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Brasil inicia retomada crescimento - Engarrafador Moderno

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Economia

14

Brasil inicia retomada

Desde o final do ano passado,

os impactos da crise

econômica foram sentidos

em todas as partes do globo. Apesar

da desestabilização ter afetado negativamente

todos os índices econômicos,

aqui no Brasil, alguns resultados

já apontam uma melhora.

Mas afinal, porque o Brasil, entre

tantos países desenvolvidos, se destaca

e demonstra estar recuperando

o fôlego tão rapidamente? Será que

já podemos falar em fim da crise?

Com certeza, a partir de agora, essas

serão questões chave para economistas,

executivos, cientistas po-

Enquanto países desenvolvidos

vivem um momento conturbado

e repleto de ansiedades,

figurado pelo reflexo da

crise que assola a economia

mundial, o Brasil dá sinais de que

sua economia está voltando a crescer,

mas, segundo representantes do setor

de bebidas, ainda é cedo para decretar o fim

da crise econômica definitivamente

Danilo Gonçalves e Larissa Florencio

Fotos: divulgação

líticos, entre outros profissionais. Além

disso, elas terão lugar de destaque na

pauta durante um bom tempo.

Ação e reação:

reflexos da crise

Durante o período considerado

mais crítico, que compreende o final

de 2008 e se estende até o primeiro

trimestre de 2009, os efeitos da crise

foram desiguais para diversos

segmentos. Como exemplo, se por

um lado na indústria de máquinas e

equipamentos se enfrentava um dos

piores períodos, o qual acarretou em

crescimento

uma redução de cerca de 30% na

produção nos cinco primeiros meses

do ano, no setor supermercadista o

cenário era mais otimista. Consumidores

que foram às compras não deixaram

o clima de recessão predominar,

uma vez que o segmento apresentou

um crescimento de 5% em

relação ao mesmo período do ano

passado, já descontada a inflação.

Fato é que a indústria foi sem

dúvida o setor mais afetado nesse

período: somente nos últimos três

meses de 2008 perdeu cerca de

20% de produção e até o momento

conseguiu recuperar apenas 8%.

Engarrafador

Moderno


e espera

para 2010

Quanto aos empregos de carteira

assinada, no primeiro semestre deste

ano, segundo dados do Ministério do

Trabalho e Emprego, entre janeiro e

junho de 2009, os serviços de transporte,

telecomunicações e bancos

criaram no mercado 235 mil vagas e

o segmento de agropecuária, aproximadamente,

128 mil. Por outro lado,

o saldo entre demissões e contratações

na indústria foi negativo em 144

Julho/09

mil e no comércio também negativo

em 33 mil, ou seja, demitiu-se mais do

que contratou-se. E quando o assunto

é emprego ou no caso de desemprego,

a situação é delicada. Para as 800

mil pessoas que desde novembro de

2008 até fevereiro deste ano enfrentaram

a crise tendo que pagar com a

perda do emprego, a situação é tão

real quanto parece. Já se a questão

for renda, a tempestade não chegou

a reduzir a média do brasileiro, pórem

estancou o seu crescimento.

Redução foi uma palavra muito

presente no País do final do ano para

cá. "Redução de tributos, redução de

juros, redução de taxas de depósitos

compulsório dos bancos, aumento do

orçamento do BNDES, do Banco do

Brasil e da Caixa Econômica Federal,

foram medidas corretas adotadas pelo

governo e que atenuaram os efeitos

perversos da crise", destaca Alcides

Leite, economista e professor de macroeconomia

da Trevisan Escola de

Negócios.

E a redução também fez parte de

importantes decisões nas empresas.

"Em geral, os investimentos, num primeiro

momento, foram quase todos

paralisados. Somente agora é que as

empresas retomaram seus programas

de investimentos", comenta o professor.

15


16

Que os impactos da crise foram severos não dá para

negar. O ritmo da economia que era de mais de 5%

ao ano, foi reduzido para zero, porém é certo também

que a exposição do Brasil foi menor do que a de países

desenvolvidos. "O Brasil, pelo fato de ter uma economia

mais fechada e menos alavancada, sofreu menos",

afirma Alcides Leite.

Para o especialista, a situação já está melhorando

e deve apresentar um ritmo de crescimento anual de

3% a 4% no final de 2009. Além disso, ainda de acordo

com Alcides, o PIB neste ano deve ficar em torno de

zero, porém em 2010 deve se situar em torno de 4%.

Otimistas acreditam que estamos efetivamente vivendo

a retomada, porém ninguém arrisca a decretar

o término da crise no Brasil.

O que pensam os executivos?

"Ainda é cedo para decretarmos o fim da crise", afirma

Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Skaf diz ainda que,

felizmente, a partir de abril houve uma suave melhora,

mas a crise continua a sacrificar aqueles setores que necessitam

mais de crédito e os que dependem de exportação.

"Por isso, neste momento é perigoso dizer que a

crise acabou, pois teríamos uma falsa sensação que os

juros não precisam mais baixar, de que o crédito não precisa

mais aumentar ou que as desonerações não são mais

necessárias", explica ao enfatizar que o primeiro semestre

de 2009 foi o pior em 34 anos para a produção industrial

brasileira e que o PIB brasileiro caiu 3,6% no quarto trimestre

de 2008 e 0,8% no primeiro trimestre de 2009.

Para Skaf, o PIB brasileiro deve fechar o ano com

saldo negativo. Porém, para 2010 a perspectiva é mais

otimista , com crescimento do PIB em cerca de 3%.

Entretanto, para que isso realmente aconteça o presidente

informa que, algumas ações devem ser tomadas

pelos governos estaduais e federais. "Temos que pensar

na agenda do pós-crise, que passa por formação profissional,

educação, inovação, tecnologia e infraestrutura.

Senão, ao entrarmos num novo ciclo de crescimento,

não estaremos preparados para aproveitar as

oportunidades”, afirma Paulo Skaf.

Se adentrarmos no mercado de bebidas, a questão

da crise atingiu algumas empresas, outras não, mas causou

bastante repercussão. Na cervejaria Petrópolis, por

exemplo, os efeitos da crise não foram sentidos diretamente.

Segundo Douglas Costa, diretor de marketing

corporativo da Cervejaria, outros fatores que estavam

acontecendo no setor no final do ano passado, como

mudanças de alíquotas, readequações de preços, além da

questão das chuvas, interferiram mais no mercado do que

Engarrafador

Moderno


a própria crise, porém a questão

também já foi superada.

De acordo com Costa, a crise

somada a alta do dólar resultou em

aumento do preço da matéria-prima,

mas como a Petrópolis já tinha uma

estratégia elaborada para lidar com

a situação, conseguiram segurar os

custos. "Nesse período não recuamos

nem paramos nenhum projeto,

mas o que fizemos foi ficarmos

mais próximos de consultores para

nos manter informados do que poderia

vir a acontecer com o mercado",

relembra o diretor de marketing da

Petrópolis ao comentar que a empresa

tem ampliações de fábrica em andamento.

Além disso, o diretor da

Petrópolis informa que a cervejaria

já tinha traçado para 2010 um trabalho

forte com relação às cervejas

Premium. "A gente continuou trabalhando

nesse projeto até porque o

público que vai consumir esse produto

diferenciado não sente muito os

efeitos da crise", afirma.

Quando questionado a respeito

do que foi a crise e se a cervejaria

já sente a retomada Douglas foi direto.

"O que a gente percebeu é

que no calor da emoção, houve uma

Julho/09

precipitação em relação a crise, por

isso é que resolvemos analisar.

Acredito que agora o país está no

início do período de retomada", comenta

ao informar que segundo dados

da Nielsen o mercado cervejeiro

apresentou crescimento de 3% a

4% nos últimos dois meses.

Quanto às expectativas ainda para

este ano a empresa pretende desenvolver

o porfólio, e continuar o

processo de introdução das cervejas

especiais no mercado. "No verão

vamos sair de baixo dessa nuvem

negra da crise

que assombrou

os planos de

mercado", diz

Douglas. Além disso a Petrópolis

investirá em embalagens com formatos

especiais como o novo

modelo de lata de 310ml.

Em recentes declarações de

representantes da AmBev o assunto

crise também esteve presente.

Segundo informações dos

executivos, a crise internacional e

a entrada em vigor das novas alíquotas

do IPI para bebidas forçaram

a AmBev a um processo de

corte de custos nas operações

brasileiras. A empresa ainda assumiu

parte do ônus referente ao aumento

do IPI fazendo a compensação

com outras reduções de custos.

Além disso, praticamente não reajustou

os preços e a arrecadação

aumentou no último trimestre em relação

ao primeiro trimestre anterior

cerca de 30%.

O sistema Coca-Cola Brasil registrou

um crescimento de 5% no

volume de vendas no segundo trimestre

de 2009, resultado superior

ao registrado no mesmo período do

17


18

ano anterior, que foi de 1%. Para o

presidente da Coca-Cola Brasil,

Xiemar Zarazúa, apesar da conjuntura

de crise a empresa decidiu aumentar

os investimentos em 17%,

atingindo R$ 1,75 bilhão em 2009.

Além disso, parte dos investimentos

da empresa no país em 2009 estão

voltados para a construção de duas

novas fábricas, já em andamento:

uma de refrigerantes em Maceió e

outra em Curitiba, além da expansão

de outras fábricas já existentes. "A

capacidade de crescimento do mercado

de bebidas não-alcoólicas no

País está longe da saturação, tanto

no que diz respeito aos refrigerantes,

quanto aos sucos, chás, hidrotônicos,

entre outros segmentos também em

expansão", afirma Xiemar.

No segmento de aguardentes, a

Ypióca demostrou não ter sido afetada

pela crise econômica quando o

assunto é mercado interno. "O que

percebemos é que a situação foi

mais significativa no mercado externo

e notamos que os importadores

demonstraram um pouco de receio",

informou Aline Telles Chaves, diretora

de marketing da Ypióca ao comentar

que a representatividade da

exportação ainda é pequena para a

empresa. Aline informou também

que a empresa não adotou medidas

restritivas nesse período e não deixaram

de investir na participação em

feiras. "O primeiro semestre não foi

bom, mas não por causa da crise. O

mercado estava inseguro quanto a

Nota Fiscal Eletrônica e questões tributárias,

além de outros pontos", diz.

Segundo a diretora de marketing,

a Ypióca espera alcançar no final

deste ano, um faturamento superior

a 10% em relação a 2008. Além disso,

a Ypióca está investindo em uma

nova unidade para aumentar a capacidade

de produção que, atualmente,

é de 130 milhões de litros por ano.

As campanhas publicitárias também

são prioridades da Ypióca em 2009

juntamente com o desenvolvimento

de novas embalagens em PET que

em breve serão lançadas e a lata

que já se encontra em estudo.

Cláudio José de Góes, diretor da

Vinícola Góes, comenta que desde

o ano passado até março deste ano

percebeu alguns sintomas diferentes

no mercado como a diminuição do

público em eventos relacionados ao

setor além da retração da venda no

atacado. "Sentimos que o nosso produto

foi deixado um pouco de lado

por causa da crise, uma vez que aqui

no Brasil ainda temos a cultura de

consumir vinho normalmente em ocasiões

especiais", afirma ao comentar

que em geral, as vendas apresentaram

cerca de 20% de retração.

Para Cláudio, como de janeiro a

março historicamente já é considerado

um período ameno para o setor

de vinhos, a empresa já estava preparada

e foi necessário somente ter

um pouco mais de cautela. Porém,

ultimamente o cenário mais otimista

já predomina. "Desde abril estamos

sentindo resultados mais positivos,

ainda mais porque o vinho é um

produto muito sazonal e para ajudar,

este ano, tivemos um inverno rigoroso

e prolongado", diz. Quanto às expectativas

para o final de 2009, Cláudio

demonstra estar cauteloso. "A nossa

expectativa é comedida. Não

achamos que a crise acabou, apenas

parou de piorar, por isso, não temos

grandes expectativas. Nossa previsão

é que consigamos manter os mesmos

índices de 2007", acredita Cláudio.

No setor de água, a Ouro Fino

sentiu os impactos, tanto que atualmente,

as vendas estão de 10% a

15% abaixo do que era esperado. "As

oscilações começaram entre novembro

e dezembro do ano passado",

afirma Guto Mocellin, presidente do

conselho administrativo da empresa.

Para se "defender" destes efei-

Engarrafador

Moderno


tos, Mocellin afirma que a Ouro Fino

apostou em uma série de contenções

de gastos, melhorias na produtividade.

"Infelizmente, tivemos de

reduzir 10% do nosso efetivo", comenta.

Além disso, houveram renegociações

com muitos fornecedores.

"Passamos a comprar mais a vista

também para não comprometer os

orçamentos futuros", diz.

Contudo, Guto acredita que as

baixas, especificamente no caso da

Ouro Fino, não são resultados apenas

da crise. Segundo ele, o sul do

País tem vivido uma fase de temperaturas

muito baixas e isso reflete diretamente

nos balanços de vendas.

"De todo modo, eu não acredito

que teremos uma grande melhora

em relação às projeções de 2009",

afirma. "Se houver estabilidade em

relação a 2008, já está muito bom",

Julho/09

completa ao dizer que avanços significativos

ficarão realmente para

2010. "Não estou pessimista, só

acredito que vivemos em um cenário

em que trabalha-se mais e ganha-se

menos", finaliza.

Da mesma forma, a Refrigerantes

Coroa sentiu algum impacto,

"como a maioria das empresas", diz

Adhemar Bragatto, superintendente

da empresa. Ele analisa que apesar

de o portfólio deste mercado ser

formado por produtos que caracterizam

os bens não-duráveis, a empresa

foi frontalmente atingida na

questão do crédito. "Esta situação

acendeu o nosso farol amarelo, ou

seja, ficamos alertas e então voltamos

nossos cuidados para o interior

da empresa", explica. "Buscamos

melhorar a nossa eficiência

produtiva e isso nos ajudou a me-

lhorar o que tinha de excesso nos

processos", ressalta.

Do portão para fora, a Coroa

também passou por revisões e passou

a privilegiar mais as ações de

marketing em ponto-de-venda, ao

invés de trabalhar diretamente com

a mídia. "O PDV é mais barato, por

isso investimos nele e buscamos melhorar

nossa rede de distribuição",

diz. "Com isso, descobrimos que podemos

fazer ações bastante simples,

mas eficientes", completa.

Sobre a possível retomada da

crise, Bragatto conta que a Coroa

enfrentou um segundo trimestre

muito prejudicado, mas que, em julho,

houve um ganho de 10% nas

vendas. Com isso, a expectativa da

empresa é obter resultado 15%

maior no segundo semestre em relação

ao primeiro.

19


Ingrediente

Julho/09

Lúpulo, um importante

complemento para

Diversas características

favoráveis a este insumo

têm alavancado e

diversificado as ofertas

para as cervejarias.

Ao lado de outros

ingredientes, o lúpulo

exerce um papel

importante no aroma,

sabor e até estabilidade

da espuma da cerveja

Danilo Gonçalves

Fotos: divulgação

Além de ser responsável por

aquele toque agradavelmente

amargo da cerveja,

o lúpulo também empresta ao produto

final o seu aroma. Alguns anos

atrás, a adição do ingrediente nas

cervejas nacionais não levava em

consideração suas características

de aroma. Hoje, porém, percebemos

que as principais cervejarias do

País têm se preocupado em encomendar

seu fornecimento de lúpulo,

especificando o tipo.

Então, já de início, podemos afirmar

que o lúpulo ideal é aquele que

uma boa cerveja

31


Ingrediente

atende a esses dois quesitos ou a um

deles, já que é possível usá-lo apenas

para conferir amargor ou apenas

para conferir aroma.

Neste raciocínio, existem duas

grandes categorias de lúpulos: os de

amargor e os aromáticos. O primeiro

tem a função de transferir à cerveja

substâncias amargas e o segundo

transfere maior quantidade

de substâncias aromáticas, principalmente

denominadas óleos essenciais.

Por serem diferenciados pelo

teor de ácido alfa, normalmente os

lúpulos com este teor entre 2,5% a

5% são classificados como aromáticos.

Acima de 10% entram para

o grupo dos amargos.

Com base nas características, lúpulos

contribuem, além do aroma e

amargor, com os seguintes processos

cervejeiros:

32

Atividade antioxidante e antimicrobiana

e conseqüentemente contribuem

para a estabilidade do sabor

da cerveja;

Estabilidade da espuma;

Precipitação de proteínas.

Apesar de ser grande responsável

pelo sabor da cerveja, " o lúpulo

é um dos componentes da fórmula

da cerveja que definem o sabor da

cerveja, mas não é o único", diz

Álvaro Dertinate, mestre cervejeiro

e coordenador tecnológico de bebidas

do Senai Vassouras do Rio de

Janeiro. Segundo Dertinate, as outras

matérias-primas, além da água

e levedura, também são importantes

agentes na formação dos sabores.

Agora, no caso das cervejas

com alto teor de lúpulo, como as

cervejas do tipo Índia, a presença

deste aditivo é o grande diferencial.

"Quando a dosagem de lúpulo faz

com que as unidades de amargor

estejam acima de 55 o sabor que

predomina é o do lúpulo", completa.

Certamente é por este motivo

que sentimos menos o gosto do lúpulo

nas cervejas pilsen em relação

às especiais. Simplesmente por uma

questão de dosagem. "Ao longo dos

anos, as cervejas nacionais e muitas

outras vendidas pelo mundo têm diminuído

a quantidade de lúpulo dosado

na produção", informa Álvaro

Dertinate.

Werner Emmel, da WE Consultoria,

reforça a informação do representante

do SENAI. "Na maioria das

vezes, nas cervejas pilsen nacionais

só são utilizados lúpulos do tipo amargo.

Quando tem lúpulo aromático na

dosagem, este por sua vez não é

realçado pelo fato da dosagem ser

pequena", explica.

Outro fator importante para a

percepção do amargor do lúpulo nas

diferentes cervejas é a temperatura

que se serve cerveja pilsen no Brasil.

Na opinião dos profissionais envolvidos

com a cultura, a cerveja

muito gelada, além de não permitir

os diferentes sabores, dificulta a

percepção do aroma. No caso das

cervejas especiais, o gosto do lúpulo

é mais perceptível justamente porque

são servidas em temperaturas

perto de 6ºC a 10ºC.

Julio Landmann, diretor da Wallerstein,

comenta que o sabor do lúpulo

mais presente nas cervejas especiais

também está diretamente ligado

ao processo utilizado na fabricação

desta categoria. Segundo ele,

cervejas especiais são muito freqüentemente

produzidas adicionando-se

o lúpulo bem tarde na fervura

ou quase sempre depois da fervura,

por exemplo, na centrifugação. "Algumas

cervejas especiais são 'dryhopped',

ou seja, alguns lúpulos são

adicionados ao tanque de fermenta-

Engarrafador

Moderno


ção ou maturação ou no caso das

'cast-hopped', no barril da cerveja

pronta", explica.

Diversidade de espécies

Ao longo do tempo, o mundo foi

aprendendo a cultivar diversos tipos

de lúpulo. Muitas das espécies são

cultivadas por fazendeiros pequenos,

que visam apenas o seu sustento

familiar não importando muito o

valor comercial delas.

Normalmente, as variedades se

originam de uma espécie comum

chamada de Humus lupulus da Ordem

das Urticaceae e da Família

das Cannabinaceae. Daí, a diversidade

é distribuída diferentemente

pelos diversos fornecedores.

Por exemplo, a Cooperativa

Agrária Agroindustrial trabalha com

lúpulos alemães fornecidos pela cooperativa

denominada HVG. "Todos

os lúpulos que comercializamos no

Hallertau Mittelfrüher

Spalter

Tettnanger

Herkules

Hallertauer Tradition

Spalter Select

Perle

Saphir

Smaragt

Opal

Hallertau Magnum

HallertauTaurus

Hallertau Merkur

Nugget

Julho/09

Tipo Características

Northern Brewer

Fonte: Cooperativa Agrária Agroindustrial

Brasil vem das regiões [alemãs] de

Hallertau, Tettnang, Elbe-Saale,

Spalt e Hersbruck. Desta região,

saem os mais conceituados lúpulos

cuja qualidade e renome mais conhecidos

mundialmente", informa

Alexander Robert Schwarz, mestre

cervejeiro e coordenador comercial

de malte da Agrária.

Outras variedades existentes e

suas respectivas características estão

na tabela abaixo.

O lúpulo na indústria

Apesar de extremamente importante

na composição da cerveja, é

difícil quantificar quantos por cento

do custo da bebida está relacionado

ao lúpulo. "O lúpulo sem dúvida é

o insumo mais caro, porém sua dosagem

é pequena em relação aos

outros", informa Alexander Robert

Schwarz, da Agrária.

Segundo Julio Landmann, da

Excelente aroma, valores medianos de amargor

Excelente aroma, valores medianos de amargor

Excelente aroma, valores medianos de amargor

Altas concentrações de amargor, medianos valores aromáticos

Medianos até altos valores de amargor, excelente aroma

Excelente aroma, valores medianos de amargor

Até altos valores de amargor, excelente aroma

Medianos até altos valores de amargor, excelente aroma

Medianos até altos valores de amargor, excelente aroma

Medianos até altos valores de amargor, excelente aroma

Altas concentrações de amargor, medianos valores aromáticos

Altas concentrações de amargor, medianos valores aromáticos

Altas concentrações de amargor, medianos valores aromáticos

Altas concentrações de amargor, baixas concentrações de aroma

Alta concentrações de amargor, baixas concentrações de aroma

33


Ingrediente

Wallerstein, essa relação (lúpulocusto

da cerveja) depende também

da variedade de lúpulo, produto e

quanto é utilizado. "As cervejarias

normalmente gastam mais dinheiro

na etiqueta da garrafa que no lúpulo",

diz. Landmman complementa que

o custo dos lúpulos é um elemento

muito baixo comparado aos demais

custos para se produzir uma cerveja,

"mas tem uma influência enorme na

qualidade desta", defende.

Independentemente da dosagem

de lúpulo na cerveja, este insumo

pode chegar à cervejaria em diversos

formatos. Segundo Álvaro Dertinate,

no passado este ingrediente

chegava à fábrica em flores, formato

que hoje em dia é pouco usado.

"Poucas são as cervejarias que ainda

utilizam o lúpulo nesta configuração,

no Brasil, por exemplo, não

34

há registros de uma fábrica que utiliza

esta configuração", afirma Alexander.

Atualmente, a grande maioria

das cervejarias usa o lúpulo peletizado,

em extrato ou isomerizado. "A

grande vantagem [dos formatos utilizados

hoje em dia] é a economia de

espaço, padronização do conteúdo

de alfa-ácidos e a maior precisão na

dosagem de utilização", completa.

Um lúpulo peletizado já facilitou

demasiadamente a dosagem na produção,

haja visto que as vantagens

apresentadas por Álvaro anteriormente

ajudam na obtenção de uma

cerveja mais constante em termos

de sabor. Com o advento do lúpulo

em extrato também aumentaram

muito essas vantagens.

Durante o processamento, a

vantagem do lúpulo peletizado está

na melhor formação da borra durante

a coagulação que ocorre após o

final da fervura do mosto. Já o lúpulo

isomerizado é aquele utilizado

em certos tipos de cervejas que recebem

incidência direta do sol,

aquelas apresentadas em garrafas

transparentes ou verdes sem proteção.

"Este tipo de cerveja tende a

desenvolver um aroma muito estranho

quando produzida com lúpulo

regular e fica exposta ao sol ou iluminação

artificial", comenta.

No caso dos extratos de lúpulo,

as vantagens são que se apresentam

em forma viscosa e concentrada. Isso

confere maior rendimento, maior

concentração ocupando menos espaço

na câmara fria; a dosagem é simples

e, por isso, pode ser facilmente

automatizada, além de não gerarem

bagaço e, portanto, não geram resíduos

sólidos que necessitam ser

destinados e possui validade muito

maior que os outros produtos.

De um modo geral, segundo Julio

Landmann, cada lúpulo tem suas

peculiaridades e, por isso, é papel

do fornecedor oferecer os diferentes

tipos para cada necessidade.

Oferecendo

diversidades

Apesar de afirmarem que, hoje

em dia, não há mais dificuldades no

abastecimento do mercado nacional

com lúpulos das mais variadas espécies,

profissionais do ramo atentam

para a relação oferta-demanda.

Os grandes fornecedores de lúpulo

para o Brasil são a Europa e América

do Norte. "Como existe uma

pequena faixa onde a produção é

viável (entre o paralelo 35º e o paralelo

55º), o mundo fica muito suscetível

a oscilações grandes de preços

e falta de produto", analisa o

também mestre cervejeiro Alexander

Schwarz, da Agrária.

Engarrafador

Moderno


Todavia, segundo Julio Landmann,

através do aprimoramento dos

lúpulos, o aperfeiçoamento das variedades

é desenvolvido individualmente

para cada região de cultivo.

Por exemplo, hoje na Alemanha

existem variedades Super High Alfa

que são comparáveis com as varie-

Julho/09

dades dos Estados Unidos e algumas

variedades dos Estados Unidos

são comparáveis com as tradicionais

variedades aromáticas européias.

O principal produtor de lúpulo

ainda é a Alemanha, acompanhada

de perto dos Estados Unidos, República

Tcheca, e China, que tem buscado

incessantemente notoriedade

neste mercado. Segundo Alexander,

nos últimos anos, o crescimento de

novas áreas não vem acompanhando

a demanda, principalmente em

relação aos custos de produção e

pela substituição destas culturas por

outras para a produção, por exemplo,

de biodiesel e bioethanol. "O

Brasil foi sempre muito bem suprido

com lúpulo e, além disso, existem

contratos de longo prazo e fornecedores

com muitos anos de experiência",

comenta.

Outro contratempo, comentado

por Álvaro Dertinate, é que muitas

vezes não se consegue comprar determinado

lúpulo de hoje para amanhã.

"Com planejamento, certamente,

é possível comprar todos os tipos de

lúpulo disponíveis nos mercados europeu

e americano", complementa.

Contudo, nos últimos anos, o

mercado global tem apresentado um

gráfico em forma de serrote que

representa a produção de alfa-ácido

e isso tem feito com que os preços

para compras imediatas variem de

forma firme, influenciados, principalmente,

pela diferente oferta X

procura.

Em resumo, a qualidade do lúpulo

é determinada pela região de

consumo, condições climáticas favoráveis

para qualquer etapa de crescimento

da planta e cuidados na colheita,

mas principalmente na secagem

e armazenagem do lúpulo. "O

lúpulo é considerado uma das culturas

mais caras de serem mantidas.

O sistema de condução, os tratamentos

contra pragas e doenças,

o maquinário para colheita e beneficiamento

são bastante onerosos",

comenta Alexander, da Agrária.

Uma curiosidade é que o crescimento

desta planta ocorre muito

rapidamente; em 70 dias, a planta

cresce 8 metros. "Isto por outro lado

aumenta muito os riscos, pois o

clima adverso durante as fases de

crescimento pode arruinar a safra

de toda uma região", diz.

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