Agosto - Adventist World
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Ó r g ã o I n t e r n a c i o n a l d o s A d v e n t i s t a s d o S é t i m o D i a<br />
Ó r g ã o I n t e r n a c i o n a l d o s A d v e n t i s t a s d o S é t i m o D i a<br />
AA<br />
que que Acendeu Acendeu uma uma<br />
Fogueıra<br />
A R T I G O E S P E C I A L<br />
De Volta aos<br />
<strong>Agosto</strong> 2010<br />
“Perigos Espirituais”<br />
Veja página 24
<strong>Agosto</strong> 2010<br />
A R T I G O D E C A P A<br />
A Centelha que Acendeu<br />
uma Fogueira<br />
Por Sonia Krumm Nikolaus ............. 16<br />
Como a morte de um jovem serviu<br />
para expandir o reino de Deus.<br />
D E V O C I O N A L<br />
Hérnias e o Espírito Santo<br />
Por Marvin Atchison ................................................................... 12<br />
Nosso corpo pode nos dar vislumbres sobre a salvação.<br />
V I D A A D V E N T I S T A<br />
O Que a Terra Está nos Dizendo?<br />
Por Jerry Jean .............................................................................. 14<br />
Sobrevivente do terremoto no Haiti compartilha sua história.<br />
C R E N Ç A S F U N D A M E N T A I S<br />
Dores do Crescimento<br />
Por Michael Mxolisi Sokupa ....................................................... 20<br />
Onde há vida, existe crescimento.<br />
D E S C O B R I N D O O E S P Í R I T O D E P R O F E C I A<br />
Ellen White como Evangelista<br />
Por Michael W. Campbell ........................................................... 22<br />
A escritora e oradora também evangelizava individualmente.<br />
A R T I G O E S P E C I A L<br />
De Volta aos “Perigos Espirituais”<br />
Por Roy Adams ............................................................................. 24<br />
Nossa segurança depende de estarmos cônscios dos<br />
perigos e fundamentados em Cristo.<br />
Registration Date: June 21, 2005; Registration Number: Kyonggi La 50054; Issue: August, 2010. Serial Number: 59; Publisher: Lee,<br />
Jairyong, Northern Asia-Pacific Division of Seventh-day <strong>Adventist</strong>s, 5th floor Samhee Plaza, 66 Juyeop-dong Ilsan Seo-gu Goyang<br />
City Gyeonggi-do, Korea; Phone Number: 031-910-1500; Editor: Chun, Pyung Duk; Printer: Korean Publishing House; Date of Issue:<br />
August 1, 2010; This magazine is edited by the <strong>Adventist</strong> Review editorial team headed by Bill Knott according to the license<br />
contract and printed in Korea for free distribution throughout Asia.<br />
<strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> (ISSN 1557-5519) é editada 12 vezes por ano, na primeira quinta-feira do mês, pela Review and Herald<br />
Publishing Association. Copyright (c) 2005. Vol. 6, nº 8, agosto de 2010.<br />
2 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
I G R E J A E M A Ç Ã O<br />
Editorial ............................. 3<br />
Notícias do Mundo<br />
3 Notícias & Imagens<br />
Visão Mundial<br />
8 O Trono da Graça<br />
Janela<br />
10 Polônia por Dentro<br />
S A Ú D E N O M U N D O<br />
A Soja é Saudável? ........11<br />
Por Allan R. Handysides e<br />
Peter N. Landless<br />
P E R G U N T A S B Í B L I C A S<br />
O Salário do<br />
Pecado ..............................26<br />
Por Ángel Manuel Rodríguez<br />
E S T U D O B Í B L I C O<br />
Verdade ou<br />
Consequências ..............27<br />
Por Mark Finley<br />
I N T E R C Â M B I O M U N D I A L<br />
29 Cartas<br />
30 Lugar de Oração<br />
31 Intercâmbio de Ideias<br />
O Lugar das<br />
Pessoas .............................32<br />
Tradução: Sonete Magalhães Costa<br />
www.portuguese.adventistworld.org
A Igreja em Ação<br />
E D I T O R I A L<br />
A Recompensa dos Obreiros<br />
Eles estavam na fila, esperando pacientemente<br />
para me cumprimentar<br />
depois que preguei numa reunião campal,<br />
já preparados para dar os sorrisos e abraços. “Dezenove anos”,<br />
eles me lembraram. Haviam se passado 19 anos desde que nos<br />
encontráramos pela última vez.<br />
Demorei alguns segundos para ativar o banco da memória<br />
e me lembrar dos olhos brilhantes, do bom humor e da sinceridade<br />
que sempre foram as marcas daquele casal. Havia sido<br />
pastor da igreja deles e, de vez em quando, me questionava se<br />
haveria algum resultado duradouro da desafiadora rotina de<br />
estudos bíblicos, pregações e visitas pastorais.<br />
“Foi ele que nos batizou e, alguns meses depois, oficiou<br />
nosso casamento”, anunciavam aos estranhos que estavam por<br />
perto. “Ele foi nosso primeiro pastor!” Eles me entregaram um<br />
envelope, que eu deveria abrir mais tarde. No fim do dia, encontramo-nos<br />
no refeitório e me apresentaram sua filha de 16<br />
anos, uma linda jovem de quem tinham orgulho, e com razão.<br />
Quando voltei ao meu quarto, demorei-me olhando<br />
as fotografias do filho deles, de 18 anos, que acabara de se<br />
formar no ensino médio e planejava ir para uma universidade<br />
adventista, dali a poucos meses. O garoto que sorria na fotografia<br />
possuía a mesma alegria nos olhos, o mesmo sorriso<br />
sincero que os pais. Um bilhete, que caiu de entre as fotos,<br />
N O T Í C I A S D O M U N D O<br />
“Siga a Bíblia” Chega aos<br />
EUA e Finaliza a Jornada<br />
■ O exemplar da Bíblia em 66 idiomas,<br />
que viajou o mundo, chegou aos<br />
Estados Unidos no final da jornada de<br />
vinte meses. A campanha realizada pela<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia, “Siga<br />
a Bíblia”, chegou aos Estados Unidos no<br />
dia 31 de maio, quando um pastor da<br />
África do Sul entregou a Bíblia aos<br />
líderes adventistas que a esperavam<br />
no Aeroporto Internacional Dulles,<br />
Washington, D.C.<br />
A campanha foi lançada em 2008<br />
pela sede mundial da Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />
para promover o estudo da Bíblia na<br />
sociedade e entre os membros da<br />
Igreja. Estudos sugerem que apenas<br />
cerca de 50% dos adventistas estudam<br />
regularmente a Bíblia. Os líderes<br />
esperam que a campanha da Bíblia<br />
itinerante, que viajou por todo o<br />
mundo, melhore esse quadro.<br />
A Bíblia esteve presente em eventos<br />
realizados em estádios, gincanas e<br />
desfiles em cerca de 130 países e<br />
patrocinados por governadores, chefes<br />
tribais, presidentes, reis e rainhas.<br />
“Se pudermos ter mais pessoas lendo<br />
a Bíblia, teremos um grupo mais comprometido<br />
e mais envolvido em levar pessoas<br />
a Jesus”, disse Don Schneider, então líder<br />
da Igreja <strong>Adventist</strong>a para a América do<br />
Norte, após receber a Bíblia de Paul<br />
Ratsara, líder da Igreja no sul da África.<br />
revelou-me que a ambição da vida dele era trabalhar para a<br />
Adra (Agência <strong>Adventist</strong>a de Desenvolvimento e Recursos<br />
Assistenciais).<br />
As preocupações do longo dia desapareceram, enquanto<br />
eu observava as fotografias e deixava a mente vagar nos acontecimentos<br />
de duas décadas antes. E eu, que me perguntava se<br />
Deus poderia fazer algo por meio do meu trabalho... “Atire o<br />
seu pão sobre as águas, e depois de muitos dias você tornará<br />
a encontrá-lo” (Ec 11:1, NVI). Séculos mais tarde, Jesus<br />
apresentou a mesma verdade: “O Reino de Deus é semelhante<br />
a um homem que lança a semente sobre a terra. Noite e dia,<br />
estando ele dormindo ou acordado, a semente germina e<br />
cresce, embora ele não saiba como” (Mc 4:26, 27, NVI).<br />
Alguém disse que “nada é desperdiçado na contabilidade<br />
de Deus”. Milhões de cristãos ao redor do globo – pastores<br />
e pediatras, evangelistas e professores, administradores e<br />
mecânicos – confirmam essa verdade cada vez que desfrutam<br />
da surpreendente alegria de vislumbrar os resultados do seu<br />
testemunho por Jesus Cristo.<br />
Muito em breve, nesta Terra ou na Terra renovada, você<br />
também contemplará todo o resultado do trabalho que Deus<br />
realizou por seu intermédio. E, na alegria daquele momento,<br />
quando você vir o que Deus fez com seu testemunho, vai<br />
bendizer cada dia que trabalhou para o Mestre.<br />
— Bill Knott<br />
BÍBLIA<br />
VOLTA PARA<br />
CASA: Paul<br />
Ratsara<br />
(esquerda)<br />
entrega a<br />
Bíblia a Don<br />
Schneider.<br />
Eles se<br />
encontraram<br />
no Aeroporto Internacional Dulles, em<br />
Washington, para a última transferência<br />
da Bíblia entre as 13 regiões mundiais<br />
da Igreja.<br />
A N S E L O L I V E R / A N N<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 3
A Igreja em Ação<br />
N O T Í C I A S D O M U N D O<br />
A Bíblia foi apresentada em eventos<br />
nas igrejas, hospitais e reuniões campais<br />
nos Estados Unidos e Canadá. Ela completou<br />
sua jornada na 59ª assembleia<br />
mundial da Igreja, em Atlanta, que<br />
iniciou no dia 23 de junho.<br />
Schneider disse que estava feliz de<br />
recebê-la em seu território. “Às vezes<br />
você tem que fazer ‘barulho’ para<br />
chamar a atenção para as coisas em que<br />
acredita”, disse ele. “Essa é mais uma<br />
oportunidade para nos lembrarmos de<br />
quem realmente somos.”<br />
As fotografias dessa campanha, disponíveis<br />
na internet, mostram a Bíblia sendo<br />
lida na Islândia, exposta em Fiji e levada<br />
em desfiles no Quênia. “Esse evento uniu<br />
os adventistas ao redor do mundo, que se<br />
comprometeram a estudar a Bíblia”, disse<br />
Mark Finley, um dos vice-presidentes da<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a mundial.<br />
Ele afirmou que a Bíblia foi encadernada<br />
duas vezes durante a jornada –<br />
uma na Europa e outra na América do<br />
Sul. “A capa estava quase caindo”, disse.<br />
“Mas quando paramos para pensar<br />
que essa Bíblia viajou por vinte meses e<br />
esteve em mais de cem países, ficamos<br />
admirados”, disse Finley.<br />
Os organizadores disseram que a<br />
Bíblia nunca foi despachada como bagagem<br />
nas companhias aéreas. Ratsara<br />
relatou que um líder da Igreja em<br />
sua região, ao embarcar num voo, foi<br />
advertido pelo representante da empresa<br />
de que a Bíblia de mais de oito quilos<br />
era muito pesada para ser levada dentro<br />
do avião. “Preferimos despachar nossos<br />
computadores a despachar essa Bíblia”,<br />
disse Ratsara.<br />
A Bíblia causou um “grande impacto”<br />
em sua região, acrescentou Ratsara.<br />
Em um evento realizado recentemente<br />
num estádio em Zâmbia, o povo permanecia<br />
na fila por cerca de duas horas<br />
para segurar a Bíblia. Em Lesoto, o rei<br />
ficou tão impressionado, que prometeu<br />
que leria mais a Bíblia. Um governador,<br />
em Angola, também disse o mesmo.<br />
“Estou impressionado pelo impacto<br />
que ela causou nos jovens”, disse Ratsara.<br />
4 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
A juventude organizou desfiles, cada<br />
grupo em sua região. Em Botswana, um<br />
adolescente de 15 anos de idade fez uma<br />
tentativa quase perfeita de decorar o<br />
Novo Testamento.<br />
No aeroporto, a delegação norteamericana<br />
se encontrou com Ratsara<br />
às 6 horas da manhã, quando seu voo<br />
chegou de Joanesburgo, África do Sul, no<br />
“Memorial Day”, um feriado nacional<br />
nos Estados Unidos. “Achamos que as<br />
demais celebrações acontecerão em<br />
outros horários durante o dia, não às<br />
seis da manhã”, disse Schneider.<br />
Para mais informações, visite<br />
FollowTheBibleSDA.com.<br />
– Reportagem de Ansel Oliver, Rede<br />
<strong>Adventist</strong>a de Notícias<br />
Série de DVDs Busca Construir<br />
Amizades<br />
■ Os líderes da Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />
preveem que uma série de DVDs sobre<br />
a história e o impacto das religiões<br />
mundiais e das culturas contemporâneas<br />
resultará em maior compreensão entre<br />
as comunidades de fé.<br />
O conjunto de quatro discos apresenta<br />
os principais ensinos das maiores<br />
religiões e ideologias do mundo: budismo,<br />
hinduísmo, islamismo, cristianismo<br />
e pós-modernismo.<br />
O departamento mundial de Missão<br />
<strong>Adventist</strong>a produziu o conjunto de<br />
DVDs Understanding <strong>World</strong> Religions and<br />
Contemporary Cultures (Compreendendo<br />
as Religiões Mundiais e as Culturas<br />
Contemporâneas), tendo em mente<br />
A D V E N T I S T M I S S I O N<br />
um público cristão e, especificamente,<br />
adventista. No entanto, de acordo com os<br />
produtores, a série é relevante para todas<br />
as culturas e religiões.<br />
“A série tem como objetivo ajudar a<br />
equipar os cristãos para se comunicar<br />
melhor e quebrar barreiras entre<br />
amigos e vizinhos de outra fé”, diz Gary<br />
Krause, diretor do departamento de<br />
Missão <strong>Adventist</strong>a.<br />
A série é apresentada pelo dr.<br />
Ganoune Diop, diretor do Centro de<br />
Estudos da Missão da Igreja. Para cada<br />
grupo religioso, são apresentados os<br />
seguintes tópicos: história, esfera de<br />
influência, princípios e crenças, bem<br />
como as áreas de convergências.<br />
A série foi filmada por Dan Weber,<br />
produtor de vídeo da Missão <strong>Adventist</strong>a,<br />
em locais que vão do Egito à Tailândia.<br />
“Se você realmente compreende uma<br />
religião, saberá de onde vêm as pessoas<br />
e o que estão procurando”, diz Weber.<br />
“Ao saber disso, você terá condições de<br />
identificar similaridades e melhor se<br />
relacionar com as pessoas.”<br />
Embora compreenda que o evangelismo<br />
é o “principal” objetivo da Igreja,<br />
Weber disse que a série também tem o<br />
objetivo de estimular o relacionamento<br />
entre pessoas de diferentes denominações,<br />
definido pelo respeito mútuo.<br />
A série de DVDs estará disponível,<br />
pela internet, ao custo de 40<br />
dólares americanos, na página www.<br />
WhatTheyBelieve.org.<br />
– Reportagem de Elizabeth Lechleitner,<br />
Rede <strong>Adventist</strong>a de Notícias<br />
EM QUE ELES CREEM:<br />
Ganoune Diop (direita)<br />
entrevista Richard<br />
Elofer, líder da Igreja<br />
<strong>Adventist</strong>a em Israel, para<br />
a série Compreendendo<br />
as Religiões Mundiais e as<br />
Culturas Contemporâneas.
Casa Publicadora da Indonésia<br />
Comemora Centenário<br />
■ Resistir aos desafios do ministério de<br />
publicações por cem anos no maior país<br />
muçulmano do mundo é uma realização<br />
que os adventistas do sétimo dia de<br />
todo o mundo podem apreciar. Em 16<br />
de maio de 2010, a Casa Publicadora da<br />
Indonésia passou a marca de um século<br />
e, durante esse tempo, comprometeu-se<br />
a “manter viva a visão”.<br />
Embora as instalações da atual<br />
editora tenham sido inauguradas<br />
apenas em 1954, a obra de publicações<br />
começou em 1910, com a chegada do<br />
missionário adventista Ralph Waldo<br />
Munson, em Sukabumi, Indonésia. Um<br />
jovem chamado Immanuel Siregar foi,<br />
mais tarde, seu assistente.<br />
Vários marcos alcançados pela<br />
editora foram lembrados em um<br />
vídeo que destacou particularmente<br />
a história da obra de publicações e a<br />
primeira publicação, em 1910: Utusan<br />
Kebenaran Melayu (O Mensageiro da<br />
Verdade Malaio), pela Java Mission<br />
Press, antecessora da Casa Publicadora<br />
da Indonésia.<br />
Cinco anos mais tarde, a gráfica foi<br />
transferida de Sukabumi para Batávia<br />
(hoje Jacarta), depois para Singapura,<br />
até mudar-se de volta para Bandung, na<br />
Indonésia, em 1929, onde funciona a<br />
editora até hoje.<br />
Desde o início da obra adventista<br />
na Indonésia, a literatura ocupou uma<br />
parte vital na expansão dos ministérios<br />
da Igreja de ganhar pessoas para o reino<br />
de Deus. Evoluindo do uso de máquinas<br />
manuais para equipamentos gráficos<br />
mais modernos, a editora administrou<br />
bem os seus recursos. Hoje, a editora<br />
continua a suprir as necessidades<br />
espirituais tanto dos adventistas como<br />
do público em geral.<br />
Um dos pontos altos da comemoração<br />
foi o lançamento do livro<br />
Ketika Sang Pencipta Berkata Ingatlah<br />
(Quando Deus disse: “Lembra-te”;<br />
publicado em português como Tempo<br />
de Esperança), escrito por Mark Finley.<br />
A primeira tiragem, de 110 mil cópias,<br />
QUANDO DEUS DISSE: “LEMBRA-TE”: Ven Bermudez, diretor de<br />
publicações na Indonésia, e Noldy Sakul, líder da Igreja no leste do país,<br />
oraram durante o lançamento dos 110 mil exemplares do livro de Mark Finley<br />
sobre o sábado.<br />
está pronta para ser distribuída pelos<br />
membros da Igreja em suas comunidades.<br />
No lançamento, Ven Bermudez,<br />
diretor de publicações da Igreja no sul<br />
da Ásia, orou especialmente por essa<br />
publicação.<br />
– Reportagem de Bruce Sumendap,<br />
Divisão do Pacífico Sul-Asiático<br />
<strong>Adventist</strong>as Realizam Batismo<br />
Histórico na Holanda<br />
■ Sábado, 5 de junho, foi um dia<br />
histórico para a Igreja <strong>Adventist</strong>a do<br />
Sétimo Dia na Holanda, quando 84<br />
pessoas aceitaram a Jesus Cristo como<br />
seu Salvador pessoal e foram batizadas.<br />
Agora, a Igreja possui 5 mil membros<br />
naquele país.<br />
Anualmente, a Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />
realiza na Holanda uma campanha<br />
conhecida como “Explosão Antilhana”,<br />
anteriormente chamada “Reunião<br />
Antilhana”. O tema desse ano foi<br />
“Unidos Até que Ele Venha”, dirigida<br />
por Cherrel Francisca, coordenador<br />
da equipe de implantação de igrejas<br />
antilhanas na Holanda. O objetivo<br />
do evento era enfatizar a união e a<br />
amizade.<br />
Na preparação para a Explosão<br />
Antilhana, foram realizadas quatro<br />
campanhas evangelísticas, simultanea-<br />
mente, em Amsterdã, Roterdam, Delft e<br />
Tilburg, com o objetivo de apresentar a<br />
Jesus como Salvador e promover a<br />
unidade entre os cristãos adventistas.<br />
Após duas semanas de campanha, as<br />
comunidades antilhanas foram convidadas<br />
a se reunir e participar de um<br />
programa especial.<br />
Um programa revigorante encheu o<br />
dia, que teve culto de adoração e louvor,<br />
entrevistas com pregadores leigos, vídeos<br />
sobre unidade, uma entrevista com<br />
o evangelista, interação com o grupo<br />
e uma apresentação da visão sobre<br />
“respeito e unidade”, por Wim Altink,<br />
líder da Igreja na Holanda. Mais tarde,<br />
no mesmo dia, 84 pessoas se uniram à<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a pelo batismo.<br />
“Em conjunto com os membros,<br />
evangelistas leigos e pastores, podemos<br />
fazer muito por Cristo num ambiente<br />
inspirador e cooperativo, no âmbito da<br />
diversidade que Deus deu à Sua igreja.<br />
Louvamos a Deus por Sua liderança”,<br />
concluiu Cherrell Francisca.<br />
Por meio desse programa especial e<br />
das cerimônias batismais recentes nas<br />
igrejas ganesas em Amsterdã, Almere e<br />
Eindhoven, o número de membros<br />
da Igreja <strong>Adventist</strong>a na Holanda ultrapassou<br />
a marca dos 5 mil.<br />
– Reportagem da Divisão Transeuropeia<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 5<br />
F O T O : C O R T E S I A D A S S D
A Igreja em Ação<br />
N O T Í C I A S D O M U N D O<br />
Primeiro<br />
Missionário <strong>Adventist</strong>a à<br />
Espanha é Homenageado<br />
Walter Bond teria sido envenenado por pregar mensagem adventista<br />
Por Ansel Oliver, diretor assistente de notícias<br />
da sede mundial da Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />
As autoridades da cidade de<br />
Baeza, Andalusia, Espanha,<br />
homenagearam a memória do<br />
primeiro missionário adventista do<br />
país, um dos vários mártires da liberdade<br />
religiosa e democracia do início do<br />
século 20, cujas sepulturas, mais tarde,<br />
foram profanadas.<br />
Em 1914, Walter Guy Bond, missionário<br />
vindo dos Estados Unidos, morreu<br />
aos 35 anos de idade, supostamente<br />
envenenado por pregar a mensagem<br />
adventista.<br />
O nome de Bond foi posto no<br />
Mural de Honra de Baeza, no dia 23 de<br />
maio de 2010, durante cerimônia onde<br />
estiveram presentes líderes da Igreja<br />
<strong>Adventist</strong>a e autoridades da cidade, inclusive<br />
o prefeito. “Muitos defensores da<br />
liberdade de consciência, naquele tempo,<br />
eram considerados inimigos do Estado<br />
e tratados de igual modo”, disse Pedro<br />
Torres Martinez, diretor de comunicação<br />
para a Igreja <strong>Adventist</strong>a na Espanha.<br />
Entre 1943 e 1945, não se sabe<br />
exatamente quando, o túmulo de Bond<br />
foi profanado e seus ossos, levados.<br />
“Durante esse período da história espanhola,<br />
muitas sepulturas dos ‘inimigos<br />
do Estado’, inclusive defensores da<br />
democracia e os que não professavam a<br />
fé católica, eram igualmente profanadas<br />
com o intuito de apagar para sempre a<br />
memória deles”, disse Martinez.<br />
6 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010
Acima: HOMENAGEM IN MEMORIA:<br />
Placa em homenagem a Walter<br />
Bond é colocada em evidência no<br />
cemitério de Baeza.<br />
Em cima, à esquerda: MÁRTIR É<br />
LEMBRADO: Placa em homenagem<br />
a Walter Bond, missionário na<br />
Espanha, é descerrada por Roberto<br />
Badenas, em 23 de maio de 2010,<br />
na cidade de Baeza.<br />
Esquerda: LEMBRADO PELA<br />
FAMÍLIA: Jesús Calvo, líder da<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a na Espanha,<br />
entrega carta dos descendentes<br />
de Walter Bond a Leocadio Barín,<br />
prefeito de Baeza.<br />
F O T O S : P E D R O T O R R E S M A R T I N E Z<br />
Walter Bond nasceu na Califórnia,<br />
Estados Unidos, em 6 de fevereiro de<br />
1879, numa família extremamente religiosa.<br />
Seus pais, James e Sara, tiveram<br />
dez filhos e adotaram uma menina. Eles<br />
se tornaram adventistas do sétimo dia<br />
quando Walter ainda era criança. Após<br />
unir-se à Igreja, o pai de Walter deixou a<br />
fazenda e se tornou médico, fundando,<br />
mais tarde, uma clínica na Califórnia.<br />
Walter formou-se em Teologia no<br />
Healdsburg College (hoje Pacific Union<br />
College), em 1899. No verão de 1902,<br />
junto com o irmão Frank, participou<br />
de uma reunião campal em Fresno,<br />
Califórnia, onde A. G. Daniells desafiou<br />
os jovens a se envolver na missão da<br />
Igreja. Walter e Frank estavam entre os<br />
trinta jovens que responderam ao apelo.<br />
Walter se casou com Leola Gerow em<br />
12 de novembro de 1902. Pouco tempo<br />
depois, Walter, Leola e Frank partiram<br />
para a Espanha para trabalhar como<br />
missionários. Chegaram a Barcelona em<br />
22 de junho de 1903.<br />
Um ano depois, batizaram os<br />
primeiros três conversos locais. Muitos<br />
outros se converteram, até ser fundada<br />
a primeira igreja adventista da Espanha.<br />
Em 1905, Walter tornou-se o líder<br />
administrativo da Igreja na Espanha.<br />
Lope San Nicolas, um dos primeiros<br />
membros locais, também se tornou um<br />
missionário de sucesso. Lope despertou<br />
interesse pelo evangelho nos habitantes<br />
da pequena cidade de Baeza, localizada<br />
a cerca de 750 quilômetros a sudoeste<br />
de Barcelona. Pouco depois, convidou<br />
Walter para realizar uma série de palestras<br />
bíblicas na cidade.<br />
Em 13 de outubro de 1914, Walter<br />
chegou a Baeza. No dia 1º de novembro,<br />
foi enviado um telegrama para Frank,<br />
irmão de Walter, notificando que ele<br />
estava mortalmente enfermo. Frank<br />
e Leola foram rapidamente ao seu<br />
encontro. Walter morreu no dia 12 de<br />
novembro, com 35 anos, deixando três<br />
filhos e a esposa grávida. Mais tarde, um<br />
médico disse a Leola que Walter havia<br />
sido envenenado.<br />
No leito de morte, Walter disse:<br />
“Eu perdoo meus assassinos.” Ele foi<br />
enterrado no cemitério de Baeza. Dois<br />
meses mais tarde, sua esposa, ainda<br />
grávida, e os três filhos retornaram aos<br />
Estados Unidos. A sepultura de Walter<br />
foi profanada entre os anos de 1943 e<br />
1945, e seus ossos desapareceram.<br />
O prefeito de Baeza, D. Leocadio<br />
Marín, sua esposa e uma autoridade<br />
da cidade presidiram a cerimônia<br />
ocorrida em maio de 2010. A Igreja<br />
<strong>Adventist</strong>a foi representada por Jesús<br />
Calvo, líder da Igreja na Espanha, e por<br />
Andrés Tejel, diretor dos arquivos históricos<br />
da Igreja no país e organizador<br />
do evento. Outros pastores e vários<br />
membros da Igreja também estiveram<br />
presentes. O representante da Igreja<br />
<strong>Adventist</strong>a na sede administrativa da<br />
Europa, Roberto Badenas, descerrou a<br />
placa comemorativa.<br />
Nos últimos anos, as autoridades da<br />
cidade de Baeza restauraram os monumentos<br />
em memória daqueles que, no<br />
passado, se levantaram contra o regime<br />
totalitário da Espanha.<br />
Para concluir a cerimônia, o líder da<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a na Espanha leu uma<br />
carta dos descendentes de Walter Bond,<br />
que vivem nos Estados Unidos, e os<br />
participantes cantaram o hino preferido<br />
dele, “Há Um Rio Cristalino” (Hinário<br />
<strong>Adventist</strong>a, nº 553). A mídia local fez<br />
massiva cobertura do evento.<br />
O trabalho pioneiro de Walter<br />
Bond, que lhe custou a vida, não foi<br />
em vão. Hoje, a Igreja <strong>Adventist</strong>a tem<br />
mais de 15 mil membros na Espanha e<br />
muitas autoridades simpatizam com<br />
o movimento.<br />
– Com reportagem de Pedro Torres<br />
Martinez<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 7
A Igreja em Ação<br />
V I S Ã O M U N D I A L<br />
O texto a seguir foi extraído de um sermão pregado por Tiago<br />
White, em 5 de março de 1870, em Battle Creek, Michigan<br />
(EUA), durante seu segundo período como presidente mundial<br />
da Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia (1869-1871). Com Ellen<br />
White (sua esposa) e José Bates, Tiago é considerado um dos<br />
co-fundadores da Igreja. Ele também criou a <strong>Adventist</strong> Review<br />
(Revista <strong>Adventist</strong>a, nos EUA) e o ministério de publicações<br />
da Igreja. – Os editores<br />
“ A ssim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança,<br />
a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos<br />
graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb 4:16).*<br />
É nosso privilégio nos aproximarmos do trono da graça.<br />
É esse um trono do qual os pecadores se aproximam para<br />
encontrar julgamento e retribuição? Não! Podemos nos<br />
aproximar para encontrar graça, para encontrar perdão, para<br />
encontrar misericórdia. Vamos até lá para receber o pagamento<br />
pelo que fizemos? Certamente que não! Porque, depois<br />
de fazer tudo o que é possível, ainda somos “servos inúteis”<br />
(Lc 17:10). Somos convidados a ir a um lugar onde podemos<br />
encontrar graça, não retribuição. É nosso privilégio encontrar<br />
misericórdia e graça.<br />
Não Tema<br />
Como inicia o capítulo onde está o texto que lemos?<br />
“Temamos, portanto, que, sendo-nos deixada a promessa de<br />
entrar no descanso de Deus, suceda parecer que algum de vós<br />
tenha falhado” (Hb 4:1, Almeida Revista e Atualizada). Somos<br />
exortados a temer. Temer o quê? Não devemos temer que o<br />
Senhor deixe de ouvir nossa oração. Não precisamos temer,<br />
pois somos convidados a nos aproximar, com muita ousadia,<br />
do trono da graça. Os ouvidos de Deus estão sempre abertos.<br />
Não precisamos temer que, no Céu, haja falta de amor<br />
pelos pecadores. Depois de conceder a maior dádiva que o<br />
Céu possui, como Deus poderia deixar de conceder dádivas<br />
menores? Junto com a dádiva do Filho de Deus, recebemos<br />
a promessa do infinito amor de Deus pelos pecadores. Não<br />
há falta de amor por parte de nosso Deus. Quanto a isso, não<br />
precisamos temer.<br />
No entanto, em relação a algumas coisas, é preciso temer.<br />
É preciso vigiarmos a nós mesmos com cuidado e com<br />
grande temor, para não ofendermos alguém com a língua.<br />
Que órgão incontrolável é a língua, capaz de ofender ao<br />
semelhante (Tg 3:5, 8, 9)! Que terrível pecado! A língua é<br />
como chuva desoladora, como um incêndio incontrolável<br />
(versos 5, 6)! Devemos temer se nossas palavras não são boas,<br />
O sermão completo de Tiago White pode ser encontrado em<br />
Advent Review and Sabbath Herald (Revista do Advento e Arauto<br />
do Sábado), de 5 de agosto de 1873.<br />
8 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
para que não exerçam má influência sobre os outros ou sobre<br />
nós mesmos. Oh, como existe no mundo tanto falatório sobre<br />
coisas inúteis, tanta fofoca e tagarelice!<br />
Queridos irmãos e amigos, devemos temer ser dominados<br />
pelo amor ao mundo. Devemos temer se não conseguimos<br />
dominar a língua nem controlar o temperamento. Devemos<br />
temer a nós mesmos. Temer nossa incapacidade de resistir ao<br />
mal, mas jamais temer a capacidade do Senhor de nos salvar.<br />
Podemos nos atirar aos pés de Jesus, dizendo: “Sou indigno!”<br />
Podemos, no entanto, ao mesmo tempo cantar: “Digno,<br />
digno é o Cordeiro de Deus!” À medida que a presunção se<br />
enfraquece e percebemos que somos mais dependentes de<br />
Deus, a confiança no Senhor torna-se mais forte.<br />
Temos um Mediador<br />
Fico encantado com a sabedoria que encontramos no<br />
livro sagrado de Deus, especialmente no capítulo que lemos.<br />
Acompanhemos a leitura, prestemos muita atenção e tentemos<br />
enxergar toda a beleza desse texto. O capítulo começa<br />
com uma exortação: Temam e tremam, vigiem a vocês<br />
mesmos. Por outro lado, o apóstolo diz, no mesmo capítulo:<br />
“Portanto, visto que temos um grande Sumo Sacerdote que<br />
adentrou os Céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos<br />
com toda a firmeza à fé que professamos” (Hb 4:14). Muitos<br />
cristãos sofrem os ataques do inimigo, que lança sobre eles<br />
medo e insegurança, distorce o verdadeiro temor do Senhor e<br />
os conduz à dúvida e ao desespero.
Trono<br />
O<br />
da<br />
Graça Por<br />
Ouça o apóstolo. Não permita que o inimigo leve você<br />
ao desespero. Temos um Sumo Sacerdote que sente compaixão<br />
de nós e conhece nossas dificuldades. Ele, como nós,<br />
“passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado”<br />
(Hb 4:15). Ele quer nos salvar e tem poder para isso. Se<br />
você está desesperado e tremendo, olhe para cima! Você<br />
se sente totalmente indigno? Eu respondo: Amém! Porque<br />
você é indigno. Pode estar certo disso. Mas Jesus é digno. Ele<br />
é capaz. Ele deseja nos salvar e está pronto para fazer isso.<br />
Olhe, então, para cima! Olhe para cima! Ele é seu mediador.<br />
Ele é seu intercessor perante o Pai. Ele experimentou as suas<br />
dores, dificuldades, tristezas, desamparo e, por isso, sabe<br />
exatamente como ajudá-lo.<br />
Venha Corajosamente<br />
Tudo que dissemos até agora pode ser resumido nas<br />
palavras do apóstolo: “Aproximemo-nos do trono da graça<br />
com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e<br />
encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade”<br />
(Hb 4:16). Você não precisa ir até Deus com medo<br />
ou receio. Venha, com ousadia, em nome de Jesus. Aqueles a<br />
quem Ele mais perdoa, Ele mais ama. Os maiores pecadores,<br />
mas que vão a Ele arrependidos, encontrarão perdão proporcional<br />
a seus pecados. As bênçãos serão proporcionais<br />
aos erros cometidos. Você é um grande pecador? Então,<br />
tudo que precisa é um grande arrependimento, para receber<br />
grande perdão e grande bênção. Acheguemo-nos, confiantes,<br />
Tiago White<br />
ao trono da graça. Não devemos, porém, ir de forma<br />
desinteressada ou presunçosa.<br />
“Aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança.”<br />
Um trono representa um reino. Se há um trono da<br />
graça, há também um reino da graça. Lamento que os adventistas<br />
geralmente pensem que, na Bíblia, “reino de Deus”<br />
e “reino do Céu” sempre se refere ao reino futuro de Deus.<br />
Sem dúvida, eu aguardo o reino eterno de Deus, que virá<br />
no futuro. Mas, no relacionamento de Deus com Seu povo,<br />
a palavra “reino” pode ter dois sentidos. Às vezes, a Bíblia se<br />
refere a um desses sentidos; outras vezes, se refere ao outro<br />
sentido. Um é o reino da graça, ao qual pertence o “trono da<br />
graça” (Hb 4:16). Outro é o reino da glória,<br />
do qual é parte o “trono da glória” (ver Mt 25:31). O reino<br />
da graça existe agora. O reino da glória é futuro, será<br />
estabelecido quando Cristo voltar.<br />
Esse assunto é maravilhoso; não vamos, porém, falar<br />
de todos os detalhes agora. Neste momento, desejo apenas<br />
convidá-lo a buscar essa bênção, essa experiência mencionada<br />
por Paulo: “Não deixamos de orar por vocês e de pedir que<br />
sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus,<br />
com toda a sabedoria e entendimento espiritual. E isso para<br />
que vocês vivam de maneira digna do Senhor e em tudo<br />
possam agradá-Lo, frutificando em toda boa obra, crescendo<br />
no conhecimento de Deus” (Cl 1:9, 10). Amém!<br />
* Salvo outra indicação, os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão Internacional.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 9
J A N E L A<br />
Polônia<br />
Por Hans Olson<br />
Situada no centro da Europa, a Polônia representa o<br />
cruzamento entre a região oriental e ocidental do<br />
continente. Ela emergiu como nação no fim do século<br />
10 d.C. Naquele tempo, era a maior nação da Europa. No<br />
século 19, dois vizinhos da Polônia – o Reino da Prússia<br />
(atual Alemanha) e o Império Russo – se tornaram as duas<br />
superpotências do mundo. Em 1795, esses dois países<br />
dividiram a Polônia entre si, removendo-a do mapa múndi.<br />
Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Polônia<br />
reconquistou a independência, tornou-se uma nação soberana<br />
e o nono maior país da Europa.<br />
A Alemanha Nazista e a União Soviética invadiram a<br />
Polônia durante a Segunda Guerra Mundial. Cerca de seis<br />
milhões de poloneses, sendo a metade judia, morreram<br />
durante essa guerra. Ao final dela, o comunismo foi instalado<br />
na Polônia, que ficou atrás da “Cortina de Ferro” soviética.<br />
Em 1989, eleições livres introduziram um novo governo, que<br />
desencadeou a queda do comunismo na Europa.<br />
Mais da metade da Polônia é agrícola ou florestal. Em<br />
virtude de grande parte de seu território não ser desenvolvido,<br />
a Polônia torna-se um refúgio para muitos animais e plantas<br />
que há muito já desapareceram do resto da Europa. Entre<br />
os animais encontrados ali estão o bisão (boi selvagem da<br />
Europa), o urso marrom, o lobo cinza e o alce. Cerca de 25%<br />
dos pássaros migratórios da Europa reproduzem-se, todos os<br />
verões, nas terras úmidas da Polônia.<br />
ALEMANHA<br />
REPÚBLICA<br />
TCHECA<br />
A Igreja em Ação<br />
por Dentro<br />
Baltic Sea<br />
POLÔNIA<br />
RUSSIA<br />
Varsóvia<br />
ESLOVÁQUIA<br />
LITHUANIA<br />
BELARUS<br />
UCRÂNIA<br />
HUNGARY<br />
ROMANIA<br />
10 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
<strong>Adventist</strong>as na Polônia<br />
O cristianismo esteve presente na Polônia desde o início<br />
da nação. O primeiro rei da Polônia, Mieszko I, tornou-se<br />
cristão por volta do ano 966 d.C. e transformou a Polônia<br />
num Estado de soberania cristã. Ainda hoje, a Igreja Católica<br />
Romana é uma força influente no país.<br />
Em 1888, dois adventistas, J. Laubhan e H. Szkubowicz,<br />
mudaram-se da Crimeia (oeste da Rússia) para o leste da<br />
Polônia, onde iniciaram uma congregação adventista. Três<br />
anos mais tarde, fundaram uma igreja em Zarnowska. A<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a lutou para conseguir o reconhecimento do<br />
Estado, enquanto continuava a crescer. Por um tempo, todos<br />
os prédios de igreja deviam ser privados.<br />
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a<br />
Alemanha e a União Soviética declararam a Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />
como ilegal. Após a guerra, a Igreja foi restabelecida e<br />
começou a crescer novamente.<br />
A queda do comunismo trouxe total liberdade religiosa<br />
aos adventistas. Embora a conquista da liberdade religiosa<br />
fosse boa, a nação tornou-se bastante secular. Nos últimos<br />
15 anos, a Igreja <strong>Adventist</strong>a cresceu muito pouco em número<br />
de membros. Para ajudar as igrejas locais a evangelizar suas<br />
comunidades, a Igreja <strong>Adventist</strong>a decidiu oferecer um local<br />
para crescimento espiritual, onde seus membros possam<br />
fortalecer seu relacionamento com Deus e levar outros a Ele.<br />
O local é chamado Acampamento de Zatonie.<br />
O Acampamento de Zatonie, anualmente, alcança várias<br />
centenas de crianças. Mas o governo polonês está exigindo<br />
que os prédios do acampamento sejam modernizados.<br />
Esse é um grande desafio financeiro para os cerca de 5.700<br />
adventistas da Polônia. Parte da oferta do décimo terceiro<br />
sábado deste trimestre ajudará a completar a reforma e a<br />
tornar o acampamento ainda mais útil para compartilhar o<br />
amor de Deus.<br />
Para saber mais sobre a missão<br />
da Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo<br />
Dia ao redor do mundo, visite<br />
www.<strong>Adventist</strong>Mission.org.<br />
POLÔNIA<br />
Capital: Varsóvia<br />
Idioma Oficial: Polonês<br />
Religiões principais: Católica Romana e<br />
Ortodoxa Oriental<br />
População: 38,1 milhões*<br />
<strong>Adventist</strong>as: 5.748*<br />
<strong>Adventist</strong>a por habitantes: 1 por 6.629*<br />
* Arquivos Estatísticos da Associação Geral, 146º Relatório Estatístico Anual (2008)<br />
K R I S T A D A V I S
De tempos em tempos, ouvimos dizer que os alimentos feitos com soja não são saudáveis. Qual sua opinião a respeito?<br />
Os alimentos feitos com soja<br />
variam desde o grão cozido<br />
até produtos refinados e<br />
altamente processados. A soja foi<br />
popularizada especialmente pelos<br />
adventistas, que encontram nela boa<br />
fonte de proteína. Os aminoácidos, que<br />
são os blocos construtores de proteína,<br />
são encontrados em quase todos os<br />
alimentos vegetais. Portanto, o único<br />
problema que o vegetariano pode<br />
enfrentar com a proteína é se sua dieta<br />
não for variada e equilibrada.<br />
As fontes de proteína vegetal frequentemente<br />
não possuem um ou dois<br />
aminoácidos essenciais, e o feijão da<br />
soja é um produto que oferece maior<br />
variedade de aminoácidos. O uso de<br />
produtos animais fornece boa quantidade<br />
de aminoácidos em um único<br />
alimento. Tal vantagem dos produtos<br />
animais sobre os vegetais, porém, não<br />
prevalece se comparada a uma mistura<br />
de alimentos. Para o vegetariano, a<br />
mistura de grãos com legumes e nozes<br />
provê a quantidade completa de aminoácidos,<br />
plenamente satisfatória para<br />
todos os tipos de pessoas: atletas, adolescentes<br />
em crescimento e até grávidas.<br />
Isso significa que os produtos da soja,<br />
bons como são, não têm necessariamente<br />
que fazer parte da dieta vegetariana<br />
para que seja satisfatória.<br />
Há, entretanto, outras vantagens na<br />
soja, não relacionadas a aminoácidos.<br />
Embora haja evidências de várias<br />
vantagens da soja, essa evidência não<br />
é totalmente conclusiva, porque os<br />
estudos sobre os efeitos dos alimentos<br />
F O T O : L U I Z B A L T A R<br />
Soja<br />
A<br />
Saudável ?<br />
Por Allan R. Handysides<br />
e Peter N. Landless<br />
são muito difíceis de ser realizados. No<br />
entanto, é provável que a soja ofereça a<br />
proteção das isoflavonas e outros fitoquímicos<br />
que diminuem o risco de câncer.<br />
Para o homem, um copo de leite de soja<br />
aparentemente fornece módica proteção<br />
nos casos de câncer de próstata.<br />
Aqueles que são contra a soja<br />
utilizam vários tipos de argumentos.<br />
Alguns mencionam situações nas quais<br />
pássaros alimentados essencialmente<br />
com uma dieta de soja desenvolveram<br />
bicos tortos. Outros citam estudos que<br />
sugerem um aumento de demência nos<br />
que consomem alta quantidade de soja.<br />
O mais importante, no entanto, é reconhecer<br />
que esses estudos são inconclusivos.<br />
Aqueles que são contrários à soja<br />
atribuem a esses estudos mais ênfase e<br />
valor do que merecem.<br />
Há alguns meses, um estudo muito<br />
bem conduzido, baseado em ampla<br />
pesquisa, foi publicado por The Journal<br />
of the American Medical Association<br />
(JAMA, 9 de dezembro de 2009, v. 302,<br />
nº 22) sobre o consumo da soja e o<br />
câncer de mama. Esse estudo, realizado<br />
entre mulheres na China, classificou<br />
o consumo da soja em quatro grupos<br />
de pessoas e o correlacionou com a<br />
sobrevivência ao câncer de mama. Mais<br />
de 5 mil mulheres, estudadas por<br />
cerca de cinco anos, sobreviveram ao<br />
câncer de mama. As que pertenciam ao<br />
grupo de maior consumo de soja<br />
tiveram cerca de 30 a 40% menos reincidência<br />
do câncer. Elas experimentaram<br />
essa vantagem apesar da condição do<br />
receptor de estrogênio do tumor, mas<br />
S A Ú D E N O M U N D O<br />
é<br />
não aumentou onde o consumo excedeu<br />
os 11 gramas diários de proteína<br />
da soja.<br />
Isso sugere que os benefícios da soja<br />
têm seus limites. Uma das dificuldades<br />
de aplicar essa vantagem para os países<br />
ocidentais, por exemplo, é que os chineses<br />
costumam consumir a soja em seu estado<br />
natural (integral), não a proteína texturizada<br />
usada em outras partes do mundo.<br />
Certamente, os produtos da soja “natural”<br />
como o leite, tofu, feijão ou missô (tempero<br />
tradicional japonês) parece conferir<br />
vantagem às sobreviventes do câncer de<br />
mama. Por ser um estudo de alta qualidade,<br />
é bastante relevante para o câncer<br />
de mama e é um incentivo para os que<br />
consomem a soja, especialmente o grão.<br />
Mesmo que o benefício para esse<br />
tipo de situação não se aplique a todo<br />
o espectro de vantagens e desvantagens<br />
potenciais, é um apoio à nossa recomendação<br />
de que quantidades moderadas<br />
de soja sejam utilizadas numa dieta<br />
vegetariana equilibrada.<br />
Allan R. Handysides, M.B.,<br />
Ch.B., FRCPC, FRCSC, FACOG,<br />
é diretor do Departamento de<br />
Saúde da Associação Geral.<br />
Peter N. Landless, M.B.,<br />
B.Ch., M.Med., F.C.P.(SA),<br />
F.A.C.C., é diretor-executivo da<br />
ICPA e diretor-associado do<br />
Departamento de Saúde da<br />
Associação Geral.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 11
D E V O C I O N A L<br />
Como cirurgião, minha missão<br />
é restaurar pessoas feridas.<br />
No entanto, mesmo após<br />
passar a maior parte de minha vida na<br />
“panela de pressão” da faculdade e da<br />
residência cirúrgica, percebo que essas<br />
mãos supostamente talentosas, em<br />
realidade, podem fazer muito pouco.<br />
Não posso curar o espírito. Não posso<br />
curar a alma. De fato, sou incapaz de<br />
curar até mesmo o corpo.<br />
O que<br />
aprendi, como<br />
cirurgião,<br />
sobre a salvação<br />
Hérnias<br />
Espirito<br />
e o<br />
Por<br />
Marvin<br />
Atchison<br />
É certo que eu sei cortar e suturar<br />
habilmente. Contudo, a cura completa<br />
depende da restauração realizada pelo<br />
próprio corpo, incorporando o material<br />
da prótese ou aumentando a resposta<br />
imune ao apêndice gangrenado, a uma<br />
bexiga inchada ou a uma massa cancerosa<br />
extirpada. Tudo isso requer a ação<br />
do que poderíamos chamar de “graça<br />
biológica”, a incrível habilidade do corpo,<br />
dada por Deus, de se regenerar e superar.<br />
Nenhum Justo, Nem Um Só<br />
O ditado: “Médico, cura-te a ti<br />
mesmo” (Lc 4:23)* expõe uma falha fundamental<br />
e aparente em todos os médicos<br />
introspectivos. Trabalhamos para curar<br />
os outros, enquanto nós mesmos estamos<br />
feridos. Os ferimentos podem estar em<br />
nosso corpo, porque somos, muitas vezes,<br />
ineficientes mordomos do templo de nosso<br />
corpo e temos uma expectativa de vida<br />
menor do que a média dos pacientes.<br />
Esse ferimento íntimo pode ser<br />
12 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
revelado em um espírito infeliz,<br />
emoções desgovernadas e profundos<br />
problemas de relacionamento. Mais<br />
acertadamente, isso se aplica à alma e a<br />
nossa relação com Deus. Necessitamos<br />
de um Médico e, quanto mais longe<br />
vamos, mais nos ferimos.<br />
Num esforço para recuperar essa<br />
proximidade perdida, de redescobrir e experimentar<br />
mais uma vez a realidade e a<br />
bênção da salvação em Jesus Cristo, decidi<br />
estudar mais profundamente o tesouro<br />
de Sua Palavra e a luz profética dada por<br />
Deus aos adventistas. Nessa busca, fiquei<br />
impressionado com a natureza cirúrgica<br />
do trabalho do Espírito Santo. “A santificação<br />
da alma pela operação do Espírito<br />
Santo é a implantação da natureza de<br />
Cristo na humanidade” (Ellen G. White,<br />
Mensagens Escolhidas, v. 3, p. 198).<br />
Nesse texto, a escritora utiliza<br />
termos cirúrgicos. Em primeiro lugar,<br />
ela fala sobre “operação”. Além disso,<br />
um material estranho incorporado ao<br />
corpo é um implante,<br />
seja ele em forma de prótese,<br />
mistura de materiais<br />
ou tecidos doados. As palavras<br />
da escritora são similares àquelas<br />
relacionadas às muitas hérnias<br />
que trato em meu consultório, o que<br />
me leva a comparar uma herniorrafia<br />
(reparação da hérnia) com a salvação.<br />
As hérnias, assim como o pecado, são<br />
comuns à humanidade e são encontradas<br />
em todas as idades, gêneros, regiões e<br />
pessoas de todo o mundo. Há inúmeros<br />
subtipos de hérnias, mas a maioria ocorre<br />
em locais pouco habituais, nas zonas<br />
de fraqueza congênita ou adquirida,<br />
como a virilha, o umbigo e em cicatrizes<br />
cirúrgicas. Apesar das diferenças, todas<br />
as hérnias possuem o mesmo risco<br />
potencialmente fatal de encarceramento<br />
e subsequente estrangulamento, fazendo<br />
com que o órgão envolvido fique preso<br />
na hérnia e, em seguida, comprometa o<br />
suprimento de sangue.<br />
A N D R E Y K I S E L E V
Justificado Gratuitamente<br />
por Sua Graça...<br />
Para pacientes com esse problema,<br />
que coloca a vida em risco, o tratamento<br />
envolve dois componentes distintos<br />
e fundamentais: redução e correção,<br />
que podem ser comparados aos componentes<br />
da salvação: justificação e<br />
santificação. A sobrevivência do órgão<br />
com hérnia depende de urgente redução,<br />
pressionando-o de volta a seu lugar<br />
anatômico apropriado.<br />
A redução de uma hérnia é uma<br />
arte, algo aprendido durante anos de<br />
estudo e prática. Frequentemente, sou<br />
chamado ao setor de emergência para<br />
avaliar pacientes com hérnia supostamente<br />
encarcerada, que resistiu às mais<br />
de sangue, ela não resolve a causa do<br />
problema, o defeito físico que causou a<br />
doença aparente. Se a hérnia for apenas<br />
reduzida, ela poderá se projetar de novo,<br />
com risco de estrangulamento. Assim, o<br />
problema subjacente deve ser tratado.<br />
Hoje, a herniorrafia geralmente<br />
envolve o implante de uma tela de tecido<br />
poroso de polipropileno, poliéster,<br />
colágeno ou outro material. Essa tela<br />
é suturada ao local, mas a verdadeira<br />
força da correção acontece nas semanas<br />
seguintes, quando o corpo se incorpora<br />
às fibras da tela.<br />
De forma semelhante, o trabalho<br />
do Espírito Santo é operar, implantando<br />
não uma tela, mas a natureza<br />
de Cristo. Ela não é uma prótese<br />
Santo<br />
insistentes tentativas do pessoal da<br />
emergência.<br />
Por que eles me chamam? Sou<br />
chamado porque minhas mãos são<br />
habilidosas nessa área. Elas passaram pelo<br />
fogo da residência cirúrgica; venceram<br />
uma legião de hérnias, reduzindo-as e<br />
realizando sua correção definitiva. Da<br />
mesma forma, estamos todos morrendo<br />
espiritual e eternamente, a menos que<br />
sejamos tocados por mãos qualificadas.<br />
Não as minhas, mas as mãos de um<br />
Judeu que carregam as cicatrizes de um<br />
terrível sofrimento. Ele pode socorrer. Ele<br />
pode salvar. Só Ele pode justificar a alma.<br />
E Esta é a Vontade de Deus:<br />
a Sua Santificação...<br />
Embora a redução da hérnia<br />
resolva imediatamente a<br />
preocupação com o risco<br />
de morte, pois restaura a<br />
disposição anatômica<br />
correta e o fluxo<br />
inanimada; é, na realidade, um enxerto<br />
vivo. “Permaneçam em Mim, e Eu<br />
permanecerei em vocês”, disse Jesus<br />
(Jo 15:4). Quando a natureza de Jesus<br />
é implantada em mim e, através do<br />
processo diário (e, às vezes, doloroso),<br />
eu cresço nEle e Ele cresce em mim.<br />
Não por Obras, Para que<br />
Ninguém se Glorie...<br />
Periodicamente, os pacientes me<br />
perguntam que tipo de exercícios podem<br />
fazer para curar sua hérnia. O problema<br />
é causado pela flacidez do músculo e<br />
pode ser remediado com exercícios de<br />
fortalecimento. Na verdade, a deficiência<br />
não é propriamente no músculo, mas no<br />
tecido conjuntivo, denominado fáscia.<br />
Esse tecido proporciona força à parede<br />
abdominal.<br />
Infelizmente, uma vez que esse<br />
tecido é rompido, geralmente o corpo é<br />
incapaz de repará-lo sem a intervenção<br />
de um cirurgião, para quem “a chance<br />
de um corte é uma chance de cura”.<br />
Eu não posso curar a mim mesmo,<br />
não importa quanto exercício ou<br />
atividades faça. Meus maiores esforços<br />
são, na melhor das hipóteses, apenas<br />
uma cinta para a hérnia, um suporte<br />
mecânico para simplesmente comprimi-la,<br />
minimizar o desconforto e fazer<br />
com que a protuberância seja menos<br />
perceptível. Eu preciso do grande<br />
Cirurgião, o único que pode me curar.<br />
Pela Graça de Cristo, Prossigo<br />
Apesar da utilidade de todas as<br />
analogias, elas têm um limite. Aqui,<br />
precisamos dar um passo adiante e<br />
considerar-nos como filhos perdidos<br />
de Deus. Em lugar de ficar julgando e<br />
Estamos todos morrendo espiritual<br />
e eternamente, a menos que sejamos<br />
tocados por Mãos qualificadas.<br />
condenando, como é a propensão dos<br />
supostos justos, precisamos lidar com os<br />
pecadores como lidaríamos com os<br />
nossos amigos e parentes que têm hérnia.<br />
William Law, o famoso sacerdote<br />
anglicano do século 18, já dizia: “Temos<br />
que nos posicionar contra o pecado<br />
como fazemos contra as doenças, mostrando-nos<br />
gentis e compassivos para<br />
com o doente” (Um Sério Chamado a<br />
uma Vida Devota e Santa, capítulo 20).<br />
Só então poderemos ser emissários da<br />
graça para o caído, não os afastando,<br />
mas levando-os em direção ao grande<br />
Cirurgião.<br />
*Todos os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão<br />
Internacional.<br />
Marvin Atchison é<br />
médico e mora em Orange<br />
County, Califórnia, EUA.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 13
V I D A A D V E N T I S T A<br />
sol quente brilhava sobre o Haiti, a “pérola do Caribe”,<br />
O naquela terça-feira, 12 de janeiro de 2010. Ninguém<br />
imaginava como terminaria aquele dia.<br />
A caravana do projeto Siga a Bíblia havia chegado<br />
ao Haiti alguns dias antes e estava sendo visitada,<br />
com grande interesse, pelos alunos da Universidade<br />
<strong>Adventist</strong>a do Haiti (veja “Siga a Bíblia”, <strong>Adventist</strong><br />
<strong>World</strong>, julho de 2010, p. 16-18). O programa iniciara às<br />
16h00 com hinos, seguidos por orações e uma mensagem<br />
espiritual. Algumas Bíblias haviam sido distribuídas para<br />
alunos não adventistas e, como capelão da Universidade,<br />
encerrei o programa com uma oração de entrega. Com o<br />
coração aberto para o Espírito Santo e ajoelhada, a<br />
congregação orou comigo. Como eu gostaria que aquele<br />
maravilhoso momento de paz durasse para sempre!<br />
Entretanto, cinco minutos depois, o nosso mundo, como<br />
o conhecíamos, acabou.<br />
Atingidos pelo Terremoto<br />
Um silêncio mortal invadiu o auditório. Então, como se<br />
um tanque de guerra tivesse entrado no prédio, ouvi a terrível<br />
conturbação. Não compreendi o que estava acontecendo. Todas<br />
as pessoas fugiram, enquanto eu fiquei ali, fixado à plataforma.<br />
Olhei para cima e vi o telhado, preso por fortes vigas de aço,<br />
abrir-se, revelando o céu de azul profundo. Atordoado, vi quando<br />
o telhado se fechou outra vez. A parede de quase 6 metros,<br />
atrás da plataforma, parecia construída de papelão, tremendo<br />
como se estivesse pronta para cair sobre mim. Em vez de correr<br />
para um lugar seguro, porém, fiquei onde estava, paralisado.<br />
As ripas das janelas haviam sido arrancadas, deixando<br />
para trás uma trilha de fumaça branca. Os fios que ligavam as<br />
caixas de som faiscavam como que avisando sobre o grande<br />
perigo que ainda estava por vir.<br />
Durante os 35 segundos do terremoto, eu não conseguia<br />
parar de imaginar o que estaria acontecendo. Enquanto observava<br />
o desenrolar daquelas cenas espantosas, pensei como<br />
seria imprudente ir pelo corredor central em direção à saída,<br />
e arriscar ser atingido pelos destroços do prédio. Foi quando<br />
percebi dois alunos de Teologia ajoelhados, orando. Disseram-me,<br />
mais tarde, que pensaram ser essa a melhor posição<br />
para enfrentar a morte.<br />
Desolação e Destruição<br />
Quando cessou o primeiro choque, peguei a mochila que<br />
havia deixado na cadeira e calmamente caminhei em direção<br />
à saída. Foi apenas quando cheguei perto dos degraus que<br />
sustentavam as arquibancadas, que percebi que estavam<br />
rachadas e em breve iriam desmoronar. Corri para fora.<br />
Quando cheguei do lado de fora, encontrei desolação em<br />
todos os lugares: dois terços do prédio do seminário teológico<br />
estavam destruídos, como também grande parte dos dormitórios<br />
masculino e feminino, a casa publicadora e o prédio de<br />
expedição. A livraria da universidade e o muro de proteção do<br />
14 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
Por<br />
Jerry Jean<br />
O Que a<br />
Terra Terra<br />
Está nos<br />
Dizendo?<br />
Sobrevivente do terremoto<br />
campus estavam caídos. Os alunos estavam deitados no chão,<br />
chorando, incapazes de ficar em pé. Hinos de louvor saíam de<br />
seus trêmulos lábios, agradecendo ao Deus misericordioso por<br />
poupar-lhes a vida.<br />
Com os joelhos tremendo e incapaz de falar mais que<br />
algumas palavras, pedi um telefone celular para falar com minha<br />
esposa, mas logo percebi que não havia sinal. Angustiado,<br />
imaginava como estariam ela e as crianças. Todos os alunos<br />
que estavam dentro do auditório estavam vivos; mas, e a minha<br />
família? Graças a Deus, mais tarde soube que a vida deles<br />
também havia sido protegida por Ele.<br />
Problema Antigo<br />
Os terremotos reduzem a vida à sua dimensão mais básica,<br />
varrendo nosso conforto e certezas. Quando ocorreu o famoso<br />
terremoto de Lisboa, em 1º de novembro de 1755, muitas<br />
pessoas estavam na igreja celebrando o Dia de Todos os Santos.<br />
As rezas e crucifixos não fizeram nada para salvá-los. Eles foram<br />
enterrados vivos. Os que conseguiram escapar para a ponte de<br />
atracação de mármore, no porto, em seguida foram engolidos<br />
por um gigante tsunami, provocado por um tremor dentro do<br />
mar, na costa de Portugal. Aqueles que assistiram a essa cena<br />
foram atingidos pelo fogo que engoliu o que restava da cidade.<br />
Dos 250 mil habitantes de Lisboa, entre 50 e 60 mil morreram.<br />
Esse evento afetou profundamente toda a Europa. Descrições<br />
do terremoto foram amplamente divulgadas e discutidas
R O B E R T K Y L E / A D V E N T I S T R I S K M A N A G E M E N T<br />
no Haiti conta sua história.<br />
em todo o continente até o fim do século 19. Ellen White<br />
menciona esse terremoto em seus escritos. Ela cita Apocalipse<br />
6:12: “Observei quando Ele [o Cordeiro] abriu o sexto selo.<br />
Houve um grande terremoto. O sol ficou escuro como tecido<br />
de crina negra, toda a lua tornou-se vermelha como sangue”<br />
(NVI). Então, Ellen White comenta: “Estes sinais foram testemunhados<br />
antes do início do século XIX. Em cumprimento<br />
desta profecia ocorreu no ano 1755 o mais terrível terremoto<br />
que já se registrou. Posto que geralmente conhecido por<br />
terremoto de Lisboa, estendeu-se pela maior parte da Europa,<br />
África e América do Norte” (O Grande Conflito, p. 304).<br />
Uma testemunha ocular recorda que “essa grande e opulenta<br />
cidade agora não é nada mais que um vasto amontoado<br />
de ruínas; ricos e pobres estão no mesmo nível; milhares<br />
de famílias, que no dia anterior desfrutavam de situação<br />
favorável, estão agora espalhadas pelos campos, procurando<br />
todas as comodidades da vida, não encontrando ninguém<br />
que os alivie” (Charles Davy, Modern History Sourcebook, em<br />
www.fordham.edu/halsall/mod/1755lisbonquake.html). Com<br />
muita exatidão, essas palavras descrevem as circunstâncias<br />
que estávamos enfrentando em nosso campus.<br />
Advertências<br />
Jesus advertiu sobre os desastres que viriam. Ele disse que<br />
haveria “fomes e terremotos em vários lugares” (Mt 24:7,<br />
NVI) e acrescentou que “tudo isso será o início das dores”<br />
(verso 8, NVI). O século 20 presenciou grande parte desses<br />
acontecimentos; alguns terremotos ultrapassaram o de<br />
Lisboa. E o número e a intensidade estão aumentando.<br />
Segundo o site do U.S. Geological Survey (pesquisa geológica<br />
dos EUA), foram registrados entre 19 e 48 terremotos de<br />
intensidade de 6.0 ou mais na escala Richter (que vai até 10),<br />
durante o último século. Entre os anos 2000 e 2009, houve<br />
309 terremotos com essa intensidade. Nos últimos dez anos,<br />
houve quase tantos terremotos com a intensidade de<br />
6.0 ou mais que nos noventa anos anteriores. Veja no site<br />
http://earthquake.usgs.gov/earthquakes/world/historical.php.<br />
Esteja Pronto<br />
Agora é o tempo de nos prepararmos para o breve<br />
retorno de Jesus. Minha experiência no terremoto do Haiti<br />
convenceu-me disso. Agora tenho mais consciência de quão<br />
frágil é a vida humana, especialmente sem Deus. Tudo o<br />
que tinha qualquer indício de orgulho ou arrogância perdeu<br />
completamente o valor naquele dia fatídico. Tudo o que nos<br />
separava uns dos outros – a cor da pele, situação social, nível<br />
de instrução – tornou-se sem sentido. Que preciosa lição para<br />
aprender enquanto nos preparamos para a eternidade!<br />
Quão perto estamos da vinda de nosso Salvador? Não<br />
sabemos com certeza, mas aqueles que experimentaram o<br />
terremoto e sobreviveram a ele estão certos de que vivemos<br />
em tempo emprestado. Muitas vidas foram poupadas pela<br />
misericórdia de Deus. Outras não, incluindo centenas de<br />
adventistas. Temos a esperança de que, quando Jesus voltar,<br />
veremos novamente nossos irmãos e irmãs em Cristo no lar<br />
celestial. Mas o que dizer daqueles que não estavam prontos<br />
para se encontrar com Deus?<br />
Creio que o Todo-poderoso, em Sua infinita misericórdia,<br />
preservou minha vida para que eu cumprisse com mais<br />
dedicação o mandato confiado por Ele a todos os Seus<br />
discípulos, para ajudar a preparar as pessoas para a segunda<br />
vinda de Cristo. Meu ministério também terá um novo<br />
direcionamento; oro para que ele seja caracterizado por mais<br />
tato, sensibilidade e compaixão.<br />
Nosso Senhor voltará, conforme Ele prometeu. Precisamos<br />
estar prontos, testemunhar e orar. Não permita que as<br />
coisas deste mundo expulsem do coração o amado Salvador.<br />
Logo este mundo, por mais atraente que possa parecer,<br />
desaparecerá como fumaça. Eu aguardo ansiosamente aquela<br />
gloriosa manhã, quando verei, outra vez, os queridos que<br />
agora dormem em Cristo. E, sobretudo, contemplarei a face<br />
de meu Salvador!<br />
Jerry Jean é ex-capelão da Universidade<br />
<strong>Adventist</strong>a do Haiti, em Diquini, próximo a<br />
Porto Príncipe.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 15
A R T I G O D E C A PA<br />
Direita: FÉ EM AÇÃO: Delia e<br />
Hipólito Oljeda, os pais de Léo,<br />
abriram o coração e a casa para os<br />
amigos de Léo e membros da JAM.<br />
Abaixo: TRABALHO DE EQUIPE: O<br />
grupo da JAM, a família de Léo e<br />
alguns irmãos adventistas das<br />
cidades vizinhas posam em frente<br />
à igreja parcialmente construída.<br />
S O N I A K R U M M<br />
Acima: PRIMEIRO FRUTO: O construtor<br />
que continuou trabalhando na<br />
construção da igreja foi a primeira<br />
pessoa a ser batizada.<br />
Acima: Léo Ojeda.<br />
Fogueıra<br />
Por Sonia<br />
Krumm<br />
Nikolaus<br />
Centelha<br />
A<br />
que Acendeu uma<br />
S O N I A K R U M M
Era uma linda tarde de verão. O<br />
lago azul parecia um tapete ao pé<br />
dos picos nevados da Cordilheira<br />
dos Andes. As áreas mais baixas das<br />
montanhas eram cobertas por diferentes<br />
tipos de vegetação.<br />
Léo, que tinha 21 anos de idade,<br />
parou para tomar fôlego e olhar ao redor.<br />
A água corrente de um riacho refletia a<br />
expressão de felicidade do rapaz. A beleza<br />
da natureza o impulsionava a cantar<br />
em gratidão a Deus. Que pena que ele<br />
havia deixado seu acordeão em casa! O<br />
instrumento que ele tanto amava estava<br />
a mais de 2.400 quilômetros de distância,<br />
na casa de seus pais, em uma pequena<br />
cidade chamada Campo Hermoso.<br />
A paisagem no sul era de um<br />
mundo totalmente diferente de sua<br />
cidade natal, na província de Chaco,<br />
região norte da Argentina. As planícies<br />
alcançavam o horizonte, e os brancos<br />
campos de algodão circundavam as<br />
poucas árvores que sobrevivem às altas<br />
temperaturas da região.<br />
Como a<br />
morte de um<br />
jovem cristão<br />
tornou-se<br />
uma bênção<br />
para centenas<br />
de pessoas.<br />
Léo arrumou o boné e continuou<br />
caminhando com seus amigos colportores.<br />
Era um lindo sábado à tarde. Não<br />
importava quanto já tinham andado e<br />
trabalhado naquela semana, visitando<br />
cada uma das casas, levando a palavra<br />
impressa a todos os cantos; sempre<br />
havia tempo para uma caminhada de<br />
sábado com os amigos! Era muito bom<br />
cantar, compartilhar experiências e<br />
orar juntos. E dificilmente haveria um<br />
melhor lugar para recuperar as forças<br />
para a semana seguinte.<br />
Léo pensou em seus pais, Délia e<br />
Hipólito Ojeda, que o viram sair cheio<br />
de esperança. Ele era o primeiro filho<br />
dos Ojedas a estudar numa escola<br />
adventista. Como seria bom se seu<br />
irmão Darío também pudesse estudar<br />
lá! Ele também pensou em Blanquita,<br />
sua irmã mais velha. Que bom se ela<br />
retornasse à fé adventista, da qual havia<br />
se desviado. E quão maravilhoso seria se<br />
seus três irmãos mais novos pudessem<br />
ao menos ter uma igreja para se reunir<br />
todos os sábados em sua cidade natal!<br />
Naquele momento, Léo orou:<br />
Obrigado, Senhor, pelas bênçãos que<br />
Tu tens derramado sobre mim! Obrigado<br />
porque meus pais me ensinaram a Te<br />
amar! Oro para que permaneças com<br />
minha família nesse exato momento e<br />
que eles também desfrutem da bênção<br />
de frequentar uma igreja, como eu. Ó<br />
Pai, eu Te amo tanto! Almejo o dia em<br />
que, finalmente poderei Te encontrar e Te<br />
abraçar! Esse é o meu maior sonho. Mas<br />
não quero estar sozinho. Oro para que<br />
minha irmã volte para os Teus braços,<br />
querido Deus. Obrigado pela linda<br />
paisagem; Tuas obras são maravilhosas!<br />
Eu Te amo, Senhor!*<br />
Lá na região norte, Délia, Hipólito<br />
e três de seus filhos estavam estudando<br />
a Bíblia. Todos os sábados, sua pequena<br />
casa se transformava em igreja<br />
doméstica. Hipólito tocava acordeão e<br />
Darío tocava violão. Todos na família<br />
cantavam alegremente. Faltava apenas a<br />
voz de Léo!<br />
Havia algumas figuras coloridas na<br />
pequena parede da sala de estar. Léo<br />
havia criado pinturas e presenteado a<br />
mãe, antes de viajar ao sul da Argentina<br />
para vender livros que custeariam<br />
suas despesas escolares. Ele estava no<br />
penúltimo ano do curso de Comunicação<br />
Social na Universidade <strong>Adventist</strong>a<br />
del Plata. Léo era o orgulho e esperança<br />
dos pais, alguém que – pensavam<br />
eles – poderia abrir as portas para que<br />
seus filhos mais novos também conseguissem<br />
estudar.<br />
Tempo de Chorar<br />
No sábado, 16 de fevereiro de 2008,<br />
o campus universitário, localizado na<br />
região central da Argentina, mais de<br />
1.600 quilômetros ao norte do local<br />
onde Léo estava colportando, entrou<br />
em choque. A notícia fora devastadora:<br />
“Enquanto Léo Ojeda caminhava<br />
por um riacho com forte correnteza,<br />
escorregou e foi levado pela água.<br />
Ele não foi encontrado”, disse alguém<br />
por telefone.<br />
Três dias depois, seus amigos da<br />
universidade e sua família choraram<br />
quando ouviram a notícia mais temida:<br />
as equipes de resgate haviam encontrado<br />
o corpo de Léo. A viva e alegre centelha<br />
havia se apagado. Como esquecer um<br />
amigo tão querido? Como enviá-lo,<br />
assim, de volta à sua família? Que palavras<br />
seriam apropriadas para confortar<br />
Sonia Krumm Nikolaus<br />
é professora na<br />
Universidade <strong>Adventist</strong>a<br />
del Plata, na Argentina.<br />
Ela, o esposo e os três filhos são membros<br />
ativos da JAM. Se quiser saber mais<br />
sobre esse projeto, escreva para<br />
capellan@uap.edu.ar.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 17
A R T I G O D E C A PA<br />
aqueles pais enlutados? Como entender<br />
a morte de um jovem saudável, de 21<br />
anos, que desejava apenas servir a Deus?<br />
A notícia também chocou a cidade<br />
natal de Léo. Embora muitos vizinhos<br />
não compartilhassem a fé da família<br />
Ojedas, todos naquela pequena cidade<br />
tinham carinho e respeito por eles. Enquanto<br />
Hipólito, o pai de Léo, trabalhava<br />
com manutenção e carpintaria nas casas<br />
dos vizinhos, frequentemente oferecia<br />
algum conselho, palavras de ânimo e<br />
até alguma receita vegetariana que havia<br />
aprendido. Os filhos dos Ojedas eram<br />
conhecidos na escola pelo bom comportamento,<br />
bondade e excelentes notas.<br />
Sempre que os outros pais perguntavam<br />
a Délia e Hipólito como seus filhos conseguiam<br />
não se envolver em problemas e<br />
com maus hábitos, eles aproveitavam ao<br />
máximo essas preciosas oportunidades<br />
para testemunhar de sua fé.<br />
Toda a cidade se reuniu para lamentar<br />
a morte do jovem Léo. Todos<br />
ouviram as confortadoras palavras<br />
compartilhadas pelo pastor Rodrigo<br />
Arias, o jovem capelão da universidade,<br />
que viajou até a cidade de Léo para esse<br />
triste evento. O maior impacto, entretanto,<br />
foi presenciar a paz que a família<br />
Ojeda mostrou diante dessa tragédia<br />
aparentemente insuperável. Os vizinhos<br />
comentavam: “Por mais que eles sejam<br />
religiosos, como podem suportar tanta<br />
dor sem gritar, desmaiar ou acusar<br />
alguém pelo infortúnio? De onde vem<br />
tanta força para que sigam vivendo e<br />
sorrindo, mesmo em meio às lágrimas?<br />
O que os torna tão fortes?”<br />
Tempo de Sonhar<br />
Poucas semanas mais tarde, o pastor<br />
Arias estava em seu escritório, lendo<br />
2 Coríntios capítulo 8. Ele conhecia<br />
muito bem a história por trás desse<br />
texto bíblico. A igreja na Macedônia<br />
havia abraçado os irmãos e irmãs em<br />
18 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
Jerusalém, não apenas em oração, mas<br />
enviando-lhes ajuda. Naquele momento,<br />
ele sentiu que Deus estava lhe dizendo<br />
algo: “Precisamos abraçar os Ojedas<br />
lá em Campo Hermoso. Devemos ir lá e<br />
construir uma igreja.”<br />
O pastor Arias falou sobre a ideia<br />
com Marly Müller, líder do grupo<br />
jovem da igreja da universidade. Juntos,<br />
começaram a orar para que o Senhor<br />
mostrasse o que fazer. Uma nova chama<br />
nasceu em seu coração e eles não deixariam<br />
que fosse apagada!<br />
Não precisaram esperar muito pela<br />
resposta. Quando falaram a outros<br />
jovens sobre o projeto, alunos de vários<br />
cursos e das mais variadas procedências<br />
começaram a orar juntos e a fazer<br />
planos com o mesmo objetivo: abraçar<br />
a família Ojeda, construindo uma igreja<br />
em sua cidade.<br />
Os alunos do ensino médio e da<br />
faculdade se uniram para formar o<br />
grupo Jovens <strong>Adventist</strong>as Missionários<br />
(JAM). Começaram pedindo que<br />
Deus enviasse as pessoas certas para o<br />
projeto e que lhes mostrasse algo ainda<br />
mais difícil: como conseguir o recurso<br />
para construir a igreja. Marcaram as<br />
férias de inverno, que estava apenas<br />
alguns meses à frente, como a data<br />
para o início da construção, e continuaram<br />
orando.<br />
O grupo cresceu e aumentava a cada<br />
dia. Logo, alguns professores da faculdade<br />
e líderes da igreja se uniram a eles.<br />
Os membros se organizaram e começaram<br />
a compartilhar o sonho com as<br />
outras igrejas locais. Pediram doações<br />
e começaram a bater de porta em porta<br />
na vizinhança. Também começaram<br />
a economizar para pagar a viagem e<br />
estada em Campo Hermoso.<br />
Esses jovens sentiram a mesma<br />
força motivadora que Léo havia sentido<br />
tantas vezes. Levados pela compaixão<br />
e motivados a servir, eles sonharam<br />
S O N I A K R U M M<br />
TEMPO DE ENSINAR: Muitas<br />
crianças são evangelizadas pelos<br />
alunos do curso fundamental em<br />
Campo Hermoso.<br />
em dar conforto e respostas para uma<br />
pequena cidade que não conhecia Jesus.<br />
Hora de Construir<br />
Em julho de 2008, apenas cinco<br />
meses depois da morte de Léo, aconteceu<br />
algo incrível. Equipados com baldes,<br />
ferramentas de pedreiro, Bíblias e sacos<br />
de dormir, 25 moços e moças e seis adultos<br />
chegaram a Campo Hermoso, uma<br />
cidade onde as visitas são uma raridade.<br />
Enquanto metade do grupo começava<br />
a construir a igreja, a outra metade<br />
visitava os vizinhos, batendo em todas<br />
as portas e convidando as pessoas a<br />
comparecer, à noite, às reuniões especiais<br />
de estudo da Bíblia. Diziam algo<br />
parecido com isto: “Bom dia, somos<br />
estudantes da universidade adventista<br />
em que o Léo estudava e estamos visitando<br />
a cidade para compartilhar um<br />
pouco do que ele gostaria de compartilhar<br />
com seus vizinhos.”
Em todos os lugares as portas eram<br />
abertas, e as pessoas respondiam:<br />
“Por favor, entre! Vocês eram colegas<br />
de classe do Léo! Que trabalho maravilhoso<br />
vocês estão fazendo aqui!”<br />
E as pessoas continuavam: “Como a<br />
família Ojeda ainda consegue viver<br />
feliz depois de tudo o que aconteceu?”<br />
Muitos diziam: “Estou tão deprimido;<br />
para mim, a vida não tem sentido.<br />
Como posso sentir a alegria que vocês<br />
demonstram?” Ou: “Estou cansado de<br />
ficar doente. Vejo que vocês realmente<br />
desfrutam a vida. Vocês têm uma<br />
aparência saudável e feliz. Quero saber<br />
qual é o segredo!”<br />
Todos os dias, antes do amanhecer<br />
e até tarde da noite, o grupo JAM se<br />
ajoelhava para agradecer a Deus por<br />
estar operando milagres. O fogo da<br />
missão incendiou Campo Hermoso.<br />
Logo que o sol se punha, visitantes<br />
e construtores eram transformados<br />
numa “perfeita” equipe de jovens evangelistas.<br />
Os próprios jovens dirigiam<br />
as reuniões, fazendo palestras sobre<br />
os oito remédios naturais e levando as<br />
pessoas a um encontro com Deus, à<br />
confiança em Sua Palavra e ao maravilhoso<br />
conforto de saber que Jesus está<br />
vivo e ama a todos.<br />
Toda a cidade ficou encantada. O<br />
prefeito declarou as palestras como de<br />
interesse municipal. Os membros da<br />
JAM foram entrevistados pela rádio<br />
local e realizaram palestras dirigidas<br />
aos pais e professores. Eles prometeram<br />
voltar com auxílio profissional para<br />
ajudar alguns vizinhos a superar o vício<br />
das drogas, álcool e fumo. Receberam<br />
centenas de matrículas para o curso<br />
bíblico e distribuíram muitas Bíblias,<br />
livros religiosos e revistas.<br />
Os dias, entretanto, passaram<br />
muito rápido. Quando as paredes<br />
da igreja estavam apenas na metade,<br />
contrataram um construtor local para<br />
continuar a obra. A administração da<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a na província decidiu<br />
enviar dois instrutores bíblicos para<br />
ajudar às pessoas que estavam sedentas<br />
para conhecer mais sobre a Palavra<br />
de Deus.<br />
Hora de Agradecer<br />
A família Ojedas não está mais<br />
sozinha em sua cidade. Há centenas<br />
de vizinhos que agora compreendem a<br />
fonte de sua força. Os Ojedas recebem<br />
mais pedidos de ajuda do que podem<br />
atender. A nova missão ocupa a maior<br />
parte de seu tempo. Hipólito enfrenta<br />
dificuldade para manter seu trabalho<br />
na carpintaria e Délia está ocupada<br />
cuidando dos dois obreiros bíblicos<br />
que estão hospedados na casa deles.<br />
Tantas mudanças em tão pouco tempo!<br />
Em fevereiro de 2009, apenas um<br />
ano após o enterro de Léo, muitos<br />
habitantes da cidade já haviam encontrado<br />
respostas para suas perguntas.<br />
A construção da nave principal da<br />
igreja, incluindo o telhado e banheiros,<br />
estava pronta. Naquele momento, 26<br />
pessoas entregaram a vida a Jesus e<br />
deram um testemunho público por<br />
meio do batismo. Uma das primeiras<br />
pessoas a ser batizada foi o construtor<br />
contratado para concluir o prédio<br />
da igreja.<br />
Aos sábados, muitas crianças<br />
participam da Escola Sabatina, mas<br />
reúnem-se ao lado da igreja, pois<br />
dentro não há espaço suficiente para<br />
elas. Muitos continuam estudando a<br />
Bíblia e há mais de setenta solicitações<br />
de cursos bíblicos. Aqueles que foram<br />
batizados estão se tornando instrutores<br />
bíblicos. Blanquita, a irmã mais velha de<br />
Léo, teve um novo encontro com Cristo<br />
e voltou para a igreja. Darío, o outro<br />
irmão, está estudando na Universidade<br />
<strong>Adventist</strong>a del Plata.<br />
Mais de um ano depois, os jovens<br />
da JAM continuam com aquele sonho:<br />
ver concluído o prédio da igreja. Eles<br />
se reúnem a cada sábado para orar pela<br />
cidade que aprenderam a amar de todo<br />
o coração. Diariamente, às 7 horas da<br />
manhã, eles oram pelas pessoas que<br />
estão estudando a Bíblia e pelos novos<br />
conversos. Alguns deles, de vez em<br />
quando, viajam para Campo Hermoso<br />
para assistir a batismos e manter contato<br />
com os Ojedas e sua nova família<br />
da igreja. O grupo da universidade e<br />
os habitantes de Campo Hermoso até<br />
arrumaram um meio de fazer o culto<br />
juntos, usando um telefone celular<br />
ligado a uma caixa de som.<br />
Chama que Nunca Morrerá<br />
Os membros da JAM conseguiram<br />
colocar um telhado na igreja, que<br />
abriga mais de sessenta pessoas todos os<br />
sábados. A igreja está crescendo e será<br />
dedicada oficialmente no fim deste ano.<br />
Você pode imaginar a alegria que haverá<br />
no Céu quando isso acontecer?<br />
A maior necessidade, agora, é conseguir<br />
recursos suficientes para contratar<br />
um obreiro bíblico que possa atender o<br />
grande número de pessoas ansiosas por<br />
estudar a Palavra de Deus, em Campo<br />
Hermoso.<br />
Meu grande desejo, enquanto<br />
escrevo esta história, é estar presente no<br />
momento em que Léo acordar de seu<br />
sono e encontrar sua família, o lindo<br />
grupo da igreja de Campo Hermoso e<br />
os jovens universitários que realizaram<br />
aquele trabalho! Que maravilhosa<br />
reunião será aquela, quando Jesus nos<br />
abraçar e der as boas-vindas ao Seu reino,<br />
onde não haverá mais morte, nem<br />
tristeza, nem choro! Finalmente, haverá<br />
respostas para todas as nossas perguntas<br />
não respondidas.<br />
Enquanto isso, Délia está sempre<br />
pronta. Todas as vezes que alguém<br />
pergunta como ela suportou a morte de<br />
seu filho, ela abre a Bíblia e lê com convicção:<br />
“‘Felizes os mortos que morrem<br />
no Senhor de agora em diante’. Diz o<br />
Espírito: ‘Sim, eles descansarão das suas<br />
fadigas, pois as suas obras os seguirão’”<br />
(Ap 14:13, NVI).<br />
*Essas palavras se baseiam em uma carta que Léo escreveu para<br />
Deus, poucos dias antes de sua morte. A carta foi encontrada<br />
na sua Bíblia.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 19
C R E N Ç A S F U N D A M E N T A I S<br />
N Ú M E R O 1 1Dores<br />
Crescimento<br />
do<br />
Crescimento Integral em Cristo<br />
Com frequência, as crianças e adolescentes sofrem de<br />
alguma dor de crescimento, até chegarem à vida adulta.<br />
A vida cristã não é uma exceção. Crescer em Cristo é<br />
um processo que leva à maturidade espiritual. Às vezes, isso<br />
envolve romper a ligação com os poderes espirituais que nos<br />
mantêm cativos e com falsos guias que nos prometem proteção<br />
e orientação. Essa libertação pode ser uma experiência dolorosa,<br />
especialmente para as pessoas que vêm de contextos culturais<br />
onde existem fortes laços comunitários. Mas, sem dúvida, com<br />
essa libertação, vem a alegre experiência de crescer em Cristo.<br />
Duas Comunidades em Tensão<br />
Quando alguém aceita a Cristo, abraçando a verdade<br />
bíblica e o estilo de vida adventista, às vezes surge uma tensão<br />
entre a comunidade em que ele nasceu e foi criado e a comunidade<br />
de fé a qual ele agora pertence. Alguém que aceita a<br />
Cristo não pode mais confiar no apoio espiritual de divindades,<br />
feiticeiros e “espíritos ancestrais” para ajudá-lo a enfrentar<br />
os demônios e as forças do mal. Médiuns, quiromantes<br />
(aqueles que leem as mãos) e adivinhos não mais o atraem.<br />
Toda ligação com líderes espiritualistas tem de ser rompida, e<br />
o filho recém-nascido de Deus deve confiar apenas no ministério<br />
de mediação, providência e proteção de Cristo.<br />
A Bíblia relata que o rei Saul, em uma situação de desespero,<br />
foi à procura de médiuns (1Sm 28:6, 7). O próprio Saul<br />
havia eliminado “os médiuns e os que consultam os espíritos<br />
da terra de Israel” (verso 9).* Portanto, ele estava voltando ao<br />
antigo caminho de apostasia e rebelião.<br />
Michael Mxolisi Sokupa, Ph.D., é professor<br />
de Novo Testamento no Helderberg College,<br />
África do Sul. É casado com Zanele e tem<br />
três filhos.<br />
20 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
Por Michael<br />
Mxolisi Sokupa<br />
Paulo faz um desafio aos cristãos de Colossos, que estavam<br />
sendo persuadidos a misturar suas antigas práticas pagãs<br />
com a fé cristã. Em Colossenses 2:20, ele pergunta: “Já que<br />
vocês morreram com Cristo para os princípios elementares<br />
deste mundo [os espíritos do mal], por que, como se ainda<br />
pertencessem a ele, vocês se submetem a regras” impostas<br />
pelos falsos mestres? A vida cristã não é compatível com<br />
nenhum poder espiritual controlado pelas forças do mal.<br />
Quebrando as Cadeias<br />
O indivíduo que tem laços com o mundo espiritualista<br />
enfrenta certos perigos. Quando ele fica doente e sofre<br />
infortúnios, isso será entendido como diretamente associado<br />
à rejeição de uma ajuda espiritual. Quebrar os laços com os<br />
líderes espiritualistas no contexto de tais comunidades, entretanto,<br />
significa lidar de uma nova maneira com os ritos de<br />
passagem e com a vida na comunidade. É muito difícil para<br />
um indivíduo conviver com uma comunidade imersa num<br />
emaranhado de “espíritos ancestrais” e líderes espiritualistas.<br />
Paulo escreveu as seguintes palavras de motivação aos<br />
colossenses, que enfrentavam desafios similares: “E, por<br />
estarem nEle, que é o Cabeça de todo poder e autoridade,<br />
vocês receberam a plenitude” (Cl 2:10). Isso não significa que<br />
esses poderes e autoridades (ou seja, os espíritos malignos)<br />
estão em harmonia com Cristo, mas que são dominados por<br />
Ele. O texto bíblico continua: “E, tendo despojado os poderes<br />
e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando<br />
sobre eles na cruz” (Cl 2:25). Nenhum cristão precisa se sentir<br />
ameaçado pelas forças do mal.<br />
A Transição<br />
A pessoa que antes confiava nos espíritos e em médiuns<br />
agora confia apenas em Deus. Durante essa transferência de<br />
confiança e fidelidade, é possível que o novo cristão sinta<br />
medo de que surjam problemas. Enquanto a tensão com a
família ou comunidade estiver aumentando,<br />
a fé precisa se tornar mais forte.<br />
Esse é o período mais crítico, e a família<br />
da igreja deve oferecer apoio.<br />
O novo seguidor de Cristo não deve<br />
romper o relacionamento com as pessoas<br />
– a comunidade e membros da família<br />
que acreditam nos espíritos –, mas<br />
romper com o sistema espiritualista. Isso<br />
significa que o cristão continuará a amar<br />
sua família e comunidade, e irá ajudá-los<br />
a conhecer e a apreciar sua nova vida<br />
em Cristo.<br />
Paulo encoraja os cristãos que<br />
estavam nessa transição e lhes oferece o apoio necessário: “Eu<br />
lhes digo isso para que ninguém os engane com argumentos<br />
que só parecem convincentes. Porque, embora esteja fisicamente<br />
longe de vocês, em espírito estou presente, e me alegro<br />
em ver como estão vivendo em ordem e como está firme a fé<br />
que vocês têm em Cristo” (Cl 2:4, 5).<br />
A Curva de Crescimento<br />
Quando uma pessoa assume um firme compromisso<br />
com Cristo, a comunidade de irmãos na fé se torna sua nova<br />
família. Novos relacionamentos são formados e surge um<br />
novo modo de vida. Essa transformação gradual afeta todas<br />
as áreas da vida. Várias figuras e metáforas são usadas nas<br />
Escrituras para descrever esse tipo de crescimento. Uma<br />
dessas figuras é o desenvolvimento de uma planta: “os justos<br />
florescerão [...] crescerão [...] darão fruto [...] permanecerão<br />
viçosos e verdejantes” (Sl 92:12-14; veja também Sl 144:12).<br />
O crescimento cristão é um processo gradual e requer tanto<br />
Por Sua morte na cruz, Jesus triunfou<br />
sobre as forças do mal. Tendo subjugado<br />
os espíritos demoníacos durante Seu ministério<br />
terrestre, quebrantou-lhes o poder<br />
e garantiu sua condenação final. A vitória<br />
de Jesus nos dá a vitória sobre as forças<br />
do mal que ainda procuram controlar-nos,<br />
enquanto caminhamos com Cristo em paz,<br />
gozo e na segurança de Seu amor. Agora,<br />
o Espírito Santo mora em nosso interior e<br />
nos dá poder. Continuamente consagrados<br />
Quem aceita a<br />
Cristo deixa de<br />
confiar em espíritos<br />
e guias, e passa<br />
a confiar apenas<br />
em Deus.<br />
Crescimento<br />
emCristo<br />
a Jesus como nosso Salvador e Senhor,<br />
somos libertos do fardo de nossas ações<br />
passadas. Não mais vivemos nas trevas,<br />
sob o temor dos poderes do mal, da<br />
ignorância e insensatez da nossa antiga<br />
maneira de viver. Nesta nova liberdade<br />
em Jesus, somos chamados a crescer à<br />
semelhança de Seu caráter, mantendo<br />
comunhão diária com Ele por meio da<br />
oração, alimentando-nos de Sua Palavra,<br />
meditando nela e na providência divina,<br />
paciência da pessoa como a providência<br />
divina (Mc 4:26).<br />
Outra figura utilizada nas Escrituras<br />
para descrever o crescimento espiritual<br />
é o crescimento humano: “Como crianças<br />
recém-nascidas, desejem de coração<br />
o leite espiritual puro, para que, por<br />
meio dele, cresçam para a salvação”<br />
(1Pe 2:2, 3). Esse crescimento leva à maturidade<br />
espiritual; os cristãos não buscarão<br />
apenas o “leite”, mas o “alimento<br />
sólido”, que é a doutrina cristã baseada<br />
nas Escrituras e centralizada em Cristo<br />
(1Co 3:1-3; Hb 5:11-14).<br />
O crescimento espiritual será evidente em todas as áreas<br />
da vida cristã: o conhecimento de Deus, obras altruístas,<br />
fé centralizada em Cristo e assim por diante (veja Cl 1:10;<br />
2Pe 3:18; 2Ts 1:3). Esse crescimento não é focado em nós<br />
mesmos, mas em Jesus, o Cabeça de tudo (Ef 4:15). Crescer<br />
em Cristo significa, portanto, um desenvolvimento, mudança<br />
e crescimento na vida do indivíduo que aceitou a Cristo.<br />
No processo de desenvolvimento da fé, os cristãos podem<br />
passar por muitas dores. Mas a alegria de crescer em Cristo<br />
supera qualquer perda aparente ou experiência dolorosa.<br />
Crescer em Cristo significa deixar de se dedicar às forças das<br />
trevas para ser fiel e submisso apenas a Cristo. Envolve passar<br />
tempo de qualidade com o novo Mestre, pelo estudo da Bíblia<br />
e uma dinâmica vida de oração e comunhão. Também significa<br />
crescer na fé e no amor a Deus e ao próximo, e alcançar a<br />
maturidade espiritual em todos os aspectos da vida.<br />
*Todos os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão Internacional.<br />
cantando Suas bênçãos, reunindo-nos<br />
para adorá-Lo e participando na missão<br />
da Igreja. Ao nos dedicarmos ao serviço<br />
amorável em favor dos que nos rodeiam e<br />
ao testemunharmos da salvação de Cristo,<br />
a presença constante do Senhor em nós,<br />
por meio do Espírito, transformará cada<br />
momento e cada tarefa em uma experiência<br />
espiritual. (Sl 1:1, 2; 23:4; 77:11, 12;<br />
Cl 1:13, 14; 2:6, 14, 15; Lc 10:17-20; Ef 5:19,<br />
20; 6:12-18; 1Ts 5:23; 2Pe 2:9; 3:18; 2Co 3:17,<br />
18; Fl 3:7-14; 1Ts 5:16-18; Mt 20:25-28;<br />
Jo 20:21; Gl 5:22-25; Rm 8:38, 39; 1Jo 4:4;<br />
Hb 10:25.) – Crenças Fundamentais dos<br />
<strong>Adventist</strong>as do Sétimo Dia, nº 11<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 21
D E S C O B R I N D O O E S P Í R I T O D E P R O F E C I A<br />
O<br />
local era uma estação de trem. Era uma tarde de<br />
domingo, em 1884, quando Ellen White e um grupo<br />
de pessoas estavam na estação de trem de Mojave<br />
Desert. O grupo estivera participando da assembleia mundial<br />
da Igreja <strong>Adventist</strong>a. Dois vagões de trem foram fretados para<br />
transportar os participantes de volta a Oakland, Califórnia,<br />
onde, na época, estava localizada a sede da Igreja <strong>Adventist</strong>a<br />
na Costa Oeste dos Estados Unidos. Como teria que esperar<br />
na estação por várias horas, o grupo teve a ideia de realizar<br />
uma reunião evangelística durante esse tempo.<br />
O plano era simples: eles se espalhariam pela cidade para<br />
fazer uma rápida divulgação. Os funcionários da estação de<br />
trem atenderam ao convite. E também o editor do jornal<br />
E L L E N G . W H I T E E S T A T E<br />
da cidade. Muitas pessoas de toda a cidade foram ouvir a<br />
pregação daquela senhora – Ellen White. Qual foi o tema de<br />
seu discurso? Ela se baseou no texto de Mateus 6:25-34, onde<br />
Jesus fala sobre as preocupações. 1<br />
Essa reunião improvisada não era incomum para Ellen<br />
White. Durante toda a vida, ela falou sobre Jesus em diversas<br />
circunstâncias incomuns. Embora ela seja mais conhecida por<br />
seu ministério profético e pelos livros que escreveu, sua paixão<br />
pelo evangelismo era evidente em tudo o que fazia. Essa<br />
era uma de suas qualidades mais marcantes, que começou em<br />
sua conversão e permaneceu por toda a vida.<br />
A Conversão de Ellen White<br />
Quando Ellen tinha apenas 9 anos de idade, uma colega de<br />
classe atirou uma pedra em seu rosto, dando início a uma crise<br />
22 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
existencial. Ela caiu inconsciente. Após recobrar consciência,<br />
ela se convenceu de que estava morrendo. Tempos depois,<br />
escreveu: “Eu queria ser cristã e orei pedindo perdão pelos<br />
meus pecados da melhor maneira que podia.” 2 Estando no leito<br />
de morte, e tão jovem, seria fácil entregar-se a Cristo. Segundo<br />
Merlin Burt, diretor do Centro de Pesquisas <strong>Adventist</strong>as, uma<br />
eventual entrega não seria “dificultada por questões sobre<br />
como viveria para Jesus e que decisões tomaria durante a vida<br />
inteira. Quando ela descobriu que não morreria, foi levada à<br />
próxima etapa em seu processo de conversão”. 3<br />
Mais tarde, Ellen teve dois sonhos, que a levaram novamente<br />
a refletir sobre a vida espiritual. 4 Foi depois do<br />
segundo sonho que ela confidenciou seu medo à mãe, que<br />
Ellen White<br />
Evangelista<br />
como<br />
Por<br />
Michael W. Campbell<br />
convidou Levi Stockman, jovem ministro metodista, para<br />
visitar a filha. Durante o pouco tempo que passou com ele,<br />
Ellen obteve “mais conhecimento sobre o assunto do amor<br />
de Deus e de Sua compassiva ternura, do que de todos os<br />
sermões e exortações que já ouvira”. 5<br />
Posteriormente, Ellen White tornou-se uma evangelista<br />
apaixonada. Ela sentiu a “segurança da presença do Salvador”,<br />
o que a capacitou a “louvar a Deus” até mesmo “pelos infortúnios”<br />
que tanto a haviam traumatizado. 6 Tímida por natureza,<br />
ela ousou orar em público pela primeira vez. Seguindo<br />
uma prática comum entre os norte-americanos durante o<br />
Segundo Grande Reavivamento (que ocorreu entre 1790 e a<br />
década de 1840), Ellen contou publicamente seu testemunho<br />
e expressou o desejo de compartilhar a fé com outros. Ela<br />
começou a organizar reuniões com amigas e orava com elas<br />
até que, finalmente, “todas se converteram a Deus”. 7
Evangelista Pessoal<br />
Embora Ellen White tenha sido, sem dúvida, um dos<br />
evangelistas mais proeminente na Igreja <strong>Adventist</strong>a durante<br />
sua época, ela nunca perdeu de vista a importância de falar<br />
de Jesus por meio do contato pessoal e individual. No verão<br />
de 1853, Tiago e Ellen White viajaram pelas florestas do<br />
estado do Michigan. O cocheiro supostamente conhecia<br />
bem o caminho, mas se perdeu. O dia estava muito quente,<br />
e a sra. White desmaiou duas vezes no percurso. Eles<br />
viajaram por terrenos acidentados, “por cima de toras e<br />
árvores derribadas”. Ellen White estava com tanta sede, que<br />
sentia como se tivesse morrendo numa viagem pelo deserto.<br />
“Riachos com água fresca”, disse ela mais tarde, “pareciam<br />
estar à minha frente; mas, à medida que passávamos por<br />
eles, via que era ilusão.”<br />
Aquilo que deveria ser um passeio matinal de 25<br />
quilômetros se tornou um evento que durou o dia inteiro.<br />
Quando finalmente avistaram uma clareira, chegaram a<br />
uma cabana feita com toras de madeira. Os moradores os<br />
cumprimentaram, ofereceram algo para comer e beber, e<br />
rapidamente todos se tornaram amigos. Ellen White falou<br />
com uma mulher sobre temas religiosos, inclusive sobre<br />
o amor de Deus, o sábado e o breve retorno de Jesus.<br />
Ellen entregou a ela algum material religioso, inclusive um<br />
exemplar da Review and Herald (na época, Revista<br />
<strong>Adventist</strong>a dos EUA).<br />
Vinte e dois anos mais tarde, Ellen White encontrou<br />
essa mesma senhora em uma reunião campal no Michigan.<br />
“Indagou se eu não me lembrava de haver feito uma visita<br />
em uma casa de toras de madeira, na floresta. [...] Ela declarou<br />
haver emprestado aquele livro [Christian Experience<br />
and Views, atualmente disponível em Primeiros Escritos, p.<br />
11-83] aos vizinhos, ao se estabelecerem novas famílias ao<br />
seu redor, até que o mesmo já se achava todo gasto. [...] Ela<br />
disse que quando eu a visitara, falara de Jesus e das belezas<br />
do Céu, e que as palavras haviam sido proferidas com tanto<br />
fervor, que ela ficara encantada, e nunca as esquecera.” Ao<br />
refletir sobre esse fato, Ellen White compreendeu, depois de<br />
tantos anos, que aquele trajeto “nos havia parecido muito<br />
misterioso, mas ali encontramos um bom grupo, agora<br />
crentes na verdade”. 8<br />
Evangelista em Sua Própria Família<br />
Alguém pode pensar que Ellen White sempre obteve<br />
sucesso em seus esforços evangelísticos. Mas, entre as<br />
pessoas que teve maior dificuldade para evangelizar,<br />
estavam seus parentes. Durante o verão de 1872, Tiago e<br />
Ellen White visitaram as montanhas do Colorado. Vários<br />
parentes estavam com eles, inclusive a sobrinha Mary, filha<br />
da irmã mais velha de Ellen. Em seu diário, Ellen White<br />
escreveu sobre as caminhadas relaxantes pela natureza. Em<br />
uma dessas caminhadas o grupo sentou-se sob uma árvore<br />
enquanto “tia Ellen” lia o livro Spiritual Gifts (Dons Espirituais).<br />
Ellen White relata como Mary ficou “profundamente<br />
interessada” nas coisas de Deus. Ao término dos momentos<br />
em que estiveram juntos, houve um período de oração,<br />
durante o qual Mary orou.<br />
A sra. White estava tão preocupada com o bem-estar<br />
espiritual da sobrinha que não apenas permitiu que ela<br />
permanecesse com eles, mas deu-lhe até um emprego como<br />
assistente literária (secretária) para que a auxiliasse em seus<br />
escritos. Cinco anos depois daquele encontro nas montanhas,<br />
ela escreveu uma carta pedindo a Mary que entregasse o<br />
coração a Cristo. “Não quero pressioná-la”, escreveu tia Ellen,<br />
“não quero impor-lhe nossa fé ou forçá-la a crer. Nenhum<br />
homem ou mulher terá a vida eterna a menos que a escolha<br />
por si mesmo. [...] Espero que você não diga o mesmo que<br />
sua mãe sobre o sábado: que ‘arriscaria’ transgredi-lo.<br />
[...] Ainda tenho esperança de que ela aceitará a verdade. [...]<br />
Escrevo com amor, e escrevo porque não me atrevo a deixar<br />
de fazê-lo.” Infelizmente, não sabemos como Mary respondeu<br />
à carta da tia, e não há qualquer evidência de que algum<br />
dia ela aceitou a verdade bíblica do sábado. 9<br />
Conclusão<br />
Ellen White foi um dos evangelistas mais influentes da<br />
história da Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia. É verdade que<br />
seu ministério profético foi importante e continua a exercer<br />
uma grande influência entre os adventistas. Seu ministério<br />
era profundamente firmado em um relacionamento pessoal<br />
com Jesus Cristo. Sua paixão era falar de Jesus às pessoas.<br />
Inicialmente, ela teve resistência para falar em público, mas<br />
o grande desejo de falar de Jesus aos outros superou a<br />
insegurança. Tanto em público como em particular, Ellen<br />
White foi eficaz como evangelista porque levava Jesus àqueles<br />
que estavam ao seu redor.<br />
1 Esse incidente está relatado em James R. Nix, Advent Preaching (Silver Spring, MD: North American<br />
Division Office of Education, 1989). O conteúdo do discurso de Ellen White encontra-se em<br />
Review and Herald, 24 de fevereiro de 1885.<br />
2 Ellen G. White, Spiritual Gifts (Battle Creek, MI: Seventh-day <strong>Adventist</strong> Publishing Association,<br />
1860), v. 2, p. 9.<br />
3 Merlin D. Burt, notas de sala de aula, Andrews University, GSEM 534 (maio de 1998), p. 3; idem,<br />
“Ellen G. Harmon’s Three-Step Conversion Between 1836 and 1843, and the Harmon Family<br />
Methodist Experience”, pesquisa não publicada, Andrews University, março de 1998.<br />
4 Ellen G. White, Testemunhos para a Igreja, v. 1, p. 23-29.<br />
5 Ibidem, p. 30.<br />
6 Ellen G. White, Life Sketches of Ellen G. White (Mountain View, CA: Pacific Press, 1943), p. 39.<br />
7 ______, Vida e Ensinos, p. 33.<br />
8 ______, Evangelismo, p. 448, 449; veja Arthur L. White, Ellen G. White: The Human Interest Story<br />
(Washington, DC: Review and Herald, 1972), p. 69-71.<br />
9 Ellen G. White, diário, 27 de julho de 1872; idem, carta 6, 1877; White, Ellen G. White, p. 68, 69.<br />
Michael W. Campbell, Ph.D., é pastor da<br />
Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia em Montrose<br />
e Gunnison, no oeste do Colorado, EUA.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 23
A R T I G O E S P E C I A L<br />
De Volta aos<br />
Perıgos<br />
Espırıtuaıs<br />
Se escrevo sobre a Criação e o<br />
dilúvio, fico sob a mira do ataque<br />
de alguns. Se falo sobre a santidade<br />
do casamento e da família, diante<br />
da confusa sociedade atual, desperto<br />
alguns comentários de preocupação. Se o<br />
assunto for o sábado, alguém certamente<br />
ficará ofendido. E a lista continua.<br />
Eu já sabia o que iria acontecer.<br />
Mesmo assim, não tive receio de escrever<br />
sobre o livro A Cabana (“Perigos Espirituais”,<br />
<strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>, maio de 2010). O<br />
resultado foi uma pequena tempestade<br />
sobre minha cabeça.<br />
Elogios e Defesas<br />
Devo começar dizendo que nem todas<br />
as reações foram negativas. Quando<br />
fui à igreja, uma semana depois que o<br />
artigo foi publicado, Nik Satelmajer,<br />
editor da revista Ministry (Ministério<br />
dos EUA), me chamou de lado. “Esse foi<br />
perfeito!”, disse ele. O pastor, de ouvido<br />
aguçado, ouviu o comentário de dentro<br />
da sala pastoral e saiu para se unir aos<br />
aplausos. Recentemente, ele havia ouvido<br />
algumas discussões em um colégio<br />
adventista próximo e ficou feliz porque<br />
alguém decidiu falar sobre o assunto.<br />
Outros escreveram em minha defesa.<br />
Entre eles, o dr. Edwin Reynolds,<br />
professor de Teologia na Southern<br />
<strong>Adventist</strong> University, expressou surpresa<br />
pelo grande “número de adventistas<br />
aclamando A Cabana, sem ver nada de<br />
errado no livro”. Carla Baker, de Laurel,<br />
Maryland, escreveu para me agradecer<br />
24 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
por “ter coragem de falar contra algumas<br />
práticas que ameaçam a essência<br />
da mensagem adventista”.<br />
Karri Walde, da Walla Walla<br />
University, Washington, D.C.,<br />
elogiou-me por “falar contra o<br />
mal da acomodação, que está<br />
se alastrando em nossas igrejas”.<br />
Karri, no entanto, achou<br />
“absolutamente espantoso” o<br />
fato de eu sugerir que os professores<br />
peçam a leitura desse livro como trabalho<br />
de aula. Ela escreveu: “Se os professores<br />
fizerem isso, é porque concordam com<br />
tudo que está no livro”, disse ela. Em realidade,<br />
não precisamos pensar assim. O<br />
importante é o acompanhamento e a leitura<br />
crítica. Não é afastando os alunos de<br />
tudo que não é estritamente ortodoxo que<br />
damos a eles uma formação intelectual<br />
sólida. O que precisamos é fornecer uma<br />
Respostas<br />
a Cartas<br />
Por<br />
Roy Adams<br />
base espiritual inteligente<br />
e bem-informada,<br />
para que estejam prontos<br />
ao encontrarem ideias e influências<br />
antibíblicas.<br />
Críticas Negativas<br />
Recebi outras cartas interessantes,<br />
que criticavam alguns aspectos<br />
da minha posição. Três exemplos:<br />
1. Leitor A: “Como capelã<br />
adventista de um lar para idosos, um<br />
ambiente sensível a questões relativas à<br />
morte, tenho sérias preocupações sobre<br />
o artigo de Roy Adams. Penso, às vezes,<br />
que meus irmãos e irmãs adventistas não<br />
têm ideia da dor espiritual e sentimento<br />
de repulsa que pode resultar de uma<br />
defesa indiscriminada da nossa doutrina<br />
sobre o estado dos mortos. Fico surpresa<br />
ao perceber que Roy Adams e Oscar
Cullmann [renomado teólogo luterano,<br />
já falecido, que defendia o ensino bíblico<br />
sobre a morte e rejeitava a imortalidade da<br />
alma] nãopercebem a profunda antipatia e<br />
implicações emocionais que essa doutrina<br />
provoca nas pessoas.”<br />
A leitora continua: “Para uma pessoa<br />
que perdeu um filho, cônjuge ou algum<br />
outro membro da família, o que estamos<br />
falando é que seus queridos não existem<br />
mais! É muito triste dizer que os ossos<br />
e a carne apodrecem e se transformam<br />
em nada. Quando alguém perde uma<br />
pessoa que amava muito, mas ouve que<br />
seu amigo adventista crê que não há uma<br />
alma para Deus cuidar, nem um lugar de<br />
felicidade para onde seus queridos possam<br />
ir, é muito doloroso e ofensivo.”<br />
2. Leitor B: “O sr. Adams inicia o artigo<br />
criticando a maravilhosa canção ‘Ave-<br />
Maria’. [Eu não fiz isso!] Sou adventista<br />
de quarta geração e descendente de um<br />
presidente de União. Incomoda-me ver a<br />
demonstração de mente estreita no artigo<br />
de Roy Adams. Acredito que a Bíblia ensina<br />
que a alma é imortal [itálico acrescentado].<br />
Afirmar que alguém que pensa de forma<br />
diferente está no ‘trampolim para o espiritualismo’<br />
é – digo mais uma vez – demonstração<br />
de uma mente muito estreita.”<br />
Não consegui acreditar que alguém que se<br />
denomina “adventista de quarta geração”<br />
escreveu isso sobre a alma.<br />
3. Leitor C: “Fiquei muito desapontado<br />
porque Roy Adams não foi<br />
capaz de deixar de lado uma diferença<br />
teológica relativamente pequena e ver<br />
a beleza da mensagem do livro. Por<br />
tê-lo lido, concordo plenamente com<br />
a ideia de Eugene Peterson de que ‘esse<br />
livro tem o potencial de fazer por nossa<br />
geração o que O Peregrino, de John<br />
Bunyan, fez pela dele’. E, contrário à<br />
impressão de Roy, o único objetivo do<br />
livro é apresentar um retrato de Deus<br />
que seja mais acessível e mais aberto aos<br />
relacionamentos do que o Deus seco que<br />
as religiões costumam descrever.<br />
“Roy baseia toda a sua argumentação<br />
sobre uma pequena cena em que Mack,<br />
o personagem principal, vê e abraça<br />
sua filha morta numa visão criada por<br />
Deus. Segundo a Bíblia, Moisés morreu<br />
e foi enterrado, mas apareceu na<br />
transfiguração de Cristo (Mt 17:1-13),<br />
não apareceu? Como esse fato pode<br />
ser explicado à luz da ideologia<br />
adventista sobre o estado dos mortos?<br />
“O comentário de Roy sobre a natureza<br />
‘relacional’ de Deus, comparando o<br />
Deus de A Cabana com o Deus de<br />
Jeremias... o que é isso?! Compare o<br />
Deus do Antigo Testamento com o<br />
Deus do Novo Testamento (exceto pelo<br />
Apocalipse) e você encontra um enorme<br />
contraste na própria Palavra de Deus.<br />
Então, o argumento de Roy é nulo e<br />
vazio. Fiquei muito desapontado, desanimado<br />
e indignado ao ver esse artigo, pois<br />
ele é muito prejudicial para a ‘marca’<br />
adventista, usando as palavras de Roy.”<br />
Alguém pode pensar: Será que o leitor<br />
realmente não sabe por que os adventistas<br />
não têm problema com o fato de Moisés<br />
aparecer na Transfiguração? Estranho!<br />
E ele sugere um vasto contraste entre o<br />
“Deus do Antigo Testamento” e o “Deus<br />
do Novo Testamento”, se deixarmos de<br />
fora o livro de Apocalipse. Se quiser, deixe<br />
de fora o que o Apocalipse fala sobre a<br />
“ira” e a justiça de Deus. Mas o que dizer<br />
de muitos outros textos do Novo Testamento<br />
que também apresentam esse<br />
aspecto do caráter de Deus? Veja, por<br />
exemplo, Mateus 7:21-23; 18:5 e 6; 23:13-<br />
36; 2 Tessalonicenses 1:5-10; Hebreus<br />
10:26-31; 12:18-29; 2 Pedro 3:3-13; Judas<br />
5-16. O Novo Testamento está cheio<br />
dessas passagens “embaraçosas”.<br />
Minha Opinião: Três Coisas<br />
Sobre Essas Cartas<br />
1. Irritação. É como se eu tivesse<br />
violado algo muito sagrado para esses<br />
leitores. O autor de A Cabana tem todo<br />
o benefício da dúvida; eu não tenho<br />
nenhum. Meu artigo deixou o Leitor C<br />
“desapontado, desanimado e indignado”.<br />
(Será que amor e relacionamento,<br />
o pensamento central de A Cabana,<br />
nem sempre é importante?)<br />
Nessa atmosfera mal-humorada,<br />
o que esses leitores não perceberam é<br />
que o objetivo do meu artigo nunca foi<br />
condenar A Cabana, mas questionar seu<br />
endosso irrestrito aos nossos jovens.<br />
2. Confusão e desinformação sobre<br />
nossas crenças a respeito do estado dos<br />
mortos. Veja, novamente, a carta do<br />
Leitor A. É triste saber que, às vezes,<br />
ainda no colégio, nossos alunos são<br />
ensinados a “não impor” nossas crenças<br />
sobre o estado dos mortos a uma família<br />
ou congregação não adventista enlutada.<br />
Isso é tão elementar que balancei a cabeça<br />
ao ler a repreensão feita a mim.<br />
Além disso, fiquei surpreso pela extrema<br />
“cautela” recomendada, porque “os<br />
ensinos bíblicos sobre o assunto podem<br />
ferir e ofender”. Ao contrário! No último<br />
funeral que realizei, meu texto para reflexão<br />
foi João 10:27-30. Leia essa passagem e diga<br />
onde podemos encontrar uma mensagem<br />
mais bela e cheia de esperança?! A mensagem<br />
da ressurreição deve despertar o desejo<br />
por um mundo melhor, uma nova Terra.<br />
3. Ingenuidade. Talvez o próprio<br />
Eugene Peterson teria rido ao ver suas<br />
palavras – uma hipérbole promocional<br />
de capa de livro – serem “ingeridas” com<br />
tanto entusiasmo pelo leitor C. Será que<br />
algum crítico literário ou teólogo seria<br />
capaz de fazer a crédula afirmação de<br />
que A Cabana possui a mesma profundidade<br />
teológica, literária ou filosófica que<br />
O Peregrino, de John Bunyan?<br />
No artigo, descrevi A Cabana como<br />
“um sonho envolvido por torpor dentro<br />
de um trabalho de ficção. Tudo é fluido,<br />
esotérico e místico”. No entanto, esses leitores<br />
acham a obra altamente recomendável,<br />
uma fonte soberba, onde os pós-modernos<br />
podem ter uma ideia clara do tipo de Deus<br />
que nós temos. (Talvez a Bíblia seja muito<br />
imprecisa?!) Mas, e depois que mostrarmos<br />
o agradável Deus de A Cabana para os<br />
pós-modernos, o que faremos? Estaremos<br />
prontos para permitir que se encontrem<br />
com o Deus de toda a Bíblia?<br />
As Escrituras revelam um Deus infinitamente<br />
mais atraente e misericordioso<br />
que A Cabana poderia descrever. Mas<br />
também um Deus que é infinitamente<br />
mais complexo; um Deus que não pode<br />
ser reduzido a um simples atributo ou<br />
característica. Se queremos desenvolver<br />
cristãos inteligentes e sólidos, é melhor<br />
que sejamos totalmente honestos<br />
com nossa audiência e não camuflar a<br />
mensagem. De fato, elevar A Cabana<br />
quase ao nível do texto sagrado é tolo e<br />
ingênuo. Uma ficção imaginativa,<br />
embora bem-intencionada, nunca pode<br />
estar acima da Palavra de Deus.<br />
Roy Adams é editor<br />
associado da <strong>Adventist</strong><br />
<strong>World</strong>.<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 25
P E R G U N T A S B Í B L I C A S<br />
P E R G U N T A : Você não acha que os sacrifícios<br />
do Antigo Testamento eram uma crueldade com<br />
os animais?<br />
Não, eu não acho. Hoje, a ideia de matar animais em<br />
uma cerimônia religiosa é estranha para a maioria<br />
das pessoas. Pensamos mal a respeito daqueles que<br />
matam animais por razões religiosas ou supersticiosas. É<br />
verdade que o povo de Israel tinha o costume de oferecer<br />
sacrifícios de animais ao Senhor, mas devemos ler o texto<br />
bíblico de acordo com seu próprio significado e objetivo. O<br />
sistema de sacrifícios tinha três<br />
objetivos principais: devocio-<br />
nal, alimentar e teológico.<br />
1. Expressão de sentimentos<br />
religiosos. Os israelitas<br />
costumavam oferecer sacrifícios<br />
para expressar gratidão e<br />
alegria ao Senhor: “Ofereçam<br />
também sacrifícios de comunhão,<br />
e comam e alegrem-se<br />
na presença do Senhor, o seu<br />
Deus” (Dt 27:7).* Às vezes,<br />
era oferecido a Deus o produto<br />
da terra, especialmente<br />
cereais (Lv 2:1-10; 23:9-11);<br />
mas, na maioria das vezes, a<br />
pessoa oferecia sacrifícios de<br />
animais.<br />
O valor da oferta era<br />
proporcional ao nível de gratidão<br />
que queriam expressar e à condição financeira da pessoa.<br />
Alguns tinham condições de oferecer um touro; outros, de oferecer<br />
apenas uma ovelha ou um cabrito; ainda outros tinham<br />
condições de oferecer apenas uma ave (Lv 1:3, 10, 14). Oferecer<br />
um touro ou a fêmea de algum animal seria o mesmo que,<br />
hoje, doar na igreja uma oferta de elevado valor. Lembre-se de<br />
que os animais eram a “conta bancária” dos israelitas.<br />
2. Interesse alimentar. Com frequência, os sacrifícios de<br />
animais uniam os interesses religioso e alimentar. Esse era<br />
particularmente o caso das “ofertas de comunhão” (ou “ofertas<br />
pacíficas”, na versão Almeida Revista e Atualizada). Essas<br />
ofertas eram levadas ao Senhor por razões religiosas específicas;<br />
mas, ao mesmo tempo, a carne do animal era distribuída em<br />
uma refeição comunitária (Lv 7:12-18). Durante algumas festas<br />
religiosas, o rei oferecia grande quantidade de sacrifícios para<br />
providenciar carne para o povo naquelas ocasiões (1Cr 29:21,<br />
22). Em casos assim, o povo era beneficiado pela riqueza do<br />
rei, sem ter que mexer em sua própria “conta bancária”.<br />
Os israelitas obtinham carne para alimentação por<br />
meio do abate rotineiro (ou secular) e da caça de animais<br />
limpos (Dt 12:15; Lv 17:13). Nesse caso, em vez de o sangue<br />
26 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
ser derramado na base do altar (o que ocorria nos sacrifícios),<br />
era derramado no chão e coberto com terra. Esse ato mostrava<br />
respeito pela vida do animal como uma criatura de Deus<br />
(cf. Gn 9:4; Lv 17:11).<br />
3. Expiação e sacrifício. Do ponto de vista teológico, o<br />
sacrifício de animais era um símbolo da reconciliação com<br />
Deus e da remoção do pecado e impureza (Lv 4). Na maioria<br />
dos casos, a expiação (ou seja, reconciliação e purificação)<br />
era realizada por meio de uma vítima do sacrifício, cujo<br />
sangue tornava possível a remoção do pecado e impureza dos<br />
pecadores arrependidos. A teologia do santuário demonstra<br />
ser muito importante, porque esclarece a natureza do pecado<br />
e da expiação. O uso de uma<br />
vítima do sacrifício mostra a<br />
ligação entre pecado e morte,<br />
expiação e vida.<br />
Os sacrifícios revelam<br />
que o pecado não pode ser<br />
O<br />
Salário<br />
Pecado<br />
do<br />
Por<br />
Ángel Manuel<br />
Rodríguez<br />
separado do seu resultado,<br />
a morte. A melhor maneira<br />
de expressar essa verdade era<br />
por meio do ritual da morte<br />
de um animal. O fato de que<br />
o animal era uma vítima<br />
inocente indicava o alto<br />
preço da redenção. Os pecadores<br />
arrependidos podiam<br />
voltar para casa perdoados e<br />
vivos; mas somente porque<br />
uma vida foi oferecida em<br />
sacrifício no lugar deles.<br />
Essa dimensão teológica dos<br />
sacrifícios está no centro do conceito bíblico de redenção, e<br />
encontrou sua expressão mais profunda na morte sacrifical<br />
do Filho de Deus. Nos sacrifícios de animais e na morte de<br />
Cristo, a morte causava dor no coração de Deus, bem como<br />
no coração dos verdadeiros adoradores.<br />
4. O sofrimento dos animais. A morte de animais nos<br />
sacrifícios trouxe consigo a dor e o sofrimento. Não temos<br />
certeza de como os animais eram mortos, mas estudiosos<br />
sugerem que o verbo hebraico shachat (traduzido como “ser<br />
morto”) em realidade significa “cortar a garganta”. Nesse caso,<br />
a única dor era a do corte, que drenava o sangue e imediatamente<br />
deixava o animal inconsciente. A intenção divina era<br />
reduzir ao mínimo o sofrimento, o que mostra que Deus Se<br />
importava com os animais. Séculos depois de Moisés, a tradição<br />
judaica requeria que a faca usada fosse afiada e polida<br />
para evitar que a vítima sofresse dor desnecessária.<br />
*Todos os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão Internacional.<br />
Ángel Manuel Rodríguez é diretor do Instituto de Pesquisa<br />
Bíblica da Associação Geral.
Verdade ou<br />
Consequências<br />
O pecado tem enormes consequências. Quando Adão e Eva pecaram no jardim do Éden,<br />
abriram as portas para a dor, doenças e morte. Deus é a fonte da vida. Separados dEle,<br />
nossos primeiros pais se entregaram a uma vida de sofrimento. A obediência produz<br />
alegria; a desobediência resulta em tristeza. Falando sobre o assunto, Davi escreveu:<br />
“Tu me farás conhecer a vereda da vida, a alegria plena da Tua presença, eterno prazer à<br />
Tua direita” (Sl 16:11).* Jesus disse: “O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir;<br />
Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente” (Jo 10:10).<br />
Nesta lição, estudaremos as trágicas consequências do pecado e o maravilhoso plano<br />
de Deus para nos libertar das consequências de nossas más escolhas.<br />
1. Qual foi a primeira mentira de Satanás?<br />
“Disse a serpente à mulher: ‘Certamente não morrerão!’” (Gn 3:4).<br />
A declaração de Satanás contradiz frontalmente as advertências de Deus sobre não comer o fruto da árvore<br />
do conhecimento do bem e do mal. Descreva, em suas próprias palavras, qual era o motivo do conflito entre<br />
Deus e Satanás no jardim do Éden.<br />
2. Como o relacionamento de Adão e Eva com Deus mudou depois que pecaram?<br />
“Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa<br />
do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim” (Gn 3:8).<br />
Quando Adão e Eva pecaram, eles se de Deus.<br />
3. Como o pecado afeta nosso relacionamento com Deus?<br />
“Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dEle, e por<br />
isso Ele não os ouvirá” (Is 59:2).<br />
O pecado nos de Deus.<br />
Uma das trágicas consequências do pecado é que ele destrói nosso relacionamento com<br />
Deus. A desobediência às ordens expressas de Deus levanta uma barreira entre Ele e nós.<br />
Devido à culpa pelos nossos pecados, nos escondemos da gloriosa presença de Deus. O<br />
pecado provoca vergonha, culpa e condenação. Ele nos deixa com um sentimento de vazio<br />
no coração.<br />
4. A quem Adão culpou por sua própria desobediência? Qual foi o resultado do pecado<br />
no relacionamento entre nossos primeiros pais?<br />
“Disse o homem: ‘Foi a mulher que me deste por companheira que me deu do fruto da árvore, e eu comi’”<br />
(Gn 3:12).<br />
Como Adão tentou justificar seu comportamento?<br />
E S T U D O B Í B L I C O<br />
Por Mark Finley<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 27
28 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
O pecado destrói relacionamentos não apenas com Deus, mas também com as pessoas ao<br />
nosso redor. Adão culpou Eva pela escolha errada que ele mesmo havia feito. Caim atacou<br />
com raiva a seu irmão Abel, e o matou (Gn 4). Por causa da rebeldia do coração humano contra<br />
Deus, a culpa, raiva, amargura e discórdia existem ao longo dos séculos, desde aquela época.<br />
5. Que efeito teve o pecado sobre o meio ambiente e a natureza?<br />
“E ao homem [Deus] declarou: ‘Visto que você deu ouvidos à sua mulher e comeu do fruto da árvore da qual<br />
Eu lhe ordenara que não comesse, maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela<br />
todos os dias da sua vida’” (Gn 3:17).<br />
“Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto” (Rm 8:22).<br />
Em resultado do pecado, a foi amaldiçoada e<br />
toda a geme até agora.<br />
O pecado afetou todo o planeta Terra. A consequência do pecado é a destruição do<br />
relacionamento com Deus, de uns com os outros e com o meio ambiente.<br />
6. Por que Jesus veio a esse planeta contaminado pelo pecado?<br />
“O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente”<br />
(Jo 10:10).<br />
“Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19:10).<br />
Jesus veio ao planeta Terra por duas razões principais:<br />
Para que tenhamos , e a tenhamos plenamente.<br />
Para e aqueles que estavam perdidos.<br />
Jesus veio para restaurar tudo que havia sido perdido em consequência do pecado. Ele<br />
deseja restaurar nosso relacionamento com Deus e de uns com os outros. O plano de<br />
salvação também inclui restaurar a Terra, para que se torne ainda mais bela que era antes<br />
do pecado.<br />
7. Que grande promessa Deus nos faz em Sua Palavra?<br />
“Pois vejam! Criarei novos Céus e nova Terra, e as coisas passadas não serão lembradas. Jamais virão à<br />
mente!” (Is 65:17).<br />
“Todavia, de acordo com a Sua promessa, esperamos novos Céus e nova Terra, onde habita a justiça” (2Pe 3:13).<br />
“Então vi novos Céus e nova Terra, pois o primeiro Céu e a primeira Terra tinham passado; e o mar já não<br />
existia” (Ap 21:1).<br />
Deus promete nos criar novos e nova .<br />
O pecado tem consequências terríveis. Mas, em tudo isso, Deus tem a última palavra.<br />
Um dia, o pecado desaparecerá para sempre. Nosso lar será um novo Éden, e lá viveremos<br />
em harmonia com Deus, uns com os outros e com o meio ambiente. O amor e a alegria, a paz<br />
e a saúde, a harmonia e a gratidão encherão a Terra. A promessa de Deus enche nosso<br />
coração de esperança. Vale pena viver em função disso!<br />
* Todos os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão Internacional.<br />
O estudo bíblico do próximo mês será<br />
“O Último Apelo de Amor”.
Intercâmbio Mundial<br />
C A R T A S<br />
Servindo em<br />
Nome de<br />
Jesus<br />
Muito obrigada<br />
pelo artigo intitulado<br />
“Em Nome<br />
de Jesus”, de<br />
Lowell C. Cooper (junho de 2010). Foi<br />
muito esclarecedora a explanação sobre<br />
o ministério de Cristo quando esteve na<br />
Terra e como deve ser nossa missão, uma<br />
vez que devemos continuar Sua obra.<br />
Tenho a impressão de que, em<br />
geral, as atividades evangelísticas são<br />
medidas em termos do crescimento da<br />
igreja, mas colocamos pequena ênfase<br />
no ministério da educação e do serviço.<br />
Esse artigo apresentou o assunto com o<br />
devido equilíbrio. Gostaria que fossem<br />
publicados mais artigos sobre o trabalho<br />
humanitário.<br />
Judith Jamison-Payne<br />
Keene, Texas, EUA<br />
Descobertas<br />
Científicas<br />
Escrevo a respeito<br />
do artigo “A<br />
Longa Jornada de<br />
Joana”, de Gerhard<br />
Padderatz (abril<br />
de 2010). O artigo<br />
declara que o<br />
professor Harald<br />
zur Hausen recebeu o Prêmio Nobel<br />
por descobrir que o câncer de útero é<br />
causado por um vírus.<br />
Ellen White já não havia falado<br />
sobre o “germe do câncer”, há mais de<br />
cem anos? O Patrimônio White pode<br />
fornecer mais informações sobre o<br />
assunto. A referência mais próxima que<br />
me lembro é “germes de tuberculose<br />
e câncer”, no livro A Ciência do Bom<br />
Viver, p. 313.<br />
Não seria interessante o Patrimônio<br />
White fornecer uma citação mais específica,<br />
que sirva não só de conforto, mas<br />
de guia para a pesquisa de Joana sobre o<br />
câncer? Isso, talvez, poderia introduzi-la<br />
a uma leitura dos escritos de Ellen<br />
White sob a perspectiva científica.<br />
Jalva De Oliveira<br />
Bracknell, Inglaterra<br />
Para uma Próxima Edição<br />
Sou leitora da <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> e fiquei<br />
impressionada com o artigo de capa<br />
da edição de abril, “A Longa Jornada<br />
de Joana”, onde vemos o Espírito Santo<br />
trabalhando incansavelmente para levar<br />
pessoas a se encontrar com Deus.<br />
Também acho interessante a seção<br />
“O Lugar das Pessoas”, por isso estou<br />
enviando uma foto tirada no dia da<br />
liderança jovem. Mobilizamos nossos<br />
jovens com o tema “Geração Esperança”,<br />
que procura apressar o retorno de Jesus!<br />
Carlani Morais Silva<br />
Espírito Santo, Brasil<br />
Pequena Mudança<br />
É inspirador ler artigos como “Chamado<br />
de Amor de Um Dólar”, de Jerry Kea<br />
(abril de 2010). Todos podem contribuir<br />
um pouquinho na grande obra que Cristo<br />
nos deixou: levar o evangelho a todos.<br />
Espero que<br />
outras igrejas sigam<br />
esse exemplo<br />
e ajudem a<br />
mostrar que o<br />
amor de Cristo<br />
está sendo proclamado<br />
em<br />
outros lugares<br />
do mundo. Que<br />
Deus continue<br />
abençoando esse projeto.<br />
Patricia Mondaque<br />
Por e-mail<br />
Mais do que Ler<br />
Sou assinante da Revista <strong>Adventist</strong>a e<br />
recebo a <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>. Aprecio muito<br />
as duas revistas. O último sermão que<br />
preguei no culto de quarta-feira foi<br />
extraído do artigo sobre a experiência da<br />
mãe que entregou o filho nas mãos de<br />
Deus: “Esta é Minha História”, de Samuel<br />
Neves (<strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>, abril de 2008).<br />
Tenho um amigo em Berlin,<br />
Alemanha, que não crê em Deus, porém,<br />
estou tentando ajudá-lo. Se alguém que<br />
fala alemão pudesse<br />
estudar a Bíblia com<br />
ele, seria maravilhoso.<br />
Quero muito que<br />
ele seja salvo. Coloco<br />
tudo nas mãos de<br />
Deus, mas tenho que<br />
fazer minha parte.<br />
Vocês podem me<br />
ajudar com algum<br />
contato?<br />
Luciana Verdeiro<br />
Marechal Cândido Rondon,<br />
PR, Brasil<br />
Transformando Vidas<br />
Nasci e cresci na Igreja Presbiteriana.<br />
Tenho assistido à 3ABN (rede de<br />
televisão adventista) durante quase<br />
todo o meu tempo livre e recebi alguns<br />
exemplares da <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> de um<br />
amigo que é adventista do sétimo dia.<br />
Com isso, fui inspirado a conhecer mais<br />
sobre a verdade do sábado e sobre os<br />
mandamentos de Deus – que refletem<br />
Seu caráter – e sobre o breve retorno de<br />
Jesus Cristo.<br />
Gostaria de pedir que, por gentileza,<br />
me enviem mensalmente um exemplar<br />
da <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>.<br />
De seu novo irmão em Cristo,<br />
Rony M. Nongkhlaw<br />
Meghalaya, Índia<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 29
Intercâmbio Mundial<br />
C A R T A S<br />
Permanecendo Firme<br />
Fiquei impressionado com o artigo<br />
“Perigos Espirituais”, de Roy Adams<br />
(maio de 2010).<br />
Muitas vezes, não<br />
nos preocupamos<br />
com o efeito<br />
que o ambiente<br />
exerce sobre nossa<br />
vida, em nossos<br />
relacionamentos e<br />
crenças. Esse artigo<br />
me despertou para<br />
o assunto.<br />
Com razão, o<br />
autor disse que precisamos ser equilibrados<br />
e ter uma relação coerente entre<br />
nossas crenças e preferências na vida.<br />
Obrigado, irmão Adams! Que o senhor<br />
traga mais lembretes como esse.<br />
Gavin Johns<br />
Yangon, Myanmar<br />
L U G A R D E O R A Ç Ã O<br />
Solicito oração. Meu irmão caçula está<br />
doente, com aumento no tamanho<br />
do fígado, dificuldade para respirar e<br />
cansaço. Quero apresentá-lo como<br />
motivo de oração, em nome de Jesus.<br />
Aaron, Zâmbia<br />
Por favor, orem por minha vida<br />
espiritual e pelo meu casamento.<br />
Maricélia, Brasil<br />
Tenho esfriado em relação às coisas<br />
de Deus, devido às pressões que tenho<br />
sofrido no trabalho e por dificuldades<br />
financeiras. Ultimamente tenho trabalhado<br />
aos sábados e sei que o inimigo<br />
está feliz com isso. Orem fervorosamente<br />
para que eu seja um vencedor.<br />
David, Zâmbia<br />
30 <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> | <strong>Agosto</strong> 2010<br />
Inspirado<br />
Saudações em nome de Jesus Cristo.<br />
Estou interessado no seu ministério e<br />
em trabalhar com vocês. Sou da Igreja<br />
Pentecostal Internacional, em Maláui.<br />
Sou muito bem casado e tenho três<br />
filhos. Em 1999, começamos a servir a<br />
Deus juntos.<br />
Estou escrevendo para expressar<br />
meu interesse nesse maravilhoso<br />
ministério. Gostaria de saber se vocês já<br />
estão trabalhando no Maláui, para que<br />
possamos nos comunicar facilmente.<br />
Aguardo ansioso por sua resposta.<br />
Que o bom Deus abençoe a todos<br />
ricamente.<br />
Steve Maseko<br />
Maláui<br />
Conhecer Mais para<br />
Compartilhar Mais<br />
Consegui o endereço de vocês num<br />
exemplar da <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>. Não sei<br />
que tipo de serviços vocês oferecem,<br />
Orem para que meus filhos e netos<br />
aceitem a Jesus como seu Salvador e<br />
desejem seguir Seu caminho.<br />
Joan, Estados Unidos<br />
Meu desejo é que Deus toque minha<br />
família e coloque neles o amor por<br />
Ele. Sou o único adventista na minha<br />
família e quero essa bênção para<br />
todos eles.<br />
Lucas, Argentina<br />
Tenho orado e procurado emprego há<br />
seis meses, mas ainda não consegui encontrar.<br />
Orem para que eu não perca a<br />
fé em Deus, mas continue a confiar nEle<br />
nesse período de provação e enquanto<br />
eu viver.<br />
Agatha, Índias Ocidentais<br />
mas poderiam me ajudar a conhecer<br />
melhor a Deus? Tornei-me adventista<br />
há um ano. Estou muito feliz, porque<br />
sempre vejo o amor e o poder de Deus<br />
tanto nas minhas alegrias como nas<br />
minhas tristezas.<br />
Sou estudante universitário. Tenho<br />
muitos amigos que não conhecem o<br />
amor de Deus. Não sei o que fazer por<br />
eles. Realmente necessito de material<br />
para aprender. Por favor, aguardo breve<br />
resposta.<br />
Que Deus os abençoe pelo que estão<br />
fazendo.<br />
Kirubel Manyazewal<br />
Addis Ababa, Etiópia<br />
Cartas para o Editor – Envie para: letters@adventistworld.org<br />
As cartas devem ser escritas com clareza e ao ponto, com<br />
250 palavras no máximo. Lembre-se de incluir o nome do artigo,<br />
data da publicação e número da página em seu comentário.<br />
Inclua, também, seu nome, cidade, estado e país de onde você<br />
está escrevendo. Por questão de espaço, as cartas serão<br />
resumidas. Cartas mais recentes têm maior chance de ser<br />
publicadas. Nem todas, porém, serão divulgadas.<br />
Orem pelos membros de minha família.<br />
Eles não frequentam nenhuma igreja e<br />
não se interessam em assuntos espirituais.<br />
Gostaria que aceitassem a Jesus<br />
como Salvador. Ore por mim também.<br />
Sou estudante universitária e trabalho<br />
como empregada doméstica. Está sendo<br />
difícil terminar os estudos.<br />
Jennery, Filipinas<br />
Pedidos de oração e agradecimentos (gratidão por resposta à<br />
oração). Sua participação deve ser concisa e de, no máximo,<br />
75 palavras. As mensagens enviadas para esta seção serão<br />
editadas por uma questão de espaço. Embora oremos por todos<br />
os pedidos nos cultos com nossa equipe durante a semana, nem<br />
todos serão publicados. Por favor, inclua no seu pedido, seu nome<br />
e o país onde vive. Outras maneiras de enviar o seu material:<br />
envie fax para 00XX1(301) 680-6638, ou carta para: Intercâmbio<br />
Mundial, <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong>, 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring,<br />
Maryland 20904-6600 EUA.
I N T E R C Â M B I O D E I D E I A S<br />
A<br />
Tamareira<br />
J O S E L U I S N A V A R R O<br />
Este mês, um leitor nos convida a ser como a tamareira.<br />
“ Os justos florescerão como a palmeira... Mesmo na velhice darão fruto,<br />
permanecerão viçosos e verdejantes” (Sl 92:12-14, NVI).<br />
O salmista, neste poema “Para o Dia de Sábado”, diz como será a vida<br />
do justo. Como desejo viver uma vida virtuosa, procurei descobrir o que significa<br />
“florescer como a palmeira”.<br />
De acordo com os estudiosos, a tamareira (Phoenix dactylifera) é a espécie de<br />
palmeira mencionada nas Escrituras. É uma árvore sem galhos que cresce até a<br />
altura de 18 a 24 metros, e pode viver e produzir frutos até os 200 anos de idade.<br />
Como já tenho mais de 90 anos, não espero produzir artigos por tantos anos<br />
como a tamareira produz frutos. Desejo escrever apenas até a marca do centenário<br />
e um pouco além. Seguem alguns dados interessantes sobre essa árvore:<br />
As tâmaras crescem em cachos que pesam entre 14 e 23 quilos e são parte da<br />
dieta de algumas tribos árabes. A madeira dessa árvore serve para construir cercas,<br />
telhados e balsas. As folhas tecidas se transformam em esteiras, cestas e outros<br />
utensílios domésticos.<br />
A tamareira tem folhas longas, verde-acinzentadas, semelhantes a penas e<br />
medem de 5 a 6 metros de comprimento. As folhas superiores (às vezes chamadas<br />
de galhos) permanecem mais ou menos eretas. Ela contrasta com o coqueiro, que é<br />
mais alto e produz folhas caídas.<br />
As tamareiras ofereceram sombra para os israelitas, em Elim, quando fugiam<br />
do Egito (Êx 15:27). Anos mais tarde, a profetiza Débora julgava o povo debaixo da<br />
sombra de uma palmeira (Jz 4:5).<br />
O povo hebreu usava folhas de palmeira para construir tendas na Festa dos<br />
Tabernáculos (Lv 23:40). Assim, os adoradores se lembravam da peregrinação dos<br />
seus antepassados pelo deserto. Quando Salomão construiu o templo, a madeira<br />
dessa árvore foi utilizada na arquitetura (1Rs 6:29, 32, 35).<br />
Nos tempos do Novo Testamento, na entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, as<br />
pessoas “pegaram ramos de palmeiras e saíram ao Seu encontro, gritando: ‘Hosana!’<br />
‘Bendito é o que vem em nome do Senhor!’” (Jo 12:13, NVI).<br />
Jericó, cidade frequentemente mencionada nas Escrituras, era chamada “a<br />
cidade das Palmeiras” (Dt 34:3, NVI). Na Palestina moderna, as tamareiras ainda<br />
crescem nas proximidades da cidade e em sua planície marítima, mas, por causa da<br />
negligência, não são tão abundantes como nos tempo bíblicos.<br />
As tamareiras eram cunhadas nas moedas do primeiro século d.C. A Revolta<br />
Judaica entre os anos 66 e 70 d.C. demandou grande força militar romana. Durante<br />
essa revolta, os judeus ousaram cunhar suas próprias moedas, o que os romanos<br />
consideravam um privilégio imperial. Essas moedas de liberdade continham os<br />
emblemas do culto e das festas judaicas, como folhas da videira, folhas de palmeiras<br />
e tâmaras. Nas moedas de bronze estava inscrito: “Pela redenção de Sião.”<br />
Na queda de Jerusalém, os romanos adotaram a tamareira como símbolo de<br />
Israel. Eles cunharam muitas moedas celebrando sua vitória.<br />
Volto às palavras do salmista. Depois de aprender muito sobre as tamareiras,<br />
quero – assim como elas – florescer e, na velhice, dar fruto.<br />
– Robert G. Wearner, Collegedale, Tennessee, EUA<br />
Editor<br />
“Eis que cedo venho…”<br />
Nossa missão é exaltar a Jesus Cristo, unindo os<br />
adventistas do sétimo dia de todo o mundo numa só<br />
crença, missão, estilo de vida e esperança.<br />
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Igreja <strong>Adventist</strong>a do Sétimo Dia, editada pela Associação<br />
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Vol. 6, No. 8<br />
<strong>Agosto</strong> 2010 | <strong>Adventist</strong> <strong>World</strong> 31
O Lugar Das<br />
PESS AS<br />
Q U E L U G A R É E S S E ?<br />
V I D A A D V E N T I S T A<br />
Levei meu filho Lucas, de 3<br />
anos de idade, ao supermercado.<br />
Eu estava fazendo as compras e<br />
empurrando o carrinho onde<br />
ele estava sentado, quando, de<br />
repente, ouvimos uma voz no<br />
sistema de som local, chamando<br />
o nome de alguém.<br />
No momento em que meu<br />
filho ouviu a voz, olhou para<br />
mim com os olhos arregalados<br />
e disse: “Mamãe! Essa é a voz de<br />
Deus, vinda do céu!”<br />
Naquela manhã, eu havia<br />
contado para ele a história de<br />
como Deus chamou o pequeno<br />
Samuel no templo.<br />
– Carolina Cavalcanti, São Paulo,<br />
SP, Brasil<br />
E N V I A D O P O R S E L V I N I N T O N G<br />
Nosso clube de desbravadores<br />
estava acampando, quando<br />
começou a chover e a temperatura<br />
caiu. O culto de sábado de manhã<br />
foi ao ar livre, mas o clima estava<br />
bem frio. O sol surgiu entre as<br />
nuvens, seus raios atravessaram<br />
as árvores e trouxeram alguns<br />
momentos de calor. De repente,<br />
certa mulher levantou as mãos e<br />
exclamou: “Eu amo o sol!” [Em<br />
inglês, “sol” (sun) tem uma<br />
pronúncia semelhante a “filho”<br />
(son). Por isso, sua filha entendeu<br />
que ela se referia a Deus, o Filho.]<br />
Sem perder um minuto, sua<br />
filha acrescentou com muita<br />
naturalidade: “E o Pai também!”<br />
[Ela se referia a Deus, o Pai.]<br />
F R A S E D O M Ê S<br />
“Eva caiu em pecado porque<br />
pensou que havia algo melhor.<br />
Adão caiu porque pensou que<br />
não havia ninguém melhor.”<br />
– Jun Cruz, membro da Igreja <strong>Adventist</strong>a em Mentose,<br />
Califórnia, EUA, durante o estudo da lição da Escola<br />
Sabatina, sábado, 5 de junho de 2010.<br />
Nosso culto teve uma pequena<br />
pausa, enquanto todos deram<br />
boas risadas, mas, em seguida,<br />
recobramos a compostura.<br />
– Kimberly Terry, diretora do clube de<br />
desbravadores Takoma Park Rangers,<br />
Takoma Park, Maryland, EUA.<br />
A N Z A A R N A B I<br />
RESPOSTA: Nessa pequena ilha, há um grupo de fiéis que considera Majuro, a capital da ilha, como um continente.