COIvl - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

cpvsp.org.br

COIvl - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro

ü»

38

ÍEIEVISIÕ, FUTEBOL E CONTROLE SOCIIL

@ IPBilviiJn

j't

ta COIvl

IstoÉ,30/6/82

^\

^^Sm i/

-SJííí" i


EXPEDIENTE

Boletim Intercom - Publicação bimestral editada pela Sociedade Brasileira de Estudos

Interdisciplinares da Comunicação

Número 38 - Julho/Agosto de 1982 - Ano V

Editor: Carlos Eduardo Lins da Silva

Colaboradores: Anamaria Fadul

Ciro Marcondes Filho

Daniel Herz V

Eron Brun

J. S. Faro

José Marques de Melo

Luiz Fernando Santoro

Margarida Maria Krohling Kunsch

Maria Lúcia Santaella Braga

Maria Ottilia Bocchinni

Ouhydes Fonseca

Roberto Queiroz

Wilson da Costa Bueno

Produção gráfica: ANSELMO - Assessoria e Artes Gráficas S/C Ltda.

Rua Assahi, 67 - Rudge Ramos - Fone: 455-4755

S&o Barnardo do Campo — São Paulo.

Impresso na Gráfica ca Escola de Comunicações e Artes da USP

Capa: Desenho de Chico Caruso para a revista Isto É ,

É permitida a reprodução de qualquer matéria deste Boletim desde qlie seja citada a fon-

te

INTERCOM - Caixa Postal 20793 - São Paulo - SP - CEP 01000

INTERCOM

Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

Diretoria (Biênio 1982/83)

José Marques de Melo - presidente

Anamaria Fadul - vice-presidente

J.S. Faro - tesoureiro

Rogério Cadengue - secretário-geral

Luiz Fernando Santoro -19 secretário

Roberto Queiroz - 29 secretário

Conselho Fiscal: Carlos Eduardo Lins da Silva, Regina Festa, Isaac Epstein, José Manuel

Morán, Vera Lúcia Rodrigues.


ÍNDICE

Mt It Mil FeriBfjn

BIBLIOTECA

Fórum de debates I - TelevisSo, futebol e controle social 1

Rede Globo: ministério do lazer 1

Um chute no saco 3

A Copa da inflação. Ou mais uma desculpa . 5

Fórum de dabetes II — 0 recrudescimento da censura 6

Censura e Estado no Brasil 8

O novo caráter da censura 10

Reporta nges

Comunicação Social na SBPC - 82 11

Educação radiofônica em debate 13

Comunicação e Teologia em diálogo 15

Enecom analisou ensino de comunicação 16

Relações Públicas em seu quinto congresso universitário ... 18

Crítica dos meios

Ensaios

Espanha 82, uma copa sem tv 19

Grande Imprensa ficou devendo boa atuação 21

Senhor é uma nova opção de informação semanal 23

Teoria da comunicação: considerações para o ensino 24

O vídeo transformando o cinema 28

Resenhas

Primeira investigação séria sobre RP no Capitalismo 31

Utilização política do rádio 33

Sobra pouco além da informação 34

Revista começa a atingir objetivos 37

Dos Zózimos aos Chacrinhas . 39

Noticiário da INTERCOM

INTERCOM/82: O debate da pesquisa em comunicação 41

INTERCOM/83: Questionamento das novas tecnologias 42

Contatos na Europa e América Latina 43


Censura americana pode sofrer mudanças 56

Comunicação internacional

Jornais vão faturar mais nos USA 57

Novo jornal nacional nos USA 57

Experiência de Washington Post analisada 57

TV esteriotipa sindicatos 58

Prémier português punido por jornalistas 58

Tecnologia

Gente

Geral

INPE lança quatro satélites até 90 58

Assinado contrato do satélite da Embratel 59

Projeto de tv a cabo vai ao Congresso 59

Vfdeotexto começa a operar 59

Preço do vídeo-cassete cai 59

Novas tecnologias na campanha 59

Saudades de Leila e de Marylin 60

Morrem Jakobson, Márcia, Jakson 60

Pesquisador americano pede material sobre MPB 60

Setores que mais investem em publicidade 61

1983 será Ano Mundial das Comunicações 61

Televisão e Estado 61

Encarte:

Bibliografia Corrente de Comunicação n934

A - Bibliografia em Língua Portuguesa

Obras Gerais/Brasil/Europa e África Portuguesa 1

B — Bibliografia Seletiva em Línguas Estrangeiras

Inglês, Francos e Espanhol 11


Ensino

Pesquisa

Pós-Graduação: INTERCOM participa da reunião do CNPq 43

Edições INTERCOM 44

Atividades da INTERCOM registradas 44

Noticiário dos sócios 44

Veículos

CFE adia decisão sobre currículo 47

ANDES tem proposta para universidade 47

Má qualidade de livro didático 48

Produção jornalística de Gramsci recuperada 48

A maior audiência) da história 48

Debates e anúncios esquentam eleições 48

Terceira mini-série vista por 21 milhões 50

Novo telejornal deixa a desejar 50

Daniel Filho ataca TV-S 50

Afinal uma feia no estrelato 51

CNPq vai utilizar de rádio e tv 51

Novelas perdem popularidade 51

Povo na TV apoia PDS 51

Afinal, a tv comunitária 52

Folha e Estado juntam-se na publicidade 52

O misterioso sumiço do HP 52

Folha melhora cobertura política 53

Gazeta Mercantil tem novos sócios 53

Diário Oficial com cultura 54

O Globo exagera para favorecer Miro 54

SBPC investe no campo editorial 54

Os franceses chegaram 55

Só Trapalhões contra a copa 55

Profissão

APP denúncia comissão 55

Censura

Novas tecnologias e Direito Autoral 56

Faca da censura mais afiada 56


Fórum de debates I

Televisão, futebol e controle social

Todo o Brasil literalmente parou. Houve muita alegria e tristeza. As velhas discus-

sões sobre o caráter alienador do futebol e seu aproveitamento político por parte do

governo renasceram. Já não são tantos os que pensam que a vitória dos canarinhos nas

batalhas futebolísticas é condição essencial para a preservação da ditadura, mas ainda

os há.

Enquanto o País parecia absorvido pela Copa, o presidente da República e seu es-

quadrão chutaram vários pacotes políticos e econômicos para o fundo do gol dos brasi-

leiros. Será que se não houvesse a Copa a defesa dos brasileiros estaria mais atenta e im-

pediria que os tiros de Figueiredo atingissem sua meta? Ou será que os frangos dos Wal-

dir Perez da nossa sociedade civil não têm acontecido antes, durante e depois da Co-

pa? Sem Copa, o pacote previdenciário não havia passado, bem como o pacote de vin-

culação dos votos e tantos outros?

Por outro lado, não há dúvida de que o governo tentou — e tentaria mais ainda se

o Brasil houvesse vencido a competição — faturar vantagens propagandísticas com a se-

leção na Espanha. Mas até onda conseguiu e até onde tsria conseguido em caso de

maior sorte de Telê?

Um outro aspecto da Copa da Espanha de particular interesse para os estudiosos

da Comunicação foi o fato de ela ter sido, em termos de televisão, um privilégio de

uma das redes, a Globo. Qual o significado deste virtual monopólio da Globo para o fu-

turo do sistema de comunicação no País?

O Fórum de Debates I deste edição do Boletim estuda este e outros aspectos:

Anamaria Fadul examina o monopólio da Globo e sua transformação num quase

Ministério do Lazer Público (graças à sua íntima vinculação com o Estado, como bem

lembrou a Folha de S. Paulo em um editorial às vésperas da Copa), Wilson da Costa

Bueno faz uma comparação entre as situações de aproveitamento político da Copa de

70 e a de 82, Eron Brum analisa as conseqüências políticas e econômicas desta Copa de

1982.

REDE GLOBO: MiNISTÉRSO DO LAZER

Anamaria Fadul

A participação do Brasil na última Copa ainda não esgotou o interesse pelo tema,

pois revestiu-ss de algumas características muito especiais. A repercussão da derrota

não serviu para diminuir o interesse pelo debate sobre o significado do futebol na vida

quotidiana de milhões de brasileiros. Programas de televisão e artigos publicados nos

jornais, estes, assinados ora por antropólogos, ora por cientistas políticos e, até mesmo

por economistas, parecem apontar para um enfoque um pouco diferente daquele já

tradicionalmente aceito: o futebol é o ópio do povo brasileiro. A interpretação do es-

porte como um dos principais elementos da moderna ideologia, ao lado da indústria

cultural, parece não oferecer mais um ponto de partida seguro para a análise da vibra-


ção popular com a última Copa. Essa concepção de Adorno, intimamente ligada ao

contexto histórico do nazismo, deixa de lado um importante fator da própria história

da cultura popular que sempre encontrou nos esportes, nas festas, nos ritos religiosos,

formas de socialização distintas daquelas da cultura dominante. A vitória de um ne-

gro norte-americano nas Olimpíadas de 1936 teve um importante significado político,

da mesma forma que as vitórias conseguidas pelos alemães, pois veio questionar a teo-

ria da superioridade da raça ariana.

A recuperação não somente do sentido lúdico do futebol, ou como quer Roberto

da Matta (artigo publicado na pg. 3 da Folha de São Paulo, em 27/6/82) de seu signifi-

cado político na sociedade brasileira, significa apreender uma outra dimensão desse es-

porte tão popular e ao mesmo tempo tão desprezado pelos nossos intelectuais em suas

obras artísticas e científicas.

A idéia de que o futebol é nossa arte mais importante, só rivalizada pela música

popular, como afirma Luiz Gonzaga Belluzzo (artigo publicado na Revista Senhor de

23/06/82), começa o ganhar adeptos entre os intelectuais, mas, para o povo, esta já

era uma verdade vivenciada.

Se o futebol, por si só, está provocando esse debate acalorado entre os que o con-

sideram, apesar de todos seus limites, uma forma de participação democrática ainda

permitida ao povo brasileiro e aqueles que só enxergam esses limites, quando pensamos

no que significou a difusão da última Copa, de forma monopolística, pela Rede Globo,

a discussão fica ainda mais complexa e difícil.

Esse fato vem simplesmente demonstrar o importante papel dessa Rede como re-

forçador do poder político, pois essa monopólio não se refere somente ao futebol, mas

ao próprio contexto da televisão brasileira. Criticar esse fato, considerando somente os

últimos aoontecimer.íos, parece um pouco ingênuo, pois dá a impressão de ser coisa

recente.

O próprio surgimento da Rede Globo (1965), que significou até mesmo uma alte-

ração na Constituição Brasileira, já apontava para o importante papel que ela represen-

taria no jogo político. Assim, a crítica que o editorial da Folha de São Paulo, de

27/06/82, faz ao monopólio da televisão do Sr. Roberto Marinho, assinalando estar

essa emissora se transformando em um verdadeiro ministério do lazer, deveria ser vista

a partir do contexto da própria política de comunicações. 0 governo que se instalou

depois do golpe militar de 1964, baseado nos marcos da Doutrina de Segurança Nacio-

nal, pretendeu transiormar não a Rede Globo propriamente, mas a televisão brasileira

no ministério do lazer e, mais importante do que isso, no ministério de educação e

cultura.

Não se pode esquecer o que significou, recentemente, a concessão de dois canais

de televisão. Foi um dos episódios mais vergonhosos do atual regime militar, pois mani-

festa qual o projeto cultural desse governo. Ao colocar um dos canais nas mãos do Sr.

Sílvio Santos buscou-se a lar o clima necessário para se tentar uma vitória nas urnas ba-

seada não na conscientização dos direitos do cidadão, mas em sua negação. Se nos faz

falta uma Política Educacional, o mesmo não poderíamos dizer com relação à Política

de Comunicações, pois o lugar vazio da primeira está sendo ocupado pela segunda.

A tão falada "ditadura do vídeo" nada mais representa do que um sintoma de toda a

situação econômica e política do país. Se não entendermos esse interrelacionamento

oprremos o risco de fazer uma crítica culturalista. 0 objetivo da luta não pode ser me-

lhorar a política da comunicação, mas sim a sociedade. Enquanto esse regime, sem legi-

2


timidade popular, continuar se eternizando no poder, não podemos nos surpreender

nem com o monopólio da Globo na última Copa, nem com a entrega de um canal a um

indivíduo que em qualquer país do mundo já estaria na cadeia, por crimes cometidos

contra a economia popular. Nossos economistas-burocratas ou burocratas-economistas,

(não se sabe o que determina o que), sempre tão zelosos e vigilantes com os impostos

diretos e indiretos tirados dos assalariados deste país, ainda não se preocuparam com as

formas com que o Sr. Sílvio Santos está construindo seu império de comunicação, a

partir dos trambiques do Baú da Felicidade.

A surpresa e o espanto diante dos últimos acontecimentos na área da comunicação

não podem obscurecer a visão do todo, pois só a partir daí se pode chegar a entender a

atual política do governo na área da televisão.

UM CHUTE NO SACO

Wilson da Costa Bueno

Certamente, há grandes diferenças entre as seleções brasileiras de 1970 e de 1982.

Para os que costumam ver ss coisas apenas dentro das quatro linhas do gramado (fute-

bol não se ganha dentro do campo?), os contrastes entre os dois escretes são flagrantes:

em 70, havia Pele, havia Gérson, havia Carlos Alberto, havia Tostão, à época mais ma-

duros do que hoje o são Éder, Paulo Isidoro, Serginho, Toninho Cerezo e, por que não

dizer, o próprio Zico. Alam disso, há uma diferença fundamental: o de 70 foi campeão

mundial (aliás tri!) e esse de agora não chegou às semifinais.

Aqueles que, embora nos sofás-arquibancadas de suas casas, com banderias ao ven-

to nas janelas e fitinhas verde-amarelas na cabeça, conseguem extrapolar os limites do

circo global, vêem, no entanto, nitidamente, outras relações essenciais.

Atravessávamos em 70 um dos períodos mais obscuros da nossa vida política, em

aue arassava. imoune. uma repressão violenta â nossa juventude e à nossa inteligência.

Distanciado da sociedade a quem solapava, notadamente as novas gerações, a

quem se cortava a fala, recém esboçada nos bancos das universidades, o governo do

presidente Mediei investiu na Copa do Mundo. Era preciso ganhá-la, comsntava-se nos

corredores de Brasília. Era a única maneira de, mítica e camavaiescamente, mobilizar a

nossa gente, de cabeça rente ao chão face à situação lamentável em que ss encontrava

o moral do País.

E assim se fez. Apoiada nos gênios do futebol, a repressão fez os seus gols de placa

e por algum tempo, driblou, com a euforia da conquista, toda uma população sofrida e

miserável. Políticos, torturadores e craques da bola desfilaram juntos, em carros aber-

tos, pelas avenidas das nossas capitais e, fanáticos, cegos, aplaudimos a todos.

Felizmente, a história nos ajudou a refazer os fatos. Agora, depois de uma severa

auto-crítica, estamos convictos de que fomos ingênuos e de que, em reverência aos que

gemiam nos porões ou nos contemplavam, saudosos, no exílio, deveríamos ter sido um

pouco mais críticos.

Quem viveu 70, no entanto, por certo nos perdoará. Era preciso gritar naquele mo-

mento. Era preciso botar os cachorros para fora. E descontamos na Checoslaváquia, na

Inglaterra, na Romênia, no Peru, no Uruguai e, finalmente, na Itália, as nossas frustra-

ções e a nossa angústia.


Sabemos que a euforia da vitória teve seus desdobramentos. Acreditando na força

da "nação emergente", embarcamos, logo após, no "conto do milagre". 0 espírito era

o mesmo. Não temos dúvida, hoje, de que, àquela época, nos agarraríamos qualquer

coisa. Para náufrago, diz o humorista, tábua podre é iate!

Com a bola, derrubamos adversários temidos e pusemos a escanteio as nossas cica-

trizes. Com o "milagre econômico", fruto do mago Delfim, saímos da retranca e fo-

mos, agressivos, lançar nossa incompetência na mídia internacional, consumindo milha-

res de dólares em uma estéril estratégia de marketing.

Novamente, a história refez os fatos, ainda que não tenha tido forças para eliminar

os que dela participaram. Afinal de contas, o mago continua à solta, fazendo mágicas e

administrando pacotes.

Aliás, estão de volta velhos personagens. A Globo, por exemplo, com seu esquema

global e, hoje mais do que em 70, monopolístico, exclusivo. Os jornais que, amordaça-

dos em 70, apologizaram a seleção e, indiretamente, beneficiaram o sistema, repetiram

a dose em 1982, mas a Itália (que coincidência!) vítima de ontem, desta vez abafou os

nossos aplausos, imp. imiu graves prejuízos às televisões e aos anunciantes, e acabou

com as esperanças do PDS de transformar a canarinho em cabo eleitoral.

Identificada apcr.as com o lucro, preocupada em sugar ao máximo as emoções e os

sentimentos de um povo que, pé no chão e panela vazia, contempla, escandalizado, as

obras faraônicas, o rembo do INPS, uma inflação que já se perde de vista, e, mais re-

centemente, uma voraz corrupção eleitoral, a Globo tentou, incentivada por Brasília e

pelas grandes empresas, recompor o espírito de 70.

Para o Governo, a seleção seria, talvez, a última salvação do seu partido; para as

grandes empresas, eis teria o condão de fazer mergulhar o povo num consumismo fe-

roz e, quem sabe, garantiria o lucro num ano de crise.

Infelizmente, a seleção perdeu. Felizmente, não ajudamos a salvar, com os pés,

quem nos tám comido pelas pernas. Fica a velha pergunta: não teríamos, de novo, se a

seleção ganhasse (e como torcemos — Globo, Governo, PDS e nós todos — para que is-

so acontecesse!) embarcado na antiga canoa? Não teríamos deixado de lado o nosso es-

pírito crítico e saído às ruas, abraçados aos Maluf e aos Delfins da vida {afinal de con-

tas, um tetra apagaria, ainda que momentaneamente, as desavenças — e somos todos

brasileiros!). Devemos pensar na lição novamente.

Certamente, os gritos que daríamos em 82 teriam um timbre diferente daqueles

que, efetivamente, demosem 70. Certamente, também a história, no futuro, reconstrui-

ria os fatos. Mas, como cidadãos do presente, certamente teríamos sido novamente in-

gênuos, emotivos, irracionais. Certamente, a Globo e as multi ficariam mais ricas. Certa-

mente, o comércio venderia mais. Certamente, o PDS ganharia alguns votos. Certamen-

te, ganharíamos mais prestações. Certamente, continuaria vazia, ainda que com o fun-

do verde-amarelo, a nossa panela. Quem sabe, com o Delfim no poder, não estaríamos,

apesar da inflação de três dígitos, preparando um novo milagre? Ou vestindo um novo

santo?

Oue todos nos desculpem, torcedores como nós, sofredores como nós, e jogadores

como iguais não há no mundo. Mas Paolo Rossi, temos a certeza, fez um bem enorme

para esse país. De vez em quando, embora doa, alguém de fora precisa dar uma porrada

nas nossas fantasias. E desta vez doeu muito. Mas resta uma compensação: realistas,

preocupados com o bolso, o ônibus e a carne, votaremos melhor em novembro. Esse, e

não outro, é o espírito que poderá reerguer este país.


A COPA DA INFLAÇÃO. OU MAIS UMA DESCULPA

Eron Br um

Entro direto no assunto e me defino: a Copa do Mundo não é culpada do novo

mergulho da economia brasileira em direção ao caos e tampouco deve ser responsabili-

zada pelos recentes lances casufsticos da nossa política. Por acaso a genialidade de Pele,

a sutileza de Tostão, a garra do Gerson e o furacão Jairzinho em 70, no México, contri-

buíram para que ninguém tomasse conhecimento de um tal milagre econômico que

nunca existiu? Passada a euforia, descobriu-se a farsa. E o fracasso do futebol ordem

unida de 78, na Argentina, significou alguma coisa para a economia? A vitória de 70 e

a derrota de 78, aliadas ao desastre de 74, na Alemanha, também não sensibilizaram os

eleitores: o partido do Governo, a cada pleito que se realiza, recebe menos votos. Nas

derrotas ou nas vitórias da seleção.

Mas os números citados pelos economistas são fatais e, durante algumas semanas,

viraram manchete nacional. A cada jogo dos comportados atletas de Telê a Nação per-

dia Cr$ 114 bilhões. Como foram seis partidas, perdemos ou deixamos de ganhar Cr$..

684 bilhões. E quando naquela sombria segunda-feira os gols desconcertantes do desa-

jeitado Paolo Rossi despacharam os canarinhos de volta, a comunidade econômica respi-

rou aliviada: estamos salvos da catástrofe.

Até que não fica muito difícil justificar a mística dos números e o decantado pre-

juízo que a Copa do Mundo teria gerado. É só tomar como exemplo o dia-a-dia de

qualquer trabalhador. Se ele falta no emprego e não justifica, no final do mâs recebe

menos porque deixou de produzir. Como paramos seis dias, deixamos de faturar Cr$...

684 bilhões, garantem os economistas. Mas graças a Paolo Rossi voltamos ao trabalho

antes do previsto e, assim, asseguramos os lucros dos bancos, das indústrias e do co-

mércio.

Os teóricos da catástrofe do futebol — os mesmos que voltarão a repetir suas surra-

das críticas por ocasião do carnaval — relacionaram a euforia dos cinco primeiros jogos

ao disparo da inflação. Os mais de 8 por cento registrados em um único mâs e a ameaça

de que a taxa anual retorna aos incômodos trás dígitos são filhos legítimos da Copa. E

indagam do alto do pedestal: com a inflação, não vieram os aumentos insuportáveis da

casa própria, dos colégios, do leite, do pão, do açúcar, do café e do transporte urbano?

Vieram sim e viriam de qualquer maneira. Com Copa ou sem Copa. Com ou sem

Paolo Rossi. Por acaso o panorama seria outro se a opnião pública n?o estivesse com

mentes e corações voltados para os alegres estádios espanhóis? Ora, as causas da crise

econômica são tantas e tão graves que o futebol, uma das poucas alegrias que ainda não

tiraram do povo, não passa de refresco. Com essa política econômica que aí esta nem

uma dúzia de copas conquistadas ou perdidas darão jeito. Aliás, é bom levar o assunto

mais a sério e não alinhar o futebol como causa de inflação e de desastre econômico.

Os fatores são outros e a Nação inteira os conhece muito bem.

De desculpa em desculpa o Brasil vai perdendo fôlego. A dívida externa cresce, os

juros não baixam, o desemprego assuta, a inflação dispara, Ia crise social se agrava, o

modelo econômico não muda e para cada tropeço se encontra um bode expiatório. (O

chuchu e os barbeiros já pertencem ao time). O último foi a Copa e agora se fala que as


eleições de novembro são inflacionárias. Aposto que o reajuste semestral de salários, no

banco dos réus como causa real da inflação, corre sério risco de levar seu tiro de mise

ricórdia após 15 de novembro.

Igualmente não credito à Copa qualquer responsabilidade quanto às balas casuísti

cas disparadas pelo Planalto. Está certo, o Contresso Nacional aprovou mais um "paço

te" alterando pela enésima vez as regras do jogo eleitoral, enquanto o País vibrava

com os potentes chistes de Éder, com a eficiência de Falcão ou se assustava quando um

atacante inimigo menos avisado ousava experimentar o nosso incrível Valdir Peres.

E se todos estivéssemos alertas, a história seria diferente? Doce ilusão. O "pacote"

seria aprovado do mesmo jeito, a exemplo de tantos outros, nas derrotas ou nas vitó-

rias do futebol. E se os italianos — depois os alemães — deixassem, o Governo iria fatu-

rar as eleições de novembro em cima da imagem dos tetracampeões? Ingenuidade, pen-

so eu. Jogador de futebol brasileiro é gênio dentro das quatro linhas. Como cabo elei-

tora! ainda tem muito que aprender.

Sócrates não va^ como argumento, é exceção. E vejam só o que ele aprontou na

hor? do deíemharqua, em Congonhas, depois da derrota em Barcelona: simplesmente

ti recitou a deixar o avião ao lado de alguns políticos pedessistas, entre eles o ex-go-

wmadw de São Paulo e candidato a deputado federal. Consciente, Sócrates descartou

qualquer possibilidade de exploração de seu nome em campanhas políticas.

Outras desculpas para o fracasso econômico e para os casuísmos políticos já de-

vem estar engatilhadas, não tenham a menor dúvida. Elas continuarão desfilando dian-

tu de nossos olhos, travestidas das mais variadas e exóticas roupagens visando camuflar

MM dura realidade que os truques e as manobras oficiais não mais conseguem controlar.

E até a Copa do Mundo de 86, na Colômbia.

Fórum do debates II

0 recredesciiiie ita da censura

Há algum tempo atrás, o general Figueiredo ameaçou recrudescer, escorrregando

na Gramática e nos ideais democráticos que professa, aliás como costuma fazer — nos

dois casos — habitualmente. O presidente não recrudesceu, é evidente, pois nem seria

possível que isso acontecesse. Em compensação, o recrudescimento da censura é mais

do que sensível.

O retrocesso político representado pelo decreto presidencial que reestruturou o

Conselho Superior de Censura, na última semana de junho, é inegável e foi registrado

por diversos analistas. Nunca foi tão lembrada a célebre frase com que Millor Fernan-

des saudou o surgimento do Conselho, benvindo por alguns setores como mais um si-

nal da "abertura democrática": "Se é de censura, não pode ser superior...".

O decreto de Figueiredo, assinado no dia 24 de junho, retirou do Conselho algu-

mas das entidades mais progressistas que tinham assento nele, substituindo-as por ór-

gãos governamentais e/ou associações-fantasmas, das quais não se reconhece a represen-

6


tatividade. Assim, os 15 novos integrantes do órgão são: o Ministério da Justiça, o Mi-

nistério cfes Relações Exteriores, o Ministério das Comunicações, a Fundação Nacional

do Bem Estar do Menor, a Associação Brasileira de Imprensa, a Associação dos Autores

de Radiodifusão, a Associação dos Autores de Filmes, a Associação dos Autores Tea-

trais (que foram mantidas), o Ministério da Educação e Cultura, o Ministério Público

Federal, a Comissão Nacional de Moral e Civismo, a Federação Nacional de Orientado-

res Educacionais, a Escola de Pais do Brasil e a Associação de Usuários de Rádio e Tele-

visão. Saíram do Conselho: o Serviço Nacional do Teatro, o Instituto Nacional da Cine-

ma, a Academia Brasileira de Letras, a Associação dos Produtores Cinematográficos, a

Associação dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões Públicas, o Conselho

Federal de Educação e o Conselho Federal de Cultura.

Ao decreto de Figueiredo, seguiram-se várias demonstrações de que o recrudesci-

mento da censura era para valer: o filme Missing de Costa Gravas recebeu dois cortes

em cenas nzs quais brasileiros aprecem como torturadores no Chile de Pinochet, o fil-

me Das Tripas Coração, de Ana Carolina e premiado no Festival de Cartagena, foi proi-

bido, a Revista da Guerrilha do Araguaia teve sua edição apreendida, a série Quem

Ama IM5o Mata da Rede Globo foi mutilada por cortss e teve ds ser regrsvada, o filme

O Homem Que Virou Suco, de João Batista de Andrade, foi proibido para a televisão,

Rita Lee tevj cinco músicas de ssu último LP proibidas, Ncy Matogrosso teve duas de

seu último disco probldas de execução pública, a mini-série que sucederia a Quem

Ama Não Mata na Redn Globo, de autoria de Aguinaldo Silva, foi totalmente vsteda.

Apesar disso, a primeira reunião do novo Canseiho, que aconteceu no dia 27 de

julho, não foi suficiente para que se percebesse com nitidez se, de fato, o órgão passará

a adotar postura mais conservadora. A maioria das decisões poli,h.~as foi adiada, inclu-

sive o recurso impetrado pelos produtores do filme Prá Frente Brasil, cuja proibição foi

o pivô de tcdos os acontecimentos posteriores.

A respeito da crise da censura, a grande imprensa publicou uma série de excelentes

artigos nos dias subsequentes á decisão de Figueiredo, que podem ser consultados pelos

interessados: "Agora, foram-se os dedos", de Yen Michalski, no Jornal do Brasil

(26/6/82), "Censura no Conselho", de N. R., na Folha de S. Paulo (26/6/82), "Censu-

ra, ato inferior por natureza", de Sérgio Augusto, na Folha (27?6/82), "Mais Censura",

editorial da Folha (29/6/82), "Censura confiável, enfim", de Paulo Sérgio Pinheiro, na

Folha (29/S/82) e "Depois da ressaca, a censura", de Newton Rodrigues, na Folha

(7/7/82).

Neste Fórum de Debates, o Boletim ÍNTERCOWI apresenta duss análises do pro-

blema: a primeira, de J. S. Faro, faz um apanhado histórico das relações entre censura.

Estado e sociedade civil no Brasil após o golpe militar de 1964; a segunda, de Ciro Mar-

condes Filho, aborda a questão do recrudescimento da censura na conjuntura do pro-

cesso de abertura ocorrido após 1978.


CENSURA E ESTADO NO BRASIL PÕS-64

J. S. Faro

"... o atual sistema político não resiste â mão estendida e nem à abertura propa-

gandeada pelo governo; o refúgio político do atual sistema é nos grupos minoritários e

arcaicos da sociedade, entorpecidos pelos preconceitos e privilégios; as últimas decisões

de força do governo, visam a anular o debate e impedir que a sociedade se expresse de

forma livre e plural".

Foi assim que várias entidades representantes de artistas e intelectuais de São Pau-

lo interpretaram, num manifesto divulgado no início de julho, as mundaças impostas

pelo governo na composição do Conselho Superiore de Censura. Entre outros, assina-

ram o documento o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no

Estado de São Paulo, a Associação Brasileira de Documentaristas, a Associação Paulis-

ta de Cineastas, a Associação dos Produtores de Teatro de São Paulo e o Sindicato dos

Jornalistas do Estado de São Pauio, todas elas entidades que, na legislação anterior, ha-

viam aceitado partic par do Conselho, "porque entendiam ser necessário ampliar o de-

bate nacional sobre ;ensura e porque sabiam do desejo expresso do cidadSb em limitar

até a sua extinção, tcda e qualquer tuteia do Estado".

A indignação com que essas entidades receberam a decisão oficial de afastá-las do

Conselho justifica-se. Afinal de contas foram dispensadas de furma autoritária e injus-

tificada já que em seu lugar, na mesa de um Conselho que deveria pautar sua ação pela

serena sensibilidade em relação ao valor artístico que cumpre analisar nas obras que lhe

são submetidas, passam a ter assento entidades minoritárias, inexpressivas e, em alguns

casos, até fantasmas.

Nesse sentido, a revista "Veja" (14/7) trouxe aos leitores depoimentos interessan-

te: a Associação Nacional de Usuários de Rádio e TV foi uma das indicadas para com-

por o Conselho. Não pode assumir seu lugar, no entanto, porque ainda não existe legal-

mente. Apesar disso, esse simulacro convocou uma reunião para a escolha de seu repre-

sentante-censor. Do insignificante número de 300 associados que formam a tal Associa-

ção, apenas quatro compareceram á "assembléia". Envolvida com dissidências internas

que discordam da participação da entidade no Conselho Superior de Censura, ainda as-

sim sua diretoria não deixou por menos: "a televisão não pode continuar a deseducar",

disse um de seus dirigentes.

Para além, no entanto, do significado extremamente atrasado que têm as altera-

ções promovidas por Figueiredo, ao que parece, na esteira de seu célebre pronuncia-

mento anti-pornográfico feito em cadeia nacional de rádio e televisão no primeiro se-

mestre, está uma questão de fundo que merece meditação maior que o simples anedo-

tário jornalístico permite: trata-se de indagar por que, nesta quadra da chamada aber-

tura política, no momento em que setores inteiros da sociedade brasileira lutam inten-

samente pela sua reorganização e no momento em que a intelectualidade ja respirava

melhor, por que, com base em quais segmentos sociais (além, evidentemente, das

mal-amadas senhoras de Santana), o Estado se impõe novamente no campo da cultura

e das artes.

8


A resposta, evidentemente, não se esgota na emergência de um eventual surto re-

pressivo nem nos humores do general-presidente. Ainda que esses fatos nSo deixem

de influenciar as decisões que dizem respeito às tentativas esporádicas de contralar as

manifestações artísticas no país, as imposições de agora, tanto quanto as anteriores, en-

contram sua razão de ser no caráter profundamente contraditório dos elementos ideo-

lógicos que orientam o comportamento do Estado brasileiro desde 1964.

Assim, ao lado de uma política econômica voltada para o enaltecimento do consu-

mismo, da modernização intensa de parcelas inteiras das classes médias, fartamente be-

neficiadas com crediários e dez pagamentos sem juros, funciona, como numa espécie

de contra-ponto, uma idéia generalizada de "preservação de valores morais" que desde,

a defesa da decantada "civilização cristã" passando pela defesa incondicional da pro-

priedade teria o papel entre nós, de garantir uma tênue unidade entre tecnocratas, mili-

tares e grupos sociais conservadores, com essa corda-bamba em forma de pirâmide que

sustenta o governo.

Desse ponto de vista, fica mais fácil entender o porquê das sucessivas intervenções

do Estado no campo da produção cultural através da censura. Não se tratava apenas de

coibir manifestações "conscientizadoras". especialmente nos anos seguintes a 1964

(aliás, coibições desprovidas de êxito, já que as manifestações da época, no teatro, no

cinema e na literatura carregavam consigo uma tendência irremedíavelemente crítica

em relação ao "sistema"), mas também de atender às demandas e exigências de estratos

sociais que garantiam seu apoio ao governo autoritário.

Em 1968, no amplo quadrada reação que se seguiu ao AI-5, consolida-se a censura

aliada a um esforço sem precedentes em promover a imagem de um Estado sensível aos

problemas sociais do país e a um ritmo de crescimento econômico que justificava a re-

pressão.

É interessante observar como, nos momentos de recrudescimento da ação do Esta-

do, veio junto um sensível endurecimento da Lei de Segurança Nacional: o deaeto-lei

510. de março de 1969 (apenas alguns meses depois da edição do AI-5). agravou penas,

"invadiu" a Lei de Imprensa e tomou-se uma espécie de "guante" sobre todos os seto-

res que resistiam â implantação do arbítrio.

Ao mesmo tempo, depois da enfermidade de Costa e Silva, do curto interregno da

Junta Militar, já no período Mediei, veio uma avalancha repressora no campo da cultura.

Viveríamos, então o período mais negro na história de nossa inteligência: com a centrali-

zação da propaganda oficiai nas mãos da AERP. a instalação de censores nas redações

dos jornais, vem o famigerado decreto 1077, de janeiro de 1970, que estabeleceu a

censura prévia em livros, periódicos e quaisquer publicações. É o momento em que a

interferência policial no processo de censura acentua-se. culminando em 1973. coma

disposição 209 que obrigou todas as publicações a registro na Divisão de Censura da

Polícia Federal.

A regulamentação do Conselho Superior de Censura, depois do período de relativo

abrandamento que marcou as iniciativas do governo Geisel, seria acompanhada da

"abertura", já no governo Figueiredo. Não se pode deixar de reconhecer que o Conse-

lho, como órgão de recurso para disciplinar as medidas que controlam as manifestações

culturais, ainda sob o tacão da Polícia Federal, constituiu-se numa vitória, ainda que

relativa.

Falando em censura por grupos de idade, liberando peças e filmes antes proibidos,

o Conselho, por sua própria composição e por sua recusa, em várias oportunidades, de


impedir a circulação de obras com nítido sentido político, representava um alívio e cer-

tamente uma instância mais ao sabor da complexidade que a vida brasileira acabou ad-

quirindo em conseqüência das transformações econômicas e sociais dos últimos 20

anos.

O problema é que, enquanto não se define em relação às forças políticas que o sus-

tentam, o Estado torna-se instável e inesperado. Em contrapartida, nos vários níveis de

organização da intelectualidade, persistindo ainda a dispersão e a ausência de unidade,

a reação â intervenção do governo não pode ir além de um tímido manifesto de repú-

dio. Assim, bem ao gosto dos repentes do general Figueiredo, as alterações de agora re-

presentam não apenas um retrocesso em relação às conquistas anteriores, mas — talvez

mais importante - uma distorção que se soma a muitas outras que provocam o divór-

cio entre o Estado e os grupos majoritários da sociedade brasileira.

O NOVO CARÁTER DA CENSURA

Gro Marcondes Filho

Em junho de 1S78 o então presidente Geisel suprimia a censura prévia dos últimos

jornais de oposição no Brasil: O São Paulo, Movimento e Tribuna da Imprensa. A cen-

sura se manteria, contudo, ainda nas emissoras de rádio e TV, bem como as leis puniti-

vas a liberdade de expressão, as pressões políticas e as ameaças. Isso não obstante sina-

lizava uma nova fase na conjuntura política brasileira, uma fase há tantos anos aguarda-

da do retorno à liberdade de expressão, a chamada "luz no fim do túnel". Cairia a cen-

sura, respiraríamos novamente após 14 anos o ar primaveril dos novos tempos.

A coisa entretanto não seguiu bem assim. A "abertura", como já se disse na época

não foi uma abertura, mas talvez só um "buraquinho". Desde o início deste processo

até 1981 23 jornais já haviam sido enquadrados na LSN e mais de 20 edições de jornais

apreendidos. Foram feitos 8 atentados a bomba contra a imprensa e diversas bombas

colocadas em bancas de jornais (v. Movimento, 22.6.81). Oficialmente parecia que a

censura havia desaparecido, mas na prática ela continuava a funcionar não mais direta-

mente pelo aparelho de Estado, mas agora pelos grupos de terror político, impunes

diante do aparelho policial-militar. O atentado do Riocentro foi a prova mais marcante

desse estado de coisas.

Muitos jornais da imprensa alternativa desapareceram no período pós-abertura.

Opinião vendia em 1972, antes da repressão maciça aos meios de comunicação, quase

tanto quanto a revista Veja. Tal como o Movimento, o jornal desapareceu por impos-

sibilidade econômica de sustentar a perseguição política do aparelho do Estado. Em

julho de 1979 a redação do jornal Em tompo era destruída e o fato permanece impune.

Todos esses fatos espelham um momento de retrocesso no processo político brasileiro

em que o governo, temeroso da revolta dos calados (principalmente durante os últimos

10 anos), sente a necessidade de criar instrumentos que mantenham a situação anterior

mas sem prejuízo da imagem democratizante que pretendia dar ao regime. De 1978,

ano da Abertura, até o início de 1982 pôde ser considerado como um intervalo da re-

pressão política, no qual o governo se divide entre permitir e punir as violências contra

a liberdade de informação jornalística e cultural. Concede por um lado "perdões" e

mantém impune atentados da extrema direita.

10


Esse período encontra sua definição a partir de 15.3.82 quando o presidente Fi-

gueiredo em seu discurso à Nação, fazendo concessões a setores da direita radical, pre-

ga por uma "cruzada moral". Reinicia-se um novo processo de censura, agora mais

orientado para a informação cultural do que para a política.

Impregnada do novo espírito de cruzado do presidente, a diretora da Divisão de

Censura da Polícia Fderal, Solange Hernandez, apressa-se em aumentar o controle às

telenovelas. Passa a punir em abril de 1982 o que classifica de "cenas de adultério ou

as que favoreçam a liberdade sexual e a prática da prostituição". Em definições pouco

objetivas (cortes a cenas onde hajam "colocações que mostram a liberalidade sexual co-

mo ocorrência normal"), a senhora Hernandez incide também sobre o que qualifica

de "abordagens de problemas existenciais de forma tendenciosa, ao procurar impor

modelos psicodinãmicos de comportamentos alheios à realidade". Permanece imperan-

te a mesma visão de mundo, como a dos militares, de que a realidade brasileira — com

seus problemas reais de aborto, de prostituição, da homossexualidade — não é bem esta

mas sim um modelo ideal na cabeça dos legisladores e executantes das leis, onde tudo é

harmonioso e belo, tal como na Disneylândia.

Como consolidação formal da nova fase da censura no Brasil é reformulado em

24.6.82 o Conselho Superior de Censura. São excluídas sete entidades liberais (como o

Serviço Nacional de Teatro, o Instituto Nacional do Cinema, a Academia Brasileira de

Letras) e em seu iugsr são colocadas entidades como a Comissão Nacional de Mora! e

Civismo, o Ministério da Educação, o Conselho Nacional de Entorpecente:;, entre ou-

tros. A substituição tem caráter eminentemente qualitativo. Setores ligados diretamen-

te à produção da cultura (tendencialmonte com posições críticas ao governo) são troca-

dos por setores situacionistas, quer sejarn ministérios púlbicos, quer sejam grupos ds

pressão de orientação (ultra-) conservadora. 0 novo caráter da censura libera filmes co-

mo "império dos Sentidos 2", "Contos Imorais" e condena "Prá Frente Brasil", "Rei

da Vela", "Das Tripas Coração", "O Sonho Acabou": a nível de cinema libera-se o se-

xo enquanto mercadoria e proibe-se o filme de questionamento político (O caráter po-

lítico e revanchista da nova forma de censura se revelou também nos cortes ao filme

Wliising, com a supressão da fraca "São torturadores especialistas brasileiros"). A pres-

são é para que no msreado cinematográfico os produtores tendam às pornochanchadas,

mais integradas â filosofia das grandes empresas de cinema, igualmente interessadas na

censura política. A nível de TV parsegue-se o comportamento enquanto quebra subver-

siva da moral tradicional, mas permite-se a publicidade de "bundinhas", do erotismo e

do uso fálico das mercadorias nas mensagens publicitárias. O objetivo é claro: não ferir

a suscetibilidade do sexo-mercadoria enquanto veiculado pela publicidade empresarial

e ao mesmo tempo incidir sobre as conseqüências dessa mesma prática e as da dupla

moral social, a nível da sociedade, para que o rompimento com a moral tradicional não

desencadeie rupturas maiores, inclusive com a ordem política vigente e sua legalidade.

Reportagens

COMUNICAÇÃO SOCIAL NA SBPC - 82

José Marques de Melo

A 34? Reunião Anual da SBPC — Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência,

11


ealizada em Campinas (SP), no período de 6 a 14 de julho de 1982, caracterizou-se

por dois traços bem nítidos. Primeiro, significou a m da da primitiva estrutura dai

um encontro de cientistas, discutindo temas científicos. Não obstante a presença de

alguns políticos, empresários ou militares em debates sobre assuntos ligados à política

científica, o perfil da reunião esteve marcado pela discussão de questões pertinentes ao

tema central "Ciência para a vida". O que não quer dizer que a reunião tenha sido esva-

siada de conteúdo político. Segundo, refletiu um certo controle em relação ao gigantis-

mo que caracterizou as últimas reuniões. A comissão organizadora, sem exercer eviden-

temente poder de veto, limitou a participação das diversas sociedades científicas, redu-

zindo quase pela metade muitas das atividades propostas. Esse fato atingiu principal-

mente a área de ciências humanas, cuja programação esteve bem menor que a dos anos

passados.

No que se refere particularmente â área de Comunicação Social, que, aliás, ainda

não ganhou espaço próprio na SBPC (atrelada, por um lado, ao setor de artes, e atomi-

zada, por outro, em diferentes ramos das ciências sociais), a programação continuou

bastante reduzida. Não bastasse isso, ocorreu um outro agravante: boa parte das ativi-

dades previstas não se realizaram, o que naturalmente desapontou (quando não irritou)

muitos dos participantes que compareceram ao local dos eventos e nSo encontraram os

expositores anunciados no programa. á

Estava prevista a realização de seis eventos acadêmicos: 4 simpósios — Comunica-

ção: a questão da teoria (ABEPEC); Jornalismo Científico e transferência de tecnologia

(INTERCOM); 10 anos de produção de cinema na ECA-USP (Depto. de Cinema da

ECA-USP); Informação/Desinformação em Medicina: homeopatia ou alopatia? (IN-

TERCOM); e 2 mesas redondas — Comunicação: por um projeto alternativo para o

Brasil (ABEPEC) e Comunicação e popularização da ciência (INTERCOM). Além dis-

so, estava programado um encontro de natureza associativa — "Comunicação: proble-

mas e perspectivas" (ABEPEC). As atividades programadas pela ABEPEC não se realiza-

ram, com exceção do simpósio sobre os projetos alternativos de comunicação para o

Brasil, a que compareceu apenas um dos convidados (Prol Laurindo Leal Filho, da

PUC-SP). Em face da insistência do público presente, o Prof. Leal Filho Manteve um

diálogo com o auditório e coordenou um debate sobre o tema.

Na sessão de painéis da área de "Artes e Comunicações", cinco dos nove trabalhos

apresentandos tinham como objeto de pesquisa a comunicação social: o sócio da IN-

TERCOM Geraldo Bonadío (ECA-SUP) inscreveu dois estudos — O operário: um sema-

nário sindicalista de Soracaba e Júlio Ribeiro e a imprensa diária em Sorocaba; outro

sócio da INTERCOM, Gustavo Quesada (UFSM) em parceria com R. A. Massaia apre-

sentou os resultados de uma pesquisa feita em Bento Gonçalves (RS) — semelhança

entre as características do extensionista e do produtor e sua relação com o grau de ado-

ção de tecnologia; I. M. G. Bentz discutiu o humor como veículo ideológico; finalmen-

te, uma equipe encabeçada por M. J. P. Galo expôs uma pesquisa da natureza e fun-

ções do texto de literatura infanto-juvenil brasileira.

Notou-se, por outro lado, a presença de estudos de interesse dos pesquisadores da

comunicação nas atividades vinculadas a outros setores do conhecimento. Na área de

Antropologia: o simpósio coordenado por Mariza Corrêa (UNICAMP) sobre "Cami-

nhos cruzados: antropologia, linguagem & ciências naturais", que discutiu questões li-

gadas â cultura popular e à folkcomunicação; o mesmo ocorreu nos simpósios "Acha-

dos e perdidos: cantigas, cafajestes e outras periferias", coordenado por Peter Fry

12


(UNICAMP), e "Mitologias: o reinado do imaginário", coordenado por Roberto Motta

(Fundação Joaquim Nabuco). Na área de Economia e Administração: o simpósio

"Realidade do Turismo no Brasil: criação nacional ou tecnologia importada?", coorde-

nada por Maria Isabel de Souza Lopes (PUC-SP), desvendando aspectos do lazer de

massa. Na área de Literatura: o colóquio "Literatura de massa: alguns tratamentos (ro-

mance de mistério, romance policial)", coordenado por Raul Fiker (UNICAMP) e a

sessão de comunicação coordenada presidida por Gloria Maria Fialho Ponde, "Rumos

da Pesquisa em Literatura Infantil e Juvenil no Brasil". Na área ás sociologia: o simpó-

sio sobre "A mulher como objeto de estudos", onde Luis Felipe Ribeiro (PUC-RJ) ana-

lisou a mulher na literatura: personagem e autores; a mini-conferõncia "Coisas da Ro-

ça" realizada pela equipe de pesquisadoras da Standard Publicidade, sob a liderança de

Clarice Herzog, tendo como objeto a pesquisa sobre a penetração da TV nas zonas ru-

rais de São Paulo, Na área de Política: o encontro coordenado por Silvio Caccia-Bava

(PUC-SP) sobre "Produção de material educativo para o movimento operário e popu-

lar". E ainda na área de Documentação e Informação Científica: a comunicação de

Abraharn Jagle, secretário da Associação Brasileira de Jornalismo Científico, sobre

"Pós-graduação em jornalismo científico".

ProsscguinJn a experiência iniciada na Reunião do Rio de Janeiro, a SBPC mante-

ve na programação geral do encontro de Campinas o evento 'Tela Livre", aberto aos

tealizadores independnetes para a exibição dos seus trabalhos cinematográficos. A ses-

são deste ano foi coordenada por Eda Tassara e teve um dos dias tíadicado exclusiva-

mente à projeção de filmes que tratam de temas da comunicação social: OG curta metra-

gens "Belmonte", de Ivo Blanco, sobre o caricoturista paulista que marcou presença

na "Folha de 35o Prulo" na primeira metade des^e sácub, e "Paulo Emilio", de Ricar-

do Dias, montagem de flagrantes biogiávicos do inesquecível pesquisador do cinema

brasileiro; e também o longa metragem "Paulicéia Fantábíica", uma pesquisa sobre o

nascimento do cinema paulista, cuja autoria foi registrada como pertencente a João

Batista de Andrade, que na verdade apareceu como tal para resguardar a participação

de Jean Ciaude Bernadet, na época da produção (1970) impedido por motivos políti-

cos de figurar em iniciativas culturais financiadas pelo Estado. Aquele filme contou

também com a participação de .'."ária Rita Galvão e Rudá de Andrade, na pesquisa que

permitiu a montagem do produto final.

Cabe registrar também que, na reunidão de Campinas, a SBPC introduziu uma ex-

periância a ser continuada e consolidada. Contou com a participação do Curso de Co-

municação Social da PUCAIV.P, que montou uma assessoria de comunicação para o

evento, envolvendo alunos e professores dos cursos de Jornalismo e Relações Públicas.

Trata-se de uma iniciativa importante, no sentido de melhor entrosar a comunidade

científica com a nova geração de comunicadores sociais, dos quais se espera natural-

mente um maior compromisso com a popularização da ciência. E nada melhor para ini-

ciar esse trabalho do que um envolvimento com a principal entidade brasileira de apoio

e incentivo à ciência nacional.

EDUCAÇÃO RADIOFÔNICA EM DEBATE

Luiz Fernando San toro

A Associação Latinoamericana de Educação Radiofônica (ALER) realizou em Por-

13


to Alegre, de 19 a 23 de julho, um seminário onde discutiu o problema da educação

radiofônico na América Latina. O documento básico do encontro apresentou os resulta-

dos finais de uma detalhada pesquisa descrevendo a estrutura e funcionameto de Insti-

tuições de Educação Radiofônica (IER) que fazem parte da ALER. A pesquisa leva o

nome de Projeto ASER - Análise dos Sistemas de Educação Radiofônica. A INTER-

COM foi convidada para participar do seminário.

A ALER congrega cerca de 40 instituições que se dedicam à educação pelo rádio

em 17 países latinoamericanos. Estas instituições têm orientação cristã e desenvol-

vem, em vários níveis, uma ação educativa voltada para as organizações de base rurais

e urbanas. Sediada em Quito, Equador, A ALER atua junto às suas filiadas em três li-

nhas principais: formação - capacitação, comunicação — documentação e investiga-

ção - avaliação. O projeto ASER insere-se nesta última linha de ação e é uma atividade

de vital importância para o funcionamento e crescimento das instituições de educação

radiofônica. O projeto não se limita à descrição da estrutura e funcionamento de 27

delas, espalhadas por toda a América Latina, mas faz uma investigação sistemática e

comparativa desses aspectos, sempre tendo em vista o contexto específico no qual cada

instituição se insere. Dessa forma, as diferentes instituições participantes puderam,

através do documento básico, conhecer com detalhes as experiências de seus pares. No

seminário, o documento foi discutido em seus aspectos mais relevantes, complementa-

do e enriquecido por contribuições emergidas do diálogo e do intercâmbio de experi-

ências e idéias, fundamentadas na prática diária de trabalho de cada uma das institui-

ções.

Os sucessos e dificuldades foram devidamente pesados e discutidos, numa oportu-

nidade rara para a maior parte das instituições de parar por um momento e refletir so-

bre o que estão fazendo, algo extremamente importante para aqueles que se dedicam à

tarefa de contribuir para a solução de um problema crônico na América Latina, que é

o da educação.

A falta de reflexão e de troca de experiência nos IER leva a um perigoso individua-

lismo, espontaneismo ou mesmo a um ímediatismo, que tem como conseqüência ape-

nas a legitimação de seus serviços, sem caminhar em direção aos objetivos de transfor-

mação aos quais se propõem. O seminário de Porto Alegre pretendeu, antes de tudo,

formular um plano de colaborações e sugestões para melhorar a ação que vem sendo

desenvolvida pelas instituições. Consegue-se assim escapar ao erro de limitar-se à pro-

dução de textos referentes a


COMUNICAÇÃO E TEOLOGIA EM DIALOGO

Dermi Azevedo

Na linha de opção pelos pobres, quais os pontos de convergência entre Comunica-

ção e Teologia? Para começarem a responder a esse pergunta, cerca de 30 teólogos e

comunicadores brasileiros e um teólogo latino-americano — Juan Cano, da Celadec, Pe-

ru — participaram, de 4 a 7 de julho, em Piracicaba, da I Consulta sobre Comunicação

e Teologia, promovida pelo UCBC, com apoio da UNIMEP. Uma segunda consulta será

realizada no final de novembro, sobre "O que é Teologia da Libertação e o que é Co-

municação Libertadora".

Marcado pela simplicidade, este projeto da UCBC, cujas atividades práticas come-

çaram nessa consulta, tem, de fato, um sentido histórico. É a primeira vez que profis-

sionais da Comunicação e da Teologia encontram-se para um diálogo ecumênico e in-

terdisciplinar. Todas as iniciativas em andamento nesse área têm sido, até agora, restri-

tas às confissões cristãs em particular e sofrem dessa falta de ecumenismo.

O CELAM - Conselho Episcopal Latino-Americano —, através do seu Departa-

mento de Comunicação Social, vem refletindo há vários anos sobre o tema e, no próxi-

mo mês, em Santiago do Chile, promoverá um encontro final para aprovação de um vo-

lumoso documento sobre o tema. O ponto de partida foi um trabalho do teólogo chile-

no Alessandri e que foi enviado depois a cerca de 300 comunicadores da América Lati-

na para apreciação.

Por sua vez, a CLAIR — Conferência Latino Americana dos Religiosos —também

vem fazendo sua reflexão, na área católica e a WACC incluiu o tema entre suas priori-

dades para o próximo quadriênio, de acordo com decisão do encontro de Zeist Holan-

da (no mês passado).

Solicitada a participar desses esforços, a UCBC refletiu durante meses e decidiu,

durante o congresso de Florianópolis, em 1981, empreender seu próprio esforço ecu-

mênico, oferecendo dessa forma sua contribuição às demais entidades católicas e/ou

evangélicas. É o que começou a se concretizar nessa primeira consulta.

Em um primeiro momento, os teólogos procuraram, de certa forma, desideologi-

zar a Teologia {"nome ambíguo", segundo Hugo Assmann, "fala comprometida", de

acordo com Maraschin, "interpretação do Evangelho, que não pode excluir a interpre-

tação da realidade brasileira", na expressão de João Dias de Araújo, presbiteriano da

Bahia).

Os comunicadores esforçaram-se, no segundo momento, em apronfundar uma vi-

são mais abrangente da Comunicação, a partir das premissas surgidas das relações so-

ciais de produção e na perspectiva da realidade latino-americana e brasileira.

Muitas questões/fronteiras foram surgindo, no decorrer da Consulta: o papel das

igrejas, como instituições; a racionalização seja da Teologia, seja da Comunicação,

diante de manifestações culturais populares que nem sempre podem ser racionalizadas

e logicizadas; a coerência entre os discursos das hierarquias eclesiais e a prática de co-

municação interna nas igrejas; as mediações opressor/oprimido, nas duas áreas; de que

maneira, na História do Brasil e da América Latina, as práticas de Comunicação foram

usadas no projeto colonizador que, por sua vez, serviu-se do projeto evangelizador e

por ele foi servido, entre outras.

15


A documentação da I Consulta será, agora, editada pela UC3C e essas questões se-

rão retomadas no próximo encontro, que terá uma participação mais ampla de teólo-

gos e comunicadores latino-americanos. E as pontes entre Comunicação e Teologia se-

rão encontradas no decorrer do processo de diálogo.

ENECOM ANALISOU ENSINO DE COMUNICAÇÃO

Daniel Herz

Qual o papel que os estudantes de comunicação devem assumir no período históri-

co que atravessamos? Essa pergunta sintetiza o que houve de novo no VI Encontro Na-

cional dos Estudantes de Comunicação — ENECOM, realizado de 4 a 11 de julho últi-

mo, em Florianópolis. Aparentemente óbvia, essa indagação só pode ser avaliada se a si-

tuarmos no contexto em que se debate o ensino e a prática profissional da comunica-

ção no Brasil. Na verdade, respostas claras e coletivas a esse tipo de indagação ainda

não foram encontradas nem pelos professores e pesquisadores da comunicação, em

suas entidades associativas, nem pelos profissionais, reunindos nas entidades sindi-

cais.

O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas Profissionais, Washington de

Melo,t participante de um dos debates do VI ENECOM, num momento de desabafo

lembrava que os profissionais estão excessivamente comprometidos com o mercado

de trabalho, com um cotidiano opressivo, com o salário, enfim, com a sobrevivência.

Washington atribui para as escolas, por isso, o insubstituível papel de gerar uma re-

flexão sobre o sentido histórico das práticas de comunicação no Brasil. A reivindicação

de Washington aponta, por um lado, para a importância que tem a defesa e o fortale-

cimento dos cursos para os profissionais e, por outro lado, para necessidade dos cursos

se voltarem para problemas concretos e socialmente relevantes.

Implicitamente, a reinvidicação de um papel social para os cursos de comunicação

e para os estudantes, contém um ataque às pessoas e entidades que subordinam seus

temas de pesquisa e pautas de debate à mera curiosidade intelectual. 0 enfretamento

de problemas substantivos e a adoção de uma estratégia política — que caracterizaria

o cumprimento de um "papel social" — piorem, não é algo simples de se alcançar. Isso

requer uma profunda compreensão do momento histórico e clareza política quanto a

intervenção que se quer fazer na sociedade. E essas dificuldades não são apenas de estu-

dantes. São também dos professores, dos pesquisadores e dos profissionais da comuni-

cação. Ouando se passa da esfera da discussão para a ação política, a unidade possível

tem se mostrado insuficiente.

Se concordamos com essa análise podemos concluir que o VI ENECOM fez os

estudantes avançar. Neste ENECOM surgiram temas e debates novos, que foram além

das intermináveis lamentações sobre o mercado de trabalho ou a má qualidade dos

cursos. Apesar das contradições internas, no VI ENECOM surgiram com muita clare-

za certas questões políticas que costumam ser esterilizadas nas sessões de "tricozinho

intelectual" reunindo professores e pesquisadores da comunicação, como disse certa

vez o histórico Pompeu de Souza. Isso ficou evidente no próprio caráer do VI

ENECOM que privilegiou, por proposta da delegação de Santa Catarina no V ENECOM

o debate político e científico de temas específicos da comunicação, ao invés da genera-

lidade das análises de conjuntura do movimento estudantil e da política nacional.

16


Aos poucos os estudantes começam a perceber que o seu "papel social", assim co-

mo o dos professores, pesquisadores e profissionais, não está escrito em nenhum lugar,

não é algo dado, mas deve ser construído pela opção e pela ação política. Poucas teses

foram apresentadas pelos estudantes, ainda desacostumados com a nova orientação do

ENECOM. Mas as teses apresentadas apontavam para questões como: a importância

teórica e prática da comunicação popular; a busca de uma estratégia política contra-he-

gemõníca para a prática profissional dos comunicadores; a necessidade da luta ideoló-

gica e da democratização dos cursos; a plitização do debate do mercado de trabalho e

da orientação da formação profissional. Essas teses, de fato, condenavam a redução do

movimento dos estudantes de comunicação à luta pelo novo currículo. Esse foi, aliás,

um grande saldo do VI ENECOM: entender o currículo que se debate como um ins-

trumento de mobilização pela melhoria dos cursos. E mais, entender que o currículo

deve ser o resultado final de um debate sobre uma nova concepção dos cursos de co-

municação. Não se supervaloriza, dessa maneira, o papel do currículo, mas se acentua

o caráter político da luta pela construção de cada curso, pela aplicação de cada currí-

culo e pela democratização da orientação do ensino, da pesquisa e da extensão em cada

escola.

0 ENECOM ainda busca afirmavão política e institucional. Não tem sido fácil en-

raizar na base estudantil o mcvimenío. Principalmente entre estudantes que vivem ex-

periências tão diversificadas como é o ensino nas escolas públicas e privadas e em habi-

litações que apresentam profundas contradições. Essa questão aliás, chegou a aflorar,

embora não tenha sido assumida psios estudantes, como ainda não o foi pelos profes-

sores e profissionais: temos qus aceitar essa divisão de habilitações? temos que aceitar

essa orietanção dos cursos, especialmente os de RP e Publicidade, para práticas e téc-

nicas incompatíveis com um projeto de construção ds uma nova hegemonia na socie-

dade?

As resoluções finais do VI ENECOM ficaram inegavelmente aquém do que se de-

bateu. Os estudantes ainda não conseguiram um meio de capitalizar toda a riqueza das

posições que surgem num encontro dessa natureza. Aliás, o problema da memória

histórica é algo muito mal resolvido em nossas entidades: os assuntos quase sempre par-

tem de zero, como se nunca tivessem sido discutidos antes.

As resoluções finais do VI ENECOM se referem principalmente ao encaminhamen-

to da participação dos estudantes no debate do novo currículo, na Comissão Especial

do CFE que estuda a reorganização dos cursos.

Participaram do VI ENECOM 460 delegados e observadores de 26 escolas, com-

pondo uma razoável amostra do ensino da comunicação que hoje se pratica no Brasil.

Como subproduto do VI ENECOM restam ainda os depoimentos daqueles que sofrem

a ação diária de um imenso contingente de professores mal preparados técnica e cienti-

ficamente, politicamente conservadores e insensíveis às necessidades de mudança. En-

fim, um quadro que cobra muito debate entre professores e estudantes, necessário até

mesmo para se enfrentar os mais elementares problemas. E que nos deixa claro que o

mais grave problema não é o currículo ou a falta de equipamentos — embora isso tudo

seja importante — é o das relações políticas envolvendo professores e estudantes.

17


RELAÇÕES PÚBLICAS EM SEU QUINTO

CONGRESSO UNIVERSITÁRIO

Maria Krohling Kunsch

De 21 a 25 de julho, realizou-se no Instituto Metodista de Ensino Superior, em

São Bernardo do Campo, o V Congresso Nacional Universitário de Relações Públicas,

uma promoção da Associação Brasileira de Relações Públicas, mediante seu Diretório

Nacional e a Seção Estadual de São Paulo, e da Faculdade de Comunicação Social do

Instituto Metodista.

O evento, que teve como tema geral a analise das Relações Públicas na atual idade,

ensejou uma reflexão sobre o verdadeiro papel das Relações Públicas na sociedade de

hoje, seus avanços em pesquisas acadêmicas e profissionais, as controvérsias existentes

nas áreas de legislado profissional, formação e docência, além da atuação das entida-

des de classe.

Foram debatidos diversos pontos considerados fundamentais para a consolidação

da profissão, como o currículo ideal para os cursos de graduação, a implantação, vali-

dade e importância dos projetos experimentais em Relações Públicas, as pesquisas que

foram e estão sendo feitas a nível de pós-graduação nessa área. os elementos básicos do

Acordo do México {relativo ao exercício profissional das Relações Públicas), o desem-

penho das entidade-; de classe (Conselho Federal de Relações Públicas, com seus conse-

lhos regionais, e Associação Brasileira de Relações Públicas, com suas seções estaudias,

e a necessidade da criação do sindicato profissional.

Paralelamente ao V Congresso, também teve lugar o V Ciclo de Estudos Superiores

de Relações Públicas, que abordou as Relações Públicas na sociedade em mudanças,

destacando a necessidade de que as organizações e os profissionais se conscientizem da

nova dinâmica social, política, econômica e tecnológica, que passa a exigir um novo

posisionamento das Relações Públicas.

Ao final do encontro estabeleceram-se diversas recomendações, entre os quais se

salientam aquelas que foram feitas no sentido de que os profissionais, os estudantes

universitários e as entidades representativas da classe iniciem um trabalho de esclareci-

mento e informação sobre o alcance da atividade profissional de Relações Públicas; se

crie um plano de ação permanente, com estratégias capazes de consolidar respectiva-

mente a profissão e as atividades de Relações Públicas, quer a nível técnico, quer a ní-

vel de magistério, de modo a se conseguir a necessária consciência de classe; e se pro-

mova urgentemente uma união entre as entidades representativas da classe, profissio-

nais e estudantes universitários de Relações Públicas, para que haja um posicionamento

profissional que conduza a uma ação conjugada nos termos contidos na Lei 5.377/67

(de regulamentação da profissão de Relações Públicas).

O congresso, que contou com a participação de conferencistas de grande experi-

ência no campo, trouxe uma boa contribuição no sentido de que se pense nas Relações

Públicas de uma forma mais global, sem se deter nos aspectos puramente técnicos da

profissão. Saber que tipo de profissional as escolas querem formar e qual tem sido a co-

laboração dos profissionais militantes para os universitários foi uma constante nos de-

bates. Não basta apenas uma lei para que a profissão seja reconhecida de fato. é neces-

18


sária também uma consciência de classe, uma associação forte, com a participação inte-

ressada de profissionais e estudantes, um conselho atuante no seu papel de fiscalizador

e, além disso, um sindicato — pois, segundo Antônio Firmo de Oliveira Gonzalez, vice-

presidente do Sindicato dos Profissionais de Relações Púlbicas do Rio Grande do Sul,

"não existem argumentos lógicos e válidos para que não se organizem sindicatos de Re-

lações Públicas, mesmo porque a maioria dos profissionais são assalariados e recolhem

obrigatoriamente o imposto sindr* dele nada usufruindo se não tiverem uma entidade

estruturada e reconhecida na forma prevista pela legislação do trabalho".

Assim, mediante a união da classe e uma integração maior entre a Escola e as orga-

nizações, haveria condições mais propicias de se projetar para o empresariado em geral

o alcance e a importância das atividades de Relações Públicas nas instituições, abrindo-

se com isso maiores chances de trabalho e o justo reconhecimento da profissão de

Relações Públicas por parte da sociedade.

Crítica dos meios

ESPANHA 82, UMA COPA SEM TV

Roberto Queiroz

Quando a Rede Globo de Televisão, mais de um ano antes do acontecimento, co-

meçou a divulgar informações sobre seu esquema de cobertura da Copa do Mundo da

Espanha, ainda estávamos ás voltas com o desespero das outras emissoras, exclufdas

que estavam da grande festa por um golpe digno de qualquer grande truste internacio-

nal.

Ao contratar junto a um consórcio internacional a transmissão das Olimpíadas de

Moscou, a Rede Globo recebeu, incluída no mesmo pacote, a exclusividade para todo

o território brasileiro da cobertura ao vivo da Copa do Mundo da Espanha.

Legalmente, nada havia a objetar, uma vez que os contratos foram firmados den-

tro de normas jurídicas reconhecidas em todo o mundo, mas os resultados foram ob-

viamente conseqüência de profunda distorção da função social que o próprio governo

brasileiro reputa às emissoras através de sua regulamentação para exploração do chama-

do espaço público. Aliás, uma função social que tem tido sua importância minimizada

face a interesses casuísticos e politiqueiros, como nos tem provado exemplos recentes.

Essa distorção refletiu-se principalmente na política governamental que permitiu

à Rede Globo distanciar-se tanto de suas concorrentes em termos estruturais a ponto

de tornar-se efetivamente a única rede televisiva do pais. Um dos resultados dessa tole-

rância desastrosa, da qual o governo parece acordar um pouco tarde, foi justamente a

falta de estrutura, por parte das outras chamadas "redes", de também bancarem a

transmissão de Moscou para poderem depois usufruírem dos dividendos garantidos de

uma Copa do Mundo.

A potência da Globo, portanto, se por um lado lhe garantiu comer sozinha o leitão

do banquete, trouxe-lhe também o reverso da medalha, ou seja, um responsabilidade a

todos os níveis aumentada proporcionalmente pela ausência de concorrência.

E foi justamente nesse ponto que a "Vênus Platinada" começou a falhar, esque-

cendo - e talvez não querendo lembrar - que muitos locais do país ficariam sem ver a

19


Copa por não possuírem estações retransmissoras que lhes garantissem a recepção da

imagem da Globo e por não haver condições de se montar essas estações em tempo há-

bil. Mato Grosso do Sul, por exemplo, â exceção de reduzida área próxima a suas fron-

teiras com a região sudeste, teve de se contentar com o famoso radinho.

No que diz respeito ao trabalho de cobertura, propriamente dito, houve uma su-

cessão de erros, inclusive de avaliações, mostrando que gigantismo não é necessaria-

mente garantia de qualidade e seguro contra imprevistos.

E o primeiro desses imprevistos, que ninguém esperava, foi a simplesmente primá-

ria direção de câmeras da televisão espanhola, geradora principal das imagens da Copa

(a Globo conseguiu também um canal exclusivo no satélite para enviar imagens com-

plementares e exclusivas). Com uma absoluta falta de criatividade e padrão profissio-

nal, a RTVE nos brindou com um festival de "desesclarecimento" através da imagem.

Nem mesmo o "replay" se salvou, com câmaras fixas atrás dos gols e sem acompanhar

a origem das jogadas pelas laterais do campo e raramente utilizando a câmera lenta.

Sem falar nas vezes em que o operador perdia a bola do jogo...

Pois bem, esse problema a Globo poderia, senão resolvê-lo, ao menos minimizar

seus efeitos com a câmera exclusiva. Mas o caldo continuou a gorar. Mal colocada e

perdendo detalhes que seriam essenciais a quem pretendesse dar um pouco mais de vi-

da a uma transmissão descolorida, ainda por cima insistiu-se tanto na repetição de ce-

nas que ocorreu o cúmulo de não se registrar um pênalti batido por Six no jogo França

x Alemanha.

Por outro lado, uma equipe com quase 150 profissionais (a maior entre todos os

órgãos que cobriram a Copa) teria obrigação de apresentar algo melhor que exaustivas

entrevistas com torcedores dando palpites sobre o resultado dos jogos e comemorando

resultados. Não ficou só nisso, é certo, mas os grandes momentos foram tão poucos

que a impressão deixada foi a do reforço do óbvio.

Quanto aos locutores e comentaristas, a impressão foi também de uma certa frustra-

ção. Não se pode negar a nenhum deles experiência e capacidade profissional mas o re-

sultado sem dúvida nenhuma ficou muito abaixo do que seria justo esperar. Além de

erros primários como a troca de nacionalidade de jogadores de outras copas citados a

reforço de comentário, a falta de imaginação para suprir um pouco as deficiências da

imagem resultava muitas vezes em uma narração monótona e repetitiva. Sem falar na

parcialidade mostrada durante os jogos do Brasil, fazendo parecer que se falava de uma

partida diferente da que a televisão mostrava. Mas o mais engraçado (e trágico) foi des

cobrir nesses narradores algum entusiasmo após a eliminação do Brasil (quem pode es-

quecer a cara jururu do Márcio Guedes no Bate-Bola após o jogo com a Itália?)...

0 resultado disso tudo foi que não se fez muito do que havia sido prometido. É

bem verdade que o sucesso financeiro foi absoluto, com a audiência ultrapassando os

92 pontos, mas em Copa do Mundo isso não significa referendar a qualidade do que é

mostrado. A prova disso foi a surpreendente resposta obtida pelas rádios que cobriram

os jogos na Espanha. Teve muita, mas muita gente mesmo, que andou abaixando o som

da tv para ouvir o radinho. e não foi só na Record, não. Perguntem ao pessoal da Jo-

vem Pan, da Bandeirantes e da própria Globo-Excelsior. Na verdade, apesar da tv, esta

foi uma copa sem tv...

20


GRANDE IMPRENSA FICOU DEVENDO BOA ATUAÇÃO

Ouhydes Fonseca

Se a Seleção Brasileira, ao perder a Copa do Mundo na Espanha, voltou ao Brasil

sem permitir ao torcedor saber até onde o seu "maior futebol do mundo" poderia che-

gar em termos de qualidade e eficiência, o mesmo se pode dizer da imprensa brasileira,

especialmente dos quatro grandes jornais do Rio e SSo Paulo. De fato, a desclassifica-

ção prematura do selecionado impediu que os jogadores brasileiros chegassem ao ponto

máximo de seu rendimento, conforme os planos da Comissão Técnica, embora algumas i

das exibições tenham chegado a empolgar, como a vitória sobre a Argentina. E, por seu

turno, os jornalistas brasileiros já haviam demonstrado que tinham se preparado para

realizar uma cobertura jamais vista na história do jornalismo esportivo do Pafs, caso o

tetra-campeonato fosse conquistado.

Ficaram, pois, a dever essa grande performance. Mas o que realizaram até o mo-

mento da grande decepção diante da Itália foi suficiente para impressionar. Os esque-

mas montados pelo jornalismo brasileiro de um modo geral e, particularmente no caso

dos meios impressos, pelos jornais O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de S. Paulo e

Folha de S. Pau/o^hamaram aatenção dos jornalistas de todo o mundo, por sua técnica,

volume de pessoal e de produção e amplitude de abordagem dos assuntos direta e indi-

retamente ligados ao campeonato. Mas de três mil pessoas, entre repórteres, fotógrafos,

comentaristas, colunistas, cinegrafistas, técnicos e pessoal de apoio formaram o exerói-

to da comunicação brasileira na Copa, número incrivelmente maior do que esteve na

Argentina, há quatro anos.

Tudo resultou, na prática, num volume inédito de páginas de jornais e revistas, ho-1

ras e imagens de rádio e televisão oferecidos ao público brasileiro durante mais de um

mês — pertodo que seria bem maior caso o Brasil conquistasse a Copa —, para satisfa-

ção dos empresários da comunicação, que faturaram alto com a publicidade que o

Mundial ensejou, e do Governo, que viu o Pafs todo mergulhado numa alienação total

em relação aos seus problemas do dia-a-dia. Contudo, uma situação muito ruim para a

economia da Nação, que teve prejuízos de 571 bilhões de cruzeiros em termos de Pro-

duto Interno Bruto apenas nos cinco dias em que a Seleção jogou, e para o desenvolvi-

mento social como um todo, já que o interesse dos jornais por outros assuntos decres-

ceu tanto a ponto de O Estado de S. Paulo dedicar o espaço nobre de sua última página

durante vários dias à presença dos "canarinhos" na Espanha. Isso sem falar que os pre-

parativos do selecionado e sua participação na Copa custaram mais de 600 milhões de

cruzeiros — mais do que todas as demais seleções — arrecadados por intermédio da Lo-

teria Esportiva e até mesmo do preço pago pelos brasileiros em cada xícara de café que

beberam no período.

Ficou claro que a imprensa brasileira, em particular os grandes jornais, elegeram a

Copa do Mundo como um tema de transcedental importância. Não cabe analisar a jus-l

teza dessa decisão, mas suas conseqüências em termos formais e de conteúdo. Indepen-

dentemente, portanto, do que se pensar a propósito da grandeza da cobertura jornalís-

tica da Copa do Mundo, o fato inconteste é que ela produziu aspectos importantes. Em

termos técnicos, por exemplo, ensejou vários novidades. O Jornal do Brasil, além de ter

organizado uma caravana por navio, inovou com a edição de um tablóide editado e im-

presso em Madri. De 16 de junho até o final da Copa, a Edição Extra/Copa do Mundo

21


do JB circulou com cinco mil exemplares diários trazendo noticiário da Copa e do Bra-

sil, distribuído! gratuitamente aos participantes da caravana e â torcida brasileira na

Espanha. .

Coube a O Estado de São Paulo apresentar a outra inovação: pela primeira vez na

história do jornalismo brasileiro, seus repórteres se utilizaram de video-terminais aco-

plados a modernos computadores localizados na sede da Marginal do Pinheiros para

transmitir suas matérias. Sem ser novidade, mas aproveitando-se de sua excelente qua-

lidade de impressão, O Globo utilizou-se bastante das cores. Ao que se saiba, a Folha

de São Paulo não inovou em termos técnicos.

Quanto ao conteúdo, os quatro jornais registraram um avanço, no sentido de que

se utilizaram não apenas de seu corpo redatorial fixo e especializado mas foram buscar

a colaboração de pessoal culturalmente expressivo, procurando dar ao futebol um tra-

tamento melhor em termos de linguagem. O Globo contratou nada menos do que o pe-

ruano Vargas Llosa, que produziu excelentes textos; o JB atacou de Carlos Eduardo

Novaes e Carlos Drumond de Andrade; a Folha de São Paulo com Luiz Fernando Ve-

ríssimo, Josué Guimarães e uma boa página de humor que incluía ainda Angeli, Faus-

to, Glauco, Laerte, Arapuã e outros; O Estado de S. Paulo preferiu utilizar o pessoal

da casa, mas inovou positivamente com a introdução de depoimentos de pessoas de

todos os níveis sociais, culturais e políticos após cada partida do Brasil, desde Maria

Delia Costa até um gandula e de Arrelia a Mário Garnero. Isso tudo além de nomes

tradicionais no jornalismo esportivo como João Saldanha, Sandro Moreyra, Pele, Leão

e outros. O Globo, inclusive, mandou para a Espanha alguns colunistas de outras áreas,

como Carlos Swan, Nelson Morta e Sérgio Cabral.

De um modo geral, porém, apesar da qualidade redacional que todo esse pessoal

conferiu à cobertura, a imprensa acabou favorecendo o clima de euforia coletiva que

se transformou em decepção. Mas que foi tão forte a ponto de a Seleção poder chegar

ao Brasil e encontrar a torcida de braços abertos, acreditando que se a Taça não veio

ao menos ficou provado que o nosso futebol ainda é o melhor e mais bonito do mun-

do. O que, ao contrário da Argentina, de onde viemos sem derrotas mas com o título

de "campeões morais" outorgado pelo próprio treinador, nos dá o direito de acreditar

que para a Copa da Colômbia, em 86, tudo o que aconteceu agora será amplamente

superado. Há, porém, que fazer algumas observações complementares importantes. En-

tre os quatro grandes jornais, O Estado de S. Paulo, mesmo saindo um pouco de sua

tradicional compostura editorial, foi o que se mostrou mais discreto e ponderado na

exaltação das virtudes dos "canarinhos". Não correu assim o risco de João Saldanha,

Sérgio Cabral, e o próprio Pele, por exemplo, ou ainda O Globo, em editorial, que em-

barcaram na canoa da euforia e depois tiveram que engolir alguns sapos. Pele chegou a

escrever que não se lembrava de ter ficado tão encantado com a Seleção Brasileira des-

de 1970. Sérgio Cabral afirmou que "só um milagre impedirá que a Seleção Brasileira

volte com a Copa", para depois dizer que "a Itália venceu porque teve coração". Salda-

nha pontificou: "Já pudemos provar a todos e principalmente aos nossos torcedores, is-

to é o mais importante, que nosso futebol, o futebol brasileiro, é o maior espetáculo da

terra". Mais tarde, escreveria que "o fato de possuirmos jogadores extra-série como Só-

crates, Zico, Falcão, Júnior e Cerezo davam a falsa impressão de que éramos superiores

em tudo". E o editorial de O Globo dizia: "Ao passarmos às etapas decisivas da Copa

do Mundo, tudo demonstra haver fundamento no otimismo com que o povo brasileiro

acompanha o desempenho da Seleção". Se, consciente ou inconscientemente, os cha-

mados experts criaram e se deixaram envolver por esse otimismo que amorteceu o sen-

so crítico de todos, como criticar o comportamento de uma população que se auto-in-

titula de "120 milhões de técnicos de futebol?" E que depende quase exclusivamente

dos grandes meios de comunicação para informar-se e formular seus juízos de valor?

Como no esporte nada é definitivo, vitória ou derrota, não se duvide de que, a exemplo

22


das convencionais declarações dos nossos jogadores, logo estaremos conscientizados de

que "na Espanha nato deu mas na Colômbia faremos tudo para voltarmos com a Taça".

Afinal, somos ou não somos os melhores do mundo?

SENHOR É UMA NOVA OPÇÃO DE INFORMAÇÃO SEMANAL

Carlos Eduardo Lins da Silva

Muito poucos analistas do jornalismo brasileiro discordarão de uma afirmação como

esta: Mino Carta é seguramente um dos mais importantes nomes da imprensa neste País

em todos os tempos. Sua passagem pelo Jornal da Tarde, Quatro Rodas, Veja, Jornal

da República e Isto É definiu estilos, estabeleceu marcos históricos, revolucionou pa-

drões.

Uma das características mais notáveis de suai carreira é a capacidade de ousar.

Deixou Veja para tentar uma revista com objetivos totalmente diversos dos que ajuda-

ra a fixar para a mais importante revista semanal do País, não se poupando uma auto-

crítica impiedosa. Arriscou tudo num projeto de jornalismo diário alternativo (o Jor-

nal da República) que, apesar de tão precocemente encerrado, serviu de exemplo so-

bre a possibilidade de se criar no dia-a-dia do jornal.

De uns meses para cá. Mino Carta esfa numa nova empreitada: depois de ter deixa-

do a direção de Isto É, assumiu a de Senhor, levando consigo alguns de seus colabora-

dores da outra revista. E começou novamente a ousar, criar, receber elogios e obter su-

cesso. De repente, uma série de pessoas, mesmo que não pertecendo ao público prefe-

rencial de Senhor, começou a achar imprescindível o gasto suplementar de Cr$ 280,00

para poder usufruir da profundidade de análise com bom gosto gráfico que caracteri-

zou o semanário.

Senhor é dirigida aos executivos, às pessoas que tfim uma renda de média para ci-

ma, sofisticadas e com necessidade de informações detalhadas e exames minunciosos a

respeito principalmente dos assuntos econômicos mais importantes de cada semana.

Ela cumpre sues objetivos básicos mas não se limita a eles.

A edição brasileira de The Economist é um dos primeiros atrativos da revista. São

apenas oito páginas,», mas que oferecem um quadro amplo e bem traçado da situação

econômica em diversos países, principalmente nos pertencentes ao sistema capitalista

ocidental.

A economia do Brasil é examinada com isenção e sob diversos pontos de vista. Ao

contrário de Visão, que atinge o mesmo tipo de público e está sendo seriamente amea-

çada pela concorrência de Mino Carta, Senhor abre suas colunas spara as mais diversas

escolas do pensamento econômico (que são muitas, apesar do que afirma o nosso gene-

ral Presidente). Maria da Conceição Tavares, Luiz Carlos Bresser Pereira, João Sayad,

Luciano Coutinho, entre outros, revezam-se em análises que oferecem ao leitor as di-

versas perspectivas de entendimento da crise brasileira e de alternativas para sua solu-

ção.

Ainda no campo da economia, a revista oferece vasta dose de informação, através

de reportagens quase invariavelmente bem escritas e distantes do esnobismo do econo-

més, e de indicadores econômicos semanais. Há ainda uma coluna fixa sobre publicida-

de sob a responsabilidade de Hugo Estenssoro.

As questões políticas são discutidas também dentro de uma perspectiva de ofere-

cimento ao leitor de opiniões conflitantes, tanto através das reportagens quanto dos

23


artigos, embora no campo da política a diversidade nSo seja tfo ampla quanto no da

economia. Said Farhat e Raymundo Faoro tám coluns fixas e embora representem, é

claro, posições diferentes no espectro das opções ideológicas, sua abrangência eviden-

temente não inclui setores como os que estão filiados ao Partido dos Trabalhadores ou

mesmo ao Partido Democrático Trabalhista.

Mino Carta contribui semanalmente com um texto que analisa a conjuntura polí-

tica nacional, sempre dando uma aula de estilo irônico, inteligente e sutil e interpretan-

do as possibilidades de desdobramento dos acontecimentos sob exame.

As reportagens, quase sempre sucintas (embora haja sempre uma especial que se

alonga por três ou quatro páginas), selecionam com critério rigoroso apenas os fatos

que podem merecer a atenção mais detalhada de seu público-base, interpretando-os e

oferecendo perspectivas de evolução.

Além disso, uma grande entrevista (que abre cada edição) traz aos leitores o pensa-

mento de personalidades tão diversas quanto o ex-presidente Jânio Quadros e o jorna-

lista Ferreira Neto, o empresário Jaime Franco e o reitor da UnB José Carlos de Azeve-

do, o candidato do PDS ao governo do Rio de Janeiro Moreira Franco e o professor

Moyses Glat. Algumas dessas entrevistas são conduzidas pelo próprio Carta.

Senhor mantém uma seção fixa de ciência e tecnologia, outra de resenha de livros

e uma das artes (assinada por Pietro Maria Bardi). A revista encerra cada edição com as

inteligentes histórias em quadrinhos da série "Bar Brasil", assinadas por Alex Solnick e

Paulo Caruso, críticas, inteligentes e bem produzidas.

No corpo permanente de redatores da revista encontram-se jornalistas tarimbados

e reconhecidamente competentes, como Nirlando Beirão, Wagner Carelli, Nei Duelos,

Carlos Drummond Moreira, Mário Chimanovitch, J. Rodrigues Matias, José Carlos

Bardawil e Maurício Dias. A direção de arte está a cargo de Thais Rabello, responsável

por uma programação visual sóbria sem ser esnobe, mas que ainda não encontrou um

estilo original para suas capas que quase sempre ficam muito a dever para o conjunto

da revista.

O conselho editorial é presidido por Luiz Gonzaga Belluzo que também colabora

com a redação, escrevendo inúmeros artigos e resenhas de livros, e constituído por

Nirlando Beirão, Domingo Alzugaray e o próprio Mino Carta.

Em suma: Senhor já está se tornando mais uma vitória da carreira de Mino Carta.

Elegante, inteligente, analítica, a revista oferece ao seu público principal uma opção

mais agradável que o resto das revistas econômicas à sua disposição. Para o público em

gerat, acaba se transformando — embora não o pretenda — numa oportunidade de con-

frontação com as revistas de informação geral Veja e Isto É. E como o responsável por

Senhor é Mino Carta, para quem ousar já faz parte da rotina, pode até ser que bem bre-

ve sua nova revista esteja concorrendo com as duas outras que ele ajudou a criar e nas

quais deixou impresso definitivamente a marca de seu talento jornalístico inegável.

Ensaios

TEORIA DA COMUNICAÇÃO: CONSIDERAÇÕES PARA O ENSINO

24

Maria Lúcia Santaella Braga

A diversidade, às vezes enorme, da investigação na área da Teoria da Comunicação


torna difícil agrupar, num todo homogêneo, a indagação teórica e a metodologia apli-

cada nesse campo. Não só os estudos da engenharia da comunicação, teoria matemática Jk

da informação, cibernética, informática, mas também a antropologia cultural, sociolo-

gia, lingüística, semiótica, as teorias sobre ideologia, as investigações psico-pedagógicas,

s5o todos campos que têm voltado seus focos de pesquisa para a questão da comuniq

ção.

Definir o objeto de estudo da Teoria da Comunicação torna-se, desse modo, em-

presa difícil senão árdua ou quase impossível.

Porém, na tarefa que ora nos cabe, ou seja, a de pensar o ensino da Teoria da Co-

municação na Universidade e pzH alunos que se situam dentro da área de Ciências Hu-

manas, alguns deslindes e algumas delimitações desso campo se tornam viáveis e, no ca-

so, imprescindíveis.

UM DESUMDE INICSAL

As contribuições da matemática ds informação foram sem dúvida importantes, tan-

to que tiveram depois vTfsps repercussões fera de seu âmbito de origem. Alguns dos

conceitos por ela elaboijpaos tais como informação, font?, canal, código, mensagem,

etc. tiveram de imediato "uma profunda influência em psicologia, lingüística e estética

e, em g o ral, trouxeram uma contribuição decisiva no estabelecimento de uma sirie tíe

problemas debatidos pelas ciências sociais." (1).

No entanto, sem negar a validade e a possibilidade de influências ainda futuras que

a teoria da informação e a cibernética possam exercer cobre a comunicação em geral,

cumpre estabelecer um primeiro divisor de águas no que toca ao ensino da comunica-

ção nas áreas de ciências humanas.

A essa respeito, o que tem apontado de mais fértil como terreno de Indagação sSb

os atuais estudos e análises da cultura que têm levado a um re-exame mais profundo

de diversos fenômenos entre os quais figura o da comunicação. "Enquanto no passado

tendia-se a considerar a comunicação como um fenômeno explícito, particular em si

se bem que de fundamental importância, nesta nova perspectiva tem se revelado paula-

tinamente que esta constitui, ao contrário, um aspecto constantemente presente (ain-

da que a miúdo em níveis implícitos) em todas as manifestações da cultura, até o pon-

to desta última ter sido identificada com a própria comunic3ção."(2)

Partindo da hipótese de que toda a cultura é comunicação, ou seja, de

que todos os comportamentos e produtos culturais servem também para

comunicar, consideram-se os diversos tipos de atividade humana prejsntes

na cultura como complexos sistemas de comunicação, considerando-se

portanto, que a cultura em seu conjunto pede ser estudada a partir de um

ponto de vista comunicativo.

Em relação a essa hipótese Umberto Eco(3) chegaj a ser mais radical

ao dizer que todos os ^pnômenos da cultura são sistemas de signos, isto é,

fenômenos de comunicação e que só funcionam culturalmente porque são

processos comunicativos. Num outro artigo, U. Eco leva a hipótese ainda

mais longe ao afirmar que "a comunicação engloba todos os atos da prá-

xis, no sentido de que a própria práxis é comunicação global, é instituição

de cultura e, portanto, de relações sociais. É o homem que se assenhoreia

do mundo e permite que a natureza se transforme continuamente em cul-

*

25


tura. Mas para que se possam interpretar os sistemas de ações como siste-

mas de signos é mister que os sistemas isolados de signos se insiram no

contexto global dos sistemas de ações; cada um deles como um dos capítu-

los (nunca de per sf o mais importante e resoluto) da práxis como comu-

nicação."(4)

O que parece ficar daro, a partir de tudo isso, é o fato de que cada

vez mais as pesquisas nas áreas de ciências humanas se dâb conta de que os

produtos de fazer humano, os comportamentos que enformam esse fazer,

as relações sociais nas quais ele se articula podem ser vistos sub species co-

municationis, tornando-se difícil, senão impossível, falar-se em produçâfo

cultural e processos sociais dessa produção sem se recorrer à problemática

da comunicação.

COMUNICAÇÃO E CONSCIÊNCIA DE LINGUAGEM

Ora, os processos de comunicação só se engendram como tais porque

ancorados e enfermados em sistemas de linguagem. É a práxis humana

que, desenvolvendo meios de produção de linguagem cada vez mais com-

plexos, desenvolve simultaneamente vias de extrojeção da capacidade hu-

mana para a criação de produtos de cultura, intercâmbio de mensagens e

transmissão de seu patrimônio cultural.

Partindo desse pressuposto de que toda cultura é comunicação e consi-

derando os diversos gêneros de atividade humana presentes na cultura co-

mo outros tantos sistemas de comunicação, "Hall identificou dez sistemas

primários de mensagem: interação, associação, subsistência, bissexualida-

de, territorialidade, temporalidade, aprendizagem, diversão, defesa e usu-

fruto (uso de materi3is)."(5) O que cumpre, porém, reter dessa classifica-

ção é o fato de que só o primeiro sistema inclui a dominância da lingua-

gem verbal, enquanto os outros constituem outras tantas modalidades de

comunicação. Nessa medida, a cultura não aparece como um bloco unitá-

rio e unidimensional, mas como uma rede inextricável de atividades com-

plexamente interrclacionadas, atividades estas que se caracterizam cons-

tantemente pelo aspecto comunicativo o qual, por sua vez, transcende de

muito os limites do universo da palavra e da linaguagem verbal.

O desenvolvimento crescente da Semiótica e Semiologia, aliás, vem ca-

da vez mais despertando a consciência de que desde os primeiros tempos

de sua existência histórica os homens não têm se comunicado apenas com

palavras, mas que sempre foram buscados outros sistemas de signo para a

comunicação. Com isso, ficamos advertidos de que, em realidade, há a lin-

guagem verbal, mas há também outras linguagens não verbais, das quais

podemos encontrar inúmeros exemplos na história da civilização desde a

pré-história, como nos demonstram as pinturas nas cavernas de Altamira.

Compreende-se também paralelamente que "junto a culturas baseadas

predominantemente na comunicação verbal e sobretudo escrita (que ad-

quiriu com a invenção da imprensa uma força extraordinária de desenvol-

vimento e difusão), existiram sempre as culturas não dotadas de escritura e

vinculadas à visão." (6) Assim também, "a comunicação à distância de

26


^H

tempo e á distância de lugar pode se verificar, e assim se verifica nas civili-

zações anteriores â escritura, por meio de sistemas de signos diferentes da

comunicação verbal."(7)

Por outro lado, nas complexas sociedades industriais modernas, a des-

centralização do código verbal e a perda de sua hegemonia tornam-se cada

vez mais flagrantes a partir do desenvolvimento dos meios técnicos de re-

produção da imagem e do som que trouxe consigo novos modos de pro-

dução de linguagem e novos processos de circulação e consumo de mensa-

gem. Em síntese: outros sistemas de signos, outras linguagens e novos ti-

pos de comunicação.

A partir disso, a própria linguagem verbal passa a ser vista não mais co-

mo um sistema unitário, mas profundamente heterogêneo, visto que "só

pode ser compreendida se suas mensagens são remetidas não só ao código

lingüístico (a linguagem, o idioma), mas também aos códigos paralinguísti-

cos (da expressão, do tom. etc), estilísticos, retóricos, narrativos, ideológi-

cos, etc. Portanto, a linaguagem verbal constitui um conjunto que não co-

incide com um código único, e suas mensagens não podem ser reconduzi-

das a um sistema homogêneo único."(8)

Nessa medida, considerar-se a produção cultural, no seu caráter comu-

nicativo, sem se levar em conta a multiplicação de códigos e a intrincada

malha de linguagens que se cruzam e se interpenetram nas sociedades mo-

dernas, é se optar por uVna visão estreita que mais oculta do que ilumina o

território de investigação da teoria da comunicação.

Cumpre salientar ainda que a reprodução técnica e o advento dos no-

vos meios trouxeram consigo o fenômeno da comunicação de massa. Feliz-

mente a concepção superficial de intelectuais apocalípticos, que não vêem

esse fenômeno senão como mera diversão, tende cada vez mais a desapare-

cer frente ao desafio da crescente mudança nos processos de produção e

comunicação culturais que tal fenômeno apresenta.

ALGUNS DESAFIOS...

Não são poucos os desafios que o pluralismo de códigos e linguagens

coloca diante daqueles que se propõem inteligir o complexo cultural como

um complexo comunicativo.

Em primeiro lugar, trata-se de nos desvenvilharmos do preconceito,

que principalmente na escola se faz tenaz, de que cultura é sinônimo de

cultura letrada (saber das belas letras). A produção cultural de uma socie-

dade historicamente determinada é complexa e multidirecionada. Tende-

mos a confundir cultura com a cultura de elite pelo simples fato de que as

classes dominantes, detendo a propriedade dos meios de produção e trnas-

missão de cultura, impõem hegemonicamente a sua visão de cultura como

sendo a cultura de uma sociedade.

Se isso já era verdadeiro em relação a sociedades pré-industriais, nas

camplexas sociedades modernas a questão cresce nas multiplicidades de

suas determinações. Com isso, não podem mais ser ignorados os profundos

intercâmbios e interprenetrações que se processam entre o que chamáva-

mos cultura letrada, artes tradicionais e meios tecnológicos de comunica-

ção, assim como se faz necessário enfrentarmos as transformações que se

operaram naquilo que tradicionalmente chamávamos cultura popular.

Em relação a isso, a trajetória (nem sempre transparente, porque mul-

tiplamente determinada) das artes e literaturas modernas e das teorias que

27


as acompanham tem nos oferecido farto material que nos habilitam a

sentir, inteligir e reagir frente aos impacots para o pensamento que a pro-

dução cultural moderna está produzindo. Desnecessário se torna citar, a esse respeito,

a importância dos estudos da escola de Frankfurt na Alemanha, os do Círculo de

Banktine e da escola de Tartu na U. Soviética, assim como os de M. Macluhan nos

EEUA etc, teorias nem sempre univalentes, mas sempre instigantes nos seus antago-

nismos.

No entanto, em relação á problemática pedagógica, ou seja, a que diz respeito ao

ensino da Teoria da Comunicação, cumpre â escola enfrentar o desafio de trazer para

dentro de seu contexto os estudos e leituras críticas das mensagens produzidas pelos

meios de massa. Trocando em miúdos: durante muito tempo a concepção nostálgica

e elitista de cultura, veiculada por intelectuais que só viam a parte negativa dos meios

de massa, emperrou os caminhos para a criação de intermediários culturais entre a pro-

dução de mensagens de massa e o seu consumo. Se nos meios de massa assistimos a

uma profunda desigualdade de condições entre a produção e a recepção de mensagens,

isto é, se essas mensagens são produzidas por pocuos (sob pressão dos grupos de poder)

e consumidas por muitos, necessário se torna criarmos meios intermediários que desen-

volvam a recepção '» leitura crítico — criativa dessa produção, contra-atacando, desse

modo, a unidirecionalidade ideológica de que essa produção se faz portadora. Se a es-

cola não tem assurrvdo sua responsabilidade como lugar viável para a mediação crítica

entre a comunicação de massa e os jovens, necessária se torna então, no caso, a leitura

crítica da própria esoola e dos interesses a que ela serve.

NOTAS:

1 — Tarroni, E. e outros: Comunicación de massas: perspectivas y métodos, Ed. Gustavo Gili, p. 88.

2 - Idem.p. 85

3 — Eco, U.: A estrutu a ausente, ed. Perspectiva, S. P., p.3

4 — ldem,p. 419.

5— Tarroni, E.: op. cit. p. 87.

6- ldem,p. 16

7 - ldem,p. 16

8 - Idem, p. 96.

O VÍDEO TRANSFORMANDO O CINEMA

Luiz Fernando San toro

CINEMA OU VÍDEO? A resposta à pergutan não deve, necessariamente, excluir

nenhum dos dois meios de comunicação e expressão. A controvérsia gerada por cineas-

tas, que insistem em preservar o cinema em sua "pureza", ao vê-lo defrontar-se com

uma tecnologia eletrônica que invade todos os setores da sociedade, talvez esteje ar-

mando uma verdadeira cilada para o modo tradicional de se fazer cinema, ao permitir

que profissionais de outras áreas de origem ocupem um espaço por eles mesmos rejei-

tado. Essa recusa pela tecnologia tem origem não só na crença da superioridade da ima-

gem cinematográfica sobre a eletrônica no aspecto estético (o que ainda é indiscutível),

mas no desconhecimento do processo de gravação eletrônica; na convicção de que ví-

28


deo é o que se vê na TV de massa, com suas imperfeições e dependências no plano po-

lítico e econômico (numa confusão entre a natureza do meio e seu uso social); e no en-

gano de, no momento atual, encarar o vídeo como um substituto total para o cinema.

O video pode ser utilizado, e o tem sido, juntamente com o cinema em vários estágios

da produção de uma obra:

a) Animatic: antes do início das gravações definitivas, é feito um "story-board" com as

tomadas básicas do filme. Os diferentes quadros s3o gravados na seqüência correta em

videotape. Sobre a imagem pode ser jogada uma trilha sonora com os primeiros ensaios

de diálogo dos atores, ou músicas experimentais. Esta técnica já vem sendo usada regu-

larmente por várias das grandes agências de publicidade brasileiras, para um melhor

atendimento ao cliente, lançando mão inclusive de quadros com animação mecânica

(pequenos movimentos nos desenhos).

b) Durante as filmagens, pode-se acoplar uma câmera dedeo à de filme e tem-se a

imagem que está sendo filmada controlada pelo diretor, ou quem quer que seja, atra-

vés de um monitor de TV. A imagem observada está bem próxima do resultado final

obtido pela câmera cinematográfica, mesmo considerando-se as diferenças técnicas de

formação das duas imagens. Essa documenação imediata traz também grandes vanta-

gens em termos de facilitar o trabalho de continuidade, pois o video-tape é um ponto

de referência imediato.

c) A pré-édição eletrônica oferece uma "primeira impressão" ao diretor do ritmo final

de cena, além de poder ser feita rapidamente e com um baixíssimo custo, apenas

operacional. Uma pré-edição mais detalhada economiza o complexo trabalho de pós-

produção cinematográfica, pois a montagem de negativo e de som, tendo com referên-

cia a pré-edição feita em videotape, elimina tempo e custos de laboratório, pois o mate-

rial que será aproveitado já está previamente selecionado.

d) O vídeo pode tambám ser utilizado para a gravação, eletronicamente, das cenas, dis-

pensando o material sensível que será aproveitado apenas para a confecção de cópias

para distribuição pelas salas de espetáculo. Aqui está o ponto que tem levado os defen-

sores dos dois meios a um maior desacordo. O vícleo possibilita uma gravação mais ba-

rata, com controle imediato e, o que é mais importante, podendo submeter a imagem

gerada durante a gravação a alterações eletrônicas. 0 aproveitamento de duas ou mais

câmeras e de uma mesa de efeitos para simples fusões, superposição de letreiros, alte-

rações nas cores, saturação, solarização, "chroma-key", recortes, etc, não só é imedia-

to como sem nenhum custo adicional, além do investido no equipamento. Quanto ao

cinema, caracterizado como "plus-que-perfeit" por Roger Dadoun ao ser comparado

com o "imperfeit" da televisão, este permanece oferecendo toda a sofisticação do uso

da luz, lentes, técnicas de revelação, etc, para o tratamento da imagem em seus deta-

lhes, numa atividade praticamente artesanal, se comparada aos processos eletrônicos

até aqui descritos. Aspectos como o da textura pesam ainda em favor da imagem cine-

matográfica, visto que o vídeo apresenta um resultado altamente contrastado, com

contornos bastante rígidos nos elementos de cena, por vezes com ruídos de imagem

inerentes à própria natureza tecnológica do meio eletrônico. Ao lado disso, o formato

padrão da tela de TV na proporção 3X4, horizontalmente, nem de longe alcança o im-

pacto de uma projeção em cinemascope ou cinerama. Entretanto, nada impede que

desvantagens como essa possam ser superadas, pois afinal aquele formato é meramente

aleatório, imposto nos primórdios da televisão e não existe nenhum limite técnico para

que tenhamos câmeras que possam ser alteradas para qualquer formato de imagem,

29


desde que o mercado caminhe em direção a uma TV de outras dimensões. Nessa colo-

cação prospectiva talvez esteja uma solução para o até então insolúvel problema da dis-

tribuição de um produto final em vídeo para grandes audiências, numa tela de grandes

dimensões. Os passos iniciais nesse sentido já foram dados pelos "telões", ainda um

tanto deficientes no que diz respeito à qualidade da imagem final. O advento de gran-

des vídeoteatros de forma inrreversível é uma questão de tempo já que projeções regu-

lares em salas de pequenas dimensões são feitas há alguns anos. O que não deve ser me-

nosprezado nessas considerações é a própria necessidade que a indústria eletrônica tem

de conquistar, para sua sobrevivência, esse e outros segmentos que não discutimos aqui

ou nem sequer imaginamos. Resta ainda uma pergunta: o uso de tanta tecnologia não

acabará violentando a criatividade do diretor? Para Francis Coppola, que usou o video-

tape nas gravações e edição inicial dos filmes "Apocalypse Now" e "One From the

Heart" (seu mais recente filme), o vídeo é um instrumento a mais nas mãos do direitor,

que permite inclusive um apromoramento a mais nas mãos do diretor, sobretudo na

montagem. Ele tem se utilizado da gravação de "story-boards", do controle da filma-

gem com câmera dedeo e da pré-edição em videotape. Coppola está definitivamente

convencido das facilidades e potencialidades do "cinema eletrônico" procurando sem-

pre ter acesso ao equipamento mais moderno, encontrando no vídeo um importante

elemento para seu trabalho de expressão, ainda cinematográfico. Acredita que o filme

possui qualidades que o vídeo não pode duplicar mas tem projetos para uma obra total-

mente produzida em vídeo.

Vários produtores já caminham nessa direção, especialmente os oriundos da pró-

pria televisão. No Brasil, os filmes do grupo "Os Trapalhões" são um exemplo recente:

os filmes são produzidos inteiramente em vídeo e copiados para 35 mm utilizando-se

do recurso de "chroma-key"o diretor joga sobre o fundo azul neutro do estúdio ima-

gens de cenários, obtidos muitas vezes com fotografia, economizando somas incontá-

veis pela eliminação de gravações externas com atores. 0 efeito obtido evidentemente

não é nada convincente, e repleto de imperfeições, mas alcança sem sombra de dúvida

o espectador, que se deixa envolver pela trama, aceitando tacitamente o código propos-

to. Tal grosseria é, de certa forma, típica da produção para a TV e isso pesa muito

contra o video, mas nada impede que se crie uma obra exclusivamente para o vídeo,

com todos os seus recursos, sob a direção de um grande realizador. Um exmeplo, que

aparece no cenário internacional com um grande atraso, é o filme de Michelangelo An-

tonioni "O Mistério de Oberwald" (produzido para a TV italiana). A cor é a principal

preocupação do diretor, sobreposta sobre personagens e cenários de maneira proposi-

talmente artificial, impressionando o espectador como um elemento dramático a mais

na obra. Antonioni afirma que tais efeitos só poderiam ser conseguidos eletronicamen-

te. Em seu estágio atual de desenvolvimento, a imagem eletrônica não pode competir

com a textura do filme, mas Antonioni procurou justamente acentuar a característica

mais contrastada da imagem do vídeo. A eventual crítica a imperfeição dos efeitos ou á

grosseria da idéia deve curvar-se diante do potencial aberto pelo uso do vídeo não so-

mente como um processo técnico, mas como uma nova concepção estética. Os traba-

lhos de Coppola e Antonioni, nesse sentido, têm um caráter já histórico, como teste-

munhos da entrada do cinema comercial numa nova era — a eletrônica — há muito, e

que ao contrário de destruir, vai transformá-lo.

30


cidas por teóricos contemporâneos. O conceito de valor de uso, por exemplo, nSo é,

diferente de Marx, secundário no atual momento do modo de produçSo: a publicidade

e também em grande parte as RP trabalham sobre ele (ao invés de operar sobre o valor

de troca, pólo mais importante no capitalismo concorrencial do século passado), sobre

a aparência do valor de uso, dimensão totalmente ignorada por Marx.

Essa apropriação acrítica dos textos "clássicos" da economia política e sua trans-

crição "in natura" se assemelham às vezes às produções teóricas atuais dos países socia-

listas, que dogmatizando expressões e termos de Marx e Engeis, encobrem ipso facto OSí

conflitos dentro de suas próprias sociedades: nessa situação tais teorias são de uso alta-

mente reacionário. Mas adiante, Cicília Peruzzo se usa, dentro dessa mesma metodolo-

gia, do esquema de classes tradicional e totalmente impróprio à nossa realidade atual,

da totalidade polarizada entre burguesia e proletariado. As camadas intermediárias ("clas-

ses médias", tão significativas nas sociedades industriais modernas e tão decisivas em

momentos políticos chave e em última análise, de onde se recrutam os elementos que^

desempenham as funções de RP) só aparecem citadas uma vez e de forma ocasional:

"Não é nosso propósito apanhar seu papel histórico e estrutural neste trabalho" (p. 92).

Mas por que? Por que então só apanhar o papel das outras classes?

A dificuldade maior deste trabalho foi a realização da devida mediação entre a teo-

ria marxista, como crítica ao capitalismo, e as práticas capitalistas de convencimento e

manipulação das pencas. Isso levou a que as colocações assumissem às vezes um cará-

ter maniqueísta, situando de um lado as RP, ou seja, as empresas, o capitalismo, e de

outro o as RP no modo de produção socialista (mas somente idealizado: não nos

propomos a examind-la — esta problemática — em profundidade neste momento", p.

121) e os movimentos populares. Outras vezes, ante a rigidez de uma postura teórica

fundamentada nos "clássicos", não faltaram elementos da teoria da conspiração (p. 85-

89), de monolitismo teórico ("Os estudantes de RP na medida em que são levados ao

domínio da técnica de formação unidirecional, estão sendo preparados para vincula-

rem-se organicamente à burguesia", p. 101).

O empreendimento da autora, malgrado esses problemas teóricos, é louvável. Ele

levanta discussões decisivas na atual prática das RP no Brasil e de interesse dos profis-

sionais, professores,estudantes envolvidos na área. A proposta de uma RP na contra-

mão suscita por exemplo interessantes debates. A autora vê a possibilidade de se reali-

zar RP de forma emancipatória se ela for usada no interesse dos movimentos popula-

res (sindicais, pastorais, de bairro, ecológicos, etc). A alternativa mantém, contudo,

aberto o espaço para a tividade de RP nas empresas e órgãos públicos. É preciso pesqui-

sar como se pode fazer uma "RP alternativa" nesses meios, se de algum modo isso é

possível.

A questão do lazer nos parece igualmente séria. A autora condena a exploração

que as atividades de RP fazem das atividades do lazer, com a criação de concursos, de

visitas às fábricas, o oferecimento de almoços. A crítica é justa. O fim último das RP

nesse tipo de programação é a integração, que conduz os trabalhadores a um convívio

pacífico com a sua "fonte de exploração". Mas o que não se deve desprezar é que esses

interesses existem também nos trabalhadores. Ninguém vai às festas da firma, às excur-

sões, ninguém freqüenta cursos por obrigação. Há uma carência real dessas atividades

a nível da vida social: com o preenchimento do lazer de forma puramente passiva (com

televisão, e sem aproveitamento de tempo produtivamente para o trabalhador) só resta

aos trabalhadores a satisfação desta carência onde isto lhe seja facilitado, arranjado.

32


Ora, por que a crítica â RP não v3 aí, também, um ponto de atuação? Por que náfo se

pensa numa RP contramão atuando também sobre as necessidades subjetivas dos traba-

lhadores? Este aspecto poderá ser mais discutido, e, com base em estudos desta nature-

za se poderia imaginar novas perspectivas para as R^ sem que estas precisassem levar

necessariamente â ocultação da situação de trabalho e da condição do assalariado na

sociedade atual.

UTILIZAÇÃO POLÍTICA DO RADIO

Luiz Fernando San toro

(Bassets, Leuís (ed). — De Ias ondas rojas a Ias radies libres, textos para história de

Ia radio. Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 1981)

Esta antologia incorpora textos marcantes sobre a radiodifusão, como 'Teoria do

Rádio", de Brecht; "Aqui a voz da Argélia", de F. Fanon; "As rádios livres populares",

de Felix Guattari; "Homenagem ao Rádio", de Boris Vian; "Uma nova era na liberdade

de expressão", de Umberto Eoo; entre outros, com o objetivo de discutir a utilização

do rádio às margens do sistema comunicaíivo controlado pelo Estado. Além de textos

já clássicos, como alguns dos citados, e que dão uma visão histórica de certas experiên-

cias radiofônicas, o livro apresenta em sua segunda parta, textos sobre o fenômeno das

rádios-!ivres. Tais trabalhos nos parecem particularmente interessantes pela escassez de

material sobre o assunto em língua espanhola ou portuguesa. O autor tem o mérito de

reunir, sem dúvida, as melhores analisas e testemunhoo da chamada "Revolução Radio-

fônica dos anos 70", desde suas origens, a partir das rádios piratas do Mar do Norte na

década de 60, até o irreverente movimento das rádios-livres italianas e francesas. Com-

pletam o volume uma cronologia sobre a história das rádios-livres e locais européias e

uma bibliografia sobre os temas: 'Teorias Alternativas de Comunicação", "Descentrali-

zação Radiofônica", "Normas Jurídicas" e "Liberdade de Emissão".

O livro de Bassets procura suprir uma lacuna deixada pelos trabalhos sobre as rá-

dios-livres: a sua não-colocação dentro de uma perspectiva da História do Rádio. Limi-

tam-se, em sua maior parte, a descrever a atuação individual, a falar sobre as experiên-

cias de cada emissora, analisando-as, quando muito, em seu contexto específico de

atuação, faltando assim uma visão mais ampla sobre as possibilidades de atuação de

forma alternativa na área radiofônica. Afinal, desde seu início, o rádio foi encarado

como um meio de comunicação que poderia estar voltado para os interesses populares.

Brecht, por exemplo, escreveu sua 'Teoria do Rádio" entre 1927 a 1932, tomando co-

mo referência o movimento das rádios operárias na República de Weimar em 1918-

1919. Em realidade, o uso alternativo do rádio sempre acompanhou sua história e não

apenas no contexto europeu. Claude Collin, em extenso artigo publicado na revistai

"L'Homme et Ia Société" (números 47 a 50, em 1978) de título "La radio est une

bonne chose" faz uma análise mais exaustiva dessas experiências às margens do sistema

oficial radiofônico, considerando inclusive a América Latina — sem contudo descrevê-

las detalhadamente. Collin apresenta o rádio como um instrumento utilizado e incor

porado por movimenots sociais de libertação em diversas partes do mundo. Os textos

reunidos por Bassets são um excelente complemento ao artigo de Collin — a nosso en-

33


tender o que de mais importante foi escrito sobre o tema, pois detalha aspectos ali cita-

dos rapidamente. Um outro livro, também do Editorial Gustavo Gili, "La radio como

arma política", de Julian Haia, completaria um material básico sobre o uso do rádio a

partir da idéia de comunicação alternativa, especialmente na realidade européia.

Faltam ainda trabalhos do mesmo peso que considerem com mais vagar as experi-

ências latinoamericanas, que temos visto explodir nos últimos anos, onde o rádio é um

elemento vital no processo de lutas populares em diversos pontos do continente, para

a Informação e livre expressão, ainda que de forma clandestina em muitos casos.

Certas experiências sobrevivem já há algumas décadas, como a das rádios mineiras

bolivianas: outras são recentes, surgidas em função de lutas concretas e da necessidade

de organizá-las, como é o caso da rádio "Venceremos", de El Salvador. A antologia

apresenta em sua primeira parte, um artigo de Raul Aicardi intitulado "Notas sobre a

História da Radiodifusão na América Latina", que possui grande valor enquanto uma

primeira abordagem histórica do processo radiofônicoo no continente, mas que ainda

não dá conta da importância do rádio nos movimentos populares de libertação latinoa-

mericanos, apesar de ter sido escrito recentemente, em 1980.

SOBRA POUCO ALÉM DA INFORMAÇÃO

J. S. Faro

(Políticas Nacionales de Comunicación, vários autores. Colecciòn Intiyan, Edicio-

nes CIESPAL, Quito, Ecuador, 1981).

Em todos os níveis das ciências sociais a teoria da dependência deixou marcas pro-

fundas. Formulada nos anos 60, desvendando o processo pelo qual os países periféricos

não conseguem, mesmo â custa de uma penosa e socialmente trágica "modernização",

romper o círculo de seu atraso, ela acabou por denunciar as mentirosas políticas desen-

volvimentistas que, no pós-guerra, animaram inclusive o pensamento de esquerda. A

América Latina, nesse sentido, pode mesmo tornar-se um modelo de análise caso algum

estudioso se disponha a penetrar nos caminhos que as teorias econômicas e sociológicas

seguiram desde a CEPAL até as tentativas sem êxito do Pacto Andino.

No caso dos estudos de comunicação, a contribuição da teoria da dependência,

nem pelo fato de se tratar de uma área recente nas pesquisas acadêmicas, foi menor:

abandonava-se o estado de êxtase provocado pelo aparato técnico do fluxo de informa-

ções e passava-se à análise mais detida no sentido quia aparência do moderno adquiria

nas mãos do imperialismo. Hoje, ao final das contas,nem mesmo a teoria da dependên-

cia deixa de passar pelo crivo de um pensamento crítico que, em função de seus pró-

prios erros, amadureceu e avançou.

Já se sabe, por exemplo, que no contexto histórico em que surgiu, ela privilegiou

em demasia o imperialismo "sem levar em conta que ele supõe uma correlação de for-

ças entre o nacional e o internacional", sem levar sua indagação a forma como se arti-

culam os grupos sociais em torno do Estado periférico, sem questionar, enfim e até as

últimas conseqüências, a questão da hegemonia popular. Tudo, no limite, ficando res-

trito a uma antagonismo entre nações, umas — as do hemisfério norte — colonizadores;

outras — as do sul — pobres e colonizadas.

34


No início dos anos 70 esse simplismo, no entanto, encontrava uma parte de sua

inspiração na crise econômica causada pela emergência, no plano prático, de uma retó-

rica indignada que há muito vinha sendo martelada pelas nações do terceiro mundo. A

crise das matérias primas, a do petróleo especialmente, a formação de cartéis, o diálogo

norte/sul, até mesmo a exigência de uma Nova Ordem Econômica internacional, foram

os fatos que estimularam, â direita e â esquerda (leia-se Comissão Trilateral e Social-De-

mocrácia) a idéia de que os conflitos internos, a luta de classes, cediam terreno a uma

luta mais ampla e mais contundente. Na esteira desse quadro é que surge a questão

da Nova Ordem Internacional da Informação (NOII).

Ela corresponderia, no plano do fluxo internacional de "notícias" a uma segunda

redistribuição da riqueza. E na UNESCO, o foro privilegiado dessa discussão, com

todas as contradições que marcam um organismo internacional, heterogêneo e quase

diplomático, debateu-se o relatório Mcbride que acabava, passando ao largo de ques-

tões teóricas fundamentais, tornando proposta política a idéia pouco definida das cha-

madas Políticas Nacionais de Comunicação, tão pouco definidas que permitia concei-

tuações superficiais como a de L. R. Beltrán: "uma política nacional de Comunicação é

um conjunto integrado, explícito e duradouro de políticas parciais de comunicação

harmonizadas num corpo coerente de princípios e normas dirigidas a guiar a conduta

das instituições especializadas no manejo do processo geral de comunicação em um

país".

Assim, ao lado de uma persistente fragilidade teórica que reforça ainda mais a

distância que separa os estudiosos dos problemas da comunicação dos cientistas políti-

cos, acreditava-se (e talvez ainda se acredite) que uma política nacional, à margem de

uma reflexão mais profunda sobra o caráter do Estado, especialmente nos anos 70,

quando a prática do totalitarismo se disseminava na América Latina, era suficiente para

"reequilibrar o desequilíbrio dos sistemas de comunicação". E libertar, portanto.

Evidentemente, não libertava, Nem mesmo apontava rumos para a formulação de

uma teoria crítica da comunicação, já que a proposta não se articulava — como lemb-

brou Mattelart na República Dominicana — com "uma teoria acerca das formações na-

cionais (. . .) acerca dos partidos (. ..) acerca de ideologia". Pode-se até arriscar a no-

ção de que a proposta reproduzia os mesmos esquemas verticais que sempre legitima-

ram a teoria da opinião pública burguesa no campo capitalista.

Aliás, nem mesmo Cuba, onde se supõe a presença de uma Política Nacional de

Comunicação mais próxima do ideal de uma sociedade efetivamente democrática, fi-

caria livre de contradição já que "a mudança da estrutura econômica de uma socieda-

de não implica que automaticamente existam novos meios de comunicação de mas-

sas".

Nesse sentido, a ilusão que a tese da NOII permitiu foi também responsável pelo

renascimento de um certo ranço "nacionalista" que pensa que a questão da informação

voltada para os interesses populares é uma questão de localização — nas mãos do setor

público e não nas mãos do setor privado —, como se não bastassem, para negar essa

idéia, as alinaças entre os Estados latino-americanos e o imperialismo, ou antes, como

se não bastasse o trágico processo de repressão aos movimentos populares que esses

Estados promoveram. Nas mãos de quem estariam essas Políticas Nacionais de Comuni-

cação!

Tudo isso, enfim, para comentar a obra editada pelo CIESPAL, que não apenas re-

produz como ainda amplia as lacunas apontadas acima. Composta com a contribuição

35


de nove especialistas, o livro, além da introdução de Peter Schenkel, que informa sobre

as idéias báicas que orientam a concepção de uma PNC, traz depoimentos interessantes,

no nfvel dos históricos que tratam, da situação na Argentina, no Brasil, na Colômbia,

em Cuba. no Chile, em Honduras, no Peru e na Venezuela.

Mas para além do nível informativo, fica pouco distante das urgências que o tema

propõe. O que se entende, por exemplo, quando se afirma que uma PNC deve ter em

conta as "necessidades prioritárias da sociedade" sem que se especifique quais são elas

e sob qual ótica? Ou da afirmação, bem ao estilo sócial-demoaata, segundo o qual "o

progresso gradual, que não prerrogativa do Estado nem o fantasma do setor privado,

requer o concurso ce ambos". Ou ainda, de mais uma observação de Schenkel segundo

a qual "o sistema do comunicação latino/americano é 'sui generis' num sentido muito

geral porque no fundo ntTo deixa de ser muito mais que uma má cópia de sistemas

extraregionais inadequados. A espontaneidade de seu desenvolvimento é apenas refle-

xo. Falta-lhe em gr£


comportamento repressor dos governos militares, especialmente com a tentativa

neopopulista do projeto SECOM. Sem isso, para além dos rótulos que normalmente

procuram caracterizar a ação do Estado brasileiro, fica difícil para a autora a demons-

tração da inviabilidade de uma Política Nacional de Comunicação aqui.

Nos limites de um comentário como este está claro que sobram espaços. Mas tam-

bém está claro que a obra publicada pelo CIESPAL é um reflexo do estágio em que se

encontram as contribuições da América Latina ao problema das Políticas Nacionais de

Comunicação. Sob o risco de se tomar uma reivindicação inconseqüente, desprovida

de bases teóricas, é preciso que ela seja revista e que incorpore os tímidos avanços veri-

ficados no entendimento de que a questão não pode ser vista isolada, à margem do mo-

vimento da sociedade civil e dos elementos que compõem o Estado. Sem isso, tanto pe-

la inoonseqüência como pela contribuição que ela pode dar aos regimes autoritários e

excíudentes que formam a maioria dos governos latino-americanos, ela significará cer-

tamente um empobrecimento.

REVISTA COMEÇA A ATINGIR OBJETIVOS

(Revista Chasqui, n?2. Quito, Ecuador, CIESPAL)

José Marques de Melo

Não obstante tenha pretendido, desde o início da sua edição, em 1972, tornar-se

um veículo de intercâmbio cultural, aberto ao debate de idéias dos pesquisadores lati-

no-americanos da área da comunicação social, nem sempre a revista CHASQUI esteve

próxima dessa meta. Publicada pelo CIESPAL — Centro Internacional de Estudos

Superiores de Periodismo para América Latina, órgão apoiado pela UNESCO e pela

OEA para incentivar o ensino e a pesquisa da comunicação em nosso continente,

CHASQUI foi em sua primeira fase (1972-1978) um produto editorial limitado em

sua temática e em sua composição intelectual. Se não foi uma revista principalmente

equatoriana, pela maior participação de pesquisadores do país-sede do CIESPAL nas

suas edições, foi talvez um periódico tipicamente ciespalino, cujas páginas estiveram

abertas quase de modo exclusivo aos pesquisadores vinculados diretamente â institui-

ção ou ao seus principais dirigentes.

Naquele período inicial, CHASQUI praticamente não circulou nas universidades,

centros de pesquisa, empresas ou associações profissionais dos diferentes países da re-

gião. Tornava-se necessário ir a Quito para muitas vezes conseguir as últimas edições

ou números atrasados. A periodiciadade também não se caracterizou pela regularidade.

Paralisada durante os anos 1978-1980, CHASQUI voltou a circular em fins de

1981, anunciando uma nova fase (ou a II época). Além de mudar de formato, passou a

adotar novas diretrizes editoriais. E sua principal ambição é tornar-se uma revista de

comunicação efetivamente latinoamericana. Mas não apenas isso, sendo revista latino-

americana de comunicação, pretende situar-se como veículo de diálogo dos pesquisado-

res latino-americanos com a comunidade científica e profissional que atua no setor da

comunicação em outras partes do mundo.

A retomada do projeto editorial de CHASQUI, devidamente reciclado, constitui

uma das iniciativas da nova administração do CIESPAL, dirigido pelo Dr. Luis Proafta,

que conta com a participação intelectual e financeira da Fundação Friedrich Ebert O

37


planejamento e a execução da nova fase da revista se apoiam em boa parte nas iniciati-

vas do Dr, Peter Schenkel e na sua equipe de colaboradores da Fundação Ebert, asso-

ciados ao staffdo próprio CIESPAL.

Como indicador da vontade de latinoamericanizar CHASQUI, a direção do

CIESPAL decidiu convocar personalidades da comunidade acadêmica internacional pa-

ra participar do projeto. Nele estão envolvidos o espanhol Miguel Moragas, o norte-

americano John Mcneily, e os latino-americanos Luis Ramiro Beltrán, Rafael Ronca-

gliolo e José Marques de Melo, além dosexperts que integram as equipes permanentes

do CIESPAL e da Fundação Ebert.

A primeira edição da nova fase circulou em outubro de 1981, obtendo boa recep-

tividade nos meios acadêmicos e profissionais, revelando uma fisionomia mais ágil

(porque jornalística) e motivadora (porque pluralista) do que a anterior. Intelectuais

de diferentes países, de distintas filiações ideológicas e de variados grupos acadêmicos

foram convidados a colaborar e a produzir artigos, debatendo os temas que suscitam

interesse em todo o continente.

No primeiro trimestre de 1982 circulou a segunda edição, cuja apresentação gráfi-

ca e esquema editorial indicaram maiores avanços. CHASQUI torna-se pouco a pouco

uma revista vibrante, sem perder o seu tom acadêmico e me stra-se receptiva ao con-

fronto de idéias e â circulação independente de informações sobre os grupos de pesqui-

sadores e as associações de pesquisa dos principais países da região.

O n9 1 contém uma interessante entrevista de Juan Somavia sobre a Comissão

MacBride e a questão da nova ordem informativa internacional, além de artigos de

Juan Diaz Bordenave (democratização da comunicação). Armando Vargas (comunica-

ção, participação e diálogo), Carlos Eduardo Lins da Silva (imprensa operária e sindi-

cal), Maria Cristina Mata (pesquisa da comunicação alternativa), Michel Thiollent

(pesquisa-ação) e um sugestivo quadro da hemerografia européia de comunicação,

traçado por Moragas Spa.

0 n? 2 destaca uma entrevista de Paulo Freire sobre a sua experiência política e

cultural no exílio e a sua reinserção na realidade brasileira dos anos 80. Publica impor-

tantes estudos de Emile Mc Anany sobre tecnologia da comunicação e mudanças so-

ciais, de Raymond Nixon sobre a história das escolas de jornalismo na América Latina,

de Juan Gargurevich sobre as necessidades atuais do continente latino-americano em

relação aos comunicadores e jornalistas enquanto agentes de transformação social e

política, e de Valery Pisarek sobre os meios de comunicação na Polônia. Reúne

também documentos preciosos: a comunicação no diálogo norte-sul; jornalismo e liber-

tação em El Salvador; as escolas de jornalismo na Europa Socialista.

Há evidentemente muito a fazer para que CHASQUI assuma de forma permanente

o caráter de uma revista latinoamericana de comunicação. Não há dúvida porém de

que está no caminho certo. E se continuar nessa trilha, pouco a pouco ganhará a legiti-

midade de toda a comunidade acadêmica e profissional da América Latina e ajudará

a recuperar a imagem do próprio CIESPAL que esteve tão desgastada nos últimos

anos.

CHASQUI merece portanto o apoio e o incentivo dos pesquisadores da comunica-

ção na América Latina. A melhor forma de consolidá-la é a participação intelectual,

através da remessa de artigos, reportagens, notícias e resenhas de livros, tão solicitados

pelo seu editor, José Steinsleger. Mas a revista precisa também do apoio material, atra-

vés de assinaturas. Por apenas vinte dólares, qualquer pesquisador ou profissional da

38


comunicação garantirá o recebimento de quatro edições. Basta escrever para: Cassila

584 — Quito, Equador e enviar a correspondente ordem de pagamento, pro via bancá-

ria.

Já estão anunciados os temas das próximas edições: n? 3 — Políticas nacionais de

comunicação; n? 4 — a mulher e os meios de informação; n9 5 — comunicação e tecno-

logia para o Terceiro Mundo. Os assuntos são palpitantes. Vale a pena conferior.

DOS ZÔZIMOS AOS CHACRINHAS

Maria Otilia Bocchini

(KOVACS, Anamaria. Coluna Social: linguagem e montagem. Comum, n. 5, ps

37-90.)

A análise das colunas sociais de Zózimo Barroso do Amaral, no Jornal do Brasil, e

de Ibrahid Sued, em O Globo, elaborada por Anamaria Kovacs para sua dissertação de

mestrado, pretende demonstrar os mecanismos dessas colunas que levariam o leitor a

compensar as frustrações da vida real, projetando seus desejos nos personagens-vedetes

e buscando indentificar-se com eles por meio do consumo de diversos produtos "anun-

ciados" na coluna social. O leitor da coluna social ficaria com a ilusão de estar convi-

vendo com os personagens-vedetes e de estar participando do mundo do poder, do di-

nheiro e da beleza.

Ao levantar as características dos personagens vedetizados pelas colunas sociais

dos jornais cariocas, Kovacs os identifica aos "olimpianos" de Edgar Morin: são mem-

bros de famílias reais, nobres ou apenas tradicionais, pessoas que chegaram à "classe

A" por seus méritos artísticos ou em decorrência de seu sucesso financeiro ou político.

O estereótipo do personagem-vedete compõe-se empre dos seguintes ingredientes: ju-

ventude, saúde, beleza, elegância, sucesso, êxito pessoal. Ao lado dos "astros", surgem

também nas colunas sociais seus familiares e amigos e seus servidores — cabeleireiros,

costureiros, decoradores, etc.

Os artistas seriam vistos pela coluna social como profissionais, quando se noticia

seu trabalho, apenas, e como mitos, quando se revela detalhes de sua vida particular.

A análise dos "classificados" das colunas sociais conduz â conclusão de que elas

anunciam de tudo: "a cultura, sob a forma de livros, peças de teatro,S/;OM/S, concertos,

espetáculos de dança, conferências, filmes, discos, quadros, objetos de arte ou artesana-

to; a beleza, sob a forma de clínicas e cirurgiões famosos; os artistas, na medida em que

se expõem aos media; a indústria, na medida em que contribui para a confecção de ob-

jetos de cultura e de consumo, e o comércio, que os vende". Boa parte dos anúncios

são diretos, como "Santa Marina é a primeira a fabricar vidros ray-ban no Brasil" ou

"Se você gosta de carne, o steak au poivre no Concorde é uma delícia", mas há alguns

anúncios um pouco mais sutis, como o nome de um decorador referido ao nome de um

personagem-vedete, ou o restaurante que é promovido às custas das celebridades que o

freqüentam.

O trabalho de Anamaria Kovacs, centrado sobre as colunas sociais de dois jornais


cariocas dirigidos à "classe A", tem o mérito de provocar uma certa curiosidade sobre

o que estaria acontecendo nas colunas sociais de outros jornais diários.

Se as colunas sociais pretendem criar nas pessoas a sensação de estarem participan-

do do mundo do poder, do dinheiro e da beleza, e dar-lhes oportunidade de compensar

as frustrações da vida real por mecanismos de projeção e identificação, se visam promo-

ver os produtos da indústria do consumo e do lazer, como se realizariam esses objetivos

em um jornal como Notícias Populares, que se auto-intitula o jornal do trabalhador?

A consulta aos exemplares de Notícias Populares correspondentes à semana de 15

a 21 de março de 1982 resultou na verificação de que esse jornal diário paulistano não

apresenta coluna social nos moldes das colunas de Ibrahim Sued ou Zózimo Barroso do

Amaral. Conduziu no entanto à hipótese de que parte das funções da coluna social, tal

como expressas por Kovacs, encontram-se em determinadas colunas fixas de NP, apa-

rentemente destinadas apenas a mexericos sobre o mundo da tv e dos discos: Chacrinha

no NP (2? página do 29caderno), Clarice Amaral fazendo onda (2? página do 29cader-

no) e É coisa nossa, escreve Sílvio Santos (3? página do 29 caderno).

Nessas três colunas, os personagens-vedetes constituem apenas uma parte do uni-

verso apontado por Kovacs para as colunas sociais: os "astros" de NP são exclusiva-

mente artistas brasileiros de tv e disco, e empresários bem sucedidos em promoções li-

gadas a essas atividades. Entre esses últimos personagens surgem Nelson Motta, que

promove bailes badalados pelo meio artístico, e diretores da TV Bandeirantes, por

exemplo. Tal como na coluna social "classe A", brilham também nas colunas de NP os

"servidores" dos astros, especialmente os que produzem suas roupas, e seus "pares",

especialmente cônjuges e filhos (o filho de Tarcísio Meira e Glória Menezes, a filha do

Francisco Cuoco).

Chacrinha, Clarice Amaral e Sílvio Santos, como Ibrahim e Zózimo, tratam os ar-

tistas como profissionais e mitos. Noticia-se tanto sua movimentação profissional,

quanto seus casinhos pessoais e os acontecimentos banais de suas vidas que, "para o co-

mum dos mortais, estariam mergulhados no anonimato". A vida particular dos artistas

também fornece material para o relato daquelas trangressões sobre as quais o leitor

projetaria "seu desejo secreto de liberdade e desprezo por convenções e normas", pro-

jeção da qual resultaria alívio. Exemplo dessa trangressão das normas pode ser dado pe-

la notícia de estar a atriz Glória Pires esperando um filho de seu (apenas) namorado,

o ator, Fábio Júnior.

Os artistas que aparecem nas três colunas de NP são, ou estão, todos "jovens, be-

los, saudáveis, fisicamente perfeitos e elegantes no vestir" e suas vidas são só sucesso,

Ibope alto, excelentes ofertas de trabalho. Os que não estão tão belos ou tão jovens

apelam para as operações plásticas e então ficam maravilhossos, como é o caso de Már-

cia Maria, que completa os efeitos da operação com "cabelos encareço lados" ou de

Carlos Zara, que, após sua tercira operação, fica com uma "carinha lizinha (sic) como

bundinha de criança". Essas notícias adiantadas por Chacrinha trazem uma carga de

ironia e malícia e pode-se dizer que é em sua coluna que surge a malícia corresponden-

te à detectada por Kovacs nas colunas sociais cariocas. A diferença reside, a meu ver,

apenas no grau de grosseria: se Ibrahim Sued escreve "Caroline está virando refrigeran-

te", Chacrinha escreve que Rita Cadilac é a rainha do bumbum e que Gretchen é a ex-

rainha do bumbum, além de noticiar que Aguinaldo Timóteo estaria preparando um

co/anf transparente para seu próximo S/HW.

Resta ainda uma questão importante entre as semelhanças que estou buscando es-

40


tabelecer entre as colunas sociais do Jornal do Brasil e de O Globo e as colunas mencio

nadas de Notícias Populares: o que é que NP vende em suas colunas? Quais são seus

"classificados"? Se as colunas sociais anunciam produtos de cultura, beleza, indústria e

comércio, o que anuncia Notícias Populares para as classes trabalhadoras?

A meu ver, os três colunistas anunciam a si mesmos, enquanto artistas, e a seus

programas na tv. Anunnciam ainda a programação e os produtos das gravadoras (lança-

mentos e relançamentos de discos) e a programação de tv relacionada com os artistas

citados — a programação da TV Globo alcança a supremacia e a TV Cultura está ausen-

te. Em quantidades ínfimas aparecem outros anúncios, sempre relacionados com os

mesmos "astros": bailes promovidos por Nelson Motta, a programação de um bar de

propriedade de dois artistas e o nome da indústria de confecções que forneceu paletós

novos para os rapazes da orquestra de Francisco Petrônio.

0 anúncio da programação de tv é veiculado de maneira direta, com a citação do

programa, ou de maneira indireta, com a promoção insistente dos artistas de determi-

nadas programações.

É possível que o anúnico da programação de tv constitua, na realidade, um meta

anúncio — o anúncio da programação de publicidade que intercala a programação de

tv. De forma que não será de admirar se se constatar que os colunistas recebem as in

formações/fofocas/mexericos diretamente dos interessados em aparecer na coluna - as

gravadoras e os canais de tv.

Enquanto as colunas sociais analisadas por Kovacs anunciam grandes negócios e

determinados produtos, as colunas de NP anunciam a programação de tv e todos os

produtos anunciados pela tv. O anúncio em NP parece mais avassalador do que o das

colunas sociais, na medida em que perpassa todos os tópicos das colunas, todos os mexi

ricos sobre os artistas.

A semelhança dos colunistas sociais, os colunistas de NP mostram-se sempre muito

bem informados e sugerem a todo momento que mantêm privacidade com os artistas.

A linguagem das colunas do Chacrinha, Clarice Amaral e Sílvio Santos mareoeria

um estudo minuncioso, diferente da análise que levou Kovacs a enumerar expressões

em inglês e francês usadas nas colunas dos jornais cariocas, ao lado de expressões colo

quiais e gírias. Uma primeira leitura parece sugerir que as colunas de NP provêm de

uma mesma fonte, tal a semelhança de "estilos". É provável que um estudo sério leve o

pesquisador diretamente às centrais de relações públicas de dois ou três canais de tv e

de algumas gravadoras.

Noticiário da INTERCOM

INTERCOM/82: O DEBATE DA PESQUISA EM COMUNICAÇÃO

Quando estiver circulando esta edição do Boletim Intervom. o V Ciclo de Estudos

Interdisciplinares da Comunicação já terá sido iniciado. Como noticiamos amplamente

no número anterior, o Ciclo INTERCOM/82 pretende fazer um amplo debate sobre as

tendências da pesquisa em comunicação, discutindo as projeções internacionais desse

trabalho e resgatando particularmente a experiência brasileira das dus últimas datadas


No próxima edição, publicaremos ampla informação sobre o Ciclo, seu desenvol-

vimento e seus resultados.

Desde o último trimestre de 1981 e durante todo o primeiro semestre deste ano,

parcela expressiva do quadro social da INTERCOM esteve empenhada na organização

do V Ciclo. Não é tarefa fácil estruturar um encontro dessa natureza sem dispor de

mecanismos administrativos institucionalizados para a promoção de eventos. A

INTERCOM tem conseguido superar essa barreira mobilizando o entusiasmo e a dedi-

cação intelectual dos seus sócios. 0 que confirma a certeza de que a ação coeltiva pos-

sui uma força própria, capaz de vislumbrar e construir o amanhã.

Pela primeira vez, em seu primeio qüinqüênio de atividades, a INTERCOM rece-

beu apoio institucional para a promoção do seu Ciclo anual de estudos. Isso indica

evidentemente a legitimação da Sociedade no âmbito da comunidade acadêmica e ei-

entifca, que contribui agora para a sua solidificação e dinamização. O principal apoio

veio de duas entidades governamentais dedicadas à promoção das atividades de pesqui-

sa no Brasil: o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

(CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nfvel Superior (CAPES).

Uma outra instituição internacional também demostra interesse em contribuir para o

Ciclo; o Centro Internacional de Investigaciones para ei Desarrollo (CIID). Apesar de

ainda não ter, até o presente momento, confirmado formalmente sua contribuição, es-

sa instituição anunciou em princípio seu apoio para o evento. Outras entidades que es-

tão apoiando o Ciclo são: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA),

Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Instituto

Metodista de Ensino Superior (IMS) e a Sociedade Brasileira de Educação. Essa última

entidade cedeu as instalações do Centro Santa Fé, nas Faculdades Anchieta, para a rea-

lização do Ciclo.

INTERCOM/83: QUESTIONAMENTO DAS NOVAS TECNOLOGIAS

Enquanto uma equipe da Diretoria da INTERCOM ultima os preparativos do Ciclo

lnteroom/82, outra equipe já se encontra tomando as primeiras providências para a or-

ganização do VI Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, programado para

o período de 3 a 7 de setembro de 1983. 0 próximo Ciclo terá como tema central:

NOVAS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO: IMPLICAÇÕES POLÍTICAS, IM-

PACTO SOCIO-ECONÔMICO.

A comissão organizadora do Ciclo lntercom/83 está formada pelos sócios: Luiz

Fernando Santoro, Regina Festa, Wilson Bueno, Roberto Oueiroz, Armando Azzari

e Alceu Antônio da Costa. Um documento preliminar sobre o evento será divulgado nasi

próximas semanas para que os sócios avaliem e encaminhem sugestões.

Concomitantemente a isso os sócios que participam de reuniões internacionais no

mês de agosto vão manter contatos com vistas á participação de pesquisadores e insti-

tuições estrangeiras.

A organização do VI Ciclo da INTERCOM tem como motivação principal a intro-

dução massiva de novas tecnologias da comunicação no Brasil e as conseqüências so-

ciais, culturais e econômicas daí decorrentes.

42


CONTACTOS NA EUROPA E AMÉRICA LATINA

No bimestre julho-agosto, a INTERCOM prosseguiu os seus contactos internacio-

nais, participando de eventos culturais na área da comunicação, a convite das seguintes

instituições: ALER, CEESTEM, IPSA, AIERI e Universidade de Barcelona.

Em julho, o secretário Luiz Fernando Santoro foi a Porto Alegre representar a

INTERCOM no Seminário de Avaliação da Pesquisa sobre Sistemas de Educação Ra-

diofônica, promovido pela ALER (Associação Latinoamericana de Emissoras RAdioe-

ducativas). Na ocasião, manteve contactos com os dirigentes da ALER, os representan-

tes da Oficina de Educação da UNESCO para a América Latina, do Centro Internacio-

nal de Investigaciones para ei Desarrollo — CIID, bem como com membros da equipe

da Fundação Educacional Padre Landell de Moura (Porto Alegre).

Em agosto, fizeram viagens ao exterior o diretor-tesoureiro J. S. Faro e o vice-pre-

sidente Anamaria Fadul. 0 Prof. Faro foi ao México representar a INTERCOM no en-

contro sobre "Estado e Indústria Cultural na América Latina", promovido pela CEES-

TEM — Centro de Estudos Econômicos e Sociais do Terceiro Mundo. Ademais de apro-

fundar os laços entre a INTERCOM e o CEESTEM, Faro manteve entendimentos com

diversas instituições que já se relacionam permanentemente com a INTERCOM: ILET,

UNAM, UAM, Revista Comunicación e Informática, etc. A professora Anamaria Fadul

foi à Europa representar a INTERCOM nos congressos organizados pela Universidade

de Barcelona — Comunicação e Democracia — e pia AIERI (Associação Internacional

de Estudos e Pesquisas sobre a Informação), respectivamente na Espanha e na França.

Antes de chegar a Barcelona, fez uma escla em Lisboa, onde manteve alguns entendi-

mentos com vistas à ampliação dos serviços bibliográficos mantidos pelo PORT-COM

Centro de Documentação da Comunicação nos Paises de Língua Portuguesa. Em Pa-

ris, vistiou a UNESCO e outras instituições que se interessam pela análise dos proble-

mas de comunicação na América Latina.

A convite da IPSA — Associação Internacional de Ciências Políticas — a INTER-

COM esteve presente ao recente congresso internacional de ciência política, realizado

Rio de Janeiro. A representação da Sociedade foi feita através da conselheira Regina

Festa, que se encontrou com dirigentes e pesquisadores de várias instituições presentes

àquele certame.

PÓS-GRADUAÇÃO: INTERCOM PARTICIPA DE REUNIÃO DO CNPq

Nos dias 25 e 26 de agosto, o CNPq — Conselho Nacional de Desenvolvimento Ci-

entífico e Tecnológico — realizou em Brasília uma reunião de especialistas e de repre-

sentantes da comunidade acadêmica para avaliar as tendências do ensino e da pesquisa

de pós-graduação no Brasil. Convidada oficialmente a participar, a INTERCOM se fez

representar pelo Conselheiro C. E. Lins da Silva, que integrou o grupo setorial de

ciências humanas, oferecendo contribuições para o documento final que o CNPq vai

publicar sobre as perspectivas da pesquisa nos diferentes ramos do conhecimento uni-

versitário.

43


EDIÇÕES iNTERCOM

No último bimestre, a INTERCOM registrou uma intensa atividade editorial. Além

do lançamento do livro Comunicação, Hegemonia e Contra-informação, organizado

or Carlos Eduardo Lins tda Silva, reunindo os trabalhos apresentados no Ciclo Intercom

/81, começaram a circular as seguintes publicações: Bibliografia Brasileira de Comuni-

cação n? 4 e Cadernos Intercom rP. 3. A Bibliografia foi co-editada com a Escola de

Comunicações e Artes da USP e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico

e Tecnológico — CNPq e o Caderno n? 3 prosseguiu sendo co editado com a Cortez

Editora.

Das três edições, os sócios receberão gratuitamente a Bibliografia, podendo as ou-

tras duas serem adquiridas, com desconto. 0 livro Comunicação, Hegemonia e Contra-

informação custa Cr$ 1.200.00 e os Cadernos Intercom custam CrS 350,00 cada. Re-

gistre-se que o Cadornu n? 3 é dedicado ao tema "Comunicação Latinoamericana: Re-

forma/Revolução" i foi produzido pelos sócios Carlos Eduardo Lins da Silva, Valdir

Mengardo, Regina Festa e José Marques de Melo.

ATIVIDADES DA INTERCOM REGISTRADAS

Continuam a repercutir fora do país as atividades promovidas pela INTERCOM.

Indícios desse fatc podem ser constatados, através do registro feito pelas seguintes pu-

blicações: Comunicjción e Informática (México) publicou uma página inteira dedicada

ao Cido lntercom/'82 em sua edição de fevereiro de 1982; Chasqui (Equador) insere

duas notas na edição n? 2 da sua segunda fase sobre a nature/a da INTERCOM e a es-

trutura do V Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação; Co/mz/Mcac/on (Ve-

nezuela) transcreve integramente em sua edição n9 37 (março-1982) o comentário es-

crito pelo pesquisador mexicano Javier Esteinou Madrid sobre o Ciclo lntercom/81

que teve como tema central — Comunicai, Hegemonia e Contra-informação.

No país, convém anotar que o serviço bibliográfico prestado pela INTERCOM à

comunidade acadêmica foi reconhecido pelo pesquisador Antônio Joaquim Severino,

vice-reitor da PUC-SP, que passou a incluir a Bibliografia Brasileira de Comunicação e

a Bibliografia Corrente de Comunicação nas referências básicas que selecionou paara o

seu livro — Metolodogia do Trabalho Científico (Autores Associados), reeditado recen-

temente.

Noticiário dos sócios

Ana Elizabeth Cribari de CArvalho — Está realizando programas de estudos na área de

Comunicação na Espanha.

Anna Mae Barbosa — Depois de realizar visitas e conferências em instituições de arte e

educação em Lenigrado (URSS), retornou a Birmingham (Inglaterra), onde prossegue

em seus trabalhos de pesquisa na mesma área.

Anamaria Fadul - Ministrou a disciplina de Fundamentos Teóricos da Comunicação


no curso de especialização em rádio e televisão na Universidade Federal do Maranhão.

Andréa Lage Guaraciaba - Iniciou seus estudos no programa de doutoramento na Es-

cola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Angela Parente Ribeiro Mazzi — Está organizando o seminário sobre tecnologia educa-

cional a ser promovido pela Associação Brasileira de Tecnologia no Rio de Janeiro em

outubro.

Antônio Cerveira de Moura — Aprovado no exame de qualificação do programa de

Mestrado em Comunicação Social do Instituto Metodista de Ensino Superior, com o

projeto de tese "Imprensa Sindical no ABC: organização para o enfrentamento".

Antônio Roberto da Veiga — Eleito presidente da Associação Brasileira de Relações

Públicas - seção São Paulo.

Carlos Alberto Adi Vieira - Participou da Reunião Anaual da Sociedade Brasileira para

o Progresso da Ciência, na mesa redonda sobre Jornalismo Científico e Transferência

de Tecnologia.

Carlos Alves Muller — Ingressou no corpo docente do curso de comunicação da Univer-

sidade Federal de Santa Catarina.

Cosme Alves Neto — Participou na Su íça de encontro sobre conservação cinematográfica.

Carlos Eduardo Lins da Silva — Participou da Reunião Anual da SBPC, na mesa redon-

da sobre Jornalismo Científico e Transferência de Tecnologia.

Carlos Marcos Aveghi — Prossegue, no Japão, ministrando o curso sobre Cultura Brasi-

leira, na Universidade de Osaka.

Cicilia Maria Peruzzo - Participou do V Congresso Nacional Universitário de Relações

Públicas.

Celina Rabelo Duarte — Participou do Congresso da International Political Science As-

sociation, no Rio de Janeiro.

Ciro Marcondes — Ministrou curso sobre Comunicação e Contra-Comunicação na Uni-

versidade Federal da Bahia.

Eucléa Bruno — Reiniciou seus estudos de pós-graduação no Instituto Metodista de En-

sino Superior.

Ezequie! Teodoro da Silva - Eleito presidente da Associação Brasileira de Leitura,

comsedenaUNICAMP.

Geraldo Bonadio — Participou da Reunião Anual da SBPC, em diversos painéis, com

trabalhos de pesquisa sobre a imprensa de Sorocaba.

Gerson Moreira Lima — Aprovado no exame de qualificação no programa de mestrado

em comunicação social do Instituto Metodista de Ensino Superior, com o projeto de

tese sobre "releasemania".

Gisela Ortriwano — Aprovada no exame final do programa de Mestrado da Escola de

Comunicações e Artes da USP, com distinção e louvor, com sua tese sobre rádio.

Gustavo Quesada - Participou da Reunião Anual da SBPC, apresentando trabalhos de

pesquisa sobre comunicação rural.

Humberto Kinjô - Está agora trabalhando na seção de video-texto da Editora Abril.

isaac Epstein — Coordenou mesa-redonda sobre informação e desinformação na medi-

da, durante a Reunião Anual da SBPC .

ismar de Oliveira Soares — Presidiu a consulta sobre teologia e comunicação promovi-

da em julho pela UCBC e pela UNIMEP em Piracicaba.

Jeanne-Marie — Participou da reunião anual da Sociedade Brasileira de Psicanálise, em

Salvador.

45


Joio Nelson Silva — Coordena a participação de professores de São Paulo no curso de

atualização jornalística que será promovido pela Fundação Educacional de Rondônia.

Jorge Castegnaro — Contemplado com bolsa de estudos do PICD para prosseguir em

seus estudos de pós-graduação no Instituto Metodista de Ensino Superior.

José D'Arrochela Lobo — Eleito presidente da Associação Brasileira e Ensino e Pesqui-

sa em Comunicação (ABEPEC).

Josoph Maria Luyten — Publicou estudo sobre o japonês na literatura de cordel na Revis-

ta de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Ciãncias e Letras da USP.

José Marques de Melo — Coordenou mesa-redonda sobre comunicação e popularização

da ciência na Reunião Anual da SBPC e participou de seminário sobre literatura e ideo-

logia na Bienal do Livro.

J. S. Faro — Participou no México de reunião de estudos sobre indústria cultural e esta-

do promovida pelo Centro de Estudos sobre o Terceiro Mundo.

Laurindo Leal Filho — Participou da Reunião Anual da SBPC proferindo conferência

na mesa-redonda sobre Projetos Alternativos de Comunicação no Brasil.

Lfgia Averbuck — Participou da Bienal do Livro.

Linda Bullick — Participou da Reunião Anual da SBPC.

Lúcia Araújo — Prossegue mantendo suas reportagens e análises na página cultural do

Jornal dos Trabalhadores.

Luiz Beltrão — Está editando seu mais novo livro sobre teoria da comunicação de mas-

sa e aposentou-se de suas funções na assessoria de comunicação social da Fundação Na-

cional do Índio.

Luiz Fernando Santono — Participou da reunião promovida em Porto Alegre pela As-

sociação Latinoamericana de Estações de Rádio Educativo.

Márcio Tavares d'Amaral — Está coordenando na UFRJ um programa interdisciplinar

sobre pesquisa em comunicação.

Margarida Krohling Kunsh - Coordenou o V Congresso Universitário de Relações Pú-

blicas, realizado em São Bernardo do Campo.

Maria Dora Génis Mourãò>Participou da Reur.ião Anual da SBPC, na mesa-redonda so-

bre os dez anos de ensino de cinema na ECA.

Maria Elizabeth Rondelli Oliveira - Concluiu seu doutoraifíento em Antropologia na

UFRJ e reassumiu suas funções docentes na UFES.

Maria Lúcia Santaella Braga - Publicou livro sobre arte e cultura pela Editora Cortez.

Mário Erbolato — Publicou livro sobre deontologia da comunicação social pela Editora

Vozes.

Martha Azevedo — Publicou pesquisa sobre o fluxo de notícias internacionais nos jor-

nais brasileiros pela Editora da UFRS.

Othon Jambeiro- Eleito presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia.

Ouhydes Fonseca — Concluiu seu programa de mestrado na ECA-USP com a aprovação

de sua tese sobre jornalismo esportivo.

Patrícia Menando — Contratada para exercer funções docentes no curso de jornalismo

da UFES.

Raul Colvara Rosinha - Participou da reunião da International Communication Asso-

ciatíon, em Boston.

Roberto Queiroz - Reassumiu funções docentes no Instituto Metodista de Ensino Su-

perior.

46


Regina Festa - Retomou de seu período de estudos no ILET no México e reassumiu

suas funções docentes na ECA-USP e no IMS.

Rhéa Sylvia Gartner — Realiza viagem de estudos para recolher material para sua tese

de doutoramento pela Universidade Mackenzie, percorrendo Angola, Portugal, França

e Itália.

Ricardo Rosado de Hollanda — Coordena uma série de reuniões no Sindicato dos Jor-

nalistas de Natal sobre a Nova Ordem Mundial de Comunicação com vistas à participa-

ção da entidade no Congresso Nacional dos Jornalistas em Guarapari.

Ricardo S. da Silva — Coordenou seminário interno sobre avaliação do ensino de comu-

nicação na UFRS.

Sérgio Mattos — Concluiu seus estudos de doutoramento na Universidade de Austin

com a aprovação de sua tese sobre publicidade na televisão brasileira e reassumiu suas

funções docentes na Universidade Federal da Bahia.

Sérgio Caparelli — Ministrou a disciplina Sistemas de Comunicação no Brasil no curso

de especialização sobre rádio e televisão da Universidade Federal do Maranhão.

Silvia Lusting — Editou um livro infantil como projeto experimental na disciplina Li-

vros Infanto-Juvenis na ECA-USP.

Timochenco Wehbi — Ministrou a disciplina Teatro no curso de especialização em rá-

dio e televisão na UFMa.

Wilson da Costa Bueno — Coordenou na Reunião Anual da SBPC mesa-redonda sobre

jornalismo científico e transferência de tecnologia e partipa da comissão coordenadora

do Congresso Ibero-Americano de Jornalismo Científico.

Ensino

CFE ADIA DECISÃO SOBRE CURRÍCULO

A decisão do Conselho Federal de Educação sobre o novo currículo-mínimo dos

cursos de Comunicação Social, cujo ante-projeto está sendo elaborado por uma comis-

são especial foi adiada para setembro. Assim que receber o anteprojeto, o CFE designa-

rá um relator. O coordenador da comissão especial, Nilson Lage, espera que o novo

currículo possa entrar em vigor ainda em 1983. (ESP, 4/8/82).

ANDES TEM PROPOSTA PARA UNIVERSIDADE

A ANDES — Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior — apresentou

ao ministro da Educação e à comunidade acadêmica seu projeto para a Universidade

brasileira. Trata-se de um documento longo e especificado, em que as ambições dos

professores de uma universidade democrática e voltada para a comunicação são expos-

tas. Depois de um diagnóstico da situação atual da Universidade no Brasil, o trabalho

da ANDES propõe medidas como a ampliação das vagas do ensino público e gratuito

para todos os estudantes, a adoção de um padrão único para a universidade, a demo-

cratização das tomadas de decisão nas unidades universitárias, a autonomia universitá-

ria administrativo, de ensino e pesquisa e outras. O documento da ANDES foi recebi-

do pelo general Ludwing, mas não se tem conhecimento se está ou não sendo levado

em consideração pelos que estão elaborando a nova reforma universitária que será

47


proposta brevemente pelo MEC. A comunidade acadêmica, contudo, recebeu bem a

proposta da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior.

Pesquisa

MA QUALIDADE DE LIVRO DIDÁTICO

*■ - r Em matéria publicada pela Folha de S.Paulo (18/7/82). a jornalista Irede Cardoso

divulgou pesquisa do professor Newton César Balzan (UNICAMP), em que a má quali-

dade do livro didático no Brasil é revelada. A mesma conclusão chegaram, segundo Car-

doso, outros pesquisadores: Eloisa de Matos Hofling (UNICAMP), Gilberto Luís de

Azevedo Borges (da Faculdade de Ciências Médicas de Botucatu), Hilário Fracalanza

RlNICAMP). Roseli Schmetzler (UNICAMP) e Décio Pacheco (UNICAMP). Todas es-

sas investigações, d3 acordo com Cardoso, mostram uma situação lastimável do ensino

de primeiro e segundo graus, pois os trabalhos dos pesquisadores analisam a produção

bibliográfica em quase todas as áreas (Estudos Sociais, Ciências, Física, Biologia e Quf-

mxcs) e as oondUlBw são muito semelhantes: quase nenhum material instiga a curiosi-

dade intelectual


to dos Tribunais Eleitorais volte apenas a mostrar fotografias 3 por 4 e currículos de

candidatos. Mas a televisão já desempenhou nas eleições de 1982 uma função impor-

tante. Em primeiro lugar, pela propaganda desabusada e cada vez mais ostensiva que a

maioria das emissoras (em especial a Rede Globo em todo o País) faz dos candida-

tos do pertido do governo, concedendo a eles e a seu principal cabo eleitoral (o presi-

dente Figueiredo) espaço muito maior e abordagem muito mais simpáticas que o que

destinai aos dos partidos oposicionistas. Segundo, pela proliferação dos debates entre

os candidatos aos postos majoritários que, apesar dos horários pouco convenientes para

a maoria da população, ainda asssim conseguem arregimentar número considerável de

espectadores e despertar interesse da imprensa, auxiliando deste modo no esclareci-

mento dos eleitores a respeito de suas opções. No último bimestre, por exemplo, o pio-

neiro Ferreira Neto, a cuja habilidade e tino jornalísticos devem ser creditados muitos

dos méritos por esta safra de debates na televisão, voltou a reunir postulantes ao gover-

no de São Paulo na TV-S, ao mesmo tempo que seu companheiro carioca Wilton Fran-

co fazia o mesmo no Rio de Janeiro, durante a tarde, no programa O Povo na TV. An-

tes deles, a TV-Aratu juntou todos os candidatos ao governo da Bahia, ainda que por

força do Trribunal Eleitoral, pois ela queria excluir do debate o candidato do PT que,

através de recurso à Justiça, garantiu sua presença. Depois, foi a vez da Globo e do jor-

nal O Estado de S. Paulo em conjunto colocarem frente a frente os candidatos paulistas

que desejassem expor seus pontos de vista em confronto para o eleitorado. O saldo fi-

nal dos debates do bimestre não foi dos mais animadores: no Rio de Janeiro, os cinco

políticos quase se limitaram a trocar ofensas pessoais, ao passo que em São Paulo a au-

sência dos representantes do PDS e do PT8 apenas realçou as muitas similaridades pro-

gramáticas dos trôs partidos de oposição (o PMDB, o PT e o PDT). E na Bahia, as pre-

cauções em relação a um debate mais dinâmico acabaram castrando a polêmica e resul-

tando num programa morno e sem graça. As audiências, depois pesquisadas, revelaram

nos três casos muito equilíbrio em seu julgamento. No caso baiano, dependendo do pa-

trocinador da pesquisa, saiu vencedor ou Roberto Santos (PMDB) ou Cléríston de An-

drade (PDS). No Rio de Janeiro, onde houve mais gente assistindo ao debate, Leonel

Brizola (PDT) e Moreira Franco (PDS) parecem ter levado vantagem. E em São Paulo,

Franco Montoro (PMDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram os preferidos. Um ter-

ceiro motivo que faz da televisão já um instrumento importante nas eleições deste ano

foi a batalha publicitária travada entre Miro Teixeira (PMDB) e Moreira Franco (PDS)

nas emissoras de maior audiência do Rio de Janeiro, principalmente a Rede Globo.

Através de uma série de anúncios bem feitos e aproveitando bem a insatisfação do elei-

torado com os candidatos até então mais conhecidos, o PDS consegiu fazer com que

seu postulante Moreira Franco passasse a aparecer bem nas pesquisas de opinião. Miro

Teixeira tentou reagir com outros anúncios bem elaborados, mas seu fraco desempe-

nho dos debates e sua identificação (realçada pelos concorrentes) com o atual governo {

estadual parecem ter impedido que seu objetivo de brecar a ofensiva de Moreira Franco

(que, ao contrário do que ocorre com seus colegas de partido no resto do País, pode

tomar a atitude ofensiva de oposicionista) fosse bem sucedida. Contudo, apesar de

estar contribuindo para a fixação das imagens dos candidatos, a televisão só terá um

papel mais decisivo se a propaganda gratuita, veiculada nos horários em que todo o

eleitorado pode assistir, der acesso a todos os partidos de maneira democrática e não se

restringir ao semi-mutismo imposto pela Lei Falcão.

49


TERCEIRA MINI-SÉRIE VISTA POR 21 MILHÕES

Quem Ama Não Mata, terceira mini-série da Tv Globo, consegiu prender a atenção

21 milhões de espectadores em todo o Brasil. 0 trabalho de Euclydes Marinho nffo foi

tSo assistido como Lampião e Maria Bonita, que inaugurou a experiência das estórias

em quatro semanas, mas superou largamente Avenida Paulista, que veio antes dela.

Quem Ama Não Mata fez muito mais sucesso no Rio (44%) que em Safo Paulo (25%).

Mas foi em Florianópolis e Belo Horizonte que o IBOPE registrou os maiores índices

de audifincia para a mini-série. A crítica, no entanto, nâb foi tSo benevolente quanto o

público. Embora reconhecendo a qualidade técnica do produto, condenou o texto de

Euclydes Marinho e o desempenho estereotipado de Cláudio Marzo e Marília Fera, os

principais atores.

NOVO TELEJORNAL DEIXA A DESEJAR

A Rede Globo bem que tenta, mgs não consegue resolver seu problema de telejor-

nal das onze da noite. A excessiva timidez (para nSo dizer tibieza) política da emissora,

que insiste cm seu Irlejornalismo ser mais realista que o rei e em nSo aproveitar as bre-

chas da abertura ner.i mssmo no horário em que a audiência é mais reduzida, impede

que seus competentes profissionais façam o trabalho a que se propõem. 0 Jornal da

Globo, que estreou na primeira semana de agosto em substituição â segunda edição do

Jornal Nacional, apesôr das boas intenções e da interferência pessoa! de José Bonifácio

de Oliveira Sobrinho (o Bôni) deixa muita a desejar e está muito longo de Globo Revis-

ta, a mais bem sucedida das diversas experiências que a Globo tem feito com o horário.

0 Jornal da Globo diz que pretende ser mais analítico, mas está espremido pelo pouco

tempo que tem. Le'a para o estúdio grandes personalidades para entrevistas que são

abruptamente encerradas após duas ou três perguntas rápidas respondidos às pressas

pelo convidado. Renato Machado, Belisa Ribeiro, Luciana Villas Boas tentam ser in-

formais (dentro do IOVO estilo norte-americano), mas acabam sendo apenas forçada-

mente engraçados. De bom mesmo, só a presença de Henfil, cada vez mais seguro na

linguagem televisiva, e de Paulo Francis, que consegue oferecer a visão analítica que o

jornal como um todo pretende atingir.

DANIEL FILHO ATACA TV-S

Em entrevista à repórter Paula Dip, da revista Veja (14/7/82), Daniel Filho, dire-

tor de novelas da Rede Globo fez seríssimos ataques à sua concorrente, a TV-S. Revol-

tado com os cortes que a censura fez em seu último trabalho (a mini-série Quem Ama

Não Mata), Daniel Filho afirmou que "pornografia é a TV-S", denunciando que a

Censura discrimina as emissoras, favorecendo à de Silvio Santos e prejudicando à de

Roberto Marinho. Menos por esses ataques, mais pela interessante discussão sobre a

linguagem televisiva (especialmente a comparação entre as novelas e a mini-série), a

entrevista de Daniel Filho é uma importante fonte para quem pretenda estudar o papel

da televisão na cultura brasileira contemporânea.

50


AFINAL UMA FEIA NO ESTRELATO

O "padrSb Globo de beleza feminino" parece finalmente estar dando mostras de

ceder. Pelo menos para algumas exceções, como é o caso de Cristina Pereira, talvez a

primeira atriz sem os dotes físicos que caracterizam o conceito estético hegemônico

que consegue atingir o estrelato na Rede Globo. Seu sucesso se deve à participação na

telenovela Elas por Elas, de Cassiano Gabus Mendes, em que faz o papel de Yeda. A

novela é o maior sucesso da atual safra, embora nSo ocupe o horário nobre das 20 ho-

ras, mas sim o das 19 horas. Segundo a revista Veja (21/7/82), Gabus Mendes escolheu

Pereira para ser estrela da novela propositalmente: "A mulher brasileira geralmente é '

feia. Penso que 90% das mulheres do público vão se identificar com a Yeda".

CNPq VAI UTILIZAR DE RADIO E TV

Prosseguindo em seus planos de ampliar ao máximo a divulgação científica no País

o CNPq resolveu produzir programas de rádio e de televisão para veicuiação em emisso-

ras de todos os Estados. Os programas serão elaborados em conjunto com o Ministério

da Educação e Cultura e a Fundação TV Educativa. Entende o CNPq que a difusão e

divulgação de conhecimentos científicos representa uma transferência de tecnologia

para a sociedade que, em última análise é quem sustenta e orienta todo o processo de

geração de conhecimentos. Os programas produzidos serão negociados com as entida-

des envolvidas e interessadas, com vistas ao pagamento dos custos de produção. {FSP,

26/7/82).

NOVELAS PERDEM POPULARIDADE

Já começa a interessar aos poucos estudiosos da televisão como fenômeno cultural

a tendência de declínio de audiência das telenovelas, pela primeira vez verificado em

muitos anos. Os relativos fracassos sucessivos de Coração Alado, Brilhante e o :sur»ssoi

de Sétimo Sentido bem menor que o das obras anteriores de Janete Clair podem de-

monstrar um sinal de fadiga do público em relação ao . gênero a quem tem| sito tão

fiel. As três novelas citadas ocuparam o horário mais nobre da Rede Globo, que não

poupou seus vastos recursos para repetir os cumes de audiência registrados antes por

Dancing Days, Pai-Harói e outros memoráveis êxitos. Contudo, apesar desses esforços,

os índices do IBOPE, embora continuem assegurando à novela das 8 da Globo a inoos-

tável liderança, não repetem as quase unanimidades de anos anteriores. Arthur da Tá-

vola, em O Globo (20/7/82), analisa o fenômeno e discorda da opinião de que o gênero

novela está começando a dar sinais de fim. Para ele, "bastará outro sopro renovador pa-

ra que as telenovelas voltem a misturar extrema qualidade de texto com entretenimen-

to e realização dramática".

POVO NA TV APOIA PDS

É ostensivo o engajamento da TV-S na campanha do PDS para as eleições de no-

vembro. Tão ostensivo que chega a ser descarado. Não bastassem os quadros com que

51


Sílvio Santos em sua maratona dominical saúda e propagandeia o presidente Figueire-

do e seu partido, o "mundo-cSo" de O Povo na TV de Wilton Franco disfarça cada vez

menos seu papel de difusor da candidatura de Moreira Franco ao governo do Rio de

Janeiro e de outros pedessistas nos demais Estados. É curioso que até há pouco tempo,

a candidatura claramente apoiada pelo programa de Franco era a de Sandra Cavalcanti,

do PTB. Mas no dia 30 de junho, o apresentador anunciou ao público (calculado em 1

milhão de pessoas por dia só no Rio de Janeiro) que o seu candidato seria o "candidato

do João". Aliás as referências elogiosas ao "João" ocupam dezenas de minutos a cada

tarde. E, a partir de entSo, Sandra Cavalcanti foi cedendo espaço a Moreira Franco.

Rogério Neto, no Jornal do Brasil (7/7/82), analisou as tendências de cabo eleitoral do

programa O Povo na TV.

AFINAL, A TV COMUNITÁRIA

A tv-a-cabo ainda nSo chegou no Brasil, mas a tv comunitária já tem sua primeira

estaçSo. Trata-se de TV Olho, em Caxias, Rio de Janeiro. Funcionando há cinco meses

(desde fevereiro de 82), já com status suficiente para ter sua programação publicada no

Jornal do Brasil, a emissora funciona com trãs monitores e um telão instalados na Pra-

ça da Emancipação, em Caxias. Os programas são produzidos pelo próprio TV Olho.

São programas de dez minutos de duração em média. Cerca de dez deles são exibidos

diariamente P repetidos no decorrer de uma semana. A programação, segundo Marcos

Augusto Gonçalves (Isto É, 7/7/82), procura cobrir a demanda cultural dos moradores

da região. "Além de um noticiário de esportes e de uma atualidade da semana, os fre-

qüentadores da Praça Emancipação podem assistir a um animado forró no pragrama

Rasta-Pé, acompanhar as fofocas da sociedade local eno Em Sociedade Tudo se Sabe

ou conhecer possíveis novos talentos poéticos e musicais no Jovens Valores".

FOLHA E ESTADO JUNTAM-SE NA PUBLICIDADE

Para facilitar a vida dos anunciantes e das agências, barateando qs custos de produ-

ção com a padronização das medidas, os dois principais jornais paulistas resolveram

adotar um novo sistema de venda de espaço em seus periódicos conjuntamente. A apre-

sentação do projeto comum foi feita no final de julho e ele entrou em vigor no mês se-

guinte. Foram criados "módulos de publicidade" padronizados que estão sendo adota-

dos por todos os jornais do grupo Folha e do grupo Estado. Trata-se da primeira inicia-

tiva conjunta dos dois jornais no setor de publicidade e foi adotada por herdeiros dos

dois impérios: Luís Frias e Francisco Mesquita, que prometem ampliar a cooperação

entre as duas empresas tradicionalmente inimigas na área editorial, mas que parecem

começar a respeitar-se e colaborar reciprocamente pelo menos no que se refere ao cam-

po comercial. Luis Frias justificou a união de esforços dizendo que cada jornal tem um

competidor maior do que outro jornal: a televisão. (FSP, 25/6/82)

O MISTERIOSO SUMIÇO DO HP

Ele circulava com grande estardalhaço: as "brigadas de venda" apregoavam suas

manchetes sensacionalistas pelo meio das ruas e se não assustavam os eventuais com-

pradores ao menos intimidavam alguns que acabavam adquirindo o semanário. Presun-

S2


coso, dizia-se "órgão oficial da família brasileira" e, mais tarde, ampliando as preten-

sões, "órgão oficial da América Latina". Ambicioso, anunciou diversas vezes que se

transformaria em diário e, nos meios políticos, circulavam mirabolantes rumores sobre

a extraordinária capacidade financeira do grupo, que lhe havia permitido alugar um

prédio no centro de São Paulo para localizar seu projeto de concorrer com a grande im-

prensa diária. De repente, parece que tudo acabou, tão inesperadamente e sem explica-

ções como havia começado. O Hora do Povo aparentemente deixou de circular. Desde

o início de julho (e pelo menos até a primeira quinzena de agosto), seus assinantes nffo

recebem exemplares nem os brigadistas s?o vistos pelas ruas a gritar seus "slogans".

Antes disso, a periodicidade havia se tornado incerta: saiu apenas um número em maiol

e outro em junho (respectivamente os 130 e 131). E nunca mais se ouviu falar dele,

nem da revista Brasil Hoje, editada pelo mesmo grupo.

FOLHA MELHORA COBERTURA POLÍTICA

Dentro do marasmo que caracteriza a maior parte da cobertura dos fatos políticos

nacionais pela grade imprensa, a Folha de S. Paulo é possivelmente o único "jornalSb"

que tenta inovar alguma coisa. E às vezes até consegue êxito. Sua coluna diária "Palan-

que", onde os cinco partidos podem expor seus pontos de vista sobre temas polêmicos,

consoüdou-se e é ponto de referência obrigatório para quem se interessa pelas tendên-

cias do pensamento que sSo oferecidas â sociedade brasileira. Sua página três continua

o instigante trabalho de divulgação das idéias de analistas representativos dos mais di-

versos segmentos do espectro ideológico. E, apesar dos preconceitos e arrogância do re-

pórter, a Folha conseguiu, através de Miguel de Almeida, um novo sucesso com a série

de entrevistas "Os candidatos e os temas impertinentes". Se o resultado nSo foi dos

mais auspiciosos devido à posição arrogante assumida por Almeida, a serie teve o méri-

to de colocar temas normalmente omitidos numa campanha eleitoral em relevo e de

despertar em outros analistas o desejo de se manifestar sobre os assuntos. Destaque-se,

por exemplo, o artigo de Marta Suplicy {FSP, A/8/82) em que a psicóloga reeiabora o

material colhido por Almeida e publicado pela Folha, dando-lhe uma interpretação me-

nos preconceituosa e redimensionando o pensamento dos candidatos sobre os "temas

impertinentes", o que auxiliou o eleitorado a posicionar-se. Finalmente, após o debate

dos candidatos do PMDB, PT e PDT no Programa Ferreira Neto, a Folha publicou ex-

celente cobertura, com análises lúcidasj de jornalistas do primeiro time, como Ricar-

do Kotscho, além de não se limitar â mera transcrição da discussão, juntando a ela uma

série de intervenções do jornal, assinaladas em negrito, interpretando as palavras dos

candidatos e do apresentador do programa.

GAZETA MERCANTIL TEM NOVOS SÓCIOS

A Gazeta Mercantil tem novos sócios: pelo menos dez grupos econômicos acerta-

ram uma associação que investirá um bilhão de cruzeiros no novo conglomerado lide-

rado pelo jornal. Os novos sócios (entre os quais incluem-se os Bancos Bamerindus,

Itaú, Econômico e BCN) ficarão com 40% do capital, ficando os restantes 60% com a

família Levy, sua atuai proprietária, {ESP. 26/6/82).

53


DIÁRIO OFICAL COM CULTURA

O Diário Oficial do Estado de São Paulo passou a contar, a partir de julho, com al-

go mais que decretos, leis e nomeações. Um caderno mensal de cultura, o "D. O. Lei-

tura" está sendo encartado ao jornal. Seu editor é o jornalista Ruy Marcucci, para

quem o suplemento "cria uma singular oportunidade de enriquecimento cultural em

benefício da vasta parcela da população distribuída em diversos estratos sociais". Para

a Folha de S. Paulo, contudo, ele "constitui uma ingerância direta do Estado na área

da publicação cultural, que só ingenuamente se pode atribuir a uma política aberta e

de apoio a produçSo nacional do setor". ((FSP, 22/6/82).

O GLOSO EXAGERA PARA FAVORECER Mi RO

Além dos artista: globais, o condídato do PMDB ao governo do Rio de Janeiro, de-

putado Miro Teixeira, também conta com as simpatias do jornal 0 Globo. O lançamen-

to oficia! de sua candidatura, em comício na Cinelândia, foi saudado pelo jornal com

mais espaço do que o atribuído ao da candidatura de Moreira Franco, do PDS. E, além

do àKu&ro rráfico, íutro de informação: para O Globo, 70 mil pessoas assistiram ao

comício, qu-i, se foi e verdade, teria sido a mais massiva manifestação política havida

no Brasil derc-e 19P . A própria foío que ilustrava o texto e mostrava uma multidão

de pessoas cheia de espaços vazios entre elas encarregava-se de desmentir o exagero.

Muito mais ^arcimoi-ioso e próximo da verdade, o Jornal do Brasil noticiou a presença

de 10 mil pessoas no comício .

SBFC INVESTE HO CAMPO EDITORIAL

Foi lançada durante a Reunião Anual da entidade a nova revista da SBPC, chama-

da Ciência Hoje. Ao contrário do outro periódico (Ciência e Cultura) editado pela

SBPC, este destina-se ao público em geral, sendo oferecido em bancas de jornal e livra-

rias. Ciência Hojs pretende ser bimestral, custa Cr$ 300.00 e tem 80 páginas. Projeto

gráfico bem cuidado, papel de primeira, fartamente ilustrado, apresenta, no entanto,

alguns problemas de diagramação que dificultam a leitura. Editorialmente, seu objetivo

parece ser enfocar a maior diversidade possível de áreas do conhecimento científico. O

primeiro número, por exemplo, trata da poluição em Cubatão, do papel do futebol na

sociedade brasileira, de pesquisas com bactérias e algas, da música nas secisciades indí-

genas brasileiras, das células que compõem o sistema nervoso humano, do vento solar,

do potencial de crescimento da população brasileira e da reforma universitária, além de

apresentar seções fixas de pequenas notícias, documento, humor, resenhas e o perfil de

um personagem (no caso, o do jornalista J. Reis). A revista vem preencher uma lacuna

existente no mercado editorial de periódicos e que a Abril tentou ocupar com seu pro-

jeto importado de Ciências Ilustrada. Os méritos de Ciência Hoje, totalmente dedicada

à produção de conhecimentos realizada no Brasil, são inegáveis desde o primeiro núme-

ro. E o sucesso inicial, com grande número de assinaturas e vendas avulsas tanto na

Reunião Anual como em seguida nas bancas, vem recompensar a iniciativa da SBPC.

Entretanto, o projeto ainda pode melhorar muito, principalmente no que se refere à

linguagem empregada, que pode ser mais jornalística e menos erudita. A equipe que es-

54


tá cuidando da revista é constituída por Argemiro Ferreira. Serhio Flacksman, George

Duque Estrada e Zelia Freire Caldeira. Entre os colaboradores do primeiro número es-

tSoBernardo Kucinski. Lúcio Flávio Pinto e Régis Farr. A assinatura da revista custa

Cr$ 1.800,00 e pode ser solicitada â Avenida Wenceslau Braz, 71. fundos. Casa 2, CEP

22290, Rio De Janeiro, RJ. Para a publicação de Ciência Hoje contribuíram o CNPq e

aFINEP.

OS FRANCESES CHEGARAM

A influência predominante do cinema norte-americano no Brasil continua sendo

historicamente incontestável. Mas ele que se cuide porque os franceses estão chegando.

E com carga total. A Gaumon, mais poderosa empresa européia de produção, distribui-,

ção e exibição de filmes, entrou no mercado brasileiro com a compra de uma das trêsi

maiores cadeias cinematográficas de São Paulo, a Companhia Serrador. Pagou 800 mi-

lhões de cruzeiros à vista e anuncia que este é apenas o começo de sua carga em busca'

dos espectardores deste país. A Gaumont vai investir não apenas na exibição, mas tam-

bém na produção de filmes no Brasil. Pelo menos quatro filmes já estão acertados; Me-

mórias do Cárcere, de Nelson Pereira dos Santos, Quilombo dos Palmares, de Caca

Diegues, Paraíba Muíher-Macho, de Tizuka Yamazaki e O Beijo da Mulher-Aranha, de

Hector Babenco.

SO TRAPALHÕES CONTRA A COPA

A temporada cinematográfica de julho foi das mais fracas. Temendo a concorrên-

cia da Copa do Mundo, as empresas distribuidoras e exíbidoras resolveram deixar para

depois das férias a maioria dos lançamentos importantes do segundo semestre. A única

exceção foram Os Trapalhões, que colocaram no mercado duante a Copa em 110 cine-

mas espalhados por 62 cidades brasileiras seu filme mais recente. Os Vagabundos Tra-

palhões, confiando na fidelidade do público infantil. Embora ainda não tenham sido

divulgados números, a audácia de Renato Aragão e seus colegas parece ter sido recom-

pensada. O Brasil foi desclassificado antes do tempo, mas mesmo quando os "canari-

nhos" ainda estavam na disputa, a freqüência ao filme do grupo foi bastante grande.

Profissões

APP DENUNCIA COMSSSÂO

Uma estranha e auto-intitulada Comissão para Revisão da Legislação Profissional

está sendo denunciada pela Associação Paulista de Propaganda, que fez publicar maté-

ria paga nos principais jornais de São Paulo desmentindo que a entidade estivesse en-

volvida com a tal comissão. A responsável pela comissão, professora Maria Regina Ne-

to, segundo Hugo Estenssoro em Senhor (7/7/82) julga que a legislação que regula a

atividade do publicitário está desatualizada e merece correções. Mas se isso pode ser

verdade, não é menos verdadeiro que só através de uma mobilização de toda a catego-

ria é que medidas corretas poderão ser tomadas. E, para tanto, a associação da catego-

ria deve ser um dos fóruns básicos para o debate. Como Estenssoro ressalta em seu ar-

tigo, "a regulamentação profissional tem sido uma das mais obstinadas pedras do ca-

55


minho publicitário nos últimos tempos. A atual legislação. Lei 4680, foi aprovada em

1965, após decidida intervenção dos setores interessados, como reaçSo a um malfadado

e pior assessorado projeto do deputado Almino Afonso". Como a Lei 4680 tem defen-

sores e detratores, a APP resolveu convocar seus sócios para um debate organizado a

respeito do assunto.

NOVAS TECNOLOGIAS E DIREITO AUTORAL

Além do amplo impacto social, a introdução das novas tecnologias da comunica-

ção no Brasil já começa a causar discussSo sobre os direitos autorais. A preservação des-

ses direitos fica seriamente ameaçada com a proliferação das máquinas xerox, dos vi-

deocassetes, do videotexto, dos computadores domésticos. Diversas categorias profis-

sionais (escritores, compositores, artistas, produtores e iretores de cinema, entre

tantas) podem ter seus interesses lesados. Uma das contribuições importantes para o

debate deste tema foi dada por Henrique Gandelman, advogado, através de artigo pu-

blicado pelo Jornal do Brasil (7/7/82). Nele, Gandelman diz que "é preciso acalentar

o direito intelectual, a única forma ética e legítima do que juridicamente é definido co-

mo propriedade, ou direito, no sentido epistemolõgioo de pertencer o bem única e ex-

dusvamente a quem o cria. Sem o qual, nãb mais teremos gênios na sociedade de ama-

nhã".

Censura

FACA DA CENSURA MAIS AFIADA

A faca da censura parece ter se afiado mesmo. Além dos cortes já listados na intro-

dução do Fórum de debate sobre a censura nesta edição, novos atentados contra a li-

berdade de expressão foram cometidos por ela. Um deles, a proibição do filme ganha-

dor do Festival de Gramado na categoria curta-metragem, intitulado Encruzilhada Na-

talino, de Ayrton Centeno e Guaracy Cunha. O filme é um documentário sobre a per-

manência de colonos num acampamento, reivindicando terras das quais haviam tenta-

do se apossar por n.o serem utilizadas. Outro, a interdição da quarta mini-série da Re-

de Globo, Bandidos de Falange, de Aguinaldo Silva. A estréia estava prevista para dia 9

de agosto, mas M suspensa até que todos os capítulos sejam gravados. O trabalho de

Aguinaldo conta uma história do cotidiano da violência no Grande Rio de Janeiro. De-

veria ser estrelado por Betty Faria, Nuno Leal Mala, José Wilker e Sténio Garcia, sob a

direção de Luiz Antônio Piá e Jardel Melo.

CENSURA AMERICANA PODE SOFRER MUDANÇAS

TAmbém nos Estados Unidos, a censura pode sofrer mudanças. O tradicional siste-

ma americano de graduar a possibilidade de entrada em filmes através de faixas de ida-

de está sendo questionado por cidadãos que nãb admitem que seus filhos menores se-

jam barrados â entrada dos cinemas por não estarem acompanhados de responsáveis,

como exige a lei. Por outro lado, setores conservadores reclamam da excessiva liberali-

dade do órgão encarregado de fazer a classificação. Este órgão, ao contrário do que


ocorre no Brasil, é constituído por representantes dos produtores, distribuidores e exi-

bidores cinematográficos, sem ingerência do Estado. 0 que a lei determina é apenas o

direito que o proprietário das salas exibidoras tém de barrar menores de idade quando

não acompanhados de seus responsáveis, seguindo os critérios que acharem mais con-

venientes, no caso, o sistema de classificação utilizado há anos. Aljean Harmetz, reda-

tor do The New York Times publicou recentemente (2/6/82) artigo a respeito do

assunto, no qual as diversas posições existentes são analisadas e confrontadas.

Comunicação internacional

JORNAIS VAO FATURAR MAIS NOS USA

A década de 1980 terminará com um faturamento anual de publicidade em torno

de 150 bilhões do dólares nos Estados Unidos. E, deste total, pelo menos 44 bilhões se-

rão distribuídos entre os jornais, que terão um crescimento real de 18% em relação aos

dias de hoje. A previsão é do publicitário Leo Bogart, presidente da Associação Mun-

dial de Pesquisa de Opinião Pública, que esteve recentemente no Brail. Para ele, a tele-

visão comercial continuará sendo no final da década o médium mais importante para

os norte-americanos, apesar de esperar que até lá metade das residências naqele país es-

tará ligada â televisão a cabo e um quinto delas terá aparelhos de videocassete. Apesar

do avanço dos novos media e da inevitável perda prestígio e tempo dos mais tradicio-

nais, Bogart acredita que os jornais permanecerão insubstituíveis como o meio que dá

ao consumidor o que eie precisa saber. {JB, 4/8/82).

NOVO JORNAL NACIONAL NOS USA

Está previsto para o dia 15 de setembro o lançamento do mais novo jornal norte-

-americano com ambições de cobrir todo o território nacional. Trata-se do USA Today,

publicado pala Gannett Company, que vem contratando alguns dos melhores profissio-

nais do mercado jornalístico daquele país. Os teóricos do jornalismo norte-americano

há muito discutem as razões pelas quais até aqui nenhum projeto de jornal nacional foi

efetivamente bem suosdido em seu país (apesar do êxito relativo do The Christiean

Science Monitor e do Wall Streett Journal, os quais contudo, atingem apenas as parce-

las bem setorizadas do público). A tentativa da Ganneí está sendo aguardada com ex-

pectativa. Como a companhia possui uma rede de 88 jornais, a maioria dos quais loca-

lizada em cidades pequenas do Interior, é possível que a experiência de seus diretores

com o mercado de fora das grandes metrópoles os auxilie na obtenção de sucesso, ao

contrário do que ocorreu com as companhias que a antecederam na tentativa.

EXPERIÊNCIA DO WASHINGTON POST ANALISADA

A experiência do "ombudsman" do Washington Post, uma das mais antigas e con-

solidadas no jornalismo mundial e que já mereceu comentários e artigos de pesquisado-

res da comunicação, recebeu uma nova análise, desta vez feita por um jornalista fran-

cês, Robert Sole, no Le Monde (reproduzida no Brasil no suplemento Folhetim, da Fo-

57


lha de S. Paulo de 18/7/82). Para Sole, "o sucesso da instituição depende muito da per-

sonalidade de seu titular". E no caso do Post, segundo ele, todos os que ocupam o car-

go saíram-se bem.

TV ESTEREOTIPA SINDICATOS

Três grandes sindicatos norte-americanos realizam desde 1980 um estudo anual so-

bre a presença dos sindicatos na programaçSo televisiva daquele país. Segundo as con-

clusões da pesquisa de 1981, os sindicatos pouco aparecem nas telas dastvs dos Esta-

dos Unidos e quando isso ocorre, eles s3o mostrados como organizações violentas, des-

gradantes e teimosas. As manifestações de greves violentas e espetaculosas são o que

mais chama a atenção da televisão. O trabalho também demonstra que há uma super-

-valorização das profissões consideradas intelectuais e que os trabalhadores manuais

quase nunca s3o representadas nos programas de ficção. Os sindicatos também se quei-

xam da cobertura jornalística das três grandes redes que, segundo eles, não dá destaque

aos problemas principais das classes trabalhadoras, exceto a inflação. Foi assinalado

também quev desde a posse de Reagan, a publicidade das grandes corporações aumen-

tou significativamente. Quando é feita a cobertura de negociações entre patrões e em-

pregados, não são explicadas as necessidades dos trabalhadores nem os benefícios so-

ciais decorrentes de um acordo, quando ele acontece. Mais críticas ao telejornalismo

norte-americano: as opiniões das classes trabalhadoras sobre os principais problemas

do país e do mundo e sobre as fórmulas para serem solucionados raramente são solici-

tadas pelas emissoras. Enfim, lá como aqui, trabalhador só aparece na televisão com

destaque quando é vítima de um crime violento. (Fonte: Altercom).

PRÉMIER PORTUGUÊS PUNIDO POR JORNALISTAS

O primeiro-ministro de Portugal Carlos Pinto Balsemão foi expulso da Federação

dos Jornalistas Portugueses. A decisão foi em protesto contra o projeto do governo

de fechar a Agência Nacional de Notícias. Além disso, os jornalistas realizaram uma

greve de 24 horas. Balsemão é proprietário do semanário Expresso e por esta condi-

ção ele pertencia à Federação de que agora é expulso.

Tecnologia

INPE LANÇA QUATRO SATÉLITES ATÉ 90

Até o final da década o Brasil terá colocado em órbita quatro satélites artificiais,

segundo os planos do Instituto de Pesquisas Espaciais de São José dos Campos. Os dois

primeiros serão destinados a fornecer informações sobre meteorologia, hidrologia e cli-

matologia e os dois seguintes, mais sofisticados, deverão servir para o levantamento de

recursos naturais. Só neste ano, os projetos de pesquisa do INPE estão sendo contem-

plados com o orçamento de 2 milhões e 100 mil dólares. {ESP. 4/8/82).

58


ASSINADO CONTRATO DO SATÉLITE DA EMBRATEL

Foi afinal assinado no dia 28 de junho o contrato da EMBRATEL com o consór-

cio canadense Spar/Hughes, no valor de 46 milhões de dólares para o fornecimento de

dois satélites domésticos de telecomunicações. O consórcio terá um prazo de 36 me-

ses para entregar à EMBRATEL os dois equipamentos. Eles deverão ser colocados

em órbita em 1985, sendo lançados por uma firma francesa de sua base na Guiana

Francesa (fS/', 30/6/82).

PROJETO DE TV A CABO VAI AO CONGRESSO

O anteprojeto de lei que cria o sistema de tv a cabo no Brasil já está concluído e

pronto para ser enviado pelo Ministério das Comunicações para o Congresso Nacional.

Segundo o projeto, o concessionário do serviço de televisão a cabo será obrigado a

transmitir também, além de sua programação própria, todos os canais que operam em

circuito aberto em sua área de atuação, com o objetivo de não prejudicar as emissoras

de tv existentes, facultando ao usuário a captação de uma imagem de melhor qualida-

de. {ESP, 28/7/82).

V1DEOTEXTO COMEÇA A OPERAR

Começou a operar experimentalmente na segunda quinzena de agosto o sistema de

video-texto da TELESP, em São Paulo. Nessa primeiro momento de testes, apenas as

empresas fornecedoras de informação estão participando. Sreve, os usuários seleciona-

dos e as empresas que compraram o serviço já estarão integrados. Se tudo der certo, no

ano que vem qualquer assinante da TELESP poderá aderir ao video-texto.

PREÇO DO VIDEO-CASSETE CAS

Para tentar estimular as vendas (muito abaixo das expectativas) e combater a con-

corrência do equipamento importado (que, via contrabando saía mais barato que o na-

cional, com a vatangem de ser mais moderno) a Sharp lançou no início de agosto inten-

sa campanha publicitária anunciando a redução dos preços de seu aparelho de

video-cassete doméstico VHS. Cerca de 100 mil cruzeiros a menos ficou custando o

aparelho. Mesmo assim, ele ainda está numa faixa de consumo inacessível até para as

classes médias nestes tempos de economia complicada.

NOVAS TECNOLOGIAS NA CAMPANHA

A campanha eleitoral já aderiu às novas tecnologias. Alguns partidos e candidatos

estão se valendo do video-cassete para fazer chegar suas pregações às casas dos eleito-

res com mais charme do que a simples presença física do postulante. No Rio de Janeiro

Arthur da Távola, o crítico de televisão que concorre ao Sanando pelo PMDB, é o mais

59


desinibido, tendo adaptado um telão e um video-cassete à carroceria de uma perua

kombi, com a qual circula pelo Estado a exibir seu "cineminha" com a propaganda sua

e de seus companheiros de partido.

Gente

SAUDADES DE LEILA E DE MARYLIN

O início de agosto foi marcado pelas comemorações e saudades por causa do ani-

versário de morte de duas grandes atrizes: Leila Diniz, que há dez anos faleceu em aci-

dente de aviSo, e Marylin Monroe, que há vinte anos aparentemente se suicidou. Os

meios de comunicação registraram fartamente as manifestações de carinho pelas duas,

em especial Leila Diniz, que mereceu a edição de um almanaque especial do Pasquim,

muito bem cuidada, com depoimentos de amigos e parente sobre sua personalidade

esfusiante, que a tornou verdadeira musa de sua geração. O papel de Leila Diniz na co-

municação brasileira transcedeu os limites de sua carreira artística, pois ela foi o objeto

de uma das mais memoráveis entrevistas da história de nosso jornalismo, realizada exa-

tamente pela equipe do Pasquim e que ajudou a consolidar a existência do semanário,

ao mesmo tempo em que revolucionou a linguagem das entrevistas na imprensa do

país.

MORREM JAKGBSGN, MÁRCIA. JAKSON...

Mais um bimestre de perdas para o mundo da comunicação. No Brasil, foi o meio

artístico quem mais sofreu baixas; Jakson do Pandeiro, talento pouco conhecido na

MPB (só aceito pela intellígentiza depois de redescoberto por Gilberto Gil), que mor-

reu a 10 de julho, com 63 anos, e Márcia de Windso, atriz celebrizada por sua partici-

pação em júris de programas de auditório, a 3 de agosto, com 47 anos. No Exterior,

um nome importante no mundo acadêmico deixará de aparecer nos livros: o de Ro-

man Jakobson, pai da Lingüística, que faleceu aos 86 anos, no dia 20 de julho. Tam-

bém morreu neste bimestre o russo Viadimir Zworykin, o invetor da televisSb, aos 93

anos, no dia 31 de julho. O diretor cinematográfico Henry King, que ia^çou Tyrone

Power no cinema e dirigiu filmes célebres como "A Canção de Bernardete", foi outra

baixa ocorrida no meio artístico neste bimestre: morreu no dia 31 de agosto, com 96

anos.

PESQUSSADOR AMERICANO PEDE MATERIAL SOBRE MPB

O pesquisador Larry Shore, do Hunter College de New York, está realizando estu-

dos sobre música popular, inclusive na América Latina. E gostaria de receber qualquer

tipo de material sobre a MPB, assim como manter contacto com pesquisadores brasilei-

ros. Quem quiser entrar em contacto com ele deve escrever para: P. O. Box 1481, Hun-

ter College, 695 Park Avenue, New York, NY, 10021, USA.

60


Geral

SETORES QUE MAIS INVESTEM EM PUBLICIDADE

A indústria de alimentos foi o setor que mais investiu em publicidade no ano pas-

sado, de acordo com estudo realizado pela Alcântara Machado, Periscinoto, e publica-

do pela revista Isto É (30/6/82). As categorias que mais aumentaram seus gastos com

publicidade foram petróleo e derivados (crescimento real de 128%), foto-óptica (112%)

rações (99%) e, muito abaixo, produtos de limpeza (17%) e cigarros (12%). Os alimen-

tos ficaram com 14,3% do total de investimentos publicitários, seguidos de bancos, fi-

nanceiras e seguradoras (13,4%), indústria têxtil e vestuário (11,1%), perfumaria e far-

mácia (10,4%), indústria de transporte, petróleo e derivados (8,3%).

1983 SERÁ ANO MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES

Decisão das Nações Unidas: 1938 será o Ano Mundial das Comunicações. A pro-

posta visa fazer com que se desenvolvam as infraestruturas das comunicações, particu-

larmente para aumentar a eficiência da comunicação como fator de desenvolvimento

econômico e social. O foco principal deverá ser a discussão das políticas e atividades

nacionais de comunicação, segundo a proposta aprovada na ONU.

TELEVISÃO E ESTADO

A recente crise da Rádio e Televisão Cultura (RTC) vem mais uma vez trazer a pú-

blico a vinculação que esse canal sempre manteve com o governo do Estado de S. Paulo

Se no passo, essa vinculação era muito mais mediatizada com a nomeação do Sr. Paulo

Maluf, e posteriormente do Sr. J. M. Marin, para governo paulista, esse fato adquiriu

um caráter mais ostensivo, chegando a ferir os próprios Estatutos da Fundação, o que

originou a atual crise, com repercussões na área do judiciário.

Entretanto, o que causa uma certa estranheza é o fato de que, durante o governo

biônico do Sr. Paulo Maluf não se ter levantado essa questão. As alterações feitas logo

no início de sua administração foram marcadas já por essa orientação, culminando com

sua utilização na propaganda eleitoral para as eleições de 1932. Mas, em todo o perío-

do de seu governo ficou muito claro o atrelamento da RTC ao Palácio dos Bandeirantes.

O controle da TV pelo Estado brasileiro já se manifesta claramente na própria legisla-

ção referente a esse meio. No caso das televisões educativas, entretanto, essa situação

assume um caráter de verdadeiro aliciamento eleitoral. Estamos convencidos de que en-

quanto não se estabelecer uma outra política para a RTC, essa emissora estará sempre

sujeita aos demandos administrativos e políticos dos eventuais ocupantes do Governo

do Estado. Só a participação, na sua administração, de entidades representantivas da

sociedade civil permitirá a transformação dese canal de televisão num verdadeiro fator

de produção e divulgação da cultural.

61


COMUNICAÇÃO & SOCIEDADE

Revista semestral, organizada pelo Institu-

to Metodista de Ensino Superior — Cen-

tro de Pós-GraduaçSb (S5o Bernardo do 7.

Campo — SP), editada e comercializada

pelo Cortez Editora.

Assmatan»: Rua Bartira, 387 - São 8.

Paulo - SP, 05009 - Brasil.

5.

TEMAS PRINCIPAIS

DOSNÚMEROS

ANTERIORES

Comunicação, segundo

Gramsci e Paulo Freire.

Comunicaçflb, Comuni-

dade e imaginário

Comunicação, Política e

ParticipaçSb

Comunicação, Igreja e

Pesquisa-AçSÒ

Comunicação na América

Latina

Comunicação Alternativa

e Cultura Popular

Jornalismo Científico e

Jornalismo Brasileiro

Mulher, Trabalho e Co-

municação (no prelo)


BIBLIOGRAFIA CORRENTE DE COMUNICAÇÃO

NO 34 (julho/agosto - 1982)

Editor: José Marques de Melo

Editor Adjunto: Tereza Lúcia Halliday

Supervisão bibliográfica: Maria Christina da Silva e Sousa e

Sueli Aparecida Torres

Redatores dos sumários: Admond Ben Meir e Sônia de Castilho

Publicação editada pelo PORT-COM - Centro de Documentação da Comunicação nosi

Países de Língua Portuguesa — órgão complementar da ÍNTERCOM, mantido com a

colabor?çSo da Bilioteca da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Endereço para correspondância: Caixa Postal 20793 — São Paulo — SP

BIBLIOFRAFIA EM LllMGUA PORTUGUESA

1. Obras gerais

HOLANDA, Heloisa B. de &GONÇALVES, Marcos A. Cultura e participação nos

anos 60 - São Paulo, Brasiliensa, 1982.

Panorama da criação cultural no Brasil durante os anos 60, montando um qua-

dro da reação dos setores mais ativos da intelectualidade brasileira às mundan-

ças de rumo trazidas pêlo movimento militar de T964.

LADD, Everett Carll. Como os americanos se vêem. Diálogo. Rio de Janeiro, Lida-

dor, 15(2) : 6-8,1982.

Painel do pensamento dos norte-americanos sobre si próprios e seu país — ideo-

lógica, institucional e pessoalmente - com base em pesquisas de opinião públi-

ca ali realizadas.

PORTO, Sérgio -A nova opulência das Gerais. São Paulo, Cortez, 1982.

Estudo sócio-semiológico da linguagem habitual à população mineira, analisada

através da publicidade feita em Minas ou para Minas pela fábrica de automóveis

Fiat.

2. Cinema

BACK, Sílvio — República Guarani. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1982.

Roteiro do documentário cinematográfico de longa metragem "República

Guarani", mostrando todo o trabalho de Back, desde sua pesquisa sobre o


assunto. 0 filme, realizado em 1981, trata de uma sociedade criada por jesuítas

entre 1610 e 1767 contando com sucessivas gerações de Guaranis e cujo núme-

ro final foi estimado em 12 milhões de pessoas.

BARRETO, Solange. Uma distribuidora própria: e o cinema independente ganha

novos mercados. Novidade Fotoptica, SSo Paulo (105) : 52 53, jul. 1982.

Artigo sobre a criação da CDI —Cinema Distribuição Independente —quetem

por função abrir um mercado paralelo e alternativo ao existente.

BERMAN, Abrão. Vem aí o 1° Super Festival Super 8. Novidades Fotoptica, São

Paulo (105) : 54-56, jul. 1982.

Reportagem sobre a realização, de 2 a 7 de agosto de 1982, do 109 Super Festi-

val Nacional do Filme Super 8, em São Paulo. Fala sobre a organização do festi-

val, as atividades programadas, os prêmios a serem oferecidos e traz, ainda, o re-

gulamento de inscrição para os interessados. Trata, também, da participação de

brasileiros em festivais Super 8 no resto do mundo.

CLAUDE, Robert &BACHY, Victor &TAUFOUR, Bernard - Panorâmica sobre a

sétima arte. São Paulo, Loyola, 1982. V. 1.

Panorama da arte cinematográfica no mundo. Enfoca detalhadamente, neste

volume, os aspectos técnicos e estéticos do cinema, procurando defini-lo como

linguagem humana e artística.

CLAUDE, Robert BACHY, Victor & TAUFOUR, Bernard - Panorâmica sobre a

sétima arte. v. 2. São Paulo, Loyola, 1982.

Panorama de arte cinematográfica no mundo, desde o seu surgimento no fim

do século passado. Enfoca, neste volume, a história e os aspectos culturais do

cinema. Contém, ainda, uma bibliografia sobre o assunto.

EISENSTEIN, Sergei M. - O couraçado Potemkin. São Paulo, Global, 1982.

Roteiro do filme de longa metragem, realizado em Moscou, no ano de 1925,

contando a sublevaçâo dos marinheiros ocorrida no couraçado Príncipe Potem-

kin, em 1905. Além da ficha técnica do filme e da biofilmografia de Eisenstein,

o livro apresenta ainda uma análise do autor sobre a obra.

3. Imprensa

ABEL, Elie. Da liberdade de imprensa. Diálogo. Rio de Janeiro, Lidador, 15 (2) :

2-5.1982.

Panorama da liberdade de imprensa nos EUA, mostrando os principais momen-

tos de repressão e de liberdade. Faz uma breve análise da situação atual da im-

prensa, além de apresentar um quadro cronológico da liberdade e coerção da

imprensa norte-americana.

MIRAM. Um rapaz de fino trato. Rio de Janeiro, Multiprint, 1982.

Primeiro livro individual de cartuns do artista gráfico Miram (Oswaldo Miran-


da). Nascido no Paraná, teve trabalhos publicados em O Pasquim, Ovelha Ne-

gra, Folhetim, Jornal do Brasil (com tiras diárias). Zero Hora, Risco, revista Ho-

mem e Perdom (Alemanha).

TAVARES, José Nilo — Gênese do império "associado" de Assis Chateaubriand.

Comunicação & Sociedade, São Paulo, IMS/Cortez.4 (7): 144-168, mar. 1982.

Ensaio sobre o conglomerado jornalístico criado por Assis Chateaubriand, a

partir da década de 1920, e que no seu período de apogeu incluía jornais e esta-

ções de rádio e televisão que se distribuíam por todo o território nacional.

Enfatiza-se o posicionamento de Chateaubriand a favor da iniciativa privada ei

do liberalismo político. Ao final, propõe-se uma pesquisa mais aprofundada dos

"Associados", para um maior conhecimento da imprensa nacional.

4. Jornalismo

ALVES, Luis Roberto — O jornalismo, a ciência e o humanismo em Euclides da

Cunha. Comunicação & Sociedade, São Paulo, IMS/Cortez, 4 (7) : 117 - 125,

mar. 1982.

Algumas considerações sobre a obra de Euclides da Cunha, ressaltando a sua

importância como observador de uma sociedade e, particularmente, como re-

pórter, pesquisador e cientista que se envolveu nos episódios esquecidos do Bra-

sil. Seu estudo pode revelar o modo como os estratos científicos e filosóficos

penetram na literatura jornalística.

ASSMANN, Hugo — Elementos para uma teoria da "notícia científica". Comuni-

cação & Sociedade, São Paulo, Cortez/IMS, 4 (7) : 1982.

Exame das dimensões íeórico-polfticas do conceito de notícia científica, envol-

vendo a implicação reciproca entre saber e poder. Propõe-se um novo uso da

ciência e da técnica, entendidas como um procssso dinâmico, definido no "por

quê" e no "para quê". Esse novo uso faz parte de toda uma proposta de reno-

vação para o povo.

BUENO, Wilson da Costa — A política nacional de informação científica e tecno-

lógica. Comunicação & Sociedade, São Paulo, IMS/Cortez, 4 (7) : 39 - 44 mar.

1982.

Não há uma política de informação científica e tecnológica no Brasil. As tenta-

tivas até agora feitas se ressentem de um levantamento das necessidades, da es-

cassez de recursos econômicos, do desconhecimento do usuário dessa informa-

ção, além de estarem muito ligadas ao poder público e sofrerem censura. É im-

portante a formação de jornalistas científicos que disponham de um sistema

eficaz, atualizado e acessível de captação de informação.

CARDOSO, Onésimo de Oliveira — Jornalismo educativo e científico. Comunica-

ção 8t Sociedade, São Paulo, Cortez/IMS, 4 (7) : 127-129, mar. 1982.

Resenha crítica do livro "Periodismo Educativo y Científico", editado em Qui-

to com a colaboração do Centro Interamericano de Periodismo Educativo y Ci-

entifico para Ia Prensa — CIMPEC. Esse livro tem uma proposta pioneira, no


sentido de servir para a formação de um novo tipo de comunicador especializado.

DIVULGAÇÃO CIENTIFICA NO BRASIL: A EXPERIÊNCIA DA ABDC - Insti-

tuto Metodista de Ensino Superior — Comunicação & Sociedade. São Paulo,

IMS/Cortez, 4 (7) : 113-115, mar. 1982.

Resumo da criação e dos propósitos da Agência Brasileira de Divulgação Cientí-

fica, criada pelo Centro de Pós-Graduação do Instituto Metodista de Ensino Su-

perior, em convênio com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e

Tecnológico. A ABDC tem como objetivo popularizar a pesquisa científica,

socialmente relevante, além de contribuir, ela própria, em estudos sobre o as-

sunto.

HERNANDO, Manoel Calvo — Jornalismo e energia nuclear. Comunicação e So-

ciedade, São Paulo, Cortez/IMS. 4 (7( : 65-70, mar. 1982.

A veículação de informações a respeito da questão nuclear enfrenta inúmeras

dificuldades, tais como a presença de elementos políticos e morais na formula-

ção de juízos de valor sobre o assunto e a linguagem incompreensível dos técni-

cos para a maioria das pessoas. Assim, a informação deve ser endereçada não ape-

nas à razão, mas ao homem todo, tendo-se em mente que, em se tratando de

jornalismo científico, sua principal missão deve ser a de informar corretamen-

te o público e orientá-lo.

HICKMANN, Biasio H. —O ecnonomês: uma linguagem esotérica, pouco jornalís-

tica. Comunicação e Sociedade. São Paulo, IMS/Cortez, 4 (7): 71-84, mar. 1982.

Questionamento da adequação da linguagem de alguns setores informativos dos

jornais diários em relação ao público a que se dirige, a partir de uma pesquisa

feita em Porto Alegre. A prolixidade, o emprego exagerado de siglas e a utiliza-

ção do linguajar técnico profissional dos economistas, além do emprego de neo-

logismo e estrangeirismo, dificultam a comunicação. O noticiário econômico

deveria, pois, evitar tecnicismos desnecessários sem explicá-los. A não-acessibili-

dade do noticiário econômico apenas reflete o elitismo dos que exercem uma

forma de jornalismo mais especializado.

LEMOS, Antônio A. Briquet de — As revistas brasileiras do setor saúde. Comuni-

cação e Sociedade. São Paulo, IMS/Cortez, 4 (7) : 85 - 100, mar. 1932.

Exame de 74 revistas médicas brasileiras, em algumas de suas características,

como a dispersão de especialidades, a falta de planejamento e de obediência e

calendários de publicação e o excesso de trabalhos de qualidade duvidosa para a

promoção da venda de medicamentos. Tais seriam alguns dos problemas que le-

vam â evasão de artigos científicos brasileiros para publicações estrangeiras. Ou-

tro aspecto examinado é o aparecimento, dentro da comunicação biomédica no

Brasil, de uma imprensa médica alternativa para o debate de problemas da pres-

tação de serviços de saúde.

MARASCHIN\, Jaci Correia — Quem tem medo da tecnologia? Comunicação e So-

ciedade, São Paulo, Cortez/IMS, 4 (7) : 1982.

O jornalismo científico precisa estar verdadeiramente voltado para a divulgação


e a crítica da ciência e da tecnologia, levando em conta os vários impactos so-

fridos pelo público em face dessas qualidades de informação. As falsas noções

deterministas de sociedade e a dialética do singular e do plural levam a crer na

necessidade de novas formas de tecnologia e na possibilidade de aceitação de

posturas marginalizadas onde o ruído, como interferência e modificação, acaba

sendo valorizado.

MARQUES DE MELO, José — Impasses do jornalismo científico. Comunicação e

Sociedade. São Paulo, Cortez/IMS, 4 (7): mar. 1982.

Idéias e reflexões sobre o espaço ocupado pela ciência nos meios de comunica-

ção de massa, enquanto setor especializado do jornalismo que se pratica nas so-

ciedades capitalistas. Situando o papel crítico que o jornalista deve ter na divul-

gação de informação científica dentro da realidade brasielira, pretende-se con-

tribuir para um debate sobre as distorções do jornalismo científico e a forma-

ção profissionailizante e acadêmica.

QUEVEDO, Josué Munoz — A divulação científica na América espanhola: e a ex-

periência do CIMPEC. Comunicação e Sociedade. São Pauto, Cortez/IMS, 4 (7):

107-112, mar. 1982.

Exame dos objetivos, tarefas e resultados até agora obtidos pelo CIMPEC —

Centro Interamericano para a Produção de Material Educativo e Científico para

a Imprensa. Este centro foi criado pela OEA há dez anos, na Colômbia, tendo

como objetivo a vincuiação da comunicação social com a educação e a busca do

desenvolvimento do jornalismo educacional e científico.

SANTORO, Luiz Fernando — Televisão e divulgação científica: um espaço para o

fantástico. Comunicação e Sociedade, São Paulo, IMS/Cortez, 4 (7) : 101-106,

mar. 1982.

Sob o título de informação científica o cidadão comum recebe pela TV grande

quantidade de informações que se pretendem científicas, mas que não passam

de charlatanismo. Essa é a principal constatação que surge ao se analisar o espa-

ço dedicado pela TV à divulgação científica. Constata-se que não há ainda pro-

dução de programas verdadeiramente científicos na TV brasileira, e se sugere

o uso de videocassete como alternativa do uso de uma tecnologia a serviço dire-

to da ciência e da informação especializada.

SILVA, Carlos Eduardo Lins da — Jornalismo e ecologia. Comunicação e Sociedade,

São Paulo, IMS/Cortez, 4 (7): 51-63, mar. 1982.

O jornalismo que se dedica â divulgação de informações sobre ecologia e ciências

do ambiente, o chamado jornalismo ambiental, principiou no Brasil em 1973. É

muito importante pela linguagem que emprega, tendo em vista a relevância do as-

sunto. O jornalista ambiental terá a responsabilidade de demonstrar ao público em

geral que os programas ecológicos dizem respeito diretamente à sua saúde, â sua

família e ao seu futuro.

VERGA, Alberto J. — Periodismo y educación permanente. Comunicação e Sociedade.

São Paulo, Cortez/IMS, 4(7): 45-49, mar. 1982.


Estudo do papei dos meios de comunicação no desenvoivimento científico e a

importância do jornalismo científico na tarefa educacional de povo. A ciência

e a tecnologia deveriam, então ser difundidas por dois meios: pelo jornalismo

e pelos homens de ciência, muito embora suas atividades sejam diferentes.

5. Folkcomunicação

BELTRÃO, Luiz — Videntes 8t volantes: presença das ciências ocultas na folkoo-

municaçffo. Comunicação e Sociedade. São Paulo, IMS/Cortez, 4 (7): 135-144,

mar. 1982.

Breve exame dos "volantes" impressos de que se valem os videntes e bicheiros

que proliferam no submundo dos mais necessitados. Os volantes servem para

caracterizar os problemas da clientela e dar as credenciais dos videntes, segui-

dos de uma breve mensagem sobre as suas atividades.

RIBEIRO, M. de Lourdes Boges - Moçambique. Cadernos de Folclore, São Paulo,

MEC/FUNARTE/Instituto Nacional de Folclore, 7 (32): 90 p. 1981.

Pesquisa histórica, fotográfica e musical de Moçambique, manifestação folclóri-

ca brasileira que tem por finalidade a louvação de São Bernardo e/ou Nossa Se-

nhora do Rosário. Esse trabalho tem por base uma pesquisa realizada em 1959

em Aparecida, SP; posteriormente, foram observados grupos de Moçambique

tanto no Estado de São Paulo quanto no Estado de Minas Gerais. O estudo con-

tém fotos das evoluções da dança, diagramas explicativos e partituras das músi-

cas tradicionais.

6. Fotografia

PAIVA, Joaquim. Aventuras |e desventuras) de uma tradução. Novidades Fotopti-

ca, São Paulo (105): 22, jul. 1982.

Depoimento sobre a tradução do livro "On photography"("Ensaios sobre foto-

grafia") de Susan Sontag. Fala sobre o livro e os motivos que o levaram á tradu-

ção.

UM ENCONTRO com Chico Albuquerque (ou histórias da fotografia brasileira).

Novidades Fotoptica, São Paulo, (105): 24-32, jul. 1982.

Entrevista com o fotógrafo Chico Albuquerque, da qual participam também o

artista plástico Aldemir Martins, Alfredo Mesquita Júnior, escritor e fundador

da Escola de Arte Dramática de São Paulo, e Rubens Matuck, artista e ex-ilus-

trador do Jornal da Tarde. Albuqueruqe fala da fotografia em geral e do seu

trabalho como jornalista fotográfico, publicitário e artístico.

WOLFE, Tom. Modelando Imagens em cores. Diálogo. Rio de Janeiro Lidador

15(2) : 40-49,1982.

Reportagem sobre a vida e o trabalho da fotógrafa Marie Cosindas, para quem


pintura e fotografia nSo sSo coisas muito diferentes. Norte americana, a fotó-

grafa, por motivos puramente artísticos, abandonou o preto e branco em favor

da cor, e dá a suas fotos um tratamento semelhante a uma pintura.

7. Marketing

HUBER, Gilberto — A informação na conquista de mercado externo. Mercado

Global, São Paulo, 9 (52) : 42-44,1982.

Conferência feita pelo autor (editor de "Daily Post"), na qual realciona a reto-

mada do desenvolvimento econômico do país na exportação e na agricultura a

um bom nível de informação sobre as atividades empresariais, juntamente com

uma estratégia de marketing agressiva e eficiente.

ICC/ESCMAR - Para chegar a um acordo sobre um projeto de pesquisa de merca-

do. Mercado Global, São Paulo, 9 (52) : 45 - 51,1982.

Resumo do Código internacional de práticas de pesquisa de mercado, estudo

conjunto da International Chamber of Commeree e a European Society for

Opinionand Marketing, Research. 0 código tem como propósito a aplicação de

normas que reflitam um elevado nível dá ética na pesquisa de opinião e de mer-

cado.

MESA redonda: o marketing esportivo. Mercado Global, São Paulo, 9 (52): 4-14,

1982.

Discussão com empresários, esportistas e profissionais de TV a respeito da for-

ma como o esporte é encarado em termos de investimento e retorno de lucros.

Conclui-se que, para que o esporte seja um negócio lucrativo, será preciso um

calendário esportivo melhor organizado, um melhor relacionamento clubes/te-

levisão e uma nova mentalidade empresarial.

8. Novas Tecnologias de Comunicação

CARMO, João Clodomiro do. Vídeo Clube Nacional: o sucesso das fitas originais.

Som três, São Paulo, (43): 22-24, jul. 1982.

Reportagem sobre o Vídeo Clube Nacional, localizado no Rio de Janeiro, que

possui um acervo apenas de fitas originais. Possui, também, um computador

para o controle dos empréstimos de fitas.

CARVALHO, Flávio. As ruas da eletrônica. Revista Nacional de Telecomunica-

ções, São Paulo, 3 (38): 8-15, jun. 1982.

Reportagem sobre a rua Santa Ifigênia, em São Paulo, a mais famosa das ruas

onde se espalha o comércio de componentes eletrônicos.

KAHTALIAN, Mikio. A tevê por cabo e as leis que não existem. Som três, São

Paulo, (43): 25-26, jul. 1982.

Artigo sobre a TV por cabo existente nos EUA, analisando os problemas e as

vantagens desse tipo de transmissão. Menciona a possibilidade da implantação


no Brasil, em 1983, de transmissão em ondas médias estéreo e também da TV

por cabo.

NA TV, o milagre da multiplicação. Revista Nacional de Telecomunicações, SSo

Paulo, 4 (38): 44-46, jun. 1982.

Reportagem sobre as múltiplas aplicações do aparelho de televisSo doméstico,

com todos os equipamentos eletrônicos que a ele podem ser acoplados, desde

um telSo ou um telejogo, até o moderno videocassete e o sistema de védio-tex-

to.

SHARP saiu na frente. Novidades Fotopticas, SSo Paulo (105): 64, jul. 1982.

Informações gerais sobre o novo Videocassete Recordei VC-8510 da Sharp,

produzido na zona franca de Manaus e lançado em 82 simultaneamente no

Brasil, EUA e Japão.

SABBATINI, Renato M. E. A era do computador pessoal. Vídeo News. SIo Paulo,

Sigla, 1(1): 59-63.1982.

Artigo sobre os computadores domésticos, suas características e aplicações na

vida cotidiana.

SIQUEIRA, Ethevaldo. A América Latina vai às compras. Revista Nacional de Te-

lecomunicações. São Paulo, Bandeirante, 4 (38): 17-20, jun. 82.

Artigo sobre a "Comunicaciones Expo 82", segunda exposição continental de

equipamentos e sistemas de telecomunicações realizada em Miami, com vistas

ao mercado latino-americano. Ressalta, sobretudo, a ausência das indústrias

brasileiras â exposição.

SIQUEIRA, Ethevaldo. A transformação do vfdeo. Som Três, São Paulo. (43):

20-21, jul. 1982.

Reportangm sobre os aparelhos que podem ser acoplados ao receptor de TV e o

surgimento do conceito de TV modular, que traz em si a idéia da múltipla utili-

zação do aparelho de TV doméstico.

9. Propaganda

CADENA, Nelson Varén - A auto-reguiamentação e o "Libertange" de Piazzoia.

Propaganda, São Paulo, Editora Referência, 27 (310): 60-61, abr. 1982.

Breve discussão sobre a auto-regulamentação de profissional de propaganda,

com vistas á apresentação no IV Congresso Brasileiro de Propaganda. Parte-se

da premissa de que qualquer regulamentação teria que ser de baixo para cima,

ter em vista o consumidor e não se prender à exigência de possuir um diplima

para exercer a profissão;essas afirmações seriam propostas a serem apresenta-

das posteriormente.

CANNES: 25 anos de desenvolvimento (silencioso) com sabor regional. Propagan-

da, São Paulo, Editora Referência. 27(310): 20-31, abr. 1982.

Reportagem comemorativa dos 25 anos da agência Cannes de propaganda, se-


diada em Goiás. Mostra como a empresa dinamizou-se e cresceu até figurar en-

tre as 30 maiores do ramo no pafs.

DIÁLOGO COM GERALDO ALONSO - Propaganda, S3o Paulo, Editora Refe-

rência, 27 (310) : 6-8, abr. 1982.

Entrevista com Geraldo Alonso, escolhido o "Publicitário do Ano", em 1981,

Conversa sobre o sucesso da Norton Publicidade, da qual é presidente. Resu-

me sua idéia da propaganda como "uma atividade séria, que precisa ser feita

com seriedade, com menos pretensão e mais dedicação".

FILHO, José Roberto W. Penteado — A propaganda na Alemanha. Propaganda,

S3o Paulo, Editora Referôncia, 27 (311) : 50-54, abr. 1982.

Reportagem sobre a propaganda na Alemanha, terceira em importância no

mundo e primeira na Europa. Suas marcas principais são: utiliza-se mais de veí-

culos impressos (jornais e revistas); possui grande criatividade; há uma legisla-

ção que proibe ou restringe a publicidade de cigarros e bebidas; nenhuma agên-

cias de maior porte é inteiramente nacional.

GARCIA, Mauro Neves — Criação numa era de posicionamento, firapagancfe, Sio

Raulo,;Editora Referência, 27 (310): 36-39, abr. 1982.

Breve análise de processo de criação na publicidade de um produto, com gráfi-

cos ilustrativos dos sistemas de criação, suas estruturas, processos de ativação,

avaliação.

ISTO É A PROPAGANDA BRASILEIRA - Propaganda. São Paulo, Editora Refe-

renciai 27 (311) : 66p, mai. 1982.

Edição bilíngüe, comemorativa de 289 Congresso Mundial de Publicidade, reali-

zado em São Paulo em maio de 1982."Apresentam-se números e estatísticas da

propaganda brasileira, suas agências, anunciantes, veículos publicitários, legisla-

ção e ética, prêmios, imprensa especializada e ensino da propaganda no Brasil.

MÁGICA: uma campanha sem truques. Novidade Fotoptíca, São Paulo. (105) :

47-49, jul. 1982.

Reportagem sobre a campanha publicitária "A Fotoptica faz até mágica para

agradar você", realizada pela DPZ para ser veiculada durante 82. Depoimento

do seu redator de publicidade, Neil Ferreira, que conta como nasceu a idéia da

campanha.

RANKING BRASILEIRO DE 81 -Propaganda, São Paulo, Editora Referência,

27(310) : 40-49, abr. 1982.

Quandro informativo de faturamento das empresas brasileiras de propaganda,

num total de 281 que responderam aos formulários enviados. Constam no qua-

dro, além do faturamento das empresas, sua distribuição por Estado e o núme-

ro do funcionários.

SIROTSKY, Sani - A função da propaganda no reaquecimento econômico. Pro-

paganda, São Paulo, Editora Referência, 27 (310): 57-58, abr. 1982.


10. Teatro

Proposta para que a propaganda injete otimismo no consumidor, demonstrando

o que de positivo cada empresa vem fazendo. A propaganda deve explorar tam-

bém a expansão de venda de bens de consumo e o reativamento industrial.

NUNES, Celso. O treinamento psicofísico na formação do ator. São Paulo, ECA/

USP, 1982. Tese (mestrado).

Dissertação que propõe bases técnicas para um aquecimento do organismo do

ator que o predisponha à criação artística. Tenta captar o desenvolvimento do

ator dentro das pesquisas de Constantin Stanlslávski, no Teatro de Arte de

Moscou, e as de Jersey Grotowski, no Instituto de Pesquisa Teatral, buscando

uma medida para o ator se libertar das convenções do século XIX, utilizando

seus recursos físicos e psíquicos.

SILVEIRA, Miroel. Goldoni na França. São Paulo, Instituto de Cultura Italo-Bra-

sileira, 1981.

Ensaio sobre o teatrólogo intaliano Cario Goldoni, enfocando principalmente

sua atividade artística na França após 1763. Analisa a "Commedia delTArte",

gênero que imperava por essa época, â qual Goldoni se opunha, propondo uma

nova forma de texto e encenação. Comenta, ainda, as dificuldades na tentativa

de concretizar suas propostas, suas frustrações e sua morte na obscuridade.

Constata e lamenta que ainda hoje a obra de Goldoni não tenha o reconheci-

mento merecido.

11. Telecomunicações

10

CONTROLE de processos: o desafio da nacionalização. Revista Nacional de Tele-

comunicações. São Paulo, Bandeirante, 4 (38): 31 -32, jun. 1982.

Artigo sobre a criação e atuação da Comissão Especial de Controle de Processos

(CECP), que objetiva examinar a situação do país na área de controle de pro-

cessos e serviços industriais e não industriais. Traça um painel dos sistemas im-

plantados atualmente no Brasil, na área de telecomunicações.

LAS TELECOMUNICACIONES EN LATINOAMÉRICA. Revista Nacional de Te-

lecomunicações. São Paulo, Bandeirante, v. 3:6-16, abr. 82.

Levantamento da situação atual das telecomunicações na América Latina. Fo-

caliza a América Central, Colômbia, Chile, Venezuela, Peru, Paraguai, Surina-

me, e principalmente Argentina e Brasil.

NO FIM do fôlego. Revista Nacional de Telecomunicações. São Paulo, Bandeiran-

tes, 4 (38): 23-24, jun. 1982.

Artigo sobre a crise das empresas brasileiras construtoras de redes telefônicas.

Além de denunciar o "dumping" que ocorre no setor e a capacidade ociosa de

até 70% nessas empresas, aponta saídas como o planejamento para as contrata-

ções e a reserva de mercado.


O SATÉLITE caiu do céu. Revista Nacional de Telecomunicações. São Paulo, Ban-

deirante, 4 (38): 26-28, jun. 1982.

Artigo sobre a implantação do satélite doméstico nacional e a expectativa das

três indústrias credenciadas pela Telebrás para a produção da antena de alumi-

mo para a recepçffo e transmissão dos sinais via satélite.

12. TelevisSo

A EXPLOSÃO da TV Cultura. Revista Nacional de Telecomunicações. SSo Paulo,

Bandeirante, 4 (38) :48-50, jun. 1982.

Artigos sobre a expansão da TV Cultura de São Paulo nos últimos 15 meses,

aproveitando as redes já instaladas pela Telesp e Embratel, atingindo hoje cer-

ca de 500 municípios.

COUTINHO, Zuba, História da TV. Vídeo News. São Paulo, Sigla, 1 (1): 67-74,

1982.

Rápido histórico sobre a televisão, desde o seu surgimento até os dias de hoje,

destacando sua importância social na atualidade.

ESPORTES na Globo: audiência nacional Mercado Global, São Paulo, 9 (52) : 35-

39,1982.

Estatísticas sobre a audiência dos programas esportivos transmitidos pela TV

Globo, mostrando sua supremacia de cobertura e de público.

TELEVISÃO À LA CARTE. Revista Nacional de Telecomunicações. São Paulo,

Bandeirante, v. 3:41 -44, abr. 82

Artigo sobre a DBS (Direct Broadcasting Satellite). Funcionando a partir de

1985, o sistsma DBS permitirá uma televisão sem anúncios nem programas de

TV comercial, mas apenas uma programação especial e exclusiva para os assi-

nantes.

BIBLIOGRAFIA SELETIVA EM LÉGUAS ESTRANGEIRAS

Inglfis

WILLIAMS, Frederick — The Communications Revolution. Beverly Hills, Califór-

nia, Sage, 1982.

O autor examina os efeitos da explosão das novas tecnologias da comunicação

sobre o comportamento humano. O uso de processadores de texto, satélites,

novos dispositivos telefônicos e serviços de rádio e vídeo comunicação e seu

impacto sobre trabalho, divertimento, transporte, saúde, política e educação

são cuidadosamente analisados e projetados para o cenário do século 21.

KEEFE, Carolyn D.;Thomas B. HARTE e Lawrence E. NORTON - Introduction

to Debate. Nem York, MacMillan, 1982.

Texto prático sobre o preparo e a apresentação de debates, levando em conta

os aspectos técnicos e éticos.

11


Francês

GALVIN, Kathleen M. e Bernard J. BROMEL - Family Communication ~ Cohe-

sion andchange. New York, Scott, Foresman & Co., 1982.

Acompanhdo de um manual para o professor, esta obra enfatiza a dinâmica co-

municacional dentro da qual as famílias funcionam. Reúne abordagens teóricas

e emn icas da sociologia, psicologia, terapia familiar e estudos de linguagem.

0'DONNEL, Victoria - Persuasion: an interactive dependency approach. New

York, Random House, 1982.

Enfatiza a natureza interativa da persuasão, dando tratamento especial à comu-

nicação persuasiva pelos meios de comunicação social e âs campanhas de comu-

nicação ambiental.

Espanhol

12

DRUCKMAN, Daniel; Richard ROSELLE e James BAXTER - Nonverbal

communication — survey, theory and research. Beverly Hills, Califórnia, Sage,

1982.

Os autores investigam a relação entre comunicação verbal e não verbal, a possí-

vel ligação entre a linguagem não verbal e fenômenos neurofisíológicos, os as-

pectos não-verbais do comportamento político e os efeitos culturais e da perso-

nalidade sobre a comunicação não-verbal.

LE NET, Michei - L'Etat Annonceur. Paris, Editions d'Organization, 1981.

Análise das técnicas, doutrinas e ética da comunicação social enquanto estraté-

gias utilizadas pelos governos para esclarecimento do público, auto-promoção e

sobrevivência política.

PORTALES, Diego C. — Poder econômico y libertad de exprasión. México, Nueva

Imagen/ILET. 1981.

Estudo sobre a indústria chilena da comunicação, privilegiando a questão da li-

berdade de expressão, em dois momentos da vida política daquele país; antes e

depois de Allende.

RADA, Juan - Problema y posibilidades de Ia actual revolución informativa. Mé-

xico. ILET. 1980.

O autor pretende mostrar como o desenvolvimento da tecnologia da informa-

ção afeta os países sub-desenvolvidos, sugerindo alternativas ás estratégias tradi-

cionais de desenvolvimento.

MORAGAS SPA, Miquel - Teorias de Ia comunicación. Barcelona, Gustavo Gili,

1981.

Revisão crítica sobre as tendências contemporâneas da teoria da comunicação

nos Estados Unidos, Europa e América Latina.


©f , oiraiÍttMrtáü • &si©i 5 ní^8tffls3


Tanta contrai:

INTERCOM/83

VI CICLO DE ESTUDOS INTERDISCIPLINARES

DA COMUNICAÇÃO

Siò Paulo, Brasil - 3 a 7 de tetembro da 1983

NOVAS TECNOLCGIAS DE COMUNICAÇÃO:

MPUCAçOES .^LÍTICAS. IMPACHO SÚaOECCrjOülCO

Comissão Organizadora:

Luis Fernando Santoro

Regina Festa

Roberto Queiroz

Wilson Bueno

Armando Azzari

Alceu da Costa

Informações: INTERCOM

Sociedade Brasileira de Estudos Intedisciplinares da

Comunicação

Caixa Postal 20793

01000 - São Paulo - SP - BRASIL


Periódicos INTERCOM

V' ^^


EdkçOMiKTERCOM

uss-

: "1

Pedidos: INTERCOM

Caixa Postal 20793

01000 São Paulo SP

Sliãiiilil

edasses

sulmltemas

vfTJBCTW

e coittra-inlbriKiação

More magazines by this user
Similar magazines