Visão Judaica - outubro de 2002 Chesvan / Kislev 5763

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Visão Judaica - outubro de 2002 Chesvan / Kislev 5763

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* Nahum

Sirotsky é

jornalista

correspondente

da RBS em

Israel e colunista

do Último

Segundo/IG. A

reprodução de

sua coluna do IG

tem autorização

do autor.

(De Israel) - É claro que vivendo

os perigos deste “maravilhoso

mundo novo”, não posso deixar de

me preocupar. Há bem pouco se

tinha a era da Informação, que sociólogos,

filósofos, e etc., viam

como uma era de aproximação dos

povos e indivíduos, um mundo

multiétnico entendendo-se cada

vez mais. Caíra “a cortina de aço”

como Winston Churchill qualificara

a divisão entre o mundo democrático

e capitalista e o mundo soviético.

Finalmente, “Um Mundo

Só”, como sonhara o Republicano

Wendell Wilkie, autor de um livro

com tal título que servira de tema

de sua campanha presidencial na

qual fora derrotado. Por incrível

que pareça às gerações atuais, o

século passado foi dominado por

gigantes do bem e do mal, porém,

gigantes. Homens de visões criativas

e negativas do seu tamanho.

Hoje, as lideranças que se

apresentam por aí nem imitações

são. Não têm a estatura intelectual

e moral sequer do homem comum

a quem enganam com o seu acesso

aos meios de comunicação e

profissionais da criação de sonhos

que, espertamente, preferem ganhar

o dinheiro ao sofrimento e

responsabilidades do comando.

Não é fácil liderar e decidir. Vejam

Bush como já envelheceu, FHC.

Todos. Os gigantes do passado tinham

sua parte narcisista como os

chamados líderes de hoje. Só

disputam tais cargos quem se considera

o mais sábio dentre os sábios,

aquele que acha conhece o caminho,

iluminado que ilumina. Pode

ser que alguns hoje tenham o sentido

do serviço público como os

que se foram.

Visão Judaica - outubro de 2002 Chesvan / Kislev 5763

A volta do preconceito racial e religioso

Nahum Sirtosky *

Não conheço nome que se possa

pronunciar com respeito como

Churchill e Roosevelt, ou com total

submissão como Hitler. Não é

saudosismo, é carência. Foi colega

quem criou a expressão globalização.

Abriam-se comunicações

livres e ilimitadas entres os bilhões

do mundo. Os praticantes da internet

criariam uma rede de boa vontade

que inviabilizaria a ambição

dos que queriam o poder pelo seu

gozo. Mas, acentuam-se todas as

formas de nacionalismo. E acabaram

nascendo estadinhos que sequer

têm a população de uma cidade

brasileira média. A internet,

curiosamente, fez do homem um

papagaio de fatos. Sabe o que

acontece em Sri Lanka que nem

sabe onde fica. São anti isto e

aquilo sem saberem de que se trata.

O homem de hoje com seu

acesso e massa de informações é

um ignorante que sabe fatos. O conhecimento

ignorante é o grande

perigo dos nossos dias. E o que

alimenta os radicalismos e enfraquece

a liberdade de pensar e o

efeito educacional do debate. Os

indivíduos se dividiram em microcosmos

com opiniões fixas. O papo

é raro. A discussão é que é comum.

Nesta era que deveria esclarecer

estão renascendo os preconceitos.

Ser árabe e maometano

passou a ser um problema. Só

porque existem uns milhares de

deformados mentais, terroristas de

linha islâmica, todo o indivíduo de

nome árabe passou a ser suspeito.

Os maometanos são um bilhão

e meio de indivíduos que querem

viver em tranqüilidade e prosperidade.

Os grupos terroristas são

minorias que assustam seus irmãos

dos quais arrancam dinhei-

ro para suas ações. Quem vive no

meio de bandido não pia e paga.

Os sírio-libaneses praticamente

marcaram e defenderam as nossas

fronteiras com seu pequeno comércio.

Jorge Amado soube reconhecê-lo.

Também ressurge o anti-semitismo.

Como os terroristas que se

destacam, são maometanos, ignorando

que Israel tem o tamanho de

21 mil quilômetros quadrados, cerca

de seis milhões de habitantes

apenas, menos de metade da população

do grande Cairo, os antisemitas

se utilizam, como sempre,

de argumentos ridículos. Leio discursos

de candidatos brasileiros

que me fazem enrubescer de vergonha

tanta ignorância revela. E

o anti-semitismo é um de seus argumentos.

O Brasil tem a lei Afonso

Arinos que classifica de crime

manifestações ou atos de preconceito

de todo o tipo. Há muito candidato

que poderia estar sendo

processado. E nada leio dos candidatos

ao cargo principal condenando

os que promovem o ódio

entre nós. A mesma gente que jogou

os negros escravos nas estradas

e jamais os compensou pelo

que contribuíram para o País. Nem

escolas, nem habitação, nem água

limpa. Os negros que dão ao Brasil

os poucos prazeres como o penta.

”Negro quando não suja na entrada

suja na saída”, dizem estes falsos

liberais, esquerdistas, direitistas,

que nunca se levantaram para

reconhecer que os negros trouxeram

as tecnologias que nos abriram

o mundo: tratar o ferro, fazer açúcar.

E nada se ouve de ajudá-los a

sair donde se encontram desde o

século retrasado, na miséria.

Contra os turcos, anti-semitismo,

antiamericanismo, anti-ricos,

antiproprietários de terras, anti

aqueles graças aos quais se tem

emprego. Anti e anti. Repetem o

passado. Não há criatividade. As

mesmas promessas de sempre.

Chatérrimas, mentirosas ou inviáveis.

Ainda há tempo. Atualizem-se

e se renovem. Digam que vão passar

mais anos sem que se volte a ter

prosperidade. Será que não se pode

ganhar eleições com a verdade?

Sempre me gabo de um Brasil

sem preconceitos quando convidado

a palestrar. Sei que não é toda

a verdade, mas é boa parte dela.

Aliás, o caso judeu é estranho

demais. Num mundo de sete bilhões

de habitantes eles são uns

12 milhões no total. Israel tem menos

população que a cidade do

Cairo e o espaço de Sergipe. Uma

titica no mapa mundi.

E, parte de sua população, que

não esquece o Holocausto no qual

morreram seis milhões, também

assume atitudes anti-semitas. Há

um grupo do ‘Paz Agora “que recolhe

elementos para ver se pode

promover o processo por crimes de

guerra contra oficiais e soldados.

Querem ganhar simpatia do mundo.

Mostrar que são melhores. Sofrem

da velha doença do auto-ódio

pois nem sempre é fácil ser judeu”.

A internet está dividindo povos

e famílias porque informa tudo e

nada explica. Está ajudando a renascer

um mundo de ódios. É o

que sinto nos meus deslocamentos

pela região. Ódio entre seitas

de uma mesma fé. Ódios entre vizinhos.

Este mundo tem de tudo

para acabar com a miséria e promover

solidariedade. Não vejo

isto. Somos mesmo gerações incompetentes.

Nem aos netos queremos

garantir a boa vida.

Há 1 ano Curitiba distribui remédio para mal de Parkinson

Doença se caracteriza pela diminuição do número de neurônios e afeta

aproximadamente 1% das pessoas com mais de 65 anos na população geral

Jorge Magnun

Lima,

presidente da

Associação

Paranaense

dos

Portadores de

Parkinson,

que passam a

receber

gratuitamente

remédios nas

Unidades de

Saúde, após

parceria

firmada com a

Secretaria

Municipal da

Saúde

Desde dezembro do ano passado

os pacientes do mal de Parkinson inscritos

no programa municipal de parkinsonismo

recebem - gratuitamente

- da Prefeitura de Curitiba remédios

para o controle da doença.

O benefício é possível graças a

uma parceria assinada entre a Secretaria

Municipal da Saúde e a Associação

Paranaense de Portadores

de Parkinson.

Em Curitiba, a doença de Parkinson

atinge 5% da população com

mais de 50 anos. Entre os principais

sintomas estão falta de equilíbrio,

rigidez, tremor de repouso, instabilidade

postural e a lentidão nos movimentos

(bradicinesia).

O tratamento exige medicação,

apoio social e reabilitação. “O prefeito

nos deu suporte e condições

de viver com qualidade. Conseguimos

sensibilizar a sociedade. O

apoio da Prefeitura tem sido fundamental”,

disse o vice-presidente da

associação, João Marcelo Alves.

Em junho deste ano, a Prefeitura

incluiu o medicamento pamiprexol

(Sifrol ou Mirapex) entre os remédios

que são distribuídos gratuitamente

aos portadores do mal - cloridrato

de biperideno (Akineton), levadopa

+ carbidopa (Carbidol ou Levocarbi),

amantadina (Mantidan) e

selegilina (Jumexil e outros).

Somente em agosto deste ano

foram distribuídos gratuitamente

33,8 mil comprimidos pela Unidade

de Saúde Ouvidor Pardinho, da Prefeitura

de Curitiba.

A doença de Parkinson se caracteriza

pela diminuição de neurônios

na região cerebral chamada de

substância negra e afeta aproximadamente

1% das pessoas com mais

de 65 anos.

“Garantimos aos portadores de

Parkinson tratamento contínuo, dando

mais qualidade de vida a uma

população formada principalmente

por idosos e pessoas carentes com

dificuldade para mantê-lo por conta

própria”, disse o secretário municipal

da Saúde, Michele Caputo Neto.

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