espam - AJAGATO - Associação Juvenil

gatosa.com

espam - AJAGATO - Associação Juvenil

25 de Maio

a 17 de Junho

V. N. de Santo André,

Santiago do Cacém,

Alcácer do Sal,

Castro Verde

Ajagato/Truta,

Circolando

Salvador Sobral

Teatro Alkmico

A Barraca

Casa del Silencio

Teatro dos Aloés

Este -

Estação Teatral

da Beira Interior

Companhia

do Chapitô

Teatro

Meridional

Propositário

Azul

Teatro

ao Largo


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 2

jornal da mostra

AJAGATO

Associação Juvenil Amigos do GATO

Centro de Actividades Pedagógicas

Alda Guerreiro

7500-160 Vila Nova de Santo André

Telf. 269759096

Fax . 269759098

geral@gatosa.com

www.gatosa.com

director

Mário Primo

design gráfico

Pedro Dias

revisão de textos

Mário Montes

foto de capa

Jorge Custódio

patrocinadores gerais

Ministerio de Cultura

República de Colombia

patrocinadores de espetáculos

Apoios

ESPAM - CAPAG

Móveis Fernandes

Miróbriga 102.7 FM

Rádio Sines 95.9 FM

Nota de

abertura

Apesar das limitações financeiras e da

descrença que se abateu sobre muitos de

nós, a Mostra Internacional de Teatro aqui

está, de novo, para a sua 13ª edição. Para

já, ficam adiadas algumas intensões de

alargamento geográfico do festival ou de

reenquadramento físico dos espectáculos;

digamos que nos limitámos a manter o

projecto à espera de melhores dias.

Ainda assim, não abdicámos dos

aspectos essenciais e continuamos mesmo

a arriscar num programa sensivelmente

com a mesma dimensão dos últimos anos

e com uma pequena, mas significativa,

componente internacional.

Desculpar-nos-ão a imodéstia da escolha,

para a imagem gráfica desta edição, de

uma fotografia do nosso “Bucha & Estica”,

com dois actores pioneiros da dinâmica

teatral de Santo André. Mas, na realidade,

este projecto de parceria constituiu um

desafio ultrapassado com reconhecido

mérito e justifica por isso o destaque,

mesmo tendo em conta a excelência dos

espectáculos que integram o programa.

Ao todo serão 12 Companhias e outras

tantas propostas teatrais, com linguagens

assumidamente distintas, porque se trata

de uma verdadeira mostra do Teatro na

sua pluralidade de caminhos e de opções

estéticas.

Um particular destaque para os colombianos

CASA DEL SILENCIO, desde

logo por virem de tão longe e por ser a

primeira vez que se deslocam a Portugal,

permitindo-nos esta singela oportunidade

de intercâmbio cultural luso-colombiano,

mas também pelo acolhimento interessado

e solidário que a companhia deu ao

nosso convite. De facto, encontrámos na

sua direcção e desde a primeira hora, a

compreensão pelas restritas condições

económicas que tínhamos para oferecer,

privilegiando neste convite a oportunidade

de divulgarem o seu trabalho em

Portugal, disponibilizando-se também

para a realização de um curso intensivo

de formação especializada, integrado no

programa.

É sempre com muita satisfação que

recebemos nos elencos dos espectáculos

alguns dos actores oriundos desta dinâmica

teatral do GATO de Santo André. Ora,

se à imagem dos últimos anos, teremos no

Teatro ao Largo a participação da nossa

Inês Patrício, este ano teremos também

o Raul Oliveira e o Ricardo Moura no

espectáculo de abertura, para além da

Juana Pereira da Silva, que pela primeira

vez recebemos como actriz profissional,

na peça “Perdi a Mão em Spokane”.

Importa realçar que teremos de novo

uma residência artística integrada no

festival e precisamente com o Teatro

Meridional, uma companhia que nos orgulhamos

sempre de receber, ainda para

mais com a presença em palco de Miguel

Seabra com a apresentação em anteestreia

do seu mais recente espectáculo, o

que constituirá por certo um dos pontos

altos da programação deste ano.

Mas o programa faz-se ainda de outras

grandes propostas: o regresso dos CIR-

COLANDO que tão boa impressão deixaram

em 2011, agora pela mão do francês

Patrick Murys, um extraordinário actor

e manipulador de marionetas, que vimos

integrado no espectáculo “As Cebolas de

Napoleão”; o espectáculo brasileiro “Viandeiros”,

protagonizado pelo actor Luiz

Canoa, com ligação aos amigos do LUME

TEATRO na linha do seu “Café com quei-

jo” de tão boa memória; A BARRACA,

com Maria do Céu Guerra, encarnando

a louca rainha Dª Maria I; os ALOÉS,

que nos trazem um espectáculo feito de

parceria com o Teatro Nacional de S. João,

“Juramentos indiscretos”, um texto do séc.

XVIII da autoria de Marivaux servido por

um conjunto de belíssimos actores; mas

também os meus conterrâneos da Estação

Teatral da Beira Interior, com “Volfrâmio”,

mais uma história pesquisada pelo

seu director Nuno Pino Custódio naquela

região; o Chapitô, que continua a marcar

fortíssima presença entre nós sempre

com grande e calorosa adesão de público;

e “Yátra”, dos PROPOSITÁRIO AZUL

(lembram-se do delirante Salão de Baile

em 2007 ?), mais um espectáculo oferecido

pelo INATEL / Teatro da Trindade.

Tudo boas razões para garantir a continuação

do sucesso deste projecto!

Em 2011 apostámos em estender o festival

a todo o Alentejo Litoral, mas é claro

que essa decisão teria necessariamente

de passar pelo interesse dos municípios...

A importância

das parcerias

Vila Nova de Santo André é desde

há muito sede de experiências de

criação e divulgação teatrais com as

quais alimentamos a formação de novos

públicos, com resultados significativos

nos índices de afluência aos espectáculos.

A AJAGATO tem, para além disso,

apostado na criação de condições físicas

e técnicas para o teatro, para a formação

técnico/artística de novos actores

e para o enriquecimento criterioso da

capacidade de recepção do público. Uma

actividade apoiada na rede de estruturas

criativas que cresce em cada ano com

a Mostra Internacional de Teatro, mas

também com a realização de projectos

conjuntos com associações congéneres e

a partilha de recursos.

O espectáculo que abre a 13ª Mostra

é fruto de uma dessas parcerias e resultou

do desejo do actor Raul Oliveira

reencontrar uma estrutura de que foi

fundador e onde iniciou a sua formação,

voltando a trabalhar com o seu responsável

e escolhendo como artista convi-

Ora, os tempos estão difíceis e, deste

modo, teremos apenas extensões em

Alcácer do Sal e em Castro Verde, com a

apresentação da peça “Woyzeck”, nos dias

1 e 3 de Junho, dois acolhimentos comparticipados

pelas respectivas autarquias e

que nos ajudaram a concretizar a vinda

dos CASA DEL SILENCIO da longínqua

Bogotá. Entretanto, o espectáculo de 27

de Maio será apresentado no auditório

municipal António Chainho, em Santiago

do Cacém, procurando manter o hábito de

envolver a sede do concelho no programa

de espectáculos.

A Mostra faz-se também de actividades

complementares (animações,

formação especializada, colóquios, etc.)

com que o público se habituou a contar

e com as quais procuramos enquadrar e

enriquecer a festa do teatro nesta região.

De enaltecer que as animações são, na sua

grande maioria, asseguradas por artistas

da região que aceitam colaborar de forma

solidária e graciosa.

Finalmente, uma palavra de agradecimento

para os patrocinadores da Mostra

que, ano após ano, nos ajudam a concretizar

este que é sem dúvida um dos maiores

eventos culturais do Alentejo Litoral com

resultados surpreendentes no que respeita

à elevada adesão de um público atento,

interessado e generoso que nos empurra

literalmente para diante apesar das dificuldades

crescentes que temos de enfrentar.

Foto: Jorge Custódio

dado o actor Ricardo Moura, outro dos

pioneiros do GATO SA.

O espectáculo foi preparado em

Santo André, beneficiando dos recursos

técnicos e humanos da AJAGATO. A

encenação de Mário Primo foi deliberadamente

partilhada com os dois actores

e apesar da montagem ter tido a colaboração

de profissionais experientes, nomeadamente

a cenógrafa Rita Torrão e o

luminotécnico Daniel Worm, transporta

muito da dinâmica teatral criada nesta

região desde a década de oitenta.

Este é um novo campo de intervenção

criativa que se abre à AJAGATO, a par

das residências artísticas com companhias

teatrais que queiram descentralizar

o seu trabalho partilhando os recursos de

que dispomos em Santo André. Aliás, à

imagem do ano passado, vamos voltar a

receber o Teatro Meridional em residência

artística de uma semana, que culminará

com a apresentação em antestreia

nacional do espectáculo “O Sr. Ibrahim e

as Flores do Corão”.


13ª mostra internacional de teatro de santo andré

Bucha & Estica

25 Maio. 6ª feira

Ajagato/Truta

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

ficha técnica

co-produção

Ajagato - Truta

autor

Juan Mayorga

tradução

António Gonçalves

encenação

Mário Primo

actores

Raul Oliveira, Ricardo Moura

produção

Raul Oliveira

cenografia e figurinos

Rita Torrão

desenho de luzes

Daniel Worm D’Assumpção

operação técnica

Rui Senos, Francisco Gonçalves

tema musical

Hugo Lopes

caracterização

Helena Rosa

designer gráfico

Hugo Neves

fotografia

Jorge Custódio

secretariado

Maria Aurélia

classificação

M/12

duração

1h 30

agradecimentos

ESPAM / CAPAG / C M SANT. do

CACÉM / J. F. SANTO ANDRÉ

/ SOAZILOPE / HOTEL VILA

PARK Miguel Rosa / Inês Patrício /

Joaquim Belo / Elsa Cavaco / Manuel

Sotto Mayor / Joaquim Horta 5 /

Rui Ascensão / Vítor Horta / Rute

Oliveira / Valter Soares / Maria

Soares / Jorge Silva Melo

O autor

Juan Mayorga nasceu em Madrid

em 1965. Licenciado em Matemáticas e

doutorado em Filosofía, o seu trabalho

ensaístico mais importante é Revolución

conservadora y conservación revolucionaria.

Política y memoria em Walter Benjamin. Escreveu,

entre outros, os seguintes textos

teatrais: Siete hombres buenos, Más ceniza,

El traductor de Blumemberg, El sueño de

Ginebra, El jardín quemado, Angelus Novus,

Cartas de amor a Stalin, El Gordo y el Flaco,

Himmelweg, Animales nocturnos, Palabra de

perro, Últimas palabras de Copito de Nieve,

Hamelin, Primera noticia de la catástrofe,

El chico de la última fila, Fedra, La tortuga

de Darwin, La paz perpetua, La lengua en

pedazos, Si supiera cantar, me salvaría e El

cartógrafo. As suas peças curtas foram

reunidas no volume Teatro para minutos.

Escreveu versões de textos de Calderón,

Lope, Shakespeare, Lessing, Dostoievski,

Büchner, Ibsen, Kafka, Chekov e Dürrenmatt.

A sua obra, que recebeu os prémios

Max, Valle-Inclán e Nacional de Teatro, já

foi representada em trinta e um países e

traduzida para vinte e um idiomas.

“El Gordo

y el Flaco”

Siempre los vi como un matrimonio.

Por la fuerza de su vínculo. Por esa extraordinaria

capacidad de hacerse daño. Quise

imaginarlos en horas críticas, cuando todo

aquello que creyeron firme se ha vuelto

incierto. Empezando por esa y griega sobre

la que forjaron su alianza. Pensé que, en su

crisis, tan extravagante pareja se parecería a

cualquier otra pareja del mundo.

Siento gratitud hacia Antonio Gonçalves

por haber dado a mis personajes la

bella lengua portuguesa y a Mário Primo

y a la asociación TRUTA/AJAGATO – a

Raul Oliveira y Ricardo Moura, desde

luego - por haberlos llevado a escena. A

todos ellos, como a los espectadores de

este espectáculo, deseo mucho trabajo,

mucho amor y muchas risas.

Juan Mayorga

A peça

Longe vão os tempos de sucesso da

dupla Bucha e Estica. Envelhecidos e sem

trabalho, enfrentam agora uma crise profunda

na sua relação e são dois solitários

vivendo juntos, com as frustrações profundas

a emergirem cada vez mais no seu

quotidiano. Como todos os casais desgastados,

discutem mais do que conversam,

raramente estão de acordo, parecendo ter

necessidade e até mesmo prazer em se

contrariarem mutuamente…

O Estica está cansado de ensaiar para

nada, gostaria de mudar, introduzir alterações

nos argumentos e na imagem do

grupo. De facto, aceita o desgaste natural

do projecto e está preparado para mudar

de vida, com ou sem o Bucha.

Para aquele, por seu lado, em Bucha

e Estica o mais importante é a conjunção

«e» que os une. Mais importante que a

sua individualidade, é a segurança de não

estarem sós. Bucha acredita que enfrentam

apenas uma conjuntura difícil e que

mantêm o potencial de sucesso, não vendo

por isso necessidade de reformular seja o

que for…

Como numa crise conjugal, o equilíbrio

de forças está sempre a mudar e a

dupla mantém-se já não por convicção ou

pela amizade que, apesar de tudo, ainda

nutrem um pelo outro, mas apenas pelo

hábito, pelo receio de enfrentar a solidão

ou por mera compaixão. A tensão acabará

por ceder pelo lado mais fraco, levando a

um desfecho que, defende o autor, estava

latente nos filmes da dupla, a ruptura.

O tom geral do texto instala-se com

nuances de humor, como refere Juan

Mayorga: “ Não sei se Bucha e Estica pode

ser considerada uma comédia. Contudo

pretende fazer rir.”

Mário Primo

Reacções do

público

(…) Mário Primo encenou a peça com

enorme economia, sobriedade e eficácia,

encontrando em Raul Oliveira e Ricardo

Moura uma dupla de actores que assumem

o texto, constroem as personagens e actualizam

a peça baseados somente no trabalho

do actor – corpo e voz, a presença física e o

trabalho sobre a palavra -, num espectáculo

de invulgar honestidade e eficácia.

João Carneiro (in Jornal Expresso 28/01/12)

Em “Bucha e Estica”, a complexidade

da relação enquanto dupla, surge como

um espelho das nossas próprias relações

a dois. A história tem a força da vida, do

Foto: Paulo Chaves

que tem mesmo de ser e o desenlace dános

um sentimento de liberdade e justeza,

com que me identifiquei de imediato!

Em cena, o teatro acontece verdadeiramente

e as soluções, por serem simples,

são mágicas. A encenação clara é sensível

e a interpretação dos actores é tecida com

subtilezas que nos encantam e nos transportam

na história.

Ana Lúcia Palminha (Actriz)

Um combate de boxe é um combate de

boxe. Não é coisa de lingrinhas. BUCHA

E ESTICA é um combate de altíssima qualidade

onde, os golpes baixos são mesmos

baixos e por isso é que são bons.

Um espetáculo de pormenores, olhares,

gestos e fisicalidade em que o humor e

a boa disposição estão sempre presentes.

Rui Sérgio (Encenador)

Para mim ver o «Bucha e Estica» foi

um prazer e uma alegria.

Um prazer pelos excelentes actores

que o tornam espectáculo, pelo jogo mágico

das luzes e das projecções vídeo, pela

densidade do texto de Juan Mayorga, pela

simplicidade comovente de tudo o que vai

acontecendo, pela conjugação de todos

estes prazeres.

Uma alegria por ver a forma como

este objecto que me deu tanto prazer foi

dirigida pelo meu amigo Mário Primo, um

resistente destas e doutras andanças que,

como o vinho do Porto, vai ficando cada

vez mais requintado com a idade.

Carlos Fragateiro

Pode alguém ser quem não é? Inquietou-me

a ideia de um Bucha&Estica

que poderiam não o ser. Serão

Estragon&Vladimir, à espera do tudo

e nada? Winnie&Willie, enterrados em

memórias? Ou qualquer Tu&Eu, tragicómicos

no absurdo das relações humanas?

Um quarto de hotel, impessoal, um

móvel consecutivamente reinventado

cama-mesa-cadeira. Um quer sair, o

outro não. Palavras, palavras, palavras...

incomunicabilidade. As malas, guardiãs

interiores de memórias, encerram

silenciosos gritos de socorro - “tirem-me

daqui”. No final, um saiu. Não bateu com a

porta. O outro fica, imagem de um homem

prisioneiro num universo que dificilmente

muda por não o conseguir esquecer.

Mónica Garcez (Actriz)

3


13ª mostra internacional de teatro de santo andré

Paisagens

em trânsito

26 Maio. Sábado

Circolando

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

ficha artística e técnica

criação e interpretação

Patrick Murys

colaboração na encenação

e dramaturgia

André Braga e Cláudia Figueiredo

Composição musical

Luís Pedro Madeira, Isabelle Fuchs

e John Lurie

construção

Sandra Neves (adereços, marionetas

e figurinos); Carlos Pinheiro com

a colaboração de Nuno Guedes

(cenografia)

desenho de luz

Cristóvão Cunha com a colaboração

de Pedro Fonseca

agradecimento especial

Luciano Amarelo (direcção de actor)

operação luz e som

Francisco Tavares Teles

execução de figurinos

Alexandra Barbosa

produção

Ana Carvalhosa (direcção)

e Cláudia Santos

design gráfico

João Vladimiro

fotografias

João Vladimiro e Stratos Ntontsis

agradecimento

Leonor Barata e Léonard

co-produção

Município do Fundão e Moagem –

Cidade do Engenho e das Artes

apoios

IEFP/CACE Cultural do Porto,

Association INTI, Mafia,

Ócios e Ofícios, O Teatrão

classificação

M/8

duração

55 minutos

Perdi a mão

em Spokane

27 Maio. Domingo

Salvador Sobral

22.00h - Auditório António Chainho

Santiago do Cacém

Sobre o

espectáculo

Desenvolvendo as linguagens do teatro

de marionetas, do objecto e do teatro

físico, a temática do exílio surge neste solo

como centro de interrogações.

No átrio de uma estação de comboios

imaginária está um homem carregado

de malas. Viajante sem destino com uma

história guardada na bagagem.

O comboio não chega. Desesperado,

o homem abre uma mala atrás da outra,

revelando pedaços da sua vida. Badalos,

farda de combate, palha, terra, paisagens

da memória aos poucos descobertas no

fundo de cada mala.

A linha de comboio une as pontas à

história. Começa no mesmo ponto onde

termina. Pelo meio atravessa, invisível, o

mundo interior do viajante. Será mesmo

um viajante? O condutor do comboio? O

guarda da estação? Personagens que nos

ajudam a construir o nosso próprio comboio

e seguir viagem.

ficha artística e técnica

título original

“A Behanding in Spokane”

autor

Martin Mcdonagh

elenco

António Cordeiro, Juana Pereira da

Silva, Sabri Lucas, Salvador Sobral

direcção

António Cordeiro

assistência de encenação/direcção

Duarte Grillo

direcção de produção

Sandra Simões, Salvador Sobral

assistência de produção

João Barros

fotógrafo – Salvador Colaço

design – Gustavo Carvalho

classificação

M/16

duração

1h 30

Projecto

satélite da

Circolando

Sinopse

Foto: João Vladimiro e Stratos Ntontsis

Sob direcção artística de André Braga

e Cláudia Figueiredo, Circolando desenvolve

a sua actividade desde 1999.

No núcleo do projecto, os conceitos de

interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.

Um diálogo intenso entre a dança e

o teatro, com forte apelo aos contributos

de outros campos da criação: poesia, artes

plásticas, música, vídeo, circo. Diálogo a

várias vozes em busca de uma proposta

singular para um teatro dançado e um

teatro de imagens, um teatro próximo da

poesia que conta histórias, até hoje, sem

palavras.

Em 2006 surgiu na Circolando a

ideia de apoiar projectos da autoria de

colaboradores regulares da companhia

com quem existe uma profunda identificação

artística. Este apoio reflecte-se a

nível artístico com o acompanhamento à

encenação e à dramaturgia, mas também

a nível da produção, promoção e construção

plástica. A estes projectos chamamos

Projectos-Satélite.

Um serial killer, vigaristas sem escrúpulos,

um estranho funcionário de hotel…

são algumas das personagens a que

Martin McDonagh nos apresenta desta

vez, na sua última peça, “Perdi a mão em

Spokane”.

António Cordeiro, Juana Pereira da

Silva, Sabri Lucas e Salvador Sobral são

os actores que nos irão guiar por uma

América obscura e alternativa, onde um

homem tenta desesperadamente encontrar

a sua mão perdida há muito… é este

o mote para uma história imprevisível

e emocionante, sempre pautada por um

refinado e surpreendente humor negro.

O autor, com apenas 42 anos, é já

indiscutivelmente um dos mais relevantes

escritores no universo da imagem.

Responsável pelos êxitos teatrais que são

“The Pillowman” ou “The Lieutenant

of Inishmore”, que lhe valeu um Tony

Award, reúne igualmente vários prémios

na área do cinema, contando com dois

Óscares da Academia.

continua na página seguinte –>

4


13ª mostra internacional de teatro de santo andré

Viandeiros

1 Junho. 6ª feira

Teatro Alkmico

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

equipa artistica

autoria e interpretação

Luiz Canoa

direcção

Gil Guzzo

iluminação

Marcello Serra

cenário

Razmic Kiurkdjian e Luiz Canoa

figurinos

Solange Aparecida e Luiz Canoa

máscara colonizador

Ivanildo Piccolli

máscara índio

Ana Lozekan

fotografia

Francine Canto

duração

55 minutos

Quando estrear esta notável comédia

negra, duas das pessoas envolvidas neste

projeto serão, seguramente, muito felizes

porque viram tornar-se realidade um

desejo muito difícil de erguer, mas que é

muito gratificante como resultado final.

Uma delas é Salvador Sobral, o ator

que interpreta o atrevido Mervyn, que

acumula com este desempenho o papel de

produtor, e que concretiza uma ideia há

muito desejada. E a outra sou eu, o ator

que interpreta o invulgar sr. Carmichael e

que inesperadamente, se viu a dirigir um

texto de um prestigiado e premiado autor

contemporâneo.

Ficarei eternamente grato ao meu

querido amigo e colega Salvador pelo

generoso convite e ainda mais grato pela

confiança que também depositaram em

mim os restantes maravilhosos atores, Juana

Pereira da Silva e Sabri Lucas que eu

já tinha dirigido em algumas produções

para televisão.

Graças a uma entrega sem constrangimentos,

procurando entender tudo o

que o autor queria contar na estória de

Carmichael e da sua mão perdida, este

grupo de atores privilegiou aquilo que eu

considero fundamental num trabalho, o

espírito de equipa.

Sinopse

Viandeiros é um espetáculo teatral a

solo, que evidencia a arte do ator em seu

máximo potencial expressivo. Transita

pela dança, música e teatralidade. A obra

é baseada em pesquisa por várias regiões

do Brasil, e montada a partir de depoimentos

de mestres e artistas populares,

danças brasileiras, mimeses corpórea e

vocal. São oito personagens representados

pelo ator Luiz Canoa que transportam o

público para uma viagem sensorial pela

diversidade cultural brasileira. Está nas

transformações corporais e vocais do ator

o passaporte para essa viagem.

O espetáculo levanta questões sobre

liberdade, poder e religiosidade, propondo

um mergulho na região arquetípica da

alma humana e mais precisamente um

contato com o que o autor chama de o

“Homem Mítico Brasileiro”.

Teatro Alkmico

A Companhia Teatro Alkmico sediada

na cidade de Florianópolis, estado de

Santa Catarina, Brasil, foi criada por Luiz

Foi esta a ideia primeira da direção

deste espetáculo, que é também o primeiro

que dirijo em Teatro. E nisso fui secundado

extraordinariamente pelos atores que

dão vida às restantes personagens.

Quando me decidi a embarcar nesta

aventura foram duas as pessoas de quem

me lembrei imediatamente. Uma já não

está fisicamente entre nós mas acompanha-me,

como amigo eterno, e em todos

os trabalhos que faço como ator. Falo de

Henrique Canto e Castro, o ator mais extraordinário

que vi em cena e com o qual

tive a oportunidade de trabalhar graças à

outra pessoa de quem falo, João Lourenço,

o homem com quem fiz verdadeiramente a

minha formação de ator e que é, seguramente,

o “culpado” desta minha presença

como Diretor deste espetáculo. Aos dois,

de quem sou devotado admirador, agradeço

do fundo do meu coração!

E a vocês, meus caros espetadores,

para quem escrevo este texto e para quem

pensei este espectáculo, o meu muito obrigado

pela vossa presença e boa viagem até

Tarlington, o lugar onde o sr. Carmichael

pensa encontrar a mão que perdeu em

Spokane.

António Cordeiro

Canoa em 2009 com o espetáculo Viandeiros,

e baseia-se na sua trajetória como

artista.

Basicamente o manejo e a investigação

do sentido arquetípico como força formativa

da linguagem e múltipla possibilidade

criativa é o alicerce e o campo de pesquisa

da companhia. Dentro dessa perspectiva é

que partimos para as opções de trabalho,

tanto no que diz respeito a treinamentos e

pesquisa quanto a criação de obras artísticas.

A fronteira entre a música, a teatralidade

e a dança é uma preocupação inerente

à construção da forma. Nesse universo

estruturante, a tradição cultural do Brasil

tem sido um campo recorrente de material

expressivo para o nosso trabalho.

O Teatro Alkmico, com o espetáculo

Viandeiros, tem participado de importantes

Festivais, mostras e projetos significativos

no campo das artes cénicas, com prémios

no quesito melhor ator, direção, texto

original, figurino e trilha sonora. Além

da obra artística, o teatro Alkmico vem

oferecendo consultorias técnicas, oficinas,

cursos e participado de intercâmbios com

grupos e Universidades no Brasil.

Viandeiros foi premiado no único

concurso de monólogos do Brasil (Concurso

Nacional de Monólogos do Festival

de Teatro de Teresina). O espetáculo

também recebeu os prémios de melhor

ator, direção e sonoplastia no 7º Festival

de Teatro de Campo Mourão, em 2007.

Luiz Canoa

Luiz Naim Haddad, nasceu em São

Paulo em 1969, filho único de um casal de

surdos-mudos. Luiz formou-se músico,

ator, professor e pesquisador e adoptou o

nome artístico de Luiz Canoa.

Desde muito cedo estabeleceu contacto

próximo com a religiosidade popular afrobrasileira,

fez parte de grupos folclóricos e

participou em grupos musicais e de teatro

de amadores.

Em 1992 começou a estudar música na

Universidade UNICAMP, em São Paulo

e desenvolveu trabalhos em diversos

grupos musicais, passando a interagir a

sua arte musical com o teatro. Nesta altura

conheceu o trabalho do LUME, através de

um curso com Carlos Simione, e começou

a participar em apresentações onde tocava,

dançava e representava.

Foto: Salvador Colaço

Ingressou no Mestrado em Artes da

Unicamp com o trabalho “A Presença

Cénica na Obra de António Nóbrega”. O

contato com Nóbrega proporcionou um

mergulho na relação da dança popular

como treino e possibilidade de criação.

Durante o mestrado viajou por diversas

regiões do Brasil estudando as manifestações

populares, de onde saiu a inspiração

para o espetáculo Viandeiros.

De 2003 a 2005, ministrou disciplinas

de Interpretação, Improvisação e Expressão

Vocal na UDESC. Na mesma época,

começou a circular pelo SESC como

contador de histórias e professor do curso

de Formação de Contadores de Histórias,

onde continua até hoje.

Em Florianópolis trabalhou com o

Grupo Teatro Jabuti como ator, músico,

preparador vocal e corporal nos espetáculos

Eleontina (Prémio Palco Habitasul de

montagem cénica) e com o Circo sem Lona

(Prémio Miriam Muniz).

Foto: Francine Canto

5


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 6

Woyzeck

2 Junho. Sábado

Casa del Silencio

22.00h y 17.00 h.

ESPAM V.N. SantoAndré

1 Junho. Alcácer do Sal

3 Junho. Castro Verde

equipo artístico y tecnico

interpretes creadores

Woyzeck - Edwin Acero

Marías - Diana León, Ángela

Valderrama, Erika Villarraga

Capitán, Andrés y Domador - Juan

Carlos Agudelo, Edward Fernando

Bocanegra

Tambor Mayor - Jairo Lastre

Idiota y Doctor - Jorge Acuña

Caballo y soldado - Diego Figueroa

música original

Giovanni Parra

diseño de iluminación

Jorge Hernández

sonido

Edward Fernando Bocanegra

dramaturgia

Diana lucia león y Juan Carlos

Agudelo P

dirección general

Juan Carlos Agudelo

duración

1h 10 m

Drama poético

y gestual

“Torturado

por la ciencia

humillado

por el poder

engañado

por el amor”

Sinopse

Esta versão livre de Woyzeck, inspirada

na obra do autor alemão Georg

Büchner, mantém a essência do texto, mas

recorre exclusivamente a uma intensa

gestualidade corporal.

A trama: um assassinato por ciúmes.

Não é Woyzeck quem mata, mas sim

um poder para além da sua consciência.

Büchner interroga-nos; o que é que em

nós fere, mente, rouba ou mata? Woyzeck

constrói o seu destino, esse corredor

diminuto que os outros estreitam a cada

passo, não pela sua debilidade mas sim

pela inutilidade de tudo controlar. Woyzeck

é sem dúvida uma proposta teatral

profundamente universal, um espetáculo

gestual, poético e comovente. Os corpos

em movimento acariciam as fronteiras

da dança conservando a sua teatralidade.

A história do soldado Woyzeck, cheia de

crueldade, submissão e traição, é contada

através da narrativa dos corpos, por uma

companhia colombiana especializada na

poética do silêncio.

Sobre o

teatro da Casa

del Silencio

A Casa del Silencio desenvolve um novo

género cénico importante para a teatralidade

colombiana. Como precursores

deste teatro gestual, reafirmamos com a

nossa estética o caminho de uma escrita

teatral refrescante e original; apoiados em

temáticas universais, em textos clássicos

e contemporâneos, enfrentamos o desafio

de os reescrever gestualmente.

A Casa del Silencio − Maison du Silence −

mais do que uma companhia produtora de

espectáculos, constitui um laboratório de

investigação teatral na área da linguagem

gestual. É uma associação cultural sem

fins lucrativos, fundada em 1997, que tem

como propósito fundamental a difusão

da técnica da mímica corporal dramática

de Etienne Decroux, assim como de

elementos criativos de Jacques Lecoq e

La Compañia Teatro del Movimiento.


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 7

Igualmente assume aspectos do simbolismo

e da estilização desenvolvidos pelo

mestre Marcel Marceau, orientados para

a construção do teatro gestual como base

formativa do actor.

Como colectividade estável, temos

vindo a explorar as possibilidades

interpretativas, visuais e dramatúrgicas

que o corpo cénico permite desenvolver,

imersos no processo exploratório que nos

levou a repensar as metodologias de cada

espectáculo e os elementos de base técnica

que temos utilizado nas nossas criações.

Se bem que partamos das referências que

deram origem à nossa escrita, também

é certo que em cada projecto aparecem

novos componentes e interrogantes da exploração.

Há 15 anos a nossa escrita estava

marcada pela estética e a poética de Marcel

Marceau; hoje, podemos garantir que

Decroux transformou substancialmente os

destinos da nossa demanda teatral. Consideramos

que são múltiplas as influências

e as referências que da dança ao teatro, à

plástica e à mímica corporal nos permitiram

adentrar-nos numa nova teatralidade

silente e corpórea, que dificilmente

Foto: ??

poderia classificar-se como pantomímica.

Nesse âmbito, preferimos situar-nos num

teatro físico e gestual que privilegia a acção

dramática, a escrita coreográfica, a síntese

e o valor da imagem teatral.

O nosso teatro

O nosso teatro silencioso desenvolve

as suas pesquisas a partir do corpo dançante,

dramático e interpretativo; as suas

linguagens acariciam múltiplos géneros

teatrais, cuja força reside num sentido da

composição profundamente universal.

O actor corporal rompe com o pacto

convencional da relação e por isso oferece o

corpo e dissemina-o, entrega-o em sacrifício,

criando com ele uma nova forma inusitada

e viva. 1

Ao longo de 15 anos, a nossa pesquisa,

caracterizou-se por uma exploração

apoiada no corpo expressivo e no valor

1. Acerca del teatro corporal o físico, “La otra orilla”.

Mauricio Jiménez. Revista paso de gato p.24, 25.

Número 10/11

do silêncio teatral. Por isso, o elemento

fundamental da construção tem sido: o

corpo do actor. O corpo, na sua condição

de material revelador, transmissor de

símbolos e metáforas teatrais, aproximanos

de imaginários fantásticos que, como

espectadores, vamos tecendo pela mão do

actor.

Explorações como La kermese, Disomnismos,

No rem 3, Calisto et Suzan, Woyzeck,

La boda de los Pequeños Burgueses, Entre

Mortales, La Celebración, entre outras,

permitiram-nos estudar diversas técnicas

e componentes artísticos tais como a

Mimica clássica, o Mimodrama, a Mimica

Corporal Dramática, a Dança Contemporânea,

o Teatro de Texto, as Acções

Físicas, a Animalidade, a Animação de

Objectos, entre outras referências que no

decurso dos anos têm vindo a permear a

nossa escrita teatral.

“Por mim, desejo o nascimento desse

actor de madeira. Visualizo esta marioneta

fisicamente grande, suscitando pelo aspecto

e a actuação um sentimento de gravidade e

não de condescendência. A marioneta a que

aspira o nosso sonho não deve fazer rir, nem

comover como fazem os brinquedos de uma

criança. Deve inspirar terror e piedade, e

desde aí elevar-se até ao sonho”.

(E. Decroux 1948, p 24,)

Uma reflexão

a propósito de

woyzeck

O texto escrito feito acção dramática.

Na versão livre de Woyzeck, obra de

Georg Büchner, realizada pela Casa del Silencio,

na cena do bosque em que Woyzeck

mata Maria, decidimos multiplicar a

imagem de Maria, neste caso mediante um

tríptico de Marias. O acontecimento converte-

se numa apologia coreográfica do

desamor, da traição e da vingança. Woyzeck

fala-nos com o corpo, de vozes e facas

imaginárias que parecem sussurrar-lhe

ao ouvido: mata, mata, mata. Ele, levado

pela loucura, apunhala as Marias, a Maria

seu amor e sua confusão. Elas reagem com

dor a cada punhalada; os gestos líricos e

expressivos permitem visualizar o sangue

que delas brota. Paralelamente à acção, as

luzes do cenário vestem- se de vermelho

e Woyzeck chega ao clímax do seu feito.

(Fragmento da análise do processo de

criação de Woyzeck 2005).

O corpo como protagonista reaparece

novamente reivindicando, uma vez

mais, a sua capacidade re-significadora e

universal. Todo o acontecimento se desenvolve

no espaço vazio, graças à qualidade

da presença e aos corpos expressivos dos

intérpretes, que evocam emoção, dramatismo,

lirismo e conteúdo teatral. Uma

Foto: ??

das tarefas mais complexas deste género

cénico consiste em esculpir e talhar o

espaço, mediante uma espécie de arquitectura

imaginária, mas visível aos olhos do

espectador. Evocar em vez de descrever,

sugerir mais do que mostrar, provocar o

imaginário do espectador mediante uma

linguagem silente e teatral que permite

apreciar o feliz casamento entre a musicalidade

do silêncio e a acção dramática.

Como artistas cénicos, temos vindo

a construir um espaço para a criação a

partir da expressão do gesto e do movimento.

Abandonamos o som da palavra

mas conservamos o sentido e o significado

profundo que guardam as grandes

referências dramatúrgicas. Procuramos,

com as nossas explorações, erigir um

recinto onde a cadência da imagem em

movimento permita transmitir ao nosso

público a poética do TEATRO FÍSICO E

GESTUAL. Teatro que nos congrega como

motor e comunicador de vida dramática,

artística e humana.

Vale a pena salientar a importância do

nosso espaço de formação permanente LE

GESTE, lugar que nos permitiu difundir

a técnica do Mestre Etienne Decroux e

as demais referências teatrais da nossa

formação e evolução como grupo teatral.

LE GESTE é o espaço onde transmitimos,

confrontamos, ensaiamos, reflectimos e

aprendemos dos nossos alunos, num exercício

de permanente reciprocidade que

nos lembra, cada dia, o caráter efémero do

teatro e a importância da constância.

“O corpo é uma luva e os dedos são o

pensamento”

(E. Decroux, 1948)

Sobre a técnica

Podemos definir a Mímica Corporal

como o veículo mediante o qual o corpo

do actor pode alcançar um alto grau de

plasticidade, projecção e estilização que

potencia a representação, com o propósito

de articular o pensamento e a acção

na tentativa de construir uma presença

corporal reflexiva e poética.

A Mímica Corporal Dramática foi

criada e codificada pelo mestre Etienne

Decroux nos anos 30. O mestre Decroux,

poeta, actor, orador e artesão do movimento

teatral, atribuiu-se a tarefa de

estruturar uma gramática corporal para o

actor que constitui, hoje, um dos legados

mais concretos da formação corporal dos

actores.

A técnica proposta por Decroux (Mimica

Corporal Dramática) é uma poderosa

fonte de exploração que, com o passar dos

anos, tem vindo a influenciar de forma

positiva a cena internacional.

La Casa del Silencio

2012, Bogotá – Colombia.


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 8

D. Maria, a Louca

3 Junho. Domingo

A Barraca

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

ficha artística e técnica

texto

Antonio Cunha

encenação

Maria do Céu Guerra

elenco

Maria do Céu Guerra, Adérito Lopes

direcção plástica,

cenografia e figurinos

José Costa Reis

assistência de encenação

Marta Soares

adereços

Nuno Elias

desenho de luz

Luis Viegas

operação de luz

Fernando Belo

sonoplastia e operação

Ricardo Santos

relações públicas e produção

Inês Costa

secretariado

Maria Navarro

costureira

Alda Cabrita

montagem

Mário Dias

ilustração cartaz

José Costa Reis

design gráfico

Inês Costa

fotografias

MEF – Movimento de Expressão

Fotográfica

produção

A BARRACA

classificação

M/12

duração

1h 40m

Sinopse

A corte portuguesa parte no mês

de Novembro de 1807 para o Brasil. São

15.000 almas embarcadas numa enorme

frota para defender da invasão francesa

a coroa e o corpo. Em Fevereiro de 1808

chega à Baía de Guanabara. O Príncipe

Regente não autoriza o desembarque imediato

de sua mãe, a rainha louca.

D. Maria é durante dois dias uma rainha

fechada no mar e passa em revista o

casamento, a morte do filho, a sujeição à

igreja, tudo o que foi a sua acção pública e

privada e assusta-se com a chegada a uma

terra que viu nascer e morrer Tiradentes,

o único homem sobre o qual ela usou o

seu “direito de mandar matar”.

D. Maria está louca, mas é dona de

uma loucura que a protagonista define de

forma magistral - “a loucura não é uma

porta que se nos fecha, mas muitas

janelas que se nos abrem, só que todas

ao mesmo tempo”. A filha de D. José foi

a primeira mulher que ocupou o trono em

Portugal. “Uma rainha num reino de

homens”.

Maria do Céu

Guerra

“Criei esta heroína meio-trágica, meiocómica,

com o sobressalto e o carinho de

interpretar alguém que por aqui passou”

Entusiasta como actriz pela forma monologal

por tudo o que ela exige e sugere,

e estimulada por resultados anteriores

em obras unipessoais como Calamity

Jane ou Pranto de Maria Parda, dediquei

meses a estudar a loucura de D. Maria, a

sua vida e o difícil e belo texto de António

Cunha, que se aproxima, sem prejuízo da

claridade indispensável ao texto teatral,

da escrita oitocentista. Gostei do facto de

esta ser uma loucura mais narrada do que

vivida, o que permite ao jogo do actor um

permanente vai e vem interpretativo.

Desta vez não é uma marginal no Selvagem

Oeste, nem uma alcoólica perdida

na Lisboa de quinhentos. É uma Rainha.

Mas é também uma mulher sozinha no

mundo dos homens. E é uma louca. Excluída

do mundo dos vivos 24 anos antes

de morrer.

Mas incandescente e lúcida como a

Loucura.

Maria não foi a única cabeça coroada a

perder a razão em Portugal. Mas foi a primeira

mulher a reinar nosso país. E isto

faz dela talvez uma das mais martirizadas

e comoventes figuras da nossa História.

Sobre o Autor

António Cunha, de Santa Catarina no

Brasil, sociólogo de formação, é dramaturgo,

actor, director, guionista e poeta.

Recentemente tem-se dedicado à

direcção e montagem de ópera. Trabalhou

em parceria com a historiadora Ivonete

da Silva Sousa na pesquisa histórica

sobre D. Maria I e o seu tempo e no tema

da loucura. Apoiados essencialmente no

pensamento de Michel Foucault.

Cunha modelou uma figura de mulher

com todos os traços de uma grande

heroína. Uma heroína bufa sem dúvida,

Foto: MEF – Movimento de Expressão Fotográfica

que a nossa história quase fez questão de

apagar, como seu filho D. João também

buscava fazê-lo, colocando guizos no

coche real para que não fossem escutados

os “disparates” pronunciados pela velha

soberana.

O texto vem tingido de tons grotescos,

nas posturas e desvarios da soberana, mas

é essencialmente trágico na inevitabilidade

e fatalidade com que ela se entregou à vida.

Cruzando espaços e tempos, a história

da Rainha louca desenvolve-se em quatro

momentos: o casamento com o velho tio D.

Pedro que a fez abdicar de um mais verdadeiro

e juvenil amor, a morte do pai D.

José cujo trono virá a ocupar, a morte do

filho que esperava que viesse a ser o rei e

morreu de peste por não ter sido vacinado

a conselho religioso.

Todas estas perdas e falhas vêm a

ganhar substância na morte de Tiradentes

cuja execução, pressionada, ela acaba por

assinar.

Estamos na baía de Guanabara. D. Maria

I espera no barco com a sua aia Dona

Joaninha, que as venham buscar.

Um dia? Uma noite? Dois dias? Uma

longa noite? Em qualquer caso uma vida.

Foto: MEF – Movimento de Expressão Fotográfica


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 9

Os Juramentos

Indiscretos

8 Junho. 6ª feira

Teatro dos Aloés

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

encenação

José Peixoto

texto

Les Serments indiscrets (1732)

de Marivaux

tradução

Maria João Brilhante

cenografia e figurinos

Marta Carreiras

música

Luís Cília

desenho de luz

Jochen Pasternacki

assistência de encenação

Anna Eremin

interpretação

Adriana Moniz - Lisette

Carla Chambel - Lucile

Carlos Malvarez -Frontin

Jorge Silva - Senhor Orgon

José Peixoto - Senhor Ergaste

Nuno Nunes - Damis

Sara Cipriano - Phénice

Coprodução

Teatro dos Aloés, TNSJ

classificação

M/12

duração

2h (com intervalo)

Sinopse

Conforme as regras do séc. XVIII,

dois jovens são destinados um ao outro

para fazerem um casamento programado

pelos pais, sem o seu conhecimento e no

interesse das respectivas famílias. Numa

atitude de irreverência e revolucionando

os costumes da época, decidem encontrarse

para declararem a respectiva indisponibilidade

para esse casamento. Nesse

encontro, porém, são surpreendidos pelo

estranho sentimento de não aceitação da

rejeição proposta pelo outro. Todo o resto

da história é a tentativa da manutenção da

fidelidade à palavra dada e a resistência a

um amor que se vai impondo à maneira

que se vão tentando explicar e supostamente

afastar. Nesta luta entra uma

irmã que se põe entre o par amoroso e vai

fazendo crescer o ciúme e o sofrimento de

amor. Entram uns criados que defendem

os interesses dos amos enquanto defendem

os seus. Resta analisar se as famílias

não continuam a controlar e a conduzir os

nossos afectos e as sociedades a condicionar

as nossas opções.

“lisette: Eh! E onde está ele, esse

amor que diz ter? Olhámo-lo nos olhos,

não há lá nada; nas suas palavras, não se

fala dele; no som da sua voz, nada transparece;

no seu comportamento, nada se

manifesta; expressões do seu coração, nenhuma

o trespassa. A nossa vaidade, que

tem olhos de lince, esquadrinhou em todo

o lado; e depois, o Senhor vir-nos-á dizer

que sente amor, a nós que adivinhamos

que nos vão amar antes mesmo de nos

amarem, que temos notícias do coração

de um amante antes de ele próprio as ter!

Belas histórias ele nos conta, com o seu

impercetível amor!”

Marivaux – Os Juramentos Indiscretos

Marivaux terá resumido assim o

seu princípio: “Observei com atenção o

coração humano e todas as diferentes

cavidades onde podemos esconder o amor

quando receamos mostrá-lo.

Todas as minhas comédias têm como

objectivo fazê-lo sair desta espécie de prisão”.

Marivaux constrói personagens que

se amam sem que uma delas, pelo menos,

ouse confessá-lo.

Como contraponto aos sentimentos receosos

dos “senhores”, temos as grandes

palpitações dos seus criados. Como é que

o amor nasce e se esconde? Com que casuística

os amantes tentam negá-lo, disfarçálo?

Com que doçura o constroem? São

questões abordadas em inúmeros diálogos

onde cada palavra exala uma subtileza

extraordinária.

Martine de Rougemont – Excerto de “Marivaux”. In

Michel Corvin, dir. – Dictionnaire Encyclopédique du

Théâtre. Paris: Bordas, cop. 1995. Vol. 2, p. 578-579.

Marivaux –

uma

preferência

José Peixoto

Marivaux não visita muito frequentemente

os palcos portugueses. Assim,

sempre que me arrisco a levá-lo a cena há

sempre alguém que me pergunta as razões

dessa tão manifesta afeição.

A primeira coisa que me ocorre dizer é

que Marivaux é um autor inteligente, mesmo

muito inteligente, ardiloso e divertido,

e é um grande prazer vê-lo representado,

porque em cena é muito mais surpreendente

que na leitura. Marivaux precisa de

actores e de uma atenta análise das suas

palavras, porque é complexo e profundo,

agudo observador da realidade contraditória

dos nossos corações, da nossa vida

e de como a vivemos, não se sabendo

nunca onde termina a realidade e começa

a fantasia, a dissimulação, a autodefesa, a

fragilidade dos corações ou a mentira dos

comportamentos humanos.

Marivaux é um autor experimental.

Vai ao fundo do coração das suas personagens

e a sua escrita é um processo de

descoberta e revelação. Não parte só da

observação, limitando-se a constatar a realidade,

transferindo-a para cena. Faz da

cena um laboratório onde cria condições

psicológicas, sociais e políticas. E nesse

quadro de vida artificialmente preparado,

coloca as suas personagens e deixa-as

agir e reagir livremente, ficando do lado

de fora, qual cientista que manipula a

realidade para dela tirar conclusões. As

personagens seguem os seus caminhos

e as suas opções, e vão descobrindo-se e

surpreendendo-se com as suas descobertas;

as suas surpresas são para elas, e para

nós, um processo de autoconhecimento e

de aprendizagem.

Atribuem a Marivaux a “especialidade”

do estudo do amor e das suas surpresas,

algo julgado eterno no ser humano,

fazendo disso a sua permanente “actualidade”.

Mas Marivaux não é apenas o poeta

do sentir. O ardil da substituição dos amos

pelos criados, ou a imitação dos seus inerentes

comportamentos, é um inteligente

processo da razão que observa uma sociedade

que parece feliz e não quer mudar, e

onde ele descobre os movimentos internos

que anunciam uma grande mutação.

Em Marivaux, o teatro está sempre

presente como instrumento de análise

e revelação, com a consciência de que é

teatro e não realidade, mas as personagens

são tão credíveis que nos servem

de espelho. Já escrevi, não sei onde, que

um clássico é uma árvore frondosa da

qual continuamos a colher muitos frutos.

Mas os clássicos escreveram para o seu

tempo e não são nossos contemporâneos.

Actualizá-los, ou fazê-los como se

tivessem escrito para nós, demonstraria

que o homem é eterno e que não valeria a

pena lutar para mudar o mundo, tese em

que não acreditamos, porque felizmente o

homem muda, transforma-se e evolui.

Precisamos assim de encontrar outra

via.

Foto: ??

Os ramos secos das árvores frondosas

devem ser cortados para que as

árvores cresçam com maior pujança e

continuem a dar bons frutos. Não é um

bom serviço prestado aos clássicos deixar

pendentes os ramos mortos. Felizmente,

em Marivaux, não encontramos muitos

ramos secos e nele, de algum modo, a

distância dá-nos uma maior capacidade

de observação.

De cada vez que abordámos Marivaux,

uma nova faceta se revelou e nos conduziu

por um novo caminho de entendimento

e por uma nova pista formal; por isso o

encontrámos sempre gratificante e enriquecedor.

Desta vez, pensámos – não pensámos,

sentimos, porque foi uma intuição mais

do que um saber – que o caminho era não

nos disfarçarmos de século XVIII, mas

mostrar claramente que actores do século

XXI, “o nosso tempo”, reflectiam com

Marivaux sobre questões que o preocuparam

e que nos preocupam a nós, eventualmente

porque continuam por resolver ou

sequer equacionar.

Para nós, foi um “ensaio”, uma experiência,

uma pesquisa, uma reflexão

colectiva orientada pelo dramaturgo.

Aproveitámos este magnífico instrumento

de trabalho e de reflexão conjunta,

que envolve actores e espectadores, que

é o Teatro, para procurar a compreensão

de algo obscuro, mágico e incompreensível

como o Amor ou o coração humano.

E partimos para o desconhecido sem

normas ou preconceitos, procurando com

a sincera vontade de descobrir.

Que interesse tem para um actor ou

para um espectador saber já a conclusão da

sua reflexão quando se inicia a pesquisa?

Se o sabemos, não vale de todo a pena

fazer ou ver um espectáculo.

Para nós, o percurso tem sido gratificante

e fazemos votos que o seja para o

espectador, que devia ter também o direito

à palavra no teatro. Um direito democrático

a conquistar.

Marivaux não será um revolucionário,

mas antes um reformador. Não sentirá

talvez a necessidade premente de mudar

a sociedade, mas sim melhorar o homem,

como princípio fundamental para mudar

a vida, as relações humanas, que muitos

acreditam ser a via para mudar efectivamente

o mundo.

Seja como for, é bom tê-lo como

companheiro de trabalho, tem muito

bom humor, é simpático, não tem pendor

trágico e para ele tudo tem solução.

Emociona-nos com os seus argumentos. E

é útil como companheiro de luta.


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 10

Volfrâmio

9 Junho. Sábado

Este -

Estação Teatral

da Beira Interior

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

ficha artística e técnica

dramaturgia e encenação

Nuno Pino Custódio (em co-criação

com Ana Brum, Fabiola Lebre, Pedro

Fino, Ricardo Brito, Tiago Poiares e

Yolanda Santos)

espaço cénico e figurinos

Ana Brum

desenho de luz

Pedro Fino

interpretação

Fabíola Lebre, Ricardo Brito,

Tiago Poiares e Yolanda Santos

classificação

M/12 anos

duração

1h 50m

O corpo como

ferramenta total

do actor

onde gesto

e palavra

se equivalem

Volfrâmio

História feita de sangue, muito, quando

a Segunda Grande Guerra era o palco

de todas as atenções e o volfrâmio se tornou

febre, ser-se mineiro, dizia-se naquele

tempo, era como cavar a própria sepultura.

As mulheres enviuvavam cedo. Mas a

mina era tudo. Era o sustento, o trabalho,

o encontro, a aprendizagem, a união entre

os demais, uma forma mais digna de se estar

vivo. Entre o jugo nazi e a prospecção

inglesa, os trabalhadores eram obrigados

a pagar as próprias ferramentas e a zelar,

como pudessem, pela sua segurança. O dinheiro

foi-se quase todo dessas bandas da

Panasqueira. Mas ficou a certeza de que

aqueles que menos possuem e tudo deram

são justamente os que ainda conseguem

cantar a vida e amar o próximo.

ESTE -

Estação

Teatral da

Beira Interior

É uma companhia sedeada no Fundão

que tem como objectivo nuclear a produção

de espectáculos através de uma

vocação artística e pedagógica que visa

promover e fomentar a criação e formação

de públicos. Desse modo, a sua activida-

Édipo

10 Junho. Domingo

Companhia

do Chapitô

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

de está fortemente vocacionada para a

centralização do trabalho do actor, numa

perspectiva de Teatro em Urgência, ou

seja de uma actividade pensada e preparada

para acontecer em meios não-convencionais,

com público não-convencional.

Esta vertente engloba, igualmente,

uma forte natureza para a itinerância,

fazendo com que o teatro vá verdadeiramente

ao encontra das pessoas. Agilidade,

flexibilidade, adaptação, polivalência e

abrangência são, portanto, termos que

caracterizam a actividade desta unidade.

Do ponto de vista artístico, as suas

criações estarão vocacionadas para o uso

de ferramentas de trabalho que valorizem

a expressão corporal, colocando o gesto e

a palavra num mesmo plano. O teatro gestual,

a pantomima, a Commedia dell´Arte,

a Máscara, a improvisação, a criação

colectiva, o teatro de sugestão são, por

assim dizer, campos privilegiados de actuação,

sem menosprezar o objecto texto

ou a verbalidade, antes, na perspectiva da

sua valorização. Num país e numa região

com poucos hábitos culturais e artísticos,

a ESTE trabalhará no sentido de tornar

o teatro mais acessível, para que este se

possa tornar também uma realidade nos

hábitos e no quotidiano das pessoas.

Em nenhuma altura estas intenções

deverão ser confundidas com facilitismo,

ligeireza ou populismo. A forma desta

companhia chegar às pessoas prendese

com a natureza dos seus projectos,

direccionados para situações que não

requeiram meios demasiado complexos,

ficha artística e técnica

direcção artística

José Carlos Garcia

encenação

John Mowat

assistência ao encenador

Andréa Padilha

interpretação

Jorge Cruz, Marta Cerqueira

Tiago Viegas

desenho de luz

Samuel Rodrigues

fotografia do cartaz

Filipe Dâmaso Saraiva

design gráfico

Sílvio Rosado

apostando-se em seguida numa prática

dramatúrgica e de encenação fortíssima,

apoiada por um não menos valioso

trabalho de actor. Actor esse que, com

todo o seu corpo, com todo o seu potencial

artístico, técnico e cultural, se encarregará

de fazer do teatro uma realidade viva e

gratificante no proporcionar de encontros

com uma comunidade. Também no

encalço destes objectivos, que se prendem

com a natureza itinerante desta unidade,

há a referir a criação de uma estrutura que

possa albergar aquilo que verdadeiramente

se considera uma “estação de trabalho”,

ou seja, um núcleo que permita desenvolver

actividade nas vertentes artísticas e

técnicas, bem como na produção, formação

e investigação teatral.

fotografias e audiovisuais

Filipe Dâmaso Saraiva, Paulo Moreira

Pereira, Simão Anahory

produção

Francisco Leone,

Tânia Melo Rodrigues

Classificação

M/12

Duração

50 minutos

Foto: António Supico

Foto: António Supico

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13ª mostra internacional de teatro de santo andré 11

Seria Édipo o marido

da sua própria mãe ou

filho de sua mulher?

E os seus filhos, seriam

também eles seus

irmãos, filhos de sua

mulher ou seria a sua

mulher avó dos seus

próprios filhos?

E ainda, seria Creonte

seu tio ou seu cunhado?

Reinventado e

sem complexos

O Édipo de Sófocles é herói trágico, é

paradigma, é complexo, é impulso, é cólera,

é fatalidade, é logos, pathos, ethos, hybris,

miasma, eros, thanatos, e mais uma

grande quantidade de ‘is’, ‘eisis , ‘thos’ e

‘thas’. O Édipo da Companhia do Chapitô

é azarado, é desajeitado, é escorraçado, é

assediado, é vilipendiado, é enxovalhado,

é aleijado, e mais uma grande quantidade

de ‘puns!’, ‘aus!’,‘ais!’, ‘trunges!’ e ‘fsssts!’

A Companhia do Chapitô gestualiza

mais uma tragédia grega apresentando a

cómica fuga de Édipo ao seu terrível destino.

O que é certo é que de gatas, de pé, de

bengala, a rastejar, ao colo ou às cavalitas,

Édipo não vai poder escapar.

Sófocles

(a.c. 496-406)

Pensa-se que Sófocles tenha escrito

mais de 120 peças, mas apenas sete

chegaram aos nossos dias: Ajax (entre

450 e 440), Antígona (c.441), Rei Édipo (c.

430-425), Electra (c.418 -410), As Traqínias

(c.413), Filoctetes (409), e Édipo em Colono

(406).

Diz-se que Sófocles ganhou 24

concursos, a sua primeira vitória foi em

468 quando derrotou Ésquilo sendo que

nunca foi classificado com uma posição

inferior ao segundo lugar.

Atribui-se a Sófocles a introdução

do terceiro actor, a fixação do número de

membros do coro em quinze, e a utilização

da primeira pintura de cena.

Sófocles é visto como o mais hábil dos

dramaturgos gregos no domínio da estrutura

dramática: Édipo Rei é muitas vezes

considerada como a mais perfeita das

tragédias gregas (embora só tenha ganho

o segundo prémio quando foi apresentada

pela primeira vez). Nas suas peças, a

exposição é cuidadosamente determinada:

as cenas são construídas levando-nos do

suspense a um clímax, e a acção é clara e

lógica desde o início.

A sua obra tem sido universalmente

admirada pela sua beleza e clareza de

expressão. Sem utilizar efeitos visuais

elaborados, o seu impacto deriva quase

inteiramente da força da acção dramática

em si.

De volta aos clássicos, após duas

criações originais. “Nem sequer uma cadeira”,

assim começa esta peça despida de

artefactos e ornamentos. No início desta

criação muitos foram os objectos a que

demos vida, e que por sua vez nos deram

jogo. Como sempre, nestas andanças da

Companhia, é o jogo que nos diverte e

apraz. Mas embora tudo seja possível, é

sempre preciso fazer escolhas. Com base

em improvisações destinadas a explorar

e compreender melhor o mito de Édipo,

encontrámos esta forma despojada para

este espectáculo.

Jorge Cruz

Toda a preparação de um espectáculo

implica um processo de procura constante

por parte de todos os elementos

que o integram. É assim que se faz na

Companhia do Chapitô. Passamos dias e

dias a imaginar o espectáculo, a recolher

e a partilhar ideias, a fazer uma triagem,

a criar condições para que o desafio de

trabalhar em colaboração seja palpável e

no final um prazer para todos.

Desta vez o mito de Édipo foi o nosso

entusiasmo e o nosso desafio na sala de

ensaios. Encontrámos várias interpreta-

ções acerca deste mito e depois de muitas

leituras e improvisos chegámos a nossa

própria versão. Sem qualquer adereço ou

decoração cénica, sem obedecer a todas

as condições da tragédia clássica, apropriámo-nos

de factos e reinterpretámos

pormenores, desmistificámos oráculos e

da tragédia fizemos comédia.

Reinventámos Édipo, sem complexos.

Marta Cerqueira

Destino ou Karma? Livre arbítrio ou

desígnio dos Deuses?

O facto é que da tragédia Édipo não se

livra!

No nosso caso o drama, para não

variar, transforma-se em comédia.

Édipo, tentando livrar-se do seu infortúnio,

acaba por arrastar outras pessoas

consigo, algumas das quais até lhe são

bastante chegadas…pobre Rei Édipo.

Tiago Viegas

Foto: Filipe Dâmaso Saraiva, Paulo Moreira Pereira, Simão Anahory

Chapitô

O Chapitô é uma associação cultural

sem fins lucrativos fundada em 1981, ONG

(Organização não Governamental) e IPSS

(Instituição Particular de Solidariedade

Social), com estatuto de Superior Interesse

Social e Manifesto Interesse Cultural,

que tem como objectivo a integração social

através das artes do espectáculo (artes

circenses, dança, teatro, música, vídeo e

multimédia).

Situado junto ao Castelo de S. Jorge em

Lisboa, é um espaço pluridisciplinar onde

se desenvolvem actividades sócio-culturais;

na área da formação das artes do espectáculo

(Escola Profissional de Artes e

Ofícios do Espectáculo, Cursos de Fim de

Tarde, Workshops); produção audiovisual

e multimédia; cooperação internacional

e espectáculos (Companhia do Chapitô e

produções independentes).


13ª mostra internacional de teatro de santo andré

O Senhor Ibrahim

e as Flores do Corão

(ante-estreia)

15 Junho. 6ª feira

Teatro

Meridional

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

ficha artística e técnica

texto

Eric Emmanuel Schmitt

versão cénica e encenação

Miguel Seabra

interpretação

Miguel Seabra e Rui Rebelo

figurinos

Marta Carreiras

música original e sonoplastia

Rui Rebelo

desenho de luz

Miguel Seabra

fotografia

Nuno Figueira

assistência de cenografia e

construção de adereços

Marco Fonseca

montagem

Marco Fonseca e Nuno Figueira

operação de luz

Nuno Figueira

produção executiva

Natália Alves

direcção de produção

Maria Folque

produção

Teatro Meridional

direcção artística do teatro

meridional

Miguel Seabra e Natália Luiza

classificação etária

M/12

Sinopse

Em Paris, nos anos 60, Momo, um rapazinho

judeu de onze anos, torna-se amigo

do velho merceeiro árabe da rua Bleue. Mas

as aparências iludem; o Senhor Ibrahim,

o merceeiro, não é árabe, a rua Bleue não é

azul e o rapazinho talvez não seja judeu.

Sobre

o espectáculo

No ano em que o Teatro Meridional

comemora os seus 20 anos de existência

e numa altura em que o contexto social e

político promove inquietantemente a insegurança,

escolhemos contar uma história

onde a simplicidade e dimensão afectiva

são o esteio da representação: o “encontro”

de um homem com outro homem que

Yátra

16 Junho. Sábado

Propositário

Azul

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

aconteceu no tempo de uma vida, tal como

o “encontro” acontece no lugar do teatro.

Se cada um de nós olhar para trás na

sua vida, seguindo a via do entendimento

da memória, perceberá certamente que

em cada uma delas existiu, existiram e/ou

existem figuras tutelares que determinam

as pessoas que hoje somos. E, porque

tantas vezes nos cruzamos com elas sem

lhes devolver o seu significado profundo

ou tantas vezes as deixamos partir sem

lhes dizer a importância que tiveram, este

é um texto sobre a escolha de caminhos e

a importância da amizade no sentido mais

livre e consistente do afecto.

O espectáculo seguirá uma das linhas

de trabalho do Teatro Meridional, que se

prende com a encenação e adaptação de

textos maiores da dramaturgia mundial,

prosseguindo um formato de espectáculo

contado na voz de um único actor e acompanhado

por um músico ao vivo.

Teatro

Meridional.

O projecto

O Teatro Meridional é uma Companhia

portuguesa vocacionada para a itinerância

que procura nas suas montagens

um estilo marcado pelo protagonismo do

trabalho de interpretação do actor, fazendo

da construção de cada objecto cénico

uma aposta de pesquisa e experimentação.

ficha técnica e artistica

texto e dramaturgia

Carla Vasconcelos, Hugo Sovelas,

Maria João Miguel

encenação

Maria João Miguel

interpretação

Carla Vasconcelos e Hugo Sovelas

voz-off

José Mateus

cenografia, figurinos e adereços

Ana Limpinho

desenho de luz

Alexandre Costa

música original

Adriano Filipe

As principais linhas de actuação

artística do Teatro Meridional prendemse

com a encenação de textos originais

(lançando o desafio a autores para arriscarem

a escrita dramatúrgica), com a criação

de novas dramaturgias baseadas

em adaptações de textos não teatrais

(com relevo para a ligação ao universo da

lusofonia, procurando fazer da língua portuguesa

um encontro com a sua própria

história), com a encenação e adaptação

de textos maiores da dramaturgia

mundial, e com a criação de espectáculos

onde a palavra não é a principal

forma de comunicação cénica.

Realizou até à data 43 produções,

tendo já apresentado os seus trabalhos

em 19 países – Argentina, Bolívia, Brasil,

Cabo Verde, Chile, Colômbia, Equador,

Espanha, EUA, França, Itália, Jordânia,

Marrocos, México, Paraguai, Roménia,

Rússia, Timor, Uruguai - para além de realizar

uma itinerância anual por Portugal

continental e ilhas.

Desde 1992, ano da sua fundação, os

trabalhos do Teatro Meridional já foram

distinguidos 22 vezes a nível nacional

e 9 a nível internacional, dos quais se

relevam os seguintes: Prémio Acarte/

Madalena Perdigão (Fundação Calouste

Gulbenkian), 1992; Prémio Nacional da

Crítica (Associação Portuguesa de Críticos

de Teatro), 1994 e 2004; Globo de Ouro

para o melhor espectáculo de Teatro (SIC/

Revista Caras), 2006; Prémio do Público

(FESTLIP, Brasil), 2010; Prémio Europa

Novas Realidades Teatrais, 2010.

design gráfico

Nuno Franco

fotografia

Paulo Virgílio

produção executiva

José Mateus

co-produção

Propositário Azul/Centro Cultural

Malaposta

classificação

M/12

duração

75 minutos

continua na página seguinte –>

12


13ª mostra internacional de teatro de santo andré

O Mentiroso

17 Junho. Domingo

Teatro ao Largo

22.00h - ESPAM V.N. SantoAndré

ficha técnica

encenação e música original

Steve Johnston

elenco

Steve Johnston, Ricardo Loscar,

Nuno Nogueira, Inês Patrício

assistente de direcção

e guarda roupa

Helen Lane e Maria Cecília Silveira

técnicos

Pedro Pinto Leite e Pedro Johnston

classificação

M/12

duração

75 minutos

Sinopse

YÁTRA é a história de Maria Rosa e

Jorge Augusto, dois irmãos que se deparam

com um estranho pedido no testamento

do irmão mais velho: lançar as suas

cinzas na Igreja de S. Francisco em Kochi,

Kerala, na Índia.

Numa carta escrita em vida, o irmão

explica que a razão do pedido prende-se

com o facto de desejar que as suas cinzas

sejam espalhadas na terra do seu amor,

Kochi, na Índia. Um dia, apaixonou-se

por uma indiana que conheceu numa

feira itinerante que passou pela cidade.

Sinopse

Com ação em Veneza, esta comédia

elegante e enérgica, ao estilo da Commedia

dell’Arte, conta a história de um

mentiroso nato, Lélio, cujas aventuras

românticas se tornam cada vez mais complicadas

e absurdas à medida que ele tenta

levar adiante as promessas feitas a três

mulheres diferentes. Quando o seu novelo

de mentiras, eventualmente se desenrola,

ele cai em desgraça e abandono.

O Mentiroso

Escrita em 1750, “O Mentiroso” (“Il

Bugiardo”) é uma das farsas mais bemsucedidas

de Carlo Goldoni, o grande

Envolveram-se pelo meio de panos e caril

e nunca mais se viram. Quando acordou

já não havia nem panos nem feira. Nunca

percebeu quantos foram os dias em que

ficou a dormir, percebeu apenas que era

alérgico a caril, pois quando o voltou a experimentar,

na esperança de reencontrar

os prazeres que sentira outrora, caiu num

sono profundo. Soube uns dias depois que

a deusa que o levara ao paraíso era filha

de um comerciante de panos e especiarias,

e que andavam com os restantes comerciantes

de país em país a vender um pouco

da sua cultura. Adelino, era o nome do

irmão, foi atrás do rasto da feira durante

anos, mas nunca a conseguiu alcançar,

mestre do teatro italiano.

Raramente apresentada em Portugal,

esta peça tem tradução de Steve Johnston.

Como em todas as produções do Teatro ao

Largo, a peça será enriquecida com música

original, ao vivo e gravada, canções

originais, comédia física e interação com

o público.

A companhia

O Teatro ao Largo foi criado em 1994,

com o objectivo de providenciar um serviço

de teatro profissional nas vilas e aldeias

do Baixo Alentejo. O projecto fundamentou-se

num forte compromisso dos seus

membros fundadores com o princípio

de promover a cultura em zonas rurais.

Dois deles, Steve Johnston e Pureza Pinto

Leite, trabalharam durante muitos anos

com grupos de teatro sediados em zonas

rurais em Inglaterra e na Alemanha, e

observaram em primeira mão o valor

desse trabalho na promoção da qualidade

de vida e da inclusão social.

Conscientes, pela experiência adquirida,

de que a forma de conseguir um público

numa aldeia é representar no largo

Foto: Paulo Virgílio

pois a alergia ao caril foi ficando cada

vez mais intensa, fazendo com que este

adormecesse cada vez que se aproximava

da feira. Regressado a Portugal Profundo,

Adelino sucumbiu à dor do amor e morreu

com uma overdose de caril.

Mas antes, juntamente com a carta

do testamento, facultou aos irmãos um

mapa do percurso a realizar (o percurso

realizado pela feira itinerante), e preparou

a tricicleta da família para a viagem.

Os dois irmãos, que nunca tinham saído

de Portugal Profundo, iniciam uma viagem,

a bordo da tricicleta, que os levará a lugares

que julgavam não existir, cruzando-se com

culturas e situações desconhecidas.

Foto: Pedro Pinto Leite

principal, em vez de numa sala, o grupo

concebeu e construiu o seu próprio teatro

móvel, com palco, bancadas, camarins e

sistemas de luz e som, tudo transportado

por três camionetas. O teatro móvel, as

instalações do grupo, tem sido aperfeiçoado

e modernizado ao longo dos anos, e

continua a ser o seu principal espaço de

representação, sendo no entanto os espectáculos,

quando necessário, representados

em cine-teatros, casas do povo e escolas.

O grupo depressa encontrou pernas

para andar. No início de 1995, assinou

um protocolo com a C.M. de Odemira, e

começou a fazer espectáculos nas aldeias

do concelho. Em 1996 foi convidado para

representar nos Encontros Acarte, entre

outros, e fez digressão em Espanha e

França. Em 1997 recebeu o seu primeiro

subsídio anual do Ministério da Cultura.

Em 2000, a C.M. de Santiago do Cacém

providenciou o grupo com dois espaços

para ensaios, armazém e oficina.

Tendo como estratégia encontrar financiamento

alternativo, e tendo em vista

expandir as suas actividades em zonas

novas, o grupo esforçou-se por vender os

seus espectáculos aos municípios e aos

festivais de todo o país.

A Propositário

Azul…

A Propositário Azul, Associação

Artística foi fundada em 2003, reunindo

um grupo de criadores nas áreas do

teatro, artes plásticas, música e vídeo, com

o intuito de se constituir como plataforma

dinamizadora de projectos, promovendo

a troca de experiências e a autonomia

artística e profissional de criadores de

sensibilidades diferentes.

Os espectáculos teatrais criados até ao

momento resultam duma atenção dada ao

conhecimento da dramaturgia universal,

num compromisso privilegiado com obras

de escritores portugueses e lusófonos, ensaiando

práticas de trabalho e de pesquisa

dramatúrgica, escrita e rescrita de textos e

adaptações a partir da recolha e da interpretação

das tradições e dos costumes do

povo português.

Para além de criadores, os seus

membros são professores e desenvolvem

acções de formação junto de jovens da

comunidade escolar dos mais diversos

graus de ensino (básico, profissional e

superior) bem como de grupos amadores,

não só em meios urbanos, como também

em contexto regional.

Para além da criação, propõe-se agora

alargar o seu âmbito de actividade a

projectos de intervenção directa junto de

comunidades locais bem como a potenciar

encontros de formação e criação internacionais

organizados em contexto regional

e de proximidade com essas mesmas

comunidades.

13


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 14

Animações

Todas as

animações

ás 21.30 h.

25 Maio. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

skalabá tuka

Grupo de Bateria de Samba e Batucada, da

responsabilidade de João Matos.

26 Maio. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

inês dias e

andreia gravata -

dança do ventre

Depois de actuações no Coliseu de Lisboa,

no Centro Olga Cadaval ou na Aula

Magna, a campeã nacional em 2007, Inês

Dias, traz consigo Andreia Gravata para

apimentar o ambiente com a exótica expressão

corporal da dança do ventre.

27 Maio. Domingo

Au. António Chainho

Santiago do Cacém

litoral jazz unit

Navegando contra a corrente, quatro músicos

experimentados interpretam e fazem

desfilar paisagens sonoras na linha dos

standard de jazz.

Paul Foreid - Piano | Fernando Salema

- Contrabaixo | Zé Carlos - Bateria | Ana

Paula Messias - Voz

1 Junho. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

dado ataque

Zé Dado e Amostras aliam a crueza instrumental

à dinâmica poética, e propõem

temas que vestem palavras de incursão

social, ou tão somente de amor, numa

relação pontual com músicos convidados.

Zé Dado - Voz e Baixo | Amostras -

Percussão | Eduardo Cardoso - Bateria |

Hugo Gonçalves - Guitarra

2 Junho. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

alexandre

pintassilgo

Alexandre Pintassilgo, cantautor popular,

de amor e intervenção política e social,

surge com o seu novo projecto a solo.

Acompanhado por uma formação de 4

músicos, procura uma sonoridade muito

próxima das raízes da música popular

portuguesa, com uma grande influência

de cantores de intervenção nacionais e estrangeiros,

como o brasileiro Raul Seixas.

Alexandre Pintassilgo - voz, ukulélé

e trompete | Filipe Daniel - baixo |

Cristiana Cardoso - acordeão | Júnior -

percussão | João Matos - saxofone

3 Junho. Domingo

ESPAM V.N. SantoAndré

latitude

Unindo artistas com percursos longos

na música ao vivo e com raízes culturais

simultaneamente idênticas e diversas,

a música portuguesa é adocicada com

ingredientes africanos e sul-americanos.

Rangel - Guitarra e Voz | Salema - Baixo

| Zé Carlos - Bateria | Baró - Percussão |

Carla Nunes - Acordeão

8 Junho. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

coro galp energia

Coro Polifónico Misto com uma identidade

própria, definida sobretudo pela

diversidade etária, que em comum

partilha a paixão pela Música Coral. Do

repertório fazem parte Obras Sacras para

Coro e Orquestra e Música Profana, onde

se destacam as combinações tímbricas

e harmónicas provenientes da Música

Tradicional do Alentejo e África.

Direcção Musical - Pedro Ramos

9 Junho. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

t.e.r.

É um projecto acústico de covers que se

concretiza um ano após a sua idealização,

unindo a guitarra de Telmo Ramalho e a

voz de Elsa Cavaco.

De pop, baladas e rock se compõe, a viagem

melódica que nos apresentam.

Telmo Ramalho - guitarra |

Elsa Cavaco - voz

10 Junho. Domingo

ESPAM V.N. SantoAndré

olive gorje

O som e a música existe em tudo o que

fazemos.

Neste caso, o som de uma refeição, gravado

ao vivo, transformado em directo, bem

misturado e sequenciado em lume brando.

Uma salada de ritmos frescos, e uma

omelete de sons mistos. Uma experiência

que procura despertar a imaginação

do ouvinte na atenção ao som dos seus

actos e do meio que o rodeia .

Olive Gorje = Jorge Oliveira - ouvinte,

músico, e sonoplasta

15 Junho. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

combo de jazz

da e.a.s.

Formado na Escola de Artes de Sines, este

Combo ajudará a enriquecer os momentos

que antecedem as representações dissertando

por entre os trilhos do jazz.

Miguel Lourenço - Guitarra | Jorge

Mestre - Contrabaixo | Daniel Pestana -

Saxofone | Pedro Sequeira - Bateria

16 Junho. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

as angústias do

senhor trinity

a estória de um

miudo

“Um miudo recupera as cassettes do seu

imaginário rock que estavam arrumadas

numa caixa de sapatos no topo do guarda

fato, atrás da colecção de latas de cerveja e

refrigerantes, recuperando memórias na

tentativa de se manter de pé, jogando com

a existência no seu lugar nesta grande

casa, que é a sua vida insegura.”

Álvaro Lancinha - guitarras | Hugo

Miguel Coelho - voz | Nuno Páscoa -

piano | Maria Marrafa - voz | Miguel de

Matos Valério - textos

AS ANGÚSTIAS DO SENHOR TRINITY

é um projecto coisasdocorpo, com produção

ExQuorum

http://coisasdocorpo.blogspot.com

http://soundcloud.com/senhor-trinity


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 15

Atelier

O gesto corporal

“Woyzeck”, de Georg Büchner,

um pretexto de exploração física.

4 e 5 Junho - 10:00/18:00 horas

C.A.P.A.G.

Vila Nova de Santo André

Dirigido por

Diana Lucía León e Carlos Agudelo

Directores da Casa del Silencio

Público-alvo

Actores, bailarinos e artistas interessados em explorar o potencial do corpo para a composição

Carga horária

12 horas

Informações

269759096 - geral@gatosa.com

Eixos temáticos

• Princípios técnicos do mundo corporal dramático.

• Estudo do peso corporal e do contacto físico.

• Improvisações e exercícios de composição em torno da síntese e da estilização.

Objectivo

Entender os princípios básicos de

composição desenvolvidos pela companhia

Casa del Silencio.

O “atelier” abordará princípios da técnica

corporal do mestre Etienne Decroux

e alguns elementos fundamentais para a

cena desenvolvidos pelo mestre Marcel

Marceau.

Estudaremos os princípios da técnica

do “Mimo Corporal Dramático” para a

composição. Este estudo permitirá estabelecer

um exercício orientado para decifrar

a poética visual contida no texto de Georg

Büchner.

Dentro destes conceitos para a composição,

estudaremos princípios do movi-

mento e da dança, a síntese e alguns elementos

do Mimo Clássico que permitem

dar forma poética à composição teatral.

Estes elementos servirão de base para

a elaboração de estudos corporais à volta

do universo de Woyzeck, com o objectivo

de desenvolver uma qualidade dramática

e teatral a partir do trabalho técnico.

nota

A organização oferece aos participantes

a oportunidade de assistir no sábado

ao espectáculo “Woyzeck”, assim como

aos restantes espectáculos desse fim-desemana,

disponibilizando aos interessados

alguns lugares de alojamento básico

nas instalações do CAPAG.


13ª mostra internacional de teatro de santo andré 16

Programa

25 Maio. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. skalabá tuka

22.00 h. Bucha & Estica | Ajagato/Truta

26 Maio. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. inês dias e andreia gravata -

dança do ventre

22.00 h. Paisagens em trânsito | Circolando

27 Maio. Domingo

Auditório António Chainho

Santiago do Cacém

21.30 h. litoral jazz unit

22.00 h. Perdi a mão em Spokane

Salvador Sobral

1 Junho. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. dado ataque

22.00 h. Viandeiros | Teatro Alkmico

Alcácer do Sal

21.30 h. Woyzeck | Casa del Silencio

2 Junho. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. alexandre pintassilgo

17.00 h. e 22.00 h. Woyzeck | Casa del Silencio

3 Junho. Domingo

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. latitude

22.00 h. D. Maria, a Louca | A Barraca

Castro Verde

21.30 h. Woyzeck | Casa del Silencio

8 Junho. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. coro galp energia

22.00 h. Os Juramentos Indiscretos

Teatro dos Aloés

9 Junho. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. t.e.r.

22.00 h. Volfrâmio

Este - Estação Teatral da Beira Interior

10 Junho. Domingo

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. olive gorje

22.00 h. Édipo | Companhia do Chapitô

15 Junho. 6ª feira

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. combo de jazz da e.a.s.

22.00 h. O Senhor Ibrahim

e as Flores do Corão (ante-estreia)

Teatro Meridional

16 Junho. Sábado

ESPAM V.N. SantoAndré

21.30 h. as angústias do senhor trinity

22.00 h. Yátra | Propositário Azul

17 Junho. Domingo

ESPAM V.N. SantoAndré

22.00 h. O Mentiroso | Teatro ao Largo

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