a perfídia impede al-

guém de notar a diferença moral entre

alvejar expressamente civis e atingir acidentalmente

civis, defendendo-se.

Em 1967, uma nova guerra contra os

judeus teve início, pelas claras iniciativas

de Nasser. Os exércitos árabes estavam

aglomerados ao longo da fronteira

de Israel, prontos para atacar. Os planos

de guerra egípcios incluíam o massacre

da população civil de Tel Aviv. Israel derrotou

seus inimigos na Guerra dos Seis

Dias, com um número de baixas civis

árabes menor que em qualquer guerra

comparável. Em outubro de 1973, o Egito

e a Síria desfecharam ataques-surpresa

contra Israel no Iom Kipur, o dia mais

sagrado do ano judaico. Israel tem armas

nucleares desde os anos de 1960,

mas jamais as usou, mesmo nessa guerra

absurda. Ainda assim acusam de genocida

aquele que se defendia de forma

moderada dos inimigos fanáticos.

Israel simplesmente não podia existir.

O terrorismo seria adotado como prática

comum para esse objetivo final:

exterminar o povo judeu. Nada, além

disso, seria aceito pelos líderes palestinos,

cuja existência do inimigo externo

serve como escusa para o totalitarismo

interno. O falecido terrorista Yasser Arafat

não negou tal objetivo, ao declarar

que a OLP planeja "eliminar o Estado de

Israel e estabelecer um Estado puramente

palestino". O sobrinho de Husseini,

acusado de desviar milhões de dólares

da OLP, continuou, afirmando que

tornaria "a vida impossível para os judeus

através de guerra psicológica e explosão

populacional". Enquanto a mulher

e filha de Arafat viviam confortavelmente

na França, filhos de palestinos,

alguns com 13 anos, eram mandados

pelo líder como bombas humanas

para o assassinato de crianças, mulheres

e idosos judeus. Até mesmo um deficiente

físico foi jogado no mar em um

seqüestro de um navio pelos terroristas

palestinos. Suas ações incluem bombas

em sinagogas, discotecas, jardimde-infância,

aviões e shopping centers.

Ainda assim, a ONU recebia Arafat como

um respeitado líder. O método estava

funcionando, e os ataques terroristas se

intensificavam.

O duplo padrão do julgamento internacional

deixa evidente o viés antisemita.

A ocupação da Palestina pela

Jordânia e pelo Egito jamais foi condenada

pela ONU, nem foi alvo de preocupação

dos grupos de direitos humanos.

O fato de os próprios árabes e muçulmanos

serem os maiores assassinos

dos palestinos nunca foi duramente criticado.

São sempre dois pesos e duas

medidas. Israel é sempre o culpado. O

Tibete foi ocupado pela China comunista,

teve boa parte de seu povo dizimada

sem qualquer motivo, mas a "ocupação"

de Israel na Palestina merece

infinitamente mais atenção da mídia,

e a ONU jamais condenou a China por

isso. Se Israel consegue matar um terrorista

palestino em um ataque cirúrgico,

é acusado de "terrorismo de Estado".

Até mesmo um muro construído

por Israel foi condenado, e comparado

ao Muro de Berlim, ignorando a obviedade

de que um deles tenta impedir a

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

entrada de terroristas, e o outro a saída

do próprio povo escravo. Não adianta:

qualquer ação que Israel tome para

combater o terrorismo será vista como

condenável. É a sua própria existência

que não aceitam.

A prova de que os líderes palestinos

não querem de fato a paz está na

oferta de Barak recusada por Arafat,

que sequer apresentou uma contraproposta.

Os judeus cederam em praticamente

todas as demandas, inclusive um

Estado palestino com a capital em Jerusalém,

o controle do Monte do Templo,

a devolução de aproximadamente

95% da margem ocidental e toda a faixa

de Gaza, e um pacote de compensação

de 30 bilhões de dólares para os refugiados

de 1948. O príncipe saudita

Bandar exortou Arafat a aceitar a generosa

oferta, afirmando ser um crime sua

rejeição. Arafat escolheu esse crime, e

milhares de inocentes pagaram com

suas vidas essa decisão absurda, com a

intensificação dos ataques terroristas

que se seguiram, como tática deliberada

do líder palestino.

Outra prova de que a liderança palestina

não quer a paz está no próprio

estatuto do Hamas, de 1988, que declara

que "não há solução para o problema

palestino a não ser pela jihad", a

guerra santa muçulmana. Não podemos

dizer ao certo quanto da população

palestina aprova o terrorismo. É

certo que o regime autoritário de terror

impede a livre expressão do povo,

e somente a democracia faria com que

a real intenção fosse exposta. Dificilmente

a maioria de um povo prefere a

guerra. Mas temos que levar em conta

também que são anos de lavagem cerebral,

colocando os judeus como o próprio

demônio, que precisa ser eliminado.

O terrorismo não nasceu do desespero

palestino, mas é uma tática racional

de seus líderes, porque funciona.

Combater isso com a diplomacia parece

uma grande utopia. Mas Israel é sempre

condenado ao tentar se defender

dos terroristas, que cada vez mais miram

em alvos chocantes, como pequenas

crianças.

Como diz Alan Dershowitz, "o contexto

é essencial para qualquer avaliação

justa do comportamento de uma

nação". Existe uma clara disposição da

comunidade internacional de mostrar

Israel como único ou "principal" violador

de direitos humanos, ignorando

comparações com nações que vivem situação

similar, como os russos na Tchetchênia

e os franceses na Argélia. Um

erro não justifica outro, e Israel comete

seus graves erros. Mas aquele que não

analisa os fatos friamente, com imparcialidade,

está julgando a partir de um

preconceito. Somente isso explica os

brados contra Israel e o silêncio sobre

os demais. Apenas a má fé ou a ignorância

justificam uma condenação unilateral

a Israel, ou mesmo o relativismo,

neste conflito entre palestinos e judeus.

Para terminar, cito novamente Dershowitz:

"A imparcialidade em relação

àqueles cujas ações não são equivalentes

do ponto de vista moral é uma forma

artificial de simetria imoral e perigosa".

15

* Rodrigo Constantino

é economista pela

PUC-RJ, com MBA de

Finanças pelo IBMEC.

Trabalha no mercado

financeiro desde 1997.

É autor de "Egoísmo

Racional: O

Individualismo de Ayn

Rand", "Prisioneiros da

Liberdade" e "Estrela

Cadente: as

Contradições e

Trapalhadas do PT.

Edita o blog Rodrigo

Constantino - Idéias de

um Pensador

Independente e

Libertário.


16

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

OLHAR

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HIGH-TECH


Carro elétrico no mercado muda futuro

Shai Agassi, um empresário israelense

de inovações, implantou a Better Place,

para promover comercialmente um

carro elétrico e livrar os meios de transportes

públicos e privados da dependência

do petróleo, que Israel não produz.

Agassi registrou sua empresa na Califórnia.

Fechou negócio com Israel, com

a Dinamarca e a Austrália para testar a

viabilidade econômica de seu carro. A

idéia consiste em transformar a energia

do vento e do sol com um sistema

que faz delas um combustível limpo para

baterias especiais para motores. O veículo

estaciona em um posto onde recarrega.

Israel já decidiu e iniciou a

construção de uma primeira rede de 400

postos situados em estacionamentos

nos quais também será possível a troca

de baterias. A rede deverá ser nacional.

(Último Segundo/Nahum Sirotsky).

Carro elétrico II

Tom Friedman, colunista e repórter do

The New York Times, escreveu a respeito,

acrescentando que enquanto a GM

optou por ignorar Agassi, a Renault e a

Nissan estão apostando nele. A grande

idéia de Agassi é vender cargas, como

em celulares, para movimentar veículos

por X quilômetros com um sistema

central que registra tudo e manda a

conta no fim do mês. "A GM vende carros,

mas a Better Place venderá mobilidade".

Os primeiros Renault e Nissan

elétricos estarão à venda em fins de

2010. A carga custará metade do preço

corrente da gasolina. (Último Segundo/

Nahum Sirotsky).

Microsoft escolhe tecnologia israelense

para o Windows 7

Um combinando de pressão zero e uma

caneta de toque em um único dispositivo,

serão incluídas no grupo de soluções

oferecidas pela Microsoft na nova plataforma

Windows 7. A Microsoft apresentou

a tecnologia do produto em uma

feira que recentemente organizou para

introduzir seus futuros aplicativos "A

tecnologia N-trig DuoSenseTM é fundamental

para permitir que as experiências

multi-touch", disse Gary Schare,

diretor da Microsoft. O DuoSenseTM

oferece a capacidade de zoom in e out,

percorrendo para cima e para baixo, girando

as imagens sem o uso de um

mouse ou teclado. A tecnologia pode

ser implementada em uma ampla gama

de produtos a partir de notebooks e pe-

quenas e grandes telas de LCD. A N-trig

- responsável pela inovadora tecnologia

- tem sede em Kfar Saba, Israel e

foi fundada em 1999. (Israel 21C).

Galinha sem penas

Cientistas da UniversidadeHebraica

de Israel provocaramcontrovérsia

ao criar

uma galinha sem

penas. Segundo

os pesquisadores,

desta forma elas

crescem mais rápido,

e não precisam

ser depenadas,economizando

dinheiro para

as granjas. O professor Avigdor Cahaner,

responsável pelo "frango careca",

diz que as galinhas não se adaptariam

bem em países mais frios mas, em compensação,

estariam bem melhor em

quentes. E afirma: "Não é uma galinha

geneticamente modificada - se trata de

um cruzamento natural entre raças, cujas

características são conhecidas há 50

anos. Estou apenas transferindo as características

para frangos de crescimento

mais rápido. É um frango normal, a

não ser pelo fato de que não tem penas".

As galinhas sem penas tendem a ter menos

gordura, o que melhoraria a qualidade

da carne. Para o professor, o fato

de a galinha não ter penas também ajuda

a reduzir a poluição produzida pela

grande quantidade de água contaminada

com penas e gordura. (Jornal Alef).

Uma internet 60 vezes mais rápida

Que tal uma Internet 60 vezes mais rápida?

A empresa israelense PeerApp

aposenta o download feito a partir de

conexões diretas com servidores e passa

a fazer este processo diretamente a

partir de arquivos de vídeo em cachê

dos servidores de mídia, em páginas

atualizadas na Internet. Hoje, cerca de

60% de todo o tráfego na web envolve

vídeos, cujo download é mais lento,

observa o diretor da PeerApp, Yossi

Hazan. Com a nova tecnologia, a "UltraBand",

o download pode ser até 60

vezes mais rápido. Um arquivo pesado,

que exigiria um download de seis horas,

por exemplo, pode chegar ao computador

da pessoa em apenas seis minutos,

explica. (Câmara Brasil-Israel de

Comércio e Indústria - Cambici).

Agora, que calem a boca!

Aharon Erlich *

Todos aqueles que durante os quase

oito anos em que a população civil do sul

de Israel sofreu de contínuos ataques

com mísseis Kassam da Faixa de Gaza não

abriram por nada a boca e agora, quando

depois de um sem fim de advertências,

Israel reagiu e saiu para defender-se,

peço-lhes que agora... Calem a boca.

Todos aqueles que seguramente não

têm claro que há três anos que Israel se

retirou da Faixa de Gaza, retirando de lá

até o último de seus soldados e desmantelando

todas os povoados da região para

obter uma completa desconexão entre a

Faixa de Gaza e o Estado de Israel, com

muita dor para muitos de nossos irmãos,

mas infelizmente ao invés de dedicar-se a

construir um Estado, se dedicaram à destruição

e o terror originado em Gaza nos

perseguiu e nos persegue sem justificativa

alguma, até o outro lado da fronteira e

ninguém abriu a boca diante das contínuas

agressões que temos sofrido e são muitos

os que se apuram para condenar Israel

quando sua paciência esgotou, mas é melhor

que agora... Calem a boca.

Todos aqueles que não abriram a boca

para nada, enquanto a população civil de

Israel e dos arredores da Faixa de Gaza

recebiam e continuam recebendo uma interminável

chuva de mísseis Kassam,

morteiros, foguetes Grad, Katiushas e outras

porcarias, seria conveniente que lessem

as declarações do ministro das Relações

Exteriores egípcio, Achmed Abu El-

Rish, que declarou: "Dissemos (aos dirigentes

do Hamas) que cessassem os disparos

contínuos de mísseis, já que Israel

ia concretizar suas ameaças de reação e

eles não quiseram nos escutar, por isso a

responsabilidade recai sobre eles..." Depois

de uma opinião tão certeira, seria

melhor que agora... Calassem a boca.

Todos aqueles que não abriram a boca

para nada durante os seis meses que durou

a suposta tahadía ou trégua entre o

Hamas e Israel, à que se chegou pela

mediação dos egípcios, e que finalizou em

dezembro, sem que nunca tenha começado

de fato, já que os palestinos não cessaram

de disparar, se bem que tratando

de criar uma sensação de "tranquilidade

aparente" e apesar das contínuas advertências

de Israel, não fizeram nada para

que a situação não chegasse a um extremo

tal que Israel não tivesse mais remédio

que reagir para defender sua população

civil e todos esses que agora se apressam

em nos criticar por isso, seria melhor

que agora... Calassem a boca.

Todos aqueles que irremediavelmente

criticam Israel quando sai em sua defesa

por sua reação desproporcional, provavelmente

pretenderão que Israel deve-

ria devolver míssil por míssil, a cada um

dos mais de 3.800 que foram disparados

sobre seu território e sobre sua população

civil. Essa seria uma resposta proporcional?

Ou talvez em vez de atacar os

objetivos do Hamas, quartéis, depósitos,

acampamentos devesse fazê-lo sobre a

população civil em geral, sem distinção

alguma, como o fazem os terroristas do Hamas?

E se não podem entender que Israel

se defende e se defenderá cada vez que

seja agredido, o mais contundentemente

possível, quando depois de aguentar e

suportar, se veja obrigado a reagir, seria

melhor que agora... Calassem a boca.

Todos aqueles que vêem somente

uma face da moeda, só quando Israel sai

em autodefesa e então se apressam em

gritar e espernear acusando-nos de agressores,

seria conveniente que repassassem

as declarações de um ilustre visitante

que tivemos em Sderot, meses atrás, e

que disse: "Se minha casa fosse atacada

e na mesma se encontrassem minhas

duas filhas, eu não economizaria esforços

em tratar de defendê-las e abater o

agressor...". O visitante foi o então senador

Barak Obama, novo presidente dos

Estados Unidos. E após ler uma declaração

tão clara e precisa, seria melhor que

agora... Calassem a boca.

Todos aqueles que não entendem que

estamos imersos numa verdadeira guerra,

contra o fundamentalismo Islâmico

que provém do Irã e que se abate sobre

nós por meio do Hezbolá no Líbano e do

Hamas ou a Jihad Islâmica na Faixa de

Gaza, ou os que tratam de não dar-se conta

da verdadeira realidade em que Israel

se tornou um bastião ante as forças retrógradas

que querem estender-se pelo

mundo todo, seria melhor que agora...

Calassem a boca.

Todos aqueles que não conseguem

entender que sobretudo queremos tranquilidade,

paz e o fim da violência entre

ambos povos, mas são nossos inimigos

que asseguram que não querem

reconhecer nosso Estado e que o objetivo

que perseguem é a destruição da

"entidade sionista", como eles nos chamam

pejorativamente.

Todos aqueles que não compreendem

que lamentamos, que nos dói cada uma

das nossas vítimas e que não nos alegramos

nem festejamos pelas vítimas que

sofrem nossos inimigos, pois sobretudo

queremos "viver em paz" e não "morrer

heroicamente", a todos esses pedimos

que agora... Calem a boca.

E se querem dizer algo, que vão dizer

aos líderes do Hamas, que são os verdadeiros

responsáveis pelo desencadeamento

desta onda de violência na região

e se não se animam a fazê-lo, pelo menos

agora... Que calem a boca!

* Aharon Erlich é arquiteto, vive em Jerusalém, Israel, de onde escreve sua Newsletter

eletrônica "De todo um poco", em espanhol.


Heitor De Paola *

Perpetual peace is a futile dream

Gen George S Patton

Quem se defende mostra sua

fraqueza; quem ataca mostra sua força

Sun Tzu

o que tudo indica os eleitores

israelenses mandaram

um recado dúbio:

de um lado, vence o Kadima

em número de cadeiras

no Knesset, 28; Likud chegando

perto com 27, Yisrael Beitenu 15, Trabalhistas

13, Shas 11. Embora Livni

seja a natural Primeira-Ministra o fato

dos partidos não pacifistas - erroneamente

chamados 'de direita' - terem

superado seus resultados pode propiciar

uma coalizão forte (dependendo

de negociações pode ser 64 x 56)

fazendo com que Netanyahu seja um

dos mais cotados para o cargo. Segundo

informações de Israel, grande

parte dos votos do Kadima veio de

eleitores, inclusive dos kibutzim, que

antes votavam nos Trabalhistas, que

sofreram uma grande derrota.

Pacifismo ou não-pacifismo?

Parece que os israelenses afastaram

os pacifistas e suas desastrosas

políticas de retirada da Faixa de Gaza,

das colônias da Cisjordânia e dos sucessivos

e malfadados 'acordos de paz'

que qualquer um sabia que não iam

dar em nada, pois os líderes 'palestinos'

não querem nem nunca quiseram

viver em paz. Tudo o que pretendem

é, de tempos em tempos, uma hudna,

uma trégua que lhes ensinou o próprio

Maomé, apenas para se re-agrupar, se

re-armar e atacar de volta. Em minha

opinião, a última retirada de Gaza vai

dar exatamente no mesmo: mais Qassams

e outras armas serão contrabandeadas

com a complacência da ONU

para novamente voltar a ser jogados

nas cidades do Sul de Israel. Talvez até

mísseis de mais longo alcance que

atinjam as cidades centrais. Creio que

o Kadima tentou uma dupla jogada

política para se manter no poder: primeiro,

uma demonstração de força

para agradar os não-pacifistas. Depois,

quando as críticas internas dos

pacifistas chegaram ao auge, uma retirada

absolutamente desnecessária -

e perigosa - para reconquistar votos

perdidos dos Trabalhistas. Deu certo?

Parece que a resposta dúbia dos eleitores

foi o resultado desta dubiedade

da política empregada: o Kadima tem

maioria, mas talvez não consiga formar

um governo.

E assim os ciclos de tréguas e ataques

irão se perpetuando - ou melhor, já

se perpetuaram - até que Israel reconheça

que os tais 'dois Estados' não passam

de um sonho judeu, pois o time adversário

quer tudo para si, nem sonha com tal

co-existência pacífica. O Pacto do Hamas

(http://www.standwithus.com/pdfs/

flyers/Hamas_covenant.pdf) diz claramente

no Artigo 13: "Não há solução para

a Palestina exceto através da Jihad. Iniciativas,

propostas e conferências internacionais

são perda de tempo e esforços

vãos".

Israel deve exigir o total dos territórios

que foi atribuído ao povo judeu

no Mandato de setembro de 1922

(www.mandateforisrael.org/ Conflict/

mandate_for_palestine/Mandate%

20for%20Palestine-11-20-07-

English.pdf), que incluía a Cisjordânia

e a Faixa de Gaza).

Aí está a chance de uma coalizão

de não-pacifistas que inclua Avigdor

Lierberman, cujo lema é "Cidadania só

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

com lealdade ao Estado de Israel". Isto

pressupõe o extermínio de todos os

movimentos terroristas para dar ao

povo por eles sacrificado e explorado

a chance de viver em relativa paz e

também em prosperidade - que só Israel

pode proporcionar com maciços

investimentos em tecnologia nas regiões

árabes.

Os líderes israelenses sabem disto

e de que seus maiores inimigos não

estão logo ali além fronteira, mas na

hipocrisia européia, no antissemitismo

travestido de antissionismo, e no cartel

de ditadores, teocratas e assassinos

de todos os matizes da margem

oeste do East River, que atende sofisticamente

pelo nome de ONU.

Atacar, e não se defender para continuar

o ciclo interminável. Fazer a

guerra até o fim para alcançar um estado

de paz relativo, e não defender

"a Paz Perpétua" inalcançável.

Em nenhum país do mundo esquerda

e direita tem significado algum, são

apenas códigos lingüísticos através

dos quais as pessoas pensam, erradamente,

que estão falando a mesma

coisa. Em Israel é preferível falar em

pacifistas e não-pacifistas.

17

* Heitor De Paola é

escritor e

comentarista

político, membro da

International

Psychoanalytical

Association e

Clinical Consultant,

Boyer House

Foundation,

Berkeley, Califórnia,

e Membro do Board

of Directors da Drug

Watch International.

Possui trabalhos

publicados no Brasil

e exterior. E é exmilitante

da

organização

comunista

clandestina, Ação

Popular (AP).

Principal sinagoga na Venezuela foi atacada por 15 encapuzados

Quinze homens entraram na noite de sexta-feira,

30/1, na principal Sinagoga de Caracas,

a sefaradi "Tiferet Israel", e destruindo

objetos de culto e picharam frases contra

Israel. denunciaram porta-vozes da comunidade

judaica venezuelana.

"Eles permaneceram na sinagoga umas

cinco horas, amordaçando os dois vigias,

destruindo e profanando o lugar sagrado da

Torá", o livro da lei mosaica, explicou Elías

Farache, presidente da Associação Israelita

da Venezuela.

"Israel, malditos", "Fora, judeus", "Não

os queremos aqui", "Assassinos" - foram algumas

frases escritas nas paredes do templo.

Segundo Farache, a recente expulsão

do embaixador israelense da Venezuela e a

ruptura de relações diplomáticas com o Estado

hebreu, decretadas pelo governo de

Hugo Chávez devido à ofensiva militar contra

a Faixa de Gaza, contribuíram para criar

este clima de tensão.

O vice-presidente da comunidade judaica

venezuelana, David Bittan, relatou que

"para invadir a sinagoga, arrebentaram a

porta. Retiraram os rolos da Torá e os jogaram

no chão. Aconteceu entre as 22 e as 3

da madrugada, hora local. Encontramos o

vigia no chão. Ele foi ameaçado com armas.

Até as 3 da manhã tiveram tempo de destruir

os escritórios, abrir o Aron Hakodesh

(Arca Santa) e lançar os rolos da Torá e os

rimonim (ornamentos dos rolos) ao chão".

Bittan disse que a comunidade judaica

apresentou uma denúncia à polícia: "É uma

situação muito difícil para os judeus de Venezuela.

As inscrições não são contra Israel,

mas contra os judeus. Nos últimos dois ou

três anos tivemos vários casos de antissemitismo.

É algo que podemos perceber".

O secretário de comunicações da Federação

das Comunidades Judaicas da Venezuela,

Daniel Benaim, contou: "Jamais houve

um caso semelhante. Parece bem planejado.

Não são simplesmente ladrões. Foi

algo organizado. Temíamos que algo assim

ocorresse. A atmosfera na imprensa oficial

se voltou cada vez mais contra Israel e os

judeus. Centenas de artigos e publicações,

cartazes nas vias públicas, panfletos antissemitas".

Os invasores e assaltantes levaram

os equipamentos de vídeo nas quais ficaram

registradas as gravações de câmaras

de segurança, informaram os meios de

comunicação venezuelanos.

Chavez Chavez condena condena ataque ataque e e nega nega nega ódio

ódio

Quase uma semana depois da invasão,

na quarta-feira, 4/2, o presidente da Venezuela,

Hugo Chávez, foi a público para condenar

o ataque contra a principal sinagoga

de Caracas. "Acusam-me de anti-semita.

Não, eu não odeio os judeus e faço um apelo

aos judeus venezuelanos para que não

se deixem manipular. O governo rejeita

qualquer agressão a qualquer templo judaico,

católico, muçulmano, ou de qualquer

credo", insistiu.

Chávez acusou também "a burguesia

venezuelana" de tentar transformar a invasão

em um "escândalo mundial" para

gerar um clima de violência adverso ao governo,

às vésperas do referendo para

emendar a Constituição.

Após se reunir com líderes judeus, o

chanceler Nicolas Maduro garantiu que

"foi uma conversa muito frutífera (...) Nós

lhes dissemos pessoalmente, em nome do

presidente (Hugo) Chávez, nosso repúdio

e a condenação absoluta ao ataque contra

o local sagrado da comunidade judaica

na Venezuela".

Maduro declarou que o ataque foi uma

"operação cirúrgica com um alto nível de profissionalismo"

e disse, na ocasião, acreditar em

que a investigação levaria aos responsáveis.

EUA EUA denunciam denunciam intimidação intimidação de de judeus

judeus

Dezesseis congressistas da Câmara dos

Representantes dos Estados Unidos enviaram

uma carta ao presidente da Venezuela,

Hugo Chávez, para condenar o ataque à sinagoga

de Caracas. Além disso, eles pediram

que Chávez "ponha fim à intimidação e

incitação contra a comunidade judaica" no

país latino. "Chegou o momento de falar firme

e claramente contra o clima de medo e

intimidação que criou o presidente Chávez

contra a comunidade judaica", afirmou Eliot

L. Engel, democrata representante de Nova

York e presidente do subcomitê para o Hemisfério

Ocidental.

Os congressistas dos Estados Unidos

afirmam ainda que Chávez deve "baixar

o tom hostil de sua retórica contra o Estado

de Israel a um nível apropriado para

o diálogo diplomático". No texto, eles

pedem ao mandatário venezuelano que

garanta à comunidade judaica a "firme

proteção que merece".

Vizinhos não-judeus da Sinagoga "Tiferet

Israel" aproveitaram um feriado decreto

pelo governo - para marcar os dez anos de

poder de Chavez - para organizar um muti-

rão de limpeza, pintura e restauração das

paredes e muros do templo judaico.

Onze Onze Onze suspeitos suspeitos suspeitos foram foram presos

presos

A Procuradoria venezuelana informou

que sete policiais e quatro civis foram detidos

por suposta participação no ataque à

principal sinagoga de Caracas. "Todos foram

presos durante uma operação realizada

no sábado, 7/2, e na madrugada de domingo

8/2, em diferentes áreas de Caracas",

disse a Procuradoria em comunicado.

Pelo menos 15 pessoas encapuzadas invadiram

a principal sinagoga de Caracas, destruíram

objetos próprios do culto judeu e picharam

as paredes com insultos aos judeus.

O ataque aconteceu dias depois de o

presidente da Venezuela, Hugo Chávez decidiu

romper formalmente as relações com

Israel em rejeição aos ataques à Faixa de

Gaza. Israel respondeu expulsando os dois

funcionários que representavam os interesses

venezuelanos nesse país e com os

palestinos. (Com noticiário das agências

EFE e France Presse).

Um membro da comunidade judaica verifica o

vandalismo perpetrado no interior da sinagoga

em Caracas, Venezuela, dia 31/1/2009.


18

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Marcos Guelmann assumiu a vice-presidência da Olei

Central de Israel, representando os olim brasileiros (a Olei

é a organização de olim oriundos da América Latina, Espanha

e Portugal). Ela é responsável pela klitá (aclimatação)

dos olim dando ajuda e orientação nos primeiros

passos e depois no acompanhamento dos mesmos em

Israel. Realiza atividades culturais, de confraternização

e tem 25 filiais em todo país.

Foi eleita também, uma brasileira gaúcha, Gladis Berezowski,

como secretária e responsável, coordenadora

de klitá dos olim oriundos do Brasil. Qualquer dúvida ou

esclarecimentos de aliá, os brasileiros podem contatar

com: Marcos Guelmann - claramar@zahav.net.il e Gladis

Berezowski- olimBr@gmail.com

O brasileiro Jack Terpins foi reconduzido ao posto de presidente

do Congresso Judaico Latino-Americano (CJL), entidade

que congrega todas as comunidades judaicas da

América Latina e as representa frente aos respectivos Governos

e lideranças políticas. A eleição aconteceu em assembléia

realizada em Jerusalém, Israel, no dia 25/1/2009,

e o nome de Terpins foi aprovado por unanimidade.

O deputado estadual Nelson Justus, presidente da Assembléia

Legislativa do Estado, fala durante uma reunião-jantar da B'nai

B'rith, por ocasião da homenagem ao parlamentar pela

apresentação da lei que instituiu no Paraná o Dia da recordação

Internaconal do Holocausto. Ao lado, Roland Hasson e Isaac

Cubric, presidente e secretário da BB

A OAB Paraná comemorou os 60 anos da Declaração

Universal dos Direitos do Homem com um simpósio em

dezembro, num evento que homenageou a figura Aracy

de Carvalho Guimarães Rosa, brasileira que ajudou a

salvar dezenas de judeus na Alemanha nazista. Viúva

do escritor Guimarães Rosa, Aracy é paranaense de Rio

Negro e atualmente, aos 100 anos, vive em São Paulo.

Seu filho, Eduardo Tess, veio a Curitiba para representá-la

na homenagem.

O simpósio discute a necessidade de se fazer cumprir os

princípios consagrados no mais importante documento

internacional sobre direitos humanos e na Constituição

brasileira. Entre os participantes esteve o professor João

Luiz Duboc Pinaud, ex-secretário de Direitos Humanos

do Rio de Janeiro, conhecido defensor dos direitos humanos,

com atuação marcante especialmente na época

do regime militar.

O evento teve ainda a apresentação de um trecho da

peça teatral "Terror e Miséria do Terceiro Reich".

A jornalista Danielle Sommer e o fotógrafo Rafael Danielewicz

casam no próximo dia 7 de março, em cerimônia

na Sinagoga Francisco Frischmann. A recepção

será num dos restaurantes finos da cidade.

Uma concorrida cerimônia realizada na Assembléia Legislativa

do Estado de São Paulo marcou os 60 anos da Declaração

Universal dos Direitos Humanos, e a entrega do

Prêmio "Santo Dias", numa iniciativa conjunta da Comissão

de Direitos Humanos da Casa e do ConPAZ - Conselho

Parlamentar pela Cultura de Paz, da Alesp.

Em nome do ConPAZ, a conselheira Lia Bergmann homenageou

o dr. José Gregori, ex-ministro da Justiça e ex-secretário

Nacional de Direitos Humanos, entregando ao hoje

presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos,

um Diploma de Reconhecimento Público pelo trabalho realizado

nas questões ligadas ao tema. "Vejo neste Plenário

uma porção de caras novas, mulheres e homens jovens.

Isso mostra que a nossa luta é uma luta de avanços. Ainda

há muito o que fazer, mas não podemos negar os resultados,

os avanços de tanta luta", declarou Gregori.

Ele lembrou a atuação de Edda Bergmann, com a qual

trabalhou na Comunidade Solidária, no governo Fernando

Henrique Cardoso, e que o recebeu na B'nai B'rith em

1998, quando era diretora da Comissão de Direitos Humanos,

durante o Seminário "Tendências", neste setor. "Foi

uma mulher de fibra, que sentiu na pele a discriminação e

fez muito pelos Direitos Humanos", destacou, sentindo-se

honrado por ser homenageado por sua filha, Lia.

Também foram homenageados Milton Barbosa, um dos

fundadores do Movimento Negro Unificado, Amélia Telles

e o Centro de Direitos Humanos de Sapopemba.

Mauro Wainstock, do Jornal Alef, recebeu a "Moção de

Louvor-Embaixador da Paz no Mundo". A homenagem

foi realizada durante sessão solene realizada no plenário

da Câmara Legislativa do Distrito Federal. O título foi concedido

porque "o projeto visa a integração, o relacionamento

na comunidade judaica e fora dela, mas alcança

também povos e nações, promovendo, assim, a cultura

da paz (shalom) universal entre pessoas que buscam a

harmonia entre os homens, em casa, no Estado, na nação

e no mundo". A cerimônia contou com a presença de

muitos parlamentares e autoridades

Abriu no CIP, no dia 6/2 uma exposição em homenagem ao

saudoso dr. Moysés Paciornik, decano de nossa coletividade,

na qual estão expostas fotos, comentários e alguns

de seus livros. A exposição fica no Salão de Exposições do

Instituto Cultural, no 2º andar do CIP.

No mesmo salão, continua aberta a exposição de convites e

fotografias das festas de casamento e Bat Mitzvá das famílias

da comunidade israelita de Curitiba. Vale a pena ver.

O espetáculo Réquiem, um dos vencedores do 2º Concurso

Centro da Cultura Judaica de Montagem Teatral teve estréia

em 27 de janeiro, em SP, na sala Jardel Filho do Centro Cultural

São Paulo e fica em temporada até o dia 5 de março.

2009 marca 10 anos da morte do autor Hanoch Levin, que é

referência na cena teatral israelense e contemporânea, e

esta é a primeira montagem do autor na América Latina.

Com direção de Francisco Medeiros e produção de Dinah Feldman

e Priscilla Herrerias, os brasileiros têm a oportunidade

de assistir à primeira encenação de uma obra de Levin, referência

obrigatória no panorama teatral e literário de Israel, é

reconhecido mundialmente como um dos artistas mais inquietantes

da literatura e da cena contemporâneas. A peça

é inspirada em três contos do mestre Anton Tchekhov.

Sara Schulman e Szyja Lorber, autores da edição em

português do livro "Assim Nasceu Israel", com os

professores Antonio Carlos Coelho e Aroldo Murá

Haygert, na noite de autógrafos do lançamento da

obra, na Livraria Saraiva do Shopping Crystal

Já se encontra à venda, na secretaria do CIP, o livro

"Assim Nasceu Israel", de Jorge Garcia Granados,

traduzido por Sara Schulman e Szyja Lorber. É um

livro que trás informações de suma importância,

quase desconhecidas dos acontecimentos desenvolvidos

por trás dos bastidores da ONU e que antecederam

a Partilha da Palestina, culminando com

a Fundação do Estado de Israel.

Sara Schulman presidente do Instituto Cultural Judaico

Brasileiro "Bernardo Schulman" e diretora do Departamento

Cultural da Kehilá recebeu dia 6/2 a visita

do frei Claudino Gilz, acompanhado por um grupo de

15 professores de ensino religioso do Colégio Bom Jesus.

O objetivo foi conhecer o espaço cultural da comunidade

e manter um dialogo aberto. Na ocasião, esteve

presente como convidado o professor Antonio Carlos

Coelho, colaborador do jornal Visão Judaica, que

com o brilhantismo de sempre, esclareceu alguns pontos

em comum a ambas liturgias, considerados de interesse

para ambas as religiões, a católica e a judaica.

Os visitantes percorreram as instalações da comunidade

e também visitaram a Escola Israelita Brasileira

Salomão Guelmann, sendo recebidos pela professora

Simone Wolokita.

Na Sinagoga, onde os visitantes foram presenteados com

kipot, o professor Coelho sobre falou sobre a liturgia judaica

despertando muita curiosidade. Na biblioteca houve

troca de doação de livros entre o Colégio Bom Jesus, o

Instituto Cultural e a Kehilá. Após um intervalo para um

pequeno e rápido lanche, o diálogo continuou com vivo

interesse pelos assuntos levantados.

Os visitantes se despediram, alguns muito emocionados,

agradecendo efusivamente a atenção dada, esperando

que esse contato seja o primeiro dos próximos

contatos que pretendem ter com a coletividade

judaica de Curitiba.

Assume o novo Executivo Wizo-PR biênio 2009/2011, encabeçado

pela presidente Regina Lúcia Brener, com a 1ª

vice-presidente Helena Reich Grimbaum, 2ª vice Elizabeth

Kulisch; na Tesouraria: 1ª Elizabeth Kulisch, 2ª Perola

Berger e 3ª Simone Soifer; Secretaria: 1ª Kika Szmargovicz,

2ª Ana Cristina Sheinkman e 3ª Tamara Rozemberg.

O Grupo Aviv será liderado por Denise Weishof e o

Grupo Jovem por Alessandra Kleiner Marcovici.

Nas festividades de Purim que acontecerão no dia 8/3, no

CIP, a Wizo participará com a venda de sobremesas típicas

judaicas e durante a tarde o Grupo Jovem promoverá

seu tradicional concurso de fantasias com farta distribuição

de prêmios.

Como ponto alto deste evento será prestada uma homenagem

à sra. Sara Kulish como Mulher Destaque Wizo 2009.

Colabore com notas para a coluna. Fone/fax 0**41 3018-8018 ou e-mail: visaojudaica@visaojudaica.com.br


s eleições gerais realizadas

dia 10/2 não decidiram

quem vai governar Israel.

Foram 34 partidos que disputaram

as 120 cadeiras do

Parlamento. Nenhum dos chamados

grandes partidos conseguiu obter maioria

absoluta, essencial para o direito de

formar o governo. Normalmente é quase

impossível que isso aconteça. Por

isso, os governos são formados pela coalização

dos partidos.

Muito embora o Kadima, da atual ministra

das Relações Exteriores, Tzipi Livni

tenha vencido com 28 cadeiras, uma a

mais que o partido Likud, de Binyamin

Netaniahu, que obteve 27 cadeiras, tudo

leva a crer que este será o futuro primeiro-ministro

a formar o governo. Tudo por

causa de uma grande surpresa que as

eleições reservaram: todos os partidos de

esquerda de Israel, os considerados pacifistas,

não conseguiram, juntos, nem

30% das cadeiras no Knesset (Parlamento).

O partido mais afetado foi o histórico

Avodá (trabalhista), que ajudou a fundar

Israel, e que ficou em quarto lugar.

A segunda surpresa foi Tzipi Livni, 50

anos. As pesquisas davam conta de que

ela perderia para Netaniahu no número

de cadeiras, pois liderava com folga todas

as sondagens. Mas a terceira surpresa

foi Avigdor Liberman, um emigrado da

Moldávia, cuja política, em alguns seto-

Julian Schvindlerman *

Se algo aprendemos da Shoá é que o

genocídio começa com a destruição intelectual

de um povo, abrindo o caminho para

sua destruição física eventual. Antes de alcançar

o aniquilamento parcial do povo judeu,

os nazistas precisaram primeiro obliterá-lo

no imaginário coletivo. Antes de levar

os judeus às câmaras de gás, precisaram

persuadir a opinião pública de que os

judeus eram subumanos merecedores do

extermínio contra eles planejado. Primeiro

estes foram destruídos nos discursos pronunciados

dos palcos, nos panfletos divulgados

nas universidades, nos cartazes erguidos

nas manifestações de rua, nas leis

raciais; de modo que os judeus foram completamente

aniquilados idealmente como

prelúdio à sua obliteração material.

Ao marcar um novo aniversário do Dia

Internacional do Holocausto, comprovamos

com horror que esta lição elementar não tem

sido ainda aprendida. Durante as últimas

As eleições em Israel

Binyamin Netaniahu

Tzipi Livni

res da sociedade israelense e do exterior,

está sendo chamado de extremista.

Ele pode ser o fiel da balança para o novo

governo e a hipótese viável é que se alie

a Bibi Netaniahu. Mas nada ainda é certo.

Nos últimos dias comenta-se a pos-

0sibilidade de um acordo entre Livni e Netaniahu,

o que parecia impossível logo

após as eleições.

Mas basta que Livni ou Bibi conquistem

o apoio do direitista Liberman, a nova

estrela política que despontou com 15

cadeiras, com seu partido Israel Beitenu

("Israel, Nossa Casa"), para o novo governo

ser formado. O Partido Trabalhista

(centro-esquerda) ficou com 13 cadeiras.

Em quinto lugar vem o Shas (ultraortodoxo),

com 11 parlamentares eleitos. A distribuição

das cadeiras dos pequenos partidos

ficou assim: Judaísmo Unido da Torá

(cinco), Raam (quatro), União Nacional

(quatro), Hadash (quatro), Meretz (três),

Lar Judeu (três) e Balad (três). O Raam e

As lições do Holocausto - Hoje

semanas, no contexto do conflito em Gaza,

temos assistido à demonização coletiva de

toda uma nação. O espetáculo foi surrealista.

Enquanto que no Brasil o Partido dos Trabalhadores

qualificou a represália israelense

contra o Hamas de "prática nazista", na

Itália o sindicato Flaica-Uniti-Club pretendeu

ressuscitar as leis raciais fascistas ao

instar o boicote às lojas comerciais pertencentes

aos judeus de Roma. Enquanto que

em Mar del Plata o titular do Centro Islâmico

assegurou que "prontamente Israel,

como o Estado nazista, desaparecerá e será

somente uma má recordação do povo árabe",

na Holanda manifestantes gritaram "gaseifiquem

os judeus". Enquanto que um alto

funcionário do Vaticano equiparou Gaza com

"um grande campo de concentração", manifestantes

cantaram em coro na Flórida

contra os judeus: "voltem para os fornos".

Ou seja, cada grupo pedia cruamente por

um novo Holocausto contra os judeus, e acusava-os

de serem nazistas. Desde o final da

Segunda Guerra Mundial não temos presen-

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

o Balad, são partidos árabes.

Mas o Hadash, que é

comunista, também tem representantes

árabes. Os outros

dos 34 partidos que

apresentaram listas de candidatos

ao pleito ficaram de

fora da representação parlamentar

ao não superarem

a barreira exigida dos 2%.

Eleição em Israel não é

simplesmente eleição em país pequeno.

É uma disputa em torno de um país cuja

situação é estratégica para a tranqüilidade

do Oriente Médio, onde é o único

não-muçulmano e democrático.

Os números oficiais devem sair no dia

18. A partir daí o presidente Shimon Peres

terá uma semana para decidir qual

dos dois candidatos convidará para formar

um novo governo. Tradicionalmente,

quem lidera a maior bancada tem a preferência.

Mas, a menos que Livni consiga

a proeza de convencer Netanyahu a

apoiá-la ou, o que parece mais difícil, de

atrair a extrema-direita israelense, Peres

será forçado a chamar Netanyahu. Se

isso acontecer será a primeira vez nos

60 anos da história de Israel que um vencedor

de uma eleição será preterido.

O índice de comparecimento às urnas

chegou a 65%, superando todas as

expectativas embora o voto não seja obrigatório

em Israel.

ciado um chamado tão explícito para liquidar

os judeus nas capitais do mundo livre.

Que se invoque a retórica nazista contra os

judeus ao protestar contra a política militar

de Israel, país que por sua vez é acusado de

ser nazista ao lidar com os palestinos, é um

cenário tão novel como inquietante.

O antissemitismo, camuflado de antiisraelismo,

reina soberano. Não é que toda

crítica ao Estado judeu seja necessariamente

judeófoba. Obviamente, Israel é um Estado

com defeitos e como tal passível de

sanção. A crítica política a Israel é válida.

Mas é igualmente inegável que, muitas vezes,

a condenação ao Estado de Israel efetivamente

carrega uma dose de preconceito

antissemita. Quando anos atrás o compositor

Mikis Theodorakis, criador da música

do filme 'Zorba o Grego' e do Hino Nacional

Palestino, disse que os judeus "são a

raiz de todo o mal" em sua suposta condenação

das políticas de Israel, advertimos

que uma linha foi cruzada. O cartaz erguido

numa recente aglomeração na Austrália que

Mulher árabe vota na eleições de Israel

Judeu ortodoxo se prepara para votar

* Julian Schvindlerman é licenciado em Administração pela Universidade de Buenos Aires e tem mestrado em Ciências Sociais pela Universidade Hebraica de Jerusalém. É autor do livro

"Tierras por Paz, Tierras por Guerra" e o ensaio "El Otro Eje del Mal: antinorteamericanismo, antiisraelismo y antisemitismo". Colunista do periódico Comunidades, da revista Keter e da

Rádio Jai. Tem artigos publicados no Haartez, Jerusalem Report (Israel), Washington Times, Middle East Quarterly, Midstream, El Nuevo Herald (Estados Unidos), Clarín, La Nación, El

Cronista, La Voz del Interior, Agenda Internacional (Argentina), El Heraldo (Colômbia), Libertad Digital (Espanha), e jornais das comunidades judaicas da Grã-Bretanha, Espanha e América

Latina. Proferiu conferências na Argentina, Aruba, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Panamá, Uruguai e Venezuela. Publicado originalmente por

Guysen International News e distribuído por www.porisrael.org

19

exigia que se "limpe a terra de sionistas

sujos", exatamente que política israelense

estava objetando? Qual ação israelense especificamente

estavam condenando os que

em Toulouse lançaram um automóvel em

chamas contra a sinagoga local? Parece

curioso notar que o grupo islâmico Hamas -

que abertamente cometeu crimes de guerra

ao atacar civis israelenses protegendose

com civis palestinos, e cuja Carta constitutiva

pede abertamente a destruição de um

estado-membro da ONU - em nenhum momento

foi comparado com os nazistas ou

acusado de querer cometer um genocídio.

A indignação mundial e a condenação desproporcional

foram reservadas a Israel.

Esperemos que esta nova recordação dos

trágicos fatos da Shoá possa nos dotar da

perspectiva e da sabedoria necessárias que

nos permitam compreender, no sentido mais

profundo possível, que o que começa com

retórica extrema termina em ações atrozes.


20 (com

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

VISÃO

El Al anuncia vôo direto para Israel

A partir de abril de 2009 será mais fácil

fazer turismo em Israel. A El Al Israel Airlines

anunciou que vai operar vôos diretos

entre Tel-Aviv e São Paulo. Os vôos vão

partir três vezes por semana. No ano passado,

Israel recebeu mais de 30 mil turistas

brasileiros. A expectativa é a de que,

com essa nova rota, aumente ainda mais

o número de brasileiros por lá. Em contrapartida,

a El Al acredita que deve aumentar

também o número de israelenses que

virão ao Brasil para fazer turismo. O presidente

da Câmara Brasil-Israel de Comércio

e Indústria, Jayme Blay, se mostrou

empolgado com a novidade: "2009 promete

ser um ano de grandes mudanças no

turismo entre Brasil e Israel. Esperamos

que a El Al tenha seu destaque nestas mudanças",

disse Jayme Blay. (Câmara Brasil-Israel

de Comércio e Indústria - CBICI).

Uma prova dos crimes de guerra do Hamas

Num vídeo que mostra a apresentadora da

Vídeo no Youtube prova os crimes do Hamas:

lançamento de mísseis de locais civis contra Israel

TV Al-Arabiya, Hanan Al-Masri - que não

sabia que estava sendo filmada - contando

ao telefone que um míssil acabara de ser

lançado pelo Hamas do prédio da imprensa

onde ela estava localizada, na Faixa de Gaza,

comprova a versão do exército israelense,

que atacou o mesmo prédio da imprensa,

afirmando que foram terroristas do Hamas

que estavam lançando mísseis contra civis

israelenses e atacando suas forças de lá. A

imprensa criticou severamente o Exército de

Israel por este ataque. Mas agora, pode-se

ver como o Hamas coloca a vida da população

palestina em risco atacando desde regiões

residenciais, escolas, mesquitas, hospitais

e também prédios da imprensa, usando-os

como escudos-humanos. O vídeo

está em www.youtube.com/watch?

v=41w5KRgMpLs. (Haaretz/Notícias da Rua

Judaica).

Manifestação na Embaixada do Brasil em

Tel Aviv

panorâmica

Sob o frio cortante do inverno israelense,

às 18h do dia 12/1 cerca de 100 bra-

informações das agências AP, Reuters,

AFP, EFE, jornais Alef na internet, Jerusalem

Post, Haaretz e IG)

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

• Yossi Groisseoign •

sileiros-israelenses, manifestaram-se em

frente à Embaixada do Brasil, em Tel-Aviv,

Israel, para protestar contra a nota injuriosa

do Partido dos Trabalhadores (PT)

divulgada no Brasil contra Israel. A manifestação

coincidiu com a curta visita do

chanceler Celso Amorim a Israel. Estiveram

lá brasileiros de todas as idades,

desde jovens do Bnei Akiva até veteranos

dos mais diversos cantos do país: Je-

Brasileiros que vivem Israel, em manifestação

em frente a Embaixada brasileira em Tel-Aviv:

No centro, a jovem curitibana Rachel Figlarz. À

esquerda a cantora, Elisete Retter, nascida na

Bahia

rusalém, Ashkelon, Hertzlia, Karkur, Rehovot,

Tel Aviv e arredores. Em Israel vivem

cerca de 10.000 brasileiros. Durante mais

de uma hora os manifestantes desfraldaram

bandeiras de Israel e do Brasil e acenaram

aos passantes com cartazes de

protesto. (Via e-mail).

Lula na homenagem às vítimas da Shoá

Ao participar da cerimônia do "Dia internacional

em Memória das Vítimas do

Holocausto", realizada na Sinagoga Beit

Yaacov, em São Paulo, o presidente Luiz

Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil

quer contribuir para a paz entre israelenses

e palestinos e participar de "iniciativas

que conduzam a um consenso para

superar a violência e a irracionalidade".

O presidente da Confederação Israelita

do Brasil (Conib), Cláudio Lottenberg,

destacou que a presença de Lula no evento

tem "um valor simbólico muito grande.

O Brasil sempre primou pelo bom relacionamento

com a comunidade judaica.

O fato de o presidente estar presente

pessoalmente reforça esse compromisso

do país". (Conib).

Nova fraude da TV France contra Israel

O canal oficial da TV francesa France 2

mostrou imagens da explosão de um caminhão

carregado de explosivos, em

Gaza, em 2005, como exemplo da mortandade

provocada por um ataque israelense

na intervenção atual. Na realidade,

esse caminhão explodiu sem qualquer

intervenção externa, estava carregado de

explosivos e passou por uma região populosa,

matando civis palestinos. Ou

seja, não é possível atribuir a culpa a Israel.

Mas o canal oficial de televisão

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

France 2 deu um jeito de acusar Israel

pelo acidente. Foi esse mesmo canal que

divulgou o filme falso produzido por um cinegrafista

palestino, com o endosso do correspondente

da emissora em Israel, Charles

Enderlin, que teve ainda a hipocrisia e

a arrogância de processar o jornalista que

o denunciou, Philippe Karsenty. A denúncia

desta vez contra a France 2 foi feita pelo

jornal francês Fígaro, com a seguinte manchete:

"Gaza - France 2 cai na armadilha

da propaganda palestina". Depois disso, a

rede admitiu o erro. (Fígaro).

Monumento homenageia ciganos vítimas

do nazismo

A Alemanha iniciou a construção de um

monumento em memória dos cerca de 500

mil ciganos assassinados pelos nazistas

na Europa. De forma simbólica, as obras

serão inauguradas exatamente 66 anos

depois de uma ordem de deportação dos

ciganos de 11 países da Europa assinada

por Heinrich Himmler, o chefe das SS, organização

paramilitar nazista responsável

pelos massacres nos países ocupados.

Num decreto publicado em 8/12/1938,

Himmler definiu esse povo como um "inimigo

biológico, de raça estrangeira e de

sangue estrangeiro". Durante a Segunda

Guerra Mundial, entre 250 mil e 500 mil

dos quase 700 mil ciganos que viviam na

Europa foram exterminados. Na classificação

racial nazista, os ciganos eram considerados

"híbridos" e seu caráter nômade

era definido como uma "degeneração".

Para o Terceiro Reich, estes eram argumentos

suficientes para justificar a esterilização

e deportação para os campos de

concentração, onde foram assassinados

ou serviram de cobaias para as experiências

médicas dos nazistas. (Portal Angop).

Crítica ao Vaticano por comparação

descabida

Israel condenou um assessor sênior do

papa Bento XVI por ter comparado a Faixa

de Gaza a um campo de concentração. "O

país ficou chocado pelo fato de um homem

religioso usar 'o vocabulário da propaganda

política do Hamas', palavras tão distantes

da verdade e da dignidade", disse o

porta-voz do Ministério do Exterior israelense

Yigal Palmor. O cardeal Renato Martino,

presidente do Conselho de Justiça e

Paz do Vaticano, proferiu a crítica mais contundente

a Israel feita pelo Vaticano desde

o início da crise mais recente no Oriente

Médio, qualificando a Faixa de Gaza

como "um grande campo de concentração".

Para Palmor, "vindo de um membro do Colégio

de Cardeais, o vocabulário da propaganda

política do Hamas é um fenômeno

chocante e decepcionante." (Reuters).

Ação contra a Venezuela

O Centro Wiesenthal, organização judaica

internacional de defesa dos direitos

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

humanos, pediu aos governos do Brasil e

da Argentina que denunciem a Venezuela

por ter violado a Declaração contra o

Antissemitismo, num comunicado divulgado

em Buenos Aires. O CW considera

que o governo da Venezuela desrespeitou

a Declaração de Condenação ao racismo,

à intolerância religiosa, à discriminação

racial e a outras formas de preconceito,

assinada no fim de 2008 por

Argentina, Brasil e Venezuela. "A decisão

de expulsar o embaixador de Israel em

Caracas e de apoiar um grupo terrorista

como o Hamas, que cita em sua Carta Orgânica

um texto antissemita como os Protocolos

dos Sábios de Sião, invalida o

compromisso que o presidente Chávez

ratificou há menos de um mês", destaca

a nota. Além disso, s instituição considera

que o apelo de Chávez para que "o

povo judeu se oponha a 'estas práticas

criminais' do Estado de Israel, que são

uma incitação a atacá-lo caso se recusem

a cumprir com sua ordem". Na Venezuela

vivem cerca de 17 mil judeus.

(Centro Wiesenthal).

Justiça assegura direito aos partidos árabes

O procurador jurídico do governo israelense,

Menachem Mazuz, defendeu na

Suprema Corte de Israel a participação de

duas das legendas árabes nas recentes

eleições, após serem vetadas pela Comissão

Central Eleitoral. Mazuz disse aos

juízes que "não há razão para impedir que

se apresentem" ao pleito o partido Pacto

Democrático Árabe (PDA) e a coalizão

Ra'am-Ta'al, desqualificados pela comissão

e acusados de não reconhecerem Israel

como Estado judeu, segundo aparece

na Declaração de Independência, de

1948. para Mazuz, as provas contra eles

"são insustentáveis" e, por isso, não via

razão para impedir que concorressem às

eleições. Por iniciativa de vários partidos

a Comissão Central Eleitoral israelense

proibiu os partidos árabes de se apresentar

às eleições gerais. A Corte de Justiça,

acatando a defesa e no interesse da

democracia restaurou o direito dos partidos

árabes de concorrerem às eleições.

(Agências de notícias).

Irã fecha jornal por criticar Hamas

A agência de notícias iraniana Irna informou

que o Ministério de Cultura fechou

o jornal reformista Karjo Zaran, porque

publicou uma reportagem que incluiu crítica

ao Movimento islâmico Hamas. No

dia 30/12, o jornal publicou uma declaração

de uma organização de estudantes

reformistas criticando o Hamas por arriscar

vidas de civis entre elas crianças, e

escondendo suas forças em berçários e

hospitais. A declaração foi publicada

quando o governo iraniano expressava

uma posição unificada contra Israel, e o

jornal afirmara que Teerã está subjugada

por de demonstrações contra Israel.

(Al-Ayyam/PMW).


O LEITOR

ESCREVE

Situação em Israel hoje

Caros editores,

Como tantas vezes repeti, admiro

sua determinação em manter seu jornal.

Tenho por Curitiba, onde jamais

vivi, carinho especial e saudades de

algumas das mais queridas e inesquecíveis

amizades. Mas sempre escrevo

tendo em mente um publico que sente

a necessidade de se informar para

chegar às suas próprias conclusões.

Meu empenho é o de ser o mais isento

possível, não raramente, até mesmo

didático.

Nunca é tarefa simples a seleção

dos fatos essenciais ao entendimento.

Menos ainda no que se refere ao conflito

israelense-palestino não só pela

sua complexidade como pela óbvia

razão de meu judaísmo. Daí não colaborar

em publicações comunitárias

pois bastaria tal fato para enfraquecer

demais um estilo e uma posição

profissional de toda uma vida.

Posso, porém, tentar satisfazer sua

insaciável curiosidade expressa nas

perguntas que me chegam em suas

mensagens quanto ao momento. E,

devido à sua pressa, respondo antes de

se saber qual será o governo resultante

das eleições realizadas. Aquele que

Shimon Peres convide tem até cerca

de mês e meio para formar o novo

Gabinete que será de coligação de

partidos como sempre. A lei eleitoral

tem o grave defeito de facilitar o registro

de legendas de forma que impossibilita

a realização de maioria absoluta

por qualquer delas. As facções

menores, na prática, muitos verdadeiros

lobbies de estreitos interesses, não

raro refletem reações do eleitorado a

fatos do momento enfatizados por lideranças

oportunistas. Por outro lado,

dadas as características da demografia,

tais como a existência de minorias

étnicas como as de árabes-israelenses

e segmentos ultra-religiosos, é garantia

concreta de direitos democráticos.

No quadro, como vocês sabem, partido

algum obteve sequer um quarto das

120 cadeiras do Parlamento. O Kadima,

o maior partido, elegeu 28 parlamentares.

Mas é improvável uma reforma

da legislação pelo Knesset que

se traduz por Assembléia.

Barak Obama deixou claro que o

Governo americano vai empenhar o

maior esforço diplomático possível no

sentido de uma solução do conflito israelense-palestino

na base da hipótese

da proclamação de um estado palestino

ao lado de Israel. O enviado

especial de Obama que visitou a região

recolheu impressões e informações

que serão as bases da estratégia

do Departamento de Estado. Hillary

Clinton virá em março para seus primeiros

contatos. A disposição de Oba-

ma de conversar como governo do Irã

indica mudanças importantes na posição

dos Estados Unidos face às questões

do Oriente Médio. É até provável

que estejam sendo estimuladas nos

bastidores conversações que levem a

um acordo entre facções para viabilizara

reunificação dos palestinos e a

realização da solução do conflito pela

formula dos dois estados na mesma

terra que só no seu fim o governo Bush

tentou de fato implementar. Tudo indica

que as chamadas relações especiais

entre Israel e Estados Unidos, que

implicam garantias implícitas à segurança

do país, serão mantidas na sua

essência, porém, o que vocês definiram

como “política de atender a tudo

de Bush”, que, aliás, nunca existiu, não

será a de Obama.

Diante do que me informo é tudo o

que tenho a lhe dizer hoje, domingo,

15 de fevereiro.

Uma boa semana.

Nahum Sirotsky - Tel Aviv - Israel

Horror em Gaza

Srs. Diretores:

Eu tinha 6 anos e levei um tapa bem

dado da minha mãe, pois estava incomodando

os outros. Foi a primeira vez

que apanhei, e nunca mais esqueci. Foi

um tapa desproporcional à idade, mas

me corrigiu a vida. Dia desses dei um

beliscão no meu filho caçula, que não

parava de correr pela churrascaria, incomodando

os outros. Foi um beliscão

desproporcional à idade, mas surtiu

efeito. Pessoas inocentes são assaltadas

e mortas em plena luz do dia no

Rio ou qualquer cidade grande. Uma

covardia urbana desproporcional. Policiais

sobem o morro atrás de bandidos

e matam inocentes, que, por vezes,

são usados como escudos pelos

bandidos. É uma guerra suja e desproporcional.

Vidas se perdem nas filas

dos hospitais. Um abominável abandono

político-social desproporcional do

indefeso cidadão contra o poder. Pode

ser que esses exemplos - desproporcionais

não cheguem nem de perto ao que

está acontecendo em Gaza. Por uma

mística imutável e universal, o povo

judeu foi e será sempre perseguido. A

ele cabe se defender. Mas há um - realista

- dado milenar que resiste: Não

cutuque a onça com vara curta!

Carlos Mossy - Rio de Janeiro - RJ

Israel x Palestina

À seção de cartas:

"Todos concordam com o fato de

que a questão entre judeus e palestinos

é de quase impossível solução, pois

a guerra entre estes dois povos nasceu

no momento mesmo em que a

ONU, em 1948, deixou de chamar as

duas partes interessadas na questão

para sentarem-se à mesa de negociações

a fim de que os direitos de ambos

os lados fossem tecnicamente delimitados

e garantidos por uma fronteira

justa e aceitável. Como isso não

foi feito, e simplesmente redesenharam

o mapa, à partir daí todos têm razão

e ninguém tem razão.

Cenas horripilantes de morticínio são

incessantemente veiculadas de um

lado e de outro, pois se hoje assistimos

emocionados à morte até de

crianças palestinas, não podemos esquecer

as cenas de sangue e horror dos

ataques de homens e mulheres-bombas

palestinos em mercados, restaurantes

e ônibus em pleno centro das cidades

judaicas. É sangue derramado da população

civil de todo lado. Choram mães

judias e palestinas pelos filhos mortos,

com a exceção das mães dos assim considerados

mártires de Alá, que se estouram

em público levando consigo muitas

outras vidas. Estas mães invariavelmente

aparecem segurando ao peito a

foto de seus filhos terroristas, orgulhosas

de seus feitos assassinos. É, isso tem

que ser dito também.

Mas o que mais me espanta é o apoio

unilateral do PT à causa palestina. E não

só do PT, mas da mídia mundial. Parece

até um movimento orquestrado pela

esquerda internacional - que namora

todos os líderes muçulmanos radicais -

para desqualificar a legitimidade da

existência do Estado de Israel e demonizar

a todos os judeus".

Mara Montezuma Assaaf - São Paulo - SP

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Contra a civilização

Senhores:

Muçulmanos e neocomunistas estão

unidos, trabalhando incansavelmente

e sincronizadamente, numa frente global.

O objetivo é a aniquilação da civilização

ocidental judaico-cristã. Exemplo

muito ilustrativo é o comportamento

da mídia de massa, absolutamente

engajada e parcial. Quanto à mídia radical

um exemplo é o site do PC do B

mapelidado de vermelho.

Fernando (sem sobrenome) - Por e-mail

Os verdadeiros culpados

Ao VJ,

Venho através desse querido jornal

da nossa comunidade expressar minha

indignação contra a opinião pública

que taxa a nossa defesa como extermínio

do povo palestino. Eles se esquecem

que o famigerado terrorista,

o Hamas é um dos piores grupos de

terrorismo na atualidade. O Hamas

sim é o grande responsável por esta

guerra, e também o grande responsável

pela morte de seu povo. Israel tem

que se defender pois o nosso Estado

está cercado por inimigos que não

conseguem viver em paz com ninguém.

Israel é apenas uma desculpa

para eles fazerem o que querem. O

Hamas e outros tantos grupos quando

não usam a desculpa de Israel brigam

entre si. E o mundo fica contra Israel

quando esses grupo covarde se esconde

atrás do povo palestino.

Luiz Plucinick - Por e-mail

Para escrever ao jornal Visão Judaica

basta passar um fax pelo telefone: 0**41 3018-8018 ou e-mail para

visaojudaica@visaojudaica.com.br

Hamas rouba produtos da ajuda

Humanitária fornecida pela ONU

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados

Palestinos (UNRWA) afirmou que a

polícia do grupo radical palestino Hamas confiscou

a ajuda humanitária em um de seus

centros de distribuição em Gaza.

O Hamas, que controla Gaza desde junho

de 2007, justificou a medida com a alegação

de que a ajuda deveria ser distribuída

a todos os palestinos, não apenas aos

refugiados.

Segundo a UNRWA, os policiais do Hamas

confiscaram mais de 3.500 cobertores e 406

pacotes de alimentos em um centro de distribuição

do campo de Chati, em Gaza.

A ajuda foi confiscada depois que os funcionários

da UNRWA se recusaram a entregála

ao Ministério de Assuntos Sociais do governo

do Hamas, segundo a agência.

"A polícia invadiu o armazém e se apropriou

da ajuda pela força", acrescenta um

comunicado da UNRWA, que condena "nos

termos mais duros o confisco da ajuda" e

21

exige a "restituição imediata".

O ministro de Assuntos Sociais do governo

do Hamas, Ahmed al-Kurd, confirmou implicitamente

o confisco da ajuda, ao argumentar

que deveria ser distribuída a uma parte

mais ampla da população de Gaza e não apenas

aos que têm status de refugiados e se

beneficiam da assistência da UNRWA.

"O governo do Hamas é o principal responsável

pela distribuição e supervisão das

ajudas de forma equitativa. Somos responsáveis

por 1,5 milhão de palestinos na Faixa de

Gaza. Rejeitamos qualquer distinção discriminatória",

disse.

A UNRWA anunciou no fim de janeiro que

aumentou a ajuda humanitária para a Faixa

de Gaza, que distribui auxílio entre 900.000

palestinos, em uma população total de 1,5

milhão de pessoas.

A medida foi adotada depois da ofensiva

armada israelense de 22 dias que matou mais

de 1.330 palestinos.


22

* Benny Morris é

professor e ensina

história do Oriente

Médio na Universidade

Ben Gurion, em

Beersheva, Israel. Foi

um dos "novos

historiadores"

israelenses radicais

que forçaram seu país

a confrontar seu papel

no deslocamento de

centenas de milhares

de palestinos. Mais

tarde, foi preso por

recusar-se a cumprir o

serviço militar na

Margem Ocidental.

Depois, mudou sua

música. Com a

intensificação do ciclo

de violência no Oriente

Médio, percebeu que

estava enganado e

lançou ataques ao

'mentiroso inveterado'

Yasser Arafat, e

passou a explicar por

que ele não acredita

numa coexistência. A

ruptura também se

deu com os colegas

"novos historiadores",

como Ilan Pappe, a

quem Morris acusa de

fraudador da história e

de escrever história

de acordo com sua

ideologia. Seu novo

livro é "A Estrada para

Jerusalém: Glubb

Pashá, os judeus e

Palestina. Artigo

originalmente

publicado em inglês no

jornal The Guardian

em 21/2/2002 e pode

ser encontrado no

seguinte endereço na

internet: http://

www.guardian.co.uk/

g2/story/

0,3604,653417,00.html

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

Benny Morris *

rumor de que sofri um

transplante de cérebro é

(até onde eu posso me

lembrar) infundado - ou

pelo menos prematuro. Mas

meu pensamento sobre a atual crise

do Oriente Médio e os seus protagonistas

mudaram, na realidade, radicalmente,

durante esses dois últimos

anos. Imagino que eu sinta um pouco

como um daqueles rudes viajantes ocidentais

despertados pelo rodar dos

tanques russos invadindo Budapeste

em 1956.

De volta a 1993, quando comecei

a trabalhar com Righteous Victims (Vítimas

Íntegras), uma história revisionista

do conflito sionista-árabe de

1881 até o presente, eu era cautelosamente

otimista sobre as perspectivas

para paz no Oriente Médio. Nunca

fui um otimista selvagem; e meu estudo

gradual durante meados dos anos

90 da história de antes de 1948 das

relações palestino-sionistas me fizeram

ver a profundidade e amplitude

dos problemas e dos antagonismos.

Mas pelo menos os israelenses e os

palestinos estavam falando de paz; tinham

aceito o reconhecimento mútuo;

e tinham assinado o acordo de Oslo,

um primeiro passo que prometeu retirada

israelense gradual dos territórios

ocupados, o aparecimento de um Estado

palestino, e um tratado de paz

entre os dois povos. Os palestinos pareciam

ter deixado o seu velho sonho

de décadas com o objetivo de destruir

e suplantar o Estado judeu, e os israelenses

tinham deixado o seu sonho do

"Grande Israel", estendendo-se do Mediterrâneo

ao Rio Jordão. E, dada a centralidade

das relações palestinas-israelenses

no conflito entre árabes e Israel,

um ajuste final e compreensivo de paz,

incluindo Israel e todos os seus vizinhos

árabes parecia ao alcance.

Mas até que eu tivesse completado

o livro, meu restrito otimismo deu

margem a graves dúvidas - e em um

ano tinha se esfarelado num pessimismo

cósmico. Uma das razões foi a rejeição

dos sírios da negociação oferecida

pelos primeiros-ministros Yitzhak

Rabin e Shimon Peres, em 1993-96, e

Ehud Barak, em 1999-2000, envolvendo

retirada israelense das Colinas de

Golan em troca de um tratado de paz

bilateral e completo. O que parece ter

ficado nas mãos do presidente Hafez

Assad e subseqüentemente do seu filho

e sucessor, Bashar Assad, não eram

discussões acerca de algumas poucas

centenas de metros aqui ou ali, mas

uma recusa básica em fazer a paz com

o Estado judeu. O que contou, no final,

foi a presença, numa parede do

Paz? Sem chance

escritório dos Assad, de um retrato de

Saladino, o lendário guerreiro muçulmano

curdo do século 12 que tinha

vencido os cruzados, a quem os árabes

comparam freqüentemente com

os sionistas. Posso ver o pai em seu

leito de morte falando ao filho: "Qualquer

coisa que você faça, não faça a

paz com os judeus; como os cruzados,

eles também desaparecerão".

Porém minha razão principal, em

torno do qual meu pessimismo reuniu

e cristalizou, foi a figura de Yasser Arafat

que conduziu o movimento nacional

palestino desde a década de 1960,

e em virtude dos acordos de Oslo, governava

as cidades da Margem Ocidental

(Hebron, Belém, Ramallah, Nablus,

Jenin, Tulkarem e Qalqilya) e os

seus arredores, além da extensão da

Faixa de Gaza. Arafat é o símbolo do

movimento, perfeitamente refletindo

as misérias do seu povo e suas aspirações

coletivas. Infelizmente, ele provou

a si mesmo estar a altura de Haj

Muhammad Amin al Husseini, o mufti

de Jerusalém que dirigiu os palestinos

durante os anos 30 do século passado

em sua infrutífera rebelião contra o

governo do mandato britânico e durante

os anos 40 na sua (novamente infrutífera)

tentativa de evitar o aparecimento

do Estado judeu em 1948, resultando

em sua derrota catastrófica

e a criação do problema dos refugiados

palestinos. Husseini tinha sido implacável

e incompetente (uma mistura

perigosa), mas também um malandro

e mentiroso. Ninguém confiava

nele, nem seus colegas árabes, nem

os britânicos, e nem os sionistas. Acima

de tudo, Husseini encarnava o rejecionismo

- a rejeição de qualquer

acordo com o movimento sionista.

Ele havia rejeitado duas propostas

internacionais para partilhar o país em

sistemas de governo judeu e árabe,

pela Comissão Britânica Peel em 1937

e pela assembléia geral ONU em novembro

de 1947. No meio disso, passou

os anos da guerra (1941-45) em

Berlim, trabalhando para o Ministério

das Relações Exteriores nazistas e recrutando

muçulmanos bósnios para a

Wehrmacht.

Abba Eban, o lendário ministro do

Exterior de Israel, satirizou uma vez

que 'os palestinos nunca perdiam a

oportunidade para perder uma oportunidade'.

Mas ninguém pode culpálos

pela consistência. Depois de Husseini

veio Arafat, outro nacionalista

implacável e inveterado mentiroso,

não confiado por nenhum árabe, israelense

ou líder americano (embora pareça

que muitos europeus foram levados

a isso).

Em 1978-79 ele falhou em se reunir

ao esquema do Camp David israe-

lense-egípcio, o qual poderia ler levado

à criação do Estado palestino uma

década atrás. Em 2000, dando as costas

ao processo de Oslo, Arafat rejeitou

outro acordo histórico oferecido

por Barak em julho, em Camp David,

mesmo subseqüentemente melhoradas

pelas propostas do presidente Bill

Clinton (endossadas por Barak), em

dezembro. Ao invés disso, os palestinos,

em setembro, recorreram às armas

e lançaram a atual mini-guerra ou

intifada, que ao longo do tempo resultou

na morte de 790 árabes e 270 israelenses,

e um aprofundando do ódio

de ambos os lados em relação à idéia

de um acordo territorial-político que

parecia ser um sonho impossível.

Os palestinos e os seus simpatizantes

culparam os israelenses e Clinton

pelo que aconteceu: as humilhações

diárias e as restrições da continuada

semi-ocupação israelense; o

astuto, mas transparente Binyamin

Netanyahu intencionalmente atrasou

tudo entre 1996-99; a continuada política

de Barak da expansão das colônias

nos territórios ocupados e sua

maneira reservada em relação a Arafat;

e a insistência de Clinton em convocar

o encontro de Camp David, apesar

dos protestos palestinos de que

eles não estavam ainda prontos. Mas

tudo isso realmente nada tem a ver:

Barak, um líder sincero e corajoso, ofereceu

a Arafat um acordo de paz

razoável que incluía a retirada israelense

de 85-91% da Margem Ocidental

e 100% da Faixa de Gaza; a retirada

da maioria das colônias; soberania

palestina nos bairros árabes de Jerusalém

Oriental; e o estabelecimento

de um Estado palestino. Sobre o Monte

de Templo (Haram ash-Sharif) na

Cidade Velha de Jerusalém, Barak propôs

um condomínio israelense-palestino

ou o controle do Conselho de Segurança

da ONU, ou uma "soberania

divina" com controle árabe atual. Com

relação aos refugiados palestinos, Barak

ofereceu um retorno simbólico a

Israel e compensação financeira volumosa

para facilitar sua reabilitação

nos estados árabes e no Estado palestino

a ser criado.

Arafat rejeitou a oferta, insistindo

em 100% da retirada israelense dos

territórios, soberania palestina exclusiva

sobre o Monte de Templo, e o "direito

dos refugiados de retorno" para

Israel. Em vez de continuar negociando,

os palestinos - com o rápido Arafat

ao mesmo tempo montando o tigre

e puxando as cordinhas atrás da

cena - lançou a intifada. Clinton (e

Barak) responderam aumentando a

aposta para 94-96% da Margem Ocidental

(com alguma compensação territorial

de Israel) e soberania sobre a

superfície do Monte de Templo, com

algum tipo de controle israelense relativa

à área sob o chão onde os palestinos

haviam realizado recentemente

trabalho de escavação sem apropriada

supervisão arqueológica.

Novamente, os palestinos rejeitaram

as propostas enquanto insistiam

na soberania palestina exclusiva sobre

o Monte de Templo (seguramente

uma demanda injusta: afinal de contas,

o Monte de Templo e os restos

dos dois templos a seu coração são o

símbolo histórico e religioso mais importante

e local do povo judeu. Vale

mencionar que "Jerusalém" ou suas

variantes árabes não aparecem nem

uma só uma vez no Alcorão).

Desde que estas rejeições - que

conduziram diretamente à derrota de

Barak e à eleição do "linha-dura" Ariel

Sharon como primeiro-ministro - os israelenses

e os palestinos estiveram

um na garganta do outro, e a semiocupação

continuou.

A intifada é um tipo estranho, triste

de guerra, com o prejudicado que

rejeitou a paz simultaneamente no

papel de agressor e, quando as câmeras

de TV ocidentais estão ligadas, é

vítima. O semi-ocupante, com seu gigante,

o exército em grande parte inútil,

somente responde, normalmente

com grande restrição, em determinada

moral e correntes políticas internacionais

sob as quais ele trabalha. E ele

perde na CNN porque os F-16s que

bombardeiam sedes policiais vazias

parecem mais selvagens que atentados

suicidas palestinos que matam 10

ou 20 civis israelenses de uma vez.

A Autoridade Palestina (AP) emergiu

como um reino virtual da hipocrisia

onde todo funcionário, de Arafat

para baixo, passa seus dias mentindo

a uma sucessão de jornalistas ocidentais.

Os repórteres habitualmente dão

crédito igual às mentiras ou maior ainda

do que eles ouvem como correta,

ou mais distante, com menos mendacidade,

dos funcionários israelenses.

Um dia Arafat acusa o IDF de usar

bombas de urânio contra civis palestinos.

No dia seguinte é gás tóxico.

Então, por falta de comprovação, as

acusações simplesmente desaparecem

- e os palestinos partem para a

próxima mentira, enquanto surgem

manchetes novamente em jornais ocidentais

e árabes.

Diariamente, funcionários palestinos

lamentam "massacres" israelenses

e "bombardeios" de civis palestinos

- quando na realidade não houve

nenhum massacre e os bombardeios

invariavelmente foram em edifícios

vazios da AP. Os únicos civis visados

deliberadamente e mortos em grande

número, o que é realmente um mas-


sacre, são os israelenses - por atentados

suicidas a bomba dos palestinos.

Em resposta, o Exército e o Shin

Bet (o serviço de segurança israelense)

tem tentado atingir o culpado "matando

os alvos", fabricantes de bombas,

terroristas e quem os despacha,

para mim uma forma eminentemente

moral de represália, impedimento e

prevenção: estes são (os selvagens)

"soldados" de uma mini-guerra e, objetivos

do Exército de Israel como tal,

é legítimo. Como os críticos prefeririam

que Israel respondesse a um tipo

de atentado a bomba suicida em Tel

Aviv? Os líderes palestinos louvam

habitualmente os homens-bomba suicidas

como heróis nacionais. Numa

recente inundação de artigos, jornalistas

palestinos, políticos e clérigos

elogiaram Wafa Idris, uma mulherbomba

que detonou seu dispositivo na

principal via de Jerusalém, a Rua Jaffa,

matando um homem com 81 anos

de idade ferindo cerca de 100. Uma

controvérsia resultou disso - não sobre

a moralidade ou eficácia política

da ação, mas sobre se o Islã permite

às mulheres fazerem tal papel.

Ao invés de estarem informados,

com precisão, sobre as ofertas de paz

israelenses, os palestinos foram sujeitados

a uma barragem ininterrupta de

estímulo anti-israelense e mentiras na

mídia controlada pela AP. Arafat aperfeiçoou

a prática de dizer uma coisa a

audiências ocidentais e totalmente

outra para o próprio consumo interno

palestino. Ultimamente, às audiências

árabes, ele começou a usar o termo

"exército sionista" (para o IDF), um

retrocesso aos anos 50 quando os líderes

árabes falavam frequentemente

da "entidade sionista" em vez de

dizer "Israel" que, eles sentiam, incluía

alguma forma de reconhecimento do

Estado judeu e sua legitimidade.

No final das contas, esta questão

da legitimidade - aparentemente colocada

sobre os tratados de paz de Israel

com o Egito e com a Jordânia -

está na raiz do desespero israelense

atual e a minha própria "conversão".

Durante décadas, os líderes israelenses

- notavelmente Golda Meir, em

1969 - negou a existência de um "povo

palestino" e a legitimidade das aspirações

palestinas por soberania. Mas

durante os anos 30 e os anos 40, o

movimento sionista concordou em deixar

o sonho de um "Grande Israel" e

dividir a Palestina com os árabes. Durante

os anos 90, o movimento foi mais

adiante - concordando em dividir e reconhecendo

a existência do povo palestino

como seu parceiro na partilha.

Infelizmente, o movimento nacional

palestino, desde o seu começo,

negou ao movimento sionista qualquer

legitimidade e aderiu rapidamente à

visão de uma "Grande Palestina", sig-

nificando uma população árabe-muçulmana

num Estado árabe-controlado

em todo a Palestina, talvez com alguns

judeus que fossem permitidos

ficar como uma minoria religiosa. Em

1988-93, num breve bater de asas no

cenário, Arafat e a OLP pareciam ter

consentido com a idéia de um acordo.

Mas desde 2000 a visão dominante de

uma "Grande Palestina" surgiu de

novo (e quem teria a curiosidade saber

se as pacíficas afirmações de

1988-1993 não eram alguma camuflagem

meramente diplomática).

A liderança palestina, e com ela a

maioria dos palestinos, nega o direito

de Israel existir, nega que foi ou é o

Sionismo um empreendimento justo.

(Eu ainda preciso ver um líder palestino

voltado para a paz, como Sari Nusseibeh

parece ser, que se levante e

diga: "O Sionismo é um movimento de

libertação nacional legítimo, como o

nosso próprio. E os judeus têm uma

reivindicação justa para a Palestina,

como nós temos"). Israel pode existir,

e ser também poderoso, no momento,

para destruir; alguém deve reconhecer

sua realidade. Mas isto não é dotálo

de legitimidade. Portanto, repetiu

Arafat a negação, em meses recentes,

de qualquer conexão entre o povo judeu

e o Monte do Templo e, por extensão,

entre o povo judeu e a Terra

de Israel/Palestina. "Que Templo?",

pergunta ele. Os judeus são simplesmente

ladrões que vieram da Europa

e decidiram, por alguma razão insondável,

roubar a Palestina e deslocar os

palestinos. Ele se recusava a reconhecer

a história e a realidade dos três

mil anos de história da antiga conexão

judaica com a Terra de Israel.

Em algum plano simbólico, o Monte

de Templo é um tema crucial. Porém

mais praticamente, o assunto real,

a verdadeira substância que testa as

intenções palestinas, é o destino dos

refugiados, cerca de 3,5 a 4 milhões,

englobando aqueles que fugiram ou

foram conduzidos para fora durante a

guerra de 1948 e nunca tiveram permissão

para voltar às suas casas em

Israel, assim como também seus descendentes.

Passei metade dos anos de 1980

pesquisando o que conduziu à criação

do problema dos refugiados, publicando

The Birth of the Palestinian Refugee

Problem, 1947-1949 ("O nascimento

do problema dos refugiados

palestinos, 1947-1949") em 1988. Minha

conclusão, que enfureceu muitos

israelenses e arruinou a historiografia

sionista, era a de que a maioria dos

refugiados foi um produto da ação

militar sionista e, em menor medida,

das ordens de expulsão israelenses e

a conclamação dos lideres árabes locais

árabes ou ordens para se mudar.

Críticos de Israel agarraram-se subse-

qüentemente a esses resultados que

realçavam a responsabilidade israelense,

ignorando o fato que o problema

era uma conseqüência direta da

guerra que os palestinos - e, na sua

esteira, os estados árabes vizinhos -

tinham lançado. E poucos notaram

que, em minhas observações conclusivas,

eu tinha explicado que a criação

do problema era "quase inevitável",

determinado pelo anseio sionista

em criar um Estado judeu numa terra

povoada pelos árabes e determinada

também pela resistência árabe ao

empreendimento sionista. Os refugiados

eram o subproduto inevitável de

uma tentativa para ajustar uma cavilha

quadrada desajeitada em um buraco

redondo e não hospitaleiro.

Mas quaisquer que fossem minhas

descobertas, nós estamos agora além

dos 50 anos - e Israel existe. Como

todos os povos, os judeus merecem um

Estado, e justiça não será feita lançando-os

no mar. E se aos refugiados

for permitida a volta, haverá um caos

terrível e, no final, nenhum Israel. Israel

é povoado atualmente por 5 milhões

judeus e mais de 1 milhão de

árabes (um estrondoso crescimento irredentista,

a favor da bomba-relógio

palestina). Se os refugiados voltarem,

uma entidade binacional inviável

emergirá e, determinada pelas taxas

de natalidade mais altas dos árabes,

Israel deixará rapidamente de ser um

Estado judeu. Some-se a isso o fato

de que os árabes na Margem Ocidental

e na Faixa de Gaza têm, quase imediatamente,

um Estado árabe entre o

Mediterrâneo e Rio Jordão com uma

minoria judaica.

Judeus viveram como minoria em

países muçulmanos desde o século 7

- e, contrariamente à propaganda árabe,

nunca desfrutou muito dessa experiência.

Eles sempre foram cidadãos

de segunda classe e sempre discriminados

como infiéis; foram perseguidos

freqüentemente e não raramente assassinados.

Pogroms gigantescos

aconteceram ao longo dos séculos. E

nos anos de 1940 turbas árabes assassinaram

centenas de judeus em

Bagdá, e outras centenas mais na Líbia,

no Egito e no Marrocos. Os judeus

foram expulsos ou fugiram do mundo

árabe durante os anos de 1950. Não

há nenhuma razão para crer que os

judeus irão querer viver (novamente)

como uma minoria num estado árabe

(palestino), especialmente por causa

da trágica história das relações judaico-palestinas.

Ou serão expulsos, ou

emigrarão para o Ocidente.

Foi a rejeição da liderança palestina

às propostas de paz de Barak-

Clinton de julho a dezembro de 2000,

o lançamento da intifada, e a demanda

para que Israel aceite o "direito de

retorno" que me persuadiram ao fato

VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

de que os palestinos, pelo menos nesta

geração, não pretendem a paz: eles

não querem, somente, um fim para a

ocupação - isto é o que foi oferecido

entre e julho e dezembro de 2000, e

eles rejeitaram a negociação.

Eles querem toda a Palestina e com

tão poucos judeus quanto possível. O

direito de retorno é a cunha com a qual

pretendem arrombar o Estado judeu.

A demografia - a mais alta taxa de natalidade

árabe - vai, com o passar do

tempo, fazer o resto, se iranianos ou

iraquianos com armas nucleares, não

o fizerem primeiro.

Não me considero errado. Sou a favor

de uma retirada israelense dos territórios

- a semi-ocupação é corruptora

e imoral, e aliena os amigos de Israel

no estrangeiro - como parte de um

acordo de paz bilateral; ou, se um acordo

é não possível, uma retirada unilateral

para fronteiras estrategicamente

defensáveis. Na realidade, em

1988, passei um tempo numa prisão

militar por recusar-me a servir na cidade

de Nablus, na Margem Ocidental.

Mas eu não acredito que o status

quo resultante disso sobreviveria muito

tempo. Os palestinos - ou a AP, ou

as várias facções armadas, com a própria

AP observando - continuarão atormentando

Israel, com foguetes Katyusha,

homens-bomba suicidas, ou

por novas vias, sejam elas combinadas

ou auto-impostas. No fim das

contas, eles forçarão Israel a reconquistar

a Margem Ocidental e a Faixa

de Gaza, provavelmente mergulhando

o Oriente Médio num novo e

amplo conflito.

Não acredito que Arafat e seus

amigos pensassem ou quisessem a

paz e eu não acredito que uma solução

de dois estados permanentes emergirá.

Não creio que Arafat fosse constitucionalmente

capaz de concordar, realmente

concordar com uma solução na

qual os palestinos obtenham de 22-

25% da terra (Margem Ocidental-Estado

Gaza) e Israel com os remanescentes

75-78%, ou de assinar o fim

do "direito de retorno". Ele era incapaz

de olhar seus eleitores refugiados

no Líbano, na Síria, na Jordânia

e em Gaza, no olho e lhes dizer: "Eu

cedi seus direitos inatos, suas esperanças,

seus sonhos".

E ele provavelmente não queria

isso. Ultimamente, creio eu, o equilíbrio

das forças militares ou a demografia

da Palestina, significando a discrepância

das taxas de natalidade nacionais,

determinará o futuro do país,

e ou a Palestina se tornará um Estado

judeu, sem uma minoria árabe significativa,

ou se tornará um Estado árabe,

com uma minoria judaica gradualmente

diminuindo. Ou se tornará um

solo improdutivo nuclear, uma casa

para nenhum povo.

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VISÃO JUDAICA fevereiro de 2009 Shevat / Adar 5769

que você faria se um dia recebesse

de presente 3.200

estufas em pleno funcionamento

com um total de 3,5

milhões de metros quadrados

cultivados. Poderia produzir frutas,

verduras, plantas e flores... Poderia

alimentar tua família, tua cidade

e o teu país...

Poderia vender tua produção no

mercado interno, economizar, desenvolver-se...

Poderia exportar para o mundo,

reinvestir, crescer... Ou também...

Poderia destruir tudo

Em agosto de 2005, véspera da

Um belo presente destruído

retirada israelense de Gaza, um consórcio

de filantropos encabeçados

por James Wolfensohn, até então

presidente do Banco Mundial mobilizou-se

para comprar por 14 milhões

de dólares as estufas pertencentes

aos colonos israelenses.

Tratava-se de 3.200 estufas da

última geração e equipadas com

a mais alta tecnologia que produziam

para o mercado interno e Israel

e exportavam hortaliças, frutas

exóticas e flores de temporada

à Europa com um elevado valor

agregado. Milhares de palestinos

levavam para suas casas o

As estufas de Gaza que produziam e exportavam para a Europa deixadas para aos palestinos terem uma estrutura econômica

sustento com dignidade e honra.

A idéia dos doadores - todos judeus

dos Estados Unidos - era entregar

3,5 milhões de metros quadrados

de estufas aos palestinos,

num gesto de reconciliação e de esperança

de um futuro melhor.

Imediatamente depois que Israel

se retirou da Faixa de Gaza até a

fronteira internacional, grupos de

palestinos incentivados pelo Hamas,

tomaram e destruíram as estufas,

levando mangueiras de irrigação,

bombas de água e lençóis de plástico

para a cobertura das estufas, reduzindo

tudo a escombros.

A Autoridade Palestina (AP) não

pode evitar este vandalismo e a destruição

da fonte de vida de milhares

de pessoas, em outro duro golpe

aos esforços para construir a Faixa

de Gaza e dar um horizonte de

desenvolvimento e prosperidade.

As estufas doadas aos palestinos,

cujas fotografias antes e depois vemos

aqui são outra demonstração da

bancarrota e a pobreza que o Hamas

trouxe, intencionalmente, e

para seu próprio proveito à população

civil da Faixa de Gaza. Chegou a

hora em que os palestinos devem

se libertar do Hamas.

Após a retirada dos israelenses de Gaza em 2005, os palestinos desrtruíram todas as estufas, perdendo-se assim milhões de dólares, produção e toda estrutura deixada para que eles tivessem seu sustento à altura

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