A Greve - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa
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O que é evidente, mente.<br />
Evidentemente<br />
50 textos (acompanha<strong>dos</strong> de outras tantas fotografotografi as) dão corpo à inquietação do autor: “As coisas<br />
<strong>da</strong> educação discutem-se, quase sempre, a partir<br />
<strong>da</strong>s mesmas dicotomias, <strong>da</strong>s mesmas oposições,<br />
<strong>dos</strong> mesmos argumentos. Anos e anos a fi o. Banali<strong>da</strong>des.<br />
Palavras gastas. Irritantemente óbvias, mas<br />
sempre repeti<strong>da</strong>s como se fossem novi<strong>da</strong>de. Uns<br />
anunciam o paraíso, outros o caos – a educação<br />
<strong>da</strong>s novas gerações é sempre pior do que a nossa.<br />
Será?! Muitas convicções e opiniões. Pouco estudo<br />
e quase nenhuma investigação. A certeza de<br />
conhecer e possuir a “solução” é o caminho mais<br />
curto para a ignorância. E não se pode acabar<br />
com isto?”<br />
50 textos que percorrem a educação em Portugal<br />
nos últimos duzentos anos, que tentam “ver para<br />
além <strong>da</strong> poeira <strong>dos</strong> dias que correm”.<br />
“O que fi ca desta história de 200 anos de educação?<br />
Algumas experiências notáveis, um punhado<br />
de educadores dedicadíssimos, uma retórica copiosa<br />
e afl itivamente rebarbativa....<br />
e um universo de irrealizações.<br />
Uma após outra, as gerações do século XIX e do<br />
século XX elaboraram diagnósticos, indignaram-se<br />
com o atraso do país, avançaram programas de<br />
reforma, propuseram a regeneração <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de.<br />
E, uma após outra, caíram no desânimo <strong>dos</strong> seus<br />
próprios fracassos, deixando-se convencer, à falta<br />
de melhor, pelo discurso <strong>da</strong> decadência.<br />
Há uma estranha familiari<strong>da</strong>de na forma como se<br />
sucedem os projectos e as iniciativas, como se mobilizam<br />
os portugueses, para o “grande desígnio”, a<br />
“grande batalha” <strong>da</strong> educação. No cômputo fi nal,<br />
fi ca a constatação de um “eterno atraso”. (...)<br />
Sinto-me (...) vinculado a uma obrigação de recusa,<br />
a recusa desta história. (...) Recusar não é esquecer,<br />
não é negar, não é omitir. Recusar é conhecer,<br />
estu<strong>da</strong>r, investigar, compreender. É tentar imaginar<br />
outros destinos.” (<strong>da</strong> Introdução)<br />
A acompanhar este livro vem um CD-ROM A<br />
Educação Portuguesa – Corpus Documental (sec.<br />
XIX-XX), trabalho coordenado pelo próprio e por<br />
Filomena Bandeira.<br />
Após breve instalação no disco do computador temse<br />
acesso ao Repertório <strong>da</strong> Imprensa de Educação<br />
e Ensino, trabalho publicado em 1993, com fi chas<br />
analíticas de 530 periódicos, ao Dicionário de<br />
Educadores Portugueses, livro publicado em 2003,<br />
com 900 biografi as, a um Catálogo de Imprensa<br />
de Educação e Ensino, base de <strong>da</strong><strong>dos</strong> com cerca<br />
de 2300 registos bibliográfi cos e ain<strong>da</strong> a uma<br />
Bibliografi a Portuguesa <strong>da</strong> Educação, outra base<br />
de <strong>da</strong><strong>dos</strong>, com cerca de 5000 registos, to<strong>dos</strong> com<br />
possibili<strong>da</strong>de de pesquisa.<br />
Um trabalho monumental e utilíssimo para to<strong>dos</strong> os<br />
que se interessam pela educação.<br />
EVIDENTEMENTE<br />
Histórias <strong>da</strong> Educação<br />
António Nóvoa<br />
Edições Asa, 2005
BD – Contactos<br />
Pág. 4<br />
Dossier<br />
A <strong>Greve</strong><br />
Pág. 17<br />
Placard Sindical<br />
Sau<strong>da</strong>ção aos<br />
<strong>Professores</strong><br />
Manifestações<br />
de 17 e 28 de Junho<br />
Pág.s 18-19<br />
Opinião<br />
Pág.s 20-22<br />
Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia<br />
Os 1300 horários <strong>dos</strong><br />
dirigentes sindicais<br />
Pág.s 23-24<br />
Sectores<br />
Básico; Particular e<br />
Cooperativo; Especial;<br />
Superior/Investigação<br />
Pág.s 25-29<br />
Nas Escolas<br />
Pág. 30<br />
Serviços a Sócios<br />
Pág.s 31-34<br />
Consultório Jurídico<br />
Pág. 35<br />
ficha técnica:<br />
Director: António Avelãs . Chefe de Re<strong>da</strong>cção: José<br />
António F. Pinto . Conselho de Re<strong>da</strong>cção: Teresa<br />
Chaveca, Margari<strong>da</strong> Mascarenhas, António Quitério,<br />
Luis Viana, Bráulio Martins, José António Pinto, Manuel<br />
Grilo . Re<strong>da</strong>cção: Lígia Calapez . Colaboração: Sofia<br />
Vilarigues Paginação e Grafismo: D.Petinha . Capa: Dora<br />
Petinha . Composição: I<strong>da</strong>lina Martins, Lina Roque .<br />
Revisão: Luisa Pereira . Fotos: Jorge Caria . Impressão:<br />
SOGAPAL, SA. - Av. <strong>dos</strong> Cavaleiros, 35, 2795-626 Carnaxide<br />
. Editado por: <strong>Sindicato</strong> <strong>dos</strong> <strong>Professores</strong> <strong>da</strong> <strong>Grande</strong><br />
<strong>Lisboa</strong>, Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong> .<br />
Periodici<strong>da</strong>de: Mensal Tiragem: 29 000 Depósito<br />
legal: 915758 . ICS: 109893.<br />
UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA<br />
Numa qualquer socie<strong>da</strong>de há diferentes instituições que desempenham<br />
diferentes papéis.<br />
Numa socie<strong>da</strong>de democrática os sindicatos desempenham um<br />
claríssimo papel: defender os direitos <strong>dos</strong> trabalhadores, tentar<br />
construir socie<strong>da</strong>des mais justas, mais humanas e mais solidárias.<br />
Um sindicato que não defen<strong>da</strong>, ou pelo menos não tente defender,<br />
os direitos <strong>dos</strong> trabalhadores, nega-se de forma essencial. Se a<br />
FENPROF e, portanto, o SPGL, não tivesse assumido de forma<br />
clara e combativa a defesa <strong>dos</strong> professores e educadores face a<br />
um vasto conjunto de “imposições governamentais” que ameaçam<br />
destruir boa parte <strong>dos</strong> direitos a pulso conquista<strong>dos</strong> nos últimos<br />
anos, ter-se-ia negado como sindicato, destruir-se-ia e, sobretudo,<br />
teria prejudicado seriamente a socie<strong>da</strong>de por não assumir energicamente<br />
o seu papel. A greve <strong>dos</strong> professores entre 20 e 23 de Junho,<br />
coincidente com período de exames nas escolas 2, 3 e secundárias,<br />
foi um exercício de ver<strong>da</strong>deira ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia. Defendeu não só os<br />
interesses <strong>dos</strong> docentes mas obrigou também o poder político<br />
a desmascarar-se: o exercício do direito à greve e o respeito<br />
pela legali<strong>da</strong>de democrática cederam perante aquilo que, neste<br />
momento concreto, o poder político considerou abusivamente o<br />
interesse público, geral, nacional. Uma fi losofi a “vista e revista”,<br />
devi<strong>da</strong>mente a<strong>da</strong>pta<strong>da</strong> aos tempos actuais.<br />
Não há socie<strong>da</strong>de democrática sem sindicatos fortes. Na Europa,<br />
pelo menos na “velha Europa”, os sindicatos mais fortes e<br />
interventivos existem nos países mais desenvolvi<strong>dos</strong>, mais ricos,<br />
com maior preocupação com os direitos sociais e laborais. Os<br />
ataques desencadea<strong>dos</strong> pelo governo de Sócrates e pelo coro<br />
<strong>da</strong> comunicação social contra os sindicatos <strong>dos</strong> docentes, e por<br />
extensão contra o movimento sindical em geral, são a confi rmação<br />
do atraso do país, <strong>da</strong> sua pobreza económica, <strong>da</strong> sua menori<strong>da</strong>de<br />
cívica. Claro que o ataque é feito com a devi<strong>da</strong> “arte”- afi rmam a<br />
defesa do sindicalismo em abstracto mas vomitam vitupérios sobre<br />
estes sindicatos em concreto; consideram muito dignos os sindicalistas<br />
em abstracto, mas estes dirigentes sindicais, em concreto,<br />
são o diabo. E Socrátes deixará escapar, em plena Assembleia<br />
<strong>da</strong> República, a suprema acusação de que estes sindicalistas em<br />
concreto são pagos pelo erário público, como se ele próprio<br />
o não fosse, como se o não fossem to<strong>dos</strong> os que asseguram o<br />
funcionamento <strong>da</strong>s instituições sociais e políticas inerentes a uma<br />
socie<strong>da</strong>de democrática. É dever do movimento sindical resistir e<br />
contribuir para que o país se desenvolva. A política de ataque<br />
aos sindicatos contribuirá para o atraso no desenvolvimento<br />
sócio-económico e, sobretudo, para a construção de um país<br />
mais desequilibrado, mais injusto, mais violador <strong>dos</strong> direitos <strong>dos</strong><br />
ci<strong>da</strong>dãos. O país de Sócrates.?<br />
O SPGL assume de corpo inteiro o seu papel social. Mobilizará<br />
to<strong>da</strong>s as suas energias em defesa <strong>dos</strong> direitos consigna<strong>dos</strong> nos<br />
Estatutos de Carreira <strong>dos</strong> docentes de to<strong>dos</strong> os graus, desencadeará<br />
campanhas que dignifi quem o papel e a imagem social <strong>dos</strong><br />
professores de to<strong>dos</strong> os graus de ensino, lutará pela construção<br />
de uma escola pública de eleva<strong>da</strong> quali<strong>da</strong>de a que to<strong>dos</strong> tenham<br />
acesso e onde to<strong>dos</strong> tenham direito ao sucesso. O que é o contrário<br />
do projecto privatizador que parece estar subjacente aos<br />
planos do governo de Sócrates. Eles sabem que para atingir os<br />
seus objectivos têm de destruir os sindicatos. O governo conta com<br />
a comunicação social. O SPGL conta com os professores, com os<br />
pais e com to<strong>dos</strong> os que não se rendem. Venceremos.<br />
António Avelãs<br />
Director do Escola Informação<br />
JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 3
. BD. Maria João<br />
SEDE Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong><br />
Tel: 213819100 Fax: 213819199 spgl@spgl.pt<br />
Direcção:direccao@spgl.pt www.spgl.pt<br />
SERVIÇO DE APOIO A SÓCIOS TEL: 21 381 9192 apoiosocios@spgl.pt<br />
SERVIÇO DE CONTENCIOSO TEL: 21 381 9127 contencioso@spgl.pt<br />
SERVIÇOS MÉDICOS TEL: 21 381 9109 servmedicos@spgl.pt<br />
SERVIÇOS (seguros, viagens,etc.) TEL: 21 381 9143 servicos@spgl.pt<br />
CENTRO DE FORMAÇÃO SPGL TEL: 21 381 9120 formacao@spgl.pt<br />
IIL . INSTITUTO IRENE LISBOA TEL: 21 381 9121 spgliil@spgl.pt<br />
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO TEL: 21 381 9119 fenprof@fenprof.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DE LISBOA<br />
ALGUEIRÃO - MEM MARTINS<br />
Estra<strong>da</strong> de Algueirão, Rua Padre Manuel Nobrega, Lt 8, Loja A<br />
Algueirão 2725-085 Mem Martins<br />
Tel: 219212573 Fax: 219212559<br />
PAREDE<br />
Trav. Rocha Martins, F – L, 2775-276 Parede<br />
Tel: 214563158 Fax: 214563157 E-Mail: parede@uniaolisboa-cgtp.pt<br />
VILA FRANCA DE XIRA<br />
Rua Serpa Pinto, 136 – 2º 2600-262 Vila Franca de Xira<br />
Tel.: 263276486 Fax: 263276487 E-Mail: vilafranca@spgl.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />
CALDAS DA RAINHA<br />
Av. Engº Luís Paiva e Sousa, 4 B 2500-329 Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />
Tel: 262841065 Fax: 262844240 E-Mail: cal<strong>da</strong>srainha@spgl.pt<br />
MAFRA<br />
Rua Luis de Camões, lt 4 r/c Esq. 2640-501 Mafra<br />
Tel: 261815730 Fax: 261815730<br />
TORRES VEDRAS<br />
Av. Gen. Humb. Delgado, 19 B - 1º Esq. 2560-272 Torres Vedras<br />
Tel: 261311634 Fax: 261314906 E-Mail: torresvedras@spgl.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DE SANTARÉM<br />
ABRANTES<br />
Rua 17 de Agosto de 1808, nº 1 - 1º 2200-370 Abrantes<br />
Tel: 241365170 Fax: 241366493 E-Mail:abrantes@spgl.pt<br />
SANTARÉM<br />
Rua Vasco <strong>da</strong> Gama, 16 J - 1º Esq. 2000-232 Santarém<br />
Tel: 243305790 Fax: 243333627 E-Mail:santarem@spgl.pt<br />
TOMAR<br />
Rua Santa Iria, 21 - 2º Dtº, 2300-475 Tomar<br />
Tel: 249316196 Fax: 249322656 E-Mail: tomar@spgl.pt<br />
TORRES NOVAS<br />
Lg. José Lopes <strong>dos</strong> Santos, Edif. Santa Isabel - 2º 2350-686 Torres Novas<br />
Tel: 249820734 Fax: 249824290 E-Mail: torresnovas@spgl.pt<br />
DIRECÇÃO REGIONAL DE SETÚBAL<br />
SETÚBAL<br />
Rua Dr. Alves <strong>da</strong> Fonseca, 5 - 2º, 2900-218 Setúbal<br />
Tel: 265228778 Fax: 265525935 E-Mail: setubal@spgl.pt<br />
BARREIRO<br />
Rua Marquês de Pombal, 40 - r/c 2830-336 Barreiro<br />
Tel: 212079395 Fax: 212079368 E-Mail: barreiro@spgl.pt<br />
ALMADA<br />
Av. D. Nuno Álvares Pereira, 21 - 1º Esq 2800-179 Alma<strong>da</strong><br />
Tel: 212761813 Fax: 212722865 E-Mail: alma<strong>da</strong>@spgl.pt
Textos de:<br />
. Anabela Delgado<br />
............................................................<br />
. António Avelãs<br />
............................................................<br />
. Virgílio Teixeira<br />
............................................................<br />
. Manuel Grilo<br />
............................................................<br />
A <strong>Greve</strong><br />
E S C O L A I N F O R M A Ç Ã O N º 199<br />
A luta <strong>dos</strong> professores em defesa <strong>da</strong> digni<strong>da</strong>de <strong>da</strong><br />
profi ssão docente e <strong>da</strong> escola pública é o tema deste<br />
Dossier. Como seria praticamente inevitável, tendo<br />
em conta que, como foi sublinhado pela<br />
FENPROF, estamos perante<br />
“o mais brutal ataque de<br />
sempre aos direitos <strong>dos</strong> professores”.<br />
Uma abor<strong>da</strong>gem múltipla<br />
destes dias de greve. Das<br />
razões que lhe estão subjacentes<br />
– a desmontagem<br />
<strong>da</strong> arrogância e mentiras<br />
do discurso oficial, a perversão<br />
do seu sentido. Da<br />
falsifi cação <strong>dos</strong> factos em que<br />
alguma imprensa apostou. Da<br />
sua vertente legal. Dos <strong>da</strong><strong>dos</strong><br />
concretos.<br />
Incluindo também cartas<br />
indigna<strong>da</strong>s de professores.<br />
E alguns exemplos<br />
factuais de como “na<br />
escola é possível fazer<br />
coisas maravilhosas<br />
e coisas que<br />
só as escolas podem<br />
fazer”.
6<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
Impor sacrifícios<br />
com arrogância e mentiras<br />
•Anabela Delgado<br />
Dirigente do SPGL<br />
Os professores e a generali<strong>da</strong>de<br />
<strong>dos</strong> trabalhadores portugueses, com<br />
particular relevo, por enquanto,<br />
para os trabalhadores <strong>da</strong> Administração<br />
Pública, parecem ser, para<br />
o governo de Sócrates, os maiores<br />
responsáveis pela “crise”, considerando<br />
os “privilégios” de que<br />
gozam… Apesar de terem já sido<br />
alvo de sacrifícios (dois anos sem<br />
aumentos salariais) e de mesmo<br />
assim ter aumentado o défi ce, os<br />
professores não duvi<strong>da</strong>m que são<br />
necessários sacrifícios e também não<br />
ignoram que são necessárias novas<br />
políticas para combater o insucesso<br />
escolar. Exigem contudo conhecer<br />
as propostas e negociá-las através<br />
<strong>da</strong>s organizações que em democracia<br />
representam os trabalhadores:<br />
os sindicatos.<br />
De uma forma arrogante o 1º Ministro e alguns<br />
<strong>dos</strong> seus ministros, com particular relevo para<br />
a Ministra <strong>da</strong> Educação, têm construído todo<br />
o discurso em defesa <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s e <strong>da</strong>s políticas que<br />
querem implementar para, na sua opinião, resolver a<br />
crise, com ver<strong>da</strong>deiros ataques matiza<strong>dos</strong> de mentiras<br />
aos destinatários dessas medi<strong>da</strong>s – os trabalhadores e,<br />
nos últimos dias, os professores (recorde-se o debate<br />
sobre Educação do passado dia 24 de Junho). Como<br />
a estratégia está a ser visivelmente contesta<strong>da</strong> pelos<br />
atingi<strong>dos</strong>, os professores, passaram à táctica do lobo<br />
mau: uma coisa são os professores, outra os sindicatos<br />
e outra ain<strong>da</strong>, os sindicalistas, esses malandros…<br />
Citando o insuspeito António Barreto no Público de 26<br />
de Junho, a propósito de Sócrates, “(…) Antes de iniciar<br />
o que quer que seja, políticas, medi<strong>da</strong>s, reformas ou leis,<br />
“compra” uma querela: ataca alguém, defi ne o inimigo,<br />
protesta contra os adversários, anuncia que é necessário<br />
combater privilégios, identifi ca o alvo e atira logo contra<br />
pessoa ou grupo.(…) Solicitar o apoio do povo contra<br />
os “malandros”, os <strong>dos</strong> privilégios e os <strong>da</strong> preguiça, foi<br />
uma constante destes primeiros meses.”<br />
Em vez de se ganhar a população para um esforço<br />
colectivo em prol <strong>da</strong> melhoria <strong>da</strong>s condições de vi<strong>da</strong> de<br />
to<strong>dos</strong>, alimenta-se o País com um clima de intrigas de<br />
invejas mesquinhas que a curto prazo atingirá (se não<br />
atingiu já) o próprio Governo, o Presidente <strong>da</strong> República<br />
e a classe política em geral! Assiste-se de momento,<br />
como nunca se assistiu antes, a uma denúncia doentia do<br />
valor <strong>da</strong>s remunerações auferi<strong>da</strong>s por algumas fi guras<br />
públicas. Se é ver<strong>da</strong>de que existem casos escan<strong>da</strong>losos,<br />
passou a confundir-se tudo, a crítica mesquinha passou<br />
a não ter limites. Recorde-se o recente episódio <strong>da</strong> pensão<br />
de reforma do Presidente <strong>da</strong> República, obti<strong>da</strong> em<br />
função de mais de 36 anos de trabalho com descontos<br />
efectua<strong>dos</strong> de acordo com a lei!<br />
As mentiras sobre<br />
os professores e educadores<br />
De acordo com o governo, aos professores estão destina<strong>da</strong>s,<br />
entre outras, as seguintes medi<strong>da</strong>s:<br />
Congelamento <strong>da</strong>s carreiras de progressão automática<br />
– duas mentiras. 1ª mentira: não se trata de um simples<br />
congelamento <strong>da</strong>s carreiras. Trata-se de não contar para<br />
efeitos de progressão um ano e meio de tempo de serviço,<br />
tempo necessário para impor um novo regime de<br />
progressão ain<strong>da</strong> não conhecido. 2ª mentira: a carreira<br />
docente não é de progressão automática. Poder-se-á<br />
considerar o sistema de progressão mais ou menos<br />
facilitador mas não se pode afi rmar que os docentes<br />
progridem por simples passagem do tempo de serviço<br />
como afi rmou Sócrates no dia 24 na Assembleia <strong>da</strong><br />
República. Também não se pode “diminuir” o sistema de<br />
formação contínua a que estão obriga<strong>dos</strong> os docentes,<br />
como o fez a Ministra <strong>da</strong> Educação, para <strong>da</strong>í concluir
que com esse sistema to<strong>da</strong> a gente progride, logo a<br />
carreira é de progressão automática. Muito menos se<br />
pode lançar na praça pública a suspeita sobre to<strong>da</strong> uma<br />
classe que estando sujeita a um regime de avaliação<br />
proposto por governos anteriores (nem foi o que a FEN-<br />
PROF defendeu), se viu obriga<strong>da</strong> a frequentar acções<br />
de formação contínua cujos temas e conteú<strong>dos</strong> estiveram<br />
quase sempre subordina<strong>dos</strong> aos que eram considera<strong>dos</strong><br />
prioritários para o desenvolvimento do país e, por isso,<br />
fi nancia<strong>dos</strong> pelos fun<strong>dos</strong> comunitários.<br />
Alteração ao regime de aposentação – não é ver<strong>da</strong>de<br />
que os docentes se aposentem aos 52 anos de i<strong>da</strong>de<br />
como se fartou de sugerir Sócrates no Parlamento em 24<br />
de Junho. Se é ver<strong>da</strong>de que os docentes <strong>da</strong> Educação<br />
Pré-escolar e do 1º ciclo têm um regime de aposentação<br />
especial – 30 anos de serviço e 55 de i<strong>da</strong>de, e não 52, a<br />
ver<strong>da</strong>de é que estes docentes actualmente só conseguem<br />
adquirir as duas condições alguns anos depois <strong>dos</strong> 30<br />
anos de serviço e que a maioria <strong>dos</strong> professores portugueses<br />
leccionam no 2º e 3º ciclos do ensino básico,<br />
no ensino secundário e no ensino superior e politécnico,<br />
to<strong>dos</strong> eles sujeitos ao regime geral <strong>da</strong> função pública,<br />
alterado por Manuela Ferreira Leite para 36 anos de<br />
serviço e 60 anos de i<strong>da</strong>de, regime que agora se pretende<br />
mu<strong>da</strong>r para os 65 anos de i<strong>da</strong>de. A ver<strong>da</strong>de é<br />
que no que aos docentes do 2º e 3º ciclos e secundário<br />
diz respeito, tanto no ensino público como no privado o<br />
regime de aposentação é igual, isto é, ao contrário do<br />
que se quer fazer crer, também no privado há regimes<br />
especiais! E apesar <strong>da</strong>s declarações pie<strong>dos</strong>as sobre o<br />
reconhecimento do desgaste <strong>da</strong> profi ssão docente, na<strong>da</strong><br />
se conhece quanto ao conteúdo concreto <strong>da</strong>s propostas<br />
do Governo sobre o assunto. A sua apresentação estará<br />
remeti<strong>da</strong> apenas para Novembro.<br />
Também não é séria a acusação do “privilégio” de que<br />
os docentes gozam de um ano de horário zero no ano<br />
em que se reformam. Esta foi uma medi<strong>da</strong> proposta por<br />
um anterior governo, curiosamente também do partido<br />
socialista e foi fun<strong>da</strong>menta<strong>da</strong> em motivos de ordem<br />
pe<strong>da</strong>gógica. Visou por um lado que os alunos não<br />
tivessem de mu<strong>da</strong>r de professor a meio do ano, e/ou<br />
que o Estado não tivesse de pagar para além <strong>da</strong> pensão<br />
de aposentação a que os docentes tinham direito, mais<br />
1/3 do vencimento no período compreendido entre o<br />
momento <strong>da</strong> aposentação e o fi nal do ano lectivo, se se<br />
mantivessem em exercício até ao fi nal do ano. Esta é que<br />
é a ver<strong>da</strong>de sobre o tal “privilégio” <strong>dos</strong> docentes.<br />
A negociação com<br />
as organizações sindicais<br />
Outra mentira veicula<strong>da</strong> particularmente durante todo<br />
o período de greve <strong>dos</strong> docentes quer pela Ministra<br />
<strong>da</strong> Educação e respectivos Secretários de Estado, quer<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
por José Sócrates durante o debate sobre a Educação.<br />
Ain<strong>da</strong> não houve qualquer negociação com as<br />
organizações sindicais. A única reunião que ocorreu<br />
sobre o ECD foi no dia 15 de Junho para informar os<br />
representantes <strong>dos</strong> professores que a medi<strong>da</strong> sobre a<br />
não contagem do tempo de serviço para a progressão<br />
até ao fi nal de 2006 estava toma<strong>da</strong> e era uma medi<strong>da</strong><br />
do Governo. Que negociação é esta?! No dia 27 de<br />
Junho realizou-se mais uma reunião, esta sobre a revisão<br />
do ECD, reunião para a qual não houve entrega<br />
prévia de propostas, que foram distribuí<strong>da</strong>s na própria<br />
reunião. Certamente não estará o Governo convencido<br />
que deste modo negociará alguma coisa. Os processos<br />
negociais têm regras. Não conte pois o Governo com<br />
a complacência <strong>da</strong>s organizações sindicais e <strong>dos</strong> seus<br />
dirigentes.<br />
Assim, não!<br />
7
8<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
O mais violento ataque contra os professores<br />
Ameaças e controvérsias<br />
em torno de uma luta<br />
O fi m deste ano lectivo fi cou marcado<br />
por um ataque frontal - o “mais brutal<br />
ataque de sempre”, afi rma o Secretariado<br />
Nacional <strong>da</strong> FENPROF - aos<br />
direitos <strong>dos</strong> professores. A resposta<br />
do Ministério <strong>da</strong> Educação à greve<br />
nacional desencadea<strong>da</strong> pelos sindicatos<br />
incluiu o recurso à ameaça e<br />
chantagem, a deturpação do sentido<br />
<strong>da</strong>s reivindicações <strong>dos</strong> professores,<br />
assimila<strong>da</strong>s a uma contestação <strong>dos</strong><br />
exames do 9º ano, o lançar do ónus<br />
<strong>dos</strong> problemas existentes e gera<strong>dos</strong> sobre<br />
to<strong>da</strong> uma classe. Uma história triste<br />
– que não é para esquecer - e de que<br />
aqui nos cingimos a alguns aspectos.<br />
Entrelaçando as posições que foram<br />
sendo assumi<strong>da</strong>s pelo Ministério e a<br />
cobertura <strong>da</strong><strong>da</strong> pela imprensa.<br />
Num ápice – e no quadro de uma política caracteriza<strong>da</strong><br />
por preferencialmente lançar sobre os<br />
trabalhadores do Estado a factura do défi ce – os<br />
professores viram seriamente postos em causa direitos ofi -<br />
cialmente apresenta<strong>dos</strong> como regalias. Do congelamento de<br />
carreiras à alteração <strong>da</strong> i<strong>da</strong>de de reforma. Um processo de<br />
que qualquer diálogo esteve ausente – os sindicatos só foram<br />
convoca<strong>dos</strong> pelo Governo quando o projecto de decreto-lei<br />
já fora aprovado pelo Conselho de Ministros – e em que a<br />
aposta foi na apresentação de factos consuma<strong>dos</strong>.<br />
A lógica do dinheiro<br />
“O congelamento de carreiras pode afectar 25 mil professores”,<br />
“Medi<strong>da</strong>s de consoli<strong>da</strong>ção do défi ce apresenta<strong>da</strong>s pelo<br />
Ministério <strong>da</strong> Educação permitem poupar até 190 milhões<br />
de euros”, titulava o “Público” de 10 de Junho.<br />
Nas palavras <strong>da</strong> ministra <strong>da</strong> Educação, Maria de Lurdes<br />
Rodrigues, o congelamento de carreiras é uma <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s<br />
mais críticas. Concretamente – as contas são do Ministério<br />
– até Dezembro de 2006, a maior parte <strong>dos</strong> profi ssionais<br />
com direito à progressão na carreira não sobem de escalão<br />
e o seu tempo de serviço não é contado para o efeito.<br />
O ME considera que “o que está instituído” no que respeita<br />
à progressão na carreira (e o que está instituído é naturalmente<br />
<strong>da</strong> responsabili<strong>da</strong>de do Ministério) tem “efeitos<br />
muito perversos”. E, conforme notícia do “Público”, «se<br />
mais razões não houvesse, a ministra considerou ain<strong>da</strong> que<br />
“não era possível não haver uma participação do ME” no<br />
esforço de consoli<strong>da</strong>ção orçamental».<br />
São cerca de 120 milhões de euros por ano que deste modo<br />
iriam ser poupa<strong>dos</strong>.<br />
Outra <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s aprova<strong>da</strong>s - o fi m <strong>da</strong> remuneração <strong>dos</strong><br />
estágios pe<strong>da</strong>gógicos de alguns candi<strong>da</strong>tos à docência,<br />
designa<strong>da</strong>mente <strong>dos</strong> alunos <strong>da</strong>s licenciaturas em ensino e<br />
<strong>dos</strong> ramos educacionais – é igualmente calcula<strong>da</strong> em euros:<br />
uma poupança de 50 milhões por ano.<br />
A apresentação feita pelo “Jornal Negócios” é particularmente<br />
explícita. «Congelamento nas progressões “automáticas”<br />
<strong>da</strong>s carreiras, fi m <strong>dos</strong> estágios remunera<strong>dos</strong> e<br />
suspensão do ano de “pré-reforma”, permitem ao Ministério<br />
<strong>da</strong> Educação poupar mais de 190 milhões de euros. Uma<br />
fatia que representa 0,14% do PIB, sem contabilizar o impacto<br />
de outras medi<strong>da</strong>s». E esclarece mesmo que a ministra<br />
convocou os jornalistas “para explicar o contributo do sector<br />
<strong>da</strong> Educação para a redução do défi ce público”.<br />
Em síntese, com estas e outras medi<strong>da</strong>s o contributo do ME<br />
– ou seja, o contributo imposto aos professores – para a<br />
consoli<strong>da</strong>ção <strong>da</strong>s contas públicas pode representar uma<br />
poupança de cerca de 190 milhões de euros.<br />
E na ver<strong>da</strong>de é este o fulcro <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s toma<strong>da</strong>s.<br />
Diálogo não, ameaça sim<br />
Em resposta à greve de professores o ME decidiu interromper<br />
as aulas entre os dias 17 e 23 de Junho e requisitar os<br />
serviços mínimos (é a segun<strong>da</strong> vez que um executivo recorre<br />
a tal medi<strong>da</strong>).<br />
Medi<strong>da</strong>s prontamente denuncia<strong>da</strong>s pela FENPROF como<br />
ilegítimas, “um processo de chantagem sobre os sindicatos e<br />
uma intimi<strong>da</strong>ção <strong>dos</strong> próprios professores”, e face às quais<br />
a federação sindical interpôs uma providência cautelar. Que<br />
viria a <strong>da</strong>r lugar a diferentes posicionamentos por parte <strong>dos</strong><br />
tribunais. E à conheci<strong>da</strong> “gafe” <strong>da</strong> ministra <strong>da</strong> Educação,<br />
comenta<strong>da</strong> pelo presidente <strong>da</strong> Associação Sindical de Juízes<br />
como “inadmissível”, demonstrando “uma cultura pouco<br />
democrática”.<br />
A posição do Ministério é claramente ameaçadora. “To<strong>dos</strong>
os docentes devem ser obrigatoriamente convoca<strong>dos</strong> para<br />
a realização do serviço de exames”, diz. Em despacho enviado<br />
para as Direcções Regionais, referido pelo semanário<br />
“Expresso”, afi rma-se taxativamente que tanto para os membros<br />
<strong>dos</strong> Conselhos Executivos como os professores em geral<br />
é inequívoca “a obrigatorie<strong>da</strong>de e vinculativi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>quele<br />
despacho, traduzindo o seu incumprimento voluntário uma<br />
infracção disciplinar ao dever de obediência”.<br />
A prática não foi menos ameaçadora que o despacho em<br />
causa. Em nota à comunicação social os sindicatos referem<br />
as muitas ilegali<strong>da</strong>des cometi<strong>da</strong>s, nomea<strong>da</strong>mente “convocatórias<br />
efectua<strong>da</strong>s por telefone ou sms; vigilâncias assegura<strong>da</strong>s<br />
por professores legalmente impedi<strong>dos</strong>; ausência de<br />
professores coadjuvantes em algumas escolas, inexistência<br />
de secretaria<strong>dos</strong> de exame ou afi xação de convocatórias<br />
sob a forma de requisição”.<br />
A situação atingiu mesmo o absurdo. Por exemplo, na Região<br />
Centro, dia 18 de Junho, “milhares de professores fi caram<br />
de prevenção aos exames nacionais, uma situação que<br />
roça o ridículo – como comenta o sindicato <strong>dos</strong> professores<br />
– tendo em conta que para esse dia não estava convoca<strong>da</strong><br />
qualquer greve nacional”.<br />
Neste quadro, houve jornais que assumiram posições lamentáveis.<br />
É o caso, nomea<strong>da</strong>mente, do “Diário de Notícias”<br />
que, na sua edição de 17 de Junho, noticia na primeira<br />
página: “<strong>Professores</strong> levam falta se forem à manifestação”,<br />
acrescentando que se não comparecessem aos exames seriam<br />
“puni<strong>dos</strong> com falta injustifi ca<strong>da</strong>”. Notícia notoriamente<br />
falsa (o próprio ME teve o cui<strong>da</strong>do de insistir em que não<br />
pretendia limitar os direitos sindicais, nomea<strong>da</strong>mente o<br />
direito à greve).<br />
Deturpação do sentido <strong>da</strong> luta<br />
“Há uma intenção determina<strong>da</strong> para prejudicar os exames,<br />
já que a activi<strong>da</strong>de lectiva será interrompi<strong>da</strong> durante esses<br />
dias” - uma afi rmação insistente, quer <strong>da</strong> ministra, quer do<br />
Secretário de Estado <strong>da</strong> Educação, Valter Lemos, que referiu<br />
mesmo ser de “estranhar” tal coincidência, lembrando<br />
que, quando o Governo tomou posse, recebeu pedi<strong>dos</strong> <strong>dos</strong><br />
sindicatos a pedir a suspensão <strong>dos</strong> exames.<br />
A Ministra <strong>da</strong> Educação é particularmente explícita nesta<br />
delibera<strong>da</strong> perversão do sentido <strong>da</strong> luta. “Os sindicatos<br />
reclamam há muito a suspensão <strong>dos</strong> exames do 9º ano.<br />
No fi nal de Abril, apresentam formalmente um pedido de<br />
suspensão <strong>dos</strong> exames e têm vindo a manifestar-se publicamente<br />
contra os exames. A contestação <strong>dos</strong> sindicatos aos<br />
exames culminou com a marcação de greves em cima <strong>da</strong><br />
<strong>da</strong>ta <strong>dos</strong> exames, gerando desta forma um clima de grande<br />
instabili<strong>da</strong>de”, declarou Maria de Lurdes Rodrigues aos<br />
jornalistas.<br />
Tal tónica enforma o discurso do Ministério e em grande<br />
medi<strong>da</strong> <strong>da</strong> imprensa – e refl ecte-se nomea<strong>da</strong>mente na avaliação<br />
do impacto <strong>da</strong> luta <strong>dos</strong> professores. A adesão teria<br />
sido mínima na medi<strong>da</strong> em que o número de exames não<br />
realiza<strong>dos</strong> não foi signifi cativo. É o discurso <strong>da</strong> “normali<strong>da</strong>de”,<br />
repetido em vários órgãos de comunicação.<br />
Esta perversão do sentido <strong>da</strong> luta escamoteia as suas ver<strong>da</strong>-<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
Direito à greve<br />
não está<br />
posto<br />
em causa<br />
Última<br />
hora<br />
FENPROF<br />
1. O Diário de Notícias de hoje, 17 de Junho, noticia em largo destaque na 1ª página que<br />
“<strong>Professores</strong> levam falta se forem à manifestação”, acrescentando que se não comparecerem<br />
aos exames “serão puni<strong>dos</strong> com falta injustifica<strong>da</strong>”.<br />
2. Felizmente, tal “notícia” é falsa. De facto, impedir qualquer português de participar numa<br />
manifestação ou ameaçá-lo por tal decisão far-nos-ia remontar a tempos em que as manifestações<br />
eram proibi<strong>da</strong>s. Deve de resto sublinhar-se que o próprio Ministério <strong>da</strong> Educação tem insistido<br />
em que não pretende limitar os direitos sindicais, nomea<strong>da</strong>mente o direito à greve.<br />
3. Não haverá nunca qualquer falta injustifica<strong>da</strong> por alguém participar na manifestação<br />
convoca<strong>da</strong> para as 14,30 de hoje, mesmo que para tal os docentes tenham faltado a activi<strong>da</strong>des<br />
lectivas. Para salvaguar<strong>da</strong>r tal situação - e só com esse objectivo -foi apresentado em devido<br />
tempo um pré-aviso de greve. (Aproveita-se para esclarecer que não foi convoca<strong>da</strong> para hoje,<br />
17 de Junho, qualquer greve de docentes: o pré-aviso entregue destina-se apenas a possibilitar<br />
a participação na Manifestação e só deve ser usado com esse fim!)<br />
4. Relativamente às greves de docentes convoca<strong>da</strong>s para a próxima semana, esclareça-se<br />
que o facto de, embora ilegalmente, em nossa opinião, o Ministério <strong>da</strong> Educação ter obrigado<br />
as escolas a convocar para o serviço de exames to<strong>dos</strong> os professores, tal não impede, como<br />
a própria ministra tem afirmado, que os professores exerçam o seu direito de greve, não<br />
comparecendo na escola ou, fazendo-o, recusando-se a qualquer serviço.<br />
5. A FENPROF lamenta que um jornal com sóli<strong>da</strong>s tradições como o DN preste um tão mau<br />
serviço jornalístico aos seus leitores.<br />
6. A FENPROF vai solicitar aos órgãos competentes procedimento criminal contra o DN.<br />
O Secretariado Nacional <strong>da</strong> FENPROF<br />
deiras razões – as medi<strong>da</strong>s toma<strong>da</strong>s pelo Governo. Ignora<br />
que as <strong>da</strong>tas escolhi<strong>da</strong>s para a luta estavam de algum modo<br />
condiciona<strong>da</strong>s – “a greve não é um boicote aos exames,<br />
mas antes uma resposta a medi<strong>da</strong>s toma<strong>da</strong>s pelo governo<br />
num momento que ele próprio escolheu”, sublinhou o secretário-geral<br />
<strong>da</strong> FENPROF. Visa igualmente lançar sobre os<br />
professores o ónus <strong>dos</strong> problemas inevitavelmente gera<strong>dos</strong><br />
por uma greve – e que sem dúvi<strong>da</strong> importa ter presentes.<br />
Não por acaso é notório repisar de que – em to<strong>da</strong>s as medi<strong>da</strong>s<br />
toma<strong>da</strong>s - o único interesse do Ministério seria “proteger<br />
os interesses <strong>dos</strong> alunos”. Encerrando prematuramente as<br />
aulas, por exemplo...<br />
No balanço destes dias o SPGL sublinha que “esta jorna<strong>da</strong><br />
de luta cimentou a uni<strong>da</strong>de entre docentes criando melhores<br />
condições para prosseguir a resistência às medi<strong>da</strong>s contra<br />
os professores e contra a escola pública”.<br />
A luta vai continuar.<br />
9<br />
D<br />
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1. O<br />
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10<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
Sobre um pretenso fi asco sindical<br />
•António Avelãs<br />
No passado dia 23 de Junho, o director<br />
do PÚBLICO, José Manuel Fernandes,<br />
assinava um Editorial que intitulou<br />
“Fiasco Sindical”. Invertamos um pouco<br />
a lógica natural do discurso e, ao que<br />
parece, <strong>da</strong>s regras do bom jornalismo:<br />
antes de discutir se houve ou não um<br />
“fi asco sindical” façamos uma cui<strong>da</strong><strong>dos</strong>a<br />
viagem pelo texto de JMF.<br />
Logo no 1º parágrafo o autor relembra que “há exactamente<br />
dez anos, em 1995, também houve uma greve<br />
de professores em época de exames. Era ministra <strong>da</strong><br />
Educação Manuela Ferreira Leite, realizavam-se provas de<br />
aferição para entra<strong>da</strong> na universi<strong>da</strong>de e os grevistas eram<br />
professores universitários (...)”. JMF poderia ter acrescentado<br />
que era uma greve convoca<strong>da</strong> pela FENPROF, SINDEP e<br />
SNESUP, de que Júlio Pedreira, actual secretário de Estado,<br />
era vice-presidente.<br />
No seu visceral ódio aos professores, o articulista retoma a<br />
requenta<strong>da</strong> afi rmação de que “o rácio do salário <strong>dos</strong> professores<br />
em relação ao PIB per capita (é) o mais elevado <strong>da</strong><br />
Europa”. Afi rmação que seria igualmente váli<strong>da</strong> aplica<strong>da</strong><br />
a juízes, gestores públicos e priva<strong>dos</strong>, altos funcionários <strong>da</strong><br />
administração pública, muitos jornalistas, eurodeputa<strong>dos</strong>,...<br />
Consequência mais ou menos previsível quando se tem um<br />
PIB per capita muito mais baixo que os restantes países com<br />
que se faz a comparação...<br />
Entende JMF que é necessário proceder a avaliações. Inteiramente<br />
de acordo. Só que, além <strong>da</strong> avaliação <strong>da</strong>s escolas<br />
e <strong>dos</strong> seus profi ssionais, como bem propõe, por que não<br />
avaliar o desempenho <strong>dos</strong> ministros e <strong>dos</strong> secretários de<br />
Estado e de outros altos dirigentes na Educação? E do ME<br />
na sua globali<strong>da</strong>de? Tal como numa empresa, por melhores<br />
que sejam os trabalhadores, os resulta<strong>dos</strong> serão sempre<br />
desastrosos se não houver competência de quem a dirige,<br />
também por melhores que sejam os professores, o resultado<br />
será negativo se na 5 de Outubro reinar a incompetência.<br />
Como por demasia<strong>da</strong>s vezes tem sucedido. Quem não recor<strong>da</strong><br />
a total incompetência de Diamantino Durão e <strong>da</strong> sua<br />
equipa? E que fez Couto <strong>dos</strong> Santos? E Mariana Cascais? E<br />
David Justino? E Abílio Morgado? E muito outros que seria<br />
fastidioso enumerar?<br />
Na sua militante fúria contra os professores e os seus sindicatos,<br />
o director do Público toca os limites <strong>da</strong> má-fé quando<br />
alega que “a greve foi desencadea<strong>da</strong> (...) “quando nem<br />
sequer se iniciou a discussão <strong>da</strong>s inevitáveis alterações à<br />
carreira docente...” É que, como JMF sabe melhor que<br />
ninguém, as medi<strong>da</strong>s foram anuncia<strong>da</strong>s em 2 de Junho<br />
como decisões do Conselho de Ministros. Nas matérias<br />
que estiveram nas razões <strong>da</strong> greve, na<strong>da</strong> há de essencial<br />
para negociar. Apenas pequeníssimos pormenores, como<br />
de resto o ME tem feito questão de sublinhar. (Aproveito<br />
para esclarecer JMF que, contrariamente ao que afi rma, a<br />
esmagadora maioria <strong>dos</strong> dirigentes do SPGL dão aulas to<strong>dos</strong><br />
os dias, como qualquer outro professor. E são normalmente<br />
considera<strong>dos</strong> entre os melhores <strong>da</strong>s suas escolas).<br />
O fi nal do texto retoma o lead do Editorial: “o fracasso <strong>da</strong><br />
greve mostra que há muitos professores que não desmerecem<br />
essa nobre profi ssão”. A mesma lógica com que um<br />
qualquer empresário diria que um excelente trabalhador<br />
é aquele que tudo aceita, não reivindica, não questiona,<br />
nunca faz greve. Saiba JMF que a sua afi rmação é uma<br />
enorme ofensa à maioria <strong>dos</strong> professores. É além do mais<br />
uma afi rmação gratuita: há certamente tantos ou mais excelentes<br />
professores que fi zeram greve como entre os que<br />
a não fi zeram. Infelizmente, também há alguns que nunca<br />
faltam em dia de greve, mas depois são os que mais faltam<br />
nos restantes dias...<br />
Analisemos então a tese do Editorial:<br />
Terá sido a greve mesmo um fi asco? Quem a defi niu como<br />
uma greve aos exames, isto é, como uma greve cujo objectivo<br />
seria impedir que os alunos fi zessem os seus exames,<br />
certamente que não poderá tirar outra conclusão. Só que<br />
esse nunca foi o objectivo <strong>da</strong> FENPROF que repeti<strong>da</strong>mente<br />
se esforçou por tranquilizar os estu<strong>da</strong>ntes, garantindo-lhes<br />
que fariam os seus exames, eventualmente em outras <strong>da</strong>tas.<br />
O papão <strong>da</strong> greve aos exames, isto é, a impossibili<strong>da</strong>de<br />
de os alunos os fazerem, foi irresponsavelmente agitado<br />
pelo ME e pela comunicação social que lhe “fez o jeito”.<br />
Curiosamente a maioria <strong>dos</strong> articulistas reconhece agora<br />
que a adesão à greve foi eleva<strong>da</strong>. O que contraria a tese<br />
do “fi asco”.<br />
Que as medi<strong>da</strong>s impostas pelo Conselho de Ministros merecem<br />
o repúdio <strong>dos</strong> docentes tem vindo a ser bem expresso,<br />
por exemplo, nas cartas que os professores têm enviado ao<br />
jornal dirigido por JMF. (Faça-se justiça ao pluralismo que o<br />
Público tem assumido na rubrica “Cartas ao Director”).<br />
To<strong>da</strong>s as decisões políticas comportam riscos. O tempo<br />
nos dirá se a resposta <strong>da</strong><strong>da</strong> pelos professores ao brutal<br />
ataque desencadeado contra o seu Estatuto de Carreira,<br />
acompanhado de uma miserável campanha contra a sua<br />
digni<strong>da</strong>de, foi um fi asco ou, como penso, a resposta necessária<br />
no tempo possível para cimentar a união entre os<br />
docentes para a dura e longa luta que se avizinha. Uma<br />
luta que não será só pela defesa do Estatuto <strong>da</strong> Carreira,<br />
e pela dignifi cação <strong>da</strong> profi ssão, mas que será igualmente<br />
pelo direito a uma escola pública de sucesso para to<strong>dos</strong>.<br />
Uma escola de excelência para to<strong>dos</strong>.
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
Serviços Mínimos:<br />
uma “imposição” à margem <strong>da</strong> lei<br />
•Vírgilio Teixeira<br />
Advogado<br />
Após 30 anos de funcionamento do Estado de direito<br />
democrático pela primeira vez foram impostos serviços<br />
mínimos no âmbito de uma greve de docentes. Tendo<br />
em conta que o quadro legal que regulamenta o exercício do<br />
direito à greve não teve alterações signifi cativas nestas três<br />
déca<strong>da</strong>s, esta imposição coloca, pelo menos, duas questões:<br />
a lei admite a fi xação de serviços mínimos nas greves realiza<strong>da</strong>s<br />
no sector <strong>da</strong> educação? A lei confere competência ao<br />
Governo para defi nir os serviços mínimos a assegurar durante<br />
a realização de greve no sector público <strong>da</strong> Educação?<br />
Quanto à primeira questão, o nº 1 do artigo 598º do Código<br />
do Trabalho prevê a fi xação de serviços mínimos durante a<br />
greve de modo a permitir a satisfação de necessi<strong>da</strong>des sociais<br />
impreteríveis.<br />
No nº 2 do mesmo artigo é apresenta<strong>da</strong> uma enumeração<br />
meramente exemplifi cativa de diversas activi<strong>da</strong>des que se<br />
destinam à satisfação deste tipo de necessi<strong>da</strong>des. Não sendo<br />
a lista taxativa e entendendo que a realização <strong>dos</strong> exames<br />
era uma necessi<strong>da</strong>de social impreterível, porque estava em<br />
causa a liber<strong>da</strong>de de aprender consagra<strong>da</strong> no artigo 43º <strong>da</strong><br />
Constituição, o Governo, através <strong>dos</strong> Ministros <strong>da</strong> Educação<br />
e do Trabalho, decidiu defi nir serviços mínimos a assegurar<br />
durante as greves de docentes do ensino público realiza<strong>da</strong>s<br />
nos passa<strong>dos</strong> dias 17 e 20 a 23 de Junho.<br />
Esta posição assumi<strong>da</strong> pelo Governo é claramente violadora<br />
<strong>da</strong> lei.<br />
Entre os autores que abor<strong>da</strong>m este tema é pacífi co que “necessi<strong>da</strong>des<br />
sociais impreteríveis” são to<strong>da</strong>s aquelas que têm<br />
de ser satisfeitas de imediato, sob pena de não ter qualquer<br />
efeito útil a sua realização posterior.<br />
À luz desta defi nição, não se encontra qualquer activi<strong>da</strong>de docente<br />
que tenha natureza impreterível ou que revista carácter<br />
inadiável. A não realização de exames num determinado dia<br />
não impossibilita a sua realização posterior, nem é retirado<br />
qualquer efeito útil à prova que se realize numa segun<strong>da</strong><br />
marcação.<br />
Assim, é de concluir pela impossibili<strong>da</strong>de de fi xação de serviços<br />
mínimos na Educação, pelo simples facto de não estarmos<br />
perante necessi<strong>da</strong>des sociais impreteríveis cuja satisfação<br />
tenha de ser assegura<strong>da</strong>.<br />
Depois desta resposta, deixa de ter interesse a análise <strong>da</strong><br />
segun<strong>da</strong> questão. Não sendo possível a existência de serviços<br />
mínimos na Educação também não é possível a sua defi nição.<br />
Contudo, se admitíssemos por mera hipótese que poderiam<br />
existir serviços mínimos durante uma greve de docentes do<br />
ensino público, cabia ao Governo, através de despacho<br />
conjunto <strong>dos</strong> Ministros do Trabalho e <strong>da</strong> Educação, defi nir<br />
tais serviços?<br />
Os actuais titulares <strong>da</strong>s referi<strong>da</strong>s pastas entenderam que sim<br />
e por isso proferiram dois despachos conjuntos a defi nir os<br />
serviços mínimos a assegurar durante as greves já referi<strong>da</strong>s.<br />
Estes despachos foram proferi<strong>dos</strong> ao abrigo do nº 3 do artigo<br />
599º do Código do Trabalho após se ter verifi cado a falta de<br />
acordo entre o Ministério <strong>da</strong> Educação e a FENPROF e a FNE<br />
sobre a defi nição <strong>dos</strong> serviços mínimos e após constatação <strong>da</strong><br />
impossibili<strong>da</strong>de de defi nição de tais serviços através <strong>da</strong> forma<br />
prevista no nº 4 do citado artigo. Qualquer destas normas são<br />
uma salvaguar<strong>da</strong> que permite a defi nição de serviços mínimos<br />
nos casos em que tal defi nição não conste em instrumento<br />
de regulamentação colectiva de trabalho e quando não se<br />
obtenha acordo entre os representantes <strong>dos</strong> trabalhadores e<br />
<strong>dos</strong> empregadores para o efeito.<br />
O nº4 respeita a greves realiza<strong>da</strong>s em serviços <strong>da</strong> administração<br />
directa do Estado ou tutela<strong>dos</strong> pelo Governo e, por isso,<br />
adopta uma solução que afasta os membros do Governo <strong>da</strong><br />
participação na defi nição <strong>dos</strong> serviços mínimos de modo a<br />
garantir a imparciali<strong>da</strong>de <strong>da</strong> deliberação. Determinando a<br />
constituição de um colégio arbitral composto por três árbitros<br />
que integrem as listas de árbitros elabora<strong>da</strong>s pelo Conselho<br />
Económico e Social, cabendo a este colégio a defi nição <strong>dos</strong><br />
serviços mínimos a assegurar durante a greve.<br />
O Conselho Económico e Social ain<strong>da</strong> não elaborou as listas<br />
de árbitros, razão que impossibilitou a constituição do colégio<br />
arbitral. Por isso o Governo entendeu que podia fi xar os<br />
serviços mínimos através do mecanismo previsto no nº 3 do<br />
artigo 599º. O que não é permitido por lei.<br />
Ao criar um mecanismo próprio de defi nição de serviços mínimos<br />
a assegurar durante as greves realiza<strong>da</strong>s nos serviços <strong>da</strong><br />
administração directa do Estado ou tutela<strong>dos</strong> pelo Governo, a<br />
lei quis afastar o regime geral por entender que o Governo é<br />
parte directamente interessa<strong>da</strong> e, por isso, a sua intervenção<br />
na defi nição <strong>dos</strong> serviços mínimos não garantia a imparciali<strong>da</strong>de<br />
<strong>da</strong> deliberação.<br />
Ao concluir que não era possível a defi nição <strong>dos</strong> serviços<br />
mínimos do modo legal para as greves nestes serviços <strong>da</strong><br />
Administração Central, o Governo nunca poderia adoptar<br />
uma solução que a lei quis expressamente afastar, teria de<br />
encontrar uma solução que garantisse a imparciali<strong>da</strong>de, o<br />
que não aconteceu.<br />
Não restam dúvi<strong>da</strong>s que os despachos conjuntos que fi xaram<br />
os serviços mínimos durante as greves são ilegais.<br />
11
12<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
Os <strong>da</strong><strong>dos</strong> <strong>da</strong> greve<br />
de 21 de Junho<br />
Variações de adesão por nível/ciclo<br />
Numa análise sumária aos <strong>da</strong><strong>dos</strong> relativos à greve de 21<br />
de Junho na área <strong>da</strong> DREL podemos concluir que o 1º Ciclo<br />
e o Pré-Escolar fi caram com médias percentuais iguais<br />
e ambos vários pontos acima <strong>da</strong> média geral do SPGL<br />
e que o 2º /3º Ciclos e o Secundário fi caram abaixo <strong>da</strong><br />
média, com o Secundário a registar uma ligeiríssima vantagem<br />
em relação ao 2º/3º ciclos (quadro ao lado).<br />
Escolas do 1º Ciclo<br />
e Jardins de Infância encerra<strong>dos</strong><br />
Encerraram por adesão de to<strong>dos</strong> os docentes à<br />
greve, na área do SPGL em greve neste dia, 340<br />
escolas e jardins de infância, com a seguinte<br />
distribuição regional:<br />
Variações de adesão regionais<br />
Em termos regionais destaca-se a direcção regional<br />
de Setúbal, vários pontos acima <strong>da</strong> média, a de<br />
<strong>Lisboa</strong> com valores semelhantes à média (uma ligeira<br />
vantagem), Santarém com valores ligeiramente<br />
inferiores à média e fi nalmente a direcção regional<br />
do Oeste com valores um pouco mais baixos. Os<br />
valores <strong>da</strong> direcção regional de <strong>Lisboa</strong>, pelo seu<br />
peso específi co em número de docentes, revelaramse<br />
decisivos para a média geral (ver quadro ao<br />
lado).<br />
108<br />
Escolas do 1º CEB e JIs encerra<strong>dos</strong><br />
30<br />
49<br />
153<br />
DR <strong>Lisboa</strong><br />
DR Setúbal<br />
DR Santarém<br />
DR Oeste
14<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
Escola de Música do<br />
Conservatório Nacional<br />
Ensino artístico<br />
Virtuali<strong>da</strong>des ignora<strong>da</strong>s<br />
ignora<strong>da</strong>s<br />
Fomos visitar uma grande família – barulhenta porque dedica<strong>da</strong><br />
às artes – a viver num palácio. Cerca de 800 alunos num belo<br />
edifício que está, há quase 20 anos, a cair.<br />
Não se trata de um fi lme, mas <strong>da</strong> reali<strong>da</strong>de quotidianamente<br />
vivi<strong>da</strong> por alunos, professores, funcionários <strong>da</strong> Escola de Música<br />
do<br />
Conservatório Nacional. Que, debatendo-se com difi cul<strong>da</strong>des<br />
múltiplas (na ver<strong>da</strong>de a nossa conversa começou por se assumir<br />
como um “muro de lamentações”), trabalham afi nca<strong>da</strong>mente<br />
e avançam com novos projectos. Multiplicam opções<br />
e apostam num valor essencial e tantas vezes<br />
menosprezado – a criativi<strong>da</strong>de.<br />
N<br />
20. ESCOLA INFORMAÇÃO.FEVEREIRO 2005 .<br />
o belo espaço do Convento <strong>dos</strong> Caetanos,<br />
no que respeita a instalações<br />
“tudo é aparência”. A escola não tem<br />
obras grandes desde os anos 40 do<br />
século passado. O salão está a cair.<br />
Não há monta-cargas para o trans-<br />
porte de instrumentos num edifício<br />
de quatro an<strong>da</strong>res. Nunca houve a preocupação do<br />
isolamento acústico <strong>da</strong>s salas.<br />
Questões que de imediato remetem para uma situação<br />
partilha<strong>da</strong> por todo o ensino artístico no nosso país: o<br />
relacionamento com o Ministério <strong>da</strong> Educação.<br />
Em causa está um ensino minoritário, com necessi<strong>da</strong>des<br />
especiais e características específi cas, integrado nas estruturas<br />
gerais. Com excepção de um pequeno núcleo de<br />
ensino artístico (sem capaci<strong>da</strong>de decisória), «os sectores<br />
que decidem tanto o fazem para a música, como para<br />
a matemática, como para o inglês...».<br />
Foi nestes termos – críticos e claros – que encetámos a<br />
nossa conversa com António Wagner Diniz, presidente<br />
<strong>da</strong> Escola e professor de canto, Ana Mafal<strong>da</strong> Pernão,<br />
vice-presidente e responsável pela formação musical, e<br />
Jorge Sá Machado, vice-presidente, professor de análise<br />
e técnica de composição e violoncelista.<br />
Com uma preocupação e uma crítica de fundo: «a cultura<br />
nunca foi priori<strong>da</strong>de».<br />
<strong>Professores</strong>, eternos contrata<strong>dos</strong><br />
De par do problema – grave – <strong>da</strong>s instalações (e não se<br />
trata de «querermos recuperar o nosso querido museu...<br />
O salão é também uma sala de aulas e uma sala de<br />
apresentação para os próprios alunos»), outra questão<br />
decisiva está pendente: o estatuto <strong>dos</strong> professores.<br />
A história – que se arrasta há mais de vinte anos – podese<br />
contar em poucas palavras. Em 1983, as escolas de<br />
<strong>da</strong>nça e música de nível secundário do Conservatório<br />
Nacional foram integra<strong>da</strong>s no ensino secundário genérico.<br />
Como é natural, <strong>da</strong><strong>da</strong>s as características claramente<br />
diferentes destas escolas, os problemas surgiram de<br />
imediato. E mantêm-se. «Não havia habilitações iguais<br />
às outras – que tiveram que ser construí<strong>da</strong>s. E que vai<br />
ser preciso alterar novamente porque já há mais cursos<br />
não previstos. Foi preciso integrar pessoas que tinham<br />
habilitações completamente diferentes».<br />
Em síntese, «há necessi<strong>da</strong>de de defi nir um sistema de<br />
integração <strong>dos</strong> professores, um sistema de profi ssionalização.<br />
Defi nir como é que as pessoas entram na<br />
carreira, que quadros têm estas escolas». Porque, vinte<br />
e dois anos volvi<strong>dos</strong>, estas escolas não têm quadro. Há<br />
Breve recorte de uma<br />
conversa com António<br />
Wagner Diniz, presidente<br />
<strong>da</strong> Escola e professor<br />
de canto, Ana Mafal<strong>da</strong><br />
Pernão, vice-presidente e<br />
responsável pela formação<br />
musical, e Jorge Sá<br />
Machado, vice-presidente,<br />
professor de análise e<br />
técnica de composição e<br />
violoncelista.<br />
«Quando aterrámos aqui<br />
– há cinco anos – pensámos que o importante – visto<br />
que era uma escola artística – era fazer espectáculos.<br />
Era preparar e orientar o trabalho pe<strong>da</strong>gógico<br />
no sentido de fazer apresentações e levar os nossos<br />
alunos a, anualmente, terem um ou mais projectos de<br />
apresentação, pedindo também aos professores que<br />
orientassem o seu trabalho nesse sentido. Portanto,<br />
é nesse campo que nós temos evoluído, e através de<br />
cooperações e protocolos com várias instituições».<br />
Esta uma vertente. A outra é abrir o leque de opções<br />
aos alunos. O que se pretende é que, no decorrer do<br />
seu percurso pe<strong>da</strong>gógico, os alunos tenham acesso a<br />
diferentes expressões. Por exemplo – música medieval,<br />
do renascimento, o jazz, música contemporânea,<br />
atelier de ópera (a que se acrescentou o movimento,<br />
que também é fun<strong>da</strong>mental).<br />
Todo um trabalho que se vai realizando, em grande<br />
medi<strong>da</strong> com professores “eternos contrata<strong>dos</strong>”:<br />
«A carreira, no fi m de contas, é uma forma também<br />
de presentear e de valorizar os professores que,<br />
naturalmente, à medi<strong>da</strong> <strong>dos</strong> anos que passam, a sua<br />
responsabilização vai sendo maior. Quando se ensina<br />
também se aprende. Esse conhecimento que se vai<br />
aprendendo vai sendo por sua vez depois transmitido.<br />
E acontece que nós temos professores alguns deles<br />
<strong>da</strong> melhor quali<strong>da</strong>de e continuam a ser uns eternos<br />
contrata<strong>dos</strong>».<br />
Escola EB 2,3, de Vialonga<br />
crianças de abandono», porque têm<br />
difi cul<strong>da</strong>des ao nível <strong>da</strong>s aprendizagens<br />
ou de comportamentos sociais,<br />
e que «acabam por se ir integrando<br />
na escola e muitas vezes com bons<br />
resulta<strong>dos</strong>».<br />
As turmas de currículos alternativos<br />
não podem ter mais de 15 alunos e<br />
dispõem de uma equipa de professores<br />
que se mantém praticamente a<br />
mesma, acumulando assim experiência<br />
num labor que não é fácil.<br />
Os currículos são diferencia<strong>dos</strong> e<br />
aposta-se no trabalho inter-disciplinar.<br />
To<strong>dos</strong> os materiais pe<strong>da</strong>gógicos<br />
são prepara<strong>dos</strong> pela equipa de professores.<br />
Há sempre uma disciplina<br />
de informática. Numa perspectiva<br />
de preparação para a vi<strong>da</strong> activa,<br />
existe uma área vocacional – ou<br />
ofi cina <strong>da</strong>s artes – necessariamente<br />
diversifi ca<strong>da</strong>.<br />
No 9º ano, os alunos destas turmas<br />
começam a fazer estágios profissionais<br />
- «um posto de trabalho por<br />
período lectivo. Fazem uma certa<br />
rotação. Não são cursos profi ssionais,<br />
são cursos que vêm abrir-lhes<br />
perspectivas vocacionais». Concluído<br />
o 9º ano, poderão integrar<br />
o mercado de trabalho, frequentar<br />
um curso tecnológico ou voltar ao<br />
ensino regular.<br />
Uma outra componente <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong>de<br />
de respostas em que a escola<br />
aposta são os cursos profi ssionais.<br />
Dirigem-se a jovens fora <strong>da</strong> escolari<strong>da</strong>de<br />
obrigatória, abrangendo<br />
uma faixa relativamente alarga<strong>da</strong><br />
de formações e de percursos. Os<br />
cursos disponíveis – actualmente<br />
ourivesaria, pré-impressão e serralharia<br />
mecânica – têm sempre a ver<br />
com os recursos humanos de que a<br />
escola dispõe.<br />
No 9º ano abre-se aos alunos a possibili<strong>da</strong>de<br />
de estágio e de uma formação<br />
profi ssional de um ano para alunos que não concluíram<br />
o 9º ano «e que manifestem vontade de fazer uma formação<br />
mais profi ssionalizante»<br />
Que ligação poderá haver entre violência e esta diversi<strong>da</strong>de de<br />
respostas e formações de cunho mais profi ssionalizante? «O<br />
que nós temos conseguido – sublinha Armandina Soares - é<br />
que os alunos sintam que estão a fazer alguma coisa na escola.<br />
Se sintam bem. E que aquilo que estão a fazer corresponde às<br />
suas características, às suas capaci<strong>da</strong>des. E penso que, quando<br />
isto acontece, instala-se de certa forma um clima de bem estar<br />
que é dissuasor de comportamentos violentos. Neste momento,<br />
genericamente, na sala de aula do ensino regular estão alunos<br />
que têm as condições adequa<strong>da</strong>s para fazer um percurso no<br />
ensino regular. Não temos aqueles alunos que estão completa-<br />
ei.nov./dez. 2004<br />
mente desfasa<strong>dos</strong>, que não conseguem<br />
acompanhar e como tal tendem a perturbar<br />
a aula. Se alguém está mal, não<br />
consegue nunca ter sucesso, tem que<br />
ser “herói” de qualquer maneira.<br />
«Na medi<strong>da</strong> em que nós temos conseguido<br />
proporcionar aos alunos condições<br />
para fazerem qualquer coisa<br />
em que se sintam bem, então reduz-se<br />
a tensão. Eles têm o seu espaço de<br />
trabalho, têm obrigações a cumprir,<br />
e manifestam-se assim de uma forma<br />
mais positiva.»<br />
Complementando todo este trabalho,<br />
a escola iniciou contactos com uma<br />
associação para o desenvolvimento<br />
de emprego na perspectiva de tentar<br />
criar, com alguns alunos, pequenas<br />
empresas, «encontrar apoio técnico na<br />
criação de empresas e no acompanhamento<br />
destes jovens».<br />
«Como há todo este acompanhamento,<br />
estes percursos alternativos, praticamente<br />
não temos insucesso», sublinha<br />
Armandina Soares.<br />
Muito trabalho<br />
Um acompanhamento<br />
pessoal<br />
«Na<strong>da</strong> é simples – porque nós fazemos<br />
muitas coisas e trabalhamos muito.<br />
Trabalha-se muito, com muito empenhamento<br />
e muita autonomia (e as duas<br />
coisas an<strong>da</strong>m liga<strong>da</strong>s). As pessoas têm<br />
muito a possibili<strong>da</strong>de de concretizar<br />
coisas que gostariam de fazer». Em<br />
síntese, será talvez este o segredo do<br />
sucesso <strong>da</strong> escola EB 2,3 de Vialonga.<br />
De par de um acompanhamento regular,<br />
pessoal <strong>dos</strong> alunos. Que «de alguma<br />
forma permite que eles vão encontrando<br />
os seus caminhos e por isso mesmo<br />
não haja problemas tão sensíveis».<br />
Há todo um trabalho de acompanhamento<br />
que se inicia, no princípio do<br />
ano lectivo, com reuniões com to<strong>da</strong>s<br />
as turmas <strong>da</strong> escola. Depois, em reuniões de turma, defi ne-se<br />
um programa de trabalho mais específi co.<br />
«Na reunião de professores analisamos as insufi ciências e<br />
tentamos perspectivar o que é necessário fazer. Vê-se quem<br />
trabalhou mal e quem trabalhou bem – e importa diferenciar<br />
as situações em ca<strong>da</strong> turma. Na ver<strong>da</strong>de os alunos participam<br />
assim na análise <strong>da</strong> sua própria situação.<br />
«Depois estas questões são discuti<strong>da</strong>s com o director de turma.<br />
Os professores defi nem as turmas em que é preciso reforçar<br />
trabalho ou mesmo mu<strong>da</strong>r de estratégia. Tudo isto exige muita<br />
refl exão permanente sobre as várias faces <strong>dos</strong> problemas e corresponde<br />
a um grande trabalho por parte do corpo docente.»<br />
Uma acção que se desenvolve num contexto de auto-aprendizagem<br />
e de trabalho de equipa. No dia-a-dia.<br />
Muito trabalho e<br />
muita exigência.<br />
Regras «como<br />
em casa». Uma intervenção<br />
constante. Relações<br />
pessoais fortes.<br />
Percursos diferencia<strong>dos</strong>,<br />
a<strong>da</strong>pta<strong>dos</strong> aos diferentes<br />
alunos. Um corpo<br />
docente estável, jovem,<br />
empenhado. Estas são<br />
algumas <strong>da</strong>s linhas de<br />
trabalho salienta<strong>da</strong>s por Armandina Soares, presidente<br />
do conselho executivo <strong>da</strong> escola.<br />
«Na<strong>da</strong> é simples – porque nós fazemos muitas<br />
coisas e trabalhamos muito.<br />
Trabalha-se muito, com muito empenhamento e muita<br />
autonomia (e as duas coisas an<strong>da</strong>m liga<strong>da</strong>s). As<br />
pessoas têm muito a possibili<strong>da</strong>de de concretizarem<br />
coisas que gostariam de fazer». Em síntese, será talvez<br />
este o segredo do sucesso <strong>da</strong> escola EB 2,3 de<br />
Vialonga. De par de um acompanhamento regular,<br />
pessoal <strong>dos</strong> alunos. Que «de alguma forma permite<br />
que eles vão encontrando os seus caminhos e por<br />
isso mesmo não haja problemas tão sensíveis».<br />
Há todo um trabalho de acompanhamento que se<br />
inicia, no princípio do ano lectivo, com reuniões<br />
com to<strong>da</strong>s as turmas <strong>da</strong> escola. Depois, em reuniões<br />
de turma, define-se um programa de trabalho mais<br />
específico.<br />
«Na reunião de professores analisamos as insuficiências<br />
e tentamos perspectivar o que é necessário<br />
fazer. Vê-se quem trabalhou mal e quem trabalhou<br />
bem – e importa diferenciar as situações em ca<strong>da</strong><br />
turma. Na ver<strong>da</strong>de os alunos participam assim na<br />
análise <strong>da</strong> sua própria situação.<br />
Depois estas questões são discuti<strong>da</strong>s com o director<br />
de turma. Os professores definem as turmas em<br />
que é preciso reforçar trabalho ou mesmo mu<strong>da</strong>r<br />
de estratégia. Tudo isto exige muita reflexão permanente<br />
sobre as várias faces <strong>dos</strong> problemas e<br />
corresponde a um grande trabalho por parte do<br />
corpo docente.»<br />
Uma acção que se desenvolve num contexto de<br />
auto-aprendizagem e de trabalho de equipa. No<br />
dia-a-dia.
Estágios nas<br />
Licenciaturas<br />
em Ensino<br />
Maria Odete Valente<br />
Presidente do Departamento de Educação <strong>da</strong> FCUL<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
CARTAS<br />
DE PROFESSORES<br />
Uma <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s anuncia<strong>da</strong>s pelo Governo como parte<br />
<strong>da</strong> sua estratégia de redução de despesas no Ministério<br />
<strong>da</strong> Educação foi a de terminar com o pagamento <strong>dos</strong><br />
estágios <strong>da</strong>s Licenciaturas em Ensino, retirando aos estagiários<br />
a responsabili<strong>da</strong>de de leccionarem duas turmas<br />
durante o ano lectivo que corresponde ao 5º ano do<br />
plano de estu<strong>dos</strong> destas Licenciaturas.<br />
A leveza com que o assunto foi tratado e anunciado<br />
revela que a questão não foi sufi cientemente esclareci<strong>da</strong><br />
e que os proponentes ignoraram as instituições<br />
do Ensino Superior responsáveis pelas licenciaturas,<br />
ignoraram igualmente todo o enquadramento legal que<br />
sustenta as mesmas e ignoraram ain<strong>da</strong> todo o esforço<br />
de organização <strong>da</strong>s escolas e <strong>da</strong>s direcções regionais<br />
que prepararam o ano que se inicia em Setembro e<br />
para o que já nesta altura e nos termos <strong>da</strong> lei haviam<br />
sido indica<strong>da</strong>s as escolas onde decorreriam os estágios,<br />
respectivos orientadores e estagiários.<br />
Para quantos estejam longe destes processos é importante<br />
revelar que os estágios pe<strong>da</strong>gógicos incluí<strong>dos</strong><br />
nos planos <strong>da</strong>s licenciaturas <strong>da</strong>tam <strong>dos</strong> anos 70, mais<br />
concretamente nas Facul<strong>da</strong>des de Ciências desde o ano<br />
lectivo de 1972-73. Em 1976 é publicado o Decreto<br />
925/76 que regula os estágios em cumprimento do Decreto-Lei<br />
443/71. Posteriormente foram sendo publica<strong>da</strong>s<br />
portarias com ajustamentos e clarifi cações, a Portaria<br />
649/78, a Portaria 431/79, a Portaria 791/80, a Por-<br />
taria 176/83, o Despacho 103/78 e outros diplomas<br />
paralelos para as Universi<strong>da</strong>des “Novas” e Facul<strong>da</strong>des<br />
de Letras. Não interessa aqui fazer o historial completo<br />
mas chamar a atenção que este assunto é alvo de<br />
legislação há mais de 30 anos, sempre sustentando a<br />
ideia de que é muito relevante para a formação destes<br />
futuros professores uma prática profi ssional orienta<strong>da</strong><br />
que lhes exige a responsabilização pelo ensino em duas<br />
turmas, durante todo o ano, desde o primeiro dia até<br />
ao último, incluindo a avaliação <strong>dos</strong> seus alunos e a<br />
participação nos órgãos <strong>da</strong>s escolas em parceria com<br />
os outros docentes.<br />
Houve alguns ajustamentos, comissões e estu<strong>dos</strong> desenvolvi<strong>dos</strong><br />
a pedido do CRUP e sempre se manteve a<br />
estrutura básica, porque considera<strong>da</strong> uma mais valia,<br />
aliás sempre aprecia<strong>da</strong> internacionalmente quando<br />
apresenta<strong>da</strong> em instâncias de discussão de projectos<br />
de formação de professores. O último regulamento de<br />
estágios com algumas alterações e especifi cações sobre<br />
as obrigações <strong>da</strong>s comissões de estágios na Facul<strong>da</strong>de<br />
de Ciências de <strong>Lisboa</strong> foi publicado em Outubro de<br />
2003. O Decreto 925/76 continua em vigor como elemento<br />
fun<strong>da</strong>dor do estilo de estágios que estão agora<br />
em causa.<br />
No meio do ruído, porque para além do comunicado<br />
do Governo as instituições não têm tido qualquer informação<br />
ou discussão com as tutelas respectivas, vão-se<br />
fazendo comparações com as Escolas Superiores de<br />
Educação (ESE). Ora tais comparações não têm de<br />
momento qualquer sentido pois nas ESE a prática<br />
coincide com a formação ao longo <strong>dos</strong> quatro anos<br />
de licenciatura e neste modelo de formação que agora<br />
está a ser posto em causa o estágio é remetido para<br />
um só ano, o último <strong>da</strong> licenciatura, onde se concentra<br />
praticamente to<strong>da</strong> a activi<strong>da</strong>de. Neste ano, para além<br />
de alguns seminários realiza<strong>dos</strong> na universi<strong>da</strong>de, o estagiário<br />
desenvolve quase todo o seu trabalho na escola<br />
onde passa a maior parte do tempo. Pensar que isso é<br />
equivalente a umas visitas a turmas de professores que<br />
os deixam fazer algumas activi<strong>da</strong>des nas suas turmas<br />
é não saber entender as mais valias de um processo e<br />
não compreender as limitações do outro. Trata-se de<br />
substituir um modelo com provas <strong>da</strong><strong>da</strong>s por outro pro-<br />
15
16<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
jecto de formação totalmente minimalista.<br />
Porquê então esta ideia do Governo? Claro está que<br />
apenas orienta<strong>da</strong> pela poupança de recursos materiais.<br />
Ora acontece que por falta de imaginação deita-se o<br />
banho e o bebé fora, pois seria possível reduzir substancialmente<br />
os custos sem alterar de um dia para o<br />
Do que<br />
não gostamos<br />
Escola Secundária de Mem Martins,<br />
20 de Junho de 2005<br />
Excelentíssima Senhora Ministra <strong>da</strong> Educação<br />
Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues<br />
Não! Não é um manifesto de protesto!<br />
Não! Não é um libelo reivindicativo!<br />
Não é nem manifesto nem libelo pela simples razão de<br />
que nós, subscritores, somos muito diferentes e pensamos<br />
de maneira diversa. Temos até posturas quase opostas<br />
face às medi<strong>da</strong>s que V. Exª e o seu Ministério têm vindo<br />
a anunciar. Em comum temos a circunstância de to<strong>dos</strong><br />
nós, por uma razão ou por outra, não estarmos a fazer<br />
greve. Mas, relativamente àquelas (medi<strong>da</strong>s), uns há<br />
que se opõem terminantemente; outros que subscrevem<br />
quase incondicionalmente, alguns apoiam e/ou<br />
desaprovam parcialmente e outros estão até, digamos,<br />
indiferentes.<br />
Assim sendo poderá perguntar o que nos leva a, em<br />
conjunto, escrever-lhe? É que não somos indiferentes<br />
a uma linha de actuação que nos parece, no mínimo,<br />
ver<strong>da</strong>deiramente incompreensível. E este incompreensível<br />
deriva do facto de não gostarmos de um conjunto<br />
de coisas.<br />
1. Não gostamos que o poder político (leia-se Vossa<br />
Excelência) divi<strong>da</strong> os professores entre “aqueles que não<br />
se preocupam com as suas crianças” (leia-se os grevistas)<br />
e “os que se preocupam” (leia-se os não grevistas)!<br />
2. Não gostamos que o poder político (leia-se Vossa Excelência)<br />
divi<strong>da</strong> os professores entre “aqueles que querem<br />
prejudicar os alunos e os professores” (os grevistas)<br />
e os que não o pretendem fazer (os não grevistas)!<br />
outro uma estrutura de formação sobre a qual há muito<br />
trabalho de refl exão e experiência. Mas não quiseram<br />
ouvir ninguém e ultrapassaram sem ouvir nem respeitar<br />
a autonomia e responsabili<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s instituições de ensino<br />
superior, querendo-lhe formatar um ano <strong>da</strong>s suas<br />
licenciaturas.<br />
3. Não gostamos que Vossa Excelência deci<strong>da</strong>, numa<br />
sexta-feira (17/6), alargar a nível nacional a “requisição”<br />
de to<strong>dos</strong> os professores (serviços mínimos) de<br />
forma a garantir o serviço de exames para o período<br />
de 20 a 23 de Junho quando existia já uma directiva<br />
que procurava esbater a greve prevista e anuncia<strong>da</strong> a<br />
nível regional!<br />
4. Não gostamos que, em virtude <strong>da</strong> decisão enuncia<strong>da</strong><br />
em 3 ter chegado às Escolas apenas após as 17 horas,<br />
decorram gastos signifi cativos quer em comunicações<br />
Fax (Ministério-Escolas) quer em telefónicas (Escolasprofessores)<br />
contribuindo, assim, para o agravar do<br />
tão falado defi cit!<br />
5. Não gostamos de surgir como “mobilizáveis” seja por<br />
quem for (leia-se Ministério e/ou <strong>Sindicato</strong>s)!<br />
6. Não gostamos, parafraseando o antigo primeiroministro<br />
Pinheiro de Azevedo (20/11/1975), de ser<br />
“sequestra<strong>dos</strong>” numa sala como reservas de solução<br />
de um problema que não existe!<br />
Cremos não ser necessário continuar o inventário <strong>dos</strong><br />
nossos “não-gostos” (desgostos?) já que a mensagem<br />
que queremos transmiti<strong>da</strong> sintetiza-se em duas ideias:<br />
a) a recusa <strong>da</strong> antiga (e de triste memória) ideia de<br />
“quem não é por nós é contra nós”;<br />
b) a pretensão de tudo modifi car ao arrepio de tudo e<br />
de to<strong>dos</strong> num monólogo de autori<strong>da</strong>de está, em democracia,<br />
condena<strong>da</strong> ao fracasso.<br />
E, permita-se-nos, <strong>da</strong>do o tom algo informal que a esta<br />
carta conferimos confessar-lhe que de alguma forma<br />
este “despropositado sequestro” teve alguns efeitos<br />
positivos.<br />
Permitiu-nos, por exemplo constatar que as situações<br />
de indisciplina não atingem apenas os professores mais<br />
novos, mais velhos, do sexo masculino, do feminino…<br />
Permitiu-nos perceber que a indisciplina não se restringe<br />
ao espaço aula…<br />
Permitiu-nos saber que as situações de insegurança<br />
(mormente os assaltos) não ocorrem apenas <strong>da</strong> parte<br />
de tarde…<br />
Permitiu-nos perceber que salas há (onde estamos<br />
“reuni<strong>dos</strong>” por exemplo) que atingem temperaturas<br />
incompatíveis com o normal concretizar de qualquer<br />
activi<strong>da</strong>de lectiva…<br />
Permitiu a alguns de nós perceber as angústias e an-
seios <strong>dos</strong> colegas que estão envolvi<strong>dos</strong> no concurso de<br />
professores…<br />
Permitiu-nos, nesta sequência, desejar que o Concurso<br />
decorra bem melhor este ano. Minimizar-se-ão estes<br />
Que privilégios?<br />
José Joaquim Araújo<br />
Carnaxide<br />
Sou professor desde 1985. Tirei uma licenciatura em<br />
Ensino que paguei com o meu trabalho. Tenho duas<br />
pós-graduações que paguei do meu bolso. Encontro-me<br />
(congelado) no 8º Escalão <strong>da</strong> Carreira Docente. Leccionei,<br />
durante o presente ano lectivo, as disciplinas de<br />
Língua Portuguesa, Francês, Ofi cina de Teatro (oferta<br />
<strong>da</strong> escola), Área de Projecto e Formação Cívica. Fui<br />
director de turma e responsável pela coordenação<br />
pe<strong>da</strong>gógica <strong>da</strong> Formação Cívica. Ponho do meu bolso<br />
muitas vezes para que alguns alunos possam participar<br />
nas activi<strong>da</strong>des (este ano, por exemplo, paguei os bilhetes<br />
a alunos numa visita de estudo ao Teatro Nacional<br />
D. Maria II).<br />
Moção<br />
Escola Secundária de Camões<br />
O comprometimento desta Assembleia de Escola com<br />
a “defesa <strong>da</strong> Escola pública de quali<strong>da</strong>de” obriga-nos<br />
a considerar inaceitável a forma como o Ministério<br />
<strong>da</strong> Educação tem agido durante o período de greve<br />
legalmente marca<strong>da</strong> pelos professores, quer através <strong>da</strong><br />
imposição de serviços mínimos, quer através de sucessivos<br />
despachos e declarações <strong>da</strong> Senhora Ministra e<br />
a <strong>Greve</strong><br />
ESCOLA INFORMAÇÂO<br />
nº 199 . jun./jul. 2005<br />
anseios e evitar-se-á o dispêndio adicional, ocorrido no<br />
ano passado (e cujo responsável se desconhece), de 10<br />
milhões de euros (foi este o montante encontrado pela<br />
inspecção não foi?)<br />
Trabalhei durante o feriado municipal (7 de Junho), no<br />
dia 9 até às 24 horas e no sábado, 11 de Junho, to<strong>da</strong> a<br />
manhã a montar uma exposição de to<strong>dos</strong> os trabalhos<br />
<strong>da</strong> Área de Projecto. Carreguei escadotes, expositores,<br />
subi e desci. Não meti um único atestado médico durante<br />
o ano. E vêm falar <strong>da</strong> porra <strong>dos</strong> privilégios. Recebi de<br />
vencimento, no mês de Maio, 1437,22 euros. Descontei<br />
para a Caixa Geral de Aposentações/Segurança Social<br />
201,41 euros e de IRS 433,00 euros. Privilégios? Troco<br />
já por uma outra profi ssão com o mesmo salário e que<br />
se f… os privilégios!<br />
Não vivo no luxo. Não passo férias no estrangeiro.<br />
Pago mensalmente à CGD a hipoteca de um T3, sem<br />
garagem e sem piscina. Pago mensalmente um Hon<strong>da</strong><br />
Jazz. Não tenho Audi, BMW, Mercedes, jipe, casa de<br />
férias. Que porra de privilégios?<br />
Venham <strong>da</strong>r aulas. Venham ver como se comporta a<br />
maioria <strong>dos</strong> alunos dentro e fora <strong>da</strong> sala de aulas!<br />
Venham ver a falta de autori<strong>da</strong>de, a falta de respeito,<br />
o enxovalho quase permanente! Com isto não está<br />
preocupado o Ministério <strong>da</strong> Educação, nem a Confap.<br />
Areia para os olhos!<br />
Sou professor, repito, não um malfeitor. Não sou comunista,<br />
não sou sindicalizado e vou aderir à greve<br />
porque estou farto <strong>da</strong> incompetência e <strong>da</strong> prepotência<br />
do ministério, <strong>da</strong> Confap e <strong>da</strong> opinião pública!<br />
(in “O Público”)<br />
<strong>dos</strong> Senhores Secretários de Estado, convocando to<strong>dos</strong><br />
os professores para o serviço de exames, intimi<strong>da</strong>ndo<br />
quer os professores que viessem a aderir à greve quer<br />
os órgãos de gestão (nomea<strong>da</strong>mente os Presidentes <strong>dos</strong><br />
Conselhos Executivos).<br />
A Assembleia responsabiliza também o Ministério pelas<br />
consequências <strong>da</strong> interrupção <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des lectivas<br />
no ensino nocturno e nos 10º e 11º anos do ensino<br />
diurno.<br />
A Assembleia <strong>da</strong> Escola Secundária de Camões, reuni<strong>da</strong><br />
no dia 22 de Junho de 2005, apela assim a to<strong>dos</strong><br />
os professores desta escola, a que reforcem os laços<br />
de soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>de mútua em defesa <strong>da</strong> sua digni<strong>da</strong>de<br />
enquanto professores.<br />
Aprova<strong>da</strong> por unanimi<strong>da</strong>de na reunião <strong>da</strong><br />
Assembleia de Escola do dia 22 de Junho de 2005<br />
17
17 de Junho Manifestação Naciona<br />
SPGL<br />
membro <strong>da</strong> FENPROF<br />
SINDICATO DOS PROFESSORES DA GRANDE LISBOA<br />
Sau<strong>da</strong>ção au<strong>da</strong>ção aos <strong>Professores</strong><br />
e Educadores<br />
A direcção do <strong>Sindicato</strong> <strong>dos</strong> <strong>Professores</strong> <strong>da</strong> <strong>Grande</strong> <strong>Lisboa</strong><br />
felicita os professores e educadores <strong>da</strong> área <strong>da</strong> DREL<br />
que, resistindo às miseráveis ameaças e intimi<strong>da</strong>ções a<br />
que foram sujeitos, aderiram na sua grande maioria à<br />
greve decreta<strong>da</strong> para 21 de Junho.<br />
As medi<strong>da</strong>s ilegais toma<strong>da</strong>s pelo Ministério <strong>da</strong> Educação<br />
e pelo Ministério do Trabalho, traduzi<strong>da</strong>s na imposição<br />
ilegal <strong>dos</strong> “serviços mínimos”, na ameaça de processos<br />
disciplinares, de faltas injustifi ca<strong>da</strong>s e na ordem aos<br />
conselhos executivos de substituição <strong>dos</strong> professores<br />
em greve que tivessem serviço de exame atribuído e aos<br />
secretaria<strong>dos</strong> de exame, se possibilitaram a realização<br />
<strong>dos</strong> exames, contra os quais os sindicatos <strong>da</strong> FENPROF<br />
e <strong>da</strong> FNE não decretaram greve, foram insufi cientes<br />
para amedrontar a maioria <strong>dos</strong> docentes.<br />
Os professores e educadores <strong>da</strong> área <strong>da</strong> DREL mostraram<br />
inequivocamente que estão contra os ataques à sua carreira<br />
e à sua digni<strong>da</strong>de pessoal e profi ssional desencadea<strong>dos</strong><br />
pelo Governo. Esta jorna<strong>da</strong> de luta, ao cimentar a<br />
uni<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> docentes, ajudou a criar as condições para<br />
prosseguir o combate pela quali<strong>da</strong>de <strong>da</strong> Escola, o que só<br />
é possível com o respeito devido aos professores – que<br />
o ME ofendeu sistematicamente<br />
A direcção do SPGL<br />
Muitos milhare<br />
sores, de to<br />
estiveram pr<br />
quela que m<br />
deraram a m<br />
festação de<br />
Administração Pública.<br />
A anteceder a semana <strong>da</strong>s greve<br />
<strong>dos</strong> professores e educadores,<br />
nossa revolta, juntamente com<br />
lhadores de to<strong>da</strong> a administraç<br />
contra o roubo do tempo de ser<br />
o congelamento <strong>da</strong>s progressõe<br />
agravamento <strong>da</strong>s condições de<br />
ção, contra a imposição e pela<br />
gociação.<br />
No meio de um mar de bande<br />
cartas assinale-se a alegria e<br />
cia que os professores souberam<br />
esta forma de luta.<br />
Dia Nacional de Luta
l <strong>da</strong> Administração Pública<br />
s de profesdo<br />
o país,<br />
esentes nauitosconsiaiormanisempre<br />
<strong>da</strong><br />
s regionais<br />
gritámos a<br />
os trabaão<br />
pública,<br />
viço, contra<br />
s, contra o<br />
aposentaefectivane-<br />
iras e panairreverênimprimir<br />
a<br />
promovido pela CGTP<br />
28 de Junho<br />
Quatorze iniciativas em todo o território nacional (sim..., também<br />
houve nos Açores e na Madeira e os Açores são território nacional,<br />
nós não temos dúvi<strong>da</strong>s quanto a isso) concretizaram esta jorna<strong>da</strong><br />
que em <strong>Lisboa</strong> teve o seu início na Praça do Município e se deslocou<br />
depois para a Assembleia <strong>da</strong> República de onde uma delegação<br />
foi entregar a moção entretanto aprova<strong>da</strong> à residência ofi cial<br />
do primeiro ministro. Em Santarém a concentração foi no Parque Sá <strong>da</strong> Bandeira<br />
e a deslocação foi para o Governo Civil. Em ambas as iniciativas os professores<br />
marcaram forte presença.<br />
Da moção aprova<strong>da</strong> nesta jorna<strong>da</strong> destacamos dois pontos:<br />
“Exigir uma ruptura com o actual modelo de desenvolvimento, o que passa por um<br />
corte com as políticas económicas e sociais erra<strong>da</strong>s que têm sido segui<strong>da</strong>s e que<br />
estão na origem <strong>da</strong> grave situação presente. (...) Manifestar disponibili<strong>da</strong>de para<br />
continuar a luta,(...) condição indispensável para garantir a defesa <strong>dos</strong> direitos<br />
e contribuir para viabilizar uma efectiva mu<strong>da</strong>nça de políticas que traga ao país<br />
progresso e justiça social”.<br />
JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 19
BARTOLOMEU VALENTE,<br />
Sócio nº 6893<br />
O PROBLEMA DO FISCO<br />
1<br />
Há uma solução fácil do problema <strong>da</strong> fuga e fraude<br />
fiscal: é colocar o país inteiro a controlar<br />
aquilo. Como? Com uma medi<strong>da</strong> que mobilize<br />
to<strong>dos</strong> os ci<strong>da</strong>dãos e simultaneamente seja facilmente<br />
exequível pelos serviços fiscais. Ora, há uma fórmula<br />
que corresponde a isto.<br />
Como sabemos, a fuga maior atinge 98% do sector <strong>dos</strong><br />
profissionais liberais (médicos, advoga<strong>dos</strong>, engenheiros,<br />
arquitectos, psicólogos…) e <strong>dos</strong> trabalhadores por<br />
conta própria (canalizadores, pedreiros, trolhas, electricistas,<br />
pintores, vendedores ambulantes, feirantes…)<br />
– um estrato social que hoje em maioria pertence, em<br />
termos económicos, à classe média alta ou alta (é normal,<br />
por exemplo, embora desconhecido do público,<br />
<strong>dos</strong> políticos e <strong>da</strong>s finanças, que um vendedor à entra<strong>da</strong><br />
dum estádio de futebol faça perto de 500 contos líqui<strong>dos</strong><br />
num único jogo – tivemos oportuni<strong>da</strong>de de conferi-lo<br />
e confirmá-lo com um deles, porque também nos<br />
custou a acreditar).<br />
Logo atrás destes figura, com 68% de não-pagantes,<br />
o leque <strong>dos</strong> industriais, comerciantes e prestadores de<br />
serviços.<br />
Para o primeiro sector, o fisco tem um recurso de controlo<br />
que há muitos anos utiliza sem dificul<strong>da</strong>de, embora<br />
com reduzi<strong>da</strong> eficácia: os “recibos verdes” que<br />
são levanta<strong>dos</strong> em ca<strong>da</strong> repartição de finanças, com registo<br />
<strong>da</strong> quanti<strong>da</strong>de de livros requeri<strong>dos</strong>, números <strong>dos</strong><br />
recibos e respectivo contribuinte. Qualquer medi<strong>da</strong> que<br />
leve à generalização disto não apresenta qualquer dificul<strong>da</strong>de<br />
técnica de execução por parte <strong>dos</strong> serviços, de<br />
há muito habitua<strong>dos</strong> a cumpri-lo, embora em pequena<br />
escala, até agora. Será só uma questão de quanti<strong>da</strong>de<br />
(leva a mais emprego: é bom!).<br />
Como vamos convencer to<strong>da</strong> a gente a passar recibos<br />
verdes?<br />
Através duma fórmula simples. Depois do cálculo do<br />
IRS/IRC, to<strong>dos</strong> os contribuintes terão direito a um desconto<br />
final, na contribuição, por exemplo do valor de<br />
1% do somatório total de recibos verdes que tiverem<br />
nesse ano, até a soma destes atingir 5000 euros, passando,<br />
a partir deste montante e por escalões de cinco<br />
mil em cinco mil euros, a reduzir-se o desconto por uma<br />
progressão geométrica de factor 2, a partir de 1 euro a<br />
menos para o total do segundo escalão (de cinco a dez<br />
mil euros de recibos).<br />
20. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />
Exemplificando:<br />
- Se o contribuinte juntou recibos verdes no total de<br />
2.500 euros, descontar-se-lhe-á no montante a pagar<br />
25 euros (1% do total);<br />
- Se juntou 5.000 euros de recibos, descontará 50 euros<br />
(igualmente 1%);<br />
- Se juntou 7.500 euros de recibos, descontará 75 euros<br />
menos a percentagem de redução correspondente<br />
a este segundo escalão, 50 cêntimos (se fossem 10.000<br />
euros, descontaria 1 euro; como 2.500 – o que excede<br />
os primeiros 5.000 – é metade do segundo escalão,<br />
implica também metade do desconto);<br />
- Se juntou 15.000 euros de recibos, desconta 150 menos<br />
2 euros (aplicação do factor 2 <strong>da</strong> progressão geométrica);<br />
- Se juntou 20.000 euros, desconta 200 menos 4 (progressão<br />
de factor 2);<br />
- Se forem 25.000, serão 250 menos 8 e assim sucessivamente.<br />
Com a aplicação <strong>da</strong> redução do benefício em progressão<br />
geométrica, a partir <strong>dos</strong> 35.000 euros de recibos<br />
verdes já não haverá lugar a desconto nenhum. A medi<strong>da</strong><br />
beneficiará to<strong>dos</strong> os rendimentos <strong>da</strong> classe baixa<br />
e média até à média alta e reduz-se gradualmente à<br />
medi<strong>da</strong> que se sobe no montante <strong>dos</strong> dispêndios que<br />
o contribuinte fez, o que é uma medi<strong>da</strong> de clara justiça<br />
redistributiva. Por outro lado, quem fizer despesas<br />
de montante superior é normal que se habitue tanto a<br />
requerer recibos verdes que não pare nunca mais, mesmo<br />
ultrapassando aquele tecto, até porque nem se <strong>da</strong>rá<br />
conta de quando tal ocorrerá.<br />
Aplicando esta medi<strong>da</strong>, a muito breve prazo to<strong>dos</strong> os<br />
profissionais liberais e por conta própria terão de enfrentar<br />
o dilema: ou passam recibos verdes ou perdem<br />
a clientela em benefício <strong>dos</strong> que os passarem, uma vez<br />
que to<strong>da</strong> a gente os vai querer para não ficar prejudica<strong>da</strong>.<br />
Concomitantemente, seria de estender a mesma medi<strong>da</strong><br />
a to<strong>dos</strong> os retalhistas industriais, comerciantes e prestadores<br />
de serviços: terão de passar recibos verdes aos<br />
clientes para estes poderem beneficiar <strong>da</strong>quele bónus.<br />
To<strong>dos</strong> os outros tipos de recibos só servirão para as funções<br />
actuais, não para aquele benefício específico de<br />
desconto. O mesmo dilema se lhes irá pôr, não tar<strong>da</strong>:<br />
ou os passam ou perdem a clientela para a concorrên-
cia que os passar. E na sequência, para não arrostarem<br />
sozinhos com todo o peso do IRC, terão de pedir sistematicamente<br />
recibos normais aos respectivos fornecedores,<br />
a montante deles. Por aqui controlar-se-á o sistema<br />
inteiro.<br />
Com isto aplicado sanar-se-á o maior cancro cívico <strong>da</strong><br />
nossa democracia, a fuga sistemática e generaliza<strong>da</strong><br />
<strong>dos</strong> mais abasta<strong>dos</strong> ao fisco. E deixa de haver o problema<br />
crónico do défice financeiro, bem como o <strong>da</strong> falta<br />
de recursos para o investimento público. É só as repartições<br />
de finanças alargarem eficientemente a aplicação<br />
do esquema já montado <strong>dos</strong> recibos verdes, com os<br />
respectivos registos na base de <strong>da</strong><strong>dos</strong> sempre actualiza<strong>dos</strong><br />
e acessíveis a partir de qualquer ponto <strong>da</strong> sua rede<br />
informática privativa. Depois é só fiscalizar e penalizar<br />
intransigentemente quem pise o risco (simulando perder<br />
livros, falsificando recibos, fabricando-os clandestinamente…).<br />
Se a rede informática <strong>da</strong>s Finanças estiver um caos,<br />
como recentemente os responsáveis referiram, então<br />
olhem que o Banco Santander (com to<strong>dos</strong> os lucros, tamanho<br />
e eficácia que tem), por exemplo, escolheu para<br />
reprogramar to<strong>da</strong> a sua rede a empresa portuguesa<br />
“Infosistema” e que, feito o trabalho, voltou a preferi-la,<br />
em concurso internacional, mesmo contra “monstros”<br />
multinacionais tão consagra<strong>dos</strong> como a Oni, para<br />
supervisionar e assistir to<strong>da</strong> a rede do Totta que adquiriu.<br />
Trata-se duma empresa portuguesa, é <strong>da</strong>s melhores<br />
do mundo e está aqui à mão de semear! Tanto quanto<br />
pude saber, nem sequer é cara… E se calhar nem é a<br />
única…<br />
Finalmente, o modelo “recibo verde” pode ser mais ou<br />
menos apelativo, bem como introduzir maiores ou menores<br />
benefícios fiscais (com a correspondente maior ou<br />
SANTANA CASTILHO,<br />
PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR<br />
CARTA ABERTA AO ENGº JOSÉ SÓCRATES<br />
Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras,<br />
motiva<strong>da</strong>s por um convite que formulou<br />
mas não honrou, ficaram descortesmente sem<br />
resposta. A forma escolhi<strong>da</strong> para a presente é obviamente<br />
retórica e assenta num direito que o Senhor<br />
ain<strong>da</strong> não eliminou: o de manifestar publicamente<br />
indignação perante a mentira e as opções injustas e<br />
erra<strong>da</strong>s <strong>da</strong> governação.<br />
menor justiça social), conforme se façam variar, quer a<br />
percentagem de desconto de parti<strong>da</strong> (basta subir de 1<br />
para 2%, para o montante saltar de 50 para 100 euros<br />
de desconto por escalão), quer o factor de redução <strong>da</strong><br />
progressão geométrica (se em vez de 2 for 1,5, por<br />
exemplo, prolongará o desconto muito para além do<br />
escalão <strong>dos</strong> 35.000 euros) ou o seu ponto de parti<strong>da</strong><br />
(se em lugar do segundo for o terceiro escalão, terminará<br />
o desconto igualmente um escalão depois, o <strong>dos</strong><br />
40.000 euros, e assim sucessivamente).<br />
2<br />
No que se reporta aos retalhistas, convém estender o<br />
“recibo verde” prioritária e urgentemente, desde já,<br />
àqueles que tendem a fugir ao fisco praticamente a<br />
100% e que são, pelos menos, os que se seguem.<br />
Na indústria, todo o sector <strong>da</strong> restauração e diversão<br />
nocturna: restaurantes, snack-bares, cafetarias, pastelarias,<br />
confeitarias, come-em-pé, comi<strong>da</strong> rápi<strong>da</strong>, boites,<br />
discotecas, <strong>da</strong>nceterias, bares…<br />
No comércio, todo o sector de ven<strong>da</strong> a retalho: super e<br />
hipermerca<strong>dos</strong>, lojas de centros e de zonas comerciais<br />
e lojas de bairro de todo o tipo de produtos…<br />
Nos serviços, todo o sector retalhista de viagens e turismo:<br />
as agências de viagens, os promotores individuais<br />
de viagens e passeios de turismo interno e internacional,<br />
as pousa<strong>da</strong>s, hotéis, residenciais, os empreendimentos<br />
de turismo rural, histórico e cultural…<br />
Se isto for feito, a economia paralela, na maior parte<br />
<strong>dos</strong> casos, fica encosta<strong>da</strong> à parede, a breve trecho,<br />
e em vez do problema fiscal acabaremos a na<strong>da</strong>r, se<br />
calhar, em dinheiro disponível para tudo, até para o<br />
investimento público hoje tão urgente.<br />
Portela, 11 de Março de 2005<br />
Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega<br />
à ideia, que ultimamente ganhou forma na socie<strong>da</strong>de<br />
portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos<br />
seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro<br />
<strong>da</strong>s contas do Estado e pelos malefícios <strong>da</strong> nossa<br />
economia. Sendo a administração pública a própria<br />
imagem do Estado junto do ci<strong>da</strong>dão comum, é quase<br />
masoquista o seu comportamento. Desminta, se pu-<br />
JUN./JUL..ESCOLA INFORMAÇÃO .21
der, o que passo a afirmar:<br />
1. Do Statistics in Focus nº 41/2004, produzido<br />
pelo departamento oficial de estatísticas <strong>da</strong> União<br />
Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os<br />
salários e benefícios sociais <strong>dos</strong> funcionários públicos<br />
é inferior à mesma despesa média <strong>dos</strong> restantes<br />
países <strong>da</strong> Zona Euro.<br />
2. Outra publicação <strong>da</strong> Comissão Europeia, L”Emploi<br />
en Europe 2003, permite comparar a percentagem<br />
<strong>dos</strong> emprega<strong>dos</strong> do Estado em relação à totali<strong>da</strong>de<br />
<strong>dos</strong> emprega<strong>dos</strong> de ca<strong>da</strong> país <strong>da</strong> Europa <strong>dos</strong> 12. E<br />
que vemos? Que em média, nessa Europa, 25,6 por<br />
cento <strong>dos</strong> emprega<strong>dos</strong> são emprega<strong>dos</strong> do Estado,<br />
enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas<br />
18 por cento. Ou seja, a mais baixa <strong>dos</strong> 12 países,<br />
com excepção <strong>da</strong> Espanha. As ricas Dinamarca<br />
e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e<br />
32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o<br />
peso <strong>da</strong> administração pública e o défice, como estaria<br />
o défice destes dois países?<br />
3. Um <strong>dos</strong> slogans mais usa<strong>dos</strong> é o do peso <strong>da</strong>s<br />
despesas de saúde. A insuspeita OCDE diz que na<br />
Europa <strong>dos</strong> 15 o gasto médio por habitante é de<br />
1458. Em Portugal esse gasto é... 758. To<strong>dos</strong> os restantes<br />
países, com excepção <strong>da</strong> Grécia, gastam mais<br />
que nós. A França 2730, a Áustria 2139, a Irlan<strong>da</strong><br />
1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc.<br />
Com o anterior não pretendo dizer que a administração<br />
pública é um poço de virtudes. Não é. Presta<br />
serviços que não justificam o dinheiro que consome.<br />
Particularmente na saúde, na educação e na justiça.<br />
É um santuário de burocracia, de ineficiência e de<br />
ineficácia. Mas, infelizmente para o país, os mesmos<br />
paradigmas são transferíveis para o sector privado.<br />
Donde a questão não reside no maniqueísmo em<br />
que o Senhor e o seu ministro <strong>da</strong>s Finanças caíram,<br />
lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo<br />
público. A questão reside em corrigir o que está<br />
mal, seja público, seja privado. A questão reside em<br />
fazer escolhas acerta<strong>da</strong>s. O Senhor optou pelas piores.<br />
De entre muitas razões que o espaço não permite,<br />
deixe-me que lhe aponte duas:<br />
1. Sobre o sistema de reformas <strong>dos</strong> funcionários públicos<br />
têm-se dito barbari<strong>da</strong>des. Como é sabido, a<br />
taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por<br />
cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75<br />
por cento pagos pelo patrão). Os funcionários públicos<br />
pagam os seus 11 por cento. Mas o seu patrão<br />
Estado não entrega mensalmente à Caixa Geral de<br />
Aposentações, como lhe competia e exige aos de-<br />
22. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />
mais empregadores, os seus 23,75 por cento. E é<br />
assim que as “transferências” orçamentais assumem<br />
perante a opinião pública não esclareci<strong>da</strong> o odioso<br />
de serem formas de sugar os dinheiros públicos. Por<br />
outro lado, to<strong>dos</strong> os funcionários públicos que entraram<br />
ao serviço em Setembro de 1993 já verão a sua<br />
reforma calcula<strong>da</strong> segundo os critérios aplica<strong>dos</strong><br />
aos restantes portugueses.<br />
Estamos a falar de quase metade <strong>dos</strong> activos. E o<br />
sistema estabilizará nessa base em pouco mais de<br />
uma déca<strong>da</strong>.<br />
Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido<br />
para artífice <strong>da</strong>s iniqui<strong>da</strong>des que subjazem à<br />
sua política o ministro Campos Cunha, que não teve<br />
pruri<strong>dos</strong> políticos, morais ou éticos por acumular aos<br />
seus 7000 euros de salário os 8000 de uma reforma<br />
consegui<strong>da</strong> com seis anos de serviço. E com a<br />
agravante de a obscena decisão legal que a suporta<br />
ter origem numa proposta de um colégio de que o<br />
próprio fazia parte.<br />
2. Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice<br />
e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que<br />
se passa na Europa. A Finlândia <strong>dos</strong> seus encantos<br />
baixou-os em quatro pontos percentuais, a Suécia<br />
em 3,3 e a Alemanha em 3,2. Porque não optou por<br />
cobrar os 3,2 mil milhões de euros que as empresas<br />
priva<strong>da</strong>s devem à segurança social? Porque não pôs<br />
em prática um plano para fazer an<strong>da</strong>r a execução<br />
<strong>da</strong>s dívi<strong>da</strong>s fiscais pendentes nos tribunais tributários<br />
e que somam 20.000 milhões de euros? Porque não<br />
actuou do lado <strong>dos</strong> benefícios fiscais, que em 2004<br />
significaram 1000 milhões de euros? Porque não modificou<br />
o quadro legal que permite aos bancos, que<br />
duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas<br />
13 por cento de impostos? Porque não revogou<br />
a famigera<strong>da</strong> Reserva Fiscal de Investimento e a iníqua<br />
lei que permitiu à PT Telecom não pagar impostos<br />
pelos prejuízos que teve... no Brasil, o que, por<br />
junto, representará cerca de 6500 milhões de euros<br />
de receita fiscal perdi<strong>da</strong>?<br />
A ver<strong>da</strong>de e a coragem foram atributos que Vossa<br />
Excelência invocou para se diferenciar <strong>dos</strong> seus<br />
opositores. Quando subiu os impostos, que perante<br />
milhões de portugueses garantiu que não subiria,<br />
ficámos to<strong>dos</strong> esclareci<strong>dos</strong> sobre a sua ver<strong>da</strong>de.<br />
Quando elegeu os desemprega<strong>dos</strong>, os reforma<strong>dos</strong><br />
e os funcionários públicos como principais instrumentos<br />
de combate ao défice, percebemos de que teor é<br />
a sua coragem.<br />
Texto publicado no “Público” de 25 de Junho.
Os 1300 horários <strong>dos</strong> dirigentes sindicais<br />
Qual é a ver<strong>da</strong>de?<br />
No ataque que o Governo decidiu fazer<br />
aos professores em geral e aos dirigentes<br />
sindicais em particular tem valido tudo.<br />
José Sócrates no debate de 24 de Junho na<br />
Assembleia <strong>da</strong> República até usou o número<br />
de horários atribuí<strong>dos</strong> aos dirigentes sindi-<br />
cais para acirrar os ânimos <strong>da</strong> população<br />
particularmente contra os sindicatos – 1300<br />
horários “pagos pelo Estado”.<br />
Sem dizer a quantos sindicatos se referia,<br />
o Primeiro Ministro usou o número <strong>dos</strong><br />
horários atribuí<strong>dos</strong> pelos sucessivos governos<br />
ao movimento sindical como se<br />
to<strong>dos</strong> os sindicatos fossem iguais, isto é,<br />
representassem o mesmo número de docentes<br />
ou como se to<strong>dos</strong> usassem o mesmo número<br />
de horários. Usou esse <strong>da</strong>do sabendo de antemão<br />
que tanto a FENPROF como a FNE – as duas federações<br />
mais visa<strong>da</strong>s nos ataques do Governo por<br />
causa <strong>da</strong>s greves que tinham terminado na véspera<br />
- já tinham <strong>da</strong>do acordo à proposta do Ministério <strong>da</strong><br />
Educação sobre o assunto. Esta não é uma atitude<br />
séria, torna-se necessário clarificar a situação.<br />
A ver<strong>da</strong>de é que, durante anos, sucessivos governos<br />
assistiram e em alguns casos até alimentaram a<br />
criação de sindicatos, atribuindo-lhes pacificamente<br />
horários para o exercício <strong>da</strong> activi<strong>da</strong>de sindical em<br />
função <strong>dos</strong> estatutos apresenta<strong>dos</strong> por ca<strong>da</strong> organização,<br />
e, julgamos nós, respeitando a lei. É assim<br />
que para além <strong>dos</strong> sindicatos que integram as<br />
duas federações de professores mais representativas<br />
– FENPROF e FNE – existem hoje mais 10 sindicatos<br />
nacionais.<br />
De acordo com a lei sindical geral, não é privilégio<br />
<strong>dos</strong> docentes, os dirigentes sindicais têm direito a<br />
faltar justifica<strong>da</strong>mente 4 dias por mês para o exercício<br />
<strong>da</strong> sua activi<strong>da</strong>de. Esses dias de falta justifica<strong>da</strong><br />
podem ser acumula<strong>dos</strong> e/ou, no caso <strong>dos</strong> professores,<br />
transforma<strong>dos</strong> em reduções totais ou parciais <strong>da</strong><br />
componente lectiva. É neste quadro que foram atribuí<strong>dos</strong><br />
pelo Ministério <strong>da</strong> Educação, aos dirigentes<br />
sindicais no ano 2004/2005, os tais 1327 horários<br />
(números do Ministério).<br />
Desse “gigantesco” número, no que aos sindicatos<br />
<strong>da</strong> FENPROF diz respeito, de acordo com os estatutos<br />
<strong>dos</strong> sindicatos membros e, no respeito pela lei<br />
sindical, embora represente cerca de metade <strong>dos</strong> do-<br />
JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 23
centes – no conjunto <strong>dos</strong> sindicatos a FENPROF tem<br />
cerca de 70 000 associa<strong>dos</strong> – foram atribuí<strong>dos</strong> 180<br />
horários dividi<strong>dos</strong> em reduções totais e reduções<br />
parciais <strong>da</strong> componente lectiva. Isto é, a FENPROF<br />
tem usado cerca de 13,6% <strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> horários<br />
atribuí<strong>dos</strong> pelo Ministério para o conjunto <strong>dos</strong><br />
sindicatos existentes.<br />
É óbvio que a proliferação de sindicatos não tem<br />
vantagem para os trabalhadores que representam,<br />
neste caso para os docentes. Não é por acaso que<br />
os governos têm sustentado o “sistema”. No quadro<br />
<strong>da</strong>s negociação é mais fácil ao poder apostar<br />
na divisão para impor as suas decisões. Consciente<br />
disso, a FENPROF tem vindo a exigir, sem êxito, a<br />
medição <strong>da</strong> representativi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s várias organizações<br />
sindicais através de eleições profi ssionais<br />
ou através de outro qualquer método a negociar.<br />
Também esta equipa não se mostrou sensível à questão<br />
apresenta<strong>da</strong> pela FENPROF na primeira reunião<br />
com a Ministra.<br />
Curiosamente, com critérios que se desconhecem,<br />
a actual Ministra <strong>da</strong> Educação propôs a redução<br />
Férias com Direitos<br />
No decorrer <strong>dos</strong> meses de Fevereiro e Março e antevendo as solicitações<br />
que em anos anteriores se verifi caram, editou o SPGL dois Salas <strong>Professores</strong><br />
esclarecendo to<strong>dos</strong> os docentes para os direitos e deveres em torno <strong>da</strong>s<br />
férias e <strong>da</strong>s interrupções lectivas consagra<strong>da</strong>s no Estatuto <strong>da</strong> Carreira<br />
Docente.<br />
Na reali<strong>da</strong>de este ano a classe docente demonstrou-se já mais esclareci<strong>da</strong>,<br />
aplicando a legislação em vigor, não deixando que os seus direitos fossem<br />
deturpa<strong>dos</strong> ou espezinha<strong>dos</strong>.<br />
No entanto ain<strong>da</strong> proliferaram alguns focos de ataque em torno desta<br />
temática <strong>da</strong>s férias, que mereceram acompanhamento sindical devido.<br />
De forma clara as situações foram regista<strong>da</strong>s e <strong>da</strong> sua caracterização<br />
resultou um ofício emitido pelo SPGL à DREL para que repusessem a<br />
legali<strong>da</strong>de através de esclarecimentos a to<strong>dos</strong> os órgãos de gestão. Os<br />
serviços responderam com um ofício, recentemente divulgado no nosso<br />
site, concor<strong>da</strong>ndo com os aspectos por nós retrata<strong>dos</strong> e solicitando a<br />
denúncia <strong>dos</strong> casos concretos onde foram cometi<strong>da</strong>s ilegali<strong>da</strong>des. Claro<br />
que o SPGL irá junto <strong>dos</strong> órgãos de gestão que criaram estes atropelos<br />
prestar os devi<strong>dos</strong> esclarecimentos para que estes reponham a legali<strong>da</strong>de<br />
face aos processos pendentes.<br />
No entanto cabe-nos relembrar que, apesar desta intervenção e <strong>dos</strong> nossos<br />
constantes esclarecimentos, muitos <strong>dos</strong> docentes deixaram-se ludibriar por<br />
motivos menos váli<strong>dos</strong> emiti<strong>dos</strong> pelos superiores hierárquicos alterando as<br />
suas intenções de férias e a forma como as iriam gozar. Estas práticas e<br />
atitudes originaram o isolamento <strong>da</strong>queles que até ao fi m defenderam os<br />
seus Direitos e que de forma Vitoriosa viram as suas intenções atendi<strong>da</strong>s.<br />
Mais uma vez se prova que não devemos nunca recuar nem deixar<br />
que nos isolem quando está em causa a defesa <strong>dos</strong> direitos expressos<br />
e salvaguar<strong>da</strong><strong>dos</strong> na legislação em vigor. É claro que “Depois de casa<br />
assalta<strong>da</strong> colocam-se trancas na porta” mas, o correcto seria que este ano<br />
já to<strong>dos</strong> tivessem colocado a sua tranca na defesa <strong>da</strong> porta que abria<br />
as férias. Pois estas, além de justas, permitem carregar energias para as<br />
novas lutas que se adivinham na defesa de direitos que são de to<strong>dos</strong>, e<br />
que a to<strong>dos</strong> cabe de forma séria e colectiva defender.<br />
24. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />
do número de horários atribuí<strong>dos</strong> ao conjunto <strong>da</strong>s<br />
organizações sindicais para 455 (450 para as já<br />
existentes e 5 para as organizações que se vierem a<br />
constituir), à FENPROF propôs a atribuição de 180<br />
horários (o mesmo número que tem). Neste quadro<br />
e porque estamos conscientes de que temos cumprido<br />
a lei, aceitámos o número proposto.<br />
Esta é a ver<strong>da</strong>de sobre o assunto lançado de forma<br />
leviana na Assembleia <strong>da</strong> República pelo Primeiro<br />
Ministro. Por muito que custe ao Primeiro Ministro e<br />
à Ministra <strong>da</strong> Educação, os dirigentes sindicais <strong>dos</strong><br />
professores, são professores. A maioria deles está<br />
na sua escola exercendo a sua activi<strong>da</strong>de docente.<br />
Os que, por características <strong>dos</strong> seus horários e/ou<br />
necessi<strong>da</strong>des de distribuição de responsabili<strong>da</strong>des<br />
não têm componente lectiva, trabalham de perto<br />
com os colegas que estão nas escolas. Conhecem<br />
a reali<strong>da</strong>de e sabem do que falam. A vitali<strong>da</strong>de do<br />
movimento sindical docente não foi construí<strong>da</strong> levianamente,<br />
não será portanto destruí<strong>da</strong> com boatos<br />
ou meias ver<strong>da</strong>des.<br />
Olimpía<strong>da</strong>s<br />
de Física 2005<br />
Realizaram-se no passado dia 25 de<br />
Junho, na Facul<strong>da</strong>de de Ciências <strong>da</strong><br />
Universi<strong>da</strong>de de <strong>Lisboa</strong>, as provas fi -<br />
nais <strong>da</strong>s Olimpía<strong>da</strong>s de Física 2005.<br />
No escalão A, correspondente aos alunos<br />
do 9º ano, foi vencedor uma equipa<br />
<strong>da</strong> Escola Secundária Ferreira Dias,<br />
constituí<strong>da</strong> por Catarina de Oliveira<br />
Pinho, Mariana Antunes Barros e<br />
Raquel Marisa Borges Azevedo.<br />
No escalão B, a que concorrem alunos<br />
do 11º ano, o vencedor foi o aluno<br />
André Filipe de França <strong>da</strong> Escola<br />
Secundária Emídio Navarro (Alma<strong>da</strong>).<br />
Esta competição, que a Socie<strong>da</strong>de<br />
Portuguesa de Física tem vindo a realizar<br />
to<strong>dos</strong> os anos desde 1985, tem tido<br />
o apoio fi nanceiro do Ministério <strong>da</strong><br />
Educação e do Ministério <strong>da</strong> Ciência<br />
e do Ensino Superior. Para além disso,<br />
esta iniciativa teve o patrocínio <strong>da</strong>s editoras<br />
Gradiva e Bizâncio e <strong>da</strong> Texas<br />
Instruments, empresas que desde há<br />
alguns anos apoiam as Olimpía<strong>da</strong>s de<br />
Física.
Inglês no 1º Ciclo<br />
Tínhamos lido no programa eleitoral<br />
do PS, no Programa de<br />
Governo, ain<strong>da</strong> antes já o tínhamos<br />
ouvido <strong>da</strong> boca do anterior<br />
primeiro-ministro.<br />
Confesso: tínhamos ficado curiosos.<br />
Da necessi<strong>da</strong>de de introdução de<br />
uma língua estrangeira no currículo<br />
do 1º ciclo, estamos conversa<strong>dos</strong>.<br />
Faz bem aos miú<strong>dos</strong>, desenvolve<br />
capaci<strong>da</strong>des cognitivas, os miú<strong>dos</strong><br />
aprendem a aprender línguas e<br />
esta é uma competência que não<br />
se pode desprezar, bem pelo contrário,<br />
o domínio de várias línguas<br />
é essencial para se construir a dimensão<br />
europeia <strong>da</strong> educação e<br />
muitas outras vantagens em que<br />
to<strong>dos</strong> estamos de acordo. Os pais<br />
já tinham percebido isto há muito<br />
tempo e já muitos miú<strong>dos</strong> a aprendem,<br />
em escolas particulares ou<br />
em aulas organiza<strong>da</strong>s pelos ATLs.<br />
No discurso de toma<strong>da</strong> de posse<br />
lá veio, como uma <strong>da</strong>s duas<br />
medi<strong>da</strong>s emblemáticas, o inglês<br />
no 1º ciclo.<br />
A língua estrangeira ficava reduzi<strong>da</strong> ao<br />
inglês. Podia ser outra, ou outras, talvez<br />
fosse melhor <strong>da</strong>r a possibili<strong>da</strong>de de escolha,<br />
mas compreendemos, o défice, a<br />
dificul<strong>da</strong>de de organização, a dificul<strong>da</strong>de<br />
de encontrar professores assim de um<br />
momento para o outro, o senhor primeiro<br />
até quer que seja já no próximo ano lectivo,<br />
enfim, aplaudimos.<br />
É desta, pensámos.<br />
Do inglês para to<strong>dos</strong> os miú<strong>dos</strong> do 1º<br />
ciclo, passou-se para os 3º e 4º anos.<br />
Compreendemos, evitava-se conflitos com<br />
a aprendizagem <strong>da</strong> língua portuguesa.<br />
Depois falou-se em 50%. Ficámos desconfia<strong>dos</strong>.<br />
Finalmente em 25%. 25% é que<br />
era. Seria gradual. Roma e Pavia não se<br />
fizeram num dia. Lá chegaríamos ao total,<br />
talvez no final <strong>da</strong> legislatura.<br />
Aí começámos a torcer o nariz.<br />
Então quando os miú<strong>dos</strong> chegassem ao<br />
2º ciclo, como seria? Uns tinham uma experiência<br />
de dois anos de inglês e os outros<br />
na<strong>da</strong>? Como é que seria possível?<br />
Já incrédulos, ouvimos ain<strong>da</strong> que não<br />
seria necessário gastar dinheiro. Como?<br />
Fazer omoletas sem ovos?<br />
E, de repente, levamos com um anúncio<br />
pago no jornal. Só então ficámos a saber:<br />
tinha havido um despacho <strong>da</strong> senhora ministra,<br />
havia um regulamento, enfim, tudo<br />
o que é necessário para poder conceder<br />
uns subsídios. A saber: aos municípios,<br />
às associações de professores, às associações<br />
de pais, aos institutos de línguas<br />
(ora aí está!), e a to<strong>da</strong>s as enti<strong>da</strong>des que<br />
reúnam os requisitos do tal regulamento,<br />
pois claro, sempre em parceria com os<br />
agrupamentos ou com as escolas não<br />
agrupa<strong>da</strong>s.<br />
Enfim, percebemos.<br />
Não se trata de alterar o currículo do 1º<br />
ciclo, sequer de criar complementos curriculares,<br />
mas de subsidiar, ponto final.<br />
Afinal sempre ia gastar dinheiro – 100€/<br />
ano/ aluno, a distribuir pelas tais instituições.<br />
Agora já não estamos de acordo. Falemos<br />
sério. Os miú<strong>dos</strong> do 1º ciclo mereciam<br />
mais respeito, mais serie<strong>da</strong>de de quem<br />
nos governa, afinal tudo não passou de<br />
um embuste.<br />
Preferiu-se a política-espectáculo à serie<strong>da</strong>de<br />
<strong>da</strong> introdução de uma língua estrangeira<br />
no 1º ciclo. Entre as várias soluções<br />
possíveis escolheu-se a do costume: subsidie-se!<br />
Publique-se!<br />
E, no entanto, outros caminhos eram possíveis.<br />
Começar pela formação inicial <strong>dos</strong><br />
professores, continuando com o currículo<br />
integrado neste ciclo, ou até mobilizando<br />
professores de inglês <strong>dos</strong> outros ciclos,<br />
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 11<br />
BÁSICO 2,3<br />
SECUNDÁRIO<br />
ESPECIAL<br />
PARTICULAR<br />
E COOPERATIVO<br />
IPSS’s<br />
SUPERIOR/<br />
INVESTIGAÇÃO<br />
SECTORES<br />
JUN./JUL. 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .25
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 1<br />
BÁSICO 2,3<br />
SECUNDÁRIO<br />
ESPECIAL<br />
PARTICULAR<br />
E COOPERATIVO<br />
IPSS’s<br />
SUPERIOR /<br />
INVESTIGAÇÃO<br />
SECTORES<br />
26. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />
ou as duas soluções de forma articula<strong>da</strong>.<br />
Outros caminhos eram, são, possíveis.<br />
E agora?<br />
Não vamos repetir chavões do passado,<br />
do tipo: temos de estar atentos e vigilantes<br />
ou vamos erguer uma barreira a<br />
estas medi<strong>da</strong>s injustas e profun<strong>da</strong>mente<br />
iníquas (era assim que terminavam os comunica<strong>dos</strong><br />
que anunciavam a derrota).<br />
Agora resta-nos uma atitude activa, em<br />
primeiro lugar de esclarecimento e de<br />
denúncia e em segundo lugar de proposição<br />
de alternativas concretas. À política<br />
do subsídio e <strong>da</strong> transferência de recursos<br />
para o sector privado temos de contrapor<br />
a responsabilização <strong>da</strong>s escolas e<br />
<strong>dos</strong> agrupamentos de forma a só viabilizarem<br />
projectos sérios, com raízes nas<br />
escolas. As parcerias são obrigatórias?<br />
Tornemo-las um instrumento de exigência<br />
de serie<strong>da</strong>de.<br />
E não vamos desistir de exigir que o inglês<br />
seja de facto para to<strong>da</strong>s as crianças,<br />
isto é, que seja integrado no currículo do<br />
1º ciclo do ensino básico, tal como de há<br />
muito reivindicamos e consta de inúmeros<br />
documentos <strong>da</strong> FENPROF sobre esta<br />
matéria.<br />
Ensino Particular e Cooperativo<br />
Revisão do CCT<br />
A AEEP – Associação <strong>dos</strong><br />
Estabelecimentos de Ensino Particular<br />
e Cooperativo apresentou<br />
uma proposta de revisão<br />
do CCT em vigor que aumenta<br />
significativamente os deveres e<br />
reduz os direitos <strong>dos</strong> docentes.<br />
Esta proposta surge num momento<br />
em que ain<strong>da</strong> se coloca<br />
a necessi<strong>da</strong>de de equiparar as<br />
condições de trabalho, de carreira<br />
e de remunerações <strong>dos</strong><br />
professores e educadores de<br />
infância do ensino particular e<br />
cooperativo às <strong>dos</strong> seus colegas<br />
do ensino público.<br />
Em 2003 a AEEP impôs a redução<br />
nominal <strong>da</strong> remuneração <strong>dos</strong> novos<br />
docentes a ingressar na profissão.<br />
Em 2005 a AEEP propõe o aumento do<br />
horário de trabalho de to<strong>dos</strong> os docentes<br />
Como é de norma vamos terminar com<br />
um chavão: Só é derrotado quem desiste<br />
de lutar! Nós não desistimos, nesta como<br />
em to<strong>da</strong>s as matérias que estão em cima<br />
<strong>da</strong> mesa.<br />
PS (post scriptum) Enquanto escrevemos<br />
este texto somos literalmente bombardea<strong>dos</strong><br />
com perguntas sobre as anuncia<strong>da</strong>s<br />
alterações <strong>da</strong>s condições para a aposentação<br />
e do artº 121 do ECD (ano <strong>da</strong><br />
aposentação). A este respeito reafirmamos<br />
o que escrevemos atrás: não desistiremos<br />
de lutar. É necessário no entanto<br />
recor<strong>da</strong>r que as condições para a aposentação<br />
<strong>dos</strong> educadores de infância e<br />
<strong>dos</strong> professores do 1º ciclo constam do<br />
Estatuto e que por isso a margem de negociação<br />
é maior que para a generali<strong>da</strong>de<br />
<strong>dos</strong> professores. Aliás o Ministério <strong>da</strong><br />
Educação já indicou que em Novembro<br />
apresentaria para negociação (esperemos<br />
que séria) uma proposta relativa a<br />
esta matéria. No próximo número desta<br />
revista voltaremos com mais pormenor (e<br />
esperemos já com uma proposta negocial)<br />
a este assunto.<br />
sem qualquer aumento de remuneração<br />
– nem sequer uma actualização igual à<br />
taxa de inflação – e mesmo, uma redução<br />
do montante <strong>dos</strong> Subsídios de Férias<br />
e de Natal.<br />
A AEEP pretende definir o horário normal<br />
de trabalho <strong>dos</strong> trabalhadores com<br />
funções docentes em 35 horas semanais<br />
e integrando duas componentes: componente<br />
lectiva e componente não lectiva.<br />
A componente lectiva mantém-se igual à<br />
actual: 25 horas lectivas semanais para<br />
os educadores de infância e professores<br />
do 1º ciclo do ensino básico, 22 a 25 horas<br />
semanais para os professores <strong>dos</strong> 2º<br />
e 3º ciclos do ensino básico e secundário<br />
e 22 horas semanais para os professores<br />
e educadores de infância de educação e<br />
ensino especial.<br />
A diferença para as 35 horas semanais<br />
faz parte <strong>da</strong> componente não lectiva que<br />
abrange a realização de trabalho a nível<br />
individual e a prestação de trabalho a nível<br />
do estabelecimento de ensino.<br />
O trabalho a nível individual pode com
preender, entre outras, as seguintes funções:<br />
a) Preparação de aulas e avaliação do<br />
processo de ensino-aprendizagem;<br />
b) Elaboração de estu<strong>dos</strong> e de trabalhos<br />
de investigação de natureza pe<strong>da</strong>gógica<br />
ou científico-pe<strong>da</strong>gógica de interesse<br />
para o estabelecimento de ensino.<br />
O trabalho a nível do estabelecimento<br />
de ensino inclui quaisquer trabalhos ou<br />
activi<strong>da</strong>des indica<strong>da</strong>s pelo estabelecimento<br />
de ensino com o objectivo de contribuir<br />
para a concretização do projecto<br />
educativo, tais como:<br />
a) Activi<strong>da</strong>des de complemento curricular<br />
que visem promover o enriquecimento<br />
cultural <strong>da</strong> comuni<strong>da</strong>de escolar;<br />
b) Apoio pe<strong>da</strong>gógico e complementos<br />
educativos;<br />
c) Activi<strong>da</strong>des de informação e orientação<br />
educacional <strong>dos</strong> alunos;<br />
d) Activi<strong>da</strong>des de coordenação pe<strong>da</strong>gógica;<br />
e) Reuniões com encarrega<strong>dos</strong> de educação;<br />
f) Reuniões, colóquios ou conferências<br />
que tenham a aprovação do estabelecimento<br />
de ensino;<br />
g) Acções de formação aprova<strong>da</strong>s pela<br />
Direcção do estabelecimento de ensino;<br />
h) Realização de activi<strong>da</strong>des lectivas e/<br />
ou educativas, de acompanhamento de<br />
alunos, destina<strong>da</strong>s a suprir a ausência de<br />
curta duração do respectivo docente;<br />
i) To<strong>da</strong>s as activi<strong>da</strong>des que, no entendimento<br />
<strong>da</strong> Direcção do estabelecimento<br />
de ensino, possam contribuir para a promoção<br />
do sucesso escolar.<br />
Da leitura atenta <strong>dos</strong> itens anteriores verifica-se<br />
que alguns deles fazem parte <strong>da</strong><br />
componente lectiva como é o caso <strong>da</strong>s<br />
alíneas b) e h) e outros têm uma re<strong>da</strong>cção<br />
de tal forma abrangente que tudo<br />
seria lícito exigir aos docentes.<br />
Por outro lado as enti<strong>da</strong>des patronais ficariam<br />
com to<strong>da</strong> a liber<strong>da</strong>de para definir<br />
a duração <strong>da</strong> componente não lectiva a<br />
realizar no estabelecimento de ensino. O<br />
docente teria que trabalhar para lá <strong>da</strong>s<br />
35 horas semanais para cumprir a sua<br />
principal função que não pode deixar de<br />
fazer: preparação <strong>da</strong>s aulas e avaliação<br />
do processo ensino-aprendizagem.<br />
Desta forma o horário semanal de trabalho<br />
<strong>dos</strong> docentes seria significativamente<br />
aumentado passando a ser superior a 35<br />
horas semanais sem que fossem pagas as<br />
correspondentes horas extraordinárias.<br />
A FENPROF irá propor que a componente<br />
não lectiva a nível do estabelecimento<br />
seja limita<strong>da</strong> em tempo e as activi<strong>da</strong>des<br />
claramente lectivas como de complemento<br />
curricular e substituição de docentes<br />
devem estar incluí<strong>dos</strong> na componente<br />
lectiva.<br />
A AEEP propõe que o C.C.T. consagre a<br />
possibili<strong>da</strong>de de unilateralmente alterar<br />
um contrato de trabalho a tempo completo<br />
em contrato de trabalho a tempo<br />
parcial e, mesmo extinguir o posto de<br />
trabalho.<br />
A FENPROF não pode aceitar esta proposta<br />
<strong>da</strong> AEEP porque atenta contra os<br />
direitos <strong>dos</strong> docentes fazendo recair sobre<br />
eles to<strong>dos</strong> os custos decorrentes de<br />
eventual má gestão <strong>da</strong>s enti<strong>da</strong>des patronais<br />
ou de decisões toma<strong>da</strong>s por terceiros.<br />
A FENPROF irá defender que se<br />
mantenha o actual texto que consagra o<br />
direito a manter no ano lectivo seguinte<br />
as mesmas horas lectivas lecciona<strong>da</strong>s<br />
no ano anterior até ao limite de horário<br />
completo.<br />
Por outro lado a AEEP propõe a redução<br />
<strong>dos</strong> Subsídios de Férias e de Natal ao<br />
considerar para o seu cálculo apenas a<br />
retribuição base e as diuturni<strong>da</strong>des correspondente<br />
ao período de férias mínimo<br />
a que têm direito, não considerando<br />
outras retribuições a que teria direito se<br />
se encontrasse em serviço efectivo. Por<br />
exemplo, um professor com um horário<br />
lectivo superior a 22 horas semanais<br />
tem direito a uma retribuição mensal de<br />
acordo com o número de horas lectivas<br />
constantes no seu horário lectivo semanal<br />
e o subsídio de férias seria calculado<br />
na base de um horário de 22 horas lectivas<br />
semanais.<br />
A AEEP, para além de não propor nenhum<br />
aumento salarial ain<strong>da</strong> vem reduzir<br />
as remunerações e outros direitos.<br />
Finalmente a AEEP propõe a introdução<br />
<strong>da</strong> avaliação do desempenho a realizar<br />
anualmente com consequências na contagem<br />
de tempo de serviço para efeitos<br />
de progressão na carreira. No caso de<br />
uma avaliação negativa esse ano não é<br />
contado para efeitos de progressão na<br />
carreira. A decisão sobre a sua contagem<br />
é <strong>da</strong> enti<strong>da</strong>de patronal havendo<br />
possibili<strong>da</strong>de de recurso para uma comissão<br />
arbitral.<br />
Em conclusão a proposta <strong>da</strong> AEEP aumenta<br />
os deveres e retira direitos fragilizando<br />
ain<strong>da</strong> mais a posição do docente<br />
no estabelecimento de ensino ao introduzir<br />
a avaliação de desempenho.<br />
A FENPROF irá procurar intervir no sentido<br />
de alterar o balanço entre os direitos<br />
e deveres procurando manter o equilíbrio<br />
actualmente existente. Em relação<br />
à avaliação do desempenho irá fazer<br />
propostas para que ela não depen<strong>da</strong> <strong>da</strong><br />
enti<strong>da</strong>de patronal mas apenas de uma<br />
avaliação justa e independente do trabalho<br />
desenvolvido pelo docente com os<br />
seus alunos e com a comuni<strong>da</strong>de escolar<br />
na prossecução <strong>dos</strong> objectivos previstos<br />
no projecto educativo <strong>da</strong> escola.<br />
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 1<br />
BÁSICO 2,3<br />
SECUNDÁRIO<br />
ESPECIAL<br />
PARTICULAR<br />
E COOPERATIVO<br />
IPSS’s<br />
SUPERIOR/<br />
INVESTIGAÇÃO<br />
SECTORES<br />
JUN./JUL. 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .27
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 1<br />
BÁSICO 2,3<br />
SECUNDÁRIO<br />
ESPECIAL<br />
PARTICULAR<br />
E COOPERATIVO<br />
IPSS’s<br />
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INVESTIGAÇÃO<br />
SECTORES<br />
28. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />
Educação Especial<br />
desafios de Futuro<br />
No dia 6 de Junho realizou-se no<br />
Hotel Roma, durante todo o dia,<br />
o encontro «Educação Especial,<br />
Desafios de Futuro» promovido<br />
pelo sector de Educação Especial<br />
do SPGL.<br />
Com este encontro o sector de<br />
Educação Especial pretendeu<br />
que, de forma complementar,<br />
se atingissem dois objectivos:<br />
se partilhassem experiências de trabalho<br />
em rede com outras instituições e se reflectisse<br />
sobre os desafios que nos são coloca<strong>dos</strong><br />
como profissionais de Educação<br />
Especial/Apoios Educativos.<br />
Desta forma, de manhã esteve presente o<br />
Centro de Saúde do Concelho de Loures<br />
que após explicitar o trabalho desenvolvido,<br />
na área <strong>da</strong> Intervenção Precoce, o<br />
avaliou, sendo de realçar a importância<br />
<strong>da</strong>s redes que se estabelecem com outras<br />
instituições, <strong>da</strong>do que foi assumido<br />
que os resulta<strong>dos</strong> eram menos positivos<br />
na freguesia de Sacavém, de certa forma<br />
devido às dificul<strong>da</strong>des de articulação<br />
com outro hospital central.<br />
As convi<strong>da</strong><strong>da</strong>s <strong>da</strong> Cerci <strong>dos</strong> concelhos<br />
Moita e Barreiro não puderam estar<br />
presentes devido à necessi<strong>da</strong>de de comparecerem<br />
em Tribunal de Menores e<br />
Família, porém enviaram o resumo <strong>da</strong><br />
sua apresentação. Fun<strong>da</strong>menta-se o trabalho<br />
desenvolvido numa “saí<strong>da</strong>” <strong>da</strong><br />
instituição e numa procura de parcerias<br />
com os estabelecimentos de ensino e com<br />
os Centros de Saúde bem como com o<br />
Hospital Distrital do Barreiro. Beneficiam<br />
os estabelecimentos de ensino, <strong>da</strong>do que<br />
dispõem de técnicos como terapeutas<br />
ocupacionais e de fala bem como de psicólogos<br />
e auxiliares de acção educativa,<br />
beneficiam os alunos porque se procura<br />
atingir a inclusão.<br />
Ain<strong>da</strong> <strong>da</strong> parte <strong>da</strong> manhã, Maria Helena<br />
Dias, representante <strong>da</strong> Federação<br />
Regional de Associações de Pais de<br />
<strong>Lisboa</strong>, baseou a sua intervenção com a<br />
perspectiva <strong>dos</strong> encarrega<strong>dos</strong> de educação,<br />
salientando-se a informação de que<br />
os pais e encarrega<strong>dos</strong> de educação valorizam<br />
a inclusão e, também eles, estão<br />
conscientes <strong>da</strong> falta de meios que temos<br />
no nosso quotidiano.<br />
De tarde, a Doutora Leonor Moniz Pereira<br />
e o Doutor David Rodrigues trouxeram à<br />
reflexão temas aparentemente diferentes<br />
mas que, de igual forma, se complementaram.<br />
A Doutora Leonor Moniz Pereira<br />
mencionou a necessi<strong>da</strong>de de clarificarmos<br />
os conceitos de Educação Especial<br />
e, perante estes, elaborarmos o nosso<br />
discurso. Quantas vezes argumentamos<br />
com conceitos pe<strong>da</strong>gógicos num diálogo<br />
de sur<strong>dos</strong>, numa desconversa, porque<br />
o interlocutor baseia o seu discurso<br />
em conceitos clínicos!... O Doutor David<br />
Rodrigues falou-nos <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de de<br />
criar ambientes inclusivos em to<strong>dos</strong> os estabelecimentos<br />
de ensino. Estes ambientes<br />
inclusivos só poderão surgir na escola<br />
regular, através <strong>da</strong> criação de códigos de<br />
práticas inclusivas, que perdurem e “resistam”<br />
a mobili<strong>da</strong>de anual <strong>dos</strong> docentes.<br />
De igual forma, falou-nos <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de<br />
de nos afirmarmos como pe<strong>da</strong>gogos no<br />
trabalho com outros técnicos a que denominou<br />
de “parape<strong>da</strong>gogos”.<br />
Este encontro saldou-se por um dia de<br />
debates participa<strong>dos</strong>, de intervenções focaliza<strong>da</strong>s<br />
nas angústias com que diariamente<br />
somos confronta<strong>dos</strong> no exercício<br />
profissional como docentes de Educação<br />
Especial/Apoios Educativos, na solidão<br />
<strong>da</strong> nossa toma<strong>da</strong> de decisões pe<strong>da</strong>gógicas<br />
para aquele aluno a quem temos que<br />
perspectivar o Futuro como ci<strong>da</strong>dão de<br />
pleno direito, por soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>des no quotidiano<br />
docente e por partilhas de posturas<br />
pe<strong>da</strong>gógicas.<br />
Para o sector de Educação Especial do<br />
SPGL foi gratificante termos atingido os<br />
objectivos a que nos propusemos, conscientes<br />
de que nunca o conseguiríamos<br />
sem a resposta <strong>da</strong><strong>da</strong> pelos sócios e não<br />
sócios a esta iniciativa. Pelo sonho é que<br />
vamos, por ele continuaremos, com to<strong>dos</strong>,<br />
na procura <strong>da</strong> efectiva inclusão.
Conferência em <strong>Lisboa</strong><br />
«Ensino Superior, Défices<br />
e Reformas»<br />
«Ensino Super ior, Déf ices e<br />
Reformas» foi o lema <strong>da</strong> iniciativa<br />
realizado no passado dia 27 de<br />
Junho pelo departamento do Ensino<br />
Superior do SPGL na Facul<strong>da</strong>de de<br />
Letras <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de de <strong>Lisboa</strong>. O<br />
evento reuniu docentes e sindicalistas<br />
para um debate em torno <strong>da</strong>s<br />
recentes medi<strong>da</strong>s governamentais<br />
e <strong>da</strong>s estratégias para o ensino<br />
superior e o desenvolvimento do<br />
país.<br />
A<br />
oportuni<strong>da</strong>de e pertinência<br />
<strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s anuncia<strong>da</strong>s pelo<br />
governo quanto ao equilíbrio<br />
<strong>da</strong>s contas públicas e à reforma<br />
do Estado; o desenvolvimento sustentável<br />
do País, a coesão social e os desafios <strong>da</strong><br />
globalização económica; e a relevância<br />
<strong>da</strong> função social do ensino superior foram<br />
temas em foco, no evento realizado<br />
pelo SPGL. Moderado por João Cunha<br />
Serra, docente do IST e coordenador <strong>dos</strong><br />
Departamentos do Ensino Superior <strong>da</strong><br />
FENPROF e do SPGL, o debate contou<br />
com os oradores André Freire, do ISCTE,<br />
António Mendonça, do ISEG, e José<br />
Tribolet, do IST.<br />
A distribuição <strong>dos</strong> sacrifícios exigi<strong>dos</strong><br />
pelas medi<strong>da</strong>s recentemente impostas é<br />
desigual, analisou André Freire, referindo<br />
medi<strong>da</strong>s como o aumento do IVA, ou<br />
não-medi<strong>da</strong>s como o adiamento do<br />
fim do sigilo bancário e a falta de<br />
aposta no combate à evasão fiscal. Em<br />
conclusão reforçou que é necessária uma<br />
nova estratégia para o desenvolvimento<br />
económico e para o ensino superior que<br />
passa por mais investimento na formação<br />
e investigação.<br />
A desigual<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> sacrifícios foi também<br />
referi<strong>da</strong> por António Mendonça que<br />
considerou que ao nível <strong>da</strong>s empresas se<br />
poderia ter ido mais além, e chamou a<br />
atenção para o facto do sector financeiro<br />
ser o único que aumenta grandemente<br />
os seus lucros e não produz riqueza nem<br />
aposta actualmente no desenvolvimento<br />
do sector produtivo, alimentando antes<br />
e sobretudo a especulação imobiliária,<br />
com ganhos mais seguros. Para o docente<br />
do ISEG há uma crise de estratégia e de<br />
liderança e um triplo desafio a enfrentar<br />
pelo nosso país: de centrali<strong>da</strong>de, uma<br />
vez que o jogo económico será ca<strong>da</strong> vez<br />
mais global e Portugal pode investir numa<br />
articulação preferencial com países de<br />
África e <strong>da</strong> América; de escala, já que<br />
a nossa é uma economia pequena; e de<br />
especifici<strong>da</strong>de, referindo que é necessário<br />
encontrar as características específicas do<br />
nosso país a desenvolver.<br />
Uma mu<strong>da</strong>nça de atitude que passa por<br />
uma outra educação, pela ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia,<br />
honesti<strong>da</strong>de e que premeie o valor, foram<br />
aspectos destaca<strong>dos</strong> por José Tribolet<br />
para o problema de fundo de uma crise<br />
que se arrasta. Para o docente do IST é<br />
a própria socie<strong>da</strong>de que tem de mu<strong>da</strong>r e<br />
o ensino superior tem que criar ci<strong>da</strong>dãos,<br />
exercendo a investigação e inovação no<br />
terreno, através <strong>da</strong> prática.<br />
No debate, João Faria, no público,<br />
questionou a privatização <strong>dos</strong> sectores<br />
e o e m a g r e c i m e n t o d o E s t a d o ,<br />
justificado pela necessi<strong>da</strong>de de reduzir<br />
o défice, poder revelar-se uma forma<br />
de desresponsabilização do Estado,<br />
recor<strong>da</strong>ndo que as propinas tinham como<br />
inicial destino referido bolsas, residências<br />
e melhoria <strong>da</strong>s condições e agora servem<br />
para contas correntes. António Costa<br />
considerou que a mentira orçamental<br />
impera. Cravinho realçou que o objectivo<br />
não assumido <strong>da</strong>s propinas é privatizar<br />
o ensino superior e que há um problema<br />
de financiamento que põe em causa os<br />
planos plurianuais. Bolonha, o modelo<br />
3+2 e o seu financiamento, a formação<br />
de quadros médios, o desemprego e o<br />
futuro <strong>dos</strong> doutora<strong>dos</strong>, e o próprio estatuto<br />
<strong>da</strong> carreira docente foram também temas<br />
em cima <strong>da</strong> mesa, num debate em que<br />
se concordou que, conforme referiu João<br />
Cunha Serra, «o conhecimento é essencial<br />
para a competitivi<strong>da</strong>de», e que a aposta<br />
na investigação e formação são essenciais<br />
numa nova estratégia para o país.<br />
PRÉ-ESCOLAR<br />
BÁSICO 1<br />
BÁSICO 2,3<br />
SECUNDÁRIO<br />
ESPECIAL<br />
PARTICULAR<br />
E COOPERATIVO<br />
IPSS’s<br />
SUPERIOR/<br />
INVESTIGAÇÃO<br />
SECTORES<br />
JUN./JUL. 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .29
A FOLHA ÍMPAR é uma novi<strong>da</strong>de<br />
aqui no EI. Apesar de já ir no nº 47. Este<br />
jornal <strong>da</strong> Secundária de Mem Martins<br />
é “de peso”: 48 páginas e uma densi<strong>da</strong>de<br />
de texto que obriga a um esforçozinho<br />
de leitura. O que mais me atraiu<br />
foi o “lembro-me <strong>da</strong> Escola” – duas<br />
páginas em que três antigos alunos<br />
<strong>da</strong> Sec. Mem Martins confessam que<br />
gostaram de aí an<strong>da</strong>r, que têm boas e<br />
positivas recor<strong>da</strong>ções <strong>da</strong> sua passagem<br />
por esta Escola. Numa altura em que<br />
tanto se insultam os professores, sabe<br />
bem ler depoimentos destes! Um outro<br />
tipo de memórias é o que nos oferece<br />
o prof. Sérgio Luis de Carvalho. Em<br />
boa hora se lembrou de nos apresentar<br />
os seus “gatos”. Não consigo dizer se<br />
preferi o revolucionário anarquista ou<br />
o bravo sol<strong>da</strong>do a descascar batatas.<br />
Mas gostei mesmo do final do “Gato<br />
Rufia”: mesmo os rufias precisam de<br />
um colo que os acoite. Mas não só de<br />
gatos reza este jornal – também o cão<br />
Óscar tem nele a sua crónica: pela voz<br />
do cão, a Néli<strong>da</strong> dʼOliveira, o Nuno<br />
Santos e a Van<strong>da</strong> Pessoa lá vão dizendo<br />
“<strong>da</strong>s suas” sobre as aulas – que<br />
grande secas -, <strong>dos</strong> colegas – sempre<br />
a gozar com os mais fracos – e com os<br />
que “levam vi<strong>da</strong>s de cão vadio” – para<br />
eles ficou uma palavra de esperança.<br />
A Educação sexual na escola merece<br />
uma página <strong>da</strong> responsabili<strong>da</strong>de, pelos<br />
vistos, do 7º. E é bom que assim seja,<br />
que se preparem para uma <strong>da</strong>s facetas<br />
mais importantes na construção <strong>da</strong><br />
nossa felici<strong>da</strong>de e cuja má resolução<br />
causa sempre problemas profun<strong>dos</strong>. É<br />
ver<strong>da</strong>de que ain<strong>da</strong> há para aí quem<br />
prefira meter a cabeça na areia. São<br />
tolos – precisam <strong>da</strong> vossa aju<strong>da</strong>! Não<br />
posso deixar de man<strong>da</strong>r um abraço<br />
muito especial para a Raquel Lopes, do<br />
12º 4TC. A coragem de reconhecer que<br />
passa os sába<strong>dos</strong> a trabalhar – 13 horas<br />
– merece um aplauso especial. Deve<br />
ser uma mulher de fibra! Uma última<br />
30. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005<br />
nota para a montra de Livros, Música,<br />
Cinema, Teatro e Televisão – uma rubrica<br />
a atestar a capaci<strong>da</strong>de de diálogo<br />
com a reali<strong>da</strong>de extra-escolar, o que é<br />
um sinal de grande maturi<strong>da</strong>de.<br />
A mais que centenária “Voz do<br />
Operário” publica um jornal com o<br />
mesmo nome. Não é um jornal escolar,<br />
mas este número de Maio merece uma<br />
referência: inclui o “Cancioneiro” todo<br />
ele dedicado à Marcha Infantil com<br />
que a escola participa, já há largos<br />
anos, nas festas populares de <strong>Lisboa</strong>.<br />
Parabéns.<br />
A Saúde e a Alimentação é o grande<br />
tema do JANELA ABERTA de<br />
Junho. Este simpático jornal <strong>da</strong> EB1<br />
Maria Máxima Vaz (Odivelas) dedica<br />
várias <strong>da</strong>s suas páginas à questão de<br />
bem comer. Na<strong>da</strong> mais oportuno quando<br />
se regista que as crianças – não só<br />
as portuguesas – estão ca<strong>da</strong> vez mais<br />
obesas. O 25 de Abril merece também<br />
uma notícia a cargo do 4º ano-Sala5-<br />
Manhã. E para que conste: os meninos<br />
desta escola continuam a gravar discos.<br />
São artistas. Por enquanto, de “palmo<br />
e meio”. No futuro, quem sabe, de discos<br />
de platina!<br />
O TOJALINHO <strong>da</strong> EB1 nº 4 de<br />
Agualva e JI Quita Nova do Tojal já<br />
leva 36 números publica<strong>dos</strong>. Já ganhou<br />
raízes. Neste número destaca-se<br />
a construção <strong>dos</strong> “Espantalhos” – 2º<br />
ano D, sala 4 Tarde - e a participação<br />
<strong>da</strong> escola e <strong>dos</strong> alunos <strong>da</strong> “Pré” na 13ª<br />
Mostra de Teatro de Sintra. O contacto<br />
com reali<strong>da</strong>des exteriores à escola dá<br />
bem a imagem <strong>da</strong> dedicação e empenho<br />
<strong>dos</strong> professores e educadores: visitas<br />
ao Convento e Tapa<strong>da</strong> de Mafra, a<br />
Vila de Rei, à escola 3 de Agualva, ao<br />
Sintranima... Aprender assim deve ser<br />
uma festa!<br />
JORNAL MANIAS é a publicação<br />
<strong>da</strong> EB1 e JI de Santo António<br />
<strong>dos</strong> Cavaleiros. Este nº 16 regista a<br />
“consagração”: o projecto “PÚBLICO<br />
NA ESCOLA” distinguiu o MANIAS<br />
com uma menção honrosa no concurso<br />
de jornais escolares que promoveu.<br />
Também aqui o problema <strong>da</strong> saúde/<br />
alimentação merece destaque. E que<br />
espanto: os meninos até elogiaram e<br />
gostaram <strong>da</strong> soma que fizeram! Como<br />
vão longe os tempos <strong>da</strong> “Joana come<br />
a papa”. Depois de comer, está claro,<br />
é preciso lavar os dentes, como ensinou<br />
o pai do Afonso, que é um menino do<br />
1º ano. O ensino especial tem lugar importante<br />
neste MANIAS: um excelente<br />
texto <strong>da</strong> professora Lígia Santos (“10<br />
anos <strong>da</strong> Declaração de Salamanca<br />
ou a história <strong>da</strong> Escola Inclusiva) e<br />
uma descrição do “Jogo <strong>da</strong> Boccia”<br />
que, como nos ensina o MANIAS, “é<br />
jogado por pessoas com deficiência”.<br />
E porque a vi<strong>da</strong> não se passa só na<br />
escola, o MANIAS entrevista Glória<br />
Simões, que preside à freguesia de<br />
Santo António <strong>dos</strong> Cavaleiros, noticia a<br />
visita ao Palácio <strong>da</strong> Independência e à<br />
Tapa<strong>da</strong> de Mafra. São apenas alguns<br />
<strong>dos</strong> temas que fazem o MANIAS, o<br />
premiado.<br />
SEMOS SALOIOS já é nosso conhecido.<br />
O que não nos impede de lhe<br />
<strong>da</strong>rmos os parabéns por este 34º número:<br />
um jornalinho simples, mas muito simpático,<br />
alegre, bem disposto. Para quem<br />
não saiba, aqui se informa que estamos<br />
a falar do jornal do agrupamento de escolas<br />
de Fanhões. O nosso destaque vai<br />
para o texto “Os nossos Avós vieram à<br />
Escola”. Excelente ideia! E digam lá que<br />
não é bom ter um avô ou uma avó, ou,<br />
se possível, os dois? No tempo deles,<br />
a escola não era tão interessante; não<br />
podiam fazer as experiências que prometem<br />
fazer <strong>dos</strong> meninos desta EB1de<br />
Casaínhos futuros cientistas!
PROTOCOLOS<br />
Com o objectivo de proporcionar aos associa<strong>dos</strong>,<br />
cônjuges e fi lhos, condições mais favoráveis de<br />
acesso aos cursos professa<strong>dos</strong> no ensino superior,<br />
o SPGL estabeleceu vários protocolos – na área do<br />
ensino/formação – com diversas universi<strong>da</strong>des e<br />
institutos superiores.<br />
Universi<strong>da</strong>de Autónoma<br />
Desconto de 15% na propina prevista<br />
no acto de inscrição e de 10% nas<br />
mensali<strong>da</strong>des, para associa<strong>dos</strong>, cônjuges<br />
e fi lhos, nos cursos de licenciatura<br />
e nos cursos de pós-graduação.<br />
Identifi cação para o efeito com cartão<br />
de sócio ou declaração comprovativa<br />
emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />
Localização e contactos:<br />
Palácio <strong>dos</strong> Condes do Redondo<br />
Rua Santa Marta, 56<br />
1169-023 <strong>Lisboa</strong><br />
Tel. 800291291 – 213177600<br />
213177646 (Secretaria)<br />
Fax 213533702<br />
secgeral@universi<strong>da</strong>de-autonoma.pt<br />
www.universi<strong>da</strong>de-autonoma.pt<br />
Instituto Superior<br />
de Gestão<br />
Desconto de 10% nas propinas mensais<br />
<strong>dos</strong> cursos de licenciatura e nos<br />
cursos pós-gradua<strong>dos</strong> e de formação<br />
de executivos, para associa<strong>dos</strong>, cônjuges<br />
e fi lhos. Identifi cação para o efeito<br />
com cartão de sócio ou declaração<br />
comprovativa emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />
Localização e contactos:<br />
Estra<strong>da</strong> <strong>da</strong> Ameixoeira, 112/116,<br />
1769-005 <strong>Lisboa</strong> e<br />
Rua Vitorino Nemésio, 5<br />
1750-306 <strong>Lisboa</strong><br />
Tel. 217513700<br />
Fax 217573966/217599788<br />
www.isg.pt<br />
isg@isg.pt<br />
32 ESCOLA INFORMAÇÃO . JUN./JUL. 2005<br />
Universi<strong>da</strong>de Lusía<strong>da</strong><br />
Desconto de 15% nas propinas mensais<br />
e de 10% em to<strong>dos</strong> os demais actos sujeitos<br />
a propina, excepto as candi<strong>da</strong>turas,<br />
em to<strong>dos</strong> os cursos (licenciaturas,<br />
cursos pós-gradua<strong>dos</strong>, de especialização<br />
e similares). Identifi cação para o<br />
efeito com cartão de sócio ou declaração<br />
comprovativa emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />
Localização e contactos:<br />
Rua <strong>da</strong> Junqueira, 188/198<br />
1349-001 <strong>Lisboa</strong><br />
Tel. 213611500<br />
Fax 213638307<br />
www.lis.ulusia<strong>da</strong>.pt<br />
info@lis.ulusia<strong>da</strong>.pt<br />
ISLA<br />
Instituto Superior de<br />
Línguas e Administração<br />
Desconto (para associa<strong>dos</strong>, cônjuges<br />
e fi lhos) de 25% nas propinas mensais<br />
<strong>dos</strong> cursos de licenciatura e de 15%<br />
nas <strong>dos</strong> cursos de pós-graduação; desconto<br />
de 20% nas propinas <strong>dos</strong> cursos<br />
de preparação para o exame ad hoc<br />
e de 10% nos cursos de formação não<br />
fi nancia<strong>dos</strong> e de formação de formadores.<br />
Identifi cação para o efeito com<br />
cartão de sócio ou declaração comprovativa<br />
emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />
Localização e contactos:<br />
Rua <strong>da</strong>s Praças, 47 (à Lapa)<br />
1249-066 <strong>Lisboa</strong><br />
(Futuras instalações – ano lectivo<br />
2005/2006 – Quinta do Bom Nome<br />
– Carnide – <strong>Lisboa</strong>)<br />
Tel. 210309900<br />
Fax 210309917<br />
www.isla.pt<br />
Universi<strong>da</strong>de Internacional<br />
e ISPI – Instituto Superior<br />
Politécnico Internacional<br />
Desconto de 20% no valor <strong>da</strong>s propinas<br />
mensais e de 50% no valor <strong>da</strong>s inscrições<br />
e matrículas, para associa<strong>dos</strong>,<br />
seus cônjuges e fi lhos, nos cursos de<br />
licenciatura, cursos pós-gradua<strong>dos</strong>, de<br />
especialização e similares, ministra<strong>dos</strong><br />
na UI (<strong>Lisboa</strong> e Figueira <strong>da</strong> Foz) e no<br />
ISPI. Identifi cação para o efeito com<br />
cartão de sócio ou declaração comprovativa<br />
emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />
Localização e contactos:<br />
Estra<strong>da</strong> de Benfi ca, 275<br />
1500-072 <strong>Lisboa</strong><br />
Tel. 217210230<br />
Fax 217267422<br />
www.uinternacional.pt<br />
uilx@uinternacional.pt<br />
Grupo<br />
Universi<strong>da</strong>de Lusófona:<br />
Universi<strong>da</strong>de Lusófona de Humani<strong>da</strong>des<br />
e Tecnologias; Instituto Superior de<br />
Humani<strong>da</strong>des e Tecnologias de <strong>Lisboa</strong>;<br />
Instituto Superior Politécnico do Oeste;<br />
Instituto Superior D. Dinis; Instituto<br />
Superior Manuel Teixeira Gomes; ULEGE;<br />
Universi<strong>da</strong>de Lusófona do Porto<br />
Desconto de 15% no valor <strong>da</strong>s propinas<br />
mensais relativas a to<strong>dos</strong> os cursos<br />
de licenciatura, cursos pós-gradua<strong>dos</strong>,<br />
de especialização e outros, nas instituições<br />
do Grupo <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de<br />
Lusófona, para associa<strong>dos</strong>, cônjuges e<br />
fi lhos (e não tendo, portanto, aplicação<br />
em inscrições em cursos, matrículas<br />
anuais, exames e revisões de provas,<br />
etc.). Identifi cação para acesso a<br />
estas condições através de declaração<br />
emiti<strong>da</strong> pelo SPGL comprovativa <strong>da</strong><br />
condição de associado.<br />
Localização e contactos:<br />
Universi<strong>da</strong>de Lusófona de<br />
Humani<strong>da</strong>des e Tecnologias:<br />
Av. Campo <strong>Grande</strong>, 376<br />
1749-024 <strong>Lisboa</strong><br />
Tel. 217515500<br />
Fax 217577006<br />
www.ulusofona.pt<br />
informacoes@ulusofona.pt<br />
(Nota: os endereços <strong>dos</strong> outros institutos<br />
superiores do Grupo Lusófona<br />
podem ser obti<strong>dos</strong> neste site)
Acção<br />
nº<br />
3<br />
3ª<br />
Turma<br />
5<br />
8<br />
11<br />
CENTRO DE FORMAÇÃO DE LISBOA DO<br />
INSTITUTO IRENE LISBOA<br />
Acções Acredita<strong>da</strong>s pelo C.C.P.F.C. e fi nancia<strong>da</strong>s pelo Fundo<br />
Social Europeu e Estado Português - 2005<br />
UNIÃO EUROPEIA<br />
Fundo Social<br />
Europeu<br />
Acções Acredita<strong>da</strong>s pelo C.C.P.F.C. e financia<strong>da</strong>s pelo Fundo Social Europeu e Estado Português - 2005<br />
Título Formadores Público Alvo<br />
Educar para a<br />
Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia Democrática<br />
Era uma Vez…<br />
Estratégias de Animação<br />
<strong>da</strong> Leitura e Produção<br />
de Narrativas…<br />
Avaliação <strong>da</strong>s<br />
Aprendizagens –<br />
Contextos e Práticas<br />
PowerPoint + Visio<br />
2000 – Apresentações<br />
Gráficas como<br />
ferramenta de apoio à<br />
prática pe<strong>da</strong>gógica<br />
Alice Santos<br />
Mª Luísa Abreu<br />
Mª Manuela<br />
Borba<br />
Sílvia Madeira<br />
Ana Cristina<br />
Gomes<br />
Fátima<br />
Meireles<br />
Lino Teque<br />
Educadores e to<strong>dos</strong> os<br />
<strong>Professores</strong> do E. B. e<br />
E. Sec.<br />
Educadores e Profs.<br />
do 1º e 2º C. E. B.<br />
To<strong>dos</strong> os <strong>Professores</strong><br />
do E. B. e E. Sec.<br />
To<strong>dos</strong> os<br />
<strong>Professores</strong> do E. B. e<br />
Sec.<br />
(é conveniente o domínio<br />
elementar do Windows)<br />
Créditos<br />
/Nº de<br />
Horas<br />
1 Crédito<br />
Horário Início/Fi<br />
m<br />
Instituto Irene <strong>Lisboa</strong> FICHA DE INSCRIÇÃO<br />
UNIÃO EUROPEIA<br />
Por Favor: Preencha to<strong>dos</strong> os itens <strong>da</strong> fi cha. Utilize letras maiúsculas<br />
Fundo Social Europeu<br />
CENTRO DE FORMAÇÃO DE LISBOA DO INSTITUTO IRENE LISBOA ... Ano 2005......Data de Entra<strong>da</strong>:________/_______/________<br />
Nome: ________________________________________________________________________________________________________________________________<br />
B.I. nº:_____________________Data de Nascimento: ______________Nº Contribuinte:__________________Mora<strong>da</strong>: _________________________________<br />
_____________________________________________________________________________________________________C. Postal:_________________________<br />
Locali<strong>da</strong>de: _____________________Tel:__________________________TLM: _________________________E-mail ______________________________________<br />
Jardim de Infância/Escola: _______________________________________________________________________________________________________________<br />
Mora<strong>da</strong>: ________________________________________________________________________________________ Telefone: _____________________________<br />
Situação Profi ssional (PQND, Quadro Geral, Contratado(a), etc...) ________________________ Nivel de Ensino:____________________Ciclo ______________<br />
_<br />
Gupo Disciplinar_____________Escalão em que se encontra _________Data <strong>da</strong> próxima mu<strong>da</strong>nça de Escalão: ________________ Ministério <strong>da</strong> Educação<br />
Outro Ministério o Qual? __________________________________ I.P.S.S. E. Particular - Subsidiado pelo Estado Sim Não Regime de<br />
Destacamento Outra<br />
Acções de formação em que se inscreve, em alternativa, por ordem de priori<strong>da</strong>de:<br />
1. ___________________________________________ 2. ____________________________________________3._________________________________________<br />
Assinatura ___________________________________________________<br />
__<br />
Enviar para: I.I.L. Rua Fialho de Almei<strong>da</strong> nº 3 -1º - 1070 - 128 <strong>Lisboa</strong> Telfs. 21 381 91 21 - Fax: 21 381 91 96 E-MAIL: spgliil@spgl.pt<br />
25h<br />
1.5<br />
Créditos<br />
38h<br />
1 Crédito<br />
25h<br />
1<br />
Crédito<br />
25h<br />
2ªs, 4ªs e 6ªs<br />
feiras<br />
17h30/20h30<br />
4ªs e 6ªs feiras<br />
17h30/20h30<br />
2ª e 4ª feiras<br />
17h30/20h30<br />
2ªs, 3ªs, 4ªs e<br />
6ªs feiras<br />
17h/20h<br />
26 Set.<br />
a<br />
14 Out.<br />
28 Set. a<br />
0 4 Nov.<br />
12 Out. a<br />
09 Nov.<br />
10 a 26 de<br />
Out.<br />
Local<br />
EB 2.3<br />
Marquesa de<br />
Alorna,<br />
<strong>Lisboa</strong><br />
EB 2.3<br />
Marquesa de<br />
Alorna, <strong>Lisboa</strong><br />
EB 2.3<br />
Marquesa de<br />
Alorna, <strong>Lisboa</strong><br />
R. Fialho de<br />
Almei<strong>da</strong> nº 3<br />
<strong>Lisboa</strong><br />
Limite de<br />
inscrição<br />
09/09/05<br />
12/09/05<br />
26/09/05<br />
23/09/05<br />
JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 33
Despacho nº 12148/05,<br />
de 1 de Junho<br />
Adita ao período de interrupção <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des<br />
lectivas <strong>dos</strong> alunos um novo<br />
período de interrupção, excepto no que<br />
respeita às provas de exame.<br />
Parecer nº 2/05,<br />
de 25 de Maio<br />
Sobre o novo guião de auto-avaliação<br />
de uma uni<strong>da</strong>de funcional.<br />
Despacho nº 12944/05,<br />
de 9 de Junho<br />
Fixa entre 1 de Janeiro e 31 de Maio<br />
de ca<strong>da</strong> ano o período de recepção na<br />
DGRHE, <strong>dos</strong> pedi<strong>dos</strong> de reconhecimento<br />
<strong>dos</strong> cursos de ensino superior como<br />
habilitação para a docência.<br />
Aviso nº 6055/05,<br />
de 17 de Junho<br />
Concurso pessoal docente para o exercício<br />
transitório de funções docentes do<br />
ensino português no estrangeiro.<br />
Despacho Conjunto nº 387-<br />
A/05, de 20 de Junho<br />
Defi ne os serviços mínimos a assegurar<br />
em caso de greve.<br />
Despacho Conjunto nº 388-<br />
A/05, de 21 de Junho<br />
Defi ne os serviços mínimos necessários<br />
à satisfação <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de social<br />
impreterível que é a realização <strong>dos</strong><br />
exames nacionais <strong>dos</strong> 9º e 12º anos.<br />
Parecer nº 4/05,<br />
de 21 de Junho<br />
Parecer do Conselho Nacional de<br />
Educação sobre a proposta de Lei do<br />
Governo e os projectos de Lei <strong>dos</strong> parti<strong>dos</strong><br />
relativos às alterações à Lei de<br />
Bases do Sistema Educativo e à Lei de<br />
fi nanciamento do ensino superior.<br />
Parecer nº 3/05,<br />
de 14 de Junho<br />
Parecer do Conselho Nacional de<br />
Educação sobre as propostas de alteração<br />
<strong>da</strong> Lei de Bases do Sistema<br />
Educativo.<br />
Está a decorrer a Exposição Colectiva de<br />
Gravura de Margari<strong>da</strong> Ronsy e de Marina<br />
Santos. A mesma poderá ser visita<strong>da</strong> até<br />
15 de Julho.<br />
Protocolos estabeleci<strong>dos</strong> (descontos):<br />
Teatros, Colectivi<strong>da</strong>des e Instituições<br />
Culturais<br />
• Teatro a Barraca – 25%<br />
• Teatro a Comuna – 50%<br />
• Teatro Casa <strong>da</strong> Comédia – 50%<br />
• Teatro Cornucópia – 20%<br />
• Teatro Experimental de Cascais –50%<br />
• Teatro Municipal de Alma<strong>da</strong> – 50%<br />
• Teatro S. Francisco – 30%<br />
• Teatro Lua Cheia – 15%<br />
• Teatro <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong>de – 20% (excepto espectáculos<br />
infantis e óperas)<br />
• Teatro Maria Matos – 8,50€ (preço<br />
único)<br />
• Chapitô – 25%<br />
• Cinemateca – 2,50€ (preço único)<br />
•*- Culturgest – 40%<br />
•*- Instituto Português de Museus –<br />
50% (museus abrangi<strong>dos</strong> pelo IPM)<br />
• Museu Nacional <strong>dos</strong> Coches<br />
• Museu Nacional de Arte Antiga<br />
• Museu Nacional de Arqueologia<br />
• Museu Nacional do Azulejo<br />
• Museu Nacional de Etnologia<br />
• Museu Nacional do Teatro<br />
• Museu <strong>da</strong> Música<br />
• Museu do Chiado<br />
• Museu Dr. Anastácio Gonçalves<br />
A Universi<strong>da</strong>de Lusófona vai implementar<br />
no próximo ano lectivo um programa<br />
de formação especializa<strong>da</strong> e pós-graduação<br />
que integra um conjunto de cursos<br />
e acções que poderão interessar os profi<br />
ssionais de educação:<br />
- Um Curso de Mestrado em Ciências<br />
<strong>da</strong> Educação, aberto aos portadores de<br />
uma licenciatura de qualquer área científi<br />
ca, com experiência profi ssional nos<br />
campos <strong>da</strong> educação e Formação, com<br />
classifi cação mínima de 14 valores.<br />
O Mestrado tem a duração de quatro<br />
semestres, sendo os dois primeiros de índole<br />
escolar, e destinando-se os dois últimos<br />
à elaboração de uma dissertação.<br />
O plano de estu<strong>dos</strong> está organizado<br />
em três módulos: Educação e<br />
Desenvolvimento; Aspectos Epistemológicos<br />
<strong>da</strong>s Ciências <strong>da</strong> Educação e<br />
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D E C U L T U R A<br />
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Até ao fi nal de Julho estão abertas as<br />
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Escultura, Cerâmica, Artesanato, etc. Pode<br />
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Cursos para aperfeiçoamento científi co e profi ssional<br />
Metodologias de Investigação; Análise<br />
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Formação Geral em Ciências<br />
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Fátima Anjos Orgãos de Gestão - Assembleia de Escola<br />
No “Escola Informação” do passado<br />
mês de Abril (nº 197)<br />
comprometi-me a prestar esclarecimentos<br />
sobre o regime jurídico <strong>da</strong><br />
composição, recrutamento, eleições e<br />
man<strong>da</strong>to de ca<strong>da</strong> um <strong>dos</strong> órgãos de<br />
administração e gestão <strong>da</strong>s escolas<br />
tendo então começado pelo Conselho<br />
Executivo.<br />
Neste número vos dou a conhecer o<br />
quadro normativo referente ao funcionamento<br />
de um outro órgão de gestão<br />
muito importante – a Assembleia.<br />
1 – Como resulta do Regime de<br />
Autonomia, Administração e Gestão<br />
<strong>dos</strong> Estabelecimentos <strong>da</strong> Educação Pré-<br />
Escolar (R.A.A.G.) e <strong>dos</strong> ensinos básico<br />
e secundário, aprovado pelo DL nº<br />
115-A/98, de 4 de Maio e alterado<br />
pela Lei nº 24/99, de 22 de Abril, a<br />
Assembleia é o órgão responsável pela<br />
definição <strong>da</strong>s linhas orientadoras <strong>da</strong><br />
activi<strong>da</strong>de <strong>da</strong> escola e ain<strong>da</strong> o órgão<br />
de participação e representação <strong>da</strong><br />
comuni<strong>da</strong>de educativa. Nesta vertente<br />
deve estar, deste modo, assegura<strong>da</strong> na<br />
sua composição, a representação <strong>dos</strong><br />
docentes, <strong>dos</strong> pais e encarrega<strong>dos</strong> de<br />
educação, <strong>dos</strong> alunos, do pessoal não<br />
docente e <strong>da</strong> autarquia local e ain<strong>da</strong>,<br />
se o regulamento interno assim o previr,<br />
a representação <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des de carácter<br />
cultural, artístico, científico e ambiental<br />
e económico <strong>da</strong> respectiva área,<br />
com relevo para o projecto educativo<br />
de ca<strong>da</strong> escola.<br />
2 – A Assembleia <strong>da</strong> escola é composta<br />
por um número de elementos a definir<br />
pelo respectivo Regulamento Interno,<br />
estabelecendo, contudo, a lei que o<br />
mesmo não pode ser superior a 20.<br />
A distribuição <strong>dos</strong> elementos que compõem<br />
a Assembleia é feita <strong>da</strong> seguinte<br />
forma:<br />
Representantes do corpo docente – não<br />
podem ser em número superior a 50%<br />
<strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> membros <strong>da</strong> assembleia.<br />
Nas escolas em que funcione a<br />
educação pré-escolar ou o 1º ciclo, conjuntamente<br />
com outros ciclos do ensino<br />
básico, deve a assembleia integrar re-<br />
presentantes <strong>dos</strong> educadores de infância<br />
e <strong>dos</strong> professores do 1º ciclo.<br />
Representantes <strong>dos</strong> pais e encarrega<strong>dos</strong><br />
de educação – não deve ser em número<br />
inferior a 10% <strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> membros<br />
<strong>da</strong> assembleia.<br />
Representantes do pessoal não docente<br />
– não deve ser em número inferior<br />
a 10% <strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> membros <strong>da</strong><br />
assembleia.<br />
Representantes <strong>dos</strong> alunos – a participação<br />
é circunscrita ao ensino secundário<br />
garantindo a lei essa possibili<strong>da</strong>de<br />
também aos trabalhadores-estu<strong>da</strong>ntes<br />
do ensino básico recorrente.<br />
Quando não haja lugar à representação<br />
de alunos por não se verificarem os<br />
condicionalismos referi<strong>dos</strong>, podem os<br />
Regulamentos Internos <strong>da</strong>s escolas não<br />
abrangi<strong>da</strong>s prever formas de participação<br />
<strong>dos</strong> alunos sem direito a voto.<br />
Ain<strong>da</strong> em matéria de composição <strong>da</strong><br />
assembleia é de referir que o presidente<br />
do conselho executivo ou director e<br />
o presidente do conselho pe<strong>da</strong>gógico,<br />
participam nas respectivas reuniões,<br />
mas sem direito a voto.<br />
3 – As competências <strong>da</strong> assembleia encontram-se<br />
taxativamente enumera<strong>da</strong>s<br />
no nº 1 do artº 10º do R.A.A.G. que<br />
aqui não se transcrevem devido à sua<br />
extensão.<br />
De qualquer modo, e pela sua relevância,<br />
é de fazer menção à competência<br />
que lhe é atribuí<strong>da</strong> por lei em matéria<br />
eleitoral:<br />
“Acompanhar a realização do processo<br />
eleitoral para a direcção executiva”.<br />
Para este efeito a lei prevê que a assembleia<br />
designe uma comissão de três<br />
<strong>dos</strong> seus membros que têm como função<br />
proceder à verificação <strong>dos</strong> requisitos relativos<br />
aos candi<strong>da</strong>tos e à constituição<br />
<strong>da</strong>s listas, bem como do apuramento<br />
final <strong>dos</strong> resulta<strong>dos</strong> <strong>da</strong> eleição.<br />
As deliberações <strong>da</strong> referi<strong>da</strong> comissão<br />
são publicita<strong>da</strong>s, em termos a definir<br />
no Regulamento Interno de ca<strong>da</strong> escola,<br />
delas cabendo recurso, com efeito<br />
suspensivo, no prazo de cinco dias úteis<br />
para o respectivo Director Regional de<br />
Educação, que deverá decidir no prazo<br />
de 10 dias, também úteis.<br />
4 – A assembleia reúne ordinária e<br />
extraordinariamente nos seguintes termos:<br />
Reuniões Ordinárias: - uma vez por trimestre<br />
Reuniões Extraordinárias: - sempre<br />
que seja convoca<strong>da</strong> por iniciativa do<br />
Presidente, a requerimento de um terço<br />
<strong>dos</strong> seus membros em efectivi<strong>da</strong>de de<br />
funções ou por solicitação do Presidente<br />
do Conselho Executivo.<br />
5 – Anteriormente ao processo eleitoral<br />
para o órgão em questão há lugar à<br />
designação <strong>dos</strong> representantes <strong>dos</strong> seus<br />
vários elementos. Assim:<br />
a) os representantes <strong>dos</strong> alunos, do pessoal<br />
docente e do pessoal não docente<br />
são eleitos pelos respectivos corpos sociais;<br />
b) os representantes <strong>dos</strong> pais e encarrega<strong>dos</strong><br />
de educação são indica<strong>dos</strong> em<br />
assembleia geral <strong>dos</strong> mesmos, mediante<br />
proposta <strong>da</strong>s respectivas organizações<br />
representativas ou de acordo com<br />
o Regulamento Interno <strong>da</strong> Escola, se<br />
aquelas não existirem;<br />
c) os representantes <strong>da</strong> autarquia<br />
local são designa<strong>dos</strong> pela Câmara<br />
Municipal.<br />
6 – Os referi<strong>dos</strong> representantes constituem-se<br />
em listas separa<strong>da</strong>s para efeitos<br />
de processo eleitoral. Estas listas devem<br />
conter a indicação <strong>dos</strong> candi<strong>da</strong>tos a<br />
membros efectivos (em número igual ao<br />
<strong>dos</strong> respectivos representantes na assembleia)<br />
e bem assim <strong>dos</strong> candi<strong>da</strong>tos<br />
a membros suplentes.<br />
Os votos são converti<strong>dos</strong> em man<strong>da</strong>tos<br />
através do método de representação<br />
proporcional <strong>da</strong> média mais alta de<br />
Hondt.<br />
7 – O man<strong>da</strong>to <strong>dos</strong> membros <strong>da</strong> assembleia<br />
tem a duração de três anos.<br />
O man<strong>da</strong>to <strong>dos</strong> representantes <strong>dos</strong> pais<br />
e encarrega<strong>dos</strong> de educação tem a duração<br />
de um ano lectivo, excepto se o<br />
Regulamento Interno <strong>da</strong> escola fixar outra<br />
duração a qual, nunca poderá exceder<br />
três anos.<br />
JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 35