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Processo de inovação no segmento cervejeiro é complexo e pode ...

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CERVEJA

CERVEJA

O

desafio

de

inovar

Processo de inovação no segmento cervejeiro

é complexo e pode levar anos, mas tem sido

uma das armas para ganhar competitividade

Por Nani Soares

12 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


Omercado cervejeiro

brasileiro é um dos

maiores do mundo,

ficando atrás apenas

de mercados

como o americano e o asiático. Com

uma produção de 13,3 bilhões de litros

em 2011, segundo dados do

Sistema de Controle de Produção de

Bebidas (Sicobe) da Receita Federal,

o mercado brasileiro já é apontado

como o terceiro do mundo, tendo

ultrapassado inclusive a Alemanha,

berço da bebida.

Ao que tudo indica, os números

para 2012 devem superar os do ano

passado. Além do período que vai

de outubro a março, considerado um

dos melhores para o setor, o volume

fabricado também teve alta durante

as estações mais frias, como maio

e junho (pouco mais de 1 bilhão de

litros, em cada período). Em agosto

o índice foi acima do registrado no

mesmo período de 2011, mantendose

desde então, muito em função

das altas temperaturas registradas

na região Sudeste e que obrigaram

os fabricantes a correrem para atender

à demanda.

Enquanto a produção aumenta a

cada dia, no consumo a categoria ainda

derrapa. Estima-se que no ranking

mundial o Brasil ocupe a posição 24º,

com 65 litros per capita, atrás da Alemanha

e da Áustria, que registram um

consumo per capita de 107 e 106 litros,

respectivamente. Mas por que

no Brasil o índice não é parecido com

o de mercados desenvolvidos?

Parte da justificativa pode estar

na estagnação pela qual o mercado

passou, situação que só mudou há

alguns anos. Até pouco tempo, os

investimentos em inovação ficavam

DEZEMBRO/12

aquém de outros países e as cervejarias

vivenciaram uma espécie de

letargia, principalmente na categoria

maistream, que tem a cerveja Pilsen

como carro-chefe.

Com o desenvolvimento econômico

do País, a consequente competitividade

e a curiosidade do consumidor

sobre outros tipos de cerveja,

as mudanças deixaram de ser esporádicas.

Lançamentos constantes

passaram a ser itens obrigatórios no

portfólio e envolveram desde mudanças

na fórmula ao desenvolvimento

de novas embalagens e foco em nichos

específicos. Assim, a cerveja

brasileira ganhou cara, gosto e "roupa"

nova.

der do setor, a AmBev foi a primeira

a perceber que, com dinheiro

no bolso, o lema do consumidor passou

a ser experimentar. O lançamento

da Antarctica Sub Zero, com tecnologia

de dupla filtragem, e da Skol

360º, que não "estufa", demonstram

a preocupação em garantir diferencial.

De olho na região Nordeste, a

empresa lançou também a Brahma

Fresh, própria para ser consumida

em regiões mais quentes. Vale lembrar

que dos investimentos gerais

feitos até agora pela empresa no

País, R$ 804 milhões foram na região

Nordeste. No segmento Premium,

a aposta foi na Stella Artois,

que chegou ao Brasil em 2008, sendo

o primeiro mercado a oferecer a

marca em lata de 269 ml.

No terceiro trimestre de 2012, o

volume vendido pela AmBev foi de

40,530 milhões de hectolitros de bebidas,

aumento de 1,5% em relação

ao mesmo período de 2011. Só no

segmento de cerveja foram vendidos

29,371 milhões de hectolitros,

avanço de 2,7% ante o mesmo período

do ano anterior.

Entre os grandes impulsionadores

do crescimento da multinacional,

estão justamente a Antarctica Sub-

Zero, a Budweiser e a Stella Artois,que

devem permanecer como

foco dos investimentos. João Castro

Neves, diretor geral da companhia,

destaca também a nova identidade

visual da Skol, lançada em setembro,

e a meta da empresa em

aumentar a capacidade produtiva e

distribuição no mercado nacional,

cumprindo o cronograma de investimentos

no País este ano, que deve

atingir os R$ 2,5 bilhões.

Inovação tecnológica

A expectativa de um novo cenário

a se desenhar no Brasil, tendo

como força motriz os investimentos

13


A recém-chegada Desperados,

da Heineken, traz de volta a fórmula

cerveja com tequila

em inovação, é confirmada por especialistas,

mas com ressalvas. Ana

Carolina Boyadjian, analista setorial

da Lafis Consultoria, afirma que as

empresas estão mais preocupadas

em inovar e continuam destinando

valores vultosos para campanhas

publicitárias e ampliação da capacidade,

mas o setor ainda carece de

mais inovação tecnológica.

Ela explica que as inovações se

dão mais por conta da introdução de

uma nova marca e por meio de embalagens

inovadoras, como o litrão,

a lata de 260 ml e, mais recentemente,

a lata de 500 ml, da própria AmBev.

Além disso, muitos fabricantes estão

tentando criar uma identidade

para suas marcas, usando cores para

diferenciar-se dos demais produtos.

Há alguns anos, quase todas as embalagens

eram brancas, sendo que

Brahma e Skol foram as primeiras a

utilizarem o recurso.

"O que mais motiva o setor é a participação

do mercado. Se a mudança

de embalagem deu certo, o produtor

passará a ter maior participação. Inovar

para aumentar a participação do

mercado é o lema", diz, apontando

como tendências as mudanças inicialmente

em embalagens e rótulos,

seguidas dos posicionamentos.

Outro fator que tem impulsionado

as cervejarias a investirem em

inovação é o segmento Premium. As

empresas viram seus lucros aumentar

com a popularização das cervejas

especiais, de alto valor agregado

e que ainda garantem um faturamento

maior. Por conta do aumento

da renda da população e da diminuição

do desemprego nos últimos

anos, a tendência é de expansão do

mercado Premium.

Os números positivos estariam

animando as empresas a investirem

inclusive em ideias já testadas, mas

que acabaram naufragando em outras

tentativas, caso das cervejas de

trigo e light. Segundo Ana Carolina,

o cenário agora é outro e o público

está mais disposto a pagar por uma

cerveja mais elaborada ou diferenciada,

o que não acontecia antes.

Apesar das mudanças que estão

ocorrendo, a analista diz que o nível

de inovação do mercado brasileiro ainda

está longe de atingir patamares

de mercados desenvolvidos, especialmente

porque nestes países as

empresas colocam novos produtos à

disposição do consumidor há anos,

dando tempo hábil para o consumidor

conhecer e aprovar, garantindo as

vendas para o fabricante.

"Muitas inovações ainda têm que

passar pelo gosto do brasileiro. Um

exemplo é a cerveja light, que nos

Estados Unidos tem grande demanda,

mas aqui no Brasil as vendas

ainda são baixas. Os países com

mercado mais maduros já estão dispostos

a pagar mais por uma cerveja

há algum tempo, enquanto no Brasil

isso ainda é novidade. No entanto,

vale ressaltar que a cerveja está

cada vez mais cara - a Premium ainda

é um segmento para poucos",

avalia.

Renovação de ideias

Uma cerveja mais leve foi justamente

a aposta do Grupo Petrópolis

para se destacar no mercado. Com

25% de calorias a menos que as versões

tradicionais, a cerveja light da

Petrópolis é mais uma tentativa de

fazer a versão emplacar no Brasil

14 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


após várias tentativas, inclusive da

própria AmBev. A aposta no produto

está embasada na mudança de

comportamento do consumidor, que

está mais preocupado com a saúde.

Dados do Euromonitor International

indicam que o consumo de

produtos light cresceu 132% no País

nos últimos cinco anos.

A empresa já havia dado um tiro

certeiro ao lançar o selo de proteção

para latas de alumínio, ajudando a vencer

a resistência dos consumidores

em relação à embalagem que, embora

popular, ainda perde para as embalagens

de vidro em virtude da higienização.

Mesmo tendo sido duramente

combatido pela concorrência

no início, o selo protetor ganhou a

aprovação dos consumidores e logo

foi incorporado por outros fabricantes.

DEZEMBRO/12


Inovar para aumentar a participação

no mercado é o lema, mas setor ainda


carece de mais inovação tecnológica

Ana Carolina Boyadjian, da Lafis

"Hoje é praticamente impossível

ser competitivo sem investir em inovação.

Os avanços tecnológicos

formaram uma geração de consumidores

ávidos por novidades. Atualmente,

mesmo que uma empresa

tenha um produto tradicional, ela

precisará exercitar a criatividade

para inovar neste produto sem comprometer

a tradição", explica Dou-

glas Costa, head de marketing do

Grupo Petrópolis.

As inovações no segmento de

cerveja estão ligadas diretamente ao

fator oportunidade, no qual o caminho

mais trivial é identificar o desejo

dos consumidores por determinado

produto e avaliar o potencial do

nicho de mercado a ser explorado,

15


Lígia Patrocínio, da Heineken Brasil: processo

de inovação conta com sete estágios e pode levar anos

para só depois partir para o planejamento,

desenvolvimento e lançamento.

Costa conta que preferência

do consumidor atual não se resume

a um portfólio mais amplo e sim à

qualidade que cada marca oferece.

Entretanto, fabricar um produto de

qualidade acaba não sendo garantia

de que ele será sucesso no mercado.

O executivo explica que é preciso atrair

o consumidor e, mais do que isso,

conquistá-lo, por isso o processo de

inovação é um ciclo que envolve não

só a fórmula ideal, mas também boas

estratégias de marketing, apelo inovador

(inclusive nas embalagens) e

ações efetivas nos pontos de venda.

O desafio das empresas, portanto,

é não se acomodar. "É um trabalho

árduo e cuidadoso. Não podemos

nos basear no pensamento de

que ‘precisamos lançar três produtos

novos por ano ou mudar de embalagem

a cada X anos'. Quem faz

isso corre o risco de lançar produ-

tos destinados ao fracasso e perder

investimentos", diz.

A participação dos próprios colaboradores

é fundamental no processo

de desenvolvimento de novos

produtos, assegura Costa. Assim,

além das tradicionais pesquisas junto

aos consumidores, a empresa

conta com a ação integrada de todos

os envolvidos, desde os mestres-cervejeiros

até vendedores e

operários, que podem ajudar a identificar

oportunidades e apresentar

ideias. E completa: "Muitas vezes,

uma inovação interna ou a compra

de um equipamento inovador abre a

possibilidade para a fabricação de

um novo produto / embalagem. Também

podemos detectar uma oportunidade

a partir do conhecimento dos

vendedores, que estão em contato

próximo com os pontos de venda.

Não existe uma empresa inovadora

sem pessoas inovadoras e criativas

em seu quadro de funcionários".

Para ele, uma das maiores dificuldades

é a fórmula. Desenvolver um

novo produto acaba sendo uma tarefa

difícil por envolver variáveis complexas

e que vão muito além da simples

competência do mestre cervejeiro.

Isso explica o sigilo que cada

fabricante faz quanto à sua fórmula.

Além disso, o processo de inovação

também envolve diversos departamentos,

que analisam a viabilidade

da proposta, que pode ser vetada

por qualquer um deles.

"Isso é absolutamente normal e

deve ser encarado assim. O departamento

que veta analisa a situação

e apresenta argumentos. Se os argumentos

convencem, as equipes passam

a priorizar um novo projeto. Esse

momento, quando acontece, deve

ser encarado com profissionalismo

e naturalidade", esclarece Costa.

No caso da Pilsen, ainda a preferida

entre os consumidores, a exigência

agora é por um produto de

melhor qualidade, que tenha bom

sabor ao paladar e que não cause a

sensação de inchaço, garante o executivo.

Isso porque no Brasil a cerveja

geralmente é acompanhada por

petiscos e, portanto, é fundamental

não causar nenhum desconforto ou

o famoso "estufamento" durante o

consumo.

O grande destaque das inovações

são as embalagens para diferentes

ocasiões de consumo, como

as latinhas de 269 ml, que em alguns

lugares ganharam o apelido de

"periguetes", e os barris de 5 litros,

também chamados de kegs, um fenômeno

em todo o País. "Há um aumento

de consumidores que buscam

cervejas especiais para situações

mais reservadas. Apreciar cervejas

16 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


mais elaboradas está se tornando algo

mais comum e exigindo inovações

criativas por parte das empresas",

ressalta, garantindo que o ritmo

das inovações é determinado pela

demanda dos consumidores.

Douglas Costa, da Petrópólis: pioneirismo no selo protetor

e aposta nas “periguetes”, como foram apelidadas

as latinhas de 269 ml

Sinergia entre os envolvidos

Também conhecida por investir

em novidades que agradam aos consumidores,

a Heineken atua com um

portfólio que inclui uma das cerve-

jas mais conhecidas do mundo, vendida

em mais de 170 países, além

das marcas Kaiser e Bavaria, e das

importadas United Beers of The

World: Amstel Pulse, da Holanda,

Dos Equis e Sol Premium, do México,

Edelweiss, da Áustria, Birra Moretti,

da Itália, Xingu, do Brasil, Murphy's

Irish Red e Murphy's Irish

Stout, da Irlanda.

Além das marcas importadas, a

empresa está apostando também

em fórmulas que já foram atestadas

no Brasil em outras ocasiões. Em

agosto a empresa lançou a marca

Desperados, cerveja com tequila,

complementada com um toque de

especiarias e limão. A marca éder

em seu segmento e público-alvo na

Polônia, França, Alemanha, Espanha

e Holanda. Na França, já é a 4ª marca

mais valorizada do seu segmento e o

Brasil é o primeiro País da América

Latina a receber a bebida, que inicialmente

está sendo comercializada

em Curitiba (PR) e São Paulo (SP).

Disposta a aumentar a participação

no mercado nacional, em abril a

empresa já havia lançado o barril de

quatro litros da marca Kaiser, que

tem como grande diferencial ser parecido

com o chope, em virtude do

sistema DraughtKeg. "A cerveja é tirada

sob pressão, até o último copo,

por meio de um cartucho interno com

CO2 que deixa o líquido mais cremoso,

como se tivesse saído direto da

chopeira de um bar", explica Lígia

Patrocínio, gerente da área de Inovação

da Heineken Brasil. Ela lembra

que até 2011 o barril era vendido somente

na Holanda e Itália, sendo a

Kaiser a primeira marca estrangeira

da companhia a utilizar o sistema fora

da Europa.

18 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


Segundo Lígia, a Heineken trabalha

com grandes mestres cervejeiros,

alta tecnologia e um sistema de

qualidade muito rigoroso, mas a

maior dificuldade ainda é conhecer

realmente o consumidor, entendendo

suas necessidades e ocasiões

de consumo.

Para isso, o processo de desenvolvimento

de um produto ou embalagem

não é simples e requer uma

série de inovações que envolvem diferentes

áreas da empresa. O tempo

de desenvolvimento de um projeto

de inovação pode variar muito dependendo

das mudanças e/ou desenvolvimentos

necessários, podendo

levar meses ou até anos até finalmente

chegar às gôndolas.

DEZEMBRO/12

Setor fechou 2011 com 13,3 bilhões

de litros produzidos, número que deve

ser superado em 2012

A garrafa de 600 ml retornável foi

aperfeiçoada especificamente para

o mercado brasileiro, mas todas as

outras embalagens são desenvolvidas

na sede da empresa, em Amsterdam,

na Holanda. Foi o caso da

garrafa de alumínio ("STR bottle"),

que tem como diferencial o design

totalmente inovador e o fato de "brilhar"

quando exposta à luz negra, e

também da lata "Touch", que permite

ao consumidor ter uma nova sensação

tátil ao tocá-la.

A Heineken mantém equipes globais

de inovação, inclusive uma totalmente

dedicada ao mercado brasileiro.

Para ajudar na tarefa, a companhia

também realiza pesquisas com consumidores

e concursos internos envolvendo

os colaboradores, prática mantida

em todas as unidades pelo mundo.

O processo de inovação ocorre

por meio do que a empresa chama

de "Funil de Inovação", que conta

com sete estágios. A primeira eta-

19


pa é a "Front End", onde parte-se de

um problema e algumas ideias são

sugeridas até chegar a um insight.

A partir dele, são convertidos os conceitos

de um novo produto ou embalagem,

por exemplo, sendo posteriormente

testado pelos consumidores.

Se aprovado, a fase seguinte é

a do "funil" propriamente dito: são

seis etapas, nas quais as análises

são aprofundadas gradativamente.

Em cada uma, há reuniões com a

liderança, que aprovam ou não o projeto.

Só a partir daí parte-se para a

fase seguinte, de desenvolvimento.

A fase 6 é de avaliação.

O processo todo envolve muitas

áreas, como supply chain, finanças,

qualidade, logística, embalagem, trade

marketing, marketing, vendas,

compras e engenharia, entre outras,

mas todos os projetos são liderados

pela área de inovação, responsável

por coordenar todas as ideias.

"Como trabalhamos com o conceito

de "funil", sabemos que nem tudo

que entra no processo sairá. Esta é

uma realidade da área de inovação.

O veto de uma iniciativa pode ser por

vários motivos. Se o veto foi por inviabilidade

técnica, temos a oportunidade

de buscar novas tecnologias e reapresentar

o projeto, por exemplo. Se

for por inviabilidade financeira, podemos

também buscar novas soluções

que tornem a iniciativa rentável. Se

após todas as tentativas o projeto ainda

não for viável e vetado, paramos

de trabalhar nele", esclarece Lígia.

No caso específico do mercado nacional,

o brasileiro tem consumido

mais cerveja, tanto em quantidade como

em qualidade, inclusive do ponto

de vista gastronômico, o que tem ajudado

a popularizar a harmonização da

cerveja com os mais variados pratos.

Tudo isso torna o mercado cervejeiro

ainda mais competitivo, exigindo

que as empresas invistam não só

em produtos inovadores, mas também

em eventos, ações digitais e

embalagens diferenciadas, segundo

Lígia. Apesar disso, ela garante que

a empresa está preparada para atender

a este novo perfil do consumidor,

pelo fato de a inovação ser uma das

marcas da empresa. "Para a Heineken,

inovar é se destacar, transpor a

barreira do comum e demonstrar, além

de excelência no que é feito, atenção

ao consumidor, que é o mais importante

para a Cervejaria".

20 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


VINHO

VINHO

Maturado

em

carvalho

A importância dos tonéis de madeira,

também conhecidos como barris ou bordolesas,

para garantir sabor e aroma aos vinhos

Por Lucindo Copat

22 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


DEZEMBRO/12

23


Cris Berger

Considerado o néctar

dos Deuses, o

vinho é uma arte

muito antiga e o

seu surgimento conta

com inúmeras versões, por isso é

tão difícil afirmar com precisão uma

data. Digo arte, pois a sua elaboração

envolve inúmeros processos que

consistem em esforços da mão humana,

a ajuda de garrafas e das famosas

barricas de carvalho que também

são conhecidas como toneis, cubas,

barris, bordolesas, pipas entre

outras, que são utilizadas para o amadurecimento

de vinhos que possuem

uma qualidade superior e que emprestam

todo o aroma do carvalho à

bebida quase que sagrada.

E por que utilizar justamente o

carvalho e não outro tipo de madeira?

Com o passar dos anos foram

testadas inúmeras madeiras no pro-

cesso de amadurecimento dos vinhos,

mas foi o carvalho que mais

se adaptou por apresentar maior resistência

e ao mesmo tempo a

maleabilidade para a fabricação do

barril. Além de "emprestar" também

todo o sabor e aroma que um bom

vinho fino deve ter.

É fundamental pensar na qualidade

do carvalho e no tipo de bebida

que será armazenado dentro

dele. A madeira pode ser mais ou

menos porosa o que resulta em mais

ou menos absorção do vinho na parede

do barril. O crescimento e a

idade da árvore também influenciam.

Geralmente o carvalho é derrubado

em torno dos seus 100 anos

de existência e após o abate dessa

árvore, a madeira precisa ficar de 2

a 3 anos em um período de secagem

ao ar livre, para sua estabilização

e retirada dos sabores amargos.

Lucindo Copat: “O carvalho apresenta maior resistência e maleabilidade para a

fabricação do barril e proporciona o sabor e o aroma que um vinho fino deve ter”

Praticamente toda a matéria prima

para fabricar as barricas tem origem

francesa, americana, eslovena,

croata ou húngara, que são lugares

específicos em que esse tipo de

material possui uma das melhores

qualidades.

O toneleiro é o profissional responsável

pela fabricação dessas barricas,

feitas artesanalmente. Como

o barril não leva pregos, é necessário

o encaixe perfeito das ripas de

madeira, que podem receber o nome

também de aduelas. Quando o tronco

chega à fábrica é fendido, como

as barricas francesas, ou serrado,

como as norte-americanas, respeitando

a fibra natural da madeira, pois

com isso é possível garantir a vedação

correta, evitando o desperdício

do vinho.

Essas ripas de madeira precisam

ser aquecidas, daí se utilizam diversos

métodos como o de aquecer a

madeira com água fervente, fogo e

até mesmo o vapor. Além disso, é

necessário passar pela tosta, pois

quanto mais alto for o nível desta tos-

24 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


ta, mais os aromas serão transmitidos

ao vinho. Após todo esse processo

as aduelas são unidas e bem

apertadas com os aros de ferro, originando

o produto final que é o barril.

A qualidade do vinho é influenciada

por diversos fatores: uvas, elaboração

e o uso de uma barrica nova. O

que acontece quanto ao volume da

barrica é: quanto menor o volume,

mais rápido será o amadurecimento

do vinho. Quanto maior for o recipiente,

menor será o contato da madeira

com o vinho e menos sabor e aroma

serão transmitidos ao produto final.

Ressalto também que o fato de

um barril ser novo ou usado pode afetar

a bebida. Para as vinícolas que

querem dar um toque especial de

carvalho novo na bebida, o correto é

que se utilize o tonel uma única vez

DEZEMBRO/12

para amadurecer os vinhos finos, pois

os aromas e sabores serão passados

com mais intensidade à bebida, pela

madeira ter esse primeiro contato com

o produto. Já, para alguns vinhos

brancos que são fermentados em

toneis de segundo uso, o resultado é

um vinho extremamente saboroso

com aroma tostado e amanteigado.

Todo esse processo encarece o preço

final do produto, pois um barril novo

chega a custar cerca de 620 euros e

já um barril americano pode chegar a

US$ 400,00.

Ressalto que o barril de carvalho

traz muitos benefícios ao vinho fino,

são diversas as suas qualidades,

mas para resumir pontuo alguns itens

que considero relevantes:

1. 1. 1. O vinho ganha estrutura e cor-

po, dado pela pequena exposição

do vinho ao oxigênio através dos

poros dos barris e pelos polifenóis

(taninos) da madeira.

2. 2. A intensificação da cor, causada

pela reação dos taninos e antocianinos

(pigmento responsável pela

cor rubi-violácea do vinho).

3. 3. O amaciamento dos taninos.

4. 4. E a evaporação ao longo do

tempo em que o vinho fica nos

toneis, o que ocasiona a concentração

atenuada do produto. O barril

de carvalho ainda passa ao vinho

aromas e sabores como baunilha,

caramelo, cravo, terra, especiarias,

tostado e coco, entre outros. A seguir

tabela com os tipos de aroma

que a tosta dá:

25


Tostado médio

Tostado

Para entender melhor como incide

o processo dentro de uma vinícola

explicarei como ocorre dentro da Vinícola

Salton, pois tenho domínio

total das técnicas e metodologias

adotadas por ela. Depois de terminada

a fermentação, os vinhos brancos

são conservados em tanques de

aço inoxidável à baixa temperatura.

Os vinhos tintos jovens são amadurecidos

em tanques de aço inoxidável

ou em bordolesas de carvalho.

E ao passo que os vinhos tintos de

maior estrutura são amadurecidos

primeiro em tanques, passam depois

pelas bordolesas de 225 litros

de carvalho e posteriormente nas garrafas.

Contamos atualmente com

Aromas

Barrica norte-americana

Baunilha, especiarias,

amendoim, coco e framboesa

Tostado, fumaça, pimenta,

café e tabaco

A fabricação de um bom vinho também é influenciada

pela qualidade das uvas utilizadas na produção da bebida

Barrica francesa

Especiarias, doces, baunilha,

canela e cravo

Tostados, torrefação, café

e caramelho

1.617 barricas de carvalho, que amadurecem

os vinhos finos como o

Salton Talento, Salton Desejo Merlot

e os vinhos tintos da linha Volpi, além

do espumante Salton Évidence, espumante

e o vinho dos 100 anos.

Um belo exemplo de um vinho

que tem passagem pelos barris de

carvalho em nossa vinícola é o Salton

Desejo, onde a elaboração é realizada

após o vinhedo ser selecionado,

as uvas (Merlot) colhidas manualmente

e os cachos maduros separados.

A fermentação desse produto

é realizada de forma clássica,

onde controlamos a temperatura e a

ação de fermentos. Ao término da

fermentação, o vinho descansa por

12 meses nas barricas de carvalho

francês novas e barricas de carvalho

norte-americano novas, com uma

porcentagem de 50% cada. E, após

esse amadurecimento em barricas,

o vinho é engarrafado e permanece

por mais um ano em nossas caves

climatizadas a 10 o C com ar filtrado

e umidade controlada. O resultado

final é um vinho fino de cor roxo intenso,

com um bouquet perfeito que

lembra frutas como mirtilo, amora,

ameixas e uvas-secas.Possui aroma

defumado, de amêndoas, folhassecas,

trufa, eucalipto, pimenta- preta,

e que na boca se apresenta pleno

com um ataque doce, com excelentes

taninos e grande permanência

do sabor.

Nós, que somos os profissionais

que lidam com esse tipo de bebida,

temos sempre que ter em mente que

estamos lidando com um produto

onde o principal ingrediente a ser

colocado é a paixão pelo que se faz.

Nessa profissão temos os sentidos

aguçados e um desejo latente de a

cada dia poder elaborar um produto

que mexa com os sentimentos das

pessoas, pois os nossos consumidores

procuram no vinho uma companhia

para os momentos de alegria

e um instante de relaxamento. Existem

no mercado vinhos elaborados

de diversos métodos e que agradam

a todo o tipo de público e o que mais

importa é que tudo tenha sido feito

com muito amor. Tim tim!

Lucindo Copat

diretor técnico e enólogo da Vinícola Salton

26 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


MARKETING

MARKETING

E a marca do ano é ...

Amarca Itaú lidera o ranking

da Interbrand das

Marcas Brasileiras

Mais Valiosas de 2012.

Seguida por Bradesco,

Banco do Brasil, Petrobras e Skol, que

completam o Top 5, essas marcas representam

71, 8% do valor consolida-

Ranking da Interbrand das marcas brasileiras

mais valiosas de 2012 inclui três de cerveja

do de R$ 95,9 bilhões entre as 25 marcas

brasileiras listadas no estudo.

Em relação ao ranking de 2011,

a maioria das marcas se valorizou,

sendo que a vigésima quinta colocada

esse ano entrou no ranking com

a nota de corte de R$ 250 milhões,

Da Redação

um valor significativamente superior

a 2011 (quando a nota de corte

foi de R$ 209 milhões).

A Interbrand, maior consultoria de

marcas do mundo, publica o estudo

das Marcas Brasileiras Mais Valiosas

anualmente. Criadora da metodo-

42 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno


logia de avaliação financeira de marcas

- e primeira de sua categoria a

receber o certificado ISO - a consultoria

analisa as diferentes maneiras

pelas quais uma marca atinge e

beneficia uma organização, desde

sua influência sobre os resultados

financeiros até a satisfação das expectativas

dos clientes.

Para desenvolver sua análise, a

Interbrand examina os três componentes

principais que contribuem

para o valor da marca:

• Resultados Resultados Financeiros: Financeiros: geração

de valor financeiro dos produtos

e serviços vinculados à marca.

Papel Papel da da Marca: Marca: influência da

marca no processo de escolha do

cliente.

Força Força da da Marca: Marca: capacidade

de garantir a demanda e ganhos ao

longo do tempo.

Para entrar no ranking, as marcas

devem atender a alguns critérios básicos:

ser originária do Brasil, publicar

informações contábeis e financeiras,

fornecer informações suficientes

para a identificação da receita individual

de suas marcas, gerar EVA positivo

(geração de valor do negócio

uma vez que a empresa remunere

todo o capital investido na operação)

e ser amplamente reconhecida nos

seus principais mercados.

DEZEMBRO/12

Panorama 2012

“Com os olhos do mundo voltados

para o Brasil, nossas marcas

têm a oportunidade de aproveitar o

bom momento do mercado nacional

para elevar-se a um novo patamar

de diferenciação e vínculo com

o consumidor”, analisa André Matias,

Gerente de Avaliação de Marcas

da Interbrand São Paulo.

Soma-se a este cenário um elemento

importante: a continuidade

das crises americana e europeia faz

com que as empresas estrangeiras

vejam o Brasil como uma oportunidade

de crescimento e decidam se estabelecer

no país.

De redes de varejo europeias a

montadoras de automóveis da China,

estas empresas não só trazem

maior concorrência para nossas marcas,

como também apresentam novas

opções ao consumidor, novas

interações e um ponto de vista diferente

sobre marcas.

“Este é sem dúvida um cenário

interessante que estimula o desenvolvimento

do branding no país. Nesse

sentido, as empresas que antes

estavam interessadas apenas em

criar suas marcas, hoje preocupamse

com a consolidação das mesmas

a partir da gestão inteligente de suas

engrenagens e pontos de contato.

Está inaugurada a era dos processos

em substituição aos projetos

pontuais de marca.” diz Daniella Giavina-Bianchi,

Diretora Executiva de

Estratégia da Interbrand São Paulo.

Skol

Dona de um posicionamento focado

no público jovem, a Skol se

mantém como a marca de cerveja

mais valiosa do Brasil. A marca investe

em inovação e em uma distribuição

cada vez mais forte, o que

torna a cerveja a quinta mais vendida

em todo o mundo. Presente na

maioria dos pontos de venda do País,

a marca lançou há alguns anos, a

Skol 360 o , além de disponibilizar ao

consumidor uma variedade de formatos

e embalagens, proporcionando

opções diferenciadas para o cotidiano

de seu público.

43


Com uma valorização de 17%, a

marca passou de 7,277 milhões de

reais em 2011 para R$ 8,496 em

2012.

Brahma

Com posicionamento destacado

no setor esportivo, principalmente na

paixão brasileira, que é futebol, a

Brahma colhe frutos dessa associação.

A Brahma fez parcerias com times,

criou bares temáticos, lançou

latinhas personalizadas, conquistando

o amante do futebol em seus momentos

de descontração e lazer.

A marca foi audaciosa e mudou

a cor de sua tradicional embalagem,

passando da latinha prateada para

vermelha, uma cor pouco explorada

no universo das cervejas em todo o

mundo.

Com a chegada da Copa do Mundo

de 2014, a Brahma deve crescer

ainda mais embalada pelos seus fiéis

seguidores apaixonados por esse

esporte.

Antarctica

der no mercado carioca, a Antarctica

assumiu uma postura irreverente

e cheia de ginga para tornarse

a marca oficial dos bebedores de

cerveja. A marca mudou seu slogan

de “Boa só se for Antarctica” para

“Boa é Antarctica, a cerveja da diretoria”,

uma alusão direta ao consumidor

de cerveja do boteco.

A marca possui, ainda, em seu

portfólio marcas tradicionais e consolidadas,

como a Original, além da nova

mas já consolidada Sub-Zero, uma

proposta inovadora para a marca.

Novas participantes em 2012

No ranking Interbrand, duas marcas

fazem seu debut: Totvs e Magazine

Luiza estreiam no relatório confirmando

uma tendência de mercado

que aponta ganho de participa-

ção das marcas de varejo e tecnologia,

em um cenário antes dominado

pelas empresas de commodities e

serviços financeiros - mudança também

observada no relatório Interbrand

das Melhores Marcas Globais

divulgado em outubro. “Não podemos

deixar de destacar o retorno de

Havaianas ao ranking: uma de nossas

marcas com maior reconhecimento

global, trazendo aprendizados

importantes para outras marcas

nacionais que ainda buscam consolidar

sua presença em solos estrangeiros”,

analisa André Matias.

Maior crescimento e valor

O setor financeiro permanece como

destaque no estudo de 2012. E

este ano domina o Top 3, representado

pela tríade Itaú , Bradesco e Banco

do Brasil.

O setor varejista também se destaca,

com crescimento médio de

25,2% de valor. A marca Hering , por

exemplo, subiu seis posições no ranking,

com um crescimento de 86%.

Casas Bahia fica com o segundo maior

crescimento do ranking, com aumento

no valor de marca de 57%.

44 _www.engarrafadormoderno.com.br Engarrafador Moderno

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