dE comPRA - Assobrav

assobrav.com.br

dE comPRA - Assobrav

PublIcAção dA AssocIAção bRAsIlEIRA dE dIstRIbuIdoREs VolkswAgEn

Ano 33 • n • 289

FEVEREIRo 2o11

mobIlE mARkEtIng

no PRocEsso

dE comPRA


Um simples celUlar vai

decidir a compra

“Só

podemos estar certos de uma coisa: atitudes e padrões de consumo vão mudar ao longo da

próxima década.” Assim a Deloitte Touche Tohmatsu, consultoria internacional de grande prestígio, sintetizou

o estudo “Consumer 2020: Reading the signs”, apresentado por ela no igualmente prestigiado evento da

“National Retail Federation”, o maior acontecimento de varejo dos Estados Unidos desde 1910.

O porquê da mudança radical já foi alardeado por gurus e analistas do mercado, mas poucos ainda são os

empresários conscientes disso.

As razões para repensar completamente o atendimento nas empresas são fundamentalmente duas: a

sustentabilidade e a integração celular/cliente com o varejo, o que se costuma abreviar por “mobilidade”.

Segundo consultores brasileiros que participaram do evento norte-americano, na questão sustentabilidade

o Brasil não está tão defasado, haja vista as iniciativas de oferecer sacolas recicláveis e opções para a coleta

separada do lixo, mas na mobilidade sim, e isso será um grande problema dentro em breve.

O comércio se vê impotente e atrasado em relação ao primeiro mundo ao constatar as facilidades e – como

não – os riscos que os celulares inteligentes vão trazer para o setor. Embora o Brasil tenha uma imensa base de

celulares, os aparelhos continuam inaptos. Isto é, ao universalizar o celular, as operadoras criaram o pré-pago,

que como todo mundo sabe, não tem fôlego para o 3G. O contrasenso é que dos 8.7% de celulares 3G existentes

no País, na posse da classe A, a grande maioria (82%) é pré-pago, o que limita, e muito, a chamada compra do

futuro, elaborada previamente na tela do celular.

“Com um smartphone o consumidor tem o processo de compra na palma da mão. O celular deixa de ser mais

um canal independente e passa a ser interdependente. Com o celular e acesso móvel o consumidor fotografa

um produto, acessa a pesquisa por preço em várias lojas, negocia ou vai comprar no local que oferecer mais

vantagens, compartilha a compra com amigos e seguidores na rede social. As lojas podem mandar ofertas,

cupons de desconto no celular do cliente que está no ponto de venda ou próximo”, explica Alexandre Horta,

sócio da GS&MD Gouvea na matéria de capa desta edição.

O fato é que se o Brasil não se apressar na mobilidade, o varejo poderá perder esse novo e plugado consumidor.

Tanto é verdade que um dos cases de mobile marketing de maior sucesso apresentados no congresso da NRF

foi justamente a ação da Volkswagen para lançar o Golf GTI nos EUA, exclusiva para o iPhone. A montadora

lançou um aplicativo que oferecia ao usuário jogar o mobile game Real Racing escolhendo a pista de corrida

e a cor do Golf GTI. Também direcionava o usuário a um mobile site com especificações do carro, a indicação

de um concessionário mais próximo e ainda permitia que o jogador compartilhasse sua performance com os

amigos. Por fim, a VW premiou os seis melhores jogadores com o carro. O resultado foi que o número de testdrives

cresceu 80% e os pedidos de orçamentos aumentaram 86%.

A Volkswagen continua investindo em ações de mobile marketing porque sabe que este é o futuro. Entre as

concessionárias da marca, a paranaense Corujão foi pioneira na estratégia de ofercer conteudo no iPhone.

Resta às operadoras de celulares fazerem a sua parte e assim contribuir, como diz Horta, para que “o varejo

brasileiro deixe de ser simplesmente de operação e passe a atuar com inteligência analítica.”

Boa leitura.

Conselho Editorial

s H o w R o o m

3


4

3 REcAdo

A mensagem do Conselho Editorial.

5 cARtAs

O que dizem sobre Showroom.

cAPA

6 QuEm PAssou PoR AQuI

Amigos e personalidades que visitaram a

Assobrav e as empresas do Grupo Disal.

8 gEntE

Ela é jovem, engenheira e mestre. Mas

o mais interessante é que domina um

assunto atribuído aos homens: a cerveja.

Cilene Saorin fala como nasceu e cresceu

sua paixão pela bebida, que é a preferida

de nove em cada dez brasileiros.

12 RH

A reflexão do colunista Armando Correa

de Siqueira Neto sobre o comportamento

humano.

14 EmPREEndEdoRIsmo

A história de sucesso da “Bebida Gelada”,

novíssima empresa on-line montada por

três jovens empresários que prometem

a bebida certa, na hora certa e, claro,

estupidamente gelada diretamente na

sua casa.

18 cAPA

O que revelou o último

congresso da National

Retail Federation, o maior

evento de varejo dos Estados Unidos. Na

centésima edição estiveram presentes

cinco mil varejistas, sendo que a maior

delegação estrangeira era a brasileira. Lá

dois temas dominaram as discussões: a

sustentabilidade e a integração celular/

cliente com o varejo, ou, como diz o

jargão publicitário, mobile. A conclusão

é de que no primeiro quesito o Brasil não

está tão defasado, mas no segundo sim,

apesar da imensa massa de celulares que

temos.

24 tEcHmAnIA

Os testes em laboratórios e em pistas

de provas da indústria automobilística,

segundo o jornalista Fernando Calmon.

26 mundo VERdE

O recado sobre a preservação do meio

ambiente e suas implicações legais.

A PAssEIo

28 FREIo solto

A opinião, a crítica e a ironia do jornalista

Joel Leite.

32 A PAssEIo

Queenstown, a charmosa cidade à beira

do lago Wakatipu, na Nova Zelândia, atrai

visitantes do mundo inteiro, que vêm

em busca de contato com a natureza, da

emoção dos esportes e do agito noturno,

tudo combinado na medida certa.

Localizada na Região dos Lagos do Sul, na

área de Otago, tem estações do ano bem

definidas. A cidade lota de esquiadores

no inverno e amantes de esportes

aquáticos no verão. Mas são os amantes da

aventura que mais procuram a capital do

jet boat e do bungee jump.

38 E sE...

A ficção de Maria Regina Cyrino Corrêa

sobre como seria a nossa vida se os

principais fatos celebrados em fevereiro

não tivessem acontecido.

39 QuAndo A bolA RolA...

O comentário de Marcelo Allendes sobre

o que acontece nos gramados, quadras,

piscinas e...em outros espaços também.

40 noVIdAdEs

O que há de novo em eletrônicos,

periféricos de informática e outras

utilidades.

41 lIVRos & AFIns

Nossas dicas para a sua biblioteca,

cedeteca, devedeteca e pinacoteca.

42 VInHos & VIdEIRAs

A opinião abalizada de Arthur Azevedo,

diretor executivo da ABS – Associação

Brasileira de Sommeliers – SP e editor

da Revista WineStyle e do site artwine@

gmail.com / twitter: @artwine77

42 mEsA PostA

Receitas, segredos e informações sobre

a história da gastronomia com o chef

Gustavo Corrêa.

gEntE


sARdEnHA

Adorei saber mais sobre a Sardenha. Até ler a reportagem de vocês (A

Passeio, Edição 288 – Janeiro 2011) desconhecia o fato de que Alghero, a

parte mais italiana da ilha, contou com a presença de catalães na Idade

Média, daí o dialeto falado naquela parte da Sardenha ser tão parecido

ao catalão.

João Alberto Luso

guRus E mARkEtEIRos

É sempre bom ouvir gurus do marketing para

saber a tendência do mercado,

mas vocês não acham que esses

intelectuais, pesquisadores

ou analistas dos hábitos

dos consumidores, não sei

exatamente como chamálos,

estão exagerando? Na

minha opinião, eles lançam

moda, quando não, inventam

tendências para vender os

próprios livros.

Sérgio Ramires

EntREVIstA

Ingrid Guimarães, como sempre,

muito sensata, talentosa e

divertida (Gente, Edição 288 –

Janeiro 2011). Quem ainda não

assistiu ao seu último filme (“De

Pernas pro Ar”), está perdendo. É

ótimo!

Maria Cristina Trivero

um tInto lEVE no VERão

Segui à risca a dica do sommelier de Showroom (Arthur Azevedo –

Edição 288 – Janeiro 2011) e não me arrependi.

Embora não seja um apreciador de vinho, muito menos do tinto,

porque acho que não combina com o nosso clima, tive uma

experiência gastronômica excelente ao harmonizar um leve Pinot

Noir com um franguinho na grelha, regado a um molho que é

receita de família. O resultado foi divino!

Obrigado pela informação.

Albino Nogueira

N.R.: Recordamos que para receber Showroom mensalmente os

interessados devem enviar um e-mail à Redação (www.editoria@tato.

com) informando o seu endereço e solicitando o envio da publicação.

Os pedidos serão atendidos por ordem de chegada e conforme a

disponibilidade de exemplares.

Publicação mensal da

Ano 33 – Edição 289– fevereiro de 2011

Conselho Editorial

Antonio Francischinelli Jr. , Evaldo Ouriques,

Juan Carlos Escorza Dominguez, Mauro I.C.

Imperatori e Silvia Teresa Bella Ramunno.

Editoria e Redação

Trade AT Once - Comunicação e Websites Ltda.

Rua Itápolis, 815 • CEP 01245-000

São Paulo •SP • Tel (11) 5078-5427

editoria@tato.com

Editora e Jornalista Responsável

Silvia Teresa Bella Ramunno (13.452/MT)

Redação - Rosângela Lotfi (23.254/MT)

Projeto Gráfico e Direção de Arte

Azevedo Publicidade - Marcelo Azevedo

marcelo@azevedocom.com.br

Publicidade

Disal Serviços - Maria Marta Mello Guimarães

Tel (11) 5078-5480

mmello@grupodisal.com.br

Impressão Gráfica Itú

Tiragem 6.000 exemplares

Permitida a reprodução total ou parcial, desde

que citada a fonte.

As matérias assinadas são de responsabilidade

do autor e não refletem necessariamente a

posição da Assobrav.

Registro nº 137.785 – 3º Cartório Civil de Pessoas

Jurídicas da Capital de São Paulo.

Assobrav

Av. José Maria Whitaker, 603

CEP 04057-900

São Paulo – SP

Tel: (11) 5078-5400

assobrav@assobrav.com.br

Diretoria Executiva

Presidente: Mauro Saddi

Vice-presidentes: André Oshiro

Carlos Roberto F de Mattos Jr.

Elias dos Santos Monteiro

Eric Braz Tambasco

Francisco Veríssimo S Filho

Luis Eduardo B Cruz e Guião

Luiz Francisco Viscardi

Nilo Moraes Coelho Filho

Rogério Wink

Diretor Ad-hoc: Bruno Abib

Conselho de Ex-Presidentes

Sérgio Antonio Reze, Paulo Pires Simões, João

Cláudio Pentagna Guimarães, Rômulo D.

Queiroz Monteiro Filho, Orlando S. Álvares de

Moura, Amaury Rodrigues de Amorim, Carlos

Roberto Franco de Mattos,

Roberto Torres Neves Osório,

Elmano Moisés Nigri e

Rui Flávio Chúfalo Guião.

s H o w R o o m

5


6

Luiz Macoto Sakamoto, diretor de Operações da

Yasuda Seguros, que abriu uma brecha em sua

apertada agenda para uma visita à Disal Corretora

de Seguros...

A competente Heloisa

Ferreira Ricetti, diretora

da VW Discasa, de São

Carlos (SP) e o milagre

de dividir seu tempo

entre a família e as

muitas horas dedicadas

à concessionária...

Marcelo Cyrino,

diretor do

Grupo Ápia no

interior paulista

e sua inabalável

simpatia, para

reunir-se com a

base do Estado

de São Paulo...

Conhecedor

da eterna

juventude,

Walter

Mesquita, da

VW Biguaçu da

capital paulista,

emprestando

energia e

entusiasmo aos

encontros da

Assobrav...

Articulado, crítico

e sempre ouvido

pela Rede VW,

Marcos Goldstein,

da VW Saga

de Fortaleza,

cada vez mais

envolvido com os

pincéis e a arte...


A advogada Renata

Pires Castanho

Cecchinato para dar

o seu recado sobre

Responsabilidade

Ambiental ...

O também

sucessor Yago

Cesário Alves

Belisanda, da

VW Real do

Rio de Janeiro,

que precisou

diminuir o surf

em favor da

faculdade de

Administração

e do estágio na

concessionária...

Gente da Casa,

Regina Campos,

conhecida como

“Regina Master”

no setor da

distribuição de

veículos - apelido

que dispensa

tradução - atende

a duas diretorias

na Assobrav: a de

Operações e a de

Assuntos Jurídicos

e Políticos. Precisa

dizer mais?

O talentoso Enrique Zamora Monteiro, herdeiro

da VW Zamora de São Paulo (SP), acompanhado,

sempre, de uma certa irreverência nas discussões

sobre sucessão na Rede VW...

E a jovem Thayse Breitkopf,

sucessora da VW Breitkopf, de

Blumenau (SC), que acompanhou

a diretoria da empresa na mais

recente reunião do programa Sinal

Vermelho...

s H o w R o o m

7


8

cilene

saorin

A mEstRE

cERVEjEIRA

PoR s. ARRudA

Fotos: PAtRIcIA bIgAREllI.


C ilene Saorin tem o emprego dos

sonhos para muita gente: ganha a

vida bebendo cerveja. Ela é a primeira

sommelier de cerveja do Brasil, trabalhou

nas grandes fábricas nacionais, em

consultoria na Inglaterra, fez curso na

Espanha e há cinco anos montou sua

empresa. Ela forma degustadores de

cervejas, faz treinamento em gestão de

negócios e ainda participa de eventos em

que cuida da harmonização da comida

com cervejas – além de dar uma pequena

aula sobre a bebida.

Franzina, mãos e braços delicados, pele

clara, quase não dá para acreditar que

ela conheça tanta história sobre a bebida,

suas origens, a descrição dos 120 tipos

que há no planeta, e que passe boa

parte do tempo “a trabalho”, provando,

conhecendo, estudando garrafas, rótulos,

desenhos e líquidos. E ela fala com

tamanha paixão que dá cada vez mais sede

conforme recita explicações de tipos de

cerveja, suas características, gostos...Como

ficar impassível quando fala em tons de

frutas, cítricos, gás carbônico e barulho da

tampa pulando do gargalo?

Ela se formou em engenharia de alimentos

no Instituto Mauá, reduto masculino por

excelência por seus cursos extremamente

técnicos, e está no mercado há quase 20

anos. Trabalhou na Brahma, Antarctica,

Ambev, Petrópolis, na fábrica, na

produção, controle de qualidade, área

administrativa, enfim, em praticamente

todos os estágios do processo de

produção.Trabalhou ainda para uma

consultoria na Inglaterra, que prestava

serviços aos grandes fabricantes.

Ela é mestre cervejeira, aquela que

conhece tudo e pode exercer praticamente

qualquer função numa fábrica. Mas

agora seu foco é a degustação, mais

precisamente a formação de degustadores,

de sommeliers de cerveja, em novíssimo

curso no Senac-SP, em parceria com a

Doemens Academy, da Alemanha.

A paixão pela bebida e a até recente

descoberta do mundo das garrafas com

receitas especiais a fez acordar para

um novo mercado, também em grande

ascensão no Brasil – cresce a cada dia o

número de marcas e tipos nas prateleiras

de mercados, bares e empórios

especializados. Sempre atenta a toda e

qualquer informação sobre os líquidos,

Cilene explica que para degustar bem

uma cerveja não se pode cuspir, sob

pena de perder informações sensoriais

de retrogosto e retronasal. Confessa ser

sensível ao álcool, e recomenda cautela

na quantidade a ser ingerida. Mas dá

a principal fórmula para começar a

entrar neste mundo: ler e beber. “Quem

quer conhecer tem de estar aberto à

experimentação. E ir ao bar, ao empório,

e se jogar.”

sHowRoom: Você escolheu o que

queria estudar?

cIlEnE sAoRIn: Cursei ginásio e colégio

normais. Nada técnico. Mas depois fiz

Engenharia de Alimentos na Mauá

Como começou a trabalhar com

cerveja?

No quarto ano do curso na Mauá,

buscava oportunidade de trabalho e já

queria trabalhar na área de tecnologia

de fermentações. Concorri e consegui

um estágio na Brahma, e depois de um

ano eu me apaixonei pela bebida, pela

tecnologia, e pelo desafio de ser uma

mulher neste universo.

Qual era a sua função na Brahma?

Como engenheira de alimentos eu era

aprendiz de cervejeira, mesma função

que tive na Petrópolis também. A

minha intenção era assimilar o máximo

de informação possível da tecnologia

cervejeira para ingressar no curso de

mestrado em tecnologia cervejeira, o

meu sonho.

O mestre cervejeiro cria a cerveja?

Ele tem várias atribuições dentro da

indústria cervejeira. Uma das mais

importantes sem dúvida é ser capaz de

criar uma receita, conduzir a produção

de cervejas, garantir a qualidade de um

produto, trabalhar uma marca. Faz tudo,

do desenvolvimento da fórmula até

processos de comunicação visual.

E precisa muita especialização?

O ofício de mestre cervejeiro compreende

disciplinas como biologia, microbiologia,

química, bioquímica, mecânica,

automação, marketing, divulgação - tudo

que compreende o negócio cervejeiro

dentro da indústria. Mas não executa

todas as funções o tempo todo, pode

ser focado numa função apenas. Pode

desenhar uma cerveja, ou apenas cuidar

da mudança no mercado, enfim, pode

apenas ter a responsabilidade de conduzir

um processo para garantir a qualidade da

cerveja produzida.

Mas o mais comum é criar uma

cerveja...

De alguma forma eu passei um pouco

do meu trabalho fazendo isso. Hoje eu

dedico pequena parte do meu trabalho a

isso. Não é a minha maior especialidade,

mas é uma delas. Depois de 10 anos em

cervejarias no Brasil, fui para a Inglaterra

prestar serviços para o mercado mundial

em nome de uma empresa chamada Flavor

Active, que oferece serviços de consultoria

na área de gestão sensorial para os grandes

fabricantes. Eu tinha a responsabilidade

de prestar consultoria a cervejarias que

falam português, espanhol e italiano. Essa

área de gestão sensorial é uma consultoria

que tem como base gerir negócios,

oferecer ferramentas para as empresas

serem capazes de tocar seus negócios,

qualidade de produto, comunicação de

produto, todo o espectro de negócios de

cervejas, com base na informação gerada

pela degustação, ou seja, através da

informação sensorial, das informações que

a cerveja traz ao sair da garrafa. Trabalhei

para eles por cinco anos e ainda hoje sou

parceira deles. As pessoas e as indústrias

me procuram como mestre cervejeira para

trabalhar com gestão sensorial. Essa sim

se tornou minha especialidade: gestão

sensorial.

Como são seus trabalhos?

Eu formo degustadores profissionais,

e com base nisso eles terão atributos

que permitirão gerir um negócio. Esses

profissionais formam uma visão crítica

em relação a essas informações

para conhecer o negócio e

garantir a qualidade do produto e

desenvolver outros.

s H o w R o o m

9


10

Fundamentalmente você é hoje uma

formadora de degustadores...

Nos 10 primeiros anos trabalhei apenas

como mestre cervejeira. Fiz mestrado em

tecnologia cervejeira na Politécnica de Madri,

na Escola Superior de Cerveza e Malta.

Voltei ao Brasil, para a Brahma, e ingressei

na fábrica de Jacareí. Trabalhava em chão

de fábrica, produzindo cerveja. Depois fui

para a Antarctica, trabalhei no corporativo,

respondendo pela gestão de qualidade, na

homologação de matérias primas e auxiliares.

Com a fusão entre a Brahma e Antarctica

fiquei também com o projeto de padronização

técnica dos processos. Com outros colegas,

cuidamos de acertar o projeto técnico de

todas as marcas desse grupo. Em 2001 sai

para a Flavor Actvie e mudei de atuação.

Aí você descobriu as cervejas especiais?

No final de 2004 e começo de 2005 nasceu

na Inglaterra a campanha Beautiful Beer,

com o objetivo de redesenhar a imagem da

cerveja entre os britânicos. A missão era fazer

com que mais pessoas tivessem a cerveja

como bebida em mais ocasiões. Amplificar

sua cultura. Essa campanha mudou a minha

vida porque participei dos bastidores como

voluntária e me formei sommelier. Descobri

um novo mundo e vi que o Brasil estava

despontando para as cervejas especiais.

Sai da empresa inglesa e abri a minha

própria empresa, como mestre cervejeira

com a especialidade em gestão sensorial,

desenvolvimento de receitas de cerveja e

como sommelier.

O mercado ainda era bem pequeno...

Em 2006, muita gente dizia que cerveja não

precisava de sommelier, porque a bebida

era encontrada na esquina, não tinha muita

variação.

Como são divididas suas atividades?

Hoje 80% do meu tempo é focado como

sommelier. A demanda do mercado

está muito forte por esse caminho.

Eventualmente faço trabalho como

mestre cervejeira, mas sobretudo

como sommelier. O mercado está

borbulhando.

Mas não é só dar aula...

Como sommelier faço eventos de

gastronomia associado a cervejas, para

grupos corporativos, é muito comum. Por

exemplo, num evento com jantar fazemos

a harmonização com cerveja, e falo um

pouco sobre as combinações. O projeto

que mais me toma tempo hoje é o curso

do Senac-SP de Sommelier de Cerveja, em

associação com uma escola alemã.

Você já bebia quando começou a

trabalhar com cerveja?

Aos 20 anos, quando comecei a

trabalhar com cerveja, bebia muito

pouco. A bebida apareceu na minha vida

na época da faculdade. A cerveja é uma

bebida interessante do ponto de vista

social, agregadora, de fácil acesso.

Já sofreu preconceito?

Muito. Sempre quando trabalhava em

fábrica, e era sempre algo do tipo “o

que esta fazendo aqui?”, “não é lugar

de mulher em fábrica de cerveja”. Esses

comentários vinham de superiores

hierarquicamente, não do pessoal

que estava comigo na fábrica. Isso

constrangia porque eu estava no local

de trabalho, e literalmente queriam que

eu saísse. Muitas vezes me questionei

se realmente em algum momento o

fato de ser mulher poderia prejudicar

meu trabalho. Mas em outras situações

até dou risada. Meu pai tinha um bar e

sempre rolava alguma história.

De que tipo?

Meu pai tinha um bar e nos

encontrávamos por lá, muitas

vezes com amigos. Quando ele me

apresentava, orgulhoso, como a filha

conhecedora de cerveja... aí rolava

uma sabatina, com perguntas muitos

simples e superficiais, para me testar

mesmo. Aí eu respondia e ampliava

o assunto, com mais informações.

Eles não conseguiam mais interagir

e diziam: “nossa ela entende mesmo

de cerveja”. Há um concepção já

formada de que mulher não entende

de bebida.

Para ser sommelier tem de beber

muito?

Parar ser profissional precisa estudar

muito, ter teoria, e precisa prática.

E na prática é degustar com muita

atenção. Quanto melhor for o

profissional menos líquido precisa

ingerir para gerar informação. A idéia

é treinar e aguçar a sensibilidade.

Cerveja também se cospe numa

degustação?

Não. A melhor forma de degustar é

não cuspir, porque deixa de explorar

as referências retronasal e retrogosto.

A melhor forma de captar todas as

informações é engolir. É preciso

prestar atenção na força alcoólica da

bebida e consumir bastante água,

para diluir o álcool ingerido.


É preciso treinar todos os sentidos?

Sim, todos são importantes na degustação,

olhos, nariz, boca, tato e audição. Desde

o barulho quando se abre uma cerveja

que tem mais gás até as informações no

rótulo, tudo é muito importante. Por

exemplo, uma cerveja tipo Pilsener,

quanto mais jovem melhor, é desenhada

para trazer refrescância, e um atributo

que ajuda nesta sensação é o frisante, o

gás carbônico – notado quando se abre a

garrafa pelo ruído. Quando se abre uma

Scotch Ale, Old Ale, da escola cervejeira

escocesa e inglesa, a capacidade de

refrescância é a ultima coisa que se espera

delas, são para final de refeição.

Quais os principais elementos de uma

cerveja?

Água, maltes, lúpulos e leveduras. A

água pode trazer certos referenciais de

terroir. Os maltes podem ser cevada,

trigo, outros grãos não necessariamente

maltados, como aveia, centeio, sorgo,

milho, arroz. Na última etapa no processo

de malteação, ocorre a torrefação. Por

exemplo a Pilsener tem malte com baixa

intensidade de torrefação; a torrefação

intermediária traz tons de toffee,

caramelo, e coloração mais escura; e da

torrefação de muita intensidade surge a

Black, usada nas receitas em composição

com outros maltes, e saem as Porter,

Stouts, de coloração negro profundo e

notas de café e chocolate. Os lúpulos

conferem amargor e aromas típicos da

cerveja– o amargor tem de ser macio,

equilibrado com os outros elementos.

É ele que faz as pessoas darem infinitos

goles de cerveja numa tarde ensolarada

junto de amigos. Os lúpulos trazem

vertentes aromáticas de frutas, cítricos,

condimentadas, florais e herbais. E as

leveduras, microorganismos que vão

transformar açúcares no processo e

produzir álcool, gás carbônico e outros

subprodutos de fermentação. Têm notas

aromáticas de frutas, condimentos,

acastanhados, amanteigados. Todos

formam o perfil sensorial de uma cerveja.

Quais os principais estilos de cerveja?

No velho mundo, são três núcleos

importantes, formados por Inglaterra,

Escócia e Irlanda; Alemanha, República

Checa e Áustria; e Bélgica e França.

Em alguns estilos clássicos britânicos

encontramos destaque para lúpulo, nos

tipos Índia Pale Ale, Extra Special Bitter

e Bitter, mas também o malte pode

aparecer, em estilos dessa região como

Porter Stout, por exemplo. As Russian

Porter, Dry Stout, Imperial Stout tem

lúpulo e carga forte de maltes tostados.

Da Alemanha, República Checa e Áustria

sobressaem os maltes, nos tipos Pilsener

e Weissbier, por exemplo. E da Bélgica e

Franca, as leveduras aparecem mais em

cervejas de estilos da região como Bière

Brut, Bière de Garde, Saison, Lambik,

Belgiam Pale Ale. Só de buscar um tipo

por escola cervejeira do velho mundo já

será uma grande diversão e um tempo

de grandes descobertas.

E do novo mundo?

Os EUA tem influência da Inglaterra,

Escócia, Irlanda, República Checa,

Alemanha e Áustria, com forte acento de

lúpulo, principalmente as da costa do

Pacífico.

As cervejas mais fortes, com mais

álcool, são melhores?

As cervejas, como qualquer outra

bebida, têm de equilibrar todos

os elementos. Não pode ser boa

porque é estupidamente alcoólica,

ou estupidamente gelada, ou

superamarga, enfim. Uma bebida bem

feita é equilibrada, se for alcoólica,

essencialmente tem de vir com outros

elementos equilibrando. Em alguns

tipos a doçura equilibra para diminuir

a sensação de álcool e trazer prazer na

degustação.

E as superalcoólicas, com teores

acima dos 30, 40 graus?

Estas são para deixar na adega

envelhecendo bastante tempo, dezenas

de anos. É preciso degustar com muita

cautela em volume e atenção ao que

propõe. Não são cervejas de encher a

taça e tomar grandes goles. É preciso

achar também o momento certo.

Dê alguns exemplos de

harmonização?

Pizza marguerita vai bem com Pilsener,

Bhoemian, German Pilsener, um pouco

de carga de lúpulo, amargor, contrasta

com gordura do queijo, e tem floral

que brinca com o manjericão. Pizza de

rúcula com tomate seco e búfala pede

cerveja estilo Weissbier, traz leveza,

cítrico. Mas uma pizza 4 queijos fica

boa com cervejas fortes, Strong Old Ale,

estilo que traz doçura por vezes, e mais

álcool, em contraponto com salgado

dos queijos. Vale a regra também de

quanto mais leve a comida, mais leve a

bebida. Feijoada vai bem com Pilsenser

e Rauch Bier, cerveja blend de maltes

defumados. Peixes pedem cervejas

delicadas como Pilsener, Weissbier; o

peixe mais encorpado, salmão e atum,

Pale Ale English ou Belgium; e um

churrasco, na grelha com sal e alecrim,

pede Dunkel, com tons tostados e que

oferece refrescância.

Para iniciantes, como aprender um

pouco sobre cerveja?

A primeira coisa é comprar e

experimentar. Com as informações do

rótulo dá para pesquisar na internet

um pouco sobre aquela garrafa. Daí

começar a testar até achar o que agrade.

Tem de ser aberto à experimentação.

É preciso ler um pouco, e ir ao bar, ao

empório especializado e se jogar... é a

melhor forma de aprender, sempre com

cuidado, com atenção. Se não gostar de

um tipo, aprendeu algo e é

isso que vale.

Quantas garrafas você tem em casa?

Nunca contei, mas na adega umas

40 sempre a 12 graus – algumas vou

guardar por muitos anos - e não entra

vinho nesta adega... Na geladeira são

mais umas 30 garrafas, e na dispensa

ainda não refrigerada umas 50.

Nenhuma lata, pois não é a melhor

forma de apresentar e compromete

esteticamente a degustação.

O que você bebe com amigos quando

sai para jantar?

Alguns não tão próximos ainda se

sentem constrangidos, mas os mais

próximos entendem que nem sempre

estou a trabalho. Não gasto tempo

comendo nem bebendo coisas que

não valem a pena, mas não deixo de

compartilhar com amigos, quando isso é

o mais importante, por exemplo, cervejas

populares. Não vou deixar de respeitar as

populares, porque elas têm um propósito

e devo muito da minha vida profissional

a elas. Estou aberta a experimentações

com outras bebidas, como vinhos,

uísques e saquês.

E se alguém quiser

impressionar e pedir algo

não tão bom?

Aí é fácil, não tem

problema... peço água.

s H o w R o o m

11


no documEntáRIo

EstAdunIdEnsE RAcE to nowHERE

(coRRIdA PARA lugAR nEnHum),

já consIdERAdo um sucEsso,

As cRIAnçAs tAnto dEscREVEm

As suAs PREocuPAçõEs E A

cARgA HoRáRIA utIlIzAdA no

PRojEto sucEsso-A-QuAlQuER-

PREço QuAnto REVElAm os

dIFEREntEs tIPos dE mAl-EstAR

QuE dEcoRREm dA IlImItAdA

AmbIção: sEntImEnto dE

FRAcAsso, EstREssE, dEPREssão,

suIcídIo.

PoR ARmAndo coRREA dE sIQuEIRA nEto

12

AfinAl, o que

é o sucesso?

M uitas crianças e jovens,

de alguns anos para cá, têm

direcionado a sua atenção no

estreito corredor das preocupações

futuras, ou seja, boa parte do

seu tempo é dedicada a seguir o

roteiro educacional determinado

pelas expectativas do sucesso

que lhes poderá ocorrer ou não

na sociedade do “siga o fluxo

coletivo ou você se arrependerá

sozinho”. (Por tal obediência

irrefletida e mecanizada, reduz-se

significativamente o exercício da

essencial criatividade à evolução

pessoal e corporativa.)

Os pais e educadores mais se

assemelham a potentes altofalantes

que entoam diária e

fervorosamente os cânticos

e mantras dos temores do

que estimuladores do

desenvolvimento dos vários

potenciais que, boa parte das

vezes, ficam retidos na prisão

da conveniência profissional

contemporânea.

Cena de Race to Nowhere

Não se advoga aqui, obviamente,

que o aluno simplesmente se

espatife ao andar na contramão

da via econômica. Mas a questão

precisa ser revista frente aos

problemas que já emergem. O

carro está em alta velocidade, e

os pais percebem isso através do

velocímetro que alegoricamente

reflete o excessivo frenesi

dos filhos. O que não se vê,

contudo, é que a pista está

com pouquíssima sinalização,

e o que é pior, ela aparenta

direcionamento, sem qualquer

margem de erro, ao destino tão

esperado. É ai que o motorista

pode perder o controle nas

curvas da imprudência e sofrer

severamente com um acidente

desnecessário.

É o que apresenta o

documentário estadunidense

Race to Nowhere (Corrida para

lugar nenhum), já considerado

um sucesso. Nele, as crianças

tanto descrevem as suas

preocupações (um estudante

observa: “você herda o medo

dos seus pais”) e a carga horária

utilizada no projeto sucesso-aqualquer-preço

quanto revelam

os diferentes tipos de mal-estar

que decorrem da ilimitada

ambição. Sentimento de fracasso,

estresse, depressão, suicídio.

Mas o momento requer exame

atencioso, haja vista ter-se

de considerar alguns fatores

cruciais:

• pertencemos a uma espécie

que carrega nos seus genes a

permanente necessidade de se

adaptar competitivamente e

sobreviver;

• somos consideravelmente

egoístas e modestamente

altruístas por hora, sem esquecer

da combinação com o meio;

• a cultura de certos países leva

os pais a pressionar os filhos bem

mais do que em outras;

• as pessoas são diferentes e

precisam ser analisadas na sua

particularidade;

• o conceito sobre sucesso na

vida.

Este último fator tem sido

interpretado convenientemente,

pois, sucesso, conforme aponta o

dicionário, quer dizer “resultado

feliz, prestígio” (nos muitos

campos da atividade humana.)

Porém, o que se vê, notadamente,

é a colisão de todos eles no

alvo das finanças e do poder.

Ter sucesso (e ser feliz, é claro)

implica em obter dinheiro. Para

alguns, o poder deve vir junto,

qual um item de série aprendido

nas linhas de produção das

fábricas estudantis.

Assim, é sugerido que o

adulto se autoavalie e reveja

o termo sucesso, para, então,

estimular a criança e o jovem

(compreendidas as suas

particularidades) à busca das

realizações que observem

as demandas do mercado e

também os anseios mais íntimos

(capazes de despertar a vontade

de competir pelas razões mais

significativas e enraizadamente

felizes), e não apenas o medo

opressor.

Armando Correa de Siqueira Neto é

psicólogo (CRP 06/69637), palestrante,

professor e mestre em Liderança. Coautor

dos livros Gigantes da Motivação, Gigantes

da Liderança e Educação 2006. E-mail:

selfcursos@uol.com.br


14

A QuAntIdAdE dE bRAsIlEIRos EnVolVIdos com AlgumA

AtIVIdAdE EmPREEndEdoRA cREscE Ano A Ano. É o QuE dIz o

RElAtóRIo globAl EntREPREnEuRsHIP monItoR 2009 (dAdo

mAIs REcEntE).

PoR soPHIA zAHlE

bEbIdA gElAdA.

É clARo.


As

pesquisas do GEM são realizadas

em 54 países e revelam boas e más notícias

em relação ao Brasil. As más são as de

sempre: baixa escolaridade da população

e escassez de políticas governamentais.

As boas apontam que os maiores

empreendedores são jovens e mulheres;

que os negócios de oportunidade superam

os abertos por necessidade; que a dinâmica

do mercado interno é ágil e que temos boa

infraestrutura de telecomunicações e de

internet.

Representado no Brasil pelo Instituto

Brasileiro de Qualidade e Produtividade

desde o ano 2000, o relatório da GEM 2009

revela evolução da atividade empreendedora.

A taxa brasileira, que em 2008 era de 12%,

subiu em 2009 para 15,3%. Um aumento

expressivo, que garantiu ao Brasil a 14ª

colocação no ranking mundial.

A pesquisa, que também avalia a motivação

do empreendedor, mostra que os índices

de empreendimentos desenvolvidos

por oportunidade estão se distanciando

daqueles criados por necessidade. As pessoas

que empreendem por necessidade o fazem

por falta de opção de carreira, seja por falta

de perspectiva profissional, baixo salário,

idade elevada, necessidade de manter

padrão de consumo ou outras.

Os que empreendem por oportunidade

identificam uma necessidade ou um vácuo

no mercado. Desde 2007 esta proporção tem

mudado em favor do empreendedorismo por

oportunidade. Em 2009 estava na razão de

1.6 por 1, ou seja, para cada empreendedor

por necessidade, 1.6 pessoas empreendiam

por oportunidade. Uma boa notícia. A

outra é que os jovens entre 18 e 34 anos

são os que mais abrem uma empresa

para aproveitar uma oportunidade. E

que as mulheres respondem pela maior

parte dos negócios abertos. O Brasil é,

em todo o mundo, o país com o maior

número proporcional de iniciativas

desenvolvidas pelo público feminino,

que domina 53% dos empreendimentos,

sendo que os empreendimentos femininos

por oportunidade superam o número de

negócios por necessidade. Outra conclusão

do estudo é que as iniciativas brasileiras

destinam-se ao consumidor final. São

atividade simples, como confecções ou

produtos alimentícios. Este fato pode ser

explicado pelas baixas necessidades de

investimento e poucas exigências em termos

de complexidade organizacional, diz a

pesquisa.

dEsEjo dE muItos

A pesquisa mostra também que

existe respeito da sociedade com os

empreendedores: 80% da população

pesquisada avalia o início de um novo negócio

como uma opção desejável de carreira. A

mesma proporção considera que aqueles que

alcançam sucesso ao iniciar um novo negócio

têm status e respeito perante a sociedade.

Com relação ao potencial de crescimento,

o Brasil não apresenta fatos muito

estimulantes. Apenas 5% dos entrevistados

pretendem criar 20 ou mais postos de

trabalho. O Brasil possui um dos menores

índices de “novidade de produto” dentre

os países participantes. Pouco mais de

15% disseram que seu produto ou serviço

será reconhecido como novo no mercado.

Para piorar, o Brasil está em último

lugar no ranking de países em que seus

empreendedores pretendem iniciar um

negócio com algum conteúdo inovador

(8,2%). Na China, este percentual é de 48%.

Na Dinamarca é de quase 40%. A taxa de

informalidade, ou seja, o empreendedor

usando o próprio capital em seu negócio é

uma má notícia, pois sinaliza falta de apoio

de instituições governamentais, financeiras

ao empreendedorismo e dificuldade em abrir

legalmente novos negócios.

InIcIAtIVAs

Três jovens paulistanos inserem-se nas

estatísticas positivas. Amigos desde a

adolescência, sempre conversavam sobre a

possibilidade de abrir um negócio próprio.

O tempo passou, os três se formaram em

marketing, entraram no mercado.

Maurício Souza, Thierry Galves e Henrique

Lorenzo identificaram uma lacuna de

mercado e criaram o “Bebida Gelada!”,

um delivery de conveniência

que entrega bebidas geladas em

áreas específicas na cidade de São

Paulo, de quarta a sábado. Eles

atendem àquele churrasco ou festa

s H o w R o o m

15


16

que começou no improviso, sem

planejamento e compras prévias,

sem bebida. Muito menos gelada.

Ou aquela concorrida reunião de

amigos que se estendeu madrugada

adentro e a bebida acabou.

Atendem também a prévia da

balada, o chamado “esquenta”.

Para essas e outras ocasiões,

recebendo pedidos por telefone

ou através do site bebidagelada.

com.br , a empresa entrega bebidas

(cervejas e destilados em geral),

salgadinhos, refrigerantes, gelo,

cigarros, etc. Funcionado desde

outubro de 2010, os três jovens

empreendedores atendem cerca

de 100 pedidos por mês, cinco por

noite de funcionamento, e querem

dobrar esse volume em pouco

tempo, ampliando também os dias

de atendimento.

AmbIEntE dE

InoVAção

Maurício Souza conta que a

empresa foi aberta com três

objetivos: montar um negócio em

que houvesse prazer em trabalhar,

ganhar mais dinheiro, ser um

laboratório de novas ideias e

espaço de inovação, características

que, na maioria das vezes, não se

encontram dentro de uma estrutura

empresarial convencional, onde

nem sempre há ambiente para

inovar.

Os três, que mantêm seus trabalhos

durante o dia, apostaram na

internet para reduzir o investimento

inicial, e com uma página na web

não precisaram gastar em um

ponto físico; o custo e o risco foram

menores.

A divulgação também é centrada na

web. O nome do site, bem direto e

simples, foi concebido para facilitar

a busca no Google. Mesmo com

pouco tempo de domínio já aparece

nas primeiras posições espontâneas.

As redes sociais, fenômeno de

marketing, também fazem parte

da estratégia de divulgação.

“Mandamos um e-mail marketing

para a nossa base de amigos,

uns 700 nomes, divulgamos no

Facebook e no Twitter e nos dois

primeiros dias do site no ar tivemos

mais de 2 mil acessos”, diz Thierry

Galves.

A iniciativa contou com a mídia

espontânea e com a “forcinha”

de uma jornalista amiga que

disponibilizou a eles um mailing de

imprensa, fato que gerou retorno

na Folha de São Paulo, na Época São

Paulo e na Casa & Jardim.

PlAnos FutuRos

Os perfis no Facebook e

Twitter continuam ativos,

no microblog eles já têm 350

seguidores que recebem dicas,

promoções e novidades do

“Bebida Gelada!”. Esses perfis

funcionam para relacionamento

e o site é a loja virtual.

Já contrataram um funcionário,

o moto boy que faz a maioria das

entregas, e com o aumento de

demanda pretendem contratar

mais.

Os três amigos e sócios declaramse

muito felizes com o negócio

e com a decisão de empreender.

Camila Crespo

Todos, com cerca de 25 anos,

acreditavam que “já estava na hora de

experimentar”.

A única reclamação fica por conta da

burocracia para abrir formalmente a

empresa. A ideia inicial era começar

as operações em julho ou agosto de

2010. “O processo é muito burocrático

e os impostos e licenças mais

onerosos do que pensávamos”, conta

Galves.

Apesar das dificuldades iniciais, os

três planejaram o negócio embasados

em muita teoria, pensando em

todos os aspectos, da logística ao

desenvolvimento, e até hoje, a

cada dois meses trocam de tarefas

e funções. “O objetivo principal é

aprender”, dizem.

conscIêncIA E

comPRomIsso

O plano de negócios contemplou até

a responsabilidade ambiental. Os

pedidos são entregues em sacolas

plásticas biodegradáveis, fornecidas

pela parceira de negócio B4U. As

sacolas são feitas de amido de

milho e se decompõe em três meses,

enquanto uma sacola de plástico

comum leva até 300 anos. Não só isso,

todo o lixo produzido pela empresa,

plásticos, papelão das embalagens,

vidros, latas de alumínio que por

ventura estraguem, são entregues à

reciclagem destes materiais. E eles

ainda pedem que os clientes façam o

mesmo.

Perguntados como se vêem em 10

anos, os três foram unânimes em

responder que serão empresários,

talvez não nesse negócio, mas

empreendedores com certeza.


18

A InEVItáVEl mudAnçA

no PAdRão dE

consumo

PoR RosÂngElA lotFI

o nAtIonAl REtAIl FEdERAtIon É um AcontEcImEnto

tRAdIcIonAl no InícIo dE cAdA noVo Ano dEsdE 1911,

É o mAIoR EVEnto dE VAREjo dos EstAdos unIdos,

QuIçá do mundo. nA cEntÉsImA EdIção, cInco

mIl VAREjIstAs InscRItos E A mAIoR dElEgAção

EstRAngEIRA ERA FoRmAdA PoR bRAsIlEIRos.

doIs tEmAs domInARAm: sustEntAbIlIdAdE E A

IntEgRAção cElulAR/clIEntE com o VAREjo - A

mobIlIdAdE (ou mobIlE, no jARgão dA PublIcIdAdE).

no PRImEIRo, o bRAsIl não Está tão dEFAsAdo,

mAs no sEgundo sIm, APEsAR dA ImEnsA mAssA dE

cElulAREs.


Alexandre

Horta, sócio-sênior da GS&MD –

Gouvêa esteve na NRF e destacou três temas

predominantes: sustentabilidade, mobilidade

e intensificação da descoberta do produto mais

adequado de acordo com o perfil de cada cliente.

No quesito sustentabilidade, conta Alexandre Horta,

o Brasil até que não faz feio, isso considerando

as práticas em relação ao consumidor, com os

supermercados incentivando os clientes a não

usarem sacolas plásticas, antecipando-se às leis

de proibição de uso - caso do Carrefour, Grupo

Pão de Açúcar - e a implantação efetiva da lei em

municípios como Volta Redonda (RJ) e Jundiaí

(SP). Já em relação à redução de emissões de

poluentes pela gestão mais eficiente da cadeia de

suprimentos, o País ainda engatinha. “O varejo tem

que coordenar esforços junto aos fornecedores para

diminuir peso dos caminhões e distância percorrida.

Procurar comprar mais perto, fazer pedidos mais

consistentes”, explica Horta, ressaltando que os

esforços se esvaem na pobre infraestutura, na malha

rodoviária e na logística brasileira, que inviabilizam

qualquer ação.

“Nos EUA, por exemplo, já existe legislação que

obriga as indústrias a reduzirem as emissões

no transporte. Há cultura de gestão, uma malha

rodoviária que possibilita alternativas de rotas, e,

lógico, estradas muito melhores dos que as nossas,

que são muito esburacadas.”

muItos cElulAREs, Poucos,

IntElIgEntEs

Para Horta, no quesito mobile o Brasil está

extremamente defasado. Temos ampla base de

celulares – em 78,5% dos domicílios, segundo o PNAD

2009 (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílio),

realizada pelo IBGE. O problema é o modelo de

negócios das operadoras, que para universalizar o

celular, criou o pré-pago. Resultado: à medida que

os dispositivos ficam mais inteligentes, o celular da

maioria dos brasileiros continua burro.

A internet móvel era acessada por 5% da base de

celulares em 2005, quatro anos depois, em 2009, 6%

da base de celulares acessa a internet móvel. Para

isso é necessário um smartphone com pacote de

dados.

Informação mais recente, de novembro de 2010,

divulgada pela Anatel, dá ciência que há 194 milhões

de celulares no País. Desse total, 8.7% são 3G, a

grande maioria (82%) é pré-pago. Silvio Meira,

cientista-chefe do CESAR (Centro de Estudos e

Sistemas Avançados do Recife), projeta que em 2014

50% dos brasileiros terão smartphones. Número

similar aos telefones inteligentes nas mãos dos

norte-americanos no Natal de 2011 (51%).

Pelas previsões da Gartner, consultoria

global de TI, até 2013 os telefones celulares

ultrapassarão os PCs como dispositivo mais

comum de acesso a internet.

“Com um smartphone o consumidor tem

o processo de compra na palma da mão.

O celular deixa de ser mais um canal

independente e passa a ser interdependente.

Com o celular e acesso móvel o consumidor

fotografa um produto (ou escaneia), acessa

a pesquisa por preço em várias lojas, negocia

ou vai comprar no local que oferece mais

vantagens, compartilha a compra com amigos

e seguidores na rede social. As lojas podem

mandar ofertas, cupons de desconto no celular

do cliente que está no ponto de venda ou

próximo.”

sHoRtlIst cybER – mobIlE

AdVERtIsIng Em cAnnEs

Além da baixa penetração, rede 3G é de baixa

intensidade. O brasileiro paga muito caro por

pouca velocidade. “O Brasil é um país populoso,

mesmo com baixa penetração, 6% é um

número interessante, de alto poder aquisitivo,

e essa ferramenta já poderia ser considerada

com mais ênfase pelo varejo”, pondera Horta.

Na NRF o case de mobile marketing que fez

mais sucesso - contou o executivo - foi a

ação da Volkswagen para lançar o Golf GTI

nos EUA, numa ação exclusiva para iPhone.

A Volkswagen lançou um aplicativo que

oferecia ao usuário jogar o mobile game Real

Racing escolhendo a pista de corrida e a cor

do Golf GTI. Também direcionava o usuário a

um mobile site com especificações do carro, a

indicação de um concessionário mais próximo

e ainda permitia que o jogador compartilhasse

sua performance com os amigos. Por fim, a

VW premiou os seis melhores jogadores com

o carro. O resultado é que o número de testdrives

cresceu 80% e os pedidos de orçamentos

aumentaram 86%.

O aplicativo, baixado por mais de seis milhões

de pessoas, foi shortlist no Festival de Cannes

na categoria Cyber – Mobile Advertising

(http://www.youtube.com/watch?v=wdpO_

Any1as&feature=player_embedded).

A montadora não gastou um único centavo

em mídia tradicional e o budget da ação

correspondeu a apenas 3% da verba

geralmente gasta para o lançamento de um

carro. “Seis por cento de 200 milhões de

pessoas não é nicho, já teria escala para

um case nacional. Estamos atrasados em

soluções de mobile marketing. O celular

carrega parte do processo de decisão de

compra e a loja complementa”, disse Horta.

s H H o w R o o m

19


20

dIFEREntEs cAnAIs

O consumidor usa diferentes

canais para fazer suas compras. O

uso mais intensivo da detecção do

comportamento e padrão do consumo

traria mais eficiência ao varejo. Isso já

acontece nos programas de fidelidade

das lojas, o que falta, segundo Horta,

são pessoas capacitadas para fazer a

análise dos dados que supermercados

e outras lojas reais e virtuais coletam.

“Isso ainda não faz parte da cultura

do varejo brasileiro, que é de operação,

não de inteligência analítica.” Horta

defende o intercâmbio desses

ativos do perfil de compra entre

diferentes empresas de varejo. “O

meu consumidor não é só meu. É de

um grupo de empresas. Ampliando

os benefícios de fidelização por várias

lojas e sabendo o que o consumidor

valoriza, é possível ofertar uma

garrafa de vinho para uma pessoa

que gosta desse universo, ao invés

de um creme de barbear para quem

usa barbeador elétrico.” Conhecendo

melhor o comportamento do

cliente em diversos canais, maior a

possibilidade de traduzir o desejo.

Nos últimos anos, com os ciclos de

vida dos produtos cada vez menores

e maior gama de opções, nem o

vendedor, nem a loja conhecem o

produto, muito menos o cliente. “Aqui

o máximo que conseguimos é um

atendimento afável, os consumidores

são mais qualificados e têm mais

informação que os vendedores, já

que eles pesquisam antes de ir às

compras. Para uma grande massa

a expectativa é atendida, quando

a população tiver mais acesso à

informação na palma da mão, o

comportamento de compra vai mudar

totalmente, lojas serão mais autoserviço

e mais preparadas para

interagir com o cliente”, analisa

Horta

AIndA sEntIndo A

cRIsE

A Deloitte Touche Tohmatsu

apresentou um estudo que

chamou muito a atenção no NRF,

o “Consumer 2020: Reading the

signs”. Ambicioso, reúne insights

sobre economia, tendências

demográficas, tecnologia e

sustentabilidade, para afirmar

que a convergência desses fatores

mudará os consumidores, suas

atitudes, padrões de consumo e

a relação que as empresas terão

com eles. Segundo Ira Kalish,

diretor de mercado de consumo

da Deloitte, “a convergência fará

com que os próximos 10 anos

sejam turbulentos, incertos e

complexos. Só podemos estar

certos de uma coisa: atitudes e

padrões de consumo vão mudar

ao longo da próxima década.” O

relatório afirma que os efeitos

da recessão global de 2008-09,

que sacudiu a confiança do

consumidor ao redor do mundo,

continuará a ser sentida nos

próximos anos e confirma a

previsão unânime de que uma

nova classe média está nascendo

em economias emergentes com

enormes implicações para a

demanda de recursos essenciais e

finitos.

As mudanças climáticas e a

sustentabilidade, preocupação

de poucos, cada vez vai se

tornar mais relevante para os

consumidores em todos os lugares

do globo. A evolução nos meios

de comunicação e tecnologia

vai acelerar a proliferação de

informações e capacitar mais

os consumidores - redefinindo

a forma como eles interagem

uns com outros, com as empresas,

e como comprarão produtos e

serviços.

A pergunta de “como a evolução

da economia global influenciará os

gastos do consumidor na próxima

década” pode ser respondida

olhando-se para o passado. A década

anterior à recente crise econômica

foi marcada por forte crescimento

da despesa de consumo nos Estados

Unidos, no Reino Unido, Espanha e

Irlanda, financiados, em parte, por

empréstimos contra o aumento

do valor das casas e pelo fluxo de

liquidez dos países superavitários,

como China.

PAdRão não

sustEntáVEl

Os gastos excessivos foram a

principal fonte de crescimento

econômico e alimentou o

crescimento das exportações

de países como a China, Japão e

Alemanha. Tudo isso agora mudou

e com o crash viu-se que esse

padrão não é mais sustentável. Os

consumidores endividados mudam

seus hábitos, ao invés de gastar a

rodo, aumentam a poupança para

pagar dívidas, acumular riqueza

para aposentadoria e outras

necessidades. Esses países vão

crescer, provavelmente, devido às

exportações para países como China

e Brasil, por gastos do governo e

investimentos de empresas locais. O

consumidor dos EUA não será capaz

de sustentar o setor de exportação

da China como o fez no passado. A

China irá ajustar-se para continuar

a crescer, impulsionada pelos gastos

dos consumidores domésticos. Em

resposta à crise, a China estimulou

o investimento em infraestrutura

e empresas estatais. Hoje tem

uma economia distorcida por

investimento excessivo e demanda

do consumidor insuficiente.

Além das condições econômicas,

há o fator psicológico da extensão

e profundidade da recessão - a

pior desde o pós-guerra - que

terá impacto duradouro sobre o

comportamento dos consumidores.

Nos países endividados prevê-se


uma mudança permanente para

mais gastos frugais, redução das

grandes compras, mais comparação

de preço, uso de cupons de descontos

e investimento em produtos de

qualidade.

“Nos próximos anos, as mudanças

na estrutura econômica global vão

igualmente mudar a forma como

as marcas e os varejistas vão crescer

nos EUA e na Europa Ocidental. O

consumo bruto vai crescer menos e os

consumidores serão mais conscientes

do valor, procurando preços baixos.

As marcas vão crescer, crescendo em

market share, e isso exige boa marca,

gestão, experiência positiva do cliente

e diferenciação dos concorrentes para

evitar guerra de preços”, disse Kalish.

mAIoR QuE os EuA

Na China, vendas no varejo têm

resistido à crise econômica. O

problema concentrou-se no setor de

exportação, que desacelerou e levou

à perda de cerca de 20 milhões de

empregos. Apesar do desemprego,

os gastos dos consumidores

continuaram a crescer, os chineses

estão comprando mais casas e carros.

A venda de veículos leves na China

foi de 13,6 milhões de unidades, em

2009, maior do que a dos EUA, que

foram 10,4 milhões. “Ainda assim,

a China continuará a ser um país

relativamente pobre”, analisou Kalish.

O relatório da Deloitte prevê que

o grande crescimento rápido

virá dos emergentes como Índia,

México, Rússia, Brasil, Indonésia,

Turquia e Vietnã, não só da China.

Isso terá implicações importantes

para empresas orientadas para

o consumidor. Esses oito países

(Brasil, Rússia, Índia e China,

Indonésia, México, Turquia e Vietnã)

reúnem 3,2 bilhões de pessoas,

um sexto da população mundial,

um PIB combinado maior do que

o dos EUA quando considerada a

paridade de poder de compra (PPC).

O PIB per capita, no entanto, ainda

é apenas cerca de um décimo do

PIB per capita dos EUA. A classe

média, 20% da população, tem

mais de 600 milhões de pessoas,

muitas das quais com o poder de

compra semelhante ao do cidadão

médio dos países desenvolvidos. No

Brasil, por exemplo, os 20% mais

ricos são cerca de 40 milhões de

pessoas que contam com 60% da

renda total e têm, em média, poder

aquisitivo não muito inferior ao

da Europa Ocidental. Esse poder de

compra ainda sobe e essa ascensão

impacta significativamente o

mercado de consumo global. Um

exemplo é o consumo de celulares

para consumidores de baixa

renda, o que torna esses países o

mercado mais importante para os

fabricantes.

mAIs

dEsEnVolVImEnto.

Mais desenvolvidas, essas

economias abrem espaço para

mulheres mais educadas, e

mais partícipes do trabalho

feminino, o que leva ao aumento

da demanda do consumo de

conveniência - produtos e serviços

que economizam tempo -, muitos

dos quais podem ser vendidos em

lojas de varejo, como alimentos

processados, preparados e refeições

fora do lar. Com o aumento da

classe média há aumento na

disponibilidade de crédito ao

consumidor.

No México os bancos e varejistas

reconhecem a rentabilidade de

pequenos empréstimos para muitos

consumidores de baixa renda. Com

isso vende-se mais eletrônicos,

móveis e automóveis. O número de

automóveis aumenta rapidamente

nesses mercados emergentes e

mudam estilos de vida. Com carro há

maior liberdade para escolher onde

comprar ou se divertir, ao mesmo

tempo em que permite maiores

gastos na compras e menos compras

frequentes longe de casa. Finalmente,

possibilita maior ênfase ao

entretenimento e lazer, aumentando

a demanda por viagens, passeios e

serviços.

Esses consumidores têm a

capacidade de reservar uma parte

de sua renda para o futuro. E maior

capacidade para guardar, leva a um

aumento da demanda por serviços

financeiros. Ainda segundo o relatório

da Deloitte, outros símbolos que as

empresas devem ler e considerar de

fato são as mudanças demográficas,

o envelhecimento da população e

sustentabilidade. “Os consumidores

não estão apenas mudando,

mas mudando rapidamente. As

empresas que fizerem parte desse

processo devem se manter atentas

a todos os stakeholders, assim,

estarão propensas a continuarem

relevantes e interessantes

para os consumidores - e

positivamente

diferenciadas no

mercado”, conclui.

s H H o w R o o m

21


24

PERIgo À FREntE!

O fenômeno de aquaplaning é um exemplo: o

filme de água se forma entre a estrada e os

pneus, e estes não conseguem manter o atrito

com o solo. Se atingir os quatro pneus, o veículo

se transforma num trenó sem controle.

Nos países com invernos rigorosos esse

problema se superpõe a outro ainda

mais traiçoeiro. Uma fina camada de gelo,

praticamente invisível, pode se formar na

estrada em dias muito frios, mesmo sem

presença de neve. Quando o automóvel passa

sobre essa superfície, até em velocidades baixas,

não há mais o que fazer, além de rezar.

A fim de enfrentar essas armadilhas do

tempo a alemã Continental e outros parceiros

europeus se uniram num programa de

pesquisas avançada sobre atrito pneus-solo. O

objetivo é fornecer ao motorista um sistema

confiável de alerta prévio sobre as condições

de baixa aderência. O segredo está na fusão e

processamento de informações de diferentes

sensores de comportamento dinâmico, tanto

os novos como os já existentes nos carros

modernos.

Um destes novos sensores inteligentes está

integrado aos pneus e mede a deformação da

banda de rodagem. Por meio dele é possível

informar ao gerenciamento eletrônico central

o estágio inicial de aquaplaning. Outro é o

sensor ótico capaz de avaliar a quantidade de

luz refletida no pavimento, diferente em pista

seca, úmida, molhada ou com camada de gelo. O

alcance se situa entre 0,4 m e 1,5 m à frente das

rodas dianteiras.

Uma câmara de polarização detecta as

diferenças na vertical e na horizontal causadas

PoR FERnAndo cAlmon

umA dAs cAusAs InsIdIosAs dE

AcIdEntEs É A PERdA dE contRolE

do cARRo PoR mudAnçA súbItA

dE AdERêncIA do AsFAlto. Isso

AcontEcE Em RAzão dE FAtoREs dA

nAtuREzA como cHuVA, gARoA, gElo

ou nEVE.

pelas condições da superfície de rodagem de 5 m

a 20 m à frente do veículo. Um escâner a laser, por

sua vez, checa pingos de chuva ou flocos de neve

numa faixa de 50 m a 100 m adiante.

Mais duas informações são obtidas por

termômetros: temperatura do meio ambiente e da

superfície de rodagem. Os sensores do ABS (freios

antibloqueio) e ESC (controle de trajetória) também

ajudam pela sensibilidade de estimar diferença de

atrito entre as rodas e a estrada.

Computando todos esses dados, pode-se contrapor

a leitura dos termômetros com as indicações dos

sensores ambientais. Em décimos de segundo o

sistema vai indicar que há uma ameaça potencial à

perda de atrito dos pneus, dando possibilidade de

reação ao motorista, que deve aliviar o acelerador

ou frear em tempo de se safar de uma grave e

repentina derrapagem.

Entrar na zona de superfície escorregadia com

velocidade menor também ajuda os sistemas

atuais de evitar ou mitigar colisões a atuar de

forma mais eficiente sob condições ambientais

adversas.

O modo de informar ao motorista sob esses riscos

ainda está sendo estudado, mas é a parte mais fácil

das pesquisas. Hoje há vários tipos de indicadores

visuais disponíveis no quadro de instrumentos,

além de alarmes acústicos, voz sintetizada de

advertência e até alertas vibratórios no volante

ou no banco. Projeção de ícones ou frases no parabrisa

também é uma tecnologia dominada e tem

a vantagem de manter o motorista sem desviar os

olhos da estrada.

Fernando Calmon (fernando@calmon.jor.br) é jornalista

especializado desde 1967, engenheiro, palestrante e consultor

em assuntos técnicos e de mercado nas áreas automobilística

e de comunicação. Sua coluna Alta Roda começou em 1999. É

reproduzida em uma rede nacional de 65 publicações entre jornais,

revistas e sites. É, ainda, correspondente para a América do Sul do

site just-auto (Inglaterra).


26

os PRIncíPIos dA

sustEntAbIlIdAdE APlIcAmsE

Aos IndIVíduos, Aos

EmPREEndImEntos E Às

comunIdAdEs, ou sEjA, À

VIdA no PlAnEtA como um

todo.

sustEntAbIlIdAdE

E gEstão

AmbIEntAl

PoR RIcARdo cARVAlHo

I nteressam-nos, neste passo, os

empreendimentos. Para serem sustentáveis,

é preciso que sejam ecologicamente corretos,

economicamente viáveis, socialmente justos e

culturalmente aceitos.

O termo sustentável provém do latim,

“sustentare” que, em breve resumo, significa

sustentar; defender; favorecer; apoiar; conservar;

cuidar. No plano pessoal, em nosso cotidiano

praticamos uma série de atos visando a nossa

sustentação e a dos que nos são próximos e

queridos. Alguns são instintivos, como comer,

beber, dormir, enquanto que outros são

programados, como educar os filhos, fazer

controles médicos, praticar atividades físicas.

A integração com o meio ambiente e a sua

proteção também se inserem entre as nossas

responsabilidades vitais como indivíduos.

No plano empresarial temos que adotar uma

gestão sustentável, que se resume na capacidade

para dirigir o seu curso através de processos que

valorizam e recuperam todas as formas de capital:

humano, natural e financeiro.

O uso da palavra “sustentabilidade” difundiuse

rapidamente, tendo sido incorporado

ao vocabulário politicamente correto das

empresas, dos meios de comunicação e da

sociedade civil, a ponto de tornar-se quase

uma unanimidade global. Entretanto, o

desenvolvimento dos países continua a ter

como principal indicador o crescimento

econômico, traduzido como crescimento da

produção, que, se olhado pelo avesso, se resume no

crescimento preponderantemente não sustentável,

pela exploração de recursos naturais e pela

irresponsabilidade quanto ao adequado tratamento

dos dejetos gerados.

Em síntese, temos que entre a Liturgia e a Missa há

uma distância muito grande. É preciso, portanto,

encurtar essa distância, tendo como objetivo a ser

alcançado eliminá-la totalmente. É fundamental

que as empresas incorporem rotinas que as façam

valorizar e recuperar o capital natural para, através

delas, valorizar e recuperar também o capital

humano e o capital financeiro.

Foi pensando dessa forma que Assobrav e

Volkswagen do Brasil elaboraram e desenvolveram

o Programa de Gestão Ambiental, que não está

destinado a ser mais uma sigla ou apenas mais um

ritual litúrgico, mas, a nova Missa, a ser praticada

com ações ajustadas ao cumprimento de todas as

normas de preservação do meio ambiente. Ações

que serão praticadas com convicção e assimiladas

como rotina.

O Programa de Gestão Ambiental será implantado

em todas as UNI’s no período de 15 de abril

a 15 de maio deste ano, com “work shops” de

quatro horas, apresentados por especialistas de

reconhecida capacidade técnica. Para suporte foram

desenvolvidos manuais práticos específicos, que

serão distribuídos ao final de cada evento.

Cientistas de todas as áreas do conhecimento

humano dedicam-se, com redobrado empenho e

com inesgotável força de trabalho, ao objetivo de

melhorar as condições de saúde do ser humano

e de prolongar cada vez mais a sua permanência

no Planeta Terra. É para a tarefa de melhorar as

condições e de prolongar a vida deste mesmo

planeta, que a Rede de Concessionários Volkswagen

está sendo convocada.

Ricardo L. S. Carvalho, advogado.


28

bElEzA

não sE PõE

nA mEsA?

ou

bElEzA É

FundAmEntAl?

o bElo É um dos tEmAs

mAIs IntRIgAntEs

dA FIlosoFIA, VáRIos

PEnsAdoREs A ElE sE

dEdIcARAm, mAs A

dIscussão PERmAnEcE

tão AtuAl QuAnto não

conclusIVA (AlIás,

como todo PEnsAmEnto

FIlosóFIco).

PoR joEl lEItE

O bom mocismo, ou o respeito

aos feios, manda a gente optar pelo

primeiro pensamento: “Beleza não

se põe na mesa”, mas o que move os

nossos impulsos é o segundo.

É prazeroso contemplar o belo,

desejar o belo. O que conforta os feios

é que os padrões humanos para a

definição de beleza são subjetivos,

leva-se em conta as questões

culturais, geográficas e temporais.

E apesar da imposição da mídia

existe um caráter subjetivo nesse

julgamento: o que é belo para um

pode não ser para o outro. Tanto que

a questão fundamental dos filósofos

na Antiguidade era se o belo está na

coisa ou no sujeito que a contempla.

Os gregos pressupunham que o belo

fosse uma característica das coisas

belas. O belo o é por si mesmo.

Platão define o belo como

harmonia em função do bem e

em função do prazer: “as coisas

não são belas por si mesmas,

mas são somente uma

aparência da ideia do belo”.

Muita filosofia pra minha cabeça!

Acho que o belo é simplesmente o

que lhe dá prazer. O que provoca

impulsos e satisfaz os desejos.

“A beleza das coisas existe no

espírito de quem as contempla”,

definiu o pensador escocês David

Hume em 1700. Pirandelo, com

o “Assim é se lhe parece” foi

ainda mais objetivo, embora não

estivesse falando exatamente de

beleza. Concordo com eles.

Mas uma forte corrente define

beleza por critérios muito “pós

modernistas” pro meu gosto.

Ela nos deixa na mão de um júri

impiedoso, que define se você é

feio ou bonito segundo critérios

que a mídia e a indústria da moda

elegeram. Define se você está apto

a fornecer suas características de

DNA para produzir bebês bonitos.

Esse pessoal se reúne numa

comunidade chamada

Beautifulpeople.com, que

promove encontros e tem um

banco virtual de esperma e óvulos

para as pessoas que desejam

ter bebês bonitos. O clube

tem critérios rigorosos: proíbe

terminantemente a participação

de pessoas feias.

Mais de 600 bebês bonitos

já nasceram de casais que se

conheceram pelo site, que conta

agora com 600 mil membros

em 190 países. Recentemente

cinco mil membros

foram eliminados porque

engordaram.

Mas os bonitões são solidários

aos feios. O fundador do site,

Robert Hintze, disse que no

início não tinha certeza se iria

estender a oferta a pessoas

que não fossem bonitas. “Mas

todos - inclusive as pessoas

feias - gostariam de colocar

filhos bonitos no mundo, e

não podemos ser egoístas

com o nosso pool de genes de

pessoas atraentes”.

Para entrar no Beautiful

People é preciso passar por

um processo de classificação.

Baseada em fotos e num

curto perfil, a votação é feita

por membros da comunidade

do sexo oposto, que assinalam

um dos quatro itens:

1)Sim, definitivamente

2) Sim, pode ser

3) Não, acho que não e

4) NÃO, definitivamente NÃO.

Você se arriscaria?

Joel Leite é jornalista, formado

pela Fundação Cásper Líbero,

com pós-graduação em Semiótica,

Comunicação Visual e Meio

Ambiente. Diretor da Agência

AutoInforme, assina colunas em

jornais, revistas, rádio, TV e internet.

Não tem nenhum livro editado e

nunca ganhou nenhum prêmio de

jornalismo. Nem se inscreveu.


32

Nova

ZelâNdia


toda adrenalina

PoR cARolInA gonçAlVEs

Planejando

sua próxima

viagem? Queenstown tem que

entrar no seu radar.

A charmosa cidade à beira do

lago Wakatipu atrai visitantes

do mundo inteiro, que vêm

em busca de contato com

a natureza, da emoção dos

esportes e do agito noturno,

tudo combinado na medida

certa. Localizada na Região

dos Lagos do Sul, na área de

Otago, tem estações do ano

bem definidas. A cidade lota

de esquiadores no inverno

e amantes de esportes

aquáticos no verão. Mas são

os amantes da aventura que

mais procuram a capital do

jet boat e do bungee jump.

Aventura é a palavra chave. Não

importa quão aventureiro você

é, vai achar a sua medida em

Queenstown.

Terra do bungee jump, foi lá que

a prática tomou forma de esporte

desde os anos 80. Em 1986, foi

aberto o primeiro lugar onde as

pessoas poderiam saltar: Kawarau

Bridge Bungy. Ali nasceu o original

de 43 metros, idealizado por AJ

Hackett e Henry van Ash. Hoje,

você pode escolher saltar sozinho

ou com instrutor, balançar sobre

a água, tocá-la ou mergulhar. De

qualquer jeito, é pura adrenalina.

Outra atração da Nova Zelândia é

o jet boat, desenvolvido em 1954

para navegar nos rios de correnteza

rápida e superficial de lá. No Rio

Shotover você faz jet boat por

corredeiras e cânions. Os barcos

fazem manobras radicais, como

girar 360º sobre si mesmos e

continuar rio à frente sem

diminuir a velocidade. Os

locais dizem que tanta

adrenalina faz bem para

a saúde e combate o

estresse... A conferir!

s H o w R o o m

33


34

Além do bungee jump e do

jet boat, rafting, parapente,

para-quedismo, tirolesa, uma

lista interminável de opções

para melhorar a saúde. Se

quer algo mais calmo, pode

caminhar, andar de bicicleta,

pescar, velejar, sempre em

meio à natureza exuberante, ar

límpido e águas cristalinas.

A cIdAdE

A cidade fica entre montanhas

e tem atividades para o ano

inteiro. Pequena, com pouco

mais de 10 mil habitantes, foi

fundada por ingleses em 1860,

com o objetivo de ser uma

fazenda. No entanto, em 1862

descobriu-se ouro no rio Arrow,

bem perto da cidade, e a região

nunca mais foi a mesma.

Uma visita a Arrowtown,


pequena cidade histórica, a 20

minutos de Queenstwon, dará um

panorama desta época de ouro.

No auge da corrida, a cidadeacampamento

cresceu rápido,

chegando a 7 mil habitantes. Foram

construídas casas de pedra, igrejas

e avenidas com belas árvores.

Passada a febre, Arrowtown tornouse

uma simpática comunidade,

com vida própria. O centro original

está preservado, convivendo

deliciosamente com o presente.

Paraíso dos amantes do golfe, tem

três campos ao seu redor. A cidade é

famosa por seus passeios históricos

por trilhas que levam ao Rio Arrow,

incluindo um acampamento

chinês de mineração. Além do

passeio histórico, aproveite para

fazer compras na Buckingham

Street. As butiques e lojas oferecem

chocolates caseiros, roupas, vinhos,

artesanato e arte, incluindo jade,

cristal e ouro.

o jAdE

Voltando a Queenstown, a cidade

concentra-se às margens do lago

Wakatipu. De onde você estiver, terá

uma vista fabulosa das montanhas

ao redor. Agitada o tempo todo, a

cidade ferve com bares e cafés, além

de boas lojas. Você vai ter muitas

opções se sair andando por ali, em

ruas só para pedestres. São muitas

lojas onde se compra todo tipo de

equipamento de aventura: esquis,

pranchas, caiaques e vestuário.

Também vai encontrar roupas

tradicionais de lã de carneiro

e objetos de Pounamu, a linda

greenstone, também conhecida

como jade. O centro de compras tem

de tudo, livros, presentes, móveis

moda, galerias de arte, produtos de

beleza, bebidas. Dá para se divertir

bastante.

comER & bEbER

Se de dia você escolhe entre aventura

e compras, à noite mergulha na

agitação de cafés e bares sofisticados,

com jazz ao vivo e DJs que fazem

a festa entrar noite adentro. Nas

longas noites de verão, você pode

ficar ao ar livre, tomando cerveja.

No inverno, depois de esquiar, pode

bebericar em frente às lareiras.

A cidade não pára. Fica até difícil

escolher...

A Nova Zelândia é tida como um dos

melhores lugares para comer, no

mundo. A abundância do país revelase

nos produtos de leite e na carne de

cordeiro, assim como nas frutas.

Queenstown faz jus a essa fama.

Você encontra de tudo, por todos os

preços. Cozinha de todos os lugares,

com variadas influências são opções

tentadoras. Vão desde um delicioso

hambúrguer, num dos restaurantes

ao ar livre perto do lago até um

maravilhoso menu degustação,

saboreado num restaurante privé.

Já o hangi maori é uma festa onde

se come comida feita à moda hangi,

que é cozida no chão, com pedras

quentes ou num forno subterrâneo.

Se for convidado, será um banquete

com vários tipos de carnes e legumes,

enrolados em folhas (às vezes em

papel alumínio, numa quebra da

tradição em favor da modernidade).

Queenstown tem mais de 150 bons

restaurantes se somarmos os de

Arrowtown. E toda essa comida boa

vem acompanhada dos maravilhosos

vinhos da região de Otago. O mais

famoso é o Pinot Noir, seguido do

Riesling, Pinot Gris, Chardonnay e

espumantes.

QuAsE 200 VInHEdos

As 75 adegas na região têm 177

vinhedos. São muitas opções de

visitas para conhecer a produção

e provar os vinhos. Você pode ir ao

Gibbston Valley Wines, que além

do tour, oferece refeições muito

boas, degustação, loja de

presentes e um fábrica de

queijos. A produção é toda

sustentável. A Gibbston

e objetos de decoração, joalherias, nasceu em 1980, pelas

35

s H o w R o o m


36

mãos de um visionário. A maioria das pessoas na

região achava que não daria certo plantar uvas no

meio de montanhas cobertas de neve, tão ao sul do

planeta, mas as uvas revelaram-se ainda melhores do

que o esperado.

Em Wanaka, ao norte de Queenstown, você visita

a famosa Rippon Veneyard, uma das primeiras na

região dos lagos do sul e entre as mais bonitas do

mundo. A história é mais ou menos a mesma de

Gibbston: descrença que virou grata surpresa com a

qualidade das uvas.

Foi durante a corrida do ouro, em 1860, que um

francês levou o cultivo das uvas para a região. Mas

só há mais ou menos 20 anos é que os vinhedos

estabeleceram-se como uma indústria moderna

nas áreas de Queenstown e Wanaka, Bannockburn,

Gibbston e Lowburn. Otago está entre as

melhores regiões produtoras de vinho,

com grande destaque para o Pinot Noir.

QuAtRo EstAçõEs

Independente de que época do ano vai

escolher, organize sua agenda para não

perder nenhuma atividade. Tem muita

coisa para ser vista em Queenstown,

como as locações do filme Senhor dos

Anéis. Há várias excursões para visitar

lugares como Lothlorien, Isengard, Amon

Hen e Ithilien Camp. Os passeios podem

ser feitos a pé, a cavalo ou de 4x4. Os

amantes da saga de Tolkien vão ficar

encantados, com o perdão do trocadilho...

A verdade é que visitar a região oferece

alimento para a imaginação e a

oportunidade de revitalizar o corpo e o

espírito, como todas as férias devem ser.

O verão, que acompanha o nosso,

esquenta até os 30º, com dias longos

que nascem às 5 da manhã e escurecem

às 10h da noite. São muitas horas


para aproveitar, desde um salto

para desafiar a gravidade até

um relaxante banho de banheira

num spa. Andar pelas redondezas,

explorando trilhas, jogar golfe,

fazer nada, apenas desfrutando

da paisagem... Dá tempo para

tudo. Além disso, os neozelandeses

são muito simpáticos e agitados.

Misture-se ao povo e divirta-se

como eles nos eventos de verão. São

festivais, feiras, exposições e muita

música.

cHARmE no InVERno

O inverno traz céu azul, encostas

brancas e paisagem de tirar o fôlego.

As temperaturas não ultrapassam

os 7º, mas caem muito abaixo de

0º. Os esquiadores e snowboardes

amam. Ficam todos ansiosos à

espera de nevascas para ter uma

nova faixa. À prática do esporte em

si, soma-se uma cultura de muito

agito no chamado après ski, delicioso

momento extra pista, onde se bebe

ao pé do fogo, se janta, dança e

todos se encontram. O ambiente

cosmopolita contribui para tornar

toda a experiência mais interessante.

São vários campos na montanha,

com destaque para Cardrona,

Coronet Peak, The Remarkables e

Treble Cone. A temporada abre em 5

de junho e geralmente vai bem até

outubro. Raramente as pistas fecham

por mau tempo. Tem atividade para

todos os níveis de esquiadores.

O inverno também traz o

Queenstown Winter Festival. Neste

ano, acontece entre 24 de junho e 4

de julho. É uma grande festa. Vale a

pena se programar para participar.

O programa vai de uma grande

abertura de fogos de artifícios até

um baile de máscaras, passando por

sessões de comédia, competições

musicais, shows de rock... Um sem

fim de atividades e muita diversão

para driblar a temperatura em torno

dos 5º graus.

umA gRAndE nAção

A Nova Zelândia foi primeiro

habitada pelos Maoris, que vinham

em busca do Pounamu. Eles

chamavam a ilha de Aotearoa – a

terra da grande nuvem branca. São

duas ilhas grandes – do norte e

do sul – e várias outras pequenas,

separadas da Austrália pelo Mar

da Tasmânia. Talvez em função de

seu isolamento geográfico, o país

desenvolveu uma fauna muito

diferente, dominada por pássaros,

muitos extintos depois da chegada

dos seres humanos e os mamíferos

trazidos por eles. É de lá, por

exemplo, o extinto Moa, pássaro

gigante que chegava a medir 3

metros e era capaz de voar. Mas é

o pequeno kiwi, pássaro sem asas, de

hábitos noturnos, que melhor simboliza

o país. A simpática ave, fiel ao parceiro

pela vida afora, que bota ovos enormes,

é querida ao ponto dos moradores

identificarem-se como kiwis.

A Nova Zelândia está entre as

nações menos corruptas do mundo,

com um alto índice de qualidade de

vida.

Brasileiros não precisam de visto

para entrar lá.

Carolina Gonçalves

carol.goncalves@live.com

s H H o w R o o m

37


o dIA dE

São NuNca

“o ImPoRtAntE É sER

FEVEREIRo E tER cARnAVAl,

PRA gEntE sAmbAR!”

dEscubRo QuE A músIcA

cAntAdA PElo jAIR

RodRIguEs É do wAndo E

do nIlo AmARo. Eu sEmPRE

mE lEmbRo dAs cAnçõEs

dA InFÂncIA (AQuI, Eu mE

EntREguEI...).

E

PoR mARIA REgInA

cyRIno coRRêA

se não tivesse Carnaval? Eu seria

muuuuuito infeliz.

Mas eu não vou me repetir e falar de

novo da minha paixão por Carnaval!

Vai que você é maluco o suficiente pra

acompanhar meus escritos e leu o que eu

escrevi em fevereiro do ano passado...

Além disso, neste ano, o Carnaval vai ser

em março mesmo...

E se fevereiro tivesse 30 dias? O famoso

dia 30 de fevereiro, dia de São Nunca?

Fui pesquisar e descobri umas coisas bem

interessantes, porém, sem comprovação.

Isso é o fantástico da pesquisa na internet.

Quando você tenta comprovar, descobre

que um monte de gente simplesmente dá

copy&paste nos textos dos outros. Você

fica sem saber se é verdade ou só uma

mentira muitas vezes repetida. Então,

como as coisas que eu encontrei sobre 30

de fevereiro são interessantes, vou lidar

como se fossem teorias aceitáveis.

Supostamente houve três situações em

que fevereiro teve 30 dias. A primeira

teoria diz que aconteceu na Suécia,

quando mudaram do calendário

Juliano para o Gregoriano. A

mudança, iniciada em 1699 e

38

concluída em 1753, passou por várias

complicações. Então, em 1712, fevereiro

não só foi bissexto, como teve o dia 30.

Essa coisa de ir aderindo ao calendário

Gregoriano aos poucos – não foi

todo mundo de uma vez só – deve

ter gerado muita confusão mesmo.

Já pensou? E se você fosse noiva

de alguém que morasse num país

onde o calendário era diferente? Ele

ia poder ficar adiando o casamento

indefinidamente, porque não

conseguiam uma data que batesse...

Ou se alguém devesse um dinheiro

pra você? Ia sempre marcar a data do

pagamento para um dia inexistente!

A segunda teoria, na Rússia, chega a

ser engraçada. Mostra a arrogância

que o “puder” confere às pessoas. Em

1929, a União Soviética introduziu

um calendário revolucionário. Por

ele, todos os meses tinham 30 dias e

os outros cinco ou seis dias restantes

eram feriados, sem fazer parte de

nenhum mês... A farra durou até

1932. Faz lembrar uma notícia lida na

adolescência sobre um vereador de

alguma cidade do interior que queria

fazer a caixa d’água da cidade bem

numa baixada. Quando disseram a

ele que não podia por causa da Lei da

Gravidade, não teve dúvida: tascou

um pedido de revogação da tal lei!

A terceira teoria relata que um autor

chamado Sacrobosco publicou umas

considerações em 1.235, afirmando

que o imperador Cesar Augusto tirou

um dia de fevereiro pra colocar em

agosto, mês em sua homenagem.

Tudo isso por inveja do mês de

julho, com 31 dias, homenageando

Júlio César. Se isso for verdade, o

fevereiro naquela época tinha 29

dias e acabava tendo 30, nos anos

bissextos...

Eu até achei na internet um cara

que diz ter achado um túmulo com

data de nascimento em 1º de abril e

morte em 30 de fevereiro. Ou seja, o

sujeito enterrado lá nasceu no dia

da mentira e morreu no dia de São

Nunca. Seria cômico...

A verdade é que se fevereiro tivesse

30 dias pouca coisa ou nada

mudaria nas nossas vidas. Afinal,

a gente já nasce inserido num

calendário – o Gregoriano – e nem

é capaz de entender como ele foi

estabelecido. Pelo menos, todos os

que não somos astrônomos, físicos

ou matemáticos.

Eu penso que as coisas são como

são, não importa o nome que se dê

a elas. Se o dia não chamasse dia,

seria ainda assim igual.

Noooooosssa! Eu estou ficando

Shakespereana! Esse é o meu

diálogo favorito de Romeu e Julieta,

quando ela fala sozinha no balcão,

mas ele está no meio do jardim

ouvindo escondido:

“… O que é que existe num nome?

Aquilo a que nós chamamos rosa

teria o mesmo perfume embora

lhe déssemos outro nome! Assim,

Romeu, ainda que não se chamasse

Romeu, conservaria a mesma

perfeição que agora possui. Romeu,

renuncia ao teu nome, e em

vez dele, que não faz parte de ti

mesmo, apodera-te de mim!..”

Eu sou mesmo uma romântica!

Com dia 30 de fevereiro ou não, sou

a mesma incorrigível. E se eu não

fosse? Ah! Isso já seria assunto pra

uma outra crônica...

Maria Regina Cyrino Corrêa

Jornalista e publicitária, leu muito

Shakespeare pra concluir que a vida é

mesmo um novelão da Janet Clair...

regina.cyrino@uol.com.br

http://felllikeaqueen.blogspot.com/

www.2showcomunicacao.com.br


A bolA PElo

EsFREgão

Meu

pai diz que gostamos de fazer aquilo que

fazemos bem. Eu sei fazer poucas coisas bem. E às

vezes gosto de fazer coisas que não saem bem. Faço

por necessidade e acabo gostando. A senhora que

limpava o meu apartamento me deixou há dois

meses. Arrumou um lugar melhor para trabalhar.

Pelo menos é isso o que imagino. Ela ia duas vezes

por semana. Chegava depois das 10h e saia antes das

17h. Apartamento de solteiro. Fácil de administrar.

Mas ela foi embora mesmo assim.

Na primeira semana fiz de conta que tudo estava

em ordem, embora na segunda já estivesse sem

camisa limpa para trabalhar. Mas fui persistente.

Ou teimoso. No início da terceira semana decidi

lavar roupa. Escolhi a programação completa que a

máquina sugeria. Quase três horas depois, ela nem

começava a centrifugar ainda. Cansei de esperar

e saí para almoçar. Voltei só à noite. E fui dormir.

Apenas na manhã seguinte lembrei de que precisava

estender a roupa.

Agora estou craque. Três vezes por semana enfrento

a lavanderia de casa. Percebi que ao lavar poucas

peças por vez preciso deixá-las menos tempo no

PoR mARcElo AllEndEs

oRgAnIzAR A PElAdA do FIm-dE-sEmAnA

É FácIl. comPlIcAdo É moRAR sozInHo E

dEIxAR A cAsA Em oRdEm. mAs com um

Pouco dE PERsIstêncIA AtÉ QuE Estou mE

sAIndo bEm.

varal. Para quem mora em apartamento, e numa

cidade úmida, isso é sobrevivência.

O problema é que perdi o sofá. Lavar, tudo bem.

Tirar a roupa do varal, vá lá. Passar e guardar?

Não cheguei nesse estágio. Amontôo a roupa

limpa na sala. Ainda bem que não recebo muitas

visitas. As camisas recebem um destino especial:

a casa de minha mãe.

O desafio seguinte foi usar o aspirador. Comecei

numa manhã de domingo. Mas não durou

muito. O zelador bateu à porta dizendo que

eu estava fazendo muito barulho. Coloquei-o

num canto onde foi esquecido durante os dias

seguintes. No sábado seguinte tomei coragem.

Comecei com uns tapetinhos da cozinha. Depois

passei pelo tapetão da sala. Aí percebi que, ao

invés de varrer, poderia limpar a casa toda com

o aspirador. Empolguei-me. Fui de cômodo em

cômodo. Lembram de os caça-fantasmas? Não

poupei nada. Parei quando o filtro pulou do

compartimento. Como não consegui recolocá-lo,

desisti. O brinquedo perdeu a graça.

No fim de semana seguinte encarei azulejos e

pisos. Como vez e outra eu passava um pano

com desinfetante, não havia muito a fazer.

Mas queria deixar ali a fragrância da casa da

minha avó. Cheiro de flor. Cheiro de saudade.

Corri ao supermercado. Acabei me perdendo na

diversidade de produtos vindo das gôndolas. Saí

com sacolas cheias de produtos e com nenhuma

lembrança de infância.

Ganhei experiência. Conheço, por exemplo,

o sabão em pó que mais rende. O amaciante

que não mancha. O lustra móveis que não

engordura. A esponja que não esfarela. A única

coisa que não consigo é limpar o filtro do

aspirador. Como ele anda meio cheio, voltou

para o armário e comprei uma vassoura nova.

Marcelo Allendes é jornalista e

colaborador do Banco Volkswagen. Está

pensando em voltar para a casa da mãe.

Email: allendes@yahoo.com

s H o w R o o m

39


Est oF cEs

Chega ao Brasil em abril, lançamento

simultâneo ao mercado global, a Handycam

HDR-PJ da Sony, premiada com o “Best

of CES” na categoria Digital Image pelo

CNET, um dos mais respeitados sites de

tecnologia do mundo.

É a primeira filmadora da marca com

projetor embutido, o que possibilita

assistir e compartilhar vídeos sem uso

de TV ou computador, através de uma

projeção de até 60 polegadas.

No Brasil, será disponibilizado o modelo

HDR-PJ10, que conta com zoom de 30

x, tela LCD de três polegadas, 16 GB de

memória Flash (até 6 horas de gravação no

modo LP), lente grande angular e design

moderno.

A câmera tem um monte de recursos

que facilita a obtenção de imagens

com qualidade, como o SteadyShot

(estabilização de imagem) e

microfone 5.1 Surround para captar

sons ativos de todas as direções,

alto-falantes estéreo, sensor

CMOS para gravação com

pouca luz e outros.

Os preços e data de início

das vendas ainda serão

definidos pela empresa.

40

3d no cElulAR

Logo em janeiro, assim que um novo ano começa, empresas mundo

afora mostram produtos e tecnologias que ditarão as tendências do

ano na CES (Consumer Electronics Show).

Este ano os tablets continuam a ser destaque, assim como a

proliferação do 3D. A LG Electronics apresentou um display 3D de

4,3 polegadas para celulares, que dispensa o uso de óculos. A mais

recente inovação da coreana tem tela sensível e o tamanho ideal para

a exibição de filmes em celulares.

Os óculos ficaram obsoletos graças à tecnologia de barreira parallax

aplicada que cria uma série de ranhuras retas e verticais precisamente

alinhadas com o painel LCD, que fazem com que o olho esquerdo

e o direito enxerguem imagens diferentes, criando uma ilusão de

profundidade e um efeito 3D convincente.

Em breve, no seu celular.

EstIloso E dIVERtIdo

A Sony completa a família VAIO com a nova série E.

Como todos os notebooks da série, o design se destaca e além

dele, portabilidade e praticidade. A tela é de 14 polegadas, tem tecla

de acesso rápido à internet, processador Intel Core i5 que garante

desempenho em multitarefas. Pré-instalado o software Media Gallery para

o usuário organizar conteúdo digital (fotos, músicas e vídeos) de modo fácil e

intuitivo.

Outra novidade é a Intel Wireless Display (Wim-Di) que permite transmitir, sem

fio, o conteúdo do notebook para a TV Bravia.

A conexão é Wireless e Bluetooth para unidades periféricas.

Pesa apenas 2,35 kg com bateria e está disponível nas cores branca, preto, azul, rosa,

verde e violeta.

Preço sugerido: R$ 2.999,00

Onde encontrar: www.sonystyle.com.br


outRo ótImo cony

Relançado pelo selo Alfaguara da Editora

Objetiva, “A tarde de sua ausência” é o

décimo quinto romance do poeta do

jornalismo Carlos Heitor Cony. A obra, uma

das finalistas do tradicional Prêmio Jabuti,

conta a saga de uma tradicional família

carioca, os Machado Alves.

A narração alterna três épocas: o início do

século XX, os anos 1960 e os 1990.

Tudo começa quando uma foto aparece no

computador de Henrique, tirada mais de

trinta anos antes no casarão da família, em

Ipanema, e que reaviva as lembranças do

protagonista - um homem desiludido com

a vida, casado com Dalva, desempregado

e obrigado a viver de favor no casarão

da família da mulher, onde se sujeita às

ordens e vontades do patriarca.

A foto em questão é dos anos 60, quando

ele e a cunhada se encontraram uma tarde e

sentaram-se juntos em uma rede. O contato

entre os corpos se revela uma espécie de

iniciação para Vera, e para Henrique, uma

lembrança perene na memória.

Por fim, a narrativa traz o começo do século XX,

quando o português Antônio Machado Alves dava

início à essa aventura familiar.

É a história de uma obsessão, e da gradual, porém,

nítida, dissolução de uma família.

Entre deslocamentos no tempo, Cony compõe uma

história de choques e desencontros, de degradação da família

e do próprio casarão, que antes fora símbolo de riqueza, e das

intricadas relações humanas.

“A tarde de sua ausência” em tudo justifica a fama de Cony como poeta

e grande escritor.

“A tarde de sua ausência”, de Carlos Heitor Cony (Ficção, 192 páginas)

Preço sugerido: R$ 36,90

comPEtItIVo, mAs FRAco

Produção indicada às principais premiações do cinema mundial, com seis indicações ao

Globo de Ouro (como o prêmio de melhor ator e atriz coadjuvante para Christian Bale e

Melissa Leo), quatro indicações para o Oscar (melhor diretor, David O. Russel, atriz e ator

coadjuvante Melissa Leo e Christian Bale, este com grandes chances, e melhor filme), quatro

indicações do Sindicado dos Atores (SAG), indicado como melhor filme pelo Sindicado

dos Produtores e melhor elenco pela Broadcast Film Critics Association, entre outros, “O

vencedor” (do original The Fighter) estreia em quatro de fevereiro.

O cinema estadunidense adora histórias vitoriosas de superação pessoal e filmes sobre

boxeadores. No passado tirou Mickey Rourke do ostracismo ao indicá-lo ao Oscar de

melhor ator por The Wrestler, no Brasil, “O lutador”.

Estrelado e produzido por Mark Wahlberg, “O vencedor” é inspirado em uma história

real, e versa sobre a trajetória de Micky Ward (Wahlberg) meio-irmão de Dicky Ecklund

(Christian Bale), lenda do boxe, que desperdiçou o seu talento e a sua grande chance ao

entregar-se ao vício do crack.

Dicky treina o irmão, que o tem como ídolo, é empresariado pela mãe (Melissa

Leo) e não obtém sucesso. Ao contrário, só entra em roubada. Quando surge uma

oportunidade, a luta de Ward é se livrar de uma família tóxica, do passado do

irmão e realizar seu sonho de ser campeão.

Melissa Leo e Bale desempenham muito bem seus papéis, principalmente Bale,

que desperta a irritação do espectador com seu vício e teimosia. Mas não

irrita mais do que Wahlberg, inerte, sem personalidade, que só desperta

graças a uma mulher forte, candidata a assumir o papel da família na

carreira dele.

Não é um grande filme, e surpreende ser um dos principais

concorrentes à temporada de prêmios.

“O vencedor”, dirigido por David O. Russel com

Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy

Adams e Melissa Leo.

s H o w R o o m

41


42

o ARtíFIcE dE tAuRAsI

A AglIAnIco É umA uVA dE muItA HIstóRIA E

suAs oRIgEns REmontAm À AntIgA gRÉcIA,

dE ondE tERIA sIdo tRAzIdA PARA o sul dA

ItálIA PElos PRImEIRos colonIzAdoREs

gREgos. consumIR A bRAsIlEIRíssImA

cERVEjA.

PoR ARtHuR AzEVEdo, dE tAuRAsI (ItálIA)

A minúscula e simpática cidade de Taurasi, no coração

da Campania, no sul da Itália, guarda uma das mais

interessantes vinícolas do país, fonte de vinhos de grande

personalidade, ainda pouco entendidos, para não dizer

desconhecidos, pela maioria dos consumidores brasileiros.

Estes preferem, em geral, os sofisticados Barolos e os

nobres Toscanos aos produtos mais rústicos da Campania,

produzidos com uvas autóctones de caráter diferenciado.

Nesse panorama, os vinhos que Antonio Caggiano produz

em sua pequena e originalíssima vinícola em Taurasi são

certamente um ponto muito fora da curva da normalidade.

Isso porque seus vinhos fogem completamente da

descrição clássica de um Taurasi típico, com seus taninos

vivos e duros, além de certa dose de austeridade. Nada

disso se encontra nos vinhos de Caggiano, que mostram

fruta exuberante, textura macia, muito equilíbrio e rara

sofisticação. São vinhos que podem ser considerados

modernos, mas sem nunca perder de vista suas

origens e tipicidade.

Os tintos de Caggiano têm como protagonista

a personalíssima (e rústica) uva Aglianico,

matéria-prima dos vinhos de Taurasi e da

Basilicata, que em geral origina caldos

potentes, tânicos e muito encorpados. A

Aglianico é uma uva de muita história e suas

origens remontam à antiga Grécia, de onde

teria sido trazida para a região pelos primeiros

colonizadores gregos. Além dos Taurasi,

Caggiano ainda produz dois sofisticados

vinhos brancos, um de Greco di Tufo e

outro de Fiano di Avellino, duas das mais

interessantes uvas da Itália e um delicioso

vinho doce, muito apropriadamente

chamado Mel.

Os vinhos de Caggiano são distribuídos no

Brasil pela Casa Flora/Porto a Porto.

Arthur Azevedo é diretor da Associação

Brasileira de Sommeliers –SP, editor da revista

Wine Style (www.winestyle.com.br) e consultor

da Artwine (www.artwine.com.br) twitter: @

artwine77

cEVIcHE

PoR gustAVo coRRêA

A origem deste prato é disputada entre o Peru e o Equador.

É possível que seja herança da cultura Inca. Leve e

refrescante, feito à base de peixe e suco de limão, combina

perfeitamente com os dias de verão que estão por vir.

O prato é feito com peixe cru marinado em suco de limão.

Você pode fazer com linguado, robalo, pescada, atum,

corvina, badejo, tilápia, salmão. O essencial é que o pescado

seja branco e fresco, sem muita gordura e de carne firme.

O interessante do ceviche é que o ácido do suco de limão

cozinha a carne dos pescados, tornando-a firme e opaca. Isto

lhe dá um sabor exótico e delicado, por isso o prato pode ser

servido como aperitivo, acompanhado de bolachas, pães,

tortilhas mexicanas ou até batatas fritas, mas também

pode ser o prato de entrada de um churrasco ou de um

almoço à base de carne. Sozinho, como prato principal,

também agrada muito. Faça o teste: prepare um bom

ceviche e como acompanhamento escolha entre milho ou

batatas doces cozidas. Serão perfeitos para equilibrar a

acidez do prato.

Rendimento: 4 porções

Tempo de preparo: 30 minutos

IngREdIEntEs:

1 kg de peixe branco fresco

18 limões

3 cebolas roxas

1 dente de alho

Sal a gosto

1 pimenta “dedo-de-moça”

IngREdIEntEs dA guARnIção:

1/2 pimentão amarelo em cubinhos

1 tomate sem pele e sem sementes em cubinhos

1 raminho de coentro picado

PREPARo: Corte as cebolas roxas em “juliana” (cortar em

juliana significa cortar em finas tiras de aproximadamente

4 cm de comprimento), a pimenta em pedacinhos finos,

esprema o alho e os reserve separadamente.

Faça um suco com os limões, mas não os esprema muito, o

bagaço deixa um sumo amargo. Reserve.

Corte o peixe em cubinhos e coloque-os em uma tigela

funda (há recipientes próprios para ceviche) Tempere com

sal e misture bem. Em seguida adicione a cebola, a pimenta,

o alho e o suco de limão. Leve a tigela com a marinada à

geladeira e deixe descansar por, no mínimo, duas horas.

Pode até deixar de um dia para o outro.

Retire o líquido e o reserve. Junte os ingredientes da

guarnição e misture bem, acrescentando um pouco do

líquido da marinada. Sirva bem gelado.

Bom apetite!

Gustavo Corrêa é chef formado pelo SENAC Águas de São Pedro.

Trabalhou em várias regiões brasileiras, em restaurantes renomados

internacionalmente. Sua especialidade e prazer são os jantares

temáticos. gustavocyr@hotmail.com

More magazines by this user
Similar magazines