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A Greve - Sindicato dos Professores da Grande Lisboa

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O que é evidente, mente.<br />

Evidentemente<br />

50 textos (acompanha<strong>dos</strong> de outras tantas fotografotografi as) dão corpo à inquietação do autor: “As coisas<br />

<strong>da</strong> educação discutem-se, quase sempre, a partir<br />

<strong>da</strong>s mesmas dicotomias, <strong>da</strong>s mesmas oposições,<br />

<strong>dos</strong> mesmos argumentos. Anos e anos a fi o. Banali<strong>da</strong>des.<br />

Palavras gastas. Irritantemente óbvias, mas<br />

sempre repeti<strong>da</strong>s como se fossem novi<strong>da</strong>de. Uns<br />

anunciam o paraíso, outros o caos – a educação<br />

<strong>da</strong>s novas gerações é sempre pior do que a nossa.<br />

Será?! Muitas convicções e opiniões. Pouco estudo<br />

e quase nenhuma investigação. A certeza de<br />

conhecer e possuir a “solução” é o caminho mais<br />

curto para a ignorância. E não se pode acabar<br />

com isto?”<br />

50 textos que percorrem a educação em Portugal<br />

nos últimos duzentos anos, que tentam “ver para<br />

além <strong>da</strong> poeira <strong>dos</strong> dias que correm”.<br />

“O que fi ca desta história de 200 anos de educação?<br />

Algumas experiências notáveis, um punhado<br />

de educadores dedicadíssimos, uma retórica copiosa<br />

e afl itivamente rebarbativa....<br />

e um universo de irrealizações.<br />

Uma após outra, as gerações do século XIX e do<br />

século XX elaboraram diagnósticos, indignaram-se<br />

com o atraso do país, avançaram programas de<br />

reforma, propuseram a regeneração <strong>da</strong> socie<strong>da</strong>de.<br />

E, uma após outra, caíram no desânimo <strong>dos</strong> seus<br />

próprios fracassos, deixando-se convencer, à falta<br />

de melhor, pelo discurso <strong>da</strong> decadência.<br />

Há uma estranha familiari<strong>da</strong>de na forma como se<br />

sucedem os projectos e as iniciativas, como se mobilizam<br />

os portugueses, para o “grande desígnio”, a<br />

“grande batalha” <strong>da</strong> educação. No cômputo fi nal,<br />

fi ca a constatação de um “eterno atraso”. (...)<br />

Sinto-me (...) vinculado a uma obrigação de recusa,<br />

a recusa desta história. (...) Recusar não é esquecer,<br />

não é negar, não é omitir. Recusar é conhecer,<br />

estu<strong>da</strong>r, investigar, compreender. É tentar imaginar<br />

outros destinos.” (<strong>da</strong> Introdução)<br />

A acompanhar este livro vem um CD-ROM A<br />

Educação Portuguesa – Corpus Documental (sec.<br />

XIX-XX), trabalho coordenado pelo próprio e por<br />

Filomena Bandeira.<br />

Após breve instalação no disco do computador temse<br />

acesso ao Repertório <strong>da</strong> Imprensa de Educação<br />

e Ensino, trabalho publicado em 1993, com fi chas<br />

analíticas de 530 periódicos, ao Dicionário de<br />

Educadores Portugueses, livro publicado em 2003,<br />

com 900 biografi as, a um Catálogo de Imprensa<br />

de Educação e Ensino, base de <strong>da</strong><strong>dos</strong> com cerca<br />

de 2300 registos bibliográfi cos e ain<strong>da</strong> a uma<br />

Bibliografi a Portuguesa <strong>da</strong> Educação, outra base<br />

de <strong>da</strong><strong>dos</strong>, com cerca de 5000 registos, to<strong>dos</strong> com<br />

possibili<strong>da</strong>de de pesquisa.<br />

Um trabalho monumental e utilíssimo para to<strong>dos</strong> os<br />

que se interessam pela educação.<br />

EVIDENTEMENTE<br />

Histórias <strong>da</strong> Educação<br />

António Nóvoa<br />

Edições Asa, 2005


BD – Contactos<br />

Pág. 4<br />

Dossier<br />

A <strong>Greve</strong><br />

Pág. 17<br />

Placard Sindical<br />

Sau<strong>da</strong>ção aos<br />

<strong>Professores</strong><br />

Manifestações<br />

de 17 e 28 de Junho<br />

Pág.s 18-19<br />

Opinião<br />

Pág.s 20-22<br />

Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia<br />

Os 1300 horários <strong>dos</strong><br />

dirigentes sindicais<br />

Pág.s 23-24<br />

Sectores<br />

Básico; Particular e<br />

Cooperativo; Especial;<br />

Superior/Investigação<br />

Pág.s 25-29<br />

Nas Escolas<br />

Pág. 30<br />

Serviços a Sócios<br />

Pág.s 31-34<br />

Consultório Jurídico<br />

Pág. 35<br />

ficha técnica:<br />

Director: António Avelãs . Chefe de Re<strong>da</strong>cção: José<br />

António F. Pinto . Conselho de Re<strong>da</strong>cção: Teresa<br />

Chaveca, Margari<strong>da</strong> Mascarenhas, António Quitério,<br />

Luis Viana, Bráulio Martins, José António Pinto, Manuel<br />

Grilo . Re<strong>da</strong>cção: Lígia Calapez . Colaboração: Sofia<br />

Vilarigues Paginação e Grafismo: D.Petinha . Capa: Dora<br />

Petinha . Composição: I<strong>da</strong>lina Martins, Lina Roque .<br />

Revisão: Luisa Pereira . Fotos: Jorge Caria . Impressão:<br />

SOGAPAL, SA. - Av. <strong>dos</strong> Cavaleiros, 35, 2795-626 Carnaxide<br />

. Editado por: <strong>Sindicato</strong> <strong>dos</strong> <strong>Professores</strong> <strong>da</strong> <strong>Grande</strong><br />

<strong>Lisboa</strong>, Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong> .<br />

Periodici<strong>da</strong>de: Mensal Tiragem: 29 000 Depósito<br />

legal: 915758 . ICS: 109893.<br />

UM EXERCÍCIO DE CIDADANIA<br />

Numa qualquer socie<strong>da</strong>de há diferentes instituições que desempenham<br />

diferentes papéis.<br />

Numa socie<strong>da</strong>de democrática os sindicatos desempenham um<br />

claríssimo papel: defender os direitos <strong>dos</strong> trabalhadores, tentar<br />

construir socie<strong>da</strong>des mais justas, mais humanas e mais solidárias.<br />

Um sindicato que não defen<strong>da</strong>, ou pelo menos não tente defender,<br />

os direitos <strong>dos</strong> trabalhadores, nega-se de forma essencial. Se a<br />

FENPROF e, portanto, o SPGL, não tivesse assumido de forma<br />

clara e combativa a defesa <strong>dos</strong> professores e educadores face a<br />

um vasto conjunto de “imposições governamentais” que ameaçam<br />

destruir boa parte <strong>dos</strong> direitos a pulso conquista<strong>dos</strong> nos últimos<br />

anos, ter-se-ia negado como sindicato, destruir-se-ia e, sobretudo,<br />

teria prejudicado seriamente a socie<strong>da</strong>de por não assumir energicamente<br />

o seu papel. A greve <strong>dos</strong> professores entre 20 e 23 de Junho,<br />

coincidente com período de exames nas escolas 2, 3 e secundárias,<br />

foi um exercício de ver<strong>da</strong>deira ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia. Defendeu não só os<br />

interesses <strong>dos</strong> docentes mas obrigou também o poder político<br />

a desmascarar-se: o exercício do direito à greve e o respeito<br />

pela legali<strong>da</strong>de democrática cederam perante aquilo que, neste<br />

momento concreto, o poder político considerou abusivamente o<br />

interesse público, geral, nacional. Uma fi losofi a “vista e revista”,<br />

devi<strong>da</strong>mente a<strong>da</strong>pta<strong>da</strong> aos tempos actuais.<br />

Não há socie<strong>da</strong>de democrática sem sindicatos fortes. Na Europa,<br />

pelo menos na “velha Europa”, os sindicatos mais fortes e<br />

interventivos existem nos países mais desenvolvi<strong>dos</strong>, mais ricos,<br />

com maior preocupação com os direitos sociais e laborais. Os<br />

ataques desencadea<strong>dos</strong> pelo governo de Sócrates e pelo coro<br />

<strong>da</strong> comunicação social contra os sindicatos <strong>dos</strong> docentes, e por<br />

extensão contra o movimento sindical em geral, são a confi rmação<br />

do atraso do país, <strong>da</strong> sua pobreza económica, <strong>da</strong> sua menori<strong>da</strong>de<br />

cívica. Claro que o ataque é feito com a devi<strong>da</strong> “arte”- afi rmam a<br />

defesa do sindicalismo em abstracto mas vomitam vitupérios sobre<br />

estes sindicatos em concreto; consideram muito dignos os sindicalistas<br />

em abstracto, mas estes dirigentes sindicais, em concreto,<br />

são o diabo. E Socrátes deixará escapar, em plena Assembleia<br />

<strong>da</strong> República, a suprema acusação de que estes sindicalistas em<br />

concreto são pagos pelo erário público, como se ele próprio<br />

o não fosse, como se o não fossem to<strong>dos</strong> os que asseguram o<br />

funcionamento <strong>da</strong>s instituições sociais e políticas inerentes a uma<br />

socie<strong>da</strong>de democrática. É dever do movimento sindical resistir e<br />

contribuir para que o país se desenvolva. A política de ataque<br />

aos sindicatos contribuirá para o atraso no desenvolvimento<br />

sócio-económico e, sobretudo, para a construção de um país<br />

mais desequilibrado, mais injusto, mais violador <strong>dos</strong> direitos <strong>dos</strong><br />

ci<strong>da</strong>dãos. O país de Sócrates.?<br />

O SPGL assume de corpo inteiro o seu papel social. Mobilizará<br />

to<strong>da</strong>s as suas energias em defesa <strong>dos</strong> direitos consigna<strong>dos</strong> nos<br />

Estatutos de Carreira <strong>dos</strong> docentes de to<strong>dos</strong> os graus, desencadeará<br />

campanhas que dignifi quem o papel e a imagem social <strong>dos</strong><br />

professores de to<strong>dos</strong> os graus de ensino, lutará pela construção<br />

de uma escola pública de eleva<strong>da</strong> quali<strong>da</strong>de a que to<strong>dos</strong> tenham<br />

acesso e onde to<strong>dos</strong> tenham direito ao sucesso. O que é o contrário<br />

do projecto privatizador que parece estar subjacente aos<br />

planos do governo de Sócrates. Eles sabem que para atingir os<br />

seus objectivos têm de destruir os sindicatos. O governo conta com<br />

a comunicação social. O SPGL conta com os professores, com os<br />

pais e com to<strong>dos</strong> os que não se rendem. Venceremos.<br />

António Avelãs<br />

Director do Escola Informação<br />

JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 3


. BD. Maria João<br />

SEDE Rua Fialho de Almei<strong>da</strong>, 3, 1070-128 <strong>Lisboa</strong><br />

Tel: 213819100 Fax: 213819199 spgl@spgl.pt<br />

Direcção:direccao@spgl.pt www.spgl.pt<br />

SERVIÇO DE APOIO A SÓCIOS TEL: 21 381 9192 apoiosocios@spgl.pt<br />

SERVIÇO DE CONTENCIOSO TEL: 21 381 9127 contencioso@spgl.pt<br />

SERVIÇOS MÉDICOS TEL: 21 381 9109 servmedicos@spgl.pt<br />

SERVIÇOS (seguros, viagens,etc.) TEL: 21 381 9143 servicos@spgl.pt<br />

CENTRO DE FORMAÇÃO SPGL TEL: 21 381 9120 formacao@spgl.pt<br />

IIL . INSTITUTO IRENE LISBOA TEL: 21 381 9121 spgliil@spgl.pt<br />

CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO TEL: 21 381 9119 fenprof@fenprof.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DE LISBOA<br />

ALGUEIRÃO - MEM MARTINS<br />

Estra<strong>da</strong> de Algueirão, Rua Padre Manuel Nobrega, Lt 8, Loja A<br />

Algueirão 2725-085 Mem Martins<br />

Tel: 219212573 Fax: 219212559<br />

PAREDE<br />

Trav. Rocha Martins, F – L, 2775-276 Parede<br />

Tel: 214563158 Fax: 214563157 E-Mail: parede@uniaolisboa-cgtp.pt<br />

VILA FRANCA DE XIRA<br />

Rua Serpa Pinto, 136 – 2º 2600-262 Vila Franca de Xira<br />

Tel.: 263276486 Fax: 263276487 E-Mail: vilafranca@spgl.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DO OESTE<br />

CALDAS DA RAINHA<br />

Av. Engº Luís Paiva e Sousa, 4 B 2500-329 Cal<strong>da</strong>s <strong>da</strong> Rainha<br />

Tel: 262841065 Fax: 262844240 E-Mail: cal<strong>da</strong>srainha@spgl.pt<br />

MAFRA<br />

Rua Luis de Camões, lt 4 r/c Esq. 2640-501 Mafra<br />

Tel: 261815730 Fax: 261815730<br />

TORRES VEDRAS<br />

Av. Gen. Humb. Delgado, 19 B - 1º Esq. 2560-272 Torres Vedras<br />

Tel: 261311634 Fax: 261314906 E-Mail: torresvedras@spgl.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DE SANTARÉM<br />

ABRANTES<br />

Rua 17 de Agosto de 1808, nº 1 - 1º 2200-370 Abrantes<br />

Tel: 241365170 Fax: 241366493 E-Mail:abrantes@spgl.pt<br />

SANTARÉM<br />

Rua Vasco <strong>da</strong> Gama, 16 J - 1º Esq. 2000-232 Santarém<br />

Tel: 243305790 Fax: 243333627 E-Mail:santarem@spgl.pt<br />

TOMAR<br />

Rua Santa Iria, 21 - 2º Dtº, 2300-475 Tomar<br />

Tel: 249316196 Fax: 249322656 E-Mail: tomar@spgl.pt<br />

TORRES NOVAS<br />

Lg. José Lopes <strong>dos</strong> Santos, Edif. Santa Isabel - 2º 2350-686 Torres Novas<br />

Tel: 249820734 Fax: 249824290 E-Mail: torresnovas@spgl.pt<br />

DIRECÇÃO REGIONAL DE SETÚBAL<br />

SETÚBAL<br />

Rua Dr. Alves <strong>da</strong> Fonseca, 5 - 2º, 2900-218 Setúbal<br />

Tel: 265228778 Fax: 265525935 E-Mail: setubal@spgl.pt<br />

BARREIRO<br />

Rua Marquês de Pombal, 40 - r/c 2830-336 Barreiro<br />

Tel: 212079395 Fax: 212079368 E-Mail: barreiro@spgl.pt<br />

ALMADA<br />

Av. D. Nuno Álvares Pereira, 21 - 1º Esq 2800-179 Alma<strong>da</strong><br />

Tel: 212761813 Fax: 212722865 E-Mail: alma<strong>da</strong>@spgl.pt


Textos de:<br />

. Anabela Delgado<br />

............................................................<br />

. António Avelãs<br />

............................................................<br />

. Virgílio Teixeira<br />

............................................................<br />

. Manuel Grilo<br />

............................................................<br />

A <strong>Greve</strong><br />

E S C O L A I N F O R M A Ç Ã O N º 199<br />

A luta <strong>dos</strong> professores em defesa <strong>da</strong> digni<strong>da</strong>de <strong>da</strong><br />

profi ssão docente e <strong>da</strong> escola pública é o tema deste<br />

Dossier. Como seria praticamente inevitável, tendo<br />

em conta que, como foi sublinhado pela<br />

FENPROF, estamos perante<br />

“o mais brutal ataque de<br />

sempre aos direitos <strong>dos</strong> professores”.<br />

Uma abor<strong>da</strong>gem múltipla<br />

destes dias de greve. Das<br />

razões que lhe estão subjacentes<br />

– a desmontagem<br />

<strong>da</strong> arrogância e mentiras<br />

do discurso oficial, a perversão<br />

do seu sentido. Da<br />

falsifi cação <strong>dos</strong> factos em que<br />

alguma imprensa apostou. Da<br />

sua vertente legal. Dos <strong>da</strong><strong>dos</strong><br />

concretos.<br />

Incluindo também cartas<br />

indigna<strong>da</strong>s de professores.<br />

E alguns exemplos<br />

factuais de como “na<br />

escola é possível fazer<br />

coisas maravilhosas<br />

e coisas que<br />

só as escolas podem<br />

fazer”.


6<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

Impor sacrifícios<br />

com arrogância e mentiras<br />

•Anabela Delgado<br />

Dirigente do SPGL<br />

Os professores e a generali<strong>da</strong>de<br />

<strong>dos</strong> trabalhadores portugueses, com<br />

particular relevo, por enquanto,<br />

para os trabalhadores <strong>da</strong> Administração<br />

Pública, parecem ser, para<br />

o governo de Sócrates, os maiores<br />

responsáveis pela “crise”, considerando<br />

os “privilégios” de que<br />

gozam… Apesar de terem já sido<br />

alvo de sacrifícios (dois anos sem<br />

aumentos salariais) e de mesmo<br />

assim ter aumentado o défi ce, os<br />

professores não duvi<strong>da</strong>m que são<br />

necessários sacrifícios e também não<br />

ignoram que são necessárias novas<br />

políticas para combater o insucesso<br />

escolar. Exigem contudo conhecer<br />

as propostas e negociá-las através<br />

<strong>da</strong>s organizações que em democracia<br />

representam os trabalhadores:<br />

os sindicatos.<br />

De uma forma arrogante o 1º Ministro e alguns<br />

<strong>dos</strong> seus ministros, com particular relevo para<br />

a Ministra <strong>da</strong> Educação, têm construído todo<br />

o discurso em defesa <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s e <strong>da</strong>s políticas que<br />

querem implementar para, na sua opinião, resolver a<br />

crise, com ver<strong>da</strong>deiros ataques matiza<strong>dos</strong> de mentiras<br />

aos destinatários dessas medi<strong>da</strong>s – os trabalhadores e,<br />

nos últimos dias, os professores (recorde-se o debate<br />

sobre Educação do passado dia 24 de Junho). Como<br />

a estratégia está a ser visivelmente contesta<strong>da</strong> pelos<br />

atingi<strong>dos</strong>, os professores, passaram à táctica do lobo<br />

mau: uma coisa são os professores, outra os sindicatos<br />

e outra ain<strong>da</strong>, os sindicalistas, esses malandros…<br />

Citando o insuspeito António Barreto no Público de 26<br />

de Junho, a propósito de Sócrates, “(…) Antes de iniciar<br />

o que quer que seja, políticas, medi<strong>da</strong>s, reformas ou leis,<br />

“compra” uma querela: ataca alguém, defi ne o inimigo,<br />

protesta contra os adversários, anuncia que é necessário<br />

combater privilégios, identifi ca o alvo e atira logo contra<br />

pessoa ou grupo.(…) Solicitar o apoio do povo contra<br />

os “malandros”, os <strong>dos</strong> privilégios e os <strong>da</strong> preguiça, foi<br />

uma constante destes primeiros meses.”<br />

Em vez de se ganhar a população para um esforço<br />

colectivo em prol <strong>da</strong> melhoria <strong>da</strong>s condições de vi<strong>da</strong> de<br />

to<strong>dos</strong>, alimenta-se o País com um clima de intrigas de<br />

invejas mesquinhas que a curto prazo atingirá (se não<br />

atingiu já) o próprio Governo, o Presidente <strong>da</strong> República<br />

e a classe política em geral! Assiste-se de momento,<br />

como nunca se assistiu antes, a uma denúncia doentia do<br />

valor <strong>da</strong>s remunerações auferi<strong>da</strong>s por algumas fi guras<br />

públicas. Se é ver<strong>da</strong>de que existem casos escan<strong>da</strong>losos,<br />

passou a confundir-se tudo, a crítica mesquinha passou<br />

a não ter limites. Recorde-se o recente episódio <strong>da</strong> pensão<br />

de reforma do Presidente <strong>da</strong> República, obti<strong>da</strong> em<br />

função de mais de 36 anos de trabalho com descontos<br />

efectua<strong>dos</strong> de acordo com a lei!<br />

As mentiras sobre<br />

os professores e educadores<br />

De acordo com o governo, aos professores estão destina<strong>da</strong>s,<br />

entre outras, as seguintes medi<strong>da</strong>s:<br />

Congelamento <strong>da</strong>s carreiras de progressão automática<br />

– duas mentiras. 1ª mentira: não se trata de um simples<br />

congelamento <strong>da</strong>s carreiras. Trata-se de não contar para<br />

efeitos de progressão um ano e meio de tempo de serviço,<br />

tempo necessário para impor um novo regime de<br />

progressão ain<strong>da</strong> não conhecido. 2ª mentira: a carreira<br />

docente não é de progressão automática. Poder-se-á<br />

considerar o sistema de progressão mais ou menos<br />

facilitador mas não se pode afi rmar que os docentes<br />

progridem por simples passagem do tempo de serviço<br />

como afi rmou Sócrates no dia 24 na Assembleia <strong>da</strong><br />

República. Também não se pode “diminuir” o sistema de<br />

formação contínua a que estão obriga<strong>dos</strong> os docentes,<br />

como o fez a Ministra <strong>da</strong> Educação, para <strong>da</strong>í concluir


que com esse sistema to<strong>da</strong> a gente progride, logo a<br />

carreira é de progressão automática. Muito menos se<br />

pode lançar na praça pública a suspeita sobre to<strong>da</strong> uma<br />

classe que estando sujeita a um regime de avaliação<br />

proposto por governos anteriores (nem foi o que a FEN-<br />

PROF defendeu), se viu obriga<strong>da</strong> a frequentar acções<br />

de formação contínua cujos temas e conteú<strong>dos</strong> estiveram<br />

quase sempre subordina<strong>dos</strong> aos que eram considera<strong>dos</strong><br />

prioritários para o desenvolvimento do país e, por isso,<br />

fi nancia<strong>dos</strong> pelos fun<strong>dos</strong> comunitários.<br />

Alteração ao regime de aposentação – não é ver<strong>da</strong>de<br />

que os docentes se aposentem aos 52 anos de i<strong>da</strong>de<br />

como se fartou de sugerir Sócrates no Parlamento em 24<br />

de Junho. Se é ver<strong>da</strong>de que os docentes <strong>da</strong> Educação<br />

Pré-escolar e do 1º ciclo têm um regime de aposentação<br />

especial – 30 anos de serviço e 55 de i<strong>da</strong>de, e não 52, a<br />

ver<strong>da</strong>de é que estes docentes actualmente só conseguem<br />

adquirir as duas condições alguns anos depois <strong>dos</strong> 30<br />

anos de serviço e que a maioria <strong>dos</strong> professores portugueses<br />

leccionam no 2º e 3º ciclos do ensino básico,<br />

no ensino secundário e no ensino superior e politécnico,<br />

to<strong>dos</strong> eles sujeitos ao regime geral <strong>da</strong> função pública,<br />

alterado por Manuela Ferreira Leite para 36 anos de<br />

serviço e 60 anos de i<strong>da</strong>de, regime que agora se pretende<br />

mu<strong>da</strong>r para os 65 anos de i<strong>da</strong>de. A ver<strong>da</strong>de é<br />

que no que aos docentes do 2º e 3º ciclos e secundário<br />

diz respeito, tanto no ensino público como no privado o<br />

regime de aposentação é igual, isto é, ao contrário do<br />

que se quer fazer crer, também no privado há regimes<br />

especiais! E apesar <strong>da</strong>s declarações pie<strong>dos</strong>as sobre o<br />

reconhecimento do desgaste <strong>da</strong> profi ssão docente, na<strong>da</strong><br />

se conhece quanto ao conteúdo concreto <strong>da</strong>s propostas<br />

do Governo sobre o assunto. A sua apresentação estará<br />

remeti<strong>da</strong> apenas para Novembro.<br />

Também não é séria a acusação do “privilégio” de que<br />

os docentes gozam de um ano de horário zero no ano<br />

em que se reformam. Esta foi uma medi<strong>da</strong> proposta por<br />

um anterior governo, curiosamente também do partido<br />

socialista e foi fun<strong>da</strong>menta<strong>da</strong> em motivos de ordem<br />

pe<strong>da</strong>gógica. Visou por um lado que os alunos não<br />

tivessem de mu<strong>da</strong>r de professor a meio do ano, e/ou<br />

que o Estado não tivesse de pagar para além <strong>da</strong> pensão<br />

de aposentação a que os docentes tinham direito, mais<br />

1/3 do vencimento no período compreendido entre o<br />

momento <strong>da</strong> aposentação e o fi nal do ano lectivo, se se<br />

mantivessem em exercício até ao fi nal do ano. Esta é que<br />

é a ver<strong>da</strong>de sobre o tal “privilégio” <strong>dos</strong> docentes.<br />

A negociação com<br />

as organizações sindicais<br />

Outra mentira veicula<strong>da</strong> particularmente durante todo<br />

o período de greve <strong>dos</strong> docentes quer pela Ministra<br />

<strong>da</strong> Educação e respectivos Secretários de Estado, quer<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

por José Sócrates durante o debate sobre a Educação.<br />

Ain<strong>da</strong> não houve qualquer negociação com as<br />

organizações sindicais. A única reunião que ocorreu<br />

sobre o ECD foi no dia 15 de Junho para informar os<br />

representantes <strong>dos</strong> professores que a medi<strong>da</strong> sobre a<br />

não contagem do tempo de serviço para a progressão<br />

até ao fi nal de 2006 estava toma<strong>da</strong> e era uma medi<strong>da</strong><br />

do Governo. Que negociação é esta?! No dia 27 de<br />

Junho realizou-se mais uma reunião, esta sobre a revisão<br />

do ECD, reunião para a qual não houve entrega<br />

prévia de propostas, que foram distribuí<strong>da</strong>s na própria<br />

reunião. Certamente não estará o Governo convencido<br />

que deste modo negociará alguma coisa. Os processos<br />

negociais têm regras. Não conte pois o Governo com<br />

a complacência <strong>da</strong>s organizações sindicais e <strong>dos</strong> seus<br />

dirigentes.<br />

Assim, não!<br />

7


8<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

O mais violento ataque contra os professores<br />

Ameaças e controvérsias<br />

em torno de uma luta<br />

O fi m deste ano lectivo fi cou marcado<br />

por um ataque frontal - o “mais brutal<br />

ataque de sempre”, afi rma o Secretariado<br />

Nacional <strong>da</strong> FENPROF - aos<br />

direitos <strong>dos</strong> professores. A resposta<br />

do Ministério <strong>da</strong> Educação à greve<br />

nacional desencadea<strong>da</strong> pelos sindicatos<br />

incluiu o recurso à ameaça e<br />

chantagem, a deturpação do sentido<br />

<strong>da</strong>s reivindicações <strong>dos</strong> professores,<br />

assimila<strong>da</strong>s a uma contestação <strong>dos</strong><br />

exames do 9º ano, o lançar do ónus<br />

<strong>dos</strong> problemas existentes e gera<strong>dos</strong> sobre<br />

to<strong>da</strong> uma classe. Uma história triste<br />

– que não é para esquecer - e de que<br />

aqui nos cingimos a alguns aspectos.<br />

Entrelaçando as posições que foram<br />

sendo assumi<strong>da</strong>s pelo Ministério e a<br />

cobertura <strong>da</strong><strong>da</strong> pela imprensa.<br />

Num ápice – e no quadro de uma política caracteriza<strong>da</strong><br />

por preferencialmente lançar sobre os<br />

trabalhadores do Estado a factura do défi ce – os<br />

professores viram seriamente postos em causa direitos ofi -<br />

cialmente apresenta<strong>dos</strong> como regalias. Do congelamento de<br />

carreiras à alteração <strong>da</strong> i<strong>da</strong>de de reforma. Um processo de<br />

que qualquer diálogo esteve ausente – os sindicatos só foram<br />

convoca<strong>dos</strong> pelo Governo quando o projecto de decreto-lei<br />

já fora aprovado pelo Conselho de Ministros – e em que a<br />

aposta foi na apresentação de factos consuma<strong>dos</strong>.<br />

A lógica do dinheiro<br />

“O congelamento de carreiras pode afectar 25 mil professores”,<br />

“Medi<strong>da</strong>s de consoli<strong>da</strong>ção do défi ce apresenta<strong>da</strong>s pelo<br />

Ministério <strong>da</strong> Educação permitem poupar até 190 milhões<br />

de euros”, titulava o “Público” de 10 de Junho.<br />

Nas palavras <strong>da</strong> ministra <strong>da</strong> Educação, Maria de Lurdes<br />

Rodrigues, o congelamento de carreiras é uma <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s<br />

mais críticas. Concretamente – as contas são do Ministério<br />

– até Dezembro de 2006, a maior parte <strong>dos</strong> profi ssionais<br />

com direito à progressão na carreira não sobem de escalão<br />

e o seu tempo de serviço não é contado para o efeito.<br />

O ME considera que “o que está instituído” no que respeita<br />

à progressão na carreira (e o que está instituído é naturalmente<br />

<strong>da</strong> responsabili<strong>da</strong>de do Ministério) tem “efeitos<br />

muito perversos”. E, conforme notícia do “Público”, «se<br />

mais razões não houvesse, a ministra considerou ain<strong>da</strong> que<br />

“não era possível não haver uma participação do ME” no<br />

esforço de consoli<strong>da</strong>ção orçamental».<br />

São cerca de 120 milhões de euros por ano que deste modo<br />

iriam ser poupa<strong>dos</strong>.<br />

Outra <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s aprova<strong>da</strong>s - o fi m <strong>da</strong> remuneração <strong>dos</strong><br />

estágios pe<strong>da</strong>gógicos de alguns candi<strong>da</strong>tos à docência,<br />

designa<strong>da</strong>mente <strong>dos</strong> alunos <strong>da</strong>s licenciaturas em ensino e<br />

<strong>dos</strong> ramos educacionais – é igualmente calcula<strong>da</strong> em euros:<br />

uma poupança de 50 milhões por ano.<br />

A apresentação feita pelo “Jornal Negócios” é particularmente<br />

explícita. «Congelamento nas progressões “automáticas”<br />

<strong>da</strong>s carreiras, fi m <strong>dos</strong> estágios remunera<strong>dos</strong> e<br />

suspensão do ano de “pré-reforma”, permitem ao Ministério<br />

<strong>da</strong> Educação poupar mais de 190 milhões de euros. Uma<br />

fatia que representa 0,14% do PIB, sem contabilizar o impacto<br />

de outras medi<strong>da</strong>s». E esclarece mesmo que a ministra<br />

convocou os jornalistas “para explicar o contributo do sector<br />

<strong>da</strong> Educação para a redução do défi ce público”.<br />

Em síntese, com estas e outras medi<strong>da</strong>s o contributo do ME<br />

– ou seja, o contributo imposto aos professores – para a<br />

consoli<strong>da</strong>ção <strong>da</strong>s contas públicas pode representar uma<br />

poupança de cerca de 190 milhões de euros.<br />

E na ver<strong>da</strong>de é este o fulcro <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s toma<strong>da</strong>s.<br />

Diálogo não, ameaça sim<br />

Em resposta à greve de professores o ME decidiu interromper<br />

as aulas entre os dias 17 e 23 de Junho e requisitar os<br />

serviços mínimos (é a segun<strong>da</strong> vez que um executivo recorre<br />

a tal medi<strong>da</strong>).<br />

Medi<strong>da</strong>s prontamente denuncia<strong>da</strong>s pela FENPROF como<br />

ilegítimas, “um processo de chantagem sobre os sindicatos e<br />

uma intimi<strong>da</strong>ção <strong>dos</strong> próprios professores”, e face às quais<br />

a federação sindical interpôs uma providência cautelar. Que<br />

viria a <strong>da</strong>r lugar a diferentes posicionamentos por parte <strong>dos</strong><br />

tribunais. E à conheci<strong>da</strong> “gafe” <strong>da</strong> ministra <strong>da</strong> Educação,<br />

comenta<strong>da</strong> pelo presidente <strong>da</strong> Associação Sindical de Juízes<br />

como “inadmissível”, demonstrando “uma cultura pouco<br />

democrática”.<br />

A posição do Ministério é claramente ameaçadora. “To<strong>dos</strong>


os docentes devem ser obrigatoriamente convoca<strong>dos</strong> para<br />

a realização do serviço de exames”, diz. Em despacho enviado<br />

para as Direcções Regionais, referido pelo semanário<br />

“Expresso”, afi rma-se taxativamente que tanto para os membros<br />

<strong>dos</strong> Conselhos Executivos como os professores em geral<br />

é inequívoca “a obrigatorie<strong>da</strong>de e vinculativi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>quele<br />

despacho, traduzindo o seu incumprimento voluntário uma<br />

infracção disciplinar ao dever de obediência”.<br />

A prática não foi menos ameaçadora que o despacho em<br />

causa. Em nota à comunicação social os sindicatos referem<br />

as muitas ilegali<strong>da</strong>des cometi<strong>da</strong>s, nomea<strong>da</strong>mente “convocatórias<br />

efectua<strong>da</strong>s por telefone ou sms; vigilâncias assegura<strong>da</strong>s<br />

por professores legalmente impedi<strong>dos</strong>; ausência de<br />

professores coadjuvantes em algumas escolas, inexistência<br />

de secretaria<strong>dos</strong> de exame ou afi xação de convocatórias<br />

sob a forma de requisição”.<br />

A situação atingiu mesmo o absurdo. Por exemplo, na Região<br />

Centro, dia 18 de Junho, “milhares de professores fi caram<br />

de prevenção aos exames nacionais, uma situação que<br />

roça o ridículo – como comenta o sindicato <strong>dos</strong> professores<br />

– tendo em conta que para esse dia não estava convoca<strong>da</strong><br />

qualquer greve nacional”.<br />

Neste quadro, houve jornais que assumiram posições lamentáveis.<br />

É o caso, nomea<strong>da</strong>mente, do “Diário de Notícias”<br />

que, na sua edição de 17 de Junho, noticia na primeira<br />

página: “<strong>Professores</strong> levam falta se forem à manifestação”,<br />

acrescentando que se não comparecessem aos exames seriam<br />

“puni<strong>dos</strong> com falta injustifi ca<strong>da</strong>”. Notícia notoriamente<br />

falsa (o próprio ME teve o cui<strong>da</strong>do de insistir em que não<br />

pretendia limitar os direitos sindicais, nomea<strong>da</strong>mente o<br />

direito à greve).<br />

Deturpação do sentido <strong>da</strong> luta<br />

“Há uma intenção determina<strong>da</strong> para prejudicar os exames,<br />

já que a activi<strong>da</strong>de lectiva será interrompi<strong>da</strong> durante esses<br />

dias” - uma afi rmação insistente, quer <strong>da</strong> ministra, quer do<br />

Secretário de Estado <strong>da</strong> Educação, Valter Lemos, que referiu<br />

mesmo ser de “estranhar” tal coincidência, lembrando<br />

que, quando o Governo tomou posse, recebeu pedi<strong>dos</strong> <strong>dos</strong><br />

sindicatos a pedir a suspensão <strong>dos</strong> exames.<br />

A Ministra <strong>da</strong> Educação é particularmente explícita nesta<br />

delibera<strong>da</strong> perversão do sentido <strong>da</strong> luta. “Os sindicatos<br />

reclamam há muito a suspensão <strong>dos</strong> exames do 9º ano.<br />

No fi nal de Abril, apresentam formalmente um pedido de<br />

suspensão <strong>dos</strong> exames e têm vindo a manifestar-se publicamente<br />

contra os exames. A contestação <strong>dos</strong> sindicatos aos<br />

exames culminou com a marcação de greves em cima <strong>da</strong><br />

<strong>da</strong>ta <strong>dos</strong> exames, gerando desta forma um clima de grande<br />

instabili<strong>da</strong>de”, declarou Maria de Lurdes Rodrigues aos<br />

jornalistas.<br />

Tal tónica enforma o discurso do Ministério e em grande<br />

medi<strong>da</strong> <strong>da</strong> imprensa – e refl ecte-se nomea<strong>da</strong>mente na avaliação<br />

do impacto <strong>da</strong> luta <strong>dos</strong> professores. A adesão teria<br />

sido mínima na medi<strong>da</strong> em que o número de exames não<br />

realiza<strong>dos</strong> não foi signifi cativo. É o discurso <strong>da</strong> “normali<strong>da</strong>de”,<br />

repetido em vários órgãos de comunicação.<br />

Esta perversão do sentido <strong>da</strong> luta escamoteia as suas ver<strong>da</strong>-<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

Direito à greve<br />

não está<br />

posto<br />

em causa<br />

Última<br />

hora<br />

FENPROF<br />

1. O Diário de Notícias de hoje, 17 de Junho, noticia em largo destaque na 1ª página que<br />

“<strong>Professores</strong> levam falta se forem à manifestação”, acrescentando que se não comparecerem<br />

aos exames “serão puni<strong>dos</strong> com falta injustifica<strong>da</strong>”.<br />

2. Felizmente, tal “notícia” é falsa. De facto, impedir qualquer português de participar numa<br />

manifestação ou ameaçá-lo por tal decisão far-nos-ia remontar a tempos em que as manifestações<br />

eram proibi<strong>da</strong>s. Deve de resto sublinhar-se que o próprio Ministério <strong>da</strong> Educação tem insistido<br />

em que não pretende limitar os direitos sindicais, nomea<strong>da</strong>mente o direito à greve.<br />

3. Não haverá nunca qualquer falta injustifica<strong>da</strong> por alguém participar na manifestação<br />

convoca<strong>da</strong> para as 14,30 de hoje, mesmo que para tal os docentes tenham faltado a activi<strong>da</strong>des<br />

lectivas. Para salvaguar<strong>da</strong>r tal situação - e só com esse objectivo -foi apresentado em devido<br />

tempo um pré-aviso de greve. (Aproveita-se para esclarecer que não foi convoca<strong>da</strong> para hoje,<br />

17 de Junho, qualquer greve de docentes: o pré-aviso entregue destina-se apenas a possibilitar<br />

a participação na Manifestação e só deve ser usado com esse fim!)<br />

4. Relativamente às greves de docentes convoca<strong>da</strong>s para a próxima semana, esclareça-se<br />

que o facto de, embora ilegalmente, em nossa opinião, o Ministério <strong>da</strong> Educação ter obrigado<br />

as escolas a convocar para o serviço de exames to<strong>dos</strong> os professores, tal não impede, como<br />

a própria ministra tem afirmado, que os professores exerçam o seu direito de greve, não<br />

comparecendo na escola ou, fazendo-o, recusando-se a qualquer serviço.<br />

5. A FENPROF lamenta que um jornal com sóli<strong>da</strong>s tradições como o DN preste um tão mau<br />

serviço jornalístico aos seus leitores.<br />

6. A FENPROF vai solicitar aos órgãos competentes procedimento criminal contra o DN.<br />

O Secretariado Nacional <strong>da</strong> FENPROF<br />

deiras razões – as medi<strong>da</strong>s toma<strong>da</strong>s pelo Governo. Ignora<br />

que as <strong>da</strong>tas escolhi<strong>da</strong>s para a luta estavam de algum modo<br />

condiciona<strong>da</strong>s – “a greve não é um boicote aos exames,<br />

mas antes uma resposta a medi<strong>da</strong>s toma<strong>da</strong>s pelo governo<br />

num momento que ele próprio escolheu”, sublinhou o secretário-geral<br />

<strong>da</strong> FENPROF. Visa igualmente lançar sobre os<br />

professores o ónus <strong>dos</strong> problemas inevitavelmente gera<strong>dos</strong><br />

por uma greve – e que sem dúvi<strong>da</strong> importa ter presentes.<br />

Não por acaso é notório repisar de que – em to<strong>da</strong>s as medi<strong>da</strong>s<br />

toma<strong>da</strong>s - o único interesse do Ministério seria “proteger<br />

os interesses <strong>dos</strong> alunos”. Encerrando prematuramente as<br />

aulas, por exemplo...<br />

No balanço destes dias o SPGL sublinha que “esta jorna<strong>da</strong><br />

de luta cimentou a uni<strong>da</strong>de entre docentes criando melhores<br />

condições para prosseguir a resistência às medi<strong>da</strong>s contra<br />

os professores e contra a escola pública”.<br />

A luta vai continuar.<br />

9<br />

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10<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

Sobre um pretenso fi asco sindical<br />

•António Avelãs<br />

No passado dia 23 de Junho, o director<br />

do PÚBLICO, José Manuel Fernandes,<br />

assinava um Editorial que intitulou<br />

“Fiasco Sindical”. Invertamos um pouco<br />

a lógica natural do discurso e, ao que<br />

parece, <strong>da</strong>s regras do bom jornalismo:<br />

antes de discutir se houve ou não um<br />

“fi asco sindical” façamos uma cui<strong>da</strong><strong>dos</strong>a<br />

viagem pelo texto de JMF.<br />

Logo no 1º parágrafo o autor relembra que “há exactamente<br />

dez anos, em 1995, também houve uma greve<br />

de professores em época de exames. Era ministra <strong>da</strong><br />

Educação Manuela Ferreira Leite, realizavam-se provas de<br />

aferição para entra<strong>da</strong> na universi<strong>da</strong>de e os grevistas eram<br />

professores universitários (...)”. JMF poderia ter acrescentado<br />

que era uma greve convoca<strong>da</strong> pela FENPROF, SINDEP e<br />

SNESUP, de que Júlio Pedreira, actual secretário de Estado,<br />

era vice-presidente.<br />

No seu visceral ódio aos professores, o articulista retoma a<br />

requenta<strong>da</strong> afi rmação de que “o rácio do salário <strong>dos</strong> professores<br />

em relação ao PIB per capita (é) o mais elevado <strong>da</strong><br />

Europa”. Afi rmação que seria igualmente váli<strong>da</strong> aplica<strong>da</strong><br />

a juízes, gestores públicos e priva<strong>dos</strong>, altos funcionários <strong>da</strong><br />

administração pública, muitos jornalistas, eurodeputa<strong>dos</strong>,...<br />

Consequência mais ou menos previsível quando se tem um<br />

PIB per capita muito mais baixo que os restantes países com<br />

que se faz a comparação...<br />

Entende JMF que é necessário proceder a avaliações. Inteiramente<br />

de acordo. Só que, além <strong>da</strong> avaliação <strong>da</strong>s escolas<br />

e <strong>dos</strong> seus profi ssionais, como bem propõe, por que não<br />

avaliar o desempenho <strong>dos</strong> ministros e <strong>dos</strong> secretários de<br />

Estado e de outros altos dirigentes na Educação? E do ME<br />

na sua globali<strong>da</strong>de? Tal como numa empresa, por melhores<br />

que sejam os trabalhadores, os resulta<strong>dos</strong> serão sempre<br />

desastrosos se não houver competência de quem a dirige,<br />

também por melhores que sejam os professores, o resultado<br />

será negativo se na 5 de Outubro reinar a incompetência.<br />

Como por demasia<strong>da</strong>s vezes tem sucedido. Quem não recor<strong>da</strong><br />

a total incompetência de Diamantino Durão e <strong>da</strong> sua<br />

equipa? E que fez Couto <strong>dos</strong> Santos? E Mariana Cascais? E<br />

David Justino? E Abílio Morgado? E muito outros que seria<br />

fastidioso enumerar?<br />

Na sua militante fúria contra os professores e os seus sindicatos,<br />

o director do Público toca os limites <strong>da</strong> má-fé quando<br />

alega que “a greve foi desencadea<strong>da</strong> (...) “quando nem<br />

sequer se iniciou a discussão <strong>da</strong>s inevitáveis alterações à<br />

carreira docente...” É que, como JMF sabe melhor que<br />

ninguém, as medi<strong>da</strong>s foram anuncia<strong>da</strong>s em 2 de Junho<br />

como decisões do Conselho de Ministros. Nas matérias<br />

que estiveram nas razões <strong>da</strong> greve, na<strong>da</strong> há de essencial<br />

para negociar. Apenas pequeníssimos pormenores, como<br />

de resto o ME tem feito questão de sublinhar. (Aproveito<br />

para esclarecer JMF que, contrariamente ao que afi rma, a<br />

esmagadora maioria <strong>dos</strong> dirigentes do SPGL dão aulas to<strong>dos</strong><br />

os dias, como qualquer outro professor. E são normalmente<br />

considera<strong>dos</strong> entre os melhores <strong>da</strong>s suas escolas).<br />

O fi nal do texto retoma o lead do Editorial: “o fracasso <strong>da</strong><br />

greve mostra que há muitos professores que não desmerecem<br />

essa nobre profi ssão”. A mesma lógica com que um<br />

qualquer empresário diria que um excelente trabalhador<br />

é aquele que tudo aceita, não reivindica, não questiona,<br />

nunca faz greve. Saiba JMF que a sua afi rmação é uma<br />

enorme ofensa à maioria <strong>dos</strong> professores. É além do mais<br />

uma afi rmação gratuita: há certamente tantos ou mais excelentes<br />

professores que fi zeram greve como entre os que<br />

a não fi zeram. Infelizmente, também há alguns que nunca<br />

faltam em dia de greve, mas depois são os que mais faltam<br />

nos restantes dias...<br />

Analisemos então a tese do Editorial:<br />

Terá sido a greve mesmo um fi asco? Quem a defi niu como<br />

uma greve aos exames, isto é, como uma greve cujo objectivo<br />

seria impedir que os alunos fi zessem os seus exames,<br />

certamente que não poderá tirar outra conclusão. Só que<br />

esse nunca foi o objectivo <strong>da</strong> FENPROF que repeti<strong>da</strong>mente<br />

se esforçou por tranquilizar os estu<strong>da</strong>ntes, garantindo-lhes<br />

que fariam os seus exames, eventualmente em outras <strong>da</strong>tas.<br />

O papão <strong>da</strong> greve aos exames, isto é, a impossibili<strong>da</strong>de<br />

de os alunos os fazerem, foi irresponsavelmente agitado<br />

pelo ME e pela comunicação social que lhe “fez o jeito”.<br />

Curiosamente a maioria <strong>dos</strong> articulistas reconhece agora<br />

que a adesão à greve foi eleva<strong>da</strong>. O que contraria a tese<br />

do “fi asco”.<br />

Que as medi<strong>da</strong>s impostas pelo Conselho de Ministros merecem<br />

o repúdio <strong>dos</strong> docentes tem vindo a ser bem expresso,<br />

por exemplo, nas cartas que os professores têm enviado ao<br />

jornal dirigido por JMF. (Faça-se justiça ao pluralismo que o<br />

Público tem assumido na rubrica “Cartas ao Director”).<br />

To<strong>da</strong>s as decisões políticas comportam riscos. O tempo<br />

nos dirá se a resposta <strong>da</strong><strong>da</strong> pelos professores ao brutal<br />

ataque desencadeado contra o seu Estatuto de Carreira,<br />

acompanhado de uma miserável campanha contra a sua<br />

digni<strong>da</strong>de, foi um fi asco ou, como penso, a resposta necessária<br />

no tempo possível para cimentar a união entre os<br />

docentes para a dura e longa luta que se avizinha. Uma<br />

luta que não será só pela defesa do Estatuto <strong>da</strong> Carreira,<br />

e pela dignifi cação <strong>da</strong> profi ssão, mas que será igualmente<br />

pelo direito a uma escola pública de sucesso para to<strong>dos</strong>.<br />

Uma escola de excelência para to<strong>dos</strong>.


a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

Serviços Mínimos:<br />

uma “imposição” à margem <strong>da</strong> lei<br />

•Vírgilio Teixeira<br />

Advogado<br />

Após 30 anos de funcionamento do Estado de direito<br />

democrático pela primeira vez foram impostos serviços<br />

mínimos no âmbito de uma greve de docentes. Tendo<br />

em conta que o quadro legal que regulamenta o exercício do<br />

direito à greve não teve alterações signifi cativas nestas três<br />

déca<strong>da</strong>s, esta imposição coloca, pelo menos, duas questões:<br />

a lei admite a fi xação de serviços mínimos nas greves realiza<strong>da</strong>s<br />

no sector <strong>da</strong> educação? A lei confere competência ao<br />

Governo para defi nir os serviços mínimos a assegurar durante<br />

a realização de greve no sector público <strong>da</strong> Educação?<br />

Quanto à primeira questão, o nº 1 do artigo 598º do Código<br />

do Trabalho prevê a fi xação de serviços mínimos durante a<br />

greve de modo a permitir a satisfação de necessi<strong>da</strong>des sociais<br />

impreteríveis.<br />

No nº 2 do mesmo artigo é apresenta<strong>da</strong> uma enumeração<br />

meramente exemplifi cativa de diversas activi<strong>da</strong>des que se<br />

destinam à satisfação deste tipo de necessi<strong>da</strong>des. Não sendo<br />

a lista taxativa e entendendo que a realização <strong>dos</strong> exames<br />

era uma necessi<strong>da</strong>de social impreterível, porque estava em<br />

causa a liber<strong>da</strong>de de aprender consagra<strong>da</strong> no artigo 43º <strong>da</strong><br />

Constituição, o Governo, através <strong>dos</strong> Ministros <strong>da</strong> Educação<br />

e do Trabalho, decidiu defi nir serviços mínimos a assegurar<br />

durante as greves de docentes do ensino público realiza<strong>da</strong>s<br />

nos passa<strong>dos</strong> dias 17 e 20 a 23 de Junho.<br />

Esta posição assumi<strong>da</strong> pelo Governo é claramente violadora<br />

<strong>da</strong> lei.<br />

Entre os autores que abor<strong>da</strong>m este tema é pacífi co que “necessi<strong>da</strong>des<br />

sociais impreteríveis” são to<strong>da</strong>s aquelas que têm<br />

de ser satisfeitas de imediato, sob pena de não ter qualquer<br />

efeito útil a sua realização posterior.<br />

À luz desta defi nição, não se encontra qualquer activi<strong>da</strong>de docente<br />

que tenha natureza impreterível ou que revista carácter<br />

inadiável. A não realização de exames num determinado dia<br />

não impossibilita a sua realização posterior, nem é retirado<br />

qualquer efeito útil à prova que se realize numa segun<strong>da</strong><br />

marcação.<br />

Assim, é de concluir pela impossibili<strong>da</strong>de de fi xação de serviços<br />

mínimos na Educação, pelo simples facto de não estarmos<br />

perante necessi<strong>da</strong>des sociais impreteríveis cuja satisfação<br />

tenha de ser assegura<strong>da</strong>.<br />

Depois desta resposta, deixa de ter interesse a análise <strong>da</strong><br />

segun<strong>da</strong> questão. Não sendo possível a existência de serviços<br />

mínimos na Educação também não é possível a sua defi nição.<br />

Contudo, se admitíssemos por mera hipótese que poderiam<br />

existir serviços mínimos durante uma greve de docentes do<br />

ensino público, cabia ao Governo, através de despacho<br />

conjunto <strong>dos</strong> Ministros do Trabalho e <strong>da</strong> Educação, defi nir<br />

tais serviços?<br />

Os actuais titulares <strong>da</strong>s referi<strong>da</strong>s pastas entenderam que sim<br />

e por isso proferiram dois despachos conjuntos a defi nir os<br />

serviços mínimos a assegurar durante as greves já referi<strong>da</strong>s.<br />

Estes despachos foram proferi<strong>dos</strong> ao abrigo do nº 3 do artigo<br />

599º do Código do Trabalho após se ter verifi cado a falta de<br />

acordo entre o Ministério <strong>da</strong> Educação e a FENPROF e a FNE<br />

sobre a defi nição <strong>dos</strong> serviços mínimos e após constatação <strong>da</strong><br />

impossibili<strong>da</strong>de de defi nição de tais serviços através <strong>da</strong> forma<br />

prevista no nº 4 do citado artigo. Qualquer destas normas são<br />

uma salvaguar<strong>da</strong> que permite a defi nição de serviços mínimos<br />

nos casos em que tal defi nição não conste em instrumento<br />

de regulamentação colectiva de trabalho e quando não se<br />

obtenha acordo entre os representantes <strong>dos</strong> trabalhadores e<br />

<strong>dos</strong> empregadores para o efeito.<br />

O nº4 respeita a greves realiza<strong>da</strong>s em serviços <strong>da</strong> administração<br />

directa do Estado ou tutela<strong>dos</strong> pelo Governo e, por isso,<br />

adopta uma solução que afasta os membros do Governo <strong>da</strong><br />

participação na defi nição <strong>dos</strong> serviços mínimos de modo a<br />

garantir a imparciali<strong>da</strong>de <strong>da</strong> deliberação. Determinando a<br />

constituição de um colégio arbitral composto por três árbitros<br />

que integrem as listas de árbitros elabora<strong>da</strong>s pelo Conselho<br />

Económico e Social, cabendo a este colégio a defi nição <strong>dos</strong><br />

serviços mínimos a assegurar durante a greve.<br />

O Conselho Económico e Social ain<strong>da</strong> não elaborou as listas<br />

de árbitros, razão que impossibilitou a constituição do colégio<br />

arbitral. Por isso o Governo entendeu que podia fi xar os<br />

serviços mínimos através do mecanismo previsto no nº 3 do<br />

artigo 599º. O que não é permitido por lei.<br />

Ao criar um mecanismo próprio de defi nição de serviços mínimos<br />

a assegurar durante as greves realiza<strong>da</strong>s nos serviços <strong>da</strong><br />

administração directa do Estado ou tutela<strong>dos</strong> pelo Governo, a<br />

lei quis afastar o regime geral por entender que o Governo é<br />

parte directamente interessa<strong>da</strong> e, por isso, a sua intervenção<br />

na defi nição <strong>dos</strong> serviços mínimos não garantia a imparciali<strong>da</strong>de<br />

<strong>da</strong> deliberação.<br />

Ao concluir que não era possível a defi nição <strong>dos</strong> serviços<br />

mínimos do modo legal para as greves nestes serviços <strong>da</strong><br />

Administração Central, o Governo nunca poderia adoptar<br />

uma solução que a lei quis expressamente afastar, teria de<br />

encontrar uma solução que garantisse a imparciali<strong>da</strong>de, o<br />

que não aconteceu.<br />

Não restam dúvi<strong>da</strong>s que os despachos conjuntos que fi xaram<br />

os serviços mínimos durante as greves são ilegais.<br />

11


12<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

Os <strong>da</strong><strong>dos</strong> <strong>da</strong> greve<br />

de 21 de Junho<br />

Variações de adesão por nível/ciclo<br />

Numa análise sumária aos <strong>da</strong><strong>dos</strong> relativos à greve de 21<br />

de Junho na área <strong>da</strong> DREL podemos concluir que o 1º Ciclo<br />

e o Pré-Escolar fi caram com médias percentuais iguais<br />

e ambos vários pontos acima <strong>da</strong> média geral do SPGL<br />

e que o 2º /3º Ciclos e o Secundário fi caram abaixo <strong>da</strong><br />

média, com o Secundário a registar uma ligeiríssima vantagem<br />

em relação ao 2º/3º ciclos (quadro ao lado).<br />

Escolas do 1º Ciclo<br />

e Jardins de Infância encerra<strong>dos</strong><br />

Encerraram por adesão de to<strong>dos</strong> os docentes à<br />

greve, na área do SPGL em greve neste dia, 340<br />

escolas e jardins de infância, com a seguinte<br />

distribuição regional:<br />

Variações de adesão regionais<br />

Em termos regionais destaca-se a direcção regional<br />

de Setúbal, vários pontos acima <strong>da</strong> média, a de<br />

<strong>Lisboa</strong> com valores semelhantes à média (uma ligeira<br />

vantagem), Santarém com valores ligeiramente<br />

inferiores à média e fi nalmente a direcção regional<br />

do Oeste com valores um pouco mais baixos. Os<br />

valores <strong>da</strong> direcção regional de <strong>Lisboa</strong>, pelo seu<br />

peso específi co em número de docentes, revelaramse<br />

decisivos para a média geral (ver quadro ao<br />

lado).<br />

108<br />

Escolas do 1º CEB e JIs encerra<strong>dos</strong><br />

30<br />

49<br />

153<br />

DR <strong>Lisboa</strong><br />

DR Setúbal<br />

DR Santarém<br />

DR Oeste


14<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

Escola de Música do<br />

Conservatório Nacional<br />

Ensino artístico<br />

Virtuali<strong>da</strong>des ignora<strong>da</strong>s<br />

ignora<strong>da</strong>s<br />

Fomos visitar uma grande família – barulhenta porque dedica<strong>da</strong><br />

às artes – a viver num palácio. Cerca de 800 alunos num belo<br />

edifício que está, há quase 20 anos, a cair.<br />

Não se trata de um fi lme, mas <strong>da</strong> reali<strong>da</strong>de quotidianamente<br />

vivi<strong>da</strong> por alunos, professores, funcionários <strong>da</strong> Escola de Música<br />

do<br />

Conservatório Nacional. Que, debatendo-se com difi cul<strong>da</strong>des<br />

múltiplas (na ver<strong>da</strong>de a nossa conversa começou por se assumir<br />

como um “muro de lamentações”), trabalham afi nca<strong>da</strong>mente<br />

e avançam com novos projectos. Multiplicam opções<br />

e apostam num valor essencial e tantas vezes<br />

menosprezado – a criativi<strong>da</strong>de.<br />

N<br />

20. ESCOLA INFORMAÇÃO.FEVEREIRO 2005 .<br />

o belo espaço do Convento <strong>dos</strong> Caetanos,<br />

no que respeita a instalações<br />

“tudo é aparência”. A escola não tem<br />

obras grandes desde os anos 40 do<br />

século passado. O salão está a cair.<br />

Não há monta-cargas para o trans-<br />

porte de instrumentos num edifício<br />

de quatro an<strong>da</strong>res. Nunca houve a preocupação do<br />

isolamento acústico <strong>da</strong>s salas.<br />

Questões que de imediato remetem para uma situação<br />

partilha<strong>da</strong> por todo o ensino artístico no nosso país: o<br />

relacionamento com o Ministério <strong>da</strong> Educação.<br />

Em causa está um ensino minoritário, com necessi<strong>da</strong>des<br />

especiais e características específi cas, integrado nas estruturas<br />

gerais. Com excepção de um pequeno núcleo de<br />

ensino artístico (sem capaci<strong>da</strong>de decisória), «os sectores<br />

que decidem tanto o fazem para a música, como para<br />

a matemática, como para o inglês...».<br />

Foi nestes termos – críticos e claros – que encetámos a<br />

nossa conversa com António Wagner Diniz, presidente<br />

<strong>da</strong> Escola e professor de canto, Ana Mafal<strong>da</strong> Pernão,<br />

vice-presidente e responsável pela formação musical, e<br />

Jorge Sá Machado, vice-presidente, professor de análise<br />

e técnica de composição e violoncelista.<br />

Com uma preocupação e uma crítica de fundo: «a cultura<br />

nunca foi priori<strong>da</strong>de».<br />

<strong>Professores</strong>, eternos contrata<strong>dos</strong><br />

De par do problema – grave – <strong>da</strong>s instalações (e não se<br />

trata de «querermos recuperar o nosso querido museu...<br />

O salão é também uma sala de aulas e uma sala de<br />

apresentação para os próprios alunos»), outra questão<br />

decisiva está pendente: o estatuto <strong>dos</strong> professores.<br />

A história – que se arrasta há mais de vinte anos – podese<br />

contar em poucas palavras. Em 1983, as escolas de<br />

<strong>da</strong>nça e música de nível secundário do Conservatório<br />

Nacional foram integra<strong>da</strong>s no ensino secundário genérico.<br />

Como é natural, <strong>da</strong><strong>da</strong>s as características claramente<br />

diferentes destas escolas, os problemas surgiram de<br />

imediato. E mantêm-se. «Não havia habilitações iguais<br />

às outras – que tiveram que ser construí<strong>da</strong>s. E que vai<br />

ser preciso alterar novamente porque já há mais cursos<br />

não previstos. Foi preciso integrar pessoas que tinham<br />

habilitações completamente diferentes».<br />

Em síntese, «há necessi<strong>da</strong>de de defi nir um sistema de<br />

integração <strong>dos</strong> professores, um sistema de profi ssionalização.<br />

Defi nir como é que as pessoas entram na<br />

carreira, que quadros têm estas escolas». Porque, vinte<br />

e dois anos volvi<strong>dos</strong>, estas escolas não têm quadro. Há<br />

Breve recorte de uma<br />

conversa com António<br />

Wagner Diniz, presidente<br />

<strong>da</strong> Escola e professor<br />

de canto, Ana Mafal<strong>da</strong><br />

Pernão, vice-presidente e<br />

responsável pela formação<br />

musical, e Jorge Sá<br />

Machado, vice-presidente,<br />

professor de análise e<br />

técnica de composição e<br />

violoncelista.<br />

«Quando aterrámos aqui<br />

– há cinco anos – pensámos que o importante – visto<br />

que era uma escola artística – era fazer espectáculos.<br />

Era preparar e orientar o trabalho pe<strong>da</strong>gógico<br />

no sentido de fazer apresentações e levar os nossos<br />

alunos a, anualmente, terem um ou mais projectos de<br />

apresentação, pedindo também aos professores que<br />

orientassem o seu trabalho nesse sentido. Portanto,<br />

é nesse campo que nós temos evoluído, e através de<br />

cooperações e protocolos com várias instituições».<br />

Esta uma vertente. A outra é abrir o leque de opções<br />

aos alunos. O que se pretende é que, no decorrer do<br />

seu percurso pe<strong>da</strong>gógico, os alunos tenham acesso a<br />

diferentes expressões. Por exemplo – música medieval,<br />

do renascimento, o jazz, música contemporânea,<br />

atelier de ópera (a que se acrescentou o movimento,<br />

que também é fun<strong>da</strong>mental).<br />

Todo um trabalho que se vai realizando, em grande<br />

medi<strong>da</strong> com professores “eternos contrata<strong>dos</strong>”:<br />

«A carreira, no fi m de contas, é uma forma também<br />

de presentear e de valorizar os professores que,<br />

naturalmente, à medi<strong>da</strong> <strong>dos</strong> anos que passam, a sua<br />

responsabilização vai sendo maior. Quando se ensina<br />

também se aprende. Esse conhecimento que se vai<br />

aprendendo vai sendo por sua vez depois transmitido.<br />

E acontece que nós temos professores alguns deles<br />

<strong>da</strong> melhor quali<strong>da</strong>de e continuam a ser uns eternos<br />

contrata<strong>dos</strong>».<br />

Escola EB 2,3, de Vialonga<br />

crianças de abandono», porque têm<br />

difi cul<strong>da</strong>des ao nível <strong>da</strong>s aprendizagens<br />

ou de comportamentos sociais,<br />

e que «acabam por se ir integrando<br />

na escola e muitas vezes com bons<br />

resulta<strong>dos</strong>».<br />

As turmas de currículos alternativos<br />

não podem ter mais de 15 alunos e<br />

dispõem de uma equipa de professores<br />

que se mantém praticamente a<br />

mesma, acumulando assim experiência<br />

num labor que não é fácil.<br />

Os currículos são diferencia<strong>dos</strong> e<br />

aposta-se no trabalho inter-disciplinar.<br />

To<strong>dos</strong> os materiais pe<strong>da</strong>gógicos<br />

são prepara<strong>dos</strong> pela equipa de professores.<br />

Há sempre uma disciplina<br />

de informática. Numa perspectiva<br />

de preparação para a vi<strong>da</strong> activa,<br />

existe uma área vocacional – ou<br />

ofi cina <strong>da</strong>s artes – necessariamente<br />

diversifi ca<strong>da</strong>.<br />

No 9º ano, os alunos destas turmas<br />

começam a fazer estágios profissionais<br />

- «um posto de trabalho por<br />

período lectivo. Fazem uma certa<br />

rotação. Não são cursos profi ssionais,<br />

são cursos que vêm abrir-lhes<br />

perspectivas vocacionais». Concluído<br />

o 9º ano, poderão integrar<br />

o mercado de trabalho, frequentar<br />

um curso tecnológico ou voltar ao<br />

ensino regular.<br />

Uma outra componente <strong>da</strong> diversi<strong>da</strong>de<br />

de respostas em que a escola<br />

aposta são os cursos profi ssionais.<br />

Dirigem-se a jovens fora <strong>da</strong> escolari<strong>da</strong>de<br />

obrigatória, abrangendo<br />

uma faixa relativamente alarga<strong>da</strong><br />

de formações e de percursos. Os<br />

cursos disponíveis – actualmente<br />

ourivesaria, pré-impressão e serralharia<br />

mecânica – têm sempre a ver<br />

com os recursos humanos de que a<br />

escola dispõe.<br />

No 9º ano abre-se aos alunos a possibili<strong>da</strong>de<br />

de estágio e de uma formação<br />

profi ssional de um ano para alunos que não concluíram<br />

o 9º ano «e que manifestem vontade de fazer uma formação<br />

mais profi ssionalizante»<br />

Que ligação poderá haver entre violência e esta diversi<strong>da</strong>de de<br />

respostas e formações de cunho mais profi ssionalizante? «O<br />

que nós temos conseguido – sublinha Armandina Soares - é<br />

que os alunos sintam que estão a fazer alguma coisa na escola.<br />

Se sintam bem. E que aquilo que estão a fazer corresponde às<br />

suas características, às suas capaci<strong>da</strong>des. E penso que, quando<br />

isto acontece, instala-se de certa forma um clima de bem estar<br />

que é dissuasor de comportamentos violentos. Neste momento,<br />

genericamente, na sala de aula do ensino regular estão alunos<br />

que têm as condições adequa<strong>da</strong>s para fazer um percurso no<br />

ensino regular. Não temos aqueles alunos que estão completa-<br />

ei.nov./dez. 2004<br />

mente desfasa<strong>dos</strong>, que não conseguem<br />

acompanhar e como tal tendem a perturbar<br />

a aula. Se alguém está mal, não<br />

consegue nunca ter sucesso, tem que<br />

ser “herói” de qualquer maneira.<br />

«Na medi<strong>da</strong> em que nós temos conseguido<br />

proporcionar aos alunos condições<br />

para fazerem qualquer coisa<br />

em que se sintam bem, então reduz-se<br />

a tensão. Eles têm o seu espaço de<br />

trabalho, têm obrigações a cumprir,<br />

e manifestam-se assim de uma forma<br />

mais positiva.»<br />

Complementando todo este trabalho,<br />

a escola iniciou contactos com uma<br />

associação para o desenvolvimento<br />

de emprego na perspectiva de tentar<br />

criar, com alguns alunos, pequenas<br />

empresas, «encontrar apoio técnico na<br />

criação de empresas e no acompanhamento<br />

destes jovens».<br />

«Como há todo este acompanhamento,<br />

estes percursos alternativos, praticamente<br />

não temos insucesso», sublinha<br />

Armandina Soares.<br />

Muito trabalho<br />

Um acompanhamento<br />

pessoal<br />

«Na<strong>da</strong> é simples – porque nós fazemos<br />

muitas coisas e trabalhamos muito.<br />

Trabalha-se muito, com muito empenhamento<br />

e muita autonomia (e as duas<br />

coisas an<strong>da</strong>m liga<strong>da</strong>s). As pessoas têm<br />

muito a possibili<strong>da</strong>de de concretizar<br />

coisas que gostariam de fazer». Em<br />

síntese, será talvez este o segredo do<br />

sucesso <strong>da</strong> escola EB 2,3 de Vialonga.<br />

De par de um acompanhamento regular,<br />

pessoal <strong>dos</strong> alunos. Que «de alguma<br />

forma permite que eles vão encontrando<br />

os seus caminhos e por isso mesmo<br />

não haja problemas tão sensíveis».<br />

Há todo um trabalho de acompanhamento<br />

que se inicia, no princípio do<br />

ano lectivo, com reuniões com to<strong>da</strong>s<br />

as turmas <strong>da</strong> escola. Depois, em reuniões de turma, defi ne-se<br />

um programa de trabalho mais específi co.<br />

«Na reunião de professores analisamos as insufi ciências e<br />

tentamos perspectivar o que é necessário fazer. Vê-se quem<br />

trabalhou mal e quem trabalhou bem – e importa diferenciar<br />

as situações em ca<strong>da</strong> turma. Na ver<strong>da</strong>de os alunos participam<br />

assim na análise <strong>da</strong> sua própria situação.<br />

«Depois estas questões são discuti<strong>da</strong>s com o director de turma.<br />

Os professores defi nem as turmas em que é preciso reforçar<br />

trabalho ou mesmo mu<strong>da</strong>r de estratégia. Tudo isto exige muita<br />

refl exão permanente sobre as várias faces <strong>dos</strong> problemas e corresponde<br />

a um grande trabalho por parte do corpo docente.»<br />

Uma acção que se desenvolve num contexto de auto-aprendizagem<br />

e de trabalho de equipa. No dia-a-dia.<br />

Muito trabalho e<br />

muita exigência.<br />

Regras «como<br />

em casa». Uma intervenção<br />

constante. Relações<br />

pessoais fortes.<br />

Percursos diferencia<strong>dos</strong>,<br />

a<strong>da</strong>pta<strong>dos</strong> aos diferentes<br />

alunos. Um corpo<br />

docente estável, jovem,<br />

empenhado. Estas são<br />

algumas <strong>da</strong>s linhas de<br />

trabalho salienta<strong>da</strong>s por Armandina Soares, presidente<br />

do conselho executivo <strong>da</strong> escola.<br />

«Na<strong>da</strong> é simples – porque nós fazemos muitas<br />

coisas e trabalhamos muito.<br />

Trabalha-se muito, com muito empenhamento e muita<br />

autonomia (e as duas coisas an<strong>da</strong>m liga<strong>da</strong>s). As<br />

pessoas têm muito a possibili<strong>da</strong>de de concretizarem<br />

coisas que gostariam de fazer». Em síntese, será talvez<br />

este o segredo do sucesso <strong>da</strong> escola EB 2,3 de<br />

Vialonga. De par de um acompanhamento regular,<br />

pessoal <strong>dos</strong> alunos. Que «de alguma forma permite<br />

que eles vão encontrando os seus caminhos e por<br />

isso mesmo não haja problemas tão sensíveis».<br />

Há todo um trabalho de acompanhamento que se<br />

inicia, no princípio do ano lectivo, com reuniões<br />

com to<strong>da</strong>s as turmas <strong>da</strong> escola. Depois, em reuniões<br />

de turma, define-se um programa de trabalho mais<br />

específico.<br />

«Na reunião de professores analisamos as insuficiências<br />

e tentamos perspectivar o que é necessário<br />

fazer. Vê-se quem trabalhou mal e quem trabalhou<br />

bem – e importa diferenciar as situações em ca<strong>da</strong><br />

turma. Na ver<strong>da</strong>de os alunos participam assim na<br />

análise <strong>da</strong> sua própria situação.<br />

Depois estas questões são discuti<strong>da</strong>s com o director<br />

de turma. Os professores definem as turmas em<br />

que é preciso reforçar trabalho ou mesmo mu<strong>da</strong>r<br />

de estratégia. Tudo isto exige muita reflexão permanente<br />

sobre as várias faces <strong>dos</strong> problemas e<br />

corresponde a um grande trabalho por parte do<br />

corpo docente.»<br />

Uma acção que se desenvolve num contexto de<br />

auto-aprendizagem e de trabalho de equipa. No<br />

dia-a-dia.


Estágios nas<br />

Licenciaturas<br />

em Ensino<br />

Maria Odete Valente<br />

Presidente do Departamento de Educação <strong>da</strong> FCUL<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

CARTAS<br />

DE PROFESSORES<br />

Uma <strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s anuncia<strong>da</strong>s pelo Governo como parte<br />

<strong>da</strong> sua estratégia de redução de despesas no Ministério<br />

<strong>da</strong> Educação foi a de terminar com o pagamento <strong>dos</strong><br />

estágios <strong>da</strong>s Licenciaturas em Ensino, retirando aos estagiários<br />

a responsabili<strong>da</strong>de de leccionarem duas turmas<br />

durante o ano lectivo que corresponde ao 5º ano do<br />

plano de estu<strong>dos</strong> destas Licenciaturas.<br />

A leveza com que o assunto foi tratado e anunciado<br />

revela que a questão não foi sufi cientemente esclareci<strong>da</strong><br />

e que os proponentes ignoraram as instituições<br />

do Ensino Superior responsáveis pelas licenciaturas,<br />

ignoraram igualmente todo o enquadramento legal que<br />

sustenta as mesmas e ignoraram ain<strong>da</strong> todo o esforço<br />

de organização <strong>da</strong>s escolas e <strong>da</strong>s direcções regionais<br />

que prepararam o ano que se inicia em Setembro e<br />

para o que já nesta altura e nos termos <strong>da</strong> lei haviam<br />

sido indica<strong>da</strong>s as escolas onde decorreriam os estágios,<br />

respectivos orientadores e estagiários.<br />

Para quantos estejam longe destes processos é importante<br />

revelar que os estágios pe<strong>da</strong>gógicos incluí<strong>dos</strong><br />

nos planos <strong>da</strong>s licenciaturas <strong>da</strong>tam <strong>dos</strong> anos 70, mais<br />

concretamente nas Facul<strong>da</strong>des de Ciências desde o ano<br />

lectivo de 1972-73. Em 1976 é publicado o Decreto<br />

925/76 que regula os estágios em cumprimento do Decreto-Lei<br />

443/71. Posteriormente foram sendo publica<strong>da</strong>s<br />

portarias com ajustamentos e clarifi cações, a Portaria<br />

649/78, a Portaria 431/79, a Portaria 791/80, a Por-<br />

taria 176/83, o Despacho 103/78 e outros diplomas<br />

paralelos para as Universi<strong>da</strong>des “Novas” e Facul<strong>da</strong>des<br />

de Letras. Não interessa aqui fazer o historial completo<br />

mas chamar a atenção que este assunto é alvo de<br />

legislação há mais de 30 anos, sempre sustentando a<br />

ideia de que é muito relevante para a formação destes<br />

futuros professores uma prática profi ssional orienta<strong>da</strong><br />

que lhes exige a responsabilização pelo ensino em duas<br />

turmas, durante todo o ano, desde o primeiro dia até<br />

ao último, incluindo a avaliação <strong>dos</strong> seus alunos e a<br />

participação nos órgãos <strong>da</strong>s escolas em parceria com<br />

os outros docentes.<br />

Houve alguns ajustamentos, comissões e estu<strong>dos</strong> desenvolvi<strong>dos</strong><br />

a pedido do CRUP e sempre se manteve a<br />

estrutura básica, porque considera<strong>da</strong> uma mais valia,<br />

aliás sempre aprecia<strong>da</strong> internacionalmente quando<br />

apresenta<strong>da</strong> em instâncias de discussão de projectos<br />

de formação de professores. O último regulamento de<br />

estágios com algumas alterações e especifi cações sobre<br />

as obrigações <strong>da</strong>s comissões de estágios na Facul<strong>da</strong>de<br />

de Ciências de <strong>Lisboa</strong> foi publicado em Outubro de<br />

2003. O Decreto 925/76 continua em vigor como elemento<br />

fun<strong>da</strong>dor do estilo de estágios que estão agora<br />

em causa.<br />

No meio do ruído, porque para além do comunicado<br />

do Governo as instituições não têm tido qualquer informação<br />

ou discussão com as tutelas respectivas, vão-se<br />

fazendo comparações com as Escolas Superiores de<br />

Educação (ESE). Ora tais comparações não têm de<br />

momento qualquer sentido pois nas ESE a prática<br />

coincide com a formação ao longo <strong>dos</strong> quatro anos<br />

de licenciatura e neste modelo de formação que agora<br />

está a ser posto em causa o estágio é remetido para<br />

um só ano, o último <strong>da</strong> licenciatura, onde se concentra<br />

praticamente to<strong>da</strong> a activi<strong>da</strong>de. Neste ano, para além<br />

de alguns seminários realiza<strong>dos</strong> na universi<strong>da</strong>de, o estagiário<br />

desenvolve quase todo o seu trabalho na escola<br />

onde passa a maior parte do tempo. Pensar que isso é<br />

equivalente a umas visitas a turmas de professores que<br />

os deixam fazer algumas activi<strong>da</strong>des nas suas turmas<br />

é não saber entender as mais valias de um processo e<br />

não compreender as limitações do outro. Trata-se de<br />

substituir um modelo com provas <strong>da</strong><strong>da</strong>s por outro pro-<br />

15


16<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

jecto de formação totalmente minimalista.<br />

Porquê então esta ideia do Governo? Claro está que<br />

apenas orienta<strong>da</strong> pela poupança de recursos materiais.<br />

Ora acontece que por falta de imaginação deita-se o<br />

banho e o bebé fora, pois seria possível reduzir substancialmente<br />

os custos sem alterar de um dia para o<br />

Do que<br />

não gostamos<br />

Escola Secundária de Mem Martins,<br />

20 de Junho de 2005<br />

Excelentíssima Senhora Ministra <strong>da</strong> Educação<br />

Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues<br />

Não! Não é um manifesto de protesto!<br />

Não! Não é um libelo reivindicativo!<br />

Não é nem manifesto nem libelo pela simples razão de<br />

que nós, subscritores, somos muito diferentes e pensamos<br />

de maneira diversa. Temos até posturas quase opostas<br />

face às medi<strong>da</strong>s que V. Exª e o seu Ministério têm vindo<br />

a anunciar. Em comum temos a circunstância de to<strong>dos</strong><br />

nós, por uma razão ou por outra, não estarmos a fazer<br />

greve. Mas, relativamente àquelas (medi<strong>da</strong>s), uns há<br />

que se opõem terminantemente; outros que subscrevem<br />

quase incondicionalmente, alguns apoiam e/ou<br />

desaprovam parcialmente e outros estão até, digamos,<br />

indiferentes.<br />

Assim sendo poderá perguntar o que nos leva a, em<br />

conjunto, escrever-lhe? É que não somos indiferentes<br />

a uma linha de actuação que nos parece, no mínimo,<br />

ver<strong>da</strong>deiramente incompreensível. E este incompreensível<br />

deriva do facto de não gostarmos de um conjunto<br />

de coisas.<br />

1. Não gostamos que o poder político (leia-se Vossa<br />

Excelência) divi<strong>da</strong> os professores entre “aqueles que não<br />

se preocupam com as suas crianças” (leia-se os grevistas)<br />

e “os que se preocupam” (leia-se os não grevistas)!<br />

2. Não gostamos que o poder político (leia-se Vossa Excelência)<br />

divi<strong>da</strong> os professores entre “aqueles que querem<br />

prejudicar os alunos e os professores” (os grevistas)<br />

e os que não o pretendem fazer (os não grevistas)!<br />

outro uma estrutura de formação sobre a qual há muito<br />

trabalho de refl exão e experiência. Mas não quiseram<br />

ouvir ninguém e ultrapassaram sem ouvir nem respeitar<br />

a autonomia e responsabili<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s instituições de ensino<br />

superior, querendo-lhe formatar um ano <strong>da</strong>s suas<br />

licenciaturas.<br />

3. Não gostamos que Vossa Excelência deci<strong>da</strong>, numa<br />

sexta-feira (17/6), alargar a nível nacional a “requisição”<br />

de to<strong>dos</strong> os professores (serviços mínimos) de<br />

forma a garantir o serviço de exames para o período<br />

de 20 a 23 de Junho quando existia já uma directiva<br />

que procurava esbater a greve prevista e anuncia<strong>da</strong> a<br />

nível regional!<br />

4. Não gostamos que, em virtude <strong>da</strong> decisão enuncia<strong>da</strong><br />

em 3 ter chegado às Escolas apenas após as 17 horas,<br />

decorram gastos signifi cativos quer em comunicações<br />

Fax (Ministério-Escolas) quer em telefónicas (Escolasprofessores)<br />

contribuindo, assim, para o agravar do<br />

tão falado defi cit!<br />

5. Não gostamos de surgir como “mobilizáveis” seja por<br />

quem for (leia-se Ministério e/ou <strong>Sindicato</strong>s)!<br />

6. Não gostamos, parafraseando o antigo primeiroministro<br />

Pinheiro de Azevedo (20/11/1975), de ser<br />

“sequestra<strong>dos</strong>” numa sala como reservas de solução<br />

de um problema que não existe!<br />

Cremos não ser necessário continuar o inventário <strong>dos</strong><br />

nossos “não-gostos” (desgostos?) já que a mensagem<br />

que queremos transmiti<strong>da</strong> sintetiza-se em duas ideias:<br />

a) a recusa <strong>da</strong> antiga (e de triste memória) ideia de<br />

“quem não é por nós é contra nós”;<br />

b) a pretensão de tudo modifi car ao arrepio de tudo e<br />

de to<strong>dos</strong> num monólogo de autori<strong>da</strong>de está, em democracia,<br />

condena<strong>da</strong> ao fracasso.<br />

E, permita-se-nos, <strong>da</strong>do o tom algo informal que a esta<br />

carta conferimos confessar-lhe que de alguma forma<br />

este “despropositado sequestro” teve alguns efeitos<br />

positivos.<br />

Permitiu-nos, por exemplo constatar que as situações<br />

de indisciplina não atingem apenas os professores mais<br />

novos, mais velhos, do sexo masculino, do feminino…<br />

Permitiu-nos perceber que a indisciplina não se restringe<br />

ao espaço aula…<br />

Permitiu-nos saber que as situações de insegurança<br />

(mormente os assaltos) não ocorrem apenas <strong>da</strong> parte<br />

de tarde…<br />

Permitiu-nos perceber que salas há (onde estamos<br />

“reuni<strong>dos</strong>” por exemplo) que atingem temperaturas<br />

incompatíveis com o normal concretizar de qualquer<br />

activi<strong>da</strong>de lectiva…<br />

Permitiu a alguns de nós perceber as angústias e an-


seios <strong>dos</strong> colegas que estão envolvi<strong>dos</strong> no concurso de<br />

professores…<br />

Permitiu-nos, nesta sequência, desejar que o Concurso<br />

decorra bem melhor este ano. Minimizar-se-ão estes<br />

Que privilégios?<br />

José Joaquim Araújo<br />

Carnaxide<br />

Sou professor desde 1985. Tirei uma licenciatura em<br />

Ensino que paguei com o meu trabalho. Tenho duas<br />

pós-graduações que paguei do meu bolso. Encontro-me<br />

(congelado) no 8º Escalão <strong>da</strong> Carreira Docente. Leccionei,<br />

durante o presente ano lectivo, as disciplinas de<br />

Língua Portuguesa, Francês, Ofi cina de Teatro (oferta<br />

<strong>da</strong> escola), Área de Projecto e Formação Cívica. Fui<br />

director de turma e responsável pela coordenação<br />

pe<strong>da</strong>gógica <strong>da</strong> Formação Cívica. Ponho do meu bolso<br />

muitas vezes para que alguns alunos possam participar<br />

nas activi<strong>da</strong>des (este ano, por exemplo, paguei os bilhetes<br />

a alunos numa visita de estudo ao Teatro Nacional<br />

D. Maria II).<br />

Moção<br />

Escola Secundária de Camões<br />

O comprometimento desta Assembleia de Escola com<br />

a “defesa <strong>da</strong> Escola pública de quali<strong>da</strong>de” obriga-nos<br />

a considerar inaceitável a forma como o Ministério<br />

<strong>da</strong> Educação tem agido durante o período de greve<br />

legalmente marca<strong>da</strong> pelos professores, quer através <strong>da</strong><br />

imposição de serviços mínimos, quer através de sucessivos<br />

despachos e declarações <strong>da</strong> Senhora Ministra e<br />

a <strong>Greve</strong><br />

ESCOLA INFORMAÇÂO<br />

nº 199 . jun./jul. 2005<br />

anseios e evitar-se-á o dispêndio adicional, ocorrido no<br />

ano passado (e cujo responsável se desconhece), de 10<br />

milhões de euros (foi este o montante encontrado pela<br />

inspecção não foi?)<br />

Trabalhei durante o feriado municipal (7 de Junho), no<br />

dia 9 até às 24 horas e no sábado, 11 de Junho, to<strong>da</strong> a<br />

manhã a montar uma exposição de to<strong>dos</strong> os trabalhos<br />

<strong>da</strong> Área de Projecto. Carreguei escadotes, expositores,<br />

subi e desci. Não meti um único atestado médico durante<br />

o ano. E vêm falar <strong>da</strong> porra <strong>dos</strong> privilégios. Recebi de<br />

vencimento, no mês de Maio, 1437,22 euros. Descontei<br />

para a Caixa Geral de Aposentações/Segurança Social<br />

201,41 euros e de IRS 433,00 euros. Privilégios? Troco<br />

já por uma outra profi ssão com o mesmo salário e que<br />

se f… os privilégios!<br />

Não vivo no luxo. Não passo férias no estrangeiro.<br />

Pago mensalmente à CGD a hipoteca de um T3, sem<br />

garagem e sem piscina. Pago mensalmente um Hon<strong>da</strong><br />

Jazz. Não tenho Audi, BMW, Mercedes, jipe, casa de<br />

férias. Que porra de privilégios?<br />

Venham <strong>da</strong>r aulas. Venham ver como se comporta a<br />

maioria <strong>dos</strong> alunos dentro e fora <strong>da</strong> sala de aulas!<br />

Venham ver a falta de autori<strong>da</strong>de, a falta de respeito,<br />

o enxovalho quase permanente! Com isto não está<br />

preocupado o Ministério <strong>da</strong> Educação, nem a Confap.<br />

Areia para os olhos!<br />

Sou professor, repito, não um malfeitor. Não sou comunista,<br />

não sou sindicalizado e vou aderir à greve<br />

porque estou farto <strong>da</strong> incompetência e <strong>da</strong> prepotência<br />

do ministério, <strong>da</strong> Confap e <strong>da</strong> opinião pública!<br />

(in “O Público”)<br />

<strong>dos</strong> Senhores Secretários de Estado, convocando to<strong>dos</strong><br />

os professores para o serviço de exames, intimi<strong>da</strong>ndo<br />

quer os professores que viessem a aderir à greve quer<br />

os órgãos de gestão (nomea<strong>da</strong>mente os Presidentes <strong>dos</strong><br />

Conselhos Executivos).<br />

A Assembleia responsabiliza também o Ministério pelas<br />

consequências <strong>da</strong> interrupção <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des lectivas<br />

no ensino nocturno e nos 10º e 11º anos do ensino<br />

diurno.<br />

A Assembleia <strong>da</strong> Escola Secundária de Camões, reuni<strong>da</strong><br />

no dia 22 de Junho de 2005, apela assim a to<strong>dos</strong><br />

os professores desta escola, a que reforcem os laços<br />

de soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>de mútua em defesa <strong>da</strong> sua digni<strong>da</strong>de<br />

enquanto professores.<br />

Aprova<strong>da</strong> por unanimi<strong>da</strong>de na reunião <strong>da</strong><br />

Assembleia de Escola do dia 22 de Junho de 2005<br />

17


17 de Junho Manifestação Naciona<br />

SPGL<br />

membro <strong>da</strong> FENPROF<br />

SINDICATO DOS PROFESSORES DA GRANDE LISBOA<br />

Sau<strong>da</strong>ção au<strong>da</strong>ção aos <strong>Professores</strong><br />

e Educadores<br />

A direcção do <strong>Sindicato</strong> <strong>dos</strong> <strong>Professores</strong> <strong>da</strong> <strong>Grande</strong> <strong>Lisboa</strong><br />

felicita os professores e educadores <strong>da</strong> área <strong>da</strong> DREL<br />

que, resistindo às miseráveis ameaças e intimi<strong>da</strong>ções a<br />

que foram sujeitos, aderiram na sua grande maioria à<br />

greve decreta<strong>da</strong> para 21 de Junho.<br />

As medi<strong>da</strong>s ilegais toma<strong>da</strong>s pelo Ministério <strong>da</strong> Educação<br />

e pelo Ministério do Trabalho, traduzi<strong>da</strong>s na imposição<br />

ilegal <strong>dos</strong> “serviços mínimos”, na ameaça de processos<br />

disciplinares, de faltas injustifi ca<strong>da</strong>s e na ordem aos<br />

conselhos executivos de substituição <strong>dos</strong> professores<br />

em greve que tivessem serviço de exame atribuído e aos<br />

secretaria<strong>dos</strong> de exame, se possibilitaram a realização<br />

<strong>dos</strong> exames, contra os quais os sindicatos <strong>da</strong> FENPROF<br />

e <strong>da</strong> FNE não decretaram greve, foram insufi cientes<br />

para amedrontar a maioria <strong>dos</strong> docentes.<br />

Os professores e educadores <strong>da</strong> área <strong>da</strong> DREL mostraram<br />

inequivocamente que estão contra os ataques à sua carreira<br />

e à sua digni<strong>da</strong>de pessoal e profi ssional desencadea<strong>dos</strong><br />

pelo Governo. Esta jorna<strong>da</strong> de luta, ao cimentar a<br />

uni<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> docentes, ajudou a criar as condições para<br />

prosseguir o combate pela quali<strong>da</strong>de <strong>da</strong> Escola, o que só<br />

é possível com o respeito devido aos professores – que<br />

o ME ofendeu sistematicamente<br />

A direcção do SPGL<br />

Muitos milhare<br />

sores, de to<br />

estiveram pr<br />

quela que m<br />

deraram a m<br />

festação de<br />

Administração Pública.<br />

A anteceder a semana <strong>da</strong>s greve<br />

<strong>dos</strong> professores e educadores,<br />

nossa revolta, juntamente com<br />

lhadores de to<strong>da</strong> a administraç<br />

contra o roubo do tempo de ser<br />

o congelamento <strong>da</strong>s progressõe<br />

agravamento <strong>da</strong>s condições de<br />

ção, contra a imposição e pela<br />

gociação.<br />

No meio de um mar de bande<br />

cartas assinale-se a alegria e<br />

cia que os professores souberam<br />

esta forma de luta.<br />

Dia Nacional de Luta


l <strong>da</strong> Administração Pública<br />

s de profesdo<br />

o país,<br />

esentes nauitosconsiaiormanisempre<br />

<strong>da</strong><br />

s regionais<br />

gritámos a<br />

os trabaão<br />

pública,<br />

viço, contra<br />

s, contra o<br />

aposentaefectivane-<br />

iras e panairreverênimprimir<br />

a<br />

promovido pela CGTP<br />

28 de Junho<br />

Quatorze iniciativas em todo o território nacional (sim..., também<br />

houve nos Açores e na Madeira e os Açores são território nacional,<br />

nós não temos dúvi<strong>da</strong>s quanto a isso) concretizaram esta jorna<strong>da</strong><br />

que em <strong>Lisboa</strong> teve o seu início na Praça do Município e se deslocou<br />

depois para a Assembleia <strong>da</strong> República de onde uma delegação<br />

foi entregar a moção entretanto aprova<strong>da</strong> à residência ofi cial<br />

do primeiro ministro. Em Santarém a concentração foi no Parque Sá <strong>da</strong> Bandeira<br />

e a deslocação foi para o Governo Civil. Em ambas as iniciativas os professores<br />

marcaram forte presença.<br />

Da moção aprova<strong>da</strong> nesta jorna<strong>da</strong> destacamos dois pontos:<br />

“Exigir uma ruptura com o actual modelo de desenvolvimento, o que passa por um<br />

corte com as políticas económicas e sociais erra<strong>da</strong>s que têm sido segui<strong>da</strong>s e que<br />

estão na origem <strong>da</strong> grave situação presente. (...) Manifestar disponibili<strong>da</strong>de para<br />

continuar a luta,(...) condição indispensável para garantir a defesa <strong>dos</strong> direitos<br />

e contribuir para viabilizar uma efectiva mu<strong>da</strong>nça de políticas que traga ao país<br />

progresso e justiça social”.<br />

JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 19


BARTOLOMEU VALENTE,<br />

Sócio nº 6893<br />

O PROBLEMA DO FISCO<br />

1<br />

Há uma solução fácil do problema <strong>da</strong> fuga e fraude<br />

fiscal: é colocar o país inteiro a controlar<br />

aquilo. Como? Com uma medi<strong>da</strong> que mobilize<br />

to<strong>dos</strong> os ci<strong>da</strong>dãos e simultaneamente seja facilmente<br />

exequível pelos serviços fiscais. Ora, há uma fórmula<br />

que corresponde a isto.<br />

Como sabemos, a fuga maior atinge 98% do sector <strong>dos</strong><br />

profissionais liberais (médicos, advoga<strong>dos</strong>, engenheiros,<br />

arquitectos, psicólogos…) e <strong>dos</strong> trabalhadores por<br />

conta própria (canalizadores, pedreiros, trolhas, electricistas,<br />

pintores, vendedores ambulantes, feirantes…)<br />

– um estrato social que hoje em maioria pertence, em<br />

termos económicos, à classe média alta ou alta (é normal,<br />

por exemplo, embora desconhecido do público,<br />

<strong>dos</strong> políticos e <strong>da</strong>s finanças, que um vendedor à entra<strong>da</strong><br />

dum estádio de futebol faça perto de 500 contos líqui<strong>dos</strong><br />

num único jogo – tivemos oportuni<strong>da</strong>de de conferi-lo<br />

e confirmá-lo com um deles, porque também nos<br />

custou a acreditar).<br />

Logo atrás destes figura, com 68% de não-pagantes,<br />

o leque <strong>dos</strong> industriais, comerciantes e prestadores de<br />

serviços.<br />

Para o primeiro sector, o fisco tem um recurso de controlo<br />

que há muitos anos utiliza sem dificul<strong>da</strong>de, embora<br />

com reduzi<strong>da</strong> eficácia: os “recibos verdes” que<br />

são levanta<strong>dos</strong> em ca<strong>da</strong> repartição de finanças, com registo<br />

<strong>da</strong> quanti<strong>da</strong>de de livros requeri<strong>dos</strong>, números <strong>dos</strong><br />

recibos e respectivo contribuinte. Qualquer medi<strong>da</strong> que<br />

leve à generalização disto não apresenta qualquer dificul<strong>da</strong>de<br />

técnica de execução por parte <strong>dos</strong> serviços, de<br />

há muito habitua<strong>dos</strong> a cumpri-lo, embora em pequena<br />

escala, até agora. Será só uma questão de quanti<strong>da</strong>de<br />

(leva a mais emprego: é bom!).<br />

Como vamos convencer to<strong>da</strong> a gente a passar recibos<br />

verdes?<br />

Através duma fórmula simples. Depois do cálculo do<br />

IRS/IRC, to<strong>dos</strong> os contribuintes terão direito a um desconto<br />

final, na contribuição, por exemplo do valor de<br />

1% do somatório total de recibos verdes que tiverem<br />

nesse ano, até a soma destes atingir 5000 euros, passando,<br />

a partir deste montante e por escalões de cinco<br />

mil em cinco mil euros, a reduzir-se o desconto por uma<br />

progressão geométrica de factor 2, a partir de 1 euro a<br />

menos para o total do segundo escalão (de cinco a dez<br />

mil euros de recibos).<br />

20. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />

Exemplificando:<br />

- Se o contribuinte juntou recibos verdes no total de<br />

2.500 euros, descontar-se-lhe-á no montante a pagar<br />

25 euros (1% do total);<br />

- Se juntou 5.000 euros de recibos, descontará 50 euros<br />

(igualmente 1%);<br />

- Se juntou 7.500 euros de recibos, descontará 75 euros<br />

menos a percentagem de redução correspondente<br />

a este segundo escalão, 50 cêntimos (se fossem 10.000<br />

euros, descontaria 1 euro; como 2.500 – o que excede<br />

os primeiros 5.000 – é metade do segundo escalão,<br />

implica também metade do desconto);<br />

- Se juntou 15.000 euros de recibos, desconta 150 menos<br />

2 euros (aplicação do factor 2 <strong>da</strong> progressão geométrica);<br />

- Se juntou 20.000 euros, desconta 200 menos 4 (progressão<br />

de factor 2);<br />

- Se forem 25.000, serão 250 menos 8 e assim sucessivamente.<br />

Com a aplicação <strong>da</strong> redução do benefício em progressão<br />

geométrica, a partir <strong>dos</strong> 35.000 euros de recibos<br />

verdes já não haverá lugar a desconto nenhum. A medi<strong>da</strong><br />

beneficiará to<strong>dos</strong> os rendimentos <strong>da</strong> classe baixa<br />

e média até à média alta e reduz-se gradualmente à<br />

medi<strong>da</strong> que se sobe no montante <strong>dos</strong> dispêndios que<br />

o contribuinte fez, o que é uma medi<strong>da</strong> de clara justiça<br />

redistributiva. Por outro lado, quem fizer despesas<br />

de montante superior é normal que se habitue tanto a<br />

requerer recibos verdes que não pare nunca mais, mesmo<br />

ultrapassando aquele tecto, até porque nem se <strong>da</strong>rá<br />

conta de quando tal ocorrerá.<br />

Aplicando esta medi<strong>da</strong>, a muito breve prazo to<strong>dos</strong> os<br />

profissionais liberais e por conta própria terão de enfrentar<br />

o dilema: ou passam recibos verdes ou perdem<br />

a clientela em benefício <strong>dos</strong> que os passarem, uma vez<br />

que to<strong>da</strong> a gente os vai querer para não ficar prejudica<strong>da</strong>.<br />

Concomitantemente, seria de estender a mesma medi<strong>da</strong><br />

a to<strong>dos</strong> os retalhistas industriais, comerciantes e prestadores<br />

de serviços: terão de passar recibos verdes aos<br />

clientes para estes poderem beneficiar <strong>da</strong>quele bónus.<br />

To<strong>dos</strong> os outros tipos de recibos só servirão para as funções<br />

actuais, não para aquele benefício específico de<br />

desconto. O mesmo dilema se lhes irá pôr, não tar<strong>da</strong>:<br />

ou os passam ou perdem a clientela para a concorrên-


cia que os passar. E na sequência, para não arrostarem<br />

sozinhos com todo o peso do IRC, terão de pedir sistematicamente<br />

recibos normais aos respectivos fornecedores,<br />

a montante deles. Por aqui controlar-se-á o sistema<br />

inteiro.<br />

Com isto aplicado sanar-se-á o maior cancro cívico <strong>da</strong><br />

nossa democracia, a fuga sistemática e generaliza<strong>da</strong><br />

<strong>dos</strong> mais abasta<strong>dos</strong> ao fisco. E deixa de haver o problema<br />

crónico do défice financeiro, bem como o <strong>da</strong> falta<br />

de recursos para o investimento público. É só as repartições<br />

de finanças alargarem eficientemente a aplicação<br />

do esquema já montado <strong>dos</strong> recibos verdes, com os<br />

respectivos registos na base de <strong>da</strong><strong>dos</strong> sempre actualiza<strong>dos</strong><br />

e acessíveis a partir de qualquer ponto <strong>da</strong> sua rede<br />

informática privativa. Depois é só fiscalizar e penalizar<br />

intransigentemente quem pise o risco (simulando perder<br />

livros, falsificando recibos, fabricando-os clandestinamente…).<br />

Se a rede informática <strong>da</strong>s Finanças estiver um caos,<br />

como recentemente os responsáveis referiram, então<br />

olhem que o Banco Santander (com to<strong>dos</strong> os lucros, tamanho<br />

e eficácia que tem), por exemplo, escolheu para<br />

reprogramar to<strong>da</strong> a sua rede a empresa portuguesa<br />

“Infosistema” e que, feito o trabalho, voltou a preferi-la,<br />

em concurso internacional, mesmo contra “monstros”<br />

multinacionais tão consagra<strong>dos</strong> como a Oni, para<br />

supervisionar e assistir to<strong>da</strong> a rede do Totta que adquiriu.<br />

Trata-se duma empresa portuguesa, é <strong>da</strong>s melhores<br />

do mundo e está aqui à mão de semear! Tanto quanto<br />

pude saber, nem sequer é cara… E se calhar nem é a<br />

única…<br />

Finalmente, o modelo “recibo verde” pode ser mais ou<br />

menos apelativo, bem como introduzir maiores ou menores<br />

benefícios fiscais (com a correspondente maior ou<br />

SANTANA CASTILHO,<br />

PROFESSOR DO ENSINO SUPERIOR<br />

CARTA ABERTA AO ENGº JOSÉ SÓCRATES<br />

Esta é a terceira carta que lhe dirijo. As duas primeiras,<br />

motiva<strong>da</strong>s por um convite que formulou<br />

mas não honrou, ficaram descortesmente sem<br />

resposta. A forma escolhi<strong>da</strong> para a presente é obviamente<br />

retórica e assenta num direito que o Senhor<br />

ain<strong>da</strong> não eliminou: o de manifestar publicamente<br />

indignação perante a mentira e as opções injustas e<br />

erra<strong>da</strong>s <strong>da</strong> governação.<br />

menor justiça social), conforme se façam variar, quer a<br />

percentagem de desconto de parti<strong>da</strong> (basta subir de 1<br />

para 2%, para o montante saltar de 50 para 100 euros<br />

de desconto por escalão), quer o factor de redução <strong>da</strong><br />

progressão geométrica (se em vez de 2 for 1,5, por<br />

exemplo, prolongará o desconto muito para além do<br />

escalão <strong>dos</strong> 35.000 euros) ou o seu ponto de parti<strong>da</strong><br />

(se em lugar do segundo for o terceiro escalão, terminará<br />

o desconto igualmente um escalão depois, o <strong>dos</strong><br />

40.000 euros, e assim sucessivamente).<br />

2<br />

No que se reporta aos retalhistas, convém estender o<br />

“recibo verde” prioritária e urgentemente, desde já,<br />

àqueles que tendem a fugir ao fisco praticamente a<br />

100% e que são, pelos menos, os que se seguem.<br />

Na indústria, todo o sector <strong>da</strong> restauração e diversão<br />

nocturna: restaurantes, snack-bares, cafetarias, pastelarias,<br />

confeitarias, come-em-pé, comi<strong>da</strong> rápi<strong>da</strong>, boites,<br />

discotecas, <strong>da</strong>nceterias, bares…<br />

No comércio, todo o sector de ven<strong>da</strong> a retalho: super e<br />

hipermerca<strong>dos</strong>, lojas de centros e de zonas comerciais<br />

e lojas de bairro de todo o tipo de produtos…<br />

Nos serviços, todo o sector retalhista de viagens e turismo:<br />

as agências de viagens, os promotores individuais<br />

de viagens e passeios de turismo interno e internacional,<br />

as pousa<strong>da</strong>s, hotéis, residenciais, os empreendimentos<br />

de turismo rural, histórico e cultural…<br />

Se isto for feito, a economia paralela, na maior parte<br />

<strong>dos</strong> casos, fica encosta<strong>da</strong> à parede, a breve trecho,<br />

e em vez do problema fiscal acabaremos a na<strong>da</strong>r, se<br />

calhar, em dinheiro disponível para tudo, até para o<br />

investimento público hoje tão urgente.<br />

Portela, 11 de Março de 2005<br />

Por acção e omissão, o Senhor deu uma boa achega<br />

à ideia, que ultimamente ganhou forma na socie<strong>da</strong>de<br />

portuguesa, segundo a qual os funcionários públicos<br />

seriam os responsáveis primeiros pelo descalabro<br />

<strong>da</strong>s contas do Estado e pelos malefícios <strong>da</strong> nossa<br />

economia. Sendo a administração pública a própria<br />

imagem do Estado junto do ci<strong>da</strong>dão comum, é quase<br />

masoquista o seu comportamento. Desminta, se pu-<br />

JUN./JUL..ESCOLA INFORMAÇÃO .21


der, o que passo a afirmar:<br />

1. Do Statistics in Focus nº 41/2004, produzido<br />

pelo departamento oficial de estatísticas <strong>da</strong> União<br />

Europeia, retira-se que a despesa portuguesa com os<br />

salários e benefícios sociais <strong>dos</strong> funcionários públicos<br />

é inferior à mesma despesa média <strong>dos</strong> restantes<br />

países <strong>da</strong> Zona Euro.<br />

2. Outra publicação <strong>da</strong> Comissão Europeia, L”Emploi<br />

en Europe 2003, permite comparar a percentagem<br />

<strong>dos</strong> emprega<strong>dos</strong> do Estado em relação à totali<strong>da</strong>de<br />

<strong>dos</strong> emprega<strong>dos</strong> de ca<strong>da</strong> país <strong>da</strong> Europa <strong>dos</strong> 12. E<br />

que vemos? Que em média, nessa Europa, 25,6 por<br />

cento <strong>dos</strong> emprega<strong>dos</strong> são emprega<strong>dos</strong> do Estado,<br />

enquanto em Portugal essa percentagem é de apenas<br />

18 por cento. Ou seja, a mais baixa <strong>dos</strong> 12 países,<br />

com excepção <strong>da</strong> Espanha. As ricas Dinamarca<br />

e Suécia têm quase o dobro, respectivamente 32 e<br />

32,6 por cento. Se fosse directa a relação entre o<br />

peso <strong>da</strong> administração pública e o défice, como estaria<br />

o défice destes dois países?<br />

3. Um <strong>dos</strong> slogans mais usa<strong>dos</strong> é o do peso <strong>da</strong>s<br />

despesas de saúde. A insuspeita OCDE diz que na<br />

Europa <strong>dos</strong> 15 o gasto médio por habitante é de<br />

1458. Em Portugal esse gasto é... 758. To<strong>dos</strong> os restantes<br />

países, com excepção <strong>da</strong> Grécia, gastam mais<br />

que nós. A França 2730, a Áustria 2139, a Irlan<strong>da</strong><br />

1688, a Finlândia 1539, a Dinamarca 1799, etc.<br />

Com o anterior não pretendo dizer que a administração<br />

pública é um poço de virtudes. Não é. Presta<br />

serviços que não justificam o dinheiro que consome.<br />

Particularmente na saúde, na educação e na justiça.<br />

É um santuário de burocracia, de ineficiência e de<br />

ineficácia. Mas, infelizmente para o país, os mesmos<br />

paradigmas são transferíveis para o sector privado.<br />

Donde a questão não reside no maniqueísmo em<br />

que o Senhor e o seu ministro <strong>da</strong>s Finanças caíram,<br />

lançando um perigoso anátema sobre o funcionalismo<br />

público. A questão reside em corrigir o que está<br />

mal, seja público, seja privado. A questão reside em<br />

fazer escolhas acerta<strong>da</strong>s. O Senhor optou pelas piores.<br />

De entre muitas razões que o espaço não permite,<br />

deixe-me que lhe aponte duas:<br />

1. Sobre o sistema de reformas <strong>dos</strong> funcionários públicos<br />

têm-se dito barbari<strong>da</strong>des. Como é sabido, a<br />

taxa social sobre os salários cifra-se em 34,75 por<br />

cento (11 por cento pagos pelo trabalhador, 23,75<br />

por cento pagos pelo patrão). Os funcionários públicos<br />

pagam os seus 11 por cento. Mas o seu patrão<br />

Estado não entrega mensalmente à Caixa Geral de<br />

Aposentações, como lhe competia e exige aos de-<br />

22. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />

mais empregadores, os seus 23,75 por cento. E é<br />

assim que as “transferências” orçamentais assumem<br />

perante a opinião pública não esclareci<strong>da</strong> o odioso<br />

de serem formas de sugar os dinheiros públicos. Por<br />

outro lado, to<strong>dos</strong> os funcionários públicos que entraram<br />

ao serviço em Setembro de 1993 já verão a sua<br />

reforma calcula<strong>da</strong> segundo os critérios aplica<strong>dos</strong><br />

aos restantes portugueses.<br />

Estamos a falar de quase metade <strong>dos</strong> activos. E o<br />

sistema estabilizará nessa base em pouco mais de<br />

uma déca<strong>da</strong>.<br />

Mas o seu pior erro, Senhor Engenheiro, foi ter escolhido<br />

para artífice <strong>da</strong>s iniqui<strong>da</strong>des que subjazem à<br />

sua política o ministro Campos Cunha, que não teve<br />

pruri<strong>dos</strong> políticos, morais ou éticos por acumular aos<br />

seus 7000 euros de salário os 8000 de uma reforma<br />

consegui<strong>da</strong> com seis anos de serviço. E com a<br />

agravante de a obscena decisão legal que a suporta<br />

ter origem numa proposta de um colégio de que o<br />

próprio fazia parte.<br />

2. Quando escolheu aumentar os impostos, viu o défice<br />

e ignorou a economia. Foi ao arrepio do que<br />

se passa na Europa. A Finlândia <strong>dos</strong> seus encantos<br />

baixou-os em quatro pontos percentuais, a Suécia<br />

em 3,3 e a Alemanha em 3,2. Porque não optou por<br />

cobrar os 3,2 mil milhões de euros que as empresas<br />

priva<strong>da</strong>s devem à segurança social? Porque não pôs<br />

em prática um plano para fazer an<strong>da</strong>r a execução<br />

<strong>da</strong>s dívi<strong>da</strong>s fiscais pendentes nos tribunais tributários<br />

e que somam 20.000 milhões de euros? Porque não<br />

actuou do lado <strong>dos</strong> benefícios fiscais, que em 2004<br />

significaram 1000 milhões de euros? Porque não modificou<br />

o quadro legal que permite aos bancos, que<br />

duplicaram lucros em época recessiva, pagar apenas<br />

13 por cento de impostos? Porque não revogou<br />

a famigera<strong>da</strong> Reserva Fiscal de Investimento e a iníqua<br />

lei que permitiu à PT Telecom não pagar impostos<br />

pelos prejuízos que teve... no Brasil, o que, por<br />

junto, representará cerca de 6500 milhões de euros<br />

de receita fiscal perdi<strong>da</strong>?<br />

A ver<strong>da</strong>de e a coragem foram atributos que Vossa<br />

Excelência invocou para se diferenciar <strong>dos</strong> seus<br />

opositores. Quando subiu os impostos, que perante<br />

milhões de portugueses garantiu que não subiria,<br />

ficámos to<strong>dos</strong> esclareci<strong>dos</strong> sobre a sua ver<strong>da</strong>de.<br />

Quando elegeu os desemprega<strong>dos</strong>, os reforma<strong>dos</strong><br />

e os funcionários públicos como principais instrumentos<br />

de combate ao défice, percebemos de que teor é<br />

a sua coragem.<br />

Texto publicado no “Público” de 25 de Junho.


Os 1300 horários <strong>dos</strong> dirigentes sindicais<br />

Qual é a ver<strong>da</strong>de?<br />

No ataque que o Governo decidiu fazer<br />

aos professores em geral e aos dirigentes<br />

sindicais em particular tem valido tudo.<br />

José Sócrates no debate de 24 de Junho na<br />

Assembleia <strong>da</strong> República até usou o número<br />

de horários atribuí<strong>dos</strong> aos dirigentes sindi-<br />

cais para acirrar os ânimos <strong>da</strong> população<br />

particularmente contra os sindicatos – 1300<br />

horários “pagos pelo Estado”.<br />

Sem dizer a quantos sindicatos se referia,<br />

o Primeiro Ministro usou o número <strong>dos</strong><br />

horários atribuí<strong>dos</strong> pelos sucessivos governos<br />

ao movimento sindical como se<br />

to<strong>dos</strong> os sindicatos fossem iguais, isto é,<br />

representassem o mesmo número de docentes<br />

ou como se to<strong>dos</strong> usassem o mesmo número<br />

de horários. Usou esse <strong>da</strong>do sabendo de antemão<br />

que tanto a FENPROF como a FNE – as duas federações<br />

mais visa<strong>da</strong>s nos ataques do Governo por<br />

causa <strong>da</strong>s greves que tinham terminado na véspera<br />

- já tinham <strong>da</strong>do acordo à proposta do Ministério <strong>da</strong><br />

Educação sobre o assunto. Esta não é uma atitude<br />

séria, torna-se necessário clarificar a situação.<br />

A ver<strong>da</strong>de é que, durante anos, sucessivos governos<br />

assistiram e em alguns casos até alimentaram a<br />

criação de sindicatos, atribuindo-lhes pacificamente<br />

horários para o exercício <strong>da</strong> activi<strong>da</strong>de sindical em<br />

função <strong>dos</strong> estatutos apresenta<strong>dos</strong> por ca<strong>da</strong> organização,<br />

e, julgamos nós, respeitando a lei. É assim<br />

que para além <strong>dos</strong> sindicatos que integram as<br />

duas federações de professores mais representativas<br />

– FENPROF e FNE – existem hoje mais 10 sindicatos<br />

nacionais.<br />

De acordo com a lei sindical geral, não é privilégio<br />

<strong>dos</strong> docentes, os dirigentes sindicais têm direito a<br />

faltar justifica<strong>da</strong>mente 4 dias por mês para o exercício<br />

<strong>da</strong> sua activi<strong>da</strong>de. Esses dias de falta justifica<strong>da</strong><br />

podem ser acumula<strong>dos</strong> e/ou, no caso <strong>dos</strong> professores,<br />

transforma<strong>dos</strong> em reduções totais ou parciais <strong>da</strong><br />

componente lectiva. É neste quadro que foram atribuí<strong>dos</strong><br />

pelo Ministério <strong>da</strong> Educação, aos dirigentes<br />

sindicais no ano 2004/2005, os tais 1327 horários<br />

(números do Ministério).<br />

Desse “gigantesco” número, no que aos sindicatos<br />

<strong>da</strong> FENPROF diz respeito, de acordo com os estatutos<br />

<strong>dos</strong> sindicatos membros e, no respeito pela lei<br />

sindical, embora represente cerca de metade <strong>dos</strong> do-<br />

JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO . 23


centes – no conjunto <strong>dos</strong> sindicatos a FENPROF tem<br />

cerca de 70 000 associa<strong>dos</strong> – foram atribuí<strong>dos</strong> 180<br />

horários dividi<strong>dos</strong> em reduções totais e reduções<br />

parciais <strong>da</strong> componente lectiva. Isto é, a FENPROF<br />

tem usado cerca de 13,6% <strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> horários<br />

atribuí<strong>dos</strong> pelo Ministério para o conjunto <strong>dos</strong><br />

sindicatos existentes.<br />

É óbvio que a proliferação de sindicatos não tem<br />

vantagem para os trabalhadores que representam,<br />

neste caso para os docentes. Não é por acaso que<br />

os governos têm sustentado o “sistema”. No quadro<br />

<strong>da</strong>s negociação é mais fácil ao poder apostar<br />

na divisão para impor as suas decisões. Consciente<br />

disso, a FENPROF tem vindo a exigir, sem êxito, a<br />

medição <strong>da</strong> representativi<strong>da</strong>de <strong>da</strong>s várias organizações<br />

sindicais através de eleições profi ssionais<br />

ou através de outro qualquer método a negociar.<br />

Também esta equipa não se mostrou sensível à questão<br />

apresenta<strong>da</strong> pela FENPROF na primeira reunião<br />

com a Ministra.<br />

Curiosamente, com critérios que se desconhecem,<br />

a actual Ministra <strong>da</strong> Educação propôs a redução<br />

Férias com Direitos<br />

No decorrer <strong>dos</strong> meses de Fevereiro e Março e antevendo as solicitações<br />

que em anos anteriores se verifi caram, editou o SPGL dois Salas <strong>Professores</strong><br />

esclarecendo to<strong>dos</strong> os docentes para os direitos e deveres em torno <strong>da</strong>s<br />

férias e <strong>da</strong>s interrupções lectivas consagra<strong>da</strong>s no Estatuto <strong>da</strong> Carreira<br />

Docente.<br />

Na reali<strong>da</strong>de este ano a classe docente demonstrou-se já mais esclareci<strong>da</strong>,<br />

aplicando a legislação em vigor, não deixando que os seus direitos fossem<br />

deturpa<strong>dos</strong> ou espezinha<strong>dos</strong>.<br />

No entanto ain<strong>da</strong> proliferaram alguns focos de ataque em torno desta<br />

temática <strong>da</strong>s férias, que mereceram acompanhamento sindical devido.<br />

De forma clara as situações foram regista<strong>da</strong>s e <strong>da</strong> sua caracterização<br />

resultou um ofício emitido pelo SPGL à DREL para que repusessem a<br />

legali<strong>da</strong>de através de esclarecimentos a to<strong>dos</strong> os órgãos de gestão. Os<br />

serviços responderam com um ofício, recentemente divulgado no nosso<br />

site, concor<strong>da</strong>ndo com os aspectos por nós retrata<strong>dos</strong> e solicitando a<br />

denúncia <strong>dos</strong> casos concretos onde foram cometi<strong>da</strong>s ilegali<strong>da</strong>des. Claro<br />

que o SPGL irá junto <strong>dos</strong> órgãos de gestão que criaram estes atropelos<br />

prestar os devi<strong>dos</strong> esclarecimentos para que estes reponham a legali<strong>da</strong>de<br />

face aos processos pendentes.<br />

No entanto cabe-nos relembrar que, apesar desta intervenção e <strong>dos</strong> nossos<br />

constantes esclarecimentos, muitos <strong>dos</strong> docentes deixaram-se ludibriar por<br />

motivos menos váli<strong>dos</strong> emiti<strong>dos</strong> pelos superiores hierárquicos alterando as<br />

suas intenções de férias e a forma como as iriam gozar. Estas práticas e<br />

atitudes originaram o isolamento <strong>da</strong>queles que até ao fi m defenderam os<br />

seus Direitos e que de forma Vitoriosa viram as suas intenções atendi<strong>da</strong>s.<br />

Mais uma vez se prova que não devemos nunca recuar nem deixar<br />

que nos isolem quando está em causa a defesa <strong>dos</strong> direitos expressos<br />

e salvaguar<strong>da</strong><strong>dos</strong> na legislação em vigor. É claro que “Depois de casa<br />

assalta<strong>da</strong> colocam-se trancas na porta” mas, o correcto seria que este ano<br />

já to<strong>dos</strong> tivessem colocado a sua tranca na defesa <strong>da</strong> porta que abria<br />

as férias. Pois estas, além de justas, permitem carregar energias para as<br />

novas lutas que se adivinham na defesa de direitos que são de to<strong>dos</strong>, e<br />

que a to<strong>dos</strong> cabe de forma séria e colectiva defender.<br />

24. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />

do número de horários atribuí<strong>dos</strong> ao conjunto <strong>da</strong>s<br />

organizações sindicais para 455 (450 para as já<br />

existentes e 5 para as organizações que se vierem a<br />

constituir), à FENPROF propôs a atribuição de 180<br />

horários (o mesmo número que tem). Neste quadro<br />

e porque estamos conscientes de que temos cumprido<br />

a lei, aceitámos o número proposto.<br />

Esta é a ver<strong>da</strong>de sobre o assunto lançado de forma<br />

leviana na Assembleia <strong>da</strong> República pelo Primeiro<br />

Ministro. Por muito que custe ao Primeiro Ministro e<br />

à Ministra <strong>da</strong> Educação, os dirigentes sindicais <strong>dos</strong><br />

professores, são professores. A maioria deles está<br />

na sua escola exercendo a sua activi<strong>da</strong>de docente.<br />

Os que, por características <strong>dos</strong> seus horários e/ou<br />

necessi<strong>da</strong>des de distribuição de responsabili<strong>da</strong>des<br />

não têm componente lectiva, trabalham de perto<br />

com os colegas que estão nas escolas. Conhecem<br />

a reali<strong>da</strong>de e sabem do que falam. A vitali<strong>da</strong>de do<br />

movimento sindical docente não foi construí<strong>da</strong> levianamente,<br />

não será portanto destruí<strong>da</strong> com boatos<br />

ou meias ver<strong>da</strong>des.<br />

Olimpía<strong>da</strong>s<br />

de Física 2005<br />

Realizaram-se no passado dia 25 de<br />

Junho, na Facul<strong>da</strong>de de Ciências <strong>da</strong><br />

Universi<strong>da</strong>de de <strong>Lisboa</strong>, as provas fi -<br />

nais <strong>da</strong>s Olimpía<strong>da</strong>s de Física 2005.<br />

No escalão A, correspondente aos alunos<br />

do 9º ano, foi vencedor uma equipa<br />

<strong>da</strong> Escola Secundária Ferreira Dias,<br />

constituí<strong>da</strong> por Catarina de Oliveira<br />

Pinho, Mariana Antunes Barros e<br />

Raquel Marisa Borges Azevedo.<br />

No escalão B, a que concorrem alunos<br />

do 11º ano, o vencedor foi o aluno<br />

André Filipe de França <strong>da</strong> Escola<br />

Secundária Emídio Navarro (Alma<strong>da</strong>).<br />

Esta competição, que a Socie<strong>da</strong>de<br />

Portuguesa de Física tem vindo a realizar<br />

to<strong>dos</strong> os anos desde 1985, tem tido<br />

o apoio fi nanceiro do Ministério <strong>da</strong><br />

Educação e do Ministério <strong>da</strong> Ciência<br />

e do Ensino Superior. Para além disso,<br />

esta iniciativa teve o patrocínio <strong>da</strong>s editoras<br />

Gradiva e Bizâncio e <strong>da</strong> Texas<br />

Instruments, empresas que desde há<br />

alguns anos apoiam as Olimpía<strong>da</strong>s de<br />

Física.


Inglês no 1º Ciclo<br />

Tínhamos lido no programa eleitoral<br />

do PS, no Programa de<br />

Governo, ain<strong>da</strong> antes já o tínhamos<br />

ouvido <strong>da</strong> boca do anterior<br />

primeiro-ministro.<br />

Confesso: tínhamos ficado curiosos.<br />

Da necessi<strong>da</strong>de de introdução de<br />

uma língua estrangeira no currículo<br />

do 1º ciclo, estamos conversa<strong>dos</strong>.<br />

Faz bem aos miú<strong>dos</strong>, desenvolve<br />

capaci<strong>da</strong>des cognitivas, os miú<strong>dos</strong><br />

aprendem a aprender línguas e<br />

esta é uma competência que não<br />

se pode desprezar, bem pelo contrário,<br />

o domínio de várias línguas<br />

é essencial para se construir a dimensão<br />

europeia <strong>da</strong> educação e<br />

muitas outras vantagens em que<br />

to<strong>dos</strong> estamos de acordo. Os pais<br />

já tinham percebido isto há muito<br />

tempo e já muitos miú<strong>dos</strong> a aprendem,<br />

em escolas particulares ou<br />

em aulas organiza<strong>da</strong>s pelos ATLs.<br />

No discurso de toma<strong>da</strong> de posse<br />

lá veio, como uma <strong>da</strong>s duas<br />

medi<strong>da</strong>s emblemáticas, o inglês<br />

no 1º ciclo.<br />

A língua estrangeira ficava reduzi<strong>da</strong> ao<br />

inglês. Podia ser outra, ou outras, talvez<br />

fosse melhor <strong>da</strong>r a possibili<strong>da</strong>de de escolha,<br />

mas compreendemos, o défice, a<br />

dificul<strong>da</strong>de de organização, a dificul<strong>da</strong>de<br />

de encontrar professores assim de um<br />

momento para o outro, o senhor primeiro<br />

até quer que seja já no próximo ano lectivo,<br />

enfim, aplaudimos.<br />

É desta, pensámos.<br />

Do inglês para to<strong>dos</strong> os miú<strong>dos</strong> do 1º<br />

ciclo, passou-se para os 3º e 4º anos.<br />

Compreendemos, evitava-se conflitos com<br />

a aprendizagem <strong>da</strong> língua portuguesa.<br />

Depois falou-se em 50%. Ficámos desconfia<strong>dos</strong>.<br />

Finalmente em 25%. 25% é que<br />

era. Seria gradual. Roma e Pavia não se<br />

fizeram num dia. Lá chegaríamos ao total,<br />

talvez no final <strong>da</strong> legislatura.<br />

Aí começámos a torcer o nariz.<br />

Então quando os miú<strong>dos</strong> chegassem ao<br />

2º ciclo, como seria? Uns tinham uma experiência<br />

de dois anos de inglês e os outros<br />

na<strong>da</strong>? Como é que seria possível?<br />

Já incrédulos, ouvimos ain<strong>da</strong> que não<br />

seria necessário gastar dinheiro. Como?<br />

Fazer omoletas sem ovos?<br />

E, de repente, levamos com um anúncio<br />

pago no jornal. Só então ficámos a saber:<br />

tinha havido um despacho <strong>da</strong> senhora ministra,<br />

havia um regulamento, enfim, tudo<br />

o que é necessário para poder conceder<br />

uns subsídios. A saber: aos municípios,<br />

às associações de professores, às associações<br />

de pais, aos institutos de línguas<br />

(ora aí está!), e a to<strong>da</strong>s as enti<strong>da</strong>des que<br />

reúnam os requisitos do tal regulamento,<br />

pois claro, sempre em parceria com os<br />

agrupamentos ou com as escolas não<br />

agrupa<strong>da</strong>s.<br />

Enfim, percebemos.<br />

Não se trata de alterar o currículo do 1º<br />

ciclo, sequer de criar complementos curriculares,<br />

mas de subsidiar, ponto final.<br />

Afinal sempre ia gastar dinheiro – 100€/<br />

ano/ aluno, a distribuir pelas tais instituições.<br />

Agora já não estamos de acordo. Falemos<br />

sério. Os miú<strong>dos</strong> do 1º ciclo mereciam<br />

mais respeito, mais serie<strong>da</strong>de de quem<br />

nos governa, afinal tudo não passou de<br />

um embuste.<br />

Preferiu-se a política-espectáculo à serie<strong>da</strong>de<br />

<strong>da</strong> introdução de uma língua estrangeira<br />

no 1º ciclo. Entre as várias soluções<br />

possíveis escolheu-se a do costume: subsidie-se!<br />

Publique-se!<br />

E, no entanto, outros caminhos eram possíveis.<br />

Começar pela formação inicial <strong>dos</strong><br />

professores, continuando com o currículo<br />

integrado neste ciclo, ou até mobilizando<br />

professores de inglês <strong>dos</strong> outros ciclos,<br />

PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 11<br />

BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR/<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

JUN./JUL. 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .25


PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 1<br />

BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR /<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

26. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />

ou as duas soluções de forma articula<strong>da</strong>.<br />

Outros caminhos eram, são, possíveis.<br />

E agora?<br />

Não vamos repetir chavões do passado,<br />

do tipo: temos de estar atentos e vigilantes<br />

ou vamos erguer uma barreira a<br />

estas medi<strong>da</strong>s injustas e profun<strong>da</strong>mente<br />

iníquas (era assim que terminavam os comunica<strong>dos</strong><br />

que anunciavam a derrota).<br />

Agora resta-nos uma atitude activa, em<br />

primeiro lugar de esclarecimento e de<br />

denúncia e em segundo lugar de proposição<br />

de alternativas concretas. À política<br />

do subsídio e <strong>da</strong> transferência de recursos<br />

para o sector privado temos de contrapor<br />

a responsabilização <strong>da</strong>s escolas e<br />

<strong>dos</strong> agrupamentos de forma a só viabilizarem<br />

projectos sérios, com raízes nas<br />

escolas. As parcerias são obrigatórias?<br />

Tornemo-las um instrumento de exigência<br />

de serie<strong>da</strong>de.<br />

E não vamos desistir de exigir que o inglês<br />

seja de facto para to<strong>da</strong>s as crianças,<br />

isto é, que seja integrado no currículo do<br />

1º ciclo do ensino básico, tal como de há<br />

muito reivindicamos e consta de inúmeros<br />

documentos <strong>da</strong> FENPROF sobre esta<br />

matéria.<br />

Ensino Particular e Cooperativo<br />

Revisão do CCT<br />

A AEEP – Associação <strong>dos</strong><br />

Estabelecimentos de Ensino Particular<br />

e Cooperativo apresentou<br />

uma proposta de revisão<br />

do CCT em vigor que aumenta<br />

significativamente os deveres e<br />

reduz os direitos <strong>dos</strong> docentes.<br />

Esta proposta surge num momento<br />

em que ain<strong>da</strong> se coloca<br />

a necessi<strong>da</strong>de de equiparar as<br />

condições de trabalho, de carreira<br />

e de remunerações <strong>dos</strong><br />

professores e educadores de<br />

infância do ensino particular e<br />

cooperativo às <strong>dos</strong> seus colegas<br />

do ensino público.<br />

Em 2003 a AEEP impôs a redução<br />

nominal <strong>da</strong> remuneração <strong>dos</strong> novos<br />

docentes a ingressar na profissão.<br />

Em 2005 a AEEP propõe o aumento do<br />

horário de trabalho de to<strong>dos</strong> os docentes<br />

Como é de norma vamos terminar com<br />

um chavão: Só é derrotado quem desiste<br />

de lutar! Nós não desistimos, nesta como<br />

em to<strong>da</strong>s as matérias que estão em cima<br />

<strong>da</strong> mesa.<br />

PS (post scriptum) Enquanto escrevemos<br />

este texto somos literalmente bombardea<strong>dos</strong><br />

com perguntas sobre as anuncia<strong>da</strong>s<br />

alterações <strong>da</strong>s condições para a aposentação<br />

e do artº 121 do ECD (ano <strong>da</strong><br />

aposentação). A este respeito reafirmamos<br />

o que escrevemos atrás: não desistiremos<br />

de lutar. É necessário no entanto<br />

recor<strong>da</strong>r que as condições para a aposentação<br />

<strong>dos</strong> educadores de infância e<br />

<strong>dos</strong> professores do 1º ciclo constam do<br />

Estatuto e que por isso a margem de negociação<br />

é maior que para a generali<strong>da</strong>de<br />

<strong>dos</strong> professores. Aliás o Ministério <strong>da</strong><br />

Educação já indicou que em Novembro<br />

apresentaria para negociação (esperemos<br />

que séria) uma proposta relativa a<br />

esta matéria. No próximo número desta<br />

revista voltaremos com mais pormenor (e<br />

esperemos já com uma proposta negocial)<br />

a este assunto.<br />

sem qualquer aumento de remuneração<br />

– nem sequer uma actualização igual à<br />

taxa de inflação – e mesmo, uma redução<br />

do montante <strong>dos</strong> Subsídios de Férias<br />

e de Natal.<br />

A AEEP pretende definir o horário normal<br />

de trabalho <strong>dos</strong> trabalhadores com<br />

funções docentes em 35 horas semanais<br />

e integrando duas componentes: componente<br />

lectiva e componente não lectiva.<br />

A componente lectiva mantém-se igual à<br />

actual: 25 horas lectivas semanais para<br />

os educadores de infância e professores<br />

do 1º ciclo do ensino básico, 22 a 25 horas<br />

semanais para os professores <strong>dos</strong> 2º<br />

e 3º ciclos do ensino básico e secundário<br />

e 22 horas semanais para os professores<br />

e educadores de infância de educação e<br />

ensino especial.<br />

A diferença para as 35 horas semanais<br />

faz parte <strong>da</strong> componente não lectiva que<br />

abrange a realização de trabalho a nível<br />

individual e a prestação de trabalho a nível<br />

do estabelecimento de ensino.<br />

O trabalho a nível individual pode com


preender, entre outras, as seguintes funções:<br />

a) Preparação de aulas e avaliação do<br />

processo de ensino-aprendizagem;<br />

b) Elaboração de estu<strong>dos</strong> e de trabalhos<br />

de investigação de natureza pe<strong>da</strong>gógica<br />

ou científico-pe<strong>da</strong>gógica de interesse<br />

para o estabelecimento de ensino.<br />

O trabalho a nível do estabelecimento<br />

de ensino inclui quaisquer trabalhos ou<br />

activi<strong>da</strong>des indica<strong>da</strong>s pelo estabelecimento<br />

de ensino com o objectivo de contribuir<br />

para a concretização do projecto<br />

educativo, tais como:<br />

a) Activi<strong>da</strong>des de complemento curricular<br />

que visem promover o enriquecimento<br />

cultural <strong>da</strong> comuni<strong>da</strong>de escolar;<br />

b) Apoio pe<strong>da</strong>gógico e complementos<br />

educativos;<br />

c) Activi<strong>da</strong>des de informação e orientação<br />

educacional <strong>dos</strong> alunos;<br />

d) Activi<strong>da</strong>des de coordenação pe<strong>da</strong>gógica;<br />

e) Reuniões com encarrega<strong>dos</strong> de educação;<br />

f) Reuniões, colóquios ou conferências<br />

que tenham a aprovação do estabelecimento<br />

de ensino;<br />

g) Acções de formação aprova<strong>da</strong>s pela<br />

Direcção do estabelecimento de ensino;<br />

h) Realização de activi<strong>da</strong>des lectivas e/<br />

ou educativas, de acompanhamento de<br />

alunos, destina<strong>da</strong>s a suprir a ausência de<br />

curta duração do respectivo docente;<br />

i) To<strong>da</strong>s as activi<strong>da</strong>des que, no entendimento<br />

<strong>da</strong> Direcção do estabelecimento<br />

de ensino, possam contribuir para a promoção<br />

do sucesso escolar.<br />

Da leitura atenta <strong>dos</strong> itens anteriores verifica-se<br />

que alguns deles fazem parte <strong>da</strong><br />

componente lectiva como é o caso <strong>da</strong>s<br />

alíneas b) e h) e outros têm uma re<strong>da</strong>cção<br />

de tal forma abrangente que tudo<br />

seria lícito exigir aos docentes.<br />

Por outro lado as enti<strong>da</strong>des patronais ficariam<br />

com to<strong>da</strong> a liber<strong>da</strong>de para definir<br />

a duração <strong>da</strong> componente não lectiva a<br />

realizar no estabelecimento de ensino. O<br />

docente teria que trabalhar para lá <strong>da</strong>s<br />

35 horas semanais para cumprir a sua<br />

principal função que não pode deixar de<br />

fazer: preparação <strong>da</strong>s aulas e avaliação<br />

do processo ensino-aprendizagem.<br />

Desta forma o horário semanal de trabalho<br />

<strong>dos</strong> docentes seria significativamente<br />

aumentado passando a ser superior a 35<br />

horas semanais sem que fossem pagas as<br />

correspondentes horas extraordinárias.<br />

A FENPROF irá propor que a componente<br />

não lectiva a nível do estabelecimento<br />

seja limita<strong>da</strong> em tempo e as activi<strong>da</strong>des<br />

claramente lectivas como de complemento<br />

curricular e substituição de docentes<br />

devem estar incluí<strong>dos</strong> na componente<br />

lectiva.<br />

A AEEP propõe que o C.C.T. consagre a<br />

possibili<strong>da</strong>de de unilateralmente alterar<br />

um contrato de trabalho a tempo completo<br />

em contrato de trabalho a tempo<br />

parcial e, mesmo extinguir o posto de<br />

trabalho.<br />

A FENPROF não pode aceitar esta proposta<br />

<strong>da</strong> AEEP porque atenta contra os<br />

direitos <strong>dos</strong> docentes fazendo recair sobre<br />

eles to<strong>dos</strong> os custos decorrentes de<br />

eventual má gestão <strong>da</strong>s enti<strong>da</strong>des patronais<br />

ou de decisões toma<strong>da</strong>s por terceiros.<br />

A FENPROF irá defender que se<br />

mantenha o actual texto que consagra o<br />

direito a manter no ano lectivo seguinte<br />

as mesmas horas lectivas lecciona<strong>da</strong>s<br />

no ano anterior até ao limite de horário<br />

completo.<br />

Por outro lado a AEEP propõe a redução<br />

<strong>dos</strong> Subsídios de Férias e de Natal ao<br />

considerar para o seu cálculo apenas a<br />

retribuição base e as diuturni<strong>da</strong>des correspondente<br />

ao período de férias mínimo<br />

a que têm direito, não considerando<br />

outras retribuições a que teria direito se<br />

se encontrasse em serviço efectivo. Por<br />

exemplo, um professor com um horário<br />

lectivo superior a 22 horas semanais<br />

tem direito a uma retribuição mensal de<br />

acordo com o número de horas lectivas<br />

constantes no seu horário lectivo semanal<br />

e o subsídio de férias seria calculado<br />

na base de um horário de 22 horas lectivas<br />

semanais.<br />

A AEEP, para além de não propor nenhum<br />

aumento salarial ain<strong>da</strong> vem reduzir<br />

as remunerações e outros direitos.<br />

Finalmente a AEEP propõe a introdução<br />

<strong>da</strong> avaliação do desempenho a realizar<br />

anualmente com consequências na contagem<br />

de tempo de serviço para efeitos<br />

de progressão na carreira. No caso de<br />

uma avaliação negativa esse ano não é<br />

contado para efeitos de progressão na<br />

carreira. A decisão sobre a sua contagem<br />

é <strong>da</strong> enti<strong>da</strong>de patronal havendo<br />

possibili<strong>da</strong>de de recurso para uma comissão<br />

arbitral.<br />

Em conclusão a proposta <strong>da</strong> AEEP aumenta<br />

os deveres e retira direitos fragilizando<br />

ain<strong>da</strong> mais a posição do docente<br />

no estabelecimento de ensino ao introduzir<br />

a avaliação de desempenho.<br />

A FENPROF irá procurar intervir no sentido<br />

de alterar o balanço entre os direitos<br />

e deveres procurando manter o equilíbrio<br />

actualmente existente. Em relação<br />

à avaliação do desempenho irá fazer<br />

propostas para que ela não depen<strong>da</strong> <strong>da</strong><br />

enti<strong>da</strong>de patronal mas apenas de uma<br />

avaliação justa e independente do trabalho<br />

desenvolvido pelo docente com os<br />

seus alunos e com a comuni<strong>da</strong>de escolar<br />

na prossecução <strong>dos</strong> objectivos previstos<br />

no projecto educativo <strong>da</strong> escola.<br />

PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 1<br />

BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR/<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

JUN./JUL. 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .27


PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 1<br />

BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR /<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

28. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005 .<br />

Educação Especial<br />

desafios de Futuro<br />

No dia 6 de Junho realizou-se no<br />

Hotel Roma, durante todo o dia,<br />

o encontro «Educação Especial,<br />

Desafios de Futuro» promovido<br />

pelo sector de Educação Especial<br />

do SPGL.<br />

Com este encontro o sector de<br />

Educação Especial pretendeu<br />

que, de forma complementar,<br />

se atingissem dois objectivos:<br />

se partilhassem experiências de trabalho<br />

em rede com outras instituições e se reflectisse<br />

sobre os desafios que nos são coloca<strong>dos</strong><br />

como profissionais de Educação<br />

Especial/Apoios Educativos.<br />

Desta forma, de manhã esteve presente o<br />

Centro de Saúde do Concelho de Loures<br />

que após explicitar o trabalho desenvolvido,<br />

na área <strong>da</strong> Intervenção Precoce, o<br />

avaliou, sendo de realçar a importância<br />

<strong>da</strong>s redes que se estabelecem com outras<br />

instituições, <strong>da</strong>do que foi assumido<br />

que os resulta<strong>dos</strong> eram menos positivos<br />

na freguesia de Sacavém, de certa forma<br />

devido às dificul<strong>da</strong>des de articulação<br />

com outro hospital central.<br />

As convi<strong>da</strong><strong>da</strong>s <strong>da</strong> Cerci <strong>dos</strong> concelhos<br />

Moita e Barreiro não puderam estar<br />

presentes devido à necessi<strong>da</strong>de de comparecerem<br />

em Tribunal de Menores e<br />

Família, porém enviaram o resumo <strong>da</strong><br />

sua apresentação. Fun<strong>da</strong>menta-se o trabalho<br />

desenvolvido numa “saí<strong>da</strong>” <strong>da</strong><br />

instituição e numa procura de parcerias<br />

com os estabelecimentos de ensino e com<br />

os Centros de Saúde bem como com o<br />

Hospital Distrital do Barreiro. Beneficiam<br />

os estabelecimentos de ensino, <strong>da</strong>do que<br />

dispõem de técnicos como terapeutas<br />

ocupacionais e de fala bem como de psicólogos<br />

e auxiliares de acção educativa,<br />

beneficiam os alunos porque se procura<br />

atingir a inclusão.<br />

Ain<strong>da</strong> <strong>da</strong> parte <strong>da</strong> manhã, Maria Helena<br />

Dias, representante <strong>da</strong> Federação<br />

Regional de Associações de Pais de<br />

<strong>Lisboa</strong>, baseou a sua intervenção com a<br />

perspectiva <strong>dos</strong> encarrega<strong>dos</strong> de educação,<br />

salientando-se a informação de que<br />

os pais e encarrega<strong>dos</strong> de educação valorizam<br />

a inclusão e, também eles, estão<br />

conscientes <strong>da</strong> falta de meios que temos<br />

no nosso quotidiano.<br />

De tarde, a Doutora Leonor Moniz Pereira<br />

e o Doutor David Rodrigues trouxeram à<br />

reflexão temas aparentemente diferentes<br />

mas que, de igual forma, se complementaram.<br />

A Doutora Leonor Moniz Pereira<br />

mencionou a necessi<strong>da</strong>de de clarificarmos<br />

os conceitos de Educação Especial<br />

e, perante estes, elaborarmos o nosso<br />

discurso. Quantas vezes argumentamos<br />

com conceitos pe<strong>da</strong>gógicos num diálogo<br />

de sur<strong>dos</strong>, numa desconversa, porque<br />

o interlocutor baseia o seu discurso<br />

em conceitos clínicos!... O Doutor David<br />

Rodrigues falou-nos <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de de<br />

criar ambientes inclusivos em to<strong>dos</strong> os estabelecimentos<br />

de ensino. Estes ambientes<br />

inclusivos só poderão surgir na escola<br />

regular, através <strong>da</strong> criação de códigos de<br />

práticas inclusivas, que perdurem e “resistam”<br />

a mobili<strong>da</strong>de anual <strong>dos</strong> docentes.<br />

De igual forma, falou-nos <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de<br />

de nos afirmarmos como pe<strong>da</strong>gogos no<br />

trabalho com outros técnicos a que denominou<br />

de “parape<strong>da</strong>gogos”.<br />

Este encontro saldou-se por um dia de<br />

debates participa<strong>dos</strong>, de intervenções focaliza<strong>da</strong>s<br />

nas angústias com que diariamente<br />

somos confronta<strong>dos</strong> no exercício<br />

profissional como docentes de Educação<br />

Especial/Apoios Educativos, na solidão<br />

<strong>da</strong> nossa toma<strong>da</strong> de decisões pe<strong>da</strong>gógicas<br />

para aquele aluno a quem temos que<br />

perspectivar o Futuro como ci<strong>da</strong>dão de<br />

pleno direito, por soli<strong>da</strong>rie<strong>da</strong>des no quotidiano<br />

docente e por partilhas de posturas<br />

pe<strong>da</strong>gógicas.<br />

Para o sector de Educação Especial do<br />

SPGL foi gratificante termos atingido os<br />

objectivos a que nos propusemos, conscientes<br />

de que nunca o conseguiríamos<br />

sem a resposta <strong>da</strong><strong>da</strong> pelos sócios e não<br />

sócios a esta iniciativa. Pelo sonho é que<br />

vamos, por ele continuaremos, com to<strong>dos</strong>,<br />

na procura <strong>da</strong> efectiva inclusão.


Conferência em <strong>Lisboa</strong><br />

«Ensino Superior, Défices<br />

e Reformas»<br />

«Ensino Super ior, Déf ices e<br />

Reformas» foi o lema <strong>da</strong> iniciativa<br />

realizado no passado dia 27 de<br />

Junho pelo departamento do Ensino<br />

Superior do SPGL na Facul<strong>da</strong>de de<br />

Letras <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de de <strong>Lisboa</strong>. O<br />

evento reuniu docentes e sindicalistas<br />

para um debate em torno <strong>da</strong>s<br />

recentes medi<strong>da</strong>s governamentais<br />

e <strong>da</strong>s estratégias para o ensino<br />

superior e o desenvolvimento do<br />

país.<br />

A<br />

oportuni<strong>da</strong>de e pertinência<br />

<strong>da</strong>s medi<strong>da</strong>s anuncia<strong>da</strong>s pelo<br />

governo quanto ao equilíbrio<br />

<strong>da</strong>s contas públicas e à reforma<br />

do Estado; o desenvolvimento sustentável<br />

do País, a coesão social e os desafios <strong>da</strong><br />

globalização económica; e a relevância<br />

<strong>da</strong> função social do ensino superior foram<br />

temas em foco, no evento realizado<br />

pelo SPGL. Moderado por João Cunha<br />

Serra, docente do IST e coordenador <strong>dos</strong><br />

Departamentos do Ensino Superior <strong>da</strong><br />

FENPROF e do SPGL, o debate contou<br />

com os oradores André Freire, do ISCTE,<br />

António Mendonça, do ISEG, e José<br />

Tribolet, do IST.<br />

A distribuição <strong>dos</strong> sacrifícios exigi<strong>dos</strong><br />

pelas medi<strong>da</strong>s recentemente impostas é<br />

desigual, analisou André Freire, referindo<br />

medi<strong>da</strong>s como o aumento do IVA, ou<br />

não-medi<strong>da</strong>s como o adiamento do<br />

fim do sigilo bancário e a falta de<br />

aposta no combate à evasão fiscal. Em<br />

conclusão reforçou que é necessária uma<br />

nova estratégia para o desenvolvimento<br />

económico e para o ensino superior que<br />

passa por mais investimento na formação<br />

e investigação.<br />

A desigual<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> sacrifícios foi também<br />

referi<strong>da</strong> por António Mendonça que<br />

considerou que ao nível <strong>da</strong>s empresas se<br />

poderia ter ido mais além, e chamou a<br />

atenção para o facto do sector financeiro<br />

ser o único que aumenta grandemente<br />

os seus lucros e não produz riqueza nem<br />

aposta actualmente no desenvolvimento<br />

do sector produtivo, alimentando antes<br />

e sobretudo a especulação imobiliária,<br />

com ganhos mais seguros. Para o docente<br />

do ISEG há uma crise de estratégia e de<br />

liderança e um triplo desafio a enfrentar<br />

pelo nosso país: de centrali<strong>da</strong>de, uma<br />

vez que o jogo económico será ca<strong>da</strong> vez<br />

mais global e Portugal pode investir numa<br />

articulação preferencial com países de<br />

África e <strong>da</strong> América; de escala, já que<br />

a nossa é uma economia pequena; e de<br />

especifici<strong>da</strong>de, referindo que é necessário<br />

encontrar as características específicas do<br />

nosso país a desenvolver.<br />

Uma mu<strong>da</strong>nça de atitude que passa por<br />

uma outra educação, pela ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia,<br />

honesti<strong>da</strong>de e que premeie o valor, foram<br />

aspectos destaca<strong>dos</strong> por José Tribolet<br />

para o problema de fundo de uma crise<br />

que se arrasta. Para o docente do IST é<br />

a própria socie<strong>da</strong>de que tem de mu<strong>da</strong>r e<br />

o ensino superior tem que criar ci<strong>da</strong>dãos,<br />

exercendo a investigação e inovação no<br />

terreno, através <strong>da</strong> prática.<br />

No debate, João Faria, no público,<br />

questionou a privatização <strong>dos</strong> sectores<br />

e o e m a g r e c i m e n t o d o E s t a d o ,<br />

justificado pela necessi<strong>da</strong>de de reduzir<br />

o défice, poder revelar-se uma forma<br />

de desresponsabilização do Estado,<br />

recor<strong>da</strong>ndo que as propinas tinham como<br />

inicial destino referido bolsas, residências<br />

e melhoria <strong>da</strong>s condições e agora servem<br />

para contas correntes. António Costa<br />

considerou que a mentira orçamental<br />

impera. Cravinho realçou que o objectivo<br />

não assumido <strong>da</strong>s propinas é privatizar<br />

o ensino superior e que há um problema<br />

de financiamento que põe em causa os<br />

planos plurianuais. Bolonha, o modelo<br />

3+2 e o seu financiamento, a formação<br />

de quadros médios, o desemprego e o<br />

futuro <strong>dos</strong> doutora<strong>dos</strong>, e o próprio estatuto<br />

<strong>da</strong> carreira docente foram também temas<br />

em cima <strong>da</strong> mesa, num debate em que<br />

se concordou que, conforme referiu João<br />

Cunha Serra, «o conhecimento é essencial<br />

para a competitivi<strong>da</strong>de», e que a aposta<br />

na investigação e formação são essenciais<br />

numa nova estratégia para o país.<br />

PRÉ-ESCOLAR<br />

BÁSICO 1<br />

BÁSICO 2,3<br />

SECUNDÁRIO<br />

ESPECIAL<br />

PARTICULAR<br />

E COOPERATIVO<br />

IPSS’s<br />

SUPERIOR/<br />

INVESTIGAÇÃO<br />

SECTORES<br />

JUN./JUL. 2005.ESCOLA INFORMAÇÃO .29


A FOLHA ÍMPAR é uma novi<strong>da</strong>de<br />

aqui no EI. Apesar de já ir no nº 47. Este<br />

jornal <strong>da</strong> Secundária de Mem Martins<br />

é “de peso”: 48 páginas e uma densi<strong>da</strong>de<br />

de texto que obriga a um esforçozinho<br />

de leitura. O que mais me atraiu<br />

foi o “lembro-me <strong>da</strong> Escola” – duas<br />

páginas em que três antigos alunos<br />

<strong>da</strong> Sec. Mem Martins confessam que<br />

gostaram de aí an<strong>da</strong>r, que têm boas e<br />

positivas recor<strong>da</strong>ções <strong>da</strong> sua passagem<br />

por esta Escola. Numa altura em que<br />

tanto se insultam os professores, sabe<br />

bem ler depoimentos destes! Um outro<br />

tipo de memórias é o que nos oferece<br />

o prof. Sérgio Luis de Carvalho. Em<br />

boa hora se lembrou de nos apresentar<br />

os seus “gatos”. Não consigo dizer se<br />

preferi o revolucionário anarquista ou<br />

o bravo sol<strong>da</strong>do a descascar batatas.<br />

Mas gostei mesmo do final do “Gato<br />

Rufia”: mesmo os rufias precisam de<br />

um colo que os acoite. Mas não só de<br />

gatos reza este jornal – também o cão<br />

Óscar tem nele a sua crónica: pela voz<br />

do cão, a Néli<strong>da</strong> dʼOliveira, o Nuno<br />

Santos e a Van<strong>da</strong> Pessoa lá vão dizendo<br />

“<strong>da</strong>s suas” sobre as aulas – que<br />

grande secas -, <strong>dos</strong> colegas – sempre<br />

a gozar com os mais fracos – e com os<br />

que “levam vi<strong>da</strong>s de cão vadio” – para<br />

eles ficou uma palavra de esperança.<br />

A Educação sexual na escola merece<br />

uma página <strong>da</strong> responsabili<strong>da</strong>de, pelos<br />

vistos, do 7º. E é bom que assim seja,<br />

que se preparem para uma <strong>da</strong>s facetas<br />

mais importantes na construção <strong>da</strong><br />

nossa felici<strong>da</strong>de e cuja má resolução<br />

causa sempre problemas profun<strong>dos</strong>. É<br />

ver<strong>da</strong>de que ain<strong>da</strong> há para aí quem<br />

prefira meter a cabeça na areia. São<br />

tolos – precisam <strong>da</strong> vossa aju<strong>da</strong>! Não<br />

posso deixar de man<strong>da</strong>r um abraço<br />

muito especial para a Raquel Lopes, do<br />

12º 4TC. A coragem de reconhecer que<br />

passa os sába<strong>dos</strong> a trabalhar – 13 horas<br />

– merece um aplauso especial. Deve<br />

ser uma mulher de fibra! Uma última<br />

30. ESCOLA INFORMAÇÃO.JUN./JUL. 2005<br />

nota para a montra de Livros, Música,<br />

Cinema, Teatro e Televisão – uma rubrica<br />

a atestar a capaci<strong>da</strong>de de diálogo<br />

com a reali<strong>da</strong>de extra-escolar, o que é<br />

um sinal de grande maturi<strong>da</strong>de.<br />

A mais que centenária “Voz do<br />

Operário” publica um jornal com o<br />

mesmo nome. Não é um jornal escolar,<br />

mas este número de Maio merece uma<br />

referência: inclui o “Cancioneiro” todo<br />

ele dedicado à Marcha Infantil com<br />

que a escola participa, já há largos<br />

anos, nas festas populares de <strong>Lisboa</strong>.<br />

Parabéns.<br />

A Saúde e a Alimentação é o grande<br />

tema do JANELA ABERTA de<br />

Junho. Este simpático jornal <strong>da</strong> EB1<br />

Maria Máxima Vaz (Odivelas) dedica<br />

várias <strong>da</strong>s suas páginas à questão de<br />

bem comer. Na<strong>da</strong> mais oportuno quando<br />

se regista que as crianças – não só<br />

as portuguesas – estão ca<strong>da</strong> vez mais<br />

obesas. O 25 de Abril merece também<br />

uma notícia a cargo do 4º ano-Sala5-<br />

Manhã. E para que conste: os meninos<br />

desta escola continuam a gravar discos.<br />

São artistas. Por enquanto, de “palmo<br />

e meio”. No futuro, quem sabe, de discos<br />

de platina!<br />

O TOJALINHO <strong>da</strong> EB1 nº 4 de<br />

Agualva e JI Quita Nova do Tojal já<br />

leva 36 números publica<strong>dos</strong>. Já ganhou<br />

raízes. Neste número destaca-se<br />

a construção <strong>dos</strong> “Espantalhos” – 2º<br />

ano D, sala 4 Tarde - e a participação<br />

<strong>da</strong> escola e <strong>dos</strong> alunos <strong>da</strong> “Pré” na 13ª<br />

Mostra de Teatro de Sintra. O contacto<br />

com reali<strong>da</strong>des exteriores à escola dá<br />

bem a imagem <strong>da</strong> dedicação e empenho<br />

<strong>dos</strong> professores e educadores: visitas<br />

ao Convento e Tapa<strong>da</strong> de Mafra, a<br />

Vila de Rei, à escola 3 de Agualva, ao<br />

Sintranima... Aprender assim deve ser<br />

uma festa!<br />

JORNAL MANIAS é a publicação<br />

<strong>da</strong> EB1 e JI de Santo António<br />

<strong>dos</strong> Cavaleiros. Este nº 16 regista a<br />

“consagração”: o projecto “PÚBLICO<br />

NA ESCOLA” distinguiu o MANIAS<br />

com uma menção honrosa no concurso<br />

de jornais escolares que promoveu.<br />

Também aqui o problema <strong>da</strong> saúde/<br />

alimentação merece destaque. E que<br />

espanto: os meninos até elogiaram e<br />

gostaram <strong>da</strong> soma que fizeram! Como<br />

vão longe os tempos <strong>da</strong> “Joana come<br />

a papa”. Depois de comer, está claro,<br />

é preciso lavar os dentes, como ensinou<br />

o pai do Afonso, que é um menino do<br />

1º ano. O ensino especial tem lugar importante<br />

neste MANIAS: um excelente<br />

texto <strong>da</strong> professora Lígia Santos (“10<br />

anos <strong>da</strong> Declaração de Salamanca<br />

ou a história <strong>da</strong> Escola Inclusiva) e<br />

uma descrição do “Jogo <strong>da</strong> Boccia”<br />

que, como nos ensina o MANIAS, “é<br />

jogado por pessoas com deficiência”.<br />

E porque a vi<strong>da</strong> não se passa só na<br />

escola, o MANIAS entrevista Glória<br />

Simões, que preside à freguesia de<br />

Santo António <strong>dos</strong> Cavaleiros, noticia a<br />

visita ao Palácio <strong>da</strong> Independência e à<br />

Tapa<strong>da</strong> de Mafra. São apenas alguns<br />

<strong>dos</strong> temas que fazem o MANIAS, o<br />

premiado.<br />

SEMOS SALOIOS já é nosso conhecido.<br />

O que não nos impede de lhe<br />

<strong>da</strong>rmos os parabéns por este 34º número:<br />

um jornalinho simples, mas muito simpático,<br />

alegre, bem disposto. Para quem<br />

não saiba, aqui se informa que estamos<br />

a falar do jornal do agrupamento de escolas<br />

de Fanhões. O nosso destaque vai<br />

para o texto “Os nossos Avós vieram à<br />

Escola”. Excelente ideia! E digam lá que<br />

não é bom ter um avô ou uma avó, ou,<br />

se possível, os dois? No tempo deles,<br />

a escola não era tão interessante; não<br />

podiam fazer as experiências que prometem<br />

fazer <strong>dos</strong> meninos desta EB1de<br />

Casaínhos futuros cientistas!


PROTOCOLOS<br />

Com o objectivo de proporcionar aos associa<strong>dos</strong>,<br />

cônjuges e fi lhos, condições mais favoráveis de<br />

acesso aos cursos professa<strong>dos</strong> no ensino superior,<br />

o SPGL estabeleceu vários protocolos – na área do<br />

ensino/formação – com diversas universi<strong>da</strong>des e<br />

institutos superiores.<br />

Universi<strong>da</strong>de Autónoma<br />

Desconto de 15% na propina prevista<br />

no acto de inscrição e de 10% nas<br />

mensali<strong>da</strong>des, para associa<strong>dos</strong>, cônjuges<br />

e fi lhos, nos cursos de licenciatura<br />

e nos cursos de pós-graduação.<br />

Identifi cação para o efeito com cartão<br />

de sócio ou declaração comprovativa<br />

emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />

Localização e contactos:<br />

Palácio <strong>dos</strong> Condes do Redondo<br />

Rua Santa Marta, 56<br />

1169-023 <strong>Lisboa</strong><br />

Tel. 800291291 – 213177600<br />

213177646 (Secretaria)<br />

Fax 213533702<br />

secgeral@universi<strong>da</strong>de-autonoma.pt<br />

www.universi<strong>da</strong>de-autonoma.pt<br />

Instituto Superior<br />

de Gestão<br />

Desconto de 10% nas propinas mensais<br />

<strong>dos</strong> cursos de licenciatura e nos<br />

cursos pós-gradua<strong>dos</strong> e de formação<br />

de executivos, para associa<strong>dos</strong>, cônjuges<br />

e fi lhos. Identifi cação para o efeito<br />

com cartão de sócio ou declaração<br />

comprovativa emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />

Localização e contactos:<br />

Estra<strong>da</strong> <strong>da</strong> Ameixoeira, 112/116,<br />

1769-005 <strong>Lisboa</strong> e<br />

Rua Vitorino Nemésio, 5<br />

1750-306 <strong>Lisboa</strong><br />

Tel. 217513700<br />

Fax 217573966/217599788<br />

www.isg.pt<br />

isg@isg.pt<br />

32 ESCOLA INFORMAÇÃO . JUN./JUL. 2005<br />

Universi<strong>da</strong>de Lusía<strong>da</strong><br />

Desconto de 15% nas propinas mensais<br />

e de 10% em to<strong>dos</strong> os demais actos sujeitos<br />

a propina, excepto as candi<strong>da</strong>turas,<br />

em to<strong>dos</strong> os cursos (licenciaturas,<br />

cursos pós-gradua<strong>dos</strong>, de especialização<br />

e similares). Identifi cação para o<br />

efeito com cartão de sócio ou declaração<br />

comprovativa emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />

Localização e contactos:<br />

Rua <strong>da</strong> Junqueira, 188/198<br />

1349-001 <strong>Lisboa</strong><br />

Tel. 213611500<br />

Fax 213638307<br />

www.lis.ulusia<strong>da</strong>.pt<br />

info@lis.ulusia<strong>da</strong>.pt<br />

ISLA<br />

Instituto Superior de<br />

Línguas e Administração<br />

Desconto (para associa<strong>dos</strong>, cônjuges<br />

e fi lhos) de 25% nas propinas mensais<br />

<strong>dos</strong> cursos de licenciatura e de 15%<br />

nas <strong>dos</strong> cursos de pós-graduação; desconto<br />

de 20% nas propinas <strong>dos</strong> cursos<br />

de preparação para o exame ad hoc<br />

e de 10% nos cursos de formação não<br />

fi nancia<strong>dos</strong> e de formação de formadores.<br />

Identifi cação para o efeito com<br />

cartão de sócio ou declaração comprovativa<br />

emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />

Localização e contactos:<br />

Rua <strong>da</strong>s Praças, 47 (à Lapa)<br />

1249-066 <strong>Lisboa</strong><br />

(Futuras instalações – ano lectivo<br />

2005/2006 – Quinta do Bom Nome<br />

– Carnide – <strong>Lisboa</strong>)<br />

Tel. 210309900<br />

Fax 210309917<br />

www.isla.pt<br />

Universi<strong>da</strong>de Internacional<br />

e ISPI – Instituto Superior<br />

Politécnico Internacional<br />

Desconto de 20% no valor <strong>da</strong>s propinas<br />

mensais e de 50% no valor <strong>da</strong>s inscrições<br />

e matrículas, para associa<strong>dos</strong>,<br />

seus cônjuges e fi lhos, nos cursos de<br />

licenciatura, cursos pós-gradua<strong>dos</strong>, de<br />

especialização e similares, ministra<strong>dos</strong><br />

na UI (<strong>Lisboa</strong> e Figueira <strong>da</strong> Foz) e no<br />

ISPI. Identifi cação para o efeito com<br />

cartão de sócio ou declaração comprovativa<br />

emiti<strong>da</strong> pelo SPGL.<br />

Localização e contactos:<br />

Estra<strong>da</strong> de Benfi ca, 275<br />

1500-072 <strong>Lisboa</strong><br />

Tel. 217210230<br />

Fax 217267422<br />

www.uinternacional.pt<br />

uilx@uinternacional.pt<br />

Grupo<br />

Universi<strong>da</strong>de Lusófona:<br />

Universi<strong>da</strong>de Lusófona de Humani<strong>da</strong>des<br />

e Tecnologias; Instituto Superior de<br />

Humani<strong>da</strong>des e Tecnologias de <strong>Lisboa</strong>;<br />

Instituto Superior Politécnico do Oeste;<br />

Instituto Superior D. Dinis; Instituto<br />

Superior Manuel Teixeira Gomes; ULEGE;<br />

Universi<strong>da</strong>de Lusófona do Porto<br />

Desconto de 15% no valor <strong>da</strong>s propinas<br />

mensais relativas a to<strong>dos</strong> os cursos<br />

de licenciatura, cursos pós-gradua<strong>dos</strong>,<br />

de especialização e outros, nas instituições<br />

do Grupo <strong>da</strong> Universi<strong>da</strong>de<br />

Lusófona, para associa<strong>dos</strong>, cônjuges e<br />

fi lhos (e não tendo, portanto, aplicação<br />

em inscrições em cursos, matrículas<br />

anuais, exames e revisões de provas,<br />

etc.). Identifi cação para acesso a<br />

estas condições através de declaração<br />

emiti<strong>da</strong> pelo SPGL comprovativa <strong>da</strong><br />

condição de associado.<br />

Localização e contactos:<br />

Universi<strong>da</strong>de Lusófona de<br />

Humani<strong>da</strong>des e Tecnologias:<br />

Av. Campo <strong>Grande</strong>, 376<br />

1749-024 <strong>Lisboa</strong><br />

Tel. 217515500<br />

Fax 217577006<br />

www.ulusofona.pt<br />

informacoes@ulusofona.pt<br />

(Nota: os endereços <strong>dos</strong> outros institutos<br />

superiores do Grupo Lusófona<br />

podem ser obti<strong>dos</strong> neste site)


Acção<br />

nº<br />

3<br />

3ª<br />

Turma<br />

5<br />

8<br />

11<br />

CENTRO DE FORMAÇÃO DE LISBOA DO<br />

INSTITUTO IRENE LISBOA<br />

Acções Acredita<strong>da</strong>s pelo C.C.P.F.C. e fi nancia<strong>da</strong>s pelo Fundo<br />

Social Europeu e Estado Português - 2005<br />

UNIÃO EUROPEIA<br />

Fundo Social<br />

Europeu<br />

Acções Acredita<strong>da</strong>s pelo C.C.P.F.C. e financia<strong>da</strong>s pelo Fundo Social Europeu e Estado Português - 2005<br />

Título Formadores Público Alvo<br />

Educar para a<br />

Ci<strong>da</strong><strong>da</strong>nia Democrática<br />

Era uma Vez…<br />

Estratégias de Animação<br />

<strong>da</strong> Leitura e Produção<br />

de Narrativas…<br />

Avaliação <strong>da</strong>s<br />

Aprendizagens –<br />

Contextos e Práticas<br />

PowerPoint + Visio<br />

2000 – Apresentações<br />

Gráficas como<br />

ferramenta de apoio à<br />

prática pe<strong>da</strong>gógica<br />

Alice Santos<br />

Mª Luísa Abreu<br />

Mª Manuela<br />

Borba<br />

Sílvia Madeira<br />

Ana Cristina<br />

Gomes<br />

Fátima<br />

Meireles<br />

Lino Teque<br />

Educadores e to<strong>dos</strong> os<br />

<strong>Professores</strong> do E. B. e<br />

E. Sec.<br />

Educadores e Profs.<br />

do 1º e 2º C. E. B.<br />

To<strong>dos</strong> os <strong>Professores</strong><br />

do E. B. e E. Sec.<br />

To<strong>dos</strong> os<br />

<strong>Professores</strong> do E. B. e<br />

Sec.<br />

(é conveniente o domínio<br />

elementar do Windows)<br />

Créditos<br />

/Nº de<br />

Horas<br />

1 Crédito<br />

Horário Início/Fi<br />

m<br />

Instituto Irene <strong>Lisboa</strong> FICHA DE INSCRIÇÃO<br />

UNIÃO EUROPEIA<br />

Por Favor: Preencha to<strong>dos</strong> os itens <strong>da</strong> fi cha. Utilize letras maiúsculas<br />

Fundo Social Europeu<br />

CENTRO DE FORMAÇÃO DE LISBOA DO INSTITUTO IRENE LISBOA ... Ano 2005......Data de Entra<strong>da</strong>:________/_______/________<br />

Nome: ________________________________________________________________________________________________________________________________<br />

B.I. nº:_____________________Data de Nascimento: ______________Nº Contribuinte:__________________Mora<strong>da</strong>: _________________________________<br />

_____________________________________________________________________________________________________C. Postal:_________________________<br />

Locali<strong>da</strong>de: _____________________Tel:__________________________TLM: _________________________E-mail ______________________________________<br />

Jardim de Infância/Escola: _______________________________________________________________________________________________________________<br />

Mora<strong>da</strong>: ________________________________________________________________________________________ Telefone: _____________________________<br />

Situação Profi ssional (PQND, Quadro Geral, Contratado(a), etc...) ________________________ Nivel de Ensino:____________________Ciclo ______________<br />

_<br />

Gupo Disciplinar_____________Escalão em que se encontra _________Data <strong>da</strong> próxima mu<strong>da</strong>nça de Escalão: ________________ Ministério <strong>da</strong> Educação<br />

Outro Ministério o Qual? __________________________________ I.P.S.S. E. Particular - Subsidiado pelo Estado Sim Não Regime de<br />

Destacamento Outra<br />

Acções de formação em que se inscreve, em alternativa, por ordem de priori<strong>da</strong>de:<br />

1. ___________________________________________ 2. ____________________________________________3._________________________________________<br />

Assinatura ___________________________________________________<br />

__<br />

Enviar para: I.I.L. Rua Fialho de Almei<strong>da</strong> nº 3 -1º - 1070 - 128 <strong>Lisboa</strong> Telfs. 21 381 91 21 - Fax: 21 381 91 96 E-MAIL: spgliil@spgl.pt<br />

25h<br />

1.5<br />

Créditos<br />

38h<br />

1 Crédito<br />

25h<br />

1<br />

Crédito<br />

25h<br />

2ªs, 4ªs e 6ªs<br />

feiras<br />

17h30/20h30<br />

4ªs e 6ªs feiras<br />

17h30/20h30<br />

2ª e 4ª feiras<br />

17h30/20h30<br />

2ªs, 3ªs, 4ªs e<br />

6ªs feiras<br />

17h/20h<br />

26 Set.<br />

a<br />

14 Out.<br />

28 Set. a<br />

0 4 Nov.<br />

12 Out. a<br />

09 Nov.<br />

10 a 26 de<br />

Out.<br />

Local<br />

EB 2.3<br />

Marquesa de<br />

Alorna,<br />

<strong>Lisboa</strong><br />

EB 2.3<br />

Marquesa de<br />

Alorna, <strong>Lisboa</strong><br />

EB 2.3<br />

Marquesa de<br />

Alorna, <strong>Lisboa</strong><br />

R. Fialho de<br />

Almei<strong>da</strong> nº 3<br />

<strong>Lisboa</strong><br />

Limite de<br />

inscrição<br />

09/09/05<br />

12/09/05<br />

26/09/05<br />

23/09/05<br />

JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 33


Despacho nº 12148/05,<br />

de 1 de Junho<br />

Adita ao período de interrupção <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des<br />

lectivas <strong>dos</strong> alunos um novo<br />

período de interrupção, excepto no que<br />

respeita às provas de exame.<br />

Parecer nº 2/05,<br />

de 25 de Maio<br />

Sobre o novo guião de auto-avaliação<br />

de uma uni<strong>da</strong>de funcional.<br />

Despacho nº 12944/05,<br />

de 9 de Junho<br />

Fixa entre 1 de Janeiro e 31 de Maio<br />

de ca<strong>da</strong> ano o período de recepção na<br />

DGRHE, <strong>dos</strong> pedi<strong>dos</strong> de reconhecimento<br />

<strong>dos</strong> cursos de ensino superior como<br />

habilitação para a docência.<br />

Aviso nº 6055/05,<br />

de 17 de Junho<br />

Concurso pessoal docente para o exercício<br />

transitório de funções docentes do<br />

ensino português no estrangeiro.<br />

Despacho Conjunto nº 387-<br />

A/05, de 20 de Junho<br />

Defi ne os serviços mínimos a assegurar<br />

em caso de greve.<br />

Despacho Conjunto nº 388-<br />

A/05, de 21 de Junho<br />

Defi ne os serviços mínimos necessários<br />

à satisfação <strong>da</strong> necessi<strong>da</strong>de social<br />

impreterível que é a realização <strong>dos</strong><br />

exames nacionais <strong>dos</strong> 9º e 12º anos.<br />

Parecer nº 4/05,<br />

de 21 de Junho<br />

Parecer do Conselho Nacional de<br />

Educação sobre a proposta de Lei do<br />

Governo e os projectos de Lei <strong>dos</strong> parti<strong>dos</strong><br />

relativos às alterações à Lei de<br />

Bases do Sistema Educativo e à Lei de<br />

fi nanciamento do ensino superior.<br />

Parecer nº 3/05,<br />

de 14 de Junho<br />

Parecer do Conselho Nacional de<br />

Educação sobre as propostas de alteração<br />

<strong>da</strong> Lei de Bases do Sistema<br />

Educativo.<br />

Está a decorrer a Exposição Colectiva de<br />

Gravura de Margari<strong>da</strong> Ronsy e de Marina<br />

Santos. A mesma poderá ser visita<strong>da</strong> até<br />

15 de Julho.<br />

Protocolos estabeleci<strong>dos</strong> (descontos):<br />

Teatros, Colectivi<strong>da</strong>des e Instituições<br />

Culturais<br />

• Teatro a Barraca – 25%<br />

• Teatro a Comuna – 50%<br />

• Teatro Casa <strong>da</strong> Comédia – 50%<br />

• Teatro Cornucópia – 20%<br />

• Teatro Experimental de Cascais –50%<br />

• Teatro Municipal de Alma<strong>da</strong> – 50%<br />

• Teatro S. Francisco – 30%<br />

• Teatro Lua Cheia – 15%<br />

• Teatro <strong>da</strong> Trin<strong>da</strong>de – 20% (excepto espectáculos<br />

infantis e óperas)<br />

• Teatro Maria Matos – 8,50€ (preço<br />

único)<br />

• Chapitô – 25%<br />

• Cinemateca – 2,50€ (preço único)<br />

•*- Culturgest – 40%<br />

•*- Instituto Português de Museus –<br />

50% (museus abrangi<strong>dos</strong> pelo IPM)<br />

• Museu Nacional <strong>dos</strong> Coches<br />

• Museu Nacional de Arte Antiga<br />

• Museu Nacional de Arqueologia<br />

• Museu Nacional do Azulejo<br />

• Museu Nacional de Etnologia<br />

• Museu Nacional do Teatro<br />

• Museu <strong>da</strong> Música<br />

• Museu do Chiado<br />

• Museu Dr. Anastácio Gonçalves<br />

A Universi<strong>da</strong>de Lusófona vai implementar<br />

no próximo ano lectivo um programa<br />

de formação especializa<strong>da</strong> e pós-graduação<br />

que integra um conjunto de cursos<br />

e acções que poderão interessar os profi<br />

ssionais de educação:<br />

- Um Curso de Mestrado em Ciências<br />

<strong>da</strong> Educação, aberto aos portadores de<br />

uma licenciatura de qualquer área científi<br />

ca, com experiência profi ssional nos<br />

campos <strong>da</strong> educação e Formação, com<br />

classifi cação mínima de 14 valores.<br />

O Mestrado tem a duração de quatro<br />

semestres, sendo os dois primeiros de índole<br />

escolar, e destinando-se os dois últimos<br />

à elaboração de uma dissertação.<br />

O plano de estu<strong>dos</strong> está organizado<br />

em três módulos: Educação e<br />

Desenvolvimento; Aspectos Epistemológicos<br />

<strong>da</strong>s Ciências <strong>da</strong> Educação e<br />

D E P A R T A M E N T O<br />

D E C U L T U R A<br />

Nota: * desconto mediante apresentação<br />

do ITC (Cartão Internacional<br />

de Professor)<br />

• Livrarias – 10%<br />

• Bulchholz – 10%<br />

• Ferin – 10%<br />

• Portugal – 10%<br />

Chama-se a atenção para as condições<br />

concedi<strong>da</strong>s pelo CPS – Centro Português de<br />

Serigrafi a<br />

1. Inscrição gratuita para os nossos sócios<br />

e colaboradores.<br />

2. Uma obra de oferta no acto de inscrição<br />

no valor de 365€ (obra até 6 meses<br />

de quotas escolhi<strong>da</strong> do catálogo).<br />

3. Uma outra serigrafi a de oferta para os<br />

primeiros 30 inscritos do SPGL.<br />

4. Quota mensal de 28€.<br />

O sócio tem direito a receber a obra <strong>da</strong><br />

sua preferência consoante o valor <strong>da</strong>s<br />

quotas acumulado.<br />

Até ao fi nal de Julho estão abertas as<br />

inscrições para Exposições de Pintura,<br />

Escultura, Cerâmica, Artesanato, etc. Pode<br />

enviar um e-mail para cultura@spgl.pt ou<br />

barbaracunha@spgl.pt.<br />

No próximo ano lectivo realizar-se-á um<br />

ciclo de palestras sobre música.<br />

Consulte a nossa página na Internet (www.<br />

spgl.pt).<br />

Universi<strong>da</strong>de Lusófona<br />

Cursos para aperfeiçoamento científi co e profi ssional<br />

Metodologias de Investigação; Análise<br />

<strong>da</strong>s Políticas de Educação.<br />

- Uma Pós-graduação em Educação<br />

Especial – Especiali<strong>da</strong>de Necessi<strong>da</strong>des<br />

Educativas Especiais, aberto a<br />

Educadores e <strong>Professores</strong> do Ensino<br />

Básico com licenciatura, profi ssionalização<br />

e cinco anos de serviço docente.<br />

O curso engloba uma componente teórico-prática<br />

e desenvolvimento de um<br />

projecto de intervenção com apoio<br />

tutorial. Desenvolve-se em quatro blocos:<br />

Formação Geral em Ciências<br />

<strong>da</strong> Educação; Educação Especial;<br />

Metodologias de Investigação; Tutória.<br />

Para mais informações:<br />

Tel. 217515500<br />

Fax 217577006<br />

http://posgraduacoes.ulusofona.pt<br />

Linha Azul 808200739


Fátima Anjos Orgãos de Gestão - Assembleia de Escola<br />

No “Escola Informação” do passado<br />

mês de Abril (nº 197)<br />

comprometi-me a prestar esclarecimentos<br />

sobre o regime jurídico <strong>da</strong><br />

composição, recrutamento, eleições e<br />

man<strong>da</strong>to de ca<strong>da</strong> um <strong>dos</strong> órgãos de<br />

administração e gestão <strong>da</strong>s escolas<br />

tendo então começado pelo Conselho<br />

Executivo.<br />

Neste número vos dou a conhecer o<br />

quadro normativo referente ao funcionamento<br />

de um outro órgão de gestão<br />

muito importante – a Assembleia.<br />

1 – Como resulta do Regime de<br />

Autonomia, Administração e Gestão<br />

<strong>dos</strong> Estabelecimentos <strong>da</strong> Educação Pré-<br />

Escolar (R.A.A.G.) e <strong>dos</strong> ensinos básico<br />

e secundário, aprovado pelo DL nº<br />

115-A/98, de 4 de Maio e alterado<br />

pela Lei nº 24/99, de 22 de Abril, a<br />

Assembleia é o órgão responsável pela<br />

definição <strong>da</strong>s linhas orientadoras <strong>da</strong><br />

activi<strong>da</strong>de <strong>da</strong> escola e ain<strong>da</strong> o órgão<br />

de participação e representação <strong>da</strong><br />

comuni<strong>da</strong>de educativa. Nesta vertente<br />

deve estar, deste modo, assegura<strong>da</strong> na<br />

sua composição, a representação <strong>dos</strong><br />

docentes, <strong>dos</strong> pais e encarrega<strong>dos</strong> de<br />

educação, <strong>dos</strong> alunos, do pessoal não<br />

docente e <strong>da</strong> autarquia local e ain<strong>da</strong>,<br />

se o regulamento interno assim o previr,<br />

a representação <strong>da</strong>s activi<strong>da</strong>des de carácter<br />

cultural, artístico, científico e ambiental<br />

e económico <strong>da</strong> respectiva área,<br />

com relevo para o projecto educativo<br />

de ca<strong>da</strong> escola.<br />

2 – A Assembleia <strong>da</strong> escola é composta<br />

por um número de elementos a definir<br />

pelo respectivo Regulamento Interno,<br />

estabelecendo, contudo, a lei que o<br />

mesmo não pode ser superior a 20.<br />

A distribuição <strong>dos</strong> elementos que compõem<br />

a Assembleia é feita <strong>da</strong> seguinte<br />

forma:<br />

Representantes do corpo docente – não<br />

podem ser em número superior a 50%<br />

<strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> membros <strong>da</strong> assembleia.<br />

Nas escolas em que funcione a<br />

educação pré-escolar ou o 1º ciclo, conjuntamente<br />

com outros ciclos do ensino<br />

básico, deve a assembleia integrar re-<br />

presentantes <strong>dos</strong> educadores de infância<br />

e <strong>dos</strong> professores do 1º ciclo.<br />

Representantes <strong>dos</strong> pais e encarrega<strong>dos</strong><br />

de educação – não deve ser em número<br />

inferior a 10% <strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> membros<br />

<strong>da</strong> assembleia.<br />

Representantes do pessoal não docente<br />

– não deve ser em número inferior<br />

a 10% <strong>da</strong> totali<strong>da</strong>de <strong>dos</strong> membros <strong>da</strong><br />

assembleia.<br />

Representantes <strong>dos</strong> alunos – a participação<br />

é circunscrita ao ensino secundário<br />

garantindo a lei essa possibili<strong>da</strong>de<br />

também aos trabalhadores-estu<strong>da</strong>ntes<br />

do ensino básico recorrente.<br />

Quando não haja lugar à representação<br />

de alunos por não se verificarem os<br />

condicionalismos referi<strong>dos</strong>, podem os<br />

Regulamentos Internos <strong>da</strong>s escolas não<br />

abrangi<strong>da</strong>s prever formas de participação<br />

<strong>dos</strong> alunos sem direito a voto.<br />

Ain<strong>da</strong> em matéria de composição <strong>da</strong><br />

assembleia é de referir que o presidente<br />

do conselho executivo ou director e<br />

o presidente do conselho pe<strong>da</strong>gógico,<br />

participam nas respectivas reuniões,<br />

mas sem direito a voto.<br />

3 – As competências <strong>da</strong> assembleia encontram-se<br />

taxativamente enumera<strong>da</strong>s<br />

no nº 1 do artº 10º do R.A.A.G. que<br />

aqui não se transcrevem devido à sua<br />

extensão.<br />

De qualquer modo, e pela sua relevância,<br />

é de fazer menção à competência<br />

que lhe é atribuí<strong>da</strong> por lei em matéria<br />

eleitoral:<br />

“Acompanhar a realização do processo<br />

eleitoral para a direcção executiva”.<br />

Para este efeito a lei prevê que a assembleia<br />

designe uma comissão de três<br />

<strong>dos</strong> seus membros que têm como função<br />

proceder à verificação <strong>dos</strong> requisitos relativos<br />

aos candi<strong>da</strong>tos e à constituição<br />

<strong>da</strong>s listas, bem como do apuramento<br />

final <strong>dos</strong> resulta<strong>dos</strong> <strong>da</strong> eleição.<br />

As deliberações <strong>da</strong> referi<strong>da</strong> comissão<br />

são publicita<strong>da</strong>s, em termos a definir<br />

no Regulamento Interno de ca<strong>da</strong> escola,<br />

delas cabendo recurso, com efeito<br />

suspensivo, no prazo de cinco dias úteis<br />

para o respectivo Director Regional de<br />

Educação, que deverá decidir no prazo<br />

de 10 dias, também úteis.<br />

4 – A assembleia reúne ordinária e<br />

extraordinariamente nos seguintes termos:<br />

Reuniões Ordinárias: - uma vez por trimestre<br />

Reuniões Extraordinárias: - sempre<br />

que seja convoca<strong>da</strong> por iniciativa do<br />

Presidente, a requerimento de um terço<br />

<strong>dos</strong> seus membros em efectivi<strong>da</strong>de de<br />

funções ou por solicitação do Presidente<br />

do Conselho Executivo.<br />

5 – Anteriormente ao processo eleitoral<br />

para o órgão em questão há lugar à<br />

designação <strong>dos</strong> representantes <strong>dos</strong> seus<br />

vários elementos. Assim:<br />

a) os representantes <strong>dos</strong> alunos, do pessoal<br />

docente e do pessoal não docente<br />

são eleitos pelos respectivos corpos sociais;<br />

b) os representantes <strong>dos</strong> pais e encarrega<strong>dos</strong><br />

de educação são indica<strong>dos</strong> em<br />

assembleia geral <strong>dos</strong> mesmos, mediante<br />

proposta <strong>da</strong>s respectivas organizações<br />

representativas ou de acordo com<br />

o Regulamento Interno <strong>da</strong> Escola, se<br />

aquelas não existirem;<br />

c) os representantes <strong>da</strong> autarquia<br />

local são designa<strong>dos</strong> pela Câmara<br />

Municipal.<br />

6 – Os referi<strong>dos</strong> representantes constituem-se<br />

em listas separa<strong>da</strong>s para efeitos<br />

de processo eleitoral. Estas listas devem<br />

conter a indicação <strong>dos</strong> candi<strong>da</strong>tos a<br />

membros efectivos (em número igual ao<br />

<strong>dos</strong> respectivos representantes na assembleia)<br />

e bem assim <strong>dos</strong> candi<strong>da</strong>tos<br />

a membros suplentes.<br />

Os votos são converti<strong>dos</strong> em man<strong>da</strong>tos<br />

através do método de representação<br />

proporcional <strong>da</strong> média mais alta de<br />

Hondt.<br />

7 – O man<strong>da</strong>to <strong>dos</strong> membros <strong>da</strong> assembleia<br />

tem a duração de três anos.<br />

O man<strong>da</strong>to <strong>dos</strong> representantes <strong>dos</strong> pais<br />

e encarrega<strong>dos</strong> de educação tem a duração<br />

de um ano lectivo, excepto se o<br />

Regulamento Interno <strong>da</strong> escola fixar outra<br />

duração a qual, nunca poderá exceder<br />

três anos.<br />

JUN./JUL. 2005 . ESCOLA INFORMAÇÃO 35

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