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Medida Provisória

ÍPRESSO

privatiza serviços públicos

Despe/o no Ferrwila -As últimas famílias que ocupavam terrenos na Ferrovila, em Curitiba,

foram despejadas dia 4. A operação envolveu mais de 100 policiais. Página 5

A FILHA DO CARRASCO

Patrícia Pilar está no Cine Luz, em O monge e

afilha do carrasco, de WalterLimaJr. Confira

a programação dos cinemas e as principais

atrações culturais de Curitiba, Página 7.

Requião

desdenha 2-

cassação

O senador Roberto Re-

quião teve novamente

seu mandato cassado

(a primeira vez foi em 1993,

quando era governador). Rea-

gindo com ironia, Requião

atacou o TRE e, esta semana,

voltou novamente às man-

chetes ao conseguir aprovar, na

Comissão de Assuntos Eco-

nômicos do Senado, uma in-

vestigação sobre o empréstimo

do governo paranaense junto

ao Banco Mundial para o

programa Paraná 12 meses.

Página 3

CUT exige redução

da jornada de

trabalho

O desemprego pode ser

combatido através da

redução da jornada de

trabalho de 44 para 40 horas.

Essa é a proposta da CUT-

Central Única dos Trabalha-

dores, que lançou uma cam-

panha nacional nesse sentido. A

globalização da economia

trouxe como resultado um total

de um bilhão de trabalhadores

sem emprego em todo o mundo.

No Brasil, este número chega a

10 milhões. Segundo a CUT, a

redução da jornada de trabalho

já vem sendo posta em prática

em vários países e é a única saída

para um mercado de trabalho

que diminui progressivamente. A

Pesquisa de Emprego e Desem-

prego referente a outubro apre-

senta um pequeno aumento do

número dos trabalhadores em-

pregados em Curitiba e Região

Metropolitana (provocada pelo

aquecimento do comércio no

final de ano), mas também um

número menor de registrados

em carteira.

O governo federal

pretende fazer

vigorar, ainda este

ano, a Medida Provisória

que permite à iniciativa

privada administrar órgãos e

serviços públicos. O Pro-

grama Nacional de

Publicização cria as cha-

madas organizações sociais,

oficialmente sem fins lu-

crativos, que assumirão

atividades de ensino, pes-

quisa científica e tecno-

lógica, preservação do

meio ambiente, cultura e

saúde, com equipamentos e

recursos orçamentários pú-

blicos que lhes serão repas-

sados pelo governo. A MP

provocou a reação contrária

de entidades sindicais e

populares e da CUT-Central

Única dos Trabalhadores,

que consideram o projeto

do governo como uma

"privatização branca" e já

programaram diversas

manifestações de protesto.

No dia 11, haverá um ato em

Brasília e uma tentativa de

audiência com o ministro da

Administração, Bresser

Pereira. Página 5

Órgãos do governo

dizem ignorar

termoelétrica

O convênio firmado entre

a Copei, a Inepar e

duas empresas chilenas

visando a construção de uma

usina termoelétrica a carvão em

Pontal do Sul foi publicado no

Diário Oficial do Estado em 30

de outubro. Mas a Copei e a

Inepar, assim como o IAP-

Instituto Ambiental do Paraná, a

Secretaria estadual do Meio

Ambiente e o Centro de Estudos

do Mar em Pontal do Sul, dizem

ignorar quase completamente o

assunto. O governo ainda não

respondeu a um pedido de

informação do deputado Péricles

Mello (PT) a respeito da usina

que, segundo ambientalistas,

pode acarretar graves danos

ecológicos. O colunista Antônio

Maria afirma que a usina já está

destinada ao empresário Mário

Celso Petraglia, da Inepar, um

dos principais financiadores da

campanha do governador Jaime

Lemer.

Páginas3 e6

Paraná terá campeonato

simplificado

Diferentemente do que

aconteceu em 96, o

Campeonato

Paranaense do próximo ano será

bem simples, com apenas duas

fases. Mas ainda há dúvidas

Página 4 sobre a participação de alguns

times, endividados junto à Fe-

deração. E o Atlético Para-

naense, que ficou entre os oito

melhores times do Campeonato

Brasileiro, faz um balanço

positivo de sua campanha.

Página 8


Página 2 - 7 a 20 de dezembro/96

O governo Jaime Lemer

foi obrigado a engolir,

no último dia 4, uma

jlerrota a que não está

acostumado: a Justiça

juspendeu o leilão de

privatização da Ferroeste,

jnarcadoparaatardedo

feiesmo dia, concedendo liminar

èm ação popular da bancada

de cinco deputados estaduais

Áo PT. O que deve ter

chateado ainda mais o governo

■foi que os petistas adotaram

[üma tática cara aos

estrategistas do Palácio Iguaçu:

agiram em silêncio, não deram

ftenhuma publicidade à ação,

Surpreendendo inteiramente o

governo. Tanto é assim que, na

Sessão da Assembléia, os

deputados govemistas

preferiram não tocar no

assunto, concentrando sua

indignação contra a

investigação que o Senado fará

sobre o empréstimo negociado

por Lerner junto ao Banco

Mundial.

O governo, evidentemente,

tem força política para cassar a

liminar e fazer o leilão, talvez

até este ano, embora a ação do

PT continue tramitando. Mas,

mesmo nessa eventualidade,

será difícil a Lemer absorver o

golpe e, principalmente,

justifícar esse estranho leilão.

A ação do PT baseia-se em

argumentos jurídicos e

econômicos. Os últimos são os

mais importantes, pois

questionam o fato de o governo

ter fixado um preço de 25

milhões de dólares para uma

obra na qual foram investidos

mais de 300 milhões de

dinheiro público. É também

Olpíníào

De mão beijada

difícil de explicar que o edital

do leilão não imponha qualquer

condição aos eventuais

compradores da Ferroeste.

O deputado César Silvestre,

do PSDB, chegou a afirmar

que o governo faria melhor se

cedesse a Ferroeste de graça,

desde que o grupo comprador

da ferrovia fosse obrigado a

construir os trechos Cascavel-

Foz do Iguaçu e Cascavel-

Guaíra, que Lemer alega não

ter recursos para fazer.

A privatização de estatais é

uma discussão da qual não se

pode fugir no Brasil de hoje.

Uns são contra, outros são a

favor. Mas o indefensável é a

entrega à iniciativa privada, a

preços simbólicos, de

empresas construídas com o

suor e o dinheiro de cada um

de nós.

As organizações sociais são o

caminho para a privatização

dos serviços públicos

Rogério Santos da Costa*

Salta aos olhos o auto-

ritarismo social do go-

verno federal, que tenta

delimitar o espaço público

brasileiro através de Medida

Provisória. Ao invés do go-

verno convocar a sociedade ao

debate acerca da coisa pública,

èle tenta definir arrogantemente

ò que a sociedade deve ter

como espaço público. Na ver-

dade, o Brasil precisa passar

por um amplo processo de

^iesprivatização do espaço

público.

As Organizações Sociais

(OS) serão "entidades jurídicas

de direito privado, sem fins lu-

crativos, às quais será atribuída

á prestação de serviços so-

ciais". É mais um ralo que se

abre para escoar dinheiro do

contribuinte.

Uma escola particular pode

requerer sua inclusão como

"OS" e receber recursos públi-

cos, bastando comprovar finali-

dade não lucrativa, alegando

que pode existir apenas "exce-

dente financeiro" ao invés de

lucro. Basta aos donos da

escola criarem uma empresa

administradora e contratá-la,

repassando a ela (ou aos pró-

prios bolsos) os "excedentes

financeiros" da instituição, na

forma de honorários.

Os donos da OS não terão

prejuízos, pois em caso de

extinção da entidade, deverão

devolver o patrimônio e os

excedentes financeiros à União

ou entregar a outra OS. As

conseqüências são previsíveis.

Depois de utilizar o patrimônio

público até o seu sucatamento,

a OS liquida com possíveis

excedentes financeiros e depois

entrega o lixo depreciado à

União, que sempre arca com o

ônus das partes ruins dos des-

mandos privados, como acon-

teceu na quebra dos bancos

Nacional e Econômico.

A versão do texto da MP que

temos em mãos (ainda não

editada) prevê a participação

de representantes do poder

público e de membros da co-

munidade, de notória capa-

cidade profissional e idonei-

dade moral, no órgão colegiado

de deliberação superior. Difícil

é saber sob que critérios serão

avaliadas a capacidade pro-

fissional e a idoneidade dessas

pessoas. Se pessoas como os

"anões do Congresso", com

suas fundações sociais sem fins

lucrativos, não terão outro meio

de obter recursos públicos.

No órgão colegiado haverá

"entidades representativas da

sociedade civil". Quais serão

elas? A Fiesp, a CNI, ou o

governo pretende dar este título

ao movimento sindical- que ele

está tentando desmantelar? O

Movimento dos Sem Terra

também será reconhecido como

entidade representativa da

sociedade civil?

CONTRATOS DE GESTãO

As atribuições, responsa-

bilidades e obrigações do

poder público e das "OS" serão

firmados através de contratos

de gestão. Assim como tem

princípios- legalidade, impes-

soalidade, moralidade, publi-

cidade e economicidade-, o

contrato de gestão tem pre-

ceitos- especificação de metas

e prazos de execução, critérios

objetivos de avaliação de de-

sempenho, mediante indica-

dores de qualidade e pro-

dutividade.

Este é o caminho para a

privatização das instituições

públicas como as universidades

L

federais. Para tanto, basta ao

governo federal forçá-las a se

qualificarem como "OS". A

partir disto serão firmados con-

tratos de gestão estipulando

metas insuportáveis em relação

aos recursos e sob parâmetros

empresariais, cujos conceitos

de qualidade são diferentes.

Por exemplo: para um em-

presário, uma pesquisa cien-

tífica deve ser lucrativa no

comércio, quando o setor pú-

blico deve considerar como de

qualidade a pesquisa de inte-

resse social.

Se as metas não forem cum-

pridas, a "OS" terá redução de

aportes orçamentários e deverá

buscar recursos em outras

fontes. Ou ainda, para atingir

estas metas, também terá que

buscar recursos extra-orça-

mentários e ativar mecanismos

de diminuição de custos.

O processo estratégico neste

caso é, num primeiro momento,

terceirização dos serviços pú-

blicos sociais é, num segundo

momento, sua desvinculação a

recursos orçamentários. Por-

tanto, um flagrante processo de

privatização.

Na verdade, o governo federal

está botando em prática através

de decreto e de MP o seu

projeto de Reforma do Estado e

Reforma Administrativa, o que

não consegue fazer através do

Congresso e de um amplo debate

na sociedade.

•Rogério Santos da Costa é

economista da Subseção do

Oieese na APP-Sindicato

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y&tiffà

Governo coloca a Saúde e

a Educação em risco

E/isabete V. Matbeus

da Silva*

Mais uma vez o go-

verno de Fernando

Henrique Cardoso

demonstra a sua falta de com-

promisso com as questões so-

ciais. Dando continuidade ao seu

propósito de desmantelar os

serviços públicos, FHC está

propondo que entidades jurí-

dicas de direito privado, cha-

madas de Organizações Sociais,

assumam a prestação de ser-

viços nas áreas de ensino,

pesquisa científica e tecnológica,

preservação do meio ambiente,

cultura e saúde. E, o que é pior,

pretende fazer isto através de

Medida Provisória, ou seja, com

apenas uma canetada o governo

acaba com direitos assegurados

na Constituição Brasileira,

direitos esses conseguidos a

duras penas.

O SUS é um bom exemplo de

luta da sociedade organizada

para se garantir na Constituição

que "Saúde é um direito de todos

e um dever de Estado". Várias

manifestações e mobilizações de

profissionais de Saúde, movi-

mentos populares e alguns ges-

tores comprometidos com a

proposta da Reforma Sanitária

aconteceram para fazer constar

na legislação a garantia desse

direito.

Não tenho dúvidas de que tal

propósito significa, para a ques-

tão da saúde, área onde eu atuo,

o fim do Sistema Único de

Saúde, literalmente. Os princípios

do Sistema, como universa-

lização, integralidade, equidade e

gratuidade, certamente deixarão

de existir.

Sabemos que o SUS na maio-

ria das cidades ainda não se

consolidou de fato, e por isso o

sistema de saúde ainda tem

muitos problemas. Entretanto,

podemos afirmar que onde os

gestores são comprometidos, o

SUS está sendo implantando na

prática e a população está sendo

atendida de forma satisfatória.

Isso é uma demonstração de que

não há necessidade de se mudar

a proposta de sistema de saúde,

mas sim de se ter compromisso

político e implantá-la de fato.

O governo tem que explicar

qual a justificativa para a implan-

tação das organizações sociais,

ao invés do fortalecimento do

SUS. Não aceitamos o discurso

de que os Serviços Públicos não

são ágeis, que o processo de

licitação é muito moroso e que

para melhorar é preciso

transformá-los em Fundações ou

Organizações Sociais. Temos um

exemplo bem concreto de que

quando se tem vontade política

o Serviço Público é gerenciado

de forma democrática e eficiente.

Estou referindo-me ao município

de Betim/MG, que transformou

o Fundo Municipal de Saúde em

um órgão com autonomia para

gerenciamento de todo o sistema

de saúde, inclusive fica sob a

responsabilidade do Fundo todo

o processo licitatório. E o mais

importante: não se precisou de

abrir mão de nenhum princípio

do Sistema de Saúde que defen-

demos. O controle social é

exercido de forma efetiva, com

a ampla participação da socie-

dade civil organizada, profis-

sionais de saúde e gestores.

Infelizmente, o SUS que está

dando certo não é divulgado. Ao

contrário, o govemo federal tem

tentado, através da mídia, desca-

racterizar o SUS mostrando que

o serviço público é ineficiente e

incompetente, e por isso tem que

se transferir para a iniciativa

privada para que os serviços

funcionem Em nenhum momento

se refere à falta de financiamento

do setor, à falta de recursos

humanos, capacitação e valori-

zação dos mesmos, além da falta

de equipamentos, em função do

descompomisso de FHC com a

saúde da população. Exemplo

disso é o orçamento aprovado

pelo Conselho Nacional para a

Saúde em 1996, que foi de R$'

20 bilhões. O govemo o reduziu'

para R$ 14 bilhões e está execu-

tando apenas R$ 12 bilhões.

PàYíí'! 997; 'ãS perspectivas' $S&

ainda piores, principalmente se a

Medida Provisória das Orga-

nizações Sociais for editada.

Na plenária de conselheiros

de saúde realizada no último dia

19/11 em Brasília, foi decidido a

realização de uma manifestação

no Congresso Nacional no pró-

ximo dia 11/12. No mesmo dia,

teremos uma audiência com os

ministros da Administração e da

Fazenda, autores do projeto,

para que possamos pressioná-los

contra essa MP que extingue o

SUS.

A Central Única dos Traba-

lhadores participará da coor-

denação das mobilizações em:

defesa da saúde pública e pre-

tende organizar para o próximo

ano várias manifestações em

conjunto com o "Movimento.

Reage Brasil". Ainda este ano.

acontecerá um ato em Fortaleza,.

no dia 17 de dezembro, para

alertar a população sobre os

riscos dessa Medida Provisória.

A hora é de nos mobilizarmos,

se quisermos defender o direito

de todos à saúde e à educação.

Se deixarmos para depois, po-

derá ser tarde demais. Entre nesta

luta!

•£/«ob«t« V. Matheus da Silva,

• secretór/o da Formação da

Confederoçõo Naciond dos

Trobo/fiodorei em Seguridodu'

Soc/a/ • diretora do SindSaúd*

FOLHA POPULAR é um jornal de propriedade do Centro de Formação

Irmã Araújo, Al. Dr. Murici, 542,9 o andar, sala 906, Centro, Curitiba,

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ítíca

RE QU IáO

7 a 20de dezembro/96 - Página 3

Senador enfrenta segunda cassação

Ex-governador reage

com ironia à decisão

doTRE

O senador Roberto Re-

quião (PMDB) é o úni-

co político paranaense

que teve dois mandatos cassa-

dos, mas continuou exercendo os

cargos para os quais foi eleito.

Em julho de 1993, o então

governador Requião foi cassado

pelo Tribunal Regional Eleitoral

do Paraná, condenado por frau-

de durante a campanha de 1990

quando ele usou o personagem

Ferreirinha- um suposto pisto-

leiro que acusava o adversário

José Carlos Martinez de ter

determinado o assassinato de

posseiros de terras no interior

paranaense. Mais tarde, a polícia

descobriu que se tratava, na

verdade, de um motorista de

ônibus que prestou um depoi-

mento forjado. Requião ficou

fora do poder alguns dias, apro-

veitando o fato de se encontrar

em viagem oficial ao Equador,

enquanto seus advogados pre-

paravam recurso ao Tribunal

Superior Eleitoral. O processo

até hoje não foi julgado em

Brasília.

Há duas semanas, o senador

foi novamente cassado pelo TRE,

desta vez por abuso do poder

econômico na eleição de 94. O

processo teve origem em denún-

cias do candidato derrotado,

pelo PSDB, Hélio Duque. Com

base em documentos fornecidos

pelo então governador Mário

Pereira (que era vice de Requião

e ficou no cargo quando o titular

saiu para concorrer ao Senado),

foi montado um processo, que

soma 12 volumes e lista várias

situações onde a máquina do

governo do Paraná foi usada a

favor de Requião.

Os episódios, entretanto, são

anteriores à campanha de 94.

Referem-se, por exemplo, à

briga envolvendo o então gover-

nador e o presidente nacional do

PMDB, Orestes Quércia, quan-

do Requião montou uma central

de denúncias no Palácio Iguaçu,

em Curitiba. Na época ele teria

usado dinheiro do Banestado

O jantar de confraternização

dos vereadores aconteceu na

última terça-feira, 3 de

dezembro, na casa do único

vereador que não concorreu á

reeleição, Júlio Ando, do PDT.

Antes do jantar, porém, numa

pequena reunião, os vereadores

Jairo Marcelmo, Jotapê e Jair

César, todos do PDT, tramaram

um plano contra a eleição de seu

correligionário João Cláudio

Derosso à presidência da Câ-

mara. O atual presidente, íris

Simões, do PSDB, também

estava presente. As conclusões

a que chegaram não vazaram.

Dos candidatos a assumirem

vagas no secretariado do novo

prefeito, entre os vereadores

para enviar milhares de corres-

pondências atacando Quércia e

manifestando sua intenção de ser

o candidato do partido à Presi-

dência da República. O processo

tramita em segredo de Justiça

mas o autor, Hélio Duque, distri-

buiu à imprensa e aos senadores

um resumo das acusações.

Segundo o advogado Carlos

Frederico Marés de Souza, um

dos responsáveis pela defesa de

Requião, o processo é repleto de

incorreções técnicas. "Não há

tipificação de crime eleitoral na

campanha de 94 porque trata de

coisas acontecidas muito antes,

algumas de 91. A acusação

pegou vários atos acontecidos

durante todo o governo e foi

tentando dar caráter eleitoral. O

Procurador da República, Alci-

des Munhoz, que atuou no caso,

deu parecer contrário à cassa-

ção", informou o advogado.

Apesar disso, o TRE decidiu

anular os 2,3 milhões de votos

alcançados por Requião na

eleição do Senado, o que im-

plicou a cassação também de

seus suplentes, Nivaldo Krueger

e Léo de Almeida Neves. No

último sábado, dia 30, Requião

apresentou recurso ao Tribunal

Superor Eleitoral, que deve

julgar o caso durante o ano de

97, na melhor hipótese. Até Q

julgamento final, que pode acon-

tecer apenas no Supremo Tribu-

nal Federal, o senador continua

no exercício do mandato.

No recurso, a defesa pede a

anulação do processo, por enten-

Lerner, em Brasília, tenta

salvar empréstimo

der que não houve crime eleitoral,

e pede ainda a nulidade da sessão

do TRE que decidiu pela cas-

sação. No julgamento, dois juizes

não estavam presentes e outro se

declarou impedido, o que des-

respeita a composição legal do

Tribunal.

"Além disso, consideramos

que o TRE do Paraná extrapolou

suas atribuições ao julgar um

mandato federal, como é o de

senador. Este processo deveria

ter corrido em Brasília", acres-

centou o advogado Cláudio

Fruet, encarregado de acom-

panhar o caso no Tribunal Supe-

rior Eleitoral

O senador Roberto Requião

reagiu com ironia- como é pró-

prio de seu estilo- à decisão dos

juizes paranaenses, com quem ele

teve grandes quedas de braço

durante o governo por contestar

aumentos de salários de magis-

trados e outras decisões da

Justiça.

"A indignação me dá forças.

O TRE lançou minha candidatura

ao governo do estado em 98,"

repetiu Requião durante um ato

de apoio realizado na Assembléia

Legislativa na semana passada.

Nos últimos dias, Requião voltou

às manchetes, ao conseguir

aprovar, na Comissão de Assun-

tos Econômicos do. Senado, da

qual é relator, um pedido para

que o governo paranaense expli-

que o empréstimno solicitado ao

Banco Mundial (Bird) para o

programa Paraná 12 Meses (ver

nota nesta página).

O governador Jaime Lener está tentando se explicar com a

Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que aprovou na

terça, 4, por unanimidade, o requerimento do senador Roberto

Requião pedindo investigação sobre a maneira como o governo

paranaense pretende emprestar dinheiro do Banco Mundial (Bird)

pára o programa Paraná 12 Meses. Lerner e o secretário da

Casa Civil, Giovani Gionédis foram aBrasüia na quinta, 5, para

levar respostas àsdúvidas colocadas no requerimento.

Entre as dúvidas estão o teor do^ contatos firmados com as

duas montadoras, Renault e Chrysler. Giovani Gionédis disse que

estão sendo explicadas as informações básicas sobre a instalação

das montadoras, mas o contrato em si vai continuar em sigilo de

estado. O governo se defende dizendo que a tática do segredo

também é usada por outros estados para evitar a concorrência.

dotícías da

^.

atuais, a maioria dos nomes é

daqueles que não conseguiram

reeleger-se. O único que não

mostrou interesse ou entusiasmo

com as especulações é o

vereador Marcelo Almeida, do

PTB, que parece ter outros

planos. Entre eles, o de escrever

um livro.

• •••

O pedido de informação dos

vereadores Natálio Stica e Tadeu

Veneri, ambos do PT, tem íun-

damento: por que cargas d'água

a Prefeitura de Curitiba patrocina

uma peça teatral (O burguês

ridículo, com o ator Marco

Nanini), com apresentações de

quinta a domingo no Teatro Casa

Grande do Rio de Janeiro? Os

vereadores mostram surpresa

MMaftf*^__a^^^^^^^MflMflflaMaaMM

pelo fato de iniciativas culturais

locais receberem tão poucos

recursos e ainda terem que dividi-

los com outras praças.

••••

O vereador Antônio Borges

dos Reis, PSDB, quer instituir,

através de projeto de lei, o "Dia

da Lembrança dos Heróis e

Mártires da Segunda Guerra

Mundial", a ser comemorado em

Curitiba, anualmente, no dia 8 de

maio. Em sua justificativa, o

vereador afirma que "os heróis

merecem destaque especial na

história do Brasil e os sacrificados

devem ser lembrados para que

atos indignos e lamentáveis

ocorridos durante aquele perío-

do não voltem a ocorrer".

J.F.S.

Requião, driblando duas cassações e voltando às manchetes

OPINIãO

Usina termoelétrica é

do "PC" Petraglia

Antônio Maria

O Estado do Paraná vai

passar para a história

com o período antes e

depois do Governo Jaime Ler-

ner. Coitado do Paraná e dos

paranaenses depois que Lerner

deixar o Palácio Iguaçu. O que

vai sobrar do nosso estado?

Pelo andar da carruagem, nada

de aproveitável. A última do

governador é a instalação de

uma usina termoelétrica a

carvão em Pontal do Sul. A

Copei anunciou a instalação

como um grande negócio, capi-

taneado por três empresas

chilenas, mas que na verdade

de chilenas estas três empresas

só tem a fachada, já que o que

se sabe é que a Inepar, do

empresário Mário Celso "PC"

Petraglia, é que vai ser a

responsável pela instalação da

usina.

Petraglia, na verdade, é que

é o governador do estado. É ele

FH ADMITE CRIAçãO DO

MINISTéRIO DA DEFESA

Ao anunciar a nova Política de

Defesa Nacional do país, o

presidente Fernando Henrique

Cardoso admitiu que o governo

poderá criar o Ministério da

Defesa- reunindo as pastas do

Exército, da Marinha, da Aero-

náutica e o Estado-Maior das

Forças Armadas (Emfa)- ainda

em seu mandato A idéia chegou

a ser citada pelo presidente em

sua primeira entrevista coletiva

após a posse Segundo ele, a

criação do Ministério da Defesa

combinaria com a nova Política

de Defesa Nacional, que prevê

maior proteção da Amazônia e

da fronteira Norte do país e

maior participação das Forças

Armadas no combate ao crime

quem determina os investi-

mentos e os projetos de go-

verno. Quem não se lembra que

no apagar das luzes do go-

verno Requião, no período de

transição, ele propôs construir

a Usina de Caxias sem custo

nenhum para o estado, mas em

compensação toda a energia

elétrica produzida seria vendida

a um preço baratinho, bara-

tinho. Requião e as empresas

que ganharam a concorrência

acabaram recorrendo á Justiça

e conseguiram impedir este

estelionato hidroelétrico.

"PC" Petraglia não se deu

por vencido. Pediu para Lerner

privatizar a Copei e conseguiu,

mas quando as ações iriam

entrar na bolsa de valores e a

sua Inepar se preparava para

arrematar todas e ter o con-

trole da luz de cada casa no

estado, a armação acabou não

dando certo e ele sofreu mais

um revés. O problema é que ele

é um verdadeiro canibal.

Qhispínhas

organizado, em especial o narco-

tráfico e o contrabando de armas.

O Brasil é o único país da

América Latina sem Ministério

da Defesa. (Agência Gfobo)

MALUF SAI FORTE DAS

URNAS E PENSA EM 98

De olho em 1998, quando

deverá disputar a eleição para a

Presidência, o prefeito Paulo

Maluf traçou uma estratégia para

tirar o máximo proveito da vitória

de seu pupilo, Celso Pitta. Para

não aparecer na mídia como

oportunista e não ofuscar o feito

de Pitta, resolveu de início não

dar novas entrevistas, para

permitir que Pitta ocupe espaço

maior na imprensa.

-Aos 66 anos, desejo completar

meu currículo ocupando a Pre-

pronto para devorar seus

inimigos ao menor sinal de

fraqueza. Ao negociar a cons-

trução de uma usina termoi

elétrica em Pontal do Sul,

Petraglia não está apenas,

querendo ser o dono de toda a.

energia elétrica consumida nq

litoral do estado, está querendo

o poder de ditar o quanto custa

cada killowatt. A população

deve ficar atenta, primeiro

porque energia elétrica é uni

direito do cidadão e um dever,

do estado e por isso não deve

ser controlada por empresa»

privadas. Segundo, porque,

usina termoelétrica a carvão,

solta no meio ambiente dióxida

de enxofre, que causa no nor

mem doenças respiratórias é

provoca a mortal chuva ácida'.

Será que o estado do Paraná',

que tem as usinas de Itaipu,

Segredo, Caxias e tantas

outras, precisa de uma usina

termoelétrica? Só na cabeça de:

Lerner e Petraglia. j

sidência. Trabalho muito pelo que

desejo. A eleição do Pitta não

aconteceu por acaso. Trabalhei

nesse projeto desde I o de janeira

de 93, quando assumi a Prefeitura..

Cada uma das duas mil obras que,

fiz estava dentro de uma estratégia,

de mostrar que São Paulo jamais

vai me esquecer como prefeito.

Revolucionei a cidade. Agora,

vamos fazer o mesmo com o Brasil-

revelou. (Agência Ghbo)

FILIAçõES

A empresária Tânia Galvão e

o ex-presidente da APP-Sin

dicato, Mário Sérgio, se filiam

neste final de semana ao Partido

dos Trabalhadores. A entrada

dos dois no PT vai contar com a

participação do peso pesado

Luís Inácio Lula da Silva.


Página 4 - 7 a 20 de dezembro/96

Deputados petístas

conseguem liminar

judicial que interrompe

o processo de

privatização da ferrovia

O leilão da Ferroeste (Es-

trada de Ferro Paraná

Oeste), que estava mar-

cado para o dia 4 de dezembro,

foi suspenso na manhã do mesmo

dia pelo juiz Sérgio Fernando

Moro, que concedeu liminar em

ação de inconstitucionalidade

promovida pela bancada de

deputados estaduais do PT. O

mérito da ação, que ainda será

julgado, questiona a falta de

justificativa da privatização da

Ferroeste, a monopolização do

trecho, a falta da recuperação

dos recursos utilizados pelo

governo para a construção e a

não divulgação dos critérios para

o estabelecimento dos preços.

Com a construção dos 248

quilômetros da Ferroeste entre as

cidades de Guarapuava e Cas-

Economia

FERROESTE

Ação do PT suspende o leilão

cavel, o governo gastou R$ 370

milhões. Mas estipulou como

preço mínimo para o leilão a

quantia de apenas R$ 25,661

milhões, ou seja, o valor inicial

do leilão estaria baseado em

7,8% do valor investido pelo

Estado na ferrovia.

A ação do PT se baseia em

dois pontos: a questão eco-

nômica, com o questionamento

de que o leilão prejudicaria o

estado, e o embasamento jurí-

dico, devido às irregularidades

no edital de convocação do

leilão. Para o líder da bancada

do PT na Assembléia Legislativa,

deputado Irineu Colombo, a

privatização favoreceria a inicia-

tiva privada, porque o patrimônio

ficará com a União, e o Estado

perderia 92% do investimento.

"Se ao menos a empresa que

comprasse a Ferroeste fizesse os

trechos entre Cascavel-Guaira e

Cascavel-Foz do Iguaçu, nós

saberíamos que a população da

região, os pequenos agricultores.

40 HORAS

Ferroeste: com o leilão suspenso, não há prazo para privatização

não teriam prejuízos. Mas nós

sabemos que isso não irá acon-

tecer", argumenta Colombo.

Segundo o deputado, o governo

vai querer cassar a liminar, mas não

vai consegui poique os argumentos

do Partido são bastante con-

sistentes. "Se o governo conseguir

cassar esta liminar, teremos a prova

do quão autoritário é este governo

e como ele faz tudo o que quer",

afirma Colombo.

Menor jornada, mais

em

ámO**C! t*WAitf I i I

Pelo menos é este o

entendimento da CUT,

que está lançando uma

campanha nacional

Muito se ouve falar em

"globalização". Na prá-

tica, o que se vê é uma

grande transformação sócio-

econômica e, como resultado, o

número de um bilhão de traba-

lhadores sem emprego, no mun-

do todo. A reestruturação indus-

trial reduziu a oferta de empregos

em mais de 40% em um empresa,

o que pode significar o corte de

75% dos funcionários.

Calcula-se que hoje, no Brasil,

existam 10 milhões de pessoas

desempregadas. E a pergunta é:

como resolver o problema do

desemprego. A resposta, segundo

a Central Única de Trabalhadores,

já vem sendo aplicada no mundo

inteiro, ou seja, a redução da

jornada de trabalho. A proposta

da CUT é diminuir a carga horária

semanal de 44 para 40 horas.

Uma forma de dividir demo-

craticamente o trabalho, aumen-

tando an3 milhões, de um só vez,

o número de empregados no país.

De acordo com dados publi-

cados pela ONU, calcula-se que

hoje há mais de um bilhão de

desempregados no mundo todo.

Na França, a oferta de trabalho

diminuiu em 15%, no período de

15 anos; na Alemanha, desde

1955, o volume anual de trabalho

caiu em 30% e, nos últimos seis

anos, reduziu-se em mais 10%. E

que se produz cada vez mais, com

cada vez menos trabalhadores.

No Brasil não é diferente. O

desenvolvimento tecnológico

levou o desemprego a um patamar

de 6%, o que ainda não é consi-

derado alarmante frente aos

países industrializados, onde a

faixa gira em tomo de 11,5%.

Para se ter uma idéia, em 1986

produzia-se 1,056 milhão de

veículos com 129 mil traba-

lhadores. Hoje, a produção é de

1,8 milhão, com 114 mil empre-

gados. E a previsão é que, no ano

2000, a produção atinja 2,5

milhões de unidades, ou seja, 40%

a mais, com apenas 80 mil traba-

lhadores. É por isso que a Fede-

ração Internacional de Meta-

lúrgicos prevê que, dentro de 30

anos, menos de 2% da atual força

de trabalho, no mundo inteiro,

"será suficiente para produzir

todos os bens necessários".

Isso sem falar da agricultura,

que também sofreu uma profunda

transformação nos últimos anos.

A safra agrícola de 94/95 no

Brasil foi recordista. A produção

foi de 81,2 milhões de toneladas

de grãos. Aumentou a produção

em 51%, no período de dez anos,

enquanto que a área plantada caiu,

no mesmo período, quase 10%.

Houve, portanto, uma dissociação

entre produção, área cultivável e

mão de obra, também no campo.

Tais índices ilustram o atual

mercado mundial, mas lidar com

ele é que é o novo desafio. Renígio

Todeschini, tesoureiro da CUT

nacional, defende que para

acabar com o desemprego no

Brasil é preciso reduzir a jornada

de trabalho. Todeschini acredita

que a globalização veio para ficar

e o Brasil tem que aprender a tirar

o que há de positivo nela. "Não

dá mais para tentar trabalho num

mercado que já não existe. A

relação hoje é outra. A poliva-

lência exigida do trabalhador e o

avanço tecnológico diminuem os

postos de trabalho", explica o

tesoureiro da CUT. A redução na

jornada implicaria a contratação

de mais funcionários para turnos

de trabalho. Para muitos, um dos

fatores positivos da globalização

é que o homem deverá trabalhar

menos e ter mais tempo livre.

neste final de século. Mas Todes-

chini afirma que só isso não será

suficiente para resolver o pro-

blema do desemprego no Brasil.

Ele lembra que, além de abrir o

país para o processo de des-

centralização do mercado, o

presidente Fernando Henrique

precisa promover uma política de

desenvolvimento, não-recessiva,

como vem acontecendo. Um fator

primordial, segundo ele, é a

Reforma Agrária O assentamento

de quatro milhões de famílias

devolveria ao campo uma mão de

obra que poderia estar pro-

duzindo. E Todeschini não pára

por aí para mostrar que está

faltando apenas "vontade política"

para resolver o problema de cerca

de 10 milhões de desempregados

no país. "O que o govemo deve

fazer é investir em setores inten-

sivos de mão de obra. Por exem-

plo, se o govemo investir na

saúde, educação e moradia, vai

estar atingindo esses setores. Na

área habitacional, além de resolver

o déficit habitacional de 10

milhões de moradia, ainda colo-

cará milhares de trabalhadores no

mercado".

A explicação para a dificuldade

em resolver os problemas sociais

do Brasil é simples, para o

representante da CUT. "Todas as

decisões que o presidente Fer-

nando Henrique toma passam

antes pelo Consenso de Wa-

shington. A subordinação aos

países do primeiro mundo faz com

que os nossos trabalhadores e,

conseqüentemente, o nosso povo

sejam prejudicados. Afinal, todos

esses produtos industrializados

que chegam ao Brasil representam

mão de obra para eles e retiram

os nossos trabalhadores do

mercado. Os países do primeiro

mundo estão preocupados é com

.eles e não conosco".

Ângela Ribeiro

O presidente da Ferroeste,

Osires Stenghel Guimarães, em

um comunicado à imprensa,

afirma que o processo de deses-

tatização da Ferroeste foi feito

"nos mesmos moldes de outros

programas de desenvolvimento

pelo govemo federal". No co-

municado, o governo afirma

cumprir a determinação judicial,

deixando a responsabilidade da

continuidade do processo de

privatização á sua assessoria

jurídica e à Procuradoria Geral

do Estado.

ONDE ESTá O DINHEIRO?

A presidente da CUT-Paraná,

Ana Maria da Cruz, diz que não

é favorável à onda de privatização

do govemo. "Será que a cons-

trução da Ferroeste era fun-

damental na época? Se era, por

que não é mais? Para que gastar

tanto dinheiro e depois de dois

anos vendê-la por muito menos?

Ao invés de investir em saúde,

educação, saneamento etc.r o

govemo constrói ferrovias e

depois vende por muito menos

do que gastou", questiona.

Segundo Ana Maria, dos R$

370 milhões que o govemo do

Estado investiu na Ferroeste, R$

28 milhões vieram do Fundo de

Previdência dos servidores públi-

cos estaduais. O lance mínimo do

leilão estava estipulado em R$

25,6 milhões, quase três milhões

a menos do que o governo deve

aos servidores. "Não podemos

EMPREGO

aceitar que usem o dinheiro dos

servidores desta maneira", recla-

ma a presidente da CUT.

Em um documento datado de

8 de abril de 1994, o então

governador do Estado, Roberto

Requião, notificou ao presidente

da Assembléia Legislativa,

Orlando Pressuti, a planilha

demonstrativa da alocação de

recursos provenientes da extin-

ção do Fundo de Previdência do

Estado, entre o dia 1° e 21 de

fevereiro daquele ano, que

totalizava em 28 milhões de reais.

O Fundo de Previdênda foi

criado e extinto no governo

Requião. Segundo aCUT, aregra

era descontar 10% do salário de

cada servidor e o Estado entraria

com outros 10% da folha de

pagamento. Ana Maria afirma

que o Estado atrasou e deixou

de pagar sua parte por diversas

vezes. Quando foi extinto, o

govemo se apropriou dos re-

cursos e os servidores nunca mais

viram o dinheiro.

Cai número de trabalhadores

com carteira assinada

-Oi-

Diminução do

desemprego em

outubro é temporária,

devido à proximidade

do final do ano

Caiu o número de desem-

pregados em Curitiba e

Região Metropolitana,

segundo a Pesquisa de Emprego

e Desemprego do mês de outu-

bro, realizada pelo Ipardes. A

queda na taxa de desemprego já

era prevista por causa das festas

de final de ano, que aquecem o

mercado, principalmente o co-

mércio varejista. A redução,

segundo a estatística, é de 0,5%:

13,4% de desemprego, regis-

trado em setembro último, para

12,9% em outubro. Em Curitiba

a taxa de desemprego variou de

12% para 11,4%, enquanto que

na Região Metropolitana foi de

16% para 15,6%. No total, a

PED registra 82 mil desem-

pregados na capital e 13 2 mil na

grande RMC.

Mas, embora os índices

DIFICULTAR DEMISSõES

SEM JUSTA CAUSA

No momento em que o desem-

prego tomou-se um dos principais

problemas do país, o Governo

resolveu dificultar a demissão sem

justa causa. A empresa que demitir

sem motivo um trabalhador pagará

caro por isso, de acordo com

projeto de lei complementar,

preparado pelo Ministério'do

Trabalho para regulamentar o artigo

da Constituição que instituiu a

multa de 40% do FGTS. A

indenização prevista é de um

salário por ano trabalhado ou

fração, em valor equivalente ao

maior vencimento pago pela em-

presa no período do contrato. O

empregador também deverá pagar

revelem queda no desemprego,

o que se percebe é uma redução

no número de trabalhadores com

carteira assinada e aumento no

número de autônomos. O núme-

ro de profissionais registrados

diminuiu em 2 mil postos. Essa

redução aconteceu principal-

mente no setor creditício, ou seja,

nos bancos, além da adminis-

tração pública. A tendência é que

nesse último setor a redução de

funcionários continue, por causa

do programa de privatização do

governo e do sistema de de-

missão "voluntária", adotada

junto aos servidores públicos. O

número de postos de trabalho,

em geral, também sofreu redu-

ção, de 1%.

A categoria de autônomos

aumentou 4,4%, de um ano para

cá. Enquanto o índice de profis-

sionais com carteira assinada

sofreu redução de 0,6% , os

autônomos aumentaram em 1,6%

só no mês de outubro. Isso

significa que um número cada vez

maior de trabalhadores vai para

a chamada economia informal.

IMOTA$

multa de 40% do FGTS e mais um

percentual a ser fixado.

O secretário-executivo do

Ministério do Trabalho, Antônio

Augusto Anastasia, informou que

ainda será regulamentado o que é

demissão sem justa causa. A idéia

é estabelecer três parâmetros-

demissão coletiva, por questões

econômicas ou tecnológicas - e

atribuir percentuais diferenciados

para cada um.

ESPERADA INCLUSãO DE

ATÉ 32 MIL NO PDV

O ministro da Administração,

Bresser Pereira, ao lançar oficial-

mente o Programa de Demissões

Voluntárias (PDV), disse achar que

o Rio de Janeiro será o estado com

o maior número de adesões ao

Sem contar que grande parte dos

que estão trabalhando, nesse

período de final de ano, entraram

no sistema de contrato tempo-

rário de trabalho.

De acordo com a PED, o

rendimento dos chamados ocu-

pados (trabalhadores que estão

atuando, seja na economia infor-

mal ou não) aumentou em 1,4%

desde o mês de agosto. O que

também aconteceu com o rendi-

mento médio dos assalariados,

que tiveram um aumento de R$

5,00 (de R$ 635,00 em agosto

para R$ 640,00 em outubro). O

que não aconteceu com os

trabalhadores da área de serviço,

que tiveram um decréscimo em

seu salário de 2,5%. Os assa-

lariados vinculados ao comércio

e à indústria tiveram ganhos

salariais de 4,1 % e 1,6%.

Segundo a PED, diminuiu o

número de menores à procura de

emprego, em Curitiba e Região

Metropolitana. Isso teria con-

tribuído para reduzir a população

economicamente ativa, que pres-

siona o mercado de trabalho.

programa, que começou no dia 21

de novembro e vai até 18 de - •

dezembro. Dos 540 mil servidores

públicos federais, 320 mil poderão

participar dó PDV e, destes, cerca

de 80 mil estão no Rio. Bresser

espera uma adesão de 16 mil a 32

mil servidores ao programa - de 5%

a 10% do servidores aptos a

participar.

Quem se demitir terá difeito a

indenização de um salário por ano

pelos primeiros 14 anos de serviço,

um salário e meio por ano do 15

ao 24° ano de serviço e 1,8 salário

do 25° ano em diante. No cálculo

do tempo de serviço, no entanto,

deverão ser descontadas feitas não

justificadas e licenças sem remu-

neração. (Agência Ghbo)


Encarte Especial - 7 a 20 de dezembro/96

omun

COLOMBO

Associação de Mulheres desenvolve

projetos de geração de renda

A cooperativa está com

um ano e pouco de

funcionamento e os re-

sultados são altamente positivos,

tanto em relação ao crescimento

da consciência comunitária como

na geração de renda para as

famílias. Costura comunitária,

padaria comunitária, grupo de

doces e grupo de adolescentes

que trabalham com artesanato:

Estes são os quatro trabalhos

coletivos que mais se destacam

na atuação da Associação das

Mulheres, organizada pela Co-

munidade Zumbi dos Palmares,

no município de Colombo.

A Vila Zumbi dos Palmares,

localizada do lado direito da BR

116 na saída para São Paulo, é

uma área de ocupação iniciada

em 1991. Fugindo da falta de

empregos no interior e dos altos

aluguéis na capital, a população

foi se instalando no local, pro-

veniente do Norte do Paraná, da

região Metropolitana de Curitiba

e de outros estados do país.

Vivendo em situação precária em

conseqüência do subemprego ou

desemprego, são as mulheres

que mais sofrem com esta

realidade. Elas possuem, em

média, de 1 a 4 filhos pequenos

e sem creches para atendê-los.

Despreparadas profissional-

mente, não conseguem emprego

fixo. Por este motivo era urgente

desenvolver uma atividade que

possibilitasse a conscientização

sobre seus direitos e deveres

enquanto cidadãs, a reflexão

constante sobre a realidade e o

envolvimento num processo

verdadeiramente transformador.

Assim, no dia 03 de junho de

1995, um grupo de mulheres

fundou a Associação das Mu-

lheres. Uma entidade sem fins

lucrativos, formada por apro-

ximadamente de 60 mulheres e

20 adolescentes. Além de opor-

tunizar a participação e a reflexão

sobre a realidade da mulher, visa

ser um espaço que possibilita o

reforço no orçamento familiar

através de atividades de geração

de rendas.

Inicialmente as mulheres se

reuniam na sede da Associação

de Moradores, onde trocavam

experiências em tomo do feitio

de sabão caseiro, acolchoados,

tapetes, remédios e alimentação

alternativa. O interesse em se

organizar em cooperativa surgiu,

porém, logo que foi iniciada a

oficina de costura -com oito

costureiras desempregadas.

Quatro máquinas de costura

foram adquiridas através de

promoções e o local foi cedido

pela Prefeitura de Colombo, na

antiga escola da comunidade. A

cooperativa está com um ano e

pouco de funcionamento e os

resultados estão sendo positivos

devido ao crescimento da con-

sciência comunitária. Entre os

trabalhos coletivos podemos

destacar quatro grupos: 1) Cos-

tura comunitária; 2) Padaria

comunitária; 3) Grupo dos do-

ces; e, 4) Trabalhos de artesanato

com um grupo de adolescentes.

Entre os produtos estão

acolchoados, tapetes, roupas,

chinelos, pão caseiro diariamente,

artesanato etc. A venda é

realizada na própria Vila Zumbi

dos Palmares, uma parte do lucro

é dividido entre as mulheres e a

outra é destinada á compra de

material para a continuidade das

confecções.

Na Associação, são realizados

ainda os encontros da Pastoral

da Criança com suas atividades

de pesagem de crianças e

orientação sobre alimentação.

trabalho de formação com as

mães e gestantes, reuniões da

diretoria e assembléias. O

Projeto recebe apoio de vários

grupos e entidades como a

Pastoral da Criança, o Centro de

Formação Irmã Araújo, o Mo-

vimento Popular de Mulheres, a

Paróquia N.S. de Salette e a

Comunidade Vila Zumbi dos

Palmares, através das suas

lideranças comunitárias.

Segundo a estagiária de

Serviço Social, Lede Feria, o

projeto de geração de renda tem

se desenvolvido de uma maneira

especial: "Como uma força

política grande na vila, é um

exemplo a ser repassado para

outros grupos e comunidades

com realidade semelhante à do

Zumbi dos Palmares. "A

metodologia usada junto aos

grupos é muito importante para

chegar numa aprendizagem

técnica e num crescimento da

compreensão da sociedade em

que vivemos", diz Lede,

assessora da Associação na área

de formação.

Em seu trabalho. Lede usa

bonecos que se apresentam em

forma de teatro popular passando

uma mensagem, tanto para as

adolescentes como para o grupo

de mulheres. Os bonecos falam

uma linguagem popular, simples,

facilitando a compreensão dos

temas desenvolvidos. Também

chamam bastante a atenção do

público atingido, possibilitando a

comunicação com pessoas

analfabetas e incentivando a

criatividade e a arte na confecção

dos mesmos. Quem se interessar

em conhecer a experiência, é só

fazer uma visitinha. As mulheres

vão gostar, e você mais ainda!

Paula L. M. Broeders

Cebs avaliam e celebram

a caminhada de 1996

Com espírito alegre e

fraterno aconteceu,

no dia 30 de novem-

bro, na Paróquia São Lucas,

o último grande encontro do

Grupo de Reflexão e Ani-

mação da Arquidiocese

(GRA) neste ano. Quarenta

pessoas, representantes das

Comunidades Eclesiais de

Base (Cebs) da Arquidiocese

de Curitiba, estavam pre-

sentes.

Ho primeiro momento,

houve uma calorosa acolhida

aos participantes, seguida de

uma rica espiritualidade, a

partir do Salmo 137. Anima-

dos, tyfôsos representantes

refletiram sobre quais são os

critérios para a distribuição

das vagas de delegados(as)

do 9 o Intereclesial de Cebs,

que acontecerá em São Luís

(MA), de 15 a 19 de julho de

1997.

Após a decisão sobre os

critérios e a distribuição das

17 vagas destinadas à nossa

diocese, a equipe fez uma bela

e profunda avaliação da ca-

minhada do GRA no ano de

1996. Foi um momento forte,

que nos enriqueceu muito

pela participação e reflexão.

Avaliamos o que foi bom, o

crescimento, os temas estu-

dados, as coordenações dos

encontros, a espiritualidade,

a participação da comuni-

dades. E, recolhemos as su-

gestões para crescermos sem-

pre mais na nossa caminhada.

Encerrada a avaliação -e

satisfeitos com o crescimento

que as Cebs tiveram neste

ano- comemoramos com o

que é um grande dom das

comunidades: PARTILHA E

CONFRATERNIZAÇÃO. To-

dos trouxeram lembranças -

presentes para o amigo se-

creto- e um prato de doces ou

salgados para serem par-

tilhados. Como sempre, onde

se coloca em comum não

falta para ninguém, não po-

deria ser diferente neste dia.

Fizemos a experiência dos

primeiros cristãos e sentimos

que a partilha, o colocar em

comum, a solidariedade, nos

faz sentir o Reino de Deus

mais presente em nossas vidas

e na vida das comunidades.

Parabéns pela caminhada das

Cebs deste ano.

O próximo encontro do

GRA será no dia 22 de

fevereiro de 1997, às 9 horas,

nas Livrarias Paulinas -Rua

Voluntários da Pátria, 225.

Antônio Carlos Bez

Leia a Folha Popular

Associação de

Mulheres: Confecção

de roupas para a

geração de renda e

bonecos para facilitar

a formação e a

comunicação popular

Cebs e práxis de libertação

(aparte)

Alguns teólogos afirmam

que as Cebs surgiram

como resposta de Deus

aos sofrimentos e clamores de

seus filhos mais prediletos: os

pobres. Não vamos aqui entrar

numa discussão teológica sobre

o que representam as Cebs.

As Cebs constituem hoje um

fenômeno transcontinental e, de

maneira geral, podemos dizer que

a práxis de libertação efetivada

pdas Cebs se apresenta como uma

realidade complexa e "sui generis"

As Cebs, na sua dinâmica de ação,

conseguem integrar e articular as

várias facetas da subjetividade

humana. A pessoa encontra no

interior das Cebs um espaço

privilegiado para a exteriorização

do seu ser. Seja na dimensão

comunicacional, com a existência

do diálogo franco e aberto, onde

as pessoas têm espaço para

expressarem suas idéias,

sentimentos e experiências sem

medo de serem ridicularizadas por

causa de sua linguagem simples e

espontânea. Seja na dimensão

relacionai: Por vários fatores,

muito daquela simplicidade e

sinseridade originais da pessoa se

encontra presente nas demais

pessoas que participam das Cebs.

Isso toma possível um grau de

franqueza e de amizade entre as

pessoas, comparável somente a

alguns personagens bíblicos, como

por exemplo, aqueles anunciados

em Mateus no Sermão da

Montanha: Os simples, os pobres,

os humildes, os de coração puro

Esta realidade, da ocasião e

existência de um grau de

comprometimento e solidariedade

com o irmão, ultrapassa os limites

de uma ética de caráter meramente

obrigacional.

Haveria ainda outras dimen-

sões a serem destacadas, como

por exemplo, a comunitariedade,

a afetividade e a festividade.

Todavia, o que confere às Cebs

uma práxis de libertação, dife-

renciada da de outros atores

sociais, é sem dúvida nenhuma a

presença peculiar do elemento

religioso. A relação com o

transcendente nas Cebs se ex-

pressa de forma marcante na sua

fé encarnada e na sua religio-

sidade profundamente integra-

dora e mística.

Há que se evidenciar, no

entanto, que a exteriorização da

fé nas Cebs assume posições

realistas e proféticas. Diferen-

temente de outras práticas

eclesiais, nas Cebs procura-se

vivenciar uma fé que não se

limita a uma prática religiosa de

final de semana. Ora, o que se

constata em muitas igrejas,

inclusive na Igreja Católica, é a

existência de práticas religiosas

que congregam em si atitudes de

AGenda

10 ANOS DE CAMINHADA

A Paróquia São José das

Famílias estará celebrando, no

dia 21 de dezembro às 20 horas,

os seus 10 anos de caminhada.

Haverá homenagem aos pio-

neiros das comunidades, relato

da história do seu nascimento e

de como estão hoje. Participe!

Vamos celebrar a vida e a história

das comunidades.

RUMO AO NOVO

MILêNIO

Neste domingo, 8 de

I

caráter obrigacionistas e com-

portamentos de cunho emo-

cionalistas, presentes até mes-

mo em segmentos tidos como.

mais esclarecidos, como a classe

média e o clero. Desta forma a

práxis religiosa fica reduzida a

uma postura individualista e

alienante, onde o compromisso

cristão perverte-se em práticas

eminentemente paternalistas e

assistencialistas, que só fazem

afirmar o "status quo" e atrasar

a caminhada do povo rumo à

libertação.

A expressão da religiosidade

nas Cebs, ao contrário do que

vimos acima, assume contornos

totalmente outros. O compro-

misso de fé, assumido pela

comunidade, exige dela uma

práxis de libertação integral da

pessoa, onde a participação

político-partidária oferece

condições reais e concretas para

uma efetiva participação no

exercício do poder.

Everson Araújo Nauroski.

dezembro, as comunidades da

Paróquia São José Operário

celebrarão a abertura oficial do

Novo Milênio Cristão.

Será às 9 horas com a

apresentação dos vários serviços

mostrando o que cada um

programou para o ano de 97 e

como irão se desenvolver as

atividades. Logo após, haverá

um delicioso almoço e, à tarde,

um bingão. Venha participar!

Saíete Bez

Secretaria das Cebs.


Encarte Especial - 7 a 20 de dezembro/96

De volta da diocese de

Itabira, a partir da

experiência vivida

trouxe na cabeça e no coração

uma profunda convicção:

I o - A Comunidade Eclesial

de Base já existe, em qualquer

lugar, pela obra silenciosa do

Espírito Santo e de seus

animadores.

2 o - É necessário reconhecê-

las à luz da fé, pois a Ceb é

obra de Deus e a Ele pertence;

e, descobrir seus animadores.

3 o - O que deve ser feito é

valorizar a Comunidade do

jeito que ela é, com séds-valores

-obra do Espírito Santo- e

ajudá-la a se organizar, a tomar

omun

FAZENDO A HISTóRIA

O Caminho das Cebs em Curitiba

Capítulo 5 - As primeiras Cebs

consciência de que é Igreja

Povo de Deus e se desen-

volver.

4 o - Iniciar uma caminhada

de crescimento na fé e no

compromisso da construção do

Reino de Deus.

5 o - Saber que a Ceb é esse

povo humilde, a caminho, fa-

zendo a história, crescendo em

número, sabedoria e Graça.

ENTãO, O QUE FAZER?

O jeito é mesmo esquecer o

projeto de paróquia e ir ao

encontro do povo nas vilas. O

importante não é mais ter, como

centro, a Paróquia. O centro

são as vilas, que logo serão

chamadas pelo próprio povo de

Comunidade.

E, muitas são as vilas. A

primeira a ser visitada, com essa

nova mentalidade é a vila Cam-

pinas.

COMO DESCOBRIR OS

ANIMADORES DESTA VILA?

Andando pelas ruas, muito

aflito, um homem moreno,

baixinho, vem ao meu encontro,

me chama pelo nome e pergunta

se pode ajudar. Esse homem

era Clementino. Me convidou

a entrar em sua casa e ficamos

conversando longamente. Logo

percebi que Clementino co-

nhecia todo mundo da vila. E

Mulheres realizam

7- Encontro Feminista

Latino-americano

O 7" Encontro Feminista foi encerrado com uma passeata denunciando a violência

contra a mulher em toda a América Latina e no Caribe.

Cerca de 700 mulheres

estiveram reunidas, nos

dias 21 a 28 de novembro,

na cidade de Cartagena, interior

do Chile, no 7 o Encontro Feminista

Latino-americano e do Caribe.

Entre as participantes, estiveram

presentes as representantes do

Setorial de Mulheres da Central

de Movimentos Populares (CMP)

de quase todos os estados do

Brasil.

Na programação do encontro

estavam temas como Globalização

e Neoliberalismo; Feminismo e

Gênero; Imigrantes Latino-ame-

ricanas na Europa; Feminismo

Lésbico; e, Oficinas de Aprofun-

damento. Quase toda esta pro-

gramação, no entanto, foi deixada

de lado. Segundo Onélia Passaroti

Maciel, representante da CMP do

Paraná no encontro, as parti-

cipantes passaram a maior parte

do tempo discutindo a questão da

autonomia e do radicalismo do

movimento feminista.

"As defensoras da autonomia

entendem que o movimento deve

se manter independente em

relação aos partidos políticos,

organizações não-governamentais

(ONGs) e governos, enquanto que

as radicais defendem a

participação das feministas nas

entidades, partidos, movimentos e

governos tanto de direita como de

esquerda", explica Onélia. Ela

conta que as 250 representantes

do Brasil hão fecharam com

nenhum destes grupos e criaram

o próprio grupo, que passou a ser

chamado de "as outras". "De-

fendendo a participação nas

ONGs, movimentos, partidos e

governos de esquerda, nosso

grupo passou a agregar também

algumas mulheres da Argentina,

Chile, Uruguai, México e outros

países", relata.

O próximo encontro das

feministas da América Latina será

realizado daqui a três anos em

Porto Rico.

Conselho de Leigos terá duas escolas de formação em 97

o Conselho

Arquidiocesano

de Leigos de Curitiba

(CALC) pretende

realizar, em 97, duas "escolas": A

Escola de Formação Política para

Cristãos e a Escola de Formação

Permanente para Leigos. A

decisão foi motivada pelo sucesso

do curso de Fé e Política -realizado

neste ano com a presença assídua

de 25 participantes- e já está sendo

divulgada através de um fblder com

a programação dos dois cursos e

as respectivas fichas de inscrição.

A Escola de Formação Política

para Cristãos terá nove etapas, com

os seguintes temas: Origens da

vida política e regimes políticos;

Constituição Federal de 1988; Lei

Orgânica dos municípios; Noções

sobre orçamento; História dos

partidos políticos no Brasil; e, Como

fazer análise de conjuntura. Os

encontros serão realizados sempre

no 4 o sábado do mês, de março a

novembro, das 14 às 18 horas, no

Instituto Vicentino de Filosofia. O

custo da escola é de R$ 20,00 (vinte

reais) por participante e poderá,ser

pago em duas parcelas; a primeira.

no ato da inscrição, e a segunda no

mês de agosto.

Com início marcado para o dia

12 de abril, a Escola de Formação

Permanente para Leigos será um

espaço de discussão de temas da

atualidade sócio-econômica e

política, á luz dos valores

evangélicos e dos documentos da

Igreja. Assim, entre outros

assuntos, estarão em debate: O

protagonismo dos leigos; Análise

de conjuntura; O Brasil que nós

queremos; e. Fraternidade e

Educação (CF/98).

sabia muitas coisas da história.

No final, com muita inse-

gurança, pedi para ele reunir os

amigos em sua casa.para eu

bater um papo com eles.

MARCAMOS O DIA

EA HORA

No dia, muito ansioso para

ver o que ia acontecer, fui para

o encontro. Que surpresa! A

sala da casa estava lotada, com

36 adultos e muitas crianças.

Clementino, com muita alegria,

apresentou os amigos. Cada um

falou o nome, ... lemos uma

parábola do Evangelho e, com

surpresa, percebi que muitos

contavam as coisas da vida, as

alegrias e as necessida-

des.Naquela noite, anotei o

nome de vários homens e mu-

lheres, pessoas que se desta-

caram na conversa.

Essa foi a primeira aparição

das Comunidades em Curitiba.

Março de 1968: CEB CAM-

PINAS.

Feito com sucesso o primeiro

contato com a comunidade, saí

corajosamente nas outras vilas:

Guilhermina, Kwasinski, Jardim

Paraná, Vista Alegre, Xaxim, São

Pedro, Urano, Rex, Jardim

Paranaense e Jardim Europa.

Com o coração transbordando

de alegria descobri que, de fato,

as comunidades já existem a

partir da presença maravilhosa de

animadores e animadoras -

formados pela escola da vida e

pelo Espírito Santo. É necessário

acreditar, descobri-las, valorizá-

las. A partir daquele momento,

em vez de convidar o povo para

vir na Paróquia, eu comecei a ir

onde estava o povo e, com elè,

começar um novo jeito da Igreja

ser.

O JEITO DO POVO: Lutas,

esperanças, alegrias, fé, rezas;

desafios, necessidade^,

conquistas, celebrações, festas,

passeios...

No próximo capitulo: A

bênção do bispo.

Pe. Migudângelo Ramero

Crianças fazem reforço

escolar na Comunidade

St § Edwirges

Guilhermina e Valda comemoram um ano de trabalho junto às crianças

da Comunidade St" Edwirges

Durante este ano, todos

os sábados, das 10 às

12 horas, cerca de 20

crianças se encontraram na casa

da Comunidade Santa Edwirges

para atividades de alfabetização

e reforço escolar. As crianças,

que apresentavam grandes difi-

culdades de coordenação moto-

ra, leitura e escrita, agora já

conseguem acompanhar suas

turmas na escola.

Tudo começou quando Gui-

lhermina Aparecida de Oliveira

Tambani e Valda Spagnollo

observaram os problemas enfren-

tados, na catequese, por muitas

das crianças moradoras da

"ocupação" Ulysses Guimarães,

que tem 400 famílias. "Mesmo

freqüentando a 2 a ou 3 a série do

primeiro grau, eles não tinham

noção de cores nem de espaço",

conta Guilhermina mostrando

uma folha com vários desenhos

de pessoas e animais, todos

pintados inteiramente de preto

por uma criança no início do ano.

Funcionária de uma clínica de

psicanálise há sete anos, Gui-

lhermina aval ia que a violência,

"comum no ambiente em que

essas crianças vivem", interfere

bastante no aprendizado.

Ela explica que as atividades

desenvolvidas com as crianças

consideradas limítrofes pelos

médicos, tem a finalidade de

resgatar a cidadania: "Traba-

lhamos com leitura e escrita

também, mas nosso objetivo

principal é ensinar a pensar,

despertando neles a necessidade

da ajuda de uns aos outros,

combatendo o individualismo

que a sociedade ensina".

Segundo Guilhermina, no início

do ano, as crianças sentavam em

tijolos cobertos com folhas de

jornal e escreviam nos bancos de

madeira do salão da Comu-

nidade. "De uns dois meses para

cá, os encontros passaram a ser

realizados nesta sala, construída

pela Comunidade. O pessoal doa

cadernos e lápiz e a paróquia está

cedendo as carteiras, que serão

trazidas para cá no início do ano

que vem", diz Guilhermina. A

Comunidade St 8 Edwirges tem

apenas três anos. É a mais nova

das 15 comunidades da Paróquia

São Pedro, localizada no bairro

do Xaxim.

Para Valda, companheira de

Guilhermina no acompanhamento

das crianças, o trabalho não é

difícil. "Só depende da boa

vontade da gente. Eles têm sede

de aprender. Pode estar o maior

frio, a maior chuva e estão todos

aqui antes até da hora marcada",

diz ela, ressalvando que os

maiores ás vezes faltam porque

os pais os colocam para tra-

balhar.

Essa boa vontade, que Valda

espera encontrar em mais pes-

soas das comunidades no ano

que vem, será fundamental para

a realização de atividades dife-

renciadas com crianças menores

e maiores. "Neste ano, não

conseguimos obter um renv

dimento maior porque as criançasr

têm grande diferença de idade.

Precisamos de mais pessoas, oü

não daremos conta de fazer b

reforço necessário para cada

série", afirma.

Ela explica que, no ano que

vem, se o trabalho contar com à

ajuda de outros voluntários, a

proposta é abrir também uma

turma de alfabetização de

adolescentes. "Fomos pro-

curadas já por vários mBm n0S e

meninas de 17,16 e 18 anos que

não sabem ler e escrever. Eles

querem aprender, mas não vão á

noite no colégio porque lá z.

convivência é muito barra

pesada", conta Valda referindo-

se ás drogas e á ação violenta-

das gangs no local.


SERVIçOS PúBLICOS

7 a 20 de dezembro/96 - Página 5

Medida Provisória impõe privatização branca

Com dificuldade para

emplacar no Congresso

Nacional a Reforma

Administrativa, o

governo tenta fazê-la

por decreto

Deve entrar em vigor até

o final do ano a Medida

Provisória que cria o

Programa Nacional de Publi-

cização, permitindo à iniciativa

privada administrar órgãos públi-

cos. Como as MPs não precisam

ser votadas no Congresso Na-

cional, basta apenas a assinatura

do presidente Fernando Henrique

Cardoso para que ela tenha força

de lei e comece a vigorar.

Segundo a MP, o Poder Público

tem o dever de repassar às

empresas privadas, que passarão

a ser chamadas de organizações

sociais ou agências executivas, a

instalação de equipamentos e

recursos orçamentários para o seu

funcionamento.

As organizações sociais são

consideradas como empresas

sem fins lucrativos, às quais serão

atribuídas atividades de ensino.

pesquisa científica e tecnológica,

preservação do meio ambiente,

cultura e saúde, enquanto as

agências executivas podem ser

autarquias e as fundações inte-

grantes da Administração Pública

Federal. AMP, mesmo sem entrar

em vigor, já está gerando polê-

mica e indignação entre os movi-

mentos de trabalhadores orga-

nizados, que a estão chamando de

"'privatização branca".

Mas, com a criação de um

conselho próprio, onde o governo

tem o direito de participar com um

integrante, o poder de cada novo

administrador vai mais longe do

que se pensa: eles terão a função

de redefinir as diretrizes da

entidade, elaborar programa de

investimentos e propor um orça-

mento, escolher uma diretoria,

aprovar o estatuto da entidade,

regulamentar procedimentos para

a contratação de obras e serviços,

bem como compras, planos de

cargos e salários entre outros.

SAúDE E EDUCAçãO

PARA POUCOS

O professor Romeu Gomes de

Miranda, presidente da APP-

F E RROVI LA

OiiaiafÒM Sodw « Aftedji Enari»i • «

■liirwnrMfcriM

O PRESIDENTE DA IlEPÚBLICA, ao ow* lafc^te qw »•

m 62 di Cconimido. tdDU • nfiiiBtt M«Ad( Pimúóita ooa brtt 4>M

An. I> O Poder EUCUBVO poderi qumHâcmr.

Oiftmziçòss Socúii oa cotno Agtaciâj Exccutivi». u «-'HtltTl fM

MBa Medidl Pnrviioria

5 1" Podei»» •« qu«iifts»dii «ano Orf«mi

privtdo. MB flu kiaiuvov caju mMUé* MPB dtfgidu

MCDoiàtici. i >rd«nL '

Alt. 2* Sio nqainas «^MdfieM pmt^att eabdadt privadi m hêhüiu i quüaçio

oaoo Ornninçio Sodil

!• eoMpravir o redimo d* MV «• caiüuiüvo. dbpoado tofcre:

■) unina ncal dt MOI otiiaivoi idaKM t iw^Mtyi éiw 4i ttMçto:

b) hiBdtd* «lo-liiaiuv». tom i «brigManididi ée ■vateato d* an IIICIIIMIII

bneein» >o dcmvaMBano d» piépiiti ulvidldii;

c) atrifiwiMidi de. cn ow de cnteçiD. > fili^liilu. bfadoi ou danlii qw lie

Ibrmin deiciudai. bem coma ei miCTidiiifl l^eoi itui d—iiom de WM aMIldM, ttrf

iscoipondof mUfnlmeme 10 [MUIUIüBíU dl UaMo oa eo de MUI Otfiaiuçlo lirlrf I

forme ácsii MediiU PnniiAril:

d) pnviila de pinidpeflo, ao

lepreMatiMn do Poder Pibleo c de ■eãbrei de

idoaeid«le monL aei xaam dnu Medide t Wik.

to áíHbofK*»

ti obcigeioriededf de pubBdçêo Meai. » Diário OfideJ dt Udk. do* nituàtio-

finuteiroj e do rtUrório de execaçio do •••"•r\rf de

Sindicato, analisa que "infeliz-

mente esta privatização já está

ocorrendo no Paraná, onde

cursos profissionalizantes estão

sendo colocados nas mãos de

consultorias, na verdade trans-

ferindo a responsabilidade do

poder público para o privado. O

governo FHC faz esta prática

Operação com 108 PMs

retira 8 famílias

As últimas oito

famílias da Cooperativa

Bandeirantes, na

Ferrovila, foram

depejadas na quarta-

feira, 4, pela Cohab

de Curitiba.

A ordem judicial de rein-

tegração de posse do

terreno, ocupado pelas

famílias há cerca de cinco anos,

foi executada dentro de uma

operação policial que contou com

um efetivo de 108 PMs, oito

viaturas do 13° Batalhão, nove

viaturas da Polícia de Choque e

seis cães. Pegos de surpresa,

vários moradores tiveram que sair

correndo de seus empregos para

socorrer as crianças que se

encontravam sozinhas nas casas.

Segundo Antônio Roberto

Vicente, operário da Eletrolux,

quando a polícia chegou estavam

em sua casa apenas os três filhos,

de dez, nove e cinco anos. "Minha

esposa também estava traba-

lhando, as crianças ficaram

apavoradas e me ligaram", relata

Vicente, afirmando que não havia

chegado às suas mãos nenhuma

notificação do juiz. "Isso não se

faz. Eles nem falam para onde

estão nos levando", protestou o

morador Nereis Aprígio Nunes,

que teve o portão de sua casa

arrancado pelos policiais quando

se recusou a abrir o cadeado.

Diante da insistência de outra

família em não abrir a porta para

que os carregadores da Cohab

pudessem retirar a mudança, o

oficial


Página 6 - 7 a 20 de dezembro/96

Órgãos do governo

dizem nada saber sobre

projeto da usina, apesar

do Diário Oficial

O convênio entre a Copei,

a Inepar e duas empresas

chilenas (a Chilgener e a

Denergè) para uma usina ter-

moelétrica a carvão em Pontal do

Sul já foi publicado no dia 30 de

outubro no Diário Oficial do

Estado. No entanto, ninguém no

governo ou pessoas ligadas ao

meio ambiente sabem realmente

do que se trata. Os técnicos da

Copei, que deveriam ser os

primeiros a saber pelo menos a

localização exata da usina, a

capacidade, o tamanho e a

influência que ela pode causar ao

meio ambiente, dizem não saber

de nada.

Nem o professor do Centro de

Estudos do Mar em Pontal do

Sul, Paulo Lana, convidado a

fazer o Estudo de Impacto Am-

biental (EIMA) e o Relatório de

Impacto Ambiental (RIMA), tem

idéia de como a usina será.

Quando a reportagem da Folha

Popular pediu uma avaliação

antecipada sobre a poluição que

as praias, a Mata Atlântica (que

acompanha todo o litoral para-

naense) e os veranistas enfren-

tariam, Lana não soube nos

informar. Segundo ele, as usinas

termoelétricas têm características

bem diferentes, podendo ser

obsoletas, que descarregam

fumaça constantemente e eli-

minam oxides de nitrogênio e de

enxofre, causando chuva ácida.

Mas ele explica também que há

usinas termoelétricas a carvão

que não causam nenhum mal ao

TERMOELéTRICA CARVÃO

É oficial, mas todos ignoram

meio ambiente. "Tudo depende de

ser ou não cumprida a lei

ambiental. Para poder avaliar

preciso saber o tipo da usina e sua

localização exata. Até agora tudo

que eu sei é que a usina será a

carvão e que ficará no balneário

de Pontal do Sul", explica Lana.

A assessoria de imprensa da

Copei informou que o projeto ainda

está em fase inicial e que os

estudos de viabilidade técnica,

econômica e ambiental ainda não

foram feitos. Os assessores

declaram saber do prejuízo que a

usina pode causar ao meio am-

biente, mas garantem que, como

em todos os projetos de que a

Copei participa, a preocupação

básica é com o meio ambiente.

Eles afirmam acreditar na tecno-

logia como completa minimizadora

dos efeitos que a usina possa

causar no meio ambiente.

Os assessores da Copei afir-

mam que o que saiu no Diário

Oficial é o estudo de viabilidade

técnica, econômica e ambiental e

que por isso ninguém sabe sobre o

projeto. Para eles ainda está tudo

muito verde, mas um dos as-

sessores, que prefere não se

identificar, conta ter-se assustado

com o porto que está associado á

usina, conforme determina o

Diário Oficial.

Os funcionários da empresa

Inepar, do empresário Mario Celso

Petraglia, que terá participação na

usina, não têm informações sobre

a termoelétrica e afirmam que

apenas os diretores Rodolfo

Andriani e Ricardo Aquino podem

responder sobre o assunto. Mas

eles não retomaram a ligação à

reportagem da Folha Popular.

No LAP-Instituto Ambiental do

Paraná, alguns técnicos já ouviram

IMeíq

Ambiente

O ambiente no meio

da gente

A Comissão Nacional de

Meio Ambiente da Cen-

tral Única de Traba-

lhadores acabou de lançar a cartilha

" Sindicato e Meio Ambiente: o

ambiente no meio da gente". Um

documento pequeno, de apenas 15

páginas, mas de importância muito

grande porque coloca a questão

ambiental na ordem do dia para o

movimento sindical.

Incluir os problemas ambientais

no cotidiano dos trabalhadores

pode representar um peso a mais

na agenta tão carregada dos

sindicatos, mas o saldo desta

discussão pode significar, também,

a possibilidade de soluções mais

abrangentes.

Segundo a cartilha, "a ação

ambiental de alguns sindicatos,

dentro e fora do local de trabalho,

tem sido fundamental para unificar

trabalhadores e comunidade na luta

para revertes esses impactos da

produção". Os sindicatos, diz a

cartilha, podem contribuir para

promover mudanças nesta área, de

diferentes maneiras: informar os

trabalhadores, negociar melhores

condições de trabalho e produção

e até mesmo influenciar na

formulação de políticas ambientais

junto ao governo. A cartilha termina

com uma conclusão otimista: " A

ação ecológica aproxima o sindicato

de outros grupos organizados, abre

um canal para formação de novas

lideranças sindicais e ainda pode

trazer mais filizações, motivadas por

uma nova face da ação sindical".

Quem tiver interesse em co-

nhecer e distribuir a cartilha, deve

contatar a CUT local ou pedir

diretamente à Comissão Nacional de

Meio Ambiente da CUT.

Em tempo: Os trabalhadores

devem acompanhar cuidadosa-

mente as negociações do governo

do estado no sentido de atrair

investimentos industriais interna-

cionais. Segundo estudos do Instituto

de Pesquisa Econômica - IPEA as

negociações podem trazer grandes

prejuízos fiscais aos estados e

municípios que oferecem maiores

isenções para atrair novos inves-

timentos. Não existe um cálculo

comparativo entre perdas e danos,

dizem os economistas. O caso de

São José dos Pinhais é exemplar:

para instalar a fábrica da Renault em

área de manancial, o município

concedeu isenção geral de tributos

municipais por 11 anos, não apenas

para a montadora francesa. Além

disso, perdeu grande parte do ICMS

Ecológico a que tinha direito porque

abriu mão da condição de manancial

de abastecimento para poder instalar

um distrito industrial. Para modificar

este quadro, só mesmo voltando

para trás a roda da história e

reconhecendo que o Rio Pequeno é

manancial de abastecimento, como

é de fato mas não de direito, e

repeitar a lei, que proíbe a instalação

de empreendimentos como a Renault

nessas áreas.

Tereso Urban

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Pequena loja de

Curitiba consegue

exclusividade na

distribuição das músicas

dos Mutantes

^

Tudo começou num show

de Marisa Monte, em

Curitiba. Enquanto a can-

tora interpretava Panis et Cir-

censis, um dos maiores sucessos

dos Mutantes, a banda mais original

e irreverente que o Brasil já teve,

o jovem Odilon Merlim pensou:

"Não, eu não estou louco". Bastou

essa certeza e um telefonema para

a Polygram, para que sua inquie-

tação virasse o que se costuma

chamar de "sacada". Por que ainda

não foram lançados em CD os

melhores discos dos Mutantes?

Merlim então negociou os direitos

com a produtora de São Paulo e

conseguiu exclusividade sobre o

lançamento. Pronto. Uma pequena

loja de discos de Curitiba passava

a ter o direito exclusivo de distri-

buição das músicas do grupo que

revolucionou o rock brasileiro.

Mas o insight não parou por aí.

A distribuição nacional da primeira

tiragem dos Cds alçou a limitada

distribuidora ao status de selo, o

Temptation. Hoje, além de pre-

parar a segunda tiragem com os

relançamentos dos Mutantes,

Odilon organiza o relançamento de

Como três jovem

colocaram fogo na féstinha

bem comportada dos

roqueiros brasileiros

Os Mutantes tiraram o

temo-e-gravata moral e

estético da música bra-

sileira. Até então, as preferências

eram obrigadas a se dividir entre a

MPB tradicional -vide Elizete

Cardoso, Sílvio Caldas ou mesmo

a então iniciante Elias Regina-, o

banquinho e o violão da Bossa

Nova e o "ritmo jovem"do iê-iê-iê,

com suas músicas e roupas

chupadas descaradamente dos

Cultura

—i ^^ m

CD

Mutantes, uma sacada curitibana

dois discos de Arnaldo Baptista

com o grupo Patrulheiros do

Espaço, que criou após a

separação de Rita Lee e do irmão

Sérgio. Além disso, ele estuda o

lançamento de bandas locais, como

a Maxine Machine e a Reles

Pública.

RESGATE CULTURAL

Odilon afirma que seu interesse

em trazer os Mutantes não se

resume a uma mera jogada co-

mercial. Ele garante que sempre

se preocupou em resgatar ele-

mentos da cultura nacional esque-

cidos da grande mídia. A banda

criada nos anos 60 em São Paulo,

lembra, não foi só mais um grupo

de rock. Foi a primeira do país a

deixar de copiar o que vinha de fora

e a inovar em termos de música,

letra e performance em palco. Um

marco do rock nacional.

A originalidade e o experimen-

talismo aguçados dos três jovens

não apenas conquistou os jovens

brasileiros mais antenados do final

dos anos 60 e início dos 70, mas

também repercutiu na Europa e

nos Estados Unidos. Merlim

lembra, por exemplo, que o

Nirvana Kurt Cobain- que se

suiciou no ano passado- quando

veio ao Brasil deixou um bilhete

para Arnaldo Baptista, comen-

tando o seu trabalho. "Quando

trouxemos o Fulgazzi para tocar em

Curitiba, eleja chegou procurando

discos dos Mutantes para comprar.

E olha que o Fulgazzi é uma banda

que é referência e tem fãs no

mundo inteiro", diz.

Além de Odilon, muitos outros

também vêem os Mutantes como

página importante da música

brasileira, mesmo após duas

décadas de ostracismo. Em pou-

quíssimo tempo esgotou-se a

primeira tiragem dos CDs Os

Mutantes (68), Mutantes (69), A

Divina Comédia (70), Jardim

Elétrico (71) e Mutantes e seus

Cometas no País dos Baurets

(72), além do inédito até então De

AaZ. Também se evaporaram das

prateleiras os solos Build Up (70)

e Hoje é o Primeiro Dia do Resto

de sua Vida (71), de Rita Lee, e

Lock, de Arnaldo Baptista.

Quando já preparava a segunda

tiragem, Odilon foi procurado pelo

baterista do Arnaldo e os

Patrulheiros do Espaço, Rollando

Castelo Júnior, para o lançamento

em CD dos discos Elo Perdido e

Faremos uma Noite Excelente.

Segundo Merlim, Júnior gostou do

relançamento dos discos dos

Mutantes e ofereceu seus discos

também para serem relançados.

BURACOS DE MERCADO

Odilon afirma que o que lhe

interessa comercialmente é ocupar

os "buracos de mercado", ou seja,

trabalhar com obras de grande

qualidade mas que, por um motivo

Arrombando a festa

Beatles e outros "gringos". A

rebeldia da juventude, encarnada

na busca de novos sons, temáticas

e performances, que tomava conta

da Europa e nos Estados Unidos,

ainda não fazia eco por aqui.

Rita Lee e os irmãos Arnaldo e

Sérgio Baptista arrombaram e

colocaram fogo na féstinha bem

comportada dos roqueiros brazucas.

Antenados com o que rolava de

novo no mundo- numa época em

que o que acontecia lá fora

demorava dois meses, no mínimo,

para chegar ao Brasil-, eles fizeram

parte da primeira leva a amar os

Beatles, os Rolling Stones e Jimi

TV Pinei é uma loucura!

Cena número 1: em dose

na TV, o louco resolve

dizer umapàda. "Sabe

ó que tem embaixo do tapete do

Hospital Pinef? Pois é... tem

muito louco vanjcb!"E cai na

gargalhada... Na cena número

2, outro dá um depoimento: "Eu

estava numa fase boa^ me

sentia bem. Cheguei em casa

cedo e minha mãe me

perguntou porque eu tinha

chegado tarde. Nãô respondi

Eritao^ ela me convidou para ir

ao hospitaL Como sou òbe*

diente, fui. Aí,, o médico me

pçrguatou: 'O senhor tem ouvi-

do vozes?', E eu respondi: 'Só

a sua, doutorí!!' E fia assim qu©

eu nuncamais saí doPineir

Engana-se quem pensa que

#daaJ?%ien8s são esquetes do

programa hunwrisüco "Casseta

e Planeta Urgente". Nada disto.

Esta é a TV Pinei, uma emissora

comunitária, produzida por pa-

cientes e ftmcíonácios do Núcleo

dedeo do Instituto Philippe

Pinei, parte de um programa

revolucióiário de tratamento de

pacientes ambulatoriais da

4

instituição. Cte programas da TV

Pine! são os mais variados; há

entrevistas na rua» telejomais,

videoclipes musicais,

reportagens dentro do hospital,

seriados como *' A tragédia da

vida privada , ^ um informe

chamado' 'Freud não explica"

e até mininovelas. Numa destas

novelas, todas as personagens

femininas são atacadas por

vampiros; noutra, com o título

' 'À reviravolta do doutor Frítz",

um médico entra em delírio ao

examinar uma paciente. São 45

minutos de loucuras no ar, com

sons e imagens produzidas com

a assessoria técnica do Centro

de Criação de Imagem Popular

(Cecipe) e da TV Maxam-

bomba, emissoracomunhária da

Baixada Flummense O sucesso

é tanto que a TV Pinei entrou

no "Canal Saúde"» programa

transmitido via satélite pela TV

Educativa e via cabo pela NET

Psicólogos e psiquiatras ga-

rantem que o trabalho televisivo

exercita a criatividade e melhora

a auto-estima do paciente.

(Agência Ghbo)

Hendrix. A diferença é que,

enquanto os outros limitavam-se aos

covers dos ídolos, Rita, Arnaldo e

Sérgio os usavam como estímulo às

próprias experimentações.

A ironia das letras, o visual

provocador e as molecagens do trio

(as qualidades que mais o deixava

em evidência) eram, porém, apenas

o que traziam de mais superficial.

Inovadores mesmo eram os sons

que tiravam de seus instrumentos,

a maior parte deles construída pelo

"mutante invisível", Cláudio César,

o primogênito dos Baptista e um

gênio da tecnologia musical.

Pela primeira vez, o país via um

AS PRINCIPAIS ATRAçõES

CULTURAIS GRATUITAS DE

CURITIBA

TEATRO INFANTIL

Grande Coisa Esquisita, peça

infantil do autor, ator e diretor

Chico Terra. No elenco, Silvana

Cavichiolo e Fernanda Maciel. O

espetáculo acontece nos dias 8 e

15, às 16 horas, no Teatro da

Maria, rua Batista Ganz, 160,

Parque Barigüi.

A viagem assombrosa de

João de Callais, de Ruben Cauê

Carvalho e Silva, dia 20, no Teatro

de Bonecos da Ordem.

MúSICA

O projeto Domingo Dez e Meia

traz o espetáculo Coisas Nossas,

do grupo vocal Brasileirão. A

apresentação vai traçar um

panorama da música popular

brasileira dos anos 30 aos 90. No

repertório, compositores consa-

MflaftMMMAMflflMÉÉÉfli mmmmm mtm

ou por outro, não estejam sendo

divulgadas. Um desses buracos

seria o rock progressivo. Ele pensa

em buscar lançamentos- mas não

diz quais- em alguns países

europeus, trabalhos que acabam

despercebidos do público e dos

empresários brasileiros.

Mas os planos não se limitam

aos estrangeiros. Para o próximo

ano, Merlim agendou o lançamento

de CDs das bandas curitibanas

Reles Pública e Maxixe Machine.

O referencial de escolha, segundo

ele, está sempre na qualidade do

trabalho. A Reles toca um rock

mais anos 60, enquanto a Maxixe

investe na fusão do rock com a

MPB. O importante, diz Odilon, é

descobrir talentos novos e

redescobrir os antigos.

De "atravessador de discos",

Merlim hoje se vê como um

divulgador cultural. "Eu faço o que

gosto. Quero lançar o que o grande

mercado não vê. Temos boas

bandas e a Temptation sempre

esteve preocupada em produzir

cultura. Agora que somos um selo

podemos trabalhar em âmbito

nacional e internacional".

Para provar que quando fala em

internacionalização não está para

brincadeira, ele informa que abriu

uma página na Internet, com a qual

irá divulgar os novos lançamentos

das bandas brasileiras.

Ângela Ribeiro

conjunto com personalidade sufi-

ciente para incentivar vaias contra

si próprio, zombar de todo que

considerava careta e ainda ser

respeitado por quem realmente

eentendia do riscado. Não por

acaso, foram chamados por Gil e

Caetano para acompanhá-los nos

festivais nos quais os baianos

afrontavam público e crítica na

tentativa de romper a camisa de

força da mesmice musical. Tarefa

difícil muna época em que, só para

dar um exemplo, a esquerda

brasileira via na guitarra elétrica a

encamação do demônio do impe-

rialismo. Douglas di Souza

grados como Noel Rosa, Tom

Jobim, Waldir Azevedo e a dupla

de roqueiros Cazuza, e Frejat. A

direção artística é do maestro

Marcos Leite. A apresentação

acontece dia 15 de dezembro, na

Praça Jacob do Bandolim, ás

lOhSOmin.

TEATRO

Grupo Guido Viaro

O Palácio de Kevila, peça do

Grupo de Teatro do Centro de

Artes Guido Viaro, retrata os

conflitos sociais nas dinastias

inglesas de 1830 a 1945. O

espetáculo tem texto e direção de

Beto Lima. As apresentações

acontecem 13, 14 e 15 de de-

zembro, ás 21 horas, no Teatro

Novelas Curitibanas, rua

Presidente Carlos Cavalcanti,

1222.

QUADRINHOS

Hélio Leite e Kátia Hom expõe

miniaturas na Gibiteca de Curitiba.

Hélio mostra seus trabalhos em

miniaturas, feitos com sucata,

intitulados Carrocélius. Kátia

apresenta suas ilustrções

tridimensionais em papel da série

Palhaços. A exposição abre no

dia 10 de dezembro, às 19 horas.

De segunda a sexta-feira, das 9

às 12 e das 14 às 19 horas, até 31

de janeiro.

7 a 20 de dezembro/96 - Página 7

Rita Lee e Roberto de Carvalho: provocação também no casamento

JLUljAS

CINEMA

O Cine Grojf mostra este mês os trabalhos do cineasta carioca

Sérgio Rezende. Atualmente, Sérgio dirige Canudos, história de

Antônio Conselheiro que tem José Wilker no papel principal. A

mostra começa neste sábado, com a apresentação do filme O sonho

não acabou, com Lucélia Santos, Miguel Falabella, Louise Cardoso

e Chico Diaz, às JÇhJOmin e 21 horas. No domingo é a vez de O

homem da capa preta, com Vera Fischer, José Wilker e Marieta

Severo, às 19 horas e 21hl0min.

TEATRO DO PIá

O Grupo Faz de Conta Teatro de Bonecos apresenta neste

domingo, dia 8, às 11 horas, o espetáculo Os três Joãos. A peça é

uma adaptação do conto As três plumas, dos irmãos Grimm. O

Teatro do Piá fica na Praça Garibaldi, 7- na sede da Fundação

Cultural de Curitiba. Ingressos a R$ 1,00.

CínemaProgramaçãoCinemaProgramação

Água Verde 1 - O Corcunda de

Notre Dame- de Walt Disney,

dublado-lóhBO, IQh, 21h30. Censura

Livre. Fone: 336-1918.

Água Verde 2 - Contos de A lém

Túmulo: O Bordel de Sangue - de

Gilbert Adler- com John Kassir,

Dennis Mille, Eríka Eleniak e Angie

Everhart- HhlS, 16h30,19h e21h30.

Fone: 336-1918

Astor - Estranha Obsessão- de

WendyFinerman- Uh, l6h30,19h,

21h30. Fone 336-1918

Astor Batei - Heavy Metal-

Universo em Fantasia- de Gerald

Potterton - 14h, 1611,18h, 20he 22h.

Fone 222-2107

Astor Champagnat - Selvagens

Corações- deMarkEzra- 14h, 16h20,

18h40e21h.Fone336-1918.

Condor- O Pentelho- de Ben

Stiller- 14h, 15h50, 17h40, 19h30)

2 lh20. Fone 222-6859.

Curitiba 4 - Contos de Além

Túmulo: O Bordel, de Gilbert Adler-

MhlS, 161130,18h45,21h.

Curitiba 5-0 Clude das des-

quitadas- de Hugh Wilson.

Curitiba 6 - Estranha Obsessão-

de Wendy Finerman- 14h30, 16h45,

19he21hl5.

Groff - Guantanamera - de Tomás

Guitiérrez Álea e Juan Carlos Tabío -

Sessões às 14h20,nos dias 10 e 11

sessões 15h, 17h; Duas Amigas -de

Martine Dugowson- sessão às 16h20.

Nos dias lOe 11, sessões 19h, 21h20.

Fone 322-1525.

Guarani - O Menino Malu-

quinho - de Helvécio Ratton- 14h30 e

16h; Basquiat- Traços de uma Vida-

de Julian Schabel - IShlO, 2()h. Fone:

322:1525

Itália - Contos de Além Túmulo:

O Bordel de Sangue - de Gilbert Adler.

15h, 17h, 19he21h. Fone-233-8682

Lido I -A Rocha, de Michael Bay-

141130, lóhSO, 19hl0,21h30. Fone 224

6873

Lido II -Além do Desejo, de Pedro

Almódovar- 14h, 15h50,17h40,191130,

21h20. Fone 224-6873

Luz - Manneken Pis- Utopia de

Amor - de Christopher Ashle -14h20,

1611,171140,19h20', .21 horas: Omonge

e afilha do carrasco, de Walter Lima

Jr, com Patrícia Pilar, Murilo Benício,

Karina Barum e José Lewgoy. Fone:

322-1525

Plaza - Os Anjos da Guarda - de

Jean -Marie Poire - 14h, 16h, 18h e

20he22h. Fone 222 0308

Palace - Selvagens Corações -

deMarkEzra- 14h, 16h20, 18h40e

21h. Fone 233 1112

Ritz -Jeffivy - De Caso com a Vida

- de Christopher Ashle - 14h, 15h50,

17h40, 19h30,21h20.Nodia ^.sessão

às 14h, 15h50,17h40. Fone322-1525;

Fica Comigo- de Tizuka Yamasaki, com

Antônio Fagundes, Luciana Rigueira,

Vítor Hugo Lúcia Ahes e Tereza Seiblitz.

A pré-estréia acontece no próximo dia

12 às 20h ,com a presença da diretora.

Rívoli - O Corcunda de Notre

Dame - de Walt Disney - 16h. Fone

233 851; Risco Máximo- de Ringo

Lan- com Jean Claude \^n Dame- 18h,

20h

É aconselhável fazer a

confirmação dos horários e salas

antes de sair de casa. Pessoas

acima de 60 anos não pagam

ingresso nas salas da Fundação

Cultural de Curitiba.


Página 8 - 7 a 20de dezembro/96

Esportes

ATLéTICO

Apesar da eliminação, uma

grande campanha

Time mostrou ter

condições de enfrentar

os grandes do futebol

brasileiro

Atlético encerrou a sua

participação no Cam-

peonato Brasileiro com

uma vitória de 1 a 0 sobre o

Atlético Mineiro, com gol de Luís

Carlos marcado aos 43 minutos

do primeiro tempo A vitória teve

para a torcida, elenco, comissão

técnica e diretoria o gosto amar-

go da derrota, já que a equipe

não conseguiu se classificar às

semifinais do campeonato.

Mas, apesar da eliminação, o

segundo semestre foi muito bom

para equipe. Foram disputados

25 jogos, com 13 vitórias, 3

empates e 9 derrotas. O time

dirigido pelo técnico Evarísto

Macedo terminou a fase de

classificação do Campeonato

Brasileiro em quatro lugar, com

39 pontos. Nas quartas-de-final,

enfrentou o Atlético Mineiro em

Belo Horizonte, no primeiro jogo.

Começou vencendo por 1 a 0,

mas se atrapalhou, errou e tomou

três gols que praticamente defi-

niram o futuro da equipe na

competição. Na segunda partida,

disputada na Baixada, o Atlético

venceu por diferença de apenas

umgoL

Apesar de sair da competição

antes da hora, o Atlético mostrou

sua cara para o futebol brasileiro.

Enfrentou as equipes consi-

deradas grandes de igual para

igual. Não se intimidou com

ninguém. Além de mostrar que

tinha condições de disputar o

título, o Atlético apresentou

grandes jogadores. A dupla

Oséas e Paulo Rink, por exem-

plo. Oséas marcou 10 gols,

ganhou uma chance na Seleção

Brasileira e está sendo preten-

dido pelo futebol europeu, assim

como Paulo Rink, jogador reve-

lado no futebol de salão do

Atlético e que marcou treze gols

no campeonato, oito deles de

cabeça. Além dos europeus, o

Corinthians também quer o

artilheiro para o Campeonato

Paulista.

Mas o ponto principal deste

ano para o Atlético foi o reen-

contro com a sua torcida. A

Baixada foi o diferencial neste

campeonato. Em todos os jogos

ela esteve completamente lotada.

Foram 199.005 torcedores

pagantes, o que proporcionou

uma arrecadação total de 2

milhões e 2 mil reais. Como no

campeonato a distribuição de

renda é 60% para o vencedor,

50% em caso de empate e 40%

para o perdedor, só com a

Baixada o Atlético acumulou um

lucro de R$ 1.191.493,00. Isto

mostra que para 97 as prespec-

tivas são boas, isso se a diretoria

conseguiur cumprir as promessas

que fez, como a construção da

nova Baixada, a manutenção do

técnico Evarísto e a permanência

dos principais jogadores.

CAMPEONATO PARANAENSE

Clubes aprovam

regulamento fácil para 97

Vinte e duas.equipes

participam do Cam-

peonato Paranaense

de Futebol de 1997.

Doze times no Grupo A e outros

dez no Grupo B. As equipes jogam

entre si nos seus grupos (veja

quem é quem no quadro abaixo).

Seis equipes se classificam no

Grupo A e duas no Grupo B.

Estes oito times disputam a

segunda fase em turno e retumo,

com pontos corridos. Será de-

clarado campeão o time que tiver

o maior número de pontos ganhos.

Poderá acontecer uma partida

final, se duas equipes terminarem

empatadas.

As 14 equipes que ficaram de

fora da segunda fase jogam entre

si, em turno único, um "torneio

da morte", onde ás quatro me-

lhores se juntam em 98 ao grupo

de elite do futebol paranaense. O

campeonato começa no dia 26 de

janeiro e deve terminar no dia I o

de junho.

Pronto. Um campeonato sim-

ples, que ainda pode melhorar.

Mas os dirigentes afirmam que

isso irá acontecer só no cam-

peonato de 1998. Deus queira

que sim. E que os dirigentes

cumpram aquilo que prometem.

Aí é que a coisa pega. A

competição do próximo ano, pela

fórmula apresentada, não é ruim.

Os dirigentes do futebol para-

naense aprenderam com o tempo,

podem perguntar os leitores?

Sinceramente, ainda dá para

desconfiar desses "dirigentes".

Podemos esperar tudo deles. Até

uma fórmula simples e fácil para

todo mundo entender, como a que

propuseram e aprovaram para o

ano de 1997.

Mas se olharmos um pouco

mais para frente, vemos que eles

"foram" obrigados a fazer uma

competição estadual enxuta.

Principalmente porque a Confe-

deração Brasileira de Futebol

(CBF) baixou com seu "tacão" o

calendário do futebol brasileiro do

próximo ano. Quer dizer, a CBF

foi forçada pela Confederação

Sulamericana de Futebol a acertar

um calendário para que as vários

torneios do próximo ano consigam

ser realizados.

Vá anotando aí. No primeiro

semestre teremos a Copa Centro

Sul, envolvendo dois times do Rio

Grande do Sul (Grêmio e

Internacional), um de Santa

Catarina (Criciúma), três do

Paraná (Atlético Paranaense,

Coriüba e Paraná) e ainda dois de

Minas Gerais (Cuzeiro e Atlético

Mineiro). O torneio começa no

dia 18 de janeiro e o sistema.

mata-mata, será de confronto

direto, com jogos de ida e volta.

Paraná e Coritiba disputam

ainda, com outros 32 times do

Brasil (27 campeões regionais e

cinco vice-campeões), no primeiro

semestre, a Copa do Brasil, que

dá direito ao campeão de jogar na

Libertadores da América. O

Atlético Paranaense, que ficou em

terceiro lugar no estadual deste

ano, pode entrar na disputa da

Copa do Brasil se algum time

desisitir. Caso isso não aconteça,

o rubro-negro pretende jogar

alguns amistosos. .

Em junho de 1997 teremos a

Copa América, reunindo as sele-

ções nacionais de cada país da

América do Sul. A Copa América

será disputada na Bolívia. Ainda

nesse mesmo mês a Seleção

Brasileira irá jogar no Torneio de

Paris, na França Será uma prévia

daCopadoMundode 1998. Além

do Brasil, estarão as seleções da

França, Alemanha, Inglaterra e

Argentina

. Anotou tudo? Sim, porque isso

é só para o primeiro semestre.

Reserve algum dinheiro para

comprar pipocas e umas

cervejinhas. Pelo visto teremos

jogos ao vivo e a cores quase todos

os dias. É futebol para todos os

gostos e gastos.

Federação pode

convidar outros times

A Federação Para-

naense de Futebol

admite convidar ou-

tras equipes, caso aconteçam

desistências entre os 22 times

escalados para disputar o

campeonato do próximo ano.

Dez equipes estão em divida

com a FPF e correm o risco

de ficar de fora da compe-

tição.

O Grêmio de Maringá, um

dos endividados, disse que não

pretende disputar o campeo-

nato. O Nacional, de Rolán-

dia, o Iraty, de Irati e o Comer-

cial, de Cornélio Procópio,

pediram suas inscrições para o

Estadual do próximo ano.

Ainda estão em dívida com

a FPF Toledo, Londrina,

União, Paranavaí, Rio Branco,

Francisco Beltrão, Jandaia,

Coronel Vivida e Foz do

Iguaçu. Essas dívidas são de

taxas à Federação e custas

processuais junto ao Tribunal

de Justiça Desportiva.

Quem é quem, em cada grupo

do Paranaense de 1997

Grupo A

Paraná Clube

Coritiba

Atlético Paranaense

União Bandeirantes

Paranavaí

Maringá

Rio Branco (Paranaguá)

Londrina

Francisco Beltrão

Matsubara (Londrina)

Batei (Guarapuava)

Toledo

Grupo B

Ponta Grossa

Cascavel

Apucarana

Jandaia

Grêmio de Maringá

Coronel Vivida

Arapongas

Foz do Iguaçu

Platmense

Iguaçu (União da Vitória)

SEGUNDA FASE E FINAIS

Classificam-íe os seis primeiros do Grupo A e os dois primeiros do

Grupo B. O campeão da primeira fase do Grupo A leva dois pontos

para a segunda fase e o vice-campeão ganha um ponto. Os oitos

classificados jogam entre si em tuijio e retumo, que poderá apontar o

campeão da temporada de 1997. Se duas equipes terminarem

empatadas será realizada uma partida final. O time com melhor

campanha, número de vitórias em todo o campeonato, leva a

vantagem, nessa partida extra, de jogar em seu campo e pelo empate.

EM RESUMO

BOLSO CHEIO

O pugilista norte-americano

Mike Tyson foi o esportista

mais bem pago do mundo em

1996, recebendo 76 milhões de

dólares para subir apenas 3

vezes ao ringue, segundo

informou a revista Forbes.

Recentemente, Tyson perdeu o

título da Associação Mundial

de Boxe dos pesos-pesados

paraEvanderHollyfield. Tyson

superou, segundo & Forbes, o

jogador de basquete Michael

Jordan que, por quatro anos,

havia sido o mais bem pago

atleta do mundo. Jordan

recebeu este ano "apenas" 52,3

milhões de dólares e ficou à

frente do piloto alemão Michael

Schumacher, o terceiro que

mais faturou este ano, com 33

milhões de dólares.

VOLTA AO LAR

Júnior é o novo treinador do

Flamengo. O ex-lateral do

clube e da seleção brasileira vai

substituir Joel Santana, que

entregou o cargo na semana

passada. Júnior assinou um

contrato até o final de 1997 e

terá como auxiliar técnico seu

ex-companheiro de time,

Leandro. O técnico já treinou o

Flamengo de outubro dé 1993

a julho de 1994. Neste período

foi vice-campeão da

Supercopa dos Campeões e

carioca.

PONTE PUNIDA

Por ter deixado de pagar o

passe do jogador Claudinho ao

Corinthians, de Alagoas, a

Ponte Preta de Campinas foi

rebaixada de divisão pela Fifa,

na semana passada.. Segundo

o vice-presidente jurídico da

Confederação Brasileira de

Futebol (CBF), Carlos Eugênio

Lopes, a punição vale para

todas as competições. A Ponte

Preta pode recorrer da

decisão, mas desde que pague

a dívida, cujo valor a CBF não

soube informar. Em 96, a Ponte

disputou a segunda divisão do

Campeonato Paulista e também

a segunda do Campeonato

Brasileiro.

CONVOCADOS

A dupla de ataque do

Barcelona, Ronaldinho e

Giovani, irá reforçar a seleção

brasileira no último amistoso do

ano, contra a Bósnia-

Herzegovina, dia 18, em

Manaus. O dois fazem parte da

lista dos "estrangeiros",

convocados na semana

passada pelo técnico Zagallo.

Além deles, foram chamados

Leonardo, do Paris Saint

Germain, André Cruz, do

Nápoli, e Zé Elias, do Bayem

Leverkusen. Osjogadores que

atuam no Brasil serão

convocados no dia 12.

Documento

extraviado

Foi perdida uma cédula

de atendente de

enfermagem n 2 6646, de

Juraci Chaves Krüger.

Quem encontrar favor

ligar para 254-5683.

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