sumário - Eletronorte

eln.gov.br

sumário - Eletronorte

SUMÁRIO

ENTREVISTA

Ziraldo Alves Pinto

Página 3

MEIO AMBIENTE

Peixes que valem ouro

Página 9

ENERGIA ATIVA

Corrente Contínua, pedra

fundamental da comunicação

institucional da Eletronorte

Página 18

TECNOLOGIA

As fi bras da telecomunicação

Página 39

CORRENTE ALTERNADA

Página 43

CIRCUITO INTERNO

Página 46

AMAZÔNIA E NÓS

Página 48

CORREIO CONTÍNUO

Página 50

FOTOLEGENDA

Página 51

SCN - Qd. 6 - Cj. A

Ed.Venâncio 3000

Bl. B- Sl. 305 - Brasília/DF

CEP: 70716-900

Fones:(61) 3429 6146/ 6164

e-mail: imprensa@eln.gov.br

site: www.eletronorte.gov.br

(Prêmio 1998/2001/2003)

TRANSMISSÃO

Educação ambiental e

arqueologia:quando uma

linha de transmissãofornece

mais do que energia

Página 24

GERAÇÃO

Segurança de barragens, a

engenharia da prevenção

Página 34

Conselho Editorial: Diretor-Presidente, Carlos Raimundo Nascimento; Diretor de

Planejamento e Engenharia, Adhemar Palocci; Diretor de Produção e Comercialização,

Wady Charone; Diretor Econômico-Financeiro, Astrogildo Fraguglia Quental; Diretor de

Gestão Corporativa, Manoel Ribeiro; Gerentes Regionais - Coordenação de Comunicação

e Relacionamento Empresarial: Zenon Pereira Leitão - Gerência de Imprensa: Alexandre

Accioly - Edição e Reportagem: Alexandre Accioly (DRT 1342-DF), Bruna Maria Netto

(DRT 8997-DF), Byron de Quevedo (DRT 7566-DF), César Fechine (DRT 9838-DF),

Michele Silveira (DRT 11298-RS), Núcleos de Comunicação das unidades regionais

Capa: Sandro Santana - Fotografi a: Rony Ramos, Roberto Francisco, Alexandre Mourão,

Núcleos de Comunicação das unidades regionais - Tiragem: 10 mil exemplares


ENTREVISTA

“Esta é a entrevista mais verdadeira

que eu já dei na minha vida!” (Ziraldo Alves Pinto)

No próximo dia 24 de outubro o pintor, cartazista,

jornalista, teatrólogo, chargista, caricaturista

e escritor Ziraldo Alves Pinto completa 75 anos

de vida. Neste 2007 comemoram-se também os 60

anos de trabalho desse artista que vem pontuando

a vida cultural brasileira com personagens, livros,

revistas e jornais sempre marcantes na história

recente do País.

A Turma do Pererê, Flicts, O Pasquim, Supermãe,

Menino Maluquinho, Menina Nina, Bundas, quem

nunca leu ou viu nada que tenha saído das mãos de

Ziraldo? Sem falar naquela

clássica crônica

que não tem a letra O!

Entrevistamos Ziraldo

no fi nal da tarde do

dia 7 de junho de 2002,

na pérgola da piscina

do Hotel Augustus, em

Altamira, oeste do Pará.

O Brasil já assistia aos

jogos da seleção pentacampeã

da Copa do

Mundo de futebol e nós

descansávamos (!) de

uma tarde fatigante.

Ziraldo acabara de autografar

uns duzentos

gibis da reedição da

primeira história da

Turma do Pererê (patrocinada

pela Eletronorte)

- acontecida em 1962,

quando o Brasil se preparava

para a Copa do

Mundo do Chile.

A criançada de Altamira, que naquele dia participava

de diversas atividades organizadas pela

Eletronorte em comemoração ao Dia Mundial do Meio

Ambiente, correu pro cais do Rio Xingu e sob um sol e

calor escaldantes pôde fi car perto de um dos maiores

ídolos da literatura infantil que já tivemos em todos

os tempos.

Foi um dos quatro eventos organizados pela Empresa

no Pará durante a Semana do Meio Ambiente

daquele mês de junho que contou com a participação

do cartunista. Em Altamira, o relançamento

do gibi; em Tucuruí, a inauguração de um bosque;

em Breu Branco, a entrega de obras sociais e em

Belém, a abertura do espaço Procel no Planetário

(foto ao centro).

Na piscina, lembrando de uma música de Lamartine

Babo, Serra da Boa Esperança, Ziraldo

disse: “Vou contar a minha vida!” E contou mesmo.

Desde a saída de Caratinga, a passagem por

Belo Horizonte, a chegada ao Rio de Janeiro, a

paixão pela família, o convívio com uma geração

de bambas do humor e a criação de uma dezena

de personagens até culminar com o lançamento do

Menino Maluquinho.

A entrevista fi cou de ser publicada nesta revista,

mas por diversas razões acabou por aguardar este

momento especial, quando comemoramos os 30

anos da Corrente Contínua, inovando mais uma vez

a linha editorial e gráfi ca. É uma entrevista especial,

para uma edição especial. Com o bom humor

nas alturas, mais uma vez Ziraldo dá mostras da

sua capacidade de inventar, de criar e de procurar

sempre um jeito de sermos mais brasileiros e mais

felizes. Confi ra os principais trechos da entrevista

sobre a qual ele declara: “é a mais verdadeira que já

dei na vida porque contei coisas que nunca havia

contado pra ninguém”.

3


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Caratinga

“Cheguei ao Rio de Janeiro pela primeira vez em

1948, quando terminei o científi co e fui procurar

saber o que ia fazer da minha vida. Em 51 tive que

servir o exército e me alistei como pára-quedista,

tava doido pra saltar de pára-quedas. Meu pai me

chamou: ‘Você já se alistou?’ ‘Já e tal’. ‘Você não

quer fazer o tiro de guerra em Caratinga, não?’ Papai

era amoroso, mas um superpai. Eu já gostava muito

do Rio, mas tinha arrumado uma namorada em

Caratinga e já tava doido pra voltar. Aí quando foi de

tarde papai me disse: ‘Olha, você já tá alistado lá

em Caratinga, tem um sargento amigo meu e tal’. Aí

eu voltei pra Caratinga e foi o ano mais feliz da minha

vida. O tiro de guerra era uma festa, uma farra,

uma coisa maravilhosa. Eu era presidente do Centro

de Estudantes e tinha baile o tempo todo. E tinha

um time de basquete que disputava campeonatos

no interior de Minas. Um time entusiasmadíssimo

chamado Vigapepizi: era formado por cinco amigos

da infância e adolescência: Viggiano (Alan), Galileu,

Pedro Vieira, Pimentel e Ziraldo: Vigapepizi. Bom de

nome, ruim de basquete. Um vexame!”

Primeiros passos

“Eu comecei desenhando meus colegas de colégio,

mas nos dois anos que passei no Rio já tinha

publicado numa porrada de revistas. Com 16 anos

fui chegando e publicando, eram histórias em quadrinhos

infanto-juvenis. De volta a Caratinga, mandava

meus desenhos pra revista Cigarra, que era mensal,

e pra Cruzeiro, que era semanal. Mas em Caratinga

a gente só queria saber de festa e de namorar, íamos

à cidade vizinha namorar as moças de lá e elas

também vinham namorar a gente. Aí dava nove, dez

horas da noite, a gente entregava as namoradas em

casa e ia todo mundo pra zona. Aliás, hoje lá no cais

do Xingu vi uma menina de calça roxa igualzinha à

minha primeira namorada na zona. Naquela época

era assim, os garotos se iniciavam ali e eu tinha até

ciúme dessa menina, chamada Neide, era muito

bonitinha, tinha uma cicatriz na boca. E tinha um

corpo monumental, muito parecido com a menina

que vimos hoje, eu olhei e pensei: gente, a Neide

não morreu! (risos)”.

Belo Horizonte

“Saí de Caratinga de novo e fui para Belo Horizonte,

antes de voltar pro Rio. A Nacional Transportes

Aéreos inaugurou a linha BH/Caratinga e o pessoal

tomou conhecimento de Belo Horizonte, que a gente

não conhecia, ninguém sabia escalar o Cruzeiro ou o

Atlético, não sabíamos nada de BH. O relacionamento

de Caratinga era muito maior com o Rio e Vitória (ES).

Todos os viajantes, todas as compras de armazém,

era tudo com Vitória. Em BH, como bom mineiro, eu

conheci, de cara, o Paulinho Mendes Campos. Tinha

um grupo de intelectuais e a gente lia Manchete, assinávamos

revistas americanas e líamos o Millôr na

Cruzeiro. A diferença entre nós, naquele momento,

e o pessoal que fi cou em Caratinga, é que o pessoal

de lá lia Seleções Readers Digest e a gente em BH lia

Manchete, uma revista que era moderna e instigante

e para a qual o Paulo Mendes Campos já escrevia.

Além disso, as namoradas de Belo Horizonte eram

lindas e eu passei no vestibular e comecei a fazer

Direito, ao mesmo tempo em que continuei a desenhar

e fui trabalhar em agência de publicidade. Fazia

uma página na Folha de Minas. O Borjalo foi pro Rio

trabalhar na Manchete e eu fi quei no lugar dele. Tinha

uma página semanal de humor que fazia o maior

sucesso. Engraçado como o cartum e a caricatura

faziam sucesso naquela época”.

Rio de Janeiro

“Não tinha mais Careta,

nem O Malho, já tinham passado,

essas revistas todas.

Mas tava todo mundo vivo, o

J. Carlos, o Aquarone, o Raul

Pederneiras, o Mendez, esse

povo todo tava vivo. Através

do Millôr comecei a tomar

contato com o mundo e não

perdi meus contatos com

a revista Cigarra. Aí criei

uma série de cartuns tendo

como personagem o canguru.

Peguei cento e tantos

cartuns do canguru e levei

na Cruzeiro, no Rio. Foi um

impacto, todo mundo veio

ver o menino de Belo Horizonte.

Eu comecei a comprar

revistas americanas e aprender o mecanismo de fazer

cartum com os caras mais famosos do mundo. Fiz

um cartum do canguru que o pessoal riu demais: o

canguruzinho na bolsa da mãe e um toldo por cima.

Saiu até uma matéria: “Ziraldo veio pro Rio na bolsa

do canguru!” Fui trabalhar na Cruzeiro e seis meses

depois escolhia a capa da revista. Fui morar em Copacabana

e no meu primeiro aniversário do Rio, eu

já casado, o cara da Colombo (a Confeitaria) soube

e quis fazer a festa. Perguntou quantas pessoas,

eu disse: ‘umas cinqüenta’! ele, ‘vou arranjar umas

coisinhas’.Parecia mais uma festa pra rainha da Inglaterra.

Tinha tanta comida e garçons que as coisas

fi caram espalhadas pelo corredor, uma loucura que

eu nunca tinha visto”.


Vilma

“Antes disso, volto a BH pra conversar com um

amigo: ‘Cara, o que eu faço, tô noivo?!’ E ele: ‘Você

é o velho provinciano que vai pra capital e chega lá

e descobre que o mundo é aquilo, você é mais uma

vítima dessa babaquice, um rapaz que não respeita

as origens’. E decidimos que eu tinha de fazer aquilo

mesmo; manter a palavra. Aí casei com Vilma em

1957. Eu que já havia vivido cinqüenta crises de

paixão por ela, era muito apaixonado. Namoramos

sete anos e me apaixonei e desapaixonei pela Vilma

umas 500 vezes ao longo da nossa vida em comum.

E agora tá ruim rapaz, tem dois anos que ela morreu

e eu tô naquela crise de não achar justo. Foi daí, em

conversas com a minha neta sobre a morte da avó,

que veio a história do meu livro Menina Nina. Vivi com

a Vilma toda a minha vida adulta, desde que saí do

Exército. Desde que a conhecei nunca mais tive um

dia em que ela não estivesse nele. Foram 50 anos.

Com Vilma nunca fui um indivíduo, nunca tomei uma

decisão sozinho, nunca fi z um escândalo: quantas

vezes tive vontade de rodar a baiana e não rodei por

causa da Vilma?”

Amor e trabalho

“Converso muito com meus fi lhos sobre a importância

do amor e do trabalho na vida da gente. Tem

pessoas para quem o amor é a coisa mais importante

da vida delas. É um sentimento muito mais feminino

que masculino. Quando uma mulher se apaixona

ela larga tudo. Um caso dos mais representativos é

o da mulher do Euclides da Cunha. O cara matoulhe

o marido e o fi lho e ela fi cou com ele até o fi nal.

Assim, como tem pessoas para quem o centro da

vida é o amor do outro ou pelo outro, tem pessoas

para quem o que fazer da vida é que é o mais importante.

Hollywood fez uns 500 fi lmes sobre isto: o

mais importante da minha vida é o amor ou minha

carreira? Tem a história do Louis Armstrong. Casou

e só viveu 18 dias com a primeira mulher. Separou,

casou de novo. Durou seis meses. Casou de novo e

este casamento durou a vida inteira. É que esta sabia

que estava casando com o Louis Armstrong, o maior

músico do jazz. Por que meu casamento com Vilma

durou tanto? Porque quando nos casamos ela já sabia

que eu era eu. Não houve surpresas. Eu sou muito

centrado no que faço. Outro dia meu fi lho chegou

em casa, eu tava desenhando, ele disse: ‘Vem ver

um fi lme, pai. Vem descansar.’ Ora, fazer o que eu

gosto é o que me descansa.”

Turma do Pererê

“Casei com a Vilma e fomos morar na praça do

Lido, em Copacabana. O apartamento era mínimo.

Não tinha nem quarto de empregada. Mas era um

apartamento sensacional, num prédio símbolo de

Copacabana. Todo art-decó, em plena Avenida

Atlântica. Pra quem tinha vindo de Caratinga... Por

ali passou todo mundo que se possa imaginar. Era

caminho entre o Fiorentina e a Gôndola e todo mundo

que passava e via a luz do nosso apartamento acesa,

subia. O porteiro não dormia, chegava gente toda

hora, Sérgio Ricardo, Chico de Assis, Carlos Leonan,

Antônio Pitanga, Jaguar, Millôr... Até o Caetano e o

Gil passaram por lá antes de embarcar para São

Paulo. Ali nasceram meus três fi lhos e até o Chico

Buarque nasceu naquele edifício. Eu já trabalhava

na Cruzeiro, onde fi quei por sete anos, de 57 a 64.

E também já tinha nascido a Pererê! Eu queria fazer

história em quadrinhos quando descobri os cartuns.

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Foi quando virei cartunista e passei a fazer parte da

turma dos quatro meninos do Millôr: Jaguar, Claudius,

Fortuna e eu. Éramos hiperdesenhistas e o cartum

naquela época tinha prestígio internacional. Quando

surgiu a chance de fazer o Pererê eu já fazia uma

série de piadinhas do personagem na Cruzeiro. A

revista decidiu que devia haver uma revista nacional

de história em quadrinhos e encomendou projetos

a mim, ao Carlos Estevão e ao Péricles, do Amigo

da Onça. O Péricles fez o Oliveira, o Trapalhão, mas

não conseguiu terminar, suicidou-se antes. O Carlos

Estevão fez a dele por uns cinco meses e fi z a Pererê

por cinco anos, até 1964. A história em quadrinhos

era muito cara, os homens já sabiam que a revolução

não viria, aí, acabaram com a minha revistinha

tão nacionalista. Tive a primeira crise existencial da

minha vida”.

Anos de chumbo

“Começa uma fase de sofrimento, apesar de minha

querida amiga Marina Colassanti me censurar

porque, numa entrevista, eu disse que não sabia o

que era sofrimento. A Marina disse que eu era um

vegetal. Deus tinha até ali me poupado de duas

coisas: sofrimento e azia (risos). Eu tenho dor de

barriga, mas azia eu não tenho. Mas foram duros

os anos que sofri, rapaz. Eu, com 32 anos, já tinha

feito o Pererê, quando descobri a possibilidade do

Brasil se assumir culturalmente, quer dizer, um Brasil

brasileiro poderia ser feito. Veio o Teatro Brasileiro

de Comédia, a UNE, a reforma de bases. Eu era, até

então, fascinado pelos Estados Unidos. Aí, comecei

a descobrir meus amigos de esquerda e a descobrir

a esquerda. Foi nesse tempo, entre o fi m

da Pererê e o início de O Pasquim, em 68. Foram

anos de sofrimento. Comecei a publicar uma página

inteira no Jornal do Brasil, aos domingos, numa

época de muita rejeição e eu não suporto rejeição.

Sofro!... Jaguar, Fortuna e Claudius se reúnem para

fazer a primeira publicação de protesto, um livro

chamado Hay Govierno, e não falam comigo. Isto me

deu uma rejeição mortal. ‘Pô, você é um alienado’,

diziam todos os que se encontravam engajados. E

eu: ‘Pô, mas eu fi z o coelhinho vermelho, minha

revista estava comprometida com todos os sonhos

políticos da minha geração’. Eu queria mesmo era ir

pra luta. Mesmo! Mas, não posso levar a Vilma nisso,

não posso me engajar, eu não sou um só. Já tinha

as duas fi lhas, Daniela e Fabrizia. Quando fi zemos

a passeata dos cem mil, começam a acreditar que

eu era do quadro do partidão. Mas nunca fui. Me

contentei em ser massa de manobra, linha auxiliar...

o que eles, na época, chamavam de inocente útil.

Só que eu não era tão inocente assim. Estava mais

para atormentado útil”.

O Pasquim

“Aí surge a idéia de fazer uma publicação de

protesto. Eram Fortuna, Jaguar, Claudius e eu,

mas quem mobilizava a turma era o Millôr (Na foto

acima, Millôr, Jaguar e Ziraldo). Aí, tem uma reunião

na minha casa, fi lmada pelo David Neves, para a

fundação dessa publicação de humor e protesto.

Antes disto, eu tinha sido diretor de arte da Visão e

publicado cartuns no mundo inteiro. Aí fecharam o

Manequinho, no Correio da Manhã, página de humor

político do Fortuna, onde todos colaborávamos. Além

de nós quatro e o Millôr, estiveram lá em casa, nesta

reunião, esses meninos todos que já colaboravam

com o Manequinho. Eles vieram, chefi ados pelo

Henfi l. Entre eles, estavam Miguel Paiva, o Juarez

Machado, o Redi, o Mayrink, o Vagn. Cinco velhos

e os meninos: deu um racha na reunião. O pessoal

optou por uma cooperativa pra fazer o jornalzinho

de combate. Metade para os cinco velhos e metade

para a rapaziada nova. O Henfi l disse: ‘nem pensar’

e foi embora com os meninos. Eu queria fazer um

jornal pra botar pra quebrar. Já tinha um agente em

Nova Iorque e, se não desse certo, ia embora. Essa

reunião e outras para fundar nosso panfl etário jornal

deram em nada. Um dia, o Jaguar me liga dizendo

que tinha arrumado um distribuidor que topava

bancar a publicação e a distribuição em banca.

Ele disse: ‘Como o Sérgio Porto morreu, o Tarso

de Castro vai editar, o Claudius, Carlos Prosperi e

o Sérgio Cabral estão com a gente e o jornal vai se

chamar O Pasquim.’ Eu disse: ‘Ah, Jaguar, eu quero

fazer um jornal independente, com distribuidor

envolvido como vai ser independente?’ Além disso,

o Millôr também disse que não ia e, se ele não ia,

eu também não. Dias depois, eu estava em São


Paulo, liga a Vilma dizendo que o Jaguar tava lá em

casa, dizendo que eu havia autorizado ele a pegar

uns desenhos dos Zeróis, inéditos, para publicar

no Pasquim, junto com um texto do Millôr. Pronto,

saíram dois desenhos meus no Pasquim e o artigo

do Millôr que virou antológico porque dizia que a

imprensa e a publicidade eram um balcão de secos

e molhados! (risos). Tiraram vinte mil exemplares.

Era junho de 69, com o Ibrahim Sued na capa. Não

era um jornal político, não era. Nem o Jaguar nem

o Tarso de Castro tinham pretensões políticas, não

tinha ninguém político no Pasquim, talvez só o Sérgio

Cabral, que tinha sido do partidão. O Tarso era

um bon vivant que queria conquistar o Rio, como

de fato conquistou e teve todas as mulheres que

quis na cama. Tarso era bonito, não tinha nenhum

impedimento moral e passava uma segurança incrível

pras mulheres. Dormiu com todas, até com a

Candice Berger”.

Flicts

“O Pasquim sai com vinte mil exemplares como

um jornal ipanemense indignadinho, mas a edição

esgotou em dez minutos. A segunda em meia hora

e a terceira também, somando tudo dava uns oitenta

mil exemplares. Tiramos cem mil no segundo número.

Quando já começávamos a ser postos contra a

parede, começou a surgir gente nova como o Henfi l.

E veio o Francis, e outros mais. Aí as circunstâncias

nos transformaram

num jornal de humor

político, um jornal de

combate. Um jornal

que virou um símbolo

da resistência. Quanto

às famosas entrevistas

do Pasquim, elas eram

daquele jeito porque na

verdade ninguém tinha

saco de editar. A redação

era meio bagunça

e a gente decidia editar

as entrevistas na íntegra

e quando não dava pra

entender a gravação,

dizíamos: põe aí ‘ruídos’

ou ‘risos’, o que acabou

também virando o maior

sucesso (risos). E fomos levando porrada atrás de

porrada até chegar as bombas na redação. O Pasquim

teve mil edições, durando até a anistia, quando

perde sua força. Mas até aí ele foi signifi cativo, com

o grande momento das entrevistas com os que estavam

voltando do exílio. Com a campanha da anistia

o Pasquim encerra um ciclo. Eu saio do jornal. No

mesmo ano e mês de lançamento do Pasquim, eu

tinha lançado Flicts e feito um sucesso igual ao do

Pasquim. Nunca um livro fez tanto sucesso na cidade,

virou uma paixão. No lançamento, das nove

da manhã às duas da madrugada, autografei uns

1.200 exemplares do livro. Não teve um cronista da

imprensa brasileira que não tenha dado a notícia

do lançamento e do sucesso de Flicts. Mas não dei

continuidade à minha carreira de escritor infantil.

Fiquei no Pasquim”.

Menino Maluquinho

“Depois de dez anos fazendo o Pasquim, meus

amigos sendo presos, por coincidência no ano da

anistia, lanço o Menino Maluquinho na Bienal do

Livro de São Paulo, em 1980. De cara o livro vende

cem mil exemplares. Não sou a referência do Menino

Maluquinho, mas quando criança usava panela na

cabeça enquanto os meninos botavam chapéu de

jornal dobrado: eu era o capitão, pô! (risos). O sucesso

do Menino Maluquinho todo mundo conhece, chegou

ao cinema e à televisão. Eu já tinha criado muitos personagens,

Jeremias, o Bom; os Zeróis, a Supermãe,

Mineirinho Comequieto... Mas nenhum deles fez mais

sucesso do que o Menino Maluquinho. Por falar na

Supermãe, o substantivo está, primeiro no Aurélio,

depois em todos os nossos dicionários brasileiros.

Deixei de publicar o Jeremias, quando entrei pro

Pasquim. Fiz ele voar, sumir: ele chega em casa, tira

o paletó, a gravata e, quando tira a camisa, tem duas

asas. Sai, então, voando e nunca mais aparece. Teve

ainda o Sêo Pinto... tudo morre na vida, todo mundo

teve um personagem por muito tempo e depois mata

esse personagem. Muito antes do Angeli matar a Rê

Bordosa, o Henfi l matou a Graúna, o Fradim..., o

Conan Doyle matou o Sherlock Holmes. Chega uma

hora que a gente já não suporta mais o cara. Mas

personagens infantis não morrem nunca”.

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Ler é melhor que estudar

“Estamos aqui

em Altamira, no

dia 7 de junho de

2002, editando

esta historinha de

60 anos. Esta é a

entrevista mais verdadeira

que eu já

dei na minha vida,

tem um monte de

coisas aí que eu

nunca contei pra

ninguém”.

(Durante três

dias Ziraldo esteve,

a convite da

Eletronorte, em

Altamira (foto abaixo), Tucuruí, Breu Branco e

Belém, em contato com o povo e as crianças da

região. Seu carisma é absoluto. Menino maluquinho

que é, sua filosofia foi desenvolvida na

Mata do Fundão: “Ler é melhor que estudar”,

ensina às crianças; e continua a correr atrás dos

seus sonhos, como o Compadre a correr atrás

do Galileu: “eu ainda pego essa onça!” Agora,

em agosto de 2007, Ziraldo complementa esta

entrevista com o depoimento a seguir).

Aquela noite em Altamira

“Querido Alexandre, li com o maior interesse a

entrevista em que, tomados de deslumbramento

que as paisagens que nos cercavam naquele

longínquo pedaço do Brasil, produziam em nós

- que, encantados, nos descobrimos mutuamente

- perpetramos esta entrevista, encharcada de

uísque e alegria. Acho que nós dois exageramos:

ela não tem tanta importância, a gente estava

empolgado e você, essa pessoa rara, continuou

empolgado até hoje. Muita coisa mudou na

minha vida nestes cinco anos que nos separam

daquela noite em Altamira. (Que belo título para

um livro: “Aquela noite em Altamira”). Peraí, o

pessoal vai achar que a gente é caso (risos).

Não tem perigo. Nós somos espadas e, por esta

razão, continuemos. Falei tanto na Vilma naquela

noite e, veja você, hoje sigo a minha vida com

outra companheira. É como se fosse uma outra

vida. Um preço bastante caro para viver duas vidas

em uma só existência. Mas independe de nossas

decisões. Hoje estou casado com uma moça loura e

linda, completamente diferente da Vilma que, entre

outras diferenças, era morena. Mas linda, também.

Quando eu digo loura linda você vai achar que, como

um velho gaiteiro, me casei com uma mocinha. Nada

disso. Ela é uma mulher feita, feitíssima, que tem o

dom de ser também, fi lha de meu tio mais querido,

meu tipo inesquecível, meu

herói, irmão de minha mãe,

que se chamava, para seus

sobrinhos, Tilcinho, e para a

vida prática, Wilson. Quando

a Márcia nasceu, eu morava

na casa deste meu tio e

juro que não cantei para ela

aquela canção que o Cláudio

Cavalcanti cantava numa

novela e que se chamava

‘Menina’, lembra? E nem

ela cantou para mim. O

tempo é que tece o nosso

tempo. Agora sim, estou

contando pra você, coisa

que nunca contei pra ninguém.

No mais, continuo

trabalhando sem olhar

para o espelho. Só as

falhas do meu corpo me

avisam que já passei da

hora... Mas eu não tomo

conhecimento das falhas

do meu corpo”. (Fotos e

ilustrações: Arquivo Ziraldo/

Eletronorte)


MEIO AMBIENTE

Peixes que valem ouro

Byron de Quevedo

O antigo texto bíblico sobre a multiplicação

de pães e peixes, em que Jesus Cristo,

milagrosamente, sacia a fome de cinco mil

seguidores seus pelo deserto, já mostra

a preocupação dos grandes líderes com

a produção de alimentos. Aumentar essa

produção continua a ser meta fundamental

dos governos através dos tempos. E, certamente,

uma preocupação divina, prova

disso é a grande diversidade de fontes ricas

de nutrição na natureza. Notadamente os

produtos derivados dos peixes, umas das

primeiras opções alimentares, têm hoje

outras utilidades na indústria, na medicina,

no turismo, nas artes e nos esportes. Na

Amazônia, que guarda cerca de 20% de

toda a água doce do mundo, os peixes se

multiplicaram e, mais uma vez, como um

milagre, lá a pesca se tornou generosa e

promissora. Cuidar e aumentar esse acervo

é preciso. E se é verdade que nossos peixes

valem ouro, a nossa água não tem preço.

“Devemos preservar até por

precaução, pois nunca se sabe

quando uma espécie se mostrará útil.

Devemos usar o que está na natureza,

preservando as espécies com

racionalidade e inteligência, sem

depredar os ecossistemas”

(Juras).

A extinção de fl orestas, a contaminação, o

assoreamento de rios e o crescimento populacional

apontam para previsões pouco

otimistas para vários países e já está sendo

dito por muitos como sendo este “o século

da fome”. Peixes: como sabê-los sem conhecê-los?

Viajemos então pelos rios amazônicos

para vê-los. Esse moço, o Juras, será

o nosso instrutor e “canoeiro-guia”.

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Peixes, razão de uma vida - Anastácio Afonso Juras, o

Juras, é biólogo, mestre e doutor em Ciências pela Universidade

de São Paulo - USP. Os peixes despertaram a sua

atenção logo no início da graduação, em 1973. E a partir daí,

iniciou os estudos de riachos, rios e barragens. Pesquisou

em museus, tendo sempre como meta o aproveitamento

dos recursos pesqueiros na alimentação de comunidades

ribeirinhas, carentes de proteínas na alimentação diária.

Chamou-lhe a atenção a possibilidade desses recursos serem

aperfeiçoados ou melhorados geneticamente. “Para se

ter o peixe como alimento, basta uma vara, alguns metros

de linha, um bom local para pescar, sem grandes complexidades.

É um alimento rico que oferece ainda outros

subprodutos”.

Estariam os administradores públicos e privados interessados

nos motivos da queda da produção pesqueira no

País, ou estariam os peixes vindo à tona com a nova onda

ecológica mundial que gera dividendos àqueles que defendem

a natureza? Segundo Juras não há tal onda. Ele crê que

hoje a consciência está mais aguçada e as ações ligadas

ao meio ambiente, mais vigiadas. Os regulamentos sobre o

tema começaram no Brasil com o Código de Águas, de 1934.

“Nele já existia o cuidado com os mananciais. Até então os

órgãos ambientais estavam desaparelhados e a fi scalização

era inadequada. O problema é mundial.

No Japão, por exemplo, a pouca água

existente precisa ser reciclada cinco

vezes antes do consumo. Em 1972, com

a 1ª. Conferência Mundial de Estocolmo

do Meio Ambiente, em Oslo, deu-se

início à regulação e fi scalização. A partir

dali os governos passaram a investir nos

órgãos ambientais. Depois vieram a Eco

92, no Rio de Janeiro, e o Protocolo de

Kyoto, no Japão, em 1997, dando nova

ênfase aos cuidados com o ambiente. E

as empresas tiveram que se adequar à

nova legislação.”

Peixes retirantes - Em 34 anos

acompanhando as estatísticas dos

desembarques pesqueiros na região

amazônica, Juras verifi cou a diminuição da produção e a

alteração dos habitats nas áreas de desmatamentos e de

novas fronteiras agrícolas, em virtude das contaminações

dos rios por agrotóxicos e mercúrio dos garimpos. “Os

assoreamentos destroem os riachos e córregos, forçando

a migração de peixes. Eles se tornam retirantes e, semelhantes

aos seres humanos nas suas migrações, vão habitar

áreas congestionadas. Nos grandes rios confl itam com

os predadores maiores. Esses desequilíbrios ocorrem por

ações antrópicas, ou seja, por atitudes humanas negativas

sobre a natureza”.

De acordo com Juras, a depredação, em muitos casos,

pode ser revertida desde que haja interação entre os

governos municipal, estadual e federal, para fazerem o


ordenamento territorial e a instalação dos comitês das

bacias hidrográfi cas, estabelecendo as áreas para a extração

da madeira, agricultura, mineração etc. “A falta

desse macroplanejamento, que deve ser feito a partir das

microbacias, afeta a saúde dos rios e lagos, o território

livre dos peixes. Rios que atravessam metrópoles podem

ser recuperados, sendo necessário que, ao dar o licenciamento,

o órgão ambiental competente exija que as

empresas tratem seus resíduos e devolvam suas águas

em qualidade igual ou superior a que elas captaram na

natureza. Não adianta multar, tem que conscientizar

para não se jogar o lixo nos rios e dar condições para o

hábito da reciclagem”.

Nas regiões Sul e Sudeste, os agentes

poluidores são os detritos, detergentes, ácidos

e outros tipos de esgotos industriais. Já

na Região Norte, os desmatamentos abrem

clareiras nas fl orestas desnudando o solo.

“As gotas de chuva caem com a velocidade

média de setenta quilômetros por hora. Se

não há a vegetação para amortecer o impacto,

elas assoreiam o terreno provocando a

erosão. Os primeiros cinqüenta centímetros

do solo são repletos de nutrientes e matérias

orgânicas. As enxurradas levam o fósforo,

nitrogênio e outros elementos químicos para

os rios. A conseqüência é o aparecimento

de macrófi tas aquáticas (aguapés), vegetação que, em

excesso, provoca proliferação de mosquitos e problemas

para a navegação e usinas hidrelétricas, entre outros danos”,

comenta Juras.

Peixes que curam - Segue o nosso barco virtual rio abaixo

e, aqui e acolá, passamos por cardumes meio santos. Salvar

enfermos e debilitados: esta é a nova e promissora aplicação

para os subprodutos dos peixes. Juras, da Eletronorte, em

conjunto com a professora Alpina Begossi, da Unicamp, e

o professor Renato Silvano, da Universidade Federal do Rio

Grande do Sul, estudam espécies amazônicas como surubim,

tucunaré, jaraqui, traíra e pacu, como complemento na

dieta alimentar de populações humanas carentes, pois têm

proteínas que regeneram rapidamente o organismo, principalmente

após cirurgias. “É uma alimentação especializada

para hospitais, clínicas e casas de saúde. Os nutricionistas

podem ministrar aos seus pacientes dietas com esses peixes,

pois já constatamos que a recuperação das pessoas chega

a ser até quatro vezes mais rápida do que com as comidas

tradicionais”, atesta Juras.

Peixes que encantam - O nosso barco chega agora aos

igarapés. Lá, Juras nos aponta belos exemplares que os

colecionadores conhecem bem, entre centenas de outros:

néon, guppy, aruanã, espada, plati, cará, lambari, piaba,

trairinha, piabinha e cascudo, que é um peixe muito feio,

mas bastante vendido, pois come o lodo das pedras e limpa

os vidros do aquário. A comercialização desses pequeninos

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souverniers vivos tem um enorme potencial. A Universidade

Federal Rural da Amazônia, segundo um estudo da

professora Rosália Furtado Cutrim Souza, já catalogou uma

imensidão de espécies de peixes ornamentais. Só para se

ter uma idéia dos valores deste mercado, o acari-zebra, que

vive em águas de até vinte metros de profundidade na região

do Xingu, custa, na Europa, cerca de duzentos euros, ou

aproximadamente R$ 510,00 a unidade.

Para fi ns de exportação, todos os peixes amazônicos são

considerados ornamentais. Um exemplo, não muito positivo,

é o da arrainha, bastante comum nos rios Tocantins e Araguaia,

que chega a pesar 14 quilos, mas enquanto jovem

é utilizada para enfeitar aquários. Segundo Juras, esse tipo

de exportação é ilegal, porque são peixes que ainda não se

reproduziram. “O ideal seria comercializar exemplares adultos

com autorização do Ibama. Já estão usando, inclusive,

o pirarucu, de até 15 centímetros nos aquários, o que é um

crime, pois ele crescerá rapidamente e será sacrifi cado. O

Ibama regula quais espécies podem ser exportadas, mas

mesmo assim o contrabando é intenso”.

Peixes lucrativos - Juras mostra as margens nos lembrando

que os benefícios dos peixes estão fora d’água. Diz ele que

uma mesma espécie pode ter dezenas de variações, o que

aguça a mente dos colecionadores e o ânimo do mercado

internacional. No Tocantins já foram catalogadas cinqüenta

espécies só do acará-disco, um peixe redondo e fi no com

várias cores e nuances. Em Oeiras, no Pará, também há

grandes quantidades de peixes ornamentais, constatação

que está sendo feita por Juras num estudo em conjunto

com as comunidades ribeirinhas. “O objetivo é propiciar a

autosustentabilidade dos recursos. As cooperativas são uma

iniciativa da própria população. Para formá-las é necessário

no mínimo vinte pessoas. A Eletronorte, por exemplo, tem

incentivado a formação de cooperativas em Breu Branco

e em outros municípios à jusante da Usina Hidrelétrica

Tucuruí. Já ministrei cursos de cooperativismo aplicado à

pesca, levando informações atualizadas sobre a legislação

e a comercialização. As cooperativas são importantes, pois

conscientizam sobre as riquezas locais e promovem a união

das pessoas em torno de um objetivo comum”.

A partir de 1972, vários governos incentivaram a formação

de cooperativas, inclusive com desoneração de impostos

por se tratar de uma questão social, evitando a ação dos

atravessadores. Essa forma de associação teve origem na

Inglaterra, há 130 anos, portanto, é algo novo em muitos

países. “Ajudamos a criação de cooperativas com estatutos,

contemplando produtos fl orestais e de origem animal, que

agreguem valores aos itens tradicionais. Por exemplo, um

quilo de tucunaré, em Tucuruí, custa de R$ 6,00 a R$ 12,00,

dependendo da entressafra. Se o produtor transformá-lo em

fi lé, lingüiça, salames e outros subprodutos, os lucros aumentarão

signifi cativamente. Para tanto, basta ter uma tábua

de corte, facas e recipientes. Pescando com racionalidade e

respeitando os períodos da piracema, quando os peixes se

reproduzem, todos sempre terão o que pescar”.


Peixes de criação - O nosso barco virtual também navega

pelos lagos das hidrelétricas, aqueles contidos por grandes

barragens de onde sai a energia elétrica que abastece a

economia do País. A Eletronorte está fazendo estudos ambientais

para a implantação de parques aqüícolas no lago

de Tucuruí, por solicitação da Secretaria de Aqüicultura e

Pesca, da Presidência da República. O objetivo é a produção

de peixes em gaiolas, em larga escala. Esse trabalho

conta também com a parceria do Ibama, da Sectam, o

órgão estadual de meio ambiente do Pará, e outros órgãos

e instituições, para atender a toda a legislação e exigências

ambientais.

“A proposta é utilizar 0,25 % do lago de Tucuruí para

produzir cerca de nove mil toneladas de pescado por ano. O

estudo, que será utilizado em outros reservatórios hidrelétricos,

é direcionado às populações ribeirinhas. Estamos controlando

os desembarques pesqueiros, que é quando a frota

artesanal desembarca em Tucuruí e em outras cidades do

entorno da hidrelétrica. Verifi camos que eles correspondem

a seis ou sete mil toneladas por ano. Nos parques aqüícolas,

com áreas de 120 a 150 hectares, estarão

desembarcando cerca de nove mil toneladas

de peixes, provando que é possível utilizar

os recursos hídricos de forma racional e

sustentável, e contribuir com a redução da

fome no Brasil e no mundo”.

Peixes que fi caram em Tucuruí - Lembra

ainda Juras que as regiões Sul e Sudeste,

em virtude do inverno rigoroso, produzem

uma safra que dura entre seis a oito meses

de pesca. Já na região dos trópicos, a

produção é contínua o ano todo, com duas

safras. “Na margem esquerda de Tucuruí, perto de Jacundá

e Novo Repartimento, fi caram árvores submersas. Nelas, os

peixes encontram abrigo. Lá fi cam protegidos das redes dos

pescadores e dos peixes predadores maiores. Se a madeira

continuar ali pelos próximos 100 anos, decompondo-se

lentamente, muitas espécies serão preservadas. É uma

área de esconderijo, alimentação e reprodução. As ovas dos

peixes podem fi car incrustadas nos troncos das árvores a

até quarenta metros de profundidade”.

Hoje, constata-se que as espécies existentes há 25 anos

a montante da hidrelétrica acomodaram-se ao ambiente

lêntico (local com água parada e limpa): o tucunaré, a

pescada e vários tipos de piranhas proliferaram-se. Já no

ambiente de água corrente, a jusante da barragem, ocorrem

vários tipos de bagres. “Hoje há menos espécies, mas em

contrapartida temos no lago muitos indivíduos por espécie.

A biomassa, o volume e o peso dos peixes que são desembarcados

no lago alcançam cerca de seis mil toneladas por

ano. Antes da formação do lago, esse peso não chegava

a seiscentas toneladas. Constatamos que as espécies não

existentes no ambiente acima de Marabá migraram para

outras áreas do Rio Tocantins e retornam ao lago para se

alimentar e reproduzir, e depois sobem novamente o rio.

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Em suma, todas as espécies que existiam

antes da formação do reservatório da hidrelétrica

ainda estão lá. Apenas algumas

não podem ser comercializadas. Abaixo da

barragem, o jaraqui e o mapará tiveram seus

estoques reduzidos, mas ainda existem em

boa quantidade”, afi rma Juras.

Peixes que controlam epidemias - Na

Amazônia existem muitos ambientes propícios

à sobrevivência dos peixes. Qualquer

um a bordo de nossa canoa virtual pode

pressentir em tantas águas profundas e

margens quilométricas que ainda há muitas

espécies a serem descobertas. Na literatura

constam em torno de dois mil tipos de peixes.

Alguns se alimentam dos nutrientes ou

de outros elementos existentes apenas em

determinados lugares que, se destruídos,

os danos serão incalculáveis, pois podemos

perder a chance de obter os princípios

físico-químicos para a cura de muitas doenças,

entre outras utilidades. De acordo com Juras, há

peixes que se alimentam de larvas de mosquitos, e com

isto controlam males como a dengue e a malária. “O mais

importante desses estudos é conhecer a função dos peixes

na natureza. O governo brasileiro tem feito investimentos, por

intermédio de vários órgãos da Amazônia, como o Instituto

Nacional de Pesquisas da Amazônia - Inpa, em Manaus, e

o Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. A Eletronorte,

em conjunto com essas e outras instituições, também tem

realizado pesados investimentos em pesquisas. Catalogamos

cinqüenta novas espécies, principalmente na família das

piranhas. Há ainda outras sem valor econômico, mas com

enorme importância ecológica”.

Peixes que se disfarçam - Há uma teoria sobre as espécies

endêmicas, aquelas que ocorrem em um só local. Dizem os

cientistas que na era geológica pleistoceno, há cerca de 150

milhões de anos, parte da região do Amazonas, Roraima e a

área de Belém fi cavam submersas no mar. Havia lá ilhotas

que hoje são morros. Nas lagoas em volta desses morros,

desenvolveram espécies de características únicas. Com o

abaixamento do nível dos mares, essas áreas fi caram isoladas,

formando os chamados hot spots (pontos quentes). As

colorações originais dos peixes, aves, lagartas e borboletas

vêm dos próprios pigmentos desenvolvidos para protegeremse.

Por exemplo, o tucunaré tem na cauda um formato de

olho que confunde seus predadores; outros apresentam colorações

ilusórias dando a impressão de que são maiores. E o

predador foge. Essa capacidade genética de mesclarem-se

ao ambiente chama-se mimetismo. Os peixes que adornam

os aquários têm essa riqueza de nuances, que mudam a

cada estação do ano. De acordo com Juras, “geralmente são

peixes pequenos que entram nos espaços entre rochas e

lá se alimentam, ao mesmo tempo em que fogem dos seus


predadores. Os peixes coloridos quando

morrem perdem a cor. Já o tuvira-sarapó

tem seu alimento entre as pedras e por isso

desenvolveu um bico longo. Se destruirmos

o pedral, a sua casa, perderemos espécies

como estas, que levaram vinte mil anos para

se formar, e todas têm sua utilidade”.

E a barca segue. Agora, passamos pelos

estuários e vamos em direção ao alto-mar,

posto frente aos portões das entradas amazônicas.

Encontramos o mais magnífi co de todos

os farsantes: o tubarão. Seu valor comercial

é inestimável: barbatanas, tecidos, órgãos

e pele mostram-se úteis a novas aplicações

com o avanço da tecnologia. Esse dissimulador

visto de baixo para cima mostra-se de barriga branca,

um recurso que ele usa para se confundir com o próprio céu,

já os que o observam de cima para baixo pensam que o seu

dorso é escuro. “Assim ele se confunde com o escuro do

fundo do mar. O tubarão é um peixe totalmente adaptável ao

seu ambiente. Ele é um caçador que não provoca desequilibro

na natureza” - acrescenta Juras.

Peixes da Amazônia Azul - Mas a região amazônica não

termina quando acabam as suas terras, ela muda de cor e

entra pelo Atlântico. E que o nosso canoeiro tenha braços,

pois o Brasil possui mais águas para serem navegadas. É

que após vinte anos de pesquisas e negociações internacionais,

o País obteve da Comissão de Limites da Plataforma

Continental, da ONU, a autorização para explorar economicamente

mais 950 mil km² de mar além dos 3,5 milhões de

km² que já tem direito. A menos que haja contra-ordens, a

Plataforma Continental Jurídica Brasileira terá 4,5 milhões

km². A nova área estende-se ao longo da costa, a partir

do limite das duzentas milhas até os limites exteriores da

margem continental, nas regiões em que as características

do prolongamento do território nacional se enquadram nas

disposições da Convenção Nacional das Nações Unidas

sobre o Direito do Mar. Essa nova área está sendo chamada

de Amazônia Azul, e guarda recursos minerais e pesqueiros

expressivos. Nesse novo contexto, os peixes marinhos, como

a gurijuba, a pescada amarela, o tubarão, ricas fontes de

cálcio e com outras aplicações no vestuário, alimentos e

medicina, ganham maior importância, dando mais fôlego

ao comércio exterior brasileiro.

Peixes especiais e espaciais - Segundo Juras, a produção

pesqueira brasileira já ultrapassou um milhão de toneladas

por ano. Em 2005, a Região Norte produziu 135.596,5

toneladas de pescado. Detém a maior produção da pesca

extrativa continental do Brasil. Os estados do Pará e Amazonas

são os maiores produtores. A produção da pescadaamarela,

com 21 mil toneladas e a gurijuba, com oito mil

toneladas, se prestam a uma gama tão vasta de aplicações

que seus quilos de carne saborosa e de bom valor econômico

praticamente fi cam em segundo plano.

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“Elas são capturadas com os apetrechos

artesanais: espinhel e rede de emalhar, principalmente

no município de Vigia de Nazaré,

no Pará, e no Amapá, o maior produtor dessas

espécies. São peixes que formam cardumes

numerosos em alto-mar. Os pescadores comercializam

também a bexiga natatória, conhecida

como “grude”, mais valiosa do que o próprio

peixe. Ele é industrializado para a obtenção de

gelatinas de alta qualidade. É utilizado na indústria

de bebidas, principalmente de cerveja

e vinho, como agente clarifi cante, pois atua no

seqüestro das partículas em suspensão. Tem

fi nalidade também na indústria como espessante,

emulsifi cante, dispersante, gelifi cante

e adesivo base. Novas aplicações estão sendo

investigadas, porém a mais importante delas

talvez seja o uso deste órgão para a fabricação

de fi os cirúrgicos biodegradáveis, que evitam

nova operação para a retirada dos pontos, em

muitas intervenções complexas”.

Juras lembra a pesquisa Caracterização do

Processamento e Cadeia de Comercialização

do Grude da Pescada Amarela e Gurijuba,

de autoria de Andréia da Silva Lisboa, onde

a professora comenta que, em Vigia, por ser

uma região que sofre a infl uência de água doce, a produção

do município também abrange as espécies típicas

de água doce e salobra como a piramutaba, dourada, os

bagres (gurijuba, cangatá, cambéua, uritinga, uricica, bandeirado)

que representam parte importante da produção

vigiense. “As pescarias são realizadas desde a foz do Rio

Pará, estendendo-se à costa marítima da Ilha do Marajó, à

foz do Amazonas e à costa do Amapá até o Cabo Orange.

Após a chegada das embarcações em terra fi rme, o pescado

é desembarcado às margens do Rio Açaí, no bairro

do Arapiranga, no trapiche municipal e em vários outros

pontos da orla. Ao desembarcar, a produção está quase

toda comprometida com os comerciantes de peixes, intermediários

e caminhoneiros, em função de compromissos

anteriores existentes entre estes e os donos das embarcações.

A bexiga natatória é comercializada nas formas seca

e molhada. A forma molhada refere-se ao grude in natura

e o grude seco refere-se àquele que sofre o processo de

secagem ao sol ou estufa”.

Há ainda outras espécies amazônicas que vão além das

especiais: são espaciais. Com o avanço da tecnologia aeroespacial,

novas e antigas substâncias têm sido utilizadas

nos vôos fora da órbita da Terra. Quando fora da gravidade

ou em situações extremas de temperaturas, certas substâncias

agem para preservar o calor ou o frio. Muitos espécimes

amazônicos se mostram altamente resistentes nesses casos.

Os nossos peixes exportados estão sendo pesquisados em

vários laboratórios do mundo para muitas aplicações em

tecnologia avançada. Mas esse é um assunto para outras

viagens, com muitos outros “canoeiros”.


Peixes que são deliciosos - E falando em peixes sempre

bate uma fome danada. Atraquemos nossa canoa virtual às

margens do Rio Negro. O tucunaré, também nomeado Furiba,

peixe-da-moeda e peixe-zebu, é uma boa pedida, e até

indicado como revigorante após longas viagens. Poderíamos

indicar também o pacu-manteiga, um peixe muito apreciado

no Médio Tocantins, especialmente no Rio Araguaia, que por

ser onívoro, consome folhas, frutos, sementes e invertebrados,

nos lagos e margens dos rios, sendo muito gostoso e saudável.

Mas vamos ao tucunaré, pois tem 100% de aprovação.

Até bem pouco tempo pagava-se caro para saborear a

Caldeirada de Tucunaré. Após a formação do lago da Hidrelétrica

Balbina, na cercania de Manaus, Amazonas, este

peixe proliferou, mas não deixou de ser especial pelo sabor

único. Mas deixemos de conversa e vamos mandar a receita,

pois tá todo mundo, ou o mundo inteiro, com fome.

A receita é simples, originada das margens do Rio Uatumã,

e ditada por D. Patrícia, do Restaurante Itaporanga,

da cidade de Presidente Figueiredo. Enquanto bebemos

uma cerveja geladinha

aí vai uma porção para

três pessoas se fartarem.

Pegue meio quilo

de tomate, cebolas,

cheiro-verde, pimentade-cheiro

(cuidado se

for usá-la no tucupi).

Quatro peixes de tamanho

médio cortados em

no máximo três postas

cada. Tempere com

sal e limão e bote na

espera. Numa panela

grande, coloque óleo o

sufi ciente para refogar

todos os temperos juntos.

Em outra panela

menor coloque para

cozinhar quatro ovos e

uma porção de batatas

inteiras ou cortadas ao

meio. É importante lavar

bem o ovos e as batatas, pois é com a água da fervura deles

que se faz o restante do prato, aproveitando as proteínas.

Quando o refogado estiver no ponto, engrosse com uma

ou duas colheres de extrato de tomate, e junte a água. No

caldo coloque os peixes e deixe ferver. Acrescente, então,

depois de cozido o peixe - o que demora muito pouco - as

batatas e os ovos. Com um pouco do caldo faça um pirão,

acrescentando farinha de mandioca branca e mexendo sem

parar. Serve-se de duas maneiras: tudo numa sopeira de

alumínio ou panela de barro, com concha, escumadeira

e colher grande; ou separado: o peixe numa travessa e o

caldo na sopeira. Acompanha arroz branco ou baião-dedois,

farofa ou farinha, o pirão e para quem gosta, pimenta

murupi picada no prato. Delicie-se.

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ENERGIA

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Corrente Contínua, pedra fundamental da

comunicação institucional da Eletronorte


(...) O nome sugere exatamente a continuidade

nesta tarefa de informar e ser

informado, básica para que todos nós

possamos conhecer problemas e acertos

que a Empresa deve assumir. Por último, o

nome sugere, também, uma solução, uma

espécie de ovo de Colombo para a energia

hidrelétrica na Amazônia e, portanto, para

a Eletronorte (...) . ”

Assim o primeiro presidente da Eletronorte,

Raul Garcia Lhano apresentava a

primeira edição de Corrente Contínua, um

boletim com oito páginas, lançado em agosto

de 1977. Os destaque eram os 15 anos da

Eletrobrás; os trabalhos de “linha de frente”

no Amapá; os serviços médicos; a Semana

da Pátria e até “como se vestir simples no

trabalho sem perder a elegância”.

De lá pra cá Corrente Contínua evoluiu

gráfi ca e editorialmente passando de boletim

a jornal e de jornal a revista, um longo

caminho de trinta anos onde está registrada

a história da Eletronorte e parte da história

da Amazônia e do Brasil.

Em maio de 1978 ganhou uma coloração

amarronzada e um formato que valorizava

a então logomarca da Empresa. Coaracy

Nunes e Tucuruí já dominavam o noticiário,

mas ainda tinha tempo para falar de

segurança no trabalho e campeonatos de

futebol da Associação dos Empregados da

Eletronorte - Aseel.

Em maio de 1981, nova concepção gráfi ca

e o logotipo do jornal mais próximo do que é

hoje. Sob o título “Nova Imagem”, o editorial

de capa dizia: “A transformação foi bastante

radical, tanto na forma quanto no conteúdo.

Basicamente seguimos a fi losofi a aplicada

na via do País hoje: ‘produzir mais e poupar’,

isto é, com o mesmo espaço, estaremos oferecendo

um volume muito maior de informações

- e essa maior produtividade equivale

a uma poupança”. As colunas ganharam

ícones próprios: Carta ao Leitor, Destaque,

Para sua Informação, Fique Ligado, Gente

e Linha de Frente.

Em janeiro de 1983, para comemorar

os dez anos de criação da Eletronorte, Corrente

Contínua ganha nova “cabeça” e sai

todo na cor verde, com manchete para a

posse do novo diretor-presidente, Douglas

Souza Luz. E o editorial: “Nossa Empresa

completa seus dez anos de existência. Muito

trabalho, dedicação, esforços e até sacrifícios

preenchem as páginas de sua história.

Isso precisa ser comemorado. É tempo de

alegrias, recordações, de festa. A primeira

delas é a nova roupagem do Corrente Con-


tínua: novo cabeçalho, nova cor, novo tipo

de letra e a marca dos dez anos inserida em

cada página”.

O cabeçalho mudaria novamente em

janeiro de 1984, mas a cor verde ainda

predominava. A capa destaca a breve inauguração

de Tucuruí (“Marquem em seus

calendários: 22 de novembro de 1984. É

a data de inauguração da nossa Usina, a

Usina Hidrelétrica Tucuruí. Foi o João quem

disse. E palavra de Presidente é palavra de

Rei. Falou, tá falado”). Mas a concretagem

de Samuel, os serviços de microfi lmagem e

a segurança e medicina no trabalho também

ganharam destaque.

Um ano depois, em janeiro de 1985, a

cor verde desaparecia e as matérias fi cavam

mais densas. O uso de fotografi as também

ganhava corpo, bem como os depoimentos

de pessoas infl uentes no Brasil da época.

Tucuruí já expandia sua primeira casa de

força e os olhos agora se voltavam para

Balbina.

O verde só voltaria em setembro de

1988, mas somente no logotipo do jornal e

como fundo de box. Tomava posse o novo

diretor de Operação, Delcídio do Amaral, e

as notícias já se voltavam mais para o Setor

Elétrico e para a Usina de Manso, no Mato

Grosso. No entanto, veja só, ainda se falava

em automatização do setor de rádio e telex,

ferramentas que foram ultrapassadas pela

informática.

Em janeiro de 1990 é introduzida a cor

azul, ofi cial da Eletronorte, no lugar do verde.

Pelas manchetes é possível ter uma idéia da

expansão das atividades da Empresa e de

como ela já se posicionava como estratégica

no Setor Elétrico brasileiro: “Eletronorte propõe

equacionamento energético do Estado do

Tocantins”; “Nacionalização de peças economiza

US$ 5 milhões”; “Em Manaus, indústrias

consomem mais de 33% de toda a geração”;

“Os usos múltiplos da UHE Lajeado”; “Inter-

venções automáticas melhoram desempenho

do sistema interligado”, e por aí vai.

Em junho de 1994 vem uma nova proposta

de cabeçalho, mas a cor azul ainda

permanece. O editorial destaca a criação

do Comitê Superior de Planejamento da

Eletronorte e uma chamada logo abaixo vem

a apresentação do novo projeto gráfi co após

três anos sem o jornal circular.

Mudança que durou apenas uma edição,

porque no mês seguinte, julho de 1994, a

proposta já era outra; e um mês depois a

grande transformação com a introdução do

uso de quatro cores na capa e contracapa,

ou seja, fotografi as coloridas passaram a

ilustrar o jornal. A energia de Samuel chegava

ao interior de Rondônia e a área de meio

ambiente já trabalhava com equipamentos

de última geração, como o sensoriamento

remoto.

Novembro de 1994, nova mudança de

logotipo e a manchete: “Tucuruí, a luz do

futuro”, já adiantando as transformações

advindas do Programa Eletronorte de Qualidade

e Produtividade. Eventos e comemorações

se juntavam ao crescimento do meio

ambiente como assunto recorrente no jornal

e na imprensa brasileira e mundial.

Uma pequena mudança aconteceu em

junho de 1996. Enquanto isso a energia de

Tucuruí chegava ao oeste do Pará e a privatização

começava a rondar o Setor Elétrico.

Em fevereiro de 1997, outro pequeno

ajuste no projeto gráfico encabeçava a

manchete “Está nascendo o novo norte”,

notícia sobre o novo credo empresarial da

época. Grandes fotos coloridas ilustravam

um momento de expansão nas atividades da

Empresa: “Brasil e Venezuela fecham acordo

para fazer linha de transmissão até Boa

Vista”; “População faz festa em Macapá e

Porto Velho”; “Eletronorte garante o fornecimento

de mais 690 MW para o Mato Groso”;

“Tramo-Oeste: energia elétrica de Tucuruí vai

19


20

chegar ao interior do Estado”; “Amazonas,

R$ 80 milhões solucionam problemas de

energia nos próximos dois anos”.

Em outubro de 1997 o nosso “jornalzinho”

se transforma em tablóide, papel especial e

todo em cores, numa diagramação moderna

e limpa. Dizia o editorial: “Ao propor mudanças

para o Corrente Contínua, o Jornal da Eletronorte,

estamos trabalhando para melhorar

o processo de comunicação empresarial.

Começamos ousando na diagramação e no

papel, mas nos próximos números poderemos

implantar novas idéias até chegarmos a

um produto que satisfaça ao máximo nossos

públicos interno e externo”.

Mudanças que vieram rápido, em novembro

de 1997, uma nova cabeça, extremamente

moderna lembrando uma linha viva de transmissão

de energia ou fi bra óptica. Manchete

encimando uma belíssima foto: “Do Mato

Grosso ao Maranhão, mais energia para 3,5

milhões de pessoas”. Novas colunas foram introduzidas,

como “Dando o que falar”; “Você

conhece?” e “Curtas no circuito”.

Em janeiro de 2000 muda apenas o papel,

mas a manchete é de um evento inesquecível,

os 15 anos da Usina Hidrelétrica Tucuruí:

“Brasileira, com muito orgulho”; e logo abaixo:

“PQGF: Eletronorte conquista Faixa Prata

pela segunda vez consecutiva”. Também surgem

nesta edição os anúncios institucionais

da Eletronorte. A metodologia TPM começa

a se disseminar pela Empresa e o ‘bug’ do

ano 2000 não passou de um blefe.

Veio então o maior salto de qualidade na

história de Corrente Contínua. A edição 200,

de setembro de 2001, já é uma revista. Uma

belíssima foto da Volta Grande do Xingu e a

manchete “Belo Monte, a esperança que vem

do Xingu”. Edição histórica: novo logotipo,

tamanho, papel, impressão, qualidade de

textos e fotos. Diz o editorial: “Agora uma nova

mudança o transforma numa revista, nova

disposição gráfi ca e visual, edição de textos e

fotos e colunas. E com a nobre função de estar

atento à divulgação das ações empresariais,

sejam sobre a atuação da Eletronorte na Amazônia,

sejam para a melhoria da comunicação

interna e da excelência da gestão”.

Em setembro de 2003 a revista passa a

ser editada em papel especial e insere novos

artifícios de diagramação, mantendo a ampla

cobertura às ações da Empresa em suas

diversas frentes de trabalho e publicando

os anúncios institucionais. Diz o editorial:

“Seu novo visual, com impressão em papel

reciclado e moderna diagramação, remete

a um tom despojado, sem, no entanto, deixar

de transparecer o capricho de todos os

profi ssionais envolvidos na elaboração de

cada edição da revista”.

Após dois anos sem circular, Corrente

Contínua volta em maio de 2007, mais uma

vez de cara nova. Novo projeto gráfi co, novo

tamanho, novo papel, nova linha editorial,

novas colunas. E nesta edição de agosto de

2007 surge um novo logotipo, integrado ao

espaço da primeira página.

É assim, se adaptando aos momentos de

cada época, acompanhando a evolução gráfi -

ca e editorial do momento e, principalmente,

sendo a voz da Eletronorte junto à sociedade

brasileira que, sem dúvida, Corrente Contínua

se transformou na peça fundamental da

comunicação institucional da Empresa.

Em tempo: somos tricampeões do

Prêmio Aberje - Associação Brasileira de

Comunicação Empresarial: Melhor Jornal

Interno da Região Centro-Oeste/Leste, em

1998 e 2001, e Melhor Revista Interna da

Região Centro-Oeste/Leste, em 2003.


Ao longo dos últimos 30 anos, Corrente

Contínua tem documentado o dia-a-dia da

Eletronorte. Retratado, de forma fi dedigna,

os mais importantes acontecimentos que

marcaram a vida da Empresa. O rico acervo

contido nas edições de Corrente Contínua é

excelente fonte de pesquisa sobre a memória

da nossa história. Seria interessante que se

criasse uma seção, veiculando matérias que

marcaram o nosso passado. Tenho certeza

que temos muitos bons momentos e situações

para recordar, o que também poderá

interessar aos novos colaboradores . ”

(Francisco Antônio Almendra)

- em 1986 e 2007



Uma das características mais importantes

do ser humano é a memória, é relembrar os

atos que contribuíram para a construção de

alguma coisa. Corrente Contínua vem, ao

longo dos anos, registrando importantes momentos

da nossa história, acontecimentos

marcantes da nossa Empresa, que têm contribuído

de maneira exemplar para o crescimento

do Brasil. Parabenizamos a todos os

que a fazem ao logo de todos esses anos, e

desejamos que se prolongue, sempre registrando

os atos e as contribuições daqueles

que integram a Eletronorte, cujas atitudes

fazem a grandeza dessa Empresa .

(Carlos Nascimento) - em 1985 ” e 2007


Sem dúvida, integração é a palavra que

mais identifi ca o resultado desses 30 anos

de Corrente Contínua. Antes dela, não tínhamos

isso que, para mim, é o signifi cado

maior da revista . ”

(Mário Gardino) - em 1980 e 2007


A Corrente Contínua é a história da Eletronorte

e a Empresa é parte integrante da

minha vida. São 30 anos muito felizes, de

realizações, de amizades, de compromisso.

Nós vivemos grandes emoções juntos,

e todos construíram a Empresa, cada um

contribuindo um pedacinho com a sua formação,

a sua motivação. E toda essa vida

está retratada em Corrente Contínua . ”

(Isolda Maciel de Almeida)

- em 1978 e 2007


Para mim tem um grande valor. Como

empregado da Eletronorte há muitos anos,

vejo na Corrente Contínua um veículo muito

importante para integrar colaboradores, trazer

notícias sobre a Empresa e, a gente que

trabalha aqui, muitas vezes se vê sendo notícia

- e notícia boa. Faço questão de ser um

dos primeiros a ler e sou um incentivador. O

pessoal da Comunicação está de parabéns

por ter mantido essa ferramenta esses anos

todos e espero que continue sempre assim,

trazendo um pouco da história da Empresa,

o que é fundamental . ”

(José Henrique Machado Fernandes)

- em 1980 e 2007

21


22


Para nós a Corrente Contínua é o registro

da memória da Eletronorte. Ao longo dos

anos vem registrando fatos importantes da

nossa história. Hoje, se alguém precisar fazer

uma pesquisa sobre a trajetória da Empresa

a revista é uma boa fonte de consulta .

(Tenysson de Matos Andrade) ”

- em 1984 e 2007


Ingressei na Eletronorte em 1976 e minha

primeira experiência gerencial foi em Mato

Grosso, cuja sede era em Rondonópolis,

interior do estado. Corrente Contínua era o

veículo mais importante para nós, pois não

tínhamos as facilidades tecnológicas de

hoje. Era uma forma de nos comunicar com

a Empresa e conhecer as melhores práticas

que estavam sendo desenvolvidas nas demais

áreas. Era uma expectativa muito grande

quando a recebíamos. Como Rondonópolis

era fi m de linha, muitos técnicos e dirigentes

demoravam ir à cidade. Estamos falando de

1984 e Corrente Contínua passou a ter uma

dimensão muito grande para todos nós da

regional. Na época já era um veículo importante,

como está sendo até hoje .

(Zenon Pereira Leitão) - em 1985 ”

e 2007


É um grande veículo de comunicação interna

e externa. Marca momentos da nossa

história, que é cheia de fatos concretos e que

a revista vem acompanhando de maneira

crescente, com muita qualidade. Tenho muito

apreço pela Corrente Contínua. Cada um

de nós tem uma história dentro da Empresa

e acho que a revista nos inclui na trajetória

da Eletronorte . ”

(Rafael Teodoro Bolina) - em 1986 e 2007


Corrente Contínua, no decorrer desses anos

todos, vem registrando a vida, os atos e fatos

da Empresa e de seus empregados. É muito

importante. E espero que continuem, como

estão até hoje, divulgando as notícias - tanto

do Setor Elétrico como as demais pertinentes

ao nosso trabalho . ”

(Maurício Massaroto) - em 1979 e 2007



É muito importante pra nossa integração.

Desde quando trabalhava prestando serviços

para a Eletronorte em Porto Velho, lembro

que a gente ficava super motivado com

as notícias. Cada edição nos aproximava e

atualizava sobre o que estava acontecendo.

Nesses 30 anos tivemos muitos progressos,

avanços tecnológicos e a Comunicação

está de parabéns. Hoje recebemos elogios

de públicos externos e a revista consegue

transmitir esse amor que a gente tem pela

Eletronorte, pelo nosso trabalho por um objetivo

maior que é levar progresso para todas

as regiões em que a empresa atua . ”

(Maria Da Ajuda Rego) - em 1987 e 2007


Sou fã de carteirinha da revista. Inclusive

tenho a coleção completa ou, no máximo,

faltando um ou dois exemplares. Hoje a gente

aproveita ainda mais para conhecer a nossa

Empresa, saber as informações das regionais,

sobre o que estamos fazendo. Leio tudo, guardo,

coleciono mesmo. Hoje é comum olhar as

páginas da revista e pensar: nossa, já estamos

fazendo tudo isso!?! É maravilhoso! . ”

(Rosângela Carneiro) - em 1985 e 2007


A revista é importante por tudo que proporciona

à Empresa - desde a aproximação

entre colaboradores e diferentes ações até a

divulgação externa e o reconhecimento do

trabalho e da história da Eletronorte. Muitas

vezes atuamos em áreas específi cas e é muito

bom fi car sabendo do que estamos fazendo

nas páginas de Corrente Contínua. Fico emocionada

de ver o que nós, empregados, estamos

fazendo; de ver o progresso e a evolução

da Empresa, ajudando no desenvolvimento

do País. E até pessoalmente - meu crescimento

profi ssional, minha evolução como

ser humano - vejo isso refl etido na revista.

Essa evolução da Eletronorte, da qual sou

testemunha desde a década de 70, só me traz

orgulho de poder participar de uma Empresa

como a nossa . ”

(Rosa Maria Telesde Almeida)

- em 1979 e 2007

23


TRANSMISSÃO

24

Educação ambiental e arqueologia:

quando uma linha de transmissão

fornece mais do que energia

Bruna Maria Netto

Conhecimento. Além de servir para escoar

a produção de energia elétrica da fonte

geradora até os consumidores fi nais, uma

linha de transmissão é capaz de deixar uma

criança do interior do Maranhão apta a separar

o lixo orgânico do reciclável e a cuidar da

saúde bucal corretamente. Em Porto Velho

(RO), por exemplo, profi ssionais habilitados

das Faculdades Integradas Maria Coelho

de Aguiar executaram uma campanha de

saúde bucal para 18.585 alunos de 45 escolas,

demonstrando a maneira correta de

escovação e higiene dental. As atividades de

educação ambiental são ações obrigatórias

que a Eletronorte cumpre na implantação de

todos os seus empreendimentos de transmissão

de energia elétrica, que suportam o

licenciamento das obras.

Essas atividades são desenvolvidas por

equipes multidisciplinares, abrangendo os

diferentes grupos sociais que vivem nas

proximidades do empreendimento em instalação.

Além de atender a uma exigência,

procuram preparar as comunidades para

uma convivência segura com os novos

equipamentos que serão instalados. É

dada atenção especial às crianças, por

causa do risco a que podem se expor ao

tentarem escalar uma torre de transmissão,

por exemplo. Aos agricultores, a atenção é

dirigida para as restrições do uso das faixas

de servidão das linhas de transmissão, cuidados

necessários com o aterramento das

cercas das propriedades e com o trânsito

de equipamentos que possam se aproximar

dos cabos das linhas.

Dependendo da característica da população,

as atividades podem incluir noções

de cuidado com o meio ambiente, com a

saúde pública, com higiene pessoal, entre

outros e, para isso, utilizam-se palestras,

vídeos e materiais ilustrativos.

Assim tem sido em toda a Região Norte,

mais recentemente nos estados de Mato

Grosso, Rondônia, Acre, Amapá e Ma-

ranhão. Lá, estudantes e professores de

escolas públicas do interior têm se tornado

coordenadores de projetos próprios de

preservação ambiental, após receberem as

informações da Eletronorte.

Conscientização - Quando uma linha de

transmissão é implementada, o trabalho não

é apenas fazer chegar energia em determi-


nado local, mas também conscientizar a

população dos benefícios trazidos por ela. É

por meio desta conscientização que moradores

de pequenos municípios vêm aprendendo

a conviver harmoniosamente com a

natureza. Coelho Neto (MA), Jangada (MT),

Guajará-Mirim (RO), Epitaciolândia (AC), Vila

do Paredão (AP) entre outras, são algumas

das cidades assistidas pelo programa da

Eletronorte que experimentaram mudanças

signifi cativas no seu modo de vida.

Além dos mais de 53 mil alunos de

escolas municipais que já participaram

do programa, outros segmentos da sociedade

também se sentem prestigiados.

“O que temos recebido é, na verdade,

uma importante lição de cidadania e responsabilidade

social”, diz, com um largo

Continua na página 28

Trajeto da

linha desviado

para preservar

o geoglifo

25


28

Escolas simples, futuro complexo

sorriso, Otacílio Martins Cardoso (foto

abaixo), ao falar da ajuda que recebeu

na entidade que preside, a Cooperativa

de Produção de Recicláveis do Tocantins

- Cooperan. Criada em maio de 2004, ela

conta atualmente com 64 cooperados.

Otacílio destaca a importância do apoio

que vem recebendo da Eletronorte. “Além

da doação dos materiais, a Empresa também

colabora com o transporte, fazendo

a entrega diretamente aqui em nossa

Sede. E isso faz toda a diferença para

nós”, enfatiza.

Entre os vários profi ssionais que trabalham

no programa da Eletronorte está o

analista de meio ambiente Sérgio Augusto

de Souza. Segundo ele, a escolha do público-alvo

não é aleatória. “Escolhemos

professores e seus alunos por serem os

mais atingidos pelo programa de conscientização,

pois são considerados estratégicos

para a disseminação das idéias que permitirão

fundamentar o desenvolvimento em

moldes sustentáveis, baseado no respeito

aos princípios ambientais, além de serem

também os que correm mais riscos de se

acidentarem por conta da instalação dos

novos equipamentos”.

São temas que antes da chegada da

linha de transmissão difi cilmente essas

pessoas teriam contato, como técnicas de

reciclagem e separação de lixo, noções

básicas de saúde, saúde bucal, prevenções

a doenças como dengue, hanseníase, febre

amarela, DSTs, gravidez precoce e dependência

química. São momentos onde se

aviva outra palavra esquecida nos rincões

mais carentes do Brasil, a esperança. “Por

essa razão optamos por acrescentar uma

abordagem social e humana em relação ao

público-alvo. Não é por outro motivo que escolhemos

como forma de motivar os alunos

das escolas visitadas a doação de mochilas,

camisetas, estojos escolares, cadernos

e garrafas para água, ou seja, pequenas

coisas que contribuem minimamente para

a melhoria das condições de vida daquelas

populações”, lembra Sérgio.

Futuro sustentável - Em 34 anos, a Eletronorte

tem se comprometido em construir,

também, uma sensibilidade ambiental em

seus profi ssionais e na sociedade presente

no entorno de seus empreendimentos. No

primeiro princípio da Política

Ambiental da Empresa,

Do Respeito à Natureza,

a Eletronorte explicita o

entendimento de que a

interação com o ambiente

no momento presente, condiciona

parte das opções no

futuro e estabelece assim

uma orientação para que

suas ações priorizem a preservação

da biodiversidade

e o uso sustentável dos

recursos naturais.

Em Rondônia, por exemplo,

para atender à demanda

dos serviços de recuperação

de áreas degradadas

pela construção de um

sistema de transmissão, foi

construído um viveiro com

cerca de trinta mil mudas

de plantas típicas da Ama-


zônia, como urucum, biriba e cupuaçu. É

uma das formas que a Eletronorte acredita

ser possível promover a sensibilização,

mobilização, conscientização e capacitação

dos diversos segmentos da sociedade para

a preservação da natureza visando à sustentabilidade

das gerações futuras.

Segundo Sérgio Augusto, “o propósito é

contribuir com soluções ou propostas de

minimizações dos problemas ambientais,

para a construção de um futuro político,

econômico, social e ambientalmente sustentável,

não importando quão pequeno

seja o tamanho da cidade”. Algumas das

comunidades benefi ciadas sequer formam

municípios e seus moradores, por vezes,

moram bem perto da beira da estrada. As

rodovias BR-364 - ligando Porto Velho a

Rio Branco - e a BR- 425, que liga Abunã

a Guajará-Mirim, são duas delas.

As comunidades indígenas não foram

esquecidas, e também se benefi ciaram dos

programas de conscientização elaborados

pela Eletronorte. O convênio celebrado com

a Funai em Guajará-Mirim, cidade a 320

quilômetros de Porto Velho, por exemplo,

levou aulas de educação ambiental para

340 índios das comunidades dos Pacaás

Novos nas aldeias de Lage e Ribeirão.

Vestígios do passado - Mas na construção

de uma linha de transmissão não

é só a educação ambiental que ocupa

lugar estratégico no relacionamento da

Eletronorte com as comunidades. Outra

ciência ganha importância nos estudos

ambientais, a arqueologia. Assim como na

construção de usinas hidrelétricas, estudos

arqueológicos são desenvolvidos ao longo

das áreas onde serão implementados os

empreendimentos.

Apoiados pelo trabalho de geólogos,

topógrafos e engenheiros, os arqueólogos

têm encontrado verdadeiros tesouros da

humanidade na Amazônia brasileira. Enfrentando

as mais diversas difi culdades,

desde a temida malária até as condições

climáticas adversas, arqueólogos como Eurico

Theófi lo Miller, (foto abaixo, à esquerda)

há 18 anos na Eletronorte, procuraram

entender o modo de vida das comunidades

antigas. “O valioso é

reconstituir a cultura,

e não os objetos

encontrados, pois

eles são apenas

o meio. O fi m é a

reconstituição da

cultura”. E a busca

dessa identidade

cultural rende algumasdescobertas

surpreendentes:

nos trabalhos de

campo para construção

da Usina Hidrelétrica

Balbina

(AM), por exemplo,

foi descoberta

uma comunidade

que, com a terra

ácida de um solo

pobre, sobreviveu

milhares de anos

se alimentando de

moluscos. Em Balbina

também foi localizado

o raríssimo

muiraquitã.

Na construção

da Interligação Norte-Sul,

nos 520 km

sob a responsabilidade

da Eletronorte,

Miller e sua equipe

encontraram por

volta de 480 indícios

arqueológicos

- “isso somente

olhando na faixa

de servidão, sem

desviar o olhar para

os lados”, relembra

Miller, que já contraiu malária 32 vezes

em 14 anos de expedições. Eles também

descobriram, na construção da Hidrelétrica

Samuel (RO), uma comunidade pré-ceramista

milenar que já praticava a agricultura,

contrariando os paradigmas da arqueologia

européia da época.

Peças

arqueológicas

encontradas

na Amazônia

29


30

Miller descreve em poucas linhas a

grandeza de detalhes do seu trabalho: “É

escrever uma enciclopédia em cima de

um caco de cerâmica que está no solo,

de tanto dado que aparece”. No entanto,

lembra que uma pesquisa não é feita por

uma pessoa apenas: “O arqueólogo tem

de ser mais onisciente que Deus. Se não

puder, tem que levar sua equipe” brinca.

Geoglifos - Em se tratando de arqueologia,

a natureza também é sábia em apresentar

novas descobertas. Na construção da linha

de transmissão entre Rio Branco e Epitaciolândia,

no Acre, a Eletronorte se deparou

com uma dessas maravilhas envolvendo o

homem e a natureza: os geoglifos. Os técnicos

explicam de maneira simples: se você estiver

caminhando por uma pastagem e entrar

numa grande vala, veja por onde ela segue. Se

for muito regular, isso vai chamar a atenção.

Uma vala tão regular foi feita por alguém, pois

a natureza não deve ter feito tão certinha,

redonda ou com ângulos tão retos.

Essas formas geométricas, chamadas

geoglifos, bem como demais sinais arqueológicos

encontrados nos solos, são

estudados e preservados cuidadosamente,

como se cada pedacinho de cerâmica ou

carvão encontrado fosse único no mundo.

Mas como um geoglifo aparece? No

Brasil existem há pelo menos seiscentos

anos, como estruturas de terra formadas

pelas escavações de sulcos de grandes

dimensões que podem ter diversas formas.

No deserto de Nazca, no Peru, foram encontrados

geoglifos em forma de animais,

datados de mais de dois mil anos. Os do

Brasil, encontrados no Acre, caracterizam-se

por serem valas de dois metros de

profundidade e dez de largura, construídas

por índios com as mãos, por meio de vasos

de cerâmica ou com machadinhas de

pedra. O resultado são fi guras geométricas

fascinantes, que aparecem em conjuntos

ou isoladamente, em forma de círculos,

quadrados ou octógonos.

Os geoglifos brasileiros ainda são uma

incógnita para os pesquisadores, pois

eles só começaram a ser descobertos nos

anos setenta do século passado, em conseqüência

do aumento da devastação da

fl ora acreana. E apesar de sua importância

para a humanidade, ainda não se sabe

ao certo como nem por que essas fi guras

construídas por índios antes da chegada de

A linha de

transmissão

que dá frutos

Tiago Araújo da Silva é um menino que tem uma vida

que muitos de nós tivemos, ou que gostaríamos de ter

tido. Numa manhã de sol de sábado ele, juntamente com

os amiguinhos da comunidade, vai à nascente chamada

“Olho d’Água”, que dá nome ao povoado situado na zona

rural vizinha do município de Coelho Neto, no Maranhão.

Ele chega no lugar que, por pura obra divina, chora sem

parar e sobrevive bravamente em meio a um canavial

a perder de vista, e com isso abastece todo o povoado

e entorno, desembocando no Rio Parnaíba. Lá, Tiago

mata sua sede numa água deliciosamente refrescante,

para depois nadar na água limpa e gelada que teima

em contrastar com o calor do sol que não hesita em sair

dali. No entanto, essa realidade poderia também não ser

a dele. Mas graças aos programas de conscientização

ambiental, a água que mata a sede de Tiago continua

pura e fresca, e ele, agradecido, também faz sua parte.

Aluno da 6ª série, ele sabe da importância da preservação

do meio ambiente. “É preciso que as pessoas

se sensibilizem e não destruam as nascentes de água,

porque um dia elas podem secar e aí acabar e nós morreremos

também junto com elas”, diz o garoto, enquanto

conversa agachado à beira da fonte e, entre um pausa e

outra, bebe um pouco de água: “Aqui é que a gente vem

buscar água, onde matamos a nossa sede”.

Quem também se preocupa com a preservação da

nascente é Francisca de Moraes. Naquele mesmo sábado

ela seguia para o banho da tarde juntamente com

seus fi lhos, e falava sobre o que nós já sabíamos: caso

não preservássemos o meio ambiente, esses riachos em

pouco tempo acabariam. “Nós temos que nos juntar com

a comunidade, discutir sobre isso. Há 34 anos, que é

a minha idade - e eu não sou tão velha assim - sorri -

esse rio era bem mais afl uente e mais fundo. Em outros

lugares ele já está seco, pois desmataram toda a sua

margem”, desabafa.

O programa de educação ambiental da Eletronorte tem

ajudado a manter a água que Tiago e Francisca tanto

Cabral eram usadas. “Talvez para rituais

religiosos, usos residenciais, cerimoniais e

defensivos, podendo ser uma combinação

de duas ou de todas essas hipóteses”, diz

Solange Bezerra Caldarelli, doutora em

Ciências Humanas pela Universidade de

São Paulo - USP, especializada em préhistória

e em Arqueologia. Ela é diretora da

consultoria científi ca Scientia, contratada


valorizam. Implantado juntamente com a construção da

linha de transmissão em 230 kV no trecho Periotó/Teresina/Coelho

Neto, o projeto começou em 2006, e ainda

hoje colhe os frutos das palestras de sensibilização ambiental.

Quem bem sabe disso é Wakilla Torreão Oliveira

Costa. Quatorze anos de idade e cabeça de gente grande,

Wakilla já sabe o que lhe espera daqui por diante. “Na

palestra, as imagens mostravam que se as pessoas não

cuidarem do meio ambiente, nós poderemos até fi car sem

água no futuro. O alerta nos despertou e agora sabemos

cuidar melhor da natureza que nos cerca”.

pela Eletronorte para fazer um projeto de

arqueologia preventiva dos sítios arqueológicos

encontrados durante a expansão do

sistema elétrico Acre-Rondônia.

Os geoglifos acreanos surgiram nos estudos

da Eletronorte em 2005, quando foram

iniciadas as pesquisas do solo para a instalação

da linha de transmissão de Rio Branco

a Epitaciolândia, cidade de 12 mil habitantes

A turma de Tiago e Wakilla,

e D. Francisca:

garantindo a água de beber

Com isso, alguns projetos ganharam impulso. A professora

Ângela Maria Oliveira Saraiva, coordenadora de

uma frente de combate à poluição, também comemora.

“A palestra era tudo o que nós estávamos precisando,

porque convivíamos passivamente com a degradação do

meio ambiente, mas não percebíamos. Depois da palestra

nós despertamos, tanto que criamos na escola o Projeto

Meio Ambiente e Sobrevivência no Olho d’Água Grande.

Na outra escola onde eu trabalho também desenvolvemos

outro trabalho sobre tratamento do lixo”, conclui.

O que Wakilla aprendeu e quer repassar serve muito

bem para ele, no interior do Maranhão, como para qualquer

um de nós. “O recado que eu deixo para os jovens é que

eles tenham consciência de preservar o meio ambiente,

que lutem e preservem mais porque um dia isso acaba e a

gente vai sofrer muito com as conseqüências”.

(Colaborou Arthur Quirino)

situada no sudeste do estado e fronteiriça

com a Bolívia. Em seu trajeto, os engenheiros

da equipe encontraram dois dos seis geoglifos

que estavam pelas redondezas da linha, no

município de Xapuri. Esses dois sítios, pelos

quais passaria a linha de transmissão, tinham

formas distintas. Um deles octogonal - com

328 metros de diâmetro -, e outro no formato

circular - com 260 metros de diâmetro.

31


32

Do alto, a

perfeição

geométrica.

Embaixo,

os vestígios

arqueológicos

Trajeto desviado - Ao fazer um estudo para

instalação de uma linha de transmissão gerase

um traçado dito de escritório, que como já

diz o nome, é desenhada ainda sem conhecer

os obstáculos que sua instalação enfrentará,

fazendo um percurso mais reto possível e

com menos vértices, devido ao alto custo

de instalação das torres que sustentarão os

cabos elétricos. Uma vez defi nidas as posições

das torres pelo traçado de escritório, os

arqueólogos entram em campo para avaliar

o lugar, identifi car os sítios, dimensioná-los e

saber se a interferência da torre será signifi cativa,

e, assim, avaliar se deve deslocá-la.

Assim foi feito nos 211 quilômetros que

ligam Rio Branco a Epitaciolândia, onde

foram identifi cados os geoglifos que deveriam

ser mantidos intactos. Esse estudo

ajudou tanto a preservar os geoglifos já

encontrados, quanto a manter os novos,

alvos de pessoas sem conhecimento da

raridade que as cercam. Os sítios devem

permanecer o mais intactos possível para

os próximos arqueólogos e estudiosos, que

provavelmente os verão com outros olhos e

farão novas descobertas.

A importância da preservação desses

sítios é justamente por conta da falta de

conhecimento sobre mais esse tesouro deixado

pelos povos indígenas. A ação direta

do homem, seja nas estradas alternativas

abertas por fazendeiros que desconhecem

a valiosa arqueologia encontrada em suas

terras, seja por rodovias estaduais e federais

- a BR-317, por exemplo, cortou um

dos geoglifos - pode prejudicar bastante a

conservação da história. Apesar do aumento

do número de torres e do uso maior das

variantes nas linhas de transmissão, em

função dos desvios causados pelos sítios arqueológicos,

o investimento feito é um presente

para a humanidade. Solange faz coro

com os profi ssionais da Eletronorte. “Há

preocupação em preservar todos os bens

de importância arqueológica do Brasil; não

apenas os geoglifos. Eles têm sido objeto de

preocupação especial exatamente porque

não foram ainda estudados e, portanto,

não há conhecimento científi co produzido

sobre eles que permita sua incorporação à

memória nacional”, alerta.

Foto: Sérgio Valle


GERAÇÃO

Segurança de barragens,

a engenharia da prevenção

Michele Silveira

Acredite: a expressão “prevenir é melhor

do que remediar” não está apenas na boca

do povo. O ditado é usado também nos meios

científi cos; em todas as entrevistas sobre segurança

de barragens, a expressão é ponto

comum. Na literatura, já foi citada por Mellios

e Cardia (1992) em “Critérios de Segurança

Operacional: manutenção preventiva”, publicado

na Revista Brasileira de Engenharia. E

não é para menos. Para o engenheiro Rogério

de Abreu Menescal, mestre em Geotecnia e

referência sobre o assunto, a identifi cação

das chamadas incertezas e a avaliação de

risco nas diferentes fases da vida de uma

barragem, permitem que se possa elaborar

uma estratégia com medidas preventivas

para minimizar ou até mesmo eliminar as

ameaças.

Manutenções regulares nas turbinas previnem interferências indesejadas na barragem

O fato é que nem sempre a prevenção é

notícia. Mas as conseqüências de falhas nos

sistemas de segurança de uma barragem,

qualquer que seja o seu uso, sim. Embora o

Brasil mantenha uma posição de referência

na metodologia da construção de barragens,

cabe salientar que casos como o rompimento

da barragem de contenção de rejeitos no

município mineiro de Cataguazes, em 2003,

causam sérias implicações ambientais e

alertam para a necessidade permanente de

prevenção e monitoramento. Foram derramados

1,4 milhão de metros cúbicos de efl uente

industrial, composto de licor de madeira e

soda cáustica, deixando sem abastecimento

de água cerca de seiscentas mil pessoas em

vários municípios da região, além do impacto

ambiental. Já em 2004, o rompimento da barragem

Camará, na Paraíba, causou a morte

de nove pessoas e destruição nas cidades de

35


34

No campo

e in loco a

qualidade da

inspeção está

nos mínimos

detalhes

Alagoa Grande e Mulungu, a cerca de 140

quilômetros de João Pessoa. Mais de quatro

mil pessoas fi caram desabrigadas. Em 2006,

a ruptura da barragem da Rio Pomba Mineração,

em Miraí, Minas Gerais, foi causada

provavelmente pelo deslocamento das placas

de revestimento de um dos vertedouros e

causou a inundação de áreas ribeirinhas,

interrupção no abastecimento de água, morte

dos peixes e destruição de áreas de pastagem

e de agricultura. Também em 2006, na barragem

da Usina Hidrelétrica Campos Novos,

em Santa Catarina, houve um esvaziamento

do reservatório, causado por problemas em

um dos túneis de desvio. Mesmo com sinais

de desgaste da estrutura devido à presença

de uma rachadura horizontal na base da

barragem, não houve ameaça de ruptura.

Hidrelétricas - Mas, felizmente o Setor

Elétrico não é a regra nas estatísticas de acidentes

ou incidentes com barragens. E nem

mesmo chega perto das estatísticas

da exceção. E aqui

cabe explicar o registro de

Menescal, citando o professor

Vicente Vieira, da Universidade

Federal do Ceará: pode-se

entender acidente como um

evento de grande porte, correspondente

à ruptura parcial

ou total de obra ou a sua

completa desfuncionalidade,

com graves conseqüências

econômicas e sociais. Já o

incidente é um evento físico

indesejável, de pequeno porte,

que prejudica a funcionalidade

ou a inteireza da obra,

podendo vir a gerar eventuais

acidentes, se não corrigido a

tempo. Tanto um quanto o

outro são objetos de minucioso

interesse dos pesquisadores e gestores da

área de segurança de barragens. E no Setor

Elétrico essa preocupação tem produzido um

know-how reconhecido internacionalmente.

“As barragens hidrelétricas certamente estão

muito à frente no que diz respeito à segurança,

até porque têm recursos para manutenção e

investem nesse processo. Infelizmente temos

diversos outros casos de barragens que não

recebem a manutenção adequada, muitas estão

até mesmo abandonadas”, alerta Rogério

Menescal. Estima-se que existam no Brasil

mais de trezentas mil barragens de todos os

tamanhos e tipos, sendo vinte mil de médio e

grande porte, em sua grande maioria desconhecidas

pelo Poder Público.

Na Eletronorte, diversas áreas atuam com

o mesmo propósito: garantir a segurança da

estrutura, dos sistemas operacionais, dos

colaboradores e da vizinhança das usinas

hidrelétricas. “Já tivemos, e é muito comum,

acidentes de pescadores que chegam em

áreas muito próximas da barragem, onde

existe forte vibração, o que exige um processo

de conscientização para que possamos atuar

na prevenção”, explica o assistente da Superintendência

de Engenharia de Operação e

Manutenção da Transmissão, Ricardo Rios.

Segundo ele, o monitoramento detalhado é

constante e em tempo real. “É assim que podemos

nos antecipar. Se tem um lugar onde

há um controle bastante desenvolvido é no

Setor Elétrico, onde temos uma quantidade

signifi cativa de procedimentos para garantir

a integridade em todas as etapas”.


Com a experiência de quem faz a inspeção

e instrumentação das usinas da Eletronorte

há mais de dez anos, o engenheiro

Gilson Machado da Luz (foto abaixo) explica

que a avaliação de segurança deve ser um

esforço contínuo, que exige a realização

simultânea e complementar de vistorias

periódicas in situ e de análise pari passu

dos dados da instrumentação, durante toda

a vida útil da barragem. Em meio a fotos,

dados, cronogramas e gráfi cos, Gilson não

deixa de mostrar o orgulho do que faz: “A

auscultação de uma barragem tem um

elevado grau de responsabilidade devido

às proporções que possíveis falhas ou acidentes

possam assumir”.

E o que é auscultação? - De acordo com

Gilson, é um conjunto de informações a

respeito das inspeções visuais realizadas,

combinadas com os resultados das medições

efetuadas nos instrumentos instalados

nas estruturas de concreto e solos. Esse

processo é fundamental para a segurança

de uma barragem. As inspeções de campo

e a instrumentação devem ser mutuamente

complementares e os dados analisados de

forma conjunta. Gilson explica que isso é

necessário, pois um problema pode surgir

em regiões não instrumentadas, onde apenas

as inspeções de campo podem detectálos.

Um dos objetivos de instrumentar uma

barragem é proporcionar um histórico do

comportamento da estrutura. Isso permite a

prevenção, durante

a sua vida útil, de

qualquer evolução

que possa, eventualmente,comprometer

a segurança.

Segundo ele, muitos

dos acidentes

com barragens que

ocorreram no mundo

foram conseqüências

diretas ou

indiretas de falhas

ou erros humanos.

“Por isso é tão importante

uma dedicação

acima do comum a cada detalhe das

tarefas de todos que participam da implantação

e operação de barragens e reservatórios,

desde a programação e planejamento até a

inspeção e manutenção das estruturas de

terra, rocha e concreto”.

Para Menescal, (foto ao

lado) uma barragem segura

apresenta um desempenho

adequado no que diz respeito

aos aspectos estruturais,

econômicos, ambientais e

sociais. Os problemas mais

freqüentes que ocorrem

durante o período de exploração

da barragem se devem

principalmente à falta de um

controle sistemático ou de

uma manutenção cuidadosa

da obra e a erros humanos

na operação, que também

podem causar acidentes ou

levar a barragem à ruptura. “A experiência

mundial mostra que os custos necessários

à garantia da segurança de uma barragem

são pequenos se comparados com aqueles

que se seguem em caso de ruptura”, diz

Menescal.

Novamente, prevenção é a palavra

da vez. E é o que garante ao Setor Elétrico

brasileiro o posto de referência na

construção de barragens no mundo inteiro.

“Estamos preparados e temos um

comportamento muito sério em relação

à segurança da Usina”. A frase é de

José Walton Bechara, coordenador da

equipe de inspeção na Usina Hidrelétrica

Tucuruí; mas poderia ser qualquer outro

técnico que acompanha, minuto a minuto,

o comportamento da maior hidrelétrica

brasileira. José Walton, o Waltinho, não

esconde o orgulho ao falar dos elogios

concedidos por especialistas à rotina de

inspeção de Tucuruí. Em junho deste ano,

a Fundação Coge promoveu na Usina um

curso sobre segurança de barragens. O

resultado foi uma equipe ainda mais preparada

e orgulhosa de saber que está no

caminho certo.

Abalos sísmicos - Gelson e Gentil são irmãos,

fi lhos de Ana Alves da Silva, que mora

em Belém, no Pará. Há seis meses Gentil

assumiu sua vaga no concurso da Eletronorte

e foi morar em Tucuruí. Em junho deste ano,

o telefone toca e ele já imagina o que seja:

“Gentil, fala com a mãe porque ela tá preocupada

com essa história de tremor de terra aí

na Usina”, pede o irmão Gelson. Mesmo sem

ter sentido muito o tremor, Gentil avisa que

está tudo bem, que a mãe não se preocupe

porque ele e a barragem estão seguros.

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36

Um Brasil

com terremotos

O Observatório Sismológico da UnB registrou, nos

últimos dez anos, mais de cinco mil abalos no País; quatrocentos

sismos tiveram magnitude igual ou superior a 3.0

na Escala Richter.

No Brasil, os tremores de terra só começaram a ser

detectados com precisão a partir de 1968, quando foi

instalada uma rede mundial de sismologia. Brasília, mais

precisamente o Parque Nacio nal (Água Mineral), foi escolhida

para sediar o arranjo sismográfi co da América do

Sul. Nos últimos anos, a terra tremeu com maior freqüência

em João Câmara (RN), Cascavel e Pacajus (CE), Porto

dos Gaúchos (MT), Caruaru (PE), Pedro Leopoldo, Betim e

Igaratinga (MG).

Os sismos acontecem porque a camada mais externa

da Terra, a litosfera, formada pelos primeiros cem quilômetros

de profundidade, é rígida e quebrada em diversos

pedaços (placas tectônicas) que não estão parados, mas se

movimentando uns em relação aos outros. Nos pontos onde

estas placas se tocam ou se roçam ocorrem os maiores e

mais freqüentes tremores. O Brasil está localizado no meio

Gentil foi avisado do tremor pela esposa.

Era quase meia-noite do último dia 20 de

junho quando muitas pessoas sentiram o

chão tremer na cidade paraense. Difícil

explicar que isso acontece e que é previsto

durante a construção de uma hidrelétrica

como Tucuruí. “As pessoas obviamente

fi cam assustadas e é uma reação normal”,

diz Waltinho, que lembra de outro tremor

em 1998: “Esse foi por volta das três horas

da madrugada, mas foi bem mais forte do

que o deste ano. Na manhã seguinte fi zemos

logo a troca da fi ta do sismógrafo porque sabíamos

que algo estava registrado. A escala

acusou um temor de 3,6 pontos”.

O sismógrafo a que Waltinho se refere é

um dos que monitoram a área. São dois:

um deles próximo da Usina e o outro a cerca

de 70 quilômetros. Todos os dados são

enviados ao Observatório Sismológico da

Universidade de Brasília - UnB, que mantém

um convênio com a Eletronorte desde 1978.

“Tucuruí é monitorada mesmo antes da sua

construção”, explica o engenheiro Gilson

da Luz. Segundo ele, o ideal é que esse

monitoramento prévio exista para permitir o

mapeamento sismológico da região. Numa

audiência pública realizada no mês de agosto,

na Câmara de Vereadores de Tucuruí, o

depoimento de uma moradora contribuiu

para que o histórico de sismos da cidade

Foto: Roberto Fleury/UnB

de uma placa tectônica. Nas bordas ou limites dessas

placas a atividade sísmica é mais forte, mas a história tem

demonstrado que ela pode ocorrer mesmo em regiões de

baixa atividade (intraplaca).

O tremor de maior magnitude de que se tem notícia

no Brasil data de janeiro de 1955, em Porto dos Gaúchos

(MT), tendo alcançado 6.5 na Escala Richter. Não houve

danos, pois a região não era habitada, na época. Nesse

local, existe um rebaixamento da crosta terrestre, também

chamada de zona de fraqueza.

fosse ainda mais aprofundado: segundo ela,

em 1972 já houve um tremor ainda mais

forte que os recentes. A Usina ainda não

estava lá. Isso pode ser um indicativo de

quem nem todo o sismo em uma hidrelétrica

acontece em razão dos chamados sismos

induzidos por reservatório. É comum em

usinas do porte de Tucuruí que as placas se

acomodem sob a terra em razão do peso ou

do caminho natural que a água busca.

De acordo com Lucas Barros, (foto abaixo)

professor do Observatório Sismológico

da UnB, as regiões de reservatórios estão

mais vulneráveis a abalos sísmicos, já que

a pressão da água pode induzir a acomodação

de placas tectônicas da crosta terrestre.

Embora algumas hidrelétricas como Tucuruí

mantenham estações sismológicas, o Brasil

ainda não tem um órgão

específico para tratar

do assunto nem um

sistema integrado de

monitoramento. “Precisamos

de uma unidade

de vigilância para

registrar e acompanhar

as ocorrências”, afi rma

Barros.

Mais uma vez a prevenção.

A Eletronorte

prevê ainda este ano a

Foto: Cláudio Reis/UnB


Foto: Cláudio Reis/UnB

Em Brasília, no dia 20 de novembro de 2000, a terra

tremeu com uma magnitude 3.7. Os estudos posteriores

ao abalo indicaram a possibilidade de desabamento de

uma caverna subterrânea. O solo da região é rico nesse

tipo de formação.

E o que é a Escala Richter? Ela mede a intensidade

de energia sísmica dos terremotos e surgiu em 1935,

idealizada pelo sismólogo norte-americano Charles F.

Richter. Após coletar e interpretar dados de inúmeras

ondas liberadas pelos abalos sísmicos, o sismólogo criou

um sistema para calcular a magnitude delas. Inicialmente,

a escala foi criada para medir apenas a magnitude de

tremores no sul da Califórnia, mas hoje é utilizada em

todo o mundo.

Efeitos dos terremotos: menos de 3.5 graus na Escala

Richter, geralmente não é sentido; 3.5 a 5.4 graus, causa

pequenos danos, ainda que não seja sentido; 5.5 a 6.0

graus, provoca pequenos danos a edifi cações; 6.1 a 6.9

graus, pode causar danos graves em regiões densamente

povoadas; 7.0 a 7.9 graus, terremoto de grandes proporções

com danos graves; e 8.0 graus ou mais, tremor muito

forte que causa destruição total na comunidade atingida

e em povoados próximos. A escala Richter é aberta e não

há limite máximo de graus.

aquisição de quatro novas estações sismológicas,

num investimento de aproximadamente

US$ 400 mil. O Observatório da UnB

já tem um projeto para a criação de uma

rede sismográfi ca nacional e, de acordo com

o professor Lucas, a idéia é que as estações

estejam distribuídas uniformemente pelo

País, operando em tempo real via satélite. Por

se tratar de um investimento alto, empresas

como Eletronorte e Furnas, que já são parceiras

no monitoramento, também apóiam

o projeto. A expectativa é que a rede esteja

concluída em três anos. Até dezembro de

2007, a estação de Porto dos Gaúchos, no

Mato Grosso, deverá ser modernizada. A região

já sofreu um tremor de alta intensidade:

em 1955, a população fi cou assustada com

um de seis graus na escala Richter. De acordo

com o professor, a rede vai permitir registrar

tremores de baixa ou de alta intensidade de

forma sistematizada e ágil. Mas afi rma: ainda

não existe tecnologia para prever tremores,

mas o monitoramento é fundamental para

minimizar impactos a partir de restrições

e orientações para as construções locais.

E aí entra a engenharia - que poderia ser

nesse contexto denominada Engenharia da

Prevenção.

Metahidro - Desacostumados com terremotos,

os brasileiros não os aceitam com

naturalidade. Já os pesquisadores estudam

sobre como prevenir os impactos, já

que não podem prever o dia ou prevenir a

causa. No Grupo de Metahidro, que reúne

pesquisadores da Eletronorte e da Universidade

de Brasília, as discussões a respeito

são constantes. “Buscamos a integração do

conhecimento, apostando na troca de informações

entre diversos profi ssionais da área.

Isso tem permitido pesquisas em diferentes

áreas da engenharia de barragens”, afi rma

o coordenador do Grupo de Metahidro,

professor Lineu Pedroso ( foto abaixo). Engenheiro

da área de geotecnia e estruturas

da Eletronorte, Sílvio Caldas destaca a participação

e o reconhecimento da Eletronorte

nas pesquisas sobre o tema,

e lembra que o Grupo foi

destaque no último Seminário

Nacional de Grandes

Barragens, realizado em

Belém, no último mês de

junho. (Ver edição 215 de

junho/julho de 2007).

Para a pesquisadora Rita

de Cássia Silva, também

pesquisadora do Grupo e

autora de trabalhos como

Aspectos de Risco e Confiabilidade

em Barragens,

o conceito ‘segurança de

barragens’ não deve ser considerado apenas

na fase da sua concepção, mas, sobretudo,

para as barragens existentes. “O principal

interesse dessa linha de pesquisa é desenvolver

uma metodologia capaz de avaliar a

segurança de barragens do tipo ‘gravidade’,

em concreto. Contudo, num estudo dessa

natureza, diversas são as variáveis envolvidas

que trazem para a análise incertezas cruciais

em uma avaliação realista do comportamento

estrutural do barramento”, afi rma ela. Hoje,

a temática da segurança ocupa lugar de destaque

nas diversas áreas que compreendem

o estudo de uma barragem e, segundo Rita,

“tornou-se um assunto de inegável relevância

para o setor de energia elétrica tanto técnica

como economicamente”.

Legislação - Ainda que o objetivo de muitos

seja submeter as barragens a um seguro,

especialistas em segurança de barragens

discordam, não achando necessário, por

exemplo, que se criem leis específi cas sobre

o assunto. O fato é que notas técnicas alertam

para a necessidade de se diferenciar uma

Foto: Cláudio Reis/UnB

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Manuais

qualifi cados e

exigências legais

podem evitar

catástrofes

como a de

Cataguazes (MG)

empresa que é submetida a rígidas inspeções

por organismos credenciados, e mantém padrões

de construção, manutenção e monitoramento

de uma barragem, de empresas que

sequer fazem acompanhamentos regulares.

“É como você fazer um seguro do seu carro.

Quem tem mais cuidado não pode pagar a

mesma coisa do que quem não tem o mesmo

comportamento. Além disso, o pagamento

de um seguro seria feito com recursos que

poderiam ser destinados à manutenção e

prevenção”, alerta Rogério Menescal.

Gilson da Luz lembra que as barragens

do Setor Elétrico são implantadas depois de

diversos estudos geotécnicos e de impacto

ambiental, e são dimensionadas de acordo

com normas internacionais, não havendo

histórico de acidentes em grandes e médias

hidrelétricas no Brasil. “Nesse sentido, as

barragens hidrelétricas se desenvolvem de

acordo com os regulamentos estabelecidos

pela Agência Nacional de Energia Elétrica -

Aneel e manuais elaborados pela Eletrobrás,

que comprovam a execução de programas

de inspeção e monitoramento durante a fase

de operação da barragem”.

Por outro lado, está tramitando na Câmara

dos Deputados o Projeto de Lei 1.181/2003

que prevê uma Política Nacional de Segurança

de Barragens, cria o Conselho Nacional

de Segurança de Barragens e o Sistema

Nacional de Informações sobre Segurança

de Barragens. Trata-se de um dos eixos do

Programa de Segurança de Barragens no

Brasil, conjunto de ações do Ministério da Integração

Nacional, em parceria com diversas

instituições que prevê o cadastramento de

barragens, realização de inspeções, elaboração

de arcabouço legal e treinamento.


TECNOLOGIA

As fi bras da telecomunicação

César Fechine

O alarme sonoro dispara na sala de operações

do Centro de Informação e Análise da

Transmissão da Eletronorte, em Brasília, às

14h49 do dia 8 de agosto de 2007. Quem trabalha

nessa sala sabe que sistema elétrico não

tem hora para cair. “Houve um desligamento

na linha de interligação Presidente Dutra-Boa

Esperança, em 500 kV, no Maranhão”, explica

o operador de sistemas Marcos Fernando de

Sousa Lira, 28 anos de profi ssão.

Apenas um minuto após o registro da

ocorrência, o Centro de Operações da Eletronorte

no Maranhão tenta recompor a carga.

Neste caso, não houve conseqüências para

o sistema e o abastecimento de energia não

foi interrompido em nenhum lugar.

A interligação que caiu compõe o Sistema

Norte-Nordeste e possibilita a troca de energia

entre os sistemas operados pela Eletronorte

e a Chesf. “Não houve falta de energia e, de

qualquer forma, a linha Presidente Dutra-Teresina,

circuitos 1 e 2, que também compõe

o anel elétrico do Sistema Norte-Nordeste,

permaneceu energizada”, tranqüiliza Lira.

Às 14h52, a linha de transmissão volta a

ser energizada e às 14h55min, com o fechamento

do anel na subestação Boa Esperança,

a ocorrência é considerada normalizada.

Velocidade da luz - A supervisão e o monitoramento

em tempo real dos mais de dez

mil quilômetros de linhas de transmissão

e dos sistemas elétricos gerenciados pela

Eletronorte só é possível graças à rede de

fi bra óptica da Empresa, da qual o Centro de

Informação e Análise da Transmissão é um

dos principais usuários.

“A fi bra óptica permite que as grandezas

elétricas do sistema cheguem aos centros

de operação, sendo supervisionadas permanentemente

para que, numa anormalidade,

possam ser tomadas decisões de remanejamento

ou redução da carga. Esse trabalho é

feito em todos os nossos sistemas de transmissão”,

explica Josias Matos de Araújo,

superintendente de Engenharia de Operação

e Manutenção da Transmissão.

Não dá para imaginar a vida moderna sem

a Internet, a videocomunicação e a telefonia

digital. E são as fi bras ópticas que possibilitam

a transmissão instantânea de dados a

longas distâncias.

Em 1984, a Eletronorte implantou, em

Tucuruí, o primeiro cabo do tipo OPGW

(Optical Ground Wire), que traduzido

para o português signifi ca fi bra óptica em

cabo de guarda (pára-raio).”A Empresa foi

pioneira no Brasil na implantação desse

equipamento. Esse tipo de cabo tem dupla

função: servir de pára-raios e

acomodar as fi bras ópticas

que fazem a transmissão

de dados”, explica

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Carlos Magno de Sá Abadá, superintendente

de Telecomunicações.

O cabo OPGW é colocado normalmente

na parte mais alta das torres que compõem

a linha de transmissão (diagrama ao lado).

A fi bra óptica fi ca na parte interna do cabo

e é manipulada e conectada por meio das

chamadas caixas de emenda.

A trezentos mil quilômetros por segundo

- a velocidade da luz -, a transmissão dos

dados por meio da fi bra óptica é instantânea.

O que defi ne a capacidade de transmissão

desses dados é a qualidade dos equipamentos

eletrônicos utilizados “na ponta” para

transmitir e recepcionar os dados.

A opção pela construção da rede de fi bra

óptica da Eletronorte surgiu com a demanda

de uma maior capacidade de transmissão de

dados. O crescimento da rede corporativa

de informática, a automação das máquinas,

das subestações e das usinas, a necessidade

crescente de transmitir dados com confi abilidade,

continuidade e qualidade foram outras

demandas.

“Ficava mais econômico e confi ável montar

um sistema próprio, com grande capacidade

de transmissão de dados, do que fi car

comprando canais das operadoras”, explica

Abadá. Atualmente, a fi bra óptica está presente

em 5.927 quilômetros das linhas de

transmissão operadas pela Eletronorte, o que

equivale a quase 60% do total.

Serviços - A Superintendência de Telecomunicações

foi criada com a fi nalidade principal

de prestar serviços de telecomunicações

para a própria Eletronorte e para terceiros. Em

2001 houve uma mudança no Estatuto Social

da Empresa, adequando-o para possibilitar

a prestação do serviço de telecomunicações

a terceiros. Em 2003, a Eletronorte obteve

licença junto à Agência Nacional de Telecomunicações

- Anatel para explorar o Serviço

de Comunicação Multimídia - SCM.

Rede de fi bras

ópticas (OPGW)

da Eletronorte


Hoje, a rede de fi bras ópticas atende

às necessidades de comunicação operativa

e corporativa entre as unidades

da Eletronorte, gerando serviços de

telecomunicações como produtos. Para

o mercado externo, a Empresa oferece

canais de comunicação como produto

e infra-estrutura para as operadoras de

serviços de telecomunicações.

A utilização do sistema óptico também

está permitindo a redução de custos, tais

como a interligação telefônica entre a Sede,

em Brasília, e as unidades regionais do Maranhão,

Pará, Mato Grosso, Tocantins, Acre

e Rondônia, que são feitas via ramal, sem

pagar interurbano.

A medição e o faturamento pelo uso das

linhas de transmissão da Empresa também

são feitos por meio das fi bras ópticas, bem

como a realização de videoconferências.

A rede de fibra óptica também está

gerando receitas para a Eletronorte. A

Empresa tem contratos fi rmados na telefonia

celular com a Vivo, Claro e Brasil

Telecom. Na telefonia fi xa, há contratos

fi rmados com a Brasil Telecom e com a

Embratel. “Hoje temos uma receita anual

com os serviços de telecomunicações da

ordem de R$ 3 milhões. E temos a certeza

de que essa receita será crescente a cada

ano”, informa Abadá.

A estimativa é de que se a Empresa tivesse

que pagar por conectividade para as

mesmas operadoras para as quais passou

a ser prestadora de serviços, os gastos chegariam

a cerca de R$ 30 milhões por ano.

Outra importante ação que a Eletronorte

está iniciando é colocar a sua infra-estrutura

de fi bra óptica à disposição do Governo do

Estado do Pará para possibilitar a inclusão

digital de milhões de pessoas por meio de

telecentros digitais.

É impossível imaginar qualquer sistema

computadorizado hoje em dia que não

tenha como base a transmissão de dados.

Para a Eletronorte, a opção por montar uma

rede de fi bra óptica própria mostrou-se

bastante vantajosa.

Enquanto isso, o monitoramento dos sistemas

elétricos, 24 horas por dia, continua para

garantir a boa qualidade dos serviços, o suprimento

de energia elétrica e a tomada rápida de

decisões, se necessário for. A integração dos

dados é garantida pelas fi bras compostas por

fi nos fi lamentos de vidro, que revolucionaram

o mundo das telecomunicações.

Filamentos de luz

A fi bra óptica é um fi lamento de vidro

(sílica) da espessura de um fi o de cabelo,

capaz de transmitir a luz a enormes distâncias.

Quando alguém fala ao telefone, a voz

é traduzida para a linguagem dos impulsos

elétricos, pelo próprio aparelho. Porém,

quando essa mensagem é transmitida por

meio de fi bra óptica, esses impulsos são

convertidos em impulsos de luz, por meio

de uma fonte de faixa de infravermelho conectada

à fi bra.

A aplicação dessa tecnologia revolucionou

a comunicação de dados por causa dos benefícios

se comparada ao uso de cabos de

cobre convencionais. A comunicação óptica

tem muitas vantagens: ela permite a transmissão

de uma quantidade bem maior de

informações, a distâncias bem mais longas;

tem menor custo de implantação e operação;

os componentes são bem menores e a interferência

eletromagnética é eliminada.

Uma tecnologia denominada Wavelength

Division Multiplexing (WDM), ou Multiplexação

por Divisão de Comprimento de Onda, fez

com que, em vez de se utilizar uma fi bra para

cada laser de sinal, como no início do sistema,

fosse possível transmitir vários lasers pela

mesma fi bra óptica. Assim, a multiplexação

permite que diversas bandas de transmissão,

cada uma com dezenas de milhões de ligações

ao mesmo tempo, possam ser enviadas

por uma única fi bra óptica.

Há dez anos, cada fi bra óptica levava um

único raio de luz e transmitia seiscentos

milhões de bits por segundo (bps). Hoje, já

se pode canalizar cem lasers dentro da fi bra

ótica e transmitir um trilhão de bps. (Fonte:

Jornal da Unicamp)

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Parceria pela inclusão digital no Pará

A rede de fi bras ópticas da Eletronorte está

agora a serviço da inclusão digital no Estado do

Pará. Um convênio de cooperação técnica, inédito

no País, vai permitir o uso da rede de fi bra

óptica da Eletronorte pelo governo estadual e a

transmissão de dados em alta velocidade a órgãos

públicos e a telecentros, que benefi ciarão cerca

de dois milhões de pessoas em diversos municípios

paraenses. O secretário de Desenvolvimento,

Ciência e Tecnologia do Estado do Pará, Maurílio

Monteiro, explicou à revista Corrente Contínua os

trabalhos que estão sendo desenvolvidos por intermédio

do convênio.

Qual o percentual da população do Pará que

tem acesso a computadores e à Internet?

A estimativa hoje é de que 5,5% da população

têm acesso a computadores e apenas 3% têm

acesso à internet. É um percentual muito baixo e

os governos federal e estadual têm desenvolvido

um conjunto de ações para melhorar essa situação,

como o convênio fi rmado com a Eletronorte.

O que prevê o convênio fi rmado entre

o governo do estado e a Eletronorte?

Esse é um passo importante para efetivar a

inclusão digital de milhões de pessoas excluídas.

Com esse convênio, a Eletronorte cede o direito

de uso da sua rede de fi bras ópticas, que se

estende desde o município de Santa Maria até

Santarém. Esse trajeto tem centenas de quilômetros

e em 12 pontos desse trecho haverá a

possibilidade de o governo fazer derivações dessa

rede e implantar um conjunto de ações voltadas

à inclusão digital.

Quais as principais ações que serão

desenvolvidas por meio do convênio?

São dois tipos de ações. A primeira é a implantação

de cidades digitais para permitir, num raio

de quatro quilômetros da antena principal, que

todos os órgãos públicos tenham acesso à internet.

Outra ação é a instalação de infocentros, em

convênios com as prefeituras e organizações nãogovernamentais,

para os quais o governo cederá

computadores, espaço físico, monitores e internet

para comunidades de baixa renda. A previsão é de

que, em um ano, sejam instalados trinta infocentros

na faixa da infovia.

Que áreas serão benefi ciadas e como os

serviços públicos poderão ser otimizados?

Nós teremos um conjunto de benefícios nas

áreas de educação, saúde, comunicação e várias

outras. O funcionamento da rede vai possibilitar a

implantação do serviço de telemedicina, pois será

possível a transmissão de exames e a produção de

laudos a distância. Teremos também os telecentros

de inclusão digital, que vão melhorar a educação

da população e ações de governança eletrônica

com vários serviços para a população, como tirar

certidões e outros documentos, participar de videoconferências,

entre outros.

Como foi concebido o projeto e

em quanto tempo a população poderá

contar com os benefícios?

A previsão é de que os primeiros infocentros

comecem a funcionar já com o sinal de fi bra

óptica em Santarém, Marabá e Marituba a partir

de setembro de 2007. A montagem dessa infovia

envolveu um projeto de engenharia sofi sticado

e vai permitir a transmissão de dados numa

velocidade de cinco gigabits por segundo, o

equivalente à transmissão dos dados de sete

CDs a cada segundo. A Eletronorte elaborou

esse projeto e já o entregou para que o governo

estadual possa operar a rede.

Qual a estimativa de economia de custos e

que outros benefícios o projeto proporcionará?

A estimativa de redução de custos é de

aproximadamente R$ 3,2 milhões por ano em

conseqüência do uso dessa rede para a transmissão

de dados, voz e imagem entre os órgãos

públicos do Estado. Mas o grande benefício

dessa parceria é mesmo social. Com este projeto,

a Eletronorte está prestando um serviço social

de uma dimensão enorme. Essa é uma ação de

grande envergadura, que só foi possível graças

à parceria com a Empresa.


CORRENTE ALTERNADA

Troféu Transparência

Eletronorte tem uma das

melhores demonstrações

contábeis do País

A Eletronorte está entre as 14 empresas do

seleto grupo premiado pelo Troféu Transparência,

concedido àquelas que têm as melhores

demonstrações contábeis do País. Criado em

1997, o prêmio é dividido nas categorias empresas

abertas e fechadas, numa parceria da

Associação Nacional dos Executivos de Finanças,

Administração e Contabilidade - Anefac; Fundação

Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e

Financeiras da USP - Fipecafi e Serasa. Essa é

a 11ª edição do prêmio que elege as empresas

mais transparentes do Brasil.

De acordo com o diretor Econômico-Financeiro

da Eletronorte, Astrogildo Fraguglia Quental, o Troféu

Transparência é reconhecido nacionalmente como o

“Oscar” da classe contábil. “Uma genuína referência

nacional quando o assunto é transparência corporativa.

O prêmio é reconhecido pela seriedade e rigor

técnico com que são selecionados os participantes

e escolhidos os vencedores. Toda a nossa aguerrida

equipe, particularmente da Superintendência de

Contabilidade, está honrada com essa distinção.

Esse prêmio é mais uma das várias provas da competência

dos colaboradores da Eletronorte”.

O superintendente de Contabilidade da Eletronorte,

Jésus Alves da Costa, concorda com

Astrogildo. “Fazemos questão de destacar o papel

da equipe e da Diretoria nesse contexto, por terem

sempre apoiado a área contábil, por reconhecê-la

como um ambiente técnico, nunca interferindo na

aplicação de procedimentos pertinentes e de suas

ações”, afi rma.

Gestores

comprometidos

com a

transparência

contábil

Em 2005, a Eletronorte obteve da Associação

Brasileira dos Contadores do Setor de Energia

Elétrica - Abraconee prêmio de melhor Demonstração

Contábil entre as grandes concessionárias

do serviço público de energia elétrica, um reconhecimento

de grande importância. Agora, recebe

o Troféu Transparência, considerado uma espécie

de certifi cado de garantia das demonstrações

contábeis da Eletronorte.

Método - A análise e a classifi cação das demonstrações

são feitas a partir de critérios essencialmente

técnicos, estabelecidos pela Fipecafi , onde

são avaliados: qualidade e grau das informações

contidas nas demonstrações e notas explicativas;

transparência das informações prestadas; qualidade

do relatório da administração e sua consistência

com as informações divulgadas, aderência aos

princípios contábeis, além de uma série de outros

aspectos relevantes, não exigidos legalmente, mas

importantes para o negócio, como fl uxo de caixa e

balanço social

Numa primeira fase, alunos dos cursos de mestrado

e doutorado em Controladoria e Contabilidade

da FEA-USP selecionam as demonstrações contábeis

publicadas no País que melhor atendem aos

critérios, para encaminhamento à comissão julgadora

composta por personalidades de destaque no

cenário contábil nacional.

Dez empresas abertas receberão este ano o

11º Prêmio Anefac-Fipecafi -Serasa - Troféu Transparência

2007, entre elas a Companhia Vale do

Rio Doce, a Gerdau e a Petrobras. A Eletronorte é

premiada na categoria capital fechado, onde quatro

instituições foram contempladas. A cerimônia de

premiação será realizada no dia 25 de setembro

de 2007, em São Paulo.

43


44

Amazônia Eletronorte

Transmissora

distribui dividendos

Resultado do primeiro leilão realizado sob as regras

do atual modelo do Setor Elétrico, a linha de transmissão

Coxipó/Cuiabá/Rondonópolis, em 230 kV, arrematada

pela Eletronorte em consórcio com empresas privadas,

apresentou ótimos resultados. Tanto que o BNDES resolveu

liberar 100% dos dividendos para distribuição entre

os sócios do consórcio, quando o usual seria 25%. Num

ato simbólico, a concessionária da linha, a Amazônia

Eletronorte Transmissora de Energia - AETE realizou,

na Sede da Eletronorte, com a participação de toda a

Diretoria, cerimônia para demonstração dos resultados

e distribuição dos dividendos aos participantes daquela

Sociedade de Propósito Específi co, que tem a participação

da Eletronorte (49%); Alubar (13,25%); Bimetal

(24,5%); e Linear (13,25%).

A linha, que compreende os trechos Coxipó-Cuiabá, em

circuito duplo de 230 kV, com 17 km; Cuiabá - Rondonópolis,

em circuito simples de 230 kV, com 171 km; a

ampliação da subestação Coxipó, com dois vãos de linha

em 230 kV; a construção da subestação Cuiabá, em 230

kV; e a ampliação da subestação Rondonópolis, um vão de

A Eletronorte e a PadTec assinaram contrato

para exploração do know-how e do pedido

de patente da metodologia de utilização e

aparatos de regeneração óptica passiva, desenvolvida

por meio de

um projeto de P&D entre

a Eletronorte e o Centro

de Pesquisa e Desenvolvimento

em Telecomunicações

- CPqD, um

dos mais conceituados

pólos de tecnologia do

mundo.

Para o presidente da

PadTec, José Salomão

Pereira, as perspectivas

de comercialização

são animadoras. “É

um produto com muito

potencial, resultado de

um trabalho que pode

fazer com que os mercados

da Ásia, África e

mesmo América Latina,

possam ser atendidos

linha em 230 kV e um compensador série em 91 MVAR,

de transmissão teve investimentos de R$ 116,6 milhões

e gerou cerca de oitocentos empregos diretos.

Na ocasião, o diretor-presidente da Eletronorte,

Carlos Nascimento, recebeu das mãos do presidente

do consórcio, Mauro Mendes, o cheque de R$ 4,2

milhões, de um total de R$ de 8,7 milhões, correspondentes

à distribuição dos dividendos acumulados no

período de setembro de 2005 a dezembro de 2006.

Quadro qualifi cado - Os cheques foram também entregues

aos demais membros do consórcio: a Bimetal

recebeu R$ 2,3 milhões; a Linear, R$ 1,1 milhão e a

Alubar, R$ 941 mil. Mauro Mendes disse que o patamar

de R$ 8,7 milhões continuará nos próximos dez anos e

deverão aumentar nos 15 anos fi nais com o término do

pagamento do empréstimo ao BNDES. “O nosso grupo

é formado por empresários de Mato Grosso e do Pará,

e a experiência deu tão certo, que a primeira linha de

transmissão feita com participação estatal nesse modelo

mostra-se agora com uma rentabilidade de 22%. No

leilão o grupo teve que dar 38% de deságio para ganhar,

enquanto o previsto era de até 26%”.

Carlos Nascimento enfatizou o quadro técnico altamente

qualifi cado da Eletronorte, que se dedica ao extremo.

“O resultado é o sucesso dos processos da Empresa. O

atual modelo do Setor Elétrico não é perfeito mas tem

importância como indutor do desenvolvimento. A partici-

Equipamento a ser produzido pela iniciativa p

com produtos brasileiros, gerando riqueza e trabalho

no País. Já temos muitos interessados e, com assinatura

desse contrato, poderemos começar a produção

em aproximadamente um mês”, afi rma.

Diretores da Eletronorte e PadTec assinam o contrato


Diretoria e técnicos das duas empresas comemoram os resultados

pação estatal com empresas privadas deu oportunidade a

novos empresários de participarem de um setor até então

fechado, complexo e carente de recursos. Formamos um

grupo de empresas fora do centro de maior atividade

comercial do País, mas que conseguiu desbancar grupos

gigantes e altamente preparados para o leilão”.

O coordenador de Viabilização de Negócios da

Eletronorte, Wilson Fernandes, lembrou que o empreendimento

permite que o Mato Grosso passe a

ser exportador de energia. “A Eletronorte investiu

no projeto cerca de R$ 20 milhões e está recebendo

R$ 4,2 milhões no primeiro um ano e quatro meses de

operação, sendo que a concessão é por trinta anos.

É muito importante que a Empresa invista em outros

empreendimentos lucrativos como este, que apresenta

Taxa Interna de Retorno - TIR superior a 20%. A Intesa

(Integração Transmissora de Energia, SPE em parceria

com a Chesf, Fipe e Engevix com obras em andamento),

e a Hidrelétrica Dardanelos, em parceria com a Chesf

e Neoenergia em fase de início de obras, apresentam

expectativa de ótimos resultados para a Eletronorte”,

vibra o coordenador.

privada tem patente pedida pela Eletronorte

O diretor de Gestão Corporativa da Eletronorte, Manoel

Ribeiro, disse que essa é mais uma demonstração da

importância que a Empresa dá à pesquisa e ao desenvolvimento

tecnológico. “Os talentos que temos aqui, e a

vontade que temos de buscar parcerias para mostrar que o

Brasil é capaz de produzir tecnologia fazem a diferença”.

Fibra ótica - “Sempre tivemos um problema com a

transmissão de sinais na rede de fi bra ótica, que era a

necessidade de, a cada duzentos quilômetros, colocarmos

uma estação repetidora, exigindo um alto custo de manutenção

para a Empresa. Daí é que a Empresa desenvolveu

uma pesquisa com o CPqD e o resultado foi o Regenerador

Ótico Passivo”, explica o superintendente de Pesquisa e

Desenvolvimento Tecnológico, Luis Cláudio Silva Frade.

O equipamento, inventado por Domingos Sávio dos

Reis, da Eletronorte, é capaz de transmitir um sinal a até

quatrocentos quilômetros, permitindo que não seja mais

necessária a antena retransmissora. “A Eletronorte pediu

o registro da patente desse equipamento junto ao Instituto

Nacional da Propriedade Industrial - Inpi; contratou uma

empresa para produzi-lo em escala comercial e agora

assinamos o contrato que vai permitir a exploração desse

know-how. É a primeira vez que se faz isso no Setor

Elétrico”, afi rma Frade.

Patente - A gerente de Articulação com

a Indústria Nacional, Neusa Lobato, explica

que a Lei 9.279/96 permite que contratos

dessa natureza sejam feitos por cinco anos,

renováveis por mais cinco. “Há duas coisas

diferentes: uma é a exploração do know-how;

e outra é a exploração do pedido de patente.

Essa última não pode ser cobrada, pois o que

temos é o pedido e, conseqüentemente, uma

expectativa de ganho. Demos entrada no Inpi

há dois anos e o processo pode levar até oito

anos. Nos primeiros 18 meses o processo fi ca

em sigilo; depois de mais 18 meses começam

outras análises técnicas. Se essa patente sai antes

do tempo previsto no contrato, poderemos

então transferir a exploração da patente”.

É importante lembrar que a Eletronorte

vai receber royalties de 7,0 % sobre o lucro

líquido dos equipamentos comercializados

pela PadTec. Além disso, na aquisição de um

deles, a Empresa tem mais 10% de desconto.

A estimativa é que o equipamento gere uma

economia de aproximadamente R$ 1 milhão

ao ano, por estação. O investimento no projeto

foi de R$ 670 mil.

45


CIRCUITO INTERNO

46

Efi ciência energética

Nas escolas do Pará 160 mil estudantes da

rede pública aprendem a preservar o meio

ambiente e a economizar energia elétrica

O Programa Eletronorte de Efi ciência Energética -

PEEE, que vem sendo executado desde 2005 no Pará,

chega neste semestre a 221 novas escolas da rede pública

de ensino em oito municípios paraenses. Desde o

início de agosto, professores, servidores de instituições

municipais e estaduais, estudantes e suas famílias

aprendem com o PEEE Educacional a preservar o meio

ambiente ao fazer uso efi ciente da energia elétrica.

O projeto envolve professores de todas as disciplinas

aplicadas nas escolas. As ações do programa incluem

sensibilização de gestores escolares, capacitação de

professores, realização de atividades lúdico-pedagógicas

e medição do consumo de energia nas escolas e residências

dos estudantes, com todo o material didático doado

pela Eletronorte e Eletrobrás.

As ações serão desenvolvidas gradativamente ao longo

do semestre, até que todos os municípios benefi ciados

pelo convênio sejam contemplados: Belém, Castanhal,

Para viver, vencer

“Nos dias 14 e 16 de agosto de 2007, Edson Cavalcante

conquistou duas medalhas de ouro no Parapan-americano

Rio 2007. Ele deixou para trás adversários do México e do

Canadá, favoritos na disputa dos 100 e 200 metros rasos.

Nos 100 metros seu tempo foi de 11s72 e nos 200 metros

23s95.Com seu carisma, o atleta da Eletronorte conseguiu

arrebatar a torcida e a imprensa. Ele é agora conhecido

como o novo “xodó” do para-atletismo brasileiro”.

A boa notícia acima chegou a tempo de completar esta

reportagem, provando mais uma vez que os brasileiros

são famosos pela perseverança e por encararem com

alegria a vida. Na Regional de Produção e Comercialização

de Rondônia existe um exemplo ainda maior: brasileiro,

nascido em família humilde e portador de necessidades

especiais. Esse é o retrato de Edson Cavalcante Pinheiro,

28, que buscou nos assentos escolares e no esporte a

força para se fi rmar na vida.

Edson nasceu em meio a difi culdades, no interior do

Acre. No parto, sofreu uma paralisia cerebral que ocasionou

uma paralisia parcial em seu braço direito. “Minha

sorte é que sempre consegui enfrentar isso muito bem,

sem fi car revoltado. Pelo contrário, isso só me deu mais

vontade de lutar”, destaca.

Edson mostrou o que uma pessoa determinada é capaz

de fazer. Mesmo convivendo com difi culdades, ele fez facul-

Santarém, Goianésia, Jacundá, Ananindeua, Barcarena

e Abaetetuba. A previsão é de que até novembro,

1.590 professores e aproximadamente 160 mil

estudantes do ensino infantil, fundamental e médio

estejam sensibilizados.

O PEEE Educacional, produto da parceria entre

Eletrobrás e Eletronorte no Programa Nacional de

dade: Tecnologia em Processamento de Dados, na Faculdade

de Ciências Administrativas e de Tecnologia de

Rondônia (Fatec-RO), na capital do Estado, Porto Velho.

Hoje, faz pós-graduação em Desenvolvimento Web.

O suporte dado pelos estudos, somado à participação

de Edson em associações de portadores de

defi ciências físicas garantiu a conquista de um espaço

no disputado mercado de trabalho. “Só tenho o que

comemorar. Consegui estudar e, com a ajuda da Associação,

sempre consegui trabalho. Por isso, há seis

anos trabalho na Eletronorte, que abriu novas portas

para mim”, comemora.

Uma das grandes mudanças na vida de Edson,

depois de ter entrado na Eletronorte, foi o ingresso

nos esportes. Foi na Empresa que ele conheceu João

Fernando, o ‘Totó’, um amigo, também portador de

necessidades especiais, que lhe incentivou a praticar

esportes. Com o apoio, Edson começou a praticar e

participar de competições para-desportivas de tênis de

mesa. O talento para os esportes foi logo comprovado:

em 2003, Edson foi campeão brasileiro de tênis de

mesa individual.

Em 2004, houve uma mudança de planos e Edson

passou a competir no atletismo, por acreditar que nesse

esporte seria mais competitivo. Nosso atleta acertou mais

uma vez e, já em 2005, venceu o Campeonato Brasileiro

nos 100 e 200 metros rasos. O mesmo aconteceu em


Conservação da Energia Elétrica na Educação Básica

(Procel Educacional), com apoio das secretarias

de Educação, tem como meta gerar a economia

de 6,98 kWh/mês por aluno envolvido. Mas o uso

racional de energia elétrica pode trazer resultados

ainda melhores, segundo a gerente de Articulação

com a Indústria Nacional da Eletronorte, Neusa

Foto: Daniel Fachini/CPB

Professores e alunos unidos na mesma lição: sabendo usar não vai faltar

Rodrigues. “Nossas medições nas residências dos

alunos já contemplados nos programas têm tido um

resultado médio de 12 kWh/mês e uma média de economia

nas escolas de 180 kWh/mês. Em Breu Branco,

a economia de energia, em seis meses, nas instituições

envolvidas, representou o consumo de três escolas no

mesmo período considerado”.

2006 e, agora em 2007, Edson defende o tri-campeonato

em sua classe, a T-38 (no para-atletismo, os atletas são

divididos em classes, de acordo com o nível e tipo de defi -

ciência física). Ele tem tudo para conseguir, pois na primeira

etapa do Campeonato Brasileiro deste ano, realizado em

Porto Alegre, Edson novamente foi para o lugar mais alto

do pódio nos 100 e 200 metros rasos.

Com esse histórico de vitórias, na vida e no esporte,

Edson foi para os Jogos Parapan-americanos Rio 2007

e voltou com as medalhas douradas para a Eletronorte,

Empresa que também lhe patrocina.

Os resultados de Edson são expressivos, principalmente

se for levado em consideração que o atleta não treina em

uma pista ofi cial, inexistente em Rondônia, e que ele não

é um atleta profi ssional. “Eu preciso trabalhar. Não tenho

como viver só do esporte. Essa é a realidade da maioria

dos atletas, mesmo os que não possuem defi ciência e,

obviamente, isso prejudica os resultados”, frisa.

O esforço e superação de Edson são tão visíveis que

ele foi um dos escolhidos para conduzir a tocha olímpica

dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 quando ela passou

por Porto Velho, no dia 25 de junho passado. “Eu fi quei

muito feliz em perceber que meu esforço está sendo

reconhecido e em ver meus amigos da Eletronorte me

acompanhando naquele momento. Sempre recebo o incentivo

dos que trabalham comigo, mas naquele momento

foi mais especial”.

47


AMAZÔNIA E NÓS

48

RONDÔNIA

HISTÓRIA

A Eletronorte chegou

a Rondônia em 1981,

dez meses antes da

criação do Estado. Nesse

mesmo ano, iniciou

a construção da Usina

Hidrelétrica Samuel,

no Rio Jamari. Nove

anos depois, a Usina se

incorporou ao parque

termelétrico instalado

na capital, Porto Velho,

possibilitando a ampliação

do sistema de transmissão

para o interior do

Estado.

Em Rondônia, a Eletronorte

é representada

pelas unidades regionais

de Produção e

Comercialização e de

Planejamento e Engenharia.

A força de

trabalho é formada por

profi ssionais das mais

diversas áreas de conhecimento,

que trabalham

para melhorar

a qualidade de vida dos

rondonienses.

Esse trabalho tem

sido reconhecido ao

longo dos anos, tanto

pela satisfação dos

clientes e consumidores

quanto pelas diversas

premiações recebidas,

devido à excelência

da gestão empresarial.

Essas conquistas são

fruto da prática constante

dos valores do

Credo da Eletronorte:

excelência na gestão,

valorização das pessoas,

comprometimento,

aprendizado contínuo,

empreendedorismo e

ética e transparência.

TRANSMISSÃO

O sistema de transmissão da Eletronorte em Rondônia conta com

dez subestações. A subestação de Ji-Paraná está sendo ampliada para,

juntamente com a construção das subestações de Pimenta Bueno e

Vilhena, garantir um dos maiores empreendimentos no cone sul do

Estado: a linha de transmissão Ji-Paraná/Pimenta Bueno/Vilhena,

que permitirá a interligação dos Estados do Acre e de Rondônia ao

Sistema Interligado Nacional - SIN. Atualmente são 916 quilômetros

de linhas de transmissão em 69 kV, 138 kV e 230 kV, e 1.367 MVA de

capacidade de transformação.

GERAÇÃO

A energia elétrica consumida

em Rondônia é gerada pela Usina

Hidrelétrica Samuel e por um

parque termelétrico operado pela

Eletronorte e por produtores independentes

de energia. Samuel

tem potência instalada de 216

MW e é considerada um marco

na história local. Sua construção

possibilitou que uma antiga colônia

de pescadores desse lugar ao

município de Candeias do Jamari.

A hidrelétrica foi concebida inicialmente

para suprir as cidades

rondonienses de Guajará-Mirim,

Ariquemes, Ji-Paraná, Pimenta

Bueno, Vilhena, Abunã e a capital,

Porto Velho. Atualmente, 90%

dos 52 municípios do Estado são

benefi ciados com energia fi rme e

segura desse sistema isolado da

Eletronorte.

Em 20 de novembro de 2002, a

capital do Acre, Rio Branco, também

passou a ser abastecida com

a energia de Samuel. Em maio de

2006, esse sistema foi ampliado,

permitindo que a geração térmica

do Acre fosse substituída pela

hidráulica, proporcionando a substituição

da geração a derivados de

petróleo. Além de Samuel, a Eletronorte

opera a Usina Termelétrica

Rio Madeira, que produz 90 MW.

Somada à geração dos produtores

independentes de energia, a potência

instalada da Eletronorte em

Rondônia é de 426 MW.


RESPONSABILIDADE SOCIAL

A energia distribuída pela Eletronorte

em Rondônia atende 1,7 milhão de habitantes,

incluindo a população do Estado

e mais 280 mil habitantes de Rio Branco,

no Acre. Além desse benefício, a Empresa

desenvolve atividades de responsabilidade

social junto às comunidades.

Um exemplo é a participação dos

empregados em ações assistenciais,

como a doação de cestas básicas a

idosos carentes, iniciativa que nasceu

há 12 anos e que atualmente benefi -

cia mais de 140 famílias. A Eletronorte

também desenvolve diversos projetos

diretos com a comunidade. Um deles é

a alfabetização de adultos. Duas turmas

de jovens e adultos em Porto Velho e

uma em Candeias do Jamari já foram

contempladas pelo programa, realizado

em parceria com o Colégio Dom Bosco.

Ainda na educação, a Eletronorte apóia

no Estado a Associação de Pais e Amigos

do Autista - AMA.

Desde novembro de 2003, em parceria

com o Governo do Estado de Rondônia

e o Ibama, desenvolve em Candeias do

Jamari o projeto de Aproveitamento de

Águas Improdutivas para Criação de

Tambaqui em Tanques-rede, benefi ciando

cerca de 500 famílias de pescadores

MEIO AMBIENTE

O profundo respeito ao meio ambiente

valeu à Eletronorte em Rondônia a certificação

NBR ISO 14001, o chamado

‘Selo Verde’, que contempla os resultados

positivos dos trabalhos de preservação

ambiental promovidos na região e consolidando

o Sistema de Gestão Ambiental

Regional, implantado em 2003. Foram

certifi cadas a Usina Hidrelétrica Samuel,

a Usina Térmica Rio Madeira, a Linha de

Transmissão de 230 kV Porto Velho-Abunã

e as subestações Porto Velho e Abunã. O

‘Selo Verde’ comprova que a energia gerada

pela Eletronorte é limpa, permitindo valores

maiores em sua negociação, assegurando

sua exportação através da produção

industrial ou da preparação de recursos

minerais como, por exemplo, a produção

de alumínio, em cuja composição a energia

elétrica representa 80%.

49


CORREIO CONTÍNUO

50

Pronunciamento

“Recebi, recentemente, da Diretoria da Eletronorte um exemplar

da revista Corrente Contínua, veículo de divulgação das ações

da Empresa, tanto na área de geração e transmissão de energia,

quanto em matéria de preservação ambiental e de projetos sociais.

Gostaria de destacar algumas matérias publicadas na revista, que

completa, em 2007, 30 anos de existência. A primeira matéria

a que gostaria de referir-me é assinada pelo jornalista Alexandre

Accioly e possui o título ‘Hidrelétricas são a melhor opção para

o Brasil’. A matéria não poderia vir em melhor hora. Neste momento

em que a questão ambiental toma conta dos debates em

todo o mundo, é preciso que discutamos, de uma vez por todas,

qual a matriz energética que queremos para o nosso País. E a

forma mais limpa e produtiva de geração de energia elétrica que

temos no Brasil é, sem dúvida alguma, a hidrelétrica. Na área de

atuação da Eletronorte, a preservação ambiental caminha lado a

lado com a geração de energia. Esse é o tema de outra matéria,

constante da revista Corrente Contínua, sobre a qual gostaria de

tecer alguns comentários. A matéria, assinada pela jornalista

Michele Silveira, traz exemplos de como a Eletronorte cuida

dos impactos ambientais subjacentes à construção das usinas

hidrelétricas. O exemplar que recebi da revista Corrente Contínua

ainda possui uma série de reportagens interessantes que retratam

o trabalho da Eletronorte, com destaque para a responsabilidade

sociambiental, uma das marcas da Empresa. A linha-mestra da

revista, com a qual compartilho as mesmas convicções, é que o

Brasil precisa construir usinas hidrelétricas para garantir um futuro

de prosperidade para o seu povo. Os impactos socioambientais

existem, mas são perfeitamente contornáveis por intermédio de

ações modelares como as que vêm sendo desenvolvidas pela

Empresa nas regiões alagadas pelas usinas de Balbina e Tucuruí.

O Brasil precisa de energia para crescer e gerar empregos. E a

melhor maneira de fazê-lo é investindo na construção de novas

hidrelétricas, fontes de geração de energia limpa e renovável.

Parabéns à Eletronorte pela belíssima revista e pelo competente

trabalho que vem desenvolvendo”!

Senador Romero Jucá (PMDB-RR)

- em pronunciamento na tribuna do Senado Federal

Furnas

“Agradeço pelo envio da excelente Corrente Contínua. Peço

que transmita, em nome da Coordenação de Imprensa de Furnas,

nossos parabéns e votos de contínuo sucesso aos colegas

envolvidos com o projeto”.

Eduardo Franklin Correia - Coordenador de Imprensa

Coordenação de Comunicação Social de Furnas

Aberje

“Fiquei muito feliz ao receber a revista da Eletronorte. Primorosas

a edição e as reportagens. Parabéns!”

Anna Chala - Diretora de Assuntos Externos da Associação

Brasileira de Comunicação Empresarial - Aberje

Abrage

“Essa edição da Corrente Contínua está realmente muito boa

e, coincidentemente, está alinhada com o contexto editorial que

pretendemos adotar na futura revista da Abrage, que, em última

análise, deverá ser uma espécie de somatório de artigos publicados

por nossas associadas. Gostaríamos de passar a receber

essa revista regularmente, na versão impressa”

Flávio Antônio Neiva - Presidente da Associação Brasileira

das Empresas Geradoras de Energia Elétrica - Abrage

Agradecimentos

“Agradecemos a gentileza do envio da revista Corrente Contínua

e parabenizamos pela excelente edição”.

Assessoria de Comunicação do gabinete

do senador Romeu Tuma (DEM-SP)

“De ordem do d eputado Paulo Rocha (PT-PA), confi rmo

o recebimento da revista Corrente Contínua, nº 215 e agradeço

cordialmente”.

Raquel Paz - Assessora parlamentar

do deputado Federal Paulo Rocha

“Agradeço o envio da revista Corrente Contínua,edição n°

215, do mês de junho, na qual aborda o aniversário de 34 anos

desta conceituada Empresa e parabenizo o trabalho quem vem

desenvolvendo ao longo de sua existência”.

Deputado Belarmino Lins de Albuquerque - Presidente

da Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas

Entrevista

“Acabo de ler a entrevista publicada na revista Corrente Contínua,

com o deputado José Otávio Germano, presidente da Comissão

de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Parabenizo a

Eletronorte e a sua equipe pelo excelente trabalho”.

Luiz Carlos Machado Fernandes - Gerência de

Relações Institucionais e Parlamentares - Eletronorte

Tucuruí

“Adorei o novo formato da revista Corrente Contínua. Gostei

das matérias, em especial a sobre Tucuruí. Mas gostei mesmo

foi da qualidade da impressão, o que valoriza e muito a imagem

da Empresa, da qual não podemos abrir mão. Parabéns para a

equipe toda, fi cou muito bom.”

Regina Caciamani - Assessoria de Controle da

Subsidiária Integral Manaus Energia - Eletronorte

Boa leitura

“Caros colegas da equipe da Gerência de Imprensa, parabéns

pela edição da revista Corrente Contínua. Dá gosto saborear sua

leitura!”

Humberto Gama - Gerência de Geotecnia

e Estruturas - Eletronorte

Qualidade gráfi ca

“Recebemos e agradecemos pelo envio da publicação Corrente

Contínua, de excelente qualidade gráfi ca e editorial. Ressaltamos

ainda que é de grande valia para o acervo da Biblioteca do Iesam

- Instituto de Estudos Superiores da Amazônia continuar a ser

receptora de tão valiosa publicação”.

Clarice Silva Neta - Bibliotecária do Iesam - Instituto

de Estudos Superiores da Amazônia - Belém (PA)

Responsabilidade social

“Caro editor, ao ler a nova edição da revista Corrente

Contínua, queremos parabenizar a todo o corpo editorial pela

excelência dos tópicos nela tratados. Aproveitamos para agradecer

a Eletronorte, dentro do tema Responsabilidade Social, pelo

auxilio inestimável que vem sendo dado à Universidade Federal

do Pará, através de convênio de patrocínio para a implantação

de uma Faculdade de Engenharia, em Tucuruí (PA), subunidade

do Instituto de Tecnologia desta Instituição (Itec-UFPA), já com

três cursos implantados: Engenharia Elétrica, Engenharia Civil

e Engenharia Mecânica, e outros em processo de implantação.

Isto mostra o esforço desta grande Empresa, em conjunto com

a UFPA, em proporcionar às populações dos municípios do

entorno da Usina Hidrelétrica Tucuruí, sem dúvida o maior

empreendimento da Eletronorte, uma oportunidade inestimável

de ascensão social e de desenvolvimento para essa região. Finalizamos

propondo que a revista enfoque, em próximo número,

uma reportagem sobre a implantação e funcionamento desta

Faculdade”.

Prof. Dr. José Augusto Lima Barreiros -Professor titular

e diretor do Itec-UFPA


FOTOLEGENDA

Grudada na parede

Seguro o choro

Ruindo devagar

Peço socorro

Pelas frestas

Sussurro dores

Descolorida

Renego ao tempo

Desalinhada

Sopro sombras tardias

Apedrejada

Embaralho letras e datas

Pinço estrelas trêmulas

Assentada no mofo

Filtro angústias

Engulo ânsias

Como uma provocação insana

Tento penetrar nos sonhos

Luto pela manifestação da saudade

Mesmo fi xa na superfície ausente

Ignorada em duas frias dimensões

Repito todos os dias anos a fi o:

Por que olhas para o lado

Se sou eu quem te chama?

Texto: Alexandre Accioly

Foto: Rui Faquini

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