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JORNAL DA APAFERJ 1 SETEMBRO 2008

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<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 1


2 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Márcio Alemany<br />

Presidente<br />

Sem esquecer da importância<br />

das demais Associações<br />

e sem o desejo de fazer propaganda<br />

sem exibir o produto,<br />

a nossa querida ANPAF da<br />

nossa <strong>APAFERJ</strong>, do Roberto<br />

Giffoni, do Ricardo Buarque<br />

Franco Neto, do Ayrton<br />

Santana Vieira, da Maria<br />

Santíssima, do José Higino, do<br />

Wagner Cavalcanti de Albuquerque,<br />

do Hugo Fernandes,<br />

do Rosemiro Robinson Silva<br />

Junior, do Carlos Mambrini,<br />

do Fernando Mello, do<br />

Francisco Pedalino Costa e de<br />

uma outra lista infindável de<br />

notáveis que por todos esses<br />

anos se dedicaram e ainda se<br />

dedicam de corpo e alma à<br />

construção de uma Advocacia<br />

Pública de relevo, merece<br />

nossas homenagens. Nesta<br />

Edição, queremos dizer da<br />

Direito garantido para 40<br />

milhões usuários de planos e<br />

seguros de saúde. A Justiça<br />

Federal do Rio de Janeiro<br />

confirmou a obrigatoriedade<br />

das operadoras de cumprir o<br />

novo rol de procedimentos<br />

médicos. Na prática, significa<br />

a garantia de atendimento de<br />

procedimentos como colocação<br />

de Dispositivo Intra-Uterino<br />

(DIU), laqueadura das trompas,<br />

vasectomia e atendimento<br />

por fonoaudiólogos, psicólogos,<br />

terapeutas ocupacionais e<br />

nutricionistas, sem reajuste de<br />

preço das mensalidades.<br />

Antes mesmo de entrar em<br />

vigor, em 2 de abril, o novo rol<br />

era questionado judicialmente<br />

pelo Sindicato Nacional das<br />

MENSAGEM DO PRESIDENTE<br />

A importância do IX CONPAF<br />

relevância do maior evento realizado<br />

para exibir e enaltecer<br />

toda a nossa Advocacia Pública.<br />

Os CONPAF’S, agora em sua<br />

nona edição, têm proporcionado<br />

o destaque histórico e fundamental<br />

na promoção do nosso<br />

trabalho. Os meios de comunicação<br />

por todos esses anos<br />

passam para a população apenas<br />

sinais da nossa existência.<br />

Parece que não existe propósito<br />

em divulgá-la, de mostrar o que<br />

acontece quando se trata da<br />

defesa jurídica dos interesses do<br />

Estado, da União Federal. Observa-se<br />

que o Povo Brasileiro<br />

não sabe bem de nossa existência<br />

e da importância do trabalho que<br />

é realizado em seu proveito. Não<br />

conhece do alcance de nossas<br />

iniciativas, dos cuidados com o<br />

Patrimônio Público e com o<br />

resgate dos prejuízos e das<br />

constantes ocorrências danosas<br />

efetivadas pelos administradores<br />

e gestores de má fé, que<br />

aparecem de forma constante na<br />

Plano de Saúde Perdem<br />

Empresas de Medicina de Grupo<br />

(Sinamge) e pelo Sindicado Nacional<br />

das Empresas de Odontologia<br />

de Grupo (Sinog). Depois<br />

de negar liminar às duas entidades,<br />

a Justiça determinou o<br />

arquivamento do processo.<br />

“Tínhamos expectativa de que o<br />

novo rol provocasse resistência,<br />

mas as empresas não conseguiram<br />

a liminar e perderam no<br />

julgamento definitivo do mérito.<br />

Que eu saiba, eles não recorreram,<br />

pois não fomos notificados”,<br />

afirmou o diretorpresidente<br />

da Agência Nacional<br />

da Saúde Suplementar (ANS),<br />

Fausto Pereira dos Santos.<br />

A briga, porém, só está<br />

começando, pois a Associação<br />

Brasileira das Empresas de<br />

vida pública nacional e que nos<br />

levam a um trabalho insano e<br />

sem tréguas. As demais Associações<br />

que congregam os Advogados<br />

Públicos e que integram<br />

hoje o Forum Nacional da<br />

Advocacia Pública, temos certeza,<br />

estão solidárias nessa<br />

distinta manifestação de apreço<br />

e de respeito à <strong>APAFERJ</strong>, como<br />

Entidade Mater da Advocacia<br />

Pública e à ANPAF por tudo que<br />

têm realizado em prol de uma<br />

Advocacia Pública importante<br />

em nosso País. Os CONPAF’S, a<br />

cada ano, alicerçam os fundamentos<br />

de uma política de segurança<br />

jurídica para o bem do<br />

Estado Brasileiro. Sua realização<br />

é uma iniciativa corajosa para<br />

dar destaque ao que é feito para<br />

essa efetivação. A experiência, os<br />

exemplos repassados por todos<br />

os palestrantes, Advogados e<br />

Juristas renomados, os debates<br />

e as discussões cada vez mais<br />

enriquecem e contribuem para o<br />

êxito desta grande festa, mais e<br />

Medicina de Grupo<br />

(Abramge) promete recorrer<br />

até a última instância para<br />

tentar derrubar o novo rol de<br />

procedimentos. “Provavelmente,<br />

vamos recorrer até o<br />

Superior Tribunal de Justiça<br />

(STJ) ou Supremo Tribunal<br />

Federal (STF)”, afirma<br />

Arlindo de Almeida, presidente<br />

da Abramge. “Ainda<br />

não há decisão final de nada.<br />

Não dá para a ANS mudar as<br />

regras do jogo, retroagindo o<br />

aumento da cobertura a<br />

planos assinados a partir de<br />

1999 sem nenhum reajuste. Os<br />

aspectos sociais levam vantagem<br />

sobre os técnicos, mas<br />

vamos até o fim”, afirmou.<br />

mais prestigiada por toda a<br />

corporação de Advogados Públicos,<br />

pelos Advogados Privados,<br />

pelo Ministério e pela<br />

Defensoria Pública e pela Magistratura.<br />

A AGU, da mesma<br />

forma, sempre tem ensejado<br />

com sua presença maior brilho<br />

ao evento. As demais autoridades<br />

Públicas presentes<br />

contribuem no reconhecimento,<br />

na grandeza e em sua<br />

importância. O deslocamento<br />

para o Rio Grande do Sul foi de<br />

acertada escolha, não somente<br />

pela especial acolhida carinhosa<br />

dos colegas do Rio<br />

Grande, mas também por seu<br />

povo tão hospitaleiro com suas<br />

tradições, que a todos embalam<br />

com a força da expressão de<br />

nossa nacionalidade. Parabéns<br />

mais uma vez à ANPAF, parabéns,<br />

Roberto Giffoni, por<br />

sua luta desmedida, que por<br />

todos nós sempre será reconhecida.<br />

Só é útil o conhecimento<br />

que nos torna melhores.<br />

(Sócrates)<br />

O mais importante da<br />

vida não é saberes onde<br />

estás, mas sim para onde<br />

vais.<br />

(Goethe)<br />

O génio é composto por<br />

2% de talento e de 98% de<br />

perseverante aplicação.<br />

(Ludwing Van<br />

Beethoven)


<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Milton Pinheiro<br />

Procurador Federal<br />

No momento em que está<br />

sendo analisado cuidadosamente<br />

todo o percurso da<br />

reforma trabalhista e traçando-se<br />

um paralelo com o<br />

novo judiciário brasileiro, após<br />

longos anos de discussão,<br />

podemos encontrar dois pontos<br />

negativos que travam a<br />

nova CLT, eis porque seus<br />

autores operam na solução de<br />

problemas localizados sem<br />

priorizar o seu maior vilão: a<br />

lentidão do processo. Os pontos<br />

negativos dos tribunais<br />

foram revelados para a sociedade<br />

civil durante a CPI do<br />

Judiciário, com as denúncias<br />

dos envolvidos em escândalos,<br />

cujos indicadores, além do teor<br />

moralizador, trouxeram à tona<br />

importantes dados estatísticos,<br />

que integravam os dossiês.<br />

Em que pese as impropriedades,<br />

o conjunto de informações<br />

de episódio, com base<br />

em publicações do Tribunal<br />

Superior do Trabalho (TST),<br />

revelou ainda que na JT em<br />

2003 existiam 14 milhões de<br />

ações sem solução, fato que<br />

acabou por deflagrar uma<br />

campanha para a extinção da<br />

especializada colhida em setembro<br />

de 2002, ou seja, dois<br />

anos antes da aprovação da EC<br />

nº. 45/2004, que ampliou a<br />

competência da JT. Neste<br />

aspecto insurgiu-se a Associação<br />

Nacional dos Procuradores da<br />

República – ANPR, barrando em<br />

definitivo assunto encaminhado.<br />

Em 2003 o então Ministro da<br />

Justiça defensor da privatização<br />

da administração dos tribunais<br />

de posse de um documento cuidadosamente<br />

elaborado sobre o<br />

perfil do Judiciário brasileiro,<br />

definiu que a “justiça é um<br />

transatlântico em direção ao<br />

abismo”. A questão não estava<br />

centrada tão somente no comportamento<br />

dos magistrados,<br />

mas também o acúmulo de ações<br />

a espera de decisões. Neste mesmo<br />

ano, um estudo de economistas<br />

do IPEA afirmou que as<br />

leis e principalmente os tribunais<br />

não protegem adequadamente<br />

os credores. O mais<br />

grave dentro desta panorâmica<br />

do Judiciário é que seus integrantes<br />

ainda não encontraram<br />

a fórmula capaz de melhor<br />

prestação jurisdicional, e com<br />

isso, cada vez mais o jus<br />

postulandi vai se tornando<br />

mais caro para a sociedade.<br />

Também o excesso de injunções<br />

retarda a ação. E ao contrário<br />

do que integrantes do<br />

Judiciário sustentam, o excesso<br />

de injunções no processo trabalhista<br />

é elemento singular para<br />

retardar a lide, alinhando ao lado<br />

do numeroso exagerado de recursos<br />

permitidos pelo diploma<br />

legal, conforme preconiza o art.,<br />

5º. Inciso LIV da Constituição<br />

Federal que prevê “aos litigantes<br />

em processo judicial ou administrativo<br />

aos acusados em geral são<br />

assegurados o contraditório e a<br />

A sabedoria é um adorno na prosperidade e um<br />

refúgio na adversidade. (Aristóteles)<br />

Aquele que parece sábio entre os tolos parece tolo entre<br />

os sábios. (Marco Fabio)<br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 3<br />

Incerteza e Custo afetam<br />

a Reforma Trabalhista<br />

ampla defesa com os meios e<br />

recursos a ela inerentes”. A<br />

sociedade já assimilou a cultura<br />

da morosidade do Judiciário e<br />

com ela conviveu há décadas. Os<br />

próprios advogados, como cautela,<br />

advertem seus clientes<br />

quanto a esta questão, que é um<br />

problema enorme, ou seja,<br />

empurram a lide ao infinito, até<br />

porque a legislação processual<br />

traz inúmeras oportunidades e a<br />

parcialidade e as imprevisibilidade<br />

das decisões trazem<br />

insegurança ao credor. Informações<br />

captadas durante a reforma<br />

do Judiciário mostram que 42%<br />

dos magistrados apontam que<br />

são freqüentes os casos de exploração<br />

da morosidade do<br />

Poder Judiciário para prorrogar<br />

o pagamento de dívidas, em 12%<br />

das decisões relacionadas ao<br />

mercado de crédito e refletem<br />

mais uma decisão baseada e<br />

interpretação ou postura política,<br />

do que na leitura rigorosa<br />

da lei. Nesta mesma oportunidade,<br />

Ministro do STF concluiu<br />

que os juízes são responsáveis<br />

por 10% do tempo de uma<br />

ação, os advogados 20%, e o<br />

cartório 70% do tempo, estabelecendo<br />

um absurdo somatório<br />

que se torna crucial para o<br />

andamento processual. Neste<br />

conjunto de informações temos a<br />

medida exata para concluir que<br />

a morosidade processual é fruto<br />

de visível número de entraves,<br />

mas também por injunções,<br />

praticadas pelo juízo que deixa<br />

de aplicar a lei para dar sua<br />

interpretação ao texto exato.<br />

Enfim acabar com a prejudicial<br />

morosidade que consagra o<br />

império da burocracia.<br />

Durante 21 longos dias<br />

estive internado na Casa de<br />

Saúde São Lucas, em Copacabana.<br />

Foram dias incertos e<br />

preocupantes. A crise das coronárias<br />

foi muito forte, mas a<br />

ciência hoje está bem avançada<br />

na matéria e, assim, o problema<br />

foi imediatamente<br />

detectado e sanado. É digna de<br />

louvores a atuação do competente<br />

médico Dr. Francisco<br />

de Paula, um verdadeiro sábio<br />

no assunto. Trata-se de profissional<br />

formado na França e<br />

professor catedrático da UFRJ,<br />

detentor de excepcional<br />

curriculum. Agradeço o carinho<br />

e a dedicação das atendentes<br />

Iolanda e Teresa, que se<br />

destacaram, sendo que todas<br />

as outras também são merecedoras<br />

da minha gratidão. A<br />

referida Casa de Saúde é bem<br />

organizada e dispõe de profissionais<br />

da mais alta competência.<br />

Agradeço, ainda, a<br />

solidariedade dos colegas e<br />

amigos da <strong>APAFERJ</strong>, onde<br />

presto minha colaboração,<br />

enfatizando a especial visita<br />

que me fez o vice-presidente<br />

Rosemiro Robinson, que me<br />

emocionou profundamente,<br />

bem como os cotidianos telefonemas<br />

dos diretores Miguel<br />

Pascoal e Fernando Mello, não<br />

podendo esquecer do dinâmico<br />

e generoso presidente Marcio<br />

Alemany. A todos muito<br />

obrigado.<br />

Se os teus projectos forem para um ano,<br />

semeia o grão.<br />

Se forem para dez anos, planta uma árvore.<br />

Se forem para cem anos, instrui o povo.<br />

(Provérbio chinês)


4 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Antonio C. Calmon N. da Gama<br />

Diretor de Divulgação da <strong>APAFERJ</strong><br />

ENCONTRO<br />

Aconteceu em Brasília nos<br />

dias 10 a 12 o II Encontro da<br />

Advocacia Pública. A abertura<br />

contou com a presença do<br />

Advogado-Geral da União que<br />

fez em seu pronunciamento um<br />

balanço completo das atividades<br />

da AGU, ressaltando<br />

pontos importantes da trajetória<br />

do Órgão e os avanços<br />

alcançados na sua gestão. O<br />

conclave contou a presença dos<br />

representantes de todas as<br />

Associações dos Advogados<br />

Públicos.<br />

IX CONPAF<br />

Ao ler esta coluna você<br />

certamente estará participando<br />

de mais um Congresso<br />

promovido pela ANPAF-Associação<br />

Nacional dos Procuradores<br />

Federais, na cidade<br />

de Porto Alegre-RS. Mais uma<br />

vez parabenizamos seu idealizadores,<br />

em especial seu Presidente,<br />

Dr. Roberto Giffoni,<br />

que muito tem contribuído para<br />

o engrandecimento da carreira<br />

dos Procuradores Federais, na<br />

Advocacia Pública, trabalhando<br />

PENSAMENTO<br />

“Enriquecemo-nos pelo<br />

que damos, não pelo que<br />

temos”<br />

Coelho Neto<br />

Fatos . Fatos . Fatos . Fatos . Fatos .<br />

incessantemente para o seu<br />

aperfeiçoamento.<br />

PREPARATIVOS<br />

A nossa <strong>APAFERJ</strong> já começou<br />

os preparativos para o<br />

Natal. A confraternização já se<br />

tornou uma tradição e congre-ga<br />

não só seus Associados acompanhados<br />

dos seus familiares,<br />

bem como convidados ilustres do<br />

mundo jurídico. Colega prestigie<br />

a sua Associação, venha comemorar<br />

com seus amigos procuradores<br />

mais um ano de vitória.<br />

Maiores detalhes daremos no<br />

próximo número do jornal.<br />

MAIS UMA<br />

A Procuradoria da União, em<br />

parceria com a Procuradoria<br />

Federal no Rio Grande do Norte<br />

conseguiu mais uma decisão<br />

favorável na Justiça para ressarcimento<br />

de quase R$1,5 milhão<br />

aos cofres públicos, pagos à<br />

empresa que executou obras<br />

para o Departamento Nacional<br />

de Obras Contra a Seca<br />

(DNOCS), em Sítio Novo (RN). A<br />

empresa não cumpriu as especificações<br />

do contrato. Estão de<br />

parabéns pela vitória.<br />

MAS NÃO É SÓ<br />

A Procuradoria da União no<br />

Pará, em parceria com o Instituto<br />

Brasileiro do Meio Ambiente<br />

(Ibama), entrou com ação civil<br />

pública e conseguiu liminar, na<br />

Justiça, que indispoibiliza bens<br />

e registros de imóveis de três<br />

empresas que degradam o meio<br />

ambiente. A ação foi movida<br />

contra as empresas que haviam<br />

extraído madeira sem autorização<br />

ambiental. No total, foram<br />

Não há nada de nobre em sermos superiores ao<br />

próximo. A verdadeira nobreza consiste em sermos<br />

superiores ao que éramos antes. (Autor desconhecido)<br />

Flash<br />

Nossa homenagem ao Dr.<br />

Roberto Eduardo Giffoni,<br />

Presidente da ANPAF e,<br />

inegavelmente, um dos mais<br />

destacados líderes dos<br />

Advogados Públicos Federais,<br />

cuja profícua e notável atuação<br />

tem sido marcante pela<br />

elegância, inteligência e<br />

generosidade, virtudes que, entre<br />

outras, ornamentam sua invulgar<br />

personalidade.<br />

bloqueados mais de R$ 4 milhões<br />

de reais em bens. Mais uma<br />

vitória em prol dos cofres da<br />

União.<br />

SEGURO<br />

DESEMPREGO<br />

A Procuradoria-Seccional da<br />

União (PSU), em Campos dos<br />

Goytacazes, no Estado do Rio de<br />

Janeiro, conseguiu na Justiça a<br />

condenação de 64 pessoas que<br />

MomentoLiterário<br />

O Ninho<br />

As arvores que nunca<br />

deram flores<br />

deram ninhos. Desde os<br />

seus verdores.<br />

E um ninho é uma flor<br />

com pétalas de pluma.<br />

Da cor dos passarinhos.<br />

E nenhuma outra,<br />

nenhuma em si resume.<br />

Para os nossos sentidos,<br />

esse magnífico perfume<br />

que entra pelos ouvidos,<br />

olhos e olfato.<br />

As árvores que nunca<br />

deram flores<br />

deram ninhos.<br />

E ninho é uma flor com<br />

pétalas de pluma.<br />

Marília Ruas<br />

recebiam seguro-desemprego<br />

indevidamente. Os réus foram<br />

condenados a ressarcir R$ 86,5<br />

mil à União. Essa tem sido a<br />

atuação da Advocacia Pública.<br />

APOSENTADORIA<br />

Aposentaram-se, recentemente,<br />

o nosso colega Procurador<br />

Federal, Jayme Tostes,<br />

e sua esposa Professora de<br />

Matemática, Vera Leão Tostes,<br />

ambos em exercício no Centro<br />

Federal de Educação Tecnológica<br />

Celso Suckow da Fonseca<br />

– CEFET/RJ. Desejamos aos<br />

fraternos amigos votos de<br />

plena felicidade no gozo de<br />

suas novas atividades. Vocês<br />

merecem.<br />

A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas<br />

uma comédia quando vista de longe.<br />

(Charlie Chaplin)


<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Ney Machado<br />

Procurador Federal, Professor da<br />

UFF e Membro do IAB.<br />

A Constituição de 1988,<br />

denominada Constituição Cidadã<br />

em seu preâmbulo dispõe<br />

como princípio fundamental,<br />

entre outros, a eficiência,<br />

preceito destinado a assegurar<br />

o exercício pleno dos direitos<br />

sociais e individuais.<br />

Subtende-se como direitos<br />

sociais a educação, a saúde, o<br />

trabalho, a moradia, o lazer, a<br />

segurança, a previdência social,<br />

a proteção à maternidade<br />

e a infância, a assistência aos<br />

desamparados.<br />

Como se vê, são direitos<br />

O presidente do Superior<br />

Tribunal de Justiça (STJ) e do<br />

Conselho da Justiça Federal<br />

(CJF), ministro Humberto Gomes<br />

de Barros, lançou em União<br />

dos Palmares (AL), a resolução<br />

que regulamentará a lei 11.672,<br />

que altera os procedimentos ara<br />

julgamento dos recursos especiais<br />

repetitivos. A lei entrou em<br />

vigor em 8 de agosto e livrará o<br />

STJ de analisar milhares de<br />

processes sobre o mesmo tema.<br />

“Uma vez estabelecida a<br />

orientação, espero que ela se torne<br />

um farol permanente para o juiz”,<br />

afirmou Gomes de Barros.<br />

A nova norma legal dispõe que,<br />

havendo multiplicidade de recursos<br />

especiais com fundamento em<br />

idêntica questão de direito, cabe ao<br />

presidente do tribunal de origem<br />

(tribunais regionais federais e<br />

tribunais de Justiça) admitir um ou<br />

mais recursos representativos da<br />

controvérsia e encaminhá-los ao<br />

STJ. Os demais recursos ficam com<br />

julgamento suspenso até o pronunciamento<br />

definitivo dos ministros.<br />

DEFINIÇÃO. A resolução<br />

define o que são processos repetitivos<br />

e fixa prazos curtos<br />

que não podem ser colocados em<br />

risco, nem confundidos com<br />

interesses individuais do gestor<br />

público.<br />

Registre-se, que o artigo 37 da<br />

Carta Cidadã ao tratar da Administração<br />

Pública direta,<br />

indireta de qualquer dos Poderes<br />

da União, dos Estados, do Distrito<br />

Federal e dos Municípios<br />

enfatiza o respeito aos princípios<br />

de legalidade, impessoalidade,<br />

moralidade, publicidade e eficiência.<br />

A nosso sentir tais princípios<br />

não podem ser inobservados sob<br />

pena de responsabilidade do<br />

gestor público.<br />

Assim, torna-se desnecessário<br />

enfatizar que a eficiência, tema<br />

em comento, diz respeito ao<br />

para que o julgamento do recurso<br />

que ficou suspenso tramite<br />

rapidamente, em até 60 dias. “A<br />

grande qualidade dessa lei é fazer<br />

com que as questões semelhantes<br />

tenham soluções semelhantes, em<br />

prazos muito curtos. Vai ao<br />

encontro daquele preceito<br />

constitucional que garante a<br />

razoável duração do processo”,<br />

disse Gomes de Barros.<br />

Segundo o ministro, com esse<br />

novo disciplinamento, o procedimento<br />

passa a obedecer prazos<br />

extremamente rígidos e, principalmente,<br />

a fazer com que todos<br />

os tribunais tenham uma solução<br />

uniforme para todos os julgamentos<br />

de recursos com questões<br />

repetitivas. “É uma uniformidade<br />

de procedimento. É fazer com<br />

que todos os tribunais tenham um<br />

procedimento semelhante, acho<br />

que isso é o fundamental”, afirmou<br />

o presidente do STJ e do CJF.<br />

A resolução estabelece que<br />

caberá aos presidentes dos tribunais<br />

de Justiça e regionais<br />

federais o a quem for indicado<br />

pelo regimento interno admitir<br />

um ou mais recursos representativos<br />

da controvérsia, suspen-<br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 5<br />

Gestor Público<br />

Eficiência ou Ineficiência.<br />

atendimento das necessidades<br />

coletivas (direitos sociais).<br />

Isto posto, resta indagar-se se<br />

determinadas obras com elevado<br />

custo financeiro sem a devida<br />

prioridade dos direitos sociais<br />

demonstra a eficiência ou ineficiência<br />

do gestor público.<br />

Trata-se de avanço ou retrocesso<br />

no desenvolvimento social.<br />

O Mestre Hely Lopes<br />

Meirelles leciona:<br />

“que o exercício da autoridade<br />

é uma exigência do interesse<br />

social quando em oposição com<br />

interesses particulares”.<br />

Parece-nos que quando tal<br />

desvio ocorre, isto é, sem o<br />

devido exame das necessidades<br />

coletivas caracteriza-se a total<br />

ineficiência de uma adminis-<br />

dendo que 180 dias a tramitação<br />

dos demais. Determinada a<br />

suspensão, esta alcançará os<br />

processos em andamento no<br />

primeiro grau que apresentem<br />

igual matéria controvertida,<br />

independentemente da fase<br />

processual em que se encontrem.<br />

No STJ, o ministro relator,<br />

verificando em seu gabinete a<br />

existência de múltiplos recursos<br />

com fundamento em questões<br />

idênticas do direito, ou recebendo<br />

o recurso especial dos tribunais<br />

estaduais e regionais,<br />

poderá, por despacho, afetar o<br />

julgamento de uma deles à Seção<br />

ou à Corte Especial, desde que,<br />

na última hipótese, exista<br />

questão de competência de mais<br />

uma Seção.<br />

PRAZO. O julgamento de recurso<br />

especial afetado deverá se<br />

encerrar no STJ em 60 dias,<br />

contados da data em que o julgamento<br />

de processos sobre o<br />

mesmo tema foi suspenso, aguardando<br />

o julgamento definitivo no<br />

tribunal. Não se encerrando o<br />

julgamento no prazo indicado, os<br />

presidentes dos tribunais de<br />

segundo grau poderão autorizar<br />

tração.<br />

No dizer do Digno Ministro<br />

do Supremo Tribunal Federal<br />

Carlos Ayres de Britto:<br />

“A democracia é o constante<br />

empenho para tirar o povo<br />

da platéia e colocá-lo no<br />

pálio das decisões que lhe<br />

digam respeito”.<br />

Assim, é chegada a hora da<br />

cidadania consciente tomar,<br />

através do voto consciente, a<br />

vacina contra todos os ineficientes,<br />

vacina que tem validade<br />

por 4 anos e não possui<br />

qualquer contra-indicação,<br />

pois somente assim teremos a<br />

cidade da saúde, da educação,<br />

da segurança, dos<br />

desamparados (art. 6º CF/88).<br />

Resolução regulamenta a lei federal 11.672/08<br />

o prosseguimento dos recursos<br />

especiais suspensos, remetendo<br />

ao STJ os que sejam admissíveis.<br />

Gomes de Barros espera que<br />

a regulamentação se torne não<br />

uma norma, mas uma orientação<br />

definitiva para o juiz. “Os juízes<br />

de primeiro grau que julgarem<br />

contra a orientação definitiva do<br />

STJ estarão causando prejuízo<br />

tanto à parte cujo interesse foi<br />

assistido pela decisão, porque<br />

estará atrasando o julgamento,<br />

quanto à outra parte, porque<br />

estará dando uma esperança vã<br />

para ela. Tenho a esperança de<br />

que ela seja uma reforma<br />

cultural na vida forense brasileira”,<br />

afirmou.<br />

Gomes de Barros destacou<br />

que o funcionamento da Lei<br />

11.672/<strong>2008</strong> pressupõe uma<br />

jurisprudência estável, fixa. Para<br />

ele, o que justifica a existência do<br />

tribunal é a segurança jurídica,<br />

um valor absoluto no Estado de<br />

Direito. “Se a jurisprudência<br />

vacilar, essa lei cairá na<br />

inutilidade. O que justifica a<br />

existência do STJ é a estabilidade<br />

da interpretação da lei federal<br />

plenamente”, afirmou.


6 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

CEM anos SEM Machado de Assis<br />

O dia 29 de setembro é uma<br />

data triste para a Literatura<br />

Brasileira, neste dia em 1908<br />

morria o escritor Machado de<br />

Assis. Unanimamente consagrado<br />

como um dos melhores<br />

escritores da Língua Portuguesa<br />

e Patrono da Academia Brasileira<br />

de Letras, este gênio das<br />

letras tem uma particularidade<br />

pouco conhecida, mas que o<br />

valoriza ainda mais. Era um<br />

autodidata. Neste artigo, numa<br />

homenagem pelo centenário de<br />

sua morte, publicamos um<br />

resumo de sua rica biografia.<br />

Joaquim Maria Machado de<br />

Assis, cronista, contista, dramaturgo,<br />

jornalista, poeta, novelista,<br />

romancista, crítico e<br />

ensaísta, nasceu na cidade do Rio<br />

de Janeiro em 21 de junho de<br />

1839. Filho de um operário mestiço<br />

de negro e português, Francisco<br />

José de Assis, e de D. Maria<br />

Leopoldina Machado de Assis,<br />

aquele que viria a tornar-se o<br />

maior escritor do país e um<br />

mestre da língua, perde a mãe<br />

muito cedo e é criado pela madrasta,<br />

Maria Inês, também<br />

mulata, que se dedica ao menino<br />

e o matricula na escola pública,<br />

única que freqüentará o autodidata<br />

Machado de Assis.<br />

De saúde frágil, epilético,<br />

gago, sabe-se pouco de sua infância<br />

e início da juventude.<br />

Criado no morro do Livramento,<br />

consta que ajudava a<br />

missa na igreja da Lampadosa.<br />

Com a morte do pai, em<br />

1851, Maria Inês, à época morando<br />

em São Cristóvão, emprega-se<br />

como doceira num<br />

colégio do bairro, e Machadinho,<br />

como era chamado, torna-se<br />

vendedor de doces. No colégio<br />

tem contato com professores e<br />

alunos e é até provável que<br />

assistisse às aulas nas ocasiões<br />

em que não estava trabalhando.<br />

Mesmo sem ter acesso a<br />

cursos regulares, empenhou-se<br />

em aprender. Consta que, em<br />

São Cristóvão, conheceu uma<br />

senhora francesa, proprietária<br />

de uma padaria, cujo forneiro lhe<br />

deu as primeiras lições de Francês.<br />

Contava, também, com a<br />

proteção da madrinha D. Maria<br />

José de Mendonça Barroso,<br />

viúva do Brigadeiro e Senador<br />

do Império Bento Barroso<br />

Pereira, proprietária da Quinta<br />

do Livramento, onde foram<br />

agregados seus pais.<br />

Aos 16 anos, publica em 12-01-<br />

1855 seu primeiro trabalho<br />

literário, o poema “Ela”, na<br />

revista Marmota Fluminense, de<br />

Francisco de Paula Brito. A<br />

Livraria Paula Brito acolhia<br />

novos talentos da época, tendo<br />

publicado o citado poema e feito<br />

de Machado de Assis seu<br />

colaborador efetivo.<br />

Com 17 anos, consegue emprego<br />

como aprendiz de tipógrafo<br />

na Imprensa Nacional, e<br />

começa a escrever durante o<br />

tempo livre. Conhece o então diretor<br />

do órgão, Manuel Antônio<br />

de Almeida, autor de Memórias<br />

de um sargento de milícias, que<br />

se torna seu protetor.<br />

Em 1858 volta à Livraria<br />

Paula Brito, como revisor e<br />

colaborador da Marmota, e ali<br />

integra-se à sociedade líterohumorística<br />

Petalógica, fundada<br />

por Paula Brito. Lá constrói o seu<br />

círculo de amigos, do qual faziam<br />

parte Joaquim Manoel de<br />

Macedo, Manoel Antônio de<br />

Almeida, José de Alencar e<br />

Gonçalves Dias.<br />

Começa a publicar obras românticas<br />

e, em 1859, era revisor<br />

e colaborava com o jornal Correio<br />

Mercantil. Em 1860, a convite de<br />

Quintino Bocaiúva, passa a fazer<br />

parte da redação do jornal Diário<br />

do Rio de Janeiro. Além desse,<br />

escrevia também para a revista<br />

O Espelho (como crítico teatral,<br />

inicialmente), A Semana Ilustrada<br />

(onde, além do nome,<br />

usava o pseudônimo de Dr.<br />

Semana) e Jornal das Famílias.<br />

Seu primeiro livro foi impresso<br />

em 1861, com o título<br />

Queda que as mulheres têm para<br />

os tolos, onde aparece como<br />

tradutor. No ano de 1862 era<br />

censor teatral, cargo que não<br />

rendia qualquer remuneração,<br />

mas o possibilitava a ter acesso<br />

livre aos teatros. Nessa época,<br />

passa a colaborar em O Futuro,<br />

órgão sob a direção do irmão de<br />

sua futura esposa, Faustino<br />

Xavier de Novais.<br />

Agosto de 1869 marca a data<br />

da morte de seu amigo Faustino<br />

Xavier de Novais, e, menos de<br />

três meses depois, em 12 de<br />

novembro de 1869, casa-se com<br />

Carolina Augusta Xavier de<br />

Novais.<br />

Sua união foi feliz, mas sem<br />

filhos. A morte de sua esposa, em<br />

1904, é uma sentida perda, tendo<br />

o marido dedicado à falecida o<br />

soneto Carolina, que a celebrizou.<br />

Seu primeiro romance, Ressurreição,<br />

foi publicado em 1872.<br />

Com a nomeação para o cargo de<br />

primeiro oficial da Secretaria de<br />

Estado do Ministério da Agricultura,<br />

Comércio e Obras Públicas,<br />

estabiliza-se na carreira<br />

burocrática que seria o seu<br />

principal meio de subsistência<br />

durante toda sua vida.<br />

Em 1881, com a posse como<br />

ministro interino da Agricultura,<br />

Comércio Obras Públicas do<br />

poeta Pedro Luís Pereira de<br />

Sousa, Machado assume o cargo<br />

de oficial de gabinete.<br />

Publica, nesse ano, um livro<br />

extremamente original, pouco<br />

convencional para o estilo da<br />

época: Memórias Póstumas de<br />

Brás Cubas — que foi considerado,<br />

juntamente com O Mulato,<br />

de Aluísio de Azevedo, o<br />

marco do realismo na literatura<br />

brasileira.<br />

Extraordinário contista, publica<br />

Papéis Avulsos em 1882,<br />

Histórias sem data (1884), Vária<br />

Histórias (1896), Páginas Recolhidas<br />

(1889), e Relíquias da<br />

casa velha (1906).<br />

Torna-se diretor da Diretoria<br />

do Comércio no Ministério em<br />

que servia, no ano de 1889.<br />

Grande amigo do escritor<br />

paraense José Veríssimo, que<br />

dirigia a Revista Brasileira, em<br />

sua redação promoviam reuniões<br />

os intelectuais que se identificaram<br />

com a idéia de Lúcio de<br />

Mendonça de criar uma Academia<br />

Brasileira de Letras.<br />

Machado desde o princípio<br />

apoiou a idéia e compareceu às<br />

reuniões preparatórias e, no dia<br />

28 de janeiro de 1897, quando se<br />

instalou a Academia, foi eleito<br />

presidente da instituição, cargo<br />

que ocupou até sua morte,<br />

ocorrida no Rio de Janeiro em 29<br />

de setembro de 1908. Sua oração<br />

fúnebre foi proferida pelo<br />

acadêmico Rui Barbosa.<br />

É o fundador da cadeira nº. 23,<br />

e escolheu o nome de José de<br />

Alencar, seu grande amigo, para<br />

ser seu patrono.<br />

Por sua importância, a<br />

Academia Brasileira de Letras<br />

passou a ser chamada de Casa de<br />

Machado de Assis.<br />

Dizem os críticos que Machado<br />

era “urbano, aristocrata,<br />

cosmopolita, reservado e cínico,<br />

ignorou questões sociais como a<br />

independência do Brasil e a<br />

abolição da escravatura. Passou<br />

ao longe do nacionalismo, tendo<br />

ambientado suas histórias sempre<br />

no Rio, como se não houvesse<br />

outro lugar. ... A galeria de tipos<br />

e personagens que criou revela o<br />

autor como um mestre da observação<br />

psicológica. ... Sua obra<br />

divide-se em duas fases, uma<br />

romântica e outra parnasianorealista,<br />

quando desenvolveu<br />

inconfundível estilo desiludido,<br />

sarcástico e amargo. O domínio<br />

da linguagem é sutil e o estilo é<br />

preciso, reticente. O humor pessimista<br />

e a complexidade do<br />

pensamento, além da desconfiança<br />

na razão (no seu<br />

sentido cartesiano e iluminista),<br />

fazem com que se afaste de seus<br />

contemporâneos.”<br />

Carlos Alberto Pereira de<br />

Araújo - Jornalista<br />

Os dados contidos neste artigo foram<br />

extraídos do site do biografado


<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Reconhecimento cabe à<br />

Justiça do Trabalho<br />

Cabe à Justiça Trabalhista<br />

processar e julgar o reconhecimento<br />

de vínculo empregatício<br />

e o conseqüente pagamento de<br />

FGTS e 13º salário em relação a<br />

todo o período trabalhado. A<br />

conclusão é da Terceira Seção do<br />

Superior Tribunal de Justiça<br />

(STJ), que determinou ser da<br />

competência do Juízo da Vara do<br />

Trabalho de São Sebastião (SP)<br />

julgar o processo movido por uma<br />

servidora contra o município de<br />

São Sebastião.<br />

Em julho de 2003, a servidora<br />

foi contratada pelo município<br />

par desempenhar serviços de<br />

professora permanecendo naquela<br />

função até dezembro de<br />

2005, em razão de duas prorrogações<br />

do contrato temporário.<br />

Segundo ela, apesar de ter sido<br />

contratada sob o regime da lei<br />

municipal que rege a contratação<br />

de pessoal em caso<br />

emergencial, caracterizou-se<br />

vínculo empregatício, pois o<br />

trabalho foi prestado de forma<br />

não eventual e continuadamente.<br />

O município, por sua vez,<br />

alegou que o contrato emergencial<br />

celebrado foi para o cargo de<br />

professora, em caráter precário,<br />

por excepcional interesse<br />

público, com base na lei municipal<br />

nº 1.027/95, que trata do regime<br />

estatutário.<br />

A questão chegou ao STJ por<br />

meio de um conflito de competência<br />

encaminhado para que se<br />

indicasse qual Juízo deveria<br />

decidir a questão – estadual ou<br />

trabalhista. O Juízo da 2ª Vara<br />

Federal de São Sebastião reconheceu,<br />

de oficio, sua incom-<br />

petência para conhecer a ação. O<br />

motivo foi a nova redação do<br />

artigo 114, inciso IV, da Constituição<br />

Federal, dada pela<br />

Emenda Constitucional 45/04.<br />

O Juízo da Vara de Trabalho<br />

de São Sebastião, por sua vez,<br />

entendeu de modo diferente.<br />

Para ele, a competência para o<br />

caso é da Justiça estadual, já que<br />

o vínculo entre a servidora e o<br />

Poder Público era estatutário,<br />

por se tratar de contrato<br />

temporário.<br />

REGIME. Ao analisar a<br />

questão, o relator, ministro<br />

Napoleão Nunes Maia Filho,<br />

destacou que, se a contratação,<br />

que deveria ter caráter temporário,<br />

passar indevidamente a<br />

ter cunho de permanência, o<br />

regime especial estará<br />

desnaturado, de modo que se<br />

deverá considerar o vínculo<br />

como de natureza trabalhista<br />

comum e eventuais litígios entre<br />

as partes deverão ser processados<br />

e julgados, conseqüentemente,<br />

pela Justiça do<br />

Trabalho.<br />

O ministro ressaltou, ainda,<br />

que a Lei nº 1.027/95, que regulou<br />

a matéria no âmbito local,<br />

seguindo as diretrizes traçadas<br />

pela Lei nº 8.745/93, estipulou o<br />

prazo máximo de seis meses para<br />

os contratos emergenciais. Para<br />

ele, as duas últimas contratações<br />

se deram por período superior<br />

ao admitido, fato que invalida a<br />

admissão temporária, podendo<br />

remanescer vínculo trabalhista,<br />

o que deverá ser definido pela<br />

autoridade competente no<br />

momento oportuno.<br />

Nota de Falecimento<br />

Registramos, com profundo pesar, o falecimento do nosso<br />

ilustre associado Dr. <strong>DA</strong>NTE SAMPAIO, que teve destacada<br />

atuação no extinto INAMPS e, quando obteve merecida<br />

aposentadoria, estava vinculado ao Ministério da Saúde.<br />

Enviamos nossas sinceras condolências à família do<br />

saudoso Procurador Federal.<br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 7<br />

Supermercado é<br />

condenado a ressarcir<br />

seguradora<br />

Um supermercado de Belo<br />

Horizonte terá que indenizar<br />

uma seguradora no valor de R$<br />

26.732,31, referente ao veículo de<br />

um cliente que foi furtado em seu<br />

estacionamento. A decisão é da<br />

9ª Câmara Cível do Tribunal de<br />

Justiça de Minas Gerais.<br />

O carro foi furtado no<br />

estacionamento do supermercado<br />

em 14 de novembro de 2003.<br />

o proprietário assistiu ao furto e<br />

pediu ajuda aos seguranças, que<br />

nada fizeram para evitar o<br />

delito. Em dezembro do mesmo<br />

ano, a seguradora indenizou-o no<br />

valor de R$ 26.732,31, quantia<br />

devida por contrato de seguro.<br />

A seguradora, então, ajuizou<br />

ação contra o supermercado,<br />

pleiteando o ressarcimento daquele<br />

valor, com o argumento de<br />

que o estabelecimento comercial<br />

é responsável pela guarda do<br />

veículo que está estacionado em<br />

suas dependências.<br />

O supermercado argumentou<br />

que o boletim de ocorrência<br />

O Superior Tribunal de<br />

Justiça (STJ) considerou que<br />

é possível o recebimento de<br />

duas aposentadorias em<br />

regimes distintos. A concessão,<br />

de acordo com a<br />

decisão da corte, depende da<br />

comprovação do desenvolvimento<br />

concomitante de<br />

atividades regidas em dois<br />

regimes de trabalho diferentes,<br />

ou seja, uma atividade<br />

no serviço público e outra na<br />

iniciativa privada.<br />

Quem solicitar a dupla<br />

apresentado não era suficiente<br />

para provar o furto e que o<br />

proprietário do veículo fez uso<br />

indevido do serviço, pois deixou<br />

o carro no estacionamento e não<br />

fez compra no local.<br />

O juiz José Washington<br />

Ferreira da Silva, da 20ª Vara<br />

Cível de Belo Horizonte,<br />

entendeu que o furto foi<br />

comprovado e que o fato de o<br />

proprietário do veículo não<br />

haver consumido nada no<br />

supermercado não exime este<br />

último da responsabilidade.<br />

O estabelecimento comercial<br />

recorreu ao Tribunal de Justiça<br />

(TJ-MG). A turma julgadora,<br />

formada pelos desembargadores<br />

Generoso Filho, relator,<br />

Osmando Almeida e Tarcísio<br />

Martins Costa, manteve a<br />

sentença, sob o argumento de que<br />

o Boletim de Ocorrência te fé<br />

pública e que, para contestar o<br />

seu conteúdo, é presido uma<br />

prova cabal, que não foi<br />

apresentada nos autos.<br />

STJ admite dupla<br />

aposentadoria<br />

aposentadoria deve atestar que<br />

contribuiu efetivamente para<br />

os dois regimes, pois a contribuição<br />

para os dois regimes<br />

distintos é obrigatória para a<br />

concessão de mais uma aposentadoria,<br />

segundo entendimento<br />

do STJ.<br />

Segundo os ministros da<br />

Terceira Seção, se a contribuição<br />

tiver ocorrido em um<br />

dos regimes de trabalho, a<br />

contagem do tempo servirá<br />

apenas para uma aposentadoria.


8 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Carlos<br />

Alberto<br />

Mambrini<br />

Diretor da<br />

<strong>APAFERJ</strong><br />

Porto Alegre, a cidade escolhida<br />

para sede do IX<br />

CONPAF, é a mais meridional<br />

das capitais de estados da<br />

federação. De beleza discreta e<br />

elegante, tem o segundo melhor<br />

índice de desenvolvimento urbano,<br />

atrás apenas de Florianópolis.<br />

Circundada por 40<br />

colinas e uma orla fluvial de 72<br />

km no místico paralelo 30° é<br />

berço de gente famosa que tem<br />

se destacado em todas as artes,<br />

e na política nacional. Sua<br />

população é de aproximadamente<br />

de 1300 000 pessoas, de<br />

origem portuguesa, italiana,<br />

alemã, portenha e mais de<br />

vinte etnias minoritárias, com<br />

o menor índice de analfabetismo<br />

do país. Suas ruas são<br />

arborizadas com 700 mil árvores,<br />

notadamente jacarandás,<br />

ipês, carvalhos e cinamomos,<br />

permitindo que cada munícipe<br />

tenha direito a aproximadamente<br />

a 17 metros quadrados<br />

de área verde.<br />

A cidade foi fundada pelos<br />

açorianos que desembarcaram<br />

no então Rio Guaíba, hoje<br />

chamado pelos geógrafos de<br />

lago, porque recebe as águas<br />

dos principais rios da região, o<br />

Cai e o dos Sinos. Possui um<br />

porto fluvial com acesso ao<br />

mar, uma vez que o lago se<br />

comunica com a Laguna dos<br />

Patos. Esta tem uma área de<br />

10.000 km2, 60 km de largura e<br />

cerca de 300 km de cumprimento<br />

em direção sul, desembocando<br />

no oceano Atlântico<br />

através da barra localizada na<br />

cidade do Rio Grande.<br />

Do seu porto, navios trazem<br />

e levam mercadorias de todo o<br />

mundo e embarcações turísticas<br />

passeiam pelos rios até a<br />

boca da Laguna dos Patos para<br />

contemplação da natureza e do<br />

famoso pôr-do-sol, que inspira os<br />

artistas, e os portoalegrenses<br />

afirmam ser o mais bonito do<br />

Brasil.<br />

Porto Alegre passou por lutas<br />

sangrentas antes de se firmar<br />

capital, por isto na sua bandeira<br />

está inscrito o título de mui leal<br />

e valerosa Cidade de Porto<br />

Alegre título concedido por D.<br />

Pedro II, porque seus habitantes<br />

resistiram durante uma década<br />

aos rebeldes Farroupilhas que a<br />

cercaram em 1835 ao fundarem<br />

a República Riograndense<br />

(Piratini) em oposição ao governo<br />

imperial localizado na cidade do<br />

Rio de Janeiro. O tratado de<br />

Poncho Verde deu fim à questão<br />

em 1845.<br />

Nestes 235 anos de história<br />

ocorreram outros movimentos<br />

revolucionários de grande importância,<br />

destacando-se, em<br />

1930, uma revolução de proporções<br />

nacionais que levou o<br />

advogado Getúlio Vargas de<br />

Porto Alegre até a capital da<br />

república, então no Rio de<br />

Janeiro, onde tomou o poder e<br />

permaneceu por mais de vinte<br />

anos. O consagrado escritor<br />

gaúcho Érico Veríssimo na sua<br />

magistral obra “O Tempo e o<br />

Vento”, constituída dos 7 livros,<br />

escritos ao longo de 27 anos,<br />

conta toda a saga desta gente do<br />

Sul, no período de 1750 até<br />

1945, que lutou e optou pelo<br />

Brasil.<br />

No centro alto de Porto<br />

Alegre encontra-se a famosa<br />

Praça da Matriz, onde estão<br />

localizados o Tribunal de Justiça,<br />

a Câmara dos Deputados, o<br />

Teatro São Pedro a Biblioteca<br />

Pública, a Catedral Metropolitana<br />

e o Palácio do Governo,<br />

conhecido como Palácio Piratini.<br />

Diariamente se realizam visitas<br />

guiadas para conhecer os salões<br />

do palácio e as pinturas do<br />

artista italiano Aldo Locatelli,<br />

indicado por Pio XII para decorar<br />

a catedral e que, apro-<br />

Porto Alegre<br />

veitando a sua estada no Brasil,<br />

registrou, no prédio do executivo,<br />

de forma espetacular, os fatos<br />

históricos da política gaúcha.<br />

Dizem os entendidos em pintura<br />

que os afrescos são tão expressivos<br />

quanto os da Capela Sistina<br />

no Vaticano.<br />

Antes de Brasília, Porto Alegre<br />

já possuía, há muitas décadas,<br />

sua praça dos três poderes, em<br />

estilo neoclássico e barroco, local<br />

histórico onde o então Governador<br />

do Estado Leonel Brizola


<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

para Congressistas<br />

com o apoio do povo gaucho,<br />

através da rádio da legalidade<br />

desafiou os políticos de Brasília<br />

e exigiu a posse imediata do Vice<br />

Presidente João Goulart, que era<br />

rejeitado e se encontrava na<br />

China quando o Presidente Janio<br />

Quadros renunciou.<br />

No centro baixo de Porto<br />

Alegre, se encontra a tradicional<br />

Rua dos Andradas, mais conhecida<br />

como Rua da Praia, pois<br />

o rio chegava até ali. Lá se<br />

encontra a Prefeitura, o porto, e<br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 9<br />

o antigo coração financeiro da<br />

cidade, com seus bancos, escritórios<br />

e casas comerciais O<br />

mercado Público construído em<br />

1869 no estilo neoclássico, abriga<br />

uma quantidade de bancas que<br />

oferecem alimentos variados e de<br />

qualidade, bem como artigos<br />

típicos e bons restaurantes de<br />

cozinha regional.<br />

A Praça da Alfândega é a<br />

mais central e cultural da cidade.<br />

Ali se realiza anual-


10 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

mente a feira do livro de Porto<br />

Alegre, e se encontram instalados<br />

o museu de Artes do Rio<br />

Grande do Sul e o Memorial do<br />

Estado. Próximo, se encontra a<br />

Casa de Cultura Mario Quintana,<br />

que abriga salas de cinema,<br />

teatro, cafés, livraria e salas para<br />

exposições e cursos. Foi inaugurado<br />

recentemente o Museu<br />

Iberê Camargo, projetado pelo<br />

arquiteto português Álvaro Siza,<br />

que foi premiado com o Leão de<br />

Ouro na 8ª Bienal de Arquitetura<br />

de Veneza. O prédio parece<br />

uma escultura urbana na paisagem<br />

de cidade o acervo do<br />

pintor é impar. Não deixe de<br />

visitar.<br />

Nos parques da cidade, aos<br />

domingos, os gaúchos aproveitam<br />

a vida ao ar livre tomando<br />

chimarrão e conversando de<br />

forma entusiasmada sobre os<br />

times de futebol mais populares<br />

como o Grêmio e o Internacional.<br />

O parque Farroupilha, conhecido<br />

também como Redenção, é o mais<br />

popular de todos. Tem 40<br />

hectares de área e um lago com<br />

barcos a remo de aluguel onde as<br />

famílias e os namorados se<br />

encontram para o lazer.<br />

As unidades mais antigas da<br />

Universidade do Rio Grande do<br />

Sul se encontram numa extremidade<br />

do parque Farroupilha,<br />

entre elas a Faculdade de<br />

Direito onde se formaram os<br />

Presidentes Getulio Vargas e<br />

João Goulart. No outro extremo<br />

do mesmo parque fica o atual<br />

Colégio Militar, antiga Escola<br />

Preparatória de Cadetes, onde<br />

estudaram quatro dos cinco<br />

Presidentes da Republica no<br />

regime militar. Não resta a<br />

menor dúvida de que este foi o<br />

parque que formou maior<br />

número de mandatários em toda<br />

história do Brasil e tudo indica<br />

que jamais será superado.<br />

Mas Porto Alegre não é só<br />

passado e história. É uma cidade<br />

trepidante e cosmopolita, com<br />

restaurantes da maior categoria,<br />

as melhores churrascarias e uma<br />

noite que não fica a dever a<br />

nenhuma outra do mesmo porte.<br />

Gaúcho também gosta de<br />

Shopping Center, por isto Porto<br />

Alegre tem 13, alguns monumentais,<br />

chegando a ficar um ao<br />

lado do outro. Vale um passeio<br />

num shopping seleto acoplado a<br />

hotel internacional de cinco<br />

estrelas na zona mais sofisticada<br />

da cidade no bairro dos Moinhos<br />

de Vento, cercado de bistrôs e<br />

bares charmosos onde pode-se<br />

ouvir músicas de um dos mais<br />

famosos compositores de música<br />

popular brasileira, o gaúcho<br />

Lupicinio Rodrigues, que foi<br />

bedel da Faculdade de Direito.<br />

Existem casas noturnas com<br />

programas para todos, casados,<br />

solteiros e outros. Uma das mais<br />

famosas, não só pelas suas<br />

instalações como também pela<br />

beleza de suas “freqüentadoras”<br />

está comemorando 30 anos e diz<br />

que vai promover a melhor festa<br />

do Brasil, na última semana de<br />

outubro. É só procurar os<br />

programas nos folders das<br />

portarias dos hotéis.<br />

No mais não deixe de fazer<br />

um city tour de ônibus para<br />

conhecer a história, a cultura, os<br />

museus, os parques e o inusitado<br />

da vida portoalegrense. Um<br />

passeio de vaporeto pelo delta do<br />

Rio Jacui, no Lago Guaíba e farol<br />

do Itapoã, onde começa a Laguna<br />

dos Patos, também agrada aos<br />

olhos. Parece até que você está<br />

no Rio Amazonas.<br />

Seja Benvindo Tchê.<br />

PS: O programa em Bento<br />

Gonçalves no Vale dos Vinhedos<br />

e os passeios de Maria Fumaça,<br />

incluindo a cidade de Gramado,<br />

são imperdíveis e encerram o IX<br />

Congresso Nacional dos Procuradores<br />

Federais com chave de<br />

ouro.<br />

À beira de um precipício só há uma maneira de andar<br />

para a frente: é dar um passo atrás.<br />

(M. de Montaigne)<br />

Segurado Inadimplente<br />

Receberá Indenização<br />

A Quarta Turma do Supremo<br />

Tribunal de Justiça determinou<br />

que uma seguradora indenize os<br />

prejuízos sofridos por um segurado<br />

que teve o veículo furtado<br />

quando estava inadimplente com<br />

o pagamento de parcela do<br />

seguro. Por unanimidade, a<br />

Turma entendeu que, “sob a<br />

égide do Código Civil anterior, o<br />

mero atraso no pagamento da<br />

prestação do prêmio do seguro<br />

não importa em desfazimento<br />

automático do contrato, para o que<br />

se exige, ao menos, a prévia<br />

constituição em mora do contratante<br />

pela seguradora, mediante<br />

interpelação”.<br />

M.F.S. ajuizou ação contra a<br />

SDB Companhia de Seguros<br />

Gerais, sustentando que a<br />

existência de previsão de pagamento<br />

de juros moratórios<br />

indica que ele pode ser feito com<br />

atraso sem provocar a antecipada<br />

desconstituição do contrato.<br />

Ressaltou, ainda, que os<br />

atrasos na quitação das parcelas<br />

anteriores sempre foram aceitos,<br />

sendo negado apenas o do mês do<br />

sinistro.<br />

A seguradora argumentou<br />

que, diante do inadimplemento<br />

da terceira das quatro parcelas<br />

do prêmio, a apólice foi automaticamente<br />

cancelada, de acordo<br />

com cláusula contratual, independentemente<br />

de interpelação.<br />

O Primeiro Tribunal de Alçada<br />

Civil de São Paulo julgou a ação<br />

improcedente e o segurado<br />

recorreu ao STJ para garantir a<br />

cobertura do veículo furtado.<br />

Citando precedentes da Corte,<br />

o relator do recurso, ministro<br />

Aldir Passarinho Junior, reconheceu<br />

que a matéria foi objeto<br />

de bastante controvérsia no STJ,<br />

até a Segunda Seção concluir ser<br />

necessária a prévia notificação<br />

do segurado para a sua constituição<br />

em mora e a suspensão ou<br />

rescisão do contrato, o que não<br />

se dá automaticamente.<br />

POSIÇÃO FLEXÍVEL.<br />

Acompanhando o voto do relator,<br />

a Turma optou por uma<br />

posição mais flexível, que dispensa<br />

o ajuizamento de ação<br />

pela seguradora, mas admite a<br />

suspensão do contrato após<br />

interpelação promovida pela<br />

contratada ao segurado, colocando-o<br />

em mora.<br />

“Tenho como necessária, porém<br />

suficiente, a interpelação<br />

feita ao segurado, advertindo-o<br />

sobre a mora e a suspensão dos<br />

efeitos do contrato até o pagamento”,<br />

ressaltou o relator.<br />

Para ele, isso é suficiente para<br />

impedir procedimento igualmente<br />

lesivo do contratante, sob<br />

pena de estimular o ilegítimo<br />

hábito de não pagar até a<br />

eventualidade do acidente e,<br />

então, pedir a cobertura com o<br />

concomitante recolhimento da<br />

parcela devida.<br />

Segundo o ministro, no caso<br />

em questão, não houve a interpelação<br />

para constituição em<br />

mora nem a ação judicial para<br />

resolução do contrato e, sem tais<br />

requisitos, a seguradora não poderia<br />

dar o contrato como<br />

automaticamente dissolvido,<br />

deixando de pagar pela indenização<br />

contratada e ainda íntegra,<br />

por sua omissão na tomada das<br />

mencionadas providências.<br />

Por unanimidade, a seguradora<br />

foi condenada ao pagamento<br />

do valor do seguro acrescido<br />

de juros moratórios a partir<br />

da citação, custas e honorários<br />

advocatícios fixados em 10%<br />

sobre o valor da condenação.<br />

Um livro é um mudo que fala, um surdo que responde,<br />

um cego que guia, um morto que vive.<br />

(Padre António Vieira)


<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Carmen Lucia Vieira<br />

Ramos Lima<br />

Procuradora Federal<br />

Difícil imaginar as organizações<br />

institucionais e financeiras<br />

no papel de salvadoras<br />

da Pátria. Ora, o lobo está<br />

sempre prestes a oferecer sua<br />

proteção e sua cesta de bolinhos,<br />

além de companhia, ao<br />

Chapeuzinho Vermelho, para<br />

que chegue com tranqüilidade<br />

à casa da Vovozinha. E assim,<br />

manter a presa bem presa.<br />

Difícil imaginar que os<br />

cidadãos da maior potência<br />

mundial tenham menos<br />

moradia própria, do<br />

que outros países endividados,<br />

considerados em desenvolvimento,<br />

etc. É claro que a<br />

total confiança que tais cidadãos<br />

mantêm nas instituições<br />

financeiras americanas<br />

sempre foi objeto de observação<br />

por especialistas dos<br />

mais variados setores sócioeconômicos.<br />

Como se não<br />

tivessem memória ou, somente,<br />

acreditassem que os tempos<br />

são cíclicos: hoje a roda está<br />

girando em baixa, amanhã<br />

retornará ao topo. Mas, já<br />

tiveram residências próprias.<br />

O sistema hipotecário passou<br />

a ser uma estratégia, uma<br />

solução: o cidadão nem sempre<br />

empregava o crédito advindo<br />

da hipoteca no real objetivo<br />

A principal proposta do programa de<br />

incentivo ao pagamento de débitos<br />

tributárlos de pequeno valor, anunciado<br />

pelo Governo recentemente, não encontra<br />

unanimidade entre advogados<br />

especializados na érea tributária. Com<br />

o objetivo de limpar o estoque de<br />

créditos de até R$ 10 mil, que até 31<br />

de dezembro do ano passado tenham<br />

necessário e nem a instituição<br />

financeira se preocupava com o<br />

fato: afinal, sempre seria<br />

possível uma nova hipoteca.<br />

Mas, para que se preocupar? Os<br />

EUA estavam atraindo tantas<br />

instituições financeiras, para o<br />

ramo especulativo imobiliário e<br />

o crédito tão generoso e<br />

contagiante, que a confiança no<br />

“american way of life” não<br />

merecia quaisquer cuidados.<br />

O importante é não perder a<br />

esperança: guerras continuarão<br />

a ser mantidas, o desemprego<br />

está bastante presente, a crise<br />

está sendo considerada completa,<br />

pelos especialistas,<br />

segundo a mídia, verbas para<br />

saúde e educação serão mais<br />

difíceis de serem liberadas do<br />

que para continuar a lutar para<br />

manter a hegemonia face à União<br />

Européia, principalmente. O que<br />

importa é que os reflexos não<br />

sejam tão fortes para os<br />

emergentes e estes tenham<br />

agora a sua oportunidade de<br />

serem solidários, sem serem<br />

”goelas”, mas possam<br />

crescer e serem respeitados e<br />

terem alguns dos seus modelos<br />

de desenvolvimento respeitados,<br />

nos setores primário e tecnológico,<br />

principalmente. E<br />

seus brilhantes expoentes nos<br />

demais setores, cérebros que<br />

antes saiam dos seus países para<br />

viver melhor, possam continuar<br />

a viver nas suas culturas, contribuindo<br />

para um desenvolvimento<br />

humano qualitativo e<br />

com menos competitividade<br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 11<br />

Mantendo a confiança<br />

em épocas de transição<br />

Viver as conseqüências das escolhas é próprio do ser<br />

humano, da humanidade. Pode-se esquecer que a<br />

globalização atinge o mundo inteiro e, por tabela, todos os<br />

países, uns mais outros menos?<br />

A moeda americana dita as regras das Bolsas de<br />

Valores mundiais, dos balanços comerciais. Deixou o dólar<br />

de ser mensuração de valor mundial, apesar da crise<br />

financeira que assola os Estado Unidos da América? Não é<br />

o que parece.<br />

A crise financeira que está a todo vapor, começou<br />

com a situação caótica imobiliária/ hipotecária americana.<br />

A grave situação desencadeada não levantou somente a<br />

solidariedade das diversas instituições financeiras que<br />

foram comprando dívidas e, também, quebrando, em efeito<br />

dominó, mas também estimulou aquelas instituições que<br />

vivem do risco e da esperança de serem socorridas pelos<br />

Governos Federais, caso não consigam multiplicar seus<br />

ativos financeiros e se beneficiarem do desespero daqueles<br />

que não agüentam esperar a luz no fim do túnel, e também<br />

serem socorridas. Cruel?<br />

O capitalismo em suas diversas modalidades de<br />

exploração não foi previsto por Karl Marx? Já não<br />

ocorreram outras crises abaladoras de alicerces de grandes<br />

potências mundiais?<br />

O crédito, como fator importante para o consumidor<br />

ter acesso aos bens materiais, ao gerar entusiasmo, não<br />

aliena o cidadão das suas responsabilidades de pagamento e<br />

não mantém a instituição financeira credora em atalaia,<br />

pronta para estimular o dito “entusiasmo” do credor, com<br />

vantagens “vantajosas”?<br />

selvagem. Sem nenhuma selvageria,<br />

talvez seja impossível,<br />

já que o ser humano embora<br />

considerado civilizado, é pre-<br />

Cobrança refinanciada<br />

vencido há mais de cinco anos, a iniciativa<br />

prevê a “contratação de instituições<br />

financeiras oficiais para a cobrança<br />

amigável dos débitos inscritos<br />

em Dívida Ativa”. Para alguns especialistas,<br />

a medida é inconstitucional,<br />

mas outros a vêem como positiva,<br />

principalmente pelas vantagens que traz<br />

para os contribuintes interessados em<br />

quitar o débito.<br />

O programa foi anunciado pelo<br />

procurador geral da Fazenda Nacional,<br />

Luis Inácio Adams, e deverá entrar em<br />

vigor em setembro por meio de meio<br />

de medida provisória. O Governo<br />

objetiva a extinção dos débitos inscritos<br />

ou não na Dívida Ativa até 31 de<br />

dezembro de 2007 e o pagamento, com<br />

Reflexões:<br />

Reflexões:<br />

dador.<br />

Dias melhores estão por vir.<br />

Tomara que seja para todo o<br />

Planeta.<br />

desconto ou parcelado, dos créditos<br />

vencidos em 3l de dezembro de 2005.<br />

Para esse caso, quanto menor o<br />

parcelamento, mais vantajosos são os<br />

incentivos. O projeto elimina as multas<br />

e o encargo legal para quem refinanciar<br />

a dívida em até seis vezes e reduz os<br />

Juros de mora para 30%.


12 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

José Salvador Iorio<br />

Procurador Federal<br />

SEGURO OBRIGATÓRIO<br />

POR <strong>DA</strong>NOS MATERIAIS A<br />

TERCEIROS<br />

Os Danos Materiais a Terceiros,<br />

de pequena monta, cometidos<br />

no trânsito, tanto nas<br />

vias urbanos ou interestaduais,<br />

representam a maioria<br />

dos sinistros. Ocorre que uma<br />

elevada parcela dos veículos<br />

que circulam não são segurados.<br />

A falta de um seguro que<br />

cubra esses eventos, leva a<br />

atritos e agressões. A busca<br />

dessas reparações, assim, só<br />

virá por decisão no Judiciário,<br />

que, já assoberbado, demandará<br />

tempo. Se oficialmente<br />

esse seguro for instituído, será<br />

a solução há muito esperada,<br />

e as decisões serão rápidas,<br />

sem maiores delongas.<br />

Criado o Seguro ora sugerido,<br />

há que ser pago junto<br />

com o licenciamento anual,<br />

como ocorre com o DPVAT,<br />

levando todos os veículos a<br />

estar cobertos.<br />

Sua importância e os seus<br />

reais benefícios são inegáveis.<br />

Assim, somente com a iniciativa<br />

de nossos parlamentares<br />

para que possa ser criado.<br />

Hoje, não mais podemos aceitar<br />

que um veículo se licencie<br />

e transite sem estar coberto<br />

por seguro.<br />

Consideremos, ainda, que<br />

crescente será o número de<br />

veículos que passarão a<br />

fazer parte da frota automotiva,<br />

o que proporcionalmente<br />

aumentará o numero de<br />

sinistros, reforçando, ainda<br />

mais, a necessidade de tal<br />

seguro.<br />

Uma sociedade em cres-<br />

cente progresso e evolução há<br />

que se organizar e adotar medidas<br />

que aperfeiçoem sua maquina<br />

administrativa.<br />

IMPOSTO ÚNICO E A<br />

BUROCRACIA<br />

O Imposto Único é visto como<br />

uma alternativa de simplificar e<br />

desburocratizar. Proporcionará<br />

economia de tempo, de material<br />

e promoverá a facilidade de<br />

controle e fiscalização. A burocracia<br />

que hoje emperra e dificulta<br />

a máquina administrativa<br />

se reduzirá, trazendo maior<br />

presteza e agilidade.<br />

As empresas terão suas escriturações<br />

contábeis simplificadas,<br />

e será um duro golpe<br />

contra a sonegação a adoção<br />

dessa forma única de recolhimento.<br />

O Brasil está entre os oitos<br />

países mais industrializados do<br />

Mundo. Lógico adotar medidas<br />

como esta, para que não se veja<br />

tropeçando na burocracia que<br />

entrava, dificulta e complica a<br />

vida das empresas e do cidadão.<br />

Essa burocracia que ora se faz<br />

presente, em meu entender, cria<br />

campo propício para a sonegação<br />

e outras ilicitude fiscal.<br />

A Burocracia é perniciosa à<br />

administração. A reportagem<br />

publicada no Jornal do Brasil do<br />

dia l0 do corrente informa que<br />

dificultamos a atuação das empresas.<br />

Diz que o Brasil aparece<br />

no 125°. entre 181 países, no<br />

relatório Doing Business 2009,<br />

do Banco Mundial, que mensura<br />

a facilidade para abrir empresas<br />

e fazer negócios. No corpo da<br />

matéria comenta que o Brasil<br />

continua entre os países menos<br />

atraentes para se abrir empresas.<br />

Enquanto na Nova Zelândia<br />

é necessário l (um) dia<br />

para se abrir uma empresa, no<br />

Brasil se exige 152 (cento e<br />

cinqüenta e dois) dias.<br />

Lembremos também das<br />

Caleidoscópio<br />

Micro Empresas que são os<br />

pulmões da economia de uma<br />

nação. Todas as facilidades<br />

devem a elas ser oferecidas.<br />

Ocorre, no entanto, devido à<br />

burocracia e à carga fiscal<br />

vigente, que muitas delas<br />

morrem no nascedouro ou<br />

optam por atuar no mercado<br />

paralelo. Para elas, a adoção<br />

do imposto único será a<br />

medida ideal que lhes permitirá<br />

sobrevida.<br />

O DESCOMPROMISSO<br />

Ao nos deparar com a corrupção,<br />

injustiça social, programa de<br />

amparo social paliativo nos leva<br />

a pensar na falta de compromisso<br />

com o futuro da Nação.<br />

Prejudicados ficam os atendimentos,<br />

em áreas vitais como<br />

saúde, educação, segurança e<br />

transportes, por falta de recursos.<br />

Tal quadro os mantêm<br />

desatualizados sem acompanhar<br />

os avanços científicos e da tecnologia<br />

de ponta.<br />

É crescente a falta de mãode-obra<br />

técnico-especializada<br />

no mercado de trabalho,<br />

necessidade que aumentará<br />

face à crescente procura a<br />

exemplo o Pré-Sal, que muito<br />

dependerá dessa disponibilidade<br />

de mão-de-obra.<br />

Sem educação, saúde, segurança<br />

e transportes não há como<br />

progredir, crescer, prosperar,<br />

pois são instrumentos básicos de<br />

uma Nação para o seu desenvolvimento,<br />

soerguimento e crescimento,<br />

e assim alcançar novas<br />

e sucessivas etapas de progresso.<br />

O desinteresse na preservação<br />

das nossas tradições e<br />

raízes culturais é outra das<br />

preocupações, pois, se instala<br />

um processo de aculturação,<br />

passando a se adotar tradições,<br />

hábitos e costumes<br />

alienígenas que fragilizam o<br />

sentimento pátrio.<br />

Face a todos esses aspectos,<br />

sinto que vivemos descompromissados<br />

com a pátria, com o<br />

nacionalismo. Nossos jovens<br />

despreparados para assumir o<br />

destino da pátria, pois, caberá<br />

a eles, como nossos sucessores,<br />

dar essa continuidade. Que<br />

perspectivas teremos para o<br />

futuro, a manter-se o quadro<br />

vigente?<br />

Uma Nação que abdica de<br />

seu passado não terá presente<br />

e muito menos futuro,<br />

pois, em que exemplo e base<br />

cultural irá se apoiar para<br />

tomar suas decisões? Esse<br />

desinteresse leva a uma situação<br />

nostálgica, dando as<br />

costas para o futuro, enquanto<br />

nossas riquezas são<br />

exploradas indo promover o<br />

bem estar e o enriquecimento<br />

das nações-sede<br />

dessas empresas.<br />

TERRA SEDENTA<br />

Lembremo-nos de Paulo<br />

Afonso, quando se dizia “que<br />

estava rouca de tanto gritar<br />

para que aproveitassem sua<br />

energia”. Hoje, sua hidroelétrica<br />

promove riquezas e<br />

bem estar.<br />

Também o Nordeste aí<br />

está “clamando através do<br />

tempo, e mesmo implorando<br />

por atenção, irrigação,<br />

cuidado. Por uma política<br />

mais firme, sincera de enfrentamento<br />

de suas problemáticas<br />

climáticas, econômicas<br />

e sociais”. Só assim<br />

poderão os nordestinos experimentar<br />

progresso, prosperidade,<br />

bem estar, retornando<br />

aos áureos tempos que marcaram<br />

o seu passado.<br />

Essa recuperação permitirá<br />

que voltem a produzir, pois,<br />

mesmo esquecidos, eles se<br />

mantêm operosos, esperançosos,<br />

fortes, firmes em seus


<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Allan Soares<br />

Procurador<br />

Federal<br />

“O mal de Governos<br />

não é a falta de persistência,<br />

mas a<br />

persistência na falta”.<br />

(Barão de Itararé)<br />

Vitória está quase sempre<br />

na mão de Júpiter. Ela é<br />

caracterizada com asas, certamente<br />

para evidenciar seu<br />

caráter fugidio. Para que<br />

Vitória permanecesse com<br />

eles, os Atenienses ergueram<br />

um grande templo a ela, sem<br />

asas, querendo, assim, demonstrar<br />

que a mesma se fixou<br />

com eles.<br />

Vitória foi o que tivemos,<br />

quando, após dura luta, saiu<br />

em 2006, pela MP n o 305, a<br />

remuneração através de subsídio,<br />

sendo dada, igualmente,<br />

a toda Advocacia Pública e, na<br />

mesma base, a ativos e aposentados.<br />

Essa forma remuneratória<br />

impediu a concessão de gratificações,<br />

adicionais, abonos,<br />

representações etc diferenciadas<br />

a ativos e inativos, o que<br />

era, há anos, habitual e sempre<br />

lesiva aos aposentados, já que<br />

driblava a obrigatória paridade<br />

constitucional.<br />

De lá para cá, tornou-se<br />

indiscutível que essa instituição<br />

do subsídio constituiu-se<br />

sentimentos patrióticos e de<br />

amor a sua terra, na certeza de<br />

conseguir a atenção merecida.<br />

O aproveitamento de<br />

suas terras degradadas as<br />

tornará produtivas, concorrendo<br />

para salvar grande<br />

parte de nossas florestas,<br />

na vitoriosa Lei Áurea dos<br />

Procuradores Aposentados,<br />

além de ser um fator unificante<br />

da Advocacia Pública.<br />

Agora, altos agentes públicos,<br />

de Poderes diversos, suscitam a<br />

possibilidade de contornar estritos<br />

limites do subsídio e acrescentar<br />

a ele adicionais de tempo<br />

de serviço (anuênios) ou outro<br />

tipo de penduricalho, a fim de<br />

melhorarem suas remunerações.<br />

Tal pretensão é inconstitucional,<br />

bastando que se atente<br />

aos termos categóricos do<br />

parágrafo 4 o , do artigo 39, da<br />

Constituição Federal, textualmente:<br />

“Parágrafo 4 o : O membro de<br />

Poder, o detentor de mandato<br />

efetivo, os Ministros de Estado<br />

e os Secretários Estaduais e<br />

Municipais serão remunerados<br />

exclusivamente por subsídio<br />

fixado em parcela única,<br />

vedado o acréscimo de qualquer<br />

gratificação adicional,<br />

abono, prêmio, verba de representação<br />

ou outra espécie<br />

remuneratória, obedecido em<br />

qualquer caso o disposto no art.<br />

37, X e XI.” (grifei)<br />

Essa é questão consensual<br />

entre Constitucionalistas:<br />

“A Emenda 19 trouxe modificações<br />

ao sistema de remuneração,<br />

que agora é feita em<br />

parcela única, denominada<br />

subsídio. A intenção é obter um<br />

controle efetivo do que é recebido<br />

por tais agentes, impedindo<br />

o acréscimo de vantagens<br />

pessoais e qualquer<br />

espécie de gratificação, abono,<br />

ajuda de custo etc.” (em<br />

Direito Constitucional, p.302,<br />

hoje derrubadas sob pretexto<br />

de buscarem áreas para<br />

plantio, o que só tem promovido<br />

a destruição ambiental.<br />

O Nordeste é uma região<br />

com extensas costas marítimas,<br />

o que permite, a baixo<br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 13<br />

A vitória do Subsídio<br />

de SYLVIO MOTTA,<br />

Elsevier Ed., <strong>2008</strong>)<br />

“SUBSÍDIO COMO PAR-<br />

CELA ÚNICA<br />

Registre-se a intenção de<br />

acabar com o sistema remuneratório<br />

que vinha vigorando<br />

desde a promulgação do texto<br />

de 1988. A partir de agora as<br />

categorias de agentes públicos<br />

não poderão perceber o padrão<br />

fixado em lei mais as famosas<br />

vantagens pecuniárias previstas<br />

nos Estatutos. Daí o dispositivo<br />

vedar expressamente o<br />

acréscimo de qualquer gratificação,<br />

adicional, abono, prêmio,<br />

verba de representação<br />

ou outra espécie remuneratória.”<br />

(em Constituição<br />

Federal Anotada, p. 698, de<br />

VADI LAMMÊGO BULO,<br />

Ed. Saraiva)<br />

“A proibição expressa de<br />

acréscimos de qualquer gratificação,<br />

adicional, abono,<br />

prêmio, verba de representação<br />

ou outra espécie remuneratória<br />

reforça o repúdio ao<br />

conceito tradicional e elimina<br />

o vezo de fragmentar a remuneração<br />

em MÚLTIPLOS<br />

PENDURICALHOS, QUE<br />

DESFIGURAM O SIS-<br />

TEMA RETRIBUTÓRIO<br />

DO AGENTE PÚBLICO,<br />

GERANDO DESIGUAL-<br />

<strong>DA</strong>DES E INJUSTIÇAS”.<br />

(em Comentário Contextual à<br />

Constituição, p. 355, de<br />

JOSÉ AFONSO <strong>DA</strong> SILVA,<br />

5 a ed., Ed. Malheiros) (grifei)<br />

Cumpre ressaltar que aparentes<br />

exceções, que se poderiam<br />

citar, seriam as derivadas<br />

de vantagens como 13 º salário,<br />

custo, a irrigação pelas águas<br />

do mar, cuja tecnologia hoje é<br />

plenamente dominada por<br />

nações com as mesmas características<br />

climáticas. Podemos,<br />

ainda, com esta forma<br />

de irrigação promover a<br />

revitalização do Rio São<br />

subsídio noturno maior que o<br />

diurno, salário-família, férias<br />

com 1/3 a mais. Porém, há, por<br />

igual, nesses casos, subsídio<br />

com parcela única, que, somente<br />

ao ensejo dessas situações,<br />

é superior ao habitual.<br />

Particularizando a matéria,<br />

entendo que nós, Procuradores<br />

Federais, mesmo que outros<br />

agentes públicos busquem<br />

caminhos que levem à violação<br />

do subsídio constitucional,<br />

temos é que perseguir a majoração<br />

de nosso subsídio ou a<br />

antecipação dos valores constantes<br />

da Tabela referente às<br />

Carreiras da Área Jurídica.<br />

Isso porque a existência e o<br />

respeito à legislação constitucional<br />

são os pressupostos<br />

inarredáveis de uma sociedade<br />

democrática.<br />

Quando se obscurece o entendimento<br />

das regras do jogo<br />

ou se violam seus critérios em<br />

favor de algum segmento ou<br />

Poder, se está violentando<br />

relevante preceito igualitário.<br />

Se uma norma constitucional,<br />

de indispensável interesse<br />

público, depender da<br />

voluntariedade e prestígio de<br />

determinados agentes públicos,<br />

como ficarão os Princípios da<br />

Moralidade Administrativa, da<br />

Universalidade e da Igualdade<br />

de Tratamento para todos?<br />

No início deste artigo, escrevi<br />

como os Gregos conservavam<br />

entre eles a Vitória. Para<br />

manter íntegro o subsídio,<br />

como os Atenienses, que construíram<br />

a Vitória sem asas, temos<br />

de preservar o subsídio entre,<br />

nós, sem penduricalhos.<br />

Francisco, de suma importância<br />

estratégica para a<br />

região.<br />

Concluindo, é oportuno<br />

lembrar: ao desenvolvermos<br />

um pensamento, não deixar<br />

nos envenenar pela vaidade.


14 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

II Seminário Brasileiro Sobre Advocacia Pública Federal<br />

Dando continuidade às reuniões<br />

mensais para comemorar o<br />

aniversário dos nossos colegas, o<br />

dia 30 de setembro foi de grande<br />

significado, quando tivemos a<br />

alegria de homenagear os aniversariantes<br />

do mês. Dentre os<br />

presentes os Drs. Fernando<br />

Colega Procurador, visite a sua<br />

Associação. A <strong>APAFERJ</strong> está localizada no<br />

centro do Rio de Janeiro. Dispomos de<br />

uma biblioteca totalmente informatizada.<br />

Venha saborear um cafezinho com<br />

biscoitos, mas principalmente venha rever<br />

velhos companheiros.<br />

Com as ilustres presenças<br />

dos Ministros Gilmar<br />

Ferreira Mendes,<br />

José Antonio Dias Toffoli<br />

e Marco Aurélio Mello,<br />

do Presidente do Senado<br />

Garibaldi Alves e da Câmara<br />

dos Deputados Arlindo<br />

Chinaglia, foi realizado<br />

o II Seminário Brasileiro<br />

sobre a Advocacia<br />

Pública Federal.<br />

Dentre os temas abordados<br />

foi enfatizado o<br />

objetivo de preservar<br />

uma imagem de transparência, modernidade<br />

e domínio do conhecimento jurídico,<br />

metas que a AGU vem pautando em seus<br />

15 anos de existência.<br />

A <strong>APAFERJ</strong> foi representada por seu<br />

Presidente, Dr. Marcio Alemany e o<br />

Aniversáriantes do mês<br />

Carneiro, Emygdio Lopes Netto<br />

e Napoleão Pereira Guimarães,<br />

ladeando o Dr. Rosemiro Robinson<br />

Silva Junior (penúltimo à<br />

esquerda), que não é aniversariante,<br />

mas que veio trazer seu<br />

abraço aos amigos.<br />

Diretor de Comunicação, Dr. Antonio<br />

Calmon.<br />

A cerimônia realizou-se no Centro de<br />

Convenções do Brasília Alvorada Towers<br />

Hotel, em Brasília, nos dias 10 e 12 do<br />

corrente mês.


<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

D I R E T O R I A<br />

PRESIDENTE - José Marcio Araujo<br />

de Alemany<br />

VICE-PRESIDENTE - Rosemiro<br />

Robinson Silva Junior<br />

DIRETOR ADMINISTRATIVO -<br />

Miguel Carlos Melgaço Paschoal<br />

DIRETOR ADMINISTRATIVO<br />

ADJUNTO - Maria Auxiliadora<br />

Calixto<br />

DIRETOR FINANCEIRO - Fernando<br />

Ferreira de Mello<br />

DIRETOR FINANCEIRO ADJUNTO<br />

- Dudley de Barros Barreto Filho<br />

DIRETOR JURÍDICO - Hélio Arruda<br />

DIRETOR CULTURAL - Carlos<br />

Alberto Mambrini<br />

DIRETOR DE COMUNICAÇÃO -<br />

Antonio Carlos Calmon N. da Gama<br />

DIRETOR DE PATRIMÔNIO - Celina<br />

de Souza Lira<br />

DIRETOR SOCIAL - Gracemil<br />

Antonio dos Santos<br />

CONSELHO DELIBERATIVO<br />

NATOS:<br />

1. WAGNER CALVALCANTI DE<br />

ALBUQUERQUE<br />

2. ROSEMIRO ROBINSON SILVA<br />

JUNIOR<br />

3. HUGO FERNANDES<br />

TITULARES:<br />

1. FRANCISCO PE<strong>DA</strong>LINO COSTA<br />

2. LUIZ CARLOS DE ARAUJO<br />

3. ALLAM CHERÉM SOARES<br />

A P A F E R J<br />

Rua Álvaro Alvim, 21/2º andar CEP: 20031-010<br />

Centro - Rio de Janeiro - Sede Própria<br />

e-mail: diretoria@apaferj.org.br<br />

portal: www.apaferj.org.br<br />

Tel/Fax: (21)2532-0747 / 2240-2420 / 2524-6729<br />

4. FERNANDO CARNEIRO<br />

5. EMYGDIO LOPES BEZERRA<br />

NETTO<br />

6. EDSON DE PAULA E SILVA<br />

7.SYLVIO MAURICIO FERNANDES<br />

8. TOMAZ JOSÉ DE SOUZA<br />

9. SYLVIO TAVARES FERREIRA<br />

10. PEDRO PAULO PEREIRA DOS<br />

ANJOS<br />

11.MARIA DE LOURDES CALDEIRA<br />

12. MARILIA RUAS<br />

13. ALUISIO MESSIAS GOMES<br />

14. NEWTON JANOTE FILHO<br />

15. JOSÉ PIRES DE SÁ<br />

SUPLENTES:<br />

1. IVONE SÁ CHAVES<br />

2. ROSA MARIA RODRIGUES<br />

MOTTA<br />

3. MARIA LUCIA DOS SANTOS DE<br />

SOUZA<br />

4. PETRÓNIO LIMA CORDEIRO<br />

5. LUIZ CARLOS DE SÁ PEIXOTO<br />

UCHÔA<br />

CONSELHO FISCAL<br />

TITULARES:<br />

1. JOSÉ CARLOS <strong>DA</strong>MAS<br />

2. JOSÉ SALVADOR IÓRIO<br />

3. WALDYR TAVARES FERREIRA<br />

SUPLENTES:<br />

1. JOSÉ RUBENS RAYOL LOPES<br />

2. EUNICE RUBIM DE MOURA<br />

3. MARIA CONCEIÇÃO FERREIRA<br />

DE MEDEIROS<br />

Jornal da <strong>APAFERJ</strong><br />

Editor Responsável: Milton Pinheiro - Reg. Prof. 5485<br />

Corpo Editorial: Hugo Fernandes, Rosemiro Robinson Silva Junior,<br />

Fernando Ferreira de Mello, Carlos Alberto Mambrini, Miguel Carlos<br />

Paschoal, Antonio Calmon da Gama<br />

Supervisão Geral: José Márcio Araújo de Alemany<br />

Supervisão Gráfica: Carlos Alberto Pereira de Araújo<br />

Reg. Prof.: 16.783<br />

Editoração e Arte: Jane Fonseca - jane_fonseca@terra.com.br<br />

Impressão: Tipológica<br />

Tiragem: 2.500 exemplares<br />

Distribuição mensal gratuita.<br />

Os artigos assinados<br />

são de exclusiva responsabilidade dos autores<br />

As matérias contidas neste jornal poderão ser publicadas,<br />

desde que citadas as fontes.<br />

<strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong> 15<br />

ANIVERSARIANTES outubro<br />

01 CLAUDIO DE ANDRADE MANNARINO - M. FAZ<br />

RAMOS - INSS<br />

22 <strong>DA</strong>LMO CRUZ SILVA - INSS<br />

01 FRANCISCA SILVA ROSAS 22 FRANCISCO CARLOS C.N. <strong>DA</strong><br />

GOMES - UFRJ<br />

GAMA - INSS<br />

01 MAURO CABRAL TEIXEIRA - 22 GERSON PAULO<br />

AGU<br />

SAMMARTINO - FNS<br />

02 ANTONIO TRAJANO L. R. <strong>DA</strong> 22 SOLANGE SANTIAGO REIS -<br />

SILVA - M. FAZ<br />

SUSEP<br />

03 HERVAL <strong>DA</strong> SILVA FRANÇA - 23 ABIGAIL DE CASTRO<br />

INSS<br />

CARVALHO ROSA - INCRA<br />

03 JOSÉ TORRES DE MEDEIROS 23 LUCI ROMANO VILLELA<br />

- INSS<br />

TEIXEIRA - MPAS<br />

03 VALÉRIO NUNES VIEIRA - AGU 24 ANTONIO CARLOS C.<br />

04 DORIS AMORIM DIAS - INSS CARVALHO SÁ - M. SAÚDE<br />

04 ONILO <strong>DA</strong> SILVA - INSS 24 FRANCISCO PE<strong>DA</strong>LINO<br />

04 RICARDO DE GODOY COSTA - M. FAZ<br />

JAGUARIBE - EMBRATUR<br />

24 LILIAN DE PAULA <strong>DA</strong> SILVA -<br />

05 AYRTON ALVES B. E CÂMARA AGU<br />

- INSS<br />

24 MANUEL DE JESUS SOARES<br />

05 JOANA D’ARC TENÓRIO - - CBIA<br />

INSS<br />

24 ROSA VIRGINIA C. DE<br />

06 JOSÉ CARLOS MACHADO - CARVALHO - AGU<br />

INSS<br />

25 ANA LUCIA <strong>DA</strong> ROCHA - AGU<br />

08 PERLA KUPFER - INSS 25 LUCY <strong>DA</strong> COSTA ARAUJO -<br />

11 GUILHERME BAL<strong>DA</strong>N C. DOS INSS<br />

SANTOS - AGU<br />

26 FRANCISCO AUGUSTO<br />

12 SUELY COTTA C. DE OLIVEIRA RAMOS - EMBRATUR<br />

- CNEN<br />

26 LEILA ROCANCOURT B.<br />

13 FREDERICO TEIXEIRA MARTINS - INSS<br />

BARBOSA - AGU<br />

26 ROBERTO OSMAN GOMES<br />

15 LUZIMAR THEREZINHA B. DE AGUIAR - AGU<br />

NEIVA - INPI<br />

27 LÉA PONTES CASTELLO<br />

15 REYNALDO FRANCISCO MÔRA BRANCO - AGU<br />

- AGU<br />

27 LUIZ CARLOS DE ARAUJO -<br />

16 JONATHAS JESUINO <strong>DA</strong> SILVA Dep. P. Fed.<br />

- UFRJ<br />

27 NEY MADEIRA - INSS<br />

16 MARLY DE FIGUEIREDO T. 28 ELIAS MARQUES BARRETO -<br />

PARANHOS - INSS<br />

M. SAÚDE<br />

17 TERESA ANGÉLICA 28 WALKIRIA CORDEIRO GERK<br />

FOLLADOR - INCRA<br />

- MPAS<br />

18 ARINALDO DOS SANTOS - 29 AUGUSTO GONÇALVES <strong>DA</strong> S.<br />

INSS<br />

NETO - AGU<br />

18 OTTO VICTOR DE BRITO - 29 HELOISA FERNANDES<br />

INSS<br />

LONDON - INSS<br />

20 MANOEL FORTUNATO R. DE 29 JOÃO RODRIGUES ITABORAY<br />

AZEVEDO - INCRA<br />

- M. JUSTIÇA<br />

20 PEDRO PEREIRA DOS SANTOS 29 MARIA HELENA WOISKY<br />

- M. TRANSP<br />

FALCÃO - EMBRATUR<br />

21 JESY BARBOSA RANGEL - M. 30 FABIO MARCELO DE R.<br />

SAÚDE<br />

DUARTE - AGU<br />

21 MARCELLO TEIXEIRA 30 MARIA AUXILIADORA<br />

BITTENCOURT - AGU<br />

CALIXTO - MPAS<br />

21 NATAN ANTONIO DE SOUZA - 30 VILMA FREITAS DE M.<br />

AGU<br />

MARCONDES - AGU<br />

21 SERGIO RUBENS W.<br />

MARANHÃO - MPAS<br />

21 VICENTE SERGIO<br />

No próximo dia 28 de outubro vamos fazer<br />

uma festa para comemorar o seu aniversário<br />

COMPAREÇA.<br />

Com a sua presença haverá mais alegria e confraternização.


16 <strong>JORNAL</strong> <strong>DA</strong> <strong>APAFERJ</strong><br />

<strong>SETEMBRO</strong> <strong>2008</strong><br />

Rosemiro Robinson<br />

S. Junior<br />

Vice-Presidente<br />

Fortibus est fortuna<br />

viris data –<br />

(Macróbio,<br />

saturnais, 6,1,62)<br />

“A fortuna é dada aos<br />

varões fortes”<br />

Meus caros e fiéis leitores: há<br />

precisamente um ano escrevi,<br />

para este jornal, uma crônica<br />

intitulada: Sinfonia de Sentimentos,<br />

pedindo vênia para<br />

transcrever um trecho do<br />

aludido trabalho, que se adapta,<br />

mutatis mutandis, ao IX<br />

CONPAF, a ser realizado em<br />

Porto Alegre, a bela Capital do<br />

Rio Grande do Sul, no período de<br />

27 a 31 de outubro próximo<br />

vindouro:<br />

“A <strong>APAFERJ</strong>, como habitualmente<br />

tem feito, se prepara<br />

para participar de mais<br />

um CONPAF, em conjunto,<br />

agora, com o VIII Congresso<br />

Nacional da ANAJUR, de 19 a<br />

23 de novembro próximo,<br />

quando ouviremos monumentais<br />

conferencistas, aprimoraremos<br />

os nossos conhecimentos<br />

e confraternizaremos<br />

com velhos e novos amigos,<br />

todos irmanados pelas mesmas<br />

idéias e pelos mesmos<br />

ideais, caminhando coesos e<br />

firmes rumo a elevados objetivos,<br />

os quais, para alguns,<br />

poderão parecer inatingíveis,<br />

mas deverão ser sempre<br />

perseguidos, com persistência,<br />

dedicação e audácia, qualidades<br />

inerentes à complexa<br />

mas instigante profissão de<br />

Advogado, obedecendo à sabedoria<br />

do vetusto axioma:<br />

PEÇO A PALAVRA<br />

Cavalgada nas nuvens<br />

“Não há mingúem tão grande<br />

que nada tenha a aprender,<br />

nem tão pequeno que nada<br />

tenha a ensinar”.<br />

Na terra gaúcha nasceram,<br />

brilharam e brilham ainda o<br />

notável Jurista Raymundo<br />

Faoro, o genial Poeta Mário<br />

Quintana, o magnífico Romancista<br />

Érico Veríssimo e o<br />

fenomenal Compositor Lupiscínio<br />

Rodrigues, entre outros<br />

portentosos astros, que se consagraram<br />

nacionalmente e até<br />

mesmo no exterior, proclamando<br />

a tradição e a pujança dos<br />

Pampas, cuja riqueza não está<br />

apenas na indústria, e na agropecuária,<br />

mas, além disso, na<br />

fibra, na coragem e na generosidade<br />

do povo do Rio Grande<br />

do Sul, que deu ao Brasil uma<br />

plêiade de verdadeiros titãs,<br />

dignos de nosso orgulho e<br />

reconhecimento.<br />

Seria injustificável esquecer<br />

os ciclópicos homens que atuaram<br />

na Política, valendo citar, en<br />

passant, Bento Gonçalves, um<br />

dos líderes da Revolução Farroupilha,<br />

Leonel Brizola, que<br />

duas vezes governou o Estado do<br />

Rio de Janeiro, Osvaldo Aranha,<br />

Ministro da Justiça de Getúlio<br />

Vargas, que com este assinou o<br />

Decreto de criação da Ordem dos<br />

Advogados do Brasil – OAB e,<br />

nec plus ultra, Getúlio Vargas,<br />

o maior Estadista da República<br />

brasileira, o qual, inequivocamente<br />

mudou os rumos do<br />

nosso País, lançando os alicerces<br />

para a construção de uma Nação<br />

moderna, próspera e grandiosa.<br />

Dois dias após o suicídio do<br />

Presidente Getúlio Vargas, o<br />

Senador Kerginaldo Cavalcanti<br />

de Albuquerque, do Rio Grande<br />

do Norte, em candente discurso<br />

proferido perante o Congresso<br />

Nacional, assim se expressou em<br />

relação ao imortal brasileiro:<br />

“Getúlio Vargas levantou bem<br />

alto a bandeira nacionalista,<br />

plantou-a, irredutível, sobre o<br />

Pão de Açúcar e lá está ela,<br />

drapejando, tremulando para<br />

todos os ventos dos quadrantes<br />

nacionais.<br />

A morte, Sr. Presidente, é<br />

apenas uma episódio na vida<br />

dos homens que sentem e<br />

amam, como amou e sentiu<br />

profundamente o grande vulto<br />

de patriota desaparecido.<br />

Ninguém mais do que ele<br />

sofreu, sofreu tremendamente,<br />

carregando sobre os<br />

ombros o peso dos nossos<br />

infortúnios, acicateados como<br />

sempre fomos pela exploração<br />

dos trustes internacionais,<br />

que querem e pretendem<br />

esmagar esta nação em cujos<br />

alicerces se encontra o sangue<br />

de Tiradentes.<br />

Ninguém, neste instante, na<br />

República, foi maior que<br />

Getúlio Vargas. Neste último<br />

acontecimento de sua vida,<br />

nesta página que dobrou s<br />

obre o próprio destino, salvou<br />

os últimos vestígios da honra<br />

do povo brasileiro” (apud<br />

Diário do Congresso Nacional<br />

de 26.08.1954).<br />

Mas, celebrando a Vida e<br />

comemorando as vitórias conquistadas,<br />

cavalguemos nas nuvens<br />

rumo aos Pampas, onde<br />

trilharemos – quem sabe? – os<br />

mesmos caminhos percorridos<br />

por gaúchos notáveis e ouviremos<br />

a canção do Minuano, olvidando<br />

as asperezas do nosso<br />

cotidiano, envoltos no manto da<br />

amizade e da solidariedade,<br />

sentimentos que nos animam a<br />

prosseguir, com vontade, destemor<br />

e obstinação, pela longa<br />

estrada vital, na certeza de que<br />

estamos fazendo o melhor possível<br />

com vistas ao fortalecimento<br />

e à valorização da Advocacia<br />

Pública Federal, um dos<br />

pilares que sustentam o Estado<br />

brasileiro e, por extensão, a<br />

própria sociedade.<br />

Tenho a convicção de que<br />

quando retornarmos ao Rio de<br />

Janeiro, nossos corpos nutridos<br />

pelo delicioso churrasco e pelo<br />

precioso vinho, e nossas mentes<br />

enriquecidas pelos ensinamentos<br />

ministrados e pela magnífica<br />

confraternização, estaremos<br />

mais fortes e determinados<br />

para buscar os nossos<br />

relevantes e legítimos objetivos<br />

e, em decorrência, a Fortuna nos<br />

sorrirá, não apenas sob o ângulo<br />

material, porém, fundamentalmente,<br />

por obtermos a concretização<br />

de nossos ideais e, quando<br />

isso ocorrer, recordaremos os<br />

bons momentos vividos na terra<br />

gaúcha e escutaremos novamente,<br />

melodiosa e envolvente,<br />

a canção do Minuano.<br />

Como se vê, o Rio Grande do<br />

Norte se uniu ao Rio Grande do<br />

Sul e aos demais Estados brasileiros<br />

para prantear e homenagear<br />

o Estadista máximo do<br />

nosso País, o que nos serve de<br />

estímulo para fazermos a jornada<br />

inversa à que ocorreu na Revolução<br />

de 1930, todos simbolicamente<br />

pilchados, com bombachas,<br />

pala, chapéu, botas e<br />

esporas, cavalgando não um<br />

pingo arisco e veloz, mas, nos<br />

tempos de hoje, instalados, comodamente,<br />

em moderno avião<br />

que, num ápice, nos levará da<br />

antiga Capital da República á<br />

terra de Getúlio Vargas e de<br />

outros gaúchos que contribuíram,<br />

de modo efetivo e decisivo,<br />

para o desenvolvimento<br />

de nossa Pátria amada: Brasil.

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