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CLIMATOLOGIA GERAL

E DO BRASIL

1


Climatologia

Geral e do Brasil

2

SOMESB

Sociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda.

Presidente ♦ Gervásio Meneses de Oliveira

Vice-Presidente ♦ William Oliveira

Superintendente Administrativo e Financeiro ♦ Samuel Soares

Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extensão ♦ Germano Tabacof

Superintendente de Desenvolvimento e>>

Planejamento Acadêmico ♦ Pedro Daltro Gusmão da Silva

FTC - EaD

Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância

Diretor Geral ♦

Diretor Acadêmico ♦

Diretor de Tecnologia ♦

Gerente Acadêmico ♦

Gerente de Ensino ♦

Gerente de Suporte Tecnológico ♦

Coord. de Softwares e Sistemas ♦

Coord. de Telecomunicações e Hardware ♦

Coord. de Produção de Material Didático ♦

EQUIPE DE ELABORAÇÃO/PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO:

♦PRODUÇÃO ACADÊMICA♦

Gerente de Ensino ♦ Jane Freire

Autor(a) ♦ Marco Antonio Tomasoni

Supervisão ♦ Ana Paula Amorim

Waldeck Ornelas

Roberto Frederico Merhy

Reinaldo de Oliveira Borba

Ronaldo Costa

Jane Freire

Jean Carlo Nerone

Romulo Augusto Merhy

Osmane Chaves

João Jacomel

♦PRODUÇÃO TÉCNICA ♦

Revisão Final ♦ Carlos Magno e Idalina Neta

Coordenação ♦ João Jacomel

Equipe ♦ Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito,

Ederson Paixão, Fabio Gonçalves, Francisco França Júnior,

Israel Dantas, Lucas do Vale, Marcus Bacelar e Yuri Fontes

Editoração ♦ Fabio José Pereira Gonçalves

Imagens ♦ Corbis/Image100/Imagemsource

copyright © FTC EaD

Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98.

É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito,

da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Ensino a Distância.

www.ftc.br/ead


A COMPREENSÃO DO ESPAÇO E A SISTEMATIZAÇÃO DA CIÊNCIA

ASPECTOS CONCEITUAIS DA CLIMATOLOGIA

Aspectos conceituais e metodológicos da climatologia

A climatologia como instrumento de investigação do meio físico

A atmosfera e o clima ao longo do tempo geológico

O sistema climático: componentes e interações

CARACTERÍSTICAS DA ATMOSFERA

GEOGRÁFICA

Estrutura e composição da atmosfera e seus fatores

Os movimentos orbitais da Terra e suas implicações sobre o

clima

Radiação solar e o balanço energético da Terra

Interação oceano-atmosfera e suas implicações em escala

global

Sumário

Sumário

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

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○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

CLIMATOLOGIA DINÂMICA E OS AMBIENTES INTERTROPICAIS

Circulação geral da atmosfera e suas diferentes escalas

Massas de ar: características e propriedades

Características e tipologia de frentes e outros sistemas

produtores de tempo

Clima e meio-ambiente das paisagens intertropicais

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○07

07

09

11

15

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○15

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

A INVESTIGAÇÃO GEOGRÁFICA NO PASSADO E NA CONTEMPORANEIDADE

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

16

19

21

24

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 28

28

31

34

38

3


Climatologia

Geral e do Brasil

4

O CLIMA E SUAS APLICAÇÕES

Circulação atmosférica no Brasil

Eventos climáticos extremos e recorrentes

El ñino oscilação sul e suas conseqüências

Mudanças climáticas em curso

Atividade Orientada

Referências Bibliográficas

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 42

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

42

44

45

46

48

52


Apresentação da Disciplina

Antes de começar

O ser humano, ao longo de sua trajetória sobre a Terra, desenvolveu

inúmeras capacidades adaptativas, passando do domínio das técnicas ao da

ciência e da informação. Desenvolver tomou um sentido diverso, mas

literalmente significa: “envolver para fora”, ou seja, comandar os ciclos e

processos da natureza. Hoje percebemos que não é possível caminhar

infinitamente “para fora”, necessitamos de referências capazes de nos fazer

pensar, pensar para dentro, envolvermo-nos com as questões concretas que

fazem evoluir esta bela, complexa e única Terra. Envolver significa também

entender como este conjunto de formas, processos e relações funcionam. Enfim,

construir um conhecimento que não veja uma sociedade X natureza (leia-se

contra), nem uma natureza e sociedade (leia-se separadas), mas sim uma

sociedade/natureza indissociável e dinâmica.

Para tanto, a climatologia nos convida a um passeio pelo conhecimento

de algumas de suas noções essenciais. Assim, veremos aspectos sobre o tênue

envoltório que sustenta a vida na Terra, que é a atmosfera. Como os fenômenos

do tempo e clima podem afetar indistintamente tudo e a todos, em maior ou

menor grau. Entender como funcionam estes mecanismos, é de fundamental

importância para a humanidade, afinal “não foi o homem quem teceu a trama da

vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si

próprio fará 1 ”.

No rastro de entender um pouco esta trama, elaboramos este material,

onde pretendemos mostrar um pouco deste conhecimento e sua importância

para o cotidiano das pessoas e para o mundo atual. Mas lembre-se também de

consultar o AVA, pois ele é fundamental e complementa as informações deste

material.

O bloco temático 1 discute a estrutura e funcionamento da atmosfera e

tem como objetivo introduzir o aluno no universo conceitual da disciplina, bem

como instrumentalizá-lo, a compreender como funciona a atmosfera.

O bloco temático 2 irá aprofundar as relações entre o clima e a

organização espacial discutindo a estreita ligação entre clima e ambiente,

buscando capacitar o estudante a compreender a origem, características e

dinâmica dos fenômenos atmosféricos e sua influência direta sobre a sociedade.

A partir de agora, você entrará neste universo do conhecimento, mas

lembre-se de que você é o fim e o começo de tudo. Seu empenho é fundamental.

Prof. Marco Antonio Tomasoni

Mensagem do Chefe Seattle ao presidente americano Franklin Pierce, em 1854, quando o governo americano manifestou interesse em adquirir

o território da sua tribo.

5


Climatologia

Geral e do Brasil

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A COMPREENSÃO DO ESPAÇO E A

SISTEMATIZAÇÃO DA CIÊNCIA GEOGRÁFICA

ASPECTOS CONCEITUAIS DA CLIMATOLOGIA

Aspectos conceituais e metodológicos da climatologia

Desde a sistematização do conhecimento geográfico, ocorrida na segunda metade

do século XIX, que a geografia física caracterizou-se por uma abordagem do meio físico,

baseada na observação e descrição. Assim, os elementos do clima, da Geomorfologia e

da vegetação, eram detalhadamente descritos e associados às atividades exercidas pelo

homem.

A particularidade da ciência geográfica é, sem dúvida, a análise e a identificação

dos processos de organização do espaço geográfico. Este, por sua vez, corresponde a

uma intrincada rede de compartimentos que podemos chamar de sistemas ambientais e,

no controle destes, encontramos o clima como principal agente impulsionador da dinâmica

da superfície da terra.

Figura 1

A climatologia apresentava-se, desde o início do século até

meados da década de 40, como uma ciência descritiva que

apresentava o clima por valores médios de fatores como a

temperatura e a precipitação. Nas últimas décadas, a climatologia

emerge com uma conjugação de outras ciências (Geofísica,

Astronomia) e, mais modernamente, com o advento de novas

técnicas, tais como balões e satélites artificiais.

Pode-se dizer que a climatologia passou de uma atitude descritiva

a uma compreensão mais global dos padrões gerais do clima.

O conhecimento dos elementos e fatores climáticos é objeto de interesse da

humanidade há muito tempo. Conhecer os padrões climáticos locais e regionais é ponto

de partida para qualquer intervenção humana. De uma necessidade de sobrevivência a

uma necessidade para o planejamento, a climatologia desenvolveu-se intensamente.

Satélite artificial

7


Climatologia

Geral e do Brasil

8

O desenvolvimento da Climatologia propiciou a esta área da geografia

uma evolução ímpar e hoje esta ciência encontra-se na pesquisa sobre:

monitoramento de enchentes; controle de processos de desertificação e

erosão acelerada; freqüência e magnitude das precipitações; influência da

vegetação sobre clima e das taxas de CO 2 na atmosfera; chuvas ácidas. No

nível de instituições internacionais existem o programa de pesquisa da

atmosfera global -GARP- e projeto – CLIMAP, que produzem e disseminam

dados relativos aos fenômenos climatológicos.

A escala como mediadora dos estudos ambientais

A necessidade de investigação de um fenômeno qualquer, especialmente aqueles

relativos às ciências da Terra, requer a definição clara de limites espaciais e temporais do

objeto de estudo. Assim, o problema de escala, especialmente em Climatologia é, antes de

tudo, um problema de definição de objeto de investigação, pois o estudo das variáveis

envolvidas em um problema qualquer será definido a partir destes limites espaço/temporais.

Em 1965, Jean Tricart estabeleceu uma escala espaço/temporal dos fatos

geomorfológicos para melhor evidenciar as relações entre estas grandezas, que variavam

entre a escala global e a escala do milímetro. Por exemplo: a formação da Cordilheira dos

Andes ao deslocamento de partículas de solo em uma vertente.

Na Climatologia, a depender do objetivo do estudo, pode haver as seguintes divisões

(AYOADE, 1986):

Tais objetivos ainda são

enquadrados numa perspectiva espacial,

onde a escala de abordagem será

diferenciada.

Em termos de escalas espaciais,

temos:

Todo e qualquer fenômeno tem tanto uma temporalidade,

bem como dimensão espacial. Por exemplo: a evolução de

uma cadeia montanhosa é muito diferente da formação de

um ciclone, etc.

DIVISÕES DA CLIMATOLOGIA

Regional - Descrição de áreas selecionadas. Por exemplo: condições climáticas do semiárido

brasileiro.

Sinótica - Estudo do tempo e clima de uma área em relação à circulação geral. Por exemplo: as

previsões do tempo com deslocamento de frentes frias, ou ciclones.

Dinâmica - Enfatiza problemas relativos a circulação geral.

Física - Ênfase aos processos físicos da atmosfera, ao balanço energético e hídrico. Por

exemplo: estudo das mudanças das camadas da atmosfera

Aplicada - Com enfoque na agroclimatologia (p.ex.) ou questões de cunho pragmático. Por

exemplo: os relacionados à adaptação de culturas como trigo, soja, etc

Histórica - Analisa o comportamento do clima através dos tempos, normalmente feita por

registros indiretos. Por exemplo: geleiras ou anéis de crescimento de árvores.

Macroclimatologia - Estuda os fenômenos em

escala global (Por exemplo: ventos alísios, as

células de circulação geral, zonas climáticas, etc).

Mesoclimatologia - Escalas entre 10 a 100 Km de

largura (Por exemplo: as alterações do clima urbano das

metrópoles ou áreas agrícolas, etc).

Microclimatologia - Escalas inferiores a 100m. (Por

exemplo: o impacto ambiental de um desmatamento ou do

enchimento de uma barragem, etc).

○ ○ ○ ○ ○


[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

1.Não esqueça de consultar o AVA, pois lá

estão as informações complementares.

2.

2.

2.Em um mecanismo de busca (google,

altavista, cadê, yahoo) faça um levantamento sobre sites

que contenham informações sobre geografia física e

climatologia, compare-as e envie sua opinião.

3.

3.

3.Comece a montar um glossário com os

termos que você teve alguma dificuldade ou considera

importantes para a compreensão do tema.

A climatologia como instrumento de investigação do meio

físico

O sistema climático tem cinco componentes básicos:

ATMOSFERA OCEANOS CRIOSFERA BIOSFERA GEOSFERA

Estes componentes do ambiente natural interagem em complexas relações

produzindo o clima.

A climatologia, conforme Nimer (1989), está interessada em fenômenos climáticos

persistentes, e não em fenômenos individualizados, como um anticlone específico. Portanto,

o que importa é uma feição da circulação atmosférica recorrente.

A relação entre a Geografia e

Climatologia se opera até onde ela

explica o meio físico e a influência

deste sobre as atividades humanas.

Segundo alguns autores como Griffiths apud Gregory (1994), uma classificação global

do clima deve ser baseada nos parâmetros fundamentais de balanço energético e do balanço

hídrico.

Das principais propostas utilizadas no propósito da classificação climática, temos

os seguintes autores:

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Anticiclones caracterizam-se por ser áreas de alta

pressão, portanto são geradoras de ventos a

exemplo das áreas desérticas.

• Köppen: relações entre vegetação e clima usando médias de

temperatura e precipitação.

• Thornthwaite: baseia-se em relações entre “eficiência de

temperatura” e “eficiência de precipitação”.

• Gaussen

○ ○ ○ ○

Parte da superfície do planeta formada de gelo.

9


Climatologia

Geral e do Brasil

10

Modernamente a investigação climatológica adentra por diferentes

escalas e ganha um aspecto bastante interdisciplinar, principalmente no campo

da climatologia urbana, pois interesses de diversos profissionais convergem

sobre o tema.

Assim, Taelsler 1986 apud Monteiro (1990) afirma:

A questão das novas técnicas

Um importante aspecto desenvolvido no campo da Climatologia é, sem dúvida, a

utilização de modernas técnicas de previsão através da construção de modelos. Estes se

desenvolveram a partir dos modernos satélites meteorológicos e dos avanços na informática

e sistemas geográficos de informação.

O avanço considerável da climatologia nos últimos anos devese,

em parte, as crescentes demandas globais para compreender os

efeitos das atividades humanas sobre a atmosfera.

A importância da modelização é imprescindível aos estudos

do clima global. A exemplo dos trabalhos apresentados pelo Painel

Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), que trabalha

efetivamente com uma série de probabilidades a cerca do aquecimento

global. Seus cientistas, apesar de uma série de divergências, não

subestimam as retroalimentações do sistema climático, que só podem

ser estudadas com auxílio de supercomputadores.

A importância dos satélites

“De “De um um ponto ponto de de vista

vista

climatológico

climatológico, climatológico o o principal

principal

interesse interesse interesse é é estudar estudar o o o impacto impacto da

da

área área urbana urbana sobre sobre a a atmosfera...

atmosfera...

atmosfera...

no no planejamento planejamento urbano...o

urbano...o

interesse interesse é é oposto, oposto, ou ou seja,

seja,

estudar estudar os os impactos impactos da da atmosfera

atmosfera

urbana urbana nos nos aspectos aspectos funcionais,

funcionais,

econômicos econômicos e e de de segurança segurança do do

do

ambiente ambiente edificado...”.

edificado...”.

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Compreende um conjunto de

operações e procedimentos,

realizados por poderosos

computadores capazes de

predizer condições climáticas

atuais e futuras.

Uma das grandes dificuldades existentes não só no campo da climatologia, bem como

em outras áreas da Geografia Física, sempre foi a dificuldade de se obter dados em quantidade

e qualidade suficientes para análises seguras.

A dispersa e inconstante rede de coleta de dados climatológicos propiciou o

desenvolvimento no campo das aproximações estatísticas de previsão do comportamento climático.


Imagem de satélite da

cidade de Salvador, Bahia

[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

2.

2.

Hoje, os satélites meteorológicos (meteosat,

noaa, goes, etc) (veja no AVA links para INPE e

INMET), aliados às redes de informações

existentes, permitem obter uma “radiografia”

quase que instantânea do planeta Terra,

o que possibilita uma análise mais

precisa dos fenômenos

climáticos.

Segundo Barret apud

Ayoade (1991,p.9), a utilização

dos satélites possibilitará a

criação de modelos do balanço

de radiação na parte mais alta da

atmosfera como no topo das

nuvens; Classificar os climas em novas

bases, a exemplo do saldo do balanço

energético e hídrico; estimar a precipitação em

áreas desprovidas de rede adequada, entre outros

desenvolvimentos.

1.Em um mecanismo de busca (google,

altavista, cadê, yahoo) faça um levantamento dos sites

associados a redes de informação climatológica,

verificando a sua navegabilidade.

2.Discuta o papel das novas tecnologias no apoio à pesquisa climatológica e

como esta pode auxiliar no dia-a-dia, bem como nas atividades didáticas.

A atmosfera e o clima ao longo do tempo geológico

A Terra se formou há cerca de 4,6 bilhões de anos. A sua atmosfera era bem diferente

da atual, era constituída de remanescentes da nebulosa original da qual se condensou o

sistema solar. Há evidências de que nela predominavam o hidrogênio e o hélio e havia

muito pouca quantidade de dióxido de carbono (CO 2 ), metano (CH 4 ), amônia (NH 4 ) e gases

nobres. Esta atmosfera deu lugar a uma nova, que não se sabe bem como ela se formou.

Porém há um consenso quase total de que essa atmosfera foi produzida em conseqüência

do esfriamento e consolidação do planeta.

Quando a Terra iniciou sua consolidação a temperatura deve ter aumentado

tremendamente e isto provocou mudanças tremendas na atmosfera terrestre.

11


Climatologia

Geral e do Brasil

12

Esta segunda atmosfera era muito diversa da que existe atualmente.

Tinha uma composição diferente e a mistura dos gases formava uma atmosfera

sem a presença de oxigênio, ao contrário da atual. O oxigênio, se é que

existia em estado livre, era em uma quantidade mínima (traços) resultante da

fotólise do vapor da água pela energia solar.

Em um determinado ponto do Arqueano, o qual

durou mais de 2,5 bilhões de anos, o esfriamento gradual

da Terra chegou a uma temperatura que permitia a água

em forma líquida. O vapor de água atmosférico começou, em parte, a

se condensar e a se acumular nas depressões da crosta sólida. Iniciouse

a formação de lagos e mares e criou-se o ciclo hidrológico que

continua até hoje. A evaporação da água dos oceanos e a precipitação

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

como chuva foi pouco a pouco promovendo o CO 2 , da atmosfera. A água que caía dissolvia

as rochas, o CO 2 reagia com cálcio para formar íons bicarbonato, que eram levados para o

fundo dos mares como carbonato de cálcio (calcário). Desta forma, a maior parte do CO 2 ,

que existia nessa atmosfera primitiva hoje está preso na forma de calcário, e somente uma

porção muito pequena ficou na atmosfera. Os sedimentos calcários

mais antigos que se conhecem são do Arqueano, cerca de 3,2 a 3,9

bilhões de anos.

Podemos resumir a evolução do ambiente na atmosfera, no

mar e nos sedimentos marinhos entre 3 bilhões e 1,5 bilhões de

anos atrás da seguinte forma:

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

EVOLUÇÃO DO AMBIENTE NA ATMOSFERA, NO MAR E NOS SEDIMENTOS MARINHOS

1°– (A) - Arqueano, desenvolvimento das primeiras bactérias anaeróbias no mar

2° – (B) - Surgimento das bactérias fotossintéticas e das fixadoras de nitrogênio, que trouxeram uma

mudança química no ar e no mar

3° – (C) - Desenvolvimento das cianobactérias no mar e início da acumulação de oxigênio que resultou

na formação de espessas camadas de óxido de ferro (BIF)

4° – (D) - Acumulação de oxigênio em quantidades apreciáveis no oceano e na atmosfera que deslocou

as bactérias anaeróbias para o ambiente anóxico dos sedimentos marinhos

5° – (E) - Desenvolvimento de outros organismos marinhos; a camada de ozônio da atmosfera está

completa. Esquema retirado de Laboriau

Na escala geológica do tempo,

o Arqueano compreende o

lapso de tempo entre 4,5 bilhões

de anos até aproximadamente

2 bilhões de anos antes do

presente (Ap).

Materiais formados por

carbonato de cálcio (CaCO 3 )

que apresentam grande

capacidade de dissolução.


A atmosfera primitiva não possuia ozônio ou oxigênio, então os raios ultravioletas

passava pela atmosfera, chegando à superfície da Terra. A vida primitiva só devia ser possível

bem abaixo da superfície da água, onde o ultravioleta não penetrava.

Os organismos fotossintetizadores surgiram há pelo menos 3,5 bilhões de anos atrás.

Eram cianobactérias (também chamadas cianofíceas) do tipo que forma estromatólitos

(cerca de 3,5 bilhões de anos) e tornaram-se mais freqüentes a partir de dois bilhões de

anos atrás. Pela utilização da energia solar estes organismos, da mesma forma que os

atuais, fabricavam seu alimento a partir da água e do CO2, e eliminavam o oxigênio.

Os cientistas supõem que a acumulação significativa de oxigênio começou a uns

570 milhões de anos, outros acreditam que já havia significativa quantidade de oxigênio na

atmosfera no último bilhão e meio de anos. Assim, a atmosfera redutora passou a oxidante,

obrigando a novas adaptações, mas é somente a uns 140 milhões de anos que aparecem

registros fósseis de vida terrestre. Estas novas formas de vida também contribuíram para a

formação gradual da nova atmosfera.

[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

1. Procure na internet textos sobre a temática da aula.

2.

2.

2. Analise os diferentes pontos de vista sobre a temática e pesquise sobre a

Teoria de Gaia de J.E. Lovelock.

3. 3. Em grupos de três ou quatro pessoas, discuta o texto de apoio e construa um

pequeno texto sobre o conteúdo estudado.

O sistema climático: componentes e suas interações

O homem vive no fundo de um oceano de ar, rodeado de um oceano de água.

As ciências da Terra preocupam-se com a análise e explicação dos fenômenos dos

diferentes componentes do sistema natural terrestre. A organização espacial dos seres

humanos compõe um sistema complexo, este pode ser traduzido em um sistema ambiental

físico e um sócio-econômico, cujas peculiaridades e dinâmica só podem ser analisadas

sob uma perspectiva holística, onde interagem “sistemas dinâmicos, não-lineares, com

comportamento caótico” (CHRISTOFOLETTI1996, p.31).

13


Climatologia

Geral e do Brasil

Pode-se então afirmar que dinâmica superficial terrestre é “acionada” pelas forças

externas, sendo a radiação solar transformada em calor, o principal elemento deste

processo.

É importante compreender que a energia que chega à Terra pode se converter em

várias formas. A principal manifestação é sentida através do “calor”, mas ela pode converterse

em outras formas, isto é estudado pela Termodinâmica. Na

verdade, quando falamos de calor, o que estamos percebendo é um

fluxo de energia sendo transferido para diferentes sistemas. A energia

térmica pode ser transferida por condução, convecção e radiação.

Na condução a transferência é realizada pelo contato físico entre dois

corpos com temperaturas diferentes até equilibrarem-se. A convecção

ocorre quando a transmissão de calor é realizada pelo fluir de um líquido ou gás através de

14

Os geógrafos procuram estabelecer as relações espaciais em escala

global entre atmosfera, oceanos e massas continentais.

A circulação geral da atmosfera é um dos fatores fundamentais na

distribuição das zonas climáticas da Terra. Ela pode ser explicada em função

da geometria orbital, da posição, do tamanho dos

continentes, da relação entre terras e o oceano, modificandose

ao longo do tempo e do espaço.

Os componentes do sistema climático

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

O clima da Terra envolve um grande número de componentes. Ele é função de

interações complexas entre a atmosfera, águas (oceanis, rios, lagos, etc.), zonas glaciais

(criosfera), o conjunto de seres vivos (biosfera) e também as rochas, sedimentos e solos

(geosfera). Esta troca complexa de energia e matéria entre os sistemas pode ser expressa

no esquema de Tricart e Killian (1979), exposto abaixo:

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Refere-se as variações dos

movimentos da Terra.

Área da física que estuda os

fenômenos relacionados as

mudanças da energia.


um meio conhecido. Isto pode ser explicado pela diferença de densidade tanto na água

como nos gases, já a radiação é a transferência de calor através de ondas eletromagnéticas

ou partículas ondulatórias, este tipo de transmissão ocorre no aquecimento da terra ao

reeradiar calor. Na figura abaixo podemos perceber a importância da energia solar criando

movimentos em vários sistemas da biosfera.

[ ]

1. Procure na internet textos sobre a noção de

Agora é hora de

sistemas ambientais.

TRABALHAR

CARACTERÍSTICAS DA ATMOSFERA

Estrutura e composição da atmosfera e seus fatores

A atmosfera terrestre é composta de uma mistura de vários gases de características

diferentes (densidade, reatividade, etc), que se concentram em baixa atmosfera, onde cerca

de 97% dos gases estão até 30Km acima do nível do mar. O limite superior da atmosfera é

aproximadamente a 10.000Km.

15


Climatologia

Geral e do Brasil

16

As camadas principais da atmosfera são as

seguintes:

A Troposfera, que varia entre 8 e 16 km de altura

acima do nível médio do mar, ondeocorre os fenômenos

meteorológicos. Nela efetivamente a temperatura diminui

com o aumento da altitude. Na parte baixa da troposfera

encontra-se a maior concentração de oxigênio (O 2 );

A Estratosfera, que chega até cerca de 50 km de

altitude, onde fica a camada de ozônio a uma altura de aproximadamente

25 a 30 km, onde é absorvida a maior parte dos raios ultravioleta.

A Mesosfera atinge cerca de 80km, é considerada o topo da

atmosfera para os meteorologistas;

A Ionosfera, onde a temperatura atinge cerca de 700°C, contém

gases rarefeitos que estão ionizados, carregados de eletricidade. É aí

onde acontece a aurora que pode ser vista nos pólos boreal e austral. A

ionosfera chega a uma altura de aproximadamente 500 km e em algumas

de suas camadas se dá à comunicação por rádio. Após vem a

Termosfera, depois a Exosfera e, por fim, a Magnetosfera.

Estrutura da atmosfera

Para a climatologia, o que importa são os fenômenos

que ocorrem na troposfera e na estratosfera.

Até os primeiros 80Km, a composição química da atmosfera é bastante uniforme. O

ar seco e puro é composto de 78% de nitrogênio (N), 21% de oxigênio (O 2 ) e 0,93% de

argônio (Ar), 0,033% de dióxido de carbono (CO 2 ), que é produzido basicamente pela ação

de organismos vivos nos oceanos e continentes, sendo que pela fotossíntese, são absorvidos

cerca de 3% do CO 2 atmosférico. O restante é composto por uma mistura de gases como

óxido nitroso (No x ), metano(CH 4 ), neônio(Ne), hélio(He), criptônio(Cn), xenônio(Xn),

hidrogênio(H), clorofluorcarbonos, entre outros gases.

CONSTITUINTE VOLUME (%)

Nitrogênio 78,08

Oxigênio 20,95

Argônio 0,93

Dióxido de carbono* ca. 0,032

Neônio 1,8 x 10 -3

Hélio 5,24 x 10 4

Criptônio 1,0 x 10 -4

Hidrogênio 5,0 x 10 -5

Xenônio 8,0 x 10 -6

Ozônio* ca. 1,0 x 10 -6

Radônio* ca. 6,0 x 10 -18

Vapor de água* ca. 0 a 3%

* variável

Obs.: Além dos constituintes acima, encontram-se em

quantidades variáveis: poeiras, pólen, rejeitos industriais,

metano, dentre outros.

Fonte: Laboriau


Elementos atmosféricos fundamentais

PRESSÃO: simplificadamente podemos definí-la como forçaque o ar exerce

sobre qualquer corpo na superfície terrestre.

Varia em função da altitude e da temperatura, tendo até o limite da Troposfera um

declínio muito rápido, devido a alta concentração de gases nesta faixa atmosférica, estando

na seguinte razão: a cada 275m de altitude a pressão diminui 1/30, sendo que ao nível do

mar a pressão corresponde a 760mm /Hg (mercúrio) ou 1.032,2 mb (milibares). Assim, a

uma altitude de 1.500m a pressão é de aproximadamente 850mb.

Quanto maior for a altitude menor será a pressão.

A distribuição da massa atmosférica (quantidade total de gases), é muito desigual.

Cerca de 75% da massa gasosa está contida nos 10 primeiros Km e o restante distribui-se

de forma quase uniforme até a alta atmosfera, restando no topo da atmosfera apenas Hélio

(He) e Hidrogênio (H), que são gases mais leves, voláteis.

TEMPERATURA: Pode ser definida como quantidade de calor existente

numa substância, seja ela sólida, líquida ou gasosa.

A temperatura é, sem dúvida, um dos elementos climáticos de grande importância

na distribuição, adaptação, migração e crescimento dos organismos vivos.

O termômetro é o instrumento utilizado para sua aferição, podendo conter mercúrio

ou álcool, embora haja também o termógrafo. As escalas de temperatura são expressas

em graus e podem ser Fahrenheit (°F) ou Celsius (°C), contudo para finalidades científicas

utiliza-se à escala Kelvin(°K). A variação de temperatura com a altitude, chamada de

gradiente vertical adiabático seco, ocorre na razão de 1°C por 100m, embora possa haver

variações menores ou maiores, isto depende da estabilidade ou instabilidade do ar.

DIFERENTES ESCALAS DE TEMPERATURA

Escala Ponto de congelamento Ponto de fusão

CELSIUS (°C) 0 o 100 o

FAHRENHEIT (°F) 32 o 212 o

KELVIN (°K) -273 o 373 o

UMIDADE: É a quantidade de vapor d’água em suspensão na atmosfera. Pode ser

aferida como Relativa (%) e Absoluta (g/m 3 ).

A umidade relativa (UR) do ar é um fator extremamente importante na aferição da

qualidade ambiental. A informação a cerca da UR é importante, pois indica qual é o ponto

17


Climatologia

Geral e do Brasil

Ainda como elementos importantes do clima temos a radiação, a circulação

atmosférica, a chuva, a nebulosidade, a evaporação. Estes afetam de forma direta o clima

da Terra.

Veja, por exemplo, as zonas climáticas

baseadas na trajetória aparente do sol

projetada sobre a superfície do planeta.

A interação de todos estes

elementos torna complexo o

conhecimento do clima e faz com que

a meteorologia tenha dificuldades de

previsão para períodos maiores que

alguns dias.

18

de saturação. Quando se diz que a UR é igual a 80% sabemos que uma

pequena queda na temperatura poderá indicar a possibilidade de precipitação.

Caso haja uma elevação na temperatura o processo é inverso, ou seja,

diminuição da UR, devido a dilatação dos gases e aumento da capacidade

de absorção de vapor d’água pela atmosfera. Assim, a uma temperatura de

30°C, o ar pode suportar até 30g/m 3 (gramas por metro cúbico) de vapor d’água

e a uma temperatura de 0°C, suporta apenas 5g/ m 3 .

Instrumentos para climatologia

Pluviômetro

Luz e temperatura

A temperatura em que se verifica a condensação é chamada de

ponto de orvalho, sendo aferida pela diferença entre os valores

de um termômetro de bulbo seco e um de bulbo úmido.

Termohigrógrafo

Termômetro

Evaporímetro

de Pichè

Luz e temperatura são fundamentalmente a manifestação da radiação solar e do

balanço energético da Terra. Algumas pessoas confundem luz e calor. A luz se refere à luz

visível aos nossos olhos, ou seja, à banda de comprimento de onda radiação entre 0,4 e 0,7

mm. O calor está ligado à noção de temperatura e esta depende das características físicas

da superfície onde a radiação incide ou de onde é irradiada.


Quando em climatologia aplicada se fala em temperatura, seja ela uma média diurna

ou mensal, ou se refere à temperatura mínima ou máxima de uma região, está implícito que

se refere à temperatura do ar, medida a 1,5 m da superfície do terreno, à sombra e com o

ar circulando livremente em volta do aparelho medidor. Outras temperaturas, como a do

solo, do mar, das diferentes camadas da atmosfera, têm que ser especificadas e as

condições em que foram tomadas devem ser padronizadas para que haja comparatividade.

[ ]

1. Pesquise sobre os fatores que levam à

Agora é hora de

TRABALHAR estabilidade e instabilidade do ar.

2. 2. Pesquise sobre as diferentes camadas da

atmosfera, suas características e importância.

3. Pesquise sobre estações meteorológicas e os principais instrumentos utilizados.

3.

A temperatura sobre a superfície da Terra tem uma faixa ampla,

podendo chegar a cerca de 58°C (no deserto tropical) e pode baixar

até –87°C na Antártida. A faixa de variação é, portanto, da ordem

de 145°C. A temperatura média global da superfície da Terra hoje

está em torno de 15°C.

Os movimentos orbitais da Terra e suas implicações sobre o

clima

A Terra não esta parada no espaço, tampouco

se articula em movimentos rigorosamente precisos.

Assim, estabelecem-se diferenças marcantes: dia/

noite, solstícios/equinócios (estações do ano) e a

variação do eixo terrestre, só para citar algumas

variações orbitais.

Os principais movimentos orbitais são

descritos a seguir:

Rotação

É o movimento ao redor de seu eixo e tem duração de 23 horas, 56 minutos e 4,09

segundos, o que corresponde ao dia sideral.

O sentido da rotação da Terra é contrário ao movimento aparente do sol, ou dos

demais corpos celestes.

A velocidade deste movimento é de aproximadamente 1.670 Km/h no equador e a ½

no paralelo de 60°. Por conseguinte, a força centrífuga tende a separar os objetos da superfície

19


Climatologia

Geral e do Brasil

20

terrestre, ou seja, um

mesmo objeto pesado

sob a linha equatorial “é

mais leve” do que quando

pesado em latitudes mais

elevadas. E também tende

a formar na zona equatorial

uma maior saliência, de 42 km

maior que nos pólos.

Outra conseqüência do aumento da velocidade da rotação para o equador é o ligeiro

desvio provocado nos objetos, isto pode ser melhor observado no sistema de circulação

geral da atmosfera.

Translação

Movimento da Terra em sua órbita ao redor do sol. O tempo necessário para completar

sua órbita ao redor do sol é de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 45 segundos. Este movimento

implica nas variações estacionais.

A órbita da Terra em torno do sol é uma elipse de excentricidade muito pequena,

sendo que a distância média Terra/Sol, é de aproximadamente 150 (149.600.000) milhões

de Km com um desvio de 2%. A diferença entre a maior e a menor distância é o Periélio

com 147 milhões de Km e o Afélio com 152 milhões de Km.

Como conseqüência deste movimento, temos os solstícios e os equinócios, que

caracterizam as diferentes posições de recebimento da energia solar, gerando as estações

do ano. Solstícios 21/12 e 21/06 e Equinócios entre 20 a 21 de março e 22 ou 23 setembro.

Outros movimentos

- Oscilação do Eixo ou precessão do eixo, é a oscilação (cônica) entre as estrelas

poláris e vega, com duração aproximada de 25.800 anos.

TIPOS DE MOVIMENTOS E

CARACTERÍSTICAS

Precessão axial (obliqüidade): Variação cíclica

da inclinação do eixo terrestre (22,1o a 24,5o) com

freqüência de 41/54 mil anos, causando aumento ou

diminuição da radiação solar recebida nos pólos.

Precessão orbital (excentricidade): Ciclos de

alteração orbital (0,00% a 0,06%) com freqüências

de 95/100/ 125 e 400 mil anos.

Precessão do equinócio: Ciclo de mudança dos

solstícios e equinócios com freqüência de 19 e 23

mil anos.


As conseqüências destes movimentos são as mais diversas, uma vez que afetam a

quantidade e qualidade da energia que chega a superfície terrestre. A teoria de Milankovitch

aponta como causa das glaciações estes outros movimentos associados a fatores como:

mudanças no relevo, ciclo solar, vulcanismo, etc., mas como é apontado por Laboriau (1994,

p.267), esta é uma temática ainda aberta à pesquisa.

[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

1.Pesquise na internet informações sobre os diversos movimentos da Terra e suas

conseqüências.

Radiação solar e o balanço energético da Terra

A órbita do planeta Terra percorre uma trajetória elíptica mais ou menos alongada,

que se desvia menos de 2% do círculo, ao passo que para Plutão e Mercúrio, por exemplo,

o desvio é de mais de 20%. A órbita da Terra, portanto, é quase circular e ligeiramente

excêntrica em relação ao Sol.

No seu movimento de translação ao redor do Sol, o planeta mantém sempre o mesmo

ângulo de inclinação, que hoje é de 23,5°. Isto faz com que a distribuição da energia recebida

seja desigual nos dois hemisférios. Se este ângulo fosse perpendicular ao plano da órbita

não haveriam estações do ano e os pólos seriam muito mais frios, dentre outras

conseqüências.

O cálculo da quantidade de energia recebida pela Terra permite estimar não somente

temperatura, como também outros fenômenos climáticos atuais, pretéritos e futuros. Por

exemplo, a diminuição de energia provoca um aumento de água sólida, diminuindo a água

21


Climatologia

Geral e do Brasil

22

da chuva e a tendência será para um clima mais seco. Ao contrário, elevandose

a temperatura global, mais gelo se derrete e mais água entra na circulação

global, o que resulta na tendência para um clima mais úmido.

Insolação

Chama-se insolação a energia solar recebida em um determinado ponto da

superfície terrestre. Assim, podemos medir a quantidade de energia recebida, p. ex.:

coloquemos um volume de um centímetro cúbico de água, que equivale ao peso de uma

grama sobre uma superfície de um centímetro quadrado. A energia solar suficiente para

elevar em um grau centígrado a temperatura dessa quantidade de água é a unidade para a

medição. Esta varia em função da latitude (inclinação dos raios solares), da duração do dia

e, em parte, da altitude.

A maior parte da energia solar que

chega à Terra é na forma de ondas-curtas.

Cerca de 9% é na forma de ultravioleta,

45% é luz visível e 46% é na forma de

infravermelho. A atmosfera deixa passar

51% da energia recebida a qual é

absorvida pelos continentes e mares.

O resto da radiação em ondascurtas

é absorvido pelo vapor de água,

poeira e ozônio da atmosfera (cerca de

16%) e pelas nuvens; ou então, é refletida

de volta para o espaço em comprimentos

de onda curtos (cerca de 30%). A radiação

absorvida é convertida em energia de

ondas-longas, que aquece a Terra e

eventualmente escapa para o espaço.

Esquema das radiações eletromagnéticas que chegam ou saem da Terra. Os

comprimentos de onda das faixas do espectro podem se superpor, dependendo da

origem (atômico ou nuclear). Na figura, detalhe do espectro da luz vísivel e das

radiações ultravioleta (UV) e infravermelho (IR).

Parte do infravermelho irradiado pela superfície dos continentes e mares, bem como pelo

vapor de água e o CO 2 do ar, podendo ficar retido na atmosfera em maior ou menor quantidade.

Este fenômeno e chamado de efeito-estufa.


Balanço energético da radiação global na Terra. A quantidade total de energia que entra é igual

à que sai. Baseado Lockwood (1976) e Ingersoll (1983).

Os estudos climáticos mostraram que as nuvens do céu agem como o vidro de uma

estufa, tal como as construídas para o cultivo de diversas plantas e fazem com que a

temperatura na parte baixa da atmosfera aumente em decorrência da mudança na

concentração destes gases. A situação contrária faz com que o calor escape para o espaço,

o que causa um abaixamento da temperatura. É por isto que no inverno as noites estreladas

são mais frias.

Albedo

As radiações atravessam a atmosfera e incidem sobre a superfície da Terra,

onde parte delas é absorvida pelo solo e pela água e parte é refletida. É necessário

distinguir bem entre radiação refletida e radiação irradiada.

Quando a radiação é refletida diretamente não

há mudança do comprimento de onda. Assim, uma

radiação solar de ondas-curtas é refletida como

radiação de ondas-curtas. Se a radiação é absorvida

pela superfície da Terra e depois é irradiada, ela

variará de acordo com as leis de degradação do

comprimento de onda e sempre irradiará num

comprimento de onda maior que o recebido.

Albedo mede o poder refletor de uma

superfície, consistindo na fração de radiação

incidente que é refletida pela superfície.

O albedo de um corpo negro (por exemplo: asfalto) é zero, ele não reflete e sim

absorve toda radiação que recebe. Na Terra, o albedo é a relação entre a quantidade de

radiação recebida em ondas-curtas e a refletida em ondas-curtas pela superfície e é expresso

23


Climatologia

Geral e do Brasil

24

[ ]

1. Pesquise na internet sobre como se

Agora é hora de

TRABALHAR processa o efeito estufa e seus efeitos sobre o

planeta Terra. Busque argumentos para diferenciar

efeito estufa de aquecimento global.

2. 2. Discuta sobre a temática apresentada, dando ênfase ao espectro

eletromagnético e ao balanço de energia e as implicações das mudanças na composição

atmosférica.

3. De forma esquemática, coloque os resultados na sua página da Internet.

3.

em porcentagem.Ele aumenta com a latitude e chega à cerca de 60% na

latitude de 70° nos dois hemisférios, devido às nuvens e ao gelo.

Valor, em porcentagem, do albedo de algumas superfícies, (corpo negro

= zero).

ALBEDO DE ALGUMAS SUPERFÍCIES

Neve densa, limpa e seca 86-95

Areia brilhante e fina 37

Gelo do mar, cor leitosa 36

Floresta decídua 17

Floresta de pinheiros (na copa) 14

Pradaria 12 -1 3

Pântano 10 -14

Solo negro e seco 14

Solo negro e molhado 8

Fonte: Laboriau

Interação oceano-atmosfera e suas implicações em escala

global

A circulação geral da atmosfera é determinante

na distribuição das zonas

climáticas da Terra. Ela é

função da geometria orbital,

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○


da posição dos continentes

e da relação Terra / oceano

e modifica-se ao longo do

tempo e do espaço. Tais modificações são devido

às variações da posição da Terra ao longo de sua

órbita e também da tectônica das placas que,

alteram a posição e a forma dos continentes e a

extensão dos oceanos.

Consiste em um conjunto de

movimentos mais ou menos

constantes do ar atmosférico.

São movimentos horizontais e

verticais associados às diferentes

faixas de latitude do globo.


A circulação atmosférica e oceânica

A superfície total da Terra é de aproximadamente 510.00.000 Km 2 , sendo que

149.000.000 Km 2 são de terras emersas, distribuídas de maneira bastante desigual entre o

hemisfério norte e sul, o restante corresponde aos mares e oceanos.

Entre os oceanos e a atmosfera ocorrem constantes transferências de energia e

matéria, a maioria dos sistemas de tempestades e dos movimentos das massas de ar, as

quais, analogamente, formam as correntes marinhas; enfim, as condições climáticas

planetárias seriam impossíveis sem esta troca constante e dinâmica.

Então, o calor absorvido pela terra é quase totalmente reemitido de volta ao sistema

em forma de comprimentos de onda mais longos. Esta baixa capacidade de armazenamento

explica o porquê, nas maiores latitudes, as oscilações do clima são tão rigorosas. Assim,

temos que o balanço energético da terra é quase nulo, já nos oceanos e mares a absorção

de calor é diferente, o que propicia condições de um certo equilíbrio ao longo do ano.

Segundo Ayoade, a distribuição latitudinal da radiação líquida (R) mascara diferenças

fundamentais em razão das condições ambientais diferenciadas, mas mesmo assim, é

possível estabelecer o seguinte:

1) Os valores de R anual são mais elevados nas baixas latitudes e decrescem

a partir de 25°.

2) Os valores de R são um pouco mais elevados no oceano que na atmosfera,

devido às diferenças de absorção da radiação.

3) O albedo deve ser levado em consideração ao analisarmos o balanço

latitudinal, pois áreas úmidas, áridas ou glaciais, comportam-se de maneira

bastante diferente.

Características do movimento atmosférico

Os movimentos da Terra, associados a fatores como o desigual aquecimento e

resfriamento da atmosfera, bem como a distribuição horizontal da pressão, geram diferenças

que colocarão o ar em movimento. Este se comporta de maneira diferente na baixa e na

alta troposfera; tais fatores são modificados ainda em função das massas oceânicas e

massas continentais, das formas de relevo, das formações vegetais, pelos diferentes tipos

de albedo, etc.

Então, percebemos que a circulação atmosférica é um processo

dinâmico que depende de variados fatores e de diferentes escalas.

Variação horizontal da pressão: ao nível do mar a pressão média (normal) é algo em

torno dos 760mm/Hg ou 1013mb. Denomina-se de alta pressão quando os valores são

superiores a 1013mb, e de baixa pressão quando esta é inferior a 1013mb. Assim, sob a

superfície terrestre existem pontos onde a pressão atmosférica possui o mesmo valor. Estes

valores ligados por uma linha imaginária recebem o nome de isóbaras.

A coluna de ar sustentada por um individuo, é maior ao nível do

mar e diminui a medida que elevamos a altitude.

25


Climatologia

Geral e do Brasil

As condições climáticas dependem de uma série de determinantes: 1) Latitude; 2)

Altitude; 3) Maritimidade e/ou Continentalidade; 4) Rugosidade da superfície e 5) Fatores

biogeográficos, apenas para citar os mais importantes.

No estudo da dinâmica dos fatores climáticos, observamos que tanto a temperatura

como a pressão possuem padrões de comportamento que variam bastante ao longo do

ano. Desta forma, temos a oscilação dos cinturões de pressão, representados pelo mapa

de isóbaras e uma oscilação nas isotermas, que são explicados pela conjugação dos

condicionantes acima descritos. A caracterização dos cinturões de pressão e das isotermas

será base do estudo detalhado das características desta dinâmica.

26

Circulação oceânica

Os oceanos cobrem mais de 2/3 da superfície da Terra, cerca de 363.000.000 Km 2 ,

ou seja, 70,8% da superfície terrestre e aproximadamente 97% da água da Terra com

profundidades médias variando entre 90m (mar do Norte) e 4.028m (Oceano Pacífico). Seu

papel como agente de equilíbrio climático é indiscutível, uma vez que constituem “um depósito

de grande quantidade de calor”, que devido às diferenças físicas com a terra, tem um papel

moderador das variações extremas da temperatura. Em relação às terras emersas, os

oceanos apresentam o que chamamos de inércia térmica, ou seja, eles absorvem e perdem

calor de maneira mais lenta do que ocorre com a terra. Este fato é de extrema importância

ao analisarmos a dinâmica do clima.

CAL CALOR CAL OR = = MAI MAIOR MAI OR DILA DILATAÇÃO DILA AÇÃO AÇÃO DO DO DO AR AR = = AR AR MAIS MAIS L LLEVE

L VE = = MENOR MENOR PRESSÃO

PRESSÃO

FRIO FRIO = = = CONTRAÇÃO CONTRAÇÃO DO DO AR AR = = AR AR MAIS MAIS PESADO PESADO = = MAIOR MAIOR MAIOR PRESSÃO

PRESSÃO

Os oceanos e mares são responsáveis pelo armazenamento e distribuição de energia

por todo o planeta. Os oceanos, assim como a atmosfera, apresentam uma estrutura em

camadas que varia em temperatura e oxigênio dissolvido. São

três as camadas: uma superficial, a termoclina e uma profunda.

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Linha de separação

térmica entre a água fria

e quente.

Estas características influenciam a velocidade e o sentido do

deslocamento das massas oceânicas e sua mistura, fazendo com que

estas “viajem” milhares de quilômetros, transferindo energia (calor) por

onde passam, não apenas para a massa de água circundante, como

também para a atmosfera.

As camadas oceânicas possuem características em função da variação do oxigênio,

da temperatura, da salinidade.


As correntes oceânicas são vastos corpos de água independentes e com

carcteristicas próprias.

Um aspecto importante com relação à distribuição do calor pelos oceanos é que

sempre a costa leste dos continentes, em uma mesma latitude, tenderá a ser mais quente

que a costa oeste. Isto ocorre em função do efeito de rotação da Terra que tende a impulsionar

as correntes marinhas de leste para oeste, assim a energia térmica absorvida no centro do

Atlântico, Pacífico ou Índico, é transferida para a borda oriental dos continentes.

Uma outra forma de interação atmosfera e oceano é através da transferência de

energia cinética (movimento) da baixa atmosfera para a superfície da água, provocando

elevações e ondas, embora este não seja o único mecanismo de formação das ondas.

Esta forma de energia (cinética) pode ser aproveitada como uma fonte energética renovável,

mas ainda há muito por pesquisar sobre o assunto.

As interações dos sistemas oceano-atmosfera e a “máquina do clima”

O contato entre atmosfera e o oceano é extremamente interessante e complexo. A

maior densidade e pressão atmosférica encontram-se no nível do mar, à medida que se

ascende na atmosfera, a composição e temperatura alteram-se gradativamente. O mesmo

acontece com o oceano, sua camada mais ativa, ao menos biologicamente, é a superficial.

Isto se explica pela quantidade de energia recebida através da atmosfera e que gera

movimentos como as ondas e as correntes. Além de energia, ocorre a troca contínua de

matéria (gases), especialmente o oxigênio e o dióxido de carbono.

Inversamente, o oceano devolve calor e vapor a baixa atmosfera, sendo de vital

importância como mecanismo gerador dos movimentos atmosféricos.

Estes dois fluxos de energia (calor) e matéria (água e gases) entre os dois sistemas

mostram que a análise isolada dos oceanos e da atmosfera cumpre-se mais a um valor

didático.

Curiosidade: No caso do CO 2 , os oceanos comportam-se como um imenso

reservatório, contendo 50 vezes mais CO 2 que a atmosfera, e 20 vezes

mais que a biosfera. Quando falamos em aquecimento global, o aumento

da temperatura média do mar diminuiria a solubilidade do CO 2 e aumentaria

a pressão parcial deste nas águas superficiais, diminuindo a capacidade

de absorção de CO 2 pelos oceanos. Estima-se que ¼ das emissões de

CO 2 sejam absorvidas pelo oceano (LEGGET apud GREENPEACE 1992.

p.21).

[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

1. Procure na Internet informações sobre correntes

marinhas e suas características, bem como as grandes

massas de ar.

2. Discuta com os colegas sobre as implicações

2.

do aquecimento global na circulação geral da atmosfera e do oceano e produza um pequeno

texto.

27


Climatologia

Geral e do Brasil

28

CLIMATOLOGIA DINÂMICA E OS AMBIENTES

INTERTROPICAIS

Circulação geral da atmosfera e suas diferentes escalas

A circulação atmosférica é um processo dinâmico que depende de uma série de

variáveis avaliadas em diferentes escalas.

Podemos estabelecer alguns princípios que governam o movimento atmosférico:

Força de

Pressão

Força de

Pressão Força de

Coriólis

A INVESTIGAÇÃO

GEOGRÁFICA NO PASSADO E

NA CONTEMPORANEIDADE

1. A força do gradiente de pressão;

2. A força de coriólis;

3. A aceleração centrípeta e

4. A força de fricção.

Força

Centrípeta

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○


Variação da pressão

atmosférica entre dois

pontos (por exemplo,

entre uma área mais

quente e outra mais fria

haverá um movimento do

ar, sempre do mais frio

para o mais quente).

O que faz com que haja o movimento do ar é o desenvolvimento e manutenção do

gradiente de pressão.

O chamado efeito coriólis é o efeito desviador provocado pelo movimento de rotação

da Terra de oeste para leste, provocando um desvio no movimento dos corpos.

Por exemplo: qualquer corpo deslocando-se do pólo norte em direção ao

equador sofrerá um desvio para a sua direita e deslocando-se do equador em

direção ao pólo norte sofrerá um desvio para sua esquerda e vice-versa para o

hemisfério sul.


O movimento na atmosfera não é

só horizontal, mas também vertical, a

ascendência ou subsidência

do ar se deve basicamente às

diferenças de temperatura que

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

existem entre bolsões de ar. Se este for

mais quente que o ar circundante ele

sobe; se for mais frio, ele desce.

O movimento convergente ou

divergente do ar ocorre pelas diferenças

de pressão e temperatura do ar.

Vejamos como isto ocorre, observando

a figura abaixo.

É necessário imaginar que a atmosfera não é um corpo homogêneo, não só

verticalmente mas também horizontalmente. Diferenças de temperatura entre água e a terra,

entre um ambiente construído e uma

floresta ou um banhado, fazem com que

o ar acima deles adquira um pouco de

suas características, fazendo assim com

que haja diferenças de temperatura entre

bolsões de ar e forçando o movimento entre

as células de ar. O ar que está sobre uma

imensa floresta ou um imenso deserto ou

sobre os pólos gelados, tenderá a adquir

suas características.

Imaginando a Terra e sua

angulação em relação aos raios solares

e, por sua vez, o desigual aquecimento,

podemos dizer que existem Cinturões de

pressão planetários, estes são os seguintes:

1. Zona equatorial possui um cinturão em torno dos 1011 a 1008mb, cujo

nome é Vanguarda ou Convergência equatorial.

2. Tanto ao norte como ao sul formam-se cinturões de alta pressão próximos

a 30 o L N e S. Estes se chamam Cinturões subtropicais de alta pressão e

contêm células de pressão, cujo valor varia até 1060mb.

3. A partir destas altas pressões, encontram-se zonas de baixas pressões ,

denominadas de Zonas subantáritca e subártica, cujos valores oscilam até

984mb, aproximadamente nas latitudes de 60 o N e S.

4. Por fim, aparecem as áreas de altas pressões polares.

Movimento de

descida do ar.

É extremamente importante lembrarmos que estes cinturões de pressão são

oscilantes em função de diversos fatores.

29


Climatologia

Geral e do Brasil

30

Relação entre ventos e a pressão atmosférica

· Força de gradiente de pressão: indica o sentido do movimento

de alta pressão para baixa pressão.

· Quanto maior a diferença de pressão entre dois pontos, maior

é o gradiente e maior é à força do movimento.

Ciclones e anticiclones: são zonas

de baixas e altas pressões

respectivamente, responsáveis pela

dinâmica horizontal e vertical da atmosfera.

· Ciclones: centro de baixa pressão,

ou seja, zona de recepção.

· Anticiclones: centros de alta

pressão responsáveis pela dispersão de

ventos.

Ayoade (1986. p.84) define vários

fatores envolvidos na circulação geral;

estes são advindos dos seguintes

aspectos:

1. das diferenças nas propriedades

térmicas da superfície da Terra,

particularmente entre continentes e

oceanos;

2. das variações na topografia terrestre;

3. das transformações de energia de

uma forma para outra dentro da

atmosfera;

4. das escalas de movimento diferentes

e de atuação recíproca.

Ainda sobre a circulação geral, podemos definir as variações

sazonais da circulação a exemplo das monções como um padrão

fortemente global. A circulação de monção mais característica ocorre

no leste e sudeste da Ásia, em função das características morfológicas

do continente e do oceano adjacente. As diferenças térmicas produzidas

entre estas duas áreas fazem com que durante o solstício de verão no

hemisfério sul haja um domínio do ar frio e seco subsidente do planalto

tibetano e no solstício de verão do hemisfério norte, um domínio da massa

quente e úmida proveniente do oceano Índico.

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Caracteriza-se por ser um

padrão climático de

ocorrência principal na Ásia

(especialmente o sudeste) e

na costa leste africana. Neste

tipo climático ocorrem chuvas

de verão e seca no inverno,

isto ocorre em função do

domínio de massas ora

continentais (fria e seca), ora

marítimas (quente e úmida).

Veja mais sobre o tema em: (http://www.brasgreco.com/weather/climatologia.html)


[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

Procure na Internet informações relativas aos

padrões de circulação e de que maneira eles podem afetar

sua região.

1. Veja em quais lugares do mundo ocorrem as

monções e pesquise sobre os seus efeitos.

2.

2.

2.Não esqueça de consultar o AVA.

Massas de ar: características e propriedades

Antes de falarmos sobre o tema propriamente dito, é importante frisar que ventos

representam a circulação do ar causada por diferença de pressão e temperatura

atmosféricas, em um dado momento e lugar. Os ventos redistribuem muito mais energia

pela superfície do planeta que as correntes marinhas, os mares e a convecção do manto

terrestre.

A circulação global dos ventos é um fenômeno cuja manifestação depende de uma

série de fatores. Segundo Laboriau (1994), existem algumas circunstâncias diferentes que

forçam a ascensão de uma massa de ar:

1. causas orográficas - a presença de terras altas força pelo menos

parcialmente a subida do ar;

2. causas convectivas - um aquecimento diferencial sobre uma superfície

(terra ou mar) o que promove a ascenção de uma massa de ar;

3. causas convergentes - quando duas massas de ar se encontram em

ângulo obtuso, o que resulta na elevação de uma massa de ar; isto se dá

geralmente nos trópicos;

4. causas ciclônicas - uma frente que tem duas massas de ar com

características físicas diferentes encontram-se em ângulo agudo; isto se

dá geralmente nas zonas temperadas.

Vimos anteriormente que o ar que se encontra acima da superfície, líquida ou sólida,

adquire as características desta área. Massas de ar podem ser inicialmente definidas como

vastos bolsões de ar com características de temperatura e umidade semelhantes e que se

deslocam como uma entidade reconhecível. Uma massa de ar adquire as características

da área de origem, pois ela troca energia (calor) e matéria (no caso, umidade), com esta.

Assim, quando uma massa de ar permanece um certo tempo sobre uma área desértica, ela

será quente e seca, já sobre uma floresta equatorial , a massa tenderá a ser quente e úmida.

Uma classificação simples das massas de ar pode ser resumida no quadro a seguir:

31


Climatologia

Geral e do Brasil

[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

32

GRUPO

PRINCIPAL

Polar (P)(incluindo

a ártica - A)

Tropical

(T)(incluindo a

equatorial E)

Fonte: Ayoade, p.100

SUBGRUPO

Polar Marítimo (mP)

Polar Continental (cP)

Tropical Marítima (mT)

Tropical Continental

(cT)

Embora haja várias tentativas de classificação das massas de ar, estas

são mais complexas do que o apresentado. As áreas de origem devem

apresentar condições propícias e, especialmente, serem fisicamente

homogêneas, além disto, devem permanecer um determinado tempo sobre a

área origem.

Além de áreas homogêneas fisicamente, condições da dinâmica

atmosférica também são importantes; especialmente circulações anticiclônicas,

que favorecem uma uniformidade térmica. Segundo Trewartha apud Ayoade

(1986), as áreas propícias a este desenvolvimento são: as planícies árticas da

América do Norte, Europa, e Ásia; os oceanos subtropcais e tropicais; o deserto

do Saara e os interiores continentais da Ásia, Europa e América do Norte.

As massas de ar são muito importantes para o estudo do tempo e do

clima, porque influenciam diretamente na área onde predominam. Suas

características meteorológicas dependem de aspectos térmicos e hídrícos e,

conseqüentemente, de como eles estão distribuídos verticalmente. A taxa de

queda térmica determinará a estabilidade ou não da massa, já a quantidade de

umidade indicará a capacidade potencial para produzir precipitação.

1. Procure na Internet sites que contenham

informações sobre tempo e clima, especialmente sobre

massas de ar.

2.

2.

REGIÃO DE ORIGEM

Oceanos, além da

latitude de 50°, em

ambos os

hemisférios.

1- Continentes em

torno do Circulo

Ártico.

2- Antártica.

Oceanos dos trópicos

e subtrópicos.

Desertos de baixa

latitude,

particularmente o

Saara e os desertos

australianos.

PROPRIEDADES

ORIGINAIS

Fria, úmida e

instável.Fria, seca e

muito estável.

Quente e úmida;

bastante estável na

porção leste do

oceano e mais

instável na porção

oeste.

Quente, muito seca

e bastante estável.

2. Pesquise na bibliografia sobre as

características específicas de cada massa de ar e a sua área de atuação, de

preferência acompanhada de um mapa.


Características e tipologia das frentes e outros sistemas

produtores de tempo

Frente é uma zona de transição entre duas massas de ar de características e

propriedades diferentes. Geralmente, uma massa de ar é mais quente e úmida do que a

outra. Massas de ar estendem-se horizontalmente e verticalmente; conseqüentemente, a

extensão ascendente de uma frente é chamada de superfície frontal ou zona frontal.

Acima do solo, a superfície frontal inclina-se em um ângulo baixo permitindo o ar

mais fresco cobrir o ar mais frio. Idealmente, as massas de ar em ambos os lados da frente

mover-se-iam na mesma direção e velocidade. Nesta condição, a frente agiria simplesmente

como uma barreira que segue juntamente com as massas de ar e nenhuma massa poderia

penetrar. Mas geralmente, a distribuição de pressão através de uma frente permite uma

massa de ar mover-se mais rápida do que a outra.

Quais são os tipos mais comuns de frentes e suas características.

Frente Fria

É uma zona aonde o ar frio substitui o ar quente. Em um mapa do tempo, a posição

na superfície é representada por uma linha com triângulos ou “dentes” estendidos para o ar

mais quente. Existem grandes diferenças de temperatura em qualquer lado da frente.

Também existe uma troca de vento do sudeste adiante da frente fria para nordeste atrás

dela. A troca de vento é causada por um cavado de pressão baixa.

Porque a frente fria é um cavado de pressão baixa, mudanças rápidas em pressão

podem ser significantes em localizar a posição da frente. A pressão mais baixa geralmente

ocorre assim que a frente passa sobre uma estação meteorológica. Se você vai de encontro

à frente de qualquer lado, a pressão atmosférica desce, e se você vem para fora da frente,

a pressão atmosférica sobe.

A figura ao lado representa

os padrões de nuvens e

precipitação típicas em uma vista

lateral da frente fria. O ar frio e

denso na frente força o

levantamento do ar quente. Se o ar

quente levantado é úmido e

instável, ele condensa em uma

série de nuvens cumulus e

cumulonimbus (Cb). Ventos fortes

nos níveis altos assopram os

cristais de gelo formados perto dos

topos das nuvens cumulonimbus

em nuvens cirrostratus (Cs) e cirrus (Ci). Estas nuvens geralmente aparecem bem adiante

de uma frente aproximando-se. As nuvens cumulonimbus formam um bando estreito de

trovoadas que produzem pancadas de chuvas fortes com rajadas de vento. O ar resfria

rapidamente atrás da frente. Os ventos trocam de direção do sudeste para nordeste, a

pressão sobe, e a precipitação cessa. Assim que o ar resseca, o céu clareia com exceção

de algumas nuvens cumulus de tempo bom (cumulus humilis).

A borda principal da frente é íngreme por causa da fricção na superfície que retarda

o fluxo de ar perto da terra. A inclinação média de uma frente fria é somente 1:100. Isto quer

dizer que se você viajar a 100 quilômetros atrás da posição na superfície de uma frente fria,

33


Climatologia

Geral e do Brasil

34

a superfície frontal (a curva azul que separa o ar frio da frente fria do ar quente)

estará a 1 quilômetro acima. A velocidade média de movimento de uma frente

fria é de 35 km/h.

Frentes Quentes

Os padrões de tempo associados com frente frias descritas acima

são mais ou menos “típicas,” mas existem exceções. Por

exemplo, se o ar levantado é seco e estável, somente nuvens

esparsas formam-se com ausência de precipitação. Em tempo

extremamente seco, podem ser observados somente um

aumento de umidade com uma troca de ventos.

É uma zona onde o ar quente substitui o ar frio. Em um mapa do tempo, a posição na

superfície é representada por uma linha com semicírculos estendidos para o ar mais frio.

Assim que o ar frio retrocede, a fricção com a terra reduz extremamente o avanço da posição

na superfície da frente comparando com a sua posição no alto. Conseqüentemente, o limite

separando estas massas de ar requer uma inclinação muito gradual. A inclinação média de

uma frente quente é somente 1:200. Isto

quer dizer que se você viajar a 200

quilômetros adiante da posição na

superfície de uma frente quente, a

superfície frontal estará a 1 quilômetro

acima.

A velocidade média de

movimento de uma frente quente é de

25 km/h, ou metade do que a frente fria.

Durante o dia, quando a mistura ocorre

nos dois lados da frente, o movimento

desta frente pode ser mais rápida.

Assim que o ar quente ascende

sobre a cunha recuada de ar frio, ele se expande, se resfria e se condensa em nuvens

freqüentemente com precipitação. O primeiro sinal de uma típica frente quente em

aproximação, é nuvens cirrus (Ci). Estas nuvens podem ser formadas a 1000 quilômetros

ou mais adiante de uma frente quente. As nuvens cirrus então se graduam em nuvens

cirrostratus (Cs) e altostratus (As). Perto de 300 quilômetros adiante da frente, nuvens stratus

(St) e nimbostratus (Ns) aparecem e começa a precipitação (neve, chuva ou garoa).

A precipitação associada com uma frente quente antecede a posição na superfície

da frente. Ocasionalmente, estas nuvens crescem rapidamente para baixo e podem causar

problemas para pilotos de aviões pequenos que requerem boa visibilidade. Os pilotos podem

experimentar boa visibilidade em um minuto e nevoeiro frontal no próximo. Por causa dos

movimentos vagarosos e inclinações baixas, frentes quentes geralmente produzem

precipitações leves e moderadas sobre uma área vasta por um período longo.

Ocasionalmente, frentes quentes são associadas com nuvens cumulunimbus e trovoadas,

quando o ar quente levantado é instável e as temperaturas nos dois lados da frente contrasta

repentinamente. Existindo estas condições, nuvens cirrus são geralmente seguidas de nuvens

cirrucumulus (Cc). Uma frente quente associada com uma massa de ar seco pode passar

despercebido na superfície.


Quando uma frente quente passa, as temperaturas e umidade

aumentam, a pressão atmosférica sobe, e os ventos trocam de direção

gradualmente no lado quente.

Frente Oclusa

É um tipo complexo onde uma frente fria se encontra com uma frente quente. Em um

mapa do tempo, a posição na superfície é representada por uma linha alternada com

triângulos e semicírculos estendidos em direção ao movimento.

Uma frente oclusa de tipo fria existe quando o ar atrás da frente avançado é mais

frio do que o ar deslocado. A figura abaixo representa esta situação. Ali, uma frente fria

desloca uma frente quente. Freqüentemente com um tipo frio, o ar quente no alto e a

precipitação associada seguem a frente na superfície. O outro tipo de frente oclusa é uma

frente oclusa de tipo quente, quando o ar atrás da frente avançado é mais quente do que

o ar substituído. A situação deste tipo é o reverso da outra. O ar quente no alto e a precipitação

freqüentemente precedem a frente na superfície com um tipo quente.

Frente Estacionária

É uma frente onde o fluxo de ar em ambos os lados da frente não se dirige para a

massa de ar fria ou para a massa de ar quente, mas é paralelo à linha da frente. Frentes

estacionárias formam-se quando uma frente avançando retarda ou pára sobre uma região.

Em um mapa do tempo, a posição na superfície é representada por uma linha com triângulos

estendidos para o ar mais quente em um lado e

semicírculos estendidos para o ar mais frio no outro.

Uma mudança de temperatura e/ou uma troca de

direção de ventos são geralmente observados quando

atravessamos de um lado da frente para o outro.

Se ambas as massas de ar ao longo de uma

frente estacionária são secas, pode existir céu claro

sem precipitação. Quando o ar úmido e quente é

empurrado ,

para cima sobre o ar frio, nebulosidade,

com precipitações leves, pode cobrir uma vasta

área. Ciclones que tramitam ao longo de uma frente

estacionária podem despejar grandes quantidades

35


Climatologia

Geral e do Brasil

36

de precipitações fortes, resultando em enchentes significantes ao longo da

frente.

Freqüentemente as frentes estacionárias dissipam-se sobre a região

aonde elas param. Uma frente estacionária pode tornar-se uma frente fria ou

uma frente quente dependendo que massa de ar avança.

Tornados

Tornados ocorrem normalmente em áreas continentais e em muitas partes do mundo,

contudo os mais freqüentes e violentos ocorrem nos EUA, numa média de mais de 800

anualmente. A maioria dos tornados ocorre nas Planícies Centrais do centro do Estado de

Texas até Nebraska. Austrália vem em segundo lugar depois dos EUA. Tornados também

ocorrem na Inglaterra, Canadá, China, França, Alemanha, Holanda, Hungria, Índia, Itália,

Japão, Rússia, e até em Bermudas e nas Ilhas de Fiji. Porém tornados não estão restritos

somente nestes países citados. Em 13 de Fevereiro de 1999, um tornado causou danos em

Osório, Rio Grande do Sul, no Brasil. Grandes árvores foram arrancadas e edifícios

destruídos.

As planícies Centrais dos EUA são mais sujeitas aos tornados, porque a atmosfera

favorece o desenvolvimento de trovoadas severas que produzem tornados. Ali, especialmente

na primavera, ar úmido e quente na superfície é abaixo do ar mais frio e seco produzindo

uma atmosfera instável. Grandes trovoadas capazes de produzir tornados formam-se quando

existe um forte cisalhamento vertical de vento e o ar na superfície são empurrados para

cima.

Ciclones, furacões ou tufões

Ocorrem, normalmente, sobre o mar e são verdadeiros sistemas que podem alcançar

dezenas de km, sendo o mesmo fenômeno, apenas com designações diferentes em cada

parte do mundo. O furacão ou tornado é um vórtice extremamente

intenso de pequena extensão (< 500metros) que se desenvolve

abaixo de uma nuvem tempestuosa. Os ciclones tropicais formam

um centro quase circular com pressão central extremamente baixa,

pode variar de 160 a 650km e a velocidade dos ventos chegar até

200km/h. Eles sempre se originam em superfícies oceânicas.

○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

É uma espiral ascendente de

ar, normalmente associada a

uma baixíssima pressão no

centro.


[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

1. Pesquise na bibliografia,

sobre as características específicas

de cada massa de ar e a sua área

de atuação, de preferência

acompanhada de um mapa.

Clima e meio-ambiente das paisagens intertropicais

A presente explanação tem como objetivo caracterizar o mosaico de ambientes da

zona intertropical, mostrando aspectos relativos aos espaços macroecológicos e formular

alguns conceitos básicos.

Por interações bioclimáticas devemos entender que existe uma íntima ligação entre

os aspectos estruturais do ambiente, relativos às formações vegetais ou aos agrupamentos

faunísticos e àqueles ligados aos condicionantes climáticos.

Na caracterização ecológica dos ambientes intertropicais um primeiro aspecto que

chama bastante atenção é a estrutura da vegetação, que está intimamente ligada à resposta

do conjunto florística ante a luz, calor, umidade e temperatura e sua distribuição global,

ou seja seu condicionamento BIOCLIMÁTICO.

A descrição estrutural da vegetação emprega seis categorias:

a) Forma biológica: árvores e arbustos, lianas(ciperáceas), ervas, epífitos, briófitos.

b) Tamanho e estratificação: “alto, médio e baixo” e sinúsias apresentadas.

c) Cobertura: expansão horizontal da cobertura (insignificante, descontinua, em

fragmentos e contínua)

d) Função e periodicidade: Resposta ao ciclo climático. (caducifólios, perenifólios,

semicaducifólios).

e) Forma e tamanho das folhas: grandes, pequenas, compostas, acicular,

graminóide, etc)

f) Textura da folha: membranosas, coreáceas, peliculares e suculentas.

Cabe lembrar a diferença entre FATORES e ELEMENTOS, os primeiros, segundo

Strahler são: 1)Climáticos; 2)Geomorfológicos; 3)Edafológicos e 4)Bióticos ou sumariamente

descritos por Dansereau em: Latitude, distribuição dos continentes, relevo, depressões

barométricas e correntes marinhas, já os elementos são: temperatura, precipitação e ventos.

A zona intertropical guarda uma diversidade fabulosa de ambientes, que

compreendem praticamente todos os grandes biócoros, que comportam uma grande

subdivisão a depender do tipo de classificação empregada. Se tomarmos alguns biomas,

encontraremos as florestas equatoriais, tropicais, savanas e florestas claras, desertos,

estepes de altitude, etc.

37


Climatologia

Geral e do Brasil

38

Condicionantes climáticos do meio tropical

Para Ayoade (1986, p. 9), o domínio tropical ou intertropical pode ter

as seguintes definições:

a) áreas entre as latitudes de 30 o S e 30 o N;

b) área onde não há estação fria;

c) área do mundo onde a temperatura média anual é igual ou menor que

amplitude diária;

d) área do mundo onde a temperatura média ao nível do mar nunca é inferior a

18 o ;

e) parte do mundo onde as seqüências de tempo diferem distintamente das de

latitudes médias, servindo de linha divisória entre as easterlines e westerlines

na média troposfera.

Com relação aos aspectos apresentados, o que chama a atenção na discussão da

dinâmica intertropical é sem dúvida o grande aporte energético que esta recebe. Este aporte

depende de fatores como a nebulosidade e albedo, sendo a nebulosidade equatorial

proveniente dos sistemas convectivos e da elevada evapotranspiração.

Devido a maior presença de florestas na região tropical, há uma grande

absorção de calor, o que resulta num albedo muito baixo nessas áreas.

O balanço térmico apresenta uma pequena variação anual e uma média diária maior.

Sendo que a média anual é em torno dos 22 o C, comportando temperaturas médias mensais

entre 18°C a 32°C, raramente excedendo estes limites.

A circulação geral, nesta região, é comandada pelos cinturões de altas pressões

tropicais e o de baixa equatorial, embora sofra influências de outros sistemas. Assim, os

ventos alísios assumem grande importância nestas áreas.

Os ciclones tropicais são muito importantes e se formam em latitudes de 8 a 15 o N e

S. Em sua maioria são ventos de oeste trazendo fortes chuvas, atuam ao longo das: a)

Antilhas; b) parte ocidental do Pacífico norte; c) Mar Arábico e Golfo de Bengala; d) costa do

Pacífico próximo ao México e América Central; e) Madagascar; f) Samoa, Fiji e norte da

Austrália.

Outro sistema muito importante nesta dinâmica são as Monções, que ocorrem ao

longo da Ásia / África e América do Norte, influenciando diretamente a estrutura e organização

das paisagens nestas regiões.

Extensão e organização dos domínios tropicais

Para Ayoade (1986), o “domínio climático tropical” coincide, aproximadamente, com

a região compreendida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, assim, passaremos a

utilizar a designação intertropical para referirmo-nos a região em análise.


Fazendo-se uma caracterização mais genérica, vamos considerar toda a zona

intertropical, dividida em:

· Zona Equatorial: caracterizada pela elevada e regular distribuição

da temperatura e da precipitação, condições estas que permitem

uma elevada diversidade de espécies; animais (mamíferos, répteis,

etc) e vegetais (epífitas, lianas).

· Zona Tropical : Nesta zona começa a ocorrer uma diferenciação

estacional devido a latitude mais elevada. Já ocorrem variações do

tropical úmido ao tropical seco. Embora haja pouca variação da luz,

os ciclos já são mais definidos, aparecendo ambientes de Florestas

pluviais e Savanas.

Segundo Dansereau, há uma estreita relação entre os grandes domínios de vegetação

e o clima, sendo assim dividiu sua classificação bioclimática da seguinte forma:

1. Climas de Floresta: caracteriza-se pelas grandes precipitações, podendo ter

distribuição muito desigual e umidade relativa alta.

São compostas da seguinte estrutura: árvores em formação densa apresentada clara

estratificação de número variado.

O solo é protegido pela sombra dos estratos superiores. Na região tropical, dividese

nos seguintes tipos:

a) Floresta Pluvial: ocorrem em áreas de constante calor

e umidade, são formadas por árvores de tamanho variado havendo

uma imensa variedade de epífitas e lianas. O solo é bastante

humífero, pois o ciclo de nutrientes é muito superficial.

Devido aos fatores climáticos as folhas são grandes e

perenes de textura fina e não coreáceas não apresentando

mecanismos contra a evaporação.

Os estratos arbóreos são normalmente três: até 40m,

entre 15-30m e 5-15m.

b) Floresta Tropical: Situa-se entre 10 o até 23,5 o de latitude,

ocorre nas regiões úmidas com diferença sensível no verão e inverno,

podendo haver influência de período seco. A diferença de temperatura

não é muito marcante, mas influi diretamente na floração.

As folhas são perenes e mais curtas.

c) Floresta Esclerófita Úmida: de menor abrangência na zona tropical, apresenta árvores com folhas

coreáceas e algumas espécies decíduas com muito poucas epífitas. Outro importante ecossistema tropical, de

fundamental importância para a manutenção da fauna marinha é o manguezal, formação continua ao longo de toda a

faixa litorânea que normalmente é descrita como faixa de transição entre o mar e a floresta tropical (mata atlântica), que

em outros países recebe nomes particulares.

Nestas áreas, onde há ausência de estações secas, a evapotranspiração real é muito elevada, o lençol

freático e permanente e espesso. A decomposição química é grande, devido à constância da umidade e temperatura.

O húmus é rapidamente decomposto pela alta atividade dos microorganismos.

39


Climatologia

Geral e do Brasil

40

2. Climas de Savanas: Clima de precipitações limitadas e distribuição

desigual, não sendo raro a inconstância do regime pluviométrico.

As árvores são de tamanho variado, principalmente baixas e

disseminadas, formam zonas mais densas apenas nas margens dos rios.

Encontram-se numa posição intermediária entre a mata e a pradaria,

sendo dos seguintes tipos, na região tropical:

a) Caatinga: (savana

espinhosa) Período seco grande, com

árvores decíduas (caatinga = mata

branca e suculentas e algumas de

grande porte como a popular Barriguda.

[ ]

Agora é hora de

TRABALHAR

Circulação atmosférica no Brasil

b) Cerrado: Nome dado a “savana brasileira”, tendo

amplo domínio na porção central do Brasil, possuindo um grande

número de tipos. A seca dura até seis (06) meses, as árvores são

em sua maioria pequenas, podendo haver espécies de grande

porte, não sendo totalmente decíduas.

1. Em grupos de até cinco,

discuta sobre a questão da

biodiversidade atual e as

modificações

sociedade.

impostas pela

O CLIMA E SUAS APLICAÇÕES

A climatologia dinâmica tem como base de estudo os aspectos relativos à circulação

geral das massas de ar.

No Brasil, as massas de ar que atuam direta e indiretamente sobre o território são:

01) Massa Equatorial Atlântica (mEa)

02) Massa Equatorial Continental (mEc)

03) Massa Equatorial Pacífica (mEp)

04) Massa Tropical Atlântica (mTa)

05) Massa Tropical Continental (mTc)

06) Massa Tropical Pacífica (mTp)

07) Massa Polar Atlântica (mPa)

08) Massa Polar Pacífica (mPp)


abril.

A (mTa) tem sua origem na zona dos alísios de SE (anticiclone Atlântico sul).

A (mEc) formada sobre o continente.

Massa Antártica, sua fonte é a região polar.

Nimer, caracteriza a circulação geral a partir dos meses de janeiro, julho, outubro e

Verão:

-enfraquecimento do anticiclone

semifixo do Atlântico e da

Antártida.

-baixa do Chaco e Depressão do

alto Amazonas ficam

aprofundadas.

-a Ea e aTa tangenciam o litoral

leste do Brasil.-os alísios de NE

do anticiclone do Atlântico norte

são aspiradas para o interior do

continente.

Inverno:

-não existe depressão

continental, o anticiclone do

Atlântico (com pressão

máxima.) avança sobre o

continente.

-o anticiclone norte continua

a influenciar o litoral norte.

Tipos climáticos característicos do Brasil

Primavera e Outono

-com exceção da zona

equatorial nos oceanos e da

costa setentrional do Brasil, a

circulação é muito semelhante.

-penetração dos ventos de

leste.

-domínio do anticiclone do

Atlântico sobre o continente e

uma posição setentrional da

baixa da Amazônia.

Segundo a classificação de Köppen, são quatro as ocorrências no território brasileiro:

Esta classificação se desdobra na seguinte tipologia: clima equatorial, clima tropical

semi-úmido, clima tropical de altitude, clima tropical atlântico, clima semi-árido e clima subtropical.

41


Climatologia

Geral e do Brasil

[ ]

Agora é hora de

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42

A circulação atmosférica no Nordeste do Brasil

A partir da circulação geral do Brasil, pode-se individualizar alguns aspectos da Região

Nordeste. Paralelamente, ao longo da linha equatorial, ocorre uma linha divisória de massas

setentrionais e meridionais. Esta zona de ascensão denomina-se de FIT (frente intertropical)

e produz uma faixa de calmarias (doldrum) com aguaceiros e trovoadas.

Esta faixa varia com os solstícios e equinócios, no verão hemisfério Norte, está

aproximadamente a 10° de Latitude Norte, alcançando seu extremo em setembro, pois

ocorrem as mínimas na Antártida. No verão do hemisfério Sul ela está mais próxima ao

equador, alcançando seu máximo em março quando ocorrem as mínimas no pólo norte.

O centro de ação do Atlântico responsável pelo bom tempo no H. Sul alcança máxima

pressão em julho e mínima em janeiro. Em função disto à estação chuvosa nordestina

ocorrerá de janeiro a abril, quando a FIT avança para o Hemisfério Sul, ficando secos os

meses restantes sob domínio do centro de ação do Atlântico, representado pela mEa.

A estação chuvosa do interior do nordeste (inverno) está subordinada as oscilações

da FIT, que por sua vez depende da FPA (frente polar atlântica), que quando avança até o

litoral sul, provocando chuvas nesta área.

1. Pesquise na Internet sobre as condições

climáticas do Brasil e as peculiaridades de cada região,

montando uma base de dados com algumas cidades

brasileiras.

2.

2.

2. Monte um mapa com os dados retirados das

paginas do INMET e/ou do INPE http://www.inmet.gov.br e http://www.cptec.inpe.br .


Eventos climáticos extremos e recorrentes

O clima é o resultado da interação complexa entre os sistemas ambientais acionados

pela energia do sol. Ao contrário do que se pensa, a noção de equilíbrio climático não se

pode aplicar de maneira aleatória. Tufões, furacões , secas, são fenômenos recorrentes e

em parte previsíveis, mas também podem atingir magnitude imprevista.

O que de fato precisamos entender é que a Terra sempre conviveu com eles, mas a

ocupação humana concentrada e desordenada do espaço e intervenções em larga escala

transformaram eventos normais ou de baixa recorrência em catástrofes.

Enchentes urbanas acompanhadas de deslizamentos, desabamentos, etc, são cada

vez mais numerosas e devastadoras.

Hoje, possuímos meios tecnológicos e científicos nunca antes imaginados, somos

capazes de conhecer instantaneamente as condições da atmosfera de um dado lugar, como

também, de inferir aspectos de seu passado. É claro que isto não é suficiente, pois ainda

não conseguimos evitar que milhares de vidas humanas se percam diante de catástrofes

cada vez maiores. Elas aumentaram de fato? Ou os seres humanos estão no seu caminho?

A magnitude e freqüência dos desastres naturais sem dúvida ampliaram-se e impõe

uma séria reflexão e atitudes sobre os mesmos, mas será, que está no âmbito humano

estas correções? Ou será elas são eventos da própria evolução do planeta?

É certo que poderíamos indagar muito mais sobre isso, mas nos ateremos a algumas

destas questões. A década de 90 acumulou mais desastres ambientais de repercussão

econômica e humana, que as quatro décadas anteriormente somadas. Este dados do

Worldwatch Institute, ilustram o problema. Se olharmos para o Brasil e analisarmos os

estragos provocados por secas, enchentes urbanas, deslizamentos e fenômenos associados,

teremos também números catastróficos.

[ ]

Agora é hora de

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1. Faça um levantamento

sobre as principais catástrofes

ambientais de origem climática,

El ñino, Oscilação sul e suas conseqüências

El Niño

A evolução dos episódios de El Niño (o menino) é considerado por alguns uma

anomalia e por outros uma inversão normal do padrão climático global, uma vez que tem

recorrência quase constante. Este tem se mostrado, nas duas últimas décadas, uma

recorrência cada vez maior. Em 1998 apareceu com grande intensidade, sendo este

considerado o mais forte aquecimento do Pacífico Equatorial Central e Oriental dos últimos

150 anos (desde o início das medidas de temperaturas da superfície do oceano).

O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais

do Pacífico Equatorial Oriental. O aquecimento e o subseqüente resfriamento num episódio

típico de El Niño duram de 12 a 18 meses. A evolução típica do fenômeno mostra que inicia

43


Climatologia

Geral e do Brasil

44

no começo do ano, atinge sua máxima intensidade durante dezembro daquele

ano e janeiro do próximo e se enfraquece na metade do segundo ano.

O aumento dos fluxos de calor sensível e de vapor d’água da superfície

do Oceano Pacífico Equatorial para a atmosfera, sobre as águas quentes,

provoca mudanças na circulação atmosférica e na precipitação em escala

regional e global, que, por sua vez, provocam mudanças nas condições

meteorológicas e climáticas em várias partes do mundo como mostra a figura.

No caso do Brasil, as regiões mais afetadas são o semi-árido do

Nordeste, norte e leste da Amazônia, sul do Brasil e vizinhanças pelas mudanças na

circulação atmosférica durante episódios de El Niño.

A Região Sul do Brasil é afetada por aumento de precipitação, particularmente

durante a primavera no primeiro ano e posteriormente o fim do outono e início do inverno no

segundo ano. O norte e o leste da Amazônia e o Nordeste do Brasil são afetados pela

diminuição da precipitação, principalmente, no último, entre fevereiro e maio, quando se

tem a estação chuvosa do semi-árido. O Sudeste do Brasil apresenta temperaturas mais

altas, tornando o inverno mais ameno.


[ ]

Agora é hora de

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Mudanças climáticas em curso

1. Veja no AVA detalhes

e imagens muito interessantes

sobre o tema.

Ver animações em

http://www.inmet.gov.br e

http://www.cptec.inpe.br

Segundo alguns cientistas, a temperatura média global da Terra é hoje de +15°C,

mas a temperatura efetiva de radiação é hoje de –18°C. Portanto, o efeito-estufa atmosfera

causa um aquecimento de cerca de 33°C.

Planetas com temperaturas muito frias, como Marte, se explicam pela ausência quase

total vapor de água e CO 2 , na sua tênue atmosfera. A temperatura altíssima da superfície

Vênus é devida principalmente à abundância de CO 2 que, pelo efeito estufa, não deixa

escapar a maior parte do calor para o espaço.

Então, não podemos confundir a temática do efeito estufa com aquecimento global,

pois o segundo causa um agravamento do primeiro.

O dióxido de carbono (CO 2 ) é um componente normal do ar e entra na atmosfera

pela respiração dos seres vivos (animais, plantas e microorganismos) e pelas emanações

de vulcões, gêisers, etc. Dados recentes mostram que as concentrações de dióxido de

carbono na atmosfera estão aumentando na razão de 15 e 17 partes por milhão ao ano.

Quando o CO 2 aumenta, a absorção de infravermelho aumenta e a temperatura ar

sobe, fazendo com que mais vapor de água seja retido. O resultado é um aumento de nuvens

que também absorvem infravermelho e, por efeito estufa, aumentam mais a temperatura do

ar. Juntando a isto o efeito de outras substâncias e partículas em suspensão, resulta numa

“bola-de-neve” que incrementará mais a temperatura média global. Os resultados se farão

sentir principalmente na temperatura de verão e no equilíbrio entre a água líquida e a água

em forma de gelo.

Este aumento foi registrado desde 1958 em Mauna Loa e está sendo monitorado

agora em outros locais.

Outro gás da atmosfera que produz o efeito estufa é o metano. Uma molécula de

metano (CH 4 ) é 25 vezes mais eficiente do que uma molécula de CO 2 na retenção de calor.

O metano é um gás natural que chega à atmosfera por diferentes caminhos: sai nas erupções

vulcânicas, é produzido normalmente por bactérias nos pântanos e nas plantações de brejo

(por exemplo, arrozais), por ruminantes, nos seus aparelhos digestivos, e por insetos. Os

cupins, tão comuns em pastos e savanas tropicais, produzem grande quantidade de metano,

que pode ser facilmente medida.

Análises da atmosfera a partir de 1980 mostraram que o metano está aumentando

em cerca de 1,1% ao ano e, em 1990, chegou a 1800 p.p.m. Este fato sugere que o grande

aumento atual seria devido ao crescimento da população humana e ao aumento de sua

atividade agropecuária, queima de biomassa, vazamentos nas tubulações de gás, etc.

45


Climatologia

Geral e do Brasil

46

Os CFCs

Foi somente no início da década de 80 que se descobriu que os óxidos

de nitrogênio e os clorofluorcarbonos (CFCs) também retêm o calor na

atmosfera. Estes gases, junto como dióxido de carbono e o metano, são hoje

conhecidos pela denominação de gases-estufa.

Os óxidos de nitrogênio (N0 2 , NO 3 , N 2 0) são produzidos normalmente

pela ação microbiana no solo. Uma molécula de óxido nitroso é 250 vezes

mais eficiente que uma de dióxido de carbono para reter calor na troposfera e, portanto, um

pequeno aumento deste gás produz um efeito estufa muito grande.

Finalmente, um poluente moderno, constituído por gases denominados

clorofluorcarbonos (CFCs), é o mais poderoso retentor do calor e um destruidor do ozônio

estratosférico. Uma molécula de CFC-12 (há vários tipos que são numerados na indústria)

tem a capacidade de reter 20.000

vezes mais calor que uma de CO 2 ;

uma molécula de CFC-11 retém

17.500 vezes mais. Felizmente a

concentração dos CFCs na atmosfera

ainda é baixa, porém está

aumentando a uma velocidade de

cerca de 5% ao ano.

Algumas das mudanças que

houveram no passado foram

gradativas e oportunizaram

possibilidades de adaptação aos

seres vivos. Se a temperatura da

Terra subir, as conseqüências serão

muito grandes na distribuição destes,

na agricultura, florestas, centros

urbanos e no levantamento do nível do

mar.

Estudos realizados já

mostraram os efeitos destas

mudanças climáticas no passado

como pode ser observado nas figuras

ao lado.

[

]

Agora é hora de

TRABALHAR

Esquema da variação quaternária (segundo Goudie, 1977). A

sequência de níveis marinhos pleistocênicos é mostrada na parte

superior, enquanto as curvas de nível do mar, compiladas por vários

autores para o Holoceno, são indicadas no gráfico inferior.

1Faça um levantamento sobre os dados existentes

sobre mudanças climáticas globais.

2 Discuta com os colegas os textos lidos e procure

fazer uma síntese desta discussão.


Atividade

Atividade

Orientada

Orientada

Com o objetivo de desenvolver um estudo da Climatologia de uma maneira prática e lúdica

serão propostas tarefas em etapas distintas.

· Objeto: Construção de instrumentos de observação meteorológica e realização de experimentos sobre

processos associados à dinâmica da atmosfera.

· Finalidade:

Compreender o papel de alguns elementos e fatores que caracterizam os tipos climáticos e entender

a dinâmica da atmosfera, percebendo como para a climatologia a coleta de dados e a observação

de fenômenos são fundamentais para a construção de modelos e conceitos.

Assimilar, enquanto professor crítico e reflexivo a importância de atividades práticas e lúdicas na

construção do conhecimento geográfico.

· Metodologia: Aulas práticas com a construção de instrumentos de observação meteorológica e

experimentos. Essas atividades devem ser feitas em grupos que possuam entre 5 e 6 pessoas.

Importante: Essas atividades podem depois ser utilizadas na prática docente com os seus alunos,

como um elemento concreto de compreensão dos fatores e elementos que constituem o clima.

Etapa

Etapa

Etapa 1 (

Construindo um Pluviômetro:

Conhecendo a Pluviosidade )

Para medir a quantidade de chuva numa região, os meteorologistas usam aparelhos

denominados pluviômetros.

Vamos construir um pluviômetro.

Materiais:

-Um vasilhame (garrafa ou litro – pode-se usar as garrafas do tipo PET transparente,

cortando-a no meio.

-Um funil;

-Uma régua que marque os milímetros ( essa régua pode ser feita de papel e colada

na lateral do vasilhame )

-Fita adesiva.

Procedimento:

Coloque o funil dentro do vasilhame para recolher a água da chuva.

47


Climatologia

Geral e do Brasil

48

Cole a fita adesiva na parte lateral do vasilhame e escreva nela (medindo

com a régua), a escala graduada em milímetros, a partir da base.

A construção do pluviômetro deve ser encarada como uma forma de

compreender como funciona o instrumento na coleta de dados meteorológicos,

assim como servir de base para a realização de atividades práticas com os

educandos em sala de aula.

Comparem suas conclusões no fórum de discussão (AVA)

- Com a construção realizada utilize as observações feitas durante o processo

e descreva:

2 2 Etapa (

Etapa

Etapa

Conhecendo a Pressão Atmosférica )

A Terra é envolvida por uma camada de gases denominada ar atmosférico. Como

o ar tem peso, ele exerce uma pressão sobre a superfície terrestre, assim como sobre

todos os corpos expostos ao ar.

Materiais:

· Quais os conhecimentos (conceituais, procedimentais e atitudinais),

que os alunos podem adquirir a respeito da climatologia?

· Quais as séries (dos ensinos Fundamental e Médio) onde essa prática

pode ser desenvolvida?

· Quais os conteúdos específicos de Geografia Física que podem ser

abordados e discutidos sobre essa prática?

· Descreva detalhadamente em forma de um texto o funcionamento

e a forma de utilização do pluviômetro.

· Explique também em forma de texto, as informações quanto a

caracterização climática, que o pluviômetro pode apresentar.

• Uma lata de leite em pó vazia

• fogareiro ( basta um para toda a sala, o qual pode ser providenciado pelo tutor )

• água fria

• fita adesiva ou outro material como cortiça que possa tampar o orifício da lata.

• bandeja ou bacia para acondicionar a água.


Procedimento:

Você pode comprovar o enorme valor da pressão atmosférica pegando uma lata de

leite em pó (não pode ser de qualquer produto inflamável) vazia (isto é, cheia de ar) e retirando

o ar de dentro dela. Para retirar o ar faça um pequeno furo na parte superior da lata, aqueçaa

num pequeno fogareiro (muito cuidado ao fazer isso).

Após alguns minutos de aquecimento uma grande parte do ar escapa pelo orifício.

Tampando cuidadosa e firmemente o orifício, o ar não pode mais retornar para dentro

da lata.

Derrame água fria sobre a lata. Observe que a pressão interna diminui bastante,

permitindo que a pressão atmosférica mostre toda sua capacidade, amassando toda a

lata.

Etapa

Etapa

3 Etapa ( Conhecendo a Evapotranspiração )

Parte da água que está na atmosfera em forma de vapor é proveniente de um processo

chamado de evapotranspiração das plantas, ou seja é a transpiração, que ocorre

principalmente através da superfície das folhas.

Para compreender como isso ocorre, realize a seguinte experiência:

Materiais:

-Um vaso com uma plantinha;

-Dois sacos plásticos grandes.

Procedimento:

· Perceba que com essa

experiência é possível visualizar que a pressão atmosférica é na verdade o

peso da camada de ar que está sobre nós.

· Com base nessa experiência explique porque nas regiões mais elevadas

(onde a pressão é menor), a temperatura tende a ser muito menor do que ao

nível do mar (onde a pressão é muito maior). Caracterize muito bem esse

processo citando exemplos concretos, como por exemplo, o tipo de vida

dos moradores de regiões montanhosas comparado à vida das

pessoas que vivem ao nível do mar.

Tome um vaso contendo uma plantinha e cubra-o com um saco plástico deixando

livre somente a plantinha.

Em seguida, com outro saco plástico você deve cobrir todo o conjunto.

49


Climatologia

Geral e do Brasil

50

Depois de algumas horas você verá que o saco plástico que envolve a

plantinha está todo embaçado.

Isso acontece por causa do vapor de água eliminado pelas folhas que

se condensa na superfície interna do saco plástico.

Essa eliminação de vapor de água pelas folhas chama-se

evapotranspiração.

· Em espaços como a Amazônia o processo de evapotranspiração é muito

importante.

· Demonstre essa importância e explique como o desmatamento pode

afetar a dinâmica climática dessa vasta região natural do nosso planeta.

Procure em jornais ou revistas informações sobre a recente estiagem que ocorreu

na região e produza cartazes que chamem a atenção para o problema que

o desmatamento acelerado pode trazer para a dinâmica climática. Em seguida

apresente suas conclusões para o grupo.

· Depois de realizar todos esses experimentos desenvolva uma tabela com os

principais tipos climáticos do Brasil citando as suas respectivas característica.

TIPO CLIMÁTICO

EQUATORIAL

TROPICAL TÍPICO

TROPICAL

LITORÂNEO

TROPICAL DE

ALTITUDE

SEMI – ÁRIDO

SUBTROPICAL

PUVISIDADE MÉDIA

(mm) ANUAL

TEMPERATURA MÉDIA (°

C) ANUAL

ÁREA DE OCORRÊNCIA

Elaboração : Professor Carlos Eduardo Oliveira Referências : www.eaprender.ig.com.br


Bibliografia Básica

AYOAD, J. O. Introdução à Climatologia para os Trópicos. São Paulo:

DIFEL, 1986 ou 1996.

CONTI, J. B. Clima e Meio Ambiente, São Paulo: Editora Atual, 1998.

NIMER, E. Climatologia do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 2.ed., 1989.

ROSS, J. Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2002.

STRAHLER, A. Geografia Física, Barcelona: Ediciones Omega, 1996.

DEMILLO, R. – Como funciona o clima - São Paulo: Quark Books, 1998.

SALGADO-LABORIAU, M. L. História ecológica da Terra. São Paulo:

Edgard blücher ltda, 1994.

Bibliografia Complementar

BLAIR, T.; FITC, T. Meteorologia, Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1975.

DEMILLO, B. Como Funciona o Clima. São Paulo: Editora Quark Books,

1998.

ROSS, J. Geografia do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2002.

VIANELLO, R.; ALVES, A. R. Meteorologia Básica e Aplicações. Viçosa:

UFV, 1991.

LEGGT, JEREMY. Aquecimento Global (relatório Greenpeace).Rio de

Janeiro, Ed FGV, 1992.

GOODY, R. M. & WALKER, J.C.G. Atmosferas planetárias. São Paulo:Ed.

Edgard Blücher LTDA, 1972.

LOVELOCK, J. As Eras de GAlA: Biografia da Nossa Terra Viva. Rio de

Janeiro: Ed. Campus, 1991, p. 236.

Sites interessantes:

Referências

Referências

Bibliográficas

Bibliográficas

http://www.wiuma.org.br

http://www.inmet.gov.br

http://www.cptec.inpe.br

http://www.srh.ba.gov

http://www.icb.fg.gglch.usp.br

http://www.climerh.rct-sc.br

http://www.brasgreco.com/weather

http://www.maurinto.pro.br/mapas/mun_clima.htm (imagens)

http://www.labcaa.ufjf.br/teorico.htm (equipamentos)

http://www.tamandare.g12.br/ciber/1_climatologia.htm

http://br.weather.com/index.html (imagens brasil/mundo)

http://www.brasgreco.com/weather/tornados/t_clima.html

http://www.miniweb.com.br/Geografia/Geografia%20Fisica.html (textos)

http://www.para30graus.pa.gov.br/glossario.htm (glossário)

51


Climatologia

Geral e do Brasil

52

FTC - EaD

Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância

Democratizando a Educação.

www.ftc.br/ead

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