Revista 71 - Crea-RJ

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Revista 71 - Crea-RJ

creaRJ

Nova Cedae: uma gestão que valoriza o engenheiro


Em busca da sustentabilidade

Uma boa maneira de avaliar o

grau de desenvolvimento sustentável

de um país é conhecer os

seus indicadores na área de saneamento,

que inclui esgotamento sanitário,

acesso à água e tratamento de

resíduos sólidos.

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa

Econômica Aplicada (Ipea) revela

que, nas áreas urbanas do Brasil, ainda

existem 14,2 milhões de pessoas sem

água canalizada, 34,5 milhões sem esgoto

por rede ou fossa séptica e 4,4

milhões sem coleta de lixo.

Por outro lado, embora ainda

haja muito a fazer, a parcela com saneamento

inadequado – englobando

água, esgoto e lixo – caiu de 30,9 %,

em 2001, para 26,8% em 2006.

Pode-se atribuir a evolução desse

indicador social a uma atenção maior

do poder público aos problemas ambientais,

embora ainda insuficiente. No

Rio de Janeiro, como mostra a reportagem

de capa, a empresa de distribuição

de água e tratamento de esgoto –

a Cedae – mudou o modelo de gestão

e assumiu como um dos seus compromissos

a universalização dos serviços.

Atualmente, rebatizada como

Nova Cedae, a companhia distribui

água para mais de nove milhões de

pessoas e oferece tratamento de esgoto

a mais de 5 milhões. Abastece,

ainda, mais de 70% dos municípios

do estado e negocia a adesão de cidades

que não usufruem seus serviços.

Na linha de frente do novo modelo

da Cedae, ao contrário do que

ocorria no passado, estão profissionais

de Engenharia.

A gestão do lixo é outro gravíssimo

problema urbano a ser enfrentado

de modo emergencial pelos agentes

públicos. São mais de 140 mil toneladas

de lixo geradas diariamente

no país (ver matéria nesta edição).

Em cerca de 80% dos municípios,

os detritos são lançados em cursos

d’água e áreas a céu aberto. Na cidade

do Rio de Janeiro, por exemplo,

a falta de coleta adequada contribui

para agravar a epidemia de dengue,

além de outros problemas de saúde

pública, como evidenciou um relatório

produzido pelo Crea-RJ e encaminhado

às autoridades municipais.

É estarrecedor que os poluentes

lixões ainda proliferem nas cidades

brasileiras, desnudando um cenário

perverso que mescla má gestão e falta

de investimento em tecnologias de

tratamento de resíduos sólidos. Mesmo

os aterros sanitários, pouco usados

no Brasil, já começam a ser descartados

em países considerados desenvolvidos

por legarem um passivo

ambiental para a sociedade.

Uma das saídas apontadas por

especialistas é investir em modernas

e limpas soluções para o lixo urbano,

como a incineração e a compostagem,

que têm em comum o reaproveitamento

de resíduos e seus subprodutos.

Ao difundir tais exemplos, o Crea-

RJ espera que as ações públicas de nítido

compromisso com o desenvolvimento

sustentável tornem-se indissociáveis

de qualquer estratégia global

de crescimento para o país.

Reynaldo Barros

Presidente do Crea-RJ

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Diretoria

Presidente

Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho

Reynaldo Barros

1º Vice-presidente

Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho e

Engenheiro de Operação-Mecânica

Luiz Carlos Roma Paumgartten

2º Vice-presidente

Engenheira de Operação-Construção Civil

Teneuza Maria Cavalcanti Ferreira

1º Diretor administrativo

Engenheiro Eletricista e de Segurança do Trabalho

Mariano de Oliveira Moreira

2º Diretor administrativo

Técnico Industrial em Eletrotécnica

Eduardo França Ribeiro

3º Diretor administrativo

Arquiteto e Urbanista

Artur José Macedo de Oliveira

1º Diretor Financeiro

Meteorologista

Alfredo Silveira da Silva

2º Diretor Financeiro

Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho

Aloísio Celso de Araújo

3º Diretor Financeiro

Arquiteto e Urbanista

Sydnei Dias Menezes

Comissão eDitorial

Coordenador

Arquiteto e Urbanista

Artur José Macedo de Oliveira

Coordenador-adjunto

Técnico Industrial em Eletrotécnica

Eduardo França Ribeiro

membros

Geógrafo

Sérgio da Costa Velho

Técnico em Eletrônica

Ricardo do Nascimento Alves

Técnico em Química

Jorge Fernandes Filho

suplentes

Eng.de Seg.do Trabalho e de Química Luiz

Mosca Cunha; Eng.Eletricista Regina Moniz

Ribeiro; Arq e Urbanista e Téc.em Edificações

Mauri Vieira da Silva; Eng.Florestal Denise

Baptista; Arq. Jerônimo de Moraes Neto

assessores de marketing e Comunicação

Rodrigo Machado e Maria Dolores Bahia

editor

Coryntho Baldez (MT: 25489)

redação

Coryntho Baldez, Viviane Maia

e André Sant´Anna

Colaboradores

Roberta Diniz, Uallace Lima, Vera Monteiro

e Luciana Soares

redação monte Castelo

Textos: Helena Roballo, Dânae Mazzini, Gisele

Macedo e Jackeline Mota

Projeto Gráfico

Paula Barrenne

Diagramação

Wagner Ulisses

Liberdade de Expressão

impressão

Gráfica Ediouro

tiragem

120 mil exemplares

Crea-rJ

(21) 2179-2000

telecrea

(21) 2179-2007

anúncios

(21) 2179-2834

www.crea-rj.org.br

Sumário

Matriz do Conhecimento garante

aperfeiçoamento profissional

Crea-RJ produz relatório

técnico sobre Dengue

Supercomputador ajuda

Brasil a achar petróleo

Carreiras: empregado ou

empregador?

Novas encomendas para

a indústria naval

Conheça a atuação da

nova Cedae


FcreaRJ

O alto preço do lixo urbano

A importância da memória na

Arquitetura

Ministério Público quer melhorar

acessibilidade nos municípios

Programa incentiva inovação

em microempresas

Projeto estrangeiro para Cidade

da Música provoca polêmica

Agricultura briga por

royalties do petróleo

Técnico metrologista é cada vez

mais valorizado


Mulheres Técnicas

Como Técnica em Eletrotécnica,

formada há 36 anos, pela Escola

Técnica Visconde de Mauá, do Rio

de Janeiro, fiquei super orgulhosa

com a matéria de capa do mês

de fevereiro de 2008, na qual

vocês mostraram nosso trabalho.

Parabéns!

Aurora Ribeiro Pacheco

Macaé - RJ

Orgulho profissional

Com pouco mais de três anos de

registro no Crea-RJ, orgulho-me

pelo desempenho profissional.

Já conto com mais de 90 ART´s

recolhidas junto ao Conselho. (...) A

cada dia que se passa noto quanto

foi importante a conclusão do

meu curso técnico, tudo mudou!

(competência, postura, ética e

determinação).

Atualmente meu trabalho técnico

é voltado aos Eletricistas. Hoje,

atendo a pouco mais 40 nas diversas

áreas da Região Serrana e isso

me orgulha de verdade. Ressalto,

ainda , para que de fato a mão de

obra dos nossos jovens seja realmente

reconhecida , que é preciso

ter uma parceria entre Escolas e

empresas, como está sendo feito

hoje nas obras do PAC, com a

parceria da Faetec. Só assim que

teremos resultados satisfatórios.

Paulo Sérgio Chagas Junior

Técnico em Eletrotécnica

creaRJ

Uma casa sem profissional?

Dêem meus parabéns a quem

criou o belo anúncio de vocês

que vi na Veja (“É uma casa muito

engraçada. Não tinha engenheiro.

Não tinha arquiteto. Não tinha

nada”.) Infelizmente, o anúncio

não estava assinado.

Romildo Guerrante

Jornalista

Segurança do Trabalho

Primeiramente quero parabenizá-los

pela qualidade dos temas

abordados bem como pela

qualidade física do material (a

revista).

Entretanto, ao abordarem a

matéria sobre segurança do trabalho,

na edição 69, informaram

a NR 7 como Norma Regulamentadora

que trata do registro

profissional do Técnico de Segurança

do Trabalho o que não

procede. Na verdade, a Norma

Regulamentadora que trata desta

matéria é a NR 27 cujo título é

“Registro Profissional do Técnico

de Segurança do Trabalho no Ministério

do Trabalho e Emprego”.

A NR–7 trata exclusivamente do

PCMSO - Programa de Controle

Médico e Saúde Ocupacional,

que é matéria de interesse da

Medicina do Trabalho.

Aproveito para fazer meu protesto.

É uma ofensa à profissão do

Técnico de Segurança do Trabalho,

que existe há tanto tempo,

não ter um conselho profissional

constituído. Vejo nos Creas condições

de adotar esta categoria

profissional carente de um

Conselho forte e comprometido

com sua valorização profissional.

Contudo, é indispensável que os

futuros líderes valorizem mais os

profissionais de nível técnico e

tecnológico por meio de criação

de Câmaras Especializadas e respeito

no exercício profissional.

Cordialmente

Robson Marcolino de Souza

Engenheiro Civil – Técnico de Segurança

do Trabalho

NR: Caro Robson, obrigado pelos

elogios e pela leitura atenta da

nossa Revista.

Comperj

Recebemos exemplares da edição

69 da Revista do Crea-RJ com a

matéria sobre o Comperj. A reportagem

ficou muito boa, mas há

apenas uma informação incorreta.

Em vez de gerar uma economia

de dois bilhões de reais, o projeto

terá como conseqüência uma

economia de divisas da ordem de

dois bilhões de dólares.

Simone Marques

Assessora de Imprensa do Comperj

Sua opinião é muito importante. Acompanhe as ações do Crea-RJ e envie idéias,

sugestões ou críticas para o e-mail revista@crea-rj.org.br


Resolução 1010,

um salto profissional

matriz do Conhecimento garante processo contínuo de aperfeiçoamento

Considerada uma vitória para os

profissionais ligados ao Sistema

Confea/Crea, a Resolução 1010, aprovada

por unanimidade no plenário do

Confea, em 22 de agosto de 2005, permite

a soma das atribuições, além daquelas

concedidas com base na graduação

normal. Na prática, o documento,

que vigora desde 1º de julho de 2007,

cria novas possibilidades de atuação para

os profissionais da área tecnológica, ao

permitir que algumas habilidades técnicas,

obtidas durante cursos de especialização,

mestrado e doutorado sejam incorporadas

àquelas previstas na graduação,

ampliando, dessa forma, o campo

de atuação profissional.

De acordo com o engenheiro mecânico

eletricista Ruy Vieira, coordenador

nacional da Comissão de Implantação

da 1010, a resolução significa

a consolidação de antigas aspirações

dos profissionais da área tecnológica.

“A resolução atende às novas demandas,

no sentido de racionalizar a concessão

de atividades para o desempenho

profissional nos campos de atuação

abrangidos pelo Sistema, e tendo

em vista a flexibilização que foi sendo

aos poucos introduzida no âmbito da

formação acadêmica”, declara.

matriz Do ConheCimento

Todavia, apesar de fazerem quase

três anos de aprovação da resolução,

a sua implementação ainda é tema de

diversos debates, que dão origem a novos

elementos. Um dos mais recentes

diz respeito à Matriz do Conhecimen-

to, cujo objetivo é tornar o processo de

concessão de atribuições menos analítico

e mais automático, além de uniformizar

a forma de análise dos projetos

pedagógicos, de forma a evitar diferenças

substanciais entre os Creas.

Segundo o chefe de gabinete do

Crea-RJ, arquiteto e urbanista Itamar Kalil,

a idéia de se criar a chamada Matriz

do Conhecimento surgiu da necessidade

de aprovar conteúdos mínimos, garantindo

o processo contínuo de aperfeiçoamento

dos profissionais. “É importante

que o profissional possua competências

e habilidades que permitam a ampliação

dessas atribuições”, destaca.

ConFea aProVa CalenDário

No último dia 30 de maio, o plenário

do Confea aprovou o calendário

de reuniões de especialistas a fim de

que seja concluída a elaboração das

matrizes de conhecimento referentes

à graduação. A criação desta matriz,

prevista no Anexo II da Resolução nº

1.010/05, implica a adequação dos

campos de atuação dos profissionais

Aspectos importantes da 1010

do Sistema Confea/Crea.

As reuniões vão tratar das seguintes

modalidades: engenharia civil, industrial,

química, agrimensura/geografia,

geologia/minas, arquitetura, agronomia/meteorologia

e engenharia de

segurança do trabalho.

Ao final das reuniões, haverá reunião

extraordinária da Comissão de

Educação e Atribuição Profissional

(CEAP), para a entrega formal das matrizes

de conhecimento concluídas e da

proposta de adequação dos campos de

atuação profissional do Anexo II da Resolução

nº 1.010, de 2005.

O assunto é amplo e envolve diretamente

todos os profissionais que já

fazem parte do Sistema, assim como

aqueles que estão em processo de graduação.

Dar a merecida atenção ao

tema é essencial para que a Resolução

1010 alcance seu principal objetivo e

sirva de instrumento favorável ao profissional,

permitindo que algumas categorias

tenham uma maior flexibilidade

em relação à concessão e atribuições

de títulos e competências. F (A.S.)

• A Resolução 1010 permite a soma das atribuições, além daquelas concedidas

através da graduação normal;

• Divisão entre conteúdos básicos e obrigatórios. Para ter reconhecida a

competência, o egresso deverá cursar 100% do conteúdo obrigatório e 75%

do conteúdo básico.

• Estabelecimento de cargas horárias para cada conjunto de conteúdos.

• Elaboração: a cargo de coordenadorias nacionais de câmaras especializadas dos

Creas. Participação de especialistas, entidades de classe e instituições de ensino.

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Dengue

um problema sanitário

Crea-rJ encaminha ao poder público propostas para

evitar o lixo disperso na cidade, um dos principais

fatores de proliferação do mosquito transmissor


Em 1986, uma das tarefas dos alunos

da quarta série do antigo curso

primário, em uma escola pública no

Rio de Janeiro, era a composição de

um mural sobre uma doença que, então,

vinha assustando toda a população:

a dengue. À época, as crianças

pesquisaram, principalmente, sobre

qual era o vetor transmissor da doença

– o mosquito Aedes Aegypti – e

quais as maneiras de evitar a proliferação

do inseto e, conseqüentemente,

da doença – acabando com os lugares

de seu nascimento e desenvolvimento,

como água limpa parada em recipientes

abertos.

Vinte e dois anos se passaram e a

dengue ainda é tema de pesquisas escolares,

de reportagens maciças nos

meios de comunicação e de campanhas

de conscientização. E o mais grave:

continua matando dezenas de pessoas

aqui no Estado, ano após ano.

Ainda assim, as ações efetivas de

combate às causas da doença acabam

sendo sazonais e a maior parte da responsabilidade

atribuída à população.

Buscando uma nova perspectiva

para o assunto, a fim de formular soluções

concretas para o problema, o

Crea-RJ produziu, através de sua Assessoria

de Meio Ambiente, um Relatório

Técnico, mostrando os riscos do

lixo disperso na cidade do Rio de Janeiro

– não coletado adequadamente

pelo poder público – na proliferação

de mosquitos e outros vetores,

que geram doenças e epidemias para

a população urbana.

eCobarreiras aGraVam Problemas

O documento detecta que não

está sendo combatido adequadamente

o que, talvez, seja o principal foco da

dengue na cidade do Rio de Janeiro: o

lixo disperso nas favelas urbanas. De

acordo com o documento, coordenado

pelo engenheiro sanitarista Adacto

Ottoni, a coleta nessas localidades

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

continua ineficiente, permitindo que o

lixo se alastre no solo urbano, especialmente

nas encostas com ocupações irregulares,

onde o caminhão da limpeza

urbana não tem acesso.

Para Adacto, o risco da proliferação

de vetores pode ser agravado pela

implantação das ecobarreiras para a

retenção do lixo das favelas, que é levado

pelas chuvas por meio do sistema

de drenagem urbana e acaba por atingir

os rios da cidade. “O Crea-RJ realizou

inspeção no último dia 25 de mar-

Ações emergenciais

ço na ecobarreira do rio Arroio Fundo

(localizada na região de Jacarepaguá/

Barra da Tijuca, grande foco de dengue

na cidade) e detectou uma série

de indícios de mal funcionamento da

estrutura, como o acúmulo por tempo

prolongado do lixo nas calhas fluviais,

deixando o caminho livre para a proliferação

de vetores animados. Para

esta estrutura funcionar sem risco sanitário

para a população, é preciso que

ela seja limpa de forma permanente”,

afirma o sanitarista. F (V.M.)

O relatório do Conselho sobre Dengue, que foi entregue ao Ministério das Cidades,

à Comlurb e às Secretarias Municipal e Estadual de Meio Ambiente, apresenta

como contribuição ao poder público providências emergenciais a serem aplicadas,

como: o desenvolvimento de estudos para a implantação da coleta seletiva

e a reciclagem do lixo nas favelas da cidade, em conjunto com um programa

de educação ambiental e conscientização da população local; a priorização de

investimentos, em níveis municipal, estadual e federal, para o controle do lixo

disperso nas encostas da cidade, evitando que este chegue às calhas fluviais; e a

implantação do monitoramento permanente por sensoriamento remoto do uso

e ocupação do solo, além da criação de políticas públicas efetivas para o controle

de novas ocupações irregulares na Cidade do Rio de Janeiro.

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Uma máquina

colossal

supercomputador instalado na UFrJ vai ajudar

Petrobras a identificar novas reservas de petróleo


investimento de 1% do seu fa-

O turamento em Pesquisa e Desenvolvimento

(P&D) tem levado a

Petrobras a formidáveis conquistas,

como a auto-suficiência em petróleo,

alcançada em 2006. Em quase todas,

a empresa não atuou sozinha. Pelo

contrário, soube explorar parcerias

para desenvolver as tecnologias inovadoras

que lhe deram o sétimo lugar

no ranking das maiores empresas

de petróleo do mundo, de acordo

com a publicação Petroleum Intelligence

Weekly (PIW). A um passo de

confirmar reservas colossais de óleo

na camada pré-sal, a seis mil metros

abaixo no nível do mar, a Petrobras

– consciente do desafio tecnológico

que tem pela frente – vem reforçando

a estratégia de compartilhar o seu

esforço de pesquisa com instituições

acadêmicas.

Nessa empreitada em busca de

novos campos petrolíferos, um de

seus maiores aliados será o supercomputador

Netuno, inaugurado, em

12 de maio, no Núcleo de Computação

Eletrônica da Universidade Federal

do Rio de Janeiro (UFRJ). Montado

com R$ 5 milhões financiados

pela Petrobras, o cluster (aglomerado

de servidores) vai beneficiar 14

instituições brasileiras de ensino e

pesquisa que integram duas redes

temáticas: a Rede de Geofísica Aplicada

e a Rede de Modelagem e Observação

Oceanográfica. O mais potente

computador de uso acadêmico

da América Latina vai elevar a capacidade

atual instalada em cerca de

oito vezes.

simUlação Ganha Força

Segundo o coordenador técnico

do projeto, engenheiro eletrônico

Gabriel Pereira da Silva, a máquina

poderá desenvolver modelos para

a prospecção de poços de petróleo.

“Esse poços da camada pré-sal não

têm um modelo acurado que indique

a ocorrência ou não de óleo. Imagina

furar um poço desse e não encontrar

petróleo? São milhões de reais jogados

fora. Com um modelo mais preciso,

será possível economizar muito

na fase de perfuração”, explicou.

A computação de alto desempenho

é uma ferramenta cada vez

mais essencial na pesquisa científica,

que inclui três fases: a teórica; a

simulação, que cria modelos computacionais;

e a laboratorial, que gera

o protótipo de um produto ou equipamento.

“O que está acontecendo

no mundo é que a fase de simulação

está tendo um peso maior em relação

às outras duas. As simulações queimam

etapas e economizam recursos,

descartando opções que não dariam

certo na fase de laboratório”, frisou

o professor do Departamento de Ciência

da Computação da UFRJ.

Divulgação

Já na área de Oceanografia, será

possível criar modelos mais precisos

para as correntes oceânicas do

Atlântico Sul, especialmente as da

costa brasileira. “Esse modelo conseguirá

prever com muito mais rigor

a direção, a temperatura e a velocidade

das correntes marítimas. Isso

vai possibilitar o transporte de equipamentos

ou petróleo para a plataforma

ou a costa com mais economia

e segurança. Além disso, vai permitir

uma melhor previsão do tempo e

eventos climáticos, como ciclones,

enchentes e secas”, disse Gabriel

Pereira da Silva.

O geólogo Giuseppe Bacocoli,

da Coordenação de Pesquisa e Pós-

Graduação em Engenharia (Coppe/

UFRJ), concorda que, nesse momento

de descobertas de novos campos na

camada pré-sal, a entrada em operação

do Netuno melhora bastante a

O supercomputador Netuno sendo montado nas instalações do NCE/UFRJ

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infra-estrutura de pesquisa na área

de petróleo. “A espessura do sal varia

e ele tem velocidade sísmica diferente.

Por isso, é preciso fazer modelagens

computacionais mais precisas

para se reconstituir a imagem

do que há abaixo do sal. É uma nova

e mais complicada fronteira tecnológica”,

analisa.

MAIS INVESTIMENTO EM PESQuISA

Embora o projeto tenha sido

patrocinado pela Petrobras e esteja

abrigado na UFRJ, o Netuno não

será uma máquina feudal, como lembrou

Sérgio Guedes de Souza, coordenador

do Centro de Computação

de Alto Desempenho de Geofísica

e Oceanografia da UFRJ, durante o

evento de inauguração do supercomputador.

“Ele ficará à disposição para

rodar projetos e aplicações de diferentes

universidades brasileiras e, assim,

cumprir seu papel no avanço da

rede de conhecimento científico do

país”, destacou.

Na ocasião, o gerente executivo

do Centro de Pesquisas da Petrobras

(Cenpes), Carlos Tadeu Fraga, anunciou

que a empresa vai aumentar o

percentual investido em pesquisa para

fazer frente às novas descobertas de

petróleo. O contrato de concessão de

exploração e produção entre a Companhia

e a Agência Nacional de Petróleo,

Gás e Biocombustíveis (ANP)

prevê que 1% da receita bruta seja

aplicado em P&D – a metade deve ser

Velocidade de cálculo do Netuno é assombrosa

destinada, obrigatoriamente, a instituições

nacionais de ciência e tecnologia.

Em média, a Petrobras tem investido

em R$ 500 milhões por ano em

universidades e institutos de pesquisa

do país, valor que vai dobrar até o

final de 2008, segundo Carlos Tadeu

Fraga. Ele informou ainda que passará

de 38 para 50 o número de redes temáticas

– modelo de parceria tecnológica

com instituições nacionais – que

utilizam recursos da Petrobras destinados

à pesquisa. A inauguração do

supercomputador, que beneficiará 14

dessas redes, confirma apenas que a

Petrobras continuando apostando na

alta tecnologia para se manter entre

as maiores empresas de petróleo do

planeta. F (C.B.)

Divulgação

O Netuno é o mais rápido su per com putador

acadêmico da América Latina. Ele tem

um desempenho estimado de 21,8 teraflops

(trilhões de operações matemáticas por segundo).

Isso significa que a poderosa máquina

faz em um dia os cálculos que um computador

pessoal levaria dez anos para completar

– compara o coordenador técnico do projeto, Gabriel

Pereira da Silva, que já mediu um desempenho

efetivo de 16,2 teraflops do Netuno. Hoje,

ele está entre os 100 mais rápidos do mundo, na

lista Top500 mantida por instituições de pesquisa

dos estados Unidos e da europa.

Segundo Gabriel Pereira da Silva, o Netuno

é composto de 256 nós computacionais e

cada um deles possui oito processadores, totalizando

2.048. Além disso, a máquina tem

16 gigabytes de memória em cada nó, além

de 30 terabytes para armazenamento de informação.

“o segredo desse computador foi

conectar os seus 256 nós da maneira mais eficiente

possível. Conseguimos uma excelente máquina”, diz o engenheiro eletrônico.

O custo de operação está incluído na garantia, que é de quatro anos. Quando ela chegar ao fim, o Netuno também

estará ultrapassado.


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Empregado ou

empregador?

Profissionais avaliam a diferença entre trabalhar

em uma empresa e ser um empresário


decisão sobre o futuro profissio-

A nal é sempre muito difícil. Ao sair

da faculdade, a maioria dos recémformados

tem um grande sonho: alguns

almejam fazer uma carreira de

sucesso em uma empresa reconhecida

e outros preferem criar organizações

próprias. Mas, além do próprio desejo,

o que vai decidir por uma coisa ou

outra é o perfil de cada profissional e

uma boa oportunidade.

A determinação, por exemplo, foi

o que moldou o caminho do arquiteto

Paulo Renato Paquet, que hoje está à

frente da Lafem Engenharia, junto com

outros dois sócios. Quando estava na

faculdade, seu objetivo era trabalhar

como empregado apenas para ganhar

experiência profissional, mas sempre

alimentou o sonho de ter a sua empresa.

No seu terceiro emprego, o arquiteto

foi trabalhar com um amigo, fiscalizando

uma construtora – Parc Planejamento

e Construção Ltda. - que executava

uma obra em Búzios. Após a

conclusão da obra, seu trabalho foi reconhecido

e Paquet foi trabalhar como

diretor técnico na construtora, com a

promessa de se tornar sócio; o que virou

realidade um ano depois, inicialmente

com 20% e, posteriormente,

com 40% de participação. Em 1992,

a mesma empresa executou obras em

consórcio com a Lafem Engenharia, e

mais uma vez sua vida profissional tomou

um novo rumo. Ele decidiu sair da

Parc e associar-se à Lafem.

O empresário garante que, para

encarar o desafio, é preciso ousadia,

persistência, capacidade de trabalho

e muita força de vontade. “Abrir

uma empresa no Brasil é trabalhoso,

desgastante, mas acho que ainda

compensa. A Lafem cresceu mais de

100% nos últimos dez anos e emprega

muitas pessoas. Nós fazemos um

bom trabalho e os clientes estão satisfeitos”,

afirma.

Divulgação

Cezar Kirsenblatt: “a perseverança é uma característica do empreendedor”

QuALIDADES DE uM EMPREENDEDOR

O gerente da área de Estratégias e

Diretrizes do Sebrae/RJ, Cezar Kirszenblatt,

defende que o sonho de ser empresário

não deve ser motivado apenas

pelo dinheiro que se pode ganhar.

Segundo ele, para ser empreendedor,

é preciso ter vocação e algumas características

básicas: ser perseverante,

criativo, ter uma postura otimista,

correr riscos calculados e não desistir

facilmente. “Empreender tem muitos

significados, mas um deles certamente

é reconhecer que há problemas e

obstáculos e assumir a tarefa de superá-los”,

garante.

Apesar do gosto pelos desafios, a

engenheira Sandra Emmerich, gerente

de engenharia da RJZ Cyrela, nunca

vislumbrou ser uma empresária. Sua

satisfação profissional estava em superar

obstáculos dentro de uma gran-

de empresa e vive hoje em sua profissão

exatamente o que imaginou quando

era apenas uma estudante. “Fui a

primeira mulher na construtora a estagiar

em obra. Eu gostava muito do

que fazia e planejava comandar obras

e crescer dentro da empresa em que

trabalhava. Toda a minha trajetória

foi satisfatória e atendeu às minhas

expectativas. Desde a minha primeira

obra, que tinha prazo e custo bem

apertados, sempre me confiaram desafios.

Acho que desempenhei meu

papel da melhor forma. Aos poucos,

fui subindo degraus e hoje ocupo um

cargo de gerência”, explica.

Segundo a engenheira, fazer uma

carreira de sucesso em uma empresa

depende exclusivamente de duas

características básicas: dedicação e

comprometimento. “Para os profissionais

que pretendem conquistar um

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bom cargo, eu diria para se dedicar

ao máximo, pois os esforços de quem

faz um bom trabalho são reconhecidos.

Também é importante continuar

se capacitando, pois o mercado está

cada vez mais exigente em todos os

níveis”, sugere.

oPortUniDaDe

“Há três coisas que não voltam

atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada

e a oportunidade perdida.”

O provérbio traduz bem a história do

engenheiro mecânico João Edson Machado,

da Maprom Engenharia. Foi a

oportunidade – e a certeza de que

não poderia desperdiçá-la - que o fez

sair da condição de empregado para

virar empresário. Há 13 anos, João

Edson viu a empresa em que trabalhava

como engenheiro de projeto demitir

funcionários e reduzir, até aca-

bar, o departamento em que atuava.

Em vez de tratar a demissão como um

problema, a volta por cima foi abrir

seu negócio. Com o sócio, Walmir Rigas,

o engenheiro, então, construiu o

sonho de virar empregador. “Quando

empregado, percebi que os fornecedores

não conheciam as necessidades

da empresa. Se eu conhecia o que elas

precisavam, por que não oferecer esses

serviços?”, lembra João.

O empresário, então, tratou de

procurar um lugar próximo a seus

clientes, que, aos poucos, começavam

a surgir. Na época, a solução que encontrou

foi uma praça em Irajá, subúrbio

do Rio, onde ele improvisou um

escritório. “Eu apoiava minha agenda

na prateleira embaixo do orelhão

e fazia as ligações para os clientes.

Um dia, bateu um vento forte e voou

tudo”, diverte-se o empresário, lem-

Abrir um pequeno negócio é trabalhoso, mas ainda compensa, de acordo com especialistas

brando a história que o fez procurar

o prédio onde, até hoje, funciona

a Maprom Engenharia. “Não me arrependo

de ter virado empregador.

Hoje gerencio, junto com meu sócio,

uma equipe de 22 funcionários. Já

são mais de 11 anos, muitos clientes

satisfeitos e a certeza de que fiz a escolha

certa”, recorda.

Depois de descobrir a receita rentável

de ser empregador, João também

faz o balanço dos prós e contras da

sua escolha. “A preocupação aumenta

consideravelmente. Ser dono de um

negócio significa mais responsabilidade.

Há quase 12 anos que eu não sei o

que são férias. Mas, ao mesmo tempo,

hoje consigo dosar minha qualidade de

vida com a rentabilidade da empresa,

sem conflitos. Não sei mais trabalhar

como empregado”, resume.

DiFiCUlDaDes e CaPaCitação

Os arquitetos Eduardo Horta e

Andréa Fiorini, sócios da Studio HF,

acham que, apesar da independência

profissional, ainda é muito difícil manter

uma empresa no Brasil. Para eles,

as maiores dificuldades são: conseguir

um fluxo de caixa positivo e confortável,

formar e manter uma equipe, buscar

novos clientes e, principalmente,

enfrentar o universo burocrático que

envolve a prática profissional e a condução

de uma empresa. “Ser empregado

é muito melhor, evidentemente,

se você receber um salário justo

e estiver satisfeito com as atividades

que desempenha. O empregador faz

o mesmo que o empregado e ainda

precisa se preocupar com as contas no

fim do mês, o salário dos empregados,

em buscar novos contratos para manter

isso tudo. O empregador tem um

status superior e é só”, conta Horta.

Para Kirszenblatt, apesar dos obstáculos,

o papel do empreendedor é

muito importante, já que, com a tec-


nologia e o conhecimento que detém,

pode gerar, além de empregos, ferramentas

que aumentam a competitividade

nas empresas tradicionais.

Ele diz ainda que a experiência é importante

para o sucesso de uma nova

organização, mas não é fundamental.

“Mesmo recém-formado e com poucas

experiências, é possível criar uma

empresa, se tiver vocação. Além disso,

no campo da engenharia, assim como

em qualquer outro, é indispensável

que o profissional procure a sua capacitação,

de preferência com cursos

de gestão. Um dos mais procurados

pela área de exatas no Sebrae é o Empretec”,

explica.

As universidades também desempenham

uma função essencial na cultura

empreendedora do país. Se antes

tinham a função de formar pessoas

para grandes empresas, hoje,

estão preocupadas em criar empreendedores.

Um bom exemplo desse

movimento são as incubadoras, presentes

em grande parte das universidades.

“Só no Rio de Janeiro, existem

cerca de 100 empresas na incubadora

– sendo 90% da área tecnológica

- e é forte a presença de engenheiros

nesse mercado. O período de incubadora

pode durar de três a quatro

anos. Em alguns casos, as empresas

já até exportam os serviços”, diz o

engenheiro do Sebrae.

Ele defende ainda que, independentemente

da escolha entre ser

empregado ou empregador, é preciso

capacitar-se, estudar muito, fazer

cursos e estar sempre atento às oportunidades.

ProGramas De inCentiVo

O Brasil vive um dos melhores momentos

para novos negócios. Para estimular

a visão empreendedora e ajudar

o profissional nesse desafio, existem

alguns programas de incentivo in-

teressantes no mercado. Entre eles:

o Programa de Microcrédito do BN-

DES; o Fundo Setorial Verde-e-Amarelo,

no Ministério da Ciência e Tecnologia,

que também disponibiliza

recursos para apoiar capital de risco

por meio do Projeto Inovar, da Finan-

regularização necessária

ciadora de Estudos e Projetos (Finep);

além do Proger Urbano, do Ministério

do Trabalho e Emprego. Também

é importante destacar as ações do Sebrae

direcionadas ao empreendedor,

com cursos de capacitação, consultoria

e competições. F (D.M.)

se você decidiu abrir seu

negócio, o mais indicado é

procurar uma unidade do

Sebrae, que ensina todos os

passos necessários para criar

uma empresa sem a orientação

de um contador. no entanto,

já deve estar preparado

para um longo processo

de regularização, que envolverá

órgãos federais, estaduais

e municipais.

É bom lembrar que, além

das exigências das esferas

municipal, estadual e federal,

as empresas de engenharia,

arquitetura e agronomia

devem atender a legislação

do exercício profissional fiscalizado

pelo Crea. os profissionais

também devem estar

regularizados no conselho. a

fim de acelerar o prazo de registro da empresa, o Crea­RJ implantou a descentralização

administrativa.

um entrave gerado pelo Governo, velho conhecido da população, é a alta

carga tributária que recai sobre o empresário. São necessárias 2.600 horas por

ano para cumprir todas as obrigações tributárias, o que levou o Brasil à última

posição dos 177 países no ranking elaborado pela PriceWaterhouseCoopers, na

pesquisa Paying Taxes 2008: The Global Picture, conjunta com o Banco Mundial

e a international Finance Corporation.

Mas, apesar de todas as exigências legais, o resultado do relatório brasileiro

do Global Entrepreneurship Monitor – GEM – (2007) confirma a vocação

empreendedora dos brasileiros, apresentando uma taxa de atividade empreendedora

de 12,7%, ou seja, praticamente 13 em cada cem brasileiros adultos

estão envolvidos com alguma atividade empreendedora, o que coloca o país

na sétima colocação entre os que participaram da pesquisa.

f


Mar de brigadeiro

Depois de enfrentar a tormenta da decadência,

indústria naval brasileira tem plano ambicioso

para recuperar a pujança que tinha há 30 anos


ada vez que ouço aqui o apito

“Cdo navio, penso que estamos

levando 160 anos para voltar a construir

aquilo que o Barão de Mauá começou

a construir em 1846.” Foi com

essa frase que o presidente Luiz Inácio

Lula da Silva resumiu o evento de

assinatura do contrato para a construção

de quatro navios de produtos para

a frota da Transpetro. O evento, que

ocorreu no final do ano passado, faz

parte do cenário da nova política industrial

e do Programa de Modernização

e Expansão da Frota de Petroleiros

(Promef), uma parceria entre os

Ministérios dos Transportes, das Minas

e Energia e de Desenvolvimento, Indústria

e Comércio Exterior, além da Petrobras

e da própria Transpetro.

O programa, que no final de maio

entrou na segunda fase, elevará a indústria

naval brasileira a um novo patamar

ao permitir a revitalização de um

setor decisivo para a geração de empregos

no país. A intenção é assegurar

a continuidade das encomendas

para que os estaleiros alcancem a escala

necessária para disputar mercado

no exterior. “Nas décadas de 60 e 70,

o Brasil chegou a ser o segundo maior

fabricante mundial de navios de grande

porte. Depois, entramos numa fase

de declínio e chegamos a passar um

período de 20 anos sem uma única encomenda.

O Promef representa a revitalização

da nossa indústria naval”, explica

o presidente da Transpetro, Sérgio

Machado.

reCUPeração teCnolóGiCa

Atualmente, o Brasil gasta R$ 10

bilhões em transporte marítimo por

ano. Desse total, menos de 4% são

pagos a empresas brasileiras de navegação.

Trata-se, portanto, de uma

questão de soberania. A necessidade

de construir navios no Brasil criou uma

oportunidade de investimentos e de

desenvolvimento econômico e social.

Só na primeira fase do Promef estão

sendo investidos US$ 2,5 bilhões. “Por

uma série de erros e problemas, o Brasil

perdeu sua posição de player mundial

do setor na década de 80. Por isso,

o governo Lula resolveu criar o programa

com base em um novo paradigma.

Analisamos os desacertos do passado

para que não voltassem a ocorrer. Fizemos

um estudo da indústria naval em

todo o mundo e verificamos que estávamos

muito distanciados, tecnologicamente,

dos países mais adiantados

no setor. O Promef criou uma série de

instrumentos para permitir essa modernização”,

resume Sérgio Machado.

Entre esses instrumentos, está a

modernização tecnológica e a capacitação

profissional. Na primeira fase do

programa, quando serão construídos

26 navios, estão sendo

criados 22 mil postos de trabalho.

A segunda fase, que prevê 23 navios,

vai gerar mais 20 mil vagas. Para o pre-

Divulgação

sidente da Transpetro, o processo de

capacitação profissional corre paralelamente

a essas oportunidades que o

mercado oferece. “O Estaleiro Atlântico

Sul, por exemplo, que está se instalando

em Pernambuco, construiu um

centro de treinamento que é a última

fase do processo de formação de seus

operários especializados. Todos os

operários treinados no centro são previamente

contratados pelo estaleiro.

Novas turmas estão se juntando aos

primeiros 342 empregados que concluíram

sua formação”, exemplifica.

Sérgio Machado disse ainda que a

intenção do programa é abrir o mercado

e alavancar um ambiente de

concorrência mais intensa no país. “A

linguagem do mundo moderno é a

da competência. Para que o Brasil reassuma

o lugar que merece no mercado

mundial, seus estaleiros precisam

tornar-se de novo competitivos internacionalmente,

como já foram no pas-

Sérgio Machado: “em estudo, verificamos que o Brasil estava defasado tecnologicamente”


sado, quando chegávamos a exportar

navios para vários países. Graças às

encomendas em escala do Promef, os

estaleiros têm condição de investir na

modernização tecnológica, na melhoria

de suas instalações e na capacitação

profissional. Com isso, asseguramos

a chamada curva do aprendizado:

com as encomendas em escala e

os ganhos de produtividade, o custo do

próximo navio será menor que o do anterior

e assim por diante”, explica.

Os 23 navios previstos para a

segunda etapa do Promef - lançada

no dia 26 de maio —, deverão alcançar

um total de 1,3 milhão de toneladas

de porte bruto (TPB). A expectativa

é que seja gerada uma demanda

por cerca de 250 mil toneladas de aço

durante o período de construção. O

programa também vai gerar um impacto

positivo de US$ 290 milhões por ano

na balança de pagamentos do país. “O

Promef não é um programa da Transpetro,

ou do Governo. Hoje, é um programa

do Brasil, fruto de estudos, pesquisas

e debates que contaram com a

participação de nossas mais conceitu-

adas universidades, centros de pesquisas,

além de entidades empresariais e

sindicais.”

Segundo Sérgio Machado, para

atender a essa demanda, foi criada a

Rede de Tecnologia da Construção Naval,

que já tem vários convênios em andamento,

abrangendo entidades como

o Instituto de Pesquisas Tecnológicas,

a Universidade Federal do Rio de Janeiro

e a Universidade de São Paulo. “Há

diversas parcerias em curso para a capacitação

de mão-de-obra”, adianta.

PolítiCa De inCentiVos

Outro impulso para o setor é o Fundo

da Marinha Mercante (FMM), que

foi incluído no Programa de Aceleração

do Crescimento (PAC) e prevê investir

R$ 10,6 bilhões em projetos da indústria

naval até 2010. Dentro da política

industrial do Governo, o setor também

conquistou, em maio, isenções tributárias

e fundo de R$ 400 milhões, que vai

garantir o pagamento para compradores

e financiadores dos estaleiros. “O

Fundo de Marinha Mercante é um dos

principais instrumentos que estão pos-

sibilitando o ressurgimento da indústria

naval brasileira. Sua criação, há 50

anos, no governo Juscelino Kubitschek,

permitiu o extraordinário crescimento

de nossa indústria naval nos anos 60 e

70. Hoje, novamente, transformou-se

numa alavanca que permitiu a criação

de um programa da magnitude do Promef”,

resume Sérgio.

Já o secretário de Desenvolvimento,

Energia, Indústria e Serviços do estado,

Júlio Bueno, é menos otimista quanto à

sustentação dos investimentos no FMM.

Para ele, o fundo é um instrumento importante

de financiamento para todo o

setor, mas, no entanto, é preciso saber

se haverá lastro para atender toda a demanda.

“Conforme os anúncios da Petrobras,

nos próximos dez anos, ocorrerão

licitações envolvendo algo em torno

de US$ 30 bilhões para construção

de petroleiros, embarcações de apoio

off-shore, plataformas marítimas e sondas

de perfuração. Atualmente, o setor

não conta apenas com o FMM. Há outras

instituições financiando a indústria

naval, como o Banco do Brasil, o Banco

da Amazônia e o Banco do Nordes-


Divulgação

Secretário Estadual de Desenvolvimento, Júlio Bueno

te, sendo de fundamental importância no

processo, pois são muitas as dificuldades

de conseguir financiamento em organismos

internacionais por conta das garantias

exigidas. É importante que o setor

saiba alavancar outras formas de financiamento”,

sugere.

Para o secretário, o setor naval

brasileiro tem um vasto potencial pela

frente, porém precisa das correções

necessárias, principalmente, para conquistar

player internacional. “A sustentabilidade

só ocorrerá se tivermos condição

de competir de igual para igual

com os estaleiros internacionais. A indústria

naval é um setor muito importante

para o Rio de Janeiro, já que integra

uma rede produtiva que impulsiona

fornecedores de produtos e serviços,

demandando diversos segmentos,

como os setores siderúrgico, metalúrgico,

máquinas e equipamentos, além

de criar negócios e promover a inovação

e formação de recursos humanos.

“Atualmente, nós concentramos cerca

de 60% da construção naval nacional.

Para os próximos três anos, estão previstos

investimentos de cerca de R$ 2,6

bilhões, o que corresponde a 9% dos

investimentos na indústria de transformação

fluminense”, explica. F (H.R.)

Rio tem programa para

incrementar indústria naval

Em fevereiro deste ano, foi lançado o Programa de Sustentabilidade

da Indústria Naval do Estado. A isenção do Imposto sobre Circulação

de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o aço importado para a

construção de embarcações foi a primeira medida anunciada para

o incentivo do setor. O objetivo do programa, segundo o secretário

de Desenvolvimento, Energia, Indústria e Serviços do estado, Júlio

Bueno, é dar mais competitividade e possibilitar o aperfeiçoamento

e desenvolvimento de novas tecnologias, além de aumentar a

participação da indústria naval brasileira no mercado internacional.

“O programa vem da necessidade de dar perenidade ao setor, e não

apenas resolver as questões mais imediatas. A indústria naval brasileira

- e, em especial, a fluminense -, está num momento extraordinário e

temos que aproveitá-lo para garantir o futuro do setor”, explica.

Atualmente, os estaleiros do estado têm contratos em andamento para

a construção de 40 navios – de diversas modalidades – e três plataformas

de petróleo, na ordem de US$ 7 bilhões. Para os próximos anos, outros US$

8 bilhões em contratos movimentarão a indústria naval brasileira. “Apesar

disso, ainda temos fragilidades que a impedem de competir em igualdade

com os estaleiros internacionais. Planejamento de médio e longo prazos;

presença de agentes financeiros; garantias para os financiamentos;

investimentos em tecnologia; formação de mais mão-de-obra para os

estaleiros; formação de marítimos que atenda à demanda do setor;

melhoria do ambiente de competitividade; estímulo à produtividade,

além de uma agenda integrada - indústria naval, marinha mercante,

universidades e institutos de P&D: tudo isso é importante”, enumera.

Para acompanhar esse trabalho, foi criada a “comissão

permanente de gestão da indústria naval”, com representantes do

setor. O grupo de trabalho vai elaborar as ações de sustentabilidade

envolvendo o poder público nas três esferas, os estaleiros, o setor de

navipeças, os trabalhadores, os pesquisadores das universidades e

os institutos de pesquisa, além de entidades como Firjan e Sebrae,

para buscar as soluções a médio e longo prazos. “Claro que temos que

pensar no momento atual. Mas é preciso pensar em mecanismos de

financiamento, prazos e qualificação tecnológica porque esse é um

programa para dar perenidade ao setor”, pondera Júlio.

Se o renascimento do setor naval é uma das premissas para o país

superar gargalos de infra-estrutura e logística de transporte marítimo,

com a volta das encomendas em escala, os estaleiros poderão investir na

modernização e na aquisição de nova tecnologia. “As recentes descobertas

da Petrobras e o conseqüente aumento da produção certamente terão

reflexos no volume de encomendas, que deverão crescer, garantindo ainda

maior sustentabilidade para o setor. Dessa forma, a indústria naval que

renasce é a sustentável”, completa Sérgio Machado.


Inovar para crescer

Programa incentiva a inovação em micro e

pequenas empresas no Rio de Janeiro


Uma pesquisa realizada pelo Boston

Consulting Group (BCG) com

1.070 executivos de diferentes indústrias

em 63 países revelou que 72%

dos entrevistados consideram a inovação

uma das três prioridades estratégicas

para superar a competitividade

acirrada do mercado. Quando falamos,

especificamente, de inovação

tecnológica, é comum que o assunto

nos remeta a grandes organizações

globais especializadas em tecnologia,

como a Google e a Microsoft, mas a

criatividade inerente a esse processo

pode estar em empresas grandes ou

pequenas, de diferentes ramos de negócio.

Para desenvolvê-la, basta apenas

que haja incentivo.

Foi pensando nisso que o Ministério

da Ciência e Tecnologia (MCT),

apoiado pela Financiadora de Estudos

e Projetos (Finep) e em parceria com

as Fundações de Amparo à Pesquisa

dos Estados, criou, em 2003, o Programa

de Apoio à Pesquisa em Empresas

(Pappe). O objetivo é financiar

atividades de pesquisa e desenvolvimento

de produtos e processos inovadores

empreendidos por pesquisadores

que atuem diretamente ou em

cooperação com empresas de base

tecnológica. No Rio de Janeiro, a responsabilidade

do programa é da Secretaria

de Estado de Ciência e Tecnologia

(Sect), por meio da Fundação de

Amparo à Pesquisa do Estado do Rio

de Janeiro (Faperj).

“O MCT, a Secretaria, a Finep e a

Faperj acreditam que, além de contribuir

para o desenvolvimento econômico

e social do país, ao fortalecer as

empresas de base tecnológica e lançar

produtos inovadores no mercado,

o Pappe também propicia o aumento

do espaço de atuação profissional

de pesquisadores e empreendedores

nas diversas áreas do conhecimento”,

opina Rex Nazaré, diretor de tecnologia

da Faperj.

Este ano, no Rio de Janeiro, o programa

elegeu as microempresas e pequenas

empresas com faturamento de

até R$ 10,5 milhões como o seu grande

alvo e está disponibilizando R$ 30

milhões a esse segmento em dois editais,

Pappe Subvenção – Rio Inovação

2008 e Apoio à Inovação e à Difusão

Tecnológica no Estado do Rio de Janeiro,

sendo R$ 24 milhões para o primeiro

e R$ 6 milhões para o segundo.

“Essa é a terceira edição do programa

e a novidade é que, pela primeira vez,

as microempresas e pequenas empresas

poderão concorrer diretamente

aos recursos, sem a necessidade de

estarem associadas a uma instituição

de pesquisa”, explica o diretor.

aPoio aUmenta ComPetitiViDaDe

A Sect já vem, há alguns anos,

investindo nas microempresas e pequenas

empresas fluminenses, prática

que tem provocado impacto social

benéfico nas regiões onde estão inseridas,

principalmente a partir da geração

de emprego e, conseqüentemente,

ao proporcionar o desenvolvimento

Roberto Bellonia

sustentável nessas comunidades. “As

microempresas e pequenas empresas

são as maiores responsáveis pela dinâmica

econômica e social do país e

são as maiores geradoras de emprego,

mas, ao mesmo tempo, são carentes

de recursos necessários para se

atualizarem segundo as demandas de

nosso tempo. Ao estimular o desenvolvimento

tecnológico de produtos e

processos, o estado aumenta a competitividade

dessas empresas”, explica

o secretário de estado de Ciência e

Tecnologia, Alexandre Cardoso.

O secretário acredita ainda que,

ao investir em inovação, o estado está

qualificando não só a empresa, mas

também a mão-de-obra. “Com a ajuda

do programa, teremos uma revolução

em inovação tecnológica e, por

conseqüência, uma mão-de-obra mais

capacitada, além de mais qualidade

de vida nessas regiões”, completa.

Rex Nazaré também considera a inovação

uma das melhores ferramentas

para o crescimento das microempresas

e pequenas empresas e, consequentemente,

um mecanismo de de-

Rex Nazaré: “as pequenas empresas, agora, podem concorrer diretamente aos recursos”


Roberto Bellonia

Alexandre Etchebehere mostra o inovador robô multiferramenta capaz de limpar e

higienizar dutos do sistema de ar-refrigerado

senvolvimento para o estado. “A inovação

tecnológica é capaz de agregar

valor aos produtos comercializados

pelas empresas, em particular, aquelas

sediadas em arranjos produtivos

locais (áreas de agropecuária, fruticultura,

floricultura, rochas ornamentais,

piscicultura e eletroeletrônica); desenvolver

o potencial econômico das várias

regiões do estado, contribuindo

para a redução das desigualdades sociais

e possibilitando o acesso da população

menos privilegiada às novas

tecnologias; e aumentar a competitividade

nacional e internacional dos

produtos do estado do Rio de Janeiro”,

defende.

O engenheiro e empreendedor Alexandre

Etchebehere, da Robô-In, que já

foi contemplado pelo projeto, compara

a inovação à respiração humana. “Assim

como o ser humano não vive sem

respirar, a empresa que não inovar, certamente,

morrerá e rápido. Nesse sentido,

as empresas têm que buscar, no

dia-a-dia, inovações em todos os seus

processos e produtos para que possam

manter-se no mercado”, diz.

Sobre o futuro do Pappe, Alexandre

Cardoso afirma que sua maior expectativa

é que as microempresas e

pequenas empresas tenham cada vez

mais acesso à inovação tecnológica

e, com isso, possam disputar espaços

importantes no mercado, não só nacional,

como também internacional.

“Quando você faz com que uma microempresa

na Baixada Fluminense,

por exemplo, compre pela internet,

você reduz o custo dela em até 20%,

e isso é repassado em bens de consumo

para a sociedade. É uma cadeia.

Na verdade, a inovação tecnológica

só pode ser concebida se tiver algum

resultado positivo para toda a população”,

conclui.

65 PROJETOS APROVADOS

Desde seu início no estado, os resultados

do Pappe são muito positivos.

Na primeira etapa, do fim de

2003 ao início de 2004, foram recebidas

109 propostas, que deram origem

a 20 projetos aprovados. A segunda

etapa teve seu edital lançado em setembro

de 2005, para o qual concor-

reram 158 propostas, das quais 45 foram

aprovadas. Os exemplos de projeto

de sucesso vão desde microempresas

que adotaram computadores ligados

à internet para realizar compras

on-line - aperfeiçoando sua produção

-, passando ainda por um produtor de

rochas ornamentais que buscou uma

nova forma de gestão para comercializar

sua produção no exterior, até uma

empresa que descobriu na pesquisa a

resposta para desenvolver um novo e

mais econômico gerador de energia.

O primeiro edital contemplou projetos

como o sistema de fibra óptica

para detecção de vazamentos em tanques

de combustíveis, de Luiz Carlos

Guedes, e o desenvolvimento de um

medidor inteligente de consumo e demanda

de energia elétrica controlado

por telemetria, de Antonio Cesar

Olinto. No segundo edital, destacamse

o Robô-In – ferramenta robotizada

com múltiplas aplicações, de Alexandre

Etchebehere, e o Projeto Nova

Iguaçu Energia Limpa Gerar, de Adriana

Vilela, entre outros.

Conheça mais o ProGrama

O envio das propostas para a terceira

edição do Pappe, em ambos os

editais, começou no dia 13 de maio

e se estenderá até agosto. Os interessados

podem apresentar os projetos

nas áreas determinadas pelos

editais. A Federação das Indústrias

do Estado do Rio de Janeiro (Firjan)

e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro

e Pequenas Empresas (Sebrae/RJ)

também poderão ajudar na elaboração

dos projetos.

O edital Apoio à Inovação e à Difusão

Tecnológica no Estado do Rio

de Janeiro será destinado a projetos

de inovação ou difusão de processos

tecnológicos, com potencial de inserção

no mercado e de alta relevância

social, em áreas de arranjos produtivos

locais, design e temas relacio-


nados ao uso da inclusão digital em

empresas. Nesse caso, a Faperj reservará

até 30% dos recursos para

projetos de empresas sediadas fora

da cidade do Rio e os recursos solicitados

por projeto não poderão exceder

R$ 200 mil.

Os principais focos do Pappe –

subvenção Rio Inovação 2008 são temas

priorizados pelas políticas industrial,

tecnológica e de comércio exterior

(semicondutores, tecnologia de

informação e comunicação, incluindo

TV digital), bens de capital, fármacos

e medicamentos, e as atividades do

futuro – biotecnologia, nanotecnologia

e biomassa/energias alternativas;

além de temas estratégicos para

o estado do Rio de Janeiro nas áreas

de segurança pública e saneamento;

temas relacionados às atividades de

microempresas e pequenas empresas

prestadoras de serviço para a refinaria

de Itaboraí e porto de Sepetiba; e

Limpeza de dutos eficiente

Rio Inovação 2007

Distribuição Percentual de Projetos por Setor de Atividade

Segurança Pública

11%

Saúde

19%

Siderurgia

3%

Petróleo e Gás

11%

Meio Ambiente

6%

temas relacionados à construção naval

e ao pólo gás-químico. A parcela

mínima de 30% do valor global desse

edital deverá ser destinada a projetos

desenvolvidos por empresas se-

Agropecuária

25%

Extrativa

6%

Fontes Alternativas

11%

Informação e

Comunicação

8% Fonte: Faperj

diadas fora da região metropolitana

do Rio. Os recursos solicitados por

projeto deverão ser de, no mínimo,

R$ 50 mil e não poderão exceder R$

700 mil. F (D.M.)

Em busca de uma solução para o problema da limpeza dos dutos de ar-condicionado, o engenheiro e

empreendedor Alexandre Etchebehere, da Robô-In, em associação com a empresa Frioterm Engenharia Ltda.,

criou um robô multiferramenta capaz não só de percorrer e limpar os dutos dos sistemas de ar-refrigerado, mas

também de higienizá-los. O desenvolvimento do robô teve o apoio da Faperj, por meio do edital Rio Inovação.

“A limpeza dos dutos continua sendo um desafio para os que lidam com o assunto. Quase sempre estreitos e de

difícil acesso, eles raramente passam por um processo de limpeza adequada. A idéia do robô foi construída através

de pesquisas e reportagens sobre o tema, quando verificamos que os equipamentos disponíveis no mercado eram

ineficientes e caros, que exigiam equipes enormes para operação e nem sempre atendiam às expectativas dos

clientes diretos e indiretos”, explica o engenheiro.

A produção do robô foi estruturada em um galpão em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. As primeiras unidades

começaram a ser produzidas há um ano e estão em fase final de acabamento. O objetivo é prestar serviços por

meio da Frioterm. “Estamos preparados para produzir cerca de duas unidades por mês, inicialmente, e temos

uma estimativa de venda no primeiro ano de cerca de 30 unidades do Robô-In. Em função de outras necessidades

industriais, vários projetos estão em fase de negociação e desenvolvimento para outras aplicações, o que

certamente vai criar expectativas no mercado”, acredita Etchebehere.

Para o pesquisador, o apoio da Faperj é fundamental para todo o processo de inovação. “Uma idéia parte de

um sonho, observação ou pesquisa. No entanto, ela necessita ser trabalhada em forma e função para que possa

atingir o mercado. Nesse sentido, a instituição sinaliza, por meio de seus inúmeros editais, com a oportunidade

de financiamento e apoio para as diferentes áreas e setores de interesse da sociedade”, afirma.


Muito barulho

antes da boa música

Contratação de projeto estrangeiro

para Cidade da Música provoca polêmica

Cidade da Música, na Barra da Tijuca.

O projeto é do arquiteto marroquino

Cristian de Portzamparc

Roberto Bellonia


Criado para completar o plano original

desenvolvido por Lúcio Costa

para a Barra da Tijuca, o complexo

Cidade da Música Roberto Marinho

está sendo erguido em uma área de

94 mil metros quadrados. O local terá

a maior sala de concertos de orquestras

sinfônicas e óperas da América

Latina. Contudo, antes da boa música

tomar conta do espaço e subir ao palco,

o que se pode ouvir é o “barulho”

feito pelos arquitetos do Rio de Janeiro,

que protestam contra a contratação

de um arquiteto estrangeiro para

a execução do projeto, deixando de

fora os profissionais brasileiros.

“O projeto da Cidade da Música

tem um complicador desde o início.

Ele não prevê claramente o direito à

concorrência para todos os profissionais.

Nesse caso, o serviço foi comprado

de um escritório francês, sem

que arquitetos do país pudessem oferecer

os seus projetos e trabalhos”,

destaca o diretor do Crea-RJ, arquiteto

e urbanista Artur Macedo.

Segundo ele, o Brasil é conhecido

mundialmente pela qualidade dos

trabalhos e pela criatividade dos seus

arquitetos, fato suficiente para que os

profissionais do país tenham o direito

de participar de igual para igual em

Um novo Guggenheim

todos os processos de concorrência,

para qualquer grande obra.

A presidente do Instituto dos Arquitetos

do Brasil - Rio de Janeiro

(IAB-RJ), arquiteta Dayse Góis, ressalta

que o IAB defende a escolha do

projeto para toda obra pública por

meio de Concurso Público Nacional

de Projetos ou, se for o caso, Concurso

Internacional de Projetos. “As duas

formas estão previstas na lei de licitações,

e reconhecem a melhor forma

de se escolher um projeto para obra

pública”, enfatiza.

FisCalização Do Crea-rJ atUante

Até o momento, o Crea-RJ já fez

nove visitas ao local, durante as cinco

diferentes etapas das obras na Cidade

da Música. Mais do que autuar

e punir, o objetivo é orientar e fazer

com o que os trabalhos transcorram

da melhor maneira possível. A partir

do trabalho da fiscalização, foi elaborado

um relatório que aponta um

diagnóstico sobre o complexo.

Mais do que acompanhar o andamento

da obra, os agentes de fiscalização

do Conselho puderam verificar

se as questões relativas ao exercício

profissional estavam de acordo com

a lei, como o registro dos profissio-

nais no Crea-RJ e o preenchimento

das Anotações de Responsabilidade

Técnica (ART). “O Conselho não fiscaliza

a qualidade do produto gerado

e sim da mão-de-obra empregada.

Se o profissional é registrado e está

em legalidade, isso significa que ele

está em conformidade com a lei, e já

é meio caminho andado para garantir

a boa execução do projeto”, ressalta

o diretor do Crea-RJ.

trabalho ininterrUPto

Para atender a meta inicial e entregar

a obra no prazo estabelecido,

três mil operários trabalham na construção

da Cidade da Música 24 horas

por dia, revezando-se em turnos

diferenciados. O término das obras,

incluindo os acessos viários para veículos

e pedestres no entorno do complexo

cultural, está programado para

o segundo semestre de 2008. Porém,

até que os acordes de instrumentos

eruditos entrem em cena, o que continuará

sendo ouvido é o protesto dos

arquitetos brasileiros para que, de alguma

forma, o poder público se convença

de que o país está muito bem

servido de profissionais da área tecnológica,

sendo desnecessária a importação

de mão-de-obra. F (A.S./V.M. )

Em 2002, em uma audiência pública realizada no IAB/RJ, o então presidente da entidade, arquiteto Carlos Fernando Andrade,

esclarecia que o objetivo daquele encontro era a produção de um documento, sob o título “Guggenheim no Rio de Janeiro: e

como fica a cultura local?”. Na época, o prefeito César Maia pretendia realizar a instalação de mais uma unidade do museu,

que existe também nas cidades de Nova Iorque, Veneza, Bilbao e Berlin.

Entre outras preocupações, como os investimentos necessários para a construção e a gestão do museu, a contratação de um profissional

estrangeiro para a realização do projeto do Guggenheim carioca foi a questão mais debatida pelos arquitetos brasileiros.

Como no caso do Guggenheim, que seria projetado pelo francês Jean Nouvel, a escolha do arquiteto marroquino Christian de

Portzamparc para a criação da Cidade da Música não foi questionada pelos profissionais brasileiros por falta de competência

ou de qualidade do projeto. A queixa foi a escolha não ter sido feita através de um concurso público, mesmo que internacional,

que também oferecesse a oportunidade aos profissionais brasileiros de participar de um empreendimento dessa importância.

“Os nossos profissionais, arquitetos, engenheiros e técnicos têm condições de atender às obras de qualquer porte, e,

conseqüentemente, capacidade para disputar qualquer concorrência”, conclui Artur.


Riqueza que passa,

O Arco do

Desenvolvimento

desenvolvimento que fica

Secretário estadual de Agricultura defende criação de lei que

destine royalties do petróleo para investimento no mundo rural


Petróleo e agricultura: de competidores

a aliados. O nome do

seminário organizado pela Secretaria

Estadual de Agricultura do Rio de Janeiro

em Macaé, no dia 8 de maio,

sintetiza o pensamento do titular da

pasta, Christino Áureo, que trabalha

para mobilizar as autoridades políticas

do Norte e da Baixada Fluminense

em torno de uma proposta ousada.

Áureo defende a criação de uma

lei estadual que garanta um repasse

mínimo dos royalties do petróleo para

a agricultura.

Segundo o secretário, uma preocupação

dos administradores públicos

de municípios beneficiados pelos milhões

advindos da exploração do petróleo

deve ser gerar desenvolvimento

perene a partir de um recurso significativo,

mas limitado no tempo. “É

preciso saber utilizar os recursos dos

royalties para fortalecer a base de infra-estrutura

dessas cidades para a

produção agrícola e agroindustrial,

investindo na questão ambiental, em

desenvolvimento sustentável. A visão

mais moderna do futuro é aquela que

pensa no ambiente, e não só em realizar

obras”, diz Áureo.

Uma das formas de gerar desenvolvimento

sustentável, segundo o titular

da pasta, é o investimento no

mundo rural. “Há 30 anos, a agricultura

via o petróleo como ameaça,

como concorrência por mão-de-obra.

Mas, agora, a nova visão é de que é

importante aplicar recursos de fontes

não-renováveis, como os royalties, em

prol de desenvolvimento sustentável

do mundo rural, que inclui agricultura,

pesca e agropecuária”, diz Áureo.

DesenVolVimento loCal

Áureo explica que a proposta, assim

como o percentual a ser fixado

para repasse obrigatório, está sendo

discutida coletivamente nos seminários

que organiza entre administrado-

res locais. Uma das vantagens desse

processo, segundo ele, é receber contribuições

de municípios que já têm

alguma experiência, como Quissamã.

A cidade instituiu, em 2004, o fundo

Quissamã Empreendedor, responsável

por gerir os recursos para o fomento

do desenvolvimento econômico local.

Entre as atividades beneficiadas, está,

por exemplo, a abertura de uma envasadora

de água-de-coco.

Paralelamente à discussão sobre

o percentual a ser investido, um dado

é certo: qualquer que seja a taxa fixada,

o investimento não será, certamente,

pequeno. Afinal, um município

como Macaé recebeu durante o

ano de 2007 mais de R$ 289 milhões

em royalties e, neste ano, apenas até

maio, já haviam sido arrecadados

mais de R$ 151 milhões.

Para o prefeito da cidade, Riverton

Mussi (PSDB), um apoiador da

proposta, o ideal seria que as ativida-

des rurais recebessem investimentos

da mesma ordem do setor de infraestrutura.

“Hoje, a receita dos royalties

está muito concentrada em alguns

serviços. Esse valor teria que ser na

mesma proporção do que é liberado

para infra-estrutura. A agricultura é

uma alternativa de negócio e, havendo

esse investimento, temos a chance

de aumentar muito a produção do

setor”, diz Mussi.

Após as discussões, e em busca de

comprometimento com a causa, Christino

Áureo planeja entregar um relatório

preliminar aos candidatos a cargos

públicos na próxima eleição. “Estamos

estudando propostas que não

firam a Constituição estadual, mas

criem mecanismos para que, quando

o petróleo acabe, o mundo rural possa

contar com atividades modernas a partir

dos recursos investidos. Não queremos

deixar para trás cidades fantasmas”, explica

Áureo. F (J.M.)


Precisão que garante

a qualidade do produto

Técnico metrologista é cada vez mais

valorizado no mercado de trabalho


Alguma vez você já se surpreendeu

com a qualidade de algum produto?

Já se pegou admirando a perfeição

com que um determinado equipamento

ou peça foi produzido? Ou já parou

para pensar a que se deve a exatidão

da fabricação em série, tão presente no

nosso cotidiano? A resposta para essas

e outras perguntas está na Metrologia,

a ciência das medições.

A Metrologia abrange todos os aspectos

teóricos e práticos capazes de

assegurar a precisão exigida no processo

produtivo, procurando garantir

a qualidade de produtos e serviços

por meio da calibração de instrumentos

de medição, seja ele analógico ou

eletrônico (digital), e da realização

de ensaios. Por ser considerada uma

base fundamental para a competitividade,

é cada vez maior o número de

empresas que buscam por profissionais

dessa área.

seGUrança e ProDUtiViDaDe

Para Alexandre Cionci Wein, conselheiro

do Crea-RJ e técnico em metrologia

e mecatrônica, essa procura

elevada se deve ao fato de a metrologia

estar interligada a outras atividades

do setor industrial e tecnológico

do país. “Ela é decisiva para garantir

a segurança do trabalhador, obter

uma produtividade sem desperdícios

e assegurar a qualidade do produto”,

afirma.

De acordo com o coordenador

do curso técnico de mecatrônica

e eletrotécnica da Escola Técnica

Rezende-Rammel (ETRR), Eliésio

Silva, a metrologia é imprescindível

dentro do processo tecnológico

atual. “Daí a importância das empresas

valorizarem cada vez mais

esses profissionais”, enfatiza. Segundo

ele, parte desse processo de

Conheça as atribuições

do Técnico Metrologista

• Aplicar normas técnicas de qualidade,

saúde e segurança no trabalho e

técnicas de controle de qualidade no

processo industrial.

• Aplicar normas técnicas e

especificações de catálogos, manuais

e tabelas em pro jetos, em processos de

fabricação e na instalação de máquinas e

equipamentos de medição.

• Coordenar e desenvolver equipes de trabalho que atuam em

instalação, produção e manutenção, aplicando métodos e técnicas

de gestão.

• Aplicar técnicas de medição e ensaios visando à melhoria da

qualidade de produtos e serviços de plantas industriais.

• Avaliar as características e propriedades dos materiais,

insumos e elementos de máquinas, correlacionando-os com seus

fundamentos matemáticos, físicos e químicos para a aplicação nos

processos de controle de qualidade.

• Aplicar princípios de segurança e qualidade no trabalho, em

laboratórios de calibração.

• Desenvolver técnicas de calibração e validação de equipamentos

de medição.

• Ler e interpretar resultados gerados pelos aparelhos de medição.

valorização deverá se dar também

com a regulamentação e a exigência

da contratação desses profissionais.

“Nesse aspecto, o Sistema

Confea/Crea, que congrega as profissões

da área tecnológica e fiscaliza

o seu exercício tem um papel

fundamental”, ressalta.

Quanto ao processo de formação

desses profissionais, o coordenador

da Escola Técnica Rezende-Rammel

acredita que o bom momento deve estimular

também o surgimento de no-

vos cursos técnicos para formar mais

metrologistas.

Com o mesmo otimismo, Alexandre

avalia que o mercado para esses profissionais

vive um momento de expansão.

Prova disso é que muitas empresas hoje

em dia recorrem às companhias que recrutam

candidatos on-line para anunciar

as suas vagas e captar novos profissionais.

“É um mercado em crescimento

tendo em vista o valor agregado deste

profissional para a industria em geral e o

controle de qualidade”, conclui. F (A.S.)


f

A nova cara

da Cedae

Depois de anos apresentando déficit, empresa

fecha 2007 com saldo positivo e pretende

ampliar sua atuação no rio de Janeiro


Depois de retomar as obras do Programa

de Despoluição da Baía de

Guanabara (PDBG), colocar o Emissário

da Barra da Tijuca, finalmente, em

funcionamento e fechar o ano de 2007

com um surpreendente superávit, a Cedae,

ou Nova Cedae, prepara-se para

abrir seu capital. O presidente da companhia,

Wagner Victer, não conta detalhes,

mas adianta que o estado do

Rio de Janeiro será o acionista majoritário.

Outra novidade é que a empresa

está trabalhando para ampliar sua

carta de “clientes” e distribuir água para

outros municípios fluminenses. “Estamos

nos preparando para disputar o mercado.

Vamos abrir nosso capital, mas o estado

do Rio terá a maior parte das ações. Isso

é certo”, conta Victer, acrescentando que

a abertura de capital deve ocorrer no primeiro

semestre de 2009.

A empresa de distribuição de água

e tratamento de esgoto, que em outros

governos era vista como o “patinho

feio” da administração pública, começa

a alterar o quadro. E a mudança é

muito mais do que conceitual. Com a

eleição do governador Sérgio Cabral,

a Cedae passou por um profundo processo

de renovação, da diretoria à filosofia

da empresa. Com assessoria e

metodologia da Fundação Getúlio Vargas,

foi montado um novo modelo de

gestão para a companhia, que possui

três pilares: imagem, auto-sustentação

e universalização dos serviços.

zeranDo o DéFiCit

Logo nos primeiros meses, além

da alteração da imagem e do nome da

companhia, que passou a se chamar

Nova Cedae, a atual administração desenvolveu

um programa de redução de

custos, com aplicação de pregão eletrônico,

reduziu a estrutura organizacional,

de 30 para 13 superintendências,

e cortou cerca de 50% das funções

terceirizadas. “Meu acordo com

o governador era colocar a empresa

no azul em três anos e meio. Conseguimos

isso logo no primeiro ano. A

Cedae tinha de R$ 20 milhões a R$ 30

milhões de déficit por mês. Pagamos

mais de R$ 90 milhões em dívidas anti-

Roberto Bellonia

Wagner Victer exibe o certificado do Guinness Book recebido pela Nova Cedae, que possui

a maior estação de tratamento de água do mundo (Guandu)

gas e encerramos 2007 com arrecadação

recorde de US$ 1 bilhão e cerca de

US$ 100 milhões em caixa. É como se

tivéssemos um mês a mais de arrecadação

e um mês a menos de gastos”,

compara Victer.

Atualmente, a Nova Cedae distribui

água para mais de nove milhões

de pessoas e trata esgoto de mais de

5 milhões, considerando-se uma taxa

de ocupação de 3,61 pessoas por domicílio.

Dos 92 municípios do estado,

65 são abastecidos pela companhia e

17 contam com a rede de esgoto da

empresa fluminense. “Estamos negociando

com algumas cidades do Rio de

Janeiro e já há quem queira aderir à

Cedae. Vamos crescer nos próximos

anos”, estima o presidente.

enGenheiros ValorizaDos

O choque de gestão passa também

pela valorização dos quadros técnicos

da empresa e, principalmente, dos profissionais

de engenharia. Para se ter

uma idéia, além do atual presidente,

todos os sete diretores da Cedae são

engenheiros. Victer ressalta que o recebimento

do Atestado de Conformidade

com o Exercício Profissional do Crea-RJ,

que premia empresas que atendem aos

quesitos de conformidade com o exercício

profissional e investem na qualificação

técnica de seus profissionais,

é a prova de que a mudança na forma

de a empresa agir foi uma medida

acertada. “A Cedae foi a primeira empresa

do Governo do Estado a ganhar

o certificado do Crea-RJ. Estamos fortalecendo

as relações técnicas, capacitando

nossos quadros e valorizando os

bons profissionais. Nossa chefe de gabinete,

por exemplo, é uma das maiores

arquitetas desse estado. Ela participou

de grandes obras no Rio, como

o Sambódromo e a Linha Amarela. São

profissionais assim que queremos na

Cedae”, conta Victer, referindo-se à arquiteta

Ângela Fonti.

f


f

retomaDa Do PDbG

Ainda há falhas na distribuição

de água e na rede de esgoto, que não

atende a toda a população, mas há

muito para comemorar. Entre os grandes

feitos de 2007 está o reinício das

obras do Programa de Despoluição da

Baía de Guanabara (PDBG). Em março

do ano passado, o Governo do Estado

acertou a liberação de R$ 58 milhões,

e foram retomadas as obras de ampliação

da Estação de Tratamento de Esgoto

(ETE) de Alegria, no bairro do Caju,

na Zona Portuária do Rio. A estação, que

atende a dez bairros do centro da cidade

e parte da Tijuca, é a que mais despeja

esgoto na baía. “Essa estação era o monumento

das obras abandonadas. Retomamos

as obras e acredito que, no início

do segundo semestre, ela estará em pleno

funcionamento, permitindo tratamento

primário e secundário. Serão tratados

2.500 litros de esgoto por segundo. É

como se estivéssemos tirando um Maracanãzinho

de esgoto a cada dia da Baía

de Guanabara”, compara Victer.

Desde que o PDBG começou, na

década de 90, até outubro de 2007,

foram investidos cerca de US$ 630 milhões

em esgotamento sanitário, abastecimento

de água, macrodrenagem,

mapeamento digital e atividades ambientais

complementares. Para concluir

a fase atual, será preciso investir mais

US$ 136 milhões. “Em vez de abrir diversas

frentes de obras e não terminar

nenhuma, estamos concentrando as

obras em um número menor de frentes,

dando prioridade às que vão tirar

mais esgoto da baía. Em 2007, investimos

cerca de R$ 120 milhões em tratamento

de esgoto, e nossa expectativa

é que em 2008 sejam mais R$ 100

milhões”, conta Victer.

noVo GUanDU

A oferta de água também vai aumentar

nos próximos anos. Atualmen-

te, a Estação de Tratamento do Guandu,

que no ano passado recebeu o certificado

do Guinness Book, o livro dos

recordes, por ser a maior estação de

tratamento de água do mundo, tem capacidade

de tratar 43 metros cúbicos

por segundo. A Cedae planeja começar

ainda este ano as obras de ampliação

da estação, aumentando a capacidade

do sistema em 30%.

A Estação do Guandu abastece

85% dos domicílios da cidade do Rio

de Janeiro e 75% dos da Baixada Fluminense.

“Será uma nova estação com

capacidade de tratar 12 metros cúbicos

por segundo. É a maior do mundo e vai

ficar maior ainda”, conta Victer, calculando

que, por causa da complexidade

da obra, a construção vai durar cerca

de três anos.

Segundo o coordenador de projetos

da diretoria de engenharia da Cedae,

o engenheiro civil e sanitarista

Sérgio Pinheiro de Almeida, além de

aumentar o número de pessoas atendidas,

o projeto do Novo Guandu trará

outra vantagem importante: a recu-

Luis Winter

peração dos reservatórios. “A estação

foi construída na década de 80 e, com

o passar do tempo, surgiram necessidades

de melhoria na estrutura, de caráter

urgente. Fizemos uma vistoria e

muitos reservatórios estão necessitando

de reparos. Em caso de ruptura, a

população fica automaticamente desabastecida.

Não dá mais para adiar essa

ampliação”, ressalta.

Junto com a ampliação, foi anunciado

o investimento de R$ 196 milhões

do Programa de Aceleração do

Crescimento (PAC) para ampliar a rede

de abastecimento nos bairros de Jacarepaguá,

Barra da Tijuca, Recreio dos

Bandeirantes e Vargens Grande e Pequena,

na Zona Oeste do Rio. Serão

assentados 80 quilômetros de adução

e troncos de distribuição de água

e construídos dois reservatórios com

capacidade para 20 milhões de litros

cada um.

emissário entra em FUnCionamento

O Programa de Saneamento da

Barra da Tijuca, do Recreio dos Bandei-

Sérgio Almeida: “o projeto Novo Guandu vai fazer a recuperação dos reservatórios”


Luis Winter

A Estação do Guandu abastece, hoje, 85%

dos domicílios da cidade de Rio de Janeiro

rantes e de Jacarepaguá (PSBJ) começou

a ser executado em abril de 2001

e sua obra principal é o emissário submarino

da Barra da Tijuca. Dividida em

três partes – instalação da rede coletora,

construção de estações de tratamento

de esgoto na Barra e Jacarepaguá

e construção do emissário submarino

– a obra se arrasta há anos, ora

por falta de verba, ora por desentendimentos

entre os Governos Estadual

e Municipal.

Quando estiver pronto, o novo sistema

de esgotamento sanitário beneficiará

cerca de 1,4 milhões de pessoas,

moradores dos 13 bairros e sub-bairros

da região. A previsão era que a primeira

etapa da obra durasse cerca de dois

anos, ficando pronta em 2003. No entanto,

paralisações, atrasos e erros de

cálculo empurraram o fim da primeira

etapa para os anos seguintes, tendo

sido inaugurada somente em dezembro

de 2006. Em abril de 2007, o Emissário

da Barra entrou em operação de-

finitivamente, passando a despejar 900

litros de dejetos por segundo a uma

distância de 5 km da costa.

“É preciso ressaltar que o governo

passado fez muito pelo emissário. Ao

atual governo coube a montagem final

do emissário e a colocação em operação,

que foi bastante complicada. Fizemos

uma intervenção de engenharia

para o emissário entrar em atividade e

a primeira gota de esgoto foi lançada

no mar este ano”, explica Victer. Nos

cinco primeiros anos do PSBJ, foram

instalados cerca de 120 km de tubulação,

dos 330 km necessários para a

conclusão do programa.

De acordo com dados da Nova Cedae,

até outubro de 2007, foram investidos

cerca de R$ 324 milhões nas obras

do programa. A expectativa da companhia

estadual é que, a partir de 2008, sejam

aplicados mais R$ 194 milhões, com

a maior parcela (R$ 64.561.000,00) destinada

às obras no Recreio.

Atualmente, o emissário submarino

recebe o esgoto produzido nos domicílios

de Rio das Pedras, Jardim Clarice,

Anil, Cidade de Deus, parte da Taquara,

Freguesia e Praça Seca, em Jacarepaguá,

e dos condomínios de classe

média alta Santa Mônica e Novo Leblon,

na Barra da Tijuca.

Em maio de 2007, começaram as

obras da elevatória de Marapendi, que

vai tratar o esgoto de mais de 50 con-

domínios. A unidade vai retirar 900 litros

por segundo de esgoto da região

oceânica da Barra e do sub-bairro de

Marapendi. Com construção de elevatórias

e estações de tratamento, a

segunda fase do PSBJ atenderá, principalmente,

aos bairros Recreio dos

Bandeirantes, Vargem Grande e Vargem

Pequena e está avaliada em mais

R$ 400 milhões.

No último mês de outubro, a empresa

iniciou a construção da elevatória

central de esgotos do bairro, marcando

a implantação do Sistema de

Esgotamento Sanitário do Recreio dos

Bandeirantes. De acordo com o projeto,

essa unidade será instalada ao lado

da Estação de Tratamento de Esgoto

(ETE) Gláucio Gil, que em alguns anos

será desativada, encerrando o lançamento

de dejetos no Canal das Tachas.

A Cedae acredita que, na primeira fase

do sistema, serão retirados aproximadamente

300 litros de esgoto por segundo.

A implantação total do sistema

está prevista para 2011, quando cerca

de 1.200 litros de esgoto por segundo

deixarão de ser lançados nos canais e

lagoas da região. “A Barra da Tijuca e

os bairros próximos estão em expansão

e a rede de esgoto tem que acompanhar.

Temos mais de 30 frentes de

obras em andamento e, em 2008, começam

as construções pesadas no Recreio”,

comenta. F (D.B.)

um dos novos projetos é produzir combustível com esgoto

Passado um ano e meio de muito trabalho e bons resultados, o presidente

da Nova Cedae afirma que o desafio para os próximos anos é garantir a

melhoria contínua dos serviços da empresa.

Com mais de 80 projetos estratégicos em andamento, inclusive um que

estuda a produção de combustível tendo o esgoto como matéria­prima,

Victer avalia que o planejamento estratégico e a busca por mudança foram

fundamentais para o crescimento da nova Cedae.

“Hoje, a Cedae é bem melhor que nos últimos meses e é, também,

infinitamente pior se comparada ao que será nos próximos”, conclui.

f


f

O alto preço

do lixo urbano

Gestão do lixo se torna uma questão cada vez mais

urgente em grandes cidades. solução eficiente passa

por tecnologia e consciência ambiental


gestão de resíduos sólidos, do-

A mésticos, industriais e/ou comerciais

é um dos maiores problemas

da sociedade moderna. No Brasil,

mais de 140 mil toneladas de lixo

são geradas diariamente e, em mais

de 80% dos municípios, esses resíduos

são lançados cotidianamente em

cursos d’água e áreas a céu aberto ou

de proteção ambiental, o que evidencia

a má gestão. A falta de investimento

em novas tecnologias capazes

de lidar com o desafio de gerenciar o

lixo de forma limpa e eficiente passa

pela consciência de que o problema é

de todos e deve ser resolvido agora.

Ações que postergam uma solução final

para a próxima geração não podem

mais ser empregadas.

Essa foi uma das principais contribuições

do II Simpósio Internacional

em Tecnologias e Tratamento de

Resíduos Sólidos, segundo Cláudio

Mahler, professor da Coppe/UFRJ e

um dos coordenadores da comissão

organizadora do evento, realizado em

abril, no Rio de Janeiro. “Tivemos a

presença de professores e empresários

estrangeiros que trabalham nessa

área. O que considero mais relevante

foi a colocação do professor Raffaello

Cossu, da Itália, relativa à preocupação

de que cada geração seja responsável

pelo resíduo que produz. Essa

filosofia muda o conceito do aterro de

lixo, por exemplo, que é uma construção

de uma geração para ser resolvida

pela geração seguinte. Assim, dentro

dessa nova filosofia, há diversas ações

possíveis”, explica Mahler.

aterro é solUção esGotaDa

Método mais usado por nossos

municípios, os lixões, que não obedecem

a nenhuma norma de controle,

recebem os resíduos sem tratamento,

causando danos como mau cheiro, poluição

dos cursos d’água e das águas

subterrâneas, transmissão de doen-

ças, acúmulo de animais daninhos,

como ratos, e desvalorização dos imóveis

vizinhos. Além disso, esses locais

atraem a população mais carente, que

procura no lixo restos de alimento e

material para ser vendido.

Utilizados em menor escala, os

aterros sanitários recebem resíduos

em camadas compactadas e cobertas

com argila no término de cada dia de

trabalho para evitar mau odor e insetos.

Os gases oriundos da decomposição

da matéria orgânica são coletados

e queimados, enquanto o chorume (líquido

escuro gerado pela degradação

dos resíduos) é drenado e removido

para tratamento adequado. Esse tratamento,

no entanto, não é garantia

contra a contaminação ambiental.

Além disso, o uso do aterro apenas,

não combinado com outras formas de

abordagem do lixo, mostra-se esgo-

Cláudio Mahler coordenou o II Simpósio Internacional em

Tecnologias e Tratamento de Resíduos Sólidos

tado. “Temos alguns bons aterros sanitários,

mas, atualmente, os países

desenvolvidos já estão saindo dessa

técnica de tratamento de exposição

porque ela cria um passivo para a sociedade”,

diz Mahler.

Outras questões que tornam a

continuidade do uso dos aterros quase

inviável são a necessidade de grandes

áreas, terrenos adequados que devem

respeitar uma distância mínima de 15

km de aeroportos e bases aéreas, e a

vida útil limitada desses locais, em geral,

de até 50 anos.

CiDaDes no limite

Na cidade do Rio de Janeiro, a

questão do lixo está crítica. Diariamente

são produzidas cerca de 8 mil

toneladas de resíduos e o principal

aterro, o de Gramacho, localizado na

Baixada Fluminense, opera em sua ca-

Roberto Bellonia

f


f

pacidade máxima, recebendo cerca de

9 mil toneladas de lixo por dia.

A instalação de um novo aterro,

no bairro de Paciência, na Zona Oeste,

ainda não está aprovada. O projeto

tramita sem solução desde 2003,

quando a Prefeitura realizou a licitação

da obra. Agora, a licença prévia,

primeiro passo para a construção do

local, pode não ser outorgada pela

Comissão Estadual de Controle Am-

Uma saga de lutas

biental. O projeto já foi alvo de deze-

nas de ações na Justiça (movidas por

empresas que perderam a licitação e

ONGs), além de três pareceres contrários

do Ministério Público Estadual

Conheça e Federal, mas a tem história o apoio do ex-se- da regulamentação

cretário estadual do Meio Ambiente,

da profissão de técnico de nível médio

e atual ministro, Carlos Minc.

Além do impacto no ambiente, a

construção do novo aterro também

afetaria a economia da região, já que

cerca de 10 mil pessoas tiram sua renda

do aterro de Gramacho hoje. Por

fim, a “solução” tem prazo de validade:

o novo aterro será capaz de atender

a cidade por apenas 20 anos.

Um exemplo das graves conseqüências

que uma má gestão do lixo

pode gerar vem de Nápoles, no sul da

Itália. O caos se instalou na cidade

desde que os aterros ficaram cheios,

no fim do ano passado, e a coleta de

lixo teve que ser suspensa. Atualmente,

140 mil toneladas de resíduos se

acumulam pelas ruas napolitanas, gerando

protestos da população e riscos

à saúde pública.

mais Problemas à Vista

Se o grande volume de produção de

lixo residencial gera dificuldades na gestão

desses resíduos, os rejeitos de outras

origens carecem de atenção especial,

desmembrando a questão em muitas

frentes. “Agora, por exemplo, estamos

vivendo muitos problemas com o

lixo da indústria eletroeletrônica. Não

temos ainda dados exatos da produção

no Brasil, mas, nos EUA, por exemplo,

está em 1,5 milhão de toneladas de resíduos

anuais”, diz Adacto Ottoni, assessor

de meio ambiente do Crea-RJ.

Para os diversos tipos de resíduo,

são indicados diferentes métodos de

tratamento. O lixo tecnológico, por

exemplo, tem bons resultados para

reciclagem, fornecendo ferro, alumínio

e metais preciosos, como ouro ou

prata. Além disso, muitos componentes

podem ser reutilizados. “Para os

resíduos hospitalares, em que os riscos

de contaminação são uma preocupação

a mais, o processo térmico é

o mais indicado”, diz Mahler.

alternatiVas

As Prefeituras, que por lei são

obrigadas a criar planos de gestão

para os resíduos, podem adotar em

suas estratégias métodos já conhecidos,

como a incineração e a compostagem.

No primeiro, os resíduos

sólidos são queimados em usinas,

após passarem pelo setor de recepção

e pesagem e serem colocados

em câmaras de combustão. As vantagens

desse processo são a redução

do volume do lixo para 25% do

volume original e a neutralização da

ação das bactérias.

Outra vantagem, o aproveitamento

da energia calórica da combustão,

também é possível, mas, como no Brasil

60% da composição dos resíduos é de

matéria orgânica, para isso seria preciso

injetar mais combustível, elevando os

custos do processo. Além disso, à medida

que cresce a recuperação de energia,

diminui a velocidade de resfriamento

da queima, gerando mais compostos

tóxicos, como organoclorados (furanos

e dioxinas). Tais substâncias são causadoras

de câncer e outros graves danos

à saúde humana.

O alto custo do processo, entre

um e sete milhões de dólares, é um

entrave. Cabe lembrar, ainda, que,

com a incineração, os resíduos não

desaparecem, apenas são transformados

em cinzas, líquidos e gases

contaminantes.

Já na compostagem, os resíduos

sólidos passam por uma seleção, normalmente

manual, em que são separados

em materiais orgânicos, recicláveis

e não-aproveitáveis. A grande

vantagem desse sistema é a possibilidade

do aproveitamento econômico

de parte do lixo.

teCnoloGia

É justamente no sentido de reaproveitar

resíduos e seus subprodutos

que caminham as mais modernas

soluções propostas para a gestão do

lixo. Durante o II Simpósio destacaram-se

dois processos que, além de

mais limpos, apresentam a vantagem

de gerar lucro: o processo térmico e o

mecânico-biológico.

O processo térmico necessita da

instalação de grandes incineradores,

o que tem custo, mas as cinzas resultantes,

já inertizadas, podem ser empregadas

como mais uma matéria-prima

para a indústria de cimento, na

pavimentação e na produção de cimento

e blocos para a construção civil,

por exemplo.

Já no processo mecânico-biológico,

o tratamento diferenciado é realizado

em três etapas: primeiro, um

passo mecânico, visando à ruptura

dos sacos de lixo e homogeneização

dos resíduos; em seguida, o tratamento

biológico, que compreende a

decomposição aeróbica e estática da

matéria orgânica; por último, novo

tratamento mecânico, havendo a disposição

final para o material residual

bioestabilizado. Esse processo pode

aproveitar as instalações dos aterros

de forma geral e o gás metano resul-


tante da decomposição de matéria orgânica

pode ser aproveitado para geração

de energia.

A utilização do metano vem sendo

feita com sucesso em Nova Iguaçu,

na Baixada Fluminense. A cidade tem

o primeiro projeto de armazenamento

de lixo do mundo que segue as normas

da Organização das Nações Unidas

(ONU): a Central de Tratamento de Resíduos

(CTR). Por dia, mil toneladas de

lixo produzidas pelo município são encaminhadas

à CTR, onde o metano produzido

é captado por grandes tubulações

e levado até uma usina de biogás.

Lá, o gás gera energia que movimenta

as máquinas industriais da CTR.

No simpósio, também foram apresentadas

pesquisas bastante promissoras,

especialmente no tocante à

questão ambiental dos aterros. O trabalho

de Elisabeth Ritter, do Departamento

de Engenharia Sanitária e Meio

Ambiente da Uerj e doutora pela Coppe/UFRJ,

Transporte de Contaminantes

por Difusão Molecular no Solo de

Aterro Sanitário, está em fase experimental

e pode trazer mais conhecimento

sobre o impacto do chorume

no solo e os melhores métodos de manejo

da substância.

Já a pesquisa do engenheiro

Ronaldo Izzo, Uso de Resíduos Prétratados

Mecânica e Biologicamente

na Construção de Barreiras Capilares

é uma promessa para viabilizar

o maior aproveitamento do espaço

dos aterros. O pesquisador estuda

a utilização dos próprios resíduos,

pré-tratados, para a confecção das

coberturas necessárias em depósitos

a céu aberto. A pesquisa caminha

agora para a fase experimental.

“Se você normalmente faz a cobertura

com terra, isso tem um volume,

ocupa um espaço; se você faz com

o próprio lixo, maximiza a vida útil

dos aterros”, explica Izzo. F (J.M.)

Redução, reciclagem e reutilização

Enquanto poucos municípios se mobilizam, o Ministério do Meio Ambiente

tenta instalar uma Política Nacional de Resíduos. As diretrizes, no entanto,

ainda não agregam as pesquisas e técnicas mais modernas. “Essa é uma

política genérica. Não é errada, mas não tem sustentabilidade ambiental”,

explica adacto ottoni.

Para Ottoni, uma gestão sustentável dos resíduos urbanos precisa

passar pelo estímulo à redução do lixo, à instalação de processos eficientes

de reciclagem e ao incentivo à reutilização. “a gestão limpa dos resíduos

domiciliares passa pelos três erres: redução, reciclagem e reutilização. Isso

é tecnologia sustentável. É necessário investir em educação ambiental,

desestimular o consumismo e tentar aumentar a vida útil dos produtos, em

vez de promover o uso dos descartáveis”, explica Ottoni.

O assessor de meio ambiente do Crea­RJ lembra ainda que uma estrutura

de coleta seletiva bem implantada pode ser fonte de emprego e geração de

renda. “O lixo é uma solução para o problema das grandes cidades. Na coleta,

você emprega muitas pessoas e combate a exclusão social. é ideal para os

centros urbanos, já que é mais bem­sucedida quando realizada em grande

escala”, explica Ottoni.

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Arquitetura:

a importância

da memória

inventário e a cata-

O logação do acervo

do arquiteto Wladimir

Alves de Souza, que estão

sendo promovidos pelo

Departamento de História

e Teoria da Faculdade

de Arquitetura e Urbanismo

da UFRJ, com o apoio

financeiro da Faperj, têm

revelado desenhos, documentos

e manuscritos que

recontam a história da arquitetura

no Brasil.

Em um curriculum vitae,

datado de dezembro de

1937, manuscrito e assinado

pelo próprio, fica já evidenciada

uma promissora trajetória,

até então de sete anos.

Formado em 1930, um ano

depois, em janeiro de 1931,

concorre ao prêmio Caminhoá,

de viagem à Europa, tendo sido

classificado em primeiro lugar

concorrendo com Affonso Eduardo

Reidy, Carlos Henrique de

Oliveira Porto, Dante José de Albuquerque,

entre outros.

Neste curto tempo, 20 projetos

são citados, a maioria em fase de execução,

entre edifícios, residências, es-

Com esse projeto de arranha-céu imponente (1936), Wladimir

Alves de Souza ficou em segundo lugar no concurso para a

nova sede do Clube de Engenharia

colas e embaixadas.

Sócio de Enéas Silva desde 1935,

Wladimir ressalta seu primeiro lugar

no concurso para a sede do Ministério

da Fazenda no Rio de Janeiro, e demais

participações em outros concur-

sos, como o da Casa de Itália, em

1931, o da Estação de Passageiros

de Hidroaviões, em 1937, e ainda

o segundo lugar no concurso de

projetos para a nova sede do Clube

de Engenharia, também no Rio

de Janeiro.

Não terminaria aí sua ascensão.

Decerto, este reduzido curriculum

não daria conta da expressiva

carreira que veio a ter.

Classifica-se, em 1938, em primeiro

lugar para Professor Catedrático

de Teoria e Filosofia

da Arquitetura, na Escola

Nacional de Belas Artes, com

uma vida acadêmica intensa

até sua aposentadoria.

Do mesmo modo, posteriormente,

ressalta-se a sua

importante atuação no Rio de

Janeiro, em obras de restauração,

como a Capela Mayrink,

na Floresta da Tijuca, o antigo

Solar da Marquesa de Santos

e a Fazenda da Samambaia,

para citar apenas algumas.

reCUPeração Do PeloUrinho

A importância de seu trabalho o

levou a Salvador, como convidado do

governador Luiz Viana Filho, para pre-


sidir a recém-criada “Fundação do Patrimônio

Artístico e Cultural da Bahia”,

para revitalização do degradado bairro

histórico do Pelourinho. Trabalho este

continuado pelo governo de Antonio

Carlos Magalhães, com a participação

do arquiteto. Ainda em Salvador, realizou

a restauração completa (1958-

1959) do antigo Convento de Santa

Tereza e sua adaptação para o Museu

de Arte Sacra da UFBA.

Estão sendo encontradas anotações

que contam alegrias profissionais,

mas também desabafos, como a

frustração por não ter tido seu projeto

premiado do Ministério da Fazenda

construído: “caso fosse executado teria

sido o primeiro projeto de edifício público

da arquitetura moderna no Brasil.

O ministro de então preteriu o direito à

execução dos concorrentes, por exigir

estilo clássico, em outro local, como foi

feito”, afirmou Wladimir.

Mas, se não foi o primeiro ou o segundo,

as linhas arrojadas e inseridas no

racionalismo preconizado por Le Corbusier

e seus pares, e o “moderno revolucionário”,

como classificado pela Comissão

Julgadora que o avaliou, estão presentes

nos seus projetos. Os desenhos encontrados

em seu acervo, pouco a pouco desvelados,

dão conta disso.

ClUbe e liCeU De artes

O arquiteto Wladimir era um homem

do mundo, vivia dentro do seu

tempo e totalmente identificado com

as correntes internacionais. Mais do

que identificado, não seria nada ousado

dizer que fez parte delas, ajudando

a construir com outros pares a história

da arquitetura moderna no Brasil.

É exemplo o projeto do edifício

para a nova sede do Clube de Engenharia

(1936), com Enéas Silva, um arranha-céu

imponente como um edifício

de Howe e Lescaze nos anos 30. Com

aberturas horizontais que rasgam sua

fachada, tem no contraponto com um

elemento verticalizante, da base até o

seu topo, a afirmação do estilo internacional.

Há neste projeto uma superfície

imponente, que subtrai do prisma

a sua própria essência, sem os pilotis

do Ministério da Fazenda, mas com a

mesma clareza de leitura.

Em tempo próximo, o projeto para

o Liceu de Artes e Ofícios, edifício com

46 andares, em colaboração com os arquitetos

Raul Penna Firme e Enéas Silva,

inclui um grande teatro, armazéns,

lojas e escritórios. Formalmente, apresenta

características que o aproximam

do Clube de Engenharia. A horizontalidade

da fachada é equilibrada com

um eixo vertical, que se não ultrapassa

o edifício, como o outro, ratifica a boa

composição modernista. Em Wladimir,

parece fácil a capacidade de trabalhar

com justaposição de planos. O resultado

é um movimento estético que reforça

a estrutura e impõe a forma racional,

revelando as referências daqueles

nossos modernos anos e afirmando a

nossa modernidade arquitetônica.

O projeto para o Liceu de

Artes e Ofícios, um edifício

com 46 andares, inclui um

grande teatro, armazéns,

lojas e escritórios

A contemporaneidade deve ser

entendida como um valor que dialoga

com o tempo: o tempo em que se

vive. Porém, a condição de modernidade

pressupõe a aceitação do novo. Na

produção de Wladimir, o diálogo com

os movimentos internacionais é uma

constante. O arquiteto soube ser contemporâneo

e ser moderno.

E assim, passo a passo, na revelação

de seus desenhos - perspectivas,

plantas e cortes, desvendam-se a

sua obra. Em cada projeto encontrado,

gestos morfológicos simples recontam

a história e acrescentam informações à

nossa historiografia da arquitetura. Em

cada manuscrito, o relato de um tempo.

Aos poucos, com a apresentação

completa do acervo, novos textos e novos

valores surgirão e o passado aproxima-se

do presente, em um só tempo.

Recompõe-se a arquitetura e a importância

de sua memória - a memória e o

legado de Wladimir Alves de Souza.

Arquiteta e professora­adjunta da FAu/uFRJ

maria Clara amado martins

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Em busca de

acesso a todos

Como um instrumento jurídico vem garantindo

acessibilidade a deficientes físicos nos municípios do Rio


Um expressivo grupo de entidades

e de patriotas vem se reunindo,

com regularidade, no Movimento

em Defesa da Economia Nacional

(Modecon), com o objetivo de

estruturar uma ampla campanha em

defesa da Amazônia.

Está na Constituição Federal, nas

Leis 10.048 e 10.098 e no Decreto

nº 5.296/04: o planejamento urbano

tem o dever jurídico de contemplar

formas e adaptações necessárias

para garantir ampla acessibilidade às

pessoas com deficiência. O problema

é que está no papel, mas não

está nas ruas. No dia-a-dia, o direito

constitucional de ir e vir de pessoas

com mobilidade reduzida encontra

uma série de obstáculos. No entanto,

há uma boa notícia na área. Procuradores

do Ministério Público Estadual

do Rio de Janeiro têm utilizado

um instrumento jurídico, o Termo de

Ajuste de Conduta (TAC), para obrigar

os municípios a cumprirem o que

a lei determina.

Os caminhos que levam à garantia

do direito de mobilidade de pessoas

com deficiência na área urbana

têm início com a instalação de um inquérito

civil público pelo promotoria

local. Em seguida, são convocadas

audiências públicas reunindo os três

poderes e a sociedade civil. Desses

encontros sai o termo, que determina

as intervenções que o município

deve realizar para garantir acesso livre

a todos os cidadãos, assim como

prazos de conclusão. Municípios que

descumprem o acordado são considerados

inadimplentes perante a União

e podem sofrer sanções, como perda

de repasse de verbas.

“Com o TAC, o ente estatal assume

de forma espontânea o compromisso

de se adequar às exigências

legais. Ele possui a vantagem de ser

uma forma mais rápida e menos dispendiosa

se obrigar o Poder Públi-

co a cumprir seus deveres”, explica

Márcio Ferreira Fernandes, titular da

Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva

do Núcleo Itaperuna. Em sua

área de atuação, já há TAC firmado

no município de Varre-Sai e audiências

marcadas em outras sete cidades.

No Norte Fluminense, Campos

dos Goytacazes e São João da Barra

também firmaram o termo.

“É extremamente relevante a

iniciativa do MP envolvendo a defesa

do direito de ir e vir dos(as) cida-

orientando o poder público

dãos(ãs) com deficiência. Importante

também é envolver Executivo e Legislativo,

apontando para exigências e

sanções. Com iniciativas como essa,

o MP cumpre seu papel”, afirma Fábio

Meireles, da ONG carioca Escola

de Gente, organização voltada à inclusão

de pessoas com deficiência.

Ele ressalta, ainda, que as Prefeituras

devem ficar atentas ao que prevêem

as normas gerais e critérios básicos

sobre acessibilidade também na comunicação.

F (J.M.)

Wagner Ulisses

As cidades precisam se adequar para garantir a mobilidade dos portadores de deficiência

o Crea-rJ tem atuado como parceiro do mP no processo para garantir a

inclusão das pessoas com deficiência à vida comunitária, participando das

audiências, ministrando seminários e desenvolvendo cartilhas para orientar

a elaboração do plano de ação dos municípios. “temos acompanhado com

as prefeituras o desenvolvimento desses acordos e atuamos como fiscais

do cumprimento dos prazos”, diz Itamar Kalil, coordenador dos projetos de

acessibilidade do Conselho. Como a instalação do processo para obtenção do

TAC ainda depende da iniciativa pessoal dos promotores, o Crea­RJ também

tem atuado em outra frente: a conscientização. “Temos feito ações na

procuradoria do estado no sentido de orientar os promotores para buscarem

o TAC em todos os municípios”, diz Kalil.

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A Segurança na Obra – Manual Técnico de Segurança do Trabalho

em Edificações Prediais

Autores: Autores: Edison da Silva Rousselet e Cesar Falcão

Editora: Interciência

Sob a ótica da segurança na construção civil, os autores, em conteúdo ricamente

ilustrado, capacitam e instrumentalizam o leitor de forma que, os meios de controle,

para as situações em que os riscos de potencializam, sejam adequadamente

aplicados. Há uma outra característica interessante na abordagem do assunto,

o manual permite que os profissionais de produção ao aplicar os conceitos nele

contidos, treinem seus operários em métodos de construção e, portanto, se constitui

num instrumento que pode ajudar na mudança de cultura na construção civil.

A livro foi publicado pelo Crea-RJ em parceria com a Sobes-Rio, colocando à

disposição do público orientações valiosas no campo da segurança do trabalho às

atuais e futuras gerações. Os Profissionais e estudantes da área tecnológica que

quiserem comprar o livro com 20% de desconto (de R$ 82,00 por R$ 65,60) podem

fazer o pedido pelo e-mail vendas@editorainterciencia.com.br ou www.editorainterciencia.com.br

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Primavera P3 - Ferramentas de Apoio para Gerenciamento de Projetos

Autores: Luiz Augusto P. Silva e Marcus Possi

Editora: Ciência Moderna

Líder mundial no desenvolvimento de programas para gerenciamento de projetos,

a Primavera é a única empresa a colocar à disposição dos clientes todos os aspectos

da Gerência de Projetos. Com uma base instalada de mais de 90.000 usuários,

seus programas são utilizados em diferentes áreas de negócios: fabricação,

construção, sistemas de informação, engenharia, desenvolvimento, utilidades, telecomunicações

e manutenção.

Os profissionais que se cadastrarem na editora pela internet (www.lcm.com.br)

podem adquirir o livro com desconto especial de 40%. Para isso, precisa seguir os

seguintes passos depois de acessar o site: clicar em cadastre-se agora; preencher

o cadastro e marcar conveniado no item Tipo; em convênio, clicar em Crea-RJ; em

Identificação, digitar o código V00009 e completar o preenchimento do cadastro.

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Proteção Contra Sobrecorrentes em Circuitos de Distribuição

Autor: Haroldo de Barros

Edição independente

Esse é um tema que pouca gente domina no Brasil. Talvez isso se deva à especificidade

do assunto ou à escassez de literatura, principalmente em língua portuguesa.

Visando fornecer os subsídios mínimos necessários para a elaboração de um estudo

sobre o assunto, esta obra se destina a professores, engenheiros e técnicos

da área de proteção de circuitos de distribuição.

O autor é funcionário da Light Serviços de Eletricidade S.A., onde foi um dos principais

responsáveis pelos projetos e estudos de proteção contra sobrecorrentes e

de regulação de tensão do sistema de distribuição. Atualmente, trabalha na Divisão

de Proteção – Departamento de Automação e Proteção.

Ele também presta consultoria nas áreas de proteção e de regulação de tensão e

elaboração de especificação de compra de equipamentos de proteção e de regulação.

Representa a Light no Comitê Brasileiro de Eletricidade, na Comissão Religadores

Automáticos.

Contatos: livrohb@openlink.com.br / 9604-6989


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Estudo revela imagem do Sistema Confea/Crea junto ao profissional

Uma pesquisa realizada pela Insider

Pesquisas e Marketing, entre 30 de abril

e 8 de maio, avaliou o desempenho dos

Conselhos Regionais de todo o Brasil. Foram

ouvidos 500 profissionais, distribuídos

proporcionalmente ao número de registrados

de cada instituição.

Os entrevistados deram notas entre

1 (péssimo) e 5 (ótimo) para cada

serviço dos Creas. Na avaliação geral

dos Conselhos, 54% lhe atribuíram

conceitos ótimo (12%) ou bom (41%),

30% conceito regular e 16% conceitos

ruim (11%) ou péssimo (5%). Na média,

o conceito ficou em 3,44 (regular).

Os profissionais mais satisfeitos

são os do Paraná (média 3,60), Rio

Grande do Sul (média 3,57%) e Rio

de Janeiro (média 3,56%).

Quanto às funções e obrigações

58%

Anotação de

Responsabilidade

Técnica (ART)

Serviços mais utilizados

(Média Nacional)

10% 10%

Acervo Técnico

Internet / serviços

on-line / provedor

dos Creas, 93% citam a Fiscalização

e 15% a Regulamentação do Exercício

Profissional.

No Rio de Janeiro e Espírito Santo

(avaliados em conjunto), os serviços

mais utilizados são Anotação de Responsabilidade

Técnica (37%), internet

/ serviços on line (16%) e Acervo

Técnico (12%).

Em relação à amostra da pesquisa,

89% são homens e 11% mulheres;

9%

6%

29%

Registro Profissional Desconto de cursos Nenhum

Base: total da amostra (500 entrevistas)

37% têm de 51 a 60 anos, 32% de 41

a 50 anos e 16% mais de 60 anos;

88% possuem nível superior e 12%

nível técnico; 34% são engenheiros

civis, 12% agrônomos, 11% arquitetos,

7% engenheiros elétricos, 3%

técnicos em eletrotécnica, 3% engenheiros

mecânicos e outros 3% técnicos

civis.

A pesquisa, encomendada pelo Crea-

RJ, tem uma margem de erro de 4,2%.


Crea-RJ participa do ClimaRio 2008 Seminário Biogás

Aconteceu, de 11 a 13 de junho, no Centro de

Convenções Sul América, o ClimaRio 2008. O

evento, produzido pela empresa Olho Nu, foi um

sucesso de público, atraindo milhares de pessoas.

O Crea-RJ marcou presença com um estande

para atender profissionais e estudantes que procuraram

esclarecer suas dúvidas sobre como obter

o registro profissional. Além disso, foram exibidos

os vídeos Energia Eólica, Energia Solar e Casa Eficiente.

Houve uma maciça procura pelos materiais

de divulgação do Conselho, como os programas

Clube de Vantagens, Certificação de Conformidade

com o Exercício Profissional, Cartilha de Segurança do Trabalho e, em especial,

a Revista do Crea-RJ.

Em sua quarta edição, o ClimaRio contou com a participação de expositores de diversos

segmentos, como aquecimento, refrigeração, energia, filtros e isolamento térmico,

destacando-se a presença das empresas na área de reciclagem de materiais.

Em paralelo, foram realizados o Fórum de Climatização, Refrigeração e Energia

Alternativa, o VIII Encontro Nacional de Projetistas, o Fórum Rio Ambiente Mostra de

Equipamentos, Tecnologias e Soluções Ambientais e o Seminário de Controle de Contaminação,

que proporcionaram a difusão e a troca de conhecimentos e experiências

entre os profissionais que atuam nestas áreas. Informações: www.climario.com.br

Casa é laboratório de eficiência energética

para Geração de

Energia

Foi realizado, no dia 29 de maio,

na sede do Crea-RJ, o Seminário Biogás

– Aproveitamento Racional para

Geração de Energia, promovido pela

Câmara Especializada em Engenharia

Elétrica – CEEE.

O evento, com inscrições gratuitas,

foi destinado a estudantes e profissionais

ligados ao Sistema Confea/

Crea. Na oportunidade foram debatidos

temas relacionados ao Biogás,

como o seu aproveitamento, o

uso sustentável e o aproveitamento

energético. O Seminário teve o apoio

da União Pan-americana de Associações

de Engenheiros – UPADI, Comitê

de Meio Ambiente e Desenvolvimento

Humano e Comissão de Meio

Ambiente do Crea-RJ.

O grau de conforto de uma casa costuma ser diretamente proporcional à quantidade de energia elétrica consumida,

levando à conclusão de que só é possível desfrutar das vantagens da vida moderna e da tecnologia se

forem gastos muitos megawatts todos os meses. A Casa Eficiente, inaugurada em março de 2006, em Florianópolis

(SC), foi projetada para contrariar esta norma. É uma construção que oferece conforto, bem-estar e

todas as facilidades de uma construção moderna, ao mesmo

tempo em que reduz o consumo de energia, protege o meio

ambiente e aproveita as características da região onde está

construída, no pátio da sede da Eletrosul, no bairro do Pantanal

em Florianópolis.

O projeto é uma parceria entre a Eletrosul, Eletrobrás/Programa

Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e

Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEE) da

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e representa

investimentos de R$ 477 mil. Hoje, a Casa funciona como um

centro de pesquisa onde as diferentes tecnologias utilizadas em

sua construção terão eficácia comprovada através de constantes

medições. Informações para visitas: www.eletrosul.gov.br/

casaeficiente ou (48) 3231-7374.

Casa eficiente, inaugurada em 2006. Na

edição 69 publicamos, equivocadamente,

a foto de um outro projeto

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Odebrecht lança novo prêmio

A Odebrecht lançou o Prêmio

Odebrecht – Contribuições da Engenharia

para o Desenvolvimento Sustentável,

voltado para estudantes do

curso de graduação em Engenharia

de todo o Brasil. Vencerão as dissertações

inéditas e originais que abordarem

a utilização de recursos e materiais

na construção sob a ótica dos

três pilares da sustentabilidade: viabilidade

econômica, responsabilidade

ambiental e inclusão social.

As inscrições, através do site

www.odebrecht.com/premioodebrecht,

estão abertas e o prazo para

envio dos projetos termina em 31 de

julho de 2008. Os trabalhos enviados

serão pré-selecionados por uma Comissão

Julgadora interna. Após essa

triagem, a Comissão externa, composta

por pessoas de reconhecido

saber no tema, irá nomear os vencedores.

O resultado do julgamento será

Realizada na sede do Crea-RJ, em

13 de junho, a “Conferência Transporte

do Futuro Hoje” foi ministrada pelo engenheiro

francês M. Christian Gronoff,

Professor na Universidade de Toulouse

e representante da Indústria Russa no

Projeto Thermoplane para toda a Comunidade

Européia. Recentemente, firmou

contratos com a China, Rússia, França e

agora Brasil para a montagem de Fábrica

de Dirigível em cada um desses países.

O equipamento, com patente na Europa, tem tecnologia

de última geração e é dimensionado para atingir altas

capacidades de transporte em uma linha, que se inicia

com 10 toneladas, passando no próximo ano para 100, até

atingir a incrível capacidade de 4 mil toneladas.

divulgado no mesmo site a partir da

primeira semana de outubro.

Serão premiadas as cinco melhores

dissertações. Os autores, orientadores

e as universidades responsáveis

receberão R$ 20.000,00 cada.

Também serão concedidas menções

honrosas para mais cinco dissertações.

No total, os dez projetos serão

publicados em livro comemorativo.

Conferência debateu “Transporte do Futuro Hoje”

Evento marca

comemoração do

dia do Geólogo

No dia 28 de maio, a Assembléia

Legislativa do Estado do Rio de Janeiro

realizou cerimônia de comemoração

do Dia da Geologia e divulgou os

resultados da edição 2008 do Prêmio

Geologia do Estado do Rio de Janeiro.

Em sua terceira edição, o Prêmio

tem o objetivo de valorizar e reconhecer

os geólogos e os futuros profissionais

do ramo e foi lançado pelo

Governo do Estado em 2000, durante

o XXX Congresso Internacional de

Geologia, realizado na cidade do Rio

de Janeiro.

O Dia da Geologia foi instituído no

calendário oficial do Estado pela Lei no

5.231, de 29 de abril de 2008, sancionada

pelo Governador Sérgio Cabral e

de autoria do Deputado Glauco Lopes.

Ele passa a ser comemorado no dia 30

de maio de cada ano, na data consagrada

como o Dia do Geólogo.

O evento, que foi promovido pelo Progredir

– Programa de Capacitação e Desenvolvimento

dos Profissionais – teve como

objetivo fazer conhecer à indústria e comércio

que o custo de transporte declinará com

o advento deste moderno tipo de Dirigível na

razão inversa da segurança.

O encontro foi dirigido a empresas de

transporte, indústria pesada, investidores,

Exército, Marinha e Aeronáutica, bem como

o Corpo de Bombeiros, entre outros.

Foram apresentados diversos panoramas de áreas

inacessíveis, hoje inaproveitadas por falta de acesso,

como minerações no interior do país, produção de grãos

e de alimentos que deixam de chegar à fonte consumidora

por falta de um transporte de acesso.


Projeto arquitetônico do Centro de

Informações do Comperj

Em cerimônia realizada no dia

10/6, 4ª feira na sede do IAB-RJ, foram

entregues os prêmios aos vencedores

do Concurso Nacional de Anteprojetos

de Arquitetura para o Centro

de Informações do Comperj, promovido

pelo Instituto dos Arquitetos

do Brasil (IAB-RJ) em parceria com

a Petrobras.

O vencedor do concurso, arquiteto

Vinícius Hernandes de Andrade, de

São Paulo, recebeu o prêmio de R$ 50

mil e assinará contrato de R$ 883,5 mil

com a Petrobras para o desenvolvimento

do projeto executivo. O segundo

lugar ficou com Otávio Leonídio, do

Confira o resultado das eleições 2008

No dia 04 de junho foram realizadas as eleições em todo o Sistema Confea/

Crea. No Rio de Janeiro, os profissionais votaram para escolher o presidente

do Confea, o presidente do Crea, um Conselheiro Federal e o Diretor da Mútua.

Os resultados abaixo ainda não foram homologados pelo Plenário do Confea,

que se reunirá no dia 29 de agosto, sendo passíveis de alteração.

PRESIDEnTE COnFEA (BRASIl)

Marcos Tulio 41224

Reynaldo Barros 21272

Branco 3403

Nulo 1839

PRESIDEnTE COnFEA (RJ) vOTOS

Reynaldo Barros 5080

Marcos Túlio 2130

Branco 341

Nulo 193

PRESIDEnTE CREA -RJ vOTOS

Agostinho Guerreiro 2251

Sydnei Dias Menezes 1533

Jaques Sherique 1440

Alexandre Duarte 1089

Canagé Vilhena 407

Glauber Pinheiro 399

Sirney Braga 311

Nulo 171

Branco 143

Rio de Janeiro, que recebeu o prêmio

de R$ 25 mil; e em terceiro lugar ficou

Eduardo H Suzuki, de Londrina, que

recebeu um prêmio de R$ 15 mil. Receberem

menção honrosa os arquitetos

Luis Eduardo Loiola de Menezes,

de São Paulo; Andreoni da Silva Prudencio,

do Rio Grande do Sul, Sidonio

Marcio Alves Porto, de São Paulo e

Alexandre Hepner, de São Paulo.

O Centro de Informações do Comperj

será a porta de entrada do empreendimento

e tem como meta tornar-se

um elemento valorizador do

turismo tecnológico, cultural e ambiental

na região do Complexo.

COnSElHEIRO FEDERAl vOTOS

Maria Luiza Poci 2711

Geraldo Luiz Monteiro 1937

Piauí 1767

Branco 1034

Nulo 295

DIRETOR DA MÚTUA vOTOS

Eduardo König 2366

Osvaldo Neves 2120

Davi Gonçalves Martins 1935

Branco 1016

Nulo 307

Crea-RJ debate a

dengue no Rio de

Janeiro

Aconteceu no dia 28 de maio, na

sede do Conselho, o debate “Dengue no

Rio – Morte Anunciada”. O encontro contou

com a participação de profissionais e

estudantes. Compuseram a mesa o coordenador

da Comissão de Meio Ambiente

(CMA/Crea-RJ), geógrafo Sergio da Costa

Velho, as geógrafas Ana Maria de Paiva

Macedo Brandão e Luciene Abrantes da

Silva, da UFRJ, o entomologista da Fiocruz,

Anthony Érico Guimarães, e a corregedora

do Conselho Regional de Medicina-RJ,

Marília Abreu Silva.

Na ocasião, o assessor de meio –

ambiente do Crea-RJ, engenheiro civil

e sanitarista Adacto Ottoni, que também

integrou a mesa, apresentou um relatório

técnico (ver matéria nesta edição) mostrando

os riscos do lixo disperso na cidade

e levantando as principais hipóteses

para a origem do surto de dengue no estado

do Rio de Janeiro.

O evento foi dedicado ao geógrafo

Milton Carvalho de Souza, uma das vítimas

da doença causada pelo mosquito

transmissor Aedes Aegypti. Ao final do

debate, os participantes alertaram sobre

a importância da prevenção e do papel de

cada membro da sociedade para evitar

que novas pessoas sejam contaminadas

e que a doença se torne uma epidemia.

f


f

JUlHO

PROGREDIR

Programa de Capacitação eDesenvolvimento

dos Profissionais do Sistema Confea/Crea

PAlESTRAS

•••

Tratamento de Fissuras

e Juntas em Estruturas

Deterioradas

MARCELO ILIESCU - Engenheiro Civil,

Consultor do IPACON.

Dia: 10 de julho

Horário: 18h30 às 20h00.

Local: Auditório do prédio Sede do Crea-RJ

Informações: 21 2179 2087 – Progredir

Inscrição Gratuita: portal do Crea-RJ

(Progredir)

Ementas: www.crea-rj.org.br (Progredir)

•••

Obtenção de Biocombustíveis

FERNANDO ABREU – Engenheiro de

Alimentos, Professor Ms. UFF e UFRJ

Dia: 17 de julho

Horário: 18h30 às 20h00.

Local: Auditório do prédio Sede do Crea-RJ

Informações: 21 2179 2087 – Progredir

Inscrição Gratuita: portal do Crea-RJ

(Progredir)

Ementas: www.crea-rj.org.br (Progredir)

•••

Como Identificar as Patologias

nas Antigas Edificações

TERESA CRISTINA MENEZES DE

OLIVEIRA – Arquiteta e Mestre em

Arquitetura em Conservação e Restauro.

Dia: 22 de julho

Horário: 18h30 às 20h00.

Local: Auditório do prédio Sede do Crea-RJ

Informações: 21 2179 2087 – Progredir

Inscrição Gratuita: portal do Crea-RJ

(Progredir)

Ementas: www.crea-rj.org.br (Progredir)

•••

Fiscalização em laticínios

ADILMA SCAMPARINI - Engenheira de

Alimentos (Diretora Crea-SP)

Dia: 24 de julho

Horário: 18h30 às 20h00.

Local: Auditório do prédio Sede do Crea-RJ

Informações: 21 2179 2087 – Progredir

Inscrição Gratuita: portal do Crea-RJ

(Progredir)

Ementas: www.crea-rj.org.br (Progredir)

CURSOS

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ERP - O Gerenciamento

Empresarial Integrado

CESAR SUCUPIRA

Data: 7, 8, 9 e 10 de julho

Horário: 18h30 às 22h00

Carga Horária: 16 horas/aula

Local: Sala 1007 10. Andar do prédio Sede

do Crea-RJ – Rua Buenos Aires, 40.

INVESTIMENTO: R$ 120,00

VAGAS LIMITADAS

Identificador 1 – CPF do Participante

Identificador 2 - 20080207

Informações: 21 2179 2087 – Progredir

Forma de pagamentos, descontos e

ementas: www.crea-rj.org.br (Progredir)

•••

Segurança na

Recuperação de Estádios

para a Copa de 2014

MARCIO ELMOR PADÃO -

Engenheiro de Segurança do

Trabalho

Dia: 28 e 29 de julho

Horário: 18h30 às 22h00

Carga Horária: 08 horas/aula

Local: Sala 1007 10. Andar do prédio

Sede do Crea-RJ – Rua Buenos

Aires, 40.

INVESTIMENTO: R$ 100,00

VAGAS LIMITADAS

Identificador 1 – CPF do Participante

Identificador 2 - 20080307

Informações: 21 2179 2087 –

Progredir

Forma de pagamentos, descontos

e ementas: www.crea-rj.org.br

(Progredir)

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