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ingrediente - Engarrafador Moderno

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MERCADO

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gostos

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Por Redação

As cervejas especiais são cervejas

que possuem alguma

diferença quando comparadas

com as tradicionais.

O mestre-cervejeiro Murilo Schmutzler,

da Heineken Brasil, conta que as cervejas

especiais existem há tempos e que

suas características variam de acordo

com as matérias-primas utilizadas. Antigamente

não existia controle sobre o

tipo de matéria-prima e o processo utilizado

para a produção da cerveja. Em

alguns casos, ervas eram utilizadas causando

danos à saúde do consumidor.

Assim, em 23 de abril de 1516, o Duque

Guilherme IV, da Baviera, promulgou

a Reinheitsgebot (Lei da Pureza

da Cerveja), determinando apenas água,

malte, lúpulo e fermento de levedura

como os ingredientes essenciais para a

produção da cerveja.

Elas podem ser diferenciadas, importadas,

artesanais, feitas seguindo receitas

antigas, tradicionais e com os mais

variados aromas e sabores, levando o

termo de "especiais". São cervejas feitas

de trigo, maturadas em carvalho,

com toques de mel, café, entre outros.

Portanto, o que as diferencia, é que

essas cervejas passam por um maior

cuidado no preparo e por consequência,

possuem qualidade e sabor diferenciados.

Para as cervejas artesanais, ainda não

há uma definição de características no

Brasil. Já os americanos, definem que a

cerveja artesanal é Pequena, Independente

e Nacional. Para que seja considerada

artesanal, a produção da cerveja

precisa atingir menos de 234 milhões

de litros por ano e apenas 25% de suas

ações podem pertencer a uma industria

de bebidas de grande porte.

14 14 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


JULHO/10

O O mercado mercado

mercado

Apreciada por grande parte da população, independentemente

da classe, a cerveja Pilsen como é conhecida, ainda é a

mais consumida.

O consumo de cervejas no Brasil vem crescendo e produtos

diferenciados são importantes para atrair o consumidor.

Segundo dados da Nielsen, entre os meses de dezembro

de 2009 a fevereiro de 2010, houve um aumento de 15,9%

nas vendas de cervejas no Brasil, em relação ao mesmo período

do ano anterior.

Nos últimos anos, um público mais exigente começou a

prestar mais atenção em outros tipos de cervejas. Assim, o

mercado obrigou a famosa "loirinha" a dividir espaço com

diversos rótulos, importados e nacionais.

Com as indústrias investindo em novidades, o portfólio

das cervejarias cresceu abruptamente, oferecendo aos consumidores

a oportunidade de experimentar os mais variados

sabores. Christian Bonotto, da Importadora e Distribuidora

Ibeer, explica que a empresa procura sempre um diferencial

no que está importando, para que seja atendida e aguçada a

curiosidade dos consumidores. "Sempre primamos por qualidade

e empresas sérias que nos dêem suporte em nossas ações",

afirma Christian Bonotto.

Cervejas do tipo Lager (baixa fermentação, como Pilsen e

Malzbier), tipo Ales (cervejas de alta fermentação, como Stout

e Altbier) e cervejas tipo Lambics (fermentação espontânea,

como Faro e Kriek), fazem parte de um mercado em crescimento

e, ainda, novo para maioria dos consumidores brasileiros.

As cervejas chamadas especiais seguem o mesmo processo

de produção que as cervejas tradicionais, tipo pilsen, ou

seja, produção do mosto cervejeiro, fermentação, maturação,

filtração e envasamento. Algumas cervejas especiais do tipo

15

15


Dados apontam evolução no consumo

e na fabricação de cerveja no País

De acordo com o Sindicerv, o Brasil é o 4 o maior fabricante de cerveja do

mundo e a produção estimada mundialmente é de 180,3 bilhões de litros por

ano. O consumo nacional passou de 10,4 bilhões de litros em 2007 para 10,9

bilhões de litros em 2009 e o consumo por habitante aumentou de 55 litros em

2007 para 57 litros em 2009.

vintage ou champenoise passam por

uma terceira fermentação em barris de

carvalho ou na própria garrafa em adegas

climatizadas.

A microcervejaria Dado Bier foi uma

das empresas que primeiro investiu no

mercado de cervejas especiais no Brasil.

De acordo com Eduardo Bier, sóciofundador

da empresa, o mercado estava

muito concentrado nas mãos de grandes

produtores, quando houve a oportunidade

de crescimento e, com isso, inovações

surgiram. "Na época, o maior problema

foi a falta de tudo, não havia equipamentos,

matéria prima, conhecimento.

Tivemos que importar

tudo, desde matérias

primas até o conhecimento

das cervejarias

fora do Brasil", explica

Eduardo.

Atualmente, a Dado

Bier possui uma

linha que conta

com seis cervejas:

Weiss, Royal Black,

Red Ale, Belgian

Ale, Ilexx,

Chopp e Original.

São cervejas elaboradas

com diferentesingredientes

e com teor alcoólico

que varia

de 4,5% a 7,0% .

Para Eduardo Bier diversos

ingredientes podem

fazer uma cerveja se

tornar especial, como: tipos

de malte e cevada variados,

malte de trigo, cevada

tostada, diversos

tipos de lúpulos e diferentes

tipos de fermentos

e leveduras.

"Tem cerveja para

toda época do ano

e em função disso temos

um desempenho

superior até no

verão. Um clima não

tão quente apetece

uma cerveja mais

forte e mais encorpada

para ser degustada

ou consumida em grande quantidade",

afirma Eduardo Bier.

As cervejas "Premium"

são apenas uma invenção

das grandes companhias

para designar uma cerveja

de melhor qualidade,

Rodrigo Nikima,

gerente de marketing

da Cervejaria Colorado

16 16 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


A Cervejaria Colorado foi criada no

Brasil por Marcelo Carneiro da Rocha,

um estudioso de cervejas. Na época, a

Europa e os Estados Unidos já tinham a

cultura cervejeira amplamente difundida

e Marcelo Carneiro acreditou que

aconteceria o mesmo com o Brasil, trazendo

seu conhecimento e anos de experiência

para o país. No início, a

Colorado só usava fórmulas europeias,

o que causou um grande choque para

os consumidores e a aceitação não foi

como ele esperava.

Depois disso, a empresa "abrasileirou"

suas fórmulas acrescentando ingredientes

regionais e típicos do Brasil, fazendo

com que a aceitação fosse cada

vez mais crescente. A Cervejaria produz

a Colorado Cauim, que é a tradicional

cerveja Pilsen e que leva em sua

composição mandioca. O processo de

fabricação leva em média 28 dias e utiliza

como matéria-prima água, fermento

alemão, malte importado, lúpulo tcheco,

além de fécula de mandioca, fazendo

com que o resultado seja um produto

de baixa fermentação e com teor alcoólico

de 4,0%. Atualmente, a cerveja

mais consumida entre as fabricadas pela

Cervejaria Colorado é a Colorado Appia,

feita basicamente de água, cevada, trigo

maltado, lúpulo e fermentos ingleses. O

produto, que não é filtrado, tem um aspecto

opaco e apresenta 5,5% de teor

alcoólico.

Para Rodrigo Nikima, gerente de

marketing da Cervejaria Colorado, o

processo produtivo e as matérias primas

é o que torna a cerveja especial. De acordo

com ele, todos os tipos de cerveja

podem ser especiais, desde que produzidas

em pequena escala, com ingredientes

selecionados e de primeira linha.

Rodrigo afirma que, atualmente,

existem mais de 100 micro cervejarias

no Brasil e a maioria produz apenas

chope, atendendo consumidores locais.

JULHO/10

A Heineken do Brasil possui um extenso

portfólio de cervejas especiais, visando

atender os mais requintados consumidores

de cerveja. Heineken, Kaiser

Bock, Bavária Premium, Xingu, Summer

Draft e Sol Premium fazem parte do

portfólio da empresa. Cerveja Lager e

com receita original, a cerveja Heine-

ken é a linha de frente dos produtos da

Cervejaria. Sua receita utiliza 100% de

malte, ingredientes naturais e é isenta

de aditivo e conservante. Já a Kaiser

Bock é conhecida como cerveja especial

para o inverno, classificada como

escura e forte em função das características

do processo de produção.

17

17


MERCADO

Geralmente, cervejas especiais possuem

um tempo de maturação prolongado,

conferindo ao produto características

especiais.

A Cervejaria Petrópolis também possui

em sua linha algumas cervejas especiais

como Petra Bock (cerveja tipo bock),

Petra Schwarzbier (cerveja preta), Black

Princess (cerveja escura), Black Princess

Gold (cerveja tipo Pilsen

puro malte), Weltenburger

Kloster Anno 1050 (cerveja

puro malte clara tipo

Abadia) e Weltenburger

Kloster Urtyp Hell (cerveja

puro malte tipo Pilsen).

Douglas Costa,

gerente de marketing

do Grupo Petrópolis,

afirma que o lúpulo

é um dos ingredientes

que mais contribuem

para que uma

cerveja especial seja

referenciada como de

melhor qualidade. Ele

explica também que

os produtores investem

muito na seleção

O importante é saber

que cervejas especiais

remetem a uma qualidade

diferenciada que permite

ao apreciador de cerveja

diferentes sensações

durante uma degustação,

Murilo Schmutzler,

mestre cervejeiro

da Heineken Brasil

do lúpulo, que confere aroma e amargor

agradáveis ao paladar do consumidor deste

tipo de cerveja.

A Cervejaria Schornstein conta com

um serviço de entrega em domicílio de

chopes produzidos na fábrica de

Holambra, recém inaugurada em São

Paulo. A matriz da Schornstein foi

construída em junho de 2006, na cidade

de Pomerode, no Vale do Itajaí (SC). Além

do tradicional estilo pilsen, a cervejaria

inclui em seu delivery os chopes Weiss,

Bock, Pale Ale e o Imperial Stout.

Outra microcervejaria a oferecer o

sistema delivery é a Das Bier. O serviço

funciona no sistema de

troca de frascos vazios

por cheios, solicitados

antecipadamente e sempre

utilizando o mesmo

modelo que o cliente

possui.

Estão disponíveis

garrafas de 500ml e

de 2 litros, nos modelos

sifão de vidro,

metal e cone. A Das

Bier produz chopes

tipo Weiss, Braunes

Ale, Pilsen e Natural.

Consumo

Consumo

As cervejas conquistaram

o consumo

brasileiro e, atualmente estão disponíveis

na maioria dos estabelecimentos

de varejo e restaurantes do País. Assim

como os vinhos, fazem parte de cursos,

harmonizações gastronômicas e degustações.

Os restaurantes incluíram as cervejas

especiais em seus cardápios e hoje

possuem diversos rótulos com diferentes

aromas e sabores.

As cervejas "gourmet" , como são

18 18 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


"Na época, o maior problema

foi a falta de tudo,

não havia equipamentos,

matéria prima,

conhecimento.

Tivemos que importar tudo,

desde matérias primas

até o conhecimento das

cervejarias fora do Brasil,

Eduardo Bier,

sócio-fundador

da Dado Bier

chamadas, podem ser harmonizadas

com diversos pratos, tornando a cerveja

uma bebida nobre.

A rede de churrascarias Fogo de

Chão possui um cardápio de cervejas,

como Xingu, Bohemia Confraria,

Colorado Indica, Karmeliet Triple, Malheur

Dark Brut, entre outras. Jandir

Adalberto, diretor de operações da churrascaria,

afirma que a cerveja nunca foi

o ponto forte da rede. Porém, quando

surgiram as cervejas especiais, os clientes

começaram a procurar por elas e a

rede investiu nesse novo segmento. "O

cliente começou a sugerir e perguntar

sobre alguns nomes

que estavam no

mercado", explica

Jandir Adalberto.

"Nós temos

dois perfis de consumidores,

um é o

gourmet, aquela

pessoa que gosta

de cozinhar e

aprecia qualidade

nas comidas e bebidas,

e o outro consumidor é o

que chamamos de cult,

que entende muito

sobre cerveja, co-

JULHO/10

nhece várias

marcas, conhece

os estilos

e até faz a

própria cerveja

em casa",

afirma

Rodrigo

Nikima.

Christian

Bonotto afirma

que o público-alvo

das cervejas

especiais são

pessoas que

buscam um algo mais em sabor, aroma

e qualidade. Essas cervejas possuem

um diferencial das demais em relação

a sabor, aroma, coloração e sensação

durante a degustação, fazendo com

que cada pessoa possua uma percepção

diferenciada de um mesmo produto.

Durante a degustação de cervejas

especiais é importante identificar as

principais características da cerveja em

questão.

"O importante é saber que cervejas

especiais remetem a uma qualidade diferenciada

que permite ao apreciador de

cerveja diferentes sensações durante

uma degustação", afirma Murilo Schmutzler.

Para conservar a bebida, o ideal é

mantê-la em temperaturas baixas e constantes,

já que variações na temperatura

de armazenamento podem causar um

envelhecimento rápido do produto, provocando

alteração na qualidade da cerveja.

"Algumas cervejas especiais que

contêm levedura ativa, devem ser mantidas

refrigeradas para evitar a fermentação

excessiva com incremento de pressão

e risco de explosão da garrafa", explica

Douglas Costa.

Colaborou

Ana Carolina Maciel e

Thaísa Soares

19

19


INGREDIENTE

Malte Malte fornece fornece ar aroma ar oma

e e cor cores cor es especiais especiais à à cer cerveja cer veja

O O O O O malte malte malte malte malte é é é é é responsável responsável responsável responsável responsável

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do do do do do produto produto produto produto produto

Por Redação

O O que que é é o o malte? malte?

malte?

Usado na fabricação de bebidas como

a cerveja e o uísque, o malte é um

extrato xaroposo de cereais, como a cevada,

o centeio e o trigo. Além da indústria

cervejeira, a indústria de alimentos

em geral, também utiliza o malte em

seus produtos.

De acordo com as especificações para

padronização, classificação e comercialização

do Malte Cervejeiro ou Ceva-

da Malteada, aprovadas pela Portaria

Ministerial n o 166 de 12 de abril de

1977, o malte cervejeiro ou a cevada

malteada utilizados para fins cervejeiros,

é o produto da germinação forçada

e controlada, sob condições especiais

de umidade e temperatura.

O malte é ordenado em classes e subclasses,

de acordo com a espécie de cevada

de sua origem. As quatro classes do

malte são: Malte Pilsen, Malte Munique,

Malte Caramelo e o Malte Preto

ou Torrado, tendo também suas subclasses:

Malte Pilsen elaborado com ceva-

20 20 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


da da espécie Hordeum distichum e o

Malte Pilsen elaborado com cevada da

espécie Hordeum vulgare.

O malte Pilsen é classificado em três

tipos e os maltes Munique, Caramelo, Preto

ou Torrado apresentam um tipo único.

São considerados abaixo do padrão

os maltes que apresentarem umidade,

impurezas ou matérias estranhas acima

dos limites. Caso apresentem qualquer

imperfeição, o malte será submetido a

rebeneficiamento.

JULHO/10

Produção

Produção

Alexandre Bamberg, mestre-cervejeiro

e sócio da Cervejaria Bamberg explica

que a cevada, trigo ou o cereal que

será malteado, passa por um processo de

limpeza e seleção ao chegar a maltaria.

Depois, é colocado em um recipiente

com alta umidade para que o grão

respire e comece a germinar, isto dura

de 18 a 48 horas. Após esse processo, o

malte é colocado na caixa de germinação,

onde permanecerá por 6 horas, durante

oito dias, desenvolvendo enzimas

necessárias para a produção de cervejas

e transformações em proteínas e amidos.

Outros métodos são utilizados

para produzir maltes especiais,

como o malte defumado, malte ácido

e o malte caramelo.

São etapas do processo de malteação,

a limpeza e classificação da cevada cervejeira,

a maceração (lavagem e hidratação

dos grãos), germinação (formação

enzimática além da modificação de algumas

substâncias de reserva), secagem

(redução do teor de umidade) e a degerminação

que separa as radículas e cascas

desprendidas dos grãos do malte.

A germinação só ocorre sob determinadas

condições: umidade suficiente,

calor e ar (oxigênio), sendo chamado

esse processo de malte verde.

Na cervejaria, é necessário que o malte

verde esteja seco, assim, o grão deixa

de germinar podendo ser usado na fabricação

da cerveja. A qualidade do malte

é de extrema importância para a qualidade

da cerveja, já que a sua composição

complexa cede à cerveja muitas de suas

características físico-químicas e organolépticas

(aroma e paladar).

De acordo com Vilmar Schussleer,

mestre-cervejeiro e 2 o malteiro da Agromalte

/ Agrária, cada receita de cerveja

apresenta uma composição de malte característico

para o estilo de cerveja que

se deseja produzir.

Atualmente, existem mais de 80 tipos

de maltes, e o mais utilizado é o

malte Pilsen.

Quando se utiliza mais malte, a cerveja

fica mais encorpada e produz mais

álcool durante a fermentação.

O extrato potencial e a umidade (podem

interferir no rendimento da sala de

brassagem), a proteína e os aminoácidos

(estabilidade da espuma, turbidez e dificuldade

de brassagem) e a quantidade

de enzimas do malte (tempo de sacarificação),

podem interferir diretamente no

rendimento do processo.

Outros fatores podem interferir também

na produção de uma cerveja de

qualidade. Se houver uma contamina-

Vale ressaltar que

é fundamental o malte

não ter nenhuma

contaminação por pestes

ou fungos e também

não vir com muitas

sujidades dentro do saco,

como pedras, madeiras

e outros grãos,

Alexandre Bamberg,

mestre cervejeiro

da Cervejaria Bamberg

21

21


INGREDIENTE

Curiosidade

Nossos ancestrais já consumiam um líquido alcoólico

resultante da fermentação de cereais misturados com água

e os primeiros indícios da fabricação da cerveja foram

encontrados no Oriente Médio, na antiga Mesopotâmia.

Pouco mais de vinte tipos de cerveja de cevada, trigo e

mel eram fabricados por babilônios e sumérios há mais de

4.000 anos antes de Cristo e há registros de como a bebida

era fabricada, no Museu do Louvre, em Paris. No Egito,

a cerveja passou a ser produzida em larga escala.

A fermentação de cereais e de outras plantas já era

conhecida em outras partes do mundo. Os índios brasileiros

fermentavam mandioca, mas o processo conhecido, atualmente,

e que originou a cerveja que todos conhecem, foi

desenvolvido no Egito.

O lúpulo foi acrescentado à cerveja no século XII, como

uma inspiração divina, dando assim um sabor ligeiramente

amargo à bebida.

A "Reinheitsgebot", conhecida como Lei da Pureza,

proclamada em 23 de abril de 1516, na Alemanha, determinava

que apenas água, malte, lúpulo e o fermento podiam

ser utilizados na elaboração da cerveja e este é o mais

antigo código de alimentos do mundo. Essa lei é válida na

Alemanha até hoje. No Brasil, segundo a legislação, a

bebida, para ser chamada de cerveja, necessita ter a utilização

mínima de 60% de malte, podendo ser utilizado até

40% de adjunto. "Várias cervejas nacionais aderiram a

essa formulação e produzem cervejas de alta qualidade",

afirma Álvaro Nogueira.

ção de pestes e fungos no malte, pode

conferir off-flavors no produto final,

além de cor, aroma e sabor na cerveja.

A proteína e os Nitrogênios influenciam

na estabilidade da espuma e sensação

do paladar. A temperatura de secagem

oferece cor, aroma e sabor à cerveja.

Alexandre Bamberg lembra que,

além do malte, o fermento e o lúpulo

também interferem no aroma, sabor, corpo

e estabilidade de espuma.

Para o mestre-cervejeiro da Femsa,

Antônio Macedo, um malte mal fabricado

certamente vai transmitir aromas e

gostos estranhos ao produto. O teor de

taninos e a presença de fungos do malte

podem contribuir positivamente ou negativamente

para o paladar. Muitos fatores

podem influenciar a estabilidade

de espuma no processo produtivo da

cerveja. O teor de proteínas e sua distribuição

em alto, médio e baixo peso molecular,

pode ser um deles.

Malte Malte brasileiro

brasileiro

A Agrária / Agromalte, um dos principais

produtores de malte no Brasil, representa

com exclusividade os maltes

22 22 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


Um mestre cervejeiro

pode fazer uma boa cerveja

com uma boa matéria prima,

mas não consegue fazer

uma boa cerveja

com um malte

de má qualidade,

Alvaro Dertinate Nogueira,

mestre cervejeiro

especiais da empresa alemã Weyermann,

além de importar, também, os lúpulos da

famosa região de Hallertau, na Baviera.

A cevada é cultivada no inverno e colhida

entre os meses de outubro e dezembro

no Brasil. O país produz cerca de 500

mil toneladas de malte por ano e o mer-

JULHO/10

cado brasileiro de malte

é o que mais cresce

no mundo, em torno de

7,0% ao ano.

A Agrária produz

diferentes tipos de maltes

como o Malte Pilsen

(utilizado em todos os

tipos de cervejas), Malte

Munique Tipo II (escuras,

especiais, tipo Munique

e pretas), Malte

Pale Ale (cervejas de trigo

Ale, Stout e Porter) e o

Malte Melanoidina (cervejas

de trigo, tipo bock, escuras

e avermelhadas).

Também são produzidos

os maltes Torrados

como o Carafa Tipo I, Carafa

Tipo III, Carafa Especial Tipo

I e o Carafa Especial Tipo

III, ideais para todos

os tipos de cervejas escuras.

Além desses são

produzidos os maltes Caramelo,

como: Caralapis,

Carared e Carahell, para

serem utilizados em diferentes

tipos de cervejas.

Segundo Alexandre

Bamberg, a maltaria deve escolher

bem a cevada que será

malteada, sendo um fato

determinante o teor da proteína.

"Vale ressaltar que é

fundamental o malte não ter

nenhuma contaminação por

pestes ou fungos e também não

vir com muitas sujidades dentro

do saco, como pedras, madeiras e

outros grãos", explica ele.

23

23


INGREDIENTE

Tipos Tipos de de cer cervejas cer cervejas

vejas

Produzida na Bélgica e

na Inglaterra, a Ale, é mais

encorpada e pode ser consumida

à temperatura ambiente,

ou apenas refrescada.

Pale Ale, Stout, Bitter e

Abadia são os tipos mais comuns

dessa cerveja.

Há também a cerveja

Lager, que tem como principal

característica a fermentação

a baixas temperaturas

(de até 2ºC), e os principais

tipos são Bock, Münchener

e Pilsen. A cerveja Bock tem

uma variedade conhecida

como Dopellbock e Eisbock.

As cervejas podem ser

classificadas pelo teor alcoólico,

extrato, tipo de fermen-

tação ou pelo malte.

Os consumidores estão procurando

cervejas mais leves e “fáceis” de beber.

"Com certeza, a cor é um fator importante

na decisão de compra, além do

aroma, sabor e o aspecto geral do produto",

explica o mestre cervejeiro da

Femsa, Antônio Macedo. Para ele, a percepção

de qualidade é muito particular

para cada consumidor e varia conforme

a ocasião, cabendo ao consumidor escolher

o produto que mais lhe agrade.

O tempo em que o consumidor olhava

para uma cerveja escura e pensava

numa cerveja doce ficou para trás. "Hoje,

o consumidor brasileiro já sabe que uma

cerveja escura pode ser suave, amarga,

adstringente ou pesada", informa Alvaro

Nogueira, mestre cervejeiro.

Colaborou

Ana Carolina Maciel

24 24 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


ECONOMIA

Estudo Estudo Estudo Estudo Estudo realizado realizado realizado realizado realizado

pela pela pela pela pela Economist Economist Economist Economist Economist

Intelligence Intelligence Intelligence Intelligence Intelligence Unit Unit Unit Unit Unit (EIU), (EIU), (EIU), (EIU), (EIU),

aponta aponta aponta aponta aponta os os os os os principais principais principais principais principais

desafios desafios desafios desafios desafios que que que que que o o o o o Brasil Brasil Brasil Brasil Brasil

precisa precisa precisa precisa precisa enfrentar enfrentar enfrentar enfrentar enfrentar

para para para para para seu seu seu seu seu crescimento crescimento crescimento crescimento crescimento

Por Carlos Donizete Parra

Ocrescimento implica em

mais responsabilidades para

nossas vidas. Parace frase

de pai para filho adolescente,

mas quem já não ouviu frase parecida?

Pois bem, para um País em crescimento

como o Brasil, a situação não é

diferente.

Manter o ritmo de crescimento e os

benefícios adquiridos com esses anos

de estabilidade econômica, politica e

social são fundamentais para o futuro

da nação.

Estudo, recentemente, realizado

pela Economist Intelligence Unit (EIU),

do Grupo The Economist e patrocinado

pelo HSBC, aponta os principais

desafios para o Brasil: educação,

infraestrutura, inovação e reconhecimento

internacional. Segundo Justine

Superar

Superar

os os desafios

desafios

para para manter

manter

o o cr crescimento cr escimento

acelerado

acelerado

Thody, diretora da EIU, "caso estes desafios

possam ser trabalhados na próxima

década, a economia poderá sustentar

taxas de crescimento anual acima de

5% durante um longo período, em uma

economia de classe média e população

de 200 milhões de habitantes, o que

formaria um dos mercados mais atraentes

do mundo".

O estudo reconhece as conquistas

brasileiras nos últimos 15 anos, o que

inclui privatizações bem sucedidas, uma

nova moeda estável, um aumento rigoroso

da demanda global pelas suas abundantes

reservas de commodities e a significativa

expansão do comércio bilateral

com a China, que passou de 8 milhões

de dólares em 2005, para algo em

torno de 10 bilhões de dólares previstos

para 2010. Caso essas previsões sejam

concretizadas, a China será o maior

investidor no Brasil, à frente de países

como Holanda, Estados Unidos, Espa-

38 38 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


nha, Alemanha e Portugal.

Brasil e China possuem as condições

ideais para uma parceria comercial. Somos

uma nação rica em produtos naturais

como minério de ferro e alimentos

e, também, possuímos um mercado interno

em expansão com oportunidades

crescentes para investimentos em infraestrutura,

informática, automóveis e

outros produtos manufaturados.

O ciclo de expansão econômica no

Brasil vem apoiado pela elevação do emprego

formal e da massa de rendimentos

e consumo via crédito oferecido pelas

entidades financeiras e Governos. O número

de trabalhadores com carteira assinada

deve bater o recorde em 2010, chegando

a 34 milhões em todo o Brasil. O

desemprego é o mais baixo dos últimos

15 anos, 7% em junho deste ano.

Com o mercado interno em expansão,

as empresas brasileiras tiveram que

reforçar seus quadros de colaboradores.

JULHO/10

Isso foi feito em praticamente todos os

setores como construção civil, varejo,

serviços, agroindústria e outros. O Observatório

do Emprego, vinculado

ao Governo do

Estado de São Paulo,

divulgou os últimos

dados de sua pesquisa

mensal, referente

ao mês de

junho, no Estado

de São Paulo, uma

das regiões que

mais concentra trabalhadores

em todo o

Brasil e, segundo esses

dados, mais de 70% das

novas vagas criadas no Estado

foram registradas nas áreas de Agricultura

(+24.337), Indústria de Transformação

(+15.467) e Comércio (+10.760). Estas

três atividades somam mais de 50 mil

novas vagas dos 70.265 novos postos

formais de trabalho criados no Estado

de São Paulo durante o mês de junho. O

número total é inferior ao registrado em

maio de 2010 (+98.624),

mas superior quando

comparado a junho

de 2009 (+27.602).

“O mês de maio já

tinha mostrado

um crescimento

mais lento no

emprego e a tendência

de arrefecimentocontinuou

em junho. Os

três grandes setores

(agricultura, indústria e

comércio) cresceram moderadamente.

A construção estabilizou-se

em maio. Vamos aguardar o segundo semestre,

que é sempre melhor para o emprego”,

destaca o secretário estadual do

Emprego e Relações do Trabalho, Pedro

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ECONOMIA

Rubez Jehá. O salário médio dos trabalhadores

admitidos no Estado de São

Paulo foi de R$ 952, representando um

aumento de 0,7% com relação ao mês

de maio e de um aumento de 4,2% se

comparado ao mesmo mês do ano passado.

O crescimento da massa salarial e as

boas perspectivas econômicas contribuem

para o aumento do consumo interno.

As vendas reais do setor supermercadista

em junho de 2010 cresceram 4,92% em

relação a junho de 2009, de acordo com

o Índice Nacional de Vendas, divulgado

mensalmente pela Associação Brasileira

de Supermercados (Abras). Em comparação

com maio deste ano houve queda

de 4,59%. No acumulado do primeiro

semestre, as vendas do setor supermercadista

alcançam alta de 5,57%, na comparação

com igual período de 2009. Em

valores nominais, o Índice de Vendas da

Abras apresentou crescimento de 10%

em junho de 2010 em relação a junho de

2009 e queda de 4,59% sobre maio deste

ano. O acumulado nominal, no primeiro

semestre de 2010, chega a 10,82%, na

comparação ao mesmo período do ano

passado. “ O setor supermercadista mantém

bons índices de vendas. Acredito

que as boas notícias na área econômica,

como a geração de empregos recorde no

primeiro semestre e o crescimento da

massa salarial, credenciam para um bom

desempenho do setor no segundo semestre

do ano”, avalia Sussumu Honda, presidente

da Abras.

Sustentado pela ascenção de milhões

de brasileiros às classes sociais com poder

de consumo, o PIB (Produto Interno

Bruto) de 2010 deve fechar acima de

7% e colocar o Brasil, definitivamente,

na nota dos países que mais crescem em

todo o mundo.

O que fazer, no entanto, para manter

esse crescimento sustentável? De acordo

com Andre Lois, economista-chefe

do HSBC no Brasil, "os olhos do mundo

estarão voltados para o Brasil durante

a próxima década. A Copa do

Mundo e os Jogos Olímpicos serão as

atrações mais próximas, mas estes eventos

vão estimular o potencial de crescimento

sustentável e de longo prazo

identificado pela EIU (Economist

Intelligence Unit)". Segundo o mesmo

estudo da EIU, os quatro desafios devem

ser trabalhados para que o Brasil

atinja seu potencial máximo. "Nós reconhecemos

a importância da educação,

infraestrutura, inovação e do reconhecimento

Global, como pontes de desafios,

que não devem ser obstáculos para

o Brasil moderno, focado no crescimento

e na economia".

A questão da infraestrutura aparece

como o primeiro item da lista de desafios

para os investidores, segundo a EIU.

Quase metade dos entrevistados (49%)

afirma que "padrões de baixa qualidade

ou custos elevados de infraestrutura

são os principais obstáculos operacionais.

Apesar de alguns avanços em logística,

o transporte é caro e a malha rodoviária

insuficiente. Também existem

poucas ferrovias e o potencial de transporte

marítimo continua sendo pouquissímo

explorado, com portos e aeroportos

que já estão congestionados. Estas

condições podem aumentar em um

quarto ou mais o preço para levar os produtos

aos seus respectivos mercados, segundo

os investidores. A solução, ainda

com base na análise, é prover uma melhor

infraestrutura considerando soluções

coordenadas entre diferentes esferas

governamentais e do setor privado".

No sistema educacional, as principais

fraquezas estão na formação de mão

de obra para o mercado de trabalho. Embora

muitos formandos de universidades

brasileiras sejam percebidos como

de primeira classe, há poucos deles.

Educação e recursos pobres durante o

nível secundário fazem com que os estudantes

deixem as escolas entre os menos

instruídos do mundo. As empresas

percebem que devem preencher os lapsos

de habilidades com recursos próprios.

Em muitos casos quando não há tempo

para isso é preciso contratar mão de

obra de fora do país, como aconteceu

com boa parte das grandes empresas brasileiras

neste primeiro semestre de 2010.

Muitos profissionais brasileiros que foram

tentar a sorte em outros países também

estão regressando em busca de melhores

oportunidades ou, em muitos casos,

vítimas da forte recessão que abala

as economias europeia e americana. Os

níveis de desemprego estão bastante

elevados chegando em fevereiro deste

ano a 9,7% nos Estados Unidos, 4,9%

no Japão e 9,6% na União Européia, inclusive

com situações desesperadoras

como é a da Espanha com 19%. Por isso,

o sonho de buscar um emprego atraente

fora do País vai ficando para poucos. O

40 40 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


futuro melhor parece que está aqui, pertinho

de casa.

A classificação do Brasil também é

baixa na maioria dos rankings de inovação

e análises mais aprofundadas sugerem

que mesmo os atuais pequenos investimentos

em inovação poderiam produzir

resultados significativamente melhores.

O investimento em inovação é

considerado relativamente baixo e insuficiente,

mas de acordo com a análise do

EIU, produziu avanços considerando "tecnologias

verdes". Cerca de 57% dos entrevistados

brasileiros não têm um programa

de pesquisa e desenvolvimento ou

sequer planos para se criar um programa

destes num curto prazo no País. No entanto,

quase metade (49%) dos entrevistados

descreve como "muito boa" ou "excelente",

a capacidade dos negócios baseados

no Brasil de se integrarem com as

últimas tecnologias internacionais.

JULHO/10

Isso indica que melhor educação, infraestrutura,

investimentos em pesquisa

e desenvolvimento, além de relações mais

próximas entre empresas e universidades,

resultariam em impactos positivos em

inovação. Muito disso já foi feito e já se

colhem bons frutos desse trabalho, com

negócio e tecnologias brasileiras que

aumentam ano a ano as nossas divisas de

exportações, haja vista nosso exuberante

aumento no comércio exterior com

países como a China. Apesar desse forte

trabalho com a China, o estudo do EIU

mostra que as marcas brasileiras, ainda

são pouco conhecidas no exterior, 84%

dos entrevistados afirmaram que marcas

brasileiras não são muito reconhecidas

ou muito consideradas em outros países.

Apenas 3% dos entrevistados americanos

acreditam que as marcas brasileiras

são altamente reconhecidas e consideradas.

Contudo, a percepção das marcas

brasileiras entre os entrevistados chineses

muda, com quase um quarto dos respondentes

(24%) recebendo bem os produtos

brasileiros.

Os desafios, portanto, ainda são muitos,

porém não são intransponíveis. As

oportunidades, no entanto, são em grande

volume. À exceção da China, nenhum

país do mundo sucumbiu à crise tendo

como base o próprio mercado interno.

Isso é um fator preponderante na luta por

melhores posições no ranking mundial

e, principalmente, para oferecer melhores

condições de vida a um contingente de

quase 200 milhões de brasileiros.

Os avanços conquistados devem servir

de estímulo para que possamos seguir

o ritmo de crescimento de forma

sustentável e equilibrada, fazendo com

que a distribuição de renda continue

gerando riqueza para que o consumo interno

seja cada vez mais fortalecido.

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