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CONCENTRAÇÕES E PROPORÇÕES MOLARES DE ÁCIDOS GRAXOS VOLÁTEIS DO LÍQUIDO

RUMINAL DE OVINOS ALIMENTADOS COM DIETAS À BASE DE SUBPRODUTO DE CAJU

(ANACARDIUM OCCIDENTALE L.) 1

JOAQUIM BEZERRA COSTA 2 , MARCOS CLÁUDIO PINHEIRO ROGÉRIO 3 , IRAN BORGES 4 ,

JOSÉ NEUMAN MIRANDA NEIVA 5 , JOSÉ CARLOS MACHADO PIMENTEL 6 , GABRIMAR

ARAÚJO MARTINS 3 , NORBERTO MARIO RODRIGUEZ 4 , ELOISA DE OLIVEIRA SIMÕES

SALIBA 4 , ROBERTO FERREIRA CARVALHO 7

1 CNPq, FUNCAP/PROCAD, Banco do Nordeste

2 Estudante do curso de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral-CE, e-mail:

jbezerracosta@yahoo.com.br

3 Professor do curso de Zootecnia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, Sobral-CE

4 Professor do Departamento de Zootecnia da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo

Horizonte-MG

5 Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Tocantins, Araguaína-TO

6 Pesquisador da EMBRAPA Agroindústria Tropical, Fortaleza-CE

7 Engenheiro Agrônomo, Mestre em Zootecnia-UFC, Fortaleza-CE

RESUMO: Com o presente estudo objetivou-se avaliar a influência da inclusão do subproduto de caju (Anacardium

occidentale L.) sobre as proporções molares de ácidos graxos voláteis (AGV), sobre a concentração total de ácidos

graxos voláteis e sobre a relação acetato : propionato do líquido ruminal de ovinos que receberam dietas experimentais

isofibrosas e isoprotéicas contendo este subproduto em níveis crescentes (zero, 19 %, 38 % e 52 %). Vinte ovinos

machos e inteiros foram distribuídos em quatro dietas com inclusão percentual do subproduto de caju. O experimento

seguiu um delineamento em blocos ao acaso, em esquema de parcelas subdivididas, tendo nas parcelas as dietas e nas

sub-parcelas os tempos de colheita (zero, duas, cinco, oito horas pós-prandial), com cinco repetições. A proporção molar

dos AGV no líquido ruminal nas dietas com subproduto de caju foi típica de dietas ricas em volumosos. A dieta com 19 %

de subproduto apresentou maior concentração total de AGV do que a dieta com 52 % e foi semelhante às dietas controle

e com 38 % de subproduto. A relação acetato : propionato não foi afetada pela inclusão do subproduto de caju.

PALAVRAS-CHAVE: acetato, frutas, propionato, resíduo agroindustrial

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CONCENTRATIONS AND MOLAR RATIOS OF RUMINAL VOLATILE FATTY ACIDS OF SHEEP FED WITH DIETS

CONTAINING CASHEW'S BY-PRODUCT (ANACARDIUM OCCIDENTALE L.)

ABSTRACT: The study aimed to evaluate the inclusion of cashew's by-product (Anacardium occidentale L.) on the

concentrations and molar ratios of volatile fatty acids (VFA) and on the acetate:propionate relationship of the ruminal

liquid of sheep that received isofibrous and isoproteics experimental diets containing the by-product in increasing levels

(zero, 19 %, 38 % and 52 %). Twenty male sheep were distributed in four diets with percentile inclusion of the cashew byproduct.

The experiment followed a randomly block delineation in a spli-split plot design, having in the parcels the diets

and in the sub-parcels the harvest times (zero, two, five, eight hours after-prandial), with five replications. The diet with 19

% of by-product presented greater total concentration of AGV than diet with 52 % and it was similar to the diets with zero

and 38 % of by-product. The relation acetate: propionate was not affected by the inclusion of cashew's by-product.

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KEYWORDS: acetate, agroindustry by-product, fruits, propionate

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INTRODUÇÃO

A concentração de ácidos graxos voláteis (AGV) depende da composição da ração e do regime

alimentar. A quantidade de AGV presentes no conteúdo do retículo-rúmen também é reflexo da

atividade microbiana e da absorção através da parede ruminal. A ingestão de alimentos rapidamente

fermentáveis, por exemplo, aumenta rapidamente a atividade microbiana, resultando em incremento

das concentrações de AGV, particularmente de propionato (Teixeira, 1992). Dietas ricas em

volumosos, por sua vez, conforme France e Siddons (1993), resultam em maior produção de

acetato. Objetivou-se com o presente trabalho, avaliar em quatro tempos de colheita previamente

estabelecidos as concentrações de ácidos graxos voláteis do líquido ruminal de ovinos em

terminação, que receberam dieta composta de feno de capim elefante, milho, farelo de soja e níveis

crescentes de subproduto de caju.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados 20 cordeiros machos e inteiros com seis meses de idade e peso vivo médio de 24

kg. Os tratamentos adicionaram em níveis crescentes (zero; 19 %; 38 % e 52 %) o subproduto

agroindustrial de caju composto basicamente de bagaço do pseudofruto após extração do suco,

seco ao sol e picado grosseiramente em substituição ao feno de capim elefante. Para a formulação

das dietas experimentais também foram incluídos milho e farelo de soja. O subproduto de caju

utilizado apresentava a seguinte composição bromatológica: MS=89,1 %; PB=13,78 %; EE=3,91 %;

FDN=79,23 %; FDA=68,59 %; HCEL=10,64 %; CEL=30,81 %; Lignina=37,76 %; Ca=0,53 %;

P=0,043 %; NDT=47,2 %. No tratamento 0 %, as proporções foram 42,4 % de feno de capim

elefante; 42,78 % de milho e 14,82 % de farelo de soja numa relação volumoso : concentrado (V:C)

de 42,4 : 57,6. Para o tratamento 19 % (19,29 % de subproduto), as proporções foram 30,68 %

(feno), 37,32 % (milho) e 12,71 % (farelo de soja) e relação V:C de 49,97 : 50,03. No tratamento 38

% (38,05 % de subproduto), as proporções foram 15,9 % (feno); 35,64 % (milho) e 10,41 % (farelo

de soja) e relação V:C de 53,95 : 46,05. No tratamento 52 % (52,11 % de subproduto) as proporções

foram 40,93 % (milho) e 6,96 % (farelo de soja) e relação V:C de 52,11 : 47,89. O nível máximo foi

determinado pelo ajuste das dietas em função da substituição total do feno de capim elefante pelo

subproduto de caju e, ao mesmo tempo, para atender ao requisito de proteína bruta (14,7 %)

prescrito pelo National Research Council (1985) para cordeiros em terminação (quatro a sete meses

de idade) com peso vivo de 30 kg e ganho de peso de 295 g/dia. Procurou-se estabelecer um nível

de fibra dietético mínimo (48 % de FDN), idêntico para os quatro tratamentos, de modo que os níveis

de energia se aproximassem daqueles prescritos pelo National Research Council (1985), ou seja, 72

% de NDT. Os ovinos utilizados foram pesados no início do experimento e alojados em gaiolas

metabólicas. As dietas foram fornecidas duas vezes ao dia, às 7 h e 30 min e às 17 h e 30 min. O

período de adaptação dos animais às dietas e às gaiolas foi de 17 dias, logo ao final desse, em um

dia realizou-se a colheita de líquido ruminal para as mensurações de ácidos graxos voláteis em

quatro tempos pré-estabelecidos (zero hora ou antes do fornecimento da dieta, duas horas, cinco

horas e oito horas pós-prandial). As dietas foram fornecidas às sete horas em uma única vez. Água

e sal mineralizado estiveram disponíveis à vontade. Em uma alíquota de 4 ml de líquido ruminal foi

adicionado 1 ml de ácido metafosfórico a 25 % para serem analisados os níveis de ácidos graxos

voláteis. Os ácidos graxos voláteis foram quantificados usando-se um cromatógrafo de fase gasosa

SHIMADZU®, modelo GC-17A dotado de coluna capilar metil-silicone (CBP1 m25-025). O

tratamento experimental seguiu um delineamento em blocos ao acaso em esquema de parcelas

subdivididas, tendo nas parcelas as dietas e nas sub-parcelas os tempos de colheita (zero, duas,

cinco, oito horas pós-prandial) com cinco repetições. As médias foram comparadas pelo teste SNK

(P


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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Tabela 1, são apresentadas as proporções molares do acetato e propionato. As interações entre

tempos de colheita do líquido ruminal e dietas experimentais não foram significativas e também não

houve diferenças significativas entre as dietas experimentais (P>0,05) para esses dois parâmetros.

Hungate (1966) comentou que quando existe predominância de substratos ricos em carboidratos

estruturais a tendência é de não ocorrerem diferenças nas concentrações de propionato. A partir do

fornecimento alimentar, duas e cinco horas após, as proporções de acetato foram semelhantes ao

tempo zero, entretanto, foram também semelhantes à proporção encontrada no tempo oito que foi

inferior àquela obtida para o tempo zero. Em contrapartida, houve aumento das proporções molares

de propionato na quinta e oitava horas após o fornecimento alimentar em relação ao tempo zero

(P0,05) de 69,01 % (Tratamento 0 % e Tempo de colheita zero). Os

valores médios de ácido propiônico ficaram entre 17 % (Tratamento 52 % e Tempo de colheita zero)

e 29,06 % (Tratamento 38 % e Tempo de colheita oito). Este último também não foi

significativamente diferente (P>0,05) de 25,77 % (Tratamento 19 % e Tempo de colheita oito). As

concentrações dos AGVs totais (somatório dos ácidos ácetico, propiônico e butírico) e a relação

acetato : propionato encontrada são apresentadas na Tabela 2. A interação tempo de colheita do

líquido ruminal versus dietas experimentais para as concentrações de AGV totais (milimoles/100 ml)

não foi significativa estatisticamente (P>0,05). As maiores concentrações foram encontradas as

cinco e oito horas pós-prandial. A dieta controle apresentou maior produção de AGV totais do que as

dietas com 38 % e 52 % de subproduto. A dieta com 19 % de subproduto apresentou maior

concentração do que a dieta com 52 % e foi semelhante estatisticamente às dietas controle e com

38 % de subproduto. A interação tempos de colheita versus dietas experimentais também não foi

significativa para a relação acetato : propionato (P>0,05). Não foram encontradas diferenças

significativas para este parâmetro entre as dietas experimentais. A relação acetato : propionato

diminuiu na quinta e oitava hora pós-prandial em relação ao jejum (Tabela 2). Provavelmente isso

ocorreu como resposta à redução da inclusão de carboidratos estruturais nas dietas. Provavelmente

as altas proporções de ligninas existentes no subproduto de caju (37,76 %), indisponibilizaram os

carboidratos aos microrganismos ruminais e isso pode ter resultado em maiores produções de AGV

apenas na quinta e oitava hora pós-prandial.

CONCLUSÕES

A proporção molar dos AGV no líquido ruminal nas dietas com subproduto de caju foi típica de dietas

ricas em volumosos. A relação acetato : propionato não foi afetada pela inclusão do subproduto de

caju.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. FRANCE, J., SIDDONS, R.C. Volatile fatty acid production. In: FORBES, J. M., FRANCE, J.

Quantitative aspects of ruminant digestion and metabolism. Cambridge University, 1993.

p.107-121.

2. HUNGATE, R.E. The rumen and its microbes. London, Academic Press, 1966, 533p.

3. NATIONAL RESEARCH COUNCIL-NRC. Nutrient requirements of sheep. New York: National

Academy Press, 1985. 99p.

4. RIBEIRO JÚNIOR, J.I. Ánálises estatísticas no SAEG. Viçosa:UFV, 2001. 301p.

5. SILVA, J.F.C., LEÃO, M.I. Fundamentos da nutrição de ruminantes. Piracicaba, Livroceres, 1979.

380p.

6. TEIXEIRA, J.C. Nutrição de Ruminantes. Lavras, MG: Edições FAEPE, 1992. 239p.

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Tabela 1 - Proporção molar do acetato e propionato no líquido ruminal de ovinos consumindo dietas contendo distintas

quantidades de subproduto de caju 1 em vários horários pós-prandial

HORA(h)

1 Percentagem de inclusão do subproduto de caju nas dietas

2 Letras maiúsculas iguais na mesma coluna indicam semelhança estatística a 5% (SNK)

3 Letras minúsculas iguais na mesma linha, para mesmo parâmetro, indicam semelhança estatística a 5% (SNK)

CV Acetato = 10,01%; CV Propionato = 23,09%;

2

Acetato3 Propionato3 0 % 3 19 % 3 38 % 3 52 % 3 Médias 0 % 3 19 % 3 38 % 3 52 % 3 Médias

0 69,01Ab 77,59Aab 76,72Aab 75,80Aa 74,78A 23,46Aa 17,77Aa 19,58Ba 17,00Ba 19,45B 2 68,49Aa 71,74Aa 75,20Aa 70,22Aa 71,41AB 25,08Aa 22,73Aa 19,32Ba 23,31ABa 22,61AB 5 73,82Aa 69,46Aa 68,72ABa 69,74Aa 70,43AB 21,23Aa 25,53Aa 24,62ABa 24,32ABa 23,92A 8 71,21Aa 68,55Aa 63,93Ba 66,11Aa 67,45B 23,76Aa 25,77Aa 29,06Aa 27,90Aa 26,62A Médias 70,63a 71,83a 71,14a 70,46a - 23,38a 22,95a 23,14a 23,13a -

Tabela 2 - Concentração total de ácidos graxos voláteis (milimoles/ 100 ml) e relação de acetato : propionato

(Acet./Prop.) no líquido ruminal de ovinos consumindo dietas contendo distintas quantidades de subproduto de caju 1 em

vários horários pós-prandial

HORA(h)

1

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AGV totais 2 Acet./Prop. 2

0 % 3 19 % 3 38 % 3 52 % 3 Médias 0 % 3 19 % 3 38 % 3 52 % 3 Médias

0 5,90

1 Percentagem de inclusão do subproduto de caju nas dietas

2 Letras maiúsculas iguais na mesma coluna indicam semelhança estatística a 5% (SNK)

3 Letras minúsculas iguais na mesma linha, para mesmo parâmetro, indicam semelhança estatística a 5% (SNK)

CV AGV totais = 38,14%; CV Acet./Prop.= 21,51%

Ca 5,90Aa 5,02Ba 3,77Aa 5,15C 2,96Aa 5,28Aa 4,67Aa 5,18Aa 4,52A 2 7,54Ca 7,18Aa 7,70ABa 6,21Aa 7,16B 2,76Aa 3,24Aa 4,93Aa 3,19ABa 3,53AB 5 16,09Aa 9,71Ab 10,25Ab 6,61Ab 10,67A 3,83Aa 2,75Aa 3,08ABa 2,99ABa 3,16B 8 11,46Ba 10,63Aa 7,97ABa 6,83Aa 9,22A 3,46Aa 2,78Aa 2,21Ba 2,41Ba 2,72B Médias 10,25a 8,36ab 7,74bc 5,86c - 3,25a 3,51a 3,72a 3,44a -

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