ii teU tuinhl - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

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ii teU tuinhl - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

GRItA POVO

Jornal Mensal da Região de São Miguel

Um Ato de Legitima Defesa

1

Ano 2

Novembro de 1983

N? 15

Cr$ 70,00'

Comeram nosso bolo!

O cheirinho do bolo que vinha em forma

de salário começou a sumir.

Ferrovia do Aço, Usinas Atômicas, Itaipu nem se fala. A Lei de Segurança Nacional

manda todo mundo prá cadeia. Jornalistas, sindicalistas, posseiros

Encontro de itaici:

Devemos retomar nosso FERVOR PRIMI-

TIVO no trabalho Evangelizador. Várias

assembléias, subsídios para grupos, cartas,

orações, fizeram parte do nosso trabalho

nestes últimos meses. É chegada a hora do

arranque final. Veja detalhes na página 6.

e religiosos. O F.M.I. manda

e desmanda no Brasil,

taí os Decretos-lei

do governo. A América Latina

está sendo invadida

por militares. No nordeste o

povo come rato e a Rede Globo

ainda ganha Ibope em cima. Então..

Leia página 3.

Tirem as mãos da Nicarágua!

ii teU tuinhl

Representantes de vários países estive-

ram em São Miguel debatendo a situação da

América Latina com nossas comunidades.

Aqui na região multiplicam-se também as

ações contra a intervenção dos Estados

Unidos e de solidariedade aos povos da

América Central. Detalhes na pág 5.


página 2 Um Ato de Legítima Defesa Grita Povo

Os padres e posseiros do Araguaia

continuam presos! Nenhuma Novi-

dade! O que se poderia esperar de bom,

aliás, neste julgamento do Supremo Tribunal

Militar?

Algumas considerações rápidas sobre este

grande acontecimento:

1. — É a Pastoral da Igreja, no Brasil, em sua

opção pelos pobres, em sua luta de terra para

todos, que está sendo julgada e condenada pela

desgraçada Lei de Segurança Nacional.

É próprio da Igreja sofrer perseguições:

"Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem

e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o

mal contra vós por causa de mim" (Mt. 5,11). E,

apesar de toda a perseguição dos poderossos e

opressores, a Igreja vai continuar em seu

trabalho pela Justiça!

2. — Ê uma vergonha que o Governo, a

"justiça" neste País, tenham transformado o

caso dos posseiros e dos padres do Araguaia em

questão de Segurança Nacional. Sabem esses

poderosos que estão fazendo jogo sujo!

Questões de segurança nacional são, por

exemplo, os escândalos que envolvem gente

importante no Governo como "Relatório

Saraiva", "Capemi", "Polonetas", "dívida

externa", etc. No Araguaia, onde o conflito de

terras nos últimos anos é grande, só no ano

EXPEDIENTE

Grita Povo — Jornal Mensal da Região de São

Miguel — Publicação do Centro de Comunica-

ção e Educação Popular de São Miguel — Praça

Padre Aleixo Monteiro Mafra, 13 — São Miguel

Paulsita — Telefone; 297-6388.

Jornalista Responsável:

Angélico Sândalo Bernardino

Colaboradores:

Carlos Strabeli, Regina Festa, Elisabete Costa

Dantas, Gilberto Nascimento, Luis Alves de

Moura, Marcelo Nassif, Valdinete Gomes de

Moraes, J. Eduardo Cruz Leão, Raimundo

Nóbrega, Eliana B. de Almeida. Jorge Beraldo

Luiz Gustavo da Silveira Montinny — Miguel

Pereira. Douglas Mansur — Robson Martins.

Composição, Montagem, Fotolito e impressão:

Cia. Editora Joruês — Rua Artur de Azevedo,

1977 — Telefone: 212-5061.

RECADO DO D. ANGÉLICO

VERGONHA: PADRES E

POSSEIROS CONTINUAM PRESOS!

li"»

Ladres e Posseiros sâo mocenles.

-contra a mli^íina.

passado morreram 82 posseiros, mas nenhum

dos assassinos foi enquadrado na Lei de

Segurança Nacional. Por que esta diferença de

tratamento? Por que teimam em conservar esta

Lei de Segurança Nacional que é um amontoa-

do de arbitrariedade?

3. — Por trás deste vergonhoso processo contra

os Padres e Posseiros está a escandalosa

situação da posse e uso da terra no Araguaia, no

Brasil todo! O Governo não tem interesse em

fazer a Reforma Agrária. Está comprometido

com os donos de terras, que se concentram nas

mãos de poucos, com o prejuízo de milhões de

pessoas nestes País. Os que se atrevem a lutar

0 importante

é o povo

"O Baixo Araguaia é um lugar privilegiado

onde a luta do Povo x Estado é a tônica do dia-

a-dia. Por isto mesmo é um dos poucos lugares

no campo, interessantes para se viver aqui no

Brasil, especialmente quando se é um dos

poucos elementos-chave cuja atuação pode

influir diretamente sobre o desfecho desta luta.

Não se trata mais de um debate sobre política,

mas de uma prática política no campo.

Basta a gente saber que o povo está firme,

lutando duro pelos seus direitos para que a

gente fique animado. Qual seria o sentido de

toda essa solidariedade nacional e internacional

que a gente recebe, se lá no Baixo Araguaia a

peleja dos posseiros não der certo? Este

resultado da luta deles depende muito do apoio

que receberão, e já receberam.

Esperamos que este caso ajude o povo a

tomar consciência da gravidade do problema da

terra e a se solidarizar com os milhares de

posseiros da Amazônia, que lutam para

garantir seu meio de subsistência.

Essa solidariedade, esse compromisso com a

verdade, e esse carinho do povo pela nossa

causa são a fonte de nossa força e de nossa

alegria durante estes meses difíceis. A gente sabe

que a verdade nos libertará".

Trechos de "cartas da Prisão" dos Padres

Francisco Gouriou e Aristídes Camio.

pela mudança desta situação iníqua são presos,

condenados ou, simplesmente, liquidados.

4. — Agora, resta aos Padres e Posseiros o

último recurso, ao Supremo Tribunal Federal.

Pode ser que aí, a coisa mude, esperam alguns!

Como o Povo brasileiro que, na pesquisa feita

pelo jornal "Folha de São Paulo" (23/10/83)

sobre a Justiça no Brasil, deu-lhe nota 3,2, não

tenho nenhuma confiança na justiça neste país,

pois ela está a serviço dos poderosos e

opressores. Sempre há, porém, a esperança de

que a vergonha na cara vença a impostura. E,

neste caso, a impostura é imensa!

Para os discípulos de Jesus isto tudo não é

novidade. Nosso Senhor e Mestre foi condena-

do por tribunais que aproveitavam preocu-

pação com a verdade, mas estavam a serviço da

mentira e de interesses de grupos de poder! É o

que vemos no caso de nossos irmãos posseiros e

padres franceses, presos e condenados em

sessão secreta onde reinam as trevas, não a luz!

5. — Quanto a nós, continuemos firmes em

nossos trabalho de luta pacífica para que todos

tenham terra, na cidade e na roça!

É preciso que estejamos em vigília em nossas

comunidades, colocando, inclusive, faixas em

nossas igrejas e centros comunitários, lembran-

do a todos que "padres e posseiros estão presos,

por causa da defesa da justiça, de terra e

trabalho pára todos".

RECADO DO

LEITOR

Dom Angélico, o senhor sendo Bispo da

nossa Igreja e de toda Zona Leste, não perce-

be que, o senhor e todos os padres desta

Igreja, estão fazendo política dentro da Igreja

em vez de praticar as palavras de Deus?

É uma vergonha o que estão praticando

dentro da casa de Deus. Ninguém vem mais à

Igreja para ouvir as palavras de Deus, só se

ouvte falar em política e baderna. Isso é uma

vergonha para o bairro, para o estado e para o

país.

Peço ao senhor, que mande os padres

olharem mais pela igreja e não olharem pelos

defeitos dos outros, principalmente pelo

senhor Afanazio Jazade. Assim tivéssemos

500 Afanazio no rádio ou na televisão, porque

ele só diz a verdade. Dom Angélico, por quê

então não manda cassar o senhor Gil Gomes?

Só porque ele é amigo do Silvio Santos e

ganhou até troféu de prata para dizer mentira

no rádio?

Temos recebido algumas cartas como

esta Sabendo que não somos nós que de-

vemos respondê-las, resolvemos publicar

para que todas as comunidades que vivem a

sua fé. discutindo também política, respon-

dam a esse leitor que, infelizmente, não se

identificou.

Envie sua carta para a Redação do Grita

Povo — Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra,

13 — São Miguel — CEP 08.000.

v y


Grita Povo Um Ato de Legítima Defesa página 3

CADÊ 0 BOLO?

Em 31 de março de 1964, com apoio do

imperialismo americano e uma pequena burgue-

sia, militares derrubaram um presidente eleito pelo

povo brasileiro.

Os militares justificavam: temos que acabar

com a inflação, dívida externa, corrupção e a

desordem. Vamos colocar a casa em ordem e fazer

um grande bolo que será dividido com .o povo.

Passaram-se dois militares e o terceiro,

chamado Médice trouxe o "Milagre", tricampeo-

nato de futebol, construção da ponte Rio-Niterói e

da Transamazônica e uma campanha chamada

"Ame-o ou Deixe-o".

Dizem que nesta época eles diminuíram o

salário dos trabalhadores. Deixa prá lá, deve ter

sido para o bolo ficar maior.

O general seguinte chamava-se Geisel. Chegou

sem o bolo mas com planos para as grandes

construções: Ferrovia do Aço, usinas hidroelétricas

de Itaipu e Tucuruí e também as usinas atômicas

em Angra dos Reis, (estas obras hoje estão quase

que paradas, falta dinheiro).

Mas cadê o bolo? Só estou vendo pacotes e mais

pacotes!

"Farei deste país uma democracia, etc..." era a

chegada do novo general de plantão no cargo de

presidente: João Figueiredo.

Veio a anistia tanto para quem foi contra o

governo como para quem matou e torturou pelo

governo. O bolo que é bom, nem sinal.

A Lei de Segurança Nacional manda para a

cadeia jornalistas, religiosos, sindicalistas e

ameaça até alguns políticos combativos.

O cheirinho do bolo que vinha em forma de

salário começa a sumir.

Democracia, bomba no Riocentro, acordos,

diálogos e até mesmo eleições para governador. Já

viu isso?

O bolo não aparece de jeito nenhum. Chiii,

prenderam sindicalistas que acataram a decisão

dos trabalhadores em assembléia para entrar em

greve. Como são democráticos, chamam o povo

A LUTA POR UMA FATIA

Já se passaram quase 20 anos

e até agora

não recebemos nosso pedaço de bolo.

Não podemos

continuar aceitando esta situação.

É preciso lutar pelo que temos direito.

0 que restou do acampamento

O desemprego é o problema social mais grave

que enfrentamos hoje. Só em São Paulo existem

cerca de um milhão de desempregados, e há muito

tempo o problema vem se agravando. O

desemprego gera fome, a fome gera desespero, e

o desespero acaba gerando violência.

Era preciso reagir contra essa situação, e assim

os trabalhadores desempregados criaram os

"Comitês Contra o Desemprego", para discutir o

problema e tentar encontrar uma solução. Foi

desses comitês que surgiu a idéia do acampamen-

to em frente à Assembléia Legislativa, protestando

contra o desemprego.

Durante mais de um mês os desempregados

ficaram acampados no Ibirapuera e conseguiram:

colocar o desemprego como principal problema

do país, abrindo um canal de diálogo com o

Governo; criar novos comitês e ampliar os

existentes; forçar o Governo a criar um órgão

representativo, "Grupo Extraordinário Contra o

Desemprego", com a participação de partidos

t • -i *.

políticos, alguns sindicatos, associações, Igrejas e

desempregados.

Depois de 34 dias de luta, chegou a hora de

levantar acampamento. O movimento ocupou,

durante todos esses dias, as primeiras páginas dos

jornais, e contra ou a favor, todos discutiram o

problema.

A desativação do acampamento não foi o fim.

O movimento se prepara para novas lutas, pois o

acampamento foi apenas o primeiro passo dos

trabalhadores desempregados na luta contra a

política econômica do Governo Federal.

A luta contra o desemprego não é somente dos

desempregados. É uma luta de todos os

trabalhdores, pois com a atual situação, se hoje

estamos empregados, não podemos garantir que

amanhã ainda estaremos. Temos que nos

conscientizar do problema e tentar resolvê-lo, e

não ficar esperando até que que as coisas

aconteçam.

para negociar, mas o fuzil ao lado da mesa...

O bolo?

Não sei de nada, tô fora! Vai ver que

entregaram ao Fundo Monetário Internacional

como pagamento da festa, digo, da dívida externa.

Vamos falar sério por 100 bilhões de dólares de

dívida, já imaginou que tamanho devia ser este

bolo?

Frente de Luta

Contra o Desemprego

Quem passou pela Igreja Santo Antônio da Vila Ré no

dia 15 de outubro, com certeza ficou bastante supreso. E

com razão, afinal, eram mais de 100 pessoas, todas

desempregadas, que estavam lá para participar da

primeira reunião da "Frente de Luta Contra o

Desemprego" do Jardim Nordeste, Artur Alvim e

Patriarca, que nascia naquele momento.

Tinha poucos homens; a maioria era mulheres,

quase todas com um filho no braço e uma sacola na mão.

E que esperavam que ali fossem distribuidos alimentos. O

rosto dessas pessoas refletia bem a situação de fome

em que estão vivendo: homens com sono, mulheres

sem muita força para falar e as crianças amareladas.

Como surgiu

Tudo começou quando alguns trabalhadores,

desempregados, do Jardim Nordeste, Artur Alvim e

Patriarca começaram a discutir a falta de dinheiro para

comprar alimentos, pagar água, luz e até o ônibus

quando saem pra procurar emprego. Perceberam que

só se organizando teriam mais força pra exigir do

governo a criação de empregos. A partir daí, saíram de

casa em casa cadastrando os desempregados e

convidando todos para a primeira reunião, que

aconteceu no dia 15. Até então, mais de 150

trabalhadores já tinham sido cadastrados.

Reivindicações

A primeira preocupação da "Frente de Luta Contra o

Desemprego", é a participação no controle da

distribuição das 100 mil cestas de alimentos pelo

governo estadual. Outra reivindicação da "Frente" é a

liberação de passes para os desempregados.

Mas a gente sabe que essas cestas de alimentos não

vão resolver a situação de ninguém, pois acabando a

comida o problema vai voltar novamente. É preciso que

o trabalhador tenha emprego e não dependa de cestas

de alimentos e da boa vontade do governo pra

sobreviver.


página 4 Um Ato de Legítima Defesa Grita Povo

Menores mostram a sua arte.

30 menores fazem parte da cooperativa de artesanato.

Regina, Márcia e Israel são três garotos de 14 anos

que gostam de pintar e fazer trabalhos em couro.

Como todo adolescente, eles queriam uma

oportunidade para mostrar que a sua capacidade

de criar é bem maior do que muitos imaginam.

Eles já conseguiram esta oportunidade, pois

participam da cooperativa de artesanato para

menores do Parque Paulistano. Além deles,

outros participantes da Cooperativa estiveram

expondo e vendendo os seus trabalhos durante

todo o dia 23 último na Igreja Matriz de S.Miguel.

Como nasceu a Cooperativa

João de Deus, organizador da Cooperativa, estava

junto dos pequenos artistas. Ele explica como

surgiu este projeto: "A cooperativa surgiu da idéia

de se continuar acompanhando os menores que

participavam do projeto OSEM (Organização

Sócio Educativa do Menor), onde já aprendiam

artesanato. Estes menores, ao completarem 14

anos, recebiam como presente de aniversário um

convite para sairem, uma vez que o OSEM só

abriga crianças até esta idade. Pensou-se então

numa forma de se continuar trabalhando com

estas crianças, e assim nasceu a Cooperativa".

O valor do trabalho

Atualmente, a Cooperativa conta com a

participação de 30 menores que além das obras de

artesanato, desenvolvem atividades de lazer,

esportes, e discussões sobre vários assuntos como

o desemprego e a importância do trabalho que eles

fazem. A partir da divisão igualitária da renda

obtida com a venda de suas obras, os garotos

começam a questionar o valor do trabalho e

verificam o quanto é injusto o salário pago nas

fábricas ou em outros empregos, onde o operário

recebe apenas uma pequena parte de uma grande

quantia de dinheiro que fica com o patrão.

Agora o único problema da coopertiva é a falta

de divulgação. Em breve estarão vendendo- suas

obras no Mercado Municipal de S.Miguel e estão

contando com o apoio das Comunidades para que

este projeto ganhe mais força. Se você estiver

interessado nos objetos feitos pelos menores do

Parque Paulistano, ou mesmo em iniciar um

projeto parecido em sua comunidade, procure o

João de Deus. O endereço é: Rua Sta Rosa de

Lima, 723.

Movimento de Saúde

cobra promessas

Quem não se lembra da caravana do Movimen-

to de Saúde da Zona Leste que reuniu mais de três

mil pessoas exigindo das autoridades melhores

condições de saúde para a região? Pois o pessoal

não parou por aí. No dia 27 de novembro, às

13:30hs, na Igreja de São Mateus, eles realizarão

uma assembléia onde será cobrado dos secretários

estadual e municipal da saúde e superintendente

do INAMPS as promessas feitas por eles no dia da

caravana. Por escrito, eles se comprometeram a

cumprir várias reivindicações do movimento:

— criação e construção de mais centros de saúde

— mais funcionários para os postos de saúde

— construção de hospitais

— instalação de ambulatórios do INAMPS, e

outras.

Mas até agora, quase nenhuma delas foi

atendida. Numa das últimas reuniões a recla-

mação era geral: "o leite continua faltando", "não

temos médico", e assim por diante.

Se muitas das promessas não foram cumpridas

até agora, não significa que elas não serão, pois as

,—• sexr >

_>«(>£ CO» /M «-,

autondades assumiram por escrito e terão que

cumprir. Só que, é preciso também, cobrarmos,

pois eles fazem de conta que esqueceram das

promessas. Por isso, é tão importante que todo

mundo vá à assembléia do dia 27, para, também,

fazer novas reivindicações.

Nesta edição, deixamos de publicar a Historiada Zona

Leste. Continuaremos a seqüência a partir do

próximo número.

Piquerobi, o maior líder comunitário dos primeiros

habitantes de São Miguel, vai continuar na luta

contra a escravidão de seu povo e deixar o seu exemplo

vivo para nossos dias atuais,

na verdadeira história de São Miguel

que não foi contada.

0 MONSTRO

DA PEDRO

NUNES

É assim que nós identificamos este buracos

enorme do Porto de Areia; um monstro

horrível, assutador, que parece estar pronto a

nos engolir a qualquer momento.

Em setembro de 82 começamos esta luta

com o pedido de paralização do Porto de

Areia,portanto,um ano de caminhada juntos

às autoridades, reuniões, debates, buro-

cracias, papel que vai, papel que vem,

técnicos, engenheiros, geólogos, pesquisas,

etc. Enfrentamos muita cara feia, hostilidade,

já estamos com a garganta seca de tanto pedir

segurança.

Eles só falam de desapropriação, indeni-

zação e até em desativação do lixão. E isso é

pior. Se desativarem, quer dizer que não vão

fazer mais nada e os barrancos vão

caindo, levando junto nossas casas, nossas

vidas.

Nestes ano de luta dura e cansativa o saldo

positivo para nós foi: a paralização do porto

de areia, a retirada da draga do córrego do

Jacuí e a complementação do asfalto da Av.

Antônio Louzada Antunes.

Mas, quanto à segurança dos barrancos

que é o mais importante, nada foi feito, e o

monstro cresce a cada dia.

Muito importante prá nós foi a conversa

franca, aberta e esclarecedora que tivemos

com o Bispo Dom Angélico, onde ficou claro

prá nós que o governo não está disposto a

jogar dinheiro nesse buraco e concluímos que

temos duas opções: uma é a contratação de

um advogado pelos moradores, pedindo

indenização pelas casas. A segunda seria

aceitar o aterro sanitário.

Por isso precisamos de uma decisão

consciente. Aceitando o aterro sanitário não

estará resolvido o nosso problema. Temos

que formar uma comissão de fiscalização,

para que, se algo sair errado, fora das

normas, paralizamos o aterro, indo cobrar

das autoridades que seja feito corretamente.

Existem dois tipos de aterro; o aterro inerte

e o aterro sanitário energético.

O primeiro, segundo o IPT demora de dez

a vinte anos para ser feito. O tempo de vida

dos barrancos com a execução das obras de

emergência é de dois anos, nem mais um dia.

Segundo informações, para este tipo de

aterro não existe fiscalização pois as

industrias e firmas de demolição não

separam matéria orgânica (lixo) da sucata.

No futuro haverá escapamento de gases

provocando graves males à saúde.

Com o segundo isso não acontece, pois o

governo pode usar os gases para residências

ou industrias.

Seja qual for a decisão, uma coisa é certa,

precisamos estar juntos para salvar a Pedro

Nunes desse monstro horrível.

Cleusa Cândida da Silva

Pela comissão da Pedro José Nunes


Grita Povo Um Ato de Legftima Defesa página 5

América Latina: todas as

Agora depende de cada um de nós, através do

nosso gesto concreto de solidariedade, garantir a

luta de libertação dos nossos irmãos latino-

americanos. Precisamos exigir que os Estados

Unidos tirem as patas da América Central.

Contra a intervenção em Granada

D. Angélico, bispo e padres da região,

assinaram um documento (abaixo-assinado),

encaminhando à Embaixada dos Estados Unidos,

exigindo a retirada dos soldados norte-america-

nos, que invadiram Granada. Você também pode

dar o seu apoio escrevendo para o seguinte

endereço: Embaixada dos Estados Unidos na

mãos juntas!

América do Norte-Brasília-DF.

Com a guerra não se brinca

Este é o lema de uma campanha que está sendo

lançada entre as crianças brasileiras para

arrecadar brinquedos para as crianças nicaraguen-

ses. Estas não têm condições de comprá-los, pois

todos os recursos disponíveis estão sendo usados

para a defesa da Nicarágua. Você também pode

participar, enviando sua contribuição (brinque-

dos, etc.) para CEMI — Praça Padre Aleixo

Monteiro Mafra, 13 — São Miguel Paulista —

que serão enviados para os meninos e meninas

daquele país. Detalhes no telefone: 297.6388

Viva a Revolução, não à intervenção

A crescente intervenção norte-americana na

América Central vem esbarrando na resistência da

opinião pública internacional. Multiplicam-se as

ações de solidariedade com os povos daquela

região e, principalmente com a Revolução

Popular Sandinista, alvo favorito do imperialismo

nesse momento.

O povo brasileiro também se mobiliza para

denunciar essa injusta agressão e mostrar seu

apoio à Nicarágua. Mais de 500 pessoas

participaram, dia 11 passado, de uma passeata

contra a invasão norte-americana, que terminou

com um ato público diante do consulado dos

Estados Unidos. A manifestação, convocada

pelos diretórios acadêmicos da PAI, ITESP e

outras faculdades, partiu do número 2443 da

avenida Paulista, onde está o prédio da "United

States Trade Center", entidade que cuida dos

interesses comerciais norte-americanos no Brasil.

Aos gritos de "Viva a Revolução, abaixo a

intervenção", os manifestantes fecharam a avenida

O povo sai às ruas protestando contra a intervenção

americana na Nicarágua.

durante meia-hora. Com a bandeira da Frente

Sandinista de Libertação Nacional (FSLN)

■ •

adiante e uma enorme faixa que dizia "Tirem as

mãos da Nicarágua", a passeata recebeu o apoio

imediato dos trabalhadores que atiravam papéis

picados e batiam palmas dos prédios da avenida

Paulista.

Durante o ato público, falaram os representan-

tes dos estudantes, que condenaram veemente-

mente a covarde intervenção dos Estados Unidos

na America Central e reforçaram o pedido de uma

maior solidariedade com o povo nicaraguense.

Uma carta de repúdio, elaborada pelos

manifestantes, deveria ter sido deixada na

representação diplomática, mas o cônsul norte-

americano negou-se a recebê-la. Diante disso,

foram distribuídas cópias aos órgãos de imprensa

presentes e também ao deputado Paulo Frateschi

(PT), que se encarregou de encaminhá-la à

Assembléia Legislativa, onde será reconhecida

como documento oficial por iniciativa do Partido

dos Trabalhadores.

Marco Piva

Por uma América Latina Livre

A Nicarágua deu o primeiro passo: caiu a

ditadura de Anastácio Somoza, um período de

opressão que durou 45 anos. Agora o povo está

efetivamente no poder.

A vitória nicaraguense espalhou em toda a

América Latina a esperança de libertação do

sistema capitalista que gera em todo continente

opressores e oprimidos.

Cristão é aquele que trata de transformar as

estruturas injustas.

No sentido de apoiar a luta de solidariedade e

despertar a consciência de nossas comunidades, o

Conselho Regional de Pastoral organizou um

debate, no dia 9 passado. Participaram represen-

tantes da Nicarágua, Colômbia, Peru, Argentina,

México, Uruguai e Nordeste do Brasil.

O Padre Uriel Molina, diretor do Centro

Ecumênico Antônio Valdivieso trouxe valiosos

esclarecimentos sobre a caminhada da Igreja na

Nicarágua. Lá os cristãos sabem que o poder

sandinista é evangélico por não ter outros

interesses senão a plena liberdade e o máximo de

bem estar do povo. Na Colômbia, entretanto, a

igreja não apoia o povo, mas as Comunidades

Eclesiais de Base são formadas por leigos.

Semelhanças que nos unem

A maioria do povo explorado latino-americano

é composta de índio, negro, mulato e uma parcela

de brancos. O continente concentra metade da

dívida externa do planeta.

Representantes de vários países debatem a realidade latino-americana

Os últimos dez anos têm sido duros para

América Latina com a instalação dos regimes

militares. Esses regimes e a ideologia de segurança

nacional foram responsáveis por desaparecimen-

tos, torturas e exílios. Aqui no Brasil vivemos isso

na carne, o que na Argentina e Uruguai é muito

pior, pois a repressão foi legalizada desde 1976.

PODER POPULAR

As experiências históricas de cada país latino-

americano, descritas no debate, demonstram que

não haverá transformação com vistas à justiça e a

fraternidade, sem que se fortaleçam as organiza-

ções que o povo utiliza para intensificar a sua luta

por uma nova sociedade.


página 6 Um Ato de Legítima Defesa Grita Povo

Encontro da Itaici:

de arrancada final

30MEHTE

fíRÇM

ommzm

t mNSfonMmM

Durante o mês de outubro, oito setores

realizaram suas assembléias de preparação para o

momento final da Grande Assembléia de

Planejamento Pastoral da nossa Região, que se

dará nos próximos dias 13, 14 e 15 de novembro.

Dois pontos fundamentais orientaram as

discussões e sugestões apreentadas.

• Preparar e capacitar mais nossas comunidades e

equipes regionais para que evangelizem melhor e

mais eficazmente.

• Descobrir as lutas mais sérias e urgentes que

devem ser levadas para se construir uma sociedade

mais justa e fraterna em nossa Região.

Os 460 representantes de comunidades, equipes

e Agentes pastorais irão para Itaici carregados das

angústias e esperanças do nosso povo, conscientes

da importância de sua missão: desta Assembléia

deverá nascer um projeto pastoral conjunto para

todas as comunidades trabalharem nos próximos

três anos.

Todos estão convencidos de que nossa Região

precisa se organizar melhor para fazer frente aos

desafios e necessidades de nosso povo. Todos

estão de acordo que devemos retomar nosso

fervor primitivo no trabalho evangelizador. E por

isso os olhos de todos estão voltados para os

resultados deste Encontro de Itaici.

É dentro deste clima de contagiante entusiasmo

que nos largamos à arrancada final, mais

convencidos que nunca de que somente a ação

organizada é transformadora.

Santo e Jesus: metalurgí MK

Este é o filme-documentário que conta a

história do assassinato de NELSON PEREIRA

DE JESUS e SANTO DIAS DA SILVA. No dia

29 de outubro na Pça Santo Dias da Silva, na Vila

Remo em Sto Amaro, mais de 300 pessoas,

puderam ver pela primeira vez o documentário

feito pela Tatu Filmes com a participação do

Comitê Santo Dias e diversas entidades.

O documentário abriu a comemoração do 4?

Aniversário da M orte do Operário assassinado du-

rante as greves de 1979 em São Paulo

Na manhã do dia 30, continuando a manifesta-

ção, foi aberta a 1 ? sessão do Tribunal Santo Dias

para julgar a Violência Policial em todos os níveis

(nas greves, na intervenção dos sindicatos, nas

prisões arbitrárias, etc.)

E o jeito, por enquanto

Estender a nossa mão

E agradecer as ajudas

Dadas de bom coração

Mas isto não nos consola

Chega de promessas e esmola!

Queremos justiça e chão.

O fato de que você colabore ou não com as

Campanhas de Ajuda aos Atingidos pela Seca no

Nordeste, ou que você reparta os bens através de

outros caminhos, é você mesmo quem deve decidir

na sua consciência.

2 ?

é

r j&

Este tribunal deverá acontecer em todas as

regiões durante os próximos 6 meses.

A luta contra a

Besta Fera — 2

^ c

Era uma vez um povo que, depois de orga-

nizar-se de várias maneiras, até em partidos

políticos, percebeu que a força diabólica do

inimigo opressor era constatada a cada

passo. Fez-se necessário até enumerar suas

pegadas para melhor identificá-las. Em quase

20 anos, desde 64, já está no 2065.° decreto.

Um verdadeiro festival! Um país governado

por decretos em plena "abertura".

Isto, porém, não é o mais grave. Para

complicar mais a situação, o inimigo coloca

vendas nos olhos do povo, como: "O novo

presidente será um Malnf", "O meu coração

está doente", "O índio me ofendeu", "Um só

rebanho e um só Pastore"... E o povo quase

que entra. Começa a pensar, novamente,

que não se deve meter em política, que o

povo de Deus não tem partidos, ou se fez

alguma opção, os parlamentares que

resolvam.

Eis um grande equívoco Se decretos são

derrubados, o mérito não é de parlamentares,

pois sem o respaldo do povo estariam bem

tranqüilos com seus gordos salários.

Povo sábio não se deixa explorar. Tem

mesmo é que estar presente nos movimentos

populares, nas ocupações do solo ocioso,

nas portas de fábrica, nas greves e exigir que

seu partido político lá esteja também. Aliás,

não é só lá que o Partido tem que estar

presente. É aqui no Grita Povo também!

Recado de nordestino

Quero lhe fazer um pedido: Daí do lugar onde

você mora, apoie, divulgue, faça força, crie meios

(abaixo-assinados às autoridades, manifestações

Pró-Nordeste, comitês de apoio à luta dos

lavradores etc) para conseguir as reivindicações

que nossos irmãos nordestinos estão exigindo

como direito fundamental deles, e que são:

1 — Emprego para todos os que ainda não estão

empregados nas frentes de trabalho, o fornecimen-

to do "cestão", grátis, como complemento do

minguado salário de fome.

2 — Que de agora em diante até o tempo da safra,

o trabalho da Emergência seja preparar cada um

seu próprio roçado, já que durante todos estes

anos, o trabalho da Emergência só tem servido

para melhorar e valorizar as propriedades

particulares dos que não passam fome.

3 — Que o Governo estoque semente suficiente

para repartir entre os pequenos lavradores antes

das primeiras chuvas, para que eles possam

plantar logo.

Se você e seus companheiros, entre outras

coisas, pretende fazer um abaixo-assinado

apoiando e exigindo estas reivindicações, envie a

estes 3 endereços: 1 — General Danilo Venturini

— Ministério para Assuntos Fundiários — 70.000

— Brasília-DF; 2 — Sr. Walfrido Salmito —

Superintendente da SUDENE — 50.000 —

Recife-PE; 3 — Ministro Mário Andreazza —

Ministério do Interior — 70.000 — Brasília-DF.

Trabalho e salário justo

É a solução verdadeira

Barragem e cacimbão público

Ê saída de primeira

Dinheiro administrado

Pelo povo organizado

É a mais correta maneira

Companheiros de

Crateús-Ceará


Grita Povo Um Ato de Legítima Defesa página 7

O POVO E POETA

Não somos invasores

apenas pobres e trabalhadores

Compramos a terra/e pagamos direito

Porque os grileiros/são os homens eleitos?

Não estamos fazendo/ameaça a ninguém

Queremos nossos títulos/porque é isso que

nos convém

Somos pobres de fato/quem vai desdizer?

Somente por isso/temos que sofrer?

Se nós todos soubéssemos/não tinhamos

comprado

essa coisa terrível/terrenos grilados!

Que Brasil é esse/de tanto respeito!

Tudo que fazemos/não temos direito!

Teatro popular em São Miguel

Durante todos os sábados e domingos do mês

de novembro, vários grupos teatrais estarão se

apresentando no auditório da Administração

Regional de São Miguel (na praça do Morumbizi-

nho. Vila Jacuí), dentro da programação da 1

Mostra de Teatro Popular de São Miguel.

O principal objetivo da mostra, que está sendo

promovida pelo grupo "Periferida", é apresentar o

trabalho dos vários grupos que estão tentando

desenvolver uma proposta de teatro popular,

principalmente na periferia. Após a apresentação

de cada peça, haverá sempre um debate, com cada

grupo relatando suas experiências.

A mostra reunirá a participação de nove

grupos. Os ingressos estão sendo vendidos a Cr$

500,00 (para cada peça) e podem ser encontrados

no Centro de Comunicação e Educação Popular

de São Miguel, no SOF (rua Amadeu Gamberini

n. 0 ) e junto a outras entidades e movimentos da

região.

A programação é a seguinte:

— dia 5/20 horas

Grupo Raízes de Teatro — "Ai, Meu

Paraitinga"

— dia 6/19,30 horas

Teatro Espelho de Osasco — "Viva o Rei João"

— dia 12/20 horas

Teatro Terra Batida — "O Sonho Acabou"

— dia 13/16,30 horas

Teatro Debate do ABC

João Mentira" (infantil)

;

'As Verdades de

— 20 horas

Audivisual com Cezar Vieira sobre os 15 anos

de experiência do Teatro União e Olho Vivo

— dia 19/20 horas

Teatro Galo de Briga

um Abraço"

4 E1 Salvador, Dê Cá

— dia 20/19,30 horas

Trupe, Trecos e Truques

— "A Moça que Beijou um Jumento Pensando

que era Roberto Carlos"

— dia 26/20 horas

Grupo Conspiração — "Entre o nascer e o pôr

ÍO sol um grande mal pesa sobre o Homem"

— dia 27/1930 horas

Núcleo Teatral "Periferida" —

"Canção Pequena para Ninar um Menino

Morto"

Daqui e Dali

Só para mulheres

Na Comunidade de Santa Luzia — Setor Ponte

Rasa, está sendo realizado um trabalho mobili-

zando senhoras, jovens e crianças com mais de 8

anos. São aulas práticas de manicure, pintura em

tecido, corte e costura, tricô e crochê, e arte

culinária.

O grupo recebeu o nome de "Encontro de

Amigas", e se reúne todas as quartas-feiras, das 14

às 16 horas. Se você está interessada em participar,

procure a Elzira, a Emília ou a Ligida, na

Comunidade Paroquial Santa Luzia — Rua

Xambrê, 150 — Vila Cisper.

A juventude do meio

popular é que nos

Interessa

Ultimamente tem sido comum algumas pessoas

que também estão na pastoral perguntarem: — A

pastoral da juventude atinge os jovens?

Sentimos que essa pergunta já parte do

pressuposto de que não atingimos. Mesmo assim,

gostaríamos de clarear alguns pontos que, para

nós, são extremamente importantes:

1.— Não existe o JOVEM abstrato. A

juventude faz parte das classes sociais que existem.

Então, ele é o jovem burguês, o jovem da classe

média ou o jovem do meio popular, que pode

até ter os mesmos anseios, porém os meios para

atingi-los são de acordo com a realidade vivida.

Logo, quando se pergunta se atingimos o

JOVEM^a pergunta é muito ampla e a resposta

clara: NÃO. Todos, não!

2.— Temos um objetivo claro na Pastoral da

Juventude: "Somos o espaço que o jovem do meio

popular usa para se organizar, se formar e ter uma

participação consciente no processo de transfor-

mação da sociedade". Portanto, o jovem que nos

interessa é o JOVEM DO MEIO POPULAR.

3.— Durante muito tempo os grupos de jovens

foram grupos alienados que viviam fechados em

si, sem participar dos movimentos sociais. Não é

fácil despertar, em tão pouco tempo, o desejo de

participação nesses jovens.

4.— Quem faz o grupo de jovens crescer na

participação é a comunidade com seu exemplo de

luta. Os conselhos, de setor ou regional da

Pastoral da Juventude não têm quase nenhum

controle sobre as atividades desenvolvidas pelos

grupos nas comunidades.

5.— Acreditamos que o grupo tem que ser o

local onde o jovem discuta o que está fazendo

durante a semana para construir o Reino de Deus

— a Sociedade Justa e Fraterna. Por isso,

colocamos a proposta de que os jovens se

organizem em grupos específicos: JOVENS

TRABALHADORES, JOVENS ESTUDAN-

TES e JOVENS QUE ESTÃO NAS LUTAS

DOS BAIRROS, para assim, a discussão ficar

mais rica e a prática mais séria.

Falta, porém, colaboração dos companheiros

(as) das comunidades que, ao invés de incentivar o

jovens a participar desses grupos, ficam cobrando

que ele participe APENAS internamente da

comunidade (catequese, liturgia, festas, etc.)

Por tudo isso, ESTAMOS ABERTOS A

CRÍTICA, porém, CONSTRUTIVAS e, se

possível, COM PROPOSTAS.

Conselho Regional de Pastoral da Juventude

Semana da Juventude

de galho em galho que se corta uma grande

árvore"

Acreditando nisso os grupos de jovens das

comunidades de Ermelino Matarazzo estão se

reunindo para decidir quais temas serão discutidos

na 4f semana da Juventude em Ermelino.

Fiquem atentos!

PRECE PODEROSA

PARA TODOS QUE

PADECEM NECESSIDADES

Aparecida, Nossa Mãe Negra, animai-

nos na luta pelo irmão que sofre o

desemprego e padece na aflição.

Mãe Aparecida não nos deixeis cair na

tentação do medo, do egoísmo e da

desunião.

Mãe dos pobres não queremos mais as

mesas sem pão, nem a ganância dos

poucos que mata a criança, o adulto e o

ancião.

Mãe Negra da Aparecida! que desapa-

reça os preconceitos: de classe, de raça e

de côr, que o mundo sem defeitos só

tenha igualdade, liberdade e amor. Amém

(Rezar um Pai Nosso e cinco Ave Maria

pelos desempregados, pelos aflitos e por

todos que lutam pela justiça).

A resistência do nosso povo mais uma

vez foi revivida através de suas tradições

religiosas. As comunidades cristãs de Vila

União, Vila Ramos, Burgo Paulista,

Jardim Três Marias e Vila São Francisco

realizaram no dia 12 de outubro procis-

sões com a imagem da padroeira e

terminaram a caminhada com uma missa

campal, onde foram celebradas as lutas e

vitórias da população.

Pajú São Miguel informa:

A Pastoral da Juventude do Setor São Miguel,

estará em Assembléia nos dias 25, 26 e 27 de

novembro no Recanto Tabor em Mogi das

Cruzes, para avaliação da Caminhada do ano de

1983 e para elaboração da Caminhada para o

próximo ano.

Conselho Setorial de Pastoral da Juventude de

São Miguel

Grita Povo

Um ato de legítima defesa

Mande notícias


página 8 Um Ato de Legítima Defesa Grita Povo

Projeto 5 por 2 — a prática da

partilha e conscientização

Depois de trabalhar quase cinco anos nas obras

da usina de Itaipu, o soidador Raimundo José dos

Santos ficou desempregado e resolveu voltar para

São Paulo com sua esposa Iracema e três filhos.

— Desde janeiro sem conseguir trabalho,

Raimundo explica: como as economias acabaram

logo, fui vendendo o que tinha em casa e hoje

estou com o aluguel vencido há dois meses e só

tenho comida porque participo do Projeto 5 por 2.

No dia 14 de maio passado, durante uma

reunião da Comunidade Parque Santa Madalena

(setor Sapopemba) foi lida a passagem do

Evangelho que conta o milagre dos 5 pães e 2

peixes com que Cristo alimentou uma multidão.

Neste dia — lembra dona Leonice e seu marido

Elias Pessota — questionamos a nossa participa-

ção e vimos que colaborar em campanhas como a

seca do nordeste ou as enchentes do sul é igual a

dar esmola, pois não há compromisso. Para

problemas maiores como o desemprego não estão

tazendo nada.

— Daí amadureceu a idéia do "Projeto 5 por 2"

onde cada cinco familias que estão empregadas

0 que é ? Decreto Lei

Ou8 j)«eK.i-oft'0

os ^olói-io* 0°

s ^

ajudam duas famílias desempregadas, conta o Sr.

Sebastião Andrada, casado, três filhos, motorista

desempregado (por motivo de saúde) e que faz

parte da Comunidade.

Arroz, feijão, óleo, ovos, enfim, gêneros de

primeira necessidades são comprados mensalmen-

te para as famílias que recebem ajuda. A despesa

mensal para cada família doadora está por volta

de 5 a 10 mil cruzeiros dependendo do

número de pessoas das famílias que vão receber a

ajuda.

Assistencialismo ou conscientização

"No início existia receio até de conversar com a

gente, já que também são atendidas famílias que

não participam da Comunidade", explica à dona

Tereza Vita Garcia e seu marido Luiz Garcia, mas

depois viram que não é esmola e sim uma partilha,

como Cristo fez com os peixes e os pães.

"Conversamos com as famílias, falamos do

nosso dia a dia — continua seu Luiz — e

questionamos o problema do desemprego que não

é um castigo divino e muito menos acomodação

do trabalhador e sim, culpa do sistema."

"Sabemos que não vamos resolver a falta de

trabalho, isto é responsabilidade do governo, mas

não podemos deixar as pessoas de barriga vazia se

abaterem pelo desânimo. O trabalhador e sua

família alimentados têm mais força para lutar e

descobrir os caminhos", conclui Elias Passota.

Atualmente, depois de quase seis meses de

caminhada, o "Projeto 5 por 2" tem 15 grupos

formado^ que eqüivalem a 75 famílias doando e 30

recebendo, num total de 105 famílias juntas,

correspondendo a, aproximadamente, 500 pessoas.

Os resultados têm melhorado a cada dia, prova

é que já aconteceu de uma família que recebia

ajuda, conseguir emprego e hoje fazer parte de um

grupo que colabora.

Mesmo que você não more no setor de

Sapopemba, mas esteja interessado em fazer parte

deste projeto, telefone para 216.7121 e fale com os

Padres Valentino ou João Pedro, ou então escreva

para:

Paróquia da Reconciliação

Av. Primavera de Caiena n? 16

Parque Santa Madalena

03981 — Sao Paulo — S.P.

Estamos tendo uma verdadeira campanha por parte do governo, empresários,

alguns partidos políticos e até mesmo da imprensa, no sentido de fazer passar o novo

decreto salarial como uma "dádiva divina" do governo para a classe trabalhadora.

Mas afinal... QUEM FAZ AS LEIS? 0 QUE É DECRETO-LEI?

Quando o Decreto Lei

Chega ao Poder Legisla-

tivo, começa a contar o

prazo para sua discussão.

Caso não chegar a ser

aprovado ou recusado

neste prazo que o gover-

no determina, ele é apro-

vado automaticamente

(isto se chama decurso de

prazo).

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oo Cff«*»» w »' í****!

Ele entra em vigor a

partir da data de sua

publicação no Diário

Oficial (Jornal do Gover-

no) ao mesmo tempo que

é enviado ao Poder Legis-

lativo.

Mesmo que um Decreto Lei não

seja aprovado pelo Poder Legislativo,

prevalece o seu ato no período que ele

vigorou. Temos como exemplo o

Decreto Lei 2045, do arrocho salarial

(reajuste de 80% do INPC para quem

ganha até 3 salários). Os bancários

tinham o seu dissídio na época que o

2045 estava em vigor. Hoje este decreto

não existe mais, mas os bancários não

têm direito a receber a diferença do

aumento que tiveram.

Assim vemos que o decreto lei é um instrumento arbitrário e ditatorial que o governo tem nas mãos para arrochar o povo.

NOME

ENDEREÇO

BAIRRO/VIU

CEP

DATA^

ASSINATURA

CIDADE ESTADO.

Nf

Leia, Divulgue e Assine o

GRITA POVO

Um Ato de

Legítima Defesa

Estou enviando cheque nominal para Região

Episcopal Leste II no valor de Cr$ 700,00

(6 meses) Assinatura de Colaboração

Cr$ 3.000,00 (6 meses) Correspondência

Praça Pe. Aleixo Mafra, 13,

São Miguel Paulista CEP 08000

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