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Boletim do Búfalo - nº 2 - jul/2005 - Associação Brasileira de ...

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OPINIÕES DOS LEITORES

AABCB e a equipe do Boletim do

Búfalo externam sua satisfação em

veícular está segunda edição do

Boletim do Bufalo, que se tornou possível

pelo apoio de seus anunciantes e colaboradores.

Desejamos ainda agradecer as manifestações

recebidas dos seguintes leitores:

Getulio Marcantonio - RS; Helcio Bueno Pereira

da Cunha – SP; Roberto Botelho

Cangussu – BA; Edgar Gerber – PR; Kátia L.

Gonzalez S. Chamon – RJ; Pedro Silva de

Oliveira – SP; Paulo Lobato de Mattos – PA;

Paulo Bittencourt Hourneaux de Moura –

SP; Fabrício Rodrigues Amaral – MG; Ruy

Antonio Romagna – PR; José Atanásio Lemos

Neto – MS; Edson de Souza Balieiro –

SP; João Carlos Cavalcanti de Petribú Vilaça

– PE; Deolino Pedro Bruschi – RS; Wilson

Santa Catarina – SC; Lindolfo Felinto de

Almeida Filho – RO; Adilson Mario Pinto

Kruel – RS; Marcello Borsato – RS; Rivaldo

Borba Monteiro – PE; Carla Campanha – SP;

Orlando Gonçalves de Souza – MG; Esmeralda

Theotoky de Feraldy – SP; Cláudio

César Figueiredo Soares – BA; Pedro Paulo

Assef Delgado – SP; Ruy Jenisch da Fonseca

– RS; Rinaldo Fernandes – GO; Gerson

Walter Kraemer – SC; Arlei Bichels – PR;

Renato Ract Rocha – SP; Luiz Cláudio Surugi

Guimarães – PR; Pedro Paulo Pamplona –

PR; José Fernando Simplicio de Oliveira –

SP; Vinicius Miranda das Dores – SP; Paulo

Cleve do Bomfim – PR; Rodrigo Baraúna

Pinheiro – AM; Tomaz Teixeira Malta – MG;

Alfonso Siqueira D’ Império – TO; Celestino

Goulart Filho – RS; Antonio Migliorini – MS

e Rafael Vargas – PE.

Os leitores Renato José Araújo – RO;

Sergio Antonio Baludeto Parizzi – SP;

Roberto Nascimento Oliveira – MS;

Frederico Dias Batista – SP e Waldemar

Blicheriene – SP, reclamaram contra os frigoríficos

que impõe preços inferiores na

compra de búfalos destinados ao abate.

( Nesta edição o Boletim do Búfalo, em

matéria específica, procura abordar com

profundidade esse importante tema ).

Flavio Bolonhesi – SP, propõe que a difusão

da bubalinocultura seja feita com sabedoria,

dando ênfase às parcerias, tão essenciais

ao agronegocio. Antonio José da

Fonseca Pires – SP, sugere que sejam mais

divulgadas receitas culinárias com derivados

de búfalos, visando despertar maior interesse

e valor aos mesmos.

Maria Beatriz Braga Del Rey – RS, afirma

existir pouca divulgação na mídia sobre

búfalos, e que não há incentivo à criação

nem aporte aos criadores. Pergunta o que

está faltando, e quem é o omisso ?

Antonio Migliorini – MS, baseando-se

no fato de que uma imagem vale mais do

que mil palavras, sugere que o Boletim do

Búfalo seja enriquecido com gráficos e fotos

que despertem interesse e atenção dos

leitores.

Sebastião Marcondes de Melo Lemos

– MS, confessa ser grande admirador dos

búfalos pela sua precocidade e marcante

conversão alimentar.

Ney Geraldo Lemos – MG, afirma ter decidido

pela criação de búfalos, movido pelo

baixo custo de manejo que a espécie exige.

Alguns leitores também manifestaram

um certo desagrado com a criação e composição

da capa do Boletim do Búfalo 1,

inclusive com relação ao logotipo que foi

criado visando sintetizar as 4 raças

bubalinas existentes no Brasil.

Paulo Ponce de Leon Filho – PE, sugere

que a ABCB passe a dar preferência ao termo

“associado”, ao invés de “sócio”, uma

vez que o termo “sócio”, é mais correto

para integrantes de empresas formadas com

finalidade de auferir lucros.

Paulo Cleve do Bomfim – PR, relata as

enormes dificuldades que vem enfrentando

na sua fazenda localizada no município de

Guaraqueçaba, “uma das últimas reservas

de Mata Atlântica intocada do Paraná”:

“De uma hora para outra, sem motivo

específico, começaram a chegar pessoas

oriundas de favelas próximas a Grande

Curitiba, se intitulando “sem terras”, iniciando

um acampamento na estrada de

acesso à nossa propriedade e da área de

nosso vizinho, Dr. Pedro Paulo Pamplona,

que também é criador de búfalos.

Logo começaram pequenos furtos e delitos.

Um leitão desaparecido, um capão

de palmito cortado na calada da noite,

uma rede com malha criminosa no rio. Rapidamente

evoluiu para roubo de búfalos,

fechamento de estradas, proibição do trafego

da linha regular de ônibus, de carros

e de pessoas, furto de fios e cabos elétricos

e até ameaças de morte.

Depois veio a invasão ( 05/06/2004 ).

Roubaram a fazenda. Destruíram casas

e currais. Desmancharam as cercas.

Não ficou nada inteiro.

As matas viraram depósitos de toda

sorte de armadilhas e os rios, almoxarifado

de redes de pesca.

Em um lugar de riquíssima fauna, hoje

não se encontra um tatu, uma paca, um

tucano.

Nosso rio, um esteio de biodiversidade,

onde gerações e mais gerações de nossos

antepassados lutaram pela sua preservação,

hoje não passa de um cemitério. Tudo

morto.

Dezenas e mais dezenas de caçadores

e pescadores “sem terra“, se revezam criminosamente

para dar cabo de tudo...

Diuturnamente, uma barbárie !

Começamos a “via sacra“, a qual acreditamos,

todo produtor rural esbulhado

se obriga a fazer : Delegacia de Policia

Civil, Polícia Militar, Polícia Florestal,

Ibama, Instituto Ambiental do Paraná,

Juiz e Promotora da Comarca, Secretaria

de Segurança Pública, Incra, Gabinete

Civil, Gabinete Militar, Procuradoria do

Estado, Procuradoria do meio Ambiente e

Governo do Estado.

Pouco tempo depois veio o mandado

de reintegração de posse, emitido pelo

juízo da comarca de Antonina.

O Conselho Deliberativo da APA, por

unanimidade, deliberou que a referida

área não é propicia para assentamentos

humanos.

Foi pedido reforço policial para dar

segurança aos Oficiais de Justiça que iriam

cumprir a ordem judicial.

O Secretário de Segurança Pública do

Estado do Paraná vem se negando a cumprir

a ordem judicial, e não envia força

policial requisitada judicialmente.

Que fazer ?”

* Esta seção sempre estará aberta a todos

leitores que queiram se manifestar,

externando suas opiniões, suas idéias, suas

reivindicações. Afinal o Boletim é do búfalo,

e ele é o objeto de nosso trabalho, e de

nossa mesma torcida!


Búfalos Sustentáveis

Otavio Bernardes - SP

Écomum que medidas “heróicas”

adotadas diante de certos extremismos

acabem ocasionando posições

extremas e apenas após muito tempo se imponha

um equilíbrio menos apaixonado e

mais racional garantindo uma convivência

mais harmônica entre tais extremos.

Assim ocorreu, por exemplo, nas relações

de trabalho, passando-se de uma relação

quase de escravagismo, para um

controle total sobre quaisquer aspectos

desta relação pela “Lei”, ou mesmo nas

relações de consumo em que um dos lados

é na atualidade legalmente um “vilão”

até prova em contrário. Mais recentemente,

quando a preocupação sobre a conservação

ambiental se amplia, nota-se uma

tendência muito grande na radicalização

de idéias, criando-se por vezes conflitos

artificiais entre produção e conservação

(antes, preservação), nos confusos e incompletos

regulamentos sobre a intervenção

do homem no meio ambiente, com a

criação de conceitos ainda pouco claros e

universais tais como a tão propalada

“sustentabilidade” que parece ter um sem

número de definições. É crescente a idéia,

em grupos muito bem organizados e influentes,

apesar de nem sempre assim tão representativos,

de que qualquer intervenção

humana sobre o ambiente é deletéria e

que sistemas de produção em escala são

totalmente incompatíveis com a vida e sustentação

da humanidade, e assim, toda

ação deveria ser feita na direção de restaurar

o ambiente a seu estado primitivo,

com as chamadas espécies nativas, e preferencialmente,

dali retirando o homem.

Nesta época de “acomodações de idéias”,

creio ser de importância que se busquem

pontos da mesma forma que os

contrapontos, sem o que, sairemos do campo

da discussão para o campo unicamente

da fé, o que certamente pouco contribui

para a evolução.

Acompanhamos a ocorrência da autorização

do IBAMA para a “caça” de búfalos

abandonados pelo governo no Vale do

Guaporé muitos anos atrás e que, por sua

melhor adaptação ao ambiente e falta de

exploração econômica, passaram a se multiplicar

e a competir com espécies nativas

na busca de alimentos, em detrimento destas

últimas. Tivemos a oferta de criadores

do Pará de tentar a domesticação e transferência

de parte destes animais para outras

regiões onde poderiam ser base de sustentação

de atividades economicamente relevantes.

Confesso que não sei bem qual foi

o desfecho (a não ser a criação de um grupo

de estudo regiamente financiado pelo

MMA). Uma coisa, porém é certa, o “estrago”

na imagem da espécie que apareceu

como uma “predadora” e inimiga do meio

ambiente foi feito, e com grande publicidade.

As contestações têm pouco apelo de

mídia, e seu eco foi pouco difundido.

Outro, é o caso da atuação da ONG

denominada SPVS que, financiada por empresas

petrolífera, automobilística e de

energia americanas, entre outras, tem literalmente

“comprado” fazendas no litoral

do Paraná, algumas com criação de búfalos,

uma atividade que vinha sendo incentivada

pelo governo daquele Estado

que entendia ser aquela uma opção para

o desenvolvimento econômico e social da

região, e que, após a aquisição, tem sido

desativadas e os animais sacrificados sumariamente

(a despeito de que poderiam

ser transferidos para outras regiões, haja

visto haver demanda para tanto), e busca

a ONG regenerar a mata a seu estado natural.

Há alguns programas paralelos visando

“readaptar” a população local para

que viva de maneira “sustentável” (ao

menos para a natureza original, não sei se

para a população que sempre ali viveu

em condições precárias) através de uma

atividade dita extrativista florestal, mas

sem depredá-la como antes se fazia com

o palmito e a lenha. A contrapartida dos

financiadores será logicamente os tais

“créditos de carbono” gerados, o que

lhes permitirá continuar poluindo o pla-

neta e sendo indiretamente proprietários

de florestas brasileiras com direito até

mesmo a prêmios internacionais de beneméritos

do meio ambiente.

Situações análogas têm sido vistas no

Amapá, no Maranhão e no Amazonas, que,

direta ou indiretamente vem arranhando a

imagem da bubalinocultura enquanto atividade

sustentável ambientalmente. Que

a espécie é exótica no país, não se discute.

Aliás, o maior mamífero “nativo” é a

anta, o que significa que bovinos, muares,

eqüinos etc. são todos exóticos. Da

mesma forma o café, a soja, centenas de

variedades de frutas e culturas também o

são, o que absolutamente não significa que

são incompatíveis com a natureza. Sua forma

de exploração, esta sim, é que irá defini-la.

Diante de um quadro como este, me

parece bastante oportuno apresentar uma

experiência realizada em Israel (disponível

no site: http://www.migal.org.il/

lifeabs.html) sobre o projeto denominado

PROJECT Nº: LIFE TCY/97/1L/O38 -

Restoration and Conservation of Fauna

and Flora in the Re-Flooded Hula

Wetland in Northern Israel.

Naquele país havia uma várzea (Hula

Valley) que foi drenada para uso em agricultura

e erradicação da malária. Apesar de bastante

fértil, seu uso intensivo acabou por

promover uma deterioração do solo e comprometimento

das águas do lago Kinneret,

principal fonte de abastecimento de água de

Israel, o que resultou, em 1994 na

implementação de um projeto de recuperação

da várzea a sua antiga condição. Dentre

outras ações, foram re-introduzidos na área

cervos, aves, espécies vegetais (algumas não

nativas). Chama a atenção a observação de

que, para controle de plantas invasoras, foram

introduzidos búfalos na área (0,22 a 0,33

por hectare) que acabaram por induzir um

vigoroso “stand” de pastagens, e estabilidade

da vegetação, mostrando-se assim, na

visão dos autores, bastante úteis na conservação

ambiental daquelas várzeas.

3


COOPERBÚFALO

COMPLETA 7 ANOS:

ACOOPERBÚFALO, Cooperativa

Sul-Riograndense de Bubalinocultores,

Industrial e Comercial

Ltda., completa 7 anos de existência no ano

de 2005, processando aproximadamente

130.000 litros de leite por ano e

comercializando de 19 a 20.000 Kg de queijo

100% de búfalo no mesmo período. Foi fundada

em Porto Alegre, RS, no ano de 1998,

4

Livraria ABCB

Anais do 1º Simpósio Paulista de

Bubalinocultura

Bubalinos: Sanidade, reprodução e produção.

Editores: Valquíria Hyppólito Barnabe, Humberto Tonhati,

Pietro Sampaio Baruselli.

Jaboticabal: FUNEP, 1999- 202 pg

R$ 20,00 (sem postagem)

Bufalando Sério

Assumpção, Jonas Camargo de

Ed. Guaíba- Agropecuária, 1996. 131 pg.

R$ 20,00 ( sem postagem)

Manual de Inseminação Artificial

em Búfalos

Autor: Prof. Dr. Pietro Sampaio Baruselli

Prof. Associado Depto Reprodução Animal FMVZ USP –

Ed. ABCB- São Paulo, 2002 - 33 pg.

R$ 20,00 (sem postagem)

O Búfalo no Brasil

Editores: Gabriel Jorge Carneiro de Oliveira, Ana Maria

Lima de Almeida e Urbano Antonio S. Filho -Simpósio

Brasileiro de Bubalinocultura (1996: Cruz das Almas -

UFBA, Escola de Agronomia, 1997 . 236 pg.

R$ 27,00 (sem postagem)

O Búfalo

Título Original: The water buffalo (em português) Autor :

condensado de W. Cockrill, Health and Husbandry of Water

Buffalo. Tradutor: ABCB. Ed. Ed. FAO (Roma, Itália). O

Búfalo. Brasília: MARA/ São Paulo: ABCB - 1991 - 320 pg.

R$ 20,00 (sem postagem)

Base de Dados Bubalinos

Brasília: FAO/MAPA/ ABCB, 1991. 184pg.

R$ 5,00 (sem postagem)

por 24 amigos e criadores de búfalos, atualmente

conta com 37 membros . Hoje na parte

do leite são 6 cooperativados, que trabalham

entregando seus produtos, duas vezes por

semana, em um laticínio terceirizado que fabrica

os queijos, sendo estes colocados diretamente

á venda em redes de supermercados,

pizzarias, casas especializadas, etc. O

próximo desafio é a colocação do queijo duro

O Búfalo e Sua Rentabilidade

FEDERACITE - ASCRIBU - Guaíba: Agropecuária, 1994; 91pg

R$ 10,00 (sem postagem)

O Búfalo na Mesa - Receitas

Munaretti, Noemea

Ed. Guaíba: Agropecuária, 1995. 92 pg

R$ 14,00 (sem postagem)

Como adquirí-las:

Faça seu pedido através de e-mail bufalo@bufalo.com.br ou

fone/ fax (11) 3673.4455, informando o endereço completo para

postagem, em seguida iremos respondê-lo informando valor total

das literaturas solicitadas já incluindo o valor da postagem.

O Manejo do Búfalo

Associação Sulina de Criadores de Búfalos – ASCRIBU –

1987; 43pg – Ed. Lema: Búfalo + em tudo

R$ 10,00 (sem postagem)

Criação de Búfalos – Coleção Criar

Coordenador: José Ribamar Felipe Marques – Zootecnista,

MS.,Ph.D - Brasília: EMBRAPA-SPI; Belém: EMBRAPA-

CPATU, 1998 - 141pg

R$ 4,00 (Sem Postagem)

Doenças em Búfalos no Brasil

Diagnóstico, epidemiologia e controle

Autor: Hugo Didonet Láu -Brasília: EMBRAPA – SPI; Belém:

EMBRAPA – CPATU 1999 – 202 pg

R$ 26,00 (Sem Postagem)

Búfalos – Coleção 500 Perguntas –

500 Respostas - O produtor pergunta

a EMBRAPA responde

Editor Técnico: José Ribamar Felipe Marques EMBRAPA

Amazônia Oriental (Belém – PA) – Brasília: EMBRAPA,

2000 – 176 pg.

R$ 15,00

EMBRAPA– CPATU RECOMENDAÇÕES

BÁSICAS

Bubalinos – Manejo – 1988 – 4pg

Bubalinos – Inseminação Artificial – 1992 – 4pg

Mineralização de Bovinos e Bubalinos -1989 – 4pg

Bubalinos – Manejo Sanitário – 1988 – 4pg

Bubalinos – Produção de Carne – 1988 – 2pg

Forma de Pagamento:

tipo Parmesão no comércio que deverá ser

lançado nos próximos meses. Todos os associados

possuem ordenha mecânica e tanque

de resfriamento, e fazem basicamente

uma ordenha diária.

Bubalinos – Produção de Leite – 1987– 4pg

Controle de Plantas Invasoras em Pastagens-1988 – 4pg

Capineiras de Capim Elefante – 1988 – 4pg

R$ 5,00 (Sem Postagem)

EMBRAPA CPATU – BOLETINS DE

PESQUISA -SÉRIE LEITE

Estudo Comparativo da Composição Química do Leite de

Zebuínos e Bubalinos - 1982 – 15pg

Avaliação Microbiológica do Leite de Búfalas Sob Diferentes

Práticas Higiênicas -1994 – 38pg

Características Peculiaridades e Tecnologia do Leite de

Búfala – 1991 – 51pg

R$ 10,00 (Sem Postagem)

EMBRAPA CPATU – BOLETINS DE

PESQUISA SÉRIE PATOLOGIA

Eficácia do Ivermectin no Controle do Piolho

(Haematopinus tuberculatus) em Búfalos-1985 – 12pg

Uso do Timbó Urucu (Derris urucu) no Controle do Piolho

Haematopinus tuberculatus) em Bubalinos – 1986 – 16pg

Perfil Hemático de Bezerros Búfalos Lactentes Naturalmente

Parasitados pelo Neoascaris – 1985 – 10pg

Ocorrência de Parafilaríase e Oncocercíase Cutânea em

Búfalos (Bubalus bubalis) – 1987 – 14pg

Sintomas e Tratamento da Tripanossomíase (T. vivax) em

Búfalos - 1988 – 13pg

R$ 10,00 (Sem Postagem)

EMBRAPA CPATU – BOLETINS DE

PESQUISA SÉRIE NUTRIÇÃO

Variabilidade na Determinação da Qualidade da Dieta de

Bubalinos em Pastagem de Brachiaria Humidicola 1992 – 19pg

Aspectos Sobre a Desnutrição Mineral em Búfalos e Método

de Tratamento- 1988 – 14pg

R$ 5,00 (Sem Postagem)

EMBRAPA CPATU – BOLETINS DE

PESQUISA SÉRIE CARNE

Composição Corporal de Búfalos

R$ 7,00 (Sem Postagem)

Depósito Bancário Banco do Brasil

Associação Brasileira de Criadores de Búfalos

Agência 1199-1 Conta Corrente 22021-3

ou através de Boleto Bancário acrescido de R$ 3,00


Reminiscências

45 anos da ABCB *

Nossa ABCB está completando 45 anos

de existência. Foi fundada em 21 de abril de

1960, por iniciativa do Dr. Paulo Joaquim

Monteiro da Silva e do conhecido e respeitado

zootecnista Alberto Alves Santiago,

ambos com longa historia de serviços prestados

à bubalinocultura nacional.

Inicialmente denominava-se Associação

dos Criadores de Búfalos do Brasil -

ACBB, vindo depois a se transformar em

Associação Brasileira dos Criadores de

Búfalos – ABCB.

A assembléia de sua fundação foi realizada

no Salão Nobre do Parque da Água

Branca, durante a realização da IV Exposição

de Gado Indiano, aproveitando a presença

no evento, de inúmeros e expressivos

bubalinocultores de São Paulo, Minas

e Paraná, destacando-se dentre eles os senhores

Severo Gomes, Aldo Beretta, José

Jacintho da Silva, Continentino Jacintho da

Silva, Breno Lima Palma, Francisco Malzoni,

Antonio M. Alves de Lima, Paulo Nogueira

Neto, Nheco Gomes da Silva e Ian Sula .

Também estavam presentes Dr. João

Barrisson Villares e diversos outros técnicos

do Departamento de Produção Animal,

além dos organizadores do certame.

A primeira diretoria da Associação dos

Criadores de Búfalos do Brasil, foi assim

constituída:

Presidente: Aldo Beretta

Vice-Presidente: Paulo Joaquim M. da Silva

Diretores:Severo Gomes, Francisco Malzoni

e Paulo Nogueira Neto

Diretor Técnico: Alberto Alves Santiago

6

* Fonte: Trabalho Histórico de Autoria do

Dr. Alberto Alves Santiago.

Importação de 1962

A última importação brasileira de búfalos

indianos aconteceu em 1962, e revestiu-se da

maior importância no desenvolvimento de

nossa bubalinocultura. As participações do

Dr. Alberto Alves Santiago (autor da narrativa

abaixo) e da ABCB, inicialmente ACBB foram

fundamentais para sua viabilização.

“Em 1960 o selecionador Celso

Garcia Cid, de Londrina – PR, conseguiu,

a duras penas trazer da Índia, um lote de

mais de uma centena de reprodutores e

matrizes das raças zebuínas, contrariando

e vencendo tenaz resistência dos burocratas

do Ministério da Agricultura, que

desde 1921 proibiam terminantemente a

importação de gado indiano. Esse fato

animou criadores paulistas e mineiros a

pleitearem junto ao Ministério da Agricultura,

licença para uma nova importação.

A solicitação feita pelos criadores Torres

Homem Rodrigues da Cunha, Rubens

de Andrade Carvalho (Rubico de Carvalho),

Veríssimo da Costa Junior (Nenê Costa

), José Cesário de Castilho e mais uma vez,

Celso Garcia Cid, encontrou grande oposição

no Ministério da Agricultura. Por fim,

pressionado politicamente, o Ministro nomeou

uma comissão constituída de técnicos

de expressão que representavam os Estados

de Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro

e Pernambuco, além de diretores e

técnicos da Associação dos Criadores de

Zebu. Coube-nos representar a Secretaria

da Agricultura de São Paulo, na dupla condição

de Diretor do Departamento de Produção

Animal e Diretor Técnico da Associação

de Criadores de Búfalos, tendo batalhado

bastante para que a licença fosse

concedida, porquanto considerávamos indispensável

o “refrescamento” de sangue

de nossos rebanhos zebuínos e principalmente

bubalinos.

Mais uma vez, junto com os zebuínos,

vieram duas dezenas de búfalos, desta vez

puros e bem selecionados, pertencentes às

raças Jafarabadi e principalmente Murrah.

Para que essa importação se efetivasse,

foi exigido parecer técnico da Associação

de Criadores de Búfalos, já em fase de

reconhecimento pelo Ministério da Agricultura.

Assinaram esse parecer, o presidente

Paulo Joaquim Monteiro da Silva e

nós, na qualidade de Diretor Técnico da

Associação.

A chegada desses animais trouxe grande

estímulo para os criadores e

selecionadores brasileiros, por constituírem

a fonte de reprodutores de raças puras,

indispensáveis ao melhoramento genético

do rebanho bubalino nacional,

quase todo muito consangüíneo, devido

aos poucos casais indianos importados em

1918 e 1920, animais esses de regiões diferentes

da Índia, e sem comprovação de

maior ou menor de pureza racial.”

Admiráveis Colocações

É comum assistirmos o desenrolar de

fatos que desmentem hoje, aquilo que ontem,

muitos homens, garantiram ser verdadeiro.

No nosso mundo atual, o cenário

científico, econômico e político é constantemente

transformado, em ritmo e velocidade

alucinante, fazendo derrubar teorias

e crenças na mesma velocidade com que

foram concebidas...

Por essa razão, são bastante admiráveis

as colocações, a seguir transcritas, feitas

há exatos 50 anos atrás, pelo eminente Prof.

Octávio Domingues*, extraídas de uma série

de artigos de sua autoria, publicados

pelo DIÁRIO DE SÃO PAULO, em 1955,

idéias estas, que certamente continuam

válidas e atuais para a grande maioria dos

que vivem a bubalinocultura brasileira.

“Cada vez que me ponho em direto

contato com a criação de búfalos no Brasil,

mais cresce aquela minha convicção,

nascida em 1937, de que o búfalo deve

merecer nossa particular atenção. Atenção

do poder público, atenção dos técnicos,

atenção dos criadores realmente empenhados

em criar riquezas com as atividades

pecuárias.

Volto de uma viagem de observação nos

municípios de Franca e Cássia, , cheio de

otimismo ao verificar que no Brasil, é possível

abrigarmos um rebanho dos maiores

do mundo,formado por uma espécie que

até aqui, tem sido considerada apenas

objeto de curiosidade” (... ).

“É minha convicção que o búfalo pode

e deve ser uma de nossas melhores fontes

de leite, carne e couro”. (... ).

“Os búfalos que acabo de ver em costeio,

em diversas fazendas do vale do Rio

Grande, me convenceram de que só por

incapacidade, ou vontade em contrário,

esta espécie de gado não se integrará definitivamente

em nossa paisagem campestre.

Em 7(sete) fazendas visitadas, foi possível

observar como vivem e produzem 507

cabeças de búfalos, em estado de mansidão,

fornecendo leite e carne, sob o mais

econômico dos regimes. Regime de campo,

e em campos inferiores de baixada,

onde não se põe o zebu fino” .(... )

“Quando de minha visita à Franca, o

preço do boi para abate, era de 250 cruzeiros

por arroba. Pois bem, o marchante

com quem palestrei, oferece mais 10 cruzeiros

por arroba quando tratar-se de búfalo

para corte. Perguntando-lhe qual a

razão de assim proceder, explicou-me que

quando corta a carne de búfalo, a freguesia

não reclama o peso”. (... )

“O êxito dessa criação está no costeio.

Essa é a primeira noção que o criador de

búfalo deve meter em sua cabeça”. (... )

“Criar búfalo ao Deus dará é uma recomendação

que não faço ! ” (... )

* O Prof. Octávio Domingues nasceu no Acre em

1897 tendo se diplomado em Agronomia em 1917

na Esalq-USP onde ocupou a cátedra de Zootecnia

Geral de 1931 a 1966. Foi fundador e presidente da

SBZ de 1951 a 1968.


MULHER DE FIBRA

Jonas Camargo Assumpção - SP

Pode-se considerar que a história do

BÚFALO DOURADO começou a ser

escrita em 1975, quando a senhora

Wilma Penteado Ferreira, herdou de seus

pais, a Fazenda Santa Eliza, no município

de Dourado, SP, com 30 búfalas e um touro,

descendentes de alguns “exemplares exóticos”,

introduzidos por lá, em 1960.

Logo depois, em 1977, na cidade de Tietê

– SP era realizada a primeira exposição nacional

de búfalos, e pretendendo se fixar na

exploração de carne, Da. Wilma acaba levando

para a Santa Elisa, o Campeão Touro

Jovem Jafarabadi, batizado de Mussum,

comprado do plantel da Sabaúna, de José

Lauro de Arruda Camargo.

No entanto, em sua fazenda, incentivada

e ajudada por um amigo italiano, meio de

brincadeira, começa a produzir “mozzarella”,

exclusivamente para consumo de sua família,

e foi tomando gosto pela coisa...

Em 1978, um tratamento de saúde impõe-lhe

a obrigação de viajar para São Paulo,

todas as quartas feiras. Era apenas mais

uma vez em que o bom destino começava a

ser traçado por linhas tortuosas, pois foi

em uma dessas penosas quartas feiras, durante

um bate-papo com uma senhora italiana,

no consultório médico, que acabou por

contar que criava búfalos e ainda por cima,

fazia “mozzarella” ! Por insistência dessa

senhora, concretiza a primeira venda de uma

“trançada de mozzarella” de puro leite de

búfala, despertando em si, seu nato instinto

para o comercio, bem como sua enorme

capacidade empresarial. Sem maiores cerimônias,

imediatamente passa a considerar

e tratar a sala de espera do consultório médico,

como sendo seu primeiro ponto de

venda, espaço onde anotava pedidos, e

comercializava seus produtos à amigos,

parentes e colegas pacientes.

Os elogios recebidos, fizeram aumentar

sua crença no potencial dos seus produtos,

e imbuída da coragem, que nunca lhe

faltou, procura a Casa Santa Luzia, famosa

mercearia freqüentada pelos consumidores

mais exigentes da capital paulista, para de

maneira altiva e orgulhosa oferecer-lhes a

“primeira mozzarella brasileira, exclusivamente

fabricada com leite de búfala”. Uma

vez testado e aprovado o produto, recebeu

como contrapartida a exigência da continuidade

no fornecimento. Acuada, mas

acostumada a desafios, não teve outra saída

senão topar a parada e sair por aí, a cata

de búfalas....

Comprava o que lhe ofereciam, e sem

muita possibilidade de escolha, o índice de

descarte era elevado. Uma vez, conseguiu

aproveitar apenas 6 búfalas, de um lote de

16 compradas.

Toda caminhada do Búfalo Dourado foi

percorrida com tenacidade e garra, por aquela

“senhora do destino”, que sempre soube

claramente onde queria chegar.

Da. Wilma ainda guarda bem nítidas, nas

suas lembranças, as inúmeras vezes em que

capitaneava até altas horas da noite, um

antigo fogão à lenha, buscando o ponto

correto de filar a massa. Ao invés de se esquecer,

relembra com orgulho, aquele ano

de 1985, onde em plena safra de lactação de

suas búfalas, acabou perdendo o casal de

funcionários responsáveis pela queijaria.

Não pestanejou : simplesmente arregaçou

as mangas, abriu mão de muitas coisas, inclusive

das “obrigatórias e legais” folgas

semanais, e durante 6 meses seguidos, assumiu

pessoalmente essa tarefa.

O tempo foi passando, e em 1990, seu

estabelecimento consegue aprovação pelo

Sistema de Inspeção Federal – SIF.

Em 1991 sua micro-empresa dá lugar à

uma empresa jurídica, e mais adiante, em

2004 inaugura seu novo laticínio, com 600

metros quadrados, apto a processar 10.000

litros de leite/dia.

Sede da Fazenda Santa Eliza.

Hoje, Da. Wilma considera já ter conseguido

razoável desestacionalização da

estação de parição de suas búfalas, o que

garante matéria prima ao seu laticínio durante

todo ano, dando lhe tranqüilidade

para seguir cumprindo aquela promessa

feita à Casa Santa Luzia, há mais de 25 anos

atrás!

Seu rebanho amochado, atualmente

composto por cerca de 600 cabeças, é controlado

e registrado no projeto do Búfalo

Brasileiro voltado para produção de leite, e

é responsável por cerca da metade da produção

processada pelo seu laticínio, que

iniciou pequeno, trabalhando com 100 litros/dia,

e hoje na safra, já atingiu 4.000 litros/

dia.

Da. Wilma e suas búfalas, são responsáveis

por mais uma inimaginável proeza:

ter conseguido expulsar a cana de suas

terras, quando na enorme maioria das vezes,

a historia sempre foi contada na direção

inversa.

Será que esta mulher de fibra, de “estopim

meio curto”, de origem tradicional,

educada nos moldes franceses, no Colégio

Sacre Coeur de Marie de São Paulo, e

que elegeu o trabalho como meta de sua

vida, está realizada e totalmente satisfeita ?

Não! Já elegeu sua próxima meta: Exportar!

E pelo andar com que comanda a carruagem,

não vai demorar a chegar lá...

7


8

DIRETORIA DA ABCB

(2004 - 2007)


Manjedoura Cincerro

Dr. Getulio Marcantonio, um dos mais

atuantes e tradicionais bubalinocultores

gaúchos, sempre procurou conceber e

incrementar no manejo de sua criação, algo

novo que lhe propiciasse elevar os níveis

de produtividade e lucratividade do seu

negócio.

Em sua criação de búfalos, seu pressuposto

inicial é não ordenhar suas búfalas,

utilizando todo diferenciado leite por elas

produzido, como insumo e alimento básico

imprescindível para produção de um animal

precoce, que lhe permitiria antecipar o

abate e o entouramento de seu gado. Explorar

ao máximo o potencial de crescimento

dos terneiros bubalinos é seu objetivo, e

o leite produzido pelas matrizes búfalas,

destinado integralmente aos seus produtos,

deixavam Dr. Getulio tranqüilo quanto

a sua meta, pelo menos até os 3 ou 4 meses

de vida dos terneiros. Infelizmente, essa

exteriorização máxima do potencial de crescimento

das crias, bem como a tranqüilidade

do Dr. Getulio, cessavam a partir dessa

idade dos animais, pois a “ partir daí, boa

parte dos nutrientes necessários devem

provir de outra fonte”.

Dr. Getulio escreveu, tentando conduzir

seu próprio pensamento :

“Março concentra os nascimentos

bubalinos no RS, o que leva a

amamentação para os meses frios do inverno

e a conseqüente paralização do crescimento

das pastagens naturais. A busca

do animal precoce exigia uma providência

de ordem alimentar. O custo alto afastava

a possibilidade desse procedimento

ser feito junto às mães. A preocupação

convergiu para o terneiro. “ ( .... )

Muitas idéias, projetos e soluções passaram

pela cabeça do Dr. Getulio, até que

uma veio atender suas expectativas. Batizou-a

com o nome de Manjedoura Cincerro,

em homenagem à sua “Pastoril Cincerro”.

A Manjedoura Cincerro é a adaptação

para búfalos, do “Creep Feeding”, sistema

usado para suplementar bezerros lactantes,

criado nos EUA, e hoje muito difundido no

mundo todo, e particularmente, em inúmeras

regiões brasileiras. É o próprio Dr. Getulio

quem refere-se também à manjedoura de

sua criação, usando o nome de “Creep

Feeding Crioulo”.

Consiste em um cercado de “paus a pique”,

de formato redondo, formado por resistentes

mourões previamente tratados,

firmemente cravados no solo, distantes 40

centímetros entre si. Recomenda-se que no

topo superior desses mourões, sejam passados

1 ou 2 fios de arame farpado, para

garantir rigidez a todo conjunto e também a

manutenção dos espaçamentos entre

mourões. Na parte interna desse cercado

ficam os cochos onde os terneiros se alimentam,

pois tem livre passagem pelos vãos

do cercado, ao contrário das mães, cuja

passagem é impedida pelos 40 centímetros

( figura e foto abaixo).

Dr. Getulio Marcantonio relaciona as

principais vantagens da suplementação dos

terneiros em aleitamento :

1 - Aumenta o desenvolvimento dos animais.

2 - Antecipa o funcionamento ruminal.

3 - Reduz os efeitos negativos do

estresse, à desmama.

4 - Condiciona os animais para o ingresso

no regime intensivo.

5 - Diminui a pressão dos terneiros sobre

as búfalas.

6 - Contribui para a homogeneidade dos

lotes.

7 - Aumenta até 10% o desempenho produtivo

das matrizes.

Quanto ao suplemento alimentar a ser

disponibilizado no “creep”, aos bezerros,

Dr. Getulio vem adotando ração granulada

com teor protéico da ordem de 20 a 22%, em

quantidades diárias variando entre 500 a

1.000 gramas/dia, com excelentes respostas

em termo de ganhos de peso e desenvolvimento

de seus terneiros.

Uma das maiores dificuldades na

implementação desse processo de

suplementação de terneiros lactantes criados

a pasto, segundo Dr. Getulio, reside no

indispensável ensinamento dos bezerros a

se alimentarem em cochos, o que ele consegue,

deixando previamente os bezerros

presos, durante 48 horas, afastados de suas

mães, em uma mangueira, com água e ração.

Considera normal e passageira a resistência

inicial dos terneiros em entrar no

“creep”, e sugere algumas outras medidas

que podem abreviar esse tempo:

1 - Usar ração bastante palatável para os

bezerros.

2 - No inicio colocar de maneira visível,

dentro do “creep”, algumas pequenas

porções de pasto verde.

3 - Reunir uma vez por dia, a vacada em

torno do “creep”.

Nota: Na Fazenda Boa Vista, o hábito dos

bezerros se suplementarem em “creep”, só

foi alcançado quando a instalação do

“creep”, obedeceu exatamente o local adotado

e escolhido pelos próprios animais, com

finalidade de descanso, normalmente conhecido

como malhador, ou batedor.

9


CURIOSIDADES:

Jonas Camargo Assumpção - SP

Seletividade

Lendo o excelente livro Pastoreio Voisin,

de autoria do Prof. Humberto Sório, chamou-nos

a atenção a comparação que ele

faz entre búfalos e bovinos, no que se refere

a habilidade que cada uma dessas espécies

possue, na digestão da celulose e

hemicelulose, o que determina diferentes

graus de seletividade nos hábitos e atitudes

de pastoreio, dessas duas espécies. Dr.

Sório interpreta essa inegável supremacia

digestiva dos búfalos, como bastante coerente

com a maior largura de suas mandíbulas,

medidas essas que superam às dos

bovinos em 25 ou em até mais de 50%!

Esse parece ser mais um dos

incontáveis exemplos comprobatórios de

que na natureza nada acontece por acaso,

explicando o motivo da tamanha “frescura”

e irritante seletividade com que nossos

carneirinhos pastam, justificando de quebra,

a perfeita maneira usada pelo Prof. Sório

na definição dos cabritos: “verdadeiros

caçadores de rebrote”....

Mães Diferenciadas

Há mais de 20 anos atrás, ao buscar assessoria

para um projeto de confinamento

de terminação de bovinos e bubalinos, conheci

o zootecnista Carlos Benedini, Ribeirão

Preto, SP, de quem me tornei admirador e

amigo. Quando ele soube que éramos criadores

de búfalos, me disse que nutria grande

respeito e admiração por essa espécie,

em razão da búfala ter um comportamento

diferente de todas outras espécies que havia

estudado, quanto ao “estabelecimento”

de seus períodos ou épocas de parições:

“Enquanto todas outras espécies costumam

parir em meses que são mais favoráveis,

ou menos desgastantes às mães, as

búfalas, ao contrário, preferem se sacrificar,

concentrando suas parições nos meses

que beneficiam mais seus bezerros.

Veja você: A vaca bovina concentra seus

cios férteis em dezembro e janeiro, para

parir em setembro e outubro. Começa alimentar

seu filhotes quando as pastagens

da primavera iniciam suas brotações. Continuam

a amamentação durante a fartura

do verão, mas quando vai se aproximando

a boca do inverno, desmamam seus filhotes

deixando-os na pior.

A búfala, ao contrário, em uma atitude

de desprendimento, atravessa todo período

de escassez, sustentando seus pro-

dutos com seu rico leite, aguardando a

chegada dos pastos de primavera, para

desmama-los.

Pra mim, esse ato de heroísmo, nutre o

respeito que dedico à essa espécie!”

DICAS DE

BUBALINOCULTORES

Mochamento de Animais

Adultos

No nosso Boletim 1, o criativo engenheiro

bubalinocultor alagoano Alberto

Couto, descreveu todo processo que utiliza

para mochamento de seus bezerros. Agora,

neste Boletim 2, nos relata o sistema que

adota para mochamento de animais adultos:

“Para mochar animais adultos, nós

usamos tiras de borracha de câmara de ar

de caminhão, das mais elásticas possíveis,

cortadas com cerca de 1 centímetro de largura,

nos mesmos moldes que a molecada

corta para fazer “petecas”. Com essas tiras,

damos 3 ou 4 voltas, bem apertadas,

em torno da base dos chifres dos animais,

amarrando as pontas fortemente. A voltas

devem ser dadas quanto mais na base, ou

inserção dos cornos, sem que precisemos

nos preocupar em recuar a pele, etc.

Com os elásticos apertando a base de

seus cornos, os animais ficarão um tanto

quanto estressados, separando-se dos demais,

permanecendo mais tempo nos brejos

ou aguadas, alem de procurarem se

esfregar em árvores, mas nada que nos

cause preocupação.

Antes que os cornos, naturalmente caiam,

o que deve acontecer dentro de 15 ou

20 dias, apenas deveremos estar atentos em

verificar se a câmara de ar não “pocou”.

Quando os chifres, naturalmente caírem,

praticamente a cicatrização já estará

completada, restando apenas o miolo

central, que deverá ser tratado com

cicatrizantes e repelentes, comumente encontrados

no mercado.

Quanto a melhor época do ano para

procedermos ao mochamento de animais

adultos, recomendo o momento da secagem

do leite ou desmama, fase em que a

búfala não está comprometida com a produção

de leite, ou em momento avançado

de gestação.”

Glossário de termos alagoanos:

Peteca: estilingue

Pocou: rustiu, rompeu, arrebentou.

Evitando Rejeições

Jonas Camargo Assumpção – SP

Via de regra, os criadores de búfalos que

não ordenham suas búfalas, destinando a

totalidade do leite para alimentação dos

bezerros, conduzem suas criações de maneira

mais extensiva, totalmente a campo,

sem muito “costeio”.

(Na nossa fazenda, nossos búfalos permanecem

todo ano em pastagens mais afastadas

da sede, sendo vistoriados pelo vaqueiro

apenas por alguns minutos, duas vezes

por semana, indo ao curral exclusivamente

para receber vacinas, vermífugos ou afins).

Essa maneira de criar, faz aumentar o risco

de rejeição dos bezerros pelas novilhas,

em seu primeiro parto, por serem animais

menos acostumados com a presença do

homem, mais ariscos.

Não devemos nos esquecer que a experiência

nova, vivenciada por um animal em

seu primeiro parto, exige um ambiente calmo,

de bem estar, propício ao desabrochar

do maravilhoso instinto maternal. Nesse

momento, a eventual falta de sensibilidade

do bubalinocultor ou do vaqueiro, pode

provocar estresse em novilhas menos tranqüilas,

e trazer como conseqüência, eventuais

rejeições de bezerros.

Para evitar tais problemas, recomendamos

as seguintes atitudes, quando se tratar

de primíparas criadas de maneira mais

extensiva:

- Nunca deixa-las na maternidade sozinhas,

mas sim acompanhadas de outras

companheiras.

- Logo que parirem, não apartar-lhes

os bezerros, para pesagens dos recém

nascidos, etc.

- O próprio curativo do umbigo do recém

nascido, que a rigor, deveria ser

feito em seguida ao parto, a nosso ver

deve ser feito no momento em que

ficou claramente demonstrada a

afetividade da mãe pelo seu rebento.

- Por fim, nos parece importante também

a postura e a maneira com que o

vaqueiro deve vistoriar as matrizes

mojando e recém paridas que se encontram

na maternidade : Sua chegada

ao local onde estão agrupados os animais,

nunca deverá ser abrupta, de

maneira a assusta-los pois muitas vezes

eles estão deitados, distraídos, cochilando.

Logo que adentra o pasto

maternidade, antes mesmo de avistar

os animais, o vaqueiro deve emitir seu

habitual som de aboio, avisando que

11


12

chegou, e ao mesmo tempo acalmando

os animais. Deve seguir se aproximando

vagarosamente, permitindo-se ser

observado, sem causar qualquer sensação

de encurralamento aos animais.

Procurar não se interpor entre mães e

filhos, dar tempo às mães e aos filhos

que se aproximem, são apenas algumas

outras posturas recomendáveis. As demais

certamente serão ditadas pelo

“bom senso” de cada um.

Cinto de Ferramentas

O bubalinocultor gaúcho Erizolei

Belmiro Oliveira da Silva, nos relata uma

“dica” que acabou resolvendo as constantes

e crônicas perdas de ferramentas usadas

na manutenção das cercas eletrificadas

de sua propriedade.

Esse problema torna-se maior para aqueles

que aplicam o PRV ( Pastoreio Racional

Voisin ), em razão da grande quantidade de

cercas eletrificadas que o sistema exige.

Erizolei encontrou a solução, adotando um

simples e prático cinto concebido para portar

as ferramentas usadas para esse serviço,

conforme mostra a foto.

Além de evitar as perdas, o uso do cinto

permite que o funcionário proceda os

reparos no momento em que os defeitos

forem observados, o que além de poupar

tempo, evita as conhecidas conseqüências

da costumeira atitude dedeixar pra depois”,

por falta de ferramentas...

Estudo comparativo da

toxidez de Palicourea

juruana (Erva de Rato)

para búfalos e bovinos.

Carlos Magno C. de Oliveira, José

Diomedes Barbosa, Raquel S. Cavaleiro de

Macedo, Marilene de Farias Brito, Paulo

Vargas Peixoto e Carlos Hubinger Tokarnia

O estudo foi realizado com os objetivos

de estabelecer a sensibilidade dos búfalos a

Palicourea juruana (Erva de Rato) e agregar

novos dados sobre a toxidez dessa planta

para bovinos.

Embora os quadros clínico-patológicos

tenham sido semelhantes, a comparação das

doses letais para búfalos (entre 1 e 2 g/kg) e

para bovinos (0,25 g/kg) estabelece o búfalo

como pelo menos quatro vezes mais resistente.

Em experimentos realizados 10 anos

antes - com amostras de P. juruana coletadas

na mesma fazenda no Pará, em julho de 1993,

início da época de seca, portanto apenas 2

meses mais tarde do que os agora realizados

em maio de 2003 - a dose letal para bovinos

foi de 2 g/kg. Não encontramos explicação

para a toxicidade extremamente elevada da

planta verificada nesse estudo.


2º Encontro Nacional de Bubalinocultores

Salvador - 2004

Eduardo Daher Santos - PA

Criadores de búfalos de todo o Brasil

participaram nos dias 2 a 4 de dezembro

de 2004, em Salvador-Bahia,

do 2º Encontro Nacional de Criadores de Búfalos.

A abertura do evento, realizado no auditório

da Secretaria da Agricultura (Seagri),

contou com a presença do secretário da Agricultura,

Pedro Barbosa, e do presidente de

Associação Brasileira de Criadores de Búfalos

(ABCB), Otavio Bernardes.

Na abertura do encontro, Pedro Barbosa

afirmou: “Acho que o Brasil tem desprezado

um negócio de grande potencial, que

é a produção de leite e carne de

bubalinos. Temos o desafio de continuar

convencendo a sociedade da qualidade

desses animais e seus produtos”. Destacou

ainda que na Bahia há áreas com grande

vocação para a atividade como o Litoral

Norte, no Recôncavo e o Extremo Sul. “Precisamos

incentivar a importação de material

genético de qualidade e investir no

marketing dos produtos”, explicou, propondo

a realização de um ciclo de seminários

e visitas técnicas às regiões produtoras

do estado, destacando a importância da realização

deste Encontro. Afirmou ainda o

Secretário que cometemos grandes erros,

primeiro tentando forçar a criação de gado

europeu em desprezo aos zebuínos a ao

búfalo, e que José Maria Couto Sampaio

teve a lucidez de apoiar o guzerá e o búfalo,

dois animais excelentes para a região. Convocou

os criadores e governo para não desistir

desses projetos que são importantes

demais para não serem apoiados. Ampliar o

esforço de marketing, efetuar visitas técnicas,

para levar criadores potenciais a se encontrar

com criadores tradicionais.

Dr. Ricardo Ferreira Rodrigues, presidente

da Associação dos Bubalinocultores

do Estado de Pernambuco (ASBUPE) e presidente

da Associação Nordestina de Criadores

, afirmou: “ousar é quase sempre realizar”.

Fisco Benjamim – Diretor da SEAGRI,

colocou a Secretaria à disposição dos criadores.

Luciano Figueiredo da ADAB – Agência

de Defesa da Agropecuária da Bahia –

parabenizou a equipe organizadora na pessoa

de Maria Couto Sampaio, relembrando

seu pai, José Maria como um marco na

bubalinocultura da Bahia, destacando a

grande importância que a bubalinocultura

tem prestado à Bahia. Convocou os

bubalinocultores para a campanha da

erradicação da aftosa no Estado.

José Joaquim Santana – Presidente da

EBDA – referenciou José Maria e mencionou

a importância dada ao búfalo na Bahia

com a criação da Estação experimental José

Maria Couto Sampaio.

Otávio destacou o trabalho do Núcleo

Baiano na organização do Evento e do

apoio da Seagri em sua concretização, lembrando

o papel pioneiro do Estado na introdução

e melhoramento dos exemplares

da raça Murrah e da importância dos criadores

na ampliação do conhecimento e desenvolvimento

da espécie bubalina.

Segundo o presidente da ABCB, a realização

destes encontros demonstra o interesse

dos criadores não só em ampliar seus

conhecimentos sobre a espécie como também,

representam uma busca de organização

da cadeia produtiva do setor. Ele disse

que é crescente a inclusão de pequenos criadores

na atividade: “É uma atividade que

antes somente era viável com produção em

escala, mas que hoje, com uma maior organização

de mercados, formação de núcleos

e certa agregação de produtores, vem sendo

importante fator de inserção social em

diversas regiões, com sua adoção cada vez

maior por pequenos criadores, agregando

valor a suas explorações.”

Lembrou ainda que a necessidade de

aprofundamento do conhecimento sobre o

melhor manejo da espécie visando otimizar

sua exploração foi outro fator que motivou

a realização do Encontro buscando a troca

de experiências entre criadores de diversas

regiões brasileiras com participação de

palestrantes nacionais e internacionais.

Outro foco do Encontro foi a avaliação

das cadeias produtivas ligadas ao

agronegócio bubalino, em particular a carne

e os derivados lácteos, para o que, os

palestrantes trouxeram depoimentos de

operações bem sucedidas em suas regiões

a fim de serem debatidas e eventualmente

multiplicadas.

Previamente ao Encontro foi realizado um

Curso de Capacitação de Técnicos de Registro

e Formação de Jurados de Raças

bubalinas, ministrado pelo Dr. Renato Amaral,

Superintendente de Registro da ABCB.

Realizou-se ainda, nas dependências do

Laticínio de Maria José Barreto Sampaio um

Curso de Derivados de Leite Bubalino, ministrado

pelo Dr. Neverton Benedito

Picciani, da empresa Fermentech, envolvendo

técnicas de fabricação de derivados alternativos

à tradicional mozzarella.

O Encontro, ocorreu simultaneamente à

realização da tradicional FENAGRO onde

se encontravam expostos excelentes exemplares

de búfalos da Bahia que foram julgados

pelo Dr. Pietro Baruselli, vice-presidente

de Ciência e Tecnologia da ABCB.

Participantes do 2º Encontro Nacional de Bubalinocultores em Salvador-BA, por ocasião da visita à propriedade

de Maria José Barreto Sampaio.

13


O programa dos ciclos de palestras e

debates foi o seguinte:

14

Nutrição da Búfala Leiteira – Prof. Dr.

Giuseppe Campanille – Univ. Federico

II –Nápoles – Itália

Utilização intensiva de gramíneas tropicais

para a produção de leite. Prof.

Edgar Fraga Santos Faria. Depto de

Produção Animal da EMEV-UFBA.

Importância das leguminosas na

sustentabilidade de sistemas de produção

a pasto. Dr. José Marques Pereira

– Cepec-Ceplac.

Fundamentos do agronegócio. Prof.

Massilon Araújo – FTC-Salvador.

Mesa redonda: Agronegócio da Carne

de Búfalo. Evaldo Canalli – Presidente

da Cooperbufalo – RS . Celestino

Goulart – Presidente da Ascribu – RS

Mesa redonda: Agronegócio do Leite

de Búfalas - Urbano Antonio de Souza

Filho – Laticínio Natal – Bahia.Nelson

B. Prado – Laticínio Laguna - Ceará

O encerramento do evento se deu com

um dia de visitas a fazendas de búfalo na

Fazenda Natal, de Urbano Souza Filho por ocasião do 2º Encontro

região do Recôncavo, iniciando-se pela fazenda

São Miguel de Dna Marilena Couto

Sampaio e sua filha Maria José onde após

conhecer o rebanho iniciado pelo grande

fomentador do búfalo na Bahia, José Maria,

pode-se degustar as delicias dos produtos

bubalinos e a hospitalidade dos anfitriões.

Em seguida os participantes puderam conhecer

as instalações do Laticínio e da Fazenda

Natal de propriedade do Dr. Urbano Antonio

de Souza Filho, onde são industrializados

1.500 litros de leite de búfalas diariamente

cujas instalações, rebanho e os produtos,

foram muito elogiados.


Ainda Sobre Contenção de Búfalos

Jonas Camargo Assumpção – SP

Alguns proprietários de búfalos alegam

dificuldades na contenção dos

mesmos e crêem que a espécie

bubalina nasceu com a vocação de varar

cercas. Outros sugerem que cercas para

contê-los, devam ser super reforçadas, com

características bem diferentes daquelas utilizadas

para bovinos.

Na Boa Vista nunca tivemos esse tipo

de problema, apesar de nossa crônica falta

de capricho na conservação de nossas cercas.

Por esse motivo acreditamos que o problema,

via de regra, não tem origem nas cercas,

mas sim em erros de manejo.

Nossa vivência nessa área nos faz achar

indispensável que todo criador de búfalos

acredite e saiba :

1 - Que toda cerca que serve para bovinos,

serve também para búfalos bem

manejados. A única diferença útil que

se propõe é que sejam ligeiramente

mais baixas, ( + ou - 1,10 metros de altura

), com o primeiro fio mais próximo

do solo ( 0,20 a 0,25 metros ). Quatro

fios de arame lisos são mais que suficientes.

2 - Que rios e lagos não são barreiras

intransponíveis para búfalos.

3 - Que o criador deve estar sempre atento

ao temperamento “machista” dos

touros e as conseqüências de manejo

determinadas por esse fato.

4 - Que ele também não pode se esquecer

de que uma das características da espécie

é seu hábito gregário. Assim, se

tiver de apartar, reapartar, ou sub-dividir

um lote já coeso de búfalos, deverá

manter por alguns dias os novos lotes

em pastagens não contíguas, para que

os indivíduos de um lote percam aquela

coesão que possuíam com os indivíduos

do outro lote.

5 - Que búfalos podem ser atacados por

piolhos, que os levam a procurar árvores,

barrancos de terra, cupinzeiros

e moirões de cerca, para se coçarem.

Por sua vez, moirões de cerca em brejos,

se utilizados como coçadores,

podem se deitar, inutilizando a cerca.

Tais áreas atoladiças, são muito freqüentadas

pelos búfalos, e muito pouco

visitadas pelos vaqueiros. A conseqüência

de falha na manutenção é

cerca no chão, búfalos no outro lado,

e a conclusão errada de que os búfalos

romperam a cerca.

6 - Que a última coisa que se deve fazer

quando algum animal “rompe” uma cerca,

é mandar conserta-la. Antes disso

deveremos procurar o motivo que

acasionou o fato. Na grande maioria

das vezes o culpado não foi o búfalo.

Se a falha tiver sido do criador, o erro

deverá ser reparado imediatamente.

Como é o próprio criador que funcionará

como juiz, é necessário que tenha

modéstia e humildade para reconhecer

sua eventual falha.

7 - Que búfalos não tem qualquer vocação

para romper cercas, mas como são

“inteligentes“, aprendem com rapidez

muito maior que os bovinos, tanto os

bons, como os maus hábitos. Assim

sendo, romper cercas pode vir a tornar-se

um mau hábito de um determinado

animal. Antes que ele ensine aos

demais colegas essa transgressão,

deve ser sumariamente eliminado do rebanho,

abatido sem clemência. Nenhum

álibi ou argumento poderá livrálo

do “gancho”, mesmo que seja “cabeceira”

do plantel. Para que a execução

seja justa, é preciso que a identificação

do infrator seja precisa. Um ou

dois dias de espreita no rebanho, pode

trazer a confirmação.

(Ninguém precisa se assustar, imaginando

que vai precisar viver executando

seus animais. São casos muito esporádicos,

se não houver falhas graves

de manejo. Em 36 anos de criação,

não passou de meia dúzia, o número

de infratores que tivemos de abater).

8 - Que não devemos perder tempo tentando

reeducar búfalos que adquiriram

maus hábitos. Eles são muito teimosos,

e dificilmente teríamos sucesso.

9 - Que alguns búfalos, em razão do formato

de seus chifres, podem se

enganchar em cipós, galhos, inclusive

arames. Se o arame não se romper, o

animal pode ficar preso a ele, sem conseguir

se soltar. Se o arame romper,

pode ser que esse simples acidente se

transforme em hábito. As sugestões

abaixo, podem evitar tais problemas :

- Manter rebaixada, por roçada, uma faixa

de 1,00 metro de largura, do pasto

vizinho, principalmente quando o dos

búfalos estiver debilitado e o contíguo

com bastante oferta de capim. Isso evita

que o animal fique introduzindo sua

cabeça pelos vãos dos arames, e acabe

se enganchando.

Utilizar arames resistentes e aumentar

vigilância, inclusive para diminuir o

risco de perda de animais enroscados.

- Mochar seus animais, preferivelmente

nos primeiros dias de vida, terminando

gradativamente com os animais de

chifre do rebanho. Os machos nem

precisariam ser mochados, pois antes

que seus chifres se transformem em

problemas, já terão sido abatidos.

10 - O bubalinocultor deve também saber

que existem animais que não se adaptam

a um determinado grupo, sendo

constantemente perseguido por vários

componentes do lote. É normal e

aceitável que o grupo rejeite, logo de

inicio, a introdução de um novo componente.

No entanto, se essa reação

não se amenizar dentro de algum tempo,

o animal rejeitado deverá ser retirado

daquele convívio.

(As vezes é um animal líder, com hábitos

de agredir novos componentes do

grupo, que deverá ser retirado do

plantel).

11 - Que devemos ficar sempre atentos.

Os búfalos não falam, mas podem se

comunicar conosco através de algumas

atitudes. Basta que estejamos

dispostos a entendê-los. Vejamos um

exemplo:

Aquele nosso lote de búfalos, confinado

a uma pastagem “rapada”, ao cair

da tarde, poderá postar-se ao lado de

uma cerca. Com essa atitude, esse grupo

de animais está querendo nos dizer

que assim como está, não dá pra

continuar. Deveremos saber

compreendê-los, tomando as devidas

providências...

(Nunca vivenciamos experiências com

uso de cercas eletrificadas no manejo

de búfalos).

15


PARÁ

APCB promove discussão

sobre bubalinocultura na

Assembléia Legislativa do

Estado do Pará

A APCB participou em 25/11/2004 de

sessão na Assembléia Legislativa do Pará

que tratou do desenvolvimento da

bubalinocultura paraense com a presença

do secretário executivo de Agricultura,

Francisco Victer.

O Estado do Pará possui o maior rebanho

de búfalos das Américas, com 1,5 milhão

de cabeças. No Brasil são 3,5 milhões

de cabeças. A produtividade destes animais

é de 4 a 5 litros de leite/dia, que representa

50% a mais que a produtividade do leite

bovino.

Durante a sessão, também foram apontadas

as qualidades da carne de búfalo que

tem 40% menos colesterol, 55% menos calorias,

11% mais proteínas e 12 vezes menos

gordura.

O trabalho de fomento a bubalinocultura

no Estado teve início em 1997, com a criação

da Associação Paraense de Criadores

de Búfalo (APCB). Desde então, este grupo

vem batalhando para melhorar a qualidade

genética dos animais, o preço e a divulgação

do búfalo.

De acordo com Francisco Victer, o Governo

do Estado vê a bubalinocultura como

uma atividade viável, por isso tem apoiado

o setor. Entre as propostas apresentadas

aos deputados pela APCB estão o incentivo

à agroindústria para beneficiamento da

carne e agroindústria de laticínios, incentivo

à pesquisa e inovação tecnológica e a

questão da tributação e incentivos fiscais.

Fonte: Sagri - Secretaria Executiva de Agricultura do

Pará - Notícias - Novembro 2004

http://www.sagri.pa.gov.br/noticias_novembro2004.htm

3ª Prova de Ganho de

Peso de Búfalos.

Melhorar o padrão produtivo dos búfalos

no Brasil é o objetivo de mais um

contrato de cooperação técnica entre a

Embrapa Amazônia Oriental e a Associação

Paraense de Criadores de Búfalos. O

contrato, que foi assinado pelo chefe ge-

MOSAICO DE NOTÍCIAS

ral da instituição, Jorge Yared, e pelo diretor

da APCB, Rolf Ericksen, vai viabilizar a

realização da “3ª Prova de Ganho de Peso

de Búfalos Murrah em sistema

silvipastorial e pastejo rotacionado intensivo

com suplementação alimentar”. Trata-se

de uma competição entre os melhores

animais de criadores da região e da

Embrapa, onde serão destacados um do

tipo elite e quatro do tipo superiores.

Durante a assinatura do convênio, Jorge

Yared ressaltou que a parceria da instituição

com a APCB é histórica na região e

que a pesquisa é feita para quem vai se utilizar

dela. O chefe geral falou ainda que a

pesquisa em bubalinocultura voltará a ocupar

o devido espaço dentro da empresa,

para isso já está sendo viabilizada a

contratação de mais profissionais dessa

área, bem como estabelecimento de novas

e fortalecimento de antigas parcerias.

Um dos diretores da Associação, o produtor

Rolf Ericksen, colocou a APCB à disposição

da Embrapa Amazônia Oriental e

disse que esse convênio é importante pois

estabelece com a prova de ganho de peso,

uma oportunidade de mostrar a

potencialidade do búfalo e disponibilizar

animais testados para a comunidade.

Durante período da prova, vinte e seis

búfalos serão acompanhados e avaliados

pelo desempenho de itens como altura, largura

da garupa, produção de sêmen e outras

características raciais. Eles serão observados

em sistemas silvipastoris de

pastejo rotacionado intensivo, com

suplementação alimentar.

De acordo com o pesquisador José de

Brito Lourenço Júnior, da Embrapa, que é

coordenador técnico da prova, após os 10

meses, os melhores animais terão o sêmen

coletado pela Central de Biotecnologia de

Reprodução Animal, da Universidade Federal

do Pará, para posterior

comercialização em outros estados brasileiros

e até mesmo em outros países da

América Latina, como Venezuela, Colômbia,

Argentina e Peru, para que se melhore o

padrão genético dos animais.

A “3ª Prova de Ganho de Peso de Búfalos

Murrah em sistema silvipastorial e

pastejo rotacionado intensivo com

suplementação alimentar” faz parte do projeto

“Biotecnias na Produção de Búfalos

Melhoradores para Carne e Leite”, coordenado

pela Embrapa Amazônia Oriental.

Genômica de Búfalos

O projeto genômica de búfalos tem

como interesse realizar investigaçõoes acerca

da estrutura e funções do genoma do

búfalo de rio. O projeto conta com diversas

parcerias nacionais e internacionais onde

destacam-se colaborações com o Campus

de São José do Rio Preto da Universidade

Estadual Paulista, o Departamento de Patologia

Veterinária da Texas A & M

University da College Station dos Estados

Unidos e o Instituto de Medicina Veterinária

da Georg August Universitat em

Gottingen, Alemanha.

O projeto, com o título “O genoma funcional

do búfalo: a biotecnologia aplicada

à localização e expressão de genes de interesse

econômico” é liderado pela pesquisadora

Maria Paula Cruz Schneider da Universidade

Federal do Pará e conta com

aporte de R$ 239.900,00 do CNPq

Fonte: site CNPq - Pronex

Programa de Incentivo

Foi aprovado no Conselho Estadual de

Desenvolvimento Rural Sustentável o

“PROGRAMA DE INCENTIVO A CRIA-

ÇÃO DE BÚFALOS POR PEQUENOS PRO-

DUTORES”, para criação de 20 búfalas, um

reprodutor e 17 crias, em área de pastagem

de 10 ha, em regime de pastejo rotacionado

intensivo e cercas eletrificadas, em sistema

silvipastoril. O Programa será financiado

com recursos do PRONAF - Programa Nacional

de Agricultura Familiar, através de

Instituições de Crédito da Rede Pública, tais

como o Banco da Amazônia S.A - Basa,

Banco do Brasil S.A - BB, no valor de R$

25.000,00 (vinte e cinco mil reais). A taxa de

juros efetivos será de 4% ao ano e bônus

de adimplência de 25%, para os mutuários

que pagarem integralmente, até a data do

respectivo vencimento. Serão necessários

dois avais idôneos, sendo um da Cooperativa/Associação

e outro do(a)

cooperado(a)/associado(a)/beneficiário(a).

Estarão aptos a obter o financiamento, pequenos

produtores do Estado do Pará, que

tenham a posse ou propriedade de um lote

agrícola mínimo de 25 ha, preferencialmente,

com pelo menos 10 ha de pasto, possuam

experiência no manejo de gado e este-

17


jam localizados em regiões onde existam

usinas de beneficiamento de leite. Outra

possibilidade é a aquisição e implantação

de mini usinas de beneficiamento, através

de Associações de Produtores, as quais,

também, poderão ser financiadas pelo Programa.

Maiores informações Associação Paraense de Criadores

de Búfalos - APCB - Avenida Almirante Barroso, 5386 -

Parque de Exposições - Entroncamento.

Fone: (0xx91) 243.3373

18

AMAZONAS

Laticinio Vô Batista

O laticínio Vô Batista, passou a processar

em média 700 lts de leite dia, segundo o

Dr. José Rogério a fazenda Porangaba produz

em torno de 250 lts e o restante é adquirido

na bacia leiteira de Itacoatiara.

A fabricação de minas frecal e mozzarella,

são os principais produtos da empresa, que

atende diversos segmentos de mercado em

Manaus.

Fonte: José Rogério

Demanda aquecida

Segundo o bubalinocultor Francisco

Oliveira, é notório o crescimento da procura

de matrizes bubalinas e por sub produtos

desta espécie. No município de

Autazes, sede da fazenda União, a oferta

não atende a demanda, sendo necessário

adquirir gado no baixo Amazonas ou no

estado do Pará.

Fonte : Francisco Oliveira

Inseminação Artificial

Na fazenda Carabao, aconteceu mais

uma visita técnica do pesquisador Pietro

Baruselli, que conferiu o resultado do 3o

ano do programa de I.A. Segundo o Dr.

Pietro, a Carabal vem obtendo resultados

semelhantes aos das melhores fazendas

de SP, o que mostra que esta técnica é

viável na Amazônia. Nesta oportunidade

houve a participação de profissionais da

SEPROR, de alunos e criadores. Foi comunicado

aos participantes a chegada do

sêmen dos touros Mallandrino III, Jafar e

Capovila, elevando para 14 o número de

touros disponíveis.

Houve também a inauguração do novo

laticínio da marca Di Bufalla, contando com

modernos equipamentos da SULINOX e

com treinamento do mestre queijeiro Paolo

Mortero, de Cagliari-Itália e do técnico do

IDAM, Sr. Nailson Vizolli.

Fonte: Rodrigo B. Pinheiro

PERNAMBUCO

Ricardo Rodrigues assume

a Secretaria de Produção

Rural de

Pernambuco

O presidente da Associação de

Bubalinocultores de Pernambuco,

(ASBUPE), diretor para o Nordeste da

ABCB e presidente e da Sociedade Nordestina

dos Criadores (SNC), Ricardo

Rodrigues, foi nomeado pelo Governador

Jarbas Vasconcelos para assumir o cargo

de Secretário de Produção Rural de

Pernambuco.

Em função de suas novas atribuições, a

organização do 3º Encontro Nacional de

Bubalinocultores, previsto para o período

de 15 a 17 de Outubro de 2.005 em Recife-

PE passa à responsabilidade do Zootecnista

e Técnico da ABCB Rafael Vargas, juntamente

com UFPE.

MINAS GERAIS

O búfalo marca presença

na 1ª SuperAgro

Buscando marcar o início de uma nova

fase no calendário de eventos de agricultura

e pecuária em Minas Gerais, contando

com apoio do governo mineiro e diversas

entidades representativas da iniciativa privada

foi programada a 1ª Superagro, para o

período de 02 a 05 de junho de 2.005 no

complexo da Gameleira em Belo Horizonte

em que concomitantemente à 45ª Exposição

Agropecuária, estão sendo programados

diversos eventos paralelos tais como a

Expocachaça, além de cursos, palestras,

workshops e ainda uma mostra dos princi-

pais produtores de bens de consumo duráveis

e outros segmentos industriais.

Num evento que espera atrair um público

de mais de 100 mil pessoas, os búfalos

mais uma vez deverão marcar sua presença

num Estado em que a bubalinocultura vem

apresentando uma das mais expressivas taxas

de crescimento do país, sendo sua participação

coordenada pelo criador Mauricio

Lapertosa, da Fazenda e Laticínio

Belcon. Durante a mostra está programado

um leilão de bubalinos oferecendo novilhas

e reprodutores de aptidão leiteira no último

dia da mostra.

Associação Mineira promove

mais um Encontro

Regional

A AMB, dentro de seu programa de difusão

da bubalinocultura no Estado, e com

apoio do Núcleo de Bubalinocultura da

Escola de Veterinária da UFMG, realizou no

último dia 30/04/05 mais um Encontro de

Criadores, desta vez na Fazenda

Cachoeirinha localizada em Cachoeira da

Prata - MG, de propriedade do Sr Domicio

Maciel e contou com a participação de 80

pessoas, sendo 30 estudantes e 50 criadores

de várias regiões do Estado, tais como

Brumadinho, Araxá, Montes Claros e da

Região Metropolitana de Belo Horizonte.

No Encontro, além da visita à propriedade

foram realizadas as seguintes palestras:

Situação atual da bubalinocultura mineira

(Profa Dra Simone Koprowski

Garcia - EV-UFMG)

Convênio AMB / EV-UFMG (Profa Dra Denise A. A. de Oliveira - EV-UFMG)

Nutrição da búfala em lactação com

parâmetros italianos (Dr. Eduardo

Bastianetto - Médico Veterinário, AMB)

O convênio de cooperação técnico científica

da AMB com a EV-UFMG deverá

ser assinado nas próximas semanas. Já estão

sendo realizadas algumas pesquisas

nas áreas de genética, sanidade animal e

caracterização dos produtores nas propriedades

de alguns dos associados.

Fonte: Eduardo Bastianetto Diretor de Informatização,

Comunicação e Eventos da AMB


Projeto Búfalo

Major Júlio César e Revista Segurança e Defesa

Uma das primeiras preocupações do

CIGS (Centro de Instrução de Guerra

da Selva) era resolver a questão

do transporte de armas, munição, água, rações

e outros equipamentos por frações de

tropas empenhadas em guerra de selva.

Na busca de um meio de transporte eficiente

e de baixo custo para o ressuprimento

nas operações na selva, tentou-se a utilização

de animais de carga ou que pudessem

ser adestrados para esse fim. Uma das primeiras

tentativas foi com a utilização de uma

anta, criada desde cedo no zoológico do

Centro com este fim, colocando-se cangalha

e administrando-se pequenos pesos em

cestos que eram fixados em seu lombo. Conforme

relatos obtidos com o Sr João, mateiro

do CIGS, esta idéia não foi concretizada

porque o animal reagia e saía pinoteando

dentro do seu recinto no zoológico.

Outra tentativa, também frustrada, mas

que começou a demonstrar a validade do

conceito da utilização de animais, foi executada

a partir de 1983 com a utilização de

muares carregados com cerca de 60 Kg de

suprimentos, montados sobre cangalhas

confeccionadas com palha. O “Seu João”

participou do trabalho e, segundo ele, o

muar não passou do primeiro socavão devido

à existência de um acentuado

chavascal a cerca de 800 metros da base.

Neste lugar, o animal empacou e não quis

sair do local. O projeto foi abandonado pela

inaptidão do animal para o ambiente de selva,

tendo apresentado também sérios problemas

com o apodrecimento de cascos e

doenças de natureza epidérmica.

Mais recentemente, no ano de 2000, a

Divisão de Doutrina e Pesquisa desenvolveu

outro Projeto, empregando-se a bicicleta

para o transporte de carga. Esta idéia

surgiu a partir do estudo de técnicas especiais

de ressuprimento utilizadas pelos

vietnamitas na guerra contra os EUA, no

final da década de 60 e início da de 70 onde

a fisiografia da selva possibilitava a abertura

de trilhas e o largo emprego da mão de

obra farta e barata, daquele país.

Devido ao grande esforço físico

dispendido pelo homem para empurrar a bicicleta,

ela não foi aprovada como sendo uma

opção para a logística no interior da selva.

Em 2000, teve início com o Projeto

Logístico 2–Técnicas especiais de

Ressuprimento nas Operações na Selva o

emprego do búfalo, a partir de um trabalho

20

de pesquisa que visava minorar as dificuldades

de transporte de cargas no interior

da floresta.

A idéia de se empregar o búfalo partiu

de um cartão postal. Neste cartão se retratava

a utilização do animal para fins de

patrulhamento pela 5ª Companhia Independente

da Polícia Militar na cidade de Soure,

na ilha do Marajó- PA.

Já criado com sucesso na Amazônia em

pelo menos quatro raças, o búfalo é rústico

e possui diversas características que foram

ao encontro das necessidades militares para

o emprego de animais.

Recursos Materiais

Empregados

No início do Projeto, o objetivo primordial

era domesticar os animais, passando

para eles condições que viessem a facilitar

o cumprimento das metas estabelecidas na

Proposta de trabalho apresentada ao CMA.

Desde a fase inicial, foi buscado o desenvolvimento

de um colete que pudesse

acondicionar o material que iria ser carregado

ou seja, no primeiro momento era

fundamental que o animal se acostumas-

se com algo sobre o seu lombo. Para tanto,

foi desenvolvido um tipo de colete

denominado pela equipe como “colete

tático transportador”.

Com o andamento dos trabalhos, houve

a necessidade de aprimoramento destes

materiais. A cada nova investida na selva,

uma nova idéia surgia e era aplicada de imediato.

A última versão do colete tático transportador

foi aplicada na Operação Búfala

Aérea, com resultados bastante

satisfatórios. Este material foi uma importante

alteração realizada porque passou a

facilitar a montagem e desmontagem dos

bolsos nos coletes. Vários tipos foram testados,

permitindo se chegar a um modelo

ideal para os trabalhos.

O búfalo tem demonstrado ser uma das

soluções para as necessidades das tropas de

selva brasileiras, devido à resistência do animal,

sua adaptação ao ambiente e, principalmente,

à sua capacidade de transportar 400

kg ou mais de carga no lombo, ou até três

vezes isso quando tracionando carroças.

Por ser um animal que não exige pasto

de qualidade pode ser criado em pequenos

rebanhos, comendo aquilo que a selva oferece.

Em operação com a participação da

Marinha, Exército e Força Aérea foram testadas

todas as possibilidades de utilização

dos búfalos: integrados às atividades militares,

realizaram travessia de cursos d’água,

infiltração através da selva e transporte de

peças de artilharia.

A utilização desses animais ainda pode

proporcionar, em situações de crise, um

“estoque” de carne fresca para as tropas

empregadas na selva, da mesma maneira

como era utilizado o gado nas antigas expedições

de nossos Bandeirantes.

Um búfalo da raça Mediterrâneo equipado com o colete especialmente desenvolvido pelo CIGS para o

transporte de suprimentos diversos. O animal, equipado com este colete, suporta o seu próprio peso em carga, ou

cerca de 400 kg (Foto: CIGS).


CONSANGUINIDADE

Otavio Bernardes - SP (Baseado em monografia de William Koury Filho - Zootecnista - william@brasilcomz.com)

Cada animal possui no núcleo de suas

células diversos cromossomos

agrupados em pares, formados por

estruturas denominadas DNA. As “unidades

básicas” do DNA, responsáveis pela

expressão das características do indivíduo

são denominadas genes, que,

simplificadamente seriam “um pedacinho do

DNA”, cuja localização é denominada locus.

Certas características dos indivíduos são

dependentes de um único par de genes (cor

dos olhos, por exemplo) localizadas do mesmo

locus dos pares de cromossomos, já

outras, dependem de uma combinação de

diversos genes (produção leiteira por exemplo).

Na reprodução, cada animal recebe

50% de seus genes do pai (espermatozóide),

e 50% dos genes da mãe (óvulo).

Num acasalamento de dois indivíduos,

quanto mais aparentados forem eles,

maiores as chances de que seus descendentes

possuam um percentual maior de

genes idênticos (homozigose), que seriam

cópias do gene presente no ancestral em

comum e que se transmitem aos filhos,

ocorrendo o inverso, quanto menos forem

aparentados os ancestrais em comum

(heterozigose). Lembremos que todos os

animais dentro de uma população têm alguma

relação entre si posto que descenderam

em algum lugar e em algum momento

de algum ancestral em comum.

A fim de avaliar o “grau de parentesco”

ou probabilidade de existência de genes em

comum com seus ancestrais foi definido um

coeficiente de consangüinidade ou de

endogamia que é a metade do grau de parentesco

entre os pais do indivíduo, expresso

em porcentagem e é medida pelos ancestrais

em comum que o mesmo possui de

forma que quanto mais aparentados forem

os ancestrais, maior a endogamia no seu

acasalamento e portanto, maiores as

chances de possuir genes idênticos ao dos

ancestrais comuns.

Exemplo de alguns acasalamentos

endogâmicos e seus respectivos coeficientes

de endogamia:

22

Teoricamente uma maior freqüência de

genes idênticos responsáveis por características

positivas (produtivas, por exemplo)

num indivíduo é um dos objetivos do processo

de melhoramento dos rebanhos, assim,

pareceria lógico que se acasalássemos

indivíduos de alta produtividade aparentados

entre si teríamos maiores chances de

obtermos uma progênie igualmente mais

produtiva.

RAZOOK (1977), em um amplo trabalho

de revisão, relata a utilização da endogamia

até mesmo para formação de raças de corte

e leite de valor indiscutível, como Hereford,

Shorthorn, Holstein-Friesian e outras, terminando

por dizer que a mesma

consangüinidade deve ter tido um papel

bastante significante na formação das raças

zebuínas.

Ocorre porém, que, com a maior

consangüinidade, também os genes “negativos”

presentes nos ancestrais se apresentariam

com maior freqüência nos descendentes.

Ou seja,a endogamia em si, não

produz genes deletérios ou que causem

anomalias congênitas, mas, se presentes

nos pais, podem levar a um aumento de sua

freqüência nos descendentes em

homozigose (genes idênticos no mesmo

locus dos pares de cromossomos) e, algumas

doenças somente se manifestam quando

em homozigose, como a acondroplasia,

a agnatia,; cabeça Bulldogue ou

prognatismo; hérnia cerebral, espasmos letais

congênitos; catarata congênita; membros

curvos; epilepsia; lábio leporino;

alopecia, hidrocefalia, hipoplasia de ovário

ou testículo, espinha curta; hérnia umbilical,

cauda torcida, entre outras, sendo algumas

delas letais.

Problemas que surgem com a utilização

da endogamia que são letais ou semiletais

são facilmente identificados, mas pequenos

“problemas” que na verdade são combinações

gênicas desfavoráveis, não são facilmente

identificados, e estas combinações

indesejadas ocorrendo no indivíduo, leva

ao que se conhece por depressão

endogâmica, pela qual, a partir de um certo

grau de consangüinidade ao invés de observarmos

uma melhora das características

presentes nos pais, observa-se uma redução

nas mesmas.

Vários são os estudos em que se de-

monstram perdas por depressão

endogâmica, como o de SMITH et al. (1998),

que trabalharam com vacas holandesas, e

calcularam que para cada 1% de aumento

no coeficiente de endogamia, houve perda

aproximada de 37 kg de leite, 1,2 kg de gordura,

1,2 kg de proteína por lactação, além

da idade ao primeiro parto ter aumentado

em 0,4 dias, o intervalo entre partos em 0,3

e a vida produtiva diminuído em 13,1 dias.

SCHENKEL et al. (2002), trabalhando com

arquivos da ABCZ, estimaram que, na média

das raças zebuínas, para cada 10% de

aumento na endogamia individual, o ganho

médio diário ajustado para 205 dias e o para

550 dias foram reduzidos em 1,7% e 2,1%

em relação a média da população estudada.

Baseado na literatura, pode-se dizer grosseiramente

que a cada incremento em 10%

no coeficiente de endogamia, há depressão

de 2% a 7% nas características de vigor,

produtivas e reprodutivas. JOHANSSON &

RENDEL (1968), mencionam trabalhos norte

americanos a respeito da influência da

consangüinidade que apontam para perdas

em características reprodutivas e de vigor,

e que relatam a ocorrência de uma mortalidade

embrionária 15% mais alta, no caso de

vaca consangüínea, e ainda maiores, quando

a vaca consangüínea foi acasalada com

touro aparentado com ela própria. Outro

resultado bastante expressivo, foi o de 36%

de prenhes diagnosticada de touros consangüíneos

acasalados com vacas consangüíneas,

contra 65,7% entre acasalamentos

de animais não aparentados e não-consangüíneos.

Por outro lado, certas características

produtivas melhoram em indivíduos com

baixos níveis de consangüinidade

(heterose ou “vigor híbrido”) em decorrência

das combinações gênicas favoráveis,

conseqüência do aumento de genes em

heterozigose. Esse aumento em desempenho

é somente, parcialmente transmitido às

futuras gerações, e é conseguido principalmente

com um acasalamento bem sucedido

A natureza é sábia, e com este tipo de

mecanismo permite uma maior sobrevivência

de indivíduos não consangüíneos, mantendo

assim uma maior variabilidade genética

nas espécies, dificultando que as mesmas

possam vir a se extinguir devido à falta

de adaptação a alguma adversidade do ambiente.


A despeito de ser possível a utilização

da endogamia no processo de melhoramento

JOHANSSON & RENDEL (1968), citados

por RAZOOK (1977), trabalhando com

rebanhos consangüíneos e posteriormente

cruzando as diferentes linhagens em gado

Holandês concluem que: “A imprevisibilidade

da consangüinidade em rebanhos

de diferentes origens, a tendência a uma

redução da eficiência produtiva e a falta de

uniformidade na “performance” de indivíduos

consangüíneos desencorajam o desenvolvimento

de linhagens consangüíneas

como meio geral para melhoramento do

gado leiteiro. O desenvolvimento e a manutenção

de linhagens consangüíneas será

muito oneroso e o cruzamento de tais linhagens

pode não favorecer indivíduos claramente

superiores a indivíduos provenientes

de cruzamento com outros rebanhos

exteriores não consangüíneos.”

O fato é que a endogamia acarreta em

perdas produtivas e reprodutivas, porém

trabalhar linhagens em moderados níveis

de parentesco de um ancestral provado,

pode ser uma boa opção para imprimir características

desejadas de uma determinada

família.

Em função disso, a recomendação geral

nos processos de melhoramento dos rebanhos

tem sido a de se buscar acasalar animais

de alto potencial produtivo, porém,

com o menor coeficiente de endogamia possível,

visando aumentar nos descendentes

a presença de genes responsáveis pelas

características que se busca (raciais, produtivas,

de conformação, etc.) ao mesmo

tempo em que se evita a referida “depressão

endogâmica” e paralelamente se consegue

obter algum grau de heterose.

Modernos métodos de avaliação genética

e aplicáveis a grandes contingentes

populacionais (como o BLUP-modelo animal),

têm permitido a identificação dos indivíduos

de melhor potencial genético para

uma determinada característica ou grupo de

características almejadas, e são expressos

em índices como BV (Breeding Value), PTA

(habilidade de transmissão), DEP (desenvolvimento

esperado na progênie) de expressão

quantitativa e que permitem “classificar”

os animais em função das caracte-

rísticas avaliadas e costumam ser divulgados

nos tradicionais “rankings” e “sumários”.

As modernas biotecnologias de reprodução

(inseminação artificial, transferência

de embriões, e quem sabe até mesmo a

clonagem no futuro) e sua popularização,

têm permitido a rápida multiplicação de um

determinado indivíduo o que vem ocorrendo

em nosso meio por exemplo em zebuínos

onde se busca multiplicar os animais melhores

classificados nos sumários.

Uma das conseqüências são resultados

preocupantes como os publicados por FA-

RIA et al. (2001), que observou que, no

período de 1994 a 1998, apenas 10 touros

foram pais de 19,3% dos animais da raça

Nelore nascidos no Brasil e, ainda que o

aumento de consangüinidade por geração

na raça tem sido da mesma magnitude da

que se observaria em uma pequena população,

constituída de 34 machos e 34 fêmeas

acasalando-se ao acaso e deixando um

casal de filhos cada.

A bubalinocultura brasileira, ainda que

por motivos diversos tais como: baixo volume

de importações, pequena quantidade

de rebanhos sob controle zootécnico, baixo

intercâmbio comercial inter-regional, etc

potencialmente tem os mesmos problemas

descritos para os zebuínos. Numa fase inicial,

principalmente a partir das décadas de

70-80, despertou-se enorme interesse entre

os criadores na busca de animais com padrões

raciais bem definidos, o que mais facilmente

era obtido com a utilização de animais

descendentes dos importados originais

e suas progênies, a quem se denominam

“POI”, que quantitativamente, eram em

reduzidíssimo número, resultando que rebanhos

que buscavam se fechar em tais linhagens,

certamente possuem alto grau de

endogamia.

As raras importações de material genético

principalmente a partir da década

de 60 ( sêmen da Bulgária e da Itália, e

alguns poucos exemplares italianos), a

despeito de terem sido muito pouco utilizadas

em nosso meio, também provinham

de rebanhos com elevado grau de

consangüinidade (na Itália, por exemplo,

há séculos não existe a introdução de animais

de outros países e os dois animais

com sêmen búlgaro introduzido no país

eram filhos da mesma mãe).

A dificuldade de utilização de animais

“puros” porém acabou favorecendo os

acasalamentos visando formações raciais

por “absorção”, passíveis de registro em

Livro Aberto (LA) e após algumas gerações,

reconhecidos como puros o que, se por um

lado acaba gerando animais com menor

repetibilidade de características em suas

progênies para perfeito enquadramento nos

padrões raciais admitidos, por outro lado,

carregam menor dose de consangüinidade,

o que evita seus efeitos depressivos nas

características de interesse econômico.

Em trabalho apresentado no Congresso

das Filipinas em 2004, Ramos et al. aferiram

os efeitos de depressão endogâmica

na produção leiteira de búfalos no Brasil,

concluindo que a mesma ocorre quando o

coeficiente de endogamia ultrapassa 6-7%,

conclusão de certa forma concordante com

trabalho de Vasconcelos que em rebanho

com coeficiente médio de consangüinidade

de 6%, não havia observado depressão da

produção leiteira atribuível a tais níveis de

consangüinidade,

Infelizmente no Brasil são ainda pouco

comuns propriedades que submetam seus

rebanhos a controle zootécnico e

genealógico resultando daí que, na elaboração

de avaliações de potencial genético

produtivo, somente uma pequena parcela

do rebanho tem sido avaliada utilizando-se

as técnicas hoje disponíveis o que, se persistindo,

acabará por identificar poucos

animais de mérito superior e conseqüentemente,

uma superutilização dos mesmos e

com conseqüente aumento da

consangüinidade de nossos rebanhos, tendência

já constatada no trabalho de Ramos

e que, a exemplo dos zebuínos, poderá se

transformar num problema.

Acreditamos que a diversidade de nosso

“rebanho de base”, formado principalmente

por animais mestiços e LA, caso despertem

os criadores para a necessidade do

controle zootécnico e genealógico de seus

rebanhos, permitiria que identificássemos em

maior quantidade indivíduos de mérito produtivo

superior e não consangüíneos, reduzindo

tal problema em potencial.

23


Carne de Búfalo: Cadê Você ?

Existe uma situação verdadeiramente

constrangedora, que deixa todo e

qualquer bubalinocultor de “saia

justa”. É quando freqüentemente lhes solicitam

informações a respeito dos pontos

de venda onde a carne de búfalo pode ser

encontrada. Esse mal estar decorre do fato

de que na esmagadora maioria das vezes,

nem ele nem ninguém sabe responder essa

pergunta, por um motivo tão simples quanto

inadmissível. É que o búfalo, quando

embarca da fazenda rumo ao frigorífico, imediatamente

se transforma em boi!

Não interessa entrarmos em divagações

para sabermos se o consumidor está comprando

gato por lebre, ou lebre por gato.

Pouco importa se o produto que o mercado

está lhe impingindo é de melhor ou pior

qualidade. Basta darmos conta de que essa

prática vem desrespeitando um dos mais

básicos direitos do consumidor, que é possuir

verdadeiro conhecimento daquilo que

está adquirindo.

Esta prática transformista, também trás

como conseqüência, a desvalorização dos

búfalos perante a opinião pública, e o inevitável

desmerecimento dos seus criadores,

na medida em que é interpretada de imediato

e pejorativamente, como maquiagem utilizada

para comercializar um produto de

qualidade inferior.

Sobram aos bubalinocultores, além do

constrangimento a que já nos referimos, a

notória posição de inferioridade, presente

na hora da comercialização dos seus animais,

sem identificação, anônimos,

apócrifos!

Se vender búfalo por boi é um desrespeito

ao consumidor, e prejudica financeiramente

o bubalinocultor, então porque

isso é feito?

Podemos facilmente ressaltar 2 fortes e

determinantes motivos:

1 - Com “perdão da palavra” e não querendo

faltar com o devido respeito, não

podemos nos furtar a colocar a primeira

culpa, no colo de Deus ! (Será que

Deus tem colo ?) Explicamos melhor:

Se nosso pai todo poderoso, ao criar o

búfalo, tivesse tido a simples idéia de

fazê-lo com gosto de búfalo, bem diferente

do gosto do boi, nada disto estaria

acontecendo. Da mesma forma que

ninguém pensa vender porco por carneiro,

nem peixe por galinha, ninguém

ousaria tentar vender búfalo por boi

ou boi por búfalo....

2 - A segunda culpa

cabe à uma das mais

inexoráveis leis do

mercado, qual seja a

exigência da tão

famigerada quanto

importantíssima escala

de produção!

O “tamanho” da escala

varia com o tempo, com

os processos e sistemas

produtivos, logísticos,

etc. Algumas rápidas lembranças

práticas e corriqueiras,

da evolução sofrida

nos últimos 40 ou 50

anos, pela pecuária de corte

paulista, nos ajudam no

entendimento dessa questão:

Naquele tempo, todo gado era transportado

“tocado por terra”, por peões à cavalo

ou burro. Soa engraçado, mas era assim

que se falava : “tocado por terra” – como

se também pudesse ser “tocado por ar”....

Os bois tinham vida longa, viviam pelo

menos o dobro do que hoje. Também pudera

! Sem qualquer “genética”, muito menos

manejo, nasciam nos cerrados de Goiás ou

Mato Grosso, antes do advento das

brachiarias, e viviam na estrada, viajando...

Na desmama eram levados “por terra”, muitos

e muitos pousos adiante, para serem

recriados. Após recria, algumas aftosas

contraídas e vários outros pousos adiante,

eram engordados, para fazerem sua última

viagem, também “por terra”, até o frigorífico.

Se passassem de 15 @ no gancho, seus

invernistas contavam a façanha a seus amigos,

com os peitos inflados de orgulho. Suas

carcaças serviam aos varejistas dos grandes

centros urbanos enquanto os açougueiros

das pequenas cidades interioranas,

tinham de abastecer seus estabelecimentos

com vacas velhas ou bois de “frieiras”

adquiridos dos fazendeiros locais. Se os

bichos fossem razoavelmente mansos e

saudáveis, seguiam “por terra”, até os matadouros

municipais, se eram fracos ou

muito ariscos, eram mortos no local de origem,

debaixo de uma árvore “ajeitada” para

essa finalidade.

Tais açougueiros conseguiam sobreviver

abatendo, picando e vendendo, apenas

2 ou 3 cabeças por semana, e por total ausência

de escala, eram desprezados os couros,

miudezas, etc.

Hoje o panorama visto da ponte é outro:

Os pequenos varejistas fecharam suas

portas, por falta de escala.

Os matadouros municipais estão se tornando

obsoletos, sem utilização, por falta

de escala. Aqueles açougueiros medianos,

que comercializam 10 ou 12 cabeças por

semana, e que ainda não cerraram suas portas,

preferem adquirir suas carcaças diretamente

dos frigoríficos, por serem mais baratas

e de qualidade superior. Motivo: Simplesmente

porque os frigoríficos trabalham

com escala de produção, e isso lhes propiciam

agregar valor a todos sub produtos

dos animais, como couros, vísceras, etc.

Essa agregação de valor aos sub produtos,

chegou a tal ponto, que frigoríficos prestam

serviços de abate, totalmente “gratuitos”,

pagando-se exclusivamente com eles.

Mais que isso : alguns frigoríficos ainda

oferecem, por conta dos sub produtos, o

transporte para o gado que será abatido,

desde que dentro de um raio de até 100 km.

Tudo isso é simples “milagre” da tal

escala de produção!

Após estas rápidas reminiscências e

constatações, fica claro que o búfalo, no

terreno das “escalas” exigidas pelos grandes

frigoríficos, sempre levará desvantagem

com o boi. A falta de escala atrapalha até na

hora do abate, pois o magarefe tem que improvisar

o ato, se utilizando de um instrumento

projetado e concebido para bovinos,

de diferente anatomia. Se na hora em que

as carcaças são comercializadas, desgraçadamente

vira tudo farinha do mesmo saco,

com o couro não dá pra agir assim, e a falta

25


de escala também acaba complicando. A velocidade

com que cresce a exigência de escala

no mercado, sempre será maior que a

velocidade de crescimento do rebanho

bubalino.

Resta ao búfalo encontrar e construir

sua própria cadeia de carne no mercado, a

qual a nosso ver, deve ser distante, isolada

e apartada dos grandes frigoríficos. Méritos

não lhe faltam, pelo contrário, sobramlhe,

testemunhados por seus fantásticos

índices produtivos, e pela saudável riqueza

de sua carne.

É nessa humilde e persistente luta, que

muitos bubalinocultores estão se empenhando

em diversas regiões brasileiras, a construir

cadeias de carne bubalina, capazes de

driblar a famigerada falta de escala. Todos,

indistintamente, merecem nosso aplauso,

nosso apoio, extensivos àqueles, que motivados

por circunstâncias diversas, já encerraram

suas atividades, por eles terem igualmente

contribuído e participado de maneira

importante, na evolução e formatação das

cadeias viáveis da carne bubalina.

Vejamos algumas dessas iniciativas:

Comecemos por narrar as experiências

vivenciadas por João Ghaspar de Almeida e

Manoel Osório L. de Almeida,

bubalinocultores em Uruguaiana – RS, na

segunda metade dos anos 90. Durante cerca

de 5 anos eles mantiveram uma parceria comercial

com a empresa Wessel, de São Paulo,

atuante na área de carnes nobres especiais.

Após várias experiências iniciais, concluíram

que os búfalos super jovens geravam

produtos de maior aceitação aos clientes

daquele tipo de comercio de carne, e assim

sendo a parceria baseou-se nesses animais.

Os mesmos eram abatidos, quase sempre

na desmama, em frigoríficos próximos

ao criatório, e suas carcaças eram enviadas

quinzenalmente para São Paulo. Os preços

eram pré-estabelecidos, e válidos por longos

períodos. Para poder manter a regularidade

nos fornecimentos,

os produtores,

tinham que

congelar parte das

cargas na safra,

para entregá-las na

entressafra. Essa

parceria só foi interrompida,quando

foram criadas

barreiras sanitárias

que impediram o

envio de carne gaúcha

para outros

estados, em razão

do surgimento de

26

focos de aftosa na região.

Desse trabalho intensamente vivenciado,

sobraram algumas firmes conclusões que

João Ghaspar faz questão de citar:

1 - O produtor de búfalos para carne, é

normalmente um apaixonado por

aquilo que faz, e pelo animal que cria,

e acaba não obedecendo a mais elementar

das regras de comercio: Quem

manda e determina é o consumidor final,

que compra a carne de nossos

búfalos, cozinha, come, aprecia e decide

se tornará a comprá-la.

2 - Nosso cliente de restaurante não aceita

que o cardápio ofereça carne de

búfalo e o garçom diga que está em

falta, que não é época, etc.

3 - Se nosso produto é diferenciado, sempre

tem de agradar ao consumidor, por

isso todo cuidado é pouco ! Se o filé

de bovino não agradá-lo, poderá ter

sido por qualquer motivo, mas se descontentar

com o filé de búfalo comprado,

sua única conclusão é de que

carne de búfalo não presta.

4 - Não gaste seus recursos em promoção

se não tiver consistência de produção,

com desvio mínimo de qualidade e eficiência

de logística.

5 - Nosso produto tem um tremendo potencial

de diferenciação no mercado,

porém uma grande dificuldade é criar

alternativas para os cortes menos

nobres, pois a culinária brasileira é

cruel com anatomia animal, por ela

destinar a cada animal, apenas e tão

somente duas picanhas...

Foi também no RS que em 1998, surgiu a

Cooperbúfalo, aglutinando em torno dela

24 amigos e criadores de búfalos. Hoje, passados

7 anos de sua fundação, fazem parte

dessa instituição, 37 cooperados comprometidos

com a agenda anual que garante

regularidade de oferta para abate, de animais

de até 30 meses de idade, bem acabados,

com peso mínimo de 390 k.

Evaldo Canali, seu atual presidente faz

um rápido retrospecto da historia dessa

cooperativa:

A primeira providência, como não podia

deixar de ser, foi estabelecermos um

cronograma de fornecimento regular de

animais jovens e bem acabados, de forma

a garantir o abastecimento da

Cooperbúfalo durante o primeiro ano. A

seguir a cooperativa tomou para si as responsabilidades

inerentes a todas fases do

processo. Era ela quem comprava os ani-

mais dos associados, terceirizava o abate,

assumia a comercialização, a entrega, e

tudo o mais. As vendas eram realizadas

em diminuta escala, com os varejistas comprando

meio ou um animal de cada vez, e

para complicar ainda mais, todos queriam

receber seus pedidos na sexta feira.

Isso gerava um acúmulo de entregas em

um único dia, tornando impossíveis de serem

feitas com utilização de um só veículo.

Logo constatamos que as ditas carnes nobres

dos búfalos, para churrascos, eram

muito bem aceitas, mas os dianteiros começaram

a sobrar na câmara fria, obrigandonos

a comercializá-los por preços inferiores,

para não perdê-los. Os couros eram

salgados com o intuito de fazermos estoque

ou escala, para obtermos melhores preços.

Não deu certo, começaram a desaparecer

os couros por conta dos amigos do alheio...

Alguns problemas de inadimplência também

começaram a surgir.

A partir do segundo semestre de 2002,

percebemos que nossa pequena estrutura

não nos permitia continuar abraçando todos

elos da cadeia produtiva.

Mudamos nossa maneira de atuar. A

Cooperbúfalo continuou coordenando a

agenda de abate, controlando a qualidade

dos animais, inclusive comprando-os

dos cooperados, mas os revendíamos vivos

a um frigorífico/parceiro, o qual fazia

o abate, a comercialização, e todo o resto.

Hoje, reduzimos a participação da

Cooperbúfalo em todo processo, concentrando

nossas ações exclusivamente naquilo

que consideramos essencial. Apenas

controlamos a agenda e a qualidade dos

produtos que nossos cooperados

comercializam diretamente junto ao frigorífico.

Também intermediamos vendas de

búfalos vivos para uma rede de supermercados,

que se incumbe diretamente do abate

e das demais operações.

O faturamento da nossa cooperativa,

dessa maneira, tem sido suficiente para

cumprir com sua obrigação de pagar os

fretes boiadeiros, e manter-se em operação,

procurando estimular a produção e

a oferta de animais de qualidade para o


abate. Aos nossos cooperados procuramos

garantir o escoamento de seus produtos,

a preços justos de mercado, e sobretudo a

confiabilidade que nos faz permanecer

unidos.

Mais no interior do RS, na cidade de

Caçapava do Sul, com pouco mais de 20 mil

habitantes, o bubalinocultor Celestino

Goulart Filho, conhecido por Tininho, chamou

exclusivamente para si a responsabilidade

de fazer com que a carne de seus búfalos,

chegasse à mesa de seus consumidores,

como carne de búfalo.

Firmou parceria com um supermercado

local, assumindo o compromisso de lhes

fornecer semanalmente, machos ou fêmeas

bubalinas, de até 30 meses de idade, bem

acabados para o abate. Ambos, igualmente

se responsabilizariam pelas ações

promocionais, porém o supermercado, teria

de vender toda carne fielmente

identificada como de búfalo. O preço de

comercialização do kg vivo dos animais, ficou

estabelecido que seria 10% inferior ao

do vigente para bovinos, em razão do menor

rendimento de carcaça dos búfalos, e o

supermercado, por sua conta, terceirizaria

o abate.

Distribuiram panfletos pela cidade divulgando

os aspectos nutricionais da carne

de búfalo, outros tantos divulgando receitas,

foram visitadas academias de ginásticas,

geraram noticias no jornal local,

mandaram construir uns poucos cartazes e

o resultado veio em 18 meses: Criou-se na

cidade de Caçapava do Sul – RS, a cultura

do consumo da carne de búfalo. Tininho

afirma que todas essas despesas com promoções,

visando conscientizar a população

de uma pequena cidade do interior, são pequenas

e tendem a quase se anularem com

o tempo.

Hoje são abatidos de 2 a 6 búfalos por

semana, sendo que o consumidor paga por

essa carne, por enquanto, o mesmo que

pagaria se a mesma fosse bovina. “Por enquanto”,

porque Tininho afirma que “mais

adiante será mais caro”....

Outra afirmação do Tininho :

“Até 1998 criava Angus da melhor qualidade,

com todas tecnologias possíveis, e

nunca ganhei dinheiro, sempre puxando

recursos do bolso para sustentar a atividade.

Com o búfalo, há alguns anos, empato

os custos, pois estou em fase de ampliação

do rebanho, e tenho a previsão de começar

a ganhar dinheiro dentro de 2 anos.”

No Estado de Santa Catarina, iniciativas

recentes, da Acribúfalo, e de seus nú-

cleos regionais, (ver noticias neste boletim),

estão prometendo boas perspectivas

para o mercado da carne de búfalos, na

medida que essas diversificadas e inteligentes

ações promocionais da carne de búfalo,

tem despertado o interesse nos consumidores,

como também nos demais segmentos

da cadeia produtiva. Assim, vem se tornando

cada vez mais comum a carne de

búfalo ser oferecida em churrascarias, restaurantes

e em alguns estabelecimentos

varejistas, como é o caso do Supermercado

Supri Mais, o qual inclusive figura como

patrocinador de vários eventos bufaleiros.

Com algumas reflexões, somos levados

a concluir que o processo de formação das

cadeias de carne de búfalo que vem se formando

em Santa Catarina, difere da grande

maioria de cadeias do restante do país, onde

constatamos que a iniciativa de montagem

das mesmas, sempre partem ou partiram dos

próprios bubalinocultores. Ao contrário

dessa tendência quase uníssona que se

verifica no Brasil como um todo, em Santa

Catarina, parece que os “encabeçadores”

dessas cadeias, ao invés de

bubalinocultores, são varejistas,

abatedouros ou mesmo churrascarias que

tiveram seus interesses despertados para a

carne de búfalo, a partir de eficientes ações

de divulgação, empreendidas pelos criadores

de búfalos. Uma dessas felizes ações,

nasceu de uma discussão surgida entre o

gerente de uma churrascaria e o

bubalinocultor Arno Phillipi. Ao ouvir do

gerente que o consumidor não tinha interesse

pela carne de búfalo, Arno o desafiou

a promover uma “noite do búfalo”, onde

somente seriam servidas carnes de búfalo.

No evento de “casa cheia” foram servidas

além das carnes de churrasco, dianteiros

na panela, lingüiça e até torresmo de couro

de búfalo. O sucesso foi tão marcante que

a “noite do búfalo” vem se repetindo mensalmente

naquela churrascaria. De outra

feita, no almoço comemorativo do “Dia do

Médico” aquela meia dúzia de laboriosos

bubalinocultores catarinenses, liderados

pelo Arno, conseguiu que os organizadores

deixassem por sua conta o fornecimento da

carne que seria servida. Dessa forma, acabaram

vendendo seu “peixe”, ou melhor, sua

carne de búfalo, para os verdadeiros formadores

da opinião pública catarinense. Parece

estar se configurando em Santa

Catarina uma nova postura que vem dando

certo. Os criadores de búfalos, com seus

bem sucedidos eventos promocionais, atraem

a atenção e o interesse dos formadores

de opiniões bem como dos empresários que

queiram investir no setor, garantindo-lhes

o suporte necessário. Fato que ilustra bem

essa tendência diferente que ocorre em Santa

Catarina, é o recente interesse partido da

prefeitura do município de São José, em incluir

carne de búfalo na merenda escolar de

sua cidade.

No Estado do Paraná, algumas iniciativas

foram feitas no sentido de formação da

cadeia de carne de búfalo, amparando-se

na expressiva população bubalina existente

no litoral paranaense, bem próximo a

Curitiba, o que garantia boas vantagens

logísticas. Alô Guimarães Netto e Umberto

Natalli, foram os precursores nessas iniciativas,

e precederam Paulo Cleve do Bomfim,

ex presidente da ABCB, que atuou no ramo

de 1995 a 1998.

Paulo comprava os animais diretamente

dos produtores, abatendo-os no Frigorífico

Argus, em São José dos Pinhais, perto

de Curitiba. Os dianteiros eram

comercializados no atacado, como carne

bovina e os traseiros, diretamente em seu

estabelecimento varejista. Servia também

inúmeros restaurantes da capital

paranaense. Para as entregas contava com

um caminhão tipo baú, além de uma Kombi

e 8 motos de entrega. Por semana abatia

cerca de 60 búfalos. Encerrou suas atividades

em 1998, e aponta as principais razões

que o levaram a essa contingência :

1 - A pequena escala com que trabalhávamos

originava custos maiores, os

quais não conseguíamos repassar aos

consumidores por se recusarem terminantemente

a pagar mais caro pela

carne de búfalo.

2 - Com honrosas exceções, os criadores

de búfalos de nossa região, falhavam

constantemente com suas previsões de

terminação de seus animais, além de

pretenderem preços incompatíveis

com seus produtos, inclusive buscando

“empurrar” vacas velhas e magras

na carga. Era um calvário comprar

búfalos na idade e peso necessários.

27


3 - Diferentemente do queijo de búfalo,

que “pegou carona“ no marketing e

culinária italianos, a carne de búfalo

era e em parte continua sendo,

muito desconhecida.

No Estado de São Paulo, mais precisamente

na região de Marilia, Cláudio Ribeiro

vem tentando formar uma cadeia de carne

bubalina. Cadastrou os produtores da região,

chegando à conclusão que somados,

dariam conta de produzir 2 mil garrotes por

ano, o que corresponderia a cerca de 40

cabeças por semana. Além dos produtores,

contatou frigoríficos, supermercados e definiu

o tipo de animal que imaginou ideal.

Teria de ser jovem, entre 18 e 24 meses, estar

terminado e pesando cerca de 400 k.

Registrou a marca “Búfalo Precoce”, e ao

iniciar as primeiras negociações com os

segmentos “parceiros”, constatou as primeiras

dificuldades: “Querem tudo para

eles, e nada para nós...”

Assim, a pretensão inicial de Cláudio,

de vender carne de búfalo, por preços superiores

aqueles praticados para carne de

vaca, não foi satisfeita. Afirma que outras

razões estão impedindo esse objetivo, tais

como a grande oferta de carne vigente hoje

no mercado, além do antigo e conhecido

problema com a venda do couro de búfalo,

determinado pela pequena escala e oferta

irregular.

Cláudio chegou à conclusão de que “no

momento, nosso mercado interno, não tem

condições de absorver a carne de búfalo

por preços superiores aos que atualmente

são praticados”. Apesar das dificuldades,

vem procurando manter coesos os produtores

de sua região, e sugere uma saída : A

busca por mercados diferenciados, no exterior.

No momento, o bubalinocultor paulista,

Sergio Seixas, com propriedades em

Adamantina e Analândia, com capacidade

de produzir cerca de 380 animais jovens para

abate, por ano, vem tentando costurar algumas

parcerias visando à colocação de

carne de búfalo no mercado.

No Estado da Bahia, Getulio Soares

criou em 2003, uma pequena cadeia

mercadológica para colocação da carne de

búfalos “Búfalo Baby”, no mercado. Compra

animais recém desmamados, e os recria

e engorda em sua fazenda localizada em São

Sebastião do Passe, a apenas 60 km de Salvador.

No inicio, Getulio bancava todo o

processo, desde o abate, desossa, embalagem

a vácuo, e congelamento. Assumia

também a comercialização junto a uma rede

de delicatessen, promovendo degustação

28

entre clientes, distribuindo folhetos, etc.

Esse processo inicial, durou um ano e a partir

de 2004 foi alterado:

“Passamos a vender nossos animais

diretamente a empresa Tecnocarne, por

preços iguais aos vigentes para o boi, a

qual faz o abate e nos revende os cortes

nobres, já embalados com o selo da Búfalo

Baby, com os quais servimos restaurantes

da região, também aos mesmos preços

de carne bovina. A exemplo das carnes

nobres, compramos da Tecnocarne os

couros de nossos animais, os quais mandamos

curtir em curtume distante 200 km

de Salvador, comercializando a sola para

cabrestos, selas, arreios, loros, etc. Por enquanto,

nosso abate de búfalos resume-se

em 15 animais a cada 2 meses.

No Estado de Alagoas, outro que organizou

a seu modo a venda de carne de búfalos,

foi o bubalinocultor Alberto Couto.

Sua atividade principal é a produção de leite,

toda utilizada na fabricação de diversas

qualidades de queijos. Tem um ponto de

venda, denominado Búfalo Bill, bem próximo

à sua fazenda, nas margens da rodovia

BR101, em São Luiz do Quitunde, onde

comercializa além de seus queijos, a carne

de búfalos, e gama variada de embutidos

de sua fabricação, maximizando com um mix

variado, a agregação de valor à sua produção.

Seu ponto de venda já se tornou tradicional

em sua região, muito devendo seu

sucesso, ao rígido controle de qualidade

que Alberto impõe a seus produtos. Ele vem

adotando a estratégia de vender seus animais,

logo na desmama a um de seus vizinhos,

com a garantia de recompra quando

estiverem prontos para serem abatidos. Não

exercendo a atividade de engorda, alivia

suas pastagens, melhorando assim a produtividade

de leite em sua fazenda.

No Estado do Rio Grande do Norte,

Francisco Veloso empreendeu por algum

tempo a tentativa de colocar diretamente a

carne de búfalo, no mercado :

“Nosso projeto com búfalos iniciou na

Fazenda Tapuio em 2002, substituindo a

recria e engorda que fazíamos à pasto. No

final deste mesmo ano, começamos a produção

artesanal de queijos bubalinos, pas-

sando a colocá-los nas lojas onde tínhamos

relacionamento comercial, decorrente

da venda de ovos, ainda hoje, nossa principal

atividade. Com a chegada dos queijos

nas gôndolas dos supermercados, passamos

a ser cobrados também pela oferta de

carne, o que não fazia parte de nossos objetivos

iniciais. Nosso primeiro cliente foi o

Carrefour – Natal, onde eram

comercializados cerca de 5 a 7 búfalos, por

semana, sempre vendidos de forma casada,

ao preço CEPEA – ESALQ mais 5% para

carcaça fria. Fizemos tudo que estava a

nosso alcance para divulgação da carne

de búfalo: Baner’s, folder’s, abordagens, e

degustação de carnes todas às sextas e sábados.

Havia clientes fiéis, que procuravam

regularmente a carne de búfalo, mas

os custos elevados ocasionados pela pequena

escala, destacando-se os fretes semanais

de animais vivos para o frigorífico,

e das carcaças ao supermercado, bem como

a dificuldade de auferirmos preços justos

para os couros, acabaram por inviabilizar

o processo. Na mesma ocasião houve também

grande interesse manifestado pela rede

Bompreço, na compra exclusiva dos cortes

considerados nobres, mas as dificuldades

com a venda dos dianteiros, agravariam

ainda mais o processo.Quem sabe, em um

futuro próximo......”

No Pará, a criação do projeto do Baby

Búfalo, encabeçado e conduzido por Mario

Martins Filho, vem conseguindo

desmistificar o preconceito contrario que

existia, contra a carne de búfalo. Esse projeto

teve inicio em 1999, quando a APCB, através

do Próbúfalo, incentivou

bubalinocultores de Marajó, a trazerem seus

bezerros desmamados para o continente,

onde se conseguiria um melhor crescimento

e acabamento. Uma parceria foi firmada com

a rede dos Supermercados Nazaré, garantindo-lhe

a exclusividade na comercialização do

Baby Búfalo. O projeto foi alavancado através

de uma campanha publicitária junto aos

meios de comunicação, e para satisfazer a

demanda de carne por outros supermercados,

posteriormente foi criada a marca Novilho

Búfalo, que hoje é comercializada em to-


dos grandes supermercados de Belém.

Para resolver o problema de

comercialização dos dianteiros, foram feitos

testes e pesquisas visando a produção

de embutidos como salames e lingüiças,

com ênfase nos produtos light como lingüiça

e mortadela sem gordura. Para iniciar

a produção o maquinário já se encontra

adquirido, apenas estando se aguardando

a liberação da Inspeção Estadual.

O abate semanal vem totalizando cerca

de 120 animais, incluindo os Baby Búfalos

(18 a 24 meses) e os Novilhos Búfalos (24 a

36 meses).

Para atendimento aos criadores, a empresa

empreendedora dos projetos também

vem abatendo algumas búfalas de descarte,

cuja carne é vendida a preços inferiores,

juntamente com a maioria dos dianteiros e

costelas dos Baby Búfalos, como carnes

de bovinos, em 2 açougues na feira de

Icoaraci, que é a maior feira fixa do Brasil.

Os produtores estão sendo remunerados

pelos seus animais com pequeno

deságio de 5% em relação ao preço praticado

para os bovinos, mas pode se considerar

que houve expressivo avanço nessa

área, uma vez que esse deságio antigamente

era bem maior. O consumidor, por sua

vez, está pagando nos supermercados, pelos

cortes dos traseiros, cerca de 10% a mais

do que os iguais cortes bovinos, sendo que

para os cortes de dianteiros, os preços são

equivalentes aos dos bovinos.

Os empreendedores do projeto afirmam

que no momento, entre as maiores dificuldades

encontradas está o imprescindível incremento

na produção do Baby Búfalo, visando

redução dos custos de produção bem

como atender a crescente demanda pelo produto.

Segundo o diretor industrial, Carlos

Francisco Gouveia Neto, a maior dificuldade

enfrentada para o aumento da produção,

reside nas adversidades de algumas regiões

do Pará, que restringem a terminação do

Baby Búfalo, a apenas algumas épocas do

ano. Fora o problema dos dianteiros que se

espera esteja em via de ser solucionado com

a industrialização já mencionada, Neto afirma

persistir o do couro, uma vez que o insuficiente

volume vem determinando baixos

preços de venda ( R$ 0,70/kg ), enquanto os

dos bovinos alcançam ( R$ 1,70/kg ), sendo

que no mercado internacional os couros

bubalinos são cotados a U$ 0,80/kg ).

Está também nos planos da empresa, a

criação em local nobre, de uma butique de

venda de todos sub-produtos do búfalo, onde

a carne se faria presente, embalada em peque-

nas porções, satisfazendo clientes exigentes

e enobrecendo ainda mais o produto.

Finalizando, podemos concluir que a

carne de búfalo vem tentando chegar aos

mercados consumidores de muitos estados

brasileiros, por meio de vários caminhos, e

nós, criadores ou simples admiradores dessa

espécie, devemos respeitar e render nossas

homenagens a todos aqueles que se

envolveram nesse trabalho.

Vitoriosos ou não, eles fazem parte da própria

história da bubalinocultura brasileira.

29


TRAPALHADAS DA VIDA...

Jonas Camargo Assumpção - SP

Ofato desta segunda edição do

Boletim do Búfalo estar publicando

uma ampla matéria sobre várias iniciativas

de comercialização da carne

bubalina, faz com que eu aproveite essa oportunidade

para contar aos amigos leitores

minhas desastradas “incursões” nessa área.

Há cerca de 15 anos atrás, pensando em

abrir uma refinada butique de carne de búfalo

em Campinas, de imediato concluí que

ela não poderia ser viabilizada ofertando

apenas as carnes nobres de churrasco.

Assim sendo, contratei uma empresa de

assessoria, que trabalharia em conjunto com

o ITAL ( Instituto de Tecnologia de Alimentos

), visando desenvolver formulações

e processos de fabricação de inúmeros embutidos,

inclusive determinando

percentuais de rendimento, apropriando

custos, etc. Todo esse trabalho levaria ao

estabelecimento do “mix” ideal de produtos

a serem oferecidos a consumidores exigentes,

e de alto poder aquisitivo.

Estabelecidos os objetivos, faço chegar

ao ITAL, 2 carcaças completas de animais

jovens de primeira qualidade, e fico na

esperançosa expectativa de que tudo deveria

correr a contento.

Aos poucos, as noticias começam a

chegar:

“A doutora fulana saiu de férias mas

seu caso foi passado para beltrana...”

“Estamos em falta com o condimento X

para processarmos Y...”

“Seria aconselhável produzirmos Z,

mas o equipamento disponível não está

funcionando adequadamente...”

E assim por diante...

Naquela época, meu filho André, que

estudava veterinária na UFMG – BH, veio

passar um fim de semana conosco, em Campinas.

No sábado, convidado por um conhecido

de alguém que era cunhado do primo

de um colega dele, acabou indo a uma

festa em uma “seleta” e bem freqüentada

“república” de universitários não menos

seletos....

No dia seguinte, ainda curtindo ressaca,

André me conta que o churrasco da fes-

ta foi feito com carne de nossos búfalos,

surrupiada do ITAL por um dos seletos

universitários festeiros que fazia estágio

naquele instituto... Pra meu consolo, André

completa: “A carne estava ótima. Fez o

maior sucesso... “

Não bastasse isso, alguns dias mais tarde,

minha mulher liga para meu escritório, e

com voz desesperada dispara a falar :

“Seus competentes assessores acabaram

de deixar aqui em casa um kit de produtos

feitos com a carne de nossos búfalos,

e me disseram que estavam com o carro

cheio deles, para imediatamente distribui-los

para degustação, em residências

pré-selecionadas. Contaram-me também

que cada kit seria acompanhado por um

questionário de avaliação, que seriam recolhidos

após 2 dias.”

Respondo-lhe: “Bom, e daí?”

Minha mulher: “E daí, que eu acabo de

abrir o tal kit que nos deixaram, e nem

pude acreditar no que vi. Ninguém pode

comer isto. É bolor por todo lado!”

Arrisco dialogar: “Você tem certeza de

que isso que você está vendo, é realmente

bolor?”

A resposta veio seca: “Deixe de perder

tempo fazendo-me perguntas e trate urgentemente

de correr para impedir a degustação!”

Graças ao advento do “celular”, consegui

impedir a entrega dos produtos que

comporiam o mix de nossa butique, a qual

foi sepultada antes mesmo de nascer....

Alguns anos se passaram e a poeira foi

baixando...

Acabei convencendo 2 estabelecimentos

varejistas de Campinas a fazerem experiências

de venda com carne de nossos

queridos búfalos. Propositalmente optei por

varejos bem distintos, pois assim eu teria

uma visão mais ampla a respeito da aceitação

da carne de búfalo. O primeiro era um

supermercado tradicional, cuja clientela era

de classe média. O segundo, uma sofisticada

casa de carnes que atendia clientes não

menos sofisticados. Pedi ao Renato, atual

Diretor de Registro da ABCB que me aju-

dasse na empreitada. Imprimimos panfletos,

rótulos, contratamos churrasqueiro

paramentado com bombachas gaúchas,

para “pilotar” churrasqueira com fins

degustativos....

Tudo organizado, entrego simultaneamente

aos 2 estabelecimentos, carcaças de

búfalos escolhidos no capricho.

Na véspera, ligo aos amigos, pedindolhes

apoio à minha causa. Deveriam ir a qualquer

um dos pontos de varejo, provar a

carne, elogia-la em voz alta, e ao compra-la

deveriam indagar se na próxima semana

voltariam a encontrá-la nos balcões. Estava

tranqüilo, pois tudo corria as mil maravilhas,

até que....

Um desses “bons amigos”, liga ao supermercado,

perguntando se já estavam

vendendo carne de búfalo, e qual o preço

de uma determinada peça. Recebe a resposta,

mas ao sair de seu consultório, resolve

comprá-la na casa mais sofisticada.

Já no interior da butique, ao saber que a

tal peça estava sendo vendida por quase

o dobro daquele praticado pelo supermercado,

imediatamente arma o maior “barraco”

no meio de toda requintada freguesia

presente na butique. Diz que aquilo era

roubo à mão armada, que no supermercado

X a mesma carne estava sendo vendida

por Y, e que tinha certeza que o produto

era o mesmo, pois era amigo do dono dos

búfalos, etc e tal.

Sem saber de nada, chego na minha casa

tranqüilo, feliz com o andamento do experimento,

quando recebo um telefonema do

Renato:

“Jonas, o dono da butique acabou de

me ligar, puto da vida com o papelão que

um amigo seu acabou de aprontar lá, e também

com você pois não tinha sido informado

que iríamos entregar carne de búfalo

também no supermercado X. O homem está

super nervoso, dizendo que nunca mais na

vida quer ouvir falar de búfalo.”

Desta vez a poeira ainda não baixou por

completo, mas nem por isso deixo de rir

ao relembrar essas trapalhadas da vida.

Acho que sem elas a vida não teria a mesma

graça...

31


O búfalo já conquistou

seu espaço em Santa Catarina

Texto: Fabíola de Souza - Jornalista Mtb/SC 00197JP (Fonte: Site ABCB e ACRIBÚFALO - SC)

Na década de 30 chegaram a Santa

Catarina os primeiros exemplares de

búfalos. A criação desses animais

rústicos e esquisitos iniciou com João de

Araújo Vieira, em 1930, no município Lages,

no Planalto Serrano catarinense. Outro entusiasta

de búfalo em Santa Catarina foi

Abelardo S. da Silva, criador por mais de 35

anos. Dono do frigorífico Santos, seu

Abelardo conhece como ninguém todo o

processo da cadeia produtiva deste animal,

do pasto à venda final ao consumidor.

Também foram pioneiros na criação de

búfalos no estado, as famílias Martins,

Amboni, Becker e Koerich. Eles não só

transferiram a responsabilidade para seus

descendentes de manter viva a tradição na

lida com búfalos, como também despertaram

nas gerações futuras o prazer de conviver

com estes animais rústicos e “feios”.

De avô para neto, de neto para filho, o

rebanho catarinense de búfalos foi crescendo

gradativamente e hoje conta com mais

de 60 mil cabeças. O maior rebanho do litoral

catarinense está nas mãos da família

Martins, cuja criação iniciou com Ciniro Luiz

Martins Ribeiro (ex-presidente da

Acribúfalo/SC). Junto com Orlando Becker

e Orlando Koerich, seu Ciniro foi insistente

e levou em frente sua paixão pelo animal.

Fundação da ACRIBÚFALO foi um

marco histórico na agropecuária

catarinense

Fundada em 1979 com o principal objetivo

de incentivar a bubalinocultura

catarinense, a ACRIBÚFALO/SC modificou

o contexto agropecuário catarinense que

até então não (re) conhecia este segmento

no estado. Com muita persistência e objetivos

definidos a Associação se consolidou

e hoje conta com oito Núcleos Regionais.

Mas a trajetória não foi fácil. Durante todo

este período a Associação buscou organizar

os criadores, defendendo os interesses

dos criadores de búfalos e promovendo a

união dos associados. A tarefa de convencer

os produtores de búfalos de que estavam

fazendo um bom investimento no campo

foi uma das mais difíceis. Muitos não

acreditaram e até desistiram do empreendimento.

Outros, porém, com mais visão no

futuro, preferiram apostar mesmo com todo

o preconceito que existia em torno destes

animais. Hoje, aqueles que apostaram no

búfalo, não se arrependem, pois o búfalo

está cada vez mais sendo reconhecido e

respeitado no setor agropecuário

catarinense.

Para consolidar o búfalo no mercado e

exigir respeito dos demais criadores do campo

foi preciso realizar diversas atividades

em busca do aprimoramento técnico-científico

da espécie e o incremento do mercado.

Até vender carne de búfalo como se

fosse de boi era considerado normal até

pouco tempo para alguns criadores. Mas

esta fase parece que está chegando ao fim.

Graças à “teimosia” de alguns criadores, a

carne de búfalo vem sendo cada vez mais

aceita no mercado e apreciada por consumidores

mais exigentes. Até porque o valor

nutritivo da carne de búfalo está sendo

bastante divulgado e adotado por aqueles

que preferem menos gordura e colesterol e

mais proteína.

Trabalho de marketing contribuiu

para divulgação do búfalo no

Estado

Após muitos anos de resistência e insistência,

os criadores de búfalos de Santa

Catarina decidiram partir para um

marketing mais agressivo no mercado. Por

volta de 1995 a Associação iniciou um trabalho

de divulgação dos benefícios do

búfalo, ainda que tímido. A partir de 2000 a

publicação de boletins informativos passou

a ter uma periodicidade regular. A distribuição

dos materiais gráficos atingia os

variados eventos agropecuários e estabelecimentos

comerciais.

Na avaliação dos criadores havia chegado

a hora de assumir de fato a condição

de criador, sem temer a concorrência. O resultado

do marketing direto, mesmo em pequena

escala devido à limitação financeira

da Associação, mudou a realidade dos criadores.

A partir de então a mídia passou a

divulgar com mais freqüência os eventos

específicos do búfalo. As festas passaram

a ser notícias de jornais de grande circulação.

O búfalo agora já não estava mais no

anonimato, nem seus criadores.

Parcerias e agradecimentos

especiais

A parceria com empresários, criadores e

órgãos públicos foi essencial para manter

viva a tradição. Com a Secretaria Estadual

da Agricultura foi acertada a inclusão, no

próximo censo rural catarinense, das propriedades

de criadores de búfalos, a localização

e o rebanho. Tudo isso será cadastrado.

O Icepa, um instituto vinculado a

Secretaria da Agricultura, também passou

a divulgar diariamente o preço da arroba do

búfalo em seu relatório, disponibilizando via

internet.

O atual presidente da Acribúfalo/SC,

Carlos Marin, afirma que sem a obstinação

de alguns criadores e parceiros a Associação

não teria se consolidado e o búfalo teria

sido coisa do passado. “Peço desculpa

se esqueci algum nome, mas estas pessoas

abaixo relacionadas merecem toda nossa

admiração e eterno agradecimento pelo que

fizeram ou ainda estão fazendo pela

bubalinocultura catarinense”, enfatizou

Marin.

Ele lembrou ainda que um dos

divulgadores da carne de búfalo é o dono

da churrascaria Meu Cantinho, de São José,

Fabrício Barbi, que há muito tempo mantém

regularmente em seu cardápio esta exótica

e deliciosa carne.

“Merecem todo nosso agradecimento

as seguintes pessoas que tanto fizeram e

ainda continuam fazendo em prol da

bubalinocultura”: Odair Knoblanc, Alfredo

Zeferino, Antônio César Martins, Ademir

João Vieira, Luiz Inocentti, José Negreiros,

Arno Manoel Philippi, Túlio R. Martins (in

memorian), Leonardo Martins, Rui O.

Koerich, Luiz Salvador, Wilson Santa

33


Catarina, Luiz Alberto Rodrigues e Marco

Tadeu (Tadeuzinho) de Lages. Agradecemos

também Júlio César Terra (Cow Boy),

que atualmente é patrocinado pela Associação

para participar em competições em

rodeios, Mário Coelho que foi o responsável

pela organização da 1ª. Festa do Búfalo,

hoje na sua 6ª. edição. Outro parceiro da

Acribúfalo/SC é Leonardo Martins, responsável

pela coleta de sêmen de búfalo, cujo

trabalho tem agradado muito os criadores.

ACRIBÚFALO/SC aposta na

inseminação artificial

Para organizar o processo reprodutivo

do rebanho de búfalo em Santa Catarina, a

ACRIBÚFALO/SC firmou uma parceria com

um inseminador artificial (IA), Oscar

Nazareno de Sousa. O principal objetivo é

viabilizar uma boa genética do rebanho e

consequentemente assegurar retorno financeiro

aos criadores. “A inseminação artificial

evita problemas de consangüinidade

dos animais evitando anomalias”, explica

Souza. O técnico irá prestar serviço coletivo

a grupos de criadores formados pela

Associação.

Preocupação com o meio ambiente

A Acribúfalo/SC mantém uma constante

preocupação com a preservação do meio

ambiente. O exemplo mais recente é a

integração com alguns proprietários de terra

da região de Urubici em defesa de um

verdadeiro santuário da natureza, o Campo

dos Padres. Localizada a 1.800 metros acima

do nível do mar, esta área está sendo

alvo de cruel degradação ambiental.

De maneira irresponsável alguns proprietários

de terra estão plantando

indiscriminadamente pinus sobre o solo

rochoso, ameaçando inclusive uma das nascentes

do rio Canoas, o principal afluente

da bacia do Uruguai. O pior disso tudo é

que não existe nem mesmo uma licença

ambiental para agir desta forma. Por estar

situado dentro do que deveria ser o Parque

Nacional de São Joaquim, o Campo dos

Padres é um nicho da natureza desprovido

de fiscalização. A Acribúfalo/SC se junta

aos defensores e acompanha na Justiça a

tramitação de ações populares, embargos e

outros recursos jurídicos para barrar o avanço

destrutivo da monocultura do pinus nesta

região.

Baby Búfalo da Neve Orgânico tem

menos gordura e mais proteína

O Baby Búfalo da Neve Orgânico é resultado

de uma experiência com animais

criados em ambiente de baixa temperatura.

Apesar do frio intenso, o Búfalo da Neve

vem conseguindo uma maior velocidade de

crescimento e volume de produção com

34

menor custo por ser orgânico. O resultado

pode ser comprovado na carne através da

maciez e sabor, além dos valores nutritivos

agregado.

O pioneiro nesta experiência é Arno

Manoel Philippi (ex-presidente da

Acribúfalo/SC) que iniciou

a criação de búfalos

em Santa Catarina há mais

de 12 anos, com 10 fêmeas

e um touro reprodutor.

Segundo explica Arno, os

animais são submetidos à

temperatura que pode

chegar a 14 graus abaixo

de zero. O local onde cria

os búfalos, da raça

Murrah, fica no ponto

mais alto do Sul do Brasil,

entre os municípios de

Urubici e Bom Retiro, a

1800 metros acima do nível

do mar.

Segundo o criador, a

produtividade do rebanho se deve ao melhoramento

genético aplicado nos últimos

10 anos, além da pastagem utilizada que é

extensiva (pasto nativo). “Todos estes procedimentos

têm garantido mais resistência

e rusticidade aos animais, mesmo sendo

uma alimentação de baixo valor nutritivo”,

explica Arno.

Em sua opinião, pode estar surgindo

uma raça brasileira de búfalos altamente

resistente ao frio, cuja média de parição

chega a 80%. O animal fica pronto para o

abate entre 12 a 14 meses com um peso de

aproximadamente 350 quilos, acrescenta

Arno.

Búfalo inserido em projeto

ambiental

Em Garopaba, no litoral sul de Santa

Catarina, a 70 km de Florianópolis, o búfalo

está inserido num projeto ambiental – Gaia

Village - que atua em diversas linhas cuja

finalidade é descobrir alternativas sustentáveis.

Numa área de aproximadamente 12

hectares são adotadas diversas medidas

ecologicamente corretas que têm proporcionado

ao búfalo uma pastagem de qualidade

e consequentemente animais com mais

qualidade. “A diversidade das espécies

gramíneas melhora a saúde do rebanho”,

explica o administrador da fazenda, Dolizete

Zilli. Segundo ele, o projeto tem apresentado

resultados bastante positivos e o búfalo,

por ser um animal rústico e menos exigente,

é um bom excelente do que se pode

realizar dentro da produção orgânica de um

modo geral. A pastagem pastoreio voisin é

um processo natural que vem dando bons

resultados no campo junto aos animais. “E

o grande responsável por isso é o Engenheiro

Agrônomo Abdon Schmitt”, ressalta

Zilli. Ele observa ainda que no conjunto

de medidas a homeopatia aplicada aos animais

também tem seu destaque. “Não usamos

nenhum tipo de produto químico. Aqui

tudo é natural”, finaliza.

Milhares de catarinenses aprovaram

a carne de búfalo em eventos

organizados pela Associação

Várias pessoas experimentaram pela primeira

vez a carne de búfalo nos eventos

organizados pela ACIBÚFALO/SC. Foram

mais de 10 eventos realizados no estado no

ano passado, onde o búfalo foi a principal

estrela.

Já constam no calendário dos criadores

a festa chamada Noite do Búfalo. Outro

evento que fez grande sucesso foi a Festa

do Baby Búfalo, na Associação Catarinense

de Medicina (ACM).

O mais tradicional encontro dos criadores

e admiradores de búfalos é a Festa do

Búfalo, realizada todos os anos em

Florianópolis, que costuma reunir mais de

mil pessoas. Além de participarem das atividades

organizadas pela Acribúfalo/SC, os

criadores marcaram presença também em

outras festas agropecuárias catarinenses.

“O crescimento da participação dos criadores

em feiras agropecuárias e eventos

afins é um sinal da aceitação do búfalo no

mercado e na sociedade”, acredita Ademir

Martins (ex-presidente da Acribúfalo/SC).

Segundo ele, até pouco tempo o búfalo era

discriminado na pecuária local. Agora, segundo

avalia, não existe mais a ameaça da

concorrência com outros animais.

Laticínio Natura é o pioneiro em

Santa Catarina na fabricação de

queijo mussarela

O Laticínio Natura, localizado em

Biguaçu, é o principal processador de

lacticínios derivados de leite de búfala da


Grande Florianópolis. O proprietário, Wilson

Santa Catarina (também ex-presidente

da Acribúfalo/SC s), garante uma fabricação

diária chega a 100 kg de queijo e 300

litros de leite bovino, tipo C. Para produzir

os queijos, ele compra o leite de fornecedores

da região, pois não cria os animais em

sua propriedade. Além do queijo de búfala,

Santa Catarina também processa o leite de

cabra e de bovino, com uma produção média

de 500 a 1000 litros de leite por dia.

Todos os produtos produzidos em seu

lacticínio são distribuídos nos supermercados

e estabelecimentos gastronômicos de

Florianópolis e região. Segundo Santa

Catarina, são produzidos mussarela, minas

frescal de búfala e bovino, minas frescal de

cabra, provolone de búfala e queijo prato.

“Toda a produção do meu lacticínio tem

mercado garantido, mesmo assim estamos

pretendendo expandir a produção porque

a demanda existe”, afirma.

Fornecedores querem mais estabilidade

no mercado

Apesar da carne de búfalo ter bastante

aceitação entre os consumidores, os fornecedores

ainda reclamam da inconstância na

distribuição dos produtos. A falta da carne

em alguma época do ano tem causado uma

insegurança para os atacadistas e donos

de restaurantes da grande Florianópolis. O

dono do Supermercado Suprimas, Luiz Antônio

Salvador é um dos poucos comerciantes

da grande Florianópolis que insiste

em vender a carne de búfalo, apesar da dificuldade

na distribuição.

Admirador da carne de búfalo, Salvador

afirma que está faltando mais organização

e regularidade no fornecimento. Muitas

vezes ele fica sem a carne para oferecer

aos seus clientes, o que cria um mal estar. O

mesmo não acontece com outros tipos de

carne, a exemplo da de boi, por exemplo.

Isso tem causado frustração quando o cliente

pede a carne de búfalo e não tem no

supermercado para vender. Para amenizar

este problema, muitas vezes Salvador compra

carne do Rio Grande do Sul.

O dono do restaurante Meu Cantinho,

Fabrício Barbi, que é um grande admirador

da carne de búfalo, reclama também da regularidade

na distribuição da carne de búfalo

em sua churrascaria. Localizado num

bairro próximo a capital catarinense, seu

estabelecimento é conhecido como local de

carnes exóticas. Segundo ele, já existe uma

clientela que pede carne de búfalo, mas nem

sempre pode disponibilizar por causa da

falta do produto. Em função disso, ele já

pensou inclusive em retirar do cardápio a

carne de búfalo para evitar constrangimento

com seu cliente.

Cooperativa será a grande alternativa

para cadeia produtiva de

búfalos

Diante das dificuldades na distribuição

regular da carne de búfalo em Santa

Catarina, os criadores já discutem alternativas

para amenizar este problema. A mais

viável no momento, e que já está tomando

forma, é a criação de uma cooperativa.

Antes, porém, de se organizarem em

cooperativa, os criadores de búfalos tiveram

que quebrar uma barreira que eles mesmos

criaram. Assumir de fato a condição de

criadores de búfalos e vender a carne não

mais camuflada de boi. A questão era até

cultural, mas já houve avanço.

Outro benefício para consolidar a distribuição

da carne foi a inclusão do preço

diário da arroba do búfalo nas publicações

da Secretaria Estadual da Agricultura, através

de uma de suas empresas, o Icepa. A

partir deste procedimento houve um

realimento dos preços no estado e

consequentemente um aumento na demanda.

Até porque os criadores passaram a ter

um referencial de preço a exemplo do que

acontece para outros animais.

Cooperativa será criada em parceria

pública privada

A criação da cooperativa será possível

com a parceria da Prefeitura Municipal de

São José, município vizinho de

Florianópolis. As negociações em torno de

incentivos já estão em discussão. Uma das

alternativas oferecidas pela secretaria municipal

da agricultura seria disponibilizar um

espaço físico, neste caso o Ceasa, para

escoação dos produtos, seja a carne ou o

leite e seus derivados.

Na avaliação do ex-presidente, Ademir

Martins (Tito) esta parceria irá proporcionar

um salto na organização dos criadores.

O primeiro benefício será a elevação do preço

da carne que chegará ao patamar justo

no mercado. “Até agora a carne de búfalo

era vendida mais barata, mesmo sendo mais

nobre em relação a outras”. “E só por este

motivo deveria ser mais cara e valorizada

no mercado”, explica Tito.

Segundo ele, a criação da cooperativa

de criadores de búfalos, com apoio do po-

der público, é uma alternativa inédita no

Brasil. “Não sabemos de nenhuma cooperativa

de criadores de búfalos que surgiu

com este tipo de parceria”, ressalta Tito.

Na sua avaliação, todos, criadores e sociedade,

ganharão com mais este produto

disponibilizado no mercado.

“O consumo já aumentou muito em Santa

Catarina e as perspectivas são positivas

quanto ao crescimento da demanda no estado”,

aposta o ex-presidente da

ACRIBÚFSALO/SC.

Búfalo na merenda escolar

As negociações com a Prefeitura Municipal

de São José vão além da criação da

cooperativa. Criadores e Secretaria Municipal

da Agricultura discutem a inclusão da

carne de búfalo e do leite de búfala na merenda

escolar. “Diferentes de outras carnes

ou leites, os produtos derivados do búfalo

disparam quando o quesito é valor nutritivo”.

As vantagens começam quando a carne

de búfalo apresenta 40% menos

colesterol que a carne de boi e 12 vezes

menos gordura. “Isso sem contar que é tem

55% menos caloria e 11% a mais de proteínas

e 10% a mais de sais minerais”,

exemplifica Tito.

Quanto ao leite de búfala em relação ao

da vaca, tem mais proteína, mais lipídio, mais

lactose, menos água e menos colesterol. Ou

seja, o leite de búfala é mais nutritivo e saudável

para as crianças. “Não é a toa que 7%

de todo o leite consumido no mundo é de

búfalas”, acrescenta Tito.

Segundo Tito, programas semelhantes

já são adotados em outros estados, onde a

preocupação com a saúde das crianças sensibilizou

os órgãos públicos.

Programa de novilho precoce

poderá ser estendido ao búfalo

A Secretaria Estadual da Agricultura de

Santa Catarina poderá incluir os búfalos no

Programa de Apoio à Criação de Gado para

Abate Precoce. Para isso é preciso que o

Ministério da Agricultura inclua os búfalos

na portaria do novilho precoce que já existe.

Neste caso os criadores de búfalos passariam

a ter o mesmo tratamento dos criadores

de bovinos.

Várias reuniões já foram realizadas entre

os criadores de búfalos de Santa

Catarina e órgãos do governo para viabilizar

este procedimento. “É só uma questão de

tempo”, acredita Ademir Martins, ex-presidente

da ACRIBÚFALO/SC.

35


Os Búfalos e a Expointer

Antonio Carlos Trierweiler - Vice-Presidente da ASCRIBU

Entre os dias 28 de agosto a 5 de setembro

de 2004, aconteceu a 27ª

EXPOINTER, no Parque de Exposições

Assis Brasil, em Esteio/RS, que mais

uma vez cumpriu a tradição da mostra, de a

cada ano, superar a edição anterior. Durante

os nove dias da mostra, mais de 720 mil pessoas

visitaram a EXPOINTER, e mais uma

vez, os búfalos foram bem representados,

tanto na quantidade como na qualidade dos

animais. Foi uma semana repleta de atividades

e eventos voltados à bubalinocultura:

na segunda-feira(30/08), aconteceu o julgamento

de classificação das raças bubalinas

Mediterrâneo, Murrah e Jafarabadi e teve

como jurado o Prof. Dr. Alcides de Amorim

Ramos; na terça-feira (31/08), ocorreu a pa-

lestra “Como iniciar sua criação de búfalos”

e “O Búfalo e sua tríplice aptidão: carne, leite

e trabalho” ministrada pelo Médico Veterinário

Antonio Carlos Trierweiler no espaço

SENAR-RS. Já na quarta-feira(1º/09) ocorreu

a Mesa Redonda entre Técnicos e Criadores

com Discussão sobre Mochamento e

Vermifugação em Búfalos, que teve como

moderadores os Médicos Veterinários Marco

Antônio Mayer Rosa e Antonio Carlos

Trierweiler, na sede da ASCRIBU.Na quintafeira(2/09),

no auditório da FEDERACITE, às

16:00h ocorreu a Palestra do Prof. André

Mendes Jorge da Universidade Estadual

Paulista-UNESP, sobre Produção de Carne

Bubalina. No mesmo local, ocorreram os “Depoimentos

de Produtores sobre

Comercialização da Carne Bubalina no Interior

do Estado”, ocasião em que o Presidente

da ASCRIBU o Sr. Celestino Goulart Filho

relatou a sua experiência exitosa em

Caçapava do Sul.Em seguida, já na sede da

ASCRIBU, houve a Inauguração da Galeria

de Fotos das Cabanhas Expositoras e o lançamento

dos livros “Resumo de Pesquisas”

e “Palestras” de autoria do Prof.Alcides de

Amorim Ramos-UNESP-Botucatu SP, com

sessão de autógrafos.

Às 20:30 horas iniciou o “Leilão Show”,

com uma magnífica apresentação de Dança

Flamenca. A comercialização dos animais

ocorreu dentro do esperado, considerando

a atual conjuntura da pecuária gaúcha. Na

sexta-feira(3/09), pela tarde, aconteceu a

Mesa Redonda entre Técnicos e Criadores

com Discussão sobre a Viabilidade Econômica

de laticínio de Leite de Búfalas e a

Comercialização da Carne Diretamente ao

Consumidor, e teve como Moderador o sr.

Alberto Couto, de Alagoas, que acabou dando

uma verdadeira aula sobre a arte de vender.

E todas estas atividades foram

abrilhantadas com presenças ilustres como

a do Presidente da ABCB Dr. Otávio

Bernardes e a delegação de criadores do

estado da Bahia.

Esperamos que esta 27a EXPOINTER

seja superada pela 28a, mantendo a tradição

da mostra...

Bubalinocultura das Meso-regiões do Triangulo

Mineiro/ Alto Paranaíba e Noroeste de Minas.

Machado, Théa Mírian Medieros, Martins, René Galvão Rezende

Para diagnóstico da bubalinocultura

procurou-se conhecer aspectos referentes

ao produtor, ao estabelecimento,

ao rebanho e ao mercado, através de entrevistas

ao produtor. O número médio de

cabeças bubalinas/rebanho foi de 92. Foram

encontrados animais das raças: Murrah, Mediterrânea

e seus mestiços. A maior parte dos

bubalinocultores visava a produção de leite

de búfala, com uma ordenha/dia. As fazendas

medem, em média, 461 hectares (ha), com

os búfalos ocupando 78% da área. Os pastos

são mais freqüentemente de Brachiarão

e de Brachiarias. As capineiras estão presentes

em 64% e a cana-de-açúcar em 53%

das fazendas, com cerca de 7 ha de cada uma

Confraternização durante 27ª EXPOINTER.

destas culturas/fazenda. As cercas e as instalações

são, na maior parte, inadequadas

para bubalinos. A identificação dos animais

está presente na maior parte (71 %) das fazendas,

mas a escrituração zootecnia em

apenas 12% delas. As parições estão concentradas

no primeiro semestre do ano. Os

bubalinocultores realizam controle das

endo/ectoparasitoses. As vacinações são

realizadas em menor escala que o preconizado

pelos órgãos responsáveis pela saúde

animal. O bubalinocultor tem em média

49 anos de idade e está, em média, há 14

anos na atividade. Ele tem um grau de instrução

superior à média dos ruralistas brasileiros.

Comercializam búfalos para abate

76% deles, ¼ destes pelo preço pago pela

arroba de vaca, os demais recebem o preço

pago pela arroba de boi. Transformam, o

leite na propriedade, 30% dos produtores.

Daqueles que entregam o leite bubalino aos

laticínios, 60% são mais bem remunerados

que o valor usualmente pago pelo leite bovino.

Apesar da pequena expressão numérica

das mesorregiões estudadas, a

bubalinocultura representa ora a principal

fonte de renda, ora fonte de renda complementar,

ora agrega valor à produção através

da venda de produtos derivados ou

ainda quando o produtor coloca seu produto

diretamente para o consumidor (açougues

e mercados).

37


Constituição físico-química, celular e microbiológica do leite de

búfalas (Bubalus bubalis) criadas no Estado de São Paulo

BASTOS, P. A. S. Tese Doutorado em Clínica Veterinária) – FMVZ-USP 2004

Utilizando 98 búfalas adultas e lactantes,

da raça Murrah, foram colhidas 1.176 amostras

de leite (de glândulas mamárias que não apresentavam

sinais de processo inflamatório ou tivessem

sido submetidas a tratamento

intramamário).

Para amostras dos primeiros jatos da ordenha

os valores encontrados, segundo as fases de

lactação (inicial, intermediária e final) foram respectivamente:

para o pH - 6,89; 6,85 e 6,9;

para a eletrocondutividade - 3,82; 4,02 e 4,49

mS/cm; para os teores de cloreto - 18,21; 20,13

e 26,49 mg/dl; para os teores de gordura - 4,25;

3,70 e 3,56 g/dl; para os teores de proteína -

3,97; 4,03 e 4,5 g/dl; para os teores de lactose

- 5,11; 5,08 e 4,81 g/dl; para os teores de

sólidos totais - 14,55; 13,88 e 13,93 g/dl e para

o número de células somáticas - 29.000; 29.000

e 16.000 cel/ml.

Os escores do CMT (negativo, traços, 1+ e

2+), aumentavam, gradativamente, com o evoluir

da fase da lactação e, a eletrocondutividade,

o teor de cloreto e o número de células somáticas

aumentaram de forma diretamente proporcional

ao aumento do escore do CMT; porém, ao

contrário, o teor de lactose diminuía. A variação

38

do escore do CMT não foi acompanhada de

modificações significativas dos teores lácteos

de gordura, proteína e de sólidos totais.

Amostras colhidas ao início da ordenha (primeiros

jatos) e ao final da ordenha (últimos jatos),

apresentaram os seguintes resultados: gordura:

3,90 e 8,9 g/dl; proteínas: 4,12 e 3,67 g/

dl; lactose: 5,02 e 4,64 g/dl; sólidos totais:

14,18 e 18,31 g/dl e; contagem de células

somáticas: 29.000 e 56.000 cel/ml.

Quanto ao tipo de ordenha (manual ou mecânica),

observou-se respectivamente, para:

eletrocondutividade - 3,89 e 4,14 mS/cm; número

de células somáticas - 22.000 e 32.000

CS/ml;

Ao se considerar a idade das búfalas verificou-se

que, com o progredir da idade a

eletrocondutividade e os teores de cloreto aumentavam,

mas, em contra posição os teores de

lactose diminuíram; não se observou alteração

significativa nos valores de gordura, sólidos totais,

proteína e pH lácteos.

As bactérias isoladas com maior freqüência

foram as dos gêneros: Corynebacterium sp

(28,5%); Staphylococcus sp (24,7%);

Streptococcus sp (15,8%) e; Actinomyces sp

(11,4%). O número de isolamentos bacterianos

aumentou, significativamente, com o evoluir da

lactação. Entretanto, o momento da ordenha não

influiu no número de isolamentos e evidenciouse

maior freqüência de isolamentos nas glândulas

posteriores do úbere.

No antibiograma das cepas de bactérias isoladas

foram utilizados os seguintes antibióticos

e quimioterápicos: cefalotina; cefoperazone;

cloranfenicol; cotrimoxa-zol; enrofloxacina;

estreptomicina; genta-micina; neomicina;

nitrofurantoína; oxa-cilina; penicilina e

tetraciclina. Entre os Corynebacterium sp, 47

cepas (61,03%) foram resistentes à

nitrofurantoína; 10 (12,9%) à oxacilina; 8

(10,38%) à estreptomicina e; 7 (9,09%) à

tetraciclina; sendo sensíveis aos demais

antimicrobianos testados. Os Staphylococcus sp

demonstraram, em 12 (26,66%) dos casos, resistência

a nitrofurantoína; em 2 (4,44%) à

tetraciclina e; foram sensíveis aos demais

antimicrobianos; os Streptococcus sp, com exceção

de 7 (25%), resistentes à ação da

nitrofurantoína, foram sensíveis aos demais

antimicrobianos utilizados.


Desempenho Ponderal de Búfalos da Raça Murrah

em Sistema Silvipastoril com Pastejo Rotacionado

Intensivo e Suplementação Alimentar

Santos, Núbia de Fátima Alves Santos; José de Brito Lourenço Jr.; Hugo Didonet Láu; José Ferreira Teixeira Neto

Os trabalhos foram conduzidos numa

área experimental na Unidade de

Pesquisa Animal “Senador Álvaro

Adolfo”, pertencente à Embrapa Amazônia

Oriental, Belém, Pará, composta de 5,4 hectares

divididos em seis piquetes de grama

estrela (Cynodon nlemfuensis), adubadas

com 300 kg/ha de fosfato natural reativo

(Arad) na implantação e manejada com cinco

dias de ocupação, 25 dias de descanso,

divididas com cerca elétrica, ao longo das

quais foram plantadas mudas de mogno africano

(Khaya ivorensis) e nim indiano

(Azadirachta indica), intercaladas quatro

metros, as quais são fertilizadas com adubos

químicos e orgânicos, visando promover

a ambiência animal e agregar valor à propriedade,

com uma área contendo bebedouro

e cocho coberto para suplementação alimentar

e mineralização dos animais.

Foram selecionados 25 machos desmamados

inteiros da raça Murrah, com idade

média de 258 dias (entre 213 e 303 dias),

provenientes de seis plantéis de

bubalinocultores do Estado, selecionados

com base em características raciais, escore

corporal, idade, controle genealógico e sanidade,

sendo mantidos em regime alimentar

semelhante, durante 294 dias, sendo 70

dias de adaptação e 224 dias de prova, tendo

sido submetidos a vermifugação prévia,

vacinação periódica contra febre aftosa e,

eventualmente, tratados contra ataque de

endo e ectoparasitos. Os animais foram

pesados no início e final do período de adaptação

e a cada 56 dias. Após o término da

prova, foram calculados o peso ajustado

aos 550 dias e o ganho de peso, durante os

224 dias, os quais foram transformados em

índices (60% para peso aos 550 dias e 40%

para ganho de peso durante a prova, para

indicação dos melhores animais. A forragem

disponível foi estimada duas vezes no

período mais chuvoso e duas no menos

chuvoso para a determinação da matéria

seca (MS), coeficientes de digestibilidade

“in vitro” da matéria orgânica (DIVMO) com

líquido ruminal de búfalo.

A disponibilidade de forragem foi, em

média, de 3.607 kg/ha na entrada dos ani-

mais e de 2.828 kg/ha na saída, suprindo as

necessidades mínimas exigidas pelos animais,

que é de 1.200 a 1.600 kg de MS.ha -1 ,

segundo Mott (1980) e os animais receberam

ração suplementar, com 14% de proteína

bruta – PB, em cocho coberto, mais água

e mistura mineral à vontade.

O desenvolvimento dos animais foi o

apresentado no gráfico ao lado e indicam

um ganho de peso médio diário de 0,790 (±

0,081) kg/animal, durante os 224 dias de

prova, tendo variado em média de 302 kg

ao início da prova para 479 kg ao final. Os

melhores animais foram enviados para coleta

de sêmen na Cebran.

Os cinco animais que mais se destacaram

apresentaram média de ganho diário de

0,906 kg/animal.

39


Utilização do leite de búfala na elaboração de

iogurtes e leites fermentados

Otaviano Carneiro Cunha Neto – FZEA-USP

Aprodução de iogurte se constitui

uma excelente alternativa para o

aproveitamento do leite de búfala,

embora possam ocorrer problemas na aceitação

do produto devido ao elevado teor

de gordura no leite original. O leite bubalino

e seus derivados apresentam teores mais

elevados de seus constituintes nutricionais,

conferem um maior rendimento, e podem

constituir uma fonte nutricional alternativa

e adequada na dieta humana para a população

Brasileira.

O elevado teor de gordura e proteína torna

o leite de búfala valioso para a produção

de produtos lácteos, tais como; queijos, leites

fermentados e iogurte, entre outros. Estes

componentes conferem um rendimento

industrial superior aos derivados lácteos de

leite de bubalino, quando comparado com

os de outras espécies de mamíferos.

A palavra yogurt é derivada de jugurt, termo

originário da Turquia que se consagrou

universalmente para denominar o produto

obtido a partir da fermentação do leite pelos

microrganismos Lactobacillus delbrueckii

subesp. bulgaricus e Streptococcus salivarius

subesp. Thermophilus.

O iogurte é o principal produto fermentado

a partir do leite in natura, sendo que

existem diversos tipos de leites fermentados

elaborados com leite de búfala, usualmente

produtos regionais, cujas características são

ajustadas de acordo com as preferências

locais.Na Bulgária, utiliza-se o leite bubalino

misturado ao bovino para a produção de um

tipo especial de leite ácido, denominado

kúselo mleko, elaborado com L. bulgaricus,

similarmente ao iogurte de leite de búfala

produzido na Itália. O natural yoch, bogurar

dohi, ou susu madu klenceng, são derivados

lácteos produzidos em Bangladesh, Ilhas

Fiji, e Indonésia. Na Índia, é elaborado um

produto com características semelhantes ao

iogurte, conhecido por dahi, podendo ser

utilizado como matéria-prima o leite de vaca,

de búfala ou o produto da mistura dos dois.

A elaboração de produtos fermentados com

leite bubalino é particularmente elevada na

Índia, o qual destina cerca de 7% do leite

bubalino à produção de um tipo de leite fermentado

denominado khoa, cujas características

de textura decorrem do alto teor de

gordura (7-8%) no produto, elaborado com

leite integral.

40

O iogurte pode ser classificado quanto

ao seu teor de gordura em: iogurte com creme

(mínimo de 6,0%), iogurte integral (mínimo

de 3,0%), iogurte parcialmente desnatado

(entre 0,5% e 2,9%), e iogurte desnatado

(máximo de 0,5%). Todavia, tanto no

Brasil, como no Mundo, a utilização do leite

bubalino para a produção industrial de

iogurtes tem sido pouco relatada na literatura.

Sabe-se que a utilização do leite

bubalino, incorporado ao leite bovino, para

a produção de iogurte, incrementa o sabor

e a consistência do produto do produto final.

Sugere-se que seja empregada a padronização

do teor de gordura do leite bubalino

para uma melhor assimilação de seus nutrientes,

havendo relatos de que o iogurte de

leite bubalino apresenta melhor aspecto

quando padronizado o ESD e a gordura, a

10% e 3%,respectivamente.

Pesquisas têm demonstrado que o iogurte

de leite de búfala, principalmente o

produto contendo 3,0% de gordura, apresenta

boa estabilidade ao longo do período

de armazenamento de 30 dias, não necessitando

na sua elaboração, do fortalecimento

adicional do ESD, o que representa

a obtenção de um derivado do leite bubalino

rentável do ponto de vista econômico. Outra

característica importante e peculiar ao

iogurte bubalino, é que o produto final apresenta

um corpo e uma textura mais firme

quando comparado com o iogurte elaborado

totalmente com leite bovino .

Outra característica importante no consumo

do iogurte de leite integral de búfala

é que este pode ser adicionado a frutas regionais,

dessa forma substituindo uma refeição

de crianças em idade escolar, por

apresentar um sabor agradável e com quantidade

suficiente de calorias necessárias a

alimentação das crianças.

Os níveis de proteína, gordura, e cálcio

do iogurte elaborado com leite bubalino são

maiores do que os níveis encontrados no

iogurte proveniente do leite bovino, respectivamente,

4,5% e 3,8%, 7,1% e 3,8%,

1,44% e 1,29%. A população microbiana de

Streptococcus salivarius ssp. thermophilus

e Lactobacillus delbruekii ssp. bulgaricus,

e a quantidade de acetaldeído, principal

substância que confere o sabor ao iogurte

tradicional não são alteradas com a adição

de leite de búfala ao leite bovino na elaboração

do iogurte.

O rendimento é uma característica importante

nos derivados produzidos com

leite bubalino, havendo em relação ao iogurte,

uma economia considerável quando

da sua utilização na elaboração do iogurte

tradicional. O produto não necessita de leite

em pó desnatado, ou mesmo de substâncias

de ação espessantes, rotinas

comumente usadas na elaboração de iogurte

com leite bovino com a finalidade de promover

uma maior viscosidade e textura.

No Brasil, o consumo interno de iogurte

aumentou, principalmente no período de

1994 a 1997, quando variou de 1,4 para 3,0

kg/habitante/ano, não havendo estatísticas

de produção e consumo de iogurtes exclusivamente

de leite de búfala.

Fluxograma de Fabricação de iogurte.

Condensado de “Utilização Artesanal de

Leite de Búfala” - Manual Técnico 3 –

ITAL – Izildinha Moreno

1 - Adicionar ou não leite em pó até 25%

visando obtenção de coágulo mais

firme.

2 - Aquecer entre 85-95 C por 15 minutos,

tempo suficiente para desnaturar 80%

das proteínas do soro, favorecendo

aumento de retenção de água no soro

e destruir substâncias inibidoras de

crescimento bacteriano presentes no

leite cru (como as aglutininas).

3 - Resfriar em água corrente até 45 C

4 - Adicionar fermento lático rapidamente

e de forma a evitar contaminações, nas

base de 1 a 3% (maiores quantidades

reduzem o tempo de coagulação), agitando

até homogeneizar a cultura.

5 - Incubar à temperatura de 42-45 C até

coagular

6 - Resfriar logo após e manter a temperatura

abaixo de 10 C, evitando que o produto

se torne excessivamente ácido e

que haja crescimento microbiano. (O desenvolvimento

de acidez no leite de

búfalas é menor que o de leite bovino, o

que permite uma maior conservação em

temperatura ambiente. Em temperaturas

menores (3-7 C) o produto pode ser conservado

sem perda de qualidade.

O fermento lático: usualmente composto

em mistura de Streptococcus

thermophilus e Lactobacilus bulgaricus

(que devem ser usados sempre na mesma

proporção).


Recomendações para Nutrição da Búfala Leiteira

Traduzido e adaptado por Otavio Bernardes

Em sua palestra por ocasião do 2º Encontro

Nacional de Bubalinocultores

em Salvador - 2004, o Prof. Giuseppe

Campanille afirmou que a produtividade da

búfala italiana se deu tanto por ganho genético

obtido através de processo seletivo

com base em controle produtivo, amplamente

disseminado naquele país, inclusive

com forte subsídio do governo e com a prática

de reposição média de 15% no rebanho

com filhas das melhores produtoras e, principalmente,

por uma melhora na alimentação

animal que permitiu, não só um aumento

quantitativo na produção leiteira, como

também na produção de sólidos, particularmente

gorduras e proteínas, fundamentais

para um maior rendimento na fabricação

de mozzarella.

Destacou ainda, a grande influência dos

fatores ambientais, nutrição, clima e técnicas

de manejo na produção leiteira das

búfalas. Quanto aos alimentos, ressaltou o

efeito negativo do excesso de fibras na dieta,

que limita a ingestão e digestão dos

alimentos. Discutiu as variações na demanda

energética com a fase de lactação e conclui

que as proteínas da dieta são o principal

limitante da produção no Brasil, em que

a alimentação se baseia principalmente no

consumo de pastagens, ressaltando que

neste caso, é imprescindível o concurso de

suplementação de concentrados tanto para

a expressão do potencial produtivo dos

animais, quanto para manutenção de sua

fertilidade lembrando porém, que seu uso

deverá ser avaliado à luz da sua relação

custo x benefício, já que o leite no Brasil

não é tão valorizado como na Itália.

Em função do interesse manifestado,

solicitou que traduzíssemos parte do trabalho

publicado em “Modelo di

Regolamento per la gestione igienica ed

alimentare dell’allevamento bufalino in

relazione alla produzione della mozzarella

di bufala campana DOP”, editado pelo

Consorzio per la Tutela Del Formaggio

Mozzarella di Bufala Campana” - 2002 - Diversos

autores, contendo as bases gerais

utilizadas para nutrição das búfalas leitei-

42

ras italianas, que fazemos a seguir.

É necessário ter em mente que nos primeiros

100 dias de lactação, pela menor

ingestão de matéria seca (fase catabólica da

lactação), é necessário fornecer alimentos de

maior densidade energética a fim de se obter

uma maior produção de leite e teores mais

elevados de proteínas e gorduras no leite,

sendo que dietas muito fibrosas (mais que

45% de FDN-Fibra em detergente neutro),

reduzem a produção de leite, aconselhandose

assim que nesta fase se forneça uma ração

com níveis de FDN entre 30 e 40%, de

carbohidratos não estruturais (CNE) entre

27 e 32% e carbohidratos de rápida fermentação

(amidos e açucares solúveis) em

percentual não superior a 23%.

Necessidades de Manutenção

(recomendações do INRA-Paris-1988)

Energia:

NDT (kg) = [0, 46875 x (Peso Vivo/100)] +

1,09375

Proteínas:

PB (g) = 0,85 x Peso Vivo , ou,

PD (g) = 0,60 x Peso Vivo

Cálcio:

Ca(g) = 6,5 g x (Peso Vivo/100)

Fósforo:

P (g) = 5,0 g x (Peso Vivo/100)

Obs. Aumentar em 10% a energia no caso de

estabulação livre, para atender a o maior dispêndio

energético e, para animais a pasto, aumentar de 20 a

60% conforme a declividade do terreno.

Necessidades de Produção NT

Os cálculos de necessidade de energia

são efetuados com base na produção

corrigida para energia (ECM), calculado

conforme a fórmula de Di Palo:

Leite ECM ={{[(gordura (g) - 40) + (proteinas (g) -

31)] x 0,01155} +1} x produção

De forma prática, podemos estimar que

o leite médio brasileiro corresponda a cerca

de 1,47 litros de leite ECM. (Dados de

Tonhati em São Paulo, com leite com 6,96%

de gorduras e 4,2% de proteínas)

Energia para produção:

NDT (kg) = Leite ECM x 0,3375

Proteínas para produção:

PB (g) = 2,84 x (g) PB em 1 litro de leite

Cálcio para produção:

Ca (g) = 6,7 g/kg leite produzido

Fósforo para produção:

P (g) = 2,3 g/kg de leite produzido

Magnésio para produção:

Mg(g) = 0,9 g/kg de leite produzido

Necessidades para Crescimento

Estimando a necessidade de ganho de

100 kg no ano ( 300 g/dia) para as primíparas

atingirem o peso adulto, recomenda-se

acrescentar na ração diária:

NDT (kg) = 0,82

PB (g) = 140

Ca (g) = 9,5

P (g) = 3,8

NT. No Brasil, onde a dieta é representada

principalmente por pastagens, tal recomendação

é de difícil execução posto que

nossas gramíneas possuem teores de FDN

bastante elevados, usualmente acima de

75% e que aumentam com o avançar da idade

da planta. Os concentrados usualmente

utilizados tais como caroço de algodão e

resíduo de cervejaria, possuem teores de

NDF em torno de 50%. Assim, somente com

uso de grãos (NDF em torno de 8-10%),

utilizados à razão de 50% da dieta total (base

na matéria seca) permitiria atingir os níveis

recomendados de fibras, resultando, porém,

numa maior quantidade de carbohidratos

do que aquela indicada. Deixamos esta discussão

para outra oportunidade

Exemplo de cálculo: Considerando um,

rebanho com peso médio de 650 kg, mantido

a pasto com topografia plana, com produção

média anual de 1.533 kg, ou seja, uma

média diária de 5,8 kg de leite com cerca de

6,96% de gorduras e 4,2% de proteínas (dados

de Tonhati-2001). As recomendações

seriam as seguintes.

Produção de leite padronizado (ECM)

1 litro leite = {[(69,6 - 40) + (42 - 31)] x 0,1155}

+ 1 = 1,47

Produção diária de leite ECM

1,47 x 5,8 = 8,53

Energia:

-Manutenção: [0, 46875 x (650/100)] +

1,09375 = 4,14 kg de NDT

-Acréscimo por estar no pasto; 20% = 0,83 kg

de NDT

-Produção: 8,53 kg de leite ECM x 0,3375 = 2,88

kg de NDT

Total diário de energia: 7,85 kg de NDT

Proteínas:

-Manutenção: 0,85 x 650 = 552,5 g

-Produção: 2,85 x 42 (g/l leite) x 5,8 lits/dia =

694,3 g

Total diário de proteínas: 1.246,4 g/dia

Cálcio:

-Manutenção: 6,5 x (650/100) = 42 g

-Produção: 6,7 x 5,8 lits/dia = 39 g

Total diário de cálcio: 81 g/dia

Fósforo:

-Manutenção: 5,0 x (650/100) = 32,5 g

-Produção: 2,3 x 5,8 lits/dia = 13,3 g

Total diário de fósforo: 46 g/dia

Obs. para conversão de UFL (Unidade

forrageira para produção de Leite), unidade

de medida de energia comumente utilizada

na Itália, utilizamos o fator de conversão

de 1 kg de NDT= 1,28 UFL.


Na atualidade existe tecnologia para a inseminação

artificial das búfalas durante todo o ano

Nelcio Antonio Tonizza de Carvalho e Pietro Sampaio Baruselli

Éde conhecimento dos bubalinocultores

e dos profissionais que traba

lham com a espécie bubalina, que os

búfalos possuem estacionalidade

reprodutiva, de forma similar ao que ocorre

com as espécies ovina e caprina, sendo os

búfalos poliéstricos estacionais de dias

curtos. Devido a esta característica, no centro-sul

do Brasil, onde existe variação anual

mais marcada na duração de horas de luz

conforme a estação do ano, é observada

uma maior concentração das manifestações

de cio nas estações de outono e inverno,

com conseqüente concentração das

parições no primeiro semestre.

Para criações voltadas à produção de

leite e para laticínios especializados em fabricação

de queijos especiais com leite de

búfala, a concentração das parições é um

fator indesejável. No final do ano, após a

desmama da maioria dos bezerros, ocorre

uma diminuição da produção de leite e uma

queda na entrega do produto no mercado,

comprometendo sua comercialização.

Devido a essa característica reprodutiva

e produtiva da espécie bubalina, o Departamento

de Reprodução Animal da Faculdade

de Medicina Veterinária e Zootecnia

da Universidade de São Paulo (VRA-FMVZ-

USP) junto à Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento

do Polo Regional de Desenvolvimento

Sustentável dos Agronegócios

do Vale do Ribeira(UPD-APTA) vem desenvolvendo

estudos para possibilitar a utilização

da inseminação artificial durante todo

o ano e, dessa forma, viabilizar a introdução

de material genético superior, distribuir

os partos e proporcionar uma produção de

leite mais uniforme.

Para tanto, foram desenvolvidos projetos

de pesquisa em propriedades nos Esta-

dos de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do

Sul. Os resultados dos primeiros trabalhos

(1997/1998) indicaram que os búfalos apresentam

eficiente resposta à sincronização da

ovulação para a inseminação artificial em

tempo fixo (IATF) durante a estação

reprodutiva favorável (outono e inverno). No

entanto, estes animais quando sincronizados

durante a estação reprodutiva desfavorável

(primavera e verão) apresentaram baixa

taxa de concepção à inseminação.

Somente em 2001, quando se utilizou o

protocolo à base de P4, BE, PGF a, eCG e

2

hCG, foi possível obter satifatória taxa de

concepção em búfalas sincronizadas e

inseminadas em tempo fixo durante a estação

reprodutiva desfavorável.

No entanto, os tratamentos para IATF

que apresentaram êxito fora da estação

reprodutiva favorável, são mais caros do

que os tratamentos utilizados no outono e

inverno. Nesse sentido, novos estudos foram

e estão sendo desenvolvidos visando

minimizar os custos dos tratamentos, tornando-os

mais acessíveis aos produtores,

sem comprometimento da eficiência.

Atualmente, os protocolos preconizados

para a IATF durante as estações

reprodutivas favorável e desfavorável estão

descritos nos esquemas abaixo.

O protocolo descrito para IATF na estação

reprodutiva favorável é conhecido

tecnicamente como “Ovsynch”. O primeiro

fármaco deste protocolo pode ser aplicado

em dia aleatório, desde que as fêmeas não

estejam gestantes, apresentem bom estado

de condição corporal e tenham parido a

mais de quarenta dias. Todas as injeções

devem ser realizadas com agulha 40x12 (via

intramuscular profunda) e com seringa de

graduação não superior a 5 ml (para aumen-

tar a precisão da dose). Os fármacos deverão

ser aplicados à tarde e a inseminação

deverá ser realizada pela manhã, 10 dias

após o início do protocolo (D10).

Para a desestacionalização, é utilizado

o protocolo que consiste na inserção

intravaginal de um dispositivo de

progesterona associado à injeção

intramuscular de benzoato de estradiol.

Nove dias mais tarde, aplica-se

prostaglandina e eCG, seguida pela aplicação

de hCG no D11. Com 16 horas do último

tratamento, realiza-se a IATF. Para a utilização

desse protocolo, deverão ser seguidas

as mesmas recomendações do tratamento

descrito anteriormente.

De posse desses conhecimentos, os

produtores possuem ferramentas para

incrementar o emprego da inseminação artificial

durante todo o ano, com vistas à

melhoria genética e à desestacionalização

dos partos e da produção de leite dos rebanhos

bubalinos.

A preços atuais, o custo de utilização

dos protocolos descritos no artigo são:

- estação reprodutiva favorável (outono

e inverno): R$ 12,00 por búfala.

- estação reprodutiva desfavorável (primavera

e verão): R$ 28,69 por búfala.

Esses valores são referentes apenas aos

fármacos necessários para a sincronização

da ovulação devendo ser acrescidos do

valor do sêmem que se situa entre R$ 13,00

à R$ 25,00 (valores em 02/2005).

Como a taxa de prenhez esperada em

cada um dos protocolos é de 50% por IATF,

isto é, de cada 100 búfalas inseminadas 50

se tornam prênhes, o valor total por prenhez

deve ser multiplicado por dois.

43


Influência do tipo de preparo de Carne Bovina

e Bubalina no teor de gorduras totais.

ALVES, A.C.O.1; ALVES, R.C.B.1; SANTOS, R.N.; NEVES, E.C.A.

Com o objetivo verificar a influência do

tipo de preparo de carne bovina e no teor

de gorduras totais, foram cortadas amostras

de contra-filé, com e sem gordura (retirando

toda a gordura aparente), em 3 pedaços

(início, meio e fim), e mais um segundo

corte foi feito, resultando em 4 partes de

cada pedaço para cada preparo respectivamente

assado, grelhado, cozido e frito.

Os processamentos para cada tipo de

carne foram:

- CARNE ASSADA: A carne foi cozida

em calor seco (forno) à 163o C, colocando-se

a carne diretamente na assadeira,

sem ser untada e ou água acrescentada.

Para avaliar o ponto final da

carne assada, a peça de carne foi perfurada

com um garfo até não visualizar

a liberação de líquido.

- CARNE GRELHADA: processo semelhante

ao da carne assada realizada

no forno (163oC), sendo carne depositada

sobre grelha na assadeira, não permitindo

contato direto com o líquido

que escorria durante a cocção.

- CARNE COZIDA EM LÍQUIDO: A

carne foi colocada em água à temperatura

de ebulição e cozida lentamente

em recipiente tampado.

- CARNE FRITA: A carne foi cortada

em cubos, sendo o processo de cocção

realizado por fritura por imersão em

óleo quente.

Entre as carnes bovinas e bubalinas observou-se

(Tabela 1) uma ligeira diferença

em relação aos teores de gordura nos diferentes

tipos de preparo da carne, contradizendo

o que foi afirmado por Damé (2002).

Porém pode ser verificado que a carne

bubalina apresenta vantagens, em relação

à carne bovina, principalmente, nos teores

de gordura e a quantidade no consumo.

É possível observar que quanto mais

bem passada a carne, menor teor de gordura

ela terá, bem como existe diferença entre

as carnes bovina e bubalina em relação à

presença ou não da gordura superficial da

carne, pois a gordura, durante o preparo,

penetra na carne.

A carne frita, devido ao tipo de preparo

(adição de óleo), como já esperado, apresentou

maior teor de gordura em relação aos

outros tipos. As carnes assadas são o segundo

tipo a apresentar maior teor de gordura

total, ou seja, o contato direto da carne

com a água que escoa desta faz com que a

perda de gordura seja menor; diferentemente

do que ocorre na carne grelhada, sendo a

grelha furada, evita-se a reabsorção pela carne

da gordura liberada ao ser aquecida, ocorrendo

uma maior perda de gordura, ficando

este tipo em terceiro lugar.

A carne cozida, tanto bovina quanto

bubalina, apresentou menor teor de gordura

dentre todos os tipos, pois esta carne foi

totalmente submersa pela água adicionada,

ocorrendo dessa maneira maior perda de

nutrientes (gordura, proteínas, minerais, etc).

Tabela 1. Teores de gordura das carnes

bovinas e bubalinas

Conclui-se pois que entre carnes bovinas

e bubalinas observou-se uma ligeira diferença

em relação aos teores de gordura nos

diferentes tipos de preparo, sendo sempre

menor na bubalina, com diferença mais acentuada

na carne sem gordura. A carne quando

cozida, tanto bovina quanto bubalina,

apresentou menor teor de gordura dentre

todos os tipos de preparo, sendo a carne

frita a que apresentou maior teor.

Fabricação de mozzarella com leite de búfalas.

Alberto Gusmão Couto - Fazenda Castanha Grande - São Luiz do Quitunde - Alagoas - Brasil - Tel. (82) 254 1115/ 9976 3800

1. Adicionar ao leite, água potável na proporção

de 10% do volume final

(90%leite +10% água). 2. De agora por

diante, trataremos por leite a mistura

(leite+água), exceto quando formos

calcular o rendimento, o que é obvio.

2. Pasteurizar o leite.

3. Adicionar 40ml de cloreto de cálcio

para cada 100 litros de leite.

4. Adicionar ao leite: 3 % de soro fermento

estando à 40ºD (Dornic) ou 2 % estando

a 60ºD ou 1% estando a 120ºD.

5. Deixar o leite fermentar por 20 a 30 min.

O ideal é que a acidez do leite após a

fermentação esteja com 21oD na hora

de colocar o coalho.

6. Temperatura do leite na hora de colocar

o coalho: 38o C.

7. Dissolver o coalho em um copo d‘água,

e em seguida misturar essa solução em

um recipiente de aproximadamente 2 litros

d’água.

8. Aos poucos vai-se colocando ao leite

o coalho diluído em água e agitandose

o leite à cada pequena porção colocada.

Essa operação deverá ser rápi-

da, no máximo de 1 a 2 min. Parar a turbulência

e deixar o leite em repouso.

9. O coalho deverá coalhar o leite em 30 a

45 min, fora desse tempo afetará a qualidade

do produto. Se menos de 30min,

poderá dar gosto amargo no queijo

devido ao excesso de coalho, além de

45min diminuirá o rendimento do queijo.

10. Estando a coalhada no ponto, quebrase

a mesma com a lira horizontal, no

sentido longitudinal, depois com a lira

vertical, no mesmo sentido, em seguida

com a lira vertical no sentido transversal

até se obter o tamanho do grão

desejado. Alguns queijeiros fazem um

pré-corte da coalhada.

11. Para que se tenha um produto tenro,

deve-se deixar os grãos de tamanhos

45


médios a grandes, em torno de 1,5 a

2cm.de aresta.

12. Após a quebra da coalhada, esta deverá

repousar por 3 min, tempo necessário

para formar uma película nas paredes

dos grãos da coalhada. Essa película

filtrará o soro do interior dos

grãos, quando feita a primeira mexedura

e impedirá a saída de finos (pequenas

partículas da coalhada), aumentando

desta forma o rendimento do queijo.

13. Primeira mexedura: iniciar muito lentamente

e gradativamente aumentar a agitação.

Duração: 20min.

14. Ao término desse tempo, deixar a coalhada

assentar no fundo do tanque.

15. A Segunda mexedura poderá ser processada

de duas maneiras:

a. Com aquecimento na camisa do tanque

de fabricação: Aquecer lentamente

por todo o processo, a coalhada com

todo o soro. Mexer a coalhada inicialmente

lentamente e gradativamente aumentar

a agitação, mantendo as pelotas

soltas, sem formação de bolos. Ao atingir

a temperatura de 38ºC a massa deverá

estar numa consistência ideal.

b. Com adição de água quente: a esse

processo dar-se o nome de

delactosagem, pois retira parte da

46

lactose de dentro dos grãos. Retirar

parte do soro até o aparecimento dos

primeiros grãos.

Adicionar à massa mais soro, muito lentamente,

com um aguador fino, água a

100ºC. Evitar que a água quente entre

em contato direto com à massa, pois

poderá emborrachar a mesma. A medida

que se vai colocando a água quente,

vai-se fazendo a mexedura na massa,

inicialmente devagar e gradativamente

e concomitantemente com o aumento

de temperatura, vai-se aumentando a

agitação, evitando desta forma que a

massa forme bolos. Em torno de 38ºC, a

massa deverá estar no ponto, o que será

detectado pelo queijeiro.

16. Deixar a massa repousando (no próprio

soro, caso a temperatura ambiente esteja

baixa e retirar todo soro se a temperatura

ambiente estiver alta) até a mesma atingir

o ponto de filagem, o que ocorrerá

entre 4 à 5 horas, dependendo das condições

acima especificadas e acidez da

massa. Quanto maior for o tempo para

dar o ponto de filagem, maior será o tempo

que o queijeiro terá para filar e vice

versa, por isso aconselho que o queijeiro

calcule para que a massa dê o ponto de

filagem com mais de 4 horas.

17. Ao fazer o teste de filagem, a massa

deve esticar em mais de um metro, quando

estará no ponto.

18. FILAGEM: Filar a massa com água entre

85 / 90ºC, e quantidade de 1.5 a 2

vezes o peso da massa a ser filada.

Quanto maior a temperatura mais mole

ficará a massa e vice versa.

19. SALGA: MOZZARELLA EM BARRA,

PARA FATIAR: usar de 2 a 2.5 % de

sal na água de filagem(dependendo da

clientela). Trabalhar na massa, fechar

a bola e enformar. Colocar o queijo em

água gelada, dentro da forma, por aproximadamente

uma hora.Retirar da forma

e colocar em câmara fria para o queijo

enxugar.

MOZZARELLA EM BOLINHAS: Retirar

da água gelada. Colocar em uma

salmoura à 20% por um período de 5 a

10min (dependendo do tamanho da

bola). Colocar as bolinhas em salmoura

de conserva definitiva. Esta salmoura

deverá ter a mesma acidez da massa,

para evitar que fique leitosa.

20. EMBALAR: Caso seja Mozzarella em

barra, embalar a vácuo; caso seja em

bolinhas, colocar em um recipiente com

uma quantidade de salmoura de conserva

suficiente para deixar as bolinhas

imersas.


Influência das características reprodutivas da búfala

na produção, composição e qualidade do leite

Eduardo Bastianetto, Sidney Correa Escrivão - Apoio: Núcleo de Bubalinocultura da EV-UFMG e Associação Mineira de Bubalinocultores

Introdução

Os animais selvagens apresentam

uma atividade reprodutiva

estacional, condicionada pela necessidade

de coincidir o parto e a desmama

com uma estação climática que satisfaça as

exigências de temperatura e alimento da prole.

Esta característica que se perde durante

o processo de domesticação ainda encontra-se

presente em algumas espécies animais.

A tendência à estacionalidade

reprodutiva de algumas espécies foi parcialmente

influenciada pelo processo de

domesticação e sua mudança para novas

áreas de criação.

Índia

A espécie selvagem que originou os

búfalos desenvolveu-se em uma zona tropical

Indiana localizada entre os paralelos

31° N e 2° S da linha do Equador. O parto

primaveril garantiu para a prole, durante o

processo de seleção natural dos animais, a

presença de forragem em áreas tropicais ao

norte do Equador. As espécies que possuem

período de gestaçao de cinco meses

(Caprinos e Ovinos) e de 11 –12 meses

(Eqüinos e Asininos) apresentam um aumento

acentuado na fertilidade respectivamente

no Outono e na Primavera. A variação

na quantidade diária de luz sinaliza a

epoca do ano para sistema neuro-endócrino

dos animais e reativa o sistema reprodutivo

no período favorável a reprodução, dividindo-os

em espécies fotoperiodo negativo

(aumento da fertilidade no Outono e Inverno)

e fotoperiodo positivo (aumento da

fertilidade na Primavera e Verão). Os indivíduos

que nasciam nas épocas mais favoráveis

sobreviviam e prevaleceram numericamente,

transmitindo para as gerações sucessivas

as características reprodutivas

(Zicarelli, L. 1997).

Brasil

A disponibilidade de forragem nas áreas

tropicais ao sul da linha equatorial ocorre

no período em que as horas de luz do dia

aumentam (primavera e verão), ao contrário

do que ocorre no ambiente que os búfalos

foram selecionados. Uma búfala que

inicia uma gestação no principio do inverno

irá entrar em trabalho de parto no outono

do ano seguinte (período médio de gestação

de 315 dias), época caracterizada pela

baixa quantidade e qualidade das forragens.

Os búfalos apresentam estacionalidade

reprodutiva mesmo quando estão em locais

com boa disponibilidade de alimento durante

todo o ano. Os animais pertencentes

aos rebanhos localizados próximos à linha

equatorial apresentam uma estacionalidade

reprodutiva influenciada por fatores

nutricionais. A manifestação da

estacionalidade reprodutiva nos búfalos é

influenciada pelo aumento da distância da

linha do Equador (Zicarelli, L. 1997).

Comportamento reprodutivo das

búfalas

A espécie bubalina é poliéstrica

estacional de dia curto. A variação na concentração

sangüínea de melatonina nas

búfalas sinaliza a estação do ano para o

sistema reprodutivo. O aumento na concentração

plasmática de melatonina após o por

do sol é menor em indivíduos menos sensíveis

ao fotoperiodo.

A necessidade de alterar o calendário

natural de partos das búfalas para satisfazer

a maior demanda comercial de Mozzarella na

primavera e no verão causam perdas na fertilidade

do rebanho, que são menores (aproximadamente

15%) nas propriedades que utilizam

programas de desestacionalização para

búfalas há mais tempo. As búfalas destes

rebanhos manifestam um comportamento

reprodutivo estacional menos característico

(Zicarelli, L. 1997).

Variação na composição do leite da

búfala durante o ano

Os percentuais de gordura, proteína,

CCS e acidez titulável do leite apresentam

uma variação conhecida e esperada durante

a lactação. A intensidade e tipo destas

variações ocorrem devido ao manejo alimentar,

sanitário e genético imposto pelos criadores,

e podem favorecer ou prejudicar a

qualidade e o rendimento dos produtos

derivados do leite da búfala.

O leite das búfalas recém paridas não é

adequado para a fabricação de queijo tipo

Mozzarella. O leite utilizado para a fabricação

desse queijo deve conter uma relação

de gordura e proteína de 2:1, com um teor

mínimo de gordura de 7,2% (Del Prato, S.

O., 1998) e baixa acidez titulável. A acidez

titulável do leite da búfala Mediterrânea Italiana

varia durante a lactação de 12.0 a 9.0

SH°(unidade de Soux – Henkel em 100 ml

de leite) nos primeiros 25 dias apos o parto..

O leite apresenta 12.0° SH no início da

lactação, 10.0° SH após duas semanas e

para 9.0° SH aos 25 dias.

A conversão dos valores de acidez expressa

em °SH e °Dornic (°D) podem ser

feitas através das formulas:

• Acidez do leite em °D = (4,5x acidez

do leite °SH) /2

• Acidez do leite em °SH = (2 x acidez

do leite em °D) /4,5 (Adaptado de Del

Prato, S. O., 1998).

A acidez titulável do leite da búfala apresenta

valores ligeiramente superiores à acidez

titulável do leite da vaca, isto provavelmente

ocorre em função da maior quantidade,

diâmetro e número das micelas de

caseína do leite da búfala se comparado ao

leite da vaca. (Macedo et, 2001). Segundo

Del Prato (1998) a acidez normal do leite da

búfala Mediterrânea Italiana para a fabricação

de Mozzarella varia entre 7.0 e 7.8°SH.

Fatores ambientais que causam o aumento

da acidez titulável do leite da búfala:

a. Presença de bactérias saprófitas produtoras

de acido lático através da fermentação

da lactose.

b. Conservação do leite em refrigerador

sujo e resfriamento lento.

c. Transporte do leite em latas sujas e temperatura

inadequada.

d. Percursos longos e demorados.

e. Ordenha com pouca ou nenhuma higiene.

Fatores alimentares que aumentam a

acidez titulável do leite:

1. Excesso de forragem grosseira sem a

observação das características

nutricionais.

47


2. Fornecimento de alimentos

inapropriados: silagem de baixa qualidade,

alimentos mofados, mistura mineral

inapropriada.

A estacionalidade reprodutiva concentra

a produção de grande volume de leite

(até 60% da produção total de leite) nos

meses de Fevereiro a Maio de búfalas recém

paridas. O baixo percentual de caseína

no leite, a alta acidez titulável e a alta CCS

em algumas fases da lactação causam problemas

na coagulação do leite e na filagem

da massa. A mozarela produzida com o leite

de uma búfala recém parida apresenta baixa

qualidade organoléptica e reduzido tempo

para comercialização.

Para diminuir a concentração de partos

em poucos meses do ano deve-se fazer um

o planejamento reprodutivo. Baruselli (1993)

descreveu as seguintes técnicas de manejo

que auxiliam a distribuição de partos ao

longo do ano:

48

• Colocar as novilhas em reprodução

na Primavera, pois as novilhas não

apresentam um comportamento

estacional reprodutivo acentuado.

• Retirar o touro do lote de búfalas paridas

no inverno (Junho, Julho e Agosto)

e recolocar na primavera.

Alimentar bem as búfalas, condição indispensável

para a concepção na primavera.

O rendimento da mozarela e dos demais

derivados está diretamente relacionados

com a composição do leite, em especial com

a quantidade de proteína. O rendimento do

leite da búfala para a fabricação de Mozarela

pode ser calculado com a formula: [((3,5 x

%P no leite) + (1,25 x %G no leite)) – 0,088].

A búfala apresenta uma maior capacidade

de alterar a composição (percentual

de gordura e proteína) do leite em relação

ao volume. Existe uma diferença no

percentual de gordura no leite das búfalas

submetidas a uma ou duas ordenhas por

dia nos rebanhos que fornecem ração no

cocho durante ou após a ordenha. Nos rebanhos

em que as búfalas são ordenhadas

duas vezes elas recebem uma quan-

tidade maior de ração, isto diminui a relação

forragem: concentrado da alimentação

total ingerida e favorece a produção de

leite com maior percentual de gordura em

relação as búfalas que são ordenhadas somente

uma vez.

Quando as búfalas em lactação não ingerem

alimentos de maneira que satisfaçam

suas exigências nutricionais para a

mantença, gestação, e produção de leite

ocorre uma acentuada diminuição no volume

de leite produzido com uma pequena

alteração na sua composição.

Conclusões

As características reprodutivas da espécie

bubalina influenciam na composição,

qualidade e volume do leite produzido durante

o ano. Deve-se fazer um planejamento

dos acasalamentos das búfalas, respeitando

as características da espécie, para

diminuir a concentração da produção de

leite com características indesejáveis para

a produção de mozzarella em poucos meses

do ano.


Receitas da Criadora

Magda Elizabete Nebel da Silva

Guaíba - RS

Filé Recheado:

Rendimento: 4 a 6 pessoas

- 1 Kg de filé de búfalo

- Sal e pimenta a gosto

- 2 dentes de alho

- 2 cebolas grandes

- 125 g de bacon

- 3 cenouras

- ½ maço de temperos verdes picados

- 200 g de mozzarella de búfala em fatias

Modo de preparar:

Recheio: Passe no processador o alho,

a cebola, a cenoura e o bacon, ou corte

tudo bem picadinho. Tempere a gosto e

refogue por 10 a 15 minutos, mexendo até

evaporar todo o liquido. Desligue e acrescente

o tempero verde e reserve. Com uma

faca de cozinha bem afiada, vá abrindo a

peça inteira do filé como forma de uma manta,

quanto mais fino melhor, tempere com

sal e pimenta.

Coloque o recheio: espalhe as fatias de

mozzarella e depois o refogado de bacon

com cebola e cenoura.

Enrole como um rocambole, amarre com

o auxilio de um barbante e embrulhe em papel

alumínio, fechando bem.Leve para assar

por cerca de 20 minutos em forno médio préaquecido.

Após esse tempo, abra o papel

alumínio delicadamente e pincele com manteiga

de búfala. Volte ao forno e deixe dourar

aproximadamente 20 minutos. Pode ser servido

com arroz, salada verde e farofa.

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RECEITAS CULINÁRIAS

Encaminhe à ABCB

Quiche de Mozzarella de

Búfala

Rendimento: 8 porções

Massa:

- 250 g de farinha de trigo

- 125 g de manteiga

- 1 colher de chá de sal

- 1 ovo

- 2 colheres de água

Modo de fazer:

Misture a farinha e o sal e incorpore a

manteiga com a ponta dos dedos até formar

uma farofa. Acrescente os ovos e a

água e forme a massa sem trabalhar muito

nela. Cubra com filme plástico e leve à geladeira

para descansar por 30 minutos. Após

este tempo, abra a massa e coloque em uma

forma de fundo falso. Cubra com papel alumínio,

encha de feijões crus e leve para assar

em forno médio por 15 minutos aproximadamente.

Recheio:

- 300 g de mozzarella de búfala picada

em quadrados grandes

- 300 ml de creme de leite fresco (nata)

- 1 xic. de leite

- 1 cebola picadinha

- 4 ovos

- 1 colher de chá de sal

- pimenta do reino

- 6 azeitonas pretas fatiadas para decorar

Frite a cebola na manteiga. Bata no

liquidificador os ovos com o creme de leite,

o sal e a pimenta. Depois de batido, junte a

mozzarella de búfala e a cebola. Coloque o

recheio no fundo da torta que foi pré-assada.

Salpique por cima as azeitonas

cortadinhas e leve ao forno médio por aproximadamente

30 minutos.

suas sugestões de receitas para serem publicadas

no próximo Boletim do Búfalo

Pão de Queijo com

Mozzarella de Búfala

- 1 colher rasa de sal

- 6 xic. polvilho doce ou fécula

- 1 xic. medida de azeite

- 1 xic. medida de leite

- 400 g mozzarella búfala

- 4 ovos

Modo de fazer:

Misturar o sal com o polvilho, misturar o

leite junto com o óleo fervendo, despejar no

polvilho misturando bem.

Deixar esfriar por 20 minutos, acrescentar

os ovos e por último o queijo ralado,

fazer bolinhas e assar no forno pré aquecido

a 200º.

Para congelar:

Fazer bolinhas, colocar na forma, levar

ao freezer e depois embalar. Retirar o ar para

que dure mais.

Pizza de Mozzarella de

Búfala com Rúcula

- ½ xícara de chá de leite

- 2 colheres de chá de margarina

- 1 colher de chá de sal

- 1 colher de sopa de fermento em pó

Cobertura:

- 3 tomates sem pele e semente picados

- 1 colher de sobremesa de orégano

- 200 g de mozzarella de búfalo

- folhas de rúcula

Modo de fazer:

Junte os ingredientes da massa, amassando-os

com as mãos até obter uma massa

homogênea. Abra com rolo formando

quatro discos de pizza. Leve a massa ao

forno por 12 minutos.

Tempere os tomates com sal e orégano

e espalhe sobre os discos já assados. Distribua

a mozzarella ralada e leve novamente

ao forno por mais 8 minutos. Coloque as

folhas de rúcula e serva a seguir.


Composições químicas comparativas:

Leite de Búfala x Leite de Vaca

Parâmetros Búfala Vaca

Umidade (%) 83,00 88,00

Gordura (%) 8,16 3,68

Proteína (%) 4,50 3,70

Cinzas (%) 0,70 0,70

Extr. Seco (%) 17,00 12,00

Vit. A (UI) 204,27 185,49

Calorias / 100 ml 104,29 62,83

Cálcio (%) 1,88 1,30

Ferro (ppm) 61 37

Carne de Búfalo x Carne Bovina

Parâmetros Búfalos Bovinos

Calorias (Kcal) 131,00 289,00

Proteína (%) 26,83 24,07

Lipídios (g) 1,80 20,89

AG Saturados (g) 0,60 (33%) 8,13 (39%)

AG Monoinsaturados (g) 0,53 9,06

AG Poliinsaturados (g) 0,36 0,77

Colesterol (mg) 61,00 90,00

Minerais (mg) 641,80 583,70

Vitaminas (mg) 20,85 18,52

Fonte: Verruma (1994) Por 100 g de carne.

Fonte: USDA Agriculture Handbook.


AGENDA

3º ENCONTRO NACIONAL DE

CRIADORES DE BÚFALOS

RECIFE - PE

O 3º Encontro Nacional de Criadores de Búfalos,

acontecerá entre os dias 15 e 19 de Setembro

de 2005 e está sendo organizado pela Associação

de Bubalinocultores de Pernambuco (ASBUPE)

juntamente com a Universidade Rural de

Pernambuco (UFRPE) e ABCB.

Previamente ao encontro, estão programados dois

cursos, sendo um de produção de derivados de leite

de búfalas e outro de Inseminação Artificial.

1º SIMPÓSIO ITALO-AMERICANO

DE BÚFALOS

Programado para ser realizado

entre os dias 15 e 18 de Outubro de 2005 em

Paestum-Salerno, na Itália.

O simpósio deverá ainda ter um curso prévio que

abordará a qualidade do leite e sua

transformação em derivados.

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